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Relat´orio Trabalho 2 EP - ”Reguladores Lineares”

Jo˜ao Carlos Bastos Portela n o 37706 joaocarlosportela@ua.pt Ricardo Miguel Silva Monteiro n o 38885 ricardomsmonteiro@ua.pt Hugo Alexandre Roque n o 23367 hugo.roque@ua.pt Grupo: 4 — Pr´atica: 5

29 de Dezembro de 2009

1

  • 1 Objectivos

Tendo por base o circuito de rectifica¸c˜ao obtido no Trabalho 1, pretende-se:

Ensaiar v´arios tipos de reguladores lineares do tipo de tens˜ao-s´erie, que cumpram determinados requisitos de funcionamento; Compreender o funcionamento de um regulador linear b´asico, detectar as suas limita¸c˜oes e propor solu¸c˜oes para optimiza¸c˜ao; Ensaiar a resposta de circuitos reguladores lineares com protec¸c˜ao de curto-circuito:

Verificar as diferen¸cas da resposta ao curto-circuito de um limitador de corrente com e sem foldback; Interpretar os resultados e determinar vantagens de cada um dos circuitos; Ensaiar e analisar a resposta de um regulador linear quando carregado com carga vari´avel;

  • 2 Requisitos de funcionamento

O regulador de tens˜ao linear proposto, em qualquer das montagens deve cumprir com os seguintes requisitos:

Tens˜ao de sa´ıda V o = +10V Corrente de sa´ıda m´axima I o MAX = 500mA

2

  • 3 Desenvolvimentos e Resultados

    • 3.1 Regulador linear b´asico

A tens˜ao de entrada do regulador linear topologia tens˜ao-s´erie a ser montado ´e fornecida pelo rectificador obtido no Trabalho 1, e pode ver-se na Figura 1.

D 1 D C 1N4007 2 1 Vi 1N4007 3300μF 16-0-16 Figura 1: Esquema do rectificador
D
1
D
C
1N4007
2
1
Vi
1N4007
3300μF
16-0-16
Figura 1: Esquema do rectificador utilizado.
Q 1
I
o
R 4
R 3
R
1
I
pol
V
i
Q 2
V
o
R
2
V
Ref
D
z
Figura 2: Esquema de regulador linear b´asico
V B Q2 = V Ref + V BE Q2
=
R 2
R 1 + R 2
R 2
V Ref + 0.7
=
R 1 + R 2
10
3

230 50 V Hz AC

O esquema do circuito para esta parte do trabalho pode ver-se na Figura 2.

3.1.1 Projecto

Para a montagem da Figura 2 foi necess´ario determinar o valor das resistˆencias (de R 1 a R 4 ) por forma a cumprir com os requisitos do circuito.

Considerando que V BE Q2 = 0.7V

  • V B Q2

(1)

Nesta fase do trabalho, os alunos propuseram-se a ensaiar o circuito para v´arias tens˜oes de referˆencia, nomeadamente 4.7V e 5.6V , assim obt´em-se:

Para uma tens˜ao de referˆencia, V Ref = 4.7V , tem-se, substituindo em (1):

R 2

R 1 + R 2

= 0.54

Para uma tens˜ao de referˆencia, V Ref = 5.6V , tem-se, substituindo em (1):

R 2

R 1 + R 2

= 0.63

Para a escolha do valor de R 3 , teve-se em considera¸c˜ao a corrente de po- lariza¸c˜ao do zener (que imp˜oe a tens˜ao de referˆencia).Vendo no DataSheet dos zeners da fam´ılia BZX79[1] verificou-se que para os zeners se comportarem como uma fonte de tens˜ao `a tens˜ao nominal, estes deveriam ser polarizados com uma corrente de 5mA. Deste modo, R 3 seria calculado da seguinte forma:

R 3 =

V o V Ref

  • I pol

(2)

Onde V o ´e a tens˜ao de sa´ıda do circuito, e I pol ´e a corrente de polariza¸c˜ao. Daqui segue-se que para cada uma das tens˜oes de referˆencia se tem:

Para uma tens˜ao de referˆencia, V Ref = 4.7V , tem-se, substituindo em (2):

R 3 =

  • 10 4.7

5m

= 1K06Ω

Para uma tens˜ao de referˆencia, V Ref = 5.6V , tem-se, substituindo em (2):

R 3 =

  • 10 5.6

5m

= 880Ω

Quando ao valor de R 4 , este foi determinado determinado em fun¸c˜ao da corrente m´axima que se pretendia que a fonte fosse capaz de fornecer. Assim, tendo em conta que:

I E Q1 = I B Q1 (h fe Q1 + 1)

(3)

Utilizando o valor m´ınimo de h fe indicado no DataSheet[2] do fabricante do trans´ıstor de potˆencia utilizado 1 , e utilizando para corrente de emissor do trans´ıstor Q1 (I E ) a corrente m´axima especificada nos requisitos tem-se, sub- stituindo em (3):

500m = I B Q1 (30 + 1) I B Q1

500m

  • 30 17mA

Esta ´e ent˜ao a corrente m´ınima para se poder obter no emissor de Q1 uma corrente m´axima de 500mA, pelo que, para um bom compromisso no sentido de garantir esta corrente de sa´ıda do regulador, se deve fornecer uma corrente de base maior ou igual `a determinada.

1 O trans´ıstor utilizado foi o BD203.

4

O valor da resistˆencia R 4 por forma a garantir esta corrente de base ser´a

dada por:

R 4 =

V i V B Q1

  • I B Q1

(4)

A tens˜ao na base de Q1 pode aproximar-se da seguinte forma: considera-

se a tens˜ao de sa´ıda especificada nos requisitos do regulador; Considera-se um

V BE Q1 aproximadamente igual a 1V , de onde resulta V B Q1 = 11V ; O valor de

V i utilizado para c´alculos foi de 21.4V . Assim obt´em-se uma aproxima¸c˜ao para

o valor de R 4 :

R 4 =

21.4 11

17m

612Ω

Para que no divisor resistivo n˜ao fosse dissipada uma quantidade de potˆencia

muito consider´avel, escolheu-se para valor de R 1 = 4K7Ω. Assim, os valores das

resistˆencias utilizadas, para a montagem do circuito para cada uma das tens˜oes

de referˆencia, podem ver-se resumidas na Tabela 1.

Tabela 1: Valores das resistˆencias para cada V Ref

 

R 1 (Ω)

R 2 (Ω)

R 3 (Ω)

R 4 (Ω)

V Ref = 4.7V

4K7

5K6

1K

560

V Ref = 5.6V

4K7

8K2

820

560

Na tabela acima ´e relevante notar que os valores das resistˆencias do divi-

sor resistivo (R 1 e R 2 ) foram escolhidas, majorando o valor obtido por c´alculo,

por forma a garantir tens˜ao m´ınima na base do trans´ıstor Q2; O valor das

resistˆencias de polariza¸c˜ao de zener (R 3 ) foram escolhidas, minorando o valor

obtido por c´alculo te´orico, por forma a garantir a corrente de polariza¸c˜ao m´ınima,

tendo ainda em aten¸c˜ao que para valores de corrente de polariza¸c˜ao inferiores

a 5mA a curva da tens˜ao afasta-se mais do seu valor nominal: Em suma, na

polariza¸c˜ao dos zeners escolhe-se resistˆencias que majorem a corrente de polar-

iza¸c˜ao para obter uma melhor aproxima¸c˜ao da tens˜ao de referˆencia pretendida.

O valor de R 4 foi minorado por forma a majorar a corrente de base de Q1,

garantindo assim a corrente de sa´ıda do regulador (I o ) de 500mA.

Para a tens˜ao de referencia 4.7V e 5.6V utilizaram-se zeners (D Z ) 4V 7 @5mA

e 5V 6 @5mA, respectivamente 2 .

E ´ importante notar que os valores das tens˜oes de referˆencia foram escolhidos

tendo em conta a curva I(V ) na regi˜ao de breakdown dos zeners; Zeners com

tens˜ao mais elevada apresentam menor varia¸c˜ao de tens˜ao aos terminais com

varia¸c˜oes de corrente de polariza¸c˜ao, como se pode ver na Figura 3.

2 Os zeners utilizados foram da fam´ılia BZX79

5

Figura 3: Curva I ( V ) de zeners da fam´ılia BZX79.[1] 3.1.2 Resultados As medi¸c˜oes

Figura 3: Curva I(V ) de zeners da fam´ılia BZX79.[1]

3.1.2 Resultados

As medi¸c˜oes que se consideraram relevantes anotar, foram essencialmente tens˜oes

de polariza¸c˜ao do circuito, tens˜oes de ripple e ainda a tens˜ao de sa´ıda, a fim de

comparar com os valores determinados teoricamente. O ensaio foi efectuado em

duas situa¸c˜oes: com e sem carga.

A escolha da carga (valor de R L ) foi determinado tendo em conta v´arios

aspectos. Em primeira an´alise a carga n˜ao pode pedir ao circuito uma corrente

superior `a corrente para o qual o circuito foi projectado (repare-se que neste caso

o regulador foi projectado para I o Max = 500mA). Numa segunda an´alise, deve

ter-se em considera¸c˜ao que as resistˆencias tˆem um valor m´aximo de potˆencia

que conseguem dissipar 3 . Para determinar o valor de carga m´aximo (que corre-

sponde ao m´ınimo de R L ) temos:

R L >

V o
V
o

I

o Max

R L >

10

500m R L > 20Ω

Por outro lado, s´o se tinha `a disposi¸c˜ao resistˆencias de 5W, tendo ent˜ao sido

escolhida uma resistˆencia R L = 22Ω.

O levantamento das medi¸c˜oes pode verificar-se sob a forma de tabela. Para

um zener 4V 7 os dados registados apresentam-se na Tabela 2; Para um zener

5V 6 os dados est˜ao registados na Tabela 3.

3 Resistˆencias que n˜ao utilizam dissipadores. dissipar vem especificado pelo fabricante.

O valor da potˆencia que estas conseguem

6

Tabela 2: Medi¸c˜oes para D Z 4V 7

 

R L =

R L = 22Ω

  • V i

21.8V (sem ripple apreci´avel)

21.2 ± 1.26V

  • V o

11V

10.6V

  • V B Q1

11.5V

11.2V

  • V BE Q1

582mV

600mV

  • V Ref

5.16V

5.08V

  • V B Q2

5.8V

5.72V

  • V BE Q2

640mV

640mV

Tabela 3: Medi¸c˜oes para D Z 5V 6

 

R L =

R L = 22Ω

  • V i

21.8V (sem ripple apreci´avel)

21.0 ± 1.5V

  • V o

10.0V

9.84V

  • V B Q1

10.5V

10.3V

  • V BE Q1

500mV

460mV

  • V Ref

5.56V

5.52V

  • V B Q2

6.24V

6.16V

  • V BE Q2

680mV

640mV

3.1.3 An´alise

Verifica-se que a tens˜ao de sa´ıda V o do regulador n˜ao ´e a projectada, quer no

caso do regulador estar em aberto quer no caso de estar carregado com 22Ω,

quando se utiliza o zener 4V 7. Contudo, verifica-se que V Ref apresenta um valor

superior ao projectado; Este valor ser´a mais elevado por a corrente que est´a a

polarizar o d´ıodo de zener D Z ser superior aos 5mA 4 . No caso do regulador em

aberto, a justifica¸c˜ao para essa corrente ser superior aos 5mA, que estariam a ser

assegurados pela resistˆencia R 3 , ´e o facto de a corrente que seria para alimentar a

base do trans´ıstor Q1 estar em grande parte, sem perda de generalidade assume-

se igual, 5 a ser encaminhada para o colector do trans´ıstor Q2, ou seja a corrente

I D Z que atravessa o zener D Z vir´a dada por:

I D Z = I R 3 + I R 4

(5)

Onde I R 3 e I R 4 s˜ao a corrente que atravessa a resistˆencia R 3 destinada a

polarizar o zener D Z e a corrente que atravessa a resistˆencia R 4 para controlar

a corrente de sa´ıda I E Q1 , respectivamente.

Tendo os valores projectados de I R 3 e I R 4 :

I R 3 5mA

I R 4 17mA

4 Como se pode inferir da an´alise da Figura 3, para correntes de polariza¸c˜ao superiores tˆem-se tens˜oes aos terminais do zener tamb´em superiores. 5 Existe uma corrente que atravessa Q1 que serve para alimentar o circuito constitu´ıdo pelo conjunto das resistˆencias R 1 , R 2 e R 3 , contudo esta corrente ´e muito inferior a` para qual a corrente de base I B Q1 foi projectada.

7

Substituindo em 5 tem-se:

I D Z = 17m + 5m = 22mA

Que ´e largamente superior `a corrente para a qual o zener apresenta a sua

tens˜ao nominal.

No caso de o regulador estar carregado a situa¸c˜ao melhora, verificando-se que

tanto V o como V Ref se aproximam do valor para o qual o circuito foi projectado.

Neste caso, uma vez que Q1 conduz uma corrente de cerca de 450mA atrav´es

da carga, parte da corrente que atravessa R 4 dever´a ser encaminhada para a

base de Q1. Mesmo assim alguma dessa corrente continua a atravessar Q2 e a

polarizar o zener D Z . Uma justifica¸c˜ao para a corrente I R 4 n˜ao passar atrav´es

de Q1 ser´a o facto de Q1 n˜ao estar ainda a fornecer a corrente para o qual

se projectou R 4 e pelo facto de o valor de h fe Q1 utilizado ser o valor m´ınimo

indicado pelo fabricante; Desta forma a corrente que se determinou para I R 4 foi

projectada por forma a suprir a necessidade de Q1 no pior caso de ganho. Na

Figura 3 pode verifica-se que para uma corrente de aproximadamente 15mA o

zener 4V 7 apresenta uma tens˜ao aos seus terminais superior a 5V .

A tens˜ao V BE Q1 revelou-se ser menor do que a utilizada nos c´alculos; No

caso de o regulador em aberto deve-se ao facto de Q1 n˜ao estar praticamente a

conduzir (tal como discutido anteriormente), e no caso de estar carregado com

22Ω pode dever-se ao facto de o trans´ıstor estar a conduzir uma quantidade de

corrente pequena relativamente `a sua capacidade de condu¸c˜ao. Notar que este

trans´ıstor (BD203) apresenta nas suas especifica¸c˜oes um valor m´aximo de V BE

de 1.5V , sob condi¸c˜oes de condu¸c˜ao de 3A e V CE de 2V [2].

Quando se utiliza o zener 5V 6 os resultados revelam-se substancialmente

melhores. De frisar o facto que a tens˜ao V Ref estar muito mais pr´oximo do valor

para o qual foi projectado; Note-se, mais uma vez na Figura 3, que para a curva

do zener 5V 6 existe uma muito menor dependˆencia da tens˜ao aos terminais do

zener com varia¸c˜oes da corrente de polariza¸c˜ao. No geral isto torna o circuito

menos sens´ıvel a varia¸c˜oes de corrente atrav´es de D Z .

8

  • 3.2 Regulador linear com montagem Darlington

Nesta fase, a montagem que se seguiu foi a apresentada na Figura 4. O trans´ıstor

adicional para formar o Darlington n˜ao tem de ser um trans´ıstor de potˆencia, j´a

que, sem grande perda de generalidade se verifica que a corrente que este ter´a de

conduzir n˜ao exceder´a os 200mA; Veja-se que a corrente de base anteriormente

necess´aria para Q1 era de 17mA, sendo ent˜ao essa a corrente de emissor do

trans´ıstor adicional para formar o Darlington.

Q 1 I o R 4 R 3 R 1 I pol V V i Q
Q 1
I
o
R 4
R 3
R
1
I
pol
V
V
i
Q 2
o
R
2
V
Ref
D
z

Figura 4: Regulador com montagem de Darlington.

3.2.1 Projecto

Tem em conta o que a corrente de base de Q1 se altera com a utiliza¸c˜ao de

montagem em Darlington, o valor de R 4 ter´a de ser recalculado. Para isto ´e

necess´ario determinar a nova corrente de base m´ınima que garanta a corrente

I o especificada e tendo em conta o ganho em corrente do trans´ıstor adicional

(h fe ) 6 retirado do DataSheet do fabricante [3]. Sabe-se j´a que a corrente de

emissor do trans´ıstor adicional ´e de 17mA, assim pode-se determinar a nova

corrente de base para o conjunto Q1, por substitui¸c˜ao em (3):

17m = I B Q1 (420 + 1) I B Q1

17m

  • 420 40.5µA

Adicionando mais um trans´ıstor ´e de notar de agora a tens˜ao da base para

o emissor (V BE Q1 ) vai aumentar; Considerando que V BE do trans´ıstor adicional

´e 0.7V tem-se V B Q1 = 11.7V . Assim, o c´alculo de R 4 obt´em-se substituindo em

(4):

R 4 =

21.4 11.7

40.5µ

240K

A fim de se ter algum termo de compara¸c˜ao, e verificar as altera¸c˜oes ocorridas

no regulador frente `a utiliza¸c˜ao de diferentes valores de tens˜ao de referˆencia,

6 O valor de h fe utilizado nos c´alculos foi o valor m´ınimo.

9

efectuaram-se duas montagens (tal como no ponto anterior). Neste caso os dois

zeners utilizados foram o 2V 4 e o 5V 6. Para o caso deste ultimo ´ n˜ao foram

necess´arios mais c´alculos uma vez que o divisor resistivo de amostragem da

tens˜ao de sa´ıda (conjunto R 1 e R 2 ), bem como o valor da resistˆencia (R 3 ) de

polariza¸c˜ao do zener 5V 6 j´a tinham sido calculadas no ponto anterior.

Substituindo o d´ıodo zener para um 2V 4 tem de se recalcular R 3 , bem como

as resistˆencias do divisor do conjunto R 1 e R 2 .

Para calcular R 3 , considerando uma corrente de polariza¸c˜ao de 5mA, tal

como aconselhado pelo fabricante:

R 3 =

V o V D Z

5m

= 1K52Ω

Para o efeito escolheu-se uma resistˆencia de valor 1K5Ω (valor existente na

s´erie dispon´ıvel).

Para o c´alculo dos valores de R 1 e R 2 , assumiu-se o mesmo valor para R 1 ,

sendo de 4K7Ω, recalculando R 2 :

R 2

4K7 + R 2

10 = 3.1 R 2 = 2K11Ω

Para o efeito utilizou-se uma resistˆencia de valor 1K8, que era o valor da

s´erie mais pr´oximo do pretendido. Neste caso a tens˜ao de sa´ıda viria:

V 0 = V B Q2

4K7 + 1K8

1K8

11.2V

3.2.2 Resultados

Nesta configura¸c˜ao as medi¸c˜oes efectuadas foram as mesmas efectuadas para o

ponto anterior, tamb´em nas condi¸c˜oes de ter o circuito carregado e em aberto.

Pelos mesmos motivos apresentados acima o valor de R L utilizado foi de 22Ω.

Para D Z 5V 6 os valores apresentam-se na Tabela 4. Para D Z 2V 4 os valores

apresentam-se na Tabela 5.

Tabela 4: Medi¸c˜oes para D Z 5V 6

 

R L =

R L = 22Ω

V

i

21.2V (sem ripple apreci´avel)

21.2 ± 0.944V

V

o

9.76V

9.28V

V

B Q1

10.5V

10.5V

V

BE Q1

740mV

1.22V

V

Ref

5.44V

5.44V

V

B Q2

6.04V

6.00V

V

BE Q2

600mV

560mV

10

Tabela 5: Medi¸c˜oes para D Z 2V 4

 

R L =

R L = 22Ω

V

i

21.2V (sem ripple apreci´avel)

21.2 ± 0.944V

V

o

10.4V

10.3V

V

B Q1

11.4V

11.4V

V

BE Q1

1V

1.1V

V

Ref

2.36V

2.4V

V

B Q2

2.88V

2.92V

V

BE Q2

520mV

520mV

3.2.3 An´alise

Para o caso em que se utiliza um zener 5V 6 verifica-se que o regulador n˜ao

cumpre os requisitos para o qual foi projectado: a tens˜ao V o ´e inferior a 10V .

De notar que V Ref

´e inferior ao valor da tens˜ao nominal de zener, esta que

´e obtida para uma corrente de polariza¸c˜ao de 5mA; Como se pode verificar

na Figura 3, s´o se obt´em uma tens˜ao aos terminais do zener inferior `a sua

tens˜ao nominal no caso de a corrente de polariza¸c˜ao ser inferior a 5mA. Em

primeira an´alise parece ser contra-censual esta ocorrˆencia pelo facto de R 3 ter

sido escolhida maximizando a corrente de polariza¸c˜ao, contudo repare-se no

facto de se ter aproximado o valor de R 2 por um valor existente na E12, neste

caso aproximou-se 8K por 8K2. Veja-se ent˜ao qual seria a tens˜ao V o para o

novo valor de R 2 :

V o =

R 1 + R 2

R 2

(V Ref + V BE Q2 )

(6)

Assumindo numa primeira an´alise 0.7V como sendo a tens˜ao V BE Q2 e assu-

mindo ainda V Ref como sendo a tens˜ao nominal do zener, ou seja 5.6V , obt´em-se

substituindo em 6:

V o =

8K2

4K7 + 8K2

(5.6 + 0.7) 9.91V

Como se pode ver, com estes valores a tens˜ao de sa´ıda seria inferior ao valor

especificado, contudo ainda n˜ao se explicou o motivo pelo qual a corrente I R 3 ´e

inferior `a projectada.

Numa segunda an´alise pense-se de uma forma iterativa: sendo a tens˜ao de

sa´ıda mais baixa vamos obter um tens˜ao aos terminais de R 3 inferior `a suposta

o que implica obter-se uma corrente menor atrav´es de R 3 , isto que faz com que

a tens˜ao do zener baixe, baixando a tens˜ao de sa´ıda e assim sucessivamente at´e

estabilizar.

Por outro lado deve real¸car-se ainda que V BE Q2 ´e inferior aos supostos 0.7V ,

sendo na pr´atica da ordem dos 0.5V . Tendo em conta 6 conclui-se que uma

diminui¸c˜ao no valor de V BE Q2 conduz a uma diminui¸c˜ao no valor de V o .

No caso em que se utilizou um zener 2V 4 os resultados foram notoriamente

melhores, frisando o facto de V Ref apresentar um valor muito mais pr´oximo do

valor projectado.

Importa ainda explicar o motivo pelo qual este circuito apresenta melho-

ria relativamente ao apresentado na configura¸c˜ao sem Darlington. Usando a

11

configura¸c˜ao Darlington a corrente de controlo de base do trans´ıstor Q1 ser´a

menor, uma vez que, como se viu aquando o projecto do circuito, o ganho au-

menta consideravelmente. Desta forma I B Q1 ser´a menor o que conduz a um

aumento de R 4 tal como se verificou. Podem ver-se pelo menos duas vantagens

nesta altera¸c˜ao: primeiro, o ganho do amplificador de erro vai aumentar por Q2

estar em configura¸c˜ao emissor-comum e aumentando a resistˆencia de colector

o seu ganho aumenta, portanto o ganho em malha aberta do circuito tamb´em

aumenta; segundo, diminuindo a corrente I R 4 , na situa¸c˜ao de varia¸c˜ao de I o a

varia¸c˜ao de corrente atrav´es do zener ser´a menor 7

7 De notar que antes da utiliza¸c˜ao de montagem Darlington, no zener poderiam estar a passar a mais cerca de 17mA, e utilizando esta montagem no m´aximo passar´a a mais o valor de I R 4 , que ´e 40.5µA

12

  • 3.3 Regulador linear com fonte de corrente

Os ensaios foram realizados tendo por base o circuito que se apresenta na Figura 5. Q
Os ensaios
foram realizados tendo por base o circuito que se apresenta na
Figura 5.
Q 1
I
o
R 4
D
z2
R 3
Q 3
R
1
I
pol
V
V
i
o
Q 2
R 5
R
2
V
Ref
D
z

Figura 5: Regulador com fonte de corrente.

3.3.1 Projecto

Utilizando o zener (D Z2 ) 4V 7 @5mA como referˆencia, facilmente se infere que

V B Q3 ´e dada por:

V B Q3 = V i V D Z2 =

21.4 4.7 = 16.7V

Considerando que a corrente de emissor de Q3 ´e aproximadamente igual

`a corrente de colector, tendo j´a o valor da tens˜ao na base de Q3 (assumindo

V BE Q3 = 0.7, tem-se que V E Q3 = 16.7 + 0.7 = 17.4V ), e considerando ainda

a corrente de base m´ınima de Q1 determinada na montagem anterior (I B Q1

40.5µA) pode-se determinar o novo valor de R 4 :

R 4 =

V i V E Q3

  • 21.4 17.4

=

I

B Q1

40.5µ

100K

O valor de R 5 ´e determinado considerando que tem de se polarizar o zener

com 5mA. Assim R 5 pode obter-se da seguinte forma:

R 5 =

V i V D Z2

5m

=

  • 21.4 4.7

5m

3K34Ω

Para o efeito, escolheu-se R 5 = 3K3Ω, que era o valor da s´erie mais pr´oximo

que garantisse a corrente 8 .

Os restantes componentes dependem do valor de D Z utilizado.

8 Para bem do projecto, escolheu-se uma resistˆencia que permita fornecer mais corrente.

13

  • 3.3.2 Resultados

As medi¸c˜oes efectuadas foram as mesmas que para o ponto anterior: circuito

carregado e em aberto.

Tamb´em para esta montagem se efectuaram ensaios para diferentes valores

de referˆencia, nomeadamente utilizando para D z um zener 2V 4 e um zener 4V 7.

Os valores registados podem ser observados nas tabelas que se seguem; Para D Z

de 2V 4 podem ver-se na Tabela 6. Para D Z de 4V 7 podem ver-se na Tabela 7.

Tabela 6:

Medi¸c˜oes para D Z 2V 4

 

R L =

 
  • V i

21.6V (sem ripple apreci´avel)

± 1.13V

  • V o

10.3V

 
  • V B Q1

11.4V

 
  • V BE Q1

1.1V

1V

  • V Ref

2.34V

 
  • V B Q2

2.88V

 
  • V B Q3

16.9V

 
  • V E Q3

17.4V

 
  • V BE Q2

0.54V

 

R L = 22Ω

19.9

10.3V

11.3V

2.33V

2.85V

15.2

± 1.2V

15.7

± 1.3V

0.52V

R L = 22Ω

20.2

± 1.3V

9.60V

10.7V

1.1V

4.68V

5.2V

15.5

± 1.2V

16 ± 1.2V

0.52V

Tabela 7: Medi¸c˜oes para D Z 4V 7

 

R L =

 
  • V i

21.9V (sem ripple apreci´avel)

 
  • V o

9.62V

 
  • V B Q1

10.7V

 
  • V BE Q1

1.08V

 
  • V Ref

4.7V

 
  • V B Q2

5.08V

 
  • V B Q3

17.1V

 
  • V E Q3

17.6V

 
  • V BE Q2

0.38V

 
  • 3.3.3 An´alise

Neste circuito uma vez que a fonte de corrente aumentou a resistˆencia de colector

de Q2, consequentemente o ganho do amplificador de erro, seria de esperar

que o circuito fosse menos sens´ıvel a varia¸c˜oes da corrente de sa´ıda I o . Na

verdade, como se pode ver na Tabela 6 e Tabela 7, este circuito apresenta

esta caracter´ıstica. Pode-se comparar com os circuitos anteriores, no caso do

zener 2V 4 para as montagens Darlington sem fonte de corrente e Darlington

com fonte de corrente as varia¸c˜oes da tens˜ao de sa´ıda com e sem carga foram

respectivamente 0.48V e 0.0V .

A tens˜ao V o medida afastou-se da tens˜ao projectada. Comparando com os

valores anteriores vˆe-se que em rela¸c˜ao ao circuito com montagem Darlington

a diferen¸ca n˜ao foi muito grande e manteve-se uma melhoria em rela¸c˜ao ao

14

primeiro circuito. Tendo em conta os valores de resistˆencia da s´erie E12 aos

quais se teve de aproximar os valores que foram sendo calculados podemos ver

que para os zeners usados neste ponto a tens˜ao de sa´ıda te´orica seria 11.2V para

V D z = 2V 4 e 9.93V para V D z = 4V 7, valores obtidos assumindo V BE Q2 = 0.7V

e a tens˜ao de referˆencia o valor nominal da tens˜ao de zener. Ora, neste caso,

vemos que o valor de V o baixou em rela¸c˜ao ao te´orico, mas, olhando para a

tens˜ao de referˆencia e para V BE Q2 compreende-se o sucedido, pois acontece o

mesmo fen´omeno que foi referido na an´alise do ponto anterior.

Este circuito apresenta em rela¸c˜ao aos anteriores a grande vantagem de o

aumento do ganho em malha fechada do circuito o tornar mais insens´ıvel `as

varia¸c˜oes, quer da tens˜ao de entrada, quer da temperatura, quer dos pr´oprios

parˆametros do circuito.

15

  • 3.4 Regulador de tens˜ao vari´avel

Para estudar um circuito regulador de tens˜ao linear com capacidade de ajustar a

tens˜ao `a sua sa´ıda efectuou-se uma montagem como a apresentada na Figura 6.

Q 1 I o R 4 R 6 D z2 Q 3 Q 4 R 1
Q 1
I
o
R 4
R 6
D
z2
Q 3
Q 4
R
1
V
V
i
o
I
pol
Q 2
R 5
R
2
V
D
Ref
z

Figura 6: Regulador com limitador de corrente.

Variando o valor do potenci´ometro R 1 , varia-se a amostra da tens˜ao V o de

sa´ıda que ser´a comparada com a tens˜ao de referˆencia, alterando assim a tens˜ao

de sa´ıda o circuito.

3.4.1 Projecto

Tomando por premissa inicial a express˜ao da tens˜ao de sa´ıda V o em fun¸c˜ao da

rela¸c˜ao do divisor resistivo de amostragem de tens˜ao de sa´ıda (conjunto de R 1

e R 2 ):

V o =

R 1 + R 2

R 2

(V Ref + V BE Q3 )

(7)

Da an´alise do circuito da Figura 6 e da equa¸c˜ao 7 conclui-se que a m´ınima

tens˜ao de sa´ıda V o min se obt´em quando o valor de R 1 ´e 0Ω:

  • V o min

=

R 2

R 2

(V Ref + V BE Q3 ) = V Ref + V BE Q3

Nesta fase a montagem efectuada utilizava como D Z um zener 4V 7 9 , e con-

siderando um V BE Q3 de aproximadamente 0.55V vem:

9 Quanto menor fosse o valor da tens˜ao nominal do zener, mais baixas tens˜oes se con- seguiriam; Note-se contudo, que para maiores V CE Q1 maior potˆencia este ter´a de dissipar. Optou-se assim por uma solu¸c˜ao conservadora, onde, para o efeito, se conseguiam inferir as mesmas conclus˜oes que utilizando um zener de tens˜ao nominal inferior.

16

V o min = 4.7 + 0.55 = 5.25V

Para a determina¸c˜ao da tens˜ao m´axima de sa´ıda V 0 Max tem de se ter em

considera¸c˜ao outro conjunto de factores, nomeadamente a tens˜ao base-emissor

V BE Q1 do Darlington Q1, a tens˜ao colector-emissor de satura¸c˜ao V CE Sat Q3,Q4

dos trans´ıstores das fontes de corrente Q3 e Q4, a tens˜ao aos terminais das

resistˆencias V R 4 ,R 6 das fontes de corrente e ainda a tens˜ao de entrada. Pode

deduzir-se a tens˜ao m´axima de sa´ıda:

V o < V i V BE Q1 V CE Sat Q3,Q4 V R 4 ,R 6

(8)

Considerando V i como sendo 21.5V , admitindo o valor m´aximo da tens˜ao

V CE Sat para os trans´ıstores Q3 e Q4 indicado pelo fabricante de 300mV [3], as-

sumindo V BE Q1 como sendo 1.5V e tomando para valor de V R 4 ,R 6 :

V R 4 ,R 6 = V D Z2 + V BE Q3,Q4 = 4.7 + 0.55 = 5.25V

Substituindo os valores em 8 temos:

V o < 21.5 1.5 0.3 5.25 V o < 14.45V

Pelo que se conclui que V o Max = 14.45V .

Deve notar-se ainda que o valor de R L deve ser recalculado tendo em consid-

era¸c˜ao V o Max . Assim, para que a carga n˜ao pe¸ca ao circuito mais do que 500mA

(I o MAX ):

R L >

V

o Max

I

o MAX

R L >

14.45

0.5

R L > 28.9Ω

 

Decidiu-se ent˜ao utilizar duas resistˆencias de 22Ω em s´erie, colocando desta

forma, cada resistˆencia a dissipar aproximadamente metade da potˆencia, que

neste caso seria:

 
 

2

  • 14.45 2

 

P Diss =

V

o Max

4.75W

=

 

R L

 

44

Como cada resistˆencia tem capacidade de dissipar 5W e as duas s´o necessi-

tam dissipar 4.75W n˜ao h´a problema de utilizar este tipo de carga.

Para esta carga a corrente de sa´ıda I o vir´a dada por:

I o =

V

o Max

 

=

  • 14.45 328mA

 
 

R L

 

44

A escolha da resistˆencia R 2 e do potenci´ometro R 1 foram feitas tendo em

conta que na situa¸c˜ao de o potenci´ometro se estar a comportar como um curto-

circuito se obteria a tens˜ao m´ınima, enquanto que R 2 seria escolhida tendo

em conta o valor de tens˜ao m´axima V o Max . Para se poder observar os limites

admitiu-se que V o Max poderia ser 15V . Assim tem-se:

V

o Max

=

R 1 + R 2

R 2

(V Ref + V BE Q2 )

(9)

Admitindo usar-se um potenci´ometro de 3K3Ω e substituindo em 9 tem-se:

17

15 =

3K3 + R 2

R 2

(4.7 + 0.55) R 2 1K78Ω

Para o efeito escolheu-se uma resistˆencia de 1K8Ω para valor de R 1 .

  • 3.4.2 Resultados

Efectuaram-se medi¸c˜oes dos valores de V o min e V o Max nas condi¸c˜oes de o regu-

lador estar carregado com 44Ω e na situa¸c˜ao de estar descarregado (R L = ).

Os valores registados podem observar-se na Tabela 8.

Tabela 8: Valores de V o min e V o Max com D Z e D Z2 4V 7

 

R L =

R L = 44Ω

V

o min

5.37V

5.26V

V

o Max

16V

15V

  • 3.4.3 An´alise

No caso do teste do regulador em aberto pode observar-se que a tens˜ao V o min era

superior `a esperada, assim como a tens˜ao V o Max ; O facto de V o min ser superior ao

esperado pode dever-se ao facto de a tens˜ao de zener V Ref e/ou a tens˜ao V BE Q2

base-emissor de Q2 serem superiores ao pressuposto nos c´alculos, ou ainda por

o potenci´ometro n˜ao ser precisamente um curto-circuito quando ajustado para

o seu m´ınimo de resistˆencia. Esta mesma justifica¸c˜ao pode ser dada no caso de

teste do regulador carregado com 44Ω.

O facto de V o Max ser superior ao esperado pode ser justificado tendo em conta

que se utilizou como V CE Sat Q3,Q4 o valor m´aximo indicado pelo fabricante, tendo

em conta que V BE Q1 poder ser inferior aos supostos 1.5V , bem como a tens˜ao

V R 4 ,R 6 aos terminais de R 4 e R 6 ser inferior ao pressuposto.

A tens˜ao V o Max para o caso de o regulador estar carregado ´e inferior `a tens˜ao

no caso de estar em aberto; Um motivo poder´a ser o facto de a tens˜ao V i baixar

quando se pede corrente, o que implica uma diminui¸c˜ao da tens˜ao de sa´ıda

m´axima. Neste caso a an´alise precisa seria muito complexa uma vez que teria

de ser pesar um conjunto de vari´aveis consider´avel, como por exemplo a tens˜ao

V R 4 ,R 6 , a tens˜ao V BE Q1 , a tens˜ao V CE Sat Q3,Q4 , a tens˜ao V Ref , ...

18

  • 3.5 Regulador linear com limitador de corrente

Para realizar os ensaios de um circuito limitador de corrente efectuou-se uma

montagem, sob o circuito de corrente, com a configura¸c˜ao apresentada na Figura 7.

De notar que o circuito est´a simplificado, evidenciando apenas o circuito de pro-

tec¸c˜ao contra curto-circuito.

Q 1 I o R sc V V o i Q 3 Q 2 Sensing Remote
Q 1
I
o
R sc
V
V
o
i
Q 3
Q 2
Sensing Remote
V
REF

R L

Figura 7: Regulador com limitador de corrente.

3.5.1 Projecto

Tendo em conta o princ´ıpio de funcionamento deste circuito: entre a base e o

emissor do trans´ıstor do circuito de protec¸c˜ao, neste caso o Q3 a queda de tens˜ao

dever´a ser suficiente para o trans´ıstor estar em condu¸c˜ao; Numa primeira an´alise

poderia considerar-se que V BE Q3 fosse 0.7V , quando para a sa´ıda estivesse a ir

uma corrente superior `a especificada. Nessa situa¸c˜ao Q3 estaria em condu¸c˜ao re-

tirando corrente da base de Q1 10 , obrigando deste modo a baixar a corrente I E Q1

e consequentemente I o . Contudo, e tendo em conta as medi¸c˜oes anteriormente

realizadas sobre o trans´ıstor Q2, considerou-se um V BE 3 de aproximadamente

0.55V .

O objectivo ´e que, em curto-circuito, a corrente I SC seja de 550mA, ou

seja, 50mA acima do valor para o qual o circuito foi projectado para funcionar

correctamente. Na situa¸c˜ao de curto-circuito considera-se uma configura¸c˜ao

como a apresentada na Figura 8.

Tal como se pode ver, V BE Q3 ser´a igual `a tens˜ao V R SC aos terminais de de

R SC . Conclui-se ent˜ao que:

V R SC = V BE Q3 = R SC I SC R SC =

  • V BE Q3

  • I SC

(10)

Considerando a corrente de curto-circuito I SC de 550mA e um V BE Q3 de

0.55V , tal como explicado, e substituindo em 10, vem:

R SC =

0.55

0.55

= 1Ω

10 Q3 ´e um trans´ıstor de sinal uma vez que a corrente que este ter´a de conduzir, grosso modo, corresponde `a corrente de controlo da base de Q1, que como j´a se viu ´e muito inferior `a m´axima corrente de 100mA especificados pelo fabricante para o BC547[3].

19

Q 1 I sc R sc V V o i Q 3 Q 2 Sensing Remote
Q 1
I
sc
R sc
V
V
o
i
Q 3
Q 2
Sensing Remote
V
REF

Figura 8: Limitador de corrente na situa¸c˜ao de curto-circuito.

Verifica-se que esta resistˆencia ter´a de ser capaz de dissipar uma potˆencia

que depende de V BE Q3 e de I SC :

P Dissipada = V BE Q3 I SC

(11)

Considerando o pior caso de V BE Q3 , ou seja, quando este for 0.7V , e con-

siderando que nesse caso a corrente de curto-circuito ultrapassa o valor projec-

tado 11 , sendo 700mA, substituindo em 11, vem:

P Dissipada = 0.7 × 0.7 = 490mW

Para pequenos tempos de curto circuito pode n˜ao ser muito importante

a potˆencia m´edia que a resistˆencia ´e capaz de dissipar, contudo, para o caso

de se estar a projectar um circuito para ser utilizado dever-se-ia colocar uma

resistˆencia de meio Watt no local de R SC .

  • 3.5.2 Resultados

Para determinar o bom ou mau funcionamento do circuito efectuou-se um curto-

circuito utilizando o mult´ımetro. Desta forma enquanto se curto-circuitava o

regulador media-se a corrente I SC . Registou-se:

I SC = 520mA

Este resultado foi obtido utilizando um d´ıodo de zener 4V 7.

As outras

medi¸c˜oes revelaram-se semelhantes `as obtidas para a mesma V Ref na configura¸c˜ao

com fonte de corrente e Darlington, veja-se a Tabela 7.

  • 3.5.3 An´alise

Verificou-se que a corrente I SC de curto-circuito ´e inferior `a corrente para o qual

se projectou o circuito de protec¸c˜ao; Este facto dever-se-´a ao facto de se ter es-

colhido um valor de V BE Q3 superior ao que realmente o trans´ıstor Q3 apresenta,

ou mesmo ao facto de a resistˆencia utilizada n˜ao ser precisamente de 1Ω devido

11 Note-se que no caso de V BE Q3 ser 0.7V , com uma resistˆencia R SC de 1Ω, a corrente I SC vem dado por 0.7 , sendo assim de 700mA.

1

20

`a margem de erro. Repare-se que as resistˆencias utilizadas tˆem uma precis˜ao de

5%, podendo ent˜ao a resistˆencia ter na realidade 1 + 0.05Ω, de onde resulta:

I SC =

V

BE Q3

0.55

R SC

=

1.05 524mA

Onde I SC ´e um valor pr´oximo do valor obtido por ensaio de curto-circuito.

21

  • 3.6 Regulador linear com limitador de corrente foldback

Nesta parte substituiu-se a protec¸c˜ao contra curto-circuito anteriormente im-

plementada por uma outra protec¸c˜ao com foldback 12 . A montagem pode ver-se

na Figura 9.

Q 1

  • I o

R sc R 1 V i
R sc
R 1
V
i
V o
V
o

Remote

Sensing

Q 3 R 2 V REF
Q 3
R 2
V
REF

R L

Figura 9: Regulador com limitador de corrente foldback.

3.6.1 Projecto

Neste circuito quer-se que a corrente Isc de curto-circuito seja inferior `a corrente

I o MAX m´axima admiss´ıvel na sa´ıda. Deste modo, considera-se, como sugerido no

gui˜ao I SC = 200mA e I o MAX = 500mA, para V o = 10V . Pode ent˜ao calcular-se

o valor das resistˆencias R 1 , R 2 e R SC . Pode demonstrar-se as seguintes rela¸c˜oes

para o c´alculo das resistˆencias[4]:

R

2

R

1

=

I SC V o

V BE Q3 (I o MAX

I SC ) 1

R SC =

V BE Q3 (R 1 + R 2 )

I SC R 2

(12)

(13)

Assumindo V BE Q3 como sendo 0.55V , e substituindo os valores em 12 e 13,

temos:

R 2

R 1

=

0.2 × 10

0.55 × (0.5

0.2) 1 11.12

Assumindo R 2 como sendo 4K7Ω temos R 1 427Ω, tendo-se utilizado 390Ω.

R SC =

0.55(390 + 4K7)

0.2 × 4K7

2.98Ω

12 Neste tipo de circuito consegue obter-se uma corrente I SC de curto-circuito inferior `a corrente I o MAX m´axima do regulador.

22

Escolheu-se ent˜ao 3.3Ω como valor da resistˆencia R SC . Pode agora recalcular-

se I SC com os valores de montagem utilizando a equa¸c˜ao que se pode demonstrar[4]:

I SC =

V BE Q3 (R 1

+ R 2 )

R SC R 2

(14)

Substituindo os valores determinados em 14, temos:

I SC =

0.55(1K8 + 4K7)

3.3 × 4K7

180mA

  • 3.6.2 Resultados

Para determinar o valor da corrente I SC de curto-circuito utilizou-se o mult´ımetro,

tendo-se registado:

I SC = 130mA

Este valor foi determinado quando a montagem era feita com D Z sendo um

4V 7. Todas as outras medi¸c˜oes foram semelhantes `as efectuadas para o mesmo

circuito sem protec¸c˜ao de curto-circuito.

  • 3.6.3 An´alise

Para esta configura¸c˜ao verificou-se que a corrente I SC foi inferior ao esperado

(I SC = 180mA); Pode explicar-se este facto tendo em conta as imprecis˜oes das

resistˆencias, e ainda o facto de a tens˜ao V BE Q3 assumida n˜ao ser a que se verifica

na pr´atica.

23

  • 3.7 Varia¸c˜ao brusca de carga

Para este ponto do trabalho era pretendido estudar o comportamento dos cir-

cuitos de protec¸c˜ao anteriores sobre condi¸c˜oes de varia¸c˜ao brusca de carga, para

isso foi usado o circuito da figura Figura 10.

1k 47 LED TP120 4k7 V 1N4148 c
1k
47
LED
TP120
4k7
V
1N4148
c

Figura 10: Circuito de simula¸c˜ao de varia¸c˜ao brusca de carga.

3.7.1

Projecto

Para o projecto desta parte do trabalho deveria-se calcular o valor m´aximo e

m´ınimo da tens˜ao a aplicar em V c .

 

Para tal analisando o circuito acima podemos chegar `a conclus˜ao que a tens˜ao

na base do trans´ıstor ´e 0.7V devido ao d´ıodo 1N4148, pode ent˜ao escolher-

se para valor m´ınimo da tens˜ao V c o valor 0V . J´a para o valor m´aximo da

tens˜ao consultado o datasheet do trans´ıstor de potˆencia [5] podemos ver que

h F E = 1000, sendo assim, uma vez que queremos que o circuito conduza a

corrente m´axima para que a qual os circuitos de protec¸c˜ao foram projectados,

para que sejam devidamente testados, tendo em conta que:

 
 

dfraqV cmax V B 4.7kΩ = I Bmax

(15)

e

 

I Bmax = dfraqI Cmax h F E

(16)

em que I Cmax ´e o valor m´aximo da corrente de colector pretendida. O que

substituindo, uma vez que queremos I Cmax = 0, 5A vem:

 

I Bmax = 0, 5mA

 

consequentemente,

V cmax = 3.05V

3.7.2

Resultados

Na Figura 11 podemos ver uma gr´afico da tens˜ao de sa´ıda V o em fun¸c˜ao do

tempo, para o caso do circuito sem foldback.

24

Figura 11: Circuito de simula¸c˜ao de varia¸c˜ao brusca de carga. 3.7.3 An´alise No gr´afico anterior vemos

Figura 11: Circuito de simula¸c˜ao de varia¸c˜ao brusca de carga.

3.7.3 An´alise

No gr´afico anterior vemos zonas em que h´a uma oscila¸c˜ao elevada que ´e quando a

corrente pedida pelo circuito ´e m´ınima, esta oscila¸c˜ao deve-se ao facto de o ganho

em malha aberta ser muito elevado, o que pode conduzir a uma instabilidade

do sistema. Quando esta oscila¸c˜ao n˜ao est´a presente ´e porque o circuito de

simula¸c˜ao de varia¸c˜ao brusca de carga est´a a pedir muita corrente.

25

4

Conclus˜oes

Verificou-se que a montagem b´asica do regulador linear apresenta muitas limita¸c˜oes,

sendo muito sens´ıvel a correntes de polariza¸c˜ao, variando muito a tens˜ao V o de

sa´ıda. As montagens subsequentes melhoraram v´arios aspectos, como foi o caso

da montagem Darlington que permitiu um maior ganho de corrente e, con-

sequentemente, diminuir a corrente de controlo da base do trans´ıstor Q1; A

montagem utilizando fonte de corrente para alimentar a base de Q1 permitiu

aumentar o ganho do amplificador de erro, o que melhora a regula¸c˜ao, e ainda

aumentar a excurs˜ao da tens˜ao de sa´ıda.

Quanto `a montagem do regulador de tens˜ao com varia¸c˜ao da tens˜ao de sa´ıda,

verificou-se que este apresenta uma deficiente regula¸c˜ao quando a varia¸c˜ao ´e feita

na malha de realimenta¸c˜ao; Este circuito apresenta ainda o grande defeito de

quando se diminui a tens˜ao V o de sa´ıda se aumentar o V CE Q1 do trans´ıstor Q1,

e consequentemente se aumentar a potˆencia dissipada neste componente. A

regula¸c˜ao por dissipa¸c˜ao de potˆencia ´e caracter´ıstica dos reguladores lineares

o que os torna ineficientes e incomport´aveis para aplica¸c˜oes onde a potˆencia

dissipada ´e um pre¸co alto a pagar.

Verificou-se uma grande vantagem da protec¸c˜ao com foldback em rela¸c˜ao `a

sem este tipo de protec¸c˜ao, que se prende essencialmente no facto de a corrente

de curto-circuito, na limita¸c˜ao com foldback, ser inferior `a corrente m´axima para

a qual o circuito foi projectado, protegendo assim os dispositivos que estejam a

ser alimentados por este tipo de reguladores na ocorrˆencia de uma anomalia.

Constatou-se que a escolha das resistˆencias aquando o projecto de um cir-

cuito deve ser feita de uma forma criteriosa, j´a que algumas vezes podem obter-

se resultados maus por uma m´a escolha de componentes, tal como se revelou o

caso da polariza¸c˜ao de zeners e no divisor resistivo (malha de realimenta¸c˜ao).

Varia¸c˜oes nestes parˆametros conduzem inevitavelmente a altera¸c˜oes nas carac-

ter´ısticas de sa´ıda do circuito.

26

Referˆencias

[1] General Semiconductor, ”BZX79 Series - Silicon Planar Zener Diodes”,

DataSheet

[2] Comset Semiconductors, ”NPN BD201 – BD203/PNP BD202 – BD204 -

SILCON EPITAXIAL-BASE POWER TRANSITORS”, DataSheet

[3] Vishay Semiconductors, ”BC546 thru BC548 - Small Signal Transistors

(NPN)”, DataSheet

[4] Mota, Alexandre Manuel, ”Electr´onica de Potˆencia”, Departamento de

Electr´onica Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica, Universidade de Aveiro 2009,

vers˜ao Beta 0.96 (15/09/2009)

[5] FAIRCHILD Semiconductor, ”TIP120/121/122 - Medium Power Switching

Applications (NPN Epitaxial Darlington Transistor)”, DataSheet 2001

27