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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE FORMIGA

BACHARELADO EM ENGENHARIA AGRONÔMICA

ANA CLAUDIA CORDEIRO

GUSTAVO JUNIO MIRANDA

Biomassa Microbiana
Importância e Transformações no Ciclo dos Elementos do Solo

FORMIGA

2019
ANA CLAUDIA CORDEIRO

GUSTAVO JUNIO MIRANDA

Biomassa Microbiana
Importância e Transformações no Ciclo dos Elementos do Solo

FORMIGA

2019
INTRODUÇÃO

A biomassa microbiana do solo é a porção viva do solo, a matéria orgânica,


constituída por arqueias, bactérias e eucariotos, excluindo raízes e animais maiores que
5x10³ mm, de acordo com Jenkinson e Smith (1981). Fungos, bactérias e arqueias
representam 75-98% da biomassa microbiana do solo, protistas de 1 a 6% e meso e
macrofauna (micro artrópodes, macro artrópodes, enchytraeids e minhocas) apenas uma
menor fração da biomassa viva total no solo. Ritz K. (1994) cita que em apenas 1 cm³ de
solo sob pastagem pode conter milhões de bactérias, milhares de protozoários, centenas
de metros de hifas de fungos, centenas de fungos, insetos e outros organismos maiores.

A biomassa microbiana do solo é um componente crítico de todos os


ecossistemas naturais ou manipulados pelo homem e está relacionada a diversos
processos do solo, sendo comum considerar um solo sem atividade biológica um solo
sem vida. Entre os processos podem ser incluídos a decomposição de resíduos
orgânicos, ciclagem de nutrientes, solubilização de nutrientes (particularmente fosfatos),
degradação de compostos xenobióticos e poluentes, estruturação do solo,
armazenamento de matéria orgânica, controle biológico e supressão de patógenos
vegetais; de modo que em muitas ocasiões a BMS tem sido indicada como um
componente importante por manter e medir a qualidade do solos, além de um fator que
agi diretamente na produtividade das plantas, agindo como fonte e dreno dos nutrientes
necessários ao crescimento desses seres vivos.

Esses microrganismos utilizam a fração biológica do solo como fonte de


nutrientes e energia para sua formação e desenvolvimento, fazendo com que ocorra uma
imobilização temporária de diversos elementos indispensáveis ao suporte físico para as
culturas agrícolas, de modo que vários dos microrganismos são considerados funcionais,
como amonificadores, que mineralizam o nitrogênio (N) formando amônia e nitrificadores
que oxidam o nitrogênio em N-amoniacal em N-nitrato, populações bacterianas
noduladoras de leguminosas e atividades enzimáticas no solo.
Figura 1: Estrutura do Solo e os componentes da Biomassa Microbiana

Fonte: Blog da Escola de Ecologia da UNEPS – Rio Claro

Figura 2: Minhoca (Oligochaeta) Figura 3: Ameba (Protozoário)

Fonte: Site Revista Globo Rural Fonte: Instituto de Agricultura Biológica

Figura 4: Sínfilo (Symphyla) Figura 5: Fungos

Fonte: Soils Bug Fonte: BBC


Figura 6: Actinomicetos (bactérias)

Fonte: BBC Earth


A IMPORTÂCIA DA BIOMASSA MICROBIANA DO SOLO

A biomassa microbiana do solo desempenha um papel importante não apenas


na decomposição da matéria orgânica, mas também servem como uma fonte de
nutrientes no solo para as plantas. Nutrientes esses que são disponibilizados lentamente
durante o período de cultivo.

Em solos tropicais e subtropicais, a exemplo dos solos brasileiros, os organismos


vivos do solo atuam como reservatório de nutrientes para as plantas, ao imobilizarem em
seus corpos, temporariamente, carbono (C), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K),
cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S) e micronutrientes que após sua morte e
decomposição são liberados no solo e absorvidos de forma direta pelas plantas.

Apesar de ser uma pequena parte da composição do solo, entre 2% e 5% do


carbono orgânico disponível, a biomassa microbiana do solo contribui para a nutrição
das plantas de uma forma muito mais expressiva do que se poderia esperar devido à sua
natureza lábil. A atuação da biomassa microbiana do solo sobre a matéria orgânica,
transforma-a em um rico composto mineral (húmus), material este de grande importância
não só para a produtividade agrícola, como também para a manutenção das boas
propriedades do solo.

A biomassa microbiana do solo ao ser incorporada em práticas agrícolas, passa


a ser conduzida por fatores como manejo do solo, fatores climáticos e edáficos, ou seja,
do próprio solo e fatores fisiológicos, além de sofrer também influência de acordo com
as diferentes espécies de cultivares, entre outros.

A partir do bom manejo do solo e da valorização da biomassa microbiana do


solo, muitas vantagens podem ser alcançadas tanto em relação a ganhos de
produtividade quanto de conservação dos solos. Estudos relacionam que a biomassa
microbiana do solo contribui substancialmente para o aumento da variedade de
nutrientes disponíveis as plantas no solo. A importância da biomassa microbiana do solo
na fertilidade do mesmo é descrita a seguir:
Como fonte de nutrientes

A biomassa microbiana do solo tem papel importante na fertilidade do solo. O


correto manejo do solo e a adoção de práticas de cultivos acertadas e voltadas para as
melhorias das propriedades do solo favorecem inúmeros processos microbiológicos
relacionados com a mineralização e com a liberação de nutrientes às plantas. Como a
biomassa microbiana do solo atua como uma catalisadora das importantes
transformações químicas e físicas do solo ela passa a ser uma fonte de diversos minerais
e nutrientes, como nitrogênio potencialmente mineralizável, fósforo e enxofre
disponíveis.

Como indicador da poluição por metais pesados e pesticidas

O aumento da disposição do lodo de esgoto em terra tem o potencial de


aumentar os metais pesados no solo. Existe, portanto, preocupação com os efeitos a
longo prazo dessa adição de metais pesados.

Acredita-se que a biomassa microbiana solo, sendo um componente vivo do


solo, possa fornecer uma indicação precoce dos efeitos adversos do aumento das
concentrações de metais pesados e pesticidas no solo. A biomassa microbiana diminui
mais rapidamente à medida que a concentração de metais pesados aumenta.

Como um indicador da qualidade do solo.

A qualidade do solo é a capacidade de um tipo específico de solo para funcionar,


dentro dos limites naturais ou controlados de um ecossistema, para sustentar a
produtividade de plantas e animais, manter ou melhorar a qualidade da água e do ar e
apoiar a saúde e a habitação humana (Karlen, 1997).

Para avaliar a qualidade do solo, é necessário aferir adequadamente a


capacidade de funcionamento desse solo a partir de indicadores apropriados, os quais
podem ser fornecidos pela observação biomassa microbiana do solo, que desempenha
três funções essenciais na estrutura do solo. Além disso a biomassa microbiana do solo
é sensível o suficiente proporcionar a medição de mudanças devido aos diferentes usos
e manejo da terra, como por exemplo, abertura de novas fronteira (uso de terra virgem),
rotação de culturas, restauração e contaminação por metais pesados.
TRANSFORMAÇÃO NOS CICLOS DOS ELEMENTOS DO SOLO

Como já foi mencionado, a Biomassa Microbiana é altamente ativa nos


processos de transformação dos elementos químicos do solo.

Os microrganismos são bastante dependentes da matéria orgânica do solo que,


em resumo, é constituída pelos produtos da decomposição de resíduos de origem animal
e vegetal e pelos próprios microrganismos vivos. Durante a decomposição cerca de 20%
do carbono presente nos resíduos orgânicos é liberado para a atmosfera como gás
carbônico (CO2) e o restante passa a compor a matéria orgânica do solo.

Figura 7: Ciclo do Carbono

Fonte: Brasil Escola

Outro exemplo disso, podemos considerar os diferentes microrganismos da


biomassa microbiana participam da transformação do enxofre inorgânico, como as
bactérias do gênero Thiobacillus, consideradas de maior importância na oxidação de
compostos reduzidos do S no solo (Lens et al., 2000). Vários microrganismos
heterotróficos também oxidam o enxofre elementar a tiossulfato, tetrationato e
pentationato, resultando como produto final o sulfato no solo (Kelly et al., 1997).
Figura 8: Ciclo do Enxofre

Fonte: Braga, 2005

Figura 9: Thiobacillus Denitrificans

Fonte: Bioscience Area

Mais caso de ciclagem é do nitrogênio, um dos nutrientes mais exigido pelas


plantas. Este elemento, porém, encontra-se quase totalmente complexado na forma
orgânica (98%), dependendo da biomassa microbiana do solo, para a sua transformação
e, consequente, absorção pelas plantas (COSER et al., 2007). A biomassa microbiana
do solo representa a menor porcentagem de nitrogênio total do solo, mas é responsável
pela reserva lábil e ciclagem de nutrientes, decomposição da matéria orgânica, fluxo de
energia e é sensível às mudanças que ocorrem no solo, sendo, portanto, uma boa
indicadora de qualidade do solo.
Figura 10: Ciclo do Nitrogênio

Fonte: Braga, 2005


CULTIVOS E A BIOMASSA MICROBIANA

Cana-de-açúcar

Nas últimas décadas, a cana-de-açúcar aumentou sua importância no cenário


econômico devido ao avanço na produção de etanol, que tem grande representatividade
na matriz energética nacional. Atualmente, questões ambientais encontram-se em
destaque, o que influenciou a gradual mudança no sistema de colheita de cana-
queimada para o de cana-crua (sem queima). No sistema tradicional de colheita, a cana
é queimada a fim de melhorar a eficiência da colheita manual, já que o fogo remove as
folhas e reduz o risco de acidentes causados por animais peçonhentos. Já a colheita
crua é feita por colheitadeiras mecânicas, sem prévia queima das folhas. A perda de
qualidade do solo decorrente do uso de práticas agrícolas inadequadas e evidenciada
pela erosão e redução da fertilidade do solo contribui para a mudança no sistema de
colheita. No manejo de colheita de cana-crua, folhas e ponteiros são cortados e
depositados na superfície do solo, formando uma cobertura morta. Esta cobertura
modifica o ambiente do solo em vários aspectos, como a proteção contra erosão,
conservação da umidade, atividade microbiana e da matéria orgânica.

O aporte de resíduos vegetais é indispensável para a qualidade dos solos.


Apesar de ignoradas por até pouco tempo atrás, as variáveis biológicas têm sido
incluídas em modelos de qualidade de solo mais recentemente. Dentre as variáveis
microbiológicas, têm se destacado a biomassa e respiração microbianas e a atividade
enzimática.

Diversos estudo tem comprovado que a substituição da colheita da cana-


queimada por colheita de cana-crua é capaz de reconstituir parcialmente a estrutura da
Biomassa Microbiana.
Tabela 1: Atividade de xilanase (Xil), sacarase (Sac), beta-glicosidase (βGlic) e fosfatase ácida
(Pase), respiração basal do solo (RBS) e glomalina em solos (0-10 cm de profundidade) cultivados
com cana-de-açúcar colhida crua ou após queima, em três áreas de Alagoas.

Fonte: Embrapa

Figura 11: Palha da Cana-de-Açúcar

Fonte: IAC
CONCLUSÃO

Estimativas da biomassa microbiana têm sido usadas em estudos do fluxo de


diversos nutrientes e na produtividade das plantas em diferentes ecossistemas
terrestres. Essas medidas permitem a quantificação da biomassa microbiana viva,
presente no solo em um determinado tempo. Possibilitam também a associação da
quantidade de nutrientes imobilizados e a atividade da biomassa microbiana com a
fertilidade e o potencial de produtividade do solo, servindo de base para estudos de
formação e ciclagem da matéria orgânica.

A manutenção da produtividade dos ecossistemas agrícolas e florestais


depende, em grande parte, do processo de transformação da matéria orgânica e, por
conseguinte, da biomassa microbiana do solo. De modo que esta representa um
importante componente ecológico, pois é responsável pela decomposição e
mineralização dos resíduos vegetais no solo, utilizando esses materiais como fonte de
nutrientes e energia para a formação e o desenvolvimento de suas células, bem como
para síntese de substâncias orgânicas no solo.
Referências

Gama-Rodrigues, Emanuela & Gama-Rodrigues, Antônio. (2008). Biomassa


Microbiana e Ciclagem de Nutrientes.

OADES, J.M.; JENKINSON, D.S. Adenosine Triphosphate content of the soil microbial
biomass. Soil Biology and Biochemistry, Oxford, v.11, p.201-204, 1979.

VANCE, E. D.; BROOKES, P. C.; JENKINSON, D. S. An extraction method for measuring


soil microbial biomass C. Soil Biology and Biochemistry, Oxford, v. 19, p. 703-707,
1987

CHAER, G. M.; FERNANDES, M. F.; MYROLD, D.; BOTTOMLEY, P. Shifts in microbial


community composition and physiological profi les across a gradient of induced soil
degradation. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 73, p. 1327-1334,
2009.

In: Seminário de Iniciação Científica e Pós-Graduação da Embrapa Tabuleiros


Costeiros, 3. 2013, Aracaju. Anais... Brasília, DF: Embrapa, 2013. 1 CD-ROM.

GAMA-RODRIGUES, E.F. Biomassa microbiana e ciclagem de nutrientes. In:


SANTOS, G.A. & CAMARGO, F.A.O., eds. Fundamentos da matéria orgânica do solo
– Ecossistemas tropicais e subtropicais. Porto Alegre, Genesis, 1999. 491p

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