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154 FERTILIDADE DO SOLO

CAPÍTULO 11

MICRONUTRIENTES

Os micronutrientes são substância que a planta necessita em pequenas quantidades,


contudo essenciais seja para tomarem parte nos processos de metabolismo ou para
constituírem enzimas e clorofila. Fazem parte de micronutrientes os seguintes elementos: B,
Fe, Mn, Zn, Cl, Cu e Mo.

A disponibilidade de micronutrientes para as plantas está directamente relacionada com o


pH do solo, textura, e o conteúdo de matéria orgânica.

A disponibilidade de B, Cu, Fe, Mn e Zn em geral, decresce com o aumento do pH do solo,


com excepção do Mo cuja disponibilidade aumenta com o aumento do pH do solo. Por outro
lado, solos minerais, contendo quantidades consideráveis de matéria orgânica mostram
uma disponibilidade adequada de micronutrientes devido a presença de quantidades
consideráveis de matéria orgânica mineralizada.

11.1. BORO (B)

11.1.1. Boro no solo

O conteúdo do boro no solo varia de 2 a 100 ppm em regiões húmidas, sendo a turmalina a
principal fonte de boro inorgânico em muitos solos embora a água da chuva também, em
spequenas quantidades, possa conter o boro.

Os boratos de cálcio, Magnésio e Sódio constituem outra forma de ocorrência de boro


inorgânico no solo. Grande parte do boro total encontra-se em solos no mineral turmalina,
que é de difícil dissolução. A forma orgânica do boro resulta da combinação que este
elemento faz com a matéria orgânica. Por isso, o seu teor é mais elevado na camada
superficial nos solos minerais e em solos ricos em matéria orgânica. O boro é mais solúvel
em condições ácidas.

11.1.2. Factores que afectam a disponibilidade do Boro

O boro é muito afectado pelo pH, pela textura do solo e pelo teor de cálcio. A valores de pH
mais elevados o elemento se torna menos disponível. Solos mais argilosos adsorvem mais o
boro e podem, assim, dificultar a absorção do mesmo pelas plantas. O efeito do cálcio sobre
a disponibilidade do boro pode estar relacionado com interacções que estes elementos tem

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na planta e não no solo. Em condições de seca as deficiências acentuam-se, possivelmente


pela menor liberação do Boro pela matéria orgânica.

11.1.3. Funções do Boro na planta

O boro é particularmente importante para o desenvolvimento das partes mais novas da


planta, os pontos de maior divisão celular são muito exigentes e precisam de fornecimento
constante em boro durante a estação de crescimento. Ele é responsável pela estabilização e
boa formação das células, lenhificação e pela diferenciação do xilema.

O boro melhora a qualidade de frutos, forragem e hortaliças, deste modo, melhora a


colheita em geral. Junto com o cálcio, ajuda no transporte de açúcares para os frutos,
colmos e raízes. É também importante na produção de sementes. A sua deficiência causa a
má formação dos grãos.

11.1.4. Sintomas de deficiência do Boro

A deficiência do B manifesta-se de diferentes maneiras para estágios fisiológicos e espécies


diferentes bem como da gravidade da deficiência. Considera-se uma planta deficiente em
boro se apresentar níveis inferiores a 5-10 mg de B/Kg m.s. em monocotiledóneas e 20-70
mg de B/Kg m.s. em dicotiledóneas.

A insuficiência do boro manifesta-se primeiramente nas partes mais novas, uma vez que a
mobilidade de B é baixa, e o sintoma geral é a morte dos brotos terminais. Assim, novos
ramos podem se formar, resultando num superbrotamento em aspecto de roseta devido aos
entrenó que ficam mais curtos.

11.1.5. Fertilizantes do Boro

Os boratos de sódio são normalmente aplicados no solo enquanto Solubor® é usado tanto
para aplicação foliar como no solo. Devido a sua solubilidade o ácido bórico tem um uso
limitado. Borax é um popular fertilizante solúvel em água mas pode ser facilmente lixiviado
em solos arenosos.

Estrume, compostos, refugos das cidades são fontes de B imediatamente disponível, mas a
toxicidade pode ser a elevadas doses de aplicação.

Aplicação no solo e foliar são os dois principais métodos de aplicação de B.


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Fertilizantes de B são misturados a outros fertilizantes para corrigir deficiência em culturas


anuais enquanto que as aplicações foliares são usadas depois do estabelecimento das
culturas perenas.

Lista de alguns fertilizantes de B:

Ácido bórico (H3BO3)……………………................……170 g de B/Kg


Borax (Na2B4O7.10H2O)………………………….............110 g de B/Kg
B

Pentaborato de sódio(Na2B10O16.10H2O)…..................180g/kg
B

Tetraborato de sódio (Na2B4O16.5H2O)….................... 140g/Kg


B

Solubor®…………………………......……………………200 g/kg

11.2. FERRO (Fe)

11.2.1. Ferro no solo

O conteúdo de ferro no solo varia de 200 a 220 ppm. O ferro no solo faz parte de minerais
primários, argilas, óxidos e hidróxidos de ferro na forma insolúvel. Por isso, quando se
adiciona o ferro para corrigir a sua deficiência este converte-se rapidamente em compostos
insolúveis de hidróxidos, óxidos e fosfatos. O ferro tem uma grande capacidade de
mudança das valências 2 e 3 (Fe2+ ÆFe3+ + e-) em resposta a alterações de condições físico-
químicas do meio. Em solos ricos em matéria orgânica, o ferro ocorre em forma de quelatos.

O ferro, na maioria dos minerais primários, ocorre no estado Fe (II) oxidado. Durante a
meteorização, os minerais dissolvem-se e libertam Fe2+, o qual oxida-se a Fe3+ e precipita em
forma de óxidos insolúveis Fe(III). A solubilidade de ferro em solos bem drenados é
controlada pelos óxidos de Fe (III). Há diferentes tipos de óxidos de Fe, cada um com
diferente solubilidade. O Fe(OH)3 amorfo é o mais solúvel precipitando-se com a adição de
sais solúveis de Fe(III) ou seguindo um aumento no pH e/ou nível redóx. Óxidos de Fe(III)
aqui alistados em ordem de solubilidade decrescente são: Fe(OH)3, Fe2O3 (magnetite), FeOOH
(lepidocrocite), Fe2O3 (hematite) e FeOOH (goetite).

11.2.2. Factores que afectam a disponibilidade do Ferro

A disponibilidade do ferro é influenciada pelo pH do solo, pelo estado de oxidação e pela


possibilidade de se formarem complexos orgânicos. Em solos alcalinos o ferro é precipitado
formando compostos insolúveis tornando-se não disponível para as plantas. A
disponibilidade também é influenciada pela presença de cobre e manganês em proporções
não ideais ou ainda devido a presença de fósforo em concentrações elevadas.
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11.2.3. Funções do Ferro na planta

O ferro está presente na planta em quantidades de 100 ppm e 10 a 80 ppm nas folhas. O
ferro intervém nas reacções redóx devido a existência dos estados de oxidação 2+ e 3+.

O ferro faz parte de ferodoxina que serve para a redução do NADP+, NO2, SO4 e para a
P

assimilação de NH3. Participa também no sistema de transporte de electrões do fotossistema


I para o fotossistema II. O ferro é também responsável pela síntese da clorofila, pigmento
que dá a coloração verde às plantas.

11.2.4. Sintomas de deficiência do Ferro

A deficiência do ferro nas plantas ocorre frequentemente em solos calcários. A adição de


sais inorgânicos não corrige a deficiência de ferro porque se dá a formação de complexos
insolúveis de fe3+.

A concentração crítica de Fe varia de 30 a 50 mg/Kg de m.s. na análise foliar. Os sintomas


de deficiência são facilmente notórios nas folhas novas uma vez que este elemento é pouco
móvel. A razão de solubilidade mínima de ferro ocorre entre pH 7,5 a 8,5.

Plantas com deficiência de Fe apresentam folhas mais finas e com clorose entre nervuras,
formando uma malha de nervuras verdes num fundo muito descolorido. Num estágio
avançado de deficiência as folhas inteiras tornam-se amarelas caindo livremente, os ramos
enfraquecem e morrem. Muitas vezes as partes mais baixas da planta tem boa quantidade
de folhagem enquanto que a parte de cima apresenta ramos desfolhados e frutos pequenos,
duros e descoloridos, prejudicando assim a produção seriamente.

11.2.5. Fertilizantes do Ferro

Sulfatos de ferro tais como FeSO4.7H2O e Fe2(SO4)3.4H2O são usados para a adubação de Fe.
Também são usados quelatos artificiais NaFeEDTA, NaFeDTPA, NaFeEDDHA, NaFeHEDTA
para aplicações foliares ou no solo. Pirites, resíduos industriais e das minas também podem
ser usados.

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11.3. MANGANÊS (Mn)

11.3.1. Formas do Manganês no solo

O conteúdo de Mn na superfície terrestre está na ordem dos 950 ppm. O Mn é mais nas
rochas ígneas como basaltos do que em granitos. O conteúdo de Mn total no solo varia de
200 a 600 ppm, contudo solos que apresentam conteúdos de 200 a 300 ppm são os mais
frequentes.

O Manganês (Mn) apresenta-se de diversas formas no solo. Em compostos naturais o Mn


pode apresentar-se em três valências (2, 3 e 4). Em condições redutoras os compostos mais
estáveis são de Mn2+, e em condições muito oxidantes os compostos estáveis são os óxidos
(ex. MnO2 e MnCO3). As formas oxidadas são os principais estados de Mn no solo contudo,
são menos assimiláveis pelas plantas. O Mn encontra-se em menor quantidade na forma
trivalente e tetravalente. A forma bivalente (Mn2+), que em condições ácidas chega a atingir
as concentrações de 10-4 a 10-6 M, é adsorvida por minerais de argila e pela matéria orgânica
e também pode ser encontrado na solução do solo. Daí que a forma divalente seja a mais
importante para a nutrição das plantas. A solubilidade de Mn baixa com o aumento do pH e
nível redóx.

11.3.2. Factores que afectam a disponibilidade do Manganês

O manganês tem a sua disponibilidade reduzida pela elevação do pH. O Mn aumenta a sua
assimilabilidade quando o pH é menor que 5,5. O pH superior 6,5 favorece a oxidação de Mn
que baixa a sua disponibilidade às plantas.

A solubilidade do Mn no solo é limitada pelos vários minerais de Mn incluindo óxidos e


carbonatos. Mudanças no pH e nível redox tem um profundo efeito na solubilidade deste
elemento. O Mn existe no solo na forma insolúvel, contudo em condições reduzidas e ácidas
o Mn2+ aumenta a solubilidade e pode ser adsorvido como ião trocável, esta solubilidade é
apresentada pela seguinte equação:

MnO2 + 2 H+ → Mn2+ + 1/2 O2 + H2O


Em solos mal drenados os minerais de Mn são facilmente dissolvidos do que em solos bem
drenados. Daí que solos bem drenados e com pH superior a 6,5 são pobres em Mn2+ devido a
oxidação.

Em condições de pH elevado as formas tetravalentes são dominantes e a disponibilidade de


Mn é reduzida. Assim o risco de deficiência do Mn é menor quando o pH é menor que 6. E
em solos muito ácidos e ricos em Mn activo, Mn2+ pode chegar a ponto de ser tóxico às
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plantas. Essa toxicidade pode ser corrigida pela calagem. Elevadas quantidades de matéria
orgânica podem resultar na deficiência do Mn através da quelatilização.

11.3.3. Funções do Manganês na planta

O Mn tem a importância funcional no metabolismo das plantas particularmente na evolução


da síntese de O2. Nos cloroplastos, durante a fotossíntese, os electrões são libertados da
água e transferidos para o fotossistema II através de enzimas-S que contém 4 átomos de
Mn. Além de ser importante na fontossíntese o Mn é essencial para o desenvolvimento dos
seguintes processos:

• Actividade de diferentes enzimas


• Síntese de clorofila
• Redução de nitratos
• Síntese de aminoácidos e proteínas.

11.3.4. Sintomas de deficiência do Manganês

A deficiência do Mn manifesta-se sobretudo em cereais, leguminosas e em árvores de fruta.


A deficiência é considerada crítica se os níveis de Mn variarem de 10 a 15 mg/Kg na m.s.. A
falta de Mn manifesta-se como Mg, em folhas mais jovens.

No caso das dicotiledóneas, caracteriza-se frequentemente por presença de pontos


amarelados sobre as folhas. Nas monocotiledóneas a deficiência em Mn manifesta-se pelo
aparecimento, na base das folhas, de pontuações de cor verde e de bandas.

Em plantas deficientes em Mn dá-se a diminuição da turgescência, e se for prolongada, a


parte superior da folha se dobra até ao centro. Os cloroplastos são sensíveis a deficiência de
Mn, por isso os tecidos afectados pela deficiência, apresentam menor volume celular.

11.3.5. Principais fertilizantes do Manganês

Sulfato de Mn (MnSO4)....................................26 a 28 % Mn
Óxido de Mn (MnO2)........................................63 % Mn
Cloreto de Mn (MnCl2)....................................17 % Mn
Carbonato de Mn (MnCO3)............................31 % Mn
Monóxido de Mn (MnO).................................41 a 68 % Mn
Quelato de Mn (MnEDTA).............................12 % Mn

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O sulfato de Mn por ser muito solúvel tem sido o fertilizante mais utilizado tanto para a
aplicação no solo bem como para aplicação foliar.

11.4. ZINCO (Zn)

11.4.1. Zinco no solo

O zinco encontra-se distribuído uniformemente em rochas magmáticas. Em sedimentos


argilosos o teor é ligeiramente maior e bem menor em arenitos. Em rochas, o zinco ocorre
principalmente como sulfeto (ZnS), mas também aparece em substituições isomórficas de
silicatos em lugar de Mg2+.

O mais estável mineral de Zn é ZnFe2O4 que contém Zn(II) e Fe(III). A solubilidade do Zn2+ é
afectada pela presença de Fe3+. Em solos com pH menor que 7,7 a forma dominante é Zn2+,
quando o pH do solo está entre 7,0 e 9,1 a forma predominante é ZnOH+ e Zn(OH)2. O Zn é
fixado pelas argilas a pH baixo mas a elevados valores de pH os níveis de Zn2+ em solução
são baixos de modo que pouco Zn2+ é retido no complexo.

11.4.2. Factores que afectam a disponibilidade de Zn

pH acima de 6,0 e calagens podem induzir a deficiência de Zn. Além disso, o elemento é
fortemente retido em solos argilosos, o que agrava a sua deficiência. Os fosfatos tendem a
reduzir a solubilidade de zinco.

11.4.3. Zinco na planta

O Zn é componente de vários sistemas enzimático que regulam diversas actividades


metabólicas na planta. É necessário na formação de hormonas de crescimento (auxinas).
Participa no metabolismo de vários carbohidratos incluindo a fixação do CO2.

11.4.4. Sintomas de deficiência do Zn

As aplicações de fósforo induzem a deficiência de Zn. Considera-se uma planta deficiente


em Zn se apresentar níveis de 15 a 30 mg/Kg de m.s.. Deficiências de Zn em plantas podem-
se esperar em solos ligeiramente ácidos e particularmente em solos alcalinos.

Os sintomas de deficiência são:


• Encurtamento dos entrenós.
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• Aparecimento de áreas cloróticas em forma de pequenas manchas entre nervuras que


aparecem nas folhas mais velhas. Só em caso de severa deficiência é que os sintomas
aparecem nas folhas mais novas.

11.4.5. Fertilizantes do Zn

1. Sulfato de Zn monohidratado (ZnSO4.H2O) ……………………35% de Zn


2. Sulfato de Zinco heptahidratado (ZnSO4.7H2O)..………………22% de Zn
3. Sulfato de Zn básico (ZnSO4.4Zn(OH)2) …………….……………55% de Zn
4. Fosfato de Zn (Zn3(PO4)2)……...............................................………51% de Zn
Outros fertilizantes: ZnO,ZnCO3; Zn(OH)2; ZnCl2 e quelatos de Zn.

11.5. COBRE (Cu)

11.5.1. Formas de ocorrência

Grande parte do cobre na litosfera está combinado ao enxofre (S) como sulfetos complexos.
Esses minerais são facilmente mineralizados e libertam o ião de cobre, especialmente em
meio ácido. No solo, o elemento reage facilmente com componentes minerais e orgânicos,
tornando-se um elemento pouco móvel. A complexometria de cobre pela matéria orgânica é
a reacção mais importante para determinar o comportamento do elemento na maioria dos
solos.

11.5.2. Cobre no solo

O Cu pode ser encontrado no solo na forma solúvel, adsorvido pelas argilas ou fazendo
parte de compostos orgânicos. Os solos orgânicos contém aproximadamente a mesma
quantidade de cobre total que os minerais. O Cu inorgânico no solo é normalmente menos
solúvel. A forma mais abundante na solução do solo é Cu2+ enquanto acima do pH 6,9, a
espécie mais abundante é Cu(OH)2 devido a formação de complexos. O conteúdo de Cu nos
solos geralmente varia de 2 a 100 ppm, com uma média de 25 a 60 ppm.

11.5.2.1. Factores que afectam a disponibilidade do Cu

A acidez, espécie e teor de argila e a matéria orgânica são os principais factores que
governam a disponibilidade do cobre no solo. A solubilidade do Cu aumenta com o
aumento da acidez e, geralmente solos com maior teor de matéria orgânica têm maior
probabilidade de sofrerem deficiência deste micronutriente.

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11.5.3. Cobre na planta

O Cu tem funções em certos sistemas enzimáticos da fotossíntese, respiração e lenhificacão.


Está em maiores concentrações nas raízes das plantas do que nas folhas ou outros tecidos,
é por isso que se suspeita que o Cu talvez desempenhe importante função no metabolismo
da raiz.

11.5.4. Sintomas de deficiência do cobre

Deficiências de Cu são mais comuns em solos orgânicos mas também ocorre em solos de
textura arenosa com elevado conteúdo de matéria orgânica e em solos minerais ricos em
calcário.

Os sintomas de deficiência de Cu no solo variam para cada espécie vegetal, por isso não há
uma descrição geral dos sintomas visuais de tal deficiência.

No milho, por exemplo, a deficiência de Cu manifesta-se em folhas mais novas, estas, se


tornam ligeiramente verde - amareladas próximo à base e, as pontas com necroses. Se a
deficiência for menos severa, a necrose aparece ao longo das margens das folhas mais
novas.

A diferença entre a deficiência de potássio e cobre é que, no caso de Cu, a deficiência ocorre
em folhas mais novas, enquanto que a deficiência de K ocorre nas folhas mais velhas.
As plantas muito sensíveis à deficiência de Cu são: trigo, cevada, milho, cebola, cenoura,
espinafre,alfafa e repolho. As moderadamente sensíveis são: batata, tomate e soja.

11.5.5. Fertilizantes de Cu

As principais fontes de Cu são quelatos tais como CuEDTA e CuHEDTA, Sulfatos e óxidos de
Cu.

CuSO4 é um fertilizante higroscópico comumente utilizado devido a sua elevada


solubilidade, relativo baixo custo e sua grande disponibilidade. Este pode reagir com P
formando compostos insolúveis.

O estrume de animal e o refugo das cidades contém teores consideráveis de Cu mas o seu
uso indiscriminado pode causar poluição do solo

11.6. MOLIBDÉNIO (Mo)

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11.6.1. Molibdénio no solo


O Mo existe no solo sob a forma de molibdatos em silicatos. É absorvido sob a forma de
MoO42. Em geral solos derivados de granitos e de argilitos são mais ricos. Normalmente a
solubilidade de Mo aumenta rapidamente com o aumento do pH. Acima da neutralidade o
Mo ocorre mais na forma MoO42-, enquanto HMoO4- ou H2MoO4 é dominante em meio ácido. A
calagem do solo aumenta a solubilidade aumentando assim a disponibilidade de Mo.

11.6.2. Factores que afectam a disponibilidade do Mo

O molibdénio é o único micronutriente cuja a disponibilidade no solo aumenta com a


elevação do pH do solo. As deficiências são mais comuns em solos ácidos de textura mais
leve.

11.6.3. Funções do Mo na planta

O Mo está incorporado em compostos organometálicos e é umas das substâncias que


compõem enzimas. O Mo tem, na planta, a função de fixar o nitrogénio (redutases) e
participa no metabolismo do fósforo, isto é, na absorção e translocação do mesmo. Por isso
plantas leguminosas, que têm o processo de fixação simbiótica de N2 atmosférico, tem
níveis de Mo mais alto do que outras espécies. O Mo é umas das substâncias menos móveis
na planta.

11.6.4. Sintomas de deficiência do Mo

Perturbações de crescimento, deformação dos rebentos e escurecimento das margens das


folhas são os principais sintomas de deficiência de Mo. As plantas mais sensíveis à
deficiência de Mo são as leguminosas (alfafa e trevo). Plantas do género Brássica são
também muito sensíveis, outras plantas exigentes em Mo são: Citrinos, melão e alface.
Níveis de 200 a 1000 mg/Kg de m.s. são consideradas tóxicas para as plantas.

11.6.5. Fertilizantes de Mo

Os fertilizantes para corrigir a deficiência de Mo podem ser aplicados no solo ou através de


aplicações foliares. Os fertilizantes mais comuns de Mo são: Molibdato de amónia e o
molibdato de sódio apresentados abaixo. Podem ser misturados com calcário ou
superfosfato e as doses podem variar de 50 g a 2 Kg por Hectare.

Molibdato de sódio (Na2MoO4.2H2O)…............390 g/kg


Molibdato de amónia((NH4)6Mo7O24.4H2O........540 g/kg
Trióxido de Molibdénio (MoO3)………......……660 g/Kg

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164 FERTILIDADE DO SOLO

CAPÍTULO 12

EFEITO NEGATIVO DA APLICAÇÃO INAPROPRIADA DE FERTILIZANTES

A escassez de alimentos em vastas regiões do globo, aliada às exigências por vezes


excessivas da economicidade da agricultura nos países desenvolvidos e em vias de
desenvolvimento, tem conduzido a que os fertilizantes sejam encarados como um meio
de aumentar as produções. Por outro lado, nem sempre a fertilização está a ser
correctamente efectuada em termos de protecção ao meio ambiente (dos Santos, 1996).

Após a fertilização dos solos, em certas circunstâncias algumas substâncias podem se


acumular no solo em quantidades tais que se tornem prejudiciais à vida das plantas (de
Mello et al, 1989). É neste sentido, fácil de observar que os fertilizantes, se não forem
utilizados de modo correcto, são susceptíveis, a curto ou longo prazo, a afectarem
negativamente a fertilidade do solo em qualquer das suas componentes, a considerar a
componente física, química e abiótica.

Para além das componentes anteriormente referidas, a aplicação inapropriada de


fertilizantes, pode conduzir à poluição dos solos, dos produtos vegetais, das águas e
até mesmo da atmosfera.

12.1. FERTILIZAÇÃO E POLUIÇÃO DO SOLO

Em relação ao solo, a má aplicação dos fertilizantes pode ser considerada como a mais
grave, não só porque afecta um bem não renovável, mas também porque pode ser
transferida para os produtos vegetais e para as águas subterrâneas.
Os principais fenómenos de poluição dos solos manifestam-se nas propriedades físicas,
aumento da erosão e deterioração da estrutura devido ao aumento das frequências do
cultivo dos solos, propriedades químicas, desequilíbrios nutritivos “perda de
fertilidade”, aumento da salinidade, acumulação de metais pesados, propriedades
bióticas, criação de condições para uma maior proliferação de determinadas pragas e
doenças, e diminuição de microorganismos no solo.

12.2. FERTILIZAÇÃO E QUALIDADE DOS PRODUTOS AGRÍCOLAS

Uma das críticas, que com muita frequência se tem actualmente feito e que está
intimamente relacionada com os fertilizantes, é devido ao facto destes diminuírem a
qualidade dos produtos agrícolas. Porém, não é fácil estabelecer uma relação entre a

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FERTILIDADE DO SOLO 165

fertilização e a qualidade dos produtos agrícolas, sendo a fertilização apenas um dos


vários factores de produção, actuando em estreita interdependência com outros factores.

Apesar da grande dificuldade de se definir a qualidade, por ser uma característica


subjectiva, existem actualmente aproximações para estabelecer algumas relações entre os
elementos nutritivos veiculados pelos fertilizantes e a qualidade dos produtos.

Quando a qualidade é encarada segundo um conceito biológico características resultantes


da soma dos diversos factores individuais, que contribuem para a conservação dos
produtos e para a manutenção de um metabolismo normal nos seres vivos que os
consomem.

Na poluição dos produtos vegetais, o azoto, sendo o elemento aplicado com maior
frequência em excesso, em alguns casos afecta negativamente alguns dos aspectos da
qualidade das produções. Alguns exemplos desse processo são a acumulação de nitratos;
diminuição do teor de açúcar das uvas e beterraba sacarina, e a diminuição do teor de
amido na batata “veja a figura 56”.

Figura 56. Influência do azoto no teor de amido na batata.

Por outro lado, os excessos de azoto podem ainda manifestar-se na diminuição do teor
da Vitamina C, na redução do poder de conservação da fruta e hortícolas.

12.3. FERTILIZAÇÃO E POLUIÇÃO DAS ÁGUAS

Quando as águas se enriquecem demasiadamente em elementos nutritivos, adquirem


propriedades que, directa ou indirectamente as tornam menos próprias, senão
impróprias (águas poluídas), para determinados fins.

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166 FERTILIDADE DO SOLO

No caso concreto do uso inadequado de fertilizantes, a poluição mineral das águas tem
sido mais frequentemente associada às acumulações de azoto nas águas subterrâneas e
de azoto e fósforo nas águas superficiais. A poluição das águas é provocada, sobretudo,
por um excesso de azoto, mais concretamente de nitratos, os quais quando reduzidos a
nitritos podem ser tóxicos.

A citação acima torna-se evidente pois a aplicação de azoto sob forma de adubos, poderá
conduzir a uma acumulação de azoto nítrico nas águas subterrâneas, uma vez que esta
forma de azoto não apresenta defesa contra o arrastamento pelas águas de infiltração.

12.4. FERTILIZAÇÃO E POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

A poluição por fertilizantes, de grande impacto ambiental, por vezes bastante grave, pode
ser em parte causado pelas fábricas em que os adubos são produzidos, para além
logicamente, dos locais de aplicação (agricultura), onde estes também contribuirão para a
degradação do ambiente.

É certo porém, que a fertilização em condições extremas de aplicações de quantidades e


tipos de produtos susceptíveis, através de gases, nomeadamente o azoto proveniente da
denitrifição e do amoníaco, pode conduzir a um ou outro fenómeno de poluição
atmosférica.

Por outro lado, o aumento do teor de oxigénio que a fertilização, através de um maior
crescimento de plantas, vai permitir, compensar amplamente os seus efeitos negativos na
composição da atmosfera.

12.4.1. Nitrogénio

A taxa e o tempo de aplicação são as duas grandes questões a ter em conta no uso dos
fertilizantes nitrogenados. Geralmente, os níveis recomendados por laboratórios de
análise de solos são aceitáveis se o perfil do solo for pobre em nitratos.

O período de aplicação de fertilizantes nitrogenados é uma importante questão a ter em


conta nas regiões húmidas. Para ser ambientalmente aceitável, o N deveria ser aplicado de
modo que seja retido na zona radicular durante a época de crescimento das plantas. O
potencial para a libertação de nitrato é criado quando mais NO3- existe no solo do que a
quantidade demandada (veja a figura 57).

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Total de N adicionado

Excesso de N
N, Kg/ha inorgânico
N denitrificado

N na forragem

N em grão

Fertilizante de N, Kg/ha

Figura 57. Perda extensiva de nitrogénio por denitrificação e excessivas quantidades de


N inorgânico devido a aplicações excessivas do que as necessidades das
plantas

Excessos de nitrato na água para o consumo como referido em 12.3., pode provocar
grandes distúrbios no gado e metemoglobinemia, falta de oxigénio no sangue, nas
crianças.

Anos atrás, foi descoberto que o N2O libertado para a atmosfera causa reacções que
decrescem o nível da camada de ozono (O3). A perda do ozono por sua vez, reduz a
capacidade da atmosfera em filtrar as radiações ultravioletas, prejudiciais à vida na terra.

A produção do N2O é um evento natural que ocorre através da denitrificação, no ciclo do


N. É de salientar também, que tudo o que aumenta a fixação de nitrogénio, incluindo o N
fixado pelas leguminosas aumenta a formação de N2O. Portanto, qualquer prática que
contribua para a melhor eficiência de N irá sem dúvida minimizar os efeitos do N2O
(Foth & Ellis, 1988).

12.4.1. Fósforo

Em geral, a concentração do fósforo (P) na solução do solo é muito baixa e grande parte
permanece imobilizada no solo. A relação entre o P revelado num teste do solo e a
concentração de P na solução para dois solos pode ser visto na figura 58.

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168 FERTILIDADE DO SOLO

Níveis elevados de P na superfície das águas de 10 microgramas de P/l, estão geralmente


associadas com o aumento das taxas de crescimento de algas nos lagos e riachos.
Aplicações contínuas e altas de P na superfície das águas, conduzem a eutroficção.

Solo de textura
P adsorvido, mg/Kg

Solo arenoso

P em solução, mg/L

Figura 58. Relação do P entre a solução do solo e fase sólida do mesmo.

Por forma a se evitar a degradação das águas superficiais através de adições de P pela
agricultura, dever-se-á sensibilizar os responsáveis das áreas cultivadas em como
controlar as perdas de fósforo.

Primeiro, devem-se considerar dois principais factores das perdas de fósforo, que são, a
erosão do solo e a água corrente. Os sistemas de conservação que controlam a erosão e
escorrimento das águas tem sido efectivos na redução das perdas de P, embora pequenas
quantidades de P sejam registadas devido ao escorrimento superficial das águas.

Segundo, devem ser utilizados testes de solos mesmo quando eles contém elevados
níveis de fósforo para se definir quando é que o P não deverá ser adicionado. Aplicação
contínua de fertilizantes contendo fósforo quando o fósforo do solo é elevado, não é
uma prática segura economicamente e ambientalmente.

APONTAMENTOS – AULAS TEÓRICAS 2001


FERTILIDADE DO SOLO 169

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