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Quemconduziuo

Brasil á guerra?
Por que nossosnavios
foramafundados?
Capa:JoanaAdelina
Foto 4a capa: M. Rosenberg
Revisáodo texto:o autor
@ SÉnclo oLtvEtnn, militar,pesquisa{or
e historiador.
Autordos livros:
O Massacrede Katyn
Hitler- Culpadoou Inocente?
Sionismox Revisionismo
A Face Ocuftado Sacramento
O Cristianismo em Xeque(Prémio
RevisáoHistórica)
GetúlioVargasdep6e:O Brasilna ll G.M.,
(PrémioNacionalde PesquisasHistóricas)

SérgioOliveira
GETÚLIOVARGASDEPÓE:
O Brasilna ll GuerraMundial
RevisáoEditoraLtda.,Cx. postal,10.466
Cep 90.001-970 PortoAlegre - RS - BR
Fone/Fax:O5'l- 223.1643
160 pgs. 16x23cm - 1996
t . s . B . N .N o8 5 - 7 2 4 6 - 001- 1

1. Históriado Brasil.2. Históriada ll G.M. 3. Polí-


t i c a I n t e r n a c i o n a l4
. . Q u e mc o n d u z i uo B r a s i lá
guerra. 5. Porque nossosnaviosforamafundados.
SérgioOliveira

GETULIOVARGAS
DEPÓE
O BRASILNA SEGUNDA
GUERRA
MUNDIAL

OUTUBRO
DE 1996

EDITORAIIDA

_ CONFERINDo a xlsrÓRIA-
E DIvULGANDo
"Gostomais de ser interpretadodo que
de me explicar."

GetúlioVargas

"Tudocomegade antes."
Rosa
ioáoGuimaráes

"Desde os primórdiosda civilizagáo,o


homemnáo se satisfazem observaros
eventos isolados sem explicagáo;
necessita de uma comPreensáoda
ordemsubjacentedo mundo."

StephenW. Hawking

"Escutemtodos vocés. Antes de mais


nada o biógrafode GetúlioVargasterá
de levar em conta certostragosde seu
caráter que o tornam figura singular
neste País, dando-lhevantagensmuito
grandessobreos outrospolíticos.E um
homem calmo numa tena de
esquentados. Um disciplinado numa
terra de indisciplinados.Um prudente
numa terra de imprudentes. Um sóbrio
numa terra de esbanjadores. Um
silenciosonumaterrade papagaios...
É. capazde dominarseus impulsose de
controlarsuafantasia..."

ÉricoVeríssimo
Sumário

/9
Introdugáo

I - Antecedentes I 15
da guerraconvencíonal

ll - O rompimento brasileira/ 61
da neutralidade

lll - Conseqüénciasdo rompimento


de relagóescomos paísesdo Eixo/ 119

/ 149
Conclusáo

/ 159
Bibliografia
lntrodugáo

Nadahá de maissincerodo que um diário.Autobiografias, me-


mórias,depoimentosa terceirostém enderegocerto:o público,o re-
gistrohistórico,
a construgáo do personagem. Nestecaso,aqueleque
escreveuma autobiografia, que registrafatos para um memorial,ou
que transmiteinformagóes, impressóes, opinióes,julgamentos, etc.,
constróia expressáoescritaou oral na fornlaem que entendeque seu
depoimento devachegarao público.A fraseé preelaborada, a opiniáo
rebuscada, maquilada. Tal preocupagáo, náo rarasvezes,distorcea
verdade,escondepropósitos,omite revelagóesimportantes, constrói
uma históriadeturpada.Autobiografias, memóriase depoimentos para
publicagáo náo tém a consisténcia e o compromisso com a verdade
peculiaresao diário.Este é um registropessoal,uma anotagáoque
náose destinaa quemquerque seja,a náoser á própriaconsciéncia
do autor.
O diárioque deu razáode ser a estetrabalhofoi escritopor um
ex-Presidente brasileiro.Restouesquecidoou preservado do conheci-
mentopúblícopor 53 anos.Em inúmeraspassagensdos trezecader-
nos que compóemo referidodiário,o autorexternao temorde que
alguémpossater lidoseusdesabafos Significadizerque
particulares.
as anotagóesnáo tinhamoutrafinalidadesenáoa de dialogarconsigo
mesmo;a de colocar-se o autorem paz com a própriaconsciéncia.
Trata-se,pois,de um depoimento de grandecredibilídade. Náotem a
conotagáo,muitas vezes facciosa,de um escorgoautobiográfico.
Tampouco expressaa idéiado "deveriaser",buscadaporaquelesque
visama imortalidade histórica.Retratao "queé", ou o "quefoi",segun-
do a óticade quemo redige.
GetúlioVargasteve,desdeo suicídiocometidoem24 de agosto
de 1954até a data presente,dezenasde biografiaspublicadas. Suafi-
lha e secretáriade gabinete- AlziraVargasdo AmaralPeixoto,e o
norte-americano John W. F. Dulles,talveztenhamsido aquelesque
maisse aproximaram da realidade.Alzira,porqueera sua filhae con-
viviadiuturnamente com o estadista; Dulles,porqueem sendoestran-
geiro, náo se deixouinfluenciarpelas duas grandescorrentesda
época:a dos"queremistas" e a dos"anti-getulistas".
Mas nenhumdestesdois biógrafose tambémos inúmerosou-
trosteveacessoao manancialrevelador,irretorquível, definitivo,que é
o Diáriode GetútioVargas.Nemsempreas ag6esde um Presidente,
mesmoem regimesditatoriais,expressamo seu desejo,o seu ponto
de vista. Exemplificamos: a decisáode rupturade relagóescom os
paísesdo Eixo,tomadapelo Brasil,em janeirode 1942,náo resultou
de umaimposigáo de Vargas,masde umareuniáoministerial em que
o Ministrodas RelagóesExteriores,OswaldoAranha, cedendoás
pressóesde Roosevelt,SumnerWelles(Sub-Secretário de Estadodo
GovernoRoosevelt) e JeffersonCaffery(Embaixador dos EstadosUni-
dos no Brasil),lideroua correntebelicista,superandoa oposigáopaci-
fista que tinha á frenteo Ministroda Guerra,GeneralEuricoGaspar
Dutrae o Chefe-de-Estado-Maior do Exército,PedroAuréliode Góis
Monteiro.Naquelaocasiáo,o PresidenteGetúlioVargas,reconhecen-
do a gravidadedo momentohistórico,e cientedas conseqüéncias que
poderiamresuftarde quafqueruma das medidasadotadas,submeten-
do o problemaá apreciagáo de seu ministério, a respon-
transferiu-lhe
sabilidade de decidirem nomeda Nagáo.O pontode vistade Getúlio
Vargasencontra-secristalizado em seu Diário, de forma inequívoca.
Suasrevelagóes acendemluzessobreáreasantesobscurasda histó-
ria,comprovando, maisumavez,que o esforgorevisionista náo é utó-
pico.Náose tratade uma investidaquixotesca contrapásde'moinhos,
mas trabalhomeritóriono sentidodo resgatede verdadesescamotea-
dase da rejeigáode mentirasentronizadas.
O Diário de Getúlio Vargas é um incentivopara os que já vi-
nham,apesardas manifestagóes de desagradodos guardióesda "ver-
dadeconveníente", tentandoresgatara "verdadeverdadeira". E é um
pontode partidaparaos incrédulosde até entáo.É um conviteao re-
pensar,á reflexáocríticasobretudoquantovem sendoescritoe difun-
dido atravésdo cinema e da televisáo,com a clara finalidadede
entorpeceras mentese impedi-lasde questionarsobrefatoshistóricos
relevantes.
Esta últimaafirmagáofoi mais uma vez confirmadapelo princi-
pal órgáo brasileiroperfiladoentre os guardíóesda "mentiraconve-
niente"- a Rede Globo. Na mesmasemanaem que a revistaVeja
publicavaextratosdo Diário de Getúlio Vargas, a Globo, a fim de
desviara atengáodo que era importante, Canalizando-a parao banal,
o trivial,o irrelevante,
tratoude enfocarno "Fantástico"a facetasenti-
mentaldo ex-Presidente. Em lugarde promoveruma discussáopúbli-
ca sobrefatos históricosde grandereleváncia,escarafunchou a vida
privadade GetúlioVargas,tentandoidentificarquem teria sido sua
amante!Náorestadúvidaque a questáolevantadaé de grandeimpor-
táncia!Nospaísesde 10Mundofatoscomoeste náosáo desprezados
pelosórgáosde comunicagáo de massa.Elestratamdeles,sim: os

10
jornaise redesde televisáosensacionalistas, os pasquins,a "impren-
sa marrom".F,aiatravésdela que o mundointeiroficousabendoque
Roosevelte.Kennedyforamgrandesgaranhóes.(Quemdiria!Roose-
velt,mesmócom sua inseparável cadeirade rodas!)
Afinalde contas:quemdesejaconhecera identidadeda amante
de Vargas,senáoas candinhase os que foramdesacostumados de
pensar,satisfazendo-se comos "pratosfeitos"?
O Diário de GetúlioVargascontémmatériasde muitomaiorre-
levánciado que aventurasextra-conjugais ou segredosde alcova.E é
de uma dessasmatériasque se pretendeutrataraqui:as circunstán-
ciasem que se deu a rupturade relagóesdo Brasilcom os paísesdo
Eixo,e quaisas conseqüéncias desseato de PolíticaExterior,decidi-
do por um grupo de pessoas, á reveliada opiniáopúblicanacional.
Dentrealgumas perguntas que aindahojenáo foramadequada-
menterespondidas, e que, por isso mesmo,desafiamos historiadores
da SegundaGuerraMundial,podemser incluídas as seguintes:
Qual a verdadeiradata de iníciodaquelainsanidade, daquela
catástrofedeflagradapelo homemem plenoséculoXX?
Quemforamos verdadeiros artíficesda hecatomberesponsável
pelosacrifíciode maisde 30 milhóesde vidas,peladestruigáode um
valor incalculávelde béns, pela transformagáo do mapa-rnúndi, pela
perduram? /
corridaatómicae por outrostantosmalesque aindahoje
Por que o Brasilabandonousua neutralidade vantajosa,e ali-
nhou-secornos Aliados?
Quemforamos responsáveis peladecisáoque custouao Brasil
maisde 1.900vidas(entremilitarese civis)e boa partede sua mari-
nhamercante?
Estas e outras questóesde grande relevánciahistóricaforam
abordadaspor GetúfioVargasem seu Diário.Pretendeu-se discuti'las
aqui,confrontando as anotagóespessoaisdo ex-Presidente com a vi-
sáo de outrasfontes.Náo se teve a pretensáo de esgotar assunto,
o
mas de estabelecer, comodiz a terminologia militar,uma "cabega-de-
ponte",um pontode partidaparaincursóesmaisprofundase ousadas,
principalmente no que tange aos aspectosconelatosá Históriado
Brasil.A nivel internacional,os revisionistasda SegundaGuerraMun-
dialjá se encontrambem longeda "cabega-de-ponte", muitopróximos
de seu objetivo.Aqui, todavia,ainda se repeteo chaváode que "o
Brasilentrouna guerraporqueos alemáestorpedearam covardemen-
te os nossosnavios".
Na verdade,como se comprovaráadiante,o ataquealemáoá
esquadramercantebrasileirafoi táo "covarde"e "inesperado"quanto
o ataquenipónicoá basenavalnorte-americana de PearlHarbour.No
dia 28 de janeiro de 1942,tendo o Governobrasileirooptadopelo

11
rompimento de relagóescom os paísesdo Eixo- contraa vontadedo
Presidentee dos GeneraisEuricoDutra(Ministroda Guerra)e Pedro
Auréliode Góis Monteiro(Chefedo Estado-Maior do Exército)- ne-
nhumdoscomponentes da cúpulagovernamental brasíleiradesconhe-
cia os riscosimediatosdecorrentes daqueladecisáo.
O torpedeamento do "Buarque", ocorridoem l6 de margo de
1942,portanto,DEZENOVEDIASdepoisdo encerramento da Confe-
rénciafnteramericana, realizadano Rio de Janeiro,náo surpreendeu
senáoaos brasileiros desavisados e ingénuosquantoás regrasde
guerra.
Por que GetúlioVargase seus dois ministrosmilitareseram
contráriosá rupturade relagóescom os paísesdo Eixo? Eles eram
germanófilos? Náo. Eramcontráriosá decísáotomadaporqueconhe-
ciamos riscosdela deconentes. E alémdo mais,o Japáo,a ltáliae
principalmente a Alemanha,eram parceiroscomerciaisdos quais o
Brasilnáo podiaprescindir. A Alemanha, comerciando na basede tro-
cas,era a fonte principalde suprimentodas ForgasArmadasbrasilei-
ras. O Governo nacional-socialista alemáo vinha transferindoe
instalando no Brasil,comapoiode seustécnicos,inclusive fábricasde
armamentos e de munigóes. (Estranhaatitudeem se considerando o
Brasilum "inimigoem potencial"!)
Hoje, reveladosalguns"segredosde guerra",acaba-secon-
cluindoque a decisáotomadapeloGovernobrasileiro acaboulivrando
o Paísde um mal maior.Os americanos tinham"prontinho-da-silva"
um planode invasáodo Nordesteem casode má vontadeparacom
Tio Sam. De tal forma que, emborasem saber,mas provavelmente
desconfiando, GetúlioVargas,que era um estadistade largavisáo,
percebeu-se em xeque.A situagáodo Brasilera muitosimples.Um
matutoqualquerdirianumatiradafilosófica: "Se corre,o bichopega;
se fica,o bichocome!"
Outragrandevantagemque o Brasíltirouda opgáode 28 de ja-
neirode 1942,foi a de situar-seao fim e ao caboentreos "vencedores
da guerra".Os vencedores de guerrasinvariavelmente sáo compara-
dosaosanjos;sáo os defensores do bem,da justiga,da igualdade en-
tre os povos.Os "perdedores", obviamente, sáo a encarnagáo do mal;
equiparam-se ao própriodemoe, por isso,arcamcom todasas res-
ponsabilidades. Muitos"perdedores" alemáesforamlevadosperanteo
"tribunal"de Nuremberg; outrotantode japonesesforamsubmetidos
ao'Julgamento" de Tóquio.Utilizou-sea forcacomomeiode exorcizar
o mundodos"demónios da guerra".
Se o Governobrasileirotivessed¡to NAO a Roosevelt,dando
uma bananaa SumnerWellese JeffersonCaffery,os "mariners"te-
riamdesembarcado no Nordestee empurrado o Brasil,aindaque no-
minalmente neutro,paraa esferados "perdedores". Em conseqüéncia,

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GetúlioVargas,EuricoDutra,PedroAuréliode Góis Monteiro,tanto
quantoaquélesque olhavamenviesadoparaTio Sam,correriamo ris-
co de seremjulgadospor "tribunal"instalado em Piripiri,Canguareta-
ma ou outra localidadequalquer do Nordeste.
Parecepiada,mas náo é. Hoje, passadosmais de cinqüenta
anoSdo final do conflito,aindaSe Cagam"crimingsqs de guerra",exi-
gindosua extradigáo parafins de 'Julgamentos" em países que nem
éequerexistiamna épocada guerra.QuandoalgumGovernoSe dis-
póe a cumprirsuas ieis (fazehdovaler, por exemplo,o institutoda
prescrigáo),os 'Justiceiros"apelampara agóesextra-legais- como
ocorreuem relagáoa Adolf Eichmann-, seqüestrando sem qualquer
para
consideragáo com o princíp¡o
da soberania nacional. Desrespei-
ta-se,a¡nda,o ma¡ssagradode todosos principiosdo direitopenal- o
do ,'nullum
crimen,nullápoenas¡nepraevialege",legislando "postde-
'Julgamentos" ¡lega¡S, absurdos,
lictum"e submetendoindivíduosa
contráriosas maiscomez¡nhas regrasdo direito.
o Diário de Getúliovargas, infelizmente, foi interrompido em
30 de abril de 1942,pois a 10de maio o Presidente sofreu um grave
acidentede automóvelna Praiado Flamengo,resu¡tando em fraturas
de perna,de máo e do maxilar, permanecqndo em conv€lescenga por
trés meses.Só a 27 de Setembroregressou ao Palácio Rio Negro,em
Petrópolis,onde deixarao décimo-terceiro e último caderno de seu
Diário.Naqueledia,inseriuo seguinte"postscriptum":

"Quantos acontecimentosde grande


transcendénciaocorreramna vida do
Brasil. Aqui chegando, tracei
rapidamenteestas linhas, dando por
encerradas as anotagóes. Para que
apóstáo longainterrupgáo?
continuá-las
A revolta, o sofrimento também
mudarammuitacoisadentrode mim!"

13
| - Antecedentes da guerra convencional

Umadas tesesrevisionistas é a de que a SegundaGuerraMun-


dial tenhacomegadologo após a subidaao poderde Adolf Hitler(30
de janeirode 1933)e náo a 10de setembrode 1939,comopropóem
os "historiadoresoficiaís".
Conceituadosteóricos do fenómenosocial "guena" - como
QuincyWRIGHT,JulianLIDER,J. F. C. FULLER,RaymonARON,Ri-
chardBARNETT,RobertD. CRANEe FrancoFORNARI- tém repeti-
do a velhaligáode Karlvon CLAUSEWITZ,de que "a guenaé apenas
a continuagáo da políticado Estadopor outrosmeios".Normalmente,
os Estadosfazema guerraatravésdo empregode meiosbélicos.Mas
existemoutrasformasde ir á guerra.Os embargoseconómicos,as
pressóespolíticase os bloqueiossáoexemplosde guerra.
Poucos dias depois da posse de Hitler como chancelerdo
Reich,o editordo "NewYork MorningFreiheit",um jornaliídichede
grandetiragem,conclamavaos judeusamericanos e do mundointeiro
a se uniremna "guerra contra o nazismo".O CongressoJudaico-
Americano,lideradopelo rabinoStephenWise,encarregou-se de lide-
rar o movimento. No dia 8 de maiode 1933,Wse declarava: "Eu sou
pelaguerral"(EDMONDSON. Eu Deponho,p. 195).
Naspáginasdo "PortlandJournal",de 11 de fevereiro de 1933,
Morgenthauafirmavacategoricamente: "Os Estados Unidos entra-
ram na fase de uma segundaguerra!"
Diz LouisMARSCHALKO: "Nesseínterim,váriasorganizagóes
judaicase comunistas de boicoteestavamse espalhando pelosEsta-
dos Unidoscomocogumelos, tramandoarruinara economiade Hitler.
Em 1936já estavaem francaatividadeum comitéde boicoteanti-na-
zista,enquantoque Hitler,nem mesmoem seussonhos,podiaadivi-
nhar a hora em que o relógiosoaria..."(L. MARSCHALKO. Os
Gonquistadores do Mundo,p. 61)
Desde1933os judeusrealizavam proezasdiplomáticas tenden-
tes a inclinaro fiel da balangaa seu favor.Gravitandoem redorde
Roosevelt,o "staff' lideradopelo banqueiroJ. Warburgtratoude es-
quentaras relagóes dos EstadosUnidoscoma UniáoSoviética (inimi-
ga natural do nacional-socialismo em razáo do antagonismo
ideológico).Rooseveltacedeem recebero ministrosoviéticode Rela-
góesExteriores, e acabapor reconhecer
MaxinLitvinov(Finkelstein), o

15
Governobolchevista(depoisdos Estadosunidosnegarem-seafazé-
lo pordezesseisanos).
Confirmandoo que muitosafirmavamcom respeitoa existéncia
de um estadode guerracoma Alemanha, muitoantesde 1ode setem-
bro de 1939,o Diário de Getúlio vargas registraa seguinteinforma-
gáoem 28 de novembro de 1934:

1934

28 de novembro - (O governoalemáo,já sob o comandode


Adolf Hitler,tenta um acordocomercialcom o Brasit.O governo
americanotenta impedir)A Comissáode Comércjoalemáen-
trou em démarchescom nossos peritos.Essas negociagóes
chegaramao conhecímento do governoamericano,que interpe-
lou ñossoembaixador. A Alema-nha
firmoucomocritériogerá!a
troca de mercadorias.O governoamericanoresolveureagir,
prometendo-nos vantagensespeciais.Nossosperitosespera-
vam apenasa aprovagáodo governobrasileiro,quando che-
gou a impugnagáoamericana.(Apesarda oposigáodosEIJA,
o governoacabariafazendoum acordonas bases propostaspe-
losalemáes.)

Doisdiasdepois,Vargasregistrava
o seguinte:

1934

30 de novembro- O nossoEmbaixador em Washingtonconti-


nua a transmitirinformagóessobrea pressáoamericanapara
que náo aceitemosa políticade compensagóesno intercámbio
de produtos.Envioua notaamericana ou propostaque vai ser
examinada.

Poistudo o que vém afirmandoos revisionistasa respeitoda


verdadeira dataem que inicioua "guerracontra a Alemanhanacio-
nal-socialista"se confirmaatravésdo depoimentode GetúlioVargas.
A 28 de novembro de 1934,quatroanose novemesesantesda "data
oficial"de 10de setembrode 1939,o governodos Estadosunidos
"impugnava"um pretendido acordocomercial
coma Alemanha. Note-
se. o mundointeiroestavaem "paz".Porque a ingeréncianorte-ame-
ricana sobre o livre e soberanodireito do Brasil escolherseus
parceiros comerciais?
O Brasildeveriaevitaracordoscom a Alemanha, que costuma-
va honrar seus compromissos,e chegara entendimentos com os
que lhe faziama guerraatravésde embargos?

16
Getúliofoi claro a respeitodo procedimento
dos inglesesem
suasrelagóescomerciais como Brasil:

1935

28 de fevereiro- O ministroSouzaCosta(da Fazenda)continua


discutindocom os ingleses.Todos com muita boa vontade...
paranos escorchar.

A intengáode escorcharo Elrasil,


comose depreendede vários
registros,
tinhaíntimaligagáocomsobrenomesbastantesignificativos:

1933

13 a 15 de margo- Visitados srs.LYNCHe STEPHANY como


Ministroda Fazenda.Afirmo-lhes da revisáodo
a necessidade
fundign,que náo podemoscumprir,e do examede uma nova
fórmulaparaa solugáode nossasdívidas.

1933

28 e 29 de junho- No dia 29 despachocomos ministros milita-


res e recebo o Ministro
da Fazenda muítoapreensivo atitu-
com
que
de do GeneralValdomiro, se recusaa atenderá LAZZARD,
BROTHER,e as conseqüéncias pela ameagadesteem fazer
uma declaragáo pública que prejudicaria
o resultadodas nego-
ciagóessobrea dívidaexterna.

1933

30 e 31 de julho- Recebi,á tarde,o sr. JohnSIMON,Ministro


do Exteriorda Inglaterra.Falou-meda questáodo sr. LAZZARD,
BROTHERS. Comoesteshomensdefendemos interesses ma-
teriaisdos seus nacionais, mesmoquandopretendemnos ex-
plorar.

1934

30 de janeiro - Estudeio planodas dívidasexternas,as obje-


góesdo representantedos credoresarnericanos,sr. CLARK,ao
esquemaNIEMEYER, as respostasde sir LINCHe o acordofi-
nal.

17
1934

l2 de setembro- Sir LINCHveioem nomede sir NIEMEYER


manifestarseusreceiospor qualqueroperagáocomos Estados
Unidosque reduzissenossosrecursospara atenderaos credo-
res ingleses.

O contato de GetúlioVargas com LAZTARD,NIEMEYER,


LINCHe outroselementosda mesmaestirpe,levou-oa emitira se-
guinteopiniáo:

1935

29 e 30 de margo- Receblo Gen.Pantaleáo, comquemtrateivá-


riosassuntosde interessemilitar,e depoiso jornalista
AssisCha-
teaubriand,com negóciosum tantoatrapalhados, e semprecom
váriasidéiase planosinteressantes. fstucioso,inteligentíssimo
e
precisando de dinheiro.Ele deve ter sangue judeu, mas os ju-
deus queremo dinheiroparaentesourar,e ele, paraempregá-
lo em suas empresasjornalísticas.(Grifodo autordestaobra.)

No ano seguinte,talvezpor ter esquecido


da alusáoanterior,o
Presidente
tornoua registrar:

1936

11 de fevereiro- Recebitambémo jornalistaAssisChateau-


briand,inteligente,
ágil,debatendo questóesde interesse
social,
mas tendo sempre,no fundo, um interessemonetário.Deve
ter sanguejudeu. (Grifodo autordestaobra.)
Enquantouma parceriabem definidaescorchavao Brasil,
co m oG e t ú l ioV a rg a sd e i xo ub e m cl ar oem seu Diár io,a Alem a-
nha revelava-seuma parceiracomercialassimdefinidapelo Pre-
si d e n t e :

1933

6 e 7 de fevereiro- Receboas credenciais do novoembaixa-


dor alemáo.(Hitlerassumirao cargode Chanceler em 20 de ja-
neiro.)Achei-o simpáticoe inteligente.Falei-lheacerca da
construgáo do portode Torres,pelaqualse interessao Governo
alemáo,empregando capitalparaaproveitaros semtrabalho.

18
1934

22 de outubro- Sessáoda ComissáoFederalde ComércioEx-


terior.Tratamosdas negociagóes
com a Atemanha.A tardere-
cebi o cardealda Polóniae a ComissáoAlemá de Comércio
Exterior.

Com respeitoas negociagóesem curso entre Brasile Alema-


nha, os EstadosUnidos,em 28 de novembrode 1954,fizerama im-
pugnagáojá registradaanteriormente.
Trésdiasdepoisda ingeréncia
norte-americana,o Diárioregis-
trava:

1934

31 de outubro- O nossoEmbaixador em Washingtoncontinua


a transmitirinformagóessobre a pressáoamericanapara que
náo aceitemosa políticade compensagóes no intercámbiode
produtos.

1934

11 a 15 de novembro- Continuam as negociagóescomos Es-


tadosUnidosparaum tratadocomercial. Estepaísfaz oposigáo
formalao regimedas compensagóes, quer a liberdadecomer-
cial,e convidao Brasila acompanhá-lo.
Se fizermos,teremos
todas as facilidades;se recusarmos,nada obteremos.O as-
sunto é sério, porque acompanharos EstadosUnidos em
sua políticacomercialé fecharas portasao comérciode um
grande número de países de moeda bloqueada,que nos
compram mercadoriasque os EsüadosUnidos náo adqui-
rem. O assunto está em exame.(Grífodo autordestaobra.)

1935

30 e 3l de janeiro - Recebotelegramado Costa(Arturde Sou-


sa Costa- Ministroda Fazenda)pedindoque náo fossemassi-
nadosacordoscom a ltáliaou com outrospaísessem que ele
terminasseas negociagóes nos Estqdosunidos.(A ltáliavinha
negociando a vendade submarinos ao Brasil.Na época,ainda
náo fora formadoo Eixo Berlim-Roma, o que aconteceriaso-
menteem 25 de outubrode 1936,maso Governode Mussolini
eratidocomopró-Alemanha.)

19
No períodoantecedenteá guerraconvencional,ocasiáoem que
se efetuavam os embargoseconómicos contraa Alemanha,a lnglater-
Sua
ra se arvorouá condigáode árbitrodas relagóesinternacionais.
arrogáncia,porém,vez por outrarecebeuum tratamentoá alturapor
partedo Governobrasileiro:

1936

l0 de janeiro - O Embaixadoringlésapresentou-se
no Catete
pretendendo ser recebido imediatamente para reclamar
contra uma lei votada pela Cámaraque, segundosua opi-
niáo, prejudicavaos interessesingleses.Respondique, na-
quele momento náo poderia recebé-lo,que procurasseo
(Grifodo autordestaobra.)
Ministrodo Exterior.

É de causarpasmo,masé istomesmo.Os inglesespretendiam


interferirsobreo PoderLegislativo que tinha a "petulán-
brasileiro,
cia" de elaborarleis em proveitodo Brasil,e náo dos interesses
da Inglaterra!
Em contrastecom as atitudesde inglesese americanos,a rela-
gáocomercial coma Alemanhadesenvolvia-se em altonível:

1936

20 de maio - Recebemos a visitado casalMacedoSoares(Ge-


túlioVargasse referea JoséCarlosde MacedoSoares- Minis-
tro das RelagóesExteriores- 193411937). O Ministromuito
entusiasmado com o convéniocomercialcom a Alemanha,pe-
las possibilidades
que nosabrepara,acolocagáo de váriospro-
dutos.

1936

10e 2 de junho - Um fatode grandeimportáncia paraa admi-


nistragáonestesdoisdias:o convéniocomercialcom a Alema-
nha. Duas dificuldades temos a superar:uma resultanteda
acomodagáo dos interesses dos dois países- estajá foi solu-
cionada;a segundaresultadas ponderagóes do Governoameri-
cano supondo que o acordo teuto-brasíleiro (Convénio
Comercial Teuto-Brasileiro),
feitoem marcosde compensagáo,
viola o princípioda liberdadede comércioe da cláusulade
nagáomais favorecidaestipuladano TratadoComercialBra-
sil-EstadosUnidos.Tem havidocontínuosentendimentos en-
tre Rio e Berlime Rio e Washington.(O TratadoComercial

20
Brasil-Estados Unidoscolocavaeste últimona posigáode na-
gáo mais favorecida,o que resultavano seguinte:o Brasil
vendiaalgodáo. paraa Alemanha(porqueo mercadoamerica-
no náo se interessavapelo produto),exigia pagamentoem
dólaresou librasesterlinas, e compravacom o valorarrecada-
do produtosdos EstadosUnidose náo da Alemanha,desde
que o primeiro, comonagáofavorec,ida, dispusessedo produ-
to. Comoa Alemanhasó negociava na basede troca,o Brasilfi-
cavaobrigadoa optarpor umadestasduasalternativas: a) ven-
dia algodáopara a Alemanhae recebiaprodutosalemáesem
pagamento; b) deixavade venderalgodáoa Alemanha,porque
esta se negavaa pagarem moeda,e privava-sedos produ-
tos de que necessitavaporquenáo possuíarecursospara
ad q u i r i - l o s . )
que mais
GetúlioVargasnáovacilouem escolhera alternativa
serviaao Brasil:

1936

3 e 4 de junho - Após váriasdémarchesentre Rio de Ja-


neiro e Berlim,e sucessivasconferénciasentre os Minis-
tros da Fazendae do Exterior,ficoufinalmenteassentadoo
comércioentre o Brasile a Alemanhaem marcosde com-
p e n s a g á oN. áo h a ve rátra ta d o s,n e m convénios, nem qual-
quer demonstragáosolene, fardada e protocolar.Uma
s i m p l e sn o t ado Go ve rn od o B ra si lá Alem anhacomunican-
d o a p e r m i s sá o d a e xp o rta g á oá,q u elepaís,de 62 m ilhóes
d e q u i l o sd e a l g o d á oe m ma rco sd e compensagáo. A Ale-
m a n h ae n v i a rá ,p o r su a ve z, a o B rasil,uma nota das quo-
t a s q u e n o s co n ce d e .

emborao Brasilse situassebem ao sul do Cari-


Infelizmente,
be, ás vezesera obrigadoa procedercomo as "repúblicasdas ba-
nanas" para náo contrariara grande poténciaou meter-seem
encrencas como tutordas nagóeslatino-americanas:

1936

5 a 8 de junho - Terminado
o ConvénioComercial Teuto-Brasi-
reduzira umasimplestrocade notas
leiro,que se convencionou
para evitarcomplicagóescom os americanos... (Grifodo au-
tor destaobra.)

21
- Enquantoo comérciobrasileirocom a Alemanhacomegavaa
fortalecer-se,
a facaáoopostacontinuavana tentativade rasparos
parcosrecursosde quedispunhao tesourobrasileiro:

1936

2 de julho - Despacho comos ministrps militares


e concedoalgu-
masaudiéncias. Entreelas,o Ernbaixadoruruguaioacompanhado
peloMinistroda Fazendado mesmopaís,que vieramvisitar-me.
Ambosregressavam da Europa.Conversamos sobrea situagáo
geraldaquelecontinentee, particularmente, sobreos novosim-
postosque a Inglaterrapretendiadecretarsobreas camesimpor-
tadas e que afetanamprincipafmente a Argentina,o Brasil e o
Uruguai.Disse-lheque o Brasilprovavelmente tivessede fazer
sentirá lnglaterra, que talveznáo pudés-
casoistose verificasse,
semoscontinuarpagandoas prestagóes da dívidaexterna.O Em-
baixadoraplaudiucalorosamente e disse que essa declaragáo
deviaserdostréspaísesinteressados.

Naquelemesmomésas pressóesamericanas, em razáodo co-


mérciobrasileiro
coma Alemanha,
comegaram
a intensificar-se:

1936

2 1 d e j ul h o - O Mi n i strod o E xter ibr( JoséCar losde Mace-


d o S o are s)co n ti n u ai n si sti n d opela r ealizagáo de gr andes
c o m p r asn a A l e ma n h ao; B ra silinter vindo no mer cadopar a
a comprade marcosde compensagáo; venda de 500 mil
sacasde café; retornoem armamentospara o Governofe-
d e r a le p o l íci a sd o s e sta d o s.(...)O Oswaldo( Oswaldo Ar a-
nha - Embaixadordo Brasilnos EstadosUnidos),á noite,
t e l e g r afo u -me fa, l a n d oso b rei ndiscr igóes
do ltamar ati( Mi-
nistériodas RelagóesExteriores)e sobre o propósitodo
Governoamericanode denunciaro tratadode comérciofei-
t o c o n osco ,a p l i ca n d o a o B r asil o mesm o tr atamento
q u e á A l e m.a n h ae, m vi stad a mudangade políticacomer -
c i a l .( Gri fod o a u to rd e stao b ra .)

1936

22 de julho - Trateicom o Ministroda Fazendade váriosas-


suntosadministrativose, principalmente,
das complicagóes
cria-
das com os EstadosUnidospelo convéniocomercialcom a
Alemanha.

22
Parecedispensável alongaras citagóes
destinadasa fundamen-
tar os propósitosdestecapítulo.Os registrosde GetúlioVargasem
seu Diárioconfirmam que o estadode guerrade inglesese america-
nos contraa Alemanhaexistiadesdea ascensáode Hitlerao poder,
em 30 de janeirode 1933,intensificando-se,paulatinamente,á medi-
da em que o nacional-socialismo conseguiatransformar uma econo-
mia caóticaem poténciacrescente.Por mais estranhoque possa
parecer,Hitler náo procuravaatritar-secom o Ocidente.Muito pelo
contrário,buscousempreo entendimento com ingleses,francesese
americanos, escrevendo em sua obra "Mein Kampf', e reafirmando
em inúmerosdiscursos, que o adversárionaturaldo nacional-socialis-
mo erao marxismo soviético.
A 7 de fevereirode 1945,na antevésperada derrotafinal,Hitler
afirmava(MartinBORMANN. TestamentoPolíticode Hitler,p. 46):

"Enquantoa Europalutadesesperadamente porafastaro perigo


bolchevista,
os EstadosUnidos, guiados por Roosevelt,nadade
melhorencontramparatazersenáocolocartodo o seu fabuloso
poderiomateriala servigodos bárbarosasiáticosque pretendem
destruí-1a."

A 24 de fevereirode 1945,o Führeralemáoditavaparaa pos-


teridade(Martin BORMANN.Testamento Político de Hitler, p.
79t82).

"A guerracom a Américaé um drama.llógica.Faltam-lhe bases


reais.O acasoda históriaquisque,enquantoeu tomavao po-
der na Alemanha, Roosevelt, escolhido pelosjudeus,assumisse
o Governodos EstadosUnidos.Se náo fossemos judeuse o
seu homemde agáo e manobra,tudo poderiaser diferente.
Tudodeverialevara Alemanhae os EstadosUnidos,senáoa
se compreenderem e se simpatizarem, pelomenosa se apoia-
rem mutuamente,sem que fossemnecessários esforgosespe-
ciais.(...) A Alemanhanada esperavados EstadosUnidose
estesnadatinhama temerpor parteda Alemanha.Tudoconcor-
ria paraque coexistíssemos, cadaum por si, em perfeitaharmo-
nia. O que deitou tudo a perder,desgragadamente, foi o
o u nd i a lq, u ee sco l h eauq u elepaíspar a se instalar
s i o n i s mm
com o bastiáomais forte. (...) Roosevelt poderiater sido o
maior Presidente dos EstadosUnidosdepoisde Lincoln.Mas
preferiu,ao invésde servirao povoamericano,prestarservigos
á causajudaica.
Cometeu,para isso,verdadeiras insanidades políticas,
comoa
de aliar-seao maxismosoviético. Abusoucinicamente da igno-

23
ránciae ingenuidadedo povoamericano, levando-oa umaguer-
¡'aabsurda.Fé-lover o mundoatravésda óucajudaica,arras-
tando-opor trilhaque lhes será fatal se náo Vo,rdr€tn
atrás no
tempo."

A responsabilidade da comunidade judaicainternacional


pela
SegundaGuerraMundialé um dos temastabusda épocapresente.
Os historiadores comprometidos com a "verdadeconveniente"cofo-
cam os judeus,invariavelmente, no papelde vítimas.Segundoeles,6
milhóesde judeusteriamsidoimoladosbarbaramente peloregimena-
cional-socialista,
fatoesteque recebeua denominagáo de Holocausto.
Náose tem o propósito de discutir,agui,estetema.Existem,hoje,de-
zenasde obrasrevisionistas, escritasporautoresde diversasnaciona-
lidades,inclusivebrasileiros, reexaminando o Holocaustosob a ótica
da ciéncia,da lógicae dosfatosnovossurgidosnosúltimoscinqüenta
anos.
O que se pretendeunestecapítulofoi determinaras origensda
SegundaGuerraMundiale identificar os responsáveisporela.
O Diário de Getúlio Vargas,além de comprovarsobejamente
que inglesese americanos comegaram a güeneara Alemanha,através
de embargoseconómicos,muitosanos antes de 10 de setembrode
1939,registraum episódioque muitobemse prestaparaencerramento
destaabordagem inicial.O que Hitlerafirmariaem 1945,poucoantesdo
desastrefinal,Getúliosoube-o,em fevereiro de 1939.
Eiso que registrou em seuDiário:

13 de fevereiro- Atendias audiéncias,entreelas,d. Rosalina


(Rosalina CoelhoLisboa- Jornalista
- Membroda delegagáobra-
sileiraá Vll Conferéncia
Interamericana
de Lima.Estavaalarma-
díssima com \o movimentocomunista da América, que diz
amparadopelo Governoamericanoe o judaísmo internacio-
nal.(Grifodo autordestaobra.)

Emfinsde novembro de 1935(23 a27),soba lideranga de Luís


CarlosPrestes,masorganizada, subvencionadae dirigidapor organis-
mose agentesexternos, eclodiuumaintenlonacomunista, em Recife,
Natale no Rio de Janeiro,com o objetivode derrubaro Governo
Vargase instituiro regimecomunista no País.Maisde duasdeze-
nas de brasileirosmorreramem defesado regimeem vigor. Getúlio
Vargasrelata,em síntese,os fatosocorridosna época,confirmando,
inclusivea participagáo
de agentesestrangeirosna frustradaintento-
na. Faz-senecessário,em razáodo depoimento de d. RosalinaCoe-
lho Lisboa, acima transcritosegundoas anotagóesde Getúlio,

24
lembraraos esquecidos ou informaraos que náo tém conhecimento
da realidade, que a intentonacomunista de 193stevecomoprincipal
mentoro judeu-alemáo HarryBerger(ArthurErnestEwert),assessora-
do por BaruchZell,ZatisJanovisai, RubensGoldberg,MoysésKava,
waldemarRoterburg, AbraháoRosemberg, NicolauMartinoff,MoisiLi-
pes,JayrneGandelsman, CarlosGarfunkel,WaldemarGutinik,Henri-
que Jvilaski,JoséWeiss,ArmandoGusiman,JosephFridman,e mais
umaextensanominatade agentesexportados parao Brasil,todosju-
deus.No meiodesesagentesmaisimportantes havia,também,arraia
miúda- como a judia-alemáOlga Benarios,amantede Luís Carlos
Prestes.O papelde Olgaestá,aliás,muitobemexplicado nasmemó-
riasde HarryBerger.Comoo Cominerndeterminara que se entregas-
se ao brasileiro
LuíscarlosPrestesa lideranga da intentona, entendeu
o astutoBerger(ouArthurErnestEwert),queera precisomanté-losob
constante vigiláncia.A belaolga tratoude seduziro ex-oficial,fazen-
do-seamantedo mesmo.Eraela o elo de ligagáoentreo chefenomi-
nal e o chefereal.Presaque foi, depoisdo fracassoda intentona, e
encontrando-se aqui sem passaporte - ou "sem lengoe sem docu-
mento",comodiriao Caetano-, sema predisposigáo de trabalharou
desempenhar tarefaútil,mas com a intengáode dinamitarquartéise
assassinarpolíticos,outra alternativanáo teve Getúliosenáo a de
trancafiá-la
numaprisáo.Fez,maistarde,o que qualquerGovernofa-
ria em idénticacircunstáncia: parao paísde origem.(E
extraditou-a
bem verdadeque nem todosos governosagiriamassim.Stálin,por
exemplo, teriaoptadoporumasolugáomaissimples-o paredáo!)
PoisestaOlgacomegaa ser imortalizada no Brasil.Ganhouum
livro.Preparam-lhe, no momento,um filme.(Os Spielberg ou seuslu-
gar-tenentes tambémandampor aqui!)A próximainvestida dos culto-
res de Olgaseráreclamarsua entronizagáo ao ladode AnitaGaribaldi
ou de MariaQuitéria!
GetúlioVargasnáo ficouindiferente aos mentoresda intentona
comunista de novembro de 1935.
Eiso seguinteregistrode Diárioe suaconespondente notade ro-
dapé:

1938

6 de agosto - Chuvae frio. Náo saí de casa.Aproveiteio tem-


po paratrabalhar,
examinando algunsassuntosde importáncia,
comoa regulamentagáo da lei sobrea entradade estrangeiros.
Nota:O Decretono3.010,de 20 de agostode 1938,regulamen-
tariao Decretono406,de 4 de maiobe 1938,quefixaraa políti-

25
ca de "boas correntes migratórias",proibindoo ingressono
paísde estrangeiros
portadoresde deformagóes físicasou men-
tais,bem como daquelesconsideradosde condutanocivaá
vida pública,á seguranganacionalou á estruturadas insti-
tuigóes.(Grifodo autor destaobra.)
Doisanosdepois,um registrode Getúlioem seu Diárioesclare-
cia quemera considerado por ele e por seu Governocomo"pessoa
de condutanociva á vida pública,á seguranganacionarou á es-
truturadas instituigóes":

1940
14 de dezembro- Convoqueio Ministériopara a tarde.Tra-
tou-se da imigragáoclandestinae abusiva que se tazia.
Após as medidaspropostaspelo Ministroda Justiga(Fran-
cisco Luís da SilvaCampos)e muito discutirmoso ássunto,
assenteicomo medidasresultantesda palestra:lo) proíbiro
visto consularnos passaportesde judeus; 20)levantaro ca-
dastrode todosos imigrantesque se achavamirregularmente
no País;30)promoverumalegislagáomaisseverasobreimigra-
gáo.(Grifodo autordestaobra.)
Náo se proibiao vistoem passaportes de ingleses,americanos,
alemáes,poloneses, japoneses,italianos,franceses,belgas,ou de qual-
queroutranacionalidade! A proibigáotinhaum únicoenderego! (Getúlio
vargas,o MinistroFrancíscocampose os demais presentesáquerareu-
niáo,certamente váolevarparaa eternidade a pechade anti-semitas!)
Náoforamapenasos comunistas a atentarcontrao Governoe
o regime.os integralistas,
cujaideologiase aproximava em muitoao
nacional-socialismo alemáo,tambémassaltarama residénciapresi-
dencial,fato que colocaem xequeo Governode Hifler.peromenosé
o que se podeimaginará primeiravista.GetúlioVargaspóe uma pá
de cal nasespeculagóes:

20 de maio - Despachocom o Ministroda Viagáoe concedo


váriasaudiéncias.
Entreelas o Embaixador alemáo,que vem
pleitearuma declaragáode que nada se encontrou contra
qualqueralemáono putsch integralista.(Grifodo autordesta
obra.)

Nos dias seguintesá audiénciaconcedidaao Embaixador ale-


máo,a imprensado Rio de Janeiroinseriudiversasnotasoficiaisdo
Governobrasileiro,
afirmandoque,concluídas as investigagóes
sobre

26
o putschintegralista de 11 de maiode 1938,presostodosos seus
mentorese executores, nada se apuraraque pudesseincriminar
alemáes.
Duranteo períodoque antecedeuo rompimento de relagóesdo
Brasilcom a Alemanhae os Paísesdo Eixo(ltáliae Japáo),inúmeras
anotagóesextremamentereveladorasforam registradaspor Getúlio
Vargasem seu Diário. Algumasforam apontadase discutidasaté
aqui.A seguir,a títulode complemento,
sáo inseridas algumasoutras
de interesseaos propósitos destaabordagem inicial.O apéndiceque
se iniciaaquiobedecea ordemcronológicadosregistros.

1933

28 e 29 de novembro- Assinoo decretoabolindoos pagamen-


tos em ourofeitosobrigatoriamente no Brasil.lstoatingeprinci-
palmenteas empresasde servigospúblicos,Lighte outras,para
aliviaros ónus do Tesouroe as obrigagóes dos particulares,
causandoexcelenteefeitono público.A cláusula-ouro, constan-
te dos contratosfirmadoscom as concessionárias de servigos
públicos(todasestrangeíras),estabelecia que o pagamento das
tarifasse faria metadeem papel-moeda e metadeem ouro,ao
cámbiomédiodo més de consumo,assegurando uma estabili-
dade internacional aos ganhosdas empresas.Foi extintapelo
Decreto23.501de 27 de novembrode 1933.(O recebimento
em papel-moeda se destinavaao custeiode pessoale encargos
no Brasil.O montanteem ouro era canalizadopara fora do
país.)

1933

13 de dezembro- Apesardas interrupgóes, á noiteexaminoe


despachoo expediente, e acompanho a marchada Conferéncia
de Montevidéu.Na Vll ConferénciaPan-Americana, realizada
em Montevidéu, foi assinadaa Convengáo sobredireitose de-
veresdos Estados,definindouma posigáonáo-intervencio-
nista para o continente. Esta orientagáo opunha-se á
política de boa vizinhanga até entlio implementadapelos
EstadosUnidos.(Grifodo autordestaobra.)

1934

23 de agosto - Houveconflitoentreos comunistase a polícia.


A políciasente-setimoratae vacilante
na repressáo
aosdelitos,

27
pelasgarantiasdadaspelaConstituigáo dos crimino-
á atividade
sos e o rigorismodos juízesem favorda liberdadeindividual,
mascontraa seguranga social.

1934
16 e 17 de novembro- Nestesdiastratamosespecialmente da
políticade comércioexterior.Os EstadosUnidosqueremfazer
uma declaragáo públicade reaflrmagáo dos princípios
de liber-
dadecomercial e de combateá políticado "clearing",do regime
de compensagóes de créditos,e pleiteiaa adesáodo Brasil,pro-
metendo-nos todasas facilidades, se os acompanharmos, e re-
cusa das mesmasse náo os seguirmos.Sáo as informagóes
que nos transmiteo Embaixador OswaldoAranha.Por outro
lado,a Alemanha, a ltáliae outrospaísesiniciamjuntoa nósdé-
marchesparaentendimentos que tenhampor baseo "clearing".
Se recusarmos essesentendimentos, fechar-se-áoao nossoco-
mércioos mercadoseuropeusque nos adquiremmuitosprodu-
tos queos EstadosUnidosnáonoscompram.
1935
l0 de janeiro - Partiua missáoespecialchefiadapeloMinistro
da Fazenda.Nota de Rodapé:A MissáoSousaCostainiciou,
em Washington, a renegociagáodo pagamentodos atrasados
comerciais, assinando,em 2 de fevereirode 1934,um acordo
que concederia aos EstadosUnidosa "condigáode nagáomais
favorecida"no comércíocom o Brasíl.Em sua segundaetapa,
em Londres,obteriaoutrosempréstimos parasaldarantigasdí-
vidas. Oswaldo(Oswaldo Aranha,entáoEmbaixador nos Esta-
dos Unidos)ficouum tantomelindrado com a viagem,julgando
que ela o diminuía.Nessedia, recebiuma cartaque me escre-
vera,discordando da orientagáocambialseguidae dandouma
entrevistaque desorientoua opiniáopública.
1935
22 a 24 de janeiro - A cartaque recebido nossoEmbaixador
no Japáome dá contada preocupagáo atualdaquelepaís em
desenvolver suasrelagóes como Brasil.
comerciais
1935
25 a 27 de janeiro - Os jornaisestrangeirose o "DiárioCarioca"
noticiamas negociagóes coma ltáliaparaa construgáo de subma-
rinos,feitasporintermédiodo Ministrodo Interior.

28
1935

20 de junho - O Embaixadoringlésque foi despedir-se,


infor-
mou-medo trabalhocomunistano BrasilauxiliadopelaRússia,
e que aquise achavamo comitérusso,que estavaem Montevi-
déu,e LuísCarlosPrestes.Nota de Rodapé:O alemáoArthur
ErnstEwert,conhecidocomoHarryBerger,o argentinoRodolfo
VictorAlanBa-
Ghioldi,o belgaLéonValléee o norte-americano
ronque haviamsidosenviadospelaInternacioalComunista para
assessorar LuísCarlosPrestesem suaagáono Brasil.

1935

22 de outubro - Na ausénciado Ministrodo Exterior,que conti-


nuaem Sáo Paulo,trateiontemcomo MinistroPimentelBrandáo
da respostaque deveríamos de Rodapé:A Liga
dar á ltália.Nota
das Nagóescondenoua invasáoda Abissíniapelaltália,recomen-
dandoaindao embargode armase a suspensáoda importagáo
de mercadorias italianas.O Brasil,a exemplode outrospaíses,
manteriaas negociagóes comerciais coma ltália.

1935

24 e 25 de novembro- A conspiragáo comunista explodiuem


duas rebelióes:a do 21oBatalháode Cagadores, em Natal,e a
do 29oBatalháode Cagadores, em Pernambuco. A primeira,após
algumaresisténcia da polícia,dirigidapelo Comandante do 21o
Batalháode Cagadores, venceu,tomandocontada cidade.A ou-
tra encontroutenaz resisténciada polícialocale da partefiel do
29o,e foi repelidano ataquea Recife,entrincheirando-se no quar-
teldaVilaMilitar.
Logoque o Govemoteve conhecimento da rebeliáo,procurouen-
viar recurcospara Recife,a fim de dominarprÍmeiramente aquela
capital,paradepoisacudirNatal.Seguiram forgasfederaisda Paraí-
ba e de Alagoas,avióesdo Exércitoe da Marinha (aindanáoexistia
a Aeronáutica)partiramdaqui,bemcomoo generalRabeloque es-
tavaausenteda Regiáo.Espera-se que atéamanháos rebeldesdo
Recifeestejamdominados. (...)Na manháde 25 reunioMinistério e
expusa situagáo,e o Ministroda Justigaleua mensagem do Gover-
no pedindoo estadode sítio.Nota de Roda¡É:A mensagemde
Vargassolicitandoautorizagáo para decretaro estadode sitio em
peloprazode um més,foiaprovada
todoo tenitórionacional, na Cá-
por
mara 172votoscontra52.

29
1935

12 de dezembro- O Oswaldoescreveu-me de Washington


muítoalarmadocoma lngfaterra, dizendoqueestavaíagírou já
estáagindocontrameu Governopafavingar-seda atitudeqúe
tomamosem relagáoá guerraítalo-etíope. previneque o casoé
muitosério,e os centrosatravésdosquaisela vai agirsáoa Ar-
gentinae o Uruguai.(...)Hojerecebio Embaixador inglés,que
veiotrazer-mea visitado Comandante do cruzador"Drágon", de
passagem peloRiode Janeiro,e notei-omuitocuriosoem fazer-
me perguntas sobreas nossastransagóes com a ltáliae a nos-
sa atituderelativamente á Liga das Nagóes.perguntasa que
respondisemsubterfúgios, comoquemestátranqüiloe donoda
situagáo.

1936
4 e 5 de margo- No dia S ocorreua prisáode LuísCarlospres-
tes,o chefecomunista.Foi um fatosensacional,de largareper-
cussáono país.

1936

26 e 27 de maio - Foipublicado nosjornais,provocandorevolta


na opiniáopública,um telegramade 60 deputadoscomunistas
espanhóis, intimando-mea soltaro prestes.Diariamenterecebo
de diversospaíses,excetoa Rússia,telegramase cartasdesse
teor,parecendo haverumacampanha sistemática
de descrédito
do Brasil,espalhando a notíciade suprícios
e crueldades sofri-
das pelospresos,ínstÍgada porcomunistas do Brasilque,no ex-
terior,se encarregam dessapropaganda.

1936
14 de agosto - Recebiaindaas despedidas do Sparanoe se-
nhora(Luíssparano- Adidocomercialda Embaixada do Brasil
em Roma- 1935-1941). Regressaparaa ltáliamuitosatisfeito
com a assinaturado acordoe outrasvantagensconseguidas
para o Brasilno seu comérciocom aquelepaís.Notade Roda-
pé: Este"modusvivendi"comercialgarantiua exportagáo de produ-
tos agropecuários
brasileiros,
em especialalgodáo,peiosistemade
lirascompensadas entreo Bancodo Brasile o Instituto
Nazionalidi
Cambiitaliano.

30
1936

22 de dezembro- Encerra-sea Conferéncia de BuenosAires,


com bonsresultados paraos trabalhos.A atuagáoda delegagáo
brasileirafoi muitoeficiente,impondo-se á confiangae estima
dos americanoscontra as dificuldadescriadaspelo Saavedra
(CarlosLamasSaavedra- Ministrodas RelagóesEstrangeiras
da Argentina- 1932-1938) e, por fim, servindode mediadora
nas desavengasentre americanose argentinos.Notade Roda-
pé:Contomada a resisténcia
do chanceler porconsiderar
argentino,
a propostados EstadosUnidosuma ingeréncia na políticalatino-
americana, foi assinado,ao finalda Conferénciada paz,um proto-
-
colo de náo-intervengáo formalizando o conceitode seguranga
continental.

1937

23 de janeiro- O diafoi todoconsagrado a umavisitaá fábrica


de avióesda Marinha,na ilhado Governador, Foramem minha
companhia os governadores de MinasGeraise da Bahia.Visita-
mosas novasconstrugóes e as antigasoficinasondeestáosen-
do feitos20 avióes-escolatipoalemáo,havendoum engenheiro
e váriosoperáriosdestanacionalidade ensinandoo nossopes-
soal.Assistimosa evolugáode um aviáodessetipo,vindoda
Alemanhacomomodelo,e que foi manobrado com rarobrilhan-
tismoporum pilotoda reservada Marinha.

1938

31 de margo - Entre os oficiaisque recebipara despacho,


veio o majorBrasil,trazendoa exposigáodo Ministroda Guer-
ra com cópiados contratosde armamentos feítoscom a Casa
Krupppara aparelhamento completodo Exército.lsto consti-
tuiu fato auspicioso.
O Paísfará uma grandedespesa,neces-
sárianáo só pelafaltade aparelhamento que nos enfraquece,
como pela inquietagáo e insegurangado momentointernacio-
nal.

1938

10a 4 de setembro- No dia 4 assistiao desfileda mocidade.É


o chamadoDia da Raga.Nota de Rodapé:O Diada Raga- 4
de setembro- integravaas comemoragóes da Semanada Pá-

31
tria e era festejadocom um desfilede escolares,soldadose
desportístas.

1938

26 de setembro - Procurou-me o Oswaldo(OswaldoAranha-


Ministrodas RelagóesExteriores) paratransmitira consultade
um telegramado Presidente Roosevelt de apoioao seu apelo
de paz, e tambémpara algunschefes-de-Estado da Europa.
Concordeisomentequantoao Presidenteamericano,dizendo
que o Brasil náo desejavade qualquerforma imiscuir-seem
assuntos europeus.E assimtelegrafamos apenasa Roose-
velt.(Grifodo autordestaobra.)

Roosevelt pretendiaque o Brasile outrospaísespressionassem


junto a Hitler,exigindodestea náo intervengáo na Tchecoslováquia.
Na época,uma criseprovocada pelostchecos(perseguigáoe massa-
cre de alemáesresidentes na regiáode Sudetos),levouo Führerale-
máo a exigirliberdadede agáocontraos provocadores. No dia 29,
portantotrés dias depoisdo registrode Vargas,chegou-seao Acordo
de Munich.
GetúlioVargasregistra:

1938

28 de setembro- A notíciada Conferéncia


de Munichdesanu-
viou os horizontes,
carregadose apreensivoscom as ameagas
de guerra.

1938

29 de setembro- O fatomaisimportante do dia na ordeminter-


nacionalfoi o términoda Conferéncia
de Munich,que afastouo
espectroda guerra.Notade Rodapé:Reunindo AdolfHitler,Be-
nitoMussolini, EdwardDeladiere NevilleChamberlain, a Confe-
réncia de Munich encerrou o ciclo de negociagóes
empreendidas pelaFrangae Grá-Bretanhacom a Alemanhavi-
sandoápaz.

1938

19 de outubro- Durante50 minutosa fio,gaguejando


francés,
o Embaixador inglésmassacrou-meos ouvidosargumentando
contraos bancosde resseguros,
a nacionalizagáodas compa-

32
nhiasde seguros,os bancosestrangeiros e o pagamento da dí-
vida externa.Quantoaos primeiroJassuntor,réspondi-rhe de
maneiraclarae precisaque náo lhe poderiadar quáeuerescla-
recimento,porqueaindanáo tinhamvindoa mim,estávamsen-
do.estudadosperascomissóestécnicas.(...) euanto á dívida
externa,estavaprontoa discutirou examinaro assuntocom
qualquerrepresentantedos portadores. Afirmeique tanto um
comooutroassuntodeveriamser tratadoscom o Ministrodas
RelagóesExteriores.Apesarde repetiristo váríasvezes,o ho-
meminsistiaem matracaras mesmascoisas,fer papéise notas
confusasetc. Náo tem a nogáodo tempoOe q'uedispóeum
Chefe-de-Estado,
nema educágáo de seucargo.
1939
6 de janeiro - Disse-meo oswaldoque forachamadoao telefo-
ne por sumnerwelles, Subsecretái¡o de Estadodo Governo
Americano,dizendo-lhe esteque o presidentenoosevelipreten-
dia enviar-me umamensagem, convidando-me a enviá-lo'(a
ele,
oswaldo)a washingtonpáratratardos assuntosabordadosem
sua carta.Respondeu-lhe que náo mandassea mensagem an-
teg de ouvir-me,e veio consurtar-me.
Disse-rh"qré po-o?riaau-
torizá-loa enviar-me
a mensagem.
1939
9 de janeiro - Veio o_telegramado presidenteRoosevelt,pe_
dindoqueenviasseo oswaidoparatratardosassuntospenden-
tes comos EstadosUnidos.

1939
26 de janeiro - Regressei ao Guanabara, ondedespachei todo
o expediente e recebidepoiso oswardo,com qrem trateide
sua missáoem washington.Notade Rodapé:A bhamadaMis-
sáoAranhaseguiriaparaos Estadosunidosem 29 oé
convitede Roosevert, ¡áñeiro,a
com o objetivode debateros piobremas
económicos, politicose miritares
entreos doispaíses,visandoa
colaboragáobrasireiraem um pranode defesacontinental.

1939
12 de fevereiro- Recebium cifradodo oswardosobreas
conversagóescom washington,com promessasmuitolison-

33
jeiras:créditoparaa libertagáodo cámbio,idemparaa aquisi-
gáode materiais e formagáo de umacompanhia comcapitalde
100 milhóesde dólares,parao BancoCentrale parafomentar
a
economia. Chameioministro da Fazenda(ArturdeSousaCos-
ta),examinamos o assuntoe formulamosumaresposta, pedin-
do maioresesclarecimentos.

1939

l9 de fevereiro- A noiterecebio Ministroda Guerra(general


EuricoGasparDutra)e o generalGóis(PedroAuréliode Góis
Monteiro- Chefedo Estado-Maior do Exército), que mandara
chamar.Dei-lhesconhecimento de um novotelegramado Os-
waldo que precisavade urgenteresposta.Tratava-sede uma
consultado Governoamericano sobrea vindado Chefedo Es-
tado-Maiordo Exércitoamericano, em visitaao nosso(Góis),
paracombinaros meiosde cooperagáo e assisténcia.
Discutido
o assunto,opinaramque seriapreferívela vindade Oswaldode-
poisde ultimadosos entendimentosque estavafazendonos Es-
tados Unidos. Concordeicom essa sugestáo,dando por
terminadaa conversa,que foi tambémassistidapelo general
Pinto,Chefeda minhaCasaMilitar.

Em data de 12 de fevereiro,a intengáoclarade suborno,de


"cornpra"de adesáoá causaamericana; setediasdepois,a contrapar-
tida:visitado chefe de Estado-Maior,
a fim de oficializar
a retribuigáo
brasileiraaos 100 milhóesde dólaresofertadospor Roosevelt. Estra-
tégiasimplese muitoefetivaem todaa históriada humanidade. É co-
nhecida,hojeem dia,peloenunciado - "É dandoquese recebe".
1939

7 de margo-A noite,apareceu-me o Ministroda Fazenda,


dan-
do contade sua palestracomo Oswaldo- que estavazangado
e náo queriamaisfazer declaragáo em conjunto,porquenáo
fora autorizadoa assumircompromisso sobrea renovagáo dos
pagamentos da dívidaexterna.Reafirmeique, em nomedo Go-
verno,ele náopoderiaassumircompromissos nessesentido.

1939

8 de margo - Quasefracassoua MissáoOswaldo,porqueeste


pretendiaum compromissodo Governobrasileiro
de retomaro

34
pagamento dasdívidas,e eu me recusava
a assumirtal compro-
misso,náo sé peraincertezade podercumprí-ro,
comoperare-
percussáopolíticado atono Brasil.

.. P_ercebe-se, atravésdessasanotagóesde GetúrioVargas,que a


dimensáohistóricade oswaldoAranhaestá a merecerurgenterevi-
sáo. Este personagem, críadorde inúmerosatritoscom o Fresidente,
comose deduzclarame.nte dos registrosno Diário,só permaneceu na
esferade Governo- por influénciaáe lagosfamiliarés.ouárn ler a ínte-
gra do Diário de Getúriovargas. peróeberá,s"r
raciocínio, tránde estorgooL
que as "Fpfra¡ no éapaiodo presidenteñforam, sem som-
brade dúvida,oswafdoAranhaé Froresda cunha.Este,por ambigáo
de.poder,aquelepor defender,invariavermente, interess'e's
exógenbs,
colocandoos do Pa.ísem pranosecundário. suá ;'óóniágragáo
- segundoos historiadores inaiori
- foi ter presididoail Assembléia
"oficiais,'
Geralordináriada_oNU,em que foi aprovadá .ri"gaó üo Estadode
l-tlg9l' isto já no Governode Eurico'caspai"óril;'¡r4-de maio de
Duralte períodoque antecedeu
l?1?e, quando o
rsto
a seguná; br"rr" Mundiar,
se travavaa guerrade naturezanáo-convencional, os-
waldoAranhase mostroudefensorintransigente dos interessesameri-
canos e judeus, contribuindodecisivalñentepara que o Brasil
rompesserefagóescom o Eixo.A própnaencicloirédia óefta univer-
s.alafirmaque ele representava, nó Governode üargas,a tendéncia
de aproximagáocom os EstadosUnidos.tVóí.Z, p]Oiil
Paraque estaobservagáo acercade oswardonranhanáo fique
destituída de subsídios, é interessante queo próprioGetúlioVargasse
manifestea respeito:
1935
4 d e a b r i l - "o Jo rn a l "p u b l i co uu maentr evista do oswaldo
langandoa candidatura do Armandoá futurasucessáopre-
sidencial,atacandoa Leí de seguranga,defendendosua
a d m i n i s t r a gáfion a n ce i rae e sg ri mi ndo- r em oques e cutila-
das contra p.retendidos inimigosocurtosna sombra.(Na
época,oswardoAranhadesempenhava o cargode Embai-
xador nos Estadosunidos. seus cargosno éoverno Var-
gas foramos seguintes:presidentetnterinodo Rio Grande
d o s u l - 1 9 3 0 ;M i n i s t r d
oaJustiga - 1 9 3 0 - 1 9 3 1 ; M i n i sdt rao
F a z e n d a- 1 g3 r-1 9 3 4 E ; mb a i xa d odo
r Br asilnos Estados
unidos: 1934-1937;Ministrodas ReragóesExteriores
1938-1944.)

Maisou menosum ano antes,quandooswardodesempenhava


o cargode Ministroda Fazenda,
o presidente
registrara:

35
1934

18 de margo- O Oswaldodiz em cartaque me envioupelo


Rubem,que os aumentosresultamde despesasautorizadas
por mim ou de reformasassinadasultimamente.Esquece,po-
rém, de confessarque, em todas,ele, como Ministroda Fa-
zenda,foi ouvidoe concordou.E esqueceos dinheirosque
mandou entregarpelo Banco do Brasil,sem aberturade
crédito, nem autortzagáominha, por conta do crédito para
reprimira rebeliáoem Sáo Paulo,e que até agora náo foi
encerrado,nem se prestou conta do mesmo. (Grifodo au-
tor destaobra.)

1934

25 de julho - Recebio generalGóis (PedroAuréliode Góis


Monteiro,na época desempenhando o cargo de Inspetordo
20 Grupode RegióesMilitares- 1933-1934). Náo tratoude
assuntosrelativosao exército,mas conversousobreassuntos
de naturezapessoale contou-meque Oswaldoo procurara
paradizerque, por exigénciado Floresda Cunha,eu lhe dera
o bilhete-azul,
mandando-o paraa Embaixada de Washington.
Disse ao Góis que era mentira:a Embaixadafora solicitada
pelopróprioOswaldoe pelasuasenhora,d. Vindinha.

1934

26 de julho - Cartade OswaldoAranharecusando-se a seguir


paraWashington, políticacomo meu
pormotivosde divergéncia
governo.

1935

14 de dezembro- O Ministrodo Exterior(JoséCarlosde Mace-


do Soares- 1934-1936) mostrou-se favorável ao negóciocoma
Itália(aquisigáode submarinos). Ficouo Ministroda Fazenda
(Arturde SousaCosta- 1934-1945) de elaboraruma proposta
de financiamento modificandoas da ltália,julgadasinconvenien-
tes. Quantoá irritagáoinglesa,dei conhecimento da cartaalar-
madíssimado nosso Embaixadorem Washington(Oswaldo
Aranha)e li a palestrado Embaixador inglésaqui,que náo me
deu essaimpressáo. O Ministrodo Exteriorcontestouas infor-
magóesdo Embaixador OswaldoAranha.

36
1937

l0 e 11 de janeiro - Conversas
moles como Oswaldosobreo
casodo Rio Grande.Ele pareceum poucoinclinadoa apararo
Flores.Sonha,talvez,com a possibilidade
de ser candidato,
etc...(Grifoé de Getúlio.)

1937

15 de janeiro- A noite,jantaramcomigoo Oswaldoe a mulher.


Sente-seque ambostém algumaesperanga na possibilidade
de
umacandidatura presidencial.

1937

28 de margo- Churrasco em ltaipavana chácarado desem-


bargadorArmandode Alencar,aniversário deste,mas ofereci-
do ao OswaldoAranha. Este, de regresso,passou no Rio
Negro(residéncia e localde despachosde GetúlioVargas,
em Petrópolis),ondeme comunicouque,no dia seguinte,par-
tia para Porto Alegre. Como sempre,falou muito sobre as
vantagens da conciliagáo com o Flores,etc...Concluíque ele
estavaa servigodo Flores,com a esperanga de ser candidato
á Presidénciada República: 1o)procuraocultar-me,disfar-
gar, negar ou justificar tudo o'que sabe do Florescontra
mim; 20)os termos dos telegramascifrados que trocam e
dos quais tenho conhecimentoóáo muito diferentesdo
que me informa;30)seguiujunto com Joáo Carlose com
passagempaga pelo Governodo Rio Grande.(O grifoé do
autordestaobra.)

1937

24 de dezembro - Após o jantar, recebi o Oswaldo.Após


muitos rodeios, restrigóese ataquesao Ministro da Justiga
(FranciscoLuís da SilvaGampos- 9 de novembrode 1937a
17 de jufho de 19421,disse-meque náo voltaria mais para
Washingtonnem poderiaocupar outra fungáo pública,por-
que estavaem desacordocom a Constituigáo.Afirmou que
náo criará, porém, qualquer dificuldadeao meu Governo
nem terá atividadespolíticas.Tenho a impressáode que
essa atitude náo é sincerae que ele, com seu espíritoversá-
til e irriquieto,irá incomodar.(Grifodo autordestaobra.)

37
1938

3 de janeiro - Recebitambémo oswaldocom um advogado


dos judeus,que foi preitearparaque náo fossemexpulso.-s
os
que haviamentradocomo turistase excederamo prazo de
permanéncia, deíxando-seficar no país. prometiexaminaro
assunto.

1938

27 de junho - o oswaldopediudemissáo.Afirmaestarsolidá-
rio comigo,reprovao ato do irmáo,masnáopodedeligar-se
das
injungóesde famíliaque lhe criamuma situagáode Constrangi-
mento. (o referidoirmáo de oswaldo Aranha participaraáo
putshintegralista.)

A intengáode oswaldoAranhaé clara.trata-sede uma chan-


tagememocionalcontraVargas."se meu irmáofor mantidopreso,
saiodo Governo;se for solto,permanego no Governo.,'
Essasameagasde demissáoforamuma constantena carreira
de oswaldoAranha.Náose percebeem sua condutaa preocupagáo
de servirao Presidente(o que deveriaacontecerjá que desempenha-
va cargosde confianga),masao interesse próprioou de seus"apadri-
nhados".Foi intransigentedefensordo pagamento da dívidaexierna,
mesmoque istosignifícasse a sangriado país e o sacrifício
dos bra-
sileiros.
Além disto, como comprovao registrode 3 de janeiro de
1938,costumavainterferirjunto a GetúrioVargasem defesade de-
terminadaetnia, justamenteaqueraque movia guerra declarada
contraa Alemanha.os judeus,que fervilhavam em tornode Roose-
velt e stálin, tinhamtambémno Brasilum porta-vozdos mais efi-
cientes.chegarama ingressarno Brasil,duranteo ano de 1g40e
início de 1941, 975 judeus "convertidos", a pedidodo vaticano.
Logo se constatouque as "conversóes" náo passavamde engodo,
o que levouGetúlioVargasa decretara proibigáoda entradadestes
no País.Na verdadeos "crís-táos-novos" do períodocoloniale lm-
perialrepetiama faganhaem plenoséculoXX.

1939

25 de maio - Despachocom os ministrosmilitares.Receboa


missáomilitaramericana,que compareceacompanhada pelo

38
Embaixador, o comandantedo cruzadorque os trouxee outros
oficiais.Nota de Rodapé:A visitaao Brasilda missáochefiada
pelo generalGeorgeMarshallresultoudas negociagóes manti-
das pela MissáoAranhae representou o iníciodo processode
colaboragáo militarentreos doispaíses.

1939

9 de junho - Recebi,por último,o Oswaldo.Esteveio solicitar


sua exoneragáo do cargode Ministrodo Exterioralegandoestar
coma vidacomplicada, cheiode dívidas,de compromissos assu-
midospor terceiros,cadavez se endividavamais,náo podiavi-
os filhosestavamgrandes,
ver com o que ganhavano Ministério,
suasdespesasaumentavam, insistiu.
etc...Procureidissuadi-lo,
Prometi-lheque depoisfalarÍamos.Pensoque as suaspondera-
góessejamexatas,masque essenáosejao únicomotivo.Have-
rá também alguma razáo política ou várias pequenas
acumuladas. Creioque uma delasserá o CódigoAdministrativo,
que ele combateujuntocom algunsinterventores e que o Maciel
procurousecundarpeloseujornal.Enflm,é um outrocaso.

Este registroparecemerecerum comentárioá margem.Talvez


Getúliotenhaesquecido, no momento,de aporás suasanotagóes a
observagáo com que agraciou,por duasvezes,o jornalistaAssisCha-
teaubriand...
Em episódioanterior,a condigáosinequa non paraque perma-
necesseno Governofora a solturado irmáoque atentaracontraa vida
do Presidente. Agora,a condigáoera dinheiro.Nas entrelinhas fica
clara a insinuagáo:se for compensado, fico; se continuar"ganhando
pouco"saio...A verdadeé que o políticode "espíritoversátile irre-
quieto"- comoo qualificouVargas,no registrode 24 de dezembrode
1937- continuouno Governo,sem que este tivesseprovidenciado
melhoriade salárioou ganho-extra. Seráque as aperturas do Ministro
chegaramao conhecimento daqueles desejavam permanén-
que sua
cia junto a Vargas?Na época, Roosevelte seu "staff' favorávelá
guerra estavampactuandoaté mesmo com o diabo (por exemplo:
aliangacom a UniáoSoviética) paraderrotara Alemanhanacional-so-
cialista.Arrastaro Brasilparaa guerrafaziapartede seusplanos,náo
pelopoderiomilitardo País,mas pelaimportáncia estratégicaque seu
território(ou parte dele) oferecia.OswaldoAranhaera um aliadode
que os americanose seustutoresnáo podiamprescindir.Quemsabe
náo o tenham"convencido" a ficar?
A marcha dos acontecimentos demonstra,inequivocamente,
que a partirdo episódiorelatadopor GetúlioVargasem 9 de junhode

39
1939,o Ministrodas RelagóesExteriores, que já vinhatrabarhando
comafincoparaarrastaro Brasilá guerra,redobrouos seusesforgos.
Convém,aqui,transcrever trechosda obrade JohnW. F. Dulles
- GetúlioVargas- Biografiapolítica":

"Emtelegramaque envioua Hulle Welles,Júliode MesquitaFi-


lho qualificoude "insultuoso"um discursopronunciado por Os-
waldoAranhano "Washington press Club, alegandoque ele
náo tinhao direitode elogiara democraciaamericanaou de
denunciaras ditadurasnazistae fascistajá que serviaa um
Governoque aboliraas liberdades públicas.,'ip.2Oq)
"Do pontode vistade OswaldoAranha,assimcomodos Esta-
dos Unidos,crescentecomércioteuto-brasileiro, realizadoem
marcosde compensagáo, e que era estimulado pelodiretorde
cámbiodo Bancodo Brasil,estavaem conflitocomo espíritodo
AcordoComercialentre o Brasileos EstadosUnidos.De lg33 a
1938,a Alemanhatornou-se o principal
comprador de algodáoe
o segundomaisimportante de cacaue de café.A Alemanhado-
brou sua participagáo na exportagáobrasileira.Emborao Brasil
fizessealgumasencomendas de carváoe de outrosequipamen-
tos,o saldode marcoscompensados em seufavorcresciasem-
pre. Em, maio de 1938,este saldo chegoua 50 milhóesde
marcos."Nota de Rodapé:Comunicagáo do Embaixador dos
EstadosUnidos,em 27 de maiode 1938(p. 2OZt2O8).
"OswaldoAranha- que o Encaregado de Negóciosda Alema-
nhano Riochamava"servigaldos americanos,'-partiuem ja-
neirode 1939 (com destinoa Washington) na companhiade
algunstécnicosem assuntosfinanceiros." (p. 213)"O Governo
alemáoprocuroudesmorafizar a viagemde Aranha,qualifican-
do-ade "prestagáo de contas"a Roosevelt."(p. 213)
"Oswaldo Aranha,recebidoem Washington por Hulle Wells,de-
claravapor sua vez, que todos os povos pacíficostém de te-
mer a Alemanha;'(p.214)(Grifodo autordestaobra.)
"No cursodas negociagóes, que levaramum més, o Ministro
das RelagóesExteriorestelegrafoupara Vargas, sugerindo
que seria útil para sua missáose o Brasil cooperassemili-
tarmente com os Estados Unidos. (p. 214) (Grifo do autor
destaobra.)

Em janeirode 1939 os EstadosUnidosse encontravam em


guerracomque país?Ou se preparavaparaumaguerraqueelespró-
priosestavamengendrando?o Brasilestavasendoconvídadoa coo-
perarcomos EstadosUnidosparao enfrentamento
de qualinimigo?

40
..Eis o que escreveDullesa respeitoda "cooperagáo
militaf'do
Brasilparacomos EstadosUnidos:

"EmPetrópolis, Getúrioconversou comDutra,cujareagáoao te-


legramanáo foi entusiástica,e com Góis,que estavaem pre-
parativosde uma viagempara a Europa.Dutrarembrouqüe o
Exércitobrasileirotinha recebidoassisténciade uma missáo
francesa,e que os americanos nada poderiamensinarque ti-
vesseutilidadeparao preparomifitardo país,a náo ser no con-
cernenteá defesacosteira.,'(p.2la)
"No Brasil,os acordosde washingtonforaminterpretados como
um servigoprestadoaos exploradores americanos. onde esta-
vam todosos avióes,cruzadorese pegasde artithariade costa
quese esperavareceber?Houveum desapontamento geral,so-
bretudonos círculosmilitares.euandoAranhachegoude volta
ao País,nenhumdos Ministrosmiritares foi recebé-'ío.
(...)Gus-
tavo capanema(Ministroda Educagáo)criticouabertamenteo
Ministrodas RelagóesExteriores; Franciscocampos (Ministro
da Justiga)fez um comentárioextremamente sarcásticosobrea
missáode OswaldoAranhanosEstadosUnidos."(p. 21S)

. o correspondente do "correioda Manhá",em Sáopaulo,escre-


veu(edigáode 9 de abritde1939):

"Temoshojeum intercámbio comercial


muitoefetivocominúme-
ros paíseseuropeus,e náo podemosabandoná-loem trocade
promessas vagas."

oswaldoAranha- comoGetúlioafirmaem seu Diário- tomava


decisóes
á reveliado Presidente.
Eiso que,escreve
Dulles:
"Aranha,menosvacilantedo que o Ministroda Fazenda(Artur
de sousacosta),concordaracomo reiníciodas negociagóes
da
dívidaexternasem estarconvencido
de que o Govérnocumpri-
riaa promessa."
(p.215)

Náoteriamsido os Niemeyer,os Linche os Lazzard& Brothers


- agorabeneficiados peladecisáounilateral
do Ministrodas Retagóes
Exteriores- os responsáveispela permanénciade oswaldoAránha
no Governo,apesardas alegagóes registradaspor GetúlioVargasem
9 deju n h od e 1 9 3 9 ?
, A rqagáoao "entreguismo" de oswaldoAranhanáose fez espe-
rar.As opinióesde EuricoDutra,pedroAuréliode GóisMonteiro, Gus-

41
tavo Capanema, FranciscoCampose de dezenasde jornalistas, jun-
tou-sea da grandemaioriados brasileiros.
Dullesassimregistrao que
sucedeuna época:

"OswaldoAranhafoi de tal maneiracriticadoque quasesofreu


um colapsonervoso,e teve de se ausentarda capitatpor um
més,a fim de se recuperar.Mas em junhojá estavade volta,
ameagando renunciarse Getúlioo forgassea assinarumacarta
sobrea questáoda dívidaexterna,preparadapeloMinistroda
Fazenda."(p. 216)

Sabeo leitorondeDullesbuscouessainformagáo?
Ele identificaa fonteatravésde uma nota de rodapé(p. 216):
"Departamento de Estadodos EstadosUnidos,ForeignRelationsof
the U. S., V, p. 357e 360"."É issomesmo,os EstadosUnidosnáosó
acompanhavam as futricasinternasdo Governobrasileiro,como as
anotavam nosórgáosoficiaisdo ForeignRélations!
Em outubrode 1939,foi assinadaa Declaragáo do Panamápe-
los representantes das repúblicasamericanas, e que incorporava a
idéiade Roosevelt de que os beligerantesdeviamlimitaras opera-
góes de guerra a uma distáncia de trezentasmilhas das costas
americanas.
EssaDeclaragáo foi violadapelosinglesesem pelomenosduas
oportunidades: a maisconhecida foi a batalhaentreumaesquadrabri-
tánicae o encouragado de bolsoalemáoAdmiralGrafSpee,que ter-
minoucorn a destruigáodeste ao fargode Montevidéu;'mas houve,
também,em fevereirode 1940,o afundamento de um cargueiroa
quinzemilhasda costabrasileira. (Cf.Dulles.Op. cit.p. 221)Com re-
ferénciaa este últimoacontecimento, as relagóesentreo Brasile a
Grá-Bretanha, que o bloqueioinglésjá tinhatornadodifíceis,se dis-
tanciaram aindamais.(Cf.Dutles. Op.cit.p. ZZ1)
Em viagemao sul do Brasil,em margode 1939,GetúlioVargas
lembrouaos descendentes de alemáesque sua lealdadeera para
como Brasil,declarando que o País"náoq inglésnemalemáo",e en-
fatizandoa necessidade de preservaruma estritaneutralidade, acres-
centouque se o Brasilinterviesse em qualquercontrovérsia, só o faria
de comumacordocom as outrasnagóesamericanas. (Cf.AfonsoAri-
nosde MeloFranco"Um Estadistada República"- lll, p. 1591)
A 11 de junhode 1940,GetúlioVargasdiscursou a bordodo Mi-
nasGerais.Eiso que registraem seuDiário:

1940
l1 de junho - Comemorativo
de Riachuelo,
foi tododedicadoá
Marinha.Náo houvedespachos,nem audiéncia.Saí, pela ma-

42
nhá,. acompanhadopero Ministroda Marinha(Vice-Armirante
HenriqueAristidesGuimaráes- 1g3s-1gaS). Fdmosá Escola
Navalassistir compromisso dos novosarúnos.Daíseguimos
99
no rebocadorRio Brancoparapassarrevistaá Esquadralassis-
tir ao desfire,,ao
ataquesimurado da aviagáo.ooÉ um navioe,
a bordodo MinasGerais,armogamos, haúendotrocade discur-
sos. Volteipara terra,visitando,no Arsenal,as novasconstru-
góesde contratorpedeiros, o Regimentode Éuzileiros
Navaise o
novohospitalda Marinha.

o discursode GetúrioVargas,proferidoa bordodo Minas


rais, cincodias antes da tomadJde iraris perastropásaremás,Ge-
granderepercussáo teve
internacional.
Eis o trecñomaisimportante:
"('..) Atravessamos nós, a Humanidadeinteiratranspóe,um
momentohistóricod-egravesrepercussóes, resurtantede rápi-
da e violentamutagáo-devarorós.MarcrramoJ pára um futuro
diversode tudo quantoconhecíamos em materiJoeorg"nii"-
gáoeconómica, socialou política,e sentimosque velhossiste-
mas e fórmurasantiquadas entramem decrínio.ruaoé, porér,
como pretendem. os pessimistase os conservadores empeder-
nidos,o fim da civilízagáo,e símo início,tumultuáso e fe'cundo
de umanovaera.os povosvigorosos, aptosá vida,necessitam
seguiro rumodas suasaspirágóes, em'vezde se deteremna
contemplagáo do que se desmorona e tombaem ruína...A eco-
nomiaequilibrada náo.comportamaiso monopóliádo conforto
e dos benefíciosda civilizagáopor classesprivilegiadas... por
isso mesmo,o Estadodeve assum¡ra obrig'ágáoóe organizar
as forgasprodutoras,paradar ao povotudo-quanto se¡aieces-
sário ao seu engrandecimento como coretividade. passou a
época dos liberarismos. imprevidentes, das oemágogiasesté-
reis,dos personalismos inúieise semeadores de desordem."
o textodestediscurso,pubricado integrarmente
peraimprensa,
'o
com^ apreensáo pbro Governo americano. jornár"críti-
lo],,r1.:gdo
ca"' de tsuenosAires.,sustentado por capitaljudaico,
estampoua se-
guinte manchete:"Vargas com ringüagemfascista, jüstifica
a
agressáodos bárbaros".
Para Alzva,fifha do presidente,segundoentrevistaconcedida
em setembrode 1963para a revista'iFatós& Fotos", "o objetivode
Getúliofora o de forgaros Estadosunidos á órpl"i"i os acordos
paraa_construgáo da usinasiderúrgica de VoltaRedónda,,.
. Dulles (op. cit. p. 2-23)enténdeque ,vargas viá os aconteci-
mentosinternacionais confirmarem,dramaticame-nte,o conceitofun_
damentaldo EstadoNovo, isto é, o de qre á oemocrác¡aem sua

43
essénciade liberalismosexagerados, e o capitalis-
de "laissez-faire",
mo selvagem, estavamcomseusdiascontados."
O EmbaixadoramericanoJeffersonCafferyafirmouem conver-
sa como generalPedroAuréliode GóisMonteiro. "queos norte-ame-
ricanos devotavam muita estima ao Brasil, e que estavam
'consternados'como conteúdodo discursode Vargas".(LourivalCou-
tinho.O GeneralGóis Depóe,p. 368)
Getúlioescrevia,
a respeito,
em seu Diário:

1940

12 de junho - Fervemos comentáriosem tornodo discursode


ontem:os alemáesembandeiraram, os inglesesatacaram,os
americanos manifestaram-seconsternados.lnternamente,
acu-
saram-me de germanófilo.
Vou publicarumanotaexplicativa.

1940

13 de junho - Continuaa repercussáo do discursodo dia 11,a


despertar comentários no exterior,atacadopor uns,louvadopor
outros,tido por fascista,adeptodos regimestotalitários, etc...
Amanhá,os jornaispublicaráouma nota,atravésdo Departa-
mentode lmprensae Propaganda, e redigidapor mim, procu-
randoo verdadeirosentidodo mesmo.Nota de Rodapé: O
comunicado enfatizaria a manutengáo da políticaexternade so-
lidariedadeamericanana defesacontinental e de neutralidade
em relagáoaos conflitoseuropeus,afirmando que o pronuncia-
mentode Vargasobjetivaraalertara Nagáoparaas transforma-
góes que se operavamno mundo,exigindoo fortalecimento
económico e militardo Estadobrasileiro.

OswaldoAranhatratoude orientaros jornaisbrasileiros, asses-


soradopor LourivalFontes(diretordo Departamento de lmprensae
Propaganda -) DIP-) 1939-1942), no sentidode reduziro impactodo
pronunciamento de Vargasperante o Governoamericano. Afinalde
contas,era ele o fiadordas relagóesentreo Brasile os EstadosUni-
dos. O discursofoi interpretado como "um chamadode atengáoao
povobrasileiro" visandoprepará-lo
"paraa transformagáo por que es-
tavapassandoo mundo,quejustificava a necessidade de fortalecero
Estado,tanto económicacomo militarmente". (Registrono Departa-
mentode Estadodos EstadosUnidos,ForeignRelations of the U.S.-)
1 9 4 0V,
, p . 6 2 3 )
Cercade quinzedias depoisdo referidodiscurso,Getúlioco-
mentavaque"no Brasilele proibiaa imprensa de tecercríticasaosEs-

44
tadosUnidose ao GovernoRoosevelt,mantendoestritaneutralidade,
enquantoa imprensaamericanaatacava-o,referindo-sea ele e ás
ForgasArmadasbrasileiras como instrumentos euro-
do totalitarismo
peu". (Cf. telegramado EmbaixadorJeffersonCaffery,datadode 28
de margode 1940,ao Secretário de EstadodosEstadosUnidos.)
Dulles(Op.cit.p.224)afirmaque"Oswaldo Aranhatentouexpli-
car a liberdadede imprensaque havianos EstadosUnidos,mas al-
guns generais brasileiros,irritados,chegaram a considerara
possibilidade de acionarjudicialmenteos jornaisofensores".
E assimforam transcorrendo os acontecimentos até 1ode se-
tembrode 1939,dia em que a Alemanha,segundoa versáo"oficial",
invadiua Polónia,ou, segundoa versáoalemá,esta teria revidadoa
uma sériede provocagóes e atos de barbárismocontraminoriasger-
mánicasresidentes na Polónia.Tendoa lnglaterra e a Frangadeclara-
do guerraá Alemanha, teve"iníciooficial"a SegundaGuerraMundial.
GetúlioVargasanotoua respeito:

1939

3 de setembro - A Inglaterrae a Frangaentraramna guerra


contraa Alemanha.Assineio decretocom as regrasde neutrali-
dadea adotare o decretode neutralidadena guerraentrea Ale-
manhae a Polónia.Nota de Rodapé:O Decreto-Lei no 1.568,
de 2 de setembro,fixou as regrasde neutralidadea seremob-
servadasem todo o territórionacionalno casode guerraentre
poténciasestrangeirasnáo-americanas. Sua aplicagáoá guerra
entre Alemanhae Polóniafoi estabelecida pelo Decretono
4.621,de 4 de setembro.Os decretosno4.623e 4.624estende-
riama medidaem relagáoao estadode guerraentreAlemanha
e Grá-Bretanha,e Alemanhae Franga,respectivamente.

GetúlioVargascontinuava com o firmepropósitode mantero


Brasilafastadodo conflitoeuropeu.A neutralidade era economica-
mentebenéficaao País,que acumulavasaldosem sua balangaco-
mercial,desafogandoas finangasdo Estado,e principalmenteporque,
livrando-se
da agiotagem internacional,
aplicavaaquimesmoos recur-
sosobtidos.
Maso Brasilgozavade soberaniaapenasnominal.Os rumosde
seu destinonáo eramtragadosdentrode suasfronteirasgeográficas.
Desdea ascensáode Hitlerao poder,ao redorde Roosevelt se movia
a camarilhade Hopkins(aliciadopeloDr. Steiner)e dos judeusWise,
Morgenthau, Frankfurter,
Rosenman, Baruche Untermeyer, que que-
riam salvaro marxismosoviéticoe aniquilara Alemanha.Evidente-

45
menteque essametaera impopular e careciade apoiotantoda opi-
niáopúblicados Estadosunidosquantodas nagóeiqr" compunham
o continente americano. pararesolveresteprobléma, umagrandemá-
quinapropagandística foi postaem agáo.Funcionários da casa Bran-
ca ajudaramnessa tarefa,subornandojornais,revistase escritores
náojudeus.(Muitosdestessubornosforáminvestigados e comprova-
dospeloSenadoem 1953.)
Este movimentosubterráneo,destinadoa conduziros Estados
unidose a Américaparaa guerra,usoude inúmeras técnicasde pro-
paganda,todaselas sustentadasna distorgáodos fatos,no suboino,
nas ameagas,na pressáo.os alquimistas da mentiraconcentraram
suaagáoem quatropontosfundamentais:
1o)ocultarama evidéncia de que a Alemanhamarcharia contra
a uniáosoviética,levandoo ocidentea lutar,enganado, em benefício
do maxismo;
_ 2") Difundiram a falsaimpressáo de que a Alemanhaatacariao
Ocidente, e náoapenasa UniáoSoviética;
3o)criaram a idéíade que a luta entrenazistase israelitasera
umavioléncia de Hiiler,semoutrofundamento senáoa aversáocontra
um conglomerado religioso; assimse ocultavao fato de que essaco_
munidadenáo era somenteuma seitareligiosa, mastambémum nú-
cleopolíticocominftuéncia ínternacional;
40)Tragaramuma imagemde uma Alemanhacontráriaá reli-
giáo,e destamaneirafacilitaram a que o mundocristáose deixasse
arrastarparauma lutaem favordo bolchevismo ateu.
cada um dessesquatropontosse analisado a fundodeman-
daria centenasde páginas,fugindoao propósitodesta obra. Mas
cabe lembrar,no que se refeie ao úrtimoderes,que stárin,com
quem os americanos se aliariam,haviaassass¡naáo centenasde
milharesde sacerdotes, mongese freirasduranteo "expurgoideoló-
gico"a que submeteua uniáo soviética.Enquantoistb,na Alema-
nha nazista,de 1933a 1939,em contrastecom o que ocorrena
maioriados países ocidentais,o Estadodestinava,anualmente,
centenasde milhóesde marcospara as rgrejas:130 mirhóesem
1933;170milhóesem 1934;250 mithóesem t'ggs;320 mithóesem
1 9 3 64
; 0 0 m i l hó e se m 1 9 3 7 s0
; 0 mi rh óes
em 193g;6s0 milhóes em
1939.Qualo Estadoque subvencíona uma ínstituigáoá quar preten-
de dizimar?
. . Paraos que pretendem invocara tesede que "Roosevelt desco-
o
.n-!.9..i" que se passava na uniáo soviética",convém rembrar que
wilfiamc. Bullítpublicou,em 1g37,a obra"A AmeagaMundial,,, el1l
que acusavastálinde ter fechado10 mil igrejase añiquilado definiti_
vamenteo espíritode resisténcia da maioriado povosoviético,através

46
do assassinato de centenasde milharesde sacerdotes. SegundoBul-
lit,náorestaram vivossenáounspoucosligadosa Stálin.
Com respeitoao Brasil,cujo litoralnordestinoera de fundamen-
tal importánciaestratégicapara a pretendidainvasáodo norteafrica-
no, a mentiradifundidafoi a de que Hitlerpoderiaatacare ocupar
aquelaregiáo.Nestecaso, os americanosofereciamseus préstimos
paraanteciparem-se aos alemáes,instalando, ali, basese aquartela-
mentos.
Semdúvida,a invasáodo Nordestebrasileiro por partede tropas
alemásera umapossibilidade bastanteviável!Hitlerperderaa possibili-
dadede venceros ingleses,logodepoisda derrótada Franga,cance-
lando a OperagáoLeáo Marinho (Seelówe);por achar aniscado
atravessaro Canalda Mancha,e agora,com sua Marinhabastantere-
duzida,com a campanhado lesteexigindoa mobilizagáo de grandes
recursosem homense armamentos, se langariaa uma aventuraque
exigiaatravessaro Atlántico!Comoiria abastecero contingente man-
dadoparao Brasil,se a operagáoporventura tivesseéxito?
A 11 de setembrode 1939,dez diasdepoisdo "iníciooficialda
guerra",Getúlioregistraem seu Diário.

1939

11 de setembro - Emboraas preocupagóes causadaspela


guerrae os problemasque ela cria náo sejamtranqüilizado-
res, náo se deve ser pessimistaquantoá marchados negó-
cios públicos.O mesmonáo posso dizer na vida particular.
Primeiramente, a doengados dois filhosmenores;depois,o
desastrede automóvelde Alzirae Amaral(em lua de mel no
Canadá).A Darcy(esposade Getritio)seguepara assistí-los
e tambémadoecee é recolhida O filhomaisve-
a um hospital.
lho, em Berlin,náo desejasair. (Luteroestudava,na época,
em Universidade (Grifodo autordestaobra.)
berlinense.)

A neutralidade
brasileira
é maisumavez reafirmada
algunsdias
depois:

1939

l5 de setembro- Fui visitarmeu pai e, de regresso,


recebios
MinistrosFaro e MacedoSoares,ouvi e aproveias instrugóes
paraa Conferéncia do Panamá,assineio projetodo Códigode
ProcessoCivile váriasmedidasreferentesao interessedo País
do estadode guerrana Europa.Nota de Rodapé:
e decorrentes

47
Na I Reuniáode Consultados Chanceleres das Repúblicas
Americanas,instaladaem 23 de setembrode 1939,na cidade
do Panamá,a delegagáobrasileira, chefiadapelo Embaixador
carlosMartins,sustentaria
o direitode neutraridade
continentar,
propondomedidaspara a defesaterritorial, do comércioe da
navegagáo.Em 3 de outubro,seria aprovadaa Declaragáodo
Panamá,instituindo
a chamada"zonaneutra".

1939
3 de outubro - Recebios Ministrosda Fazendae da Guerra
para tratarmosdo pagamentoá Alemanhade uma prestagáo
provenientedo contratode materialde artilharia.

1939
16 de outubro - Recebouma consultado Governoargentino
sobreum telegramados paísesamericanos apoiandoa ieuniáo
dos paísesescandinavos paraa defesados neutrosno Báltico.
Opinoque o Brasilnáodesejaimiscuir-se
em assuntospolíticos
estranhosao continente
americano.

1939
17 de dezembro- Estavanojogode golf,quandome apareceuo
Ogwa,ldo paraconsultarsobrea lituagaocriadapelocruzadorale-
máoGrafSpee,quenáoqueriasair,nemserinternado. Respondi-
lhe que náo devíamosestar com a preocupagáo de fazermos
coisadiferenteda Argentina,
masde darmosnoésoapoioao Uru-
guaie consultarmosa Argentina se estavadispostaafazero mes-
mo. E assimfizemos,masa questiiose resolveupela saídado
navio alemáo,que preferiuvencer-sea si próprioa ser venci-
do pelo inimigo.Notade Rodapé:Tendoo Governouruguaioli-
mitadoa 72 horasa permanéncia do AdmiralGrafSpeeno porto
de Montevidéu,paraexecutarreparose reabastecer, e em faceda
presengada esquadrabritánica juntoá foz do rio da prata,o co-
mandante alemáoordenouo desembarque da tripulagáo,e afasta-
do-sedo porto,afundouo naviono dia 17.

1940
9 de abril - A Inglaterra,
desrespeitando
a neutralidade
da No-
ruega,minouas águasterritoriais daquelepaís.A Alemanha,
em revide,ocupoua Dinamarca A guenaalastra-se.
e a Noruega.
1940

48
21 de maio - As notíciassobrea guerraapresentam-se sob o
aspectode uma verdadeira derrocada para (...)
os Aliados. O
que ressaltaevidenteé a imprevidéncia das chamadas demo-
craciasliberais.O Ministrodo Exterior(OswaldoAranha)veio
trazerum pedidodo Governoamericanoparaque eu telegra-
fasse a Mussolinifazendo-lheuma apelo para evitar que a
guerrase generalize. Escusei-me. Mantivesempreo propósi-
to de náo intervirna políticaeuropéiae, alémdisso,náo cre¡o
na eficáciadessadémarche.

1940

22 de maio - A atenqáopúblicacontinuaatentaá guerraeu-


ropéia,que continuacom uma feigáofrancamente desfavorá-
vel aosAliados.

1940

31 de maio- Poucoantesde recolher-me, receboum cifrado


de nossoEmbaixador em Washington, informando que o Go-
vernoamericanoestava pronto a financiarnosso programa si-
derúrgico.Foi uma notíciafeliz,que me encheude satisfagáo.
E um teorde vidaparao Brasil:a riquezae o poder...Nota de
Rodapé:As negociagóes como Eximbank e o Governo ameri-
canovisandoao financiamento da indústria nacio-
siderúrgica
nal envolviam,em contrapartida, o interesse dos Estados
Unidos em instalar bases navais e aéreas em território
brasileiro.(Grifodo autordestaobra.)

Há uma coincidénciahistórica(seria coincidéncia?) nesta


data.No dia 31 de maiode 1940,no exatomomentoem que era
oferecidaao Brasila "isca"da instalagáo
de uma indústriasiderúrgi-
ca, na Europaos'ingleseseram encurralados pelosalemáesem
Dunquerque.Fechava-sea tenaz sobre o que restavado exército
inglés.Ante a debaclede seus aliadoseuropeus,os americanos,
ciososde que teriamde prosseguir a guerra,náo perdiamtempo
em conquistar(ou comprar)novosapoios.Náohá dúvidaque a der-.
rocadados exércitosfrancése inglés,durantea campanharelem-

49
pagode maio de 1940,foi acontecimento
decisivopara a repentina
decisáoamericanadeagraciaroBrasilcom
umausinasiderúrgica.

1940

lo de junho - Recebio Oswaldo,que veiomostrar-meum tele-


gramade Washington dandoa respostade Roosevelta Mussoli-
ni (apelandopelo cessar de armas),pela qual poder-se-ia
concluirque os EstadosUnidosentrariamna guerraem favor
dosAfiados.

1940

4 de junho - As 18,30hs reunino Guanabata, a pedidodo Mi-


nistrodo Exterior(OswaldoAranha),estee maisos Ministros da
Guerra(EuricoGasparDutra),da Justiga(Francisco Luísda Sil-
va Campos)e da Marinha(HenriqueAristidesGuilhem),e os
Chefesdo Estado-Maior do Exércitoe da Marinha.O do Exterior
expósa situagáointernacional.Estafoi discutida,bem comoa
atitudedo Brasil,mesmona possibilidadede os EstadosUnidos
entraremna guerraa favor dos Aliados.Todos opinaramno
sentidode o Brasilarmar-see da manutengáo da neutralidade.
Só tínhamoso compromisso de entrarna guerra no caso de
agressáoa um paísamericano.

Comojá foi visto,em 11 de junho,portantoumasemanaapósa


reuniáoacimarelatada,Getúlioproferiria o polémicodiscursoa bordo
do MinasGerais.Entrementes, enquantoa maioriada Nagáoapoiava
o Presidentee sua posigáoperanteos acontecimentos internacionais,
algunselementos comegavam a esbogarpensamento e agóescontrá-
rios:

1940
'15e 16 de junho - Os espíritos\estiveram
preocupadoscomos
acontecimentos internacionais.
A Frangachegouao fim de sua
resisténciae tendea capitular.Houvgaqui uma missapelavitó-
ria dos Aliados,e depoisuma tentativade meetingno mesmo
sentidoe sob o pretextode homenagemao PresidenteRoose-
velt.A políciaimpediu.Era uma violagáoda neutralidade,ha-
vendo a instigagáo de elementos estrangeiros. (Grifo do
autordestaobra).

50
1940

8 de julho - Se eu fosserelatartudoo que se passacomigones-


se prazode 24 horas,as preocupagóes criadaspelasituagáode
guena na Europa,sua repercussáo em nossavida,as múltiplas
ocupagóes numvastopaís cheiode problemasa
administrativas
resolver,encheria,de cadavez,muitaspáginasdestescademos.
Limito-me, porisso,a umasimplesanotagáo sumáriadosfatos.
Com a anotagáoa seguirencerra-seeste capítulo,cujo enfo-
que se detevenos antecedentesda guerraconvencional.o registro
de GetúlioVargasé bastantesugestiv:o
sobreos acontecimentoé que
viriamnosdiasfuturos:

1940

25 de agosto- Pelamanhá,cerimónia comemorativa do Diado


Soldadojunto ao monumentode Caxias,patronodo Exército.
(...)A noite,recebio generalGóis,que me informoudas pre-
mentesdémarches do Comandante Miller,chefeda MissáoMili-
tar Americana,para sua ida aos EstadosUnidose para que o
Brasilse defina na questáoda guerra.Este País se prepara
paraentrarna guerracontraa Alemanhae quer que o Brasil
o acompanhe.(Grifodo autordestaobra.)

GetúlioVargas- Rio de Janeiro - 1930

51
lrreNroxl GotrluNlsm - 1935.Levantecomunistaem Natal(Rio Grandedo
Norte),que se alastrapor Recife(Pernambuco)e Rio de Janeiro.(SouzaC¡uz -
80 anos)- A revoltacomegaem Natalinesperadamente deflagradapor sargen'
tos, cabose soldados.

LuizCarlos
Prestesdepóe
após a
intentona
fracassada.

52
Oficiais e pragas insurretos do 30 Rl, em atitude de zombaria, deixam, presos, o
quartel de sua unidade.

Na fazenda dos Guinle, Lutero e Getulinho, na extrema esquerda. Alzirinha, na


extrema direita. Ao centro, Darci e Getúlio. Acima de Darci está José Américo. e
acima de Getúlio, Juraci Magalháes.

54
Sexta-feira 27 de dezembro de 1935.
Dois aspectos da rendigáo dos amotinados. Em éima, o Capitiio Agildo Barata e
seus companheiros sorriem á objetiva depois do trágico combate da Praia Ver-
melha, que tantas vítimasf fez"
(FotogentilmentecedidapeloDr. RobertoMarinhoparaobrapublicadapetaBibliex.)

56
em sua mesa

Lutero Vargas, filho do Presidente

Oswaldo Aranha - Ministro das Relagóes Exteriores (f 938/f 944)..


EuricoGasparDutra- Ministroda
Guerra(f 936- 1945).

Gen. Pedro Aurélio de Góis


Monteiro - Chefe do Estado-Maior
do Exército (1937 -19431.

OsvaldoAranha,Góis Monteiroe EuricoGasparDutra.

58
Vargase sua filha Alzira (1941ou f 942).

EmbaixadorJefferson Gaffery,Subsecretáriode Estado,SumnerWellese Minis-


tro das RelagóesExteriores,OsvaldoAranha.Janeirode 1942,Rio.
;m'=¡ry;g
Góis Monteiro, Gus-
tavo Capanema e
Getúlio Vargas

Francisco Campos

Filinto Müller

60
II - O ROMP¡MENTO
DA NEUTR.ALIDADE
BRASILEIRA

Pairaconsenso,hoje,em relagáoao "milagrede Dunquerque".


A retiradados 340.000soldadoscercadosno bolsáosituadono litoral
francésdo mar do Norte,nos estertoresda campanharelámpagode
1940,náo se deveua um toqueda Providéncia, mas purae simples-
mentea magnanimidade ou a um erroestratégico de Hitler.As pontas-
de-langa de Rundstedt poderiam ter fechadoo anelde ago,impedindo
o acesodos retirantes ás praiasde embarque. Hitlerdeteveo avango
dos blindados do generalRundstedt, permitindo que225.000soldados
inglesese 115.000de outrasnacionalidades (principalmentefrance-
ses)embarcassem na frotade salvamento.
Por que o Führeralemáoprocedeuassim,se a destruigáo ou
aprisionamento desseenormecontigente, teriapermitido quesuastro-
pas desfilassem,como tizeramsob o Arco do Triunfo,tambémem
TrafalgarSquare?
Hitlerrespondeua essa perguntaem depoimento prestadoem
abrilde 1945,sob os escombrosdo prédioda Chancelaria, poucos
diasantesde cometersuicídio. Afirmoua MartinBormann, quando di-
tavaseu testamento político,que fora magnánimo paracom os ingle-
ses na tentativade poder chegara um acordocom Churchill.A
retiradade Dunquerque permitiriaa Inglaterra sentar-senumamesa
de negociagóes de cabegaerguida,semos constrangimentos de uma
derrotatotal.Confessouter cometidoum erro,"pois náo levaraem
consideragáo o grau de comprometimento de Churchillcom o judaís-
mo internacional,o grandementorda guerracontrao nacional-socia-
lismo".
As intengóesde firmara paz com a lnglaterraforamexternadas
na época.Hitlerproferiuinúmerosdiscursosde apelonestesentido.
Mas náo haviaqualquerpossibilidade de chegar-se a um acordo,pe-
los motivosque se verá adiante,inclusiveatravésdo "meaculpa"de
Sir HadleyShawcross.
Semsombrade dúvida,a guerrade Hitlercom o Ocidente- ou
seja,a "guerraque Hitlernáoqueria'f - poderiater terminado emjunho
de 1940.Consolidada a paz com o Ocidente,comoele procurouafa-
nosamenterealizar,teriaobtidoa táo desejadaliberdadede agáopara
enfrentaro bolchevismo, inimigonaturaldp nacional-socialismo. Fra-
cassaram, todavia,todasas tentativasnessesentido.Entreelas.in-

61
clui-seo vóo de RudolfHess- segundonomena hierarquia nacionar-
- paraa lnglaterra.
socialista
Nestaalturados acontecimentos, nem Hiilere nem os países
do Ocidentecolhiamvantagens.A negativade paz por parteda In-
glaterra,com o aval dos EstadosUnidos,beneficiavaa um único
opositorde Hitler:o marxismosoviético.Atravésdo pactofirmado
com a Alemanha,ás vésperasdo desencadeamento da guerracon-
tra a Polónia,o ardilosoStálinera o únicoa conseguirvantagem:
adiavao seu confrontocom a Alemanha,que todossabiaminevitá-
vel,e conquistava o apoiodos EstadosUnidos,cujaideologia era o
opostodo comunismo. As razóesde táo aberranteconluiosó tem
uma explicagáo: acimados interessesdas nagóesenvolvidasno
conflitointernacional, pairavamas aspiragóes de uma entidadesu-
pranacional.Uma entidadeque se enquistarajunto aos governos,
dominando-os e impondoseus interesses acimados objetivosna-
cionais.
Se a guerra,a partirde junhode 1940,tivesseficadorestritaen-
tre a Alemanhae a uniáo soviética,estateriaque lutarsozinhae es-
taria fatalmente perdida. Mas este náo era o objetivo dos
manipuladores do teatrode marionetes.
Tal comoocorriaem tornodo Governoamericano, tambémgra-
vitavano círcufode podersoviéticoum númeroapreciávelde judeus.
Tinhamsidoeles os mentoresda revolugáo de 1917,tantono plano
teóricoquantono prático.No planoteórico(ideorógico), as idéiasfo-
ram tomadasde Karl Max (KisselMordekay), FrederikEngels,Karl
Kautsky,FerdinandLassale,EduardBernstein,Jacob Lastiow,Max
Hirsch,EdgarLóening,Wirschauer, Babel,Schatz,DavidRicardoe
outros.o primeiroGovernocomunistainstituídona uniáo soviética
(1918),integrava em seu primeiroescaláo447judeusparaum totalde
554 membros;ou seja,Sl% de seu efetivoera constituído porisraeli-
tas. Podemser citados,dentreeles, Vladimirllich ulianov(Lénin),
LéonTrotzky(Lew Davidnovich Bronstein),
Djugashviri-Kochba (stá-
lin),Chicherin,Zinoviev(Apfelbaum), Kohe¡,SamuelKaufman, Steim-
berg, Pfenínstein,Larin, Kukorsky,Spítzberg,Urisky, Rosenthal,
Krasikov,Rudnik,Krochmal,pfeierman,Minnor,Lewin,Rosenfeld,
etc...os judeusconstituíam maioriaabsolutanosseguintes órgáosdo
primeiroGovernocomunistada uniáosoviética:comissariado do ln-
terior,comissaríadodos AssuntosExteriores,comissariadosoviético
da Economia, comissariado da Justiga,comissariado do Ensinopú-
blico,comissariadodo Exército,comissariadode Higiene,soviete
Económico superiorPopular,sovietedos soldadose Trabalhadores
de Moscou,ComitéCentraldo PartidoComunista, etc...No inícíoda
décadade 1940estequadronáo mudara.Haviamtrocadomuitosno-
mes, mas náo a origemétnicados detentores dos cargos.Alega-se

62
que stálin era anti-semita, e que exterminoumuitosjudeus.ocorre
que o principalexecutordo "programaprofilático" de stálin se chama-
va LawrentyBeria,e eratambémjudeu.paracadajudeuassassinado,
inúmeros outrosapareciam parasubstituí-lci.
Assim,ás vésperasdo conflitomundial,tantoo regirnecomunista
da uniáo soviéticacomoa "democracia capitalista-liberá" dos Estados
unidos,estavamsob domíniojudaico. Nos Estadosunidos- como
alardeavamos periódicosda época (New york MomingFreiheit,por
exemplo)- Roosevelt exerciaa presidénciade direitoe BemardM. Ba-
ruch,a de fato.Alémdessa"eminéncia parda",gravitavam em tornodo
Presidente: o JuizsamuelRoseman(conserheiro oficialdeRoosevelt), o
professor FelixFrankfurter
(conselheiro-chefede AssuntosLegais),Hen-
ry Morgenthau,BenjaminN. Cardozo,GeraldShwope,E. A. Filene,
CharlesW Taussig,NathanMargold,CharlesE. \AfzanskiJr., LeoWol-
man,RoseSchneiderman, lsadorLubinJr.,SolA.Rosemblatt, E.A. Got-
denweiser,Jerome Frank, MordechaiEzekiel,Herbert Feis, Henry
Morgenthau Jr., DavidE. Lilienthal,
SidneyHillman, L. N. Landau,L. A.
Steinhardt, AlbertE. Taussig,AlexanderSachs,MauriceKarp,Robert
Freshner,RobertStrauss,DonaldRichberg, J. l. strauss,Ferdinandpe-
cora,SamuelUntermayer, JamesM. Landis,etc...
O fato de pulurarem tantosjudeusjuhtoaosgovernosda Uniáo
soviéticae dos Estadosunidosexplicaa "aliangaespúria"entrecapi-
talismoe comunismo. E explica,também,o porquéde náoter se che-
gadoá paz em junhode 1940.Náo haveriaqualquerpossibilidade de
paz com o Ocidente,porqueesta paz significaria a derrotado comu-
nismono lesteeuropeu.
O mundo inteiro tinha conhecimentodo que se passavana
Uniáosoviética.Paraa consolidagáo do regimeimplantado a partirdo
assassinatodo czar e de toda a família real (crimeexecutadopor
agentesjudeus),foramtambémeliminados sumariamente: 28 bispose
arcebispos;6.776 sacerdotes,6.575 professores; 8.500 médicos;
54.850 oficiaisdas forgas armadas;260.000graduadose pragas;
150,000oficiaisda polícia;48.000gendarmes; 355.000intelectuais;
198.000trabalhadores urbanose 915.000camponeses. (Essesnúme-
ros seriamdrasticamente aumentados no pós-güerra, quandoAlexan-
dre Soljenítsyne outros milhares de dissidentesrevelaram a
verdadeira amplitude do genocídio soviético.)
AlexandreSoljenítsyn - o renomadoautorde "O primeiroCírcu-
lo" e de 'Arquipélago Gulag"- depoisde 20 anosde exílio,retornouá
Rússiano finalde maiode 1994.Desdeo Alaska,no extremomeridio-
nal daqueleantigoterritóriorusso(hojeum dos Estadosnorte-ameri-
canos),atravessouo estreitode Beringe voltouá antigapátria.
Soljenitsyn,prémioNobelde Literatura,dirigiu-separa a regiáo
de Kolyma,maispropriamente paraa cidadede Magadan,ondecom-

63
partilharaas agrurasdo Gulagcom outrosváriosmilhóesde compa-
triotas.Seucrime:ter denunciado os assassinos em massacometidos
pelaNKVD,peloKGB,pelaGPU,pelaKRAe por umadezenade ou-
trosórgáosde repressáo criadospelosconnunistas quetomaramo po-
der em 1917.Os comunistas da antigaUniáoSoviéticarevelaram-se
apaixonados pelas siglas.GULAGsignificava "GlávnoieUpravliénie
Láguerei" (Administragáo GeraldosCampos). Comoos campossovié-
ticosmultiplicaram-sepor centenas, distribuídospelaimensidáo da Si-
bériagelada,Soljenitsyn os denominou de'Arquipélago Gulag".
Apenasna regiáode Kolymateriammorridopelainanigáo, maus
tratose esgotamento, cercade trésmilhóesde prisioneiros do sistema
carcerário do Gulag.Em Kolymahaviatáo-somente uma dezenade
"ifhas",menosde um décimoda áreatotaldo Arquipétago. Qualteria
sidoo totalde mortos?Algumasfontesse reportama muitosmilhóes;
outras,maisreservadas, afirmamque o númeroteriasidomenor.As
cifrasreais,provavelmente, jamaisseráoconhecidas pelahumanida-
de, pois entreas habilidades soviéticas inclui-seo esmerona destrui-
gáode provasindesejáveis e no forjamento dasconvenientes.
O massacrede Katyn,a montagemdas cámarasde gás em
Auschwitz-Birkenau e Majdanek,a destruigáodas instalagóes dos
camposde Treblynka, Sobibor,Chelmnoe Belzecfiustamente os úni-
cos camposatualmenteconsíderados como centrosde extermínío),
sáo hojeem diafatosconhecidos. É certoque no períodoque antece-
deu a guerraconvencional isto náo poderiachegarao conhecimento
do Governoamericano, porqueeramacontecimentos que estavamre-
servadosao futuro.Mas o genocídioque vinhasendosistemáticae
implacavelmente realizadopor Stálinnáo constituía segredo.As em-
baixadasanrericana e inglesamantinham os governosde seuspaíses
muitobeminformados sobreo quese passavadentroda UniáoSovié-
tica.
Em contrapartida, as informagóes provindasda Alemanhada-
vam contade que o Governonacional-socialista lideradoporAdolfHi-
tler operava"milagres"que fugiam á compreensáodas grandes
democracias A revistaVeja - Ano 29, no3, edigáode 17
capitalistas.
de janeirode 1996(p. 10)- pubficou entrevista
concedida por Eurípe-
des Alcántara.A revelagáo feita peloentrevistado -'iA única expe-
riénciamodernade pleno empregofoi a da Alemanhanazista"-
era,dentreoutros,o pomode discórdia. O Ocidente, títeredos interes-
ses do capitalismo e do comunismo internacionais,náo podiaadmitir
que um novosistemapolítico-económico, sustentado nasidéiasnacio-
nal-socialistas,
ganhassecorpoe se espalhasse pelomundo.Náopo-
dia permitiro óurgimentode uma "nova Alemanha"recheadade
indústrias,repletade auto-estradas, com moedaestável(depoisde
umaexperiéncia inflacionárianuncaexperimentada antesporqualquer

64
economia),cheiade canteirosde obras,com o desempregoabolido,
como povounidoem tornodo Governo,servindode exemploao mun-
do.
Ao invésde inclinar-separa a Alemanha,Inglatenae Estados
Unidospreferiram estenderas máosa Stáline ao marxismo soviético.
Cerraram os olhose fizeramouvidosmoucosaoscrimesde Stálinsob
o beneplácito ou a interferénciadiretade Zdanov(Liphshitz),Lawrenty
Beria,Lazar Kaganovich, GeorgiMalenkov,NikitaSalomónKhrus-
chev,NicolaiBulganine, AnastaslosifovichMikoyan,Kruglov,Alexan-
der Kosygin,NicolasSchvernick, AndrésAndreievich Andreiev,P. K.
Ponomarenko, P. F. Yudin,MihailPervukin,N. Schatalin, K. P. Gors-
chenin,D. Ustinov(Zambinovich), V. Merkulov,A. Zasyadko,Cher-
burg,Milstein,FerentzKiss,Potschrebitscher, llya Ehrenburg, Rosália
Goldenberg, MarkSpivak,Ana E. Kaluger,Kalinin,MaxinMaximovitch
Litvinoff,Andréslannarevich Vishinsky,JacobMalik,ValerianZorin,
AndrésGromiko,AlexanderPanyskinjZamhinovich (Ustinovo),Almi-
ranteRadionovich, Constantin Oumansky, Manuilsky, MadameKolon-
tay, D. Solod, etc...,e mais um elevadonúmerode funcionários
superiores do Comissariado Soviéticoda Economia, do Comissariado
do Exército, do Comissariado da Seguranga de Moscou,de Leningra-
do, de Kiev,de Stalingrado e de maistrésdezenasde cidadessoviéti-
cascommaisde 300 milhabitantes, do Comissariado da lmprensa,do
Comissariado para a Acomodagáo de Refugiados, do Comissariado
de AssuntosExteriores, todosJUDEUS.
Pois,aliando-se a Stálin- o maiorgenocidadesteséculo,e pro-
vavelmentede todosos tempos- os EstadosUnidosarrastariam con-
sigo o Brasil,que se viu obrigadoa lutar contraa Alemanha,sua
aliadacomercial, e em favordo estadoque o agrediraatravésdo pa-
trocíniode umaintentona. O desconhecimento das origensda intento-
na de 1935 náo pode ser alegado.A imprensada época noticiou
fartamenteque a revolugáo,dirigidapela EmbaixadaSoviéticaem
Montevidéu, fo¡'adecidida,em Moscou,pelaInternacional Comunista.
E sabia-se,também,que o comunismo ceifara,no México, a vidade
20.000mártirescatólicose, na Argentina, em janeiro de 1919,cerca
de 1.500pessoas,das quais800 em BuenosAires.(Tantono México
comona Argentina, tal comoocorreriano Brasilmaistarde,os cabe-
gasdo movimento eramjudeus.O levantebolchevista chilenode 1931
e a rebeliáobolchevista uruguaiade 1932,paranáo fugirá regra,fo-
ram planejadose chefiadospor descqndentesda semente de
Abraáo.)
Desdeo anode 1933(quandoa guerranáopassavapelacabe-
ga de Hitler,recém-guindado ao poder,e que se preocupava apenas
em retirara Alemanhado caos económico,herangado Tratadode
Versalhes), comose pódeinferirdo depoimento de GetúlioVargas(28

65
novembrode 1934),já o PresidenteRooseveltse preocupavaem
aplainarcaminhoparaa guerra.Emboramantendo-se neutronasapa-
réncias,o Governonorte-americano, constituídobasicamentepor ju-
deus, ansiavapela chegadado momentode acertarcontas com a
nova ordernnacional-socialista, cuja visáo económicacontrariavao
capitalismo,as práticasmonetaristas e a cirandafinanceira.
Hitlerdes-
prezouo dólar,a libra esterlinae outrasuhidadesmonetáriasque fa-
ziama felicidadedos especuladores. Optoupelatroca purae simples
de mercadorias. Por exemplo:recebiado Brasilalimentos, matérias-
primase outrosprodutosde que a Alemanhacarecia,e enviavaem
trocainstrumentos óticos,tornos,frezas,retíficase maquinário em ge-
ral.
Para Roosevelte seus assessoresa guerraera uma certeza,
mas,paraempreendé-la, era precisoantesdobrara oposigáopacifista
e convencero povoamericanode que o sacrifícioque lhe seriaexigi-
do erajusto.
Até setembrode 1939,quandopara gáudiodos belicistasa
guerraafinalse tornourealidade, a máquinade propaganda, comtoda
sua grandezae reconhecida eficiéncianáotinhaconseguido demover
os pacifistase tampoucomexercom os briosdo povonorte-america-
no.
Muitopelo contrário, o próprioembajxador dos EstadosUnidos
na Grá-Bretanha, JosephKennedy(paide John Fitzgerald Kennedy)
aconselhou Roosevelta chegara um acordocom Hitler,em vez de
envolver-se numaguerraque ele julgavaabsurda.Políticosde reno-
me, cardeaiscatólicos,líderesprotestantese grandeparte do povo
norte-americano cerraramfileirasno sentidode manteros Estados
Unidose a Américaafastadosdo conflito.Nada disso foi suficiente
para demovero Presidentee seus assessoresdiretos.Durantea se-
gundasemanade junhode 1940,sem dar atengáoaos protestosdo
Estado-Maior do Exército,Roosevelt ordenoua entregade 20% das
reservasde artílharíado Exércitodos EstadosUnidosá Inglaterra,
apesarda legislagáo de neutralidade encontrar-se em plenovigor.
Em um paÍsque aindaestáem plenapaz,dá-seum aconteci-
mentosurpreendente e que acabousendo decisivopara a sorte da
guerra:o Congresso, atendendo ás pressóes votaa Lei
dos belicistas,
de Empréstimos e Arrendamentos, abrindoo parqueindustrial dos Es-
tadosUnidosás forgasque combatemHitlere o nacional-socialismo.
A Inglaterra seriamacigamente abastecida agora.A UniáoSoviética
receberia suapartea partirde meadosdo anoseguinte.
O projetoque redundouna Lei de Empréstimos e Anendamen-
tos foi redigidopor um advogadode nomeCox,que na verdadese
cha¡navaCohen,e que era membrodos servigos jurídicosdo Depar-
tamentodo Tesouro.Tal projetoconcedeao Governoestadunidense a

66
faculdadede vender,transferir,trocar,alugar,emprestarou simples-
mentedoar, seja de que modofor, qualquerinstrumento de defesa
que lhe paregaapropriado,a toda nagáocuja defesase julgue vital
paraos EstadosUnidos.Segundoinúmeros historiadores,um senador
do Texas fez a seguinteperguntaa Cox: "- Se é que compreendi
bem, a Lei de Empréstimose Arrendamentospermitetransferir-se
paraa lnglaterra ou paraa UniáoSoviética, semónusde qualqueres-
pécie,o encouragado "Texas"?"Cox respondeu: "Exatamente. A Lei
permiteisso."
A aprovagáoda Lei de Empréstimos e Anendamentosnáo foi
de nenhummodotranqüila. Contraela uniram-se os pacifistas,os iso-
lacionistas e os anti-rooseveltistas,enfim,,todos aquelesque enten-
diamque os EstadosUnidosdeveriammanter-se neutrosem relagáo
ao conflitoeuropeu.
Doiscardeaiscatólicos - O'Connele Dougherty - juntaram-se á
lgrejados Quakers para impedirque os EstadosUnidosse encami-
nhassempara a guerra.O generale homemde negóciosRobertE.
Wood,presidente das grandeslojasSearsand Roebuck, fundao Co-
mité AméricaFirste angariafundospara combatera Lei ("BillHR-
1776). O chefeparlamentar da resisténcia é um senadorde Montana,
BurtonK. Wheeler,maso líderde maiorexpressáo do movimento éo
coronelCharlesLindbergh: heroinacionalpor ter sidoo 1oamericano
a atravessaro Atlánticode aviáo.Suasconstantes visitasá Alemanha,
o contatocom o dinamismo e a filosofiado PartidoNacíonal Socialista
haviam-no convencido de que Hitlere seu Governonadatinhama ver
com o que era espalhadopelosquatrocantosdo mundopelamaciga
propaganda judaica.Parademonstrá-lo, Lindbergh escreveu"Waveof
the Future",sustentandoque os EstadosUnidose a Américadeve-
riamproteger-se em seu territério,só inteqvindo em casode ameaga
direta.
lntervencionistase isolacionistas se alternavamdiantedas co-
missóescompetentes das duasAssembléias. De um lado,as lideran-
gas de Knudesn,Stimson,Knock e DorothyThompson;de outro,
Lindbergh, Johnson,Wheeler,O'Connel, Dougherty e Hoover.
De início,os defensores da Leide Empréstimos e Arrendamen-
tos eramminoritários,mas,com o decorrerdo tempo,atravésde pres-
sóese subornoforamaumentando o númerode aderentes. A 18 de
fevereirode 1940,uma primeira votagáona Cámaradeu á HR-1776
um totalde 260 votoscontra165.No Senado,a aprovagáoseriacon-
firmada,em 11de margo,por60 votoscontra31.
É grandea repercussáo pelo mundointeiro.Todasas grandes
cidadesdo lmpérioBritánicose embandeiram com as coresdos Esta-
dos Unidos.CharlesDe Gaulle,que estápassandoo fim de semana
em Chequers, é despertado, de madrugada, por uma"espéciede dra-

67
gáo vermelhoe dourado":é Churchill, vestidocom um roupáochinés,
que lhe invadeo quartodangando de alegria.(Cf.CharlesDE GAUL-
p .2 1 4 )
L E .M é m o i r e s,
Os EstadosUnidosoficializavam a opgáode seu Governoin-
fluenciado por Baruch,Frankfurter, Roseman(queescreviaos discur-
sosde Roosevelt), Hillman,Dubinski, La Guardia,Hisse muitosoutros
judeus,semumadeclaragáo de guerraformalá Alemanhae seusalia-
dos, mas atravésde uma atitudeque deixavaclarasuasintengóesfu-
turas.Náo haviaapoiopopularparaa entradado paísna guerra.Por
isso,bastava,por unstempos,suprirlautamente as necessidades es-
tratégicas de seusaliados.Maistarde,no devidotempo,a massapo-
pularseriaconvencida a participar
do conflito.
O Japáo estava propenso,duranteo segundosemestrede
1941,a atacara UniáoSoviética, o que certamente representariauma
substancial ajudaparao esforgoalemáo.A espionageminternacional,
todavia,está atenta.lnformaos Governose estes,por sua vez, movi-
mentann as pedrasno tabuleiro.
O Japáoe os EstadosUnidosencontram-se em fase de nego-
ciagóesdiplomáticas. Se o Governonipónicotivessepodidochegara
um acordocomos norte-americanos, é forade dúvidaqueteriase vol-
tado contraa UniáoSoviética, com a qual mantinhadisputasterrito-
riaishá algumtempo.Em 1904,o Japáodeclarara guenaá Rússiaem
disputapela Coréiae pela Manchúria.Em 1905, pelo Tratadode
Portsmouth, a Rússiareconhecera a supremacia do Japáosobrea
Coréiae cederaaos nipónicosa península de Liao-Tung. Em 1938e
1939,soldadosjaponesestinhamentradoem choquecom tropasso-
viéticasna fronteiraentrea Manchúria e a Sibéria.Apesarda assina-
turade um tratadode náo-agressáo, ambasas nagóesforamforgadas
a concentrarnumerososcontingentes ao longoda fronteira.E eviden-
te que um ataquejaponésna fronteiraentrea Sibériae a Manchúria,
no finalde 1941, teriaimobilizado alitropassoviéticas de grandevulto,
aliviandoa pressáo contraas forgasalemás que se acercavamde
Moscou.
O lmperador Hirohitoansiavaporfirmarum acordocomos Esta-
dos Unidos.Insistiu,diversasvezes,paraque todasas saídasdiplo-
máticasfossemexploradasao extremoantesdo recursodas armas.
Mas náo interessava ás "forgasocultas"que os EstdosUnidosche-
gassea um acordocom o Japáo.Paraeles,o importante era aliviara
UniáoSoviética de um novoencargobélico,possibilitando-lhe concen-
trar forgas contrao Exércitoalemáo.
No iníciode outubrode 1941,apesardo forgadoatrasono iní-
cio da OperagáoBarbarossa, as tropasalemáschegarama vislum-
brara possíbílidade de tomarMoscouantesda chegadado inverno.

6B
Ocorre,porém,que a luta náo se travavaapenasnas estepes
russasás portasda capitalsoviética.As intrigasde bastidoreseram
de tantaimportáncia quantoos combates.RichardSorge,um espiáo
de nacionalidadealemá, recrutadopelo lobby judaico-bolchevista,
mantinhaos soviéticosperfeitamente informados acercadas tratativas
diplomáticas entreo Japáoe os EstadosUnidos.Foi atravésdeleque
o Kremlinse certificou de que os japoneses, forgadospeloimpassedi-
plomático, tinhamabdicadode atacara UniáoSoviética, optandopor
uma guerracom os EstadosUnidos.Exatamente a 15 de outubro,o
Governosoviéticoteve a certezade que poderiaremovertropasda Si-
béria,na fronteiracom a Manchúria,reforgandoa defesada capital
fortemente ameagada. Gragasa decisáojaponesade atacarao Sul,
nadamenosdo que 21 grandesunidadesdo ExtremoOrienteforam
removidas paraa zonade Moscou.
RichardSorgeinformouo Kremlinsobreo planeiadoataque
nipónico a Pearl Harbor, precisandocom absoluta exatidáo a
data-horado ataque á base norte-americanado Pacífico.E Mos-
cou transmitiu,por sua vez, todos os detalhesdo ataqueaero-na-
valao Governodos EstadosUnidos.
Eis que se apresentaa oportunidadeardentemente esperada
por Roosevelt e seu"staff'.
Na noitede 6 para 7 de dezembrode 1941,SEM RECEBER
QUALQUER INFORMAQÁO sobreo ataqueiminente,a guarnigáo de
PearlHarborfoi "COVARDEMENTE ATACADA" pelasesquadrilhas ja-
ponesas.
Roosevelt e seu"staff'tinhamagoraum bommotivoparamexer
como briodos norte-americanos e levá-losá guerra.
As perdasmateriaisem avióes,vasosde guerrae instalagóes
de terra eram irrelevantes. O parqueindustrialnorte-americano tinha
condigóes de suprirlogo tudo o que fora É
destruÍdo. conveniente náo
esquecer,todavia, que para alimentara propaganda e
belicista para
levaro povode seu paísá guerra,o Governodos EstadosUnidossa-
crificoumilharesde vidas.
Winnante Harriman, que acompanhavam na madruga-
Churchill
da de 6 para7 de dezembro,relatamo que se passoudo outrolado
do Attántico(citadopor RaymondCARTIER- A Segunda Guerra
Mundial):

"Numcanto,o rádiodifundeem surdinaum boletimde informa-


Eóes.Ningr*rémprestaatengáo.De repente,a voz do locutor
pronunciaum nomeinsÓlitoem meioao de camposde batalhas
Havaí...
familiares:
- Ouvibem?- perguntaChurchill.Os japonesesbombardearam
do Pacífico?
a frotaamericana

69
Winantnáotinhaouvidonada.Harrimanpensavaem ter ouvido
falarem aeronaves japonesas.O mordomode Churchill, vindo
de outrolocal,confirma:
- Todosos que estavamna copa ouvirambem:os japoneses
atacarama baseamericanade PearlHarbor.
Comoum louco,Churchillse precipitaparaseu escritório.Cha-
ma Rooseveltao telefone.A voz trangatlántica
do Presidentelhe
confirmaa "agressáo infame".
- Estamosagorano mesmobarco parao que der e vier - diz
Roosevelt.
- Sim,estamosno mesmobarco- confirmaChurchill, pulando
de contentamento."(Vol.l, p.280)

Em territórioestadunidense,
a oposigáoao Presidenteestá pa-
ralisada.O "ataquede surpresa",a "infámianipónica",
o "atocovarde"
derrubamas últimasbarreiras do pacifismo.
No senado,a decisáode
entrarna guerraé aprovadapelaunanimidade dos oitentae um pre-
sentes.Na Cámara,a únicaque náo consegueconvencer-se e que
resisteainda,é JeannetteRankin,deputadapeloEstadode Montana.
Em faceaos últimosacontecimentos, mesmoos líderesda facAáopa-
-
cifista Hoover,Lindbergh,Landon,Lewise \li/heeler- colocam-seá
disposigáo do Presidente.
Baldadosos esforgosda propaganda atravésdo cinema,do jor-
nais,das rádiose até mesmoda televisáonascente,a solugáoPearl
Harbourveioresolvero problema.
No Brasil,algunsórgáosde imprensaprocuraminfluirna forma-
gáode opiniáopública.GetúlioVargasregistraem seuDiário:

1941

l9 de janeiro- A Alziramandouprocurar-me porcausade uma


intimagáo do general Góisparaque fossesuspensoo "Correio
da Manhá",comoexemplo,porqueera o órgáoleaderda propa-
gandabritánica.(...) Fui procuradopelo Ministroda Guerra(ge-
neralEuricoGasparDutra).Mostrou-me uma cartado general
Góispedindodemissáodo cargode Chefedo Estado-Maior se
náo fossemadotadasas medidasque propunha,e disse-me
que,com o "Correioda Manhá"ou "DiárioCarioca", era preciso
dar uma ligáo,um exemplo.Mostrei-lhe que náo havia razáo
paraessa medidatáo diretaá vistadas providéncias que esta-
vam sendo estudadas.Ficoude entender-se com o Lourival
(LourivalFontes- Diretordo Departamento Nacional de lmpren-
sa e Propaganda(DlP) - 1939-1942)sobre as providéncias a

70
a quemaconselhei
tomar.Recebi,depoiso Lourival, que se en-
tendessecomo Ministro,paraexarninarem
o assunto.

1941

20 de janeiro - Assineio decretocriandoo Ministérioda Aero-


náuticae nomeandoo Salgado(JoaquimPedroSalgadoFilho-
Ministroda Aeronáutica - 1941-1945) para Ministro.O "Diário
Carioca"amanheceuocupadopor tropasdo Exércitoe foi sus-
pensopor 48 horas pelo Departamento de lmprensae Propa-
ganda.A caldeiraque ameagavaexplodirencontroua sua
válvulade escape.

Antesdesseepisódio,comprovante de que os métodosde per'


suasáopropagandística náose limitavamaosEstadosUnidos,masse
espalhavampelospaísesque representavam interessepotencialpara
os belicistas,GetúlioVargasregistrouum acontecimento que merece
citagáoaqui.Essaanotagáo demonstraque sua afinidadeparacom a
Alemanhanáo se limitavaás esferasoficiais.Transcendi-ase chegava
a um relacionamento familiar:

1940

18 de setembro- Conhecihojea noivade Lutero,uma moga


alemáque ele conheceunaquelepaise tomou-sede amorpor
ela,mandandobuscá-lacom o nossoconhecimento' (Refere-se
que
a IngeborgHaeff.)Preferia se casassecom mas,
brasileira,
em ássuntosdessa natureza,a oposigáo podetrazer a infelici-
dade.E tiveboaimpressáo da futuranora.

1940

21 de setembro - Ontem casou-seo Lutero.O religioso,na


igreja,e o civil,em casa.

Nessamesmaépoca,o generalPedroAuréliode GóisMonteiro


paraumaviagemaos EstadosUnidos.Getúlioregistra:
preparava-se

1940

20 de setembro- Recebi,ás 18 horas,o Ministroda Guerra,


que me veio trazerum questionário apre-
um tantoimpertinente
sentadopelo representante americano
militar ao general
Góis.

71
1940

21 de setembro- As 18:30horas,recebios Ministros da Guer-


ra, Marinhae Exterior,e o chefe do Estado-Maiordo Exército.
Examinamos a respostado últimoao questionário do repre-
sentantemilitaramericanoe o crité/ioa seguirna sua viagem
parao exterior.Nota de Rodapé:O generalGóisMonteiropre-
parava-separa participarda reuniáodos chefes de estado-
maior dos países americanos,a se realizarem outubro,em
Washington. Duranteo evento,seria alvo de atengáoespe-
cial do Presidente Roosevelt, interessado em efetivar os
planosde cooperagáomilitarentre Brasile EstadosUnidos.
(Grifodo autordestaobra.)

Jeffersoncafferymantinhao Governoamericano muitobem in-


formadode tudo o que se passavano Brasir.No dia 23 de setembro
de 1940,telegrafouao secretáriode Estadodos Estadosunidos
(JohnW. F. Dulles- Getúlio Vargas - Biografiapolítica,p. ZZ4),
dandocontade que "os uruguaios haviamabertoa cancerae passado
parao ladonazista",e que "algunsobservadores temiamque o mes-
mo puctesse acontecer em relagáoao Brasil".
WilliamA. M. Burden(TheStrugglefor Airwaysin Latin Ame-
rica, p. 69) diz que os alemáestinhamgrandepenetragáo na aviagáo
comercial, ondedesfrutavam de bastanteprestígio.A empresa"con-
dor",subsidiadapela matriz- a "DeutscheLufthansa"- possuíamais
de vintee cincoaeronaves de fabricagáo
aremá,tripuradas por pilotos
alemáes.suas rotascobriam,segundoBurden,"inclusivea áreaes-
tratégica do Nordeste". (o Nordestepossuíaárea estratégicaem
proveitode quem:do Brasilou dos EstadosUnidos?)De acordocom
a referidafonte,algumascompanhias nacionais,como a VASp e a
vARlG,utilizavam equipamento germánicoe as oficinasde manuten-
gáo da "condor"prestavam-lhes assisténcia técnica.Além disso,a
únicaconexáoaéreadiretaentrea Américado sut e a Europaera fei-
ta pela LATI,empresaitaliana.Até mesmooswardoAranha,notório
germanófobo, entendiacomode grandeutilidadeos servigospresta-
dos ao Brasil,no concernente á aviagáo,por aremáese italianos. (cf.
JohnW F. Dulles.Op.cit.p.225)
Burden(Op. cit. p. 69) náo vé com bons olhosa atividadeda
LATIna Américado Sul:
'A LATItransportava
malasdiplomáticas
alemáse italianas,ma-
terialde propaganda, platina,substáncias
mica,diamantes, quí-

72
micas;e tambémfuncionáriosdos govemosdo Eixo,e espióes.
Transmitia-setambém informagóessobre o deslocamentode
os na-
naviosaliados;tantoa LATIcomoa "Condor"auxiliavam
viosdo Eixoa vencero bloqueioaliado."

Náoera apenaso autorde "The Strugglefor Ainrays in Latin


America"que olhavaenviesadoparaas atividades da "Condo/'e da
LATI no continentelatino-americano. John W. F. Dulles (Op. cit. p.
225) afirmaque "os EstadosUnidosprocuraram,entáo, expandir as
atividades da Panairdo Brasil,subsidiáriada "PanAmerican Airways";
quandoa VASP perdeuum de seus avióes,Washington ofereceua
vendade avióesá companhia em trocade suadesgermanizagáo.
Dullesdiz que, no Rio de Janeiro,as autoridades consideravam
exageradas as informagóesde que haviauma "penetragáo nazistaqua-
no País,e de
se iñacreditável" que era grande o "perigoda Quinta-Colu-
na". (op. cit. p. 225) Queixa-seo referidoautor que FilintoMüller
preocupava-Se em deteros comunistas ao invésde prOcurar os "espióes
nazistas".(Em realidade,cem comunistashaviamsido presosem de-
zembrode 1939;outroscinqüenta, em abrilde 1940.Em novembrode
1940,LuísCarlosPrestesfoijulgadopelasegundavez,acusadode es-
tar implicadono brutalassassíníode ElzaFemandes, umajovemdeser-
tora das hostescomunistas, que delataraseus antigos companheiros.
Foraencontrada umacartade Prestesa em
correligionários, tomde dura
crítica,"pordeixaros sentimentOsprevalecer sobreo Seu dever, que era
matara informante". (Cf.PedroLafayette.Os crimesdo Partido Gomu-
nista,p.41,e HeitorMoniz. Gomunismo, p. 115-118.)
JohnW. F. Dulles(Op.cit.p.226)afirma:

"Duranteo segundosemestrede 1940,as negociagóes ralativas


entre
á cooperagáoh¡l¡tar o e
Brasil os Unidos
Estados punh.31n
constantemente em a
evidéncia com
insisténcia que os brasilei-
ros solicitavamarmas aos EstadosUnidos,e o pensamento
americanode que o Nordesteseria melhor protegidocory o
estacionamentode forgas norte-americanasna regiáo."(Gri-
fo do autordestaobra.)

É daro que um desembarque de tropasalemásno litoralnor-


destinobrasileirono cursodo segundosemestrede 1940,era táo pro-
vávelquantoo envio de uma nave tripuladaá Lua duranteaquela
década.E maisimprovável se tornariaaindadepoisde 22 de junhode
1941,quandoos alemáesconcentraram seu eqforgode guerra,maci-
gamente, na campanhacontraa UniáoSoviética. A partirdaquelemo-
mento,se um resquíciode risco havia- na mentedos americanos,
estedesapareceu por completo.Nempor issoa tecladeixoude ser to-

73
cada.o Nordestebrasileiroera de sumaimportáncia paraa estraté-
gia americana, náo porqueos alemáespudessemali realizarum de-
sembarque,mas porque o aeroportode Natal era o trampolim
necessário ao apoiologísticodas tropasque seriamdesembarcadas
no continenteafricano.
Entrementes,o Brasil,valendo-sede sua posigáode neutralida-
de, continuavaa comerciarcom a Alemanha,sem atemorizar-se ante
as pressóes:

1940
4 de novembro- No Guanabara, vieramfalar-meo Ministroda
Guerra,sobrea oposigáodos inglesesa que continuássemos a
transportaro materialbélicorecebidoda Alemanha,por um
contratoanteriorá guerra,e o Ministroda Fazenda,sobrevá-
riosassuntosde sua pasta.

De acordocom Dulles(Op.cit.p.226),"os chefesmilitaresbra-


sileiroscontinuavam a considerara Alemanhacomoa melhorfontede
equipamento modernoparacombate".
_ Em telegramado Embaixador Cafferyao Secretário de Estado
dos Estadosunidos,datadode 10 de outubrode 1940,era informado
que "os militaresbrasileirosagradeciam os presentesrecebidosdos
americanos - caixasde uísquee de cigarros"LuckyStrike"-, mas
esclareciamque nem presentese nem palavrasámáveispodiam
substituiro armamento que a Alemanhaofereciaao Brasil".(cf. John
W. F. Dulles.Op.cit.p.220)
o Exércitodos Estadosunidosteriarecebidoumalistade arma-
mentosconsiderados necessários pelosbrasileiros,
no valorglobalde
[JS$180milhóes(o dólarda épocavaliaaproximadamente 25 vezeso
seuvaforatual).Masos Estadosunidos,devidoás exigéncias do seu
próprioprogramade mobilizagáo e aos compromissos paracom a tn-
glaterra,náose mostravam inclinadosa atenderao pedidobrasileiro.
. A ameaga inglesa,
registrada por GetúlioVargasem 4 de no-
vembro,materializou-se poucosdiasdepois:

1940
22 de novembro- Receboo Oswaldo, que me comunicahaver
o governoinglésapreendido o "SiqueiraCampos",que partira
de Lisboatrazendopartedo nossomaterialde artirhariavindo
da Alemanha.Nota de RodapéO bloqueiomarítimodecretado
pelaInglaterraprovocouum incidentediplomático
com o Brasil,
envolvendo a apreensáodo "siqueiraCampos",que transporta-
va materialbélicoalemáoadquiridoaindaem 1938.As exigén-

74
cias impostaspara a liberagáodo navio,bem comoo confisco,
em 26 de novembro,pelasautoridades inglesas,da cargado
"Buarque",em viagemparaos EstadosUnidos,aprofundaram a
criseentreos doispaíses.
23 a28 de novembro- No dia 23 recebi,no Guanabara, os Mi-
nistrosda Guerrae Exterior.Vieramfalar-mesobre a apreensáo
do "SiqueiraCampos",gue trazianossomaterialde guerra,pe-
los ingleses,que o levaramparaGibraltar.Tomeiconhecimento
dasdémarches atéagorafeitase aprovei-as.

1940

2 de dezembro- Um navioarmadoinglésretirapassageiros
alemáesde um naviobrasileiro, de um paraoutro
transportados
portobrasileiro.Nota de Rodapé: Em 1ode dezembro,o pa-
quete "ltapé" foi interceptadopelo cruzadoringlés "Carnavon
Castle"a apenas18 milhasdo litoralfluminense,sendoocupado
por um contingente armadoque retirouá forga,25 passageiros
de nacionalidade alemá.

comunsá índoleinglesa,po-
Estesdoisatostípicosde pirataria,
- -
deriam e deveriam ter levadoo Governobrasileiro ao rompimento de
relagóescom o agressor.O desrespeito aos neutrosera uma constante
por parteda marinhainglesa:um naviode bandeirafrancesaforacaptu-
radono litoralde SantaCatarina;outronaviobrasileiro teve sua carga
apreendida (Cf.JohnW. F. Dulles.Op.cit.p.227)
em Trinídad.
A apreensáodo "siqueiraCampos"foi, dentreos atosde pirata-
ria inglesacontrao Brasil,o episódioque maisdespertou a indignagáo
nacional.O referidobarco,carregadocom armas e munigóes, e com
400 pessoasa bordo,foi capturado pelos inglesesem Lisboa, e leva-
do sobescoltaparaGibraltar. Em faceá pressáodiplomática do Brasil
e dos EstadosUnidos- estestemerososde que o Brasilpassassede
umavez por todasparao ladooposto-, os británicos insistiamque a
vendade armasao Brasilpropiciaria á Alemanhafundosem moeda
brasileira,que "seriamutilizadosparafinanciaratividades subversivas,
e que qualquerevasáo do bloqueioajudariaa propaganda alemá,for-
taleceriaa facgáo germanófila e
do Exércitobrasileiro, pre-
constituiria
cedenteque poderiaprovocarencomendas outros por países da
AméricaLatina".(Cf.JohnW. F. Dulles.Op.cit.p.228)
Depoisde marchase contramarchas, cedendoprincipalmente
ás pressóes do Governoamericano, oSinglesesconcordaram em libe-
rar o "SiqueiraCampos",desdeque algumasexigéncias fossematen-

75
didas.Entreelas,incluía-se a "imobilizagáode todosos navíosinimi-
gos ernportosbrasileiros". Os ingleses"exigiam" tambémque o Brasil
"proibisse"as operagóesda LATIem territóriobrasileiro.
Evidentemente a propostabritánicaaumentouo ressentimento
já existente.GetúlioVargasconvocoureuniáodo ministériopara con-
siderarmedidasde revideá agressáoda soberanianacional.Essas
medidas,conformeproposigáo do Presidente, poderiam afetaros bens
británicosexistentes no País.Eratal a pressáodos militares- esclare-
ce JohnW. F. Dulles(Op. cit.p. 228)- que "OswaldoAranha achava
possívelo rompimentode relagóes".
EmWashington, o Departamento de Estadotambémse alarmou
com a atitudebritánica,capazde arruinarde umavez portodaso es-
forgoempreendidopelos EstadosUnidosém cooptaro Brasilparaa
esferados Aliados.Finalmente, a 15 de dezembrode 1940,depois
queo sentimento antibritánico
dosbrasileiros chegaraa um pontocríti-
co, e apósintensanegociagáo diplomáticaem Washington, o "siquei-
ra Campos"foi liberado.
Falandoa chefesmilitares, em 31 de dezembro, Vargasdecla-
rou,a propósitodo incidente, que "as nossasaquisigóes junto á Ale-
manhanáo sáo vultosas;correspondem ao mínimodas necessidades
e forampagascom recursosproduzidos pelo nossotrabalho,e que
seriaumaviolénciaaos nossosdireitosquererimpedirquevenhamás
nossasmáos".(GetúlioVargas.A Nova Políticado Brasil.Vol. Vlll,
p.241)
Houveuma novacrisequandoos inglesespretenderam que o
"Bagé"descarregasse em Lisboa um carregamento de armas da
Krupp.Essematerial- segundoos militares - incluíapegasde reposi-
gáoe acessórios necessáriosá manutengáo do equipamento importa-
do anteriormente.
Destavez, OswaldoAranha(Minístrodas RelagóesExteriores)
tomoupartidodos británicos. Discordando do pontode vistado Presi-
dente,de Dutra(Ministro da Guerra)e de PedroAuréliode GóisMon-
teiro (Chefedo Estado-Maior do Exército),recusou-sea reabrira
questáo.Alegouque os militaresbrasileiros, quandodo episódio"Si-
queiraCampos", tinhamse comprometido a náomaisembarcararmas
da Alemanha.EuricoDutra negou que tivesseassumidoqualquer
compromisso, e apresentou seupedidode demissáo.
Enquantoisso,Góisameagava tomarrepresálias contraas em-
presasbritánicas que operavamno País.Acusou- segundoJohnW.
F. Dulles(Op.cit. p. 229)- OswaldoAranhade "fazero jogo dos in-
gleses".(Grifodo autordestaobra.)
OswaldoAranhaprocuroucontemporizar, afirmandoque espe-
ravaque o novoproblemapudesseser resolvido"atravésdos conta-

76
tos que mantinhaem Washington". O própriogeneralGóis Monteiro
pediu,confidencialmente,
ao generalMarshall,que intervisseno senti-
do de obterumasolugáosatisfatória.
Nesseínterim,GetúlioVargastentavademovero Ministroda
Guerrade confirmarSuarenúncia.Suas anotagóesreferentesa eSSe
períodosáo as seguintes:

1940

3 de dezembro- Pelamanhá,solenidade de compromisso dos


novosaspirantesda EscolaMilitar.Regressando, trouxeo Mi-
nistroda Guerra,o generalGóis e o generalPinto(Francisco
JoséPinto- chefe do GabineteMilitarda Presidéncia
da Repú-
blica- 1935-1942),com os quaisconverseino Guanabaraso-
coma Inglaterra.
breos incidentes

1940

4 de dezembro- Recebio Ministrodo Exterior,que veio dar


contadas démarchesfeitasno dia pararesolvero incidentecom
Estavacom esperanga
a lnglaterra. de conseguirsolugáosatis-
fatóriano dia devido
seguinte, á americana.
intervengáo (Estas
anotagóesse referemao incidente o
envolvendo "Siqueiracam-
-
pos". Notado autordestaobra.)

1940

5 de dezembro- Continuao impasseda questáoinglesa.

1940

6 de dezembro- Receboo Ministrodo Exterior,gue me dá


contada primeirarespostado governoinglésparaa entregado
"siqueiraCampos",medianteváriascondigóesde vantagens
materiaisparaelesque reputoinaceitáveis'

1940

7 de dezembro- Foi um dia movimentado. Pelamanhá,com-


parecicom o Ministroda Guerraá sede do centro de Prepara-
gáo dos Oficiaisda Reserva,onde,na qualidadede paraninfo
um discursocom re-
da turmade oficiaisda reserva,pronunCiei

v7
ferénciasde caráterpolíticointernacional.
(GetúlioVargas,na
oportunidade,assegurouque o Brasilnáo tolerariaa interferén-
cia de qualquerGovernoestrangeiro em assuntosinternosdo
País,assegurandoque defenderiaa soberanianacionalaté as
- Notado autordestaobra.)
últimasconseqüéncias.

1940

l3 de dezembro- A questáoinglesaestáse agravando porfal-


ta de satisfagóes
de providéncias que aindanáoli-
da fnglaterra,
berouo "SiqueiraCampos".

1940

15 de dezembro- Fui procurado peloMinistrodo Exterior,


que
me informouda solugáodo casoinglés.Foraliberadoo "siquei-
ra Campos",com todosos seuspassageiros e carga,e seriam
dadasexplicagóessatisfatórias aos outrosincidentesmenores.
Enfirn,já eraum alívioe umaaltaemogáo.Eu estavaresolvido
a uma atitude extremapara desagravaro País,mas náo de-
sejavatomá-la;compreendiaos prejuizosque poderiaacar-
retar e preferia uma solugáo pacífica. (Grifodo autor desta
obra.)

1940

21 de dezembro- Recebio Ministróda Guerra,que desejava


falar-mecom urgéncia.
Veiopedirdemissáodo cargo,desespe-
rangadode continuarrecebendoo armamentodo Exército,da
encomendaalemá,devidoá oposigáoinglesa.Nadaesperava
dos EstadosUnidos.Procureifazé-lodesistirdo propósito.

1940
22 de dezembro- Recebio generalGóis,comquemfaleisobre
o pedidode exoneragáo
do Ministro
da Guerrae seusmotivos.
1940
3l de dezembro- Compareci ao almogooferecidopelasclas-
ses armadasno Automóvel Club.O discursoque entáopronun-
ciei teve muita repercussáo;favorávelpara uns, para outros,
contrária.Nota de Rodapé Em seu pronunciamento, Vargas

78
exaltoua integragáoentre as ForgasArmadasna grandeobra
de renovagáo nacional,relembrandoas vitóriascontrao reacio-
narismoe as conspiragóes extremistas.
1941

8 de janeiro- Antesdosdespachos, recebio Ministrodo Exterior.


Entreeste(Oswaldo Aranha)e o da Guerra(EuricoGasparDutra)
tem havidodivergénciae trocade correspondénciaquepodelevar
a umacrise.O primeiroquerque se descanegue o materialbelico
do "Bagé"em Lisboa,aguardando melhorocasiáoparatransportá-
lo ao Brasil.O segundo,insisteem que se devatrazé-lo.Nota de
Rodapé:O parecero ltamarati,de aguardara retomadade ne-
gociagóescom a Inglaterra,prevaleceusobre a posigáo do
generalEurico Dutra,de que pressi'onasse o Governobritiini-
co mesmosob o risco de rompimentodas relagóesdiplomáti-
cas. A liberagáodo materialbélico adquiridopelo Brasil na
Alemanhasó se dariaem junho,mediantea interferéncia dos Es-
tadosUnidos.(Grifodo autordestaobra.)
1941

10 de janeiro - Receboo generalGóis. Agravara-sea crise


oriundada divergéncia entreos ministros do Exteriore da Guer-
ra. Este haviase retiradopara casa, pretextando doenga,mas
com o propósitode abandonaro Ministério. Apósconversarcom
o generalGóis,acaboudesistindo. (...)Entreas audiéncias, re-
cebitambémo l-ourival,a quemdei instrugóes paraorientara
imprensano sentidode reservaem relagáoá lnglaterra,por
causade sua atitudede intransigéncia quantoá entregade nos-
sos armamentos, evitandoderramados elogiosde umasimpatia
muitosuspeitade certosérgáos.
Esta anotagáode GetúlioVargasé datadade 10 de janeirode
1941.Nem sequerdesconfiava o Presidentedo Brasilque naquele
exatoinstante.o Governoamericanotramavaa invasáodo território
brasíleiro!É isto mesmo!Onze mesesantesdo ataquenipÓnicoa
PearlHarbour,e da declaragáo de guerrados EstadosUnidosao
(7
Japáo,Alemanhae ltália de dezembro de 1941),os estrategistas
rnilitares
daquele país,elaboravam planos,com o aval de Roose-
velt,para a invasáodo Nordestebrasileirot
Há poucomaisde trés anosatrás,exatamente no més de maio
de 1993, poucos órgáosda imprensa noticiaram
brasileira um fatoque,
por sua gravidade, mereciaamplae fartadivulgagáo. verdade,de
Na
umaimprensacomprometida, outracoisanáo se
dominada,submetida,
poderiaesperar.Um punhadode pessoas, náomaisque isto,ficousa-

79
bendoque o Estado-Maior do Exércitodos EstadosUnidos,atravésde
um documentosecretode 57 págínas,elaboraraum planode ocupa-
gáo de dez estadosbrasileiros,no casodo Brasil"insistir em manter
uma posigáode neutralidadena SegundaGuerraMundial".O obje-
tivo claroda agressáoem vista,conformese depreende facilmentedos
mapasa seguir,era assegurara possee livreutilizagáo do aeroporto
de Natal,imprescindível á montagem de umaponte-aérea com Dakar,
na AfricaOcidental,a fim de apoiara invasáodo nortedaqueleconti-
nente,e a partirdali,preparar-se
paraa transposigáodo Mediterráneo.
A autonomia de vóo das aeronaves da épocaexigiaessaprovidéncia,
sobpenade altoíndicede perdade vidase materialexpostos á contin-
génciade rotasmuitolongas.

SECRET
Dividirpara
melhoratacar
Em sua versáo origi-
nal elaborada em
1941,o mapa da inva-
sáo do brasil pelos Nctal
Estados Unidos pre- Jcclon
via um ataque rápido,
violento e simultáneo
em quatro "setores
estratégicos"": Be-
lém, Natal, Recife e
Salvador. Para a ope-
ragáo de ataque e
ocupagáo, o governo
americano admitia
mandar para o Brasil
até 100 mil combaten-
tes(lsToÉ/1234-
26/5/93) Operofions ltlop
Alorftcoí Bro¿l
Theohr I O¡er<tions

80
Náo é apenasnas "Repúblicas das Bananas"que os Estados
Unidosinterferem,apesarde suasexortagóes á liberdadee respeitoá
soberaniados povos.A data constantedo mapa dapáginaanterior
(bordainferioresquerda)é bastanteelucidativa:os EstadosUnidos
entraramoficialmente em guerrano mésde dezembrode l94l; mas
em janeirodaqueleano, confirmando a afirmativa de que
revisionista
muiioantesdo ataquenipÓnico já
a PearlHarbour,Rooselvelt tinha
decididomergulhar os EstadosUnidos no conflitoeuropeu,o Estado-
Maiordo Exércitonorte-americano tinhaconcluído seu planode inva-
sáo do território brasileiro!
As datasdos mapasrecentemente retiradosdos arquivosse-
Cretosdo Pentágono, comprovam que, embora ultimados em outu-
bro de 1942,desde o més de janeiro de 1941 os estrategistas
americanos tragavamos planosde invasáodo Brasil.

SECRET
A capitaldo
Nordeste
ocupado
Esteéomapada
invasáofeito pelas
ForgásArmadasdos
EstadosUn¡dos,
antes do Brasil
romper com a
Alemenha,ltáliae
Japáo em fevereiro
de 1942.Gasoo
Brasilinsistisseem
mantersua
neutralidadena
guerra,os
3t_. americanos
simulariamum
ataqueem Ponta
Ganipah,mas
invadiriame
ocupariama cidade
de Natal.
(fsToÉfi234-26151931
2/lo/t2 - Cn.re rfio.2
c8Q-ít8 -2O-

81
Enquantoisto,desconhecendo o que ocorrianos EstadosUni-
dos,Vargastentavaassegurarao Brasilo direitode manter-seneutro
num conflitoque náo lhe diziarespeito.Numconflitoem que apenas
um dos ladoscausavaproblemasao Brasil,tantoé assimque - como
confessarano registrode 8 de janeirode 1941- estiveraa pontode
ordenarum rompimento de relagóes diplomáticas.
No auge da criseentreo Brasile a Inglaterra, o generalGóis
Monteiroencaminhou um ofícioa LourivalFontes,diretordo DlP, ins-
truindo-oa convocartodos os proprietários de jornal, para saber
"quaisestavamem favordo Brasil",e "quaisem favorda lnglaterra".
(Cf.JohnW. F" Dulles.Op.cit.p.229)
O incidenterelatadopor GetúlioVargasem 19 e 20 de janeiro
de 1941,envolvendo periódicos cariocas,resultoude uma publicagáo
de umamatériapagada Comissáo das Indústrias Británicas(19de ja-
neiro), que reproduzia um comentário favorávelá Inglaterra feito por
OswaldoAranha,em novembrodo ano anterior.("Correio da Manhá")
Na mesmadata,outrojornal- o "DiárioCarioca", de JoséEduardode
MacedoSoares,proclamava a necessidadp de que as forgascivis,li-
deradasporOswaldoAranha,se agrupassem em tornodo Presidente.
A matériafoi interpretada comoadverténcia aos militaresparaque náo
intervissem nas decisóespolíticasdo Fresidente.
G ó i s Mo n te i roe E u ri coD u traanalisar am a situagáoe con-
cluíramque o "Correioda Manhá"deveriaser fechadopor tempo
i n d e t e r m i n a deo ,q u e o " D i á ri od a Manhá"suspensotem por ar ia-
m e n t e .G e t úl i o ,a fi m d e n á o i n d i s por - se
com OswaldoAr anha,
i n s t r u i uL o uri va lF o n te sa n á o to mar qualqueratitudecontr ao
"C o r r e i od a Ma n h á " ,a p l i ca n d oa p e nasuma cur tasuspensáoao
"DiárioCarioca"(sob a alegagáode que a matériapublicadapo-
deria ser interpretadade modo a criar dissensáoentre o Presi-
dentee as ForgasArmadas.
D u l l e sco me n taa re sp e i tod o episódio( Op.cit. p. 230) :

"De modo geral,quem saiu ganhandofoi OswaldoAranha,e


que perdeuforamos militares.(...)Dutrase decidiua tentartirar
LourivalFontesda chefiado DIPe a substituí-lo por um major
do ExércÍtoque tinhasidointegralistae passavapor germanó-
filo."

1941

11 de fevereiro- Despachocom o Ministrodo Exteriorque se


diz aborrecido
por algumasligeirascríticasque eu teriafeitoá
Inglaterra.
Neutralidadeunilateral.

82
1941

l8 de fevereiro- Audiéncias com os embaixadoresda Argenti-


na e dos EstadosUnidos.Ambos queriam informar-sesobrea
atitudedo Brasilno conflitoeuropeu.A ambos procureitranqüili-
zar sobrea constánciade nossaamizadee manutengáoda
neutralidade,desdeque a Américanáo fosse agredida.(Gri-
fo do autordestaobra.)

1941

23 de fevereiro- Acompanhado pelonossoMinistrodo Exterior


(Oswaldo Aranha)e pelo Embaixadoramericano (Jefferson
Caf-
fery),alémde outrosconvidados, compareceu o sr. Farley,ex-
diretordos Correiose Telégrafosdos EstadosUnidose grande
eleitorde Roosevelt.Traziauma carta deste em termosmuito
amáveise reiterando o conviteparavisitaros EstadosUnidos
na próximaprimavera.(Cercade trintadias antes,o promitente
tinhaordenadoo planejamento
anfitriáo da invasáodo Nordeste
Seráque mostraria
brasileiro. essesplanosa Getúlio?- Notado
autordestaobra.)

1941

10 de margo - A noiteprocurou-me o Ministroda Guerra,para


dar-meconhecimento de uma carta do generalAmaro Bitten-
court,dos EstadosUnidos,manifestando a suspeitade que as
demoras ou obstáculosque estava encontrando em sua missáo
de adquirirmaterialbélicodeviam provirda desconfianga dos
americanos sobreele, Ministroda Guerra,e o generalGóis,ti-
doscomogermanófilos.

1941

20 de margo- Estouexaminando com o Governoamericano a


possibilidadede negociarmoscréditos paraa aquisigáode ma-
terialbélicopelo pagamentoem mineraisestratégicos que os
americanosprecisame nós produzimos.(O ProjetoManhattan
comegaraem 1939,e já naqueleano os cientistashaviamcon-
seguidocindirátomosde uránio,bombardeando-os com néu-
trons.A areiamonazíticabrasileiraera importantematéria-prima
parao projetoda bombaatómica.Notado Autor.)

83
1941
24 de margo- O Oswaldoestá recalcitrandoem assinaro de-
creto restringindoa imigragáopara o Brasil. Nova crise?
(Comojá foi visto,em 14 de dezembrode 1940,GetúlioVar-
gas decidira:1o)proibiro vistoconsularnos passaportes
de
judeus;20)levantaro cadastrode todosos imigrantesque se
achavamirregularmente no Brasil;3o)promoveruma legisla-
gáo mais severa sobre a imigragáo.)(Nota do autor desta
obra.)
1941

26 de margo- Assuntoprincipal:
negociagóes com o Governo
americanoparaaquisigáo
de materialbélicoem trocade miné-
nos.
1941
1ode abril - Despachoscomos ministrosda Agricultura
e Exte-
rior.O último,alémdos assuntosde servigo,mostrou-se muito
contrao chefede Polícia,afirmandoque este estavaa servigo
da Alemanhae praticandoatosde parcialidade.
Tambématacou
o Ministroda Guerra.

1941
3 de abril - Recebi,pelamanhá,o generalGóis,com quem
estiveexaminandoa contraproposta americana,feita peloge-
neralMarshall, parao acordomilitardefensivo
entreo Brasile
os EstadosUnidos.Ficamosassentesnos pontosaceitáveis.
( ) A noite,estiveconversando com o Amaral(Ernanido
AmaralPeixoto- Interventordo Estadodo Rio de Janeiro-
1937 - 1945,genro de Vargas)e a Alzira(AlziraSarmanho
Vargas/AlziraVargasdo AmaralPeixoto,filhade Getúlio),que
seguempara os EstadosUnidos.Nota de Rodapé:O casal
AmaralPeixotolevariacartade Vargas,enderegada ao Presi-
denteRoosevelt. confirmandoo sentimento de solidariedade
americana desenvolvidopelosgovernosdos doispaíses,mas
declinando do conviteparavisitaros EstadosUnidos,á espe-
ra de ocasiáomaispropícia.

1941
8 de abril - Recebio Embaixadorargentino.Quisouvir-meso-
bre a atitudea tomarna questáodos naviosalemáese italianos

84
em nossosportosante o que estavamfazendoos EstadosUni-
dos e algunsoutrospaisesamericanos. A Argentinanadahavia
resolvido.Respondi-lhe que nós náo fóramosconsultados pelo
Governodos EstadosUnidosantesde tomaressaatitude,e os
motivosalegadospelosamericanos - estragosdos naviose sa-
botagem por parte -
da tripulagáo náo se verificaramaqui. Pro-
meti-lhe que, se nossa atitude se modificasse,avisaria o
Governoargentino.

1941

25 de maio - Ao anoitecer,recebia visitado Ministrodo Exte-


rior, que me veio comunicaro aborrecimento dos americanos
com a atitudedo generalGóisna questáodas basesaéreasno
Nordeste.Nota de Rodapé:O generalGóisMonteiroopunha-
se á instalagáode basesaéreasnorte-americanas no Nordeste,
bem comoao recebimento de tropas do Exércitoe Marinhados
EstadosUnídos,considerando que a"efetivagáodessasmedidas
representariauma ameagaao Governobrasileiro.

LourivaC , m " O Ge n e ra lGóis Depóe",esclar e-


l o u ti n h o e
do Exér citoso-
c e o p o n t od e v i s ta d o C h e fed e E sta d o - M aior
b re a o c u p a g á oa m e ri ca n ad o N o rd e ste Góis
: entendiaque os
brasileirosnáo aceitariamum ato subservientedo Governodo
País, forgandoa sua queda. Aliás, Roosevelttambém estava
ciente de que os americanosnáo reagiriamdiferenteem caso
dos EstadosUnidosmeterem-senuma guerraextra-continental.
As
Por en q u a n t oo m á xi moq u e p o d i ad a r e ra apoioem m ater ial.
freqüentespesquisasde opiniáo atestavam, invariavelmente,
que maisde 80% dos americanoseram contráriosá participagáo
dos EstadosUnidosno conflitoeuropeu,mesmoque a lnglaterra
fossevencida.
Rooseveltencontroua fórmulamágicaque "mexeucom o brio
dos americanos". Com referénciaao Brasil,,trés eramas alternativasa
considerar:
1o)a boa vontadedo Governobrasileiroparacom os estrategis-
tas americanos;
20)a criagáode um motivocapaz,comonos EstadosUnidos,de
"mexercom o briodos brasileiros";
30)o empregodo planode ocupagáo montadopeloPentágono,
mesmoqueao custode dezenasde milhares de vidas.

85
1941

29 de maio-Audiénciacomo Embaixador do Japáo.Foitratarde


imigragáo.Terminado o assuntoque motivarao pedidode audién-
cia,abordou-me sobrea atitudedo Brasilno casode os Estados
l.Jnidos
entraremna guerraeuropéia!PergunteiJhe, antesde res-
ponder,qualseriaa atitudedo Japáono casode guenaentreos
EstadosUnidose a Alemanha.Respondeu-me que,anteos com-
promissos assumidos como Eixo,o Jápáodeveriatambémentrar.
Respondi-lhe, entáo,que o Brasilfaziapartede um blococonti-
nentalligado,pelasdeclaragóes dosCongressos de Havanae Pa-
namá,a compromissos de solidariedadena defesados paísesda
América.Qualquerpaísamericano que fosseatacado,nós sería-
mossolidários,a menosqueessepaísfosseo agressor.

1941

10 de junho - Recebemos comunicagáo da entrega,ao Brasil,


da primeiraencomenda de materialbélicopor contada novaLei
de Empréstimo e Arrendamento. Nota de Rodapé: O "Land
and LeaseAct",de 11 de margode 1941,dispunhasobrea ven-
da, empréstimo ou arrendamento,a pregosubsidiado, de qual-
quer artigode defesaou informagáo e materialestratégicoaos
paísesvítimasde agressáo.

No caso do principalbeneficiário do,"Lendand LeaseAct" - a


Inglaterra, convérnnáoesquecerque estepaísnáo foi agredidopela
Alemanha.Seu Governodeclarouguerraá Alemanha,tomandoa
íniciativa pelo conflito,e voltandoás costasa todasas tentativasde
paz porpartedo Governoalemáo.
Já se fez referénciaa esta tentativafrustradade partede Adolf
Hitler.Mas, na contingéncia de ter-sevoltadoao assunto,é interes-
santetranscrever um trechode discursode Hiilerproferidona ópera
Kroll,em 19 de julhode 1940(RaymondCartier.A SegundaGuerra
Mu n d i a lVo
. l .l , p . 1 5 4 ):

"Sinto-meobrigadopela consciénciaa langarmaisum apeloá


razáoda lnglaterra.Acho que posso fazé-lo,pois náo sou um
vencido,mas um vencedorque nadatem a pedir.Náovejoab-
solutamente razáopara continuaresta luta;deploroas vítimas
por ela causadase gostariade poupá-las.HerrChurchilltalvez
encontrenesteapeloumaprovade minhadúvidano desenlace
final.Masliberteiminhaconsciéncia..."

86
Os EstadosUnidosnáoestáoem guerrano sentidoformal,mas
isto ocorre(comovinhaocorrendodesde1933)no sentidomaterial.
Getúlioregistra:
1941

16 de junho - O Governoamericanotoma severasmedidas


contraa Alemanha.

1941

24 de junho - Uma complicagáo: fora concedidapermissáo


para um certonúmerode avióesamericanos, por solicitagáo
do
Embaixador daquelepaís,sobrevoaro nossotenitório,em via-
gensparaAfrica.Essesavióesforamdetidosem Belém,por or-
dem do Ministroda Guerra,como ingleses.Estáose fazendo
démarches paraapurara verdade.

1941

25 de junho - No Guanabara, á noite,recebios ministrosda


Aeronáuticae do Exterior,que me informaramter sido satisfa-
toriamenteresolvidaa passagemdos avióes,que eramameri-
canos.(Claro!Deixavamos EstadosUnidosadornadoscom a
sigla"USAF".Horasdepoisde chegaremao destino,mudavam
para "R,AF"!- Nota do autor desta
a sigla de identificagáo
obras.)
1941

12 de jutho - A noite,recebio Oswaldo,queveiotratardo progra-


ma da minhaviagema MatoGrosso,Paraguai, Bolívia.Recebide-
pois o Embaixadoramericano,que me entregouuma curiosa
mensagem do Presidente Roosevelt,queera nofundoum conviúe
de colaboragáopara a guerracom a Alemanha.Prometiestu-
dar o documento paradepoisresponder. Nota de Rodapé:Roo-
seveltconsultavaVargassobre a possibilidade de cooperagáo
na ocupagáo
militarbrasileira dasbasesexistentesna GuianaHo-
landesae na defesade Portugal, no casode ameagaalemáaosar-
quipétagosde CaboVerdee Agores.(Grifodo autordestaobra.)
1941

16 de julho - Aproveiteiuma exposigáo


do Ministroda Guerra
propondoa criagáode umacomissáo pre-
de oficiaisbrasileiros,
sididapelo Chefedo Estado-Maior do Exército, para cooperar

87
coma ComissáoMilitarAmericana no estudodos problemasre-
ferentesá cooperagáo militarentreos doispaísesparaa defesa
do continente americano.Notade Rodapé:Em 24 de julho,se-
ria assinadoo acordoregulando as atividades
da ComissáoMis-
ta Brasíl-EstadosUnídos de Oficiais de Estado-Maiorpara
elaboraros planosde defesado Nortee do Nordeste do país.O
Decreto-Leino3.462,de 25 de julho,dandoconcessáo á panair
do Brasifpara construir,ampliare aparelharos aeroportosde
Salvadorao Amapá,apoiaria a decisáode consolidaruma rota
aéreaque permitissealcangará África.Estefoi o expedienteen-
contradopeloBrasile pelosEstadosUnidosparainstalagáo de
basesmilitares,sem comprometera posigáode náo-belige-
ráncia assumida pelos dois países. (Grifodo autor desta
obra.)

No que concerneao Brasil,comose depreendedas posigóes,


medidase comportamento mantidosaté aqui,pode-seafirmarque o
estadode neutralidade, ou de náo-beligeráncia,
era rigorosamente ob-
servado.GetúlioVargas,atravésdo DlP, procurava, inclusive,
evitar
manifestagóes da imprensaa favorde qualquerum dos ladosenvolvi-
dos no conflitoeuropeu.No extremoMeridional do Brasir,ondeas co-
lóniasalemáseram numerosas, certamente que o fatorétnicogerou
movimentos em prol do nazismoe da causagermánica. o Governo
brasileirocoibiuessesmovimento. Líderesforampresose ativistas de-
portadoscom baseno Estatutodos Estrangeiros.
Mas,com respeitoaos EstadosUnidos,a neutralidade era uma
balela,expressáodo mais refinadocinismo,mantidaapenasno as-
pectoformalaté a promulgagáo do "Lendand LeaseAct",ocasiáoem
que todasas possíveisdúvidasexistentessobrea futuraparticipagáo
dos EstadosUnidosno conflitoeuropeuforamdesfeitas.
A intengáo do Governoamericano de levaro Brasilá guerranáo
se traduzíuapenasna promogáo de encontros de estados-maiores:

1941

14 de agosto - O Ministroda Guerrafalou-mesobrea coopera-


gáo americanae os planosque alimentavam de ocupagáode
nossoterritório,
reveladosnumacartado generalLehmanMiller
ao Governoe apanhadana censurapelochefede polícia,que
lhe mostrara.Nota de Rodapé:No relatóriode g de agosto,en-
deregadoao Departamento de Guerra,LehmanMillermencio-
navao planonorte-americano de ocupagáodo Nordeste,sob o
pretextode participagáo
nas manobrasbrasileiras. Sugeriaque

88
se retardasseo pedidode permissáoparao enviode tropasaté
que se tornasseabsolutamente inadiável, nesse
realizando-se,
os preparativos
interregno, Ao mesmotempo,
á sua instalagáo.
o Governobrasileirodeveriaser pressionado a adotarmedidas
de naturezapsicológicavisandoá aceitagáo da presenga
norte-
americana no Brasil.

Este registrode Getúliovem reafirmarque muitoantesdo ata-


que japonés a PearlHarbour,o Pentágono já tinhadecididoparticipar
do conflitoeuropeu,e montadosua estratégiade desembarque de tro-
pasno Norteda Africa.Em agostode 1941osexércitos alemáesesta-
vam a meio caminhode Moscou,e váriascentenasde milharesde
soldadossoviéticos tinhamcaídoprisioneiros. Os generaisvon Bock,
Rundstedte Leeb avangavam paulatinamente, cumprindoos objetivos
fixados para o veráoe outonode 1941.Coma lnglaterra paralisada e
coma UniáoSoviética, ao que tudoindicava, ás portas de uma deno-
ta, Roosevelt e seu staffchegaramá conclusáo de que náo poderiam
postergarpor mais tempo a entradaoficialdos EstadosUnidosna
guerra.
Havia,porém,um forteentraveás pretensóes de Roosevelte de
seus assessores: os americanos, em sua maioriaabsoluta,náo se
mostravam dispostosa tirarcastanhas do fogoem favorda "máe"In-
glaterrae, muitomaisainda,dos bolchevistas. Por maisquefossepro-
vocado, através de embargos,bloqueios,artigos da imprensa,
intervengóes juntoaos neutrose toda umasortede atosincompatíveis
com o estadode neutralidade, por partedos EstadosUnidos,Hitler
náo tomavaqualqueratitudede represália. Em outraspalavras,náo
davamotivosparaqueo povoamericano lhedevotasse repulsa.
O grandedilemado Governoamericano era encontrar um moti-
vo forte para justificaruma declaragáode guerra. Neste particular,a
"redede intrigas"apelou paraa estratégiade chegarao alvo principal
por caminhostransversos.
O Gallup,em 3 de junhode 1941,paradesgostodos belicistas
americanos, comprovaramais uma vez que 83% da populagáoesta-
dunidense eramcontraa entradado paísna guerra.O senadorBark-
ley - da ala favorávelá neutralidade - afirmaraque se a Alemanha
tivessede atacaros Estados Unidos,as entregasde armasfeítaspor
aquele país á lnglaterra teriamfornecidoum bom motivoparaisso.A
ala favorávelá guerraacusouCharlesLindberghde ser "o Quisling
dos EstadosUnidos",esquecendo que apenas17o/o da populagáo do
paíspensavam diferente dele.
Maistarde,quandoas tropasalemásinvadiram a UniáoSoviéti-
ca, maisse acentuouo repúdiodosamericanos á participagáono con-
flitoeuropeu.Roosevelt dissera:"Umtratado de paz com a Alemanha

89
daráo controledos paísesocupadosa Hitfere corr€sponderia ao re-
conhecimento do nazismoe á probabilidade de uma nova guera.
Queremos garantira liberdade, inclusivea liberdade parato-
religiosa,
dasas nagóese paracadaindivíduo."
Ora, como defendera liberdadereligiosa- perguntavam os
americanos - aliando-se justamentecom aquelesque mais a nega-
vam? Emboraa imprensaamericana, cada vez mais comprometida
com o Governosoviético,procurassemascarara realidade,todosto-
mavamconhecimento das atrocidades cometidaspelos bandosde
Stálin.A médiaem que as tropasalemásavangavam, vhhamfotogra-
fias,documentários, relatosdas barbáriescometidas contraos minis-
trose fiéisdoscultose práticasqueconstituiam o "ópiodo povo".
Náotendoconseguido provocarHitlero suficiente paraque este
chegassea umadeclaragáo de guerra,Roosevelt comegoua agircon-
tra outrointegrantedo Eixo- o Japáo.Estemantinhasériolitígiocom
a uniáosoviéticana regiáoda Manchúria, e considerava a possibilida-
de de recomegar as hostilidadesapóso períodode tréguaque se pro-
longavadesde1905.se o Japáotivesseatacadoa uniáo soviética
nosúltimosmesesde 1941,certamente queo destinoda guerrapode-
ria ter mudadode rumo.Foramas tropassoviéticas, imobilizadasna
regiáoda Manchúria, removidas paraMoscou,em dezembrode 1941,
em razáo da decisáojaponesade moverguera contraos Estados
Unidos,e náocontraa UniáoSoviética, que impediram os alemáesde
tomara capitalrussaantesdo invernode 194111942.
Paraatrairos japonesescontraos EstadosUnidos,Roosevelt
acentuouas provocagóes dípfomátícascontraaquelepaís,urdindotra-
mas e ardisaté que os nipónicos náo tiveramoutraalternativa senáo
atacarPearlHarbour.
Antesde cumpriros desígniosdaquelesque moviama guerra
contraa Alemanha,o astutoPresidente americano precisougarantira
sua reeleigáo. Para isso,náo podiacontrariar a esmagadora maioria
de seuseleitores,que era favorávela náo-intervengáo. Discursando
em Filadélfia,em 1940,em plenacampanha pró-efeigáo,
afirmava:

"Eu digoe repitoa vocés,paise máes...digoe repito...os seus


filhosnáo seráo mandadospara morrerem terra estranha,a
náo ser que sejamosatacados".

Eraexatamente o que afirmavaGetúlioVargas,mascoma dife-


rengade que o Presidentebrasileiro
tinhaa sinceridade
comoavaldo
que dizia,e seu colegaamericano, ao contrário,mentiadeslavada-
mente.
O contra-Almirante
RobertA. Theobald,ex-comandante da frota
de torpedeirosamericanosestacionada em PearlHarbour,no finalda

90
guerradesmascarou Rooseveltatravésdo livro"O VerdadeiroSegre-
do de Pearl Harbour",revelandoem detalhescomoo Presidente e
seus assessoresprepararame provocaramo ataqueque lhes daria
sustentagáo popularpara a declaragáode guerracontraos paísesdo
Eixo.Em 26 de novembrode 1941,Roosevelt encaminhou uma nota
táo insultosaao Governojaponés,náo deixando-lhe outra alternativa
senáoatacara frota americanaestacionda,em PearlHarbour.Tratou-
se de uma medidade auto-defesa, porquea notaamericana deixava
transparecer,claramente,nasentrelinhas,que os EstadosUnidoses-
tavaás vésperasde umadeclaragáo de guerra.Dizo autorde "O Ver-
dadeiroSegredode PearlHarbour(p.35):

"O PresidenteRoosevelt,propositadae irrevogavelmente, de-


sencadeou japone-
a guerraparaos EstadosUnldos.A tentativa
sa de atenderás exigénciase evitara pressáopara entrarna
guerrafracassou.A partirde 26 de novembro de 1941,náo ha-
via dúvida:o Japáoteriade entregar-se
ou Paraos gover-
lutar.
nantesdo lmpériodo Sol Nascente, náo haviapossibilidade
de
senáoa guerra."
escolhade outraalternativa

Com referénciaa omissáodeliberadado Governoamericano


acercado ataquejaponésa PearlHarbour,alémdo importantedepoi-
mentodo Contra-Almirante muitosoutrostém sur-
RobertA. Theobald,
gido no pós-guerra, comprovandoque Roosevelte sua assessoria
"fabricaram" um motivoparajustificara entradados EstadosUnidos
no conflito.
PaulJohnson,em obra recentemente publicadapelaBiblioteca
do Exército(Bibliex) - "TemposModernos- O Mundodos Anos 20
aos 80" (p. 329),afirma:

"O Embaixador Grawrelataa 2V de janeirode 1941(portanto,


maisde dez mesesantesdo ataquejaponés):Há um falatório
geral pela cidade,segundoo qual os japoneses,caso rom-
pam com os Estudos Unidos,estlio planejandoarrasarde
surpresa Pearl Harbour.No círculo de Governo,ninguém
prestou atengáo."(Grifodo autordestaobra.)

o episódioPearlHarbour,afirmaPaulJohnson(Op.
Historiando
cit.p. 330):

"Emboraos resultados
do bombardeio japonésparecessem es-
petaculares
na época(porquesuperestimados pelaimprensae
peloGovernoamericanos),foram insignificantes.Cercade '18

91
naviosde guena foram afundadosou seriamentedanificados.
Mas a maiorparteem águasnáo profundas. Elesforamigados,
reparadose quasetodosvoltaramá ativaa tempode participar
de operagóesmaiores;as perdasde homenstreinadosforam
comparativamente pequenas.Por uma questáode sorte(sorte
ou providéncia de quemsabiao que estavaparaacontecer?),
os porta-avióesestavamem mar abertona horado ataque,e o
comandante da forgajaponesa,almiranteNagumo,tínhapouco
combustívelpara procurá-los;assimeles escaparam. Os bom-
bardeirosjaponesesnáo conseguiram destruirnem os tanques
de armazenamento de petróleonaval,nem as basesdo subma-
rinos;portantotantoos submarinos comoos porta-avióes - que
agoraeramas armas-chave na guerranaval- puderamse rea-
bastecere operarimediatamente."

Mas paraefeitosde propaganda,o bombardeio da baseameri-


canado Havaífoi "um manácaídodos céus".Diz PaulJohnson(Op.
cit. p. 390):'A América despertou imediatamenteunida, furiosa e
determinadaa declararguerratotal,com toda a forgade nagáoul-
tmjada."(Grifodo autordestaobra.)
Convémlembrarque o Havaí,descoberto pelonavegador britá-
nicoJamesCook,em 1778,tornou-se possessáo dos EstadosUnidos,
em 1898,e territórioem 1900.Somentea21 de agostode 1959pas-
sou a constituiro 50oEstadonorte-americano.A luzdo direitointerna-
cional,quandodo ataquenipónico,em 7 de dezembrode 1941,o
arquipélago polinésio
náo podiaser considerado
"território
americano".
Duranteo períodoque antecedeu o ataquedo almiranteNa-
gumoa PearlHarbour,Roosevelt e sua assessoria continuavam a
ludibriartantoem ámbitointernoquantoexterno.GetúlioVargasre-
gistra:

1941

20 de agosto - A noite,procura-meo Oswaldo,narrandosua


palestracom o Embaixador americano,a quemderaconheci-
mentodo nossopontode vistacontrárioá ocupagáodo nosso
território.Este negaraque seu Governotivesse tais propó-
sitos, e atribuía essa suposigáo á má interpretagáodos
negociadoresmilitares.(Grifodo autordestaobra.)

Nessaépoca,preocupados em suprira lnglaterra


e o novoalia-
do - a UniáoSoviética,
os EstadosUnidosnáo honravamos compro-
míssosassumidos como Brasíf:

92
1941

23 de agosto - Ao anoitecer,
receboo Ministroda Fazenda,o
generalGóise o Oswaldo.Este,mr.lito exaltadopela proibigáo
da vendade gasolinafeita pelosamericanos. Atribui isto ao
germanofilismodo Ministroda Guerrae do Ghefe do Esta-
-
do-Maiordo Exército.(Grifodo autordestaobra. O "germa-
nofilismo"de Dutrae Góisconsistiana negativade ocupagáodo
Nordesteportropasamericanas.)

1941

22 de setembro - Regressoao Guanabara. Aí receboo Mi-


nistroda Fazendae depoiso generalGóis.Estedá-meconta
da marchados trabalhosda ComissáoMistade OficiaisAme-
ricanose Brasileirospor ele presidida.A questáo está che-
gando ao seu ponto álgido: os americanos querem
construir bases navaise aéreasem nosso território e ocu-
pá-las com tropas suas. (Grifodo autordestaobra.- Con-
vém lembrarque, conformeregistrode Getúlioem 20 de
agostode 1941,portantoum més ahtes,o Embaixador Jeffer-
son Cafferynegaraa intengáodo Governoamericanoem ocu-
par territóriobrasileiro!)

1941

15 de outubro - Receboo Ministroda Aeronáutica e o Embaixa-


Esteveiotrazer-meumtelegrama
dor americano. de seuGoverno,
dizendoque vai dirigir-seao Brasil,juntamentecom a rainhaGui-
lhermina,pedindocolaboragáo destena defesada GuianaHolan-
desa.(Quemestavaameagando a colÓniada rainhaGuilhermina
que,coincidentemente, faziafronteiracomo Brasil?)

1941

17 de outubro- Acentua-se a vitórlaalemásobrea Rússia.lsto


se refletena situagáointerna:liberaise comunistas,que anda-
vam arrogantes e espalhando boatos,se retraem;integralistas,
animadoscom o mahifestode Plínio Salgadoaconselhando
apoioao Governo,procuram organizar-se.

93
1941

27 de outubro - Regressoao Guanabara. As 19 horas,receboo


Ministroda Guerra,que haviapedidopara falar-me.Contou-me a
palestraquetiveracomo generalMiller,reÉm-chegado dos Esta-
dos Unidos,ondeforachamado.Disse-lheque os nossosarna'
mentos náo podiam vir t€io cedo, que náo confiavam no
nosso Exército,tido como germanófi|o,e que precisavamde-
sembarcartropas no Nordestepara defender-nosde um ata-
que alemáo.tsso dá ao caso um aspectograve'porquenáo é
uma colaboragáo,é umavioléncia.(Grifodo autordestaobra.)

1941

29 de outubro- Regressoao Guanabara. As 19horasreceboo Mi-


que
nistroda Guenae o generalGóis, dáoconhecimento dasnovas
palestrascomo generalMiller,suas insisténciasnos propósitos
de desembarqueno Nordestee de retirar-se,dando por findo
sua missáo,se náofor atendido.(Grifodo autordestaobra')

GetúlioVargasdemonstraser um estadistaque confiana pala-


poisregis-
vra das pessoas,que náocré em falsidadee mistificagóes,
tra a seguir:
1941

29 de outubro - ( . ) Emboratodosconcordemna oposigáoa


essasmedidas,manifesto-lhes minhasdúvidasde que es-
ses propósitos sejam também os do Governoamericano,
porqueeste nuncase manifestoua mim nem me fez qual-
quer solicitagáonesse sentido,e que no dia seguintesia
recebero Embaixador Caffery.(Grifodo autordestaobra.)
1941
30 de outubro- Audiéncias, entreestaso Embaixadoramerica-
no, que me ponderasobreváriosassuntosde interesse comum
a seremresolvidos e, interpeladopor mim, nega o propósito
de seu Governode desembarquede tropas em nosso terri-
tório. (Grifodo autordestaobra.)

1941

6 de novembro- Receboo pedidode demissáodo Ministroda


Guerra,com o propósito por acusagáo
de náo criardificuldades,

94
de germanófilo.
Recusei,dizendo-lheque confiavanele e que
que
náo admitia elementosestranhos na formagáo
interviessem
do Governo.

1941

13 de novembro- Logoapóso almogo,recebi,aindano Gua-


nabara,enviadopelo Embaixador americano, o Sr. Xanthaky,
adido á embaixadabritánica,que me trouxevários recadose
notasescritas- um documentosecretodo diretorda LATI, na
Itália,ao seu representanteaqui,acusandorecebimento de in-
formagóese concitando-oa entender-secom os verdes (inte-
gralistas)para promoverminhadeposigáo do Governopor um
golpede violéncia,e duas outrasexposigóes sobreatividades
subversivasda Condore da LATI -, e propondoos meiosde
acabarcomas linhasde transportes aéreoscontroladaspeloEixo.
Nota de Rodapé:O documento, forjado peloServigoSecretoin-
glés,visavaao cancelamento, peloGovemobrasileiro, da licenga
para o exercíciodas atividades
da companhiaitalianaLATI,res-
ponsávelpelaligagáoentreo Brasile algumasnagóeseuropéias.
O planotinha por objetivoeliminaruma das últimasbrechasao
bloqueioeconómico e dascomunicagóes entreo Ocidentee a Eu-
ropal Prometi-lheexaminaro assuntoe darsolugáo.

A respeitodesteepisódio,JohnW. F. Dullen,autorde "Getúlio


Vargas- BiografiaPolítica"(p.234),esclarece:

"Quandoo Governoamericano sugeriuque fossenegadocom-


bustívelpara as operagóesda LATI, o Ministroda Aeronática
insistiuem que estaprovidéncia só fossetomadadepoisque a
"Pan AmericanAirways"inaugurasseum servigoregularpara
Lisboae para a Africa portuguesa.Entrementes, o servigode
inteligénciabritánicoforjava uma carta,com a assinaturafalsi-
ficada do Presidente da LATI,em Roma.A falsificagáo foi táo
cuidadosae a "descoberta" da cartatáo bem montadaque a
embaixadaamericanaa considerouauténtica,enviando-aa
Vargas.O documento, datadode 30 de outubrode 1941,entre
outrascoisas,dizia:'Náopodehaverdúvidade que o gordinho
está no bolsodos americanos, e que só a agáoviolentapor
partedos nossosamigosverdespodesalvaro pais.Os brasi-
leirospodemser uma nagáode macacos,mas sáo macacos
que dangamparaquemsabemanejaros cordóes...' (...)"

95
1941

17 de novembro- Regressando ao Guanabara,recebio chefe


de Políciaa quementreguei
a denúnciasobrea LATI.

1941

7 de dezembro- Tivea comunicagáo de queo Japáodeclarara


guerraaos EstadosUnidos,atacandoas basesdestenas Filipi-
nas e no Havaí. Nota de Rodapé:O ataqueda aviagáonaval
japonesaás basesde PearlHarbour,no Havaí,e de Cavitee
Corregidor,
nas Filipinas,determinaria
a entradados Estados
Unidosna SegundaGuerraMundial.

1941

9 de dezembro- A notapublicada na imprensacausouboa im-


pressáopública.Definiua atitudede,solidariedade
paracom os
EstadosUnidos,que era desejoda maioria,e afastou o perigo
de entradana guerra.(Grifodo autordestaobra.)

Nessaépoca,cresciavertiginosamente o interessedos Estados


UnidospeloBrasil.Os americanos - conformeJohnW F. Dulles(Op.
cit.p. 231)- tendiama acharque"o ditadorbrasileiro gozavade gran-
de respeitoe perguntavam:'Que pensa,e que pretenderáele?' Um
jornalista,atravésde relatórioenviadode BuenosAires,em 25 de no-
vembrode 1941,ao Departamento de Estadodos EstadosLfnidos,
garantiaque 'Vargasera quaseidolatrado pela esmagadora maioria
dosbrasileiros'."
Paraestreitara "campanha de boa vizinhanga" entreo Brasile
os Estadosunidos,o Governoamericano usoude inúmerosartifícios.
Walt Disneye OrsonWelles,os "géniosdo cinemada época",foram
despachados parao Brasilcom a finalidadede visitaremo Presidente
e produzirem filmespropagandísticos (orsonwelles recebeua missáo
de vir ao Brasilde DavidRockfeller,acionista majoritário
da RKO.Ele
aquiproduziuo documentário "Nemtudoé Verdade", que vem sendo
seguidamente exibidopelaNET.WaltDisneycriouo "ZéCarioca".)
HaroldCallender,em artigo publicadoem "The New York Ti-
mes"(1ode agostode 1941),afirmavaque "portemperamento, Getú-
lio preferianáo se definir,e aparentemente nada o perturbava;fazia,
assim,contrastecom OswaldoAranha,alto,inquieto,nervoso,loquaz
e imaginoso, que gostavade discutire tinhaquedaparaas abstragóes
difíceis."

96
1941
21 de dezembro- A noite recebio Oswaldo.Disse-meque o
Governoamericanonáo nos dariaauxílio,porquenáo confiava
em elementosdo meu Governo,que eu deveriasubstituí-los.
Respondi-lheque náo tinha motivospara desconfiarde meus
que o tratamento
auxiliares, e facilidadesque estávamos dando
aos americanosnáo autorizavam essasdesconfiangas, e que
eu náo substituiriaesses auxiliarespor imposigóesestra-
nhas. Retrucou-me quejustificava
meu modode pensar,masa
verdadeé queelesnáoconfiavam. (Grifodo autordestaobra.)

GetúlioVargaspós fim ao diálogoacimareferido,com um reca-


do bem claro,transmitido em alto e bom tom ao costumeiroleva-e-
traz:"Poisentáoque nos deixemem paz!"

1941
24 de dezembro- A noite,no Guanabara, recebios Ministros
do Exteriore Fazenda,com quemtrateidas providéncias
parao
tráfegodosnaviosadquiridosda Alemanha.

1941

29 de dezembro- As 19 horas,receboo Embaixador inglés,


que me procuroupara fazer declaragóesde boa amizadedo
Governode seupaís.
1941

30 de dezembro- Despachos coma Agriculturae o Exterior.


Os-
waldo apresenta-me o projetoamericanoda Conferéncia, onde
constaa propostade rompimento de todasas nagóes
de relagóes
americanas comas poténciado Eixo. Notade Rodapé:Alll Reu-
niáo de Consultados Chanceleres das RepúblicasAmericanas
paradebatera novasituagáo criadapeloataquejaponésaosEsta-
dos Unidose buscaruma basede acordosobreas medidasde
cooperagáo militarnecessárias á seguranga continental,
realizar-
se-iano Riode Janeiro,entre15e 28 dejaneirode 1942.

1941

3l de dezembro- Nestaaparente,alegria,
encerrou-se
1941,
Pensomuitomenosem mim do que no
cheiode apreensóes.
Brasil.

97
1942

3 de janeiro - A tardecompareciao Catete,instalando,


no Con-
selhode SegurangaNacional,sob a minhapresidéncia, a pri-
meirareuniáodos chefesde Estado-Maior do Exército,Marinha
e Aeronáutica. Tratamosde váriasmedidasnecessárias á defe-
sa do Paíse estabelecemos o métodode trabalho.

1942

6 de janeiro - Despachocorna Agriculturae o Exterior.Com


este,recebitambémo EmbaixadorRodriguesAlves,que veio
parasecretariara Conferéncia.
Nota de Rodapé:Promoviam-
se os preparativospara a instalagáoda lll Conferénciade
Consultados Chanceleres das Repúblicas Americanas. Cita-
da por Vargasem seu Diário apenascomo Conferéncia, oLl
ConferénciaPan-Americana, Conferénciados PaísesAmeri-
canos,ConferénciaInteramericana e Reuniáodos Chancele-
res.

1942

9 de janeiro - Receboo Oswaldo.Pediu-meparaver o disculso


quedevopronunciar paraelemoldaro seu.
na Conferéncia,

1942

l0 de janeiro - A tarde,houvereuniáodo Conselhode Segu-


rangaNacional, presididapor mim,no Catete,ondese tratouda
situagáointernacional,
da atitudedo Brasil,das necessidades
de
sua defesa,e da próximareuniáoparaa Conferéncia dos Paí-
sesAmericanos.

1942

12 de janeiro - Chegadade váriasdelegagóes americanasá


Conferéncia. A tarde,ieceboo Sr. Sumneiwelles,chefeda de-
legagáoamericana, que me traz uma cartado Presidente
Roo-
sevelt, reiterandoo convite para ir aos Estados Unidos e
tratandode outrosassuntos.Das minhas conversas,do que
observo, fico apreensivo.Parece-meque os americanos
queremnos arrastará guerra,sem que issq seja de utilida-
de para nós, nem paraeles.(Grifodo autordestaobra.)

98
Parao Brasilcertamente que a entradana guerraera em tudo
e por tudo inconveniente. Getúliotinha consciéncia de quantoa
neutralidadeestavasendo benéficaá economiabrasileira.conve-
niénciaha¡riaapenaspara os Estadosunidos. como já foi visto,
sua estratégiacontavacom a utilizagáode aeroportosbrasileiros.
Semo empregodestes,seriaimpossÍvel o translaáoe abastecimen-
!o de tropasdo outro lado do Ailántico.A delegagáoamericanaá
conferénciado Rio de Janeirotraziauma missáoprincipal:pouco
importavao rompimentode reragóescom o Eixodos outios países
americanos.se isto fosse conseguido,os EstadosUnidosieriam
obtidouma vitóriapolítica.lmportava,istosim,arrastaro Brasilpara
a guerra,e obtero consentimento de seu Governoparaa ocupagáo
do Nordestee a utilizagáo de seusaeroportosestrátégicos, ciicuhs-
tánciaque, muitomais do que significadopolítico,tra-riaresultados
práticosimediatos.
Desdemeadosde 1940,quandoda quedada Frangae da reti-
14" .d.9Dunquerque,o Pentágonocomegaraa montara operagáo
l'Torch"(desembarque americano no Norteda África),e o planotogis-
tico destaoperagáobaseava-sena utilizagáodos aeroportosbrasilei-
ros.Entendiam os estrategistasamericanos que seriamenosoneroso
'brasileiro
(em materiale em vidas)ocuparo Nordeste á forga das ar-
-Daí
mas,do que buscaroutraalternativa logísticapara"Torch". o pla-
nejamento de janeirode 1g4i (á mostrado em páginasanteriores).
E de estranharque Getúliovargas(videregistrode 12 de janei-
ro de 1942)continuasse a náo entendero porquédos americanbs in-
sistiremem levaro Brasila um rompimento com os paísesdo Eixo.A
insisténciados Estadosunidosem "desembarcar tropasno Nordeste
brasileiro,para defendé-lode uma invasáoalemá';,era constante,
conformeo próprioex-Presidente registraem seu Diário. Ror que,
sendoum estadista de largavisáocomoera,náoatinouparao que se
escondiaportrásdo intentode Roosevelt e de suacamarilha?

1942

13 de janeiro - Pelamanhá,recebio Oswaldo,comquemesti-


ve tratandosobrea conferénciae as conseqüéncias prováveis
de nossaatitude.(Pareceque as pressóesamericanas, lidera-
das pelooswaldocomegavam a surtirefeito.É o que se deduz
do registrode Getúlio,a seguir.)o chefede políciaavisou-me,
por intermédiodo Benjamim, que o generalGóisia pedirexone-
ragáodo cargode Chefedo Estado-Maior, e que, tanibémo
acompanharia. Poucodepois,o Ministroda Guerramandava
mostrar-meuma carta que receberado generalGóis manifes-
tandoessepropósito. Disseao Benjamim (irmáodo presidente)

99
que fosseao Ministroda Guerradevolver-lhe
a carta.Voltoude-
poisdizendoque o mesmoiriafalarao generalGóise, no próxi-
mo despacho, me informaria
do resultado.

1942

14 de janeiro - Regressoao Guanabara, ondereceboo Minis-


tro do Exteriorda Argentina,Guiñazú,que fez um apelopara
evitaro rompimento comos paísesdo Eixo,pleitea-
de relagóes
do pelosEstadosUnidos.Respondi-lhe queo Brasilé o donoda
náo podendocolocar-se
casa, terá uma atitudeconciliadora,
nessa atitude extremadade opositor,e remeto-opara o Sr.
SumnerWelles.

1942

15 de janeiro - Dia da instalagáoda Conferéncia,náo dei au-


diéncias.Apenasdespacheicom os Ministrosda Marinhae da
Guerra,e com o diretordo Departamento de lmprensae Propa-
ganda.As 15 horas,recebios cumprimentos de todosos dele-
gadosdas nagóesamericanas. Regresseiao Guanabara, e de
lá seguipara o PalácioTiradentes, onde se realizoua solene
instalagáo da Conferéncia - discursos,manifestagóes popula-
res,etc.O Ministroda Guerra,prevenidode que talvezpas-
sasseo rompimentode relagóescom os paísesdo Eixo que
os EstadosUnidos pleiteavam,pediu sua demissáo,dizen-
do que pretendiaacompanharo generalGóis; que pedira
tambémpor outros motivos;que pretendiamnos arrastará
guerra, e que o Exército era contrário á guerra. Nota de
Rodapé:A posigáodo altocomandodo Exércitofundamenta-
va-seem duasjustificativas: as ForgasArmadasnáo se en-
contravam devidamente aparelhadas paraassegurar a defesa
do territóriobrasileiro,na eventualidade de conseqüéncias
decorrentes do rompimento; e os EstadosUnidosnáohaviam
efetivadoo enviode materialbélicoa que se comprometeram
nas negociagóes sobrea cooperagáo militarentreos dois paí-
ses. (Grifo
do autordestaobra.)

1942

16 de janeiro - Audiénciacom o MinistroRossetti,do Chile.


Manifesta-semuitoalarmadocom o rompimentodas relagóes

100
com os paísesdo Eixo, cujas conseqüénciasseráo a guer-
ra. Ao escurecer,receboo Oswaldo,com quemconversosobre
essas coisas.Pensosobre a marchados acontecimentos. A
maioria dos países americanos que adotarem essas
solugóesde declararguerraou romperrelagóesnáo o teráo
feito espontaneamente. Foramcoagidospela pressáoame-
ricana.(Grifodo autordestaobra.)

1942

17 de janeiro - Quandoassistíamos ao saltode obstáculosna


pistade exposigáo (Exposigáo de Florese Frutasde Petrópolis),
o Sr. Sumnerpediu-meparamarcar-lhe umahora,poisprecisa-
va muitoconversar comigo.Designei-lhe a próximasegunda-fei-
ra. A festafoi promovida pelo casalAmaral Peixoto,ou antes,
pela interventoríafluminense,e náo foramconvidadostodos os
congressistas presentesna Conferéncia, mas apenasos que
eram de suas relagóes. Nota de Rodapé:Contrariando a
orientagáodo ltamarati de que fossem convidados apenas os
representantes á Conferéncia, Ernanido AmaralFloriano- gen-
ro de Getúlio,insistirana presenga do Embaixador da lnglaterra,
excluindo a delegagáo argentina.

1942

18 de janeiro - Regressando
do Guanabara, recebio Ministro
para
argentinoGuiñazú,que propÓsuma fórmulaconciliatória
apoiar os EstadosUnidos. Oswaldo, que estava presente,
combateumuito essa fórmula.Eu reputei-adigna de exame
e disse-lheque deveriaprocuraro Sr. SumnerWelles.(Grifo
do autordestaobra.)

1942

19 de janeiro - Recebio Sr. SumnerWelles,com quemtive


francoe longoentendimento sobrea Conferéncia e a atitudedo Brasil.
Em resumo,disse-lhe que a forgadas circunstáncias(o fatode o Bra-
sil sediaro encontro)
colocara o Paísnuma posigáode árbitro.Eu náo
queriame valer das circunstáncias para pedirvantagens, mas para
pesarbemas minhasresponsabilidades e náo arriscarmeuPaíssem
garantias de seguranga. destasera a entregade material
E a principal
que
bélico, até agórao Governo americano Deu-meas mais
protelara.
completasgarantias, falou-menum telegrama que passara ao Presi-

101
dente Roosevelt,cuja respostaaguardava.Entreguei-rhe, conforme
pedira,a listacompletade nossospedidos.converéamos sobrea ati-
tudeda Argentinae a necessidade de atraí-la.Disse-meque se a Ar-
gentinanáo viesse,cortar-the-iam todos os recursos,e que seu
préprio Governo náo se manteria. Narrou-meos adiantamentos
em dinheirofeitos pelo Japáoa certos homenspotíticosdo Ghile,
lnclusiveo próprio lvlinistrodo Exterior- Rossáfti.Disse-meque
este assunto era de naturezacapitat para os Estadosunidos, e
que ele jogava nisso sua própria posigáo.Respondi-rheque ere
poderiacontarcom o Brasil,mas que, nessadeóisáo,eu jogava
a
I!n!" vida, porque náo sobreviveria a um desastre para a minha
Pátria.(...)Durantea festa(recepgáorealizadano palácioGuanabara
ás delegagóes integrantesda lll Reuniáode consultados chancele-
res das Repúblicas Americanas), aindaaproximou-se de mim o sr.
sumnerwelles,que me perguntou se deveriafalarcom o Ministroar-
gentinohoje,ou deveriadeixarpara amanhá.Disse-lheque falasse
hojemesmo.Ele agradeceu e retirou-se.chegou-se,depois,o Minis-
tro argentino.Apesarde estarmosem meio á festa,este procurou
tratardo assunto-conversamosum pouco.Afinal,eu the disseque
a amizadeargentino-brasileira era, para mim, parte integrantede
um programade governo.eue eu fora criadona fronteiraárgentina.
Acostumara-me ao conhecimento do seu povo e observaraque a
tendéncianaturaldos dois povos,argentiho e brasileiro,
era de co-
nhecer-se e estimar-se.euandohaviadesconfiangas ou suscetibili-
dades, a culpa náo era dos povos, e sim dos governos.Ele
agradeceue retirou-se.Foi conferenciar com sumner-welles.(Grifo
do autordestaobra.)

1942

20 de janeiro - Regressoao Guanabara e vou trabalharno mi-


rante.Aí receboa comunicagáo de welles, por intermédiodo
Itamarati(Ministériodas RelagóesExterioresi, da respostado
PresidenteRoseveltsobrea remessado materialbélico.Nota
de Rodapé: Na mensagem ao Governobrasireiro, o presiden-
te norte-americano asseguravao envio imediatodas remes-
sas de equipamentomititar,justificandoo atraso peta farta
de alguns dos itens soricitados.Duranteo despachodo os-
waldo,esteinformou-me sobreo textoda propostáa apresentar
na conferénciasobrea tese do rompimentode relagóes.pare-
ceu-meaceitável a fórmula.(Grifodo autordestaonrá.¡

102
1942

21 de janeiro - Recebia comunicagáo


do Oswaldode que a
fórmula(brasileira)
fora e
examinada aceitapeloSunmerWelles
e o Guiñazú.

1942

22 dejaneiro- De regressoao Guanabara, procurou-me o Os-


que
waldo,dizendo o Presidente da Argentinarecusaraa fórmu-
la propostaporseu Ministro.Foisugeridaumae transmitida. Foi
adiadaa votagáoda propostade rompimento, enquantose
aguardaa respostado Presidente da Argentina.Notade Roda-
pé: O PresidenteRamónCastilhos o MinistroGui-
desautorizou
ñazúa aprovarqualquerfórmulaque contemplasse a resolugáo
de rompimento com o Eixo.A Oposigáo da Argentina, aliadaao
Chile,á propostanorte-americana, a unanimidade
impediria pre-
tendida pelosEstadosunidos"

1942

25 de janeiro- O Ministroda Guerraenvia-meum comentário á


listade materialbélicoamericanoque o Sr. SunmerWellesco-
municaramandarbrevemente. estra-
Dizele que essematerial,
nho á nossa encomenda,de pouco adianta.Pela manhá, o
Ministroda Guerravem pessoalmente a palácioe deixa-meuma
carta,remetendo outraao generalGóis,dizendoambos,a pro-
pósito da ruptura de relagóescom os paises do Eixo' que
os militaresbrasileirosnáo foram ouvidos sobre as conse-
qüénciasdesse ato, e que o Brasil náo estava preparado
para a guerra.Já á noite,receboumacartado Oswaldofalan-
do sobrea pressáo americanapara o rompimentoimediato
por parte do Brasil, e o apelo que o PresidenteRoosevelt
me faz, por intermédiode SunmerWelles,com quem se co-
municou.Terminao Oswaldopropondo-meencerrara Con-
feréncia declarando rotas as relagóesdo Brasil com os
paísesdo Eixo. Nadarespondo.Náo posso resolverprecipi-
tadamente.Além dos rhotivosjá referidos,há a circunstán-
cia da posigáoda Argentina,que será provavelmenteum
foco de reagáocontra os norte-americanose um centro de
intrigas.Pensoque vou passara noite sob esta perspectiva
pouco agradável.(Grifodo autordestaobra.)

103
Esta últimaanotagáode Getúliovargas comprovaque até a
ante-véspera do encerramento da lll Reuniabde consultados chan-
celeresdas Repúblicas Americanas, o presidentenáo haviatomado
uma decisáosobreo pretendido rompimento com os paísesdo Eixo.
?g yr lado, a oposigáo dos chefes militares e de algunsministros,
aliadaa inexisténcia de motivosparaseguira imposigáo norte-ameri-
cana,levava-oa continuarconsiderando a possioitioáoe de seguiro
exemplodo chile e da Argentina,cujosgovernosnáo arredavampé
da manutengáo da neutralidade e, conseqüentemente, do náo rompi-
menlode relagóescom os paísesdo Eixo.por outrolado,o Minisiro
das RelagóesExteriores,o EmbaixadorJeffersoncaffery,o plenípo-
tenciáriosumnerwelles e boa parteda imprensacomprometida com
os Aliados,pressionavam o presidente a dizer"amém"á propostanor-
te-americana.
Historiando os acontecimentos daquelaépocadecisivaparaos
destinosdas nagóesamericanas, Johnw. F. tiulles(op. cit. p. 235)
diz que "a chancelaria norte-americana se preparouparaa conferén-
cia do Riode Janeiro,procurando influirpaia que as repúblicaslatino-
americanas se decidissem a romperrelagóes comos paísesdo Eixo."
o Embaixador dos Estadosunidosno Brasil,ieffersoncaffery,
atravésda_mensagem no2.090,datadade 1z de áezembrode 194i,
alertarao Governoamericano sobreo que Getúliolhedissera:'Algumas
vezesnossosamigosamericanosqueremque eu ande depresiade-
mais; preciso,entáo,me defender;esperoestar completamente livre
paraagirquandoos chanceleres chegarem ao Rio,no mésquevem."
Além do Brasil,que náo queriacurvar-seá "sugestáo"norte-
americana, a Argentina e o chiletambémse mostravamlebeldes.
A nagáoandina,com um Governoprovisório, e ás vésperasde
eleigóespresidenciais, preocupava-se com a vulnerabilidade de sua
longalinhalitoránea. Alémdisto,o chile mantinha excelentesrelagóes
comerciaiscom a Alemanha(a exemplodo Brasile da Argentína),
considerando inoportuno, sob o pontode vistaeconómico, ó rompi-
mentode relagóes pretendido pelosEstadosUnidos.
o novoPresidente da Argentina, Ramóncastilho,tendiaem fa-
vor do Eixode formamaisclarado que o Brasile o chile. Emboraos
signatários argentinos da Ata de Havana(1940)tivessemadmitidoque
"um ataquedo Eixoa qualquermembrodaqueleacordofosseum ato
de agressáocontratodosos demais",a Argentinaalegavaque o ata-
que a PearlHarbour,ocorridoem plenooceanopacífióo,em território
que nadatinhaa ver com os Estadosunidos,náo constituía um ata-
que ás Américas.Eraeste,aliás,tambémo pontode vistade chilenos
e brasileiros.
O Departamento de Estadodos EstadosUnidos- "ForeignRe-
lationsof the u.s.", 1942,V, p. 17,registraa seguinte opiniáoáeum

104
almirante "É precisonáoesquecerque um quintode nossa
argentino:
populagáo é origináriados paísesdo Eixo,especialmente da ltáliae
da Alemanha."
Haviauma diferengafundamentaf entreo que se passavano
Brasilem relagáoao Chilee a Argentina:nestesdois últimospaíses,
os ¡'ninistros
das RelagóesExterioresestavamperfeitamente afinados
com os seuspresidentes; no Brasil,o Ministrodas RelagóesExterio-
res náo representava os interessesdo seu País,mas os de Washing-
ton!
Eis o que escreveJohnW. F. Dullesem sua obrapor diversas
vezescitada(GetúlioVargas- BiografiaPolítica,p. 235):

"No Brasil,OswaldoAranhapediua Cafferyparacomunicar


a Sunmer Welles que estaria inteiramentea seu lado na
Conferéncia,em todos os assuntos..."

Os militares brasileiros
se opunhamao rompimentode relagóes,
pretendidopelo Governoamericano,náo por serem germanófilos,
comopretendiaOswaldoAranha,mas por razóesóbvias,EuricoDutra
e PedroAméricode GóisMonteiro,ás vésperasdo rompimento, de-
clararampor escritoao Presidente GetúlioVargas(JohnW. F. Dulles,
O p.c i t .p . 2 3 5 ) :

"O rompimentode relagóesdiplomáticassignifica,imediata


e inevitavelmente,o estado de beligeráncia.Gonsideramos
nosso dever reiterarque as ForgasArmadasbrasileirasnáo
estáo suficientementepreparadase equipadaspara defen-
der o País."

Armadocomestaopiniáoconjuntado Ministério da Guerrae da


Chefiado Estado-Maiordo Exército,
EuricoDutrapreparouum memo-
randorecomendando que o Brasiladiasseo rompimentocom os paí-
ses do Eixo,pelomenos"atéque logremosrecursose eficiénciaque
nos possibilitem
uma lealcooperagáo com os Estados (José
Unidos."
Caó. Dutra,p. 127)
da Guerrapreveniuao Presidente:
O Ministério

"A falta de equipamentomodernode artilhariacosteirae an-


tiaérea,nossa Marinhade Guerrainsuficientee desapare-
lhada, colocaráo nossa Marinha Mercante ¿ mercé de
ataques,que por certo háo de acontecer..."

105
certamentepor levarem contaessasadverténcias de partedo
Ministroda Guerrae do chefe do Estado-Maior do Exército,cetrllio
anotara,em 25 de janeirode 1942,"pensoque vou passara noite
sob esta perspectivapouco agradável".
O Presidentetinha que dar a última palavranuma questáode
gumaimportáncia paraa vidado País,semconsultar a Nagáo,á reve-
lia da opiniáopública,deixando-se levarperoque estavaao alcancé
de seusolhos.No Riode Janeiro,a imprensacumprirasua parte,ce-
dendoás pressóesdos grandesanunciantes da época- sheil,Ailan-
tic, Esso,Lightand Power,etc. e tal - canalizando a opiniáopública
em favorda causaAliada.Algumasmanifestagóes de rua levaramo
Presidente a pensarque a maioriados brasireiros externavaopiniáo
idénticaa dos cariocas.Mas nem aos cariocasse apresentou o pro-
blemacrucialdecorrente do rompimento de relagóespretendido pelos
Estadosunidos:os brasileiros estavamconcordesem expora Mari-
nha Mercantebrasileiraaos riscosadvindosda medida?Riscosmuito
bemdetectados por Dutrae Góis?
Certamente que os brasileiros,em sua grandemaioria,náo le-
varamem contaessacircunstáncia. E quandoo absolutamentepre-
visívelocorreu,tal comosucederanosEstadosunidos,quedaram-se
todosperplexos, surpresos,ante um novo,ataque, paraos desavisa-
dos ou mal-informados, táo "traigoeiro"e "ínesperado',quantoo bom-
bardeionipónicoa PearlHarbour.
A fórmularefeitapelo ltamarati,discutidacom o chancelerar-
gentinoGuiñazú,entreos dias22 e 23 de janeiro,satisfazia tantoo
Governode RamónCastilhoquantoao Chile,porque"recomendava" o
rompimento de relagóesdiplomáticas, transferindoá decisáosoberana
de cadaGovernoas alternativas de declará-loou náo.
De conformidade comJohnW. F. Dulles(Op.cit.p. 238),"quan-
do o secretárioHulltomouconhecimento do assuntoem washington,
achouquetinhahavidoumagrave"rendigáo" á Argentina,e faloupelo
telefonede formamuitoríspida,comonuncatinhafaladoantesa qual-
quer funcíonário do Departamento." Temia-seque o Brasil,á ultima
hora,"roessea corda".
SunmerWellesouviupoucase boas,tendosido instruídopor
cordellHull(secretário de Estadodos Estadosunidos)"a repudiaro
acordopropostopeloBrasile Argentina, e náo arredarpé da fórmula
americana". (John.W. F. Dulles.Op.cit.p. p38)
As pressóescomegavama surtirefeito.Antesdo encerramento
da conferéncia, o Peru,o uruguai,a BolÍviae o paraguaianunciaram
seus rompimentos com os paísesdo Eixo,"a despeitoda previsáo
pessimista de cordellHull,de que sunmerwellesforaenganadocom
promessas". (Cf.SunmerWelles.SevenDecisionsthat ShapedHys-
tory, p. 1161117)

106
.Ery_26de janeiro,GetúlioVargasnáo tinha chegadoaindaa
umadecisáo:

1942

26 de ianeiro - Recebio Oswaldocom quemconverseilonga-


mentesobrea situagáointernacional e a necessidade de nos
pronunciarmos sobreo rompimentode relagóescom os países
do Eixo até a hora de encerramento
da conferéncia,amanhá.
Resolviconvocaro Ministérioparaamanhá,ás .t4 horas.A ses-
sáo de encerramento da Conferéncia
deverácomegarás 17 ho-
ras. Há dúvidassobrea atitudedo Ministroda Guerra.Só náo
há dúvidasde que estamosatravessando um momentograve
sobrea sortedo Brasil.

1942

27 de janeiro - Sabendoque o Ministroda Guerrapretendia


exonerar-se,promovi,por intermédiodo Amaral (Ernanido
AmaralPeixoto- genrode Getúlio)umareuniáoem casadeste,
do generalGóise do Ministroda Guerra.euandochegouo Os-
waldo,fiz com que este comparecesse até tá, a fim de desfazer
algunsressentimentos queos outrostinhamcontraele.

As 15 hs e 30 min,instalou-sea reuniáodo Ministério.


Fiz uma
exposigáoda situagáocriada pelos acontecimentos, do in-
sistenteapeloque o Governoamericanofaziaao Brasil,das
conveniénciasem atendé-lo,das desvantagensde qualquer
procrastinagáoe das conseqüénciasque poderiamadvir de
uma atitude negativa.Dei a palavradepois a cada um dos
Ministros, que justificaram seus votos pelo rompimento.
Quandochegoua vez do Ministroda Guerra,estejustificou
sua atitude(contráriaao rompimento),alegandonossafatta
de preparo militar para a guerra, a culpa dos americanos
náo nos atendendo,o receiode que tal atitudenáo se modi-
ficasse,a conveniénciade um adiamento,mas terminando
pelasua solidariedadeparacomigo.
Depoisdasjustificativasde outrosMinistros,
tomeinovamente a
palavraparaapreciaro resultado dessademonstragáo, louvara
franquezae lealdadedo Ministroda Guerra,e terminarautori-
zando o Ministro do Exteriora declararo rompimentona
sessáo de encerramentoda Conferénciae declarandoque

107
tomava sobre meus ombros a responsabilidadesdessa ati-
tude.
Ao encerrarestas linhas,devo confessarque me invadeuma
certa tristeza.Grandeparte desseselementosque aplaudem
essaatitude(o rompimento de relagóescomos paísesdo Eixo),
algunsque até me caluniam, do regimeque
sáo os adversários
fundei,e chegoa duvidarque possaconsolidálopara passar
tranqüilamente o Governoao meu substituto.(Grifodo autor
destaobra.)

É interessante
ressaltarque nas eleigóesrealizadas
no finalde
(2
1945 de dezembro), GetúlioVargasapoiariajustamente a candida-
turado generalEuricoGasparDutra,o únicodentreos Ministrospre-
sentesá reuniáoda tardede 27 de janeirode 1942,que se opusera
ao rompimentode relagóescom os paísesdo Eixo.Oconeque todas
as justificativas
apresentadaspeloentáoMinistroda Guerra,comofa-
toresque desaconselhavam a atitudetomadapeloGovernobrasileiro,
confirmaram-sena prática.

1942

28 de janeiro - Ao anoitecer,ouvi pelo rádio o encerramen-


to da Gonferéncia.Notade Rodapé:A lll Reuniáode Consul'-
ta dosChanceleres das Repúblicas Americanas aprovouapenas
a "recomendagáo" de rompimento com os paísesdo Eixo (fór-
mula propostapor Brasile Argentina,que desobrigava os Go-
vernos),de modoa preservar a unidadecontinental. No mesmo
dia, o Governobrasileirooficializouo rompimentodas relagóes
diplomáticase comerciaiscom a Alemanha,a ltáliae o Japáo.)
Os discursos - continuaGetúlio- tiveram,no geral,o mesmode
retóricaliberalóide,
obsoletae palavrosa. Mas os oradoresfo-
rammuitoaplaudidos.

Durantea sessáode encerramento da Conferéncialnterameri-


cana,OswaldoAranhatecerarasgadoselogiosá democracia e infor-
mara que, algumas horas antes, o Presidentedo Brasil tinha
determinadoo rompímento de refagóes e comerciais
díplomáticas com
as poténcias
do Eixo.
Convémcomplementaro relatodos fatos que antecederamo
rompimentode relagóescom os paísesdo Eixo,acrescentando reve-
lagóesrecentes,tornadaspossíveispelo levantamentodas restrigóes
de acessoaos documentos sigilososou secretosdo Pentágono e do
ForeignRelationsdos EstadosUnidos.O conteúdodessasrevelagóes
permitiuque o norte-americanoFrankD. Mc CANNJr., professorda

108
Universidade de lndiana,escrevessee publicasse a obra "Brazilian-
AmericanAlliance",traduzidae publicadapela Biblioteca do Exército
em 1995,mas que somenteduranteo decorrerde 1996chegouás
máosdo autordestelivro.
As revelagóesde Mc CANNJr. sáo por vezesestarrecedoras,
entristecedoras,provocadoras de vergonha,por ofenderemo brio na-
Massáo reais,tantoé assimquea obrade Mc CANN
cionalbrasileiro.
Jr. foi agraciadanos EstadosUnidoscom duasdistingóes: o Prémio
Boltone o PrémioStuartL. Bernarth(concedidopela Sociedadede
Historiadores de Relagóes Americanas).
Internacionais
Náose trata,evidentemente,de umaobrapró-Alemanha. Muito
pelocontrário! de seu conteúdoparaa literatura
Daí a importáncia re-
visionistada SegundaGuerraMundial.Em 6 de fevereirode 1939,
SETE MESESantesde comegaroficialmente a guerra,conformeo
War PlansDirection ll, RS, NA),o Presidente
WPD (4115-4,A7, \AAIV,
Rooseveltrealizavauma reuniáosecretacom a Comissáode Assun-
tos Militares,na qual expressousuasopinióessobreo mundo.O se-
cretárioda referidareuniáoregistrou:
'A preocupagáo pela segurangacontinentalfoi, logo a se-
guir,enfatizadaquandoo GeneralGeorgeC. Marshallsolici-
tou ao Army War College para estudarsecretamenteos
passosnecessários para salvaguardaro Brasil."(O grifo é
do autordestaobra.)

de que ou de quem,se haviaentáopaz no mun-


Salvaguardar
do?
comosempre,temiama Argentina,seu
Os militaresbrasileiros,
rivalno continente,maso GeneralMarshallnáo pretendia salvaguar-
dar a fronteirameridional Sua preocupagáo
brasileira. era em ocupar
o salientenordestino,preparandobasesde conquista,e náo de defe-
sa, paraa guerraque se urdia.
insistemem que a SegundaGuerraMundial
E os "historiadores"
foidecidida na Conferéncia de Hossbach!
O "specialStr.ldy,Brazil",em 29 de margode 1939,registrava
outroestudodo ArmyWar College,o qualconcluíaque "asforgasbra-
sileirasnáo eramsuficientemente fortesparasalvaguardaro saliente
do Nordestee, principalmente a cidadede Natal,de grandeimportán-
ciaestratégica paraos EstadosUnidos,e somenteestesconseguiriam
forneceras necessárias forgasde defesa".
Mc CANNJr. (A AliangaBrasil-EstadosUnidos,p. 144),re-
portando-se ao estudoacimareferido, diz:

109
"o planejamento militaramericano,
de 1g39a ig42, davarealce
á naturezaexpostado sarientebrasileiro
e ao desejodo Exérci-
to de guarnecé-lo
comtropasdos Estadosunídos.ós planosdo
Exércitoamericano,a essaaltura,especificavamobjetivosparti-
cularesa curto prazo,a maioriados quaisvisavao estaciona-
mentode suasforgasno Nordeste.',

os planosde invasáode território brasileiro


náoforammontados
em 1941comose chegoua pensar.comegarammuitoantes.Em épo-
ca anteriorao início"oficial,'do
conflito.
Parafacilitaras coisasparao invasor,reduzindo-lhe o dispéndio
em vidase material,nada melhordo que as agóesde espionágens.
Em meadosde 193g,o GeneralGeorgbc. Marinallvisitavao Brasit.
A respeitodessavisita,escreveMc cnñN Jr. (op. cit.p. 11):"Marshall
causouuma excelenteimpressáo aos brasileirose ele e seusasses-
soresobtiveramdadosmuítoímportantes sobrea capacidade de defe-
sa do Brasil,planose atitudes."
A espionagem náo se resumiuá visitade Marshall.Maisadian-
te, Mc CANNJr. (Op. cit.p. 121)relata:

"Duranteo veráode 1g39,o Departamento de Guerratinhacon-


seguidoque FortalezasVoadorasamericanas visitassemo Riode
Janeiropor ocasiáodo 50oaniversário da República. (...)o vóo
deu aos Estadosunidosa oportunidade de réalizaruma sonda-
gem aéreade rotasaté o salientebrasileiro
e examinara áreade
Natalcomopossíverrocarizagáode umabaseimportante."
Enquantoos americanos tramavama sarvaguardado Brasil,
este mantinhacomércioativoe estreítasrelagóescJm o temido pos-
sível agressor.A Alemanhaofereciauma oportunidade de expándir
exportagóes e comprarprodutosacabadossem o gastode divisas.
Representava urnexcelentecanalde saídaparao atlooao,a madeira
e as frutas,comoa laranja,que náotinhammercado-nos Estadosuni-
dos' Em 1937,o Brasilse colocavacomoo gopaísdentreos queven-
diam para o Reich.No ano seguinte,os aremáesaumentavam suas
compraselevandoo Brasilpara o 60 lugar. 41% do café exportado
pelo Brasilduranteo ano de 193gforamadquiridos pelaAlemanha.
outros itens,comoo cacau,a borrachae a lá estavamsendocompra-
dospefoReichem quantidades crescentes.
ostensivamente, os americanosnáoobjetavam as vendasbrasi-
leiras.dealgunsprodutosparaa Alemanha, émboraestivessem preo-
cupadoscom a competigáo do afgodáobrasíleiro;
o que fhescausava
preocupagáo era que as vendasbrasileiras
obrigassem, automatica-
mente,comprasde produtosaremáesque comfetiamcom produtos

110
americanos. (Comose sabe,o comérc¡o entrea Alemanhae o Brasil
era realizadona basede trocas.)A Alemanha,por seu lado,incentiva-
va a expansáocontínuadasimportagóes do Brasil.
No aspectopolítico,o Brasilera um declarado inimigodo comu-
nismo,sem qualquercontatocom a Rússiae, tal comoa Alemanha,
náoera membroda Ligadas Nagóes.Alémdisso,o EstadoNovotinha
muitospontoscomunscomo nacional-sociálismo.
Em entrevista ao "BerlinerBürsen-Zeitung"(Berlim,23 de junho
de 1939),o Ministroda Economia e Presidentedo Reichbank, Walther
Funk,afirmouque "as economias da Alemanhae do Brasileramnatu-
ralmentecomplementares, porqueo Brasilera extremamente ricoem
produtosprimários,enquantoa Alemanha,emboraaltamenteindus-
trializada,era pobreem recursosnaturais.Sustentouque ambosos
paísesnecessitavam-se reciprocamente,mas,emboraas necessida-
des Alemanhafossemagudas,o Reichnáo desejavaum monopólio
comercial,mas somenteumajustaconcorréncia paragarantirumafa-
tia dasexportagóes e importagóes do Brasil."
A entrevista
de WalterFunkterminava assim:
"Se os esforgoscontrao intercámbio de produtospor via de
compensagáoforem coroadosde éxito, o Brasil perderáum
mercadoaltamentereceptivoe um suporteimportantepara a
sua economianacional.O mercadoalemáo,integradopor 90
milhóesde pessoas,é vitalparao futurodo Brasil.O intercám-
bio comercialentre os dois paísespode desenvolver-se, sem
necessariamenteprejudicar (...)Enquantoisso,a polí-
terceiros.
tica económicabrasileirabuscaráa manutengáo de sua inde-
pendéncia,sem se sujeitara determinados paísesou gruposde
países.A Alemanhaestá dispostaa tazertudo que puderpara
cooperarcom os brasileirose assistirao seu desenvolvimento,
tal comoestabeleceu em seuPlanoQuiqüenal o PresidenteVar-
gas."

Iniciadaa guerra,devidoas dificuldades


de navegagáo no Atlán-
tico,a Alemanhacontinuou adquirindo produtosbrasileiros,
depositan-
do marcosde compensagáo no Bancodo Brasil,mesmoque estes
produtoscontinuassem estocadosem territórionacionalno aguardo
de transporte.Os saldosbrasileiros cresceramacimade 97 milhóes
de marcos.O Governoalemáoacreditavano rápidofinal da guerra,
náoporqueesperasse vencera lnglaterra,masporqueacreditava que
se chegassea um acordode paz. Tratava-sede uma guerraque a
Alemanhanáodeclarara, de umaguerraqueo Reichnáoqueria.
Duranteo primeirosemestrede 1939,GetúlioVargaspermitira
queseufilhomaisvelho,Lutero,fosseestudarna Escolade Medicina da

111
universidade de Berlirn,o que os alennáes consideraram um gestode
aprego.Com o irrompimento do conflitobélicocom a polónia, em 10
de setembrode 1939,e conseqüente declaragáode guerraá Arema-
nha por parteda Inglaterae da Franga,o filhodo presidentebrasirei-
ro náo retornouá Pátria,continuando seusestudosna capitalalemá.
Quandoo ltamaratipropósuma nova troca de embaixadores
(Rittervinha sendo acusadode incentivaros movimentosnazistas
ocorridosnos estadosdo sul, por partedos órgáosde imprensager-
manófobos),o Governode Hiflerconcordou,e, em junho de 1939,
KurtMax Prüferfoi nomeadoMinistroplenipotenciário no Brasil.The-
místocles de GragaAranha,Embaixador do Brasirna Alemanha decla-
rou aos jornais berlinenses,que acreditava"gue as conexóes
partidáriasde Prüfere amizadedestecomo Führer,ao invésde preju-
diciais,certamentecontribuiríampara faciritaras aproximagóes dbs
doispaíses."(Cf.DGFP-D,GragaAMNHA, Berlim,1g3g)
Na época,importantes oficíaísdo Exércitobrasileiro,inclusiveo
Ministroda Guerra,EuricoGasparDutra,e o chefe do Estado-Maior
do Exército,GóisMonteiro, receberam medalhas alemás.
Quandoa Alemanhainvadiuos paísesBaixose o Uruguaisu-
geriuque os paísesamericanos protestassem, as autoridades brasilei-
ras a isso se opuseram.GetúlioVargas reiteradasvezes discursou
reafirmando a neutralidade brasileirai a náo ingerénciaem assuntos
relatívosao continenteeuropeu.Todavia,porterémse tratadode atos
praticados em águasamericanas, protestou juntoá lnglaterra quanto
aosincidentes do GrafSpeee do Wakama.
Leitáode CARVALHO (Servigodo Brasil),p.z2|registra:

"Numadiscussáo rálizadano dia 11 de junho


maisacalorada,
de 1940,diversosmembrosdo gabinetedo GeneralDutrasus-
tentaramque a vitóriada Alemanhasó poderiatrazervanta-
gens ao Brasil.O poderioinglés - argumentavam - havia
duranteséculosdominadoo mundo,e a Alemanhaera a liber-
tadorade paísescomoo Brasíf,que vÍvíamsem possíbilídades
de libertagáode um regimecolonialimpostoá sua economia
pelasgrandespoténcias democráticas."

O Embaixador FreitasValle (AHMRE,Berlim,1g4O),faz uma


observagáo interessante
sobreas razóesda desconfianga dos milita-
res brasileiros
paracoma lnglaterrae os EstadosUnidos:

*O Wakamaeraum navio
mercantealemáointerceptado porbelonaves británicas
a 15
milhasda costabrasileira
e afundadoporsuatripulagfoem 12 de fevereiro
de 1940.

112
"Afinal,náo haviao Governodos EstadosUnidosnegadoao
devidoá posigáodo Congresso
Brasilalgunscontra-torpedeiros
emboranominal-
e á pressáoda Argentina?Em contrapartida,
menteneutros,haviamcedido á cinqüenta
Inglaterra deles,sem
qualquerconsultaao Congresso."

Nessaépoca,determinados setoresda imprensa,apesarda


censura,comegavam a instigaros brasileiroscontraas minoriasale-
másdo Sul do País,alegandoa ocorréncia de movimentos nazistase
de "quintacoluna".O Presidénte
atividade Vargas,convocou o Embai-
xadorPrüfere declarou(Cf. Mc CANN Jr. Op. cit. p. 158):

"Toda essa agitagáoé devida á propagandaestrangeirade


mentiras,levadaa efeitoprincipalmente por imigrantesjudeus,
e istonáo serátolerado."(Grifodo autordestaobra.)

Em agostode 1939,atravésdo PlanoRainbowl, o Departamen-


to de GuerraAmericano voltavaa pÓros olhosno Salientenordestino.
CONN& FAIRCHILD (The Fra¡neworkof HimisphericDefen-
que
se, p. 272t273)afirmaram "o reconhecimento aéreorealizadopelo
GeneralDelosEmmons,na Américado Sul, em novembrode 1939,
enfatizavaque a área de Natalera de importáncia fundamentale ex-
tremana defesado territóriocontinentaldos EstadosUnidose do Ca-
nal do Panamácontrauma possívelcoalizáode nagóeseuropéias.
Duranteo outonoe o invernode 1939/1940, planejadoresdo Exército
e da Marinhaelaboraram projetosdetalhados do enviode uma forga
expedicionáriaao Nordestedo Brasil".
Mc CANNJr. (Op.cit. p. 167)acrescenta informagóesa respei-
to:

"Porordemde Roosevelt, duranteo fim de semana(25 a 31 de


maiode 1940),o Exércitodesenvolveu o planoPot of Gold,de
langamento de uma forgade 100.0q0homensa váriospontos
de Belémao Riode Janeiro."
do litoralbrasileiro,

CONN& FAIRCHILD (Op.cit. p. 1751176)e CordellHULL(The


Memoirsof CordellHull,Vol.l. p.8201821)relatamque o Departamen-
to de Estadocondordou ernenviarautoridades conSularesa Natale a
instruircónsulesbe outrasáreasa obterinformagóes paraplanejaro
deslocamento de tropasnorte-americanas parao Brasil.
Notemo queescreveMc CANNJr. (Op.cit.p. 167):

"O planode guerratragadoem meadosde junho(RainbowlV)


no
projetavao Nordestedo Brasilcomoum teatro-de-operagóes

113
casode quedada Inglaterra.
Alegava-seo riscode umainvasáo
alemá,mas, na verdade,o ServigoSecretoamericanoestava
bem informadode que náo haviaplanoatgumnestesentido.
Apesardisto,duranteo veráode 1940,os chLfesmilitares
ame-
ricanosagiamcomo se uma invasáodo Hemisfério ocidental
fosseiminente""

Enquantoisso,os americanos pressionavam o Governobrasilei-


ro paraa "desgermanizagáo" do transporte aéreodo país.criou-sea
ADP (Programa de Desenvolvimento de Aeroportos),coma finalidade
de instalaruma cadeiade camposde pousoe bases,que se desen-
volverama partirdos Estadosunidos,comoos bragosde uma tor-
qués, convergindosobre Natal. Entrementes,a pan-American
comegava a substituira Lati,a condor,a Varig,a Vaspe a cruzeiro
do sul, que utilizavam aeronaves, pilotose servigosde manutengáo
alemáes.
DizMc CANNJr. (Op.cit.p. 181):

"A ADP foi a contribuigáo mais importanteda pan-American


paraa vitóriados Aliadosna segundaGuerraMundial.sob um
contratosecretocom o Departamento de Estado,a pan-Ameri-
canconstruiua malhade basesaéreasque colocouNatala oito
horas por ar de Dacar,tornandoaqueleaeroportobrasiieiro
'trampolim
da vitória'que permitiuum permanente fluxode ho-
mens,aeronaves e equipamentos paraas frentesde batalha."

A Pan-American iniciou,imediatamente, a aumentare melhorar


as instalagóesde suasbasesno Brasilsob as expensasdo "patroci-
nador"- que é comoas autoridades norte-americanas se referiamao
Exército.
O documento SADATC(History, part l, ll, p.71) esclarecequea
sangáooficialbrasileiraparaa construgáo e melhoriadas basesaé-
reasexistentes náo foi uma meraformalidade: "se os brasileirosnáo
tivessememitidoo decreto,os Estadosunidosteriamsidocompelidos
a ocuparo Nordestepelaforgadas armas,paragarantira seguranga
e livreusodosaeroportos."
Náo eram todos os brasileirosque aceitavampassivamente a
paulatinaagressáoque se faziaá soberania do país.Em váriascida-
des brasileiras,
notadamente nascapitaisdo Nordeste, ocorreram ma-
nifestagóes de repúdioá quebrada neutralidade Houve-
brasileira.
comorelataMc CANNJr. (op. cit.p. 1g0)- "discursos inflamados ínci-
tandoa destruíremas instalagóes com dinamitee fogo, porqueeram
obrasde brasileiros traidores,que se haviamvendiáoaos america-
nos."Em todasas guerrasaparecemfigurasdestejaez. Houve,na

114
Históriado Brasil,Calabar,Silvériodos Reis,Basíliode Brito,lnácio
CorreaPamplonae, nesteséculo,CaubyC. Araújo- o testa-de-ferro
da Pan-American no Brasil.
Mas o outroladoda medalhatambémse fez presente.De um
ladohaviaos "colaboradores"; de outroos "contestadores".
SegundoMc CANNJr. (Op.cit. p. 191),"ennfevereirode 1942,
um trabalhador brasileiropós agúcarnos tanquesde gasolinade um
B-17,que se espatifoulogodepoisde levantarvóo,matandotodosos
novehomensa bordo."
A neutralidade nominalbrasileira comegava a provocara Alema-
nhamesmoantesdo rompimento oficialde'relagóes.
Os aeroportos do
Nordeste,ao invésde servira urnaempresaaéreade transportes, a
Pan-American, comegavam a ser utilizadosdespudoradamente para
fins bélicos.Aeronavesostentandoemblemase documentagáo norte-
americanos, partiamdo Brasile, táo-logoaterrizavam em territórioafri-
cano,mudavamos dísticosparaos da RoyalAirForcel
Eis como os americanos descreviamo cotidianode seus ho-
mens em territóriobrasileiro(Cf. SADACT,History- Part ll, lV p.
77t78):

"Os alojamentosestavamsendo gradativamente construídos,


masfaltavamtelas;emboraa brisapermanente do marafugen-
tasseos mosquitos da malária,moscassobrevoavam o lixo,as
latrinasdescobertase a eventualdefecagáodos trabalhadores.
A diarréiae a desinteriaeram flagelosa que poucosconse-
guiamescapar.(...) Os hsmensbebiammuitoe experimenta-
vam os prazeresdas prostitutaslocais que se multiplicavam
rapidamente."

Colocandouma pá de cal sobrea questáodas basesamerica-


nasno Nordeste, opinaMc CANNJr. (Op.cit.p. 194):"SeVargase as
ForgasArmadasnáo tivessemcolaborado,os Estadosunidosteriam
tomadoa regiáopelaforga,o que provavelmente teriacausadosérias
e constantes lutasno Brasil."
Quandoo Governobrasileiro se mostrouintransigentequantoá
pretensáodos EstadosUnidosem mandartropas para o Nordeste,
muitos artifíciosforam utilizados.Por exemplo:a solicitagáonorte-
americanapara participarde manobrasbrasileiras já previstas,com o
que se permitiriaque forgasdos Estadosunidosentrassemem territó-
rio brasileiro,
levouao cancelamento dosexercíciosmilitares.
Apesardo "oba-oba"de boa parteda imprensacomprometida
coma causaAliada,a cúpulamilitarbrasileira estavaprecavida a res-
peitodasintengóes de Tio Sarn.

115
O Embaixador Cafferypreveniuo Governode seu País:"Nos-
sastropaspodemser enviadasa Natal,mascontraa vontadedos bra-
sileiros.Somentepelaforgadas armasa regiáopoderáser ocupada.
E um errode nossasautoridades militareslevaradiantequalquercoi-
sa destetipo."(ln:CONN& FAIRCHILD, Op.cit.p. 293)
Aproximava-se a datada Ill Reuniáode ConsultadosChancele-
res das Repúblicas Americanas, a realizar-se em meadosde janeiro
(15
de 1942 a 18).Washington inibiuiniciativasde levara Conferéncia
para outro lugar (Santiago,Panamáou Washington), porqueHull e
Wellesacreditavam que a "psicologia" criadacom a manutengáo do
encontrono Riode Janeiroseriafavorável á causaAliada:
- em primeirolugar,porqueo Brasil,comopaís-sede da Confe-
réncia,seriaforgadoa responder segundoos interesses norte-ameri-
canos,lideranga política,
económica e militarincontestena América;
- em segundolugar(Cf.Wellesa Caffery,Washington, 14 de
dezembrode 1941),porque,ali,a Conferéncia seriapresidida por Os-
waldoAranha.
A Alemanhajá vinhaacusandoo Brasilde viofara neutralidade
ao permitirque aeronaves americanas em vóo paraa Áfricavoassem
via Natal.O rompimento de relagóestraria,inevitavelmente, represá-
lias.
A cúpulamilitare o Governobrasileiroestavamperfeitamente
cientesdos riscos.Os militarespreveniram aos Ministroscivise ao
Presidente acercadas conseqüéncias do rompimento. Em contraparti-
da, OswaldoAranha- o trunfode Hulle Weles,comopresidente da
Conferéncia - jogavao seu prestígio colocando-se em oposigáoa Du-
tra e GóisMonteiro.O Ministroda Guerrae o Chefedo Estado-Maior
do Exércitoestavamconvencidos de que um passoextremo,comoo
pretendido pelospartidários do rompimento, levariao Brasilimediatae
inevitavelmente á guerra,e que as forgasArmadasbrasileiras náo se
achavamsuficientemente equipadase preparadas para assegurara
defesado território.Tampoucoa Marinhade Guerrado Brasilseriaca-
pazde garantira navegabilidade da frotamercantedo País,necessá-
ria náo só parao abastecimento de produtosvindosdo exteriorcomo
parao próprioabastecimento interno.
Nessascondigóes, a regrageralé que se dé prioridade ás infor-
magóesda esferamilitar,a únicacapacitada a opinarsobre questóes
de segurangaexterna.Quandoda lll Conferéncia dos Chanceleres
das Repúblicas Americanas, fez-seouvidode mercadorás pondera-
góesdo Ministroda Guerrae do Chefedo Estado-Maior do Exército.
Deu-seouvidoe fez-sea vontadedo Ministrodas RelagóesExterio-
res.

116
O Ministérioresolveque o Brasil declararáguerraá Alemanhae á ltália.Ale'
xandre MarcondesFilho, Ministro do trabalho e, interinamente,da Justiga'
apertaa máo de Vargas.AparecemApolinárioAles, da Agricultura,Mendonga
Lima,da Viagáoe ObrasPúblicas,Dutra,da Guerra,Capanema, da Educagáo.
Agosto de 1942.

117
118
ur- coNseeüÉr.rclAs
DoRoMptMENToDEnrmgóes
comos paisesDoErxo

A decisáobrasileirade rompercom os paísesdo Eixo,tomada


na tardede 27 de janeirode 1941, e materializada
duranteo transcor-
rerda lll Reuniáode ConsultadosChanceleres dasRepúblicas Ameri-
canas(28 de janeirode 1941),traziagranderiscosparao País,além
dos prejuízoscomerciaisincalculáveisresultantesda paralizagáo do
intercámbio de mercadoriasentreo Brasile os paísesem guerracom
os Aliados.
GetúlioVargas,no dia seguinteá derradeira reuniáodos chan-
celeres,recebeuos plenipotenciáriosnorte.americanose registrouem
seuDiário:

1942

29 de janeiro - Vieramalmogarcomigoo Sr. SumnerWellese


o Embaixador Caffery.Conversamos antescomgrandefranque-
za sobreos acontecimentos,os riscosque o Brasilcorriae as
necessidades em materialbélicoe produtosindustriaispa'a a
nossadefesae seguranga. Welles manifestou-semuito pre-
venido contra a Argentina e disposto náo só a negar-lhe
qualquerauxílio,como a tornarmedidasde ordemeconómi-
ca e financeiracontra ela. Mantiveatitudediscretaquantoa
isso.Fez-meas promessasmaisformaisde que cuidariaque
fossemsupridasas necessidades do Brasil.Os argentinos,
que deviam partir hoje, sofreram um acidente de aviáo,
caindo nas águas da Guanabara.Felizmenteforam salvos.
(Grifodo autordestaobra.)

1942

3l de janeiro - A noite recebio Ministroda Fazenda,com


quemestivetratandoda sua próximaviagemaos EstadosUni-
dos.

GetúlioVargas,em razáodas promessasde Wellese Caffery,


decidiraenviaro Ministroda Fazenda(Arturde SousaCosta)a Was-
hington,paraconcluiros acordosde auxíliodos EstadosUnidospara

119
as m¡nasde ferrode ltabira,parao incremento da produgáo
de borra-
chae parao desenvolvimento da produgáo de materiais
básicose es-
tratégicos e outrosrecursosnaturais.
Antesde partir,SousaCostacomentoucom o Embaixador Caf-
feryque o principalobjetivoda suavíagemera assegurara protegáo
da Marinhade Guerrados EstadosUnidosá navegagáomercante
brasileirae a obtengáodo armamentonecessário.JohnW. F. Dul-
les (Op. cit. p. 238) confessaque "tantoo Ministrocomo o repre-
sentantedo Exércitobrasileiro em Washington tiverampoucasorte".
O Departamento de Estadodos EstadosUnidos("ForeignRela-
tions of the U. S." -1942, V, p. 641)registra:

"QuandoOswaldoAranharecebeu,no Riode Janeiro,umalista


do equipamento paraa entregaao Brasil,co-
militardisponível
mentouque se tratavada "coisade sempre".E dissea Caffery:
"Vocésnos estáo descarregando muitoscaminhóes.Diga a
Wellesparaarquivara lista,esquecé-|a."

OswaldoAranha,que empenhara sua palavrana reuniáominis-


terialda tardede 27 de janeirode 1942,assegurando, com isso,a
aprovagáo do rompimento de relagóescom os paísesdo Eixo,ficava
em difícilsituagáoperanteo Presidente e o Ministroda Guerra.E ha-
via um pontotáo ou maisnevrálgico aindaa considerar:seriamos nor-
tes-americanos capazesde assegurara navegagáotransoceánica
brasileira,e mesmoa de cabotagem, imprescindível
ás comunicagóes
comoNorteeoNordeste?
Tendoo MinistroSouzaCostamanifestado seu completodesa-
gradocom o andamentodas conversagóes, Wellesargumentou que
apoiariaas pretensóesdo Brasil.A controvérsia conformeafirmam
Conn & Fairchild(" ("The Frameworkof HemisphereDefense,p.
315)- "foiresolvidapor HarryHopkins,diretorda recém-criada "Muni-
tionsAllocations Board",que afirmoua disposigáo do governoameri-
canoem fornecer,brevemente, algunsavióes,bem comotanquese
canhóesanti-aéreos ao Brasil".
É claroque o Brasilnáo poderiaser atendidonaquelemomento,
mesmoque istorepresentasse a quebrade palavrade SumnerWelles,
JeffersonCafferye OswaldoAranha,poiso GovernoRoosevelt estava
preocupado em salvara pelede Stáline do manrismo soviético,canali-
zandoparaos portosde Murmansk e Arkangeltodosos recursosbélicos
de que dispunham. O materialbélicoremetidoao Brasil,a títulode con-
solagáo,foramvelhose obsoletos canhóesanti-aéreos retiradosdo Por-
to de NovaYork.(Cfe.JohnW. F. Dulles.Op.cit.p. 239)
Além da prioridade em suprira UniáoSoviéticae a Inglaterra,
pesavacontrao Brasilo fato de que seu governo,emborarompendo

120
relagóes com os paísesdo Eixo,continuava negandoaos americanos
a pretendidaocupagáodas áreas estratégicase dos aeroportosdo
Nordeste. Tantoé assimque pelomenosaté outubrode 1942,o Pen-
tágonocontinuou ultimandoos planosde invasáodo Nordeste brasilei-
ro. (Videmapainclusoá presenteobra.)
Nasduassemanasque se seguiram ao rompimento de relagóes
do Brasilcom os paísesdo Eixo,conformevastadocumentagáo exis-
tente nos arquivosdo ltamarati,Japáo,ltáliae Alemanha(principal-
menteos dois últimos),desenvolveram intensaatividadediplomática,
na tentativade demovero Governobrasileiroda atitudea reboqueda
conveniéncia americana.Debalderesultaram todosos esforgos.O ine-
vitávelacabouacontecendo, e o registrode Getúlioelucidaa questáo
de umavez portodas:

1942

16 de fevereiro - Tive notíciasdo torpedeamento do navio


"Buarque", nas costasamericanas.
do LloydBrasileiro, Nota de
Rodapé:Rompidasas relagóesdo Brasilcom o Eixo,inciaram-
se as agressóesá frota mercantebrasileira.O "Buarque",que
transportava café,algodáo,cacaue pelespara
11 passageiros,
os EstadosUnidos,foi afundadopelosubmarinoalemáoU-432.
O rádioanuncioutambémque submarinos do Eixohaviambom-
bardeadodepósitosde petróleona ilhade Arubae torpedeado
quatropetroleiros
americanos próximoao canaldoPanamá.Es-
tas notíciascausaram-me penosa impressáo,comeqandoa
confirmar-seo que eu esperavada perturbagáodo nosso
comércio com os Estados Unidos e havia ponderadoa
SumnerWellesquandotratamossobre o rompimentode re'
lagóescom os paísesdo Eixo (Grifodo autordestaobra.)

Na entrevista antesdo almogode 29 dejaneiro,Wellesgarantira


a Getúlioque "a MarinhaMercantebrasileirase encontravasob o
guarda-chuva protetordos EstadosUnidose que estarialivrede ata-
ques no litoralda América".(Paraas viagensde longocursotranso-
ceánicas,os naviosbrasileirosdeveriamincorporar-seaos comboios
Aliados.)
O torpeamento do "Buarque",seguidodo bombardeio da ilhade
Arubae do torpeamento de quatropetroleiros
americanos,nas proxi-
midadesdo canaldo Panamá,foi umaoperagáo muitomaisde signifi-
cadodo que prático.Pretendeu que as
mostrarao Governobrasileiro
"garantias"americanas náo passavamde fanfarronice.O "Buarque"
náo sofreuataqueno litoraldesprotegido do Brasil,mas nas costas
"superprotegidas" dos EstadosUnidos.

121
E interessante ressaltarque Getúlio,usa de absolutafranqueza
ao registrar o torpedeamento do "Buarque" em seu Diário.Náofalade
um ato inesperado; mas da purae simplesconfirmagáo
"traigoeiro",
do que esperava.Era pelotemorde acontecimentos comoo afunda-
mentodo "Buarque", e de um continuado ataqueá frotamercantebra-
sileira,que o Ministroda Guerrae o Chefe do Estado-Maior do
Exércitovinhamse posicionando em contrariedade ao rompimentode
relagóes com os paísesdo Eixo.Aos civis,influenciados pelaimpren-
sa, passamdespercebidos os riscosinerentesa decisóesdo tipo da-
quelatomadapeloGovernobrasileiro. E os quetém nogáodo graude
risco,calam-secomoprocedeuRoosevelt em relagáoa PearlHarbour,
pelosimplesfatode que o inevitável (comoesperavaGetúlio)lhestraz
benefícios. Mesmoconcordando com o rompimento de relagóes,
Ge-
túlioVargas - nacionalistaque era - continuou negandoaos america-
nosa ocupagáo das áreasestratégicas e dos aeroportosdo Nordeste.
Em suma,o rompimento de relagóes do Brasilcom os paísesdo Eixo
náo surtiuos efeitosdesejados. Era precisodar uma sacudidelanos
briosde Getúlioe de seusMinistros militaresparaqueestesviabilizas-
semo apoiologisticode "Torch".
Eis o que escreveVernonA. Walters,o oficialamericanoque
acompanhou, comotradutor,o comandoda FEB durantea fase de
preparativos e agáoem territórioitaliano("MissóesSilenciosas"),p.
3 3e 7 2 ) :

"Em 1942,a guerraestavalongede correrbemparaos Estados


Unidose seus aliados.Os japonesescontinuaram avangando
no Pacíficoe no Sudesteda Asia. Na Rússia,os Exércitosale-
máes,aproveitando a primavera,
irromperam do Domaté o Vol-
ga e se aprofundaramno Cáucaso.Na África, a balanga
oscilava,pendendoora paraos ingleses,ora paraos alemáes.
Estespenetraram no Egito,alcangando El Alameine ameagan-
do Cairoe Alexandria,enquantomantinham a Europafirmemen-
te sob seu domínio.No mar, os submarinos, operandoem
grupos,desvastavam os comboiosAliados.Os EstadosUnidos
náose julgavamaindasuficientemente
e a lnglaterra fortespara
invadira Europaocupada.Todavia,sentia-seque algodeveria
ser feitoparade algummodoaliviara pressáosofridapelosrus-
sose contribuirparaas operagóes dosAliadoscontraos alemá-
es. A decisáotomadano maís alto escaláopelo Presidente
Roosevelte o Primeiro-MinistroW. Churchill,foi de invadira
Áfricado Nortefrancesa,por meiode uma poderosaoperagáo
anfíbia,entáobatizadacomo nomede "Operagáo Torch".(...)
Em 1942,quandoos EstadosUnidosse preparavam paraata-
car a Alemanhana áreado Atlántico,tínhamosde encontrar so-

122
lugáopara levar avióes,atravésdo Oceano,para a Áfr¡cado
Norte,parao OrienteMédioe parao Teatroda Chinae Birmá-
excetoparaos
nia. PeloFacífico,as distánciaseramproibitivas,
grandesavióesde transporteda época.Haviaa alternativado
percursopela lnglaterra,via lslándia,mas,tambémnestecaso,
só teriavalidadeparaos avióesmaiores. Ademais,as condigóes
meteorológicas da rota do norteacarretavamsériaslimitagóes
durantea maior partedo ano. Gragasa hábeisnegociagóes
como Brasil,mesmoantesde suaentradana guerraem agosto
de 1942,firmou-seum acordoparao estabelecimento de bases
navaise aéreasnorte-americanas brasi-
no salientencrdestino
leiro,o que veio reduzirpraticamente paraa metadeo espago
marítimoa ser sobrevoado."

Náo restadúvidade que o torpedeamento do "Buarque"teve


por objetivo,náo uma retaliagáo pelo rompimento de relagóes,mas,
sim,demonstrar que os americanos blefavamao assegurarprotegáo
paraa MarinhaMercantebrasileira. Tantoé assimque o Governoale-
máocontinuou enviandoao Brasilprodutosde que era devedorna re-
lagáode trocas.O autordestaobra,servindona Fábricade Juiz de
Fora (ex-Fábricade Estojose Espoletasde Artilharia),no periodo
196211973, tomou conhecimento atravésde registrose depoimentos
de antigosfuncionáriosque grandepartede sua maquinaria e apare-
lhagemfora instaladapor técnicosvindosda Alemanha, váriosmeses
depoisdo rompirnento de relagóes. Estacircunstáncia poderáserfacil-
mentecomprovadapor historiadores interessados no resgateda ver-
dade dos fatos.Por certoeste exemploaqui evocadonáo constitui
fato único.Os registrosalfandegários dos portosdo Rio de Janeiroe
de Santosháode oferecerinteressantes subsídios.
O ataqueseguinte,ocorridodoisdiasdepoisdo torpedeamento
do "Buarque"recebeude GetúlioVargasum tratamento O
cauteloso.
registrode 20 de fevereiroé sintomáticoem razáodo empregodo ver-
bo supor.Eiso queescreveuo estadista de largavisáo:

1942

20 de fevereiro- Um submarinoque se supóe alemáotorpe-


deououtronaviomercantebrasileiroem águasamericanas - o
"Olinda".Nota de Rodapé:O "Olindadesapareceu sem deixar
vestígios,
sendoconsideradoperdidoporagáodo inimigo.(Grifo
do autordestaobra.)

Tal comoocorreracomo "Buarque", tambémo "Olinda"forator-


pedeadono litoraldos EstadosUnidos.Quandosofreuo ataque,na-

123
vegavaao largode Virgínia,comGstino a NovaYork.Cabeaquiuma
interessanteobservagáo:quandodo ataqueao "Buarque", náo houve
vítimas.Como "Olinda"náo se repetiuo fato.Náohouvesobreviven-
tes,impedindo-se,assim,a identificagáo Atribui-se
do agressor. o feito
ao U-432,e tambéma ele o torpedeamento do "Cabedelo",que aca-
barade deixaro portode Filadélfia,
transportandocarváocom destino
ao Brasil.Tambémo "Cabedelo" desapareceu semdeixarvestígio...
Estesúltimosacontecimentos convenceram o Governoamerica-
no de que o Brasilestavaindignado o bastanteparaa reversua posi-
gáode intoleráncia:

1942

1ode margo- No sábado,28, procurou-me o Xanthaky,da Em-


baixadaamericana, com uma mensagem do PresidenteRoose-
velt,solicitando-me,
com grande empenho,a vindade uns mil
homens,entresoldadose oficiaisdesarmados, para reveravi-
óes americanos em tránsitoparaa Africa.Prometiatender,di-
zendoque iria antesconversarcom os Ministrosinteressados
no assunto.

1942

5 de margo- Despachocomos Ministros da Marinhae da Guer-


ra. Dei-lhesconhecimento dos resultados da MissáoCosta(Artur
de SousaCosta- Ministroda Fazenda,que se encontravaem
Washington). Notade Rodapé:Dasnegociagóes do MinistroSou-
sa Costa,resultaram os chamados Acordosde Washington, pelos
quaisos EstadosUnidosse comprometeram a: a) comprartodaa
produgáo de borrachaque excedesse as necessidades do Brasile
uma quota fixade café,com pregos estáveis; b) apoiartécnicae fi-
nanceiramente a criagáode umacorporagáo destinada a estimular
projetosde desenvolvimento económico; c) transferirpara o Go-
vernobrasileiroo controleda ltabiralronCo.e da fenoviaVitóriaa
Minas;d) elevarpara200 milhóesde dólareso créditoabertoao
Brasilpeloscontratos "land-lease".

1942

7 de margo- Recebio Xanthaky,a quemdisseque o Embaixa-


dor americanopodiaresponder
ao Presidente que eu
Roosevelt
concordaracom seu pedidode vindados técnicospara cuidar
dos seusavióesde passagemparaa Africa.

124
O ServigoSecretoalemáo,tomandoconhecimento de que o
Governobrasileiro comegava a a
viabilizar Operagáo Torch,informou
Hitler,e esteautorizou
Doenitz(comandante da frotaalemáde subma-

rinos)a atacarnaviosbrasileiros, que a atitudede colaboragáoex-
trapolava um simples rompimentode relagóesdiplomáticase
comerciais.

1942

8 de margo- Constao afundamento de um outronaviomercante


brasileiroem águasamericanas. Nota de Rodapé:O cargueiro
'Arabuatá"foratorpedeado pelosubmarino alemáoU-155,quando
viajavade Norfolfparao Brasiltransportando
carváo.

1942

10 de margo- Recebia notíciado torpedeamento de maisum na-


vio brasileiroem águasamericanas - o cargueiro
"Cairu".Determi-
nei a suspensáoda navegagáo paraos EstadosUnidosaté que
tivessenossanavegagáoprotegidae assineidecretospondoos
bensdos súditosalemáes,japonesese italianosem garantiados
danoscausadospelosseuspaíses.Nota de Rodapé:O afunda-
mentodo "Cairu",com materialestratégico, em 8 de margo,pelo
submarino alemáoU-94,levouo Governobrasileiro a pressionaros
EstadosUnidosno sentidode efetivarmedidas de protegáoe garan-
tia do tráfegomaritimoentreos doispaíses.O Decreto-Lei no4'166'
dispondosobreas indenizagóes devidasporatosde agressáo con-
tra bensdo Estadoou contraa vidae bensde nacionais ou estran-
geirosresidentes no País,foi a respostado Govemoaossucessivos
ataquesa naviosmercantes brasileiros.

1942

11 de margo- Determineique encostassemnos portosmais


todosos naviosem viagempara
ou náo partissem,
próximos,
os EstadosUnidosou de regressodesse País, até que nos
fossemdadasgarantiasde defesa,e comuniqueiao Governo
americano.

1942

12 de margo - O generalGóis pede novamente


demissáo.O
povo atacae depredaalgumascasasde alemáes,sendodis-
persadopelapolícia.

125
1942

14 de margo- Recebio Chefede Políciae o generalGóis.Tra-


tei comelessobreas desordens popularesque sáo atribuídas a
um trabalhode preparagáo paraa desordem guiado por cons-
piradorescomunistase instigadopelos inglesesdo lntelli-
gence Service. Notei-osapreensivoscom a marcha dos
acontecimentos. FilintoMüllernegou,soba palavra,quecontrolas-
se o Oswaldoou pessoasde suafamília,afirmando que,ao con-
trário,o Oswaldoé que controlava por
seUstelefones, intermédio
da Light.Outrascoisasocorreram, comas quaisnáofiqueisatisfei-
to. (Grifodo autordestaobra.)(O "grampotelefónico"já traziain-
satisfagóes aosgovernantes daquelaépoca.)

1942

17 de margo - A noite,recebio Oswaldo.Trouxeo expediente


de sua pastae voltoua insistirsobrea exoneragáo
do Chefede
Polícia(FilintoStrübingMüller).

1942

23 de margo - O Ministroda Guerrareiteravao desejode exo-


nerar-sedo cargo.

1942

Post Scriptum- A 1ode maiodesciparao Rio (procedente de


com o propésito
Petrópolis), de comemorar essedia no grande
comíciodos trabalhadoresno estádiodo Vascoda Gama.Um
acidentede automóvelimobilizou-seno leitoduranteváriosme-
ses. (Do acidenteno Flamengo, Vargassaiu com fraturasnas
pernas,no maxilare na máo,permanecendo em convalescenga
por longoperíodode tempo.)Só a 27 de setembroregresseia
Petrópolisparatransportar
partedas coisasque ficaramno Rio
Negro. Quantos acontecimentos de grande transcendéncia
ocorreramna vidado Brasil.Aquichegando, traceirapidamente
essas linhas,dando por encerradasas anotagóes.Para que
continuá-lasapóstáo longainterrupgáo?A revolta,o sofrimento
tambémmudoumuitacoisadentrode mim!

Nesseperíodode seismesessucederam-se inúmerosfatosim-


portantespara a vida nacional.Fatosque náo foram registradospor
GetúlioVargasem seu Diário,masque a imprensae os historiadores

126
se encarregaram de legar á posteridade.Daquipor diante,portanto,
náo se tem maisa opiniáode Vargascomoespinhadorsaldesteen-
saio,e sim umapluralidade de fontesbibliográficas.
Todavia,os acon-
tecimentosque se desencadearam eram perfeitamenteprevisíveis.
Eles obedeceramuma seqüéncialógica,seguiramum cronograma
compatível com a decisáotomadapeloGovernobrasileiro em 28 de
janeirode 1942.
O Brasilrecebeu,a partirda visitado MinistroArtur de Sousa
Costaa Washington, o maiorquinháodosdesembolsos de assisténcía
financeira,
e dos fornecimentos de materialsob o "land-tease"
feitosá
AméricaLatina,duranteos anosde guerra.(Cf.Conn& Fairchild. The
Frameworkof HemisphereDefense,p. 329)
É sabidoo porquédesseprivilégioconcedídoao Brasil.Logo
depoisda assinatura dos acordosde Washington, Vargasautorizouo
estacionamento no Nordestede algumascgntenasde homemdo ser-
vigode manutengáo do Exércitoamericano, que vinhamaperfeigoar
as condigóesdos aeroportos,construirestradase instalagóesmilita-
res,e permitiuaos Estadosunidossobrevoarcertasáreassem restri-
góes.(Cf.Conn& Fairchild, Op.cit.p.312)
Acercadessecontigenteprecursordos "paladinos da liberdade
e dos direitoshumanos",o coronelAdhemarRivermarde Almeida,
em Montese- Marco Gloriosode uma Trajetória,(p. 5), assimse
posiciona:

"12 de setembrode 1943.O Comandante do aviáoda Panair


em que viajávamosanuncioupelo microfonede bordo que
"estávamossobrevoando a cidadede Natal,mas intensotrá-
fego aéreo,prioritário,
fará com que levemosaindaalgunsmi-
nutos antes de aterrissar".Momentosantes, um funcionário
daquelacompanhiade aviagáo,a exemplodo que já fizera
em Salvadore Recife,encobriracom um dispositivoapropria-
do todas as janelasdo aviáo,de modoa náo seremvistasas
obrasque estavamsendoexecutadasnaquelastrés importan-
tes BasesAéreas.(Os americanosproibiamos brasileirosde
tomarconhecimento do que se passavaem territóriobrasilei-
ro! Sim,é istomesmoque diz o autorda obracitada!)
Pousamos, finalmente, em Parnamirim! A maiorbaseaéreaem
construgáo no Brasil,nas proximidades da capitalpotiguar,cres-
cia diariamente em novasedificagóes, em modernaspistasde
pousoe decolageme em númerode pessoastrabalhando, ad-
ministradas por norte-americanosfortese bemalimentados, que
dormiamem locaís higienicamente limpos e saudáveis(sem

127
moscasou mosquitos), que bebiamáguapurae possuíamavióes
parair buscarverdurase frutasfrescasem nossascidadesdo Sul.
Parnamirim! Antesum pequenocampode aviagáo,cercadode
pequenoscasebres;casebresque eram ocupador por brasi-
leiros famintos e que tiveram 24 horas para abandoná-los,
após o que os teriamembebidoem gasolinae fransfomado
em fogo, fumagae cinzas.Ordem que fora dada sem que
nadade concretofosse providenciadoparaacolheraqueles
pobres patrÍciose seus familiares,tiio barbaramente expul-
sos de suas míserasmoradas.(...)
Tudo era de fácil compra para os norte-americanoscheios
de dólares: dólares que também estavam se¡vindo para
prostituirtantasjovens nordestinas,vindasde todos os rin-
cóes...
Nataljá possuíaaté cassino,com jogos, 'shows'e mulheres
de fácil entrega."

Antesde intensificar
o ataqueá MarinhaMercantedo Brasil,"a
Alemanhaprotestoureiteradamente contraa utilizagáodas bases
aéreasbrasileiraspor pessoalnorte-americano como ponte para
a África, o que quál¡f¡cou de viotagáoda neutratidadedo Brasil.
Maso protestofoi ignorado."(Cf.JohnW F. Dulles,op.cit.p.2a0)
Váriosautoresamericanos - comoDulles,FredericW. Ganzert
e Conn& Fairchild- afirmamque,mesesantesdo Brasilter declarado
guerraaos paísesdo Eixo(22 de agostode 1942),Recifese transfor-
maraem pontode apoioparaa Marinhados EstadosUnidos,e havia
intensaatividadenas basesaéreasde Belém,Fortaleza, Recife,Sal-
vadore, especialmente, em Natal,fato esteque, por si só, justificaa
retaliagáoda Marinhaalemácontraos naviosbrasileiros, pois,se o
Brasilnáoformalizaraumadeclaragáo de guerra,contribuía,paracom
a facAáoem lutacontraa Alemanha.
Em margode 1942,quandoo "Cairu"foi postoa piqueentre
Norfolke NovaYork,houveno Brasil- comoregistraGetúlioem seu
Diário(10 de margode 1942)- reagáoviolenta.O povocariocapro-
moveumanifestagóes de rua, atacandolojasde propriedade de ale-
máes e houveprotestostambémno Rio Grandedo Sul e em Santa
Catarina.Vargasdeterminouo confiscode 30% dos fundosperten-
centesaossúditosdo Eixono País- incluindo terraspertencentes aos
japoneses- que chegavaa meiobilháode dólares.Náo se incluíam
nestecálculoos saldosda Alemanha,ltáliae Japáono Bancodo Bra-
sil,congeladosimediatamente apóso rompimento de relagóes.
Se o rompimento unilateral
e o confiscode saldosnáoforamsu-
paraconvencer
ficientes Hitlerde queo Brasilabandonara de umavez

128
portodassua pos¡gáo de neutralidade, a su¡bmissáo ao Governoame-
ricanoquantoá cedénciade basese portosdirimiu qualquerdúvida.
Duranteos mesesde junhoe julhode 1942,oitonaviosbrasilei-
rosforamafundados no AtlánticoSul,coma perdade vintee Seispes-
soas. Certamenteque comparativamente ao número de barcos
afundados, o número de vítimasfoi baixo.A razáo é bastantesimples.
Eis o relatode um dessesafundamentos feito pelocoronelAdhemar
Rivermar de Almeida(Op.cit.p. 13):

"No dia seguinte,a tristezacausadapela mortede um jovem


aviadorfoi em parteminorada, poisum sargentoveionosanun-
ciarque doisjovensbarbadose maltrapilhos, diziamser nossos
ordenangas. Surpresos, deparamos com o soldadoJoáo de
Sousae Silvae com o Thales, ordenanqas do general,que ha-
viam insistidoem nos acompanhar, apesar teremde viajar
de
por via marítima.Contaram-nos, entáo,que o ltapagénavegava
isoladoe semescolta,apóster escaladoem Salvadore Recife,
a uma distánciade sete a oito milhasdo litoralalagoano,fora
torpedeado. Já se encontravam os tripulantesrecolhidos a uma
baleeira,felizespor náo estarem mortos, quando viram um sub-
rnarinoemergirao ladodeles^Os alemáes filmaram, tiraramfo-
tografias e partiram, deixando-os sós, aliviados e
esperangosos""

Os jornais da época,livros,entrevistase depoimentosrepeti-


ram,invariavelmente, a narrativados soldadosJoáode Sousae Silva
e do Thates.A Marinhaalemájamaisfoi acusadade cometeratrocida-
des.Felocontrário, muitosnáufragos de torpedeamentos foramSocor-
ridos, munidos de bússolas e instrumentos de navegagáo,
mantimentos, água potávele outrosequipamentos indispensáveis a
voltaá terrafirme.
As mortesocorridas podemser atribuídas á fatalidadede um es-
tadode guerra,jamaisao instintoassassino, ao desejodeliberado de
matarpormatar.
A decisáobrasileirade cederas basesnordestinas aosamerica-
nos e de romperrelagóescom os Países do Eixo, assegurou - como
afirmaMc CANNJr. (Op.cit.p. 215)- a continuidade do GovernoVar-
gas, poissua deposigáofaziapartedos planos militarese políticosde
ocupagáodas áreasestratégicas do Salientebrasileiro (RainbowlV)'
Afirma,textualmente, o referidoautor(p. 215):

"os acordose decisóespolíticasdo Brasilasseguraram sua


cooperagáo de
á estratégia guerra a
americana, de
continuidade
Vargasno podere ataramo Brasilá economia norte-americana

129
peladécadaque se seguiu;mas náo const¡tuíramex¡b¡gáoal-
guma de altruísmo.Fosse como fosse, ambos os governos
já vinham,mesmoantesdo rompimentode relagóesdo Bra-
sil com os Paísesdo Eixo,fazendoda neutralidadebrasilei-
ra uma farsa."(O grifoé do autordestaobra.)

Em realidade, o Governobrasileiro náocedia,zelandoparaque


sua soberanianáo fosse maculada.Era pusilánime a pontode sur-
preenderos própriosamericanos. O Embaixador Caffery,em 22 de
abril de 1942(832.201374, NA) registravaa respeito:"Na verdade,o
CoronelHenryA. Barber,que sucedeuMatthewB. Ridgwaycomo
principaloficialde planejamento latino-americano do Exército,comen-
tou quese sentiu'maravilhado'quando aceitaram
os brasileiros o pla-
no; esperavaque pelo menosfossemexigir o comandobrasileiro
de todas as tropas de ambosos países,em territórionordestino."
(Aspasde Mc CANNJr.;grifodo autordestaobra.)
Mc CANN Jr. (Op. cit. p. 218) afirmaque "os EstadosUnidos,
comtodacerteza,jamaispermitiriam tropasestrangeira sob comando
estrangeiro em seu território.A conformidade brasileiraem aceitaro
contrárioem seuterritório náoaumentava o respeitoamericano."
Foi duranteo decorrerdessastratativas e do iníciodo desloca-
mentode técnicose militaresamericanos parao Nordestebrasileiro,
que os submarinos alemáesafundaram os primeirosnaviosmercantes
do País,"provocando grandepreocupagáo no Governoe na popula-
gáo".(McCANNJr. - Op. cit.p.221)
Depoisque o "Cairu"foi á pique,em 9 de margode 1942,Var-
gas resolveususpender a navegagáo paraos EstadosUnidosaté que
os norte-americanos tomassemmedidasde defesa,isto é, cumpris-
sem as promessas de protegáo total,assumidas nos pródromos da lll
Conferéncia dos Chanceleres das Repúblicas Americanas.
Nosúltimosdiasde abril,Vargasrecebeuo Almirante Ingramna
estagáode águasde Pogosde Caldas.A subserviéncia comegoua
ganharcontornoscada vez mais nítidos.Conformerelato de Mc
CANNJr. (Op.cit.p. 2211222), perguntou a Ingramse esteestavadis-
postoa assumira responsabilidade pelaprotegáo dos naviosbrasilei-
ros.Tendoesteconcordado, Vargaspassoua chamá-lo, desdeentáo,
de "o nossoLordedo Mar"!O Presidente abriutodosos portosbrasi-
leiros,instalagóes de reparosnavaise aeródromos á Marinhaameri-
cana e "instrLtiuas forgas aéreas e navais brasileiraspara operar
segundoas instrugóesde 'seu Lorde do Mar'." Foi depois destes
acontecimentos que os submarinos alemáesintensificaram o ataqueá
MarinhaMercantebrasileira.
Paraque se tenhaumanogáoexatado ocorrido, é precisoaten-
tar paraas datasdos acontecimentos. Percebe-se, com clareza, que o

130
torpedeamento dos naviosbrasileirosnáo foi uma causa,mas uma
conseqüéncia.
Até o iníciode junhode 1942,o Brasiltiveraoito naviosafunda-
dos.(lngramfora promovido a "Lordedo Mar"do GovernoVargasem
abril.)
A partirde entáo,os naviosbrasileiros afundados, emborades-
fraldassem a Bandeirado Brasil,eramoficialmente "protegidos" e/ou
comandados pelosEstadosUnidos(poisera lngramquem,por ordem
de GetúlioVargas,emitiainstrugóes parao ComandoNaval.)
Nesseinterim,as tropasalemásestavamcontra-atacando na
Rússiae a situagáodo Brasilpioravapelasdificuldades de importagáo
e exportagáo. SegundoMc CANNJr. (Op.cil.p.224),"oficiaisdo Exérci-
to, de altapatente,preveniram Vargasa náose identificar de maneiratáo
estreitacom os EstadosUnidos",poisistopoderialevaro Paísa umasi-
tuagáoinsustentável. Lembravam quea Argentina e o Chile,que náo ha-
viamseguidoa reboquequandoda lll Conferéncia de Chanceleres,
estavamenfrentandouma situagáotranqüila,com seus barcossin-
grando,sem qualquertipo de embarago,os oceanos.
Os EstadosUnidos,que oferecera tudoao Brasile nadaao Chi-
le e á Argentina, descumpria o que fora prometido ao seu parceiro,e
náo tomavaqualquertipo de medidacontraos que lhe voltaramás
costas.Continuavama negociarcom os dissidentesda Conferén-
cia do Rio de Janeiro,e náo impediamque estes comerciassem
com os Paísesdo Eixo.
Vé-selogoquemsaiuperdendo e quemsaiuganhando!
Os naviosbrasileiros continuaram a ser afundados, malgradoas
providéncias do novo Lordedo Mar. Náo se tratava,convémrepetir,
de umaagáocriminosa, masde ato de guerraplenamente justificado.
No Pacífico,os americanosagiamde modototalmenteopostoá
Marinhaalemá.Dezenasde obrase filmes,inclusiveproduzidos por
estúdiosamericanos, mostramcomoagiamos "paladinosda liberdade
e dos direitoshumanos"em situagóes semelhantes aquelavividape-
los náufragosdo "ltapagé"e de outrosbarcosbrasileiros. O filme re-
centemente -
produzido "Warand Remembrance" (Herman Wouk's-
-
Dan Cu(is) mostracenasimpressionantes de como agiamos sub-
marinosamericanos apóso torpedeamento de naviosda Marinhade
Guerrae da MarinhaMercantejaponesas. Emergiam, depoisque os
sobreviventeS haviamembarcado nosescaleres, e metralhavama to-
dos indistintamente.lsso era obrade comandantes isolados,afeta-
dos por "traumasde guerra"?Náo!lsso ocorriaem cumprimentoa
ordensexpressasdo ComandoNaval!Muitoscomandantes de sub-
marinosrebelaram-se contraessa ordeme solicitaram remogáo.A
maioriadeles,porém,cumpriufielmente, comotodo"bomsoldado",a

131
ordemsuperior.E foramessesúltimosagraciados com medalhas, lou-
vorese promogóes, e náoos quese insubordinararn.
Como soldadoalemáo,julgadopelostribunaisaliadose estereoti-
pado pelos"historiadores" da bandavencedora,deu-sejustamenteo
contrário.
Os insubordinados - comoRommel,Canaris,Stauffenberg, Gi-
sevius,etc.- ganharamo statusde veneráveis, enquantoos cumprido-
resdosregulamentos militaresforamlevadosao bancodosréus.
Sobreessestribunaismontadospós-guerra, á reveliado mais
sagradode todosos princípios -
do direitopenal "Nullumcrimem,nul-
la poenasinepraevialege",muitose tém escritonosúltimosanos.
O livrode DorothyStuart-Russel - "lndictmenf',publicadona
Califórnia,EstadosUnidos,em 1990,traz,umdepoimento esclarece-
dor e definitivo de Sir HartleyShawcross, líderoficialda delegagáobri-
tánicano julgamento de Nuremberg. Eis o que declarouo Procurador
GeralBritánico em discursoproferido em Stourbridge, em 16 de margo
de 1984 ( p . 2 5 0 ):

"At the Nuremberg Trialsl, togetherwithmy Russiancolleague,


condemned Naziaggression andterror.
I bilievenowthat Hitlerandthe Germanpeopledid notwantwar.
Butwe declaredwar on Germany,intenton destroying it, in ac-
cordancewith our principleof balanceof power,and we were
encouraged by theAmericans roundRoosevelt.
We ignoredHitler'spleadingnot to enterintowar. Nowwe are
forcedto realizeHitlerwas right.He offeredus the cooperation
of Germany;instead,since1945,we havebeenfacingthe im-
mensepowerof the SovietEmpire."
(NosJulgamentos de Nuremberg, eu juntocommeucolegarus-
so, condenamos a agressáo e o terrornazista.
Acreditoagoraque Hitlere o povoalemáonáoqueriama guer-
ra. Mas declaramos guerracontraa Alemanhadecididos a des-
truí-la,de acordocom nossoprincípiode equilíbrio de forgas,e
fomosencorajados pelosamericanos em redorde Roosevelt.
(Qu¡em eramos assessores de Roosevelt?)
lgnoramoso apelode Hitlerparanáoentrarmos na guerra.Agora
somosforgadosa reconhecer que Hitlerestavacerto.Ele nosofe-
receua cooperagáo da Alemanha; ao invésdisso,estamos,desde
1945,enfrentando o imensopoderiodo lmpérioSoviético.)

DorothyStuart-Russel(Op.cit.p. 251),com baseno depoimen-


to de Sir HartleyShawcross,diz que "o arrependimento
tem a grande
desvantagem de semprevir depoisque o prejuízo- freqüentemente
irreparável- foi feito".
A autoracitadaprossegue (p. 251):

132
'A afirmagáode sir Hartleyde que a lnglaterraestavadecidida
a destruira Alemanhamais pelo motivode reter seu próprio
equilÍbriode forgasdo que por algumarazáode grandehumani-
taiismo,náo revelanadaquejá náose sabia- mesmoque náo
em todo mundo.Masela realmente colocaum selode autentici-
dadenasfontesque derama informagáo pelaprimeiravez que
a participagáo em ambasas guerrasmundiais,
da Inglaterra,
náose deveutantoao altru¡ísmo, masaosseusprópriosinteres-
ses mercenários."

Esta rápidadigressáoao tema principal,fazia-senecessária


por dois motivos:em primeirolugar,para rechagara historiografia
oficial,cujo lugar-comum é apontaras "atrocidades" cOmetidas pe-
los alemáesduranteo transcursoda guerra;em Segundolugar,
parareiteraro pontode vistade que a posigáotomadapeloGover-
no brasileiro (rompimento de relagóescom os paísesdo Eixo)náo
foi a mais correta. Parao Brasil,a manutengáo da neutralidade te-
ria sido o melhor caminho,embora esta atitude tivesse repre-
sentadoum grave risco: o da invasáode territóriobrasileiropor
tropasnorte-americanas.
Quantoao primeiroponto- o referenteás "atrocidades" co-
-
metidaspelos alemáes convém ressaltarque a exis-
bibliografia
tente sobre a ForgaExpedicionária Brasileira(FEB),bibliografia,
diga-sede passagem,bastanteextensa,jamaisaludea atos que
possamSer enquadradosfora dos padróesconvencionais. Muito
pelocontrário,essasobrassáo fartas em elogios ao comportamen-
to do soldadoalemáo.O coronelAdhemarRivermar de Almeida,na
contra-capade "Monfese- Marco Gloriosode uma TraietÓria", alu.-
de a um fato que acaboutendodestaquena folhade rostodo "Nofi-
ciário do Exército",órgáo publicadopelo Centrode Comunicagáo
Socialdo Exército(AnoXXXVll,no 8.874,edigáode 14 de abril de
1994:
Trésheróisbrasileiros
Nosescombros em que se transformou a Vilade MONTESE, os
-
corposde trés pracinhasdo 11oRl soldados Arlindo Lúcio da Sil-
va, GeraldoRodriguesde Souzae GeraldoBaetada Gruz - foram
encontrados em toscasepultura, por Soldados
construída alemáes,na
qual se lia: "Drei BrazilianichenHelden" (TrésHeróisBrasileiros)'
Nestesimplesato de nobreza,- cujo precedentena históriamilitar
mundialcareceSercomprovado pelospesquisadores - o tenazadver-
sáriodemonstrava sua admiragáo aos que se bateram,com denodo,
pelacausade suaPátria.

133
TrEs[eróis alemáes, na qual se IB:
"Drei Brazilianichen
brasileiros Helden" (Trés HeróisBn'
lVos esombros em sileiros).Nestesímplesato
que se transformoua Vila de nobrez4 - cujo prece-
de MONTESE,os @rqs dente na hísiória miiitar
de trés bravos pracinhas mundial carece ser @m'
do lle H - soldadosAr- provado pelospequisado
lindo Lúcio da Sitva res-otenazadversário
Geraldo Rodrigues de demonstnva sua admira-
Souza e Geratdo Baeta gáo aos que se bateram,
da Cruz - fonm encbn- am denodo, pela causa
trados em tosca sepultut4 de sua Pátria
construída por sldados

o que precisavaficar enfatizadoaqui sáo os registrosde Ge-


túlio com referénciaao torpedeamentode naviosbra-sileiros. sem-
pre que a origemdo ataquefoi atribuídaaos submarinosalemáes,a
perdaem vidasfoi relativamente pequena,e náo rarasvezesos so-
breviventesforam auxiliadospelo "inimigo",através de víveres,
água, instrumentosde orientagáoe instrugóesde como alcangaro
litoral.Em todos os casos em que o ex-piesidenteutilizouo verbo
supor, as perdasforamtotais,e isto ocorreu,coincidentemente, na
épocaem que o Governobrasileirose mostravacontrárioá cessáo
das basesaérease dos portosnordestinospara o apoio logísticoa
OperagáoTorch.
A verdadeé que a estratégiade dissuasáoalemá náo surtiu
resultado.Pelo contrário,tal como ocorreranos Estadosunidos de-
pois de Pearl Harbour,os afundamentosde meadosde agosto de
1942provocarammanifestagóes em todo o Brasil.Em vitória,gran-
de multídáodesfiloucom retratosde Vargas,e o povo depredouum
bar alemáoe a agénciada Bayer.Em Frorianóporis, os móveisde
algumasresidénciásalemásforam destruídos,e seus proprietários
obrigadosa dar vivas ao Brasil,Em pernambucoas maniiestagóes
comegaramno dia 18 de agostode 1g42de formaordeira,mas aos
poucosa manifestagáo foi mudandode oaráter,e gruposde estu-
dantese de empregadospassarama assaltarescritóriosde firmas
alemás,arrancandocartazese levandoobjetosmetálicospara o de-
pósitoda campanhado Metalparaa Marinhado Brasil.Éor fim, al-
guns desordeirosse juntaram aos manifestantes, que saquearam
completamente cerca de vinte lojas,gntes que a policiase decidis-
se a intervir."Em Porto Alegre,os Juso-brasileiros, foram além do
que as autoridadesconsideravamtolerável.As depredagóes,que
comegaram no dia 18, revelarampremeditagáo e vingangá,e o Go_
vernoteve de intervir".(Cf. John W. F. Dulles.Op. cit.-p.á+g¡

134
No Rio de Janeiro,a 18 de agostode 1942,uma multidáose
reuniuem frenteao PalácioGuanabara,aos gritOsde "gUerra"e "Vin-
ganga".Getúlio,que desdeo ac¡dente de 1ode maionáo apareciaem
público,estavano palácio,experimentando dar os primeirospassos
com o auxíliode uma bengala;mandouabriros portóes,e se vestiu
parafalarcom os manifestantes. (Cf. AlziraVargasdo AmaralPeixoto'
iA V¡dade GetúlioGontadapor sua Filha,AlziraVargas,ao Jorna-
lista Raul Giudicelli.Sériepublicada em "Fatos & Fotos",de 15 de
junhode 1963a 05 de outubrode 1963.)
John w. F. Dullesdescrevendo o encontrode GetúlioVargas
com oS manifestantes, diz que "no seu tom habitualde severidade,
Vargaselogiouos sentimentos dos presentes; náo prometeuque o
Brasilentrariana guerra,mas disseque oS naviosdos paísesagres-
Soresque estivessemem portosbrasileiros seriamconfiscados, e que
os fundospertencentes aos súditosdo Eixoresponderiam tambémpe-
losprejuízos
" sofridos."(Op.cit.p.248)
Em "A Nova Política do Brasil", Vol. lX, p. 227'228,Getúlio
Vargasdiz que encerrouo encontroacimacitadopedindoaos que o
ouviamque voltassempara casa,com a cabeqaerguida."A bandeira
brasileiranáoseráhumilhada - disse- porqueo Brasilé imortal."
Comojá havia um estadode guerra"de fato",desdeo romp¡-
mentode relagóes,náo haviacomo recuarag6ra,mormenteporqueo
motivodos atáquesdos submarinos alemáesá MarinhaMercantebra-
sileiratornara-sefato consumado: os americanos já tinhamestabeleci-
do suacabega-de-ponte no Nordeste, e preparavam, afanosamente, o
desencadeamento da OperagáoTorch. O Brasil,embora sem tornar-
se um degladianteativodo conflito,cederaterritório,basese portos,
paraos inimigosdo Eixo.
DepoiJdese comunicar com Roosevelt, VargasautorizouOswal-
do Aranh'a,no dia 21 de agostode 1942,a enviarnotascomunicando
aosgovernosda Alemanha-e da ltáliaque "os atosde gugnapraticados
contrao Brasiltinham criado um estadode beligeráncia". Depoisde uma
realizada
reuniáoministerial, no dia 22, foi divulgado que o Brasilestava
em guerracom a Alemanhae a ltália. Extra-oficialmente se informouque
o Japáonáo haviacometidoqualquerato de agreSsáo ao e que,
Brasil,
poressarazáo,náolheseriadeclarado guerra
No Brasilnáo se repetiua euforiae o ardorpatrióticoocorridos
nos EstadosUnidospós-PearlHarbour.O Consuladodos Estados
Unidosem PortoAlegre,em comunicagáo datadade 29 de agostode
1942,informava o Governo americano de que "a declaragáo de guerra
fez com que a ira do povo se transformasse na sóbria contemplagáo
do queo futuroprometia".
o EmbaixadorJeffersoncaffery telegrafarapara washington,
em 27 de agosto,informandoao Secretáriode Eétadodos Estados

135
unidosque "os antigosocupantes de cargospúblicos,cujasesperan-
gasde voltarao Governoestavamtáo viváshá algumassemanas,es-
táo de novo desconsorados: as recentesdecisóésde Vargas,e em
particulara declaragáo do estadode guerra,fizeramcom qué o prestí-
gio do Presidentese firmasse,paratristezadeles',.
Johnw. F. Dullesrelataum interessante acontecimento. Esta-
dos unidose Uniáosoviéticaestavam,na época,em plenalua-de-
mel.Mas,Getúlionáo entrouna brincadeira: 'Algunscomunistas, que
haviamparticipado da revortade 1935,retornaram do uruguaie da Ár-
gentina,para oferecerseusservigosás ForgasArmadas,mas foram
postosimediatamente na cadeia."(Johnw. F. Duiles.op. cit. p.2ag)
(A assessoria '
de GetúlioVargasera bemdiferenteda de iloosevelt.)
o problemada organizagáoadministrativa das forgasmilitaies
no Nordeste,todavia,náo foi resolvidologo após a declaragáo de
guerrado Brasilaos paísesdo Eixo.someñteno iníciode novembro
de 1942,coincidentemente com o desencadeamento da operagáo
Torch,o Brasilacaboucedendoás recomendagóes da comissáoMis-
ta de DefesaBrasil-Estados unidos.o Brasilieria responsávef pela
defesade seu territórioe protegáodas instalagóes militáres;a deiesa
costeiraficariasob a responsabilidade conjuntádo Brasile dos Esta-
dos unidos.Masa autoridade responsávelpelacoordenagáo de todas
as atividades militares,por todasas forgas,bem comopélaprotegáo
da.navegagáo, caberiaao almirantelngram,que passoua ser conhe-
cidocomo"comandante da Forgaoo Áilánt¡co sü1".o almírante ame-
ricano estabeleceuseu quartér-general em Recife,onde ficaram
sediadostambémos comandantes brasileiros
do Exército,da Marinha
e da Aeronáutica, comresponsabilidade pelasoperagóes na área.
o generalRobertL. walsh estabeleceu'tamúém em Recifea
sede do comandodo ExércitoAmericanono Aflánticosul, mas os
dois mil_homelsque comandavacontinuaram na ilha de Ascensáo,
possessáobritánicalocalizadano meio do oceanoAilántico.A princi-
paltarefade walsh eradirigiroutraunidade- a Esquadrilha do Aflánti-
co sul do comandode TransporteAéreoAmerióano,baseadaem
Natal.
Vincentde Vicq de cumptich,em entrevistaconcedidaa John
w. F. Dulles,em 9 de julhode 1963,afirmouque"o aeroportode Na-
tal se tornou o mais movimentadodo mundo, com üm ritmo de
pousos e decolagensque chegavaa um a cada trés minutos,'.
(JohnW. F. Duiles.Op.cit.p. 250f
os quadrimotores voavamdireto paraa África,enquantoos bi-
motorestaziamumaescalade reabastecimento no aeropórtoconstruí-
do na ilhade Ascensáo.
A verdadeé que sem a concordáncia brasileiraem cederaero-
portose portospara utilizagáopor partedas ForeasArmadasdos Es_

136
tadosunidos,a operagáoTorch(8 de novembrode 1942)e a invasáo
da sicília(10 de julhode 1943)talveznáo tivessemse concretizado.
ou, se concretizadas, á custade ¡nuitossacrifíciose de ingentesdifi-
culdades logísticas.
Em 1993,quandopassadosos cinqüentaanosregulamentares
parao sigilode documentos, vierama públicoos planosde invasáoe
ocupagáodo Nordestebrasileiro, ficouevidenciado que a lll Reuniáo
de Consultados Chanceleres das Repúblicas Americanas, realizada
em janeirode 1942,tinhaporobjetivo, náoArrastara AméricaLatinaá
guerra,mas táo-somenteatrelaro Brasilaos interessesestratégicos
americanos. Emboraa Argentina e o Chiletenhamoptadopelaneutra-
lidadee pelo náo rompimento de relagóesdiplomáticas e comerciais
com os paísesdo Eixo,nenhumarepresália de montasofreramna
prática.Tampoucoos EstadosUnidoselaboraram planosde invasáo
dessespaíses.O alvoúnicoe exclusivo era o Brasil,poisdesdeo ano
de 1939,quandoa guerraestavadistanteparaos EstadosUnidos,es-
tesjá planejavam sua estratégia
futura,contandocoma utilizagáo dos
aeroportos brasileiros
do Nordeste.
O passodadoa reboquede Rooseveltdeu ao Brasilo statusde
vitoriosona SegundaGuerraMundial.E náo foi apenaso fato de ter
rompidorelagóescom os paísesdo Eixoe, maistarde,ter declarado
guerraá Alemanhae a ltália,que perfilouo Brasilentreas nagóesvi-
toriosas.O Brasilcontribuiucom o vilipéndio de sua soberania; com
sangue,suor e lágrimaspor partedos que morrerame dos que os
prantearam, sem levarem contaos incalculáveis prejuízoseconómi-
cos.
A MarinhaMercanteBrasileira perdeumaisde 1/3de suatone-
lagembruta,ou seja,36 navios(73o/o do LloydBrasileiro).Náoobstan-
te estasperdas,o Brasilfoi pressionado a alugardozede seusnavios
aos americanos, pelaquantiasimbólica de I dólar cada!Comprome-
teu-se,ainda,a destinaros vintee um restantesao tráfegoexclusivo
entreportosbrasileiros e americanos, o que praticamente arruinouo
comérciobrasileirocom os demaismercadosinternacionais. As per-
das coma MarinhaMercante, em razáodostorpedeamentos por sub-
marinosalemáes(e dos supostamentealemáes,a que se refere
Getúlio),foramde 3,7 bilhóesde dólares,umaperdatáo grandeque,
hoje,passadosmaisde cinqüenta anos,náose póderecuperar.
Com a guerra,os saldosbrasileiros, tantonos EstadosUnidos
comona Inglaterra, eramenormes,poispoucoou nadase podiaim-
portar.Toda a riquezaficavacom eles para o esforgode guerra.O
Governobritánico,além de segurarsuas dívidaspara com o Brasil,
sem pagarjuros ou parcelasdo principal,aindacongelouem seus
bancos4,7 bilhóesde dólares.O montante conespondia náoapenas
a saldode negócioscom a Inglaterra,mastambémao frutodo comér-

137
cio coma Dinamarca, Espanha, Grécia,Holanda, Suéciae outrospaí-
ses.Estaoperagáocontribuiu paraelevaro valordos títulosingleses
em maisde 300% no pós-guerra. Muitosdessestítulos,valorizados
como dinheirobrasileiro, foramdepoisrepassados ao Brasilparapa-
gamentodasdívidasinglesas. Parageraressessaldos,dosquaisnáo
se beneficiou,o Governobrasileiroteve que emitirmoedanacional
pararemunerar os exportadores, ocasionando um rápidocrescimento
da inflagáoe enornessacrifíciosparao povobrasileiro.
Em Potsdam,complementando as decisóesdraconianasde
Teeráe Yalta,os Trés Grandesacordaram que a Alemanhadeveria
recomportodos os danos sofridospelosAliados.Todavia,o Brasil
acabousendoo únicopaísque,tendoparticipado ativamente da luta
armada,náo foi convocadoparaa Conferéncia de Reparagóes de pa-
ris.Naquelaocasiáo,os conferencistas decidiram peloBrasil.Aconse-
lharamo Governobrasileiroa ressarcir-se dos prejuízosda guerra,
apoderando-se dos bensde imigrantes alemáese italianos queviviam
aqui.E claroque esta medidanáo atendiaaos interesses do Brasil,
umavezque os bensde cidadáosde qualquernacionalidade que resi-
diam efetivamente no País,já constituíampatrimóniodeste,e seu ar-
restocontrariavatantoo direitobrasileiro
quantoo internacional.
Comointegrante do blocoAliado,o Brasilsubscreveu o acordo
de criagáodo BandoMundial,com a cotade 25 bilhóesde dólares,
poiso Paíspossuíagrandessaldoscongelados. (Estevaloré conigi-
do. Na época,correspondia a 1 bilháode dólares.Estacorregáo foi esta-
belecidamultiplicando-seo valordo dólarpor 2s, tendoem vistao valor
aquisitivo
da moedaamericana naquelaépocae na atualidade. um auto-
móvelnovocustava,em 1946,400dólares.Hoje,este mesmotipo de
cano custamaisde 10 mil dólares.)A desvalorizagáo feítaunilateral-
mentepelosEstadosunidosrompeua paridadedo dólarcom o ouro,
provocando a galopante desvaforizagáoda quotabrasileirae dosdemais
associados ao BancoMundialem2s vezesdo seuvalorreal.(Estáaí o
pontoprincipala ser revistopelosresponsáveis peloscálculose paga-
mentoda dívidaexternabrasileira.) Paralelamente á desvalorizagáo da
quotados demaispaíses,os Estadosunidosrecompunham continua-
mentea sua comsubscrigáo de dólarpapel,que emitiama seu bel pra-
zer. Destemodo,o Brasilfoi "mordido"em 24 bilhóesde dótares,isto
sem considerar os juros.se estesfossemconsiderados, á razáode 4%
ao ano,a "mordida"sofridapeloBrasilatingiriaa 120bilhóesde dóta-
res! Entretanto,
se tomadacomobasede cálculoa taxade 20o/o ao ano
(taxacobradaao Brasilpelosbanqueiros internacionais),
o totalda "mor-
dida"seriade 227 bilhóesde dólares!Em outrasparavras: ao invésde
devedor,o Brasilseriacredor!
Na atualidade, paísesda Europa,comoFrangae Holanda,en-
contram-se em melhorsituagáo do que'oBrasilno BancoMundial.pa-

138
radoxalmente, a Frangaingressouno referidobancocom um déficitde
6,2 bilhóesde dólares,e a Holandacom um déficitde 5,5 bilhóesde
dólares!
No passede mágica"á la Houdinl",9 Brasilapareceu,dentreos
"vencedoies da SegundaGuerraMundial",excluídodo rol de benefi-
ciários,em situagáop¡orque a dos "perdedores".
A criagáodo FundoMonetárioInternacional (FMl)representou
outraformade esbulhoao Brasil.Esteórgáo, que se arvorouem tutor
das finangasinternacionais, sob a tutelados EstadosUnidos,blo-
queoua idéiaoriginalde se criarumacámarade compensagáo do co-
mérciomundial,tendopor referéncia o padráoouro,desvinculado de
qualquermoedaespecífica. Em lugardo padráoouro,instituiu-se o
dólar,moedaque os EstadosUnidospodiamemit¡rna quant¡dade que
lhes aprouvesse. O resultadodistoé que, para comerciar, qualquer
paístem que disporde saldos em lsto
dólar. beneficiou tremendamen-
te os EstadosUnidose os banqueiros americanos, e explodiuas taxas
de juros,que chegaramao patamarde até 25o/o ao ano. Esteproce_di-
mehtoprovocoubiutalendividamento do Brasile das nagóescapitalis-
tas do 30 Mundo. Os banqueirosinternacionaisse locupletaram,
atravésda agiotagem e da interferéncia na economiados paísesde-
vedores.O tótat de dólares em circulagáo,com finalidadeespeculati-
va, atinge,hoje,a fabulosacifra de 15 trilhóes de dólares.Trata-se
de um á¡nne¡iosem lastro, puro papel pintado, poistodo o ouro do
mundonáocorresponde sequera 1/3destevalor.
O esfacelamento da Alemanhaprejudicou o comérciodo Brasil
com aquelepaís,e com outroscujaimportagáo se davapelosportos
da Alemanha.
O "aliado"impostoao Brasil,comofrutoamargoda opgáopró-
EstadosUnidos- a UniáoSoviética, restringiuo comérc¡o dos países
da EuropaOriental (tornados com
satélites) os exportadores brasilei-
ros.As óxperiéncias de comérciotentadas pelo Brasil com esses paí-
ses, só trouxeramprejuízos.Quem náo se lembra das famosas
"polonetas"?
No final da guerra,o GovernoVargas,atravésda Portariano
711945, procuroucóntrolaros gigantescos saldosdo Brasil,na tentati-
va de disciplinar seu uso na recomposigáo do parqueindustrial e da
Marinha Mercante do País, que estavam sucateados e/ou avariados
em conseqüéncia do conflito.Estamedidafoi postergada, com a de-
posigáode GetúlioVargas,sob o argumento de que intervinha na li-
berdadede comércio.
como se percebe,a vitóriado Brasilna segundaGuerraMun-
dial náo passoude uma"vitóriade Pirro".Os própriosderrotados,pou-
cos anos depoisda hecatombeque os abateu,surgiramrevigorados,
recuperando suasantigasposigóes na economiamundial,e até supe-

139
rando-as, comoé o casodo Japáo.O mesmodestinonáoteveo Bra-
sil, excluídoda mesade negociagóes da Qonferéncia de Reparagóes
de Paris,privadode suasreservas, obrigadoa subvencionar a criagáo
do BancoMundial,atreladoás exigéncias do FMl,caloteado pelospaí-
sessatélites da uniáoSoviética,
garroteado pelosjurosde umadívida
externamuito menordo que o montantedos prejuízosque sofreu
como"vencedor da guerra".
É interessanterememorar maisalgunsacontecimentos que as-
sinalaram o frutoamargoque os brasileiros
tiveram que engolircoma
AliangaBrasilxEstadosUnidos.
Em 19 de fevereirode 1942,quandojá se tinhaencerradoa lll
Reuniáode Chanceleres, e o Brasilemborativesserompidorelagóes
comos Paísesde Eixo,mostrava-se contrárioá cessáodas basesem
seuterritório, Wellesescreveua Roosevelt(PSFBrasil,1942,FDRL),
informando que a reagáose limitavaaosmilitarese que a essénciado
problemaestavaem dar-lhesevidéncias concretas de que os Estados
Unidosiamforneceras armasde que o Brasilnecessitava. "Umavez
assimagissem,e se tivessemtato na colocagáo de suas necessida-
des - afirmavaSumnerWelles- tinha certezade que obteriamo
que desejavamdo Brasil".(Grifodo autordestaobra.)
ValentimBougas,conselheiro económico e companheiro de gol-
fe de Vargas,escreveuuma carta ao Presidente(encontrava-se nos
EstadosUnidosassessorando o MinistroSouzaCosta)relatandoo
quese tramavacontraa economiabrasileira (ValentinBOUQASa Var-
gas,NovaYork,23 de fevereiro de 1942,AGV):
"Háduascorrentes de opiniáonosEstadosUnidos:os homensdo
New Deal talvezdesejemgenuinamente ajudaro Brasil,mas a
correntepredominante é a de WallStreet,cujaperguntaé "quan-
tos dólarespor ano nosdaráo Brasil?".Estacorrente,mesmoem
tempode guerra,só pensaem lucrose em explorarmatériaspri-
mas de tal modoque deixariamo Brasilcom craterasno cháoe
nenhumaindústria.Cito como exemploo planoda borrachade
Nelson Rockfeller,cujasconseqüéncias sócio-económicastém
sidofunestasparao País.Náo vejo uma tendénciados ameri-
canos em ajudaras indústriasdo Brasil,mas, pelo contrário,
de dominá-las." (Grifodo autordestabbra.)

Mc CANNJr. (Op.cit.p.223),reportando-se
ao afundamento
de
naviosmercantes
braslleiros,
opina:
"Em 16 de junho,Hitlerdecidiulangarumablitzde submarinos
contrao Brasil.O Governoalemáoacreditavaque a cooperagáo
do Brasilcom os EstadosUnidose as atividadesde sua Mari-

140
nhae ForgaAéreaindicavam queo Brasilnáoera maisum país
neutro,masem estadode guerra,e que,quandoo paísestives-
e preparado
se organizado fariauma declaragáode guerrafor-
malcontrao Reich."

Hitlerfez mais.SegundoMc CANNJr. (Op.cit. p' 223),"preve-


niu o Brasilem transmiséáo radiofónica de que as agóesempreendi-
das pelasaeronaves americanas, a partirde baSesbrasileiras, teriam
conseqüéncias funestas".
óez submarinospartiramde portosfrancesescom destinoá
Américado Sul e chegaramao largoda costabrasileirana primeira
semanade agosto.
A basJde Natale arredores entraramem pánico.Muitosmo-
radoresfugiramparao interior.O BrigadeiroEduardoGomesdeter-
minou um-black-out;o pessoalda ADP, os guardase fuzileiros
navaisnorte-americanos, Cavaramtrincheirase colOCaram metra-
lhadorasem volta do campo.O ataque'esperadonáo chegou a
acontecer,mas os submarinosalemáestorpedearam quatroembar-
cagóesbrasileiras ao largo de Porto Rico e (Cf.
Trinidad. Mc CANN
J r.O'p .c i t .p . 2 2 3 )
Em meadosde junho de 1942,o Embaixadorcaffery estava
encontrando dificuldades em convencero Governode Getúlioa ce-
der,de uma vez por todas,á pretensáo americana de ocupar,sem
restrigóesou embaragosdiplomáticos, as basese as áreasestraté-
gicas (principatmente os portos)do litoralbrasileiro,do Rio de Ja-
neiroa Belém.
sumnerwelles teve de justificarperanteRoosevelte os se-
cretáriosda Guerrae da Marinha,que CafferySe negava"a ir ao
Presidente do Brasile dar socosna mesaexigindoque oS desejos
do Departamento de Guerra fossem imediatamente atendidos"'
(Wellesa Roosevelt, Washington, -
julhode 1942 Of. 884,FDRL)
No iníciode setembro de 1942, poucosdiasdepoisdo reconhe-
cimentooficialde um estadode Guerracom o Eixo,Vargasmandou
chamaro seu Lordedo Mare deu-lheautoridade integralsobrea Ma-
rinhae a ForgaAéreabrasileiras e totalresponsabilidade peladefesa
de todaa extensáoda costabrasileira.
O Secretário da MarinhaFrankKnoxficouestupefato!
De acordocorn o documentol-lS NavyAdministration In World
War ll. Commander in ChiefAtlanticFeet,Vol.Xl, Commander South
AtlanticForce,p. 82,"KnoXexteriorizou a lngramque nenhurnpaís
que se respeitassea si mesmo tomaria tal decisáo;em conse-
qüéncia,os brasileirosnáo eramsériose, de algumamane¡ra'es-
tavampassandoPor cima dele".

141
Ficaevidenciado aqui,quea famosaexpressáo atribuída
neralDe Gaule,em reatidade'náo ao Ge-
lhecabe.De Gaulenáofez maisdo
que repetiro que decrararaKnox,quaseduas décadas
antesde sua
visitaao Brasil.
o incidente..- segundoMc CANNJr. (op. cit.p. 237)- deu rear-
ce ás rnaneirasdiversáscomo brasireíros e norte-americanos
cooperagáo viam a
militar.segundoa referidafonte:"se váiéá, tivessesus_
peitadode que sua deóisáoprovocaria um declínionJiespeitonorte-
ameríc_ano peloBrasil,nuncaa teriatomado.,,
Talveza anárisede Mc CANNJr. náo sejacorretaa este
to, poisa filhado presidentefaz a seguinteonóervagáá respei-
(Arziravargas
do AmararpErxoro a carrosMART|ñS,Riode ¡anl¡rt,
2g de setem-
bro de 1942,AGV):

"Tendoacabadode passara defesada Nagáopara


a Marinha
dos Estadosunidos,Vargaspressionou wálni"éün paraman-
ter o fluxodos materiais
de cónstrugáode vortaÉedonda,inde-
pendente dos custos. Todo saórifício
seria feito pár" a
continuidade do trabalho,queera essencial
ao Brasil.,,
será quea honranacionar
varemenosdo queumasiderúrgica?
o episódioencheMc CANNJr. de razóes'lárát".",
descrigáo a seguinte
da sociedadecarioca:
"A escassezde gasorinae a imposigáode racionamento provo-
cavamreclamagóes e obrigavamumaquantidade maiordb pes_
soasno Rio.de.Janeiro a dependerdosbondesque rangiam
levá-fasá cinefándiaou a cinemasde copacabánapara ao
zé cariocade wart Disneyensinaro pato óonarda ver o
dangarsam-
ba e tomarcachaga.Depbisda sessáode cinema, pessoas
podiamcaminharao fongoda Avenidantnntiáá, as
oericiando-se
com o marejardas ondasde espumasenquantoprovavam
novosaborda guroseima o
que acabarade ch'egarao mercado-
o sorvetekibon- um dos agradáveisresurtado"s
da guerra.uma
empresaamerican4que osjaponeses forgaram a sáirda china,
estabeleceu-seno Brasire comegoua vendero sorveteKibona
uma ávidacrientera-ogtraspessoasde gostosmaisdispendio-
sos apinhavam-se á vortade mesasde roretaem um
-
nosda moda-Ailántico,Urcaou CopacaOaná...; dos cassi_

Na noitede 2T de janeirode 1943,Vargas,rngram


sembarcaram e cafferyde-
na base aéreade paranamirím. chegavampara recep-
cionarRoosevert em visitaao Brasil-Tudose faziano maisabsoruto
sigilo.segundoreratode caffery(30de janeirode
rgi3,740oo11EW

142
1939127590, NA) 'Vargase náo Roosevelté quem era tratadocomo
convidado. GetúlioVargas,o realistade sempre,náo mostrousinais
de se ofendercom o dispositivo que refletianitidamenteas realidades
da situagáo." (O que era natural.Afinalde contas,se de direitoaquele
era teritóriobrasileiro,de fato pertenciaaos norte-americanos.)
Se com honestidade de propósitos, ou coma finalidade de que-
braras resisténcias á dominagáo que aindanáo tinhamsidode todo
afastadas,Rooseveltfez um convitea Vargas.Disseque gostariade
té-loao ladodurantea conferéncia de paz a ser realizadano finalda
guerra.A mortede Roosevelt impediuque se tomasseconhecimento
de atéque pontoera istosincero.Trumandeixouo dítopelonáodito.
O Presidente brasileirovoltouao Rio de Janeirocom o melhor
dos humores.Achavaque podiaconfiarem Roosevelt(que lhe pre-
sentearacom uma bengalae o sorrisode sempre),e estavaencanta-
do com a perspectivade tomar partenumaconferénciainternacional
de paz.
Mc CANNJr. (Op. cit. p. 246) diz que "os americanosestavam
contentes com o óbvioentusiasmo de VargaspelacausaAliada.Atri-
buíammuitodo éxitono Brasilao trabalhodo Almirantelngram.Numa
reuniáoda ComissáoPermanente de Ligagáo,o AlmiranteFrederick
C. HornePilheriou: 'Achoque estáoquerendoentregar, alémda Mari-
nhae da Aeronáutica, tambémo Exércitoao Almirante Ingram."
No finalde 1943,um Memorando (Background of NavalMission
Funcions, Enclusure A, NS,ND,QC/EF12A 14- 5) dizia:"É da políti-
ca do Governodos EstadosUnidosda Américamantera MissáoNa-
val no Brasildepoisda guerra."
Em junho de 1944,a despeitodos desmentidosanteriorese
promessas públicasde que pessoalmilitaralgumdos EstadosUnidos
permaneceria em basesbrasileiras depoisda guerra,os dois países
assinaramum acordosobreaviagáoque permitiria a prgsengaconti-
nuadade militares norte-americanos no País.
Diz Mc CANNJr. (Op. cit.p" 262):

"Emjulhode 1944,o Brasilestavana posigáoda mulherque se


entregouao amantee só lhe restaesperarque as intengóes
delesejamhonestas."

Porincrívelque possaparecer,OswaldoAranha,o principalartí-


fice da relagáoextra-conjugal
acimadescrita,tinha sido defenestrado
do zénitepolítico.SegundoMc CANNJr. - (Op. cit. p. 265) - "seu
prestígiono Governoestavatáo baixoque,quandorecomendava al-
guématé paraum empregode porteiro,a recomendagáo náochegava
á decisáo".

143
Dois anos depoisque o Brasilentrouna guerrae exatamente
quandosuasforgascomegavam a tomarposigáono campode batalha
europeu,o arquitetoda políticapró-americana era forgadoa sair do
GovernoVargas.
jornalargentino"El Tiempo"(BuenosAires,24 de agostode
1944)opinava:"A quedade Aranhase deveuá sua políticayáncófila,
que haviase mostradodifícildemaisparaos patriotasbrasileiros. Mr.
Hullacabade sofrerumagrandederiotadiplomática e num paísque
se supunhainteiramente conquistado."
Em setembrode 1944,as grandespoténciasse reuniramem
Dumbartonoaks para discutira ñova organizagáomundialdo pós-
guerra.o Brasile nenhumadas nagóeslatino-americanas foramcon-
vidados.Quando o Embaixadorcarlos Martins manifestousua
contrariedade junto a stettinius,este depreciativamenteafirmouque
se tivessemsido consultados ou convidados, a conferéncia náo teria
cumprido a suaprogramagáo.
E Vargasaindaalimentava a esperanga de sentar-seao ladode
Rooseveltna conferéncia de pazdo pés-guérral
os Estadosunidostinhamem vistaoutrosobjetivosque náo a
prestagáo de contasparacom os pequenosparceiroé.
Eiso queafirmaMc CANNJr. (Op.cit.p. 269):
'A economia
dos Estadosunidosestavavoltadaparaa pazque
se aproximava e os homensdo tipo'quantosdólaresporano?'e
seus aliados,como por exemplo,stettinius,Rockefeller, Jesse
Jones,JamesF. Byrnese AdorfBerle,manobravam paraasse-
guraro controledos mercados e das matérias-primasda Améri-
ca Latina."

GetúlioVargas,muitomais preocupado com seu prestígiodo


quecomos interesses do Brasil,meteuna cabegaquedeveriasérfor-
mada uma ForgaExpedicion ária para participardo conflitoeuropeu,
porque,no seu entendimento, os beligerantes diretosteriamvoz ativa
na conferéncia de paz pretendidapoi Roosevelt. Náo se dava conta
de que,pelomenosem tese,os Aliadoslutavamcontraos regimessi-
milaresao seu.
A estaaltura,comoa vitóriaAliadaera apenasumaquestáode
tempo,o Exércitoamericanose mostravarelutanteem atravancaro
campode batalhacom pequenosefetivosAliadoscompetindopela
glória.o Departamento de Guerrajá recusaraa ofertadosmexicanos,
alegandoa falta de transportee úma vastagamade problemasde
treinamentoe suprimentos.
Mas vargas insistia.No seu íntimopensava:comoirei sentar-
me ao ladode Roosevelt se os brasileiros
náotomaramparteativano

144
conflito?Comoireiter voz ativa,se nenhumsoldadomorreuem defe-
sa da causaAliada?
Se do ladodo Governobrasileiroera precisopreparar"buchade
canháo",do ladoamericano náo era táo fácilesquivar-se da ofertatal
comoocorreraem relagáoaos mexicanos. Diz Mc CANNJr. (Op.cit.
p.274127$:"Os brasileiros náo poderiamser desencorajados táo fa-
por
cilmente causada existéncia das importantes bases em
militares
seuterritório."
A cúpulamilitar,cientede que o Brasilcareciade materiale trei-
namento,imprescindíveis a um empreendimento de tamanhamagnitu-
de, sob pena da tropa submeter-sea vexamese grandesriscos,
continuava prevenindo o Governode que o envioao teatrode opera-
góes europeude um contingente mal equipadoe insuficientemente
treinadoera inviável.Alegavam se tivessemde ir paraa frente,te-
que
riamde valer-sede embarcagóes americanas, de armamento america-
no, de uniformesamericanose, como acabouacontecendo,até de
botinasamericanas.
O Exércitoamericanopensavaigual aos militaresbrasileiros.
Erampráticos,tomavamsuasdecisóesapoiadosem fatos,nos princí-
piosda logísticae em outrosfatoresque náo podemser desconside-
radosporquemfaz a guerraou pelosqueváoá guerra.
Prevaleceunáo a vontadedos técnicos,mas a dos políticos.
Rooseveltacabouaceitandoa ofertade Vargasem razáoda necessi-
dadede continuarutilizando as áreasestratégicas do Salientenordes-
tino,semo empregode forga.Alémdisso,acabouse convencendo de
que,casotropasbrasileiras fossemá guerra,teriaumaposigáoprivile-
giadana conferéncia de paz.Ao invésde representar apenasos Esta-
dos Unidos, poderiafalarem nome da América.
Como sempre,os estrategistas norte-americanos vislumbrararn
a possibilidadede matardoiscoelhoscom uma só cajadada.Sugeri-
ramao Brasilque sua ForgaExpedicionária fossemontadacomefeti-
vos nordestinos.Alegaramque estas tropas poderiamser melhor
treinadas(poisos americanos se encontravam ali)e, alémdisto,se lo-
calizavam próximasaos pontosde embarque.
Mas os militaresbrasileirosnáo se deixaramludibriar.Diz Mc
CANNJr. (Op.cit.p. 278):'Algunsnomesdo Exércitobrasileiro, contudo,
suspeitaram de que os EstadosUnidostentariam manter as bases de-
poisda guerra"e, por isso,tratavamde reduziros efetivosbrasileiros no
Nordeste.Decidiram, a contragosto de Roosevelt e de seusconselheiros
paraassuntosde guera,"manterforgasde bomvalorna área".
Vargas,repetindo a fraquezaque levaraIngramao comandoda
Marinhae Aeronáutica concordou
brasileiras, em aceitara diregáoes-
tratégicados EstadosUnidosno empregoda ForgaExpedicionária
(FEB).
Brasileira

145
Os brasileiros
náoteriamassentono Conselho de GuerraAtiado
e nenhumrepresentante junto ao quartel-generalde Eisenhower.
Suas forgasseriaminteiramente dependentes dos EstadosUnidos
parafins de transporte,
equipamentos, instrugáo,
suprimentoe servi-
go. Mc CANNJr. (Op. cit. p. 284) esclarece:
"Os EstadosUnidosti-
nhamse supririnclusivegomasde mascare barrasde chocolateem
suas ragóesdiárias;até o pagamentodos efetivose os servigosde
correioeramdependentes."
Mc CANNJr. (Op.cit.p. 285)pergunta:
"Na PrimeiraGuerraMundial,o GeneralJohnJ. Pershingrecu-
sara-sea colocara ForgaExpedicionária
Americana sobcoman-
do operacional Ao optarpelocontrário,
estrangeiro. esperavam
os brasileiros
admiragáoe respeito?"
Parao Governobrasileiro essasconsideragóes eramde some-
nos importáncia. Vislumbrava-seo prestígiopessoale, quemsabe,a
benevoléncia de Rooseveltante o fato de que Vargasera o espelho
dosgovernoscontraos quaisos EstadosUnidoslutavam.
Todasessascircunstáncias de bastidorespoderiam ter levadoa
FEBa passarporterríveisvexamese até ser dizimadanosconfrontos
com um adversário experimentado, bemarmadoe extremamente dis-
ciplinado.Se istonáo ocorreu,foi porquea oficialidadee os pracinhas
brasileiros
superarama todasas dificuldades, escrevendo com bravu-
ra e sangueuma páginaque de nenhummodose confundiucom os
desmandospolíticos.De início,os acontecimentos demonstraram a
corregáodas avaliagóes de Dutrae GóisMonteiroquantoao despre-
parodo Brasil.Mas a continuidade das agóes,depoisde um batismo
de fogo preocupante, comprovouque os brasileirospoderiamom-
brear-secomos melhoressoldadosdo mundo.
Reportando-se aosprimeirosdiasda FEBna ltália,o Chefedo Es-
tado-Maiorda FEB,GeneralFloriano de LimaBRAYNER, chegoua es-
crever(A Verdadesobre a FEB,p. 118):"Náodeveríamos tervindo.
Essaé que era a verdadefria.Se fóssemos,por exemplo,comoos sul-
africanosou canadensesou neozelandeses, que tudo traziamdo seu
país,inclusiveo transporte
e a escoltamarítima,
os norteamericanos nos
receberiam com o sorrisonúmeroum. Mas estávamos somentecom a
carneparacanháoe a grandelealdadetípicado brasileiro."
Em Vada,peranteum palanqueimprovisado em que se encon-
trava,dentreoutrasautoridades, o GeneralMarkClark,a FEBdesfilou
cantando,em inglés,o "God BlessAmerica",parecendosintetizara
dependéncia inicial.
Depois,as coisasmudaram.Os pracinhasbrasileiros, em suas
trincheiras,
cantaram"LiliMarlene" - comotodosos Exércitos que par-

146
ticiparamda guerra.Puseramversosmodificados em "Que é que a
baianatem?"e entoaramas cangóesde sua terra.Orgulharam-se de
e verteramlágrimascom saudadeda Pátria.E muitos,
ser brasileiros
certamente,evocaramos versosde GongalvesDias:

"Minhaterratem palmeiras
Ondecantao sabiá.
NáopermitaDeusqueeu morra,
Semquevolteparalá."

147
ANTSS DO NOMPIMENTO
DB NEIAQÓDSCOMOS-PAÍSES DO EIXO,

Cetúl-lo: E se houver temporal?


Aranha ¡ Náo se preocupe. Há braqo firrne no leme
e gente bem-intencionada para nos aJu -
dar.. .

DEPO4s DO ACONTEgIDOE DE SUAS CONSEQUSNCIAS!

nO prestígiode Oswalclo Aranha estava tño baixo que,


quanclo recomendava alguérn até para u¡n emprogo de porteiro, a
recomendagáo náo chegava á decisño d o P r e s i c l e n t e . r r ( F r a n k M c
Cann Jr. ¡\lianea Brasil -. Estados U¡i4os (-191L¿94l}' p.265)
Gonclusáo

O Diáriode GetúlioVargas,documento que serviude espinha


dorsaldestaobra,confrontado com a bibliografia complementar que
lhedeu sustentagáo e preencheulacunas,náodeixadúvidasquantoa
duas realidadeshistéricasde fundamental importáncia para o relato
definitivo
da SegundaGuerraMundial:
- Em primeirolugar,a datade 10de setembrode 1939,escolhi-
da por grandepartedos hitoriadores como marcoinicialda Segunda
GuerraMundial,náotraduza exatidáodosfatos.Muitoantesdo início
da guerragermano-polonesa, a Inglaterra,a Franga,e mesmoos Es-
tadosUnidos(acobertados pelapolíticaenganosade Roosevelt), de-
claravamguerraá Alemanha,sob a formade embargoscomerciais e
pressóessobreos governosque teimavamem negociarcom a nova
Fénix,revividapelo nacional-socialismo, após o tufáode ódio e vin-
ganga,atigadopor Clemenceauem Versalhes.Náo esperavamas
duaspoténciasocidentais da Europae tampoucoos EstadosUnidos,
que a "pazcartaginesa" impostaá Alemanhapermitisse queesta,num
curtoespagode 20 anos,pudesseombrear-se novamente com aque-
lesque realizaramsua partilha,
e comoabutres,fartaram-se dosespó-
liosde guerra.A mensagem de Woodrow \y'Vilson,capazde assegurar
um longoperíodode paz, porquefundadana razáo,foi escarnecida
por Clemenceau e por DavidLloydGeorge,que exigiramdo vencido
reparagóes de naturezaterritorial,
industrial,comercial, financeira, mili-
tar e moral.Clemenceau exclamara, exultante, quandosoubeque a
Alemanhatinhaaceitoo armistício: "Enfin!ll est arrivéce jour quej'at-
tendsdepuisum demisiécle!ll est le jour de la revanche!" (A Alema-
nha aceitarao armistíciobaseadana afirmagáo de WoodrowWilson
de que"nenhuma decisáoque infrinjaos princípios da justigaé perma-
nente;náo devemospermitirque qualquersentimentode vinganga,
qualquerespíritode cobiga,qualquerdesejoganancioso sejamaisfor-
te queos princípiosfundamentais da justiga").
Dentreoutrastantasimposigóes á Alemanha,no cursoda Con-
ferénciareunidaoficialmente em 18 de janeirode 1919,incluíram-se:
a restituigáo
da Alsácia-Lorena á Franga;cessáoá Polóniada maior
parteda Província de Posen,com 600.000habitantes alemáes;trans-
formagáode Dantzig,com maioriaabsolutade populagáo alemá,em
cidade-livre;
cessáode Memelá Lituániae de Eupen-Malmédy á Bél-
gica;perdade todo o impériocolonial(o terceirodo mundo);cessáo

149
da Baciado Sarreá Franga,durante15 anos;entregadasjazidascar-
boníferas da AltaSilésiaá Polónia;obrigagáo de entregar, duranteum
períodode 10 anos,40 miltoneladas de carváoá Franga,ltália,Bélgi-
ca e Luxemburgo; entregaás Poténcias Aliadasde todosos naviosde
sua MarinhaMercantede tonelagem superiora 1.600TB; entregada
metadede seus naviosentre 1.000e 1.600TB; entregade 114de
seusbarcosde pesca,entregade 20o/o de suatonelagem de navega-
gáointerior;entregade 5.000locomotivas e 150.000vagóesde estra-
da de ferroem boascondigóes; confiscode todosos investimentos e
bensalemáesno estrangeiro; desmilitarizagáoda Renánia; proibigáo
da esquadrapossuirencouragados e subryarinos; redugáodos efeti-
vos do Exércitoa um máximode 100.000oficiaise pragas;submissáo
a julgamento, como"críminosos de guerra",de seusprincipais chefes
políticose rnilitares;
admissáo de culpapelaguerra...
A imprensa,os historiadores, os políticos,
enf¡m,todasas pes-
soascom um mínimode visáoe discernimento estavamimbuídosda
certezade que uma paz intolerável é uma opressáoque uma nagáo
somentesuportaráenquantonáo tivermeiosparaanulá-lae contraa
qual- comovaticinouVattel- "os homensse levantaráo na primeira
oportunidade favorável""
Adolf Hitlencomo lÍder políticoe o nacional-socialismo como
ideologia e compromisso de resgateda espoliagáo sofridapelaAlema-
nha,surgiramem meadosda décadade 20, comoculturanaturaldo
períodode agruraspós-Versalhes. Estavaabsolutamente dentrodo
previsÍveltudo o que ocorreuno ámbitointernoda Alemanha.Versa-
lhese sua "pazcartaginesa", a expansáocomunista, a criseeconómi-
ca, a inflagáogalopante(decorrente dos compromissos alemáespara
comos "credores"), o desemprego em massa,afraquezados dirigen-
tes da Repúblicade Weimar,a insatisfagáo de todasas classesso-
ciais,enfim,a inseguranga e o desencanto para com a democracia,
aglutinaram-se em favorda mensagemnacional-socialista, proporcio-
nandoo crescimento vertiginosodo recém-criado NSDAP,e a conse-
qüentesubidade seu lídermaiorao poder.Nas eleigóes de 14 de
setembrode 1930,o PartidoNacionalSocialistados Trabalhadores
Alemáes(NSDAP)obtém18%dos votos,assegurando 107cadeiras
no Reichstag. Poucotempodepois,em 31 dejulhode 1932,o percen-
tual de votos obtidossobe para 37o/o, e o númerode assentosdo
Reichstag, para230.Em 30 de janeirode 1933,finalmente Hitleré no-
meadoChanceler do ReichpeloPresidente Hindenburg. Naseleigóes
de 5 de margo,O NSDAPconsolidaria aindamaisa sua condigáode
maiorPartido:44o/o doseleitoresalemáesdisseram"sim"á ideologia e
ao programa de Governopropostos por Hitler.
Nesteexato momento,ou seja,quandoas facgóesinternacio-
naiscontrárias ao reerguimento da Alemanhacompreenderam que Hi-

150
tler e o nacional-socialismoproduziriam o indesejável "milagre", o ar-
mistíciomantidodesde'Versalhes comegoua "fazerágua".As duas
grandespoténciasOcidentais - Inglaterrae EstadosUnidos,embora
náotomandomedidasbélicasimediatas, comegaram a guerreara Ale-
manhaatravésda adogáode medidaseconémicas.
Tardiamente,mascoma coragemque náotem sidocomumaos
políticose historiadores da atualidade,Sir HartleyShawcross diria-
'Acreditoagoraque Hitlere o povo alemáoNÁO queriama guerra.
Mas declaramos guerracontraa Alemanhadecididosa destruí-la, de
acordocom nossoprincípiode equilíbrio de forgas,e fomosencoraja-
dos pelosamericanos em redorde Roosevelt." Estaspalavrasservem
hojecomoepitáfiopara os maisde 40 milhóesde mortosdo terrível
conflito;paraos crimesde guerraqueficaramimpunes;paraos incal-
culáveisprejuízosmateriaissofridospelas nagóes;para os "mitos"
criados,a fim de abrandara culpadosverdadeiros responsáveis...
Os registrosde GetúlioVargas,claros,concisos,externama
opiniáosincerado estadista sobrea marchadosacontecimentos inter-
nacionais,evidenciando a "guerranáo-convencional" gue se moveu
contraa Alemanhadesdejaneirode 1933.
- Em segundolugar,sob o pontode vistaespecífico o da parti-
cipagáodo Brasilna SegundaGuerraMundial,os registros de Getúlio
Vargas permitemque muitasdúvidassejamdirimidasdefinitivamente:
o O afundamento de naviosmercantesbrasileirosnáo foi a
"causa"da entradado Brasilna guerra,mas a "conseqüéncia"de
seu rompimento de relagóescom os paísesdo Eixo,e, fundamental-
mente,da cessáode seus aeroportose portosnordestinosaos Esta-
dos Unidos.Este procedimento, partindode um país nominalmente
"neutro",equivaliaa um ato de guerra.Reportando-se á questáoda
neutralidade,QuincyWRIGHT,autorde "A Guerra", afirma (p. 114):
"Os paísesque optam pela neutralidadetentam permanecer fora da
guerra,masa obtengáodistodependedo interesse dos beligerantes."
No casoespecífico do Brasil,a manutengáo da neutralidade era ben-
quistapelaAlemanhae pelaltália,poisestespaísesdependiam dele
paraa aquisigáo de matérias-primas e paraa exportagáo de servigos
e produtos.Por esta razáo,nenhumdelesprovocariaatritosou daria
motivosparao rompimento de relagóes. Percebe-se como máximode
clareza,atravésdas anotagóesde Getúlio Vargas, que em nenhum
momentoo Brasilteve motivode queixas com relagáoaos paísesdo
Eixo.O afundamento de naviosmercantes foi umatentativa
brasileiros
frustrada,no sentidode fazero Governodo Paísvoltaratrásno rompi-
mentoe cessáode basesaos americanos. Nenhumadúvidapaira
quantoa isto.A retaliagáo era esperadaporVargase pelosMinistros
contráriosá referidaatitudediplomática.Paradoxalmente, o torpedea-
mentode naviosbrasileiros náo resultouem proveitoda Alemanha e

151
dos paísesdo Eixo,mas dos Aliados,e especialmente dos Estados
unidos.Diz um velhobrocardodo direitoque "a quemtraz proveitoo
crime,a estedeveser o mesmoatribuído" (cui prodestsecelusis fe-
cit).Daío cuidadode Getúlioao procederseusregistros. A expressáo
"supóe-se"foi por diversasvezesempregada,poisele estavacónscio
de quemse beneficiava.
e As referénciasá pressáoamericana pelacessáode basesem
territérionordestinoantecedemem muitoo rompimento de relagóes
com os paísesdo Eixo,e mesmoá declaragáo de guerrados Estados
unidos.Muitosmesesantesde PearlHarbour,os estrategistas ameri-
canosjá montavamplanosde invasáodo Nordestebrasileiro, o que
significadizerque a entradados Estadosunidosna guerraera condu-
ta há muitotempodecidida. comos japonesesresultoude
o incidente
provocagáo deliberada,e serviutáo-somentepara "mexercom os
brios"dosqueteimavamem opor-seá participagáo americana no con-
flitoeuropeu.
Os teóricosmodernosdo fenómeno"guerra",analisando-a em
sua abordagem geopolítica,afirmamque ela é "umamanifestagáo ou
umaformade luta por melhorescondigóes geopolíticas". As sangóes
impostasá Alemanhaem Versalhesprivaram-na do espagoindispen-
sávelparasua sobrevivéncia prósperae segura.Em outraspalavras,
deixaramum estopimconectadoa .Jmabomba.O povoalemáo,tal
comovaticinaravattel, maisde séculoe meio atrás,levantou-se na
primeiraoportunidade, ou seja,ateoufogono artefatoengendrado pe-
los"incendiários"de Versalhes.
lmpóe-se,hoje,comoresgateda verdadehistórica,a reformula-
gáode respostasmarteladas nos ouvidosdaquelesque se assentam
nosbancosescolares. Náose obrigueas criangas e a juventudea res-
ponder,mecanicamente, comopapagaios: "Hiilere o nacional-socialis-
mo alemáoforam os responsáveis pela segundaGuerraMundial".
Expfane-se os fatostal comoocorreram, e as respostas-padráo, com
toda certeza,mudaráode rumo.Paraa perguntareferentea respon-
sabilidade pela deflagragáo da segundaGuerraMundial,a resposta
compatívelcom a realidadehistóricados fatos seria:"clemenceau,
LfoydGeorgee woodrowwlson foramos responsáveis pelasegunda
GuerraMundial". Masaindaassim,náoser:iaestaa resposta finár,de-
finitiva.Essespersonagens conectaram o estopimá bomba.os gover-
nos da lnglaterra,da Frangae dos Estadosunidos,rodeadosde
"conselheiros" muitoespeciais(estes,os verdadeiros inimigosdo na-
cional-socialismo alemáo),se encarregaram, em épocafuturade pór
fogoao estopim.
O Brasilresultoucredorao finalda guerra.Sofreugrandespre-
juízosem barcosafundados; em vidasperdidasno mar e nas monta-
nhas geladasda ltáfía;em lucroscessantesdo comérciocom os

152
paísesdo Eixo;em reservascongeladas nosbancosingleses; na alie-
nagáotemporária de barcos,território,
portose aeroportos; em carén-
cias enfrentadaspela populagáo(em petróleo e muitos outros
produtos);em violénciascometidascontrao patrimóniode descen-
dentesde estrangeirosresidentesno Faís; nas arbitráriasremogóes
de infelizesnordestinos, desalojadosde suas casasmiseráveis,para
que os americanos ampliassem aeroportos e melhorse instalassem
parao assaltoá Áfricae á Europa;pelo"sacosem fundo"do Banco
Mundial,em que transformaram, num passe de mágica,a contribui-
gáobrasileiraem 1125 de seuvalorinicial...
Para finalizar,ao invésde uma afirmativa, deixa-seaqui uma
pergunta:
Quem deveriaressarciro Brasilpelosinúmerosprejuizosde
guerra?
A respostaa esta questáoparecede fundamental importáncia,
aindamaisse for considerado o fatode que o Brasil,dentreos "vence-
dores"da SegundaGuerraMundial,foi talvezo únicoparticipante que
arcoucom prejuÍzos. Até mesmoos grandesperdedores - Alemanha
e Japáo- puderam,atravésde planosmagnánimos - comoo "Mars-
hall"- reerguerem-se em relativamente poucotempo.(Seriaumacon-
fissáode "meaculpa"por partedo "vencedores"?) A verdadenáo se
encontratáo cercadados mistériose complexidades de algumtempo
atrás.A obra de FrankD. Mc CANNJr. - "AliangaBrasil-Estados
Unidos- 1937-1945", publicadapelaBiblioteca do Exército,em 1995,
faz revelagóesque desfazemas brumasremanescentes. Emjunhode
1940,quandoos EstadosUnidosnáo haviamentradooficialmente na
guerra,masjá se preparavamparafazé-lo,tragandoestratégiase ar-
regimentando os "aliados"de que precisava, a fim de torná-laspossí-
veis,Getúliodeclarouao Embaixador Prüffer(McCANNJr. Op. cit. p.
158):"A agitagáocontraa quinta-coluna é devidaá propaganda es-
trangeirade mentiras,levadaa efeito principalmentepor imigran-
tes judeus,o que náo tolerarei."Em todosos quadrantes do mundo
eramsempreos mesmosa sopraras trombetas de Jericó!
Menosde uma décadadepoisdo términoda SegundaGuerra
Mundial,quandose preparava para"sairda vidae entrarna história",
GetúlioVargasescreveria:

"Precisamsufocara minhavoz e impedira minhaagáo,para


que eu náo continuea defender,comosempredefendi,o povoe
principalmenteos humildes.Sigoo destinoque me é imposto.
Depoisde decéniosde domínioe espoliagáo dosgruposeconó-
micose financeiros fiz-mechefede uma revolu-
internacionais,
gáoe venci.Inicieio trabalhode libertagáo
e instaureio regime
de liberdadesocial.Tive de renunciar. Volteiao Govemonos

153
bragosdo povo.A campanhasubterránea dos gruposinterna-
cionaisaliou-seá dos gruposnacionaisrevoltadoscontrao regi-
me de garantiado trabalho.(...) Os lucros das empresas
estrangeira alcangavam até quinhentospor centoao ano. (...)
Tenholutadomés a més,dia a dia, hora a hora,resistindoa
uma pressáoconstante,incessante, tudo suportando em silén-
cio,tudo esquecendo, renunciandoa mim mesmo,paradefen-
der o povo que agorase quedadesamparado. Nada mais vos
possodar a náo ser o meu sangue.Se as avesde rapinaque-
rem o sanguede alguém,queremcontinuarsugandoo povo
brasileiro,
eu oferegoem holocaustoa minhavida.(...)"
O BrasílperfiloujuntoaosAlíadossob a égideda defesadas li-
berdades, da autodeterminagáo dos povos,do fim dasopressóes e da
exploragáointernacional, da igualdadede oportunidades, enfim,de
umasériede requisitos que - segundoa ideologia dos oponentes do
nacional-socialismoalemáo- contrariavam a políticade Hitlere de
seusaliados.(Naturalmente que náo levavamem consideragáo o que
se passavadentrodasfronteiras da UniáoSoviética.)
Noveanosdepoisda derrotados paísesdo Eixo,a carta-testa-
mentode Getúliodestruíaas ilusóessobreo futuroda humanidade li-
vre do "perigonazista".
Os "grupos financeirosinternacionais"- artíficesda guerra
contra o nacional-socialismo - haviamdestruídoo baluarteque
lhes faziafrente,e se assenhoradoda quasetotalidadeda econo-
mi am u n d i a l .
Em 1919,Clemenceau forgarauma "paz cartaginesa", contra-
riandoos 14 pontosde WoodrowWilsone as súplicasde LloydGeor-
ge, a pontode Keynesse demitirda delegagáobritánicae escrever
paraseu Governo(Cf.PaulJOHSON.TemposModernos- O Mun-
do dos Anos 20 aos 80, p. 23): "Comopodeo Governode Sua Ma-
jestadeesperarque eu assistaa estafarsatrágicaqueé a base'd'une
guerrejusteet durable?'."
Ern 194511946 náo foi diferente.Os "perdedores" da Segunda
GuerraMundial- principalmente a Alemanhae o Japáoforamespezi-
nhados,comseusprincipais líderessubmetidos a tribunais,
á fomee á
violéncia,
comsuaseconomias totalmente destruídas,e, principalmen-
te, como ferreteda responsabilidade pelaeclosáodo conflito.
A recenteconfissáo de culpade Sir HartleyShawcross, atribuin-
do aos inglesesa responsabilidade pela guerra,náo restituia vida e
tampoucoresgataa memóriados 'Justigados" pelocrimede "atentado
contraapaz".
Comono períodopós-Versalhes, a espadade Dámoclespousa
sobreo pescogodos "justiceiros". Destavez, náo se cometeuo erro

154
anterior.A Alemanhae o Japáopermaneceram ocupadosa subjuga-
dos por meioséculo.Suajuventude, submetida a uma lavagemcere-
bral,desdea pré-escolaaté os cursosuniversitários, foi treinadaa
aceitara culpade seusantepassados. Temascomoo Holocausto náo
constituem apenastabu,mas dogmascomoos da lgreja.Só que os
contestadores ou os que ousamduvidarde que aquelainsániatenha
ocorrido,ao invésde excomungados (parafuturapunigáona vidaeter-
na),sáo levadosás barrasde tribunais.Recebempunigáoaqui mes-
mo na Terra.Na Alemanhasubmetida, meioséculodepoisda derrota,
aindaé proibidaa liberdade de pensamento. Seráque a verdadepre-
cisade guardióes? A mentira,sim,exigezelode partede quempre-
tendeperpetuá-la!
O simplesfato de colocar-se uma "verdade" sob amparoda lei,
levaa que qualquerpessoade sá consciéncia desconfiede estarsen-
do vítimade embuste.Verdadesse impóepelalógica,pelasciéncias,
pela reflexáocrítica,jamaispelo poderde políticado Estadoou de
pressóesde gruposarvoradosá condigáode tutoresda sociedade.
Versóescontráriasá mesmicerepetidapelos"vencedores" da Segun-
da GuerraMundial,emboracalcadasna ciéncia,nas novasinforma-
góessurgidase mesmona conflssáo de culpade muitosque antesse
passavampor vítimas,tém despertado a ira dos guardióesda "verda-
de conveniente". S. E. CASTAN,o primeiroe maisimportante revisio-
nistabrasileiro da SegundaGuerraMundial,que o diga!Pretende-se
implantaraqui,tal comoocorrena Alemanha,a lei do siléncio.Feliz-
mente,o PoderJudiciário náo se tem dobradoanteo poder
brasileiro
económico e as pressóes dos que insistemem perpetuarinverdades,
transformando-os em dogmas,em "verdadesinsofismáveis", coloca-
dosacimadarazáo,da inteligéncia humana,da ciéncia.
Os revisionistasde todoo mundoenfrentam a "cortinade ferro"
quese montouem tornodo quese convencionou chamarde Holocausto,
umadas questóesreferentes á SegundaGuerraMundialque maisvem
despertando, nosúltimostempos,a desconfianga daspessoas.
Em finsde abrilde 1996,oAbadePierre,o maispopulardefen-
sor dos pobresda Franga,indicadoparao PrémioNobelda Paz,veio
juntar-seaosrevisionistas.
Tevea coragemde afirmarao diário"Liberation":

"O tabuacabou!Vocénáo serámaischamadode anti-judeu


ou
*
pordizerque umjudeudesafinou."
anti-semita

?rtigo da AE-REUTER, publicadosob o título"PadrefrancésfalasobreHolocausto".


Jornal"DiárioPopular,Pelotas,Edigaode 30 de abrilde 1996,p. 17.(O referidoarti-
go informaqueo AbadePierreajudou,durantea ocupagáo alemá,muitosjudeusa es-
caparem para a neutraSuÍga.)

155
lmediatamenteveio a resposta.Como sempreocorrenessas
ocasióes,a partecontrariadanáo argumentoucom polideze descorti-
no, náotrouxeprovasou discursode convencimento. Meteuas patas,
á modamula birrenta,que outroargumentonáo dispóesenáoo da
forga.Disseo rabino-chefe
da Franga,JosephSitruk:
"Vocéme angustiou,padre,e eu náo possome livrardisso...
Suaspalavrasme autorizam de chamá-lode padreQuixoteo acusar
de usarseunomeparaajudarumacausavil."
Poiseste"Quixote"estedefensorde uma "causavil" é - como
afirmaa agéncianoticiosaAE-REUTER - a pessoamaispopularda
Franga.
Informaa reportagem em foco,que a tempestade comegouno
inícioda últimasemanade abrilde 1996,quandoele apoiouo filósofo
RogerGARAUDY,um amigode longadata,por seu livro"Os Mitos
fundadoresda Políticalsraelense". GARAUDYafirmaque os judeus
foramvítimasde bombardeios (comotodo o povo alemáo),de mar-
chasforgadas, fome(comotodoo povoalemáo)e epidemias (comuns
aos camposde concentragáo devidoas aglomeragóes e escassezde
alimentos e medicamentos)e NÁODE UM EXTERMINIO SISTEMATI-
co.
Ora,o livrode RogerGARAUDY, que tantapolémicavem des-
pertandode abrilde 1996paracá,náo acrescenta nadade novoem
relagáoao que os revisionistas
do Brasilvém afirmandodesdeo lan-
gamentoda obrapioneirade S. E. CASTAN"Holocausto:Judeu ou
Alemáo?",comcercade dezanosde circulagáo.
As declaragóes do abadePierre,de 83 anos,fundadordas Co-
munidadesEmaús,a favordos pobres,em váriaspartesdo mundo,e
sucessivamente eleitoo homemmaispopularda Franga,apoiandoe
defendendo a revisáoda históriado chamadoholocaustojudeu,natu-
ralmenteforamrevidadaspelamídiacom acusagóes que váo do ne-
gacionismo,anti-semitismoe atésenilidade.
lmportanteobservare estudara reagáoda própriaigrejacatóli-
ca romana,sobrea posigáodo seu ilustreabade,poiso cardealLusti-
ger, de Paris, segundo a imprensado dia 30/05/996,o teria
aconselhadoa manter-se em siléncioparanáoaumentar a polémica.
Acredita-seque o cardealLustigernáo deu apenasum conse-
lho ao abadePierre,mas uma proibigáototal, poiso idosomas lúci-
do e ativo padre simplesmente abandonoua Franga,talvez para
sempre,passandoa vivernum monastério em Pádua,ltá-
beneditino
lia.
A revistaPelerinMagazineele declarou"Eutenhosofridomuito,
muito.Os ataquesa que tenhosido submetidotém sido interminá-
veis".

156
Quem é afinalo cardealLustigerpara tomar esta anti-popular
atitudecontraa pessoamais queridada Franga?Por que também
querevitaro amplodebate do chamadoholocausto judeu?O rabino-
chefeJeanKahnhaviasugerido, quandoo assuntofoi paraa imprena
ser necessário um amplodebatesobreo holocausto. Quandoo Dr.
Prof.RobertFaurissone HenryRoques,famososrevisionistas france-
sesse apresentaram parao confronto o rabinorapidamente mudoude
idéiae escolheua retirada,com esta lacónicafrase"Estahistória(ho-
locausto)é tragicamente bastanteverdadeiraparaprecisarser reava-
liada50 anosdepois".,
Schopenauer disse:'A verdadepodeesperarporquetem vida
longa!"
Se a atitudedo rabinoKahne da imprensanáo surpreende
ninguém,a atitudedo cardealLustigersurpreende apenasos que
desconhecem sua origem,pois trata-sede judeu polonés,que até
os 14 anos usavao nome hebráicoAaron.Fez carreirana religiáo
cristáe, segundoL'Expressde Paris,visitaa cada 15 dias o papa
JoáoPauloll, de quemé íntimoamigoe que o estariapreparando
paraser seusucessorno Vaticano.
Quantoao PapaJoáo Pauloll, de acordocom entrevista e re-
portagempublicadasno "O Estadode Sáo Paulo"de 27103194, verifi-
ca-setotal afinidadedo mesmocom judeus,desde a infáncianas
escolasaté depoisda sagragáoem 1978e até hoje,quandoantigo
companheiro judeu participade refeigóes com ele no Vaticano.Além
de ser divulgador do holocaustojudeu, semprequetem oportunidade,
assimcomoo cardeal!-ustiger,o Papa,de acordocom a reportagem.
adotouem todoo períododo Ponficado o hábitode reunir-secom re-
presentantes de comunidades judáicasem todo o país que visita.E
sáomaisde 70 os paísesvisitados.
Náo foi citadose age da mesmaforma,duranteas visitas,em
relagáoa mugulmanos e budistascom muitomaisadeptosque a ju-
dáica.
Segundoa mesmareportagernde O Esfado,,há no Vaticano
conservadores que pensamque JoáoPauloll foi longedemaiscomo
"protetor de judeus".A acusagáo é sussurada em Romae outrosluga-
res,pelosque preferiam ver sua igrejapermanecer imutávelem suas
atitudes, a exemplodo ocorridoem séculospassados.
Desdea mortede PauloVl a igrejacatólicaromanaestá per-
dendoterreno,seugrandepartidopolíticofoi derrotado e desapareceu
a esmagadora que
influéncia o Vaticanoexerciano mundointeiro.
Lentamente está aumentando o númerode adeptose simpati-
zantes da tradicionalista e conservadora lgrejaCatólicaPalmariana
dirigidapelo PapaGregórioXVll com sedeem Sevilha,Espanha,es-
colhidoapósa mortedo PapaPauloVl, que é o últimopapareconhe-

157
cido por eles;KarolWojtilaé indicadocomoAnti-papa,a servigodo
sionismo e da magonaria.
Faz-semengáoao quiproqué francésparademonstrar o quanto
é difícilcaminharna contramáo da "história
conveniente".
S. E. CASTAN,o pioneirono movimento revisionista da Segun-
da GuerraMundialno Brasil,tem enfrentado fogocerradoproveniente
dosguardióes da "verdadeconveniente!'.A luta,ao contrário de esmo-
recé-lo,tem-lheagugadoo espíritode pesquisador, de alguémque se
nutrede umaconsciéncia tranqüila,de náoser racista,comoos racis-
tas que o acusamdestapráticainfame.(Exemplos de racismopodem
ser encontrados na obra"sionismox Revisionismo,de nossaauto-
ria,publicada pelaRevisáoEditoraLtda.)
Felizmente, a Constituigáobrasileira
tem sido levadaem conta
pelosjuízesencarregados de julgaras questóesmovidascontrao edi-
tor CASTAN,com o objetivode calar-lhea voz e o direitode publicar
obrasrevisionistas.
Em memorávelsentengaprolatadaem agáo que resultouna
equivocadaretiradade circulagáode seisobraseditadaspela Revisáo
EditoraLtda.,o ExmoSr. Desembargador JoáoAndradesde carvarho,
assimse manifestou:
"A Constituigáoé brasileirae feita para os brasiteiros.So-
mos um povo pobre, mas dispensamosos guardióesde nossa
consciéncia."
Estaobraestáinseridano contextorevisionista. Náose destina
áquelesque adotaramas versóes"oficiais" da SegundaGuerraMun-
dial comodogmasacimade qualquersuspeitaou contestagáo. É en-
deregada aos estudiosos
de Históriadispostos a refletircriticamentee
chegará conclusóes própriasindependentes.

158
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