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ENSAIOS SOBRE VIDA CRISTÃ AUTENTICA

Clavio J. Jacinto

PUBLICAÇÕES BIBLICAS BEREANA

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CRISTIANISMO BIBLICO CONTRA O PAGANISMO

A respeito da fé cristã que durante todo o tempo em que morreu o


ultimo apostolo e encerrado o cânon do Novo Testamento, alguns
anos depois a reintrodução de elementos pagãos na igreja pode
ser observado por qualquer pessoa que tenha a mente aberta.
Paulo já tinha percebido a realidade desse desvio (Atos 20:29)
durante toda a era joanina, tempo em que o apostolo ficou
desterrado em Patmos, Jesus apresentava o quadro doutrinário
de muitas igrejas em Apocalipse 2 e 3. Aqui temos fatos bíblicos e
advertências sobre a permanência ou não na sã doutrina e os
perigos que envolvem a apostasia. (Tito 2:1 I Timóteo 4:1 II Pedro
2:1 Colossenses 2:8 I João 4:1 a 5 etc.) A maior parte das
ramificações da cristandade não são integralmente apostólicas,
pois não permaneceram na doutrina dos apóstolos. Durante a
reforma protestante, parece que os reformadores radicais
(Anabatistas) perceberam que tanto a igreja católica que estava

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seriamente paganizada, quanto os reformadores, esses também
ainda estavam apegados a muitas tradições pagãs. Escritores e
teólogos sérios entendem o valor dessas implicações que
apresento aqui, mas eu gostaria de citar o autor católico Jean-
Claude Barreau, no livro: Quem é Deus” (publicado pela Editora
Vozes na década de 1970) lemos a confissão desse pensador
católico a respeito da sua própria igreja e dos fatos decorrentes
ao assunto que apresento nesse artigo:

“O cristianismo herdeiro do judaísmo dos profetas, que


derrubavam os ídolos, lutou muito tempo contra Baal, mas
recuperou em grande dose esta fé pagã. Podemos dizer que o
próprio cristianismo foi ‘repaganizado’. No começo foi por zelo
apostólico: era necessário utilizar os templos e as festas dos
pagãos, não chocá-los desnecessariamente. Depois chegou-se até
certa cumplicidade. a ‘repaganização’ do cristianismo foi tão
profunda que o Papa chegou a ser designado de ‘soberano
pontífice’ que era titulo dado ao sumo-sacerdote pagão de Roma.
Uma estranha indulgencia para com todas as superstições tomou
conta da igreja. Muitas vezes os próprios sacramentos foram e são
compreendidos como ritos mágicos. Os padres, homens
segregados, puros, depositários de estranhos poderes, revestidos
de roupas especiais, eram assimilados inconscientemente aos
feiticeiros da aldeia e as mulheres não podiam olhar-lhes na face.

“Um ambiente onde dominava o pavor de Deus, a culpabilidade,


uma idolatria a Maria abusivamente revestida dos méritos da
grande Artemis.” Jean-Claude Barreau então prossegue com
palavras decisivas e com coragem declara a respeito dessa
descrição que ele faz do seu próprio cristianismo:

“a fé precisamente deverá libertar o homem de seus medos,


pequenos ou grandes. Para que isto se torne possível será
necessário antes libertar o cristianismo do obsceno culto a Baal”

Conclusão: o caminho de retorno é ficar com o Novo Testamento e


viver segundo os seus princípios espirituais e doutrinários.

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O PECADO DA PREVARICAÇÃO

Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo,


não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem
tanto ao Pai como ao Filho
(II João 1:9)

Muitos que professam a vida cristã estão engajados numa vida


espiritual dinâmica, em Cristo temos um modelo de uma vida
ativa, e é isso que Deus requer de nós. Cristo enfrentou a cruz,
sofreu na cruz, morreu na cruz, e ressuscitou de forma gloriosa
para voltar de modo triunfante. Nada disso é superficial, mas
radicalmente profundo. Qualquer pessoa que professe a vida
cristã e não vive uma atitude radical perante essas verdades, é
apenas um religioso profano. Entre tantas coisas que deixamos de
atentar, está o fato de não cumprirmos com nossas
responsabilidades perante Deus. Isso chama-se prevaricação. A
prevaricação é um assunto pouco comentado e ensinado. Mas o
que é prevaricação?
Prevaricar é faltar com o dever, não ter um compromisso sério
com as coisas relacionadas a Cristo e ao seu Reino.. A
prevaricação tem sido um pecado muito tolerado em nossos dias.
Um dos motivos porque as coisas são assim, é porque não se prega
mais sobre esse pecado. Lendo o texto acima, vimos como o ato de
irresponsabilidade espiritual está associado a uma negação da fé
cristã, mesmo professando de boca as doutrinas do evangelho, a
simples omissão de corresponder-se com as suas múltiplas
responsabilidades, nos coloca como meros negadores do
evangelho. Esse pecado tem causado sérios prejuízos a religião
cristã, e gera uma falta de temor e pouco compromisso com os
valores do Reino dos Céus. Limitar a graça de Deus a uma fé sem
ação é perigoso, precisamos reavaliar nossa conduta, nosso
valores, porque o nível normal de um cristão é andar na vontade

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de Deus. Não há outro caminho. Uma fé ativa, nos leva para o
caminho da ação, do compromisso, da revolução espiritual.

Há bons motivos para cumprirmos com nossas responsabilidades,


se de fato nossa identificação com Cristo e com o evangelho é
verdadeira. Uma fé engajada com as responsabilidades sociais,
eclesiásticas e espirituais. Não há como fugir dessa realidade,
prevaricar é pecar. Não cumprir com a agenda de Deus na sua
vida, é prevaricar, não envolver-se com as coisas do Reino de
Deus, não colocar o Reino de Deus em primeiro lugar, é
prevaricar. Esses são alguns exemplos entre muitos outros que
podemos citar, porque cada caso tem suas aplicações a nível
pessoal. Em que você está prevaricando? Quais são as áreas da sua
vida que precisam de mudança? É hora de fazermos uma
avaliação pessoal, rever nossos valores, nossas ações e nossos
projetos. Se queremos ter a doutrina cristã na pratica, precisamos
praticá-la e inseri-la no contexto da nossa vida. De outra forma,
caímos no erro de ter nome de quem está vivo, mas em essência, o
que reina é a morte, e a morte, tem como característica a inércia
espiritual

GOLIAS: A LIÇÃO

A história de Golias é a história do homem sustentado pelo seu


próprio orgulho (Leia I Samuel 17) a confiança em si mesmo
enaltece o coração humano e o faz gigante aos próprios olhos. A
força que expunha era uma crença em si mesmo, uma auto-estima
exagerada, um pensamento positivo de dar inveja a todos os
seguidores da confissão positiva. Uma força descomunal aliada a
experiência de colecionar inúmeras vitórias nas batalhas da vida,
era um campeão nato. A plataforma de suas sandices era
sustentada pelos aplausos do mundo. Era Golias o centro da
guerra, um suposto semi divino gigante, que aos olhos alheios
apresentava todos as características de um herói mítico. É um
ator nos campos da batalha da vida, a experimentar uma serie de
sucesso, não somente por derrotar seus inimigos mas também
suscitando um respeito e um temor dos inimigos. Era a fama
transbordando no mar fétido do orgulho, fazendo borbulhar pela

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saliva de seus gritos, a crença de que era um inexpugnável dava a
garantia de ir para as paginas da historia como um guerreiro
indestrutível colecionando uma série de batalhas bem sucedidas,
era o espetáculo aos olhos alheios. Esse é o caminho do mundo,
veja como os homens se agigantam pela fama, dinheiro e sucesso.
Eles estão nesse cenário secular recebendo a glória dos homens.
São gigantes nas esferas do mundo caindo, brilhando como
estrelas raivosas gritando a todos, "sou vencedor". Aqui jaz o
antro da miséria humana sob os holofotes das vanglorias de um
mundo inóspito que trai seus próprios figurantes. Golias não
contava com Davi, e Davi contava com Deus. Ao contrario dos
espias que ao espiar a terra prometida, encontraram nela muitos
"Golias" eram os gigantes, que aos olhos daqueles hebreus,
pareciam também ser invencíveis, Davi olha e não se amedronta.
Vai ser usado por Deus, para dar a lição ao homem vaidoso, Golias
então vai naufragar no mar da sua opulência e sofrer uma
derrota, ao ser morto por sua própria espada. É o fim do homem
orgulhoso, o centro se desequilibra e a estrela cai, espatifando-se
em mil pedaços no chão da vida. Esse é o final do homem
orgulhoso, esfomeado de fama, que busca os aplausos de uma
platéia boba e traidora. O mundo jaz no maligno e o homem sem
Deus torna-se alienado pelas circunstancias e seqüestrado pela
própria altivez. O grande jaz morto, o grito de desafios
continentais, torna-se um mórbido silencio, o degrau da fama
desaba, o sangue que escorre, o fim da vida, um morto, este é o fim
de todo o homem que confia em si mesmo, que nutre o seu ser
exaltado de autoconfiança, oh que desastre! é o fim de cada Golias
de todos os tamanhos, a queda é fatal, a simplicidade da vida
acaba com a arrogância humana, e cada enterro põe um ponto
final em cada falso herói. Aos santos e humildes porém é
prometido: "Os justos resplandecerão como o sol, no reino de meu
Pai..."(Mateus 13:43)

A CRUZ E O SOFRIMENTO HUMANO.

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Quando o verbo se fez carne e veio cheio de graça e verdade, para
os que eram o povo dileto, ainda que não o recebesse, Ele
continuou sua jornada no mundo. O brado do Batista ecoa entre
as multidões “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Essa era a regra, sofrer como um cordeiro mudo, ser pisado e
abrir em sua carne as feridas que nos saram, pois pelas suas
pisaduras fomos sarados. A violência da cruz é uma ofensa
silenciosa, Cristo suporta ao custo do derramamento de cada gota
de sangue, o sangue da nova aliança que é derramado por muitos.
A seqüência desses espinhos vem desde sua mais tenra idade, um
corpo preparado, uma vida preparada para ser derramada, pois
sem derramamento de sangue não há remissão de pecados. A
grande luta seria o momento crucial, onde o cálice de todas as
amarguras precisava ser sorvido, o fel das abominações humanas
estava transbordando, e num mundo de nevoas um tanto
obscuras envolvia aquela noite no Getsemani, e Cristo estava lá.
Orava com ânsias do prefacio de todos os sofrimentos, dirigindo
palavras ao Pai “Afasta de mim esse cálice” porque nela estava o
asco de nossos pecados, o fel de nossas ofensas e o veneno de
nossas transgressões. Sim, as Escrituras dão um bom testemunho
que Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós. Ainda
mais testificam que Cristo morreu por nós sendo nós ainda
pecadores. E nesse mundo de tantas dores, Cristo entra nesse
universo de duras provações. É um mergulho na lama das nossas
lagrimas, uma fatia de todas as nossas transgressões já bebe na
manjedoura, quando a sujeira do mundo e a escuridão de uma
noite sem lâmpadas, simplifica a condição das trevas espirituais
em que o homem se encontra. Nada foi por acaso, a noite e a
rejeição dos abastados, e a vindo ao mundo numa descida aos
lugares mais tenebrosos da terra, morada de violência, ali vem o
Cordeiro santo, revestido em um bebe indefeso que vai chorar
diante das calamidades humanas, isso me faz lembrar uma frase
de William Shekespeare: “Choramos ao nascer, porque chegamos
a esse imenso cenário de dementes” Sim o salário do pecado é a
morte, e ele toma dessa miserável sentença sobre si, toma as
nossas dores, e carrega sobre si a nossa condenação. Fez-se
maldição por nós, essa colossal descida para esse mundo, apenas

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revela o quanto a misericórdia pode ir mais longe, como a graça
pode contribuir para que sejamos justificados sem merecermos.
Nada nos resta senão crer, agradecer,adorar e nos prostrar diante
de um Deus tão bom. Pois não poupou seu único Filho, mas por
nós pecadores, entregou. Um pregador que aprecio, tentou
expressar esses fatos de uma forma clara, desde então tenho
meditado sobre o fato de que as palavras humanas são muito
limitadas para expressar o que Deus em Cristo fez pela obra
redentora da cruz:“Um Deus que sofre a dor, injustiça e a morte
por nós, é um Deus digno de nossa adoração. Em um mundo de
tantas dores e opressões, como poderíamos dar nossa maior
fidelidade a alguém que fosse imune a tudo isso? Este é um Deus
que sabe como são as tempestades porque ele veio ao mundo e
mergulhou direto nas nossas maiores dores e sofrimentos. Por
causa dessa auto-substituição, podemos ter vida” (Tim Keller-
Tradução livre C. J. Jacinto)

AMAZIAS: O SEGREDO DA APOSTASIA

O rei Amazias começou a reinar desde Jerusalém aos vinte e cinco


anos de idade, é um modelo de transição espiritual e duplicidade,
zelo sem fervor, falta de compromisso, a história é narrada em II
Crônicas 25, Amazias começa bem, parece que há um fervor e um
zelo no coração, mas o versículo 2 é um divisor de águas “E fez o
que era reto aos olhos do Senhor, porém não com inteireza de
coração” Você notou? O “porém” é o divisor de águas. Era
algo superficial, não era de todo o coração, não era com zelo fiel,
ele não queria ser taxado de fanático talvez. É trágico, mas
verdadeiro, a ortodoxia morta sempre favorece a apostasia e
induz a prática da falsa religião., Não importa temos um homem
que era religioso, porém sem fervor, era zelo, porém sem
conhecimento, era crente, porém meio incrédulo era santo, porém
não totalmente separado, era bíblico, porém colocava
experiências acima das Escrituras, era avivado, porém ecumênico,
o, porém é o problema. Esse zelo superficial essa espiritualidade

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sem raízes por fim desmascarou Amazias e ele caiu na apostasia
derrotou os edomitas e ao mesmo tempo a religião edomita
derrotou Amazias, venceu a batalha contra os edomitas, mas os
deuses edomitas venceram a batalha no seu coração. O coração do
salvo deve ser um túmulo para o velho homem e deve ser o trono
do governo divino, de outra forma, tal homem cedo ou tarde
enfrenta a própria ruína espiritual. É uma comedia, os edomitas
criam na proteção de seus deuses e foram derrotados e diante
dessa evidência Amazias toma o deuses dos derrotados e leva
para Jerusalém para serem adorados para que essas falsas
divindades dessem proteção à Israel. (II Crônicas 25:14 e 27) A
apostasia cega a lógica, a razão e o discernimento do apóstata, ele
vira um fantoche de demônios um instrumento ridículo nas mãos
do diabo. Onde não há convicções espirituais fortes, haverá
sempre escolhas espirituais fracas. O final trágico de Amazias é
uma séria advertência contra aqueles que deixam a ortodoxia
para trilhar as veredas dos deuses dessa era, e mesmo que muitos
nunca tragam uma divindade mundana ou pagã nas mãos, trazem
no coração, e fazem no homem interior um santuário para
macular o espírito com uma divindade chamada Mamom, prestam
adoração a essa divindade pelo ritual íntimo da avareza, amor ao
dinheiro e as riquezas deste mundo. Se não estivermos dispostos
a considerar nossa fé como valiosa, negociaremos nossa
primogenitura por uma colher de sopas de lentilhas acreditando
ter feito um bom negócio. Amazias nos ensinou que é possível ter
uma atitude ortodoxa com um coração seduzido pelo engano,
apreciar a sã doutrina flertando com heresias, professar
fidelidade com a boca e cometer prostituição espiritual no
coração.

AMOR E PERDÃO

Acredito na mensagem do evangelho, a suma do Novo Testamento


é que amor gera perdão, essa é a essência da mensagem da cruz, a
gravidade do pecado e a disposição do ofendido em perdoar. Não
é o homem que supera o próprio problema, é DEUS quem supera,

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e essa superação vem por intermédio da morte de Cristo. Ao amar
o homem DEUS dá seu FILHO, o verdadeiro amor frutifica em
ações de sacrifício. Quem ama de verdade está disposto a sofrer
para perdoar. O amor na maioria das vezes exige perdas enormes
por parte de quem ama, assim vimos que o alvo do amor é o
homem, mas para ser amado, DEUS de alguma forma perde seu
FILHO, o FILHO perde a honra na cruz, perde a vida na cruz, perde
a liberdade na cruz, por trás de um amor grande haverá sempre
grandes sacrifícios, a medida do amor é muitas vezes a superação
da ofensa, a dignidade de prosseguir amando é perdoando
sempre que a ofensa ataca. Nada pode ser comparado com o amor
de Deus. ELE está sempre disposto a perdoar, o perdão divino é
um fenômeno espiritual que vai além da compreensão filosófica,
não é a mensagem da cruz escândalo para os judeus e loucura
para os gregos? Quando CRISTO morre, éramos ainda pecadores,
o amor confronta a ofensa com um ato de compaixão, a miséria
humana foi o motivo, a ingratidão do homem não obstrui o clamor
da obra divina. João 3:16 é recitado quase que de forma mecânica,
sem a paixão necessária para que o fogo da misericórdia espante
as assombrações frias alojadas no coração incrédulo. Não! o amor
divino não é um amor formal, é além do extraordinário, é um
amor radical, a cruz é a resposta mais radical que existe contra o
pecado, e a resposta mais radical contra o mundo é aceitar a
mensagem da cruz. A cruz não é uma mera escolha humana, não é
uma alternativa religiosa que favorece a idéia de um martírio
exemplar, a cruz é a resposta mais severa contra o pecado, é o
ultimato divino a favor do pobre pecador, a obra da cruz é a
semente que faz germinar a redenção perfeita, a justificação mais
elevada, mas isso teve um custo muito alto, custou a vida, a honra
e o sangue do FILHO DE DEUS. Um cristianismo superficial é
incompatível com a mensagem verídica do evangelho.

PARTE II

UMA NOVA REALIDADE OU VELHAS MENTIRAS DISFARÇADAS?

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Se Alguém está em Cristo nova criatura é (II Coríntios 5:17)

Cada redimido, que passou pelo processo de um novo


nascimento, está diante de uma nova vida. Temos que evidenciar
isso, como a forma segura de que de fato realmente nos
arrependemos de nossos pecados e fomos transformados pelo
Senhor. A redenção foi feita através de um sacrifício extremo e
perfeito, para conduzir um homem transformado para um estilo
de vida radical. Menos do que isso, em alguém que diz ser cristão,
pode ser uma evidencia de fraude espiritual ou de uma
conversão psicológica. Vejamos a vida de um bebê que durante
alguns meses vive no útero de sua mãe, quando nasce, descortina-
se um novo mundo para ele, ou aquela larva que depois de uma
metamorfose se transforma em uma linda e fenomenal borboleta,
da vida rastejante de uma larva ao vôo majestoso de uma
borboleta, a transformação é ultra-radical. A vida em um útero,
num estado fetal para um novo mundo colorido num espaço
infinito, é uma experiência radical, uma criança não nasce para o
mundo, ela nasce para o universo. Da janela de sua casa um dia
ela vai perceber as estrelas e a imensidão cósmica. A regeneração
é mais do que uma simples conversão ao evangelho, é uma
transformação profunda para que sejamos a imagem de Cristo
(Romanos 8:9) Veja como os evangelhos narra a história de um
Pedro que a própria sombra assustava, para um homem
transformado cuja própria sombra curava ((Mateus 26:74 com
Atos 5:15)

Se alguém está em cristo, significa antes de tudo não estar mais


em Adão, de uma vida adâmica passa para uma vida em Cristo, o
verdadeiro homem transformado pelo evangelho, vive de
novidade de vida experimenta o poder do evangelho e é feito em
verdadeira justiça e santidade. (Romanos 6:4 com Efésios 4:24)
Sua vida é transformada, há um contraste, como há uma diferença
enorme entre o um vale de sombras e obscuridades e uma
campina cheia de flores ao raiar majestoso do sol em uma dia de
primavera. Percebe a diferença? Você precisa ter essa enorme

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diferença. Entre um regenerado e um perdido há um abismo
enorme, é a sua identidade em Cristo que define isso, no seu dia a
dia com o Senhor.

O novo convertido é um santuário ambulante, ele é o embaixador


do céu na terra, um farol que ilumina a vida de muitos e orienta
por suas virtudes e amor, a vida daqueles que se encontra em
trevas. Você tem essas marcas? As pessoas podem olhar para você
e ler Cristo triunfante? Podem olhar para você e ler o evangelho
em todas as suas atitudes? Pode olhar para suas ações e dizer “Ali
vai um santo homem de Deus”?(II Reis 4:9) Somos cartas vivas,
então a leitura que os outros irão evidenciar em nós é “Segue os
passos do Cordeiro, onde quer que ele vá”.(Apocalipse 14:4) Deixe
me dizer algo mais. Há um problema sério com pessoas desviadas,
provavelmente elas nunca conheceram o verdadeiro evangelho, é
possível que vieram a Cristo por conveniência ou emoção, mas
nunca tiveram uma transformação de coração, é impossível sair
da lama do pecado para respirar o ar puro da redenção e então
novamente descer aos antros escuros do ar fumegante do enxofre
da maldição do pecado. Se ele desce até esses antros infernais,
caminho abominável, cheio de pisadas de homens adâmicos, ele
retorna de lá as pressas, um homem transformado pelo evangelho
não se detém nos caminhos de pecadores e muito menos no vale
da condenação eterna. Agora deixem me dizer ainda mais, porque
há pequenos desvios que muitos experimentam, numa vida
espiritual intermitente. Os desviados momentâneos, que por uma
falha saem da presença de Deus, falam palavrões, estão diante de
uma televisão assistindo programas indecentes, não vão ao culto
por causa de uma falta de vontade ou por causa do fastio
espiritual, estão assentados na roda dos escarnecedores, estão
gastando o tempo em coisas inúteis e triviais, esses também são
desviados, por um lapso de tempo, ou por algum momento, estão
fazendo o que Cristo não faria, ou estão falando algo que Cristo
nunca pronunciaria ou estão em lugares que Cristo evitaria,
pequenos desvios, podem ser feitos por homens transformados
pelo evangelho, tal como Davi que na época em que os reis
deveriam está na guerra, ele estava no ócio, e então contempla

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uma mulher tomando banho e a deseja para si, nutrindo o desejo
até o ato ser consumado, ele estava num lugar errado, desviado de
sua missão como rei. Podemos citar o caso de Jonas que desviado
do propósito de Deus estava longe da vontade divina para
satisfazer a sua própria vontade, este também era um desviado
momentâneo. Mas ele não permanece muito tempo lá.(Veja Tiago
5:19 e 20) Sua alma gemerá, ele correrá aos braços da
misericórdia divina, ele reparará sua vida dúbia, ele quer ser um
marco certo encima do fundamento eterno que é Cristo (I
Coríntios 3:11) Um verdadeiro convertido encontra a falha em si
mesmo e retorna, um falso convertido coloca a culpa nos outros e
não quer mais voltar. “Torna-a a dar-me a tua alegria da tua
salvação, e sustem-me com um espírito disposto a te
obedecer”(Salmo 51:12)

Prossigo em frente, e antes me deixe dizer que ainda existe outro


problema que desejo abordar: a pratica de religião sem
evangelho. E isso existe? Claro que sim. Vejo muitos a minha volta
fazendo isso. São fieis a tradição religiosa da sua comunidade ou
da família. Encontraram um molde espiritual para conter os
requintes do amor próprio. Não há nessa gente um desejo de
conferir coisas espirituais com espirituais, apenas desejam seguir
a ordem de uma religião para de algum modo aplacar a voz da
consciência. Veja bem, que isso não é cristianismo verdadeiro. A
menos que uma pessoa seja sincera o suficiente para gastar algum
tempo da sua vida para confrontar todo o ensino do novo
testamento com a sua própria vida, tal pessoa é apenas um entre
tantos a mergulharem no oceano das religiões humanas. Digamos
que Deus fez uma religião celeste e essa é o cristianismo, mas o
homem inventa uma alternativa, para concorrer que a celeste.
Então nasce o pseudo cristianismo. Mão se engane, a pratica de
uma religião, ainda que intensa, com zelo cuidadoso e extremo e
fora da vontade de Deus nada mais é do que uma escolha seguir o
caminho ainda mais difícil de alcançar a graça de Deus, porque o
orgulho humano endurece o coração e a permanência no erro
obscurece a razão, esse é o esmo caminho que os fariseus
insistiram em seguir, mesmo que Cristo pessoalmente se

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apresentasse como o único caminho para o céu. “Tens nome de
que vives, e estás morto”(Apocalipse 3:1)

O cristão que nasceu de novo, e digo isto com muito pesar, são
muito poucos, eles são as jóias do cristianismo que adornam a
coroa da redenção que Cristo comprou com seu próprio sangue na
cruz do Calvário (Atos 20:28). Vivem numa nova realidade. Cada
verdadeiro cristão, nascido de novo nunca deve se esquecer de
seus privilégios em Cristo, da nova vida e das responsabilidades
como cidadão do céu que vive aqui nessa terra. Não há visão
atrofiada no novo homem, ele enxerga bem mais além da vida
terrena, ele sabe que existe um lugar no céu e ele deve colocar
muitos tesouros lá, por isso a vida terrena é um acesso constante
ás realidades espirituais e celestiais. Hoje vimos como essa
identidade de ser uma nova criatura em Jesus Cristo sofre com a
ausência de verdadeiros representantes, e isso de dá por causa do
falso evangelho que se alastra pelo mundo competindo com o
verdadeiro, porém esses falsos evangelhos promovem a
aparência de piedade, contudo negando o poder dela. A
verdadeira santidade que surge na vida transformada por Cristo é
poderosa em santificar o novo homem. A crise de identidade está
em pleno apogeu em nossos dias, um mundo que está sendo
cristianizado, mas que não produz as evidencia claras em
produzir pessoas com uma Nova vida radical em Cristo. Temos um
exemplo de Paulo de amargo perseguidor da igreja transforma-se
em um doce seguidor do evangelho ((Atos 9:1 a 30)

Um homem transformado pelo evangelho não está atento as


coisas temporais, ele não se contenta com a fragilidade das
alegrias terrenas nem com as formas artificiais da vida carnal.

É hora de confrontar a nossa vida (II Coríntios 13:5) será que


realmente somos pessoas transformadas pelo evangelho? Há
evidencias claras de que nossa vida está sendo moldada pelos
valores de Cristo? Será que realmente temos o Espírito de Cristo?

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Será que temos aquela disposição de não procrastinar, de não
permitir que a prevaricação seja um elemento comum nas nossas
atitudes? Será que subjugamos nossas opiniões debaixo da
autoridade das Escrituras e fazemos da nossa vontade uma serva
da vontade de Deus? Essas perguntas definem o tipo de
espiritualidade que nutrimos e vivemos, ela pode ser uma fraude
evidente quando a nossa vida está sendo construída encima de
uma religiosidade sentimentalista, motiva por experiências
subjetivas e opiniões humanas e nada mais. O simples professar a
Cristo não faz de você um cristão, o saudar alguém na praça muito
menos, ter uma cartão de membro, participar de um batismo
litúrgico, freqüentar um culto esporadicamente e cumprir a risca
uma agenda religiosa não faz de você uma nova criatura nem
mesmo um verdadeiro cristão. Milhões de pessoas fazem isso e
estão completamente perdidas. A vida radical de um homem
transformado é oposta ao ego e ao mundo. Uma vida de piedade
autentica é uma vida de sacrifício diário é uma vida de submissão
autentica ao Senhor, em todos os momentos, não de forma
intermitente, mas uma entrega total ao Senhor. Nada de nossas
opiniões, nada de decisões egoístas, nada de conveniências
pessoais, nada de disfarces, nada de hipocrisias, nada de
superficialidades, nada de frieza espiritual, não há espaço para
isso numa vida transformada pelo evangelho e orientada pelo
poder do Espírito Santo. Que evidência você tem de ser
transformado pelo evangelho? Quais são suas perspectivas
espirituais? Como você está vivendo a vida cristã? Ela é radical?
Nunca tente torna-se um verdadeiro cristão, quando você ainda
não é, se as evidencias não provam isso, porque pelos frutos se
conhece a arvore, se você um redimido, um regenerado, uma nova
criatura em Cristo, As pessoas a sua volta ficarão assustadas pela
transformação que você experimentou. Seus inimigos dirão “não
vejo nele mal algum” podem ter odiar por tua santidade e não por
tuas atitudes, mas se você for falso cristão, as pessoas te odiarão
porque você é um hipócrita. Todo hipócrita é um motivo para os
filhos do diabo desdenharem da obra de Cristo, eles rirão porque
você não vive o poder do evangelho que eles desejariam que você
vivesse. Todo o cristão sem a vida de Cristo é uma fraude

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espiritual. “Porque para isso sóis chamados, pois também Cristo
padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas
pisadas”(I Pedro I 2:21)

O autor:

Clavio J. Jacinto é pesquisador, autodidata, formado em teologia,


exerceu o ministério pastoral durante anos, casado com Elenice Jacinto,
pai de dois filhos, Natanael e Natalia. Reside atualmente em Paulo Lopes
SC.

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ficaria imensamente agradecido se você entrasse em contato, para
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