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FAMÍLIA ACOLHEDORA

APRESENTAÇÃO

A realidade brasileira acerca das crianças e adolescentes é muito


preocupante e demanda esforço da sociedade civil e governamental para mudar
esta realidade. Muitas vezes os direitos das crianças e adolescente não são
respeitados. Ao invés de estarem na escola ou brincando muitas estão nas ruas,
trabalhando, correndo o risco de sofrerem vários tipos de abusos e exploração.
Algumas vezes essas explorações e violência têm origem em sua própria
família, o que torna a questão ainda mais grave.

Em Ouro Preto esta realidade não é muito diferente. Para amenizá-la


foram implantados projetos e programas desenvolvidos pela Secretaria
Municipal de Assistência Social e Cidadania como; o Programa de Socialização
que designa um campo de aprendizagem, voltadas a assegurar proteção social
e promover o desenvolvimento do protagonismo e talentos de crianças e
adolescentes, entre 07 e 14 anos. O Programa Jovens de Ouro que beneficia os
adolescentes de Ouro Preto, esse tem como objetivo preparar os jovens de 16 a
18 anos para a posterior entrada no mundo do trabalho.

Foi implantado também o Centro de Referência Especializado de


Assistência Social – CREAS que é uma unidade pública que coordena, articula e
executa a proteção social de média complexidade. Constitui-se pela oferta de
prestação de serviços especializados e continuados a indivíduos e famílias com
direitos violados, mas sem rompimento de vínculos.

Um outro programa voltado para crianças é o Programa Casa Lar,


fundado em 01 de novembro de 2001, pelo Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do adolescente em parceria com o Conselho tutelar, Promotoria da
Infância e Juventude e Prefeitura Municipal de Ouro Preto. Na época entidade
“Movimento Familiar Cristão” de Ouro Preto assumiu a administração da Casa
Lar. Em 2006 a Prefeitura assumiu toda a responsabilidade da Casa Lar. Esta
abriga crianças em situação de vulnerabilidade e de risco pessoal e/ou social. A
Casa Lar visa oferecer um ambiente tranqüilo como um lar para as crianças,
entretanto sabe-se que nada substitui a convivência familiar que é o ambiente
mais adequado para o desenvolvimento da criança e do adolescente.

A principal preocupação da Casa Lar é que as crianças estejam inseridas


em ambientes comunitários e desenvolvam atividades diárias, assim como está
previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. A Casa Lar possui
capacidade para abrigar 10 (dez) crianças e 2 (dois) bebês com idades entre 0 e
12 anos.

Atualmente atende 23 crianças/adolescentes com média de idade de 8


anos. Todas se encontram regularmente matriculadas nas escolas do município.
Têm acompanhamento médico, odontológico e psicológico.

No entanto sabe-se que o problema da superlotação em serviços de


acolhimento abrange todo o território nacional e, em Ouro Preto, esta situação
não é diferente. Ações voltadas para prevenção de situações de risco devem ser
priorizadas, mas enquanto isso não ocorre as crianças continuam sendo
revitimizadas e levadas para os serviços de acolhimento. Porém, a superlotação
compromete a qualidade do serviço prestado às crianças e suas famílias.

JUSTIFICATIVA

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em seu artigo 19


estabelece que: “toda criança ou adolescente tem direito a ser criada e educada
no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a
convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas
dependentes de substancias entorpecentes”.
Devido ao fato da Casa Lar ser o único programa destinado a abrigar
crianças no município de Ouro Preto, o número de crianças abrigadas no local
extrapola a capacidade da casa. Este elevado número de crianças abrigadas no
local descaracteriza o objetivo principal do Programa Casa Lar, que é funcionar
como um verdadeiro lar para as crianças, inserindo-as na comunidade. Outro
agravante para este problema é o fato de não haver no município locais
destinados a abrigar adolescentes. O Programa Família Acolhedora irá auxiliar
no cumprimento do Art. 19 do ECA, além de auxiliar no suprimento da demanda
do município que cresce a cada dia.

O Programa Família Acolhedora se destina a atender famílias que


apresentem ocorrência de algum tipo de negligencia ou violência, tanto
domestica ou sexual, praticados contra crianças. É um serviço que organiza o
acolhimento de crianças e adolescentes afastados da família de origem em
residências de famílias acolhedoras como medida de proteção.

O Programa deve ser desenvolvido em constante articulação com o


Conselho Tutelar e a Vara de Infância e Juventude para maior agilidade no
acompanhamento das famílias.

O Programa Família Acolhedora é uma modalidade de atendimento que


visa promover a guarda familiar temporária de crianças e adolescentes que são
afastados de suas famílias, priorizando ações para a reinserção destes às suas
famílias de origem. Permitindo assim a convivência familiar e comunitária, além
de garantir atenção individualizada, e evitar a institucionalização da criança. No
Programa Família Acolhedora não existe vínculo com a adoção, pois o objetivo
principal é a reintegração à família de origem.

Este programa se justifica pelo fato de que a família é a primeira agência


social e vinculo fundamental para o desenvolvimento pleno do indivíduo. Toda
criança e adolescente têm direito ao convívio familiar.
OBJETIVO GERAL:

Acolher provisoriamente e excepcionalmente a criança e ao adolescente


em situação de risco social, pessoal, vítima de violência intrafamiliar e
negligência, em famílias acolhedoras, possibilitando proteção integral á família
natural, promovendo o rompimento do processo de violência e a
desinstitucionalização.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

• Atender de forma individualizada, em ambiente familiar crianças e


adolescentes;
• Assegurar a convivência comunitária;
• Promover a desinstitucionalização de crianças/adolescentes, priorizando
a convivência familiar;
• Garantir os direitos das crianças e adolescentes previstos no ECA;
• Favorecer e potencializar a promoção social das famílias de origem das
crianças e adolescentes;
• Fortalecer os vínculos familiares para reestruturação da composição
familiar;
• Acompanhar e orientar tanto as famílias de origem quanto as famílias
acolhedoras.

CRITÉRIOS PARA CADASTRAMENTO FAMÍLIAS ACOLHEDORAS


As famílias voluntariamente que se interessarem em acolher crianças e
adolescentes deverão atender os seguintes critérios:

• Ser maior de 21 anos (sem restrição de raça, gênero e estado civil );


• Ter a diferença mínima de 16 anos entre a idade do responsável e a
criança ou adolescente a ser acolhido;
• Possuir boa saúde zelar pela saúde da criança;
• Garantir a freqüência da criança na escola;
• Ter residência no município há no mínimo 02 anos;
• Disponibilidade de tempo e afeto para cuidar da criança;
• Não ter antecedentes criminais;
• Não estar respondendo a inquérito policial ou envolvido em processo
judicial;
• Não ter problemas psiquiátricos, alcoolismo ou dependência em drogas
ilícitas;
• Não estar inscrito nas varas de adoção da Infância e Juventude.

RECURSOS NECESSÁRIOS PARA A IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA

Equipe Técnica Exclusiva:


• Assistente Social (carga horária mínima de 30 horas semanais)
• Psicólogo (carga horária mínima de 30 horas semanais)
• Coordenador com formação mínima de nível superior

Infra-Estrutura:
• Sala para equipe técnica
• Espaço adequado para realização de palestras e reuniões;
Recursos Materiais:
• Transporte para realização de visitas às famílias acolhedoras e
biológicas;
• Equipamentos e materiais de escritório para realização de trabalhos;
• Material para realização de oficinas que serão planejadas de acordo com
a demanda das famílias;
• Lanche para a realização das reuniões;
• Benefícios para as famílias acolhedoras (cesta básica, material escolar,
vestuário para a criança/adolescente acolhida e outros benefícios
eventuais).

METODOLOGIA

1ª ETAPA – DIVULGAÇÃO E CADASTRO:

Divulgação permanente nos meios de comunicação municipais para a


captação de famílias interessadas em se cadastrar no programa. As informações
deverão ser claras, com intuito de expor ás famílias os objetivos do programa.

Estabelecimento de parcerias com a rede social (Centro de Referência da


Assistência Social - CRAS, entidades voltadas para o tema, Conselho Municipal
da Criança e Adolescente, Conselho tutelar, Secretarias Municipais, entre
outros) disponíveis no município, para a descentralização do cadastro das
famílias.

No momento do cadastro, a família deverá entregar cópia dos


documentos pessoais (comprovante de residência, identidade, cpf, comprovante
de renda, título de eleitor, atestado de bons antecedentes, atestado de saúde
física e mental, entre outros) de todos os membros da família.
2ª ETAPA – ENTREVISTAS E AVALIAÇÃO DAS FAMÍLIAS

As famílias interessadas em participar do programa passarão por um


processo de avaliação, com o objetivo de identificar os aspectos subjetivos que
os qualificam para a inclusão no programa. Serão realizadas entrevistas
individuais e coletivas, dinâmicas de grupo e visitas domiciliares com a equipe
psicossocial para verificar as condições do ambiente familiar para receber uma
criança.

3ª ETAPA – INSERÇÃO E CAPACITAÇÃO DAS FAMÍLIAS ACOLHEDORAS


SELECIONADAS

Nesta etapa as famílias receberão orientações sobre a rede de serviços


oferecidos pelo município, e também serão realizadas palestras com o objetivo
de orientar e capacitar as famílias para o acolhimento de crianças. Os temas
sugeridos são:

 Esclarecimentos sobre o programa família acolhedora;


 Novas configurações familiares e importância dela para a formação da
criança e do adolescente
 Orientações sobre o perfil das crianças encaminhadas às famílias
acolhedoras: importância do amor e da questão do limite para a educação
da criança e do adolescente;
 Direitos da Criança e do Adolescente;
 Etapas do desenvolvimento da personalidade;
 Instruções sobre o funcionamento da rede de serviços de proteção à
família e acompanhamento psicossocial.
4ª ETAPA – CADASTRAMENTO

As famílias que forem consideradas aptas a participarem do programa


deverão formalizar sua inscrição. A coordenação do programa deverá
encaminhar a documentação dos futuros participantes a Vara da Infância e
Juventude, para que possa ser emitido o termo de guarda da
criança/adolescente, quando ocorrer o acolhimento.

5ª ETAPA – ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS DE ORIGEM, DAS


ACOLHEDORAS E DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Nesta etapa, desde a inserção da criança/adolescente na família


acolhedora, a equipe técnica do programa fará o acompanhamento das
crianças/adolescentes, das suas famílias de origem e das famílias acolhedoras.
Os casos que necessitarem de tratamento (médico, psicológico, psiquiátrico,
tratamento para dependência química), serão encaminhados para realização do
mesmo. As famílias também participarão de oficinas a serem montadas de
acordo com o interesse das mesmas e da disponibilidade de profissionais e
materiais para realizá-las. O acompanhamento das famílias também será feito
através das seguintes ações:

 Preparação da família acolhedora para o acolhimento da


criança/adolescente;
 Aproximação supervisionada entre a criança/adolescente e a família
acolhedora;
 Estabelecimento de vínculo de confiança e orientação sobre o
acolhimento familiar com a criança/adolescente acolhido;
 Esclarecimento a família de origem a respeito do objetivo e regras do
programa, além da escuta sobre os hábitos, costumes, formas de
relacionamento, condição de saúde e situação escolar da
criança/adolescente;
 Escuta individual da criança/adolescente, baseada na adaptação à família
acolhedora;
 Elaboração de um plano de acompanhamento às famílias envolvidas;
 Encaminhamentos se necessário a rede de educação, saúde e outras;
 Viabilização de encontros semanais entre a família de origem e a
criança/adolescente;
 Uso de entrevistas e visitas domiciliares periódicas no acompanhamento
das famílias acolhedoras como da família de origem;
 Encaminhamentos a assessoria jurídico-administrativas necessárias;
 Realização de reuniões mensais onde estão presentes as famílias
acolhedoras, biológicas e as crianças.

Também serão realizadas palestras, com o objetivo de orientar e preparar


as famílias para receberem as crianças novamente. Além dos temas trabalhados
com as famílias acolhedoras serão abordados os temas abaixo:

 Cuidados com a higiene corporal e do ambiente;


 Cuidados básicos com a saúde da criança;
 Dependência química.

6ª ETAPA – REINSERÇÃO NA FAMÍLIA BIOLÓGICA OU


ENCAMINHAMENTO (desligamento)

Durante o período de acolhimento será realizada uma avaliação da


família biológica para verificar se as propostas realizadas pelo programa
surtiram efeito e a família biológica está apta a receber a criança novamente. A
equipe técnica deverá preparar-se para promover o apoio emocional e a escuta
individual a criança/adolescente com o objetivo de reinseri-la na família de
origem, portanto separá-la da família acolhedora. Para isto é necessário a
intensificação de forma progressiva do contato entre a criança/adolescente e a
família de origem.

Nesta etapa a equipe técnica intermediará a família acolhedora com


relação a manutenção de vínculos com a criança/adolescente após a reinserção
familiar. Também é fundamental continuar acompanhando a família de origem
após a reintegração da criança/adolescente por um período médio de um ano.

Caso a família não tenha se adequado para receber a criança será


avaliado o melhor encaminhamento para a mesma, ou seja, será definido se a
criança irá para uma instituição ou encaminhada para adoção.

7ª ETAPA – AVALIAÇÃO

Nesta etapa serão avaliados todos os processos de atendimento


desenvolvidos pela equipe técnica do programa. A avaliação será feita
anualmente com fim de verificar se todos os objetivos e metodologia foram
alcançados.