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WELFARE STATE

O conceito de Welfare State ou Estado de Bem Estar Social é


baseado em uma ideia de que o homem possui direitos a sua existência
enquanto cidadão, estes direitos são direitos sociais. De acordo com esta
concepção, todo o indivíduo tem o direito, desde seu nascimento, a um
conjunto de bens e serviços que devem lhe devem ser oferecidos e
garantidos de forma direta através do ESTADO, ou indiretamente, desde
que o Estado exerça seu papel de regulamentar isso dentro da própria
sociedade civil.
A definição de welfare state pode ser compreendida como um
conjunto de serviços e benefícios sociais de alcance universal promovidos
pelo Estado com a finalidade de garantir uma certa “harmonia” entre o
avanço das forças de mercado e uma relativa estabilidade social, suprindo
a sociedade de benefícios sociais que significam segurança aos indivíduos
para manterem um mínimo de base material e níveis de padrão de vida,
que possam enfrentar os efeitos deletérios de uma estrutura de produção
capitalista desenvolvida e excludente.

Com o advento do iluminismo, entre os séculos XVII e XVIII, surgiu a


ideologia liberal. A partir dela, foram desenvolvidas inúmeras teorias, tanto políticas,
quanto econômicas, que, favoráveis à liberdade dos indivíduos em seu grau
máximo, defendiam que se limitasse o poder de interferência dos Estados na vida e
nas escolhas de seus cidadãos. Assim, segundo John Locke, considerado pai do
liberalismo, cabia somente aos governos garantir três direitos básicos aos homens: vida,
liberdade e propriedade. Adam Smith, pioneiro do liberalismo econômico, defendeu
a não-intervenção estatal na economia, em sua obra A Riqueza das Nações.
Firmando-se os pilares liberais na Europa, os regimes absolutistas foram, um a um,
caindo. Paralelamente, os países europeus, ao longo dos séculos XVIII e XIX, iniciaram
seus processos de industrialização.

Filho de intelectuais britanicos, o economista e empresário John


Maynard Keynes, nasceu em 5 de junho de 1883 na cidade de
Cambridge.
Estudou no Colégio Eton, tradicionalmente frequentado pelos
aristrocatas, onde logo se destacou em matemática. Aos 19 anos,
Keynes passou a estudar na Universidade de Cambridge, onde teve
aulas com Alfred Marshall, economista respeitado.

Em 1906, tendo concluído seus estudos em Cambridge, Keynes


torna-se funcionário público do Ministério dos Negócios das Índias,
função que exerceu na Ásia por dois anos. Insatisfeito com o cargo,
retornou logo a academia, onde dedicou-se a estudar as teorias
econômicas ortodoxas, tornando-se especialista nos Princípios
Econômicos de Marshall, sendo este o tema de sua Dissertação a
Teoria da Probabilidade. Ainda em 1908, tornou-se professor da
Universidade de Cambridge, cargo que ocupou até 1915.

A partir de 1916, época da I Guerra Mundial, exerceu diversos cargos


no Tesouro Britânico. Em 1919, foi encarregado de chefiar a
delegação britânica na Conferencia de Paz, em Paris. Descontente
diante das condições econômicas impostas à Alemanha nessa
ocasião, pediu demissão do cargo.

Para justificar seu posicionamento, publicou ainda em 1919 seu


primeiro livro: The Economic Consequences of the Peace (As
conseqüências econômicas da paz), obra com a qual ganhou
notoriedade nas nações capitalistas.

Na década de 1920 permaneceu afastado dos cargos oficiais, período


no qual acentuou-se sua insatisfação com a política de deflação
adotada pelo governo e com os encaminhamentos propostos pela
Economia Clássica.

Diante do desemprego em massa que assolava as economias


capitalistas, Keynes afastou-se da economia ortodoxa, representada
pela “Lei de Say”, lei segundo a qual não poderia ocorrer “escassez
de poder de compra” no sistema econômico. Passou então a analisar
a necessidade de intervenção do Estado no mercado, gerando, dessa
forma, “demanda para garantir os níveis elevados de emprego”. Em
1925 se casou com Lydia Lopokova, famosa bailarina russa. Publica A
Treatise on Money (Tratado sobre a Moeda) em 1930 (SILVA in
KEYNES, 1985).

Sua obra mais importante, "Teoria Geral do Emprego, do Juro e da


Moeda", foi publicada em 1936. Nesse livro, Keynes aponta para o
caráter intrinsecamente instável do sistema capitalista (SILVA in
KEYNES, 1985), esclarecendo que a “mão invisível” do mercado não
resulta no que pregam os economistas mais ortodoxos, no equilíbrio
entre o bem-estar global e os agentes econômicos. (SILVA in
KEYNES, 1985)
Em 1937, Keynes sofreu um enfarte. Mesmo sem se restabelecer por
completo, retornou ao trabalho no Tesouro Britânico, sendo que em
1944 representou a Inglaterra na Conferencia de Bretton Woods,
conferencia da qual se originou o Fundo Monetário Internacional
(FMI) e o Banco Mundial. Pouco antes de adoecer e falecer, Keynes
entrou em conflito com membros do organismo que ajudou a criar, o
então nascente FMI.

A teoria de John Maynard Keynes, que se baseia na intervenção do


Estado foi colocada em prática após o fim da II Guerra Mundial, como
uma opção para a recuperação dos países defastados pela guerra.
Essa corrente é conhecida como Welfare State, Estado de Bem-Estar
Social, ou ainda como Keinesianismo.

O Estado de Bem-Estar Social, ou Estado Keynesiano, reinou até o


fim dos anos 60, quando, em meio à instabilidade econômica
e inflação, passou a ser substituída por um modelo diferente
de liberalismo, ou neoliberalismo, que prega a mínima intervenção do
Estado no mercado, ou seja, o Estado Mínimo.

John Maynard Keynes faleceu em 21 de abril de 1946, vitima de um


ataque cardiaco.

Fontes
KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da
moeda. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.
A social democracia (SD), de amplo sucesso na Europa do pósguerra,
e fundamentalmente nos países escandinavos, é uma concepção
política saída do marxismo, também designada de socialismo democrático
(LEFRANC, 1974). Afirmou-se a partir do final do século XIX e defende
uma concepção menos intervencionista do Estado. Admite a propriedade
privada, apostando numa política centrada em reformas sociais
caracterizadas por uma grande preocupação com as pessoas mais carentes
ou desprotegidas e uma distribuição mais eqüitativa da riqueza gerada.
Originariamente, seus adeptos definiam-se como socialistas, sindicalistas e
anti-capitalistas. O que a distingue dos partidos e modelos liberais é,
sobretudo, sua preocupação de natureza social, principalmente com a
pobreza e a exclusão social, alicerçadas por um forte estado
democrático.

NO BRASIL
A constituição plena do Estado de bem-estar só se deu após a II Guerra Mundial,
tendo diferentes formas institucionais conforme a realidade nacional de cada
nação, ora como benefícios mínimos a famílias de renda mais baixa, ora baseada
na ideia de solidariedade social ou com forte característica de compromisso do
estado.
Conforme Medeiros (2001), o modelo do Welfare State no Brasil, devido à
resistência do governo à promoção de gastos sociais, combinado com o autoritarismo,
limitou a capacidade de os movimentos trabalhistas influenciarem de forma positiva a
sistematização de programas sociais generalizados a toda a população. Esse modelo ficou
restrito à classe produtiva, ideia contrária à de Myrdal, de que existem direitos
indissociáveis à existência de todo cidadão durante toda a sua existência e que esses
direitos iriam desde a saúde à educação em todos os níveis, auxílio ao desempregado e
garantia de uma renda mínima.
No governo dos militares, o Welfare State assumiu duas linhas: uma de caráter
compensatório na tentativa de reduzir o modelo desenvolvimentista baseado na
concentração de renda e outra de caráter produtivista na qualificação de mão de
obra visando ao crescimento econômico conforme indicava o cenário naquele
momento.
Porém, o modelo de desenvolvimento econômico e a base de sustentação
financeira das políticas sociais no Brasil têm sido direcionados mais como políticas
assistencialistas e não para gerar maior eficiência econômico-produtiva, impossibilitando a
geração de novas e maiores riquezas como preconizava Myrdal.
Conforme a constatação de Costa (2002), de acordo com Myrdal, quanto mais alto
o nível de desenvolvimento de um país, maiores serão os efeitos propulsores, com
melhor transporte e comunicações, melhores padrões educacionais, ideias e
valores dinamizados, fatores que impulsionam a expansão econômica,
possibilitando níveis ascendentes de renda para todos.
Quanto mais o Estado Nacional se transforma em Estado de bem-estar social,
maior será o impulso na direção do desenvolvimento econômico e do progresso da
causação circular cumulativa.

Diz ainda que, mesmo em países subdesenvolvidos, se o Governo tomar como


prioridade investimentos na criação de escolas e universidades, em preparação de
cientistas e pesquisadores em todos os campos, tende-se a um movimento de equilíbrio
da renda, o que irá provocar um processo cumulativo para o desenvolvimento social e
para o crescimento econômico nacional.
O ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL NO BRASIL: PERIODIZAÇÃO E
CARACTERÍSTICAS
A falta de uma profunda inserção histórica do Welfare State no Brasil sem sombra de
dúvida faz com que os campos onde o Estado atua apresentam uma eficácia com efeito
reduzido. Isso ocorre com a pouca clareza na transparência sobre gasto-social, uma
administração pública muito fragmentada e ausência ideológica para o crescimento dos
direitos sociais. (DRAIBE, 1993, p. 01). 
Draibe, (1993, p.19) propõe uma periodização e aponta algumas características para o
Estado de Bem-Estar Social no Brasil. A autora afirma que entre os anos trinta e setenta
foi institucionalizado o Estado Social no Brasil visando atender a necessidades
emergenciais do país, sendo eles: educação, saúde, integração e substituição de renda,
assistência social, habitação e emprego. O Brasil teve duas grandes fases para
institucionalização do Welfare, nos dois momentos principais de 1930 – 1943 e 1966 –
1971, ambos os períodos apresentaram regimes autoritários e buscavam a legitimação do
sistema através da política social. 
Conforme Pochmann, (2004, p. 10), o Welfare State no Brasil surpreendentemente se
desenvolveu seus próprios caminhos, aos apresentados na Europa Ocidental de América
do Norte. O sistema tinha pouca força no momento da industrialização, e a depressão de
1929 afetou a economia brasileira, mas não em larga escala justamente pelo simples fato
que havia um número restrito de trabalhadores assalariados onde dificultava a política de
crescimento ao consumo interno no país e as autarquias definia os aspectos ligados o
aparelhamento dos trabalhadores devidamente em caráter político (MEDEIROS, 2001, p.
08). 
A seguir verificaremos a periodização e as características sobre WS no Brasil, visto por
Draibe (1993), Pochmann, (2004) e Medeiros (2001).

 De 1930 - 1943: legislação na criação de institutos de aposentadorias e pensões.


Legislação trabalhista (processo que a partir de 1971 torna-se a ser visto, porém
atenção mais voltada para os movimentos citado abaixo). Fortalecimento das
políticas da saúde e educação. (DRAIBE, 1993, p.19)
 1930 - 1950 o Brasil obteve um crescimento econômico devido com ao setor
agrário-exportador de produtos primários comparado a outros países que tiveram
desempenho negativo com a depressão de 1929 como Indonésia, Romênia,
Espanha e países que ficaram próximo ao zero ou pouco positivo no
desenvolvimento como Hungria, Grécia, Coréia do Sul, Iugoslávia, Honduras e
Uruguai. (POCHMANN, 2004, p. 07).
 1930 - 1980 a produção industrial aumentou em 18,2 vezes equivalentes a 6% ao
ano, efetivando uma nova estrutura industrial havendo uma reestruturação do
sistema de proteção social no país. (POCHMANN, 2004, p. 07).
 Estado Novo 1937 – 1945: país em definitivo passa de base agrário para uma
sociedade fundamentada ao urbano-industrial. Com a publicação da Lei de
Segurança Nacional no ano de 1935 onde restringe os movimentos de esquerda e
direita, constituindo todo poder decisório no governo federal conseqüentemente
aos assuntos administrativos de políticas sociais. (MEDEIROS, 2001, p. 13).
 Entre 1945 e 1964 houve movimento de inovação legal-institucional nas áreas da
educação, saúde, assistência social e habitação. (DRAIBE, 1993, p. 20).   De
acordo Medeiros, (2001, p. 13) com um regime democrático, o marco do período
foi à criação de mecanismos legais específicos para o funcionamento da
democracia através do governo. Devido ao crescimento urbano-industrial o Estado
teve que adaptar e evoluir sobre as questões econômicas e políticas para atender
o mercado, sociedade e a modernização do país, principalmente na previdência
social.
 De 1966 – 1971: Medidas legislativas, transformação da armação institucional e
financeira do sistema de política social. Serviços sociais básicos citados no
movimento acima implantados com certa tendência universalista para políticas de
massa. Criação de instrumentos de formação de patrimônio dos trabalhadores,
FGTS, PIS-PASEP. (DRAIBE, 1993, p. 20).  
 1970 – 1980: Medeiros, (2001, p. 16) reforça que a meritocracia estratificada
socialmente os cidadãos e que o particularismo teria a mesma conotação do
corporativismo. Na década de 80 o Brasil através das reformas se constitui como:
Centralizador financeiro e político na esfera federal; Instituição fragmentada.;
Privatização de modo clientelístico nas políticas sociais; Autofinanciamento e
Tecnocrático.Início da Nova República – 1984: Marco do período fim do regime
militar.  Avanço na política, aumento e desenvolvimento dos partidos, sindicatos e
voto popular para o processo eleitoral.
 1985- 1988: Medeiros, (2001, p. 17) apresenta a estratégia reformista e
descentralização governamental: no Executivo Federal com a estratégia reformista
surge programa emergencial suplementar no quesito alimentação reforma agrária,
seguro – desemprego, grupos de trabalhos e comissões setoriais. No legislativo a
descentralização governamental através da publicação da nova constituição em
outubro de 1988 já contemplando as novas reformas sociais.
 1987 – 1992 A base conservadora se mobiliza contra a estratégia reformista,
visando o crescimento do assistencialismo e clientelismo, paralisando a estratégia
reformista. (MEDEIROS, 2001, p. 16).
 1990 – 1992: Marco desse período foi justamente o desmonte e fragmentação
burocrática do Estado em detrimento dos ataques decorrente na participação na
vida social. O governo se absteve referente a programas onde era controlado por
ele durante cerca de 30 anos em resposta o Executivo que passou a atuar de no
modelo clientelístico e fisiologismo, justificando a intenção de descentralização
administrativa. (MEDEIROS, 2001, p. 18).
 1993 - Aparecem novas propostas nas políticas sociais brasileiras. Com a perda do
centralismo, o governo conectado aos movimentos sociais conseguiu a redução no
clientelismo e afastando o assistencialismo e a continuação dos programas.
(MEDEIROS, 2001, p. 18).

No Brasil, a partir de 2001, o governo federal adotou o Programa Bolsa Escola


como complementação de renda às famílias, assumindo a família também alguns
compromissos para se beneficiar de tal programa, como garantir a frequência escolar dos
filhos e determinadas ações na área da saúde. Mas ainda existe um longo caminho a ser
percorrido para que possa ser considerado um país que tenha a educação e a saúde como
metas principais em sua agenda, passando a ver como efeito propulsor do
desenvolvimento da nação, não apenas como gastos elevados com resultados a longo
prazo (JENSEN, 2009).