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Capítulo 85

Gestão da diversidade e movimento social LGBT: Intersubjetividades esquecidas

Mariana Lima Bandeira1, Pedro Jaime2 y Carlos Frederico Lúcio3

Introdução

Desde o final dos anos 1970, os movimentos sociais trouxeram para a esfera pública a pauta do
direito à diferença de grupos historicamente subalternizados (Touraine, 1984; Santos, 2007).
O Brasil viu consolidar esta luta entre a população LGBT nos últimos 20 anos (Facchini, 2005,
2008, 2009).

Embora isso tenha acontecido em escala global, a maneira como as empresas incorporaram esta
Subjetividades, identidades y practicas pauta tem sido criticada (Burrell, 1984; Capper, 1999). Frequentemente, o próprio ambiente
frente a la reorganización del trabajo corporativo perpetua práticas perversas que reduzem a efetividade das políticas institucionais
(Caproni-Neto e Saraiva, 2013, 2014).
en América Latina
Este trabalho busca entender o alcance das conquistas do movimento social LGBT face
às iniciativas de gestão da diversidade implementadas pelas empresas no Brasil, e mais
especificamente na cidade de São Paulo. Seu propósito é resgatar a trajetória do movimento
LGBT no Brasil desde sua emergência no final dos anos 1970, buscando explorar, a partir da
perspectiva de alguns atores, as transformações na sua organização e nas demandas por ele
construídas a fim de problematizar os nexos entre as mudanças ocorridas neste movimento,
os percursos profissionais desenhados por pessoas LGBT no mundo empresarial e suas ações
individuais e coletivas mobilizadas nos ambientes de trabalho.

Este texto está organizado em quatro seções. Na primeira, é feita a descrição e justificativa
das escolhas metodológicas. Em seguida, são apresentadas brevemente tanto a configuração
do movimento social LGBT no Brasil (com suas principais demandas e conquistas) como sua
incorporação pelas empresas. A terceira seção apresenta os resultados da pesquisa empírica.
1. Universidad Andina Simón Bolívar, Ecuador e Universidad Estatal de Milagro, UNEMI. Email: limabandeira.mariana@gmail.com
2. Centro Universitário FEI, Brasil. Email: pedrojaime@fei.edu.br
3. Escola Superior de Propaganda e Marketing-ESPM, Brasil. Email: fred@espm.br

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Finalmente, são propostas algumas considerações para discussão. sem ideologia” (p. 15)4, o que amplia a perspectiva subjetiva para o reconhecimento de uma
intencionalidade na produção da fala e, consequentemente, na construção de sua subjetividade.
O estudo está em construção. O recorte que ora dispomos apresenta reflexões iniciais para Concretamente, a avaliação das entrevistas deve se basear na interface de duas forças: o
suscitar o debate, seja sobre metodologia, seja sobre o corpus teórico proposto para análise ou conteúdo que circula no espaço social estudado; e a força que resulta do próprio processo
ainda sobre o desenvolvimento da investigação. de interação social e as pressões que geram e mantêm identidades coletivas. O princípio da
interdiscursividade (Fairclough, 2001) sugere que certas ordens de discurso têm primazia sobre
Percurso metodológico os tipos particulares de discurso. Os limites, no entanto, são flexíveis mostrando as possibilidades
de desarticulações e rearticulações dos discursos por meio da prática social.
A pesquisa mais ampla, realizada na cidade de São Paulo, é de caráter exploratório e qualitativo,
utilizando-se de fontes secundárias (levantamento bibliográfico e documental) e entrevistas em A interdiscursividade se manifesta, então, nos discursos indiretos e na prática social, mais
profundidade com diferentes atores/sujeitos (ativistas LGBT, consultores, executivos, políticos do que nos textos e falas evidentes. Uma forma de captar a interdiscursividade é observar o
e representantes de duas gerações de profissionais LGBT que estão desenhando carreiras silêncio como uma evidência de significação (Orlandi, 2015b). Os silêncios corresponderiam a
gerenciais no mundo empresarial – uma que iniciou seu percurso no final dos anos 1970 e momentos de interdiscursividade, pois são pontos de transformação de uma narrativa, onde se
outra que ingressou no mercado de trabalho no século XXI). Para a escrita deste trabalho criam novos sentidos, gerando novas narrativas.
foram utilizadas quatro entrevistas, realizadas entre 2017 e 2018, com duração média de
três horas cada: dois ativistas LGBT e dois consultores. Nelas, explorou-se a percepção desses Sob essa perspectiva, a análise do discurso seria responsável por articular um conjunto de
atores quanto à trajetória do movimento LGBT a partir dos anos 1970. A conversa enfocou as textos e práticas de um dado grupo social em determinado contexto. Entender essa permanente
demandas e agenda desse movimento, procurando mapear as relações (ou ausência delas) que construção implica em aceitar a dialogia do discurso, em que duas ou mais vozes se confrontam,
ele foi estabelecendo com as empresas, especialmente no que se refere à proposta da gestão se constroem, se desconstroem e se reconstroem5 e, também, aceitar sua impermanência e
da diversidade. possibilidades de modificar o repertório de significados na prática social.

Esses dados estão sendo organizados para captar os discursos em seus três níveis de análise O movimento LGBT e a gestão da diversidade nas organizações: equilíbrio distante
(Fairclough, 2001): texto, prática discursiva e prática social. O texto é uma dimensão do
discurso, mas não a única, e considera-se que as orações podem assumir distintas funções e são A consolidação das democracias contemporâneas proporcionou o fortalecimento da sociedade
transitivas, ou seja, “as pessoas fazem escolhas sobre o modelo e a estrutura de suas orações civil organizada (Bianchi, León e Perini, 2017) com consequências benéficas para a redução da
que resultam em escolhas sobre o significado (e a construção) de identidades sociais, relações injustiça social (Dávila-Paredes, 2010). Um dos movimentos que se destacou nos últimos anos
sociais e conhecimento e crença” (Fairclough, 2001, p. 104). foi o LGBT. Para analisar sua construção no Brasil, utilizou-se os estudos de Regina Facchini
(Facchini, 2005, 2008, 2009; Facchini e França, 2009), combinados com os trabalhos de Júlio
A origem etimológica da palavra discurso sinaliza a ideia de movimento e de uma construção do Simões e Sérgio Carrara (Simões e Facchini, 2009; Carrara & Simões, 2007; Carrara et al.
indivíduo para constituir-se como sujeito. Neste estudo, essa visão fica clara pois “o autor é quem 2006).
dá à inquietante linguagem da ficção suas unidades, seus nós de coerência, sua inserção no real”
(Foucault, 1999, p.31) e, portanto, “procura-se compreender a língua fazendo sentido, enquanto Facchini (2009) resgata a trajetória do movimento no Brasil em relação ao contexto internacional
trabalho simbólico, parte do trabalho social geral, constitutivo do homem e da sua história” 4. Reinterpretação de Orlandi (2015a), fundamentando-se em Pêcheux, M. Les Vérités de la Palice, Maspero, Paris, trad. Bras. Semântica e Discurso,
(Orlandi, 2015a, p.13). Outrossim, assume-se que “não há discurso sem sujeito e não há sujeito Orlandi et al,, Editora Unicamp, 1975.
5. O termo desconstrução é utilizado nesta pesquisa com o mesmo sentido que Spink (2000) usa o termo desfamiliarização, como reflexão e
estranhamento com o habitual e constituído, necessários para transformar crenças e instituições em outros sistemas interpretativos.

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e indica que seu início nos anos 1970 foi marcado pela pauta da construção de identidades empresas.
e por uma explicação científica da homossexualidade (Simões e Facchini, 2009). Muitos
mecanismos (jornais, revistas, festas, redes etc.) foram mobilizados na luta pela aceitação social Pesquisas recentes no país ainda têm essa proposta funcionalista e gerencialista, sugerindo
e reconhecimento dessas identidades. Entre os avanços mais visíveis estão as conquistas legais modelos de gestão da diversidade que possam gerar competitividade (Barbosa, Brito e Bizarria,
e normativas sobre os direitos civis, tais como o reconhecimento legal de vínculos afetivos 2016), aumentar a produtividade ou a satisfação laboral (Brito, Obregon e Dias-Lopes, 2016), ou
homossexuais, além do combate à homofobia. Além disso, uma mudança cultural em São Paulo ainda melhorar o desempenho e reduzir a discriminação (Macalli et al, 2015). Essa perspectiva
se perfila em função do surgimento de grupos organizados que apoiam o movimento LGBT, tais parece ser reflexo do mainstream internacional sobre o tema, já que também se observa um
como o Grupo SOMOS, o Grupo CORSA, a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. debate semelhante em outros países (Pitts, 2009; Pitts et al, 2010; Hur e Strickland, 2015).
No cenário corporativo, tem-se iniciativas do Instituto Ethos e a criação do Fórum de Empresas
e Direitos LGBT+ (Bulgarelli, Jesus e Douek, 2013; Jesus, Douek e Bulgarelli, 2014; Gohn, 2011; Ainda há espaço para uma reflexão crítica sobre a diversidade nas organizações, que escape
ETHOS, 2000, 2016). aos ditames da visão instrumental (Zanoni et al., 2010). Um esforço nessa direção é encontrado
Alves & Galeão-Silva (2004). Partindo de um referencial teórico que articula o marxismo com
Dada a natureza plural das identidades articuladas no movimento, nota-se a consolidação de sua a teoria crítica da escola de Frankfurt, esses autores equacionam a gestão da diversidade,
representatividade nas reconfigurações de sua sigla: movimento gay, GLS, LGBT, LGBTQ, LGBT+ especialmente em sua aplicação no Brasil, com tecnocracia e a democracia racial, denunciando
etc. Ao mesmo tempo, isso se torna um ponto de fragmentação: mesmo tendo uma agenda seu caráter ideológico.
comum, os interesses particulares derivados da política de identidades pulverizam as demandas
e as conquistas. Assim, diferentes estratégias de ação mostram alguns encontros e desencontros Por sua lógica instrumental, se supõe que ao embutir o discurso da diversidade organizacional
(Facchini, 2008, 2009) que vão “desde disputas de poder e de espaço de representação nas crenças dos indivíduos, pelo uso de determinadas práticas e de políticas disciplinadoras,
governamental entre lideranças até desavenças quanto à demarcação de fronteiras identitárias” as organizações buscam a concordância dos empregados na incorporação de um determinado
(Almeida & Heilborn, 2008, p. 229). Por esse motivo, enquanto houver uma ênfase na definição conhecimento (Willmott, 1993). Ao coadunar com essa apropriação, o empregado perde poder
dos sujeitos e de suas fronteiras, poderá existir uma proliferação de categorias de sujeitos, e de barganha sobre sua força de trabalho. Pressupõe-se que as motivações que dão sustentação
principalmente de organizações que as defendam. a essa atitude são parte da própria construção de sua identidade, mesmo que em algumas
oportunidades essa suposta aceitação demande esforços e estratégias de superação de uma
Nesse contexto histórico-social, artigos científicos orientados à gestão empresarial da discriminação simbólica, socialmente construída (Irigaray, Saraiva e Carrieri, 2010; Caproni-
diversidade foram publicados nos Estados Unidos desde o início dos anos 1990, com destaque Neto e Saraiva, 2013). Por isso é grande a responsabilidade da organização ao propor um modelo
para Cox e Blake (1991) e Thomas e Ely (1996). A despeito de diferenças no tratamento da de gestão que de alguma forma participa da construção de identidades.
questão, o ponto central da argumentação dos autores é o mesmo: se for bem gerenciada a
diversidade melhora o desempenho do negócio, representando uma importante fonte de Ademais, os modelos de gestão ainda mostram poucos avanços quando se trata de valorizar
vantagem competitiva para as empresas. Isto porque a organização que possui um programa de as diferenças (McDonald, 2010; Olsen e Martins, 2012, 2016; Trittin e Schoeneborn, 2017;
gestão da diversidade consistente atrai e retém os melhores talentos, forma equipes de trabalho Schwabenland e Tomlinson, 2015). Mais ainda, a sexualidade continua sendo tratada no
compostas por indivíduos que possuem diferentes repertórios culturais, sendo, portanto, mais âmbito organizacional como um tabu e poucas são as iniciativas que realmente poderiam ser
criativas, inovadoras e capazes de atender às demandas de consumo dos distintos grupos sociais classificadas como inclusivas sob este prisma (Irigaray, Saraiva e Carrieri, 2010; Caproni-Neto
que compõem uma sociedade multicultural. Anos mais tarde, a gestão da diversidade chegou e Saraiva, 2013).
ao Brasil (Fleury, 2000), inicialmente a partir de um referencial analítico estado-unidense e
subscrevendo a visão da gestão da diversidade como fonte de vantagem competitiva para as Resultados empíricos: a perspectiva dos sujeitos

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Os principais aspectos dos relatos dos entrevistados foram organizados a partir de categorias Essa relação com o mundo empresarial resultou em conflitos internos ao movimento LGBT. Os
extraídas das narrativas que convergiam para evidenciar a relação entre as demandas do dois ativistas entrevistados enfatizaram tensões na organização da Parada LGBT. Para um deles,
movimento e suas respectivas traduções no ambiente organizacional. Iniciamos com a percepção no entanto, o problema não se deve à participação empresarial, mas a decisões tomadas em
da configuração inicial do movimento LGBT, passamos para as transformações desse movimento função de interesses particulares.
e de como os entrevistados atribuem significados para a participação empresarial. Os ativistas
serão representados por A1 e A2; os consultores por C1 e C2. Sobre os riscos de mercantilização da Parada, os ativistas acreditam que se existir uma seleção
de quais empresas podem associar sua imagem à do movimento, pode haver um fortalecimento
A percepção comum entre eles é que na sua origem o movimento LGBT era bastante informal do mesmo. Mas reconhecem que possivelmente as empresas participam com uma perspectiva
e não tinha uma diretriz definida, estando unido a outros grupos socialmente vulneráveis. Essa de curto prazo.
informalidade resultava numa maior coesão, já que se dependia da colaboração de todos,
indiscriminadamente. Também nessa época o movimento possuía um viés marxista. As empresas Houve menção de todos os entrevistados sobre o apoio do setor público: A1, A2 e C1 explicitam
ainda não se vinculavam explicitamente à questão da diversidade e a pouca aderência que havia que a gestão da prefeita Marta Suplicy deu bastante abertura na época para se desconstruir
poderia estar associada a outros elementos. Em seu depoimento, A1 aponta a perspectiva mitos relacionados à homossexualidade e para se discutir a criminalização da homofobia. C2
comunitária do seu marco inicial: a 17ª Conferência da International Lesbian and Gay Association resgata o apoio, na esfera federal, da gestão do presidente Lula.
(ILGA), no Rio de Janeiro, que culminou com uma marcha “pride” na Av. Atlântica. Segundo ele,
esse momento era caracterizado por uma construção comunitária dos grupos que participaram. No que se refere à aproximação do mundo empresarial, C2 traz dois argumentos interessantes. O
primeiro é de ordem cronológica. Ele enfatizou que foi “no final dos anos 90 e nos anos 2000 que
Esta perspectiva se contrapõe a um discurso corrente atualmente de que a Parada se tornou mais a discussão começou a chegar nas empresas. [...] E essa discussão veio num primeiro momento
uma festa do que uma representação do movimento social. Quanto a isso, a fala dos entrevistados com essa lógica de tradução, de trazer para cá o que já era desenvolvido nos EUA há algum
corrobora estudos consultados: a política de identidades, a proliferação das organizações da tempo”. O segundo é da ordem do escopo da diversidade sexual:
sociedade civil, a organização e a profissionalização do movimento social resultaram também
em um mosaico de interesses que disputam o mesmo espaço. O marco para essa transformação O que a gente percebe muitas vezes é a inclusão de pessoas que já preenchem o perfil
foi, na opinião de A1, o sucesso do ano 2000 atestado pela visibilidade midiática da Parada. Teria da empresa. São os gays, principalmente, brancos e altamente escolarizados. É válida a
sido por conta dessa visibilidade que empresas passaram a apoiar o movimento como estratégia política, mas já me questiono se essas pessoas seriam realmente as vítimas do preconceito.
de posicionamento da marca.
Finalmente, um tema que emerge é a mistura entre os papéis que cada um exerce na cotidianidade,
C1 subscreve essa perspectiva e enfatiza a necessidade de as empresas terem uma visão da e que reforça o elemento de interdiscursividade nas entrevistas. Algo que foi enunciado por um
diversidade integrada a toda a sua gestão. Ele admite que algumas companhias patrocinam dos consultores entrevistados: “Eu realmente acredito que o trabalho que faço nas empresas é
a Parada mais não possuem políticas de diversidade consistentes. Ao mesmo tempo, outras um trabalho de ativismo”.
organizações não assumiram compromissos públicos em termos dos direitos humanos LGBT,
mas possuem iniciativas consistentes nessa área. Ele defende que o diálogo entre empresas e o Considerações Finais
movimento LGBT reforça as demandas do movimento, ao passo que as empresas que apenas se
interessam por aproveitar o movimento para consolidar a marca não estabelecem nenhum tipo A atuação do movimento LGBT no Brasil, até recentemente, não enfocava o mundo do trabalho.
de compromisso. Não se observava a construção de demandas relativas ao mundo empresarial, conectadas,

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portanto com questões relativas às trajetórias profissionais de gays, lésbicas, transsexuais,
travestis, etc. O foco de preocupação do movimento, em suas distintas formas de manifestação e Alves, M. A. e Galeão–Silva, L. (2004). A crítica da gestão da diversidade nas organizações.
organização, esteve dirigido para a busca da aceitação, da redução da violência e da discriminação. Revista de Administração de Empresas, 44 (3), p.20-29.
Até mesmo no âmbito da pesquisa científica, essa interface entre movimento LGBT e o mundo
empresarial, salvo raras exceções, tem sido negligenciada no Brasil. Essa constatação reforça Ashikali, T. e Groeneveld, S. (2015). Diversity management for all? An empirical analysis of
a importância da investigação que estamos desenvolvendo. Além dela, duas outras reflexões diversity management outcomes across groups. Personnel Review, 44(5), p. 757–780.
podem ser extraídas dos dados e das análises de discurso dos sujeitos entrevistados para este
trabalho. Nós as deixamos aqui para suscitar o debate. Barbosa, F. L. S. Brito, A. S. e Bizarria, F. P. A. (2016) Tatuagens, Piercings e Diversidade Cultural:
o que gestores dizem sobre esse tema? Teoria e Prática em Administração, 6 (2), p.78-106.
A primeira reflexão se refere às distintas respostas que as empresas têm dado às demandas
do movimento LGBT. Foi possível notar que há uma variedade de motivações. Mas é certo Bianchi, M., León, C. e Perini, A. (2017). Transformaciones de la participación política en
que, seja pelo interesse de posicionar a marca, seja pelo reconhecimento da aderência dos América Latina. Asuntos del Sur. Buenos Aires, 2017. La versión original de este documento fue
direitos humanos LGBT aos princípios da responsabilidade social, as empresas têm começado publicada en diciembre de 2016 por la Revista Eletrônica de Ciência Política (DOI: http://dx.doi.
a interagir com esse movimento social. Percebeu-se que o mosaico de motivações independe org/10.5380/recp.v7i2.48528).
de seu tamanho e da sua área de negócios. Ainda não foi possível inferir algo sobre relação
entre a adesão da organização ao Fórum de Empresas e Direitos LGBT+ e a consistência de suas Brito, L. C. Obregon, S. L. e Dias-Lopes, L. F. (2016). Analyzing aspects that impact the
iniciativas em termos da diversidade sexual. Isto porque, segundo os entrevistados, é possível satisfaction in the generation of professionals working and in South Region of Brazil. Revista
encontrar companhias que não são signatárias do Fórum, mas têm programas de diversidade Científica Hermes, 15, p.99-121.
consistentes; e corporações que são signatárias, porém cumprem poucos princípios assinados
no compromisso, propagandeando uma imagem associada à diversidade, sem que haja uma Bulgarelli, R. Jesus, B. e Douek, B. (2013). O Compromisso das Empresas com os Direitos
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A segunda reflexão está relacionada ao sujeito e o papel que assume em sua fala. No levantamento
feito, as falas mostraram que o sujeito efetivamente fala de onde exerce um papel. Percebemos Burrell, G. (1984). Sex and organizational analysis. Organization Studies, 5 (2), p. 97-118.
também que, em função de suas memórias, alguns entrevistados assumiam distintos papéis em
suas narrativas ao longo da entrevista. Na análise de narrativas, o tempo é um fator importante Capper, C. A. (1999). (Homo)sexualities, organizations and administration: possibilities for
a ser considerado, pois a sequência da narrativa pode não ser um resgate da memória real. Essa In(queer)y. Educational Researcher, 28 (5), p. 4-11.
sequência pode estar associada a uma seleção de fatos e a um encadeamento que serve a um
propósito. Nesse resgate, o papel que o sujeito tinha naquele momento passado é revivido. Talvez Caproni-Neto, L. H. e Saraiva, L. A. S. (2013). Não basta ser homem, tem que parecer homem:
por isso, em algumas entrevistas, essas múltiplas vozes do mesmo sujeito se fizeram presentes. masculinidades e reprodução de preconceitos sob a ótica de gays e lésbicas. Fortaleza, Anais.
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Capítulo 86 Ferris, Thompson & Sikora 2016).

En tal sentido, la ED es referida a la función de “Talento Humano” que tiene entre otros
La evaluación de desempeño y sus paradojas reificantes1 propósitos evaluar por medio de indicadores de desempeño y de resultados, cómo una
organización puede utilizar sus talentos; saber medir cómo la ARH contribuye a aumentar la
Sergio René Oquendo Puerta2 y Héctor L. Bermúdez3
sinergia entre la organización y las personas, para desarrollar competencias organizacionales y
ofrecer resultados (cf., Alles, 2000, 2003; Prahalad & Hamel, 1990; Spencer & Spencer, 1993;
Nord & Fox, 2004). En el sentido de estos autores, la ED es la fuerza de trabajo que tiene como
1. Introducción
objetivos motores: asegurar el crecimiento del negocio, aumentar las utilidades y asegurar la
sostenibilidad; y como parámetros de medición: la facturación por “empleado”, el rendimiento
El propósito de este artículo es presentar avances de los resultados de la Investigación
de “capital humano” y el gasto de “capital humano” por “empleado” (Chiavenato, 2009). En
denominada “El reconocimiento en el discurso de la evaluación de desempeño” Estudio de caso
general, las lógicas de ED se centran en identificar qué tanto aporta el trabajador a la cadena de
realizado en una gran empresa de la ciudad de Medellín – Colombia. El estudio consistió en
valor de la organización en el sentido de la teoría de Porter (1985).
examinar las prácticas actuales de evaluación de desempeño y su correspondiente discurso en el
ámbito de la Administración Estratégica de Recursos Humanos, con el fin de desentrañar de qué
No es muy explícito que en la literatura del campo se encuentren hallazgos que evidencien
manera se da el reconocimiento en la gran empresa contemporánea.
sobre el aporte de la organización y la ED al trabajador. En tal sentido, se hizo necesario la
contrastación empírica del fenómeno de la ED, desde los testimonios de la experiencia vivida por
Importante destacar que, para este artículo, la categoría filosófica del reconocimiento no será
los trabajadores sujetos a dicha práctica.
ampliamente desarrollada, en tanto el interés es más divulgar algunos las consecuencias del
ejercicio de Evaluación de Desempeño (ED) que, para los fines predeterminados de la ED,
Como consecuencia de los hallazgos y como conclusión del discurso de los entrevistados, se
terminan convirtiéndose en asuntos paradójicos para el cumplimiento de sus fines.
evidencia que, emergen paradojas entre los propósitos que ésta busca y los efectos reales
en el trabajador y en los resultados finales en el trabajo organizado. En otras palabras, los
La AERH utiliza como mecanismo para la valoración del aporte de los trabajadores4 a la empresa,
dispositivos implementados por las organizaciones ensayando a obtener mejores resultados –
la evaluación de desempeño, proceso que emana de otro más englobante, conocido como la
incluso buscando de manera genuina respetar a los trabajadores–, termina, en algunos casos,
gestión del desempeño. La ED en su evolución se ha centrado en el desarrollo de personal y este
convirtiéndolos victimarios y expertos en menosprecio Honneth (1997). Las paradojas de la ED
se ha limitado al desarrollo de las competencias (Alles 2002, 2003, 2005, 2008; Cuesta, 2015;
se manifiestan en tanto se declara algo, se tiene la intención de algo, pero lo que se logra es todo
Werther, David, & Guzmán, 2015; Prahalad & Hamel, 1990; Spencer & Spencer, 1993; Becker,
lo contrario y en algunos casos estas prácticas se convierten en reificantes.
Huselid & Ulrich, 2001), en consecuencia, la mayoría de las técnicas que la materializan están
relacionadas con el diseño de los puestos de trabajo, buscando la objetividad y la impersonalidad
2. Marco teórico
de los cargos para poder cumplir con los propósitos productivos (cf. Alles, 2002; Nuñez, 2007;
Yun, 2007; Purcell & Kinnie, 2007; Latham, Sulsky & MacDonald, 2007; Gerhart, 2007; Zeynep,
Este estudio definió como categorías centrales el de la ED y el reconocimiento, de la primera se
2008; Jaewon, 2010; Jiang, Lepak, Hu & Baer, 2012; Miller, Xu & Mehrotra 2015; Russell,
1. El presente trabajo emana del trabajo de investigación denominado “el reconocimiento en el discurso de la evaluación de desempeño”.
da cuenta partir de su tradición epistemológica como campo de estudio enmarcado en la AERH
2. Profesor Universidad de Antioquia. Email: sergio.oquendo@udea.edu.co y termina constituyendo en la categoría empírica del estudio, desde donde emanan las paradojas
3. Profesor Universidad de Antioquia. Email: hectorl.bermudez@udea.edu.co que se quieren dar cuenta en este artículo.
4. En todo el documento, únicamente por asuntos de estilo (y con consciencia de las implicaciones de esta decisión), el autor ha privilegiado el género
masculino para referirse a ambos sexos, a los cuales considera exactamente en el mismo nivel de importancia.

911 912
2.1 La Evaluación del desempeño Para examinar el discurso de la ED con el fin de desentrañar desde las narrativas de los
trabajadores de qué manera se presenta el menosprecio, fue necesario definir la porción de la
Para precisar los términos en que se enmarcan esta investigación, es preciso explicitar las realidad social en la que se llevó a cabo estos ejercicios. La ED es, fundamentalmente, un proceso
lógicas en las que se ha dado la ED en la tradición y el discurso del campo de estudio de la administrativo, mientras que el reconocimiento del otro es un acto existencial. Ambos, se llevan
Administración Estratégica de Recursos Humanos (AERH). a cabo en el mundo del trabajo en la empresa contemporánea

Plantean Coens y Jenkins (2000) que para comienzos de la década de 1950 las evaluaciones En consonancia con lo anterior y para aproximarse a dicha realidad, el enfoque hermenéutico,
de rendimiento se convirtieron en un lugar común en las organizaciones del “modelo máquina”: sirvió de soporte para lograr la intención comprensiva del estudio, en tanto no se tuvo un interés
prescriptivo, sino, de aporte interpretativo.
[Éstas] ofrecían una reconfortante sensación de responsabilidad y control. Las
evaluaciones creaban la ilusión de que cada parte (empleado) de la máquina (organización) La estrategia de investigación privilegiada fue de un estudio de caso, seleccionado bajo la
operaba (trabajaba) de manera eficiente y eficaz. Si todas las partes funcionaban bien, lo tipología de casos intrínsecos –único caso– descritos por Galeano (2004) y por Eisenhardt
mismo pasaba con la máquina. El organigrama vertical se convirtió en el plano del modelo (1991). La técnica de recolección de información utilizada fue las “entrevistas cualitativas poco
organizacional mecanicista, al alinear las personas como bolas de billar para crear en dirigidas y las “entrevistas en profundidad” (Beaud y Weber, 2010; Ortiz y Bermúdez, 2015).
apariencia una cadena de reacciones predecibles (p. 53).
4.Resultados
Indagar por los orígenes de las influencias teóricas en la ED, es necesario hacer referencia a una
de las más vigorosas, aquella de la teoría de las competencias organizacionales propuesta por 4.1.Las paradojas de la evaluación de desempeño
David McClelland (1973) y desarrollada por sus continuadores (Eg. Alles, 2000, 2003; Milkovich,
1997; Prahalad & Hamel, 1990). Aunque las primeras investigaciones de McClelland datan de La paradoja, como figura literaria, denota contradicción. Su etimología, indica que proviene del
finales de los años 1940 y sus publicaciones sobre la teoría del logro son de 1953, la influencia latín “Paradoxus-Paradoxa”, para referirse a lo contrario a la opinión común. La RAE (2017)
sobre la definición de las “competencias organizacionales”, emana fundamentalmente, de su señala que ésta designa un hecho o una frase que parece oponerse a los principios de la lógica.
célebre artículo de 1973, Testing for Competence Rather Than for “intelligence”. Como consecuencia de los hallazgos se evidencia que, a partir de las prácticas de ED, emergen
dilemas, tensiones o contradicciones entre los propósitos que ésta busca y los efectos reales en
En lo que respecta a los manuales contemporáneos, es preciso indicar, que la ED es entendida el trabajador y en los resultados. A continuación, se describen algunas de las evidencias de las
como el proceso por el cual se juzga el rendimiento individual y no el rendimiento de una seis paradojas emergentes del estudio.
organización. También es entendida como el proceso obligatorio en el cual, durante un periodo
específico de tiempo, el desempeño en el trabajo, los comportamientos o rasgos individuales de 4.1.1. De la valoración a la reificación
los empleados se valoran, juzgan o describen de manera individual (Coens y Jenkins, 2000, p.
22). Además pretende utilizar sus talentos y aumentar la productividad y mejorar resultados de Ésta, se aprecia en el discurso de los entrevistados de manera reiterativa y se refiere a que en
la empresa. (cf., Alles, 2000, 2003; Prahalad & Hamel, 1990; Spencer & Spencer, 1993; Nord cada narración, se anuncia la exigencia de implicaciones mayores de parte de la dirección y se
& Fox, 2004). muestra el sentir de los trabajadores relacionado con fenómenos de menosprecio y humillación
(reificación), contrarios a los que son los propósitos explícitos del modelo de evaluación y a las
3.Metodología declaraciones racionales de estos procesos por parte de las áreas de recursos humanos.

913 914
El menosprecio también se presenta por el desinterés, la omisión o la apatía de los jefes frente a
la ED, por lo tanto, se pierde la posibilidad de reconocimiento para con otras personas. Se suma a Aunque la dirección de la empresa argumenta que propende por la colaboración y el trabajo en
la paradoja de la reificación, el remplazo de un ejercicio de valoración, por uno de calificación del equipo, en el sentimiento expresado en las narraciones de los trabajadores, se anuncia un efecto
trabajador, salen a relucir los sentimientos que generan las experiencias de sentirse calificado, adverso del proceso de evaluación sobre el trabajo colectivo, la cooperación, la solidaridad y la
reducido a un número. convivencia. El enfoque de la ED individualizada y cuantitativa, sitúa en competencia a todos
los trabajadores. Es el efecto de ciertas retóricas manageriales que, en nombre de la incesante
4.1.2. De la productividad a la parsimonia búsqueda de la productividad y compromiso del trabajador, en la lógica de la racionalidad
instrumental, terminan impactando el trabajo grupal al híper-individualizar al trabajador,
El modelo de ED propone una alta exigencia, como elevar el nivel de desempeño y de la llevándolo a una especie de angustia de la soledad en sociedad (Arendt, 1999).
productividad del trabajador y por ende de la empresa, periodo a periodo. El mensaje que
acompaña dicha retórica es el del “valor agregado”, sin embargo, termina generando en los 4.1.6. De la sofisticación instrumental a la arbitrariedad deshumanizante
trabajadores la búsqueda de la comodidad, de trabajar al mínimo, “a media máquina”, aparece
la parsimonia, la calma o tranquilidad ceremoniosa para realizar las acciones o, simplemente, Los esfuerzos empresariales y de las áreas de recursos humanos por buscar cada vez más
cumplir con lo básico para no sentirse luego “crucificado”. objetividad apoyados en mayor tecnificación y sofisticación de las herramientas para la ED
(modelos estratégicos, teorías de vanguardia, etc.) quedan menguados, entre otros aspectos,
4.1.3. De la conversación al mutismo por el estilo de dirección, la “lejanía” del jefe, la imposibilidad de negociar y consensuar asuntos
fundamentales, el autoritarismo, la inflexibilidad, etc. En consecuencia, aspectos básicos para
Los ejercicios de ED, si bien se diseñan como unos “ejercicios conversacionales” para el desarrollo las relaciones intersubjetivas quedan cortadas. Así, el reconocimiento queda sujeto al punto de
y la movilización del trabajador, termina siendo deslegitimada por ellos, pues la asocian con una vista del jefe, por ello, depende de la arbitrariedad del jefe la posibilidad de otorgar o impedir el
práctica mediada por intereses propios a un ejercicio de autoridad que muchas veces desconoce reconocimiento.
los intereses de su desarrollo. Pudo constatarse que es común que el subalterno, no se siente
realmente invitado a participar. Emerge entonces un cierto mutismo que opera como mecanismo 5. Discusión y Conclusiones
de defensa del subalterno, alejándose por esto, de los propios objetivos de la dirección.
Después de analizar las experiencias vividas en los ejercicios de ED, desde las narrativas de los
4.1.4. De la motivación a la desmoralización trabajadores, emerge una pregunta: ¿Por qué el propósito y el sentido de las prácticas de ED,
paradójicamente, consiguen efectos contrarios a los que se buscaban desde su diseño?
Una de las premisas sobre las que se fundamenta la ARH es la de buscar elevar el rendimiento o
productividad de los trabajadores, para ello se apoya en el diseño y aplicación de modelos de ED. En concordancia se infiere que no se logran los objetivos porque no necesariamente se comprenden
Lo absurdo está en que en el centro de los intereses de la evaluación se encuentra la motivación, el alcance de la ED y los efectos de dicho ejercicio y las frustraciones que se pueden generar en
la movilización de los trabajadores a mejores niveles de desarrollo y desempeño. Sin embargo, el evaluado, al no encontrar un lugar en dicho ejercicio, todo lo contrario, se encuentra con un
los testimonios muestran una mayor cantidad de experiencias que narran el impacto negativo en momento hostil para su dignidad, es decir, de desconocimiento o menosprecio.
los sentimientos de los trabajadores; esto, en razón a que terminan sintiéndose descalificados y
desmoralizados, en algunos casos, o menospreciados y hasta reificados en otros. Como resultado del análisis de las narrativas de los trabajadores y apoyado en las paradojas
relatadas aquí, puede indicarse que, como se mencionó anteriormente, ambas racionalidades
4.1.5. De la solidaridad al individualismo (instrumental y sustancial) coexisten en la dirección de la empresa y su manera de concebir la

915 916
ED. Esto contrasta con lo planteado por Oliveira & Serva, 2012; Caitano & Serva, 2012; Siqueira,
2014; Serva, Caitano, Santos & Siqueira, 2015; particularmente los hallazgos dan cuenta que, Eisenhardt, K. (1991). Better stories and better constructs: the case for rigor and comparative
para el caso analizado la racionalidad instrumental prima sobre la racionalidad sustancial. logic. Academy of Management Review, 16(3), 620-627.
Asimismo, se puede evidenciar cómo, ésta realidad se encuentra relacionada directamente con
la forma, sentido y estilo de dirección de los jefes que tienen a cargo dichas responsabilidades. Galeano, E. (2004). Estrategias de investigación social cualitativa. Medellín: La Carreta Editores.

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917 918
Capítulo 87
Oliveira, D., & Serva, M. (2012, Setembro). Racionalidade substantiva nas organizações:
consolidação de un modelo metodológico de pesquisa teórico-empírica. ANPAD, 22-26.
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Wright, The Oxford Handbook Of Human Resource Management (pp. 533-551). New York: O presente estudo tem por objetivo problematizar os possíveis impactos da recente Reforma
Oxford University Press. Trabalhista no Brasil, relacionando o contexto brasileiro com a experiência de flexibilização das
leis trabalhistas vivenciada pelo Chile, a fim de apresentar possíveis pontos de similaridade
Real Academia Española. (2017). Retrieved Enero 01, 2017, from Diccionario de la Lengua e de distanciamento entre estas duas realidades, assim como vislumbrar possibilidades de
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career development experiences, and work outcomes: Leveraging an underutilized resource with trabalho por transformações mais substantivas e em maior número do que em muitos séculos
political skill. Human Resource Management Review, 26(2), 125–135. precedentes e tudo leva a crer que nos próximos anos ele continuará acontecendo em ritmo
acelerado, com complexas e variadas mutações que, sem sombra de dúvida, terão impactos
Spencer, L., & Spencer, S. (1993). Competence at Work: Models for Superior Performance. profundos nas relações sociais e no destino físico do planeta (Bianchetti & Cattani, 2014).
Nueva York: John Wiley & Sons.
Para Holzmann (2014), “a forma ‘emprego’ vem sendo gradualmente substituída por outras
Werther, W., David, K., & Guzmán, M. (2015). Administración de recursos humanos. Gestión del modalidades de inserção no mercado de trabalho e (...) nessas condições, o contrato de trabalho
capital humano. México, D.F.: Impresiones Editoriales F.T. S.A. de C.V. parece assumir novas formas pretensamente consideradas inovadoras e modernizantes”
(Holzmann, 2014, p.148). Segunda a autora, estas novas formas se concretizam em contratos
Yun, S. (2007). Alto rendimiento prácticas de recursos humanos, el comportamiento ciudadanía com duração determinada, de meio expediente ou projetos. Trabalhadores por conta própria,
y el desempeño organizacional: una perspectiva relacional. Academy of Management Journal, constituição de empresas de uma só pessoa e subcontratações têm sido modalidades em
50(3). expansão de ingresso e permanência no mercado de trabalho.

Zeynep, T. (2008). Gestión del Impacto. La rotación de los empleados en el desempeño: El papel Segundo Lima (2014), estas mudanças significaram em grande medida, para os trabalhadores,
de la Conformidad Proceso. Organization Science, 19(1). 1. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Administração – PPGA. Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Email: cris.
fsilveirasastre@gmail.com
2. Professora do Programa de Pós-Graduação em Administração – PPGA. Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Email: andreaoltr@
gmail.com

919 920
precarização das relações de trabalho pela instabilidade presente em novas formas de de rotatividade de pessoal ocasionam um custo importante para as empresas devido a não
precarização e acesso restrito a direitos sociais. Todavia, as relações capital-trabalho parecem possibilitarem os benefícios da capacitação que poderiam ter adquirido seus trabalhadores. Sob
estar respondendo ao “movimento das forças sociais envolvidas, das mudanças estruturais o ponto de vista social, os autores referem que a precariedade do emprego se acentua, podendo
do capitalismo, assim como das mudanças conjunturais, tendo como resultado a contínua ocasionar maiores níveis de pobreza e desmotivação para os trabalhadores.
organização, desorganização e reorganização dos trabalhadores e consequente movimento
contínuo de conquistas e perdas de direitos e condições de trabalho” (Lima, 2014, p.33). Vivenciadas contemporaneamente em diversos países, as Reformas Trabalhistas, são
consideradas uma importante possibilidade de flexibilização das relações de trabalho. Para
Apesar do fenômeno do aumento da flexibilização do trabalho ser observado globalmente, Fincato (2017), “as crises econômicas em Estados e continentes até então tidos como estáveis
Piccinini, Oliveira e Rübenich (2006), afirmam que a forma como se dá é diferenciada conforme e seguros quebraram diversos paradigmas e fizeram ali descontruir-se o direito do trabalho
a situação e evolução econômica de cada país. Para os autores, as formas flexíveis de trabalho, clássico, eminentemente social, para erigir-se um novo modelo, pautado na sustentabilidade e
ainda que legais e formais, reduzem sensivelmente a estabilidade dos empregos e, em alguns na flexisegurança” (Fincato, 2017, p.95).
casos, aumentam a carga de trabalho, levando à precarização do trabalho e à redução da
qualidade de vida do trabalhador. Em contrapartida, os autores referem que não se pode pensar Especificamente no caso da América Latina, as reformas trabalhistas têm uma história mais
em trabalho flexível somente como um sinônimo de trabalho precário, haja vista que o emprego longa e começam no Chile, em 1973, com a ditadura do Augusto Pinochet e a derrubada do
flexível também pode se mostrar como forma de inserção de trabalhadores jovens em processo Presidente Allende, que significaram o início de um período obscuro para os trabalhadores, uma
de qualificação, de trabalhadores que perderam sua qualificação e não encontram nenhuma vez que suas conquistas, que vinham desde a década de 1930, foram destruídas por Pinochet
outra forma de trabalho, ou de trabalhadores qualificados que querem uma jornada flexível e (Rigoletto & Salas Páez, 2018). Desde então, segundo os autores, as tentativas de se retomar
sem vínculo fixo com um empregador. a tela de proteção foram infrutíferas e os resultados foram um enorme grau de precariedade e
grande parte dos trabalhadores auferindo não mais que o salário mínimo – num país de elevado
A regulamentação das leis trabalhistas não pode ser dissociada de políticas de desenvolvimento custo de vida.
econômico e social de um país (Pires, 2013). No entanto, quando são duras, abrem possibilidades
para burlas na contratação, contratos precarizados e se proliferam contratos temporários, em Contexto Chileno
tempo parcial e a redução do número de trabalhadores com contratos de trabalho formais (Silva,
2013). O Chile apresenta uma situação paradoxal, de acordo com Arellano e Gamonal (2017): por um
lado existe uma intensa flexibilidade herdada do governo ditatorial e, por outro lado, algumas
Por outro lado, a regulamentação do mercado de trabalho pode ser vista pelo lado das firmas reformas legais na democracia aumentaram a tutela de direitos fundamentais e agilizaram os
como geradora de limites, mas também como organizadora e protetora dos trabalhadores, julgamentos nos tribunais do trabalho. Além disso, os juízes em seus julgamentos geralmente
das famílias e das empresas também, mesmo que essa proteção ao trabalhador traga maior decidem em favor do trabalhador, ao interpretar as dúvidas que emanam da legislação em
ineficiência à firma, crescimento do desemprego e a expansão do setor informal (Pires, 2013). seu favor, de acordo com o princípio de proteção ao trabalhador. Todavia, para os autores, a
Sob o ponto de vista macroeconômico, Ibarra Cisneros e Gonzalez Torres (2010) enfatizam flexibilidade no Chile tem sido unilateral, ou seja, beneficiou apenas os empregadores - conforme
que, em períodos de crescimento econômico, as estratégias de flexibilização contribuem de detalhado no Quadro 1 - e foi incondicional, com o entendimento de que o benefício para os
modo mais acentuado para a geração de empregos quando comparadas à uma economia sem trabalhadores não é apreciável, exceto por uma maior precariedade. A flexibilidade foi imposta e
flexibilidade. Todavia, em períodos de crise, a perda de empregos também se apresenta maior não houve processos de diálogo social entre eles (Arellano & Gamonal, 2017).
e, na etapa seguinte de crescimento, a criação de empregos não se mostra suficientemente
alta para reposição dos empregos perdidos. Sob o ponto de vista microeconômico, altos índices

921 922
com reformas mais recentes, e do Chile, como protótipo de reformas neoliberais mais antigas.
De modo geral, Rigoletto e Salas Páez (2018) consideram que os resultados anunciados nunca
foram atingidos, e as condições dos trabalhadores foram se deteriorando. Apontam ainda
que, após o período que se seguiu às modificações legislativas, não há prova alguma de que
a flexibilização das leis trabalhistas traga resultados positivos para o crescimento econômico,
para a diminuição das desigualdades e para menores taxas de desemprego. De modo contrário,
os autores defendem que há fartas evidências de que a redução da proteção ao emprego agrava a
proliferação dos empregos precários, traz o aumento da desigualdade e a piora na segmentação
do mercado de trabalho.

Em posição oposta, Coloma e Rojas (2000) apresentam uma avaliação positiva de economistas
neoliberais dessa regulação do trabalho. Para os autores, ao final de 1973, a economia chilena
encontrava-se em um ambiente de crise generalizada, que requeria profundas reformas estruturais
nos mais diversos campos. Em particular, a desregulamentação e flexibilização do mercado de
trabalho era considerada uma peça fundamental na nova estratégia de desenvolvimento que se
pretendia implementar, “ainda que não se tratasse de uma tarefa fácil e que impactasse em
setores altamente politizados e em interesses de muitos grupos de poder que defendiam seus
privilégios ou seus ‘direitos adquiridos’” (Coloma & Rojas, 2000, p.498).

A orientação central da reforma laboral chilena foi a de permitir um mercado de trabalho mais
flexível, que fosse funcional a um comportamento mais competitivo dos mercados e à geração de
empregos. A ênfase teria sido colocada na eliminação dos monopólios especiais dos quais alguns
usufruíam alguns grupos com poder de pressão – que além de levar a soluções ineficientes,
prejudicavam abertamente aos trabalhadores não organizados, aos desempregados e até mesmo
Para Arellano e Gamonal (2017), o Chile é um país de fortes contrastes e de enorme grau de aos próprios consumidores –, e em flexibilizar as leis relacionadas à negociação coletiva e às
“flexiprecariedade”, o que se constitui como um lastro para o seu desenvolvimento econômico greves, aos procedimentos de desligamento e compensação e ao regulamento da sindicalização
e social. Se por um lado exibe altas taxas de crescimento e sucesso macroeconômico, o que os (Coloma & Rojas, 2000).
autores denominam de “Chile dos economistas”, por outro lado encontra-se a realidade diária
do povo chileno, que convive com a frequente angústia de perder seu trabalho e de vivenciar uma A título de síntese, Coloma e Rojas (2000) referem que o fato do Chile ter atualmente uma
verdadeira bancarrota familiar. legislação trabalhista considerada avançada no contexto mundial, no que se refere à sua maior
desregulamentação e maior flexibilidade, é sem dúvida uma das importantes razões que explicam
No intuito de demonstrar o impacto das reformas trabalhistas, tanto na Europa como em alguns o seu bom desempenho econômico na última década e sua posição no contexto latino-americano
países da América Latina, Rigoletto e Salas Páez (2018) examinam o resultado das reformas sobre os indicadores trabalhistas. Considerando um contexto mais recente, a Figura 1 apresenta
levadas a cabo na Europa depois de 2008 – utilizando como exemplo os casos da Alemanha, a posição atual dos países latino-americanos em relação aos indicadores trabalhistas nos anos
da Espanha, da Itália e do Reino Unido – e na América Latina - examinando os casos do México, de 2016 e 2017.

923 924
As relações de trabalho brasileiras sempre tiveram um forte componente de flexibilidade, uma
vez que o emprego formal e o informal se mostram igualmente importantes para a economia
do país (Azevedo & Tonelli, 2014) e após mais de duas décadas de discussão acerca de sua
adequação à realidade do mercado de trabalho brasileiro, o governo brasileiro, sob a tutela do
presidente Michel Temer, institui a Lei 13.467, de 13 de julho de 2017, denominada como a
Reforma Trabalhista, a qual iniciou sua vigência em 11 de novembro de 2017. Muito distante de
atenuar a polêmica acerca da legislação trabalhista no Brasil, a Reforma acentuou a diversidade
de posicionamentos por parte de entidades denominadas representantes do governo, dos
empresários e dos trabalhadores, especialmente as sindicais.

As normas que regulamentam as relações de trabalho no Brasil, de acordo com Benedetto (2017),
são o resultado de uma disputa entre o Legislativo, o Judiciário e o sistema sindical (patronal
e laboral). Segundo o autor, a reforma aprovada não apenas altera as regras dos contratos
individuais de trabalho, mas também pode modificar pro¬fundamente o equilíbrio de forças
na disputa pela definição do direito trabalhista. Nos debates do Congresso, foi expressamente
anunciada a intenção de reduzir o poder da justiça do trabalho e da estrutura sindical, em nome
Para Coloma e Rojas (2000), tem havido um reconhecimento crescente de que mercados de de uma negociação direta do trabalhador com o seu empregador.
trabalho muito rígidos – muito regulados e com pouca flexibilidade – constituem um obstáculo
muito forte ao investimento privado e ao desenvolvimento econômico. Apontando para uma polarização a respeito do tema, o Dossiê Reforma Trabalhista, elaborado
pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho [CESIT] (2017), afirma que duas
Fincato (2017) pondera que, se os momentos de crise e estagnação da economia não são bons abordagens distintas polarizam os debates direcionados a este processo: de um lado, há os que
conselheiros na deliberação e estabelecimento dos contornos das reformas no cenário laboral, criticam a rigidez da Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT, considerando-a incompatível
da mesma forma, a conduta de acomodação e não-atualização da legislação no Brasil leva à com os tempos modernos e atribuindo a geração de emprego, o incremento da produtividade
sensação de grande impacto, igualmente ao que ocorreu diante de outras grandes reformas e da competitividade à maior flexibilização das relações de trabalho e, de outro lado, estão
legislativas deste país, retardadas demasiadamente, geradoras de grande abalo e perda os que afirmam ser um equívoco associar a dinamização da economia à regulamentação do
momentânea de referências quando apresentadas à sociedade. trabalho, defendendo que os direitos trabalhistas e as instituições públicas não podem sucumbir
à competição internacional dos mercados.
Contexto Brasileiro De acordo com o CESIT (2017), ao se justificar como provedora da “segurança jurídica” e como
veículo para modernização das relações de trabalho, uma Reforma Trabalhista promove os meios
Direcionando o olhar para o contexto brasileiro, em 01 de maio de 1943, a Consolidação das para que as empresas ajustem a demanda do trabalho à lógica empresarial, reduzindo aqueles
Leis Trabalhistas – CLT surgiu pelo Decreto-Lei nº 5.452, no governo do então presidente custos que garantem estabilidade e segurança ao trabalhador.
Getúlio Vargas, com o objetivo de unificar toda a legislação trabalhista existente no Brasil e,
principalmente, de regulamentar as relações individuais e coletivas do trabalho, todavia, desde Através da nota técnica 178, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
seus primórdios, e ao longo de seus mais de setenta anos de vigência, a trajetória da CLT, tem Socioeconômicos [DIEESE] (2017), argumenta que não há dúvida de que as negociações coletivas
sido marcada por forte polêmica teórica. têm papel importante na regulação das relações de trabalho no Brasil, entretanto, a existência

925 926
de uma legislação trabalhista de cunho mais protetivo é necessária para assegurar um patamar de trabalho, a fim de que possamos analisar com a devida neutralidade e abrangência quais os
mínimo de qualidade de vida aos trabalhadores. Sob o ponto de vista da instituição, a prevalência seus reais impactos.
do negociado sobre o legislado, na ausência de outras condições necessárias à plena realização
do potencial das negociações coletivas, acarreta elevados riscos para os trabalhadores. Fincato (2017) pondera que “demonizar ou endeusar uma ou outra proposta (no que tange às
Reformas Trabalhistas) não parece ser a saída. Comportamentos neste sentido apenas acirram
Representando a voz da esfera empresarial e alegando que já há bastante tempo o Brasil precisa os ânimos, impedindo racionalizações necessárias e tornando míopes visões que carecem de
enfrentar esse desafio, a Confederação Nacional da Indústria [CNI] (2017), considera que a amplitude” (Fincato, 2017, p.115). Para a autora, se reformar por reformar não é adequado,
Reforma Trabalhista possui extrema relevância e representa um avanço para a modernização também não o é impedir a reforma por comportamento reacionário.
das relações do trabalho no Brasil e, que, sobretudo, abre um horizonte de maior segurança
jurídica e cooperação, proporcionando a melhoria do ambiente de negócios, o que contribui com Referências
o crescimento econômico e beneficia as empresas, os empregados e o país.
Arellano, O. P., & Gamonal, C. S. (2017). Flexibilidad y desigualdad laboral en Chile: el derecho
Em período contemporâneo à implementação da Lei 13.467/2017, Herzmann (2017) defende social en un contexto neoliberal. Boletín Mexicano de Derecho Comparado, 1(149), 555–579.
o ponto de vista de que a legislação trabalhista deve se adaptar às relações trabalho que se
modificam e ganham diretrizes a todo momento e considera que “temos uma reforma que Azevedo, M. C., & Tonelli, M. J. (2014). Os diferentes contratos de trabalho entre trabalhadores
podemos chamar de razoável do ponto de vista da dinâmica laboral atual. Não há mais espaço qualificados brasileiros. Revista de Administração Mackenzie - RAM, 15(3), 191-220.
no cenário trabalhista contemporâneo para a excessiva proteção ao trabalhador, como foi
necessário na década de quarenta” (Herzmann, 2017, p.4). O autor argumenta que a reforma Benedetto, R. (2017). Revendo mais de 70 anos em menos de 7 meses: a tramitação da reforma
não veio para afetar negativamente ou positivamente um lado da relação, mas sim veio para trabalhista do governo Temer. Espaço Jurídico Journal of Law - EJJL, 18(2), 545-568.
regulamentar uma realidade de trabalho que já nasceu e exige uma mudança e uma adaptação
legislativa há muito tempo. Bianchetti, L., & Cattani, A. D. (2014). Análise prospectiva: possibilidades da consciência
antecipadora. In A. D. Cattani (Org.). Trabalho: horizonte 2021. Porto Alegre: Escritos.
Considerações Finais
Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho. (2017). Dossiê reforma trabalhista:
Assim como na proposta da Reforma Trabalhista brasileira, Fincato (2017) aponta que, no contribuição crítica à reforma trabalhista. Recuperado em 18 novembro, 2017, de http://www.
panorama internacional, os países que fizeram reformas movimentaram-se sobre os eixos da cesit.net.br/dossie-reforma-trabalhista/
negociação coletiva e flexibilidade contratual, ainda que nenhum destes países possua o padrão
brasileiro (quanti e qualitativo) de judiciarização de conflitos individuais trabalhistas e alguns, Coloma, F., & Rojas, P. (2000). Evolución del mercado laboral en Chile: reformas y resultados. In
inclusive, sequer justiça especializada do trabalho – ao menos em todas as instâncias, como é a F. Larraín & Felipe, R. Vergara. La transformación económica de Chile. Santiago de Chile: Centro
realidade brasileira – possuem. de Estudios Públicos.

O binarismo constantemente identificado nas publicações relacionadas aos impactos da Reforma Confederação Nacional da Indústria. (2017). Modernização trabalhista: lei nº 13.467 de 13
Trabalhista brasileira traz à luz, assim como no país chileno, o grande nível de divergência acerca de julho de 2017, panorama anterior e posterior à aprovação. Recuperado em 15 setembro,
do tema. Como ponto de reflexão, propõe-se a importância de estabelecer-se um tempo de 2017, de http://www.portaldaindustria.com.br/relacoesdotrabalho/publicacoes/modernizacao-
acomodação das principais mudanças relacionadas à legislação trabalhista e ao próprio mercado trabalhista-lei-n-13467-de-13-de-julho-de-2017-panorama-anterior-e-posterior-aprovacao-/

927 928
exibir/ Pires, R. (2013). The organizational basis of rewarding regulation: contingency, flexibility, and
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929 930
Capítulo 88 e mitos que conduzem determinada sociedade. É nesse espaço que a organização busca afirmar-
se como regente da vida de cada um, dado que o imaginário atua como balizador dos processos
sociais (Enriquez, 1997; Freitas, 1999). Os signos pelos quais as organizações modernas se
Imaginário organizacional neoliberal: Ressonâncias na subjetividade legitimam como instituições do capitalismo tardio – “a empresa cidadã, o culto da excelência,
da juventude eterna, o resgate da ética e moralidade e do sentimento de comunidade” (Freitas,
Jéssica Pereira de Mello1 y Fabio Bittencourt Meira2
1999, p.57-69) – constituem balizas para o ‘bom’ funcionamento do sistema e indicam a
normatividade investida pelo indivíduo na busca por referenciais identificatórios.
Este é um trabalho em construção que deriva de discussões de tese de doutorado e trata das
Este artigo desenvolve a hipótese de que os achados de Freitas (1999) podem estar sendo abalados
mudanças atuais na sociedade, na organização e suas ressonâncias na constituição subjetiva
pelo novo contexto sócio-histórico neoliberal. Alguns indícios apontam para um deslocamento do
dos indivíduos.
imaginário social e organizacional (Boltanski E Chiapello, 1999). Os movimentos e problemas da
atualidade manifestam-se por apatia, excesso de positividade (correlato à falta de negatividade),
A partir de Dardot e Laval (2016) entende-se a consolidação do regime neoliberal como
constante busca por mais desempenho, além da ‘epidemia’ de depressão (Han, 2017a; 2017b).
correlata ao imperativo de os sujeitos tornarem-se empresários de si mesmos, autorregularem-
Nota-se, ainda, uma proliferação de diagnósticos e saídas de tal modo alinhadas aos sintomas,
se e maximizarem seu desempenho. Isto desencadeia duas grandes implicações. A primeira é a
que soam inefetivas e incapazes de confrontá-los. Em síntese, a questão que move este ensaio
competição no nível individual, quem se gerencia melhor está à frente dos outros. A segunda é a
diz respeito à existência de um novo imaginário organizacional no contexto neoliberal.
transformação do trabalho, visto como único lugar possível de realização e reconhecimento, mas
também de risco. No mundo do trabalho, os sujeitos encontram a “flexibilização ao extremo da
Num primeiro registro, os signos sustentados pelas organizações estão atualmente ligados à
forma de ser de si próprios para se adaptarem às flutuações do mercado” (Birman, 2012, p.122).
ideia de uma renovação do capitalismo. “Um novo capitalismo é possível” é o lema de muitas
Nesse sentido, é necessário administrar bem todas as áreas da vida, e no âmbito do trabalho
empresas, cujo objetivo seria conciliar lucro e propósitos sociais (Yunus, 2010). Por outro lado,
este discurso tem sido avassalador. O discurso que se impõe declara formas mais humanas
a propaganda de um grande banco repete ad nauseam “isto muda o mundo”. A “renovação”
de trabalho, novas formas de fazer negócios, empoderamento dos trabalhadores, flexibilização
parece uma nova chave para o discurso das organizações, que se projetam na possibilidade
para maior autonomia e a tão famigerada liberdade. O avanço da tecnologia, as diversas
de um capitalismo humanizado. Freitas (1999) enfatiza que as organizações reagem de forma
transformações nas configurações institucionais e familiares e os avanços do capitalismo sobre
rápida às mudanças na sociedade. Boltanski e Chiapello (2009) mostram como as organizações
a subjetividade dão o tom da trama complexa de que estamos diante. O neoliberalismo impõe a
se atualizam através das críticas a elas endereçadas, para formar uma imagem palatável das
todos uma forma de trabalho que está sujeita a mudanças contínuas, além de responsabilizar os
consequências de suas ações.
próprios indivíduos pela adaptação a este processo.
Num segundo registro, as organizações aceitam e incentivam as diferenças – “você pode ser o
Freitas (1999) analisa o processo pelo qual as organizações empresariais se tornaram o polo
que você quiser”. As empresas internalizaram a crítica à discriminação de minorias, passando
principal de identificação para os indivíduos. Situa no centro deste processo o “imaginário
a usar a diferença como fonte de distinção. Assim, não importa “quem você é”, desde que seja
organizacional moderno”, fazendo referência ao lugar em que as representações psíquicas são
produtivo, que seja o melhor. O slogan é útil quando utilizado para inclusão de todos em uma
construídas. O imaginário3 define o espaço dos desejos e objetivos compartilhados, dos valores
1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Email: jessica.pereira@ufrgs.br
lógica de produtividade que perpassa todas as esferas da vida dos sujeitos (Dardot E Laval,
2. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Email: fabiobmeira@gmail.com 2016).
3. O imaginário é o lugar onde essas relações podem se constituir, Freitas (1999) afirma que para compreender esse conceito deve-se tentar conseguir de criação de significados, pode-se compreender como as organizações podem se utilizar dele para construir sua imagem, não deixando de considerar,
imaginar, ver além. O imaginário é o local das representações individuais e sociais, onde as significações são compartilhadas entre todos, como “o que os indivíduos também têm seu papel nesse contexto, pois projetam nas organizações seus desejos e veem a possibilidade de realizar suas fantasias
princípio fundador da sociedade” (Castoriadis apud Freitas, 1999, p. 54). Se este imaginário comum permeia toda a sociedade e se coloca como rede de onipotência.

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pode ser compreendido como uma religião, visto que a exegese religiosa pressupõe operadores
De maneira geral, sob a bandeira da liberdade e flexibilidade – no tempo de trabalho, nas de culpa e desculpa, como nos rituais de confissão ou expiação. O capitalismo se apresenta
múltiplas funções, criatividade etc. – as empresas parecem ter ampliado seu controle sobre os apenas como inculpador, sem a possibilidade de se redimir, muitas vezes resta aos sujeitos a
sujeitos, para além do contexto de trabalho. Armazenamento de dados, espaços de lazer, viagens, depressão.
localização por GPS e programas de fidelidade são apenas algumas formas de controle há muito
utilizados pelas organizações. Este panorama também sofre impacto da inteligência artificial que Referências
avança e promete futuramente substituir os seres humanos por robôs nos postos de trabalho,
carros sem motoristas já vêm sendo utilizados em alguns casos específicos (Dirican, 2015). Benelli, J (2009). A cultura psicológica no mercado de bens de saúde mental contemporâneo.
Estudos de Psicologia. Campinas: v. 24.
Estas mudanças conformam os indivíduos na exata medida em que buscam atividades de saúde
mental, que visam o desenvolvimento pessoal e a busca da positividade. Este parece ser o caso Boltanski, L.; Chiapello, È (2009). O novo espírito do capitalismo. São Paulo: Martins Fontes.
da análise transacional, da programação neurolinguística, da filosofia clínica, da eneagrama, do
coaching e da psicologia positiva (Benelli, 2009). Dessas abordagens, a psicologia positiva é Birman, Joel (2012). O sujeito na contemporaneidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
a que mais tem se disseminado. Núcleos e associações têm sido criados e seus pressupostos
ampliados para várias áreas de estudo. Assim tem-se um padrão de adjetivação que marca essa Dardot, P.; Laval, C (2016). A Nova Razão do Mundo - Ensaio sobre a Sociedade Neoliberal. São
tendência, por exemplo: educação positiva, organizações positivas, capital psicológico positivo. Paulo: Boitempo.
A psicologia positiva tem seu surgimento recente, por volta dos anos 2000, embora algumas
objeções tenham sido feitas quanto a sua originalidade (Pacico E Bastianello, 2014). A psicologia Dirican, C (2015). The impacts of Robotics, Artificial Intelligence on Business and Economics.
positiva surge no contexto das transformações contemporâneas. Seus disseminadores defendem Procedia- Social and Behavioral Sciences, v.165.
que a Psicologia apenas se ocuparia de patologizar e pensar o lado negativo dos sujeitos. Ao
estipular esta crítica superficial à Psicologia, posiciona-se como uma espécie de vertente Enriquez, E (1997). A organização em análise. São Paulo: Vozes.
redentora para pensar um suposto lado esquecido dos sujeitos: o lado positivo.
Freitas, M. E (1999). de. Cultura Organizacional: identidade, sedução e carisma? Rio de Janeiro:
Isto encontra um campo fértil para se proliferar nas organizações hodiernas, que refletem e são FGV.
porosas ao período histórico-social em que estão inseridas e se tornam uma via importante de
reprodução dos diversos imperativos presentes no imaginário social (Freitas, 1999; Enriquez, Han, B.-C (2017a). Sociedade do Cansaço. Rio de Janeiro: Vozes.
1997). A fixação no desenvolvimento pessoal aliada à busca da positividade empenhada por
estas abordagens marca o vácuo de negatividade no imaginário social contemporâneo (Han, Han, B.-C (2017b). The Agony of Eros. Cambridge, MA: The MIT Press.
2017). Neste quadro, todos precisam se tratar, buscarem em si mesmos a mudança que os torna
mais produtivos. Não há espaço nem tempo para reflexão, os sujeitos devem se encaixar, já que Pacico, J. C.; Bastianello, Micheline R (2014). In Claudio. S. Hutz (Org.). Avaliação em psicologia
para tudo há um perfil: doença, personalidade, tipos psicológicos ou programação de vida. positiva. Porto Alegre: Artmed. p. 101-110.

As mudanças apontadas incidem no imaginário organizacional e, correlatamente, na constituição Yunus, M (2010). Criando um negócio social. Rio de Janeiro: Elsevier.
psíquica dos sujeitos. A sociedade do desempenho não permite a desculpa e gratificação, porque
essas só podem ocorrer por intermédio de um Outro. Han (2017) defende que o capitalismo não

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Capítulo 89 se esbarram e borram frequentemente nos limites de suas fronteiras, principalmente quando
coloca-se o desejo de transitar entre seus muros, saberes e modos de subjetivar. Para tanto,
partimos da produção de narrativas que se ocupem dos detalhes, dos silêncios e das histórias
Entre trabalho e educação: Experiências de uma escrita coletiva sobre trabalhar menores, onde os processos de subjetivação mostram força e intensidade.
e estudar
Espremer um tempo – fragmentos de percursos
Camila Pereira Alves1 y Jaqueline Tittoni2
“Outra vez atrasada para o encontro com a universidade3. Tem sido acolhedor perceber
que as agendas do grupo de pesquisa foram construídas coletivamente e que contemplam
A educação e o trabalho expandiram seus campos de atuação para além dos muros escolares os trabalhadores e suas condições de possibilidades para tornarem-se pesquisadores.
e fabris, já faz muito tempo. Nesta exposição, vamos abordar as tramas que podem compor Mas, mais uma vez, há um atrasono encontro com as colegas de pesquisa. Parece que
educação e trabalho a partir de um percurso descrito por narrativas que indicam as interseções, esses que pesquisam-trabalham estão sempre em outro tempo. No último minuto, ainda
distanciamentos e problematizações vividos num tempo em que uma pesquisadora se forja como sentada a mesa de trabalho, escutei a sirene do telefone tocar, atendi e descobri outro
trabalhadora no campo da educação, e retoma seu percurso acadêmico, como mestranda. O caso de violação de direitos praticado por algum adulto à uma das crianças matriculadas
tensionamento entre os processos de subjetivação por meio do trabalho e da educação passam a num dos programas de educação da instituição. Uma urgência. O encontro acadêmico
ser constantes e a pergunta que passa a rondar esses percursos-percalços inspirada na questão precisava dividir mais tempo com o trabalho.
espinozista passa a ser: o que pode um-atrabalhador-a no campus universitário? O que pode
uma trabalhadora escrever numa pós-graduação em psicologia social e institucional? Como se Vários minutos depois, já no segundo ônibus para acessar a universidade, após um dia
torna possível a aproximação entre aquilo que é produzido como conhecimento acadêmico e o extenuante de trabalho, passava em frente ao templo neopentecostal da avenida que não
trabalho que se realiza fora da universidade? O que há de Educação no Trabalho e de Trabalho cessava de movimentos. Vários trabalhadores sentados no coletivo urbano, com seus
na Educação? pescoços curvados e olhares fixamente detidos nos estímulos das pequenas e grandes
telas que iluminavam suas faces. Alguns, porém, olhavam pela janela (eu estava sem
De imediato, se pode perceber que a lógica disciplinar produz certas formas de segregação bateria). Muitos trabalhadores ambulantes, apesar do adiantado da hora e da noite fria que
institucional de modo a legitimar espaços-tempos distintos para a aprendizagem -a educação - se anunciava, seguiam em frente ao templo agitando e gritando seus objetos de venda.
e o ofício - o trabalho. Desta forma, é como se cada área correspondesse a uma instituição que, Do tempo em que o motorista precisava para estacionar na parada e recolher mais e mais
na maior parte das vezes, não se comunicam ou não permitem que quem se propõe a cruzar seus passageiros no ônibus já lotado, pela janela, era possível observar uma cena peculiar: um
altos muros gradeados, de fato, o consiga. Como se, na universidade todo o trabalho envolvido na pastor exorcizava uma mulher na escadaria que levava ao templo, quase em praça pública.
produção da aprendizagem, não fosse também um ofício marcado pelo trabalho e suas linhas duras Observava o trabalho daquele pastor e pensava na desinstitucionalização do trabalho
institucionalizadas em tempos, prazos e modelos e, da mesma forma, na empresa, a cognição templário. Ainda não tinha acompanhado uma cena de desobsessão em via pública no
inventiva do trabalhador, que produz seu oficio singularmente, não pudesse ser autorizada a século XXI e é possível que esse não seja um bom sinal dos tempos. Seguiu-se o balanço
compor um vasto campo das aprendizagens e de educação. O que nos tem movimentado nessa das acelerações e freadas do coletivo urbano. Era preciso passar pela rodoviária da cidade
pesquisa é a problematização acerca dessa notável separação entre campos e instituições, em para encontrar uma amiga que acompanharia a outra parte desse trajeto.
que cada uma tem funções genuínas e discursivamente contornadas, ao mesmo tempo, em que
1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional. Email: perr_ Andar pelas calçadas que levam a rodoviária seguiu sendo uma rota de encontro com
camila@hotmail.com
2. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional. Email: 3. Fragmento do Diário de Pesquisa de uma das pesquisadoras.

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trabalhadores ambulantes, que só visibilizam a catastrófica fase político-econômica na menor, pequena e afetada pelo detalhe daquilo que se movia singularmente no entre caminhos
qual estamos mergulhados. Se a ‘moderníssima’ reforma trabalhista foi estimulada pelo universidade-empresa, educação e trabalho. Percorrer as ruas da cidade nesses deslocamentos
ramo empresarial ‘porque’, em 2016, tínhamos 11 milhões de desempregados e diziam fazia brotar linhas de fuga que reverberavam em sala de aula como aquilo que se via na avenida
que cumpria-se escolher entre o passado (Consolidação das Leis Trabalhistas de 1943) e não conseguia ultrapassar o portão da pós-graduação. Afetada seguia e no turno inverso, já na
ou o futuro (o artigo definido já dava pista da segmentaridade que se propunha), como mesa destinada ao ramal de trabalho, seguia-se a agitação produzida pelas desacomodações de
suportar os constantes desvios que é preciso fazer nesse caminhar para não tropeçar questões feitas por professores e colegas ainda lá no campus universitário.
nas improvisadas lojinhas sobrepostas a pequenas áreas de tecido que se multiplicam
a cada metro entre o trem e a rodoviária? Como suportar a precarização das relações Um corpo de trabalhador agitado pelos atravessamentos da universidade e da rua, também era
de trabalho com a aprovação oligárquica de uma reforma trabalhista adjetivada como um corpo de estudante descontruído, que não mais questionava-se sobre as dicotomizações
moderna, quando se caminha por entre objetos à venda, pessoas gritando e crianças com da vida/pensamento, público/privado, trabalho/educação, pois experenciava atravessamentos e
frio? Lembrava que há dois anos os propositores dessa reforma ousavam justificar isso golpes de fluxos transbordando por todos lados, sentidos e direções. Não era mais isso ou aquilo,
tudo com pompa jurídica: ‘cumpre escolher entre o desemprego ou mais desemprego’. mas a composição de um território que fazia dessa existência os deslocamentos e acoplamentos
Cumpriu-se! de tudo que se via, cheirava, sentia e queria passar no atravessamento daqueles muros
instituídos que, antes, pareciam intransponíveis e encerrados em si. Não era mais um esforço
Escorada na marquise da rodoviária, enquanto aguardava a amiga que estrangeira, ainda hercúleo compor com estes campos, passava a ser um vício. Um constante anotar, registar e
não sabia os caminhos possíveis para deslocar-se pelo porto nem tão alegre e ainda com escrever daquilo que fazia arrepio, coçava e estranhava. As ruas transbordavam as instituições
a cena fresca da desinstitucionalização da (des)possessão, escuta-se uma melodia em de ensino e trabalho. O entre muros, o entre instituições, o entre cárceres desdobra-se num
ritmo interiorano, num dialeto acelerado, margeando o confronto com a neurose urbana possível território existencial (Romagnoli, 2009), um entre forjado com aquilo que acompanha
daquele lugar. Um senhor caminhava pela rodoviária com mochila nas costas, barriga um corpo de passagem.
protuberante e gargalhada alarmante cantando ritmicamente uma letra singularmente
armada: ‘Não precisa TeMeR o pecado!’, ‘Quem tem medo do pecado?’. E ao cantar e Daí a escrita com as ranhuras provocadas pelo caminhar e passar por esse cotidiano de
encarar insistentemente os que parados ali se encontravam, tornei a lembrar da cena composições territoriais de trabalho e educação. Os micros movimentos, os detalhes, aquilo que
produzida em praça pública, agora ritmada pela música do violeiro urbano de rodoviária passa correndo pelo vidro do ônibus, aquilo que afeta um percurso peripatético (Lancetti, 2008),
que me fazia pensar no quanto, de fato, não precisamos de templos para operação dos da ordem do errante e do inesperado de quem se joga num espaço a ser continuamente criado.
ofícios de trabalho...” A incerteza do menor, a provocação do pequeno, as condições de possibilidades suscitadas por
uma escrita do vulgar, do profanar ao caminhar universitário do trabalhador. Dessas singelezas
No início era a angustia por habitar, pelo menos, dois campos entendidos completamente desabrochou a vontade de sustentar um diário de pesquisa em que se escrevesse o que se
diferentes. De um lado a universidade pública, produtora de conhecimento e titulação, do outro experencia nesse entre de um trabalho e de uma educação. Nisso que se forja durante as
uma grande empresa que tinha por objetivos fornecer o melhor em educação para o mercado. passagens de corpos num cotidiano de trabalho e ensino, freneticamente acelerados num tempo
Lugares que pareciam intransitáveis. O modo binário de problematizar as convocações sociais que, por vezes, se faz dinheiro, em entregas do trabalho, e, por vezes, se faz letargicamente com
ainda se fazia presente. Linhas duras atravessavam e rasgavam a condição de estudante e os imperativos da formação escolar, e, ainda, por vezes, simplesmente preferem um não fazer,
trabalhadora que se pretendia produzir. A passagem dos fluxos era percebida de forma linear tal qual Bartleby, que aliás, também escrevia em Wall Street (Melville, 2017).
e, mesmo por isso, precária às condições de possibilidades que o tensionamento deste entre
espaços poderia criar. Se era de um ler entre-linhas, às vezes, também era seguir pelas linhas que Dessa intempestividade, dessas outras (micro)possibilidades cresce a vontade de escrever ao
forjavam um texto, e no acompanhamento desses fluxos e passagens se desdobrou uma escrita perceber que aquilo que no início era nomeado binário, angustiado por poucas visões de saída

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numa lógica educação-trabalho, se (des)dobra e se recoloca como possibilidade de um entre, da Caópticos (PPGPSI/UFRGS), composto majoritariamente por trabalhadores-estudantes,
potencialização de um hiato, da visibilidade do discreto. Em algum momento da transitoriedade, uma escrita coletiva que possa dar visibilidade às experiências que compõem os percursos e
das navegações e caminhadas percebe-se que algo se desloca por uma trajetória de fuga, um percalços de pesquisadores-aventureiros que transpiram com as forças que compõem territórios
outro território, não mais aqueles dois nomeados desde o início, mas um território forjado na existenciais no entre caminhos das instituições trabalho-educação. Pois, se há anos foi preciso
experiência de quem pesquisa pelas margens, pelas beiradas, pelo que sobra. Restos margeados que inventássemos um corpo de trabalhador para habitar as instituições de trabalho e seus
por muros enormes, solidificados, instransponíveis, que, aliás, se você não for um estudante discursos gerencialistas-assistenciais-tutelares, propondo um jogo de cintura na proposição
convidado, dificilmente transpõe. de uma construção ética do trabalho psi, agora nos damos conta que também foi necessário
metamorfosear nossos corpos de trabalhadoras em corpos de pesquisadoras, ao estilo Gregor
Perseguindo o entre linhas desse tecido social, que se rasgam em fendas para composição de Samsa (Kafka, 2001). Mas se no passado saíamos da universidade ansiosas pelo primeiro
outras tramas, também tentamos inventar linhas que se anunciam como possíveis desenhos que emprego que precisava ser transformado em trabalho e metamorfoseávamos de estudante
marcam essa escrita. Escrever para voltar do caos que pode ser o estar no não lugar, num tempo para trabalhadora, agora percebemos que somos humanos e insetos ao mesmo tempo. Ao
não instituído, numa passagem caótica em que se atravessam fluxos e intensidades borradas mesmo tempo e não necessariamente em lugares distintos, como na graduação nos ensinaram.
e enigmáticas. Escrever o que ainda não permite entendimento do que acontece no percurso É tudo ao mesmo tempo e de todas as formas. A vida não estaciona para que um processo
daqueles que se arriscam no fora (Zanella, 2012), no entre, no meio-fio daquilo que não compõe de aprendizagem, muito menos de trabalho, aconteça. Talvez, por isso, tenhamos vivido como
o instituído na Educação e no Trabalho. Arriscar-se ao fora institucional para inundar folhas pesquisadores nômades que inventam territórios existências na passagem de uma instituição a
de papel e criar outros modos de (r)existência que permitam seguir habitando a bricolagem outra e marcam suas trajetórias em diários. Diários que contém narrativas profanas e menores
educação-trabalho para além dos muros das instituições. de um estilo de pesquisa vibrado por corpos que ficam sujos num dia de trabalho e carregam
essa imundícia corporal para as questões de podem sustentar uma pesquisa dos entres.
Escrever para (r)existir na invenção de um caminho
Apostando numa literatura-menor (Deleuze e Guatarri, 2015) ensaiamos apostas em
Pode um(a) trabalhador(a) escrever na universidade? Certamente pode! Escreve sobre a entrega transitoriedades e invenções de práticas para (r)existir nesse corpo de estudante-trabalhador
e devolução das chaves na recepção. Escreve sobre os litros de sabonete e detergente gastos que habita a pós-graduação da universidade pública como um tipo de pesquisador que não
no dia de limpeza com o departamento. Escreve os e-mails de divulgação das informações do cria raiz; que inventa outros usos para as pernas, cavocando percursos e muitos percalços
programa de pós-graduação. Escreve os relatórios administrativos e contábeis que sustentam para habitar, deslocar e tecer com as linhas de fuga, mas também, com as linhas mestras da
burocraticamente a instituição. Escreve sobre os cafezinhos vendidos no fiado na cantina. Escreve composição do tecido que recobre as grandes instituições. Forjando andanças pelo ‘entre’ das
sobre a mudança de turno e os avisos que ainda precisam ser encaminhados ao professor doutor. forças disciplinares, ao modo inseto que poliniza, e não mais, polariza, essa metamorfose de
estudante-trabalhador-pesquisador passa a ser tomado por nós como condição de possibilidade
Academicamente, talvez, o trabalhador possa escrever sobre aquilo que lhe passa (Larrosa, para a invenção de um pesquisador que pode ser nômade.
2002). Ao trabalhador que pode habitar o território universitário parece ser possível que conte
suas experiências como narrativas que dão passagem a outros modos de produção da escrita na Então, como seguir traçando linhas de fuga e travessias produzidas no enfrentamento de
instituição acadêmica. Encarnar o narrador a partir das possibilidades elencadas por Benjamim discursos e práticas capturadas pela lógica mercadológica e conservadora do binômio público-
(1994) pode ser um modo interessante para a composição de um modo de escrita localizada privado da educação-trabalho em tempos temerosos como esses em que vivemos no Brasil?
no saber do trabalho, narrada por aqueles que levam para a universidade e, em especial, para Como desviar do modo indivíduo (Foucault, 2009), que baliza a produção de subjetividade tanto
as linhas de pesquisas da pós-graduação, a sujeira dos ombros empoeirados pelas experiências de quem habita a educação quanto o trabalho? O pesquisador-estudante-trabalhador pode ser
de um dia de labuta. Inspiradas em Lazzarotto e Axt (2012) propomos ao Grupo de Pesquisa aquele que desenvolve a faculdade de intercambiar experiências, que comunica aquilo que vive

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como narrativa, pois afirma, em seu modo de existência, que a vida não estaciona para que as Lancetti, A. (2008). A clínica peripatética. São Paulo: Hucitec.
aprendizagens e os ofícios se desenvolvam, carregando consigo a bagagem de quem modulou
diferentes territórios existenciais num mesmo percurso para forjar-se pesquisadora. Ainda Lazzarotto, G. D.R., e Axt, M. (2012) Uma singular pragmática do escrever: um diário coletivo.
estamos a experenciar estas tensões, mas alguns apontamentos já começam a se destacar: Polis e Psique, Porto Alegre, 2(1), 159 – 181. Recuperado em 29 de julho, 2018, de http://
a pesquisa não pode mais falar de um trabalhador outro, mas de uma pesquisa outra, que www.ufrgs.br/lelic/files_gerenciador_de_arquivos/artigo/2012/56/1373910734artigo_uma_
se faz na experiência de ser trabalhadora e estudante; os tempos que se tramam e compõe singular_pragmatica_do_escrever_um_diario_coletivo.pdf
trabalhar e estudar nas particularidades das experiências vividas como tempos de conexão,
como regularidades que podem se desenhar na impermanência das fronteiras disciplinares e, Melville, H. (2017). Bartleby, o escrevente. São Paulo: Via Leitura.
por fim, a potência da criação de um comum (Barros e Pimentel, 2012) que possa enfrentar
as forças individualizantes e reativar os coletivos para pensar a política nas políticas públicas Romagnoli, R. C. (2009). A cartografia e a relação pesquisa e vida. Psicologia & Sociedade,
em educação e trabalho. Assim, reafirma-se, nas experiências da vibração dessa pesquisa, que 21(2), 166-173. Recuperado em 29 de julho, 2018, de http://www.scielo.br/pdf/psoc/v21n2/
as questões que nos orientam poderão ser discutidas a partir da produção de um comum, da v21n2a03.pdf
composição coletiva de uma escrita que marque as passagens e intensidades daqueles que
conosco tem habitado esses territórios para outras (r)existências eescritas, marcadas num Zanella, A. V. Escrever (2012). In T. M. G.Fonseca; M. L.Nascimento&C.Maraschin, (Orgs.).
diário coletivo de pesquisadores-estudantes-trabalhadores-nômades. Pesquisar na diferença: um abecedário. Porto Alegre: Sulina.

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Kafka, F. (2001). A metamorfose e o veredicto. Tradução: Marcelo Backes. Porto Alegre: L&PM.

941 942
Capítulo 90 As forças encontradas e que pressionavam na direção da judicialização foram:

1. A trama pobreza-assistencialismo-tutelamento-culpa:
Judicializaçao e contracondutas no trabalho da equipe de um creas: forças
em tensão na assistência social Partícipes de um trabalho em assistência social – AS marcado por uma história de cunho
religioso, assistencialista e tutelador (Couto, 2015) eimersas em uma realidade de pobreza de
Lúcia Regina Ruduit Dias1, Jaqueline Tittoni2 y Andréa Vieira Zanella3 grande parte da populaçãoé que expressões como sentirem-se colocadas no lugar de salvadoras
ou deveremse perdoar por aquilo que não davam conta de realizar, assim como sentirem culpa,
emergiram nas falas das trabalhadoras.
O presente artigo é resultado de uma pesquisa que investigou as práticas de uma equipe de
vinte trabalhadoras4 de um Centro de Referência Especializada em Assistência Social – CREAS, Devolver estas falas para a equipe significou propiciar a análise do próprio processo de trabalho,
na cidade de Porto Alegre, Brasil. O CREAS é um equipamento do Sistema Único de Assistência oportunizando novos sentidos através do enlace de seus sentimentos com uma importante
Social - SUAS, responsável pela parte da população com direitos aviltados, mas com vínculos discussão que se travou no CREAS e que dizia respeito ao não desligamento das usuárias que
familiares, sociais e comunitários mantidos. não desejavam mais os serviços. A equipe se defrontou, então, com a prática do tutelamento, de
responsabilização pelas usuárias, consequência da culpa que as levava a assumirem para si, de
O estudo analisou as forças presentes nas práticas jurídicas das trabalhadoras e buscou forma individual, um peso de toda a política: Eu não sei mais o que fazer! Eu já fiz de tudo! (Dias,
visibilizar as possibilidades de contracondutas ao processo de judicialização do trabalho e da 2017, p. 82).
vida. A estratégia metodológica utilizada foi a pesquisa-intervenção, embasadanos pressupostos
ético, estético e político do pesquisar (Aguiar & Rocha, 2007; Paulon, 2009), fundamentada na Essa fala ilustra que, em uma sociedade capitalista que incrementa a noção de indivíduo e
Análise Institucional (Lourau, 1993)e em suas noções de produção conjunta do conhecimento. constitui subjetividades privatizadas, o peso recai sobre o eu, em uma tecnologia do poder
Os procedimentos utilizados para a produção de informações foram o acompanhamento da moderno que facilita o controle das populações: a individualização (Silva, 2005). Os resultados
equipe, a análise de implicação, a restituição e as oficinas de fotografia (Dias, Zanella e Tittoni são angústia e sensação de impotência.
2017). As informações foram registradas em diário de pesquisa e audiogravações. As discussões
provocadas pela intervenção foram analisadas à luz das noções de práticas jurídicas (Foucault, Ocorre que nessa relação entre trabalhadoras e usuárias há um terceiro, que é o sistema de justiça
2013), judicialização do trabalho e da vida (Augusto, 2012; Oliveira; Brito, 2013; Prado Filho, - SJ. A situação se complexifica, pois, mesmo que a usuária não queira o atendimento, não pode
2012), assim como de biopolítica (Foucault, 2008, 2011) e contracondutas (Foucault, 2008; haver o desligamento, pois as trabalhadoras devem respostas a tal sistema. As trabalhadoras
Grabois, 2011). O estudo indicou que, no CREAS, encontravam-se presentes inúmeras forças sentem-se como braços do judiciário (Dias, 2017, p. 84), pois se veem entre justiça e usuárias,
que, tansversalizadas pela individualização, se reuniam em um fluxo na direção da judicialização tendo que prestar contasdos atos de pessoas que nem comparecem mais.
do trabalho e da vida, alastrando os controles, bem como, os processos de julgamento e punição,
no tecido social. Se a pressão exercida pela herança de pobreza-assistencialismo-tutelamento-culpa é forte, os
rumos da política como um direito também exercem pressão. Contracondutas(Foucault, 2011;
1. Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre. Email: luciaruduit@gmail.com
Grabois, 2011) estavam presentes, pois, as trabalhadoras fizeram contrafluxos às forças que
2. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Email: jatittoni@gmail.com cristalizavam suas identidades. Inúmeras reflexões apareceram na atividade de revisão dos
3. Universidade Federal de Santa Catarina. Email: a.zanella@ufsc.br casos acompanhados, nos questionamentos sobre os porquês dos acompanhamentos (ou não) e
4. Tendo em vista as atuais discussões sobre a linguagem inclusiva de gênero e de pessoas com deficiência, opto por escrever no feminino,colocando
em relevo as mulheres presentes, em grande maioria, como trabalhadoras da AS, usuárias ou autoras desta escrita.
de seus significados tanto para as usuárias quanto para a equipe.

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condicionalidades em meio a uma realidade de políticas públicas falhas e precárias. Essa
2. A noção de Estado social e a biopolítica: realidade faz com que as trabalhadoras estejam sempre imersas em escolhas que deixam
alguém de fora, sem os seus direitos básicos cobertos.
Com o processo de industrialização iniciado no final do século XIX, apauperização de uma
parcela da população ea quebra nas redes de solidariedade primárias, o Estado se colocou como No lugar de possibilitar que as usuárias sejam objeto de conhecimento e intervenção, as
responsável pela proteção daqueles que necessitavam. O Estado social (Castel, 1995), forma trabalhadoras percebiam-se executoras de uma biopolítica que conta e controla semdar em
de regulação sobre as relações entre trabalhadoras e mercado, antes de modificar as relações troca o que lhes é de direito(Dias; 2017, Trein; Dias; Tittoni, 2016). No CREAS pesquisado
sociaisdesiguais e tensionar suas causas fundantes,acaba tendo por efeito sua manutenção ficou evidente que quanto mais premidas pelo acúmulo de trabalho, pelas demandas do SJ, pela
(Castel, 1995; Couto, 2015) ao focar suas ações na pobreza, apresentando direitos sociais de regulamentação das leis e das normas (prazos, classificações, prescrições etc), maisas usuárias
caráter redistributivo de limites bem estreitos. Realidade, esta, perceptívelno Brasil e inúmeros se transformavam em metas a cumprir e suas histórias em reflexos de leis (e não em vidas
países da América Latina. com as quais se relacionar), mais as trabalhadoras ficavam rígidas quanto ao cumprimento das
exigências,buscando soluções rápidas e não tão condizentes com as necessidades de cada caso
O compromisso entre mercado e trabalho é regulado também por um aparato jurídico, que, em um movimento de judicialização do trabalho e da vida.
ancorado em contratos sociais, leis e constituições, procura garantir o acesso a direitos.
Ocorre que esse aparato jurídico está imerso em contradições,ora transpassado por uma visão Como contracondutas às forças biopolíticas e individualizantes a equipe estabeleceu algumas
meritocrática, onde cada um deve buscar a melhoria de sua vida a partir de suas próprias estratégias como:procurar estarem mais próximas das trabalhadoras de outras políticas
qualidades e empenho, ora transpassado pela visão de que é papel do Estado garantir igualdade públicas, realizando o descentramento de entender o lugar de onde tais trabalhadoras falavam e
de condições aos cidadãos. as precariedades que perpassavam seus trabalhos; propor a realização de um grupo de mulheres
em conjunto com a saúde; debaterem entre si e com outras equipes da AS o próprio processo de
Nos jogos contraditórios entre Estado social, mercado, SJ e suas próprias práticas é que as trabalho, bem como a AS enquanto política pública.
trabalhadoras se veem, muitas vezes, solitárias e onde o processo de individualização,
característico das sociedades capitalistas, tem grande força. As trabalhadoras são impulsionadas 3. As práticas jurídicas enraizadas na sociedade e seus mecanismos de exame, prova, testemunho
a verem-se através de uma subjetividade que tensiona na direção do privado e do afastamento do e criminalização:
coletivo, do público e do comum (Coimbra, 2009):
A intervenção da pesquisadora-interventora sobre os diferentes momentos em que a equipe
− Tu até divide com a equipe, mas o caso é teu! Se tu acolhe rápido é porque tu acolheu aceitava, ou não, ter seu trabalho registrado por áudio gravação fez emergir uma discussão que
rápido demais; se tu não [acolhe], tu te rala porque o guri morreu e a culpa é tua. Se tu visibilizou o receio quanto ao que poderia ser falado e quanto à dureza do SJ(principalmente
tem uma colega para dividir... é diferente de tu dizer: “Putz, como eu não vi...”. Culpa tua, o judiciário). Emergiu o medo de nãopoder cumprir o que era requerido por tal sistema, tendo
erro teu. Solitário... (Dias, 2017, p. 93). em vista limitações técnicas, não competência de atribuições demandadas ou o não desejo das
usuárias de cumprir o requerido (por exemplo, comparecer a um tratamento psiquiátrico ou
Mesmo que a tarefa de garantir direitos sociais seja uma tarefa impossível de se fazer só, é psicológico exigido).
sobre as trabalhadoras que recai o peso de utilizarem seus instrumentos, técnicas de trabalho e
seu saber fazer, nem sempre da forma que gostariam.As trabalhadorassentiamo peso de terem Ocorre que as responsáveis pelos acompanhamentos das usuárias poderiam ser responsabilizadas
que decidir, dentre as usuárias, quem teria direito a determinados benefícios de transferência penalmente por tal descumprimento. Isto evidenciava um descompasso entre o SJ e o SUAS, um
de renda, quem entraria para o grupo de mulheres ou, ainda, de quem seriam cobradas as desconhecimento de um em relação ao outro e, por vezes, até mesmo abuso de poder.

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deslocamentos, a precarização também se manifestava nas diferenças contratuais consequentes
Em uma sociedade em que as práticas jurídicas, ou seja, “a maneira pela qual, entre os homens, do processo de terceirização (Aquino et al., 2016). Em um mesmo local encontravam-se
se arbitram os danos e as responsabilidades” é uma das principais formas de subjetivação trabalhadoras com salários, cargas horárias e direitos trabalhistas diferentes.
(Foucault, 2013, p. 21), o medo de poder ser responsabilizada penalmente era o medo de ser
colocada no lugar de infratora e de advir criminosa. Na AS a precarização se mostrou de forma insidiosa, encravada como um aviltamento de
direitos das próprias trabalhadoras. E sua relação com os processos de judicialização era sutil,
Nesta dinâmica, vários mecanismos das práticas jurídicas contemporâneas atuam: o próprio mas forte. Premidas por um enorme contingente de pessoas a serem atendidas, pelo acúmulo
trabalhoopera como prova contra si (o que se faz, ou não) e a memória e um eu que diga de de tarefas e pela urgência, as trabalhadoras procuravam cobrir as constantes faltas caindo
algo operam nas falas que tomam vulto de testemunho(Foucault, 2011). Daí o medo de serem na sobreimplicação. Travestida de comprometimento e participação, a sobreimplicação extrai
registradas em áudio: Precisamos cuidar o que se diz, medir as palavras (Dias, 2017, p. 117). - O sempre um a mais das trabalhadoras(Barros, 1997): Esses dias eu acordei de madrugada e fiquei
Judiciário[...] Pede o relatório para o técnico, que escreve um relatório que o Judiciário quer ler. pensando na [nome de uma usuária], em uma avaliação para ela. (Dias, 2017, p. 134).
Se escrevemos o que o juiz não quer, acabamos sofrendo com isto (Dias, 2017, p. 117).
Também fazem-nas cair em um ativismo que dificulta tanto a capacidade de pensar a
Ter que cumprir ordens com as quais nem sempre concordam fazia com que as trabalhadoras se multiplicidade e o que se produz com o próprio trabalho, como dificulta a utilizaçãodo potencial
sentissem marionetes do SJ, prestando serviços (como fazer visitas, escrever laudos, relatórios, criador (Coimbra; Nascimento, 2004).
etc) que as deslocavam do lugar de acompanhar as usuárias e as lançavam no lugar de avaliar,
do exame. Em função da pressão das práticas jurídicasé que as trabalhadoras transformavam A consequência da precarização é o medo de perder o emprego, a grande circulação de
as usuárias em efeito e objeto do saber e do poder, homogeneizando-as na forma de um caso. trabalhadoras entre os equipamentos em busca de melhores salários e melhores condições de
trabalho, bem como, a concorrência entre colegas. Elas percebem que o Estado que preconiza
Um intenso processo de judicialização do trabalho e da vida é a consequência. a garantia dos direitos das usuárias, que elas próprias devem defender, é o mesmo que não
consegue garantir seus próprios direitos.
Novamente se nota a presença do processo de individualizaçãoao recair o peso das decisões e
dos não cumprimentos sobre as trabalhadoras e não sobre o funcionamento do sistema ou sobre Ao sentirem-se premidas pela enorme demanda e sob a insegurança da saída, no mesmo
a forma como se dá a relação entre SJ e SUAS. período, de quatro colegas do serviço,as trabalhadoras detinham-se às prescrições e às leis
frias, para tentar dar conta de suas tarefas. Tal movimento fazia com que se perdessena
Convidar a juíza da vara da infância e juventude para conhecer e realizar uma reunião dentro discussão em profundidade, na complexidade das contingências específicas de cada caso.
CREAS e não do judiciário e assinar coletivamente documentos que antes eram assinados pelo Então, as trabalhadoras sentiam-sefazendo mal seu trabalho e emergia a sensação de culpa e
responsável por um serviço são alguns exemplos de contracondutas das trabalhadoras aos solidão. Um círculo vicioso se fechava sobre as trabalhadoras: culpabilização – individualização
poderes judicializantes. – judicialização.

4. Precarização do trabalho: Além das contracondutas já citadas anteriormente, a participação nos sindicatos e outras
organizações coletivas foi apontada para tensionar as forças de precarização, individualização
A precarização, consequência da diminuição de custos na produção à custa dos direitos das e judicialização.
trabalhadoras(Aquino et al., 2016; Toni, 2007) estava presente no CREAS. Sob a forma de falta
de recursos financeiros para os benefícios, de materiais para as oficinas ou de carro para os Algumas conclusões...

947 948
O acompanhamento da equipe e de suas relações com outros níveis e equipamentos da AS, Castel, R. (1995). Les metamorfoses de la question sociale: une chronique du salariat. Paris:
bem como com outras políticas públicas, fez ver que as forças judicializantes, bem como a Gallimard.
individualização e a culpa se fazem presentes em todas as políticas públicas brasileiras.
Coimbra, C. M. B. (2009). Psicologia social, políticas públicas e biopoder. In: Tatsch, D. T.,
Se por um lado existia uma trama de forças que pressionava na direção da judicialização, Guareschi, N. M. F. & Baumkarten, S. (Org.). Tecendo relações e intervenções em psicologia
também existiam forças que operavam como resistência através de contracondutas. E no CREAS social. (pp.161-172). Porto Alegre: ABRAPSO SUL.
estudado, as contracondutas construídas operavam na direção de um processo de coletivização,
de emergência de processos criativos que eram constituídos no plano relacional e que levavam Coimbra, C. M. B., Nascimento, M. L. (2004). Sobreimplicação: práticas de esvaziamento
em conta as diferenças (Escóssia; Kastrup, 2005). político? Niterói: Universidade Federal Fluminense. Recuperado dehttps://app.uff.br/slab/
uploads/texto22.pdf
Além do processo de coletivização, a produção de história e de memória no próprio ato dos
encontros, a passagem de um saber fazer das relações e da própria coletivização se evidenciaram Couto, B. R. (2015). Assistência social: direito social ou benesse? Serviço Social & Sociedade,
na equipe. 124, 665-677.

Se no creas estudado, tais contracondutas à judicialização do trabalho e da vida se apresentaram, Dias, Lúcia Regina Ruduit. (2017).Judicialização e contracondutas no trabalho da equipe de um
outras forças (ou as mesmas) podem emergir em outros locais. Sendo assim, cabe a continuidade CREAS: forças em tensão na assistência social. (Tese de doutorado). Universidade Federal de
de uma investigação dos processos de judicialização em outros CREAS da cidade e do país, bem Santa Catarina,Programa de Pós-graduação em Psicologia, Florianópolis.
como em outros equipamentos da AS e até mesmo de outras políticas públicas, com vistas a
analisar tais processos. Dias, L. R. Ruduit; Zanella, A. V.& Tittoni, J. (2017). Oficinas de fotografia na pesquisa-intervenção:
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Capítulo 91
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Os processos migratórios sempre foram uma realidade entre os continentes, entre países, por
vezes este processo é tranquilo e optativo de forma amistosa. Uma pesquisa feita em 2012 pela
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país de origem, sendo que deste número quase 50% são mulheres.
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O tema principal deste trabalho a imigração, com foco nos venezuelanos, que já chegaram a
Econômicas/UFRGS, 25 (47), 185-210.
controlar o processo imigração em seu país, no final de 1973, com o crescimento econômico em
pleno curso devido ao aumento do preço do petróleo, enfim, mediante a adoção de uma política
Trein, A. L., Dias, L. R. R., Tittoni, J. (2016). O direito à assistência social no Brasil: para quem e
de imigração mais aberta, porém seletiva (Bethell, 2005). Entretanto, atualmente, a realidade
para quê. Rio de Janeiro: Multifoco, Coletânea Bento-Gonçalvense de Direito II, 63-80.
é outra. Portanto, de uma forma objetiva, este trabalho contribui com estudo teórico-empírico
sobre migrações e adequações na recepção e acolhida dos mesmos, visto que é uma necessidade
emergente para que não haja somente uma crescente de população marginalizada na sociedade.
A imigração é um movimento que acontece há muito tempo entre os povos, por motivos variados,
e o seu impacto nas sociedades torna-se um dos maiores desafios sociais na atualidade. Durante
a segunda metade do séc. XX muitos países europeus transformaram-se em países de imigração
e a adaptação intercultural, tornou-se um conceito chave para as comunidades de imigração
(Sousa E Gonçalves, 2015).

Silva e Lima (2017) argumenta que é importante enfatizar, também, que a Comissão
Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) considera os imigrantes como sendo mais
1. Faculdade Católica de Mato Grosso FACC MT. Email: idineia.bressan@faccmt.com.br
2. Universidade Federal de Minas Gerais -UFMG. Email: djeimellaferreira3@gmail.com
3. Instituto Federal de Mato Grosso IFMT. Email: felipeangelo40@gmail.com
4. Universidade Federal de Mato Grosso UFMT. Email: willianluanrodriguespires@gmail.com
5. Faculdade Católica de Mato Grosso FACC MT. Email: lucilene.franca@faccmt.com.br

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vulneráveis quando comparado com os nacionais ou residentes de um Estado, pois se encontram de comunicação social só tratam os aspectos negativos, como crimes e desastres, e raramente
em condição de desvantagem pela dimensão ideológica mantida por dessemelhanças legalmente os aspectos positivos da imigração, de acordo com o “Estudo de Recepção dos Meios de
estabelecidas e estruturadas. Segundo Batista e Pereira (2016) citado por Silva e Lima (2017, Comunicação Social”, promovido pela ERC, que será hoje divulgado durante a II conferência
p.389) o acesso dos imigrantes aos recursos públicos oferecidos pelos Estados é diferenciado, anual da Entidade Reguladora para a Comunicação Social. No entanto Rodrigues (2012) defende
agravando assim, os preconceitos culturais que ultrajam ainda mais as condições de que a comunicação neste contexto de imigração não é tão somente a comunicação “é uma
vulnerabilidade enfrentada por esses indivíduos. Ademais, esta vulnerabilidade é reforçada por operação puramente social porque pressupõe o envolvimento de vários sistemas psíquicos
preconceitos étnicos, xenofobia e racismo, que dificultam sua integração à sociedade e levam à sem que se possa atribuí-la exclusivamente a um ou outro destes sistemas: não pode haver
impunidade por violações de direitos humanos cometidas contra os imigrantes. comunicação individual”.

Atualmente o movimento migratório venezuelano ocorre segundo Charleaux (2018) como forma Metodologia
de refúgio, neste caso, com o pedido autorizado no Brasil os mesmos recebem autorização para
estudar e trabalhar normalmente. Havendo algumas contradições em relação ao imaginário Trata-se de um estudo de natureza exploratória. A investigação utilizou dados primários e
da população e das informações distorcidas. Os venezuelanos possuem o principal destino de secundários, sendo que as fontes primárias foram baseadas em dados obtidos nas entrevistas
imigração a Venezuela, poucos se direcionando ao Brasil, sendo que estes não possuem baixo semiestruturadas aplicada a partir de um roteiro desenvolvido à luz dos fundamentos teóricos
grau de instrução, na grande maioria chegam com ensino médio completo. norteadores associados às questões que direcionam os imigrantes na Pastoral do Migrante
de Cuiabá e colaboradoras da OIT. Além de conversas diretas com migrantes com relatos da
A pergunta chave que deu o direcionamento inicial a este estudo é: Como ocorrem as relações mudança e das limitações da comunicação e o trabalho no Brasil
de comunicação e trabalho de imigrantes venezuelanos no Brasil? Mais especificamente aos que
chegaram em Cuiabá no primeiro semestre de 2018. A delimitação territorial da pesquisa é Cuiabá, onde houve uma negociação com o governo e
Pastoral para o recebimento fracionado de 300 imigrantes venezuelanos no período da pesquisa
O objetivo principal e observar limitações e oportunidades neste processo migratório, visto que do primeiro semestre de 2018.
chegam com outro idioma e em um país que também enfrenta suas limitações econômicas em
relação a classe trabalhadora. Outro ponto fundamental nos estudos de casos, o mesmo resulta refletir a distinção proposta
entre a investigação cujo objetivo é testar ou verificar a teoria versus o que pretende contribuir
O fato de que o Brasil também está em um contexto econômico delicado com alto número de com “gerar” novas teorias (Rialp, 1998). Assim, foram feitas entrevistas com gestores das
desempregos, este fator econômico de acordo com a OIT (2015) não é o fator considerado como organizações e imigrantes venezuelanos.
o mais importante, pois as informalidades das atividades desenvolvidas também são altamente
importantes neste contexto. No entanto é necessário garantir as condições de trabalho, visto Análise Dos Resultados
que a economia informal atinge muitos trabalhadores pela facilidade de acesso e fonte de
renda gerada, mesmo sendo um setor caracterizado por pobreza. E enquanto estas atividades Os resultados obtidos apontam um local de acolhimento temporário, limitada há 90 dias, e
de trabalho informal oferecem meios de subsistência e algum rendimento, há uma parte dos mesmo com a receptividade do Brasil o processo migratório em situação de refúgio os aspectos
trabalhadores exposta a condições de trabalho inadequadas e inseguras; sujeito a incerteza da econômicos e sociais caóticos gera a necessidade de políticas públicas de longo prazo para
formalização contratual, gerando uma instabilidade constante. inserir este novo morador na sociedade.

De acordo com afirmações da Lusa (2008) os imigrantes tendem a considerar que os meios Com família, venezuelanos buscam atividade formal ou informal no mercado de trabalho, como

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pode-se observar na imagem 01 – Imigrantes venezuelanos na avenida do CPA em Cuiabá MT.
Complementado por Rodriguez, Oliveira e Freitas (2001) com a citação de que “é no homem, pois,
Imagem 01 - Venezuelanos com cartazes pedindo oportunidade de trabalho em Cuiabá MT. Fonte: Jornal Hipernotícias – julho 2018 – Cuiabá MT que reside a esperança de construção do novo mundo, e não na atual política de desenvolvimento
socioeconômico e técnico-informacional”. Fortalecendo as questões de que mesmo com falhas
em política públicas para apoio a causas sociais e humanitárias como é o caso dos imigrantes
venezuelanos no Brasil há muita movimentação de apoio por parte de organizações não
governamentais, buscando dar apoio nestas lacunas que as políticas públicas não conseguem
chegar com total propriedade.

Neste sentido, o papel da Pastoral do Imigrante e da OIT é fundamental para reorganização


das condições de vida e também para adaptação na nova cidade, apesar da importância das
ações destas duas instituições a falta de perspectiva de emprego no município aumenta a
vulnerabilidade dos estrangeiros que estão vindo para o Brasil.

Referências

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artigos/?cod=47a3893cc405396a&gt; Acesso em: 29 jul. 2018.
Há uma séria distorção em relação as relações de trabalho e vagas ocupadas como um “roubo”
de vagas de brasileiros, um equívoco de boa parte da população sendo que em comparação com Bethell, Leslie. História da América Latina: a América após 1930: Economia e Sociedade;
outros países, o Brasil recebe poucos imigrantes em relação ao seu território. E a comunicação tradução Geraldo Gerson de Souza. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Brasília,
apesar de um pouco limitada é facilitada por haver muitos imigrantes que já residiam em região DF: Fundação Alexandre de Gusmão 2005.
de fronteira e o “portunhol” como é chamada esta variação do idioma que mescla palavras
em português e espanhol possuí uma fácil compreensão por ambas as partes, venezuelanos e Charleaux J. P. Três dados sobre venezuelanos no Brasil que contrariam o senso comum. Disponível
brasileiros. em https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/03/06/3-dados-sobre-venezuelanos-no-
Brasil-que-contrariam-o-senso-comum e acessada em março 2018.
Considerações Finais
Foundation For Europea Progressive Studies. Internacional migration, human development and
Trata-se de uma realidade que instiga o maior envolvimento dos órgãos governamentais e integrating societies. (2012). Disponível em:>http://www.feps-europe.eu/assets/40dcb173-
organizações estatais, visto que a sociedade civil organizada está envolvida, mas com recursos 2235-4ccf-a2ab-36b4f84b7912/final%20study.pdf<
limitados.

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LUSA-Agência de notícias de Portugal.&quot; Estudo De Recepção Dos Meios Decomunicação Yin, R. K Case study Research – desing and methods applied social research methods. Vol 5 2nd
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957 958
Capítulo 92
A partir das profundas modificações estruturais que estão sendo implementadas no âmbito do
sistema de proteção social, em específico as que estão sendo implantadas no Instituto Nacional
Choque de gestão: O impacto da reestruturação produtiva na seguridade social de Seguro Social (INSS), no estado do Rio Grande do Sul/Brasil, observam-se aspectos típicos
brasileira dos processos da reestruturação produtiva agora presentes no serviço público, tais como:
precarização dos espaços de trabalho, automação, informatização, substituição de mão de
Fabiane K S Machado1 y Jaqueline Tittoni2 obra e alterações significativas no processo de trabalho, sofrimento psíquico e seu impacto na
subjetividade dos trabalhadores públicos, entre outros.

O presente trabalho busca investigar o impacto da reestruturação produtiva na seguridade O resultado deste processo, aliado à própria reforma do Estado e na Seguridade Social no
social brasileira, em especial, junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). A partir do país, é uma categoria de trabalhadores que estão em um processo de “estranhamento” de seu
processo de modernização do Estado brasileiro que teve início no final dos anos 1970 e início próprio trabalho, agora profundamente modificado, e não mais na visão ampliada de políticas
da década de 1980, com a promulgação da Carta Magna brasileira, passa a intensificar este públicas e sociais a partir da gratuidade de acesso garantidos até então, e sim, na mudança para
processo na década de 1990 e acelerou-se bastante nos anos 2000, alterando profundamente caracterização de serviços prestados a quem pode pagar por eles.
as características do trabalho nos serviços públicos do país, que passaram a contar com os
princípios da economicidade, excelência, eficiência e produtividade. Atualmente o INSS no estado do Rio Grande do Sul conta com uma força de trabalho no
quantitativo de 2.169 servidores (Brasil, 2018) e, segundo informações oficiais do Ministério
Assim, ao longo dos últimos 30 anos, observamos o processo de mudanças sucessivas no interior do Planejamento em torno de 25% dos trabalhadores públicos ativos estão em abono de
dos serviços públicos que se referem tanto à adoção de inovações tecnológicas e organizacionais, permanência, ou seja, em condições de aposentadoria imediata, o que ocasionará a extinção
em graus variados de profundidade e extensão, quanto à percepção e reação dos trabalhadores de alguns postos de trabalho significativos. O INSS no Rio Grande do Sul em dezembro de 2017
envolvidos. As reformas na administração federal proposta pelo Governo de Michel Temer (2016- fechou o ano com um total de 1.107.329 processos abertos junto ao órgão, sendo que cada
2018), acabaram por impactar direta e profundamente a vida laboral dos trabalhadores públicos um se transforma em muitos outros procedimentos administrativos diversos, o que se reflete
federais, em especial os trabalhadores públicos pertencentes ao INSS, que tem suas atividades diretamente na sobrecarga de trabalho e metas que não conseguem se manter, por falta de
separadas, a parte referente ao seguro social (arrecadação financeira) passa a pertencer ao quem as execute.
Ministério da Fazenda, pertencente à Receita Federal e a parte de assistência à população,
a parte do seguro social (INSS), agora pertence ao Ministério do Desenvolvimento Social. As Considerando este cenário, o INSS em 2018 passa pela mudança para um novo modelo de
mudanças na gestão dos órgãos partícipes foram profundas e tem como marca o desmonte da gestão do trabalho, cujo fio condutor é a transformação do trabalho presencial em trabalho
previdência social brasileira e as profundas mudanças no âmbito do trabalho e emprego no país, digital. O modelo do “INSS Digital” passa a ter determinados processos e benefícios que agora,
referentes aos movimentos políticos igualmente observados no próprio Ministério do Trabalho e passam a ser concedidos de forma automática pelo sistema virtual e também dá ao Advogado
também com a reforma da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A reforma da CLT também particular do segurado, características de concessor, não necessitando mais do trabalhador
tem sua expressão direta nos serviços oferecidos pelo INSS e os trabalhadores públicos já público e de seu trabalho para conclusão de algumas solicitações. Em um primeiro contato
sentem os impactos da mesma em seu cotidiano laboral. com este sistema, a impressão é de maior rapidez no processo de concessão de benefícios
1. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional e do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande e diminuição do atendimento presencial à população, o que muitas vezes é tido como ponto
do Sul-UFRGS. Email: fabiane.konowaluk@gmail.com de tensão permanente no campo das políticas públicas e sociais. Observando de forma mais
2. Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional e do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul-UFRGS. Email: jatittoni@gmail.com
profunda, o conceito motriz identificado nos materiais divulgados ao público em geral na página

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oficial do órgão (INSS Digital) é a “celeridade” nos processos de trabalho, aliado ao discurso de observada como um dos aspectos vinculados e originados a partir da expansão da produtividade
maior resolubilidade e acesso por parte dos segurados que necessitam acessar benefícios do do trabalho, da intensificação do uso dos mecanismos de extração do sobretrabalho, com a
seguro social. expansão do trabalho morto agora corporificado no desenvolvimento do maquinário tecnológico,
técnico, científico e informacional (Antunes, 2018), todos potencialmente geradores de mais
Este novo mecanismo por sua vez, está produzindo a mercadorização de serviços (Antunes, valor e notadamente vinculados aos danos à saúde mental dos seus operadores, os trabalhadores.
2018) que até então eram gratuitos à população que deles necessitam e está mercadorização
da política de proteção social brasileira vem junto com uma terceirização disfarçada de O trabalho intelectualizado vem sendo cada vez mais exigido dos trabalhadores, demandando
modernização de um modelo de gestão pretensamente esgotado, pois agora dispões de trabalho agora não só suas qualificações técnicas para a tarefa laboral prescrita, mas também passa
externo, realizado por procuradores externos, diminuindo gradativamente a necessidade de a capacidade de escolha e de tomada de decisões, associadas à sua personalidade, a sua
trabalho pelo trabalhador público. subjetividade, que agora passam a se organizar e serem comandadas a partir do trabalho e não
de sua experiência, dando uma noção de imaterialidade na qualidade e quantidade do trabalho
O impacto desta mudança profunda tem sido observado em grupos operativos realizados com os realizado (Negri, A., Lazzarato, M., 2001). Para estes autores, denominados como “operaístas”
trabalhadores públicos, através do Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e no movimento acadêmico italiano que discute o trabalho, as categorias clássicas do marxismo
Previdência Social (SINDISPREVRS) através da Secretaria de Saúde do Trabalhador. A secretaria perderiam seu valor explicativo. Os autores consideram, mesmo partir do atual modelo técnico
tem sido espaço de procura pelos trabalhadores públicos que referem a diminuição avassaladora de organização do trabalho descrito aqui neste texto até então, novas formas de expropriação
do espaço público na execução das políticas estatais, bem como sentimento de exclusão oriundo através do trabalho imaterial, mas também ressaltam traços como humanização, autonomia
deste processo. A referência mais forte que tem surgido nos grupos operativos é a da perda da e independência como fatores igualmente partícipes deste processo, em contraposição ao
identidade do trabalhador público como operador do direito do cidadão, implicando diretamente caráter meramente abstrato e sem sentido do trabalho imaterial originalmente proposto pela
não apenas nos efeitos sobre a sua subjetividade, mas também na qualidade dos serviços corrente teórica de filiação marxista. Esta discussão se projeta diretamente com os conteúdos
prestados à população que deles necessita. e marcadores emergentes do trabalho junto ao SINDISPREVRS, tanto nos grupos, quanto nos
atendimentos individuais realizados, e é observado, de forma concomitante ao adoecimento
A implementação do trabalho digital e seu impacto na saúde e subjetividade dos trabalhadores produzido por este processo.
tem suscitado a retomada da discussão da relação entre o trabalho vivo originalmente
conceituado por Marx (1818-1883). O trabalho vivo, na condição de lugar de realização de Ainda que os dados de adoecimento e afastamento dos trabalhadores públicos não sejam
práxis e de atualização da subjetividade do homem, constitui, para este autor, o núcleo central divulgados pelo INSS, o sindicato, através da Secretaria de Saúde do Trabalhador tem observado
entre os eventos da atividade humana. Sem sua intervenção, a matéria e os instrumentos de o aumento da busca pelo direito à saúde, muitas vezes invisibilizado e até mesmo não reconhecido
produção permaneceriam sem vida, em oposição ao trabalho morto, caracterizado como oficialmente, pelos trabalhadores que buscam o sindicato como ponto de apoio e suporte para
abstrato e vinculado trabalho alienado, ambos significantes do empobrecimento da vida. O o enfrentamento das mudanças nos processos de trabalho e suas expressões nos ambientes e
trabalho vivo, carregado de significado e produtor de sentidos e subjetividades é o determinante subjetividades presentes.
antropológico capaz de fazer ressurgir neles, em permanência, a vida, produz o valor de uso e,
consequentemente o sentido para quem o produz, reconhecido como utilizável pela sociedade A partir do trabalho realizado com os grupos de trabalhadores, foi possível perceber alguns
como fruto do que foi executado. O trabalho morto por sua vez é caracterizado pela significação marcadores considerados como negativos como: pressão permanente, disponibilidade total para
abstrata de quem o produz, contido nas mercadorias produzidas como algo que só é necessário o trabalho, controle excessivo, identificação dos riscos do processo de trabalho informatizado,
para a reprodução do capital, sem ser necessariamente subjetivado pelo trabalhador. Da mesma intensificação do trabalho pela sobrecarga, quantidade de processos na “nuvem” aguardando
forma, a discussão da relação entre a materialidade ou não do trabalho também tem sido “transbordo” do sistema e sua posterior redistribuição, diminuição crescente da força de

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trabalho, extinção de serviços, terceirização, insegurança quanto às questões de afastamento realizada, direta ou indiretamente, na base destes mesmos resultados, porque, querendo o mercado
por saúde, no regime de teletrabalho. Por outro lado, também são identificados outros ou os órgãos públicos, farão sempre recair sobre os gestores a justificação e a responsabilização
marcadores identificados como positivos, como: desejo e possibilidade de controle sobre o mais imediatas desses mesmos resultados. Assim, os gestores tenderão a criar mecanismos de
processo de trabalho por parte dos trabalhadores, teletrabalho como alívio da carga emocional controle organizacional cada vez mais severas e formas de gestão supostamente mais eficientes
que o atendimento direto ao público gera, diminuição de atritos nas relações interpessoais e eficazes para garantir as condições necessárias à obtenção de bons resultados. É também
pela comunicação a partir de agora ser somente via sistema, não necessariamente pessoal, por isso que a ideologia organizativa designada por gestão da qualidade total (também nascida
acreditando que isso diminuirá a violência e o assédio moral no trabalho. nas empresas lucrativas e agora transposta para as organizações públicas) podem transformar
as políticas públicas em um novo panóptico (Foucault, 1977), agora totalmente informatizado,
Assim, percebemos que as chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC´s) estão incrementando os mecanismos de controle e vigilância sobre os seus trabalhadores.
cada vez mais presentes nos ambientes de trabalho, tanto no mundo material quanto imaterial,
tipificando também, os serviços privatizados e mercadorizados também nas políticas públicas, Em uma época de predomínio do individualismo possessivo e de pragmatismo do mercado, a
configurando-se então, como elemento novo e central para a efetiva compreensão dos novos adoção de modelos de gestão privada na gestão das políticas públicas pode transformar-se
mecanismos utilizados pelo capital mundializado. Este processo acaba por produzir também, a em estratégia de destruição dos valores do bem comum no campo público, levando assim ao
disponibilidade permanente do trabalhador para o trabalho, mantendo-se vinculado por sistemas aumento das desigualdades e exclusões sociais. Os valores considerados pelas políticas públicas
“on-line” e aplicativos cada vez mais simplificados, de forma a poderem coexistir e serem visam atender necessidades, preocupações e propósitos coletivos da sociedade, em seu caráter
operados em qualquer equipamento disponível ao trabalhador, em acesso a partir de qualquer universal. Neste sentido, a gestão de dos serviços públicos é também uma gestão de processos
horário e local. Estas tecnologias acabam por facilitar a invisibilidade do trabalho executado e políticos, relacionais, processuais, afetivos, éticos e sociais, implicando o reconhecimento de que
de seu operador, o trabalhador, ocultando igual e concomitante, os seus problemas de saúde, o próprio contexto dos serviços é atravessado por conflitos, desigualdades, diversas “visões do
oriundos muitas vezes, do próprio trabalho. mundo” e confronto de diferentes racionalidades, não sendo, por isso, a gestão uma questão de
simples competência técnica ou instrumental, finda em si mesma.
Stecher (2015) chama a atenção para a gestão a partir destas novas formas de trabalhar
inspiradas no neogerencialismo, movimento que também se expressou na reforma do Estado A partir da emergência dos conteúdos que são visibilizados nos grupos operativos, espera-se a
brasileiro, inspirada no modelo aplicado na Grã-Bratanha a partir da década de 1990, que põe retomada do senso de coletividade despedaçado por estes mecanismos gerencialistas típicos do
no serviço público conceitos e características ligadas a ideia de transição entre a lógica do processo de reestruturação produtiva, no intuito de novas formas de construção da resistência
modelo administrativo-burocrático para o modelo baseado na lógica de mercado. O resultado, coletiva e produção de novos modos de subjetivar, neste novo cenário, em contraponto ao
tanto no modelo de responsabilização baseado na lógica do mercado, quanto no modelo que se controle cada vez mais crescente e exacerbado do trabalho e do trabalhador.
apoia no controle administrativo-burocrático, as formas de avaliação privilegiadas são sobretudo
formas de avaliação que facilitam a comparação e o controle de resultados, embora no primeiro Referências
modelo se exija sempre a divulgação pública (o que nem sempre é garantido, vide a visibilização
das informações sobre afastamentos por doenças dos trabalhadores públicos) e no outro essa Antunes, R. O Privilégio da Servidão. O novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo,
prestação de contas seja feita sem a devida publicização e diretamente às hierarquias do topo Boitempo, 2018.
da pirâmide administrativa.
BRASIL. Ministério do Planejamento. Painel Estatístico de Pessoal – PEP. Disponível em: http://
De qualquer forma, sejam ou não publicamente divulgadas e publicitadas as informações sobre os www.planejamento.gov.br/painel-estatistico-de-pessoal. Consulta em julho/2018.
resultados obtidos pelos gestores do órgão públicos, a avaliação dos órgãos de gestão é sempre

963 964
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Negri, A., Lazzarato, M. Trabalho Imaterial: formas de vida e produção de subjetividade. Rio de
Janeiro: DP&A, 2001.
El prestigio y sus sujetos: Narrativas identitarias en la universidad managerial

Carla Fardella Cisternas1 y Francisca Carvajal Muñoz2


Stecher, A. La empresa flexible como dispositivo de gobierno. Aportes de la Analítica de la
Gubernamentalidad al estudio de las subjetividades laborales en América Latina. Revista
Universitas Psychologica V. 14 No. 5 2015.
La managerialización de las universidades ha transformado el espacio académico en las últimas
décadas, naturalizando una cultura de la eficiencia, la competencia y la excelencia en la academia.
El nuevo sistema académico precisa estar sostenido por determinadas subjetividades y conmina a
elaborar nuevas narrativas identitarias competentes, para que sujetos y sujetas den cuenta de sí
en este espacio. Particularmente, en la región latinoamericana, este proceso ha sido fuertemente
apoyado por organismos internacionales (Banco Mundial, 1998; CEPAL, 2011; UNESCO, 2009),
que argumentan la necesidad estratégica de vincular los procesos productivos con la educación
terciaria (UNESCO, 1998a; 1998b; 2000). En el caso de la producción científica, se promueve
específicamente la necesidad de realizar investigaciones aplicadas (Albornoz, 2001; Dagnino &
Thomas, 1999), cuyo aporte a las economías locales sea evidente y así abandonar una matriz
productiva fundada en la extracción y exportación de materia prima (CEPAL, 2008; OCDE /
CEPAL / CAF, 2013; UNESCO, 2005).

El caso chileno encaja dócilmente con la corriente mundial y latinoamericana (Ordorika & Navarro,
2006; Slaughter & Leslie, 2001; Slaughter & Rhoades, G., 2004). A partir de los años ochenta,
las universidades chilenas han sido terreno de una serie de reformas neoliberales que han tenido
como consecuencia la privatización, y la consiguiente managerialización de las universidades
(Fardella, Carvajal, & Sisto, 2017; Sisto, 2005). De esta manera, la cultura empresarial o ethos
managerial se ha concretado en el país mediante fórmulas de descentralización y diversificación
de las fuentes de financiamiento, instalación de una cultura de la accountability, desarrollo de
instrumentos de acreditación institucional y medidas de eficacia para los procesos de trabajo
(Gill, 2009; Fardella, Sisto, & Jiménez, 2017; Slaughter & Leslie, 1997).

Al respecto, Slaughter y Rhoades (2004) indican que la cultura empresarial en las universidades
no es una consecuencia de fuerzas corporativas externas que subvierten el espacio académico,
sino que sugieren revisar la participación de docentes, administradores y académicos, quienes,
1. Universidad Andrés Bello. Email: carlafardella@gmail.com
2. Universidad Nacional de Córdoba. Email: frani.carmu@gmail.com

965 966
en su devenir cotidiano crean circuitos donde se vinculan los valores tradicionales de la cadencia del accountability y la estandarización de diferentes procesos del quehacer (Blackmore
universidad y la nueva economía (Bercovitz & Feldman, 2008). Asimismo, diversos autores & Kandiko, 2011; Bissett, 2009). Adicionalmente, la vocación, el compromiso y la pasión han
(D’este & Perkmann, 2011; Ibarra, 2003; Ledesma, 2014; Ross, 2009) suponen una relación encontrado una relación peligrosa con la autointensificación y las dobles jornadas laborales
más compleja entre universidades y cultura empresarial, al plantear que las comunidades (Fardella, Sisto, & Jiménez, 2017), pues, al mismo tiempo que los sistemas de aseguramiento
académicas han sido claves en la reconfiguración de las instituciones (Slaughter & Leslie, 2001). de la calidad simulan proteger la excelencia, referente histórico de la academia, las agencias
Ciertamente, la cultura empresarial que tiñe el trabajo académico, precisa estar sostenida por de calidad parecen asegurar una mínima probidad para la competencia y el libre mercado (Gill,
guiones y gramáticas identitarias que permitan su flujo por los pasillos universitarios (Sisto V. 2009). Indudablemente identidad académica y cultura empresarial entrelazan muchos otros
, 2014; Sisto & Fardella, 2009; Soto A. , 2009; Soto, Stecher, & Valenzuela, 2017). Por ello, la temas, pero hay una constante soterrada: el prestigio (Blackmore & Kandiko, 2011).
identidad académica tiene una incidencia ineludible para esta discusión (Fardella, Carvajal, &
Sisto, 2017). Tal como señala Davies y Harré (1990), los académicos tienden a dar cuenta de sí como sujetos
reflexivos y agudos, con facultades sobresalientes para leer determinados aspectos de la realidad
Desde la psicología social del trabajo de las organizaciones, la producción académica registra (Fardella, Carvajal, & Sisto, 2017). Esta narración de sí construye un self que se distingue del
un claro interés centrado en la relación subjetividad-trabajo. Esta relación ha sido comprendida resto y así justifica una mirada privilegiada sobre el mundo (Bourdieu, 2008; 1999). Se articula
desde diferentes aproximaciones conceptuales y teóricas; no obstante, de manera unánime de este modo una incómoda paradoja entre el prestigio como referente identitario histórico y la
se considera la subjetividad trabajadora como un producto de la articulación de prácticas y necesidad de volverse legible, a la vez que miembro legítimo y destacado del nuevo escenario
modos de acción sobre el sujeto y su intimidad (Zangaro, 2011; 2012). Junto con ello, una empresarial (Bercovitz & Feldman, 2008). Desde lo planteado por Burris (2004), existe un estilo
parte importante de las investigaciones en sociología del trabajo académico han explorado la propio de los académicos en la actualidad, que tienden a producir y reproducir, y que además
relación entre las universidades y los aspectos económico y socio-psíquicos como dimensiones es deseable debido al prestigio que trae consigo (Bourdieu, 2008). No obstante, el prestigio,
inseparables la problemática actual de este espacio educativo (Blackmore & Kandiko, 2011). junto con la excelencia y la distinción, ha ejercido un papel central en la identidad académica,
Las investigaciones iniciadas de este cruce disciplinar destacan el surgimiento de una cultura documentado históricamente (Bourdieu, 1999; Le Goff, 1996), pero inexplorado bajo las
empresarial (Shattock, 2008), cuyos valores desafían la lógica tradicional de las universidades categorías de la cultura empresarial.
(Barnett, 1994). Un indicador de este proceso es el avance de los enfoques corporativos como
forma de organización de las universidades (Dopson & McNay, 1996; Deem, 1998; 2004; En este escenario, parece relevante situar la mirada hacia la forma en que el trabajo académico
Brunner, 2008). no sólo ha sido de suma importancia en la constitución de estilos identitarios, sino que estas
identidades conectan, aceleran o promueven la legitimidad de las lógicas neoliberales en las
Si bien, los académicos han construido alianzas y complicidades silenciosas con este nuevo universidades (Sisto, 2005).
modelo, también es posible plantear que existe un margen considerable de agencia académica en
tal proceso (Fardella, Carvajal, & Sisto, 2017; 2017; Slaughter & Rhoades, G., 2004). La disputa De esta manera, el concepto de prestigio aparece como eje central de las prácticas cotidianas
identitaria entre el ethos académico y los valores empresariales implicados en la reestructuración académicas, partiendo porque las universidades competirían entre ellas, usando el prestigio de
universitaria, está ampliamente representada en la literatura (Beck, 2002; Boltanski & Chiapello, los académicos como recurso de batalla (Brunner & Flisfisch, 1983). Puede ser definido como un
2002; Dubar, 2000; 2001; Gubrium & Holstein, 1998; Íñiguez, 2001; Medá, 1998), donde se criterio para la descripción y valorización de las posiciones de las personas dentro de un campo,
cuestiona el valor del emprendimiento como motor para la producción de conocimiento. Sumado en este caso la academia. Vacarezza (2000), por ejemplo, señala que un criterio que define la
a ello, hay suspicacia acerca de la compatibilidad entre ganancias financieras y conocimiento actividad de los grupos científicos es la competencia por el reconocimiento de la comunidad y así
desinteresado, público y libre (Fuller, 2003; Smith & Sparkes, 2008). Junto con ello, aspectos el consecuente prestigio. Asociado a esto, señala que en las condiciones actuales este prestigio
históricos de la identidad académica, como la autonomía disciplinar, parecen desentonar con la está estrechamente relacionado con la producción intelectual y la visibilidad de los académicos,

967 968
siendo estos dos cometidos, aspectos fundamentales para el reconocimiento de sí mismos como En general la cultura académica supone que el reconocimiento se basa en principios
académicos valiosos. meritocrático y el sujeto se adscribe a esos códigos para mostrarse como un miembro pertinente.
El reconocimiento o incluso la consagración como un miembro eficaz de esta comunidad se
Desde la antropología, el prestigio ha sido un poco más estudiado, mediante el desarrollo del basan, al menos ostensiblemente, en principios meritocráticos. Incluso ideando tablas, diseños
concepto “economía de prestigio”, ligados a la observación y comprensión de acciones culturales e instrumentos que registran diferentes aspectos del rendimiento académico y disponibilidad de
que no son explicables sin estas categorías (Bascom, 1948; Grinev, 2005; Herskovits, 1948). El medidas cuantitativas que aparenta probidad para evaluar el desempeño de cada miembro de
desarrollo antropológico del concepto permite una lectura cultural en torno a la circulación del la comunidad.
prestigio, los procedimientos para su obtención, así como la concesión selectiva de éste (Allen
& Parsons, 2006). Recientemente, English (2005) ha propuesto la idea de una economía de Referencias
prestigio en el campo del trabajo cultural observando las formas en que la excelencia y el estatus
del autor son construcciones a posteriori de la obtención de premios y no como el reconocimiento Albornoz, M. (2001). Política científica y tecnológica. Una visión desde América Latina. Revista
de su excelencia. Afirma que el reconocimiento envuelve asuntos de poder y estatus social, lo Iberoamericana de Ciencia, Tecnología, Sociedad e Innovación, 1(4), 1-19.
que permite pensar que el prestigio va más allá de un atributo personal, es una construcción
social que requiere de determinadas relaciones sociales, asociadas a ciertas subjetividades, Allen, M. P., & Parsons, N. L. (2006). The institutionalization of fame: achievement, recognition,
siendo un campo donde se produce e intercambia capital social y cultural, y donde la validación and cultural consecration in baseball. American Sociological Review, 71(5), 808-825.
y aprobación académica es fundamental para circular en el campo.
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Este trabajo presenta un análisis discursivo de fragmentos en torno al prestigio y la excelencia worldwide reforms. New York: Banco Mundial.
de 40 entrevistas a académicos de diferentes áreas del conocimiento, con el objetivo de
comprender la interacción de académicos con las nuevas del mérito, la subjetividad académica y Barnett, R. (1994). The limits of competence: knowledge, higher education and society. Bristol,
el prestigio. Estos fueron los hallazgos: PA: Open University Press.

- El mérito como fundamento para el prestigio Bascom, W. R. (1948). Ponapean prestige economy. Southwestern Journal of Anthropology,
La narrativa de exposición de méritos propios busca la exhibición de sí a través de la distinción 4(2), 211-221.
con los demás. Esta distinción no es dada por el azar o algún contexto facilitador, sino por un
recorrido vital lleno de esfuerzo y también por ciertas cualidades que poseen y que, en definitiva, Beck, U. (2002). La sociedad del riesgo global. Madrid: Siglo XXI Editores.
son la base para su comprensión de sí como personas excepcionales, esforzadas y voluntariosas,
son sujetos “fuera de lo común”. Bercovitz, J., & Feldman, M. (2008). Academic entrepreneurs: Organizational change at the
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- La acreditación como validez del prestigio
La acreditación de sí es el ejercicio narrativo de dar cuenta de las actividades académicas y que Bissett, A. (2009). Academics as Entrepreneurs: The Changing Nature of Academic
estas actividades adquieren valor o validez por medio de una referencia a un tercero. Por ejemplo, Professionalism. En i. R. Network, Academic Futures: Inquiries into Higher Education and
los académicos anuncian el valor de sus actividades académicas aludiendo solapadamente a Pedagogy (págs. 111-126). Cambridge: Cambridge Scholars Publishing.
terceros y esto funciona como un respaldo para su lugar dentro del mundo de la academia.
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Francisca Carvajal Muñoz1 y Carla Fardella Cisternas2


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Desde la década de 1970 se han experimentado transformaciones sistemáticas en la institución
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universitaria chilena, especialmente en las áreas de financiamiento y gestión de la investigación
la educación superior y la investigación para el cambio social y el desarrollo. Paris: Organización
y producción de conocimiento (Brunner, 2011; Slaughter & Rhoades, 2004), impactando
de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura.
en las condiciones laborales de la fuerza de producción de este engranaje: académicas y
académicos (Altbach, 2000; Fardella, Sisto, & Jiménez, 2015; 2017). Estas transformaciones
Vaccarezza, L. S. (2000). Las estrategias de desempeño de la profesión académica. Ciencia
se han caracterizado por el despliegue de políticas orientadas por el Nuevo Management
periférica y sustentabilidad del rol de investigador universitario. Redes, 7(15), 15-43.
Publico(Slaughter & Leslie, 2001) que, en un micro-nivel, ha conducido a intensificar, extender
y diversificar los procesos cotidianos de trabajo del cuerpo académico (Gill, 2009). Si bien estas
Zangaro, M. (2011). Subjetividad y trabajo: el management como dispositivo de gobierno. Trabajo
políticas han sido desplegadas masivamente, estas repercuten de una manera particular en las
y sociedad, (16), 163-177.
mujeres que conforman los espacios de investigación y producción de conocimiento, debido a la
ausencia de referentes y categorías propias (Franulic, 2015).
Zangaro, M. (2012). Subjetividad y trabajo. Una lectura foucaultiana del Management. Buenos
Aires: Ediciones Herramienta.
Esta investigación tiene como eje la Identidad Social, donde la identidad, como trama narrativa,
genera cohesión y coherencia continua respecto del sí mismo en un determinado escenario
(Fardella, Carvajal, & Sisto, 2017; Íñiguez, 2001; Henkel M. , 2000; 2005). En este proceso de
dar cuenta de sí, se realizan transacciones y concesiones con el entramado social, que fisuran y
reorganizan la identidad permanentemente. Así, la identidad en un contexto de reorganización
del trabajo desafía aspectos subjetivos y relacionales de quienes trabajan allí (Boltanski &
Chiapello, 2002).

Estas nuevas formas de organizar el trabajo, implica nuevas prescripciones identitarias desde
donde las y los académicos deben leerse, promoviendo la racionalidad, la estrategia, el trabajo
solitario e individual, competitivo y emprendedor (Brunner, 2008; De Armas & Venegas, 2016).
Entonces, la construcción actual afecta de manera diferenciada a las agentes, teniendo que
elaborar performances complejos para permanecer productivas y ser legibles dentro de esta
nueva gramática identitaria, que produce y reproduce relatos androcéntricos en la producción
1. Universidad Nacional de Córdoba. Email: frani.carmu@gmail.com
2. Universidad Nacional de Córdoba. Email: frani.carmu@gmail.com

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científica (Franulic, 2015), lo que consecuentemente genera posibilidades diferenciadas para interior de la educación superior y, finalmente, los factores contextuales y estructurales que
hombres y mujeres en el espacio científico. afectan la producción científica (Katila & Meriläinen, 1999; Sarsons, 2015; Saracostti, 2006;
Lerback & Hanson, 2017).
Según UNESCO (2017), las mujeres representan el 28,8% de los investigadores a nivel mundial
y un 31,5 % a nivel nacional, accediendo en mayor proporción que los hombres a diplomados, De esta manera, bajo la interrogante sobre cómo las mujeres académicas dan cuenta de sí en un
en igual medida a magíster, y en menor cantidad a programas de doctorado. De esta manera, contexto de trabajo tensionado y en transformación, esta ponencia busca describir y comprender
mientras avanzan en la carrera académica, desertan: del total de graduados en magister, las identidades laborales de mujeres académicas de las diferentes áreas científicas del
representan el 53% y a 43% en el caso del doctorado. Luego, por diversos motivos, quienes se conocimiento (planteadas por la OCDE), en un contexto de rediseño e implementación políticas
dedican a investigación solo son el 28% (UNESCO, 2017). Este tercio persiste y se reitera luego públicas de orientación managerial para la productividad científica.
en la adjudicación de becas post-doc, Iniciación y también Regular (25%).
Este estudio se basa en una investigación de tipo cualitativa que, en su diseño consideró la
Para comprender los porcentajes que expone UNESCO, el enfoque de género en la lectura de realización de 40 entrevistas activas (Holstein & Gubrium, 1995) a mujeres académicas con
las transformaciones en la academia ha aumentado en los últimos años, centrados en visibilizar alta tasa de publicaciones científicas y adjudicación de fondos concursables para la investigación
la inequidad y la reproducción de la división sexual del trabajo en las diferentes actividades en las distintas áreas del conocimiento dentro de las universidades con mayores tasas de
propias de la configuración actual universitaria (Anderson, 2008; Mason & Goulden, 2004; investigación (escritura y proyectos adjudicados) de las Regiones Metropolitana y de Valparaíso.
Moncayo Orjuela & Pinzón López, 2013; Montes, 2014; Parsons & Priola, 2013; Van den Brink Luego de la grabación de las entrevistas, estas fueron transcritas e ingresadas al Software Atlas.
& Benschop, 2012).Desde los estudios de género se ha considerado que habitar un cuerpo ti y codificadas inicialmente a partir del Análisis de Contenido, para posteriormente apoyar la
femenino y feminizado (Lorente Molina, 2004; Lozano, 2004), implica interactuar, rechazar interpretación de narrativas con estrategias de Análisis del Discurso con enfoque pragmático
e incorporar nociones, sentidos e identidades con respecto a los roles de género en la vida (Potter, 1998; Potter & Wetherell, 1987; Wetherell & Potter, 1998).
cotidiana, la normación y normalización de lo realizable por hombres y por mujeres y su efecto
en las trayectorias laborales y la generación de identidades, además de la remuneración de sus Como hallazgos destacables, aparecen enunciaciones que permiten señalar ciertas situaciones
actividades (Gervais & Millear, 2016; Kinman, 2016) como si se hubieran elegido, o mostrar la pasión y la autorrealización como formas de recuperar
un estatus de enunciación y distanciarse de la subalternidad. Así, es posible establecer dos
Existen diferentes perspectivas que dan cuenta de la inequidad de y segregación de género, las narrativas reiterativas:
diferencias de productividad, la tubería rota, el techo de cristal y la reproducción de estereotipos
en el espacio académico (Gamboa Solís & Pérez Abreu, 2017; Gasser & Shaffer, 2014; Savigny, La negación de la vulnerabilidad
2014). Estos fenómenos tienen consecuencias específicas debido al espacio laboral donde
esto sucede, precisamente porque es un lugar donde se produce y reproduce conocimiento, El espacio académico es señalado como un espacio donde la discriminación visible en otros
por tanto, discursos sociales sobre lo verdadero, lo comprobado y lo legítimo (Aiston & Jung, lugares de trabajo acá emerge mediante prácticas que operan negando sistemáticamente a las
2015; Bagilhole, 1993). Así, la divulgación y visibilización de la desigualdad ha alcanzado hace mujeres (Itriago, 2017). Hay datos suficientes para reconocer la desigualdad de género en la
pocos años impacto en la toma de decisiones institucionales sobre cómo revertir las diferentes academia, pero hay que algo que agrava lo dicho anteriormente, y es que ni hombre ni mujeres
prácticas de fuga de las mujeres en el espacio académico (Acker, 2014; Howe-Walsh & Turnbull, en la academia reconocen de manera generalizada este problema. La mayoría de las científicas
2016), incluso volviendo perceptible y manifiesto la jerarquización de roles en función de la cree que el género no influye en su ambiente de trabajo y si lo sentían, lo minimizaban (Britton,
naturalización de estereotipos de género (Rivera, 2017; Sheltzer & Smith, 2014), principalmente 2010). Esto sin duda permite que la desigualdad de género se mantenga. Por la misma cultura
en cuanto a los puesto de poder, las tomas de decisiones, el diseño y ejecución de políticas al de este oficio y la producción identitaria académica puede que se haga difícil aceptar el sesgo

977 978
de género que perjudica a las científicas, pues esto haría trastabillar su prestigio, sus méritos y Referencias
recorridos, enunciarse como sujeto vulnerado (Berríos, 2018).
Acker, S. (2014). A foot in the revolving door? Women academics in lower-middle management.
La invención y protección del tiempo Higher Education Research & Development, 33(1), 73-85.

Asimismo, las entrevistas dejaron ver que las diferencias de género no aparecen como algo que Aiston, S. J., & Jung, J. (2015). Women academics and research productivity: an international
afecta la vida cotidiana laboral ni que dificulta la trayectoria académica, pues ésta depende comparison. Gender and Education, 27(3), 205-220.
de una cuestión individual de la gestión de tiempos, colaboraciones con pares y equipos de
investigación, y organización para la conciliación de la vida privada con la vida laboral (Quiroz, Altbach, P. (2000). The Changing Academic Workplace: Comparative Perspectives. Chestnut
2012). Es decir, no parece observable por las mujeres académicas que la organización de la Hill, Massachusetts : Boston College Center for International Higher Education.
carrera académica y la labor científica acentúa y agudiza las inequidades sociales de género,
por ello la maternidad emerge como un problema que amenaza con enlentecer la carrera, pide Anderson, G. (2008). Mapping academic resistancein the managerial University. Organization,
gestionar otros ritmos, requiere otros apoyos para el mantenimiento del estatus profesional 15 (2), 251-270.
(Montes, 2014) y es el único lugar donde se fractura discursos ya vistos y compartidos por
hombres académicos respecto a las narrativas de convergencia con la Nueva Gestión Pública Bagilhole, B. (1993). How to keep a good woman down: An investigation of the role of institutional
(Fardella, Carvajal, & Sisto, 2017), y se vislumbra la posibilidad de re-pensar la manera en que factors in the process of discrimination against women academics. British Journal of Sociology
se habita la academia, la investigación y la producción de conocimiento. of Education, 14(3), 261-274.

Finalmente, se puede concluir que la conciliación entre familia y trabajo es vista como uno de los Berlien, K., & Varela, P. (2016). Estudio Realidad Nacional en Formación y Promoción de Mujeres
principales obstáculos para desarrollar una carrera científica (Berlien & Varela, 2016). Ya que la Científicas en Ciencia, Tecnología, Ingeniería y Matemáticas. Santiago: CONICYT – Isónoma
conciliación es compleja, las científicas sienten que deben “optar” una u otra (Berlien & Varela, Consultorías Sociales Ltda.
2016; CEPAL, 2013; Yáñez, 2016). Esta tensión tiene varias salidas dudosas, la ralentización
de la carrera científica, el abandono o la aceptación de dobles o triples jornadas de trabajo Berríos, P. (2018). El sistema de prestigio en las universidades y el rol que ocupan las mujeres
que, en relación con la sociabilización de género, terminan siendo un caldo de cultivo para la en el mundo académico. Calidad en la Educación, (23)., 349-361.
proliferación del fenómeno de culpa principalmente en las mujeres. Varios estudios muestran
cómo las mujeres elaboran un discurso de “mala madre” asociado a la sensación permanente de Boltanski, L., & Chiapello, È. (2002). El nuevo espíritu del capitalismo. Madrid: Akal.
deuda por no destinar todo su tiempo en el cuidado y crianza de otro, por restar tiempo y energía
a la vida familiar (Cerros Rodríguez & Ramos Tovar, 2009) Britton, D. M. (2010). Engendering the university through policy and practice: Barriers to
promotion to full professor for women in the science, engineering, and math disciplines. En
Cabe destacar que la relación género-universidad permite visibilizar la multiplicidad de jornadas B. Riegraf, B. Aulenbacher, E. Kirsch-Auwärter, & U. Müller, Gender Change in Academia: Re-
en las que se mueve, producen y organizan las mujeres (Bruni, Gherardi, & Poggio, 2004). Esta mapping the fields of work, knowledge, and politics from a gender perspective (págs. 15-26).
perspectiva permite observar y dar cabida a prácticas invisibilizadas en su expresión cotidiana Wiesbaden: Springer Science & Business Media.
que son parte del quehacer de las mujeres académicas y que no son consideradas parte del
engranaje productivo de la ciencia. Bruni, A., Gherardi, S., & Poggio, B. (2004). Doing gender, doing entrepreneurship: An
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983 984
Capítulo 95 Por supuesto, subyacente se encuentra una visión de las organizaciones como un campo en
donde circulan diferentes versiones acerca de lo que ocurre. El lenguaje se constituye entonces
como centro de las negociaciones y las versiones circulantes se convierten en el eje de los
De artesanos a trabajadores fragmentados: acerca de la producción de análisis. La lectura que se realiza busca recopilar el mayor número de versiones desde las
subjetividad en organizaciones productoras de zapatos en Bogotá, Colombia diversas posiciones desde donde se negocia. Estas versiones a la vez contribuyen a constituir
esas posiciones que ahora se puede decir son lugares de poder en donde se anclan, no solamente
Hernán Camilo Pulido Martínez1 y Alba Luz Giraldo Tamayo2 formas de concebir a las organizaciones y el trabajo, sino también versiones sobre aquellos
que están inmersos en el acontecer organizacional que permiten constituirse mutuamente como
sujetos.
La lectura de las organizaciones productora de zapatos
La recopilación de las versiones conduce a establecer las racionalidades que están presentes en
Desde la década de los años cincuenta, la producción de zapatos en Bogotá, Colombia ha estado cada una de las versiones utilizadas para llevar a cabo negociaciones en el ámbito organizacional.
fuertemente vinculada con diversos tipos de unidades productivas, que varían en tamaño, De acuerdo con Schvarstein (1991), estas racionalidades vehiculizan los conflictos que en el
en estructura organizativa, en uso de tecnología, etc. En la actualidad existen en el sector momento presente (lectura sincrónica), o a lo largo del tiempo (lectura diacrónica) se han venido
artesanos independientes, unidades familiares, pequeñas y medianas compañías que producen escenificando en la organización. El panorama de estas tensiones constituye la lectura cultural
muy diferentes tipos de zapatos para alimentar diversas clases de cadenas productivas en las que se muestra tanto a investigadores como investigados, como una especie de fotografía con
que, también, se incluye grandes compañías, nacionales y multinacionales que se encargan de elementos de que han sido recogidos en el proceso etnográfico.
producir, coordinar la maquila, distribuir y exportar las manufacturas producidas, configurando
a su vez diversas formas relaciones entre talleres y compañías que implican a su vez, múltiples Sobra decir que la lectura hace énfasis en las condiciones laborales que tienen lugar en las
tipos de tercerización tanto de aquellas, como de los trabajadores. organizaciones. En este sentido, se recopilan y analizan las prescripciones internacionales que
regulan el trabajo, así como las apropiaciones que se realizan de estas prescripciones al nivel
Con miras a establecer los distintos tipos de organizaciones y las relaciones que las componen, nacional, para analizarlas a la luz de las condiciones laborales que se establecen el proceso
esta investigación se ha focalizado en siete empresas productoras de calzado de diferente etnográfico. Para establecer estas condiciones y hacer su correspondiente análisis se cuenta
tamaño. Estas empresas han accedido a participar permitiendo que el equipo de investigación con los documentos organizacionales que pueden existir a este respecto como con los datos
se haga presente a partir de una negociación inicial que, siguiendo las prescripciones de la que provienen de las actividades de la demanda de las organizaciones y del avance del proceso
psicología social de las organizaciones desarrollada en América Latina (Schvarstein, 1991; etnográfico que sigue a los trabajadores en sus labores diarias.
Coutinho, Hespanhol Bernardo, & Sato, 2017; Soto Roy, 2008; Stecher, 2014; Sisto, 2009),
se divide entre la demanda que la organización formula al equipo de investigación como una A través del trabajo etnográfico multi-situado (Marcus, 1995) se lleva a cabo simultáneamente
necesidad puntual y la propuesta de una investigación que dará cuenta de las tensiones que la lectura cultural en las siete organizaciones participantes. Estas lecturas, acompañadas de
están articulando el acontecer organizacional. Este es un proceso particular de observación revisiones bibliográficas, construcción de historias orales, etc. se convierten en el insumo
participante en donde las acciones que demandan las organizaciones son constantemente básico para empezar a describir las cadenas productivas que están presentes en el sector de la
negociadas con base en la recolección de información sobre el acontecer organizacional que producción de calzado en la ciudad, por medio de plantear preguntas de investigación que sean
contribuye a reformular la demanda inicial que se realiza. particulares al sector.
1. Pontificia Universidad Javeriana. Email: cpulido@javeriana.edu.co
2. Pontificia Universidad Javeriana. Email: Alba_giraldo@javeriana.edu.co
El escenario del calzado y la construcción del sujeto.

985 986
olvida que en la medida que no están presentes, en las pequeñas y medianas empresas, muchos
Curiosamente ha existido poca consideración de parte de las ciencias sociales por el sector del de estos aspectos se consigue una flexibilidad muy alta, cuestión que contribuye a nutrir cadenas
calzado. Esto es al menos asombroso si se tiene en cuenta que la producción de zapatos está de trabajo en donde las grandes compañías se benefician de la flexibilidad de los pequeños
vinculada con las maneras locales de hacer empresa. El barrio Restrepo de la ciudad, poblado productores en términos de renovación de los catálogos y de tiempos de entrega y cancelación
en un porcentaje alto por personas que han venido huyendo de la violencia política ha sido foco de facturación.
de esta industria. Desde los años cincuenta emergieron las primeras fábricas de calzado al
agruparse tanto los comerciantes de insumos para la zapatería como los productores. El barrio Algunos investigadores interesados presentan posiciones en donde asumen que la formalización
se constituyó en icono de la producción de zapatos en la ciudad. de las empresas permitiría que su desempeño mejorara y su permanencia se garantizara
(Álvarez y Trujillo, 2014). En el mismo sentido, otros abogan por el establecimiento de relaciones
El sector del calzado en la ciudad ha tenido una evolución que actualmente no le favorece. laborales más ceñidas a las disposiciones gubernamentales de manera que la fuerza laboral
De tener en la década de los años noventa un número de fábricas y unidades productivas que estuviera cubierta por la seguridad social. En términos generales, la construcción que se hacen
ascendía a 12.000, para el año 2016 apenas alcanzaba las 1.700 fábricas (Diario La Economía, de los actores del sector los ubica en una posición subordinada en donde tanto las entidades
2016; Periodismo Público, 2016). Este es un sector que tradicionalmente ha sido generador regulatorias como gremiales prescriben lo que es bueno para el sector y para las organizaciones
de empleo, al menos hay registrados 6.800 puestos de trabajo. El sub-registro en este y que a él pertenecen. Pero las mismas relaciones de una cierta minoría de edad, también se
otros muchos aspectos de las condiciones laborales del sector son el resultado de las manera presenta entre los propietarios de las empresas y los trabajadores, a quienes se les describe
“reservada” en que se lleva a cabo la producción del calzado que en muchas oportunidades muy frecuentemente como niños, que no saben discernir, que hay tener contentos y que no
hace que los pequeños talleres y los productores unitarios y familiares independientes, así comprenden las realidades de la producción.
como los trabajadores satélites de las empresas no aparezcan en las contabilidades oficiales,
ni organizacionales. Resulta también apropiado señalar en referencia a la flexibilización que impera, que el tipo de
relaciones de donde emergen concepciones acerca de lo que los propietarios y los trabajadores
En términos globales las estadísticas señalan que al menos se generan, en la actualidad al nivel son tiene como base unos acuerdos tácitos que son el resultado de las maneras en las que se
nacional, 60.000 puestos de trabajo en el sector del calzado. Estos puestos se ubican en su organiza el trabajo. Estos acuerdos permiten que el sector tenga una manera de organizarse,
mayoría, 98%; en minipymes en ciudades principales Bogotá, Cali, Bucaramanga y Medellín. en donde la actitud, no veo, no creo y no pasa, se comparten mutuamente tanto de parte de los
Al detenerse en los pocos estudios que se han adelantado teniendo como foco la producción propietarios como de los trabajadores, a sabiendas que esto garantiza que se perpetúen, tanto
de calzado en el barrio El Restrepo, se encuentra que estos construyen a las empresas, los la producción como, aunque en muchos casos intermitentes, unos puestos de trabajo. A este
empresarios y a los trabajadores desde una constante carencia. Al analizar la literatura respecto, de una parte por ejemplo, se asume la perspectiva del estilo, no veo que las condiciones
especializada los investigadores por ejemplo señalan que estas empresas no hacen uso de la en que se lleva a cabo el proceso afecte demasiado la salud de los trabajadores y de otra como
tecnología disponible en el mercado, ni de las posibilidades que ofrece el diseño el industrial contraparte los trabajadores arguyen, esas condiciones afectan, pero no es tan grave, se pueden
para renovar y mejorar sus productos (Morales, Sanabria y Arias, 2010). Igualmente, señalan manejar.
que no existe innovación, generación y transmisión de conocimiento (Calderón, 2015). Es muy
corriente que los escasos estudios se concentren en la informalidad del sector para atribuir a Las empresas participantes y los sujetos que las acompañan
esta situación el “atraso” de la empresas y su “estancamiento” al punto de que señalan que es
un “sector fallido” o “precario” debido, entre otros aspectos al limitado acceso a la tecnología Las empresas del sector como en otros campos de la producción, están vinculados con un grupo
y al capital financiero (Forero, 2014). Si bien es cierto que la informalidad se presenta, y que no familiar de propietarios. En efecto, las siete empresas que hacen parte del estudio tienen un tipo
se utilizan muchas de las herramientas que corrientemente en uso en otros sectores, también se de administración vinculado completamente a la familia fundadora. Las constelaciones familiares

987 988
son muy diferentes así como la influencia que tiene los lazos de familiaridad sobre las maneras Cesaire, 2009). El conocimiento de los aspectos que aquí se han mencionado y muchos otros
en las cuales se organiza el trabajo y se lleva a cabo la administración. Todas estas empresas que por cuestiones de espacio no se consideraron forman parte de ese insumo que permitirá el
ya han atravesado, o están atravesando, por un proceso de sucesión, que no ha sido claramente análisis de, las regulaciones nacionales e internacionales del trabajo presentes en el sector, las
planeado. En estas condiciones las relaciones que se establecen entre los propietarios y los diversas formas y relaciones que asumen las empresas en términos de condiciones laborales y
trabajadores difiere en gran medida de acuerdo con las relaciones que la familia establece organización del trabajo y de la producción, así como las relaciones sociales presentes entre los
entre sí. El rango de familiaridad e informalidad con respecto a las formas en que se conduce la actores involucrados en el suministro y consumo de bienes y servicios.
fuerza de trabajo muestra una variabilidad muy amplia. Asunto que compete directamente con la
construcción del trabajador como sujeto, que puede ser a la vez, un familiar cercano o lejano, una Referencias
especie de amigo o compadre, un compañero constructor de la empresa, un cómplice de juergas
o un rival en busca de establecer la competencia con otra empresa que puede entrar al mercado. Álvarez & Trujillo (2014). Estudio de las dinámicas socioeconómicas de cuatro conglomerados
de microempresas en la Ciudad de Bogotá. Inclusión y Desarrollo. (2), 99-118
Ahora bien, las empresas que participan en el estudio parecieran estar siguiendo dos caminos
que se ofrecen como posibles oportunidades o como callejones sin salida para el sector. Por una Calderón (2015). Análisis de la competitividad empresarial en las pymes del sector del calzado
parte se encuentra empresas que han logrado cierto nivel de formalización. Estas empresas le del barrio el Restrepo de la ciudad de Bogotá, a partir del factor humano. Bogotá. Universidad
apuestan a la industrialización logrando unos niveles de productividad altos, con establecimientos Nacional de Colombia. Facultad de Ciencias Económicas. Maestría en Administración
de contratos más cercanos a las disposiciones legales, pero que siguen manteniendo cierta
ilegalidad en la contratación y en las relaciones sociales que se presentan en su interior. Por otra Núñez (2016). El Calzado del Restrepo está en vía de extinción. Diario La Economía. http://
parte se encuentran aquellas empresas que son más pequeñas que mantienen unas relaciones diariolaeconomia.com/fabricas-e-inversiones/item/2737-el-calzado-del-restrepo-esta-en-v...
informales y que acuden en mayor medida al trabajo precarizado de los satélites para completar S.A (2016). La resistencia al cambio haría desaparecer la industria del calzado en el Restrepo.
sus procesos productivos. Estas últimas se dedican en mayor medida a la fabricación del calzado Periodismo Público. http://periodismopublico.org/La-resistencia-al-cambio-haria-desaparecer-
de una calidad notable por el proceso de hechura “a mano” del producto. En la construcción del la-industria-del-calzado en el barrio Restrepo
trabajador aparece entonces una tendencia a moverse entre el obrero industrial que sin embargo
aprende el oficio con otros que tuvieron la experticia del artesano, sin embargo, cuyo destino Forero (2014). El sector del calzado en el barrio El Restrepo, Bogotá: un análisis de caso a la luz
está en la línea de producción, y en el otro extremo se encuentran aquellos que hacen el trabajo de los sistemas productivos locales. Equidad & Desarrollo (21), 97-123.
de forma más artesanal con un mayor control de su trabajo y con la posibilidad de identificarse
con las variaciones que se le hacen al producto, pero que se encuentran en una situación dadas Gereffi, G. (2001). Las cadenas productivias como marco analítico para la globalización.
las condiciones de comercialización y las cadenas de trabajo que se presentan destinados a no Problemas del Desarrollo, 32(125), 9-37
salir de su situación de estancamiento.
Marcus, G. (1995). Ethnography in/of the world system: The emergence of multisited ethno
A manera de cierre Sisto, V. (2009). Cambios en el trabajo, identidad e inclusion social en Chile: Desafios para la
investigación. Universum, 24(2), 192-216.
Vale anotar por último, que el estudio que aquí se describe constituye una fase preliminar de
futuras investigaciones que vayan a considerar las cadenas productivas (Gereffi, 2001) que Morales, Sanabria & Arias (2010). Acumulación de conocimiento, innovación y competitividad
tienen lugar en la producción de zapatos en la ciudad de Bogotá. La investigación de estas en aglomeraciones empresariales. Revista de la Facultad de Ciencias Económicas. Vol. XVIII (2),
cadenas, se prescribe, debe partir del conocimiento de organizaciones particulares (Tomta & Diciembre 2010, 19-53

989 990
Capítulo 96
Schvarstein (1991). Psicología Social de las Organizaciones. Nuevos aportes. Argentina: Paidos

Sisto, V. (2009). Cambios en el trabajo, identidad e inclusion social en Chile: Desafios para la
El backstage de las universidades chilenas: diario ilustrado de un profesor
investigación. Universum, 24(2), 192-216.
Javier Bassi1 y Pablo Hernández2
Soto Roy, A. (2008). Flexibilidad Laboral y Subjetividades: Hacia una Comprension Psicosocial
del Empleo Contemporaneo. Santiago de Chile: LOM.
Mi nombre es Javier Bassi, soy argentino y residí en Chile de 2009 a 2016. Me desempeñé en
varias universidades, como es habitual en el caso de docentes que trabajan en condiciones de
Stecher, A. (2014). El campo de investigación sobre transformaciones del trabajo, identidades
precariedad laboral. Finalmente, trabajé de forma «establemente inestable» en dos universidades
y subjetividad en la modernidad contemporanea. Apuntes desde Chile y America Latina. En
estatales que, a pesar de ser, en sentido estricto, el Estado, tampoco me contrataron legalmente.
A. Stecher, & L. Godoy, Transformaciones del Trabajo, Subjetividad e Identidades: Lecturas
Durante mi paso por esas instituciones, mantuve un cuaderno de notas, por decirlo con elegancia:
Psicosociales desde Chile y America Latina.
más bien, amontoné apuntes apresurados en pequeños papeles de todo tipo, en mi computador y
en mi teléfono. Así recogí mis impresiones acerca del sistema universitario chileno (y de Chile en
Tomta, D., & Cesaire, C. (2009). Cadenas productivas y productividad de las mipymes. Criterio
un sentido general, que, en ese momento, vivía el surgimiento y clímax del llamado «movimiento
Libre, 11(Julio-diciembre), 145-169.
estudiantil») (UNICEF, 2014; Labarca, 2016).

Posteriormente, reescribí y ordené las notas y solicité a Pablo Hernández —psicólogo chileno,
tatuador, vocalista de una banda y traductor de textos en italiano— que ilustrara algunas. El
resultado es un documento de inspiración autoetnográfica (Crang y Cook, 2007; Alvarado e
Íñiguez-Rueda, 2009) para el que, cuando tengamos tiempo, buscaremos sin éxito editorial.
Al revisar el trabajo, me di cuenta de que muchas de las entradas abordaban un rasgo básico
del sistema universitario chileno: la precariedad laboral. Era imposible que la experiencia me
resultara ajena: un 81% de los/as docentes a nivel nacional trabajan en esa condición (Salazar,
2014). Así, con motivo del V Congreso Internacional de la Red Pilares, decidimos reunir y
organizar esas entradas, realizar algunas ilustraciones nuevas y presentar nuestro trabajo.

Su origen biográfico, su prosa «amigable» y alejada de tecnicismos y oscuridades y las


ilustraciones no deberían llevar a engaño: el valor de este documento no proviene de la
singularidad o atractivo de las historias, tampoco del toque de color y desborde de sentido
generados por las ilustraciones: proviene de situarse en un espacio prototípicamente psicosocial,
sea, la intersección entre individuo y estructura. Un espacio que Wright Mills llamó a abordar
mediante la «imaginación sociológica» (Wright Mills, 2003, p. 27) y que pone rostro y sangre a
1. (Texto) Universidad de Mendoza, Argentina. Email: javier.e.bassi@gmail.com
2. (Ilustraciones) Universidad de Chile, Chile. Email: p.hernandezlillo@gmail.com

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una estructura que, de otro modo, no sería más que un sistema autoinsuflado de vida y compuesto De todos estos efectos, me interesan particularmente los disciplinarios. La precariedad laboral
de nodos vacíos e intercambiables (Montero, 2012; Bassi Follari, 2014). Así, importa más lo opera como un sosegate, como dice mi madre. Los/as que optan por la desviación tienen altas
que las notas e ilustraciones revelan del sistema educativo chileno que nuestra experiencia probabilidades de tener que cambiar de universidad y quizás de rubro y pasan por la versión
particular en él. neoliberal del despido: una vez finalizados sus convenios, no los/as llaman más. Al hacerlo, las
universidades no violan ninguna (otra) ley, por lo que pueden deshacerse sin costos de los/
A continuación presento algunas de las entradas del diario que abordan la precariedad laboral y as docentes «problemáticos/as». Por tanto, el margen para la rebeldía o, menos aún, para el
otros temas vinculados. Adicionalmente, incluyo cinco de las ilustraciones que Pablo Hernández acuerdo democrático acerca de las cuestiones importantes de la vida académica y la universidad
realizó especialmente para el congreso. Dado lo limitado del espacio, hemos preferido obviar es mínimo.
un análisis teórico profundo y mantener la mayor cantidad de entradas posible. Sin embargo,
he insertado referencias teóricas cuando me ha parecido pertinente y útil para un/a lector/a Así, a fuerza de mantener a la mayoría de los/as docentes en inestabilidad permanente (y,
interesado/a. consecuentemente, producir miedo), las universidades se aseguran una fuerza de trabajo dócil:
nadie mece el bote donde está parado/a, aunque sea un pésimo bote.

1. El buen esclavo 3. El cielo con las manos

Nunca me siento más idiota que cuando, para ahorrar, apago la luz al dejar la sala de una Hoy firmo contrato de media jornada: ¡el sueño de todo/a profe de carrera! La razón por la que
universidad que niega la relación laboral que nos une y mantiene mi vida en permanente estado trabajamos calladitos/as: que llegue el día en que, finalmente, después de años de «boletear»
de imprevisibilidad. sin decir ni pío, accedemos al privilegiado mundo de los/as docentes con contrato. Leo, firmo.

2. Así las cosas Luego me entregan otro papel: es un «declaración libre» de que no voy a «intentar formar» ni
«formar parte de sindicatos u otras organizaciones de trabajadores». Dulce palomita, yo pensaba
Un 81% del profesorado universitario a nivel nacional trabaja en condiciones de precariedad: sin que ahora sí iba a tener derechos…
contratos o, más específicamente, bajo su versión esclavista: los convenios de honorarios (forma
conocida popularmente como «boletear»). Esta vinculación débil no sería posible sin el abuso, ¿No es ilegal que nos hagan firmar esto? Sí, es ilegal. ¿Y por qué lo firmamos? Porque tenemos
por parte de todas las universidades de las boletas de honorarios (creadas, si se me perdona la miedo, porque creemos no tener poder, porque estamos aislados/as, porque esperamos años por
inocencia, con otro fin: formalizar trabajos ocasionales). Dicho abuso permite a las instituciones este contrato, porque queremos comprar una casa, porque hemos elegido salvarnos solos/as.
empleadoras —incluidas las que son parte del supuesto garante de la legalidad: el Estado— Como fuere, el hecho de que los/as mandamases de una universidad se sepan con la suficiente
desconocer la relación de dependencia que de facto existe. garantía de impunidad como para hacer firmar un documento ilegal muestra que el miedo no es
mutuo. Y cuánta razón tienen.
La precariedad laboral tiene variados efectos para los/as docentes: falta de cobertura de salud y
aportes previsionales, imposibilidad real de ejercer el derecho a organización colectiva y huelga 4. Inútiles imprescindibles
y no remuneración de faltas por enfermedad (por no mencionar otros, como la inestabilidad
económica y las patologías asociadas a la precariedad laboral) (Barnés, 2014; Calkin, 2014; Coro de docentes: «No leen. No saben escribir. No entienden. No estudian».
Reevy y Deason, 2014; Carrigan, 2015; Cholo, 2015; Berg, Huijbens y Larsen, 2016). ¿Sí? Pues ésos/as que no leen, no saben escribir, no entienden y no estudian son los/as que
están cambiando este país. Los/as que leemos, sabemos escribir, entendemos y estudiamos

993 994
estamos bien calladitos/as.
Algo estarán haciendo bien, ¿o no? 6. Tanto lío para eso

El SIMCE es una prueba que permite establecer fehacientemente cuáles estudiantes son ricos/
as y cuáles pobres.

7. Somos un equipo

En algunas universidades se usa la palabra «colaboradores/as» para referirse a los/as profesores


de planta (contratados/as). Supongo que trabajadores/as es una palabra demasiado comunista y
prefieren seguir la lógica eufemística de Walmart (que llama «asociados/as» a sus trabajadores/
as).

Por lo demás, los/as profes «a boleta» ni siquiera aparecemos: somos lumpencolaboradores/as,


digo yo, y nuestro estatus no da ni para llamarnos de algún modo.

8. Conversación predespido

—Yo acá tengo libertad total: pongo y saco los profes y nadie me dice nada. Y no voy a poner
eso en riesgo por ti.
—¿Eso qué significa? ¿Estoy despedido?
5. La piel de gallina —Ahora no. Pero si el correo [que envié a un grupo de estudiantes invitándolos/as a participar de
las manifestaciones y que un/a estudiante reenvió a su padre] llega para arriba, no voy a poder
Hoy echaron a una compañera de trabajo. Lo supe al llegar: la silla estaba vacía. Así, justamente, sostenerte. Y si la cosa es tú o yo, ya sabes.
es como sucede: van y vienen los rumores, hay temblor de tensiones soterradas, el clima se —Claro.
enrarece. Nada explícito, nada abierto. Hasta que se resuelve del modo más ominoso: una silla —Reemplazarte es el menor de mis problemas.
vacía, siempre en lunes (el manual manda a despedir los viernes). —Me imagino. Lo que pasa es que el menor de tus problemas es el mayor de los míos.
—Con tu currículum vas a encontrar trabajo.
Aunque quizás lo más ominoso sea el silencio posterior: nadie dice nada. Al menos en voz alta. No —Ya lo sé. Sólo te pido que me digas lo antes posible si me vas a echar porque yo vivo de esto:
se escucha un: «¿Qué pasó con…?». No: sólo seguimos trabajando y, así, la persona desaparece yo no hago otra cosa, yo soy profe.
de las conversaciones, que es desaparecer del todo. El despido cumple así su doble función de —Tranquilo que si sé algo te lo voy a decir.
castigo y advertencia: deshacerse de quien alborota el gallinero y escarmentar vicariamente a —Ok.
quienes presencian la escena. —(Bajando el tono). Pero, a ver, ¿tú no sabes que aquí se lucra? Lo sabe todo el mundo. Esta
gente está nerviosa con lo que está pasando. ¿No te das cuenta?
Los despidos son la versión contemporánea de la quema de brujas. —Ahora sí.

995 996
que es lo que el patriarcado quiere: que no hablemos, que no nos unamos, que no compartamos.
9. Honestidad brutal Y solas no hacemos na».

Me llega un correo: Sí a todo.

Estimados docentes:
Les reenvío nuevo calendario 2013.
Atte.,
D.

Las clases se iniciaron tarde por problemas de disponibilidad de salas y, consecuentemente, este
nuevo calendario —que llega sin preguntas ni reuniones ni nada: sólo llega— alarga el semestre
en dos semanas. Para quienes dan clases en otras sedes de la universidad eso significa, de facto,
la suspensión de sus vacaciones de invierno.

Habría sido más honesto:

«Estimados» docentes:
Como es de su conocimiento, nos importan un pepino. Por ello, hemos cancelado, sin aviso
ni explicaciones, sus vacaciones de invierno. Era eso o tener que tolerar las quejas de los/as 11. El show debe continuar
clientes/as. Y, dado que ustedes son un gasto y ellos/as un ingreso, la decisión estaba clara. No
nos importa si tenían algo planeado para las vacaciones en cuestión. Por otra parte, no vemos Algunas universidades contratan doctores/as en época de evaluación y los echan (dejan de
reparos en incumplir los contratos que todavía no firman porque sabemos que ninguno/a de llamar) después: les da igual que los/as doctores/as mejoren o no las prácticas de docencia,
ustedes hará nada al respecto. basta con que estén ahí cuando la Comisión Nacional de Acreditación (CNA) está mirando.
Atte.,
D. 12. Para una revolución se necesitan correvolucionarios/as

10. Día de la mujer En una de las primeras universidades que trabajé no pagaban los salarios: retrasos de una
quincena que se alargaron a meses.
Asisto a un acto de conmemoración por el día de la mujer. Una poetisa, porteña y declaradamente
feminista, recita algunos de sus textos en una micro suicida de Valparaíso: «Te compro pollo una Una estudiante me preguntó: «Profe, ¿y por qué no hacen algo? ¿Por qué no se organizan?». Le
vez por mes. Te saco a pasear en micro. ¿Qué más querí, conchetumare?». contesté, medio en broma y bastante en serio: «Mira, yo haría la revolución. Lo que pasa es que
no sé con quién».
En un momento, se interrumpe y dice: «Porque ése es el problema: cada una anda por su lado,
creyendo que está sola, que lo que le pasa le pasa a ella sola. Y así andamos, cada una en lo suyo, 13. Chile es el futuro… ¿o el pasado?

997 998
Un compañero presenta una ponencia en un congreso de Filosofía. Suele hablar siempre de las Ahora, si no hay convenios no se cobra. Y empieza la esquizofrenia institucional: la universidad se
mismas obsesiones, como todos/as. En su caso, la universidad. Comenta que había leído un artículo muestra sorprendentemente fiel a la ley en este asunto. Me dice el coordinador: «No te podemos
en el que se detallaba el estado actual y la tendencia futura del sistema universitario europeo: pagar porque no has firmado tu convenio. Sería ilegal».
cada vez menos dinero para investigación, personal contratado en reducción, precariedad laboral,
liberalización del «mercado» de estudios de posgrado, clases con más estudiantes, presiones En ese momento, tensionada al extremo por la contradicción, su cabeza implosionó.
para publicar por publicar, obsesión con los indicadores y los ránquines, etc. (Galceran Huguet,
2013; Ripalda Crespo, 2013; Chomsky, 2014; García-Quero, 2014; Hernández, 2015; Neylon, 16. Che Guevara de incógnito
2015; Villena, 2015).
Un compañero de trabajo se resta de una serie de acciones que tomamos algunos/as profes:
Mi compañero se sorprende: ese «capitalismo académico» (Slaughter y Leslie, 2001; Renault, quejarnos por los despidos arbitrarios, la rebaja unilateral de salarios, la falta de recursos para
2006) que el artículo presenta como una tragedia presente o por venir ¡es el estado del sistema trabajar, la exclusión de la toma de decisiones…
universitario chileno hace rato! (Miranda Hiriart, 2016; Sisto, 2007; Sisto, 2013). Cierra: «Así
que podríamos considerar que Chile está 20 años adelantado… o atrasado, según se quiera ver». Dice en un correo dirigido a unos/as pocos/as: «Mi compromiso con la causa tiene una cierta
expresión clandestina». Así es: el Che undercover no ha participado de los debates, de las
Chapeau. reuniones, de los intercambios de correos ni de la reescritura del documento que pensábamos
presentar a las autoridades.
14. Parirás con dolor
Sin sonrojarse, continúa: «No hay que olvidar, como señalaba Marx, que los gobiernos no son sino
Correo a una amiga embarazada que inicia un curso que sabe que no podrá terminar: apoderados del capital, por tanto, con o sin carta, nos estamos enfrentando a ese sujeto de la
historia, como dijo Marx en Das Kapital». ¡Y hasta cursivas pone!
Hola, madre:
Va mi CV actualizado hasta antes de que me echaran :). Espero que salga y seamos colegas (no 17. Los/as pares evaluadores son arquitectos/as
digas que estás embarazada). Beso y gracias por el aviso.
J Fuera cortinas rojas: hoy, persianas traslúcidas amplían y alegran la secretaría. Alfombra nueva.
Posters reordenados bajo la estricta ortogonalidad. Earl grey (nunca visto), leche, azúcar,
El nivel de precariedad en el que trabajamos lleva a una mujer embarazada a mentir acerca de calentador en funcionamiento, café de émbolo (!). Mesas estables, computadores encendidos.
su condición porque sabe que si «lo confiesa» no obtendrá la asignatura. Y miente. Y le miente ¡a Una mano de pintura a los consultorios.
otras mujeres! que, en ese momento, representan el statu quo y son, sabiéndolo o no, enemigas
de sí mismas. No conozco a los/as pares evaluadores/as de la CNA pero, desde ya, ¡gracias!: han hecho nuestra
vida mejor sólo con la amenaza de su presencia.
15. Principistas

Las clases empezaron el 11 de marzo. Hoy es 9 de abril y aún no firmamos los convenios. Las
autoridades de la universidad entienden que no hay nada que decir y nada dice.

999 1000
—(Claro, se llama democracia. Te la presento: «Democracia, el director de la escuela; señor
director, la democracia. Los dejo para que charlen de sus cosas»).
—Si esto sigue así, estas universidades dejarán de existir.
—(Dios te oiga).

19. Rambo

En mi mochila llevo: hilo dental, papel higiénico, desodorante, ibuprofeno y paracetamol, lágrimas
oculares, alcohol en gel, cepillo y pasta de dientes, crema para manos, mi compu (con todos
los cables posibles: HDMI, VGA, dos patitas, tres patitas redondas, tres patitas chatas….) y un
parlante bluetooth.

Eso dice bastante de mi vida como profe (Simbürger y Neary, 2016; Toro, Sottorff y Polanco,
2013).

18. Del director en brote psicótico, de mi diálogo socrático imaginario y de los desacuerdos que
nos unen

—¿Tú te crees que en esta universidad no se lucra? ¡Por favor! Claro que se lucra. Pero ése no
es el punto.
—(¿Ah no? Yo creía que ése era exactamente el punto).
—A esta universidad la pueden intervenir, ¿eh?
—(Dios te oiga).
—Y ahí cambia todo. Todo. Van a venir con lógicas estatizantes.
—(Dios te oiga).
—¿Y sabes lo que pasará?
—(¿Que gente como tú no existirá?).
—No se va a poder tomar decisiones. Para cada cosa va a haber que consultar a éste y a aquél…
Ya no se podrá tomar decisiones de la malla, del plantel docente, de las platas… Tendremos las
manos atadas. Todo el mundo va a opinar y ya sabes lo que pasa cuanto todo el mundo opina…
—(Era lindo ser gerente, ¿no?).
—Todo se va a complicar, porque va a haber que consultar todo. ¿Me entiendes?

1001 1002
20. Rigurosidad tuerta
Nuevo vicerrector académico en una de las universidades en que trabajo. Un correo me informa
«¿Me vas a decir que el SII [Servicio de Impuestos Internos] se da cuenta de una diferencia de que es licenciado en Ciencias Económicas e ingeniero comercial, que tiene un magíster en
10 lucas en mi declaración y no ve que esta universidad saca millones de pesos?». dirección de empresas y un doctorado en administración de una universidad con nombre en
inglés.
21. Entre el autoritarismo y el aburrimiento Entendido.

En las universidades privadas nada se discute y es insoportable. En las universidades públicas


todo se discute y es insoportable.

22.

—¿Tienes té?
—El mío.
—¿Pero no compraron? Qué miseria…
—Le doy del mío, profe.
—No, no.
—No, sí, tome.
—Bueno, gracias. Te lo debo. ¿Pero por qué no compran?
—Es que no hay plata. 26. 24/7

Y nos reímos por no llorar. Mando correos a colegas a las 2:00 de la mañana y me contestan inmediatamente: mal síntoma.

23. 27.

Dice la ministra de trabajo que, en estas fiestas, supervisarán que todo el personal de empaque Me piden una frase edificante para el día del/de la profesor/a. Recuerdo una de mi humorista
en los centros comerciales tenga contrato. Dice que esa relación es una relación laboral como preferido, Louis C. K.: «Tengo muchas creencias pero no vivo según ellas». No les parece y se
cualquiera: «Debe mediar un contrato». inclinan por «Haciendo futuro».
Habrá que aprender a envolver regalos…
28.
24. Just for laughs
Un día consulté a una secretaria de una universidad estatal acerca de los cambios en los montos
Nunca me río más que cuando escucho la publicidad de las universidades que conozco bien. de mis pagos: un mes cobraba 189.000, el otro 203.000, el siguiente 217.000…

25. Universidad S.A. (Parker, 2013) —Si te pagamos siempre lo mismo se nota que hay una relación de dependencia.

1003 1004
—A ver si entendí: ¿el Estado hace la pirula al Estado para que el Estado no se dé cuenta de que athenea.1315
el Estado está violando la ley?
—Exacto. Calkin, S. (2013, 1 de noviembre). The academic career path has been thoroughly destabilised
by the precarious practices of the neoliberal university [Post en el London School of Economics
29. The crying game Impact Blog]. Extraído de http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2013/11/01/precarity-
and-the-neoliberal-university/?utm_content=buffer9516e&utm_medium=social&utm_
Competencias, impacto, calidad, accountability, visibilidad, entrepreneur, autogestión… Ideas source=twitter.com&utm_campaign=buffer
que conforman un núcleo cuya raíz última es la managerización de la universidad, es decir, el
gobierno de la universidad según lógicas corporativas. La academia latinoamericana ha decidido Carrigan, M. (2015, 7 de abril). Life in the Accelerated Academy: anxiety thrives, demands
jugar el juego (aunque, eso sí, gritando a viva su profundo desacuerdo). intensify and metrics hold the tangled web together. [Post en el London School of Economics
Impact Blog]. Extraído de http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2015/04/07/life-in-
Como muestra, valga el ridículo extremo de intentar publicar en inglés. Al lograrlo, creemos the-accelerated-academy-carrigan/?utm_content=buffer8161a&utm_medium=social&utm_
estar entrando al gran mundo cuando, en realidad, sólo obtenemos las migajas de un modelo que source=twitter.com&utm_campaign=buffer
no fue creado pensando en Latinoamética: el/la macho/hembra alfa local es un don nadie en el
gran Monopoly. Participamos de un juego cuyas reglas no inventamos, que no sabemos jugar y Cholo, A. B. (2015, febrero). Are adjunct professors the new fast-food workers? Pacific Standard.
que a nadie le importa si jugamos (Kalfa, Wilkinson y Gollan, 2017; Leathwood y Read, 2013). Extraído de https://psmag.com/

30. Hablando en plata Chomsky, N. (2014, octubre). Corporate business models are hurting American universities.
Salon. Extraído de https://www.salon.com/
He emitido 149 boletas de honorarios en seis años, casi todas a unas pocas universidades. A
pesar de ello, nunca trabajé en relación de dependencia (reconocida). Raya para la suma: he sido Crang, M. y Cook, I. (2007). Doing Ethnographies. Londres: SAGE.
maltratado, en primer lugar, por el Estado chileno y, en segundo, por las universidades, que me
exigieron cumplir con mi deber y no cumplieron con el suyo. Galceran Huguet, M. (2013). Entre la academia y el mercado. Las Universidades en el contexto
del capitalismo basado en el conocimiento. Athenea Digital, 13(1), 155-167. doi: https://doi.
Referencias org/10.5565/rev/athenead/v13n1.1038

Alvarado, J. G. e Íñiguez-Rueda, L. (2009). Ethnography as a social science perspective: a review, García-Quero, F. (2014, junio). Crisis y Universidad: de intelectuales a hacedores de papers. Sin
Psico, 40(1), 7-16. Extraído de http://revistaseletronicas.pucrs.br/revistapsico/ojs/index.php/ Permiso. Extraído de http://www.sinpermiso.info/
revistapsico/index
Hernández, E. (2015, abril). La “cuantofrenia”: una definición de la estupidez que impera en la
Barnés, H. (2014, julio). Los 8 males del profesor universitario: “es uno de los trabajos más universidad. El Confidencial. Extraído de https://www.elconfidencial.com/
tóxicos que existen”. El Confidencial. Extraído de http://www.elconfidencial.com
Kalfa, S.; Wilkinson, A. y Gollan, P. J. (2017). The academic game: compliance and
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de investigación, Athenea Digital, 14(3), 129-170. doi: http://dx.doi.org/10.5565/rev/ org/10.1177/0950017017695043

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Labarca, J. T. (2016). El “ciclo corto” del movimiento estudiantil chileno: ¿conflicto sectorial Salazar, P. (2014, 21 de enero). Estudio: el 19% del total de profesores universitarios es de
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1007 1008
Capítulo 97 para a produção, implicada nos jogos de poder que definem os modos de trabalhar e lhes dão
forma e institucionalidade.
O trabalho em imagens: Subjetivação e trabalho nas políticas públicas Nesta exposição, abordaremos a experiências com trabalhadores e trabalhadoras ligados
às políticas públicas de assistência social e saúde, cujo trabalho se caracteriza pelo trabalho
Jaqueline Tittoni1, Vanessa Maurente2, Arthur G. Almeida3 y Laura R. Wainer4
em equipe, pela imaterialidade que se mostra na importância das relações estabelecidas com
os usuários para a realização do trabalho, e na proximidade com os territórios geográficos
e existências onde vivem os usuários destes equipamentos. Discutiremos duas experiências
Introdução
de pesquisa com imagens nas políticas públicas, a saber, trabalhadores e trabalhadoras das
políticas de assistência social, em um equipamento assistencial privado, que desenvolve
Este estudo aborda o trabalho como produtor de modos de viver, tendo um lugar importante nos
políticas de assistência no cuidado de jovens e crianças em situação de vulnerabilidade
processos de subjetivação e, sobretudo, nas políticas de subjetivação que compõem os modos
social e econômica, assim como médicos e médicas veterinários em um hospital veterinário
de viver contemporâneos. O trabalho se configura em redes de poder que articulam diferentes
universitário, caracterizado como hospital-escola. Trata-se de um trabalho em andamento e os
elementos na produção da vida (criação) e de sua manutenção (sobrevivência), de forma a definir
grupos estão sendo acompanhados em suas atividades, reuniões e espaços de compartilhamento
– ou não – acessos aos bens materiais e sociais que derivam de seu delineamento. Como campo
do trabalhar. Junto a trabalhadores e trabalhadoras da assistência social, foram realizadas
definido por jogos de poder, implica em saberes amalgamados nas tecnologias de produção
oficinas de produção de imagens fotográficas buscando imagens que pudessem indicar sobre os
e gestão e difusos nos modos de trabalhar, que se produzem nas diferentes possibilidades
modos como se configura o trabalho e sua imaterialidade que, por vezes, carece de forma ou de
de agenciamento destes elementos. Deste modo expressa os jogos de poder que definem os
contornos que possam expressar suas intensidades.
modos institucionalizados de trabalhar e, da mesma forma, as resistências que se definem
como estratégias de enfrentamento e de criação de outros modos de viver e de trabalhar. O
2. Sobre o pesquisar trabalho e processos de subjetivação
trabalho contemporâneo, em suas configurações neoliberais, amplamente discutidas no âmbito
dos estudos sobre o trabalho, mostra os traços competitivos e individualistas que marcam os
A análise desta face do trabalho, muitas vezes, colados nos modos de viver e nas próprias
modos de trabalhar, bom como a precarização do trabalho através da fragilização das relações
individualidades - o que Foucault chama de “modo indivíduo” ( Foucault, 2009) exige
de trabalho e dos direitos dos trabalhadores, a individualização dos riscos do trabalho e as
estratégias de pesquisa que possam evidenciar os traços sutis que colocam o trabalho no sujeito
políticas de gestão de cunho gerencialista, somente para citar alguns aspectos. No Brasil, a
é, não só o trabalho e o sujeito, aos moldes foucaultianos. Em nosso estudo, desenvolvemos
recente Reforma Trabalhista ocupa lugar importante na precarização do trabalho e faz convergir
uma série de estratégias de acompanhamento de grupos e oficinas com produção de imagens,
certas estratégias de produção de desigualdade e dominação ligadas ao gênero, à raça e às
que buscam estas visibilidades-evidências através da sensibilização do olhar sobre o
etnias, trazendo à tona formas de trabalhar marcadas pelos valores do patriarcado, que dão
trabalho e da problematização dos modos de ver o trabalho forjados nas linhas de força que
forma ao pensamento conservador no viver em sociedade. Para compor este cenário, cabe
se institucionalizam e vão delineando os contornos do trabalho e dos modos de trabalhar. Com
ainda considerar a face imaterial do trabalho contemporâneo (Lazzaratto e Negri, 2001 ) e
importante referência foucaultiana, buscamos nas condições de possibilidade do olhar, as linhas
os modos como opera nas políticas de subjetivação, que se apropria da subjetividade como
de visibilidade que se evidenciam e, neste mesmo jogo, as linhas que se forjam como resistências,
ferramenta operacional do trabalho. Trata-se, assim, do uso da subjetividade como ferramenta
como descontinuidade, como inquietação.
1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional. Email: jatittoni@gmail.com
2. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Programa de Pós-Graduação em Informática da Educação. Email: vanessamaurente@yahoo.com A pesquisa que se utiliza da imagem como estratégia metodológica busca fazer contra ponto às
3. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional. Email: ibimaximus@gmail.com
4. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional. Email: lauraweiner5@gmail.com
funções de ilustração ou comprovação ligadas, muitas vezes, ao uso da imagem na ciência, na

1009 1010
medida em que se vale da imagem para ilustrar argumentações ou para legitimar discussões e de imagens
atestar a “veracidade” do que se afirma. Imagens microscópicas são um exemplo interessante
para pensar essa lógica, pois a limitação de registrar o que é micrométrico deixa de ser Neste estudo, discutiremos duas experiências, sendo que uma em estágio inicial, identificando o
impedimento, na media em que o recurso imagético é capaz de atestar mesmo o que o olho não acompanhamento dos grupos e o modo como vai se delineando – as equipes de saúde do hospital
alcança. A fotografia, nesta função, por exemplo, pode representar o que é exterior à imagem e veterinário – e outra, tendo já realizado oficinas de fotografia, uma equipe de trabalhadoras da
também o que dá visibilidade ao que até então era, apenas, hipótese. Na proposta deste estudo, ssistência social
a utilização de imagens e, sobretudo, de fotografias, fundamenta-se na noção de imagem como
produção, como estratégia de intervenção nas linhas de visibilidade institucionalizadas no No primeiro caso, cabe lembrar que a formação em medicina veterinária implica no conhecimento
trabalho e que incidem fortemente no que se torna mais e menos visível nos modos de trabalhar das patologias e sintomatologias das situações de adoecimento, mas, também, no fato de que os
e de viver. tutores humanos compõem a cena de trabalho intensamente. Neste caso, a equipe de saúde, ao
mesmo tempo em que foca no animal, também necessita lidar com tutoras e tutores, indicando
Neste estudo, os grupos em análise estão sendo acompanhados em seus cotidianos de trabalho e ser este um forte traço da imaterialidade de seu trabalho. Da mesma forma, o próprio trabalho
em fóruns de discussão sobre o trabalho, como reuniões de equipe, por exemplo, com a finalidade em equipe coloca a necessidade da articulação de redes de assistência e de colaboração
de identificar os jogos de poder que podem vir a definir modos institucionalizados de trabalhar, fundamentais ao desenvolvimento dos processos. Estes dois elementos têm mostrado sua
incluindo desde as linhas gerais de organização dos processos e fluxos do trabalho, bem como intensidade nas linhas de visibilidade que compõe o trabalho neste contexto. O acompanhamento
estratégias de remuneração e de qualificação de trabalhadoras e trabalhadores. A partir deste dos grupos tem sido registrado em diários de pesquisa e discutidos com a equipe de pesquisa
acompanhamento, linhas de visibilidade vão sendo definidas e vão sendo criados espaços para a em campo neste momento.
realização de oficinas de produção de fotografias que possam provocar reflexões sobre o trabalho
e os modos de trabalhar. As equipes foram convidadas a produzir fotografias que indicassem No segundo caso, trata-se de um equipamento da atenção básica da assistência social, a saber,
sobre o seu trabalho, sendo que estas imagens foram discutidas e, a partir das reflexões que um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) na cidade de Porto Alegre, com
dispararam, foram produzidas narrativas para dar visibilidade aos modos de trabalhar, nem o objetivo de discutir o trabalho nas políticas de assistência social na cidade. Neste campo de
sempre visíveis, reconhecidos ou legitimados. intervenção, após seis meses de acompanhamento do trabalho e participação nas reuniões de
equipe, foram realizadas oficinas de fotografia com as trabalhadoras do local, organizadas da
Deste modo, tais oficinas fundamentaram-se na idéia de fotografia como produção, que articula seguinte forma: inicialmente houve um encontro específico para apresentar o projeto, falando
equipamentos, fotógrafos e conteúdos visuais, de formas distintas e que se contextualizam nas sobre o trabalho com fotografia e contando sobre outros projetos que o grupo de pesquisa
experiências vividas pelas trabalhadoras e trabalhadores. A pesquisa-intervenção com imagens, realiza, fazendo um contrato inicial de trabalho com o grupo. Em um segundo momento, foi
a que chamamos de intervenção fotográfica (Tittoni, 2009) implica em, se possível, realocar realizada a primeira oficina específica para produção de imagens, que chamamos de oficina
os jogos de poder e criar dispositivos de análise social coletiva em contextos institucionais, de sensibilização para a fotografia, onde são realizados exercícios de produção de imagens
provocando os modos institucionalizados de trabalhar (e de viver). Assim, conceitos como a com diferentes equipamentos e propostas, com o objetivo de uma maior familiarização com
ética do cuidado de si (Foucault, 1999) e mesmo a ética da resistência orientam os rumos da equipamentos, técnicas e procedimentos fotográficos. Em continuidade, as trabalhadoras
intervenção com imagens para que se pergunte sobre os modos de viver, sobre as trajetórias foram convidadas a produzir fotografias sobre o seu trabalho que indicassem sobre a relação
de vida e os percursos de trabalho e os modos como podem mostrar-se como resistência aos com aquele local de trabalho e com a comunidade periférica que existe no seu entorno. As
regimes instituídos das relações entre saber, poder e subjetividade. trabalhadoras foram enviando as fotografias que produziam, para que pudessem ser impressas e
discutidas em uma próxima oficina. Após a discussão, foram elaboradas narrativas fotográficas
3. Sobre duas experiências na pesquisa sobre trabalho, processos de subjetivação e produção e escritas, com base nas imagens produzidas e nos elementos dos modos de trabalhar que elas

1011 1012
deram evidência. A produção das narrativas intercalou a discussão sobre o conteúdo visual, e provocando reflexões que provocam as linhas de visibilidade instituídas e abrem espaços para
memórias sobre suas trajetórias de trabalho, histórias e situações vivenciadas. Em uma oficina, estratégias de enfrentamento das situações adversas no trabalho.
apareceu, por exemplo, a dificuldade para produzir as fotografias em razão da falta de tempo,
da correria do dia-a-dia e da intensificação dos ritmos de trabalho. Também foi destacada a Referências
necessidade de mostrar a importância dada ao local de trabalho e ao público a quem se dirige o
seu trabalho. Uma das fotografias feitas, por exemplo, foi sobre a chegada de novos brinquedos Foucault, M. (1999) A ética do cuidaDo de si como prática da liberdade In: Estética, ética e
no local, onde queriam mostrar a felicidade das crianças recebendo os novos materiais, já que hermenêutica. Obras esenciales, v.III. Barcelona: Paidós
é um local de trabalho que funciona com algumas dificuldades financeiras, recebendo muitas
doações de moradores do bairro. Ademais, outro ponto importante a ser destacado foi a _______(2012). El gobierno de si y de los otros. Buenos Aires : Fondo de Cultura Econômica.
valorização dos pequenos momentos de prazer no trabalho, como os lanches coletivos com as
crianças nas praças do bairro, subir em árvores, cuidar de animais que vivem nas ruas do bairro. Lazzaratto, M. E Negri, A. (2001) Trabalho Imaterial. Rio de Janeiro : DP&A.
Nestes momentos, ao que parece, o trabalho se converte em fonte de satisfação para ambos,
equipes e crianças. E finalmente, o último ponto a destacar foi a importância dada ao local de Tittoni, J. Psicologia e Fotografia. In: Tittoni, Jaqueline. (2009) Sobre psicologia e fotografia.
trabalho para o bairro, contada através da história do local e de suas dificuldades de sua criação In: Psicologia e Fotografia: experiências em intervenções fotográficas. Porto Alegre : Ed. Dom
e de manutenção. Para tanto, observavam que, apesar das dificuldades, o local havia crescido Quixote.
fisicamente e complexificado suas atividades. Esta visão de valorização do trabalho e de sua
importância para o bairro, possivelmente, funciona como elemento agregador e articulador da
equipe em redes de colaboração. A pesquisa segue em andamento, com a produção de outras
narrativas fotográficas e imagéticas.

4, Algumas considerações, para finalizar

O acompanhamento destes grupos têm mostrado a precarização no campo das políticas públicas,
bem como importantes transformação nos modos de trabalhar, sobretudo em termos da
intensificação dos ritmos de trabalho. No entanto, aparece uma forte valorização do trabalho na
identificação da importância do trabalho para o território e das políticas públicas que desenvolve,
tanto na área da assistência social quanto da saúde. Entre os trabalhadores e trabalhadoras da
saúde, observa-se um excesso de trabalho que insiste em impor-se como a forma normalizadora
e ordenadora de trabalho, indicando agendas sempre cheias, atividades que não podem ser
concluídas, demandas de que não podem ser viabilizadas. Este excesso de trabalho, em sua outra
face, mostra a escassez de recursos para a realização do trabalho e a precarização que marca o
trabalhar em políticas públicas, neste momento, no Brasil .

A pesquisa com imagens mostra-se um dispositivo importante para reflexões sobre o trabalho
e os modos de trabalhar, dando evidência à situações pouco visíveis dos cotidianos de trabalho

1013 1014
Capítulo 98

Reflexiones acerca de la sociedad del riesgo en Argentina: un abordaje a partir


de las organizaciones de alta confiabilidad

Javier H. Cantero1, Natalia L. Gonzalez2 y Daiana Díaz3

Originalmente pensada como un rasgo de las sociedades europeas de posguerra, la modernidad


reflexiva centrada en los riesgos expandió sus fronteras y en la actualidad resulta pertinente
como constructo aplicable a las sociedades de desarrollo económico intermedio como la
argentina. La sociedad del riesgo es global (Beck, 2008) al mismo tiempo que presenta ciertas
especificidades locales teniendo en cuenta la capacidad de respuesta y las consecuencias
altamente diferenciadas de cada país. En América Latina la sociedad del riesgo se configura en
función de su situación geopolítica, la historia y los hechos económico-sociales, el desarrollo
Organizaciones de la sociedad del riesgo económico, la escasez de recursos económicos y tecnológicos y la perdurabilidad de las
características de la sociedad industrial4.
latinoamericana: especificidades,
condicionamientos y desafíos La sociedad del riesgo en Argentina se encuentra en pleno proceso de transición de la era
industrial a la post-industrial. Impulsada por fuerzas exógenas y por el proceso de implantación
de empresas extranjeras se observa un fenómeno diferenciado en el que coexisten sectores
industriales característicos de la era post-industrial con sectores económicos anclados en la
lógica de las clásicas sociedades industriales. El establecimiento de empresas transnacionales
en otros países responde a múltiples objetivos (e.g. optimización de la estructura de costos,
desarrollo de la cadena de valor global, estrategias financieras y fiscales) y, consciente o
inconscientemente, se externalizan riesgos contribuyendo a la construcción de sociedades
post-industriales en los países de destino. La introducción de tecnología avanzada en donde la
producción y distribución del riesgo domina a los procesos de cambio social da cuenta de dicho
1. Universidad Nacional de General Sarmiento / Argentina. Email: jcantero@ungs.edu.ar
2. Universidad Nacional de General Sarmiento / Argentina. Email: ngonzale@ungs.edu.ar
3. Universidad Nacional de General Sarmiento / Argentina. Email: ddiaz@ungs.edu.ar
4. Si bien Latinoamérica inició un proceso de transformación hacia las economías de servicios, Argentina se encuentra en un rango de entre el 60 y
70% en contraposición a otros países que ya superan el 70 % del PBI y más del 60 % del empleo (Cámara Argentina de Comercio, Departamento de
Economía, 2010). Asimismo, si bien datos del INDEC (2016) indican un aumento en la inversión en investigación y desarrollo en el período 2011-2015,
cerca del 51% proviene de organismos gubernamentales nacionales y provinciales, mientras que el restante porcentaje se distribuye entre educación
superior y empresas. Las organizaciones de la sociedad civil representan un 1.5 %.

1015 1016
fenómeno5. el debate sobre dos de las afirmaciones planteadas por Ulrich Beck que emergen en forma
diferenciada en el contexto latinoamericano. En primer lugar, la distribución de la riqueza continúa
Uno de los rasgos de las sociedades del riesgo que aún no se constata en Argentina es el margen siendo el eje central de los procesos económicos, políticos y sociales y no ha sido desplazada por
que posee el crecimiento económico para alcanzar los límites ecológicos. En este sentido, para el la lógica de la producción y distribución de los riesgos. De hecho, la distribución de la riqueza y
caso argentino la biocapacidad supera el nivel de huella ecológica aún cuando esta brecha tiende el conocimiento científico-tecnológico es cada vez más inequitativa8, en particular en el contexto
a reducirse en los últimos años. En otras palabras, el país cuenta con una reserva ecológica latinoamericano, proceso que refuerza el rol secundario de la repartición de los riesgos entre los
a diferencia de los países económicamente desarrollados que presentan importantes déficit diversos actores sociales. De ahí que en las sociedades latinoamericanas convivan riesgos de
ecológicos (e.g. Alemania, Japón, EEUU, Gran Bretaña, China)6. la sociedad global del riesgo (e.g. como los medioambientales, utilización de transgénicos y/o
pesticidas en los alimentos que no llegan a ser problematizados o percibidos como una amenaza)
De manera más flagrante, en Argentina no se constata un proceso de democratización de los con algunos propios de la sociedad industrial clásica (e.g trenes tecnológicamente obsoletos que
mercados y de la política. En efecto, los altos niveles de concentración de la economía y la colisionan por falta de mantenimiento e infraestructuras vetustas; tragedias por negligencias en
profusión de estructuras de mercado monopólicas, oligopólicas o con empresas que ostentan el cumplimiento de normas básicas de seguridad)9.
fuertes posiciones dominantes junto con una menguada capacidad de regulación estatal se
encuentran en las antípodas de las sociedades del riesgo europeas. En segundo lugar, la democratización de los riesgos no se expresa tal como señala Ulrich Beck.
En efecto, los mapas de vulnerabilidad global presentan grandes asimetrías en los diferentes
Con respecto a la democratización de la política, se constatan prácticas reñidas con los principios países en relación al impacto del cambio del clima, al aumento del nivel del mar y a la pérdida
básicos de la democracia como los sistemas de elección de representantes sindicales, procesos de productividad (Wheeler, 2011; Mercado Dugarte, 2018). Por otra parte, los denominados
de elección de candidatos a cargos electivos de los partidos políticos, sistemas electorales que desastres naturales deberían ser objeto de relecturas a la luz de procesos sociales, económicos
conservan las denominadas “listas sábana” y sistemas de regulación que acotan la participación y políticos que se desarrollan en las sociedades periféricas (Climent, 2002).
y la capacidad decisoria de la ciudadanía en torno a temas societales que la conciernen
directamente. De esta manera, la sociedad del riesgo argentina se distingue de la caracterizada La especificidad de la sociedad del riesgo argentina se puede sintetizar en dos rasgos. Por un
por Ulrich Beck para el contexto europeo. lado, es una reflexividad ex post facto, especialmente de hechos catastróficos, y principalmente
enfocada en la identificación de culpables y su necesario castigo. Por otra parte, los debates que
Las situaciones catastróficas ocurridas en América Latina no necesariamente se corresponden emergen a partir de accidentes graves o catástrofes desembocan en la disyuntiva público-privado
con una sociedad del riesgo producto del desarrollo científico-tecnológico sino como un modo de para la gestión de organizaciones riesgosas. Así, se ponen en primer plano las vulnerabilidades
funcionamiento propio de las clásicas sociedades industriales, por lo que sólo se han desarrollado del sector público para hacer frente a los riesgos generados por el sector privado.
parcialmente los dispositivos administrativos y legislativos para la supervisión de los efectos del
avance científico-tecnológico sobre la naturaleza y la sociedad7. Esta cuestión permite abrir La centralidad de los riesgos industriales en las sociedades del riesgo mundial no se condicen
5. El análisis de la serie estadística del Indec para el período 1991-2016 da cuenta del proceso de extranjerización de la economía en Argentina
con las preocupaciones centrales de los actores políticos, sociales y económicos argentinos,
que alcanza magnitudes considerables en el conjunto de los agregados macroeconómicos (e.g. cantidad de empresas, valor bruto de la producción, (SINEC) y la Red de Organismos Científico-Técnicos para la Gestión Integral del Riesgo (GIRCYT) (Dec. 383/2017). En ambos casos aún no están en
puestos de trabajo asalariado, utilidad, exportaciones e importaciones). En 1991 el 28% de las 500 grandes empresas en Argentina eran de origen funcionamiento.
extranjero mientras que en 2008 superaron el 58% y 8 años más tarde alcanzaron el 61.6%. Cifras aún más contundentes se observan en el nivel 8. Mientras que Alemania destina el 2.88 % de su PBI a investigación y desarrollo, nuestro país alcanza un valor cercano al 0.59% según datos Banco
de extranjerización según el porcentaje de utilidades, el valor bruto de la producción, los puestos de trabajo asalariados, las importaciones y las Mundial: https://datos.bancomundial.org/indicador/GB.XPD.RSDV.GD.ZS?locations=AR. Asimismo el índice de Gini de nuestro país alcanzó el primer
exportaciones. trimestre de este año (2018) un valor de 0.44 mientras que en Alemania alcanzó un valor de 31.7.
6. Según datos del Global Footprint Network, Argentina cuenta con un superavit de reserva ecológica que supera el 80%, mientras que China, Alemania 9. Nos referimos a los accidentes ocurridos en las líneas férreas metropolitanas, fundamentalmente al accidente conocido como Tragedia de Once y a
y EEUU registran déficits que alcanzan 280%, 182% y 133% respectivamente. la Tragedia de Cromagnon. Se podrían agregar a la lista los casos de Time Warp y el derrame de cianuro en una mina explotada por Barrick Gold en la
7. Cabe destacar que en el caso argentino se creó recientemente por ley Nº 27287/2016 el Sistema Nacional de Emergencias por Catástrofes provincia argentina de San Juan.

1017 1018
focalizados en los riesgos económicos y la inseguridad ciudadana. Según un informe realizado agribusiness).
por IPSOS10, en diciembre de 2017, los temas de mayor preocupación de los argentinos son la
inflación (47%), el crimen y la violencia (43%), el desempleo (41%) y la pobreza y desigualdad Se trata de organizaciones altamente riesgosas que pueden generar catástrofes las veinticuatro
social (40%). Sólo 3% de la población encuestada mencionó como preocupaciones las amenazas horas del día, los trescientos sesenta y cinco días del año. Son sistemas tecnológicos complejos
para el medio ambiente y el cambio climático, temáticas propias de una sociedad del riesgo. De y altamente acoplados (Perrow, 1984) que desarrollan competencias organizacionales e
ahí que resulte pertinente apelar a la noción de incertidumbres manufacturadas (Beck, 2000) individuales distintivas como la competencia técnica extraordinaria, el alto desempeño
que se dan en el caso argentino con la particularidad de que, en gran medida, se mantienen en técnico y sustentable, la flexibilidad estructural y la redundancia, los patrones de autoridad
el terreno del inconsciente y ponen en evidencia el desajuste entre conocimiento y capacidad descentralizados y colegiados, los procesos flexibles de toma de decisiones, los procesos que
para percibir y conocer. Vale la pena señalar que en Argentina no se dispone de estadísticas permiten la continua búsqueda de la mejora y los procesos de recompensa al descubrimiento y
sistemáticas de los riesgos industriales por sector y estadísticas relativas a accidentes, situación reporte de errores (Roberts, 1990; Rochlin, 1993, 2001; Roe & Schulman, 2008; LaPorte &
que contribuye a la imperceptibilidad, incalculabilidad, desconocimiento e invisibilidad de los Consolini, 1991).
riesgos.
Un enfoque complementario hace hincapié en el desarrollo de una infraestructura cognitiva por
Siguiendo esa línea de reflexión, en la sociedad del riesgo hay una imposibilidad de atribuir los parte de las HROs. Karl Weick y sus colegas (Weick et al., 1999; Weick & Sutcliffe, 2007)
riesgos al azar, por el contrario, son actos de la sociedad ya sea acciones u omisiones. Esta es identificaron un conjunto de procesos cognitivos que están en el origen de la alta confiabilidad
una característica presente en la sociedad del riesgo argentina, no obstante lo cual, en ciertas (i.e.preocupación constante por el error; evitar la simplificación de las interpretaciones; realizar
ocasiones catastróficas están presentes los discursos de algunos actores que evocan la fatalidad, un monitoreo de las operaciones; poseer un compromiso con la resiliencia; desarrollar estructuras
la mala suerte y la desgracia. Lectura de los fenómenos catastróficos funcional a los procesos de de baja especificidad que respetan el savoir-faire por sobre la jerarquía).
desresponsabilización de decisiones y comportamientos organizacionales.
Finalmente, desde nuestra perspectiva el rasgo ontológico más distintivo de las HROs se encuentra
También está presente la incapacidad del sector público para regular y gestionar los riesgos, en la teleología organizacional. A diferencia del resto de las organizaciones, las HROs poseen
lo que se traduce en la actitud escéptica y de desconfianza de los actores sociales vis-à-vis las objetivos múltiples en conflicto que deben ser conciliados para alcanzar la alta confiabilidad. En
instituciones públicas. otras organizaciones se pueden establecer arbitrajes o se puede priorizar un objetivo por sobre
otro, se puede eliminar la multiplicidad de objetivos. Las HROs no poseen slack para optar, si
De manera concomitante, en los últimos años surgieron y van adquiriendo mayor presencia quieren ser confiables, deben conciliar sus múltiples objetivos contradictorios, antagónicos y
institucional y de intervención distintas asociaciones y agrupaciones sociales que plantean el concomitantes (Bourrier, 2001; Cameron, 1986, Cantero & Seijo, 2012).
debate acerca de la compatibilidad del desarrollo industrial y la sustentabilidad del medio en el
que habitan (e.g. minería a cielo abierto, instalación de aeropuertos, explotación shale oil y gas). Desde la teoría de la organización, dos grandes corrientes teóricas han adquirido importancia en
el estudio de la gestión del riesgo tecnológico-industrial: la teoría de los accidentes normales y la
Uno de los rasgos en común de nuestra sociedad con las sociedades del riesgo caracterizadas teoría de las organizaciones de alta confiabilidad. La primera, centrada en la variable tecnológica,
por Beck, Giddens y Lash (2008) es que en Argentina existen HROs (i.e. High Reliability preconizada por Charles Perrow (1984, 2009); y la segunda con un enfoque empirista indaga
Organizations, Organizaciones de Alta Confiabilidad) de todos los sectores industriales usualmente sobre la confiabilidad de los sistemas organizacionales complejos e identifica un conjunto de
concebidos como riesgosos (e.g. sector nuclear, químico, petroquímico, aerocomercial, minería, competencias organizacionales (LaPorte, 1996).
10. IPSOS Public Affairs (2018). What worries the world? Disponible en https://www.ipsos.com/sites/default/files/ct/news/documents/2018-02/
what_worries_the_world_argentina_enero_2018.pdf
De acuerdo a estas posturas, el desafío de las HROs es cómo mantener la seguridad y la

1019 1020
confiabilidad en un sistema que es cada vez más complejo y que además está sujeto al de vista organizacional? ¿Qué dimensiones de análisis deben integrarse para comprender el
comportamiento de diversas variables contextuales. La teoría formulada por Charles Perrow, comportamiento confiable de las organizaciones riesgosas? ¿Cómo impacta la experiencia y el
pone el acento en la interacción tecnológica-organizacional de naturaleza compleja que conocimiento de la sociedad europea del riesgo en el abordaje del fenómeno argentino? ¿Qué
presentan los sistemas riesgosos. De ahí que para el autor una organización de alta confiabilidad evidencias empíricas se poseen para dar cuenta de la sociedad argentina del riesgo? Este es el
(HRO) sea sinónimo de vulnerabilidad11, de sistema tecnológico de riesgo que puede generar una conjunto de preguntas de investigación que se plantea en el presente trabajo.
catástrofe en cualquier momento, a pesar de las barreras existentes para impedirla (Cantero &
Seijo, 2012). Se trata de un sistema en el que la concatenación de ciertos eventos puede derivar El presente trabajo constituye un ejercicio reflexivo que se nutre del marco teórico de la
en consecuencias graves para la seguridad de la organización y de su entorno inmediato y/o sociología del riesgo y de la teoría de la alta confiabilidad. El corpus teórico se complementa
mediato (Lagadec, 1984; Gilhou & Lagadec, 2002; Sagan, 1993, Barton & Sutcliffe, 2009). con una minuciosa recopilación y análisis bibliográfico de fuentes documentales. Se recurrió a
fuentes de información secundaria como papers en revistas académicas, informes de organismos
Otro de los niveles de análisis frecuentemente utilizado para el estudio de las HROs es el nacionales e internacionales de sectores riesgosos, publicaciones institucionales, artículos en
individual. El factor humano en las HROs no sólo es concebido como fuente de vulnerabilidad medios periodísticos y de divulgación.
sino como generador de confiabilidad. En efecto, los operadores de sistemas riesgosos pueden
generar catástrofes al mismo tiempo que pueden asegurar un funcionamiento altamente Parafraseando a LaPorte y Consolini (1991), las HROs funcionan en la práctica pero no en la
confiable. teoría, razón por la cual hay que dar cuenta de diversos aportes empíricos que serán de utilidad
para comprender las HROs en la teoría. Finalmente, el presente trabajo propone un conjunto
La teoría clásica del factor humano es una de las más utilizadas a la hora de investigar la de temas para la discusión y conclusiones entre las que se destacan: 1) la especificidad de la
temática de los accidentes dentro de las organizaciones (Neffa, 1989). Ella supone la existencia sociedad del riesgo en Argentina vis-à-vis la construcción teórica de Ulrich Beck (2008); 2) el
de la unicausalidad, afirmando que los actos inseguros responden a la propensión al accidente predominio de los factores tecnológicos y humanos en el corpus teórico y los escasos avances
por parte de los trabajadores, propensión difícil de prever, prevenir o anticipar. desde el punto de vista empírico; 3) el mito de la eficiencia del sector privado ante la ineficiencia
del sector público; 5) desarrollo futuro del corpus empírico en Argentina del conjunto de sectores
Indagar acerca de los factores humanos desde la perspectiva clásica implica centrarse industriales usualmente concebidos como riesgosos (e.g. nuclear, petroquímico, aerocomercial,
solamente en el análisis de accidentes y catástrofes a partir de los errores y la asignación de salud, ferroviario, etc.).
de responsabilidades, postura reduccionista que no da cuenta de la multicausalidad de los
eventos no deseados. En efecto, estudiar los factores humanos no equivale a intentar modificar Bibliografia
el comportamiento de las personas sino operar sobre los factores tecnológicos (máquinas y
artefactos), ambientales (iluminación, ruidos, temperatura, etc.) y los organizacionales (tiempo, Barton, M. & Sutcliffe, K. (2009) Overcoming dysfunctional momentum: organizational safety as
duración del trabajo, asignación de tareas, procedimientos, etc.). a social achievement, Human Relations, 62 (9): 1327-1356.

Abordar el estudio de la sociedad del riesgo en Argentina desde la perspectiva de los estudios Beck, U. (1992) Risk society: towards a new modernity, Newbury Park, CA: Sage.
organizacionales plantea diversos interrogantes. ¿Resulta pertinente el concepto “sociedad del
riesgo” para comprender el contexto local? En tal caso, ¿Cuáles son los rasgos característicos Beck, U. (2000) Retorno a la teoría de la sociedad del riesgo. Boletín de la A.G.E., 30: 9-20.
de la sociedad Argentina del riesgo? ¿Cómo se traduce la sociedad del riesgo desde el punto
Beck, U. (2006) La sociedad del riesgo. Hacia una nueva modernidad, Barcelona: Editorial Paidós
11. Gilbert (2005) conceptualiza a las vulnerabilidades como los efectos vinculados a la complejidad que produce la multiplicidad de actores que
participan en la gestión de los riesgos, de los diversos modos de implicación de los mismos y los modos de relacionarse.
Ibérica.

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Wheeler, D. (2011). “Quantifying Vulnerability to Climate Change: Implications for Adaptation El presente trabajo apunta a identificar y analizar los rasgos específicos de la diversidad de
Assistance.” CGD Working Paper 240. Washington, D.C.: Center for Global Development. http:// organizaciones riesgosas. En ese sentido, la primera distinción realizada por los pioneros del
www.cgdev.org/content/publications/detail/1424759 campo de estudio de los sistemas riesgosos permitió identificar dos tipos organizacionales –
HEOs (High-Efficiency Organizations) y HROs (High-Reliability Organizations)– en función de
sus características tecnológicas, su nivel de complejidad, los riesgos inherentes a sus actividades
y las competencias organizacionales. Estudios posteriores dieron cuenta de las especificidades
teleológicas.

La evolución de los contextos (e.g. tecnológicos, sociales, económicos, regulatorios) generó un


proceso paralelo de complejización, diversidad y oscilación de organizaciones riesgosas. Ciertas
organizaciones que normalmente centraban su teleología en la eficiencia, en la actualidad se
ponen en evidencia por los riesgos que entrañan sus procesos productivos vis-à-vis la comunidad
y el medio ambiente. Por otra parte, las tradicionales organizaciones riesgosas, si bien conservan
sus peligros potenciales, mediante dispositivos de mitigación y gestión de lo inesperado se
destacan por su confiabilidad antes que por la vulnerabilidad de sus sistemas.

HEOs versus HROs aparece como un contrapunto necesario para distinguir la diversidad del
universo organizacional pero, al mismo tiempo, insuficiente. En efecto, al estudiar con mayor
detenimiento los sistemas riesgosos se puede discriminar entre las tradicionales organizaciones
riesgosas, las redes de organizaciones riesgosas (HRNs, por High Reliability Networks) y los
sistemas de comando de incidentes (ICSs, por Incident Command Systems).

1. Universidad Nacional de General Sarmiento / Argentina. Email: jcantero@ungs.edu.ar

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Las HROs se distinguen en el universo organizacional por el sistema tecnológico que las sustenta
(Perrow, 1984), por las competencias organizacionales e individuales (Roberts, 1990; Rochlin, A través del análisis de las infraestructuras críticas, Schulman et al (2004) sostienen que las
1993, 2001; Roe & Schulman, 2008; LaPorte & Consolini, 1991), por su infraestructura HRNs son inherentemente vulnerables a disrupciones locales que pueden derivar en errores
cognitiva (Weick et al., 1999; Weick & Sutcliffe, 2007) así como por la articulación de objetivos catastróficos. Son organizaciones caracterizadas por la interconexión dentro de cada una y
múltiples contradictorios, antagónicos y concomitantes (Bourrier, 2001; Cameron, 1986, entre ellas. Presentan elementos constitutivos estructurales y geográficos heterogéneos. Su
Cantero & Seijo, 2012). multiplicidad teleológica conflictiva se traduce en la tensión entre el mantenimiento del flujo del
servicio y la protección de la red.
Al realizar un contrapunto entre las HROs y las HEOs se pueden identificar, al menos nueve
características distintivas. Difieren en cuanto a la teleología, los procesos decisorios, el sistema Según Berthod et al. (2015), las HRNs se distinguen por cuatro características interdependientes:
de autoridad, las consecuencias derivadas de los errores, el sistema tecnológico, la incidencia 1) todas las organizaciones participantes de la red confían en que realizarán contribuciones libres
de la incertidumbre, el patrón de interacciones necesario, los principios de gestión aplicables y de errores para lograr el desempeño de la red en su conjunto; 2) no todas las organizaciones
el predominio del sector público o privado en la gestión de organizaciones riesgosas (Cantero & participantes de la red son HROs; 3) la falla de uno de los participantes puede impedir la
Seijo, 2012). confiabilidad del desempeño de la red en su conjunto; 4) la combinación confiable de todas las
contribuciones organizacionales al desempeño del conjunto de la red se apoya en estructuras de
Cabe destacar que el esfuerzo epistemológico por caracterizar cada uno de los tipos cooperación y prácticas específicas que apuntan a la integración de la red.
organizacionales no debe conducir al error de reificar fronteras que no dejan de desplazarse
y que son inherentemente porosas entre uno y otro tipo organizacional. Es esencial evitar el En tiempos de políticas económicas market-friendly, las HRNs se ven enfrentadas a una
reduccionismo del pensamiento binario. Esto es, pensar que el universo organizacional se puede paradoja: se les exige cada vez más confiabilidad y al mismo tiempo los marcos organizacionales
dividir exclusivamente en HROs y HEOs. En realidad, existen innumerables tipos organizacionales, convencionales asociados a la alta confiabilidad están siendo desmantelados. Si bien no se trata
como en la vida, no todo es blanco y negro, razón por la cual tenemos que analizar el universo de un rasgo ontológico, inherente a la naturaleza de las HRNs, la perdurabilidad de los cambios
organizacional a partir de un continuum cuyos extremos sean las HROs y las HEOs y a lo largo contextuales plantea un desafío paradojal a la gestión de las redes altamente riesgosas.
del cual se encuentran organizaciones que presentan ciertas características que las acercan a
uno u otro extremo. Sin obviar un conjunto de organizaciones híbridas que se caracterizan por Con respecto a las modalidades de gestión de las HRNs, se pueden identificar cuatro modelos de
desarrollar, de manera concomitante, rasgos de HEOs y de HROs. desempeño pasibles de alcanzar la confiabilidad. Se denominan “justo a tiempo”, “justo para el
caso”, “justo para ahora” y “justo de esta forma” (Schulman et al., 2004). De acuerdo al nivel
Una vez realizada la primera distinción resulta evidente que no todas las HROs son idénticas. de variedad de las opciones de la red (i.e. alta o baja) y el grado de inestabilidad del sistema (i.e.
Una central nuclear no es lo mismo que una red de generación y distribución de agua potable así alto o bajo) se requerirá uno u otro de los modelos de gestión identificados. Por ejemplo, si el
como una empresa petroquímica se diferencia de un sistema de telecomunicaciones o de una sistema es altamente inestable y se cuenta con variadas opciones de gestión de la red, se logrará
red de organizaciones constituida para gestionar la recuperación de una ciudad luego de una la confiabilidad mediante el modelo de desempeño “justo a tiempo”. Por otra parte, la escasa
inundación o un atentado terrorista. variedad de opciones se compensará con una baja inestabilidad del sistema dando lugar a una
modalidad de desempeño “justo de esta forma”. El desempeño más exigente tendrá lugar cuando
El estudio de infraestructuras críticas, (e.g. generación y distribución de energía eléctrica, la red sea altamente inestable y se cuente con una baja variedad de opciones. Se trata del worst
provisión de agua potable, transporte ferroviario) dio lugar a la noción de HRNs, (High-Reliability case scenario que exige un modo de gestión “justo para ahora” en el que entra a desempeñar
Networks). Schulman y Roe (2004, 2007, 2008) identificaron las modalidades de gestión un rol esencial el crisis management. En contraposición, la situación menos exigente se dará
confiable de las HRNs, las características específicas y los roles clave. cuando el sistema sea modestamente inestable y se cuente con una gran variedad de opciones

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para gestionar la red. dimensión económica-financiera.

Teniendo en cuenta las particularidades de las HRNs, el estudio de Schulman et al. (2004) puso La diversidad del universo HRO se completa con los Incident Command Systems (ICS). A
en evidencia el rol central de los denominados “profesionales de la confiabilidad”. Se trata de comienzos de los años 1970 se desarrolló un sistema de gestión organizacional de operaciones
profesionales de línea media como controladores, despachantes, supervisores técnicos y jefes de respuesta rápida ante emergencias (v.g. eventos) que escalan dinámicamente. El sistema
de departamentos cuya función y actividades se centran en la búsqueda del equilibrio, necesario se denominó Sistema de Comando de Incidentes (ICS). Sistema de gestión que modifica la
para lograr la confiabilidad en tiempo real de los sistemas en red. estructura jerárquica de comando y control tomada de las organizaciones militares hacia una
forma organizativa más flexible.
Es de particular interés la distinción de HRNs ya que en Argentina, las infraestructuras críticas
concesionadas en los años 1990 volvieron a la órbita estatal luego de gestiones empresariales El ICS se pone en funcionamiento ante alguna emergencia: inundaciones, incendios, accidentes
deficitarias y/o catastróficas, (e.g. sistema ferroviario) e incluso algunas redes de infraestructura viales o ferroviarios, etc. Es decir, son redes inter-organizacionales que confluyen ante un evento
crítica, (e.g. provisión de energía eléctrica, subterráneos, red de gas domiciliario) siguen bajo inédito. Son HROs ad hoc, de existencia efímera.
la órbita empresarial, a pesar de ser redes no necesariamente confiables. Entre los casos
paradigmáticos de HRNs con falencias flagrantes en su nivel de confiabilidad cabe destacar el Se trata de HROs que deben conciliar objetivos múltiples, antagónicos y conflictivos en la
sistema de generación y distribución de energía eléctrica (residencial), el sistema de transporte inmediatez. Salvar vidas humanas, proteger la propiedad (v.g. bienes materiales) y mantener
ferroviario suburbano de pasajeros, las HRNs de telecomunicaciones. En este sentido, resulta y restaurar la continuidad de los servicios públicos para la comunidad constituyen los tres
insoslayable estudiar las especificidades y modelos de gestión de las HRNs tanto para mejorar objetivos esenciales de todo ICS (Boersma et al., 2014).
la confiabilidad de aquellas redes que se encuentran bajo la órbita empresarial como para evitar
que la gestión pública de HRNs reproduzca la experiencia empresarial catastrófica. En pos de la conciliación teleológica de los ICSs se apela al equilibrio entre el control y la
flexibilidad. Según Bigley y Roberts (2001) hay tres categorías conceptuales que hacen que
Por otra parte, las HROs cada vez más apelan a la construcción de redes inter-organizacionales los ICS sean altamente flexibles y confiables para enfrentar contextos complejos y volátiles.
a través de la subcontratación, con lo cual existe una tendencia hacia la transformación de En primer lugar, los mecanismos estructurantes que rápidamente alteran la estructura
HROs en HRNs. Múltiples implicancias para la gestión se derivan del desarrollo de redes de organizacional formal. Procesos como diseño de la estructura, cambio de roles, migración de
organizaciones riesgosas. En un trabajo previo (Cantero, 2015) se identificaron seis dimensiones la autoridad y reajuste del sistema, mejoran la flexibilidad y la confiabilidad. En segundo lugar,
clave de la subcontratación en HROs: decisión de subcontratar, aspecto contractual; selección el apoyo organizacional para la improvisación restringida. En ese sentido, los supervisores del
de subcontratistas; organización de la subcontratación; desempeño alcanzado y cooperación con ICS proveen cierto grado de libertad para improvisar a sus subordinados. Siempre limitada por
subcontratistas. herramientas (v.g. recursos disponibles), reglas y rutinas. En tercer lugar, se logra flexibilidad y
confiabilidad utilizando métodos del management cognitivo (Bigley & Roberts, 2001). Esto es,
A la hora de gestionar HROs que apelan a la subcontratación como dispositivo constitutivo de desarrollar una representación operacional (de la organización y de sus contextos), comunicar
una red y no como mero instrumento de optimización de costos se debe definir si es conveniente la información representacional, cambiar la responsabilidad representacional e incorporar
subcontratar o no subcontratar; explicitar y formalizar las cuestiones contractuales entre la representaciones operacionales en el sentido de su alcance y especificidad. De esta manera se
HRO y las empresas subcontratistas; determinar los criterios de selección de empresas contribuye a la construcción de modelos mentales compartidos y de alta fidelidad que apuntan a
subcontratistas; especificar las tareas subcontratadas; realizar el seguimiento y la evaluación la coordinación de los sistemas con los comportamientos de los operadores y resolver problemas
del desempeño de la subcontratación; y asegurarse de que la subcontratación apunte a la generados por los contextos complejos y dinámicos.
cooperación interorganizacional y no sea un mero dispositivo contractual motivado por la

1029 1030
Realizar una cartografía del universo organizacional riesgoso plantea ciertos interrogantes:
¿Cuáles son los rasgos característicos de cada uno de los tipos ideales de organizaciones El presente estudio, predominantemente hipotético-deductivo, constituye un ejercicio reflexivo
riesgosas? ¿Cómo se traduce la especificidad de las organizaciones riesgosas en modalidades tendiente a proponer una tipología de organizaciones riesgosas. Desde el punto de vista
de gestión y comportamiento organizacional? ¿Qué dimensiones de análisis deben integrarse teórico se apela a la teoría de la alta confiabilidad, la teoría de los accidentes normales y los
para comprender el comportamiento confiable de las organizaciones riesgosas? enfoques técnico-ingenieriles de la gestión del riesgo. El corpus teórico se complementa con una
exhaustiva recopilación y análisis bibliográfico de fuentes documentales (e.g. libros y papers en
Luego de haber relevado el desafío de identificar los rasgos característicos de cada tipo ideal revistas académicas, artículos en medios periodísticos y de divulgación).
de HRO y esbozado los diversos modos de gestión para lograr la confiabilidad, resulta oportuno
reflexionar en torno a las dimensiones analíticas necesarias para comprender la toponimia Resulta imprescindible establecer las distinciones epistemológicas tendientes a caracterizar
diversa del universo HRO. En primer lugar, la naturaleza de la actividad a realizar. Tanto las con mayor precisión la diversidad del universo de organizaciones riesgosas, no sólo desde el
clásicas HROs como las HRNs realizan actividades, ya sea de elaboración de algún bien o punto de vista teórico sino, especialmente, para contribuir al desarrollo de modelos de gestión
prestación de un servicio en permanencia y la confiabilidad no sólo está dada por la ausencia de ajustados a la naturaleza de las organizaciones bajo análisis. En otras palabras, la diversidad de
catástrofes o accidentes sino esencialmente por mantener un nivel de producción o prestación organizaciones riesgosas en las sociedades homónimas exige un conocimiento profundo de sus
de servicio permanente. rasgos para gestionarlas y lograr la confiabilidad requerida por todos los actores involucrados.

En segundo lugar, las relaciones interorganizacionales (y la construcción de redes) ya sea que Mayor relevancia adquiere el esfuerzo toponímico (v.g. taxonómico) en los países latinoamericanos
se traten de un rasgo ontológico necesario o una configuración estructural voluntariamente por tres razones. En primer lugar, una cantidad considerable de catástrofes y accidentes de
construida por la HRO. gravedad en los últimos años ponen en evidencia las falencias tanto de los sistemas productivos
riesgosos como de los ICSs. En segundo lugar, se trata de un área de vacancia desde el punto de
La espacialidad o campo de acción en que se desarrollan las actividades constituye la tercera vista investigativo. En efecto, el incipiente terreno de estudio de las HROs en América Latina aún
dimensión para dar cuenta de la diversidad del universo HRO. En efecto, el campo de acción en no ha incursionado en el estudio de los ICSs como la evidencia empírica lo requiere. Finalmente,
el que se desenvuelven las clásicas HROs resulta sustancialmente más concentrado que el de la evolución hacia sociedades del riesgo entraña la proliferación de organizaciones altamente
las HRNs y de los ICS. En estas organizaciones riesgosas la dimensión espacial se presenta en riesgosas que desarrollan redes y que se constituyen ad hoc para enfrentar los desafíos de
términos difusos e imprecisos. eventos no deseados e inesperados.

La dimensión temporal es un cuarto rasgo distintivo. En las HRNs se debe hacer frente a una Bibliografia
exigencia de respuesta permanente. En las clásicas HROs se presenta el rasgo de respuesta
permanente y en ciertas ocasiones (i.e. anomalías, incidentes, accidentes) se reduce la holgura Berthod, O.; Grothe-Hammer, M. & Sydow, J. (2015) Some characteristics of High-Reliability
o slack para ofrecer una respuesta confiable. En el extremo, los ICS deben imperativamente Networks. Journal of Contingencies and Crisis Management, 23(1): 24–28.
ofrecer respuestas confiables en la inmediatez.
Bigley, G. & Roberts, K. (2001) The Incident Command System: high-reliability organizing for
La naturaleza del contexto juega un rol importante a la hora de distinguir entre distintas HROs. complex and volatile task environments. Academy of Management Journal, 44(3): 1281-1299.
Mientras que las clásicas HROs lidian con contextos complejos y relativamente estables, las
HRNs operan en contextos medianamente complejos y estables y los ICS enfrentan contextos Boersma, K., Comfort, L., Groenendaal, J. and Wolbers, J. (2014) Editorial: Incident Command
complejos y volátiles. Systems: A Dynamic Tension among Goals, Rules and Practice, Journal of Contingencies and

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1033 1034
Capítulo 100

El clima laboral como responsabilidad de los managers: Supuestos e


implicancias en el ejercicio del rol

Ruth B. Szvarc1

Introducción

El concepto de clima organizacional puede vincularse con una mirada sistémica, desde la que se
piensa a las organizaciones como ambientes complejos y dinámicos, cuyos integrantes tienen la
posibilidad de modificarlos con sus acciones y actitudes.

Para Chiavenato (2000) el clima organizacional puede ser definido como “las cualidades o
propiedades del ambiente laboral que son percibidas o experimentadas por los miembros de la
organización y que además tienen influencia directa en los comportamientos de los empleados”.
El proceso de managerialización de la sociedad
García Solarte (2009) agrega que estas percepciones “afectan las relaciones e inciden en las
reacciones del comportamiento de los empleados, tanto positiva como negativamente, y por
tanto, modifican el desarrollo productivo de su trabajo y de la organización”.

En los últimos años han surgido una serie de metodologías e instrumentos para medir el clima
laboral, establecer el grado de satisfacción de los empleados e identificar las causas que inciden
en su motivación y compromiso con la empresa. El supuesto que subyace es que las personas,
más satisfechas con sus lugares de trabajo, serán capaces de mostrar mayor compromiso y por
lo tanto, esforzarse para lograr mejores resultados.
La aplicación de estas metodologías son mayormente derivadas por las empresas a consultoras
especializadas. Estas, en muchos casos, operan desde una definición propia de lo que es un
buen clima laboral o un buen lugar para trabajar. Tomaremos, a modo de ejemplo, la concepción
que subyace en las definiciones de una de las consultoras de mayor prestigio internacional,
que anualmente publica en cada país un ranking de las 100 mejores empresas, basado en la
aplicación de su propia encuesta de medición del clima laboral.
1. Especialista en Ciencias Sociales y Humanidades Universidad Nacional de Quilmes (Argentina). Consultora independiente. Email: ruthszvarc@gmail.
com

1035 1036
Para esta consultora, los lugares de alta satisfacción son aquellos en los cuales “los colaboradores relación, con el supuesto de que esto generará una mayor identificación, orgullo y pertenencia
confían en las personas en las personas para las cuales trabajan, se sienten orgullosas de lo que con la organización, lo que incrementará la disposición personal para cumplir con los objetivos y
hacen y disfrutan con las personas con las que trabajan” (Levering, 1984). En estos lugares los resultados que la organización se ha propuesto.
managers logran que las personas entreguen lo mejor de sí, trabajando en un ambiente familiar
y de confianza. De este modo, se espera que el manager actúe como mediador en la “empresa – organismo
vivo” (Morgan, 1998), considerando los factores que podrían ayudar a lograr ese clima ideal que
El pilar fundamental para lograr un buen clima es la confianza, que se compone de tres logra satisfacer las necesidades de sus integrantes y los de la organización. Su esfuerzo consiste
elementos: la credibilidad en los jefes, el respeto y la justicia con que los empleados sienten que en lograr el equilibrio, como también en prevenir y contener aquello que podrían contribuir a su
son y esperan tratados. La responsabilidad de construir la confianza es básicamente una función desestabilización.
del jefe: no depende de la empresa ni sus políticas. Para ello, debe poner en práctica a serie de
competencias, que serán evaluadas en la encuesta anual de clima laboral. Como esto depende en gran medida de lo que haga (o no haga) el manager, este ideal funciona
como una orientación que establece las pautas que orientan lo que éste debe hacer para ser
Para lograr esa confianza, es necesario considerar las relaciones de trabajo bajo la modalidad evaluado como un buen jefe por sus colaboradores y también por sus superiores. Su tarea consiste
de “regalo”, - al modo de lo que Marcel Mauss (2009) identificó como un don, un acto social en desarrollar un lugar en el que las personas puedan confiar: la confianza no es algo que forme
que implica acciones, valores y principios jurídicos que se articulan en torno al acto de dar. parte naturalmente de este ecosistema. Se deben poner en juego una serie de competencias para
Se diferencia explícitamente de una concepción mercantilista del trabajo basada en la compra que las personas alcancen un alto nivel de satisfacción medido a través del índice de confianza.
–venta de horas y esfuerzo, a cambio de una remuneración. Por eso los managers deben ser
capaces de distinguir las interacciones meramente transaccionales de aquellas que destacan el Por ello el jefe debe invertir tiempo y esfuerzo en demostrar un interés genuino por el bienestar
valor del trabajo como un regalo o un don. En las primeras la moneda da cambio es el dinero y de sus colaboradores; al mismo tiempo debe manifestar a la empresa su propia implicación
la economía de mercado, mientras que en las segundas prevalece un lazo social que se realiza (Zangaro, 2011) y fidelidad, ayudándola a alcanzar los mejores estándares como lugar para
a partir de reglas implícitas de intercambio y cooperación genuinos, basados en la confianza: trabajar (aun cuando en muchos casos ni las políticas ni las prácticas reales de la empresa
estas implican para el jefe una inversión a largo plazo y suponen dar más de lo que se espera en lo ayuden o acompañen en su emprendimiento). Para él, el logro de un buen clima laboral se
beneficio de la organización. El objetivo es construir y llenar el “depósito de confianza”. transforma en un desafío personal que le permitirá ganar aceptación, continuidad en su puesto,
desarrollo de su carrera laboral y permanencia en la empresa, hasta que cambien las reglas de
Medir el clima laboral ayuda entonces a conocer cuál es, -en un determinado momento-, la juego.
temperatura actual del sistema en relación a la satisfacción / insatisfacción de sus integrantes.
Pero además brinda información acerca de cuán cerca/lejos se encuentra la organización de Esto implica para el manager un doble esfuerzo: se espera que sea capaz de lidiar con las
ese “clima ideal” que es necesario alcanzar (a modo de parámetro), para lograr ser percibido presiones, resolver los conflictos y mediar con los intereses de las partes para alcanzar un clima
como un gran lugar para trabajar: un lugar en el que el depósito de confianza aumenta de manera laboral de alta satisfacción, y al mismo tiempo, entregar los resultados que el negocio espera
constante. de él (por los que también será evaluado). Para ello sus colaboradores, altamente satisfechos,
confiados e implicados con la empresa, - como consecuencia directa del esfuerzo de su jefe para
El papel de los managers: supuestos e impactos que esto suceda-, deben ser capaces de entregar lo mejor de sí mismos.

Bajo el enfoque del trabajo como un regalo/don, las interacciones tienen como meta satisfacer Como resultado final, este esfuerzo se verá reflejado en la empresa (según lo propone la
el deseo personal de dar y servir para alcanzar el bienestar mutuo y el fortalecimiento de la consultora) en mayor rentabilidad, mejores rendimientos financieros, menor rotación de personal

1037 1038
(disminuyendo los costos que ello implica) y un incremento de la lealtad de los clientes. finalidad de ese supuesto ejercicio desinteresado de entrega y don: el de lograr los resultados
de negocio con la mayor eficacia, a través de su esfuerzo por lograr el compromiso de sus
Al analizar la dinámica de este modelo, surgen algunas preguntas: colaboradores.
¿Qué es lo que se pondera desde este modo de ver el trabajo y de medir el clima laboral? ¿Qué
se pone de manifiesto y qué se invisibiliza? Su rol se ve entonces doblemente comprometido: la efectividad de su desempeño será medida
por su capacidad de alcanzar resultados y al mismo tiempo, por el reconocimiento de sus
Podemos encontrar alguna clave revisando los supuestos y hallazgos de la Escuela de las colaboradores como manager inspirador de confianza, capaz de lograr el grado de engagement
Relaciones Humanas, cuando Elton Mayo, entre 1927 y 1932, realizaba sus experimentos de que le permita a la empresa mostrarse ante la sociedad como uno de los mejores lugares para
Hawthorne en la Western Electric Company. El trataba de “recuperar, en el interior del espacio trabajar. En su tarea, también él deberá luchar por mantener su propia estabilidad laboral.
de trabajo, la lógica del mundo doméstico, la lógica de las relaciones de parentesco, de las
relaciones de amistad (Anzoátegui, Chosco Díaz y Szlechter, 2018). A través de su investigación ¿Y cuál es el impacto en los managers?
empírica halló – en forma casual- la clave de lo que más tarde fue fundante para los estudios
sobre la motivación humana en el trabajo: lo que él descubrió es que, cuando las personas se El logro de esta doble exigencia implica para el manager un esfuerzo (muchas veces acompañado
sienten tenidas en cuenta como tales, se las escucha y se las contiene afectivamente, se sienten de un alto nivel de stress), que revela que la confianza y el engagement no son algo que
más motivadas y son capaces de producir más y mejor en su trabajo. Mayo, que sin proponérselo naturalmente se da en las organizaciones empresariales: es necesario trabajar arduamente para
“leía” a la organización como un sistema, va a propiciar con tu teoría la importancia de mantener lograr ese clima ideal, desarrollando ciertas competencias y comportamientos específicos.
la armonía, incorporando los cambios necesarios para lograr mantener su equilibrio. Para ello, las empresas invierten tiempo y dinero en la formación de sus managers, con el
fin de demostrarles y convencerlos de los beneficios de aplicar este modelo y desarrollar las
Si se analiza el modelo de evaluación del clima laboral desde los postulados de Mayo, surge con habilidades necesarias para ponerlo en práctica.
claridad el supuesto de que el rendimiento, la productividad y la rentabilidad, dependerán en gran
medida del grado de satisfacción alcanzado por los empleados. Quienes se sientan mejor serán Como respuesta a estas exigencias, es posible observar que algunos managers adoptan este
capaces de un mejor rendimiento, y por eso la organización – a través de sus managers- debe paradigma, -totalmente creyentes de sus bondades-, sin dejar de reconocer las dificultades de su
procurar la satisfacción de las necesidades de sus colaboradores. Esto supone que el empleado aplicación en un contexto que no siempre posibilita la satisfacción de las necesidades de todos
motivado, va a estar alineado totalmente con los intereses de la organización y que por su propia los actores.
convicción y elección va a “entregar lo mejor de sí” para que la organización logre sus objetivos
(lo que hoy las empresas denominan “engagement”: algo más fuerte aún que el compromiso, Otros, más bien cínicos, no creen en el modelo pero tratan de actuar como si creyeran porque
que forma parte de la literatura managerial y la agenda de preocupaciones empresariales, sobre saben que de ello depende su continuidad laboral y la posibilidad de obtener los beneficios de
todo en la era de los millennials). ¿Y quién es el responsable de que esto suceda?: el manager. una carrera laboral exitosa.

Sin embargo, nada nos dice este modelo acerca de las tensiones, la diversidad de intereses Finalmente, se encuentran aquellos que querrían creer pero encuentran trabas en la realidad
que puede existir entre dueños, managers y empleados: nada nos dice acerca de las relaciones cotidiana que les dificulta poner en práctica las competencias y alcanzar los resultados esperados:
de poder y el grado conflicto que puede darse al interior de estas relaciones. Estas relaciones por un lado se les pide que, para que sus colaboradores se sientan motivados y satisfechos se
quedan invisibilizadas por el vínculo entre jefe y colaborador, tal como lo sostiene Ibarra Colado les permita trabajar con autonomía, desarrollando sus capacidades y dando lo mejor de sí;
(1999). En su accionar, el poder del manager parecería estar al servicio de sus colaboradores, sin embargo, la empresa no está estructuralmente pensada para que ello suceda (porque las
con el fin de lograr su satisfacción y motivación; sin embargo, poco dice acerca de la verdadera prácticas cotidianas contradicen lo que se declaman como comportamientos deseados, porque

1039 1040
las decisiones se toman de manera concentrada y unilateral, porque las políticas de la empresa el bienestar, el respeto, la buena convivencia y el desarrollo de las personas, será necesario
en materia de recursos humanos son restrictivas, porque los juegos de poder internos impiden continuar la búsqueda de la posibilidad real de compatibilizar trabajo – satisfacción, sin negar la
la participación de los empleados en la toma de decisiones, etc). Sienten, y manifiestan una verdadera naturaleza de la relación laboral y los intereses genuinos de las partes, sin ocultar los
gran impotencia, por la imposibilidad de aplicar lo que se predica en las capacitaciones para verdaderos motivos bajo el manto de la confianza.
managers en el ejercicio de su rol, lo cual termina de generar frustración y falta de credibilidad
en el discurso managerial. Referencias

A modo de reflexión final Burchell, Michael y Robin Jennifer. (2011).The Great Workplace. Jossey Bass. San Francisco, CA.

La práctica de medición del clima laboral, habitual en las empresas, responsabiliza a sus Chiavenato, Idalberto. (2000) Administración de recursos humanos. Mc Graw Hill. Colombia.
managers por el logro del compromiso de sus colaboradores, que asumen los objetivos de la
organización como si fueran propios. Esto plantea algunas inquietudes: García Solarte, Mónica. (2009) “Clima Organizacional y su diagnóstico: una aproximación
conceptual”. Cuadernos de Administración [en línea] [Fecha de consulta: 15-02-2018].
-El modo particular de “hacer empresa” aparece muchas veces teñido de un discurso que Disponible en: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=225014900004 ISSN 0120-4645
propone estar al servicio de la felicidad de los empleados, como si ésta fuera la verdadera
finalidad en lugar de la satisfacción de los intereses económicos de la organización. Gareth, Morgan.(1986) Imágenes de la Organización. Editorial Alfaomega. México.

-De algún modo, esto supone una homogeneización de las condiciones de satisfacción, Ibarra Colado, Eduardo (1999) “Los saberes sobre la organización: etapas, enfoques y dilemas”,
suponiendo que son iguales para todos, con iguales expectativas, necesidades e intereses en Castillo Mendoza, Carlos A. (coord.), Economía, organización y trabajo: un enfoque sociológico,
respecto del trabajo. Madrid, Pirámide, pp 95- 154.

-Ese discurso impone a los managers una serie de mandatos sobre su rol, que a través de su Levering, Robert. (1988) Un excelente lugar para trabajar. ¿Qué hace que algunos empleadores
ejercicio disimula la verdadera naturaleza de la relación laboral, compleja y conflictiva, basada sean tan buenos y que muchos sean tan malos? Great Place to Work Institute.
en la diversidad de intereses.
Luci, Florencia. (2016). La era de los managers. Paidós. Buenos Aires.
-Tampoco pone en evidencia cuáles son las necesidades e intereses de los propios managers,
cuyo papel parece estar signado -a modo de apostolado -, a procurar la satisfacción de todos los Maluf, Marcia. (2003) “Reseña de El enigma del don, de Maurice Godelier”, Iconos. Revista
demás actores (dueños, empleados, accionistas, etc), pero no la suya propia. de Ciencias Sociales, mayo, número 016, Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, Sede
Académica de Ecuador, Quito, Ecuador p. 161.
¿Será que el rol de manager es inherente a este modelo? ¿Qué es lo que lleva a la aceptación de
este mandato y el grado de exigencia implícito en él? Szlechter, Diego (coord...) y otros. (2018) Teorías de las organizaciones. Un enfoque crítico,
histórico y situado. Ediciones UNGS, Buenos Aires.
¿Existirá la posibilidad de re -construirlo desde una dinámica diferente?
Zangaro, Marcela. (2011) Subjetividad y trabajo. Una lectura foucaltiana del management.
Bajo la convicción de que siempre es preferible trabajar en ambientes en donde se promueve Herramienta Ediciones. Buenos Aires.

1041 1042
Capítulo 101 En los próximos apartados haremos algunas referencias conceptuales sobre la orientación de
las políticas de empleo. Resumiremos brevemente las medidas adoptadas desde el paradigma
de activación en la provincia de Buenos Aires3, incluyendo los cambios más recientes. Luego
“Vengo a ofrecerles un negocio”: Apropiación del lenguaje empresarial en se analizarán, desde una perspectiva crítica, los discursos de los funcionarios y agentes del
programas de empleo Ministerio de Trabajo provincial siguiendo cuatro ejes: la percepción que la formalidad es
condición para la inclusión social; la polaridad entre empleo y asistencialismo; la evaluación de la
Andrea Suarez Maestre1 gestión gubernamental con criterios manageriales; y finalmente, los razonamientos económicos
que suponen estos programas. Al finalizar se esbozará una reflexión final sobre estas estrategias
de adaptación y orientación empresarial en las acciones del Estado para reducir el desempleo.
1. Presentación
2. Acerca De Las Políticas Activas De Empleo
Este trabajo se propone analizar y reflexionar acerca de referencias al discurso managerial
identificadas en las estrategias adoptadas por los actores gubernamentales responsables de la En la literatura encontramos cierto consenso en considerar como políticas activas de empleo
implementación de programas de empleo en la provincia de Buenos Aires (Argentina) entre 2000 a aquellas medidas que se proponen reducir el nivel de desempleo, actuando en la oferta o
y 2015. Forma parte de un estudio sobre los subsidios al empleo privado, que está realizando la demanda de fuerza de trabajo (Neffa, 2011), desde una perspectiva de largo plazo (Gautié,
autora para la tesis doctoral en Ciencias de la Administración en la Universidad Nacional de La 2009) e incentivando a la “activación” de las personas desocupadas a reinsertarse en el
Plata. Este paper sigue el enfoque cualitativo de investigación, mediante el análisis de contenido mercado laboral (Freyssinet, 2007). Según la extendida clasificación de la OCDE, dentro de
de entrevistas2 realizadas a agentes y funcionarios del Ministerio de Trabajo de la provincia de este grupo se encuentran los servicios públicos de empleo, los programas de formación para el
Buenos Aires (MTPBA) que participaron en la gestión de: trabajo, las medidas focalizadas para promover la inserción de jóvenes vulnerables o personas
con discapacidad (PCD), y la creación directa de empleo a través con subvenciones y apoyo a los
• Programas Bonus y Segunda Oportunidad (BySO), ejecutados entre 2000 y 2009, que emprendimientos (Martin y Grubb, 2001; Samaniego, 2002).
consistían en becas para la capacitación en el puesto de trabajo;
Por otro lado, las políticas pasivas actúan principalmente sobre la oferta de fuerza de trabajo,
• Programa de Actividades Laborales de Autoempleo y Subsistencia (ALAS), vigente desde el para atender problemas coyunturales del mercado de trabajo (Gautié, 2009). Para contener
2007 al presente, para la formalización impositiva de microemprendimientos; el desempleo se proporcionan seguros al desempleo, transferencias directas de ingreso o
pensiones por retiros voluntarios (Neffa, 2011).
• Plan de promoción, preservación y regularización del empleo de la provincia de Buenos Aires
(PRE.BA) que tuvo su mayor alcance entre 2009 y 2015, comprendiendo distintas modalidades El paradigma de activación asume que los gobiernos deben implementar acciones para que la
de subsidios sobre el salario de puestos creados, registrados o preservados (en situación de población comprendida dentro de las políticas pasivas se reinserte al mercado de trabajo. Los dos
crisis) por la empresa. modelos más relevantes son, por un lado el workfare, que propone ir quitando paulatinamente las
prestaciones dinerarias, incentivando así a que las personas busquen activamente una ocupación
1. Facultad de Ciencias Económicas (UNLP) | Instituto de Ciencias Sociales y Administración (UNAJ). Email: andrea.suarezmaestre@econo.unlp.edu.ar
(Freyssinet, 2007); por otro lado el welfare plantea la aplicación de programas dirigidos a la
2. Se analizaron un total de 14 entrevistas realizadas en 2015 al personal jerárquico, técnico y profesional involucrado en la ejecución de programas población desocupada que ayuden a ésta a adaptarse a los requerimientos y exigencias del
de empleo (Suarez Maestre, 2017b). Dicha información se complementó y actualizó con 25 instrumentos normativos y otras fuentes documentales
como gacetillas de prensa y páginas web institucionales. Para mayores detalles sobre los aspectos metodológicos puede consultarse a la autora por 3. La relevancia de esta jurisdicción para la República Argentina se refleja en estos indicadores: allí reside el 40% de la población del país y genera
correo electrónico. aproximadamente el 40% del Producto Bruto Nacional.

1043 1044
mercado de trabajo y con ello aumenten su posibilidades de encontrar un empleo, es decir el año 2000, intentaron reemplazarlos con los nuevos Bonus y Segunda Oportunidad (BySO),
mejoren su empleabilidad (Pérez y Brown, 2014). destinados a jóvenes y mayores de 45 años desocupados respectivamente, y que consistían en
becas de capacitación en el puesto de trabajo en empresas privadas.
Desde los enfoques neoliberales sobre el funcionamiento de los mercados de trabajo, el concepto
de empleabilidad refiere a la capacidad de las personas a formar parte de una relación de Estos programas estuvieron vigentes hasta finales del año 2008, cuando fueron reemplazados
intercambio (Spinosa, 2007), siendo las personas más empleables aquellas cuyas características, por el Plan de promoción, preservación y regularización del empleo de la provincia de Buenos
siempre individuales, agregan valor al proceso de trabajo. Las personas desocupadas, en ese Aires (PRE.BA). En sus distintas modalidades subsidiaba una parte del salario de cada trabajador
sentido, serían menos empleables y por ello requieren de políticas activas, dando por sentado contratado legalmente o formalizado por la empresa, con el compromiso de mantener la relación
que los mercados de trabajo asignan en forma eficiente los niveles de ocupación. Neffa (2011) laboral por cierto plazo luego de finalizado el beneficio.
también considera políticas de tipo neoclásico a aquellas que proponen flexibilizar los costos y
las formas de contratación para estimular la demanda laboral. El cambio de paradigma implicó incorporar un nuevo actor en estas políticas, particularmente en
los programas de inserción laboral en el sector privado: las personas encargadas de gestionarlos
3. Políticas Activas De Empleo En La Provincia De Buenos Aires tenían una trayectoria de vínculos institucionales con municipios y organizaciones sociales pero
no con el sector empresario. Cuando el MTPBA comenzó a convocar a empresas y cámaras
En Argentina, tras una década de programas de transferencias condicionadas de ingresos, la empresariales, surgieron resistencias fundadas en el doble rol del organismo: mientras el área
agenda política incorporó el cambio de tendencia en las políticas de empleo en favor de las de empleo proponía a los empresarios adherir a los programas, otras áreas debían fiscalizar
políticas activas (Brown, Cienfuegos F. y Vera M., 2013; Neffa, 2012). Con la salida de la y controlar el cumplimiento de las normas sobre las condiciones de trabajo. Finalmente, cabe
convertibilidad, luego de la crisis del año 2001 que mostró sus consecuencias hasta principios destacar que el total de becas y subvenciones otorgadas por BySO y PRE.BA, entre 2000 y
de 2003, desde la opinión pública se comenzaron a cuestionar la administración masiva de 2015, fue cercano a 67 mil, con oscilaciones según la coyuntura económica (Suarez Maestre,
programas de transferencias de ingresos que se habían inaugurado en la década del ’90 y que 2017b).
en plena emergencia posibilitaba la subsistencia de los grupos más afectados. Pero en el nuevo
contexto, estos “planes sociales” eran acusados de desincentivar a las personas a buscar Asimismo, desde el año 2007, el MTPBA es responsable de la implementación de la Ley
empleo, causando la pérdida de la “cultura del trabajo” (Assusa y Brandan Z., 2014). Uno de los provincial 13.136 (ALAS)5, por la cual se acompaña a microemprendedores con capacitación y
más cuestionados fue el Plan Jefes y Jefas de Hogar Desocupados, que con la nueva orientación exenciones impositivas en la provincia y municipios adheridos. La Ley tenía como condición que
fue migrando a dispositivos de activación para la formación laboral y la creación de puestos de el destinatario estuviera inscripto previamente en el régimen de Monotributo Social, modalidad
trabajo (Seguro de Capacitación y Empleo en 2004; Programa de Inserción Laboral desde 2006; simplificada de los tributos nacionales, con aportes a la seguridad social y cobertura de salud.
el Programa Jóvenes con más y mejor Trabajo en 2008) y otros de desarrollo local y la economía
social (Neffa, Brown y López, 2012). En diciembre de 2015 se produce un nuevo cambio de gestión a nivel nacional y provincial. El
MTPBA incorporó dos nuevos dispositivos para la intermediación laboral: el Portal de Empleo, y
Paralelamente a estos cambios en las políticas nacionales, en la provincia de Buenos Aires el Instituto Provincial de Formación Laboral6 en 2018. El PRE.BA se ejecutó residualmente hasta
también se hicieron modificaciones para orientar a las personas que percibían las transferencias mediados de 2017, mientras ALAS y el Servicio de Colocación Laboral Selectiva -SeCLaS (para
condicionadas de ingresos hacia programas de “empleo genuino” (Suarez Maestre, y Neffa, PCD) continúan vigentes.
2014). El más cuestionado fue el Barrios Bonaerenses (informalmente llamado Barrios) por su mínimos.
vinculación con agrupaciones sociales y políticas4. Por ello, al asumir nuevas autoridades en 5. También involucra al Ministerio de Desarrollo Social provincial, responsable de programas para la economía social. Una síntesis de los programas de
empleo provinciales puede consultarse en Suarez Maestre (2017a).
4. Al cierre de este documento, los programas siguen administrándose en forma residual, en acuerdo con agrupaciones sociales puntuales y con montos 6. Anteriormente, las políticas de formación profesional eran competencia exclusiva de la Dirección General de Cultura y Educación.

1045 1046
4. La Lógica Empresarial En El Discurso De Los Actores Gubernamentales. En línea con lo anterior, el paradigma de activación supone que la inclusión social se logra a
través del empleo genuino, mientras la política asistencial reproduce la pobreza. Con esa idea, se
En esta sección analizaremos los discursos de los funcionarios y agentes gubernamentales reemplazó el programa Barrios con los BySO:
en relación a la orientación de las políticas de empleo y a las estrategias adoptadas en la
implementación de estos programas para captar la atención de los empleadores, apartarse del • “reconversión de planes a empleo genuino, esa fue la gran premisa” (E1),
rol fiscalizador del Ministerio de Trabajo, y promover el empleo registrado y la economía formal. • “los programas eran totalmente diferentes, uno apuntaba al empleo transitorio [Barrios] y el
Organizado en 4 ejes expondremos sobre la adopción de una lógica de mercado y la incorporación otro a un empleo genuino [BySO]” (E6),
de lenguaje managerial en los relatos de nuestros entrevistados. • “los planes que existían eran todos asistenciales, entonces nosotros queríamos cambiar a un
plan de inserción laboral” (E10).
4.1. Formalizar para incluir
También en ALAS se ponía de relieve este supuesto: “el municipio, de esa manera, cuanto más
El tema la informalidad laboral fue de gran importancia en la agenda nacional y provincial a partir pequeños emprendedores tenga, menor carga tiene de asistencia social obligatoria” (E12)
de 2007, luego que la recuperación del empleo permitiera preocuparse por las condiciones Las políticas comprendidas dentro del paradigma de activación están basadas y justificadas en
de trabajo. En los diferentes diseños de los programas, el objetivo último era que la persona la ideología neoliberal (Brown, 2016). Su función es promover que las personas accedan ya sea
desocupada obtuviera un empleo registrado y goce de los plenos derechos laborales. al mercado de trabajo o al de bienes y servicios, asumiendo que, a partir de allí, el liberalismo
democrático del mercado brindará la mejor solución para todos (Parker, 2002).
Los entrevistados dan cuenta de esta exigencia en el BySO “al final de la capacitación tiene que
quedar incorporado en el mercado laboral formal en el sector privado” (E10), y con el PRE.BA: 4.3. Eficiencia en la gestión
“se bajó la línea: hay que generar un programa de inclusión” (E1), “había que concientizar a las
empresas que tenían que registrar” (E2). Para una mujer emprendedora registrada en ALAS, En las diversas entrevistas, las personas utilizaron expresiones vinculadas al management para
hacer factura, es decir emitir el comprobante fiscal de la venta, representaba “estar incluido en evaluar el alcance de los programas. Un funcionario se preguntaba: “Cómo hacerlos [BySO]
un sistema” (E12), ser parte de una cadena de valor y del sistema financiero: “obtener, estando para que sea un medio para que consiga empleo en el sector privado, o sea hacerlo lo más eficaz
con toda la documentación en regla, también pequeños créditos para PyMEs” (E12). Asimismo posible” (E10). Otra persona manifestaba, refiriéndose a ALAS, que los empleados “la veían un
un entrevistado plantea la cuestión ética: “Se da moralmente esta situación: soy buenito, voy poco ineficaz” (E12) porque sólo había tenido 30 inscripciones en el primer año de su ejecución.
a misa, a la iglesia, a la sinagoga, a la mezquita, lo que sea, y después tengo trabajadores no En otra entrevista se advertía que un gran alcance dificultaba el seguimiento “porque lo masivo
registrados ¿es una contradicción o no?” (E13). te saca la calidad” (E9). Otro pedía “tener una estructura más eficiente” (E14).

Entonces, la formalidad resulta una condición para la inclusión ya que se relaciona con los En el management la eficacia se refiere al logro de una meta, es decir que un programa será
procesos identitarios y de pertenencia social, para formar parte de ‘un gran nosotros’ (Rivera- eficaz si cumple con el objetivo enunciado en su diseño. Si ello además, se logra con mínimos
Aguilera, 2016). Al participar del sector formal de la economía, la persona, a través de su recursos, entonces se habla de eficiencia. La calidad es otro de los criterios de evaluación
trabajo, se revaloriza -un valor que asigna el mercado-, accede a la protección social y también migrados de la gestión empresarial al ámbito gubernamental. Desde una mirada crítica del
al progreso económico, distanciándola de la condición de vulnerable. management se lo entiende como tecnología de control, que supone que las personas, las cosas
y las organizaciones funcionarán según lo esperado, liberándonos del caos y la ineficiencia
4.2. Empleo versus asistencialismo (Parker, 2002). En su aplicación al ámbito público, con la Nueva Gestión Pública, la eficiencia

1047 1048
se logra separando la administración de la política, es decir cumpliendo las normas y eliminando empleo ya mencionada (Rivera-Aguilera, 2016).
cualquier discrecionalidad (Cunill Grau, 2004). Si bien entendemos que las personas no hacían
alusión a indicadores, estándares o metas de presupuesto, el uso de estas expresiones dan una 5. Reflexiones Finales
idea de transparencia, señalando la diferencia entre la nueva orientación de los programas
respecto sus antecesores, de corte asistencial. El objetivo de este trabajo fue analizar las referencias al discurso managerial identificadas en los
relatos de actores participantes en la implementación de programas de empleo en la provincia
4.4. Negocios son negocios de Buenos Aires.
En relación a los lazos del MTPBA con el sector empresario se observa que las estrategias
comunicacionales realzan la dimensión económica en la adhesión a los programas: “en general el En los primeros años de la posconvertibilidad los programas nacionales y provinciales se
costo es un elemento que actúa como incentivo para que los usen [BySO] (…) había que entender reorientaron bajo el paradigma de activación de las políticas de empleo. En este trabajo nos hemos
un poco la lógica del empresario” (E10). También con el PRE.BA aparece esta cuestión: “tenía centrado en tres programas ejecutados desde el MTPBA entre 2000 y 2015. Los BySO eran
que facilitarle al empleador tomar gente y que no sea tan oneroso” (E11). También la registración becas de formación en puestos de trabajo del sector privado. En 2008 fueron reemplazados por
en ALAS se realza como una oportunidad de obtención de mayores beneficios económicos: “Al el PRE.BA que, en sus distintas modalidades, subsidiaba un porcentaje del salario de trabajadores
hacer factura, esto ¿qué le permite a la gente?: Ampliar su campo de colocación del producto” registrados. Ambos programas se proponían mejorar la empleabilidad, mediante la reducción del
(E12). costo de contratación de personas desocupadas. En la misma línea, desde 2007, ALAS promovió
el autoempleo como alternativa al desempleo, y la formalización de microemprendedores como
Pero también se observa que este lenguaje representa el modo en que se piensa la gestión potenciales empleadores: “con una familia que tenga un emprendimiento y logre tener un
gubernamental: empleado, uno solo, bajaba absolutamente el desempleo” (E12).

“A los empresarios podés hablarle de mil problemas o situaciones, pero las palabras En apretada síntesis, identificamos en los discursos de los agentes y funcionarios entrevistados
claves son decirles “vengo a ofrecerles un negocio”. El negocio para el empresario es cuatro ideas fundamentales. La primera es que sólo quienes participan en la economía formal
ahorrarse plata. Para la persona que está buscando trabajo su negocio es tener un puesto están incluidos socialmente. Segundo, la política pública debe orientarse hacia el empleo, porque
de trabajo para sostener a su familia y para el Estado es cumplir su función y propiciar el éste es el que garantiza la protección social. Tercero, la gestión de estas políticas debe ser
bien común, etc.” (E13). eficiente como propone la Nueva Gestión Pública. Por último, en estos programas subyace un
interés económico.
En este extracto puede advertirse que se equiparan los intereses empresariales a la necesidad
de quien busca un empleo y al rol del Estado como intermediario en el mercado de trabajo, con Para finalizar, consideramos que la reorientación de las políticas de empleo responde a una lógica
la idea obtención de algún beneficio económico. de mercado y la adopción de un lenguaje managerial en la gestión gubernamental, da cuenta de
una funcionalidad del Estado a los intereses del sector privado. El management ha penetrado en
También encontramos otros ejemplos de incorporación de un lenguaje propio del management diversas escenas de la vida cotidiana, basándose y reforzando sus supuestos sobre el control
refiriéndose a la difusión de los PRE.BA en términos de su comercialización: “A partir ahora, la social y el progreso. Por ello, esperamos que este documento sea un aporte a desenmascararlo y
idea es venderlo un poco más” (E1). reconocerlo detrás de la colonización de las formas del lenguaje (Parker, 2002).

Entendemos, siguiendo la perspectiva de los Estudios Críticos sobre el Management, que la 6. Referencias
incorporación de este lenguaje da cuenta de la orientación neoliberal de las políticas activas de

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1051 1052
Capítulo 102 también su rol en el mercado laboral y los fundamentos de sus prácticas.

No obstante lo anterior, y a diferencia de otras organizaciones que participan del proceso de


Expertise, contactos, status y secreto: una mirada a la industria de Head Hunters managerialización de la sociedad, como pueden ser empresas consultoras de gestión o recursos
en Chile humanos (Armbrüster, 2010; Willman, 2014), las empresas de head hunters en Chile pueden
caracterizarse por una ambigua relación entre búsqueda de prestigio y status, y por otra parte,
Javier Hernández Aracena1 una cierta discreción y anonimato que les permita acercarse a sus potenciales adquisiciones
sin que ello levante sospechas en el mercado. La industria se articula en base a una visibilidad
selectiva que apela tanto a factores de distinción técnica como sociocultural, lo que en alguna
El presente artículo se enmarca en un proyecto que busca analizar cómo los procesos de medida le permite contar con un espacio de libertad moral que no tendrían los agentes insertos
reclutamiento y selección tienen un rol en la configuración de estructuras sociales desiguales. en los mercados, por ejemplo, a la hora de aproximarse a alguien que tiene un vínculo contractual
En ese contexto, el objetivo de este artículo es comprender un ámbito específico de los procesos con un competidor (Konecki, 1999).
de magerialización de la sociedad (Klikauer, 2013), esto es, como se constituyen grupos
y entidades socialmente legitimados como expertos (Abbott, 1988; Babb, 2004) y cuyos Las ciencias sociales han analizado el fenómeno de la distribución desigual de oportunidades y
resultados y decisiones tienen consecuencias sociales significativas, como es el caso específico salarios desde el punto de vista de sus resultados (Agostini, 2010; Allen & Van der Velden, 2001;
de las empresas de headhunters. En base a una encuesta y a entrevistas en profundidad se Nuñez & Gutierrez, 2004) o en el contexto de atribuciones culturales (Pager & Shepherd, 2008).
describen y analizan estas organizaciones, que se caracterizan por ser empresas especializadas En este sentido, hay mucha información respecto de cómo ciertos elementos adscriptivos, tales
en el reclutamiento de empleados altamente calificados para posiciones relevantes dentro de como el apellido, el colegio de procedencia y las redes familiares, explican el acceso a posiciones
otras empresas (Coverdill & Finlay, 1998). De este modo, lo que venden estas organizaciones y salarios, explicando una estructura de ingresos y recursos altamente concentrada en el caso
es la supuesta experiencia y especialización de sus empleados en materia de reclutamiento y de Chile; y por otra parte, también se observa cómo ciertos grupos (mujeres, pueblos originarios,
selección de recursos humanos, y por otra parte, un conocimiento o mapeo de las personas que minorías étnicas, minorías sexuales y personas provenientes de sectores populares) tienen bajas
ocupan posiciones relevantes en empresas del rubro de sus clientes o de rubros relacionados. probabilidades de acceder a las posiciones centrales y/o de mayor prestigio y remuneración
Esto último implica que sus profesionales también basan su trabajo en extensas redes de (Grusky, 2000; McDowel & Court, 1994; Nuñez & Perez, 2007). Sin embargo, aún falta
conocidos y/o referidos y que por tanto muchas veces ellos comparten un origen social con ellos. analizar cómo estos elementos se articulan en base a lógicas organizacionales e institucionales
De este modo, un primer punto de observación de este artículo tiene que ver con la constitución concretas (Rivera, 2012). Lo que se propone es que los aspectos de distribución desigual,
interna de las empresas de head hunters y de cómo desarrollan su trabajo y sus productos. reproducción social y discriminación siempre se basan en decisiones, políticas, mecanismos
y procesos organizacionales, y en particular, se expresan en los procesos de reclutamiento,
La encuesta del proyecto ha permitido observar una división del trabajo en el ámbito general de la selección, promoción y asignación de personal (Baron, Davis-Blake, & Bielby, 1986). De esta
industria de consultoría de recursos humanos y el rol que comienzan a desempeñar las empresas manera se busca comprender uno de los mecanismos explicativos de la desigualdad social, que
de head hunting en el contexto del mercado laboral chileno. De igual modo, releva el rol de tiene incidencia en los salarios, en el acceso a altos cargos, en las oportunidades laborales y en
ciertos tipos de conocimiento en los procesos de legitimación e institucionalización de prácticas la coherencia entre expectativas profesionales y trayectoria laboral y que se encuentra arraigado
y empresas de reclutamiento. Por otra parte, se entrevistaron tanto personas de la industria en la creencia en una administración eficiente y científicamente fundamentada.
de los head hunters como de otras organizaciones especializadas en reclutamiento y selección
con la finalidad de entender tanto los procedimientos seguidos por estas organizaciones como La reflexión sobre el managerialismo propuesto en este estudio se basa en la sociología del
1. Departamento de Sociología y Ciencia Política, Universidad Católica de Temuco. Email: jhernandez@uct.cl
conocimiento, y a partir de ahí respecto de cómo ciertas prácticas profesionales u ocupacionales

1053 1054
no solamente legitiman el papel de ciertas personas al interior de las organizaciones sino también se conocía”, hoy se articula como un componente de una creciente complejización de la
permite suspender la incertidumbre y complejidad, sin que ello necesariamente implique que economía y una también creciente sofisticación en los mecanismos y prácticas que explican la
se tomen mejores decisiones (Abbott, 1988; Michel & Wortham, 2009).En ese sentido, se alta persistencia de la reproducción de la elite (Ossandón, 2013). De esta manera, se propone
observa una confluencia entre el discurso managerialista que se observa en el ámbito público y que estas organizaciones forman un dispositivo (Beunza & Garud, 2007; McFall, 2009) tanto
tecnocrático con prácticas concretas que legitiman el saber y proceder profesional de personas y conceptual como práctico para la reproducción social (Bourdieu & Passeron, 1990; Peltonen,
organizaciones, en el entendido que apelan a la racionalidad, a la toma de decisiones informadas 2013), que recurre tanto a la legitimidad del conocimiento técnico como al anonimato para
y con la expectativa de poder anticipar resultados, reducir incertidumbre y en último término permanecer lejos del escrutinio social. Así se observa el rol legitimador del conocimiento en el
garantizar la eficiencia y eficacia económica (Fourcade & Babb, 2002; Shepherd, 2017). reclutamiento y selección de persona, las lógicas de grupo cerrado o inner circle que subyace a
esta industria en Chile y cómo estos juegan un rol, finalmente, en la actual distribución salarial
En el caso específico de la industria de la búsqueda de ejecutivos se ha observado que a nivel y de posiciones de prestigio y alto status en cada sociedad, y particularmente en la chilena. En
discursivo se conjugan aspectos técnicos, morales y conceptuales (Peltonen, 2013). Por otra este sentido, las empresas de head hunters han aparecido en distintos momentos, incluso en el
parte, se busca analizar desde una perspectiva organizacional la constitución de un mercado ámbito público, como garantía de toma de decisiones basadas en criterios técnicos y eficientes,
de organizaciones que aprovechan sus conexiones y una supuesta expertise para cumplir un rol sin dar a conocer los procedimientos, pasos y agentes involucrados en sus servicios y resultados.
central en la intermediación de los mercados (Gërxhani & Koster, 2015; Willman, 2014). En
este sentido, la sociología económica se ha centrado en entender los mercados y sus estructuras De este modo, se presenta un caso de managerialismo que impone criterios tenidos por técnicos
desde las organizaciones que forman parte directamente en cada mercado, como son las que en la toma de decisiones organizacionales acerca de su propia composición, pero al mismo
proveen concretamente los bienes y servicios como oferentes y que definen un mercado tiempo legitima el actuar de estas propias organizaciones suspendiendo la reflexión acerca de
particular (Granovetter & McGuire, 1998; Lorenc, 2010; White, 2002). Sin embargo, tanto los efectos sociales de estas decisiones.
en las decisiones, transacciones y en el comportamiento de estas organizaciones, intervienen
otras que de alguna manera configuran los cursos de acción de las organizaciones y participan Referencias
de la estructuración general de los mercados. Ello es particularmente interesante en el caso
de organizaciones que ofrecen servicios en base a supuestos conocimientos especializados, lo Abbott, A. (1988). The System of Professions: An Essay on the Division of Expert Labor. Chicago:
que puede llegar a hacer, en base a la teoría de la performatividad (MacKenzie, 2007), que el University of Chicago Press.
mercado se comporte de un modo muy similar a lo que señalan los marcos conceptuales que
buscan interpretarlos. Agostini, C. (2010). Pobreza, desigualdad y segregación en la Región Metropolitana. Estudios
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En definitiva, este artículo estudia la relación entre conocimiento de Management (Ramos, 2013;
Schneidhofer, Latzke, & Mayrhofer, 2015), en este caso de recursos humanos , conexiones y Aguilar, O. (2011). Dinero, educación y moral: el cierre social de la elite tradicional chilena. En A.
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1678.
Em decorrência de sua ênfase na competição, outra característica dessas teorias é desconsiderar
Solimano, A. (2012). Chile and the Neoliberal Trap: The New Elites of the Super-Rich, Oligopolistic as ações colaborativas que emergem num contexto onde vários atores envolvidos têm interesses
Markets, and Dual Production Structures. Cambridge UK: Cambridge University Press. comuns ou complementares. Quando as estratégias previstas são todas competitivas, essa
faceta da questão fica sem explicação conveniente (Granovetter, 2001).
White, H. (2002). Markets from Networks: Socioeconomic Models of Production. Princeton, N.J:
Princeton University Press. Ainda outro tipo de restrição por parte destas teorias é o entendimento de que as ações
empresariais são sempre intencionais e racionais, o que não abre espaço para as ações que são
Willman, P. (2014). Understanding Management: The Social Sciences Foundations. Oxford UK: o resultado da incompreensão, do acaso, da imitação, do impulso. Ou seja, nesta ótica as ações
Oxford University Press. são sempre percebidas como planejadas e avaliadas (DiMaggio e Powell, 1991).

Outro aspecto passível de discussão em relação aos modelos gerencialistas está relacionado
ao entendimento de que cada um dos atores envolvidos têm um interesse único. Empresas
1. Universidade Paulista, São Paulo. Email: arnaldoryn@gmail.com
2. Universidade Paulista, São Paulo. Email: estevamfreitas@bol.com.br
3. Universidade Paulista, São Paulo. Email: graca.lia61@gmail.com

1059 1060
que visam apenas avançar sobre os concorrentes no mercado, aumentar seu faturamento, seu Esta teoria, novamente, foi desenvolvida com um enfoque a partir da empresa individual em
lucro é apenas o exemplo mais patente. No entanto, empresas da área da saúde têm também direção a seus stakeholders. A sua capacidade de obter vantagens em relação a seus concorrentes
preocupações concomitantes com a qualidade do atendimento médico, que por vezes conflitam será função da resposta mais (ou menos) adequada em relação aos stakeholders. As condições
com os propósitos econômicos. Essas múltiplas preocupações é que fazem com que a ação institucionais como leis, normas profissionais ou hábitos são encaradas como restrições trazidas
empresarial nem sempre resulte em otimização de resultados (Thornton & Ocasio, 2008). pelos stakeholders, que a empresa deve ser capaz de responder adequadamente. Esse tipo de
prescrição sugere um conjunto de relações unívocas com os stakeholders, sem considerar os
A teoria dos custos de transação é uma teoria de base econômica, no entanto seu foco é no interrelacionamentos e, portanto, possíveis influências combinadas e colaborações. O gestor na
desempenho organizacional, onde a preocupação é o oportunismo e a racionalidade limitada dos teoria dos stakeholders tem uma orientação de como agir e portanto ele o fará racionalmente, o
agentes, o que pode gerar custos elevados de transação, levando a empresa a um desempenho que desconsidera as ações não-intencionais, o acaso, a imitação. E, nesta teoria, é clara a ideia
indesejado. A hierarquização das atividades econômicas ou uma adequada negociação contratual de que o gestor está orientado pela demanda do stakeholder caso a caso, que as influências que
podem ser soluções para resolver os problemas detetados pela teoria (Williamson, 1981). provenham de outra parte deverão ser pesadas para decidir por sua priorização, cabendo ao
gestor a decisão final.
Essa teoria confirma o conceito do enfoque individual quando sugere ou a internalização das
atividades, ou a amarração contratual em relações que possam resguardar a empresa de A Visão Baseada em Recursos (RBV) estipula que recursos estratégicos são distribuídos
incertezas. Nessas condições, a capacidade competitiva é incrementada, aumentando as chances heterogeneamente entre as empresas e que são estáveis ao longo do tempo. Decorre daí que
de uma empresa em relação a suas concorrentes. As condições institucionais existentes na a vantagem competitiva pode ser alcançada em função dessa diferença. A teoria menciona
sociedade, como leis bem redigidas, judiciário ágil, polícia eficiente, sugerem custos reduzidos, especificamente os recursos difíceis de serem imitados ou reproduzidos. Essa teoria entende
algo que é encarado para benefício individual. Entretanto, a teoria não enxerga as empresas e que outras teorias organizacionais pecam quando consideram que os concorrentes de um mesmo
indivíduos como agentes influentes na definição institucional, mas apenas como receptivos. É setor econômico possuem idênticos recursos estrategicamente relevantes e que, mesmo quando
neste espírito também que a teoria considera a colaboração, como uma forma de operar em há diferenças, estes podem ser adquiridos no mercado (Barney, 1991).
conjunto com outra empresa sob o resguardo de um contrato, o que impede reconhecer as
colaborações que surjam espontaneamente ou emergencialmente. Esse é precisamente outro Mais uma vez, a teoria parte do enfoque da empresa individual em competição com outras do
aspecto que a teoria não explica, as ações que não são planejadas, já que fala explicitamente mesmo setor e, nesse caso, como a ênfase está nos recursos próprios, ela descarta a análise da
em contratos bem amarrados para contornar incertezas. E, o fato de enfocar exclusivamente colaboração interorganizacional. A teoria tampouco parece dar grande importância às condições
a redução dos custos de transação, deixa claro que o entendimento da teoria é que o agente institucionais, uma vez que seu desempenho é sobretudo função de suas próprias condições. A
econômico tem uma única perspectiva a orientar sua ação. orientação mesma da teoria já aponta para um gestor racional, que deve somente enfocar os
recursos únicos para obter resultados.
A teoria dos stakeholders dirige seu foco para a interdependência que a corporação moderna
estabelece com uma variedade de grupos, em relação aos quais ela tem um envolvimento especial, Este artigo busca mostrar que a saúde privada requer uma abordagem teórica específica para
como funcionários, clientes, fornecedores, dentre outros. Dessa forma, a teoria fala em levar em sua análise que possa superar as questões enumeradas para melhor explicar o comportamento
consideração os interesses de cada grupo em relação à corporação e atendê-los dentro das de todas as organizações participantes neste campo. O estudo apresenta uma abordagem que
prioridades estabelecidas (Donaldson, 1995). Seu desempenho irá depender de sua capacidade utiliza a contribuição do institucionalismo sociológico (Thornton & Ocasio, 2008; Greenwood
em reconhecer os stakeholders mais relevantes e conseguir responder adequadamente a suas et al., 2011; Goodrick e Reay, 2011), que tem a intenção de explorar melhor as deficiências
demandas. apontadas anteriormente.

1061 1062
Essa abordagem teórica, resumidamente, fala que um contexto institucional é composto Assim, essas definições têm uma permanência que por vezes é curta, uma vez que os envolvidos
normalmente de uma multiplicidade de lógicas, que tendem a competir entre si pela definição buscam alterar o modo como os processos são feitos e os conteúdos estabelecidos, com o fim
das práticas, regras, entendimentos e valores que irão orientar os participantes daquele de favorecer seus pontos de vista. Ao mesmo tempo, todos os envolvidos agem incentivados por
contexto em determinado momento ou evento. Essa competição pode ser definida de diferentes distintas motivações: a preocupação profissional, o interesse pelo ganho e lucro, a preocupação
formas, como negociações ou por disputa, que irá resultar numa lógica orientadora. De modo pública do bem-estar, sustentabilidade, redução de desperdício, entre outras. Nem sempre é
geral, os participantes tendem a seguir as indicações dessa lógica prevalecente, por receio de possível levar em conta todas essas motivações, o que pode prejudicar a percepção dos outros
deslegitimação e sanções, o que não os impede de, em determinadas circunstâncias, buscarem envolvidos a respeito da forma com que um destes participantes do campo age. Por exemplo,
evadir-se dessas indicações para procurarem agir de outra forma. quando a agência reguladora cede a argumentos médicos por um novo procedimento a ser
oferecido aos beneficiários, os planos de saúde criticam sua atuação e, muitas vezes, acusam-na
O caso da saúde privada de descuidar da sustentabilidade econômica do setor.

A regulação na saúde privada em vários países, dentre eles o Brasil, deve definir questões tais A pesquisa a respeito da regulamentação da inserção de novos procedimentos médicos ao rol
como quais os procedimentos médicos e medicamentos que as empresas de planos de saúde de procedimentos médicos indicado pela agência reguladora no Brasil permitiu perceber que
devem oferecer a seus beneficiários, os reajustes anuais de mensalidade para algumas das empresas de planos de saúde e suas associações, médicos e suas associações, provedores
modalidades de planos, a forma de atendimento dos beneficiários, dentre outras. diversos, como hospitais, clínicas, laboratórios, tratamentos especializados, beneficiários-
clientes, associações de defesa do consumidor, judiciário, legislativo, mídia e ainda outros
A gestão das empresas de planos privados, e das organizações da sociedade, como associações envolvidos, disputam palmo a palmo a definição de cada item inserido a essa lista ao longo do
médicas, organizações de defesa do consumidor e outras, sofrem portanto uma grande influência período de dois anos entre cada normatização. A declaração do Presidente da FenaSaúde é um
das normas que são baixadas pela agência reguladora desse setor, a Agência Nacional de Saúde exemplo:
Suplementar-ANS, que é uma autarquia federal autônoma, porém subordinada ao ministério da
Saúde. A essas questões (sustentabilidade do sistema, estabilidade das regras e informações
acerca do funcionamento do sistema), soma-se ainda o fator desperdício. Na medida em
A definição dos conteúdos dessas normas e diretrizes de funcionamento não é um processo que nosso sistema atual de saúde suplementar é ancorado na remuneração por quantidade,
pacífico, onde a agência reguladora é a única a decidir. Cada uma das normas e diretrizes é em que médicos, hospitais e clínicas são remunerados por volume de atendimento, temos
debatida extensamente, seja em fóruns formais ou informais, sendo que o número de participantes historicamente um aumento de custos gerado pela maior quantidade e frequência nos
interessados nesses temas é bastante grande. Em entrevistas com executivos do campo, há atendimentos... De outro lado, já temos procurado sensibilizar os prestadores de serviços
discordância sobre o tema. A maioria aponta que atualmente existe uma maior discussão, mas e a própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para que ajudem o setor a fazer
que a ANS não ouve as sugestões dos demais atores. a mudança do modelo de pagamento por quantidade para um baseado no valor do serviço
para o paciente.
É possível inferir o interesse envolvido nessas questões quando se examina o número de ações
judiciais impetradas contra os planos de saúde, as reclamações junto à agência reguladora e Os profissionais médicos têm a preocupação de não errar seus diagnósticos, e assim tendem a
órgãos de defesa do consumidor, o noticiário da mídia a respeito das mudanças da lei ou de pedir exames excessivos e desnecessários, de acordo com as operadoras de saúde. Um órgão de
normas que surgem com frequência, os fóruns relativos à saúde privada organizados pelos defesa do consumidor defende que o contrato de plano de saúde serve para que o consumidor
envolvidos, dentre aqueles eventos mais facilmente observáveis. tenha a assistência devida no momento em que precisa, uma vez que ele não tem condição
técnica de avaliar o que é necessário para fazer seu tratamento. Quando a solicitação de exames

1063 1064
é negada, o diagnóstico é prejudicado. O consumidor faz o exame porque acata a decisão médica, Saúde Suplementar) para regular o reajuste dos planos de saúde individuais e familiares,
ainda que seja desconfortável fazê-lo. Quando o consumidor contrata a operadora, ele entende o Idec entrou com uma ACP (ação civil pública) em 07 de maio para pedir a suspensão do
que o contrato assinado custeia as frequências e tipos de exames diagnósticos, quaisquer sejam aumento anual e a revisão da fórmula de cálculo.
solicitados pelos médicos. Ainda que não haja consenso entre os médicos e operadoras sobre
frequência e tipo de exames, o tema traz a questão da prevenção, que raramente é discutida Além das disputas racionais pela definição das regras do jogo, é possível perceber-se
no setor de saúde suplementar, no tocante a políticas formais de prevenção. “A questão da consequências não esperadas. A perseguição inconsciente da entidade reguladora (ANS) em
prevenção não é estimulada e tem que estimular.” (Superintendente do PROCON). relação à proteção do consumidor, justificada pela sua atribuição primordial de defesa do
interesse público, resultou, ao contrário, em um prejuízo ao consumidor e em um benefício
As formas de disputa envolvem, por exemplo por parte da área médica, recomendações com base às operadoras, de forma indireta e não intencional, pois a efetividade do instrumento NIP
em estudos acadêmicos, normalmente do exterior; resultados estatísticos de pesquisas em torno (reclamações e respostas online) para registrar as reclamações ocasionou na ampliação do
de um procedimento ou medicamento; denúncia a partir de um evento médico negativo (p.ex., interesse do consumidor em recorrer à ANS, devido à sua agilidade, o que inflou a quantidade de
morte por falta de determinado medicamento); diferença dos procedimentos constantes na lista reclamações recebidas e acabou por dilatar os prazos de conclusão das apurações.
e a recomendação da OMS. A seguir, exemplo retirado de levantamento estatístico realizado pela
Associação de Obstetrícia e Ginecologia de SP: Estas consequências não estavam nas intenções iniciais do projeto NIP e tiveram que ser
enfrentadas pela ANS, o que fica claro na afirmativa de um entrevistado da agência: “a ideia de
A maioria dos ginecologistas e obstetras do estado de São Paulo, 94%, afirma que o plano sucesso da NIP é conceitual, na prática você teve o problema da explosão de demandas e apesar
de saúde interfere na autonomia do médico. Os profissionais apontam várias formas de do percentual de resolução de demandas ser alto, sobrava muita coisa”.
intervenção das operadoras de saúdeque vão desde o não pagamento de procedimentos e
consultas até pressão para influenciar o tempo e local de internação do paciente. A ANS, buscando trazer maior efetividade para o instrumento NIP, teve como efeito colateral e
não planejado ou previsto, além disso, a recepção de denúncias dos consumidores de maneira
As empresas de planos de saúde, por sua vez, argumentam que suas estruturas de custos estão quase que automática, ou seja, qualquer problema que eles percebiam entravam em contato
no limite de um desempenho economicamente sustentável; ao mesmo tempo, organizam fóruns com a ANS, sem antes tentar resolver o problema com a operadora de planos de saúde, o que
de debate sobre a sustentabilidade da saúde privada; constituem associações de classe e apoiam caracterizou a utilização da agência reguladora como forma de pressão pelos consumidores.
políticos; apresentam estudos médicos que dão apoio a seus argumentos. Outro exemplo: Neste sentido um entrevistado representante do mercado afirma que:

Quais dos reajustes dos planos de saúde mais se sustentam? Os 5,72% baseados no “o lado negativo é que alguns beneficiários não têm muito crivo, eles fazem reclamações
IPCA-Saúde ou os 10% da ANS em 2018? Ou ainda os índices das operadoras nos planos que não são pertinentes ao canal, eles poderiam ter (seu problema) resolvido com uma
coletivos, que na média giram em torno de 20%? Não se sabe, pelo simples fato de que ligação para a operadora, uma coisa simples que poderia ter sido resolvida. Virou uma
não existe um índice oficial que reflita realisticamente o custo da saúde no Brasil. (José coisa banal, ele achou esse canal e (agora) ‘vamos reclamar de tudo’, acho que a ANS
Seripieri Jr., presidente da Qualicorp, administradora de planos coletivos) deveria ter esse crivo”.

Os demais atores envolvidos neste setor também possuem suas próprias ferramentas para A análise institucional
tentar influenciar as diferentes definições que são realizadas e que afetam seu desempenho.
A análise institucional parte das lógicas presentes no contexto em estudo e como os participantes
Após questionar por 16 anos a metodologia utilizada pela ANS (Agência Nacional de as manipulam visando seus desígnios. Assim, neste caso específico, é possível reconhecer

1065 1066
uma lógica de mercado, que previlegia ações e entendimentos voltados para os resultados
econômico-financeiro; uma lógica profissional médica, voltada para o tratamento científico dos Granovetter, M. (2001) A Theoretical Agenda for Economic Sociology, IN Economic Sociology at
pacientes; uma lógica pública voltada para o bem-estar da sociedade, incluindo empresas e the Millenium. M. F. Guillen, R. Collins, P. England & M. Meyer (eds.). NY: Russel Sage Foundation
cidadãos; uma lógica de defesa do consumidor voltada para resguardar os benefícios que os
consumidores devem contar em seus tratamentos médicos. Neste último caso, como exemplo, Greenwood, R., Raynard, M., Kodeih, F., Micelotta, E., & Lounsbury, M. (2011), “Institutional
algumas práticas possíveis incluem acompanhamento das medidas em geral propostas pela complexity and organizational responses”. The Academy of Management Annals, Vol.5, No.1,
ANS, consulta a especialistas, proposição de medidas mais relacionadas com os interesses dos pp.317-371
consumidores, a partir do entendimento que os consumidores têm a saúde como essencial e têm
direito aos melhores tratamentos para as doenças que venham a contrair. Thornton, P., & Ocasio, W. (2008). Institutional Logics, in: Greenwood, R., Oliver, C., & Suddaby,
R. The Sage Handbook of organizational institutionalism. Sage, pp.99-129
A análise fazendo uso de lógicas institucionais que são utilizadas pelos participantes do campo
organizacional permite, primeiro, enxergar como a rede de relacionamentos influencia cada um Williamson, O. E. (1981) The Modern Corporation: Origins, Evolution, Attributes. Journal of
dos participantes e, por sua vez, é influenciada por suas ações individuais. Assim, as interrelações Economic Literature, 19(4), 1537-1568
podem ocorrer em situações onde é possível ou negociar, colaborar ou entrar em conflito, nesse
caso sem conseguir avançar proposições. Essa perspectiva portanto contrasta com a perspectiva
individualista mencionada.

As práticas previstas por cada lógica podem gerar consequências imprevistas, como no
exemplo anterior, e podem igualmente resultar de práticas historicamente aceitas sem serem
questionadas. Essas situações ajudam a entender o conceito de que nem sempre a ação
organizacional é racional ou intencional.

Referências

Barney, J. (1991). Firm Resources and Sustained Competitive Advantage, Journal of Management,
v.17, n.1, p.99-120

DiMaggio, P. e Powell, W. (1991) Introduction, in Powell, W. & DiMaggio, P. (eds.), The new
institutionalism in organizational analysis. Chicago: University of Chicago Press

Donaldson, T. e Preston, L. E. (1995) The stakeholder theory of the corporation. Academy of


Management Review, 20(1), 65

Goodrick, E. & Reay, T. (2011) Constellations of Institutional Logics: Changes in the Professional
Work of Pharmacists. Work and Occupations, Vol. 38, No. 3, pp.372-416, 2011

1067 1068
Capítulo 104 1986)

En ese contexto el planteamiento del ejecutivo federal implicaba:


Consentimiento o resistencia del académico a la mayor intensidad laboral
a. La descalificación de las instituciones de educación superior y de sus profesores,
Anahí Gallardo Velázquez1 y Raúl Rodríguez Robles2
b. El condicionamiento del financiamiento público a nuevas reglas del juego que promoverían el
productivismo, y
Introducción
c. La aceptación, por la vía de la autocrítica, del bajo desempeño de las IES y su adaptación a los
La resignificación de los académicos mexicanos observada en las últimas tres décadas y media
nuevos términos de la relación con el gobierno.
tuvo como punto de inflexión la declaración que hizo el titular del ejecutivo federal el primero
de septiembre de 1983, con motivo de la presentación del primer informe de gobierno, en la
Se daba así paso al modelo de gestión neoliberal en el sector educativo, a la transformación
cual manifestó “Hay que admitir que la educación nacional se enfrenta a una dura crisis. […] La
del perfil de la universidad pública, expresado en la disminución de su autonomía, en limitar el
expansión educacional lograda, la ampliación de su cobertura, significan un proceso evidente.
ejercicio de la crítica y sobre todo a la incorporación de la visión neoliberal que pone el énfasis
Sin embargo, este énfasis en la expansión no ha sido acompañado de una preocupación similar
solo en la productividad. Con ello se afectan los procesos de gestión interna de las instituciones
en la calidad. De aquí que haya áreas degradadas que tenemos que sanear y enderezar” (De la
educativas, se incrementa la intensidad laboral de maestros y estudiantes y se reducen las
Madrid, 1983).
oportunidades para ingresar a estudios superiores para el grueso de la sociedad.
Quien al referirse a las instituciones de educación superior públicas (IES) señalo los parámetros
1.- El modelo productivista en las instituciones públicas de educación superior.
que habrían de enmarcar la relación universidad gobierno:
Entre las acciones gubernamentales que favorecieron el modelo productivista en las IES están
“Hemos de conciliar en las universidades y centros de estudios superiores cantidad y
(Gallardo y Topete, 2014):
calidad. … Es preciso implantar modelos de enseñanza e investigación que permitan lograr
máximas calidades para un número creciente de estudiantes e investigadores. […] No
La reducción en términos reales de los recursos presupuestales destinados a las instituciones
tememos a la crítica que hagan a la sociedad, al Estado o al gobierno mexicano. … Les
de educación superior, colocando en condiciones de precariedad las finanzas tanto de las
pedimos no se reduzca únicamente a la crítica hacia afuera, sino que se efectué también
instituciones como de los académicos.
la crítica hacia adentro. Saludamos con entusiasmo la actitud de reflexión y autoanálisis
que ha anunciado la Universidad Nacional Autónoma de México, y que ya está realizando
La pérdida de la capacidad negociadora de las instituciones y de los académicos ante el sector
la Asociación Nacional de Universidades e Instituciones de Educación Superior.” (De la
gubernamental, como consecuencia de las restricciones financieras.
Madrid, 1983)
Aislamiento de los académicos al ámbito de los recintos educativos, limitando o excluyendo su
Con ello el gobierno señalaba la existencia de una crisis de la universidad pública, cuyo origen
actividad profesional.
estaba en la expansión del sistema educativo y en la improductividad de los docentes (Kent,
1. Universidad Autónoma Metropolitana /México. Email: Email: astro53@prodigy.net.mx
2. Universidad Autónoma Metropolitana/México. Email: Email: nostrus99@hotmail.com
La creación del Sistema Nacional de Investigadores en 1984, como un medio para mitigar

1069 1070
los efectos negativos que provocaba la escasez de recursos y que afectaba la continuidad de orientan sus esfuerzos a dichas labores para lograr conseguir y mantener las becas y estímulos
proyectos de investigación, así como el nivel de ingresos de los académicos más prestigiados e que se ofrecen.
influyentes, lo que introdujo la asignación selectiva de recursos en forma individualizada.
Pero cómo se ejerce el consentimiento o resistencia a estos sistemas de estímulos, llamados
Además en la década de los 90, para incentivar la formación de especialistas e investigadores también de pago por mérito. Los estudiosos del poder, del consentimiento y la resistencia en el
se institucionalizó en las IES la creación de becas y estímulos al desempeño, de acuerdo a sistema capitalista nos permiten comprender algunos de estos comportamientos.
indicadores de rendimiento académico (mayor número de productos de investigación).
2.- Consentimiento o Resistencia
Fue precisamente en la primera mitad de la década de los años noventa que el entonces rector
de la UAM, Gustavo Chapela, consiguió recursos para implementar el llamado sistema de puntos Para entender la relación laboral en el sistema capitalista, la relación social entre trabajadores y
orientado a gratificar de manera individual el desempeño de los profesores investigadores a empleadores (capitalistas) encontramos diferentes explicaciones que aluden a tres dimensiones:
través de estímulos y sobresueldos. Mecanismo que busco evitar la migración de científicos y las económicas, las culturales y las psicológicas
permitir que los académicos se dedicaran de tiempo completo a la universidad.
Destacan entre ellas la explicación de Harry Braverman (1975) quien desde el punto de vista
Estas medidas dieron origen al sistema de puntos y a la carrera académica que han propiciado económico señala que el trabajador acepta el contrato con el capitalista porque no le queda
un elevado nivel académico. Hoy existen departamentos donde la composición de profesores con otro medio para ganarse la vida. Burawoy (1979) refiere la dimensión cultural y se enfoca al
estudios de doctorado es superior al 70%. consentimiento del empleado, como causa y resultado de la organización de las actividades de
la empresa. En cuanto a los aspectos subjetivos o de conciencia del trabajador se encuentran
No obstante también se generaron algunos vicios que afectan el cabal cumplimiento de los las aportaciones sobre la construcción de la identidad en varios estudios de los años 90s, como
objetivos de la universidad. Pues el reglamento de estímulos presenta una falta de equilibrio los de Knights y Morgan (1990), Sturdy (1992) o Willmott (1993) llegando a señalar que ello
entre las tres funciones sustantivas: docencia, investigación y promoción y difusión de la cultura. se liga a la reproducción de la desigualdad en la empresa, es decir a una relación asimétrica
entre el capitalista y el trabajador, lo que limita la resistencia de este último a las condiciones de
Pero lo que más afecta al equilibrio institucional es el desarrollo de sistemas de estímulos explotación laboral. Otras investigaciones refieren también a cómo la subjetividad se constituye
externos a la universidad como el Sistema Nacional de Investigadores (SNI) y el Programa para por el discurso (narrativa cultural) o variedad de discursos y como nos sujetamos a ella a través
el Desarrollo Profesional Docente (PRODEP), pues son sistemas que establecen requisitos de de aceptar esos discursos (Foucault, 1988).
excelencia difíciles de cumplir para el grueso de los profesores, tanto para poder ingresar, como
para su cumplimiento y desarrollo. Pero revisemos esto a la luz de un estudio de caso

Los posgrados se convierten incluso en un espacio para dar cumplimiento a las exigencias del 3.- Estudio de Caso
PRODEP y del SNI. Lo que genera desequilibrios entre los ingresos de los académicos pues
un profesor que imparte clases en posgrado es mejor valorado que el que imparte clases en La presente investigación se centra en el comportamiento de algunos académicos de tiempo
licenciatura. completo del área de ciencias sociales y humanidades, de la Universidad Autónoma Metropolitana
quienes detentan plazas definitivas y son beneficiarios de diferentes becas (pago por mérito).
En otras palabras, los mayores puntajes en los estímulos internos y en los externos se advierten
en ciertos rubros, como son las tareas de investigación y de posgrado, por lo que los académicos La estrategia metodológica fue cualitativa, utilizando las técnicas de observación participante y

1071 1072
las entrevistas a profundidad, el sentido de la acción de los académicos estudiados se ligó a un en el posgrado y sus publicaciones suelen atender los intereses de dichos asesores. Este grupo
marco cultural de sometimiento (Sautu et. al. 2010). de académicos suele atravesar por momentos de crisis, que se expresa por la insuficiencia en el
número de investigaciones que logran publicar, lo que evidencia varias problemáticas:
Se recuperan varios argumentos de reconocidos investigadores al caso:
• El tiempo de respuesta para la aceptación o rechazo del trabajo propuesto para su publicación
Como lo señala Bourdieu (2012), que para poder interpretar el sentido y su objetivación, es es más largo del previsto;
necesario abordar el estudio de su situación existencial: de su habitus y de sus capitales (cultural,
relacional, económico etc.), e intereses que guían su actuar (de su ser y hacer). • La revista seleccionada para publicar no siempre es la idónea respecto al contenido del trabajo
propuesto;
En la misma lógica como lo puntualiza Aboites (2012), “La evaluación fue la imposición de una
cultura (…) una cultura política que implica una cierta forma de ejercer el poder. Entendida • La ausencia de una comunidad de investigadores, que coincida con las necesidades e intereses
de esta forma, la evaluación que surge en la década de 1990 no fue un asunto meramente que tienen los jóvenes investigadores.
académico (…) ni una cuestión meramente técnica” (p.91).
Pero el componente de mayor incertidumbre entre estos jóvenes se origina en el hecho de no
Y en cuanto al discurso de la “excelencia” sostenido por la sociedad capitalista contemporánea disponer de un empleo estable. Circunstancia que los condiciona a auto-sujetarse al modelo
Aubert y de Gaulejac ( 1993) señalan, que este discurso introduce en el ánimo y en las expectativas del reconocimiento por mérito, ya que esta vía representa la posibilidad de incorporarse a una
de los individuos la noción de competir, de alcanzar mayores niveles de productividad, de institución pública de educación superior.
sujetarse a reglas de juego que evalúen su desempeño y de tener el derecho al reconocimiento.
Académicos Maduros.
En suma, la creación y expansión del SNI así como el establecimiento de estímulos y becas en
las instituciones de educación superior, como lo señala Comas y Rivera (2011), “despertó entre En este grupo se observa una mayor diversidad de comportamientos respecto al modelo de
algunos académicos el afán por realizar nuevas prácticas (…) con el fin de posicionarse mejor en reconocimiento por mérito. La edad de los investigadores fluctúa entre los 40 y 60 años, quienes
cuanto a nivel y jerarquía dentro de la institución universitaria” (p.16). han conseguido perfilar líneas de investigación alrededor de las cuales desarrollan sus trabajos,
estableciendo relaciones con otros colegas adscritos a los posgrados, generando vínculos con
3.1 El involucramiento del académico hacia el pago por mérito los estudiantes de posgrado para asesorar tesis y desarrollando experiencias para orientar los
trabajos que tienen mejores oportunidades de ser publicados.
En este estudio se apreció que la experiencia y la trayectoria de los académicos entrevistados
juegan un papel fundamental para el consentimiento o resistencia a la mayor intensidad laboral Cabe señalar, que actualmente para las instituciones de educación superior en México es
(pago por mérito), por ello se examinan los resultados en tres agrupaciones: académicos jóvenes, primordial contar entre su personal con académicos incorporados al SNI, esto permite que
maduros y de larga trayectoria. dispongan de becas para los estudiantes y cuenten con financiamiento para proyectos especiales
de investigación.
Académicos Jóvenes.
Los investigadores maduros ponen en práctica estrategias en la búsqueda de resultados de corto
En este grupo se ubicó a los investigadores entre 30 y 40 años de edad, con posgrado y posibilidad plazo y en la construcción de condiciones que les permitan extender y profundizar la labor de
de obtener becas. Su experiencia en investigación se ve altamente influenciada por los asesores investigación. Las prácticas se caracterizan por:

1073 1074
• Establecer una secuencia en el desarrollo de los trabajos de investigación: conferencia, artículos Respecto a los investigadores con 10 o más años de pertenecer al SNI, se observó que han
y publicaciones; desarrollado una temática de investigación de forma consistente, atienden a estudiantes que
buscan con interés su asesoría en las tareas de investigación, algunos son promotores de
• Establecer contactos con otros investigadores para organizar coloquios, conferencias, etc. o proyectos especiales de investigación y suelen participar en los comités de evaluación del
para publicar productos de investigación, sin que necesariamente estas relaciones se conviertan propio SNI. Los investigadores entrevistados que se encuentran en este grupo tienen ciertas
en redes de investigación; particularidades que conviene mencionar: desarrollaron experiencias profesionales o actividades
académicas que les proporcionaron una visión de los fenómenos sociales, lo que les ayudó a
• Establecer vínculos tempranos con los estudiantes de posgrado para asesorar proyectos de definir una línea de investigación. Por su edad -más de 60 años-, estos investigadores tienen
titulación. ante sí la expectativa del retiro. Sin embargo, en las entrevistas aparecen dos situaciones de
gran peso para tomar la decisión sobre su posible jubilación. Por un lado, la resistencia a la
Estos profesores limitan su interacción con otros académicos en función de resultados idea de abandonar la actividad académica ejercida durante décadas y, por otro, el impacto que
específicos, evitan comprometerse en actividades de gestión académica y en general parece tendrá en las condiciones de vida la disminución de sus ingresos laborales. Así, el sentido que le
prevalecer una tendencia a prácticas individualistas en el trabajo académico. atribuyen a sus actividades cotidianas dentro de la academia se podría resumir en dos aspectos;
seguir acumulando capital económico y también capital simbólico, dado el prestigio alcanzado
Sin embargo, es importante destacar que entre los académicos de este segmento existen (Bourdieu, 2012).
personalidades que tienen una destacada vocación por contribuir al conocimiento, por participar
en la formación de las nuevas generaciones de estudiantes y por involucrarse en la creación de Reflexión Final
redes que fortalezcan las capacidades de investigación en las instituciones de educación pública
superior y quienes representan lo mejor de la comunidad. Este comportamiento requiere de una La experiencia histórica de las cuatro últimas décadas nos ilustra cómo las crisis económico-
fortaleza física, mental y anímica por encima de la media, ya que el esfuerzo y el desgaste son sociales han sido oportunidades para imponer una cultura de la excelencia y con ella, nuevas
mayores, pero su labor puede colocar a la institución en una vía cualitativamente superior. formas de control y sometimiento que favorecen al modelo neoliberal productivista.

En el grupo de académicos maduros, también se observa los que se incorporan al modelo de Entre los académicos entrevistados este sistema de evaluación y otorgamiento de reconocimientos
reconocimiento por mérito sin un compromiso firme con la institución. Lo que se asocia con e incentivos (pago por mérito) goza de legitimidad. Y en esa lógica los profesores suelen colocar
profesores que se incorporan al modelo, especialmente al institucional, privilegiando su en primer plano el rendimiento de sus labores (mayor número de productos académicos) y en
integración con el aparato burocrático encargado de las evaluaciones. Es una integración de segundo lugar, el cabal cumplimiento de sus funciones sustantivas.
naturaleza oportunista.
Sin embargo, es importante destacar que existen también profesores investigadores que
Finalmente en este segmento se evidenció que la decisión de algunos académicos de distanciarse tienen una destacada vocación por contribuir a la generación de conocimiento, por formar a las
del pago por mérito es totalmente justificada. Pues se relaciona con las condiciones de su nuevas generaciones de estudiantes y por participar en la creación de redes que fortalezcan las
contratación, con vínculos débiles con los órganos que distribuyen las cargas de trabajo, o con capacidades de investigación para la resolución de los graves problemas del país, académicos
la posibilidad de publicar. que representan a los mejores elementos.

Académicos con Larga Trayectoria También señalar que a partir de la crisis global de 2008 las IES se enfrentan a nuevos retos,

1075 1076
derivados de la reducción del financiamiento estatal y de nuevas demandas para desnaturalizar Gallardo, A. y Magallón, M.T. (2015). La cultura de la evaluación y la Resignificación del
la enseñanza y la investigación como bienes públicos, lo que nos plantea el concurso y propuestas académico. Memoria en Extenso de Ponencias del XII CICAGIAO 2015. Universidad Autónoma
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1077 1078
Capítulo 105 algunas características similares y con otras muy distintas a las descriptas, hace ya un siglo,
por Max Weber.
¿Poder managerial? Entre el management como tipo de dominación La difusión del management fuera de la empresa:
burocrática y el management como gubernamentalidad
Uno de nuestros entrevistados que trabaja en temas vinculados con el cambio climático para el
Osvaldo Javier López Ruiz1 Programa de Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD) comenta:

Creo que las grandes corporaciones no trabajan de forma demasiado diferente a las
agencias de la ONU. Ellas tienen las mismas preocupaciones: asegurarse que el dinero
¿Qué es el management hoy y qué lugar ocupa en nuestras sociedades? Cuando el management que entra sea gastado de forma correcta en algunos proyectos y programas. Es el caso
aparece en entornos organizacionales ajenos al empresarial, ¿debemos considerarlo como un de PNUD. A lo largo de los años y debido a las limitaciones financieras, PNUD ha tenido
sistema de administración alternativo o como una forma alternativa de burocracia? Por otra que adoptar más y más el abordaje del sector privado para conducir los negocios. O quizás
parte, ¿podemos afirmar que está en curso un proceso de managerialización de la sociedad? Si porque tiene los cuarteles generales en los Estados Unidos donde el sector privado es
es así, ¿a cuáles aspectos específicamente nos estamos refiriendo: a la adopción de diferentes muy fuerte. (…) No creo que haya demasiada diferencia respecto a la cultura de trabajo,
formas de organización y técnicas de gestión en los distintos ámbitos de nuestra sociedad o a realmente [entre el sector privado y las agencias de la ONU].
la difusión de una nueva forma de ejercicio del poder? En ese caso, ¿tiene entonces sentido
hablar de “poder managerial”? Diversas investigaciones y varios autores hablan hoy de la Una amplia mayoría de quienes trabajan en distintas agencias y organismos de Naciones Unidas
“universalización del management” y de la ubicuidad simbólica y material de la gestión. Thibault y que tuvimos oportunidad de entrevistar en Ginebra entre 2015 y 2016 coincidiría, en general,
Le Texier (2016), por ejemplo, afirma que su racionalidad se ha convertido en el sentido común con estas apreciaciones (López Ruiz, 2016, 2017b, 2018). De una forma u otra, no es para
de nuestras sociedades y en el rostro moderno del poder. Propone pensar a la gestión como una nadie novedad la difusión que ha venido teniendo el management en ámbitos distintos a los
figura de lo político. Nuestra ponencia pretende tomar como eje estas preguntas para poner de las empresas privadas. Así encontramos también el empleo de técnicas y procedimientos
en discusión cuál sería hoy la forma más adecuada —y teórica tanto como empíricamente manageriales dentro de la gestión pública no sólo internacional, sino también a nivel de los
más productiva para una sociología del management— de conceptualizarlo. En este intento, Estados nacionales. Su uso parece incluso estar muy difundido en el ámbito de las organizaciones
pretendemos revisar parte de la amplia discusión académica actual y clásica para tratar de no gubernamentales, las ONGs. Pero, ¿se trata entonces de un sistema alternativo de
encuadrar mejor este fenómeno. A su vez, para anclar la discusión sobre la difusión del administración que es tomado y adoptado desde el sector privado y que toma a la empresa como
management en entornos organizacionales distintos al de la empresa, tomaremos algunas de las modelo, o sería más adecuado considerarlo como una forma alternativa de burocracia?
entrevistas realizadas a funcionarios públicos internacionales que trabajan en distintas agencias
y organismos del sistema de Naciones Unidas, para ver cómo sus prácticas laborales (y su propia Una queja aparece en forma reiterada entre quienes trabajan en la ONU —y esto se repite
subjetividad) se han visto alcanzadas por la adopción de principios y técnicas de management en independientemente de qué sector sea (humanitario, salud, trabajo, comercio, derechos
sus lugares de trabajo. En otras palabras, proponemos explorar el management entendiéndolo, humanos o telecomunicaciones) y en órganos tan diversos como la Organización Internacional
más allá de sus técnicas y procedimientos específicos, como una racionalidad. Proponemos del Trabajo (OIT), el Alto Comisionado de Naciones Unidas para los Refugiados (ACNUR), las
pensarlo en la encrucijada entre una racionalidad de gobierno, en el sentido que le da Michel organizaciones mundiales de la salud o del comercio (OMS, OMC) o la Unión Internacional de
Foucault a su concepto de “gubernamentalidad”, y un tipo de dominación burocrática, éste con Telecomunicaciones (UIT). Esta queja tiene que ver con la multiplicación y sobrecarga con
1. Instituto de Ciencias Humanas, Sociales y Ambientales (INCIHUSA). Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET), Argentina.
Email: olopezruiz@mendoza-conicet.gov.ar
los procedimientos administrativos así como la falta de tiempo efectivo que dejan para la

1079 1080
consecución de las tareas sustantivas y propias de esos organismos. Sin embargo, la burocracia ciencia del control que se aplica dentro de una organización: una “ciencia” que se encarga de la
internacional que representa el sistema de Naciones Unidas viene adoptando en los últimos conducción (del gobierno) de los hombres que allí trabajan y que toma como principio rector a la
treinta años todo tipo de técnicas y sistemas de gestión que no difieren —o difieren muy eficiencia. La importancia de esta ruptura epistemológica habría escapado a autores tan agudos
poco— de los que son utilizados en la gestión empresarial privada, los que, supuestamente, como Michel Foucault quien, si bien esbozó algunas de las características de lo que podría ser un
vendrían a resolver dicho problemas. Para su adaptación e implementación son contratadas las “arte de gobierno managerial”, en opinión de Le Texier, no avanzó lo suficiente en su análisis de
mismas grandes empresas de consultoría internacional que los recomiendan y aplican para las la empresa y nunca realmente teorizó los aspectos propiamente gubernamentales de la gestión.
grandes corporaciones transnacionales y para empresas que operan en los más variados rubros y
contextos. No puede decirse entonces que el management no se haya difundido dentro de la ONU. Como primer avance en esta dirección, Le Texier propone establecer con claridad las diferencias
Algunos argumentarán, sin embargo, que aún no lo ha hecho en la medida suficiente, mientras entre “racionalidad mercantil” y “racionalidad managerial”. Destaca que si bien usualmente esas
otros criticarán los muy considerables gastos en los que se incurre con cada reestructuración y racionalidades son confundidas entre sí porque muchas veces operan en una misma dirección, se
cambio de sistemas, lo que, consideran, sólo aumenta la carga de trabajo y no produce mejoras apoyan y complementan, los principios y objetivos que cada una de ellas persigue son diferentes.
sustantivas (López Ruiz, 2017b, 2018). Si para el mercado los principios articuladores son la propiedad, el capital, el lucro, la oferta y
la demanda, para la empresa ellos, son la organización, la eficiencia, el control y la racionalidad.
La racionalidad managerial y el management como una forma de ejercicio del poder En este sentido no debe olvidarse que la empresa es un colectivo humano que en primer lugar
busca garantizar su continuidad, por lo que sus objetivos y los principios que privilegia no son
En una reciente y muy interesante genealogía del management, Le Texier (2016) muestra cómo siempre los del mercado. Hay una naturaleza no mercantil en la empresa y, por eso mismo, en
pueden distinguirse dos formas sucesivas e históricas de entenderlo. La primera tiene que ver con el management. Si entendemos al management como un modo particular de ejercicio del poder,
la difusión y los usos que la palabra “management” tuvo en la lengua inglesa entre mediados del existe una tendencia que no siempre juega a favor del mercado; incluso, en ocasiones, puede
siglo XVIII y finales del XIX. Durante un siglo y medio el “management”, de maneras diferentes, posicionarse como reacción a los mecanismos de coordinación de éste en función de garantizar,
remitía al ámbito doméstico del manejo de la casa y del cuidado de los niños —usado en manuales justamente, la continuidad de la empresa. Y, para este autor, hoy vivimos menos en una sociedad
dedicados a jóvenes esposas sobre “la administración criteriosa del hogar” o a la alimentación de mercado que en un mundo de empresas. La empresa se ha convertido en nuestro modelo
y cuidado de sus hijos—, o a la gestión de las granjas, el cuidado de los animales, las plantas y institucional y, por otra parte, prácticamente todas las necesidades y actividades de nuestra vida
los jardines. En el ámbito público apenas se aplicaba el término en relación a la gestión de los están mediadas por las empresas.
alumnos en las escuelas. Lo interesante a destacar es que nunca se hablaba de “management”
en referencia a hombres adultos. Hubo sí un momento, a partir del 1830, que los mecánicos Pero una vez establecida esta diferencia, la apuesta de Le Texier es pensar la racionalidad
ferroviarios ingleses y norteamericanos desplazaron el uso del término de la esfera doméstica managerial como una racionalidad gubernamental en sentido pleno y, por tanto, como una figura
para el universo empresarial, pero para referirse al manejo y al cuidado de sus máquinas, las de lo político. Su argumento es que en nuestras sociedades, el gobierno de los individuos es
locomotoras a vapor. Será recién a fines del siglo XIX y, sobre todo desde comienzos del siglo cada vez menos tributario de la ley y del capital, y cada vez más una tarea de optimización, de
XX, que los ingenieros industriales lo van a aplicar por primera vez a la gestión y organización de organización, de racionalidad y de control de grupos humanos organizados en función de la forma
los obreros dentro de las fábricas. Y, como es bien sabido, quien se encargará de teorizar este “empresa”. Se trata de una gubernamentalidad que ya existe en la actualidad y que necesita
uso será Taylor con su propuesta de “administración científica”. Ésta, en opinión de Le Texier, va ser pensada. Ésta no toma la forma de un Estado, ni funciona en relación a un soberano unitario.
a representar una ruptura epistemológica de suma importancia en el centro de las teorías y de Tampoco lo hace en términos jurídicos, ni se ejerce sobre un territorio. Ignora los mecanismos
las prácticas de gestión. En otras palabras, se pasa de una acepción del término que tiene como disciplinarios y, en lugar de proceder por la subordinación de los individuos, lo hace por la propia
principal referencia a la casa y a los niños, apoyandose fundamentalmente en el principio de los adhesión de éstos al sistema. La “gubernamentalidad managerial”, como propone llamar a este
cuidados que se les deben dar a ellos, a otra, moderna, que presenta al “management” como una modelo de gobierno (Le Texier, 2011/2), es una particular forma de ejercicio del poder —el

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poder managerial— que no tiene al Estado como figura tutelar sino a la forma de organización (2014: 184) y, como bien señala Francisco Gil Villegas (Weber, 2014: 184, n. 88), el uso del
social que llamamos “empresa”. Esto no significa que el Estado desaparece, sino que él también concepto “dominación” admite una mayor precisión que el de “poder” y permite trascender las
se convierte en una “empresa” y adopta la forma de funcionamiento y gestión propia de las relaciones personales y voluntaristas dando cabida a las restricciones estructurales que generan
empresas: el management. organizaciones como la burocracia. O en otras palabras, la noción más clara y restringida de
la dominación permite analizar al mismo tiempo las restricciones y demandas que ejerce una
La “burocracia managerial” como tipo puro de dominación legal organización social más allá de la voluntad e intenciones originales de los actores individuales.

Frente a la estimulante propuesta de Le Texier de considerar al management como una forma En otro lugar analizamos las relaciones entre management y burocracia (López Ruiz, 2017a).
de ejercicio del poder con particularidades propias y, por tanto, de proponer elementos para Revisamos los argumentos de autores contemporáneos que llaman la atención sobre la gran
pensar una nueva teoría del poder, resuena, no obstante, una vieja advertencia de Max Weber: difusión de normas, reglas y procedimientos a los que estamos sometidos en la vida cotidiana y
el poder es sociológicamente amorfo (2014: 184). En sentido general, Weber entiende al poder que no emanan solamente de la administración pública, sino que son originadas en el mercado
como “la posibilidad de imponer la propia voluntad sobre la conducta ajena” (2014: 1072), y en las empresas, interviniendo en prácticamente cada aspecto de nuestra existencia (Hibou,
pero reconoce que tomado en un sentido tan amplio es una categoría difícilmente utilizable 2012; Graeber, 2015). A partir de estas constataciones, propusimos pensar al management
para la sociología. Ahora bien, ¿qué significa exactamente no tener forma sociológica? Para como una forma de burocracia y adelantamos la hipótesis de que sería posible (y de utilidad
Weber, esto remite a la dificultad de que el poder no puede ser aprehendido por una sociología sociológica) considerarlo como un tipo de dominación burocrática para entender mejor ciertos
empírica. Es decir que no necesariamente sirve para aludir a una conducta humana con sentido procesos sociales contemporáneos.
subjetivo, cuando dicho sentido está referido a la conducta de otro individuo. En otras palabras, el
concepto de poder es, por momentos, demasiado general y vago porque no siempre apunta a una La investigación, actualmente en desarrollo, consiste en avanzar en la definición y descripción de
acción social, sino a muchas otras cualidades o configuraciones que pueden colocar a alguien lo que vamos a llamar “burocracia managerial”. En otros términos, se trata de la construcción
en la posición de imponer su voluntad en una situación dada. En este sentido, es interesante de un “tipo ideal” o mejor, de un “tipo puro”, el que, de más está decir, no existe como tal
notar que también Foucault (2006) se topó con la ausencia de la forma sociológica del “poder” en la realidad sino que es una herramienta de conocimiento que, esperamos, nos permita
y —para no pensarlo a partir de las instituciones que lo ejercen— propuso hacerlo a partir de acercarnos mejor a la enorme complejidad y variedad que ésta presenta. Para Weber, cada tipo
las prácticas concretas y de las diferentes formas históricas de su ejercicio: la soberanía, la de dominación tiene diferentes fundamentos de legitimidad, los que se basan en sistemas de
disciplina y el gobierno. Entonces, cabe preguntarse, ¿es sociológicamente útil hablar de “poder creencias socialmente compartidas. La dominación legal, por ejemplo, encuentra el suyo en la
managerial”? ¿Sirve para ayudar a describir sus peculiaridades? En ciertos aspectos, Le Texier legalidad de las ordenaciones estatuidas —la legalidad de la regla— y su tipo más puro en
demuestra que sí. ¿Pero cómo seguir teorizándolo? Podríamos, continuando con su propuesta, la administración burocrática, la forma de administración específicamente moderna (2014:
intentar pensarlo como un particular “arte de gobierno”, una gubernamentalidad en sentido 266, 338-340). El neologismo “burocracia managerial”, lo proponemos como un subtipo de
pleno, pero también —y en contrapunto o en forma complementaria, según las necesidades dominación legal con administración burocrática —de igual manera a como Weber proponía, por
que los casos concretos presenten— podemos pensar al management, en sentido weberiano, ejemplo, el subtipo “burocracia patrimonial”— para intentar definir sus notas características
como un “tipo de dominación” concreto y con particularidades específicas que será menester en relación (y en contrapunto y/o desviación) del tipo puro de burocracia descripto por él. Para
determinar. ello es necesario recorrer todos y cada uno de los aspectos que la configuran para establecer las
cercanías y distancias entre el tipo y el subtipo, tarea que excede nuestras posibilidades aquí. No
Antes, es necesario recordar que la sociología política de Weber no gira en torno al concepto obstante, podemos adelantar alguna de sus características.
de poder sino al de dominación. La dominación es un caso especial del poder: un caso particular
y más definido de ejercicio del poder. Es “la probabilidad de que un mandato sea obedecido” La “burocracia managerial” es un tipo de dominación legal que agrega deliberadamente

1083 1084
componentes carismáticos. Concretamente, recurre al “carisma”, a la figura de líderes
carismáticos, como guías para la acción y modelo de orientación para la conducta de los Le Texier, T. (2016). Le maniement des hommes. Essai sur la rationalité managériale. París: La
dominados. Si, como tipos puros, la dominación carismática se opone a la burocrática en Décoverte.
términos radicales —la “irracionalidad personalista” vs. la “racionalidad impersonal”—, en este
subtipo encontramos una búsqueda de complementariedad. El manager intenta re-personalizar Le Texier, T. (2011/2). Foucault, le pouvoir et l’entreprise: pour une théorie de la gouvernementalité
buena parte de la impersonalidad formal —“sin acepción de personas”— característica del managériale. En Revue de philosophie économique, 12, 53-85. doi:10.3917/rpec.122.0053
tipo puro del burócrata, pero termina produciendo una suerte de “personalización” impersonal
y estandarizada. También busca flexibilizar el rigor formalista de la burocracia, pero lo hace a López Ruiz, O. (2018). El management en las organizaciones internacionales. La racionalidad
través de una “flexibilidad” establecida como procedimiento. Si bien con esta “flexibilidad” logra administrativo empresarial entrando en la ONU. En Revista de Ciencias Sociales, DS-FCS, 31,
dar cabida a una mayor pluralidad de circunstancias, esto es a costa de un aumento considerable 43, (en prensa). doi: http: 10.26489/rvs.v31i43.2
de los procesos, los que, aunque muchas veces sean explícitamente diseñados para simplificar
las tareas, “desburocratizar” y ahorrar tiempo, paradójicamente y en gran medida acaban López Ruiz, O. (2017a) “Management” o “Burocracia”: ¿antónimos o sinónimos? En los
obteniendo el efecto contrario y son experimentados a nivel individual como una sobrecarga caminos de la gubernamentalidad neoliberal y sus formas de subjetivación. Trabajo presentado
que se torna opresiva y más “burocrática”, en el sentido más coloquial y peyorativo del término. en las VIII Jornadas Debates Actuales de la Teoría Política Contemporánea, organizadas por
Debates Actuales, Universidad de Buenos Aires y Facultad de Ciencias Políticas y Sociales de la
En buena medida a esto parece responder la descripción (y en algunos casos la queja) que Universidad Nacional de Cuyo, Mendoza, 17 y 18 de noviembre de 2017.
recogimos en nuestras entrevistas en las distintas agencias del sistema de Naciones Unidas. En
esta burocracia internacional “managerializada” se enfrentan —como en otros ámbitos de los López Ruiz, O. (2017b). El management en las organizaciones internacionales: ¿falta de
social hoy— la figura del burócrata, tan desprestigiada socialmente, versus la alta estima social management o exceso de management dentro del Sistema de Naciones Unidas? Ponencia
que despierta la figura del manager. Quizás el construir este subtipo de “la dominación de las presentada en el XXXV Congreso Internacional de la Asociación de Estudios Latinoamericanos.
normas racionales convenidas u ordenadas” (Weber, 2014: 1399), la “burocracia managerial”, Lima, Perú, 29 de abril al 2 de mayo. Recuperando en: https://
nos sirva para ver que ambas figuras no son más que dos caras de una misma moneda. O, al lasa.international.pitt.edu/auth/prot/congress-papers/Past/lasa2017/files/29657.pdf
menos, esperamos que serva para describir y entender con mayor precisión esta forma de
ejercicio del poder que es el management hoy. Al fin de cuentas, como decía Weber: “para la López Ruiz, O. (2016). La difusión de la “forma empresa” en las organizaciones internacionales:
vida cotidiana dominación es principalmente ‘administración’” (2014: 343). valores promovidos, retóricas del management y procesos de subjetivación dentro del Sistema
de Naciones Unidas. Trabajo presentado en el VIII Congreso Latinoamericano de Estudios del
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Hibou, B. (2012). La bureaucratisation du monde à l’ère néoliberale. Paris: La Découverte.

1085 1086
Capítulo 106 se tratando dos jovens na atualidade (Boltanski E Chiapello, 2009).

Tendo como base a discussão levantada por Boltanski e Chiapello (2009, p.39), a respeito
Negócios sociais, empreendedorismo e o novo espírito do capitalismo: de como o espírito do capitalismo, entendido como “a ideologia que justifica o engajamento
aproximações iniciais no capital”, se renova para produzir motivação para atuar no sistema. As características dos
negócios sociais podem ser ajustadas nesse, que os autores denominam de novo espírito do
Jéssica Pereira de Mello1, Luis Miguel Luzio dos Santos2 y capitalismo, assim o objetivo desse trabalho é situar os negócios sociais como fazendo parte
Priscila Terezinha Aparecida Machado3 dessa nova fase do sistema capitalista.

Dessa forma, este trabalho está organizado da seguinte forma: primeiramente evidencia-se os
1.Introdução pressupostos teóricos com foco nos conceitos que posteriormente serão utilizados na análise
dos dados, no entremeio, pontua-se as escolhas metodológicas. Além deste capítulo introdutório,
O sistema capitalista ao qual nossa sociedade está submetida gera diversos problemas de ordem em que se apresenta as considerações iniciais sobre o tema.
social, ambiental e econômica. Ao longo da história se observa que este sistema passou por
diversas transformações, bem como foi seguido por mudanças nas formas de vida da população. 2. Negócios Sociais: Definições, Contextualizações e Principais Características
Acompanhando este movimento, de forma dinâmica, surgem iniciativas que visam mitigar os
efeitos negativos ou superar o capitalismo, muitos desses empreendimentos se apresentam Apesar de partir de uma crítica ao capitalismo, os negócios sociais que tem como base as ideias
como alternativas a esse sistema. de Yunus, em outros momentos afirmam ser um complemento para o sistema capitalista, com
o objetivo de mitigar os problemas causados pelo capital. A teoria que embasa os livros de
Dentre os diferentes tipos, este artigo focaliza o modelo de negócios sociais desenvolvido Yunus sobre seu modelo é bastante controversa, por vezes, se assemelha a uma literatura mais
pelo economista indiano Muhammad Yunus, que tem como objetivo a resolução de problemas comercial do que cientifica. Entretanto, é necessária para compreender o desenvolvimento
sociais através de negócios voltados, principalmente, para a população chamada de base da histórico e conceitual dos negócios sociais (Yunus, 2008; 2010).
pirâmide. Além disso, o modelo de negócios sociais tem como pano de fundo ideais semelhantes
a atividades voltadas ao empreendedorismo social, a figura do empreendedor é central nesse O pressuposto básico do qual parte Yunus é de que o mercado livre da forma como se encontra
tipo de negócio. Frases de impacto que visam o engajamento de pessoas a uma nova forma não traz benefícios a grande parte da população, enquanto algumas nações se desenvolveram
de fazer negócio, que tenha propósito, são comuns nos veículos de comunicação desse modelo economicamente outras foram esquecidas ou exploradas. Assim o autor propõe que deve-se ter
(Yunus Negócios Sociais, 2017). algum concorrente a esta forma tradicional de livre empresa, destacando os negócios sociais
como propulsores de um equilíbrio e a resolução dos problemas deixados pelo capitalismo
Os negócios sociais relacionam-se a ideologia de que o bem comum e o bem-estar da população (Yunus, 2008).
pode ser alcançada através do mercado, que supostamente cobre as falhas deixadas pelo Estado
no atendimento à população (Yunus, 2008). Nesse sentido, o que fica claro é que o capitalismo Outro conceito abordado por Yunus (2008), ainda que de forma superficial, é quanto aos
vem adotando novas formas de mobilização das pessoas, pois os contornos mais antigos do conceitos de ser humano unidimensional e multidimensional, interligando com a crítica a redução
capital não conseguem engajar da mesma forma como há algumas décadas atrás, principalmente do homem como fim para obter lucro. Nesse sentido, as empresas tradicionais se resumem a um
1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Email: jessica.pereira@ufrgs.br modelo que restringe as pessoas a seguir um modelo único e unidimensional. Como forma de
2. Universidade Estadual de Londrina. Email: lmig@uol.com.br
3. Instituto Federal do Mato Grosso. Email: priscilamch@hotmail.com
se contrapor, Yunus propõe que os negócios sociais podem reverter esse quadro e abarcar um

1087 1088
ser humano multidimensional, através da valorização das potencialidades humanas e realização justamente por serem contínuos no tempo estes elementos não se mostram suficientes para
profissional. engajar os trabalhadores a servir o capital no cotidiano.

Observa-se que, teoricamente, segundo Yunus (2008), há algumas diferenças entre o modelo Alguns setores são utilizados pelo espírito do capitalismo como forma de se incorporar no
de negócios sociais e as empresas tradicionais. O primeiro teria como foco resolver problemas cotidiano das pessoas. Neste contexto, o discurso da gestão empresarial se mostra hoje como
sociais através de sua existência, já os negócios tradicionais têm apenas o lucro como objetivo. forma pela qual o sistema capitalista compartilha seus ideais de bem comum. Os executivos
Entretanto, para realizar suas atividades, o modelo de negócios sociais deve-se sustentar são os atores principais desse processo, sendo que estes completam o aparato se supridos de
financeiramente, ou seja, depende do lucro para atingir suas finalidades. Assim, em que medida garantias de autorrealização e segurança para si e seus descendentes (Boltanski E Chiapello,
realmente os negócios sociais se diferenciam da empresa convencional? 2009).

Diante desse questionamento outra questão que vem à tona é em que medida os negócios sociais Historicamente o espírito do capitalismo passou por três fases principais, sempre marcadas por
se utilizam do discurso de redução dos problemas sociais apenas como forma de justificar o figuras e valores característicos. O primeiro espírito teve como representação principal a figura
engajamento de novos atores no sistema capitalista? Para debater essa problemática, no do burguês, com valores que repousam nas tradições familiares e ao início e progresso da ciência,
tópico abaixo serão desenvolvidas as ideias de Boltanski e Chiapello (2009) a respeito das da técnica e da indústria. O segundo espírito tem a grande empresa e a figura do diretor como
transformações empreendidas pelo capitalismo para se manter como ordem vigente. centro, bem como o ambiente de trabalho que transmitia segurança e perspectivas de construção
de carreiras, infraestrutura para vida fora do trabalho e relação entre iniciativa privada e Estado
3.O Novo Espírito do Capitalismo com foco em alcançar o bem comum. O terceiro espírito que ainda se encontra em tempos de
formação, vem se constituindo a partir do questionamento do poder de engajamento do segundo
De acordo com Boltanski e Chiapello (2009), as diferentes transformações pelas quais o espírito, assim como a partir de mudanças profundas nas formas de acumulação. Esse terceiro
capitalismo passou foram acompanhadas também por mudanças ideológicas. Diante do espírito tem por base a figura da globalização que coloca em prática tecnologias de diversas
que os autores denominam como silencia da crítica, que teve a década de 80 como auge, o formas, será pautado na figura do grande executivo e das multinacionais (Boltanski E Chiapello,
capitalismo ganhou um impulso para se modificar com o objetivo de ampliar seu domínio. 2009).
Embora o capitalismo passe por diversas crises, esse sistema reúne elementos para superar e
formar um novo conjunto ideológico mais mobilizador. Contrariando assim, as previsões de seus As transformações no espírito do capitalismo são acompanhadas também de diferentes modos
críticos de que iria decair, a cada nova crise amplia seu império, através do apoio que recebe das de vida dentro e fora do ambiente de trabalho. Esse novo espírito do capitalismo incorporou
representações que cria na sociedade. as críticas destinadas a ele ao longo da história e vem construindo ideologias que eliminem
práticas que não são bem aceitas no contexto de acumulação do capital. Assim, analisando os
O espírito do capitalismo definido como “a ideologia que justifica o engajamento no capitalismo”, textos de gestão empresarial, os autores destacam as diversas mudanças que ocorreram neste
precisa se renovar de acordo com o contexto histórico e cultural. O espírito do capitalismo é âmbito, os modelos que antes eram pautados em um controle visível na figura vertical do diretor,
“justamente como o conjunto de crenças associadas à ordem capitalista que contribuem para vêm passando para figura heroica do líder, os horários extremamente rígidos podem dar lugar a
justificar e sustentar essa ordem, legitimando os modos de ação e as disposições coerentes formas mais flexíveis. O trabalho contínuo e exaustivo, passa ser dirigido por projetos, a figura
com ela” (Boltanski E Chiapello, 2009, P.39). Segundo Boltanski e Chiapello (2009, p. 45 central passa a ser a do empreendedor especialista (Boltanski E Chiapello, 2009; Casaqui,
e 46), o espírito do capitalismo se ancora em três bases: “a) progresso material, eficácia e 2015).
eficiência na satisfação das necessidades; b) modo de organização social favorável ao exercício
das liberdades econômicas e c) compatibilidade com os regimes políticos liberais”. Entretanto, Neste contexto, Casaqui (2015, p. 48) destaca que a figura do empreendedor pode ter duas

1089 1090
vertentes, o empreendedor tradicional e o empreendedor social que embora se utilizem da como estudo de um caso emergente. Foram analisados documentos públicos e relatórios, obtidos
tecnologia dos mecanismos de mercado, se diferem mediante o objetivo de suas ações, através dos diversos sites ligados ao modelo Yunus, com o objetivo de obter dados históricos,
“enquanto o empreendedor, em tese, prioriza o lucro, o ganho individual e os interesses de sua de funcionamento do modelo e principais pressupostos. Assim o método utilizado foi o não
organização, o empreendedor social tem como meta a resolução de problemas sociais”. O autor probabilístico que segundo Godoi; Bandeira-de-Mello; Silva (2006) se aplica a pesquisas que
corrobora com Boltanski e Chiapello (2009), ao criticar o uso da figura do empreendedor social não requerem nível de precisão estatística, geralmente se aplica a pesquisas de abordagem.
como figura heroica que guarda consigo a aura do bem comum, mesmo que tenha suas bases no
capitalismo neoliberal. Na análise dos dados procurou-se estabelecer relações entre as informações coletadas e a
teoria que deu base para a investigação, as categorias analisadas foram as características dos
De acordo com Boltanski e Chiapello (2009) caminhamos para um mundo permeado por conexões negócios sociais que a princípio parecem se ajustar ao espírito do capitalismo.
e redes, fator que pode ser observado através da exigem das empresas de um bom networking,
entretanto, o que se nota é a transferência deste modelo para fora do campo do trabalho. As 5.Negócios Sociais e o Novo Espírito do Capitalismo
empresas que possuem poder, vem se caracterizando cada vez mais pelo desvencilhamento dos
espaços físicos, do material, passando dados para o virtual, assim como o trabalhador que deve Ao analisar o modelo de negócios sociais de Yunus e a literatura derivada de suas ideias, vem
ter como principal diferencial a mobilidade e flexibilidade. O ideal que se prega em todos os à tona algumas contradições, verificadas na própria teoria que lhe dá embasamento, e outras
setores desse mundo de conexionista é o de um individualismo libertário que se dá através da que podem ser evidenciadas através de atividades práticas relatadas nos documentos avaliados
autorrealização como forma de sucesso. nesta pesquisa.

Desta forma, as organizações que se dizem fazer parte de novos modelos, podem estar relacionadas Iniciando com os aspectos mais teóricos do modelo, o primeiro aspecto a destacar é a adoção do
com a incorporação das críticas as características negativas das empresas capitalistas, sendo o empreendedorismo e da figura do empreendedor como centro dos negócios, pois o mecanismo
mesmo modelo, porém com formas mais aceitáveis. Conforme suscitado neste tópico, a respeito por base desse conceito está relacionado ao incentivo por parte do discurso hegemônico ligado
do novo espírito do capitalismo, os negócios sociais parecem se aproximar desta nova forma de ao capitalismo neoliberal. Segundo Boltanski e Chiapello (2009), no mundo conexionista a figura
apresentação do capital. do empreendedor especialista é figura central do novo espírito do capitalismo. Esse discurso
é bastante nocivo ao indivíduo e a sociedade, pois o modelo hegemônico o utiliza como forma
4.Procedimentos Metodológicos de disseminar a meritocracia, e, por meio disso, o homem com meras escolhas pessoais, em
que cada um é responsável pelos próprios resultados alcançados, como se todos tivessem as
Esta pesquisa, derivada de trabalho de dissertação, tem como objetivo situar os negócios sociais mesmas condições, e o sujeito que não alcança o sucesso se coloca perante a sociedade como
como parte do novo espírito do capitalismo, além de apontar contradições do modelo. Nesse um fracassado.
sentido, a perspectiva adotada foi a qualitativa, que também buscou iniciar uma discussão de
cunho teórico, relacionada principalmente ao objetivo do trabalho, que procura conhecer o objeto Nos negócios sociais o empreendedor é o que Boltanski e Chiapello (2009), destacam como
não se preocupando em mensurar, avaliar, generalizar ou criar perfis a respeito do fenômeno tipos ideais ou ser humano mínimo, ou seja, portadores de características que são necessárias
que, neste caso específico, é o modelo Yunus e sua relação com o novo espírito do capitalismo, para manutenção e ao mesmo tempo transformação do sistema. Assim pode-se questionar o
utilizando um conjunto de técnicas interpretativas que visam compreender os componentes de papel dos negócios sociais e seus semelhantes na atualidade, visto que corroboram as novas
sistemas complexos (Minayo, 2003; Évora, 2006). características do capital não se apresentando como alternativa. Em uma crítica a esses modelos
que se utilizam da figura do empreendedor (incluindo o modelo Yunus), Casaqui (2015, p. 52)
Dado que o assunto tratado neste artigo ainda é uma área incipiente, este estudo se configura destaca:

1091 1092
6. Considerações Finais
Esse agente emerge da combinatória da vertente social, associada ao trabalho devoto pelo
bem comum, com a mítica do empreendedor – figura também de longo percurso histórico, Para finalizar, ressalta-se que o discurso dos negócios sociais associado a redução da pobreza,
emblemático para a lógica liberal capitalista. Termos advindos dos processos capitalistas, da se mostra como mais uma forma de engajamento, pois o lucro por si mesmo não se coloca como
gestão corporativa, por meio dos quais se estabelece uma espécie de herói contemporâneo. fonte de satisfação. Além disso, mesmo que o negócio social deva ter lucro e ser autossuficiente,
Um sujeito que agrega tanto a eficácia das técnicas e tecnologias do capitalismo, quanto uma a imagem que permanece é a de um negócio que busca resolver um problema social e não a
formulação de utopia pragmática, um sonho materializado, concreto. perseguição do lucro. Sendo assim, cabe questionar o destino desses negócios quando acabarem
os problemas.
Nesse contexto, as transformações no espírito do capitalismo que são acompanhadas por
mudanças nas formas de ser e viver se utilizam dessa figura do empreendedor para ser seu Referências
agente e espelho para projetos de vida. Casaqui (2015) afirma que esse empreendedor possui
um ethos messiânico, representando a sociedade por projetos, que é pautada por vínculos móveis Barki, E (2014). Negócios com impacto social. Revista de administração de empresas:
e o bem estar através do mercado. São Paulo, v. 54, n. 5, Out. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0034-75902014000500594&lng=en&nrm=iso>.accesso em: 01 Mar. 2015.
Ao partir do pressuposto de que o capitalismo incorpora as críticas destinadas ao seu espírito para http://dx.doi.org/10.1590/S0034-759020140513
que possa adotar práticas mais condizentes com o contexto, destaca-se algumas características
do modelo de negócios sociais tais como a horizontalidade na hierarquia, horários e locais de Boltanski, L.; CHIAPELLO, È (2009). O novo espírito do capitalismo. São Paulo: Martins Fontes.
trabalho flexíveis, tarefas por demanda e maior participação dos trabalhadores nas decisões,
que visam se apresentar de forma mais sutil aos trabalhadores, contudo permanecem com foco Casaqui, V (2015). A construção do papel do empreendedor social: mundos
em obter maior engajamento dos trabalhadores (Yunus Negócios Sociais, 2017; Boltanski E possíveis, discurso e o espírito do capitalismo1. Galáxia (São Paulo), São Paulo,
Chiapello, 2009). n. 29, p. 44-56. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S198225532015000100044&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16 mar./2016.
No site do modelo Yunus e em suas redes sociais é possível encontrar diversas frases de impacto.
Como exemplo, “Sonho com o dia em que não haverá mais pobreza. Com o dia em que as novas Comini, G (2011). Negócios sociais e inclusivos: um panorama da diversidade conceitual.
gerações terão que ir a museus para saber como era viver na pobreza” (YUNUS NEGÓCIOS Instituto Walmart, projeto “Mapa de Soluções Inovadoras – Tendências de 13 empreendedores
SOCIAIS, 2017). Essas frases têm o claro objetivo de angariar e engajar novas pessoas para os na construção de negócios sociais e inclusivos” realizado em parceria com a Ashoka. 2011.
negócios, bem como acontece com o novo espírito do capitalismo (Boltanski E Chiapello, 2009). Disponível em: <http://www.walmartbrasil.com.br/noticias/negocios-sociais-e-inclusivos-um-
panorama-da-diversidade-conceitual/>. Acesso em: 18 set./2015.
Ao retomar a questão de em que medida os negócios sociais se diferenciam da empresa tradicional,
o que conclui-se é que embora possuam algumas características distintas, os negócios sociais Évora, I (2006). Metodologia qualitativa: experiências em psicologia social. Seminários em
se assemelham muito as empresas tradicionais, dado que muitas características desse que se Psicologia, Universidade Autonomia: Lisboa.
diz novo modelo, parecem ser novas roupagens para velhas ideologias, mesmo porque a empresa
tradicional também vem se modificando e oferecendo mecanismos de controle e engajamento Godoi, C. K.; Bandeira-de-mello, Rodrigo.; Silva, A (2006). Pesquisa qualitativa e o debate sobre
mais sutis aos trabalhadores. a propriedade de pesquisar. In________. (Org.) GODOI, Cristiane. K.; Bandeira-De-Mello, R.; Silva,
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1093 1094
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Empresas. São Paulo, v. 35, n. 3, p. 20-29, mai/jun. 1995.
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Minayo, M. C. S (2003). Pesquisa social: Teoria, Método e Criatividade. Rio de Janeiro: Vozes.
Yunus, M (2008). Um mundo sem pobreza: a empresa social e o futuro do capitalismo. São Sandra Farías2
Paulo: Ática.

______ (2010).Criando um negócio social: como iniciativas economicamente viáveis podem La revolución industrial fue la fuerza conductora en una época de grandes transformaciones
solucionar os grandes problemas da sociedade. Rio de Janeiro: Elsevier. del campo económico, algo que llevó a contar con nuevos actores en ese espacio y desafió la
existencia intelectual de ese periodo. Esto condujo a pensar en nuevos marcos de interpretación
Yunus social business (2004). Growing business that matter. Disponível em: <http://www. de esa escenografía, por medio de nuevos conceptos y a través de otras herramientas, a efectos
yunussb.com/wp-content/uploads/2014/09/YSB-Investment-Report-Web.pdf>. Acesso em: de explicar y analizar ese nuevo modelo que emergía en la acción económica, pero también en la
25 fev./2015. propia acción empresarial. (Chandler, 1987).

______ (2015). Social business. Disponível em: <http://www.yunussb.com/>. Acesso em: 25 La llamada revolución industrial, muy especialmente la que tiene lugar en la primera mitad del
fev./2015. siglo XIX, será el espacio temporal donde se desarrolla con mayor fuerza, principalmente en
Inglaterra y con algunas manifestaciones de cierto peso en otros países de Europa (Bélgica,
Yunus negócios sociais (2017). Negócios Sociais. Disponível em: <http://www. Holanda y Francia), la especialización productiva y el surgimiento de nuevas empresas.
yunusnegociossociais.com/>. Acesso em: 16 Jan./2017.
Estos hechos llevan a que la naturaleza económica de buena parte de esos sectores de la economía
sean más intensivos en la incorporación de capital, tecnología y gestión empresarial, dando lugar
a la llamada “Empresa moderna” que tendrá como rasgo distintivo el de crear varias unidades
de producción que deberán ser administradas por una jerarquía particular, los altos ejecutivos, a
los que luego se denominará managers. (Valdaliso y López, 2008).

Este artículo indagará cómo esas marcas socio históricas que provinieron de la revolución
industrial, están presentes en la empresa moderna y se visibilizan a través de cargos, funciones y
un tipo de comportamiento diferente que lenta, pero progresivamente, creara el género literario
del management, entendido como una teoría de gestión que establece valores propios a las
estructuras económicas y da lugar a un discurso concreto que aspira a tener un alto valor
1. El presente trabajo forma parte del Proyecto de Investigación “Las Organizaciones Económico Empresarias de Paraná y su relación con la
responsabilidad social empresaria la sostenibilidad y el medio ambiente”, integrado por docentes investigadores, estudiantes y graduados de la
Facultad de Ciencias Económicas de la UNER y dirigido por el Dr. Manuel Cavia.
2. Facultad de Trabajo Social UNER. Email: sandrafarias@live.com.ar

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pragmático (Cavia, 2013). Pero también es posible encontrar, en este caso a mediados del siglo Inglaterra, este país era aun marcadamente agrario y al momento de su muerte era claramente
XIX, las marcas y condiciones socio históricas de las transformaciones del capitalismo, además industrializado.
de las formas de argumentar, narrar o persuadir que circularon en una determinada sociedad.
La novela de Gaskell fue muy exitosa cuando se inició, atento que se publicó en un periodo de
Por ello, el artículo pondrá su interés en analizar cómo la literatura de la época reflejó la ideología 22 entregas, teniendo como eje, además de las particularidades de sus personajes, de como
del management, su lucha por dejar en el pasado el antiguo régimen y como se reforzará el nuevo ellos se encuentran inmersos en la problemática que se desata en la disputa entre obreros y
orden, las nuevas formas de trabajo, las organizaciones a gran escala, la naturaleza del liderazgo, patrones y la propia vida del personaje central no se vuelve más favorable, más cuando los
la construcción de la autoridad empresarial; en síntesis, esa nueva forma vida industrial a gran problemas económicos y sociales que debe afrontar son altamente severos, teniendo siempre
escala y los problemas humanos de una civilización industrial y las controversias que se dieron como trasfondo ese mundo industrial.
desde sus comienzos.
La obra titulada Tiempos difíciles de Dickens, también será una novela publicada por entregas
Tomar la literatura para ver estas marcas socio históricas, nos introduce a la posibilidad de formato que, por cierto, era parte de la modalidad que se usaba en aquella época en la que no
un análisis comparativo de los vínculos en las complejas relaciones que ella plantea. Además, todo el mundo poseía los recursos para comprar un libro. En términos generales, buena parte de
esta propuesta nos permite desarrollar una interpretación alternativa, en este caso vía una elite la obra de Dickens se ocupa de describir las deplorables condiciones de las clases proletarias. En
intelectual que pone en consideración los frescos de la cultura intelectual burguesa y el análisis esta obra, como se verá, destaca cómo la clase proletaria tendrá en el trabajo su único modelo de
implícito con que nos encontramos en los textos seleccionados y la posibilidad de reencontrarnos vida por seguir y el de los patrones que se dedicara a controlar la vida y disciplina en las fábricas.
con el “espíritu del tiempo” y ese sistema de ideas, símbolos comunes y los sentidos de vida que
expresan los personajes de las novelas. (González García, 1987). En cuanto a la tercera obra que integra el corpus, ”El Paraíso de las damas” de Emile Zola, fue
publicada en Francia en 1883. La novela tendrá a Francia como el espacio donde se desarrolla
Consideraciones con respecto al corpus y narra la historia de una joven provinciana que por diversas circunstancias va a vivir a París y
comienza a trabajar en los antiguos almacenes que existían y, en ese contexto, el relato da cuenta
El corpus es un conjunto de secuencias discursivas estructuradas según un plan definido con de cómo esos comerciantes son incapaces de adaptarse a los nuevos tiempos, pero también
referencia a un tipo de discurso que, en este caso, lo constituyen los diferentes textos referentes de cómo ese modelo de comercio es reemplazado por otros, en donde los grandes almacenes
a la temática del management del siglo XIX. Por ello, el corpus seleccionado tiene una entidad, emergerán como el modelo a seguir y también de cómo serán esos grandes almacenes los que
posee un origen a partir del cual comienzan a aparecer cuestiones de forma y fondo que se hundirán a los pequeños. En ese contexto habrá una clara descripción de los perdedores de ese
reiteran en las obras inherentes al género; en el caso de este tipo de literatura, las reiteraciones proceso y sus incapacidades para adaptarse a los nuevos ritmos de los tiempos.
son significativas en la reproducción del género en su totalidad.
Es importante destacar que, más allá de las particularidades que se dan en los dos países, lo
El corpus seleccionado está integrado por tres novelas, dos de ellas escritas por autores ingleses constante serán esos rasgos que impondrá el proceso de industrialización y que vendrán para
y publicadas en Inglaterra, a mediados del siglo XIX: Norte y Sur de Elizabeth Gaskell de 1855 quedarse. La industrialización será pensada como obra de una naciente clase empresarial que
y Tiempos difíciles de Charles Dickens de 1854. Ambas tendrán como escenario la Inglaterra busca el reconocimiento social de los grupos gobernantes al mismo tiempo que, sus ideas y
encaminada hacia fuerte proceso de desarrollo industrial, además de la caracterización de esa actividades económicas, desafiaran las tradiciones de los otros grupos políticos. Esta nueva
época como victoriana, algo íntimamente imbricado con la revolución industrial, denominación condición socio-profesional que emerge en este periodo, o sea los antecesores de los hoy
que se toma del extenso reinado de Victoria (1837-1901), algo que implica cambios profundos llamados managers, serán los directores de la organización técnica e industrial, siendo por
en cuanto a los aspectos culturales, políticos y económicos ya que cuando ascendió al trono de cierto, los fundamentos materiales indispensables de cualquier espacio de las civilizaciones

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modernas desde su propia perspectiva. en los enunciados construidos para la ficción. Para poder validar estos enunciados realizamos
un recorrido conceptual comparativo con el fin de constatar si la ficción está encuadrada dentro
El manager y el discurso del management. Los enunciados como acontecimientos discursivos de los mismos a priori históricos que constituyen las condiciones de posibilidad de los discursos
que se analizan en esta investigación. “Los espacios de saber de una época están sostenidos
La producción a gran escala, la expansión de las actividades, las plantas de personal cada vez por los a priori históricos definidos por ella. Los a priori históricos de cada época establecen las
mayores fueron consecuencias directas del crecimiento del capital y del cambio de la propiedad condiciones de posibilidad del saber, entendidas estas como el entramado histórico definido por
de la industria. Este escenario demandó de una administración experta que fuera ejercida por el conjunto de las prácticas discursivas. (...) Las condiciones de posibilidad de formulación de
cuadros diferentes a los dueños del dinero, que tuvieran la capacidad de enfrentar condiciones enunciados están socio – históricamente ancladas.”(Zangaro, 2011: 60)
cada vez más exigentes, no ya por las ganancias de su participación de capital sino por un
salario. La coyuntura donde estos nuevos emprendedores hicieron su aparición, les exigió El entorno en que se publicaron las novelas que integran el corpus marca cómo estos relatos
además creatividad, espíritu aventurero y una gran capacidad de aprender a gran velocidad y de encuentran su lugar en el contexto social del proceso post industrial y se convierten en espejo
manera autodidacta. (Sheldon, 1969). Estas características del incipiente manager, director o de la formación de un nuevo grupo social. La narración se convierte en narrativa de un proceso
administrador, se conservan en la actualidad a pesar de los cambios y la evolución de la actividad histórico que presta escenario y personajes de ficción a algo que se estaba gestando, ocupando
empresarial. Florencia Luci lo describe en La Era de los Managers: las calles, forzando nuevas relaciones laborales, y creando nuevas organizaciones.

“Se describe a los managers como a las personas de extracción generalmente media o La primera edición del libro Norte y Sur como tal apareció en 1855 (en dos volúmenes), seguida a
baja que, sin ser los dueños del capital, llevan adelante el proceso de valorización. Esto los pocos meses por una segunda edición. Pero un año antes la novela fue difundida en la revista
implica la preocupación central de los patrones de lograr que un grupo de asalariados “Household Words”, en veintidós entregas semanales (desde septiembre de 1854 hasta enero
dirija con eficacia una organización que no les pertenece, obtener su lealtad e implicación de 1855). La revista, publicada en Inglaterra a partir de 1850 y dirigida por Charles Dickens,
y además poder controlarlos.” (Luci, 2016) lleva un nombre tomado de la obra de Shakespeare “Enrique V” y la frase completa donde se
encuentra, significa “familiar en sus bocas como palabras domésticas”. El contenido de este
Como ya hemos señalado, el objeto concreto de estudio de esta investigación se construye a periódico incluye textos breves originales de ficción y artículos de periodismo social de lucha.
partir de tres novelas escritas en Francia e Inglaterra durante la segunda mitad del siglo XIX. La
selección tiene que ver por un lado con la temática de las novelas, es decir, lo escrito, y por el otro John M. L. Drew , en Dictionary of Nineteenth-Century Journalism, comenta acerca de “Household
con lo posible de escribir (lo decible) en esa época (Angenot :2010), para lo cual servirá el corte Words” que el contenido fue “algo bastante híbrido, (…) estaba dirigida a familias de clase
sincrónico arbitrario establecido. El material consultado acerca de la historia del management media y personas de influencia, pero también a lectores de la clase trabajadora que estaban
sugiere considerar como eje temporal la segunda mitad del siglo XIX y la primera del siglo XX. interesados en mantenerse actualizados. De los más de 380 contribuyentes, alrededor de 90
Y como centro geográfico, Europa occidental, principalmente Inglaterra y Francia, teniendo en eran mujeres pero la mayoría de los artículos fueron escritos por un pequeño cuerpo integrado
cuenta los procesos diferentes de evolución tanto de la industrialización como del pensamiento. por redactores fijos o por personal de “cabecera” a quienes Dickens entrenaba para que
La decisión metodológica de trabajar con obras literarias permite abordar la personalidad de escribieran en un estilo claramente Dickensiano y que comulgaban con la agenda ampliamente
los incipientes “managers” como la construcción de un personaje de ficción, y de esta manera Liberal de su Editor.”3 (Drew, 2009). En esta referencia no se amplía el alcance del término
reconstruir su lenguaje, recuperar expresiones y conectar el uso individual de la lengua con el “dickensiano” para definir el estilo de escritura, un término ampliamente usado y con diversos
contexto. fines. En principio, y tan sólo para describir el tipo de publicación de la que hablamos, ésta está
teñida de la crítica a la pobreza y a la estratificación social de la sociedad victoriana. A través de
Buscamos dar cuenta de la formación discursiva del management a través de las diversas marcas 3. Mi traducción.

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sus trabajos, tanto literarios como periodísticos, Dickens mantenía una empatía por el hombre No sólo la práctica discursiva constituye y construye el mundo de significados posible y pensables
común y un escepticismo por la familia burguesa. Una de las características relevantes de su sino que además lo significa y lo transforma. “El discurso es un modo de acción de las personas
estilo era la parodia, la descripción de la realidad a través del cinismo, a veces revelado a través sobre el mundo y sobre las otras personas, al tiempo que un modo de representación”, (Zangaro,
de los personajes, sus nombres, o las analogías entre la vida real y la ficción. La mayoría de sus 2011).
novelas están relacionadas con el realismo social, enfocándose en mecanismos de control social
que dirigen las vidas de las personas, como por ejemplo en las redes industriales en Tiempos Conclusiones
difíciles y en códigos de clase hipócritas y excluyentes. Quizás su propia infancia de insolvencia
y marginación social pueda ser leída entre líneas en varias de sus obras. En Tiempos Difíciles, La construcción de la formación discursiva que hizo posible la circulación de un discurso social
Dickens presenta a un personaje, un empresario prominente, que tuvo, según él mismo afirma, como el del management debió valerse de teorías basadas en postulados ideológicos válidos
un origen de total marginación, y que se superó a sí mismo y es el artífice de su propio éxito para articular una relación entre jefes y obreros. “Se atribuyeron a empleadores o directores
y superación social y económica. En el discurso que conforma el personaje del Sr. Bounderby, cualidades de excelencia que los hicieron parecer dignos de las posiciones que ocupaban. (…)
formado principalmente por frases generalizantes de lo que es importante y lo que no, de cómo se El ejercicio de la autoridad también estaría justificado en términos de la posición subordinada
debe vivir y proceder, existen marcas de historias reales de la vida de Dickens, y los enunciados “por naturaleza” de la mayoría que obedece. A esto se agrega a menudo otra referencia al orden
son presentados desde la burla, provocando un efecto descalificador sobre los argumentos de social que significa una promesa para la mayoría que, con el debido esfuerzo, podría elevarse y
Bounderby. “yo no tenía zapatos que ponerme” – dice Bounderby en un pasaje de la novela, aún avanzar hacia posiciones de autoridad.(…)” (Bendix,1966)
“en cuanto a calcetines, no los conocía ni de nombre siquiera. Pasaba el día en una zanja y la
noche en una pocilga. Así celebré mi décimo cumpleaños.” Y continúa, “durante años fui una de Hemos recorrido el corte temporal analizado en este trabajo y hemos podido poner en paralelo
las criaturas más míseras que han existido…Iba tan desarrapado y tan sucio que ni con pinzas los textos y relatos literarios con la literatura socio histórica que da cuenta de este período. Tal
hubiera usted podido tocarme”. Y luego contrasta estos malos orígenes con su éxito posterior. como en la realidad, los relatos de ficción aparecen tensionados por ideales que se complementan
“Ignoro en absoluto cómo resistí todo esto. Sospecho que a fuerza de voluntad. … Y heme aquí, y se oponen a la vez, y si bien en las obras literarias los hechos están narrados desde la estética
ya ve a lo que he llegado, señora Gradgrind, y esto sin tener que agradecerlo a nadie sino a mí de la emoción y el éxito, las historias y las acciones de los personajes retratan un ajuste de la
mismo”. Dickens (2004: 22). moral que termina confirmando los ajustes de la moral social. (Sarlo 2011)

Tiempos difícil, de Charles Dickens, también fue difundida a través de una serie de entregas Bibliografía
semanales, en la publicación ya comentada.
Angenot, M. (2010), El discurso social, los limites históricos de lo pensable y decible. Buenos
El paraíso de las damas, cuyo título original en francés es Au Bonheur des Dames (A la alegría Aires: Editorial Siglo XXI.
de las damas), se publicó por primera vez en 1883. Es el volumen número once de la serie Les
Rougon Macquart, de este autor. Los Rougon-Macquart son una familia cuya historia se cuenta Bardin, L. (1977), Análisis de contenido. Madrid: Akal.
en una serie de veinte novelas, escritas entre 1871 y 1893. Lleva como subtítulo “Historia
natural y social de una familia bajo el segundo imperio”. Zola describe la sociedad durante el Barthes, R. (1990). La aventura semiológica. Barcelona: Paidos
Segundo Imperio de manera exhaustiva, sin olvidar ninguno de sus componentes, dando cabida
a las grandes transformaciones que se producen en esta época: urbanismo parisino, grandes Bell, D. (1991) El Advenimiento de la sociedad post-industrial. Un intento de prognosis social.
almacenes, desarrollo del ferrocarril, aparición del sindicalismo moderno, etc. Madrid: Alianza Editorial

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1103 1104
Capítulo 108 implementó observación participante, entrevistas en profundidad y análisis de documentos.

Caracterización de la organización objeto de estudio


El impacto cultural en los procesos de managerialización en el gobierno local.
Estudio de caso La organización objeto de estudio es un municipio ubicado en el denominado primer cordón del
Gran Buenos Aires de la República Argentina. La organización brinda servicios a los ciudadanos
Hernan Manzotti1 en Educación, Salud, Desarrollo Social, Seguridad, Servicios Públicos, Gobierno, Cultura y
Deportes.

Introducción La estructura de la organización es de tipo jerárquica, piramidal, vertical y compleja. Cuenta


además con departamentos funcionales y especializados con dependencias, estructurados en
En la República Argentina, históricamente los gabinetes de gobierno nacionales, provinciales y Secretarías. La cadena de mando es rígida y las comunicaciones son verticales y formales, por lo
locales se conformaron con cuadros de mando generado por integrantes que podíamos denominar que podríamos identificarlo con el modelo de una Estructura Mecanicista (Chiavenatto, 2009).
militantes del partido político vencedor. Se trataba de funcionarios con una gran formación en Al abordar el análisis estructural desde la propuesta teórica de Mintzberg (1996) se observan
cuadros políticos y, en algunos casos con formación específica de sus áreas de incumbencia. características tanto de la configuración denominada Burocracia Mecánica como también de la
Esta situación se modifica en los últimos años en la organización objeto de estudio. En las configuración Burocracia Profesional.
elecciones de octubre de 2011 obtuvieron la mayoría de los votos quienes hasta ese momento
se identificaban como la oposición de una gestión que había gobernado la ciudad por 24 años. Para analizar la Cultura de la organización objeto de estudio partiré de la concepción y el modelo
Con la consiguiente renovación de los gabinetes de gobierno de la organización, se incorporaron teórico de análisis basado en el análisis longitudinal-procesual, rescatando como concepto base
funcionarios provenientes de organizaciones privadas, de capitales nacionales y/o extranjeros, los dramas o hitos acaecidos en la organización que generan cambios en la cultura de la misma
siendo los sucesores de aquellos cuadros medios de conducción del capitalismo argentino. Muy (Pettigrew, 1980). Resulta entonces imprescindible considerar la historicidad de la organización.
pocos de los nuevos funcionarios contaban con experiencias de gestión y/o conducción en el El hito organizacional que genera el cambio cultural en el período analizado se centra en el
Estado o Empresas del Estado. cambio de gestión ocurrido en el año 2011. El cambio de gestión se centró en primer lugar en
una mirada diferente hacia el principal destinatario de los servicios prestado por la organización:
El presente trabajo tiene por objeto describir los procesos de managerialización del área de el vecino. Esto se manifestó en las diferentes dimensiones definidas por Scholz (Hodge, 2003)
Recursos Humanos2 en una organización municipal del Gran Buenos Aires de la República en la evolución de la nueva concepción plasmada a través de diferentes etapas, como así también
Argentina y sus consecuencias en la cultura organizacional. El punto de partida del estudio se el trabajo realizado internamente, a través de la concientización a los empleados municipales del
basa en un supuesto inicial que considera incompatible la implementación de las herramientas nuevo modelo y la dimensión externa, centrado en los vecinos del partido.
y técnicas de gestión de Recursos Humanos a las realidades de las culturales organizacionales
de los gobiernos locales. Desarrollo

La metodología utilizada en éste caso se basó en un Estudio de Caso. Se utilizó diseño descriptivo, a.Los cambios generales
apoyado en un abordaje cualitativo. Se trabajó a partir de una combinación de técnicas. Se
1. Email: lic.hernanmanzotti@gmail.com El atravesamiento contextual de las organizaciones (Aglamisis, 2000), y en especial, en esta
2. Si bien se han generado modificaciones trascendentales en todo el sector, el trabajo se centrará en dos implementaciones específicas: la
correspondiente al proceso de Evaluación de Desempeño y la creación del área de Comunicación Interna.
organización se vio reflejado claramente al producirse un cambio de gestión. La nueva gestión trajo

1105 1106
consigo la incorporación de funcionarios provenientes de organizaciones privadas de capitales gestión anterior en lo que respecta a la metodología de diseño de la herramienta, los alcances y
nacionales y/o extranjeros, siendo los sucesores de aquellos cuadros medios de conducción del público a quien estaba destinado. Las diferencias radicaban en:
capitalismo argentino identificado por Szlechter (2015). Muy pocos de los nuevos funcionarios - La concepción de la evaluación
contaban con experiencias de gestión y/o conducción en el Estado o Empresas del Estado. - La evolución del concepto dentro de la organización
- La implicancia del resultado de la evaluación
El cambio de gabinete trajo aparejado lo que Pettigrew (1980) define como un “drama social” - Los roles de evaluador.
o “hito” en la organización, basándose en que el cambio no es solo una modificación superficial
que implique continuidad, sino que lleva consigo un cambio que afecta desde los valores, la Una característica distintiva desde el momento de la implementación de un sistema en el que
ideología, hasta el lenguaje, los ritos y mitos de la organización. se reconozca el desempeño de los empleados radicó en los diferentes cambios que tuvo la
herramienta, como así también las implicancias. El cambio sustancial se produce con la creación
En el área específica de Recursos Humanos los cambios se fueron generando paulatinamente. de un Diccionario de Competencias Laborales de la organización. El espíritu del diccionario
Al comienzo de la nueva gestión se observaron serias dificultades por parte de las nuevas contiene lo planteado por McClelland (1973) cuando indica que la eficiencia de la medición
autoridades para entender ciertas lógicas de los sistemas administrativos y culturales tanto se realiza comparando los exitosos con los que se desempeñan en promedio. El problema es
de las organizaciones estatales en general como en la particularidad de la organización objeto que resulta complejo la incorporación del sistema de competencias teniendo en cuenta que el
de estudio. Se observaron también dificultades en los empleados municipales quienes habían mismo se basa en cualidades “innatas” reemplazando a los requerimientos o las calificaciones
conformado su identidad con marcos referenciales diferentes a los propuestos. necesarias para ocupar y desempeñarse en un puesto (Luci, 2016; Zangaro, 2011).

Al analizar los cambios generados por la nueva gestión, particularmente en temas de Recursos Con estos cambios que fueron incrementándose en complejidad en la herramienta y el proceso,
Humanos, se observa una evidente jerarquización del área. La misma se evidenció en un cambio en se reforzó año a año la idea de la necesidad de reconocer el “esfuerzo” y no atribuirse logros
la estructura organizacional, al obtener el nivel máximo en la estructura. En paralelo, se produce laborales a voluntades de ciertos funcionarios, lo que sería la herencia atribuida mencionada
un proceso de profesionalización, donde los cargos directivos comienzan a ser ocupados por por Van Dollingerregnier (como se citó en Szlechter, 2014). Tal como lo plantean Battistini y
profesionales provenientes de las Relaciones del Trabajo, el Derecho y las Ciencias Económicas. Szlechter (2015) para las grandes firmas, en esta organización se puede observar que el modelo
Se generan otras estructuras directivas internas, especializándose cada una de las Direcciones de gestión por competencias termina posicionado el “carácter ideológico del mérito como
a cargo. principal criterio para la edificación de categorías”. Como reforzamiento de la idea de mérito, se
implementó una Bonificación por Desempeño Destacado, apoyados en la noción de los teóricos
b. La Evaluación de Desempeño del Capital Humano cuando sostienen que la “productividad se ve reflejada en la remuneración”
(Becker, 1962; Schultz, 1948).
Como parte de la nueva mirada propuesta y el proceso de profesionalización, se decide volver a
implementar un sistema de Evaluación de Desempeño. La evaluación tenía como destinatarios a Cuando intentamos indagar más allá de los objetivos manifiestos de la evaluación de desempeño,
los comprendidos en la carrera municipal hasta el nivel de Director inclusive, quedando excluidos comienzan a evidenciarse los impactos en la cultura de la organización, con la transferencia
quienes ocupaban los cargos considerados como “políticos”3. de los “saberes gerenciales o manageriales”. Se observaron en los directivos que solicitaban
a sus empleados que tengan “pasión” por el trabajo que realizan. Esta “pasión” debía ser
El nuevo sistema de Evaluación de Desempeño guardaba similitudes con los implementados en la llevaba adelante por lo que denominaban “equipo”. Se utilizaba el término “equipo” en lugar
del de “Grupo de Trabajo” (Bion, 1972), basado sobre todo en concepciones manageriales.
3. Es dable aclarar que si bien no se trata de sistemas de evaluación para niveles gerenciales o manageriales como es el caso de los textos planteados
en el material bibliográfico (Battistini, y Szlechter, 2015; Szlechter, 2013, 2014, 2015), considero resulta pertinente la asociación.
Un dato destacable es que la conformación de estos “equipos” tuvieron una transformación

1107 1108
importante en lo referente la franja etaria a través de la incorporación de “millenians” (Molinari, “vecinos” “colaboradores”, “gestión” y “gente”, respectivamente.
2011). Serán entonces quiénes puedan responder a la necesidad de “pasión” solicitada por las
autoridades. Rescato entonces el sentido clásico del término donde “la pasión designa todos los La propuesta comunicacional de basa en la idea de idea de “cercanía” y la invitación a ser
fenómenos en los cuales la voluntad es pasiva y queda subordinada a los impulsos e instintos” “protagonistas del cambio”. No apunta solo a cambiar las técnicas de comunicación, sino
(Szlechter, 2015, p.30) También, este “equipo” en ocasiones se transforma en “la familia también los modos y procesos de identificación. Arribando de ésta forma a un planteamiento
municipal” aportando una mirada un tanto más primarizada, y por ende, confusa, a la relación de la identidad institucional, entendida como el efecto público del discurso de una identidad
vincular laboral (Rojas Breu, 2002). (Chávez, 1994)

Este cambio cultural afecta a quienes ocupan cargos jerárquicos no políticos, los que en su Situación similar se observa en eventos destinados a los empleados de la organización.
gran mayoría, son trabajadores municipales profesionales con antigüedad que por un lado deben
cierta “lealtad” a sus nuevos superiores y por otro lado son cuestionados por los empleados a su Otra característica distintiva del cambio en la estrategia comunicacional se basa en la presencia
cargo. En el proceso de Evaluación de Desempeño se encuentran con la necesidad de “ubicar” a en las redes sociales. Las diferentes TICs (Tecnologías de Información y Comunicación) son
su personal en base a lo pautado por la “distribución normal” prevista en la Campana de Gauss, utilizadas en su totalidad como forma de promoción, publicidad o propaganda. Las relevadas
sin perder de vista que ellos mismos también pasarán por esa situación al ser evaluados. Es son la web del empleado municipal, los correos electrónicos, whatsapp, facebook, twitter y un
importante aclarar que el proceso es completamente rígido y no contempla excepciones. canal de You Tube donde se accede a una serie de videos generados por Recursos Humanos. De
hecho, se “privilegia” tanto en forma interna como externa que el contacto se realice por redes
Se pueden detectar entonces diferentes focos de resistencia (Szlechter, 2014,p.64) en el sociales. La tendencia es a que los empleados municipales utilicen para realizar sus consultas
proceso de implementación de la evaluación de desempeño. En algunos casos es el trabajador e incluso trámites via web del empleado. La dificultad radica que al consultar la cantidad de
el que aumenta su sujeción al trabajo como mecanismo de defensa contra la angustia que empleados que se encuentran registrados en la web la misma representa solo un 23% del total
genera la misma organización (Aubert y de Gaulejac, 1991). Es lo que Szlechter denomina “foco de los empleados.
de resistencia en el trabajo”. La resistencia también se manifestaba alrededor del trabajo,
considerando el mismo solo como un medio que le permite realizar las actividades realmente En las diversas piezas comunicacionales analizadas4, las aserciones (Verón, 1985) aparecen
deseadas. Diversas fueron las manifestaciones de resistencia contra el trabajo, siendo desde claramente en cada uno de ellos, no dejando de lado los aspectos propagandísticos. Teniendo
muy sutiles (ausentismo por licencias medicas prolongadas) hasta más explícitos (acciones que en cuenta los medios seleccionados, el lenguaje y la gráfica los destinatarios principales son el
generaban sanciones disciplinarias). público joven.

c. La Comunicación Interna En las piezas comunicacionales observadas se detecta un estilo discursivo social. Como
plantea Sznaider (2015) las fronteras socio discursivas se relacionan con los componentes
Los procesos de cambio organizacional y su impacto en la cultura de la organización se vieron regionales, políticos, generacionales y son transformados históricamente. Las propuestas de
reflejados en las políticas comunicacionales implementadas. En primer lugar, partimos de cambio reflejadas en la política comunicacional abarcó las dimensiones tanto política, técnica
la base que el cambio se manifiesta en tanto en el discurso manifiesto como en las piezas como comunicacional propiamente dicha, contemplando los elementos básicos de la Imagen
comunicacionales que se han generado. Institucional: realidad, identidad, comunicación y lenguaje. (Chaves, 1994)

Respecto de los conceptos utilizados para comunicar, dejaron de utilizarse algunos como
4. Las piezas comunicacionales analizadas fueron las publicaciones las destinadas al personal municipal: correos electrónicos, página web, las
“contribuyentes”, “militantes”, “administradores” y “pueblo”. Fueron reemplazados por publicadas en las redes sociales mencionadas, los boletines informativos y los videos publicados.

1109 1110
Conclusiones
Chaves, N.(1994) La imagen corporativa. Teoría y metodología de la identificación institucional.
La implementación de un sistema de evaluación de desempeño basado en el modelo de México: Gedisa Diseño.
competencias en un organismo público deja en evidencia la persistencia del espíritu managerial,
entrando en contradicción con los objetivos estratégicos de los organismos públicos. Por otro FERNÁNDEZ, J.L. y SZNAIDER, B. (2012) Comunicación de Gobierno: reflexiones en torno a un
lado, resulta curioso que ante la impronta de expertise esgrimida por las nuevas autoridades, se objeto. Pensar la Publicidad, 6 (2), 489-515.
hayan realizado cambios tan significativos en las concepciones, procedimientos y herramientas
de evaluación. Luci, F. (2016), La educación de los dirigentes de empresas. La formación en negocios y el
acceso a la cúpula de las principales organizaciones. En V. Gessaghi y S. Ziegler (comps.) La
Mas allá de la necesidad de organización de instalar la idea de cambio como parte fundamente formación de las elites. Investigaciones y debates en Argentina, Brasil y Francia. (pp. 227-247).
de la Identidad resulta importante la revisión de las políticas de Comunicación Organizacional ya Buenos Aires, Argentina: Manantial-Flacso.
que como lo señalan Fernandez y Sznaider (2012) “todo elemento de la institución de gobierno
comunica” y es la institución como producto de su propio acta de enunciación la que inscribe en Molinari, P. (2011) Turbulencia generacional. Buenos Aires, Argentina: Temas.
su discurso y construye una imagen de si misma y de aquel al que se dirige.
Pettigrew A.(1980) Acerca del estudio de las Culturas Organizacionales. Buenos Aires,
El reforzamiento también se refleja en los conceptos de meritocracia empleados en estos Argentina: EPSO.
procesos, en ocasiones más orientados a la “supervivencia del más apto” darwiniana que a
los aportes posibles de un trabajador en relación de dependencia. No obstante, y más allá de Rojas Breu, R. (2002) Método Vincular. El Valor de la Estrategia. Investigación Social, Estrategia
ciertas actitudes de consentimiento a las medidas, se observan claras resistencias, algunas más y Comunicación. Buenos Aires, Argentinas: Ediciones Cooperativas.
saludables y otras que dejan manifiestos los altos costos de la adhesión pasional (Aubert, y De
Gaulejac, 1993) a una organización. Szlechter (2014); El malestar en el orden meritocrático managerial. Una problemática de grandes
empresas de la Argentina. Revista de Ciencias Sociales de la Universidad de la República, 27
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1111 1112
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discurso político. Lenguajes y acontecimientos. Buenos Aires, Argentina: Hachette.
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de tensiones entre el mundo material y el inframundo simbólico
Von Dollingerregnier (2006). O que conta como merito no proceso deseleção de gerentes e
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doctorado en Ciencias Sociales. Universidades Federal do Rio de Janeiro, Brasil. En Szlechter
(2014); El malestar en el orden meritocrático managerial. Una problemática de grandes
empresas de la Argentina. Revista de Ciencias Sociales de la Universidad de la República, 27 Introducción
(35), 49-70.
El objetivo central del presente trabajo es, desarrollar una concepción integral de la
Zangaro, M. (2011). Capitalismo industrial y capitalismo cognitivo: gestión del saber y estrategias administración, entendiéndola como un tipo particular de praxis, la cual tiene como fin, regular y
de control. En M. Ruvituso (comp.) Cuadernos de pensamiento biopolítico latinoamericano 1, (pp. manejar las tensiones inherentes a la dinámica organizacional; dichas tensiones son el resultado
57 a 62) Buenos Aires, Argentina: UNIPE. de la convivencia de dos mundos: el material de “las cosas” y el inframundo de los significados.
Se propone pues, una re significación de la praxis administrativa, la cual se puede sintetizar como
un cambio cualitativo en su concepción: de verla -como sucede hoy en día en forma dominante-
como una actividad racional en búsqueda de la eficiencia con base en el control y utilización
al máximo posible de todos los recursos, a entenderla como un proceso político y simbólico
basado en el control de las tensiones que se manifiestan al tratar de alcanzar los objetivos de la
organización.

El texto inicia con la caracterización de metabolismo del fenómeno organizacional como resultado
de cuatro tensiones internas que son, justamente, los “motores” que le dan vida y movimiento
a toda organización.

Posteriormente, se describe la praxis directiva como un proceso de control y regulador de las


cuatro tensiones.

Finalmente, se describe a grandes rasgos, una guía metodológica encaminada al manejo


adecuado de las cuatro tensiones, la cual hemos titulado: Alineamiento Directivo.
Es importante señalar que ya en otros foros académicos, se han presentado algunos avances
preliminares de esta propuesta de re significación de la praxis directiva (por ejemplo, en el II
Congreso Internacional de la Red PILARES II-2012 y IV-2016, en el XVI Congreso Internacional
1. Profesor Investigador de la Universidad Autónoma Metropolitana (México). Email: apachecoe@hotmail.com

1113 1114
de Análisis Organizacional-2018). se rechazan y se necesitan al mismo tiempo: las tensiones políticas (entre individuos y grupos
de poder); las tensiones estratégicas (entre los objetivos organizacionales y las expectativas
1. El metabolismo del fenómeno organizacional. de los actores); las tensiones técnicas (entre la producción material de bienes y servicios y la
producción simbólica de sentidos); y las tensiones estructurales (entre la estructura y la cultura
Alrededor del fenómeno organizacional como objeto de estudio, se han gestado diferentes organizacionales). (Ver Fig. 1).
disciplinas científicas como, por ejemplo, la Sociología de la Organizaciones, la Administración, la
Teoría de la Organización, los Estudios Organizacionales, los Estudios Críticos del “management”; Cabe señalar que las organizaciones también interactúan en forma tensionante con su medio
la Ingeniería Industrial, etc2. ambiente exterior: con sus clientes o usuarios, con las organizaciones proveedoras de sus
insumos, con las instancias gubernamentales, con la Sociedad en general, etc., que por el
Es muy importante señalar que, la gran mayoría de estos enfoques administrativos está momento, escapan al análisis desarrollado en el presente texto3.
fundamentada en perspectivas epistemológicas de corte positivista (Burrell y Morgan, 1979),
que perciben el funcionamiento de las organizaciones como el de una máquina en busca de la
eficiencia; las personas que interactúan en ella se consideran y se manejan como un recurso
más con el que cuenta el administrador para conseguir los objetivos de la organización; y la
Administración misma se entiende como la aplicación acrítica de técnicas en calidad de recetas
universales e infalibles.

Con la argumentación desarrollada en el presente texto, pretendemos poner de pie al mundo


teórico de la Administración tomando como punto de partida, el análisis de las interacciones
cotidianas que tienen lugar entre sus actores, los cuales no sólo buscan producir con su
trabajo, los medios materiales de subsistencia de la sociedad (mercancías para el caso de las
organizaciones con fines de lucro, y bienes y servicios para el caso de organizaciones públicas),
sino que, además, buscan simbólicamente, darle sentido a sus actividades laborales. (Reygadas,
2002). Es decir, el corazón del funcionamiento de toda organización no está en la tecnología o
en los recursos financieros o en su posicionamiento en el mercado, sino en las personas que, Fuente: elaboración propia.
interactuando, la crean y la recrean todos los días; es decir, la esencia de las organizaciones se
encuentra en las relaciones sociales. (Etkin, 2009; Zangaro, 2011). 2. La praxis directiva.

Esta producción simultánea, de satisfactores materiales y de sentidos, por parte de los actores Como sabemos, la Administración interviene a las organizaciones con el fin transformarlas
organizacionales, da lugar a los dos mundos constituyentes del metabolismo de toda organización: con el fin de conseguir unos objetivos previamente determinados; es decir, se trata de una
el mundo material de “las cosas” y el infra mundo “de los significados”, los cuales se encuentran disciplina eminentemente transformadora y no especulativa o puramente teórica, en este
siempre en tensión, fuerte o débil, pero siempre en tensión. (Pacheco, 2012). sentido, podemos entenderla como un tipo específico de praxis4. Así, cuando nos referimos a la
praxis administrativa, lo que queremos decir es que se trata del pensamiento y la acción crítica
Dicho metabolismo se manifiesta a su vez, en cuatro tensiones internas, cuyos componentes 3. Ver: Díaz Mata (coord.), (2016).
4. Praxis es el proceso de pensamiento y acción crítica de transformación práctica de la realidad con base en referentes teóricos. En este sentido praxis
2. Una revisión crítica de las principales corrientes del pensamiento administrativo se pude ver en: Aktouf y Suárez (2012). es la categoría filosófica que une como un todo a la teoría y a la práctica. (Sánchez, 2003).

1115 1116
transformadora de la realidad organizacional a partir de la definición y concreción de objetivos, se mencionó, en las relaciones entre los actores organizacionales en función de sus intereses
orientando hacia ellos los procesos y la estructura, y sustentado todo ello, en la negociación de particulares, individuales y de grupo -con los que se puede estar o no de acuerdo-, tienen lugar
intereses de los actores. dentro de marcos jurídicos concretos. Recordemos que toda acción administrativa es, ante
todo, un acto humano interviniendo en actos entre humanos; y como todo acto humano, está
Es decir, se trata del manejo y control de las cuatro tensiones descritas, a través de un conjunto impregnado de valores, intereses, subjetividades, por lo que no se puede hablar de neutralidad
de metodologías y técnicas específicas para apoyar la operación de cada una de ellas, y que directiva. (Zangaro, 2011).
llamamos “riendas administrativas”. Así, la praxis administrativa consiste en llevar, en forma
simultánea, cuatro “riendas” por parte del cuerpo administrativo, en cada uno de los niveles de Nuestro enfoque pretende salirle al paso y superar el entendido generalizado, de reducir a la
la organización. praxis directiva a una actividad puramente práctica al limitarla a un “saber hacer”, bajo el
supuesto equivocado de que cualquier persona puede dirigir bien una organización. En este
La “rienda” estratégica está orientada a manejar y controlar la tensión entre los objetivos de sentido, no se encontrará aquí, una receta más de esas que hoy en día inundan la literatura del
la organización y las expectativas de los actores organizacionales. La “rienda” técnica busca “management”, basadas la mayoría, en visones mecánicas e ingenuas (“funcionalistas”) del
regular la tensión entre los procesos de producción material y los procesos de producción de funcionamiento de las organizaciones, y que prometen transformarlas de la noche a la mañana
sentido. La “rienda” estructural tiene como objetivo, controlar la tensión entre la estructura en máquinas más “inteligentes”, más “emocionales”, más “humanas”, más “creativas”, más
de la organización y la cultura (o culturas) que se van generando dentro de la dinámica de la “innovadoras”, más “competitivas”, más “rentables”, más “productivas”, “de clase mundial”,
organización. Y finalmente la cuarta “rienda”, tal vez la más delicada y difícil de llevar a la práctica, de “excelencia”, etc6.
la “rienda” política, es la que tiene como objetivo, reconocer y regular las contradicciones y
tensiones que se dan debido a los diferentes intereses de los actores que intervienen cada día, en 1. Metodología para regular las tensiones del metabolismo organizacional
el funcionamiento de la organización5.
La herramienta metodológica de intervención para la praxis administrativa y que hemos titulado
Tomando en cuenta estas cuatro “riendas”, podemos caracterizar el perfil general del como el Alineamiento administrativo, consiste en una serie de pasos para instalar y controlar las
administrador como la antítesis del directivo positivista, incorporando las cuatro habilidades cuatro “riendas administrativas” mencionadas; dicha herramienta se compone de tres fases: la
y características básicas que debe poseer: ser un estratega para controlar los objetivos de diagnóstico, la de diseño y la de mejora.
organizacionales y las expectativas de los actores; ser un mejorador para controlar los procesos
materiales y los simbólicos creadores de sentido; ser un negociador para manejar y controlar El primer paso consiste en definir clara y explícitamente, los objetivos estratégicos de la
los intereses de los actores organizacionales; y ser un configurador para diseñar estructuras y organización (en el mundo material), involucrando tomado en cuenta las expectativas de los
orientar las culturas organizacionales. actores organizacionales (en el inframundo simbólico).

Desde nuestra perspectiva, la praxis administrativa no busca hacer más rentables o más Enseguida, se deben alinear los procesos, tanto en su diseño como en su operación a dichos
productivas o más exitosas a las organizaciones, sino fortalecer al cuerpo administrativo para objetivos estratégicos (en el mundo material), tratando de que los actores que los ejecutan le
que se encuentre en mejores condiciones de enfrentar un ambiente altamente cambiante y encuentren sentido a sus tareas cotidianas (en el inframundo simbólico).
turbulento, tanto en el interior de la organización como en su relación con el exterior.
Posteriormente, se asegura que la estructura (puestos, funciones, atribuciones, responsabilidades,
Así mismo, no hay que olvidar que toda acción administrativa, la cual está basada, como ya
6. Unas de las propuestas que más han impactado entre los directivos de las grandes empresas de los países llamados desarrollados pero que no dejan
5. Ver: Saratxaga (2007). de ubicarse dentro de las visones mecanicistas de la organización, son: Laloux (2016), Hamel (2009) y Buckingham y Coffman (2009), entre otros.

1117 1118
etc.) orienten decididamente, la operación de los procesos hacia los objetivos estratégicos (en las relaciones sociales que tiene lugar entre sus actores; no se trata de una máquina procesadora
el mundo material), apoyándose en las culturas que se van construyendo entre los actores y optimizadora del uso de recursos (incluidos los “humanos”).
organizacionales (en el inframundo simbólico).
• El metabolismo de las organizaciones, es en realidad, el resultado de una lucha cotidiana
Estas tres acciones de la praxis administrativa se complementan con una acción que corre contra sí mismas, es decir, contra sus propias tensiones y contradicciones que la conducen a
transversalmente y que, tal vez, sea la más delicada y difícil de lleva a la práctica: la negociación su desaparición.
de los intereses de todos los actores organizacionales.
• La praxis directiva es en esencia un acto político y no una actividad racional, como lo propone
La concepción tensionante del metabolismo organizacional, así como la praxis directiva junto la visión positivista, dominante actualmente, tanto en la academia como en la práctica directiva
con su herramienta metodológica (el Alineamiento Directivo), la hemos llamado: el enfoque de de las organizaciones reales.
la Dirección Integral, el cual incorpora las técnicas que se han desarrollado en cada una de
los ámbitos de las cuatro “riendas administrativas”: la Dirección Estratégica, la Dirección por • La praxis directiva consiste en un conjunto de acciones encaminadas a disminuir las tensiones
Procesos, la Dirección Participativa y el Diseño Organizacional. (Ver Fig. 2). que se generan durante el funcionamiento cotidiano de las organizaciones, y que, por lo tanto,
son inherentes a su metabolismo.

• El corazón de la praxis directiva es la negociación de los intereses de los actores organizacionales.


Finalmente, la principal conclusión de nuestra re significación de la praxis directiva es que, lo que
en realidad hace un administrador, es gestionar relaciones sociales. (Ver Fig. 3).

Fuente: elaboración propia.

Reflexiones finales.

La re significación de la praxis administrativa que argumentamos en el presente texto se


caracteriza por lo siguiente:

• La organización es un producto social, es decir, su metabolismo inicia y termina y es producto de

1119 1120
Referencias
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1121 1122
Capítulo 110

Responsabilidade social corporativa na mineração em São Paulo: Pequenas


empresas, grandes danos

Renata Cherém de Araújo Pereira1 y Amon Narciso de Barros2

O objetivo deste trabalho é analisar os significados que a responsabilidade social corporativa


(RSC) assume paraatores representantes do mercado, da sociedade civil e do Estado na
mineração de agregados em São Paulo3.

O termo mineração de agregados é utilizado no Brasil para designar um segmento do setor


mineral que produz matéria prima especialmente para emprego na construção civil. Os
principais produtos são areia, rocha britada e industrial e argila (Anepac, 2004). Estes têm
Discursos y prácticas de sustentabilidad y diversas aplicações, tais como: construção de pontes, edificações, ferrovias, gabiões, muros de
contenção de base, pisos, pátios, galpões, estradas, tubulações, tanques, entre outros (Serna,
responsabilidad social en el Estado neoliberal: 2009). Ou seja, se destinam a atender à implantação e manutenção de obras de infraestrutura
análisis desde la multidisciplina y complejidad e tem aplicações em várias atividades essenciais ligadas ao desenvolvimento econômico. São
utilizados, por exemplo, em habitações, sistemas viários, reservatórios de água para consumo
humano ou geração de energia e outros (Cavalcanti; Parahyba, 2012).

O setor de mineração de agregados difere de outras atividades de mineração especialmente


em relação ao grande número de reservas, à distribuição geográfica da atividade, e ao porte
dos empreendimentos (Poletto, 2006). Em função dogrande volume físico de comercialização,
e baixo valor, sua utilização depende de métodos operacionais e de movimentação de baixo
custo, com localização perto do mercado consumidor (Serna; Rezende, 2009). Nesse sentido,
a mineração dos agregados ocorre próxima a centros urbanos, devido a influência do custo do
transporte no preço do produto (de um a dois terços do valor final) e à localização da jazida
(Batista, 2010).
1. Fundação Getulio Vargas. Email: cherem.renata@gmail.com
2. Fundação Getulio Vargas. Email: amonbarros@gmail.com
3. Ciente da multiplicidade de atores que formam essas três dimensões da sociedade, destaca-se que essa pesquisa irá considerar o mercado sendo
constituído pelas mineradoras, tendo como representantes os sócios e os funcionários dessas corporações. A sociedade civil será representada pelos
membros das comunidades do entorno das mineradoras. O Estado, por sua vez, será constituído pelo Poder Legislativo, Poder Judiciário, Departamento
Nacional de Produção Mineral, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, Secretaria de Energia e Mineração e Secretária do Meio Ambiente.

1123 1124
em relação aos empregos anunciados (Misocky; Bohm, 2013). Em 2017 em El Salvador, após
Por ocorrer próxima a centros urbanos, além dos problemas comuns à mineração em geral, a vários protestos de ativistas da sociedade a mineração de ouro e outros metais foi proibida
mineração de agregados adiciona-se questões específicas. Os impactos visuais e na saúde se no país (New York Times, 2017). No Brasil, em São José dos Campos (SP), pesquisadores,
fazem presentes nos indivíduos que vivem em seu entorno (degradação do solo, retirada de ambientalistas e Organização Não Governamentais (ONG´s) conseguiram proibir a mineração no
vegetação, escavações, modificação da paisagem local, emissão de fragmentos, fumo, gases, município desde 1990 (Suzumura, 2016). Outro exemplo mais recente de pressão da população
poeira, ruídos) (Poletto, 2006). Esses impactos fazem com que os benefícios vindos da atividade brasileira ocorreu em 2017, quando, pressionado pela comunidade nacional e internacional,
sejam colocados em xeque e, quanto menos convincente a ideia de que a mineração promove o governo revogou o decreto que tinha como objetivo liberar a Reserva Nacional de Cobre e
o bem estar e o desenvolvimento das comunidades locais, mais os indivíduosserão intolerantes Associados (RENCA), na floresta Amazônica, para exploração de mineradoras (El País, 2017).
com essa atividade extrativa e maiores conflitos serão gerados (Idemudia, 2009; Kemp, Owen,
Gotzmann & Bond, 2011; Misoczky & Böhm, 2013). É nesse cenário que entram os projetos de No que concerne o terceiro problema, foco cada vez maior do setor financeiro em empresas com
responsabilidade social corporativa, os quais são utilizados para a promoção do desenvolvimento gestão responsável, este se relaciona diretamente com a reputação das empresas. Há alguns
e, consequentemente, para a diminuição dos conflitos entre as mineradoras e a sociedade anos, a reputação das organizações se baseava, basicamente, no cumprimento das leis. Mas com
(Bebbington, 2010; Kapelus, 2002; Newenham-Kahindi, 2011). a valorização da sustentabilidade a partir dos anos 90, o significado de reputação tornou-se mais
complexo. Este passou a se vincular com a ética e com ações de RSC e assumiu um importante
Apesar da necessidade de práticas de RSC em todos setores, no caso das mineradoras, tais papel no mercado financeiro (Oliveira, 2010). Esse fenômeno alterou a visão do setor financeiro
práticas tornam-se ainda mais imprescindíveis. Walker e Howard (2002) elencam os cinco que percebeu que, para que as firmas permanecessem ativas e lucrativas, elas precisariam,
principais problemas associados a mineração que reforçam a importância dos debates da RSC além de recursos financeiros e técnicos, apoio cultural, passando a investir cada vez mais em
nessa indústria: i) má reputação do setor; ii) pressão de grupos da sociedade que desafiam empresas com ações responsáveis (Scott, 2013).
a legitimidade e a verdadeira necessidade da mineração; iii) foco cada vez maior do setor
financeiro em empresas com gestão responsável; iv) pouco valor agregado as ações de melhorias Em relação ao quarto problema que reforça o debate da RSC na mineração - pouco valor agregado
ambientais e sociais praticadas pelas mineradoras e v) desafio constante do setor em manter as ações de melhorias ambientais e sociais praticadas pelas mineradoras – Bebbington (2010)
sua licença para operar. advoga que a relação entre as mineradoras e o desenvolvimento que estas proporcionam
por meio de suas ações de RSC é algo contestável. Para Kemp e Owen (2013), as indústrias
Em relação ao primeiro problema, má reputação do setor, este ocorre em função dos desastres extrativas parecem não compreender a demanda das comunidades locais e quais os benefícios
ambientais ocasionados por mineradoras. Uma das calamidades com maior impacto e que mais que, de fato, estão sendo proporcionados para os indivíduos que vivem nessas comunidades.
afeta a imagem da indústria de mineração diz respeito ao rompimento de barragens ao redor do Nesse mesmo sentido, Jamali e Sidani (2012) exploram três artigos que abordam a RSC em
mundo: na Itália (1985), na África do Sul (1994), na Hungria (2010) e no Brasil (2007 e 2015) países em desenvolvimento e destacam a falta de compreensão das firmas sobre o alcance e os
(Costa, 2015). Devido a tais episódios, alguns grupos da sociedade começaram a contestar a efeitos positivos das suas ações de RSC.
forma como as mineradoras atuam e a lutar para barrar essa atividade, fato este o que reforça o
segundo problema apontado por Walker e Howard (2002): pressão de grupos da sociedade que Por fim, sobre o último motivo da importância da RSC na mineração, a licença social para operar,
desafiam a legitimidade e a verdadeira necessidade da mineração. este se refere ao relacionamento da firma com a sociedade e com as comunidades locais, no
sentido de aceitarem ou não determinada empresa (Demuijnck; Fasterling, 2016; Prno; Scott
Sobre esse segundo problema, um exemplo pôde ser observado em Catamarca, na Argentina, em Slocombe, 2012). A ideia de que uma empresa precisa de licença para atuar não apenas dos
1997, onde as comunidades locais fundaram a Voz do Povo, um movimento social organizado meios regulatórios legais como também da sociedade e das comunidades locais é mais forte na
para reivindicar as promessas não cumpridas da mineradora Minera Alumbrera, principalmente indústria de mineração do que nos demais setores, principalmente em relação a característica

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particular da mineração de gerar expectativas e influenciar diretamente nos ambientes dados mais relevantes. Dentre essas 48 entrevistas foram então selecionadas 25, sendo dez
econômicos, sociais e ambientais. Enquanto outros termos associados a RSC procuram legitimar de representantes do Estado, sete de representantes da corporação e oito de representantes
uma função social para as empresas, a licença social procura concentrar-se mais na percepção da sociedade civil. O procedimento de análise dos dados ocorreu pelo método de comparação
dos atingidos por determinada firma (Parsons; Lacey; Moffat, 2014). constante defendido por Glaser e Strauss (1967). Nesta pesquisa, este método foi adotado
visando à construção de categorias. Ao finalizar o procedimento de comparação com todas
Além da importância e da necessidade dos projetos de RSC no setor de mineração, vale as entrevistas, tivemos um conjunto de categorias que responderam às questões de pesquisa
salientar algumas questões presentes nos debates sobre o termo. A primeira delas diz respeito elaboradas.
ao caráter voluntário ou obrigatório das ações de RSC. Alguns autores consideram que a RSC
refere-se apenas as ações voluntárias realizadas pelas corporações, outros acreditam que Os dados da pesquisa revelaram duas compreensões complementares sobre a RSC, a pragmática
tanto as ações voluntárias como as obrigatórias podem ser consideradas práticas de RSC. e a subjetiva. A RSC é pragmática, quando é compreendida apenas sob o olhar das ações das
Para a Comissão das Comunidades Européias (2001, p.7), por exemplo, a RSC é “a integração corporações, ou seja, quando os atores a conceituam sob sua perspectiva prática. Por outro lado,
voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das empresas nas suas operações ela é subjetiva, na medida em que os entrevistados vão além das práticas realizadas pelas firmas.
e na sua interação com outras partes interessadas”. Por outro lado, Jenkins e Yakovleva Ou seja, quando eles definem a RSC a partir do que eles acreditam que o termo deveria significar,
(2006) e Carroll (1979; 1991) apontam que a RSC se relaciona às atividades das empresas independente de ocorrer ou não. No caso dos indivíduos representantes do Estado, a RSC é
para alcançar sustentabilidade econômica, social e ambiental, independente dessas atividades compreendida tanto de maneira pragmática como subjetiva, sendo formadas duas categorias:
serem voluntárias ou obrigatórias. Apesar do debate, a RSC é amplamente concebida como um i) Compreensão pragmática: ações ambientais e ii) Compreensão subjetiva: ações voluntárias.
princípio voluntário que orienta as atividades das empresas (Jamali; Mirshak, 2007). Por outro lado, os respondentes da empresa estudada e da sociedade civil enxergam a RSC
apenas de forma pragmática. Para ambos, a RSC está ligada as ações realizadas pela firma para
O preceito de que a RSC é, principalmente, guiada por valores éticos e não é regulamentada por a melhoria de vida das comunidades locais. Nesse sentido, a terceira e a quarta categoria do
lei implica que o Estado tem um papel mínimo secundário no debate sobre RSC (Dentchev et al, estudo, nomeadas como “Compreensão pragmática: ações em prol de comunidades locais” diz
2014). Esse fato refere-se a um segundo ponto discutido com freqüência sobre RSC: o papel respeito ao significado que a RSC assume para os representantes do mercado e da sociedade
do Estado, do mercado e da sociedade civil no seu desenvolvimento (Kinderman, 2012; Prieto- civil, respectivamente.
Carrón Et Al, 2006; Jamali; Mirshak, 2007; Scherer; Pallazzo, 2011). A visão de que as empresas
deveriam alterar sua posição de conformista e passar a minimizar os danos que causam e a A primeira categoria demonstrou que os indivíduos representantes do Estado enxergam que
criar valores com os seus negócios tornou-se central (Luetkenhorst, 2004; Novak, 1996, Apud a responsabilidade social corporativa na mineração de agregados em São Paulo, de forma
Jamali; Mirshak, 2006 E 2007). Junto com essa visão, a ideia de que o setor privado é ator chave pragmática, está ligada as ações ambientais das mineradoras. Ou seja, as práticas voltadas a
para gerir recursos e que este tem obrigação de colaborar para o crescimento econômico e preservação do meio ambiente. Todos os respondentes ressaltaram que, na prática, a RSC na
sustentável, também se tornou presente (Jamali; Mirshak, 2007). mineração ocorre por meio dos investimentos ligados a manutenção e a preservação do meio
ambiente. Além disso, um argumento que foi ressaltado pela maioria dos entrevistados é que as
Com base no exposto, dada a complexidade do debate sobre RSC e o impacto gerado pela ações de responsabilidade são voltadas mais para questões ambientais, devido a obrigação das
mineração de agregados na sociedade, essa pesquisa adotou o estudo de caso como estratégia mineradoras em realizar essas ações para conseguirem o licenciamento ambiental.
de investigação e a entrevista semiestruturada como principal método de coleta de dados.
Destaca-se que os respondentes fazem parte de uma pesquisa mais abrangente de um estudo Em relação a segunda categoria, também relacionada aos representantes do Estado, esta indica
de múltiplos casos no qual foram realizadas 48 entrevistas. Dessa pesquisa, foram extraídos que, de acordo com a compreensão subjetiva dos respondentes, para serem consideradas
dados do contexto específico de um único caso, o qual se apresentou mais interessante e com responsabilidade social das corporações, as ações devem ser voluntárias e não obrigatórias.

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Os entrevistados alegaram que as mineradoras desenvolvem a maioria dos programas de RSC defendido na orientação das ações de RSC. Destaca-se também que a abordagem voluntária da
baseadas no que devem cumprir para conseguirem licença para atuar. Ocorre que, de acordo RSC despontou-se, segundo os achados da pesquisa, como a mais apropriada para ser utilizada
com os respondentes, ao cumprir essas exigências, eles estão apenas cumprindo os aspectos na mineração de agregados.
legais e estes não podem ser considerados ações de caráter de responsabilidade social.
Embora os entrevistados tenham deixado claro a contribuição dessas ações obrigatórias para Para Prieto-Carrón et al (2006) uma abordagem voluntária para a RSC tende a ser aplicável
a sociedade, para eles, o que é pedido por lei não se configura como ação de responsabilidade quando os casos exigem o desenvolvimento de ações conjuntas para resolver aspectos sociais
social corporativa. e ambientais específicos. Seguindo a linha de raciocínio dos autores, a abordagem voluntária da
RSC, seria, de fato, a mais coerente para o setor de mineração de agregados devido a necessidade
A terceira categoria, relacionada aos representantes do mercado, indicou que todos os de ações conjuntas entre mercado e Estado para mitigação dos problemas sociais e ambientais
respondentes da mineradora estudada entendem que RSC diz respeito ao investimento na ocasionados pelas mineradoras.
melhoria de vida das comunidades que vivem ao seu entorno. Comentando sobre os principais
motivos que levam a mineradora a investir nos moradores que residem próximos a ela, alguns Advoga-se que os resultados desse estudo não corroboram o argumento de autores que defendem
informantes ressaltaram que a obtenção da licença social realmente colabora para isso. Um a falta de compreensão das firmas em relação as verdadeiras necessidades das comunidades
outro fator destacado pelos respondentes refere-se a divisão sobre as obrigações do mercado locais (jamali; thomsen; kara, 2015; blowfield, 2007; jamali; mirshak, 2007). Segundo os
e do Estado. Alguns entrevistados afirmaram que, visto que toda empresa tem como objetivo entrevistados representantes da corporação analisada, as ações de RSC da organização são
principal o lucro, não cabia as organizações realizarem ações que são dever do Estado. Eles pensadas e realizadas de acordo com as necessidades emergenciais das comunidades locais.
ressaltaram que a mineradora tinha que colaborar com a comunidade local, mas não fazer o que Esse fato, conforme apontado pelos respondentes, gera o impacto positivo de atender as
o Estado tem obrigação de fazer. principais demandas das comunidades, mas, por outro lado, acaba alcançando um número menor
de pessoas. Nesse sentido, nota-se que os dados dessa pesquisa vão de encontro aos achados de
A quarta e última categoria, a qual refere-se ao significado que a responsabilidade social Matten e Moon (2008) que afirmam que, apesar dos estudos e das práticas de RSC se basearem
corporativa assume para atores representantes da sociedade, evidenciou que, assim como na realidade dos países desenvolvidos, os projetos de responsabilidade social fazem parte de um
os respondentes representantes do mercado, os entrevistados que compõe a sociedade civil contexto específico nacional, tendo como conseqüência a diferenciação da forma como a RSC
compreendem que RSC diz respeito as ações realizadas pela firma estudada. Ficou claro ocorre em cada país.
que todos os respondentes dessa categoria compreendem que RSC diz respeito às ações
praticadas pelas mineradoras que eles têm conhecimento e que geram benefícios para eles. Os Por fim, em relação ao debate sobre a RSC e o papel de cada segmento da sociedade para o seu
entrevistados destacaram que os projetos sociais e os empregos fornecidos pela firma os ajudam desenvolvimento, de forma geral, os entrevistados representantes da mineradora defendem que
bastante. Observou-se que o sentimento da comunidade que vive ao entorno da mineradora é de a organização deve realizar ações em prol das comunidades locais, mas que, o principal segmento
gratidão pelas ações sociais desenvolvidas pela organização por quem se beneficia por elas e de responsável por isso é o Estado. Esse resultado corrobora a lógica de argumentação daqueles
desconhecimento em relação as pessoas que não as utilizam. que enxergam que a RSC deve ser gerida pelo Estado. Para Cheibub e Locke (2002), ao realizar
funções sociais que cabem ao Estado, as empresas passam a ser fonte de bem-estar social e a
Os resultados ratificaram o princípio do voluntarismo no significado de RSC. Evidencia-se influenciar diretamente no sistema político e na sociedade, podendo adquirir mais poderes que o
na compreensão subjetiva dos atores representantes do Estado que o caráter voluntário das Estado. Para os autores, outros segmentos além do Estado podem colaborar e participar da RSC,
práticas de RSC prevalecem como preceito para o conceito deste termo. Nesse sentido, os mas com limitações, devendo o Estado regular e normatizar as atividades de RSC.
resultados empíricos substanciam a linha argumentativa defendida por Jamali e Mirshak (2007)
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gestão minerária nos municípios de São José dos Campos e Jacareí – SP. Dissertação (Mestrado

1133 1134
Capítulo 111 poder que sobrepuja o poder político, territorial, ao passo que é seu capital que dita regras e
valores que lhes são de interesse à sociedade a qual está inserida.
A responsabilidade social empresarial em uma instituição bancária: entre o A instituição objeto de estudo é frequentemente premiada como referência em RSE, como, por
discurso e a prática exemplo, o prêmio da revista VOCÊ S/A - Melhores Empresas para se Trabalhar, além de possuir
índices de RSE elevados quando analisados os aspectos sociais. No entanto, é possível perceber
Naya da Cunha Cardoso1 y Naiara Tavares da Silva2 algumas contradições quando verificados dados de órgãos regulamentadores e fiscalizadores
governamentais brasileiros, como dados do Ministério Público do Trabalho - MPT, do Tribunal
Superior do Trabalho - TST e do Tribunal Regional do Trabalho - TRT.
1. Apresentação
Sendo assim, buscou-se com a pesquisa, após reunir informações e dados disponibilizados,
A Responsabilidade Social Empresarial é uma importante temática dentro do atual contexto social analisar as relações entre uma empresa dita socialmente responsável e a prática organizacional
e tem sido pauta de diversas discussões em importantes meios acadêmicos e empresariais. É em sua gestão interna.
interessante, aliás, perceber a pluralidade de significados e sentidos que o conceito traz e o quão
abrangente ele pode ser, sob as várias óticas de diferentes públicos de interesse. 2. Responsabilidade Social Empresarial

De forma geral, a Responsabilidade Social Empresarial - RSE é também uma ferramenta Apesar de antigo, cresce a discussão sobre o conceito de Responsabilidade Social Empresarial
verificadora das ações e comportamentos empresariais perante a uma nova postura social no que e todos os aspectos e complexidades que o assunto tem adquirido. Segundo Tenório (2006), em
diz respeito a sua complexa gama de atuação. Na pesquisa aqui desenvolvida, o foco de estudo um primeiro momento, a responsabilidade social era percebida ao âmbito filantrópico, ou seja,
foi com relação às ações de uma instituição bancária, referência em RSE no Brasil, para com doações feitas por alguns empresários sem que essa tivesse relação de compromisso com a
seu público interno, e quais as práticas adotadas por ela no que diz respeito a esse stakeholder. organização, um ato de boa-fé.

No atual contexto social e econômico em que a sociedade se encontra, não cabe somente pensar Outros fatos foram agregados ao contexto empresarial, ampliando seu escopo de atuação.
no trabalho e no trabalhador como um mero instrumento da empresa, reduzido a pagamento Um deles é atender a demandas sociais, que passam a exigir um retorno social por parte das
de salários e a obediência às leis trabalhistas. Respeitar o trabalhador e suas subjetividades organizações e que essas devem estar atentas e preparadas para tais mudanças (Borger, 2001).
fazem parte de uma postura responsável socialmente e estudar empresas que se utilizam desse Para Melo Neto e Fróes (2004), a definição de RSE é bastante clara sobre a complexidade
discurso faz-se necessário para validar suas ações. do termo e vai além de compensação ambiental, abrangendo as relações com fornecedores,
conscientização sobre consumo, transparência e ética nos negócios, prestação de informação e
Importante compreender e questionar como em um sistema de neoliberalismo econômico que relação com seus empregados.
sofre grande influência de multinacionais para regular o mercado, caso do modelo brasileiro
(Andrade, 2002), podem estar em consenso com tais discursos de responsabilidade social, De acordo com Pena et al (2007), pode-se entender RSE como o senso de responsabilidade e o
principalmente no que tange aos aspectos internos (empregados e dependentes). Sobre a esforço que a organização desempenha diante de seus stakeholders tanto no ambiente interno
influência das multinacionais, Gaulejac (2007) dispõe que, o fato de tais organizações serem quanto no externo. Nesse contexto, fica claro que as dimensões da RSE são bem mais complexas
internacionalizadas ou não possuírem uma nacionalidade que as restrinjam, elas exercem um e dissímil do que se considerava.
1. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Email: nayacunhacrf@gmail.com
2. professora do curso de administração da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Email: naiaratavs@gmail.com

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Ashley (2005) afirma que as ações de RSE devem estar intimamente ligadas a cultura da referem-se aos anos de 2014, 2016, 2017 e 2018.
empresa, assim, preocupa o fato de tais ações serem avaliadas e definidas por elas mesmas. Tal
fato é apresentado por Paoli (2002) quando essa afirma que, organizações corporativas ocupam O estudo de caso teve como objeto de análise uma multinacional, instituição financeira do setor
um espaço privilegiado na sociedade civil, e surgem para suprir uma deficiência do Estado em bancário3. Considerado o maior do banco do Brasil em abrangência territorial e lucratividade
prover demandas sociais, posição essa alcançada com a prerrogativa do argumento da RSE, e (Banco 1, s.d) atualmente, possui uma estrutura de nível internacional, com mais de cinco mil
que dessa forma, ficam livres para agirem em benefícios de seus próprios interesses. agências no Brasil e no exterior e conta com mais de 90 mil funcionários em seu quadro. Com
esses números o Banco estudado se consolida como o maior banco privado do país e da América
Para Fernandes (1996) é preciso pensar em melhorar as condições do trabalho e ainda nos Latina (Banco 1, 2017).
aspectos psicossociais que essas novas configurações envolvem. Segundo Melo Neto e Fróes
(2004), é essa nova percepção de responsabilidade social que contempla empregados e seus Quanto aos documentos analisados, foram levantados os critérios adotados e as respectivas
dependentes que os proporcionou serem enxergados como figuras capazes de influenciar a metodologias consideradas pelos premiadores da Revista Você S/A - Melhores Empresas para se
empresa, sua imagem e até seu lucro. Trabalhar, e os do IDJS e ISE ao definirem uma empresa como responsável socialmente. Fazendo
um paralelo com dados apresentados por órgãos reguladores e fiscalizadores governamentais,
A sistemática e contínua evolução do conceito de responsabilidade social empresarial acarreta observando as contradições entre o discurso da empresa e suas práticas de gestão.
uma necessidade de pensar em uma nova racionalidade de gestão estratégica para empresa.
Para Ashley (2005), nesse novo cenário as organizações precisam mediar entre os interesses de Os documentos analisados em contraposição aos índices e prêmios recebidos pela empresa,
seus acionistas e a gama de stakeholders envolvidos, como sociedade, funcionários e clientes, são referentes a levantamentos do MPT, TRTs, TST, Autos processuais e sentenças processuais,
o que para autores como Faria (2007) e Gaulejac (2007) se contrapõe em um antagonismo disponíveis publicamente.
intrínseco ao modelo organizacional capitalista.
Um fator limitador da pesquisa se refere ao acesso a informações, considerando que todo o
3. Métodos levantamento bibliográfico e documental contam com arquivos disponíveis publicamente,
ficando assim restrito a uma gama de informações internas da organização estudada, como o
Com base nos conceitos apresentados por Vergara (2005), Strauss e Corbin (2008) e Cresswell próprio banco, assim como os índices e premiador.
(2007), a pesquisa desenhada se caracteriza como qualitativa de caráter descritivo-exploratório.
Para esses autores, a pesquisa qualitativa tem um tratamento mais estruturado e uma análise 4. Resultados e Análises
dita mais subjetiva, com a qual é possível alcançar resultados que tendem a ultrapassar o escopo
estatístico. Os resultados obtidos nas pesquisa mostram que o Banco estudado compõe a carteira do IDJS
há 18 anos, desde sua criação, assim como a carteira do ISE, desde sua fusão com outro banco
Quanto aos meios de investigação, a estratégia adotada foi o estudo de caso, conceituado por no ano de 2008. Apesar de ambos os índices não revelarem sua pontuação nem sua oscilação
Creswell (2007), como a estratégia em que o pesquisador pode aprofundar-se em determinado durante esse período, não havendo assim como avaliar o desempenho ou desenvolvimento da
fato ou atividade, havendo múltiplas possibilidades de coleta de dados. empresa, ele segue fazendo parte de uma valiosa carteira no mercado de ações que tem com
premissa os valores da RSE e o desenvolvimento sustentável.
A coleta de dados foi efetuada por meio de levantamento bibliográfico e documental, ambos
obtidos por meio de consultas e disponibilização públicas, acessível a qualquer um que tenha
3.. Por questões éticas, a presente pesquisa se utiliza de nome fictício para a empresa, Banco 1, objeto de estudo, assim como as referências da citada
interesse. Os dados foram levantados entre os meses de novembro de 2017 e Julho de 2018 e instituição, podendo ser disponibilizada a quem possa interessar mediante

1137 1138
Assim, pode-se verificar que o IDJS é direcionado ao mercado de capitais, e tal qual o ISE, parte pesquisa, Margoto, Behr e Paula (2010), conclui que dentre diversas razões que podem levar o
do princípio da valia das empresas nesse segmento, o que em uma linguagem financeira seria empregado a se demitir, o choque entre valores pessoais e organizacionais é um fator comum ao
dizer aquelas que tem seu float4 de mercado mais estáveis as variações do próprio mercado, desligamento voluntário. Seguindo essa lógica o sofrimento no local de trabalho pode ser fruto
ou seja, um investimento mais seguro. Sendo esse o primeiro critério de seleção das empresa, desse conflito moral e da própria racionalidade instrumental ao qual o bancário está inserido.
questões como sustentabilidade, clientes e fornecedores são avaliadas posteriormente e através
de um questionário respondido pela própria organização.

O prêmio concedido pelo Guia Você S/A, da Revista Exame, tem por objetivo elencar as melhores
empresas para se trabalhar no Brasil, de acordo com seu segmento. O Guia Você S/A, conta
também com um questionário, respondido pela empresa e por seus funcionários, nesse caso,
há uma entrevista com alguns funcionários dentro da própria empresa para verificar a valia
das respostas, e atestar seu Índice de Felicidade no Trabalho - IFT, sendo esse o critério para as
empresas alcançarem o status de “Melhores Empresas para se Trabalhar”.

O Banco analisado tem liderado o setor nos últimos 3 anos (2017, 2016 e 2015), com um
aumento de IFT em 5,7% no período 2016 - 2017, o que teoricamente significaria dizer que seus
empregados estão mais felizes com seu trabalho, como mostrado no gráfico abaixo.

Em uma análise de dados fornecidos pelo TST, no período compreendido entre 2015 e 2018,
o Banco objeto de estudo esteve entre os 4 primeiros lugares como empresa que mais
recebeu processos trabalhistas em todo Brasil. Essa é uma informação não disponível em seu
Balanço Social, tampouco, citada ou considerada por nenhum dos premiadores/gestores de
carteira investigados. O que surge como uma possível evidência da fragilidade no processo de
reconhecimento de uma empresa como responsável socialmente. O gráfico abaixo representa o
número de processos recebido pelo Banco nos 4 anos.

Esse resultado é diretamente confrontado quando analisado o Relatório Anual Consolidado -


RAC do Branco de 2017, por meio do qual pode-se constatar um aumento de 17,31% na taxa
de demissão voluntária em relação ao ano anterior, representado abaixo pelo gráfico 2. Em sua
4. Float é um termo utilizado no mercado financeiro que significa mensurar o nível de variação de uma ação ao longo de determinado tempo. Servindo
para verificar seu grau de estabilidade dentro do mercado de capitais.

1139 1140
essa, métodos antigos de resolução de problemas não são eficazes (Silva & Navarro, 2012).

5. Considerações Finais

O presente trabalho teve por objetivo expor as contradições encontradas entre a retórica e a
prática de uma instituição bancária com relação ao seu público interno. Fato explanado em
um estudo de caso cujo o objetivo foi, de maneira descritiva e exploratória, confrontar dados
que destoava desse discurso, considerando outras fontes como base para pesquisa, como por
exemplo, MPT, TST e TRT.

A prática de gestão interna está diretamente relacionada aos preceitos de RSE, posto que, para
ser considerada uma empresa responsável socialmente é preciso que todos os seus sentidos
sejam absorvidos pela organização, planejados e estruturados com parte constituinte desta.
Assim, suas ações serão reflexo dessa postura.

A pesquisa não teve por objetivo traçar definições lineares, tão pouco padronizar procedimentos
Em 2015, foram 2.972 processos respondidos, em 2016 mais de 2.500 processos respondido e condutas no tocante a RSE, ao contrário, o intuito era explorar um cenário dessa dimensão que
até o mês de junho, no ano de 2017 o número superior à 3 mil processos, e até o mês de abril por vezes é considerado de por uma lógica instrumental, como direitos trabalhistas e remuneração
de 2018 já eram mais de 2.500 processos no polo passivo (Tribunal Superior do Trabalho [TST] financeira, mas que ficou evidenciado durante seu desenvolvimento, não ser resumido somente a
2015-2018). tais critérios. As subjetividades inerentes ao assunto, como observado no decorrer da pesquisa,
se mostram tão importantes quanto outros aspectos apresentados.
Outro dado levantado pela pesquisa é um estudo divulgado pelo MPT - Santa Catarina, segundo
a qual o Banco analisado foi responsável por um aumento de 356% do benefícios concedidos Podemos concluir também com a pesquisa, que usar dos preceitos da RSE é benéfico a
pelo Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS, por transtornos mentais entre o ano de imagem da empresa, socialmente esperado e influenciado pela atual dinâmica econômica-
2005 a 2014 (Ministério Público do Trabalho - Santa Catarina [MPT- SC], 2016). No mesmo política atualmente vivenciados, o que é ratificado pela quantidade e recorrência dos prêmios
período o INSS afastou do trabalho mais de 17 mil empregados da instituição bancária, entre e reconhecimentos concedidos a ela. No entanto, pode-se perceber que a perversidade da
benefícios acidentários e auxílio doença. O que o levou a uma condenação por danos morais instituição bancária incide sobre seu empregado, mascarado de fortes campanhas de marketing
coletivos de mais de 21 Milhões de reais (Rádio MPT, 2016). Apesar desse estudo compreender e um discurso amplamente difundido, mas que não se sustenta para esse público, corroborado
anos anteriores ao do escopo da pesquisa, ele coincide com o período em que o Banco começou por autores da teoria crítica como Gaulejac (2007) e Faria (2007).
a se destacar nos índices das Bolsas de Valores de São Paulo e Nova Iorque.
Diante de tal contexto e dos fatos e argumentos apresentados, as dicotomias encontradas entre
Para Silva e Navarro (2012), mudanças na organização do trabalho bancário, para essa fase o prática de gestão executada e a imagem transmitida, há a possibilidade da responsabilidade
mais horizontalizada, e uma lógica econômica voltada para o capital, é acompanhada de metas social empresarial ser vista como incongruente, considerando o fato de que algumas organizações
cada vez mais abusivas, ritmo de trabalho cada vez mais acelerado, assédio moral constantes e se utilizam desse discurso para legitimar-se.
acúmulo de funções, são responsáveis por um novo modo de sofrimento no trabalho, e que para

1141 1142
Insistir em uma plataforma de socialmente responsável somente como estratégia de marketing é
posto à prova frente às contradições observadas no decorrer desse processo. A lógica econômica Fernandes, E. (1996). Qualidade de vida no trabalho: como medir para melhorar. Salvador: Casa
é sobreposta ao trabalhador, que acaba afastando cada vez mais de seu produto. Pensar em da qualidade.
RSE é repensar os modelos de produção que só ganham novos contornos mas seguem o mesmo
princípio de maximização do lucro e coisificação do homem. Gaulejac, V. de. (2005) Gestão como Doença Social: ideologia, poder gerencialista e fragmentação
social. (3a ed) São Paulo: Ideias e Letras.
Sendo assim, permanece a importância de não cercear o tema, pelo contrário, abre-se novas
discussões que carecem de investigação e pesquisa, como uma análise mais aprofundada dos Banco 1. Quem Somos. Recuperado de: Fonte Suprimida. Acesso em: 25 de nov. de 2017
motivos que levam o bancário a se desligarem da empresa, mesmo em um contexto de crise
econômica, como o Brasil vivencia atualmente, ainda para verificar sua possível relação com seu Banco 1. Relatório anual consolidado. 2017. Recuperado de: Fonte Suprimida. Acesso em: 20
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1145 1146
Capítulo 112 individualmente, en tiempos recientes destacado por el capital. Se trata de conducirse en libertad
empresarial como una forma de externar respeto al entorno donde se ubica cada empresa. La
fórmula relativa a la acumulación de ganancias pura y dura quiere ser matizada para mostrar
La responsabilidad empresarial frente a la cuestión social un rostro armónico con el entorno. Así la RSE es de reciente cuño para la gestión empresarial y
los negocios.
Benito León Corona1, María Teresa Magallón Diez2 y Jesús Manuel Ramos García3
“Es una visión de negocios que integra el respeto por las personas, los valores éticos, la
comunidad y el medioambiente con la gestión misma de la empresa, independientemente
Introducción
de los productos o servicios que ésta ofrece, del sector al que pertenece, de su tamaño o
nacionalidad” (Cajiga, S/F, 2).
Hoy el mundo de la empresa se orienta a definir modalidades de actuación para mostrar la
relevancia de su compromiso con la sociedad y la naturaleza. Nace así la “Responsabilidad
Esta orientación aparece en posiciones inscritas en el liberalismo podemos encontrar
Social Empresarial (RSE)”, concepto acuñado para orientar el comportamiento de las empresas
aseveraciones relativas a la responsabilidad individual de esta forma:
y, nos parece, analizable desde una posición diversa a la económica y empresarial para buscar
dimensionar de diferente manera las implicaciones para lo social. Esta orientación favorable
“De esta manera, el principio de la responsabilidad personal establece que la política
para la empresa nos conduce a buscar en el origen de esta estrategia cuál es la profundidad que
estatal debe afectar en el menor grado posible la libertad y la responsabilidad personal.
alcanza.
La responsabilidad requiere autonomía, la cual se relaciona con el desarrollo de la persona
y de sus asociaciones espontáneas como la familia, las asociaciones, etc” (Resico, 2010,
El objetivo es ensayar un acercamiento al contenido del concepto RSE y, en especial, nos
129).
preguntamos sí existe algún punto de contacto con la llamada “cuestión social”. Una hipótesis,
que quedará sin respuesta, es que la RSE es parte de una estrategia capitalista para legitimarse
Lo expresado por Resico implica la combinación de condiciones y principios muchas veces
de cara a la sociedad y, principalmente, para mantener y/o ampliar las ganancias.
contradictorios. Así la responsabilidad se ubica estrictamente en la esfera de las personas libres,
autónomas, lo que permite asumir las consecuencias de la propia conducta. Esto sitúa en el aquí
Para dicho propósito vemos, primero, la consistencia del concepto “responsabilidad social
y él ahora los actos que cada individuo lleva a cabo y, sin restricciones, por propia voluntad.
empresarial”, en un contexto donde se busca producir condiciones para mejorar la obtención
Ahora en el plano de la empresa
de ganancias en oposición a las prestaciones obtenidas por los trabajadores y los retornos
que hacen a la naturaleza; segundo, mostramos la relevancia de la “responsabilidad” amplia,
“Responsabilidad Social Empresarial, es el compromiso consciente y congruente de
general y no sólo la empresarial, a través de diversos autores que destacan aspectos cruciales,
cumplir integralmente con la finalidad de la empresa, tanto en lo interno como en lo
genéricamente denominados <<la cuestión social>>, concluimos con un breve comentario.
externo, considerando las expectativas económicas, sociales y ambientales de todos sus
participantes, demostrando respeto por la gente, los valores éticos, la comunidad y el
1. La responsabilidad social empresarial: perspectivas y realidades.
medio ambiente, contribuyendo así a la construcción del bien común” (AliarSE, citado por,
Cajiga, S/F, 4).
La responsabilidad es una forma de comportamiento éticamente relevante, localizado social e
1. Departamento de Administración, Universidad Autónoma Metropolitana Azcapotzalco. Email: belecor@msn.com No es esperable se conduzca fuera de la forma en que se define, principalmente por quienes la
2. Departamento de Administración, Universidad Autónoma Metropolitana Azcapotzalco. Email: tediez73@hotmail.com
3. Departamento de Administración, Universidad Autónoma Metropolitana Azcapotzalco. Email: jamaraga1@hotmail.com
conducen, tal como expresa el autor al establecer que:

1147 1148
inadecuado dejar alguna de ellas de lado, todas juegan. Además, se trata de un dispositivo para
“La Responsabilidad Social Empresarial debe sustentarse en los valores expresados por la ajustarse a nuevos contextos, al exigir que las empresas actúen apegadas a ciertos principios,
empresa y debe ser plasmada en un conjunto integral de políticas, prácticas y programas pero el discurso empresarial postula que se trata de un acto de responsabilidad de cada
a lo largo de las operaciones empresariales para institucionalizarla. De lo contrario, se empresa, como entidad autónoma y libre. En este sentido, el vínculo en red con otras empresas
caería en el riesgo de implementar prácticas que, si bien son socialmente responsables, (proveedores, distribuidores) también es afectado por las decisiones, además por supuesto del
al no responder a un mandato y cultura institucionales, están en peligro de suspenderse entorno donde se encuentra. Esto muestra vínculos estrategias entre los participantes, de tal
ante cualquier eventualidad, coyuntura, crisis presupuestal o cambio en la dirección forma que si aparece esta forma de gestión orientada a responder antes su entorno social y
de la empresa. Un elemento adicional fundamental es que la RSE debe ser apoyada e sus socios. las cuestiones a atender desde la RSE es amplia: las relaciones laborales (trabajo
incentivada por los altos mandos de la organización” (Cajiga, s/f, 4). infantil y forzoso, discriminación laboral, salarios), consecuencias en el consumidor por el tipo de
productos que se expenden; por otro lado, el tema del medio ambiente y todo aquello que puede
Los tomadores de decisiones son lo que dicen sí o no a la RSE, sí la respuesta es positiva, ellos serle pernicioso (tipo de materias primas y procesos productivos, además, consumo de energías,
mismos tiene en sus manos la orientación. Sólo así la empresa se compromete en atender los reciclaje, emisiones, residuos y contaminación, entre otros) , en lo económico, encontramos
aspectos sociales, no se trata de atender imposiciones externas, sociales dice Antonio Argandoña. estrategias de negociación y manejo de recursos con proveedores y distribuidores, precios,
Son las empresas o la empresa, que dan definen si son o no ESR. Esto implica incluir muchos de almacenaje y temas tan delicados como corrupción y sobornos.
los compromisos de la RSE, y asumidos de forma voluntaria. No se trata de actuar a partir de
regulaciones gubernamentales, impuestas por ley: Al final la RSE “Es un buen negocio”, a los resultados (búsqueda de ganancias). ¿En el fondo
de eso se trata, es decir, de lo mismo de siempre? Podemos revolotear todo lo que queramos
“Porque en cuanto la empresa formula ese compromiso, esos deberes adquieren un rango en este terreno y llegamos al mismo punto, “es un buen negocio”. Negocio que se centra en la
moral, que la empresa debe cumplir -aunque en la medida en que sean voluntarios, la disposición, la voluntad, de los empresarios y sus empresas en atender, bajo los principios de
empresa puede cambiarlos, si bien deberá entonces asumir alguna responsabilidad por autonomía y libertad lo que consideren relevante de este tema. Si bien se matiza al reconocer el
esa decisión” (Argandoña, 2009, 4). interés de los demás, al situamos en el tema de la rentabilidad se deja de lado la cuestión social,
es decir, el interés en el bienestar de la mayoría. Veamos este aspecto.
¿Qué es lo que es la RSE? Simplemente una disposición de ánimo, a voluntad de cada empresa
de definir y asumir compromisos, fijar actividades orientadas a tal fin y buscar resultados. Por 2. ¿La cuestión social y es atendida empresarialmente?
sentado, destaca la búsqueda de eficiencia. Sólo se busca realizar ciertos objetivos, para el Las exigencias del entorno y el interés empresarial se han combinado para producir la RSE,
propio beneficio matizado, “generando el mayor valor social posible a partir de los recursos conveniente “porque es un buen negocio”, y trae consigo una serie de ventajas adicionales. En
disponibles” (Argandoña, 2009, 5). Se trata de generar utilidades al colocar bienes y servicios en paralelo a este discurso, vivimos el deterioro de las condiciones de bienestar. La investigación
el mercado y esto posibilita o no y asumirse responsable socialmente. Es una posición endógena, social ha puesto el tema en la mira e investigadores como Richard Sennett, Sygmunt Bauman,
al colocar como referentes a los tomadores de decisiones, a los empleados (ejecutores de las Pierre Rosanvallon, Robert Castel y otros, han enfocado sus esfuerzos, para mostrar qué es lo
decisiones) y a otras empresas vinculadas como proveedoras y distribuidoras. La cuestión es ¿en que causa estas afectaciones, es decir, el “retorno de la cuestión social”. Esta nos conduce a
qué dimensión se sitúa la RSE? preguntarnos sobre lo social del dispositivo RSE. Veamos algunas de las consecuencias de las
nuevas modalidades de actuación de capitalismo y, por tanto, de las empresas para mostrar sí
Son, al menos, cinco grandes dimensiones relevantes: 1. técnica de gestión, 2. procedimiento son o no responsables socialmente y el papel del gobierno en todo esto.
para incrementar la tasa de ganancia, 3. estrategia para tranquilizar conciencias, 4. instrumento
legitimador o, 5. forma de intervenir para regular gubernamentalmente a las empresas. Es Para R. Sennett lo social en el capitalismo, es un camino andado desde el siglo XVIII y hacia

1149 1150
la segunda mitad del siglo XX muestra avance de posiciones mejorar la situación de la clase Imprescindible para estudiar los efectos de los procesos de globalización en lo que denomina
trabajadora, destaca la conexión de vínculos” sociales cotidianos y de organizaciones políticas, “consecuencias humanas”, es Baumann, al enfatizar la moralidad humana. Destaca el cambio
mediada por la “cooperación” (Sennett, 2012, 59). Esta transformación es “la socialidad, no en las modalidades de conducción de las empresas, la nueva gerencia, pues ésta le “pertenece
es el acto de tender la mano a los otros; es conciencia mutua, no acción conjunta”, se trata a las personas que invierten en ella: no a sus empleados, sus proveedores ni la localidad donde
de reconocimiento y de aceptación del otro, de la otredad, al extraño “como una presencia está situada”. El giro ocurrido es radical de tal forma que los empleados, proveedores y voceros
valiosa en el medio propio” (Sennett, 2012, 62). Uno de los aspectos cruciales para las de la comunidad no tienen voz en las decisiones que tomar las “personas que invierten”; los
nuevas modalidades gerenciales es lograr confianza de sus empleados, sus socios externos y el inversores son: “los verdaderos tomadores de decisiones, tienen el derecho de descartar sin más,
entorno, debido a los tres déficits del nuevo capitalismo: de lealtad, de confianza informal y de de declarar inoportunos y viciados de nulidad los postulados que pueden formular esas personas
conocimiento institucional (Sennett, 2007). Este nuevo contexto sistémico afecta lo social, en con respecto a su forma de dirigir la empresa” (Bauman, 1999, 13).
el deterioro, en la pérdida que ha sufrido en los últimos años, mientras el capitalismo florece.
Ahora esta novedosa alteración de la solidaridad, donde el reconocimiento del otro es central He aquí la contradicción en torno a la “responsabilidad”, pues la empresa sólo atiende el interés
para equilibrar la desigualdad social ahora es necesario recomponer la sociabilidad. de sus propietarios, así se cumple lo que Argañdosa afirma, la empresa está en manos de los
tomadores de decisiones y es su voluntad la que rige. Esto permite a los poseedores de riqueza
Pierre Rosanvallon destaca la necesidad de recuperar las condiciones que nos equiparen. Lo ubicarse donde las ventajas son mayores y sin riego de regulación, además hace posible que el
primero que destaca es el considerable uso de las instituciones de los ocupantes de altos cargos poder se desconecte de su responsabilidad en un grado altísimo y resulta:
de gestión vinculados con los grandes capitales, para acrecentar sus ventajas. La consecuencia
es el crecimiento de la desigualdad social, visible en el deterioro de los vínculos sociales y de “inédito en su drástica incondicionalidad, de las obligaciones: los deberes para con los
la solidaridad. La cuestión social aparece de esta forma, con la ruptura-modificación de las empleados y las mujeres, los jóvenes y débiles, las generaciones por nacer, así como la
estructuras institucionales dirigidas a matizar las diferencias sociales al producir condiciones autorreproducción de las condiciones de vida para todos; en pocas palabras se libera
para acrecentar el bienestar social de forma amplia, universal y facilitar el acceso a medios para del deber de contribuir a la vida cotidiana y la perpetuación de la comunidad. Sacarse
mejorar la posición social. Rasgos promovidos por los procesos económicos de la globalización de encima la responsabilidad por las consecuencias es la ventaja más codiciada y
y por “la individualización sociológica”, cuya génesis se encuentra en el programa de la apreciada que la nueva movilidad otorga al capital flotante, libre de ataduras; al calcular
modernidad. la “efectividad” de la inversión, ya no es necesario tomar en cuenta el coste de afrontar
las consecuencias” (Bauman, 1999, 17).
Lo que podemos observar en que en dispositivo empresarial de “responsabilidad...”, en el fondo se
expresa una disposición moral al ocultamiento, en este retorno de lo social donde se entreveran En esta nueva configuración de posiciones el capital disminuye drásticamente obligaciones, pero
como “confusión perversa” política y buenos sentimientos. Ya no se trata de la explotación del no las condiciones de dependencia que mantiene con los gobiernos nacionales, la regulación no
trabajo por el capital, de la exclusión provocada por la formación de un ejército industrial de desaparece, disminuye y se genera una nueva altamente favorable, de tal forma que la atención
reserva, ahora, dice Rosanvallon, la nueva cuestión social: “se traduce en una inadaptación de los de la <<cuestión social>> se ha modificado dramáticamente a favor de la empresa y el capital.
viejos mecanismos de gestión social.” (Rosanvallon, 2007, 8). Son dos problemas mayores: las Hoy son enormes las ventajas y sin control para capital, lo que se traduce “en un mundo donde
modalidades organizativas para brindar solidaridad y apoyo se ha visto severamente afectada y la el capital no tiene domicilio establecido y los movimientos financieros en gran medida están
concepción de atención de los derechos sociales, igualmente se ha erosionado. Ambos aspectos fuera de control de los gobiernos nacionales, muchas palancas de la política económica ya no
producidos, en buena medida por los excesos empresariales al buscar ampliar a toda costa los funcionan…” (Bauman, 1999, 75).
márgenes de ganancia.
Para Robert Castel lo relevante en la actualidad radica en el nuevo entramado institucional

1151 1152
centrado en la propiedad privada, benéfico sólo a un sector reducido de individuos demandantes
de garantías de seguridad para sus bienes; sesgo de apertura de conflictos y una permanente Referencias
exigencia de justicia por parte de marginados y desafiliados. Por lo demás, esto da paso
a la aparición de todo un entramado jurídico-legal para regular dichas exigencias y a la Abreu, J. L. y M. Badii (2007) “Análisis del concepto de responsabilidad social empresarial”, en
“omnipresencia de los policías”, lo que, a la vez, suma la demanda de respeto a la libertad Daena: International Journal of Good Conscience. 2(1), pp. 54-70. octubre 2006 – marzo 2007,
y la autonomía individual, y convierte estas formas de relación en una especie de carrera sin obtenido en www.daenajournal.org
fin, aunque los perdedores casi siempre son los mismos. De todo lo anterior surge la pregunta
¿la responsabilidad social empresarial atiende el conjunto de aspectos inscritos en la cuestión Aranda, R. Luis (1983) Introducción, en J. Locke, Ensayo sobre el gobierno civil, México, Edit.
social? Las posibilidades de reconducir las prácticas empresariales hacia la responsabilidad Aguilar.
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las libertades, es decir, se trata de un contexto favorable para quienes son libres de realizar
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1153 1154
Cátedra “la Caixa” de responsabilidad social de la empresa y el Gobierno corporativo, IESE, N° Capítulo 113
6, abril. www.iese.edu/es
A relação sociedade-natureza e a emergência dos conflitos ambientais

Jaqueline Guimarães Santos1 y Eugenio Avila Pedrozo2

O horizonte que inspira este ensaio é a relação homem e natureza, ou sociedade/natureza, numa
perspectiva mais ampla, entendida como uma relação indissociável

envolvida num processo de produção social em que o homem produz sua própria vida. Tal relação
é tida como um processo pelo qual o homem, através das suas próprias ações, medeia, regula e
controla o metabolismo entre ele mesmo e a natureza, por meio de um processo dialético para
a produção da própria vida humana (Marx, 2013), em um ambiente que não é abstrato nem
neutro, mas constituído de atores sociais, animais, mitos, crenças, etc., “entidades consideradas
provenientes das ordens da natureza e da sociedade” (Almeida, 2016, p. 11).

Assim, compreendemos ser importante considerar que o metabolismo social entre homem e
natureza não se estabelece em um ambiente abstrato ou neutro, mas na teia da vida social
fundadas no modo de produção socialmente construído, sendo este ambiente “foco de atração/
objeção de alianças e disputas, as quais estão em constante elaboração pelos agentes sociais”
(Almeida, 2016, pág. 16). Desse modo, essa relação se constitui em um ambiente que é
socialmente-político construído pelos atores sociais e que, no estágio neoliberal do capitalismo,
as relações sociais são mediadas por imperativos sistêmicos da acumulação, da maximização
dos lucros e o imperativo da concorrência (Wood, 2014).

Logo, uma relação com a natureza para reprodução da própria vida humana, para os atores
sociais hegemônicos passa a ser de apropriação da natureza, muitas vezes tida como recurso,
para a geração de mais valor por meio da exploração exacerbada dos recursos naturais. Tal
apropriação gerou um conjunto de contradições ecológicas e vários efeitos negativos –
mudanças climáticas, desmatamento, perda da biodiversidade, poluição atmosférica, hídrica e
de solos, etc. – em escala planetária, colocando em perigo a biosfera em sua totalidade (Foster,
Clark & York, 2010).
1. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Email: jsantos.adm@gmail.com
2. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Email: eugenio.pedrozo@ufrgs.br

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encontro de perspectivas e estão no centro das relações sociais, isto é, o mundo é um espaço
Nesse contexto, evidenciamos que as relações na organização societal capitalista é caracterizada de conflitos que depende de agenciamentos e do encontro entre pontos de vista” (Fleury &
por mudanças profundas na relação sociedade e natureza, caracterizada por dominação, Almeida, 2013, p. 24). Perspectivas estas que são resultados das formas como os atores sociais
exploração, subjugação e concentração, caracterizando o que o sociólogo John Bellamy Foster se relacionam com agentes – humanos e não humanos – fundantes para sua gênese enquanto
chama de falha metabólica (Moore, 2011b; Foster, Clark & York, 2010; Foster; 2015). É cada ator social, que, por vezes, são perspectivas concorrentes, as quais configuram as disputas em
vez mais comuns “ondas recorrentes de reestruturação geográfica, expansão global e crescente torno do ambiente.
bússola espacial das hegemonias que lideram e coordenam grandes ondas de crescimento
econômico” (Harvey, 2005; Moore, 2011a, pág. 110), nem que para isso seja necessário Nesse sentido, o conflito ambiental emerge a partir do enfrentamento de diferentes visões na
redefinir os espaços e formas de relação com a natureza ou mesmo expropriar atores sociais relação seres humanos e natureza, no encontro entre diferenças culturais e intersubjetividades,
de suas formas de vida. Todas estas transformações propiciaram as modificações no mundo na presença de heterogeneidades e múltiplos divergentes que se constituem em diferentes
social tornando recursos naturais de bem comum em bem privado, – energia, água, minério e visões de mundo, não sendo apenas a explicitação da diferença, mas a experiência do encontro
espaço como mercadorias – o avanço do capital na exploração da natureza choca-se com os de traços, formas de experimentar e de pensar que não são fixos, sendo uma categoria híbrida de
atores sociais que dão outros sentidos a seus territórios e, muitas vezes, associam suas próprias sociedade e natureza (Fleury & Almeida, 2013).
identidades.
Assim sendo, o argumento deste ensaio é que a relação sociedade-natureza imersa no processo
Tal configuração societal propiciou desenvolver relações sociais contraditórias e conflitantes e histórico e social atual contribui para a emergência dos diferentes conflitos ambientais, de
permitiu, por conseguinte, a eclosão de conflitos ambientais, uma vez que entram em choque os natureza diversa, mas que tem em comum a defesa da vida humana e dos ecossistemas, além da
diferentes interesses no processo de produção social. O conflito ambiental eclode envolvendo luta pelos territórios. Na América Latina os vários conflitos ambientais têm ganhado visibilidade
atores sociais que apresentam cosmovisões diferentes na relação homem e natureza. Henri desde do início dos anos 90, como os atingidos por barragens, movimentos de resistência à
Acselrad, autor brasileiro de destaque na temática aqui discutida, entende os conflitos ambientais expansão da monocultura, lutas contra a mineração, contra a contaminação urbano-industrial,
como: etc. (Acselrad, 2004). No Brasil, por sua vez, o ideário do desenvolvimento tem sido considerado
como “propulsor contínuo de conflitos com comunidades locais, que possuem outros projetos
Aqueles envolvendo grupos sociais com modos diferenciados de apropriação, uso para os rios, matas e lugares com os quais convivem” (Fleury, Barbosa & Sant’ana Júnior, 2017,
e significado do território, tendo origem quando pelo menos um dos grupos tem a p. 221). Nesse sentido, buscamos discutir neste ensaio a relação entre sociedade-natureza e as
continuidade das formas sociais de apropriação do meio que desenvolvem ameaçada por implicações dessa relação na emergência dos vários conflitos ambientais tendo como base o
impactos indesejáveis – transmitidos pelo solo, água, ar ou sistemas vivos – decorrentes contexto brasileiro. Consideramos, portanto, que esta pesquisa poderá contribuir para identificar
do exercício das práticas de outros grupos. O conflito pode derivar da disputa pela aspectos importantes concernentes à produção de conhecimento sobre conflitos ambientais.
apropriação de uma mesma base de recursos ou de bases distintas mas interconectadas A construção desse ensaio tem por base um levantamento e análise de trabalhos publicados
por interações ecossistêmicas mediadas pela atmosfera, pelo solo, pelas águas, etc. Este sobre a temática na base de dados Scielo, desde os anos 2000 até maio de 2017. Considero
conflito tem por arena unidades territoriais compartilhadas por um conjunto de atividades que foi um passo importante para uma aproximação ao tema e propiciou identificar as principais
cujo “acordo simbiótico” é rompido em função da denúncia dos efeitos indesejáveis da abordagens utilizadas e referenciadas pela literatura produzida sobre conflito ambiental no
atividade de um dos agentes sobre as condições materiais do exercício das práticas de Brasil nos últimos 17 anos, buscando caracterizar as principais vertentes teóricas que orientam
outros agentes (Acselrad, 2004, p. 26). os estudos.

Fleury e Almeida (2013), por sua vez, entendem os conflitos ambientais como parte “crucial do Um panorama das principais abordagens de Conflitos Ambientais

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A centralidade da literatura brasileira sobre o campo dos conflitos ambientais tem como foco Nesse sentido, Fleury (2013) considera que conflitos ambientais apresentam especificidades
a expropriação material, violência simbólica, relações de poder assimétrico e de dominação e particularidades não atendidas pelas definições de conflitos sociais em geral, ao conectar
parecem ser o mote central das disputas e conflitos envolvendo diversos atores sociais (povos uma ampla rede de atores sociais – indígenas, ribeirinhos, instituições governamentais,
indígenas, ribeirinhos, quilombolas, etc., poder privado e Estado). É notável, portanto, que o conflito ambientalistas, entre outros – efetivamente está em jogo algo a mais, para além da atualização
ambiental apresenta um caráter político, com natureza processual e histórica, envolvendo um de antigos conflitos sociais mediante um discurso ambiental.
conjunto de atores sociais que mantém correlações de força distintas constituídas e contestadas
no âmbito de diversas práticas sociais. Os conflitos ambientais envolvem atores sociais com modos diferenciados de apropriação e uso
do espaço, relacionado a uma dimensão material, mas também envolve um conteúdo simbólico,
A literatura brasileira sobre conflitos ambientais tem aumentado sistematicamente nos últimos relacionado com as diferentes significações e representações do espaço para os atores, por
dez anos. As preocupações e propostas das agendas de pesquisas surgiram, simultaneamente, isso que o espaço não é neutro e contém um caráter político (Lima & Shiraishi Neto, 2015).
ao observar o aumento das iniquidades ambientais no país, o que tem exigido estudos que Laschefski e Costa (2008) destacam que no mesmo espaço há presença de divergências entre
tragam esses processos ao núcleo das pesquisas (Zhouri, 2014). Portanto, é possível identificar racionalidades e interesses dos segmentos sociais envolvidos e, frequentemente, as prioridades
algumas diferentes abordagens e eixos de discussão predominantes, as quais foram importantes de determinados grupos hegemônicos, muitas vezes contraditórias entre si, são atendidos, o que
debruçar para melhor aprofundamento neste campo de estudo. revela as relações de poder neste campo (Zhouri & Oliveira, 2012).

A ambientalização dos conflitos sociais relacionadas à construção de uma nova questão social De tal modo, compreender o conflito ambiental a partir do envolvimento de relações simbólicas
e o deslocamento do debate do conflito para arenas públicas, tornando o conflito uma questão de poder e dominação entre atores sociais em um campo é uma outra vertente de análise dos
pública é uma vertente teórica identificada (FUKS, 1998; 2001a; 2001b; LOPES, 2006). Para conflitos ambientais que segue o arcabouço analítico e conceitual da sociologia crítica e utiliza o
Lopes (2006), o processo de ambientalização dos conflitos sociais se dar, principalmente, pelo conceito de campo de Bourdieu. Desse modo, o campo delimita uma arena conflitiva, na qual os
crescimento da importância da esfera institucional do meio ambiente entre os anos 1970 e agentes disputam o poder e o seu posicionamento na hierarquia do mesmo (Laschefski & Costa,
o final do século XX, a partir da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre 2008). Essa arena conflitiva emerge de eventuais rupturas do “acordo simbiótico” entre as
meio ambiente de Estocolmo, em 1972. O autor afirma que no âmbito das lutas sociais por diferentes práticas sociais dispostas no espaço, comprometendo a continuidade das formas que
apropriação do território, em determinadas circunstâncias históricas se constitui um campo adotam a apropriação do ambiente para reprodução da própria vida e/ou verifica-se uma recusa
ambiental que vincula as disputas de poder por recursos territorializados a um repertório de socialmente organizada frente a um novo tipo de acordo proposto pelos agentes hegemônicos,
práticas discursivas através das quais conflitos sociais e lutas territoriais se ambientalizam. como projetos de desenvolvimento e/ou atividades econômicas de grande impacto (Acselrad,
2004, 2005).
Logo, para esta vertente, o conflito ambiental se configura em um conflito social ambientalizado,
ou seja, atores sociais utilizam de argumentos ligados as questões ambientais para dar maior Conflitos ambientais resultantes de expropriação de povos tradicionais do seu espaço de
legitimidade e ganhar espaços nas arenas públicas. Contudo, embora o conflito ambiental seja de reprodução da própria vida para implantação de megaprojetos de desenvolvimento3 compreende
natureza social, entender o conflito em torno de um processo de ambientalização é compreender uma outra vertente explorada neste campo de estudo. A implantação dos megaprojetos traz,
que existe uma separação entre homem e natureza e que o conflito social precisa se ambientalizar principalmente, como argumento o discurso do progresso e desenvolvimento ou a noção de
para ganhar maior legitimidade. Tal compreensão sobre conflito ambiental não problematiza a “vazio demográfico” para justificar a ocupação do espaço, desconsiderando a existência de
separação homem-natureza e reduz a capacidade analítica que o campo de estudo tem para 3. Os megaprojetos implantados em território brasileiro, em sua maioria, fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que é um plano
do governo federal, lançado em 2007, que visa estimular o crescimento da economia brasileira, através do investimento em obras de infraestrutura
analisar uma determinada realidade social (Fleury, 2013). (portos, rodovias, aeroportos, redes de esgoto, geração de energia, hidrovias, ferrovias, etc.).

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indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, dentre outros atores sociais (Meira Nesse sentido, considerar a carga cosmopolítica do conflito ambiental é o modo pelo qual se
& Almeida, 2016), o que tem contribuído para a emergência de vários conflitos ambientais atualiza a copresença de práticas problemáticas distintas, isto é, que existe no mesmo espaço
espalhados no território nacional. perspectivas que são diferentes e, muitas vezes, concorrentes. Logo, entendemos que evidenciar
a carga cosmopolítica do conflito ambiental contribuiu para o avanço teórico deste campo de
O governo, associado aos empresários privados, adotam um discurso “novo-desenvolvimentista” pesquisa, elucidando que o conflito ambiental é mais que um processo de ambientalização do
baseado nos significados de “vazio” e “atraso”, empreendendo ações no sentido de promover conflito social e envolve mais que uma dimensão material e simbólica. Fleury (2013) evidenciou
o “desenvolvimento” visando à industrialização e à infraestrutura exportadora. São vários os a concepção do ambiente como domínio de análise sociológica, com vistas a compreender os
megaprojetos – hidrelétricas, siderurgia, mineração e infraestrutura portuária, etc. – que não conflitos ambientais como um de seus desdobramentos, centrados em uma política pluriversa ou
levam em consideração consequências ambientais e sociais que estas ações podem provocar uma cosmopolítica, na qual diferentes mundos com suas formações socionaturais e suas visões
(Meira & Almeida, 2015) ao meio ambiente e a sociedade. Pelo contrário, alguns ganhos conflitantes possam ser considerados.
ambientais, como o código florestal, o licenciamento ambiental e os planos de mitigação e de
compensação ambiental, além dos direitos de grupos indígenas, quilombolas e povos tradicionais No geral, as vertentes analíticas no campo dos conflitos ambientais discutidas anteriormente
ancorados na Constituição de 1988, têm sido considerados como “entraves” ao desenvolvimento trazem à tona as diferentes racionalidades, lógicas e processos de apropriação do espaço com
(Zhouri & Laschefski, 2010, p. 15). vistas ao desenvolvimento de megaprojetos, envolvendo relações de poder assimétricos entre
os atores sociais, além de admitir que há cosmovisões diferentes coexistindo no mesmo espaço.
Cabe refletir, portanto, que os projetos de infraestrutura ou megaprojetos causam grandes Todavia, nenhuma destas analisou os conflitos ambientais situando-os em uma totalidade
transformações na vida das pessoas, modificando a dinâmica de vida dos atores sociais e/ou histórica e socialmente construída, resultantes da “organização espacial e da expansão
expropriando-as do seu espaço de reprodução social, as quais mantém vínculos simbólicos e geográfica como produto necessário para o processo de acumulação” inerente ao sistema de
afetivos. Além disso, é importante destacar que também são gerados vários impactos ambientais produção capitalista (Harvey, 2005, p. 46).
negativos como a perda da biodiversidade, alterações no lençol freático, poluição sonora,
visual, da água, ar, solo, além da privação de recursos naturais tidos como de bem comum, etc. Nessa perspectiva, Acselrad (2005) chama atenção para a importância de os conflitos ambientais
(Fearnside, 2013). Por isso, o conflito ambiental é mais do que disputas pontuais, apresenta um exprimirem as contradições internas dos modelos de desenvolvimento, haja vista que o objetivo
caráter holístico, caracterizam por “distintos conflitos que possuem em comum a luta contra o principal é a expansão da fronteira econômica do mercado e a intensificação do uso do espaço
imperativo do desenvolvimento, contra um desenvolvimento que na prática é expropriatório” territorial para a produção de riqueza a partir da implantação de projetos como hidrelétricas,
(Fleury & Almeida, 2013, p. 154). mineração, monoculturas de soja, eucalipto, construção de barragens, entre outros, como já
mencionado. Tais projetos são geradores de injustiças ambientais, na medida em que, ao serem
Nesse contexto, Fleury, Almeida e Premebida (2014) entendem que o conflito ambiental implementados, imputam riscos e danos as camadas mais vulneráveis da sociedade, as quais não
abrange mais que expropriação material e violência simbólica decorrentes dos processos de só são verdadeiramente excluídas do chamado desenvolvimento, mas assumem todos os ônus e
desenvolvimento, os autores consideram que é em termos cosmopolíticos que o conflito se impactos dele resultante (Zhouri, 2015).
expressa. A carga cosmopolítica manifestada no conflito ambiental visa identificar posições e
mapear as alianças e coalizões presentes nos embates políticos, além de observar elementos Rosa e Soto (2015) entendem que faz parte do próprio caráter do sistema de produção
cosmológicos, subjetividades e identitários subjacentes à configuração dos conflitos. Fleury capitalista a intensificação das contradições e que, na sociedade moderna, apresentam-se como
(2013) assegura que é preciso considerar a carga cosmopolítica do conceito de conflito contradições do espaço social. Os estudos envolvendo essa vertente seguem, principalmente, o
ambiental para investigar a emergência e configuração de tais conflitos. arcabouço teórico de Henri Lefebvre sobre a produção do espaço social, a qual recusa a visão do
“espaço como algo dado, neutro, imutável, ou um vazio em que se espalham coisas ou objetos.

1161 1162
Pelo contrário, o espaço é social e politicamente construído” (Laschefski & Costa, 2008, p. conflitos ambientais, no sentido de entender essencialmente como os conflitos são constituídos.
309). Assim, desenvolver pesquisas sobre conflitos ambientais é dar visibilidade a grupos de ribeirinhos,
seringueiros, quilombolas, povos indígenas, entre outros, para as incontestáveis transformações
Complementando, Laschefski e Costa (2008) consideram o espaço como um produto ou em suas vidas, retirando, muitas vezes, o direito de reprodução das suas próprias vidas, em
mercadoria, além de ser também um meio de produção intrínseco do capitalismo, e seu nome do “desenvolvimento e progresso”. Portanto, por ser considerado um campo teórico em
ordenamento segue a lógica de acumulação do capital. É justamente neste mesmo espaço que desenvolvimento e relevante no cenário nacional, crescentemente presente em vários eventos
se desenrolam as disputas sociais, onde o modo de distribuição de poder pode ser objeto de científicos brasileiros, compreendendo um espaço de debates, discussões e aproximação de
contestação e emergem os conflitos ambientais revelando as contradições internas dos modelos pesquisadores (Alonso & Costa, 2002; Fleury, Almeida & Premebida, 2014).
de desenvolvimento capitalista (Acselrad, 2005).
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