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GENILSON DO CARMO

Doutrina: O uso da TV e a Humanidade de Jesus

Atividade Avaliativa 4 do SETEB Online


curso de Mestrado em Aconselhamento
Bíblico. Prolegêmenos: Introdução à
Teologia

Orientador: Prof. Lourenço Barnett

FOLSOM, CALIFORNIA
10 de junho de 2010
Doutrina: O uso da TV e a Humanidade de Jesus

“No essencial, unidade; no não-essencial, liberdade; em tudo, amor.”


Santo Agostinho de Cantuária

Certamente Santo Agostinho nos concedeu uma fórmula brilhante para um


convívio pacífico e fraterno com os diversos irmãos e irmãs que congregam nas
variadas igrejas pelo mundo a fora. Contudo, os grandes e pequenos dilemas
doutrinários continuam a ocorrer devido a falta de entendimento em relação aos
tipos ou níveis de doutrinas. Tal falta de discernimento tem perturbado a paz dos
fiéis e destruído o bom testemunho cristão num mundo cada vez mais não-cristão.
As duas doutrinas que aqui serão postas em pauta, revelam a intensidade e os
extremos quando se fala do tema. A primeira se diz respeito ao uso do aparelho
televisor, o que é, ou pelo menos deveria ser, uma doutrina relativa e sem
importância tem se tornado em alguns meios uma pedra de tropeço. Há pastores
que misturam o “como usar a televisão” com a própria televisão, o que sem sombra
de dúvidas são dois assuntos diferentes. Seria como se alguém dissesse: não
compre facas, porque elas matam. De fato a faca pode ser usada para causar dano,
mas o problema não é a faca em si, mas a pessoa por trás dela. Por outro lado,
temos a segunda parte deste trabalho, a Humanidade de Cristo, esta sim é uma
doutrina essencial ao cristão. Pois negar a Humanidade do Senhor é o mesmo que
dizer que sua morte na cruz não valeu de nada, pois Deus não morre e se Deus não
morre, ele nunca pagou pelo nosso pecado.
A questão do uso da televisão. Há muitos argumentos em favor e contra do uso
da TV nos lares cristãos. A razão principal para tais, reside no fato de como os
pastores interpretam os benefícios e os malefícios de se possuir um aparelho
televisor, pois eles representam a autoridade espiritual em suas respectivas
congregações. Apesar desta doutrina ser classificada como “doutrina relativa”, ela
recebe grande atenção no contexto da igreja brasileira. O que não é de se admirar,
especialmente quando fazemos uma sincera avaliação do conteúdo televisivo
brasileiro que vai da Missa matinal ao abuso e denegrição, da pessoa e do ser, da
mulher brasileira. Daí então, concordo com Marco Antônio Ripari:
 

1
Devemos distinguir o que deve ou não ser visto por nossa família.

A partir desse princípio podemos definir como lidar com a questão em pauta,
dentro do âmbito familiar e guiados pelos ensinamentos Bíblicos sobre purificação e
santidade. Os que apóiam o não uso da TV estão defendendo o não possuir-la, e
usam, com a melhor das intenções, versos como:

Os meus olhos estão postos continuamente no Senhor, pois ele tirará do


laço os meus pés. Salmos 25.15
Não porei coisa torpe diante dos meus olhos; aborreço as ações daqueles
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que se desviam; isso não se apagará a mim. Salmos 101.3

os quais claramente ensinam que devemos confiar no Senhor (Salmos 25.15) e


buscar viver uma vida de santificação (Salmos 101.3), o que para tal, pode ser
requerido de nós um melhor gerenciamento do conteúdo televisivo, mas não a
destruição ou não possessão do mesmo. Da mesma forma não podemos usar
versos Bíblicos tais como:

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“mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom” 1 Tessalonicenses 5.21

para justificar o acesso à conteúdo inapropriado a fim de acharmos algo bom e


construtivo. Necessitamos de sabedoria do alto para respondermos com coerência a
esta questão. Pois, não podemos negar o poder persuasivo da mídia em geral.
Estou convencido que a influência da mesma tem mudado paradigmas morais da
sociedade. Basta observarmos como a linguajem popular muda a cada nova novela
de sucesso. Como o “ser gay” é vangloriado, não somente pela mídia, mas também
pelo cidadão simples, que antes defendia o homossexualismo como pecado e agora
como algo que devemos respeitar.

Certamente que os meios de comunicação eletrônica já estão influenciando


e influenciarão mais ainda a educação e o processo de ensino e
aprendizagem. Por essa razão, é imperativo que os pais, a escola e seus
professores, estejam conscientes da necessidade urgente de educar para a

                                                                                                               
1
RIPARI, Marco Antônio. Televisão Babá Eletrônica, 6ª Edição Especial só para internet, 2004
2
Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida Atualizada
3
Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida Atualizada
mídia, ensinando seus filhos e alunos a desenvolverem uma visão cada vez
mais crítica dos conteúdos veiculados na telinha da televisão, nos games e
4
na Internet.

Esta é uma realidade não só para os pais, escolas e professores, como bem
colocou Jorge N. N. Schemes, mas também para os pastores e igrejas. Pois, proibir
o uso da mesma está, mais que provado não ser a melhor maneira de lidar com o
problema. Por isso é indispensável o entendimento adequado sobre o processo de
santificação. O qual não ocorre em um simples evento em nossa vida.

Ela [santificação] consiste, fundamental e primariamente, de uma operação


divina na alma pela qual a santa disposição nascida na regeneração é
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fortalecida e os seus santos exercícios são aumentados.

Na explicação segundo Louis Berkhof, afirma que Deus é responsável pela nossa
santificação, a medida que com Ele andamos. E ele completa que a santificação:

É essencialmente uma obra de Deus, embora, na medida em que Deus


emprega meios, possamos esperar que o homem coopere, pelo uso
adequado desses meios. A Escritura mostra claramente o caráter
sobrenatural da santificação de diversas maneiras. Descreve-a como obra
de Deus 1 Tessalonicenses 5.23; Hebreus 13.20,21 como fruto da união
vital com Jesus Cristo, João 15.4; Gálatas 2.20; 4.19, como uma obra que é
realizada no homem por dentro e que por essa mesma razão não pode ser
obra do homem, Efésios 3.16; CoIossenses 1.11 e fala da sua manifestação
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nas virtudes cristãs como sendo obra o Espírito, Gálatas 5.22.

Nesse processo o ser humano faz muito pouco, numa ilustração simples a Trindade
faz 99% e o ser humano 1%. A resolução aqui é clara, ande com Deus e Ele te fará
santo e sábio o suficiente para decidir o que assistir ou até mesmo se devemos
possuir uma TV. Pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. (1 Pedro
1:16)7

                                                                                                               
4
SCHEMES, Jorge N. N.. A Influência da Televisão no Desenvolvimento Biopsicosocial da Criança. P
05
5
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. P 529. (versão E-Book)
6
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. P 529 - 530. (versão E-Book)
7
Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida Atualizada
 

A Humanidade de Jesus. O dilema tem seu começo e talvez o único argumento


sério em favor da não-humanidade de Cristo na filosófica religião gnóstica. Sua
origem data séculos antes de Cristo.

Descobertas e pesquisas modernas sobre os essênios, filon, os mistérios


egípcios, etc., revelaram a existência de um gnosticismo pré-cristão.
Elementos de sua doutrina, como a existência de “éons”, podem ser
encontradas na teoria da harmonia das esferas, de Pitágoras (582-510 a.C).
Antigas concepções de astrologia e da religião babilônica também foram
incorporadas pelo gnosticismo pré-cristão. Mas, segundo suas origens e
desenvolvimento, as formas principais do gnosticismo pré-cristão são a
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helenística e a judaica.

Mas é nos primeiros séculos da era cristã que está filosofia ganha destaque. As
evidências disto se encontram em argumentos apologéticos dos pais da igreja. Por
volta do ano 150 a.D. Irineu foi enviado à outra extremidade do Império Romano, na
Gália (hoje França) e lá atacou a heresia gnóstica e passou à história como Irineu de
Lyon, o grande bispo defensor da ortodoxia cristã.

A abordagem de Irineu na crítica ao gnosticismo em "Contra as Heresias"


foi tripla. Em primeiro lugar, procurou reduzir ao absurdo a cosmovisão
gnóstica, ao demonstrar que boa parte dela era uma mitologia sem qualquer
fundamento a não ser a imaginação... Em segundo lugar, tentou demonstrar
que a reivindicação dos gnósticos de ter uma autoridade que remontava a
Jesus e aos apóstolos era simplesmente falsa. Finalmente, entrou em
debate com a interpretação gnóstica das Escrituras e demonstrou que era
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irracional e até mesmo impossível.

O suporte Bíblico para a humanidade de Jesus é tão claro, que João em seu
evangelho, faz o caso para relatar e informar a Deidade do Senhor. A introdução de
seu livro é fenomenal e de tirar o fôlego de qualquer um que lê e medita nas
implicações impostas pelo verso inicial deste Evangelho. O Espírito Santo resumiu
em um versículo toda historia do Deus Trino.

                                                                                                               
8
Enciclopédia Católica. Gnosticismo. Disponível em: http://catholicum.wikia.com/wiki/Gnosticismo
Acesso em 6 de junho de 2010.
9
OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. Ed. Vida, P 69-74
No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
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Deus.

É interessante notar a tendência nesses últimos anos, de se ressaltar a humanidade


de Cristo. Fato este, que foi saturadamente explorado no filme dirigido por Mel
Gibson, A Paixão de Cristo. Contudo, não podemos deixar que a humanidade de
Cristo ofusque a sua divindade e vice e versa, como bem comentou Berkhof:

É muito importante afirmar a realidade e a integridade da humanidade de


Jesus, admitindo o Seu desenvolvimento humano e as Suas limitações
humanas. Não se deve salientar o esplendor da Sua divindade a ponto de
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obscurecer a Sua verdadeira humanidade.

Vejamos agora algumas passagens que indicam a Humanidade de Cristo.


Após afirmar fortemente a deidade de Cristo, o apóstolo João escreve em seu
Evangelho: “A Palavra tornou-se carne e viveu entre nós” (João 1.14)NVI. Hebreus
2.14 diz, “Portanto, visto que os filhos são pessoas de carne e sangue, ele também
participou dessa condição humana, para que, por sua morte, derrotasse aquele que
tem o poder da morte...”NVI. Paulo é muito explícito a respeito da humanidade de
Cristo quando escreve em 1 Timóteo 2.5: “Pois há um só Deus e um só mediador
entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus”NVI. Ele esteve “cansado da viagem”
em João 4.6NVI, faminto em Mateus 21.18 e sedento em João 19.28NVI. E o mais
significativo, “ele sofreu a morte” (Hebreus 2.9)NVI para comprar a salvação para
todos aqueles que nele venha a crê.12
Cristo foi 100% humano e continua sendo 100% divino. A menos que não
confiemos na infalibilidade da Bíblia. Os argumentos histórico, textual e
arqueológico. Não deixam dúvida alguma de tal verdade acerca de Jesus.

                                                                                                               
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Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida. João 1.1
11
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. P 310. (versão E-Book)
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Nova Versão Internacional