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Formação e Gestão em Educação a Distância

DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR E PRODUÇÃO DE


CONTEÚDO PARA A EaD

Profa. Ma. Ana Cláudia Barreiro Nagy


Profa. Ma. Edna Barberato Genghini

1
Ficha catalográfica
NAGY, Ana Cláudia Barreiro
GENGHINI, Edna Barberato

Didática do Ensino Superior e Produção de Conteúdo para


Educação a Distância:
137 p.

1. Aprendizagem EaD. 2. Aprendizagem presencial. 3.


Didática. Pós-Graduação Lato Sensu UNIP. III. Didática do
ensino superior e produção de conteúdo para EaD.
DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR E PRODUÇÃO DE CONTEÚDO PARA A EAD

Professora conteudista

Ana Cláudia Barreiro Nagy é natural do Rio de Janeiro, onde cursou


Magistério e começou a estudar na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Graduou-se em Pedagogia na Universidade Presbiteriana Mackenzie (1994).
Especializou-se em Psicopedagogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(2001) e Planejamento, Implementação e Gestão na Educação a Distância pela
Universidade Federal Fluminense (2019). É mestre em Educação: Currículo pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004), onde iniciou o Doutorado em
Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (2005). Bacharel em Letras
(Português e Francês) na Universidade de São Paulo (2018) com intercâmbio na
Université Lumière Lyon 2. Foi professora na Pedagogia, Engenharia, Psicologia e
Educação Física na UNIP. Também atuou na mesma universidade como
coordenadora da Pedagogia no campus Norte. Atualmente é professora conteudista
da pós-graduação em Formação em Educação a Distância da UNIP Interativa. Foi
professora tutora em cursos de EaD – na graduação em Pedagogia e Normal
Superior da Universidade do Norte do Paraná e na pós-graduação no Centro
Universitário Senac-São Paulo. Áreas de Interesse: Formação e Gestão em EaD;
Psicopedagogia Formação de Professores; Ensino de FLE (Francês Língua
Estrangeira); Literatura Francesa Contemporânea.

Colaboradora

Edna Barberato Genghini, Professora Universitária desde 2002. Atualmente


no exercício da função de Coordenadora para todo o Brasil de três cursos ao nível
de Pós-Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia Institucional, Docência para o
Ensino Superior e em Formação em EaD, pela UNIP EaD, onde também atua como
Professora Adjunta, nas modalidades SEI e SEPI. É Diretora e Psicopedagoga da
Mentor Orientação Psicopedagógica desde 1991. Possui graduação em Economia
Doméstica – Faculdades Integradas Teresa D'Ávila de Santo André (1980), em
Pedagogia pela Universidade Guarulhos (1985), Pós-graduação em Psicopedagogia
pela Universidade São Judas (1987), Mestrado em Ciências Humanas pela
Universidade Guarulhos (2002) e pós-graduação Lato Sensu em Formação em
Educação a Distância pela UNIP – Universidade Paulista (2011). É autora e
coautora de livros Textos para os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu em
Psicopedagogia Institucional, Docência para o Ensino Superior e Formação em
Educação a Distância da UNIP – EaD. Áreas de Interesse: Neurociências –
Educação Inclusiva – Psicopedagogia Clínica e Institucional – Formação e Gestão
em Educação a Distância – Formação de Docentes para o Ensino Superior.
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................... 6
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................ 7
UNIDADE I .............................................................................................................................................. 9
1. A DIDÁTICA E A DOCÊNCIA..................................................................................................... 9
1.1 A didática: Definição e seu objeto de estudo – Os processos de ensino e de aprendizagem 10
1.2 Planejamento em EaD: objetivos, conteúdos, procedimentos, avaliação ............................... 14
1.2.1 Objetivos, conteúdos, procedimentos, avaliação ..................................................................... 16
1.2.1.1 Objetivos ................................................................................................................................... 18
1.2.1.2 Conteúdo .................................................................................................................................. 22
1.2.1.3 Procedimentos .......................................................................................................................... 26
1.2.1.4 Avaliação .................................................................................................................................. 27
UNIDADE II ........................................................................................................................................... 36
2. EAD 36
2.1 O ensino a distância: breve histórico a partir das gerações .................................................... 40
2.2 Personagens do EaD: o aluno, o professor/tutor e o curso ..................................................... 46
2.3 A escolha pela modalidade de estudo a distância: motivação e necessidade ........................ 50
2.4 Carga horária do curso ............................................................................................................. 54
2.5 Universidade aberta do Brasil .................................................................................................. 56
2.6 Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) aplicadas à educação e os Ambientes
Virtuais de Aprendizagem (AVAs) ......................................................................................................... 61
UNIDADE III .......................................................................................................................................... 74
3 FAZENDO EAD ACONTECER ................................................................................................ 74
3.1 Modelos de ensino em EaD – Sistema de Ensino Interativo e Sistema de Ensino Presencial-
Interativo ................................................................................................................................................ 74
3.2 Avaliação .................................................................................................................................. 79
3.3 Interdisciplinaridade .................................................................................................................. 85
3.4 ESD: Educação Sem Distância ................................................................................................ 90
3.5 Produção de conteúdo em EaD ............................................................................................... 91
3.6 Cases de sucesso em EaD ...................................................................................................... 98
UNIDADE IV ........................................................................................................................................ 109
4. ENSINO PRESENCIAL .......................................................................................................... 109
4.1 Metodologias ativas ................................................................................................................ 112
4.2 Principais metodologias ativas ............................................................................................... 117
4.2.1 Sala de aula invertida ............................................................................................................. 117
4.2.2 Gamificação ............................................................................................................................ 123
4.2.3 Vídeos..................................................................................................................................... 124
4.2.4 Aprendizagem entre pares ou times ...................................................................................... 125
4.2.5 Aprendizagem por projetos ou solução de problemas ........................................................... 127
APRESENTAÇÃO

Olá, aluno! Bem-vindo!


Neste material você encontrará os conteúdos pertinentes à disciplina
DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR E PRODUÇÃO DE CONTEÚDO PARA A EAD,
na qual serão discutidas formas de ensinar nas modalidades EaD e presencial.
Discutiremos práticas de avaliação da aprendizagem em EaD e questões como as
formas de se aproximar dos estudantes, mesmo sabendo que estes e seus
professores/tutores estão separados fisicamente.
Ainda, será muito importante compreender quais são e como funcionam os
meios de comunicação em EaD, seu planejamento – potencialidades e
possibilidades e as concepções atuais e procedimentos pedagógicos que reorientam
a Didática e o professor do Ensino Superior na atualidade.
Também estudaremos a utilização das Tecnologias da Informação e
Comunicação – TICs, aplicadas a Educação, visando despertar atitudes de
aprendizagem mais complexas e significativas e cases de sucesso em EaD no
ensino superior pelo mundo a fora, especialmente no Brasil.
Outro tema importante com foco no ensino presencial, mas não apenas nele,
são as metodologias ativas, em especial a sala de aula invertida, pois esse é um
assunto o qual todo educador deve conhecer e buscar aplicar em sua ação docente.
Animado? Então, mãos à obra!

6
INTRODUÇÃO

Você já percebeu como nos dias de hoje, cada vez mais as escolas e
universidades estão aderindo à utilização da EaD em sua metodologia de ensino?
São aulas com apoio de ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) ou
desenvolvidas com a apresentação de uma videoconferência, ou, ainda, lançando
mão de ferramentais, como os blogs, videoblogs, sites, páginas pessoais e, até
mesmo, via telefone celular.
É. Não há mais como escapar dessa… E nem devemos, afinal, não se pode
discutir o quanto todas essas tecnologias nos auxiliam, especialmente se não
queremos ou não podemos ver nosso tempo sendo consumido no deslocamento
entre nossas casas ou locais de trabalho até o local onde as aulas presenciais
acontecem.
Alguns ainda se ressentem e se amedrontam diante dessas possibilidades,
mas uma coisa é certa: devemos ter a cabeça sempre aberta e olhar para tudo com
curiosidade e visão de investigadores, de pesquisadores, que é o que um docente
deve ser: um pesquisador, a todo momento.
Entretanto, não podemos deixar de lado a discussão sobre a sala de aula
presencial, pois ensino superior não acontece apenas em EaD. Além do mais, é
fundamental ter em mente que fazer EaD não é apenas utilizar as mesmas práticas
do ensino presencial com tecnologias, certo?
Deste modo, você, aluno do nosso curso de pós-graduação está aqui e agora
estudando esse livro-texto para compreender o que é ser professor na atualidade e
com a EaD como mais uma possibilidade de ensinar e aprender também, pois, como
disse certa vez Guimarães Rosa (1958, p. 16), “mestre é aquele que, de repente,
aprende”, certo?
O material que agora você tem em seu poder está dividido em quatro
unidades didáticas distintas, porém complementares. Cada uma delas apresenta
uma particularidade do tema e foi organizada tendo em vista facilitar seu percurso
dentro da temática.
Veja como estão organizadas:

Unidade I: A didática e a docência


Unidade II: EaD
Unidade III: Fazendo EaD acontecer
Unidade IV: Ensino presencial

Para estudar todos os temas indicados, os objetivos gerais da disciplina são:

 Desenvolver a visão sobre a funcionalidade do EaD no ensino superior;

7
 Ter compromisso com uma ética de atuação profissional e com a organização
da vida em sociedade;
 Analisar os desafios da atuação docente frente às TICs;
 Identificar as possibilidades da Didática como mediadora de um processo de
ensino interativo.
 Reconhecer a importância das metodologias ativas no ensino presencial.

Também saiba quais são os objetivos específicos, os quais estão indicados a


seguir:

 Identificar o conceito de Didática e seu objeto de estudo;


 Compreender os processos de ensinar e aprender e a construção do
conhecimento no meio virtual e para o ensino superior;
 Conhecer o EaD e sua história;
 Conhecer cases de sucesso que se desenvolveram na modalidade EaD;
 Identificar AVAs e compreender suas diferenças e potencialidades;
 Estudar as ferramentas e objetos de aprendizagem utilizados em EaD;
 Identificar as metodologias ativas aplicadas à educação presencial.

Aproveite a leitura e as imagens do seu livro texto e não deixe de buscar as


indicações do “Saiba mais” para aprimorar seus conhecimentos!
Seja bem-vindo e boa jornada!

8
UNIDADE I

1. A DIDÁTICA E A DOCÊNCIA

Conteúdos trabalhados na unidade:


A Didática: definição e seu objeto de estudo – os processos de ensino e de
aprendizagem; Planejamento em EaD: Objetivos, Conteúdos, Procedimentos,
Avaliação.

Nesta unidade a intenção principal é buscar compreender o que é e como se


deve desenvolver a ação docente.
Atenção! Não estamos aqui falando em receituário. Jamais você encontrará
alguma coisa semelhante a isso nos seus livros texto, pois o mais importante é o
processo de reflexão a partir das leituras propostas, das indicações bibliográficas e
assim por diante, certo?
Com este pensamento em mente, vamos voltar um pouquinho na história e
trazer para nossa conversa a principal ferramenta que todo educador deve conhecer
para seguir em frente com seus estudos pedagógicos.
Essa “ferramenta” é a Didática.

Figura 1: Processo educativo

https://thumbs.dreamstime.com/t/school-books-desk-education-concept-43664095.jpg
Acesso: 30 Out. 2018

9
1.1 A didática: Definição e seu objeto de estudo – Os processos de
ensino e de aprendizagem

Certamente que você já ouviu falar sobre ela, a Didática, que tem como objeto
de estudo os processos de ensino e de aprendizagem.
Ainda, para clarear um pouco mais nossas ideias, lembro que esta – Didática
– é uma palavra que tem origem na expressão grega “Τεχνή διδακτική” (techné
didaktiké), cujo significado é “arte ou técnica de ensinar” ou “técnica de dirigir e
orientar a aprendizagem”.
É um termo antigo, mas que deve ser visto como muito atual e estar presente
em todas as salas de aula e quaisquer outros espaços educativos, formais ou não-
formais.
Como toda ciência, a Didática também teve um “pai”, Comenius, um dos
maiores educadores do século XVII, que ficou conhecido como pai da Didática
Moderna, especialmente devido à sua grande obra “Didática Magna”.
Uma de suas mais célebres frases é sobre a Didática ser:

(…) um método universal de ensinar tudo a todos.


E de ensinar com tal certeza, que seja impossível não conseguir
bons resultados.
E de ensinar rapidamente, (…) sem nenhum aborrecimento para os
alunos e para os professores, mas antes com sumo prazer para uns
e para outros.
E de ensinar solidamente, não superficialmente e apenas com
palavras, mas encaminhando os alunos para uma verdadeira
instrução, para os bons costumes e para a piedade sincera.
(…) como de uma fonte viva que produz eternos arroios que vão, de
novo, reunir-se num único rio; assim estabelecemos um método
universal de fundar escolas universais (COMENIUS, 2001, p.3).

Se esmiuçarmos esta fala, tão pertinente para todo educador, chegaremos à


arte de conseguir atingir este objetivo: ensinar, pois promover aprendizagens aos
nossos alunos é a verdadeira intenção da ciência Didática.

10
http://loja.editoracomenius.com.br/quem-
foi-comenius e veja uma breve biografia
deste estudioso.
Outra indicação importante é o
livro citado, “Didática Magna”, o qual você
baixar a partir do endereço eletrônico a
seguir:
Pesquise na Internet o nome de http://rizomas.net/educacao/metodos-de-
Comenius. Anote informações sobre ele. ensino/313-comenius-didatica-magna-
Ainda, consulte no endereço: livro-completo.html.

Você já pensou sobre isso? Como você aprendeu na(s) escola(s) onde
estudou? Certamente os professores preparavam aulas com explicações, atividades,
exercícios em grupo, apresentações na frente da sala e, nos últimos tempos, eles
também contavam com recursos tecnológicos, como data show, computador…
Que tal conhecer a definição de Didática de uma das mais importantes
estudiosas sobre o assunto, a professora pós-Doutora Vera Maria Ferrão Candau,
(PUC-RJ)?Ela afirma que a Didática precisa ser pensada como “uma reflexão
sistemática e busca de alternativas para os problemas da prática pedagógica” (2012,
p. 29).
Deste modo, cabe ressaltar que este deve ser um processo contínuo e, se
compartilhado, mais enriquecedor, pois os professores poderão trocar ideias com
seus pares e, a partir dessa interação, refletir sobre suas próprias práticas e
aperfeiçoá-las.
Podemos dizer que há os seguintes elementos envolvidos na prática de cada
educador: ele próprio, seus alunos, os conteúdos com os quais precisa trabalhar, as
estratégias que utilizará para fazer seu trabalho e os processos avaliativos.

11
Figura 2: Docência

https://morguefile.com/photos/morguefile/1/classroom/pop
Acesso: 06 mar 2019

Masetto (1997), assim como Candau (2012), também concorda que a Didática
precisa ser vista com reflexão sistemática. Os dois afirmam que a mesma é um
“estudo das teorias de ensino e aprendizagem aplicadas ao processo educativo que
se realiza na escola, bem como dos resultados obtidos” (p. 14).
Assim, a Didática contribui com os processos de ensinar e de aprender.
Ressalto que é importante ter em mente que a Didática não resolve tudo sozinha,
pelo contrário, ele precisa das outras ciências para formar o educador e sua
mentalidade transformadora.
Vejamos: várias ciências que procuram entender o desenvolvimento humano
estão presentes nos estudos da Didática, como a filosofia, a sociologia, a história, a
comunicação, a psicologia, a antropologia, a educomunicação, entre outras.
Cada uma delas traz uma forma de ver o ser humano em sua mais importante
ação: conhecer. Os conhecimentos delas são essenciais para a construção das
ações em sala de aula, assim como também nos ajudam na reflexão sobre nossa
prática, sobre nossos alunos, como eles aprendem, se nossas hipóteses avaliativas
estão corretas e são pertinentes e como podemos ser melhores professores.

12
CANDAU, Vera Maria (Org.) A Didática ctiva/article/download/8739/8062. Acesso
em questão. Petrópolis. Vozes, 2014. em: 09 mar 2019.
Leia a resenha do livro em:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspe

Para refletir sobre ensinar e aprender…

http://www.maquinadequadrinhos.com.br/
Acesso: 01 mar 2019.

Você consegue perceber o quanto ensinar é um processo que deve ser


minuciosamente pensado? Não podemos ir para sala de aula com nosso
conhecimento achando que ele, por si só, já é suficiente.
Quantas vezes você já ouviu alguém dizer (ou talvez já tenha dito) que “um
determinado professor sabe muito”, “dá para perceber todo o conhecimento que tem,
mas… ele não sabe passá-lo aos seus alunos e, por isso, a aula dele não é
proveitosa”?

13
Pense nisso e, em seguida, lembre-se da Didática e de como ela pode auxiliá-
lo como docente.

A Didática estuda os processos de ensino e aprendizagem!

1.2 Planejamento em EaD: objetivos, conteúdos, procedimentos,


avaliação

O que é planejar? Ouvimos tanto que essa é uma das mais importantes
atividades do educador, mas, o que seria exatamente fazer um planejamento,
apresentar um plano para determinado curso, aula ou atividade?
Certamente você já fez pelo menos uma viagem, não é mesmo?
Então, pense como foi até que você chegasse ao seu destino: há alguns
passos necessários para o sucesso das férias, por exemplo (considere uma viagem
de férias de um mês na qual você viajou de avião e ficou hospedado num hotel).

Figura 3: Férias

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/k/kolobsek/03/l/1363265958pezt0.jpg
Acesso: 24 jan 2019

 Primeiro você estabeleceu o local para onde iria;

14
 Como você teria um mês de disponibilidade para estar por lá, pensou
em quanto dinheiro seria necessário dispor para passar todo o tempo,
considerando os valores de passagens de ida e volta e de estadia;
 Pesquisou os preços das passagens nas companhias aéreas que
fazem o trajeto e os horários de embarque;
 Buscou hotéis até se decidir por um em especial;
 Em seguida, pesquisou como estaria o tempo durante o período de sua
estadia no local;
 Deixou instruções em sua casa para que tudo corresse bem até seu
retorno (exemplo: agendou no banco o pagamento das contas, previu
os gastos costumeiros e, para eles, deixou dinheiro em sua conta
corrente, suspendeu assinatura da TV a cabo/digital e do jornal, etc.);
 Arrumou a mala e conseguiu uma carona até o aeroporto como sua
melhor amiga;
 Embarcou!

Percebeu o quanto dá trabalho ir “curtir” as férias? Até cansa, né?


É exatamente o mesmo que ocorre com a ação didática: ela precisa ser
detalhadamente pensada e minuciosamente organizada para que seu sucesso seja
a mais concreta possibilidade.
Ainda, cabe ressaltar que mesmo quando fazemos tantos planos para nossos
alunos, alguma coisa pode não funcionar e é nesse momento que aparece uma das
principais características do planejamento, ou seja, a flexibilidade.
No caso da viagem, se você vai para um país estrangeiro, é prudente levar a
moeda corrente utilizada por lá para não ter surpresas, por exemplo, chegar muito
cedo ao local e as casas de câmbio estarem fechadas. Ou, então, se você for para
uma cidade muito fria, é necessário ter à mão um casaco bem quentinho para você
não congelar assim que sair do avião e estiver esperando as malas…
Pensando agora sobre a escola, imagine que a aula foi toda pensada para
contar com a utilização de um vídeo: você o grava num cd-rom, reserva o
equipamento necessário com antecedência, avisa aos alunos, prepara-os para o que
lhes será apresentado e constrói fichas de avaliação para serem preenchidas após o
filme. Contudo, no dia da exibição, simplesmente não há energia elétrica na escola,
ou o local de projeção está às escuras ou, ainda, você percebe que a sala de aula
não é adequada para tal atividade. O que fazer?
É aí que vem a flexibilidade: o plano “B” tem que entrar em prática, ou o “C”, o
“D”, enfim, alguma coisa deve ser feita para que os alunos não percam aquela aula,
mesmo que não consigam assistir ao vídeo.

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Nem sempre o que planejamos efetivamente ocorre, mas o mais importante é
exatamente não se tornar refém de uma mídia ou de uma determinada situação que
pode falhar. Ser flexível é saber sair das possíveis situações em que o planejado
não funcionou ou não surtou o efeito desejado.
Ainda, é ter equilíbrio para que, durante todo o ano letivo, você possa
desenvolver ações e atividades que substituam aquelas pensadas em primeiro lugar:
é (re)planejar sempre que necessário. Para que isso ocorra, é fundamental que
você:

• considere sempre o que os alunos já sabem até o momento e a relevância do


conteúdo que será trabalhado;
• faça avaliações diagnósticas e formativas frequentemente;
• tenha sempre em mente quem é seu aluno, como você está ensinando e se
seus objetivos, que devem ser pensados para os alunos, estão sendo atingidos
(caso não estejam, verifique porquê e refaça suas propostas de acordo com as
necessidades);
• ouça tudo e todos pois é dos alunos que as dúvidas surgirão ou a real medida
do ritmo cadenciado por você para ensiná-los.

É importante ser flexível, pois se o Lembre-se: Qualquer plano é uma


professor não fizer um planejamento previsão, portanto, está sujeita a erros.
maleável, o mesmo corre o risco de não Daí a importância em mudar sempre que
alcançar objetivos previstos e isso é parecer ser uma boa ideia, especialmente
imperdoável no desenvolvimento de uma quando não estiver dando certo. É isso o
ação didática! que um verdadeiro educador faz com
grande facilidade, certo?

1.2.1 Objetivos, conteúdos, procedimentos, avaliação

Viu como planejar é importante? Vamos sistematizar o conceito nas palavras


de Haydt (2011)? Ela diz que

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(..)planejar é analisar uma dada realidade, refletindo sobre as
condições existentes, e prever as formas alternativas de ação
para superar as dificuldades ou alcançar os objetivos
desejados. Portanto, o planejamento é um processo mental
que envolve análise, reflexão e previsão (p. 45).

De acordo com a autora, analisar quem são os alunos, refletir sobre quais
conteúdos trabalhar e prever, por exemplo, como serão as aulas, quanto tempo será
necessário para desenvolvê-las, dentre outras preocupações é questão de ordem
para todo educador.

Imagem 4: Aula

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/s/Sudhir20/05/p/4015faed71cabc310ee5105159635
e2e.jpg.
Acesso: 06 mar 2019.

O planejamento entra exatamente nesse momento, ou seja, quando


começamos a pensar no que ensinar, para quem ensinar, como ensinar, como o
aluno aprende e de que modo verificar se aprendeu e como pode ser melhorado
todo esse processo.
Até aqui, caminhamos bem. Que tal se aprofundarmos um pouco mais nossa
discussão?
Dissemos que planejar é fundamental e, ainda, que este deve ser flexível.
Mas… o que compõe um plano? Quais suas partes imprescindíveis?

17
Imagem 5: Planejamento

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/j/jdurham/preview/fldr_2010_04_06/file4751270600
793.jpg
Acesso: 06 mar 2019

1.2.1.1 Objetivos

Os objetivos são o ponto inicial a partir do qual as intenções de trabalho


dentro da instituição de ensino (formal ou não formal) começam a ser pensadas.
São eles que devem orientar a seleção dos conteúdos que serão ensinados
aos aprendentes. Assim, os objetivos são o ponto de partida de todo planejamento.
Eles subdividem-se em:

a) Objetivos gerais: previstos para um determinado grau ou ciclo, numa


escola ou certa área de estudo, e que serão alcançados a longo prazo;

b) Objetivos específicos: são aqueles definidos especificamente para uma


disciplina, uma unidade de ensino ou uma aula. Consistem no desdobramento ou
operacionalização dos objetivos gerais. Eles apresentam, de forma pormenorizada,
as ações que se tem intenção de desenvolver e aonde se quer chegar.
Para simplificar, pode-se afirmar que os objetivos gerais nos forneceriam as
diretrizes para a ação educativa como um todo enquanto os objetivos específicos
norteariam, diretamente, o processo de ensino e aprendizagem e, ainda,
estabeleceriam uma estreita relação com as singularidades relativas aos conteúdos
trabalhados. Vejamos exemplos:

18
Exemplo 1

* OBJETIVO GERAL:
Oferecer aos alunos uma noção precisa da importância do planejamento
como ferramenta de base na organização do turismo.

* OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
. Dominar a aplicação de metodologias e técnicas de planejamento turístico;
· Ampliar o leque de possibilidades de atuação profissional;
· Estabelecer mecanismos de planejamento que venham promover a
sustentabilidade de projetos e programas voltados para o turismo.

Neste caso, percebe-se que o objetivo geral visa que o aluno do curso de
Turismo desenvolva a importante noção de que planejar é fundamental para sua
prática profissional.
Em seguida, esta ideia é esmiuçada, ou seja, é posto que esse mesmo aluno
conheça e aplique metodologias e técnicas do planejamento em sua área de forma a
ampliar a área de alcance de sua atuação como profissional nesta área e, ainda, que
coloque em prática seus conhecimentos para desenvolver a sustentabilidade
associada ao turismo.
O objetivo geral dá uma visão simplificada do que é esperado. Os objetivos
específicos detalham ao máximo a ideia lançada inicialmente. Vejamos mais um
exemplo:

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Imagem 6: Objetivos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/b/BUSHKO/10/p/d4fd8ca400df7b2879e7cb2af86f8b
c8.jpg.
Acesso: 25 Nov 2018

Exemplo 2

* OBJETIVO GERAL:
O Programa visa à promoção de melhorias no desempenho da Administração
Pública, com a finalidade de aumentar a eficiência e a efetividade das políticas de
governo.

* OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
. Fortalecer a capacidade de planejamento e gestão de políticas públicas;
. Desenvolver a capacidade de administração de recursos humanos;
. Modernizar a estrutura organizacional e seus processos administrativos;
. Fortalecer mecanismos de transparência administrativa e de comunicação
social;
. Modernizar a gestão de informação e integrar seus sistemas de informática.

Neste caso é intenção que melhore o desempenho da administração pública


para aumentar a eficácia das políticas públicas. Desenrolando, temos que, para que
isso aconteça, espera-se que o planejamento seja melhor construído, levando em

20
conta os recursos reais e como estes serão administrados para que haja
transparência nas ações.
Para isso, contam com uma gestão, não só administrativa mais competente,
como com a gestão das tecnologias envolvidas mais simples e eficiente.
Outro exemplo:

Exemplo 3

* OBJETIVO GERAL:
Analisar os motivos da evasão escolar nos cursos de formação de
professores no estado do Rio de Janeiro entre os anos 1990 e 2000.

* OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
. Verificar a relação entre professores e alunos de cursos de formação de
professores no estado do Rio de Janeiro entre os anos 1990 e 2000;
. Identificar o nível de interesse dos alunos;
. Reconhecer as prioridades estabelecidas pelos alunos;
. Apresentar os motivos que conduzem os alunos à evasão escolar.

Nesse último caso, o que se pode perceber é que a evasão escolar nos
cursos de formação de professores no estado do Rio de Janeiro entre os anos 1990
e 2000 é uma questão pertinente a ser compreendida, assim, este período aparece
identificado. Em seguida, para compreender os reais motivos da significativa evasão,
esmiuçou-se o problema, buscando entender se houve alguma situação recorrente
que fizesse com que os alunos largassem seus cursos. Para isso até o
relacionamento entre alunos e professores foi pesquisado.
E então, você consegue perceber como são os objetivos que norteiam a ação
pedagógica? É a partir deles que elaboramos as diretrizes a serem desenvolvidas
em nosso trabalho.

21
Coloque no papel seus objetivos de vida para os próximos cinco anos.
Organize com eles um quadro identificando quais são os gerais e quais são os
específicos. Justifique suas escolhas.

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
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1.2.1.2 Conteúdo

Professores e alunos trabalham sempre com conteúdos. Vamos ver como


isso funciona na prática?
Leia os objetivos que seguem:

 Ampliar gradativamente suas possibilidades de comunicação e


expressão, interessando-se por conhecer vários gêneros orais e
escritos e participando de diversas situações de intercâmbio social nas
quais possa contar suas vivências, ouvir as de outras pessoas,
elaborar e responder perguntas;
 Familiarizar-se com a escrita por meio do manuseio de livros, revistas e
outros portadores de texto e da vivência de diversas situações nas
quais seu uso se faça necessário;
 Reconhecer seu nome escrito, sabendo identificá-lo nas diversas
situações do cotidiano;

22
 Escolher os livros para ler e escutar textos lidos, apreciando a leitura
feita pelo professor.

Fonte: http://www.beijaflorsorocaba.com.br/arquivos/Maternal%20II.pdf.
Acesso 01 mar 2019.

Imagine que assuntos serão necessários que sejam trabalhados para que os
objetivos acima sejam atingidos? O que você sugere? Vou ajudá-lo(a).
Se o docente pretende que seu aluno “amplie gradativamente suas
possibilidades de comunicação e expressão”, o que o professor precisa trabalhar é
com a fala e com a escrita (mesmo que rudimentar, pois é educação infantil), assim,
são conteúdos: fala (expressão oral) e escrita (expressão escrita).
Mas há ainda outros conteúdos neste objetivo: ao desejar que seu educando
passe a “interessar-se por conhecer vários gêneros orais e escritos”, o professor
precisa criar estratégias de trabalho que desenvolvam o conteúdo gêneros orais e
escritos (por exemplo, roda de conversa, cartazes, cantigas de roda, histórias em
quadrinho, anúncio, carta, etc.). Assim, sem explicar que gêneros são “formas
relativamente estáveis de enunciados, disponíveis na cultura” (PCNs de Língua
Portuguesa, 1998, p. 37) ou, como define Bakthin (2012), “tipos relativamente
estáveis de enunciados constituídos historicamente e que mantêm uma relação
direta com a dimensão social” (p. 261), o professor estará fazendo com que seu
aluno tenha contato com o conteúdo que está proposto no objetivo.
Na verdade, como o objetivo deve ser construído primeiro, é a partir dele que
o conteúdo será pensado e auxiliará para que aquele seja atingido. O conteúdo é,
portanto, todo aquele saber que foi (e ainda é) acumulado durante os séculos. De
acordo com (HAYDT, 2011, p. 59),

(…) esse saber apresenta uma natureza dinâmica, porque está em


contínua expansão e atualização, renovando-se constantemente. A
escola, como instituição social e agência formadora, é o centro da
educação sistemática e tem como função básica a transmissão
sistematizada do conhecimento universal.

De qualquer modo é importante pensar que conteúdo está em toda parte e


que aprendemos coisas novas a todo momento, em qualquer lugar. A escola e a
universidade são espaços que procuram mostrar os conteúdos acumulados pela
humanidade para a sociedade, pois neles há professores cujo trabalho é exatamente
aprender esses conteúdos e apresentá-los aos alunos.

23
Você já pensou que existem conteúdos diferentes, com diversas finalidades?
Vejamos como é isso. Já pensou que há coisas que simplesmente memorizamos
com a repetição, como os nomes das ruas no caminho de casa para a universidade
ou os nomes dos nossos colegas de classe?
Há coisas sobre as quais precisamos refletir para podermos compreender ou
que, na comunicação, precisamos saber definir para que possamos ser
compreendidos. São conhecimentos diferentes, dos mais simples aos mais
complexos, como os sentimentos.

Imagem 7: Objetivos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/j/JessicaGale/03/l/1426014127h06bf.jpg
Acesso: 06 mar 2019

Vamos classificá-los? De acordo com Zabala (2006), há quatro tipos de


conteúdos:

a) Factuais (aprendizagem de fatos) – o indivíduo aprende por


memorização, por repetição verbal.
Alguns dirão que esse conhecimento é irrelevante, até mesmo desnecessário.
Não é não. Ele é fundamental, pois existem certos conteúdos que precisam sim ser
memorizados, como por exemplo, nomes de pessoas com as quais trabalhamos ou
estudamos: como saber sem praticar?
A estratégia aqui é, no momento de cumprimentar uma pessoa, dizer seu
nome até que o mesmo seja fixado por você. Imagine que desagradável você ser
escolhido como redator no grupo de trabalho da faculdade e, na hora de fazer a

24
identificação dos componentes, ter que perguntar “como é seu nome mesmo?” para
aquela pessoa que sempre o ajuda com alguma disciplina que você tem dificuldade?
Não há outra forma de aprender seu nome se não pela memorização.

b) Conceituais (aprendizagem de conceitos e princípios) – estão


diretamente relacionados à busca de informação para melhora do conteúdo; sua
aprendizagem exige do indivíduo uma atividade cognoscitiva mais significativa que a
anterior. Este tipo é, na verdade, uma ampliação daquela. Poderíamos dizer que
este tipo de conteúdo está associado ao saber conhecer.

c) Procedimentais (aprendizagem de procedimentos) – partem de uma


investigação autônoma e observação direta de cada indivíduo. Associa-se com o
saber fazer, pois é uma aprendizagem das ações necessárias a realização de algo.

d) Atitudinais (aprendizagem de atitudes) – estão relacionados com a


socialização, a cooperação e a inserção do indivíduo no seu meio social e cultural.
Em determinadas culturas as famílias decidem com quem seus filhos vão
casar-se. Essa atitude é aceita pelos filhos, que se casam mesmo que venham a se
conhecer apenas no dia do casamento. Esse conteúdo tem a ver com os valores
que são aprendidos ao longo da vida.

Você compreendeu que para cada tipo de conteúdo há formas mais pontuais
de se trabalhar, certo? Essas formas são os procedimentos, ou seja, as estratégias
que todo professor deve inserir em seu planejamento após definir o conteúdo que
vai trabalhar.
Eles são nosso próximo tópico.

Observe o quadro abaixor para não


esquecer como devem ser desenvolvidas
as atividades para trabalhar cada tipo de
conteúdo.

Conteúdos Atividades de aprendizagem

Factuais Repetições verbais


Conceituais Experiências

25
Procedimentais Aplicações e exercícios
Atitudinais Vivências + componentes afetivos

1.2.1.3 Procedimentos

Já falamos sobre os objetivos e os conteúdos. Resta saber como associá-los,


visto que, através do trabalho com os conteúdos é que os objetivos, como dissemos,
poderão ser atingidos, não é? E agora? É simples! Aqui entram os procedimentos de
ensino.
Procedimentos são todas as ações que os educadores planejam visando a
aprendizagem de seu aluno. Eles são as formas através das quais os professores
encontram para mediar o conhecimento a ser trabalhado, ou seja, é com a utilização
de técnicas de metodologias de ensino que a aula irá se desenvolver. É com os
procedimentos que ocorre a mediação dos conteúdos escolhidos para serem
trabalhados. Ressalto que, quanto mais interativas forem as escolhas docentes,
maior possibilidade de sucesso no curso.
É certo que as formas de se trabalhar devem ser mescladas – ora
individualizadas, ora socializadas, ora sócio-individualizadas, contudo, o mais
importante é que o professor se sinta seguro para realizar a aula tal como ele a
desenhou. Há autores que dizem que as estratégias e os procedimentos são a
mesma coisa, outros os diferenciam. Aqui, vamos considerá-los como irmãos
gêmeos, ou seja, eles são imprescindíveis um ao outro.
Ao planejarmos uma aula, é indispensável ter em mente como o conteúdo
será trabalho e, assim, qual será o modo de fazê-lo. Daí considerarmos ambos como
trabalhando de mãos dadas para o sucesso da empreitada pedagógica.
Lembre-se, portanto, que a função dos procedimentos e estratégias de ensino
e aprendizagem é auxiliar o processo de reconstrução do conhecimento pelo aluno!

Há critérios básicos para selecionar um • Adequação aos objetivos


procedimento de ensino, de acordo com propostos para o processo educacional;
Haydt (2006):

26
• Compreensão da natureza • Noção das condições
do conhecimento a ser construído pelo físicas existentes e do tempo disponível.
aluno e do tipo de aprendizagem a se
realizar;
• Conhecimento das
características do aluno (idade, nível de
maturidade e desenvolvimento mental,
grau de interesse e suas expectativas de
aprendizagem);

Agora que já falamos sobre partes fundamentais na elaboração do


planejamento, falta acrescentar um processo que nos dá o retorno do nosso
trabalho.
Precisamos saber se nossas ações estão corretas e surtindo o efeito
esperado. Como obtemos essas respostas? Como detectamos que nosso aluno
aprendeu, que construiu seus conhecimentos?
É aqui que entra a avaliação. Vamos falar sobre ela no próximo item.

1.2.1.4 Avaliação

O que é avaliação? Por que todo mundo tem medo de ser avaliado? Ter seus
méritos reconhecidos e suas fraquezas apontadas não teria o objetivo de te ajudar a
melhorar ou a manter-se como está?
Avaliar é um nó na educação, embora devesse ser muito diferente. A
avaliação nos mostra nossas potencialidades, nossas falhas e nossos acertos.
Assim, deveríamos vivenciar com tranquilidade esse processo, mas, a história não é
bem essa…

27
Imagem 8: Muito para avaliar

Hall, Donna. ddc910.jpg. Maio de 2008.


https://www.pics4learning.com/details.php?img=ddc910.jpg
Pics4Learning. 6 mar 2019

Você já ouviu o termo “examinação”? O prof. Luckesi define examinação


como a prática de aplicar exames, deles tirar uma nota e aprovar ou reprovar o
aluno. Ele diz que a avaliação é muito diferente, ela é mediadora, dialógica,
configura o aluno em sua totalidade e não em um determinado momento que você,
professor, decidiu que seria “A” hora de ver como está sua aprendizagem apenas
respondendo às questões que você elaborou para aquela oportunidade.
Vamos ver trechos de sua fala em entrevista concedida ao Jornalista Paulo
Camargo, publicado no caderno do Colégio Uirapuru, de Sorocaba, estado de São
Paulo, por ocasião da Conferência: Avaliação da Aprendizagem na Escola, em 8 de
outubro de 2005 (e parece que nem se passaram esses anos)?

(…) a escola hoje ainda não avalia a aprendizagem do educando,


mas sim o examina (…) Historicamente, mudamos o nome, sem
modificar a prática.
(…) Para compreender esse ponto de vista, basta verificarmos as
características básicas, de um lado, do ato de examinar e, de outro,
do ato de avaliar.
Iniciemos pelos exames escolares. (…) eles operam com
desempenho final. (…) não interessa como o respondente chegou a
essa resposta, importa somente a resposta. (…) os exames são
pontuais, (…) não interessa o que estava acontecendo com o
educando antes da prova, nem interessa o que poderá acontecer
depois. (…) Tanto é assim que se um aluno, num dia de prova, após
entregar a sua prova respondida ao professor, der-se conta de que
não respondeu adequadamente a questão 3, por exemplo, e solicitar

28
ao mesmo a possibilidade de refazê-la, nenhum dos nossos
professores, permitirá que isso seja feito; mesmo que o aluno nem
tenha ainda saído da sala de aulas. (…) os exames são
classificatórios, ou seja, eles classificam os educandos em
aprovados ou reprovados, ou coisa semelhante” (s/p.)

Diante de Luckesi (2005), pergunta-se: o que é avaliar? Estamos realmente


avaliando? Se a resposta para a segunda pergunta foi “Não”, precisamos repensar
nossa prática.

Sugiro a leitura do artigo “Avaliação do http://www.periodicos.udesc.br/index.php/li


Rendimento Escolar ou Punição?”, da nhas/article/view/1308/1119 Acesso em:
Profa. Dra. Maria Aparecida Lemos Silva, 14 mar 2019. Ele é muito interessante e o
disponível no endereço eletrônico: auxiliará na reflexão sobre a avaliação.

A avaliação deve ser constante em nossa vida, desde a hora em que


acordamos e escolhemos a roupa para usar (e damos uma olhada no espelho para
ver se nos agrada, ou seja, para avaliar se estamos bem e é essa realmente a roupa
daquele dia) até quando voltamos para casa, à noite, cansados, mas felizes pelo dia
agradável (pois recebemos vários elogios devido à roupa escolhida), por exemplo.
Sobre o tema, Saul (1994, p. 61) aponta que

Na ação escolar, a avaliação incide sobre ações ou sobre objetos


específicos – no caso, o aproveitamento do aluno ou nosso plano de
ação. Avaliação, portanto, não pode ser confundida, como por vezes
se faz, com o momento exclusivo de atribuição de notas ou com
momentos em que estamos analisando e julgando o mérito do
trabalho que os alunos desenvolveram. Vale dizer que a avaliação
recai sobre inúmeros objetos, não só sobre o rendimento escolar.

Sob esse ponto de vista, a avaliação, que é uma prática social ampla,
especialmente pelo fato de que o ser humano tem uma capacidade ímpar de
observar – a si e ao outro, de refletir diante do que vê e de emitir juízo de valor sobre
essa reflexão, tem que ser prática educativa, não meramente atribuidora de notas e
de aprovações e/ou reprovações.

29
De qualquer modo, antes de trazer Jussara Hoffmann e sua avaliação
mediadora para nossa discussão, vamos definir os três tipos mais comuns de
avaliação?

Figura 9: Avaliação

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/j/jessica_seewer/05/p/8d7ac58eacc8cdae5bbc2c629b
fcaf28.jpg
Acesso: 06 mar 2019

A avaliação, como já dissemos, é um processo interessado em produzir


informações sobre o processo de aprendizagem. A todo momento podemos colher
essas informações, e estas também são diferentes, nos dão sinais diferentes sobre
nossos alunos.
Os três tipos de avaliação sobre os quais estamos falando, são: diagnóstica,
formativa e somativa. Cada uma delas nos fornece dados específicos em momentos
diversos, mas, ressalto, elas são complementares. Vejamos:

a) avaliação diagnóstica: tem por objetivo verificar se os aprendentes já


construíram os conhecimentos necessários para ir adiante, passando a uma nova
aprendizagem, a qual prescinde destes conhecimentos anteriores.

Ex: sempre antes de introdução um novo conteúdo, o professor verifica se


não há brechas, dificuldades com o conteúdo anteriormente trabalhado.
b) avaliação formativa: é o feedback que vai retroalimentar todo o processo
pedagógico. Ela é aplicada ao longo de todo o processo, em todas as situações de
aprendizagem, visto que seus objetivos são: identificar situações de aprendizagens

30
mal conseguidas, informar sobre medidas para corrigir falhas e/ou melhorar o
processo.

Ex: durante todo o processo o professor promove pequenas avaliações e, ao


detectar que o aluno apresenta dificuldades, vai tentando saná-las ao longo do
bimestre letivo, por exemplo, para que o aluno não carregue para o bimestre
seguinte dúvidas que dificultarão suas novas aprendizagens, o que, se não for
verificado e se o docente não tomar uma providência para sanar, poderá virar uma
“bola de neve”, ou seja, dúvida sobre dúvida.

c) avaliação somativa: é a soma das aprendizagens e competências


adquiridas durante todo um bimestre, um semestre ou um ano letivo. Ela é, portanto,
classificatória.

Ex: os alunos de um curso de Letras são classificados mediante as médias


ponderadas obtidas ao final dos dois primeiros semestres letivos. Mediante a
classificação eles terão ou não a possibilidade de cursar a língua estrangeira
escolhida. Há um ranqueamento pois as vagas são limitadas entre as línguas.

Figura 10: Avaliação Somativa

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/p/pschubert/preview/fldr_2009_05_26/file54112433
25660.jpg
Acesso: 06 mar 2019

31
DIAGNÓSTICA FORMATIVA SOMATIVA
Objetivos - Obter indicações sobre - "Feedback" ao - Classificar os
conhecimentos, aptidões, professor e ao alunos no final de
interesses (ou outras aluno relativamente um período
qualidades do aluno). ao progresso deste. relativamente longo
- Determinar a posição dos - Detectar os (por exemplo,
alunos no início de uma problemas de unidade de ensino;
unidade de ensino, período ensino e período, ano, etc.).
ou ano. aprendizagem.
- Determinar as causas
subjacentes de
dificuldades de
aprendizagem.
Quando - No início de uma unidade - Durante o - No final de um
de ensino, período ou ano processo de período
letivo. ensino- relativamente longo
aprendizagem. (por exemplo,
unidade de ensino;
período, ano, etc.).
Ênfase em - Aptidões, interesses, etc., – Resultados da - Resultados da
que são julgados aprendizagem aprendizagem
necessários (pré-exigidos relativamente aos relativamente aos
ou desejáveis objetivos. objetivos.
relativamente aos objetivos - Comparação dos
a atingir. diferentes
resultados obtidos
pelo mesmo aluno.
– Processo de
ensino-
aprendizagem que
permitiu os
resultados obtidos.
- Causas dos
insucessos de
aprendizagem.
Tipos de - Instrumentos de - Instrumentos - Provas finais ou
instrumentos diagnóstico. formativos somativas.
especialmente
concebidos

Fonte: PROENÇA, M. C. Didáctica da História. Lisboa, Universidade Aberta, 1989, pp. 148-150 e de
MASACHS, R. C; CASARES, M. Á. S. e FERNÁNDEZ, R. M. Aprender a Enseñar Geografía,
Barcelona, Oikos-Tau, 1997, pp. 181-195 (Adaptado)

Pense sobre esses três tipos avaliatórios e, para esquentar nossa conversa,
agora sim, trago Hoffman (2009), que defende a avaliação mediadora como a única

32
possível, aquela através da qual é necessário deixar de focar o coletivo e apreciar o
individual para poder perceber como cada um aprende ou não aprende. É a
multidimensionalidade do olhar para o processo educativo e todas as suas nuances.
É necessária uma mudança na atitude do professor e dos sistemas de ensino
e de toda a sociedade que ainda está no paradigma de atribuição de valor numérico
para os conhecimentos – construídos ou não pelos aprendentes.
Essa mudança só pode vir pela mudança de mentalidade, se olharmos para
nossas práticas atuais e refletirmos acerca dos resultados que eles têm nos
oferecido.
Deste modo, surge a avaliação mediadora, a qual propõe um modelo
diferenciado, que está baseado na possibilidade de dialogar com os alunos e
aproximar-se deles.

Figura 11: Estudar para ser “avaliado”

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/a/anicahsu/11/p/510b47fd2c3d8234d81d2bb62cf68
56d.jpg.
25 Nov 2018

Para isso, reitero: é fundamental que as práticas docentes sejam repensadas


e completamente modificadas, levando-se em consideração a contemporaneidade, a
situação sócio-cultural dos alunos, sua compreensão do mundo, suas perspectivas
para a vida etc.
Deste modo, olhando a avaliação sob este ângulo, até a visão do erro será
diferenciada. Ele será considerado como parte do processo de aprendizagem, como
forma que o aluno encontrou para acertar. É a sua testagem de hipóteses que deve
ter uma carga superior na avaliação, não o resultado final.

33
Imagine um aluno que acertou todo o raciocínio na resolução de uma
expressão matemática, mas, como errou uma soma, por exemplo, o que o levou a
encontrar um resultado diferente do esperado, teve sua questão completamente
anulada? Talvez você mesmo já tenha passado por isso. É avaliativa essa prática de
olhar o resultado final e dar certou ou errado? E todo o desenvolvimento do
raciocínio do aluno? Não valeu de nada?
Precisamos mudar essa perspectiva! Um novo paradigma para a avaliação
já! Os professores são capazes de criar e propor situações desafiadoras aos seus
alunos de forma que estes analisem possibilidades, testem hipóteses e cheguem às
suas próprias conclusões a partir de seus percursos individuais, porém, incentivados
por seus mestres, orientadores da aprendizagem. Somente assim a aprendizagem
passará de mecânica à significativa e a educação poderá exercer seu papel de
transformação social.

Pergunte aos seus amigos, familiares e colegas de trabalho qual (is) a(s)
sensação(ões) mais comum(ns) para eles quando tinham que fazer prova. Reflita
sobre as respostas e construa um breve texto argumentando sobre a forma de
avaliação e a discussão deste item.

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Nessa unidade você estudou sobre a Didática e todas as possibilidades que a


partir dela são geradas visando o desenvolvimento de um processo de ensino e de
aprendizagem de boa qualidade.
Você foi levado a pensar sobre a aprendizagem, portanto e, para isso,
passeou pelas ações de planejar, onde você estudou os objetivos, os conteúdos, os
procedimentos e a avaliação.
Espero que os conteúdos tenham sido proveitosos para você e o leve
curiosamente às próximas unidades.
Tenha sempre em mente que a razão da instituição escolar existir é a
promoção da aprendizagem e da construção de conhecimento dos alunos e você
será responsável por parte disso.

35
UNIDADE II

2. EAD

Conteúdos trabalhados na unidade:


O Ensino a distância: breve histórico a partir das gerações de EaD;
Personagens do EaD: o aluno, o professor/tutor e o curso; A escolha pela
modalidade de estudo a distância: motivação e necessidade; Carga horária do
curso; Universidade Aberta do Brasil; TICs aplicadas a Educação: os AVAs.

Um educador deve estar sempre antenado às modificações que ocorrem em


seu tempo. A sala de aula, para alguns, é a mesma desde os tempos medievais,
muito antigos, séculos passados. Para outros, ela se moderniza a cada dia.
Como seria isso? É certo que, na grande maioria das escolas, os alunos
sentam-se enfileirados, um atrás do outro, a mesa do professor está à frente, há um
grande quadro de giz no qual o docente escreve as informações que seus alunos
precisam aprender. Estes copiam as mesmas no caderno e devem decorá-las para
as provas. Em muitas escolas é assim que acontece. Você me diria que não?
Então, em algumas é assim que funciona e funcionará por muitos anos, mas,
e as outras sobre as quais falei que se modernizam a cada dia? O que é isso? Como
ocorre e como percebemos essa modernização? Vamos ver? Por exemplo: com a
inserção de data show, computadores pessoais, notebooks, tablets, enfim, de
recursos tecnológicos que possibilitam a pesquisa instantânea, de dentro da própria
sala de aula.
Não vou mudar de assunto, mas te pergunto: Você já esteve em Paris? Já
visitou um dos mais famosos e interessantes museus do mundo? Eu já! Aliás, nem
preciso de cartão de crédito para fazê-lo, como num reclame antigo, um anúncio de
um determinado cartão de crédito que mostrava que, ao possui-lo, poderíamos
conhecer o mundo e ter o que quiséssemos apenas digitando uma senha.
Ah, ok, eu tenho cartão de crédito, mas vou à Paris agora, como você, sem
tirá-lo da minha carteira. Duvida? Então, bon voyage à nous! Acesse a internet de
seu computador e entre no endereço eletrônico a seguir:

http://www.louvre.fr/accueil

36
Voilá! C’est le musée du Louvre! E aí, gastou quanto por isso? Nada! E foi
divertido, não foi? O mesmo você pode fazer para conhecer qualquer lugar do
mundo!

Figura 12: Frente do Museu do Louvre, em Paris

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/l/lauramusikanski/10/p/b1d67d3f752516d124f61621
773d5f06.jpg
24 fev 2019

Certa vez fui para Bariloche e tive uma grande curiosidade de saber como as
pessoas estavam se vestindo por lá. Antes de viajar, eu quis saber sobre o clima e,
assim, pude arrumar minha mala com mais tranquilidade, levando exatamente o que
seria necessário vestir.
Visitei o seguinte endereço eletrônico:

http://www.bariloche.com.ar/camaras/centro-civico-
infoespacio.html

Nele você pode ver imagens atualizadas a cada trinta segundos. Para meu
objetivo, arrumar a mala com roupas adequadas à temperatura, foi muito útil, não
concorda?

37
Deu para perceber o quanto a internet pode nos ajudar? Encontramos de tudo
nela, das coisas mais corriqueiras às mais complexas. É uma ajuda e tanto na sala
de aula! É disso que estou falando. Refiro-me à ampliação do espaço escolar para
além das paredes da sala de aula e, mais ainda, para além dos muros da escola!
Vou reproduzir um pequeno texto, do livro “Tecnologia da informação para
todos”, da Coleção Entenda e Aprenda (e a capa também):

Em que mundo vivemos, afinal?


Imagine um mundo sem tecnologia. Sem celular, sem namora via
Internet, sem futebol pela TV a cabo e, sobretudo, sem o estresse da
vida moderna. É fácil imaginar, ou não?
Um belo dia, David Byrne, o cérebro da extinta banda norte-
americana Talking Heads, resolveu fazer uma canção chamada
(Nothing but) flowers – (nada além de) flores – para tentar descrever
as sensações que o homem experimentaria se, provado das
maravilhas do mundo moderno, tivesse de retornar ao estilo de vida
que a natureza lhe oferecia há 30 ou 40 mil anos.
No início, Byrne se diverte com a delirante hipótese. Vê a si mesmo
como um novo Adão, livre nos Jardins do Éden. E, evidentemente,
fica feliz da vida por ter todo o tempo do mundo para não fazer nada
ao lado da belíssima Eva.
De repente, começa a sentir saudade do micro-ondas, dos shopping
centers, dos letreiros luminosos de Nova York e até da Pizza Hut e
do 7-Eleven – duas das mais tradicionais redes americanas de fast-
food. Da saudade á insatisfação é um pulo e, em segundos, Byrne
compreende ser impossível viver sem os referenciais que, mal ou
bem, ajudaram a moldar sua identidade.
Quando a canção (Nothing but) flowers começou a ser tocada, houve
quem taxasse o trabalho de Byrne como “antiecológico”. Nada mais
falso. Na verdade, o artista fez uma radiografia perfeita de como a

38
tecnologia nos transformou, atendendo (ou criando) novas
necessidades.
Sempre se pode dizer, por exemplo, que “inventaram o computador
para resolver problemas que você não tinha antes”. Em certa
medida, isso é verdade, pois ninguém ficaria preocupado em
recarregar o cartucho de uma impressora há 20 anos. Em
compensação, há 20 anos você teria que gastar uns bons trocados
se resolvesse imprimir aqueles poemas infames feitos para
reconquistar a sua namorada.
Nesse novo mundo, o computador está transformando a maneira de
pensar, falar, amar, estudar, ganhar dinheiro, visitar um médico e até
eleger o presidente. Em termos de Internet, então, iremos precisar de
uma enciclopédia para descrever as mudanças que a rede mundial
de computadores vem operando. Banco on-line (seu computador
conectado ao da instituição bancária), bibliotecas e shoppings
virtuais, educação a distância, cirurgias complicadíssimas (com o
médico nos Estados Unidos e o paciente na Europa) e, claro, tarefas
prosaicas, como declarar seu imposto de renda e fazer o
licenciamento do seu carro.
Se não bastasse, ainda inventaram o celular conectado á Internet.
Agora a gente nem precisa estar mais em casa, diante do
computador, para receber e-mails, consultar os horários do cinema,
ver o saldo ou xeretar a previsão do tempo.
Então, dá para se imaginar sem tecnologia? Boa parte vai responder
com um sonoro “nãããããoooo!”. Seja por gosto, fascínio, necessidade
ou, sem dúvida, imposição – basta pensar no mercado de trabalho. E
já que quem está na chuva “é pra se queimar”, citando o antológico
Vicente Matheus, entender um pouco dessa tecnologia circundante
acaba sendo fundamental, tanto para elogiar quanto para criticar.
Filosófica e empolgadamente: pensar nos progressos da tecnologia
significa rever em perspectiva a própria aventura do ser humano”
(2002, pp. 9-10).

Após o lançamento do livro do qual extraí o texto acima já se passaram


vários anos, mas, ele descreve bem nossa realidade, certo? Assim, te pergunto:
podemos viver sem tecnologia? Não, não mesmo e isso inclui a escola.
O que precisamos saber é que nem sempre foi assim. Nem sempre a
educação contou com recursos tão modernos, como a lousa digital, por exemplo,
para auxiliá-la. Os recursos foram modernizando-se, aos poucos ou rapidamente,
como hoje em dia. Vamos ver como isso aconteceu, como foi a história do EaD?

39
2.1 O ensino a distância: breve histórico a partir das gerações

De qualquer forma, a educação a distância não é


propriamente uma novidade. O uso de novas tecnologias para
educação também não o é. (…) Há um claro conflito de
culturas de uso: de um lado, a lógica da Internet, fugaz,
rápida fria (no sentido de McLuhan). De outro, a lógica
educacional, onde são necessárias a persistência, a
fidelidade e a informação quente (BLIKSTEIN e ZUFFO,
2003, p. 36).

O Ensino a Distância não é uma modalidade educacional tão recente.


Ressalto que, para pensar em EaD, partimos do pressuposto que alunos e
professores estão separados por espaço e/ou tempo e, com isso, lançam mão dos
recursos tecnológicos para que possam interagir e aproximar-se.
Quando, em pleno século XXI pensamos em EaD, na hora nos vem à mente
um computador conectado à Internet. Ah, eu penso nisso também, mas, nem
sempre foi assim e, ainda hoje, encontramos iniciativas que fazem EaD sem
computador, ou, sem Internet. É verdade!
Você já ouviu falar do Instituto Universal Brasileiro? Ele está há mais de
setenta anos no mercado, oferecendo diversos cursos à distância. Os alunos do
Instituto recebiam o material impresso do curso escolhido em suas casas,
estudavam e, se tivessem qualquer dúvida, poderiam enviá-la via Correios ou via
telefone aos tutores que procurariam saná-las no menor tempo possível.

Figura 13: Anúncio do IVB nos anos 70 e em 2019

Anos 70, século XX Em 2019


https://www.institutouniversal.com.br/
Acesso em 07 mar 2019

40
Hoje, o IUV tem até site e vende cursos pela Internet, como o de Unhas
decoradas ou de Comida árabe. Ainda apoia-se nas apostilas, mas elas estão
digitalizadas e você pode estudar em seu computador.
Viu que EaD é muito mais que Internet? Podemos dizer, diante disso, que
houve várias gerações de produção de EaD. Vamos conhecê-las? A cada época a
EaD utilizou-se de determinadas mídias através das quais ela pôde acontecer. Cada
um destes momentos específicos ficou conhecido como “geração”.
Conforme Moore e Kearsley (2012) há três gerações, que são as seguintes:

As 3 gerações da EaD

Moore e Kearsley publicaram este livro em 1996. De lá para cá, muitas coisas
mudaram, assim, houve a necessidade de ampliar sua classificação. A partir deste
quadro, temos que as gerações de EaD, portanto, são cinco (adaptado de MOORE,
M.; KEARSLEY, G. 2012):

41
1ª. Geração – 1880

Tecnologia e mídia utilizadas Imprensa e Correios.


Objetivos pedagógicos Atingir alunos desfavorecidos socialmente,
especialmente as mulheres.
Métodos pedagógicos Guias de estudo, auto-avaliação, material
entregue nas residências.
Formas de comunicação Correios e correspondência.
Tutoria Instrução por correspondência.
Interatividade Aluno/material didático escrito.

Nesta época EaD tinha um caráter assistencial e acontecia totalmente


distante de um tutor. A intenção era de que o aluno estudasse sozinho, em sua
casa.

2ª. Geração – 1921

Tecnologia e mídia utilizadas Difusão de rádio e TV.


Objetivos pedagógicos Apresentação de informações aos alunos, à
distância.
Métodos pedagógicos Programas teletransmitidos e pacotes didáticos
(todo o material referente ao curso é entregue ao
aluno pelos correios ou pessoalmente).
Formas de comunicação Rádio, TV e outros recursos didáticos, como:
caderno didático, apostilas, fita K-7.
Tutoria Atendimento esporádico, apenas por contatos
telefônicos, quando possível.
Interatividade Pouca ou nenhuma interação professor/aluno.

Aqui, a interação era entre aluno e material. Ainda, como na geração anterior,
o indivíduo estudava sozinho, assistindo aos vídeos ou ouvindo sons preparados
pela equipe. O contato era raro entre alunos e tutores.

42
3ª. Geração – 1970

Tecnologia e mídia utilizadas Universidades Abertas.


Objetivos pedagógicos Oferecer ensino de qualidade com custo reduzido
para alunos não universitários.
Métodos pedagógicos Orientação face a face, quando ocorrem encontros
presenciais.
Formas de comunicação Integração áudio e vídeo e correspondência.
Suporte e orientação ao aluno.
Tutoria Discussão em grupo de estudo local e uso de
laboratórios da universidade nas férias.
Interatividade Guia de estudo impresso, orientação
porcorrespondência, transmissão por rádio e TV,
AUDIOTEIPES gravados, conferências por
telefone, kits para experiências em casa e
biblioteca local.

Nesta geração começa a proposta de trabalho híbrido, ou seja, que mescla


momentos presenciais e à distância.

Figura 14: Audiconferência

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/c/CTrillo/03/l/1458498881hu4us.jpg
24 fev 2019

43
Recomenda-se a leitura do capítulo 7 para conhecer diversas iniciativas nesta
(Modelos de ensino e aprendizagem de modalidade de EaD, como a University of
instituições específicas) do livro “Didática Air, do Japão e a Open University inglesa.
do ensino a distância”, de Otto Peters,

4ª. Geração – 1980

Tecnologia e mídia utilizadas Teleconferências por áudio, vídeo e computador.


Objetivos pedagógicos Direcionado a pessoas que aprendem sozinhas,
geralmente estudando em casa.
Métodos pedagógicos Interação em tempo real de aluno com aluno e
instrutores à distância.
Formas de comunicação Recepção de lições veiculadas por rádio ou
televisão e audioconferência.
Tutoria Atendimento síncrono e assíncrono, dependendo
de contatos eletrônicos.
Interatividade Comunicação síncrona e assíncrona com o tutor,
professor e colegas.

Esta foi uma geração que preparou o que temos na atualidade. Foi muito
importante e marcou, definitivamente, o fazer EaD.

5ª geração – 2000

Tecnologia e mídia utilizadas Aulas virtuais baseadas no computador e


na internet.
Objetivos pedagógicos Alunos planejam, organizam e implementam seus
estudos por si mesmos.
Métodos pedagógicos Métodos construtivistas de aprendizado em
colaboração.
Formas de comunicação Síncrona e assíncrona.
Tutoria Atendimento regular por um tutor, em
determinado local e horário.
Interatividade Interação em tempo real ou não, com o professor
do curso e com os colegas de curso.

44
Ah, esse modelo soa familiar, não é? Nas universidades que produzem EaD
as aulas são ministradas virtualmente, ou seja, são aulas nas quais os professores
vão aos estúdios da universidade para gravá-las e depois as mesmas são
disponibilizadas para você, que interage, a partir da plataforma utilizada, com seus
colegas e professores.

Consulte a aula sobre EaD que está em: (Acesso em: 02 mar 2019). Lá você
http://ftp.comprasnet.se.gov.br/sead/licitac poderá estudar mais sobre o histórico do
oes/Pregoes2011/PE091/Anexos/Eventos EaD mundo a fora. Será muito
_modulo_I/topico_ead/Aula_02.pdf. enriquecedor!

É importante refletir, após analisar o histórico do EaD, a partir das cinco


gerações, que simplesmente utilizar recursos tecnológicos não é fazer EaD muito
menos garantir ensino e aprendizagem.
Como educadores, temos que ter em mente a importância de nosso papel
diante da realidade que está posta e como podemos fazer cada dia melhor a
docência. O objetivo é ensinar e aprender. O recurso é um auxílio. O professor
continuará sendo a figura mais importante na tomada de decisões sobre o “como”
fazer, o “como” ensinar.
Veja, os recursos com os quais contamos nos dias de hoje requerem que
nossos conhecimentos e dúvidas desenvolvam-se num fazer apurado e reflexivo.
Reflexão, sempre! Para isso, discutiremos agora quem são as personagens do EaD.
Quem faz EaD acontecer? Quais os diferentes papéis necessários que devem ser
assumidos pelos protagonistas neste processo de ensinar e aprender?

Você, aluno da EaD, é parte integrante e esta inovação que a EaD trouxe para os
sujeito no processo de educação à processos educacionais! Já pensou
distância. O que você está fazendo aqui é nisso? Você também faz EaD!
exatamente participar e viver ativamente

45
2.2 Personagens do EaD: o aluno, o professor/tutor e o curso

A EaD é uma:

(…) modalidade educacional na qual a mediação didático-


pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a
utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação,
envolvendo estudantes e professores no desenvolvimento de
atividades educativas em lugares ou tempos diversos (BRASIL,
2005, p. 1),

É, portanto, imprescindível o papel de um professor/tutor que acompanhe


seus alunos em toda sua navegação durante um curso. Sem esses elementos, não
haverá interação e, possivelmente, não haverá aprendizagem.
Se em outros tempos havia a possibilidade de um aluno estudar sozinho,
hoje, é fundamental um tutor, alguém que o acompanhe ou pelo AVA – ambiente
virtual de aprendizagem, ou pela própria forma de construção do curso.
Os tutores podem ser personagens que estão indicando, todo o tempo, o que
fazer, onde clicar, o que acontecerá em seguida ao clique, ou seja, eles são
programados para monitorar toda a navegação dos participantes, já antevendo
possíveis percursos e oferecendo possibilidades.
Claro que não se comparam aos tutores “de verdade”, de carne e osso…
Gente é sempre melhor do que programa de computador. Gente pensa, sente, sofre,
aprende. Programa de computador só faz aquilo que alguém já pensou por ele, mas
não toma decisão, não escolhe o que fazer.
O papel do tutor pode, porém, ser outro. Este papel se amplia a partir da
possibilidade de interação, propiciada pelas tecnologias digitais interativas. É aqui
que entra o tutor “de verdade”. Aquela pessoa para quem pedimos socorro quando
precisamos ou para quem desejamos um bom final de semana após árduos dias de
trabalho diante da máquina. E, para sentir que há alguém ali, será através do texto
produzido por ele que vamos perceber. Será uma palavra amável, uma indicação
gentil de algo que devemos saber melhor, ou na demonstração de um errinho nosso
que se desenrolará o relacionamento com o tutor.
A Universidade Aberta do Brasil – UAB – propõe dois diferentes tipos de
tutores:

a) tutores presenciais – nos cursos em que são tutores, encontram-se


com seus alunos em um espaço físico. Neste, os alunos acessam os conteúdos por
meio de transmissões (televisivas ou via Internet) ao vivo ou gravadas. A maior parte

46
das atividades de um curso como esse são desenvolvidas à distância e o tutor
presencial apenas acompanha os alunos;

b) tutores a distância – “mantêm contato com os estudantes apenas por


meio de tecnologia – ambiente virtual de aprendizagem, telefone, e-mail etc”
(BORTOLOZZO, 2009, p. 62). Também são conhecidos como tutores técnicos,
virtuais ou online. Costumam corrigir os trabalhos ou acompanhar os alunos na sala
de aula virtual.

O tutor é uma figura fundamental no mediação entre alunos, conteúdos e


processo de EaD. É ele quem faz a professores.

Além dos tutores, há os professores. Eles podem, em algumas instituições,


ser a mesma pessoa, mas, de um modo geral, é o professor quem ministra as aulas
(ao vivo ou gravadas), quem propõe e corrige provas e trabalhos, quem orienta os
TCCs (trabalhos de conclusão de curso) e as monografias e elabora as aulas e os
livros texto. Ainda, os professores, participam dos fóruns (assíncronos) nos quais
uma questão é proposta para dar início às discussões sobre o tema da aula
ministrada.
Uma outra figura importante, sem a qual não há o curso, é o aluno. Ele tem
funções primordiais para o bom andamento de qualquer projeto em EaD. Sem sua
participação nenhum curso terá vida, não se constituirá como ação pedagógica.

47
Figura 15: Tutor

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/a/antonmislawsky/10/p/0823d89b7ac8788fe2358b4
478977369.jpg
Acesso: 14 mar 2019

O aluno, assim como os tutores e os professores, também tem funções. De


todas, a principal é colocar-se diante dos conteúdos, resolver as questões
propostas, ler os materiais oferecidos, assistir às animações indicadas, buscar além
daquilo que é indicado e participar dos fóruns e de todas as discussões pertinentes
aos temas trabalhados.
O curso, outro elemento importante, só acontecerá se o aluno estiver
presente, deixando suas marcas por onde passar. Quanto a ele, o curso, é de suma
importância que ele seja interativo, ou seja, que o aluno possa sentir que tem amis
alguém por lá.
Imagine a escola sem os alunos. Também sou professora presencial e,
quando entro de ferias e vou à universidade, me dá um aperto no coração… Sinto
uma saudade dos corredores cheios, do som das vozes dos alunos, do andar de lá
para cá o tempo todo… Sinto até falta das conversinhas paralelas em sala de aula
(só um pouquinho!)… Os alunos dão vida, como já disse, aos cursos. Sem sua voz,
não se fala com ninguém.
Continue imaginando: você é tutor num curso em EaD. O curso começa. Os
alunos estão empolgadíssimos, “falam” sem parar. Se você ficar uma hora fora do
ambiente, já sabe que, ao retornar, encontrará o espaço cheio de perguntas e
observações.
Outra situação: você acessa o curso e quase nenhum aluno “aparece”. Os
ambientes estão vazios, as atividades sem participação, nos fóruns só tem você
chamando pelos alunos… Lembrou aqui da universidade no período de férias? É,
triste, não é? E não pode ficar assim! É preciso motivação! É preciso trazer os
alunos para o curso, incentivá-los a participar, a questionar, a realizar as atividades
propostas, todo o tempo! É preciso vida no curso!

48
Agora, pense num curso em EaD em que os materiais são tal como no ensino
presencial – textos xerocados, por exemplo, aqui são digitalizados. Há questionários
intermináveis que devem ser respondidos e encaminhados por e-mail para o(a)
tutor(a), o qual lhe atribuirá uma nota pelas respostas.
Não há vídeos, sons ou bonequinhos andando pela tela e sorrindo para você.
Só há textos, intermináveis páginas com textos e mais textos. O que você acha
desse curso? Certamente ficou cansado e torcendo para não ter que realizá-lo,
certo? Sou sua parceira nesse sentimento. Também não quero isso para mim.
Você percebeu a importância da dialogicidade num curso em EaD? Percebeu
o quanto sentir-se fazendo parte daquilo tudo é fundamental para sentir-se atraído?
Pois bem. Essa é a parte em que eu lhe digo: todo curso em EaD tem que prever a
interação. Mais que interatividade, a troca, a parceria, a construção de laços e
vínculos entre os elementos ou personagens de um curso nesta modalidade de
ensino. Vamos conceituar e explicar a diferença entre as duas?

a) Interatividade: vem de “interactivity, foi cunhada para denominar uma


qualidade específica da chamada computação interativa (interactive computing)”
(FRAGOSO, 2001, p. 3), ou seja, relacionamento travado entre indivíduo e
computador.

b) Interação: é um fator muito importante e deve ser predominante em


processos de EaD, visto que há pessoas participando. De acordo com Villardi (2003,
p. 48),

A educação a distância não pode realizar-se sem a interação, processo pelo


qual o indivíduo é afetado pela presença do outro, que se dá por meio da
colaboração, da crítica, da análise diferenciada, da presença de um outro ponto de
vista. Ao contrário da simples interatividade, de onde podemos esperar apenas as
trocas, a interação culmina em uma mudança de concepções, em uma construção
de conhecimentos a partir da reflexão e da crítica, que se dá em ambientes
cooperativos, onde é possível a aprendizagem significativa.
Se em EaD a interação deve prevalecer, é certo que buscamos pensar em
cursos com posições mais humanizadoras, que vejam o quanto o(a) aluno(a)
participante e o(a) professor(a) ou tutor(a) tem a colaborar para a construção de
conhecimento – um do outro.
Aprendizagem colaborativa é sempre mais enriquecedora que aquela que se
dá em total clausura, sem um interlocutor parceiro. Educação é interação, assim,

49
todo curso deve ser interativo e contar com a colaboração dos participantes para
promover e fortalecer a aprendizagem!

Vou contar uma coisa para você: sou dele. É emocionante estar num curso em
professora em EaD desde 2002 quando EaD e conhecer as pessoas à distância!
iniciei o Mestrado na PUC-SP. Foi tudo
Vai uma dica: acesse a
assim, meio de sopetão. Quando me dei
apresentação que está em:
conta, já estava lá, ensinando,
http://www.slideshare.net/Anated/a-
aprendendo, criando…. Percebo as
importncia-da-tutoria-motivacional-na-ead
potencialidades do EaD a cada dia
(Acesso 20 fev 2019) para saber mais
crescendo e um mundo se abrindo a partir
sobre EaD e suas personagens.

2.3 A escolha pela modalidade de estudo a distância: motivação e


necessidade

Até agora temos discutido as mudanças no mundo, as novas formas de se


ensinar e de aprender e quem pode contribuir nesse contexto, certo? Mas… EaD
surge de que modo? Qual sua intencionalidade, inicialmente? E hoje?
Cada vez mais as pessoas têm menos tempo para se deslocar entre a cidade
em que moram e trabalham. São questões desde grandes distâncias até os terríveis
engarrafamentos que fazem com que percamos, em média, duas horas desde a
saída do ponto inicial até a chegada a um ponto que pode ser o intermediário,
considerando que saímos do trabalho para o local de estudo e só de lá e que vamos
para casa. É muito tempo jogado fora… Podemos melhorar essa conta, podemos
preencher esse tempo negativamente ocioso com algo que seja precioso para nós –
educação.

As rápidas mudanças no local de trabalho, o desemprego e a


incerteza exigem alterações imediatas na educação e formação
contínua e ao longo da vida. Sob tais circunstâncias, é irreal esperar
que as estruturas educacionais tradicionais respondam numa base
adequada para o desenvolvimento do conhecimento e das
competências. Deste modo, torna-se necessário encontrar novos
métodos para melhorar os níveis educacionais, iniciais ou de
formação contínua (RURATO, GOUVEIA & GOUVEIA, 2007, p. 80).

50
Assim sendo, uma opção pertinente é EaD. Buscar cursos que podem ser
realizados de acordo com o tempo disponível e com a necessidade latente dos
alunos é uma opção grandiosa. Se podemos estudar, ter maior informação e melhor
formação, mas não é viável frequentar uma escola presencial para tal, por que não
optar por estudar a distância?

Figura 16: Estudar sempre

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/r/Riya99/09/p/cc6a5fddb49ddb55155014fb7f136403
.jpg
14 mar 2019

Essa é uma possibilidade. Pensando nisso, antes de escolher um curso em


EaD, procure traçar um perfil de como você seria estudando nesta modalidade. Não
é só responder aos questionários, mas não pode deixar de fazê-los. Não é decidir
entrar sempre à noite, ao final do trabalho, pois você poderá estar muito cansado e
os olhinhos não abrirem o suficiente para ler os materiais e assistir às
apresentações. Não é pensar que clicar na setinha que faz virar a página o conteúdo
terá sido entendido.
Diante disso, vai a pergunta para ser completada: Por que EaD? Você
escolheu a modalidade EaD pois (aqui vai sua resposta):

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Vou tentar ajudá-lo. Veja o esquema que segue:

51
FATORES QUE AFETAM A DECISÃO DE PARTICIPAR EM PROCESSOS DE
APRENDIZAGEM

Henry e Basile, 1994 (Adaptado)

A partir desse esquema, pense se você realmente participaria de um curso


em EaD. Opa! Participaria, sim. Aliás, está participando desta pós-graduação, certo?
Então, reflita: você optou por essa modalidade, pois se sente motivado a
estudar em EaD ou é uma necessidade que você tem (independente do seu
motivo)? Para auxiliá-lo, vou descrever o que é motivação e necessidade. Veja só:

a) Motivação: de acordo com diversos autores, são os principais fatores


que motivam os aprendentes adultos para realizarem cursos em EaD, a saber:

52
• Desenvolvimento na carreira
• Constrangimentos de tempo, distância e financeiros;
• Flexibilidade de acesso e de tempo, oportunidade de colaborar com outros
aprendentes distantes e com diferentes background e experiências;
• Socialização e conveniência.

Ainda, de acordo com Rurato, Gouveia & Gouveia (2007, p. 87), há seis
fatores que servem de motivação ao aprendente:

1) Relacionamento social – para fazer novos amigos, necessidade de


novas associações e relacionamentos;
2) Expectativas externas – para cumprir instruções e realizar as
recomendações de alguém com autoridade formal;
3) Bem-estar social – para conseguir realizar algo que ajude os outros, ou
participar em trabalho comunitário;
4) Desenvolvimento pessoal – para conseguir uma promoção, segurança
profissional, ou estar alerta para possíveis necessidades de se adaptar a mudanças
no emprego, necessidade de manter competências antigas ou de aprender outras
novas;
5) Escape ou estímulo – para se livrar da rotina diária;
6) Interesse cognitivo – para aprender pelo simples fato de aprender, ter
novos conhecimentos e satisfazer uma mente inquiridora.

Você se adequa a uma dessas, ou a mais de uma? Ainda, muitos procuram


estudar em EaD por:

b) Necessidade: muitos alunos em EaD tem como objetivos, como


citados anteriormente, buscar um desenvolvimento na carreira; não tem tempo de ir
para uma escola presencial por questões como distância e os gastos que isso
implicariam.

Essas razões tanto os motivam quanto demonstram sua necessidade, em


especial a primeira, ou seja, ter um upgrade em sua carreira, que poderá levar a
promoções, aumento de salários e diversas outras vantagens que todo profissional
deseja obter. A questão aqui não é levar à discussão se estou em EaD por que

53
gosto ou por que preciso. O que deve ser levado em consideração é se tenho o perfil
para ser aluno em EaD.
Diante do exposto, espero que você esteja satisfeito por ter feito a escolha
correta e continue buscando outros cursos – em EaD ou em educação presencial –
para aprimorar-se cada vez mais como profissional.

2.4 Carga horária do curso

Estava buscando bibliografia para escrever sobre esse tópico quando me


deparei com um curso sobre carga horária em EaD. É, um curso que ensina como
estipular a carga horária para cursos em EaD. Confesso que tive curiosidade e
quase me inscrevi…
Essa questão de como estabelecer a carga horária para estudos via Internet é
muito curiosa. Como saber qual será o ritmo de cada aluno. Alguns realizarão as
atividades propostas com muita facilidade, com muita rapidez. Outros vão demorar
mais do que foi imaginado e outros nem conseguirão terminar. Não há receita
pronta.

Figura 17: Receituário

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/a/andreeautza/10/l/1444210980t5xpg.jpg
14 mar 2019
Certa vez uma aluna me perguntou sobre como saber exatamente quanto de
seu tempo seria consumido no curso (ela estava escrevendo o curso e pretendia
vendê-lo). Minha resposta foi simples (ou não). Fiz a seguinte pergunta: para
docente ou para alunos? É aí que está a diferença e é em cima disso que devemos
nos prender: qual seu foco?

54
Explico melhor: para o professor, o número de horas consumidas é diferente
das horas dos alunos. E o momento em que você está pensando sobre isso importa,
ou seja, você está planejando seu curso ou está ministrando as aulas?
Para planejá-lo, certamente o consumo será maior, já que há a necessidade
de muita pesquisa e organização de materiais até que o curso fique efetivamente
pronto. Para ministrar será diferente, pois você já o conhece e estará dirigindo as
atividades. Acredito que, nesse caso, duas horas diárias são suficientes. Há quem o
faça em mais, há quem necessite apenas de uma hora para ler as interações e
atividades dos alunos e deixar seus comentários e questões motivadoras.
Caso você pense em realizar chats, aí cada conversa deve ter em torno de
sessenta minutos, pois é um tempo razoável para falar com os alunos, ouvi-los,
discutir questões previamente indicadas e tomar decisões a partir delas. Nesse
caso, um resumo do chat precisa ser feito para que um aluno que, porventura não
tenha conseguido estar presente, possa, em seu tempo, acompanhar as discussões
e posicionar-se nos fóruns. É mais ou menos assim.

Você quer uma “formulinha”, não é? Já hora diária de acompanhamento dos


disse que aqui não é o espaço para fóruns e atividades postadas para cada
apresentação de fórmulas ou receitas unidade, ok?
prontas, lembra-se? Ainda assim, lá via
Lembre-se: na verdade, cada curso será
uma dica: procure pensar que, para o
de um jeito, com exigências muito
aluno, seria interessante planejar-se para
particulares. Essa é uma regrinha em
estudar por, pelo menos, duas horas
geral!
diárias e, para o tutor, pelo menos uma

Todo bom tutor de curso em EaD precisa estar presente, mesmo que
fisicamente longe. E, como eu já disse aqui nesse material, é através de seu texto
que conseguirá fazê-lo.

1) Analise as duas situações que seguem:

55
Situação 1: O aluno 1 faz uma pergunta. O tutor responde de forma seca,
objetiva por demais. O aluno 2 acrescenta que não entendeu bem. O tutor refaz a
resposta, mas continua distante. O aluno 3 decide nem participar”.

Situação 2: O aluno 1 faz uma pergunta. O tutor responde de forma


atenciosa, objetiva, mas propondo desmembramento da questão e sugere que os
demais alunos se coloquem. O aluno 2 coloca-se e acrescenta que não entendeu
bem. O tutor refaz a resposta, apresentando novos exemplos, trazendo a questão da
dúvida para a realidade prática. O aluno 3, que não é muito ativo, decide participar
pois é convidado pelo tutor. Outros alunos também se colocam e o tutor vai
acompanhando-os.

2) Responda:
a) O tempo de participação do tutor 1 será o mesmo que o do tutor 2 no
curso? Sim ou Não? Por que?
b) Qual dos dois tutores terá mais a ensinar e a aprender com seus
alunos?
c) E quanto ao prazer de vivenciar essa experiência em EaD, qual dos
tutores será mais “sortudo”?

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

2.5 Universidade aberta do Brasil

Você já deve ter ouvido falar sobre a UAB – Universidade Aberta do Brasil.
Já? Se não, vamos entender o que quer dizer UAB? No site da CAPES –
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

56
(http://www.capes.gov.br/), temos acesso a todas as informações relevantes sobre
esta iniciativa. Vamos a elas?
É importante saber que a UAB não é uma universidade, apesar de o nome
dar esse indicativo. Ela é, na verdade, um sistema composto por diversas
universidades públicas visando oferecer cursos de nível superior para alunos
oriundos das camadas da população que tem maiores dificuldades de acesso a este
nível de ensino.
Para realizar seu projeto educacional, a UAB faz uso de uma metodologia que
privilegia a EaD. Não são só os alunos que recebem formação com esta iniciativa.
Professores que atuam na educação básica têm prioridade de formação, assim
como os dirigentes, os gestores e os trabalhadores em educação básica dos
estados, dos municípios e do Distrito Federal. Veja o que encontramos no site da
UAB:

O Sistema UAB foi instituído pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de


2006, para "o desenvolvimento da modalidade de educação a
distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de
cursos e programas de educação superior no País". Fomenta a
modalidade de educação a distância nas instituições públicas de
ensino superior, bem como apoia pesquisas em metodologias
inovadoras de ensino superior respaldadas em tecnologias de
informação e comunicação. Além disso, incentiva a colaboração
entre a União e os entes federativos e estimula a criação de centros
de formação permanentes por meio dos polos de apoio presencial
em localidades estratégicas (Site da UAB).

Deste modo, o sistema da Universidade Aberta do Brasil propicia, de acordo


com o que ainda está em seu site:

(…) a articulação, a interação e a efetivação de iniciativas que


estimulam a parceria dos três níveis governamentais com as
universidades públicas e demais organizações interessadas,
enquanto viabiliza mecanismos alternativos para o fomento, a
implantação e a execução de cursos de graduação e pós-graduação
de forma consorciada (Site da UAB).

O que a UAB procura fazer é “plantar a semente da universidade pública de


qualidade em locais distantes e isolados”, assim como também visa incentivar o
desenvolvimento de municípios cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) são baixos.

57
Se analisarmos a iniciativa, teremos que é o grande objetivo do sistema, abrir
as portas para aqueles estudantes que, por razões de nível sócio-econômico, não
tiveram as mesmas oportunidades que os demais estudantes.
A UAB funcionaria, portanto,

(…) como um eficaz instrumento para a universalização do acesso


ao ensino superior e para a requalificação do professor em outras
disciplinas, fortalecendo a escola no interior do Brasil, minimizando a
concentração de oferta de cursos de graduação nos grandes centros
urbanos e evitando o fluxo migratório para as grandes cidades (Site
da UAB).

É uma iniciativa grandiosa. Pretensiosa, eu diria, mas muito necessária tendo


em vista a realidade – e a diversidade – continentais do nosso país. O Sistema UAB
sustenta-se em cinco eixos fundamentais. Você imagina quais sejam eles? Vejamos:

1) Expansão pública da educação superior, considerando os processos


de democratização e acesso;
2) Aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições de ensino
superior, possibilitando sua expansão em consonância com as propostas
educacionais dos estados e municípios;
3) Avaliação da educação superior à distância tendo por base os
processos de flexibilização e regulação implantados pelo MEC;
4) Estímulo à investigação em educação superior à distância no País;
5) Financiamento dos processos de implantação, execução e formação de
recursos humanos em educação superior à distância.

Você percebeu quantas vezes aparece a expressão educação a distância na


descrição dos eixos fundamentais do sistema UAB? Eu contei: 3 vezes e os eixos
são cinco. Entende a importância desta modalidade para o funcionamento do
sistema? Ainda, ressalto que as universidades envolvidas são públicas, o que nos
remete a refletir sobre o quanto as políticas públicas federais preocupam-se e
valorizam a EaD como possibilidade de formação aos estudantes.
Para encerrar, embora ainda haja muito a saber sobre a UAB, para o que
recomendo uma visita ao site indicado anteriormente, você tem ideia de como o
sistema funciona? Veja a imagem que segue:

58
Figura 18: Articulação entre as instituições públicas de ensino e os polos de
apoio presencial

http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7&Itemid=19
Acesso: 07 mar 2019.

A proposta é de fazer uma articulação entre as universidades federais visando


atender às demandas locais por educação superior. É mais ou menos assim: são
estabelecidas quais as instituições que serão responsáveis por ministrar um curso
determinado e onde isso acontecerá (qual município), onde haverá pólos de apoio
presencial para gerenciar todo o processo- o que podemos ver na imagem
“Articulação entre as instituições públicas de ensino e os polos de apoio presencial”.

59
Depois de firmado todo esse esquema, o sistema UAB assegurará o fomento,
ou seja, o incentivo financeiro, para que haja pleno funcionamento das ações
pedagógicas nos pólos.

Todas as informações sobre a UAB estão Não esqueça de visitá-lo!


no endereço eletrônico:
http://www.uab.capes.gov.br/.

É importante conhecer essa iniciativa, pois ela é a garantia de que as


políticas públicas propõem que processos educacionais sejam viabilizados também
via EaD. A EaD tendo apoio governamental, certamente, fica mais fácil de que a
iniciativa privada adentre, como já o faz, o mercado com mais segurança e oferta de
cursos variados.
Deste modo, a EaD, devidamente respaldada por legislação eficiente e
apoiada pelo setor público, encontrará apoio cada vez mais eficaz no alcance da
massa interessada, realizando o seu desígnio de popularizar o ensino e
disponibilizar as condições de acesso aos mais remotos recantos do país.
Viu como você fez a escolha certa para sua pós-graduação? Parabéns!

60
Figura 19: Estudar a distância

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/j/jppi/12/p/42099a77708861c8aa6959a222ead3a9.jpg
Acesso: 11 mar 2019

2.6 Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) aplicadas à


educação e os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs)

Continuando nossa caminhada pelo mundo do EaD, vamos sempre nos


lembrar que estudar através da modalidade a distância é um recurso cada vez mais
utilizado. É um modo de estudar de uma forma um pouco diferente do ensino
tradicional presencial, aonde vamos à escola diariamente, no mesmo horário,
encontramos as mesmas pessoas e desenvolvemos a mesma rotina.

De acordo com o MEC – Ministério da professores desenvolvendo, em lugares e


Educação, em sua página oficial, a EaD é tempos diversas, as atividades
a modalidade educacional na qual a educacionais propostas para cada curso.
mediação didático-pedagógica nos
Encontramos essa definição no
processos de ensinar e aprender ocorre
Decreto 6.522/05 que regulamenta o art.
com o uso de meios e TICs – tecnologias
80 da LDN 9394/96.
da informação e educação, com alunos e

61
É diferente. É estudar de outro jeito. E pressupõe pensar sobre como se faz
isso, afinal, imagino que todos nós, ou a maioria de nós fomos formados pela
modalidade presencial, certo? Aprendemos bastante deste jeito, não é?
Pois bem, o que trago à discussão é exatamente a questão de que EaD é
outra forma, diferente do ensino presencial. Você já refletiu sobre isso? Contudo, em
ambas é necessária uma sala de aula. É. Uma sala de aula, sim! Só que em EaD,
essa sala de aula estará no ambiente virtual, acessada ao tempo de cada um. E,
para que isso aconteça, é preciso que haja um AVA – ambiente virtual de
aprendizagem – que é, na verdade, essa escola da qual acabei de falar, com suas
salas de aula, biblioteca, secretaria etc.
Você já tinha escutado falar em AVAs antes de estudar na UNIP EaD? Se
sim, que AVAs você conhece? Se não, vamos conhecer alguns deles. Veja
exemplos:

1) AdaptWeb: projeto da desenvolvido pelo Instituto de Informática da


Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pelo Departamento de Computação da
Universidade Estadual de Londrina.

http://freecode.com/projects/adaptweb

2) Amadeus Ims: Agentes Micromundos e Análise do Desenvolvimento


no Uso de Instrumentos: um software livre, de apoio à aprendizagem, executado

62
num ambiente virtual, criado em 2007 pelo grupo de pesquisa em tecnologia
educacional do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco. A
nova versão foi lançada em 01 de março de 2018.

https://softwarepublico.gov.br/social/amadeus

3) Moodle: Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment,


software livre, que permite a criação de cursos on-line, executado em ambiente
virtual; é, ainda, um Sistema de gestão da aprendizagem (LMS – Learning
Management System); pode ser utilizado em contexto e-learning ou b-learning, está
disponível em 75 línguas diferentes e conta com 25.000 websites registados em 175
países.

63
https://www.ggte.unicamp.br/ea/#

4) Sócrates: ambiente colaborativo baseado na Web, possibilitando a


criação de projetos e comunidades de aprendizagem de modo a contribuir para a
melhoria da formação e prática pedagógica cotidiana dos professores da escola
básica e pesquisadores dos Programas de Pós-Graduação.

http://www.vdl.ufc.br/socrates/

64
5) Teleduc: é um ambiente de educação a distância pelo qual se pode
realizar cursos através da Internet; desenvolvido em parceria pelo Núcleo de
Informática Aplicada à Educação (NIED) e pelo Instituto de Computação (IC) da
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

https://www.nied.unicamp.br/projeto/teleduc/

6) Solar: O Instituo UFC Virtual da Universidade Federal do Ceará


desenvolveu este ambiente virtual de aprendizagem.

https://sistemas.ufsc.br/login?service=https%3A%2F%2Fsolar.egestao.ufsc.br%2Fsolar%2F

65
7) E-proinfo: é um ambiente colaborativo de aprendizagem; permite a
concepção, administração e desenvolvimento de diversos tipos de ações, como
cursos a distância, complemento a cursos presenciais, projetos de pesquisa,
projetos colaborativos e diversas outras formas de apoio a distância e ao processo
ensino-aprendizagem.

http://eproinfo.mec.gov.br/

E-learning: é uma modalidade de ensino a B-learning: traduz uma pedagogia de


distância que possibilita a auto- mistura e integração de diferentes
aprendizagem, com a mediação de ambientes de ensino: Sala de aula, e-
recursos didáticos sistematicamente learning e Contexto de Trabalho, através
organizados, apresentados em diferentes da adoção de um ensino-aprendizagem
suportes tecnológicos de informação, flexível, adequado aos diferentes perfis e
utilizados isoladamente ou combinados, e estilos de aprendizagem dos estudantes.
veiculado através da internet.

66
Há ainda diversos outros AVAs, como o Blackboard. Cada um deles tem uma
característica específica, assim, a instituição pode escolher aquele que melhor servir
ao seu propósito.
Veja nos quadros abaixo um exemplo da utilização institucional do AVA
Blackboard.

Tela 1: Site Institucional

Para chegar à tela acima o aluno deve digitar em seu navegador o endereço
do site institucional da UNIP EaD, ou seja: http://www.posunip.com.br/
A partir daí, para ter acesso ao se curso, o aluno precisa percorrer o seguinte
caminho: clicar em “Ambiente Acadêmico – Conteúdo Online” e inserir LOGIN: RA e
SENHA: CPF.

67
Tela 2: Tela inicial do Blackboard UNIP EaD da pós em Direito Penal – Turma
S4/2018

Assim como os demais AVAs, a proposta é que as instituições – e aqui


estamos nós – atraia seus alunos com apresentação de cursos em formatos
inovadores e atraentes, respeitando-os em seu ritmo próprio para conectá-los de
maneira mais efetiva e mantê-los informados, envolvidos e motivados a colaborar.

Que tal refletir obre os AVAS? Faça uma atividade:

Que tal conhecer alguns dos mais conhecidos AVAs para desenvolvimento de
cursos em Educação a Distância? Acesse os endereços de alguns deles, citados
nesse tópico e conheça um pouco mais sobre o trabalho com estes recursos.
Bom trabalho!

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Vamos continuar a falar sobre os AVAs, os quais, para serem utilizados pelos
usuários, contam com diversas ferramentas. Que tal estudar um pouco sobre essas
ferramentas que fazem parte desses ambientes? Você conhece os aplicativos a
seguir? Eles são algumas das principais ferramentas utilizadas nos AVAs e,
portanto, na EaD:

Todas essas ferramentas têm uma única intenção, ou seja, desenvolver a


aprendizagem colaborativa, ativa dos estudantes. E, para que isso aconteça, é
fundamental incentivar o trabalho em grupo no qual o educador precisa entender
que seu aluno é o foco e que sua aprendizagem vai se dar pela troca com os demais
participantes. O principal objetivo é o desenvolvimento de uma ação em que os

69
papéis de professor e de aluno sejam desempenhados por ambos. Como? A visão
da aprendizagem será de que aprendemos melhor ao compartilharmos com nossos
pares as dúvidas e descobertas. Esse é um mecanismo para a criação de
comunidades de aprendizagem que vão para além da sala de aula, em uma nova
noção de tempo e espaço, dentre outras possibilidades, o que a EaD nos leva a
construir.

Faça uma pesquisa sobre cada uma das ferramentas descritas acima e
construa um conceito para cada uma delas. Utilize a Internet e vivencie a navegação
no mundo virtual.
Bom trabalho!

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Você já parou para refletir que, com tantos recursos há diversas


possibilidades de aprender e ensinar? Através das TICs – Tecnologias de
Informação e Comunicação – que possibilitaram a construção de uma Web

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verdadeiramente colaborativa a todo tempo e em todo lugar, as aulas podem ser
ainda mais estimulantes para alunos e professores.
É certo que devemos ter sempre em mente que a tecnologia é importante,
mas, independentemente de recursos tecnológicos que optarmos por utilizar, assim
como os tipos de atividades que vamos desenvolver, é o modelo didático-
pedagógico que adotarmos para aperfeiçoar e potencializar a aprendizagem dos
alunos que irá confirmar se ele é realmente voltado à aprendizagem colaborativa ou
não. Além, é claro, de que o professor tem que ter muito claros seus objetivos para
não utilizar a tecnologia como um fim em si mesma, e, sim, como mais uma
ferramenta para aprendizagem de seu aluno e sua também!

Trabalhar nos ambientes virtuais de Ah, e para aproveitar suas habilidades de


aprendizagem não é simples, não! É pesquisador (a) você deve buscá-lo na
necessário estudar muito para inserir-se internet. Dessa vez não vou inserir o
nesse mundo. endereço. Faça isso, ok? Em seguida,
Quer saber mais sobre isso? Sugiro ler o insira o endereço eletrônico que você
artigo da profa. Núria Pons Vilardell- encontrou.
Camas, intitulado “Revisão Teórica das __________________________________
dificuldades e atitudes do professor em __________________________________
ambientes de aprendizagem virtual”. __________________________________

Vamos pensar mais um pouco sobre toda essa nossa conversa? Existem os
AVAs e neles as aulas são inseridas e, de acordo com um calendário, elas vão
sendo disponibilizadas para que o aluno as assista. As aulas são gravadas e você
as assiste ao seu tempo, desde que não perca os prazos determinados. É assim que
funciona no seu curso de pós-graduação. Você assiste, portanto, a uma videoaula,
ou seja, a uma aula ministrada a distância, através do uso de uma Tecnologia de
Comunicação, como a TV, o computador ligado a Internet (seu caso), celulares ou
outros instrumentos que veiculem áudio e/ou vídeo.
Uma videoaula, em geral, funciona como um complemento a outras formas de
ensino, utilizando-se outras mídias. Lembre-se, além da aula gravada, você também
tem o Livro Texto, os questionários e os fóruns para participar, certo? Fazer EaD é
pensar em muitos detalhes, pois todas as ferramentas têm que estar disponíveis
para os alunos dentro dos prazos estipulados.

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Os cursos em EaD mais procurados são Visite o site da ABED – Associação
os relacionados a Educação/Pedagogia, Brasileira de Educação a Distância – e
formação de profissionais para EaD, os conheça esse importante órgão em
relacionados à Administração, Gestão de http://www2.abed.org.br/.
Recursos Humanos e Tecnologia de
informação.

Ainda sobre as videoaulas, você imagina o quanto um professor tem que se


preparar para gravar trinta minutos, que é o que chega até você? Eu vou te contar.
As aulas, no nosso caso, têm dois blocos de quinze minutos. Para cada um deles é
necessário escrever ou revisar o Livro-Texto da disciplina, preparar slides em
número compatível com o tempo de gravação, elaborar dez questões fechadas, de
múltipla escolha, somando cinco alternativas possíveis de resposta, comentar a
resposta correta e propor uma questão aberta reflexiva para o fórum de discussão.
Muita coisa, não é? Parece fácil, mas é extremamente complexo de fazer e
colocar no ar. Assim, você consegue perceber a complexidade do processo, não
consegue? Contudo, o que é produzido para os cursos em EaD vem com uma carga
de muita responsabilidade, seriedade e amor pelo que é feito, afinal, é nas suas
mãos que tudo isso vai chegar e nossa intenção é que você tenha a melhor
formação possível! Acrescento, como o faz Nogueira (2005) que quem faz EaD não
são as máquinas, não são os programas e, sim, as pessoas. Eu, você, os técnicos…
Cada um de nós é uma peça fundamental nessa engrenagem maior que é a
Educação, portanto,

Professor, ser um educador high tech não significa encaminhar seus


alunos para o laboratório de informática para realizar as pesquisas
virtuais, mas, sim, enquanto mediador do processo de aprendizagem,
engajar seus alunos em um verdadeiro projeto de investigação e
possibilitar que a virtualidade seja um dos caminhos explorados para
este fim (NOGUEIRA, 2005, p. 42).

72
Nessa unidade foi possível conhecer um pouco mais sobre EaD – as
gerações pelas quais passou e vem passando e seu desenvolvimento. Pudemos
perceber, então, que EaD não é uma modalidade tão recente, não é mesmo? O que
aconteceu foi que, especialmente devido à inserção das TICs – Tecnologias da
Informação e de Comunicação – no ensino, muita coisa mudou e ainda tem a mudar.
Foi um grande salto, realmente, que não nos deixa mais voltar aos tempos antigos,
quando só se aprendia formalmente indo à escola.
Hoje temos vários recursos, como os AVAs, ambientes virtuais de
aprendizagem, que são salas de aula, nas quais são desenvolvidos cursos, inclusive
de graduação e pós-graduação. Você, aluno em EaD, é um exemplo de como a
Educação a Distância vem mudando modos de aprender e de ensinar. Sempre
repito isso! Você está aqui, estudando Didática do Ensino Superior e Produção de
Conteúdos para a EaD, pois escolheu EaD para concluir sua pós-graduação. Já
pensou nisso?
E ainda, veja como, além de você, a presença de um tutor comprometido é de
extrema relevância. Precisamos desenvolver todos os dias novas habilidades e
competências, diferentes daquelas desenvolvidas nas salas de aulas tradicionais
presenciais para que possamos acompanhar as mudanças dos tempos em que
vivemos, para que possamos ser aprendizes e ensinantes na contemporaneidade!
Nesta unidade você conheceu a UAB, Universidade Aberta do Brasil. Aposto
que achou interessante a proposta dessa iniciativa, não é? Ainda, trabalhamos com
a EaD de forma aplicada, ou seja, olhamos onde ela acontece – AVAs.
Passamos por uma gama grande de opções de ambientes nos quais os
processos educativos podem ocorrer com apoio da Internet e das diversas
ferramentas contidas nos AVAs. Para finalizar nossos estudos dentro deste tema,
gostaria de lembrá-lo(a) o quanto o seu papel é importante para que a EaD seja
efetivada com sucesso. Sem o professor, mesmo que a distância, não haverá
educação.

73
UNIDADE III

3 FAZENDO EAD ACONTECER

Conteúdos trabalhados na unidade:


Sistemas de ensino desenvolvidos em EaD; Avaliação; Interdisciplinaridade;
ESD: Educação sem Distância; Produção de Conteúdo par EaD; Análise de Cases
de sucesso em EaD: olhar para instituições que desenvolvem ensino presencial,
ensino híbrido e exclusivamente virtuais.

Até aqui estudamos sobre a EaD, sua história e seu desenvolvimento. Que tal
se focarmos nos sistemas de ensino em EaD? Você concorda que é extremamente
importante compreender como as universidades enxerga essa modalidade, certo?
Mãos à obra, então!

3.1 Modelos de ensino em EaD – Sistema de Ensino Interativo e


Sistema de Ensino Presencial-Interativo

Vou começar citando um exemplo que conheço bem: a UNIP EaD,


universidade em que são desenvolvidos cursos nas modalidades presencial e a
distância.
Os presenciais são aqueles cursos superiores de graduação tradicional, nas
áreas jurídica, de administração, de saúde, de ciências exatas, humanas, sociais e
da comunicação que possibilitam ao aluno ampla formação teórica e prática, por
meio de currículos extensos que vão da formação básica à do profissional
atualizado. Há também um elenco de cursos superiores de tecnologia de menor
duração – dois a três anos – nas áreas de Ambiente e Saúde; Apoio Escolar;
Controle e Processos Industriais; Gestão e Negócios; Hospitalidade e Lazer;
Informação e Comunicação; Infraestrutura; Produção Cultural e Design; Produção
Industrial; Segurança; entre outras. Nesses cursos o aluno é mais rapidamente
habilitado ao desempenho das funções exigidas na área que escolheu, o que
colabora para o aumento considerável do seu nível de competitividade no mercado
de trabalho.
Em ambos a metodologia é desenvolvida presencialmente – as aulas são
presenciais, acontecem diariamente, de segunda à sexta-feira e para alguns cursos
há encontros aos sábados, quando são realizadas aulas extra, de dependência,

74
eventos solidários, palestras, minicursos ou outras atividades que procuram
proporcionar ao aluno cada vez maior conhecimento na área escolhida.
Já os cursos na modalidade a distância são aqueles em que o aluno faz seu
horário de estudo. Ele assiste as aulas, realiza os questionários, participa dos
fóruns, compartilha com os demais alunos, tira as dúvidas com apoio dos
professores autores, dos tutores presenciais e virtuais e constrói seu conhecimento
ao seu tempo. O mais importante nessa modalidade é a aprendizagem que ocorre a
partir da troca de informações e na realização de atividades e exercícios propostos.
Essas trocas são através dos fóruns e/ou chats, cujos arquivos ficam disponíveis
para futuras consultas. Ainda, há a integração dos grupos de alunos, com áreas
próprias para trocas de arquivos e e-mails, painel de discussão e sala virtual.
Há uma avaliação presencial obrigatória – de acordo com as normas do MEC
e, além desta, o aluno dispõe da forma on-line, ou seja, os questionários que devem
ser realizados após a aula ministrada pelo professor autor, questionário este que
vem acompanhado de correção automática e comentários para que o aluno
compreenda caso tenha errado a resposta ou, aprofunde-se caso tenha acertado.
Além das questões de múltipla escolha, o aluno também pode ser avaliado com a
aplicação de questões discursivas, cujas respostas são enviadas para o e-mail
interno do professor on-line. Para completar a avaliação, são realizados trabalhos e
atividades que são enviados por e-mails internos.

Figura 20: Trabalho duro para criar EaD de boa qualidade

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/r/rizalina/02/l/1423657462d40l0.jpg
Acesso em: 11 mar 2019

Os conteúdos de cada curso, bem como as teleaulas, estão disponibilizados


aos alunos para acesso a qualquer momento via internet, possibilitando a você a

75
organização de seu ritmo de estudo. Os componentes tecnológicos adotados na
modalidade a distância são os seguintes: internet, satélite, CD-ROM, DVD, webcast
etc. O aluno poderá assistir às teleaulas no polo de apoio regional, pois elas são
transmitidas em tempo real da sede da UNIP em São Paulo. Elas também serão
gravadas e o aluno poderá assistir, via internet, a qualquer momento no local de sua
preferência (para a modalidade SEI, mas o aluno SEPI também terá essa
oportunidade, já que tem acesso a essas aulas até o final do semestre letivo). Os
cursos da universidade citada são oferecidos por meio de diferentes metodologias e
com uso de tecnologias variadas. O conteúdo curricular é disponibilizado em
plataforma digital e/ou material impresso.
Há ainda a tutoria que recebe ligações telefônicas ou e-mails com as dúvidas
dos alunos e as responde ou encaminha ao professor autor para que este dê uma
explicação mais pormenorizada, indique material extra para complementar a
aprendizagem etc.
Nossa! Como é complexo preparar um curso em EaD de boa qualidade, não é
mesmo? O que relatei aqui é de uma instituição a qual conheço muito bem, mas isso
vale para todas as universidades que oferecem EaD. Elas têm muito trabalho até
que tudo esteja pronto para que você possa fazer seu login e acessar os conteúdos.
Fazer EaD séria não é para qualquer um, não!

Figura 21: Exemplo de Sistemas de Ensino em EaD

https://www.unip.br/Ead/institucional/sistema_de_ensino
Acesso: 11 mar 2019

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3.1.1 – SEI (On-line) – Sistema de Ensino Interativo

O SEI foi construído em formato de modo a privilegiar o ensino por meio do


Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), espaço em que o aluno pode acessar
todo o conteúdo do curso disponibilizado a qualquer momento pela internet.
O aluno também realiza encontros programados no polo presencial, além das
suas avaliações, atividades e os encontros determinados pela legislação perfazendo
o total de 20% da carga horária do curso.

3.1.2 – SEPI (Semipresencial) – Sistema de Ensino Presencial Interativo

Nesse formato, além de utilizar o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), o


encontro no polo de apoio presencial é ampliado, sendo oferecidas diversas
atividades semanais programadas. São privilegiadas as dinâmicas acadêmicas
presenciais com o aluno, com o objetivo de promover a flexibilidade,
interdisciplinaridade e a articulação entre teoria e prática. Além dos encontros
presenciais, existem atividades acadêmicas a serem realizadas no Ambiente Virtual
de Aprendizagem (AVA).

Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA): os tutores a distância, coordenadores,


Neste ambiente de estudo, o aluno deverá professores e ter acesso a todos os
responder a questionários, acessar fóruns, serviços oferecidos pela instituição.
secretaria virtual, enviar e-mail para todos

São várias possibilidades de estudar na modalidade EaD. Você escolheu uma


delas e, certamente, fez a melhor opção para suas necessidades no momento. Esse
é um fator importante para o aluno de EaD, ou seja, pensar o que posso e como
posso. A partir dessa escolha, sua integração com as atividades acadêmicas do que
você estiver cursando será mais interessante, assim, diante da sua realidade, a
aprendizagem terá mais chance de ocorrer de modo significativo!

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Relembro nossa conversa sobre o perfil deve ser considerada é exatamente em
do aluno em EaD: a primeira questão que relação ao tempo e ao modo de estudar.

Vejamos: se você só dispuser e sentir a necessidade de estar pelo menos


uma vez por semana com seus pares (os demais participantes do curso que você
tiver escolhido), a melhor opção será, sem dúvida, pelo Sistema de Ensino
Presencial Interativo – SEPI.
Você encontrará com os outros alunos e seu tutor pelo menos uma vez por
semana e poderá trocar com eles pessoalmente suas descobertas e dúvidas. Será
muito enriquecedor! Caso seja mais complicado, especialmente nos grandes centros
urbanos, por conta dos infindáveis engarrafamentos ou nas cidades menores, pela
distância para chegar ao polo, a melhor opção será o Sistema de Ensino Interativo –
SEI, no qual você estuda no lugar que ficar mais confortável (da sua casa, de seu
local de trabalho, de uma biblioteca e até mesmo de uma lan house).
A escolha será sua, não esquecendo que será fundamental a conexão com a
Internet para poder assistir às aulas gravadas, responder aos questionários, postar
as atividades e participar dos fóruns. Opção não falta, não é?

Realizar um curso a distância exige do Pode parecer fácil, mas essa modalidade
estudante disciplina, dedicação e de ensino, uma realidade em boa parte do
comprometimento. Estabeleça seu horário mundo, exige determinação e
de estudo e dedique-se o máximo que autodisciplina!
puder!

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3.2 Avaliação

No início deste Livro-texto, falamos sobre a avaliação, como ela ocorre, seus
tipos etc. Vamos relembrar um pouquinho?
A educação nos traz muitos questionamentos. Devemos estar todo o tempo
pensando nas melhores formas de realizar esse tão pertinente processo para alunos
e professores, assim, cabem duas perguntas:
• Como identificar que meu aluno está, realmente, aprendendo?
• Como saber se meu modo de ensinar cada um dos conteúdos está sendo
adequado?
É importante lembrar que a avaliação está diretamente relacionada com os
objetivos educacionais determinados no início do processo e com as escolhas
metodológicas feitas pelo docente. Ainda, toda avaliação deve trazer subsídios
visando o ajuste das intervenções pedagógicas para que a aprendizagem se dê de
forma cada vez mais significativa e produtiva para os participantes de um curso.
Reforço que avaliar é diferente de medir, termo comumente utilizado em
educação. Medir é atribuir um valor e avaliar amplia esses conceitos, já que
corresponde a um julgamento de valor.

Figura 22: Na minha avaliação você é perfeita

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/p/placardmoncoeur/02/l/1393411446btqj4.jpg
Acesso 11 mar 2019

Veja o esquema a seguir para recordar os três tipos mais conhecidos de


avaliação:

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HAYDT, 2011. (Adaptado)

A partir dessa breve retomada, podemos ir adiante e concentrar nosso olhar


nas formas de se avaliar na Educação a Distância, certo?

Leia o artigo intitulado “Avaliação do Ensino Superior a Distância no Brasil”,


do professor José Manuel Moran, o qual você encontra no seguinte endereço
eletrônico: http://www.eca.usp.br/moran/avaliacao.htm, faça um resumo sobre as
principais ideias e reflita sobre sua leitura.

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Sendo a EaD uma modalidade de ensino com características especiais, o que


temos discutido em todo esse material, vamos levantar duas delas para falar sobre a
avaliação, processo meio em educação.
Em primeiro lugar, devemos ter em mente que, com um certo uso intensivo
das TICs vem algumas dificuldades de utilização, de adaptação, tecnológicas que
estão diretamente ligadas à uma cultura reprodutivista, não reflexiva e que nem
sempre deixa o indivíduo colocar-se – problema que nossa escola precisa resolver -,
que gera o próximo ponto.
Em segundo lugar, muitas vezes parece estranho ao cursista (e ao docente
também, que foi formado em outro modelo, o presencial) o fato de não estar junto,
face a faca com seu interlocutor – uma dificuldade de contato entre aluno e formador

81
gerando desconfianças de ambos os lados, como: “Escrevo para quem?”, “Como
saber se não será uma máquina que “corrigirá” minha atividade?” etc.
Você em algum momento parou para pensar como é feita a avaliação em
EaD? Que caráter ela tem? Como é desenvolvida? Que ferramentas são utilizadas?
Vamos fazer essa discussão?

Figura 23: Quem avalia?

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/q/quicksandala/03/p/21850c3ca96e35701fcb907a71
22555d.jpg
Acesso: 14 mar 2019

Toda avaliação deve, na verdade, ser processual. Em EaD, como tudo o que
acontece fica registrado – cada palavra proferida, cada atividade desenvolvida, cada
dúvida postada, cada resposta dada – fica mais fácil traçar o perfil e o percurso do
aluno. É diferente do ensino presencial.
Por favor, não estou aqui dizendo que avaliar em EaD é mais fácil ou mais
simples do que no presencial. O que quero dizer é que é diferente e que o fato de
tudo estar registrado facilita a coleta de dados. Mas… se o educador em EaD estiver
despreparado, de nada adianta ter tudo em suas mãos, pois de nada servirão as
informações sobre o que o aluno fez ou construiu, ou descobriu ou indica não
entender, não é mesmo?

82
No ensino presencial tem-se as provas, testes, seminários, questionários,
relatórios e diversas outras ferramentas através das quais os alunos deixam suas
marcas para que os professores possam compreender o que eles sabem ou não
sabem. E em EaD? Que ferramentas são utilizadas? Vamos listá-las?

1) Fórum
2) Chat
3) Questionários
4) Wiki
5) Glossário
6) Apresentação
7) Wiki etc.

Você deve ter percebido que, dentre as ferramentas listadas, algumas


acontecem de modo síncrono e outras de modo assíncrono, certo?

•Atividades síncronas: adj. Sincrônico. tempo. Em EaD refere-se àquelas


Diz-se dos movimentos que se executam atividades que não precisam ser
ao mesmo tempo. Em EaD considera-se realizadas pelos participantes no mesmo
aquelas atividades em que os tempo. Ex: fórum, no qual cada
participantes encontram-se para realizá-la participante, dentro de um prazo
ao mesmo tempo. Ex: chat. determinado, por exemplo, uma semana,
posta suas contribuições no momento que
•Atividades assíncronas: adj. Que não
mais lhe for conveniente.
ocorre ou não se efetiva ao mesmo

Cabe ressaltar que TODAS elas deixam no ambiente de aprendizagem as


suas marcas. Serão esses os materiais de onde o professor obterá dados para a
avaliação.

83
Confira agora mesmo os principais implantação de polos de EaD. O objetivo é
modelos de avaliação: que instituições possam acompanhar o
desempenho dos alunos com mais
• Prova escrita: está entre as
precisão, por meio dessas principais
principais modalidades de avaliação na
modalidades de avaliação. Envolvem
EaD. Os exames são usados no ensino
realização de provas e uso da biblioteca e
presencial, mas também são importantes
do laboratório de informática.
para os cursos online. Afinal, por meio de
uma prova, você consegue ter uma ideia • Tarefas online: Estudos de caso,
de se o aluno aprendeu a matéria. A partir trabalhos compartilhados, questionários
desse conhecimento, você pode elaborar são tarefas comuns em cursos online.
um programa de aulas para suprir as Elas permitem que alunos adquiram novos
lacunas pedagógicas que identificou. conhecimentos e aprendam de forma
coletiva. Por isso, devem estar entre as
• Debates em fóruns: visa estimular
principais modalidades de avaliação. É a
o raciocínio crítico do aluno. A partir de
partir das tarefas que professores podem
debates, o professor avalia o nível verbal
avaliar o grau de interação do aluno com a
e intelectual do estudante. Como fóruns
classe e a capacidade de aprender de
são espaços virtuais, a instituição
forma autônoma.
consegue monitorar o tempo que cada
aluno levou dentro da plataforma e Fonte:
quantos e quais estudantes não estão https://www.estudiosite.com.br/site/moodle
presentes, ou não se engajam. /quais-sao-as-principais-modalidades-de-
avaliacao-da-ead. Acesso em: 09 mar
• Encontros presenciais:
2019.
determinados pelo MEC para a

Além das principais modalidades de avaliação citadas no “Saiba Mais”, você


conhece outra? E como você avalia/avaliaria seus alunos de EaD?

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Com todas as possibilidades – tecnológicas e pedagógicas existentes,


planejar, porpor e avaliar atividades de aprendizagem em EaD torna-se, cada vez
mais interessante e pertinente para alunos e professores, concorda?
Avaliar, portanto, não deveria ser um nó no processo. Assim, EDUCADORES
e EDUCADORAS que vão trabalhar com EaD: prestem muita atenção ao processo,
às dúvidas, aos questionamentos e caminhos que seus alunos percorrer! Se eles
errarem, é por que tentaram e se tentaram, é por estão aprendendo, ou, ao
continuar tentando, aprenderão. Sua função é acompanhar, indicar possíveis
caminhos. Lembra-se de ter ouvido alguma vez um velho provérbio chinês que
propõe não dar o peixe, mas ensinar a pescar como a salvação? É aí que você
entra! Através do que seu aluno produzir, você poderá compreendê-lo(a) e auxiliá-
lo(a) em sua aprendizagem. É essa uma das funções da avaliação: guiar.

3.3 Interdisciplinaridade

Você sabe o que é interdisciplinaridade? Nossa! É uma palavra bem


comprida, não é? E quer dizer muito para a educação – presencial ou EaD. Vamos
falar sobre ela?
A interdisciplinaridade tem sido tratada, especialmente, por dois enfoques: o
epistemológico e o pedagógico.

No campo da epistemologia, toma-se como categorias para seu


estudo o conhecimento em seus aspectos de produção, reconstrução
e socialização; a ciência e seus paradigmas; e o método como
mediação entre o sujeito e a realidade. Pelo enfoque pedagógico,
discutem-se fundamentalmente questões de natureza curricular, de
ensino e de aprendizagem escolar. (THIESEN, 2008, p. 545).

85
Veja, então, que defini-la não é tarefa simples e, possivelmente, você vai
encontrar inclusive outros termos referenciando-se a ela. Vamos, então,
desmembrar a palavra?

Ou seja… que implica relações entre várias disciplinas ou áreas de


conhecimento; que é comum a várias disciplinas.

Figura 24: Interdisciplinaridade

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/f/faustlawmarketing/08/p/d5671f90fa0d750460fc16d
4207e3fd1.jpg
Acesso: 14 mar 2019
A escola, local legítimo para promover a aprendizagem, a produção e a
reconstrução de conhecimento, cada vez mais precisará acompanhar as
transformações do mundo contemporâneo. Para acompanhar o ritmo das mudanças
sociais, num mundo cada vez mais interconectado, interdisciplinarizado e complexo,
é necessário estar preparada e trabalhar de modo interdisciplinar é uma solução
eficaz e bastante razoável.
Vejamos como. No contexto educacional há várias iniciativas de sucesso no
desenvolvimento de experiências verdadeiramente interdisciplinares, embora ainda

86
incipientes. Ainda há algumas barreiras, especialmente a questão da formação
fragmentada que construiu os educadores, a grande maioria, na verdade, de quem
está nas salas de aula.
Entretanto… percebe-se, também, um grande esforço institucional que
procura incentivar esses educadores a quebrar antigos paradigmas – como a
mencionada fragmentação e ir em busca de alternativas mais condizentes com o
aluno da atualidade, que vive num mundo cada vez mais bombardeado com toda
gama de estimulação para aprendizagens diversas – escolares e não escolares.

Não é difícil identificar as razões dessas limitações; basta que


verifiquemos o modelo disciplinar e desconectado de formação
presente nas universidades, lembrar da forma fragmentária como
estão estruturados os currículos escolares, a lógica funcional e
racionalista que o poder público e a iniciativa privada utilizam para
organizar seus quadros de pessoal técnico e docente, a resistência
dos educadores quando questionados sobre os limites, a importância
e a relevância de sua disciplina e, finalmente, as exigências de
alguns setores da sociedade que insistem num saber cada vez mais
utilitário (THIESEN, 2008, p. 550).

Ainda assim, tentar é estar na metade do caminho para conseguir. Em


educação nada pode ser deixado de lado, principalmente por receio de que não vai
funcionar, e, por isso, acreditar que não vale à pena tentar. Promover um ensino
num paradigma interdisciplinar é buscar uma modificação profunda (mas
necessária!) nos modelos pedagógicos tradicionais vigentes em boa parte das
instituições escolares e, também, em EaD.
Para Fazenda (2003), trabalhar com programas interdisciplinares implica
transformação nas práticas docentes, provocando um novo jeito de ensinar:

Passa-se de uma relação pedagógica baseada na transmissão do


saber de uma disciplina ou matéria, que se estabelece segundo um
modelo hierárquico linear, a uma relação pedagógica dialógica na
qual a posição de um é a posição de todos. Nesses termos, o
professor passa a ser o atuante, o crítico, o animador por excelência
(p.45).

Percebeu o quanto fica diferente quando tiramos o foco da transmissão e


passamos para a construção? Da linearidade para a dialogia, para a não-
linearidade? Do saber pronto, absoluto, para o saber construído, conquistado,
refletido? É um trabalho interdisciplinar que nos levará a essa conquista. Aí você
pergunta: mas… o que é interdisciplinaridade mesmo?

87
Para Gadotti (2004), a interdisciplinaridade visa garantir a construção de um
conhecimento globalizante, rompendo com as fronteiras das disciplinas. Para isso,
integrar conteúdos não seria suficiente, mas um primeiro passo. É preciso, como
sustenta Fazenda (2003), também uma atitude interdisciplinar do educador diante de
sua ação, diante daquilo que planeja, desde o momento em que começar a
estruturar seu planejamento.

Figura 25: Coruja símbolo do conhecimento

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/d/diannehope/03/l/1457558257lgtnl.jpg
Acesso: 15 mar 2019

Tal posicionamento só ocorrerá, de fato, se constar do compromisso


profissional do educador, de seu envolvimento com os projetos da instituição na qual
trabalha, na busca constante de estudo para aprofundamento teórico e, sobretudo,
numa postura ética. A interdisciplinaridade, portanto, é um rompimento com a
fragmentação das disciplinas, das ciências e do conhecimento. A sociedade que
aprendeu de modo fragmentado, agora, passa a conceber o ato de conhecer de
modo inteiro, completo, pleno, total, mudando a antiga forma hierarquizada de
distribuição das disciplinas, reflexo dos valores sociais vigentes até então.
Se pensarmos com bastante clareza, seguir uma ordem de conhecimentos
preestabelecidos, não facilita a apreensão do mundo, que é global. A
interdisciplinaridade faz o papel da completude para a compreensão do mundo real,
dos fatos e fenômenos da vida cotidiana.
Atenção: não estamos aqui fazendo uma campanha para que não haja mais
disciplinas. De forma alguma é essa a nossa intenção. O que propomos é um
trabalho em que as disciplinas sejam associadas com as questões da sociedade e,
portanto, que o ensino crie condições para que essas mesmas disciplinas,

88
integradas, aliem-se à realidade vigente para que nossos alunos percebam a
totalidade do mundo em que vivem.

Segundo Fazenda (2003), a influenciou a elaboração da Lei de


interdisciplinaridade surgiu na França e na Diretrizes e Bases nº 5.692/71. Desde
Itália em meados dos anos 60, período então, sua presença no cenário
marcado por movimentos estudantis que educacional brasileiro tem se intensificado
reivindicavam um ensino mais sintonizado e, recentemente, mais ainda, com a nova
com as questões sociais, políticas e LDB nº 9.394/96 e com os Parâmetros
econômicas da época. Curriculares Nacionais (PCN).
A interdisciplinaridade teria sido
uma resposta a tal reivindicação. No Brasil

Questões como as relacionadas à proteção ambiental, por exemplo, serão


vistas como uma coisa só, independentemente do local, pois o mundo é global, o
que acontece na Europa Oriental influencia a América Latina e vice-versa. Se há
desmatamento na Amazônia, a China, o Canadá ou a Hungria sentirão os efeitos. A
educação não pode deste modo, deixar de fora um fato que interfere na vida de
todos os habitantes do planeta.
Compreendeu a importância de uma ação docente interdisciplinar apoiada na
troca, na colaboração e na construção coletiva e amigável do conhecimento?
Construir ações interdisciplinares remete ao aprofundamento da compreensão das
relações entre teoria e prática, contribuindo para uma formação mais crítica, criativa
e responsável dos educandos.
Diante disso, as instituições de ensino e os educadores tem grandes desafios
pela frente – no plano ontológico (teórico) e epistemológico (prático). Para finalizar
esse tema, trazemos que a interdisciplinaridade é

(…) um movimento importante de articulação entre o ensinar e o


aprender. Compreendida como formulação teórica e assumida
enquanto atitude, tem a potencialidade de auxiliar os educadores e
as escolas na ressignificação do trabalho pedagógico em termos de
currículo, de métodos, de conteúdos, de avaliação e nas formas de
organização dos ambientes para a aprendizagem (THIESEN, 2008,
p. 553).

89
E aí? Aposto que a partir de agora você só vai pensar desenvolver práticas
docentes interdisciplinares, estou certa?

3.4 ESD: Educação Sem Distância

Você já ouviu falar sobre esse termo? O prof. Dr. Romero Tori, da Escola
Politécnica (USP) e do SENAC-SP traz à tona o termo Educação SEM Distância,
pois o mesmo acredita que não é a distância o que importa quanto o processo
educativo acontece e, sim, a interação promovida pela(s) mídia(s) utilizadas.
Explicando melhor… quanto menos percebemos a mídia, mais próximo nos
sentimos do docente e dos colegas num curso em EaD. Essa afirmação faz todo
sentido se pensarmos que, em um curso a distância, é mais fácil perder o aluno do
que num curso presencial. O cursista vai embora com um clique, em EaD. No
presencial, na maioria das vezes ele espera que a aula termine…
Assim, cabe atentar para o seguinte: é fundamental, para não haver
“distância”, preocupar-se com a maneira como o curso está acontecendo, com as
mídias utilizadas, com as propostas de atividades e, sobretudo, com a rapidez no
feedback que o aluno vai receber sobre suas postagens, suas participações e suas
atividades.
Em EaD é de extrema importância que o aluno sinta-se acompanhado e aqui
não tratamos de um chá entre amigos, de uma conversa de bar. Pelo contrário! A
seriedade do que se faz em EaD deve ser a primeira característica pensada e
trabalhada desde a elaboração de sua concepção e construção.

Leia no blog “Educação sem Kenski e Lina Romiszowiski discutem o


Distância” o post "Educação Sem assunto e enriqueça seus conhecimentos.
Distância: da Teoria à Prática" no qual há Fonte:
perguntas e respostas sobre o tema. Os http://romerotori.blogspot.com/2010/09/ed
pesquisadores Mariana Tavernari, Vani ucacao-sem-distancia-da-teoria.html.
Acesso em: 09 mar 2019.

Tori (2017) defende que em processos educativos, como em EaD, por


exemplo, educação apoiada por tecnologias interativas, os conteúdos apresentados

90
aos alunos em formato digital podem assumir papéis de grande destaque pois
oferecem, principalmente, novas formas de trabalho e de aprendizagem.
Nesse cenário, ele propõe que seja construída uma taxonomia das mídias e
uma linguagem visual para a modelagem de mídia, relações de distância e
sequenciamento, em programas de aprendizagem que integrem recursos virtuais e
presenciais. E inicia com essa ideia para construir sua proposta de educação SEM
distância. Vejam:
No capítulo I, ao falar sobre “A Distância que Aproxima”, defende uma
modalidade educacional desmembrada do ensino tradicional, que deixa claro que as
formas e os meios nos quais o ensino se desenvolve interrompem a ideia de que só
estamos juntos aos nossos alunos de a presença física for uma realidade. Pelo
contrário! O estar junto pode ser virtual e ainda assim será real: o que vai realmente
importar é ter que os saberes sejam construídos.
No capítulo que trata da “Distância e presença na medida certa”, Tori (2017)
discute os cursos de EaD estarem direcionados para aprendentes e instrutores que
estão separados geograficamente e, ainda, por muitas vezes condicionados pela
separação temporal. Como resolver tal fato? Utilizando ferramentas que aproximem
as pessoas envolvidas num curso em EaD: videoconferências, chats etc.
No terceiro capítulo, “A presença da tecnologia”, é feita uma discussão acerca
do ambiente virtual trazer ao aluno para interatividade, aproximando-o, envolvendo-o
e ao mesmo tempo transmitindo uma sensação de presença com o conteúdo.

Lembre-se da presença dos AVAs, que escolhidos de acordo com a proposta de


devem ser minuciosamente testados e cada curso em EaD.

Fica a dica da leitura do livro inteiramente. Vale a reflexão, que é o que


pretendemos com esse livro texto.

3.5 Produção de conteúdo em EaD

Um dos tópicos mais importantes quando pensamos em cursos em EaD é a


produção de conteúdo para essa modalidade de ensino. É necessário ter em mente
que não basta inserir os conteúdos da mesma forma que são utilizados

91
presencialmente na plataforma que você escolher, já que a EaD tem suas
especificidades.

Figura 26: Mesa de trabalho

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/l/LiaLeslie/03/l/1458910055pcsle.jpg
Acesso: 15 mar 2019

Imagine um curso em que você só encontra textos, textos e mais textos. O,


pode ter imagens, mas o peso maior é de textos. Não pode, não. O aluno não
aguenta. É necessário usar outros recursos, como os vídeos, a gamificação e
atividades interativas. Apenas a transposição do que utilizamos em sala de aula
presencial não é suficiente. Pense sempre nisso na hora de planejar seu curso
online para que os alunos o achem interessante e não te deixem falando sozinho.
Os alunos precisam de estímulos, especialmente audiovisuais para se sentirem à
vontade. Não estou dizendo para abolir os textos. Eles são fundamentais para o
estudo, mas se você variar os recursos, principalmente na apresentação do
conteúdo, seu ambiente será mais enriquecedor e prazeroso.
Um dos primeiros passos para começar seu trabalho é, a partir de seus
objetivos, escolher a plataforma que mais se adeque às suas intenções. Há muitas
disponíveis e gratuitas. Explore as que você entender que servem ao seu propósito,
conheça suas ferramentas e pense em como a administração do espaço será feita.
Verifique também quais fatores devem estar presentes na sua criação.
Para que seu trabalho seja mais produtivo, é importante que a plataforma que
você eleger suporte vídeos e animações, que, caso você opte por convidar seus
alunos para encontros síncronos, por exemplo, via chats, que a transmissão seja de
boa qualidade. Outro fator é a possibilidade de personalizar a área que os alunos
navegação, como a inserção de um logo da sua instituição.

92
Leia a entrevista com Andréa distancia.com/entrevistas/andrea-filatro-
Filatro, especialista em design instrucional designer-instrucional/. Acesso em: 15 mar
e aprenda bastante sobre o tema. 2019.
Disponível em: http://www.educacao-a-

Veja a seguir 21 dicas preparadas pelo especialista no tema, Rafael S. da


Silva, para o EADBOX, que as dividiu nas seguintes áreas: Ferramentas; Gravação
e Conteúdo.

Figura 27: Dicas para produção de conteúdo em EaD

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/p/pippalou/09/l/1378172977mar7c.jpg
15 mar 2019

I) Ferramentas

93
1- Estrutura de vídeos completa e profissional: É fundamental que a
plataforma possua uma excelente base para o funcionamento de vídeos de forma
simples e profissional.
2- Transmissão de vídeos em tempo real: Ótima oportunidade para explorar
assuntos mais específicos, avaliar opiniões, tirar dúvidas e estimular a interação
entre aluno e o professor.
3- LMS completo e intuitivo: No sistema de gestão de aprendizagem deve
ser possível disponibilizar diversos recursos que colaborem para o entendimento dos
seus alunos.
4- Personificação: Customize a sua plataforma, coloque cores, crie logo,
conteúdos e estrutura para gerar melhor interação com seus alunos.
5- Integrações em uma plataforma de EaD: É fundamental que a plataforma
seja capaz de adaptar às demandas e necessidades que surgirem interagindo com
aplicativos externos.
6- Fóruns: Elemento indispensável quando se trata de EaD, pois incentiva o
compartilhamento de informações e conteúdos relevantes entre os alunos e
professores, o que estimula a troca de experiência e melhora o ambiente. Os fóruns
são importantes por fortalecerem a necessidade de debates e discussões.
7- Certificação automática: Gerar certificados de forma automática pode
fazer com que você economize tempo e dinheiro. Outro fator é a verificação de
desempenho em avaliações e frequência.

II) Gravação

8- Utilize uma linguagem apropriada com o seu aluno: Antes de gravar


uma videoaula lembre qual é o seu público alvo e use a linguagem adequada para
se comunicar com ele.
9- Seja sempre objetivo: Se coloque no lugar dos alunos e tente focar nas
informações que deseja transmitir enquanto estiver produzindo o conteúdo. Não
enrole durante a transmissão do vídeo, seja claro e direto para engajar os alunos.

94
Lembre-se: produção de conteúdo para para os alunos, afinal, eles são a razão da
EAD sempre deve focar em resultados existência do curso!

10- Escolha um ambiente agradável e silencioso: Cuide com os ruídos,


pois é fundamental ter cuidado na hora de gravar um vídeo ou fazer uma
transmissão ao vivo. Se o áudio estiver ruim é provável que você acabe
desestimulando o aluno a continuar.
11- Tenha cuidado com o fundo do vídeo: Procure gravar em um local com
fundo limpo e organizado. Procure sempre prestar atenção ao fundo que você está
gravando, caso contrário o aluno pode acabar se distraindo com as formas
dependendo da cor ou formato (menos é mais), podendo ameaçar o processo de
aprendizagem.
12- Pense na iluminação: Uma boa iluminação é fundamental para a
produção de conteúdo do seu curso online, mais especificamente as videoaulas. A
luz é algo que é necessário prestar muita atenção, pois a luz natural é muito
diferente da artificial, logo será necessário investir em um equipamento básico ou
contar com o clima para a produção do vídeo.

Figura 28: Ambiente calmo para EaD

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/a/5demayo/07/p/c3d7cdb15b5fc552163f6b1ff6aa71f
e.jpg

95
Acesso: 15 mar 2019

III) Conteúdo

13 – Análise de conteúdo: A primeira etapa envolve decidir quais


informações são mais relevantes para o curso. Coloque todo o conteúdo em uma
planilha e depois decida o que é realmente pertinente para o curso. Em seguida,
divida-os em relevantes e adicionais, assim eles podem ser adicionados de acordo
com as necessidades, quando os alunos já estiverem acostumados com o novo
conteúdo e quiserem aprender coisas novas os materiais já estarão prontos, só é
necessário realizar nova postagem.
14 – Objetivos de aprendizagem: Determinar os objetivos de aprendizagem
é fundamental para te ajudar a definir o que será incluído e o que será excluído do
conteúdo de seu curso online. Os funcionam como um guia para começar a pensar
como será a ordem e estrutura do seu curso.
15 – Escolher o formato: Alguns cursos apresentam apenas um formato
básico, enquanto outros devem ter um formato mais avançados e trazer
interatividade com os meios de comunicação. Para fazer essa escolha é necessário
pensar no tipo de conteúdo, na infraestrutura de tecnologia disponível, no
orçamento, no público alvo e no contexto do curso.
16 – Ferramentas variadas: É importante utilizar algumas ferramentas
multimídia que são de extrema importância na fixação de informação para o melhor
desempenho dos alunos. As ferramentas mais utilizadas são: fóruns, videoaulas,
teleconferências, chats, slides, plantões de dúvidas, podcasts, material de apoio e
artigos.

Ao fazer a produção de conteúdo para aulas e criando oportunidades diferentes


EaD é importante diversificá-lo e separar de aprendizado.
por tipos de formatos, dinamizando as

17 – Planejando o curso: Primeiramente é necessário definir o que você está


querendo alcançar, por exemplo, se o curso online vai complementar as aulas

96
presenciais, e como essas aulas serão inseridas no curso. O tamanho total de cada
aula não deve passar de 20 a 30 minutos para manter os alunos interessados.
18 – Otimize seu tempo: A flexibilidade é um dos pontos mais positivos
dentro da criação de cursos online. Um planejamento flexível – e otimizado – te
ajuda a oferecer aos alunos ferramentas variadas de suporte online, que servem de
apoio, fixação e acompanhamento, otimizando o aprendizado e aumentando e
eficiência do seu curso.
19 – Desenvolvendo o curso: Na fase final da produção de conteúdo para
EaD, é necessário escolher qual o melhor método para apresentar o conteúdo. É
imprescindível pensar em uma sequência de análise lógica, design,
desenvolvimento, aplicação, implementação e avaliação. Além disso é necessário
fazer uma roteirização desses conteúdos.
20 – Avalie os alunos e faça um acompanhamento com eficácia: Levando
em consideração os conhecimentos e exigências para o sucesso daqueles que
utilizarão o seu curso online e para garantir a fixação e eficácia do conteúdo, é
necessário pensar em formas de avaliar o seu progresso. Para isso, na hora de criar
o seu conteúdo, pense também em incluir métodos de acompanhamento, como:
Comunicação direta com os alunos através de chats e videoconferências;
Comunicação entre alunos (fóruns); Métodos avaliativos e Materiais de apoio (áudio,
escrito).
21 – Reconheça os resultados: Peça e absorva feedbacks sobre o conteúdo
para seus alunos, afinal, ninguém melhor do que eles para saber o que está
funcionando ou não, para onde se pode caminhar, pontos a melhorar etc. Abra um
canal de comunicação direta com eles e mostre-se receptivo, adotando sugestões
sempre que elas fizerem sentido e realmente agreguem valor ao seu conteúdo.

Fonte: SILVA, R. S. da. Produção de conteúdo para EaD – educação online – agora é fácil,
2016. Disponível em: https://eadbox.com/producao-conteudo-para-ead/. Acesso em: 15 mar
2019.

FILATRO, A. Design instrucional na desafio para todos os envolvidos nessa


prática. São Paulo: Pearson revolução: planejar, desenvolver e
Universidades, 2009. implementar cursos voltados
especificamente para o aprendizado
O notável crescimento da educação a
eletrônico. Esse desafio torna-se mais
distância nos últimos anos trouxe um
complexo por exigir o desenvolvimento e a

97
aplicação de competências totalmente construção de roteiros e storyboards,
diferentes das requeridas pelo modelo designs de conteúdos multimídia, de
presencial tradicional – competências interação e de ambiente virtual ganham
estas regidas pela área de design vida por meio de exemplos práticos e
instrucional. O livro tem como objetivo dicas valiosas. Dirigido para todos que
ajudar o leitor a entender o que é design estão ou que pretendem estar envolvidos
instrucional e seu papel na criação de um com educação a distância, esta obra é
curso on-line. Para tanto, apresenta o indispensável na estante daqueles que
processo de elaboração passo a passo e estão conectados com o mundo e que
mostra como ele trabalha para unir acreditam nas infinitas potencialidades do
educação, tecnologia, comunicação e aprendizado eletrônico.
gestão em um único campo do
Fonte:
conhecimento. Além disso, a fim de ser
https://www.amazon.com.br/Design-
um verdadeiro guia, destaca todos os
instrucional-pr%C3%A1tica-Andrea-
aspectos do design instrucional em um
Filatro/dp/8576051885. Acesso em: 16
curso on-line. Assim, tópicos como
mar 2019.

O tema é enriquecedor. As dicas apresentadas nesse tópico são simples e, se


seguidas à risca, podem garantir boa parte do sucesso de um curso online.
Falando em sucesso… no próximo item vamos conhecer iniciativas que
deram e ainda dão muito certo. Vamos lá?

3.6 Cases de sucesso em EaD

Cada vez mais podemos perceber que as instituições educacionais têm


oferecido cursos na modalidade EaD e acrescentado às suas grades curriculares
algumas disciplinas ou totalmente em EaD ou híbridas (em que parte é em EaD,
parte presencial). É uma tendência, daí a necessidade de estudar Didática! Amanhã
você poderá ser um docente em EaD e estará preparado!
Meister, já em 1999 defendia que cada vez mais o capital humano será o fator
de maior pertinência nos contextos empresariais. Já estamos no século XXI e essa
tendência só cresce. Por isso, os indivíduos precisam continuar buscando melhor
formação e a EaD pode ser uma solução bastante pensada, concorda?
Nessa nova organização que está em constante mudança, sempre se
estruturando e reestruturando, o trabalho e a aprendizagem são essencialmente a
mesma coisa, com ênfase no desenvolvimento da capacidade do indivíduo de
aprender. Olhe só como a EaD está “na crista da onda”! É através dela que as
mudanças se efetivarão.

98
Quanto às formas de ensinar e aprender em EaD você já percebeu, pelo que
estudamos nas unidades anteriores, que há uma grande variedade e flexibilidade,
diferente do que ocorre no ensino tradicional presencial. Vamos conhecer algumas
dessas iniciativas e saber seus resultados?

a) O grande modelo: a Open University Inglesa.


É a Universidade Aberta inglesa, escola exclusivamente para adultos;
fundada em 1969 quando causou sensação no mundo inteiro por conta de sua
concepção especial e maneira de trabalhar, tendo iniciado suas atividades em 1971
como autônoma e sendo financiada essencialmente pelo governo visando
proporcionar aos adultos uma segunda chance para adquirirem formação superior;
ocupa atualmente o primeiro lugar entre as doze grandes e internacionalmente
conhecidas open universities.

http://www.open.ac.uk/

99
O propósito era difundir acesso à educação superior e isso especialmente
para pessoas que haviam ficado em desvantagem em termos de educação e que
estavam sub representadas em universidades convencionais.
Na Open University os estudantes de graduação tem um tutor que o
acompanha por todo tempo de estudo. Nos cursos de extensão há os pacotes de
estudos sem assessoria de tutores, os quais são recomendados sobretudo quando o
curso não é muito longo e esteja concentrado em apenas um tema específico (são
os short courses).
Os professores que trabalham nesta universidade precisam desenvolver uma
atitude não convencional em sua prática. Elas fazem parte de uma equipe da qual
são especialistas em conteúdos e elaboram programas didáticos também para o
rádio e a TV.
A Open University valoriza, acima de tudo, o aspecto humanista de
seu trabalho. “ela se coloca sem qualquer reserva ao lado do novo
grupo de estudantes, os adultos, que, em consequência de
condições de vida materiais e sociais desfavoráveis, não tiveram a
possibilidade de cursar uma educação secundária normal e um
estudo universitário subsequente. Ter proporcionado a centenas de
milhares deles uma segunda chance para o estudo universitário dá
testemunho de uma mentalidade social responsável e um empenho a
favor da justiça. Ambas as coisas são fundamentais na Open
University. Essa mentalidade também se reflete em sua filosofia
institucional (Peters, 2001, p. 302).

Quanto à didática do ensino superior e do EaD, como já foi dito, ela foi
pioneira, pois, a forma de estudo que estabeleceu não existia antes nem na Europa
nem em nenhum outro lugar no mundo. Isso ocorreu devido a uma série de
inovações, a saber:

 1ª: o uso do rádio e da TV como meios adicionais de transmissão e


apresentação do ensino acadêmico;
 2ª: o desenvolvimento profissional de materiais de estudo estruturados
impressos por equipes especialmente constituídas para esse fim,
integradas por diversos especialistas;
 3ª: o atendimento aos estudantes em um grande número de centros de
estudo regionais e locais. A escola é descentralizada saindo do padrão
intramuros;
 4ª: a fundação de uma universidade específica para adultos.

O modelo da Open University mantém características que se adequam


perfeitamente às necessidades do século XXI. Surgiu com ela uma cultura

100
acadêmica de ensino e aprendizagem que diverge estruturalmente do ensino
tradicional praticado até então, sendo aqueles considerados multidimensionais em
seu planejamento. Com ela começou uma nova era para o EaD.

b) Estudo autônomo: o Empire State College.


Merece especial atenção uma iniciativa onde o estudo autônomo e
autodirigido como a opção primeira para ensinar e aprender academicamente: o
Empire State College em Saratoga Springs (Nova Iorque); fundado em 1971 como
complementação das então 72 escolas superiores do estado que formam a State
University of New York.
A proposta era ampliar o acesso à formação superior e possibilitar a alguns
grupos de estudantes, especialmente adultos profissionalmente ativos, donas de
casa e membros de minorias étnicas.
A fundação do Empire State College foi tida, à época, como uma grande
façanha possível apenas num panorama universitário tão aberto e dado a novas
experiências, assumindo os riscos, como é o caso do sistema educacional
universitário norte-americano.
O principal desafio foi o de concentrar-se no estudante individual, motivando-o
a desenvolver um auto estudo bem fundamentado. Esse foi o ponto central da ideia.
O meio principal do ensino são o diálogo, o aconselhamento e a ajuda no estudo
autodirigido e, para isso, eram firmados contratos de estudo entre estudante,
docente e a universidade no qual os papeis são os seguintes:

a) estudante: elaboração autônoma de determinadas tarefas;


b) docente: aconselhamento e assistência regulares ao aluno;
c) universidade: reconhecimento dos créditos se as tarefas de estudo
determinadas forem comprovadamente realizadas.

101
http://www.esc.edu/

No contrato há os seguintes elementos:

 objetivos educacionais globais;


 objetivos de estudo;
 indicação de recursos à disposição para o estudo;
 descrição das atividades de estudo e critérios de verificação dos
resultados.

Pode-se afirmar que esta forma de ensino superior mexe com as estruturas
tradicionais de ensinar e, em consequência, com a forma como docentes e discentes
veem os processos educativos.

Os docentes não dão aulas e também não dirigem seminários,


exercícios e classes, mas, sim, concentram-se no aconselhamento
intensivo dos estudantes, no que dão resultado seu saber, sua arte
pedagógica e também sua experiência de vida (Peters, 2001, p. 349).

102
Você consegue perceber a diferença para um ensino tradicional, focado no
professor? O desenvolvimento da autonomia está muito relacionado com um
movimento que conhecemos e faz parte da história da educação brasileira: o
escolanovismo, dos anos 30.

O escolanovismo vê a educação como de inserir-se nela. A educação


elemento verdadeiramente eficaz para a escolarizada deveria, portanto, ser
construção de uma sociedade sustentada no indivíduo integrado à
democrática, que considere a diversidade, democracia, o cidadão atuante e
respeitando a individualidade do sujeito, democrático.
apto a refletir sobre a sociedade e capaz

Neste contexto é importante ressaltar que a filosofia do modelo que ora


conhecemos é de que a educação não deve necessariamente ficar confinada em
locais físicos, como uma escola, por exemplo, especialmente pelas possibilidades
que os recursos tecnológicos, que reduzem ou eliminam as barreiras de tempo e
espaço, nos oferecem simultaneamente, pois isso é possível graças às TICs
envolvidas nesse processo.

CEAD 15 ANOS: Reflexões sobre um conjunto de informações que


experiências didáticas em EaD. Gomes, acreditam poder contribuir também para a
S. S.; Mota, J. B. e Leonardo, E. da S. discussão e a disseminação do uso das
Viçosa (MG): CEAD, 2016. TICS na prática docente.
Esse material traz as reflexões sobre EaD Você pode baixá-lo em:
com a inserção das TICs no ensino https://www2.cead.ufv.br/serieconhecimen
quando o grupo de pesquisa (Cead) to/wp-
comemorou seus 15 anos de existência. content/uploads/2016/08/CEAD15anos.pdf
Como citam os organizadores, refere-se a Acesso em: 09 mar 2019.

103
1) Que tal fazer a experiência do Empire State College? Elabore um contrato
de estudo após a leitura de todo o livro texto que já está quase chegando
ao final. A diferença aqui é que você vai pensar no que fazer após tomar
contato com esse conteúdo, certo?
Vamos lá! Será interessante!

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Para finalizar a unidade nada melhor do que fazer o exercício de olhar o


futuro através da perspectiva no passado para esse futuro. Complicou? Explico
melhor: vamos ler um pequeno texto publicado em 1997, por Peters, cujo objetivo
era, lá naquela época, pensar em como seria o futuro. O autor fez uma reflexão
imaginando o que, no século XXI aconteceria com a EaD. Pois bem, estamos no
século XXI, fazemos EaD e, naturalmente, podemos analisar, com nossa vivência as
propostas e ideias de Peters. Vamos lá?

104
A universidade do futuro

A universidade do futuro está aberta a toda pessoa que pode participar do


ensino com sucesso, portanto, também para muitos adultos em idade média ou
adiantada. Ela não impõe locais e horários compulsórios. Portanto, o estudo pode
ser iniciado, interrompido e retomado, exatamente de acordo com as necessidades
da vida e da carreira profissional dos estudantes.
O estudo é realizado tanto em tempo integral quanto em tempo parcial,
podendo-se alternar as duas formas. Onde isso for possível, o ensino se orienta
mais para a prática profissional e pessoal dos estudantes.
O estudo básico e o estudo de formação complementar se confundem e, em
parte estão inter-relacionados.
A universidade do futuro emprega tanto componentes do ensino com
presença quanto do ensino a distância e do ensino digitalizado, e desse modo
consegue, com vistas às formas de ensino e aprendizagem, uma flexibilidade jamais
vista.
Dependendo da inclinação e da necessidade, os alunos podem decidir entre
os seguintes modos de estudar: preleção, seminário, aulas práticas, trabalho com
cursos de ensino a distância auto instrutivos, estudo digital em todas as formas. Por
exemplo, multimídia, hipertexto e teleconferência), estudo autônomo aberto, bem
como estudo fechado próprio com pacotes de ensino rigorosamente estruturados.
Também podem fazer cominações com esses modos de ensino, tanto
paralela quanto sequencialmente.
É possível inclusive, fazer uso das ofertas de várias instituições ao mesmo
tempo. Trabalha-se com módulos de ensino. Créditos obtidos em diferentes
instituições são acumulados e servem de base para graduações.
Pode-se recorrer tanto a uma assessoria intensiva de ensino quanto a uma
assistência tutorial competente na respectiva área, especialmente como
complementação do estudo autônomo aberto. Ambas as formas têm uma
importância que jamais puderam ter no tradicional ensino com presença ou ensino a
distância.

A UNIVERSIDADE DO FUTURO É A ESCOLA SUPERIOR FLEXÍVEL E


VARIÁVEL POR EXCELÊNCIA.
Fonte: Peters, 1997, pp. 23-23

105
Você concorda com o autor? Que tal fechar o item com outra atividade?

A partir da leitura do texto “A universidade do futuro”, construa a SUA


universidade para daqui 20, 30 anos.
Elabore um breve texto em que os principais aspectos que você acredita que
serão fundamentais para uma universidade estejam explicitados.
Bom trabalho!

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106
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Nesta unidade foi objetivo analisar as modalidades de EaD desenvolvidas nas


universidades que a oferecem.
Lembre-se: pensar em EaD e entender os modos em que é construída é
fundamental para que tenhamos certeza de que é a modalidade correta para nosso
estilo de aprendizagem. De fato, desde que a Internet adentrou a educação, muita
coisa mudou. Ela provocou e continua provocando extraordinárias alterações nas
formas de viver dos homens. Cada dia somos surpreendidos por novidades, objetos
e fatos com os atuais jamais imaginaríamos conviver, nem ao menos que fossem
possíveis de ocorrer.
Para o futuro? A única informação é de que a tecnologia estará cada vez mais
presente. As tecnologias interativas não deixarão mais a educação. Hoje elas não
podem ser vistas apenas como uma tendência, mas, sim, como realidade, visto que
as transformações vêm ocorrendo sem impedimentos humanos.
Nenhum professor perderá seu papel, sua posição carregada de importância
na sociedade. A tecnologia não poderá, sozinha, assumir a educação, pois
educação se faz com gente, não com máquina. O educador, que nunca perderá sua
importância (NUNCA vou cansar de repetir isso!), precisa adaptar-se com as TICs e
inseri-las em seu trabalho, fazendo com que as mesmas estejam ao seu favor e de
seu aluno. A educação toma novos rumos e a avaliação continuará com a
importante função de guiar os professores para melhorar cada dia mais as suas
práticas.
Oferecemos uma reflexão e esperamos que você não deixe de fazê-la sobre a
contribuição que o conceito de interdisciplinaridade traz à educação e à EaD.
Também conhecemos duas iniciativas internacionais de grande sucesso no
desenvolvimento de EaD: a Open University britânica e o Empire State College
americano. Essas são as duas mais importantes, mas recomendo que você busque
informações sobre a National University, a Fernuniversitat e a Contact North dentre
outras e continue refletindo sobre o que é EaD e como ela pode realmente funcionar
para que os alunos, no caso das universidades apresentadas, adultos que não
conseguiram concluir na idade esperada o nível superior, tenham uma formação de
boa qualidade.

107
Coloque-se no papel do docente que desenvolve esse tipo de trabalho, saindo
do foco, mais centralizado no aluno, e procure entender as características que tal
tipo de modelo educacional provoca em termos de mudanças de postura docente.
Não poderia deixar de citar a produção de conteúdo em EaD, certo? Espero que
você tenha gostado da leitura!
Agora que já fizemos toda uma discussão acerca da EaD, aplicações, as
modalidades, ambientes virtuais de aprendizagem, avaliação, didática dentre outros
temas tão importantes, que tal olhar para as ferramentas e os objetos de
aprendizagem desenvolvidos para serem trabalhados em EaD? Vamos lá! É
importante para que a EaD seja efetivada com sucesso. Sem o professor, mesmo
que a distância, não haverá educação.

108
UNIDADE IV

4. ENSINO PRESENCIAL

Conteúdos trabalhados na unidade:


Metodologias Ativas: sala de aula invertida; gamificação; vídeos;
aprendizagem por pares ou times

O ensino presencial faz parte de nossa vida desde muito pequenos. Ele é
fundamental por diversas razões, especialmente, na socialização, afinal, é
convivendo com as crianças da escola que aprendemos muito do que é viver em
sociedade, concorda?
Pesquisando para escrever esse tema, me deparei com o site de uma
universidade do Paraná que defende essa modalidade de ensino e elenca uma série
de razões. Veja só:

 Contato com outras pessoas: Em uma aula presencial, o contato com


colegas e professores é feito em todos os momentos do estudo. Isso permite
que o aluno faça networking de forma eficiente. Mas, o mais importante, é que
propicia o debate e troca de experiências durante a aula. Isso agrega muito
mais conhecimento e bagagem aos alunos.

Figura 29: Contatos

https://morguefile.com/photos/morguefile/1/contacts/pop
Acesso: 12 mar 2019

109
 Dúvidas esclarecidas: Com a aula presencial, os alunos podem ter suas
dúvidas esclarecidas na hora pelo professor. Dessa forma, melhora-se a
capacidade de aprendizado.
 Recuperação de conteúdo: Caso você perca uma aula, pode rever a matéria
com os colegas e pedir explicações posteriores ao professor. Além disso, em
geral, os professores determinam um horário fora do horário de aula para
dúvidas e orientações.
 Participação em eventos: Com a aula presencial, o aluno está em constante
contato com o ambiente acadêmico. Assim, é mais estimulado a participar de
eventos, como semanas acadêmicas, simpósios, palestras, congressos, entre
outros.
 Menos distrações: Apesar das inúmeras distrações que uma sala de aula
pode ter, elas podem ser reduzidas. Não há a possibilidade de interromper a
aula e voltar a assistir do mesmo ponto depois. É uma questão de
responsabilidade do aluno absorver o conteúdo naquele momento. Na
internet, pode-se distrair durante a aula. Ou ainda, em casa, podem-se ter
distrações com pessoas, animais domésticos ou procrastinação.

Imagem 30: Estudar

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/d/Dia2018/11/p/1a4b675b32d5853272cc5188ae6c9f35.jpg
Acesso: 12 mar 2019

 Contato com o ambiente acadêmico: Sabe-se que a graduação é um


momento, na maior parte das vezes, de crescimento. Uma educação
presencial permite que o aluno viva todas as sensações da faculdade.
As amizades, contato com os professores, com funcionários, tudo isso
enriquece e aumenta a bagagem cultural do aluno. Além de poder

110
participar de projetos de extensão, de grupos de estudo, tudo isso
enriquece e contribui para o conhecimento do aluno.
 Acompanhamento: Com o ensino presencial, os professores
conseguem acompanhar a progressão dos alunos e saber onde estão
suas maiores dificuldades. Assim, podem auxiliá-los de maneira eficaz.
Dessa forma, o aprendizado irá ser otimizado.
 Extensões: Os projetos de extensão em universidades são parte
importante da formação. Eles podem desenvolver no aluno habilidades
para a carreira profissional que vão além da sala de aula. Monitorias
em disciplinas, por exemplo, podem aflorar no aluno o desejo de seguir
carreira acadêmica. Ou então, gerar identificação com uma área de
seu interesse para especialização.
 Trabalhar em equipe: Nos trabalhos em grupo durante a graduação,
aprende-se a trabalhar em equipe. O aluno aprende a respeitar
opiniões e conviver com as diferenças. É uma simulação “light” do que
poderá ser encontrado no mercado de trabalho.
 Uso de tecnologias: Mesmo sendo um ensino tradicional, o uso de
tecnologias em sala de aula é cada vez mais presente. Não se têm
mais uma sala de aula em que os alunos não estejam minimamente
conectados à internet. Assim, o debate em sala fica enriquecido com
as trocas de conhecimento e pontos de vista, aliados às informações
disponíveis na internet.
 Estrutura física: O ensino superior presencial tem a vantagem de
possuir uma estrutura física melhor. Investe-se muito em laboratórios,
bibliotecas e outros espaços. O uso de laboratórios, por exemplo, irá
fornecer uma experiência muito mais completa que o aprendizado
apenas na teoria.

Fonte: https://www.uniguacu.edu.br/blog/importancia-do-ensino-superior-presencial/
Acesso: 12 mar 2019.

Vamos conversar sobre esse tema? Eu concordo com tudo o que é


apresentado aqui. Entretanto, a questão principal, do meu ponto de vista, vai além
de toda essa argumentação: o fundamental é fazer bem feito, com boa qualidade,
com seriedade. E… muitas vezes isso se perde. Por essas razões é necessário
inserir as metodologias ativas em nossa discussão.
Você conhece as metodologias ativas?

Figura 31: Atividades

111
https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/s/selmyomer/02/p/babe6679bcabfad15e46114e7
a55a63b.jpg
12 mar 2019

É de nosso conhecimento que a escola – e a universidade – muitas vezes


parece nunca mudar, parece ainda estar pautada no ditar-falar do mestre e é aqui
“mora o perigo”. Num mundo globalizado no qual a informação nos chega em tempo
real e as mudanças são avassaladoras, para “conquistar” nosso aluno precisamos
estar preparados para toda essa modernidade.
Não podemos estagnar a sala de aula. Não podemos deixar que nosso aluno
tenha mais interesse no que acessa com seu celular, por exemplo, do que temos
para apresentar. E olha que nos preparamos para estar à frente da classe, não é?
Como fazer isso? Minha sugestão está no item a seguir.

4.1 Metodologias ativas

A boa educação é aquela em que o professor pede para que seus


alunos pensem e se dediquem a promover um diálogo para promover
a compreensão e o crescimento dos estudantes (GLASSER, 2001).

As metodologias ativas de aprendizagem são modelos de ensino que dão ao


aluno uma grande responsabilidade sobre a construção do seu conhecimento. Elas
pressupõem tornar o aluno o centro do processo de ensino deslocando o professor
desse lugar. O professor é mais experiente, é certo, mas o aluno precisa ser visto
como protagonista de como aprende, afinal, toda instituição de ensino – e a nossa
profissão – tem razão de existir por causa dele!

112
Com a utilização das metodologias ativas nossa aula se torna diferente. Ela
deixa de ser o espaço de exposição do nosso saber e passa a ser o espaço no qual
alunos interagem com outros alunos e com o professor construindo conhecimento
através de ações práticas que planejamos e adaptamos. Há diversos benefícios para
todos os envolvidos – alunos, professores e até mesmo as instituições.

Com as metodologias ativas o professor e a aula muda de dinâmica. Ao invés de


deixa de ser o “sabedor”, o único expor o conteúdo, ele convida o aluno a
“conhecedor”. Seu papel agra é de partir desse processo.
mediador, de facilitador, de guia do aluno

Vamos ver alguns desses benefícios?

 Alunos mais independentes e protagonistas de seu aprendizado: o


aluno, ao ser convidado (e incentivado) a desempenhar um papel de
sujeito protagonista de sua própria aprendizagem, desloca o professor
para exercer outro tipo de papel diferente do que desempenhava até
então, ou seja, o docente passa de expositor a mediador do
conhecimento. Assim, deve orientar seus alunos e indicar
possibilidades que eles desenvolverão. É muito mais democrático,
inclusive.

 Aprendizagem facilitada: o papel docente passa a ser o de um guia


nos contextos educativos e, ao respeitar as formas como aprendemos,
com a utilização das metodologias ativas, o professor passa a entender
que apenas expondo um conteúdo é a maneira menos eficaz de
promover aprendizagem.

É preciso considerar como aprendemos, assim aprenderemos


verdadeiramente! Veja a imagem a seguir que nos mostra como aprendemos de
acordo com Glasser (2001) em sua “Pirâmide de Glasser” ou “Cone da
Aprendizagem”. Ela elenca como aprendemos e qual a porcentagem com que cada
forma de estudar nos auxilia na aprendizagem.
Figura 32: Pirâmide de William Glasser

113
https://medium.com/@renatho/pir%C3%A2mide-de-william-glasser-ou-cone-da-aprendizagem-
49a4670afc9a
Acesso: 12 mar 2019

Veja agora o Cone de Dale, pesquisador que, já em1969, dizia que depois de
duas semanas, o cérebro humano lembra 10% do que leu; 20% do que ouviu; 30%
do que viu; 50% do que viu e ouviu; 70% do que disse em uma conversa/debate; e
90% do que vivenciou a partir de sua prática.
Verifique a seguir:

114
Figura 33: Cone de Aprendizagem de Dale

https://medium.com/@renatho/pir%C3%A2mide-de-william-glasser-ou-cone-da-aprendizagem-
49a4670afc9a
Acesso: 12 mar 2019

Dá para visualizar uma aula muito mais interessante que seja planejada a
partir desse esquema, concorda comigo?

115
GOMES, A.; SILVA, P. Design de métodos de ensino e retenção do
experiências de aprendizagem: aprendizado. Técnicas de design são
Criatividade e inovação para o valiosos instrumentos para conceber tais
planejamento das aulas. Série Professor cenários e amplia o leque de
Criativo. Recife: Pipa Comunicação, 2016. procedimentos pedagógicos para o
professor. Ao longo do livro mostramos
Este livro tem como objetivo contribuir
como experiências de aprendizagem
com o desenvolvimento de habilidades de
podem ser concebidas, prototipadas e
concepção de experiências de
avaliadas do ponto de vista do impacto
aprendizagem entre os profissionais de
desejado.
ensino. Ao longo da obra discute-se a
noção de aula e como a mesma impõe Fonte:
limitações à forma natural como os seres https://www.pipacomunica.com.br/livrariad
humanos aprendem. Argumenta-se que apipa/produto/design-de-experiencias-de-
noção de experiências de aprendizagem aprendizagem-impresso/. Acesso em: 12
amplia a visão de como se pode promover mar 2019.
melhores aceitação e engajamento dos

Vamos continuar a listar os benefícios da inserção das metodologias ativas na


sua aula:

 Melhoria da satisfação dos alunos com a instituição: quando o


aluno perceber que está aprendendo mais e de modo mais dinâmico e
efetivo, é certo que vai ficar mais satisfeito com o ensino de sua
instituição e não vai querer deixá-la.

 Aumento do engajamento dos alunos com as aulas: as


metodologias proporcionam ao aluno mais autonomia e domínio sobre
o processo de aprendizagem. Ele vai perceber que precisa se
responsabilizar e, consequentemente, se engajar nas leituras e
atividades propostas, caso contrário não conseguirá acompanhar os
colegas e a aula. Resultado: as aulas serão mais produtivas.

 Maior desenvolvimento da capacidade analítica do aluno: É da


“decoreba”. Só decorar não vai ser suficiente para acompanhar as
aulas, pois se faz necessário refletir sobre os conteúdos. O aluno
aprende a pensar sobre o que lhe é apresentado. A aula passa a ser
um momento de atuar sobre o conteúdo. Ele passa a ter um poder
sobre tudo o que ocorre dentro e fora da sala de aula.

116
Assista à apresentação “Utilização de disponível em:
Metodologias Ativas no Ensino Superior”, https://slideplayer.com.br/slide/3247057/.
da profa. Dra. Dilmeire Sant’anna Ramos Acesso em 12 mar 2019.
Vosgerau, da PUC- PR sobre o tema
É esclarecedora!

4.2 Principais metodologias ativas

Existem várias metodologias ativas de aprendizagem para nos ajudar em


nossas salas de aula. Vamos conhecer as mais utilizadas atualmente.

4.2.1 Sala de aula invertida

Também conhecida por flipped classroom, a sala de aula invertida nos faz
repensar as formas tradicionais de ensinar. Estamos acostumados com o seguinte
contexto:

1) Aluno aprende a matéria nova em sala de aula;


2) Aluno realiza a fixação da matéria nova em sala ou em casa realizando
exercícios e estudando a partir de indicações do professor;
3) Professor, antes de começar novo conteúdo, pode perguntar se há dúvidas
sobre o anterior;
4) Após dar novas explicações, se necessário, em sala de aula o professor
inicia nova matéria;
5) O que foi citado de 1 a 4 é reiniciado.

Na sala de aula invertida as coisas mudam de ordem (são INVERTIDAS).


Figura 34: Sala de aula invertida?

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https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/k/kconnors/preview/fldr_2009_08_03/file8431249
322550.jpg
Acesso: 12 mar 2019

Veja a definição de Aranha Filho (2015):

(…) é uma estratégia que visa mudar os paradigmas do ensino


presencial, alterando sua lógica de organização tradicional. O
principal objetivo dessa abordagem, em linhas gerais, é que o aluno
tenha prévio acesso ao material do curso – impresso ou on-line − e
possa discutir o conteúdo com o professor e os demais colegas.
Nessa perspectiva, a sala de aula se transforma em um espaço
dinâmico e interativo, permitindo a realização de atividades em
grupo, estimulando debates e discussões, e enriquecendo o
aprendizado do estudante a partir de diversos pontos de vista. Assim,
para a melhor fixação das informações e conceitos apresentados na
disciplina, é necessário que o aluno reserve um tempo para estudar o
conteúdo antes da aula (p. 15).

Mudar paradigmas! Esse é o principal objetivo da aplicação da sala de aula


invertida. Para entender mais sobre essa metodologia, leia o depoimento do prof. Dr.
Alex Sandro Gomes, da UFPE, de 22 de abril de 2018, após perceber que estava
começando a inverter sua sala de aula:

Figura 35: Relato de experiência

118
https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/d/DodgertonSkillhause/10/l/1444282669cwwua.jpg
Acesso: 12 mar 2019

“Finalmente, consegui inverter a sala!


Nossa! Tomei um susto quando me dei conta que havia conseguido. Li muito
sobre ‘blended learning’, metodologias ativas e sala de aula invertida. No entanto,
não tinha percebido que levei muitos anos até chegar num formato intensamente
invertido.
Posso dizer que as mudanças aconteceram aos poucos. Alguns anos atrás,
iniciei o uso sistemático de AVAs nas minhas aulas.
Há duas semanas percebi que, progressivamente, fui deixando de explicar os
conteúdos em sala. Três anos atrás eu passava a aula toda expondo o conteúdo e
pedindo para os alunos fazerem as atividades em casa. Se tivessem dúvidas
poderiam usar o AVA. Há dois anos passava metade da aula explicando e há um
ano usava 15 minutos.
Este semestre tomei um susto quando percebi que poderia passar todas as
orientações pelo AVA uma semana antes, ficar à disposição para esclarecer antes
da aula. Durante as aulas os alunos falam, expondo os resultados do trabalho.
‘Nossa, que delícia!’, pensei. Mas o que me chamou a atenção foi que levou
um tempo até chegar aqui. Não me libertei da ‘necessidade de dar aula’ de uma
hora para outra, mesmo sabendo que é muito recomendado que os alunos tenham
um papel ativo em sua formação.
Eu sentia um certo medo de não ‘falar como professor’ ou uma ansiedade que
me levava a explicar as coisas que, de fato, são fáceis de entender lendo. Sentia
necessidade de falar para os alunos.
Todo semestre compartilho um plano com todos os conteúdos das aulas,
links, referências de cada aula e orientações. Este semestre simplesmente
compartilhei as orientações que fui refinando ao longo dos últimos anos. Escrevo um
roteiro para cada aula e envio com antecedência para guiar as atividades que os
alunos fazem entre uma aula e outra.
Durante as aulas os grupos apresentam o que fizeram, trazem algo que não
conheço, tentam técnicas que não lembrei/não pensei em recomendar e isso é

119
ótimo. Sempre descubro coisas novas e as discussões ficam cada vez mais
abertas, tranquilas e reflexivas, e o que é melhor, colaborativas entre mim e os
grupos e entre os grupos.
A avaliação também muda bastante, tornando-se totalmente qualitativa a
partir da escuta, das apresentações dos alunos e dos materiais que são
compartilhados. Minha intenção é que os grupos possam consultar a produção uns
dos outros, mas não tenho certeza se isso realmente ocorre. Vou tentar descobrir
este semestre.
No início desse percurso eu nem sempre refleti a minha própria prática. É
bem mais fácil falar do que fazer. Por isso, coloco-me no lugar dos colegas
professores do EF diante desse desafio complexo”.

Fonte: https://medium.com/@alexsandrogomes/finalmente-consegui-inverter-a-sala-
d-638aed357e4 (adaptado). Acesso em: 12 mar 2019.

Após ler o depoimento do prof. Alex Sandro, que tal rascunhar suas
impressões sobre a prática que ele desenvolveu?

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É fácil perceber que, como essa prática, o aluno estuda em casa o novo
conteúdo para tentar absorver o máximo que puder sobre ele – inclusive formula
dúvidas, questionamento – e, no espaço da aula, ao expor o que aprendeu e não
aprendeu, terá no professor o apoio necessário para ampliar seus conhecimentos e
desenvolvê-los. Acredito ser uma forma bastante rica de fixar conteúdos, o que você
acha?

120
Leia outra definição de sala de aula invertida:

Esta metodologia consiste na inversão das ações que ocorrem em


sala de aula e fora dela. Considera as discussões, a assimilação e a
compreensão dos conteúdos (atividades práticas, simulações, testes,
como objetivos centrais protagonizados pelo estudante em sala de
aula, na presença do professor, enquanto mediador do processo de
aprendizagem.
Já a transmissão dos conhecimentos (teoria) passaria a ocorrer
preferencialmente fora da sala de aula. Neste caso, os materiais de
estudo devem ser disponibilizados com antecedência para que os
estudantes acessem, leiam e passem a conhecer e a entender os
conteúdos propostos (SCHNEIDERS, 2018, p. 7).

Como podemos perceber, na sala de aula invertida, é impossível que o aluno


não se mantenha em posição ativa. A passividade das metodologias tradicionais não
cabe aqui, certo?

ARANHA FILHO, F. Tecnologia no Sugiro a leitura completa dessa


Ensino. Ei! Ensino Inovativo, volume edição especial sobre a sala de aula
especial, 2015. Disponível em: invertida para enriquecer seus
https://www.researchgate.net/publication/2 conhecimentos.
85036367_Tecnologia_no_Ensino_Ei_Ens
ino_Inovativo_volume_especial_2015.
Acesso em: 12 mar 2019.

De acordo com p depoimento do professor Alex Sandro, o professor precisa


estar bem preparado para desenvolver esse tipo de metodologia, não é? Ele precisa
planejar, planejar e planejar cada passo que será ado. Como guia, tem que
organizar que materiais serão oferecidos aos alunos em casa e quais exercícios e
atividades sevem ser feito na sala de aula.

121
Sem um bom planejamento as assimilar as características desse
metodologias ativas são apenas mais um professor é fundamental para criar um
modismo. Um bom professor precisa ser ambiente de aprendizagem rico e atual.
um bom professor de verdade. Por isso,

Para obter sucesso, sua responsabilidade também aumenta. Lançar mão do


que é encontrado na internet, por exemplo, é uma dica importante. Assim, você pode
economizar tempo e aplicar todos seus conhecimentos como pesquisador, já que é
fundamental que todos os materiais disponibilizados aos alunos devem ser de boa
qualidade e ser pensados se realmente tem a ver com o conteúdo a ser
desenvolvido.

BERGMANN, J.; SAMS, A. Sala de aula é que o aluno assista previamente às


invertida: Uma metodologia ativa de principais explicações gravadas pelo
aprendizagem. Rio de Janeiro: LTC, 2016. professor (em videoaulas, por exemplo)
ou estude o material indicado. O encontro
O livro Sala de Aula Invertida demonstra
presencial passa a ser uma oportunidade
como as metodologias ativas de ensino
para esclarecer dúvidas, realizar
podem mudar radicalmente a relação de
atividades, trocar conhecimentos e fixar a
aprendizagem, além de estabelecer uma
aprendizagem.
nova forma de relacionamento entre
professores e estudantes. Nesse novo O sucesso da Sala de Aula Invertida na
cenário, o aluno torna-se protagonista de educação básica e superior, em escolas e
seu aprendizado, enquanto o professor universidades de diversos países do
assume o papel de mediador, que, com mundo – incluindo instituições de
apoio de tecnologia simples, poderá referência como Harvard e MIT – confirma
mapear melhor o conhecimento adquirido. que esse modelo chegou para
O livro traz exemplos reais de sala de aula revolucionar a relação dos alunos com o
e aborda técnicas fundamentais conhecimento.
desenvolvidas pelos professores Jonathan
Fonte: https://www.grupogen.com.br/sala-
Bergmann e Aaron Sams para manter os
de-aula-invertida-uma-metodologia-ativa-
estudantes motivados e aptos para
de-aprendizagem. Acesso em 12 mar
aprender de forma efetiva. A ideia central
2019.

122
4.2.2 Gamificação

Quem não gosta de aprender de forma divertida? Eu adoro! Aposto que você
também! Uma forma de unir aprendizagem de conteúdos e se divertir é a
gamificação, uma metodologia que pressupõe atividade do aluno, afinal, sem ação
não chegamos aos resultados.
A gamificação é a tendência de usar elementos presentes nos jogos em
contextos educacionais. Qual seu objetivo? Como parte das metodologias ativas,
visa aumentar o engajamento e a motivação dos alunos envolvendo-os, buscando
provocar seu interesse na ação de jogar – e aprender enquanto faz isso.
Quando entramos em um jogo somos capazes de passar várias horas nele,
tentando vencer os desafios que se apresentarem, correto? A gamificação foi
desenvolvida a partir desse pressuposto, ou seja, apresenta desafios relacionados a
determinado conteúdo para que, jogando, o aluno os atinja e, assim, aprenda sem
perceber.
Figura 36: Gamificação

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/q/quicksandala/06/p/c310edbb0f40dcabe67f7f1c
bb4d9e9e.jpg
Acesso: 12 mar 2019

É importante ressaltar que uma gamificação, como é baseada na lógica dos


jogos, envolve o aluno dando pontos, distintivos, vidas extra e indicadores de
progresso. É realmente inserir o mundo dos games nos contextos educacionais.
Veja o quadro abaixo:

123
• Narrativa (ex.: contar uma história envolvente com o jogo);
• Retorno imediato (ex.: ganhar pontos assim que uma tarefa é concluída);
• Diversão (ex.: focar nos caráter lúdico do jogo);
• Desafios progressivos (ex.: só liberar determinado desafio quando outro for
cumprido);
• Indicadores de progresso (ex.: tabelas de pontuação / distintivos / rankings,
etc.);
• Conexão social (ex.: permitir interligação entre jogadores);
• Controle do jogador (ex.: o jogador decide qual desafio irá cumprir).
Fonte: https://sambatech.com Acesso em 01 dez 2018.

Conheça na prática a gamificação. Visite: gamification/ e pense como usar sua


https://blog.engage.bz/exemplos-com- criatividade!

4.2.3 Vídeos

Você já deve ter assistido a uma aula com a utilização de vídeo. É muito
comum encontrar aulas com vídeos como suporte. É uma ótima ideia, mas que tal
se, ao invés de usar um vídeo pronto você utilizá-lo como ferramenta avaliativa?
Atualmente, é bem fácil que os alunos tenham um celular com câmera.
Aproveite essa facilidade e proponha que, para desenvolvimento de determinado
tema da sua aula, os alunos, em gruo ou individualmente, criei seus próprios vídeos.

Que tal você criar sua vídeo aula? Ao Veja as dicas de “Como fazer uma vídeo
invés de utilizar um vídeo já pronto, o que aula atrativa para seus alunos”. Disponível
também é uma ótima ideia, faça o seu.

124
em: https://eadbox.com/como-fazer-uma- https://blog.hotmart.com/pt-br/como-fazer-
video-aula/. Acesso em 12 mar 2019. roteiro-de-video/. Acesso em: 12 mar
2019.
Outras dicas para manter seus alunos
interessados estão disponíveis em:

De qualquer maneira, os vídeos, quando bem escolhidos são uma excelente


ferramenta. Tenha em mente que eles devem estar relacionados com o conteúdo
trabalhado e podem auxiliar tanto na inserção de um novo conteúdo como na fixação
desse conteúdo. Ah, os alunos também podem propor vídeos que não conhecemos,
não é? Seja lá como você vai inseri-los, é importante elaborar um plano de aula bem
detalhado. Planejar, como digo e repito, é a chave do sucesso!

Acessibilidade: (…) os vídeos servem sala de aula pode contribuir de forma


como base motivacional aos estudos (…) significativa no aprendizado dos alunos,
então na hora de escolher os vídeos mas para que isso ocorra os vídeos (…)
escolha aqueles que melhor se adequem devem ser coerentes ao tema, e, além
ao tema trabalhado, dê preferência para disso, devem ter fins didáticos.
vídeos dinâmicos para facilitar o
Qualidade dos vídeos: não se deve
entendimento dos alunos.
trabalhar em sala de aula qualquer tipo de
Fomentar a criatividade: (…) você vídeo, em primeiro lugar ele deve ser
também pode usar essa ferramenta para intuitivo e te auxiliar na hora de explicar o
fomentar a criatividade de seus alunos, tema, além disso, a qualidade do áudio e
solicitando a eles que criem vídeos sobre visual também deve ser boa para facilitar
o tema, (…) além de promover o ensino o entendimento dos alunos.
estará motivando os alunos ao estudo.
Fonte: https://demonstre.com/como-usar-
Interação entre a aula e os vídeos: videos-em-sala-de-aula/. Acesso em: 01
trabalhar a apresentação de vídeos em mar 2019.

4.2.4 Aprendizagem entre pares ou times

Em 1990 o pesquisador Erik Mazur, da University of Harvard desenvolveu um


método de ensino interativo que já foi adotado em diversas disciplinas a redor do
mundo. É um processo que ficou conhecido por Peer Instruction (aprendizagem
entre pares). Sua ideia é simples: um aluno instrui outro aluno sobre um
determinado conteúdo. O aluno “instrutor” tem maior conhecimento sobre esse
conteúdo e o outro tem dificuldade, dúvidas ou não o conhece.
Assim também funciona a aprendizagem entre times, na qual há a
colaboração entre grupos. Funciona da seguinte maneira: a turma é dividida em

125
pequenos grupos, com um responsável por ensinar aos demais, sempre com a
intenção de contribuir com a aprendizagem dos colegas na realização de tarefas
propostas pelo docente.

Figura 37: Juntos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/a/anthot4/07/l/1437333488ria0y.jpg
Acesso: 12 mar 2019

É importante ressaltar que, enquanto ensina, o aluno tutor também aprende,


não apenas os conteúdos, mas uma série de habilidades necessárias para um
convívio social harmonioso.
Com o Peer Instruction busca-se tirar o foco do momento da aprendizagem da
“transferência de informação”, fazendo com que o aluno busque informações
primárias direto da fonte, por meio da leitura, para que depois, no encontro
presencial em aula, discuta com seus colegas (PALHARINI, 2018).

Para que funcione, uma dica é que os precisar de um incentivo para ir adiante, o
alunos instrutores sejam preparados para instrutor precisa ter essa sensibilidade e
exercer esse importante papel. Quando apoiá-lo!
um colega não entender alguma coisa ou

É uma metodologia ativa, certo? A participação de todos os envolvidos é,


portanto, necessária e enriquecedora.

126
Leia mais sobre a aprendizagem entre de Sá Sodero Toledo e Fernanda de
pares no artigo intitulado “O Peer Carvalho Lage. Disponível em:
Instruction e as Metodologias Ativas de http://www.publicadireito.com.br/artigos/?c
Aprendizagem: relatos de uma od=f57a221f4a392b92. Acesso em 12 mar
experiência no Curso de Direito” das 2019.
professoras Luiza Helena Lellis Andrade

4.2.5 Aprendizagem por projetos ou solução de problemas

A Aprendizagem por Projetos (ou solução de problemas) é uma das


metodologias ativas. Seu objetivo é chegar a uma solução de forma mais
interessante e prática. Ela envolve intensamente os alunos na participação no
processo de solução do problema que é apresentado.

É uma metodologia ativa orientada para o desenvolvimento de


habilidades, conhecimentos e atitudes nos estudantes, por meio de
intenso processo de investigação e elaboração de produtos e
artefatos.
De acordo com o Book Institute For Education (2008), os projetos
podem variar de uma semana até um ano, envolvendo apenas uma
disciplina ou tendo caráter interdisciplinar, integrando diferentes
professores, séries, comunidade e adultos fora da escola (ALMEIDA,
2018, s.p.)

Com a aplicação dessa metodologia o professor visa que seus alunos


construam conhecimentos e desenvolvam habilidades trabalhando por um
determinado período, normalmente mais alongado para que investiguem o problema
que lhes for proposto com a intenção de responder a uma pergunta ou dúvida. É
uma metodologia envolvente e bastante complexa, mas que, como as demais
metodologias ativas, visa que o aluno se torne sujeito de sua própria aprendizagem.

127
A Aprendizagem por Projetos promove, dente outras habilidades, o
desencadeia uma energia contagiante e desenvolvimento da autonomia e a
criativa entre alunos e professores e colaboração.

Figura 38: Projetos

https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/p/psymily/09/p/a36c5236301deb34832805bfdc5f
a454.jpg
12 mar 2019

A seguir, trago o relato da pedagoga Camila Zentner Tesche, cordenadora da


escola, de como uma experiência com o desenvolvimento de projetos deu super
certo. O trabalho é da Escola da Prefeitura de Guarulhos Manuel Bandeira.
As etapas que são desenvolvidas nessa escola são as seguintes:

Figura 39: Contando uma experiência

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https://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/d/DodgertonSkillhause/10/l/1444282669cwwua.jpg
Acesso: 12 mar 2019

“1. Aula ou Semana Inaugural: antes de iniciar um projeto é feito um


momento disparador, onde os alunos são colocados em contato com um grande
tema gerador (…) e suas inúmeras possibilidades. Essa aula inaugural pode ser
uma grande conversa no pátio, uma rodada de filmes, um passeio pelo jardim da
escola ou pelo bairro, um rodízio de oficinas etc.
2. Votação: Após esse período inicial de descobertas, as crianças sentam em
roda e começam a levantar, dentre tudo o que viram, os assuntos nos quais têm
maior interesse. O professor, mediador e peça fundamental desse processo, anota
as questões levantadas pela turma e em votação escolhem o tema que será
estudado pela sala ou por um grupo de crianças.
3. Roteiro de trabalho: Escolhido o tema, a turma começa a preencher o
roteiro que criamos (…). No roteiro, as turmas escrevem o que querem aprender
sobre o tema, por que fizeram essa escolha e como vão fazer para chegar às
respostas de todas as suas dúvidas. O último item é preenchido somente pelo
professor, que tem a tarefa de relacionar os conteúdos curriculares ao tema
escolhido, encontrando o que há de possibilidades de aprendizagem na Matemática,
Português, Artes e assim por diante. Essa é uma das grandes sacadas do projeto,
porque compreende o papel da escola de passar os conhecimentos historicamente
acumulados, em uma perspectiva que o aproxima da criança, uma vez que faz
relação àquilo que deseja conhecer.
4. Revisão e acompanhamento: Finalizado o roteiro é hora de começar os
trabalhos e é aí que o papel do coordenador é essencial! É ele que revisa os
projetos e auxilia o professor na ponte entre os conteúdos e o trabalho de pesquisa.
5. Saídas pedagógicas: Durante o projeto são realizados também diversos
passeios para agregar à pesquisa, o que pode ser extremamente desafiante se você
imaginar que cada sala da escola poderá caminhar para um lugar completamente
diferente, como também pode ser bastante enriquecedor, já que todo lugar passa a
ser um espaço de aprendizagem, como a feira livre, a padaria do bairro, a casa de
um morador antigo etc. Para essa tarefa, a parceria entre o trio de gestores (diretor,
vice-diretor e coordenadora) é muito importante, porque assim as tarefas de
agendamento, aluguel de ônibus e autorizações são divididas.
6. Trocas e comunicação: Projetos tão diferentes dentro de uma mesma
escola podem isolar as turmas e afastar a troca de experiências entre os
professores, por isso, novamente a figura do coordenador se faz necessária para
religar todo mundo, estabelecendo o diálogo como fonte central do trabalho
formativo da equipe escolar. Uma das alternativas que encontrei, foi o painel

129
“Preciso de Ajuda/Posso ajudar”. No painel, há a relação de todos os projetos da
escola e lá os professores fazem seus pedidos de ajuda e trocam com os colegas.
7. O fim: Por fim, todo projeto pressupõe um produto final e a sua divulgação
para toda comunidade escolar, uma espécie de prestação de contas aos pais e,
principalmente, o momento de socializar com os colegas de outras turmas e com
toda comunidade local o que aprenderam, além de ser uma celebração do
encerramento de mais um ciclo. Esse momento acontece ao final (…) e é dividido
em: Sarau, Festa de Cultura Popular e Mostra de Projetos.
E foi assim que definimos o trabalho por projetos em nossa escola!”

Fonte: https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1881/blog-coordenadoras-em-acao-7-
dicas-para-implementar-a-pedagogia-de-projetos-em-sua-escola. Acesso em 12 mar 2019.

A EPG Manuel Bandeira faz parte do mapa de escolas inovadoras


(Guarulhos) atende a Educação Infantil e do MEC.
o Ensino Fundamental I e, desde 2015,

Nesse tipo de metodologia ativa, os resultados que forem obtidos precisam


ser socializados, que é uma forma do aluno perceber o quanto sua atuação foi
proveitosa e o quanto ele aprendeu. Como isso será feito? Pode ser um novo
projeto, inclusive.

É fundamental ter em mente que Projetos desejos, interesses e/ou necessidades


só são projetos quando atendem aos dos alunos.

A avaliação de toda a atividade desenvolvida também é um fator importante, a


qual deve ocorrer ao longo de todo o caminho percorrido pelos alunos, pois assim

130
quaisquer correções de rota podem ser realizadas em tempo hábil e replanejadas,
caso necessário.

BENDER, W. N. Aprendizagem baseada ensino diferenciado, com base em


em projetos: educação diferenciada para o aplicações atuais da tecnologia na sala de
século XXI. Porto Alegre: Penso, 2014. aula. Ao longo dos capítulos, o autor
apresenta diretrizes práticas para sua
A aprendizagem baseada em projetos
implementação nos ensinos fundamental,
(ABP) é considerada uma das práticas de
médio e superior, tornando este livro um
ensino mais eficazes do século XXI. Os
valioso recurso para o aprimoramento
estudantes trabalham com questões e
profissional dos professores e para o
problemas reais, colaboram na criação de
desenvolvimento de aulas eficazes e
soluções e apresentam os resultados.
motivadoras. Fonte:
Assim, tornam-se mais interessados no
https://www.saraiva.com.br/aprendizagem-
conteúdo de cada disciplina, aumentando
baseada-em-projetos-educacao-
seu entusiasmo pelo aprendizado e
diferenciada-para-o-seculo-xxi-
melhorando seu desempenho. O livro
8123732.html. Acesso em 12 mar 2019.
“Aprendizagem baseada em projetos”
explora a ABP como abordagem de

As metodologias ativas, como você pôde perceber, são um grande auxiliar da


ação docente, não é verdade? Pense só em como algumas vezes é muito chato ficar
na carteira da escola ou da universidade ouvindo o ditar-falar do mestre. Planejar
aulas mais dinâmicas e divertidas “conquista” nossos alunos e faz com eles
percebam o quanto não há aula sem eles!

SILVA, M. Sala de aula interativa. São foi utilizado em sua apresentação no “20.
Paulo: Nacional, 2010. Seminário Regional de Formação de
Professores Agrinho”. Vá em:
Leia o livro indicado acima e não deixe de
http://www.agrinho.com.br/site/wp-
acessar os slides do prof. Dr. Marco Silva
content/uploads/2018/06/Marco-Silva-
sobre sua experiência com essa sala de
Sala-de-aula-interativa-presencial-e-
aula diferenciada. Intitulado “Sala de aula
online.pdf. Acesso em 15 mar 2019.
interativa presencial e online”, o material

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Para finalizar essa unidade, te convido a realizar uma atividade.

Faça uma pesquisa sobre a aplicação da metodologia de projetos. Indique


sites, experiências, dê seu próprio relato se já vivenciou essa oportunidade.

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Nessa unidade você teve a oportunidade de perceber que dá para ensinar


presencialmente e obter muito sucesso em sua prática, não é? As metodologias
ativas possibilitam um leque muito grande de utilização de recursos para envolver o
aluno a participar e aprender.
Sair do ditar-falar do mestre dá um pouco de trabalho, mas depois que a
gente aprende a fazer isso e se acostuma com uma sala de aula mais ativa, crítica e
pensante, os resultados tendem a nos trazer mais prazer em nossa ação
pedagógica.
Você está pronto para ser esse “novo” professor? Sei que a resposta será
“siiiim”!

133
REFERÊNCIAS

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Lei 9.394/96. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
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