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A IMPORTÂNCIA DA SUPERVISÃO ESCOLAR

A IMPORTÂNCIA DA SUPERVISÃO ESCOLAR

Karina Teresinha de Melo Steffens[1]

Resumo: O objetivo deste artigo é analisar se as características de um líder


empreendedor quando incorporadas no perfil do supervisor escolar, refletem
em um desempenho mais bem sucedido na gestão escolar. O supervisor
escolar é um elemento-chave, tanto para a implementação de um currículo
inovador, quanto para o desenvolvimento do empreendedorismo e a
constituição de uma equipe solidária. No entanto, o supervisor escolar tem
responsabilidades burocráticas e políticas numa relação vertical, que muitas
vezes contrastam com as características de um líder empreendedor. Para esta
análise, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com a proposta de rediscutir
questões teóricas relacionadas à supervisão escolar, com base na sua
trajetória histórica e nas necessidades da atualidade. Constatou-se que o
supervisor escolar pode se tornar um profissional insubstituível para o sucesso
da gestão escolar, ao usar sua capacidade de liderança empreendedora para
vislumbrar novas necessidades e oportunidades. 

Palavras - chaves: Supervisão Escolar; Aprendizagem; Avaliação; Equipe


solidária.

1 Introdução:
 Neste artigo reflete-se sobre o papel do supervisor ao processo de
avaliação da aprendizagem, tomando como referência a práxis avaliativa de
professores e supervisores de forma crítica. Tem por finalidade  analisar o
papel do supervisor no processo de avaliação face aos resquício do ensino
tradicional que ainda estão inseridos na prática de alguns professores.este
tema tem é de revelância  importância por descrever o conceito,a evolução e a
importância  da supervisão escolar no contexto escolar.São objetivos desta
pesquisa demonstrar a atuação da supervisão escolar e sua influencia no
processo de ensino aprendizagem.
 Na administração durante muitos anos a função do supervisor esteve
ligada ao ato de inspecionar e controlar os trabalhadores. Na educação
inicialmente o objetivo também era o mesmo, inspecionar e controlar os
professores, para que os mesmo cumprissem o que foi determinado e a escola
pudesse atingir o objetivo que era a melhoria do ensino.Mas com os passar dos
anos isso foi se modificando e o supervisor passou a exercer um papel
relevante em todo processo educacional.
No contexto atual,a supervisão precisa ser participativa,cooperativa e
interagir com o corpo docente.Proporcionar  ações para  aperfeiçoamento dos
profissionais e estar aberta as criticas e as sugestões dos mesmos.
O sucesso da escola está ligado á interação dos profissionais que nela
trabalham, independente da função que exerce. Todos devem ter o mesmo
objetivo:formar cidadãos  íntegros e conscientes  de seus direitos e deveres na
sociedade.
Essa escola atual, tão complexa devido a globalização, diferenças
sócias e políticas do mundo moderno, deve se adaptar as mudanças e estar
apta a direcionar seus esforços no objetivo maior que é a inserção do aluno na
sociedade.
Para que isso ocorra é fundamental que todos participem na elaboração
do projeto político pedagógico. Documento baseado na realidade da
comunidade escolar e que norteia os princípios que devem ser seguidos para
concretização do objeto da escola. Caberá a supervisão escolar
organizar,coordenar e tornar possível a realização desse objetivo.

1. - A Formação do Supervisor: Um Compromisso com a Ação Educativa

Atualmente vive-se um momento de intensas mudanças, onde se


precisa repensar a escola e seus quadros técnicos em função dessas
mudanças. Um dos aspectos a ser repensado nesse contexto é a formação
profissional desses atores.
Formação é um termo que nos remete aos processos sistemáticos de
educação de profissionais.
Segundo Faria; Dalmonico (2000, p. 46) "o supervisor é o facilitador do
desenvolvimento de projetos coletivos na escola, é o agente responsável por
uma prática democrática, envolvendo o professor e o aluno."
Diante desse aspecto sua contribuição sustenta o processo ensino-
aprendizagem dando assessoramento ao professor no campo das variáveis
psicossociais e político, porém a sua formação inicia-se na universidade,
preferencialmente no curso de Pedagogia ou no caso das licenciaturas em
disciplina específica. Já a complementação se concretiza no exercício de sua
profissão, no processo de formação continuada.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB, Lei Nº 9394 de 1996, no
Título VI (Artigos 61 a 67) trata da formação dos profissionais da educação.
No tocante ao Supervisor é pertinente destacar o Artigo 64:
Artigo 64 - A formação de profissionais de educação para administração, planejamento,
inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos
de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino,
garantida, nesta formação a base comum nacional. (BRANDÃO, 2007, p. 139).

Mesmo antes da LDB a Constituição Federal de 1988 já trazia essa


temática (formação) quando no Artigo 206 estabelece que o ensino será
ministrado com base nos seguintes princípios: "[...] V- valorização dos
profissionais do ensino[...] planos de carreira [...]"(BRANDÃO, 2007, p. 140)
Ver-se assim que a temática formação continuada de profissionais da
educação vem ocupando um espaço cada vez maior na política educacional.
Acredita-se que isso se deva ao fato de a formação continuada dos
profissionais da educação representar uma das possibilidades de intervenção,
pois se sabe que o trabalho, exitoso ou não, de um profissional está
diretamente ligada à sua profissionalização. Esta, por sua vez, é compreendida
como resultado da "formação inicial e continuada nas quais os profissionais
aprendem e desenvolvem as competências, habilidades e atitudes
profissionais" (LIBÂNEO, 2008, p 75).
Desse modo, acredita-se que investimento nesse âmbito aliado à
consciência política sobre a função social da educação possa contribuir para
elevação dos indicativos educacionais - objetivo perseguido, hoje, por todas as
esferas do sistema educacional.
Já é consenso entre os teóricos da educação que a profissionalização
de docentes e especialistas em educação, processo que passa a exigir maior
profissionalismo por parte dos educadores, é determinante para melhorias
significativas da educação.
Nesse sentido tem-se em MEC/SEF

[...] profissionalismo é o exercício da capacidade de identificar as questões envolvidas no


trabalho, sabendo compreendê-las e a elas dar resposta, de agir com autonomia e assumir a
responsabilidade pelas decisões tomadas e opções feitas, de avaliar criticamente a própria
atuação e o contexto em que ela ocorre e de interagir cooperativamente com a comunidade
profissional a que pertence. No caso do magistério, além disso, é a capacidade de elaborar
coletivamente o projeto educativo e pedagógico da escola, colaborar com a construção e o
desenvolvimento do currículo escolar e identificar diferentes opções, adotando as que
considerarem melhores. (BRASIL, 1998, p. 94).

Sabe-se, dessa forma, que a formação continuada do supervisor


representa um avanço ímpar sendo crucial para toda a comunidade escolar.
No âmbito educacional, o supervisor foi visto, durante muito tempo,
como vigia das ações pedagógicas. Nesse sentido, trazer à tona discussões
acerca das práticas pedagógicas desse profissional é sempre muito oportuno.
Conforme Lima (2008, p.3)

O desafio que a escola enfrenta atualmente exige dos profissionais da educação, como é
colocado o supervisor, uma competência técnica e política que o habilita a participar da
construção da autonomia escolar construída a partir da autonomia garantida pela lei, isso faz
com que na discussão do trabalho pedagógico abram-se amplas perspectivas que estimulam e
asseguram a participação de todos.
Por certo, este profissional hoje é um dos membros da equipe gestora,
devendo, portanto, apoiar e orientar o fazer pedagógico a partir da análise
crítica da proposta pedagógica da escola compreendendo os problemas e,
sobretudo, articulando soluções para os mesmos.
O supervisor escolar deve, portanto, ser habilitado e capacitado para
realizar suas atividades de assessoria ao professor principalmente no
planejamento no desenvolvimento curricular e no processo avaliativo. Sabe-se
que este é o profissional que sustenta o fazer pedagógico na escola através da
ação orientadora e de acompanhamento da equipe, através de um contínuo
processo ação-reflexão-ação.
A sua formação deve ser, portanto, consistente, essencialmente, para
sensibilizar o grupo para as mudanças educacionais. Seu fazer não pode
desconsiderar as contradições, mas mediar os conflitos.
Assim, é importante que o supervisor prepare-se para o diálogo aberto,
franco e leal com os professores que formam sua equipe de trabalho e que
adquira conhecimentos mínimos essenciais para não se manter alheio ao
conhecimento das demais áreas. Deve ainda ser problematizador, ver a
proposta pedagógica como uma possibilidade de reconstrução da escola.

Vale esclarecer que a construção desse perfil depende da trajetória e


experiência de cada profissional, contudo, agindo assim o supervisor supera o
tradicionalismo o comodismo e a falta de esperança e contribui
verdadeiramente para a efetivação do objetivo primordial de uma instituição de
ensino: aquisição de conhecimentos e aplicação dos mesmos por toda a
comunidade escolar e não mais apenas pelos discentes.

1.1 - O Papel da Supervisão Escolar para a melhoria da qualidade da


educação:
A escola é um espaço social que ainda necessita de grandes mudanças
com a finalidade de cumprir o seu papel na sociedade, que é formar para a
cidadania. A realidade educacional brasileira demonstra que a escola mesmo
diante das transformações ocorridas com relação a sua estrutura e
funcionamento, a maioria ainda encontra-se no plano de suas concepções
teóricas e práticas alienadas a modelos pré-estabelecidos e, até mesmo a
modelos estereotipados.
É fundamental entender que para a escola, transformar os modelos e
concepções e, participar efetivamente do desenvolvimento de um trabalho
pedagógico eficaz, precisa refletir sobre a concepção de educação
estabelecida no seu Projeto Político-Pedagógico com a participação coletiva
visando atender as novas exigências que a sociedade estabelece para as
pessoas.
Muitos são os autores que com suas fundamentações teóricas
contribuem para orientar e compreender o papel que o supervisor escolar deve
desempenhar, entre eles é possível verificar que Ferreira (2007, p. 327)
destaca que as transformações sociais e políticas remetem ao supervisor
escolar o compromisso com a "formação humana" no processo educacional.
Libâneo (2002, p. 35) refere-se ao supervisor educacional como "um
agente de mudanças, facilitador, mediador e interlocutor", um profissional
capaz de fazer a articulação entre equipe diretiva, educadores, educandos e
demais integrantes da comunidade escolar no sentido de colaborar no
desenvolvimento individual, social, político e econômico e, principalmente na
construção de uma cidadania ética e solidária.
A partir das reflexões de Libâneo (2002), é possível compreender que o
supervisor necessita desenvolver dentro do espaço escolar uma visão crítica
e construtiva do seu fazer pedagógico, trabalhando de forma coesa e articulada
com os diretores escolares e coordenadores pedagógicos. Esta articulação
possibilitará a melhoria da qualidade de ensino e da aprendizagem.
Acreditamos que se a escola almeja atingir bons resultados na
aprendizagem dos educandos, necessita planejar, avaliar e aperfeiçoar suas
ações pedagógicas, para que o processo educacional seja de qualidade. Estas
ações são algumas das diversas funções do supervisor escolar, as quais
devem garantir para a escola resultados positivos e mobilizar toda a
comunidade escolar para participar ativamente na tomada de decisões
referentes à organização do ensino no seu Projeto Político-Pedagógico.
Isso nos remete entender que o supervisor escolar deverá desenvolver
seu fazer pedagógico objetivando o aperfeiçoamento dos educadores que
atuam no espaço escolar, valorizando os diferentes saberes e as suas
contribuições para o planejamento de ações pedagógicas, respeitando a
personalidade de cada um. Isso exige do supervisor escolar uma constante
avaliação do seu desempenho profissional, conduzindo-o a busca de uma
formação continuada.
Outro fator importante com relação ao papel do supervisor está ligado à
análise do planejamento do currículo escolar, sendo que este deve ser
acompanhado desde a sua execução dando ênfase na avaliação contínua, isso
reforça a necessidade, segundo Lück (2008, p. 20) na "somatória de esforços e
ações desencadeadas com o sentido de promover a melhoria da qualidade do
processo ensino-aprendizagem".
Neste processo de promoção o supervisor deve conhecer o
funcionamento da educação escolar, suas relações com o contexto histórico-
social e o desenvolvimento humano, seus níveis e modalidades de ensino.
Além disso, precisa conhecer também:
                     Os fundamentos teóricos que dão sustentabilidade no ensino e na
aprendizagem;
                     os princípios e valores norteadores da prática pedagógica;
                     as normas e diretrizes que orientam todos os níveis e modalidades de
ensino;
                     socializar e conduzir as práticas pedagógicas e as possíveis
interferências no cotidiano escolar;
                     promover a autonomia da instituição escolar envolvendo a comunidade;
priorizar pela formação continuada dos educadores valorizando-os através de
um trabalho coletivo respeitando as especificidades pessoais de todos os
participantes.
Fica evidente que muitas são as atribuições que o supervisor deve
desempenhar para qualificar o trabalho pedagógico que desenvolve dentro da
escola onde atua. Este desempenho se justifica através de ações motivadoras
envolvendo o estímulo para que cada educador possa executar trabalhos com
a colaboração das demais pessoas, os quais devem ser valorizados com
objetividade, ética e diálogo.
O supervisor deve ser capaz de interpretar as carências reveladas pela
sociedade, direcionando ações capazes de responder as demandas sociais,
culturais, econômicas e políticas que fazem parte de uma sociedade que está
em constantes transformações.
Então, faz sentido considerar que o supervisor diante dessas
transformações representa um dos principais responsáveis pela sobrevivência
e sucesso das instituições de ensino, pois sua competência é desenvolver um
trabalho pedagógico que visa o planejamento, a execução e a avaliação de
toda a organização dos conhecimentos.
A educação é um processo contínuo e permanente que exige cada vez
mais dos profissionais da educação um compromisso que atenda as exigências
de uma sociedade que está evoluindo rapidamente em todos os setores. Isso
representa a necessidade da implementação de uma postura renovada
envolvendo todos que compõem a estrutura organizacional de um sistema
educacional.
Sabe-se, no entanto, que o trabalho do supervisor depende do tipo de
gestão que a equipe gestora implementa na instituição escolar, pois o sucesso
da sua prática pedagógica depende da identificação dos diferentes interesses
políticos que perpassam a organização do ensino. Diante disso, a eficácia do
trabalho pedagógico do supervisor requer um compromisso de repensar formas
de planejamento de ações e estratégias que irão contribuir de forma articulada
com a realidade escolar tendo como premissa a nova visão de mundo e de
sociedade contemporânea.
É por isso, que o supervisor deve trabalhar de forma articulada com toda
a comunidade escolar para a construção de uma proposta coletiva de um
Projeto Político-Pedagógico. É este projeto que poderá garantir a sobrevivência
e o sucesso das instituições escolares.
Quando se fala de uma proposta coletiva na instituição escolar, entende-
se que as pessoas que nela atuam constituem-se o princípio essencial de sua
dinâmica, pois podem se posicionar de maneira cooperativa e diferenciada com
as demais pessoas, com outras organizações e no ambiente educacional em
geral.
A partir do exposto acima, constata-se que o todo processo
administrativo possuí políticas que sustentam a gestão educacional através de
um conjunto de atividades, ações e reestruturação de novos conceitos visando
à implementação de mudanças na qualidade educacional.
Para implementar mudanças na educação, Guimarães (2010), nos
sugere que este espaço que trata das questões educacionais precisa cultivar o
respeito mútuo entre seus membros, fortalecendo a construção de regras de
boa convivência entre as partes.

1.2. A ação do Supervisor Escolar


A escola trabalha numa organização sistêmica aberta, a fim de
conhecer, analisar e controlar o que se passa dentro da escola e direcionar as
inovações necessárias ao bom desempenho das suas funções. Em virtude
disso que a escola dispõe de profissionais com diferentes papeis, possibilitando
a interação e a troca de conhecimentos entre os membros da instituição.
É necessário que a escola trabalhe buscando uma prática coletiva, para
que os educadores, especialistas, pais e funcionários possam trabalhar juntos
e com isso estarem envolvidos com a escola. É necessário ter parceria, isso
contribuirá para o desenvolvimento da escola, possibilitando a comunidade
uma escola mais participativa, onde cada um deve se comprometer em atuar
na sua função com responsabilidade, pensando sempre no coletivo.
Em relação à divisão de trabalho que ocorre nas escolas e função da
supervisão escolar, observa-se que a liderança, e inspiração pedagógica,
tornaram-se próprias do supervisor escolar. Lück diz que o papel do supervisor
escolar “se constitui na somatória de esforços e ações desencadeados com
sentido de promover a melhoria do ensino aprendizagem [...]” (2001, p. 20).
 Percebe-se a necessidade da prática profissional da supervisão escolar
como aquele que coordena e controla da prática educativa a fim de assegurar
os princípios e as finalidades da educação
A ação do supervisor visa o professor, as ações concretizam-se em
reuniões, visitas, entrevistas, tudo o que pode contribuir para uma escola
organizada e de qualidade. De acordo com MEDINA:  
Cabe ao supervisor, elaborar o plano do setor de supervisão, a documentação do setor,
cronograma de atividades para a escola, as pautas das reuniões, controlar o horária dos
professores, e as aulas dadas e previstas na grade curricular, realizar levantamentos
estatísticos de rendimento dos alunos, organizar o mural da escola, controlar o preenchimento
do diário escolar dos professores, providenciar substituição dos professores nos casos de
absenteísmo, confeccionar material didático para os professores e entre outras [...] (1997.
p.19).

Atualmente, a ação do supervisor não é vista mais como uma ação de


autoritarismo e poder, o supervisor tem a função de auxiliar os professores e se
colocar a disposição da escola no que for preciso, e construir através do seu
trabalho um ambiente escolar mais organizado e cooperativo, onde todos se
ajudam, independente do cargo que ocupa.
O supervisor leva consigo no seu trabalho, princípios, conceitos e
valores que fizeram parte de sua formação, fatores estes, que podem contribuir
para uma discussão coletiva dentro da escola. Entretanto, pode-se avaliar a
ação do supervisor na escola, e perceber como é importante e fundamental
para a mesma poder contar com esse profissional, pois o seu trabalho de
cooperação e integração contribui para uma escola mais participativa,
organizada,e articulada com os professores, alunos e a comunidade.

2 Alguns aspectos historico da supervisão :


Analisando as contribuições e as ações do supervisor escolar, cabe
ainda lembrar que esse profissional terá que estar preparado para promover
cursos, formação continuada, seminários e encontros pedagógicos, para que o
professor através dessas ações possa dominar os instrumentos necessários
para o desempenho competente de suas funções, e seja capaz de te matizar a
própria prática, refletindo criticamente a respeito dela.
Essa reflexão fará o professor valorizar o saber que produz em seu trabalho
cotidiano, empenhando-se no seu próprio aperfeiçoamento, e terá a
consciência de sua dignidade como ser humano e a consciência de sua
identidade como profissional da educação.
Enfim compete ao supervisor trabalhar junto com o corpo docente e
discente, no sentido de tornar dinâmica a proposta pedagógica assumida e
vivenciada por todos os participantes da escola. Todo o serviço de supervisão
escolar deve ter desempenho participativo, articulando toda a escola de forma
organizada em torno dos propósitos e da filosofia da escola, para tanto, "a ação
supervisora deve assumir um caráter praxiológico, Conforme Lima (2008, p.3)
O desafio que a escola enfrenta atualmente exige dos profissionais da
educação, como é colocado o supervisor, uma competência técnica e política
que o habilita a participar da construção da autonomia escolar construída a
partir da autonomia garantida pela lei, isso faz com que na discussão do
trabalho pedagógico abram-se amplas perspectivas que estimulam e
asseguram a participação de todos.
Por certo, este profissional hoje é um dos membros da equipe gestora,
devendo, portanto, apoiar e orientar o fazer pedagógico a partir da análise
crítica da proposta pedagógica da escola compreendendo os problemas e,
sobretudo, articulando soluções para os mesmos.
Procurando conhecer todas as possibilidades que possa auxiliar no
desenvolvimento de um ensino e de uma aprendizagem em que a criatividade
e a interação sejam as principais características. Nessa abordagem, Medina
(1997, p. 32), refere-se dizendo:
Considerando as características próprias do professor, o supervisor
desenvolve com ele as formas possíveis de controlar o processo de ensinar e
do aprender. Ao abdicar do seu poder e controle sobre a prática docente, o
supervisor é capaz de assumir uma postura de problematizador do
desempenho docente, tornando-se um parceiro político-pedagógico do
professor que contribui para integrar e desintegrar, organizar e desorganizar o
pensamento do professor num movimento de participação contínua, no qual os
saberes e conhecimentos se confrontam.
Medina também mostra que há um espaço possível de ser ocupado pelo
supervisor no interior da escola em função do seu real objeto de trabalho
envolvendo a ação dos professores. Esta ação requer do supervisor capaz de
alterar positivamente, o processo educativo". (MENDES, 1985, p. 17).
O supervisor é visto no contexto educacional brasileiro atual como sendo
um instrumento minimizador de problemas qualitativos referentes ao sistema
escolar e também como um acionador dos mecanismos capazes de elevar
quantitativa e qualitativamente a qualidade educacional do sistema de ensino
como um todo.
O trabalho do supervisor educacional deve ser orientado pela concepção
libertadora de educação, exige um compromisso muito amplo, não somente
com a comunidade na qual se está trabalhando, mas consigo mesmo". Trata-
se de um compromisso político que induz a competência profissional e acaba
por refletir na ação do educador, em sala de aula, as mudanças almejadas.
Todavia, a tarefa do supervisor é muito difícil de ser realizada, exige
participação para a integração em sua complexidade. (PASSERINO, 1996 p.
40).
Medina (1997, p.75) argumenta que nesse processo, o professor e
supervisor têm seu objeto próprio de trabalho: o primeiro, o que o aluno produz;
e o segundo, o que o professor produz. O professor conhece e domina os
conteúdos lógico-sistematizados do processo de ensinar e aprender; o
supervisor possui um conhecimento abrangente a respeito das atividades de
quem ensina e das formas de encaminhá-las, considerando as condições de
existência dos que aprendem (alunos).
Acredita-se que o Supervisor Escolar tem a possibilidade de transformar
a escola no exercício de uma função realmente comprometida com uma
proposta política e não com o cumprimento de um papel alienado assumido.
Deve antes de tudo, estar envolvido nos movimentos e lutas justas e
necessárias aos educadores. Semear boas sementes, onde a educação se faz
presente e acreditar veemente que estas surtirão bons frutos
.
2.1. A Metodologia de Ensino e Aprendizagem:
Compreende-se que o planejamento de um currículo escolar é um
processo contínuo em que se desenvolvem materiais e procedimentos
técnicos, metodológicos e se avalia os resultados do ensino e da
aprendizagem, verificando se as práticas pedagógicas estão coerentes com os
pressupostos teóricos que a escola assume com relação à concepção de
homem, de mundo e de sociedade.
Assim, analisando a metodologia de ensino que a escola defende no seu
Projeto Político-Pedagógico observa-se que o fazer pedagógico dos
educadores deve priorizar uma aprendizagem com sentido e significado, na
qual os conteúdos sejam articulados com as experiências de vida dos
educandos.
Verifica-se também no Projeto Político-Pedagógico, que os conteúdos
devem envolver as diferentes áreas do conhecimento, fundamentados na
proposta da pedagogia Crítico Social dos Conteúdos. Acreditamos que a teoria
Crítico-Social dos conteúdos representa uma possibilidade de a escola
redimencionar a educação através da articulação de conhecimentos e
conteúdos, os quais podem valorizar as múltiplas experiências dos educandos
(Libâneo, 1985).
Uma metodologia de ensino voltada para a aprendizagem de novos
saberes, deve envolver a reconstrução de novos conceitos através de um
processo de reflexão-ação-reflexão. Isso significa que a supervisão escolar
poderá contribuir com a gestão da educação, para que a escola possa
acompanhar, avaliar e apoiar o Projeto Político-Pedagógico, pois conforme
Polato (2010, p. 23), "A gestão da educação exige planejamento,
estabelecimento de metas, manutenção de recursos e avaliação".
2.2. As Transformações Sociais e Políticas e o Desenvolvimento do Papel
do Supervisor
 As transformações no campo educacional se intensificaram em meados
do século XX, logo, a sociedade se organiza em prol de uma educação onde as
classes menos favorecidas pudessem estar inseridas no processo educativo.
Então, a partir da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB – Lei
4.024/61, as Transformações no campo educacional, social e político, tiveram
base filosófica para caminhar; após dez anos surgiu outra reforma na área
educacional que foi com a segunda LDB – 5.692/71; que veio oficializar a
função do Supervisor escolar na lei. E a terceira Lei é vigente, 9.394/96 que dá
respaldo para a função do Supervisor no art. 64 – "A formação de profissional
de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e
orientação educacional para educação básica, será feita em cursos de
graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação à critério da instituição
de ensino, garantida nesta formação, a base comum nacional."
Os aspectos socioeconômicos e políticos influenciaram a ação
supervisora por toda a história educacional. Apesar de ter sido reconhecida
oficialmente pela LDB de 1971, a idéia de supervisão tem origem no período
colonial, quando foi organizado o primeiro sistema educacional brasileiro. No
entanto, as conquista no âmbito educacional vieram contribuir para a reflexão
do papel social e político do supervisor, atribuindo-lhe mais responsabilidade
para desenvolver suas habilidades e competências. Portanto, cabe ao mesmo
supervisionar de forma prática o processo ensino-aprendizagem, visando
competência técnica, política, teórica e humana.
Visto que, a sociedade atual vive veiculada ao mundo globalizado onde
a velocidade da informação é ingerida de forma imediata, com isso o supervisor
tende a desenvolver seu papel no âmbito escolar valorizando o conjunto de
idéias e valores, como também questionando acerca da reflexão teórica e
prática. Entretanto, para refletir sobre a supervisão educacional, é necessário
compreender os compromissos que deram sustentabilidade em sua trajetória
no campo político e administrativo da educação.
Sobre as transformações sociais e políticas, como ressalta Ferreira
(2007, p. 327):
Como prática educativa ou como função, a supervisão educacional, independentemente de
formação especifica em habilitação no curso de Pedagogia, constituiu-se num trabalho escolar
que tem o compromisso de garantir a qualidade do ensino, da educação, da formação humana.
(...). Não se esgota, portanto, no saber fazer bem e no saber o que ensinar, mas no trabalho
articulador e orgânico entre a verdadeira qualidade do trabalho pedagógico que se tornará mais
verdadeiro em seus compromissos humanizadores, quando expressar e servir de pólo-fonte de
subsídios para novas políticas e novas formas de gestão na intensidade espaço-temporal de
transformações que a "era da globalização" ocasionou.

     Então, percebe-se que as transformações sócio-políticas contribuíram


para o fortalecimento do papel do supervisor e seu desenvolvimento que é
fundamental no processo educacional; haja vista que etimologicamente,
supervisor significa "visão sobre", e sua origem traz o viés da administração,
que a designa como gerência para controlar o executado; já na educação,
passou a ser exercida como função de controle no processo educacional.
(Ferreira, 2007, p. 238).
            Para tanto, deve-se ressaltar que o supervisor educacional
exercia sua função como controlador do processo de produção, fiscalizando os
recursos que o professor supostamente trabalharia em sala de aula e também
fiscal de cadernetas – diários de classe – era mais um supervisor burocrático.
Já nos dias atuais, o supervisor é o articulador do Projeto Político-Pedagógico
da instituição, sistematizando e integrando o trabalho conjunto por meio da
interdisciplinaridade.

2.3. O PAPEL DO SUPERVISOR E A PRÁTICA PEDAGÓGICA


  Libâneo, (2002, p. 29,30) ressalta a importância da prática pedagógica
para educadores e implica vários conceitos empíricos para tal prática; sendo
que formalmente considera-se o "pedagógico" como um dos processos
educativos, metodológicos ao modo de ensinar. Desse modo, percebe-se que é
um campo de conhecimento que trata sobre a problemática educacional
visualizando sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz
orientadora da ação educativa.
Portanto, o supervisor constitui-se em um agente de mudanças,
facilitador e mediador, oportunizando uma relação de harmonia entre os
interlocutores da instituição. Sua prática não deve está dissociada da teoria e
nem a teoria da prática. Conforme aponta a seguir Houssaye, citado por
Libânio (2002, p. 35):
Por definição, o pedagogo não pode ser nem um puro e simples prático
nem um puro e simples teórico. Ele está entre os dois. A ligação deve ser ao
mesmo tempo permanente e irredutível, porque não pode existir um fosso entre
a teoria e a prática. É esta abertura que permite a produção pedagógica. Em
conseqüência, o prático em si mesmo não é um pedagogo, é mais um utilizador
de elementos, de idéias ou de sistemas pedagógicos. Mas o teórico da
educação; pensar o ato pedagógico não basta. Somente será considerado
pedagogo aquele que fará surgir um "mais" na e pela articulação teoria e
prática na educação.   
              
  Conclusão:
Acredita-se que o Supervisor Escolar tem a possibilidade de transformar
a escola no exercício de uma função realmente comprometida com uma
proposta política e não com o cumprimento de um papel alienado assumido.
Deve antes de tudo, estar envolvido nos movimentos e lutas justas e
necessárias aos educadores. Semear boas sementes, onde a educação se faz
presente e acreditar veemente que estas surtirão bons frutos.
A caracterização da Supervisão precisa ser definida e assumida pelo
Educador e pelo Supervisor. É uma opção que lhe confere responsabilidade e
a tranquilidade de poder. O Supervisor Educacional deverá ser capaz de
desenvolver e criar métodos de análise para detectar a realidade e daí gerar
estratégias para a ação; deverá ser capaz de desenvolver e adotar esquemas
conceituais autônomos e não dependentes, diversos de muitos daqueles que
vem sendo empregados como modelo, pois um modelo de Supervisão não
serve a todas as realidades.
O Supervisor possui uma função globalizadora do conhecimento através
da integração dos diferentes componentes curriculares. Sem esta ação
integradora, o aluno recebe informações soltas, sem relação uma das outras,
muitas vezes inócua.
Para que o conhecimento ganhe sentido transformador para o aluno é
necessário ter relação com a realidade por ele conhecida, e que os conteúdos
das diferentes áreas do conhecimento sejam referidos à totalidade de
conhecimento.
Assim, acredita-se que uma das funções específicas do Supervisor
Escolar é a socialização do saber docente, na medida em que há ela cabe
estimular a troca de experiências entre os professores, a discussão e a
sistematização de práticas pedagógicas, função complementada pelos órgãos
de classe que contribuirá para a construção, não só de uma teoria mais
compatível à realidade brasileira, mas também do educador coletivo.
Lembrando que não cabe ao supervisor impor critérios ou soluções,
cabe-lhe sem dúvida, ajudar na construção da conscientização necessária da
luta para uma educação libertadora.

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Carlos da Fonseca. LDB passo a passo: Lei de Diretrizes e Bases


da Educação Nacional (Lei nº 9394/96), comentada e interpretada, Artigo por
Artigo. 3 ed. atual. São Paulo: Avercamp, 2007.
BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Parâmetros Curriculares Nacionais.
Ensino Fundamental / Ministério da Educação e Cultura. Brasil: Brasília, 1998.

FARIA, Elaine Turk; DALMONICO, Helena. Supervisor Escolar: Principais


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[1] Graduação Licenciatura em pedagogia, Especialização em  Supervisão e Orientação Educacional pelo


centro Universitário Barão de Mauá, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. E-mail do autor:
karinamelos@hotmail.com.br. Orientador

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