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LEONARDO SOUZA DE VASCONCELOS

MATRÍCULA: 201515095-3
DIREITO TRIBUTÁRIO I
FATO GERADOR E SUA OCORRÊNCIA – SITUAÇÕES DIVERSAS

FATO GERADOR E SUA OCORRÊNCIA – SITUAÇÕES DIVERSAS

O fato gerador, a luz do CTN, em seu artigo 114, é definido pelo legislador
como a hipótese necessária para gerar a obrigação tributária. É uma situação descrita na
lei, atribuída ao pagamento de impostos por arrecadação do Estado. Sendo assim, é uma
obrigação de ceder-lhe parte do patrimônio que é destinado a manter uma estrutura de
poder público, devendo retornar ao contribuinte em forma de bens ou serviços. Desta
forma, podemos dizer que o fato gerador é o ponto fundamental para identificar o
momento do surgimento da obrigação tributária, observando o sujeito ativo, que é a
pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento,
e identificar o sujeito passivo, que é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou
penalidade pecuniária, além dos demais elementos da obrigação. É o momento que faz
nascer o relacionamento jurídico entre o contribuinte e o Estado.
O CTN define duas situações de sujeito passivo: aquele que tem relação
pessoal e direta com o fato gerador - praticando o fato, sendo chamado de
contribuinte. O outro sujeito é colocado pela legislação na situação de responsável,
sobre o qual, em dadas circunstâncias, recai a responsabilidade pelo recolhimento do
tributo, não tendo relação pessoal com o fato. Isso se dá para que se atenda às
necessidades da Fazenda Pública do ponto de vista administrativo, além de facilitar
para o contribuinte, tendo como vantagem para o Estado a impossibilidade de
sonegação.
Todos os impostos têm o seu fato gerador, ou seja, um conjunto de fatos que o
legislador vincula ao surgimento da obrigação de pagar um tributo sobre uma ou todas
as partes envolvidas.
A doutrina desenvolve uma análise crítica a respeito da forma pela qual o
legislador complementar aborda o tema, pois ela leva para a ideia de que primeiro
surgiria a obrigação e depois o fato gerador. Entretanto, entende-se que, ocorrido o
fato gerador, ocorre no mesmo momento a obrigação. Dessa forma, parte da doutrina
trata em seus textos a expressão prevista no CTN como situação-base.
Para que essa obrigação seja imposta ao contribuinte é necessário que aconteça
um fato que seja exatamente previsto igual à norma. Quando isso acontece, passa a se
chamar de “subsunção do fato à norma” e caracteriza a hipótese de incidência tributária.
No caso do imposto de renda, a hipótese prevista em lei é: quem recebe uma
renda, tem que pagar o imposto. A principal obrigação é o pagamento do imposto
decorrente do recebimento da renda, sendo assim, a obrigação acessória é entregar a
declaração à Receita Federal.
O imposto de renda só pode ser cobrado pela União, independente da pessoa
física ou jurídica que receba uma nova riqueza, sendo esta fruto de trabalho ou do
capital. O imposto tem três princípios: a generalidade, que afirma que qualquer pessoa
que receba uma renda tem que pagar o imposto; a universalidade, que atinge qualquer
rendimento tributário recebido pelo contribuinte; a progressividade, alíquotas maiores
para rendimentos maiores e vice-versa.
Já o fato gerador do tributo possui três elementos básicos: a legalidade, que se
refere à exigência do cumprimento do princípio constitucional da legalidade; a
Economicidade, que se refere ao aspecto econômico do que é tributável (envolvendo a
base de cálculo e alíquota do tributo) e a capacidade contributiva do sujeito passivo; e a
causalidade, que corresponde ao nascimento da obrigação tributária.
O fato gerador que causa a obrigação de pagar tributo visa casos como adquirir
renda, prestar serviços, importar mercadorias estrangeiras, circulação de mercadorias,
etc. Por conta disso, adquirir renda é o fato gerador do imposto de renda, uma vez que
revela o fato gerador da obrigação de pagar o imposto.
A venda de uma determinada mercadoria, ao sair do estabelecimento do
comerciante, se torna o fato gerador tanto do ICMS, quanto da emissão da
correspondente nota fiscal.
O fato gerador do IPI também é composto por alguns elementos, como o
desembaraço aduaneiro de produtos estrangeiros e a saída de produtos do
estabelecimento industrial. Por exemplo: o fato gerador do imposto de importação, que
é a entrada de produtos estrangeiros em território nacional, nesse caso é representado
pelos sujeitos ativo e passivo da relação jurídico tributária. De um lado encontra-se um
público dotado de competência legal para exercer o poder de tributar (sujeito ativo); do
outro, o contribuinte, responsável ou o sucessor (sujeitos passivos).
Nesses casos, entende-se que o local da sua ocorrência determina qual deverá ser
o órgão competente para a arrecadação de tributos. Para fazer essa aplicação, é utilizado
o princípio básico da territorialidade, uma vez que o fato gerador só é permitido dentro
dos limites geográficos legais. O fato gerador consiste na quantidade do tributo a pagar,
estabelecido mediante a base de cálculo e alíquota apropriada.
Na tributação existem dois campos importantes: o da incidência e a não
incidência. A Constituição determina quais campos serão entregues a incidência de
tributos ou não. Quando existe uma lei instituidora de tributos que abrange algum caso
específico, é um caso de incidência. Se o fato concreto não se adequar à lei proposta, é
um caso de não incidência.
Supondo que a Constituição desse a autorização ao poder central da instituição
de um imposto sobre a venda de calçados. Ao mesmo tempo, a Constituição proibiria a
tributação do calçado. Sendo assim, a lei não poderia tributar, visto que a Constituição
está acima de qualquer outra lei. Assim, elas estarão dentro do campo da não incidência.
Para que o tributo seja exigido, é necessário que a lei estabeleça o fato que dê
motivos para a cobrança exercida pelo Estado. Afinal, sem lei, não há tributos.
A expressão “fato gerador” tem sido cada vez menos utilizada, devido à
divergência de sua explicação. O incômodo que essa expressão causa é que “gerador”
não deveria ser destinado ao “fato”, já que o que causa a relação jurídico-tributária é a
incidência da lei sobre o fato, ou seja, quem deveria criar essa obrigação tributária é a
lei, e não o fato.