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A afirmação de novas potências

O aparecimento de novas realidades políticas e de novas potências, que procuraram desligar-


se da dependência face aos dois blocos, possibilitou o enfraquecimento do bipolarismo. Destas
novas potências podemos destacar: a China (que 87/6 A URSS foi confrontada com a rutura do
acordo sino-soviético, que fez com que a China passa-se a assumir-se como uma ameaça para
o comunismo soviético. Já os EUA viram o seu puder diminuir depois da guerra do Vietname, já
que esta entrada na guerra não foi apoiada nem pela própria nação, nem pelos outros países.

O rápido crescimento do Japão


Com a derrota na Segunda Guerra Mundial, o Japão encontrava-se economicamente mal, mas
entre 1955 e 1973 houve um período de crescimento económico e de prosperidade que ficou
conhecido como “milagre japonês” que permitiu ao Japão tornar-se numa das pricipais
potências mundiais.

Tudo isto só foi possível devido a factores externos e Internos:

Externos:

A ajuda Americana, que politicamente possibilitou a democratização e instaurou uma


Monarquia Constitucional. A nível social foram abolidos os privilégios e o militarismo. No
plano económico, os EUA meteram em prática o Plano Dodge, procederam à redistribuição
das terras, aboliu os grandes grupos económicos e também forneceu uma verba financeira
para tornar possível a recuperação económica do Japão.

A partir da guerra da Coreia, na qual os EUA se envolveram no contexto da Guerra Fria,


assistiu-se a uma fase de aceleração do crescimento japonês. A posição geoestratégica
favorável para a contenção do comunismo na Ásia, fez do Japão um grande aliado dos
americanos. Mais tarde em 1955, o Japão foi reconhecido como Estado Independente.

Durante este período, começou assim a dar-se o “milagre japonês”. As empresas


tornaram-se competitivas, apoiaram a investigação e a inovação, reinvestindo assim na
actividade produtiva. O desenvolvimento de um sofisticado modelo de inclusão dos
produtos japoneses nos mercados Internacionais, tornou possível a dinamização da
economia japonesa, voltada para as exportações.

Internos:

Em termos sociais o crescimento do Japão foi favorecido pela Mentalidade japonesa


( ativa, empreendedora e dinâmica); a mão de obra (barata e abundante); a educação e
formação da população de forma rigorosa; e a competividade (baixos salários, “fraco
sindicalismo e uma estabilidade profissional).

Em relação aos factores económicos destacamos, a racionalização do trabalho, a par de


uma mão de obra especializada e leal possibilitaram o aumento da produtividade; os
grandes investimentos permitiram a modernização das indústrias; as poupanças dos
trabalhadores que foram orientadas pelos bancos para o desenvolvimento da indústria e
do comércio; os valores da bolsa que beneficiou a modernização das indústrias; e o baixo
investimento militar, que permitiu que os recursos financeiros fossem usados para o
desenvolvimento.

Socialmente podemos destacar a estabilidade politica, que permitia ao estado tornar-se


um verdadeiro parceiro no investimento e no apoio às iniciativas empresariais; o estado
interventivo na economia pela regulação, do planeamento, da coordenação do
desenvolvimento industrial, da concessão de créditos, da protecção ás empresas e do
mercado nacional; e o apoio estatal, que permitia que as empresas fossem apoiadas pelo
estado através da aplicação de taxas para resguardar a produção nacional dos produtos
estrangeiros.

O Japão ocupou um lugar de destaque no mercado internacional, e tornou-se também um


modelo para outras economias da Ásia, que seguiram o seu exemplo

O afastamento da China do Bloco Soviético


O comunismo chinês foi, marcado pela personalidade carismática do seu líder, Mao Tsé-Tung,
que rapidamente se elevou à condição de grande teórico marxista. O principal objectivo da
nação chinesa era transformar o pais agricola num pais industrializado, para isso procedeu-se a
medidas como, a redistribuição das terras e criou-se uma rede de cooperativas, para assim
eliminar a classe de operários. A economia foi planificada com vista a desenvolver a indústria
de acordo com o modelo socialista (nacionalização das empresas).

O comunismo chinês caracterizou-se por:

 O papel central do partido único (PCC);


 Poder do líder carismático ( alvo de um grande culto de personalidade);
 Centralismo administrativo;
 Recurso a meios repressivos de combate à oposição ( campos de trabalho, para a
reeducação dos discordantes)

As dificuldades de implementação da colectivização e os maus resultados das reformas iniciais


fizeram com que Mao efectua-se uma pávida liberalização, a partir de 1957 conhecida como
período das “cem flores”. Porém não teve o efeito esperado, já que as contestações
aumentaram e o governo foi obrigado a reagir com repressões e purgas.

Em 1958 foi lançado um segundo plano económico, o “Grande Salto em Frente” com o intuito
da colectivização da agricultura e da indústria. Mao criou “comunas populares” como base de
organização social e económica onde se estabeleceu um modo de vida comunitário. A
importância passou para os campos, onde se deviam desenvolver tanto as produções agrícolas
como pequenas indústrias locais, baseadas na tecnologia tradicional.

O “Grande Salto em Frente” foi um autêntico fracasso, já que foi adotada uma agricultura
colectivista, na qual os camponeses eram autorizados a vender e trocar os excedentes , apesar
da industrialização dos campos ter sido estimulada, ainda 90% da população continuou a viver
uma agricultura de subsistência. O desiquilibrio entre a agricultura e a indústria foi diminuído
pelos apoios financeiros da União Soviética. Durante 50 anos a China seguiu o modelo
soviético e contribuiu para a expansão do comunismo.

A partir de 1956, a China desenvolveu uma ideia própria de comunismo, com originalidades
teóricas e práticas. Esta nova ideologia designou-se por Maoismo, que adotou as ideias
marxistas ás particularidades da China e defendeu como principais ideias:

 A estreita relação entre o papel das massas e do partido comunista;


 A industrialização realizada apenas “com as suas próprias forças”;
 O desenvolvimento equilibrado entre o campo e a indústria;
 A autonomia de comunas revolucionárias;
 A mobilização de grandes movimentos políticos e económicos .

Entre 1966 e 1969, Mao lançou o ultimo grande movimento de massas revolucionárias, a
“Revolução Cultural”, com o intuito de derrotar os “Quatro Velhos” (as ideias, a cultura, os
costumes e os padrões tradicionais chineses). Este movimento foi promovido por jovens
estudantes, que lançaram uma intensa acção de propaganda, onde divulgaram os
ensinamentos de Mao contidos no “livro vermelho”.

Com a morte de Estaline, a relação com a URSS piorou, Mao criticou a destalinização e a
coexistência pacifica promovida por Krushchev