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Professor: Prof.

Dr. Mario
Disciplina: Fonética e Fonologia do Português Eduardo Viaro Página (s): 105 - 146
Indicação Bibliográfica:
 MASSIONI-CAGLIARI, Gladis; CAGLIARI, Luiz Carlos. Fonética. In: MUSSALIM, Fernanda;
BENTES, Anna Christina (org.). Introdução à Linguística: domínios e fronteiras. domínios e
fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001. Cap. 3. p. 105-146.
Assunt Genérico  Introdução aos conceitos de Fonética
o Específico  Conceitos referentes à Fonética Articulatória e à Fonética Acústica.
Palavras-chave Fonética articulatória; produção da fala; segmentos; fonética acústica

Páginas (s) Fonética


105 – 107 1. Introdução

A Fonética estuda a realização dos sons da fala e a Fonologia a


combinação desses sons.
A Fonética Articulatória estuda o aparelho fonador e os mecanismos de
produção de fala.

107 - 134 2. Fonética Articulatória


107- 110 2.1. A produção da fala

A produção da fala utiliza um processo neurolinguístico, neuromuscular


e o sistema respiratório.
Os sons produzidos pela corrente de ar podem ser implosivos (quando
são produzidos para dentro), ejetivos (quando são produzidos para fora) ou
clique (quando a corrente de ar é ingressiva).
O processo articulatório ocorre em relação à corrente de ar e ao processo
comunicativo.

110 - 112 2.a.1. Fonação

A corrente de ar proveniente dos pulmões se manifesta de maneira


periódica (vozeamento) ou aperiódica (fricção). O ar fonatório é aquele que
passa pela laringe e é modificado pelas cavidades supraglotais (faringal,
nasofaringal, nasal, oral e labial). “A passagem que se forma pelas cordas
vocais é chamada de glote” (p. 111).
“O processo de fonação compreende as possibilidades articulatórias das
estruturas da laringe e, sobretudo, das cordas vocais” (p. 111). São eles:

a) Oclusiva glotal – expressões de surpresa em português (ah!).


b) Fricativa glotal – sons de house e horse no inglês.
c) Vozeamento – são sons sonoros produzidos pela vibração das cordas
vocais.
d) Ensurdecimento – são os sons surdos, isto é, que não produzem vibração
das cordas vocais.
e) Aspiração – sons sussurrados (whispery voice)
f) Murmúrio – aspirada sonora.
g) Creaky Voice – som grave.
h) Falsete – som agudo.

112- 113 2.2. Prosódia e segmento

Ao segmentarmos a fala, as unidades chamadas segmentos são as que


definem as vogais e consoantes” (p.112). As unidades maiores dos segmentos
são chamadas de prosódicas. Os segmentos são construídos por traços
distintivos, como o vozeamento, o lugar e o modo de articulação.

113 2.3. Elementos prosódicos


- 121

A fala possui melodia (entoação, tons) e harmonia (acento e ritmo).

113 2.3.1. Acento


- 115

O acento fonético é relacionado à tonicidade e pode ser classificado


como primário (acento tônico em uma palavra), secundário ou frasal.
“O acento frasal sempre coincide com uma sílaba que tem também um
acento primário ou com um monossílabo isolado. Toda palavra pronunciada
isoladamente terá uma sílaba com acento primário, se não for monossílaba.
Todo enunciado apresenta um acento frasal que é definido pela mudança de
entoação” (p.114).
A alteração do acento final modifica o foco do enunciado, modificando
a semântica.

115 - 117 2.a.2. Ritmo

Na Fonética, o ritmo é trabalhado com a ideia de isocronia, isto é, com a


divisão rítmica do tempo em partes iguais.
Pike classifica as línguas em ritmo silábico ou acentual.

117 2.a.3. Velocidade da fala ou tempo

O ritmo é a organização da substância fonética no tempo e a velocidade


da fala está associada à variação desta com um efeito determinado.

117 - 119 2.a.4. Entoação

“Todas as sílabas da fala são pronunciadas com certa altura melódica”


(p.117). Em línguas tonais, cada sílaba tem uma altura melódica fixa. Em
línguas entoacionais, o tom de voz empregado modifica a sonoridade das
palavras (tons entoacionais).
O Português apresenta seis tons primários: 1) declaração, asserção; 2)
Interrogação; 3) Incompleto; 4) Surpresa interrogativa; 5) asserção enfática; e
6) “certas” frases relativas. A variação em alguns destes tons formam os tons
secundários, tais como em 1-a) declaração enfática; 1-b) asserção forte,
impaciência; 1-c) repetição, impaciência; 1-d) enumeração; e 2-a) interrogação
fraca.
“Um padrão entoacional forma um grupo tonal” (p.119), possuindo o
acento frasal que coincide com a curva melódica, sendo constituído por pés
rítmicos (intervalo entre uma tônica e outra, incluindo a primeira e excluindo a
segunda).

120 2.a.5. Tessitura

Tessitura é o espaço compreendido entre o som mais grave e o mais


agudo, podendo ser utilizado na sinalização do turno linguístico.

120 121 2.a.6. Qualidade de Voz

“Os segmentos da fala (consoantes e vogais) apresentam características


próprias, ou seja, um som pode ser sonoro, aspirado, dental, velar, nasal,
fricativo etc. [...] Essas características gerais da produção da fala são chamados
de qualidade da voz. É identificada na articulação sonora individual de um
falante.

121 - 131 2.4. Segmentos


121 - 122 2.4.1. Consoantes

“As consoantes são sons que apresentam contatos ou constrições no


aparelho fonador (p.121). São analisadas pelo modo e o lugar de articulação,
além da vibração das cordas vocais. Podem ser egressivas ou ingressivas,
podendo ser plosivas ou implosivas (oclusivas com corrente de ar egressiva no
primeiro caso, ou ingressiva, no segundo). Se for glotal egressiva recebe o
nome de ejetiva, e, se for velar, é chamada de clique.

122 - 124 2.4.1.1. Modos de articulação

As vogais não são analisadas nessa categoria. Os modos são:


a) Oclusivas: bloqueio completo à corrente de ar (ex.: pato; gato).
b) Nasais: bloqueio da corrente de ar na cavidade oral e saída de ar pelas
narinas (ex.: sono; sonho).
c) Fricativos: sons em que o ar fonatório produz fricção (ex.: faca; vaca; jaca)
d) Africados: “sons que apresentam um bloqueio completo à corrente de ar
dentro da cavidade oral, em sua parte inicial, e uma obstrução que produz
fricção durante a parte final da articulação (ex.: tia; dia, no dialeto carioca e
paulista)”(p. 123)
e) Laterais: sons produzidos anteriormente à cavidade oral (ex.: vela; velha).
f) Vibrante: pode ser simples com um tapa da língua no véu palatino (como o
tepe – ex.: Araraquara), ou múltiplo, em sons mais demorados.
g) Retroflexo: sons produzidos na ponta da língua levantada e voltada para
trás. (ex.: parto; par; no português caipira).
h) Aproximante: sons produzidos que não apresentam fricção e não são
oclusivos (ex.: cai; sorrow no inglês da Califórnia).

124 – 126 2.4.1.2. Lugares de articulação

Os lugares de articulação em relação ao som podem ser:


a) Labial ou bilabial: produzidos pelo fechamento ou estreitamento dos lábios
(Ex.: mata; pata). No caso das vogais, é arredondada
b) Labiodental: produzidos com um contato do lábio inferior com os dentes
incisivos superiores (ex.: faca; vaca)
c) Dental: produzidos com a ponta da língua entre os dentes incisivos
superiores e inferiores, ou com a ponta da língua contra a parte posterior dos
dentes incisivos superiores.
d) Alveolar: sons produzidos com a ponta da língua contra a arcada alveolar
(ex.: data; NASA).
e) Palatoalveolar: sons produzidos com a lâmina da língua contra a parte
anterior do palato duro (ex.: chuva; jaca).
f) Alveopalatal: ocorre na região anterior ao som dos palatais.
g) Palatal: o centro da língua no palato duro (ex.: calha; sonha).
h) Velar: é o som produzido com o dorso da língua no palato mole (ex.: cata;
gata).
i) Uvular: dorso da língua contra o véu palatino e a úvula (som do h em
Habib’s).
j) Faringal: produzido pela raiz da língua contra a parede superior da faringe
(som de “limpar a garganta”).
k) Glotal: som produzido com a articulação das cordas vocais.

O diacrítico é utilizado para anotar a articulação entre dois lugares.

127 2.4.1.3. Vozeamento

Os sons surdos não fazem vibrar as cordas vocais, enquanto os sonoros,


não.

127 - 130 2.4.2. Vogais

Na produção dos sons vocálicos não há obstrução da passagem de ar.


“As vogais são sempre pronunciadas com a ponta da língua abaixada e com a
superfície da língua em forma convexa” (p.127).
Os sons vocálicos podem ser classificados em quatro níveis de altura (de
aberto à fechado, regiões articulatórias (anterior, central e posterior) e na
posição dos lábios na sua produção (arredondados ou não). Eles estão
diretamente relacionados à tonicidade da palavra.

130 2.4.2.1. Ditongos

“Ditongos são vogais que mudam de qualidade durante sua produção”


(p. 130) e são representados, na transcrição fonética por dígrafos, “nos quais
aparecem os símbolos dos valores mais salientes da percepção dessas
articulações” (p. 130).

130 - 131 2.4.2.2. Semivogais

Semivogais são os sons de /j/ ([i]) e /w/ ([u]) que possuem significado
apenas fonológico. Quando um ditongo termina com esses sons, são
classificados como decrescentes e quando se iniciam com eles são
categorizados como crescentes. Quando o mesmo som vocálico se mantém,
dizemos que é uma vogal longa.

131 - 133 2.5. Transcrição fonética

A transcrição fonética é a representação dos fones conforme catalogados


pela IPA.

134 - 139 3. Fonética Acústica

Os sons da fala podem ser estudados por aparelhos que analisam o som.
A pesquisa linguística em fonética acústica se preocupa com a estrutura
física dos sons da fala, enquanto as outras pesquisas na área são relacionadas às
engenharias de comunicação e de computação. A fala apresenta sons
aperiódicos (ruídos) e periódicos, que são formados por harmônicos, unidades
chamadas de fundamentos, que produz o efeito auditivo da altura do som e do
timbre. “[...] as diferentes configurações do aparelho fonador servem para
modular o som fonatório, imprimindo as diferentes qualidades” (p. 134)
Os elementos físicos da fonética acústica podem ser estudados por
espectrogramas, palatografia e estudos quimiográfos.
Professor: Prof.
Dr. Mario
Disciplina: Fonética e Fonologia do Português Eduardo Viaro Página (s): 147 - 179
Indicação Bibliográfica:
 MORI, Angel Corbera. Fonologia. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina
(org.). Introdução à Linguística: domínios e fronteiras. domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez,
2001. p. 147-179.
Assunt Genérico  Introdução aos conceitos da Fonologia
o Específico  Conceitos referentes à Fonologia
Palavras-chave Fonologia; Fonema; Traços distintivos; Sílaba

Páginas (s) Fonologia


147 - 150 1. Fonética e Fonologia

Para Saussure, a linguagem humana se constitui de língua, entendida


como produto social, e fala, compreendida como uso individual da língua, e
estas são interdependentes. Para o linguista, a língua é um sistema de signos,
que são formados por um significado (representação mental) e um
significante (expressão do significado). “O significante, na fala, é estudado
pela Fonética. Na língua, o significante é estudado pela Fonologia (p. 148).
Os sons não são produzidos no aparelho fonador pelo mesmo ponto
articulatório e essa diferença não é observada na fala, podendo ser precisada
apenas pelos conhecimentos fonéticos. Quando a alteração fonética provoca
uma mudança de significado, estamos diante de um fonema, unidade de
estudo da Fonologia.
O I Congresso Internacional de linguistas diferenciou a Fonética da
Fonologia. A primeira estudaria o aspecto físico do som da fala, enquanto a
segunda estudaria as diferenças de significados oriundas das funções que os
fones ocupam numa língua específica. Os primeiros são representados por
barras transversais (//) e os segundos, entre colchetes ([]). Ambas as áreas
podem ser estudadas de maneira independente, mas possuem uma relação
interdependente entre si.

150 – 151 1.1. Importância da Fonologia

A Fonologia busca desenvolver uma relação entre os fonemas da


língua e os símbolos gráficos que os representam, uma vez que o sistema de
escrita não acompanha a oralidade da língua. Assim, a Fonologia pode
auxiliar no aprendizado de uma língua e, também, na compreensão dos
distúrbios de linguagem.

151 - 160 2. O Fonema

Existem inúmeras definições para o termo “fonema”, mas,


essencialmente, “toda língua possui um número restrito de sons cuja função é
diferenciar o significado de uma palavra em relação à outra. Os sons que
exercem esse papel são chamados de fonemas e ocorrem em sequências
lineares, combinando-se entre si de acordo com as regras fonológicas de cada
língua” (p. 153).
153 - 160 2.1. A identificação dos fonemas

“Um objetivo da Fonologia é estabelecer os sistemas fonológicos das


línguas, ou seja, o conjunto de elementos abstratos relacionados entre si que
o falante utiliza para descriminar e delimitar as unidades significativas da
língua (p.153). O fonólogo usa vários critérios, como veremos a seguir.

154 2.1.1. Oposição

Um fonema é identificado pela oposição entre os fones, formando


pares mínimos, quando essa diferença altera o significado entre os signos.

154 2.1.2. Oposição em ambientes análogos

Na dificuldade de encontrar pares mínimos, buscam-se dois itens que


ocorram em ambientes similares, sendo que neste ambiente o som estudado
não deve ser influenciado por fones anteriores a ele.

155 - 157 2.1.3. Distribuição complementar


2.1.3.1. Alofones

Cada realização distinta de um fonema, independente do fator


(posição na palavra, tom etc.) recebe o nome de alofone. “O critério principal
para agrupar os alofones como variantes de um fonema chama-se
distribuição complementar. Esta estabelece que, se dois fones ocorrem em
ambientes mutuamente exclusivos, eles podem ser considerados
eventualmente como alofones do mesmo fonema” (p. 156) Os sons são
afetados por contextos linguísticos, como os efeitos dos sons vizinhos, a
posição de ocorrência em unidades maiores, o efeito dos elementos
suprassegmentais e as informações de índole lexical e gramatical.
A identificação de um alofone é dada pela semelhança fonética, que
opera por dois princípios homogêneos.
a) Homogeneidade fonética: “quanto mais longe esteja o ponto de
articulação de dois sons haverá menos possibilidades de que eles sejam
alofones de um mesmo fonema” (p. 157).
b) Homogeneidade acústica: “dois sons serão tanto mais homogêneos
quanto mais semelhantes sejam seus efeitos acústicos” (p. 157).

157 - 158 2.1.4. Variação livre

Quando dois alofones podem ser usados no mesmo contexto sem


destruir a identidade lexical, dizemos que são variantes livres de um mesmo
fonema. Existem, também, outros princípios.

158 2.1.5. Princípio da simetria

A simetria consiste na pressão estrutural de padrões fonéticos e são


tendências presentes nas línguas. Ex.: [p, k, t] surdos tendem a ter seus
simétricos [b ,d, g] sonoros, e se os primeiros são fonemas, pode-se dizer que
seus equivalentes também o são.

159 2.1.6. Princípio de economia

Uma descrição fonológica deve sempre pautar a generalidade da


língua que estuda, de modo coerente e sistemático em sua descrição.

159 - 160 2.1.7. Princípio de pressão estrutural

“Esse princípio toma como base a organização estrutural de uma


língua na interpretação dos fonemas. Ele é usado na análise de segmentos
que foneticamente são ambivalentes, como os glides ou em casos de
sequências de consoantes” (p. 159). É associada à simbolização da
transcrição fonológica.

160 - 173 3. Propriedades dos sons: os traços distintivos

Os traços distintivos são realizações simultâneas da realização de um


fonema divididos em grupos. Um objetivo da teoria fonológica é identificar o
conjunto de traços necessários para descrever os sons de qualquer língua
para compreender melhor as fonologias das línguas faladas no mundo.

162 - 173 3.1. Traços de Chomsky & Halle

Os traços identificados por Chomsky & Halle são o ponto de partida


para o estudo dos traços distintivos.

162 - 164 3.1.1. Traços de classes principais

São traços que “dividem o conjunto dos segmentos fonológicos de


uma língua em classes mais significativas” (p. 162). São eles:
a) Silábico [sil]: são o núcleo da sílaba, diferenciando as vogais [+silábicas]
e as consoantes [-silábicas]. Não são consideradas pelas teorias
fonológicas não-lineares.
b) Consonânticos [cons]: “os sons consonânticos são produzidos com uma
constrição ao longo da linha central do trato vocal. Essa constrição pode
ser total ou parcial. As vogais, os glides [w] e [j] e os sons glotálicos são
[-cons].” (p. 163)
c) Soante [soan]: é relacionado ao vozeamento espontâneo. Os sons que
não dificultam a produção de vibração das cordas vocais, como as
vogais, consoantes nasais e glides são [+soan], enquanto os que
dificultam, como os segmentos plosivos, fricativos e africados, são [-
soan].

164 - 165 3.1.2. Traços de cavidade

São relacionados aos pontos de articulação e se preocupam com o


lugar em que ocorrem as modificações da corrente de ar. São:
a) Coronal [cor]: sons produzidos com a ponta da língua como articulador
ativo, como as consoantes dentais, alveolares, alvéolo-palatais,
retroflexos e palatais [+cor]. Todos os demais são não-coronais [-cor].
b) Anterior [ant]: sons produzidos com a ponta da língua na região anterior
do trato vocal. Todas as vogais, consoantes álveolo-palatais, palatais,
velares, uvulares e faringais são [-ant], enquanto as consoantes labiais,
dentais e alveolares são [+ant].
c) Distribuído [dis]: sons produzidos com a língua que não intervém na
lâmina. Sons apicais, retroflexos e labiodentais são [-dis], enquanto sons
laminais, não-retroflexos e bilabiais são [+dis].

165 - 167 3.1.3. Traços do corpo da língua

São traços que caracterizam as movimentações da língua. São eles:


a) Alto [alt]: produzidos com uma elevação do corpo da língua (vogais
altas, glides [w, j], consoantes alveolo-palatais, palatais, palatalizadas,
velares e velarizadas) são [+alto]. Todos os outros sons são [-alto].
b) Baixo [bx]: apresentam um abaixamento do corpo da língua. As vogais
abertas, consoantes faringais e faringalizadas e as glotais são [+bx].
c) Recuado [rec] ou posterior: sons produzidos com a retração da língua.
São as vogais centrais e posteriores, consoantes velares, uvulares,
faringais, velarizadas, faringalizadas e o glide [w] são [+rec].
“A aplicação desses três traços às vogais permite diferenciar vogais
fechadas [+alt], vogais abertas [+bx] e vogais centrais posteriores [+rec] (p.
166).
d) Raiz de língua avançada [ATR]: “a raiz da língua é puxada em direção
à parte anterior do traço vocal, o que faz com que a cavidade faríngea se
amplie e produza uma elevação do corpo da língua; os sons [ATR] são
produzidos numa posição neutra. Esse traço foi aplicado para diferenciar
vogais tensas [+ATR] das não-tensas [-ATR]” (p. 166).
Estes traços são substituídos pelo traço abertura da boca, [aberta],
mas apenas ao que concerne às vogais.

167 - 168 3.1.4. Traços relacionados com a forma dos lábios

Traços relacionados à passagem de ar pelo arredondamento ou


constrição dos lábios. Podem ser:
a) Arredondados [arr]: são produzidos com o movimento dos lábios e são
as vogais arredondadas, glides [w, j] e consoantes labializadas [+arr].
b) Labial [lab]: são produzidos com o aperto dos lábios. São as consoantes
labiais e labiodentais. É um traço que serve para se referir a qualquer
envolvimento dos lábios, podendo ser arredondado ou não.

168 - 170 3.1.5. Traços de modo de articulação

São traços relacionados às ações dos articuladores. Podem ser:


a) Continuo [con]: sons que são produzidos sem que haja uma interrupção
do fluxo de ar.
b) Lateral [lat]: são produzidos com fechamento da passagem de ar na
posição central da cavidade oral.
c) Nasal [nas]: sons produzidos com o véu palatino abaixado.
d) Estridente [estr]: são os que possuem mais ruídos, como os fricativos e
africados.

170 - 171 3.1.6. Traços de fonte

São traços que se referem aos tipos de fonação, que levam em


consideração a faringe e as cordas vocais. Podem ser:
a) Vozeados [voz]: produzidos pelas vibrações das cordas vocais [+voz].
Os segmentos surdos são [-voz].
b) Pressão subglotal elevada [PSE]: sons que criam uma abertura maior da
glote.
c) Constrição glotal [cg]: sons que produzem um forte fechamento da
glote, impossibilitando a vibração das cordas vocais.

171 - 173 3.1.7. Traços prosódicos

Os traços prosódicos, ou suprassegmentais, são aqueles identificados


sintagmaticamente e se referem, aos tons, acentos e longos. O tom diz
respeito à altura do som, o acento caracteriza as sílabas que apresentam
maior intensidade que as outras e o traço longo se refere à duração das
vogais longas e consoantes geminadas.

173 - 176 4. Sílaba

A sílaba é uma unidade fonológica que indica a organização


fonológica de uma língua.

173 - 174 4.1. Importância da sílaba

“A característica de um segmento como [silábico] ou como não-


[silábico] dependerá de sua posição na estrutura silábica de uma língua, e
não das propriedades inerentes aos seus segmentos” (p. 173-174).

174 - 175 4.2. Representação da estrutura silábica

Em uma estrutura silábica, a vogal é chamada de núcleo da sílaba e a


consoante é chamada de ataque (quando precede o núcleo) ou coda (quando
ocorre após o núcleo). De acordo com alguns fonólogos, a sílaba possui uma
estrutura hierárquica em termos de ataque e rima, em que a última ramifica-
se com a opção do coda.

175 - 176 4.3. Classificação tipológica da sílaba

A sílaba pode ser simples (único núcleo), complexa (núcleo


precedido e/ou seguido por consoante), aberta/livre (terminada em vogal) ou
fechada (terminada em consoante). Os fonemas seguem um padrão
conhecido como hierarquia de sonoridade, que diz que “quanto mais
propenso um segmento seja para o vozeamento espontâneo, maior
sonoridade ele tem” (p. 176). O elemento de maior sonoridade tende a ser o
núcleo da sílaba.