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PSICOLOGIA DO ESPORTE

Prof. Maurício de Oliveira 2º Semestre de 2015


E-mail: tiomau-2@hotmail.com

PEA- PROGRAMA DE ENSINO E APRENDIZAGEM

EMENTA: Psicologia, Esporte e Atividade Física. Iniciação esportiva. Motivação. Emoção. Autoconfiança.
Concentração. Estresse. Coesão grupal. Liderança. Comunicação. Exercício e bem estar psicológico.

OBJETIVOS: Abordar aspectos psicológicos relacionados a Educação Física e ao Desporto em suas diferentes
dimensões, reconhecendo seu caráter multidisciplinar. Discutir conceitos básicos sobre a Psicologia do Esporte.
Avaliar criticamente a área e apresentar possibilidades relacionadas a psicologia do esporte.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: Introdução a Psicologia do Esporte e do Exercício: Psicologia Científica x Senso


comum. Descrição da Psicologia do Esporte e do Exercício. Desenvolvimento da criança por meio do esporte e da
atividade física: Iniciação esportiva. Papel dos pares, pais e professores/técnico. Motivação: Teorias da motivação.
Técnicas de motivação. Diretrizes motivacionais. Emoção: Conceito. Influência da torcida. Autoconfiança: Definição.
Teoria da auto-eficácia. Concentração: Definição. Concentração x Desempenho ideal. Atenção. Problemas de
atenção. Estresse e Lesão: O processo de estresse. Burrnout. Estratégias de enfrentamento. Relação entre estresse
e lesão. Liderança: Estilos de liderança. Componentes da liderança efetiva. Comunicação: O processo de
comunicação. Envio e recebimento de mensagens efetivas.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: Aulas teóricas expositivas; Leitura, análise e discussão de textos e


periódicos; Apresentação de vídeos; Exercícios/Trabalhos individuais e/ou grupais.

SISTEMA DE AVALIAÇÃO: 2 Avaliações semestrais. A 1ª avaliação com peso 4,0 através de prova teórica. A 2ª
avaliação com peso 6,0 através de prova teórica.

BIBLIOGRAFIA PADRÃO:

BURITI, M.. Psicologia do Esporte. 2ª ed. Campinas: Alínea, 2001.

AMATUZZI, M.M. Por uma Psicologia Humana. 1ª ed. São Paulo: Alínea, 2010.

GOULD, D.; WEINBERG, R. S.. Fundamentos da Psicologia do esporte. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

WEINBERG, R. S.; GOULD, D.. Fundamentos da Psicologia do Esporte e do Exercício. 2ª ed. Porto Alegre:
Artmed, 2001.

RUBIO, K.. Psicologia do Esporte : Teoria e Prática. 1ª ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

MACHADO, A. A. Psicologia do Esporte: Da Educação Física Escolar ao Esporte de alto Nível. 1ª ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
CRONOGRAMA DE AULAS:

18-08 Apresentação PEA – Introdução à Psicologia do Esporte e do Exercício


25-08 Aula - 1
01-09 Semana da Educação Física – Palestras
08-09 Aula - 2
15-09 Aula - 3
22-09 Aula - 4
29-09 Aula - 5
06-10 Prova 1º Bimestre
13-10 Aula - 6
20-10 Aula - 7
27-10 Aula - 8
03-11 Aula - 9
10-11 Aula - 10
17-11 Aula - 11
24-11 Apresentação TCCs 8º Semestre
01-12 Prova 2º Bimestre
15-12 Substitutiva

MATERIAL DE ESTUDO

1-Introdução:

O esporte contemporâneo é considerado um dos maiores fenômenos sociais do século XX (J. BARBERO,
1993; J. BROHM, 1993; N. ELIAS & E. DUNNING, 1992) e tem agregado em torno de si um número cada vez maior
de áreas de pesquisa, constituindo as chamadas Ciências do Esporte, compostas por disciplinas como antropologia,
filosofia, psicologia e sociologia do esporte, no que se refere à área sócio-cultural, incluindo também a medicina,
fisiologia e biomecânica do esporte, demonstrando uma tendência e uma necessidade à interdisciplinaridade.

Essa tendência, contudo, não representa uma prática interdisciplinar, ainda, uma vez que as diversas sub-
áreas convivem enquanto soma mas não em relação, fazendo com que as Ciências do Esporte vivam hoje um
estágio denominado ‘pluridisciplinar’.

A Psicologia do Esporte, enquanto uma dessas sub-áreas, iniciou suas pesquisas a aproximadamente um
século, estudando inicialmente aspectos próximos à fisiologia, os chamados elementos condicionantes reflexos. Ao
longo dos anos outros temas como motivação, personalidade, agressão e violência, liderança, dinâmica de grupo,
bem-estar psicológico, pensamentos e vários outros aspectos da prática esportiva e da atividade física foram sendo
incorporados à lista de preocupações e necessidades de pesquisadores e profissionais.

Na atualidade, diante do equilíbrio técnico alcançado por atletas e equipes de alto rendimento, os aspectos
emocionais têm sido considerados como um importante diferencial nos momentos de grandes decisões.

A Psicologia do Esporte é uma área da psicologia que visa promover a saúde, a comunicação, as relações
interpessoais, a liderança e a melhora do desempenho esportivo. A primeira etapa para promover a saúde é ajudar o
praticante ou atleta á saber, por que escolheu determinado esporte e seus objetivos em relação a ele.

É importante que o praticante ou atleta aprenda a identificar as condições que estão mantendo o seu
comportamento, assim ele poderá ter mais convicção e compromisso com o esporte. É o compromisso que permitirá
o trabalho com as técnicas para a melhora do rendimento.
Em relação à melhora do desempenho, os aspectos trabalhados são: planejamento, propriocepção e
concentração. No planejamento os objetivos são definidos através do conhecimento das condições ambientais para
que a tarefa proposta seja reforçadora.

A propriocepção tem como principal ação ensinar o indivíduo a distinguir o que está acontecendo no sistema
que transmite a estimulação dos músculos, articulações e tendões e dos órgãos envolvidos na execução do
movimento. Entendendo o que esta acontecendo neste sistema aumenta-se a propriocepção, e se obtém melhores
condições de se evoluir na atuação esportiva.

No trabalho de concentração procura-se ensinar o indivíduo a focalizar a sua atenção naquilo que é
relevante. Neste contexto, o psicólogo do esporte vai ensinar o indivíduo a como se comportar de maneira mais
eficaz sobre determinadas situações, vai ajudá-lo como, aonde, com qual intensidade, e por quanto tempo deve se
concentrar.

Trabalhar o emocional é um ponto muito importante, pois ensina a lidar com situações como as cobranças,
ansiedades, expectativas, competitividade, derrotas e vitorias e as consequências socioeconômicas que poderão
ocorrer ao longo da vida do atleta.

É muito comum nesta área a ocorrência do trabalho psicológico feito em caráter emergencial, de curta
duração. Este tipo de intervenção não produz resultados muito significativos e muitas vezes acabam até mesmo
prejudicando a entendimento e a evolução dos processos psicológicos que necessitam de maior atenção para sua
aplicação e incorporação.

Os psicólogos nesta área ainda encontram problemas: como a raridade de material informativo sobre o que
esta acontecendo em termos de pesquisa, poucos livros, pouco retorno financeiro, trabalhos mal desenvolvidos por
psicólogos inexperientes, entre outros.

No Brasil, a psicologia do esporte iniciou com o pioneiro João Carvalhaes introduzindo este tipo de trabalho
com a equipe nacional de futebol que disputou a Copa do Mundo na Suécia, em 1958.

Carvalhaes tinha foco de trabalho na psicotécnica. Ele estudava os estados tensionais como fato que cria
condições às distensões musculares. Em outra frente, pesquisava a prática e interpretação de testes de
personalidade e inteligência; a organização e orientação de atividades voltadas para a preparação psicológica dos
atletas; a orientação e instalação do laboratório de experimentações e pesquisas (com recursos para medir visão
estereoscópica (binocular), reação psicomotora a estímulos visuais e estímulos auditivos); cálculo de velocidade
relativa; cálculo de espaços em largura e sensação cinestésica.

No entanto, seu trabalho não se limitou somente a esse estudo que parecia ser direcionado apenas à área
cientifica, ele olhava o atleta como um todo e tinha uma constante preocupação sobre o lado sócio econômico,
emocional e social dos mesmos. Essa visão do indivíduo que pratica o esporte é muito importante para não se utilizar
a psicologia limitadamente como ciência do comportamento. Muito mais do que isso, a psicologia pretende
desenvolver e discutir com os atletas todas as outras áreas de sua vida: valores pessoais, motivações e percepções.
Um atleta completo não é só um homem em seu perfeito estado físico, como ser humano ele é um conjunto de corpo
e mente.

A regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil ocorreu em 1962. A partir daí, a Psicologia do esporte
passou a ser considerada uma área emergente de atuação, embora tenha passado por um maior desenvolvimento
na década de 90.
Hoje em dia, as faculdades de Educação Física possuem matérias e aulas voltadas para a Psicologia do
Esporte, abordando o tema de forma ampla e contribuindo significativamente para que os profissionais de Educação
Física tenham informações básicas sobre esta especialização da Psicologia.

Somente os profissionais licenciados em Psicologia poderão exercer a função de psicólogo do esporte. Um


psicólogo do esporte poderá assumir diversos papéis, como educador, adquirindo o conhecimento necessário como
pesquisador, e também como consultor para ajudar os atletas e praticantes a desenvolver estratégias psicológicas
para um maior rendimento esportivo.

2- Histórico

Esporte e psicologia começaram a ter uma relação mais estreita no final do século XIX e início do século XX,
quando alguns estudiosos resolveram pesquisar os efeitos dos aspectos psicofisiológicos sobre as atividades físicas
e esportivas, sendo Coleman Griffith apontado como aquele que realmente deu a partida na Psicologia do Esporte
norte-americana, destacando-se entre os trabalhos que escreveu o estudo "Psicologia de Atletas" em 1928. Durante
os anos 60 a Psicologia do Esporte viveu uma fase de grande produção e a relação de nomes como Cratty,
Oxendine, Solvenko, Tutko, Olgivie, Singer e Antonelli, que marcaram a história da área com contribuições voltadas
para a psicologia social na atividade física e esporte, culminando em várias publicações que influenciam trabalhos até
os dias de hoje (WILLIANS et al, 1991).

HISTÓRIA DA PSICOLOGIA ESPORTIVA

Período 1 Norman Triplett realiza experiências com ciclistas e com crianças enrolando linhas

(1895-1920) de pescar.

Período 2 Coleman Griffith – considerado o pai da Psicologia Esportiva, desenvolveu o

(1921-1934) primeiro laboratório de Psicologia do Esporte, além de traçar o perfil psicológico

de jogadores de beisebol do Chicago Cubs.

Período 3 Franklin Henry estabelece o primeiro programa de graduação em Psicologia

(1935-1965) Esportiva na UCLA. Em 1965 ocorre o 1º Congresso Mundial de Psicologia

do Esporte em Roma.

Período 4 A Psicologia Esportiva como disciplina acadêmica. Ocorre a primeira

(1966-1977) conferência anual da North American Society for the Psychology of Sport

Período 5 Reconhecimento de técnicos, dirigentes e atletas sobre a importância da atuação

(1978 em diante) do psicólogo esportivo.


Foi também durante esse período que se organizou a primeira instituição com o objetivo de agregar pessoas
interessadas na psicologia do esporte. Surgiu, então, a International Society of Sport Psychology (ISSP), que além de
ter como principal publicação o International Journal of Sport Psychology, passou a realizar reuniões bienais com o
objetivo de divulgar trabalhos na área, além de promover o intercâmbio entre os pesquisadores. Preocupados com o
distanciamento que a ISSP vinha tomando da área acadêmica, um grupo de pesquisadores fundou, em 1968, a North
American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity (NASPSPA), cujo foco de estudo e atuação recaía
sobre aspectos do desenvolvimento, da aprendizagem motora e da psicologia do esporte, tendo como principal
periódico o Journal of Sport and Exercise Psychology.

Observamos, assim, o surgimento e desenvolvimento de um campo denominado Psicologia do Esporte,


muito próximo da atividade física e do lazer, sendo inclusive componente curricular dos cursos de Educação Física,
porém, mantendo um distanciamento da Psicologia enquanto 'ciência mãe'.

A psicologia do esporte é, acima de tudo, uma ciência que estuda os fatores psicológicos associados como o
rendimento esportivo, exercício e outras atividades físicas. Esses fatores reforçam a ideia de que a Psicologia do
Esporte é uma ciência que apresenta um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais e leis gerais obtidas
e testadas através do método científico.

Portanto, é necessário entender como o conhecimento obtido cientificamente ocorre e funciona, isto é,
entender o método científico. A ciência não é simplesmente um acúmulo de fatos descobertos por meio da
observação, mas é, antes, um método de aprendizagem sobre o mundo mediante a “filtragem sistemática”,
controlada, empírica e crítica do conhecimento adquirido por meio da experiência. Ao aplicar ciência à psicologia, os
objetivos são descrever, explicar, prever e permitir o controle do comportamento. Algumas diretrizes gerais do
método científico são:

1. O método científico dita uma abordagem sistemática ao estudo de uma questão. Ela envolve padronização das
condições.

2. O método científico envolve controle de condições. Variáveis-chave, ou elementos na pesquisa são o foco do
estudo, com outras variáveis de modo a não influenciar a relação primária.

3. O método científico é empírico, ou seja, ele se baseia na observação. Evidências objetivas devem apoiar crenças,
e tais evidências devem estar abertas à avaliação e à observação externas.

4. O método científico é crítico, significando que ele envolve avaliação rigorosa por parte do pesquisador e de outros
cientistas. A análise crítica de ideias e do trabalho ajuda a assegurar a confiabilidade das conclusões.

O objetivo final de um cientista é uma teoria ou um conjunto de fatos inter-relacionados que apresente uma
visão sistemática de algum fenômeno a fim de descrever, explicar e prever suas ocorrências futuras. A teoria permite
que os cientistas organizem e expliquem um grande número de fatos em um padrão que ajude outras pessoas a
entendê-los. A teoria, então, torna-se prática.

Neste sentindo, os profissionais que objetivam construir uma Psicologia do Esporte científica estão se
empenhando em desenvolver um trabalho que auxilie os grupos esportivos em suas demandas, o que envolve
compreender e desenvolver uma maneira efetiva de auxiliar um atleta ou esportista a aprender novas habilidades,
eliminar maus hábitos e aprender padrões complexos de execução, aproveitar o máximo dos treinamentos e
generalizar os comportamentos para situações de competição. Assim como controlar o nervosismo e as tensões e os
sentimentos que surgem antes das competições, tais como medo, raiva, ódio, inveja, egoísmo dentre outros
sentimentos e comportamentos que influenciam o rendimento dos atletas.

A Psicologia do Esporte, no que se refere ao esporte de alto rendimento, visa compreender os processos
envolvidos na situação esportiva e construir, em conjunto com o atleta, estratégias para melhorar seu desempenho,
ou seja, sua atuação está voltada, para "preparar, psicologicamente, o atleta para a obtenção da máxima eficiência
no seu rendimento, nos treinamentos e nas performances". (BARRETO, 2003).

De acordo com MARTIN, 2001, a Psicologia do Esporte, com base na teoria Behaviorista e nas práticas da
Análise do Comportamento, apresenta como característica a definição dos problemas em termos de comportamentos
que possam ser mensurados de alguma maneira, usando modificações na mensuração comportamental do problema
como melhor indicador do grau em que o problema está sendo superado, sendo que as técnicas e procedimentos de
tratamento dotados, por essa abordagem, são formas de reorganizar o ambiente, variáveis físicas específicas
imediatamente próximas à pessoa e que pode afetar o comportamento, de um indivíduo para ajudar o atleta a ter um
desempenho que envolva todo o seu potencial.

Segundo PEREIRA (2003), "o desenvolvimento da psicologia comportamental do esporte se dá a partir da


utilização dos princípios psicológicos básicos aplicados ao contexto esportivo", sendo que a aplicação dos
conhecimentos da psicologia comportamental ao esporte se estende a qualquer comportamento que possa ser
identificado como esportivo.

Os profissionais desta abordagem, com a utilização dos fundamentos da Psicologia da Aprendizagem e da


interpretação comportamental com base no modelo de contingência tríplice procuram investigar detalhadamente os
comportamentos dos processos cognitivos e emocionais dos atletas no contexto esportivo, criar procedimentos e
técnicas para aperfeiçoar a relação organismo-ambiente, visando a melhoria de desempenho do atleta. Esses
profissionais, através de um processo de interação com os demais profissionais esportivos e com os atletas, buscam
trabalhar competências que envolvem a parte técnica, tática, física e psicológica dos atletas, bem como na análise e
compreensão dos métodos, teorias e técnicas utilizadas no treinamento esportivo. (Pereira, 2002).

Buscando desenvolver um trabalho de forma interdisciplinar com profissionais como o Assistente Social, o
Nutricionista, Médico, Fisiologista, Técnico, Preparador Físico, dentre outros profissionais, os Psicólogos Analistas do
Comportamento buscam intervir nos diferentes níveis de comportamentos, por comportamento entende-se
essencialmente, como " qualquer coisa que uma pessoa diga ou faça", ou seja, busca-se trabalhar à nível das ações,
cognições e emoções. Para tanto tais profissionais visam compreender quais são as influências ambientais que o
atleta sofre, ou seja, o Psicólogo Comportamental define o ambiente de forma ampla identificando os antecedentes,
históricos, biológicos, físicos e socioculturais dos atletas, sendo que as intervenções do Psicólogo devem ser
executadas nesse ambiente, uma vez que essas ações irão refletir nas ações dos atletas (Pereira, 2002).

Segundo PEREIRA (2003), os psicólogos comportamentais esportivos adotam uma metodologia de trabalho
que desmistifica conceitos tradicionais, como os rótulos que descrevem processos de causa interna, tais como:
motivação, medo, angustia, dentre outros. Esses psicólogos também efetuam uma interpretação comportamental dos
conceitos, ou seja, os rótulos são operacionalizados e descrevem relações do organismo-ambiente através da
observação dos comportamentos. Suas estratégias envolvem o estabelecimento de objetivos gerais e específicos,
atuam sobre órgãos públicos ou privados, estabelecimento do comprometimento com o treinamento, auto-
verbalizações funcionais, com técnicas de condicionamento operante e respondente, tais como: relaxamento, ensaio
mental, feedback, controle de estímulos, lideranças por regras totais e parciais, etc.
De acordo com CILIO (2000), o treinamento comportamental tem por características:

1) A ênfase em uma medida detalhada e específica da "performance" atlética e o uso dessas medidas para avaliar a
efetividade de técnicas específicas de treino;

2) Reconhecer a distinção entre desenvolver um novo comportamento e manter (motivar) um comportamento


existente em taxas aceitáveis, e oferece procedimento para ambos;

3) Encorajar atletas à automonitoração de suas "performances" e a competir mais consigo próprio do que com os
outros;

4) Encorajar técnicos a usarem procedimentos específicos de modificação do comportamento cuja efetividade tem
sido demonstrada em inúmeras outras áreas;

5) Focar o comportamento do técnico, assim como o comportamento do atleta, e encorajar o técnico a continuamente
monitorar e avaliar o seu próprio comportamento de treinador;

6) Sugerir que os próprios atletas devem aumentar seu envolvimento no estabelecimento de objetivos e na avaliação
dos resultados obtidos.

Os procedimentos de trabalhos desses profissionais englobam as entrevistas e intervenções, orientação


individual e coletiva, o treinamento mental e de auto-verbalização, dinâmicas de grupo e Palestras, trabalha com
Jornais, Biblioteca e Videoteca, estrutura de documentação, projetos para diferentes situações e com os fatores
técnicos, a cultura do time, clube, com competições específicas e grau de expectativa.

Interação multidisciplinar em atividades desportivas

Relacionada à Educação Física e à Fisioterapia, a Psicologia do Esporte tem buscado ser reconhecida,
atualmente, como uma disciplina da Psicologia, entendida como Psicologia aplicada. Tradicionalmente, porém, o que
acontece é a relativa ausência da disciplina nas grades curriculares dos cursos de graduação em Psicologia no
Brasil. Recentemente a tendência tem sido a elaboração de uma 'Ciências do Esporte', que congregaria então a
Biomecânica, a Sociologia, a Antropologia, a Medicina e a Psicologia do Esporte, bem como outros campos do saber
diretamente voltados para a prática esportiva (DISHMAN, apud RUBIO, 2000). Considerada então como uma sub-
área das Ciências do Esporte e ao mesmo tempo uma especialidade da Psicologia, a Psicologia do Esporte vem se
ocupando apenas de certos aspectos da Psicologia em geral. A clivagem aparece sobre tudo na dicotomia
construção teórica/pesquisa versus aplicação prática/intervenção psicológica, onde há uma concentração "na
importância de variáveis independentes que influenciam a performance” (RUBIO, 2000).

Assim, temos assistido nesta última década a uma “descoberta” da Psicologia do Esporte como área de
atuação emergente para psicólogos que, diante de uma demanda crescente, enfrentam grandes dificuldades para
intervir adequadamente, já que os cursos de graduação em Psicologia ainda não formam nem qualificam o
graduando para esta possibilidade de prática. Temas como motivação, personalidade, agressão e violência,
liderança, dinâmica de grupo, bem-estar psicológico, pensamentos e sentimentos de atletas e vários outros aspectos
da prática esportiva e da atividade física têm requerido estudo e atuação de profissionais da área, visto que o nível
técnico de atletas e equipes de alto rendimento está cada vez mais equilibrado, dando ênfase especial à preparação
emocional, tida como o diferencial.
No Brasil, é interpretada como um produto da década de 1980. A partir de então, uma rápida evolução foi
percebida, com o surgimento de novos pesquisadores, instituições e laboratórios que deram à Psicologia do Esporte
o suporte necessário para a sua inclusão definitiva no cenário esportivo competitivo (RUBIO, 2000). A Psicologia do
Esporte, que apesar de ter seu início vinculado a trabalhos realizados há mais de um século, no Brasil ainda é vista
como uma novidade pelos profissionais do esporte, sejam eles atletas, técnicos e dirigentes, que não têm clareza de
que maneira essa intervenção pode ajudá-los a aumentar o rendimento esportivo ou superar situações adversas.

3- Áreas de Atuação da Psicologia do Esporte

O objetivo do psicólogo do esporte é entender como os fatores psicológicos influenciam o desempenho


físico e compreender como a participação nessas atividades afeta o desenvolvimento emocional, a saúde e o bem-
estar de uma pessoa nesse ambiente.

O marco da recente história da Psicologia do Esporte tem seu início nos anos 50. O primeiro livro de
Psicologia do Esporte foi publicado em 1962 por Athayde Silva e Emílio Mira (apud RUBIO, 2000). Em 1974 João
Carvalhaes, o primeiro psicólogo a atuar num clube de futebol, escreve "Psicologia no Futebol" (MACHADO, 1997;
RUBIO, 1999). Com a explosão de práticas psicológicas ligadas ao meio esportivo e mirando-se pelas instituições
existentes em outros países, é criada a Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte em 1979. Na década de 90,
novo impulso é dado a este campo com o representativo aumento de profissionais, com a publicação de trabalhos
científicos e o crescimento do número de pós-graduações latu sensu na área. O primeiro laboratório é criado pelo
professor Dietmar Salmuski, na Universidade Federal de Minas Gerais. SAMULSKI (1992) destaca a necessidade de
uma formação abrangente apontando como sendo quatro os campos de aplicação da Psicologia do Esporte:

O esporte de rendimento que busca a otimização da performance numa estrutura formal e


institucionalizada. Nessa estrutura o psicólogo atua analisando e transformando os determinantes psíquicos que
interferem no rendimento do atleta e/ou grupo esportivo.

O esporte escolar que tem por objetivo a formação, norteada por princípios sócio-educativos, preparando
seus praticantes para a cidadania e para o lazer. Neste caso, o psicólogo busca compreender e analisar os
processos de ensino, educação e socialização inerentes ao esporte e seu reflexo no processo de formação e
desenvolvimento da criança, jovem ou adulto praticante.

Já o esporte recreativo visa o bem-estar para todas as pessoas. É praticado voluntariamente e com
conexões com os movimentos de educação permanente e com a saúde. O psicólogo, nesse caso, atua na primeira
linha de análise do comportamento recreativo de diferentes faixas etárias, classes socioeconômicas e atuações
profissionais em relação a diferentes motivos, interesses e atitudes.

Por fim o esporte de reabilitação desenvolve um trabalho voltado para a prevenção e intervenção em
pessoas portadoras de algum tipo de lesão decorrente da prática esportiva, ou não, e também com pessoas
portadoras de deficiência física e mental.

A Psicologia do Esporte tem como meio e fim o estudo do ser humano envolvido com a prática de atividade
física e esportiva competitiva e não competitiva. Esses estudos podem fomentar os processos de avaliação, as
práticas de intervenção ou a análise do comportamento social que se apresenta na situação esportiva a partir da
perspectiva de quem pratica ou assiste ao espetáculo (Azevedo Marques & Junishi, 2000; Markunas, 2000; Martini,
2000).
4- Conceitos

Psicologia é a ciência que estuda os processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o


comportamento humano.

Deriva-se das palavras gregas: psiquê que significa “alma” e logia que significa “estudo de”.

Psicologia do Esporte é o estudo científico do comportamento das pessoas envolvidas com atividades
relacionadas ao esporte e ao exercício físico e a aplicação do conhecimento obtido” (GOULD & WEINBERG, 2001).

A Psicologia do Esporte pode ser explicada e compreendida como uma ciência "que investiga as causas e os
efeitos das ocorrências psíquicas que o ser humano apresenta, antes, durante e após o exercício ou esporte, sejam
estes de cunho recreativo, competitivo ou reabilitador." (BECKER, 2000).

É uma ciência que estuda as condutas e os processos psíquicos de atletas, ela persiste em conhecer e
melhorar as condições internas do praticante esportivo, com propósito de otimizar o potencial físico, técnico e tático,
adquiridos durante processo de preparação (CARBALLIDO, 2001).

A importância da preparação psicológica está em acelerar os processos naturais de desenvolvimento das


qualidades psíquicas e propriedades da personalidade mais relevantes aos esportistas (BURIT, 2001).

Segundo Markunas, 2003 a psicologia do Esporte tem como foco de investigação e intervenção duas
vertentes na inter-relação do indivíduo com a atividade esportiva:

1-Relacionada às características, traços, processos, estados, e qualidades psicológicas

(ansiedade, estresse, motivação,..)

2-Relacionada à prática esportiva no que diz respeito às características da modalidade, seu modo

de ensino e treinamento, evidenciando suas demandas e exigências psicológicas, o que por

sua vez explica a interdependência da preparação psicológica e do treinamento esportivo.

Psiquiatria é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e
reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar,
esquizofrenia e transtornos de ansiedade. A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico.
Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e
outras áreas afins.

Psicoterapia: LAPLANCHE e PONTALIS (2008, p. 393) definem a psicoterapia como “qualquer método de
tratamento dos distúrbios psíquicos ou corporais que utilize meios psicológicos e, mais precisamente, a relação entre
o terapeuta e o doente”.

Para estes autores a hipnose, a sugestão, a psicanálise são exemplos de psicoterapia.

5- Áreas de Atuação da Psicologia do Esporte

Os campos de atuação do psicólogo do esporte são divididos em:


1- Esporte do rendimento que busca a otimização do desempenho e o trabalho com as questões que interferem no
rendimento do atleta ou do grupo esportivo. O psicólogo atua analisando e transformando os determinantes
psíquicos que interferem no rendimento do atleta.

2- Esporte Escolar psicologia praticada nas escolas tem como formação os princípios sócio educativos preparando
os alunos para a cidadania e para o lazer. Neste caso o psicólogo busca compreender e analisar os processos
de ensino, educação e socialização na formação dos praticantes.

3- Esporte Recreativo ou práticas de tempo livre, praticantes que buscam a satisfação pessoal e a superação de
limites e desafios visando sempre o bem estar. A função do psicólogo é atuar na primeira linha de analise do
comportamento recreativo, com diferentes faixas etárias classes sócias econômicas e atuações em diferentes
motivos, interesse e atitudes.

4- Esporte da Reabilitação prevenção e intervenção em pessoas portadoras de algum tipo de lesão decorrentes da
pratica esportiva ou pessoas que necessitam praticar esporte devido aos problemas coronarianos, hipertensão,
AVC, portadores de necessidades especiais.

5- Trabalho nos projetos sociais uso do esporte como meio de socialização e educação de crianças e jovens.

6- Atuação do psicólogo do esporte na área educativa

Segue algumas possibilidades de atuação do psicológico com foco educativo

1- Ambientes do esporte: competição e cooperação, diferença entre ambos seus aspectos positivos e negativos.

2- Ao Atleta: focar na motivação, as fontes de processo da ansiedade e stress,

3- Aos grupos: desenvolver dinâmica de grupo e equipe, procurando componentes necessários para obter uma
liderança efetiva, comunicação: importância no processo de metas e objetivos do grupo.

4- No desempenho: dicas de exercício de mentalização trabalhar a autoconfiança e a autoestima, foco na atenção.

5- Saúde e bem estar: lesões, obter qualidade de vida, distúrbios alimentares, abuso de substancias toxicas,

6- Burnout, ou melhor, estafa e treinamento excessivo.

7- Orientação aos pais à importância do apoio.

Benefícios psicológicos das atividades físicas:

* Mudança positiva na autopercepção e no bem estar

* Melhoria da autoconfiança

* A mudança positiva no humor

* Influencia para amenizar o estado de tensão

* O aumento da sensação do bem estar mental

* Pensamentos tranquilos, maior apreciação da pratica de exercícios.

* Desenvolvimento de estratégias positivas


6- Funções do Psicólogo do Esporte

É cada vez maior o número de psicólogos que têm escolhido o esporte como campo profissional,

incentivados pela regulamentação dessa especialidade profissional pelo Conselho Federal de Psicologia em 2000 e

pela crescente organização de cursos em nível de pós-graduação, visto que a grande maioria dos cursos de

graduação em Psicologia, em geral, não conta, em seus currículos, com a disciplina Psicologia do Esporte.

Segundo RUBIO (2000), a Psicologia do Esporte é um campo que pode ser dividido em dois ramos distintos

de atuação: num deles está a Psicologia do Esporte acadêmica, que tem seu interesse primordial voltado para a

ciência e o ensino, no outro se encontra a Psicologia do Esporte aplicada ou prática. O esporte, enquanto um

fenômeno complexo, e que permite a diversas áreas uma tentativa de compreensão, é o foco privilegiado da

pesquisa enquanto possibilidade de atuação acadêmica. O recorte feito do seu objeto, evidentemente, é a interação

dos aspectos psicológicos com a prática esportiva.

A Psicologia do Esporte aplicada tem como uma de suas funções principais o processo de avaliação

psicológica, que é conhecido como psicodiagnóstico esportivo e está relacionado diretamente com o levantamento de

aspectos particulares do atleta ou da relação com a modalidade escolhida.

As investigações de caráter diagnóstico têm como objetivo determinar o nível de desenvolvimento de funções

e capacidades no atleta com a finalidade de prognosticar os resultados esportivos.

Com o resultado do diagnóstico pode-se chegar a conclusões referentes a algumas particularidades pessoais

ou grupais que oferecem subsídios para se fazer uma seleção de novos atletas para uma equipe, para mudar o

processo de treinamento, individualizar a preparação técnico-tática, escolher a estratégia e a tática de conduta em

uma competição e otimizar os estados psíquicos.

No caso das modalidades individuais, em que o foco da intervenção é o próprio atleta e sua atuação,

atividades voltadas para a concentração, o controle da ansiedade e o manejo das variáveis ambientais costumam ser

os principais objetivos da intervenção psicológica. No entanto a forma e o tempo que esse trabalho será desenvolvido

pode variar conforme o referencial teórico do psicólogo que o aplica. As práticas podem envolver visualização,

relaxamento, modelagem de comportamento, análise verbal, inversão de papéis, técnicas expressivas ou corporais.

Nas modalidades coletivas o foco da intervenção recai sobre as relações grupais, a formação de vínculo e

organização de liderança, e aqui também a diversidade de procedimentos é grande. São amplamente utilizados os

jogos dramáticos advindos do psicodrama, o desenvolvimento de autoconhecimento por meio das técnicas de senso-

percepção, bem como procedimentos verbais originários da psicanálise de grupos.


No entanto, a atuação do psicólogo no esporte não se resume à atuação junto à prática de esportes de alto

rendimento, há a possibilidade de atuação na prática de atividades físicas de tempo livre, na iniciação esportiva não

competitiva, na reabilitação de atletas ou portadores de necessidades especiais e até mesmo em projetos sociais

ligados ao esporte.

Sendo assim, as funções básicas do psicólogo do esporte são:

- Investigação: lida com os processos psicológicos básicos aplicados a atividade física;


- Educativa: lida com a questão dos princípios e das técnicas psicológicas, ou seja, cursos e seminários para
atletas, técnicos e árbitros;
- Clínica: lida diretamente com os problemas psicológicos (patologias) que interferem na prática esportiva.

O Psicólogo do esporte pode trabalhar através de diferentes elementos: pesquisa, ensino e intervenção.

- A pesquisa na área é realizada com a intenção de desenvolver uma teoria da ação esportiva, de estudar
procedimentos diagnósticos e de investigar medidas adequadas de intervenção psicológica.
- O ensino tem como princípio básico à questão da comunicação, que acaba sendo a melhor forma de
entender os mecanismos de relacionamento técnico/atleta. Além disso, tem como finalidade, transmitir
conhecimentos e capacidades psíquicas para a educação prática no esporte e metodologia de pesquisa em
Psicologia.
- A intervenção é permitida apenas para os indivíduos com formação específica em Psicologia. Funciona
como um acompanhamento psicológico, buscando foco em uma meta específica que auxilia na orientação e
direcionamento da regulação psíquica do atleta, o que proporciona o desenvolvimento da autoconfiança para o
enfrentamento necessário antes, durante e após as competições.

O psicólogo que trabalha no esporte deve conhecer o fator primordial da área: a competição. Todas as
ações, de todos os profissionais envolvidos, devem estar voltadas para a obtenção dos melhores resultados
possíveis nas competições. E não deve ser diferente para o psicólogo. Neste sentido a intervenção psicológica deve
estar direcionada para a obtenção dos resultados, de forma integrada aos outros tipos de preparo (físico, nutricional,
técnico-tático). Portanto o psicólogo necessita conhecer os tipos de competição e de preparo para elas, na (s)
modalidade (s) trabalhada. Além disso, diferentes tipos de modalidades e de competições apresentam diferentes
exigências para os atletas. É preciso conhecê-las muito bem para saber o que deverá ser esperado dos atletas e, aí
sim, propor intervenções específicas e adequadas. Nesse tipo de trabalho o psicólogo trabalha muito com todos os
outros envolvidos na qualidade de rendimento que o atleta possa oferecer, é altamente multidisciplinar envolvendo
médicos, fisioterapeutas, técnicos, pesquisadores.

7- A influencia dos Sentimentos

Pressupõe que todo atleta deveria ter um preparo psicológico e emocional incorporado as suas rotinas de
treinamento, observa se que as habilidades emocionais oscilam muito, pois as emoções variam de acordo com o
jogo.

A busca pelo “equilíbrio emocional” não é tarefa fácil, mas é possível de ser treinado e aprendido, toda
emoção e sentimento tem um componente fisiológico que repercute no corpo.
Emoções e sentimentos negativos, assim como a raiva e angustias liberam hormônios relacionados ao stress
que por sua vez aumentam os batimentos cardíacos impedindo uma concentração adequada.

A euforia e autoconfiança denominados sentimentos positivos também pode atrapalhar, pois deixa o corpo
relaxado e menos ativado, podendo evitar uma atenção adequada.

Deve se analisar as habilidades dos atletas a fim de contribuir para um desenvolvimento psicológico e assim
obter um diferencial.

O objetivo do psicólogo do esporte é trabalhar o desenvolvimento comportamental e emocional do atleta ou


praticante, visando sua saúde física e mental sempre.

8- As Necessidades Humanas segundo MASLOW

Abraham Maslow foi um psicólogo de grande destaque por causa de seu estudo relacionado às
necessidades humanas. Segundo ele, o homem é motivado segundo suas necessidades que se manifestam em
graus de importância onde as fisiológicas são as necessidades iniciais e as de realização pessoal são as
necessidades finais. Cada necessidade humana influencia na motivação e na realização do indivíduo que o faz
prosseguir para outras necessidades que marcam uma pirâmide hierárquica:

As necessidades fisiológicas que se encontram na base para a pirâmide, segundo MASLOW, representam as
necessidades relacionadas ao organismo, como alimentação, sono, abrigo, água, excreção e outros.
As necessidades de segurança aparecem após o suprimento das necessidades fisiológicas. São
representadas por necessidades de segurança e estabilidade, como proteção contra a violência, proteção para
saúde, recursos financeiros e outros.

As necessidades sociais somente aparecerão após as necessidades de segurança serem supridas. São
necessidades sociais: amizades, socialização, aceitação em novos grupos, intimidade sexual e outros.

As necessidades de status e estima ocorrem depois que as necessidades sociais são supridas. São
necessidades de status e estima: autoconfiança, reconhecimento, conquista, respeito dos outros, confiança.

As necessidades de autorrealização que se encontram no topo da pirâmide hierárquica são: moralidade,


criatividade, espontaneidade, autodesenvolvimento, prestígio.

O ser humano busca sempre melhorias para sua vida. Dessa forma, quando uma necessidade é suprida
aparece outra em seu lugar; tais necessidades são representadas na pirâmide hierárquica. Quando as necessidades
humanas não são supridas sobrevêm sentimentos de frustração, agressividade, nervosismo, insônia, desinteresse,
passividade, baixa autoestima, pessimismo, resistência a novidades, insegurança e outros. Tais sentimentos
negativos podem ser recompensados por outros tipos de realizações.

9- Fatores Psicológicos que interferem na Performance Desportiva:

- Motivação

- Ansiedade

- Atenção

- Percepção

- Personalidade

- Histórico Familiar

- Expectativa da família, amigos, clube e patrocinadores

- Reação da Torcida

- Relação com colegas e Técnicos

10- A Preparação Psicológica na Formação de Atletas

Por João Ricardo Cozac

Os anos 90 decretaram uma nova postura nas equipes de diversas modalidades esportivas através do
surgimento dos clubes-empresa. Em decorrência desse tipo de patrocínio, tornou-se possível viabilizar uma nova
filosofia organizacional, onde um dos itens mais importantes deveriam ser o reconhecimento da necessidade de um
psicólogo atuante e presente para garantir um rendimento positivo e estável das equipes.

A preparação psicológica dos atletas é uma das temáticas mais discutidas no mundo dos esportes, sendo
objeto de estudos no campo do conhecimento das ciências humanas e sociais. O nível de preparação psicológica se
manifesta mediante a eficiência dos métodos de procedimentos e na eficácia das múltiplas técnicas empregadas em
relação aos atletas.

A mídia ressalta frases comuns ouvidas por comentaristas esportivos e treinadores de diversas modalidades:
“Temos que mexer com o psicológico dos jogadores”, “É hora de trabalhar a parte psicológica dos atletas”, “Nesse
momento a parte psicológica conta muito”, “O emocional fez a diferença nesse jogo”, “Os atletas sentiram a pressão
emocional” e, outras tantas pérolas ditas por treinadores de nome no cenário esportivo nacional.

É preciso constatar que, na atualidade, não existe a formação de psicólogo do esporte – o que existe são
bacharéis e licenciados em psicologia para atuarem nos seguimentos da psicanálise, da psicologia escolar e da
organizacional, além daqueles que foram formatados para atuarem como psicólogos. Decorre daí que quando se fala
em psicologia ou psicossociologia do esporte, é usual encontrarmos diferentes discussões a respeito dos
profissionais que atuam no contexto dos esportes de rendimento.

O papel do conhecimento antropológico, sociológico, psicológico, psicossociológico nas atividades dos


profissionais (treinadores, sociólogos, psicólogos, preparadores físicos, entre outros) é uma referencial fundamental
para suas percepções sobre a sociedade do esporte e, consequentemente, um dos esquemas conceituais,
referenciais e operacionais orientadores de suas ações e intervenções psicossociológicas.

A emergência do trabalho de um psicólogo processa-se no cenário de uma crise de aceitação como um


reflexo da credibilidade que os psicólogos têm dentro do ambiente esportivo. Isto significa que o principal papel do
psicólogo é a organização um modelo/plano de preparação psicológica de atletas – tarefa cujas maiores dificuldades
não só reside na estruturação de um trabalho eficiente como método de procedimentos, mas também na eficácia das
metas e objetivos propostos como técnicas de intervenção psicológica na preparação dos atletas. Lembremos que
nem sempre os dirigentes estão interessados no trabalho psicológico em relação aos atletas. É comum, ouvir
grandes atletas e treinadores dizerem: “temos que nos preparar psicologicamente para esta partida” ou “fisicamente o
time está bem, mas psicologicamente vem passando por dificuldades” ou, ainda, “temos que elevar o moral para
virarmos o jogo”.

Com efeito, quando se diz que o atleta está precisando de melhor preparo físico para uma competição, sabe-
se que o preparador físico será escalado para um trabalho mais rigoroso com esse atleta, seja definindo nova rotina
de treinamento, optando por um macrociclo ou determinando-lhe que faça exercícios para desenvolver habilidades
motoras necessárias ao seu desempenho: força explosiva, flexibilidade, resistência muscular localizada, agilidade
etc.

Se o atleta está mal – psicológica ou emocionalmente – quem é o profissional tecnicamente preparado para
atuar na solução deste problema? O técnico, o diretor do clube, o médico ortopedista, profissionais de outras áreas
que não a Psicologia do Esporte? Os que conhecem de perto o cotidiano do treinamento do atleta, de equipes ou
clubes de futebol, dirão que profissionais sem a devida formação estão atuando como “psicólogos” no esporte. Este
problema coloca em discussão inúmeros problemas – um deles, o papel do psicólogo no mundo dos esportes e, mais
especificamente, na preparação das equipes e dos atletas individualmente. Isto justificaria uma análise sobre tudo
aquilo que ocorre no campo do esporte. O clube está preparado para administrar os mecanismos implantados como
valores, normas e regulamentos para enquadrar as condutas humanas. E a questão que se faz formular é a seguinte:
a preparação psicológica tem um papel fundamental na vida das equipes e dos atletas individualmente? Julga-se que
nesse cenário, o orgânico, o psíquico, o emocional, o individual e o social são elementos inseparáveis aos dirigentes,
técnicos e atletas e ao ambiente institucional em que participam, interagem e desenvolvem suas atividades
profissionais.

11- Acompanhamento x Aconselhamento Psicológico:

Segundo GABLER (1979), o Acompanhamento Psicológico (Coaching) consiste em “trabalhar o


desenvolvimento da autoconfiança e da força de vontade, assim como a aplicação de medidas de motivação e
orientação tática antes, durante e depois da competição. O trabalho do psicólogo está ligado diretamente a situações
concretas.” (apud SAMULSKI, 1992).

O trabalho psicológico antes da competição consiste no acompanhamento dos treinos; disponibilidade para o
atleta e comissão técnica: diagnóstico individual dos atletas; diagnóstico do grupo; e intervenções necessárias
apontadas no diagnóstico.

Depois da competição, o psicólogo trabalha na recuperação psicológica e resignificação da vitória ou da


derrota; análise das estratégias utilizadas pelo atleta ou pela equipe; e na discussão e análise do grupo junto ao
técnico.

O Aconselhamento Psicológico (Counselling), “tem como meta ajudar aos técnicos e desportistas a
entender e solucionar da melhor maneira possível os seus problemas psicológicos e sociais. Uma tarefa específica
para o psicólogo é ajudar emocionalmente as pessoas nas fases de insegurança, a fim de que elas possam encontrar
rapidamente a sua segurança e autoconfiança”.

12- Princípios Básicos de um Trabalho Psicológico

- Iniciativa própria – Não deve ser imposto por terceiros.

- Compreensão – Técnica e estrutura dos exercícios compreendida.

- Confiança – Confiar na unidade prática do exercício.

- Individualidade – Devem dar conta dos aspectos individuais.

- Disciplina – Tornar-se um hábito do atleta.

- Método – Compreensão e interiorização dos métodos.

- Economia – Treinar o suficiente para obter o máximo de rendimento.

- Aconselhamento – Utilizar sozinhos os treinamentos básicos

- Sucesso – Estabilização do estado mental, sem esquecer o físico.

- Transferência – Aplicar o potencial na vida em geral

13- Dinâmicas

As dinâmicas são caracterizadas como instrumentos que fazem parte de um processo de formação e
organização que possibilitam a criação e recriação do conhecimento. Num caso específico, a dinâmica de grupo é
uma ferramenta que permite estudar grupos e equipes através da interação e influência mutua. Os grupos
desenvolvem processos dinâmicos variados que os separam de um conjunto aleatório de indivíduos. Estes processos
incluem normas, papéis sociais, relações, necessidades interpessoais, influência social e efeitos sobre o
comportamento.

As dinâmicas de grupo contribuem para facilitar e aperfeiçoar a ação dos grupos, em virtude do seu poder de
ativação dos impulsos e motivações individuais das dinâmicas interna (indivíduo – grupo) e externa (grupo – grupo /
grupo – instituição), de forma a potencializar a interação das forças existentes no grupo e melhor direcionar estas
para as metas estabelecidas.

Grupo é a associação humana pela necessidade de proximidade de solucionar problemas, e tem sempre um
objetivo comum. Pensar na unidade de metas implica em ter a clareza de que em todo o agrupamento é um grupo,
pois os bandos se agrupam, mas dispersam cada qual para o seu lado. Há um fator determinante na conceituação de
grupo: a INTERAÇÃO, que conecta atletas, técnico e comissão técnica, porém as características individuais e
ambientais não são uma simples somatória dos sois fatores, mas sim, uma interação constante e dinâmica entre o
indivíduo e o meio ambiente. O resultado deste dinamismo produz modificações nas duas partes.

A Dinâmica de grupo proporciona aprendizagem diversa aos membros do grupo, tanto no sentido da vivência
pessoal (autoconhecimento), como na interpessoal (percepção do outro).

O esporte faz parte do sociogrupo, é um grupo organizado, que tem interesse pelo rendimento da equipe, por
seu entrosamento e pela interpretação do time como grupo em termos de conjunto e produtividade.

Para se compreender ou modificar o comportamento grupal é necessário conhecer:

- A natureza dos grupos; - O seu funcionamento;

- A relação indivíduo / grupo : - A relação grupo / sociedade.

Assim, se os jogadores tiverem algum tipo de problema com o técnico, criará uma situação de conflito entre
os dois lados (técnico x jogadores) que irá repercutir nos comportamentos individuais, caindo a performance de cada
jogador, e por sua vez, no comportamento coletivo, prejudicando a equipe como um todo.

Além das características individuais, as influências externas têm grande peso na dinâmica do grupo. São
elas: - Torcida;

- Clima;

- Importância da partida;

- Jogar contra adversários considerados fortes.

Um grupo não é uma realidade estática, é um processo em desenvolvimento, ou conforme designado por
Lewin, é um processo quase estacionário.

Cada vez que há uma mudança em seu grupo, há um balanceamento no equilíbrio, o que o torna semi-
estacionário. Albert Carron diz que para se compreender um grupo esportivo se faz necessário saber a sua natureza
e operação, bem como a forma como seus membros se inter-relacionam dentro e fora do grupo.

Os indivíduos que compõem o grupo trazem suas características psicológicas, físicas e sociais, a partir dessa
avaliação podemos qualificar o grau de heterogeneidade e compatibilidade entre os seus membros.

A coesão é o principal fator de influência em um grupo esportivo, bem como de qualquer outro tipo de relação
grupal.

14- Motivação: O motivo para a ação de cada um

A motivação no esporte e na atividade física é importante para a compreensão da aprendizagem e do


desempenho de habilidades motoras devido ao seu papel na iniciação, manutenção e intensidade do comportamento
(MAGILL, 1984).

Segundo SAMULSKI (2002) a motivação refere-se a fatores e processos que levam as pessoas à ação ou
inércia em determinadas situações. Ele considera a motivação como um processo ativo, intencional e dirigido a uma
meta. A literatura discute a motivação com dois conceitos: A Motivação intrínseca que se define pela participação de
um atleta em uma determinada atividade sem recompensa externa, apenas pelo prazer natural. A Motivação
extrínseca se refere a recompensas externas, como dinheiro ou prêmios que os atletas recebem após suas
conquistas..

Inspirados principalmente na Teoria Atribucional de Weiner, (1972, 1985), os resultados de inúmeros estudos
dos processos motivacionais parecem indicar que as atribuições de causalidade - definido como um processo
cognitivo, mediante o qual se busca uma causa para um evento, uma conduta ou uma performance observada -
constituem um fator importante na determinação do desempenho esportivo bem sucedido.

O estudo de atribuições de causalidade para a vitória e derrota em competições esportivas possui um grande
potencial para o entendimento do comportamento motivado no esporte e na educação física. O processo atribucional
tem significativas implicações para situações esportivas, pois envolvem o processo social de comparação inerente ao
esporte e a interação entre resultado e dificuldade da tarefa que irá determinar fortemente as inferências de
habilidade.

Os ambientes desportivos, repletos de situações de sucesso e fracasso, fornecem grandes oportunidades


para a testagem da teoria de atribuição.

Para WEINER (1985, 1992), a atribuição causal pode ser classificada de acordo com uma taxonomia
ortogonal de 2x2x2, de três dimensões, com dois pólos: Locus de causalidade (causalidade interna
versus causalidade externa), Estabilidade (causa estável versus causa instável) e Controlabilidade (causa
controlável versus causa incontrolável) (VALLERAND e RICHER, 1988). O efeito dessas dimensões causais sobre o
comportamento ocorre através da mediação das expectativas futuras e reações afetivas decorrentes.

Nesse processo de orientação e motivação, o indivíduo tenta satisfazer suas necessidades a partir de
generalizações baseadas nos sucessos e fracassos anteriores, adotando certos objetivos e rejeitando outros. Desta
forma, os indivíduos, para os quais a situação foi satisfatória e recompensadora no passado, tenderão a abordar uma
nova situação com a expectativa de que essa também será uma experiência satisfatória. Por outro lado, se a
experiência for frustrante e estranha, tenderão a buscar satisfação em outro lugar, empregando seu esforço e sua
engenhosidade em atividades que pareçam prometer maiores recompensas.

A confiança ou falta de confiança desenvolvida pelo indivíduo no passado afetará a avaliação de suas
possibilidades de realização no presente quase tanto quanto a sua capacidade ou a dificuldade real da tarefa (KLEIN
e SCHOENFELD, 1941 apud PENTEADO, 1986). A falta de disposição para tentar, entendida aqui como
desmotivação, é um modo que o indivíduo encontra para demonstrar e expressar seu baixo nível de aspiração e sua
alta expectativa de fracasso. Por isso há necessidade de que os objetivos, expectativas e aspirações sejam realistas
e coerentes com as condições individuais, pois é fundamental reconhecer que os sentimentos de sucesso e fracasso
de cada pessoa dependem de quão bem ela atinge o que estava tentando fazer.

Porém, sucesso e fracasso são estados psicológicos baseados na percepção individual subjetiva das
implicações e das realizações de certas qualidades pessoais desejáveis. "Uma derrota não será sempre considerada
como um fracasso por um indivíduo e uma vitória não será sempre um sucesso" (MAEHRS e NICHOLLS, 1980 apud
ROBERTS, 2001).

Indivíduos envolvidos no esporte fazem atribuições baseadas no resultado da atividade. Muitos


pesquisadores (BUKOWISKI e MOORE, 1980; SPINK e ROBERTS, 1980; SINNOTT e BIDDLE, 1998; BIDDLE,
1999) investigaram o processo atribucional em atletas, chegando geralmente às seguintes conclusões: a vitória é
atribuída a fatores internos (habilidade e esforço), enquanto a derrota é atribuída a fatores externos (sorte e
dificuldade da tarefa). De acordo com a perspectiva de Heider (1958 apud DELA COLETA, 1982) ou a posição inicial
de Weiner (1972), o conceito de sorte, esforço, dificuldade e habilidade têm a função de guiar as interpretações
pessoais de seus resultados imediatos.

Algumas evidências nos estudos desses autores sugerem que as atribuições feitas à derrota ou à vitória
afetam a motivação e subsequente performance dos atletas. Nesses estudos, indivíduos em situações esportivas que
consistentemente venceram ou perderam, atribuíram os resultados a dimensões estáveis, particularmente habilidade.
Experiências de sucesso podem levar o indivíduo a associar o resultado da atividade com uma atribuição interna e
estável (habilidade), fazendo com que ele se motive para melhorar ainda mais o nível de performance. Por outro lado,
o fracasso consistente pode levar os indivíduos a acreditar que têm pouca habilidade e eles poderão exercer pouco
esforço em situações similares futuras e até evitar ou abandonar a atividade. A inferência de habilidade está
fortemente relacionada à percepção de habilidade, ou seja, vencedores frequentes atribuem alta habilidade como
causa ou, quando a tarefa é considerada mais difícil, por exemplo, derrotar um adversário fácil, não propicia uma alta
percepção de habilidade.

As pesquisas sobre atribuição de causalidade cresceram tanto em interesse quanto em volume. Esses
trabalhos têm sido reportados em recentes artigos (BRAWLEY e ROBERTS, 1984; VLACHOPOULOS, BIDDLE e
FOX, 1997; SINNOTT e BIDDLE, 1998; DEWCK, 1999; SINGER, HAUSENBLAS e JANELLE, 2001 e ECLES e
WIGFIELF, 2002). Especificamente no âmbito esportivo, Roberts e Pascuzzi (1979) sugerem, no entanto, que os
quatro elementos identificados por Weiner (1972, 1992) - capacidade, esforço, dificuldade da tarefa e acaso - devem
ser considerados com mais cautela no esporte e na atividade física; alertam também para que se faça uma
diferenciação na natureza da tarefa tanto quanto no resultado, e que se dê mais atenção às dimensões de
estabilidade e controlabilidade nas pesquisas com esportistas. Grove, Hanrahan e McInman (1991) sugerem que o
esporte competitivo possa ser único em situação de pressão para internalização das causas. Em outros domínios da
atividade, as pressões são bastante diferentes, e isso possivelmente faz com que o clássico viés de sucesso /
fracasso seja mais evidente neste contexto.

A atividade desportiva e seus diferentes tipos exigem dos desportistas um alto desenvolvimento de suas
funções, qualidades e estados psíquicos, os quais estão presentes em todas as facetas da atividade exercida pelo
atleta no processo de preparação e competição. No entanto, este desenvolvimento não é generalizado, deve-se levar
em consideração a especificidade de cada tipo de esporte em separado.

As principais diferenças se concentram na forma de avaliação, no conhecimento de resultado e


no feedback que o atleta recebe ao final da atividade esportiva ou da competição. A percepção de sucesso também
exerce influência decisiva na atribuição de causalidade, pois muitos esportes possuem uma forma clara e objetiva de
vencer e perder, enquanto que em esportes como a patinação artística, a ginástica rítmica e a ginástica olímpica,
vencer e perder são menos definidos e bem menos objetivos. Os ginastas, por exemplo, podem perceber sucesso e
fracasso não em termos de primeiro ou último na classificação, mas em termos de realização pessoal, nível de
excelência e contribuição para o resultado da equipe. Segundo Rudik (1973), os esportes podem ser classificados e
descritos da seguinte forma:

1) Esporte de Combate - Neste grupo se incluem a luta livre, a esgrima, o judô, boxe e karatê. Nesses
esportes, uma das particularidades mais importantes é que o desportista tem de enfrentar diretamente
um adversário com o qual atua praticamente corpo a corpo. De modo que o atleta tem de superar não só
a força física do adversário, mas também a tática que o mesmo utiliza.

Tendo em vista que nos esportes de combate, as ações se realizam com grande rapidez e dinamismo,
em períodos de tempo e espaço delimitados, com movimentos muito precisos e ajustados às situações
de competição, estes esportes requerem um desenvolvimento altamente especializado das percepções
que permitem a execução satisfatória de cada um dos movimentos técnicos e das ações táticas do
desportista. Isso faz com que o atleta do judô tenha uma percepção imediata do seu desempenho,
podendo assim fazer uma clara atribuição de causalidade da sua atuação, sendo que esta normalmente
está isenta da influência do resultado anunciado pelo juiz.

2) Esporte de tempo e marca - Neste grupo temos esportes como: as provas de atletismo (corridas), o
ciclismo e a natação. A característica mais relevante que distingue esses esportes é a capacidade de
resistência. Estes atletas devem manter uma alta motivação que lhes dá a possibilidade de enfrentar a
monotonia e os estados desfavoráveis do treinamento; devem também possuir um alto nível de aspiração
ao rendimento, uma autoestima adequada que lhes permita enfrentar e vencer qualquer obstáculo ou
dificuldade que se apresente durante a realização das tarefas.

Na natação, o atleta não tem contato direto com o adversário, seu confronto maior é com o cronômetro,
pois tem como referência para sua percepção de resultado o tempo e não sofre, por sua vez, uma forte
influência do julgamento externo. Portanto, fica evidente a importância da autovaloração de suas
possibilidades e potencialidades.

3) Esporte de apreciação - Neste grupo se incorporam os esportes onde primam fundamentalmente as


capacidades coordenativas e as expressões artísticas dos atletas, tais como a patinação artística, a
ginástica rítmica desportiva, o nado sincronizado, os saltos ornamentais e a ginástica olímpica. Aos
esportes de apreciação estão inerentes fortes vivências emocionais, pois estes estão associados à
valorização estética durante suas execuções elegantes, virtuosas, complexas e dinâmicas. As
apresentações provocam alegria e satisfação aos espectadores bem como ativam um mecanismo de
feedback que permite reforçar e ativar comportamento do atleta, criando uma atmosfera de confiança e
segurança em suas próximas atuações.

A avaliação dos esportes de apreciação é determinada pela atividade do árbitro, ou seja, a obtenção de
bons resultados competitivos possui um diferencial bem grande em relação aos outros esportes; o atleta
tem que atuar em consonância direta com as expectativas e com as possíveis pontuações atribuídas
pelos árbitros.

No entanto, em pesquisa realizada por McAuley (1985), foram encontrados indícios de que a percepção
de sucesso na ginástica olímpica está significativamente influenciada por como os ginastas percebem as
causas de sua performance. As notas finais para a apresentação não parecem ter grande influência na
determinação das explicações causais, mas sim a percepção de sucesso. Como os ginastas percebem a
sua própria performance em termos de sucesso, pode ser uma função de características pessoais e
contexto da situação. A consistência e estabilidade são fatores que mais afetam a atribuição de
causalidade.
4) Esportes coletivos de contato - Neste grupo se incorporam os esportes tais como o futebol, polo aquático
e o basquetebol. Sabendo-se que estas modalidades exigem do atleta uma velocidade de interpretação e
reação às diferentes situações de jogo, faz-se imprescindível que eles desenvolvam uma grande
imaginação criadora, bem com um pensamento tático de caráter operacional. As inter-relações e
interdependências entre os jogadores e toda equipe técnica devem estar em harmonia, ou seja, possuir
um alto grau de compatibilidade psicológica.

Segundo CARRON, (1993 apud CRUZ, 1996), os membros de uma equipe se comunicam em relação
aos assuntos de ordem social e da dificuldade da tarefa, estabelecem objetivos coletivos e pessoais,
experimentam sucessos e insucessos elaborando atribuições causais e desenvolvem confiança pessoal
e coletiva. No basquetebol o atleta se envolve em confronto direto com o adversário, exige um controle
emocional maior. Suas avaliações e atribuições de causalidades podem estar mais sujeitas às
interpretações e julgamentos do árbitro, técnico e companheiros de equipe.

Levando em consideração as características abordadas acima e a faixa etária, este estudo busca determinar
as atribuições de causas ao sucesso e ao fracasso nos jovens atletas e estabelecer as possíveis diferenças entre as
modalidades pesquisadas.

Mc Lelland distingue 2 tipos de motivação para a realização:

a) Medo do Fracasso – age para não errar, contenta-se com o razoável. Possui locus de controle externo.

b) Medo do Sucesso – quer fazer o melhor possível, se superar. Possui locus de controle interno.

Medo do Fracasso:

- Não se sentem bem quando testados ou em tarefas de rendimento;

- Não assumem os fracassos;

- Desistem facilmente e têm baixa tolerância à frustração;

- Estabelecem metas sempre muito acima de suas capacidades (para não criar expectativas) ou muito

abaixo (para não correrem o risco de errar);

- Têm receio de críticas, esquivam-se;

- Esforçam-se mais em tarefas rotineiras;

- Preferem tarefas com maior grau de dificuldade, não lidam bem com situações de pressão ou risco;

- Precisam de satisfação imediata de suas necessidades, não são orientados para o futuro, apenas para o

presente;

- Tanto sucessos. quanto fracassos são atribuídos a fatores externos, geralmente a casualidade;

- Possuem uma balança afetiva simétrica, não ocorrendo grandes contrastes entre êxito e fracasso;

- São menos criativos, porque receiam correr riscos;

- São mais agressivos em situações de sobrecarga emocional

- São socialmente menos hábeis para se relacionar.


Expectativa de Sucesso:

- Assumem por iniciativa própria, tarefas de rendimento;

- Rebaixam seus objetivos, após fracassos;

- Colocam seus objetivos num grau médio de dificuldade, de acordo com suas capacidades;

- Possuem maior tolerância à frustração;

- Procuram informações sobre suas capacidades e as utilizam com frequência;

- Preferem tarefas com maior grau de dificuldade, principalmente aquelas sob pressão de tempo e em

situações de risco;

- Em tarefas rotineiras esforçam-se menos;

- Podem adiar a satisfação de suas necessidades, são orientados para o futuro;

- Sucessos são atribuídos a fatores internos. Fracassos são considerados mutáveis e são atribuídos à falta

de esforço;

- Possuem uma balança afetiva assimétrica, ou seja, alegram-se mais intensamente após um sucesso do

que se aborrecem após um fracasso;

- São mais criativos;

- Em situações de sobrecarga emocional, evitam reações agressivas;

- Possuem maior capacidade de se relacionar socialmente.

Estilos de Competição Dentro de uma Equipe:

- Competição Externa: o indivíduo compara seu desempenho ao dos demais;

- Competição Interna: o indivíduo compara seu desempenho atual com seu próprio desempenho anterior.

Nos treinos é melhor incentivar a competição interna, pois as competições das quais o atleta participa já são
naturalmente competições externas.

Determinantes da Motivação:

- A motivação é caracterizada como um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta, o qual depende da
interação de fatores pessoais (intrínsecos) e ambientais (extrínsecos).

- A motivação apresenta uma determinante energética (nível de ativação) e uma determinante de direção de
comportamento (intenções, interesses, motivos e metas).
15- A Psicologia Cognitiva aplicada ao Esporte

O modelo cognitivo tem como princípio que os nossos sentimentos e comportamentos são determinados
pelos pensamentos e não pelas situações que nos ocorrem. E ele possui algumas premissas, tais como:

- A cognição afeta o sentimento e o comportamento;


- A cognição pode ser monitorada e alterada;
- Uma mudança de comportamento leva a mudança cognitiva.
As aprendizagens mais importantes que são consideradas nesse modelo são:

- O reconhecimento da relação entre a situação -o pensamento – a emoção – a ação;


- O monitoramento dos pensamentos e crenças automáticos;
- A avaliação da funcionalidade dos pensamentos e crenças;
- Modificação de pensamentos e crenças disfuncionais.

Entende-se por crença os padrões de pensamento sobre nós mesmos, os outros, o mundo e o futuro,
adquiridos ao longo da vida e que tem reflexo no nosso comportamento. As crenças funcionais são as que permitem
avaliações realistas, e as disfuncionais são as que distorcem a realidade, induzem à atitude mental negativa e à
inflexibilidade cognitiva.

Quando refletimos sobre uma proposta de treinamento a partir da utilização da psicologia cognitiva é
imprescindível uma avaliação inicial que inclua o levantamento de crenças, para poder dessa forma entende-las,
assim como romper os pensamentos automáticos, possibilitando uma reestruturação cognitiva. O uso de crenças
fortalecedoras (as que me ajudam a chegar aonde quero) no lugar das consideradas limitadoras (as que me
impedem de realizar) é um recurso poderosíssimo para trabalhar com os atletas. Esse tipo de treinamento
psicológico auxilia tanto no crescimento pessoal, quanto nas habilidades psicológicas importantes para a melhora de
performance, como autocontrole, autoconfiança, motivação e concentração.
16- Técnicas de Motivação

Por Daniele Karoleski

- O que leva um atleta a abdicar de momentos de lazer com seus amigos para realizar um treino desgastante,

onde o mesmo termina completamente exausto fisicamente?

- Porque este mesmo atleta acorda tão cedo todas as manhãs frias e pula na piscina?

- O que move um jogador a trocar um final de semana maravilhoso na praia por um ginásio quente e uma

competição desgastante?

Pensando nestas indagações que a psicologia do esporte estuda a Motivação.

Um dos conceitos de motivação descrito por WEINBERG & GOLD (2001) diz que se trata da tendência de
lutar por sucesso, persistir em face de fracasso e experimentar a sensação de orgulho nas realizações. A Motivação
também é caracterizada como um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta, o qual depende da interação de
fatores pessoais e ambientais. Existe uma ampla lista de teorias que vem para explicar como a motivação influencia o
rendimento e a competitividade de uma pessoa e suas condutas, ideias e emoções, dentre elas a teoria das metas
para o rendimento tem demonstrado ser de grande valia e aplicação para o esporte.

O mais importante aqui não são as teorias que explicam a motivação, e sim descobrir o que mantém um
indivíduo motivado para prática esportiva, para a participação nas competições, quais são suas necessidades
intrínsecas que te levam ao esporte? Sonho? Auto-realização? Prazer? Melhorar a saúde? Participar de uma
Olimpíada? Ou ganhar uma medalha olímpica? São estes motivos que devem ser refletidos e levados em conta
quando você está fazendo seu planejamento de metas.

Manter-se motivado é não perder o foco de seus objetivos traçados inicialmente. As curvas e os imprevistos
no caminho existem e é preciso saber como lidar com eles e continuar sempre em frente, sem desistir. Existem
algumas técnicas de automotivação que podem lhe auxiliar neste processo e contribuir para seu desempenho
esportivo. Essas técnicas compreendem a aplicação de medidas que a o atleta mesmo se aplica, assumindo o
controle sobre seu próprio comportamento para regular seu nível de motivação.

Técnica 1: Mentalização das próprias capacidades: motivar-se em situações-problema por meio de


imaginação de suas capacidades positivas. Ex: “Eu consigo fazer isso”; “Eu confio em minha técnica”; “Eu me
preparei para isso”.

Técnica 2: Mentalização de metas concretas: a imaginação de determinadas situações concretas de


treinamento e competição pode constituir-se em importante fonte motivacional. Ex: “Eu quero emagrecer cinco quilos
até a temporada começar”; “Vou subir no pódio”.

Técnica 3: Determinação e variação de metas: estabelecimento de metas concretas ou modificação das


mesmas com o objetivo de manter a motivação para os treinos e competições e criar desafios. Ex: Iniciar um jogo-
treino com placar com vantagem para o adversário.
Técnica 4: Reforço positivo após boas ações: o reforço positivo representa a antecipação do auto-reforço,
incluindo a manifestação interna do autoelogio, por meio de afirmações como “Estou feliz com meu rendimento”;
“Penso comigo, você jogou muito bem”.

O treinamento psicológico necessita de tempo e de dedicação para trazer resultados, e por isso é indicado
um trabalho a médio e longo prazo. Vale lembrar que nada é mais motivador do que algo que se faz por amor,
paixão, e prazer, seja o esporte sua profissão, lazer ou hobby.

17- Diretrizes Motivacionais

As diretrizes motivacionais mais importantes e fundamentais são:

1ª Tanto as situações como os traços motivam as pessoas. Ao tentar aumentar a motivação é importante
considerar não só os fatores ambientais como também os fatores pessoais.

Motivações podem mudar com o tempo, daí a necessidade de se monitorar e, quando necessário, ajustar o
ambiente e considerar as novas necessidades individuais.

A baixa motivação resulta de uma combinação inadequada entre esses dois fatores.

2ª As pessoas têm vários motivos para participar. Portanto, muita atenção para identificá-los.

Há diversas formas de entender isso:

- As pessoas participam por mais de uma razão.

- As pessoas têm motivos conflitantes para a participação. Por exemplo, um jovem atleta está treinando, mas
preocupado com um parente doente. Deve-se estar ciente destes conflitos, porque eles podem afetar sua
participação.

- As pessoas possuem motivos tanto compartilhados como únicos. Ou seja, muitos atletas treinam em
academia de musculação para melhorar a forma física e também para fazer amigos, por exemplo.

- A ênfase cultural afeta os motivos. Devido à crescente diversidade cultural da maioria das sociedades
contemporâneas é necessário identificar e se familiarizar com as diferenças culturais fator importante na motivação
dos participantes. Em um estudo recente, YAN e McCULLAGH (2004) verificaram que jovens norte-americanos,
chineses e sino-americanos diferiam de seus motivos para a participação em atividade esportiva e física.
Especificamente, os jovens norte-americanos eram motivados, principalmente, pela competição e necessidade de
melhorar, os jovens chineses eram motivados pela associação e pelo bem-estar, e os sino-americanos participavam
por causa das viagens, do uso de equipamentos e da diversão.

Observe os participantes e continue a incentivar os motivos:


1) Observe atentamente o que os participantes apreciam ou não na atividade.
2) Fale informalmente com outras pessoas, como por exemplo, membros da família.
3) Periodicamente solicite aos participantes para escreverem ou contarem suas razões para
participar da atividade.
4) Continue a incentivar os motivos das pessoas.
3ª Mude o ambiente para aumentar a motivação. Utilize todas as informações sobre os motivos que levam os
indivíduos a praticarem a atividade e estruture o ambiente a fim de satisfazer suas necessidades.

Proporcione competição e recreação

Nem todos os participantes têm o mesmo desejo por competição e recreação. É preciso oferecer as duas
oportunidades e respeitar o interesse de cada um.

Ofereça oportunidades múltiplas

Satisfazer as necessidades dos participantes nem sempre é tarefa fácil. Estruture um ambiente para atender
várias necessidades.

Alguns treinadores acham que atletas de elite necessitam de treinamento rigoroso e intenso, mas, alguns
necessitam muitas vezes se divertir e desfrutar da companhia dos colegas.

Faça ajustes individuais dentro do grupo

Cada praticante de exercício, atleta ou aluno tem seus motivos pessoais e únicos para a participação. Bons
instrutores devem oferecer um ambiente que satisfaça diferentes necessidades. Esse é o componente mais difícil.

4ª Incentivo à motivação. Como instrutor, professor ou técnico, você está em uma posição fundamental para
influenciar o participante. Por exemplo, um treinador ativo e entusiasmado é simplesmente um reforço positivo para
sua equipe. Entretanto, ele pode ter um dia ruim e, embora, não se comporte negativamente no treino, talvez não
demonstre a sua animação habitual. Uma vez que os atletas desconhecem a situação, podem pensar que fizeram
alguma coisa errada e consequentemente, sentirem-se desencorajados. Sem se dar conta, o treinador influenciou os
atletas com seu humor. Você também pode ter dias ruins, o importante é estar consciente de que suas ações (e
inação) podem influenciar o ambiente nestes dias. Se possível informe a todos que não existe nenhuma relação com
eles, isso, para que não interpretem mal seu comportamento.

5ª Ficou enfatizado a necessidade de estruturar o ambiente para facilitar a motivação do participante. Por
vez, se faz necessário alterar os motivos da participação.

Um jovem jogador de futebol, por exemplo, pode ter o intuito de machucar os demais jogadores. Certamente,
serão utilizadas técnicas de modificação de comportamento para alterar essa motivação indesejável.

As técnicas de modificação de comportamento para alterar os motivos indesejáveis são apropriadas em


algumas situações adversas.

18- Emoção e Comportamento

É possível afirmar que as emoções organizam e dirigem o comportamento tanto como os motivos que
impulsionam as pessoas agirem. Não obstante, as emoções podem ter efeitos desorganizadores sobre o
comportamento. Em resumo, as emoções são bastante afins da motivação (força ou motivo que nos impulsiona em
direção a algo).
Portanto, o comportamento é facilitado por um motivo até certo grau de força e depois o motivo é
desorganizador: o ponto de “mutação” depende da dificuldade da tarefa. As tarefas mais difíceis tendem a
provocarem um comportamento desmotivado e desorganizado, repercutindo ansiedade. As tarefas (força de motivo)
com dificuldade adequada tendem a provocarem um comportamento motivado e produtivo (organizado).

Quando ocorre a necessidade de uma regulação da exigência do grau de dificuldade do exercício físico
(treinamento), além de providenciar uma sobrecarga ideal para a pessoa, uma adaptação emocional favorável será
verificada, pois haverá harmonia entre a exigência da tarefa (motivo) e a capacidade psicofísica da pessoa. O
resultado dessa combinação será uma motivação ideal para a execução da tarefa e como consequência
oportunidade de sentimento de alegria, satisfação, recompensa, bem-estar e envolvimento com a atividade.

Do mesmo modo, ao persistir esse equilíbrio entre tarefa e capacidade pessoal interveniente, o
comportamento motivado e organizador das emoções, projetará o praticante de exercícios físicos para um nível de
execução de alto grau de sofisticação e mobilização psicofísica, sem terem consciência de problemas ou alternativas
fora da atividade presente. É como se naquele momento nada mais importasse a não serem suas próprias ações de
treinamento.

Em resumo, se você escutar sobre a importância de regular as emoções frente às mais diversas situações da
vida, nada melhor começar a pensar sobre como o exercício físico pode funcionar como “matéria-prima” para
alcançar esse desejável objetivo.

19- Ativação, Estresse e Ansiedade

Embora muitas pessoas usem os termos ativação, estresse e ansiedade alternadamente, psicólogos do
esporte acham importante diferenciá-los. Eles usam definições precisas:

- Ativação é uma mistura de atividades fisiológicas e psicológica em uma pessoa e refere-se às dimensões
de intensidade de motivação em um determinado momento. Indivíduos altamente ativados são mental e fisicamente
excitáveis; eles têm os batimentos cardíacos, respiração e sudorese aumentados. A ativação não está
automaticamente associada a eventos agradáveis ou desagradáveis. Você pode ficar altamente ativado ao saber que
ganhou 10 milhões de dólares. Você pode ficar proporcionalmente agitado ao saber da morte de uma pessoa
querida.

- O Estresse é definido como um desequilíbrio substancial entre a demanda física ou psicológica e a


capacidade de resposta, sob condições em que a falha em satisfazer aquela demanda tenha importantes
consequências (McGRATH, 1970).

É um processo, uma sequencia de eventos que levará a um determinado fim. De acordo com um modelo
simples que McGRATH propôs, o estresse consiste em 4 estágios inter-relacionados: demanda ambiental, percepção
da demanda, resposta ao estresse e consequências comportamentais.
Demanda Ambiental

(física e psicológica)

Percepção da Demanda Ambiental

(ameaça psicológica ou física percebida)

Respostas ao Estresse

(física e psicológica)

- Ativação
- Ansiedade-estado
- Tensão muscular
- Alterações de atenção

Consequências Comportamentais

(desempenho ou resultado)

O processo de estresse tem inúmeras implicações para


a prática. Há literalmente milhares de fontes específicas de
estresse. De forma efetiva, mudança de emprego ou morte na
família, bem como os aborrecimentos cotidianos podem causar
estresse e afetar a saúde física e mental (Willis e Campbell,
1992).

Em atletas, os estressores incluem preocupação com o


desempenho das capacidades, custos financeiros e tempo
necessário para treinamento, inseguranças com relação ao
talento e aos relacionamentos ou experiências traumáticas fora
do esporte, que podem se enquadrar tanto pela categoria
situacional, como pela personalidade.

O estresse ocorre quando há um desequilíbrio substancial entre as demandas físicas e psicológicas impostas
a um indivíduo e sua capacidade de resposta. O estresse se manifesta no corpo, na mente no comportamento e nas
emoções do indivíduo. Dores de cabeça, irritações na pele, cansaço, dores musculares, dificuldade de tomar
decisões, pensamentos negativos, pesadelos, diminuição da confiança, irritabilidade, insônia, diminuição da libido e
do apetite são alguns dos sintomas que podem ser causados pelo estresse. No caso de um atleta, não é difícil
imaginar que isso prejudique e muito o seu desempenho nos treinos e competições, o que por sua vez, aumenta o
estresse e a pressão sofrida por ele.
Há duas fontes situacionais comuns de estresse: a) a
importância dada a um evento ou competição; b) a incerteza que
cerca o resultado do evento (MARTINS, 1987).

O estresse pode ser causado por qualquer situação ou


sensação que o faz se sentir frustrado, irritado ou ansioso. O que
é estressante para uma pessoa pode não o ser para outra.

- A Ansiedade é um estado emocional negativo


caracterizado por uma sensação de apreensão, nervosismo,
preocupação ou medo. A origem desse desconforto nem sempre é
identificada ou reconhecida, o que pode piorar a angústia que o
indivíduo sente. Portanto a ansiedade tem um componente de
pensamento chamado de ansiedade cognitiva. Ela também tem
um grau de ansiedade somática que é o grau de ativação
percebida.

Além da diferenciação entre as ansiedades cognitiva e


somática, outra diferença importante a saber é entre a ansiedade-
estado e ansiedade-traço.

Ansiedade-estado é um estado emocional temporário,


em constante variação, com sentimentos de apreensão e tensão
conscientemente percebidos, associados com a ativação do
sistema nervoso autônomo.

Ansiedade-traço é uma tendência comportamental de perceber como ameaçadoras circunstâncias que


objetivamente não são perigosas e de responder a elas com ansiedade-estado desproporcional. As pessoas com um
elevado traço de ansiedade geralmente têm mais estados de ansiedade em situações de avaliação, e em situações
altamente competitivas do que as pessoas com um traço de ansiedade mais baixo.

A ansiedade é muitas vezes acompanhada por sintomas físicos, que incluem:

- Dores abdominais (esse pode ser o único sintoma de ansiedade, especialmente em uma criança)
- Diarreia ou necessidade frequente de urinar
- Vertigem
- Boca seca ou dificuldade de engolir
- Dores de cabeça
- Tensão muscular
- Respiração acelerada
- Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares
- Transpiração
- Agitação ou tremor
- Dificuldade de concentração
- Fadiga
- Irritabilidade, incluindo perda de controle
- Problemas sexuais
- Dificuldades para dormir, incluindo pesadelos

20- Atenção e Concentração

Apesar de muitos utilizarem a atenção e a concentração como sinônimos, convém que ambos sejam
definidos de forma clara:

- Atenção: forma de interação com o meio


ambiente, em que o sujeito estabelece contato com os
estímulos relevantes da situação no presente momento.

- Concentração: manutenção das condições de


atenção por um determinado tempo relativamente
duradouro, de acordo com o que a situação assim o exige.

Para a explicação da atenção e da concentração


devemos ter em conta as seguintes perspectivas:

a) Perspectiva Cognitiva: é a mais utilizada e defende a ideia que o atleta recebe estímulos do meio
ambiente, que os processa e que explicam a forma como o mesmo responde a essas situações. Ao nível desta
perspectiva os 3 aspectos mais observados são:

- Seletividade: o atleta seleciona apenas a informação relevante para si e que traz benefícios, rejeitando toda
a restante informação;
- Capacidade de Atenção: esta capacidade complementa a anterior, uma vez que é difícil um atleta estar
concentrado em duas coisas ao mesmo tempo. O atleta converte de forma automática certas destrezas;
- Estado de Alerta: este terceiro elemento desempenha um papel relevante na perspectiva do processamento
da informação que faz referência à relação entre o nível de ativação e a sua efetiva atenção.

b) Perspectiva Social: desta perspectiva apurou-se o efeito que têm os estímulos, as distrações e as
diferenças individuais na atenção do atleta (esforço, sofrimento, ansiedade…)

c) Perspectiva Psicofisiológica: define a existência de variações nos registros psicofisiológicos que


permitem estabelecer o grau de atenção dos atletas antes e durante a competição.

A melhoria da atenção e da concentração atua basicamente em dois níveis: treino e competição.

Ao nível do treino: é conveniente que nos treinos sejam introduzidas atividades que permitam que os atletas
melhorem a sua atenção e concentração. No entanto, estas atividades ou programas de treino não devem alterar as
rotinas de treino. Torna-se fundamental que o treinador possua um amplo conhecimento dos procedimentos de
visualização/ensaio mental e outros mais, uma vez que é uma “peça-chave” em todo o processo.

Ao nível da competição: para que os atletas adquiram mais sucesso e melhores resultados neste âmbito é
importante à utilização de técnicas úteis tais como: estabelecer objetivos (individuais e coletivos); estabelecer rotinas
pré-competitivas e competitivas: controlar o nível de ativação, usar palavras-chave; controle visual e concentração na
mesma situação.
Atletas com alto nível de rendimento atlético apresentam aspectos físicos e táticos semelhantes, podendo ser
a atenção o fator que proporcionará a vitória ou a derrota. Essa afirmação recebe suporte de Moran (2009a), para o
qual atletas de alto nível necessitam de uma atenção efetiva, e isso pode significar um bom ou mau resultado.

Um segundo papel da atenção está relacionado com a capacidade de desenvolver e manter uma ótima
sensibilidade e prontidão para responder a estímulos. Em competições esportivas é necessário sustentar ótima
atenção por segundos, no caso de um corredor esperando o tiro de partida, ou até mesmo horas, como uma partida
de tênis. No caso da vela, o atleta deve estar atendo aos sinais de mudança de vento e maré, e em alguns casos, na
mudança de direção de outros competidores.

MORAN (2004; 1996) elaborou cinco princípios teóricos para uma efetiva concentração. Três delas servem
para estabelecer atenção, e duas indicam como ela pode estar sendo quebrada:

1. O atleta precisa decidir se concentrar. Isso não acontece por casualidade.

2. O atleta só conseguirá a concentração pensando uma coisa de cada vez.

3. A mente do atleta estará no foco quando não houver diferença entre seu pensamento e a tarefa executada.

4. Os atletas perdem a atenção quando o foco de atenção sai do seu controle.

5. Os atletas devem buscar o foco de atenção externo quando ficam nervosos.

21- Percepção Corporal

Por Renato Miranda

Primeiramente e em poucas palavras é bom diferenciar sensação de percepção. Sensação é o registro de


estímulos físicos por meio dos órgãos sensoriais. São esses, por exemplo, que detectam a luz (visão) e o som
(audição), registrando-os nos neurônios e enviando-os para os centros nervosos.

A percepção é a organização e interpretação mental dessas sensações, através dos recursos mentais. Desse
modo fica claro que a sensação embora não seja sinônimo de percepção faz parte da mesma, como o primeiro ato
de interpretação de alguma experiência. Portanto, a percepção é dependente, mas diferente dos sentidos.

Basicamente, o primeiro passo para uma boa percepção é manter nossos órgãos sensoriais em ótimo
estado, para que não haja uma “falha” perceptiva. Se uma criança, por exemplo, não está escutando bem, é notório
que em uma sala de aula ela interpretará (percepção!) de modo equivocado muitas das coisas que professores dirão
e consequentemente a aprendizagem será deficitária.

Quando o atleta jovem ouve uma orientação em que ele entende o significado das palavras e ao mesmo
tempo sente conforto e segurança naquele que as transmite, causando emoção harmonizada, há uma grande
possibilidade de se ter uma ótima percepção da orientação dada.

Por outro lado, quando a emoção é exacerbada, dificulta-se a percepção. Em consequência, prejudica-se a
concentração e, naturalmente, atrapalha-se a precisão.
Ressalta-se que as vivências (experiências) ajudam na capacidade de perceber melhor um novo estímulo ou
desafio, pois a percepção também está ligada à memória, à cognição e ao comportamento, como podemos observar
no exemplo abaixo:

Um atleta de futebol ao receber a bola no meio de campo em uma situação semelhante à outra treinada
várias vezes, age de forma concentrada da seguinte maneira:

- observa (visão/sensação) a “cena” (jogadores adversários, companheiros e a bola rapidamente).

- em observação: selecionar o que é relevante, entre vários estímulos disponíveis.

- compara e avalia a “cena” atual com aquilo que é semelhante e está arquivado em sua memória.

- pensa (cognição) exatamente qual a melhor tomada de decisão para o que tem que ser feito.

- Se mantém equilibrado emocionalmente para não prejudicar a precisão da tarefa.

Outro exemplo, fora do esporte que ajuda a entender como as experiências marcam consideravelmente a
importância da percepção é quando ouvimos uma pessoa falar uma língua que nós não entendemos nada. Aqui só
há registro do estímulo físico (audição). Não há interpretação das palavras.

Por vezes no esporte infantil, técnicos falam com as crianças para elas fazerem algo. Elas então fazem “tudo
errado”. Isto por que não perceberam o que foi dito, pelo simples fato de não compreenderem as palavras utilizadas
ou por não terem escutado direito. Ou seja, quando não há uma boa percepção, a análise e a síntese daquilo que
tem que ser feito fica prejudicado e isso erroneamente é interpretado pelos técnicos como falta de concentração. Em
resumo, analisar e sintetizar são mecanismos da percepção, mas a responsabilidade pelo desenvolvimento desses
processos está a cargo dos órgãos sensoriais. Em outras palavras, as sensações são a essência da percepção.

A fundamentação utilizada para avaliar a percepção corporal foi proposta por STUNKARD (1983) e
adaptada por MASH e ROCHE (1996) - o STM (Silhouette Matching Task) - é composto por 12 silhuetas em escala
progressiva, conforme a Figura 1 abaixo, sendo apresentada aos avaliados, devendo esses responder qual delas
corresponde à sua silhueta atual (SA) e a silhueta desejada (SD).

Figura 1 – SMT (Silhouette Matching Task) ou Teste para a avaliação da imagem corporal
Foram elaboradas algumas questões para identificar se os avaliados sofrem algum tipo de influência da
família, da sociedade, da mídia, entre outros fatores.

Sequência das vivências corporais: Trata-se de uma variedade de movimentos dispostos numa sequencia
que foram resumidas através de uma proposta disposta no quadro a seguir, a qual possa ser entendida no
desenvolvimento progressivo de um programa para tal finalidade:

Esta proposta trás consigo o objetivo de ampliar o acervo motor e com isto proporcionar uma evidente
melhora na percepção corporal.

O Esporte e a Educação Física consolidam a formação dos indivíduos, através de jogos recreativos e
competitivos, com aplicação de regras e trabalho coletivo. Tendo também o poder de identificar nosso estado
emocional a expressão corporal ajuda-nos a buscar um melhor desempenho na sociedade, conhecendo-a melhor
podemos contornar melhor certas situações, com isso se percebe o quanto ela esta presente em nossos dias: em
nossos momentos de lazer, de descontração, momentos de raiva, alegria, tristeza, entre outros.

22- Personalidade

Personalidade é a soma das características que tornam uma pessoa única. O estudo da personalidade ajuda-
nos a trabalhar melhor com os estudantes, atletas e praticantes de exercícios.
Uma das melhores maneiras de entender a personalidade é por meio de sua estrutura. Dividindo-a em 3
níveis separados, porém relacionados entre si, é possível esquematizá-la:

Ambiente Social Externo Dinâmico Ambiente Social

Comportamento
relacionado ao
desempenho de papéis

Respostas Típicas

Núcleo Psicológico
Interno Constante

De acordo com AUWEELE, CUYPER, MELE e RZEWNICKL (1993), a definição de personalidade é bastante
ampla, pois inclui conceitos e termos como sejam os de traços, estados, qualidades e atributos, todos eles variáveis
na constância ou nas alterações de comportamento, refiram-se estes, por exemplo, às motivações, aos estilos de
atenção, às manifestações emotivas ou à eficácia.

Nenhum ser humano mostrará traços que já não existam em outros indivíduos, como uma espécie de
patrimônio do ser humano, ou seja, a todos os indivíduos de uma mesma espécie são atribuídos os traços
característicos dessa espécie. Entretanto, a combinação individual desses Traços em proporções variadas numa
determinada pessoa caracterizará sua Personalidade ou sua maneira de ser.

O senso comum de um sistema sociocultural costuma elaborar uma relação muito extensa de adjetivos
utilizados para discussão dos indivíduos deste sistema: sincero, honesto, compreensivo, inteligente, cálido, amigável,
ambiciosos, pontual, tolerante, irritável, responsável, calmo, artístico, científico, ordeiro, religiosos, falador, excitado,
moderado, calado, corajosos, cauteloso, impulsivo, oportunista, radical, pessimista, e por aí afora. Podemos
considerar Traço Predominante da pessoa em apreço a característica que melhor a define, como se, entre tantos
traços tipicamente e caracteristicamente humanos, este traço específico predominasse sobre os demais.
O conceito de traço é uma pedra central da construção da personalidade do indivíduo e os traços psicológicos podem
ser definidos como estruturas internas estáveis que servem como predisponentes do comportamento e,
consequentemente, podem ser "indicadores" de futuros comportamentos.

Contudo, é também um fato que os indivíduos não se comportam da mesma maneira perante diferentes
situações. Nos finais dos anos 7O o grande debate sobre o modelo de pesquisa, que deveria englobar não só a
problemática dos traços psicológicos próprios, como também a influência do meio envolvente.
Segundo Cox, Qiu & Liu (1993), "não é como o atleta se sente e responde geralmente, que tem mais importância,
mas sim como ele se sente e responde num determinado momento". As emoções podem ser traduzidas por vários
estados que podem ser de ansiedade, de alegria, de preocupação, de stress, de tristeza e de medo e são, muitas
vezes, estas emoções que determinam as ações.

A preocupação conjunta com "envolvimentos-traço psicológico prestação desportiva" fez com que muitos
investigadores abandonassem o modelo do estudo das características "puras", avaliadas apenas, ou, sobretudo, em
laboratório, em favor dum modelo de interação, mais sistêmico e com mais informação, que tem em conta o contexto.
Inicialmente, os modelos de investigação centravam-se, predominantemente, na identificação da personalidade do
atleta. Nas duas últimas décadas esses modelos tendem, cada vez mais, a considerar a interação entre a
personalidade e o meio envolvente.

As manifestações ou os estados emocionais têm-se revelado como fatores importantes na prestação


desportiva. MARTENS (1977) apresenta o conceito de "traço de ansiedade em competição” como representativa das
diferenças individuais na percepção da competição enquanto considerada como uma ameaça, e salienta ainda a
diferença entre o "traço geral de ansiedade" e o "traço de ansiedade para situações específicas".
ORLICK e BOTTERIL (1975) afirmam que a preocupação com a competição e o fato de o atleta ir ser avaliado pode
influir negativamente e provocar o abandono ou a participação reduzida. Contudo, alguns atletas (Gould e al. 1983)
relatam que as suas preocupações com a competição não afetam o seu desempenho e alguns sentem que a sua
prestação desportiva é melhor quando se sentem ansiosos. As consequências das manifestações de ansiedade em
competição dependem, por certo, da frequência, da duração e da intensidade com que elas se apresentam.
A identificação das relações entre critérios de sucesso desportivo e as características psicológicas do atleta são,
hoje, uma das maiores preocupações de treinadores e psicólogos do desporto.

Como já foi mencionado o conceito de traço é uma pedra central da construção da personalidade do
indivíduo e os traços psicológicos podem ser definidos como estruturas internas estáveis que servem como
predisponentes do comportamento e, consequentemente, podem ser "indicadores" de futuros comportamentos.
Pois bem. É exatamente a predominância de alguns traços e a atenuação de outros que acaba por constituir a
pessoalidade de cada um. Enfim, é como se o artista conseguisse extrair uma cor única e muito pessoal misturando
uma série de cores básicas encontradas em todas as lojas de tintas. Como os traços básicos do ser humano são
infinitamente mais numerosos que as cores básicas do exemplo, as combinações entre esses traços serão infinitas,
fazendo disso a infinita diversidade de pessoalidades.

A combinação dos Traços resultará numa unidade funcional humana completamente distinta de todas as
demais. É difícil pensar nestes Traços de outra forma, senão como uma certa inclinação inata submetida à influência
agravante ou atenuante do meio, inclinação esta, responsável pela maneira como a pessoa se apresentará ao mundo
ou ao convívio gregário. Entre os fatores constitucionais, um forte traço de ansiedade na pessoalidade, entendido
como uma predisposição de sensibilidade inata para perceber certos estímulos como ameaçadores é um fator
preditivo para estados exagerados de ansiedade, cognitiva e somática, estimulados pela competição.
Quando o traço de ansiedade é suficiente para fazer com que essa emoção seja somatizada, ou seja, se transforme
em problemas orgânicos ou físicos (hipertensão, gastrites, diarréia crônica, vômitos, urticária, etc.), talvez os esportes
individuais ou não competitivos fossem mais bem indicados.

Pessoas com baixo limiar de tolerância às frustrações também são muito problemáticas em relação aos
esportes competitivos. Esse traço, de baixo limiar de tolerância às frustrações, aparece desde cedo no
desenvolvimento da pessoa, caracterizando-as como crianças birrentas, “nervosas”, teatrais, exigentes sobre suas
pretensões. Dependendo do grau de intolerâncias às frustrações, pessoalidades com este traço podem contraindicar
esportes competitivos ou tornam-se atletas pouco éticos.

LAURENT (1999) considera os fatores constitucionais dirigidos segundo duas orientações: pelo rendimento
e/ou pelo controle, ou seja, dirigido pela carga afetiva que a tarefa da competição impõe ou pelo Ego do atleta.
Ele ainda entende as motivações do atleta distinguindo três objetivos:

1 - O atleta pode perseguir seu objetivo e demostrar assim sua capacidade. O fato de buscar um rendimento
desejável (ou desejado) não está necessariamente ligado ao aumento da ansiedade cognitiva, mas está sim, ligado
ao aumento da motivação.

2 – Pode, por medo, evitar o risco de mostrar sua eventual incompetência. Ao evitar o risco pode levar ao aumento
da ansiedade cognitiva e diminuição da motivação e do rendimento.

3 – Pode, ainda, tentar dominar seu compromisso com a competição ou esporte através do domínio da disciplina e da
técnica. O domínio da disciplina diminui a ansiedade cognitiva e aumenta a motivação.

23- Emoção:

É a reposta instintiva que temos quando passamos pelas diversas situações de vida. Sem as emoções as
pessoas não percebem significado nos acontecimentos. A emoção nos motiva a agir. Por exemplo, você reclamará
de um produto que lhe foi entregue com defeito se sentir um mínimo de indignação e raiva por isso. Raiva, tristeza,
medo e alegria fazem parte do grupo de nossas emoções fundamentais, mas há também uma grande lista de
variáveis.

As várias facetas do medo são:

- Medo intenso = pavor


- Medo insuportável = pânico
- Medo leve = apreensão
- Medo Moderado = preocupação
- Medo constante = ansiedade

- Qual a causa das explosões emocionais?

Cada explosão emocional seja ela de raiva, tristeza, medo, demonstra que um “gatilho” foi acionado. Algo foi
visto, ouvido ou percebido que acionou lembranças negativas e desencadeou um processo vertiginoso de emoções.

24- Autoconfiança:

Em termos simples significa confiança em si mesmo. Para inspirar confiança aos outros, é necessário
aprender a ter confiança em si. Pessoas autoconfiantes são decididas, sem serem arrogantes ou defensivas,
apresentam-se de maneira segura, têm facilidade de expressar suas opiniões, enfrentar desafios, dominar novos
trabalhos e tomar decisões sensatas mesmo sobre pressão.
As 3 etapas para o desenvolvimento da autoconfiança e suas subclasses são:

1- PEPARAÇÃO
1) Registre os feitos já alcançados
2) Pense nos seus pontos fortes
3) Pense no que é importante para você, e o que pretende alcançar

2- AÇÃO
4) Construir o caminho
5) Concentrar-se no básico
6) Estabeleça pequenas metas alcançaveis

3- DIRECIONAMENTO PARA REALIZAÇÃO


7) Comprometa-se com o sucesso
8) Pensamento Positivo
9) Aprenda a lidar com o fracasso
10) Celebre

Duas crenças principais contribuem para a autoconfiança: A auto eficácia e a auto estima. Nós ganhamos
um senso de auto eficácia quando nos vemos a nós mesmos (e outros semelhantes a nós) no domínio das
habilidades que possuímos e a alcançar metas que necessitam dessas mesmas habilidades. Esta é a confiança, que
se aprende quando trabalhamos duro numa área em particular, e acreditamos que vamos conseguir, e é este tipo de
confiança que leva as pessoas a aceitar desafios difíceis, e a persistir diante de reveses e dificuldades. Isso coincide
com a ideia da auto estima, que é um sentido mais geral que podemos lidar com o que está acontecendo nas nossas
vidas, e que temos o direito de ser felizes.

Em parte, isso vem de um sentimento que as pessoas ao nosso redor reforçam face à nossa maneira de ser,
que podemos ou não ser capaz de controlar. No entanto, também vem da sensação que temos de nos estarmos a
comportar de forma virtuosa, que somos competentes no que fazemos e que podemos e somos capazes de bons
desempenhos quando nos desafiamos a nós próprios ou estabelecemos metas.

Algumas pessoas acreditam que a autoconfiança pode ser construída com afirmações e pensamento
positivo. Eu também acredito que esta ideia tem sentido e valor, mas é também igualmente importante para
a construção da auto confiança a definição de metas e a experiência de êxito, de um resultado satisfatório face as
expectativas propostas. E assim construir um sentido de competência na nossa vida. Sem essa competência
subjacente, o indivíduo não tem auto confiança.

25- Concentração

Segundo WILLIAN & JAMES (1999 in WEINBERG & GOULD, 1999), concentração é a capacidade de estar
com atenção, permitida pela mente. Para este autor, a focalização e a concentração são a essência da atenção. No
entanto, esta definição apenas refere um dos aspectos da concentração, que é a atenção seletiva.

Para SOLSO (1995 in WEINBERG & GOULD, 1999), a concentração no desporto, define-se em três partes:
- Atenção seletiva
- Manutenção da Atenção durante um certo período de tempo
- Conhecimento da situação.

26- Comunicação

É um processo de interação social através de símbolos e sistemas de mensagens que produzem como parte
da atividade humana. A comunicação é uma atividade inerente à natureza humana que implica a interação e a
posição comum de mensagens com significados, através de diversos canais e meios para influir, de alguma maneira,
no comportamento dos outros e na organização e desenvolvimento dos sistemas sociais.

Processo de comunicação:

A fonte inicia a mensagem codificando um pensamento. Existem 4 condições que podem afetar a mensagem
codificada: - Habilidades; Atitudes; Conhecimento; e Sistema Sociocultural.

A mensagem é o produto físico real da codificação da fonte. Ela pode ser afetada por 3 condições: 1) pelo
código ou grupo de símbolos que usamos para transferir significado; 2) Pelo conteúdo da própria mensagem; 3) pelas
decisões que tomamos em selecionar e arrumar códigos e conteúdo.

O canal é o meio pelo qual a mensagem viaja. Os canais podem se dividir em 2 tipos: Formais: são
pertinentes às atividades relacionadas ao trabalho; Informais: servem para mensagens pessoais ou sociais.
O receptor é o objeto para quem a mensagem é dirigida. A decodificação é a tradução dos símbolos da
mensagem. O retorno (feedback) determina se a compreensão foi alcançada ou não.

Comunicação Não-Verbal inclui movimentos corporais, a entonação ou ênfase que damos as palavras, as
expressões faciais e a distância física entre o emissor e o receptor.

A Cinésica estuda os gestos, configurações faciais e outros movimentos do corpo. As contradições na


comunicação sugerem que ações falam mais alto (e acertadamente) do que as palavras.

27- Feedback:

O Feedback é uma palavra inglesa que significa realimentar ou dar resposta a uma determinado pedido ou
acontecimento. O termo é utilizado em áreas como Administração de Empresas, Psicologia ou Engenharia Elétrica.
Em alguns contextos a palavra feedback pode significar resposta ou reação. Neste caso, o feedback pode ser
positivo ou negativo.
Ex: Apresentei o meu relatório de aula para o Coordenador e o feedback foi muito positivo.

No âmbito da Psicologia, o feedback é também descrito como Retroação ou devolutiva, uma vertente da
comunicação interpessoal que pode servir para minimizar conflitos entre indivíduos.

Segundo MIRANDA (2012) “...Outro ponto importante a se considerar é a dificuldade de se manter uma
atividade positiva frente às críticas (ou feedback) negativas. Isso se deve por que há uma tendência do atleta/aluno
perceber o feedback negativo com maior intensidade (força) do que o feedback positivo"

28- Liderança:

Segundo SHAW 1981, a liderança é o processo de influência positiva que o líder exerce sobre o seu grupo,
visando a realização de objetivos.

Liderança é a característica adquirida e exercida para influenciar pessoas. Não é a influência de poder
baseada na desigualdade de quem manda e de quem obedece, mas sim, a influência entre os que são e os que se
sentem iguais.

A liderança se baseia em exemplos. Sempre se soube que a melhor maneira de se educar alguém é através
dos exemplos.

Existem 2 tipos de Líderes: 1º. O Líder Formal é alguém que foi oficialmente instituído de autoridade e poder
organizacional. 2º. O Líder Informal não tem título de liderança oficial, mas exerce uma função de liderança. Sem
autoridade formal, designação de poder ou até mesmo responsabilidade, pode pelo mérito de um atributo pessoal ou
desempenho superior influenciar pessoas.

Poder é a capacidade real ou em potencial para influir sobre outros no sentido do que se deseja. Domínio
ou faculdade que se tem para mandar ou executar uma ação qualquer.

O poder é um aspecto potencial em todas as relações sociais e se caracteriza pela sua condição se
assimetria: o sujeito que possui poder exerce um controle maior sobre a conduta do outro sujeito. Estar capacitado,
juntar condições para fazer o que se expressa; ou, dominar e influenciar pessoas sobre alguma situação. Possui uma
relação direta com a autoridade.

Objetivos de um Líder:

- Dar suporte para a qualificação e o desenvolvimento dos profissionais que estão sob sua responsabilidade;
- Criar um clima de proatividade , inspirar a superação pessoal e os saltos de performance;
- Oferecer transparência e desfios constantes;
- Fazer com que a contribuição dos colaboradores seja de fato reconhecida, por meio de promoções, ações
de capacitação e outras formas de estímulo;
- Manter a motivação e o comprometimento da equipe em alta;
- Formar novos líderes.

Os líderes excepcionais têm visâo. Conduzem pessoas e organizações em direções que sozinhas não
seguiriam. Podem lançar empreendimentos, formar culturas, ganhar guerras ou mudar o curso dos eventos. São
estrategistas que agarram oportunidades que os outros deixam de perceber, são detalhistas apaixonados –
atenciosos às pequenas realidades fundamentais para a realização de grandes planos.

Para ser um grande líder é necessário 3 requisitos fundamentais:


1) Ter a atitude certa: o gestor deve sempre dar o exemplo, sobretudo por meio de suas ações.
2) A comunicação de duas vias: seja verbal ou não, mais do que transmitir orientações, o gestor deve colocar-
se à disposição para ouvir e entender o ponto de vista do outro. Isso implica em dedicar tempo a equipe (em
grupo e individualmente) e estabelecer diálogos sinceros.
3) Capacidade de detectar tendências: o gestor deve estar atento e buscar informações incessantemente sobre
diversos assuntos, além de refletir o tempo todo sobre os rumos de seu segmento de ação, inclusive os de
seus concorrentes.
Segundo FIEDLER (1969), Cada um dos tipos de líder é bem sucedido em certas situaçôes, ou seja,
ninguém está apto a mostrar que um tipo de líder é sempre superior ou inferior.

Para HERSEY & BLANCHARD (1996), o líder eficaz deveria ter a capacidade de modificar seu estilo de
liderança com base na observação das características do grupo e da situação a que pertence.
29- Componentes do Programa de Avaliação Psicológica:

Por RELIU (1997)

a) Características dos esportistas – idade, nível competitivo, história pessoal esportiva, motivação,
aspirações, pressões percebidas, recursos, apoio social e familiar, características socioculturais;
b) Requisitos técnicos do esporte - é essencial conhecer os requisitos técnicos do esporte, incluindo detalhes
da competição, calendário, adversários, requisitos físicos e psicológicos para competir nesta atividade (força,
velocidade, coordenação, potência, concentração, riscos);
c) Objetivos específicos do treinamento – os requisitos físicos e psicológicos são diferentes em relação ao
início, meio e final da temporada. Ë importante considerar estas diferenças e desenvolver estratégias adequadas
para cada etapa.

30= Técnicas de Avaliação Psicológica no Esporte:


a) Entrevista Inicial
b) Observação O que observar?
- Comunicação (conteúdo, direção e quantidade)
- Áreas de conflito
- Emoções
- Perseverança
- Atitudes
- Conduta não verbal, postura, nível de ativação
- Interação atleta/treinador e outros esportistas
- Resposta / Reação
- Mudanças de conduta
c) Questionários
d) Testes

31- Instrumentos de Avaliação Psicológica:

TAIS – Test of Attentional and Interpersonal Style (NIDEFFER, 1976)


É um questionário auto-administrado, que consta de 144 itens.
Está desenhado para medir características interpessoais e de atenção que podem influenciar no
comportamento do esportista na competição e no treinamento, com o objetivo de guiar os procedimentos de
intervenção específicas do Psicólogo do Esporte.

STAI – State Trait Anxiety Inventory (SPIELBERGER, GORSUCH & LUSHENE,1970)


O auto informe mais utilizado é a Escala de Ansiedade Estado-Traço (STAI). O STAI é uma escala tipo Likert
com duas escalas de 20 itens cada uma que medem a ansiedade estado e a ansiedade traço.

POMS – Profile of Mood States (McNAIR, LORR & DROPPLEMAN, 1971)


Utilizado para avaliar os estados de ânimo do esportista em situações de treinamento e competição. Estes
testes procuram analisar situacionalmente – neste caso em treinadores e competidores – algumas características
individuais, como estilos de atenção, ansiedade competitiva ou diferentes estados de ânimo.
32- Princípios do Treinamento Psicológico

SEILER e STOCK (apud BECKER, 2002) destacam que antes da aplicação de qualquer técnica de
treinamento psicológico, é necessário condições para que o aprendizado ocorra da melhor forma possível e com
resultados expressivos; são os chamados Princípios do Treinamento Psicológico:

 Iniciativa própria: A decisão de participar de um programa de treinamento psicológico é somente dos


próprios atletas, não sendo imposta por terceiros.
 Compreensão: O atleta deve entender todo o processo de seu treinamento. Conhecendo e se
acostumando com a técnica, ele se envolve e se empenha, adquirindo uma vontade pessoal em atingir o objetivo.
 Confiança: A partir da confiança no sentido e objetivo do treinamento psicológico, a chance de êxito é
muito maior.
 Individualidade: As mais diversas técnicas de treinamento psicológico devem respeitar a
personalidade, experiências e posicionamentos dos praticantes, por isso deve ser concebida de forma personalizada.
 Disciplina: Aspectos como, regularidade, continuidade e consequência, devem ser incluídos para que
o treinamento seja submetido a um sistema organizado e duradouro.
 Métodos: A partir dos primeiros efeitos do treinamento, ele passa a ser usado permanentemente em
competições.
 Economia: Treinar o mínimo possível com o máximo rendimento.
 Integração: A integração do treinamento físico junto ao treinamento psicológico de forma bem
distribuída.
 Aconselhamento: Com o tempo os atletas podem usar as técnicas sozinho, mas é sempre bom um
aconselhamento de um profissional habilitado para quando necessário.
 Sucesso: É um conjunto de fatores que leva ao sucesso. O treinamento psicológico é apenas um dos
fatores e não é milagroso. Não adianta o atleta não estar bem fisicamente, por exemplo.
 Transferência: Assim como o treinamento psicológico influencia numa série de fatores para a melhora
esportiva, este serve para outras situações da vida diária, tais como: exames, entrevistas, reuniões, etc.

A seguir, veremos algumas das técnicas mais utilizadas no meio esportivo para a melhora da motivação.

Automotivação:

Segundo SAMULSKI (apud RUBIO et al, 2000 : 80): “Sobre técnicas de motivação compreende todas
aquelas medidas que uma pessoa aplica assumindo o controle sobre seu próprio comportamento, para regular seu
nível de motivação”.

O treinamento de Automotivação se divide em três técnicas: Cognitivas, motoras e emocionais.

Técnicas Cognitivas (RUBIO et al, 2000 : 80):

Abrange as funções psíquicas como percepção, imaginação e memória. Por meio de processos avaliativos,
determinações de metas pessoais, atribuição de causas e autoafirmações, os praticantes modulam seu estado
motivacional atual.

Esportistas de alto nível beneficiam-se das técnicas abaixo:

 Imaginar as capacidades positivas;


 Imaginação de metas concretas;
 Estabelecer e modificar metas;
 Autoafirmação;
 Antecipação do reforço externo.

Técnicas Motoras (RUBIO et al, 2000 : 82):

Alguns atletas atuam contra o desânimo e a falta de motivação utilizando processos de movimentação. Em
outros casos, a participação na organização e realização do treinamento também é uma técnica motivadora para
alguns.

Técnicas Emocionais (RUBIO et al, 2000 : 82):

Alguns atletas estimulam-se por meio de emoções positivas durante o exercício e até por estímulos musicais
para criar um estado emocional agradável. Existem reações/emoções estudadas como resultados das técnicas
emocionais:

 Flor-feeling (sensação de fluidez): domínio total de seus movimentos durante a partida.


 Inning-feeling (sensação de vitória): Sensação de sucesso durante a atividade. O atleta sente-se
envolvido e completamente focado em seu objetivo.
 Grou-feeling (sensação de união do grupo): Clima emocional positivo e união do grupo em torno de
um objetivo e a satisfação dos membros desse grupo.

Monólogo interno

RYLE (apud BECKER JR, 2002) conceitua a técnica como uma conversa interna do praticante consigo
mesmo, objetivando modificar estados emocionais presentes. VAN NOORD (apud BECKER JR., 2002)
complementa: “o monólogo interno vai desde experiências encobertas, silenciosas, até vocalizações com voz baixa,
expressões treinadas para mobilizar o potencial psicofísico do atleta”.

SCHWARTZ (apud BECKER, 2002) verificou que sujeitos que apresentam problemas emocionais, passam
50% de seu tempo repetindo uma fala interna negativa e que nesses casos é necessária a modificação dessa fala
silenciosa e não uma simples adição de palavras positivas.

Efeitos do Monólogo interno, segundo BECKER. (2002 : 81):

 Bloqueio dos pensamentos negativos;


 Aumento do número de pensamentos positivos;
 Aumento da confiança;
 Modulação da ativação;
 Melhora das condições para tomada de decisão;
 Aumento da motivação;

O monólogo interno focado no aumento da motivação é caracterizado por pensamentos de autoafirmação,


autoinstrução ou pela mentalização positiva do movimento que envolve a ação. Por exemplo, em uma situação de
pênalti no futebol, tanto o batedor quanto o goleiro devem mentalizar pensamentos de sucesso na definição da
jogada. Isso acarretará num incremento de motivação aumentando a chance de êxito.
Quanto à duração e frequência das sessões, é muito importante a total consciência do atleta, pois o
monólogo interno é praticado individualmente, e portanto, cada atleta aprende a usá-la e controlá-la quando
necessário.

Estabelecimento de metas

Esta técnica consiste em traçar as metas verdadeiras de cada atleta, para que o mesmo tenha sempre em
mente seus objetivos, permanecendo focado e motivado nas atividades esportivas por mais tempo. Segundo PEREZ
(1995), além de se traçar os objetivos, o treinador e o atleta poderão direcionar o trabalho para alcançar de maneira
mais eficaz as metas almejadas.

Segundo WEINBERG e GOULD (2001), as pessoas não tem dificuldade para traçar objetivos, mas, sim, em
estabelecer metas efetivas, realistas e criar um programa para atingi-las. Assim sendo, temos três tipos de Metas
objetivas:

 Metas de resultado: Focalizam-se normalmente em resultados competitivos de eventos, bem como


vencer um torneio, uma corrida ou ganhar uma medalha. Nesse caso, o resultado não depende só do atleta mas sim,
dos adversários e outros fatores externos imprevisíveis.
 Metas de desempenho: são metas que dizem respeito somente ao atleta sem levarem em
consideração outros fatores como, adversários. É a típica comparação do desempenho próprio, onde se compara os
resultados anteriores do atleta, por exemplo, em treinamentos.
 Metas de processo: São ações praticadas durante o desempenho para atuar bem. É como se fosse
uma minimota, com o fim de alcançar um objetivo maior. Um nadador, por exemplo, pode pensar em manter a
propulsão de pernas fortes para ter mais velocidade no nado.

Existem também as chamadas “Metas Subjetivas”, que são as metas globais do indivíduo. Estas metas são
muito importantes porque alguns atletas têm muitas aspirações e querem realizar muitas coisas ao mesmo tempo.
Porém, traçando metas subjetivas ou globais eles selecionam as prioridades visando o objetivo maior, sem perder
tempo com outras metas menos importantes.

Feedback motivacional

O feedback não é uma técnica de treinamento psicológico propriamente dita, porém ela pode ser direcionada
para este fim, além de ser uma alternativa muito eficaz na detecção de várias sensações percebidas pelos atletas
nas vivências esportivas. Williams (1991), define feedback como uma ferramenta para obter informações sobre a
qualidade da execução da atividade.

O feedback é muito interessante porque é uma troca de informações dos dois lados, do técnico para o atleta
e do atleta para o técnico. Um feedback bem realizado revela emoções, preferências e descontentamentos dos
atletas, nos possibilitando detectar seu nível de motivação para posteriormente prestarmos um atendimento mais
próximo e mais efetivo. Para WILLIAMS (1991), o feedback é o fator mais eficaz para o controle da aprendizagem e,
que, sem ele não existe aprendizagem. Quando um feedback mostra uma melhora de rendimento do atleta, mesmo
esta sendo pequena, já serve como uma técnica motivadora.

WEINBERG e GOULD (2001), definem a importância do chamado “feedback motivacional” destas três
maneiras: - Serve para dar um referencial de rendimento ótimo;
- Reforço, estimulando sentimentos dos atletas;
- Serve como controle de metas, (se elas estão sendo alcançadas).
33- Periodização da Intervenção Psicológica

Agradeço a atenção, o carinho e o respeito com que desenvolvemos esta disciplina. Recomendo uma leitura
mais profunda sobre este assunto que muito nos ajuda no crescimento pessoal e nas atividades do dia a dia.

Sucesso!

Prof. Mauricio de Oliveira

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