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DISCIPLINA: Direito Penal

PROFESSOR: Felipe Novaes


MATÉRIA: Teoria da Norma

Indicações de bibliográficas:
 Código Penal

Leis e artigos importantes:


 Art. 5º XL CF
 Art. 2º CP
 Art. 3º CP
 Art. 4º CP
 Súmula 501 STJ
 Súmula 611 STF
 Súmula 711 STF

Palavras-chave:
 Teoria, norma, tempo, irretroatividade, abolitio criminis, novatio legis, combinação,
vedação, lei, temporária, excepcional, teoria, ultra atividade, crime.

TEMA: TEORIA DA NORMA

PROFESSOR: FELIPE NOVAES

 Teoria da Norma - é aquela que estuda a aplicação das leis penais, estuda os princípios
do direito penal, estuda a aplicação da lei penal no tempo, a aplicação da lei penal no
espaço, métodos de interpretação da lei penal, e assim por diante.

 No tempo – “aplicação da lei penal no tempo”

 Regra geral – (art. 5º XL CRFB) – “A lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”, ou
seja, as leis penais são irretroativas – Princípio da Irretroatividade;

Obs: As leis penais são Federais, como regra são leis ordinárias, também podendo ser leis
complementares porque está acima das leis ordinárias, pois a Constituição Federal pode
tratar de matéria penal. Mas em regra é uma lei ordinária.

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 Princípio da Irretroatividade – As leis penais são irretroativas, não se aplicam fora do seu
período de tempo.

Obs: As leis penais não retroagem, nem ultra agem, não se aplicam fora do seu período de
tempo. A vigência de uma norma jurídica se inicia desde o momento de sua publicação.
Contudo, a sua eficácia se inicia após o período de vacatio legis, que é um período de
adaptação, que em regra são de 45 dias, não sendo esse um período absoluto.
Existem leis que não possuem período de vacatio legis e sua eficácia se inicia desde o
momento da publicação;
A perda da eficácia de uma lei penal comum é através de revogação, podendo ser esta
integral ou parcial e expressa ou tácita, sempre revogada por uma lei penal nova.

 Leis temporárias – é aquela que traz uma “data” no seu próprio texto para seu término ou
para o seu tempo de duração, ou ainda um prazo, elas se auto revogam.

EX: Lei geral da copa – Lei nº 12.663/12, art. 30 a 34 (crimes) art. 36 (validade).

 Leis Excepcional – é aquela que está vinculada a uma circunstância, a uma fato
excepcional, quando esse fato excepcional acaba ela acabará também.

EX: Código Penal Militar – Capítulo destinado à guerra: O capítulo é vigente, porém,
ineficaz, já que no Brasil não se encontra em período de guerra.

EXCEÇÃO: As leis benéficas “retroagem” aos fatos anteriores, Princípio da retroatividade


benéfica das leis penais.

Princípio da retroatividade benéfica da lei: Lex Mitior – as leis retroagem aos fatos
anteriores quando beneficiar o réu.

 Hipóteses da Lex Mitior:


1ª) Abolitio Criminis – (art. 2º, caput CP) – é quando o fato deixa de sre crime, ela
retroage para “extinguir a punibilidade” do fato, por isso aparece também no (art. 107, III
CP).

Art. 2º, caput CP – Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixou de
considerar como crime. Cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da
condenação.

A abolitio Criminis ocorre quando o fato incriminado por uma norma penal deixa de ter
previsão penal como crime.
O crime que antes era típico, antijurídico, culpável e punível, quando ocorre a abolitio
criminis se torna atípico não sendo mais punível.

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A abolitio criminis acarreta a causa extintiva da punibilidade (art. 107, III CP), porém o fato
será atípico se o crime for revogado na época da pratica do crime.
Quando a abolitio criminis ocorrer “antes” do trânsito em julgado, atinge tudo, ou seja, não
há condenação e não gera efeitos.
Quando a abolitio criminis ocorrer “depois” do trânsito em julgado atinge apenas os efeitos
penais da condenação, os efeitos extra penais continuam. (art. 91 e art. 92 CP).

EX: Crimes Sexuais – Lei nº 12.015/09 que alterou a redação de alguns artigos do Código
Penal. O atentado violento ao pudor foi revogado, pois foi incluso no (art. 213 CP).

EX: Antes da Lei nº 12.015/09 o crime de corrupção de menores – (art. 218 CP) ligado ao
sexo abrangia os menores de 18 anos, depois da Lei nº 12.015/09 o crime do (art. 218 CP)
sofreu alteração em sua redação para menores de 14 anos, transformando em crime de
mediação a satisfazer a lascívia de outrem.
Obs: Dos 14 aos 18 anos pode transar, só não pode pagar, pois é crime. Completou 18
anos pode transar, pagar, filmar sem até o conhecimento do outro que não é crime, mas
pode gerar um ilícito civil, pode enviar até as fotos para um amigo, com a intenção de
elogios, de enaltecer ela, o fato é atípico, porém, se houver alguma ofensa poderá
responder por crime contra a honra.

2ª) Novatio Legis In Mellius – (art. 2º §único CP) – O fato continua sendo crime, mas a lei
nova deu a ele tratamento mais benéfico, ou seja, mais favorável, ele retroage aos fatos
anteriores mesmo que já tenha condenação transitada em julgado.

Art. 2º, parágrafo único CP – A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente,
aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada
em julgado.

EX: mudou a pena para menor; mudou a natureza da pena de reclusão para detenção;
afastou uma causa de aumento de pena; criou uma causa de diminuição de pena.

Combinação de leis – mudou uma parte para melhor e outra parte para pior, é vedada a
combinação de lei, se não estaria violando a separação dos poderes entre o legislativo e
judiciário.

Súmula 501 STJ – É cabível a aplicação retroativa da Lei nº 11.343/2006, desde que o
resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que
o adivinho da aplicação da Lei nº 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis.

3ª) Aplicação da Lei temporária e excepcional – (art. 3º CP)

Art. 3º CP – A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração


ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a
sua vigência.

 Teoria da ultra atividade – aplica-se a lei mesmo que revogada. Aplica-se ao fato
praticado durante a vigência da lei excepcional ou temporária, mesmo que decorrido o

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período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que determinaram, ou seja, quando
a lei excepcional ou temporária for revogada, ela continuará sendo aplicada aos crimes que
foram praticados na sua vigência.

A lei excepcional ou temporária “impede” a abolitio criminis.

4ª) Tempo do crime – (art.4º CP)

Art. 4º CP – Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que


outro seja o momento do resultado.

 Teoria da Atividade – o momento da ação ou omissão da conduta do crime, é o que fixa o


tempo do crime, ou seja, aplica-se o tempo da conduta, considerando-se o crime na data
da conduta.

 Súmulas – é o nome dos documentos, os enunciados que expressam o entendimento


reiterado nos tribunais.

Súmula 611 SFT – Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das
execuções à aplicação de lei mais benigna.

A mesma previsão é feita no art. 66 da Lei de Execução Penal, Lei 7.210/84, quando regula
as competências do juiz da execução.

Obs: essa súmula diz que a competência para aplicar a lei mais benéfica mesmo depois do
trânsito em julgado é do juiz da execução.

Súmula 711 STF – A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.

Crime permanente – é um crime só que se estende. A conduta pode prolongar, perdurar


no tempo, ou seja, pode se estender.

EX: Sequestro, Furto de energia elétrica.

Crime continuado – é uma regra de concurso de crimes, ou seja, houve vários crimes em
conjunto e que tenham tido homogeneidade entre eles e que os façam ser entendido como
um só. É uma ficção.

EX: Estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e o


exercício regular do direito.

Obs: Nesse caso se o crime termina na lei pior, ela será aplicada. Quando o crime
continuado ou o crime permanente se inicia na vigência de uma lei e termina na vigência
de uma nova lei, esta última passa a ser aplicada a toda integralidade desse crime, seja ela
mais benéfica ou prejudicial para o agente do crime.

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 Lei penal no espaço

Regra – (art. 5º caput CP) – O Brasil adotou um Princípio chamado de: Princípio da
territorialidade da lei penal. Aplica-se a lei brasileira nos crimes praticados no território
nacional.

Art. 5º caput CP – Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras
de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

Obs: A nossa territorialidade é relativa ou temperada. O território nacional é: terra


brasileira, águas internas: rio, lagoas, bahia, mar territorial e o espaço aéreo localizado
tanto quanto sobre o mar territorial quanto sobre a área terrestre. Portanto se um crime for
praticado num desses lugares a lei brasileira será aplicada pelo critério de territorialidade
da lei penal.

§1º Considera-se extensão do território nacional, as embarcações e as aeronaves


brasileiras públicas ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem. Bem
como, as embarcações ou aeronaves brasileiras privadas que estejam no alto mar ou no
espaço aéreo correspondente ao alto mar.

§2º diz que também é aplicável a lei brasileira aos crimes praticados em embarcações e
aeronaves estrangeiras privadas que estiverem no Brasil.

Lugar do crime – (art. 6º CP) – traz a Teoria da “Ubiquidade”, que é uma teoria mista.

Art. 6º CP – Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão,


no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE – FAZER A LEITURA DO (ART. 7º CP);

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