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SOBRE O USO DE ÁLCOOL,TABACO E OUTRAS DROGAS ENTRE

UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS


I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL,
TABACO E OUTRAS DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27
CAPITAIS BRASILEIRAS
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE
Gabinete de Segurança Institucional ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS ENTRE
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

ORGANIZADORES

Arthur Guerra de Andrade


Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte
Lúcio Garcia de Oliveira

SECRETARIA NACIONAL DE POLÍTICAS SOBRE DROGAS

Esplanada dos Ministérios, Bloco A, 5º andar, sala 528


70054-906 Brasília DF
Telefones (61) 3411-3263 / 3411-2320

Brasília
2010
EQUIPE EDITORIAL SUMÁRIO
REVISÃO TÉCNICA:
11 APRESENTAÇÃO
Secretária Adjunta e Responsável Técnica pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte
12 NOTA INTRODUTÓRIA
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas
Vladimir de Andrade Stempliuk
Cejana Brasil Cirilo Passos 12 SUPERVISÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Arthur Guerra de Andrade 12 PESQUISADORES
Lúcio Garcia de Oliveira
Gabriela Arantes Wagner

PROJETO GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO:


13 GLOSSÁRIO
Angélica Consiglio
Equipe PLANIN
13 Substâncias psicoativas
14 Termos comuns a esse relatório

16 INTRODUÇÃO

20 OBJETIVO

23 SEÇÃO I: METODOLOGIA
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
24 População-alvo
Brasil. Presidência da República. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. 24 Planejamento amostral
I Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários
das 27 Capitais Brasileiras / Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas; 26 Seleção da amostra
GREA/IPQ-HCFMUSP; organizadores Arthur Guerra de Andrade, Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte, 27 Instrumento de pesquisa
Lúcio Garcia de Oliveira. – Brasília: SENAD, 2010.
30 Procedimentos
284 p.
33 Finalização da coleta de dados
ISBN: 978-85-60662-37-1 33 Processamento dos dados
Nota: Publicação elaborada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas 34 Análise dos resultados
(Senad) - Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) em 34 Dificuldades de operacionalização da coleta de dados
parceria com o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas – GREA/IPQ-HCFMUSP
35 Comitê de Ética em Pesquisa – HCFMUSP
1. Epidemiologia descritiva. 2. Abuso de drogas. 3. Estudantes. 4. Comportamento de risco. 35 Referências bibliográficas
5. Prevenção. 6. Políticas Públicas.

CDU: 613.83 39 SEÇÃO II: PERFIL GERAL DO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO


41 Capítulo 1: Dados sociodemográficos, socioeconômicos e perfil geral do universitário brasileiro.

Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.
50 SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
Disponível em: www.senad.gov.br
53 Capítulo 2: Prevalência e padrão do uso de tabaco e outras drogas (exceto álcool):
Tiragem: 5.000 exemplares
Impresso por Intergraf/Brasil - Printed by Intergraf/Brazil estimativa de abuso e dependência.
83 Capítulo 3: Padrões de consumo de álcool entre universitários. APRESENTAÇÃO drogas, as implicações desse uso sobre sua saúde e
101 Capítulo 4: Uso múltiplo de drogas entre universitários. desempenho acadêmico, bem como os comporta-
129 Capítulo 5: Álcool e Drogas: terceira pesquisa sobre atitudes e uso entre alunos da Universidade O Brasil conta hoje com 2.252 Instituições de mentos de risco a ele associados, como a direção de
Ensino Superior, totalizando mais de 5,8 milhões de veículos automotores e a prática sexual desprotegida.
de São Paulo – campi Cidade Universitária, Faculdade de Direito e Complexo da Saúde.
estudantes universitários. A entrada na universidade, Os dados apresentados apontam para uma re-
muitas vezes, inaugura um período de maior autono- alidade surpreendente: quase 49% dos universitários
148 SEÇÃO IV: COMPORTAMENTOS DE RISCO E COMORBIDADES mia, possibilitando novas experiências, mas também, pesquisados já experimentaram alguma droga ilícita
PSIQUIÁTRICAS ASSOCIADAS AO USO DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS para muitos, se constitui em um momento de maior pelo menos uma vez na vida e 80% dos entrevista-
151 Capítulo 6: Comportamentos de risco: exposição a fatores sexuais de risco e ao beber e dirigir vulnerabilidade, tornando-os mais suscetíveis ao uso dos, que se declararam menores de 18 anos, afirma-
de drogas e suas conseqüências. ram já ter consumido algum tipo de bebida alcoólica.
171 Capítulo 7: Morbidades psiquiátricas, sintomas depressivos e psicóticos entre os
Por se tratar, com isso, de uma população re- O consumo de álcool, tabaco e outras drogas entre os
universitários brasileiros. levante, mas ainda pouco pesquisada, a Secretaria universitários é mais freqüente que na população em
Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), ór- geral, o que reforça a necessidade de um maior co-
179 SEÇÃO V: COMPARAÇÃO COM OUTROS SEGMENTOS SOCIAIS E gão do governo federal responsável por coordenar nhecimento desse fenômeno para o desenvolvimen-
CONTEXTUALIZAÇÃO INTERNACIONAL a implementação da Política Nacional sobre Dro- to de ações de prevenção e elaboração de políticas
gas (PNAD) e da Política Nacional sobre o Álcool específicas dirigidas para esse segmento.
181 Capítulo 8: Uso de drogas pelos universitários brasileiros: contexto nacional e internacional
(PNA), em parceria com o Grupo Interdisciplinar Ao tornar público o I LEVANTAMENTO
de Estudos de Álcool e Drogas da Faculdade de NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TA-
199 SEÇÃO VI: POLÍTICAS INSTITUCIONAIS Medicina da Universidade de São Paulo (GREA- BACO E OUTRAS DROGAS ENTRE UNIVER-
FMUSP), realizaram o I LEVANTAMENTO SITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS,
201 Capítulo 9: Políticas institucionais: como o tema drogas é abordado pelos projetos NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TA- a SENAD espera continuar contribuindo na cons-
pedagógicos institucionais? BACO E OUTRAS DROGAS ENTRE UNIVER- trução do conhecimento sobre o tema e, conseqüen-
SITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS. temente, promover o fortalecimento de ações que
216 ANEXOS Essa pesquisa apresenta o perfil desse segmento busquem minimizar os prejuízos associados ao uso
da população frente ao consumo de álcool e outras dessas substâncias entre a população brasileira.
216 ANEXO 1: Listas das IES sorteadas para participar do “I Levantamento Nacional sobre o
Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras”. Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas
220 ANEXO 2: Instrumento de Pesquisa – “I Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool,
Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras”.
260 ANEXO 3: Programa do seminário de abertura do “I Levantamento Nacional sobre o Uso
de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras”.
262 ANEXO 4: Folha de ocorrências da coleta de dados do “I Levantamento Nacional sobre o
Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras”.
264 ANEXO 5: Formulário do sub-projeto POLITICAS INSTITUCIONAIS.
266 ANEXO 6: Instrumento de Pesquisa – USP.
NOTA INTRODUTÓRIA SUPERVISÃO TÉCNICO- tiva da FMUSP e Pesquisador do CISA. NEP do HC-FMUSP, Supervisor da Residência
CIENTÍFICA Gabriela Arantes Wagner. Doutoranda do Médica em Psiquiatria Clínica da FMUSP e Super-
O uso de drogas e suas conseqüências adversas Departamento de Psiquiatria da FMUSP. visor do Programa de Pós-Graduação do Departa-
é um tema de relevante preocupação mundial, dado o Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte. Hercílio de Oliveira Jr. Mestre em Psiquiatria mento de Psiquiatria da FMUSP.
número de usuários existentes e seu impacto sobre os Doutora em Ciências pela FMUSP, Secretária Na- pelo Departamento de Psiquiatria da FMUSP.
indivíduos e a sociedade. Em especial, os estudantes cional de Políticas sobre Drogas-Adjunta e Respon- José Carlos Fernandes Galduróz. Pro- GLOSSÁRIO
universitários compreendem uma importante parcela sável Técnica pela Secretaria Nacional de Políticas fessor Adjunto da Disciplina de Medicina e
desse universo, uma vez que apresentam um consumo sobre Drogas (SENAD), do Gabinete de Seguran- Sociologia do Abuso de Drogas (DIMESAD) SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS
de drogas mais intenso e freqüente do que outras par- ça Institucional da Presidência da República (SE- do Departamento de Psicobiologia da UNI-
celas da população em geral. Diante disso, a Secretaria NAD/GSI/PR). FESP e Vice-coordenador do Programa de Pós RÁLCOOL: é considerada bebida alcoólica
Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) do Ga- Vladimir de Andrade Stempliuk. Doutor Graduação do Departamento de Psicobiologia aquela que contiver 0,5 grau Gay-Lussac ou mais
binete de Segurança Institucional da Presidência da em Ciências pela FMUSP e Coordenador Geral do da UNIFESP. de concentração, incluindo-se aí bebidas destiladas,
República, estabeleceu parceria com o Grupo Inter- Observatório Brasileiro de Informações sobre Dro- Laura Helena Silveira Guerra de Andra- fermentadas e outras preparações como a mistura de
disciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA) gas (OBID) da SENAD/GSI/PR. de. Professora Colaboradora Médica do De- refrigerantes e destilados, além de preparações far-
da Faculdade de Medicina da Universidade de São partamento de Psiquiatria da FMUSP e Chefe macêuticas que contenham teor alcoólico igual ou
Paulo para realizar o I LEVANTAMENTO NA- PESQUISADORES do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do acima de 0,5 grau Gay-Lussac;
CIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABA- IPQ-HC-FMUSP. R  Á (LSD, chá de cogume-
CO E OUTRAS DROGAS ENTRE UNIVERSI- André Malbergier. Professor Médico Cola- Lúcia Pereira Barroso. Professora Associada do lo, mescalina): substâncias que induzem alterações da
TÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS. borador do Departamento de Psiquiatria da Facul- Departamento de Estatística do Instituto de Matemá- senso-percepção, do pensamento e dos sentimentos
A importância do levantamento foi bem compre- dade de Medicina da Universidade de São Paulo tica e Estatística da Universidade de São Paulo (IME- parecidos aos das psicoses funcionais (alucinação);
endida e recebeu adesão do corpo diretivo de 100 Ins- (FMUSP) e Chefe da Unidade de Dependência USP) e Coordenadora do Bacharelado em Estatística. RANALGÉSICOS OPIÁCEOS (Dolanti-
tituições de Ensino Superior (IES), públicas e privadas, Química do IPQ-HCFMUSP. Lúcio Garcia de Oliveira. Mestre e Doutor na®, Meperidona®, Demerol®, Alfgan®, Ópio, Ty-
das 27 capitais brasileiras. Participaram da pesquisa Arthur Guerra de Andrade. Professor Asso- em Psicobiologia pelo Departamento de Psicobiolo- lex®, Codein®): opióides sintéticos derivados dos
quase 18 mil estudantes universitários. Os resultados ciado do Departamento de Psiquiatria da FMUSP, gia da UNIFESP e Pós-doutorando pelo Departa- opiáceos que produzem analgesia, euforia e, em do-
estão descritos nesse relatório, subdivididos em 5 se- Professor Titular das disciplinas de Psiquiatria e Psi- mento de Psiquiatria da FMUSP. ses mais altas, estupor, coma e depressão respiratória;
ções e 9 capítulos, sendo que cada um deles correspon- cologia Médica da Faculdade de Medicina do ABC Márcia Rodrigues Garcia Tamosauskas. Es- R ±  (Anorexígenos) (Hi-
de a uma meta específica de investigação, desenvolvidos (FMABC), Supervisor do GREA, HC-FMUSP e pecialista em Citopatologia, Especialista em Educa- pofagin®, Moderex®, Dualid S®, Pervetin®, Fór-
conforme os procedimentos da abordagem quantitativa Presidente Executivo do Centro de Informações so- ção e Saúde pela UNIFESP, Mestre em Educação mulas para emagrecer): medicamentos psicotrópicos
(capítulos 1 a 8) e qualitativa (capítulo 9) de pesquisa. bre Saúde e Álcool (CISA). pela Universidade Metodista de São Paulo, Profes- supressores do apetite, compostos por aminas sim-
Os temas abordados foram: 1. dados sócio-demográfi- Camila Magalhães Silveira. Pesquisadora do sora Assistente da FMABC e Vice-Coordenadora patomiméticas (anfetaminas).
cos; 2. prevalência e padrão de uso do tabaco e outras Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica (NEP) do da Regional São Paulo da Associação Brasileira de R  §  (Artane®, Aki-
substâncias psicoativas; 3. prevalência e padrão de uso IPQ-HC-FMUSP e Coordenadora do CISA. Educação Médica. neton®, Chá de Lírio, Saia Branca, Véu de Noiva,
do álcool; 4. uso múltiplo de drogas; 5. uso de drogas na Clarice Gorenstein. Professora Associada Raphael Nishimura. Mestrando do IME- Trombeteira, Zabumba, Cartucho): São plantas e
Universidade de São Paulo; 6. prevalência de compor- do Departamento de Farmacologia do Instituto de USP e Especializado em Amostragem pela Univer- substâncias sintéticas que possuem em comum uma
tamentos de risco; 7. saúde mental; 8. comparação do Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo sidade de Michigan. série de efeitos no corpo humano, como alucina-
uso de drogas entre os universitários e outros segmen- (ICB-USP) e Pesquisadora do LIM-23 - Laborató- Ricardo Abrantes do Amaral. Mestre em ções auditivas e visuais (a pessoa escuta e vê coisas
tos sociais e 9. políticas públicas sobre drogas nas IES. rio de Psicopatologia e Terapêutica Psiquiátrica do Psiquiatria e Doutorando pelo Departamento de não compatíveis com a realidade), pupilas dilatadas
Registramos aqui o nosso agradecimento ao corpo HC-FMUSP. Psiquiatria da FMUSP, Pesquisador do GREA, e sem reflexos, visão borrada, secura na boca e na-
diretivo e aos universitários das IES participantes e aos Erica Rosanna Siu. Mestre e Doutora em HC-FMUSP. rinas, dificuldade respiratória, aumento do número
coordenadores de cada uma das metas do levantamento. Farmacologia pelo Departamento de Farmacologia Sergio Nicastri. Mestre em Saúde Pública de batimentos do coração, diminuição de pressão
da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pela Johns Hopkins University (EUA), Doutor em sanguínea, intestino preso e aumento da tempera-
Arthur Guerra de Andrade Pesquisadora Sênior do CISA. Medicina pela Universidade de São Paulo – USP e tura corporal;
Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte Gabriel Andreuccetti. Mestre em Medicina Pesquisador do GREA, HC-FMUSP. R X9 substância psicoativa com
Lúcio Garcia de Oliveira Preventiva pelo Departamento de Medicina Preven- Wang Yuan-Pang. Pesquisador Associado do efeitos depressores, analgésicos e alucinógenos sobre
o sistema nervoso central; das, produzem alterações de sensopercepção; RDEPENDÊNCIA: é uma doença crônica mento de conseqüências prejudiciais ao usuário;
R™5 5 A(Santo Daime): R 55 Ò  (Opta- caracterizada pela busca e uso compulsivo (inabili- RUSO MÚLTIPLO DE DROGAS: refere-
Feito a partir de duas plantas nativas da floresta lidon®, Gardenal®, Tonopan®, Nembutal®, Comital®, dade de resistir ao desejo) de determinada substância se ao emprego de mais de uma substância psicoativa
amazônica: o cipó (caapi ou douradinho) e a chacro- Pentolal®): medicamentos psicotrópicos com ação de- psicoativa, na qual um indivíduo despreza qualquer em momentos diferentes ou ao uso de mais de uma
na, que contém o princípio ativo dimetiltriptamina. pressora utilizados de forma abusiva (Ver Abuso); efeito ou evento adverso referente a esse uso; substância em uma mesma situação (uso simultâneo),
O chá é utilizado em rituais religiosos e indígenas; RPRODUTOS DE TABACO: possuem RDEPRESSÃO: transtorno do humor. Nos geralmente a fim de atender propósitos específicos;
R±I  I 9 alcalóides como substância psicoativa a nicotina, de efeitos es- episódios típicos de cada um dos três graus de de- R5 NA VIDA: uso experimental, ou seja,
obtidos a partir das folhas de Erythroxylon coca. timulantes e relaxantes. O uso prolongado do tabaco pressão (leve, moderado ou grave), o paciente apre- “pelo menos uma vez na vida”;
Quando na forma de pó (cloridrato) é conhecido pode resultar em câncer do pulmão, cabeça ou pes- senta um rebaixamento do humor, redução da ener- R5NOS ÚLTIMOS 12 MESES: (no ano),
como cocaína e pode ser administrado via endove- coço; doenças cardíacas; bronquite crônica; enfisema gia e de atividade. Existe alteração da capacidade de ou seja, “pelo menos uma vez nos doze meses que
nosa ou aspirada. Quando na forma de Crack (base e em outros transtornos físicos; experimentar o prazer, perda de interesse, diminui- antecederam a entrevista”;
livre) pode ser fumado, assim como na forma de R 5 5   ± - ção da capacidade de concentração associadas em R5NOS ÚLTIMOS 30 DIAS: (no mês), ou
Merla (pasta de coca); COS (Diazepan®, Diempax®, Valium®, Lorax®, geral à fadiga, mesmo após um esforço mínimo. Em seja, “pelo menos uma vez nos 30 dias que antecede-
R5 §  (Metanfetamina, Rohypnol®, Somalium®, Lexotan®, Librium®, Ro- geral, observam-se problemas do sono e diminuição ram a entrevista”;
GHB, DOM): drogas de uso ilícito, sintetizadas a hydorm®): possuem efeito calmante e redutor sobre do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da RUSO NOCIVO: padrão de uso de substância
partir de anfetaminas, que são drogas estimulantes os processos psicomotores sem interferirem com a auto-estima e da autoconfiança e freqüentemente psicoativa que causa danos para a saúde, podendo ser
do Sistema Nervoso Central (SNC), provocando consciência e o pensamento, exceto em altas doses. idéias de culpabilidade e ou de indignidade, mesmo físico (Ex.: hepatite secundária ao uso de injeção de dro-
estado de alerta e felicidade em doses elevadas. O nas formas leves. gas) ou mental (Ex.: episódios depressivos secundários
GHB, também conhecido como “boa noite cindere- TERMOS COMUNS A ESSE RIES: abreviação usada para Instituição de En- à ingestão de álcool). Comumente, mas não invariavel-
la” é um depressor do SNC, que provoca um efeito RELATÓRIO sino Superior; mente, o uso nocivo tem conseqüências sociais adversas,
anestésico.no usuário; RUSO DE RISCO: padrão de uso de substân- no entanto apenas conseqüências sociais não são sufi-
R5 B  C9 3,4-metilenodioxi- RABUSO: padrão desajustado de consumo in- cia psicoativa que aumenta o risco para o aconteci- cientes para justificar o diagnóstico de uso nocivo.
metanfetamina é um alucinógeno metanfetamínico dicado pela continuação do uso apesar do reconhe-
que causa aumento da euforia e bem-estar, percep- cimento da existência de um problema social, ocupa-
ção sensorial aguçada, melhora na sociabilidade, cional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente,
aumento da sensação de intimidade e proximidade que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em
entre as pessoas; situações nas quais ele é fisicamente arriscado;
RÁ 5  (De- RBEBER PESADO EPISÓDICO: consu-
ca-Durabolim®, Durateston®, Zinabol®): medica- mo de 5 ou mais doses de bebidas alcoólicas entre
mentos com propriedades anabólicas (construção homens e 4 ou mais doses entre mulheres, em uma
muscular) e andrógenas (características secundárias única ocasião. O termo é um padrão de consumo
sexuais masculinas); que eleva a concentração sanguínea alcoólica a va-
R±65  9 Opiáceos: deriva- lores iguais ou maiores que 0,08g de álcool/100mL
dos naturais semi-sintéticos dos alcalóides do ópio. de sangue;
(Ver ANALGÉSICOS OPIÁCEOS) RCOMPORTAMENTOS DE RISCO:
R  5 5   (Loló, comportamentos que colocam em risco a integrida-
cola, tiner, benzina, esmalte, gasolina, lança-perfu- de física, mental, psicológica, moral e/ou social do
me): substâncias voláteis que se vaporizam à tem- indivíduo. Ex.: o aumento da probabilidade de ocor-
peratura ambiente e quando inaladas produzem rência de relações sexuais sem a utilização de preser-
efeitos psicoativos; vativos repercute em um risco acentuado de conta-
R I I  9 diferen- minação por “Doenças Sexualmente Transmissíveis
tes formas de apresentação dos preparados a partir (DST); Ex2: beber e dirigir é outro comportamento
das folhas de Cannabis Sativa L. São drogas classifi- de risco relacionado ao uso de álcool e à utilização de
cadas como perturbadoras do SNC e, quando fuma- veículos automotivos;
INTRODUÇÃO homicídios, comportamento sexual de risco, uso in- Álcool na População Brasileira” apontou que o beber entre adolescentes e jovens é tão relevante que, nos
consistente de preservativos, aumento da incidência precoce e regular está realmente acontecendo entre Estados Unidos, há um estudo prospectivo que tem
O uso de álcool, produtos de tabaco e outras de doenças infecto-contagiosas e acidentes com veí- os jovens, de tal forma que a primeira vez de uso acompanhado há 30 anos a prevalência do uso de
drogas é um fenômeno mundial que tem transcen- culos automotores, resultando em uma perda signifi- tem ocorrido aos 13,9 anos; enquanto que o con- drogas entre estudantes, desde a oitava série até a
dido a categoria de “problema de saúde”. No mun- cativa dos Anos Potenciais de Vida Perdidos Ajusta- sumo regular é realizado aos 14,6 anos, médias de idade adulta, focando, dentro desse período de vida,
do, em 2007, 172 a 250 milhões de pessoas usaram dos para Incapacidades (DALYs) (UNODC, 2007; idade que foram maiores entre os jovens de 18 e 25 a fase universitária. Trata-se do projeto Monitoring
alguma droga ilícita. Entre as drogas de uso ilícito, Rehm et al., 2009). anos quando questionados a respeito. Intensificando the Future, um levantamento nacional que tem sido
a maconha é a de maior prevalência anual de uso No Brasil, conforme o “II Levantamento Do- a problemática da situação, cerca de 16% da amostra adaptado e executado pela The University of Michigan
(entre 143 e 190 milhões de pessoas), seguida ime- miciliar sobre o uso de Drogas Psicotrópicas no de adolescentes entrevistada, relatou engajar em epi- ( Johnston et al., 2009). Os resultados sobre o consu-
diatamente pelas anfetaminas, cocaína, opiáceos Brasil: estudo envolvendo as 108 maiores cidades do sódios de beber pesado episódico ou binge drinking, mo de drogas entre os universitários têm sido com-
e ecstasy (UNODC, 2009). Embora esse número país” ”, estudo que envolveu as 108 maiores cidades um comportamento de beber intenso em um curto parados aos de jovens não-universitários e de mesma
seja alto, são os usuários problemáticos que fazem do País, 22,8% da população de faixa etária entre 12 espaço de tempo que predispõe o adolescente a uma faixa etária, ambos os grupos graduados do ensino
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

o maior consumo, assim como são os responsáveis e 65 anos já fez uso na vida de qualquer droga psi- série de problemas sociais e de saúde (Laranjeira et médio no mesmo período. Entre os principais resul-
pela maior parte dos problemas de saúde e de ordem cotrópica (exceto álcool e tabaco), o que corresponde al., 2007). tados, o uso nos últimos 30 dias de qualquer droga
pública relacionados ao uso de substâncias psicoa- a quase 12 milhões de pessoas (Carlini et al., 2007). O conhecimento do uso de drogas entre os jo- ilícita foi declarado por 18,9% dos universitários, ul-
tivas. Estimativas, também de 2007, indicaram que Em função do caráter legal, o álcool e os produtos de vens é primordial, especialmente por quatro motivos: trapassando o valor de 8% para a população geral de
globalmente havia entre 18 e 38 milhões de usuários tabaco, em comparação às demais substâncias psi- (a) a maioria das pessoas começa a usar drogas na 12 a 65 anos de idade (SAHMSA, 2008; Johnston
problemáticos de drogas, de idade entre 15 e 64 anos coativas, foram as de maior prevalência de uso (na juventude e é entre os jovens que as atividades de et al., 2009). O mesmo resultado foi observado para
(UNODC, 2009). vida, no ano e no mês). Assim, como exemplo, as pre- prevenção têm mais resultados; (b) as tendências do o uso de álcool, ou seja, enquanto 69% dos univer-
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Soma-se às drogas ilícitas, o consumo de álcool valências de uso na vida de tabaco e álcool foram uso de drogas ilícitas entre os jovens são indicativas sitários fizeram uso de bebidas alcoólicas nos últimos
e produtos do tabaco, cujo caráter legal possibilita relatadas por 44 e 74,6% das pessoas entrevistadas, das mudanças sociais e políticas que estejam influen- 30 dias, 51,1% dos da população o fez (SAHMSA,
que sejam amplamente divulgados e distribuídos, respectivamente (Carlini et al., 2007). ciando outros segmentos sociais, às quais os jovens 2008; Johnston et al., 2009). O uso de álcool pelos
contribuindo para o aumento, não apenas de sua Especificamente quanto à faixa etária, tem-se são mais sensíveis (vide as mudanças da acessibili- universitários também superou o consumo identifi-
prevalência de uso (na vida, ano e mês), mas tam- identificado que o uso de drogas inicia precoce- dade de drogas e outras transformações desse mer- cado entre os não-universitários (para uso na vida,
bém dos problemas de saúde deles decorrentes. O mente, intensificando-se com a idade (EMCDDA, cado); (c) os jovens têm cada vez mais acesso a uma nos últimos 12 meses, nos últimos 30 dias), assim como
uso de produtos de tabaco afeta 25% da população 2009). Entretanto, as prevalências de uso nem sem- ampla variedade de substâncias. Novos padrões de foram superiores os números de episódios de beber
mundial adulta. Quando comparado às drogas ilíci- pre são conhecidas. Enquanto levantamentos na- uso ou modificação dos padrões já existentes apre- pesado episódico (binge drinking) e de embriaguez

INTRODUÇÃO
tas, as estimativas apontam que 200 mil mortes por cionais são periodicamente realizados, percebe-se a sentam um desafio particular às autoridades públicas nos últimos 30 dias. Outro dado interessante é notar
ano são decorrentes do consumo de substâncias ilí- necessidade de dados mais confiáveis em muitos dos para o desenvolvimento de um conjunto apropriado que o uso prévio de álcool era inferior entre os jo-
citas, enquanto que 5 milhões são atribuídas ao uso países em desenvolvimento (WHO, 2004). Todavia, de políticas e a tempo para a elaboração de uma ação vens de ensino médio que pretendiam cursar o ensi-
de tabaco (UNODC, 2008). Também se calcula que os dados disponíveis têm sugerido que os níveis de efetiva e, finalmente (d) o início precoce do uso de no universitário, um perfil que mudou nos primeiros
uma população estimada de 500 milhões de pessoas, uso entre os jovens permanecem maiores nos países drogas está associado a uma série de resultados ne- anos após a finalização do ensino médio ( Johnston
atualmente vivas, morrerão pelo uso de produtos de em desenvolvimento que nos países desenvolvidos gativos para a saúde dos jovens (EMCDDA, 2009; et al., 2009). Em conjunto, todos esses resultados
16 tabaco (UNODC, 2009). (UNOCD, 2009). No Brasil, observa-se que esse UNODC, 2009). apontam para a necessidade de acompanhamento do 17
Em relação ao consumo de álcool, quase 2 bi- uso inicia precocemente. Conforme o “V Levanta- Nesse sentido, entre a população jovem, os uni- uso de drogas entre os universitários.
lhões de pessoas no mundo fazem uso (UNODC, mento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psico- versitários têm merecido especial atenção, seja pelo Outras pesquisas norte-americanas foram ou
2008). É a causa atribuível de 3,8% das mortes e trópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e recebimento de investimentos científicos ou pelas têm sido realizadas com esse fim. Entre elas, o Na-
4,6% dos casos de doença em todo o mundo, tendo Médio da Rede Pública de Ensino nas 17 Capitais funções que deverão exercer à sociedade e ao desen- tional Survey on Drug Use and Health (NSDUH), re-
sido apontado como agente de mais de 60 tipos de Brasileiras” , de idade mínima de 10 anos, 22,6% dos volvimento do país como um todo. Além disso, a de- alizada pelo Departamento de Saúde e Serviços Hu-
doenças (Anderson et al., 2009; Rehm et al., 2009). entrevistados relataram ter feito uso na vida de al- terminação da prevalência de uso e de opiniões sobre manos do Substance Abuse and Mental Health Services
Seus efeitos de morbi-mortalidade têm se estendi- guma substância psicoativa, das quais o álcool é a álcool e outras drogas, entre os universitários, é fonte Administration (SAMHSA, 2008); o estudo The Na-
do para além das consequências de saúde de quem mais frequentemente consumida (Galduróz et al., potencial de informações sobre o comportamento e tional College Health Risk Behavior Survey (NCHR-
bebe, gerando um amplo conjunto de custos sociais 2005). Corroborando com esses dados, o “I Levan- compreensão dessa referida população. BS), conduzido pelo Centers for Disease Control and
atribuídos aos altos níveis de violência interpessoal, tamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de O estudo sobre o uso de substâncias psicoativas Prevention (CDC, 1997); e o College Alcohol Study
(CAS), realizado por pesquisadores da Faculdade de políticas públicas tão necessárias à universidade. tornos. O conhecimento dessas variáveis, denomi- pessoais, algumas particularidades devem ser consi-
Saúde Pública de Harvard (Harvard School of Public Esses estudos apontaram que o uso de qual- nadas por fatores de risco, é essencial para o desen- deradas como fatores de risco como a área de con-
Health), específico sobre o consumo de álcool entre quer droga (exceto álcool e tabaco) aumentou entre volvimento de estratégias de intervenção eficientes, centração (Exatas, Humanas ou Biológicas), o curso
universitários (Wechsler et al., 2002). os universitários da USP, de um ano ao outro, para possibilitando a identificação do problema mesmo escolhido, o semestre/ano letivo atendido e o perío-
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de todas as medidas de uso (uso na vida: de 39,4 para antes de sua existência. Entre esses fatores de ris- do dos estudos. Na pesquisa da USP, por exemplo,
Domicílios (PNAD) realizada pelo Instituto Brasi- 45,1%, uso no ano: de 28 para 31,2% e uso no mês: de co destacam-se características do desenvolvimento em 1996, identificou-se que o uso na vida de álcool
leiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 17,3 para 21,8%) (Andrade et al., 1997; Stempliuk psicológico e social do indivíduo e características era menos frequente entre os estudantes de Huma-
2006, 40,1% dos jovens brasileiros de faixa etária et al., 2005). Quanto ao tipo de substância psicoati- do próprio meio em que vive especialmente quanto nas, enquanto que o uso na vida de drogas (exceto
entre 18 e 24 anos estudam em cursos superiores va, ao comparar os dois levantamentos, observou-se às condições gerais de oferta e disponibilidade de álcool e tabaco) era menos frequente entre os estu-
nas redes pública e privada de ensino, porcentagens um crescimento significativo da prevalência do uso álcool e outras drogas. dantes de Exatas (Andrade et al., 1997). Já o uso en-
que são maiores nas Regiões Sul (58,6%), Sudeste na vida de álcool (de 88,5 para 91,9%), tabaco (de Em relação às características individuais, o gê- tre universitários de Medicina parece ser maior que
(51,9%) e Centro-Oeste (46,7%) do país. É nessa 42,8 para 50,5%), maconha (de 31,3 para 35,3%), nero tem sido apontado como um fator interferen- entre os universitários de outros cursos (Oliveira et
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

faixa etária que os jovens da população geral apre- inalantes (de 17,9 para 24,5%), alucinógenos (de 6,1 te sobre o uso de drogas psicoativas. Enquanto os al., 2009), pelas mais diversas razões (Kerr-Corrêa
sentam as maiores frequências para o uso de subs- para 11,4%), anfetamínicos (de 4,8 para 9,0%), anti- homens frequentemente experimentam álcool, ina- et al., 1999; Newburry-Birch et al., 2001; Boland et
tâncias psicoativas e para a incidência de compor- colinérgicos (de 1,1 para 2,9%) e barbitúricos (de 1,0 lantes, esteróides anabolizantes, cocaína e crack, o al., 2006; Lemos et al; 2007), sendo que o semestre/
tamentos de risco (Carlini et al., 2007; Laranjeira para 1,7%) (Andrade et al., 1997; Stempliuk et al., uso recreacional de medicamentos prescritos (prin- ano de graduação apresenta-se como um interferen-
et al., 2007; Silveira et al., 2007), o que desperta a 2005; Wagner et al., 2007), uma prevalência de uso cipalmente tranquilizantes e anfetamínicos) é mais te de peso sobre a substância psicoativa de escolha
necessidade de estudos que sejam destinados à com- que foi maior que a observada na população geral de comum entre as mulheres (Kerr-Corrêa et al., 1999; (Oliveira et al., 2009). O período de estudo é outro
preensão específica da realidade dos universitários época correspondente (Carlini et al., 2002). Ainda Newburry-Birch et al., 2001; Passos et al., 2006; Le- fator de risco que deve ser considerado. Na pesquisa
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

(que concentram grande parte desses jovens), o que nesse estudo da USP, além do aumento do consumo mos et al., 2007; Wagner et al., 2007). Além disso, o da USP, o uso na vida (de 40,2 a 49,0%), no ano (de
facilitará o desenvolvimento e implantação de efi- de drogas, observou-se um crescimento das opini- gênero também influencia os motivos e o padrão de 27,5 a 37,7%) e no mês (de 18,6 a 24,0%) de drogas
cientes políticas públicas a respeito. ões favoráveis sobre esse consumo, seja experimental uso dessas substâncias (Newburry-Birch et al., 2001; ilícitas aumentou especialmente entre os universitá-
Esforços brasileiros já existem nesse sentido ou regular (Andrade et al., 1997; Stempliuk et al., Murphy et al., 2005; Carroll et al., 2006; Laranjei- rios do período noturno, de um ano para o outro da
(Andrade et al., 1997; Kerr-Corrêa et al., 1999; Fio- 2005), que poderia, de uma forma ou outra, causa ra et al., 2007; Silveira et al., 2007; Wagner et al., pesquisa (Stempliuk et al., 2005).
rini et al., 2003; Stempliuk et al., 2005; Lucas et al., uma mudança de atitude e comportamento. 2007; Kerr-Correa et al., 2008). Entre os homens, Percebe-se, também, que poucas foram as pes-
2006; Wagner et al., 2007; Oliveira et al., 2009), mas, Especificamente quanto aos universitários que por exemplo, o consumo de álcool é feito para me- quisas que avaliaram a interferência da organização
ainda, se sentia a falta de um levantamento nacional declararam ter usado alguma droga nos 12 meses an- lhorar o suporte e a interação social, enquanto que administrativa da IES (se pública ou privada) sobre o

INTRODUÇÃO
pela comunidade geral e acadêmica. Ou seja, embo- teriores à pesquisa, identificou-se que essa parcela de entre as mulheres tem o propósito central de aliviar uso de substâncias psicoativas entre os universitários,
ra esses estudos tenham logrado seus propósitos e estudantes tinham um estilo de vida distinto aos dos as insatisfações gerais da vida (Murphy et al., 2005; limitando-se, muitas vezes, à avaliação do compor-
alcançado resultados de sucesso, concentraram-se universitários não-usuários (Barria et al., 2000; Pope Laranjeira et al., 2007). Especificamente sobre o uso tamento e atitudes de estudantes de instituições da
principalmente na região Sudeste e no Estado de et al., 2001). Eles apresentavam maior disponibili- de álcool, particularidades existem quanto à interfe- rede pública de ensino (Andrade et al., 1995; Andra-
São Paulo, formando um mosaico de informações dade de tempo aos finais-de-semana; nos momentos rência do gênero. Tem sido observado um estreita- de et al., 1997; Kerr-Corrêa et al., 1999, Stempliuk
que não reflete a realidade brasileira. livres passavam mais tempo fora de casa; tinham vida mento entre os sexos quanto às antigas diferenças do et al., 2005) e omitindo os padrões existentes na rede
18 Especificamente na cidade de São Paulo, social mais intensa; compareciam mais assiduamente número de doses alcoólicas consumidas, frequência privada. Um olhar diferenciado às universidades par- 19
ao considerar a relevância do assunto, o GREA, a centros acadêmicos, associações esportivas e lan- de episódios de binge drinking, prevalência de trans- ticulares e sua inclusão nas pesquisas se fez preciso.
FMUSP, realizou dois estudos sobre as opiniões e chonetes; estudavam menos; frequentavam menos tornos de uso de álcool (em termos de abuso e de- Um exemplo é o estudo de Lemos et al. (2007) que
atitudes dos universitários da Universidade de São bibliotecas; apresentam maior taxa de evasão escolar pendência) e taxa de abstinência (Keyes et al., 2008). avaliou o comportamento de universitários de duas
Paulo (USP), na Cidade Universitária, em relação ao (Barria et al., 2000); tinham vida sexual mais ativa e Outras pesquisas buscaram por diferenças específi- escolas médicas da cidade de Salvador, uma pública e
uso de substâncias psicoativas, nos anos de 1996 e passam por consultas psiquiátricas mais frequente- cas de gênero sobre o consumo dessas substâncias outra privada. Os resultados desse estudo apontaram
2001 (Andrade et al., 1997; Stempliuk et al., 2005). mente (Pope et al., 2001). entre universitários (Wagner et al., 2007; Harell & para uma importante diferença de comportamento
O segundo levantamento possibilitou a identificação Todavia, a população de usuários está longe de Karim, 2008), resultados que auxiliarão no aprimo- entre universitários da rede pública e privada de en-
de subgrupos que estivessem mais expostos à inci- ser homogênea. Há variáveis que têm possibilita- ramento das estratégias de intervenção/prevenção sino, tendo os universitários da instituição privada
dência de problemas, orientando o desenvolvimento do a identificação de subgrupos, sujeitos de formas comumente voltadas a esse segmento social. consumido álcool e lança-perfume com maior frequ-
de ações à intervenção (prevenção/tratamento) e de distintas aos riscos do uso de drogas e seus trans- Entre os universitários, além de características ência que os estudantes da rede pública.
Em linhas gerais, muitos são os fatores inter- OBJETIVO Dentro de cada um desses objetivos específicos, atendido (se biológicas, exatas ou humanas), perío-
ferentes sobre o uso de drogas, entretanto, poucas procurou-se identificar a interferência de variáveis do de estudos (se matutino, vespertino, noturno ou
pesquisas têm abordado o tema, especialmente en- O presente estudo realizou um levantamento na- como a Região Administrativa, tipo de instituição integral) e, finalmente, gênero e faixa etária do uni-
tre os universitários. Identificar e interferir sobre cional sobre a prevalência (na vida, no ano e no mês), (se pública ou privada), área de estudos do curso versitário, buscando-se por particularidades de uso.
esses fatores é de suma importância, pois só assim opiniões e padrão do uso de álcool, tabaco e outras
será possível diminuir o início, a regularização e as drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras. Figura 1.Diagrama ilustrativo da dinâmica dos oito subprojetos componentes do “I Levantamento Na-
consequências que o uso de substâncias psicoativas A pesquisa foi subdividida em estudos, dedi- cional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre os Universitários das 27 Capitais Brasileiras”.
tem impingido aos jovens. Nesse sentido, percebe-se cados à avaliação de tópicos específicos conforme
que o uso de drogas tem diminuído a expectativa de mencionado abaixo e ilustrado no diagrama adiante:
1. PREVALÊNCIA E 2. PREVALÊNCIA E
vida dos universitários, uma vez que os predispõem Estudo 1: Identificação da prevalência (na 8. POLÍTICAS PADRÃO DE USO DE PADRÃO DE USO DE
a: a) acidentes automobilísticos (especialmente por vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias) e INSTITUCIONAIS ÁLCOOL TABACO E OUTRAS
beber e dirigir e pegar carona com motorista al- do padrão de uso de álcool (frequência; quantidade; SUBSTÂNCIAS
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

coolizado), b) episódios de violência interpessoal, binge drinking, abuso e dependência);


c) comportamento sexual de risco (especialmente Estudo 2: Verificação da prevalência (na vida,
pelo aumento do número de parceiros sexuais e uso nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias) e do
inconsistente de preservativos quando sob o efei- padrão de uso de tabaco e outras drogas;
to de álcool e outras substâncias psicoativas), além Estudo 3: Identificação do uso múltiplo de be- 7. COMPARAÇÃO I LEVANTAMENTO
de causar, d) prejuízos acadêmicos, e) distúrbios do bidas alcoólicas a outras drogas; ENTRE UNIVERSITÁRIOS NACIONAL SOBRE 3. USO MÚLTIPLO
sono, f ) mudanças do hábito alimentar, g) prejuízo Estudo 4: Identificação dos comportamentos E OUTROS SEGMENTOS DROGAS ENTRE DE DROGAS
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

SOCIAIS UNIVERSITÁRIOS
do desempenho atlético, entre outros efeitos (Mur- de risco, com ênfase sobre a atividade sexual, violên-
phy et al.,2005; Pillon et al., 2005; Stempliuk et al., cia interpessoal, comportamento de “beber e dirigir”
2005; Silva et al., 2006). e “pegar carona com motorista alcoolizado”;
Por tudo isso, foi necessário conhecer o dado Estudo 5: Avaliação da saúde mental do uni-
nacional sobre a realidade do universitário brasi- versitário por meio da investigação da prevalência de
leiro. Os poucos estudos disponíveis têm refletido sintomas depressivos, sintomas persecutórios e sofri-
sobre uma descrição dos universitários preferen- mento psicológico; 6. SÉRIE HISTÓRICA 5. CO-MORBIDADES 4. COMPORTAMENTOS
USP: 1996, 2001, 2009 PSIQUIÁTRICAS DE RISCO
temente da região Sudeste, com ênfase no Estado Estudo 6: Determinação da prevalência de uso
de São Paulo que, somado às diferenças metodo- de drogas entre os alunos da Universidade de São

OBJETIVO
lógicas, tem limitado a comparação de resultados Paulo (USP - 2009), construindo uma série histó-
assim como a construção de uma realidade nacio- rica de estudos nessa instituição, para possibilitar o
nal e fidedigna a respeito. Soma-se a isso que a acompanhamento de mudanças em um período de
contribuição dos universitários da rede privada de quase 15 anos (1996-2009);
ensino tem sido omitida, uma situação paradoxal Estudo 7: Comparação das prevalências de uso
20 visto que esse tipo de estabelecimento representa (na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias) 21
90% das insituições brasileiras e 75% dos univer- de álcool, tabaco e outras drogas (entre universitários)
sitários estão nelas matriculados. Finalmente, a com os dados de outros segmentos populacionais (ex.:
falta de um estudo integrado entre os universitá- população geral; estudantes de ensino fundamental e
rios tem permitido que novas tendências de uso médio; crianças e adolescentes em situação de rua) re-
de álcool e outras drogas passem despercebidas, latados em levantamentos nacionais anteriores. Com-
impedindo que as políticas públicas de controle pará-los, também, aos dados dos estudantes de ensino
acompanhem as mudanças sociais e políticas que médio e universitários de outros países; e
ocorrem em nosso país, surpreendendo o sistema Estudo 8: Investigação de como o tema drogas
de saúde pública, até então despreparado para o é abordado pelos projetos pedagógicos ou progra-
seu atendimento. mas específicos pelas IES participantes da pesquisa.
SEÇÃO I - METODOLOGIA

22 23
METODOLOGIA os demais estão distribuídos em IES federais, estaduais ensino superior. Dentro de uma IES, as turmas de alunos O cálculo amostral para amostras comple-
e municipais, correspondendo a 12,7%, 9,7% e 2,8% do não são disjuntas, podendo haver sobreposição de alu- xas, principalmente envolvendo o uso de conglo-
O estudo é epidemiológico, transversal e utilizou total, respectivamente. Finalmente, 53% dos alunos de nos entre turmas, já que um mesmo universitário pode merados, não é uma tarefa trivial, mas pode ser
amostragem selecionada por conglomerados e estratifica- graduação presencial estudam em universidades, 33% estar matriculado em mais de uma disciplina. Para con- simplificado pelo uso de uma medida chamada
ção. A metodologia foi a mesma para os subprojetos (uti- em faculdades e 14% em centros universitários (INEP, tornar essa dificuldade, foi proposto o uso do método efeito de planejamento (design effect – deff ).
lizando da mesma amostra, técnicas de amostragem e ins- 2008). Esses foram os respectivos tamanhos das popu- de amostragem por multiplicidade, permitindo que os (Kish, 1965). Essa medida tem duas utilida-
trumentos de pesquisa), com exceção dos subprojetos 6 e 8, lações abrangidas por esse levantamento. elementos populacionais estivessem relacionados a mais des: comparar a eficiência de um plano amostral
cuja metodologia foi detalhadamente descrita nos capítulos de um conglomerado. No entanto, foi necessário obter a complexo com a de uma amostra aleatória sim-
correspondentes (capítulos 5 e 9, respectivamente). Uma Planejamento amostral informação da quantidade de conglomerados a que os ples (AAS) e auxiliar no cálculo do tamanho de
vez coletados, os dados foram organizados, devidamente elementos selecionados para a amostra estivessem rela- amostras complexas. Sabendo-se o deff de um
analisados e descritos na seção de resultados, em capítulos Desenho amostral cionados, para posteriormente usá-los na etapa de análi- plano amostral complexo e o tamanho amostral
específicos a cada um dos subprojetos. se estatística dos dados. n de uma AAS, o tamanho de amostra neces-
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Como todas as 27 capitais deveriam ser contem- sário para o plano complexo é calculado como
População-alvo pladas, com representantes de IES públicas e privadas Dimensionamento amostral , desde que a fração amostral n/N
por capital, uma estratificação da amostra foi realiza- (n: tamanho da amostra; N: tamanho da popula-
A população-alvo foi definida como os universi- da, conforme essas duas variáveis, ou seja, por capital e Como as estimativas mais relevantes dessa pes- ção) não seja grande (Cochran, 1977).
tários regularmente matriculados no ano letivo de 2009, por tipo de instituição , contando-se com um total de quisa são proporções, essa natureza de parâmetro po-
em cursos de graduação presencial, de IES públicas e 54 estratos. Entretanto, essa estratificação foi utilizada pulacional foi considerada para o cálculo do tamanho Cálculo do tamanho amostral
privadas, das 27 capitais brasileiras. As cinco regiões ad- apenas para fins operacionais, sendo que na etapa de da amostra em cada um dos estratos considerados. supondo-se uma Amostra
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

ministrativas brasileiras (Norte, Nordeste, Centro-Oes- análise dos dados, apenas as cinco regiões administra- O cálculo do tamanho amostral sempre envolve Aleatória Simples (AAS)
te, Sudeste e Sul) e o tipo de instituição foram definidos tivas e os dois tipos de rede da IES foram considera- uma medida de variabilidade. Para variáveis dicotô-
como os domínios de interesse da pesquisa, ou seja, as dos para estratificação, totalizando então, 10 estratos. micas, cujo parâmetro de interesse é uma proporção, Estabelecendo-se que a diferença absoluta
sub-populações para as quais se obteve estimativas com Com o intuito de tornar a operacionalização do tal medida é calculada como Var  X   P 1  P  entre a estimativa da proporção de interesse (obti-
um nível mínimo de precisão pré-determinado. trabalho de campo economicamente viável, optou-se por em que Var  X   P1 a P
denota 
variância da variável di- da para a amostra) e a proporção populacional não
No Brasil, o Censo da Educação Superior selecionar uma amostra de IES e, dentro de cada uma cotômica X e P é a proporção populacional. Como o deva exceder = 0,05 (margem de erro) com uma

SEÇÃO I - METODOLOGIA
2008, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e delas, selecionar uma amostra de turmas de alunos¹: a valor populacional P é desconhecido, há duas alter- probabilidade de 95% (coeficiente de confiança) e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) do unidade amostral primária considerada para esse estudo nativas para estimar essa variância: utilizando-se a alternativa conservadora para a esti-
Ministério da Educação (MEC) apontou que a Fede- foi a IES e a unidade amostral secundária foi a turma de (i) Utilizando-se estimativas de estudos anterio- mação da variabilidade, o tamanho de amostra ne-
ração conta com 2.252 Instituições de Ensino Superior alunos. Assim, a seleção da amostragem foi realizada em res para calcular a variância: ; cessário para cada estrato pode ser calculado como:
(IES), das quais, conforme a categoria administrativa, dois estágios, em que os conglomerados considerados em que é a estimativa para P utilizada;
90% são privadas e 10% públicas, divididas entre fe- foram tanto as IES quanto as turmas de alunos. Como (ii) Conservador: considerando o cenário em que
derais (4,1%), estaduais (3,6%) e municipais (2,7%) o tamanho (em relação ao número de universitários) das se tem variabilidade máxima. Tal valor é atingido quan-
(INEP, 2008). Quanto à organização acadêmica, as fa- IES e das turmas não é sempre o mesmo, esses conglo- do P = 0,5, conforme demonstrado na figura abaixo: universitários, em que é o valor
24 culdades (faculdades, escolas, institutos, faculdades in- merados são, na verdade, de tamanhos desiguais. crítico da distribuição normal padrão supondo-se 25
tegradas, centros federais de educação tecnológica e fa- Assim, em linhas gerais, o desenho amostral Figura 2. Cálculo do tamanho amostral em um caso um coeficiente de confiança de éo
culdades de tecnologia) mantêm o predomínio das IES consistiu de uma amostra probabilística, estratificada conservador onde P tem variabilidade máxima. erro amostral máximo para a estimativa da propor-
(86,4% do total), seguidas das universidades (8,1%) e por conglomerados de tamanhos desiguais, selecio- 0,25 ção populacional P.
centros universitários (5,5%). Independente do tipo, nada em dois estágios. 0,2
a maioria das IES estão localizadas na região Sudes- Entretanto, essa forma de seleção amostral apre- Var(X) = P(1-P)
0,15
Cálculo do deff para amostras
te (N=1.069), seguida pela região Nordeste (N=432), sentou uma dificuldade devido à estrutura da população por conglomerados de tamanhos
Sul (N=370), Centro-Oeste (n=242) e Norte (N=139). de interesse. Em levantamentos amostrais convencio- 0,1
desiguais
São 5.808.017 alunos matriculados em cursos de gra- nais, os conglomerados formam uma partição disjunta, 0,05
duação presencial e a distância, sendo que cerca de 3,8 ou seja, os elementos populacionais estão relacionados a O cálculo do efeito de planejamento (deff) para
0
milhões (74,9%) pertencem às instituições privadas e um único conglomerado, o que não é verdadeiro para o 0 0,25 0,5 0,75 1 amostras por conglomerados considera duas quan-
P
¹Por turma entende-se o conjunto de alunos que cursam uma determinada disciplina, ou seja, a turma de alunos foi definida pelas disciplinas.
tidades: o tamanho do conglomerado e o coe- Seleção da amostra probabilidade proporcional ao tamanho da instituição o sistema de referência foi ordenado segundo
ficiente de correlação intraclasse que mede (PPT) (conforme o número de alunos matriculados uma ou mais variáveis. Nesse caso, o sistema de
a correlação entre os indivíduos dentro do A seleção da amostra foi realizada em dois está- em 2006), segundo os dados do sistema de referência, referência foi ordenado separadamente para cada
conglomerado. No caso em que os tamanhos gios: (a) em um primeiro momento foram seleciona- para garantir que todos os alunos da população-alvo ti- estrato, de acordo com o percentual de alunos
dos conglomerados não são iguais, utiliza-se o das as IES; (b) posteriormente, dentro de cada uma vessem a mesma probabilidade de seleção. matriculados no período noturno. Ordenando-
tamanho médio dos mesmos . Dessa for- das IES selecionadas, foram sorteadas as turmas de Para recrutar uma amostra sistemática com se por essas variáveis e realizando uma seleção
ma, calcula-se o efeito do planejamento (deff ) alunos participantes. Para realizar tais seleções foi ne- probabilidade proporcional ao tamanho, o intervalo sistemática, obteve-se uma amostra estratificada
de uma amostra dessa natureza da seguinte cessário um sistema de referência, detalhado abaixo. de seleção foi definido como: em que com alocação aproximadamente proporcional se-
forma : gundo essa variável.
Sistema de referência
denota a medida de tamanho (Measure Estágio 2: seleção das turmas de
O INEP/MEC disponibilizou, ao coordena- of Size) da -ésima IES na população do alunos
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Cálculo do tamanho de uma dor responsável pela pesquisa, uma relação das IES h-ésimo estrato (ou seja, o numerador dessa razão é
amostra por conglomerados de brasileiras existentes até o ano de 2006. Nessa lista o número total de alunos matriculados em 2006 no A cada uma das IES sorteadas (e que aceitaram
constavam informações detalhadas sobre cada uma h-ésimo estrato) e é o número de IES na amos- participar da pesquisa), solicitou-se a lista das disciplinas
tamanhos desiguais
das instituições brasileiras como seu nome, locali- tra no h-ésimo estrato. O ponto inicial aleatório para oferecidas a todos os cursos de graduação presencial e
Para se obter uma amostra com os mesmos pa- zação (UF e cidade), sua situação administrativa (se o sorteio sistemático foi obtido multiplicando-se o o número total de alunos (no semestre de realização da
râmetros descritos acima, a amostra em cada estrato pública ou privada) e o número de alunos matricu- intervalo de seleção por um número gerado aleato- coleta de dados) nos campi localizados nas capitais Esse
de análise deveria ter no mínimo n = 4,6 x 384 = lados (em 2006), entre outros dados. Essa relação foi riamente com distribuição uniforme no intervalo documento foi utilizado como sistema de referência para
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

1.766 universitários. Portanto, o tamanho total de considerada como o sistema de referência, a partir [0,1]. Além disso, fez-se uso de uma variável auxi- a seleção das turmas de alunos; assim, cada IES possuía
universitários que deveriam ser entrevistados deveria do qual foi realizado o primeiro estágio de seleção liar, denotada aqui por “Acum”, que, com o sistema um sistema de referência distinto para esse segundo está-
ser de n = 10 x 1.766 = 17.660. Considerando um da amostra. Dessa relação, foram desconsideradas as de referência do h-ésimo estrato ordenado, apresenta gio de seleção. Quando possível, as IES disponibilizavam
número médio de 19 alunos por classe, seriam ne- IES que não estivessem localizadas nas capitais. a soma acumulada de alunos até cada IES do estra- a lista de disciplinas com outras informações relevantes
cessárias 929 turmas de alunos para atingirmos esse to. As IES selecionadas foram definidas pelo ponto para o sorteio e também para a operacionalização do tra-
tamanho de amostra. Estratificação inicial aleatório juntamente com o intervalo de se- balho de campo como: número de alunos matriculados

SEÇÃO I - METODOLOGIA
leção da seguinte forma: com o sistema de referên- por disciplina, dias da semana e horários da disciplina,
No sistema de referência, a estratificação das cia do h-ésimo estrato, ordenado de acordo com as nome do docente responsável pela disciplina e localiza-
Número de IES selecionadas
IES foi feita conforme sua localização (nas capitais) especificações apresentadas a seguir, a primeira IES ção da sala em que a disciplina era ministrada.
Definido o número de turmas de alunos a se- e sua situação administrativa (se pública ou privada), selecionada foi aquela que apresentou na variável Nesse segundo estágio, também foi utilizado
rem selecionadas, foi identificado quantas IES se- de tal forma a organizar os 54 estratos (como ante- “Acum” o menor valor maior ou igual ao ponto ini- um esquema de sorteio sistemático. Todas as turmas
riam contempladas na amostra. Optou-se por uti- riormente mencionado) em planilhas distintas. cial aleatório, a segunda IES selecionada foi aquela de alunos, dentro de uma determinada IES, foram
lizar duas IES de cada tipo de instituição em cada que apresentou na variável “Acum” o menor valor sorteadas com a mesma probabilidade de participa-
uma das capitais brasileiras, totalizando 103 IES Sorteio da amostra maior ou igual ao ponto inicial aleatório somado ao ção. Quando disponível, utilizou-se a informação do
26 (em cinco capitais havia apenas uma única IES pú- intervalo de seleção; repetindo-se esse processo até número de alunos/turma para que, aliado ao esque- 27
blica). A escolha desse cenário possibilitou a viabi- Estágio 1: IES selecionarem-se as IES do estrato. Dessa forma, ma de seleção sistemática, as turmas selecionadas ti-
lização da operação do trabalho de campo, assim a probabilidade de seleção de uma IES foi igual à vessem diferentes tamanhos.
como manteve um número mínimo necessário de Em cada um dos estratos, 2 IES foram selecio- .
IES para o cálculo de estimativas de variabilidade. nadas, exceto nos estratos de IES públicas das capitais Instrumento de Pesquisa
A única exceção foi a capital de São Paulo, onde se de Rondônia, Acre, Amapá, Sergipe e Mato Grosso do
optou por selecionar mais IES com fins de se captar Sul (em que havia apenas uma única IES pública) e nos Conforme anteriormente mencionado, o Geral
a maior variabilidade de respostas. Assim, na cidade estratos da capital de São Paulo (em que foram selecio- sorteio das IES foi feito de forma sistemática
de São Paulo foram selecionadas 13 IES (3 públicas nadas 3 IES públicas e 10 privadas). O sorteio foi rea- com fins de utilizar as informações do sistema O instrumento de pesquisa, constituído por 98
e 10 privadas), totalizando, no Brasil, a seleção de lizado por meio de uma seleção sistemática com pon- de referência. Tal uso foi feito por meio de uma questões fechadas (Anexo 2), foi estruturado com a
114 IES. (Lista no Anexo 1) to inicial aleatório. Além disso, a seleção foi feita com técnica chamada estratificação implícita, em que proposta de conhecer o perfil e o estilo de vida do uni-
versitário brasileiro, com ênfase sobre o uso de drogas róides anabolizantes; inalantes/solventes; alucinógenos e tração e padronização, o que possibilita a compara- reformulação do BDI-II tenha claros objetivos para
e seus transtornos, comportamentos de risco e exis- ecstasy. Ainda nesse tópico, para obter maior contro- ção de problemas entre diferentes grupos. Na prática se adequar aos critérios diagnósticos do DSM-IV,
tência de comorbidades psiquiátricas, como sintomas le sobre a veracidade das respostas, foi incluída uma clínica, o RAPI pode ser empregado para a avaliação este instrumento não serve para fazer diagnóstico
depressivos, persecutórios e de sofrimento psicológico. questão com uma substância de nome fictício (Rele- da extensão dos problemas relacionados ao uso de psiquiátrico, por não envolver avaliação clínica.
O conteúdo desse instrumento de pesquisa foi vin), cujo uso, quando respondido afirmativamente, álcool e indicação das consequências negativas asso- (b) Escala breve K6: essa nova escala foi pro-
estruturado e fundamentado conforme o questioná- invalidou e anulou o questionário inteiro. ciadas a esse uso. posta recentemente por Ronald C. Kessler (Kessler
rio já utilizado por Andrade et al. (1997) e Stem- Além da identificação da prevalência do uso (c) Teste de Fagerstrom (APA, 2000): Adota- et al. 2002) como um instrumento de rastreamento
pliuk et al. (2005) nos estudos sobre o uso de álcool de substâncias psicoativas, os critérios para a iden- do especialmente para medir o abuso de nicotina. para “sofrimento psicológico” ou quanto à presença
e outras drogas realizados com os universitários da tificação do abuso e dependência de álcool e outras É um questionário curto com seis perguntas, sendo de “morbidade psiquiátrica” (Furukawa et al., 2003).
Universidade de São Paulo (USP), em 1996 e 2001. substâncias também foram incluídos no corpo do quatro do tipo “sim” ou “não” e duas de múltipla es- Existem duas versões deste instrumento, a K10 com
Entretanto, adaptações foram feitas para atender o instrumento de pesquisa, tendo sido utilizados, para colha sobre o uso de cigarros, permitindo o rastreio 10 questões e K6 com seis questões, ambos com de-
que vinha sendo abordado por levantamentos inter- isso, das seguintes escalas e testes: da dependência de nicotina. A aplicação dessa escala sempenhos psicométricos semelhantes. Essas escalas
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

nacionais de igual porte e objetivo, a citar: (a) Mo- (a) Teste de triagem do envolvimento com ál- produz uma pontuação de 0 a 10, que possibilita a foram concebidas para serem sensíveis ao redor do
nitoring the Future (MTF); (b) The European School cool, cigarro e outras substâncias (Alcohol, Smoking classificação da dependência de nicotina em 5 níveis: limiar para o nível significância clínica da distribui-
Survey Project on Alcohol and Other Drugs (ESPAD) and Substance Involving Screening Test - ASSIST) muito baixo (0-2), baixo (3-4), moderado (5), eleva- ção de sofrimento inespecífico, como um esforço de
(versão em português); (c) College Alcohol Study (Henrique et al., 2004): questionário estruturado do (6-7) e muito elevado (8-10). maximizar a capacidade de discriminar casos de do-
(CAS), da Harvard School of Public Health; (d) Stu- contendo oito questões sobre o uso de nove classes Paralelamente, foram estudados aspectos da saú- enças mentais graves (DMG) dos não-casos (Kess-
dent Life Survey (SLS) , da University of Michigan; de substâncias psicoativas (tabaco, álcool, maconha, de mental dos universitários, especialmente a respeito ler et al., 2003). Nesta pesquisa, utilizou-se a versão
(e) Youth Health Risk Behavior Survey (YHRB) da cocaína, estimulantes, sedativos, inalantes, alucinó- da prevalência de sintomas depressivos, persecutórios autoaplicável da escala breve K6. A pontuação das
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Centers for Disease Control and Prevention. genos, e opiáceos). As questões abordam: a frequên- e de sofrimento psicológico que pudessem ocorrer si- questões incluiu as perguntas em escala tipo Likert
O instrumento de pesquisa auxiliou na com- cia de uso das substâncias (na vida e nos últimos três multaneamente ao uso e/ou abuso de álcool, nicotina (variando de um a cinco para indicar a duração tem-
preensão dos mais variados tópicos da vida dos res- meses); problemas relacionados ao uso; preocupação e outras drogas. Essa determinação foi feita por meio poral dos sintomas perguntados, respectivamente o
pondentes, a citar: (a) dados sociodemográficos; (b) a respeito do uso por parte de pessoas próximas ao da inclusão, no instrumento de pesquisa, dos critérios “tempo todo” ou “nunca”).Mais informações sobre a
dados socioeconômicos; (c) caracterização do curso usuário; prejuízo na execução de tarefas esperadas; de escalas específicas, brevemente mencionadas abaixo: escala K6 eK10 podem ser obtidas no site da Uni-
universitário (ex.: área; ano e período do curso); (d) ca- tentativas mal sucedidas de cessar ou reduzir o uso; (a) Inventário de Depressão de Beck, versão II: versidade de Harvard (http://www.hcp.med.har-

SEÇÃO I - METODOLOGIA
racterização da vida acadêmica (ex.: lugares freqüen- sentimento de compulsão e uso por via injetável. é um instrumento de auto-aplicação para avaliar a vard.edu/ncs/k6_scales.php).
tados dentro da instituição; satisfação com a escolha pro- Cada resposta corresponde a uma pontuação, que presença de sintomas depressivos. Esse questionário c) Sintomas psicóticos do Self-Report Questio-
fissional; desempenho escolar); (e) caracterização das varia de 0 a 8, sendo que a soma total pode variar tem sido amplamente utilizado em pesquisas médi- nnaire (SRQ): o questionário é um instrumento de
atividades da vida diária, entre outros. de 0 a 39. cas e psiquiátricas no mundo todo (Richter et al., rastreamento populacional recomendado pela Or-
Entre os tópicos do instrumento de pesquisa, Para o álcool, considera-se a faixa de pontuação 1998). Numa primeira revisão do BDI (1971) veri- ganização Mundial da Saúde (OMS) para detectar
o de maior relevância foi a caracterização da experi- de 0 a 10 como indicadora do uso sem risco; de 11 ficou-se que este questionário continha apenas seis e classificar rapidamente, quanto à presença de sin-
ência pessoal dos universitários sobre o uso de álcool a 26 como indicadora do uso de risco moderado e, dos nove critérios do DSM-III. A versão revisada do tomas persecutórios, os indivíduos da comunidade,
e outras substâncias psicoativas. Inicialmente, essa quando superior a 27 pontos, indicadora de um uso BDI foi utilizada no Brasil desde 1989, com ampla principalmente de países em desenvolvimento. A
28 identificação foi feita por intermédio da descrição de alto risco para o desenvolvimento de dependên- aceitação dos pesquisadores brasileiros (Gorenstein versão completa apresentou instruções para perguntas 29
da prevalência de uso de substâncias psicoativas na cia, com necessidade de encaminhamento para trata- et al., 1995; 1996; 1999; 2005; Gorenstein e Andra- sobre como o indivíduo sentiu-se nos últimos 30 dias na
vida (uso experimental, ou seja, “pelo menos uma vez mento intensivo. Para outras substâncias psicoativas, de, 1996; Andrade et al., 2001; Wang et al., 2005; maior parte do tempo, com questões sobre sintomas
na vida”), nos últimos doze meses (no ano, ou seja, as pontuações necessárias para o preenchimento de 2008). Em 1996, foi revisada e proposta a versão II somáticos, depressivos, ansiosos, álcool/droga, psicose
“pelo menos uma vez nos doze meses que antece- cada uma dessas categorias são: 0-3 pontos; 4-26 para adequar aos critérios do DSM-IV (APA, 1996). e convulsão. As respostas são do tipo “sim” ou “não”.
deram a entrevista”) e nos últimos trinta dias (no pontos e superior a 27 pontos, respectivamente. A versão II do BDI contém 21 questões autorrela- Devido à importância de avaliar a presença de sinto-
mês, ou seja, “pelo menos uma vez nos 30 dias que (b) Rutgers Alcohol Problem Index (RAPI) tadas com afirmações sobre como o indivíduo se mas psicóticos entre os potenciais usuários de álcool,
antecederam a entrevista”) de álcool; produtos do taba- (White & Labouvie, 1989): é um instrumento de sentiu nos últimos 15 dias. As pontuações possíveis tabaco e outras drogas nas IES, com amostra repre-
co; maconha/haxixe; cloridrato de cocaína; merla; crack; auto-preenchimento de 23 itens empregado para o variam entre 0 a 63. As questões 16 e 18 refletem as sentada principalmente por adultos jovens, decidiu-se
anfetamínicos; anticolinérgicos; tranquilizantes/ansio- rastreamento de problemas relacionados ao consu- alterações de sono (insônia e hipersonia) e apetite incluir as quatro questões de SRQ sobre a presença de
líticos; analgésicos opiáceos; barbitúricos/sedativos; este- mo de álcool. Seu uso é vantajoso pela fácil adminis- (hiperfagia e hiporexia), respectivamente. Embora a sintomas psicóticos para essa pesquisa.
A classe econômica dos respondentes foi esti- comparecer à cerimônia de abertura do levantamen- ção e/ou recusas de participação, para minimizar esse dos os entrevistadores deslocaram-se às outras
mada pelo Critério de Classificação Socioeconômica to (Anexo 3), realizada em 27 de março de 2009, tipo de viéz, o entrevistador deveria ter, sobretudo, capitais brasileiras. Cada um dos passos dos pro-
Brasil (CCEB) com base na posse de bens. Para cada na cidade de São Paulo. Essa reunião foi organiza- um perfil adequado para lidar com o público de uni- cedimentos, adotados pelos entrevistadores, são
bem possuído há uma determinada pontuação, de tal da para demonstrar a seriedade e a transparência da versitários, ou seja, ser jovem, de idade entre 25 e 35 detalhados adiante.
forma que a soma dos pontos classifica a classe eco- pesquisa, de tal forma a sensibilizar o corpo diretivo anos, com aparência que transmitisse credibilidade
nômica em uma das sete categorias: A1, A2, B1, B2, das IES sorteadas a participar do estudo, facilitando, e seriedade, além de já ter tido experiência com esse Conduta do entrevistador na IES
C, D e E.(ABEP) assim, sua adesão. Posteriormente, a oficialização do tipo de trabalho de campo. No total foram recru-
Finalmente, outros tópicos de relevância foram convite foi feita pela Secretaria Nacional de Políticas tados 45 entrevistadores, provenientes, em geral, da Contato com o corpo diretivo (ou
abordados no instrumento de pesquisa, a saber: (a) sobre Drogas (SENAD) ao corpo diretivo de cada região metropolitana de São Paulo (local da sede da pessoa indicada) na IES
identificação da prevalência de comportamentos de uma das IES. A esse encontro compareceram 102 pesquisa), facilitando o treinamento e supervisão.
risco (ex.: envolvimento em discussões e agressões físi- convidados, com a participação de representantes da No mês de maio de 2009 foi realizado o trei- Os entrevistadores foram instruídos a chegar
cas; realização de intercurso sexual sem preservativo; SENAD, do GREA HC-FMUSP (instituição co- namento dos entrevistadores para que os procedi- com pelo menos meia hora de antecedência nas de-
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

comportamento de beber e dirigir; pegar carona com ordenadora da pesquisa) e de representantes de 74 mentos do trabalho de campo fossem padronizados pendências da IES e localizar o professor ou funcio-
motorista alcoolizado, entre outros); (b) padrão de uso das 114 IES sorteadas. em todo o país. Novos treinamentos foram repetidos nário indicado pelo corpo diretivo da IES, quem os
de álcool e outras drogas (com ênfase na frequên- à medida que fosse necessário recrutar mais entre- auxiliaria a situar as salas das turmas de alunos para
cia e quantidade de emprego da substância); (c) uso Seguimento dos contatos e início vistadores para a pesquisa. Todas as sessões tiveram o início do trabalho de campo naquela instituição.
múltiplo de substâncias, acompanhado das possíveis da coleta de dados duração de aproximadamente duas horas e foram Os entrevistadores deveriam estar uniformizados e
combinações entre drogas e as motivações subjacen- conduzidas pelos membros da coordenação. Nesses portando um crachá de identificação. Quando ne-
tes; (e) existência de programas ou projetos, nas IES, Posteriormente à realização da cerimônia de encontros foram discutidos: o objetivo do estudo e cessário, as informações pessoais do entrevistador
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voltados à prevenção do consumo de álcool e outras abertura da pesquisa, do período do final do mês o instrumento de pesquisa (com apresentação deta- foram disponibilizadas à IES para que houvesse per-
substâncias psicoativas ou à assistência dos alunos de março a início do mês de maio, as IES foram lhada de cada uma das questões); a obrigatoriedade missão de sua entrada quando na portaria, recepção
com uso já instalado, entre outros. novamente contatadas para o encaminhamento das do entrevistador procurar, na IES, pela pessoa desig- ou secretaria.
informações acadêmicas necessárias ao sorteio das nada pelo corpo diretivo; a indumentária necessária Caso não encontrassem o local definido, os
Pré-teste turmas de alunos que seriam solicitadas a responder e crachá de identificação para representação da pes- entrevistadores dirigiram-se à secretaria ou seção
o instrumento de pesquisa. Com essas informações quisa nas IES; apresentação da pesquisa aos alunos; dos alunos para a busca de auxílio. Em último caso,

SEÇÃO I - METODOLOGIA
Foi realizado um pré-teste do instrumento de em mãos, prosseguiu-se com o sorteio das turmas procedimentos para apresentação, aplicação, distri- a instrução era que contatassem a coordenação da
pesquisa com 10 entrevistas. A ação teve como ob- respondentes, planejamento da logística da pesquisa buição e recolhimento do instrumento de pesquisa; pesquisa, na cidade de São Paulo, para que a pessoa
jetivos: (1) validar; (2) testar a solução para as ques- na IES e, finalmente, consolidação do trabalho de conduta do entrevistador dentro da sala de aula e indicada fosse localizada.
tões que pudessem causar maior constrangimento; campo. Assim, o trabalho de campo teve início do procedimentos gerais para o preenchimento da folha
(3) melhorar seu fluxo e ritmo; (4) avaliar o tempo mês de maio estendendo-se até fins de junho de de ocorrências, a cada uma das turmas sorteadas, em Apresentação à turma (disciplina)
médio de sua duração. 2009. A pesquisa teve início na cidade de São Paulo, cada uma das IES participantes. Essa folha continha sorteada
migrando posteriormente às demais capitais à me- as seguintes informações: nome do entrevistador;
Procedimentos dida que eram feitos os contatos com as instituições. data de aplicação do instrumento de pesquisa; nome Identificada a sala, o entrevistador apresentou-
30 No primeiro semestre de 2009, o levantamento foi da IES; sigla, código e nome da disciplina (turma); se ao responsável pela turma (docente ou coordena- 31
Apresentação da pesquisa realizado em 64 IES e as 50 instituições faltantes fo- horário de início do preenchimento do questionário; dor do curso de graduação), a quem explicou os obje-
ram recontatadas no segundo semestre, totalizando a horário de término (do primeiro aluno a entregar o tivos e a metodologia da pesquisa, o sorteio daquela
Nos meses de fevereiro e março de 2009, o cor- participação de 100 IES. questionário); horário de término (total); número turma, os contatos prévios e a anuência pelo corpo
po diretivo de cada IES sorteada foi contatado por total de alunos na sala; número de alunos que recu- diretivo da IES que, já teria comunicado a realização
correio eletrônico e por telefone, para que a coor- Treinamento dos entrevistadores saram responder; descrição da ocorrência (se hou- da pesquisa, naquela turma, em data e horário pre-
denação da pesquisa comunicasse, informalmente, o vesse); data e horário da ocorrência. (Anexo 4) viamente combinados.
sorteio da instituição como participante do referido O passo prévio à concretização do trabalho de Os entrevistadores receberam um manual de Com a permissão do responsável, os entre-
levantamento. Procurou-se diretamente pelo reitor campo foi o recrutamento e treinamento dos entre- aplicação com todos os procedimentos apresen- vistadores comunicavam que a aplicação do ins-
e/ou diretor da instituição. Posteriormente, foi feito vistadores. Considerando que algumas das questões tados durante o treinamento, para consulta, no trumento de pesquisa (obrigatoriamente realizada
o convite a ele (ou ao representante indicado) para abordadas pudessem causar constrangimento, inibi- caso de ocorrer alguma dúvida. Uma vez treina- durante o horário de aula) tomaria aproximada-
mente 50 minutos daquela aula. Posteriormente, os verificava se o número de questionários era suficien- mal com a instituição. Não foi permitida a participação aleatoriamente selecionados, igualando seu número
entrevistadores apresentavam-se à turma (ou eram te para todos os alunos, caso contrário, era preciso de visitantes que não tivessem vínculo com a IES. ao de TCLE. Uma vez fosse feita a correspondência
apresentados pelo responsável) e explicavam os ob- reagendar a visita; dessas quantidades, os questionários eram encami-
jetivos, metodologia e a importância do levanta- R/,(.55#-.,#/#éã)5)5#(-.,/'(.)55*-- Devolução do instrumento nhados à digitação.
mento. O responsável poderia ausentar-se durante quisa, os entrevistadores contaram o número total de de pesquisa e do Termo de
a aplicação do instrumento, mas precisaria regressar alunos presentes e quantos recusaram participar da Consentimento Livre e Finalização da coleta de dados
após sua conclusão. pesquisa, informações que foram anotadas na folha de Esclarecido - TCLE
Caso o responsável pela turma não permitisse ocorrências. Em hipótese alguma, foi permitido aos O trabalho de campo foi finalizado em meados
a aplicação do instrumento de pesquisa, os entrevis- universitários saírem da sala de aula portando o ins- R,55)&.65)-5(.,0#-.),-5&00'5)#-5'- de dezembro do ano letivo de 2009. Das 114 IES se-
tadores foram instruídos a não insistir e anotavam o trumento de pesquisa, fossem respondentes ou não; lotes, um para colocar o instrumento de pesquisa e outro lecionadas, 100 instituições aceitaram participar da
episódio em uma folha de ocorrências. Em algumas R5 #(-.,/'(.)5 5 *-+/#-5 )#5 ,0'(.5 para o TCLE. Assim, após o término do preenchimen- pesquisa, contemplando 88% da amostra previamen-
dessas ocasiões, foi possível o reagendamento da re- apresentado, com a leitura da capa do questionário to, os alunos foram instruídos a depositar, um-a-um, o te sorteada. Nessas, a pesquisa foi realizada em 654
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

alização do trabalho de campo, caso contrário, a tur- que continha informações gerais sobre a pesquisa e instrumento de pesquisa e o TCLE em urnas distintas, turmas (70,4% do estimado), contemplando a parti-
ma não foi contemplada na amostra. de preenchimento. Foi enfatizada a questão do ano- mesmo que qualquer um deles estivesse em branco; cipação de 12.856 universitários (72,8% do estima-
nimato e da confidencialidade das informações, as- R-5/(#0,-#.á,#)-5+/5ŀ(&#40'5)5*,("#- do) de cursos de graduação presencial nas 27 capitais
Entrega do instrumento de sim como sobre a voluntariedade de participação; mento poderiam retirar-se do recinto, mas deveriam brasileiras. Desse total de entrevistas, 6.210/12.856
pesquisa aos alunos R( .#4)/7-5 +/5 )5 *,("#'(.)5 )5 #(-.,/- retornar com o regresso do responsável pela turma. (48%) foram realizadas com universitários de 51 IES
mento de pesquisa era individual. Em caso de con- Os entrevistadores permaneceram na sala até que to- públicas e 6.646/12.856 (52%) com universitários de
Após a apresentação inicial, os entrevistadores versas paralelas ou comportamento inadequado, os dos os alunos devolvessem o instrumento de pesqui- 49 IES privadas. Finalmente, considerando o núme-
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

seguiram os passos abaixo: entrevistadores, inicialmente, solicitavam pela colabo- sa e o TCLE. A partir daí, os malotes eram lacrados ro de universitários entrevistados na USP, de meto-
R)-5&/()-65 )#5*#)5+/5-&#!--'5.&- ração do aluno. Entretanto , na reincidência, o aluno (na frente dos alunos) e os entrevistadores aguarda- dologia específica (detalhada no capítulo 5), o pre-
fones celulares. Àqueles que não quisessem parti- era convidado a se retirar do recinto e o instrumento vam pelo retorno do responsável pela turma; sente levantamento contou com a opinião, atitudes e
cipar da pesquisa, foi pedido que permanecessem de pesquisa era desconsiderado da amostra. Todas as R-5'&).-5&,)-5 ),'5#(.#ŀ)-55(- comportamentos de 17.573 universitários.
na sala de aula até o retorno do professor ou res- intercorrências foram anotadas na folha de ocorrência; caminhados à supervisão de campo, juntamente com
ponsável pela turma. Entretanto, nenhum aluno foi R-5 (.,0#-.),-5 (ã)5 */,'5 ,-*)(,5 a folha de ocorrências. Processamento dos dados

SEÇÃO I - METODOLOGIA
obrigado a permanecer no recinto, caso assim não dúvidas de conteúdo do instrumento de pesquisa, R5"),á,#)55(.,!5)5*,#'#,)55)5Ě&.#')5
o desejassem; evitando possíveis viés de indução. Caso o aluno não instrumento de pesquisa (e TCLE) foi anotado na Os questionários preenchidos foram digitados
R#-.,#/#éã)5 )5 #(-.,/'(.)5 5 *-+/#-5 5 soubesse responder alguma das questões, foi orientado folha de ocorrências; eletronicamente por equipe especializada e a cons-
do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido a não respondê-la. Aos entrevistadores foi permitido R5.'*)5'ï#)5*,0#-.)5*,5)5*,("#'(.)5 trução do banco de dados foi feita utilizando-se o
(TCLE, em conformidade com as exigências do apenas esclarecerem dúvidas de preenchimento, que integral do instrumento de pesquisa foi de 50 minutos. software SPSS Data Entry. Por ser um questioná-
Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Me- deveria ser realizado a lápis, caneta (de qualquer cor), rio de autopreenchimento, algumas inconsistências
dicina da Universidade de São Paulo – CAPPesq): tendo sido permitido o uso de borracha e corretivo; Outros procedimentos internas puderam acontecer. Como exemplo, o uni-
aos universitários foi comunicado o tempo total que R-)5 )5 ,-*)(-á0&5 *&5 ./,'5 *,'(--5 versitário poderia responder que usou determinada
32 teriam para preencher o instrumento de pesquisa, dentro do recinto, foi instruído a não esclarecer pos- R/()5")/0--5'#-55kf5&/()-5'.,#/&- substância nos últimos 12 meses, mas ter relatado nun- 33
tendo sido enfatizado que não deveria ser preenchi- síveis dúvidas de conteúdo ou preenchimento. Dessa dos na disciplina selecionada, dois entrevistadores eram ca ter utilizado-a na vida. Assim, o primeiro passo
do com informações pessoais (nome ou endereço) e forma, evitava-se que ele andasse pela sala e obser- encaminhados para a realização do trabalho de campo; foi identificar uma série de possíveis inconsistências
esclarecido que as respostas não seriam correlaciona- vasse as respostas dos alunos, o que poderia causar R*ĉ-5 5 "!5 )-5 '&).-5 B)'5 )-5 #(-.,/- e uma solução a cada uma delas. Embora incontáveis
das ao TCLE, uma vez que seriam depositados, pelo possíveis constrangimentos; mentos de pesquisa e TCLE) na sede da coordena- possibilidades de combinações pudessem acontecer,
próprio universitário, em urnas distintas; R)5-)55Ě0#-5!,#-5-),55*,.##*éã)5(5 ção do trabalho de campo (na cidade de São Pau- foi imprescindível o contato entre a equipe de digi-
R-5 (.,0#-.),-5 &00'5 ,5 5 gfz5 5 pesquisa, os universitários foram orientados a procurar lo), eles eram abertos e verificava-se se o número de tação e a coordenação científica da pesquisa para que
mais de questionários e canetas em relação ao núme- pela equipe coordenadora, contatando-os por correio questionários preenchidos correspondia ao número as inconsistências mais comuns fossem apropriada-
ro de alunos matriculados na disciplina selecionada eletrônico ou por telefone, ambos presentes no TCLE; e de TCLE assinados. Caso o número de questio- mente identificadas. A propósito, foi nessa etapa que
(conforme informação prévia fornecida pela IES). R&/()-5-*##-5)/5)/0#(.-5 ),'5*,'#.#)-55 nários preenchidos excedesse o número de TCLE 10 questionários foram desconsiderados pela afirma-
Antes de iniciar a coleta de dados, o entrevistador participar da pesquisa desde que tivessem vínculo for- assinados, eram retirados da amostra questionários ção de uso da droga Relevin.
Também foi utilizada uma codificação espe- peso atribuído aos indivíduos dessa sub-população no contato com as IES sorteadas. Inicialmente, Contato com o docentes das
cial para as perguntas que não foram respondidas foi proporcional a w = 15.144/117 = 129,4359. Para muitas recusaram participar da pesquisa, o que turmas sorteadas
pelo universitário, ou seja, que foram deixadas em o uso dessa ponderação, utilizaram-se os dados re- prejudicaria a qualidade e a credibilidade dos
branco. Isso é um tratamento de digitação e consis- ferentes ao número de matrículas das IES de 2007, dados coletados, especialmente em função de Outro problema freqüente durante a operaciona-
tência para garantir que não foi um campo que dei- fonte mais recente disponível pelo MEC/INEP. uma taxa elevada de não resposta. Dessa forma, lização do trabalho de campo foi a desinformação de
xou de ser digitado, dando um possível tratamento Os pesos referentes à (ii) foram calculados utilizan- uma primeira tentativa de aumentar a adesão alguns docentes sobre a realização da pesquisa. Muitas
a esses casos faltantes. Todas as inconsistências de- do-se o inverso da probabilidade de seleção em decor- das IES na pesquisa foi realizar a cerimônia vezes, apesar dos contatos prévios com a IES, o entre-
tectadas foram programadas no SPSS Data Entry rência do número de disciplinas que o aluno frequentasse de abertura, com a sensibilização do corpo vistador foi impedido de contatar os alunos da turma
(para serem automaticamente solucionadas). Pos- (Thompson, 2002). Essa probabilidade foi calculada uti- diretivo de cada uma das IES sorteadas, con- sorteada porque o docente desconhecia a realização da
teriormente à essa análise, os dados foram exporta- lizando-se a informação do número de disciplinas que o forme já descrito no item 2.5.1. Mesmo após pesquisa. Para contornar essa dificuldade, realizou-se um
dos para um banco no formato .sav do SPSS versão aluno freqüentava (no semestre de realização do trabalho essa iniciativa, houve IES que se recusaram a trabalho ainda mais próximo às IES para que mantives-
13. A partir daí, foi realizada a limpeza e possíveis de campo), que por sua vez foi coletada utilizando-se a participar do levantamento. Assim, ao longo sem seus docentes informados sobre os objetivos, as datas
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

imputações, preparando o banco de dados para a seguinte pergunta do instrumento de pesquisa: de todo o período do trabalho de campo, foi e horários de realização da pesquisa, assim como o nome
análise dos resultados. “Considerando as disciplinas oferecidas pelas feito um intensivo trabalho de comunicação do entrevistador que compareceria à turma. Na impos-
As folhas de ocorrência da pesquisa também fo- unidades da IES localizadas na capital do Estado, e conscientização com essas instituições (por sibilidade dessa intermediação, uma vez aprovada a rea-
ram digitadas e organizadas em um banco de dados. indique o número de disciplinas que você frequentou telefone, correio eletrônico e, até mesmo, por lização da pesquisa pelo corpo diretivo da IES, contato
ou frequentará neste semestre, independente do fato correspondência) no sentido de explicar a im- direto foi feito com os professores responsáveis por cada
Análise dos resultados de você estar regularmente matriculado nelas ou não” portância dessa pesquisa. Esse esforço apresen- uma das turmas sorteadas. Mesmo após esses cuidados,
Dessa forma, obtiveram-se dois fatores de ponde- tou um resultado bastante satisfatório, de tal quando acontecia algum desencontro de informações e
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

A análise dos dados da pesquisa obedeceu às ração que foram combinamos para formar um peso final forma que 88% das IES selecionadas aceitaram não seria possível realizar a pesquisa, os entrevistadores
características do plano amostral, ou seja, conside- único através de sua multiplicação. Todas as estimativas participaram do levantamento. procuraram remarcar com o próprio docente uma nova
rou-se que se tratava de (a) uma amostra complexa, e análises dos dados da pesquisa consideraram esse peso Um dos motivos pelos quais as IES ini- data para realização da pesquisa.
(b) com uso de estratificação, (c) conglomerados e final para a obtenção de resultados não viciados. cialmente recusavam a participação foram as
(d) probabilidades desiguais de seleção. Também é preciso considerar o uso de conglo- dificuldades que encontravam na organização Comitê de Ética em Pesquisa -
As probabilidades de seleção desiguais entre os merados e da estratificação (no plano amostral) para e fornecimento de uma lista que contemplas- HCFMUSP

SEÇÃO I - METODOLOGIA
universitários foi um dos aspectos do plano amos- o cálculo de medidas de variabilidade das estimati- se todas as disciplinas, de todos os cursos de
tral a ser considerado nas análises dos dados. Essa vas (como o erro padrão) e análises que envolvem o graduação, de todas as unidades da IES locali- O projeto desse levantamento foi submetido à
desigualdade decorreu por duas razões: (i) alocação uso de tais medidas (como testes de hipóteses). Essa zadas na capital do Estado, no semestre letivo apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)
desproporcional da amostra nos estratos de Estado consideração é feita utilizando-se softwares estatísti- de realização do trabalho de campo (1° ou 2° da Faculdade de Medicina da Universidade de São
e tipo de IES; (ii) uso da amostragem por multipli- cos específicos para esse tipo de análise como R (li- semestre de 2009). Paulo (FMUSP) /Hospital das Clínicas (FMUSP/
cidade e a estrutura da população-alvo, que fez com brary survey), SAS (PROC SURVEY), SUDDAN Dessa forma, para reverter essa dificuldade, HC) e à Comissão de Ética para Análise de Projetos
que os universitários que frequentassem mais disci- ou STATA, e declarando-se, nessas rotinas, as vari- foi encaminhado um correio eletrônico padro- de Pesquisa (CAPPesq), tendo sido aprovada em ses-
plinas tivessem maior probabilidade de seleção que áveis que indiquem os conglomerados e estratos do nizado para cada IES contendo uma descrição são de 6/8/2008, sob protocolo n° 0378/08. O projeto
34 universitários que frequentassem menos disciplinas. banco de dados. detalhada do que era necessário para o sorteio de pesquisa foi submetido e avaliado pelo Comitê de 35
Para corrigir essa desigualdade e obter estimativas das turmas respondentes, no formato de uma Ética em Pesquisa (CEP) de outras três IES brasilei-
não viesadas dos parâmetros populacionais, recor- Dificuldades de operacionalização planilha-modelo. ras, tendo sido aprovado em todas elas.
reu-se ao uso da ponderação dos dados da amostra. da coleta de dados
O fator de ponderação devido à (i) foi calcu-
lado como , em que é o número de Contato com as IES e levantamento
universitários no h-ésimo estrato da população alvo das informações acadêmicas para o
e nh é o número de universitários no h-ésimo es- sorteio das turmas respondentes
trato da amostra. Por exemplo, em Porto Velho, há
15.144 universitários em IES privadas. Na amostra A primeira dificuldade de operacionaliza-
foram coletados 117 alunos desse estrato, assim, o ção do trabalho de campo apresentou-se logo
²Apesar de ser utilizada a região administrativa como domínio, no desenho amostral foi utilizado o Estado (Unidade Federativa) como estrato.
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4. RESULTADOS
SEÇÃO II:

PERFIL GERAL DO
UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO

40 41
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

CAPÍTULO1:
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS,
SOCIOECONÔMICOS E PERFIL GERAL DO
UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO

Arthur Guerra de Andrade


Gabriela Arantes Wagner
Lúcio Garcia de Oliveira

42 43
1.1. Dados sociodemográficos Tabela 1.3. Distribuição dos universitários por Tabela 1.6. Distribuição dos universitários por gênero, conforme a Região Administrativa.
área de estudo. Região Administrativa (%)
A amostra foi composta por números semelhan- Gênero Total (%)
Áreas de estudo Alunos pesquisados % Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
tes de universitários de instituições de ensino públicas Biológicas 3.212 25,3
(48,8%) e privadas (51,2%) (Tabela 1.1), sendo 18,1% Masculino 43,1 44,0 46,3 41,4 52,3 46,2
Humanas 6.007 47,3
das instituições da região Norte do país, 25,2% da Exatas 3.276 25,8 Feminino 56,8 55,8 53,5 58,5 47,6 53,6

CAPÍTULO1: DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS, SOCIOECONÔMICOS E PERFIL GERAL DO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO


região Nordeste, 20,2% da região Sudeste, 19,2% da Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Total 12.711 100,0
região Sul e 17,3% da região Centro-Oeste (Tabela
1.2). A área de estudo com menos universitários in- Tabela 1.4. Distribuição dos universitários Tabela 1.7. Distribuição dos universitários por gênero conforme a área de estudos.
vestigados foi a de Ciências Biológicas,com partici- por período de estudos. Áreas de Estudo (%)
pação de 25,3% do total de alunos respondentes. A Gênero Total (%)
Período de estudos Alunos pesquisados % Biológicas Exatas Humanas
maior parte dos universitários foi da área de Ciências Integral 3.302 26,0 Masculino 43,1 29,1 68,9 40,2
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Humanas (47,3%), seguido pelas Exatas (25,8%) (Ta- Matutino 3.223 25,4 Feminino 56,8 70,8 31,1 59,7
bela 1.3). Quanto ao período de estudos, 36,8% dos Vespertino 1.314 10,3 Total 100,0 100,0 100,0 100,0
universitários eram do período noturno, 26% estuda-
Noturno 4.674 36,8
vam em período integral, 25,4% em período matutino
Total 12.711 100,0
e 10,3% em período vespertino (Tabela 1.4). Quanto Entre os universitários houve predominância liado foi sobre a prática dessa formação religiosa,
às faixas etárias, a maior parte dos universitários par- Tabela 1.5. Distribuição dos universitários sendo que 45,7% dos universitários entrevistados

SEÇÃO II: PERFIL GERAL DO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO


da religião católica (50,0%), seguida da evangélica
ticipantes do estudo tinha idade entre 18 e 24 anos por faixa etária. (17,4%) e espírita (8,9%), sendo que 14,9% dos relataram praticar a sua religião mais de uma vez
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

(58,0%), seguida da faixa etária dos 25 aos 34 anos Faixas etárias Alunos pesquisados % universitários respondentes relataram não seguir por mês e apenas 18,1% relataram não exercer a
(25,2%), acima de 35 anos (14,0%) e até os 18 anos até 18 anos 229 1,8 nenhuma religião (Tabela 1.8). Outro dado ava- prática religiosa.
(1,8%), conforme apresentado na Tabela 1.5. de 18 a 24 anos 7372 58,0
de 25 a 34 anos 3203 25,2
Tabela 1.8. Distribuição das religiões, entre os universitários, por Região Administrativa.
Tabela 1.1. Distribuição dos universitários (pós- REGIÃO ADMINISTRATIVA (%)
35 anos ou mais 1780 14,0
estratificação) por tipo de instituição. RELIGIÃO
Total 12.711 100,0 TOTAL (%) Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Tipo de Total de alunos Não tenho religião 14,9 15,4 17,6 13,9 23,2 12,9
%
instituição pesquisados Católica 50,0 52,1 58,5 47,0 53,1 56,2
Pública 6.206 48,8 Em relação ao gênero, os universitários respon-
Espírita 8,9 2,7 5,4 10,4 7,7 7,0
Privada 6.505 51,2 dentes foram 43,1% homens e 56,8% mulheres. O sexo
Umbanda/ Candomblé 1,8 0,0 0,3 2,4 0,8 0,3
Total 12.711 100,0 feminino foi predominante na região Norte (55,8%),
Judaica 0,7 0,2 0,0 0,9 1,1 0,4
Nordeste (53,5%), Sudeste (58,5%) e Centro-Oeste
Evangélica/ Protestante 17,4 24,7 14,3 18,2 8,6 19,0
Tabela 1.2. Distribuição dos universitários por (53,6%). Entretanto, na região Sul, houve maior fre-
Budismo/Oriental 0,6 0,1 0,3 0,8 0,4 0,3
Região Administrativa. quência de alunos do sexo masculino (52,3%) (Tabela
Santo Daime/ União do Vegetal 0,2 0,5 0,0 0,2 0,3 0,3
44 Região 1.6). Em relação às áreas de estudo, as mulheres foram 45
Alunos pesquisados % Outras 5,0 4,1 3,4 5,6 3,7 3,5
Administrativa mais frequentes nas Ciências Biológicas (70,8%) e Hu-
Não respondeu 0,6 0,3 0,2 0,7 1,2 0,0
Norte 2.305 18,1 manas (59,7%), porém nas Exatas houve predomínio
Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Nordeste 3.200 25,2 de alunos homens, que corresponderam a 68,9% dos
Sul 2.441 19,2 entrevistados (Tabela 1.7).
Sudeste 2.566 20,2
Centro-Oeste 2.199 17,3
Total 12.711 100,0
Quanto ao grupo étnico, 61,6% dos univer- branca. Já na região Nordeste houve distribuição 1.2. Dados socioeconômicos e B2. Não houve alunos pertencentes à classe E e
sitários respondentes consideraram-se da etnia aproximada dos universitários quanto às etnias poucos estudantes são representantes da classe A1.
caucasóide/branca, 24,5% consideram-se mulato/ caucasóide/branca e mulato/pardo (Tabela 1.9). A maior parte dos universitários investigados Essa distribuição pareceu ser independente do tipo
pardo e apenas 6,4% consideram-se negros (Ta- Quando avaliado o tipo de instituição, 63,7% concentrou-se nas classes socioeconômicas A2, B1 de instituição (Tabela 1.11).
bela 1.9). Na região Norte do país houve predo- dos alunos da rede privada de ensino consideraram-
minância de universitários da etnia mulato/pardo se brancos, quase 10% a mais que os alunos da rede Tabela 1.11. Distribuição dos universitários por condição socioeconômica conforme o tipo de instituição.

CAPÍTULO1: DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS, SOCIOECONÔMICOS E PERFIL GERAL DO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO


(48,0%), enquanto que nas regiões Sul (85,6%), pública (54,1%). A rede pública de ensino parece Tipo de IES (%)
Sudeste (65,8%) e Centro-Oeste (62,0%) pre- apresentar maior prevalência de universitários que Nível Socioeconômico Total (%)
Pública Privada
valeceram os universitários de etnia caucasóide/ se consideram da etnia mulato/pardo (Tabela 1.10). A1 6,1 5,4 6,3
A2 22,2 20,9 22,5
Tabela 1.9. Distribuição dos universitários quanto ao grupo étnico conforme a Região Administrativa.
B1 24,8 23,9 25,1
Região Administrativa (%)
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

B2 24,3 22,2 24,8


Grupo Étnico Total (%)
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste C1 15,6 16,5 15,3
Caucasóide / Branco 61,6 33,5 45,6 65,8 85,6 62,0 C2 5,3 8,0 4,5
Negro 6,4 6,7 8,0 6,3 4,6 4,8 D 1,4 2,8 1,0
Mulato / Pardo 24,5 48,0 39,4 20,3 6,2 25,9 E 0,4 0,3 0,4
Asiático/ Amarelo 2,4 3,2 2,5 2,3 1,3 3,7 Total 100,0 100,0 100,0

SEÇÃO II: PERFIL GERAL DO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO


Índio 1,1 2,2 0,5 1,3 0,5 0,3
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Outros 2,9 4,9 3,3 2,8 1,1 2,8


Nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, a melhores condições socioeconômicas em relação aos
Não respondeu 1,0 1,5 0,6 1,2 0,7 0,5
maioria dos alunos pertence à classe B2, enquanto universitários da região Norte (Tabela 1.12).
Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
que, na região Centro-Oeste,a maior parte está in- Em relação aos períodos de estudo, como já previs-
serida na classe A2. Na região Norte do País hou- to, 70,5% dos universitários que cursam o período notur-
Tabela 1.10. Distribuição dos universitários quanto ao grupo étnico conforme o tipo de instituição ve maior concentração de alunos nas classes B2 e no pertencem às classes B1, B2 e C1, diferindo dos es-
TIPO DE IES (%) C1. Nas demais regiões, a maior parte dos alunos tudantes dos períodos diurno, matutino e integral, mais
GRUPO ÉTNICO Total (%) pertence às classes A2, B1 e B2, o que lhes confere frequentes nas classes A1, A2, B1 e B2 (Tabela 1.13).
Pública Privada
Caucasóide / Branco 61,6 54,1 63,7
Negro 6,4 6,6 6,4
Tabela 1.12. Distribuição dos universitários por classe socioeconômica conforme a Região Administrativa.
Mulato / Pardo 24,5 31,4 22,5 Região Administrativa (%)
Nível Socioeconômico Total (%)
Asiático/ Amarelo 2,4 2,4 2,4 Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Índio 1,1 0,6 1,2 A1 6,1 2,7 6,2 5,8 6,7 10,5
Outros 2,9 3,9 2,7 A2 22,2 12,5 20,9 22,3 22,2 29,5
Não respondeu 1,0 1,0 1,1 B1 24,8 18,6 23,4 25,8 25,0 21,9
46 47
Total 100,0 100,0 100,0 B2 24,3 27,5 22,0 24,9 26,2 21,0
C1 15,6 25,0 15,5 15,6 14,4 11,7
C2 5,3 8,9 8,8 4,4 3,8 3,9
D 1,4 4,0 3,1 0,8 1,6 1,4
E 0,4 0,7 0,2 0,5 0,1 0,1
Tabela 1.13. Distribuição dos universitários por classe socioeconômica conforme o período de estudos. Tabela 1.15. Distribuição dos universitários por duração do curso conforme o tipo de instituição.
Período de Estudo (%) Tipo de IES (%)
Nível Socioeconômico Total (%) Duração do Curso  Total (%)
Integral Matutino Vespertino Noturno Pública Privada
A1 6,1 5,5 9,9 6,2 4,1 Menos de 1 ano 0,2 0,1 0,2
A2 22,2 24,5 26,9 26,6 18,1 1 0,1 0,1 0,1
B1 24,8 24,1 24,2 25,5 25,3 2 15,2 0,2 19,3

CAPÍTULO1: DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS, SOCIOECONÔMICOS E PERFIL GERAL DO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO


B2 24,3 22,6 22,9 22,5 25,4 3 5,5 1,5 6,6
C1 15,6 14,9 10,6 11,0 19,7 4 37,2 48,6 34,1
C2 5,3 6,7 3,5 4,8 5,9 5 37,8 36,8 38,1
D 1,4 1,5 1,3 2,3 1,3 6 3,4 12,1 1,0
E 0,4 0,3 0,7 1,2 0,0 Não respondeu 0,4 0,3 0,5
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Total 100 100,0 100,0 100,0 100,0 Total 100,0 100,0 100,0

1.3. Situação do respondente vada: 11,3%). Em ambas as redes de ensino, houve


A maior parte dos universitários respondentes gião do país ou do tipo de instituição (Tabela 1.16).
quanto ao curso de graduação no menor concentração de alunos nos últimos anos de
(72,3%) declarou estar cursando, pela primeira vez, Por outro lado, 20,5% dos estudantes investigados já
momento da entrevista curso, principalmente do quarto (7°/8° semestre) ao
um ensino de graduação, independentemente da re- iniciaram, mas não concluíram um outro curso.
sexto ano (11°/12° semestre). Isso pode ser discutido

SEÇÃO II: PERFIL GERAL DO UNIVERSITÁRIO BRASILEIRO


No momento da entrevista, 55,1% dos univer- por inúmeros fatores, principalmente pelos últimos
Tabela 1.16. Situação do respondente quanto ao curso de graduação no momento da entrevista conforme a
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

sitários estavam cursando o primeiro ou segundo anos de curso serem voltados aos estágios obrigató-
Região Administrativa e o tipo de instituição.
ano de graduação (1° ao 4° semestres). Mais univer- rios, “trabalhos de conclusão de curso” ou atividades
Tipo de IES (%) Região Administrativa (%)
sitários da rede pública (37,2%) que da particular práticas, clínicas, etc, as quais não necessitam da per-
Curso de Graduação Total (%) Centro-
(26,3%) estavam no primeiro ano (1° e 2° semestres) manência do universitário em salas de aulas, tornando Pública Privada Norte Nordeste Sudeste Sul
Oeste
e menos estavam no quinto ano (pública: 3,6%; pri- muito difícil o acesso a esses indivíduos (Tabela 1.14).
O primeiro que estou
72,3 76,8 71,1 70,8 74,7 70,9 75,1 80,1
&5g8gj85#-.,#/#éã)5)-5/(#0,-#.á,#)-5*),5()I-'-.,5)( ),'5)5.#*)55#(-.#./#éã)8 cursando
Já iniciei outro curso, mas
Tipo de IES (%) 20,5 17,7 21,3 22,4 17,4 21,8 18,5 15,5
Ano/Semestre Total (%) não me graduei
Pública Privada Já sou graduado 6,9 5,3 7,4 6,1 7,8 7,0 6,1 4,4
1º ano (1°/2° semestre) 28,7 37,2 26,3 Não respondeu 0,2 0,2 0,2 0,7 0,1 0,2 0,3 0,0
2º ano (3°/4° semestre) 26,4 24,9 26,8 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
3º ano (5°/6° semestre) 17,0 17,6 16,8
4º ano (7°/8° semestre) 14,3 12,9 14,7
5º ano (9°/10° semestre) 9,6 3,6 11,3
1.4. CONSIDERAÇÕES R5'#),5*,.5)-5/(#0,-#.á,#)-5,-#&#,)-5,-*)(-
48 6º ano (11°/12° semestre) 2,1 1,8 2,2
FINAIS dentes é católica, seguida da religião evangélica e espírita; 49
Outros 1,6 1,8 1,5 R'5 ,&éã)5 à5 .(#65 lg6lz5 )-5 -./(.-5
Não respondeu 0,2 0,2 0,2 R5')-.,5 )#5)'*)-.5*),5gh8mgg5/(#0,-#- participantes do levantamento consideraram-se da
Total 100,0 100,0 100,0 tários de Instituições de Ensino Superior (IES) pú- etnia caucasóide/branca, 24,5% mulato/pardo e ape-
blicas e privadas de todas as regiões do País; nas 6,4% negros;
A maioria dos universitários, tanto da rede dos respondentes, uma frequência muito menor R)-5 /(#0,-#.á,#)-5 #(0-.#!)-65 -5 '/&",-5 R5 '#),5 *,.5 )-5 &/()-5 ,-*)((.-5 )(-
pública quanto privada, pertencem a cursos de gra- nas instituições públicas (1,7%). Em contraposi- foram a maioria nas regiões Norte, Nordeste, Sudes- centram-se nas classes socioeconômicas A2, B1 e B2;
duação com duração de 4 (37,2%) a 5 anos (37,8%). ção, a participação de universitários de cursos de te e Centro-Oeste; assim como nas Ciências Bioló- R5 '#),5 *,.5 )-5 /(#0,-#.á,#)-5 *,.(#5 5
Os universitários de cursos de curta duração (entre longa duração (especialmente de seis anos) foram gicas e Humanas; cursos com duração média de 4 a 5 anos.
2 e 3 anos) estão concentrados na rede privada de mais frequentes na rede pública de ensino (pública:
ensino, contando com uma participação de 26,0% 12,1%; privada: 1,0%) (Tabela 1.15).
SEÇÃO III:

USO DE ÁLCOOL, TABACO


E OUTRAS DROGAS

50 51
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

CAPÍTULO 2:
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO


E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL):
ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA

Sergio Nicastri
Lúcio Garcia de Oliveira
Gabriela Arantes Wagner
Arthur Guerra de Andrade

52 53
2.1. INTRODUÇÃO

CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
cool e tabaco) em levantamento domiciliar realizado ser surpreendente frente à grande disponibilidade de de consumo de tabaco e outras drogas por parte dos
em 2005 (Carlini et al., 2007). Dentre essas substân- informação sobre os riscos do tabagismo), cerca de estudantes de nível superior no Brasil é importante
Em todo o mundo, estima-se que aproxima- cias, as de maior prevalência de uso na vida foram a 20% ou menos relatam uso de maconha e menos de para que sejam planejadas estratégias de prevenção e
damente 1,3 bilhão de pessoas (cerca de 1 bilhão maconha (relatada por 8,8% dos entrevistados), sol- hz5, ,'5/-)55)ù(5()5Ě&.#')5'ð-5B] &&35 políticas públicas adequadas, como respostas frente a
de homens e 250 milhões de mulheres) sejam fu- ventes (6,1%), benzodiazepínicos (5,6%), orexígenos & Johnston, 2002). Também existem evidências de um problema de potencial relevância. Também deve
mantes de cigarros ou consumam outros produtos (4,1%), estimulantes (3,2%) e cocaína (2,9%). O uso que os universitários norte-americanos têm proba- ser lembrado o papel estratégico das universidades
de tabaco (Guindon & Boisclair, 2003). O uso de na vida de tabaco, observado nesse levantamento, foi bilidade maior de relatar uso indevido de substâncias como centros geradores de conhecimento e for-
tabaco é uma das principais causas de doença e de 44%, com maior prevalência na população mas- (por exemplo, metilfenidato), em comparação com mação de líderes. Assim, pode ser considerado que
morte prematuras no mundo (Harris & Anthenelli, culina (50,5% dos homens e 39,2% das mulheres). jovens de mesma faixa etária que não estejam cur- ações preventivas que resultem numa mudança de
2005), contribuindo para uma parcela considerável Ao se compararem diferentes faixas etárias, po- sando o ensino superior ( Johnston et al., 2004). padrões de uso de tabaco e outras substâncias entre
(4,1%) da carga global de doenças e vem aumen- de-se observar que as idades entre 18 e 24 anos apre- No Brasil, embora haja alguns estudos que universitários podem se generalizar e trazer benefí-
tando rapidamente em países em desenvolvimento sentam as maiores prevalências para o uso na vida de procuraram avaliar a prevalência de uso de subs- cios para toda a sociedade.
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

e entre as mulheres (OMS, 2004). maconha (17%) e solventes (10,8%), enquanto que tâncias entre universitários (Andrade et al., 1997;
Cerca de metade dos fumantes morre devido a população entre 25 e 34 anos apresenta as maio- Andrade et al., 1995; Boskovitz et al., 1995; Ma- 2.2. OBJETIVOS
a alguma condição associada ao tabagismo (variadas res prevalências para uso na vida de cocaína (5,2%) galhães et al., 1991; De Carvalho, 1986; Gorens-
formas de câncer, doenças cardiovasculares e pul- e estimulantes/anorexígenos (4%). As mulheres apre- tein et al., 1983), eles variam muito em termos Avaliar a prevalência do uso de tabaco e
monares, entre outras) (Henningfield et al., 2005). sentaram maiores prevalências do uso indevido de de metodologia, populações ou substâncias estu- outras drogas entre os universitários brasileiros,

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Embora os benefícios de se parar de fumar sejam medicamentos; entre eles, estimulantes/anorexíge- dadas, o que dificulta sua comparação. Algumas assim como estimativas de padrões de consumo
maiores quanto mais precoce for a interrupção do nos, benzodiazepínicos, orexígenos, xaropes à base de iniciativas, como por exemplo, os estudos sobre sugestivos de uso nocivo ou dependência. Optou-
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

tabagismo, deixar de fumar é sempre benéfico, a codeína, opiáceos e barbitúricos. A comparação dos consumo de álcool, tabaco e outras drogas entre se por analisar separadamente o tabaco das ou-
qualquer momento (mesmo após o desenvolvimento dados do levantamento nacional, realizado em 2005, estudantes de graduação da Universidade de São tras drogas, não só pela importância do tabagis-
de uma doença relacionada ao tabagismo), em razão com o estudo anterior (Carlini et al, 2002) aponta Paulo (Stempliuk et al., 2005) puderam gerar mo como uma relevante questão de saúde pública,
da melhoria do prognóstico e da qualidade de vida para o aumento do relato de uso de maconha, solven- comparação e análise de tendências de consumo como também pela diferente magnitude de con-
(Henningfield et al., 2005). tes, cocaína, estimulantes, benzodiazepínicos, alucinó- de substâncias, mas não há no País um levan- sumo dessa substância em comparação às demais
Estima-se que 200 milhões de pessoas no genos, crack, anabolizantes e barbitúricos no País. tamento desse tipo com abrangência nacional. drogas. Os resultados aqui apresentados não são
mundo façam uso de alguma substância ilícita, den- O abuso de substâncias psicoativas é um proble- Existem evidências de que ocorrem diferenças conclusivos, tratando-se de uma análise prelimi-
tre as quais cerca de 25 milhões poderiam ser con- ma de saúde pública de grande relevância para as uni- regionais importantes no consumo de drogas nar, que não considerou os erros padrão ou outra
sideradas como “usuários problemáticos de drogas” versidades. Nos Estados Unidos, esse comportamento (Galduróz et al., 2005). medida de variabilidade das estimativas obtidas.
(UNODC, 2007). Segundo dados do relatório mun- representa a principal causa de morte e ferimentos en- O conhecimento mais aprofundado do padrão
dial sobre drogas do Escritório das Nações Unidas tre estudantes de idades entre 18 e 25 anos (Hingson et
sobre Controle de Drogas e Crime, as drogas ilícitas al., 2005; Hingson et al., 2002; Perkins, 2002; Wechsler
mais usadas no mundo são a maconha (com cerca de et al., 1994). O álcool é a principal substância psicoati-
160 milhões de usuários), os estimulantes tipo an- va de escolha entre os universitários norte-americanos,
54 fetamina (com cerca de 34 milhões de usuários), os logo, a maior parte dos problemas está relacionado ao 55
opióides (com cerca de 16 milhões de usuários) e a consumo de bebidas alcoólicas. Entretanto, os universi-
cocaína (com cerca de 14 milhões de usuários). No tários também sofrem consequências sérias resultantes
mundo, o consumo das diversas drogas ilegais não é do uso de substâncias ilícitas ou do seu uso em combi-
uniforme: na Europa e na Ásia predomina o uso de nação com álcool (McCabe et al., 2006), de tal forma
opióides; nas Américas, a maior parte da demanda que o consumo de outras substâncias, incluindo taba-
por tratamento decorre do uso de cocaína; enquanto co, maconha e cocaína, também é significativo entre os
que na África a procura por tratamento é mais rela- /(#0,-#.á,#)-5B] &&35;5
)"(-.)(65hffhC85
cionada ao consumo de maconha (UNODC, 2007). Segundo estudos epidemiológicos norte-ame-
No Brasil, 22,8% da população geral relatou ricanos, cerca de 30% dos universitários referem o
uso na vida de qualquer droga psicoativa (exceto ál- consumo de tabaco nos últimos 30 dias (o que chega a
2.3. RESULTADOS

CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
com maior frequência foram: álcool (86,2%), taba- Diferenças aparentes do uso de substâncias genos (6%), tranquilizantes (5,6%) e anfetamínicos
co (46,7%), maconha (26,1%), inalantes (20,4%), psicoativas foram observadas conforme o gênero do (5,5%). Entre as mulheres, as drogas mais relata-
2.3.2.1. Álcool, tabaco e outras anfetamínicos (13,8%), tranquilizantes (12,4%) e universitário. Os universitários do sexo masculino das foram: anfetamínicos (14,1%), tranquilizantes
substâncias psicoativas: uso na cloridrato de cocaína (7,7%), alucinógenos (7,6%) consumiram mais substâncias ilícitas, na vida, que (10,3%), maconha (9,2%), inalantes (4,7%) e aluci-
vida, nos últimos 12 meses e nos e ecstasy (7,5%). nos últimos 12 meses antecedendo as mulheres. No entanto, essa diferença não parece nógenos (3,4%).
últimos 30 dias a aplicação do questionário as substâncias mais fre- existir para as medidas de uso nos últimos 12 meses Em relação ao uso nos últimos 30 dias, as subs-
quentemente usadas foram: álcool (72,0%), tabaco e nos últimos 30 dias. Já o uso de produtos de taba- tâncias mais usadas por estudantes do sexo masculi-
Quase metade dos universitários (48,7%) rela- (27,8%), maconha (13,8%), anfetamínicos (10,5%), co entre os universitários do sexo masculino foi um no foram: maconha (13,0%), anfetamínicos (4,4%),
tou já ter consumido alguma substância psicoativa tranquilizantes (8,4%), inalantes (6,5%) e alucinóge- pouco mais elevado (51,7%), tanto para o uso na inalantes (3,6%), tranquilizantes (3,5%) e alucinó-
(que não álcool ou produtos do tabaco) pelo menos nos (4,5%). Nos últimos 30 dias, as drogas mais fre- vida, quanto para o uso nos últimos 12 meses e nos genos (3,4%). Entre as mulheres, as drogas mais
uma vez na vida, sendo que pouco mais de um ter- quententemente consumidas foram: álcool (60,5%), últimos 30 dias. relatadas foram: anfetamínicos (11,7%), tranquili-
ço deles (35,8%) nos últimos 12 meses e cerca de um tabaco (21,6%), maconha (9,1%), anfetamínicos Entre os homens, para o uso na vida, as dro- zantes (7,4%), maconha (6,1%), analgésicos opiáceos
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

quarto (25,9%) nos últimos 30 dias. (8,7%), tranquilizantes (5,8%), inalantes (2,9%) e gas relatadas com maior frequência foram: maconha (2,7%) e inalantes/alucinógenos (ambos com 2,4%).
Em relação ao uso na vida, as drogas relatadas alucinógenos (2,8%). (Tabela 2.1) (34,5%), inalantes (25,5%), cloridrato de cocaína Comparados ambos os gêneros, particularida-
(11,3%) e alucinógenos/ ecstasy (ambos com 11%). des de consumo podem ser identificadas. Os homens
Tabela 2.1: Prevalência de uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias de substâncias psico- Entre as mulheres, as drogas relatadas com maior usam mais maconha, inalantes, cloridrato de cocaína,
ativas entre os universitários. frequência foram: maconha (19,9%), anfetamínicos alucinógenos, ecstasy e esteróides anabolizantes que

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Substância Psicotrópica/ Uso nos últimos Uso nos últimos (18,1%), inalantes (16,6%) e tranquilizantes (14,7%). as mulheres, para todas as medidas de uso. Já as mu-
Uso na vida (%) Para o uso nos últimos 12 meses, as drogas mais lheres consomem mais anfetamínicos, tranquilizan-
Medida de uso 12 meses (%) 30 dias (%)
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Álcool 86,2 72 60,5 consumidas por universitários do sexo masculino tes e analgésicos opiáceos que os homens, para todas
Produtos de Tabaco 46,7 27,8 21,6 foram: maconha (19,8%), inalantes (9,1%), alucinó- as medida de uso. (Tabela 2.2)
Uso de Drogas Ilícitas 48,7 35,8 25,9
Maconha/ Haxixe/ Skank 26,1 13,8 9,1
Inalantes e Solventes 20,4 6,5 2,9
Cocaína (Pó) 7,7 3 1,8
Merla 0,8 0,1 0,1
Crack 1,2 0,2 0,2
Alucinógenos 7,6 4,5 2,8
Cetamina® 0,8 0,6 0,6
Chá de Ayahuasca 1,4 0,9 0,2
Ecstasy 7,5 3,1 1,9
Esteróides Anabolizantes 3,8 0,9 0,5
Tranquilizantes e Ansiolíticos 12,4 8,4 5,8
56 57
Sedativos ou Barbitúricos 1,7 1,1 0,9
Analgésicos Opiáceos 5,5 3,8 2
Xaropes à Base de Codeína 2,7 1 0,7
Anticolinérgicos 1,2 0,6 0,4
Heroína 0,2 0,1 0
Anfetamínicos 13,8 10,5 8,7
Drogas Sintéticas 2,2 1,1 0,8
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Tabela 2.2: Prevalência de uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias de substâncias psico- Tabela 2.3: Prevalência de uso na vida de substâncias psicoativas, conforme a faixa etária dos universi-
ativas, conforme o gênero dos universitários. tários.
Uso nos últimos Uso nos últimos Substância Psicotrópica/ Uso na vida (%)
Substância Psicotrópica/ Uso na vida (%)
12 meses (%) 30 dias (%) Medida de uso
Medida de uso Total Até 18 anos De 18-24 anos De 25-34 anos Acima de 35 anos
Masculino Feminino Masculino Feminino Masculino Feminino
Álcool 86,2 79,2 89,3 82,4 83,3
Álcool 90,3 83,1 77,3 68 66,6 55,8
Produtos de Tabaco 46,7 26,7 45,5 47,4 54,6
Produtos de Tabaco 51,7 42,9 31,8 24,8 23,5 20,1
Uso de Drogas Ilícitas 48,7 22,8 45,7 51,9 59,8
Uso de Drogas Ilícitas 52,8 45,6 36,9 35 25,4 26,3
Maconha/ Haxixe/ Skank 26,1 5,9 26,9 29 21,1
Maconha/ Haxixe/ Skank 34,5 19,9 19,8 9,2 13 6,1
Inalantes e Solventes 20,4 5,6 21,6 20,5 17,5
Inalantes e Solventes 25,5 16,6 9,1 4,7 3,6 2,4
Cocaína (Pó) 7,7 0,7 5,3 10,5 13,9
Cocaína (Pó) 11,3 5 4,8 1,6 2,4 1,4
Merla 0,8 0 0,4 1,8 0,5
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Merla 1,3 0,3 0,2 0,1 0,1 0,1


Crack 1,2 0 0,3 2,9 2,4
Crack 2,1 0,5 0,3 0,1 0,3 0,1
Alucinógenos 7,6 2,7 7,9 9,6 3,6
Alucinógenos 11 4,9 6 3,4 3,4 2,4
Cetamina® 0,8 0,6 1 0,5 0,4
Cetamina® 0,6 0,9 0,4 0,8 0,4 0,8
Chá de Ayahuasca 1,4 0,1 0,9 2,7 1,5
Chá de Ayahuasca 1,9 1 0,9 0,8 0,2 0,1
Ecstasy 7,5 0,9 7,5 11,2 1,8
Ecstasy 11 4,9 4,7 1,9 2,8 1,3

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Esteróides Anabolizantes 3,8 5,3 1,9 7,2 5,4
Esteróides Anabolizantes 8,1 0,4 2 0,2 1,1 0 Tranquilizantes e Ansiolíticos 12,4 4,5 8,9 14,9 23,9
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Tranquilizantes e Ansiolíticos 9,3 14,7 5,6 10,3 3,5 7,4 Sedativos ou Barbitúricos 1,7 0,5 1,1 1,1 5,5
Sedativos ou Barbitúricos 1,4 1,9 0,4 1,6 0,2 1,4 Analgésicos Opiáceos 5,5 1,2 4,6 6,4 8,5
Analgésicos Opiáceos 4,4 6,3 2,2 4,8 1 2,7 Xaropes à Base de Codeína 2,7 1,3 2,3 3,9 2,6
Xaropes à Base de Codeína 2,3 2,9 0,8 1,2 0,2 1,1 Anticolinérgicos 1,2 0,1 0,8 1,6 2,2
Anticolinérgicos 1,1 1,2 0,6 0,6 0,2 0,5 Heroína 0,2 1,3 0,1 0,5 0
Heroína 0,5 0 0,1 0 0,1 0 Anfetamínicos 13,8 5,9 10 17,9 23,6
Anfetamínicos 8,1 18,1 5,5 14,1 4,4 11,7 Drogas Sintéticas 2,2 0 2,1 3,3 0,9
Drogas Sintéticas 2,7 1,8 1 1,1 0,5 1

O relato de uso na vida de produtos de tabaco universitários de idade acima de 35 anos, para todas
aumentou com a idade do universitário, o que parece as medidas de uso. Analisado o perfil de uso de cada
refletir uma maior oportunidade de consumo com o uma das substâncias, o consumo tende a ser maior
aumento cumulativo do tempo de vida, assim como entre os estudantes de faixas etárias intermediárias
uma menor tendência de consumo por parte dos (18 a 24 anos e 25 a 34 anos), especialmente para as
58 universitários mais jovens. As diferenças quanto ao medida de uso nos últimos 12 meses e nos últimos 30 59
uso nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias, entre as dia. A exceção é para o uso de tranquilizantes e anfe-
faixas etárias, não foram tão evidentes. A frequência tamínicos, evidenciado com maior frequência entre
de uso de substâncias ilícitas também aumentou com os universitários com mais de 35 anos, para todas as
a idade do universitário, tendo sido maior para os medidas de uso. (Tabelas 2.3, 2.4 e 2.5)
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Tabela 2.4: Prevalência de uso nos últimos 12 meses de substâncias psicoativas conforme a faixa etária Tabela 2.5: Prevalência de uso nos últimos 30 dias de substâncias psicoativas, conforme a faixa etária dos
dos universitários. universitários.
Substância Psicotrópica/ Uso nos últimos 12 meses (%) Substância Psicotrópica/ Uso nos últimos 30 dias (%)
Medida de uso Total Até 18 anos De 18-24 anos De 25-34 anos Acima de 35 anos Medida de uso Total Até 18 anos De 18-24 anos De 25-34 anos Acima de 35 anos
Álcool 72 72,3 75,7 67,3 66,2 Álcool 60,5 50,7 64,1 56,8 53,4
Produtos de Tabaco 27,8 24 27,3 28,3 29,8 Produtos de Tabaco 21,6 21 19,1 23,4 30
Uso de Drogas Ilícitas 35,8 18,1 35,5 36,3 39,2 Uso de Drogas Ilícitas 25,9 8,7 24,8 27 31,4
Maconha/ Haxixe/ Skank 13,8 5,6 16,9 12,5 4,2 Maconha/ Haxixe/ Skank 9,1 21 19,1 23,4 30
Inalantes e Solventes 6,5 4,5 9,7 3 0,2 Inalantes e Solventes 2,9 1,6 4,2 1,3 0,2
Cocaína (Pó) 3 0,8 3,5 3,5 0,3 Cocaína (Pó) 1,8 0,8 2 2,4 0,3
Merla 0,1 0 0,1 0,2 0 Merla 0,1 0 0,1 0,2 0
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Crack 0,2 0 0,1 0,4 0 Crack 0,2 0 0,1 0,4 0


Alucinógenos 4,5 3,1 6,2 3,1 0 Alucinógenos 2,8 2,5 4,2 1,1 0
Cetamina® 0,6 0 1 0 0 Cetamina® 0,6 0 1 0 0,1
Chá de Ayahuasca 0,9 0 0,8 1,5 0,1 Chá de Ayahuasca 0,2 0 0,2 0,1 0
Ecstasy 3,1 0,7 4,3 2,2 0 Ecstasy 1,9 0,7 2,5 1,7 0

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Esteróides Anabolizantes 0,9 1,4 0,8 1,5 0,1 Esteróides Anabolizantes 0,5 1,4 0,4 0,7 0
Tranquilizantes e Ansiolíticos 8,4 2,8 6,5 8,3 16,7 Tranquilizantes e Ansiolíticos 5,8 0,1 4,5 5,8 11,9
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Sedativos ou Barbitúricos 1,1 0,3 0,7 0,2 4,8 Sedativos ou Barbitúricos 0,9 0 0,7 0,1 3,4
Analgésicos Opiáceos 3,8 1,3 3,7 2,6 6,8 Analgésicos Opiáceos 2 1 1,9 1,4 3,7
Xaropes à Base de Codeína 1 0,2 1,3 0,9 0,1 Xaropes à Base de Codeína 0,7 0,2 1,1 0,2 0,1
Anticolinérgicos 0,6 0 0,4 0,7 1,2 Anticolinérgicos 0,4 0 0,2 0,4 1,3
Heroína 0,1 1,5 0 0 0 Heroína 0 1,4 0 0 0
Anfetamínicos 10,5 6,6 7,3 13,7 18,6 Anfetamínicos 8,7 2,7 5,7 11,6 16,5
Drogas Sintéticas 1,1 0 1,6 0,7 0 Drogas Sintéticas 0,8 0 1,3 0,2 0

Os universitários de instituições privadas re- nos últimos 30 dias. Os inalantes ocupam a segunda
lataram uso mais frequente de produtos de tabaco, posição para as medidas de uso na vida e nos últimos
para todas as medidas pesquisadas. O uso de subs- 12 meses, para ambos os tipos de IES, sendo substi-
tâncias ilícitas (geral) é mais frequente entre os uni- tuídos pelos tranquilizantes (nas instituições públi-
versitários das instituições privada, para todas as me- cas) e pelos anfetamínicos (nas instituições privadas)
60 didas de uso. A maconha é a substância psicoativa para a medida de uso nos últimos 30 dias. É notável 61
mais frequentemente consumida pelos estudantes o maior uso de anfetamínicos, alucinógenos, ecstasy,
das instituições públicas (para todas as medidas), tranquilizantes e analgésicos opiáceos entre os uni-
perfil também observado para os universitários das versitários da rede privada de ensino. (Tabela 2.6)
instituições privadas, com exceção da medida de uso
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Tabela 2.6: Prevalência de uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias de substâncias psico- Tabela 2.7: Prevalência de uso na vida de substâncias psicoativas, conforme a Região Administrativa.
ativas, conforme o tipo de IES.
Uso nos últimos Uso nos últimos Substância Psicotrópica/ Uso na vida (%)
Substância Psicotrópica/ Uso na vida (%)
12 meses (%) 30 dias (%) Medida de uso
Medida de uso Total Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Pública Privada Pública Privada Pública Privada
Álcool 86,2 73,5 84,9 86,8 92,1 86,8
Álcool 88 85,7 75 71,2 61,1 60,3
Produtos de Tabaco 27,8 17,9 18,1 30,7 32,2 24
Produtos de Tabaco 35,6 49,7 19,6 29,9 13,2 23,7
Uso de Drogas Ilícitas 48,7 30 39 52,6 47,4 44,1
Uso de Drogas Ilícitas 36,5 52 27,2 37,9 16,1 28,4
Maconha/ Haxixe/ Skank 26,1 12,3 14,3 29,9 32 21,7
Maconha/ Haxixe/ Skank 18,2 28,3 11,8 14,3 7 9,6
Inalantes e Solventes 20,4 6,6 22 21,3 14,1 18,5
Inalantes e Solventes 17 21,4 6,6 6,5 1,7 3,2
Cocaína (Pó) 7,7 4,8 3,5 9,1 7,5 6,2
Cocaína (Pó) 3,9 8,8 2,1 3,2 0,7 2,1
Merla 0,8 1,3 0,2 0,8 0,3 1,4
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Merla 0,2 0,9 0 0,2 0 0,2


Crack 1,2 0,2 0,5 1,5 1,4 1
Crack 0,5 1,4 0,3 0,1 0,3 0,1
Alucinógenos 7,6 2,4 3,3 8,6 10,4 8,8
Alucinógenos 4,3 8,5 3,2 4,8 1,3 3,2
Cetamina® 0,8 0,6 0,4 0,9 0,2 0,9
Cetamina® 0,3 0,9 0,1 0,7 0,1 0,8
Chá de Ayahuasca 1,4 1,6 0,6 1,6 1,3 0,9
Chá de Ayahuasca 1 1,5 0,6 0,9 0,4 0,1
Ecstasy 7,5 2,4 2,7 9 7,8 6,5

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Ecstasy 3,2 8,7 1,2 3,5 0,3 2,3
Esteróides Anabolizantes 3,8 2,6 2,7 4,3 0,8 3,1
Esteróides Anabolizantes 1,6 4,4 1,1 0,9 0,1 0,6
Tranquilizantes e Ansiolíticos 12,4 7,4 11,7 13 12,4 10,5
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Tranquilizantes e Ansiolíticos 9,1 13,3 5,7 9 3,6 6,3


Sedativos ou Barbitúricos 1,7 0,8 1,1 1,8 2,1 2,3
Sedativos ou Barbitúricos 1 1,9 0,7 1,2 0,6 1
Analgésicos Opiáceos 5,5 5,2 4,4 5,7 6,9 5,9
Analgésicos Opiáceos 3,7 6 2,8 4 1,4 2,1
Xaropes à Base de Codeína 2,7 2,5 1,4 2,9 2,4 3,3
Xaropes à Base de Codeína 1,3 3 0,9 1,1 0,4 0,8
Anticolinérgicos 1,2 0,8 0,7 1,3 0,9 1,3
Anticolinérgicos 0,6 1,3 0,3 0,6 0,1 0,5
Heroína 0,2 0,1 0,1 0,2 0,2 0,4
Heroína 0 0,3 0 0,1 0 0,1
Anfetamínicos 13,8 5,3 6,2 16,8 9,5 8,8
Anfetamínicos 5,5 16 3 12,3 2 10,3
Drogas Sintéticas 2,2 0,7 0,4 2,8 1,5 1,4
Drogas Sintéticas 0,7 2,6 0,4 1,2 0,1 1

Em relação à média nacional, os universitários das nas regiões Sul e Sudeste, menos frequente nas re-
regiões Nordeste e Norte apresentaram as menores fre- giões Norte e Nordeste, com a região Centro-Oeste
quências de uso de produtos de tabaco para as medidas ocupando uma posição intermediária. A maconha é
de uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias. a substância mencionada com mais frequência (para
Já os universitários da região Sudeste relataram uma todas as medida de uso), tendo sido superada pelos
62 frequência de uso um pouco acima da média nacional, inalantes na região Nordeste (para o uso na vida e 63
para a medida de uso na vida, enquanto os universitá- nos últimos 12 meses) e pelos anfetamínicos na região
rios da região Sul o fizeram para as medidas de uso nos Sudeste (para o uso nos últimos 30 dias). Diferenças
últimos 12 meses e nos últimos 30 dias. com relação à ordem das drogas consumidas com
O relato de consumo de qualquer substância maior frequência podem ser identificadas conforme
psicoativa (exceto álcool e tabaco) é mais frequente a região do País. (Tabelas 2.7, 2.8 e 2.9)
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Tabela 2.8: Prevalência de uso nos últimos 12 meses de substâncias psicoativas, conforme a Região Tabela 2.9: Prevalência de uso nos últimos 30 dias de substâncias psicoativas, conforme a Região
Administrativa. Administrativa.

Substância Psicotrópica/ Uso nos últimos 12 meses (%) Substância Psicotrópica/ Uso nos últimos 30 dias (%)
Medida de uso Medida de uso Total Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Total Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Álcool 72 56,8 70,6 72,3 86,3 73,3 Álcool 60,5 45,5 56,2 61,5 73,9 61,5
Produtos de Tabaco 27,8 17,9 18,1 30,7 32,2 24 Produtos de Tabaco 21,6 14,1 13,3 23,9 25,8 18,9
Uso de Drogas Ilícitas 35,8 21,3 28,3 38,3 45,9 30,6 Uso de Drogas Ilícitas 25,9 14,4 17,2 28,7 32,1 20,2
Maconha/ Haxixe/ Skank 13,8 7 8,6 14,8 24,5 14,4 Maconha/ Haxixe/ Skank 9,1 4,3 5,2 9,9 14,8 9,7
Inalantes e Solventes 6,5 1,7 9,4 6,3 2,8 6 Inalantes e Solventes 2,9 1 2,9 3,1 0,9 2,7
Cocaína (Pó) 3 1,3 2 3,2 4,2 3,7 Cocaína (Pó) 1,8 0,8 0,9 2 2,4 2,2
Merla 0,1 0,3 0 0,1 0,2 0,3 Merla 0,1 0,1 0 0,1 0 0,2
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Crack 0,2 0,1 0,2 0,2 0,2 0,1 Crack 0,2 0 0,2 0,2 0,2 0,1
Alucinógenos 4,5 1,4 2,5 4,9 9,2 5,2 Alucinógenos 2,8 0,4 1,6 3,2 4,6 2,7
Cetamina® 0,6 0,1 0,1 0,8 0 0,4 Cetamina® 0,6 0,1 0,1 0,8 0 0,4
Chá de Ayahuasca 0,9 0,7 0,2 1,1 0,6 0,4 Chá de Ayahuasca 0,2 0,6 0,1 0,1 0,3 0,1
Ecstasy 3,1 0,9 1,5 3,5 3,8 3,2 Ecstasy 1,9 0,5 0,6 2,4 1,3 1,1

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Esteróides Anabolizantes 0,9 1,1 1,2 0,8 0,3 0,9 Esteróides Anabolizantes 0,5 0,4 0,5 0,5 0,3 0,3
Tranquilizantes e Ansiolíticos 8,4 4,2 7,5 8,8 11,1 6,2 Tranquilizantes e Ansiolíticos 5,8 2,7 5,1 6,2 6,4 3,9
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Sedativos ou Barbitúricos 1,1 0,4 0,6 1,4 0,6 0,6 Sedativos ou Barbitúricos 0,9 0,3 0,5 1,1 0,5 0,4
Analgésicos Opiáceos 3,8 4 3,4 3,6 7,4 4,3 Analgésicos Opiáceos 2 2,9 2 1,8 3,8 2,7
Xaropes à Base de Codeína 1 1,4 0,8 0,9 1,9 1,9 Xaropes à Base de Codeína 0,7 0,8 0,5 0,7 0,9 1,7
Anticolinérgicos 0,6 0,6 0,4 0,6 0,4 0,9 Anticolinérgicos 0,4 0,4 0,2 0,4 0,2 0,4
Heroína 0,1 0 0,2 0 0,3 0,3 Heroína 0 0 0,2 0 0 0,3
Anfetamínicos 10,5 3,5 3,3 13,1 6,8 4,9 Anfetamínicos 8,7 2,1 2,7 10,9 5,1 3,8
Drogas Sintéticas 1,1 0,8 0,2 1,3 1,6 0,7 Drogas Sintéticas 0,8 0,1 0,1 1 0,6 0,6

64 65
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Para as três medidas de uso (na vida, nos últimos as medidas de uso nos últimos 12 meses e nos últimos Quanto à interferência do período de estudo, vespertino e noturno) e para todas as medidas de
12 meses e nos últimos 30 dias) houve uma frequência 30 dias. Já entre os universitários de Ciências Exatas, os universitários do período matutino (para uso na uso. Para o uso na vida, a maconha e os inalantes
maior de uso de produtos de tabaco entre os univer- o uso de maconha (na vida, nos últimos 12 meses e nos vida) e do período noturno (para uso nos últimos 12 foram as substâncias mais consumidas; para o uso
sitários das Ciências Humanas. A frequência do uso últimos 30 dias) é relativamente mais frequente que os meses e nos últimos 30 dias) relataram maior consumo nos últimos 12 meses, a maconha, os tranquilizantes
de substâncias ilícitas é maior entre os universitários demais tipos de substâncias. Entre os estudantes das de produtos de tabaco, enquanto que o menor relato e os anfetamínicos foram as substâncias mais con-
das Humanas, para as três medidas de uso pesquisa- Ciências Humanas, o consumo de maconha é o mais de uso foi observado entre os universitários de cursos sumidas; nos últimos 30 dias, a maconha e os anfeta-
das (uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 frequente (para todas as medidas de uso) e aproxima- de período integral. mínicos foram as substâncias mais frequentemente
dias). Entre os estudantes da área de Biológicas, o uso do ao uso de anfetamínicos para as medidas de uso Pode ser observada uma maior frequência de mencionadas (os tranquilizantes apareceram em
de anfetamínicos ultrapassa o uso de maconha para nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias. (Tabela 2.10) uso de substâncias ilícitas (na vida, no ano e no mês) segundo lugar entre os universitários do período
entre os estudantes do período noturno, seguidos vespertino; já no período noturno, os uso de anfe-
Tabela 2.10: Prevalência de uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias de substâncias psico- pelos do período matutino. A maconha é a substân- tamínicos superou o uso de maconha nos últimos 30
ativas, conforme a área de estudos. cia mais frequentemente usada pelos universitários dias que, nesse caso, apareceu em segundo lugar).
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Uso nos últimos Uso nos últimos de todos os períodos de estudo (integral, matutino, (Tabelas 2.11, 2.12 e 2.13)
Substância Uso na vida (%)
Psicotrópica/Medida 12 meses (%) 30 dias (%)
de uso Biológicas Exatas Humanas Biológicas Exatas Humanas Biológicas Exatas Humanas Tabela 2.11: Prevalência de uso na vida de substâncias psicoativas, conforme o período de estudos.
Álcool 86,5 86,1 86,2 73,3 74,7 71,3 59,7 64,9 59,7 Substância Psicotrópica/ Uso na vida (%)
Produtos de Tabaco 43,3 41 48,9 19,9 26,4 29,9 15,8 19,9 23 Medida de uso Total Integral Matutino Vespertino Noturno

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Uso de Drogas Ilícitas 46,9 43,9 50,5 33,3 34,1 37,3 23,9 20,9 27,9 Álcool 86,2 88,3 88 85,9 85,1
Maconha/ Haxixe/
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

17,8 25,6 28,3 10 15,9 14,3 6,6 8,7 9,8 Produtos de Tabaco 46,7 35,7 50,5 42,7 48,9
Skank
Uso de Drogas Ilícitas 48,7 41,5 48,1 40,1 52,6
Inalantes e Solventes 19,1 21,9 20,4 6,4 7,1 6,6 2,2 2,8 3,1
Maconha/ Haxixe/ Skank 26,1 17,4 27,2 21,8 29,1
Cocaína (Pó) 5,7 6,8 8,5 2,6 2,5 3,1 1,2 1,2 2 Inalantes e Solventes 20,4 16,7 20,8 17,7 22,2
Merla 0,4 0,9 0,8 0,1 0 0,2 0 0 0,2 Cocaína (Pó) 7,7 5 5,9 6,7 9,7
Crack 0,1 1,6 1,3 0 0,2 0,2 0 0,2 0,2 Merla 0,8 0,6 0,7 0,2 1
Alucinógenos 5,1 8,9 7,8 3,1 5,9 4,4 1,5 2,7 3,3 Crack 1,2 0,9 0,8 3,4 1,3
Alucinógenos 7,6 5,3 7,2 9,8 8,1
Cetamina® 0,2 0,4 1 0,1 0 0,9 0 0 0,9
Cetamina® 0,8 0,2 0,2 1,5 1,1
Chá de Ayahuasca 0,6 1,8 1,4 0,3 0,2 1,1 0,1 0 0,2 Chá de Ayahuasca 1,4 2 1 1,6 1,5
Ecstasy 4,8 8,9 7,8 2,2 4,3 2,9 0,9 1,9 2,2 Ecstasy 7,5 3,8 7,8 8 8,3
Esteróides Esteróides Anabolizantes 3,8 2,1 2 3,8 5,3
2,1 4,8 3,9 1,4 1,2 0,8 1 0,8 0,3
Anabolizantes
Tranquilizantes e Ansiolíticos 12,4 10,7 12,6 11,7 13
Tranquilizantes e
14,4 9,9 12,2 7,3 4,8 9,4 5,2 3,8 6,3 Sedativos ou Barbitúricos 1,7 1 1,1 0,8 2,3
Ansiolíticos
66 Analgésicos Opiáceos 5,5 6,5 4,1 2,5 6,5 67
Sedativos ou
0,7 2 1,9 0,2 0,7 1,5 0,3 0,7 1,1 Xaropes à Base de Codeína 2,7 2,3 3 3,4 2,3
Barbitúricos
Analgésicos Opiáceos 7,8 2 5,9 4,8 1,8 4 3,1 0,8 2 Anticolinérgicos 1,2 1,3 1,1 1,9 1,1
Xaropes À Base Heroína 0,2 0,2 0,1 0,1 0,3
4,3 1 2,7 0,7 0,7 1,2 0,4 0,5 0,9
De Codeína Anfetamínicos 13,8 9,5 14,1 6,1 16,3
Anticolinérgicos 0,8 0,3 1,6 0,8 0,1 0,7 0,7 0,1 0,4 Drogas Sintéticas 2,2 1,1 1,2 4,3 2,8
Heroína 0,2 0,9 0,1 0,2 0 0 0,2 0 0
Anfetamínicos 14,2 8,6 15,3 11,3 6,4 11,5 10 4,2 9,5
Drogas Sintéticas 0,9 2,1 2,5 0,6 0,2 1,4 0 0 1,2
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Tabela 2.12: Prevalência de uso nos últimos 12 meses de substâncias psicoativas conforme o período Tabela 2.13: Prevalência de uso nos últimos 30 dias de substâncias psicoativas, conforme o período
de estudos. de estudos.
Substância Psicotrópica/ Uso nos últimos 12 meses (%) Substância Psicotrópica/ Uso nos últimos 30 dias (%)
Medida de uso Total Integral Matutino Vespertino Noturno Medida de uso Total Integral Matutino Vespertino Noturno
Álcool 72 73,2 71,2 72,7 72,5 Álcool 60,5 60,7 59 58 62,3
Produtos de Tabaco 27,8 20,6 22,7 26,9 32,8 Produtos de Tabaco 21,6 15,7 18,5 17,9 25,2
Uso de Drogas Ilícitas 35,8 29,5 35,8 29,1 38,4 Uso de Drogas Ilícitas 25,9 20,3 23,8 22,3 29,1
Maconha/ Haxixe/ Skank 13,8 11,2 14,6 14 14 Maconha/ Haxixe/ Skank 9,1 7,7 9,4 8,9 9,3
Inalantes e Solventes 6,5 5,9 7,3 6,4 6,4 Inalantes e Solventes 2,9 2,6 2,2 2,4 3,5
Cocaína (Pó) 3 4,1 2,5 3,4 2,9 Cocaína (Pó) 1,8 1,8 1,2 2,2 2,1
Merla 0,1 0,4 0,2 0,1 0 Merla 0,1 0,4 0,2 0 0
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Crack 0,2 0,5 0,1 0,5 0 Crack 0,2 0,5 0,1 0,6 0
Alucinógenos 4,5 3,5 4,2 6,5 4,6 Alucinógenos 2,8 2,1 2,4 4 3
Cetamina® 0,6 0,1 0 1,8 0,9 Cetamina® 0,6 0 0 1,9 1
Chá de Ayahuasca 0,9 1,7 0,9 0,2 0,7 Chá de Ayahuasca 0,2 0,1 0,2 0,2 0,1
Ecstasy 3,1 1,7 3 5,6 3,1 Ecstasy 1,9 0,8 1,8 2,7 2,1

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Esteróides Anabolizantes 0,9 0,9 1,1 0,7 0,9 Esteróides Anabolizantes 0,5 0,3 0,8 0,8 0,3
Tranquilizantes e Ansiolíticos 8,4 6,8 6,9 8,6 9,8 Tranquilizantes e Ansiolíticos 5,8 4,6 4,9 7,7 6,5
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Sedativos ou Barbitúricos 1,1 0,4 0,5 0,8 1,8 Sedativos ou Barbitúricos 0,9 0,4 0,2 0,9 1,4
Analgésicos Opiáceos 3,8 3 2,9 1,6 4,7 Analgésicos Opiáceos 2 2 2 0,7 2,2
Xaropes à Base de Codeína 1 0,8 0,5 0,4 1,2 Xaropes à Base de Codeína 0,7 0,3 0,4 0,3 1,1
Anticolinérgicos 0,6 0,9 0,2 0,3 0,8 Anticolinérgicos 0,4 0,8 0,1 0,1 0,5
Heroína 0,1 0,2 0 0,1 0 Heroína 0 0,2 0 0 0
Anfetamínicos 10,5 6,8 9,6 3,4 13,3 Anfetamínicos 8,7 6 6,9 3,2 11,3
Drogas Sintéticas 1,1 0,7 0,4 1,8 1,5 Drogas Sintéticas 0,8 0 0,1 1,8 1,3

2.3.2. Idade de início do uso idade). Os homens tendem a iniciar o uso de drogas
de drogas mais precocemente que as mulheres, exceto em rela-
ção ao uso de álcool, produtos de tabaco, alucinógenos
Considerando-se a média da idade de início de e esteróides anabolizantes, em que homens e mulhe-
uso de cada uma das substâncias psicoativas, os xaro- res iniciaram o uso em época semelhante. A iniciação
pes à base de codeína, álcool, sedativos/barbitúricos, do uso de ecstasy, sedativos/barbitúricos e xaropes á
68 produtos de tabaco e inalantes foram as drogas usadas base de cocaína foi mais precoce entre as mulheres. 69
mais precocemente na vida (em ordem crescente de Aqui, acredita-se que, para o uso de xaropes à base de
idade). Em contraposição, tranqüilizantes/ansiolíticos, codeína tenha havido um equívoco entre as mulheres
anfetamínicos, chá de ayhauasca, crack e analgésicos quanto ao uso terapêutico e ilícito da substância, uma
opiáceos foram as cinco substâncias cujo uso iniciou vez que registrou-se como 5,2 a idade média de início
mais tardiamente na vida (em ordem decrescente de entre elas (Tabela 2.14)
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Tabela 2.14: Idade de início do uso de drogas distribuído conforme a substância psicoativa e o gênero Tabela 2.15: Risco moderado a alto para dependência de nicotina entre os universitários conforme a Re-
do universitário. gião Administrativa, tipo de IES, área e período de estudos, gênero e idade do universitário.
Gênero (%)
Substância Psicoativa Média Geral (%) Variável Risco (ao menos moderado) %
Masculino Feminino
Álcool 15,3 15 15,5 Gênero
Produtos de Tabaco 16 15,9 16 Masculino 18,9
Uso de Drogas Ilícitas 18,9 17,5 20,1 Feminino 22,7
Maconha/ Haxixe/ Skank 17,7 17 18,4
Inalantes e Solventes 16,9 16,6 17,3 Faixa etária
Cocaína (Pó) 19,3 19 19,9 Até 18 anos 0
Merla 17,1 16,8 18,9 De 18-24 anos 17
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Crack 21,1 20,9 21,8 De 25-34 anos 16,6


Alucinógenos 19,5 19,5 19,5 Acima de 35 anos 41,7
Cetamina® 20,9 19,2 21,6
Chá de Ayahuasca 21,6 20,6 22,4 Região Administrativa
Ecstasy (Mdma) 20,5 20,8 19,9 Norte 11,9
Nordeste 11,9

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Esteróides Anabolizantes 19,6 19,6 19,9
Tranquilizantes e Ansiolíticos 23,9 23,3 24,2 Sudeste 22,5
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Sedativos ou Barbitúricos 15,9 17 15,2 Sul 12,7


Analgésicos Opiáceos 21,1 20,2 21,6 Centro-Oeste 18
Xaropes à Base de Codeína 8,3 17 5,2
Anticolinérgicos 18,5 18,1 18,6 Tipo de Instituição
Heroína 19,1 19,1 21 Pública 12
Anfetamínicos 23,4 20,6 24,1 Privada 21,8
Drogas Sintéticas 20,1 19,4 20,8
Área de concentração dos Estudos
Integral 33,1
2.3.3. Estimativas de abuso e ASSIST, esse instrumento de pesquisa foi detalhado Matutino 13
dependência na seção da Metodologia. Vespertino 16,4
Nesse sentido, a prevalência de universitários Noturno 22,1

2.3.3.1. Produtos de Tabaco com dependência de nicotina, de risco pelo menos


moderado, parece sofrer interferência do estrato TOTAL 20,9
70 Conforme os critérios do Alcohol, Smoking and considerado. Quanto à região do País, menores pre- 71
Substance Involvement Screening Test (ASSIST), valências foram encontradas nas regiões Norte, Nor-
quase 22% dos universitários respondentes têm um deste e Sul. Para os demais estratos, uma prevalência
risco, de moderado a alto, de desenvolver dependência maior de universitários com respostas sugestivas de
aos produtos de tabaco. dependência de nicotina (ao menos moderada) foi
Entretanto, nesse relatório, a taxa de tabagismo encontrada para as instituições privadas, para os cur-
entre os universitários será avaliada conforme os cri- sos de Ciências Biológicas, de período integral, para
térios do Teste de Fagerstom, mais específico para a universitários do sexo feminino e com mais de 35
detecção desse transtorno de uso. Assim como para o anos de idade. (Tabela 2.15)
2.3.3.2. Outras substâncias

CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
e 0,4% entre os usuários de tranquilizantes (uso Entre os universitários do sexo masculino, com 5,9%) e tranquilizantes (4,3%). O consumo
psicoativas (exceto álcool - ASSIST) recreacional, sem indicação médica). Como essas as drogas mais frequentemente associadas a uso de risco para maconha foi maior entre os homens
prevalências foram muito baixas, os resultados se- de risco, ao menos moderado, foram: maconha (10,5%), enquanto que o uso de risco de anfetamí-
A estimativa do padrão de uso nocivo ou de- rão avaliados de forma conjunta, em que será con- (10,5%); cloridrato de cocaína (2,4%) e ecstasy nicos e tranquilizantes foi maior entre as mulheres,
pendência das substâncias psicoativas pesquisadas siderado o risco, ao menos moderado, para o de- (cada uma com 2,2%). Entre as mulheres, as subs- com frequências de 5,9% e 4,3%, respectivamente,
foi avaliada por meio dos critérios do Alcohol, senvolvimento de dependência para cada uma das tâncias mais associadas ao uso de risco (moderado o que pode sugerir uma possível interferência de
Smoking and Substance Involvement Screening substâncias psicoativas. Assim, observou-se que as ou alto) foram: maconha e anfetamínicos (ambos gênero. (Tabela 2.17)
Test (ASSIST). substâncias psicoativas mais associadas a um uso
Uma parcela muito pequena dos universitá- de risco foram: maconha (8,4%), anfetamínicos Tabela 2.17: Prevalência de universitários que realizam um uso de risco (ao menos moderado), para cada
rios preencheu os critérios para um uso de alto (3,8%) e tranquilizantes (3,4%). Num patamar um uma das substâncias psicoativas, conforme o gênero.
risco para o desenvolvimento de dependência de pouco abaixo, encontra-se o cloridrato de cocaína ASSIST
substâncias psicoativas. A maior frequência (de (1,8%), ecstasy (1,6%), alucinógenos (1,3%) e ina- Substância Psicotrópica Risco Moderado (%) Risco Alto (%)
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

0,6%) foi observada entre os usuários de maconha lantes (1,2%). (Tabela 2.16) Total Masculino Feminino Total Masculino Feminino
Maconha/Haxixe/Skank 7,8 10,5 5,6 0,6 0 0,4
Tabela 2.16: Prevalência de universitários que realizam um uso de risco (ao menos moderado) para Solventes ou Inalantes 1,2 1,5 1 0 0 0
cada uma das substâncias psicoativas. Cocaína 1,8 2,4 1,3 0 0 0
Risco Moderado (%) Risco Alto (%) Merla 0,1 0 0,2 0 0 0

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Substância Psicotrópica
Total Total Crack 0,1 0,1 0,1 0 0 0
Maconha/Haxixe/Skank 7,8 0,6
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Alucinógenos 1,3 1,3 1,3 0 0 0


Solventes ou Inalantes 1,2 0 Cetamina® 0,2 0,3 0,1 0 0 0
Cocaína 1,8 0 Chá de Ayahuasca 0,2 0,2 0,2 0 0 0
Merla 0,1 0 Ecstasy 1,6 2,2 1,2 0 0 0
Crack 0,1 0 Esteróides Anabolizantes 0,5 1,1 0,1 0 0 0
Alucinógenos 1,3 0 Tranquilizantes/ Ansiolíticos 3 1,9 3,8 0,4 0 0,5
Cetamina® 0,2 0 Sedativos ou Barbitúricos 0,3 0,2 0,4 0 0 0,1
Chá de Ayahuasca 0,2 0 Analgésicos opiáceos 0,9 0,4 1,3 0 0 0
Ecstasy 1,6 0 Xaropes à Base de Codeína 0,4 0,4 0,3 0 0 0
Esteróides Anabolizantes 0,5 0 Anticolinérgicos 0,2 0,1 0,3 0 0 0
Tranquilizantes/ Ansiolíticos 3 0,4 Heroína 0,1 0,1 0,1 0 0 0
Sedativos ou Barbitúricos 0,3 0 Anfetaminas 3,7 1,1 5,9 0 0 0
Analgésicos Opiáceos 0,9 0 Drogas sintéticas 1 0,7 1,2 0 0 0
Xaropes à Base de Codeína 0,4 0
72 Anticolinérgicos 0,2 0 73
Heroína 0,1 0
Anfetaminas 3,7 0
Drogas sintéticas 1 0
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Para os universitários de idade até os 18 anos, tes, anfetamínicos e maconha como as três drogas de Nas instituições públicas e privadas, o uso de tre os universitários das instituições privadas a cada
a maconha, anticolinérgicos e tranquilizantes foram maior uso de risco. risco moderado a alto foi mais associado a maconha, uma dessas substâncias mencionadas (maconha:
as substâncias mais frequentemente associadas a um Ao comparar o uso de risco entre os universitários tranquilizantes e anfetamínicos. Em linhas gerais, o 8,9%, anfetamínicos: 4,4% e tranquilizantes: 3,6%).
uso de risco. Para os estudantes de faixas etárias in- de diferentes faixas etárias, o uso de risco de maconha foi uso de risco foi mais frequentemente observado en- (Tabela 2.19)
termediárias (dos 18 aos 34 anos), as drogas mais maior entre os estudantes de 18 a 24 anos, a utilização de
associadas a esse consumo de risco foram a maconha, tranquilizantes entre os universitários com idade acima Tabela 2.19: Prevalência de universitários que realizam um uso de risco (ao menos moderado) para
anfetamínicos e tranquilizantes. Já os universitários de 35 anos (6,4%) e o uso de risco de anfetamínicos entre cada uma das substâncias psicoativas pesquisadas, conforme a IES.
com mais de 35 anos apresentaram os tranquilizan- os universitários de 25 a 34 anos (5,5%). (Tabela 2.18) Risco Moderado (%) Risco Alto (%)
Substância Psicotrópica
Total Pública Privada Total Pública Privada
Tabela 2.18: Prevalência de universitários que realizam um uso de risco (ao menos moderado), para Maconha/Haxixe/Skank 7,8 6,2 8,2 0,6 0,4 0,7
cada uma das substâncias psicoativas, conforme a faixa etária. Solventes ou Inalantes 1,2 1 1,2 0 0 0
Risco Moderado (%) – ASSIST Cocaína 1,8 1,1 1,9 0 0 0
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Substância Psicotrópica
Total Até 18 anos De 18-24 anos De 25-34 anos Acima de 35 anos Merla 0,1 0,1 0,1 0 0 0
Maconha/Haxixe/Skank 7,8 4,5 9,5 7 2,5 Crack 0,1 0,3 0,1 0 0 0
Solventes ou Inalantes 1,2 0,3 1,7 0,6 0 Alucinógenos 1,3 0,8 1,5 0 0 0
Cocaína 1,8 0,1 1,9 2,5 0,2 Cetamina® 0,2 0,1 0,2 0 0 0
Merla 0,1 0,1 0,2 0 0 Chá de Ayahuasca 0,2 0,1 0,2 0 0 0

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Crack 0,1 0,1 0,2 0,1 0 Ecstasy 1,6 0,9 1,8 0 0 0
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Alucinógenos 1,3 0,1 2 0,6 0 Esteróides Anabolizantes 0,5 0,6 0,5 0 0 0


Cetamina® 0,2 0,1 0,3 0 0 Tranquilizantes/ Ansiolíticos 3 2 3,2 0,4 0,3 0,4
Chá de Ayahuasca 0,2 0,1 0,3 0,1 0 Sedativos ou Barbitúricos 0,3 0,5 0,3 0 0 0
Ecstasy 1,6 0,1 2,4 0,9 0 Analgésicos opiáceos 0,9 0,7 0,9 0 0 0
Esteróides Anabolizantes 0,5 0,1 0,6 0,6 0,1 Xaropes à Base de Codeína 0,4 0,2 0,4 0 0 0
Tranquilizantes/ Ansiolíticos 3 0,6 2,2 3,6 5,7 Anticolinérgicos 0,2 0,1 0,2 0 0 0
Sedativos ou Barbitúricos 0,3 0,1 0,3 0,1 0,7 Heroína 0,1 0,1 0,1 0 0 0
Analgésicos opiáceos 0,9 0,3 0,8 0,6 0,9 Anfetaminas 3,7 1,4 4,4 0 0 0
Xaropes à Base de Codeína 0,4 0,3 0,1 0,7 0,7 Drogas sintéticas 1 0,1 1,3 0 0 0
Anticolinérgicos 0,2 1,5 0,3 0 0
Heroína 0,1 0,1 0,1 0 0
Anfetaminas 3,7 0,1 3 5,4 4,7
Drogas sintéticas 1 0,1 1,4 0,7 0

74 75
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Algumas diferenças regionais puderam ser ob- sitários, enquanto que o uso de risco de anfetamí- Tabela 2.21: Prevalência de universitários que realizam um uso de risco alto, para cada uma das substân-
servadas quanto a um uso de risco para as substân- nicos e tranquilizantes foi identificado com maior cias psicoativas, conforme a Região Administrativa.
cias psicoativas pesquisadas. O uso de risco entre frequência na região Sudeste, entre 4,7% e 3,7% Risco Alto (%)
os universitários das regiões Sul e Sudeste é seme- dos universitários, respectivamente. Substância Psicotrópica
Total Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
lhante, de tal forma que a maconha, anfetamínicos Já nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, Maconha/Haxixe/Skank 0,6 0 0,1 0,8 0,9 0,4
e tranquilizantes foram as drogas mais frequente- o uso de risco esteve mais frequentemente associa- Solventes ou Inalantes 0 0 0 0 0 0
mente associadas a um uso de risco. Para cada uma do à maconha e aos tranquilizantes, entretanto, foi Cocaína 0 0 0 0 0 0
dessas substâncias, o uso de risco foi maior nas re- observada uma diferença quanto à terceira posição:
Merla 0 0 0 0 0 0
giões Sul e Sudeste que nas demais regiões. O uso analgésicos opiáceos (para a região Norte), anfe-
Crack 0 0 0 0 0 0
de risco de maconha foi identificado com maior tamínicos (para a região Nordeste) e alucinógenos
Alucinógenos 0 0 0 0 0 0,1
frequência na região Sul, entre 11,9% dos univer- (para a região Centro-Oeste). (Tabelas 2.20 e 2.21)
Cetamina® 0 0 0 0 0 0
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Chá de Ayahuasca 0 0 0 0 0 0
Tabela 2.20: Prevalência de universitários que realizam um uso de risco moderado, para cada uma das
Ecstasy 0 0 0 0 0 0
substâncias psicoativas, conforme a Região Administrativa.
Esteróides Anabolizantes 0 0 0 0 0 0
Risco Moderado (%)
Substância Psicotrópica Tranquilizantes/ Ansiolíticos 0,4 0 0,4 0,5 0,1 0
Total Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Sedativos ou Barbitúricos 0 0,1 0 0,1 0 0
Maconha/Haxixe/Skank 7,8 4,4 5,3 8,4 11 7,3

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Analgésicos opiáceos 0 0,1 0 0 0 0
Solventes ou Inalantes 1,2 0,8 1,3 1,2 1,1 0,7
Xaropes à Base de Codeína 0 0 0 0 0 0
Cocaína 1,8 0,8 1 1,9 2,8 1,8
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Anticolinérgicos 0 0 0 0 0 0
Merla 0,1 0,2 0,2 0,1 0,4 0,2
Heroína 0 0 0 0 0 0
Crack 0,1 0,1 0,3 0 0,8 0,5
Anfetaminas 0 0 0,1 0 0 0,1
Alucinógenos 1,3 0,3 0,4 1,5 2,5 1,8
Drogas sintéticas 0 0 0 0 0 0
Cetamina® 0,2 0,2 0,1 0,2 0,2 0,1
Chá de Ayahuasca 0,2 0,6 0,2 0,2 0,7 0,2
Ecstasy 1,6 0,5 0,5 2 1,4 0,9
Esteróides Anabolizantes 0,5 0,7 0,7 0,4 0,7 0,9
Tranquilizantes/ Ansiolíticos 3 1,7 2,7 3,2 2,9 2,5
Sedativos ou Barbitúricos 0,3 0,7 0,6 0,2 0,3 0,3
Analgésicos opiáceos 0,9 1,4 1,3 0,7 1,7 1,2
Xaropes à Base de Codeína 0,4 0,7 0,2 0,3 0,6 0,5
Anticolinérgicos 0,2 0,3 0,3 0,2 0,4 0,2
Heroína 0,1 0,6 0,1 0 0,4 0,5
76 Anfetaminas 3,7 1,2 1,6 4,7 3,3 1 77
Drogas sintéticas 1 0,3 0,2 1,3 1,3 0,7
CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
Quanto à interferência da área de estudos, os maconha esteve relacionada a um uso de maior risco. Considerando-se a interferência do período de cocaína e anfetamínicos, sendo que o risco para as três
universitários das Ciências Biológicas e Humanas Em linhas gerais, o uso de risco de maconha (9%), estudo, a maconha foi a substância psicoativa mais fre- primeiras substâncias ultrapassaram a média nacional;
fizeram um uso de risco (ao menos moderado) para de tranquilizantes (4,1%) e de anfetamínicos (4,4%) quentemente associada a um uso de risco (ao menos finalmente, entre os universitários do período notur-
a maconha, anfetamínicos e tranquilizantes. Já en- foram os maiores entre os universitários de Huma- moderado), especialmente entre os universitários do no, houve maior risco para o uso de tranquilizantes e
tre os estudantes da área de Exatas, especialmente a nas. (Tabela 2.22) período matutino (9,9%) e vespertino (9%), cujos ris- anfetamínicos, que ultrapassaram as médias nacionais.
cos foram maiores que a média nacional. Entre os es- Algumas especificidades de uso podem ser observa-
Tabela 2.22: Prevalência de universitários que realizam um uso de risco (ao menos moderado), para cada tudantes do período integral, houve maior risco para o das: o uso de risco de maconha é mais frequente entre
uma das substâncias psicoativas, conforme a área de estudos. uso de cloridrato de cocaína e anfetamínicos; entre os os universitários do período matutino; o uso de risco
Risco Moderado (%) Risco Alto (%) universitários do período matutino, uso de risco para de tranquilizantes e drogas sintéticas é mais comum
Substância
Psicotrópica Total Biológicas Exatas Humanas Total Biológicas Exatas Humanas os tranquilizantes e anfetamínicos; entre os universi- entre os estudantes do período vespertino; e o uso de
Maconha/Haxixe/Skank 7,8 5,5 6,9 8,6 0,6 0,8 1,2 0,4 tários do período vespertino, houve maior risco para o risco de anfetamínicos é mais comum entre os univer-
Solventes ou Inalantes 1,2 0,7 1,7 1,2 0 0 0 0
uso de tranquilizantes, drogas sintéticas, cloridrato de sitários do período noturno. (Tabela 2.23)
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Cocaína 1,8 1,3 1,4 1,8 0 0 0 0


Tabela 2.23: Prevalência de universitários que realizam um uso de risco (ao menos moderado) para cada
Merla 0,1 0,1 0 0,1 0 0 0 0
uma das substâncias psicoativas, conforme o período de estudos.
Crack 0,1 0,1 0,1 0,1 0 0 0 0
Alucinógenos 1,3 0,5 1,1 1,6 0 0 0 0 Substância Risco Moderado (%) Risco Alto (%)
Psicotrópica Total Integral Matutino Vespertino Noturno Total Integral Matutino Vespertino Noturno
Cetamina® 0,2 0,1 0 0,2 0 0 0 0

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Maconha/
Chá de Ayahuasca 0,2 0,1 0,4 0,2 0 0 0 0 7,8 6,1 9,6 8,8 7,3 0,6 1,1 0,3 0,2 0,7
Haxixe/Skank
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Ecstasy 1,6 1,4 1,4 1,8 0 0 0 0


Solventes ou
Esteróides 1,2 0,9 1,3 1,0 1,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
0,5 1,1 0,4 0,4 0 0 0 0 Inalantes
Anabolizantes
Cocaína 1,8 2,7 0,5 2,6 2,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Tranquilizantes/
3 1,6 1,6 3,7 0,4 0,4 0,3 0,4 Merla 0,1 0,0 0,2 0,2 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Ansiolíticos
Crack 0,1 0,1 0,2 0,3 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Sedativos ou
0,3 0,8 0,1 0,2 0 0 0,2 0 Alucinógenos 1,3 0,7 1,6 1,0 1,4 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Barbitúricos
Analgésicos opiáceos 0,9 1,5 0,2 0,9 0 0 0 0 Cetamina® 0,2 0,1 0,1 2,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Xaropes à base Chá de
0,4 0,7 0,1 0,3 0 0 0 0 0,2 0,1 0,1 0,2 0,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
de codeína Ayahuasca
Anticolinérgicos 0,2 0,2 0 0,2 0 0 0 0 Ecstasy 1,6 0,8 1,8 2,5 1,7 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Heroína 0,1 0 0 0,1 0 0 0 0 Esteróides
0,5 0,2 1,1 0,3 0,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Anabolizantes
Anfetaminas 3,7 3,8 1,6 4,4 0 0 0 0
Tranquilizantes/
Drogas sintéticas 1 0,2 0,1 1,3 0 0 0 0 Ansiolíticos
3,0 1,9 2,7 4,3 3,4 0,4 0,5 0,3 0,0 0,5

Sedativos ou
78 0,3 1,0 0,3 0,3 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 79
Barbitúricos
Analgésicos
0,9 1,3 0,8 0,8 0,9 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
opiáceos
Xaropes à
base de 0,4 0,7 0,6 0,2 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
codeína
Anticolinérgicos 0,2 0,3 0,1 1,9 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Heroína 0,1 0,0 0,1 0,1 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Anfetaminas 3,7 3,3 2,0 2,6 5,2 0,0 0,0 0,1 0,0 0,0
Drogas
1,0 0,1 0,2 3,9 1,4 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
sintéticas
2.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

CAPÍTULO 2: PREVALÊNCIA E PADRÃO DE USO DE TABACO E OUTRAS DROGAS (EXCETO ÁLCOOL): ESTIMATIVA DE ABUSO E DEPENDÊNCIA
mais se associam a padrões de uso nocivo ou mesmo Nappo S.A.; Moura, Y.G.; Sanchez, Z.V.M. II 1998 to 2001. Ann. rev. public health. 2005; 26:259-79.
dependência, bem como as diferenças de padrão nos Levantamento Domiciliar sobre o uso de Drogas R#(!-)(5 65 ,(565 %)-5 65 )*--
R5 /-)5 na vida de produtos de tabaco já foi vários subgrupos, permitirá o planejamento de inter- Psicotrópicas no Brasil: estudo envolvendo as 108 tein A, Wechsler H. Magnitude of alcohol-related
feito por 46,7% dos universitários respondentes, en- venções mais específicas para cada tipo de problema maiores cidades do país – 2005. São Paulo: CE- mortality and morbidity among US college students
quanto que o uso nos últimos 30 dias foi relatado por e com maiores probabilidades de sucesso. BRID – Centro Brasileiro de Informações sobre ages 18–24. J. stud. alcohol. 2002; 14:136–44.
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)"(-.)(5 65 ] &&35  65 "'(5
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888:5).)6588:5)(-658 8:5 Volume II: College students and adults ages
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

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SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


na vida, uso de substâncias ilícitas. A maconha foi a Council of Europe, Co-operation Group to Combat ções sobre Drogas Psicotrópicas, Departamento de 1991; 13: 97-104.
substância mais frequentemente consumida, segui- Drug Abuse and Illicit Trafficking in Drugs (Pom- Psicobiologia, UNIFESP – Universidade Federal de R] &&35 65
)"(-.)(5 85*#'#)&)!35) 5
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

da pelos anfetamínicos, tranquilizantes, inalantes e pidou Group). Stockholm (Sweeden); 2007. São Paulo, 398 p., 2005. alcohol and other drug use among American college
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instituições privadas, da área de Humanas, do perío- R(,5 65 --#.5 65 -+/#.5  65 psicoestimulantes e energizantes por universitários. view of research on consequences of alcohol mi-
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do para uma interferência de gênero. CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre R#(!-)(565,(565#(.,5 65"-&,585 B, Castillo S. Health and behavioral consequences of
Enfim, acredita-se que os dados apresentados Drogas Psicotrópicas, Departamento de Psicobiolo- Magnitude of alcohol-related mortality and morbidity binge drinking in college: a national survey of students
possam contribuir para uma abordagem mais efetiva gia, UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, among U.S. college students ages 18–24: Changes from at 140 campuses. J. am. med. assoc. 1994; 272:1672–7.
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O melhor conhecimento do problema, incluindo a R,&#(#6588:5&/,ĉ465
888:5).)6588:5
natureza das substâncias mais consumidas, as que Fonseca, A.M.; Carlini, C.M.; Oliveira,L.G.;
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

CAPÍTULO 3:
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

PADRÕES DE CONSUMO
DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS
Laura Helena Silveira Guerra de Andrade
Camila Magalhães Silveira
Erica Rosanna Siu
Gabriel Andreuccetti
Lucio Garcia de Oliveira
Arthur Guerra de Andrade

82 83
3.1. INTRODUÇÃO sobre consumo de drogas ilícitas, álcool e tabaco en- mulheres. Esse consumo de alto risco está associa- nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias, na amostra
tre universitários brasileiros (Wagner & Andrade, do a várias consequências negativas, sendo uma das de universitários brasileiros; Estimar a prevalência
O uso de álcool entre os jovens, em particular os 2008). A literatura sugere que o uso de álcool nesta principais causas de morbidade e mortalidade entre de uso de álcool de acordo com o risco (leve, mode-
estudantes universitários, tem se tornado uma preocu- população é preocupante. Por exemplo, em estudan- estudantes universitários. Entre os problemas mais rado e alto), determinados pelo Alcohol, Smoking
pação crescente nos últimos anos. Em um período ca- tes da Universidade de São Paulo, houve um aumen- prevalentes entre os jovens estão: acidentes de trân- and Substance Involvement Screening Test (AS-
racterizado por muitas transições, os universitários estão to significativo, entre os anos de 1996 e 2001, no sito, atos de violência, abuso sexual, assédio sexual, SIST) e estimar o padrão de uso de álcool de acor-
mais vulneráveis para o início e manutenção do uso de consumo de bebidas alcoólicas (88,5% para 91,9%), problemas de saúde, diminuição de produtividade do com o gênero, faixa etária, tipo de IES , região
álcool e outras drogas. Além disso, o álcool é a substância com relação ao uso de álcool na vida (Andrade et al., acadêmica e problemas interpessoais (Hingson et administrativa, áreas de estudo (Biológicas, Huma-
mais utilizada entre esses estudantes, que subestimam os 1997; Stempliuk et al., 2005). No entanto, há mui- al., 2009; Nelson et al., 2009; Presley et al., 2002). nas e Exatas) e período de estudo (integral, matuti-
efeitos negativos do álcool e, assim, se expõem mais a tas variações metodológicas entre os estudos, o que Assim, questões relacionadas com episódios de be- no, vespertino, noturno).
situações de risco e prejuízos à saúde (NIAAA, 2005). reforça a importância de um levantamento nacional ber pesado também auxiliariam a identificação de É importante ressaltar que, embora tenham
Nos Estados Unidos, estima-se que 19% dos para obtenção de dados comparáveis entre os univer- universitários bebedores de alto risco. sido sugeridas algumas associações nesse estu-
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

universitários entre 18 e 24 anos apresentam trans- sitários das diferentes regiões brasileiras e, dessa for- Em meio a tantas informações sobre o uso do, análises estatísticas pormenorizadas deverão
tornos relacionados ao consumo de álcool (abuso ma, delinear os padrões de consumo de álcool nesta de álcool na população em questão, há outro fenô- ser realizadas para que essas sejam confirmadas.
ou dependência), sendo que apenas 5% destes es- população, com base na quantidade, frequência e pa- meno observado em vários estudos: apesar de estar

CAPÍTULO 3: PADRÕES DE CONSUMO DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS


tudantes procuraram tratamento para problemas drões de beber, assim como os prejuízos associados. bem estabelecido na literatura que as mulheres em 3.3. RESULTADOS
relacionados ao álcool no ano anterior à pesquisa e Vários pesquisadores têm defendido a necessi- geral bebem menos e apresentam menos transtor-
3.3.1. Prevalências do uso de

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


3% achavam que deveriam procurar ajuda, mas não dade de utilizar testes de rastreamento para identificar nos relacionados ao uso de álcool do que os ho-
o fizeram (NIAAA, 2005). Em alguns países, há evi- os universitários com potencial para desenvolver pro- mens (Kerr-Correa et al., 2007; Nolen-Hoeksema álcool na vida, nos últimos 12
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

dências de que os jovens estão começando a beber blemas relacionados ao álcool (bebedores de alto ris- & Hilt, 2006), essa diferença tem diminuído nos meses e nos últimos 30 dias
cada vez mais cedo (Schulte et al., 2009). Isso torna co), com o intuito de monitorar e prevenir o uso dessa últimos anos, sendo menor ainda e às vezes che-
o cenário ainda mais grave, visto que o início precoce substância de acordo com os respectivos contextos. gando a nem existir entre os jovens (Schulte et al., A tabela 3.1 mostra as prevalências do uso
do uso de álcool está associado a uma maior probabi- Deve-se notar, contudo, que há diversos métodos para 2009). No Brasil, pelo menos para a idade de início de álcool entre os universitários. De acordo com
lidade de problemas relacionados ao seu consumo e avaliar o consumo de álcool. Em geral, sugere-se que do uso do álcool, estimada pelo “I Levantamento o presente estudo, 86,2% (N=12.673) dos uni-
de desenvolver dependência alcoólica na vida adulta questões sobre a quantidade e frequência de uso dessa Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool versitários brasileiros referiram uso do álcool
(Hingson & Zha, 2009). substância sejam mais eficazes para detectar padrões na População Brasileira” , não houve diferenças en- em algum momento da vida. A alta prevalência
No Brasil, há vários levantamentos nacionais de consumo de alto risco entre universitários (Wechs- tre os gêneros (Laranjeira et al., 2007). de consumo do álcool nos últimos 30 dias, tanto
sobre o consumo de drogas psicotrópicas (incluindo ler et al., 2002). De fato, uma pesquisa classificou os Dessa maneira, é evidente a importância de in- entre homens como em mulheres (67% e 56%,
o álcool) entre estudantes do Ensino Fundamental e estudantes tanto pela quantidade como pela frequên- formações sobre o consumo de álcool nos universitários respectivamente), demonstra que grande parte
Médio (maioria entre 10 e 18 anos de idade), sendo cia de consumo de álcool, e verificou que os bebedores brasileiros, para que seja possível dimensionar este pro- destes estudantes faz uso recorrente desta subs-
que o mais recente deles mostrou que 65,2% já ha- pesados e frequentes tinham probabilidade três vezes blema de saúde pública e auxiliar a elaboração de estra- tância. Em qualquer período avaliado (na vida,
viam experimentado álcool uma vez na vida e que maior de sofrer prejuízos relacionados ao álcool do tégias de prevenção. nos últimos 12 meses ou nos 30 dias anteriores à
11,7% bebiam frequentemente (seis ou mais vezes no que os bebedores pesados (Presley & Pimentel, 2006). entrevista), os homens consumiram mais álco-
84 mês anterior à pesquisa) (Galduroz et al., 2005; Gal- No contexto mundial, há evidências de uma 3.2. OBJETIVOS ol do que as mulheres. No entanto, a diferença 85
duroz et al., 2004). Outro estudo, também de abran- convergência entre homens e mulheres no pa- foi pequena, visto que entre os bebedores havia
gência nacional, apresentou uma taxa alarmante de drão de consumo entre os jovens, principalmen- Os objetivos desse capítulo foram: aproximadamente 1,1 homens para cada mulher,
19,2% de dependência alcoólica entre jovens de 18 e te com relação ao beber pesado episódico (“binge Estimar a prevalência de uso do álcool na vida, em qualquer período (Figura 3.1).
24 anos de idade (Carlini et al., 2007). Finalmente, drinking”) (Courtney & Polich, 2009; Weitzman
em 2007, foi reportado que o início do consumo de et al., 2003). Apesar de haver variações quanto à
álcool pelos adolescentes (14 a 17 anos) começa em definição deste padrão de consumo, o National Ins-
média aos 13,9 anos e pelos adultos jovens (18 a 25 titute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA)
anos) aos 15,3 anos (Laranjeira et al., 2007). o define como o consumo de cinco ou mais doses
Com relação aos estudantes de nível superior, de álcool em uma única ocasião para homens, e
recentemente foi publicada uma revisão dos estudos quatro ou mais doses em uma única ocasião para
Tabela 3.1. Prevalência de uso de álcool na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias, entre os Figura 3.1. Prevalência de uso de álcool na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias relatada por
universitários entrevistados, conforme gênero, faixa etária, tipo de IES, Região Administrativa, áreas de universitários, segundo o gênero.
estudo e período de estudo.
Uso nos últimos Uso nos últimos 100
Uso na vida
12 meses 30 dias
90
N % N % N %
Gênero 80
Homem 5671 90,3 5491 77,3 5383 66,6 70

Prevalência (%)
Mulher 6970 83,1 6682 68 6550 55,8
60
Faixas Etárias 50
Homem
Até 18 anos 308 79,2 295 72,3 292 50,7
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

40
18-24 anos 8559 89,3 8326 75,7 8197 64,1 Mulher
25-34 anos 2619 82,4 2494 67,3 2436 56,8 30

CAPÍTULO 3: PADRÕES DE CONSUMO DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS


35 anos ou mais 1051 83,3 967 66,2 920 53,4 20

Tipo de IES 10

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Pública 6194 88 6001 75 5917 61,1 0
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Privada 6479 85,7 6201 71,2 6044 60,3 Uso na vida Uso nos últimos Uso nos últimos
30 dias
Região
Norte 2293 73,5 2159 56,8 2080 45,5
Apesar de a idade mínima legal para compra 15 anos, 54% antes dos 16 anos, 49% entre 14 e
Nordeste 3189 84,9 3052 70,6 2984 56,2 de bebidas alcoólicas no Brasil ser de 18 anos, 16 anos de idade), não sendo observada diferença
Centro-Oeste 2194 86,8 2131 73,3 2099 61,5 79,2% dos universitários com menos de 18 anos entre os gêneros.
Sudeste 2560 86,8 2487 72,3 2459 61,5 referiram uso do álcool na vida. Mais alarman- Nas faixas etárias estudadas, nota-se que jovens
Sul 2437 92,1 2373 86,3 2339 73,9 te, 54% dos entrevistados já haviam experimen- entre 18 e 24 anos bebem mais do que os de outras
tado alguma bebida alcoólica antes dos 16 anos faixas etárias, seja na vida, nos últimos 12 meses ou nos
Áreas de Estudo de idade (20% antes dos 14 anos, 34% antes dos últimos 30 dias (Figura 3.2).
Biológicas 3205 86,5 3082 73,3 3024 59,7
Exatas 3270 86,1 3152 74,7 3087 64,9
Humanas 5987 86,2 5769 71,3 5659 59,7

86 Período de Estudo 87
Integral 3297 88,3 3170 73,2 3116 60,7
Matutino 3214 88 3101 71,2 3043 59
Vespertino 1310 85,9 1276 72,7 1249 58
Noturno 4662 85,1 4475 72,5 4379 62,3

TOTAL 12673 86,2 12202 72 11961 60,5


Figura 3.2. Prevalência de uso de álcool na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias relatada por Os universitários da Região Sul do país foram temente também não houve diferenças quanto ao
universitários, segundo as faixas etárias. os que referiram maiores prevalências de uso do ál- uso de álcool em qualquer medida avaliada (na vida,
100 cool em qualquer uma das medidas avaliadas. Em nos últimos 12 meses, nos últimos 30 dias).
contrapartida, a região Norte do país possui a menor
90
taxa de consumo entre esses estudantes. 3.3.2. Beber pesado episódico ou
80 Não houve diferença entre as áreas de estudo binge drinking
avaliadas (Biológicas, Exatas e Humanas) no que diz
70
respeito ao uso do álcool na vida; contudo, estudan- Um em cada quatro universitários brasilei-
Prevalência (%)

60 tes da área de Exatas referiram consumo um pouco ros referiram pelo menos uma ocasião de beber
Uso na vida maior do álcool do que os de outras áreas, tanto nos pesado episódico (binge drinking) nos 30 dias an-
50
últimos 12 meses como nos últimos 30 dias. teriores à entrevista, e um em cada três relataram
40 Uso nos últimos Sobre o período de estudo dos universitários ter feito uso do álcool neste padrão nos últimos 12
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

30
12 meses (integral, matutino, vespertino ou noturno), aparen- meses (Tabela 3.2).
20 Uso nos últimos

CAPÍTULO 3: PADRÕES DE CONSUMO DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS


30 dias
10

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Até 18 anos 18 -24 anos 18 -24 anos 18 -24 anos
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Quanto ao tipo de IES, praticamente não ao consumo do álcool (na vida, nos últimos 12
há diferenças entre os universitários de institui- meses e nos últimos 30 dias), conforme mostra a
ções públicas e privadas com relação à exposição Figura 3.3.

Figura 3.3. Prevalência de uso de álcool na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias relatada por
universitários, de acordo com o tipo de IES

95
90
85
80
75
70
65
60
Prevalência (%)

55
88 50 89
45
Pública
40
35 Privada
30
25
20
15
10
5
0
Uso na vida Uso nos últimos Uso nos últimos
30 dias
Tabela 3.2. Consumo de álcool no padrão binge drinking por universitários conforme gênero, faixa etária, Figura 3.4. Consumo de álcool no padrão binge drinking, de acordo com o gênero dos universitários.
tipo de IES, Região Administrativa, áreas de estudo e período de estudo.
Binge nos últimos Binge nos últimos 50
Total (N)
12 meses (%) 30 dias (%)
45
Gênero
Homem 4734 43,7 31,3 40
Mulher 5347 29 20,3 35

Prevalência (%)
Faixas Etárias 30
Até 18 anos 229 46,4 29 25 Homem
18-24 anos 7037 36,7 27,8 Mulher
20
25-34 anos 2019 37,4 22,9
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

35 anos ou mais 713 27,3 17,8 15


10

CAPÍTULO 3: PADRÕES DE CONSUMO DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS


Tipo de IES
Pública 5045 38,8 29,7 5
Privada 5036 34,8 24,1

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


0
Binge nos últimos Binge nos últimos
12 meses 30 dias
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Região
Norte 1464 39,4 31,4
Nordeste 2452 42,3 30,8
Para o período de 30 dias anteriores à entrevista, o entre universitários de cursos da área de Ciências Exatas
Centro-Oeste 1808 40,5 31 binge foi maior em escolas públicas (29,7%) do que pri- (34,7%) quando comparados aos das áreas de Biológicas
Sudeste 2147 33,6 23,1 vadas (24,1%) (Figura 3.5), sendo mais elevado, também, (24,6%) e Humanas (23,3%). (Tabela 3.2)
Sul 2210 33,8 26,6
Figura 3.5. Consumo de álcool no padrão binge drinking relatado por universitários, de acordo com o
Áreas de Estudo tipo de IES.
Biológicas 2609 33,3 24,6
45
Exatas 2651 43,1 34,7
Humanas 4680 34,8 23,3 40

35
Período de Estudo

Prevalência (%)
Integral 2736 34,6 25,1 30
90 Matutino 2579 34,8 26,3 91
25
Vespertino 994 40,8 30,2
Noturno 3623 35,5 24,4 20

15
TOTAL 10081 35,7 25,3
10
A Figura 3.4 mostra que a razão entre os 12 meses (43,7% homens X 29% mulheres) 5
que relataram o beber pesado episódico foi de quanto nnos últimos 30 dias (31,3% homens X
1,5 homens para cada mulher, tanto nos últimos 20,3% mulheres). 0
Binge nos últimos Binge nos últimos
12 meses 30 dias
Observou-se um gradiente de diminuição de que quase 1/3 dos indivíduos até 24 anos de idade Tabela 3.3. Consumo de álcool de risco baixo, moderado e alto (ASSIST) por universitários, conforme
acordo com as faixas etárias estudadas com rela- referiram beber neste padrão nos últimos 30 dias gênero, faixa etária, tipo de IES, Região Administrativa, áreas de estudo e período de estudo (N=11.148).
ção à frequência do beber pesado episódico, sendo (Figura 3.6).
Total Baixo risco Risco moderado Alto risco
Figura 3.6. Consumo de álcool no padrão binge drinking, de acordo com as faixas etárias dos universitários. (N) (%) (%) (%)
Gênero
50 Homem 5048 70,8 24,6 4,6
Mulher 6075 83,8 15,1 1,1
45
40 Faixas Etárias
35 Até 18 anos 274 83,1 14,3 2,6
Prevalência (%)

Binge nos últimos


I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

18-24 anos 7669 75,7 22 2,3


30 12 meses 25-34 anos 2262 80,4 16,1 3,5
25 Binge nos últimos 35 anos ou mais 834 84 13,4 2,6

CAPÍTULO 3: PADRÕES DE CONSUMO DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS


30 dias
20
Tipo de IES
15

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Pública 5525 79,4 18,6 2
10 Privada 5623 77,9 19,3 2,8
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

5
Região
0
Norte 1872 79,2 18,9 1,9
Até 18 anos 18 -24 anos 18 -24 anos
Nordeste 2756 78,3 19 2,8
Centro-Oeste 1976 75 22,5 2,5

3.3. Consumo de álcool de risco psicoativas. De acordo com a pontuação obtida neste Sudeste 2330 78,5 18,9 2,6
baixo, moderado e alto questionário, o consumo de álcool foi classificado como Sul 2214 77,8 19,9 2,3
sendo de baixo risco (0-10 pontos); risco moderado, com
O uso de álcool por universitários foi avaliado a indicação de intervenção breve (11-26 pontos); e alto Áreas de Estudo
partir da aplicação do Alcohol, Smoking and Substan- risco, com indicação de intervenção breve e encaminha- Biológicas 2877 83,2 15,3 1,5
ce Involvement Screening Test (ASSIST), instrumento mento para profissional de saúde especializado (27 ou Exatas 2860 72,3 23,4 4,3
desenvolvido pela OMS para detecção do risco relacio- mais pontos). A Tabela 3.3 mostra o consumo de álcool Humanas 5253 78,1 19,3 2,5
nado ao consumo do álcool, tabaco e outras substâncias entre os universitários segundo tal classificação.
Período de Estudo
92 Integral 2935 81,4 16,3 2,4 93
Matutino 2873 81,3 17,2 1,5
Vespertino 1156 77,7 21,2 1,2
Noturno 4027 75,3 21,1 3,6

TOTAL 11148 78,2 19,2 2,6


Observou-se que 70,8% dos homens apre- mulheres, 83,8% faziam uso do álcool de baixo Com relação às áreas de estudo, o uso de risco mo ano), “bebedores leves e muito pouco frequentes”
sentaram consumo do álcool de baixo risco, 24,6% risco, 15,1% apresentaram risco moderado decor- moderado a alto foi menor entre os universitários (consumo de uma a duas doses de álcool uma vez por
faziam uso de risco moderado e 4,6% foram con- rente do uso do álcool e 1,1 foram bebedoras de de Ciências Biológicas e maior nos estudantes de mês ou menos), “bebedores leves e pouco frequentes”
siderados bebedores de alto risco. Com relação às alto risco (Figura 3.7). Exatas, provavelmente devido a um efeito de gênero, (consumo de uma a duas doses de bebidas alcoóli-
visto que há mais homens na área de Exatas do que cas semanalmente), “bebedores moderados e bebe-
Figura 3.7. Prevalência do consumo de álcool de risco baixo, moderado e alto (ASSIST), de acordo Biológicas e estes estão mais expostos a um consumo dores não pesados” (consumo de mais do que duas
com o gênero dos universitários. prejudicial do álcool que as mulheres. doses e menos do que cinco, de uma a quatro vezes
por mês), “bebedores pesados” (consumo de mais de
HOMEM 3.3.4. Consumo de álcool de cinco doses em uma única ocasião, semanalmente) e
acordo com a quantidade e “bebedores pesados e frequentes” (consumo de mais
frequência de cinco doses, quase todos os dias).
4,6% Houve diferenças na frequência do uso de ál-
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

A amostra também foi avaliada quanto aos pa- cool entre universitários de acordo com o gênero.
drões de consumo do álcool de acordo com a quan- Os homens beberam mais, em maior quantidade e
tidade e frequência de uso. Os universitários foram frequência, do que as mulheres, como pode ser ob-

CAPÍTULO 3: PADRÕES DE CONSUMO DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS


Baixo risco classificados em: “abstêmios” (não beberam no últi- servado na Figura 3.8.
24,6%

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Risco moderado
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Alto risco

70,8%

MULHER
1,1%

15,1%
94 Baixo risco 95

Risco moderado

Alto risco
83,8%
Figura 3.8. Padrões de consumo de álcool, de acordo com a quantidade e frequência, conforme o gê- 3.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS tável. Quanto mais precoce o uso de álcool, maiores
nero dos universitários. as chances de desenvolver uma dependência alcoólica,
Essa é a primeira pesquisa nacional que investi- especialmente pela interferência sobre a etapa da vida
ga os padrões de consumo do álcool entre universitá- em que acontece o processo de maturação do sistema
HOMEM rios, a partir de medidas de quantidade e frequência, nervoso central e da personalidade (Hingson & Zha,
1,9% assim como avalia os riscos decorrentes do consumo 2009; Sartor et al., 2007; Zucker, 2008). Além disto, as
dessa substância, a partir da aplicação de um instru- mulheres são mais sensíveis que os homens aos efeitos
mento da Organização Mundial de Saúde que mede do álcool no organismo devido a questões fisiológicas
22,7% risco e necessidade de intervenção (ASSIST). Inclu- e constitucionais próprias do gênero (Kerr-Correa et
Abstêmios
sive, a literatura sugere que a classificação do padrão al., 2007; Nolen-Hoeksema & Hilt, 2006; Simons-
de consumo de álcool, considerando a quantidade e Morton et al., 2009).
Bebedores leves e muito a frequência, melhora a identificação dos indivíduos No que diz respeito às consequências agudas,
pouco frequentes
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

mais expostos a prejuízos decorrentes do uso dessa o fato de um em cada quatro universitários relatar
Bebedores leves e pouco substância (Presley & Pimentel, 2006; Turrisi et al., consumo do álcool no padrão binge nos 30 dias
frequentes 2006). O presente capítulo oferece um panorama so- anteriores à entrevista mostra que estes alunos

CAPÍTULO 3: PADRÕES DE CONSUMO DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS


Bebedores moderados e bre o uso do álcool na vida, nos últimos 12 meses e nos estão frequentemente expostos a riscos, especial-
não pesados últimos 30 dias, assim como as frequências do beber mente acidentes de trânsito, intoxicação, a atos de

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


pesado episódico nos últimos 12 meses e nos últimos 30 violência e abuso sexual sob influência do álcool,
Bebedores pesados
17,7% dias, entre homens e mulheres. sexo desprotegido, problemas acadêmicos (apren-
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Nota-se que a maioria dos universitários faz uso dizado e comportamentos inadequados) e proble-
Bebedores pesados do álcool e a proporção entre homens e mulheres be- mas legais.
e frequentes
3,5% bedores é de aproximadamente 1:1. Além disto, a ida- A partir dos dados deste estudo será possível
22% de de início para o consumo do álcool nesta amostra desenvolver programas de prevenção para mini-
se dá em mais de 50% dos universitários antes dos mizar os problemas decorrentes do uso do álcool
16 anos de idade. Tal convergência (proporção de em diferentes regiões do Brasil; ajustar os pro-
MULHER consumo entre as mulheres semelhante aos homens) gramas de prevenção já existentes aos indivíduos
0,2% e precocidade para o uso do álcool são preocupantes mais expostos e d efinir indicadores para serem
12,8% visto que expõem esta amostra aos prejuízos agudos e usados como parâmetros de sucesso em programas
Abstêmios crônicos decorrentes dessa substância, de forma no- de prevenção.

Bebedores leves e muito


pouco frequentes

96 Bebedores leves e pouco 97


frequentes
Bebedores moderados e
30,5% não pesados
Bebedores pesados

Bebedores pesados
e frequentes

20,1%
4,4%
3.5. REFERÊNCIAS no, R.; Duarte, P.C.A.V. I Levantamento Nacional Psychol 133: 401-20, 2006. 50: 203-17, 2002.
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CAPÍTULO 3: PADRÕES DE CONSUMO DO ÁLCOOL ENTRE UNIVERSITÁRIOS


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SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


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ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

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I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

CAPÍTULO 4:
USO MÚLTIPLO DE DROGAS
ENTRE UNIVERSITÁRIOS
Lúcio Garcia de Oliveira
Raphael Nishimura
Arthur Guerra de Andrade

100 101
4.1. INTRODUÇÃO Quanto às drogas em si, tem sido sugerido aos 19 anos de idade, atingindo uma prevalência de droga leva ao consumo de outra, de tal forma que se
que o álcool seja a substância mais frequentemen- 60% de uso entre os adolescentes (Choquet et al., influenciam reciprocamente e os consumos passam
Atualmente, poucos são os usuários de drogas te envolvida na situação de uso múltiplo, seguida 2004). Igualmente preocupante é a situação entre a caminhar pari-passu (Anthony & Echeagaray-
que usam apenas uma única substância (Gossop, imediatamente pela maconha (Earleywine et al., os universitários. O “The Harvard School of Public Wagner, 2000; Magura & Rosenblaum, 2000; Hu-
2001). O Manual Diagnóstico e Estatístico de Trans- 1997; McCabe et al., 2006; Midanik et al., 2007; Health College Alcohol Study” – CAS apontou que !"-5 ;5 &'(65 hffl:5 5 .5 &865 hffm:5 ],#(5
tornos Mentais (APA, 1994) aponta que os episó- EMCDDA, 2002). Entre as inúmeras possibilida- 87% a 98% dos usuários de maconha ou de outras et al., 2008). A situação é alarmante, principalmente
dios de intoxicação por substâncias têm envolvido des, álcool-tabaco, álcool-maconha, álcool/cocaína drogas ilícitas têm desenvolvido um padrão pesa- quando o usuário passa a associar a droga de prefe-
a participação de mais de uma droga, um consumo (e crack) têm sido as associações mais regularmen- do de uso de álcool (entre eles, episódios de “binge rência a substâncias que antes não tolerava ou não
que, se considerados determinados critérios, pode te relatadas (Earleywine et al., 1997; Collins et al., drinking”), dos quais muitos bebem até a embria- tinha o hábito de consumir. Assim, com o tempo, o
evoluir para um estado de transtorno de uso (abuso 1999; Midanik et al., 2007), embora a associação de guez (Gledhill-Hoyt et al., 2000; Mohler-Kuo et usuário não apenas passa a aceitá-las, como aumenta
e dependência) de múltiplas substâncias. Ainda mais bebidas alcoólicas a ecstasy (Hernández-López et al., 2003), estando sujeitos a todos os riscos que o exponencialmente seu uso, como é o caso, por exem-
preocupante é a possibilidade desse uso estar co- al., 2002), medicamentos psicotrópicos (analgésicos, uso múltiplo de drogas representa. plo, da associação entre crack e heroína (Oliveira &
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

mórbido a outras doenças mentais (ex.: transtornos estimulantes, sedativos ou tranqüilizantes) (McCabe Embora estudos apontem que o uso múltiplo Nappo, 2010 – in press). Consequentemente, o uso
de conduta entre adolescentes; transtornos de per- et al., 2006; Arria, 2008; Hibell et al., 2009) e bebi- de drogas possa refletir uma história natural de con- múltiplo pode dificultar a identificação apropriada
sonalidade antisocial e “borderline”; esquizofrenia -5 (,!ï.#-5 B],#(5 .5 &865 hffnC5 .("'5 -- sumo que inicia com álcool e progride para subs- dos transtornos de uso de substâncias existentes, ser-
e transtornos de humor, entre outros) (APA, 1994), pertado a atenção da comunidade científica, fazendo tâncias de maior potencial de intoxicação (Hopper vindo como um fator de confusão sobre a interferên-
dificultando a identificação da gravidade do abuso e presença nas publicações. et al., 2006), há opiniões que defendem que o uso cia de uma dada substância sobre a saúde (Gouzou-

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
dependência de drogas, assim como das condições Em termos de prevalência de uso, o “2000 Na- múltiplo é empregado propositadamente com os lis-Mayfrank & Daumann, 2006), além de dificultar
comórbidas, causando uma complicação no curso e tional Alcohol Survey” apontou que 10% da popu- fins estratégicos de (a) aumentar o efeito agradável, a adesão e o sucesso de uma possível abordagem
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

no tratamento das doenças existentes. lação geral norte-americana relatou ter feito uso de (b) suavizar o efeito desagradável ou (c) controlar o terapêutica a que o usuário possa a vir submeter-se.
Esse uso múltiplo de drogas remonta a histó- álcool e maconha (e outros 5,0%, o uso de álcool e uso da outra droga que co-administram (Magura & Quanto aos outros riscos do uso múltiplo de
ria quando tribos indígenas fumavam folhas de coca outras drogas) em dias diferentes (uso paralelo; “con- Rosenblum, 2000; Schensul et al., 2005; Oliveira & drogas, a primeira preocupação é sobre a periculosi-
e tabaco com fins religiosos (Buhler, 1946; Siegel, current polydrug use”). Além disso, 7,0% dos entre- Nappo, 2008). O DSM-IV (APA, 1994), por exem- dade que representa, já que substâncias combinadas
1982), um uso que, atualmente, tem repetido o pas- vistados relataram fazer o uso simultâneo de álcool plo, já indicava que indivíduos dependentes de co- podem interferir reciprocamente sobre os respecti-
sado, entretanto, com algumas modificações. e maconha e 1,7%, de álcool e outras drogas (Mi- caína, por exemplo, frequentemente usavam álcool, vos mecanismos farmacocinéticos e farmacodinâmi-
Em foco pela literatura internacional, o uso danik et al., 2007). Ainda nos EUA, os dados mais ansiolíticos e opióides para combater os sintomas cos ou levar à formação de substâncias intermediá-
múltiplo de drogas tem sido subdividido em “con- ,(.-5)5^ ]-5.#)(&5/,035)(5,/!5 persistentes de ansiedade induzidos pela cocaína, rias e potencialmente tóxicas à saúde, aumentando
current polydrug use” (CPU) e “simultaneous Use & Health” têm apontado que entre os 17,3 mi- enquanto que indivíduos com dependência de opi- a toxicidade da droga em relação ao seu uso isolado
polydrug use” (SPU) (Earleywine et al., 1997; lhões de bebedores pesados (com idade superior a 12 óides ou canabinóides desenvolviam transtornos de (Zevin & Benowitz, 1999; Magura & Rosenblum,
Collins et al., 1999; McCabe et al., 2006; Mida- anos) 58,0% fumam enquanto que 29,4% são usuá- uso para álcool, ansiolíticos, anfetaminas ou cocaína. 2000; Hernández-López et al., 2002).
nik et al., 2007), a princípio, diferenciados entre si rios de drogas ilícitas (SAHMSA, 2009). De forma Paraxodalmente, como citado anteriormente, o uso Em termos do funcionamento mental, o uso
pelo contexto temporal de uso. Enquanto o CPU semelhante, na França, um levantamento nacional múltiplo de drogas também é empregado para pro- múltiplo de drogas aumenta a incidência de trans-
faz referência ao uso de mais de uma substância apontou que 8,3% da população já fez uso regular de longar ou intensificar os efeitos positivos ou agradá- tornos neuropsiquiátricos, problemas psicológicos e
102 em ocasiões diferentes (ainda sem denominação alguma combinação entre álcool, tabaco e maconha, veis de uma droga. Nesse sentido, por exemplo, o uso prejuízos cognitivos (Gouzoulis-Mayfrank & Dau- 103
em português), o SPU envolve o emprego de duas com forte associação do uso de maconha a outras múltiplo é empregado para dar continuidade ao con- mann, 2006; Hoshi et al., 2007; Medina & Shear,
ou mais drogas em uma mesma sessão de consu- drogas ilícitas (Beck et al., 2007). sumo de crack, por dias e horas a fio, sendo associado 2007; Van Dam et al., 2008; Soar et al., 2009), dimi-
mo (uso múltiplo do tipo simultâneo). Embora a Contrariamente ao que se pudesse imaginar, a tabaco, bebidas alcoólicas, drogas ilícitas (maconha nuindo a capacidade de inibirem comportamentos
diferença seja meramente temporal, a modalidade o uso múltiplo de drogas não é um comportamen- e cloridrato de cocaína) e medicamentos controlados impulsivos (Fillmore & Rush, 2006) e predispondo
simultânea é potencialmente mais perigosa, dados to marginal ou restrito a usuários que tenham de- por receituário especial, em especial, tranqüilizantes os usuários de múltiplas drogas a comportamentos
os efeitos aditivos entre as drogas co-administra- senvolvido um uso pesado de drogas. Tem iniciado e anfetamínicos (Oliveira & Nappo, 2008). de risco à sua integridade física, emocional e social. É
das e o aumento da toxicidade de cada substância precocemente, tendo sido identificado com preva- Independente das substâncias associadas, à me- comum que esses usuários sintam-se mais irritados,
em relação à situação em que é usada isoladamen- lências expressivas entre os jovens europeus de faixa dida que o uso múltiplo de drogas é regularizado, que se envolvam em episódios de violência interpes-
te (Zevin & Benowitz, 1999; Hernández-López etária entre 15-17 anos (Hibell et al., 2007), sofren- chega um momento em que o usuário se vê enre- soal, sejam mais frequentemente admitidos a serviços
et al., 2002). do um aumento de até 40% na transição dos 14 dado num ciclo vicioso, no qual o desejo por uma hospitalares de emergência e tenham maiores riscos
para o desenvolvimento de doenças cardiovascula- forma a identificar as associações de drogas mais Figura 4.1: Número de drogas usadas na vida entre os 12.711 universitários entrevistados.
res (Earleywine & Newcomb, 1997; Pennings et al., frequentes no país. As informações sobre a combi-
hffh:5],#(5.5&865hffnC85)#&'(.65.ð'5'#-5 nação de bebidas alcoólicas a outras drogas, assim
problemas legais com aprisionamento e comporta- como as motivações subjacentes foram apresenta-
mento sexual de risco (especialmente pelo aumento das com detalhes. Entretanto, é importante ressal-
da frequência de encontros e número de parceiros tar que, embora algumas associações tenham sido
11,2% 0 Droga
sexuais, uso inconsistente de preservativos e relações encontradas com maior frequência dependendo de 25,7%
-2/#-5#(-$-C5B((#(!-5.5&865hffh:5],#(5 determinada região, tipo de IES, área e período 1 Droga
et al., 2008) aumentando a incidência de infecções de estudos, gênero ou faixa etária do universitário,
sexualmente transmissíveis (IFT) nessa sub-popu- análises estatísticas pormenorizadas deverão ser
2 Drogas
lação de usuários de drogas. Em termos acadêmicos, realizadas para que essas sugestões sejam confir-
30,7%
usuários de drogas múltiplas têm pior desempenho madas, já que a avaliação aqui apresentada é ape-
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

já que faltam mais aulas, socializam mais e estudam nas exploratória. 13,1% 3 Drogas
menos (Arria et al., 2008).
Dado que mundialmente o consumo isolado 4.3. RESULTADOS 4 Drogas
de álcool é relatado por quase 2 bilhões de pessoas 19,3%
(UNODC, 2008) e é causa atribuível de 3,8% das mor- Os resultados estão divididos em dois blocos,

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
tes e 4,6% dos casos de doença e dano (Rehm et al., um sobre o uso múltiplo de drogas em geral (refle-
2009), o relato de ser a substância mais regularmente tido pelo número de drogas usadas) e outro sobre o
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

envolvida em casos de uso múltiplo é preocupante para uso simultâneo de álcool e outras drogas.
a saúde pública e merece esclarecimento. Soma-se a Figura 4.2: Número de drogas usadas nos últimos 12 meses entre os universitários entrevistados.
isso, o fato de que é necessidade pública conhecer as as- 4.3.1. Número de drogas usadas
sociações de drogas atualmente praticadas, simultâneas pelos universitários
ou não, assim como as motivações a elas subjacentes.
Acreditamos que essas informações conscientizarão Na presente amostra de universitários brasi-
as autoridades competentes da problemática e da ne- leiros, 11,2% (N = 1.420) relataram nunca terem 8,7%
cessidade de planejamento de medidas específicas que utilizado álcool ou outras substâncias psicotrópi-
0 Droga
possam impedir sua realização ou minimizar seus da- cas na vida. Por outro lado, 30,7% deles fizeram
nos, além de providenciar programas de atendimento uso de apenas uma única droga (N = 3.904) na 10% 24,1%
específicos a usuários de múltiplas drogas. vida e 58,1% usaram mais de duas drogas (N = 1 Droga
No Brasil, os levantamentos nacionais sobre o 7.387), dentre os quais quase 68% (4.932/7387)
uso de substâncias psicotrópicas não têm feito men- fizeram uso de três ou mais substâncias (Figura 2 Drogas
ção direta sobre esse uso múltiplo (Carlini et al., 4.1).
104 2002; Noto et al., 2003; Galduróz et al., 2005; Car- Considerado o uso nos últimos 12 meses,
18,9% 105
3 Drogas
lini et al., 2007), sentindo-se a falta de uma base de 24,1% dos universitários relataram não ter feito
dados que reflita a problemática em âmbito nacional uso de substâncias psicotrópicas, enquanto 38,3%
e que permita a comparabilidade do retrato brasi- o fizeram para apenas uma única substância e, 4 Drogas
leiro à situação mundial do uso de drogas, especial- finalmente, 37,6% usaram duas ou mais drogas. 38,3%
mente entre os universitários. (Figura 4.2) Para a medida de uso nos últimos 30
dias, 34,7% dos universitários relataram não ter
4.2. OBJETIVO feito o uso de substâncias, enquanto que 37,9%
o fizeram para apenas uma única droga e, final-
Estimar a prevalência do uso múltiplo de mente, 27,4% fizeram-no para mais duas ou mais
drogas entre os universitários brasileiros, de tal substâncias. (Figura 4.3).
Figura 4.3: Número de drogas usadas nos últimos 30 dias entre os universitários entrevistados. Conforme a faixa etária, os universitários de ida- sitários com idade até 18 anos relataram, com maior
de superior aos 35 anos relataram ter feito, com maior frequência, não ter consumido nenhuma substância
frequência, uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últi- psicotrópica, especialmente para as medidas de uso na
mos 30 dias de duas ou mais substâncias. Já os univer- vida e nos últimos 30 dias. (Tabelas 4.2, 4.3 e 4.4)
4,9%
6,3% Tabela 4.2: Número de drogas usadas na vida entre os universitários, conforme a faixa etária.
0 Droga
FAIXA ETÁRIA
N° de Total
Até 18 anos De 18 a 24 anos De 25 a 34 anos 35 anos ou mais
1 Droga substâncias
34,7% % N % N % N % N % N
16,3% 0 DROGA 11,2 1.420 19,2 59 9,1 776 14,2 372 11,6 123
2 Drogas 1 DROGA 30,7 3.904 44,8 138 35,2 3.019 25,7 674 19,4 206
2 DROGAS 19,3 2.454 22,5 69 18,9 1.619 19,4 508 20,9 222
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

3 Drogas 3 DROGAS 13,1 1.669 6,5 20 13,2 1.133 11,6 304 16,7 177
4+ DROGAS 25,7 3.264 6,9 21 23,6 2.028 29,2 768 31,4 333
37,9% 4 Drogas
Tabela 4.3: Número de drogas usadas nos últimos 12 meses entre os universitários, conforme a faixa etária.

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
FAIXA ETÁRIA
N° de Total
Até 18 anos De 18 a 24 anos De 25 a 34 anos 35 anos ou mais
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

substâncias
% N % N % N % N % N
0 DROGA 24,1 2.955 26,8 79 22,1 1.845 26,3 661 27,2 268
A seguir, analisa-se o número de drogas usadas que as mulheres para todas as medidas de uso: na 1 DROGA 38,3 4.699 46,4 137 40,5 3.382 35,3 887 33,2 327
na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias, pelos vida (homens: 63,0%; mulheres: 54,5%); uso nos úl- 2 DROGAS 18,9 2.315 15,7 46 17,5 1.465 21,3 535 21,2 209
universitários, estratificando os resultados por região timos 12 meses (homens: 41,1%; mulheres: 34,9%) 3 DROGAS 10 1.230 6,4 19 9,8 819 9,7 243 12,4 123
administrativa, tipo de IES, área e período de estudos, e nos últimos 30 dias (homens: 29,7%; mulheres: 4+ DROGAS 8,7 1.068 4,7 14 10 838 7,5 189 6 60
gênero e faixa etária dos universitários: 25,6%). Já as mulheres relataram, com mais frequ-
Quanto ao gênero, os homens relataram consu- ência, não ter usado substâncias psicotrópicas para
mir duas ou mais substâncias mais frequentemente todas as medidas de uso. (Tabela 4.1). Tabela 4.4: Número de drogas usadas nos últimos 30 dias entre os universitários, conforme a faixa etária.
FAIXA ETÁRIA
Tabela 4.1: Número de drogas usadas na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias entre os uni- N° de Total
Até 18 anos De 18 a 24 anos De 25 a 34 anos 35 anos ou mais
substâncias
versitários, conforme o gênero. % N % N % N % N % N
Uso na vida Uso nos últimos 12 meses Uso nos últimos 30 dias 0 DROGA 34,7 4.182 45,8 134 32,9 2.710 36 886 37,6 352
N° de
Masculino Feminino Masculino Feminino Masculino Feminino 1 DROGA 37,9 4.560 35,9 105 40,9 3.363 36,2 891 28,2 265
substâncias
106 % N % N % N % N % N % N 2 DROGAS 16,3 1.959 13,4 39 15 1.231 17,4 429 20,9 196 107
0 DROGA 8,2 468 13,4 935 20,2 1.111 27,1 1.822 30,2 1.637 38,1 2.518 3 DROGAS 6,3 754 1,3 4 5,7 471 6,2 152 9,8 92
1 DROGA 28,8 1.635 32,1 2.246 38,7 2.133 38 2.555 40 2.167 36,2 2.391 4+ DROGAS 4,9 586 3,6 11 5,6 457 4,2 102 3,5 33
2 DROGAS 18,7 1.062 19,8 1.387 21 1.154 17,3 1.163 19,4 1.053 13,8 914
3 DROGAS 14,6 831 12 839 10,1 554 10 673 6 327 6,4 425
4+ DROGAS 29,7 1.686 22,7 1.589 10,1 556 7,7 516 4,2 229 5,4 353
Os universitários das instituições privadas pública: 27,3%) e nos últimos 30 dias (privada: Tabela 4.7. Número de drogas usadas nos últimos 12 meses entre os universitários, conforme a Região
fizeram uso na vida de duas ou mais substâncias 30,2%; pública: 17,3%). Em contraposição, os Administrativa.
com maior prevalência que os universitários das universitários da rede pública de ensino relataram, REGIÃO ADMINISTRATIVA
instituições públicas (privada: 61,4%; pública: com mais frequência, terem consumido apenas N° de Total
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
substâncias
46,1%). Esse resultado estendeu-se para as medi- uma única droga na vida, nos últimos 12 meses e nos % N % N % N % N % N % N
das de uso nos últimos 12 meses (privada: 40,5%; últimos 30 dias. (Tabela 4.5).
0 DROGA 24,1 2.955 38,6 2.180 26,9 3.066 23,4 2.505 11,8 2.379 22,8 2.137
1 DROGA 38,3 4.699 39,4 2.180 46,2 3.066 35,1 2.505 49,4 2.379 44,2 2.137
Tabela 4.5. Número de drogas usadas na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias entre os uni-
2 DROGAS 18,9 2.315 12,7 2.180 14,7 3.066 20,4 2.505 20,5 2.379 16 2.137
versitários, conforme o tipo de IES.
3 DROGAS 10 1.230 6,1 2.180 7,4 3.066 11 2.505 10 2.379 8,7 2.137
Uso na vida Uso nos últimos 12 meses Uso nos últimos 30 dias 4+ DROGAS 8,7 1.068 3,2 2.180 4,8 3.066 10 2.505 8,3 2.379 8,3 2.137
N° de
Pública Privada Pública Privada Pública Privada
substâncias
% N % N % N % N % N % N Tabela 4.8. Número de drogas usadas nos últimos 30 dias entre os universitários, conforme a Região
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

0 DROGAS 10,7 6.206 11,3 6.505 23 6.026 24,4 6.241 36,4 2.165 34,3 2.088 Administrativa.
1 DROGA 43,2 6.206 27,3 6.505 49,7 6.026 35,2 6.241 46,4 2.759 35,5 2.165
REGIÃO ADMINISTRATIVA
2 DROGAS 18,8 6.206 19,4 6.505 15 6.026 19,9 6.241 12 714 17,4 1.063 N° de Total
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
substâncias
3 DROGAS 13,2 6.206 13,1 6.505 7,5 6.026 10,7 6.241 3,6 214 7 426 % N % N % N % N % N % N

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


14,1 6.206 28,9 6.505 4,7 6.026 9,8 6.241 1,7 99 5,7 350

SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


4+ DROGAS 0 DROGA 34,7 4.182 49,9 1.048 40,5 1.218 33,2 823 23,5 552 34 717
1 DROGA 37,9 4.560 33,6 706 42,4 1.274 35,9 889 49,5 1.163 42,7 900
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Os universitários das Regiões Sudeste (62,2%), Sul 33,0%) e nos últimos 30 dias (Região Sudeste: 30,9%; 2 DROGAS 16,3 1.959 12,1 253 11,1 332 18 447 16,1 379 13,7 288
(58,4%) e Centro-Oeste (54,0%) foram os que fizeram, Sul: 27,0%; Centro-Oeste: 23,3%). Já os universitários 3 DROGAS 6,3 754 3,2 68 3,9 117 7,1 176 6,6 154 5 106
com maior frequência, uso na vida de duas ou mais subs- da Região Norte relataram, com maior frequência, não 4+ DROGAS 4,9 586 1,1 24 2,1 64 5,8 144 4,3 102 4,6 96
tâncias psicotrópicas (2, 3, 4 ou mais drogas). O mesmo terem usado substâncias psicotrópicas (categoria “0 dro-
resultado foi observado para o uso nos últimos 12 meses ga”) na vida (21,7%), nos últimos 12 meses (38,6%) e nos
Conforme a área de estudos, os universitários lataram, com maior frequência, não terem feito uso
(Região Sudeste: 41,5%; Sul: 38,8%; Centro-Oeste: últimos 30 dias (49,9%) (Tabelas 4.6, 4.7 e 4.8).
da área de Humanas relataram, com maior frequ- de nenhuma substância para todas as medidas de
ência, terem feito uso de duas ou mais substâncias uso. Já os universitários das Ciências Exatas relata-
Tabela 4.6. Número de drogas usadas na vida entre os universitários, conforme a Região Administrativa.
na vida (Humanas: 60,2%; Biológicas: 56,6%; Exa- ram, com maior frequência, terem usado apenas uma
tas: 52,8%), nos últimos 12 meses (Humanas: 39,5; única substância para todas as medidas de uso. Essas
REGIÃO ADMINISTRATIVA Biológicas: 34,4%; Exatas: 34,7%) e nos últimos 30 últimas diferenças são maiores para a medida de uso
N° de Total
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste dias (Humanas: 29,5%; Biológicas: 23,5%; Exatas: nos últimos 30 dias. (Tabelas 4.9, 4.10 e 4.11)
substâncias
% N % N % N % N % N % N 23,8%). Os universitários de Ciências Biológicas re-
0 DROGA 11,2 1.420 21,7 2.305 13,3 3.200 10,4 2.566 7,4 2.441 10,5 2.199
1 DROGA 30,7 3.904 36,8 2.305 39,8 3.200 27,4 2.566 34,2 2.441 35,5 2.199 Tabela 4.9. Número de drogas usadas na vida entre os universitários, conforme a área de dos estudos.
108 2 DROGAS 19,3 2.454 21,2 2.305 19,7 3.200 18,9 2.566 19,5 2.441 21,7 2.199 109
ÁREA DE ESTUDO
3 DROGAS 13,1 1.669 10,4 2.305 12,4 3.200 13,5 2.566 14,9 2.441 12,1 2.199 N° de Total
Biológicas Exatas Humanas
substâncias
4+ DROGAS 25,7 3.264 9,9 2.305 14,9 3.200 29,8 2.566 24 2.441 20,2 2.199 % N % N % N % N
0 DROGA 11,2 1.420 11,8 3.212 11,4 3.276 10,8 6.007
1 DROGA 30,7 3.904 31,6 3.212 35,8 3.276 29 6.007
2 DROGAS 19,3 2.454 19,3 3.212 20 3.276 19,4 6.007
3 DROGAS 13,1 1.669 14 3.212 9,4 3.276 13,9 6.007
4+ DROGAS 25,7 3.264 23,3 3.212 23,4 3.276 26,9 6.007
Tabela 4.10. Número de drogas usadas nos últimos 12 meses entre os universitários, conforme a área Tabela 4.13. Número de drogas usadas nos últimos 12 meses entre os universitários, conforme o período
de estudos. de estudos.
ÁREA DE ESTUDO PERÍODO DE ESTUDO
N° de Total Total
substâncias
Biológicas Exatas Humanas N° de substâncias Integral Matutino Vespertino Noturno
% N % N % N % N % N % N % N % N % N
0 DROGA 24,1 2.955 24,6 3.094 22,9 3.160 24,1 5.812 0 DROGA 24,1 2.955 24,8 3.183 25,7 3.119 22,2 1.282 23,2 4.501
1 DROGA 38,3 4.699 41 3.094 42,4 3.160 36,4 5.812 1 DROGA 38,3 4.699 45,5 3.183 38,4 3.119 47 1.282 34,4 4.501
2 DROGAS 18,9 2.315 19,7 3.094 18 3.160 18,9 5.812 2 DROGAS 18,9 2.315 16,5 3.183 19,4 3.119 17,3 1.282 19,7 4.501
3 DROGAS 10 1.230 7,7 3.094 9,9 3.160 10,9 5.812 3 DROGAS 10 1.230 6 3.183 8,9 3.119 5,3 1.282 12,7 4.501
4+ DROGAS 8,7 1.068 7 3.094 6,8 3.160 9,7 5.812 4+ DROGAS 8,7 1.068 7,2 3.183 7,7 3.119 8,1 1.282 9,9 4.501

Tabela 4.11. Número de drogas usadas nos últimos 30 dias entre os universitários, conforme a área Tabela 4.14. Número de drogas usadas nos últimos 30 dias entre os universitários entrevistados, conforme
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

de estudos. o período de estudos.


ÁREA DE ESTUDO PERÍODO DE ESTUDO
N° de Total Total
Biológicas Exatas Humanas N° de substâncias Integral Matutino Vespertino Noturno
substâncias
% N % N % N % N % N % N % N % N % N

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
0 DROGA 34,7 4.182 36,6 1.116 32 995 35 1.992 0 DROGA 34,7 4.182 36,1 1.130 36 1.103 36,1 453 33 1.457
1 DROGA 37,9 4.560 39,9 1.216 44,2 1.371 35,6 2.026 1 DROGA 37,9 4.560 44,1 1.383 39 1.196 45,6 573 34,3 1.516
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

2 DROGAS 16,3 1.959 15,6 475 15,6 485 16,6 947 2 DROGAS 16,3 1.959 12,4 388 16,3 498 10,1 126 18,5 815
3 DROGAS 6,3 754 4,4 134 5,1 157 7,2 410 3 DROGAS 6,3 754 3,8 120 5,1 156 2,8 35 8,3 367
4+ DROGAS 4,9 586 3,4 105 3,1 97 5,7 322 4+ DROGAS 4,9 586 3,6 111 3,6 110 5,5 69 5,9 259

Os universitários do período noturno fize- dias (34,6%), quando comparados aos alunos dos de- Em função do álcool ser a droga mais consu- tes entre os homens e mulheres que relataram ter
ram maior uso de duas ou mais substâncias na vida mais períodos de estudo. (Tabelas 4.12, 4.13 e 4.14) mida por todos os segmentos sociais, no Brasil e no bebido nos últimos 12 meses, esse resultado pode su-
(61,3%), nos últimos 12 meses (42,3%) e nos últimos 30 mundo, analisou-se quais as substâncias utilizadas gerir uma convergência de uso de drogas entre os
com mais frequência pelos universitários que decla- universitários de ambos os sexos. Entretanto, o pa-
Tabela 4.12. Número de drogas usadas na vida entre os universitários entrevistados, conforme o período raram ter bebido pelo menos uma vez nos últimos 12 drão do uso múltiplo de drogas, nos últimos 12 meses,
de estudos. meses (medida mais comumente utilizada, na litera- é bastante distinto de acordo com o gênero. Entre os
PERÍODO DE ESTUDO
tura, para o estudo do uso múltiplo de drogas). homens, as substâncias mais frequentemente consu-
Total Desses universitários, 48,5% declararam ter midas, além das bebidas alcoólicas, são: (a) produtos
N° de substâncias Integral Matutino Vespertino Noturno
% N % N % N % N % N
consumido apenas uma droga (no caso, o próprio de tabaco (40,2%); (b) maconha e derivados (25,7%);
0 DROGA 11,2 1.420 10,7 3.302 10,3 3.223 13,2 1.314 11,3 4.674
álcool), enquanto que 51,5% usaram duas ou mais (c) inalantes (11,8%); (d) alucinógenos (7,9%); (e)
110 substâncias psicotrópicas nos últimos 12 meses. As anfetamínicos (6,9%); (f ) cloridrato de cocaína 111
1 DROGA 30,7 3.904 38,1 3.302 30,4 3.223 34,5 1.314 27,4 4.674
drogas relatadas com maior frequência foram: (a) (6,3%); (h) ecstasy (6,2%) e (i) tranqüilizantes/an-
2 DROGAS 19,3 2.454 20,8 3.302 18,8 3.223 19,7 1.314 19,5 4.674
produtos de tabaco (37,2%); (b) maconha e deriva- siolíticos (5,7%). Entre as mulheres, as substâncias
3 DROGAS 13,1 1.669 14,3 3.302 15,1 3.223 12,3 1.314 11,8 4.674
dos (19,2%); (c) anfetamínicos (12,9%); (d) tranqüi- mais frequentemente consumidas, além das bebidas
4+ DROGAS 25,7 3.264 16,3 3.302 25,3 3.223 20,2 1.314 29,9 4.674
lizantes e ansiolíticos (9,6%); (e) inalantes (9,1%); alcoólicas, são: (a) produtos de tabaco (34,7%); (b)
(f ) alucinógenos (6,4%); (g) analgésicos opiáceos anfetamínicos (17,6%); (c) maconha e derivados
(4,7%); (h) ecstasy (4,4%) e (i) cloridrato de cocaína (13,6%); (d) tranqüilizantes/ansiolíticos (12,7%); (e)
(4,2%). As demais substâncias pesquisadas foram re- inalantes (6,9%); (f ) analgésicos opiáceos (6,3%); (g)
latadas com frequência inferior a 1,5%. alucinógenos (5,1%); (h) ecstasy (2,9%) e (i) clori-
Como as prevalências de uso de apenas uma drato de cocaína (2,4%). (Tabela 4.15)
única substância, duas ou mais são muito semelhan- Comparando os gêneros, os homens pare-
cem fazer uso múltiplo de álcool mais frequen- as mulheres, fazem mais uso múltiplo de bebidas 4.3.2. Uso múltiplo e simultâneo que, dos 7.387 universitários que afirmaram ter fei-
temente com produtos de tabaco, maconha e alcoólicas com medicamentos, especialmente an- (spu) de álcool e outras drogas to uso de mais de duas substâncias psicotrópicas na
derivados, inalantes, alucinógenos, esteróides fetamínicos, tranqüilizantes/ansiolíticos e anal- vida (Figura 4.1), 5.466 universitários fizeram uso
anabolizantes, ecstasy e cloridrato de cocaína. Já gésicos opiáceos. 4.3.2.1. Geral simultâneo de álcool e outras drogas.
Em relação ao gênero e faixa etária dos uni-
Tabela 4.15: Prevalência de uso, nos últimos 12 meses, de outras drogas psicotrópicas entre os universi- Quando solicitados a responder a pergunta versitários, o uso múltiplo e simultâneo de álcool
tários que declararam ter bebido, conforme o gênero. “Você já fez uso de bebidas alcoólicas e outras drogas a outras substâncias foi relatado, com mais preva-
simultaneamente (em uma mesma sessão de consu- lência, entre os homens (50,5% vs 37,9%) e entre
Substância Psicotrópica Geral (%) Homem (%) Mulher (%) mo)”, 43,4% dos universitários responderam afirma- os jovens de 25 a 34 anos de idade (44,6%) (Ta-
Álcool 100 100 100 tivamente (N=5.466/12.711). Isso equivale a dizer bela 4.16).
Produtos de Tabaco 37,2 40,2 34,7
Maconha/ Haxixe/ Skank 19,2 25,7 13,6 Tabela 4.16: Distribuição do uso simultâneo de bebidas alcoólicas e outras substâncias entre os univer-
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Inalantes e Solventes 9,1 11,8 6,9 sitários, conforme o gênero e a faixa etária.
Cocaína (Pó) 4,2 6,3 2,4 Total GÊNERO (%) FAIXA ETÁRIA (%)
Resposta
Merla 0,2 0,2 0,1 (%) Masculino Feminino Até 18 anos De 18 a 24 anos De 25 a 34 anos 35 anos ou mais

Crack 0,2 0,4 0,1 Sim 43,4 50,5 37,9 27,2 44,3 44,6 40,9

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


Alucinógenos 6,4 7,9 5,1 Não 56,6 49,5 62,1 72,8 55,7 55,4 59,1

SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Cetamina® 0,9 0,5 1,1 TOTAL (N) 12.711 5.682 6.995 308 8.574 2.627 1.061
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Chá de Ayahuasca 0,7 0,6 0,7


Ecstasy 4,4 6,2 2,9 A prevalência desse uso simultâneo de álcool plo e simultâneo de álcool a outras drogas é maior
Esteróides Anabolizantes 1,2 2,6 0,1 e outras drogas é, em termos percentuais, supe- na Região Centro-Oeste (44,4%), Sul (46,1%) e
Tranquilizantes e Ansiolíticos 9,6 5,7 12,7 rior nas IES privadas que nas públicas (45,5% vs Sudeste, (46,3%) (Tabela 4.17).
Sedativos ou Barbitúricos 1,4 0,4 2,1 35,5%). Por Região Administrativa, o uso múlti-
Analgésicos Opiáceos 4,7 2,7 6,3
Xaropes à Base de Codeína 1,2 0,5 1,7 Tabela 4.17: Distribuição do uso múltiplo e simultâneo de bebidas alcoólicas e outras substâncias entre
Anticolinérgicos 0,8 0,8 0,8 os universitários entrevistados conforme o tipo de IES e a Região Administrativa.
Heroína 0,1 0,2 0
Anfetamínicos 12,9 6,9 17,6 Total TIPO DE IES (%) REGIÃO ADMINISTRATIVA (%)
Resposta N
Drogas Sintéticas 1,5 1,3 1,7 (%) Pública Privada Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Uso de Drogas Ilícitas 44,2 44,4 44 Sim 43,4 5.466 35,5 45,5 28,6 33,9 46,3 46,1 44,2
0 Drogas 0 0 0 Não 56,6 7.245 64,5 54,5 71,4 66,1 53,7 53,9 55,8
1 Droga 48,5 47,4 49,3 TOTAL N 12.711 6.206 6.505 2.305 3.200 2.566 2.441
112 2 Drogas 25,4 26,3 24,7 113
3 Drogas 13,9 13,1 14,6 A distribuição desse uso múltiplo foi seme- os universitários do período noturno (45,1%) e ma-
4+ Drogas 12,2 13,2 11,4 lhante entre as áreas de estudo: Ciências Biológicas: tutino (44,6%) apresentaram as maiores prevalências
41,6%; Ciências Exatas: 42,8%; Humanas: 44,1%. Já desse uso (Tabela 4.18).
Tabela 4.18: Distribuição do uso simultâneo de bebidas alcoólicas e outras substâncias entre os univer- Como continuação da pergunta, quando soli- energéticos diariamente ou em uma frequência entre
sitários, conforme a área e o período de estudo. citados a responder “com que frequência, nos últimos 2-3 vezes/semana. Já os universitários que relataram
Total ÁREA DE ESTUDO (%) PERÍODO DE ESTUDO (%) 30 dias” haviam feito uso de cada uma das combina- ter feito uso nos últimos 30 dias de álcool e tabaco,
Resposta N ções com bebidas alcoólicas, informações relevantes 79,7% deles empregaram-na de 1 a 10 dias no úl-
(%) Biológicas Exatas Humanas Integral Matutino Vespertino Noturno
Sim 43,4 5.466 41,6 42,8 44,1 37,7 44,6 40,2 45,1 foram encontradas apenas para as três substâncias timo mês, com uma média de 3 dias/mês. Desses,
Não 56,6 7.245 58,4 57,2 55,9 62,3 55,4 59,8 54,9 mais frequentemente associadas a álcool, ou seja, 14,2% relataram empregá-la em uma frequência di-
TOTAL N 12.711 3.212 3.276 6.007 3.302 3.223 1.314 4.674 para os energéticos, derivados de tabaco e maconha. ária ou entre 2-3 vezes/semana. Finalmente, entre os
Entre os universitários que responderam ter feito o universitários que relataram ter feito, nos últimos 30
Entre os 5.466 universitários que relataram ter ciadas a álcool, ou seja, cerca de 3.605 dos universitá- uso combinado de energéticos a bebidas alcoólicas dias, a combinação de bebidas alcoólicas a derivados
feito uso múltiplo e simultâneo de álcool e outras rios (74,3% dos que relataram ter feito uso múltiplo nos últimos 30 dias, 88,4% deles empregaram-nos de de maconha, 81,8% declaravam tê-lo feito de 1 a 10
substâncias, 4.854 (91,0%) puderam detalhá-lo, ou e simultâneo, na vida, de álcool a outras substâncias) 1 a 10 dias no último mês, com uma média de 2 dias/ dias no último mês, ou seja, em uma frequência apro-
seja, relataram com quais substâncias e frequência o relataram ter feito uso da combinação álcool-bebidas mês. Desses, 5,5% usaram a combinação de álcool e ximada de 2-3 vezes/semana. (Tabelas 4.19 e 4.20)
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

faziam. Nessa análise, um mesmo indivíduo poderia energéticas na vida, 53% uso nos últimos 12 meses e,
ter relatado a associação de bebidas alcoólicas a mais finalmente, 36% uso nos últimos 30 dias. Os derivados Tabela 4.20: Frequência (em número de dias) do uso da combinação de bebidas alcoólicas a cigarro, ener-
de um tipo de substância, de forma que a soma do do tabaco e da maconha apareceram, respectivamen- géticos e derivados da maconha nos últimos 30 dias.
número de universitários, na coluna N (Tabela 4.19) te, na segunda e terceira posições e altas prevalências Álcool e Cigarro Álcool e Energéticos Álcool e Derivados da
é superior a 4.854. também foram observadas para a combinação com Dias de uso nos últimos 30 dias

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


(%) (%) Maconha (%)

SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Nessa análise, as bebidas energéticas desponta- cloridrato de cocaína, ecstasy, drogas sintéticas e an- 1-5 dias 56,9 71,8 63,6
ram como as substâncias mais frequentemente asso- fetamínicos. (Tabela 4.19) 6-10 dias 22,8 16,6 18,2
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

11-15 dias 5,7 2,8 0


Tabela 4.19: Distribuição dos universitários quanto ao uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 16-30 dias 8,5 2,8 0
30 dias do uso múltiplo e simultâneo de álcool a outras drogas, conforme a substância psicotrópica. Não respondeu 6,1 6,1 18,2
Uso nos Uso nos Média de dias TOTAL 1705 1758 534
Uso na
Combinações N últimos 12 N últimos 30 N de uso no
vida (%)
meses (%) dias (%) último mês
Álcool e Cigarro 68,3 3313 43,7 2.122 35,1 1.705 3
Álcool e Bebidas
74,3 3605 52,8 2.563 36,2 1.758 2
energéticas
Álcool e Maconha/
36,8 1788 17,6 855 11 534 1
Haxixe/ Skank
Álcool e Cocaína 11,3 549 4,6 223 2,9 143 0
Álcool e Merla 1,4 69 0,4 18 0,1 6 0
Álcool e Crack 2,1 101 0,3 15 0,1 5 0
114 Álcool e Anfetamínicos 6,5 314 2,1 101 1,3 64 0 115
Álcool e
4,4 213 1,8 88 1,4 70 0
Antidepressivos
Álcool e Sedativos ou
1 47 0,1 7 0,1 7 0
Barbitúricos
Álcool e
0,5 25 0,2 11 0,1 4 0
Anticolinérgicos
Álcool e Ecstasy 10,2 494 4,6 225 2,7 133 0
Álcool e Drogas
7,1 343 3,6 175 3 145 0
Sintéticas
TOTAL 4854
A seguir, analisa-se a influência de cada uma (Tabela 4.16). Os energéticos, produtos de tabaco, Em relação à faixa etária, o uso múltiplo e si- da associação de álcool a tabaco (e derivados) foi
das variáveis independentes sobre o uso múltiplo e maconha e derivados, cloridrato de cocaína e ecs- multâneo de álcool a outras substâncias foi relata- maior entre os universitários mais velhos, ou seja,
simultâneo de álcool a outras substâncias. tasy continuam sendo as substâncias com maior do, com mais prevalência, entre os jovens de 25 a com idade superior a 25 anos, especialmente para
Em relação ao gênero, os homens relataram prevalência de uso em combinação com álcool, com 34 anos de idade (44,6%) (Tabela 4.16). O tabaco as medidas de uso nos últimos 12 meses e nos últimos
ter feito uso múltiplo de álcool a outras drogas com destaque aos anfetamínicos e drogas sintéticas. (e derivados) e os energéticos foram as duas subs- 30 dias. Independentemente da idade e da medida,
maior frequência que as mulheres (50,5% vs 37,9%) (Tabela 4.21) tâncias mais frequentemente associadas a bebidas a maconha (e derivados) foi a terceira droga mais
alcoólicas para todas as faixas etárias e medidas de frequentemente associada a bebidas alcoólicas. Já o
uso. Os energéticos assumiram a primeira posição padrão de associação de álcool a outras drogas foi
Tabela 4.21: Distribuição da resposta dos universitários sobre a associação de bebidas alcoólicas a outras especialmente entre os universitários mais jovens, mais diverso, conforme a faixa etária do universitá-
substâncias (para uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias), conforme o gênero. de idade até os 24 anos. Entretanto, a importância rio. (Tabela 4.22)
Uso na vida Uso nos últimos 12 meses Uso nos últimos 30 dias
Combinações Tabela 4.22: Distribuição da resposta dos universitários sobre a associação de bebidas alcoólicas a outras
Masculino (%) Feminino (%) Masculino (%) Feminino (%) Masculino (%) Feminino (%)
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Álcool e Cigarro 67,0 69,8 42,5 45,1 34,0 36,4 substâncias (para uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias), conforme a faixa etária.
Álcool e Bebidas Uso nos últimos Uso nos últimos
79,3 69,1 58,2 47,2 40,5 31,7 Uso na vida (%)
energéticas 12 meses (%) 30 dias (%)
Combinações
Álcool e Maconha/ Até 18 De 18 a De 25 a 35 anos Até 18 De 18 a De 25 a 35 anos Até 18 De 18 a De 25 a 35 anos
45,0 28,7 22,1 13,2 13,7 8,3 anos 24 anos 34 anos ou mais anos 24 anos 34 anos ou mais anos 24 anos 34 anos ou mais
Haxixe/ Skank

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
Álcool e Cocaína 16,3 6,3 6,4 2,8 4,1 1,8 Álcool e Cigarro 72,4 67,3 65,7 77,6 60,8 42,8 47,4 39,1 30,2 34,3 38,3 33,2
Álcool e Merla 2,5 0,3 0,6 0,1 0,2 0,0 Álcool e Bebidas
88,8 82,4 68,9 47,3 76,0 62,9 40,7 29,3 39,6 46,4 20,8 20,8
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

energéticas
Álcool e Crack 3,2 0,9 0,5 0,1 0,1 0,1
Álcool e Maconha/
Álcool e 9,1 39,7 37,8 25,0 4,9 22,2 15,0 3,4 3,4 13,7 9,3 3,1
Haxixe/ Skank
Tranquilizantes/ 3,9 4,5 1,2 2,3 0,6 1,5
Ansiolíticos Álcool e Cocaína 1,7 8,9 14,0 17,9 0,0 5,1 5,8 0,5 0,0 3,5 3,2 0,3
Álcool e Álcool e Merla 0,0 1,0 2,5 1,1 0,0 0,4 0,5 0,2 0,0 0,1 0,1 0,2
5,5 7,5 1,7 2,4 0,6 2,1
Anfetamínicos Álcool e Crack 0,0 1,1 4,0 2,9 0,0 0,4 0,4 0,0 0,0 0,1 0,1 0,0
Álcool e Álcool e
2,2 6,6 1,2 2,4 1,1 1,8
Antidepressivos Tranquilizantes/ 0,2 3,5 6,1 4,3 0,2 1,7 2,0 1,7 0,2 1,0 1,1 1,6
Álcool e Sedativos Ansiolíticos
0,8 1,1 0,1 0,2 0,1 0,2
ou Barbitúricos Álcool e
13,1 5,5 9,8 3,9 0,0 2,7 1,0 1,7 0,0 1,8 0,1 1,6
Álcool e Anfetamínicos
0,6 0,4 0,1 0,3 0,1 0,1
Anticolinérgicos Álcool e
0,0 4,1 6,4 2,0 0,0 2,3 0,8 1,7 0,0 2,0 0,6 0,9
Álcool e Ecstasy 11,3 9,1 5,2 4,0 2,6 2,8 Antidepressivos
Álcool e Drogas Álcool e Sedativos
8,7 5,4 3,7 3,5 2,8 3,2 0,6 0,9 1,5 0,0 0,6 0,2 0,0 0,0 0,6 0,2 0,0 0,0
Sintéticas ou Barbitúricos
Álcool e
116 0,0 0,8 0,1 0,1 0,0 0,4 0,0 0,0 0,0 0,1 0,0 0,0 117
Anticolinérgicos
Álcool e Ecstasy 0,1 11,1 12,9 2,1 0,1 6,0 4,2 0,0 0,0 3,7 2,2 0,0
Álcool e Drogas
1,5 8,3 7,1 2,1 0,0 5,5 1,4 0,0 0,0 4,6 1,1 0,0
Sintéticas
O uso múltiplo e simultâneo de álcool a ou- os universitários das instituições privadas fizeram, tabaco (2), os derivados da maconha (3), o cloridrato Sul); (4) cloridrato de cocaína (14,0% uso na vida
tras substâncias é numericamente superior nas com maior frequência (e para todas as medidas de de cocaína (4) e o ecstasy (5), embora atenção deva e 5,5% uso nos últimos 12 meses na Região Sul) e (5)
IES privadas que nas públicas (45,5% vs 35,5%). uso), maior consumo de álcool associado a deriva- ser dada à associação de álcool a drogas sintéticas Ecstasy (11,3% uso na vida; 5,4% uso nos últimos 12
(Tabela 4.17) Independente do tipo de institui- dos do tabaco, derivados da maconha, cloridrato e anfetamínicos que despontaram na sexta e sétima meses e 3,4% uso nos últimos 30 dias na Região Su-
ção, as cinco substâncias mais comumente asso- de cocaína, ecstasy, tranquilizantes, anfetamínicos, posições. A maior prevalência para o uso de cada deste). A associação de álcool a merla, crack, sedati-
ciadas a álcool foram: energéticos; derivados do antidepressivos e drogas sintéticas. O recíproco uma dessas combinações (acompanhada das respec- vos e anticolinérgicos foram as menos frequentes em
tabaco; derivados da maconha; cloridrato de co- não foi observado entre os universitários da rede tivas regiões em que se observou) foi: (1) energéticos todas as regiões brasileiras.
caína e ecstasy, com altas prevalências também pública de ensino, para nenhuma das substâncias (86,1% de uso na vida; 66,6% de uso nos últimos 12 Pensando em uma associação específica, a
para a associação com drogas sintéticas e anfeta- investigadas. A associação de álcool a merla, crack, meses e 51,0% de uso nos últimos 30 dias na Região combinação do uso de álcool a anfetamínicos e
mínicos. Pensando em uma associação específica sedativos e anticolinérgicos foram as menos fre- Centro-Oeste); (2) derivados do tabaco (70,2% de a drogas sintéticas foram mais prevalentes na
conforme o tipo de instituição, observou-se que quentes. (Tabela 4.23) uso na vida na Região Norte); (3) derivados da ma- Região Sudeste, enquanto que a associação de
conha (47,1% de uso na vida; 23,9% uso nos últimos álcool a antidepressivos na Região Sul. (Tabelas
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Tabela 4.23: Distribuição da resposta dos universitários sobre a associação de bebidas alcoólicas a outras 12 meses; 12,9% uso nos últimos 30 dias na Região 4.24, 4.25 e 4.26)
substâncias (para uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias) conforme o tipo de IES.
Tabela 4.24: Distribuição da resposta dos universitários sobre a associação de bebidas alcoólicas a outras
Uso na vida Uso nos últimos 12 meses Uso nos últimos 30 dias substâncias, na vida, conforme a Região Administrativa.
Combinações Pública Privada Pública Privada Pública Privada

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


N N N N N N
(%) (%) (%) (%) (%) (%) REGIÃO ADMINISTRATIVA

SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Total
Álcool e Cigarro 65,2 1.448 68,9 1.814 34,8 774 45,6 1.201 26,0 578 37,1 976 Combinações N Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-
(%) N N N N N
(%) (%) (%) (%) Oeste (%)
Álcool e Bebidas
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

75,2 1.672 74,1 1.949 50,1 1.114 53,4 1.405 30,1 668 37,5 988 Álcool e Cigarro 68,3 3313 70,2 426 66,9 696 69,0 761 66,3 769 63,1 218
energéticas
Álcool e Maconha/ Álcool e Bebidas
34,0 755 37,5 986 16,7 371 17,8 469 9,8 217 11,3 297 74,3 3605 61,6 373 74,3 772 73,4 810 77,6 900 86,1 297
Haxixe/ Skank energéticas
Álcool e Cocaína 8,6 190 11,9 313 2,8 63 5,0 131 0,9 21 3,4 89 Álcool e
Maconha/ 36,8 1788 23,2 141 25,9 269 39,2 433 47,1 546 31,8 110
Álcool e Merla 0,5 12 1,6 42 0,2 5 0,4 10 0,2 4 0,1 3 Haxixe/ Skank
Álcool e Crack 0,8 18 2,3 62 0,2 4 0,3 9 0,2 4 0,1 2 Álcool e Cocaína 11,3 549 13,0 79 7,2 75 12,0 132 13,8 160 10,0 35
Álcool e Álcool e Merla 1,4 69 3,3 20 0,4 4 1,5 17 1,5 17 1,6 6
Tranquilizantes/ 3,1 68 4,5 119 0,6 13 2,0 53 0,4 9 1,2 32
Ansiolíticos Álcool e Crack 2,1 101 0,8 5 0,9 9 2,4 26 0,8 9 2,1 7
Álcool e Álcool e
1,8 41 7,5 197 0,5 12 2,4 63 0,1 3 1,6 41 Tranquilizantes/ 4,3 207 3,6 22 3,4 35 4,5 49 5,1 59 3,5 12
Anfetamínicos
Ansiolíticos
Álcool e
3,4 76 4,6 121 1,3 29 1,9 51 1,0 22 1,5 41 Álcool e
Antidepressivos 6,5 314 1,5 9 2,8 29 7,5 83 5,5 64 4,9 17
Anfetamínicos
Álcool e Sedativos
0,7 16 1,0 27 0,1 3 0,1 4 0,1 3 0,1 4 Álcool e
ou Barbitúricos 4,4 213 3,4 20 2,1 22 4,7 52 7,5 87 3,9 13
118 Antidepressivos 119
Álcool e
0,3 6 0,6 15 0,1 3 0,3 7 0,1 2 0,1 2 Álcool e
Anticolinérgicos
Sedativos ou 1,0 47 1,9 12 0,7 7 1,0 11 1,2 14 1,0 3
Álcool e Ecstasy 7,0 155 10,9 286 2,1 47 5,2 136 0,5 10 3,2 85 Barbitúricos
Álcool e Drogas Álcool e
4,2 94 7,7 202 2,1 47 3,9 103 0,8 18 3,5 91 0,5 25 1,1 7 0,1 1 0,6 6 1,1 12 0,4 1
Sintéticas Anticolinérgicos
TOTAL 2.222 2.632 2.222 2.632 2.222 2.632 Álcool e Ecstasy 10,2 494 4,8 29 5,8 60 11,3 124 9,1 105 9,6 33
Álcool e Drogas
7,1 343 3,9 24 2,3 24 8,0 88 6,6 76 8,2 28
Conforme anteriormente mencionado, o uso é feito esse uso múltiplo, observa-se que, indepen- Sintéticas
múltiplo e simultâneo de álcool a outras drogas é dentemente da região administrativa, as cinco subs- TOTAL 4854 606 1.040 1.103 1.160 345
maior na Região Centro-Oeste (44,4%), Sul (46,1%) tâncias mais comumente consumidas em associação
e Sudeste (46,3%) (Tabela 4.17). Ao detalhar como com álcool foram os energéticos (1), os derivados do
Tabela 4.25: Distribuição da resposta dos universitários sobre a associação de bebidas alcoólicas a outras Tabela 4.26: Distribuição da resposta dos universitários sobre a associação de bebidas alcoólicas a outras
substâncias, nos últimos 12 meses, conforme a Região Administrativa. substâncias, nos últimos 30 dias, conforme a Região Administrativa.
REGIÃO ADMINISTRATIVA REGIÃO ADMINISTRATIVA
Total Total
Combinações N Norte Nordeste Sudeste Sul Centro- Combinações N Norte Nordeste Sudeste Centro-
(%) N N N N N (%) N N N Sul (%) N N
(%) (%) (%) (%) Oeste (%) (%) (%) (%) Oeste (%)
Álcool e Cigarro 43,7 2.122 42,3 256 37,7 392 45,3 500 37,6 436 42,7 147 Álcool e Cigarro 35,1 1.705 34,2 207 28,6 298 36,9 407 25,0 290 35,9 124
Álcool e Bebidas Álcool e Bebidas
52,8 2.563 37,1 225 46,3 482 53,5 590 48,5 562 66,6 230 36,2 1.758 24,5 149 28,1 292 37,4 413 23,8 276 51,0 176
energéticas energéticas
Álcool e Álcool e
Maconha/ 17,6 855 11,0 11,7 121 18,4 203 23,9 278 19,2 66 Maconha/ 11,0 534 8,0 49 8,2 85 11,2 124 12,9 150 14,3 49
Haxixe/ Skank Haxixe/ Skank
Álcool e Cocaína 4,6 223 3,2 19 2,4 25 4,9 54 5,5 64 5,6 19 Álcool e Cocaína 2,9 143 2,4 14 1,3 13 3,4 37 2,1 24 2,1 7
Álcool e Merla 0,4 18 1,0 6 0,2 2 0,3 4 1,3 15 0,4 1 Álcool e Merla 0,1 6 1,0 6 0,1 1 0,0 1 1,3 15 0,1 0
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Álcool e Crack 0,3 15 0,6 4 0,2 2 0,2 2 0,2 2 1,7 6 Álcool e Crack 0,1 5 0,6 4 0,1 1 0,1 1 0,2 2 0,2 1
Álcool e Álcool e
Tranquilizantes/ 1,8 85 2,4 14 0,9 9 1,9 21 1,6 19 1,8 6 Tranquilizantes/ 1,1 53 1,9 12 0,6 7 1,2 13 0,9 10 0,5 2
Ansiolíticos Ansiolíticos

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


Álcool e Álcool e
2,1 101 1,1 7 0,8 8 2,4 26 2,1 24 1,4 5 1,3 64 0,7 4 0,5 5 1,6 17 0,6 7 0,8 3

SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Anfetamínicos Anfetamínicos
Álcool e Álcool e
1,8 88 2,0 12 0,8 9 2,0 22 2,0 23 1,5 5 1,4 70 1,7 11 0,7 7 1,7 19 1,2 14 0,4 1
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

Antidepressivos Antidepressivos
Álcool e Álcool e
Sedativos ou 0,1 7 1,7 10 0,0 0 0,1 1 0,3 3 0,1 0 Sedativos ou 0,1 7 1,7 10 0,0 0 0,1 1 0,3 3 0,1 0
Barbitúricos Barbitúricos
Álcool e Álcool e
0,2 11 0,7 4 0,1 1 0,2 3 0,6 7 0,0 0 0,1 4 0,7 4 0,1 1 0,1 1 0,4 4 0,0 0
Anticolinérgicos Anticolinérgicos
Álcool e Ecstasy 4,6 225 2,9 18 1,3 14 5,4 60 2,8 33 4,1 14 Álcool e Ecstasy 2,7 133 1,0 6 0,6 6 3,4 38 1,1 13 1,6 5
Álcool e Drogas Álcool e Drogas
3,6 175 3,4 21 0,9 10 4,2 46 2,4 28 3,8 13 3,0 145 1,3 8 0,6 6 3,7 40 0,8 10 2,5 9
Sintéticas Sintéticas
TOTAL 4854 606 1.040 1.103 1.160 345 TOTAL 4854 606 1.040 1.103 1.160 345

120 121
A prevalência do uso múltiplo e simultâneo de e anticolinérgicos. Entre os universitários das Ciên- Os universitários do período noturno (45,1%) dativos e anticolinérgicos foram as menos comuns,
bebidas alcoólicas a outras drogas foi semelhante cias Humanas foram identificadas as maiores pre- e matutino (44,6%) apresentaram as maiores preva- embora o uso na vida da associação de crack a álcool
entre os universitários da área de Ciências Bioló- valências de associação entre álcool e derivados do lências do uso múltiplo e simultâneo de bebidas al- tenha atingido 4,5% de prevalência entre os alunos
gicas (41,6%), Exatas (42,8%) e Humanas (44,1%). tabaco, cloridrato de cocaína, ecstasy, drogas sinté- coólicas e outras drogas (Tabela 4.18). Confirma-se do período vespertino. Finalmente, os alunos do pe-
(Tabela 4.18) Ao detalhar a análise, o padrão des- ticas e anfetamínicos, para todas as medidas de uso o padrão anterior de que os energéticos, derivados de ríodo noturno apresentaram maior prevalência de
crito anteriormente também foi identificado para a (uso na vida, uso nos últimos 12 meses, uso nos últimos tabaco e de maconha, cocaína e ecstasy são as cinco uso (para todas as medidas) das associações de be-
interferência da área de estudos sobre o uso múltiplo 30 dias). Nesse mesmo sentido, o uso associado com drogas associadas ao uso de bebidas alcoólicas com bidas alcoólicas a tranqüilizantes e antidepressivos.
e simultâneo de álcool a outras substâncias, de tal energéticos e derivados da maconha foi identifica- maior frequência. A associação com merla, crack, se- (Tabela 4.28).
forma que os energéticos, derivados do tabaco, deri- do, com maior prevalência, entre os universitários de
vados da maconha, cocaína e ecstasy foram as subs- Ciências Exatas. Finalmente, os universitários das Tabela 4.28: Distribuição da resposta dos universitários sobre a associação de bebidas alcoólicas a outras
tâncias mais frequentemente consumidas em com- Ciências Biológicas apresentaram maior prevalên- substâncias (para uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias), conforme o período de estu-
binação com as bebidas alcoólicas, com as menores cia da combinação entre álcool e antidepressivos. dos (se integral, matutino, vespertino e noturno).
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

prevalências encontradas para merla, crack, sedativos (Tabela 4.27) Uso nos últimos Uso nos últimos
Uso na vida (%)
Combinações
12 meses (%) 30 dias (%)
Tabela 4.27: Distribuição da resposta dos universitários sobre a associação de bebidas alcoólicas a outras Integral. Matutino Vespertino Noturno Integral. Matutino Vespertino Noturno Integral. Matutino Vespertino Noturno
(%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%)
substâncias (para uso na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias), conforme a área de estudos.
Álcool e
62,7 71,8 72,0 67,6 37,6 38,3 39,2 49,1 25,0 30,2 31,6 41,0

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


Uso nos últimos Uso nos últimos Cigarro

SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


Uso na vida (%)
12 meses (%) 30 dias (%) Álcool e
Combinações
Biol. Exatas Humanas Biol. Exatas Humanas Biol. Exatas Humanas Bebidas 77,4 75,4 64,4 74,1 48,5 53,2 46,5 54,9 26,3 41,7 31,6 36,7
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

(%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) energéticas
Álcool e Cigarro 65,4 63,0 70,2 34,7 41,7 46,1 25,9 31,9 38,5 Álcool e
Derivados 32,2 41,8 38,7 35,6 17,5 20,6 22,7 15,6 10,8 10,9 17,0 10,5
Álcool e Bebidas
71,8 84,1 72,6 39,6 63,4 53,5 22,1 43,4 38,4 Maconha
energéticas
Álcool e
Álcool e Derivados 9,8 8,3 13,1 13,2 6,5 3,1 3,3 5,1 3,5 1,4 0,2 3,9
28,3 41,5 37,6 13,0 23,3 17,3 8,6 13,7 11,1 Cocaína
Maconha
Álcool e Merla 1,4 0,9 0,5 1,9 1,1 0,1 0,2 0,3 0,4 0,1 0,1 0,1
Álcool e Cocaína 6,4 11,8 12,3 2,8 2,5 5,4 1,9 1,1 3,7
Álcool e Crack 2,0 0,8 4,5 2,5 0,7 0,2 0,1 0,3 0,2 0,1 0,1 0,1
Álcool e Merla 0,2 0,4 2,0 0,1 0,2 0,5 0,0 0,1 0,2
Álcool e
Álcool e Crack 0,3 1,2 2,8 0,1 0,5 0,3 0,0 0,1 0,1 2,8 2,7 2,7 5,8 0,8 1,2 0,3 2,6 0,7 0,7 0,2 1,5
Tranquilizantes
Álcool e Álcool e
3,7 5,3 4,2 0,9 0,6 2,3 0,5 0,1 1,5 3,2 7,9 2,6 7,2 2,3 2,5 1,0 2,0 2,0 0,9 0,6 1,5
Tranquilizantes Anfetamínicos
Álcool e Álcool e
4,5 2,0 8,2 2,7 0,5 2,4 1,5 0,3 1,6 Antidepressivos
2,8 4,1 1,5 5,5 1,3 1,9 0,2 2,1 1,2 1,9 0,0 1,5
Anfetamínicos
Álcool e
Álcool e 0,7 0,3 1,1 1,4 0,1 0,1 0,0 0,2 0,1 0,1 0,0 0,2
4,5 1,1 5,3 2,9 0,5 1,9 2,5 0,5 1,4 Sedativos
Antidepressivos
Álcool e
122 Álcool e Sedativos 0,4 1,0 1,1 0,0 0,5 0,1 0,0 0,5 0,1 Anticolinérgicos
0,3 0,1 0,1 0,9 0,2 0,0 0,1 0,4 0,1 0,0 0,1 0,1 123
Álcool e Álcool e
0,2 0,2 0,7 0,1 0,0 0,3 0,0 0,0 0,1 5,5 12,7 14,2 9,6 2,4 4,2 3,6 5,6 0,8 1,7 3,5 3,8
Anticolinérgicos Ecstasy
Álcool e Ecstasy 7,1 10,1 11,2 3,2 4,6 5,0 1,4 2,6 3,2 Álcool e
Drogas 3,4 4,8 12,1 8,8 1,7 3,6 3,7 4,2 0,9 2,5 3,5 3,8
Álcool e Drogas
4,2 6,6 8,0 2,2 0,8 4,7 0,6 0,3 4,3 Sintéticas
Sintéticas
TOTAL 1.248 1.273 429 1.825 1.248 1.273 429 1.825 1.248 1.273 429 1.825
TOTAL 1.263 1.211 2.316 1.263 1.211 2.316 1.263 1.211 2.316
4.3.2.2. Motivações para o uso rios nunca fez uso de álcool ou de outras substân- Os resultados aqui apresentados assemelham- R,&#(#65 88:5 &/,ĉ465
888:5 ).)65 88:5
múltiplo de drogas cias psicotrópicas na vida. No entanto, 30,7% fez se aos de outros países. As combinações de álcool, Nappo, S.A. I Levantamento Domiciliar sobre o uso
uso de uma única substância e mais da metade da cigarro e maconha são as mais frequentemente ci- de Drogas Psicotrópicas no Brasil – 2001. São Paulo:
Quando solicitados a responder a pergunta amostra, 58,1%, fez uso de duas ou mais drogas na tadas por outros levantamentos internacionais re- CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre
“Indique os principais motivos pelos quais você já vida, ou seja, relataram já ter feito o uso múltiplo alizados com a população geral (Earleywine et al., Drogas Psicotrópicas, Departamento de Psicobiolo-
fez o uso simultâneo de álcool a outras drogas“, es- de drogas. Considerando-se um período mais pró- 1997; Collins et al., 1999; Beck et al., 2007/ Mida- gia, UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo,
colhendo uma ou mais das alternativas dentro das ximo à avaliação, 27,4% dos universitários relata- nik et al., 2007). Já a associação de álcool e ecstasy 380 p., 2002.
fornecidas, os resultados foram distribuídos da se- ram ter feito, nos últimos 30 dias, o uso múltiplo de é a que tem tido maior corpo na literatura científi- R,&#(#65 88:5 &/,ĉ465
888:5 ).)65 88:5
guinte maneira: substâncias, um padrão de uso que parece ser in- ca, especialmente quanto aos seus desdobramentos Fonseca, A.M.; Carlini, C.M.; Oliveira,L.G.; Nap-
Rjm6nz5 )-5 /(#0,-#.á,#)-5 .,#/ù,'5 )5 /-)5 fluenciado pela região administrativa, tipo de IES, psiquiátricos e cognitivos. A associação de álcool po S.A.; Moura, Y.G.; Sanchez, Z.V.M. II Levanta-
múltiplo de drogas, com bebidas alcoólicas, a moti- área e período de estudos, gênero e, finalmente, a e energéticos também tem conquistado importante mento Domiciliar sobre o uso de Drogas Psicotró-
vos puramente pessoais, ou seja, simplesmente por- faixa etária do universitário. espaço, especialmente entre os universitários. Fi- picas no Brasil: estudo envolvendo as 108 maiores
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

que gostavam ou porque lhes possibilitava esquecer Entre os universitários que relataram ter be- nalmente, a associação de álcool e tabaco e de álco- cidades do país – 2005. São Paulo: CEBRID – Cen-
os problemas da vida quotidiana; bido nos últimos 12 meses, o tabaco e a maconha (e ol e ecstasy têm sido mimetizadas e aprofundadas tro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psico-
Rgi6hz5 4#'55'#-./,5*,5)(.,)&,5)5/-)5B5 derivados) foram as substâncias usadas mais fre- em modelos experimentais. trópicas, Departamento de Psicobiologia, UNIFESP
vontade de beber) ou os efeitos do álcool, no sentido quentemente (além do álcool) seguidas pelos anfe- Em linhas gerais, verificamos, nessas análises – Universidade Federal de São Paulo, 468 p., 2007.
de ficar menos alcoolizado ou potencializar os efei- tamínicos, tranqüilizantes, inalantes, alucinógenos, preliminares, que uma grande parcela dos univer- R")+/.5 65 ),#(5 65 --&,5 65 )/25

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
tos da bebida; analgésicos opiáceos, ecstasy e cloridrato de cocaína. sitários brasileiros está exposta ao uso múltiplo de S. Is alcohol, tobacco, and cannabis use as well as
Rgf6mz5/-0'5-5#-5&)ĉ&#-5*,5'- O gênero parece ser importante fator que interfere drogas, o que a coloca sob potencial risco para o de- polydrug use increasing in France? Addict Behav
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

nipular os efeitos de outra substância (no sentido de sobre esse padrão de uso. senvolvimento de problemas de cunho físico, moral, 2004;29(3):607-14.
potencializar os efeitos agradáveis e reduzir os efei- Mais preocupante que saber que a maioria dos social, psicológico, cognitivo e psiquiátrico, precisan- R)&&#(-5  65 &&#%-)(5  65 &&5  85 #'/&-
tos desagradáveis) ou controlar seu uso, interrom- universitários já experimentou mais de uma substân- do ser melhor investigada para o desenvolvimento taneous polydrug use among teens: prevalence and
pendo-o e permitindo ao universitário retomar suas cia, é saber que quase 45,0% já experimentaram, na de ações a respeito. predictors. J. subst. abuse. 1999;10 (3):233-53.
atividades diárias quando necessário; vida, os efeitos do álcool combinado a outras drogas R,&31#(5 65 1)'5 85 )(/,,(.5
Rm6jz5 ,&.,'5 +/5 ()-5 &/!,-5 )(5 "0#5 durante uma mesma ocasião de consumo. Motivos 4.5. REFERÊNCIAS versus simultaneous polydrug use: prevalence, cor-
acesso a álcool, havia também o acesso a outras pessoais (como gostar e querer esquecer os problemas BIBLIOGRÁFICAS relates, discriminant validity, and prospective effects
drogas, tornando a associação obrigatória (influ- da vida) e a necessidade de controlar o uso ou mani- on health outcomes. Exp Clin Psychopharmacol.
ência ambiental); pular os efeitos agradáveis e desagradáveis de álcool R',#(5 -3"#.,#5 --)#.#)(865 BgoojC85 1997;5(4):353-64.
Ri6hz5 )5 4#'5 *,5 #'#.,5 )5 )'*),.'(.)5 (ou das drogas associadas) são as principais motiva- Diagnostic and statistical manual of mental di- R 5 75 /,)*(5 )(#.),#(!5 (.,5
dos amigos (influência social); ções para a realização do uso múltiplo e simultâneo de sorders. (4th ed.). Washington (DC): American for Drugs and Drug Addiction. Handbook for sur-
Rg6kz5 )-5 /(#0,-#.á,#)-5 )(-#,0'7-5 - álcool a outras substâncias. Os energéticos, os deriva- Psychiatric Association. veys on drug use among the general population. Lis-
pendentes de álcool ou outras substâncias, julgando- dos de tabaco, os derivados da maconha, cloridrato de R(.")(35
65 "!,37!(,5 85 *#- bon: EMCDDA; 2002.
se incapazes de controlar o uso múltiplo; cocaína, ecstasy, drogas sintéticas e anfetamínicos des- miologic analysis of alcohol and tobacco use. Alco- R#&&'),5 65/-"5653-5 85/.5Ŀ.-5
124 Rgl6fz5 )-5 /(#0,-#.á,#)-5 (ã)5 -)/,'5 ,-- pontaram como as drogas mais comumente combina- hol Res Health. 2000;24(4):201-8. of cocaine in two models of inhibitory control: im- 125
ponderam a pergunta (responderam “Não sei”), en- das a álcool em uma situação de uso múltiplo. Entre R,,#5  85 )('#&5 -5 ) 5 ,-,#*.#)(5 plications of non-linear dose effects. Addiction.
quanto 12,6% não a responderam. elas, a combinação de álcool com energéticos e tabaco Stimulants and Analgesics: Associations with Social 2006; 101(9):1323-32.
Como poderiam escolher mais de uma alter- foram as mais usualmente relatadas, sendo emprega- and Academic Behaviors among College Students. J R&"#&&7)3.5
65 565.,).5
65"-&,585
nativa, a soma das prevalências é diferente de 100%. das em até 10 dias dentro do período dos últimos 30 Drug Issues. 2008;28(2):156-69. Increased use of marijuana and other illicit drugs at
dias. A associação de álcool a merla, crack, sedativos R%565 !&3565*#&%585 /&.#*&5*-3")- US colleges in the 1990s: results of three national
4.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS e anticolinérgicos foram as menos frequentes. Esses active substance use (alcohol, tobacco and cannabis) surveys. Addiction. 2000;95(11):1655-67.
resultados se repetiram independentemente da inter- in the French general population in 2005. Presse R&/,ĉ465
888:5).)6588:5)(-658 8:5
Pelo presente levantamento, podemos, nessas ferência de (a) região administrativa, (b) tipo de IES Med. 2008;37(2 Pt 1): 207-15. Carlini, E.A. V Levantamento Nacional sobre o
primeiras análises evidenciar que, no Brasil, ape- (c) área de estudos, (d) período de estudos, (e) gênero R/"&,65 85 BgojlC85 5 )85 .-5 #65 08gh65 Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes
nas uma pequena parcela (11,2%) dos universitá- e (f ) faixa etária do universitário. 246-282. do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública
de Ensino nas 17 Capitais Brasileiras. – 2004. São use of alcohol and prescription drugs: prevalen- R 575Substance Abuse and Mental Health R),5 65 ,,)..5 65 /,(,5
85 ..,#/.#)(-5 ),5
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65)(035 65/,%")&,585"&- R(5'565,&31#(5 65##)')585


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R)/4)/&#-7 3 ,(%65 /'((5
85 Ļ5 )(- R )"&,7 /)5 65 5
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I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Menoyo E, Pizarro N, Ortuño J, Torrens M, Camí R).)565&/,ĉ45


65**)565)(-5
J, de La Torre R. 3,4-Methylenedioxymethamphe- AM, Carlini CMA, Moura YG, Carlini EA. V Le-
tamine (ecstasy) and alcohol interactions in hu- vantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas
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and pharmacokinetics. J Pharmacol Exp Ther. mental e Médio da Rede Pública de Ensino nas 17

CAPÍTULO 4: USO MÚLTIPLO DE DROGAS ENTRE UNIVERSITÁRIOS


SEÇÃO III: USO' DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS
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ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

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R)-"#5 65 )"(5 65 '(-%#5 65 ##(#5 65 in Barcelona: a reason of worry. Substance Use &
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have long-term effects on aggressive interpretative R((#(!-5 
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I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

CAPÍTULO 5:
ÁLCOOL E DROGAS: TERCEIRA PESQUISA
SOBRE ATITUDES E USO ENTRE ALUNOS
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – CAMPI


CIDADE UNIVERSITÁRIA, FACULDADE DE
DIREITO E COMPLEXO DE SAÚDE
Gabriela Arantes Wagner
Lúcia Pereira Barroso
Vladimir de Andrade Stempliuk
Arthur Guerra de Andrade

128 129
5.1. INTRODUÇÃO mais consumidas e as suas prevalências de uso nos úl- anteriores, pode-se definir um estudo seriado, atuali- A Universidade de São Paulo
timos 12 meses foram de 82,3% para o álcool e 29,6% zando dados, ampliando o conhecimento de fatores
O Censo da Educação Superior 2007 revelou para o tabaco (Andrade et al., 1997). sociodemográficos e do padrão de uso das popula- A USP foi criada em 1934. É considerada um cen-

CAPÍTULO 5: ÁLCOOL E DROGAS: TERCEIRA PESQUISA SOBRE ATITUDES E USO ENTRE ALUNOS DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
aspectos importantes na situação da educação su- Em 2001, com o intuito de comparar e iniciar ções envolvidas. tro avançado de ensino, pesquisa e extensão à comunidade
perior brasileira, especialmente da Cidade de São estudo seriado quanto ao consumo de drogas na Nesse sentido, continuar monitorando esses com campi em vários locais do estado de São Paulo. Na
Paulo. Tem-se descrito que, em São Paulo, o núme- universidade, foi realizado o segundo levantamento. alunos, através de um terceiro levantamento do pa- Capital (Figura 5.1) encontram-se quatro deles: Cidade
ro de IES entre 1991-2007 aumentou de 309 para Basicamente, esse estudo comparou o padrão do uso drão de consumo de drogas e comportamentos dos Universitária (Figura 5.2), Zona Leste, também chama-
547 unidades, dentre as quais se destacaram as IES de drogas e atitudes a respeito com os dados do pri- alunos da USP, possibilita a implementação dos pro- da de “USP Leste”, Faculdade de Direito e Complexo de
do setor privado como sendo o maior número. Na meiro levantamento (1996), identificou grupos espe- gramas de prevenção existentes e a criação de novas Saúde, na qual encontra-se a Faculdade de Medicina, Es-
relação das trinta primeiras IES por ordem decres- cíficos mais expostos aos problemas e as drogas mais frentes ou intervenções para essa população. cola de Enfermagem e Faculdade de Saúde Pública.
cente no número de matrículas em 2007, a Univer- utilizadas, além de fornecer subsídios para ações pre-
sidade de São Paulo (USP) ocupa a sexta colocação ventivas nessa população. Figura 5.1. Distribuição Geográfica da USP na cidade de São Paulo
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

em números de alunos matriculados, com cerca de A comparação das pesquisas revelou mudan-
50.000 alunos. ças consideráveis no comportamento e consumo de
Nesse contexto, a USP é a universidade pública substâncias psicoativas. Os padrões de uso diversi-

– Campi Cidade Universitária, Faculdade de Direito e Complexo de Saúde


brasileira com o maior número de alunos matricula- ficaram-se e observou-se aumento significativo no
dos, o que a torna especial. Além dessa característica, consumo de bebidas alcoólicas (88,5% para 91,9%),

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


a Universidade, no bojo dos seus 75 anos de histó- tabaco (42,8% para 50,5%), maconha (31,3% para
ria, conta com o talento e dedicação dos docentes, 35,3%), alucinógenos (6,1% para 11,4%) em relação
ENTRE UNIVERSITÁRIOS DAS 27 CAPITAIS BRASILEIRAS

alunos e funcionários, tornando-se reconhecida por ao consumo na vida (Andrade et al., 1997; Stem-
diferentes rankings mundiais criados para medir a pliuk et al., 2005). As mulheres passaram a consumir
qualidade das universidades a partir de diversos cri- mais tabaco, maconha, anticolinérgicos e inalantes
térios, principalmente com os relacionados à produ- e continuaram sendo as maiores consumidoras de
tividade científica. tranqüilizantes e anfetamínicos no período (Wagner
A USP é a maior potência em pesquisa acadê- et al., 2007). Em 2001, houve aumento da aprova-
mica do País e, por essas razões, faz-se pertinente o ção do consumo de cocaína, crack, maconha, anfeta-
conhecimento do padrão de uso de drogas por seus minas e inalantes. Segundo os autores, a explicação
alunos, afinal trata-se da universidade com a for- para o aumento da aprovação de consumo de cocaí-
mação de um renomado capital humano no País. A na e crack não se deu pelo aumento do consumo em
possibilidade de tornar a universidade um exemplo si, que se manteve estável entre os anos de 1996 e
em monitoramento do padrão de consumo de subs- 2001 (Stempliuk et al., 2005).
tâncias entre seus jovens fortalece o reconhecimento Comparando-se os dois períodos, observou-se
nacional e mundial sobre sua capacidade científica. diferença entre os gêneros no consumo de drogas nos
130 Para ilustrar essa questão, têm-se, nos anos de últimos 30 dias, com aumento significativo no consu- 131
1996 e 2001, os dois primeiros estudos transversais mo de tabaco entre homens (de 19,6% para 23,5%),
sobre o consumo de drogas entre os alunos da USP. maconha (de 15,8% para 20,5%), anfetaminas (de
Neles, as tendências, padrões de uso e perfis foram 1,1% para 3,2%) e inalantes (de 4,0% para 7,9%)
avaliados por Andrade et al. (1997) e Stempliuk et (Wagner et al., 2007). O PROGREA (Programa
al. (2005). O estudo inicial (1996) apresentou dados Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas),
importantes sobre o uso de drogas ilícitas na vida utilizando-se dos dados dessas pesquisas, desenvol-
(38,1%), nos últimos 12 meses (26,3%) e nos últimos 30 veu o Programa de Prevenção e Tratamento de Uso
dias (18,9%). O uso foi maior entre o gênero mas- de Drogas na USP (PRODUSP) e seus resultados
culino e entre alunos que moram sem as famílias. serviram de aprimoramento contínuo de tal progra-
Verificou-se que o álcool e o tabaco são substâncias ma. Hoje, tendo-se as informações de duas pesquisas
É uma comunidade muito complexa que conta a 81.358 alunos, entre graduandos e pós-graduandos. 5.2. OBJETIVOS classe de alunos e disciplina, já que uma mesma dis-
com 40 órgãos de ensino e pesquisa, 27 órgãos centrais O foco dessa pesquisa foi avaliar os campi da ciplina pode ser ministrada para duas ou mais salas.
de direção e serviço, 7 institutos de especializados, 4 Cidade Universitária, Complexo de Saúde e Facul- Identificar a prevalência de uso de drogas na A variável de estratificação foi a área de estudos do

CAPÍTULO 5: ÁLCOOL E DROGAS: TERCEIRA PESQUISA SOBRE ATITUDES E USO ENTRE ALUNOS DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
hospitais e 4 museus. Há, na USP, 238 cursos de gra- dade de Direito, a fim de reproduzir as pesquisas re- USP em 2009 e compará-los aos dados obtidos curso no qual o aluno está matriculado (Humanas,
duação e 230 programas de pós-graduação oferecidos alizadas em 1996 e 2001. em 1996 e 2001, para compreender sobre sua pos- Exatas ou Biológicas) e as turmas de alunos foram
sível evolução. os conglomerados.
Figura 5.2. Cidade Universitária - Capital A partir de uma lista fornecida pela Pró-Rei-
Cidade Universitária USP - Capital 5.3. METODOLOGIA toria de Graduação da USP com as informações das
turmas (nome da disciplina, número de matricula-
Índice de vias Índice de Unidades e Localizações
A Av. da Universidade 01 Fundação Univercitária para o Vestibular - FUVEST 14 Escola de Comunicação e Artes - ECA 5.3.1 Seleção da amostra dos e a que Unidade pertenciam, horário, Unidade
B Av. Prof. Lineu Perstes 02 Centro de Visitantes 15 Instituto de Psicologia - IP em que eram ministradas e professor responsável),
C Av. Prof. Luciano Gualberto 03 Escola de Educação Física e Esportes - EEF 16 CEPEUSP: Raia Olimpica
D 04 Faculdade de Educação - FE 17 Praça dos Bancos A população de interesse foi composta pelos selecionou-se uma amostra composta por 228 tur-
I LEVANTAMENTO NACIONAL SOBRE O USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS

Av. Prof. Ernesto de M. Leme


05 Escola de Aplicação da Faculdade de Educação 18 Faculdade de Economia e Administração - FEA
E
F
Av. Prof. Almeida Prado
Av. Prof. Melo Morais 06 Centro de Práticas Esportivas - CEPEUSP 19 Barracões: ECA e FMVZ alunos de cursos presenciais de graduação da Univer- mas, 76 de cada área.
G Rua do Anfiteatro 07 Coordenadoria de Adiministração Geral -
CODAGE
20
21
Escola Politécnica - POLI
Instituto de Eletrotécnica e Energia - IEE
sidade de São Paulo do campi da Cidade Universitá- Como uma turma podia ter alunos de várias
H Rua da Praça do Relógio
I Av. Prof. Lúcio M.Rodrigues 08 Museu de Arte Contemporânea - MAC 22 Instituto de Astronomia e Geofísica - IAG ria, Complexo de Saúde e Faculdade de Direito. Unidades diferentes, somou-se o número de alunos

– Campi Cidade Universitária, Faculdade de Direito e Complexo de Saúde


J Rua do Lago 09 Conjunto Residencial da USP (CRUSP) e 23 Instituto de Matematica e Estátistica - IME
K Rua do Matão Coordenadoria de Assistência Social (COSEAS) 24 Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FAU Para verificar o consumo de drogas e álcool por por área e calculou-se o percentual correspondente a
L Av. Corifeu de Azevedo Marques 10 PROLAM, PROCAM e CINUSP 25 Clube dos Funcionários
M Av. Escola Politécnica 11 Instituto de Estudos Brasileiros - IEB 26 Instituto Oceanográfico - IO parte dos estudantes e compará-lo às pesquisas ante- cada uma delas. Aquela de maior proporção de alunos

SEÇÃO III: USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS DROGAS


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