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Universidade Federal de Campina Grande

Centro de Ciências e Tecnologia


Unidade Acadêmica de Engenharia de Petróleo

FRATURAMENTO HIDRÁULICO

Trabalho realizado para obtenção da terceira nota da


Disciplina de Completação de Poços ministrada pela
professora Dra. Kássie Vieira Farias.

Alunos:
Giliane Rivamberlla de Alencar Apinagés 117112295
Mikaely Bezerra de Carvalho 116111511
Mônica L. A. Rocha Arruda - 118110262
Resumo

Campina Grande, PB, outubro de 2019


O petróleo ainda é a principal fonte energética mundial e o seu uso vem crescendo ainda mais
com a demanda atual de consumo da população. Por possuir um papel de extrema
importância, há uma necessidade de aumentar a sua eficiência produtiva ampliando assim os
conhecimentos e técnicas relacionados ao processo de exploração e produ de reservatórios.
Porém, os poços de petróleo explorados, apenas um pequeno percentual se mostra
economicamente viável, o que mostra a complexidade envolvida no processo de exploração.
Existem diversas maneiras de se aumentar a produtividade de um poço de petróleo. No
presente trabalho será apresentado a técnica de estimulação por fracionamento hidráulico. A
estimulação é caracterizada por um conjunto de técnicas utilizadas para obtenção de maior
produção de um poço, através da criação de uma zona adjacente ao poço na qual o movimento
dos fluidos é facilitado. fraturamento hidráulico tem como objetivo a criação de fraturas, que
formam canais com maior permeabilidade que a formação original, possibilitando uma
melhor extração do óleo/gás do reservatório. Serão apresentados a seguir sua a avaliação, teste
minifrac e seus principais parâmetros, métodos de diagnóstico de tensão in situ e fratura
natural, os fluidos de fraturamento hidráulico, propantes, tecnologia de fraturamento de zonas
múltiplas e melhorias da tecnologia de fraturamento com o intuito de se realizar um estudo de
revisão bibliográfica sobre esta a operação e discorrer sobre o procedimento apontando
algumas áreas que serão fundamentais para o sua compreensão.
Palavras-chave: Reservatório, estimulação e fraturamento hidráulico.

1. Introdução
Atualmente, o petróleo é a fonte de energia mais consumida no mundo, superando o
carvão, gás natural, a energia nuclear, os combustíveis renováveis, entre outros. A demanda
de petróleo vem crescendo a taxas elevadas nos últimos anos, o que faz com que se conclua
que a tendência é que o consumo de óleo aumente ainda mais futuramente. Como exemplo de
fatores que contribuem para este aumento na demanda de fontes energéticas, pode-se citar: o
crescimento populacional, a falta de racionalização no consumo, a inserção de novas
potências econômicas no panorama mundial, entre outros (Tavares, 2010).

Figura 1: Gráfico da Matriz Energética Mundial do ano de 2011


Fonte: Agência internacional de Energia (IEA)
O petróleo é a fonte energética mais consumida no mundo, portanto, a cada dia que
passa se torna mais clara a necessidade de se ampliar conhecimentos e aperfeiçoar técnicas
relacionadas à produção de hidrocarbonetos. No entanto, dos poços de petróleo explorados,
apenas um pequeno percentual se mostra economicamente viável, o que mostra a
complexidade envolvida no processo de exploração. Existem diversas maneiras de se
aumentar a produtividade de um poço de petróleo, podendo ser citados os métodos de
recuperação secundária de óleo e a estimulação de poços.
A estimulação é parte importante no ciclo que descreve a Engenharia de Petróleo, é
caracterizada por um conjunto de técnicas utilizadas para obtenção de maior produção de um
poço, através da criação de uma zona adjacente ao poço na qual o movimento dos fluidos é
facilitado, através do aumento da permeabilidade do substrato ou da redução da viscosidade
dos fluidos. Tratamentos de estimulação podem ser altamente eficazes duplicando ou até
mesmo quadruplicando as taxas de produtividade.
Os métodos de estimulação mais utilizados são o fraturamento hidráulico e a
acidificação. O objeto de estudo do trabalho será o fraturamento hidráulico que consiste na
injeção de um fluido (fraturante) na formação, sob uma pressão alta o suficiente para
ocasionar a ruptura da rocha por tração, junto com um material granular (agente de
sustentação), que mantêm a fratura da rocha aberta, originando assim um caminho
preferencial de elevada condutividade, o qual facilitará o fluxo de fluidos do reservatório para
o poço (ou vice-versa). O agente de sustentação normalmente é areia, geralmente é
dispensável no fraturamento de rochas calcárias, onde soluções ácidas são utilizadas. Os
benefícios do fraturamento hidráulico são os seguintes:
● É possível a fratura atingir uma área do reservatório mais distante do poço,
com condições melhores de permoporosidade.
● Em reservatórios lenticulares a fratura poderá atingir zonas não previamente
comunicadas ao poço, colocando-as em produção;
● Em reservatórios fraturados de forma natural, a fratura induzida
hidraulicamente também poderá conectar fissuras naturais em quantidade
suficiente para aumentar a produção;
● Quando a formação é danificada, a fratura ultrapassa a zona com
permeabilidade restringida, próxima ao poço; e
● Modifica o modelo do fluxo do reservatório para o poço. O fluxo passa a ser
linear dentro e nas proximidades da fratura e pseudo-radial mais distante. O
fluido passa a percorrer caminhos de muito menos resistência ao fluxo.
Essencialmente, o método é iniciado pela perfuração de um ou mais poços, até
camadas de folhelhos, que podem estar posicionados em profundidades superiores a dois mil
metros. Ao atingir uma profundidade pré-determinada durante a etapa de pesquisa, o poço é
horizontalizado, de forma que seccione, paralelamente, as camadas de folhelhos. Neste poço,
é injetada, sob altas pressões, uma solução, composta por água, areia e compostos químicos
diversos (denominada solução de fraturamento). Durante estas injeções, os folhelhos que
estão dentro da área de influência do poço são fraturados e estas fraturas são mantidas abertas
por produtos presentes na própria solução. Após, a solução residual é bombeada para fora do
poço e disposta para tratamento e/ou destinação (SANBERG, 2014).
Como resultado do fraturamento das camadas de folhelho, há uma abrupta liberação
de gases (metano, propano, nitrogênio, dióxido de carbono, entre outros) e quantidades
insignificantes de óleo bruto. O alívio de pressão gerado pela própria abertura do poço,
associado com a diferença de densidade do gás, faz com que o poço perfurado sirva como um
canal preferencial de migração para captura do gás em superfície. Em superfície, este poço é
conectado a uma usina para pré-refino e a uma linha de transmissão de gás, que conduz para
uma refinaria de grande porte.

Figura 2: Etapas de prospecção de gás não convencional por fraturamento hidráulico


(SANBERG, 2014).
Quadro 1: A camada F representa um folhelho. A camada A representa as camadas
superiores que podem conter água (aquíferos). Quadro 2: Representação do primeiro estágio
do processo, onde P é o poço de injeção/extração. Quadro 3: Representação da injeção da
solução de fraturamento hidráulico que gera fraturas nas camadas de folhelhos. Quadro 4:
Devido ao alívio de pressão, o gás que estava contido nos folhelhos é liberado e migra para a
superfície através do duto preferencial (poço). O gás é conduzido ao pré tratamento em uma
usina local (U) e transmitido por uma tubulação para uma Usina de maior porte e posterior
distribuição. A bacia de acúmulo B representa em uma área para armazenamento temporário
de efluentes líquidos.
2. Revisão Bibliográfica
2.1 Seleção do poço e do reservatório para fraturamento
Para que seja feita a escolha do poço e do reservatório que para fraturamento
hidráulico será realizado, é de suma importância que antes de sua execução, seja feita uma
investigação da região, que está relacionada diretamente com o sucesso ou não da operação. A
escolha dos poços para fraturamento na condição de poço exploratório deve ser
excepcionalmente prudente. Para a seleção do intervalo, os reservatórios devem ser avaliados
de forma abrangente, utilizando-se dados de teste de formação, teste de poço, litologia,
propriedade elétrica, grau de conteúdo oleífero, dentre outros fatores. Seleciona-se, então,
uma determinada área contendo óleo e as condições relevantes na rocha para a realização do
fraturamento.
O intervalo no qual as microfraturas serão desenvolvidas deve ser identificado por
meio de dados de testemunho e de perfil, selecionados previamente. Se um poço é propício
para fraturamento hidráulico e qual extensão e escala deverão ser adotadas, irá depender das
distâncias até a água de borda, água de fundo, capa de gás e falha, condição da camada de
barreira e a condição técnica do poço.
2.2 Avaliação de pré-fraturamento do reservatório
Antes da realização do fraturamento é necessário que feita avaliação de diversos
critérios que levarão a um procedimento mais seguro e com uma implementação mais
eficiente. São eles: Descrição geral da litologia e do reservatório, análise de dados do perfil,
análise de testemunho e teste de formação e de poço.
● Descrição geral da geologia e do reservatório visa compreender, dentre outras
características, o cenário sedimentar e a forma geométrica do reservatório, as
variedades das estruturas e das falhas, as reservas, a área, a espessura, o raio de
drenagem, a litologia, o horizonte, a pressão e a temperatura do reservatório.
● Análise dos dados de perfil estuda-se a propriedade bloqueante dos estratos, os perfis
das propriedades mecânicas do reservatório (módulo elástico, módulo cisalhante,
razão de Poisson, compressibilidade, dentre outras), o perfil de tensões in situ e a
direção da tensão in situ.
● Análise de testemunho destina-se ao estudo dentre outros fatores, da permeabilidade e
da porosidade do reservatório, a sensibilidade da rocha reservatório e o estado de
desenvolvimento da fratura natural.
● Teste de poço e de formação determina a permeabilidade efetiva do reservatório, a
pressão e temperatura do reservatório, o raio de drenagem, e assim por diante.
2.3 Técnica do teste Minifrac
É um teste de diagnóstico de queda de injeção realizado sem propagante antes de um
tratamento de estimulação da fratura principal. A intenção é interromper a formação para criar
uma pequena fratura durante o período de injeção e, em seguida, observar o seu fechamento
durante o período de declínio subsequente. Historicamente, esses testes são realizados
imediatamente antes da realização da fratura principal para obter parâmetros de projeto (ou
seja, pressão de fechamento da fratura, gradiente da fratura, coeficiente de vazamento de
fluido, eficiência do fluido, permeabilidade da formação e pressão do reservatório). No
entanto, o período de declínio era geralmente interrompido logo após a observação do
fechamento, antes que estimativas confiáveis da pressão e permeabilidade da formação
pudessem ser obtidas.
Como esses dois parâmetros são críticos para o projeto da fraturamento e para a
engenharia de produção/reservatório, parecia prudente estender o período de declínio para
obter melhores estimativas, principalmente porque há pouca expectativa de reunir essas
informações após a estimulação principal. Muitos operadores conseguiram isso simplesmente
agendando o teste minifrac bem antes do tratamento principal de fraturas. No entanto, prever
o tempo de queda necessário para obter estimativas significativas da pressão e permeabilidade
da formação é difícil, pois depende do conhecimento prévio da permeabilidade, além de
conhecer as propriedades geomecânicas da formação. Em muitos casos, o progresso de um
teste minifrac pode ser avaliado com dados de pressão medidos na cabeça do poço.
A fratura criada pode criar um incisão próximo do poço e fornecer melhor
comunicação entre o poço e a formação. Por esse motivo, um teste de minifrac é capaz de
fornecer melhores resultados do que um teste drill-stem test (DST) realizado em uma
formação em que a entrada de fluido é severamente restringida por danos na formação.

Figura 3: Visão idealizada do fraturamento hidráulico


Fonte: “Application of a New Fracture-Injection/Falloff Model Accounting for Propagating,
Dilating, and Closing Hydraulic Fracture”
2.4 Principais resultados do teste minifrac
Comportamento típico da pressão no teste minifrac:

Figura 4: Comportamento típico da pressão nos testes Minifrac


Fonte: Nolte (1997)
Após um breve período de injeção, a válvula da cabeça do poço é fechada e a queda de
pressão é registrada (na cabeça do poço ou no fundo do poço) por algumas horas a vários dias,
dependendo do quanto a formação é permeável. Os dados de queda de pressão são então
analisados usando técnicas especializadas para fornecer as seguintes informações:
● Pressão de fechamento de fratura (pc)
● Pressão de fechamento instantânea (ISIP)
ISIP = Pressão final do fluxo - Fricção final do fluxo.
O atrito final do fluxo é o componente de atrito do cálculo do fundo do poço.
● Gradiente de Fratura = ISIP / Profundidade da Formação
● Pressão líquida de fratura (Δpnet) = pressão adicional dentro do frac acima da pressão
necessária para manter a fratura aberta. É uma indicação da energia disponível para
propagar a fratura. (Δpnet = ISIP - Pressão de fechamento)
● Eficiência de fluidos = a razão entre o volume armazenado na fratura e o fluido total
injetado. Uma alta eficiência do fluido significa baixo vazamento e indica que a
energia usada para injetar o fluido foi utilizada com eficiência na criação e
crescimento da fratura. Infelizmente, o baixo vazamento também é uma indicação de
baixa permeabilidade. Para a análise pós-fechamento do minifrac, a alta eficiência do
fluido é combinada com longas durações de fechamento e tendências de regime de
fluxo ainda mais identificáveis.
● Características de vazamento de formação e coeficientes de perda de fluido.
● Permeabilidade da formação (k)
● Pressão do reservatório (pi)
2.5 Métodos de diagnóstico de tensão in situ e fratura natural
O sucesso de um fraturamento hidráulico é muito dependente das tensões medidas em
testes de microfraturamento hidráulico, executados previamente a grandes estimulações, com
a finalidade de se obter dados de tensão para otimização do projeto (DANESHY et al., 1986).

A fratura hidráulica se propaga na direção perpendicular à da tensão in situ mínima, ou


seja, na direção da maior tensão in situ (HAIMSON, 1967). Baseando-se nisto, quando o
fraturamento hidráulico é previsto nas operações de exploração para o aumento da produção
dos poços, as localizações destes em relação ao objetivo devem ser definidas de acordo com a
orientação da tensão in situ, com a finalidade de alcançar uma área de drenagem ótima,
enquanto a estabilidade ainda for mantida e houver garantia de sucesso operacional (SMITH,
1989).

Há várias formas de determinar a tensão in situ em um poço de petróleo que são


descritas a seguir.

a) Técnicas de Análise de Testemunhos


2.5.1 Método de Medição do Testemunho
O tamanho do testemunho pode ser alterado devido ao alívio de tensões após a coleta
do mesmo. A diferença entre as duas tensões principais, na direção horizontal, pode ser
dimensionada medindo os diâmetros nos eixos X e Y, visto que, a tensão principal máxima,
geralmente, é vertical, a direção da tensão principal inferior (isto é, a direção do menor
diâmetro medido) das duas tensões principais na direção horizontal é justamente a direção da
tensão principal mínima. Esse método tem aplicação limitada, pois pode avaliar apenas a
tensão principal mínima e não pode determinar quantitativamente o valor da tensão in situ.
2.5.2 Método de Medição Acústica
As microfissuras geradas pelo alívio das tensões irão fazer com que a propagação das
ondas sônicas apresente direcionalidade. A medição da velocidade de propagação diferentes
do testemunho pode determinar a direção da microfratura. Dessa forma, a tensão principal
mínima na condição de esforço pode ser determinada.
b) Método de Diagnóstico da Perfilagem
2.5.3 Perfil de Diâmetros
Nessa técnica é medido a alteração do diâmetro do poço nas três direções no plano
horizontal do poço. Essa mudança resulta da deformação da formação devido ao alívio de
tensão. A direção do diâmetro máximo do poço é justamente a direção da tensão principal
mínima.
2.5.4 Perfil de Temperaturas
Uma técnica de perfilagem bastante aplicada utiliza temperaturas para a determinação
da altura da fratura criada hidraulicamente. Antes do início da operação, a temperatura de
poço apresenta alterações normais. Com o início da operação, é observado mudanças
irregulares negativas devido à grande quantidade de fluido de fraturamento com baixa
temperatura absorvido pela fratura. A alta estendida da fratura criada hidraulicamente pode
ser determinada Oida pelo alcance da anomalia negativa.
2.5.5 Perfil com Traçador Reativo
Um traçador com período de meia-vida curta é injetado ao propante (agente de
sustentação) antes que a operação de fraturamento seja finalizada. A perfilagem radioativa
natural deve ser conduzida da operação de fraturamento. A altura estendida da fratura
formada hidraulicamente pode ser observada pelo traçador reativo adicionado.
2.6 Fluido de fraturamento hidráulico
O Fluido de Fraturamento é utilizado durante a estimulação da produção de petróleo
por fraturamento hidráulico, empregado com objetivo de transmitir pressão, ocasionar fraturas
e direcionar o agente de sustentação para o interior dessas fraturas. Esse fluidos devem
apresentar segurança e baixo custo.
As características desses fluidos devem ser cuidadosamente manipuladas, visto que
podem causar diversos problemas indesejados ao sucesso da operação de estimulação. A
exemplo, a viscosidade do fluido exerce forte influência na geometria da fratura, ou seja,
quanto maior a viscosidade do fluido, maior será a largura da fratura. Caso a viscosidade seja
excessivamente alta, a altura vertical da fratura pode exceder a altura da zona produtora (pay
zone). Além disso, a viscosidade deve ser suficiente para carregar o agente sustentador que
são bombeados juntamente com o fluido ao longo de toda fissura e evitar a tendência de
acomodação dos propantes influenciadas pelas forças gravitacionais. (TAVARES, 2010)
A Figura 4 relaciona a operação de fraturamento com fluido de viscosidade excessiva (a) e
moderada (b).
a) b)
Figura 4: Comparação da viscosidade do fluido de fraturamento
Fonte: Schlumberger
Associadamente, a densidade e o atrito envolvido nesse escoamento deve ser
cuidadosamente calculados, pois exercem influência na potência fornecida para o bombeio do
fluido. Além desses fatores, é preciso considerar a filtração que pode ocorrer do fluido na
formação geológica, a facilidade com que este fluido pode ser retirado no fim da operação de
fraturamento para limpar a rocha, a compatibilidade e seu deslocamento com a formação,
dentre outros aspectos.
De acordo com Garcia (1997), o Fluido de Fraturamento é uma composição que pode
ser à base de água ou óleo podem conter em sua composição água ou diesel, agente gelificante
(goma guar, HPG, etc), reticulador, quebrador de gel, aditivo controlador de perda de filtrado
e desemulsificante.
Segundo a Petrobras, esses fluidos devem desempenhar uma série de funções, que são:
A. Baixa viscosidade quando estiver na tubulação interna ao poço, para diminuir a
perda de carga por fricção, diminuindo a potência das bombas injetoras, o que
diminui o custo da operação;
B. Apresentar grande poder de sustentação, para que o agente de sustentação
carreado para a fratura não se decante, o que prejudicaria bastante a
condutividade da fratura, bem como não ser susceptível à temperatura da
formação, já que a área em contato do fluido com a formação é bastante grande
e seu aquecimento é rápido;
C. Resultar baixo coeficiente global de filtração (do fluido para as formações), já
que quanto maior este coeficiente, maior o volume de fluido a ser bombeado
para a execução de uma mesma fratura;
D. Ao término do bombeio, esse fluido deve se degradar, ou seja, quebrar o gel
somente após o completo fechamento da fratura sobre o agente se sustentação,
caso contrário ocorreria também a decantação do mesmo, prejudicando a
condutividade da fratura;
E. Esse fluido não pode depositar uma grande quantidade de resíduos nas paredes
da fratura, resíduos provenientes do aditivos gelificante, reticulador e
controlador de filtrado, visto que essa deposição afetaria negativamente a
condutividade da fratura.
Para atender as funções e apresentar as características necessárias à operação, os fluido
de fraturamento podem ser acrescidos a diversas substâncias. Os aditivos mais comumente
utilizados são:
Agentes gelificantes: conferem viscosidade, reduz a infiltração na formação e diminuem o
atrito do fluido;
Cross-Linkers: aumentam a viscosidade do gel formado, fazendo transformações na estrutura
dos polímeros que compõem os agentes gelificantes;
Aditivos Fluid-Loss: otimizam a atuação dos agentes gelificantes reduzindo a infiltração na
formação.
Redutores de Fricção: melhoram a ação de diminuição do atrito dos fluidos dos agentes
gelificantes;
Breakers: após um determinado tempo de residência no interior da fratura, estes agentes são
responsáveis pela quebra do gel formado, reduzindo a viscosidade do fluido, com o objetivo
de auxiliar na etapa de limpeza da fratura.
Surfactantes: facilitam a limpeza, reduzindo a molhabilidade da rocha;
Estabilizantes: aditivos como o tiossulfato de sódio e o metanol são utilizados para evitar
possíveis reações indesejadas;
Fibras: diminuem a velocidade de assentamento de agentes sustentadores, resultado em um
melhor preenchimento do interior da fratura e, consequentemente, em melhor condutividade.
Inevitavelmente, o fluido de fraturamento que invade o reservatório provoca
compressão do hidrocarboneto contido na rocha. Esta compressão resulta num diferencial de
pressão na zona invadida, em função da diferença entre as viscosidades dos fluidos e da
permeabilidade relativa, como mostra a Figura 5.
Figura 5: Infiltração do fluido de fraturamento na formação geológica
Fonte: Bellarby, 2009.
Descrição da Figura 5: 1- Spurt loss 2- Invasão do fluido de fraturamento na rocha 3-
Deslocamento do hidrocarboneto presente no reservatório 4- Formação do filter cake.
É necessário garantir que após um determinado intervalo de tempo no interior da
fissura/formação, o fluido de fraturamento se modifique estruturalmente, com o intuito de
auxiliar a posterior etapa de limpeza. Como mencionado anteriormente, os breakers são os
aditivos que têm esse papel. Porém, a atuação dos breakers é extremamente dependente da
temperatura em que o reservatório se encontra. Sendo assim, sua adição deve ser
minuciosamente estudada antes de ser posta em prática. Conforme o tempo de residência do
fluido de fraturamento na formação, este vai ganhando calor e a taxa de reação dos breakers
tende a aumentar. Dependendo das condições de reservatório, a atuação dos breakers pode ser
desfavorecida em função de temperaturas demasiadamente baixas (resultando numa
velocidade de reação lenta) ou altas (aumentando demais a taxa de reação, podendo ocorrer a
quebra prematura dos agentes gelificantes).
Os fluidos de fraturamento mais comuns nas operações de fraturamento hidráulico são
a base de água ou óleo, sendo que os fluidos a base de água costumam ser utilizados em maior
escala.
Os fluidos a base de água envolvem menores custo, tendo em vista sua grande
disponibilidade. Além disso, os fluidos a base de água possuem vantagens como a densidade
relativamente alta, necessitando de pressões para seu bombeio menores, não possui riscos
relacionados à combustão/poluição, possuem boa reatividade com os agentes gelificantes. Em
função de sua densidade ser relativamente elevada, este fato pode dificultar a limpeza do
poço.
Já os fluidos a base de óleo tem como principal vantagem a compatibilidade com a
formação rochosa, evitando possíveis reações paralelas que podem vir a ocorrer durante a
operação. Possuem também uma elevada viscosidade, o que é benéfico tendo em vista que a
mesma é necessária para carregar os agentes de sustentação, além de baixa densidade, que
facilita na etapa de limpeza. Porém, sua utilização envolve riscos, demanda uma maior
potência de bombeio e é de maior custo do que a utilização de fluidos a base de água.
2.7 Propantes
Propantes podem ser definidos como uma substâncias compostas por material durável
e resistente a esmagamento produzido para uso na indústria petrolífera. Os propantes são
usados no processo de fraturamento hidráulico para produzir fluidos de petróleo, como
petróleo, gás natural e líquidos de gás natural de unidades rochosas que não têm espaço de
poro adequado para que esses fluidos fluam para um poço. A maioria dos propantes são feitos
de arenito de alta pureza.
Outra definição é um material granular utilizado em operações de fraturamento
hidráulico para sustentar a fratura, de modo a se obter um canal permanente de fluxo entre
formação e poço, depois de concluído o bombeio de fluido e propagação da fratura.
Diversos materiais podem ser utilizados como propantes, podendo ser citados: areias,
areias tratadas com resina, propantes cerâmicos, esferas de vidro, entre outros. O principal
objetivo a ser alcançado na escolha de um determinado propante é conseguir obter a
conciliação entre o fornecimento de uma condutividade desejada à fratura, ao mesmo tempo
em que o material granular deve suportar os diferentes tipos de tensões que está sujeito. A
condutividade da fratura é determinada calculando o produto entre sua permeabilidade e
largura.
Para selecionar o material de sustentação ideal para cada caso, é necessária a análise
de suas propriedades, além das características da formação rochosa e das condições de
temperatura e fluxo de fluidos ao longo da fratura. As principais propriedades a serem
analisadas de um propante são: a densidade, a resistência ao esmagamento, o tamanho e a
distribuição dos grãos ao longo da fissura, a facilidade com que o material granular é
transportado, o arredondamento e a esfericidade das partículas.
Um exemplo de material utilizado nos propantes é areia comum, tendo em vista sua
grande disponibilidade, o que reduz os custos da empresa responsável pela operação. No
entanto, sua aplicação é limitada, visto que a mesma fornece boa condutividade somente
quando submetida à tensões de fechamento da formação rochosa abaixo de 6000 psi.
Para o caso de propantes cerâmicos, esses apresentam resistências à tensões de
fechamento elevadas. Estes materiais granulares possuem como componente principal o
alumínio (extraído da bauxita), além de apresentar sílica e argila em baixos teores em sua
composição. São classificados em dois principais tipos, conforme a composição da bauxita
utilizada no seu processo de fabricação, e são comumente chamados de propantes cerâmicos
de resistência intermediária (ISP – intermediate strength proppants) e propantes cerâmicos de
resistência elevada (HSB – high strength bauxite).
Como foi dito anteriormente, a resistência ao esmagamento é uma característica do
propante que influencia diretamente na condutividade de uma fratura. A tensão de fechamento
que o material granular sofre é calculada a partir da diferença entre a pressão de fechamento
da fissura e a pressão de produção do poço.
Os materiais de sustentação, caso sejam submetidos a tensões de fechamento da
formação superiores à sua resistência, podem ter sua estrutura modificada, resultando na
chamada “produção de finos”, que é o refluxo do material granular para o interior do poço. A
formação de finos, que são os grãos que sofreram a desintegração, prejudica a estimulação do
poço, pois resulta numa diminuição da condutividade da fratura. No entanto, a resistência à
compressão de um determinado tipo de propante deve ultrapassar consideravelmente a tensão
de fechamento da formação, pois a carga pode estar concentrada em certos pontos da fratura,
sobrecarregando essas localizações.
A forma apresentada pelo material granular influencia a permeabilidade que a fratura
pode fornecer. Os propantes são comumente classificados quanto ao seu arredondamento e
sua esfericidade. A respeito da seleção do tipo de propante, é desejado um material que
apresente grande arredondamento e esfericidade, já que este formato auxilia a distribuição das
tensões exercidas sobre o material granular, de modo que as mesmas atuam de maneira mais
uniforme sobre o pacote de propantes.
A concentração de propantes ao longo da fratura está diretamente relacionada com a
condutividade da mesma. O termo concentração de propantes está relacionado à massa do
material granular por unidade de área da fratura sustentada. Sendo assim, quanto maior a
concentração de propantes na fissura, melhor estruturado será o pacote de propantes formado,
fornecendo à fratura a permeabilidade desejada para o posterior escoamento de
hidrocarbonetos.
No entanto, a concentração de material granular excessiva ao longo da fratura pode
trazer malefícios, já que os grãos podem se desintegrar em função da compressão sofrida pela
formação rochosa. O gráfico da Figura 6 demonstra a condutividade da fratura em função da
concentração de propantes e da tensão de fechamento da rocha. Como foi visto anteriormente
em outros gráficos, a condutividade da fratura tende a decair conforme o aumento da tensão
de fechamento da formação.
Figura 6: Condutividade ao longo da fratura e a tensão de fechamento da rocha
para diferentes concentrações de propantes
Fonte: www.carboceramics.com
Quanto maior for a densidade de determinado propante, maior será sua tendência à
acomodação nas partes inferiores da fratura. Geralmente, a elevada densidade está relacionada
a propantes de elevada resistência mecânica. Sendo assim, o processo de fraturamento que
utiliza estes tipos de agentes de sustentação envolve maiores dificuldades relacionadas ao
transporte e acomodação de propantes. Para contornar este problema, podem-se utilizar
aditivos junto ao fluido de fraturamento, citados anteriormente, e/ou aumentar a taxa de
injeção de propante, resultando em um período de acomodamento dos grãos menor e,
conseqüentemente, em uma menor sedimentação.
3. Tecnologia do fraturamento hidráulico
3.1 Tecnologia de redução de perda de fluido
Em um reservatório que tem a presença de fraturas naturais que estão bem
desenvolvidas e em que ocorra perda por filtração de grande intensidade pode ser gerada,
devem ser tomadas medidas realistas para reduzir tal perda, de modo a garantir o sucesso da
operação de fraturamento e assim prevenir precipitação prematura de areia. Atualmente, as
técnicas de redução de perda de fluido utilizadas com mais frequência incluem:
a. Redução de perda por filtração por meio de silte ou ceramsite fina
nesse caso, o silte de número de malha 100 (mesh) é adicionado ao fluido da fase pré-
colchão por meio de uma baixa concentração de propante, para tamponar
microfraturas naturais estreitas e microfraturas abertas.
b. Redução da perda por filtração por meio de tampao de lama espessa
Há múltiplas fraturas que se estendem paralelamente nas proximidades do poço devido
ao efeito do canhoneio ou da fratura natural. Para resolver o problema de perda por
filtração em fraturas múltiplas, adiciona-se uma pequena quantidade de propante, o
mesmo que na fratura principal, depois que a fratura é gerada, e antes da adição
regular desse propante, utilizando-o como tampão de lama espessa. Esses tampões
podem vedar as microfraturas naturais, aumentando então a abertura da fratura
artificial principal.
c. Redução de perda por filtração por meio de ceramsite combinada.
Adiciona-se ceramsite com partículas de diâmetros diferentes em estágios distintos do
processo de operação. Assim, as fraturas artificiais com aberturas diferentes são
tamponadas com correspondentes às partículas de ceramsite, alcançando-se tanto a
redução da perda por filtração quanto à sustentação racional.
d. Redução da perda por filtração com aditivo para combater a perda de filtração solúvel
em óleo.
Vários tipos de materiais solúveis em óleo são misturados em uma sequência e
proporção específicas, tratados por sulfonação em uma determinada condição e
polimerizados, para então formar partícula com um diâmetro definido, empregando-se uma
tecnologia especial. Utilizando-se um surfactante, será gerada uma polaridade adequada na
superfície da partícula solúvel em óleo, permitindo dispersar as partículas em água de forma
regular e estável. As partículas são transportadas até a fratura artificial por fluido pré-colchão
base água, e o tamponamento temporário das fraturas naturais é alcançado.
3.2 Tecnologia de fraturamento de zonas múltiplas.
Esses tipos de técnicas seletivos são empregadas principalmente em poços de óleo e
gás de horizontes produtivos múltiplos, para fraturamento de algum alvo ou alvos.
As técnicas utilizadas com freqüência:
O fraturamento de zonas múltiplas com tamponamento mecânico;
O fraturamento de zonas múltiplas de entrada limitada;
O fraturamento seletivo com esfera de vedação.
Para esta situação de poços não convencionais, faz-se necessário calcular o valor do
índice de poço, dado que os simuladores convencionais apresentam aproximações
fundamentadas na teoria de Peaceman (1978b) que geralmente é calculado automaticamente
pelos simuladores em conseqüência dos parâmetros geométricos do bloco de simulação.
No caso de poços não-convencionais, o valor deve ser calculado e introduzido pelo usuário
(Moreno e Schiozer, 2007).
O fraturamento seletivo com esfera de vedação apresenta exigências rigorosas
relacionadas com a quantidade e a velocidade da esfera e o regime de bombeamento
tecnologicamente complexo. O fraturamento de entrada limitada requer que se alcance a
distribuição projetada do propante nos horizontes, o que é difícil. O fraturamento de zonas
múltiplas com packer é uma técnica de fraturamento usada com frequência nos dias de hoje e
compreende quatro tipos: fraturamento de zonas múltiplas com packer único, fraturamento de
zonas múltiplas com packer duplo, fraturamento de zonas múltiplas com tampão mecânico de
obstrução de poço e fraturamento de zonas múltiplas com camisas deslizantes e packers.
Um fraturamento de zonas múltiplas com camisas deslizantes e packers não necessita
de movimentação de coluna, amortecimento e abertura durante o fraturamento separado de
zonas múltiplas. Ele pode ser empregado Para fraturamento camada a camada, bem como para
teste de produtividade. Apresenta baixo dano de formação, o que favorece a proteção ao
reservatório.
O fraturamento de zonas múltiplas com camisas deslizantes e packers tem sido
amplamente aplicado nos seguintes aproveitamentos, dentre outros: nos reservatórios de gás
de baixíssima permeabilidade em Sichuan Ocidental, no campo de gás de Daqing Xushen,
no reservatório de gás em camada de carvão na bacia de Quinshui, da província de Shanxi.
3.3 Tecnologia de fraturamento com controle de altura de fatura
As técnicas de controle de altura de fratura incluem, principalmente:
● Técnica de barreira artificial de contenção;
● Técnica de fraturamento com desalojamento variável;
● Controle da altura da fratura por meio da injeção de lama pesada não propante;
● Controle da altura da fratura por meio do resfriamento do reservatório.
Na técnica de barreira artificial de contenção forma se uma barreira de contenção
localizada no topo ou no fundo da fratura por meio de separadores do tipo ascendente ou
descendente, o que aumenta a impedância na extremidade da fratura, previne a propagação,
para cima ou para baixo, da pressão do fluido e controla a extensão longitudinal dessa fratura;
Já na técnica de fraturamento com desalojamento variável pode ser empregada para
controlar a extensão descendente da fratura, aumentar o comprimento da fratura propada e
aumentar a concentração de propante por área tratada na fratura. Dessa forma, a eficiência da
estimulação pode ser elevada, de forma efetiva.
O controle da altura da fratura por meio da injeção de lama pesada não propante: nessa
técnica lama pesada liquida nao propante é injetada entre o fluido da fase pré colchão e o
líquido carreador de propante e as partículas de tamponamento.As grandes particulas formam
obstruções em ponte, as partículas pequenas se adensam no espaço livre entre as partículas
maiores.formando dessa forma uma barreira impermeável e a altura da fratura é controlada.
O controle da altura da fratura por meio do resfriamento do reservatório, a injeção de
água fria em um reservatório com temperatura mais elevada faz com que o mesmo gere uma
tensão termoelástica, de forma que a tensão do reservatório tenha seu valor reduzida Assim, a
altura e o comprimento da fratura são controlados dentro do intervalo desse reservatório.
3.4 Melhorias da Tecnologia de fraturamento para a condição de colapso da
formação
As principais melhorias devem ser:
A. Redução da perda de pressão durante a transmissão
Reduzir os fatores adversos que retardam a transmissão de pressão pode aumentar o
valor da pressão transmitida ao alvo, elevando, portanto, a probabilidade de colapso da
formação.
B. Redução da pressão de colapso da formação
A pressão de colapso de colapso da formação na vizinhança do poço depende da
tensão in situ e das propriedades da rocha. Para se reduzir a pressão de colapso da formação, a
tensão in situ deve ser rompida. Esse método também é conhecido como pré-tratamento pré-
fraturamento. Atualmente, as medidas indispensáveis que são geralmente aplicadas incluem a
acidificação, o canhoneio abrasivo, o fraturamento a gás de alta energia e a otimização dos
parâmetros de canhoneio.
4. Desempenho do fraturamento e avaliação pós fraturamento
4.1 Controle de Qualidade do fraturamento
4.1.1. Para se fazer o controle do fraturamento deve se fazer a implantação de um
sistema de monitoramento em tempo real- Um sistema de monitoramento em tempo real é
utilizado para medir e analisar, em tempo real e in loco, o desempenho operacional da
pressão. A pressão medida, condizente com o cálculo analógico da pressão, pode ser usada
para se determinar o grau de coincidência entre a concepção, a realização e a previsão dos
problemas que podem ser gerados. Se necessários, são ajustados os valores dimensionados
dos parâmetros.
Tal tipo de sistema serve para auxiliar as decisões operacionais feitas no próprio no local.
4.1.2. Deve se formular um fluido de fraturamento e controle da proporção de
reticulação- A proporção de reticulação deve ser rigidamente controlada, uma concentração
excessivamente alta de fluido reticulado faz com que o gel torne-se quebradiço, ou mesmo
desidratado, enquanto uma concentração muito baixa desse fluido pode reduzir a propriedade
carreadora de propante do fluido de fraturamento.
4.1.3. Monitoramento da alteração racional da concentração de propante
A continuidade da alteração na concentração de propante é de grande importância para
a distribuição racional da concentração de propante na fratura, isto é, a distribuição racional
da condutividade de fluxo, e que deve ser assegurada durante a operação.
4.1.4. Controle do volume do fluido de deslocamento
Esse fluido é utilizado para desalojar o propante que preenche a fratura nas
proximidades do poço, dessa forma ocorrendo um favorecimento do escoamento de óleo e
gás. uma quantidade excessiva de fluidos de deslocamento pode fazer com que o propante
penetre fundo na fratura e reduzindo assim a concentração de propante na vizinhança do poço,
ou seja, reduzira, em grande parte, a condutividade de fluxo da fratura.

4.2 Avaliação e análise de pós fraturamento


Após a realização do fraturamento hidráulico deve se realizar uma avaliação desse
fraturamento. que deve ser feito de acordo com os procedimentos abaixo:
a. Análise do fraturamento por ajuste de curva- A relação entre pressão, regime de
bombeamento e concentração de propante versus tempo pode refletir a duração do
desempenho em tempo real da fratura. A curva de pressão líquida operacional pode ser
usada para a determinação por ajuste, dentre outros, do comprimento, da largura e
altura da fratura e do coeficiente de condutividade da fratura.
b. Análise da redução progressiva da pressão de escoamento-Atualmente, a
compressibilidade do fluido, a extensão de fratura depois do fechamento, a extensão
tridimensional da fratura, dentre outros fatores, são considerados na interpretação e
análise dos parâmetros da fratura por meio da pressão de fratura por meio da pressão
de fratura por meio da pressão de fratura. O modelo de redução progressiva da pressão
de escoamento da fratura de um reservatório naturalmente fraturado é corrigido com
base no estudo de modelo de cálculo de perda de fluido de fraturamento de um
reservatório naturalmente fraturado. Assim, pode-se realizar a análise da pressão de
rebaixamento da fratura do reservatório naturalmente fraturado.
c. Ajuste do histórico de produção e inversão por meio de simulação de reservatório -
Com base nos dados relacionados, incluindo a alteração da taxa de produção de poço
produtor pós-fraturamento com o tempo para determinadas pressão estática do
reservatório e pressão de surgência, a simulação do reservatório é empregada para
ajuste do histórico de produção. Assim, pode-se obter, por inversão, a condutividade
de fluxo da fratura propagada ou o meio comprimento da fratura
5. Fraturamento hidráulico para reservatório de rocha carbonática
Rocha e Pereira (2013), diz que reservatórios carbonáticos apresentam papel bastante
relevante para as indústrias de produção de petróleo e gás devido aos elevados volumes de
hidrocarbonetos que contêm. Eles estão ganhando crescentes destaques considerando a
necessidade de desenvolvimento da produção de reservatórios mais profundos, como é o caso
do pré sal brasileiro. Entretanto possuem baixa permeabilidade e porosidade sendo necessário
estimulá los para maximizar a produção. Para isto são realizados operações de estimulação de
poços cuja eficiência depende principalmente da geração de condutividade na região do
reservatório próximo ao poço.
5.1 Dificuldades do fraturamento hidráulico de rocha carbonática
Em um reservatório de rocha carbonática, as fraturas naturais são bem desenvolvidas.
A aleatoriedade de distribuição da fratura natural no reservatório, a complexidade da iniciação
e da extensão da fratura criada hidraulicamente e a incerteza nas operações de bombeamento
podem afetar seriamente a eficiência e o objetivo do projeto de fraturamento desse tipo de
reservatório.
Em rochas carbonáticas têm se dois tipos de fraturamento hidráulico: o sustentado e o
ácido.
Porém nesse processo em rochas carbonáticas têm se algumas dificuldades, como:
A. Complexidade de iniciação e da extensão da fratura criada hidraulicamente
Nesse tipo de reservatório, fraturas e cavidades se desenvolve com frequência, e o
reservatório apresenta uma alta heterogeneidade, ou seja, a distribuição das fraturas naturais e
das cavidades em dissolução é de maneira complexa e espacialmente de forma aleatória.A
existência de fraturas naturais torna ainda mais complicado o campo de tensão in situ.Os
estudos mostram que esse tipo de reservatório pode gerar facilmente fraturas complexas
durante o fraturamento, o que torna difícil a simulação de suas formas em laboratório e da
extensão da tendência das fraturas criadas hidraulicamente.
B. Dificuldade na avaliação da perda de fluido durante o fraturamento
Devido a existência de fraturas naturais inerentes e fraturas que podem ser abertas sob
ação de força externa em um reservatório naturalmente fraturado, o coeficiente de perda de
fluido se altera dinamicamente durante a operação, e é muito maior que aquele em meio
homogêneo para as mesmas condições, o que é uma importante razão desse tipo de
reservatório apresentar uma elevada taxa de tamponamento do propante. Além disso, a
ocorrência de cavidade geradas por dissolução no reservatório pode causar uma mudança
abrupta na perda de fluido durante o bombeamento, uma grande redução na eficiência da
geração de fratura e um tampão de propante.
C. Elevada taxa de tamponamento do propante e dificuldade em se aumentar a
concentração de propante
Durante o fraturamento do reservatório no qual as fraturas naturais são bem
desenvolvidas, a pressão na cabeça do poço é sensível à razão líquida do propante maior que
ou igual a 30%. A investigação no fraturamento hidráulico ácido de reservatório de
carbonatos mostra que, em geral, a taxa de tamponamento do propante é alta e a concentração
desse propante é difícil de ser aumentada.
5.2 Análise de adaptabilidade do fraturamento de reservatório de rocha
carbonática
Mesmo que com a dificuldade do fraturamento hidráulico em reservatório com rochas
carbonáticas, a atual tecnologia em fraturamento nesse tipo de rochas já está apresentando
alguma aceitabilidade e sua prática no campo comprovado que torna se necessária e de forma
viável.
a. Apresenta uma superioridade evidente
A tecnologia de fraturamento ácida geralmente tem cumprido uma função importante
impulsionando o efetivo desenvolvimento dos reservatorios de oleo e gás de carbonatos.
Porém, a distância efetiva de operação do fraturamento ácido em reservatório de alta
temperatura tem uma limitação isso pela taxa de reação entre o ácido e a rocha, bem como
pela distância efetiva do controle de perda de fluxo
b. A prática de fraturamento tem comprovado que o fraturamento hidráulico
ácido é viável para reservatórios carbonáticos.
Esse tipo de reservatório apresenta fraturas que são bem desenvolvidas e uma elevada
perda de fluido de fraturamento, que podem facilmente dar origem a fraturas múltiplas
durante a operação de fraturamento, o que traz um maior risco operacional. Se as dificuldades
da estimulação do reservatório forem totalmente compreendidas e colocadas em prática um
planejamento e operação meticulosos, é possível alcançar-se sucesso no fraturamento
hidráulico ácido do reservatório de carbonatos.
6. Conclusões
A utilização do fraturamento hidráulico apresenta-se como uma alternativa à
exploração de reservas de petróleo e gás natural por métodos convencionais, com vista a uma
maximização econômica e ganhos de produtividade na produção de hidrocarbonetos.
As técnicas apresentadas mostram que o fraturamento hidráulico se torna uma
alternativa que soluciona boa parte dos problemas presentes em reservatórios de baixa
produção ou baixa permeabilidade, com o aumento de tais propriedades. Entretanto deve-se
analisar o custo benefício dessas operações visto que tais métodos oferecem grandes riscos ao
meio ambiente caso não sejam empregados seguindo as recomendações de segurança ou que
se negligenciam toda a parte referente a estudos geológicos de reservatório, poço e lençóis
freáticos.

7. Referências

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