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Avaliação e

Cosmetologia
ação docente

Sandra
Poliana Regina
Galindodos Reis Rampazzo
de Almeida Milreu
Marlizete Cristina Bonafini Steinle
Edilaine Vagula

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Dados Internacionais de Catalogação na Públicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Milreu, Poliana Galindo de Almeida


Cosmetologia / Poliana Galindo de Almeida Milreu. – São Paulo:
Pearson Education do Brasil, 2012.

Bibliografia
ISBN 978-85-8143-125-3

1. Cosmetologia I. Título.

12-11028 CDD-613.488

Índices para catálogo sistemático:


1. Cosmetologia 613.488

2012
Pearson Education do Brasil

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CEP: 02712­‑100 — São Paulo — SP
Tel.: (11) 2178­‑8686, Fax: (11) 2178­‑8688
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Sumário

Unidade 1 — Conhecendo a cosmetologia e o mercado


cosmético.................................................. 1
Seção 1 Cosmetologia e o mercado cosmético.................................2
1.1 Mercado cosmético................................................................................... 4
1.2 Perspectivas 2012...................................................................................... 8
1.3 Crescimento do setor x crescimento da economia..................................... 9
Seção 2 Classificação dos produtos cosméticos..............................10

Unidade 2 — História e legislação para o mercado


cosmético................................................ 19
Seção 1 História da cosmetologia...................................................21
Seção 2 Legislação para o mercado da cosmética...........................27

Unidade 3 — Tecnologia e aplicação dos cosméticos... 33


Seção 1 Insumos e classificação cosmética.....................................34
1.1 N
 omenclatura de ingredientes cosméticos (INCI) Internacional
Nomenclature of Cosmetic Ingredient......................................................34
1.2 C
 omponentes básicos de uma formulação cosmética.............................. 36
Seção 2 Sequência de tratamento estético......................................51
2.1 Formas de limpar a pele ......................................................................... 52
2.2 O ideal é usarmos sabonetes especiais.................................................... 53
2.3 Peeling.................................................................................................... 54
2.4 Loções de limpeza aquosas ou tonificação.............................................. 54
2.5 Emulsões e soluções de limpeza ............................................................. 54
2.6 Hidratantes.............................................................................................. 57
2.7 Hidratação ativa, mecanismo intracelular ou osmolaridade..................... 61
2.8 Hidratação para o corpo.......................................................................... 61
2.9 Nutritivos................................................................................................. 62

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iv  cosmetologia

Unidade 4 — Fotoprotetores.........................................65
Seção 1 Espectro solar....................................................................67
1.1 Efeitos dos raios solares........................................................................... 69
1.2 Câncer de pele ....................................................................................... 71
Seção 2 Fator de proteção solar......................................................75
2.1 Substâncias fotossensibilizantes............................................................... 85
2.2 Protetores inorgânicos e orgânicos ......................................................... 86
2.3 Filtros orgânicos permitidos no Brasil ..................................................... 88
2.4 Filtros solares naturais ............................................................................. 90
2.5 Formulações de protetores solares........................................................... 92
2.6 Combinação de filtros solares ................................................................. 93
2.7 F ormulações resistentes ou muito resistentes à água e suor ..................... 93
2.8 Veículos utilizados nos fotoprotetores ..................................................... 94
2.9 Aconselhamento farmacêutico ao usuário de fotoprotetores ................... 95

Unidade 5 — Cosmetologia atual.................................99


Seção 1 Ativos cosméticos............................................................100
1.1 Ácido alfa lipoico.................................................................................. 100
1.2 Ácido kójico ......................................................................................... 102
1.3 Ácido málico......................................................................................... 102
1.4 Ácido fítico............................................................................................ 103
1.5 Ácido glicólico...................................................................................... 103
1.6 Ácido mandélico................................................................................... 104
1.7 Ácido salicílico ..................................................................................... 105
1.8 Ácido tricloroacético (ATA) ................................................................... 105
1.9 Adiporeguline........................................................................................ 106
1.10 Sistema de liberação por fosfolipídeos................................................. 106
1.11 Adipol ................................................................................................ 107
1.12 Água de Hamamélis............................................................................ 107
1.13 Água mãe cosmética ........................................................................... 108
1.14 Água thermal....................................................................................... 109
1.15 Algowhite............................................................................................ 110
1.16 Aloe vera............................................................................................. 110
1.17 Alpha beta peel .................................................................................. 112
1.18 Alpha-arbutin...................................................................................... 113
1.19 Aminoácidos da seda........................................................................... 113

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Sumário  v

1.20 Argilas thermais cosméticas ................................................................ 114


1.21 Argireline............................................................................................. 116
1.22 Ascorbosilane C................................................................................... 116
1.23 Avena eyes........................................................................................... 117
1.24 Bio arct................................................................................................ 118
1.25 Biosome DMAE .................................................................................. 119
1.26 Bromelina 3000 .................................................................................. 119
1.27 Cafeína ............................................................................................... 120
1.29 Cavalinha............................................................................................ 121
1.30 Celulinol ............................................................................................ 121
1.31 Chá-verde pó ...................................................................................... 122
1.32 Clorela pó .......................................................................................... 122
1.33 Coenzima Q-10 .................................................................................. 124
1.34 Colágeno hidrolisado ......................................................................... 125
1.35 D-Pantenol ......................................................................................... 126
1.36 Densiskin............................................................................................ 126
1.37 Epiderfill ............................................................................................ 127
1.38 Extrato fluido de própolis .................................................................... 128
1.39 Extrato glicólico de castanha-da-índia ................................................ 128
1.40 Extrato glicólico de centela asiática .................................................... 128
1.41 Extrato oleoso de calêndula ................................................................ 129
1.42 Camomila ........................................................................................... 130
1.43 Fango thalasso thermal ....................................................................... 130
1.44 Fator antilipêmico ............................................................................... 131
1.45 Fibra de laranja pó .............................................................................. 132
1.46 Fruit acid - AHA .................................................................................. 132
1.47 Gelatina ............................................................................................. 133
1.48 Ginkgo biloba .................................................................................... 134
1.49 Ginseng coreano................................................................................. 135
1.50 Gluconolactona .................................................................................. 136
1.51 Guaraná.............................................................................................. 136
1.52 Gymnema silvestre.............................................................................. 137
1.53 Haloxyl............................................................................................... 137
1.54 Hidroquinona...................................................................................... 138
1.55 Idebenona .......................................................................................... 138
1.56 Hidrovital............................................................................................ 139

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vi  cosmetologia

1.57 L-carnitina .......................................................................................... 139


1.58 Linefactor............................................................................................ 140
1.59 FGF-2 como um novo alvo entre os fatores de crescimento................. 141
1.60 Linha zymo......................................................................................... 141
1.61 Lipossoma de vitamina A+E ................................................................ 142
1.62 Manteiga de karitê............................................................................... 143
1.63 Microesferas de polietileno ................................................................. 143
1.64 Matrixil................................................................................................ 144
1.65 Óleo de abacate ................................................................................. 144
1.66 Óleo de amêndoas ............................................................................. 144
1.67 Óleo de citronela ............................................................................... 145
1.68 Óleo de coco ..................................................................................... 146
1.69 Óleo de girassol .................................................................................. 147
1.70 Óleo de prímula.................................................................................. 148
1.71 Óleo de rosa-mosqueta ...................................................................... 149
1.72 Óleos essenciais.................................................................................. 149
1.74 Oligomix............................................................................................. 152
1.75 Pumpkin enzyme ................................................................................ 154
1.76 Resorcina ............................................................................................ 154
1.77 Romã .................................................................................................. 155
1.78 Rutina ................................................................................................. 155
1.79 Syn coll .............................................................................................. 155
1.80 Spirulina.............................................................................................. 156
1.81 Vegelip................................................................................................ 157
1.82 Vitamina A........................................................................................... 157
1.83 Vitamina C .......................................................................................... 158
1.84 Vitamina E .......................................................................................... 159
Seção 2 Nutracêuticos .................................................................160

Referências.................................................................178

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Carta ao aluno

O crescimento e a convergência do potencial das tecnologias da informação e da


comunicação fazem com que a educação a distância, sem dúvida, contribua para a
expansão do ensino superior no Brasil, além de favorecer a transformação dos métodos
tradicionais de ensino em uma inovadora proposta pedagógica.
Foram exatamente essas características que possibilitaram à Unopar ser o que é
hoje: uma referência nacional em ensino superior. Além de oferecer cursos nas áreas de
humanas, exatas e da saúde em três campi localizados no Paraná, é uma das maiores
universidades de educação a distância do país, com mais de 350 polos e um sistema
de ensino diferenciado que engloba aulas ao vivo via satélite, Internet, ambiente Web
e, agora, livros‑texto como este.
Elaborados com base na ideia de que os alunos precisam de instrumentos didá‑
ticos que os apoiem — embora a educação a distância tenha entre seus pilares o
autodesenvolvimento —, os livros‑texto da Unopar têm como objetivo permitir que os
estudantes ampliem seu conhecimento teórico, ao mesmo tempo em que aprendem
a partir de suas experiências, desenvolvendo a capacidade de analisar o mundo a
seu redor.
Para tanto, além de possuírem um alto grau de dialogicidade — caracterizado por
um texto claro e apoiado por elementos como “Saiba mais”, “Links” e “Para saber mais” —,
esses livros contam com a seção “Aprofundando o conhecimento”, que proporciona
acesso a materiais de jornais e revistas, artigos e textos de outros autores.
E, como não deve haver limites para o aprendizado, os alunos que quiserem ampliar
seus estudos poderão encontrar na íntegra, na Biblioteca Digital, acessando a Biblioteca
Virtual Universitária disponibilizada pela instituição, a grande maioria dos livros indicada
na seção “Aprofundando o conhecimento”.
Essa biblioteca, que funciona 24 horas por dia durante os sete dias da semana, conta
com mais de mil títulos em português, das mais diversas áreas do conhecimento, e pode
ser acessada de qualquer computador conectado à Internet.

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viii  cosmetologia

Somados à experiência dos professores e coordenadores pedagógicos da Unopar, esses


recursos são uma parte do esforço da instituição para realmente fazer diferença na vida e
na carreira de seus estudantes e também — por que não? — para contribuir com o futuro
de nosso país.
Bom estudo!
Pró‑reitoria

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Apresentação

A cosmetologia é um tema muito atual e abordado por profissionais das mais


diversas áreas da saúde. Esta área vem ganhando maiores proporções com o avanço
das técnicas e tecnologias, atraindo consumidores cada vez mais exigentes. Por
este motivo precisamos ter um conhecimento profundo nos apoiando em bases
científicas, obtidas a partir de pesquisas sistemáticas.
Na primeira unidade você poderá compreender através da leitura quais as
diferenças dos termos mais usados na cosmética, as diferenças entre cosméticos e
cosmecêutico, por exemplo. Você aprenderá as evoluções do mercado cosmético
em nosso país, todas as mudanças e transformações que vêm ocorrendo durante os
anos. Esperamos que você consiga compreender o processo de evolução pelo qual
a cosmetologia tem passado e a importância que ela tem no mercado mundial e
nacional. Estudará também a classificação dos cosméticos com relação à finalidade
cosmética, às regiões de aplicação, às categorias e aos graus de risco para a saúde.
Na segunda unidade você irá conhecer toda a história da indústria farmacêutica
e da cosmética no Brasil. Você entenderá as mudanças que aconteceram no decor‑
rer dos anos e a importância disso tudo no mercado cosmético atual. Aprenderá
também as leis aplicadas a este mercado entendendo o quanto elas são importantes
para a saúde da população.
Saber como um cosmético pode ser classificado, de acordo com sua nomencla‑
tura e quais os componentes básicos de uma formulação é de suma importância.
Também não menos importante para você aplicar de forma prática é a sequência de
um tratamento estético utilizando cosmético. Tudo isso você aprenderá na Unidade 3.
Na quarta unidade o assunto abordado será o espectro solar, todos os raios
ultravioleta e infravermelho, seus efeitos e perigos para a saúde. É um momento
para refletirmos sobre os riscos que o sol traz para nossa saúde e como podemos
nos proteger dele. Você aprenderá como fazer isso entendendo sobre fator de
proteção solar e os tipos de protetores existentes.
Para finalizarmos este livro, na quinta unidade você será apresentado aos
mais diversos ativos cosméticos existentes no mercado, sua descrição, indicação
e detalhes importantes de cada um deles. Conhecerá também os nutracêuticos e
como podem ser usados para o benefício da saúde.

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x  cosmetologia

Espero que esta leitura seja imensamente prazerosa e que o ajude a compreender
um pouco melhor o mercado cosmético, e que ao final deste livro você possa se sentir
mais seguro para entrar para a área da estética.

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Unidade 1
Conhecendo a
cosmetologia e o
mercado cosmético
Objetivos de aprendizagem: o objetivo desta unidade é apresentar
a vocês a cosmetologia aplicada à estética por meio de conceitos
básicos e atuais, bem como definirmos o mercado cosmético no
Brasil. Nesta unidade, buscaremos despertar o seu interesse para
as evoluções que a cosmetologia tem apresentado em nosso país,
pelas mudanças que vem sofrendo durante os tempos até os dias
atuais. Esperamos que você consiga compreender o processo de
evolução pelo qual a cosmetologia tem passado e a importância
que ela tem no mercado mundial e nacional. Abordaremos tam-
bém a classificação dos produtos cosméticos para que você possa
entender de uma forma simples em quais as regiões eles devem
ser aplicados, qual a finalidade e os riscos para a saúde.

Seção 1: Cosmetologia e o mercado cosmético


Nesta seção, estudaremos o que é a cosmetologia, desde
a criação dos seus conceitos até a aplicação dos produtos
elaborados e a diferença dos termos técnicos aplicados.
Além disso, apreciaremos a evolução do mercado cos-
mético e o crescimento do setor mundial e brasileiro.

Seção 2: Classificação dos produtos cosméticos


Abordaremos para a sua compreensão a classificação
dos produtos cosméticos quanto à sua finalidade
cosmética, as regiões de aplicação, as categorias e
os graus de risco para a saúde.

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2  cosmetologia

Introdução ao estudo
Ao longo da história de nossa sociedade, experimentamos valores e significações
diferentes frente aos diversos padrões de beleza que existiram nas décadas de 1960
a 1990. A beleza humana tem limitações, proibições e exigências impostas pelos
padrões da sociedade atual, ou seja, o belo está preso no interior de poderes esta‑
belecidos pelos outros.
Com o avanço da idade, a pele começa a sofrer algumas alterações, modificando
seu aspecto, e isto gera uma busca pelos tratamentos e pelos cosméticos de tratamento.
Certamente, nos dias de hoje, diferente do que se pensava no passado, o que é
belo está direta e profundamente ligado ao que somos. Nossa cultura atual é com‑
pletamente narcisista, buscamos sempre o culto a nós mesmos.
A aparência pessoal é hoje requisito de grande importância em todos os seg‑
mentos, levando a população atual a dar maior valor à sua aparência cultuando
um padrão de beleza e, a partir daí, buscar nos cosméticos as ferramentas para
essa realização.
Talvez você ache difícil compreender como isto é possível, mas a cosmética
e os ativos atuam no corpo humano (pele, cabelos e unhas) de forma idêntica aos
processos vitais, auxiliando o metabolismo com o objetivo de estimular as funções
biológicas da pele a manter o equilíbrio tegumentar e a prolongar a juventude e
retardar o envelhecimento.
Abordaremos nas próximas unidades alguns temas relacionados à aparência pes‑
soal e à cosmética e vários ativos cosméticos que podem ser usados para o tratamento
da pele danificada.

  Seção 1 Cosmetologia e o mercado


cosmético
A cosmetologia é a ciência que estuda os cosméticos, desde a criação dos concei‑
tos até a aplicação dos produtos elaborados. Entre estes itens encontram-se a pesquisa
de novos ativos e matérias-primas, novas tecnologias e desenvolvimento de fórmulas,
produção e comercialização, controle de qualidade e legalização junto aos órgãos
competentes. Ou seja, a cosmetologia é a ciência que serve de suporte à fabricação
dos produtos de beleza destinados ao embelezamento, à limpeza, à manutenção e
às melhorias das características do cabelo, pele e seus anexos (RIBEIRO, 2010).
A cosmetologia não tem finalidade curativa ou de tratamento, pois não é um
medicamento, mas trabalha com a correção e a preservação, ou seja, trabalha com
a beleza. Pretende melhorar as alterações inestéticas na pele e cabelos ou manter a
qualidade destes.

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Conhecendo a cosmetologia e o mercado cosmético  3

Nesta área não temos um profissional que deva atuar oficialmente. Por isso, neste
setor, atuam os profissionais das áreas afins, como Biologia, Engenharia Química,
Fisioterapeuta Dermato Funcional, Química, Estética e Farmácia. Esses profissionais
se especializam na área e dessa forma são capacitados para trabalhar nas várias áreas
que envolvem os cosméticos.
Para você entender um pouco mais sobre esse assunto, é necessário definirmos
de forma lógica os termos a seguir.
Cosmetologista: técnico que estuda e aprimora as formulações
e fabrica produtos de beleza, aplicando os métodos científicos
determinados pela cosmetologia. Esteticista: profissional que sabe
escolher os cosméticos, segundo as suas propriedades, qualidades
e indicações e os aplica de acordo com as técnicas e métodos
ligados à profissão (PIRES, 2011, p. 1).

O que você entende por cosméticos? Qual seria a melhor definição para cosme‑
tologia aplicada à estética?
O nome cosmético era dado a princípio às substâncias naturais que tinham o ob‑
jetivo de suavizar o cabelo, dando-lhe um brilho natural. Após um período de tempo,
esses produtos evoluíram de tal forma a dominar o mercado da beleza, e dessa forma
o nome cosmético passou a ter um sentido mais amplo (PIRES, 2011).
Esses cosméticos possuem uma formulação que pode ter sua origem em animais
ou em vegetais, mas todos possuem sua base em experimentos científicos compro‑
vados. O objetivo dos cosméticos, de maneira geral, é a manutenção da pele ou
cabelo, o melhoramento da pele e seus anexos, suavizando as imperfeições, sem
alterar as funções vitais do organismo, sem causar qualquer tipo de alergia ou irri‑
tação da pele, ou seja, sem causar efeitos secundários maléficos e indesejáveis
(PIRES, 2011).
Os cosméticos devem limpar, corrigir, proteger, embelezar, manter as funções,
decorar a pele, as unhas e os cabelos (BARATA, 2002).
Nos cosméticos atuais procura-se aliar pro‑
priedades terapêuticas através do uso de ativos
eficazes, o que chamamos de cosmecêutica, a Saiba mais
cosmética terapêutica (BAUMANN, 2004).
As indústrias farmacêuticas têm se preocupado Caso você não tenha conheci-
em fabricar produtos de beleza específicos para mento, acesse o link <http://www.
cada tipo de pele, mas nem sempre as pessoas que anvisa.gov.br/cosmeticos/legis/espe-
os compram sabem a forma correta de usá-los. cifica_registro.htm> sobre a defini-
Se esses produtos forem utilizados corretamente, ção de produtos de higiene pessoal,
apresentarão resultados satisfatórios, tratando ou cosméticos e perfumes que a Anvisa
mantendo as funções da pele. Existem também publicou em 2005. Desta forma,
produtos que são criados pelas indústrias que você poderá refletir um pouco mais
servem apenas para hidratar a pele ou melhorar sobre os produtos cosméticos.
o aspecto dela, não possuindo efeito terapêutico.

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4  cosmetologia

Quando a intenção é tratar uma disfunção local na pele, precisamos de produtos que
possuam estes efeitos e, por este motivo, com o passar do tempo as empresas criaram
um novo conceito de cosmética e a uniram com a ciência, criando a cosmecêutica.
Este é um novo segmento da saúde e da beleza, que procura investigar e tratar as
variáveis disfunções estéticas humanas. A cosmecêutica vem conquistando cada vez
mais adeptos entre médicos, fisioterapeutas dermatofuncionais, farmacêuticos, esteti‑
cistas e clientes, porque trata mais profunda e eficazmente os desiquilíbrios estéticos.
A cosmecêutica se aproxima mais de um medicamento por não possuir ativos
apenas que melhoram o aspecto da pele, são produtos que tratam as disfunções es‑
téticas e que possuem comprovação clínica de resultados.
Enquanto a cosmética afeta de forma superficial o cabelo, um produto cosme‑
cêutico tem ação direta no bulbo capilar, contribuindo para eliminar o problema de
forma mais eficaz e estimular as células saudáveis. As fórmulas têm sido criadas para
terem ação profunda e direta sobre os tecidos, atenuando, minimizando e muitas vezes
resolvendo as alterações de pele que se tornam inestéticas durante o processo de vida.
Dermocosméticos, por sua vez, são produtos que levam princípios
ativos às camadas mais profundas da pele, proporcionando me‑
lhora do aspecto da mesma. Eles são criados a partir de estudos
científicos e clínicos, sendo produtos para indicações específicas.
Geralmente, são produtos hipoalergênicos e não comedogênicos.
Podem ser indicados por médicos ou mesmo comprados livremente
pelo consumidor (BAUMANN, 2004, p. 198).

Questões para reflexão


Você já parou para pensar como seriam os dias atuais sem as modificações cosmé‑
ticas que aconteceram nos últimos anos? Como seria viver hoje sem a tecnologia
para sabonetes, xampus, condicionadores ou até mesmo maquiagens?

1.1 Mercado cosmético


Segundo pesquisas da ABDI (2008):
[...] o mercado mundial de cosméticos atingiu US$ 290,9 bilhões
em 2007, com um crescimento de 5,9% em relação a 2006 (Ta‑
bela 1). Observa-se a continuidade da tendência de aumento da
importância relativa dos países emergentes no ranking, destacado
no primeiro relatório setorial.” (HIRATUKA et al., 2008). [...]
O Brasil, que passou de sexto principal mercado, em 2000, para
terceiro, em 2006, manteve a posição no ranking em 2007, com
crescimento de 22,6% em relação ao ano anterior, atingindo um
valor de US$ 22,2 bilhões. Vale ressaltar, porém, que esse resultado
foi afetado pela valorização cambial no período, o que com certeza
superestima o crescimento do mercado brasileiro (HIRATUKA et
al., 2008 p. 1).

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Conhecendo a cosmetologia e o mercado cosmético  5

Em primeiro lugar, a liderança dos produtos de beleza e maquia‑


gem, em especial os produtos associados a cuidados com a pele.
De acordo com o Euromonitor, o segmento de cuidados com a pele
experimentou crescimento de 40% entre 2002 e 2007, quando
atingiu um valor de US$ 65,7 bilhões. Dentre os fatores que têm
estimulado essa tendência está o aumento da expectativa de vida e
o aumento da idade média da população, especialmente nos países
desenvolvidos. Na Europa Ocidental, por exemplo, quase 50% da
população tinha mais de 40 anos em 2007. No Japão, responsável
por 20% do consumo de produtos para a pele, cerca de 22% da
população tinha mais de 65 anos. A estrutura sócio-demográfica,
combinada com a elevada renda per capita e o interesse crescente
da população com a questão da saúde e da beleza, tem direcionado
os investimentos das empresas de cosméticos para esses segmentos.
Ao mesmo tempo, o crescimento da renda per capita dos países
emergentes também tem contribuído para acelerar a demanda por
esses produtos nesses países, embora em segmentos de menor valor
unitário (HIRATUKA et al., 2008 p. 4).
A Indústria Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos
apresentou um crescimento médio deflacionado composto de 10,5%
nos últimos 14 anos, tendo passado de um faturamento “ExFactory”,
líquido de imposto sobre vendas, de R$ 4,9 bilhões em 1996 para R$
24,9 bilhões em 2009. A queda das vendas em dólares no período
entre 1999 e 2002 deveu-se a desvalorização do real, que sofreu
valorização de 1994 a 1996, devido sua utilização como âncora no
controle inflacionário após a implantação do Plano Real em meados
de 1994. A partir de 2003 o real passou a ser novamente valorizado
vigorosamente até 2007. O forte crescimento em dólar nos recentes
anos foi motivado por esta valorização do real, em conjunto com
o crescimento deflacionado no mercado interno superior aos dois
dígitos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE HIGIENE
PESSOAL, PERFUMARIA E COSMÉTICOS, 2010, p. 2).
Essa tendência tem se traduzido, em termos de estratégias empresa‑
riais, em aumento crescente da incorporação de novos ingredientes
ativos, por exemplo, com ações anti-idade, antissinais, de hidra‑
tação, para aumento da elasticidade e firmeza da pele etc. Além
do desenvolvimento de novas proteínas, aminoácidos e cadeias
de aminoácidos com funções mais específicas, também a forma
veicular de aplicação tem recebido investimentos crescentes. Mais
recentemente, o desenvolvimento de aplicações da nanotecnologia
aos cosméticos vem ganhando força como um dos campos prio‑
ritários nos laboratórios de P&D das grandes empresas do setor e
nos seus contratos com instituições de pesquisa e universidades. A
utilização da nanotecnologia permite um controle muito maior da
velocidade com que o ativo é liberado, assim como a profundidade
em que é liberado na pele. Além dos dermocosméticos, a nano‑
tecnologia também está sendo utilizada em preparações capilares,
uma vez que permite atingir os fios sem destruir a fibra externa
que os recobre, e em produtos de maquiagem, com nanopigmentos
pela maior gama de cores e textura permitida pela sua utilização
(HIRATUKA et al., 2008, p. 4 -5).

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6  cosmetologia

Desta forma, você deve ter percebido as estratégias de marketing das empresas,
comercializando principalmente os dermocosméticos, de forma muito agressiva.
Empresas de cosméticos têm desenvolvido linhas específicas de produtos que
estão sendo comercializadas por lojas de cosméticos e farmácias, com expressivo
investimento em divulgação junto a médicos e dermatologistas. Outras empresas com
mercado de massa têm procurado investir em produtos com ativos, tentando manter
o preço mais em conta com relação aos produtos mais especializados.
Pois bem, em sua reflexão, acredito que você tenha ficado perplexo e talvez mais
curioso ainda para saber quanto o mercado dos cosméticos vem crescendo, quanto
as grandes empresas têm investido neste setor e como a quantidade de ativos tem
crescido ou, ainda melhor, como muitos estudos novos estão sendo feitos no sentido
de comprovar os efeitos reais desses ativos em nossa pele.
Vem crescendo também uma tendência no mercado que é investir em linha de
produtos que utilizam ingredientes naturais e orgânicos, estimulados pela preocu‑
pação ambiental e ecológica dos consumidores. Por ser a tendência mais recente
do mercado, ainda é precoce dizer quando um produto é realmente orgânico, o que
gera preocupação dos órgãos de regulação.
Desta forma, as empresas têm se preocupado em utilizar flores, sementes e fru‑
tas, usando o menos possível ingredientes sintéticos, para evitar que estes agridam
a pele, o que acontece muito com o uso de corantes e conservantes. Ainda existe a
preocupação com a responsabilidade ambiental, o compromisso em não fazer testes
em animais, não usar frutas e flores que estão em extinção, além da utilização de em‑
balagens recicláveis ou biodegradáveis, não esquecendo a sustentabilidade ambiental
da produção dos insumos naturais. Não podemos deixar de citar a terceira tendência
que vem ganhando mercado que é o lançamento dos “[...] nutricosméticos, como são
denominados os produtos de ingestão oral (alimentos, bebidas ou comprimidos) com
ingredientes que prometem promover a saúde e a beleza do corpo, pele e cabelos”
(HIRATUKA et al., 2008, p. 6, grifo dos autores).

Questões para reflexão


Você sabia que nutricosméticos são apresentados como a última tendência da
indústria da beleza? Eles são o resultado da convergência entre as indústrias de
cosméticos e de alimentos, e são caracterizados pela ingestão de alimentos ou
suplementos com o propósito de melhorar aspectos estéticos da pele e apên‑
dices (antirrugas, antiacne, anticelulite, entre outros). São conhecidos como
pílulas da beleza.

Percebe-se que existe atualmente uma grande procura de produtos inovadores,


que tragam uma diferente proposta de tratamento. Isto acontece por que a população

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Conhecendo a cosmetologia e o mercado cosmético  7

encontra-se cada vez mais exigente, e o mercado desta forma tem procurado atender
ao apelo do mercado.
As tendências destacadas acima apontam, por um lado, para a
crescente importância da aplicação e da interpenetração de desen‑
volvimentos tecnológicos de diversas áreas, não apenas da química
tradicional, como também da área farmacêutica, da biotecnologia
e da nanotecnologia no setor de cosméticos. Em paralelo, os pró‑
prios canais de comercialização também vêm se transformando em
razão do mimetismo de formas típicas de outros setores. Por outro
lado, a questão regulatória passa a ter importância crescente, tanto
pela utilização de ingredientes ativos, que exigem maior controle
e fiscalização por conta dos riscos potenciais à saúde, quanto pela
necessidade do estabelecimento de padrões e normas claras para
a classificação de produtos e a definição dos significados mais
precisos de termos como “orgânicos” e “naturais” (HIRATUKA et
al., 2008, p. 6).

Em relação ao mercado mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos,


conforme dados do Euromonitor de 2009, o Brasil ocupa a terceira posição. É o pri‑
meiro mercado em desodorante; segundo mercado em produtos infantis, produtos
masculinos, higiene oral, proteção solar, perfumaria e banho; terceiro em produtos
para cabelos e cosmético de cores; sexto em pele e oitavo em depilatórios. (AS‑
SOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE HIGIENE PESSOAL, PERFUMARIA E
COSMÉTICOS, 2010).

Figura 1.1.  Composição do faturamento

B P

Fonte: Pires (2011, p. 1).

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8 cosmetologia

Acompanhando o crescimento de nossa eco‑


Links nomia, o setor superou os três pontos percentuais
acima do PIB, batendo R$ 14,4 bilhões. O setor de
O mercado de cosméticos masculi- limpeza obteve em 2011 um crescimento de mais
nos também tem avançado propor- de três pontos percentuais acima do PIB, atingindo
cionalmente nos últinos anos. Con- a marca de 6,7%. O resultado corresponde a um
fira acessando o link: <http://www. faturamento de R$ 14,4 bilhões num segmento que
cosmeticaemfoco.com.br/2010/10/ emprega mais de 21 mil pessoas no País. No ano de
brasil-e-segundo-maior-mercado- 2010, o faturamento foi de R$ 13,5 bilhões (ASSO‑
de.html>. CIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE PRO‑
DUTOS DE LIMPEZA E AFINS, 2011‑2012, p. 1).

1.2 Perspectivas 2012


A expectativa do setor para 2012 continua positiva, acompanhando o histórico
dos últimos anos de crescimento acima do PIB.

R$ CRESCIMENTO
2003 R$ 9 bilhões
2004 R$ 9,3 bilhões 3,2%
2005 R$ 9,6 bilhões 3,5%
2006 R$ 10 bilhões 4,5%
2007 R$ 10,7 bilhões 7%
2008 R$ 11,4 bilhões 6,5%
2009 R$ 12,2 bilhões 7%
2010 R$ 13,5 bilhões 11%
2011 R$ 14,4 bilhões 6,7%*
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE PRO‑
DUTOS DE LIMPEZA E AFINS, 2011‑2012).

Fonte: Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (2012).

Vários fatores têm contribuído para este excelente crescimento do setor, dentre
os quais destacamos:
Participação crescente da mulher brasileira no mercado de trabalho.
A utilização de tecnologia de ponta e o consequente aumento da produtividade,
favorecendo os preços praticados pelo setor, que tem aumentos menores do
que os índices de preços da economia em geral.
Lançamentos constantes de novos produtos atendendo cada vez mais às ne‑
cessidades do mercado.
Aumento da expectativa de vida, o que traz a necessidade de conservar uma
impressão de juventude (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE HI‑
GIENE PESSOAL, PERFUMARIA E COSMÉTICOS, 2010).

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Conhecendo a cosmetologia e o mercado cosmético  9

1.3 Crescimento do setor x crescimento da economia


Nos últimos anos, em geral, o País apresentou índices baixos de crescimento.
No entanto, o setor de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos
“[...] apresentou ao longo dos últimos anos um crescimento bem mais vigoroso que o
restante da indústria (10,4% a.a. de crescimento médio no setor contra 3,1% a.a. do
PIB Total e 2,7% a.a. da Indústria Geral” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA
DE HIGIENE PESSOAL, PERFUMARIA E COSMÉTICOS, 2011, p. 3).

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10 cosmetologia

Seção 2 Classificação dos produtos


cosméticos
Relembrando então a definição de cosméticos: produtos de higiene pessoal,
cosméticos e perfumes são preparações constituídas por substâncias naturais ou sin‑
téticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar,
unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral,
com o objetivo exclusivo ou principal de limpá‑los, perfumá‑los, alterar sua aparência
e/ou corrigir odores corporais e/ou protegê‑los ou mantê‑los em bom estado. (RDC
211/2005 — Anexo 1). (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITARIA, 2005).
Não podemos nos esquecer de que quando falamos em seres humanos precisamos
tomar todos os cuidados, e cosméticos são produtos que vão afetar de alguma forma a
pele, os lábios ou as unhas de uma pessoa. Por este motivo, vamos comentar algumas
características dos cosméticos que considero de suma importância.
A primeira delas é com relação à finalidade dos cosméticos. Eles têm a função de:
limpar;
perfumar;
alterar aparência;
corrigir odores corporais;
proteger/manter bom estado.
E podem ser aplicados ou usados nas regiões relatadas abaixo:
pele;
sistema capilar;
lábios;
mucosa da cavidade oral;
dentes;
unhas;
órgãos genitais externos.
Pensando que os produtos cosméticos poderiam causar algum malefício para
a saúde dos seres humanos, a Anvisa determinou que eles fossem enquadrados em
quatro categorias e classificados quanto ao grau de risco que oferecem de acordo
com a sua finalidade de uso.
Vamos citar agora estas quatro categorias: Dec 79094/77 — Arts. 49 e 50
produtos de higiene;
cosméticos;
perfume;
produtos de uso infantil.
[Através da] Resolução RDC No. 343/2005 publicada em 13 de
Dezembro de 2005, os cosméticos e os produtos de higiene pessoal
foram classificados de acordo com o seu grau de risco de uso e as

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C o n h e c e n d o a c o s m e t o l o g i a e o m e r c a d o c o s m é t i c o   11

definições de perfumes, cosméticos e produtos de higiene pessoal


foram alteradas para: preparações constituídas por substâncias
naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo
humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais
externos, dentes e membranas mucosas cavidade oral, com o
objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar
sua aparência e ou corrigir odores corporais e ou protegê-los ou
mantê-los em bom estado.
[...]
Produtos classificados como grau de risco 1 (ou Categoria 1) são
produtos cujas formulações cumprem com a definição adotada
na RDC 343/05 para Cosméticos e cujas propriedades e carac‑
terísticas não demandam informações detalhadas quanto ao seu
modo de usar e suas restrições de uso, devido às características e
composição simples do produto. Exemplos: Xampus e Condicio‑
nadores simples, espuma de barbear e loções pós-barba, produtos
para maquiagem, cremes e loções corporais com finalidade de
hidratação e refrescância sem vitaminas e filtros solares, produtos
sem apregoar ação “anti” na rotulagem (anticaspa, antirrugas,
antienvelhecimento etc.).
Produtos classificados como Categoria 1 não são registrados na An‑
visa. Eles são “Notificados” através de um dossiê simples contendo
informações básicas sobre o produto (composição, dados físico‑
-químicos, dados microbiológicos, Certificado de Venda Livre etc.),
sem o pagamento de qualquer taxa para a Anvisa. Geralmente, tais
produtos podem ser comercializados após um mês do protocola‑
mento do dossiê de Notificação (via internet). Isto quer dizer que
tais produtos podem ser importados assim que o distribuidor local,
responsável pela sua Notificação, protocole a mesma no site da
Anvisa. Todavia, se por alguma razão a Anvisa analisar o processo
de Notificação, e encontrar alguma informação contraditória ou
passível de classificar o produto como Categoria 2, o distribuidor
/ importador é solicitado a esclarecer as informações em questão
podendo a Notificação não ser aceita.
Ressaltamos que a Anvisa também tem realizado monitoramentos
nos processos via eletrônica, ou seja, se encontrado algum erro ou
classificação errada do produto, a notificação pode ser cancelada
pela Anvisa. Não existe a análise prévia, mas sim monitoramentos,
tanto pelas vigilâncias locais como pela própria GGCOS (eletro‑
nicamente).
Importante ressaltar que os produtos de Grau 1 não podem ter
filtros solares com finalidade de fotoproteção da pele, porém os
filtros solares podem ser utilizados para proteger a formulação
(fotoprotetor do produto).
A empresa importadora deve estar atenta aos pareceres emitidos
pela CATEC (Câmara Técnica de Cosméticos) disponíveis no site
da Anvisa, pois alguns desses pareceres determinam que apenas a
presença de determinada substância já é o suficiente para classificar
o produto como grau de risco 2 (exemplos: presença de Vitamina
A, Vitamina C, Cânfora, Salicilato de Metila etc.) (NASCIMENTO,
2012, p. 1-2).

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12 cosmetologia

Os procedimentos cosméticos grau 1 precisam ter:


propriedades básicas ou elementares;
comprovação não inicialmente necessária;
não requerem informações detalhadas (modo e restrições de uso).
Exemplos de produtos cosméticos grau 1: RDC 211/05, Anexo II-1:
colônia/perfume;
sabonete;
desodorante;
talco;
xampu;
condicionador;
creme hidratante para o rosto/corpo (sem ação fotoprotetora);
produtos para barbear (sem ação antisséptica);
dentifrício sem flúor;
enxaguatório bucal;
aromatizante;
esmalte;
maquiagens (sem ação fotoprotetora);
fixadores de cabelos etc. (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2005).
Produtos classificados como grau de risco 2 (ou categoria 2) são produtos de higiene
pessoal, cosméticos e perfumes cuja formulação cumpre com a definição adotada na
RDC 343/05 e possuem indicações específicas (exemplo: xampu anticaspa, creme an‑
tirrugas, cremes com protetor solar, cremes para a área dos olhos, cosméticos infantis
etc.) cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como
informações e cuidados, modo e restrições de uso. Produtos classificados como categoria
2 devem ser obrigatoriamente registrados na Anvisa. Junto com os dados do produto
existe o pagamento pelo importador de taxa de registro que varia de acordo com o porte
da empresa, isto é, quanto maior a empresa, maior a taxa (SALLUM, 2006).
O tempo de análise e para a concessão do registro é de 60 a 90 dias, caso o
processo não receba nenhum pedido de informação complementar. Contrariamente
às notificações, os produtos submetidos a registro precisam aguardar a publicação
deste registro no Diário Oficial da União para poder iniciar o processo de importação
e posterior comercialização.
Os procedimentos cosméticos grau 2 precisam ter:
indicações específicas;
comprovação de segurança e eficácia;
necessidade de informação e cuidados (modo e restrição de uso).
Exemplos de produtos cosméticos grau 2: RDC 211/05, Anexo II-2
protetor solar;
tintura capilar;

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conhecendo a cosmetologia e o mercado cosmético 13

alisante capilar;
repelente de inseto;
antitranspirante;
maquiagens com ação fotoprotetora;
sabonete antisséptico;
clareador de pele;
produtos infantis;
produtos para pele acneica;
esfoliante químico;
produtos para área dos olhos;
xampu e condicionador anticaspa e/ou antiqueda;
depilatório químico;
produtos indicados para pele sensível;
dentifrícos (anticárie, antitártaro);
enxaguatório bucal (antisséptico, antiplaca);
produtos íntimos etc.;
ativador/acelerador de bronzeado;
lenços umedecidos para higiene infantil;
produto para parar de roer unha;
removedor de cutícula;
removedor de mancha de nicotina químico;
sabonete de uso íntimo;
tintura capilar temporária/progressiva/permanente.
(AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2005).
Cada vez mais os consumidores estão preocupados com a segurança dos produtos
que usam, bem como interessados em saber o que estão comprando e se o produto
realmente cumpre o que promete no rótulo.
É importante falarmos sobre os ingredientes
restritivos, pois de acordo com a legislação sa‑
nitária brasileira, para perfumes e cosméticos
existem listas de ingredientes denominadas de Saiba mais
restritivas (ingredientes que não devem constar
Para que você possa refletir um
da formulação exceto nas condições e restrições
pouco mais sobre este assunto,
estabelecidas conforme previsto na legislação
dedique alguns minutos do seu
vigente), listas de filtros ultravioletas (substâncias
tempo visitando o site:
que podem ser adicionadas à formulação para
filtrar certos raios ultravioletas para proteger a <http://www.ecoescolhas.com.
pele de efeitos danosos causados por estes raios) pt/pt/content/10-ingredientes-a-
e listas negativas (substâncias de uso proibido em evitar-nos-produtos-de-higiene-e-
perfumes, cosméticos e produtos de higiene pes‑ cosmetica>, caso você ainda não
soal constante da legislação vigente). Estas listas o conheça.
estão disponíveis no site da Anvisa.

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14 cosmetologia

De acordo com a Legislação Sanitária Brasileira ‑ Lei N. 6.360


promulgada em 23 de Setembro de 1976, perfumes, cosméticos,
produtos de higiene pessoal e outros similares necessitam ser re‑
gistrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa,
agência reguladora do Ministério da Saúde e que normatiza a
produção, a importação e o comércio de perfumes, cosméticos,
produtos de higiene pessoal, alimentos, medicamentos, dispositivos
médicos (correlatos), etc. Esta lei em particular e suas atualizações
posteriores estabelecem o critério para a composição dos produtos
(ingredientes permitidos e restritos), instruções para a rotulagem,
dossiês de produtos e demais providências relacionadas’. (ASSO‑
CIAÇÃO DOS DISTRIBUIDORES E IMPORTADORES DE PERFU‑
MES, COSMÉTICOS E SIMILARES, 2012, p. 1).

Essa lei foi regulamentada pelas resoluções da própria Anvisa, a partir do ano
2000. Desta forma, foram estabelecidas regras específicas para o setor da cosmética
de acordo com as necessidades aparentes, mas sempre semelhantes às diretivas da
Comunidade Econômica Europeia. Essas regras vêm sendo discutidas antes mesmo
de serem aprovadas no âmbito do Mercosul, e a partir daí adotadas no Brasil (ASSO‑
CIAÇÃO DOS DISTRIBUIDORES E IMPORTADORES DE PERFUMES, COSMÉTICOS
E SIMILARES, 2012).
É importante lembrar que para usarmos os produtos comercializados pelas empre‑
sas, sejam elas nacionais ou não, precisamos ter certeza de estar seguros, por isto os
produtos devem passar pela comprovação de segurança. O que é isso? Os produtos
cosméticos devem ser seguros nas condições normais de uso.
Os testes de segurança de cosméticos têm por objetivo verificar a ausência de:
irritação;
sensibilização;
fototoxicidade;
fotoalergia.
Existem testes de comprovação de segurança chamados de testes pré‑clínicos e
clínicos, que são:
testes “in vitro”;
testes em animais;
testes em humanos (clínicos).
Ainda quanto aos riscos, os critérios para avaliação são as condições de uso e a
área de contato, composição, conhecimento e histórico do produto.
condições de uso — tipo de aplicação (regular, prolongada ou ocasional);
área de contato — áreas da pele em que o produto será aplicado;
composição do produto — o formulador deve analisar fórmula quantitativa,
concentração dos ingredientes, informações toxicológicas, nível de exposição
etc.;
conhecimento e histórico do produto — abrangem as informações sobre o
próprio produto, ou similares, dados experimentais e literatura especializada.

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conhecendo a cosmetologia e o mercado cosmético 15

Com base no parecer desse relatório, o fabricante poderá ou não comercializar


o seu produto.
Conforme aplicabilidade do produto, alguns outros critérios deverão ser obser‑
vados como irritação, sensibilização e efeito sistêmico (GOMES; DAMAZIO, 2009).
No Brasil, o uso de animais para testes de cosméticos ainda não é permitido, no
entanto, a Anvisa considera que animais de laboratórios só deverão ser utilizados
quando não existir métodos alternativos validados que os substituam ou, em casos
específicos, após “screening” com métodos in vitro e/ou matemáticos válidos, pro‑
cedendo desta forma os estudos clínicos (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA
SANITÁRIA, 2003).
Os métodos de avaliação da segurança e eficácia de produtos tópicos utilizando
modelos experimentais em animais, como cobaias, coelhos, camundongos e ratos
estão sendo substituídos por métodos experimentais in vitro, ensaios bioquímicos,
métodos humanos e análises físicas.
De que forma o cliente final saberá se os produtos que adquiriram passaram pelos
testes citados acima? Por meio das menções na rotulagem do produto.
De acordo com as premissas da legislação brasileira sobre bioética,
todo e qualquer produto, equipamento ou procedimento aplicado
em humanos, que esteja sob desenvolvimento deverá seguir os
preceitos éticos, de [igual maneira].
A avaliação do produto cosmético em humanos não ocorre [para]
investigar o potencial de risco, mas sim para confirmar a segurança
do produto acabado.
No Brasil, o Conselho Nacional de Saúde regulamentou as pes‑
quisas [que envolvem] seres humanos, por meio da Resolução
196/1996 e constituiu a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa
(CONEP) [como] responsável, [entre outras atribuições], pelo
registro dos Comitês de Ética em Pesquisa Institucional. Todos os
projetos de pesquisa que [envolvem] seres humanos devem obe‑
decer às recomendações dessa resolução (AGENCIA NACIONAL
DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2003, p. 31).

Veja o que deve ser colocado no rótulo de um produto antes de ele sair para o
mercado de venda:
indicação de FPS;
dermatologicamente testado;
hipoalergênico;
não comedogênico;
para pele sensível;
menções quanto a rugas, celulite, estrias;
firmeza da pele, ação antisséptica.
De acordo com Gomes e Damazio (2009), é dever de todo profissional de estética
saber escolher os produtos cosméticos de acordo com sua formulação, assim como
entender a rotulagem de cada um deles. Entre os atributos utilizados para avaliação
de segurança, devemos conhecer alguns termos específicos para esse fim.

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16  cosmetologia

1. Dano — prejuízo à saúde, em função da propriedade inerente de uma subs‑


tância.
2. Risco — probabilidade de ocorrência do dano.
3. Clinicamente testado — designação dada a determinado produto avaliado
em humanos, em condições de uso, sob controle de médico, dermatologista
e eventualmente de outro especialista, para verificar o potencial de reações.
4. Dermatologicamente testado — designação dada a determinado produto
avaliado em humanos sob controle de médico dermatologista, para verificar
potencial de reações cutâneas.
5. Oftalmologicamente testado — designação dada a determinado produto
avaliado em humanos sob controle de médico oftalmologista para verificar
potencial de reações oftálmicas.
6. Não comedogênico — designação dada a determinado produto avaliado em
humanos para observar o potencial de formação de comedões (cravos).
7. Não acnegênico — designação dada a determinado produto avaliado em
humanos para observar o potencial de formação ou piora de espinhas/acne.
8. Produto infantil — produto apropriado para uso na pele, cabelos e mucosas
infantis, conforme legislação brasileira.
9. Hipoalergênico — designação dada a determinado produto com baixa pos‑
sibilidade de causar reações alérgicas. Esse termo não é recomendado pelo
FDA (Food and Drug Administration) porque, em tese, todo produto cosmético
não deve ter potencial sensibilizante.
10. Produto para pele sensível — produto testato em indivíduos que apresentam
sintomas característicos de um quadro de pele sensível.

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C o n h e c e n d o a c o s m e t o l o g i a e o m e r c a d o c o s m é t i c o   17

Para concluir o estudo da unidade


Reflita sobre o que estudamos nesta unidade. Considere a evolução histórica
da cosmetologia, compreenda os conceitos básicos e atuais e aprenda a classifi‑
car um cosmético. Saiba que dentro deste processo muitos fatores influenciaram
esta evolução tão marcante no mercado mundial e brasileiro e você, a partir de
agora, poderá contribuir para a continuidade deste crescimento.
Para você aprofundar mais seus conhecimentos procure pesquisar dentro da
sua região como é este mercado da cosmetologia aplicada à estética, conheça a
realidade da sua região e verifique se os conceitos aprendidos estão sendo aplica‑
dos. Ative a sua curiosidade e explore os cosméticos que você usa ou que alguém
da sua família possua, leia a rotulagem, procure classificá-lo de acordo com o que
aprendeu. Coloque em prática os seus conhecimentos, pois desta forma, estará
aprendendo um pouco mais. E, agora, pessoalmente imagine suas possibilidades
de mudança e de que forma poderia contribuir na melhoria desse sistema.

Resumo
Acreditamos que esta unidade tenha sido muito rica para você e que te‑
nha acrescentado muito conhecimento e contribuído para a formação
do seu raciocínio. Espero que ela tenha sanado suas dúvidas quanto às de‑
finições sobre cosmetologia, cosmetologista, cosmecêutico e nutracêutico.
Colocamos de forma abrangente a evolução do mercado cosmético no mundo e
no Brasil e assim, vocês puderam perceber o quanto está crescente e evolutivo o
mercado dos cosméticos de higiene, limpeza, hidratação e nutrição da pele. Por
esse motivo, a pesquisa sobre o assunto deve ser constante, pois a cada dia temos
novas informações e dados estatísticos demonstrando as mudanças e evoluções
mercadológicas.
Foram abordadas as classificações dos produtos cosméticos, citando as quatro
categorias a que eles pertencem quanto a sua finalidade de uso: produtos de
higiene, cosméticos, perfume e produtos de uso infantil. Classificamos também
em relação à função de uso: limpar, perfumar, alterar a aparência, corrigir odores
corporais e proteger/manter bom estado. Não podemos esquecer de relembrar que
temos a classificação quanto aos graus de risco para a saúde: grau 1, que possui
propriedades básicas ou elementares, comprovação não inicialmente necessária
e não requerem informações detalhadas (modo e restrições de uso), e grau 2, que
possui indicações específicas, necessita de comprovação de segurança e eficácia
e requer informação e cuidados (modo e restrição de uso).

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18  cosmetologia

Atividades de aprendizagem
1. Qual a diferença entre cosmético, dermocosmético e cosmecêutico? Explique.
2. De acordo com o texto, quais os fatores que contribuíram para o crescimento
acelerado do mercado cosmético?
3. Classifique os cosméticos de acordo com a sua finalidade.
4. Classifique o cosmético de acordo com o grau de risco (GR 1 ou GR 2):
( ) Colônia/perfume
( ) Sabonete antissséptico
( ) Sabonete
( ) Creme hidratante para o rosto/corpo (sem ação fotoprotetora)
( ) Clareador de pele
( ) Maquiagens (sem ação fotoprotetora)
( ) Protetor solar
( ) Produtos para pele acneica
( ) Esfoliante químico

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Unidade 2
História e legislação
para o mercado
cosmético

Objetivos de aprendizagem: o objetivo desta unidade é mostrar a


vocês toda a história da cosmetologia, acompanhando o processo
pelo qual passou a indústria farmacêutica no Brasil, como foi se
desenvolvendo a cosmetologia até chegar ao mercado estético.
Buscaremos nesta unidade apresentar as leis da Anvisa e as legis-
lações vigentes sobre o mercado cosmético.
ção estratégica, até a gestão estratégica.
a longo prazo, planejamento estratégico, administra-
planejamento financeiro passando pelo planejamento
histórico do pensamento estratégico, iniciando no
Na segunda seção o que se apresenta é o percurso
Seção 2: Percurso histórico

futuro da organização e os resultados alcançados.


mudanças do ambiente de negócios, com a visão de
cos da estratégia e de sua relação constante com as
Nessa seção serão apresentados os conceitos bási-
Seção 1: A estratégia

Seção 1: História da cosmetologia


Entenda como ocorreu o processo histórico da indús-
tria farmacêutica no Brasil e como foi o desenvolvi-
mento da cosmetologia antiga e atual. Você perce-
berá a quantidade de mudanças sofridas durante
este processo, como a cosmética se desenvolveu
lentamente durante anos e atualmente vem cres-
cendo de forma rápida com formulações específicas
estéticas que vêm satisfazendo as necessidades do
mercado estético.

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20 cosmetologia

Seção 2: Legislação para o mercado da cosmética


Nesta seção, observaremos como foi formulada
a legislação para o mercado da cosmética, qual a
influência que ela tem no Brasil e como ela deve
ser aplicada e respeitada. Vamos aproveitar para
conhecer as principais leis que regem e controlam
este mercado de tamanha importância para a saúde
das pessoas. Desta forma, vocês poderão analisar as
consequências encontradas atualmente.

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H i s t ó r i a e l e g i s l a ç ã o p a r a o m e r c a d o c o s m é t i c o   21

Introdução ao estudo
Você saberia definir o que é beleza?
Se fossemos consultar um filósofo ou um poeta, é bem provável que eles saberiam
definir melhor do que ninguém o termo beleza.
Embora seja de difícil definição, poderíamos conceituar beleza como a qualidade
daquilo que possui harmonia, proporção, simetria, imponência, que desperta um
sentimento de êxtase, de admiração ou até mesmo prazer pelas sensações visuais.
Porém, o conceito de beleza é extremamente subjetivo, variando conforme a locali‑
zação, a cultura, o meio social e a época.
Percebemos que ao longo da história da humanidade, os padrões de beleza têm
sofrido inúmeras transformações. Em princípio, beleza significava farta alimentação
e reprodução, razão pela qual as formas femininas eram avantajadas. No entanto,
nos dias de hoje os padrões estão modificados, trazendo muitas vezes problemas
de saúde para se ter um corpo extremamente magro e um apelo exagerado para as
cirurgias plásticas de transformação.
Mas se observarmos desde os tempos mais remotos, o ser humano já buscava
produtos de beleza utilizando os recursos da natureza.
Somente mais tarde esses produtos receberam o nome de cosméticos (kos-
metikós), que refere-se ao enfeite, ao adorno, e que envolve uma variedade de
camuflagens aplicadas à pele, aos cabelos e às unhas, sempre com o objetivo
de embelezar.
Desde então, os produtos cosméticos são os recursos técnicos adequados para a
manutenção e o aperfeiçoamento da estética do corpo humano. São produtos con‑
siderados de efeito físico e não fisiológico; formulações de uso tópico que, quando
adequadamente utilizadas sobre a pele ou cabelos sadios, proporcionam resultados
satisfatórios, sem interferir nos processos normais do metabolismo celular. Pelo con‑
trário, devem colaborar para que esses processos ocorram de modo que melhorem a
qualidade da pele e seus anexos.
Abordaremos nesta unidade a história da cosmetologia mundial e nacional e
discutiremos o quanto é importante que o profissional da área cosmética tenha
conhecimento de algumas normais legais que regem o desenvolvimento de uma
formulação, como rotulagem, segurança, eficácia, registro/notificação e controle de
qualidade dos produtos.

  Seção 1  História da cosmetologia


A história da cosmetologia é muito antiga e sabemos que os produtos cosméticos
são usados há pelo menos 30 mil anos, em uma época em que os homens faziam
gravações em rochas e cavernas e também pintavam seus próprios corpos.

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No entanto, essa história foi se desenvolvendo aos poucos, por meio da evolução
tecnológica que foi se aprimorando de acordo com a evolução do homem e da for‑
mação profissional. Até então, não possuíamos um profissional farmacêutico.
A história da indústria farmacêutica no Brasil teoricamente teve seu
início com a chegada do primeiro farmacêutico, chamado Diogo
da Costa, o qual desembarcou na Bahia em 1549, fazendo parte da
comitiva de Thomé de Souza, primeiro governador-geral da colônia
portuguesa (CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO
DE SÃO PAULO, 2010, p. 7).

Vamos contar um pouco como foi o desenvolvimento histórico desde as boticas


até chegarmos às farmácias e laboratórios.
De 1550 a 1793, os jesuítas preparavam remédios e tratavam os doentes. Nesta
época, foi obtida a permissão para o funcionamento de boticas no território da colônia,
melhorando, assim, o comércio local de remédios. Surgiu então a primeira fórmula
brasileira constituída de um composto de várias drogas nacionais produzidas pela
Botica do Colégio dos Jesuítas da Bahia; esta fórmula era usada contra picadas de
animais peçonhentos (CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO
PAULO, 2010).
Essas boticas foram regulamentas em 1794 e o primeiro produto nacional indus‑
trializado foi lançado em 1860 pelo farmacêutico gaúcho João Daudt Filho: a pomada
Boro-borácica. Algum tempo depois, em 1893 foram criados os primeiros cursos de
farmácia no país, nas escolas de medicina do Rio de Janeiro e da Bahia.
As boticas tinham um papel fundamental na época. Seus donos, chamados de
boticários, tinham a responsabilidade de diagnosticar e curar doenças. No entanto,
para exercer aquela profissão era necessário cumprir alguns requisitos, como ter um
local com equipamentos apropriados para a preparação dos medicamentos e guardá‑
-los de forma adequada.
[Em] 1889 ocorre a Primeira fase industrial - com a Proclamação
da República, a produção farmacêutica brasileira teve seu apogeu
na primeira fase industrial, que se prolongou até 1914, quando da
fundação dos primeiros laboratórios industriais. Eles produziam
medicamentos de origem vegetal, mas também de origem mineral
e origem animal (opoterapia, soros e vacinas). Havia, nesta época,
35 laboratórios no país.
A Profissão farmacêutica foi reconhecida em 1901- a “Lei Epitácio
Pessoa” determina que somente farmacêuticos formados podem
exercer a profissão. Paulatinamente, os “boticários aprovados” e
“práticos” começavam a desaparecer. (CONSELHO REGIONAL
DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2010, p. 8-9).

O Instituto Pasteur foi instalado em São Paulo em 1906, sob a forma de fundação,
e tinha a finalidade de preparar vacinas contra a raiva.
Nesta época, tinha início a produção de vacinas, mas ainda não havia o reconhe‑
cimento da profissão farmacêutica, mas foi uma época importante para a área, pois
os laboratórios começavam a produzir em grande quantidade e a população então
percebeu a importância desta profissão.

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Para se ter uma ideia, em 1907 existiam apenas 60 laboratórios funcionando em


todo o Brasil.
Esta foi uma época importante para o campo farmacêutico; os laboratórios co‑
meçavam a aumentar em quantidade e a profissão começava a ser reconhecida pela
população também.
A partir desta data, teve início então a segunda fase da indústria farmacêutica.
Esta fase aconteceu em 1915 impulsionada pela deflagração da Primeira Grande
Guerra, que privou o Brasil de grande soma de medicamentos e deu início a uma
fase de desenvolvimento geral dos laboratórios nacionais, com o aperfeiçoamento
dos métodos científicos de produção. Além disso, foi o período do despertar dos
laboratórios estrangeiros para o potencial representado pelo mercado brasileiro
(CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2010).
O Censo de laboratórios, em 1920, revela 186 indústrias farmacêuticas instaladas
no país, o triplo do que existia na década passada.
Começa agora um período de grande dificuldade, com a importação de
matérias-primas, máquinas e utensílios, originando a terceira fase da indústria
farmacêutica, que começa em 1940. Essas dificuldades estimularam uma nova
fase do mercado. Os laboratórios nacionais foram obrigadas a suprir a demanda
interna e tiveram um grande crescimento, chegando a suprir as demandas dos
países europeus também.
Em 11 de dezembro de 1970, o governo estabelece a Lei n. 5.468, que cria o
INPI (Instituto Naciona de Propriedade Industrial), que tem a função de executar as
normas que regulam a propriedade industrial (CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA
DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2010).
Em 1976, foi estabelecida pela Anvisa uma lei que criou uma nova exigência para
o mercado — a Lei n. 6.360 criada, de 23 de setembro —, que exigia a apresentação
de receita médica na venda de medicamentos, com o objetivo de controlar o consumo
de fármacos que provocam dependência química. Isso dificultou um pouco as vendas,
mas controlou o mercado de manipulações prejudiciais à saúde.
Um ano depois, o Decreto n. 79.094 estabeleceu a obrigatoriedade da impressão
de tarjas nas embalagens dos medicamentos para duas categorias: tarja vermelha
para medicamentos éticos e tarja preta para medicamentos psicotrópicos que causam
dependência química.
Em 15 de maio de 1997, é sancionada a Lei n. 9.279, que instituiu o novo “Có‑
digo de Propriedade Industrial” para o país, estabelecendo novas regras para registros
de patentes sobre medicamentos, alimentos, produtos químicos e bacteriológicos.
O período de vigência das patentes para invenções é de 20 anos e para registro de
marcas é de 10 anos. (CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO
PAULO, 2010).
Vocês podem notar que tudo começou com a história da indústria farmacêutica, e a
cosmetologia vai ter início de forma tímida até criar proporções gigantescas no mercado

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mundial e nacional. Vamos contar agora um pouco da história da indústria cosmética


(CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2010):
Aparentemente os Egípcios foram os primeiros a fazer uso de cos‑
méticos e produtos de toucador em larga escala. Alguns minérios
foram usados como sombras de olhos e rouge, assim como usavam
extratos vegetais, como a henna. A famosa Cleópatra se banhava
com leite de cabra para ter uma tez suave e macia, e incorporou
o símbolo da beleza eterna. Também nesta época os faraós eram
sepultados em sarcófagos que continham tudo o que era necessá‑
rio para se manter belo. No sarcófago de Tutankamon (1400 a.C.)
foram encontrados cremes, incenso e potes de azeite usados na
decoração e no tratamento (PIRES, 2011, p. 1).

Naquela época, havia muitos rituais realizados pelas tribos indígenas, que pin‑
tavam seus corpos e faziam tatuagens para decorar e obter efeitos especiais. Os
índios utilizavam incensos, resinas e unguentos em suas cerimônias religiosas, onde
queimavam o incenso para obter uma fumaça perfumada.
Sabe-se que na pré-história, os homens faziam gravações em rochas e cavernas,
pintavam o corpo e se tatuavam. Rituais tribais praticados pelos aborígenes dependiam
muito da decoração do corpo para proporcionar efeitos especiais, como a pintura de
guerra. A religião era uma razão para o uso desses produtos. Cerimônias religiosas
frequentemente empregavam resinas e unguentos de perfumes agradáveis. A queima de
incenso deu origem à palavra perfume, que no latim quer dizer “através da fumaça”.
A história da cosmetologia foi evoluindo, e durante a dominação
Grega na Europa, 400 a.C., os cosméticos tornaram-se mais do que
uma ciência, estavam menos conectados aos religiosos do que aos
cientistas, que davam conselhos sobre dieta, exercícios físicos e
higiene, assim como, sobre cosméticos (DOURADA, 2007).
Nos manuscritos de Hipócrates, considerado o pai da medicina,
já se encontravam orientações sobre higiene, banhos de água e
sol, a importância do ar puro e da atividade física. Nesta época,
século II a.C., venerava-se uma deusa da beleza feminina, chamada
Vênus de Milo.
Na era Romana, por volta do ano 180 d.C., um médico grego
chamado Claudius Galen realizou sua própria pesquisa científica
na manipulação de produtos cosméticos, iniciando assim a era
galênica dos produtos químico-farmacêuticos. Galen desenvolveu
um produto chamado   Unguentum Refrigerans , o famoso   Cold
cream, baseado em cera.
Surgiu nesta época uma ciência oculta chamada de alquimia, que
se utilizavam de formulações cosméticas para atos de magia e
ocultismo. Também nesta época ensinavam-se receitas caseiras de
como se cuidar com produtos caseiros (PIRES, 2011, p. 1).

No entanto, a Idade Média foi uma época difícil e de clausura para a cosmética,
pois o rigor religioso do cristianismo reprimiu o culto à higiene e à exaltação da be‑
leza, determinando que as vestimentas fossem recatadas. Naquela época, as pessoas
não podiam se cuidar como fazemos nos dias de hoje, até os banhos para manter a

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higiene do corpo foram reprimidos. Esta época foi chamada de “Idade das Trevas”,
pois foi muito repressiva e a igreja não permitia nada que fosse relacionado à beleza.
O uso de cosméticos desapareceu completamente, por isso esta época também é
chamada de “500 anos sem um banho” (PIRES, 2011).
Com o Renascentismo e com o descobrimento da América, no século XV, perce‑
bemos o retorno à busca do embelezamento. Todos os costumes e hábitos de vida da
época são retratados pelos pintores, como por exemplo, a Mona Lisa, de Leonardo
da Vinci, que retrata a mulher sem sobrancelhas, face ampla e alva, de tez suave e
delicada.
Durante a Idade Moderna, séculos XVII e XVIII, notamos a crescente evolução
dos cosméticos e também da utilização de perucas cacheadas. (PIRES, 2011).
No final deste século, os Puritanos, liderados por Oliver Cromwell,
trouxeram um outro período, no qual o uso de cosméticos e per‑
fumes ficou fora de moda. Este, talvez, tenha sido o período mais
negro da história dos cosméticos, principalmente quando o Parla‑
mento Inglês em 1770 estabeleceu que: “Qualquer mulher... que
se imponha, seduza e traia no matrimônio qualquer um dos súditos
de Sua Majestade, por utilizar perfumes, pinturas, cosméticos,
produtos de limpeza, dentes artificiais, cabelos falsos, espartilho
de ferro, sapatos de saltos altos, enchimento nos quadris, irá in‑
correr nas penalidades previstas pela Lei contra a bruxaria... e o
casamento será considerado nulo e sem validade” (PIRES, 2011,
p. 1, grifos do autor).

Percebemos que a cada época houve mudanças nos costumes da população, que
ora era permitido cuidar da beleza, ora não era mais. Isso fez com que a cosmetologia
demorasse para se tornar popular e ser comum entre as pessoas.
Já na Idade Contemporânea, século XIX, período Vitoriano na
Inglaterra, Isabelina na Espanha e dos déspotas esclarecidos na
França pós-Napoleão, os cosméticos retomaram a popularidade.
Os cosméticos e produtos de toucador eram feitos em casa, cada
família tinha suas próprias e favoritas receitas. As mulheres pas‑
saram a expor um pouco o corpo e tomavam banho utilizando
trajes fechados.
Foi um período rico para o surgimento de indústrias de matérias‑
-primas para a fabricação de cosméticos e produtos de higiene nos
Estados Unidos, França, Japão, Inglaterra e Alemanha. Estávamos
presenciando o início do mercado de cosméticos e produtos de
higiene no mundo (DOURADA, 2007, p. 1).

No início do século XX, surgem as primeiras indústrias de produtos de beleza que,


no futuro, se tornariam as maiores empresas fabricantes de cosméticos do mundo.
No Brasil, este segmento teve início a partir da segunda metade do século XX
até colocar o país entre os três maiores mercados do mundo no início do século XXI
(CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DE GOIÁS, 2010).

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Questões para reflexão


Porque é tão importante e interessante para nós consumidores que a indústria
cosmética tenha chegado ao Brasil? Nós conseguiríamos viver hoje sem os pro‑
dutos cosméticos que utilizamos? Pense um pouco sobre isso.

Já no final do século XX, a indústria de cosméticos destacou-se de forma agressiva


no mercado, com produtos para tratamento da face, do corpo, dos cabelos e das unhas,
além de maquiagens e diversos outros produtos de embelezamento.
Essa indústria vem crescendo de forma rápida, e um dos motivos é o fato de pro‑
duzir produtos que agem como cosmecêuticos (produto cosmético com efeito tera‑
pêutico), proporcionando melhora da imagem pessoal da população que, em geral,
tem buscado cada vez mais esses produtos (CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA
DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2010).
O novo milênio parece ser promissor, com muitas possiblidades por meio da
cosmética. Com o resgate de substâncias milenares e o uso de tecnologia avançada,
produtos cada vez mais seguros surgem dessa nova mistura entre o antigo e o novo.
Esses produtos mostram-se eficazes e comprovados por meio da tecnologia moderna.
Não podemos esquecer que tempos atrás usava-se receitas caseiras, mas os tem‑
pos mudaram e com o crescimento da indústria de cosméticos e das farmácias de
manipulação, as formulações químicas foram dominando o mercado.
Ao mesmo tempo, não se podia mais confiar na pureza dos produtos
de fabricação caseira, devido ao excesso de agrotóxicos ou de co‑
liformes fecais contidos nessas plantas e ervas. Com a contribuição
da medicina ortomolecular para o retardamento do envelhecimento,
a dermatologia também avançou. A cosmética passou a atingir mais
profundamente nossas necessidades, repondo as perdas biológicas
causadas pela idade, estresse ou fatores psicossomáticos. Os extra‑
tos de placenta tornaram-se insuficientes. Nos produtos de beleza
passamos a encontrar colágeno, elastina, lipossomas, ceramidas,
antioxidantes, sobretudo, as vitaminas C e E. (PIRES, 2011, p. 6).

Para saber mais


No produtos cosméticos atuais encontramos diversos tipos de substâncias chamadas de ativos
cosméticos, que determinam a finalidade e o tipo de tratamento ao qual o produto é destinado.
Existe uma infinidade de tecnologias que envolvem a elaboração desses ativos e buscam uma
efetividade cada vez maior nos resultados.

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  Seção 2 Legislação para o mercado da


cosmética
Qual a responsabilidade do profissional da estética quando falamos em cosmética?
Quando utilizamos produtos cosméticos em geral, sejam produtos de higiene
pessoal, ou cosméticos e perfumes, precisamos entender que eles fazem parte do
campo de atuação do profissional e que por este motivo precisam ser utilizados com
responsabilidade e cautela.
No entanto, como ser responsável sem conhecer cada cosmético em potencial?
Na verdade, muito antes de atuar como profissional e utilizar os cosméticos profis‑
sionais, deve-se conhecer cada produto, cada princípio ativo utilizado nele e todos
os outros ingredientes usados na formulação.
Desta forma, estaremos preservando a saúde e prevenindo danos à saúde do cliente.
A evolução científica e tecnológica dos produtos fabricados, com as
mais diversas finalidades, impõe ao profissional a responsabilidade
técnica com o domínio de todos os conhecimentos necessários para
assumi-la. Essa responsabilidade não poderá mais se restringir à
forma oficial de uma imposição legal, mas deverá ser exercida efe‑
tivamente com competência, para que o consumidor possa usufruir,
com segurança, dos benefícios proporcionados por estes avanços,
com o menor grau de risco possível (HEEMANN et al. , 2010, p. 6).

Os produtos cosméticos se desenvolveram neste período do século XX de uma


forma diferente, ou seja, com uma nova conotação científica. Houve uma evolução
neste campo da estética ao mesmo tempo que surgiram novas matérias-primas, o que
possibilitou esse desenvolvimento. A partir daí surgiram novas possiblidades para a
forma de atuação desses produtos.
Assim, de um simples processo de adesão à pele atuando de
forma física, surgiu a possibilidade de que os produtos cosméti‑
cos passassem a atuar sobre a própria biologia da pele, e o seu
efeito em muitos casos, passou a ser o resultado da interferência
direta dos produtos cosméticos sobre células de tecidos vivos,
modificando-lhes o próprio metabolismo. Como exemplo desta
questão, destacam-se citações bibliográficas atuais, cujos autores
relacionam algumas alterações da pele às ações enzimáticas ou
mesmo imunológicas, mostrando o papel que a cosmética do futuro
passará a ocupar na intervenção sobre estes processos (HEEMANN
et al., 2010, p. 11).

A partir daqui percebeu-se a necessidade de se implantar mecanismos de con‑


troles no processo de fabricação dos cosméticos, para evitar doenças causadas por
microrganismos que possam estar presentes e contaminar de alguma forma o produto.
Quanto mais se estuda, mais se percebe os riscos de uma patogenia. Por este motivo,
precisavam ser criados mecanismos de controle eficazes, protegendo as pessoas e
também o processo de fabricação dos cosméticos, como forma de prevenir a sua
própria degradação por ação microbiana.

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Então surgiu uma nova geração de cosméticos, que continha uma composição
elaborada e uma atuação mais direcionada e eficaz. Mas isso gerou a necessidade da
implantação de testes de segurança seguros e produtivos, para prevenir a ocorrência
de danos à pele e ao próprio organismo, evitando assim alergias, irritações ou sensi‑
bilizações.
À luz dos conhecimentos atuais e pela conotação científica alcan‑
çada pelos produtos cosméticos a nível mundial, e, em cumprimento
à legislação específica para o setor, a fabricação de produtos cosmé‑
ticos atualmente está alicerçada no binômio “eficácia e segurança”,
pois além de cumprir a sua finalidade, esses produtos devem ser
seguros para o uso sem causar quaisquer efeitos indesejáveis.
Dessa forma, evidenciou-se que é cada vez maior a necessidade
do domínio profundo de conhecimentos também da área biológica
para o profissional dedicado à área de cosméticos.
Seguindo a evolução no setor de industrialização dos cosméticos,
pela modificação do comportamento humano e dos seus hábitos de
usar cosméticos e por imposição das relações sociais, o consumo de
cosméticos em âmbito mundial apresenta crescimento constante.
Tal crescimento continua a ser identificado em pesquisas realizadas
no decorrer dos últimos anos e apresenta uma relação direta com
nível cultural dos povos.
Paralelamente à evolução científica e tecnológica dos cosméticos,
a legislação específica para o setor também foi adequada e está
em constante processo de atualização, para que se preserve a se‑
gurança do usuário, e também, para que possam ser incorporados
aos produtos os conhecimentos científicos e tecnológicos mais
atuais (HEEMANN et al, 2010, p. 12).

Em se tratando de regulamentação do setor de cosméticos, historicamente deve‑


mos tratar da Lei n. 6.360, de 23 de setembro de 1976, regulamentada pelo Decreto
n. 79.094, de 5 de janeiro de 1977, a qual dispõe sobre a vigilância sanitária a que
ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos,
cosméticos, saneantes e outros produtos.
A partir de então, a regulamentação do setor vem sendo adequada
pela emissão de Portarias, Resoluções, Pareceres Técnicos e Guias
que tratam de assuntos específicos, cujo conhecimento é fundamental
para que o responsável técnico por empresas produtoras de cosmé‑
ticos possa atuar com segurança (HEEMANN et al., 2010, p. 12).

Saiba mais Essa legislação estabelece critérios para os


rótulos dos produtos cosméticos de forma geral,
Para que você possa estudar um para casos específicos e também regulamenta a
pouco mais e aumentar o seu co- fabricação de produtos para uso infantil. Ela é
nhecimento, visite o site da Anvisa bastante abrangente, pois regulamente vários itens
<www.anvisa.gov.br> e confira importantes, como as boas práticas de fabricação
todas as leis vigentes sobre o mer- e o processo para a obtenção do certificado de
cado da cosmética. boas práticas, relaciona substâncias de uso restrito,
proibido e as substâncias que possuem corantes

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e conservantes permitidas, e também estabelece os parâmetros para se ter um bom


controle biológico (HEEMANN et al., 2010).
A cosmética hoje é regulamentada e existem várias normas legais que regem o
desenvolvimento, rotulagem, segurança, eficácia, registro/notificação e controle de
qualidade físico-químico e mibrobiológico de uma formulação cosmética.
Antes de entrarmos nessa área da cosmética considero importante conhecer
essas normas, para que sempre o profissional possa trabalhar dentro da margem de
segurança e conhecimento.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi criada pela Lei n. 9.782, de
26 de janeiro de 1999, subordinada ao Ministério da Saúde. A finalidade da agência
é promover a proteção da saúde da população e da comercialização de produtos e
serviços submetidos à Vigilância Sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos,
dos insumos e das tecnologias a eles relacionados.
A seguir, colocamos algumas Resoluções importantes, a saber:

Resolução RDC nº 48, de 16 de março de 2006


Regulamento Técnico “lista de substâncias que não podem ser utilizadas em
produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes”, que consta como Anexo e faz
parte da presente Resolução.
Trata-se de uma lista de substâncias que são proibidas em produtos cosméticos,
independente da concentração. Como exemplo: lidocaína, peróxido de benzoíla,
ácido retinoico, entre outras.

Resolução RDC nº 47, de 16 de março de 2006


Regulamento Técnico “lista de filtros ultravioletas permitidos para produtos de
higiene pessoal, cosméticos e perfumes”, que consta como Anexo e faz parte da
presente Resolução.
Trata-se de uma relação de filtros solares permitidos em formulações cosméticas
e a concentração máxima de uso permitida para cada uma delas.

Resolução RDC nº 332, de 1 de dezembro de 2005 


As empresas fabricantes e/ou importadoras de produtos de higiene pessoal cos‑
méticos e perfumes instaladas no território nacional deverão implementar um Sistema
de Cosmetovigilância, a partir de 31 de dezembro de 2005.
Trata-se de um sistema que facilita a comunicação, por parte do usuário, sobre
problemas decorrentes do uso, defeitos de qualidade ou efeitos indesejáveis e sobre
o acesso do consumidor, informações estas que deverão ser registradas e avaliadas e
caso identifiquem situações que impliquem em risco a saúde do usuário, as empresas
deverão notificar a autoridade sanitária.

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Resolução RDC nº 211, de 14 de julho de 2005


Ficam estabelecidas a definição e a classificação de produtos de higiene pessoal,
cosméticos e perfumes, conforme Anexos I e II desta Resolução.
Nesta resolução é possível encontrar as seguintes informações já mencionadas
anteriormente:
definição de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;
classificação desses produtos quanto ao grau 1 ou 2;
lista dos tipos de produtos que se enquadram no grau 1 e 2;
requisitos adicionais para produtos importados do Mercosul e extrazona;
rotulagem obrigatória (nome, marca, número de lote, data de validade, con‑
teúdo, descrição dos componentes de formulação...) e específica (são infor‑
mações que deverão ser acrescentadas além da rotulagem obrigatória);
requisitos técnicos que a empresa fabricante deve apresentar a Anvisa.

Resolução RDC nº 215, de 25 de julho de 2005


Aprovar o Regulamento Técnico listas de substâncias que os produtos de higiene
pessoal, cosméticos e perfumes não devem conter, exceto nas condições e com as
restrições estabelecidas, que consta como Anexo e faz parte da presente Resolução.
Trata‑se de uma lista das substâncias que os produtos de higiene pessoal, cos‑
méticos e perfumes podem conter, desde que obedeçam a concentração limite e
condições impostas. Por exemplo: ácido salicílico (máximo de concentração dentro
dos cosméticos é de 2% para acne e 3% para caspa

Resolução RDC nº 36, de 17 de junho de 2009 (PDF)


Dispõe sobre a proibição, a exposição, a venda e a entrega ao consumo de formol
ou de formaldeído (solução a 37%) em drogaria, farmácia, supermercado, armazém,
empório e loja de conveniência.

Links
Para que você possa analisar o conteúdo das leis na íntegra, acesse: <http://www.anvisa.gov.
br/cosmeticos/legis/index.htm>.

Você teve acesso também a algumas informações de suma importância sobre a


nossa legislação, sobre as RDCs e como buscar novas informações pelo site da Anvisa.
A partir de agora, esperamos que você possa mergulhar em estudos sobre o assunto,
aumentando o conhecimento e buscando novos conceitos no mercado.

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Para concluir o estudo da unidade


Reflita sobre todo o assunto abordado nesta unidade. Considere as condições
históricas da cosmetologia, como evoluiu o processo da indústria farmacêutica
até chegar à cosmética que temos nos dias de hoje e toda a contribuição que
este rico mercado cosmético tem proporcionado para os tratamentos estéticos
faciais, corporais, capilares etc., reduzindo ou amenizando de forma significativa
as imperfeições que aparecem durante toda uma vida em nossa pele.
Espero que você tenha observado dentro deste contexto que nada disso seria
possível hoje se não tivéssemos leis específicas para o mercado cosmético, se as
indústrias e empresas farmacêuticas não precisassem cumprir regras específicas
de fabricação, rotulagem, quantidade de ativos, qualidade dos insumos e tudo
mais que foi descrito nesta unidade.

Resumo
Esta unidade contribuiu muito para a base do conhecimento da cosmética.
Acredito que não tenha ficado nenhuma dúvida a respeito da evolução histórica da
indústria farmacêutica e cosmética. E você teve acesso a informações de extrema
importância sobre a legislação que vigora atualmente no Brasil sobre cosméticos.
A partir de agora você terá condições de avaliar dentro do mercado esté‑
tico/cosmético a qualidade das rotulações, dos produtos ativos e o controle de
qualidade deles.
Sabemos que, a partir do que estudamos, os desafios são grandes, pois nem
sempre temos na íntegra a qualidade do que buscamos diante da lei, mas não
podemos desanimar. Nosso papel é compreender o processo correto e estarmos
sempre atentos para contribuirmos de forma significativa para a qualidade de
vida de nossa população.
Para finalizar, gostaria de frisar que a informação gera o conhecimento, que
pode alterar o comportamento pessoal de seu grupo e até mesmo de uma sociedade.

Atividades de aprendizagem
1. Conte a história da indústria farmacêutica de forma resumida.
2. Quais foram os fatos importantes da história da cosmetologia após o século XX?
3. A cosmética hoje é regulamentada? Quem a regulamenta?
4. Cite as principais leis que regulamentam a cosmética no Brasil.

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Unidade 3
Tecnologia e aplicação
dos cosméticos

Objetivos de aprendizagem: a proposta desta unidade consiste em


apresentar a nomenclatura dos insumos cosméticos, abordar os
componentes de uma formulação cosmética e ensinar o passo a
passo da sequência de um tratamento estético, desde a higiene
até a nutrição da pele.

ção estratégica, até a gestão estratégica.


a longo prazo, planejamento estratégico, administra-
planejamento financeiro passando pelo planejamento
histórico do pensamento estratégico, iniciando no
Na segunda seção o que se apresenta é o percurso
Seção 2: Percurso histórico

futuro da organização e os resultados alcançados.


mudanças do ambiente de negócios, com a visão de
cos da estratégia e de sua relação constante com as
Nessa seção serão apresentados os conceitos bási-
Seção 1: A estratégia

Seção 1: Insumos e classificação cosmética


Entenda como um cosmético pode ser classificado, de
acordo com sua nomenclatura (INCI — Nomenclatura
de Ingredientes Cosméticos), quais os componentes
básicos de uma formulação cosmética e as substân-
cias permitidas pela Anvisa para produtos de higiene
pessoal, cosméticos e perfumes.

Seção 2 Sequência de tratamento estético


Nesta seção, você aprenderá a sequência ideal de um
tratamento estético, compreendendo as necessidades
de cada tipo de pele para selecionar o cosmético
adequado, satisfazendo desta forma os objetivos do
seu cliente.

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34  cosmetologia

Introdução ao estudo
O organismo humano precisa sempre estar em homeostase, e para se manter
desta forma alguns fatores podem contribuir ou impedir as funções naturais da pele.
A pele é o primeiro órgão de defesa de nosso corpo contra as agressões do meio
externo e, por isso, sofre as consequências quando não é devidamente cuidada. Ela
possui mecanismos de defesa naturais, mas nós podemos auxiliar essas funções com
medidas simples e regulares. Desta forma, precisamos cuidar com excelência para
que nossa pele esteja em pleno funcionamento.
É necessário que tenhamos alguns cuidados básicos com a nossa pele, para que
desta forma ela esteja sempre funcionando normalmente e realizando suas funções;
estes processos de cuidados são limpar a pele diariamente e sempre hidratá-la. A
limpeza remove as sujeiras externas e o excesso de camada córnea, e também remove
gordura natural da pele e os micro-organismos que ela possa conter. A hidratação
é de fundamental importância, pois tem o papel de manter o conteúdo aquoso na
epiderme, conservando, assim, a barreira epidérmica em seu perfeito estado.
Considero importante salientar que para a pele se manter devidamente equili‑
brada é necessário que a barreira epidérmica esteja intacta, permitindo que haja um
equilíbrio cutâneo de água para a manutenção e o bom funcionamento deste órgão.
Nossa barreira cutânea é chamada de manto hidrolipídico e este precisa estar
diariamente hidratado. Este manto é composto por células chamadas queratinócitos
entrelaçadas entre si pelo teor de gordura da pele e de água.
Abordaremos nesta unidade a tecnologia cosmética e toda a classificação dos
insumos cosméticos. Falaremos também sobre os tipos de peles e as formas de a
tratarmos de forma adequada para o seu bom funcionamento.

  Seção 1  Insumos e classificação cosmética

1.1 Nomenclatura de Ingredientes Cosméticos (INCI)


International Nomenclature of Cosmetic Ingredient 
Vamos agora aprender um poucomais sobre a classificação cosmética utilizada
no mercado dos cosméticos. Utiliza-se um sistema para classificar os ingredientes
cosméticos, chamado INCI, que é usado no mundo todo e padroniza os rótulos de
todos os produtos cosméticos.
É um sistema internacional de codificação da nomenclatura de
ingredientes cosméticos, reconhecido e adotado mundialmente,
criado com a finalidade de padronizar os ingredientes na rotu‑
lagem dos produtos cosméticos. O INCI foi desenvolvido graças
à participação de vários países e culturas. É uma nomenclatura
baseada em listas internacionais de ingredientes conhecidos e

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utilizados por pesquisadores e cientistas de todo o mundo. Países


da Comunidade Europeia (Portugal, Espanha, França, Itália, dentre
outros), da América Latina e países como os Estados Unidos, Aus‑
trália, Singapura, África do Sul, Japão e outros, em suas legislações
sanitárias, já adotaram a nomenclatura INCI ou estão em fase de
implementação, como é o caso dos países do Mercosul. Visto que
existem mais de 12 mil ingredientes utilizados em produtos cos‑
méticos e muitos possuem, além da denominação química, mais
de um nome comercial, o INCI permite designar de forma única e
simplificada a composição dos ingredientes no rótulo dos produtos
cosméticos. Dessa forma, o objetivo do uso da nomenclatura INCI
é facilitar a identificação de qualquer ingrediente, proveniente de
qualquer país, por ser uma codificação universal, com um sistema
para todos os países sem distinção de idioma, caracteres, nem de
alfabeto (SOUZA, 2011).
Esta nomenclatura utilizada por todos os países no mundo traz
uma grande vantagem para a população, que é o esclarecimento
e a identificação de forma clara e universal dos rótulos utilizados
pelas empresas cosméticas.
As vantagens do INCI para:
Consumidor
Permite que o consumidor identifique, de forma mais clara, os
ingredientes de uma formulação em qualquer lugar do mundo.
Além disso, devido à grande diversidade de sinônimos relaciona‑
dos a um único ingrediente, os erros de interpretação na leitura
de componentes podem ser minimizados.
Vigilância Sanitária
A adoção dessa nomenclatura possibilitará uma maior agilidade na
identificação dos ingredientes dos produtos cosméticos de forma
clara, correta e precisa. Para saber o nome químico (INCI), CAS
(Chemical Abstracts Service — codificação mundial) e função das
substâncias utilizadas em cosméticos, leia CTFA ou INDEX ABC,
acessando <http://ec.europa.eu/enterprise/cosmetics/cosing/> e
clique em LEGAL AND REGULATORY e depois em INVENTORY
OF INGREDIENTS).
Comunidade Científica
A utilização de uma nomenclatura padronizada torna mais fácil o
trabalho de profissionais como médicos e farmacêuticos no acon‑
selhamento dos consumidores, além de garantir a atualização mais
dinâmica do conhecimento científico (AGÊNCIA NACIONAL DE
VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2012, p. 1).

Para saber mais


Todos os ativos possuem um INCI. Veja alguns exemplos no mercado cosmético:
AVENA EYES® - INCI NAME: Avena sativa, Prunus ameniaca, Rosa canina, Pollen, Propylene
glycol, water, imidazolidinilurea e methylparaben.
COENZIMA Q-10 - INCI NAME: Ubiquinone.

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36 cosmetologia

1.2 Componentes básicos de uma formulação


cosmética
Não é nada fácil classificar e estudar os diversos itens que uma formulação cos‑
mética possui, pois ela pode se apresentar de diferentes formas. Desta forma, vamos
agrupar as matérias‑primas utilizadas e explicar cada grupo e as possibilidades de
composição que estão sujeitas.
As matérias‑primas são utilizadas nas fórmulas de acordo com suas propriedades
funcionais e físico‑químicas. Essas propriedades são derivadas de suas respectivas
estruturas químicas (LEONARDI, 2008).
Vamos agora então classificar as matérias‑primas:
Quanto à origem:
inorgânicas;
orgânicas.
Quanto à constituição química:
ester;
éter;
aldeído;
cetona;
ácido carboxílico;
amina;
amida.
Existe, também, uma classificação das matérias‑primas de acordo com a função
ou efeito cosmético. Elas podem ser:
Veículos, umectantes, hidratantes, emolientes, espessantes/viscosantes, tenso‑
ativos, alcalinizantes, acidificantes e neutralizantes, conservantes, antioxidantes,
fragrâncias, corantes (SOUZA, 2011).
Exemplo:
Fito Ativo com ação anti‑inflamatória:
Hamamélis — Hamamelis virginiana
a) Folhas (7 — 10% de taninos): galotaninos, catequinas e proan-
tocianidinas condensadas.
b) Propriedades: poder adstringente (coagulam proteínas de mem-
branas celulares).
c) Ações relatadas: antiviral, antiedematogênica e antioxidante.
d) Potencial anti-inflamatório: preparações contendo extratos de
hamamélis suprimiram o eritema provocado por radiação UV, em
24 horas, comparados a cremes contendo 1% de hidrocortisona.
e)Uso tópico: extrato das folhas contendo 5 a 10% da droga
(SOUZA, 2011, p. 1).

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1.2.1 Veículo
É o componente que geralmente aparece em maior quantidade na
fórmula e que tem a função de receber os outros componentes, isto
é, nele são incorporadas estas outras substâncias. Devem ter grande
capacidade de solubilização ou de dispersão, conforme o caso. A
escolha do tipo de veículo deve se basear na compatibilidade com
os outros componentes e também no tipo de pele a que se destina
o produto. Podem ser: água, álcool, mistura hidroalcoólica, óleo,
glicerina, loções base, cremes base (SOUZA, 2011, p. 11).

Todo produto cosmético precisa conter um umectante, caso isso não ocorra o
produto com certeza não terá a mesma qualidade, pois o umectante fornece uma
hidratação especial à pele, formando uma película sobre ela.

1.2.2 Umectante
São substâncias higroscópicas que tem o objetivo de reduzir a
dessecação superficial pelo contato com o ar (das fórmulas), e
sobre a pele forma uma película que permanece sobre esta após a
aplicação do produto, favorecendo a hidratação. Estes reduzem a
velocidade da perda da água, porém este efeito pode ser reforçado
com adequado nível de vedação dado pelas tampas das embala‑
gens. Podem ser:
Polióis (glicois): álcoois contendo mais de um grupo OH, solú‑
veis em água, possuem toque untuoso (pegajoso). Ex.: propile‑
noglicol, glicerina, sorbitol.
Poliglicois: são solúveis em água, seu estado físico depende do
grau de etoxilação (PM). Ex.: polietilenoglicol.
Carboidratos: aldeídos ou  cetonas que são ao mesmo tempo
polióis. Ex.: açucares (glicose, frutose), amido, celulose.
Derivados do ácido carboxílico: Ac. Carb. reagem com bases
e formam sais orgânicos com capacidade  de hidratação.  Ex.:
lactato de sódio (ac. lático + NaOH), glicolato de sódio.

1.2.3 Hidratante
São matérias‑primas higroscópicas intracelulares, ou seja, subs‑
tâncias que intervêm no processo de reposição do teor de água da
pele de maneira ativa. Por isso, diferenciam‑se dos umectantes,
que são um processo passivo (SOUZA, 2011, p. 11).

1.2.4 Emoliente
São responsáveis pelo espalhamento e lubrificação da pele e ca‑
belo, que juntamente com os umectantes serão responsáveis pela
hidratação da pele e cabelo. São responsáveis nas formulações pela
consistência e aparência. (SOUZA, 2011, p. 11).

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38  cosmetologia

Tabela 3.1  Tipos de emolientes

Fonte: Souza (2011).

1.2.5 Espessantes/viscosantes
Substâncias responsáveis por aumentar a viscosidade das formu‑
lações. Os espessantes podem ser orgânicos e inorgânicos. Os
espessantes orgânicos dividem-se, por sua vez, em duas classes:
a) Agentes orgânicos
1 - De fase oleosa
São espessantes de fase oleosa, que são insolúveis em água e solú‑
veis em óleo. São empregados em cremes, loções e condicionado‑
res. Exemplos: álcoois graxos; monoestearato de gliceríla; ésteres de
álcoois e ácidos graxos; ceras naturais e minerais, óleos e gorduras.
2 - De fase aquosa
Conferem viscosidade à fase aquosa. São normalmente insolúveis
na fase oleosa. Exemplos: CMC — carboximetilcelulose; HEC -
hidroxietilcelulose — natrosol; Vinílicos: carbômero, PVP, álcool
polivinílico; Polissacarídeos: amido, agar-agar, gomas e alginatos;
b) Agentes Inorgânicos (eletrólitos)
Cloreto de sódio, citrato de sódio e fosfato de sódio ou amônio
(SOUZA, 2011, p. 10-13).

1.2.6 Tensoativos
São substâncias que possuem em sua estrutura molecular grupos hidrofílicos, com
afinidade pela água, e grupos lipofílicos, com afinidade por lipídeos. Por isso, são
capazes de diminuir a tensão superficial de um sistema. As substâncias tensoativas
têm as seguintes propriedades:

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Umectância: é a capacidade que uma substância líquida possui


de umedecer ou molhar uma superfície sólida.
Detergência: é a capacidade que uma parte da molécula (o grupo
polar) possui de arrastar detritos e impurezas de um superfície.
Espumógena: capacidade de produzir espuma. Estabilização
da espuma: alguns tensoativos têm a propriedade de manter a
espuma por algum tempo, evitando que logo desapareça. (GO‑
MES; DAMAZIO, 2009, p. 136‑140).

As moléculas dos tensoativos são compostas principalmente por:


Parte hidrófoba ou hidrofóbica: cadeias de hidrocarbonetos alifáticos linerares
ou ramificados. São insolúveis em água.
Parte hidrófila ou hidrofílica: grupos ácidos ou básicos. São solúveis em água.
É justamente esta dupla afinidade da molécula que determina a
tendência destes compostos de se concentrarem nas interfaces. Os
tensoativos apresentam a propriedade de reduzir a tensão superfi‑
cial da água e de outros líquidos.
Podem ser classificados em aniônicos, catiônicos, não iônicos e
anfóteros.
Aniônicos:
Quando em solução aquosa sofrem dissociação, sendo a parte
lipofílica do tipo aniônica. São superiores quanto à espuma, ca‑
pacidade detergente, capacidade emulsiva. Geralmente, são mais
usados em xampus e sabonetes.
Catiônicos:
Atuam por neutralização de carga no cabelo; muito usado em
condicionadores. Irritam bastante a mucosa ocular. Exemplos: Sais
quaternários de amônio, cloreto de cetil trimetril amônio, cloreto
de dimetil benzil amônio, cloreto de benzalcônico, polímeros
quaternizados, polyquartenium.
Não iônico:
Em solução aquosa não sofrem ionização, não possuem carga.
Geralmente, são utilizados como emulsionantes em cremes e lo‑
ções. Ex: alcanol amidas de ácido graxo de coco, ésteres glicóis,
ésteres de glicerol, ésteres de polietilenoglicol, ésteres de sorbitano,
álcoois graxos etoxilados.
Anfóteros:
Quando em solução aquosa são dependentes do pH, onde liberam
cargas + ou ‑. São recomendados para pele frágil. Usados também
em produtos infantis. Exemplos betaínicos: betaína de coco; coco‑
‑amido‑propil betaína; coco‑carboxi‑anfo‑glicinato de sódio.

1.2.7 Alcalinizantes, acidificantes e neutralizantes


São usados em cosméticos para conferir alcalinidade às soluções,
para neutralizar ácidos graxos e obter sabões, umectantes, géis de
carbomeros e corrigir pH.
Podem ser de origem inorgânica e orgânica. Exemplos: TEA (trieta‑
nolamina) e NaOH. Os ácidos mais usados em cosméticos são os
orgânicos. Exemplos: ácido cítrico e ácido fosfórico.

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40 cosmetologia

1.2.8 Conservantes
Os conservantes são substâncias que, adicionadas aos produtos,
têm como finalidade preservá‑los de danos causados por micro‑
‑organismos durante a estocagem, ou mesmo de contaminações
acidentais produzidas pelos consumidores durante o uso.
Para cada tipo de agente conservante e dependendo da formulação
existe uma concentração máxima permitida que deve ser seguida ri‑
gorosamente (SOUZA, 2011, p. 13‑14).

Quais seriam estes contaminantes?


Podem ser as bactérias e os fungos. Vamos descrever algumas características
desses contaminantes:
Contaminante Bactéria:
encontram‑se bastante difundidas (ar, água e terra);
ph ótimo para crescimento de 6 a 8;
temperatura ideal: 35‑40°C;
utilizam como substrato: proteínas, vitaminas, sais, entre outros;
principais: Pseudomonas, Enterobacter, Klebsiella, Staphylococ‑
cus (SOUZA, 2011, p. 14).
Contaminante Fungo (bolores e leveduras):
utilizam como substrato: sais minerais, celulose, ácidos orgâni‑
cos, amido, açúcares etc.;
pH varia com a espécie (SOUZA, 2011, p. 14).

O que favorece ou facilita a contaminação e proliferação dos micro‑organismos?


A presença de água e de vários componentes orgânicos. Quando
a contaminação acontece, alguns fatores que envolvem produto,
produtor e consumidor devem ser considerados:
alteração do produto: fermentações, cor e odor diferentes, tur‑
vação, separação e fases, decomposição de pa;
credibilidade do fabricante;
saúde do consumidor: infecção ocular, inflamação dérmica,
acne, caspa, mal odor do suor (SOUZA, 2011, p. 15).

Para que um produto seja considerado de boa qualidades ele precisa ter um bom
conservante, para que o cosmético não seja contaminado pelas bactérias e fungos.
Vamos citar agora algumas características que os conservantes precisam ter:
boa solubilidade em água;
boa estabilidade;
ser inodoro e incolor;
ser economicamente viável;
ser atóxico;
ser efetivo a baixas concentrações;
ser amplo espectro de ação;
ser estável e efetivo em extensa faixa de pH;
não afetar as características físicas do produto (cor, odor, sabor);
ter adequado coeficiente de partição;
inativar rapidamente os contaminantes;
ser compatível (SOUZA, 2011, p.15).

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Te c n o l o g i a e a p l i c a ç ã o d o s c o s m é t i c o s   41

Tabela 3.2  Lista de substâncias de ação conservante permitidas para produtos de higiene pessoal,
cosméticos e perfumes

CONDIÇÕES DE
Nº MÁXIMA CONCENTRA‑
SUBSTÂNCIA LIMITAÇÕES USO E ADVER‑
ORD ÇÃO AUTORIZADA
TÊNCIAS
a) 2,5% (ácido): Produtos
destinados a serem enxa‑ Proibido em siste‑
Ácido benzoico (número
guados, exceto os produ‑ mas pulverizáveis
CAS 65-85-0) e respectivo
tos para higiene bucal; b) (como aerosóis e
1 sal de sódio (número CAS
1,7 % (ácido): Produtos sprays) quando a
532-32-1) (BENZOIC
de higiene bucal; c) 0,5 % concentração for
ACID, salts & esters).
(ácido): Produtos que não maior que 0,5%.
são enxaguados.
Sais de ácido benzoico
não enumerados no nú‑ 0,5% (expresso como
1a
mero de ordem 1 e ésteres ácido).
de ácido benzoico.
Ácido propiônico e seus sais 2,0% (expresso como
2
(PROPIONIC ACID & salts). ácido).
Proibido em pro‑
Não usar em
dutos para crianças
crianças com
Ácido salicílico e seus sais 0,5% (expresso como com menos de
3 menos de 3 anos
(SALICYLIC ACID & salts). ácido). 3 anos de idade,
de idade (exceto
com exceção dos
para xampus).
xampus.
Ácido sórbico e seus sais 0,6% (expresso como
4
(SORBIC ACID & salts). ácido).
0,6% (expresso como
4a Sorbato de Trietanolamina.
ácido).
Bifenil-2-ol (o-fenilfenol) e
0,2% (expresso como
5 seus sais (O-PHENYLPHE‑
fenol).
NOL & salts).
Somente em
Piritionato de zinco produtos enxaguá‑
a) 1,0% produtos capilares;
6 (número CAS 13463-41-7) veis. Proibido em
b) 0,5% outros produtos­.
(ZINC PYRITHIONE). produtos de higiene
bucal.
Sulfitos e bisulfitos inor‑
0,2% (expresso como SO2
7 gânicos (AMMONIUM
livre).
SULFITE & BISULFITE, etc.).
Proibido em siste‑
1, 1, 1-Tricloro-2-metil‑
mas pulverizáveis Contém
8 propanol-2-(clorobutanol) 0,5%.
(como aerosóis e clorobutanol­.
(CHLOROBUTANOL).
sprays).
Ácido 4-hidroxibenzoico,
a) 0,4% (expresso como
seus sais e ésteres (4-HI‑
ácido) individual; b) 0,8%
DROXYBENZOIC ACID,
9 (expresso como ácido)
salts & esters: METHYLPA‑
para misturas de sais ou
REBEN, PROPILPARABEN
ésteres.
etc.).

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CONDIÇÕES DE
Nº MÁXIMA CONCENTRA‑
SUBSTÂNCIA LIMITAÇÕES USO E ADVER‑
ORD ÇÃO AUTORIZADA
TÊNCIAS
Proibido em siste‑
Ácido dehidroacético e
0,6% (expresso como mas pulverizáveis
10 seus sais (DEHYDROACE‑
ácido). (como aerosóis e
TIC ACID & salts).
sprays).
Ácido fórmico e seu sal
0,5% (expresso como
11 sódico (FORMIC ACID &
ácido).
sodium salt).
3,3’-Dibromo‑
-4,4’hexametileno-dio‑
xidibenzamidina e seus
12 sais (incluindo isotionato) 0,1%.
(dibromohexamidina)
(DIBROMIHEXAMIDINE
& salts).
0,007% (de Hg). Se mistu‑
Somente para
rado com outros compos‑
Tiosalicilato de etilmercu‑ maquiagem e Contém
13 tos mercuriais, o total de
rio sódico (THIMEROSAL). demaquilante para timerosal­.
Hg não pode ser maior que
os olhos.
0,007% no produto final.
0,007% (de Hg). Se mistu‑
Fenilmercúrio e seus Somente para
rado com outros compostos Contém
sais (incluindo borato) maquiagem e
14 mercuriais, o total de Hg compostos
(PHENYLMERCURIC & demaquilante para
não pode ser maior que fenilmercuriais­.
salts). os olhos.
0,007% no produto final.
Ácido undecanoico-10‑
-eno, (undecilênico), seus
0,2% (expresso como
15 sais, ésteres, aminas e
ácido).
sulfosuccinato (UNDECI‑
LENIC ACID & SALTS).
Amino-5-bis (etil-2-he‑
16 xil)-1,3 metil-5-perhidropi‑ 0,1%.
rimidina (HEXETIDINE).
Somente para
5-Bromo-5-nitro-1,3 produtos com
17 dioxano (5-BROMO-5‑ 0,1%. enxágue. Evitar
-NITRO-1,3-DIOXANE). formação de
nitrosaminas­.
2-Bromo -2-nitropropano-1,3-
Evitar formação de
18 diol (Bronopol) (2-BROMO-2‑ 0,1%.
nitrosaminas.
-NITROPROPANE-1,3-DIOL).
Critério de pureza:
3,3’,4,4’-Tetracloro
3,4,4’- Triclorocarbanilida azobenzeno <
19 0,2%.
(TRICHLOCARBAN). 1ppm 3,3’,4,4’-Te‑
tracloro azoxiben‑
zeno < 1ppm.
Proibido em pro‑
p-cloro-metacresol (p‑ dutos que entram
20 0,2%.
-CHLORO-m-CRESOL). em contato com
mucosas.

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Te c n o l o g i a e a p l i c a ç ã o d o s c o s m é t i c o s   43

CONDIÇÕES DE
Nº MÁXIMA CONCENTRA‑
SUBSTÂNCIA LIMITAÇÕES USO E ADVER‑
ORD ÇÃO AUTORIZADA
TÊNCIAS
p-cloro-metaxileno
21 0,5%.
(CHLOROXYLENOL).
Imidazolidinil ureia (IMI‑
22 0,6%.
DAZOLIDINYL UREA).
Cloridrato de polihexame‑
tileno biguanida (POLYA‑
23 0,3%.
MINOPROPYL BIGUA‑
NIDE).
2-Fenoxietanol (PHENO‑
24 1,0%.
XYETHANOL).
Proibido em produ‑
24a 6-Clorotimol. 0,1%.
tos infantis.
Cloreto de
1-(3-cloroalil)-3,5,7‑
25 0,2%.
-triazo-1-azoniadaman‑
tano (QUATERNIUM 15).
1-(4-clorofenoxi)-1-(1‑
26 -imidazolil)-3,3-dimetil-2‑ 0,5%.
-butanona (CLIMBAZOLE).
1,3-Dimetilol-5,5-dime‑
27 tilhidantoína (DMDM 0,6%.
HYDANTOIN).
27a 2-Feniletanol. 0,5%.
Álcool benzílico (BENZYL
28 1,0%.
ALCOHOL).
1-Hidroxi-4-metil-6(2,4,4‑
-trimetilpentil) 2-piridona e a) 1,0% para produtos que
29 seus sais de monoetanola‑ se enxágue; b) 0,5% para
mina (Octopirox) (PIROC‑ outros produtos.
TONE OLAMINE).
4-Isopropil-m-cresol (O‑
30 0,1%.
-CYMEN-5-OL).
Mistura de 5-cloro-2‑
-metil-4-isotiazolina-3-ona
0,0015% de uma mis‑
e 2-metil4-isotiazolina-3‑
tura na proporção 3:1
-ona com cloreto de
de 5-cloro-2methyl‑
31 magnésio e nitrato de
-isothiazol-3(2H)-one e
magnésio (3:1) (METHYLI‑
2-methylisothiazol-3(2H)
SOTHIAZOLINONE +
one.
METHYL CHLORO ISO‑
TIAZOLINONE).
2-Benzil-4-Clorofenol
32 0,2%.
(CHLOROPHENE).
2-Cloroacetamida (CHLO‑ Contém
33 0,3%.
RACETAMIDE. cloroacetamida­.

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44  cosmetologia

CONDIÇÕES DE
Nº MÁXIMA CONCENTRA‑
SUBSTÂNCIA LIMITAÇÕES USO E ADVER‑
ORD ÇÃO AUTORIZADA
TÊNCIAS
Bis-(p‑
-clorofenildiguanida)-1,6‑
-hexano: acetato,
0,3% (expresso como
34 gluconato e cloridrato
clorohexidina).
(CHLORHEXIDINE DI‑
GLUCONATE, DIHYDRO‑
CHLORIDE, DIACETATE).
Somente para
1-Fenoxi-2-propanol
35 1,0%. produtos com
(PHENOXYPROPANOL).
enxágue.
4,4-Dimetil-1,3-oxazoli‑ pH do produto final
36 dina (DIMETHYL OXAZO‑ 0,1%. não deve ser menor
LIDINE). do que 6.
N-(hidroximetil)-N‑
-(dihidroximetil-1,3‑
37 -dioxo-2,5-imidazolidinil-4)‑ 0,5%.
-N’(hidroximetil) ureia
(DIAZOLIDINYL UREA).
Contém glutaral‑
Proibido em siste‑ deído (somente
Glutaraldeído mas pulverizáveis para concentra‑
38 0,1%.
(GLUTARAL­). (como aerosóis e ções superiores
sprays). a 0,05% no
produto final).
Proibido em pro‑
5-Etil-3,7-dioxo-1‑
dutos para higiene
-azobiciclo (3.3.0) oc‑
39 0,3%. bucal e que entram
tano (7-ETHYLBICYCLO
em contato com
OXAZOLIDINE­).
mucosa.
6,6-dibromo-4,4-di‑
40 cloro-2,2-metilenodifenol 0,1%.
(BROMOCHLOROPHENE­).
Álcool 2,4-Diclorobenzí‑
41 lico (DICHLOROBENZYL 0,15%.
ALCOHOL).
Tricloro-2,4,4’hidróxi-2’
42 0,3%.
difenileter (TRICLOSAN­).
Hexametilenotetramina
43 0,15%.
(METHENAMINE).
Brometo e Cloreto de
44 Alquil(C12-C22) Trimetila‑ 0,1%.
mônio.
1,6-Di-(4-amidinofenoxi)‑
-n-hexano e seus sais
45 (incluindo isotionato e 0,1%.
p-hidroxibenzoato) (HE‑
XAMIDINE & salts).
3-(p-clorofenoxi)‑
46 -propano-1,2-diol 0,3%.
(CHLORPHENESIN­).

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Te c n o l o g i a e a p l i c a ç ã o d o s c o s m é t i c o s   45

CONDIÇÕES DE
Nº MÁXIMA CONCENTRA‑
SUBSTÂNCIA LIMITAÇÕES USO E ADVER‑
ORD ÇÃO AUTORIZADA
TÊNCIAS
Hidroximetil aminoace‑
tato de sódio (SODIUM
47 0,5%.
HYDROXYMETHYL GLY‑
CINATE).
20% AgCl (m/m)
em TiO2. Proibido
em produtos para
Cloreto de prata deposi‑
crianças abaixo de
tado em dióxido de titânio 0,004% (calculado como
48 3 anos de idade,
(TITANIUM DIOXIDE + cloreto de prata).
em produtos para
SILVER CHLORIDE).
higiene bucal e em
produtos para a área
dos olhos e lábios.
Cloreto, Brometo e Saca‑
rinato (C8-C18) de Alquil
dimetilbenzilamônio 0,1% (calculado como Evite contato
49
(BENZALKONIUM BRO‑ cloreto de benzalcônio). com os olhos.
MIDE, CHLORIDE, SAC‑
CHARINATE).
Somente para
Benzilhemiformal (BEN‑
50 0,15%. produtos com
ZYLHEMIFORMAL).
enxágue.
Não utilizar nos
produtos de higiene
bucal e nos produtos
para os lábios.
a) Não utilizar nas a) Não utilizar
preparações destina‑ em crianças com
das a crianças com idade inferior
a) 0,02%: Produtos que se idade inferior a 3 a 3 anos (essa
3-Iodo-2-propinilbu‑ enxaguem; b) 0,01%: Pro‑ anos, com exceção advertência não
tilcarbamato (número dutos que não são enxa‑ dos produtos de se aplica aos
51 CAS 55406-536) guados, exceto em deso‑ banho/shower géis e produtos de ba‑
(IODOPROPINYL dorantes/antitranspirantes; xampus; b) e c) Não nho/shower géis
BUTYLCARBAMATE­). c) 0,0075% desodorantes/ utilizar em loções e xampus); b) e
antitranspirantes. e cremes corporais c) Não utilizar
que se apliquem em em crianças com
grandes extensões idade inferior a 3
corporais; não utili‑ anos.
zar nas preparações
para crianças com
idade inferior a 3
anos.
Cloreto de Diisobutil
Proibido em pro‑
Fenoxietoxietil -dimetil
52 0,1%. dutos sem enxágue
-benzilamônio (BENZE‑
para higiene bucal.
THONIUM CHLORIDE).
2-metil-4-isotiazolina-3‑
53 -ona (METHYLISOTHIA‑ 0,01%.
ZOLINONE).

Fonte: Brasil (2009).

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F o t o p r o t e t o r e s   83

Razão UV-A/UV-B: também é conhecido como método “Boot’s Star Rating”, pelo fato
de a empresa inglesa Boots ter apresentado uma forma de classificação em estrelas de acordo
com o resultado obtido para esse teste. Por isso, esse protocolo é muito difundido nesse país.
O método envolve a medida de absorção do produto na faixa de 290 nm a 400 nm,
e depois o cálculo da razão das áreas sob a curva UV-A (290 nm a 320 nm) em relação à
UVB (320 nm a 400 nm), de acordo com a Equação 2. O resultado normalmente é expresso
em porcentagem.

Da mesma forma que o comprimento de onda crítico, é um método relativo, ou seja,


apresenta informações sobre uma região do ultravioleta em relação a outra. Isso significa
que dois produtos com o mesmo resultado não necessariamente terão o mesmo perfil es-
pectrofotométrico.·
Norma Australiana: a Austrália é o único país que possui método oficial para medição
da proteção UV-A. O documento, denominado de “Australian Standard” ou AS/NZS
2604:1998, regula todas as análises relativas à eficácia de protetores solares, como medição
de proteção solar UV-B (FPS), teste de resistência à água e medição de proteção UVA. A
norma australiana para a região UV-A é baseada em medidas espectrofotométricas e é
composta de três tipos diferentes de procedimentos para atender a diferentes tipos de pro-
dutos. O resultado (independente do procedimento) é expresso em porcentagem.
· UV-A Balance: o UV-A Balance foi desenvolvido na Alemanha e, como a norma
australiana, foi normatizado sob o código DIN 67502:2004. É um método que utiliza
resultados in vivo e in vitro de medida relativa da proteção UVA de protetores solares. O
resultado é obtido pela relação de proteção UV-A (PPD in vitro) e a proteção UV-B (FPS in
vivo), de acordo com Equação 3.

Equação 3

O valor do PPD in vitro é obtido através da obtenção da curva espectrofotométrica


do protetor solar. O FPS determinado pela metodologia in vitro é comparado com a me-
dição in vivo e, se os valores forem diferentes, deve-se ajustar a curva de absorção por
uma constante (C) para que os resultados se igualem. Em seguida, a curva ajustada re-
sultante é utilizada para calcular o valor do PPD in vitro. O método fornece um resultado
em porcentagem (relação UV-A/UV-B), entretanto, ele não define como expressar os re-
sultados na rotulagem dos produtos.

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84  cosmetologia

O método UVA Balance possui boa correlação com os valores obtidos in vivo; possui
reprodutibilidade; é aplicável em todos os tipos de produtos para proteção solar; é apli-
cável em todos os sistemas de filtro UV; possibilita a diferenciação entre protetores sola-
res, mas não leva em consideração se o filtro (ou o sistema de filtros) é fotoestável.
Nos EUA, o FDA ainda não definiu uma metodologia para a avaliação de produtos no
UVA. A “Sunscreen Drug Products For Over-The-Counter Human Use; Final Monograph
FDA 1999” não orienta qual metodologia deve ser utilizada para este tipo de teste. Contudo,
destacamos a recomendação da Academia Americana de Dermatologia de utilizar-se das
metodologias do “Comprimento de onda crítico associado ao PPD in vivo para este fim”.
Na Europa, recomenda-se aos países membros seguir as diretrizes para Avaliação de
Performance de Protetores Solares. Nesse documento, o nível mínimo de proteção aceito
para um protetor solar é FPS 6 com proteção UV-A comprovada de, no mínimo, um terço
do valor do FPS, através da metodologia PPD (ou equivalente) com comprimento de onda
crítico mínimo de 370 nm. Apesar de ser uma recomendação, normalmente esse tipo de
informação é acatada como uma norma, e muitas empresas europeias, norte-americanas
e brasileiras já estão se adequando a esses critérios.

Método JCIA, COLIPA, CTFA


Em novembro de 2006, a COLIPA publicou um guideline com uma metodologia para
avaliação do fator de proteção UVA in vitro alternativa ao método PPD (in vivo). Ela está
baseada num protocolo que foi validado internacionalmente e cujo princípio é muito
parecido com o “UVA Balance”. De acordo com este método, aplica-se uma fina película
de protetor solar sobre placas com superfície enrugada (simulando o microrrelevo da pele),
em seguida, mede-se a transmitância dessa amostra na região do ultravioleta. Como
normalmente os resultados obtidos de uma análise in vitro não correlacionam numerica-
mente de maneira direta com o resultado obtido in vivo, o método preconiza o ajuste da
curva espectrofotométrica por meio de um fator de correção (C), até que o valor de FPS
in vitro seja igual ao FPS obtido in vivo.
Em seguida, calcula-se o valor do PPD in vitro inicial (PPD0). A amostra (ainda aplicada
na placa) é então exposta a uma dose de radiação proporcional a 1,2 J.cm-2 (dose=PPD0
x 1,2 J.cm-2). Finalmente, registram-se mais um espectro de absorção na região do ultra-
violeta, aplica-se novamente o fator de correção (C) e, com base nessa curva (exposta e
ajustada), calcula-se o PPD in vitro exposto (PPDf). O fator de proteção UVA final é calcu-
lado da seguinte forma:

Como vocês puderam observar no texto, existem várias formas de cálculos que
são feitas para se determinar o FPS e PPD de um filtro solar. O importante é que a
empresa farmacêutica o faça para se ter qualidade no produto.

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F o t o p r o t e t o r e s   85

2.1 Substâncias fotossensibilizantes


São substâncias químicas que produzem reações fotossensibilizan‑
tes, que podem ser classificadas como fotoalergias ou reações de
fototoxicidade. As fotoalergias (FA) são reações imunológicas que
se caracterizam porque a substância fotossensibilizante absorve
radiação UV, originando um produto com poder antigênico.
Já as reações de fototoxicidade (FT) são resultado de reações físico‑
-químicas sobre a substância fotossensibilizante, que absorve um
determinado comprimento de onda da radiação UV e transmite
essa energia que foi captada para as células (CENTRO REGIONAL
DE INFORMAÇÃO DE MEDICAMENTOS, 2003, p. 2).

Veja a tabela dos produtos fotossensiblizantes mais comuns e suas respectivas reações.

Tabela 4.3  Fármacos e substâncias fotossensibilizantes

Nome Reação Nome Reação Nome Reação


Isotretinoína FT Sulfato de FA e FT Benzofenonas FA
Cádmio
Peróxido de benzoila X Clorohexidina FA Cinamatos FA
Amiodarona FT Formaldeído FA e FT Cinoxato FA
Quinidina FA Amilorida X Trimetilpsoraleno FA
Contraceptivos Orais FA Furosemida FT 8-metoxipsoraleno FA e FT
Antidepressivos Tricíclicos FA Tiazidas FT e FA 5-metoxipsoraleno FT
Carbamazepina X Sulfonilureias FA Lima FT
Fenitoína X Ciclamato FA Limão FT
Prometazina* FA Coaltar* X Sândalo FA e FT
Ibuprofeno X Hidorcortisona FA Griseofulvina FA
Piroxicam FT Riboflavina FT Enoxacina FA
Eritromicina FA Captopril X Fenilbutazona FT
Sulfonamidas FA e FT Amantadina FT Cetoprofeno FA e FT
Tetraciclinas FT Antiquinona FT Bleomicina X
5-fluoruracil X Antraceno FT Porcarbacina X
Metotrexato X Eosina FT Bithionol* FA e FT
Vinblastina FA Fluoresceína FA e FT Trimetoprim X
Cloroquina X Eritrosina FT Haloperidol FA e FT
Mebendazol FA Derivados PABA FA Triclocarban FA e FT
Quinina FA e FT Betacaroteno FA xx xx
Cobalto X Metilcumarina FA xx xx
Cromo FA Butirofenonas FA e FT xx xx
Sais de Ouro X Tiotixena FA e FT xx xx
Legenda:
FA= fotoalergias
FT= fototoxicidade
X= provocam fotossensibilidade por mecanismos conhecidos
* = produzem fotossensibilidade com muita frequência

Fonte: Centro Regional de Informação de Medicamentos (2003, p. 4).

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86  cosmetologia

Algumas pessoas com sensibilidade na pele desenvolvem alergia quando uti‑


lizam alguns tipos de filtros solares. Mas existem filtros que são hipoalergênicos,
pois possuem substâncias que não produzem alergia na pele. Uma substância muito
conhecida no meio cosmético e que costuma produzir alergia com frequência é a
substância PABA, e em filtros hipoalergênicos ela é substituída.
Existem no mercado cosmético filtros solares que são livres de óleo e são cha‑
mados de “oil free”. O óleo contido em filtros normalmente produz cravos e entope
os poros da pele e, por este motivo, se a pele for oleosa a indicação é utilizar filtros
livres de óleo, que são chamados de não comedogênicos. Este tipo de filtro é reco‑
mendado para peles oleosas e acneicas.
A população, em geral, não tem esses conhecimentos sobre filtro solar oleoso ou
não oleoso e, por isso, o profissional da estética precisa saber indicar o produto certo
para cada tipo de pele, oferecendo um protetor solar livre de substâncias alérgicas que
não contenham substâncias fotossenbilizantes e de preferência não comedogênico.
Antes de indicar um protetor solar, o profissional da estética deve prestar muita
atenção a determinadas substâncias, para não prejudicar o seu cliente, pois vários cos‑
méticos podem conter substâncias fotossensibilizantes deixando a pele mais suscetível
à ação nociva da radiação ultravioleta (RIBEIRO, 2010).

2.2 Protetores inorgânicos e orgânicos


Os filtros são classificados em duas categorias principais: filtros inorgânicos ou
físicos, e orgânicos ou químicos.
Os filtros inorgânicos, como o dióxido de titânio, são pós-inertes e opacos,
insolúveis em água e em materiais graxos, apresentam alto índice de refração de
partícula e, portanto, têm alta capacidade de refletir a luz. Formam uma barreira
sobre a pele, refletindo, dispersando e absorvendo a luz UVA e, principalmente, a
UVB (RIBEIRO, 2010).
Este tipo de filtro solar é muito usado em produtos infantis e para pessoas com
pele sensível, porque apresentam baixo potencial alergênico.
Os filtros inorgânicos formam uma barreira sobre a pele, refletindo, dispersando
e absorvendo a luz ultravioleta.
Na reflexão/dispersão, a luz incidente nas partículas inorgânicas é redirecionada,
refletindo de volta ou se espalhando por vários diferentes caminhos. Este processo
é responsável pela translucência e opacidade das partículas de filtros inorgânicos
aplicadas sobre a pele.
Os protetores solares inorgânicos agem criando uma barreira física, não permitindo
a passagem da radiação solar. São frequentemente chamados de bloqueadores solares,
e têm sido usados com frequência, devido a sua popularidade. Isso acontece pelo fato
de não serem tóxicos e serem eficazes, realmente protegendo contra os raios solares
UV. Esses filtros são constituídos de partículas também denominadas de pigmentos
inorgânicos, que ficam suspensas quando incorporadas em uma formulação.
O tamanho dessas partículas é muito importante, pois altera tanto a eficácia do
protetor solar quanto a aparência do produto cosmético (FERREIRA et al., 2009).

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As partículas mais usadas são o dióxido de titânio e o óxido de zinco. Embora


os dois sejam oriundos de metais, ambos possuem propriedades óticas diferentes,
especialmente quando na forma de micropartículas. As micropartículas de óxido
de zinco propiciam uma proteção maior contra os UVA. O problema desses filtros
é o inconveniente antiestético, pois como depositam sobre a pele e refletem toda
luz visível, o efeito final é um visual branco difícil de mascarar. Com a redução do
tamanho das partículas desses compostos, esses produtos passaram a ter uma maior
aceitação. As partículas mais brancas, e consequentemente as que são mais visíveis,
são aquelas que difundem a luz com maior eficiência. O tamanho da partícula na
qual isso acontece varia de um material para outro.
Tanto o óxido de zinco quanto o dióxido de titânio micronizados estão disponibi‑
lizados na forma de pós, secos e dispersões. As formas micronizadas possuem maior
área superficial, conferem melhor efeito de cobertura, atenuam com maior eficiência
a luz UV, ao mesmo tempo em que minimizam a reflexão da luz visível, permitindo
melhor aceitação estética sem prejudicar o FPS da formulação final.
O índice de refração é outra propriedade importante. Quanto maior o índice de
refração, maior será o contraste enxergado pelo olho humano entre a partícula e o
ar que o cerca. O óxido de zinco e o dióxido de titânio possuem índices de refração
substancialmente diferentes: 1,9 para o óxido de zinco e 2,6 para o dióxido de titânio.
Isso significa, tecnicamente, que o dióxido de titânio é inerentemente um pigmento
branco mais forte, sendo assim, é mais difícil torná-lo transparente em produtos
acabados, ou seja, nos produtos solares. O óxido de zinco, com índice de refração
menor, pode ser mais facilmente incorporado nas formulações.
O dióxido de titânio, filtro inorgânico, é semicondutor. Dessa maneira, os elétrons
das moléculas inorgânicas, quando sob ação da luz UV, são excitados.
Portanto, esses compostos também são capazes de absorver esta radiação. Na
absorção, a luz é convertida em outra forma de energia, como o calor. É capaz de
absorver predominantemente o UVB e pouco do UVA, dependendo do tamanho da
partícula deste filtro que é refletido (RIBEIRO, 2010).
Constatou-se que em muitos protetores solares comercializados no
mercado o dióxido de titânio é utilizado como barreira física para
absorver os raios solares aliado ao baixo potencial alergênico e
irritante. Sendo assim é importante saber sua concentração para
estimar o fator de proteção solar (FERREIRA et al., 2009, p. 4).

Vamos falar agora dos filtros solares químicos ou orgânicos, que atuam por ab‑
sorção da radiação UV. Porém, existem substâncias orgânicas que têm a propriedade
de absorver, dispersar e refletir, ao mesmo tempo, o UV.
Os filtros orgânicos têm a capacidade de absorver 95% da radiação UV nos
comprimentos de onda de 290 a 320nm.
A estrutura dos filtros orgânicos permite que absorvam os raios UV nocivos ao ser
humano, ou seja, radiação com alta energia, convertendo-a numa radiação inócua
com baixa energia (RIBEIRO, 2010).
Os filtros orgânicos são compostos aromáticos, conjugados com um grupo carbo‑
nila, formados por moléculas orgânicas que possuem como característica a absorção

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88  cosmetologia

de um ou mais comprimentos de onda específicos, transformando-o em outro tipo


de energia. Em muitos exemplos, há um grupo doador de elétrons. Estes produtos,
diferente do filtro inorgânico, têm a vantagem de formar um filme totalmente trans‑
parente após a aplicação.
A energia UV absorvida por uma molécula é liberada quando esta
retorna ao seu estado de repouso. Todavia, a liberação da mesma se
dá na forma de luz fluorescente ou fosforescente e calor, podendo,
ainda, se decompor e formar fotoprodutos. Portanto, um filtro solar
absorve energia prejudicial e a transforma em formas de energia
não agressivas para a pele (RIBEIRO, 2010, p. 127).

Os filtros químicos podem ser utilizados nas formas farmacêuticas creme, óleo,
loção, spray ou gel (LEONARDI, 2008).
Os filtros solares vêm mudando sua composição nos últimos anos, e podem ser
muito diferentes em outros países, segundo as necessidades particulares dos consu‑
midores de cada região do mundo. Não podemos esquecer que o índice de UV pode
ser diferente dependendo da região em que o indíviduo está, portanto, é importante
realmente que os filtros solares sejam específicos.
Nos últimos anos o mercado nacional tem exigido maior eficácia dos filtros solares,
com relação à segurança de uso, ao potencial alergênico e à qualidade da formulação.
O desenvolvimento de um sistema que atenda estas características
se inicia através da seleção apropriada da associação de filtros UV,
seguida da análise crítica e escolha dos demais constituintes da for‑
mulação, e finalmente, na execução da investigação experimental
da formulação (FERREIRA et al., 2009, p. 4).

2.3 Filtros orgânicos permitidos no Brasil


A resolução RDC n° 47, de 16 de março de 2006, lista os filtros UV permitidos para
produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumarias no Brasil, bem como a con‑
centração máxima de uso permitida para cada um deles (Tabela 4.4) (RIBEIRO, 2010).

Tabela 4.4  Lista de filtros solares permitidos no Brasil e suas concentrações máximas

MÁXIMA

Substância (NOME INCI) CONCENTRAÇÃO
ORD.
AUTORIZADA
Sulfato de Melina de N, N, N- trimetal - 4 - (2, oxoborn - 3 ilideno‑
1 metil) anilínio 6%
CAMPHOR BENZALKONIUM METHOSULFATE
3,3’ - (1,4 - fenilenodimetileno) bis (ácido7,7 - dimetil - 2 -
10% (expresso
2 oxo - biciclo) - (2.2.1) 1-heptilmetano sulfônico e seus sais
como ácido)
TEREPHTALYLIDENE DICAMPHOR SULFONIC ACID (& SALTS)
1- (4 - terc - butilfenil) 3 - (4- metoxifenil) propano - 1,3 – diona
3 5%
BUTIL METHOXY DIBENZOIL METHANE
Ácido Alfa - (2 - oxoborn - 3 - ilideno) tolueno - 4 sulfônico e seus
4 sais de potássio, sódio e trietanolamina 6%
BENZYLIDENE CAMPHOR SULFONIC ACID & SALTS

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MÁXIMA

Substância (NOME INCI) CONCENTRAÇÃO
ORD.
AUTORIZADA
2 - Ciano - 3,3’ - difenilacrilato de 2 - etilexila
5 10%
OCTOCRYLENE
4 - Metoxicinamato de 2 - etoxietila
6 3%
CINOXATE
2,2 - dihidroxi - 4 - metoxibenzofenoma
7 3%
BENZOPHENONE - 8
Antranilo de mentila
8 5%
MENTHYL ANTHRANILATE
Salicilato de trietanolamina
9 12%
TEA SALICILATE
Ácido 2 - fenilbenzimidazol - 5 - sulfônico e seus sais de potássio,
sódio e trietanolamina 8% (expresso como
10
PHENYLBENZYLIMIDAZOL SULFONIC ACID (& SODIUM, PO‑ ácido)
TASSIUM, TEA SALTS)
4 - Metoxicinamato de 2 - etilhexila
11 10%
OCTYL (ou ETHYLHEXYL) METHOXYCINNAMATE
2 – Hidroxi – 4 metoxibenzofenona (Oxibenzona)
12 10% (1)
BENZOPHENONE - 3
Ácido 2 – hidroxi – 4 metoxibenzofenona – 5 – sulfônico e seu sal
10% (expresso
13 sódico (Sulisobenzona e Sulisobenzona sódica)
como ácido)
BENZOPHENONE – 4 (ACID)
5% (expresso como
13 a BENZOPHENONE – 5 (Na)
ácido)
Ácido 4 – aminobenzoico
14 15%
PABA
Salicilato de homomentila
15 15%
HOMOSALATE
Polímero de N – {(2 e 4) [2 – oxoborn – 3 – ilideno) metil] benzil}
16 acrilamida 6%
POLYACRYLAMIDOMETHYL BENZYLIDENE CAMPHOR
Dióxido de titânio
17 25%
TITANIUM DIOXIDE
N – Etoxi – 4 – aminobenzoato de etila
18 10%
PEG – 25 PABA
4 – Dimetil - aminobenzoato de 2 – etilhexila
19 8%
OCTYL (ou ETHYLHEXYL) DIMETHYL PABA
Sacilato de 2 – etilhexila
20 5%
OCTYL (ou ETHYLHEXYL) SALICILATE
4 - Metoxicinamato de isopentila ISOAMYLp - METHOXYCINNA‑
21 10%
MATE
3 – ( 4’ – metilbenzilideno) – d – l – cânfora
22 4%
4 – METHYL BENZYLIDENE CAMPHOR
3 – benzilideno cânfora
23 2%
4 – BENZYLIDENE CAMPHOR

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90  cosmetologia

MÁXIMA

Substância (NOME INCI) CONCENTRAÇÃO
ORD.
AUTORIZADA
2, 4, 6 – trianilin – (p – carbo – 2’ – etil – hexil – 1’ – oxi) – 1, 3,
24 5 – triazina 5%
OCTYL (ou ETHYLHEXYL) TRIAZONE
Óxido de zinco
25 25%
ZINC OXIDE
2 – (2H-benzotriazol-2-il)-4-metil-6-{2-metil-3-(1,3,3,3,-tetra‑
26 metil-1-((trimetilsilil)oxi)-disilozanil)propil} fenol 15%
DROMETRIZOLE TRISILOXANE
Ácido benzoico, 4, 4’-[[6-[[4-[[(1,1-dimetil-etil)amino]carbonil]
27 fenil]amino]-1,3,5-triazina-2,4-diil]diimino]bis-,bis(2-etilhexil) 10%
DIOCTYL (ou DIETHYLEXYL) BUTAMIDOTRIAZONE
2,2’-metileno-bis-6-(2H-benzotriazol-2-il)-4-(tetrametil-butil)‑
-1,1,3,3-fenol
28 10%
Metileno bis-benzotriazolil tetraetil butil fenol
METHYLENE BIS-BENZOTRIAZONYL TETRAMETHYLBUTYLPHENOL
Sal monosódico do ácido 2,2’-bis-(1,4-fenileno)- 1H-benzimida‑ 10% (expresso
29
zol-4,6-dissulfônico BISIMIDAZYLATE como ácido)
(1,3,5)-triazina-2,4-bis{[4-(2-etil-hexiloxi0-2-hidróxi]-fenil}-6‑
30 -(4-metoxifenil) 10%
ANISOTRIAZINE
Dimeticodietilbenzalmalonato
31 10%
POLYSILICONE-15
Éster helílico do ácido 2-[4-(dietilamino)-2-hidroxibenzoil]-, ben‑
32 zoico 10%
DIETHYLAMINO HYDROXYBENZOYL HEXIL BENZOATE
(1) Para concentrações maiores que 0,5%, incluir advertência na rotulagem: contém oxibenzona. 
Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2006).

2.4 Filtros solares naturais


Os filtros solares naturais são derivados de óleos vegetais, extratos glicólicos ou
fluídos que absorvem a radiação UVA/UVB. Sua fotoestabilidade não é totalmente
conhecida, por isso, precisamos ser cautelosos ao utilizar este produto, o que sa‑
bemos é que sua absorção é totalmente baixa. Aconselha-se utilizá-lo junto com os
filtros químicos e físicos.
Para seu melhor entendimento, vamos citar alguns tipos de substâncias naturais
utilizadas nestes filtros: extrato de alecrim, extrato de amor-perfeito, extrato de ba‑
bosa, extrato de camomila, extrato de café verde, extrato de algodão, de amendoim,
de coco e de gergelim.
A utilização de filtros naturais é ainda discutível. Além das variações
do conteúdo de um mesmo extrato em função do modo de extração,
tipo de solução extrativa, fonte etc., a ausência de informações
inerentes a sua estabilidade frente à radiação UV são fatores que

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determinam bastante cautela quanto à sua utilização como filtro so‑


lar; entretanto, esses extratos podem ser utilizados de forma positiva
e preparações protetoras como coadjuvantes, associações aos dos
filtros sintéticos, pois, independentemente de seus efeitos filtrantes,
tais produtos apresentam enormes vantagens eudérmica (FERREIRA,
2008 apud CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 6).

Vamos agora classificar e explicar os filtros químicos em uma tabela para melhorar
seu entendimento:

Quadro 4.1   Lista dos filtros químicos utilizados no Brasil

PABA (Para‑ Excelente filtro solar contra os UVB.


-aminoben‑ Alguns inconvenientes: facilmente oxidável e mancha os tecidos; pode re‑
zoico) cristalizar no produto acabado; tendência em formar ligações de hidrogênio
com certos solventes podendo acarretar diminuição da atividade; capaz de
induzir a eczema de contato e sensibilização cruzada com outros derivados
para-aminados, como anestésicos locais (benzocaína, procaína), sulfamidas,
anti-histamínicos e tinturas capilares.
Cinamatos O máximo de absorção se situa próximo a 308nm. Quando utilizados sozi‑
nhos, não permitem que seja atingido um coeficiente de proteção elevado,
porque são pouco estáveis fotoquimicamente.
Normalmente são associados a filtros com espectro mais amplo quando se
deseja maior proteção.
Salicilatos Devem ser utilizados em quantidades elevadas para atingir certa eficácia.
Absorvem na zona de 300nm. São muito estáveis, não interagem com os sol‑
ventes e são bem tolerados. Apresentam melhor ação quando associados com
outros filtros.
Benzimida‑ O representante mais importante deste grupo, por sua grande utilização e
zóis hidrossolubilidade, é o ácido-2-fenil-benzimidazol 5-sulfônico. São filtros
hidrossolúveis eficazes para UVB.
Adicionando à fase aquosa das formulações, pode completar a atividade dos
filtros lipossolúveis.
Derivados do Compostos de estrutura bicíclica, são excelentes filtros UVB cujo máximo de
benzilideno absorção situa-se perto de 300nm. Permitem a absorção de FPS elevado com
cânfora baixas concentrações. Reações negativas são raras.
Benzofenas As benzofenas cobrem a totalidade dos UVB e grande parte dos UVA. A oxiben‑
zona (benzofenona-3) apresenta excelente estabilidade fotoquímica. São mal
toleradas e responsáveis por inúmeras reações alérgicas ou dermatite de contato.
Fonte: Souza e Antunes (2008).

Para saber mais


Os protetores solares podem ter cor de base em diversas tonalidades, substituindo uma base ou
um pó compacto. Eles são chamados de filtro solar tonalizante.

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92  cosmetologia

2.5 Formulações de protetores solares


Para se formular um protetor solar é preciso a presença de dois ingredientes impor‑
tantes e muito básicos: os ativos (seja um filtro orgânico e/ou inorgânico) e também os
veículos. Podemos ter diversos tipos de veículos possíveis de serem usados no preparo
dos protetores solares, desde soluções muito simples até formulações mais complexas.
Portanto, para que o consumidor final receba o filtro solar, é preciso que este
esteja incorporado a um veículo. Quando o veículo está associado ao filtro solar,
denominamos o produto de protetor solar ou fotoprotetor.
Agora, para que esses fotoprotetores sejam vendidos para o consumidor final, eles
precisam ter algumas características que são exigidas pela legislação: deve ser atóxico,
não pode ser irritante para a pele, não ser sensibilizante ou mutagênico, não pode ser
volátil, precisa possuir características solúveis apropriadas; não pode ser absorvido
pela pele; não sofrer alteração de cor; não manchar a pele e vestimentas; ser incolor;
ser compatível com a formulação e material de acondicionamento e ser estável no
produto final.
Existem vários veículos que são utilizados em preparações de protetores solar,
mas os principais são:
a) Loções hidroalcoólicas
São loções que possuem características de fácil espalhamento na pele e evaporam
rapidamente. Sua composição principal é a água e o álcool. Um protetor solar que
seja líquido em forma de loção não apresenta um nível ideal de proteção solar e, por
este motivo, o seu uso tem sido questionado. Além disso, o álcool etílico utilizado
na preparação pode causar algum tipo de efeito deletério a pele e, por isso, seu uso
também tem sido questionado.
b) Cremes e loções emulsionadas
Este veículo tem sido o preferido para a composição dos filtros solares, pois as
emulsões ou cremes são os melhores veículos para os filtros solares. Possuem compo‑
nentes lipossolúveis e hidrossolúveis, por isso, podem carregar em sua estrutura tanto
filtros hidrossolúveis quanto lipossolúveis. Isto se torna bastante saudável pensando
pelo lado da proteção ao sol. Estes veículos podem ser O/A (óleo em água) ou A/O
(água em óleo), características que também podem conduzir a preparações mais ou
menos protetoras.
As emulsões A/O são as mais adequadas para a proteção da pele, no entanto,
deixam-na muito oleosa por apresentarem muita gordura na composição. Por este
motivo, as emulsões O/A vêm sendo mais utilizadas, garantindo maior proteção as‑
sociada ao conforto e satisfação do usuário.
c) Géis
Os géis podem ser de origem natural, as gomas ou alginatos, ou de origem sin‑
tética, os polímeros e copolímeros de acrilamida. Independente da origem, o gel é
obtido por meio de um espessante hidrofílico. Ele não apresenta o mesmo nível de
proteção solar que os outros veículos, como as emulsões. Para manter a transparência
característica do veículo existe a necessidade de os filtros solares serem hidrossolúveis.
No entanto, para se conseguir uma proteção maior e mais adequada, é necessária

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F o t o p r o t e t o r e s   93

uma mistura de filtros, em sua maioria, lipossolúveis. Obter géis transparentes é uma
tarefa imensamente difícil, por isso os profissionais que confeccionam este tipo de
filtro solar em forma de gel acabam muitas vezes por incluir solventes nem sempre
desejados, como é o caso do álcool etílico.
Outro detalhe importante é que na preparação de géis fotoprotetores também deve‑
-se evitar a presença de filtros inorgânicos. Estes filtros deixam o gel,na maioria das
vezes, com aspecto opaco e, muitas vezes, acabam por deixar aglomerados visíveis.
Este problema sugere que o protetor solar deixe um aspecto estético desagradável e
acaba por oferecer baixos níveis de proteção (SOUZA; ANTUNES, 2008). “A presença
de aglomerados no protetor levará à formação de uma película não homogênea em toda
a extensão da pele, fato este que comprometerá sensivelmente o nível da proteção”
(FLOR; DAVOLOS; CORREA, 2007).

2.6 Combinação de filtros solares


Atualmente, considera-se moderno utilizar filtros solares químicos e físicos. Esses
filtros químicos, na maioria das vezes, têm proteção tanto para UVA quanto para
UVB, com amplo espectro de absorção. Os filtros físicos também estão modernizados
com substâncias micronizadas e antirradicais livres. Muitas vezes, estes filtros ainda
contêm alguns tipos de óleos, hidratantes e extratos que acabam por potencializar
o seu efeito.
Atualmente é frequente combinar os filtros químicos e físicos, e talvez esta seja
mesmo a melhor opção, pois sabemos que o filtro químico sozinho não consegue
um alto nível de proteção e, por isso, há necessidade de adição de uma quantidade
menor de cada tipo de filtro para alcançar um valor de FPS maior, diminuindo, assim,
os efeitos indesejáveis isolados de cada filtro (LEONARDI, 2008).
A associação dos filtros inorgânicos dióxido de titânio e óxido de zinco permite
obter formulações finais com baixo potencial alergênico e irritante, o que é espe‑
cialmente importante para formulações de produtos infantis, para uso diário, para
indivíduos com peles sensíveis e para a área dos olhos. Temos outra vantagem a
considerar, o dióxido de titânio atenua, principalmente, a radiação UVB, enquanto
o óxido de zinco atenua a radiação UVA (RIBEIRO, 2010).

2.7 F
 ormulações resistentes ou muito resistentes à
água e ao suor
Devemos considerar que os protetores solares não oferecem proteção cem por
cento e nem de forma permanente. Após seu uso, muitos outros fatores devem ser
considerados.
Alguns fatores que devemos sempre considerar são: a pele da pessoa que está
utilizando o protetor solar, as condições de uso, o ambiente, o suor, entre outros.
Todos esses fatores podem alterar o nível de proteção.

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94  cosmetologia

A presença na formulação de substâncias hidrofóbicas e ou hidror‑


repelentes é fundamental para esta ação. Um filtro solar pode ser
classificado como resistente à água e como muito resistente à água.
Os ingredientes hidrorrepelentes devem ser preferencialmente citados
no rótulo, uma vez que o fato de ser resistente ou à prova d’água não
elimina a necessidade da reaplicação, embora esta possa ser realizada
em intervalos maiores (CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 7).

Para um filtro solar ter resistência à água ele deve conter em sua fórmula agentes
filmógenos que fixam os filtros na pele, impedindo, assim, sua retirada quando em
contato com a água ou o suor. Estes produtos são os copolímeros de polivinil pirroli‑
dona (PVP), eicosano, hexadeceno e tricotanil. Eles são irritantes para os olhos, por
isso, deve-se tomar muito cuidado com eles (RIBEIRO, 2010).
Alguns princípios ativos podem ser associados
aos filtros solares sem alterar sua eficácia, no en‑
tanto, eles devem ser estáveis à luz e ao calor, não
Saiba mais podem variar de cor. Além disso, eles devem ter
um tempo de duração alto, devem ser solúveis em
Para que você possa conhecer um
solventes e não podem ser comedogênicos, além
pouco mais sobre os fatores de-
de precisarem ter boa fixação na pele, mesmo
terminantes da eficácia dos pro-
após imersão em água e excesso de suor.
tetores solares, invista um pouco
Quando esses protetores solares com ativos
do seu tempo e acesse o link
são com base de silicone, o produto final fica ex‑
<http://www.ufrgs.br/farmacia/
celente, pois os fluidos siliconados permitem fácil
cadfar/v18n2/pdf/CdF_v18_n2_
espalhabilidade, formando um filme emoliente e
p81_88_2002.pdf>
protetor, além de funcionar como uma barreira
oclusiva. (SOUZA, 2011).
Existem vários ativos que podem ser utilizados nas formulações com protetores
solares, como a ureia, os aminoácidos, os antioxidantes, como a vitamina C e E, o
betacaroteno, entre outros.
Estão surgindo “fotoprotetores noturnos”, isto é, para agir na re‑
paração do DNA previamente lesado através da ação da enzima
endonuclease, podendo ser usado independente da presença dos
raios UV. Os ultrassomas contêm estas enzimas em lipossomas,
que permitem uma ação prolongada e eficaz na reparação do DNA
e, ainda, têm a propriedade de estimular a produção de melanina
celular, proporcionando, assim, um bronzeamento “mais saudável”.
(OLIVEIRA, 1996 apud CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 8,
grifo do autor).

2.8 Veículos utilizados nos fotoprotetores


Para escolhermos um filtro solar, devemos considerar alguns pontos: a solubili‑
dade do produto, o tempo de ação pretendida, a preferência da pessoa que vai usar
o protetor solar e, claro, o tipo de pele.

Cosmetologia.indd 94 8/29/12 6:03 PM


Fotoprotetores 95

Os mais utilizados são: os não iônicos, emulsões água/óleo (A/O)


ou óleo/água (O/A) e os géis não iônicos, que dão sensação lubri‑
ficante sobre a pele; e o carbômero, iônico que possui toque seco.
As emulsões A/O ou O/A ajudam, inclusive, a diminuir a agressão
do sol na pele, pois possuem agentes emolientes e hidratantes na
formulação (CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 8).
Os óleos, suspensões e, sobretudo, os cremes são mais aderentes, es‑
pecialmente os últimos, se forem muito gordurosos, sendo, portanto,
menos facilmente removíveis pela água; têm, porém, o inconveniente
de darem brilho à pele, sujarem a roupa, prenderem areia e poeira
e serem, por vezes, de difícil remoção (RIBEIRO, 2010, p. 128).

2.9 Aconselhamento farmacêutico ao usuário de


fotoprotetores
Os filtros solares são classificados como cosméticos de acordo com a RDC n°47,
de 16 de março de 2006. Mesmo não sendo um medicamento, o filtro solar deve ter
uso adequado por inúmeros fatores, devendo ser considerados tanto aqueles rela‑
cionados ao paciente, que buscam proteção, quanto aqueles relacionados à própria
formulação (RIBEIRO, 2010).
Em relação ao [cliente], deve‑se considerar o tipo de pele, o foto‑
tipo (é a caracterização da pele quanto a sua coloração e reação
à exposição solar), a idade, o grau de exposição e hábitos de vida,
a latitude e altitude em que se encontra, o histórico de exposição
solar e antecedentes individuais ou familiares de doenças de pele
relacionadas à exposição solar, com especial atenção às lesões
malignas ou benignas, entre outros (SOUZA, 2005 apud CABRAL;
PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 8)

Links
Para você conhecer a fotoestabilidade dos protetores solares, que consiste na capacidade que
o produto tem de permanecer na pele sem se degradar, acesse: <http://www.google.com.br/
url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6&ved=0CFAQFjAF&url=http%3A%2F%2Fbib
lioteca.univap.br%2Fdados%2FINIC%2Fcd%2Fepg%2Fepg4%2Fepg4-51%2520corrigido.
pdf&ei=MjeCT-nnOITc9AS9_O3ICg&usg=AFQjCNGFY-nqVZ2lpRz3_KH0JGa2AhgEqw>.

Alguns cuidados importantes devem ser tomados para que possamos estar mais
bem protegidos dos raios solares e, desta forma, evitar os possíveis danos, como o
fotoenvelhecimento e o câncer de pele:
Aplicar o protetor pelo menos 20 minutos antes da exposição
solar, para se obter um filme protetor homogêneo.
Repassar o filtro solar a cada 2 ou 3 horas, se a exposição solar
for mais permanente.
Evitar o sol entre 10h e 16h.

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96 cosmetologia

Utilizar óculos de sol com 100% de proteção solar para proteger


os olhos contra o UVA e UVB.
Proteger a pele desde criança para evitar os danos solares crô‑
nicos, evitando assim o câncer de pele.
Cuidado com alguns medicamentos que podem ser fotossensíveis.
Cuidado com medicamentos que, se em contato com o filtro
solar, podem causar alergias.
Proteger do sol mesmo em dias nublados e chuvosos, pois cerca
de 80% dos raios UV atravessam as nuvens e a neblina.
Cuidado com a luz solar refletida da areia, da água, da neve,
das salinas, do concreto.
Sempre utilizar filtros solares que protejam tanto do UVA como
do UVB, que sejam hipoalergênicos e não comedogênicos (CA‑
BRAL, PEREIRA, PARTATA, 2011, p. 9).

Tabela 4.5 Uso de fotoprotetores

Sem Proteção Pele Clara Pele Morena Clara Pele Morena Pele Negra

10 min 15 min 20 min 25 min


FPS 3 30 min 45 min 1 hora 1 h 15 min
FPS 5 50 min 1 h 15 min 1 h 40 min 2 h 05 min
FPS 8 1 h 20 min 2 horas 2 h 40 min 3 h 20 min
FPS 15 2 h 30 min 3 h 45 min 5 horas 6 h 15 min
FPS 20 3 h 20 min 5 horas 6 h 40 min 8 h 20 min
FPS 30 5 horas 7 h 30 min 10 horas 12 h 30 min

Fonte: Souza (2004 apud CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 7).

Para saber mais


Alguns silicones, além de melhorar as propriedades sensoriais dos cosméticos para a pele, po-
dem contribuir com o aumento do FPS, sem a necessidade de alterar a composição dos filtros
solares, e aumentar a resistência à água de formulações fotoprotetoras.
Os alquilmetilsiloxanos são uma família de silicones híbridos formada por silicones-hidrocar-
bonetos. Os principais alquilmetilsiloxanos são o estearil dimeticone (C18), o cetil dimeticone
(C16) e o C 30-45 alquil meticone.
A adição dos alquilmetilsiloxanos em formulações com filtro solar orgânicos aumenta o FPS. A
justificativa para tal aumento se encontra na maior dispersão da fórmula sobre a pele promovida
pelo silicone (propriedade filmógena), aumento da resistência à água e à tixotropia, que pode
conferir à formulação.

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F o t o p r o t e t o r e s   97

Para concluir o estudo da unidade


Acredito que esta unidade exija muita reflexão da nossa parte. Tanto no que
diz respeito aos raios solares quanto em nosso comportamento frente a estes.
Neste momento, imagine as possibilidades que você tem de mudanças e a sua
contribuição para a melhora da qualidade de vida das pessoas diante de tudo
isso que você aprendeu.

Resumo
Esta unidade foi extremamente importante e rica para nós. Acredito que tenha
contribuído muito para que, caso algum de vocês não tivessem a informação
sobre o assunto, agora tenham compreendido a tamanha importância de conhe‑
cer os tipos de raios solares que atingem a nossa pele, os seus efeitos e como
devemos nos proteger de forma adequada para que estes raios não alterem o
comportamento da nossa pele, ao ponto de prejudicar nossa saúde.
Você pôde observar nesta unidade que o sol pode envelhecer, manchar a
pele e, o que é pior, trazer danos irreversíveis, como o câncer de pele. Por este
motivo, devemos cuidar adequadamente e da pele todos os dias, utilizar filtro
solar apropriado, que tenha proteção contra os raios UVB e os raios UVA. De
preferência, devemos usar um protetor solar que tenha uma estabilidade alta,
para que quando o sol tocar nossa pele, os ativos não sejam degradados com
rapidez, e desta forma possa nos proteger por mais tempo.
Sabemos, a partir do que estudamos, que para escolher um bom protetor solar,
devemos pesquisar a sua formulação, conhecer sua estabilidade, seu FPS e seu PPD.
No entanto, os desafios são árduos, mas não podemos nos cansar, precisa‑
mos informar as pessoas, fazer do nosso conhecimento fonte de informações
para o benefício do outro.

Atividades de aprendizagem
1. Quais os cuidados que devemos tomar com relação ao sol?
2. Qual a maneira correta de se calcular o FPS de um produto?
3. De quanto em quanto tempo deve-se passar o filtro solar?
4. Todos os protetores solares nos protegem contra o UVA e o UVB?
5. Explique a diferença entre filtro orgânico e inorgânico.

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Unidade 5
Cosmetologia atual

Objetivos de aprendizagem: A proposta desta unidade consiste


em apresentar os ativos cosméticos básicos de forma simplificada,
descrevendo a sua ação e suas principais funções em nossa pele,
contribuindo, desta forma, para a sua compreensão em diversas
formulações existentes no mercado.

Seção 1: Ativos cosméticos


Por meio de conceitos, descrição, função, indicação
e contraindicação abordados nesta seção, esperamos
que você consiga compreender os diversos ativos
cosméticos existentes no mercado da estética.

Seção 2: Nutracêuticos
Nesta seção, estudaremos a diferença entre nutra-
cêuticos e alimentos funcionais, qual a sua definição,
seus conceitos básicos e sua aplicação.

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100  cosmetologia

Introdução ao estudo
Neste capítulo, você fará a leitura mais interessante da cosmética, que é sobre
os ativos cosméticos indicados para os diversos tipos de disfunções estéticas, tanto
faciais quanto corporais, sem falar nos ativos para cabelo, unhas, pés, mãos etc.
Procuramos colocar os ativos em ordem alfabética para facilitar a procura e o seu
entendimento. Lembrando que alguns ativos são utilizados tanto para a face quanto
para o corpo, e desta forma ficaria difícil separá-los em ativos faciais e ativos corporais.
Alguns ativos são utilizados por via oral, o que chamamos de nutracêuticos, tão
usados e comentados nos dias de hoje. Este é o chamado tratamento de “dentro para
fora”, mas muitas vezes, este ativo que é utilizado por via oral também é utilizado
por via tópica.
Alguns ativos são utilizados também em formulação para tratamentos clínicos,
por exemplo, os óleos essenciais ou óleos para massagem. Mas muitos, dependendo
da concentração e forma de manipulação, podem ser usados em formulações clínicas
e domiciliares.
A partir de agora, daremos início ao nosso estudo com a expectativa de que, ao
final desta unidade, o conhecimento adquirido possa contribuir para o seu cresci‑
mento profissional.

Questões para reflexão


Você até este momento sabia diferenciar ativos cosméticos e nutracêuticos?
Como é para você entrar neste mundo da cosmética?

  Seção 1  Ativos cosméticos

1.1 Ácido alfa lipoico


O ácido alfa lipoico (ALA) é uma coenzima antioxidante muito eficaz, pois além
de combater os radicais livres, regenera os antioxidantes oxidados. Combate os ra‑
dicais livres tanto em locais gordurosos como locais baseados em água, tais como a
pele e os músculos.
O ácido lipoico apresenta características hidrofílicas e lipofílicas. É um poderoso
antioxidante e envolve-se na conversão de carboidratos em energia. É também um
importante cofator no metabolismo dos aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA).

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cosmetologia atual 101

Age eficazmente na proteção do colesterol LDL e na proteção do fígado e das artérias


contra o ataque de RLs. Sua presença no organismo é de extrema importância por sua
capacidade de regenerar vários outros antioxidantes oxidados, para retornarem à forma
reduzida. Participa da regeneração do glutation oxidado e das vitaminas E e C oxidadas.
É o único nutriente que demonstrou grande eficácia na disposição da glicose.
Ele diminui o serum lactate e as concentrações de piruvato, melhora a eficácia
da glicose na perda de peso e em pacientes obesos com diabetes do tipo 2. Este é
um efeito muito importante e que pode melhorar a distribuição de outros nutrientes.
Imitando a insulina, este ácido aumenta a captura de glicose pelas células muscula‑
res em 65%. O estímulo deste transporte de glicose é realizado pela da participação
do ácido lipoico na insulina. O ALA provoca uma ascendente mudança na curva
glicose‑insulina dose‑resposta. Esta é uma importante função que pode melhorar a
captura de nutrientes pelas células musculares e circulação de proteínas. Também
aumenta os níveis de glutationa intracelular. A glutationa tem sua eficácia na recu‑
peração após treinamentos pesados, reduzindo, assim, danos intracelulares. Pode
aumentar a capacidade da creatina para entrar nas células musculares, melhorando
esta substância da mitocôndria do músculo e a produção de energia no corpo. A
suplementação de ALA provocou um impacto positivo em pacientes soro positivo,
restaurou o nível sanguíneo total de glutationa e melhorou a reatividade funcional
dos linfócitos aos mitógenos de células T.
O ácido alfa lipoico possui atividade antioxidante. Elimina as espécies reativas
de oxigênio e interage com outros antioxidantes, como a vitamina C, a vitamina E e a
glutationa. Repara danos oxidativos por seu efeito protetor contra o estresse oxidativo,
como a radiação UV, que pode ser considerada um dos responsáveis pelo envelheci‑
mento da pele. Modula a ativação do fator de transcrição NF‑kappaB, evitando dessa
maneira a produção de substâncias químicas pró‑inflamatórias chamadas citocinas,
que danificam a célula e aceleram o envelhecimento, auxiliando na redução e pre‑
venção da formação de rugas e linhas de expressão.
Protetor UV previne as lesões foto‑oxidativas realizadas por meio da redução
da ativação do NF‑kappaB.
Também promove a inibição da atividade da tirosinase, provavelmente pela
quelação de íons de cobre.
Inibe o processo inflamatório das células.
Ajuda outros antioxidantes a permanecerem mais tempo nas células.
O ácido lipoico é usado no tratamento da dermatose inflamatória, tratamento
medicamentoso, procedimentos cirúrgicos e tratamentos cosméticos.
Tem sido preconizado como antioxidante na prevenção e controle da catarata,
diabete melito, retinopatia diabética e doenças cardiovasculares. Por sua forte ação
antioxidante, o ácido lipoico é eficaz no tratamento da neuropatia diabética. Atua
como cofator em diversos processos metabólicos celulares, como a oxidação do
piruvato e o transporte de radicais acetato para o ciclo de Krebs. É usado como co‑
adjuvante no tratamento da cirrose hepática em alcoólatras.

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102 cosmetologia

Também atua como antioxidante contra a radiação ultravioleta na pele, indicado para
uso após exposição ao sol e em formulações antienvelhecimento (VIAFARMANET, 2012).

1.2 Ácido kójico


O ácido kójico é um agente despigmentante obtido pela fermentação do arroz.
Atua quelando os íons cobre, que como consequência provoca a inibição da tirosi‑
nase, enzima fundamental para a formação da melanina, além de induzir a redução
da eumelanina e de seu monômero precursor‑chave.
Não é citotóxico nem apresenta efeito irritativo. Pode ser associado junto ao
ácido glicólico, que diminui a capa córnea e amolece o cimento celular, facilitando
a penetração do agente despigmentante.
O ácido kójico pode ser veiculado em cremes e loções não iônicas, géis e loções
aquosas. É usado para tratamento e prevenção de manchas e hiperpigmentação (VIAFAR‑
MANET, 2012).

1.3 Ácido málico


O ácido málico é um ácido orgânico, pertencente ao grupo dos ácidos carboxí‑
licos, encontrado naturalmente em frutas, como a maçã e a pera. Consiste em uma
substância azeda e adstringente, muito empregada como acidulante, aromatizante e
estabilizante na indústria alimentícia — como aditivo alimentar, é identificado pelo
número E E296. Na indústria farmacêutica, o ácido málico é utilizado na higienização
e regeneração de ferimentos e queimaduras. Também serve para preservar o dulçor
de alimentos e ajustar o pH. O processo de fermentação malolática converte o ácido
málico em um ácido lático mais suave.
O Ácido Málico é um dos principais ácidos contidos em maçãs e muitas outras
frutas e legumes.
O Ácido Málico apresenta:
acidez suave e constante;
sabor aprimorado;
alta solubilidade;
menor higroscopicidade do que os ácidos cítrico ou tartárico;
ponto de fusão mais baixo do que outros ácidos para facilitar a incorporação; e
boas propriedades de quelação com íons de metal.
Este ácido é formado em ciclos metabólicos nas células de plantas e animais,
incluindo seres humanos. Nos dois ciclos, o de Krebs e o glioxilato, é fornecido ener‑
gia às células, o que auxilia a formação de aminoácidos. Uma grande quantidade de
ácido málico é produzido no corpo humano diariamente.
É indicado para preparados sólidos e líquidos para refrescos e refrigerantes, pro‑
dutos de frutas, sobremesas em pó, pós para gelatinas, flans, pudins e similares, e
pode ser aplicado em confeitos, gomas de mascar e conservas, nutracêuticos em geral.

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C o s m e t o l o g i a a t u a l   103

Em cosméticos e produtos de higiene pessoal, o ácido málico é utilizado em


pastilhas para garganta, xaropes, sachês efervescentes, enxaguatório bucal e creme
dental. Enquanto AHA (alfa-hidroxiácios), pode ser usado em produtos de cuidados
para rejuvenescer e melhorar as condições de pele (VIAFARMANET, 2012).

1.4 Ácido fítico


O ácido fítico é obtido do farelo de arroz, aveia ou gérmen de trigo. Tem ação
inibitória sobre a tirosinase (enzima importante na produção de pigmentos melaní‑
nicos que dão cor à pele humana) e por isso é usado como despigmentante. Tem
também ação anti-inflamatória, antioxidante e hidratante. É usado para o clareamento
de manchas hipercrômicas, eventualmente associado ao ácido glicólico e é no “pós‑
-pelling” como tirosinase, além de ser um ótimo quelante de ferro e cobre.
Pode-se usar o ácido fítico como clareador de peles com alto grau de sensibili‑
dade, como peles brancas e sensíveis ou peles que sofreram grandes agressões por
qualquer processo químico ou físico, pois ele tem um alto poder hidratante.
O ácido fítico substitui hoje a hidroquinona, substância utilizada nas últimas
décadas como clareadora de pele.
Indicado para clareamento de manchas hipercrômicas, e como anti-inflamatório
no “pós-peeling”. Pode ser associada com ácidos esfoliantes.
Não deve ser usado em ferimentos abertos e na primeira fase do pós-operatório
dos peelings — de 0 a 12 dias —, período de formação de exudados e crostas (VIA‑
FARMANET, 2012).

1.5 Ácido glicólico


O ácido glicólico é um tipo de ácido alfa-hidroxiácidos (AHA) e é um medica‑
mento amplamente usado por via tópica.
A família dos AHAs são ácidos orgânicos que são produzidos naturalmente pela
cana-de-açúcar e certos tipos de frutas. Os AHAS são: ácido mandélico, ácido láctico
e ácido tartárico.
O ácido glicólico é o menor dos AHAs e penetra facilmente na pele. Por isso, o
ácido glicólico é um ingrediente popular em muitos produtos para a pele. Ele é usado,
principalmente, como um esfoliante químico que quebra a camada mais externa da
epiderme, que é composta principalmente de células mortas da pele. Formulações
com ácido glicólico de baixa concentração estão disponíveis em balcões de lojas de
cosméticos, enquanto produtos com maior concentração apenas são vendidos sob
prescrição médica de um dermatologista.
Este ácido é indicado para peles fotoenvelhecidas ou envelhecidas naturalmente,
além de ser utilizado para todos os tipos de hipercromias, para promover o afinamento
e a hidratação da pele. Pode ser utilizado para acne, ativa ou sequelas de acne como
manchas e atrofias cutâneas. Pode ser utilizado também em formulações de sabonetes,
e, em altas concentrações, para o tratamento das estrias rosadas e brancas.

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104  cosmetologia

É contraindicado para peles feridas ou machucadas, com hiperemia ou sensível,


peles que tomaram sol e estão sob este efeito, sobre feridas de herpes, para alguns
medicamentos fotossensíveis e em peles com tonalidades mais escuras (GOMES;
DAMAZIO, 2009).

1.6 Ácido mandélico


O ácido mandélico é encontrado na natureza e deriva da hidrólise de amêndoas
amargas. É um ácido da família dos AHAs (alfa-hidroxiácidos). Ele possui uma molécula
um pouco maior que a do ácido glicólico, com seis anéis de carbono em sua compo‑
sição, enquanto que o ácido glicólico possui dois anéis de carbono. Por este motivo,
o ácido mandélico é um dos alfa-hidroxiácidos de maior peso molecular, e quando
aplicado na pele penetra de forma lenta e uniforme. É um produto extremamente seguro
pelo fato de sua penetração ser lenta, e não causa nenhum tipo de irritação na pele.
Por ter semelhanças com o ácido glicólico, os efeitos são muito parecidos.
No entanto, quando comparamos com o ácido salicílico, ele é mais seguro, pe‑
netra mais lentamente e se assemelha a este ácido por possuir ação antisséptica e
bactericida parecida.
Pode ser formulado em gel, sérum ou solução hidroalcoólica. Se formulado em
gel, fica ainda mais seguro, pois tem uma ação homogênea e superficial.
A molécula do ácido mandélico é maior que a molécula do ácido glicólico e,
por esta razão, penetra lentamente. O ácido mandélico é um dos AHAs de maior
peso molecular, contribuindo para um efeito uniforme, o que também minimiza
os transtornos comuns da aplicação de AHAs sobre a pele. Apresenta semelhança
química com o ácido salicílico com sua ação antisséptica somada às atividades dos
alfa-hidroxiácidos. Sua formulação em gel fluído promove um peeling que atua de
maneira homogênea e superficial. É usado em conjunção com o peeling abrasivo, de
ação química e mecânica que possui base cremosa abrasiva que, ao ser massageada,
produz um polimento, removendo parte do extrato córneo. A esfoliação química é
obtida pela mistura em proporções iguais de ácido salicílico e resorcina a 5%. Pode
ser utilizado com segurança em peles Fitzpatrick de I à VI, sendo feito em intervalos
de 15-20 dias, conforme tolerância do paciente, num mínimo quatro aplicações.
O ácido mandélico tem uma ação benéfica sobre a pele acneica, pois possui efeito
queratolítico, bactericida e antisséptico, combatendo as bactérias e agindo durante
o processo infeccioso. É um excelente cicatrizante, prevenindo as sequelas da acne.
Este ácido também melhora as manchas da acne e do melasma, atuando com efeito
esfoliante e inibindo a ação da tirosinase, que é a enzima responsável pelo estímulo das
células melanócitas que produzem a melanina e dão cor à pele. Este produto atua tanto
na melanina já depositada na pele quanto na inibição da produção desta substância.
Na acne, o Ácido Mandélico age durante o processo infeccioso, combatendo
as bactérias e prevenindo a formação de novas, além de trabalhar na cicatrização,
colaborando com o tratamento de eventuais sequelas.
No caso da hiperpigmentação, o produto atua na inibição da síntese da melanina
e na melanina já depositada na superfície da epiderme, ajudando a promover uma

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eficaz remoção dos pigmentos hipercrômicos, além de estimular o turnover (renova‑


ção celular) celular e a remoção da capa córnea fotoenvelhecida.
O ácido mandélico tem sido estudado amplamente por seus possíveis usos no
tratamento de problemas comuns de pele, tais como fotoenvelhecimento, pigmentação
irregular e acne. Experimentos demonstram que o ácido mandélico é útil para conter
a pigmentação, tratar acne inflamatória não cística e rejuvenescer a pele fotoenvelhe‑
cida. Além disso, foi comprovada sua utilidade na preparação da pele para peeling a
laser (resurfacing) e no auxílio à cicatrização e prevenção de infecções por bactérias
gram‑negativas após este procedimento (GOMES; DAMAZIO, 2009).

1.7 Ácido salicílico


O ácido salicílico é um beta‑hidroxiácido (BHA) não extraído da natureza, mas,
sim, sintetizado em laboratório. Ele é importante no tratamento estético pois possui
muitos efeitos benéficos para pele. É um produto esfoliante, que estimula a remoção
da camada córnea e do sebo da pele, sendo considerado o ácido mais queratolítico
de todos os citados. É muito utilizado em peles acneicas por seu efeito bactericida e
antisséptico, além de desobstruir os poros da pele pelo seu potente efeito queratolítico.
Excelente em peles envelhecidas, pois facilita a remoção das células da epiderme,
auxiliando na produção de células novas.
Este ácido possui também ação fúngica, agindo na remoção da camada de células
mortas, ao mesmo tempo que impede o crescimento de fungos na pele, o que auxilia
a prevenção da acne.
Se compararmos o ácido salicílico ao ácido glicólico, ele é menos irritante para
a pele. E, por este motivo, é muito encontrado no mercado cosmético, em diversos
produtos para remoção de calosidades, para acne e em sabonetes.
É um beta‑hidroxiácido que também exerce uma ação esfoliante na parte interna dos
poros, um benefício não apresentado pelos produtos formulados com ácido glicólico.
Indicado para acne vulgar, caspa, dermatite seborreica, psoríase e hiperqueratose.
Cuidados:
Evitar contato com os olhos e demais mucosas.
Não utilizar na pele irritada, inflamada ou infeccionada.
Não usar sobre grandes áreas por tempo prolongado, em cura‑
tivos oclusivos.
Evitar o uso simultâneo com outros medicamentos tópicos.
Crianças são muito sensíveis ao uso tópico (VIAFARMANET, 2012).

1.8 Ácido tricloroacético (ATA)


O TCA ou ácido tricloroacético possui odor forte e é um produto orgânico, ocor‑
rendo na forma de cristais deliquescentes, solúveis em água, álcool etílico e éter. O
produto tem ação cáustica.

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Este ácido é um produto de uso médico usado em concentrações de 20 a 35% para


o tratamento de cicatrizes da acne e do fotoenvelhecimento cutâneo.
Ele tem indicação para peles espessas e seborreicas (“grossas”).
É um produto que raramente causa alergias, além de ter boa estabilidade e custo
acessível.
Em concentrações maiores é usado no condiloma acuminato, verrugas e “peel‑
ings” (VIAFARMANET, 2012).

1.9 Adiporeguline
É um ativo completo que atua diretamente nas membranas celulares dos adipócitos
e nas duas etapas do metabolismo.

1.9.1 Redução da lipogênese


Aspartame: reduz o influxo de glicose para dentro da célula por antagonizar os
receptores GLUT4. Além disso, promove a redução da formação de triglicerídeos, por
meio da diminuição do metabolismo da glicose e da produção de lipídeos.

1.9.2 Ativação da lipogênese


A hidrólise dos triglicerídeos em ácido graxo e glicerol está ligada à ação de
enzimas chaves, como o HS lípase, contida nos adipócitos.
Atualmente, a enzima lípase hormônio‑sensível é ativada pela fosforilação, a
qual é estimulada pela proteína cinase AMP cíclico‑dependente. A produção de
AMP cíclico depende do sistema adenilciclase e de agente estimulante, como as
catecolaminas.
Os ingredientes do adiporeguline que promovem a ativação da lipólise são:
Foskolin: aumenta a concentração de AMP cíclico, influenciando a ação da
HS lípase.
Cafeína: inibe a fosfodiesterase, aumentando a meia‑vida do AMP cíclico, que
promove seu aumento intracelular, resultando no aumento da lipólise.
Genisteína: inibe as etapas finais da cascata lipídica, além de estimular o aumento
da expressão dos canais de aquaporinas e acelerar a detoxificação celular.

1.10 Sistema de liberação por fosfolipídeos


Para agir com efetividade nos adipócitos, os ativos necessitam atingir seus alvos. No
entanto, para alcançar o local de ação com efetividade, é necessário ter sistemas de libe‑
ração que garantam que o ativo chegue com eficácia, sem promover efeitos deletérios.
Os fosfolipídeos são moléculas naturais usadas por todas as células que permitem
uma troca entre o meio intracelular e o meio extracelular.
Desse modo, moléculas anfifílicas, como a cafeína, quando combinadas com fos‑
folipídeos, penetram com uma eficácia superior na pele e em suas células. Sem este

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veículo natural, moléculas hidrofílicas, como o aspartame, poderiam ser pressionadas


para fora pela barreira cutânea. Da mesma maneira que o foskolin e a genisteína,
que não são solúveis em formulações padrões, são disponíveis graças ao sistema de
liberação promovido pelos fosfolipídeos.
Pode ser aplicado em forma de loções, cremes ou géis na região do corpo que
tiver celulite ou gordura. (BIOTEC DERMO, 2012).

1.11 Adipol
O adipol é um complexo de extrato de hera, extrato de bile e um tensoativo es‑
pecial (éster polioxietilenoglicol do ácido tartárico).
O extrato de bile é composto, principalmente, pelo ácido cólico, ácido taurocílico,
pigmentos, lecitina, mucina, ácidos graxos neutros, nucleoproteínas, fosfatídeos, sais
de cobre, ferro, magnésio, potássio e cálcio. O extrato de hera é rico em flavonoides
(rutina, caempferol), taninos, ácidos orgânicos e saponinas (hederina, hederacosídeo).
O éster tartárico de polioxietilenoglicol é um veículo de grande compatibilidade
com os tecidos, e possui propriedades tensoativas adequadas para o tratamento de
adiposidades e regiões comprometidas por congestionamento de fluidos.
É descongestionante dos fluidos tissulares, carreador lipofílico, anti-inflamatório,
adelgaçante, lipolítico e com propriedades tensoativas, antilipêmicas e antiespasmó‑
dicas dos saponosídeos.
Efeito anti-inflamatório e ação na permeabilidade dos capilares devidos aos
flavonoides.
O extrato de bílis possui propriedades tensoativas e lipolíticas particulares.
Indicado no tratamento de adiposidades localizadas, no tratamento da celulite e
em formulações adelgaçantes.
Adipol e Cellulinol são produtos complementares e devem ser usados associados
nas preparações cosméticas anticelulíticas na concentração de 5% de cada produto
(VIAFARMANET, 2012).

1.12 Água de Hamamélis


A Hamamélis virginiana (família Hamamelidaceae) é uma árvore nativa dos
bosques úmidos dos Estados Unidos e Canadá, e foi levada para toda a Europa. As
suas partes utilizadas são as cascas e as folhas.
Os constituintes químicos da Hamamélis são: flobafenos, saponinas, mucilagens,
resinas, ácidos graxos, flavonoides, quercetol, canferol e glicosídeos fevonoidicos do
canferol hamamelitanino, ácido gálico, hamameloses livres óleos essenciais.
A Hamamélis tem ação adstringente devido aos taninos que diminuem as secre‑
ções e protegem das infecções. Possui propriedades hemostáticas, anti-hemorrágicas
e descongestivas. Regulariza a circulação exercendo ação vasoconstritora periférica,
agindo como vasomotor.
Água de Hamamélis é uma água hidratante, refrescante e tônica.

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Indicações: a água de Hamamélis é utilizada em produtos cosméticos para pessoas


com pele mista e oleosa, em loções tônicas e adstringentes (VIAFARMANET, 2012).

1.13 Água mãe cosmética


É uma ionização livre, própria das soluções salinas, devido ao fato de que os íons
não entrelaçados com as substâncias em estado coloidal têm uma disponibilidade maior,
pois os elementos coloides se apresentam em formas de cristais (VIAFARMANET, 2012).
Água hipersalina.
Origem marinha.
100% natural.
Teor salino aproximadamente sete vezes maior que a água do mar.
Contém mais de 70 elementos da tabela periódica e em maior proporção que
a água do mar.
Produto tropical do Brasil.
Composição semelhante ao plasma sanguíneo.
Recupera o equilíbrio do organismo.
Os principais solutos na água do mar são:
Potássio: melhora o fluxo dos nutrientes e outros minerais através das mem‑
branas das células pelo poder osmótico.
Magnésio: acalma a pele, ajuda na construção das células da pele, intensifica
a vitalidade das células e acelera a cura. A ausência de magnésio provoca o
processo de envelhecimento da pele.
Sódio: fornece energia para o metabolismo das células e ajuda na absorção de
outros minerais pelo poder de osmose.
Cloro: regula a umidade das células.
Cálcio: acalma e ajuda com o equilíbrio dos minerais.
Bromo: ajuda no tratamento das doenças da pele de origem psicossomática.
Iodo: de ação antisséptica.
Hidrogênio: ajuda no processo de queratinização.
Ferro: contribui nos sistemas de enzimas e também é um condutor de hemo‑
globina e mioglobina.
Enxofre: de ação fungicida.
Utilizada em medicina talássica ou talassoterapias:
A água mãe cosmética é utilizada para fins terapêuticos e curativos em bancos de
mar e em clima marinho, juntamente com outros agentes naturais. A água mãe vem
do grego thálassa (mar).
Os efeitos da terapia talássica resultam de ações simultâneas ou combinadas
dos referidos agentes que tendem a modificar as funções orgânicas, agindo
sobre a saúde de modo durável.
As águas mães possuem diferentes proporções de elementos que a água do mar,
apresentando mais:

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Sulfatos.
Magnésio.
Cálcio.
Potássio.
Bicarbonatos.
Sílicas e todos os demais elementos naturais.
É utilizada para tratamento de dermatites e tonificação da pele (VIAFARMANET, 2012).

1.14 Água thermal


A água thermal é classificada como a primeira água das Américas e a segunda
do mundo em teor de enxofre. Adotando‑se as orientações seguida por Schaeffer
(1923 apud VIAFARMANET, 2012), em seu estudo sobre as águas de Minas Gerais,
as águas de São Pedro (Fonte Juventude) seriam classificadas como: água hipoter‑
mal, hipotônica, fortemente alcalina, cloretada, bicarbonatada, boratada, forte‑
mente sulfídrica e tiosulfurosa sódica. É uma composição única e perfeitamente
adaptada às peles sensíveis. Sua qualidade é atribuída a algumas características:
Preservative free, 100% natural, ação dermatológica comprovada, análises
físico‑químicas e microbiológicas, coleta e envase especial de fonte hidromi‑
neral, esterilizarão pós‑envase.
A água da Fonte Juventude pertence ao grupo das águas clorosulfurosas, do tipo
das fontes de Uriage e Saint‑Honoré, na França, de Aix‑la‑Chapelle, na Alemanha, e
de Sirmione e Tabiano, na Itália.
A água thermal, sendo uma água mineralizante, contém principalmente elevado
teor de sulfetos e proporciona absorção transcutânea do H2S.
O enxofre apresenta ações biofisiológicas na pele como um anabólico, e é um
dinâmico transportador do hidrogênio e do oxigênio. Antitóxico por sulfoconjugação.
Trófico pela função glicogênica nos sistemas reticuloendotelial, endócrino e arterial.
Antialérgico para a pele e mucosas. Antisséptico por ser microbicida e parasiticida.
E antiescleroso agindo nos tecidos conjuntivos, fibrosos e arteriais.
É indicada como tônico natural, melhorando significantemente quadros de acne,
oleosidade excessiva e dermatites em geral (eczemas crônicos, atópicos ou neuroder‑
matite disseminada, eczemas ocasionais, dermatite seborreica nas suas várias formas
clínicas, dermatoses fototóxicas e psoríase).
Devido a sua capacidade nutritiva, melhorando as defesas da pele contra agressões
ambientais, e ajuda na hidratação e revitalização celular.
É utilizada para tratamentos de pele no geral, em cremes e loções, produtos para
celulite e tratamento das rugas, unguentos e leite corporal. É também utilizada em
gel e sais de banho, gel esfoliante, sabonete líquido, massagem drenante, hidratantes
e máscaras, além de formulações de xampus, mousse, protetor solar e bronzeador
(VIAFARMANET, 2012).

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1.15 Algowhite
Algowhite é o extrato concentrado da alga marrom Ascophyllum nodosum com
propriedades clareadoras, esfoliantes e protetoras. Age por três mecanismos: clare‑
ando, esfoliando e atuando na proteção contra os radicais livres, deixando a pele
mais branca, livre de manchas e com mais luminosidade.
Sua ação:
Estimula a atividade enzimática endógena.
Reduz a coesão entre os corneócitos.
Promove turnover (renovação celular) epidérmico.
Induz uma remoção celular natural e não irritativa.
Possui maior seletividade pelas células hiperpigmentadas e
hiperqueratinizadas.
Efeito clareador.
Inibe a tirosinase.
Inibe o escurecimento da melanina já formada e estimula sua
eliminação.
Diminui a comunicação e a divisão celular dos melanócitos.
Ação anti‑idade.
Neutraliza radicais livres.
Protege as membranas celulares.
Previne o aparecimento de manchas senis.
Estimula a síntese de proteínas (VIAFARMANET, 2012).

1.16 Aloe vera


O gênero Aloe pertence à família do lírio, e abrange mais de duzentas espécies
que crescem no deserto e em regiões subtropicais da África, América, Ásia e Europa.
Aloe vera é um dos vegetais mais nutritivos do mundo. É uma planta semitropical,
com uma história longa e ilustrada desde os tempos bíblicos. Este superalimento foi
descoberto pelos antigos egípcios, que cultivaram a maioria das variedades de Aloe
que vemos hoje.
Estudos mostram que a Aloe vera é uma mistura heterogênea de mais de 200
componentes individuais. Contém vitaminas A, C e E, minerais, enxofre, cálcio,
magnésio, zinco, selênio e cromo; também antioxidantes, aminoácidos, enzimas,
esteróis, lignina e, o mais importante, polissacarídeos. Suas ações são:
Hidratação: ao penetrar profundamente nas três camadas da pele (derme, epi‑
derme e hipoderme), graças à presença de ligninas e polissacarídeos, a Aloe vera
restitui os líquidos perdidos, tanto naturalmente como por deficiências de equilíbrio
ou danos externos, reparando os tecidos de dentro para fora nas queimaduras (sol e
fogo), fissuras, cortes, ralados, esfolados e perdas de tecidos.
Os polissacarídeos da Aloe vera contêm hidrogênio e Ormus concentrados, que
aumentam a hidratação das células epiteliais. O hidrogênio cria a hidratação. E os
compostos de Ormus aceleram a cura, diminuem o envelhecimento e ajudam no

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rejuvenescimento das articulações. Os polissacarídeos também podem estimular a


produção de colágeno, que retém a umidade, resultando em uma pele de aparência
mais jovem.
O enxofre contido na Aloe vera apresenta-se em formas similares ao DMSO (di‑
metilsulfóxido) e a seu parente químico importante, o MSM (metilsulfonilmetano).
Essas duas formas de enxofre são eficientes para hidratar tecidos secos e rígidos (com
perda de colágeno, com rugas, endurecimento dos órgãos etc.), restaurando assim a
irrigação, a elasticidade e a flexibilidade.
A Aloe vera age inibindo a dor por meio de dois fatores: um porque interrompe a
condução dos impulsos pelos receptores da dor, e o outro porque possui ação anti‑
-inflamatória.
Ação anti-inflamatória: a Aloe vera tem uma ação similar a dos esteroides, como
a cortisona, mas sem seus efeitos colaterais, por isso, é útil em problemas como
bursites, artrites, lesões, golpes, mordida de insetos e outros. E é um ótimo produto
para combater infecções crônicas da bexiga.
Aloe vera e a pele: a Aloe vera auxilia o restabelecimento do equilíbrio fisioló‑
gico, com ação regeneradora, tônica e emoliente, agindo diretamente nas diferen‑
tes camadas da pele. Devido à sua ação enzimática, proporciona grande poder de
penetração, nutrição, e é ideal para o crescimento e reprodução celular, auxiliando
o organismo no constante processo de desintoxicação. Por meio desta ação, o pro‑
cesso de penetração nas células aumenta, contribuindo para a remoção de células
mortas. Consequentemente, os poros ficam limpos, permitindo uma absorção maior
de oxigênio vital à regeneração celular.
Trabalhos divulgados recentemente apresentam o extrato de Aloe vera como poten‑
cializador da absorção da vitamina C pela pele, melhorando assim sua biodisponibilidade
e concentração nas camadas mais profundas, com melhores resultados terapêuticos.
A Aloe vera estimula a circulação sanguínea, aumentando a tonicidade da pele.
Os nutrientes contribuem para manter a elasticidade dos músculos, produzindo
flexibilidade, tonificação, hidratação e proteção à pele. Sua ação adstringente torna
a pele firme, mantém a umidade natural dela, o pH balanceado e confere melhor
tonicidadea ela.
A Aloe vera possui efeitos energéticos e nutritivos, pois contém vários aminoáci‑
dos formadores de proteínas, além de minerais indispensáveis para o funcionamento
do metabolismo e da atividade celular. Alguns minerais que a Aloe Vera possui são:
cálcio, fósforo, cobre, ferro, manganês, potássio e sódio.
A Aloe vera em pó tem sido usada topicamente para tratar: a acne, alergias da
pele, artrite (pode ser observado alívio da dor apenas com aplicação tópica), câncer
de pele, cicatrizes, eczemas, escoriações, estrias, feridas causadas por urtiga, he‑
morroida, infecções causadas por estafilococos, infecções da pele, rugas, manchas,
manchas marrons, pé de atleta, picadas de insetos, pruridos, psoríase, queimadura
por água-viva, queimadura de sol, toxicodendro, varizes e ferimentos.

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É utilizada em fórmulas de cremes e loções, filtros solares e produtos pós‑sol,


loções pós‑barba, produtos antienvelhecimento, sabonetes, xampus, condicionadores,
tinturas e tônicos capilares (BIOTEC DERMO, 2012).

1.17 Alpha beta peel


Associação única de alfa e beta‑hidroxiácidos com glicosaminoglicanas.
O alpha beta peel é uma mistura composta por alfa‑hidroxiácido (ácido mandélico)
e beta‑hidroxiácido (ácido salicílico), em concentrações balanceadas, desenvolvido
para uso em forma pura, no consultório médico, como peeling superficial nas pa‑
tologias em que se deseja a renovação de toda a camada epidermal, ou em forma
diluída, pelos pacientes em casa.
Composição:
Ácido mandélico — 35%
Ácido salicílico — 5%
Glicosaminoglicanas — qsp
As propriedades do alpha beta peel são as mesmas dos seus componentes isolados,
com a vantagem de ter glicosaminoglicanas que modulam a sua ação.

Quadro 1.1 Propriedades do alpha beta peel

Ácido Mandélico Ácido Salicílico


Atividade cosmecêutica (sendo um AHA) Antiacneico com ação comedolítica
Reduz o número de microcomedões e
Atividade antibacteriana
combate a obstrução de folículos sebáceos
Supressão da pigmentação irregular Esfoliante
Eficaz no tratamento da acne inflamatória não cística Eficaz no tratamento da acnes vulgaris
Rejuvenescimento da pele fotolesada Hiperpigmentação pós‑inflamatória
Preparação da pele para o peeling com laser Melasmas
Peles oleosas e ásperas

Fonte: Viafarmanet (2012).

Indicado para o tratamento de:


Acne: por possuir atividade antimicrobiana + ação comedolítica,
sua ação no tratamento da acne é muito eficaz. Por conter o
beta‑hidroxiácido lipossolúvel, apresenta potente ação come‑
dolítica, promovendo desobstrução de folículos pilo‑sebáceos.
Fotoenvelhecimento: sendo uma mistura de dois ácidos com
eficácia no tratamento das peles fotolesadas e com pigmentação
irregular científica e clinicamente comprovada, o alpha beta peel
é muito eficaz no tratamento da pele fotolesada.
Melanoses, inclusive as residuais.

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Hiperpigmentações, inclusive as pós‑inflamatórias, assim como


no tratamento do melasma e da pigmentação irregular. Ambos os
ácidos são eficazes, conforme relatam os estudos científicos. Seu
uso também é indicado no tratamento dos pacientes com foto‑
tipo V e VI, os que apresentam certas dificuldades no tratamento.
Rugas finas: por promover ação esfoliante, reduz a espessura do
estrato córneo, promovendo suavização das linhas de expres‑
são e redução da profundidade das rugas (GOMES; DAMAZIO,
2009, p. 191).

1.18 Alpha-arbutin
Alpha‑arbutin é um ingrediente ativo puro, biossintético, um despigmentante
com um grande diferencial que clareia e promove um tom uniforme em todos os
tipos de pele.
Atua bloqueando a biossíntese epidermal da melanina, por meio da inibição da
oxidação enzimática da tirosina, a DOPA.
Estruturalmente, o alpha‑arbutin é um alfa‑glucosídeo. A ligação alfa‑glucosídeo
oferece estabilidade e eficácia maior que a forma beta, no beta‑arbutin. Isto leva a
um ativo clareador da pele que atua de forma mais rápida e eficaz que os compo‑
nentes únicos existentes, minimizando as manchas já existentes e reduzindo o grau
de bronzeamento da pele após exposição UV.
Eficácia: inibição da tirosinase. O alpha‑arbutin exibe uma impressionante inibi‑
ção da tirosinase em células lesadas comparadas ao beta‑arbutin.
Utilizado em cremes, loções, produtos solares.
Não é indicado para mulheres grávidas ou lactantes (VIAFARMANET, 2012).

1.19 Aminoácidos da seda


A seda tem sido secularmente empregada na fabricação de tecidos como a mais
nobre fibra de origem animal que o homem utilizou na confecção de seu vestuário.
A seda é uma fibra extracelular produzida por uma variedade de animais, porém,
a seda mais comum comercialmente provém de um inseto da ordem Lepidoptera, o
Bombyx mori, conhecido como bicho‑da‑seda, que através das glândulas sericígenas,
segregam um fio com um comprimento de até 2000m, que formará o casulo. Esta fibra
natural é constituída por uma estrutura polimérica proteica, denominada fibroína,
revestida de sericina, um material ceroso.
Os principais aminoácidos que constituem as moléculas de fibroína são glicina,
alanina, tirosina e serina.
As proteínas hidrolisadas da seda são obtidas da hidrólise de fibras puras de seda.
É principalmente a estrutura fibrosa da fibroína que confere à seda
as propriedades conhecidas, que faz dos aminoácidos da seda um
produto de qualidade premiada: brilho, maciez, luminosidade,
combinadas com excelente força e elasticidade.

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A aplicação cosmética das proteínas hidrolisadas da seda estão


associadas com a composição em aminoácidos. A fibroína é uma
proteína de alto peso molecular e insolúvel, que consiste de 70%
de glicina e alanina.
Através da hidrólise, ela é dividida em peptídeos solúveis em água.
Estas proteínas hidrolisadas têm todas as propriedades da proteína
inicial, e ao mesmo tempo, possuem considerável capacidade de
penetração na pele e no cabelo.
Esta capacidade torna-as especialmente recomendáveis quando
é desejado aumentar características estéticas e físico-mecânicas,
como a força elástica e prolongamento na quebra dos cabelos.
Os aminoácidos da seda formam um filme nos cabelos, protetor
contra os agentes externos, enquanto sua ação penetrante o ali‑
menta, o que proporciona benefícios como grande brilho, maciez,
estilo, volume e força.
Na pele, dá um toque suave e sedoso, além de manter a umidade
natural (CÓSMICA, 2008, p. 1).

Quadro 1.2  Composição média dos aminoácidos

GLICINA 44,60%
ALANINA 25,6%
SERINA 11,83%
TIROSINA 5,43%
VALINA 2,36%
ÁCIDO ASPÁRTICO 1,59%
ÁCIDO GLUTÂMICO 1,13 %
ISOLEUCINA 0,64 %
LEUCINA 0,53%
ARGININA 1,94%
PROLINA 0,49%
LISINA 0,71%
HISTIDINA 0,53%
FENILALANINA 1,56%

Fonte: VIAFARMANET (2012).

Os aminoácidos da seda podem ser usados em xampus, condicionadores, tra‑


tamento de cabelos danificados, cremes ou loções corporais, maquiagem líquida,
máscara para cílios, sabonetes, tinturas capilares e alisantes (VIAFARMANET, 2012).

1.20 Argilas thermais cosméticas


A capacidade de alcançarmos resultados favoráveis em procedimentos estéticos
está intimamente ligada a sua relação com a Natureza, ao conhecimento que possu‑
ímos dos recursos por ela oferecidos para curar, hidratar, reconstituir, desintoxicar,
revitalizar, equilibrar ou qualquer outra ação que se proponha.

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Composição: as argilas são complexos de minerais alumínio-silicatados, de di‑


mensões microscópicas e formatos laminares, alternando-se com moléculas de água
e com outros elementos. Estas características explicam suas inigualáveis propriedades
terapêuticas relacionadas à ação facilitadora de trocas calóricas, líquidas e iônicas.
Com base em critérios crenológicos e de uso em estética aplicada, são argilas bra‑
sileiras com granulações especialmente esfoliantes, composições bem definidas aos
usos estéticos e esterilizadas.
Produto 100% natural.

1.20.1 Argilas
Branca — nome INCI: Kaolin, Bentonite and Silica.
Com maior quantidade em alumínio (Al) — Caolinita. É indicada para peles mais
sensíveis e desidratadas, possui ação clareadora.
Dourada — nome INCI: Bentonite, Kaolin and Silica.
Com maior quantidade em sílica (Si) — Bentonita. Mais plástica e untuosa. Indi‑
cada para peles maduras e cansadas, e com ação tonificante.
Preta — nome INCI: Montmorillonite, Kaolin, Bentonite and Silica.
Com maior quantidade de matéria orgânica e enxofre, é mais ácida e é indicada
para peles oleosas, com ação antisseborreica e antioxidante.
Verde — nome INCI: Montmorillonite, Bentonite and Silica.
Com maior diversidade em elementos — Montmorilonita. Indicada para peles
normais a oleosas, com ação tonificante, adstringente e estimulante.
Propriedades das argilas sobre a pele: limpeza, esfoliantes, peeling biológico
— sua­ve, clareadora, adstringente (excesso de oleosidade e seborreia); hidratante,
Tensora: lifting, absorvente, desintoxicante, depurativa, antioxidante, cicatrizante,
anti-inflamatória, antisséptica, nutritiva, tonificante, revitalizante, ativadora da cir‑
culação sanguínea.
Indicações para uso corporal: para redução de medidas, celulite, flacidez à depu‑
rativa e desintoxicante. Promove a lipólise e aumenta a permeabilidade dos elementos
e oligolementos. Devem ser aplicadas em camadas mais espessas, preferencialmente a
38°C, e em compressas, unguentos e em banhos (misturados com água thermal H2OS).
Indicações para uso terapêutico: com efeitos relaxantes e revigorantes, além de
finalidades terapêuticas em reumatismo, celulite e dermatites. Desta maneira, deve
ser aplicada por profissionais com conhecimentos.
Indicações para uso em podologia: para tratamentos de pé de atleta, frieiras,
unheiro, transpiração excessiva, rachaduras e descamação dos pés.
Indicação para uso capilar: no couro cabeludo tem ação antioleosidade, sebor‑
reguladora, ativadora da microcirculação e estimulante do crescimento dos fios.
Deve ser aplicada em camadas mais grossas e sobre o couro cabeludo, recobrindo
os cabelos (VIAFARMANET, 2012).

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116 cosmetologia

1.21 Argireline
É um hexapeptídeo modulador da tensão muscular facial com atividade redutora
de rugas e linhas de expressão, de forma natural e não invasiva. Alternativa à toxina
botulínica e sem injeções, portanto, não é um tratamento dolorido.
Assim como a toxina botulínica, a argireline ou argirelina age na terminação
nervosa, reduzindo a liberação de neurotransmissores na junção neuro‑muscular,
evitando que o músculo se contraia, prevenindo e reduzindo, assim, as linhas e rugas
de expressão (causadas por movimentos repetitivos), mais especificamente as rugas
ao redor dos olhos, lábios, nariz e testa.
Não altera a função dos músculos de expressão facial, mantendo a expressão
natural da face, além de deixar a pele elástica e hidratada (ESTÉTICA NA WEB, 2010).

1.22 Ascorbosilane C
O ascorbolisane C associa as propriedades cosméticas do ácido ascórbico (vita‑
mina C) às dos silanóis. A aplicação tópica do ascorbosilane C aumenta a proteção
proporcionada pelos mecanismos de defesa da pele, além de participar da biossín‑
tese da hidroxiprolina (precursor de colágeno), proteoglicanas e carnitina. Por ser
uma molécula estável, por apresentar tolerância cutânea perfeita e possuir atividade
biológica acentuada, este ativo é recomendado para a incorporação em produtos
cosméticos, tais como cremes emulsões, leites e géis, além de ser compatível com
uma vasta gama de matérias‑primas e princípios ativos.
1. Ação localizada
A molécula de ascorbato de silanol é acoplada a um polissacarídeo de alto peso
molecular — a pectina —, para melhor estabilidade e ação localizada no nível da
epiderme.
2. Ação hidratante
A estrutura química dos silanóis e sua habilidade de espontaneamente unir as
ligações de hidrogênio com as hidroxilas das moléculas circundantes favorecem um
alto teor de água.
Os silanóis são, consequentemente, hidratantes “biológicos” que atuam sobre:
a normalização do metabolismo celular;
o aumento do número de aminoácidos polares na elastina, os quais são indi‑
retamente responsáveis pela hidratação das proteínas;
a pectina mantém certa hidratação a nível cutâneo, por meio da retenção de
água.
3. Ação sobre o envelhecimento cutâneo e sobre a síntese de colágeno
O ácido ascórbico é essencial para o metabolismo celular porque participa das
reações oxirredutoras. Ele participa de vários mecanismos bioquímicos, tais como:
transporte de elétrons e hidrogênio;
síntese de colágeno e reações de hidroxilação;

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cosmetologia atual 117

biossíntese da carnitina e da catecolamina;


catabolismo da tirosina e da fenilalanina;
metabolismo da histamina;
cinética de íons metálicos;
interação com radicais livres.
4. Prevenção da peroxidação lipídica e destruição dos radicais livres
Os silanóis possuem uma grande afinidade com a membrana celular, o que irá po‑
tencializar o efeito redutor do ácido arcórbico. Eles irão combater a formação de radicais
livres, que possuem efeitos citotóxicos sobre as proteínas, proteoglicanas celulares e DNA.
Tem ainda ação protetora sobre a membrana celular por capturar os radicais livres.
5. Efeito varredor
Tem ação sobre a melanogênese: a síntese da melanina inicia‑se com uma oxidação
da tirosina e do DOPA; estas reações necessitam de oxigênio e da atividade de uma en‑
zima, a tirosinase. Esta enzima depende do cobre, o que significa que é ativa quando o
íon cobre está em um estado de oxidação +1 e inativo em um estado de oxidação +2. O
ácido ascórbico em baixa concentração reage mais facilmente com o cobre, estimulando
a melanogênese. Enquanto que, quando há algum excesso deste ácido, sua reatividade
com o oxigênio evita a reação oxidativa necessária para a síntese da melanina.
Utilizada para todos os tipos de manchas da pele, para peles oxidadas, fotoen‑
velhecidas ou de fumantes. Pode ser usado para qualquer tipo de pele ou disfunções
estéticas (BIOTEC, 2012).

1.23 Avena eyes


Avena eyes é um complexo de extratos vegetais rico em ácido retinoico e vitamina C de
fontes vegetais com proteínas, ácidos graxos essenciais, flavonoides, açúcares e minerais.
Apresenta propriedades hidratantes, umectantes, regeneradoras da pele e emo‑
liente, sendo um ativo cosmético multifuncional altamente interessante para o uso
em produtos anti‑idade, em especial para aplicação na área dos olhos.
É rico em rosa‑mosqueta, extrato vegetal que traz o interessante ácido retinoico.
A rosa‑mosqueta possui ação regeneradora do ácido retinoico sem efeitos adversos.
É rico também em extrato de damasco (Prunus armeniaca) e de pólen, que contém
frações de flavonoides, proteínas, açúcares, minerais, vitamina C e outras vitaminas.
Esta composição auxilia no reparo cutâneo, fortalecimento de vasos sanguíneos,
reposição de micronutrientes e estímulo da atividade celular.
Propriedades:
1. Avena sativa — aveia
Proteínas, lipídios, ácido pantotênico, ácido salicílico e enzimas. Estimula
a síntese de colágeno, promovendo a redensificação dérmica. Possui ação
hidratante e emoliente. Fortalece os vasos, com o intuito de prevenir a
eritrodiapedese e as olheiras.

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118 cosmetologia

Oligoelementos: vitaminas A, B1, B2, PP, D, K, boro, iodo, cálcio, fósforo,


potássio, magnésio, cobalto, zinco, manganês, alumínio, sódio e ferro.
Apresenta também um hormônio semelhante à foliculina, com ação estrogênica.
2. Prunus armeniaca — damasco
Vitamina C, açúcares e proteínas.
3. Rosa canina — rosa‑mosqueta
Vitamina C, ácidos graxos essenciais e ácido retinoico.
Estudos demonstram sua ação regeneradora cutânea, auxiliando na ate‑
nuação de cicatrizes e rugas, prevenindo o envelhecimento prematuro e
devolvendo a tonalidade natural da pele. O óleo da rosa‑mosqueta produz
todos os benefícios do ácido retinoico, mas sem seus efeitos secundários,
devido ao seu conteúdo de ácidos graxos essenciais.
4. Pólen
Proteínas, aminoácidos essenciais, vitaminas A, C, D, K e complexo B,
carotenoides, minerais, ácido nicotínico e ácido pantotênico, flavonoides
(quercetina), lipídios e enzimas.
Indicações:
Tratamento das peles envelhecidas.
Tratamento de olheiras.
Tratamento de rugas ao redor dos olhos.
Tratamento facial e corporal das peles ressecadas.
Auxiliar na manutenção da integridade cutânea (VIAFARMANET, 2012).

1.24 Bio arct


Saiba mais É uma biomassa marinha originária de uma
alga vermelha encontrada nos mares gelados do
Para você saber um pouco mais Mar Ártico. Especialmente no inverno, um dos
sobre princípios ativos e tratamen- principais constituintes desta alga é o dipeptídeo
tos estéticos, acesse o link <http:// citrulil‑arginina, rico em nitrogênio, represen‑
esteticanaweb.com.br/consumi- tando cerca de 7% do extrato seco.
dor/default.aspx>, e realize uma É uma planta padronizada originária da águas
pesquisa seguida de uma análise gelas do Mar Ártico. Selecionada sob condições
sobre os dados encontrados. controladas de frio intenso e pouca luminosidade,
nas quais é possível a padronização dos principais
constituintes: a taurina, cytrulyl‑arginina e o floridosídeo. Possui propriedades detoxifi‑
cante, bioenergizante celular, antioxidante e de ação hidratante fisiológica. O produto
é higroscópico, portanto necessita de cuidados especiais no seu armazenamento e
manipulação.
Muito utilizada em suplemento alimentar (BIOTEC, 2012).

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C o s m e t o l o g i a a t u a l   119

1.25 Biosome DMAE


Biosome DMAE é a dispersão aquosa de DMAE, também conhecida como Dimetil
Amino Etanol. Suas moléculas são encapsuladas em esferas fosfolipídicas, também
conhecidas como lipossomas, que potencializam seu transporte e a absorção dos
princípios ativos por meio da pele por sua afinidade com os fosfolipídios cutâneos.
Em verdade, as estruturas dos lipossomas mimetizam a barreira fosfolipídica do extrato
córneo, atravessando-o e levando os ativos para além da epiderme.
Seus benefícios:
Bioenergizante mitocondrial: aumenta a síntese de NO endógena, estimula a
síntese de ATP na mitocôndria, protege a pele durante condições extremas, estimula
as defesas naturais da pele, fornece o dipeptídeo citrulil-arginina, que é a forma mais
biodisponível do aminoácido arginina, melhora o fluxo sanguíneo e consequente
ajuda no rejuvenescimento sistêmico, possui ação anti-inflamatória, apresentando
atividade equivalente Pa hidrocortisona, agente detoxicante e protetor do DNA pela
ação da taurina.
DMAE é Dimetilaminoetanol, uma substância natural largamente encontrada em
peixes, especialmente salmão, usada há anos pela medicina alopática para melhorar a
memória dos pacientes. Afortunadadamente, médicos e usuários perceberam ao longo
dos anos um enrijecimento da musculatura do pescoço quando da administração oral
de DMAE, estimulando o interesse dos cientistas pela sua aplicação dermatológica.
Testes atuais comprovam que DMAE age nas fibras musculares, provocando seu en‑
durecimento e promovendo menos flacidez, pele mais esticada e, consequentemente,
menos rugas.
O Citrato de DMAE é o ingrediente ativo do Biosome DMAE e não se sabe ao certo
seu mecanismo na pele. Em seu livro, O fim das rugas, o doutor Nicholas Perricone,
médico dermatologista norte-americano e professor de Dermatologia da Yale Medi‑
cal School, faz referência (sem comprovações científicas) sobre a possibilidade de o
DMAE atuar estimulando a liberação do neurotransmissor acetilcolina, que, por sua
vez, estimularia os músculos da face, ocasionando um efeito tensor na pele. O DMAE
acabou sendo comparado à toxina botulínica, já que ambos agem no músculo, mas
o DMAE provoca tensão e enrijecimento dos músculos, enquanto a toxina provoca
o bloqueio da contração muscular.
É indicado na formulação de produtos anti-idade, no combate às rugas (rosto) e
em produtos corporais utilizados no tratamento da flacidez em geral. Pode ser usado
via oral (VIAFARMANET, 2012).

1.26 Bromelina 3000


A bromelina foi introduzida como composto terapêutico em 1957. É uma substân‑
cia natural, não agressiva ao metabolismo humano, classificada como de toxicidade
muito baixa.

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F o t o p r o t e t o r e s   83

Razão UV-A/UV-B: também é conhecido como método “Boot’s Star Rating”, pelo fato
de a empresa inglesa Boots ter apresentado uma forma de classificação em estrelas de acordo
com o resultado obtido para esse teste. Por isso, esse protocolo é muito difundido nesse país.
O método envolve a medida de absorção do produto na faixa de 290 nm a 400 nm,
e depois o cálculo da razão das áreas sob a curva UV-A (290 nm a 320 nm) em relação à
UVB (320 nm a 400 nm), de acordo com a Equação 2. O resultado normalmente é expresso
em porcentagem.

Da mesma forma que o comprimento de onda crítico, é um método relativo, ou seja,


apresenta informações sobre uma região do ultravioleta em relação a outra. Isso significa
que dois produtos com o mesmo resultado não necessariamente terão o mesmo perfil es-
pectrofotométrico.·
Norma Australiana: a Austrália é o único país que possui método oficial para medição
da proteção UV-A. O documento, denominado de “Australian Standard” ou AS/NZS
2604:1998, regula todas as análises relativas à eficácia de protetores solares, como medição
de proteção solar UV-B (FPS), teste de resistência à água e medição de proteção UVA. A
norma australiana para a região UV-A é baseada em medidas espectrofotométricas e é
composta de três tipos diferentes de procedimentos para atender a diferentes tipos de pro-
dutos. O resultado (independente do procedimento) é expresso em porcentagem.
· UV-A Balance: o UV-A Balance foi desenvolvido na Alemanha e, como a norma
australiana, foi normatizado sob o código DIN 67502:2004. É um método que utiliza
resultados in vivo e in vitro de medida relativa da proteção UVA de protetores solares. O
resultado é obtido pela relação de proteção UV-A (PPD in vitro) e a proteção UV-B (FPS in
vivo), de acordo com Equação 3.

Equação 3

O valor do PPD in vitro é obtido através da obtenção da curva espectrofotométrica


do protetor solar. O FPS determinado pela metodologia in vitro é comparado com a me-
dição in vivo e, se os valores forem diferentes, deve-se ajustar a curva de absorção por
uma constante (C) para que os resultados se igualem. Em seguida, a curva ajustada re-
sultante é utilizada para calcular o valor do PPD in vitro. O método fornece um resultado
em porcentagem (relação UV-A/UV-B), entretanto, ele não define como expressar os re-
sultados na rotulagem dos produtos.

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84  cosmetologia

O método UVA Balance possui boa correlação com os valores obtidos in vivo; possui
reprodutibilidade; é aplicável em todos os tipos de produtos para proteção solar; é apli-
cável em todos os sistemas de filtro UV; possibilita a diferenciação entre protetores sola-
res, mas não leva em consideração se o filtro (ou o sistema de filtros) é fotoestável.
Nos EUA, o FDA ainda não definiu uma metodologia para a avaliação de produtos no
UVA. A “Sunscreen Drug Products For Over-The-Counter Human Use; Final Monograph
FDA 1999” não orienta qual metodologia deve ser utilizada para este tipo de teste. Contudo,
destacamos a recomendação da Academia Americana de Dermatologia de utilizar-se das
metodologias do “Comprimento de onda crítico associado ao PPD in vivo para este fim”.
Na Europa, recomenda-se aos países membros seguir as diretrizes para Avaliação de
Performance de Protetores Solares. Nesse documento, o nível mínimo de proteção aceito
para um protetor solar é FPS 6 com proteção UV-A comprovada de, no mínimo, um terço
do valor do FPS, através da metodologia PPD (ou equivalente) com comprimento de onda
crítico mínimo de 370 nm. Apesar de ser uma recomendação, normalmente esse tipo de
informação é acatada como uma norma, e muitas empresas europeias, norte-americanas
e brasileiras já estão se adequando a esses critérios.

Método JCIA, COLIPA, CTFA


Em novembro de 2006, a COLIPA publicou um guideline com uma metodologia para
avaliação do fator de proteção UVA in vitro alternativa ao método PPD (in vivo). Ela está
baseada num protocolo que foi validado internacionalmente e cujo princípio é muito
parecido com o “UVA Balance”. De acordo com este método, aplica-se uma fina película
de protetor solar sobre placas com superfície enrugada (simulando o microrrelevo da pele),
em seguida, mede-se a transmitância dessa amostra na região do ultravioleta. Como
normalmente os resultados obtidos de uma análise in vitro não correlacionam numerica-
mente de maneira direta com o resultado obtido in vivo, o método preconiza o ajuste da
curva espectrofotométrica por meio de um fator de correção (C), até que o valor de FPS
in vitro seja igual ao FPS obtido in vivo.
Em seguida, calcula-se o valor do PPD in vitro inicial (PPD0). A amostra (ainda aplicada
na placa) é então exposta a uma dose de radiação proporcional a 1,2 J.cm-2 (dose=PPD0
x 1,2 J.cm-2). Finalmente, registram-se mais um espectro de absorção na região do ultra-
violeta, aplica-se novamente o fator de correção (C) e, com base nessa curva (exposta e
ajustada), calcula-se o PPD in vitro exposto (PPDf). O fator de proteção UVA final é calcu-
lado da seguinte forma:

Como vocês puderam observar no texto, existem várias formas de cálculos que
são feitas para se determinar o FPS e PPD de um filtro solar. O importante é que a
empresa farmacêutica o faça para se ter qualidade no produto.

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F o t o p r o t e t o r e s   85

2.1 Substâncias fotossensibilizantes


São substâncias químicas que produzem reações fotossensibilizan‑
tes, que podem ser classificadas como fotoalergias ou reações de
fototoxicidade. As fotoalergias (FA) são reações imunológicas que
se caracterizam porque a substância fotossensibilizante absorve
radiação UV, originando um produto com poder antigênico.
Já as reações de fototoxicidade (FT) são resultado de reações físico‑
-químicas sobre a substância fotossensibilizante, que absorve um
determinado comprimento de onda da radiação UV e transmite
essa energia que foi captada para as células (CENTRO REGIONAL
DE INFORMAÇÃO DE MEDICAMENTOS, 2003, p. 2).

Veja a tabela dos produtos fotossensiblizantes mais comuns e suas respectivas reações.

Tabela 4.3  Fármacos e substâncias fotossensibilizantes

Nome Reação Nome Reação Nome Reação


Isotretinoína FT Sulfato de FA e FT Benzofenonas FA
Cádmio
Peróxido de benzoila X Clorohexidina FA Cinamatos FA
Amiodarona FT Formaldeído FA e FT Cinoxato FA
Quinidina FA Amilorida X Trimetilpsoraleno FA
Contraceptivos Orais FA Furosemida FT 8-metoxipsoraleno FA e FT
Antidepressivos Tricíclicos FA Tiazidas FT e FA 5-metoxipsoraleno FT
Carbamazepina X Sulfonilureias FA Lima FT
Fenitoína X Ciclamato FA Limão FT
Prometazina* FA Coaltar* X Sândalo FA e FT
Ibuprofeno X Hidorcortisona FA Griseofulvina FA
Piroxicam FT Riboflavina FT Enoxacina FA
Eritromicina FA Captopril X Fenilbutazona FT
Sulfonamidas FA e FT Amantadina FT Cetoprofeno FA e FT
Tetraciclinas FT Antiquinona FT Bleomicina X
5-fluoruracil X Antraceno FT Porcarbacina X
Metotrexato X Eosina FT Bithionol* FA e FT
Vinblastina FA Fluoresceína FA e FT Trimetoprim X
Cloroquina X Eritrosina FT Haloperidol FA e FT
Mebendazol FA Derivados PABA FA Triclocarban FA e FT
Quinina FA e FT Betacaroteno FA xx xx
Cobalto X Metilcumarina FA xx xx
Cromo FA Butirofenonas FA e FT xx xx
Sais de Ouro X Tiotixena FA e FT xx xx
Legenda:
FA= fotoalergias
FT= fototoxicidade
X= provocam fotossensibilidade por mecanismos conhecidos
* = produzem fotossensibilidade com muita frequência

Fonte: Centro Regional de Informação de Medicamentos (2003, p. 4).

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86  cosmetologia

Algumas pessoas com sensibilidade na pele desenvolvem alergia quando uti‑


lizam alguns tipos de filtros solares. Mas existem filtros que são hipoalergênicos,
pois possuem substâncias que não produzem alergia na pele. Uma substância muito
conhecida no meio cosmético e que costuma produzir alergia com frequência é a
substância PABA, e em filtros hipoalergênicos ela é substituída.
Existem no mercado cosmético filtros solares que são livres de óleo e são cha‑
mados de “oil free”. O óleo contido em filtros normalmente produz cravos e entope
os poros da pele e, por este motivo, se a pele for oleosa a indicação é utilizar filtros
livres de óleo, que são chamados de não comedogênicos. Este tipo de filtro é reco‑
mendado para peles oleosas e acneicas.
A população, em geral, não tem esses conhecimentos sobre filtro solar oleoso ou
não oleoso e, por isso, o profissional da estética precisa saber indicar o produto certo
para cada tipo de pele, oferecendo um protetor solar livre de substâncias alérgicas que
não contenham substâncias fotossenbilizantes e de preferência não comedogênico.
Antes de indicar um protetor solar, o profissional da estética deve prestar muita
atenção a determinadas substâncias, para não prejudicar o seu cliente, pois vários cos‑
méticos podem conter substâncias fotossensibilizantes deixando a pele mais suscetível
à ação nociva da radiação ultravioleta (RIBEIRO, 2010).

2.2 Protetores inorgânicos e orgânicos


Os filtros são classificados em duas categorias principais: filtros inorgânicos ou
físicos, e orgânicos ou químicos.
Os filtros inorgânicos, como o dióxido de titânio, são pós-inertes e opacos,
insolúveis em água e em materiais graxos, apresentam alto índice de refração de
partícula e, portanto, têm alta capacidade de refletir a luz. Formam uma barreira
sobre a pele, refletindo, dispersando e absorvendo a luz UVA e, principalmente, a
UVB (RIBEIRO, 2010).
Este tipo de filtro solar é muito usado em produtos infantis e para pessoas com
pele sensível, porque apresentam baixo potencial alergênico.
Os filtros inorgânicos formam uma barreira sobre a pele, refletindo, dispersando
e absorvendo a luz ultravioleta.
Na reflexão/dispersão, a luz incidente nas partículas inorgânicas é redirecionada,
refletindo de volta ou se espalhando por vários diferentes caminhos. Este processo
é responsável pela translucência e opacidade das partículas de filtros inorgânicos
aplicadas sobre a pele.
Os protetores solares inorgânicos agem criando uma barreira física, não permitindo
a passagem da radiação solar. São frequentemente chamados de bloqueadores solares,
e têm sido usados com frequência, devido a sua popularidade. Isso acontece pelo fato
de não serem tóxicos e serem eficazes, realmente protegendo contra os raios solares
UV. Esses filtros são constituídos de partículas também denominadas de pigmentos
inorgânicos, que ficam suspensas quando incorporadas em uma formulação.
O tamanho dessas partículas é muito importante, pois altera tanto a eficácia do
protetor solar quanto a aparência do produto cosmético (FERREIRA et al., 2009).

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As partículas mais usadas são o dióxido de titânio e o óxido de zinco. Embora


os dois sejam oriundos de metais, ambos possuem propriedades óticas diferentes,
especialmente quando na forma de micropartículas. As micropartículas de óxido
de zinco propiciam uma proteção maior contra os UVA. O problema desses filtros
é o inconveniente antiestético, pois como depositam sobre a pele e refletem toda
luz visível, o efeito final é um visual branco difícil de mascarar. Com a redução do
tamanho das partículas desses compostos, esses produtos passaram a ter uma maior
aceitação. As partículas mais brancas, e consequentemente as que são mais visíveis,
são aquelas que difundem a luz com maior eficiência. O tamanho da partícula na
qual isso acontece varia de um material para outro.
Tanto o óxido de zinco quanto o dióxido de titânio micronizados estão disponibi‑
lizados na forma de pós, secos e dispersões. As formas micronizadas possuem maior
área superficial, conferem melhor efeito de cobertura, atenuam com maior eficiência
a luz UV, ao mesmo tempo em que minimizam a reflexão da luz visível, permitindo
melhor aceitação estética sem prejudicar o FPS da formulação final.
O índice de refração é outra propriedade importante. Quanto maior o índice de
refração, maior será o contraste enxergado pelo olho humano entre a partícula e o
ar que o cerca. O óxido de zinco e o dióxido de titânio possuem índices de refração
substancialmente diferentes: 1,9 para o óxido de zinco e 2,6 para o dióxido de titânio.
Isso significa, tecnicamente, que o dióxido de titânio é inerentemente um pigmento
branco mais forte, sendo assim, é mais difícil torná-lo transparente em produtos
acabados, ou seja, nos produtos solares. O óxido de zinco, com índice de refração
menor, pode ser mais facilmente incorporado nas formulações.
O dióxido de titânio, filtro inorgânico, é semicondutor. Dessa maneira, os elétrons
das moléculas inorgânicas, quando sob ação da luz UV, são excitados.
Portanto, esses compostos também são capazes de absorver esta radiação. Na
absorção, a luz é convertida em outra forma de energia, como o calor. É capaz de
absorver predominantemente o UVB e pouco do UVA, dependendo do tamanho da
partícula deste filtro que é refletido (RIBEIRO, 2010).
Constatou-se que em muitos protetores solares comercializados no
mercado o dióxido de titânio é utilizado como barreira física para
absorver os raios solares aliado ao baixo potencial alergênico e
irritante. Sendo assim é importante saber sua concentração para
estimar o fator de proteção solar (FERREIRA et al., 2009, p. 4).

Vamos falar agora dos filtros solares químicos ou orgânicos, que atuam por ab‑
sorção da radiação UV. Porém, existem substâncias orgânicas que têm a propriedade
de absorver, dispersar e refletir, ao mesmo tempo, o UV.
Os filtros orgânicos têm a capacidade de absorver 95% da radiação UV nos
comprimentos de onda de 290 a 320nm.
A estrutura dos filtros orgânicos permite que absorvam os raios UV nocivos ao ser
humano, ou seja, radiação com alta energia, convertendo-a numa radiação inócua
com baixa energia (RIBEIRO, 2010).
Os filtros orgânicos são compostos aromáticos, conjugados com um grupo carbo‑
nila, formados por moléculas orgânicas que possuem como característica a absorção

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88  cosmetologia

de um ou mais comprimentos de onda específicos, transformando-o em outro tipo


de energia. Em muitos exemplos, há um grupo doador de elétrons. Estes produtos,
diferente do filtro inorgânico, têm a vantagem de formar um filme totalmente trans‑
parente após a aplicação.
A energia UV absorvida por uma molécula é liberada quando esta
retorna ao seu estado de repouso. Todavia, a liberação da mesma se
dá na forma de luz fluorescente ou fosforescente e calor, podendo,
ainda, se decompor e formar fotoprodutos. Portanto, um filtro solar
absorve energia prejudicial e a transforma em formas de energia
não agressivas para a pele (RIBEIRO, 2010, p. 127).

Os filtros químicos podem ser utilizados nas formas farmacêuticas creme, óleo,
loção, spray ou gel (LEONARDI, 2008).
Os filtros solares vêm mudando sua composição nos últimos anos, e podem ser
muito diferentes em outros países, segundo as necessidades particulares dos consu‑
midores de cada região do mundo. Não podemos esquecer que o índice de UV pode
ser diferente dependendo da região em que o indíviduo está, portanto, é importante
realmente que os filtros solares sejam específicos.
Nos últimos anos o mercado nacional tem exigido maior eficácia dos filtros solares,
com relação à segurança de uso, ao potencial alergênico e à qualidade da formulação.
O desenvolvimento de um sistema que atenda estas características
se inicia através da seleção apropriada da associação de filtros UV,
seguida da análise crítica e escolha dos demais constituintes da for‑
mulação, e finalmente, na execução da investigação experimental
da formulação (FERREIRA et al., 2009, p. 4).

2.3 Filtros orgânicos permitidos no Brasil


A resolução RDC n° 47, de 16 de março de 2006, lista os filtros UV permitidos para
produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumarias no Brasil, bem como a con‑
centração máxima de uso permitida para cada um deles (Tabela 4.4) (RIBEIRO, 2010).

Tabela 4.4  Lista de filtros solares permitidos no Brasil e suas concentrações máximas

MÁXIMA

Substância (NOME INCI) CONCENTRAÇÃO
ORD.
AUTORIZADA
Sulfato de Melina de N, N, N- trimetal - 4 - (2, oxoborn - 3 ilideno‑
1 metil) anilínio 6%
CAMPHOR BENZALKONIUM METHOSULFATE
3,3’ - (1,4 - fenilenodimetileno) bis (ácido7,7 - dimetil - 2 -
10% (expresso
2 oxo - biciclo) - (2.2.1) 1-heptilmetano sulfônico e seus sais
como ácido)
TEREPHTALYLIDENE DICAMPHOR SULFONIC ACID (& SALTS)
1- (4 - terc - butilfenil) 3 - (4- metoxifenil) propano - 1,3 – diona
3 5%
BUTIL METHOXY DIBENZOIL METHANE
Ácido Alfa - (2 - oxoborn - 3 - ilideno) tolueno - 4 sulfônico e seus
4 sais de potássio, sódio e trietanolamina 6%
BENZYLIDENE CAMPHOR SULFONIC ACID & SALTS

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F o t o p r o t e t o r e s   89

MÁXIMA

Substância (NOME INCI) CONCENTRAÇÃO
ORD.
AUTORIZADA
2 - Ciano - 3,3’ - difenilacrilato de 2 - etilexila
5 10%
OCTOCRYLENE
4 - Metoxicinamato de 2 - etoxietila
6 3%
CINOXATE
2,2 - dihidroxi - 4 - metoxibenzofenoma
7 3%
BENZOPHENONE - 8
Antranilo de mentila
8 5%
MENTHYL ANTHRANILATE
Salicilato de trietanolamina
9 12%
TEA SALICILATE
Ácido 2 - fenilbenzimidazol - 5 - sulfônico e seus sais de potássio,
sódio e trietanolamina 8% (expresso como
10
PHENYLBENZYLIMIDAZOL SULFONIC ACID (& SODIUM, PO‑ ácido)
TASSIUM, TEA SALTS)
4 - Metoxicinamato de 2 - etilhexila
11 10%
OCTYL (ou ETHYLHEXYL) METHOXYCINNAMATE
2 – Hidroxi – 4 metoxibenzofenona (Oxibenzona)
12 10% (1)
BENZOPHENONE - 3
Ácido 2 – hidroxi – 4 metoxibenzofenona – 5 – sulfônico e seu sal
10% (expresso
13 sódico (Sulisobenzona e Sulisobenzona sódica)
como ácido)
BENZOPHENONE – 4 (ACID)
5% (expresso como
13 a BENZOPHENONE – 5 (Na)
ácido)
Ácido 4 – aminobenzoico
14 15%
PABA
Salicilato de homomentila
15 15%
HOMOSALATE
Polímero de N – {(2 e 4) [2 – oxoborn – 3 – ilideno) metil] benzil}
16 acrilamida 6%
POLYACRYLAMIDOMETHYL BENZYLIDENE CAMPHOR
Dióxido de titânio
17 25%
TITANIUM DIOXIDE
N – Etoxi – 4 – aminobenzoato de etila
18 10%
PEG – 25 PABA
4 – Dimetil - aminobenzoato de 2 – etilhexila
19 8%
OCTYL (ou ETHYLHEXYL) DIMETHYL PABA
Sacilato de 2 – etilhexila
20 5%
OCTYL (ou ETHYLHEXYL) SALICILATE
4 - Metoxicinamato de isopentila ISOAMYLp - METHOXYCINNA‑
21 10%
MATE
3 – ( 4’ – metilbenzilideno) – d – l – cânfora
22 4%
4 – METHYL BENZYLIDENE CAMPHOR
3 – benzilideno cânfora
23 2%
4 – BENZYLIDENE CAMPHOR

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90  cosmetologia

MÁXIMA

Substância (NOME INCI) CONCENTRAÇÃO
ORD.
AUTORIZADA
2, 4, 6 – trianilin – (p – carbo – 2’ – etil – hexil – 1’ – oxi) – 1, 3,
24 5 – triazina 5%
OCTYL (ou ETHYLHEXYL) TRIAZONE
Óxido de zinco
25 25%
ZINC OXIDE
2 – (2H-benzotriazol-2-il)-4-metil-6-{2-metil-3-(1,3,3,3,-tetra‑
26 metil-1-((trimetilsilil)oxi)-disilozanil)propil} fenol 15%
DROMETRIZOLE TRISILOXANE
Ácido benzoico, 4, 4’-[[6-[[4-[[(1,1-dimetil-etil)amino]carbonil]
27 fenil]amino]-1,3,5-triazina-2,4-diil]diimino]bis-,bis(2-etilhexil) 10%
DIOCTYL (ou DIETHYLEXYL) BUTAMIDOTRIAZONE
2,2’-metileno-bis-6-(2H-benzotriazol-2-il)-4-(tetrametil-butil)‑
-1,1,3,3-fenol
28 10%
Metileno bis-benzotriazolil tetraetil butil fenol
METHYLENE BIS-BENZOTRIAZONYL TETRAMETHYLBUTYLPHENOL
Sal monosódico do ácido 2,2’-bis-(1,4-fenileno)- 1H-benzimida‑ 10% (expresso
29
zol-4,6-dissulfônico BISIMIDAZYLATE como ácido)
(1,3,5)-triazina-2,4-bis{[4-(2-etil-hexiloxi0-2-hidróxi]-fenil}-6‑
30 -(4-metoxifenil) 10%
ANISOTRIAZINE
Dimeticodietilbenzalmalonato
31 10%
POLYSILICONE-15
Éster helílico do ácido 2-[4-(dietilamino)-2-hidroxibenzoil]-, ben‑
32 zoico 10%
DIETHYLAMINO HYDROXYBENZOYL HEXIL BENZOATE
(1) Para concentrações maiores que 0,5%, incluir advertência na rotulagem: contém oxibenzona. 
Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2006).

2.4 Filtros solares naturais


Os filtros solares naturais são derivados de óleos vegetais, extratos glicólicos ou
fluídos que absorvem a radiação UVA/UVB. Sua fotoestabilidade não é totalmente
conhecida, por isso, precisamos ser cautelosos ao utilizar este produto, o que sa‑
bemos é que sua absorção é totalmente baixa. Aconselha-se utilizá-lo junto com os
filtros químicos e físicos.
Para seu melhor entendimento, vamos citar alguns tipos de substâncias naturais
utilizadas nestes filtros: extrato de alecrim, extrato de amor-perfeito, extrato de ba‑
bosa, extrato de camomila, extrato de café verde, extrato de algodão, de amendoim,
de coco e de gergelim.
A utilização de filtros naturais é ainda discutível. Além das variações
do conteúdo de um mesmo extrato em função do modo de extração,
tipo de solução extrativa, fonte etc., a ausência de informações
inerentes a sua estabilidade frente à radiação UV são fatores que

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F o t o p r o t e t o r e s   91

determinam bastante cautela quanto à sua utilização como filtro so‑


lar; entretanto, esses extratos podem ser utilizados de forma positiva
e preparações protetoras como coadjuvantes, associações aos dos
filtros sintéticos, pois, independentemente de seus efeitos filtrantes,
tais produtos apresentam enormes vantagens eudérmica (FERREIRA,
2008 apud CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 6).

Vamos agora classificar e explicar os filtros químicos em uma tabela para melhorar
seu entendimento:

Quadro 4.1   Lista dos filtros químicos utilizados no Brasil

PABA (Para‑ Excelente filtro solar contra os UVB.


-aminoben‑ Alguns inconvenientes: facilmente oxidável e mancha os tecidos; pode re‑
zoico) cristalizar no produto acabado; tendência em formar ligações de hidrogênio
com certos solventes podendo acarretar diminuição da atividade; capaz de
induzir a eczema de contato e sensibilização cruzada com outros derivados
para-aminados, como anestésicos locais (benzocaína, procaína), sulfamidas,
anti-histamínicos e tinturas capilares.
Cinamatos O máximo de absorção se situa próximo a 308nm. Quando utilizados sozi‑
nhos, não permitem que seja atingido um coeficiente de proteção elevado,
porque são pouco estáveis fotoquimicamente.
Normalmente são associados a filtros com espectro mais amplo quando se
deseja maior proteção.
Salicilatos Devem ser utilizados em quantidades elevadas para atingir certa eficácia.
Absorvem na zona de 300nm. São muito estáveis, não interagem com os sol‑
ventes e são bem tolerados. Apresentam melhor ação quando associados com
outros filtros.
Benzimida‑ O representante mais importante deste grupo, por sua grande utilização e
zóis hidrossolubilidade, é o ácido-2-fenil-benzimidazol 5-sulfônico. São filtros
hidrossolúveis eficazes para UVB.
Adicionando à fase aquosa das formulações, pode completar a atividade dos
filtros lipossolúveis.
Derivados do Compostos de estrutura bicíclica, são excelentes filtros UVB cujo máximo de
benzilideno absorção situa-se perto de 300nm. Permitem a absorção de FPS elevado com
cânfora baixas concentrações. Reações negativas são raras.
Benzofenas As benzofenas cobrem a totalidade dos UVB e grande parte dos UVA. A oxiben‑
zona (benzofenona-3) apresenta excelente estabilidade fotoquímica. São mal
toleradas e responsáveis por inúmeras reações alérgicas ou dermatite de contato.
Fonte: Souza e Antunes (2008).

Para saber mais


Os protetores solares podem ter cor de base em diversas tonalidades, substituindo uma base ou
um pó compacto. Eles são chamados de filtro solar tonalizante.

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92  cosmetologia

2.5 Formulações de protetores solares


Para se formular um protetor solar é preciso a presença de dois ingredientes impor‑
tantes e muito básicos: os ativos (seja um filtro orgânico e/ou inorgânico) e também os
veículos. Podemos ter diversos tipos de veículos possíveis de serem usados no preparo
dos protetores solares, desde soluções muito simples até formulações mais complexas.
Portanto, para que o consumidor final receba o filtro solar, é preciso que este
esteja incorporado a um veículo. Quando o veículo está associado ao filtro solar,
denominamos o produto de protetor solar ou fotoprotetor.
Agora, para que esses fotoprotetores sejam vendidos para o consumidor final, eles
precisam ter algumas características que são exigidas pela legislação: deve ser atóxico,
não pode ser irritante para a pele, não ser sensibilizante ou mutagênico, não pode ser
volátil, precisa possuir características solúveis apropriadas; não pode ser absorvido
pela pele; não sofrer alteração de cor; não manchar a pele e vestimentas; ser incolor;
ser compatível com a formulação e material de acondicionamento e ser estável no
produto final.
Existem vários veículos que são utilizados em preparações de protetores solar,
mas os principais são:
a) Loções hidroalcoólicas
São loções que possuem características de fácil espalhamento na pele e evaporam
rapidamente. Sua composição principal é a água e o álcool. Um protetor solar que
seja líquido em forma de loção não apresenta um nível ideal de proteção solar e, por
este motivo, o seu uso tem sido questionado. Além disso, o álcool etílico utilizado
na preparação pode causar algum tipo de efeito deletério a pele e, por isso, seu uso
também tem sido questionado.
b) Cremes e loções emulsionadas
Este veículo tem sido o preferido para a composição dos filtros solares, pois as
emulsões ou cremes são os melhores veículos para os filtros solares. Possuem compo‑
nentes lipossolúveis e hidrossolúveis, por isso, podem carregar em sua estrutura tanto
filtros hidrossolúveis quanto lipossolúveis. Isto se torna bastante saudável pensando
pelo lado da proteção ao sol. Estes veículos podem ser O/A (óleo em água) ou A/O
(água em óleo), características que também podem conduzir a preparações mais ou
menos protetoras.
As emulsões A/O são as mais adequadas para a proteção da pele, no entanto,
deixam-na muito oleosa por apresentarem muita gordura na composição. Por este
motivo, as emulsões O/A vêm sendo mais utilizadas, garantindo maior proteção as‑
sociada ao conforto e satisfação do usuário.
c) Géis
Os géis podem ser de origem natural, as gomas ou alginatos, ou de origem sin‑
tética, os polímeros e copolímeros de acrilamida. Independente da origem, o gel é
obtido por meio de um espessante hidrofílico. Ele não apresenta o mesmo nível de
proteção solar que os outros veículos, como as emulsões. Para manter a transparência
característica do veículo existe a necessidade de os filtros solares serem hidrossolúveis.
No entanto, para se conseguir uma proteção maior e mais adequada, é necessária

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F o t o p r o t e t o r e s   93

uma mistura de filtros, em sua maioria, lipossolúveis. Obter géis transparentes é uma
tarefa imensamente difícil, por isso os profissionais que confeccionam este tipo de
filtro solar em forma de gel acabam muitas vezes por incluir solventes nem sempre
desejados, como é o caso do álcool etílico.
Outro detalhe importante é que na preparação de géis fotoprotetores também deve‑
-se evitar a presença de filtros inorgânicos. Estes filtros deixam o gel,na maioria das
vezes, com aspecto opaco e, muitas vezes, acabam por deixar aglomerados visíveis.
Este problema sugere que o protetor solar deixe um aspecto estético desagradável e
acaba por oferecer baixos níveis de proteção (SOUZA; ANTUNES, 2008). “A presença
de aglomerados no protetor levará à formação de uma película não homogênea em toda
a extensão da pele, fato este que comprometerá sensivelmente o nível da proteção”
(FLOR; DAVOLOS; CORREA, 2007).

2.6 Combinação de filtros solares


Atualmente, considera-se moderno utilizar filtros solares químicos e físicos. Esses
filtros químicos, na maioria das vezes, têm proteção tanto para UVA quanto para
UVB, com amplo espectro de absorção. Os filtros físicos também estão modernizados
com substâncias micronizadas e antirradicais livres. Muitas vezes, estes filtros ainda
contêm alguns tipos de óleos, hidratantes e extratos que acabam por potencializar
o seu efeito.
Atualmente é frequente combinar os filtros químicos e físicos, e talvez esta seja
mesmo a melhor opção, pois sabemos que o filtro químico sozinho não consegue
um alto nível de proteção e, por isso, há necessidade de adição de uma quantidade
menor de cada tipo de filtro para alcançar um valor de FPS maior, diminuindo, assim,
os efeitos indesejáveis isolados de cada filtro (LEONARDI, 2008).
A associação dos filtros inorgânicos dióxido de titânio e óxido de zinco permite
obter formulações finais com baixo potencial alergênico e irritante, o que é espe‑
cialmente importante para formulações de produtos infantis, para uso diário, para
indivíduos com peles sensíveis e para a área dos olhos. Temos outra vantagem a
considerar, o dióxido de titânio atenua, principalmente, a radiação UVB, enquanto
o óxido de zinco atenua a radiação UVA (RIBEIRO, 2010).

2.7 F
 ormulações resistentes ou muito resistentes à
água e ao suor
Devemos considerar que os protetores solares não oferecem proteção cem por
cento e nem de forma permanente. Após seu uso, muitos outros fatores devem ser
considerados.
Alguns fatores que devemos sempre considerar são: a pele da pessoa que está
utilizando o protetor solar, as condições de uso, o ambiente, o suor, entre outros.
Todos esses fatores podem alterar o nível de proteção.

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94  cosmetologia

A presença na formulação de substâncias hidrofóbicas e ou hidror‑


repelentes é fundamental para esta ação. Um filtro solar pode ser
classificado como resistente à água e como muito resistente à água.
Os ingredientes hidrorrepelentes devem ser preferencialmente citados
no rótulo, uma vez que o fato de ser resistente ou à prova d’água não
elimina a necessidade da reaplicação, embora esta possa ser realizada
em intervalos maiores (CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 7).

Para um filtro solar ter resistência à água ele deve conter em sua fórmula agentes
filmógenos que fixam os filtros na pele, impedindo, assim, sua retirada quando em
contato com a água ou o suor. Estes produtos são os copolímeros de polivinil pirroli‑
dona (PVP), eicosano, hexadeceno e tricotanil. Eles são irritantes para os olhos, por
isso, deve-se tomar muito cuidado com eles (RIBEIRO, 2010).
Alguns princípios ativos podem ser associados
aos filtros solares sem alterar sua eficácia, no en‑
tanto, eles devem ser estáveis à luz e ao calor, não
Saiba mais podem variar de cor. Além disso, eles devem ter
um tempo de duração alto, devem ser solúveis em
Para que você possa conhecer um
solventes e não podem ser comedogênicos, além
pouco mais sobre os fatores de-
de precisarem ter boa fixação na pele, mesmo
terminantes da eficácia dos pro-
após imersão em água e excesso de suor.
tetores solares, invista um pouco
Quando esses protetores solares com ativos
do seu tempo e acesse o link
são com base de silicone, o produto final fica ex‑
<http://www.ufrgs.br/farmacia/
celente, pois os fluidos siliconados permitem fácil
cadfar/v18n2/pdf/CdF_v18_n2_
espalhabilidade, formando um filme emoliente e
p81_88_2002.pdf>
protetor, além de funcionar como uma barreira
oclusiva. (SOUZA, 2011).
Existem vários ativos que podem ser utilizados nas formulações com protetores
solares, como a ureia, os aminoácidos, os antioxidantes, como a vitamina C e E, o
betacaroteno, entre outros.
Estão surgindo “fotoprotetores noturnos”, isto é, para agir na re‑
paração do DNA previamente lesado através da ação da enzima
endonuclease, podendo ser usado independente da presença dos
raios UV. Os ultrassomas contêm estas enzimas em lipossomas,
que permitem uma ação prolongada e eficaz na reparação do DNA
e, ainda, têm a propriedade de estimular a produção de melanina
celular, proporcionando, assim, um bronzeamento “mais saudável”.
(OLIVEIRA, 1996 apud CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 8,
grifo do autor).

2.8 Veículos utilizados nos fotoprotetores


Para escolhermos um filtro solar, devemos considerar alguns pontos: a solubili‑
dade do produto, o tempo de ação pretendida, a preferência da pessoa que vai usar
o protetor solar e, claro, o tipo de pele.

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Fotoprotetores 95

Os mais utilizados são: os não iônicos, emulsões água/óleo (A/O)


ou óleo/água (O/A) e os géis não iônicos, que dão sensação lubri‑
ficante sobre a pele; e o carbômero, iônico que possui toque seco.
As emulsões A/O ou O/A ajudam, inclusive, a diminuir a agressão
do sol na pele, pois possuem agentes emolientes e hidratantes na
formulação (CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 8).
Os óleos, suspensões e, sobretudo, os cremes são mais aderentes, es‑
pecialmente os últimos, se forem muito gordurosos, sendo, portanto,
menos facilmente removíveis pela água; têm, porém, o inconveniente
de darem brilho à pele, sujarem a roupa, prenderem areia e poeira
e serem, por vezes, de difícil remoção (RIBEIRO, 2010, p. 128).

2.9 Aconselhamento farmacêutico ao usuário de


fotoprotetores
Os filtros solares são classificados como cosméticos de acordo com a RDC n°47,
de 16 de março de 2006. Mesmo não sendo um medicamento, o filtro solar deve ter
uso adequado por inúmeros fatores, devendo ser considerados tanto aqueles rela‑
cionados ao paciente, que buscam proteção, quanto aqueles relacionados à própria
formulação (RIBEIRO, 2010).
Em relação ao [cliente], deve‑se considerar o tipo de pele, o foto‑
tipo (é a caracterização da pele quanto a sua coloração e reação
à exposição solar), a idade, o grau de exposição e hábitos de vida,
a latitude e altitude em que se encontra, o histórico de exposição
solar e antecedentes individuais ou familiares de doenças de pele
relacionadas à exposição solar, com especial atenção às lesões
malignas ou benignas, entre outros (SOUZA, 2005 apud CABRAL;
PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 8)

Links
Para você conhecer a fotoestabilidade dos protetores solares, que consiste na capacidade que
o produto tem de permanecer na pele sem se degradar, acesse: <http://www.google.com.br/
url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6&ved=0CFAQFjAF&url=http%3A%2F%2Fbib
lioteca.univap.br%2Fdados%2FINIC%2Fcd%2Fepg%2Fepg4%2Fepg4-51%2520corrigido.
pdf&ei=MjeCT-nnOITc9AS9_O3ICg&usg=AFQjCNGFY-nqVZ2lpRz3_KH0JGa2AhgEqw>.

Alguns cuidados importantes devem ser tomados para que possamos estar mais
bem protegidos dos raios solares e, desta forma, evitar os possíveis danos, como o
fotoenvelhecimento e o câncer de pele:
Aplicar o protetor pelo menos 20 minutos antes da exposição
solar, para se obter um filme protetor homogêneo.
Repassar o filtro solar a cada 2 ou 3 horas, se a exposição solar
for mais permanente.
Evitar o sol entre 10h e 16h.

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96 cosmetologia

Utilizar óculos de sol com 100% de proteção solar para proteger


os olhos contra o UVA e UVB.
Proteger a pele desde criança para evitar os danos solares crô‑
nicos, evitando assim o câncer de pele.
Cuidado com alguns medicamentos que podem ser fotossensíveis.
Cuidado com medicamentos que, se em contato com o filtro
solar, podem causar alergias.
Proteger do sol mesmo em dias nublados e chuvosos, pois cerca
de 80% dos raios UV atravessam as nuvens e a neblina.
Cuidado com a luz solar refletida da areia, da água, da neve,
das salinas, do concreto.
Sempre utilizar filtros solares que protejam tanto do UVA como
do UVB, que sejam hipoalergênicos e não comedogênicos (CA‑
BRAL, PEREIRA, PARTATA, 2011, p. 9).

Tabela 4.5 Uso de fotoprotetores

Sem Proteção Pele Clara Pele Morena Clara Pele Morena Pele Negra

10 min 15 min 20 min 25 min


FPS 3 30 min 45 min 1 hora 1 h 15 min
FPS 5 50 min 1 h 15 min 1 h 40 min 2 h 05 min
FPS 8 1 h 20 min 2 horas 2 h 40 min 3 h 20 min
FPS 15 2 h 30 min 3 h 45 min 5 horas 6 h 15 min
FPS 20 3 h 20 min 5 horas 6 h 40 min 8 h 20 min
FPS 30 5 horas 7 h 30 min 10 horas 12 h 30 min

Fonte: Souza (2004 apud CABRAL; PEREIRA; PARTATA, 2011, p. 7).

Para saber mais


Alguns silicones, além de melhorar as propriedades sensoriais dos cosméticos para a pele, po-
dem contribuir com o aumento do FPS, sem a necessidade de alterar a composição dos filtros
solares, e aumentar a resistência à água de formulações fotoprotetoras.
Os alquilmetilsiloxanos são uma família de silicones híbridos formada por silicones-hidrocar-
bonetos. Os principais alquilmetilsiloxanos são o estearil dimeticone (C18), o cetil dimeticone
(C16) e o C 30-45 alquil meticone.
A adição dos alquilmetilsiloxanos em formulações com filtro solar orgânicos aumenta o FPS. A
justificativa para tal aumento se encontra na maior dispersão da fórmula sobre a pele promovida
pelo silicone (propriedade filmógena), aumento da resistência à água e à tixotropia, que pode
conferir à formulação.

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F o t o p r o t e t o r e s   97

Para concluir o estudo da unidade


Acredito que esta unidade exija muita reflexão da nossa parte. Tanto no que
diz respeito aos raios solares quanto em nosso comportamento frente a estes.
Neste momento, imagine as possibilidades que você tem de mudanças e a sua
contribuição para a melhora da qualidade de vida das pessoas diante de tudo
isso que você aprendeu.

Resumo
Esta unidade foi extremamente importante e rica para nós. Acredito que tenha
contribuído muito para que, caso algum de vocês não tivessem a informação
sobre o assunto, agora tenham compreendido a tamanha importância de conhe‑
cer os tipos de raios solares que atingem a nossa pele, os seus efeitos e como
devemos nos proteger de forma adequada para que estes raios não alterem o
comportamento da nossa pele, ao ponto de prejudicar nossa saúde.
Você pôde observar nesta unidade que o sol pode envelhecer, manchar a
pele e, o que é pior, trazer danos irreversíveis, como o câncer de pele. Por este
motivo, devemos cuidar adequadamente e da pele todos os dias, utilizar filtro
solar apropriado, que tenha proteção contra os raios UVB e os raios UVA. De
preferência, devemos usar um protetor solar que tenha uma estabilidade alta,
para que quando o sol tocar nossa pele, os ativos não sejam degradados com
rapidez, e desta forma possa nos proteger por mais tempo.
Sabemos, a partir do que estudamos, que para escolher um bom protetor solar,
devemos pesquisar a sua formulação, conhecer sua estabilidade, seu FPS e seu PPD.
No entanto, os desafios são árduos, mas não podemos nos cansar, precisa‑
mos informar as pessoas, fazer do nosso conhecimento fonte de informações
para o benefício do outro.

Atividades de aprendizagem
1. Quais os cuidados que devemos tomar com relação ao sol?
2. Qual a maneira correta de se calcular o FPS de um produto?
3. De quanto em quanto tempo deve-se passar o filtro solar?
4. Todos os protetores solares nos protegem contra o UVA e o UVB?
5. Explique a diferença entre filtro orgânico e inorgânico.

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Unidade 5
Cosmetologia atual

Objetivos de aprendizagem: A proposta desta unidade consiste


em apresentar os ativos cosméticos básicos de forma simplificada,
descrevendo a sua ação e suas principais funções em nossa pele,
contribuindo, desta forma, para a sua compreensão em diversas
formulações existentes no mercado.

Seção 1: Ativos cosméticos


Por meio de conceitos, descrição, função, indicação
e contraindicação abordados nesta seção, esperamos
que você consiga compreender os diversos ativos
cosméticos existentes no mercado da estética.

Seção 2: Nutracêuticos
Nesta seção, estudaremos a diferença entre nutra-
cêuticos e alimentos funcionais, qual a sua definição,
seus conceitos básicos e sua aplicação.

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100  cosmetologia

Introdução ao estudo
Neste capítulo, você fará a leitura mais interessante da cosmética, que é sobre
os ativos cosméticos indicados para os diversos tipos de disfunções estéticas, tanto
faciais quanto corporais, sem falar nos ativos para cabelo, unhas, pés, mãos etc.
Procuramos colocar os ativos em ordem alfabética para facilitar a procura e o seu
entendimento. Lembrando que alguns ativos são utilizados tanto para a face quanto
para o corpo, e desta forma ficaria difícil separá-los em ativos faciais e ativos corporais.
Alguns ativos são utilizados por via oral, o que chamamos de nutracêuticos, tão
usados e comentados nos dias de hoje. Este é o chamado tratamento de “dentro para
fora”, mas muitas vezes, este ativo que é utilizado por via oral também é utilizado
por via tópica.
Alguns ativos são utilizados também em formulação para tratamentos clínicos,
por exemplo, os óleos essenciais ou óleos para massagem. Mas muitos, dependendo
da concentração e forma de manipulação, podem ser usados em formulações clínicas
e domiciliares.
A partir de agora, daremos início ao nosso estudo com a expectativa de que, ao
final desta unidade, o conhecimento adquirido possa contribuir para o seu cresci‑
mento profissional.

Questões para reflexão


Você até este momento sabia diferenciar ativos cosméticos e nutracêuticos?
Como é para você entrar neste mundo da cosmética?

  Seção 1  Ativos cosméticos

1.1 Ácido alfa lipoico


O ácido alfa lipoico (ALA) é uma coenzima antioxidante muito eficaz, pois além
de combater os radicais livres, regenera os antioxidantes oxidados. Combate os ra‑
dicais livres tanto em locais gordurosos como locais baseados em água, tais como a
pele e os músculos.
O ácido lipoico apresenta características hidrofílicas e lipofílicas. É um poderoso
antioxidante e envolve-se na conversão de carboidratos em energia. É também um
importante cofator no metabolismo dos aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA).

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cosmetologia atual 101

Age eficazmente na proteção do colesterol LDL e na proteção do fígado e das artérias


contra o ataque de RLs. Sua presença no organismo é de extrema importância por sua
capacidade de regenerar vários outros antioxidantes oxidados, para retornarem à forma
reduzida. Participa da regeneração do glutation oxidado e das vitaminas E e C oxidadas.
É o único nutriente que demonstrou grande eficácia na disposição da glicose.
Ele diminui o serum lactate e as concentrações de piruvato, melhora a eficácia
da glicose na perda de peso e em pacientes obesos com diabetes do tipo 2. Este é
um efeito muito importante e que pode melhorar a distribuição de outros nutrientes.
Imitando a insulina, este ácido aumenta a captura de glicose pelas células muscula‑
res em 65%. O estímulo deste transporte de glicose é realizado pela da participação
do ácido lipoico na insulina. O ALA provoca uma ascendente mudança na curva
glicose‑insulina dose‑resposta. Esta é uma importante função que pode melhorar a
captura de nutrientes pelas células musculares e circulação de proteínas. Também
aumenta os níveis de glutationa intracelular. A glutationa tem sua eficácia na recu‑
peração após treinamentos pesados, reduzindo, assim, danos intracelulares. Pode
aumentar a capacidade da creatina para entrar nas células musculares, melhorando
esta substância da mitocôndria do músculo e a produção de energia no corpo. A
suplementação de ALA provocou um impacto positivo em pacientes soro positivo,
restaurou o nível sanguíneo total de glutationa e melhorou a reatividade funcional
dos linfócitos aos mitógenos de células T.
O ácido alfa lipoico possui atividade antioxidante. Elimina as espécies reativas
de oxigênio e interage com outros antioxidantes, como a vitamina C, a vitamina E e a
glutationa. Repara danos oxidativos por seu efeito protetor contra o estresse oxidativo,
como a radiação UV, que pode ser considerada um dos responsáveis pelo envelheci‑
mento da pele. Modula a ativação do fator de transcrição NF‑kappaB, evitando dessa
maneira a produção de substâncias químicas pró‑inflamatórias chamadas citocinas,
que danificam a célula e aceleram o envelhecimento, auxiliando na redução e pre‑
venção da formação de rugas e linhas de expressão.
Protetor UV previne as lesões foto‑oxidativas realizadas por meio da redução
da ativação do NF‑kappaB.
Também promove a inibição da atividade da tirosinase, provavelmente pela
quelação de íons de cobre.
Inibe o processo inflamatório das células.
Ajuda outros antioxidantes a permanecerem mais tempo nas células.
O ácido lipoico é usado no tratamento da dermatose inflamatória, tratamento
medicamentoso, procedimentos cirúrgicos e tratamentos cosméticos.
Tem sido preconizado como antioxidante na prevenção e controle da catarata,
diabete melito, retinopatia diabética e doenças cardiovasculares. Por sua forte ação
antioxidante, o ácido lipoico é eficaz no tratamento da neuropatia diabética. Atua
como cofator em diversos processos metabólicos celulares, como a oxidação do
piruvato e o transporte de radicais acetato para o ciclo de Krebs. É usado como co‑
adjuvante no tratamento da cirrose hepática em alcoólatras.

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Também atua como antioxidante contra a radiação ultravioleta na pele, indicado para
uso após exposição ao sol e em formulações antienvelhecimento (VIAFARMANET, 2012).

1.2 Ácido kójico


O ácido kójico é um agente despigmentante obtido pela fermentação do arroz.
Atua quelando os íons cobre, que como consequência provoca a inibição da tirosi‑
nase, enzima fundamental para a formação da melanina, além de induzir a redução
da eumelanina e de seu monômero precursor‑chave.
Não é citotóxico nem apresenta efeito irritativo. Pode ser associado junto ao
ácido glicólico, que diminui a capa córnea e amolece o cimento celular, facilitando
a penetração do agente despigmentante.
O ácido kójico pode ser veiculado em cremes e loções não iônicas, géis e loções
aquosas. É usado para tratamento e prevenção de manchas e hiperpigmentação (VIAFAR‑
MANET, 2012).

1.3 Ácido málico


O ácido málico é um ácido orgânico, pertencente ao grupo dos ácidos carboxí‑
licos, encontrado naturalmente em frutas, como a maçã e a pera. Consiste em uma
substância azeda e adstringente, muito empregada como acidulante, aromatizante e
estabilizante na indústria alimentícia — como aditivo alimentar, é identificado pelo
número E E296. Na indústria farmacêutica, o ácido málico é utilizado na higienização
e regeneração de ferimentos e queimaduras. Também serve para preservar o dulçor
de alimentos e ajustar o pH. O processo de fermentação malolática converte o ácido
málico em um ácido lático mais suave.
O Ácido Málico é um dos principais ácidos contidos em maçãs e muitas outras
frutas e legumes.
O Ácido Málico apresenta:
acidez suave e constante;
sabor aprimorado;
alta solubilidade;
menor higroscopicidade do que os ácidos cítrico ou tartárico;
ponto de fusão mais baixo do que outros ácidos para facilitar a incorporação; e
boas propriedades de quelação com íons de metal.
Este ácido é formado em ciclos metabólicos nas células de plantas e animais,
incluindo seres humanos. Nos dois ciclos, o de Krebs e o glioxilato, é fornecido ener‑
gia às células, o que auxilia a formação de aminoácidos. Uma grande quantidade de
ácido málico é produzido no corpo humano diariamente.
É indicado para preparados sólidos e líquidos para refrescos e refrigerantes, pro‑
dutos de frutas, sobremesas em pó, pós para gelatinas, flans, pudins e similares, e
pode ser aplicado em confeitos, gomas de mascar e conservas, nutracêuticos em geral.

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Em cosméticos e produtos de higiene pessoal, o ácido málico é utilizado em


pastilhas para garganta, xaropes, sachês efervescentes, enxaguatório bucal e creme
dental. Enquanto AHA (alfa-hidroxiácios), pode ser usado em produtos de cuidados
para rejuvenescer e melhorar as condições de pele (VIAFARMANET, 2012).

1.4 Ácido fítico


O ácido fítico é obtido do farelo de arroz, aveia ou gérmen de trigo. Tem ação
inibitória sobre a tirosinase (enzima importante na produção de pigmentos melaní‑
nicos que dão cor à pele humana) e por isso é usado como despigmentante. Tem
também ação anti-inflamatória, antioxidante e hidratante. É usado para o clareamento
de manchas hipercrômicas, eventualmente associado ao ácido glicólico e é no “pós‑
-pelling” como tirosinase, além de ser um ótimo quelante de ferro e cobre.
Pode-se usar o ácido fítico como clareador de peles com alto grau de sensibili‑
dade, como peles brancas e sensíveis ou peles que sofreram grandes agressões por
qualquer processo químico ou físico, pois ele tem um alto poder hidratante.
O ácido fítico substitui hoje a hidroquinona, substância utilizada nas últimas
décadas como clareadora de pele.
Indicado para clareamento de manchas hipercrômicas, e como anti-inflamatório
no “pós-peeling”. Pode ser associada com ácidos esfoliantes.
Não deve ser usado em ferimentos abertos e na primeira fase do pós-operatório
dos peelings — de 0 a 12 dias —, período de formação de exudados e crostas (VIA‑
FARMANET, 2012).

1.5 Ácido glicólico


O ácido glicólico é um tipo de ácido alfa-hidroxiácidos (AHA) e é um medica‑
mento amplamente usado por via tópica.
A família dos AHAs são ácidos orgânicos que são produzidos naturalmente pela
cana-de-açúcar e certos tipos de frutas. Os AHAS são: ácido mandélico, ácido láctico
e ácido tartárico.
O ácido glicólico é o menor dos AHAs e penetra facilmente na pele. Por isso, o
ácido glicólico é um ingrediente popular em muitos produtos para a pele. Ele é usado,
principalmente, como um esfoliante químico que quebra a camada mais externa da
epiderme, que é composta principalmente de células mortas da pele. Formulações
com ácido glicólico de baixa concentração estão disponíveis em balcões de lojas de
cosméticos, enquanto produtos com maior concentração apenas são vendidos sob
prescrição médica de um dermatologista.
Este ácido é indicado para peles fotoenvelhecidas ou envelhecidas naturalmente,
além de ser utilizado para todos os tipos de hipercromias, para promover o afinamento
e a hidratação da pele. Pode ser utilizado para acne, ativa ou sequelas de acne como
manchas e atrofias cutâneas. Pode ser utilizado também em formulações de sabonetes,
e, em altas concentrações, para o tratamento das estrias rosadas e brancas.

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É contraindicado para peles feridas ou machucadas, com hiperemia ou sensível,


peles que tomaram sol e estão sob este efeito, sobre feridas de herpes, para alguns
medicamentos fotossensíveis e em peles com tonalidades mais escuras (GOMES;
DAMAZIO, 2009).

1.6 Ácido mandélico


O ácido mandélico é encontrado na natureza e deriva da hidrólise de amêndoas
amargas. É um ácido da família dos AHAs (alfa-hidroxiácidos). Ele possui uma molécula
um pouco maior que a do ácido glicólico, com seis anéis de carbono em sua compo‑
sição, enquanto que o ácido glicólico possui dois anéis de carbono. Por este motivo,
o ácido mandélico é um dos alfa-hidroxiácidos de maior peso molecular, e quando
aplicado na pele penetra de forma lenta e uniforme. É um produto extremamente seguro
pelo fato de sua penetração ser lenta, e não causa nenhum tipo de irritação na pele.
Por ter semelhanças com o ácido glicólico, os efeitos são muito parecidos.
No entanto, quando comparamos com o ácido salicílico, ele é mais seguro, pe‑
netra mais lentamente e se assemelha a este ácido por possuir ação antisséptica e
bactericida parecida.
Pode ser formulado em gel, sérum ou solução hidroalcoólica. Se formulado em
gel, fica ainda mais seguro, pois tem uma ação homogênea e superficial.
A molécula do ácido mandélico é maior que a molécula do ácido glicólico e,
por esta razão, penetra lentamente. O ácido mandélico é um dos AHAs de maior
peso molecular, contribuindo para um efeito uniforme, o que também minimiza
os transtornos comuns da aplicação de AHAs sobre a pele. Apresenta semelhança
química com o ácido salicílico com sua ação antisséptica somada às atividades dos
alfa-hidroxiácidos. Sua formulação em gel fluído promove um peeling que atua de
maneira homogênea e superficial. É usado em conjunção com o peeling abrasivo, de
ação química e mecânica que possui base cremosa abrasiva que, ao ser massageada,
produz um polimento, removendo parte do extrato córneo. A esfoliação química é
obtida pela mistura em proporções iguais de ácido salicílico e resorcina a 5%. Pode
ser utilizado com segurança em peles Fitzpatrick de I à VI, sendo feito em intervalos
de 15-20 dias, conforme tolerância do paciente, num mínimo quatro aplicações.
O ácido mandélico tem uma ação benéfica sobre a pele acneica, pois possui efeito
queratolítico, bactericida e antisséptico, combatendo as bactérias e agindo durante
o processo infeccioso. É um excelente cicatrizante, prevenindo as sequelas da acne.
Este ácido também melhora as manchas da acne e do melasma, atuando com efeito
esfoliante e inibindo a ação da tirosinase, que é a enzima responsável pelo estímulo das
células melanócitas que produzem a melanina e dão cor à pele. Este produto atua tanto
na melanina já depositada na pele quanto na inibição da produção desta substância.
Na acne, o Ácido Mandélico age durante o processo infeccioso, combatendo
as bactérias e prevenindo a formação de novas, além de trabalhar na cicatrização,
colaborando com o tratamento de eventuais sequelas.
No caso da hiperpigmentação, o produto atua na inibição da síntese da melanina
e na melanina já depositada na superfície da epiderme, ajudando a promover uma

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eficaz remoção dos pigmentos hipercrômicos, além de estimular o turnover (renova‑


ção celular) celular e a remoção da capa córnea fotoenvelhecida.
O ácido mandélico tem sido estudado amplamente por seus possíveis usos no
tratamento de problemas comuns de pele, tais como fotoenvelhecimento, pigmentação
irregular e acne. Experimentos demonstram que o ácido mandélico é útil para conter
a pigmentação, tratar acne inflamatória não cística e rejuvenescer a pele fotoenvelhe‑
cida. Além disso, foi comprovada sua utilidade na preparação da pele para peeling a
laser (resurfacing) e no auxílio à cicatrização e prevenção de infecções por bactérias
gram‑negativas após este procedimento (GOMES; DAMAZIO, 2009).

1.7 Ácido salicílico


O ácido salicílico é um beta‑hidroxiácido (BHA) não extraído da natureza, mas,
sim, sintetizado em laboratório. Ele é importante no tratamento estético pois possui
muitos efeitos benéficos para pele. É um produto esfoliante, que estimula a remoção
da camada córnea e do sebo da pele, sendo considerado o ácido mais queratolítico
de todos os citados. É muito utilizado em peles acneicas por seu efeito bactericida e
antisséptico, além de desobstruir os poros da pele pelo seu potente efeito queratolítico.
Excelente em peles envelhecidas, pois facilita a remoção das células da epiderme,
auxiliando na produção de células novas.
Este ácido possui também ação fúngica, agindo na remoção da camada de células
mortas, ao mesmo tempo que impede o crescimento de fungos na pele, o que auxilia
a prevenção da acne.
Se compararmos o ácido salicílico ao ácido glicólico, ele é menos irritante para
a pele. E, por este motivo, é muito encontrado no mercado cosmético, em diversos
produtos para remoção de calosidades, para acne e em sabonetes.
É um beta‑hidroxiácido que também exerce uma ação esfoliante na parte interna dos
poros, um benefício não apresentado pelos produtos formulados com ácido glicólico.
Indicado para acne vulgar, caspa, dermatite seborreica, psoríase e hiperqueratose.
Cuidados:
Evitar contato com os olhos e demais mucosas.
Não utilizar na pele irritada, inflamada ou infeccionada.
Não usar sobre grandes áreas por tempo prolongado, em cura‑
tivos oclusivos.
Evitar o uso simultâneo com outros medicamentos tópicos.
Crianças são muito sensíveis ao uso tópico (VIAFARMANET, 2012).

1.8 Ácido tricloroacético (ATA)


O TCA ou ácido tricloroacético possui odor forte e é um produto orgânico, ocor‑
rendo na forma de cristais deliquescentes, solúveis em água, álcool etílico e éter. O
produto tem ação cáustica.

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Este ácido é um produto de uso médico usado em concentrações de 20 a 35% para


o tratamento de cicatrizes da acne e do fotoenvelhecimento cutâneo.
Ele tem indicação para peles espessas e seborreicas (“grossas”).
É um produto que raramente causa alergias, além de ter boa estabilidade e custo
acessível.
Em concentrações maiores é usado no condiloma acuminato, verrugas e “peel‑
ings” (VIAFARMANET, 2012).

1.9 Adiporeguline
É um ativo completo que atua diretamente nas membranas celulares dos adipócitos
e nas duas etapas do metabolismo.

1.9.1 Redução da lipogênese


Aspartame: reduz o influxo de glicose para dentro da célula por antagonizar os
receptores GLUT4. Além disso, promove a redução da formação de triglicerídeos, por
meio da diminuição do metabolismo da glicose e da produção de lipídeos.

1.9.2 Ativação da lipogênese


A hidrólise dos triglicerídeos em ácido graxo e glicerol está ligada à ação de
enzimas chaves, como o HS lípase, contida nos adipócitos.
Atualmente, a enzima lípase hormônio‑sensível é ativada pela fosforilação, a
qual é estimulada pela proteína cinase AMP cíclico‑dependente. A produção de
AMP cíclico depende do sistema adenilciclase e de agente estimulante, como as
catecolaminas.
Os ingredientes do adiporeguline que promovem a ativação da lipólise são:
Foskolin: aumenta a concentração de AMP cíclico, influenciando a ação da
HS lípase.
Cafeína: inibe a fosfodiesterase, aumentando a meia‑vida do AMP cíclico, que
promove seu aumento intracelular, resultando no aumento da lipólise.
Genisteína: inibe as etapas finais da cascata lipídica, além de estimular o aumento
da expressão dos canais de aquaporinas e acelerar a detoxificação celular.

1.10 Sistema de liberação por fosfolipídeos


Para agir com efetividade nos adipócitos, os ativos necessitam atingir seus alvos. No
entanto, para alcançar o local de ação com efetividade, é necessário ter sistemas de libe‑
ração que garantam que o ativo chegue com eficácia, sem promover efeitos deletérios.
Os fosfolipídeos são moléculas naturais usadas por todas as células que permitem
uma troca entre o meio intracelular e o meio extracelular.
Desse modo, moléculas anfifílicas, como a cafeína, quando combinadas com fos‑
folipídeos, penetram com uma eficácia superior na pele e em suas células. Sem este

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veículo natural, moléculas hidrofílicas, como o aspartame, poderiam ser pressionadas


para fora pela barreira cutânea. Da mesma maneira que o foskolin e a genisteína,
que não são solúveis em formulações padrões, são disponíveis graças ao sistema de
liberação promovido pelos fosfolipídeos.
Pode ser aplicado em forma de loções, cremes ou géis na região do corpo que
tiver celulite ou gordura. (BIOTEC DERMO, 2012).

1.11 Adipol
O adipol é um complexo de extrato de hera, extrato de bile e um tensoativo es‑
pecial (éster polioxietilenoglicol do ácido tartárico).
O extrato de bile é composto, principalmente, pelo ácido cólico, ácido taurocílico,
pigmentos, lecitina, mucina, ácidos graxos neutros, nucleoproteínas, fosfatídeos, sais
de cobre, ferro, magnésio, potássio e cálcio. O extrato de hera é rico em flavonoides
(rutina, caempferol), taninos, ácidos orgânicos e saponinas (hederina, hederacosídeo).
O éster tartárico de polioxietilenoglicol é um veículo de grande compatibilidade
com os tecidos, e possui propriedades tensoativas adequadas para o tratamento de
adiposidades e regiões comprometidas por congestionamento de fluidos.
É descongestionante dos fluidos tissulares, carreador lipofílico, anti-inflamatório,
adelgaçante, lipolítico e com propriedades tensoativas, antilipêmicas e antiespasmó‑
dicas dos saponosídeos.
Efeito anti-inflamatório e ação na permeabilidade dos capilares devidos aos
flavonoides.
O extrato de bílis possui propriedades tensoativas e lipolíticas particulares.
Indicado no tratamento de adiposidades localizadas, no tratamento da celulite e
em formulações adelgaçantes.
Adipol e Cellulinol são produtos complementares e devem ser usados associados
nas preparações cosméticas anticelulíticas na concentração de 5% de cada produto
(VIAFARMANET, 2012).

1.12 Água de Hamamélis


A Hamamélis virginiana (família Hamamelidaceae) é uma árvore nativa dos
bosques úmidos dos Estados Unidos e Canadá, e foi levada para toda a Europa. As
suas partes utilizadas são as cascas e as folhas.
Os constituintes químicos da Hamamélis são: flobafenos, saponinas, mucilagens,
resinas, ácidos graxos, flavonoides, quercetol, canferol e glicosídeos fevonoidicos do
canferol hamamelitanino, ácido gálico, hamameloses livres óleos essenciais.
A Hamamélis tem ação adstringente devido aos taninos que diminuem as secre‑
ções e protegem das infecções. Possui propriedades hemostáticas, anti-hemorrágicas
e descongestivas. Regulariza a circulação exercendo ação vasoconstritora periférica,
agindo como vasomotor.
Água de Hamamélis é uma água hidratante, refrescante e tônica.

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Indicações: a água de Hamamélis é utilizada em produtos cosméticos para pessoas


com pele mista e oleosa, em loções tônicas e adstringentes (VIAFARMANET, 2012).

1.13 Água mãe cosmética


É uma ionização livre, própria das soluções salinas, devido ao fato de que os íons
não entrelaçados com as substâncias em estado coloidal têm uma disponibilidade maior,
pois os elementos coloides se apresentam em formas de cristais (VIAFARMANET, 2012).
Água hipersalina.
Origem marinha.
100% natural.
Teor salino aproximadamente sete vezes maior que a água do mar.
Contém mais de 70 elementos da tabela periódica e em maior proporção que
a água do mar.
Produto tropical do Brasil.
Composição semelhante ao plasma sanguíneo.
Recupera o equilíbrio do organismo.
Os principais solutos na água do mar são:
Potássio: melhora o fluxo dos nutrientes e outros minerais através das mem‑
branas das células pelo poder osmótico.
Magnésio: acalma a pele, ajuda na construção das células da pele, intensifica
a vitalidade das células e acelera a cura. A ausência de magnésio provoca o
processo de envelhecimento da pele.
Sódio: fornece energia para o metabolismo das células e ajuda na absorção de
outros minerais pelo poder de osmose.
Cloro: regula a umidade das células.
Cálcio: acalma e ajuda com o equilíbrio dos minerais.
Bromo: ajuda no tratamento das doenças da pele de origem psicossomática.
Iodo: de ação antisséptica.
Hidrogênio: ajuda no processo de queratinização.
Ferro: contribui nos sistemas de enzimas e também é um condutor de hemo‑
globina e mioglobina.
Enxofre: de ação fungicida.
Utilizada em medicina talássica ou talassoterapias:
A água mãe cosmética é utilizada para fins terapêuticos e curativos em bancos de
mar e em clima marinho, juntamente com outros agentes naturais. A água mãe vem
do grego thálassa (mar).
Os efeitos da terapia talássica resultam de ações simultâneas ou combinadas
dos referidos agentes que tendem a modificar as funções orgânicas, agindo
sobre a saúde de modo durável.
As águas mães possuem diferentes proporções de elementos que a água do mar,
apresentando mais:

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Sulfatos.
Magnésio.
Cálcio.
Potássio.
Bicarbonatos.
Sílicas e todos os demais elementos naturais.
É utilizada para tratamento de dermatites e tonificação da pele (VIAFARMANET, 2012).

1.14 Água thermal


A água thermal é classificada como a primeira água das Américas e a segunda
do mundo em teor de enxofre. Adotando‑se as orientações seguida por Schaeffer
(1923 apud VIAFARMANET, 2012), em seu estudo sobre as águas de Minas Gerais,
as águas de São Pedro (Fonte Juventude) seriam classificadas como: água hipoter‑
mal, hipotônica, fortemente alcalina, cloretada, bicarbonatada, boratada, forte‑
mente sulfídrica e tiosulfurosa sódica. É uma composição única e perfeitamente
adaptada às peles sensíveis. Sua qualidade é atribuída a algumas características:
Preservative free, 100% natural, ação dermatológica comprovada, análises
físico‑químicas e microbiológicas, coleta e envase especial de fonte hidromi‑
neral, esterilizarão pós‑envase.
A água da Fonte Juventude pertence ao grupo das águas clorosulfurosas, do tipo
das fontes de Uriage e Saint‑Honoré, na França, de Aix‑la‑Chapelle, na Alemanha, e
de Sirmione e Tabiano, na Itália.
A água thermal, sendo uma água mineralizante, contém principalmente elevado
teor de sulfetos e proporciona absorção transcutânea do H2S.
O enxofre apresenta ações biofisiológicas na pele como um anabólico, e é um
dinâmico transportador do hidrogênio e do oxigênio. Antitóxico por sulfoconjugação.
Trófico pela função glicogênica nos sistemas reticuloendotelial, endócrino e arterial.
Antialérgico para a pele e mucosas. Antisséptico por ser microbicida e parasiticida.
E antiescleroso agindo nos tecidos conjuntivos, fibrosos e arteriais.
É indicada como tônico natural, melhorando significantemente quadros de acne,
oleosidade excessiva e dermatites em geral (eczemas crônicos, atópicos ou neuroder‑
matite disseminada, eczemas ocasionais, dermatite seborreica nas suas várias formas
clínicas, dermatoses fototóxicas e psoríase).
Devido a sua capacidade nutritiva, melhorando as defesas da pele contra agressões
ambientais, e ajuda na hidratação e revitalização celular.
É utilizada para tratamentos de pele no geral, em cremes e loções, produtos para
celulite e tratamento das rugas, unguentos e leite corporal. É também utilizada em
gel e sais de banho, gel esfoliante, sabonete líquido, massagem drenante, hidratantes
e máscaras, além de formulações de xampus, mousse, protetor solar e bronzeador
(VIAFARMANET, 2012).

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1.15 Algowhite
Algowhite é o extrato concentrado da alga marrom Ascophyllum nodosum com
propriedades clareadoras, esfoliantes e protetoras. Age por três mecanismos: clare‑
ando, esfoliando e atuando na proteção contra os radicais livres, deixando a pele
mais branca, livre de manchas e com mais luminosidade.
Sua ação:
Estimula a atividade enzimática endógena.
Reduz a coesão entre os corneócitos.
Promove turnover (renovação celular) epidérmico.
Induz uma remoção celular natural e não irritativa.
Possui maior seletividade pelas células hiperpigmentadas e
hiperqueratinizadas.
Efeito clareador.
Inibe a tirosinase.
Inibe o escurecimento da melanina já formada e estimula sua
eliminação.
Diminui a comunicação e a divisão celular dos melanócitos.
Ação anti‑idade.
Neutraliza radicais livres.
Protege as membranas celulares.
Previne o aparecimento de manchas senis.
Estimula a síntese de proteínas (VIAFARMANET, 2012).

1.16 Aloe vera


O gênero Aloe pertence à família do lírio, e abrange mais de duzentas espécies
que crescem no deserto e em regiões subtropicais da África, América, Ásia e Europa.
Aloe vera é um dos vegetais mais nutritivos do mundo. É uma planta semitropical,
com uma história longa e ilustrada desde os tempos bíblicos. Este superalimento foi
descoberto pelos antigos egípcios, que cultivaram a maioria das variedades de Aloe
que vemos hoje.
Estudos mostram que a Aloe vera é uma mistura heterogênea de mais de 200
componentes individuais. Contém vitaminas A, C e E, minerais, enxofre, cálcio,
magnésio, zinco, selênio e cromo; também antioxidantes, aminoácidos, enzimas,
esteróis, lignina e, o mais importante, polissacarídeos. Suas ações são:
Hidratação: ao penetrar profundamente nas três camadas da pele (derme, epi‑
derme e hipoderme), graças à presença de ligninas e polissacarídeos, a Aloe vera
restitui os líquidos perdidos, tanto naturalmente como por deficiências de equilíbrio
ou danos externos, reparando os tecidos de dentro para fora nas queimaduras (sol e
fogo), fissuras, cortes, ralados, esfolados e perdas de tecidos.
Os polissacarídeos da Aloe vera contêm hidrogênio e Ormus concentrados, que
aumentam a hidratação das células epiteliais. O hidrogênio cria a hidratação. E os
compostos de Ormus aceleram a cura, diminuem o envelhecimento e ajudam no

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rejuvenescimento das articulações. Os polissacarídeos também podem estimular a


produção de colágeno, que retém a umidade, resultando em uma pele de aparência
mais jovem.
O enxofre contido na Aloe vera apresenta-se em formas similares ao DMSO (di‑
metilsulfóxido) e a seu parente químico importante, o MSM (metilsulfonilmetano).
Essas duas formas de enxofre são eficientes para hidratar tecidos secos e rígidos (com
perda de colágeno, com rugas, endurecimento dos órgãos etc.), restaurando assim a
irrigação, a elasticidade e a flexibilidade.
A Aloe vera age inibindo a dor por meio de dois fatores: um porque interrompe a
condução dos impulsos pelos receptores da dor, e o outro porque possui ação anti‑
-inflamatória.
Ação anti-inflamatória: a Aloe vera tem uma ação similar a dos esteroides, como
a cortisona, mas sem seus efeitos colaterais, por isso, é útil em problemas como
bursites, artrites, lesões, golpes, mordida de insetos e outros. E é um ótimo produto
para combater infecções crônicas da bexiga.
Aloe vera e a pele: a Aloe vera auxilia o restabelecimento do equilíbrio fisioló‑
gico, com ação regeneradora, tônica e emoliente, agindo diretamente nas diferen‑
tes camadas da pele. Devido à sua ação enzimática, proporciona grande poder de
penetração, nutrição, e é ideal para o crescimento e reprodução celular, auxiliando
o organismo no constante processo de desintoxicação. Por meio desta ação, o pro‑
cesso de penetração nas células aumenta, contribuindo para a remoção de células
mortas. Consequentemente, os poros ficam limpos, permitindo uma absorção maior
de oxigênio vital à regeneração celular.
Trabalhos divulgados recentemente apresentam o extrato de Aloe vera como poten‑
cializador da absorção da vitamina C pela pele, melhorando assim sua biodisponibilidade
e concentração nas camadas mais profundas, com melhores resultados terapêuticos.
A Aloe vera estimula a circulação sanguínea, aumentando a tonicidade da pele.
Os nutrientes contribuem para manter a elasticidade dos músculos, produzindo
flexibilidade, tonificação, hidratação e proteção à pele. Sua ação adstringente torna
a pele firme, mantém a umidade natural dela, o pH balanceado e confere melhor
tonicidadea ela.
A Aloe vera possui efeitos energéticos e nutritivos, pois contém vários aminoáci‑
dos formadores de proteínas, além de minerais indispensáveis para o funcionamento
do metabolismo e da atividade celular. Alguns minerais que a Aloe Vera possui são:
cálcio, fósforo, cobre, ferro, manganês, potássio e sódio.
A Aloe vera em pó tem sido usada topicamente para tratar: a acne, alergias da
pele, artrite (pode ser observado alívio da dor apenas com aplicação tópica), câncer
de pele, cicatrizes, eczemas, escoriações, estrias, feridas causadas por urtiga, he‑
morroida, infecções causadas por estafilococos, infecções da pele, rugas, manchas,
manchas marrons, pé de atleta, picadas de insetos, pruridos, psoríase, queimadura
por água-viva, queimadura de sol, toxicodendro, varizes e ferimentos.

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É utilizada em fórmulas de cremes e loções, filtros solares e produtos pós‑sol,


loções pós‑barba, produtos antienvelhecimento, sabonetes, xampus, condicionadores,
tinturas e tônicos capilares (BIOTEC DERMO, 2012).

1.17 Alpha beta peel


Associação única de alfa e beta‑hidroxiácidos com glicosaminoglicanas.
O alpha beta peel é uma mistura composta por alfa‑hidroxiácido (ácido mandélico)
e beta‑hidroxiácido (ácido salicílico), em concentrações balanceadas, desenvolvido
para uso em forma pura, no consultório médico, como peeling superficial nas pa‑
tologias em que se deseja a renovação de toda a camada epidermal, ou em forma
diluída, pelos pacientes em casa.
Composição:
Ácido mandélico — 35%
Ácido salicílico — 5%
Glicosaminoglicanas — qsp
As propriedades do alpha beta peel são as mesmas dos seus componentes isolados,
com a vantagem de ter glicosaminoglicanas que modulam a sua ação.

Quadro 1.1 Propriedades do alpha beta peel

Ácido Mandélico Ácido Salicílico


Atividade cosmecêutica (sendo um AHA) Antiacneico com ação comedolítica
Reduz o número de microcomedões e
Atividade antibacteriana
combate a obstrução de folículos sebáceos
Supressão da pigmentação irregular Esfoliante
Eficaz no tratamento da acne inflamatória não cística Eficaz no tratamento da acnes vulgaris
Rejuvenescimento da pele fotolesada Hiperpigmentação pós‑inflamatória
Preparação da pele para o peeling com laser Melasmas
Peles oleosas e ásperas

Fonte: Viafarmanet (2012).

Indicado para o tratamento de:


Acne: por possuir atividade antimicrobiana + ação comedolítica,
sua ação no tratamento da acne é muito eficaz. Por conter o
beta‑hidroxiácido lipossolúvel, apresenta potente ação come‑
dolítica, promovendo desobstrução de folículos pilo‑sebáceos.
Fotoenvelhecimento: sendo uma mistura de dois ácidos com
eficácia no tratamento das peles fotolesadas e com pigmentação
irregular científica e clinicamente comprovada, o alpha beta peel
é muito eficaz no tratamento da pele fotolesada.
Melanoses, inclusive as residuais.

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cosmetologia atual 113

Hiperpigmentações, inclusive as pós‑inflamatórias, assim como


no tratamento do melasma e da pigmentação irregular. Ambos os
ácidos são eficazes, conforme relatam os estudos científicos. Seu
uso também é indicado no tratamento dos pacientes com foto‑
tipo V e VI, os que apresentam certas dificuldades no tratamento.
Rugas finas: por promover ação esfoliante, reduz a espessura do
estrato córneo, promovendo suavização das linhas de expres‑
são e redução da profundidade das rugas (GOMES; DAMAZIO,
2009, p. 191).

1.18 Alpha-arbutin
Alpha‑arbutin é um ingrediente ativo puro, biossintético, um despigmentante
com um grande diferencial que clareia e promove um tom uniforme em todos os
tipos de pele.
Atua bloqueando a biossíntese epidermal da melanina, por meio da inibição da
oxidação enzimática da tirosina, a DOPA.
Estruturalmente, o alpha‑arbutin é um alfa‑glucosídeo. A ligação alfa‑glucosídeo
oferece estabilidade e eficácia maior que a forma beta, no beta‑arbutin. Isto leva a
um ativo clareador da pele que atua de forma mais rápida e eficaz que os compo‑
nentes únicos existentes, minimizando as manchas já existentes e reduzindo o grau
de bronzeamento da pele após exposição UV.
Eficácia: inibição da tirosinase. O alpha‑arbutin exibe uma impressionante inibi‑
ção da tirosinase em células lesadas comparadas ao beta‑arbutin.
Utilizado em cremes, loções, produtos solares.
Não é indicado para mulheres grávidas ou lactantes (VIAFARMANET, 2012).

1.19 Aminoácidos da seda


A seda tem sido secularmente empregada na fabricação de tecidos como a mais
nobre fibra de origem animal que o homem utilizou na confecção de seu vestuário.
A seda é uma fibra extracelular produzida por uma variedade de animais, porém,
a seda mais comum comercialmente provém de um inseto da ordem Lepidoptera, o
Bombyx mori, conhecido como bicho‑da‑seda, que através das glândulas sericígenas,
segregam um fio com um comprimento de até 2000m, que formará o casulo. Esta fibra
natural é constituída por uma estrutura polimérica proteica, denominada fibroína,
revestida de sericina, um material ceroso.
Os principais aminoácidos que constituem as moléculas de fibroína são glicina,
alanina, tirosina e serina.
As proteínas hidrolisadas da seda são obtidas da hidrólise de fibras puras de seda.
É principalmente a estrutura fibrosa da fibroína que confere à seda
as propriedades conhecidas, que faz dos aminoácidos da seda um
produto de qualidade premiada: brilho, maciez, luminosidade,
combinadas com excelente força e elasticidade.

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114  cosmetologia

A aplicação cosmética das proteínas hidrolisadas da seda estão


associadas com a composição em aminoácidos. A fibroína é uma
proteína de alto peso molecular e insolúvel, que consiste de 70%
de glicina e alanina.
Através da hidrólise, ela é dividida em peptídeos solúveis em água.
Estas proteínas hidrolisadas têm todas as propriedades da proteína
inicial, e ao mesmo tempo, possuem considerável capacidade de
penetração na pele e no cabelo.
Esta capacidade torna-as especialmente recomendáveis quando
é desejado aumentar características estéticas e físico-mecânicas,
como a força elástica e prolongamento na quebra dos cabelos.
Os aminoácidos da seda formam um filme nos cabelos, protetor
contra os agentes externos, enquanto sua ação penetrante o ali‑
menta, o que proporciona benefícios como grande brilho, maciez,
estilo, volume e força.
Na pele, dá um toque suave e sedoso, além de manter a umidade
natural (CÓSMICA, 2008, p. 1).

Quadro 1.2  Composição média dos aminoácidos

GLICINA 44,60%
ALANINA 25,6%
SERINA 11,83%
TIROSINA 5,43%
VALINA 2,36%
ÁCIDO ASPÁRTICO 1,59%
ÁCIDO GLUTÂMICO 1,13 %
ISOLEUCINA 0,64 %
LEUCINA 0,53%
ARGININA 1,94%
PROLINA 0,49%
LISINA 0,71%
HISTIDINA 0,53%
FENILALANINA 1,56%

Fonte: VIAFARMANET (2012).

Os aminoácidos da seda podem ser usados em xampus, condicionadores, tra‑


tamento de cabelos danificados, cremes ou loções corporais, maquiagem líquida,
máscara para cílios, sabonetes, tinturas capilares e alisantes (VIAFARMANET, 2012).

1.20 Argilas thermais cosméticas


A capacidade de alcançarmos resultados favoráveis em procedimentos estéticos
está intimamente ligada a sua relação com a Natureza, ao conhecimento que possu‑
ímos dos recursos por ela oferecidos para curar, hidratar, reconstituir, desintoxicar,
revitalizar, equilibrar ou qualquer outra ação que se proponha.

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Composição: as argilas são complexos de minerais alumínio-silicatados, de di‑


mensões microscópicas e formatos laminares, alternando-se com moléculas de água
e com outros elementos. Estas características explicam suas inigualáveis propriedades
terapêuticas relacionadas à ação facilitadora de trocas calóricas, líquidas e iônicas.
Com base em critérios crenológicos e de uso em estética aplicada, são argilas bra‑
sileiras com granulações especialmente esfoliantes, composições bem definidas aos
usos estéticos e esterilizadas.
Produto 100% natural.

1.20.1 Argilas
Branca — nome INCI: Kaolin, Bentonite and Silica.
Com maior quantidade em alumínio (Al) — Caolinita. É indicada para peles mais
sensíveis e desidratadas, possui ação clareadora.
Dourada — nome INCI: Bentonite, Kaolin and Silica.
Com maior quantidade em sílica (Si) — Bentonita. Mais plástica e untuosa. Indi‑
cada para peles maduras e cansadas, e com ação tonificante.
Preta — nome INCI: Montmorillonite, Kaolin, Bentonite and Silica.
Com maior quantidade de matéria orgânica e enxofre, é mais ácida e é indicada
para peles oleosas, com ação antisseborreica e antioxidante.
Verde — nome INCI: Montmorillonite, Bentonite and Silica.
Com maior diversidade em elementos — Montmorilonita. Indicada para peles
normais a oleosas, com ação tonificante, adstringente e estimulante.
Propriedades das argilas sobre a pele: limpeza, esfoliantes, peeling biológico
— sua­ve, clareadora, adstringente (excesso de oleosidade e seborreia); hidratante,
Tensora: lifting, absorvente, desintoxicante, depurativa, antioxidante, cicatrizante,
anti-inflamatória, antisséptica, nutritiva, tonificante, revitalizante, ativadora da cir‑
culação sanguínea.
Indicações para uso corporal: para redução de medidas, celulite, flacidez à depu‑
rativa e desintoxicante. Promove a lipólise e aumenta a permeabilidade dos elementos
e oligolementos. Devem ser aplicadas em camadas mais espessas, preferencialmente a
38°C, e em compressas, unguentos e em banhos (misturados com água thermal H2OS).
Indicações para uso terapêutico: com efeitos relaxantes e revigorantes, além de
finalidades terapêuticas em reumatismo, celulite e dermatites. Desta maneira, deve
ser aplicada por profissionais com conhecimentos.
Indicações para uso em podologia: para tratamentos de pé de atleta, frieiras,
unheiro, transpiração excessiva, rachaduras e descamação dos pés.
Indicação para uso capilar: no couro cabeludo tem ação antioleosidade, sebor‑
reguladora, ativadora da microcirculação e estimulante do crescimento dos fios.
Deve ser aplicada em camadas mais grossas e sobre o couro cabeludo, recobrindo
os cabelos (VIAFARMANET, 2012).

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116 cosmetologia

1.21 Argireline
É um hexapeptídeo modulador da tensão muscular facial com atividade redutora
de rugas e linhas de expressão, de forma natural e não invasiva. Alternativa à toxina
botulínica e sem injeções, portanto, não é um tratamento dolorido.
Assim como a toxina botulínica, a argireline ou argirelina age na terminação
nervosa, reduzindo a liberação de neurotransmissores na junção neuro‑muscular,
evitando que o músculo se contraia, prevenindo e reduzindo, assim, as linhas e rugas
de expressão (causadas por movimentos repetitivos), mais especificamente as rugas
ao redor dos olhos, lábios, nariz e testa.
Não altera a função dos músculos de expressão facial, mantendo a expressão
natural da face, além de deixar a pele elástica e hidratada (ESTÉTICA NA WEB, 2010).

1.22 Ascorbosilane C
O ascorbolisane C associa as propriedades cosméticas do ácido ascórbico (vita‑
mina C) às dos silanóis. A aplicação tópica do ascorbosilane C aumenta a proteção
proporcionada pelos mecanismos de defesa da pele, além de participar da biossín‑
tese da hidroxiprolina (precursor de colágeno), proteoglicanas e carnitina. Por ser
uma molécula estável, por apresentar tolerância cutânea perfeita e possuir atividade
biológica acentuada, este ativo é recomendado para a incorporação em produtos
cosméticos, tais como cremes emulsões, leites e géis, além de ser compatível com
uma vasta gama de matérias‑primas e princípios ativos.
1. Ação localizada
A molécula de ascorbato de silanol é acoplada a um polissacarídeo de alto peso
molecular — a pectina —, para melhor estabilidade e ação localizada no nível da
epiderme.
2. Ação hidratante
A estrutura química dos silanóis e sua habilidade de espontaneamente unir as
ligações de hidrogênio com as hidroxilas das moléculas circundantes favorecem um
alto teor de água.
Os silanóis são, consequentemente, hidratantes “biológicos” que atuam sobre:
a normalização do metabolismo celular;
o aumento do número de aminoácidos polares na elastina, os quais são indi‑
retamente responsáveis pela hidratação das proteínas;
a pectina mantém certa hidratação a nível cutâneo, por meio da retenção de
água.
3. Ação sobre o envelhecimento cutâneo e sobre a síntese de colágeno
O ácido ascórbico é essencial para o metabolismo celular porque participa das
reações oxirredutoras. Ele participa de vários mecanismos bioquímicos, tais como:
transporte de elétrons e hidrogênio;
síntese de colágeno e reações de hidroxilação;

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biossíntese da carnitina e da catecolamina;


catabolismo da tirosina e da fenilalanina;
metabolismo da histamina;
cinética de íons metálicos;
interação com radicais livres.
4. Prevenção da peroxidação lipídica e destruição dos radicais livres
Os silanóis possuem uma grande afinidade com a membrana celular, o que irá po‑
tencializar o efeito redutor do ácido arcórbico. Eles irão combater a formação de radicais
livres, que possuem efeitos citotóxicos sobre as proteínas, proteoglicanas celulares e DNA.
Tem ainda ação protetora sobre a membrana celular por capturar os radicais livres.
5. Efeito varredor
Tem ação sobre a melanogênese: a síntese da melanina inicia‑se com uma oxidação
da tirosina e do DOPA; estas reações necessitam de oxigênio e da atividade de uma en‑
zima, a tirosinase. Esta enzima depende do cobre, o que significa que é ativa quando o
íon cobre está em um estado de oxidação +1 e inativo em um estado de oxidação +2. O
ácido ascórbico em baixa concentração reage mais facilmente com o cobre, estimulando
a melanogênese. Enquanto que, quando há algum excesso deste ácido, sua reatividade
com o oxigênio evita a reação oxidativa necessária para a síntese da melanina.
Utilizada para todos os tipos de manchas da pele, para peles oxidadas, fotoen‑
velhecidas ou de fumantes. Pode ser usado para qualquer tipo de pele ou disfunções
estéticas (BIOTEC, 2012).

1.23 Avena eyes


Avena eyes é um complexo de extratos vegetais rico em ácido retinoico e vitamina C de
fontes vegetais com proteínas, ácidos graxos essenciais, flavonoides, açúcares e minerais.
Apresenta propriedades hidratantes, umectantes, regeneradoras da pele e emo‑
liente, sendo um ativo cosmético multifuncional altamente interessante para o uso
em produtos anti‑idade, em especial para aplicação na área dos olhos.
É rico em rosa‑mosqueta, extrato vegetal que traz o interessante ácido retinoico.
A rosa‑mosqueta possui ação regeneradora do ácido retinoico sem efeitos adversos.
É rico também em extrato de damasco (Prunus armeniaca) e de pólen, que contém
frações de flavonoides, proteínas, açúcares, minerais, vitamina C e outras vitaminas.
Esta composição auxilia no reparo cutâneo, fortalecimento de vasos sanguíneos,
reposição de micronutrientes e estímulo da atividade celular.
Propriedades:
1. Avena sativa — aveia
Proteínas, lipídios, ácido pantotênico, ácido salicílico e enzimas. Estimula
a síntese de colágeno, promovendo a redensificação dérmica. Possui ação
hidratante e emoliente. Fortalece os vasos, com o intuito de prevenir a
eritrodiapedese e as olheiras.

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118 cosmetologia

Oligoelementos: vitaminas A, B1, B2, PP, D, K, boro, iodo, cálcio, fósforo,


potássio, magnésio, cobalto, zinco, manganês, alumínio, sódio e ferro.
Apresenta também um hormônio semelhante à foliculina, com ação estrogênica.
2. Prunus armeniaca — damasco
Vitamina C, açúcares e proteínas.
3. Rosa canina — rosa‑mosqueta
Vitamina C, ácidos graxos essenciais e ácido retinoico.
Estudos demonstram sua ação regeneradora cutânea, auxiliando na ate‑
nuação de cicatrizes e rugas, prevenindo o envelhecimento prematuro e
devolvendo a tonalidade natural da pele. O óleo da rosa‑mosqueta produz
todos os benefícios do ácido retinoico, mas sem seus efeitos secundários,
devido ao seu conteúdo de ácidos graxos essenciais.
4. Pólen
Proteínas, aminoácidos essenciais, vitaminas A, C, D, K e complexo B,
carotenoides, minerais, ácido nicotínico e ácido pantotênico, flavonoides
(quercetina), lipídios e enzimas.
Indicações:
Tratamento das peles envelhecidas.
Tratamento de olheiras.
Tratamento de rugas ao redor dos olhos.
Tratamento facial e corporal das peles ressecadas.
Auxiliar na manutenção da integridade cutânea (VIAFARMANET, 2012).

1.24 Bio arct


Saiba mais É uma biomassa marinha originária de uma
alga vermelha encontrada nos mares gelados do
Para você saber um pouco mais Mar Ártico. Especialmente no inverno, um dos
sobre princípios ativos e tratamen- principais constituintes desta alga é o dipeptídeo
tos estéticos, acesse o link <http:// citrulil‑arginina, rico em nitrogênio, represen‑
esteticanaweb.com.br/consumi- tando cerca de 7% do extrato seco.
dor/default.aspx>, e realize uma É uma planta padronizada originária da águas
pesquisa seguida de uma análise gelas do Mar Ártico. Selecionada sob condições
sobre os dados encontrados. controladas de frio intenso e pouca luminosidade,
nas quais é possível a padronização dos principais
constituintes: a taurina, cytrulyl‑arginina e o floridosídeo. Possui propriedades detoxifi‑
cante, bioenergizante celular, antioxidante e de ação hidratante fisiológica. O produto
é higroscópico, portanto necessita de cuidados especiais no seu armazenamento e
manipulação.
Muito utilizada em suplemento alimentar (BIOTEC, 2012).

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1.25 Biosome DMAE


Biosome DMAE é a dispersão aquosa de DMAE, também conhecida como Dimetil
Amino Etanol. Suas moléculas são encapsuladas em esferas fosfolipídicas, também
conhecidas como lipossomas, que potencializam seu transporte e a absorção dos
princípios ativos por meio da pele por sua afinidade com os fosfolipídios cutâneos.
Em verdade, as estruturas dos lipossomas mimetizam a barreira fosfolipídica do extrato
córneo, atravessando-o e levando os ativos para além da epiderme.
Seus benefícios:
Bioenergizante mitocondrial: aumenta a síntese de NO endógena, estimula a
síntese de ATP na mitocôndria, protege a pele durante condições extremas, estimula
as defesas naturais da pele, fornece o dipeptídeo citrulil-arginina, que é a forma mais
biodisponível do aminoácido arginina, melhora o fluxo sanguíneo e consequente
ajuda no rejuvenescimento sistêmico, possui ação anti-inflamatória, apresentando
atividade equivalente Pa hidrocortisona, agente detoxicante e protetor do DNA pela
ação da taurina.
DMAE é Dimetilaminoetanol, uma substância natural largamente encontrada em
peixes, especialmente salmão, usada há anos pela medicina alopática para melhorar a
memória dos pacientes. Afortunadadamente, médicos e usuários perceberam ao longo
dos anos um enrijecimento da musculatura do pescoço quando da administração oral
de DMAE, estimulando o interesse dos cientistas pela sua aplicação dermatológica.
Testes atuais comprovam que DMAE age nas fibras musculares, provocando seu en‑
durecimento e promovendo menos flacidez, pele mais esticada e, consequentemente,
menos rugas.
O Citrato de DMAE é o ingrediente ativo do Biosome DMAE e não se sabe ao certo
seu mecanismo na pele. Em seu livro, O fim das rugas, o doutor Nicholas Perricone,
médico dermatologista norte-americano e professor de Dermatologia da Yale Medi‑
cal School, faz referência (sem comprovações científicas) sobre a possibilidade de o
DMAE atuar estimulando a liberação do neurotransmissor acetilcolina, que, por sua
vez, estimularia os músculos da face, ocasionando um efeito tensor na pele. O DMAE
acabou sendo comparado à toxina botulínica, já que ambos agem no músculo, mas
o DMAE provoca tensão e enrijecimento dos músculos, enquanto a toxina provoca
o bloqueio da contração muscular.
É indicado na formulação de produtos anti-idade, no combate às rugas (rosto) e
em produtos corporais utilizados no tratamento da flacidez em geral. Pode ser usado
via oral (VIAFARMANET, 2012).

1.26 Bromelina 3000


A bromelina foi introduzida como composto terapêutico em 1957. É uma substân‑
cia natural, não agressiva ao metabolismo humano, classificada como de toxicidade
muito baixa.

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120  cosmetologia

A sua associação a outros princípios ativos melhora a absorção de vários medi‑


camentos, o que implica em economia na dose terapêutica necessária e no desgaste
que o organismo sofre durante um tratamento com medicamento.
Existe uma crescente demanda da bromelina como suplemento para atletas (ma‑
ratonistas, ciclistas e triatletas), pois ela evita a dor muscular tardia.
A bromelina também é utilizada na indústria de alimentos e amaciamento de
carnes vermelhas, na produção de pães e biscoitos a partir de farinhas de trigo de
alto teor proteico, na produção de ovos desidratados, na preparação de leite de soja
e isolados proteicos; na cervejaria, para hidrolizar complexos proteína-taninos, for‑
mados durante a fermentação que, se presentes na cerveja, tornam-se insolúveis e
formam turvações quando gelada (ISAUDE.NET, 2008, p. 1).
A bromelina é uma mistura de enzimas proteolíticas existente no abacaxi (cascas
e hastes frutíferas) de alto peso molecular capaz de ser absorvida pelo trato gastrin‑
testinal, produzindo ações anti-inflamatórias e antiexsudativa, podendo apresentar
efeitos anticoagulantes e inibição na agregação plaquetária (ISAUDE.NET, 2008, p. 1).
Os principais usos terapêuticos da bromelina estão associados à inibição da
agregação plaquetária, atividade fibrinolítica, ação anti-inflamatória e antitumoral,
modulação de citocinas e da imunidade, propriedade debridante de pele, aumento
da absorção de outras drogas, propriedades mucolíticas, facilitador da digestão, ace‑
lerador da cicatrização e melhora da circulação e sistema cardiovascular.
É utilizada em forma de creme ou gel para eliminar a camada córnea da pele,
além de ser utilizada na indústria alimentar e têxtil (VIAFARMANET, 2012).

1.27 Cafeína
A cafeína, quimicamente conhecida como metilxantina, é um estimulante em
todos os níveis do SNC, mas seus efeitos corticais são mais leves e de menor dura‑
ção que os das anfetaminas. Em doses maiores, estimula os centros medulares, vaga,
vasomotor e respiratório, o que provoca bradicardia, vasoconstrição e aumento da
frequência respiratória. Estudos mais recentes indicam que a cafeína pode exercer
efeitos fisiológicos antagonistas em nível dos receptores centrais da adenosina. A
absorção gastrintestinal é boa. A ligação proteica é baixa. A biotransformação é he‑
pática, dando origem à paraxantina, teobromina (10%) e teofilina (4%). É eliminada
por via renal, principalmente como metabólito.
É conhecida por seu efeito estimulante no sistema nervoso central, promovendo
aumento do estado de alerta no cérebro. Porém, em vista de sua utilidade prática, em
formulações dermatológicas e cosméticas, é usada no combate às lipodistrofias e vem
sendo sistematicamente introduzida em formulações por via tópica, especialmente
no combate à celulite. Sob o enfoque de seu potencial de aplicação em preparados
cosméticos e dermatológicos, a propriedade específica da cafeína, que fundamenta
tal modalidade de aplicação, repousa sobre seu efeito de inibir a enzima fosfodieste‑
rase. A inibição da fosfodiesterase promove elevação nos níveis de AMP cíclico que

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C o s m e t o l o g i a a t u a l   121

incrementa o processo de hidrólise dos triglicérides armazenados nos adipócitos da


região de aplicação do produto à base de cafeína.
Suas ações sobre o SNC ocorrem primordialmente sobre os principais centros
superiores do cérebro, decorrendo dessa atuação um estado de alerta e de atividade
mental aumentada (VIAFARMANET, 2012).

1.29 Cavalinha
Equisetum giganteum L. é um subarbusto ereto, perene, rizomatoso, com haste
de cor verde, oca e monopodial, com numerosos ramos que partem dos nós dos
verticilos, de textura áspera ao tato pela presença de silício em sua epiderme, de
80 - 160cm de altura. As folhas são verticuladas e reduzidas a pecíolos soldados que
formam uma bainha membranácea. A haste fértil tem no ápice uma espiga oblonga
e escura que contém grande quantidade de esporos. Multiplica-se tanto por rizomas
como por esporos (LORENZI, 2002 apud BIOTEC, 2012).
É nativa de áreas pantanosas de quase todo o Brasil, sendo amplamente utilizada
na medicina caseira de longa data em toda a América do Sul, inclusiva no Brasil,
especialmente nas regiões Sul e Sudeste, sendo praticamente desconhecida do Nor‑
deste (LORENZI, 2002 apud BIOTEC, 2012).
A cavalinha extrato seco deve apresentar mínimo de 2% de flavonoides totais.
Outros princípios ativos presentes na cavalinha pó são: compostos solúveis de silí‑
cio, taninos, saponinas (equisetonina), flavonoides (isoquercetina, equisetrina e canfe‑
rol), alcaloides (nicotina, palustrina e outros), vitamina C e minerais (Ca, Mg, Na, F, Mn,
S, P, Cl, K etc.). Tem ação diurética, hemostática, anti-inflamatória e remineralizante.
O amplo emprego dessa planta nas práticas caseira da medicina popular e na
indústria de fitoterápicos é motivo suficiente para sua escolha como tema de estudos
químicos, farmacológicos e clínicos, inclusive teses, visando completar sua validação
como medicamento eficaz e seguro.
Indicadada como diurética e como suplemento remineralizante (BIOTEC, 2012).

1.30 Celulinol
Celulinol é uma associação de um éster do ácido salicílico (salicilamida) em
polioxietileno indicado para formulações de uso tópico.
Possui alto poder de penetração cutânea associada às propriedades anti-infla‑
matórias, descongestionantes, adstringentes, queratolíticas, amaciantes da camada
queratinizada, absorvedoras da radiação ultravioleta, dos ésteres do ácido salicílico,
sem possuir o inconveniente do seu odor.
Indicado como coadjuvante no tratamento da celulite, paniculoses, lipoescleroses,
fibroedemas e adiposidades.
Associações recomendadas com efeito sinérgico: adipol, fator antilipêmico.

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122  cosmetologia

Adipol e celulinol são produtos complementares e devem ser usados associados


nas preparações cosméticas anticelulíticas na concentração de 5% de cada produto
(VIAFARMANET, 2012).

1.31 Chá-verde pó
Nome popular: Chá da Índia e Chá-verde, no Brasil; Te, em espanhol; Green tea,
Black Tea em inglês.
Princípios ativos:
Bases xantínicas: compostas basicamente por cafeína e teofilina; protoantocianidi‑
nas; Flavonoides: O-heterosídeos de flavonóis e flavonas, C-heterosídeos de flavonas,
epicatecol, epigalocatecol e seus ésteres gálicos; óleo essencial; taninos catéquicos;
vitaminas do grupo B; sais minerais; polifenóis (+) catequina, galato (-) catequina,
galato (-) epicatequina, (+) galocatequina, (-) epicatequina, galato (-) galocatequina
(-) epigalocatequina, ácido gálico.
O chá-vede é originária da Ásia continental e Indonésia, e cultivada na Índia e
China, entre outros grandes produtores.
Vem sendo utilizado há milhares de anos pelos habitantes do Oriente em ceri‑
mônias e nas refeições diárias.
Nos últimos 30 anos, muitos trabalhos têm sido publicados sobre o chá verde,
confirmando a atividade farmacológica já conhecida há séculos pela população
oriental. Foi demonstrado que esta planta é rica em polifenóis, que apresentam inú‑
meras ações farmacológicas. As folhas e os botões são utilizados na fabricação de
chás popularmente conhecidos.
As bases xantínicas apresentam uma ação diurética e tônica-estimulante, que é
bem mais suave que a exercida pelo café, apresentando um efeito mais prolongado.
Esta ação se dá pela da inibição enzimática da fosfodiesterase, que gera um aumento
de AMP cíclico e, desta forma, tem-se maior atividade catecolaminérgica.
No campo da cosmetologia, trabalhos relacionados com a propriedade foto‑
protetora do chá-verde contra os efeitos adversos dos raios UV em camundongos e
modelos de pele humana foram realizados principalmente pelo fato de o chá-verde
possuir pronunciada atividade antioxidante, anti-inflamatória e anticarcinogênica.
Topicamente é utilizada para reduzir as gorduras localizadas e auxiliar no ema‑
grecimento. Em homeopatia, é indicada para palpitações, dispepsia e na sensação
de fraqueza no epigástrico.
Pode haver o aparecimento dos seguintes efeitos secundários: nervosismo, insô‑
nia, taquicardia. Os taninos podem provocar moléstias gástricas, náuseas e vômitos,
principalmente em infusões concentradas (BIOTEC, 2012).

1.32 Clorela pó
A clorela é uma alga unicelular, encontrada espontaneamente em tanques e lagos, com
grande habilidade para realizar a fotossíntese. Foi descoberta pelos japoneses, tradicio‑

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nais consumidores de algas, que a apreciam e a utilizam como complemento alimentar.


Relatam uma sensação de bem-estar e aumento de energia após um curto período de uso.
A clorela apresenta um elevado valor nutritivo. Em 100g contém uma média de:

Quadro 5.1  Aminoácidos

Isoleucina 2,34g
Leucina 4,89g
Lisina 3,05g
Fenilalanina 3,03g
Tirosina 1,93g
Metionina 1,38g
Cisteína 0,61g
Treonina 2,76g
Triptofano 1,20g
Valina 3,60g
Arginina 3,48g
Histidina 0,98g
Alanina 4,58g
Ácido aspártico 5,26g
Ácido glutâmico 5,83g
Glicina 3,31g
Prolina 2,47g
Serina 2,20g
Lipídeos 5 a 15g
Proteínas 50 a 70g
Fibras 2,8%
Carboidratos 18,5%
Fonte: Viafarmanet ( 2012).

Quadro 5.2  Vitaminas, sais minerais e outros componentes

Ácido fólico 3 - 10mg


Ácido nicotínico 10 - 35mg
Ácido pantotênico 2,5mg
Betacaroteno 100 - 300mg
Cálcio 377mg
Celulose 2-6g
Clorofila 1-3g
Colina 60 - 165mg
Fator de crescimento da clorela 2000 - 6000mg
Faseolamina 6 - 21mg

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Ferro 185mg
Fósforo 1170mg
Magnésio 284mg
Potássio 952mg
Sódio 15mg
Vitamina B1 1 - 3,5mg
Vitamina B2 3 - 6,5mg
Vitamina B6 1 - 4mg
Vitamina B12 0,2 - 0,5mg
Vitamina C 20 - 55mg
Vitamina E 12 - 35mg
Vitamina H 3 - 25mg
Xantofila 278mg

Fonte: Viafarmanet ( 2012).

O fortalecimento do organismo e a ativação da função celular são motivados pelo


uso da clorela. Devido à existência de substâncias que contribuem na eliminação da
acidez sanguínea, a clorela promove o bom funcionamento do organismo.
O polissacarídeo ácido, chlon-A purificado do extrato da clorela, é considerado um
preventivo de células cancerosas com propriedades de retardo de seu envelhecimento.
Sua alta concentração em clorofila indica que possui capacidade desintoxicante, e
auxilia no sistema digestivo. Pode ainda ser usado como auxiliar no controle da obe‑
sidade, promovendo uma sensação de saciedade quando ingerida antes das refeições,
além de fornecer elementos normalmente ausentes nos regimes de emagrecimento.
A clorofila e o magnésio são transformados em elementos fundamentais para o
sangue. O cálcio auxilia no tratamento de fraturas, enfraquecimento ósseo e osteo‑
porose. O alto teor em fósforo proporciona uma maior atividade cerebral.
Também tem demonstrado excelentes resultados no combate à hipertensão e na
redução dos níveis de colesterol e triglicérides.
A fácil digestibilidade e o alto índice de absorção da clorela devem-se a um
exclusivo sistema de desintegração da parede celular durante o processo de secagem
dela (VIAFARMANET, 2012).

1.33 Coenzima Q-10


A coenzima Q-10 apresenta uma poderosa ação antioxidante. É uma substância
química natural, produzida pelo organismo, mas tem sua produção reduzida após os
30 anos de idade, quando o nutriente torna-se essencial. É encontrada também por
meios dietéticos (na carne de vaca, sardinha, espinafre e no amendoim).
A CoQ10 é um nutriente ou agente terapêutico perfeito, devido à sua baixa toxici‑
dade e por não provocar perturbações maiores no metabolismo da CoQ10 endógena.

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Apresenta efeitos extraordinários sobre o resultado do tratamento de uma série de


graves condições mórbidas.
Além disso, é um componente essencial da cadeia respiratória da mitocôndria,
que na célula desempenha um importante papel na produção de ATP, principal fonte
de energia celular. Pode ser considerada um nutriente de grande valia para pacientes
com grave insuficiência, ajudando-os em seu estado geral. A CoQ10 é necessária
para o uso eficiente de oxigênio, controle do fluxo de oxigênio intracelular, diminui‑
ção da hipóxia e do impacto da isquemia sobre o coração em condições de aporte
insuficiente de oxigênio.
Também desempenha um papel antioxidante inespecífico na célula e pode dimi‑
nuir o dano potencial de radicais livres resultantes da peroxidação de ácidos graxos
insaturados na célula. Tais propriedades biológicas se refletem em ganhos nutricionais
e benefícios para as condições gerais de saúde.
A CoQ10 possui propriedades antienvelhecimento por possuir capacidade de
melhorar o estado de energia das células e aumentar a eficiência da utilização do
oxigênio (VIAFARMANET, 2012).

1.34 Colágeno hidrolisado


O colágeno é um dos tipos de fibras que fazem parte do tecido conjuntivo.
Na realidade, é a proteína estrutural extracelular mais importante no tecido
conjuntivo e dos ossos. As fibras de colágeno são sintetizadas pelos fibroblastos e
auxiliam na formação de uma continuidade estrutural para manter unido um grupo de
células no processo de formação dos vários tecidos. O colágeno por si só é de difícil
absorção no trato gastrintestinal, resistindo algumas vezes até ao ataque químico.
Portanto, a utilização do colágeno hidrolisado pó fornece ao organismo proteínas
precursoras das fibras elásticas, com a absorção de aminoácidos adequados para a
sua formação. É de origem animal (pele bovina).
Indicado para prevenção de estrias, fortalecimento dos vasos sanguíneos, evitando
a formação de varizes, além de atua como protetor capilar e antiflacidez.

Quadro 5.3  Informações nutricionais

Proteína Mínimo 90g


Gordura Traços
Gordura total saturada Traços
Gordura total insaturada Traços
Carboidratos Traços
Conteúdo calórico 357Kcal
Total de fibras dietéticas Traços
Umidade Máximo 8g
Cálcio Máximo 200mg

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Ferro Máximo 3mg


Sódio Máximo 200mg
* Informação nutricional para quantidade de 100g do produto.

Fonte: Viafarmanet ( 2012).

1.35 D-Pantenol
O D-Pantenol é um álcool biologicamente ativo, análogo do ácido pantotênico,
do grupo das vitaminas do complexo B, que está normalmente presente na pele e
no cabelo.
Na pele e em produtos “skin care”, o D-Pantenol tem a capacidade de conferir
ação não irritante, não sensibilizante, umectante e condicionadora. Sua propriedade
umectante é rápida e de ação profunda, não apresentando aspecto gorduroso ou
pegajoso, geralmente associado ao óleo mineral e ésteres graxos. A pró-vitamina
B5 estimula a proliferação celular e auxilia na reparação de tecidos lesados, com
queimaduras, mesmo solares, dermatites, além de promover a queratinização normal
e cicatrização de feridas. Atua também como um “carregador” de várias matérias‑
-primas, como óleos e fragrâncias (às vezes turvam certos géis), devido à solubilidade
do D-Pantenol tanto em água como em óleo. Em géis aquosos ou hidroalcoólicos,
ajuda a controlar a viscosidade destes, permitindo um melhor espalhamento na pele.
Nos cabelos e em produtos “hair care”, o D-Pantenol atua especialmente como
condicionador, auxiliando na retenção de umidade, espessamento e intumescimento
dos fios, evitando a formação de pontas bipartidas e conferindo facilidade de penteado­.
Testes mostram que o D-Pantenol tem a propriedade de reparar danos causados
por tinturas, permanentes e outros agentes, sem deixar um filme pesado sobre os
cabelos, conferindo brilho e maciez.
D-Pantenol é aplicado na indústria farmacêutica e em quase todos os tipos de
preparações cosméticas, para o cuidado da pele, cabelos e unhas (VIAFARMANET,
2012).

1.36 Densiskin
Biopeptídeo derivado do ácido glutâmico por meio da ação “citokine-Like”, atua
como mensageiro para células cutâneas, estimulando a multiplicação celular e a
síntese de biomoléculas.
É um completo biológico com ação completa e intensiva, ou seja, ação sobre o
microrrelevo cutâneo e ação sobre os constituintes da matriz extracelular e junção
dermo-epidérmica.
Polipeptídeos de colágeno marinho/silanetriol (silício biologicamente ativo):
Ativo dermo-cosmético de última geração que associa polipetídeos marinhos li‑
gados ao metilsilanetriol em alta concentração. Possui uma ação imediata combinada
com uma ação profunda reestruturante.

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O Silanetriol em alta concentração, por ser um elemento natural da própria pele,


atua da seguinte maneira sobre as fibras de sustentação:
Protege a integridade das fibras de colágeno e elastina, preservando a elasti‑
cidade e flexibilidade dos tecidos.
Estimula a biossíntese de colágeno e elastina, reduzindo os danos causados
pelo envelhecimento.
Aumenta a densidade dos tecidos cutâneos e aumenta a biossíntese das glicos‑
minoglicanas.
Tem também ação anti‑inflamatória, atuando no processo da imunomodulação
cutânea, nos sitemas enzimáticos da matriz extracelular, que está envolvida na hi‑
dratação, inflamação e catabolismo do tecido sobre certas citoquinas que agem no
processo inflamatório.
Polissacarídeos de phyto‑plancton:
Promove ação “dermo‑suavizante” sobre o microrrelevo cutâneo. Possuem exce‑
lentes propriedades hidratantes, suavizantes e restauradoras, aumentando a síntese
de lipídeos epidérmicos e melhorando a função de barreira da pele.
Oligossacarídeos de fructose:
Possuem excelente capacidade de absorção hídrica e apresentam uma ação
suavizante e “dermo‑calmante” sobre a pele sensível, fragilizada e reativa, pois os
oligossacarídeos ajudam a controlar a irritação e atenuar a inflamação.
Promove visível efeito “Dermo Relax”‑ atenua as microtensões faciais e marcas de
expressão profundas, além de uma ação retexturizante sobre o microrrelevo cutâneo;
atua de dentro para fora reativando o metabolismo celular. Densiskin preenche rugas
e linhas de expressão por meio da bioadesão; age na matriz Extracelular, aumentando
a densidade da pele com resultados rápidos e satisfatório.
É utilizado em emulsões, cremes, loções, géis e sérum, em formulações dermo‑
‑cosméticas e dermo‑farmacêuticas, anti‑idade e produtos tensores para a área dos
olhos (BIOTEC, 2012).

1.37 Epiderfill
Inspirado em métodos de cirurgia plástica, foi proposto um método não invasivo
de preenchimento de rugas, por meio de um novo e revolucionário sistema de pre‑
enchimento cutâneo.
O Epiderfill é um produto de origem biotecnológica que se baseia em ácido hia‑
lurônico desidratado e microencapsulado, perfeitamente aceito pelo tecido cutâneo,
que penetra na pele e se reidrata, como se fosse uma esponja, suavizando o relevo
cutâneo, preenchendo rugas e linhas de expressão após 1 hora.
Ao serem aplicadas sobre a pele, as moléculas de epiderfill facilmente se alo‑
cam nas depressões da epiderme, onde são progressivamente reidratadas pela água
transepidermal. O aumento do volume das moléculas de epiderfill promove uma
ação física que altera a superfície cutânea, preenchendo as depressões existentes.
Epiderfill efetivamente elimina as rugas por até 6 horas após uma única aplicação.

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É indicado para uso na forma cremes, loções anti-idade, maquiagem corretiva,


preenchimento de rugas perilabiais e rejuvenescimento facial de modo geral.
A esfoliação prévia da pele pode melhorar a performance dos produtos com
epiderfill (VIAFARMANET, 2012).

1.38 Extrato fluido de própolis


A própolis é uma resina vegetal que as abelhas coletam de certas plantas, prin‑
cipalmente das coníferas ou de espécies onde o produto é encontrado na casca,
em forma resinosa; em outras, a própolis é achada nas gemas prestes a florescer, a
exemplo do que acontece no pessegueiro, na ameixeira etc.
Suas propriedades: anestésica, cicatrizante, epitelizante, antibacteriano, anti‑
micótico, antiparasitário, anti-inflamatório, antioxidante, antialérgico, hipotensor,
hemostático, vasoprotetor, termoestabilizador.
A própolis auxilia no tratamento de tumores malígnos, bronquites (tuberculoses),
eczemas agudas e crônicas, feridas diversas, purulentas e também calosidades, in‑
fecções micóticas dos pés, principalmente dos dedos, afecções micóticas na pele,
inflamação da garganta, inflamação dos brônquios, da laringe e da mucosa nasal,
na cura de aftas e de gengivites.
Seu uso externo é excelente para queimaduras, feridas, micoses, verrugas, pica‑
das de insetos, dor de dente e em cosméticos que busquem efeito anti-inflamatório
(BIOTEC, 2012).

1.39 Extrato glicólico de castanha-da-índia


Possui propriedades adstringentes, vasoconstritoras e venotônicas periféricas (de
grande valor no tratamento de varizes). Auxilia na drenagem dos edemas. Tem ação
anti-inflamatória, antiexudativa e antiedematosa.
Usado como descongestionante no tratamento de celulite e das varizes venosas
dos membros inferiores.
Contém: saponinas triterpenoides, principalmente escina, flavonoides e taninos.
É indicada como fitocosmético de uso oral, para queda de cabelo e fortalecimento
dos cabelos fracos (VIAFARMANET, 2012).

1.40 Extrato glicólico de centela asiática


Os constituintes da fração triterpênica da centela atuam normalizando a produção
de colágeno ao nível dos fibroblastos, promovendo o restabelecimento de uma trama
colágena normal e flexível e consequente “desencarceramento” das células adiposas,
permitindo a liberação da gordura localizada graças à possibilidade de penetração
das enzimas lipolíticas. Promove a normalização das trocas metabólicas entre a
corrente sanguínea e os adipócitos. Esta função é ainda auxiliada pela melhora da
circulação venosa de retorno e pela diminuição da fragilidade capilar, que combate
os processos degenerativos do tecido venoso.

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Também controla a fixação da prolina e da alanina, elementos fundamentais


na formação do colágeno. Sua ação sobre os edemas de origem venosa orientam o
tratamento das celulites localizadas.
Apresenta certa ação anti-inflamatória. O asiaticosídeo tem ação antibiótica e
age como cicatrizante de feridas na pele e sobre fibrose de várias origens.
Indicada para o tratamento da celulite e da gordura localizada (VIAFARMANET,
2012).

1.41 Extrato oleoso de calêndula


O extrato oleoso de calêndula é obtido por meio da extração, com reciclo, de
uma suspensão das flores da calêndula, sendo o processo composto por maceração
sob condições controladas e posterior percolação. O óleo obtido é filtrado e purifi‑
cado, tendo por fim a adição de agente antioxidante (B.H.T). O veículo utilizado é
o óleo de Zea mays L.
O extrato oleoso de calêndula é rico em terpenos, flavonoides e carotenoides.
O ácido oleanoico possui ação calmante e refrescante para peles sensíveis, aver‑
melhadas e delicadas. Favorece a regeneração de tecidos danificados, além de exercer
atividade antisséptica. As mucilagens agem como restauradoras da pele em casos de
difícil cicatrização, e os flavonoides reforçam a ação cicatrizante.
Quando aplicada sobre a pele, na forma de loção, a calêndula diminui a oleosi‑
dade e aumenta a tonicidade, auxiliando no tratamento da acne.
O extrato oleoso de calêndula tem ação emoliente, calmante, refrescante, suavi‑
zante, anti-inflamatória, cicatrizante, analgésica, antialérgica e antisséptica.
Pode ser usado em casos de inflamações da pele, membrana e mucosa, queimadu‑
ras suaves, queimaduras de sol, escaras, avermelhamento de peles sensíveis e delicadas,
tratamento de feridas purulentas de difícil cicatrização, na prevenção de assaduras de
crianças, abscessos e impetigo. Auxilia na proteção contra radiação UVA-B.
O extrato oleoso de calêndula é indicado em casos de fissura do mamilo devido
à amamentação, não sendo prejudicial ao lactante.
Pode ser utilizado localmente como reepitalizante e cicatrizante, devido à sua
atividade no metabolismo das glucoproteínas, nucleoproteínas e também na forma‑
ção do colágeno.
O alto teor de ácidos graxos insaturados promove absorção cutânea rápida e
completa.
Solúvel em óleos e gorduras, é facilmente incorporado em loções cremosas, cre‑
mes e óleo para massagem do corpo e do rosto, produtos para pele áspera, rachadas,
cansadas, cremes para as mãos, bronzeadores, produtos pós-sol, produtos pós-barba
e pós-depilação, sabonetes, produtos infantis e outros (VIAFARMANET, 2012).

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130  cosmetologia

1.42 Camomila
Extraído da folha de camomila, esse extrato é rico em sesquiterpenos, como o
alfa-bisabolol, flavonoides e camazuleno.
O princípio responsável pela coloração do extrato oleoso de camomila é a api‑
genina, flavonoide que se complexa com sais metálicos naturais (Ca, Al). Estes com‑
plexos, em condições ideais de pH e forças iônicas, fixam-se às fibras queratínicas,
revestindo-as sem penetrar no núcleo destas.
As mucilagens retêm água, levando a uma ação emoliente e protetora de peles
secas e delicadas pela formação de uma fina película sobre a pele.
Indicado como preventivo de rachaduras de peles sensíveis e secas, e para cla‑
reamento dos cabelos.
O extrato oleoso de camomila tem ações emoliente, descongestionante, refres‑
cante, calmante, suavizante, anti-inflamatória, cicatrizante, vulnerária, antisséptica,
normalizadora e purificadora da pele.
Pode ser usada em casos de inflamações da pele, queimaduras suaves, queimadu‑
ras de sol, escaras, eczemas, dermatite e afecções da pele, avermelhamento de peles
sensíveis e delicadas, na prevenção de assaduras de crianças e das rachaduras de
peles sensíveis e secas. O alto teor de ácidos graxos insaturados promove absorção
cutânea rápida e completa. Solúvel em óleos e gorduras, é facilmente incorporado
em loções cremosas, cremes e óleos para massagem, cremes e loções cremosas para
o tratamento e cuidados do corpo, produtos para peles ásperas, rachadas, cansadas,
bronzeadores, produtos pós-sol, produtos pós-barba e pós-depilação, sabonetes,
produtos infantis e outros.
Deve ser usada com cautela por gestantes, pois há indicações de que possua ação
emenagoga. Alguns autores citam que se deve ter muito cuidado ao usar o infuso,
evitando o contato com os olhos (BIOTEC, 2012).

1.43 Fango thalasso thermal


A história dos usos terapêuticos dos fangos ou lamas é muito antiga e possui
várias vertentes com resultados benéficos, especialmente em usos externos para fins
dermatológicos e estéticos. Seus conceitos científicos estão no termalismo (medicina
hidrológica que faz usos de recursos naturais terapêuticos das estâncias) e thalasso‑
terapia (relacionada aos elementos marinhos), que, apesar de antigos, são cada vez
mais utilizados atualmente.
O fango thalasso thermal é um cosmético em pó, com 18 ingredientes 100% natu‑
rais especialmente selecionados de acordo com seus evidentes benefícios para a pele.
Suas aplicações são simples, principalmente para máscaras cosméticas e estéticas
faciais, corporais ou capilares, além das massagens, banhos de imersão ou ducha,
e adição aos produtos de higiene pessoal do dia a dia (xampus, sabonetes líquidos,
cremes esfoliantes etc.) (VIAFARMANET, 2012).

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Composição:
Minerais: sal mineral, carvão mineral e sílica.
Argilominerais: bentonita, montmorillonita e caolinita.
Algas Marinhas: Fucus Vesiculosos, Laminaria digitata, gracilaria.
Confervoides, hypnea musciformis, gelidiella acerosa e sargassum filipendula.
Plânctons: spirulina maxima e chrorella pyrenoidosa.
Fitoativos: aloe bardadensis e zizyphus joazeiro.
Bactérias na forma purificada: xanthomonas campestris.
O fango facilita a penetração de ativos na pele (cerca de quatro vezes mais que
a água), e tem ação hidratante, nutriente, queratolítica, emoliente, adstringente,
cicatrizante, limpeza, refrescante, além de ser usado no tratamento de queimaduras
solares, fungicida, bactericida, limpando todos os tipos de pele (remove impurezas
e maquiagens, e restabelece o equilíbrio bacteriológico), no tratamento de derma‑
toses (acne, manchas etc.) e promove a elasticidade. Evita e suaviza rugas, flacidez
e marcas de expressão, muito utilizado para tonificar as fibras elásticas e colágenas,
revigorando e rejuvenescendo as células. Para o corpo é indicado para melhorar a
resistência do tecido eliminando rugas. Previne e evita flacidez e estrias dando mais
saúde, sedosidade e maciez à pele. Ação profunda, descongestionando os vasos
atingidos e combatendo a celulite. Para peles cansadas e envelhecidas. Restitui a
umidade natural e recompõe as fibras elásticas, protegendo a pele de agressões de
agentes ambientais. Indicado para alergias, assaduras, irritações, hemorroidas, herpes,
infecções nas unhas e micoses. Para os pés é indicado para rachaduras de micoses,
calos, unheiras, frieiras, suores, odores fortes e pé de atleta. Alivia os desgastes do
dia e relaxa os pés.
O fango thalasso thermal é indicado como esfoliante natural (não risca a pele),
facilita trocas com ativos, controla a oleosidade, hidrata a pele, proporciona elasti‑
cidade, tensão, clareamento, tonificação, nutrição e remineralização.
Aplicações dermocosméticas:
Fangoterapia, SPAs, formulações para oleosidade excessiva e acne,
formulações auxiliares para o tratamento das dermatites e desor‑
dens da pele, formulações cosméticas para tratamento de celulite e
gordura localizada, formulações dermocosméticas para tratamento
de envelhecimento cutâneo (VIAFARMANET, 2012).

1.44 Fator antilipêmico


O fator antilipêmico apresenta‑se na forma líquida, de cor amarela pálida a in‑
color, com odor característico. É composto por L‑carnitina e cafeína.
A L‑carnitina é um ativo derivado de aminoácido, uma molécula pequena o
suficiente para penetrar na hipoderme, produzida naturalmente pelo corpo humano
como responsável pela quebra das moléculas de gordura que formam a celulite. É
um fator essencial na oxidação dos ácidos graxos, estimula a liberação destes ácidos

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132  cosmetologia

transportados pelas lipoproteínas e auxilia na extração dos lipídeos contidos nos teci‑
dos adiposos, facilitando sua entrada na matriz mitocondrial onde sofrerá oxidação.
A conversão dessa gordura em energia estimula a produção de colágeno e elastina,
além de contribuir para amenizar as ondas e irregularidades presentes na camada
superficial da pele.
A cafeína é um estimulante da microcirculação dos tecidos, descongestiona e
remove o acúmulo de toxinas que formam a celulite.
O fator antilipêmico é indicado para formulações aplicadas na redução de me‑
didas e da celulite (VIAFARMANET, 2012).

1.45 Fibra de laranja pó


Nome Popular: laranja amarga.
É uma árvore grande e armada de muitos espinhos, de 8-10 metros de altura;
suas folhas são elípticas, agudas, com pecíolos alados; as flores são pequenas, aro‑
máticas e de cor branca ou rosa. Diferencia-se da laranjeira comum por apresentar
mais espinhos e seu fruto ter a casca mais grossa e rugosa; sua superfície externa é
de cor variável do pardo-avermelhado ou pardo-amarelado ao pardo-esverdeado,
grosseiramente reticulada e pontoada por numerosos nódulos secretores obliterados;
sua superfície interna é branco-amarelada e mais ou menos esponjosa. Seu cheiro
é forte, aromático, particular, e seu sabor aromático e amargo. O mesocarpo deve
existir na droga na quantidade mais diminuta possível. É de origem euro-asiática,
sendo largamente cultivada no Brasil. Prefere solos arenosos ou sílico-argilosos e não
resiste às geadas. Existem exemplares silvestres e cultivados, em algumas ocasiões,
são utilizados como enxerto para a laranja doce.
A casca do fruto da laranja amarga é indicada na inapetência, nas dispepsias
hiposecretoras, nos espasmos gastrointestinais, nas disquinesias hepatobiliares, nas
coleocistites, na diarreia, na síndrome do cólon irritável, nas varizes, nas hemorroidas
e nos edemas. Os flavonoides possuem propriedades vitamínicas P, aumentando o
tônus das paredes das veias, reduzindo a permeabilidade e aumentando a resistência
capilar. Os princípios amargos atuam como tônico, aperitivo, eupéptico e cologogo.
A pectina apresenta propriedades demulcentes e hipocolesterolemiantes. A vitamina
C tem propriedade antiescorbútica e antioxidante. Por seu sabor amargo e seu odor
aromático, a casca da laranja amarga é muito utilizada como corretor organoléptico,
para mascarar o sabor e odor de outras drogas (VIAFARMANET, 2012).

1.46 Fruit acid – AHA


O fruit acid – AHA é um mix de alfa-hidroxiácido (cítrico, glicólico e lático) em
solução aquosa.
Os alfa-hidroxiácidos são substâncias bioquimicamente elementares, já estudados
em profundidade em todos os aspectos e usados em grande quantidade em numerosos
produtos industriais.

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cosmetologia atual 133

O ácido glicólico é o mais simples e corresponde ao 2 — ácido hidroxitanoico


de dois átomos de carbono.
O ácido lático tem três átomos de carbono hidroxiácido e corresponde ao 2
— hidroxipropanoico.
O ácido cítrico tem seis átomos de carbono e chama‑se 3 — hidroxi ‑ 1, 3,
5 — pentanotrioico.

Quadro 5.4 Descrição

Porcentagens dos ácidos


Ácidos Estrutura química
no fruit acid – AHA
Ácido glicólico COOH–CH2 OH 2%
Ácido lático COOH–CH(OH)–CH 3 5%
Ácido cítrico COOH–C(OH)–COOH–CH2–COOH 4%

Fonte: Viafarmanet (2012).

A ação emoliente e refrescante do ácido lático sobre a pele é conhecida há algum


tempo e é bastante documentada. Em concentrações mais altas, o ácido lático tem
sido usado por sua ação queratolítica, removendo o excesso de queratina, efetivo
nos tratamentos de peles grossas, contra verrugas e calosidades.
O ácido cítrico tem propriedades adstringente e clareadora, com grande aplicação
no campo cosmético, e é especialmente usado para produtos de limpeza.
O ácido glicólico vem sendo usado para peeling facial, e mais recentemente como
esfoliante suave para a renovação celular.
As combinações dos alfa‑hidróxiácidos em concentrações médias promoverão a
renovação celular, redução das linhas da face (expressão), maciez, toque sedoso e sau‑
dável aparência da pele. Estes benefícios são consequência da leve ação queratolítica
dos AHA, que removem com facilidade as células mortas da superfície da epiderme.
O fruit acid – AHA também estimula o uso da proteína pela célula da epiderme,
dando um rápido rejuvenescimento dela. Esta ação traduz um aumento de novas
células, que deixam a pele mais jovem, fresca e saudável.
O fruit acid – AHA é especialmente recomendado em produtos para melhorar a
espessura da pele, que necessitam de tratamento de limpeza, tornando‑a mais clara,
luminosa, sem causar nenhum tipo de irritação (VIAFARMANET, 2012).

1.47 Gelatina
A gelatina é uma proteína pura obtida da hidrólise parcial do colágeno, funda‑
mental para o nosso organismo. É natural, fabricada a partir de bases provenientes
de peles, ossos e tecidos conectivos de animais.

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Ao sofrer absorção, a gelatina fornece aminoácidos essenciais para a manutenção


e fortalecimento dos ossos, cabelos e unhas.
Apresenta padrões internacionais reconhecidos e aprovados para aplicações nas
indústrias alimentícias e farmacêuticas.
A gelatina é um ingrediente multifuncional. É um agente gelificante, aerante,
estabilizante, emulsificante, aglutinante, clarificante, formadora de películas.
Apresenta alto teor proteico, fácil digestão, ausência de colesterol, gordura e açúcar.
Composição da gelatina:
84 ‑ 87% de proteínas
1 ‑ 2 % de sais
8 ‑ 15 % de agua
Indicação em alimentos: confeitos, produtos lácteos, produtos cárneos e outros.
Indicação em fármacos: cápsulas moles, cápsulas duras e comprimidos (VIAFAR‑
MANET, 2012).

1.48 Ginkgo biloba


Caracteriza‑se por ser uma árvore com propriedades medicinais.
O extrato pó deve apresentar no mínimo: 24% de ginkgoflavonoides; 5,4 a 12,0
% de ginkgoterpenoides.
As principais ações terapêuticas desta espécie estão centradas em três aspectos:
atividade circulatória, atividade antiagregante e atividade antioxidante.
Os flavonoides atuam como elementos depuradores dos radicais livres, enquanto
que os terpenos (em especial o ginkgolídeo B) inibem o PAF (fator de agregação pla‑
quetária). Tanto o PAF como os radicais livres têm a capacidade de poder desgastar
as membranas vasculares, determinando assim um aumento da permeabilidade delas
e conseguinte alteração do fluxo cerebral, do metabolismo neuronal e da atividade
dos neurotransmissores.
Benefícios do ginkgo biloba Pó:
Aumento do desempenho da memória e ca‑
pacidade de aprendizado.
Para saber mais Melhoria na compensação de distúrbios do
equilíbrio.
Procure pesquisar quais são os prin-
Melhoria do fluxo sanguíneo, particularmente
cípios ativos e formulações mais
na região da microcirculação.
utilizadas para a celulite.
Melhoria das propriedades reológicas do
sangue.
Inativação de radicais livres tóxicos.
Antagonismo do fator de ativação plaquetário/PAF.
Aumento da tolerância à hipóxia, particularmente no tecido cerebral.
Inibição do desenvolvimento de edema cerebral induzido por trauma ou toxicidade,
além de melhorar o processo de regressão do edema (VIAFARMANET, 2012).

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cosmetologia atual 135

1.49 Ginseng coreano


Originário da região da China, Manchúria e Coreia do Norte, o ginseng é uma
das plantas mais conhecidas pelos povos orientais, sendo utilizada na China há mais
de 3.000 anos como uma planta estimulante, reconstituinte, geradora de vitalidade,
conhecido como elixir da longa vida. Sua designação vulgar deriva do chinês renshen,
que quer dizer “homem‑raiz”, devido à forma de sua raiz delgada.
É uma planta herbácea caracterizada por ter um crescimento lento e uma altura
de 30‑70cm, com pequenas e numerosas flores com uma ou duas sementes por fruto.
Possui folhas em forma de palma, de raiz fusiforme ou cilíndrica, dividida ordinaria‑
mente em dois ramos, amarelado no exterior, branco ou amarelo no interior; cheiro
aromático, sabor amargo, acre e ao mesmo tempo açucarado, medindo cerca de
5‑12cm e chegando a 1m quando é arrancada com a idade de 10 anos.
As raízes secas, das quais a periderme é retirada, são chamadas de “ginseng‑
‑branco”, enquanto que o “ginseng‑vermelho” é obtido por meio da exposição das
raízes ao vapor de água, com posterior secagem, sem a retirada da periderme. Esse
procedimento altera a cor para o marrom‑avermelhado.
As raízes do ginseng têm sido consideradas desde meados da década de 1960
como uma planta adaptógena. Este conceito implica que seus componentes ativos
não estão destinados a combater uma doença específica, mas dirigidos a aumentar ou
potencializar a capacidade de defesa de um organismo frente a agressores externos
ou de ordem físico ou mental.
O ginseng coreano pó atua como estimulante do sistema nervoso central, regulari‑
zando ou aumentando as funções cerebrais. Tem ação protetora contra agentes físicos
e biológicos, desempenhando atividade imunitária. No sistema circulatório tem um
efeito hipotensor. Atua nos estados de hiperglicemia, potencializando os efeitos da
insulina. Diminui os níveis séricos e hepáticos do colesterol em casos de hipercoles‑
terolemia. Estimula o córtex da suprarrenal, aumentando a concentração urinária de
corticoides, tendo uma ação anti‑inflamatória. Aumenta a taxa de hemoglobina e o
número de glóbulos vermelhos. Age como antídoto em casos de intoxicação com álcool
e barbitúricos. A alantoína tem reconhecida ação cicatrizante e regeneradora celular.
Os principais componentes ativos da raiz do ginseng são vitaminas, sais minerais,
saponinas e aminoácidos.
Uso fitoterápico: Em casos de envelhecimento precoce, deve ser empregado junto
com vitaminas e sais minerais; auxiliar no tratamento de diabetes senil, arteriosclerose
e depressão e indicado nos casos de estresse.
Estimulante do sistema nervoso central.
Tônico pulmonar e cardíaco.
Estimulante do apetite.
Febrífugo.
Regulador da pressão sanguínea.
Redutor da taxa de colesterol.
Atividade afrodisíaca e levemente analgésica.
Cicatrizante.

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136 cosmetologia

Regenerador celular.
Estimulante da circulação sanguínea (VIAFARMANET, 2012).

1.50 Gluconolactona
A gluconolactona é uma delta‑lactona do ácido glutâmico obtido pela oxidação
da glicose do milho. Um poli‑hidroxiácido com alto poder hidratante, mais suave
que os alfa‑hidroxiácidos (AHAs), podendo ser usada em regiões sensíveis, como a
área dos olhos e dos lábios.
Encontrada naturalmente na pele, pois participa da via metabólica do açúcar
em nível celular. Possui quatro grupos hidroxila na forma de lactona e cinco grupos
hidroxila na forma ácida, penetrando mais lentamente na pele, reduzindo a irritação.
Devido à presença das hidroxilas, apresenta propriedades umectante por atrair e
fixar água. Possui ação antioxidante por manter a integridade dos produtos, e ativi‑
dade anti‑inflamatória por reduzir as lesões inflamadas.
Efeitos da gluconolactona:
Melhora a textura da pele e os sinais do fotoenvelhecimento.
Reduz as linhas finas da secura e prurido.
Reduz eritema, inflamação e irritação da pele com rosácea.
Não induz à fotosensibilização da pele.
Não é irritante e reforça a função de barreira da pele.
Foi bem tolerada e eficaz no tratamento dos sinais do fotoenvelhecimento em
diferentes grupos étnicos.
Indicada para o tratamento da acne, fotoenvelhecimento, rosácea, dermatite sebor‑
reica e dermatite atópica. Indicado para formulações despigmentantes, formulações
pré e pós‑solar, revitalizantes e hidratantes (VIAFARMANET, 2012).

1.51 Guaraná
Arbusto trepador ou subereto, originário da Amazônia brasileira, venezuelana e
guiana, o guaraná possui uma casca muito escura; folhas compostas, alternas, grandes,
recortadas e com gravinhas; flores brancas e pequenas, em forma de cacho como as
da videira. Das sementes é feita a droga vegetal; a semente é globulosa ou elipsoide,
de 6 a 8mm de diâmtero, seu cheiro é pouco perceptível e seu sabor fracamente
adstringente e amargo, lembrando o cacau.
O Guaraná contém como ativos: xantinas (cafeína, traços de teobromina, teofilina
e guranina); saponinas; colina; resina; traços e óleo essencial; mucilagens; taninos
catéquicos; catequina; além de flavonoides (catecol e epicatecol); e sais minerais
(cálcio, ferro, fósforo, magnésio e potássio).
As xantinas presentes no guaraná são estimulantes do sistema nervoso central,
na qual dentre elas, a cafeína é a de ação mais potente. Em nível cortical, doses te‑

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rapêuticas de 150 - 300mg de cafeína produzem um estímulo das funções psíquicas,


promovendo um estado de alerta ao indivíduo, melhorando a associação das ideias
e das atividades intelectuais, aumentando a resistência ao cansaço e a sensação de
bem-estar.
Doses mais altas podem responder aos efeitos dos barbitúricos. Em nível bulbar, a
cafeína estimula os centros localizados no bulbo, especialmente o centro respiratório.
O guaraná é indicado na astenia, na depressão nervosa, favorece a atividade in‑
telectual, dispepsias, flatulências, fermentações anormais e diarreia, e na prevenção
da arterioesclerose, tromboembolismo e cefaleias.
Recomenda-se não associar a outras drogas com xantinas (café e erva-mate, por
exemplo), pois o efeito estimulante pode ser potencializado. É recomendado também
o uso descontínuo da droga (VIAFARMANET, 2012).

1.52 Gymnema silvestre


Trata-se de uma planta trepadeira que habita a Índia central e o sul da Índia, onde
tem como nome popular “gur-mar”, que significa “destruidor de açúcar”, denomina‑
ção esta atribuída à atividade que exerce sobre a glicose.
A gymnema apresenta ação adstringente, estomáquica, tônica e refrescante. A
sua principal aplicação está centrada na sua propriedade de suprimir o gosto de
açúcar, utilizada no caso de diabetes melitus. Sabe-se que ao se mastigar a folha, é
amortizada a vontade pelo gosto doce, bem como o amargor de substâncias amargas.
Este efeito redutor é esperado que dure uma ou duas horas, não interferindo na
sensação de outros sabores como o salgado, o ácido e o adstringente (VIAFARMA‑
NET, 2012).
As folhas apresentam uma atividade diurética e laxante moderada, devido à pre‑
sença de flavonoides e antraquinonas. Em um teste de carragenina em ratos, o extrato
aquoso das folhas de gimena demonstrou propriedades anti-inflamatórias. Experimen‑
talmente, o extrato aquoso em doses altas demonstrou não afetar a mucosa gástrica.
Por ser natural, este extrato de gymnema silvestre não apresenta efeitos colaterais
tóxicos, como os resultantes do uso de drogas anorexígenas, ou hipoglicemiantes
orais. (VIAFARMANET, 2012).

1.53 Haloxyl
É um ativo usado no tratamento reestruturante e despigmentante dos tecidos co‑
nectivos frágeis do contorno dos olhos. Seu efeito anti-inflamatório contribui para a
redução da vasodilatação e da permeabilidade dos vasos capilares.
O N-hydroxysuccinimide age formando um complexo com o ferro, facilitando a
eliminação dele. A crisina auxilia a eliminação da bilirubina, um derivado do con‑
torno dos olhos (VIAFARMANET, 2012).

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138  cosmetologia

1.54 Hidroquinona
Agente despigmentante tópico, empregado
para clarear áreas hiperpigmentadas da pele, em
Para saber mais manifestações como cloasmas, melasmas etc.
A hidroquinona não apresenta uma ação ime‑
Olheiras é um distúrbio da microcir- diata e sua ação é temporária. Ela atua na bios‑
culação, associada à pigmentação síntese da melanina por inibição enzimática da
da região abaixo da pálpebra e oxi- oxidação da tirosina a 3,4 dihidroxifenilalanina
dação por radicais livres. Existem (precursora da melanina e supressora de outros
vários ativos que tratam as olheiras processos metabólicos dos melanócitos), provoca
com eficácia, sendo um delse o também mudanças estruturais nas membranas das
haloxil. É claro que uma formulação organelas dos melanócitos, acelerando a degra‑
completa deve conter ativos des- dação dos melanossomas. O tratamento deve ser
congestionantes, despigmentantes, limitado a pequenas áreas do corpo, sendo que,
antioxidantes e clareadores da pele. devido à sua ação temporária, é necessário que
se repita a aplicação em intervalos frequentes.
Seu efeito clareador geralmente aparece após
um mês de uso e o tratamento não deve ultrapassar três meses. A despigmentação é
reversível se o tratamento for interrompido.
Para obter um melhor resultado no clareamento pode-se associar a hidroquinona
com outras substâncias esfoliantes químicas.
A hidroquinona é um produto que, por ser derivado da substância fenol, possui
efeito tóxico ao organismo e à pele. Por este motivo, ela deve ser usada em concen‑
trações menores. Caso seja utilizada em concentrações maiores, possui efeito irritativo
para a pele, podendo provocar dermatites e eritemas, além de descamações, deixando
a pele sensível e vermelha. Neste caso ela deve ser suspensa. Nunca deve ser aplicada
nas pálpebras, sobre áreas machucadas ou irritadas. (VIAFARMANET, 2012).

1.55 Idebenona
A idebenona apresenta uma estrutura química similar à coenzima Q-10 (antioxi‑
dante), mas com um peso molecular 60% menor, o que ajuda na melhor penetração
da molécula quando comparada à coenzima Q-10.
A Co Q-10 é um componente antioxidante importante das membranas lipídicas
que cercam todas as células.
Participa da importante cadeia de transporte de elétrons (ETC) dentro da mito‑
côndria. Sem esses poderosos antioxidantes, o organismo entra em fins depressivos.
A idebenona é a melhor molécula antioxidante pesquisada com uma segurança
por mais de 20 anos. É mais potente que o tocoferol, quinetina, ubiquinona, ácido
ascórbico e ácido lipoico, no controle de estresse oxidativo.
A idebenona é um antioxidante celular utilizada para o tratamento do envelhe‑
cimento, melhorando as rugas, a textura da pele e sua hidratação.

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Uso tópico: anti-idade.


Uso interno: redutora do dano celular mediado por radicais livres, como enve‑
lhecimento cerebral normal e patológico, demência senil tipo Alzheimer, doenças
cerebrovasculares crônicas, sequela de enfarte cerebral e hemorragia cerebral (VIA‑
FARMANET, 2012).

1.56 Hidrovital
Composição química: lactato de sódio, polietilenoglicol, glicerol, ácido lático,
sulfato de condroitina, sulfato de keratan, propilenoglicol, carbamida, dextrose,
sacarose, frutose, lactose, hidroxiprolina, ácido aspártico, treonina, serina, ácido
glutâmico, prolina, glicina, alanina, valina, metionina, isoleucina, leucina, tirosina,
fenilalanina, histidina, lisina, arginina, cloreto de sódio, fenoxietanol, parabenos e
cloreto de potássio.
A cosmetologia moderna, por meio de observações científicas dos mecanismos
naturais de hidratação, comprova que a administração tópica de um complexo de
substâncias que tenham identidade com o fluido fisiológico pode restaurar a umidade
natural, devolvendo à pele suas características e beleza inerentes.
O hidrovital é um complexo de materiais, composto por substâncias moderada‑
mente higroscópicas, que possui uma capacidade de retenção de umidade próxima
ao do “Fator Hidratante Natural”. Seus componentes têm constituição química
semelhante aos encontrados nos FHN, tais como: aminoácidos, monossacarídeos,
dissacarídeos, glicosaminoglicanas, dois agentes umectantes, carbamida e um fator
hiperêmico. Veiculado em meio hidrofílico estabilizado, resulta em um fluido de
características ótimas para a aplicação cutânea. Seu aspecto é de um líquido prati‑
camente incolor a amarelo-claro, e com odor suave e característico.
Devido à sua afinidade com a pele, possui sensação táctil agradável e ótimo es‑
palhamento. Quando aplicado puro sobre a cútis, promove ligeira rubefação.
Agente de hidratação natural a ser aplicado em cremes, emulsões hidratantes,
máscaras faciais, loções revitalizantes, géis regenerantes e outras formulações que
necessitem de um hidratante excepcional (VIAFARMANET, 2012).

1.57 L-carnitina
A carnitina, uma amina quaternária (3-hidroxi-4-N-trimetilamino-butirato), é
sintetizada no organismo (fígado, rins e cérebro) a partir de dois aminoácidos es‑
senciais: lisina e metionina, exigindo para sua síntese a presença de ferro, ácido
ascórbico, niacina e vitamina B6. Tem função fundamental na geração de energia
pela célula, pois age nas reações transferidoras de ácidos graxos livres do citosol
para mitocôndrias, facilitando sua oxidação e geração de adenosina trifosfato. A
concentração orgânica de carnitina é resultado de processos metabólicos — como
ingestão, biossíntese, transporte dentro e fora dos tecidos e excreção — que, quando
alterados em função de diversas doenças, levam a um estado carencial de carnitina
com prejuízos relacionados ao metabolismo de lipídeos.

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É absolutamente necessária para a utilização normal da gordura e do metabolismo


energético.
A suplementação de L-carnitina pode aumentar o fluxo sanguíneo aos músculos
devido também ao seu efeito vasodilatador e antioxidante, reduzindo algumas com‑
plicações de doenças isquêmicas, como a doença arterial coronariana e as conse‑
quências da neuropatia diabética.
Durante atividade esportiva, a carnitina é utilizada principalmente para a melhora
da performance física e redução da massa gorda. Isso porque a carnitina participa
do controle de entrada de ácidos graxos de cadeia longa na mitocôndria para ser
oxidado. Se isso se confirmar, a oxidação de ácidos graxos será aumentada durante
a atividade física, o que estimula os mecanismos de conservação do glicogênio mus‑
cular, retardando a fadiga. Porém, não há estudos conclusivos.
Ela normalmente é associada a outros ativos, como a cafeína.
No uso cosmético, a L-carnitina é um poderoso antioxidante natural, rico em
flavonoides do tipo polifenóis que inibem o estresse oxidativo. Apresenta molécula
ativa com tamanho suficiente para penetrar na hipoderme (local onde a celulite é
formada). Além dessas propriedades, a L-carnitina estimula a produção de colágeno
e elastina, além de contribuir para amenizar as ondas e irregularidades presentes na
camada superficial da pele, eliminando a gordura localizada com base na estimulação
da circulação sanguínea (VIAFARMANET, 2012).

1.58 Linefactor
É um extrato aquoso da semente do Hibiscus abelmoschus.
O linefactor é um novo agente antienvelhecimento desenvolvido pela BASF‑
-França, divisão Beauty Care Solutions, que atua mantendo os níveis do FGF-2
(Fibroblast Growth Factor-2) por mimetizar a proteção natural promovida por certas
proteoglicanas da matriz extracelular. Protegendo o FGF-2 de sua deterioração natural,
o linefactor mantém a bioviabilidade desse fator de crescimento.

1.58.1 A
 gentes de Crescimento como um Novo Alvo
Antienvelhecimento.
Recentemente, os fatores de crescimento emergiram como um novo alvo na
estratégia antienvelhecimento. Os com maior destaque até agora foram o TGF-ß
(Transforming Growth Factor-ß), que atua na reestruturação dérmica por meio da
multiplicação do colágeno e das células, e o EGF (Epidermal Growth Factor), que
atua na regeneração epidérmica. Em ambos os casos, os caminhos metabólicos são
a estimulação da síntese e a ativação de fatores endógenos.

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cosmetologia atual 141

1.59 FGF-2 como um novo alvo entre os fatores de


crescimento
O FGF‑ß ou FGF‑2 apresenta função nos processos de cura, estímulo da multipli‑
cação celular e síntese de colágeno e de glicosaminoglicanas. Um problema dessa
substância é sua alta susceptibilidade à proteólise, sendo rapidamente degradado,
inclusive em temperatura fisiológica.
Entretanto, estudos demonstraram que glicosaminoglicanas (GAGs), em particu‑
lar o sulfato de heparan, estabilizam a conformação ativa do FGF‑2, aumentando a
interação específica entre ele e seus receptores.
Outro problema é que no curso do envelhecimento a pele está sujeita a diversas
modificações fisiológicas, fazendo com que a síntese de certas GAGs diminua e,
desse modo, o FGF‑2 fique exposto à degradação. É exatamente nesse momento que
o linefactor age mimetizando a função das GAGs, protegendo o FGF‑2, permitindo
assim que todas as suas funções sejam executadas.
O linefactor é muito efetivo em:
Corrigir a perda da elasticidade.
Melhorar a textura cutânea.
Reduzir rugas (BIOTEC, 2012).

1.60 Linha zymo


Enzimocosméticos: ativos biotecnológicos do futuro.
A Linha zymo (zymo line) é uma linha de ativos cosméticos completamente inova‑
dora que usa enzimas de origem biotecnológica. As enzimas formam um complexo com
maltodextrinas, oligossacarídeos lineares que apresentam as mesmas vantagens das ciclo‑
dextrinas, mas não microencapsulam os ativos, ligam‑se a eles através do grupo –OH(2).
As enzimas são proteínas especificamente envolvidas nas reações bioquímicas
em todos os organismos. São consideradas elementos essenciais em todas as fun‑
ções biológicas.
Em produtos cosméticos, as enzimas são utilizadas com várias finalidades: no
peeling biológico não irritante, para combater os radicais livres, no tratamento da
celulite, na penetração dos ativos, entre outros.
Os ativos da linha zymo foram desenvolvidos com a mais alta tecnologia e padrões
de qualidade pelo laboratório italiano Istituto Ricerche Applicate, em Milão. Todos os
produtos da linha são compostos por complexo enzimático com maltodextrinas de
alta estabilidade e biodisponibilidade. As maltodextrinas proporcionam estabilidade
frente à oxidação e temperatura e promovem propriedades hidratantes.
Por apresentar alta estabilidade, não requer o uso de agentes específicos, carac‑
terizando assim produtos seguros e não irritantes.
Outra particularidade importante é a liberação prolongada das enzimas, o que
proporciona redução de possíveis irritações.

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142 cosmetologia

Quadro 5.5 Principais produtos da linha zymo

Produto Componentes enzimáticos Uso cosmético


Zymo cell Lipase + hialuronidase Anticelulite
Controle da oleosidade
Zymo clear Lipase + protease
cutânea
Zymo lift Protease Tratamento anti‑idade.
Zymo wrinkle Fosfatase alcalina Tratamento anti‑idade.
Limpeza extrassuave do
Zymo hair Lipase + protease +amilase
couro cabeludo

Fonte: Biotec (2012).

1.61 Lipossoma de vitamina A+E


Lipossomas são vesículas compostas de várias camadas (bicamadas) de fosfolipí‑
dios de origem vegetal, separadas por meio aquoso. O diâmetro das camadas destas
vesículas é variável, sendo inferior a 50 mícrons.
Nas vesículas ficam as substâncias solúveis em água (colágeno, elastina etc.), e as
substâncias lipossolúveis estão na bicamada fosfolípidica (vitamina A, vitamina E etc.).
O uso de lipossomas produz uma melhoria evidente da pele, que pode ser vista
no início do tratamento, aumentando a tonicidade e a elasticidade, dando à pele
maciez e suavidade.
Lipossoma A+E é uma solução aquosa concentrada de lipossomas (preparados com
lecitina de soja hidrolisada) contendo vitamina A (palmitato) e vitamina E (acetato),
com alta capacidade de penetração, além de uma grande capacidade de retenção
de umidade na pele.
A vitamina A tem ação reguladora da produção de queratina, ou seja, na renova‑
ção celular é estimulante para a formação de fibras de sustentação (colágeno). Estas
ações tornam a pele mais macia e suave.
A vitamina E tem ação antioxidante e retarda a peroxidação lipídica, protegendo
as lipoproteínas das membranas celulares, além de proteger a vitamina A.
A associação dessas duas vitaminas leva a uma ação no antienvelhecimento.
Lipossomas são transportadores de água e agentes hidratantes por meio de dois
mecanismos:
Transferência de água transportada para as células.
Impedindo ou dificultando a perda de água pela transpiração. (Sem causar
hipersecreção sebácea, como outros agentes molhantes).
No caso dos lipossomas complexos, que além das características anteriores, con‑
tém ingredientes ativos (na parede dos lipossomas ou nas vesículas), proporcionam
nutrição, estimulação celular etc.

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O lipossoma A+E exerce influência no estrato córneo. A umidade eficaz conduz a


um aumento da epiderme, espessura, aumento da replicação celular e normalização
do líquido intersticial. Observa‑se este efeito claramente em áreas da pele fina (pe‑
riocular e perioral), onde ocorre o desaparecimento e a redução de rugas superficiais.
Indicado para o tratamento antienvelhecimento para todos os tipos de pele. Usado
em emulsões cremosas do tipo O/A ou A/O, leites, protetores solares, loções pós‑sol,
sistemas oil‑free, géis e para produtos capilares (VIAFARMANET, 2012).

1.62 Manteiga de karitê


A karitê (Butyrospermum parkii), originária da África, é famosa pela manteiga
extraída de seus frutos.
A manteiga de karitê é composta por uma mistura de ácidos graxos e por uma
fração insaponificável composta por tocoferóis, triterpenos, esteroides e hidrocarbone‑
tos. Possui várias propriedades que a tornam um princípio ativo bastante interessante
para uso cosmético.
A manteiga de karitê é rica em ácido cinâmico que atua como um filtro solar
natural, auxiliando na proteção da pele e dos cabelos contra a radiação UV (pode ser
usada para potencializar o efeito de outros filtros). E por conter uma boa quantidade
de tocoferóis, possui ação antioxidante.
É um excelente emoliente, e tal como as gorduras vegetais, ela exerce uma ação
protetora sobre a pele e os cabelos, prevenindo contra o ressecamento. Além dessas
propriedades, ela melhora o aspecto e a consistência das emulsões e proporciona
um toque aveludado e uma agradável sensação de emoliência à pele.
Composição de ácidos graxos:
Ácido palmítico ‑ 3,0 ‑ 6,0%
Ácido esteárico ‑ 36,0 ‑ 44,0%
Ácido oleico ‑ 44,0 ‑ 50,0%
Ácido linoleico ‑ 4,0 ‑ 8,0%
A manteiga de karitê é indicada quando se deseja maior elasticidade e regeneração
dos tecidos epidérmicos, usada em produtos infantis, para os olhos, anti‑idade, para
peles secas e sensíveis, além de produtos solares, labiais, xampus e condicionadores
para cabelos secos e sem brilho (VIAFARMANET, 2012).

1.63 Microesferas de polietileno


Pó de poliamida de diferentes tamanhos de partícula para esfoliação/limpeza
(por ação de esfregar).
As microesferas de polietileno, à base do material plástico poliamida, aumentam
e melhoram as propriedades abrasivas de preparados cosméticos de limpeza, como
cremes para esfoliação e limpeza (por ação de esfregar), loções etc.

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144 cosmetologia

Produz o mesmo efeito, quer na forma de sabonete líquido, quer sob diferentes
formas dos mais variados produtos de limpeza. As microesferas de polietileno são
muito compatíveis com a pele, não contêm aditivos e estão totalmente isentas de
metais pesados.
A baixa densidade previne a formação de depósitos de partículas individuais.
As microesferas de polietileno apresentam uma alta estabilidade do ponto de vista
químico. São insolúveis em água e apresentam uma boa estabilidade na presença
de bases e sais.
São usadas em cremes e géis para limpeza da pele e em sabonetes cremosos
(VIAFARMANET, 2012).

1.64 Matrixil
É um pentapeptídeo composto por lisina, treonina e serina. É um microcolágeno,
que estimula a síntese de glicosaminoglicanas e ácido hialurônico. É mais estável
que a vitamina C pura e, portanto, possui propriedades de renovação celular mais
efetivas que a vitamina C. É eficaz nos tratamentos antienvelhecimento e ideal para
produtos aplicáveis na região do contorno dos olhos e para tratamento de pele ma‑
dura (BIOTEC, 2012).

1.65 Óleo de abacate


Óleo vegetal refinado, com maior estabilidade e funcionalidade, ideal para apli‑
cações cosméticas. O abacate é prensado e, em seguida, refinado a partir da polpa
de frutos de abacate.
O óleo de abacate é rico em vitaminas A, D e C, e um pouco de B. O abacateiro
é rico em lipídios, aminoácidos e substâncias antibióticas.
Apresenta propriedades balsâmicas especiais para o tratamento de queimaduras.
Trata‑se de um emoliente, calmante e suavizante da pele.
Concentração de ácidos graxos:
Ácido linolênico (ômega 3) ‑ Máx. 3%
Ácido linoleico (ômega 6) ‑ 10 ‑ 25%
Ácido oleico (ômega 9) ‑ 55 ‑ 75%
Ácido araquidônico ‑ Máx. 2%
Indicado o uso em produtos para amaciar os cabelos, cremes de massa, óleos
para massagens musculares, cremes hidratantes e nutritivos para o rosto e corpo, e
óleos para banho (VIAFARMANET, 2012).

1.66 Óleo de amêndoas


É um óleo fixo retirado das sementes da amendoeira. Utiliza‑se as próprias amên‑
doas para se extrair o óleo. Elas são moídas e reduzidas a uma massa e prensada. A
quantidade de óleo encontrada nas sementes varia de 50 a 60% nas amêndoas doces.

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O óleo de amêndoas é rico em proteínas e glicídios, vitamina B1, B2, PP, B5, B6,
pró‑vitamina A e substâncias minerais. Trata‑se de um emoliente nutritivo, hidratante,
protetor dos tecidos, incentivador da flexibilidade e elasticidade da pele.
Em cosméticos é usado para peles secas, amaciando‑as e tonificando‑as. Na der‑
matologia, o óleo de amêndoas acalma os pruridos e acelera a cura de dermatoses
e queimaduras superficiais.
No óleo de amêndoas são identificados os seguintes ácidos graxos:
Oleico ‑ 75 ‑ 80%
Linoleico ‑ 10 ‑ 17%
Palmítico ‑ 5 ‑ 8%
Mirístico ‑ 1%
Suas indicações:
Pode ser usado como excelente emoliente para loções.
Cremes para o corpo e rosto.
Óleos de banho para o corpo.
Cremes hidratantes para o cabelo.
Prevenção de estrias gravídicas.
Condicionadores.
Produtos para sol (bronzeadores, protetores solares e pós‑sol) (VIAFARMANET,
2012).

1.67 Óleo de citronela


A citronela é uma planta aromática que ficou bem conhecida por fornecer
matéria‑prima (óleo essencial) para a fabricação de repelentes contra mosquitos e
borrachudos. É rico em geraniol e citronelal.
Há quem pergunte se apenas cultivando a citronela no jardim é possível usufruir
do poder repelente da planta. A resposta é sim, mas com uma ressalva: para que
o resultado seja positivo, é preciso plantar a citronela no caminho percorrido pelo
vento, de forma que este leve o aroma até o local de onde desejamos manter os
mosquitos afastados.
A origem da citronela é do Brasil e da américa Central, e o seu óleo é produzido
no Sri Lanka, Indonésia, Java, China, Taiwan, Argentina, Brasil e Índia.
O método de obtenção da citronela é a destilação a vapor das folhas do capim.
E o seu rendimento é de 100 a 150kg de folhas para render litro de óleo essencial.
Alguns esclarecimentos:
Ainda é muito comum a confusão entre a citronela e o capim‑limão (Cymbopogon
citratus) — o motivo é que as duas plantas pertencem ao mesmo gênero. Embora a
aparência seja realmente muito próxima, dá para diferenciá‑las pelo aroma: o capim‑
‑limão apresenta um cheiro mais suave, que lembra o limão, enquanto o aroma da
citronela é bem intenso.

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146 cosmetologia

Sob o mesmo nome de “citronela” são conhecidas diversas plantas, inclusive


plantas de famílias diferentes. Isto justifica a confusão existente na literatura em
relação aos nomes dos referidos óleos essenciais.
Por exemplo: A citronela Cymbopogon nardus Rendl tem uma variedade que se
chama Flexuosus Hack, cujo óleo essencial é denominado Lemongrass das Índias.
As propriedades medicinais da citronela são:
ação carminativa;
febrífuga;
sudorífera;
fungicida;
bactericida.
Sua ação psicológica está ligada a sua sensação refrescante e estimulante.
O óleo de citronela é indicado em quadro de doenças infecciosas, gripe, dor de
cabeça, sinusite e cansaço.
É muito utilizado pela indústria de sabão, desodorantes, inseticidas e produtos
sanitários, e pouco usado em perfumaria.
Também é indicado para velas, géis e loções repelente de insetos, assim como
para aromatização ambiental, sprays para desinfetar lixeiras, para retirar cheiros
remanescentes de cigarro, em compressas e como difusor (VIAFARMANET, 2012).

1.68 Óleo de coco


O óleo de coco tem sido usado no Pacífico durante séculos como uma parte im‑
portante da dieta diária, e recentes pesquisas confirmam as crenças tradicionais de
que o coqueiro é a “Árvore da Vida” e que o coco e o óleo de coco virgem têm um
papel importante a desempenhar em uma dieta equilibrada, nutritiva.
O óleo de coco extravirgem é um óleo delicioso e saudável para nutrição e cuida‑
dos com o corpo, e de excelente qualidade. É 100% natural e cultivado organicamente
(Certificado Orgânico sob USDA e Austrália Certified Organic), obtido da plantação
tropical em Fiji, extraído a frio da carne de coco fresco sem produtos químicos ou
aditivos (como agrotóxicos, transgênicos e hexano), é usado durante o tratamento e
não é derivado de copra (coco seco).
Apresenta um alto valor de ácido láurico, não é refinado, desodorizado ou bran‑
queados. Tem um gosto de coco natural rico e aroma marcante, e é livre de colesterol.
Propriedades:
Não eleva o colesterol sanguíneo total.
Aumenta o colesterol HDL no sangue.
Não eleva o colesterol LDL / HDL (colesterol rácio).
Diminui os triglicerídeos séricos.
Outro fato incrível sobre o óleo de coco extravirgem orgânico é que, apesar de
ser uma gordura, ele realmente promove a perda de peso. Devido a sua composição

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saudável de ácidos graxos de cadeia média, estes não circulam no sangue como outras
gorduras, mas são enviados diretamente para o fígado, onde eles são convertidos em
energia, como carboidratos. Assim, o corpo utiliza a gordura para produzir energia,
ao invés de ser armazenada como gordura corporal.
Análise de ácidos graxos no óleo de coco extravirgem:
Ácido láurico ‑ 50,0%
Ácido mirístico ‑ 19,9%
Ácido palmítico ‑ 9,8%
Ácido caprílico ‑ 6,8%
Ácido oleico ‑ 6,4%
Ácido cáprico ‑ 6,0%
Ácido esteárico ‑ 3,4%
Ácido linoleico ‑ 1,3%
Ácido caproico ‑ 0,4%
Indicações:
Óleo de coco extravirgem comestível:
Excelente suplemento alimentar, ajuda a atenuar doenças da tireoide, obesidade,
má digestão e aumenta a imunidade. O óleo de coco extravirgem é desintoxicante,
antifúngico e antibacteriano.
Óleo de coco extravirgem para uso tópico:
Emoliente para pele seca e eficaz na cura de erupções na pele do bebê ou qual‑
quer erupção vermelha causada por irritação ou tempo seco (VIAFARMANET, 2012)

1.69 Óleo de girassol


O girassol, do grego Hélios, para sol, e Anthus, para flor, é a mais pura tradução
de uma flor que gira procurando o sol a todo instante. É uma planta que alcança até
3 metros de altura e com espécies de flores de várias tonalidades de cores. Originário
da América, entre o México e o Peru, atualmente os principais produtores mundiais
são a Rússia, Argentina, Estados Unidos e China.
O óleo de girassol é extraído das sementes do girassol, submetido ao processo de
refino e desodorização. O óleo vegetal é uma fonte natural de ácidos graxos essen‑
ciais, uma combinação de monoinsaturados e gorduras poli‑insaturadas com baixos
níveis de gordura saturada. Também é rico em vitaminas A, C, D e E. O alto conteúdo
de vitamina E torna este óleo especialmente útil para a pele delicada e seca. Tem um
nível mínimo de cor e é um óleo vegetal e inodoro.
O óleo de girassol apresenta ação emoliente e re‑epitelizante. É rico em ácidos
graxos poli‑insaturados, fundamentais para a renovação das células de nossos tecidos,
os quais nosso organismo não dispõe de condições para sua biossíntese endógena e,
portanto, necessitam ser supridas por fonte externa.

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148 cosmetologia

Composição de ácidos graxos:


Ácidos graxos %
Ácido oleico (ômega 9) ‑ 13 ‑ 40
Ácido linoleico (ômega 6) ‑ 48 ‑ 74
Ácido linolênico (ômega 3) ‑ < 0,3
O óleo de girassol tem aplicações em diversas finalidades na indústria farmacêu‑
tica, cosmética e veterinária.
É um excelente emoliente. Tem ação hidratante, nutritiva e propriedades de
condicionamento, sendo facilmente absorvido. É recomendado para formulações
destinadas ao tratamento seco, desgastado, envelhecido de peles danificadas. Pode
ser usado em produtos anidro (VIAFARMANET, 2012).

1.70 Óleo de prímula


Esta planta era usada na América do Norte como alimento, e da raiz, folhas, flo‑
res e caules os índios curandeiros faziam infusões e extratos emolientes, sedativos
(tosse), estimulante da circulação sanguínea, nutriente capilar e para curar feridas.
O óleo de prímula é amarelo pálido claro, com paladar e olfato típico. Refinado
e desodorizado, extraído das sementes por prensagem a frio.
O óleo de prímula possui alto índice de ácido linoleico (ômega 6) e contém o tão
importante ácido gama‑linolênico (GLA). Oferece ao organismo elementos construti‑
vos essenciais, contribuindo para seu bom funcionamento e bem‑estar, especialmente
na velhice ou no envelhecimento prematuro provocado por certas enfermidades.
Sendo rico em ácido linoleico, o óleo de prímula é muito importante na formação
da membrana lipídica, aumentando a penetração na pele e a restauração da função
de barreira de água na epiderme, além de combater a hipertensão, o excesso de
colesterol ruim e de glicose.
O ácido gama‑linolénico (GLA) reduz a perda de água por meio da pele e aumenta
a tolerância à exposição dos raios ultravioleta, além de produzir prostaglandinas
(PGE1), benéficas para a tensão pré‑menstrual, doenças benignas no seio, regulação
do nível de colesterol sanguíneo, agregação plaquetária, regulação da pressão san‑
guínea, obesidade e doença atópica.
Concentração de ácidos graxos:
Ácido palmítico C16:0 ‑ 5 ‑ 7%
Ácido esteárico C18:0 ‑ 1 ‑ 3%
Ácido oleico C18:1 ‑ 6 ‑ 10%
Ácido linoleico C18:2 ‑ 68 ‑ 76%
Ácido gama Linolênico C18:3 ‑ 10% mínimo
O uso do óleo de prímula é bastante amplo nas áreas cosmética, farmacêutica
e na saúde.

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C o s m e t o l o g i a a t u a l   149

Atua normalizando e rejuvenescendo peles sensíveis e delicadas. É indicado


para tratamento de eczemas, psoríase, escleroses, hiperqueratoses e envelheci‑
mento cutâneo.
Auxilia no combate à anorexia e no tratamento de artrite reumática. Outras in‑
dicações do óleo de prímula incluem casos de cirrose descompensada, neuropatias
diabéticas, tensão pré-menstrual (TPM) e esquizofrenia (coadjuvante). (VIAFARMA‑
NET, 2012)

1.71 Óleo de rosa-mosqueta


O óleo de rosa-mosqueta é obtido da Rossa aff. Rubiginosa, que é encontrada nos
Estados Unidos, Peru, Argentina e também na Europa. É originária do Medirretâneo e
é uma planta composta de ácidos graxos insaturados (oleico, linoleico e linolênico),
carotenoides, flavonoides e vitamina C.
O óleo de rosa-mosqueta possui ação secante e cicatrizante da pele, além de
melhorar as rugas e as manchas dela. A vitamina C é encontrada em seu fruto e a
polpa contém grande quantidade de pigmentos amarelos, tais como carotenoides,
flavonoides e xantofilas.
Alguns estudos observaram a presença de ácidos transretinoicos, mais conhecidos
como vitamina A ácida ou tretinoina, cuja fórmula é C20H28O2.
A aplicação tópica do ácido transretinoico produz profundas modificações no pro‑
cesso de queratinização. Seu maior emprego tem sido no tratamento da pele envelhecida.
O óleo de rosa-mosqueta acentua o poder regenerador de tecidos; tratamento de
queimaduras; cicatrização de suturas; redução de cicatrizes antigas (hipertróficas,
hipercrômicas e retráteis); queloides; ulcerações; assaduras; ictiose e psoríase.
É utilizado para atenuar rugas e linhas de expressão; hidratar a pele; prevenir o
envelhecimento precoce e o desenvolvimento de estrias da gravidez. Seu uso é feito
com o óleo puro, aplicando-se poucas gotas sobre a região tratada, com massagem
circular até sua total absorção (2 a 3 minutos) (VIAFARMANET, 2012).

1.72 Óleos essenciais


Os óleos essenciais são substâncias orgânicas, puras, voláteis e extremamente
potentes. Considerados a “alma” de uma planta, são os principais componentes bio‑
químicos de ação terapêutica das plantas aromáticas e medicinais.
Presentes em várias partes das plantas (folhas, flores, madeiras, ramos, galhos,
frutos, rizomas), são compostos formados por várias de substâncias químicas, como
álcoois, aldeídos, ésteres, fenóis e hidrocarbonetos, havendo sempre a prevalência
de uma ou duas delas, que assim irão caracterizar os aromas. São obtidos pelos pro‑
cessos de destilação a vapor, extração por solvente ou por pressão.
Nem todos os óleos essenciais possuem aroma agradável ao olfato, apesar de suas
propriedades terapêuticas. Portanto, costuma-se utilizar a técnica da sinergia, a que
consiste em misturar até no máximo quatro óleos essenciais para se obter um aroma
diferenciado e pessoal, mantendo ou até potencializando a ação terapêutica desejada.

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150  cosmetologia

Os óleos essenciais são procedentes das mais variadas partes do mundo e seu
preço é sempre elevado e individual quando comparado à grande maioria das es‑
sências comercializadas no mercado — que, ao contrário dos óleos essenciais, são
produzidas sinteticamente em laboratório —, possuindo em geral um cheiro agradável,
mas destituídas de qualquer propriedade terapêutica.

Quadro 5.6  Propriedades dos óleos essenciais

Óleo essencial Medicina Emocional Dermatológico


Alecrim Dores de cabeça (A) Cansaço mental (A-B) Acne (O)
Dores musculares (B-M) Tônico (A-B-M) Caspa (O)
Artrite (B-M) Estimulante (A-B-M) Queda de cabelo (O)
Bergamota Digestivo (C-M) Ansiedade (A-B) Acne (O)
Cólicas (C) Fornecimento de con‑ Seborreia (O)
Expectorante (A-I) fiança (A)
Reanimador (A-B)
Camomila Dores musculares (C-M) Ataques temperamen‑ Acne (O)
Queimaduras (C-T) tais (A-B-I) Hipersensibilidade
Menstruação irregular Impulsividade (A-B-M) (O-T)
(C-M) Calmante (A-B-M) Antisséptico (O)
Aparelho digestivo (C-M) TPM (A-B-M) Clareador de cabe‑
Gripe (A-I) los (O)
Sudorífero (M-O)
Canela Antisséptico (A) Estimulante mental Piolhos (O)
Artrite/reumatismo (C-M) (A- B-M)
Tônico cardíaco (A) Antidepressivo (A-B-M)
Circulação (M) Estimulante (A-B-M)
Debilidade geral (M-B)
Citronela Problemas digestivos (C-M) Calmante (A-B-M) Fortalecimento dos
Higienizador de ambientes Confiança interior (A) cabelos (O)
(A) Repelente de insetos
Bactericida (A) (A-O)
Cravo Antisséptico (A) Estimulante mental (A) Verrugas (T)
Estimulante (A) Fortalecimento da me‑ Micoses (T)
Dores musculares (E) mória (A)
Articulações (B-C-M) Limpeza e proteção (A)
Resgate do bom humor
(A)
Gengibre Estomáquico (C-M) Confusão mental (A-B- Alívio da circulação
Redução de febre (B-C) M-I) (M)
Expectorante (A-B-I-M) Reconfortante (A-B-M) Celulite (M)
Memória fraca (A-I)
Gerânio Problemas renais (B-M) Depressão (A-B-M) Inflamações cutâ‑
Distúrbios hormonais Medos (A-B-M) neas (O)
(B-C-M) Ansiedade (A-B-M) Pele oleosa (O)
Obesidade (M) Tonificante (O)
TPM/celulite (B-C-M)

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cosmetologia atual 151

Grapefruit Antisséptico (A‑O‑T) Depressão (A‑B‑M) Celulite (B‑T‑M)


Estimulante do apetite (A) Menopausa (A‑B‑M) Tonificante (O‑T)
Diurético (A) Cansaço mental (A‑B)
Laranja doce Impotência (A‑B‑M) Estimulante (A‑B‑M) Descongestionante
Higienizador de ambientes linfático (B‑T‑M)
(A) Manchas na pele
(O‑T)
Estimulante capilar
(O)
Lavanda Cicatrizante (T) TPM (A‑B‑M) Eczema (O‑T)
Queimaduras (T) Insônia (A‑B‑M) Regenerador celular
Leucorreia (A‑B‑M) Estados nervosos (A‑B) (O‑T)
Acne (O‑T)
Lemongrass Enxaqueca (C) Dificuldade de concen‑ Celulite (B‑C)
Relaxante (B‑I‑M) tração (A)
Ressaca (A‑I) Esgotamento mental
(A‑B)
Negativismo (A)
Patchouli Impotência (B‑M) Afrodisíaco (B‑M) Pele envelhecida
Cicatrizante (T) Estimulante (B‑M) (M‑O)
Ressaca (A‑I) Ansiedade (A‑I) Eczema (O‑T)
Ylang ylang Hipertensão (B‑M) TPM (A‑B‑M) Pele oleosa (O)
Frigidez (A‑B‑M) Raiva / medo (A‑I) Suavizador da pele
Impotência (A‑B‑M) Insônia (A‑B‑M) (O)
Crescimento dos
cabelos (O)

Fonte: Viafarmanet (2012).

As letras indicam o modo mais eficiente de utilização:


A — Aromatizador (+ ou – 9 gotas).
B — Banhos (20 gotas após encher a banheira, dissolvidas em uma colher de
chá com óleo vegetal).
C — Compressa (5 a 10 gotas em ½ litro de água).
I — Inalação (2 gotas em um lenço ou inalador com água).
M — Massagem (de 50 a 75 gotas em 100ml de óleo vegetal.
O — Óleo para o rosto, cabelos, corpo (5 gotas em uma colher de sopa de óleo
vegetal).
T — Uso tópico (diluir 5 gotas do óleo essencial em 1 colher de sopa de óleo de
calêndula.
BA — Banho de assento (10 gotas em 2 litros d’água).
Os óleos essenciais fazem parte do nosso dia a dia, são matérias‑primas da in‑
dústria cosmética, farmacêutica e alimentícia. Muito utilizados na aromaterapia, seus
aromas despertam sensações, conectam com informações do inconsciente, acessam
arquivos energéticos armazenados nos corpos sutis e resgatam a nossa própria es‑

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152  cosmetologia

sência. Também são acrescentados em cremes de massagem, em banhos de imersão


e são usados até mesmo para perfumar ambientes (VIAFARMANET, 2012).

1.74 Oligomix
Associação de oligoelementos ligados ao aminoácido metionina, essencial ao
metabolismo celular. Estes micronutrientes são responsáveis por uma série de re‑
ações enzimáticas na pele. O zinco e o cobre possuem ação antirradicais livres e
cito-estimulantes, uma vez que o cobre é um mineral essencial para a formação de
colágeno. O magnésio e o manganês possuem ação antiestresse, antifadiga (ação sobre
o ATP) e propriedade anti-inflamatória bastante reconhecida (VIAFARMA, 2012, p. 1).
No cuidado capilar, os oligoelementos atuam como microagentes reparadores
(+), detectam de forma precisa as regiões danificadas e enfraquecidas (-), conferindo
força e resistência aos fios. O aminoácido metionina é essencial para a formação de
queratina. O zinco e o cobre atuam como agentes normalizadores do sistema capilar
e restauradores da estrutura interna dos fios, conferindo resistência e vitalidade aos
cabelos quimicamente tratados.
A fim de assegurar o transporte dos oligoelementos nos cosméticos, a exsymol
utilizou a acetilmetionina, solúvel em água e consequentemente ionizável.
A estrutura molecular original dos oligoelementos exsymol corresponde a um
quelífero, no qual o catalisador metálico, com número de oxidação II, está ligado a
duas moléculas de N-acetilmetionina.
A metionina é essencial para a produção de queratina e para o crescimento dos
cabelos, unhas e dentes; participa na contribuição do grupo Tiol SH, que é particu‑
larmente reativo e lábil; e na reação de oxidação-redução, por meio do transporte
de hidrogênio.
Nutricionalmente essencial, a metionina é um aminoácido sulfurado e, junto com
a L-cistina, é a principal fonte de enxofre orgânico para o organismo.
O grupo metila é utilizado para a metilação de vários compostos. L-metionina
condensa-se com ATP para formar a chamada “metionina ativa” (S-adenosil-L-me‑
tionina), o grupo metila que contribui para a síntense da colina, creatina, sarcosina
e adrenalina, ou para a desintoxicação de derivados de piridina e ácido nicotínico.
A demetilação de L-metionina forma S-adenosil-L-homocisteina.

1.74.1 Atividade biológica dos oligoelementos

1.74.1.1 Manganês
O manganês é fundamental para a síntese de proteínas de DNA e RNA. Tem es‑
treita relação com algumas atividades neuro-hormonais. Inibe a atividade da adenilato
ciclase, induzida pelo hormônio antidiurético. O Manganês interfere no fenômeno
de fosforilação oxidativa, ou seja, no metabolismo glicídico, pelo aumento da com‑

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cosmetologia atual 153

bustão. Além de sua ação no sistema enzimático, influencia o metabolismo de outros


oligoelementos, tais como ferro, cálcio e algumas vitaminas do grupo B.
A associação manganês‑cobalto é específica para os problemas funcionais rela‑
cionados com o envelhecimento. Combate a senescência por meio de várias ações:
neurovegetativa, circulatória e de eliminação (edemas, acne rosácea, distonia).
A associação manganês‑cobre é recomendada para o tratamento da acne e da
celulite.

1.74.1.2 Cobre
O íon cúprico catalisa a formação de pontes de disulfeto que participam do pro‑
cesso de queratinização.
Também catalisa a formação de colágeno, elastina e ácidos nucleicos. Catalisa
também a formação de melanina, pois faz parte da tirosinase, um complexo proteico.
Consequentemente, intervém na pigmentação da pele e dos cabelos.
O cobre é essencial no trabalho da tiroide. Catalisa reações anti‑inflamatórias.
Tem ação antisséptica e bacteriostática, que age também sobre o superóxido
dismutase e, consequentemente, favorece a neutralização dos radicais livres.

1.74.1.3 Magnésio
É especialmente indicado para as reações biológicas da derme, auxiliando na
transferência do íon sulfato do P.A.P.S. A ação do íon magnésio está ligada a do
cálcio e participa:
Na produção de proteínas específicas com código genético e contribuindo para
a estabilização da hélice dupla do DNA.
Na síntese e no uso de ligações de muita energia.

1.74.1.4 Zinco
O zinco é essencial para a formação de células sanguíneas e para a produção de
hormônios das glândulas endócrinas, especialmente as glândulas genitais e pituitárias.
É essencial também para a multiplicação celular e síntese de RNA e DNA. Regula a
atividade de várias enzimas da membrana, tais como adenosina trifosfotase e fosfolipase
A2, inibindo‑as. Isto ocorre porque o zinco interrompe algumas atividades dependentes
de energia da membrana plasmática e melhora a integridade da membrana celular.
O zinco possui uma ação protetora contra os radicais livres; ativa o superóxido
dismutase (S.O.D).
O zinco intervém no processo de defesa imunológica, ativando a enzima principal
do sistema imunitário, além de estimular o crescimento dos cabelos e dos dentes.
Na cosmetologia, é usado principalmente por sua ação antisseborreica. A hiperse‑
borreia está estreitamente relacionada com sensibilidade local de dihidrotestosterona,
a qual é derivada da testosterona pela ação da alfa reductase 5. O sebum excretado

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154 cosmetologia

está em contato com micro‑organismos, propiciando uma atividade pró‑inflamatória.


Esta ação regularizadora do zinco sobre a secreção sebácea foi provada tanto em
animais quanto em humanos.
Em humanos, a deficiência de zinco está sempre ligada a uma dermatite sebor‑
reica, que é totalmente reversível com um suplemento de zinco. A associação zinco
e cobre é bastante recomendada por sua ação bacteriostática e antisséptica, sendo
especialmente antiestreptococal. O cobre, por outro lado, atua sobre o superóxido
dismutase (SOD), favorecendo a redução de radicais livres (ION, 2011, p. 5).

1.75 Pumpkin enzyme


A pumpkin enzyme é considerado uma alternativa natural e suave aos alfa‑
‑hidroxiácidos, pois promove uma esfoliação enzimática suave, removendo células
mortas da superfície cutânea e estimulando, ao mesmo tempo, a renovação celular.
Quimicamente, o pumpkin enzyme é o extrato fermentado da abóbora Curcubita
pepo, obtido por meio da fermentação por Lactobacillus lactis.
A pumpkin enzyme promove a renovação celular tão rapidamente quanto o
ácido glicólico.
AHAs e enzimas tradicionais, como a papaína e a bromelina, irritam a pele. Por
outro lado, o pumpkin enzyme foi avaliado como agente não irritante e não sensibi‑
lizante, por meio da avaliação in vivo e in vitro, segundo teste realizado com tecido
ocular e o Human Repeat Insult Patch Test (HRIPT), um teste que avalia o grau de
irritação e dessensibilização cutânea.
É indicado como peeling muito superficial — esfoliante do estrato córneo.
Pumpkin Enzyme é indicado como coadjuvante no tratamento dos seguintes
problemas da pele:
Acne grau I e II.
Tratamento anti‑idade — redução de linhas de expressão suaves.
Clareamento da pele.
Renovação celular para peles sensíveis e frágeis, de uso diário.
Preparo da pele para realização do peelings químicos.
O produto se mantém estável em uma variação de pH de 3 a 12
(VIAFARMANET, 2012).

1.76 Resorcina
A resorcina (resorcinol) é um fármaco empregado em preparações tópicas, apre‑
sentando propriedades antissépticas, antifúngicas, antipruriginosas, esfoliativas e
queratolíticas.
A resorcina apresenta‑se como um pó cristalino ou cristais incolores de cor le‑
vemente rosácea, com odor característico.
É usada em cremes, pomadas e loções alcoólicas, geralmente associados a outros
princípios ativos, para o tratamento da acne, eczemas, hiperqueratose, psoríase e
seborreia do couro cabeludo.

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C o s m e t o l o g i a a t u a l   155

É contraindicada para gestantes e mulheres que estão amamentando, e para


herpes em atividade (VIAFARMANET, 2012).

1.77 Romã
A romã contém carboidratos, proteínas, sais minerais (fósforo, potássio, sódio,
cálcio e ferro), vitamina B1 (tiamina), vitamina B2 (riboflavina), vitamina B5 (niacina),
vitamina C (ácido ascórbico).
A casca da fruta possui um tanino hidrolisável, ácidos gálico e elágico, resina,
amido e cinzas.
A romã apresenta as seguintes propriedades: oxirredutora, cicatrizante, antiole‑
osidade, mineralizante, refrescante, adstringente e corante.
Indicada em formulações fotoprotetoras e bronzeadoras, em xampus e condicio‑
nadores tonalizantes, em géis e loções adstringentes e cicatrizantes (BIOTEC, 2012).

1.78 Rutina
A rutina é um bioflavonoide obtido de plantas, com aparência de pó fino ama‑
relo-esverdeado. Apresenta ação protetora do endotélio vascular, anti-inflamatória,
antiedematosa, antivaricosa e anticelulítica.
A rutina é utilizada para o tratamento de diversos estados que se caracterizam
por hemorragia e excessiva fragilidade capilar (prevenção de varizes e olheiras). Seu
mecanismo de ação se dá por meio da inibição da COMT (Catecol-Oxi-Metil-Trans‑
ferase), permitindo um aumento na duração da ação catecolaminérgica (aumento da
resistência vascular que se soma ao efeito inibitório sobre a elastase e hialuronidase),
o qual se conhece como efeito vitamínico P. A elastina e o ácido hialurônico são dois
dos componentes naturais do tecido conjuntivo, pelo que a inibição dessas enzimas
aumenta a resistência das paredes vasculares. Os flavonoides aumentam a absorção
de vitamina C e agem sinergisticamente na proteção das estruturas dos capilares,
portanto, os dois podem ser tomados juntos.
Rico em vitamina P, que combinado com a vitamina C tem ação benéfica sobre a
queda do colesterol LDL, age fortalecendo a estrutura da parede dos vasos sanguíneos.
Muito usada no tratamento da insuficiência vascular venosa, olheiras, dores e
edema dos membros inferiores (VIAFARMANET, 2012).

1.79 Syn coll


Syn coll é uma solução aquosa de glicerina sem conservantes à base de um pe‑
queno peptídeo. Estimula a síntese de colágeno em fibroblastos humanos.
É um peptídeo capaz de reduzir as rugas. Estimula a síntese de colágeno via ati‑
vação do TGF-beta; hidrata e firma a pele; é comprovadamente seguro e efetivo na
redução das rugas e linhas de expressões.

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Trombospondina I (TSP) é uma proteína multifuncional que ativa o latente, mas


é uma forma biologicamente inativa de TGF‑b (Fator de Crescimento do Tecido).
TGF‑b é conhecido como o elemento‑chave na síntese de colagénio e se liga a uma
determinada sequência na molécula TSP para ser ativado. O Syn coll da sequência
tem a capacidade de se ligar imitando a sequência e, portanto, também ativa TGF‑b.
Syn coll também protege o colágeno da degradação (BIOTEC, 2012).

1.80 Spirulina
A spirulina tem sido utilizada mundialmente na alimentação humana e animal,
assim como na obtenção de aditivos utilizados em formas farmacêuticas e alimentos.
Esta alga é uma fonte rica em proteínas, carboidratos, lipídios, minerais (Ca, Mg, Fe,
P, K e I), betacaroteno, vitamina E e vitaminas do complexo B. As propriedades nu‑
tricionais da spirulina têm sido relacionadas com possíveis atividades terapêuticas,
caracterizando‑a no âmbito dos alimentos funcionais e nutracêuticos.
A spirulina atua como supressor do apetite devido à presença relativamente alta
da fenilalanina, que atua sobre o centro do apetite. Quando ingerida com o estô‑
mago vazio, reveste suas paredes, produzindo uma sensação de plenitude gástrica e
saciedade. Desta forma, auxilia no tratamento da obesidade, propiciando um suave
emagrecimento sem perdas nutricionais.
Pela presença da vitamina B12, evita transtornos do sistema nervoso e anemias
provocadas por uma dieta vegetariana desbalanceada ou carencial.
A biotina e ferridoxina são substâncias que auxiliam na eliminação do CO2, im‑
pedindo a formação de ácido pirúvico e ácido lático originário da decomposição de
açúcares na ausência de oxigênio — situação muito comum durante exercícios físicos
prolongados, auxiliando na dieta do atleta e evitando câimbras e fadiga muscular.
Por seu alto teor proteico, se torna excelente complemento alimentar.
Composição química para cada 100g de spirulina:
Proteína ‑ 65 ‑ 80g
Carboidratos ‑ 15 ‑ 20g
Potássio ‑ 1400mg
Fósforo ‑ 700mg
Sódio ‑ 500mg
Cálcio ‑ 400mg
Magnésio ‑ 200mg
Ferro ‑ 50mg
Vitamina A ‑ 200mg
Vitamina B1 ‑ 4mg
Vitamina B2 ‑ 3,5mg
Vitamina B6 ‑ 0,7mg
Vitamina B12 ‑ 0,25mg

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Vitamina E mg
Inositol ‑ 100mg
Ácido pantotênico ‑ 0,8mg
É indicado como suplemento nutricional em regimes para obesidade, alcoolismo,
fadiga, carência de vitaminas e minerais, e durante a convalescença de processos
patológicos ou cirúrgicos (VIAFARMANET, 2012).

1.81 Vegelip
Vegelip é um mix de lipídios vegetais, um composto altamente emoliente e nu‑
tritivo, rico em ácido graxos essenciais, ômega 6 e ômega 9.
Foi desenvolvido para atuar no tratamento das peles doentes, secas e nas patolo‑
gias dermatológicas em que a pele apresenta distúrbios na quantidade e na qualidade
dos ácidos graxos de sua estrutura lipídica, com comprometimento da sua função
barreira cutânea e da capacidade regenerativa.
Vegelip é composto por lipídios do girassol, lipídios da rosa‑mosqueta, lipídios
da oliva, vitamina E e triglicérides dos ácidos cáprico e caprílico.
Possui alta penetração cutânea, incorporando‑se às estruturas cutâneas alteradas;
melhora a função barreira cutânea; melhora os sintomas da inflamação na dermatite
atópica e na psoríase; reduz a perda transepidermal de água (TEWL); melhora a es‑
pessura das placas psoriásicas; além de ser emoliente e cicatrizante.
Composição do Vegelip %
Ácido linoleico ‑ 30,5 ‑ 57%
Ácido oleico ‑ 11,5 ‑ 32,6%
Ácido linolênico ‑ 0,4%
Ácido palmítico ‑ 0,2%
Triglicérides dos ácidos cáprico e caprílico 20
É indicado nas dermatites atópicas, psoríase, estrias, celulites, escaras, peles se‑
cas com xerose, úlceras de decúbito e outras patologias que compreendem a secura
cutânea, ferimentos cutâneos, além de queimaduras (VIAFARMANET, 2012).

1.82 Vitamina A
A vitamina A existe na natureza sob várias formas. Os carotenos são precursores
desta vitamina e esta conversão se dá principalmente na mucosa do intestino delgado.
A maior quantidade de vitamina A fica armazenada no fígado, de 500 a 1.000 UI/g,
havendo menor quantidade no rim e no tecido adiposo.
Suas principais fontes são os vegetais amarelos e os verdes; os óleos de fígado de
bacalhau apresentam as maiores concentrações conhecidas de vitamina A.
A vitamina A é essencial para o crescimento, desenvolvimento e manutenção do
tecido epitelial e das membranas mucosas, e nos mecanismos da visão. Sua deficiên‑

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158 cosmetologia

cia é mais frequente em crianças e jovens, e quando prolongada, manifesta‑se pela


xeroftalmia e cegueira noturna.
A vitamina A é essencial para o desenvolvimento da pele, bem como para as unhas
e cabelo. Estimula a renovação celular, ajuda a promover a síntese de colágeno (fibra
de sustentação da pele) e tem ação moderada na produção de queratina.
É muito eficiente na prevenção e no tratamento do fotoenvelhecimento porque
aumenta a elasticidade e tonicidade dos tecidos cutâneos, além de prevenir a formação
de linhas de expressão e estimular a formação do colágeno e da elastina. Ajuda tam‑
bém a proteger a pele contra agressões exteriores (estresse, poluição, intempéries etc.).
Na cosmiatria, a vitamina A geralmente é associada às vitaminas D e E, para
pessoas com a pele seca, sujeitas a intempéries ou expostas ao uso constante de
detergente.
Também é uma vitamina utilizada no tratamento da queratinização excessiva e,
como inibe também a formação de comedões, melhora os casos de acne.
Destaques da vitamina A:
Normaliza a queratinização e aumenta a elasticidade da pele.
Reduz o espessamento da epiderme.
Normaliza a pele ressecada.
Reverte o fotoenvelhecimento e trata rugas finas.
Reduz a escamação e normaliza o couro cabeludo.
Fortifica alimentos (VIAFARMANET, 2012).

1.83 Vitamina C
A vitamina C, também conhecida como ácido ascórbico, é uma das 13 principais
vitaminas que fazem parte de um grupo de substâncias químicas complexas necessá‑
rias para o funcionamento adequado do organismo. É uma vitamina hidrossolúveis,
o que significa que seu organismo usa o que necessita e elimina o excesso.
É essencial para a síntese de colágeno e do material intercelular.
Sua deficiência (escorbuto) é rara em adultos, mas pode ocorrer em crianças,
alcoólatras e idosos, caracterizada por fragilidade capilar, sangramento, anemia,
lesões em ossos e cartilagens e cicatrizações demoradas de ferimentos.
Funciona como um poderoso antioxidante, transforma radicais livres de oxigê‑
nio em formas inertes. É usado na síntese de algumas moléculas que servem como
hormônios ou neurotransmissores.
Ajuda a fortalecer o sistema imunológico e a respiração celular, estimula as glân‑
dulas suprarrenais e protege os vasos sanguíneos.
Facilita a absorção de ferro pelo organismo e atua no metabolismo de alguns
aminoácidos.
O uso tópico da vitamina C combate radicais livres e estimula a síntese de
colágeno.

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Acelera a cicatrização de feridas, reduzindo o grau e a duração do eritema pós‑


-peeling (VIAFARMANET, 2012).

1.84 Vitamina E
A vitamina E, conhecida como tocoferol, é um óleo viscoso, amarelo-claro, prati‑
camente inodoro. Sua deficiência é rara, pode ocorrer por diminuição do suprimento
dietético, na síndrome de má absorção, em crianças com distúrbios congênitos, como
a fibrose cística e atresia biliar, e em crianças prematuras e de baixo peso.
A vitamina E é bem absorvida pela pele e está envolvida nos processos metabóli‑
cos de eliminação dos radicais livres. Sua ação antioxidante retarda tanto a formação
de peróxidos como a oxidação de lipídios, protegendo as lipoproteínas da parede
celular e retardando o envelhecimento da pele.
Também apresenta ação umectante, e é geralmente usada em associação com a
vitamina A e D.
A vitamina E é indicada para o emprego em emulsões e em outros preparados
cosméticos. Em preparados aquosos e aquosos-alcóolicos, é necessário usar conjun‑
tamente solubilizantes.
A vitamina E neutraliza a ação dos radicais livres, prevenindo tanto a rancificação
do produto quanto o envelhecimento precoce.
É muito utilizada em formulações pós-sol para reduzir a queimadura solar e
restabelecer a epiderme.
Sua capacidade de reter água deixa a pele macia e hidratada, tornando-a ideal
para quem tem a pele seca, áspera e danificada,
melhora seu aspecto geral da pele, ajudando a
prevenir o surgimento de linhas finas de expressão
Links e atenuando as já existentes.
Acesse o link para assistir ao vídeo Além da ação antioxidante, a vitamina E possui
sobre farmácias de manipulação: outras características importantes; são atribuídas a
ela propriedades regeneradoras dos tecidos e dos
< h t t p : / / w w w. y o u t u b e . c o m /
capilares, podendo influir ainda, favoravelmente,
watch?v=Dn1c-CZTLg4>.
na cura de diversas afecções cutâneas, como ecze‑
mas, urticárias e alopecias (VIAFARMANET, 2012).

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  Seção 2 Nutracêuticos
Há muito tempo se reconhece a estreita relação entre a nutrição adequada e saúde.
Atualmente, percebe-se um acentuado empenho mundial em melhorar a alimen‑
tação e reduzir os gastos com saúde por meio da prevenção de doenças crônicas, da
melhoria da qualidade e da expectativa de vida ativa. Um maior interesse das pessoas
por assuntos relacionados a alimentos saudáveis tem levado a utilização frequente
de termos como alimentos funcionais e nutracêuticos.
O setor de alimentos funcionais registra grande crescimento tanto aqui no Brasil
como no cenário mundial. A legislação brasileira não define alimento funcional, mas
define alegação de propriedade funcional e alegação de propriedade de saúde, e
estabelece as diretrizes para sua utilização, bem como as condições de registro para
os alimentos com alegação de propriedade funcional e/ou, de saúde.
Vamos compreender agora como tem sido o desenvolvimento destes alimentos
funcionais e nutracêuticos.
Na década de 1980, foi lançado no Japão um programa de governo que tinha
como objetivo desenvolver alimentos saudáveis para uma população que envelhecia
e apresentava uma grande expectativa de vida. Por meio desse programa, foi lançado
no mercado os alimentos funcionais, que fazem parte de uma nova concepção de
alimentos (MORAES; COLLA, 2006).
Qual a definição para alimentos funcionais e nutracêuticos?
Os alimentos funcionais e os nutracêuticos comumente têm sido
considerados sinônimos, no entanto, os alimentos funcionais devem
estar na forma de alimento comum, serem consumidos como parte
da dieta e produzir benefícios específicos à saúde, tais como a re‑
dução do risco de diversas doenças e a manutenção do bem-estar
físico e mental (MORAES, 2006). Por outro lado, os nutracêuticos
são alimentos ou parte dos alimentos que apresentam benefícios à
saúde, incluindo a prevenção e/ou tratamento de doenças. Podem
abranger desde os nutrientes isolados, suplementos dietéticos até
produtos projetados, produtos fitoterápicos e alimentos processados
(MORAES, 2006, p. 109).

Vários fatores contribuem para o desenvolvimento dos alimentos funcionais.


O principal deles é a consciência popular, que tem percebido a importância de
fazer algo para melhorar a qualidade de vida, ou seja, a opção por hábitos mais
saudáveis.
Eles são apresentados na forma de alimentos comuns, mas apresentam proprie‑
dades benéficas além das propriedades funcionais básicas.
Quando que um alimento pode ser considerado funcional?
Quando ele afeta uma ou mais funções alvo no corpo de forma benéfica. Mas ele
precisa também possuir os adequados efeitos nutricionais.

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Estes alimentos combinam produtos cosmestíveis de alta flexibilidade com mo‑


léculas biologicamente ativas, com a intenção de corrigir distúrbios metabólicos,
resultando em redução de riscos de doenças e manutenção da saúde.
O termo alimento funcional define uma ampla variedade de alimentos e compo‑
nentes alimentícios com apelos médico ou de saúde. Sua ação varia do suprimento
de minerais e vitaminas essenciais até a proteção contra várias doenças infecciosas
(MORAES; COLLA, 2006).
Podemos ter como alimentos funcionais: alimentos ou bebidas consumidas na
alimentação, e alimentos processados, como cereais, sopas e bebidas.
Os nutracêuticos e os alimentos funcionais podem ser de origem não vegetal,
embora a maioria seja, enquanto que os fitoterápicos são exclusivamente vegetais.
Fitoterápicos são medicamentos feitos exclusivamente a partir
de planta medicinal, tal como ela está na natureza, sem agregar
nenhuma substância isolada, farmacologicamente ativa, mesmo
que ela seja de origem vegetal. Os fitoterápicos atuam em função
dos princípios ativos que possuem as plantas, que são resultado
do seu metabolismo secundário. Eles são usados para o tratamento
de doenças e sintomas, isto é, têm efeito terapêutico. Quando se
isola o princípio ativo da planta e dele, se faz um medicamento,
este medicamento se chama fitofármaco.
As plantas utilizadas para se fazer o fitoterápico podem ser usadas
como alimento ou não. A partir destas conceituações, podemos ter
plantas que se enquadram em uma, nas duas ou nas três categorias.
O termo nutracêutico refere-se à um alimento ou parte de um ali‑
mento que proporciona benefícios à saúde, incluindo a prevenção
e/ou tratamento da doença. Compõe uma ampla variedade de
alimentos e componentes alimentícios de interesse no campo da
saúde. Sua ação varia do suprimento de elementos importantes
para o funcionamento do organismo até a proteção contra várias
doenças infecciosas (MORAES; COLLA, 2006, p. 111).

Podemos citar vários tipos de nutracêuticos, por exemplo, as proteínas, as fibras


dietéticas, as vitaminas antioxidantes, os ácidos graxos poli-insaturados, os peptídios,
os minerais etc.
O alvo dos nutracêuticos é significativamente diferente dos ali‑
mentos funcionais, por várias razões:
a) enquanto que a prevenção e o tratamento de doenças dizem
respeito aos nutracêuticos, apenas a redução do risco da doença,
e não a prevenção e tratamento da doença estão envolvidos com
os alimentos funcionais;
b) enquanto que os nutracêuticos incluem suplementos dietéticos e
outros tipos de alimentos, os alimentos funcionais devem estar na
forma de um alimento comum (MORAES; COLLA, 2006, p. 111).
Os alimentos funcionais, os alimentos à base de fitoterápicos e os nutracêuticos
promovem a saúde e o bem-estar prevenindo as doenças. Encontramos muitos textos
em literatura falando a respeito dos benefícios destes compostos, principalmente
informando os benefícios para as doenças crônico-degenerativas.

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Vamos citar agora alguns tipos de alimentos


funcionais mais estudados e explicar qual a fina‑
Saiba mais lidade de cada um deles.
Para que você entenda melhor Os fitosteróis são lipídeos com características
funcionais, e eles têm ação sobre o colesterol. Uti‑
o que são alimentos funcionais,
lizar este tipo de lipídeo tem a intenção de reduzir
acesse este link e assista esta re-
os riscos de doenças cardiovasculares.
portagem <http://www.youtube.
Outro alimento funcional é o ácido graxo da
com/watch?v=YdrN2EIQL5s>.
família do ômega 3 que pode reduzir também os
riscos de doenças cardiovasculares.
Os vegetais folhosos e as frutas também possuem polifenóis. Reduzem o risco
de algumas doenças, pois tem ação antioxidante e são considerados fotoquímicos.
São enquadrados na classe de flavonoides, dos ácidos fenólicos, dos estilbenos e
das lignanas. São encontrados nestes vegetais e frutas muitos micronutrientes, como
algumas vitaminas (E e C) e minerais (selênio e zinco, entre outros), todos com ação
antioxidante, atuando no sistema imune, trazendo muitos benefícios à saúde e au‑
mentando o sistema de defesa do organismo.

Saiba mais
Saiba um pouco mais sobre nutracêuticos assistindo aos links sobre pílula da beleza e cápsula
da beleza a seguir: <http://www.youtube.com/watch?v=_vBIEOvODVc> e
<http://www.youtube.com/watch?v=z6oYyDWXbUg>.

Alguns peptídeos, como os presentes no leite, têm ação de redução do peso


corporal e a pressão arterial.
As fibras estão sendo incluídas como alimento funcional, com ação sobre a obe‑
sidade, promovendo maior saciedade e controlando a diabetes.
Este campo da ciência é promissor. Muitos estudos já foram feitos e comprovados,
mas é um campo aberto para novas pesquisas e, com certeza, muitos compostos com
capacidade de redução do risco de doenças, ou retardo do seu aparecimento ainda
serão descobertos. (COZZOLINO, 2005)
Portanto, temos a expectativa de que no futuro possamos indicar uma alimenta‑
ção mais saudável e personalizada para cada pessoa, promovendo a saúde, evitando
doenças e aumentando desta forma o tempo de vida do ser humano.

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Para saber mais


Vamos falar de um nutracêutico que contém três ativos muito usados para o tratamento da
gordura localizada:
O primeiro é a Pholianegra, que é uma erva brasileira, chamada erva-mate, que reduz a fome,
diminui a gordura corporal da região abdominal e é antioxidante.
O óleo de cártamo, composto rico em ômega 6 que reduz o apetite, queima a gordura abdo-
minal e o culote e deixa os músculos mais definidos, além de tratar e previnir a celulite, e atuar
na cama intradérmica da pele.
O óleo de linhaça, que é famoso porque reduz o acúmulo de gordura, diminui os picos de fome,
acelera o metabolismo, promove a saciedade, reduz o colesterol e melhora a saúde da pele.

Aprofundando o conhecimento
Neste texto de Moraes e Colla (2006), você poderá analisar as diferenças
entre os alimentos funcionais e os nutracêuticos, verificar a legislação sobre o
assunto e alguns tipos de ativos mais utilizados nos produtos. Aproveite para
observar os benefícios que eles trazem à saúde.

Alimentos funcionais e nutracêuticos:


definições, legislação e benefícios à saúde
1. Introdução
A sociedade moderna tem se tornado cada vez mais complexa, modificando os
padrões de vida. As pessoas frequentemente mostram sintomas de cansaço, depressão
e irritação, ou mais comumente uma forma de estresse (KWAK & JUKES, 2001a). Ape-
sar disto, a baixa incidência de doenças em alguns povos chamou a atenção para a sua
dieta. Os esquimós, com sua alimentação baseada em peixes e produtos do mar ricos
em ácidos graxos poli-insaturados das famílias ômega 3 e 6, têm baixo índice de pro-
blemas cardíacos, assim como os franceses, devido ao consumo de vinho tinto, o qual
apresenta grande quantidade de compostos fenólicos. Os orientais, devido ao consumo
de soja, que contém fitoestrogênios, apresentam baixa incidência de câncer de mama.
Nestes países, o costume de consumir frutas e verduras também resulta numa redução

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do risco de doenças coronarianas e de câncer, comprovada por dados epidemiológicos


(ANJO, 2004).
“Os alimentos funcionais fazem parte de uma nova concepção de alimentos, lançada
pelo Japão na década de 80, através de um programa de governo que tinha como obje-
tivo desenvolver alimentos saudáveis para uma população que envelhecia e apresentava
uma grande expectativa de vida” (ANJO, 2004).
Os vários fatores que têm contribuído para o desenvolvimento dos alimentos funcio-
nais são inúmeros, sendo um deles o aumento da consciência dos consumidores, que,
desejando melhorar a qualidade de suas vidas, optam por hábitos saudáveis.
Os alimentos funcionais devem apresentar propriedades benéficas, além das nutri-
cionais básicas, sendo apresentados na forma de alimentos comuns. São consumidos em
dietas convencionais, mas demonstram capacidade de regular funções corporais de forma
a auxiliar na proteção contra doenças como hipertensão, diabetes, câncer, osteoporose
e coronariopatias (SOUZA, et al., 2003). Alimentos funcionais são todos os alimentos ou
bebidas que, consumidos na alimentação cotidiana, podem trazer benefícios fisiológicos
específicos, graças à presença de ingredientes fisiologicamente saudáveis (CÂNDIDO &
CAMPOS, 2005).
O termo nutracêutico define uma ampla variedade de alimentos e componentes
alimentícios com apelos médico ou de saúde. Sua ação varia do suprimento de minerais
e vitaminas essenciais até a proteção contra várias doenças infecciosas (HUNGENHOLTZ
& SMID, 2002). Tais produtos podem abranger nutrientes isolados, suplementos dieté-
ticos e dietas para alimentos geneticamente planejados, alimentos funcionais, produtos
herbais e alimentos processados, tais como cereais, sopas e bebidas (KWAK & JUKES,
2001a).
A diferenciação entre alimentos funcionais e nutracêuticos justifica-se devido ao pouco
conhecimento destes conceitos pela população, bem como da relação entre dieta e saúde.
Dispondo de mais informações, tanto sobre o efeito benéfico de determinados alimentos
como os maléficos causados pela exposição a inúmeras substâncias inerentes à vida mo-
derna, as pessoas poderão conferir maior importância aos alimentos, contendo substân-
cias benéficas à saúde. A informação contribui para uma maior aceitação dos alimentos
funcionais, diferenciando-os dos nutracêuticos, os quais envolvem todos os tipos de ali-
mentos que possuem algum efeito médico e de saúde.
Diante do exposto, objetiva-se definir e comparar os alimentos funcionais e nutra-
cêuticos, apresentando os principais grupos de compostos funcionais e seus benefícios à
saúde.

2. Alimentos funcionais e Nutracêuticos: definições


Um alimento pode ser considerado funcional se for demonstrado que ele pode afetar
beneficamente uma ou mais funções alvo no corpo, além de possuir os adequados efei-
tos nutricionais, de maneira que seja tanto relevante para o bem-estar e a saúde quanto
para a redução do risco de uma doença (ROBERFROID, 2002). Os alimentos funcionais
são alimentos que provêm a oportunidade de combinar produtos comestíveis de alta
flexibilidade com moléculas biologicamente ativas, como estratégia para consistentemente

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corrigir distúrbios metabólicos (WALZEM, 2004), resultando em redução dos riscos de


doenças e manutenção da saúde (ANJO, 2004).
Os alimentos funcionais se caracterizam por oferecer vários benefícios à saúde, além
do valor nutritivo inerente à sua composição química, podendo desempenhar um papel
potencialmente benéfico na redução do risco de doenças crônico degenerativas (NEU-
MANN, et al., 2000; TAIPINA, et al., 2002).
Os alimentos e ingredientes funcionais podem ser classificados de dois modos:
quanto à fonte, de origem vegetal ou animal, ou quanto aos benefícios que oferecem,
atuando em seis áreas do organismo: no sistema gastrointestinal; no sistema cardiovas-
cular; no metabolismo de substratos; no crescimento, no desenvolvimento e diferen-
ciação celular; no comportamento das funções fisiológicas e como antioxidantes (SOUZA,
et al., 2003).
Uma grande variedade de produtos tem sido caracterizada como alimentos funcio-
nais, incluindo componentes que podem afetar inúmeras funções corpóreas, relevantes
tanto para o estado de bem-estar e saúde como para a redução do risco de doenças.
Esta classe de compostos pertence à nutrição e não à farmacologia, merecendo uma
categoria própria, que não inclua suplementos alimentares, mas o seu papel em relação
às doenças estará, na maioria dos casos, concentrado mais na redução dos riscos do que
na prevenção.
Os alimentos funcionais apresentam as seguintes características:
a) devem ser alimentos convencionais e serem consumidos na dieta normal/usual;
b) devem ser compostos por componentes naturais, algumas vezes, em elevada
concentração ou presentes em alimentos que normalmente não os supririam;
c) devem ter efeitos positivos além do valor básico nutritivo, que pode aumentar o
bem-estar e a saúde e/ou reduzir o risco de ocorrência de doenças, promovendo benefí-
cios à saúde além de aumentar a qualidade de vida, incluindo os desempenhos físico,
psicológico e comportamental;
d) a alegação da propriedade funcional deve ter embasamento científico;
e) pode ser um alimento natural ou um alimento no qual um componente tenha sido
removido;
g) pode ser um alimento onde a natureza de um ou mais componentes tenha sido
modificada;
h) pode ser um alimento no qual a bioatividade de um ou mais componentes tenha
sido modificada (ROBERFROID, 2002).
Por sua vez, o nutracêutico é um alimento ou parte de um alimento que proporciona
benefícios médicos e de saúde, incluindo a prevenção e/ou tratamento da doença. Tais
produtos podem abranger desde os nutrientes isolados, suplementos dietéticos na forma
de cápsulas e dietas, até os produtos beneficamente projetados, produtos herbais e ali-
mentos processados, tais como cereais, sopas e bebidas (KWAK & JUKES, 2001a; ROBER-
FROID, 2002; HUNGENHOLTZ, 2002; ANDLAUER & FÜRST, 2002). Vários nutracêuticos
podem ser produzidos através de métodos fermentativos com o uso de microrganismos
considerados como GRAS (Generally Recognized as Safe). Os nutracêuticos podem ser
classificados como fibras dietéticas, ácidos graxos poli-insaturados, proteínas, peptídios,

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166  cosmetologia

aminoácidos ou cetoácidos, minerais, vitaminas antioxidantes e outros antioxidantes


(glutationa, selênio) (ANDLAUER & FÜRST, 2002).
O alvo dos nutracêuticos é significativamente diferente do alvo dos alimentos fun-
cionais, por várias razões:
a) enquanto que a prevenção e o tratamento de doenças (apelo médico) são relevan-
tes aos nutracêuticos, apenas a redução do risco da doença, e não a prevenção e
tratamento da doença estão envolvidos com os alimentos funcionais;
b) enquanto que os nutracêuticos incluem suplementos dietéticos e outros tipos de
alimentos, os alimentos funcionais devem estar na forma de um alimento comum
(KWAK & JUKES, 2001b). Kruger & Mann (2003) definem os ingredientes funcio-
nais como um grupo de compostos que apresentam benefícios à saúde, tais como
as alicinas presentes no alho, os carotenoides e flavonoides encontrados em frutas
e vegetais, os glucosinolatos encontrados nos vegetais crucíferos os ácidos graxos
poli-insaturados presentes em óleos vegetais e óleo de peixe. Estes ingredientes
podem ser consumidos juntamente com os alimentos dos quais são provenientes,
sendo estes alimentos considerados alimentos funcionais, ou individualmente,
como nutracêuticos. Devem ter adequado perfil de segurança, demonstrando a
segurança para o consumo humano.
Não devem apresentar risco de toxicidade ou efeitos adversos de drogas medicinais
(BAGCHI, et al., 2004).

3. Legislação
O termo “alimentos funcionais” foi primeiramente introduzido no Japão em meados
dos anos 80 e se refere aos alimentos processados, contendo ingredientes que auxiliam
funções específicas do corpo, além de serem nutritivos, sendo estes alimentos definidos
como “Alimentos para uso específico de saúde” (Foods for Specified Health Use-FOSHU)
em 1991. Estabelece-se que FOSHU são aqueles alimentos que têm efeito específico
sobre a saúde devido a sua constituição química e que não devem expor ao risco de saúde
ou higiênico.
No Reino Unido, o Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentos (MAFF) define ali-
mentos funcionais como “um alimento cujo componente incorporado oferece benefício
fisiológico e não apenas nutricional”. Esta definição ajuda a distinguir alimentos funcionais
de alimentos fortificados com vitaminas e minerais.
Nos Estados Unidos da América do Norte os termos alimentos funcionais e nutracêu-
ticos têm sido usados conforme a definição estabelecida. No entanto, a dificuldade se
encontra na regulamentação destes termos, pois deve haver uma diferenciação entre
produtos que são vendidos e consumidos como alimentos (funcionais) e aqueles que um
componente, em particular, foi isolado e é vendido na forma de barras, cápsulas, pós,
entre outros (nutracêuticos). A separação desses produtos é necessária quando se esta-
belece limites de consumo (PIMENTEL, et al., 2005).
O Comitê de Alimentos e Nutrição do Instituto de Medicina da FNB (Federação Náu-
tica de Brasília) define alimentos funcionais como qualquer alimento ou ingrediente que

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possa proporcionar um benefício à saúde, além dos nutrientes tradicionais que eles
contêm (HASLER, 1998).
O escritório Americano de Contas Gerais (US General Accounting Office – GAO)
define alimentos funcionais como alimentos que se declaram ter benefícios além da
nutrição básica. Entretanto, em matéria de lei, um alimento funcional não tem nenhuma
definição reconhecida pela FDC (Food, Drugs and Cosmetics). A FDA (Food and Drug
Administration) regula os alimentos funcionais, baseada no uso que se pretende dar ao
produto, na descrição presente nos rótulos ou nos ingredientes do produto. A partir
destes critérios, a FDA classificou os alimentos funcionais em cinco categorias: alimento,
suplementos alimentares, alimento para usos dietéticos especiais, alimento-medicamento
ou droga (NOONAN & NOONAN, 2004).
O alimento é definido como artigos usados para comer e beber por homens ou outros
animais e goma de mascar, assim como os artigos usados para compor qualquer artigo
do tipo. Um alimento é algo que possa ser consumido pelo seu gosto, aroma ou valor
nutritivo. A FDA define valor nutritivo como aquele que sustenta a existência humana de
tal maneira que promova crescimento, substituição de nutrição essencial perdida, ou
proveja energia (NOONAN & NOONAN, 2004). Para o Codex Alimentarius, alimento é
definido como sendo qualquer substância, quer seja processada, semiprocessada ou crua,
destinada ao consumo humano, incluindo bebidas, goma de mascar e qualquer substân-
cia que seja usada na fabricação, preparação ou tratamento do alimento. Porém, não
inclui cosméticos, tabaco ou substâncias usadas apenas como drogas (SOUZA, et al.,
2003). A definição de que o alimento funcional pode ser classificado como alimento é
aceita nos EUA, Europa e também no Brasil. Nessa perspectiva, o alimento funcional deve
apresentar primeiramente as funções nutricional e sensorial, sendo a funcionalidade a
função terciária do alimento (KWAK & JUKES, 2001a).
Os suplementos alimentares são produtos alimentícios feitos com o propósito de
serem ingeridos na forma de tabletes, farinha, géis, cápsulas de gel ou gotas líquidas e
que forneçam vitaminas, minerais, ervas ou outro substrato botânico, aminoácidos ou
outra substância dietética (incluindo um concentrado metabólico, componente, extrato
ou combinação de qualquer um dos referidos acima) (NOONAN & NOONAN, 2004; KWAK
& JUKES, 2001b). Nos EUA, os suplementos dietéticos são considerados alimentos fun-
cionais já que, segundo a legislação deste país, um alimento funcional pode ser definido
como qualquer alimento ou ingrediente que traga algum benefício à saúde além da
função nutricional básica (KWAK & JUKES, 2001a). Entretanto, as definições de suple-
mentos alimentares e alimentos funcionais diferem nas legislações do Japão e da União
Europeia, por considerarem que um ingrediente de um alimento, por si só, não possa ser
considerado um alimento funcional, uma vez que pode chegar ao consumidor na mesma
forma de venda que as drogas, ou seja, na forma de tabletes ou similares. Por este motivo,
os alimentos funcionais se distinguem claramente dos suplementos alimentares ou die-
téticos, visto que a premissa básica de um alimento funcional é que este deve ser consu-
mido como parte de uma dieta na forma de um alimento convencional (KWAK & JUKES,
2001a; KWAK & JUKES, 2001b).
Os alimentos para fins dietéticos especiais são aqueles processados ou formulados
para atender as necessidades de grupos específicos da população, devido a uma deter-

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minada condição fisiológica. Podem ser usados em grupos como lactentes, gestantes,
idosos, em pessoas com necessidade de controle de peso, pessoas com hipersensibilidade
a determinados componentes dos alimentos, entre outros. Os alimentos para fins die-
téticos especiais podem ser alimentos funcionais desde que sejam apresentados sob a
forma de um alimento convencional e não apresentem a alegação de prevenção ou
tratamento de uma doença em particular (NOONAN & NOONAN, 2004; KWAK & JUKES,
2001b). Os alimentos-medicamentos são definidos pela FDC como sendo alimentos
formulados para serem consumidos sob a supervisão de um médico. Estes alimentos
são usados para fins dietéticos específicos em caso de doença ou condição para qual
existam requisitos nutricionais distintos. Estes requisitos devem ser baseados em prin-
cípios científicos conhecidos e que sejam estabelecidos por avaliação médica (NOONAN
& NOONAN, 2004). De acordo com o Codex Alimentarius, alimentos para fins médicos
especiais são definidos como uma categoria de alimentos para usos dietéticos especiais,
que são especialmente processados ou formulados e apresentados para o controle
dietético de pacientes, podendo ser usados somente sob supervisão médica. Nos EUA,
o termo alimento-medicamento é legalmente definido como: “um alimento que é
formulado para ser administrado inteiramente sob a supervisão de um médico e que é
utilizado para o controle de uma doença ou condição para os quais possui requerimen-
tos nutricionais distintos, baseado em princípios científicos reconhecidos”. De acordo
a FDA, a diferença entre alimentos-medicamentos e alimentos para fins dietéticos es-
peciais é que os primeiros incluem-se em uma categoria mais estreita de alimentos,
usados por pessoas com doenças ou condições particulares, as quais possuem requeri-
mentos nutricionais distintos. Os alimentos para fins dietéticos especiais pertencem a
uma categoria mais ampla de alimentos, usados por pessoas com necessidades ou
desejos por dietas especiais. Desta forma, como os alimentos-medicamentos necessitam
de supervisão médica, não podem ser incluídos na categoria de alimentos funcionais
(KWAK & JUKES, 2001b).
Finalmente, em relação às drogas, muitas indústrias, intencionalmente, não comer-
cializam produtos como alimentos funcionais com a intenção de que sejam classificados
como drogas. Esta é frequentemente a armadilha para declarações agressivas ou inclusão
dos novos ingredientes não aprovados para serem comercializados.
Produtos atualmente nas prateleiras de varejos exemplificam que muitas indústrias
de alimentos funcionais ignoram os princípios legais da FDA (NOONAN & NOONAN,
2004). Nos países ocidentais existe uma distinção clara entre alimentos e drogas, que tem
sido incorporada em seu sistema de regulamentação. Essa tendência também ocorre em
muitos países orientais, onde muitas partes de seus sistemas de regulamentação têm sido
importadas dos países ocidentais, com poucas exceções. Os alimentos funcionais podem,
entretanto, desafiar a clara distinção entre alimento e droga, o que pode levar a confusão.
Portanto, é importante rever a relação entre alimentos e drogas para tornar clara a fina-
lidade dos alimentos funcionais.
No Brasil, o Ministério da Saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), regulamentou os alimentos funcionais através das seguintes resoluções: Anvisa/
MS 16/99; Anvisa/MS 17/99; Anvisa/MS 19/99, cuja essência é:

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a) Resolução da Anvisa/MS 16/99 - trata de Procedimentos para Registro de Alimen-


tos e/ou Novos Ingredientes, cuja característica é de não necessitar de um Padrão
de Identidade e Qualidade (PIQ) para registrar um alimento, além de permitir o
registro de novos produtos sem histórico de consumo no país e também novas
formas de comercialização para produtos já consumidos (BRASIL, 1999a).
b) Resolução da Anvisa/MS 17/99 - aprova o Regulamento Técnico que estabelece as
Diretrizes Básicas para Avaliação de Risco e Segurança de Alimentos que prova,
baseado em estudos e evidências científicas, se o produto é seguro sob o ponto
de risco à saúde ou não (BRASIL, 1999b).
c) Resolução Anvisa/MS 18/99 - aprova o Regulamento Técnico que estabelece as
Diretrizes Básicas para a Análise e Comprovação de Propriedades Funcionais e/ou
de Saúde, alegadas em rotulagem de alimentos (BRASIL, 1999c).
d) Resolução Anvisa/MS 19/99 - aprova o Regulamento Técnico de Procedimentos
para Registro de Alimentos com Alegação de Propriedades Funcionais e ou de
Saúde em sua Rotulagem (BRASIL, 1999d).
As diretrizes para a utilização da alegação de propriedades funcionais e/ou de saúde,
segundo a Anvisa são:
a) A alegação de propriedades funcionais e/ou de saúde é permitida em caráter op-
cional.
b) O alimento ou ingrediente que alegar propriedades funcionais ou de saúde podem,
além de funções nutricionais básicas, quando se tratar de nutriente, produzir
efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser
seguro para consumo sem supervisão médica.
c) São permitidas alegações de função ou conteúdo para nutrientes e não nutrientes,
podendo ser aceitas aquelas que descrevem o papel fisiológico do nutriente ou
não nutriente no crescimento, desenvolvimento e funções normais do organismo,
mediante demonstração da eficácia. Para os nutrientes com funções plenamente
reconhecidas pela comunidade científica, não será necessária a demonstração de
eficácia ou análise da mesma para alegação funcional na rotulagem (item 3.3 da
Resolução Anvisa nº 18).
d) No caso de uma nova propriedade funcional, há necessidade de comprovação
científica da alegação de propriedades funcionais e/ou de saúde e da segurança
de uso, segundo as Diretrizes Básicas para avaliação de Risco e Segurança dos
alimentos.
e) as alegações podem fazer referência à manutenção geral da saúde, ao papel fisio-
lógico dos nutrientes e não nutrientes e à redução de risco de doenças. Não são
permitidas alegações de saúde que façam referência à cura ou prevenção de do-
enças (BRASIL, 1999c; BRASIL, 1999d).
O registro de um alimento funcional só pode ser realizado após comprovada a ale-
gação de propriedades funcionais ou de saúde com base no consumo previsto ou reco-
mendado pelo fabricante, na finalidade, condições de uso e valor nutricional, quando for
o caso ou na evidência(s) científica(s): composição química ou caracterização molecular,
quando for o caso, e ou formulação do produto; ensaios bioquímicos; ensaios nutricionais

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e/ou fisiológicos e/ou toxicológicos em animais de experimentação; estudos epidemioló-


gicos; ensaios clínicos; evidências abrangentes da literatura científica, organismos inter-
nacionais de saúde e legislação internacionalmente reconhecidas sob propriedades e
características do produto e comprovação de uso tradicional, observado na população,
sem associação de danos à saúde (Brasil, 1999c; Brasil 1999d; PIMENTEL, et al., 2005).

4. Classes de compostos funcionais e nutracêuticos

4.1. Probióticos e prebióticos


Os probióticos são microrganismos vivos que podem ser agregados como suplemen-
tos na dieta, afetando de forma benéfica o desenvolvimento da flora microbiana no in-
testino. São também conhecidos como bioterapêuticos, bioprotetores e bioprofiláticos e
são utilizados para prevenir as infecções entéricas e gastrointestinais (REIG & ANESTO,
2002). A definição internacional atualmente aceita é de que os probióticos são micror-
ganismos vivos, administrados em quantidades adequadas, que conferem benefícios à
saúde do hospedeiro (SAAD, 2006).
Em um intestino adulto saudável, a microflora predominante se compõe de microrga-
nismos promotores da saúde, em sua maioria pertencente aos gêneros Lactobacillus e
Bifidobacterium. Os Lactobaccilus geralmente citados como probióticos são: L. casei, L.
acidophilus, L.delbreuckii subsp. bulgaricus, L. brevis, L. cellibiosus, L.lactis, L. fermentum,
L. plantarum e L. reuteri. As espécies de Bifidobacteria com atividade probiótica são: B.
bifidum, B. longum, B. infantis, B. adolescentis, B. thermophilum e B. animalis (KALANT-
ZOPOULOS, 1997).
Segundo Holzapfel & Schillinger (2002), outras bactérias ácido-láticas com proprie-
dades probióticas são: Ent. faecalis, Ent. faecium e Sporolactobacillus inulinus, enquanto
os microrganismos Bacillus cereus, Escherichia coli Nissle, Propionibacterium freudenreichii
e Saccharomyces cerevisiae têm sido citados como microrganimos não láticos associados
a atividades probióticas principalmente para uso farmacêutico ou em animais.
“Os benefícios à saúde do hospedeiro atribuídos à ingestão de culturas probióticas
são: controle da microbiota intestinal, estabilização da microbiota intestinal após o uso
de antibióticos, promoção da resistência gastrointestinal à colonização por patógenos,
diminuição da concentração dos ácidos acético e lático, de bacteriocinas e outros com-
postos antimicrobianos, promoção da digestão da lactose em indivíduos intolerantes à
lactose, estimulação do sistema imune, alívio da constipação e aumento da absorção de
minerais e vitaminas” (SAAD, 2006, p.5).
Alguns efeitos atribuídos aos prebióticos são: a modulação de funções fisiológicas
chaves, como a absorção de cálcio, o metabolismo lipídico, a modulação da composição
da microbiota intestinal, a qual exerce um papel primordial na fisiologia intestinal e a
redução do risco de câncer de cólon (ROBERFROID, 2002).
Os iogurtes e leites fermentados são os alimentos mais comuns a serem suplemen-
tados com probióticos.
Os leites não fermentados, sucos e outros alimentos também podem ser suplemen-
tados com probióticos (SOUZA, et al., 2003).

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4.2. Alimentos sulfurados e nitrogenados


Os alimentos sulfurados e nitrogenados são compostos orgânicos usados na proteção
contra a carcinogênese e mutagênese, sendo ativadores de enzimas na detoxificação do
fígado (ANJO, 2004). As propriedades anticarcinogênicas dos vegetais crucíferos como
repolho, brócolis, rabanete, palmito e alcaparra são atribuídas ao seu conteúdo relativa-
mente alto de glicosilatos (HASLER, 1998).
Os isotiacianatos e indóis são compostos antioxidantes que estão presentes em crucí-
feras, tais como brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas, couve e repolho. Esses compostos
inibem a mutação do DNA, que predispõe algumas formas de câncer (SOUZA, et al., 2003).

4.3. Vitaminas antioxidantes


“A oxidação nos sistemas biológicos ocorre devido à ação dos radicais livres no or-
ganismo. Estas moléculas têm um elétron isolado, livre para se ligar a qualquer outro
elétron, e por isso são extremamente reativas. Elas podem ser geradas por fontes endó-
genas ou exógenas. Por fontes endógenas, originam-se de processos biológicos que
normalmente ocorrem no organismo, tais como: redução de flavinas e tióis; resultado da
atividade de oxidases, cicloxigenases, lipoxigenases, desidrogenases e peroxidases; pre-
sença de metais de transição no interior da célula e de sistemas de transporte de elétrons.
Esta geração de radicais livres envolve várias organelas celulares, como mitocôndrias, li-
sossomos, peroxissomos, núcleo, retículo endoplasmático e membranas. As fontes exó-
genas geradoras de radicais livres incluem tabaco, poluição do ar, solventes orgânicos,
anestésicos, pesticidas e radiações” (SOARES, 2002).
“As lesões causadas pelos radicais livres nas células podem ser prevenidas ou redu-
zidas por meio da atividade de antioxidantes, sendo estes encontrados em muitos alimen-
tos. Os antioxidantes podem agir diretamente na neutralização da ação dos radicais livres
ou participar indiretamente de sistemas enzimáticos com essa função. Dentre os antioxi-
dantes estão a vitamina C, a glutationa, o ácido úrico, a vitamina E e os carotenoides”
(SHAMI & MOREIRA, 2004).
Os carotenoides estão presentes em alimentos com pigmentação amarela, laranja ou
vermelha (tomate, abóbora, pimentão, laranja). Seus principais representantes são os ca-
rotenos, precursores da vitamina A e o licopeno (GAZZONI, 2003). As xantofilas são sin-
tetizadas a partir dos carotenos, por meio de reações de hidroxilação e epoxidação. O
β-caroteno e o licopeno são exemplos de carotenos, enquanto a luteína e a zeaxantina
são xantofilas. Dos mais de 600 carotenoides conhecidos, aproximadamente 50 são pre-
cursores da vitamina A. O carotenoide precursor possui pelo menos um anel de β-ionona
não substituído, com cadeia lateral poliênica com um mínimo de 11 carbonos. Entre os
carotenoides, o β-caroteno é o mais abundante em alimentos e o que apresenta a maior
atividade de vitamina A. Tanto os carotenoides precursores de vitamina A como os não
precursores, como a luteína, a zeaxantina e o licopeno, parecem apresentar ação protetora
contra o câncer, sendo que os possíveis mecanismos de proteção são por intermédio do
sequestro de radicais livres, modulação do metabolismo do carcinoma, inibição da proli-
feração celular, aumento da diferenciação celular via retinoides, estimulação da comuni-
cação entre as células e aumento da resposta imune. O β-caroteno é um potente

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antioxidante com ação protetora contra doenças cardiovasculares. A oxidação do LDL (low
density lipoprotein) é fator crucial para o desenvolvimento da aterosclerose e o β-caroteno
atua inibindo o processo de oxidação da lipoproteína. Estudos apontam que a luteína e a
zeaxantina, que são amplamente encontradas em vegetais verde-escuros, parecem exercer
uma ação protetora contra degeneração macular e catarata (AMBRÓSIO, et al., 2006).
Segundo Stahl & Sies (2003), os carotenoides fazem parte do sistema de defesa an-
tioxidante em humanos e animais. Devido à sua estrutura atuam protegendo as estruturas
lipídicas da oxidação ou por sequestro de radicais livres gerados no processo foto-oxidativo.
A vitamina E é a principal vitamina antioxidante transportada na corrente sanguínea pela
fase lipídica das partículas lipoproteicas. Junto com o betacaroteno e outros antioxidantes
naturais, chamados ubiquinonas, a vitamina E protege os lipídios da peroxidação. A inges-
tão de vitamina E em quantidades acima das recomendações correntes pode reduzir o
risco de doenças cardiovasculares, melhorar a condição imune e modular condições de-
generativas importantes associadas com envelhecimento (SOUZA, et al., 2003).
“A vitamina E é um componente dos óleos vegetais encontrada na natureza em quatro
formas diferentes α, β, γ e δ-tocoferol, sendo o α-tocoferol a forma antioxidante amplamente
distribuída nos tecidos e no plasma. A vitamina E encontra-se em grande quantidade nos
lipídeos, e evidências recentes sugerem que essa vitamina impede ou minimiza os danos
provocados pelos radicais livres associados com doenças específicas, incluindo o câncer,
artrite, catarata e o envelhecimento. A vitamina E tem a capacidade de impedir a propaga-
ção das reações em cadeia induzidas pelos radicais livres nas membranas biológicas. Os
danos oxidativos podem ser inibidos pela ação antioxidante dessa vitamina, juntamente
com a glutationa, a vitamina C e os carotenoides, constituindo um dos principais mecanis-
mos da defesa endógena do organismo” (BIANCHI & ANTUNES, 1999).
A vitamina C (ácido ascórbico) é, geralmente, consumida em grandes doses pelos seres
humanos, sendo adicionada a muitos produtos alimentares para inibir a formação de me-
tabólitos nitrosos carcinogênicos. Os benefícios obtidos na utilização terapêutica da vitamina
C em ensaios biológicos com animais incluem o efeito protetor contra os danos causados
pela exposição às radiações e medicamentos. Os estudos epidemiológicos também atribuem
a essa vitamina um possível papel de proteção no desenvolvimento de tumores nos seres
humanos. Contudo, a recomendação de suplementação dessa vitamina deve ser avaliada
especificamente para cada caso, pois existem muitos componentes orgânicos e inorgânicos
nas células que podem modular a atividade da vitamina C, afetando sua ação antioxidante
(BIANCHI & ANTUNES, 1999).

4.4. Compostos fenólicos


Os flavonoides compõem uma ampla classe de substâncias de origem natural, cuja
síntese não ocorre na espécie humana. Entretanto, tais compostos possuem uma série
de propriedades farmacológicas que os fazem atuarem sobre os sistemas biológicos
(LOPES, et al., 2003), por exemplo, como antioxidantes. A dieta mediterrânea, rica em
frutas frescas e vegetais, tem sido associada com a baixa incidência de doenças cardio-
vasculares e câncer, principalmente devido à elevada proporção de compostos bioativos,
como vitaminas, flavonoides e polifenóis (BENAVENTE-GARCÍA, et al., 1999).

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Os flavonoides englobam uma classe importante de pigmentos naturais encontrados


com frequência na natureza, unicamente em vegetais. As substâncias fenólicas se ca-
racterizam por possuir um grupo funcional oxidrílico (OH) ligado a um anel benzênico.
Os compostos fenólicos são inumeráveis e a partir da molécula simples de fenol podem
se derivar substâncias com diferentes níveis de complexidade, que podem ser classifica-
das em várias famílias e grupos. Naturalmente, nem todas estas substâncias são isoláveis
ou identificáveis nos tecidos vegetais. São vários os critérios disponíveis para classificação
de compostos fenólicos, porém as formas mais simples, didáticas e a mais utilizadas são:
fenóis simples, fenóis compostos e os flavonoides, que se constituem na família mais
vasta de compostos fenólicos naturais e estão amplamente distribuídos nos tecidos ve-
getais. Eles são solúveis em água e em solventes polares, principalmente álcoois.
Outros efeitos fisiológicos da ação de compostos antioxidantes seriam sua atuação
como anticancerígenos e antimutagênicos, sempre considerando que estes problemas
ocorrem por ação de radicais livres.
A formação de radicais livres está associada com o metabolismo normal de células
aeróbicas. O consumo de oxigênio inerente à multiplicação celular leva a geração de uma
série de radicais livres. A interação destas espécies com moléculas de natureza lipídica em
excesso produz novos radicais: hidroperóxidos e diferentes peróxidos. Estes grupos de ra-
dicais podem interagir com os sistemas biológicos de formas citotóxicas. Com respeito a
isto, flavonoides e fenóis têm sido reportados por possuírem atividade antioxidante contra
os radicais livres, a qual está associada às propriedades redox dos grupos hidroxil e a sua
relação com diferentes partes da estrutura química (BENAVENTE-GARCÍA, et al., 1999).
“Antioxidantes fenólicos funcionam como sequestradores de radicais e algumas
vezes como quelantes de metais, agindo tanto na etapa de iniciação como na propagação
do processo oxidativo. Os produtos intermediários, formados pela ação destes antioxi-
dantes, são relativamente estáveis devido à ressonância do anel aromático apresentada
por estas substâncias” (SOARES, 2002).
Uma subclasse dos flavonoides são as isoflavonas (ANJO, 2004), que têm sido um
componente da dieta de certas populações durante muitos séculos. O consumo da soja
tem sido considerado benéfico, com um efeito potencialmente protetor contra um número
de doenças crônicas (MUNRO, 2003). Não houve indicação de risco à saúde por causa
do consumo de soja ou isoflavonas da soja como parte regular da dieta; ao contrário, os
estudos epidemiológicos das últimas décadas sugeriram efeitos protetores destes com-
postos contra um número de doenças crônicas, incluindo doença cardíaca coronária,
câncer de próstata, diabetes, osteoporose, deficiência cognitiva, doenças cardiovasculares
e efeitos da menopausa. Apresenta estrutura e atividade semelhante ao estrógeno humano
e são conhecidas como fitoestrógenos, podendo proteger o organismo contra doenças
do coração e possivelmente contra câncer de mama pela ação de estrógenos bloquea-
dores. Nas culturas orientais, a soja é considerada tanto um alimento nutritivo quanto
como um agente medicinal (ANJO, 2004). Pesquisas recentes têm mostrado que dietas
ricas em soja ajudam a reduzir os níveis de colesterol (LDL) no sangue, de 12 a 15%, pois
as isoflavonas da soja são convertidas, no intestino, a fitoestrógenos que podem ajudar
a reduzir o LDL (SOUZA, et al., 2003).

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As isoflavonas são encontradas em legumes, principalmente em grãos de soja. Embora


haja uma grande variabilidade de composição de isoflavonas entre os grãos de soja e
produtos alimentícios baseados em soja, a maioria das fontes dietéticas contém uma
mistura de derivados, baseados em três isoflavonas agliconas: genisteína, daidzeína e
gliciteína (PIMENTEL, et al., 2005).

4.5. Ácidos graxos poli-insaturados


Os ácidos graxos poli-insaturados, destacando as séries ômega 3 e 6, são encontrados
em peixes de água fria (salmão, atum, sardinha, bacalhau), óleos vegetais, sementes de
linhaça, nozes e alguns tipos de vegetais.
Apesar das controvérsias, o consumo adicional de ácidos graxos ômega 3 (DHA e
EPA) na dieta está sendo discutido e recomendado. Estudos epidemiológicos têm demons-
trado que a ingestão de peixes regularmente na dieta tem efeito favorável sobre os níveis
de triglicerídeos, pressão sanguínea, mecanismo de coagulação e ritmo cardíaco, na
prevenção do câncer (mama, próstata e cólon) e redução da incidência de arteriosclerose
(SOUZA, et al., 2003). Os ácidos graxos ômega 3 são também indispensáveis para os
recém-nascidos por representarem um terço da estrutura de lipídeos no cérebro. Carên-
cias destas substâncias podem ocasionar redução da produção de enzimas relacionadas
às funções do aprendizado.
O suprimento adequado de DHA na alimentação dos bebês é fundamental para o
desenvolvimento da retina.
Considera-se que os ácidos graxos saturados induzam a hipercolesterolemia, enquanto
que os ácidos graxos poli-insaturados (PUFA – polyunsaturated fatty acids) apresentam
efeito de redução da hipercolesterolemia (LIN HE & FERNANDEZ, et al., 1998; ERKKILA,
et al., 1999; KURUSHIMA, et al., 1995).
Além de seu papel nutricional na dieta, os ácidos graxos ômega 3 podem ajudar a
prevenir ou tratar uma variedade de doenças, incluindo doenças do coração, câncer, artrite,
depressão e mal de Alzheimer entre outros.
Os ácidos graxos ômega 3 devem ser consumidos numa proporção equilibrada com
os ácidos graxos ômega 6.
Nutricionistas acreditam que uma proporção ideal seria de aproximadamente de 5:1
de ômega 6 para ômega 3.
O ácido linoleico, presente no óleo de girassol, pertencente ao grupo dos ácidos
graxos ômega 6, é transformado pelo organismo humano no ácido araquidônico e em
outros ácidos graxos poli-insaturados. Os ômega 6 derivados do ácido linoleico exercem
importante papel fisiológico: participam da estrutura de membranas celulares, influen-
ciando a viscosidade sanguínea, permeabilidade dos vasos, ação antiagregadora, pressão
arterial, reação inflamatória e funções plaquetárias. Estudos mostram os efeitos causados
pela substituição de gordura saturada por gordura monoinsaturada na dieta, com a re-
dução nos níveis de colesterol total e de LDL, sem alterar significativamente os níveis de
HDL (high density lipoprotein). O azeite de oliva é rico em ácido oleico, contendo de 55
a 83% deste ácido graxo.

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4.6. Fibras (Oligossacarídeos)


A fibra dietética é uma substância indisponível como fonte de energia, pois não é
passível de hidrólise pelas enzimas do intestino humano e que pode ser fermentada por
algumas bactérias. A maior parte das substâncias classificadas como fibras são polissaca-
rídios não amiláceos. As fibras são, portanto, substâncias com alto peso molecular, en-
contradas nos vegetais, tais como os grãos (arroz, soja, trigo, aveia, feijão, ervilha), em
verduras (alface, brócoli, couve, couve-flor, repolho), raízes (cenoura, rabanete) e outras
hortaliças (chuchu, vagem, pepino) (PIMENTEL, et al., 2005).
Pode-se classificar a fibra segundo o papel que elas cumprem nos vegetais em dois
grupos:
a) polissacarídeos estruturais: estão relacionados à estrutura da parede celular e incluem
a celulose, as hemiceluloses, pectinas, gomas e mucilagens segregadas pelas células e
polissacarídeos, tais como o ágar e as carragenas produzidas pelas algas e liquens marinhos;
b) polissacarídeos não estruturais: inclui a lignina (SALINAS, 2002).
Outra classificação possível diferencia as fibras como fibras solúveis e insolúveis. As
fibras solúveis são as pectinas e hemiceluloses. Estas tendem a formar géis em contato
com a água, aumentando a viscosidade dos alimentos parcialmente digeridos no estômago
(PIMENTEL, et al., 2005). As fibras solúveis diminuem a absorção de ácidos biliares e têm
atividades hipocolesterolêmicas. Quanto ao metabolismo lipídico, parecem diminuir os
níveis de triglicerídeos, colesterol e reduzir a insulinemia.
Como funções funcionais da fibra insolúvel estão:
a) o incremento do bolo fecal e o estímulo da motilidade intestinal;
b) a maior necessidade de mastigação, relevante na sociedade moderna vítima da
ingestão compulsiva e da obesidade;
c) o aumento da excreção de ácidos biliares e propriedades antioxidantes e hipoco-
lesterolêmicas (RODRIGUEZ, et al., 2003).
Segundo Anjo (2004), os efeitos do uso das fibras são a redução dos níveis de coles-
trol sanguíneo e diminuição dos riscos de desenvolvimento de câncer, decorrentes de três
fatores: capacidade de retenção de substâncias tóxicas ingeridas ou produzidas no trato
gastrointestinal durante processos digestivos; redução do tempo do trânsito intestinal,
promovendo uma rápida eliminação do bolo fecal, com redução do tempo de contato
do tecido intestinal com substâncias mutagênicas e carcinogênicas, e formação de subs-
tâncias protetoras pela fermentação bacteriana dos compostos de alimentação.

5. Conclusão
A partir deste estudo comparativo, realizado acerca dos alimentos funcionais e nu-
tracêuticos, ressalta-se a importância destes compostos no aumento da expectativa de
vida da população, uma vez que o crescente aparecimento de doenças crônicas, tais como
a obesidade, a aterosclerose, a hipertensão, a osteoporose, o diabetes e o câncer têm
ocasionado uma preocupação maior, por parte da população e dos órgãos públicos da
saúde, com a alimentação.

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O texto que acabaram de ler nos mostra que esta geração tem procurado alterna‑
tivas para melhorar a qualidade de vida, que há tempos vem sendo deixada de lado
por conta da vida moderna e da correria do dia a dia. As pessoas se envolvem com
os trabalhos diários e acabam esquecendo de realizar uma alimentação saudável.
No entanto notamos que isso tem influenciado a mentalidade de muitos que têm
procurado nos alimentos funcionais e nutracêuticos uma opção para complementar
as necessidades orgânicas. Você poderá agora, junto a sua equipe, analisar o conte‑
údo e propor ações de saúde. Promover benefícios no seu local de trabalho, no seu
ambiente familiar e buscar atingir também toda a população da sua região. Pense no
que fazer, reflita a respeito, adote uma posição e realize. Acredito na sua capacidade.

Para concluir o estudo da unidade


Promova uma análise do conteúdo que abordamos nesta unidade. Você
percebe a quantidade de princípios ativos que existem no mercado? Existem
muito mais ativos menos usados, mais antigos, descobertos recentemente e os
que ainda estão em pesquisa.
No entanto, todos os ativos passam por um processo de comprovação cientí‑
fica dos seus resultados antes de serem aceitos pelos profissionais competentes.
Por este motivo, sempre investigue e pesquise sobre os ativos que pretende usar
em uma formulação, antes mesmo de comprar um produto. Adote este hábito.
Pegue o produto, leia o rótulo ou a bula, e verifique quais são os ativos usados
na formulação, pesquise cada um deles e verifique se realmente estão de acordo
com a sua necessidade, aí então você poderá decidir se vale a pena adquirir ou
não este produto.
Sua participação enquanto profissional será muito importante na escolha
dos produtos que irá usar em um centro estético, ou mesmo os produtos que irá
recomendar para sua cliente. Para isso, aconselho: estude, pesquise, confronte.

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C o s m e t o l o g i a a t u a l   177

Resumo
Esta última unidade trouxe para você uma grande quantidade de ativos utilizados
pelo mercado da cosmética, ativos estes que estão incorporados dentro de cremes,
loções, géis, soluções, cápsulas ou nos alimentos. Existem ativos que podem ser
usados em gomas, chicletes, barras de cereais.
A escolha dos ativos vai depender de vários fatores. Alguns ativos são para todas
as idades, como os antioxidantes, os ácidos esfoliantes e o filtro solar. O que pode
mudar de acordo com a faixa etária são as concentrações dos ativos, que devem ser
maiores com o passar da idade. A mesma substância pode ser usada em uma pele jovem
como preventivo e nas mais maduras como tratamento e prevenção de novos danos.
É claro que uma pele envelhecida precisa de ativos antissinais, hidratantes,
tensor da pele, firmador e clareador, ou seja, um mix de ativos para criar uma
formulação rejuvenescedora.
Uma pele com olheiras vai necessitar de ativos para melhorar a microcirculação,
para despigmentar, para remover os radicais livres e ativos que descongestionem a pele.
Você percebe que para cada caso a escolha dos ativos é muito importante?
É claro que dentro de cada uma dessas categorias de ativos ainda precisamos
pensar que o resultado vai depender do grau de eficácia de cada um deles, além
de outros fatores, como a capacidade de penetração na pele, a compatibilidade
com outros ingredientes da fórmula, a estabilidade, entre outros.
Lembre-se: a regra é cuidar da pele a vida inteira, e como você pôde perceber,
a gama de substâncias que se pode usar é enorme, então o melhor a fazer é alternar
o uso dos principais ativos, de acordo com a necessidade da pele no momento.

Atividades de aprendizagem
1. Pesquise em seus cosméticos ou de alguma pessoa conhecida quais são os ativos
utilizados e compare com o conteúdo estudado nesta unidade.
2. Procure analisar em sua cidade qual a marca de cosméticos mais utilizada pela
comunidade, e pesquisa na internet quais os principais ativos utilizados nesta marca.
3. Visite um centro estético e pesquise qual a marca ou as marcas utilizadas para
os tratamentos faciais, corporais e capilares.
4. De acordo com a sua compreensão, quais as diferenças entre nutracêuticos e
alimentos funcionais?
5. Vá até um mercado da sua cidade e procure alguns tipos de alimentos funcionais
ou nutracêuticos. Verifique os ativos utilizados.

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