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Ciência E Pseudociência

LAKATOS, Imre. História da Ciência e suas Reconstruções Racionais. Lisboa:


Edições 70, 1978. 175 p.

Imre Lakatos, nascido em 1922, foi um filósofo da matemática e da ciência húngaro,


tendo vivido até 1956, quando foge para a Inglaterra, após a invasão da União Soviética da
sua terra natal (Decebren), falecendo em 1974. A sua obra é curta, mas deixou uma marca
inextinguível na discussão sobre a ciência. Sua filosofia é conhecida pela “Metodologia dos
Programas de Investigação Científica”, que oferece uma nova reconstrução racional da
ciência.
O texto Ciência e Pseudociência foi escrito inicialmente em 1973 e originalmente
divulgado como palestra radiofônica, sendo difundido em 30 de Junho de 1973 pela Open
University. A ideia principal do texto é que o problema da demarcação entre ciência e
pseudociência não é um pseudoproblema de filosofia de salão, e sim uma questão de vital
relevância social e política.
O autor inicia sua fala caracterizando um traço peculiar no homem: o respeito pelo
conhecimento; e que a ciência tornou-se a referência da mais respeitável forma de
conhecimento. Apesar disso, o que é que separa o conhecimento da superstição, ideologia
ou pseudociência?
Na filosofia, muitos autores tentaram resolver o problema da demarcação. Uma das
tentativas diz que um enunciado constitui conhecimento se um número considerável de pessoas
acreditar nele com uma razoável firmeza. Entretanto, a história do pensamento revela que muitas
pessoas seguiram totalmente a crenças absurdas. E se a força das crenças fosse o traço específico do
conhecimento, teríamos de considerar como pensamento científico as histórias de demônios, anjos,
forças do mal, céu e inferno.
Em contrapartida, os cientistas são muito céticos, mesmo estando associados às suas
melhores teorias. Imre Lakatos dá o exemplo sobre a teoria de Newton, mostrando que o próprio
Isaac Newton criando a teoria mais poderosa que a ciência jamais produziu, ele mesmo nunca
acreditou que os corpos se atraem à distância. Efetivamente, um certo ceticismo é o traço distintivo
do comportamento científico, pois a adesão cega a uma teoria, nas palavras de Lakatos, é um crime
intelectual.
Desse modo, um enunciado pode ser pseudocientífico mesmo que seja extremamente
“crível” e todos aderirem a proposição, e pode ter um grande valor científico mesmo que seja
inverossímil e ninguém acredite nele. O filósofo entende que o valor cognitivo de uma teoria não é
necessário, pois a crença, a adesão, e a compreensão são estados da mente humana; o valor
científico e objetivo de uma teoria é livre da mente humana que a concebe ou compreende. O seu
valor só depende da estrutura objetiva que essas conjecturas encontrem nos fatos.