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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA


CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

MARCO ANTONIO MINOZZO GABRIEL


PROF.º ORIENTADOR AGOSTINHO CELSO ZANELO DE AGUIAR

REVITALIZAÇÃO DE EIXO DO BAIRRO REBOUÇAS ATRAVÉS DA


INSERÇÃO DE CENTRO DE ARTES/MIDIATECA

CURITIBA
2010
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MARCO ANTONIO MINOZZO GABRIEL

PESQUISA PRELIMINAR- REVITALIZAÇÃO DE EIXO DO BAIRRO


REBOUÇAS ATRAVÉS DA INSERÇÃO DE CENTRO DE ARTES/MIDIATECA

Pesquisa Teórica Final de TFG apresentada


ao curso de Arquitetura e Urbanismo da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná,
Como requisito à obtenção do título de
Arquiteto e Urbanista

Orientador: Profº Agostinho Celso Zanelo de Aguiar

CURITIBA
2010
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO..............................................................................05
2. O OBJETO/JUSTIFICATIVA CONCEITUAL...............................06
2.1 O OBJETO E O LOCAL ESCOLHIDO ........................................06
2.2 AS CARACTERÍSTICAS DO BAIRRO REBOUÇAS ...................06
2.3 O PLANO AGACHE, O IPPUC E A CIC ......................................08
2.4 A SIT. ATUAL= FLOATING ZONES E BROWNFIELDS..............10
2.5 O COMPARTIMENTO NOVO REBOUÇAS.................................14
2.6 O NÓDULO PROBLEMÁTICO.....................................................15
2.7 PROGNÓSTICO...........................................................................17
2.8 A RENOVAÇÃO DA IMAGEM DO BAIRRO REBOUÇAS...........18
3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS ....................................................19
3.1 A CIDADE DE BILBAO E O MUSEU GUGGENHEIN..................19
3.2 CENTRO DRAGÃO DO MAR DE ARTE E CULTURA ............... 21
3.3 CENTRO DE ARTE E ENSINO EM GUARULHOS......................24
3.4 COMPLEXO CULTURAL TEATRO DE DANÇA..........................27
3.5 CENTRO EXPERIMENTAL DE MÍDIA E ARTES........................29
4. O TERRENO E REGIÃO ESCOLHIDOS .....................................32
4.1 LOCALIZAÇÃO /FUNÇÃO / ZONEAMENTO/ PARÂMETROS
CONSTRUTIVOS...............................................................................32
4.2 LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO DA ÁREA ...........................35
4.3 ESTUDO DE VIABILIDADE ........................................................46
5. PROGRAMA, ORANOGRAMA E FLUXOGRAMA......................48
5.1 PROGRAMA ARQUITETÔNICO.................................................48
5.2 ORGANOGRAMA........................................................................49
5.3 FLUXOGRAMA............................................................................49
6. MATERIAIS/SISTEMAS CONSTRUTIVOS ................................50
6.1 A CRIAÇÃO DAS FORMAS DESEJADAS..................................50
6.2 O AÇO COMO REVESTIMENTO E COBERTURA.....................50
6.3 VENCENDO GRANDES VÃOS...................................................51
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SUMÁRIO

7. METODOLOGIA..........................................................................54
8. CONCLUSÃO.............................................................................55
9. BIBLIOGRAFIA...........................................................................56
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1. APRESENTAÇÃO

Este documento refere-se à Pesquisa Final do trabalho Final de Graduação


do curso de Arquitetura e urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná,
a ser desenvolvido pelo aluno Marco Antonio Minozzo Gabriel e orientado pelo
professor Agostinho Celso Zanelo de Aguiar.
A referente pesquisa serve como base sólida para o desenvolvimento do tema
proposto, uma vez que é um apanhado teórico/técnico acerca do mesmo, visando
enriquecer a visão do discente sobre o assunto e encaminhá-lo no decorrer do
trabalho.
A partir da pesquisa, surge uma linha de processo a ser seguida regularmente
a fim de se obter um resultado fundamento em conceitos cabíveis e exemplos
concretos, a partir do estudo de caso de projetos semelhantes, de onde é possível
criar um senso crítico capaz de reconhecer boas e más posturas em relação ao
tema trabalhado.
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2. O OBJETO /JUSTIFICATIVA CONCEITUAL

2.1. O OBJETO E O LOCAL ESCOLHIDO

O objeto a ser desenvolvido é a Revitalização de área urbana degradada


localizada no bairro Rebouças, em Curitiba, a partir da inserção de objeto
arquitetônico polarizador- uma Midiateca e Centro de Artes integrado. O objetivo é
propor a recaracterização da área a partir de trabalho arquitetônico, urbanístico e
paisagístico em conjunto, promovendo a renovação de área subutilizada da cidade e
sua conseqüente interligação com os outros bairros.
A midiateca/Centro de Artes será caracterizada pela presença de equipamentos
culturais diversos, como cinema, teatro, midiateca, espaço para o desenvolvimento
de cursos ligados às artes e a realização de eventos- numa forma de dinamizar e
polarizar a região em que está inserida, lhe conferindo valor e interesse econômico e
imobiliário.

2.2. AS CARACTERÍSTICAS DO BAIRRO REBOUÇAS DE ONTÉM E HOJE

O bairro Rebouças, em Curitiba é, desde 1884, data da inauguração da


Ferrovia, área caracterizada por atividades industriais em massa e que hoje
apresenta certa debilidade territorial, sofrendo com a atual conformação degradada
e subutilizada do ponto de vista da dinâmica da cidade.

Figura 01- Estação de trem em 1904


Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/pr-cur-paran/fotos/curitiba04.jpg
7

A partir da facilidade de transportes advinda da Instalação da Ferrovia, no


final do século XIX, a área desenvolveu-se como setor industrial de Curitiba. O plano
Agache, de 1943, transforma a região em “Centro Funcional Industrial” da capital,
um lugar destinado tanto à atividade industrial quanto à moradia da classe operária.

Figura 02- mapa do início do séc XX- Desenho da ferrovia e fábricas no bairro Rebouças
Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/pr-cur-paran/fotos/curitiba9501.jpg

Com o processo de industrialização no espaço urbano sendo um dos


principais motivadores de atividades econômicas urbanas, a reespacialização da
indústria, ou seja, sua deslocação pra outro ponto do meio urbano, provoca o
surgimento de compartimentos subutilizados nas cidades, que possivelmente
vivenciam processos de degradação, perda de valor imobiliário, abandono das
edificações e subutilização de infraestruturas urbanas.
Com a expansão demográfica e territorial da cidade de Curitiba, o bairro
Rebouças parece “perdido” em meio a um centro urbano desenvolvido e em
continuo processo de expansão. Na atual postura do Instituto de Planejamento
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urbano de Curitiba, o IPPUC, a massa concentrada de atividade industrial curitibana


foi deslocada para uma localização periférica, no que hoje é representado pela
Cidade Industrial, o CIC.

2.3. O PLANO AGACHE, O IPPUC E A CIDADE INDUSTRIAL DE CURITIBA

A Cidade Industrial de Curitiba, ou CIC, faz parte de um planejamento


estratégico iniciado em 1964, com a decorrência de um Plano Preliminar Urbanístico
desenvolvido pelo então recém criado IPPUC.
O plano Agache, que conferia o “status” de distrito Industrial para o Rebouças,
fez surgir a primeira lei de Zoneamento do solo de Curitiba, datada de 1953. O plano
previa crescimento radial, definição de áreas para habitação, serviços e indústrias,
reestruturação viária e medidas de saneamento.
A instalação do Instituto do Planejamento Urbano de Curitiba como
gerenciador do plano possuía como diretrizes básicas a hierarquização do sistema
viário, o zoneamento de uso do solo, a regulamentação dos loteamentos, a
renovação urbana, a preservação e revitalização dos setores históricos tradicionais e
a oferta de serviços públicos e equipamentos comunitários. Entretanto, devido ao
crescimento acentuado e fenômeno de Espalhamento Urbano ocorrido na cidade,
surge uma discussão a fim de garantir um novo espaço industrial para Curitiba, uma
vez que o bairro Rebouças fora “engolido” pela mancha urbana em expansão.
Impulsionado também pela política nacional de descentralização industrial e
pela necessidade de alterar a dinâmica produtiva do país, baseada no setor primário
(agrícola), lançou-se, em 1973, o projeto da CIC – Cidade Industrial de Curitiba. A
CIC foi instalada na região oeste de Curitiba, a 10 quilômetros do centro. Seus 43.7
milhões de m2 correspondem a 10% da extensão territorial total da cidade. Foram
oferecidos incentivos fiscais, como isenção de ICM e IPTU e áreas com
financiamento direto e de longo prazo,.além de incentivos físicos, como serviços de
demarcação de áreas e terraplanagem. O período mais intenso de industrialização
ocorreu na década de 90, quando cerca de 60% das empresas iniciaram suas
atividades.
Praticamente toda a infra-estrutura urbana foi adaptada para proporcionar
condições adequadas à nova organização espacial exigida para o bairro que, hoje,
concentra o maior número de indústrias do município, além de ser o mais populoso
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de Curitiba com cerca de 175 mil habitantes, ou seja, aproximadamente 10% do


município.

Figura 03- Cidade Industrial de Curitiba


Fonte: http://cidadesdobrasil.com.br/img_cn/IMG17-76-151.jpg

Em 1975, a região do Rebouças passou a ser considerada Zona


Preferencialmente Comercial. Esta zona é uma delimitação que foge aos limites do
bairro e é chamado de Compartimento Rebouças, abrangendo áreas de bairros
vizinhos.

Figura 04- Cidade Industrial de Curitiba


Fonte: HASENHAUER ZAITTER, BRUNO AUGUSTO- Potenciais para a Revitalização de
Espaços Industriais pretéritos: Caso Rebouças em Curitiba/PR, 2009.
10

2.4. A SITUAÇÃO ATUAL= FLOATING ZONES E BROWNFIELDS

Mesmo com a mudança no zoneamento da cidade e a atual política de


revitalização do bairro caracterizada pelo programa “Novo Rebouças”, a localidade
ainda tolera estabelecimentos industriais que ocupam quadras inteiras,
principalmente na porção próxima à estação ferroviária da cidade e apresenta
terrenos vazios ( por sua localidade central, o valor de terreno é alto, mas a falta de
atrativos da região desestimula o mercado imobiliário) e espaços subutilizados- as
chamadas floating zones, segundo Bruno Zaitter, em sua tese de mestrado intitulada
Potenciais para revitalização de espaços industriais pretéritos: Caso Rebouças em
Curitiba/PR ,de 2009, caracterizadas majoritariamente por grandes espaços nos
quais ainda não houve a migração completa funcional de uso industrial desejado
pelo Plano Agache e o uso de comércio, serviço e lazer desejado pelo Projeto Novo
Rebouças.

Figura 05- Floating Zone no Bairro rebouças


Fonte: acervo do autor
A situação atual do bairro também fez surgir áreas denominadas Brownfields,
termo em inglês que pode ser traduzido literalmente para campos marrons ou áreas
marrom-escuro.A definição para este termo está presente na lei pública norte-
americana 107-118 (H.R.2869) e refere-se a instalações industriais ou comerciais
abandonadas, ociosas e subutilizadas cujo “redesenvolvimento” é complicado devido
contaminação real ou percebida, mas que tem um potencial ativo para reuso.
Amanda Ramalho Vasques, doutoranda em Geografia pela Universiade de
São Paulo(USP), em seu artigo intitulado O Processo de Formação e
Refuncionalização de Brownfields nas cidades Pós-Industriais: o caso do Brasil, cita
que a ocorrência destes espaços é um fenômeno natural dentro de um tecido urbano
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que evolui. Amanda ainda avalia que, historicamente, com a passagem de uma
economia industrial para uma economia pós-industrial, as paisagens foram
marcadas por esses terrenos, herança decorrente do fechamento de indústrias no
período da desindustrialização.
O resultado destas mudanças é registrado no abandono a que vão sendo
fadadas as indústrias, empresas e terrenos no atual período pós- industrial. A
desativação ou subutilização gerou paisagens acinzentadas com a degradação
física e desvalorização, onde a ociosidade sugere atividades menos importantes e o
resultado final é uma economia local estagnada.
Ainda de acordo com a autora, o que contribuiu para a formação de
brownfields no caso específico do Brasil é a exurbanização das atividades
industriais(centro-periferia). Com o crescimento natural das cidades, as atividades
ligadas ao terceiro setor foram gradualmente deslocadas para as margens, uma vez
que as mesmas são fator de poluição, ruído e tráfego intenso latente. Mesmo
assim,ainda permanecem brownfields isolados em áreas centrais que fragmentam o
tecido urbano.
Novamente Bruno Zaitter discorre que, apesar da maleabilidade do espaço
estudado em absorver equipamentos comerciais, institucionais e de lazer, uma vez
que, segundo ele, 28% da área do bairro é utilizada para fins comerciais e 21 %
como atividade institucional , o plano Novo Rebouças não foi bem sucedido por não
conseguir transformar a imagem do bairro .Apesar dos esforços, a área total do
bairro utilizada para fins residenciais é de apenas 3,5%,sendo um grande indicativo
de que a região é preterida para atividades que são consideradas desejáveis para o
centro de uma Capital de Estado.

Tabela 01- Indicativo de áreas do Bairro Rebouças.


Fonte: HASENHAUER ZAITTER, BRUNO AUGUSTO- Potenciais para a Revitalização de
Espaços Industriais pretéritos: Caso Rebouças em Curitiba/PR, 2009.
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Figura 06- Indicativo gráfico dos usos do Bairro Rebouças.


Fonte: HASENHAUER ZAITTER, BRUNO AUGUSTO- Potenciais para a Revitalização de
Espaços Industriais pretéritos: Caso Rebouças em Curitiba/PR, 2009.

Fábio Duarte, em seu livro do Modelo à Modelagem, de 2007, fez uma


pesquisa para entender a imagem mental que os moradores de Curitiba têm sobre o
bairro Rebouças. O resultado é um recorte abstrato que não mostra a realidade
física do lugar, mas é um indicativo de como a região é entendida pela população. È
possível observar a característica marcante de bairro industrial, uma vez que a maior
mancha está relacionada justamente à área de terceiro setor do bairro. Também é
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possível perceber a ligação da imagem do bairro com as instituições de Ensino


superior ao seu redor.

Figura 07- Pesquisa da Imagem perceptiva dos moradores realizada por Fábio Duarte
Fonte: HASENHAUER ZAITTER, BRUNO AUGUSTO- Potenciais para a Revitalização de
Espaços Industriais pretéritos: Caso Rebouças em Curitiba/PR, 2009.

A caracterização deteriorada do bairro, juntamente ao envelhecimento dos


imóveis, concentração de trabalhos informais e a alteração do perfil socioeconômico
dos usuários e das atividades comerciais afastou empreendedores e moradores da
região.
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2.5. O COMPARTIMENTO NOVO REBOUÇAS

A partir de 2001, surge um plano de revitalização do bairro conhecido como


Novo Rebouças, uma realização da prefeitura Municipal em conjunto com o Governo
federal e que se destinava a revitalizar a imagem do bairro. O primeiro passo foi a
alteração de legislação do zoneamento a fim de permitir a instalação de residências
e equipamentos de lazer, como bares .
O projeto também previa alterar a infraestrutura urbana do local, melhorando
o sistema viário, criar escola de belas artes e promover festivais. O projeto também
tinha como ambição transformar o moinho Rebouças em equipamento cultural e
Restaurar o teatro Paiol, além de criar um eixo integrado com as Universidades
próximas e o centro da cidade.

Figura 08- A delimitação do Compartimento Novo Rebouças


Fonte: HASENHAUER ZAITTER, BRUNO AUGUSTO- Potenciais para a Revitalização de
Espaços Industriais pretéritos: Caso Rebouças em Curitiba/PR, 2009.
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Apesar de todo o esforço e marketing utilizados para o programa, pouco foi


alcançado pelo projeto, que teve vários estabelecimentos fechados ou com mudança
de uso logo após o início das reformas.
Segundo Bruno, o plano Novo Rebouças peca por não entender que ainda
existe uma dinâmica industrial ativa na localidade, que ainda se beneficia da
localização valorizada e que não facilmente seria transportada para outro lugar.
Apesar do constante esforço em instalar equipamentos institucionais e de lazer no
local, a imagem de “bairro industrial” da localidade impede quase que
psicologicamente a mudança.

2.6. O “NÓDULO” PROBLEMÁTICO

Apesar da dinâmica industrial ativa citada por Zaitter, é impossível negar que
a região tornou-se um nódulo problemático, um “câncer” no grande centro curitibano-
tendo em vista o olhar econômico, cultural e social que a contemporaneidade aborda
sobre centros de grandes cidades. A pouca presença de moradores evidencia ruas
desertas ou pouco movimentadas a pé, cercadas por uma imagem cinza e suja,
caracterizada pela impermeabilidade do solo e pelos grandes muros antigos das
fábricas, além de construções degradadas e de pouco interesse arquitetônico.
Os poucos edifícios de interesse arquitetônico e cultural, como é o Teatro
Paiol, por exemplo, não foram suficientes para sustentar o programa da prefeitura-
talvez pela imagem do bairro, talvez pela utilização parca e pouco interessante. O
mesmo teatro Paiol funciona apenas quando é alugado ou serve como endereço
para atividades culturais promovidas pela prefeitura. De qualquer forma, o espaço
permanece fechado e ocioso na maior parte do tempo.- transformando-o em uma
escultura imóvel e distante sobre o olhar dos motoristas e transeuntes .
Finalmente, a imagem abandonada e pouco movimentada do bairro
Rebouças dá margem para o desenvolvimento de atividades ilícitas, como
prostituição, assaltos e venda de drogas.
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Figura 09- As várias identidades do Bairro Rebouças- Sobreposição de mapas


Fonte: HASENHAUER ZAITTER, BRUNO AUGUSTO- Potenciais para a Revitalização de
Espaços Industriais pretéritos: Caso Rebouças em Curitiba/PR, 2009.
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2.7. PROGNÓSTICO

Sem novas intervenções, o bairro Rebouças está fadado a permanecer como


área em processo de transição lento entre a característica industrial e
comercial/residencial. Apesar de a região estar sobre o processo do projeto do Novo
Rebouças, a mudança ainda é muito tímida, com poucos empreendimentos.
Além disso, no decorrer dos 10 anos do programa, muitos estabelecimentos
recém inaugurados foram fechados por falta de público, uma constante numa região
praticamente semi deserta da cidade de Curitiba.
A falta de segurança na região é um fator de risco para o futuro do bairro.
Num cenário cercado por muros de fábricas, a falta de circulação de pedestres gera
problemas comuns em áreas degradadas, como prostituição e venda de drogas,
além de assaltos e roubos.

2.8. A RENOVAÇÃO DA IMAGEM DO BAIRRO REBOUÇAS

Levando em consideração os tópicos abordados, há uma necessidade latente


de renovação da imagem do bairro, baseado em bons projetos urbanísticos,
paisagísticos e arquitetônicos que dinamizem a região e a incluam na dinâmica da
cidade. Este tipo de planejamento é usual e já foi utilizado em várias partes da
cidade, simbolizados por obras arquitetônicas de importância artística e cultural,
como é o caso do Jardim Botânico, a Ópera de Arame ou mesmo os inúmeros
parques que surgiram a partir dos anos 90, como cita Fernanda Ester Sanchéz
Garcia em seu livro Cidade Espetáculo: Política, Planejamento e City Marketing
(1997). Segundo a autora, a construção de marcos de identidade e sua incorporação
à positividade da metrópole curitibana indicam a canalização dos esforços de
renovação urbana mediante a aplicação de investimentos no lazer, na cultura e na
celebração de eventos.
Ainda segundo ela, a coerência da linguagem arquitetônica para os casos
citados constitui-se em premissa básica para o alcance da unidade de significados
necessária à criação de uma nova imagem sintética.
Finalmente, a autora discorre que a forma de apropriação de espaços
culturais, enquanto síntese do padrão de vida coletiva veiculada pelo marketing,
respondem, dentro das expectativas, os valores culturais fortemente associados ao
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estilo de vida das camadas médias. A capacidade de “capturar” este setor da


sociedade reside na evidente adequação entre as significações dos novos espaços
e o sistema de representação dos cidadãos- seus consumidores.
Em resumo, a necessidade de bons elos arquitetônicos e urbanísticos do
bairro Rebouças, além da possibilidade da instalação de grandes e ousadas obras
devido a abundância de grandes terrenos pode transformar a região em novo pólo
de desenvolvimento do Centro Curitibano e o ressurgimento de áreas antes
abandonadas e pouco interessantes. O Projeto a ser desenvolvido a partir desta
reflexão tem exatamente essa intenção.

Figura 10- Charge de Gary Lieber relacionando a mudança de perfil do bairro Meatpacking
District em Nova York. De ilha indígena para área de industrial processamento de frios, seguindo para
região degradada e gueto de prostituição. Por fim, o Meatpacking District como endereço de luxo
nova iorquino após a revitalização urbana.
Fonte: http://newyork.seriouseats.com/images/20080603meatpacking.jpg
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3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS

3.1 A CIDADE DE BILBAO E O MUSEU GUGGENHEIM

Bilbao é uma cidade na Espanha que se estruturou comercialmente na


atividade marítima e mercantil que, até a década de 1970, representava um marco
cultural na vida daquele país, uma vez que essa era a principal atividade comercial
manufatureira da Espanha.
Com o declínio da indústria em meados da década de 1980, Bilbao viu sua
estrutura portuária tornar-se obsoleta e subutilizada, criando um contexto de
abandono e desaparecimento da população.
Entre 1989 e 1992, surgiu um plano de revitalização para a área que
integrava urbanismo, transporte e meio ambiente e aproveitava a estrutura
subutilizada para melhorar a qualidade de vida da cidade, ainda concentrada na
navegabilidade do rio Nervíon, criando uma rede intermunicipal que, além de
estabelecer uma relação física entre cidades, proporcionou um pano de fundo para a
criação da nova economia da região.
O projeto nomeado BILBAO-RÍA é a realização de um grande plano de
inserção econômica, integração européia, integração regional e turística que
constituiu um novo nicho econômico e atual base da economia da região.
No local onde se abrigavam os estaleiros, o porto e as indústrias, localiza-se
hoje o Museu Guggenheim, cuja edificação foi o projeto âncora da revitalização do
local. A arquitetura estilizada junto a um programa variado que relaciona lazer,
cultura, área comercial e espaços verdes , além de assumir o rio como mais um
atrativo para a sociedade e não como uma barreira física entre dois lados do
município fez ressurgir a região no contexto do País e do Mundo.
Outras zonas industriais da cidade foram transformadas em áreas
residenciais e parques, evidenciando um novo intuito imobiliário que trouxe a área
novamente à tona.
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Figura 11- Nova Configuração da Cidade de Bilbao


Fonte:http://www.infotop.es

Figura 12- Museu Guggenheim, marco da transformação da cidade de Bilbao


Fonte:http://www.barcelona.theoffside.com
21

3.2 CENTRO DRAGÃO DO MAR DE ARTE E CULTURA: PROJETO DE


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA ÁREA PORTUÁRIA DE FORTALEZA, NO CEARÁ.

O Projeto do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura foi uma iniciativa da


Secretaria de Cultura do Estado do Ceará visando servir de âncora para uma
estratégia de inserir Fortaleza na economia globalizada, criando um espaço
“memorável” capaz de contribuir para a recuperação do espaço público da cidade e
atuar como um catalisador da requalificação da antiga área portuária.
A área onde o projeto foi implantado, chamada Prainha, foi por muitos anos
relacionada ao antigo porto de Fortaleza. Em meados da década de 1920, o porto,
recém reformado, teve sua área leste, conhecida como Praia do Peixe e
posteriormente como Praia da Iracema, tomada pelas classes mais altas e tornou-se
ponto de encontro e diversão. O local passou a ser ocupado por casas de veraneio
da elite.
Na década de 1940, as obras do novo porto provocaram o avanço das marés
e a destruição da faixa litorânea do bairro. Foi construído um extenso quebra-mar
para proteger a área de inundações, o que causou o abandono de muitos armazéns
e casas comerciais, além das casas de veraneio. Posteriormente, a área foi ocupada
por famílias de baixa renda e a maioria dos galpões manteve-se fechada em
processo de deterioração.
No entorno do ramal ferroviário existente, surgiu a Favela do poço da Draga,
constituída principalmente por famílias de pescadores.
No início da década de 90, a Praia de Iracema foi alvo de inúmeras
intervenções pelo governo do Estado, das quais se destacam a construção do
calçadão, a reconstrução do Estoril, com sua arquitetura de traços ecléticos, e a
reforma da antiga Ponte dos Ingleses.
A área, antes praticamente abandonada, tornou-se em centro cultural , de
turismo e de lazer da cidade de Fortaleza. Entretanto, apesar das mudanças na área
adjacente a praia, os espaços entre o velho cais e o centro antigo permaneciam
degradados, com pavimentação deficiente, sérios problemas de saneamento e
vários galpões desocupados e em ruínas.
Foi nestes lugares que a prefeitura decidiu instalar o Centro Cultural.. O
complexo, com área construída de cerca de 13500 m2, é formada por blocos
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interligados e distribuídos espaçadamente num terreno de 30000 m2. O programa


inclui Museu, Memorial da Cultura Cearense, duas salas para exposições
temporárias, lojas, teatro e salas de cinema.
O impacto sobre o entorno fez surgir atividades relacionadas à cultura , ao
lazer e ao turismo, principalmente, bares , restaurantes, galerias de arte e ateliês-
ajudando a consolidar a região como pólo turístico e cultural da capital do estado do
Ceará.

Figura 13- Centro antigo de Fortaleza Renovado


Fonte:http://www. lh4.ggpht.com

Figura 14- Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura


Fonte:http://www. blog.jangadeiroonline.com.br
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Figura 15- Implantação do Centro Cultural Dragão do Mar


Fonte: - HOWARD DE CASTILHO, ANA LUISA; COMIN VARGAS, HELIANA- Intervenções
em Centros Urbanos - objetivos, estratégias e resultados,2006.
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3.3. CENTRO DE ARTE E ENSINO EM GUARULHOS – BISELLI E


KATCHBORIAN ARQUITETOS

O projeto do Escritório Biselli e Katchborian Arquitetos para o bairro dos


Pimentas, zona carente de Guarulhos, na Grande São Paulo, surge para renovar
uma área basicamente residencial em que a maioria das casas é fruto da
autoconstrução.
Financiado com recursos da Secretaria da Educação municipal, a obra dá
continuidade à instalação de equipamentos semelhantes na cidade, começando pelo
Projeto do Centro de Educação Adamastor, desenhado por Ruy Ohtake.
A Obra que, segundo os próprios arquitetos, é uma mistura de Sescs, Centros
de Educação e CEU da prefeitura de São Paulo, abriga biblioteca, salas de música e
dança, auditórios e equipamentos esportivos como ginásio, quadras e piscina. A
obra também integra-se com o programa de uma Universidade Municipal logo em
frente ao complexo.
A obra é composta em um terreno de aproximadamente 300 metros de
comprimento por 90 metros de largura e possui uma grande cobertura de 250,com
vão de 20 metros e balanço de 5 para os lados. A cobertura é apoiada ora por
pilares independentes ora nos volumes laterais que abrigam quase todo o programa
do edifício. No sentido longitudinal, entre os apoios da cobertura, há uma treliça
metálica que vence vãos de 25 metros.
A cobertura possui duas funções. Ela protege a circulação que interliga todo o
programa, configurando uma espécie de rua coberta que dá continuidade ao passeio
público. Internamente, essa via é segmentada em diferentes ambientes e, “como é
muito comprida, há variações de espaços”, conta Biselli. Em alguns pontos, por
exemplo, trechos rebaixados definem áreas de estar. Os espaços são pontuados por
diferentes trechos da cobertura - em alguns momentos, por exemplo, ela permite a
entrada de luz. Apesar dessa variedade de materiais e desenhos de fechamentos
laterais externos, a cobertura é o elemento que unifica todo o edifício, sendo esta
sua segunda função.
Em contraposição, ambas as laterais são ocupadas por blocos
independentes. Com um ou dois pavimentos, diferentes tamanhos e fechamentos,
são eles que abrigam quase todo o programa. A singularidade dos usos está
expressa no desenho dos volumes, o que dá um ritmo interessante ao conjunto.
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Alguns deles, por exemplo, possuem estrutura pré-moldada, mas a maioria, ao


contrário do metal da cobertura, apresenta estrutura de concreto moldado in loco.
Na parte frontal, mais próximo da rua, ficam os ambientes destinados à cultura,
como a biblioteca. À medida que se caminha para o interior, vão surgindo os
espaços dedicados aos esportes. Na extremidade oposta à da entrada, a rua
coberta dá lugar ao ginásio, que possui capacidade para acomodar 800 pessoas
quando configurado para eventos esportivos (há a possibilidade de mudar as
acomodações para a realização de reuniões, por exemplo). Nessa porção final, a
cobertura assume outro desenho. Sem perder a continuidade do elemento linear que
configura, inclina-se para ganhar altura e acomodar o ginásio. No último trecho, volta
a inclinar-se, só que em direção ao chão, para apoiar-se diretamente no terreno.

Figura 16- Centro de Arte e Educação de Guarulhos. Pátio Central e Barras laterais que abrigam o
programa do edifício.
Fonte: - http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/biselli-e-katchborian-arquitetos-associados-
centro-de-01-04-2009.html
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Figura 17- Centro de Arte e Educação de Guarulhos. Vista interna do pátio Central
Fonte: - http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/biselli-e-katchborian-arquitetos-associados-
centro-de-01-04-2009.html

Figura 18- Centro de Arte e Educação de Guarulhos. Vista externa


Fonte: - http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/biselli-e-katchborian-arquitetos-associados-
centro-de-01-04-2009.html

Figura 19- Centro de Arte e Educação de Guarulhos. Vista frontal


Fonte: - http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/biselli-e-katchborian-arquitetos-associados-
centro-de-01-04-2009.html
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3.4. COMPLEXO CULTURAL TEATRO DE DANÇA – HERZOG E DE


MEURON

A construção do Complexo Cultural Teatro de Dança (dos Arquitetos Franco-


Suíços Jaques Herzog e Pierre de Meuron) no bairro da Luz, em São Paulo, vem
para somar forças junto ao Museu da Língua Portuguesa, de Paulo Mendes da
Rocha e a Sala São Paulo, de Nelson Dupré na luta contra a degradação do local,
representado pela Cracolândia, área de venda e consumo de drogas em plena rua
no centro da capital e que configura um dos maiores problemas urbanos paulistas.
"O conceito urbanístico é a base da arquitetura. É sempre importante ter programas
culturais para desenvolver cidades", disse De Meuron em relação à região escolhida.
Ainda em fase de projeto, o centro causou furor por ser fruto de um contrato
direto com um escritório internacional de arquitetura, sem ao menos concurso. A
idéia, segundo o secretário da Cultura do Estado de São Paulo, era causar
“escândalo” na arquitetura Brasileira e colocar o Brasil definitivamente na rota dos
Projetos Internacionais.
O conjunto, concebido como lâminas entrelaçadas que forma o edifício, tem
aproximadamente 95 mil metros de área e conta com três teatros: um para
apresentações de dança e ópera, com 1750 lugares; um destinado a teatro e
recitais, com 1600 assentos e outro experimental com 450 lugares.
A partir do lobby, é possível se dirigir mais de uma dezena de ambientes com
usos diferenciados. O conceito intrínseco ao projeto de Herzog & De Meuron foi
mesclar e combinar o máximo de atividades possível, transpondo para o edifício a
dinâmica da metrópole paulistana. O conjunto possui quatro pavimentos (e altura
média de 23 metros), dos quais não se consegue fazer uma leitura externa linear
nem definir uma hierarquia entre as fachadas. Uma abordagem possível é a de uma
praça suspensa, composta por um jogo de lâminas entrelaçadas nos dois sentidos,
que se integra às áreas verdes que a dupla propõe para o entorno.
A quadra abrangida pela intervenção é formada pela praça Júlio Prestes e
trechos da rua Helvétia e das avenidas Rio Branco e Duque de Caxias. Ainda
segundo Sayad, a intenção é criar um espaço cultural bem localizado e de fácil
acesso à população, próximo das linhas de metrô e trem.
28

Figura 20- Estudo preliminar do Edifício


Fonte: - http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/herzog-meuron-teatro-danca-sao-paulo-08-10-
2009.html

Figura 21- Perspectiva Artística do conjunto e seu entorno.


Fonte: - http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/herzog-meuron-teatro-danca-sao-paulo-08-10-
2009.html
29

3.5. CENTRO EXPERIMENTAL DE MÍDIA E ARTES – NICHOLAS


GRIMSHAW

A partir da Indagação “como conciliar, em um mesmo edifício, a perenidade


das artes dramáticas e musicais com o caráter transitório da mídia experimental?”, o
Arquiteto Americano Ncholas Grimshaw, a frente do escritório GRIMSHAW –
ARCHITECTS, concebeu um edifício para o Instituto Politécnico Rensselear- a mais
antiga Universidade de Tecnologia dos Estados Unidos, em Troy, no estado de Nova
Iorque, com programa que inclui sala de concertos, teatro, estúdios de artistas
residentes, salas de produção de audiovisuais e instalações para o público e para
estudantes.
A partir do conceito das câmaras acústicas dos instrumentos de corda,
Grimshaw criou uma Sala de Concertos em uma espécie de cápsula revestida em
madeira e que configura o elemento de destaque do edifício aliado ao átrio central
do projeto. O volume que se projeta para o exterior, continuação do invúlucro de
madeira, recebe o palco do espaço e a superfície envidraçada emoldura a vista do
Rio Hudson a partir da vista dos expectadores. Os estúdios e o teatro ficam num
espaço adjacente ao sul da construção.
Assim que adentram o edifício, os visitantes encontram-se no topo do átrio e
da circulação principal e, olhando para baixo, avistam o volume curvo da sala de
concertos, revestido com placas de cedro. O acesso ao auditório se dá por
passarelas elevadas que se estendem como pranchas náuticas. A fachada norte é
um pano de vidro, cuja transparência integra o interior do Empac ao entorno e
permite que a luz do dia se espalhe pelo átrio. Uma claraboia no coroamento do
prédio permite que a luz natural se projete na parede externa, revestida de cedro, da
sala de concertos. À noite, essa parede recebe iluminação de dentro do edifício e se
torna um ícone que identifica o centro de artes, visível a distância.
A sala de concertos foi desenhada para abrigar desde espetáculos de música
sinfônica e jazz até apresentações de cinema e dança, com som gerado
eletronicamente e projeção de vídeos. Ela tem configuração tradicional, como uma
longa e estreita sala feita de madeira e alvenaria, mas com formato ligeiramente
convexo, para favorecer a difusão do som. O item mais inovador desse espaço é o
teto, no qual painéis de tecido com espessura inferior a um milímetro são
30

sustentados por uma delicada teia de cabos de aço inoxidável. Criado


especialmente para a edificação, o tecido tem trama otimizada para gerar suave
reflexão dos sons de alta frequência e dar crescente transparência aos sons de
média e baixa frequências, oferecendo suporte acústico para os músicos e para a
plateia e, ao mesmo tempo, permitindo a reverberação. Esses painéis compõem um
elemento convexo de um lado a outro do ambiente e, quando iluminados, exibem
superfície ligeiramente brilhante.
O teatro recebeu tratamento ligeiramente menos formal que o dispensado à
sala de concertos, de forma que sua presença arquitetural se atenua quando se
acendem as luzes do palco. Este possui 40 x 80 metros e urdimento completo de 70
metros, com cabos controlados por computador. Equipamentos de alto padrão
atendem às companhias de teatro profissionais e oferecem recursos extraordinários
para artistas experimentais do Rensselaer e para os estudantes de artes cênicas. Já
os dois estúdios se contrapõem. O primeiro é uma autêntica caixa preta, com o
mínimo de acabamento arquitetônico, adequado para áudio e música, mas otimizado
também para visualização científica, performances com múltiplas imagens e dança.
O espaço físico imediato pode praticamente desaparecer com a projeção de vídeos
em todos os lados, sob um teto de 40 metros no qual uma grelha teatral visitável, no
alto, estende-se por toda a extensão da sala. O segundo estúdio, concebido para
dança e apresentações visuais, pode receber também de forma adequada recitais
de música e gravações. Ao contrário da caixa preta, sua concepção arquitetônica
tende para as luzes acesas. Nas paredes foram instalados painéis de difusão
acústica ajustáveis na cor marfim e grelha metálica no teto. Os espaços podem ser
usados simultaneamente e estão conectados com as áreas de produção e pós-
produção, aptas a receber e retransmitir sons e imagens de qualquer parte do
edifício. Para que isso aconteça sem interferência acústica, os principais ambientes
foram implantados em cascata no lote e construídos com fundações
individualizadas, superestruturas complexas independentes e isolamento acústico de
elevada tecnologia.
31

Figura 22- Vista Externa do edifício. Destaque para o volume curvo que compreende a sala de
concertos
Fonte: - http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/nicholas-grimshaw-centro-de-01-12-2009.html

Figura 23- Acesso a Sala de Concertos e vista Interna da mesma.


Fonte: - http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/nicholas-grimshaw-centro-de-01-12-2009.html
32

4. O TERRENO E REGIÃO ESCOLHIDOS

4.1 LOCALIZAÇÃO /FUNÇÃO / ZONEAMENTO/ PARÂMETROS CONSTRUTIVOS

O terreno escolhido para instalar o Centro de Artes/Midiateca refere-se a uma


quadra inteira localizada entre as ruas João Negrão, Conselheiro Laurindo, Av.
Getúlio Vergas e Rua Engenheiro Rebouças. Atualmente, esta quadra é utilizada
como subcentro de operação da Cavo, empresa de higienização urbana que
trabalha em Curitiba.

Figura 24- mapa do Bairro Rebouças com terreno escolhido circulado em vermelho
Fonte: IPPUC- http://www.ippuc.org.br
33

O terreno em si encontra-se cerca de 8,3% (819m2) ocupado por um


barracão de condições precárias e o restante é utilizado como pátio de máquinas.
Por se tratar de um serviço urbano de maquinário extensivo, a Cavo pode ser
relocada para outra área afastada do centro da cidade.
Considerando que o “cliente” da proposta Arquitetônica e Urbanística é a
própria Cidade de Curitiba, representada pela Prefeitura e pelo Ippuc, entende-se a
cessão do terreno como parte do processo de revitalização da área. Localizado em
área ZR-4, em princípio não haveria possibilidade de instalar equipamento cultural
no terreno proposto. Como se trata de uma revitalização da área com intenção de
novos usos, o zoneamento da região, a nível de trabalho acadêmico, será
modificado.
A quadra em questão localiza-se logo ao lado da quadra que contém o
edifício dos Correios e fábrica Matte Real. A localização dentro do bairro Rebouças é
especificamente a área industrial e degradada do bairro.
O terreno do projeto tem área exata de 9846,00m2 e é praticamente plano,
tendo apenas uma curva de nível de 1 metro atravessando sua área. O terreno em
questão foi escolhido por representar uma quadra completa, permitindo a construção
de uma obra admirável em 360 graus e um grande controle sobre a posição solar.
Por apresentar única função e atividade ligada a prefeitura, a desapropriação do
quadra tem um processo mais fácil.

Figura 25- Curvas de nível da região. Terreno destacado em roxo. Curvas mestras em
vermelho e curvas de 1 em 1 metro em preto.
Fonte: elaborado pelo autor
34

A testada para a rua João Negrão mede 142,70 metros. Já na rua


Conselheiro Laurindo, a testada é de 123 metros. Para a avenida Getúlio Vargas,
são 81 metros e finalmente para a rua Engenheiro Rebouças são 57 metros.
Segundo as leis de zoneamento, podem ser edificados seis pavimentos, com
taxa de ocupação de 50%, taxa de permeabilidade de 25 % e coeficiente de
aproveitamento 2- o que permite a construção de até 19692m2.
A área para trabalho de revitalização urbanística segue o eixo das ruas João
Negrão e Conselheiro Laurindo. Esta linha é um eixo natural em direção ao
Rebouças e apresenta várias qualidades ainda não exploradas. A boa largura das
vias e a área verde linear entre as duas a ser trabalhada como parque e interligada
com o Centro De artes /Midiateca são exemplos de vantagens . A área é bem
servida de transporte público e se valoriza do eixo cultural com as grandes
universidades nas suas proximidades.
A área a ser revitalizada conta com um trecho contido no bairro Prado Velho.
Por conter as mesmas características, a região foi inserida na delimitação do
Compartimento Rebouças e possui os mesmos problemas e potencialidades.

Figura 26- Terreno Escolhido para obra Arquitetônica


Fonte: Google Earth, elaborada pelo autor
35

Figura 27- Terreno Escolhido em laranja e área para revitalização urbanística em azul
Fonte: Google Earth, elaborada pelo autor

4.2. LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO DA ÁREA

O levantamento fotográfico foi realizado no dia 17/08/2010 e teve como


intenção traduzir graficamente as informações contidas neste caderno sobre a
região adotada para o projeto.
36

3/4/5
2/7

6
1 8
11

9/10

12

13/14

15/16

17/18

Figura 28- Mapa indicativo do ângulo das fotos . Terreno escolhido em vermelho e região
escolhida em azul.
Fonte: Google Earth, elaborada pelo autor
37

Figura 29- Foto 1- cruzamento das Ruas João Negrão e Engenheiro Rebouças
Fonte: acervo do autor

Figura 30- Foto 2- cruzamento das Ruas João Negrão e Av. Getúlio Vargas
Fonte: acervo do autor
38

Figura 31- Foto 3- Vista para o terreno a partir da rua Conselheiro Laurindo
Fonte: acervo do autor

Figura 32- Foto 4- Vista para o terreno a partir da Av. Getúlio vargas
Fonte: acervo do autor
39

Figura 33- Foto 5- Terreno vizinho subutilizado e fábrica de fósforos ao fundo


Fonte: acervo do autor

Figura 34- Foto 6- Vista do terreno- Cruzamento das Ruas Engenheiro Rebouças e
Conselheiro Laurindo
Fonte: acervo do autor
40

Figura 35- Foto 7- Vizinhança- fábrica de chá Matte Real em frente ao terreno, na Av.
Getúlio Vargas.
Fonte: acervo do autor

Figura 36- Foto 8- Vizinhança- Antiga fábrica de chá mate leão, ao lado do terreno, em frente
a Rua Engenheiro Rebouças. A construção dará lugar a um templo evangélico.
Fonte: acervo do autor
41

Figura 37- Foto 9- Espaço Subutilizado servindo como estacionamento na região


Fonte: acervo do autor

Figura 38- Foto 10- característica da região= construções deterioradas e comércio de baixa
qualidade.
Fonte: acervo do autor
42

Figura 39- Foto 11- Passeio entre as ruas João Negrão e Conselheiro Laurindo- espaço com
potencial para ser utilizado.
Fonte: acervo do autor

Figura 40- Foto 12- Centro de Triagem de lixo reciclável.Atividade não compatível com bairro
na região central de Curitiba.
Fonte: acervo do autor
43

Figura 41- Foto 13- Rio Belém canalizado- mau cheiro e e aparência desagradável.
Fonte: acervo do autor

Figura 42- Foto 14- Equipamento Esportivo pouco utilizado.


Fonte: acervo do autor
44

Figura 43- Foto 15- Teatro Paiol.


Fonte: acervo do autor

Figura 44- Foto 16- Terminal de Onibus.


Fonte: acervo do autor
45

Figura 45- Foto 17- Final do trecho- barracão da Editora FTD


Fonte: acervo do autor

Figura 46- Foto 18- Final do trecho- Hipermercado ao fundo


Fonte: acervo do autor
46

4.3. ESTUDO DE VIABILIDADE

O estudo de viabilidade foi feito a partir de esquema geral que considera as


áreas máximas que o terreno pode oferecer e as áreas máximas a construir, sendo
computáveis ou não computáveis. O estudo de viabilidade não sugere áreas
específicas nem formas arquitetônicas para o programa do projeto em questão.

tabela 02- Estudo de viabilidade


fonte: elaborada pelo autor
47

Figura 47 – Ilustração do estudo de viabilidade. Em vermelho, o recuo frontal (5 metros) e


linha de h/6 tracejada (5.85 metros). Em salmão, o térreo com 4923 m2 e em laranja os pavimentos
superiores, com 2953,8m2.Em verde, ático com 984m2.
fonte: elaborada pelo autor

Figura 48 – Ilustração do estudo de viabilidade. Corte Esquemático


fonte: elaborada pelo autor
48

5. PROGRAMA, ORGANOGRAMA E FLUXOGRAMA DO CENTRO DE


ARTES/MIDIATECA

5.1. PROGRAMA ARQUITETÔNICO

O programa arquitetônico do Centro de Artes/ Midiateca é composto por 6


grupos de espaços organizados de acordo com sua função. A área total estimada é
de 10700m2 , sendo os outros aproximados 9000m2 transformados em praça. As
áreas gerais estão descritas abaixo:

1)Entrada : 500m2
- Recepção e Espaço para exposições =300m2
- Café e Livraria= 200m2

2) Auditório/Cinema para 1000 lugares: 2000m2


- Platéia = 1500m2
-Área de apoio( palco, camarins, depósito, sala de controle, etc.) =500m2

3) Espaço para eventos: 1000 m2


-Salão = 850m2
-Palco = 50m2
-Apoio( sanitários, copa) = 150m2

4) Administração: 200m2
- Escritórios = 150m2
-Atendimento ao público = 50m2

5) Centro de Artes : 1700m2


- Centro de Dança =500m2
- Centro de artes = 500m2
- Centro de artes gráficas e visuais = 500m2
-área de apoio( sanitários, vestiários, depósito, copa, sala de professores) = 200m2

5) Midiateca = 5000m2
- Cinemateca= 1500m2
-Midiateca = 2000m2
-Biblioteca = 1000m2
-Apoio = 500m2
49

5.2. – ORGANOGRAMA

5.3. - FLUXOGRAMA
50

6. MATERIAIS/SISTEMAS CONSTRUTIVOS

6.1. A CRIAÇÃO DAS FORMAS DESEJADAS

A liberdade criativa do tema não sugere necessariamente materiais


específicos ou sistemas construtivos a adotar obrigatoriamente. Ainda assim, é
possível prever que por se tratar de uma construção ousada, materiais tecnológicos
e pouco convencionais serão usados para vencer vãos e criar formas desejadas.
As possibilidades que a mistura de materiais diferentes, como aço, concreto e
madeira criam enriquecem o trabalho projetual, estético, técnico e econômico da
obra.
Também são assim os planos envidraçados, que permitem a integração visual
de espaços basicamente cerrados e também permitem a conectividade da obra com
o seu entorno e a cidade.

6.2. O AÇO COMO REVESTIMENTO E COBERTURA

Há uma tendência do mercado da construção civil de oferecer fechamentos e


revestimentos de fachadas e paredes estruturados com perfis metálicos leves e
chapas corrugadas trapezoidais ou senoidais, denominadas telhas de aço.
Dependendo do local de aplicação e da arquitetura, possuem especificações de
composição bem singulares ao seu emprego. O mesmo acontece com a estrutura de
cobertura. Pode-se notar uma pequena migração da estrutura metálica
convencional, que emprega corte, usinagem e soldagem, para sistemas treliçados
metálicos pré-engenheirados, feitos com chapa fina de aço galvanizado, processo
que representa uma evolução no campo das estruturas de cobertura.
Produto altamente resistente e durável, o aço é também um elemento
arquitetônico de grande versatilidade. Os projetos que o utilizam, principalmente em
fechamentos e coberturas, podem obter o máximo partido desse elemento. Com o
surgimento de novos produtos para a indústria da construção civil, os projetos de
edificações industriais e comerciais partem de soluções pré-fabricadas, garantindo
prazos, custos e processos construtivos. Nota-se uma tendência de concepção de
conjuntos mistos de aço e concreto, sendo o material metálico especificado
principalmente na cobertura.
51

Com o abastecimento do mercado interno pelas companhias siderúrgicas com


bobinas de aço galvanizado e galvalume, ocorreu a expansão dessa matéria-prima,
produzindo-se as telhas de aço - pré ou pós-pintadas, naturais, trapezoidais ou
senoidais, simples, termoisolantes, estampadas, gravilhadas, multidobradas,
zipadas, autoportantes e as empregadas como base estrutural de sistemas de
membranas impermeáveis. No caso de coberturas, nota-se que a tendência
marcante do aço está na diminuição do peso estrutural e, por consequência, na
redução dos custos de infraestrutura. Outro fator predominante é a diminuição da
inclinação do telhado.

6.3. VENCENDO GRANDES VÃOS

Segundo o Engenheiro Civil Ricardo Henrique Dias, em seu artigo intitulado


“Sistemas estruturais para grandes vãos em pisos e a influência na concepção
arquitetônica”, de 2004, grandes vãos em pisos pedem soluções estruturais que
apliquem os materiais mais resistentes e menos deformáveis, em tipologias
adequadas à forma arquitetônica e que organizem a distribuição dos carregamentos
até os apoios, preferencialmente locados de maneira modulada nas direções
ortogonais.
Entre as tipologias que o Engenheiro cita, estão a utilização do aço, as
estruturas em Concreto de Alto Desempenho, armado ou protendido e as grelhas de
vigas em aço ou concreto também.
O desenvolvimento do trabalho em concreto permitiu ao longo dos anos que o
material fosse melhorado e que ficasse cada vez mais seguro, com excelente
trabalhabilidade, tendo baixissima permeabilidade e ótima resistência mecânica.
Uma vez que existe concreto muitissimo resistente a compressão, o material
permite seções mais esbeltas e maior liberdade, vencendo maiores vãos e
aumentando a área útil da edificação.
O concreto Protendido, composto por concretos que suportam grandes
esforços de compressão, podem ser pré comprimidos por cabos de aço pré
tensionados, trazendo a possibilidade de vencer vãos muito maiores com seções
reduzidas.
Em se tratando sobre aço, Ricardo Dias descorre que as principais
características de uma estrutura constituída por materiais metálicos são: qualidade
52

homogênea, esbelteza das peças resistentes, precisão na fabricação e montagem,


necessidade de proteção contra corrosão e incêndios.
Por ser um material que aceita esforços de tração, o aço permite vencer vãos
com peças de seções muito inferiores as do trabalho com o concreto tradicional, por
exemplo. A fabricação industrial gera economia de custos e evita o desperdício em
obras, uma vez que as peças são uma espécie de quebra cabeça a ser montado na
obra, e não fabricado na mesma.
Os perfis utilizados em obras civis, segundo o artigo do engenheiro, são dos
tipos: laminados, soldados, tubulares e conformados a frio. Os perfis soldados são
obtidos pelo corte de chapas de aço, em qualquer espessura, e soldagem das
mesmas, formando as seções desejadas, em praticamente qualquer composição.
São os perfis utilizados em grandes estruturas metálicas, com altura de até 1,5 m ou
mais, para vãos da ordem de 15 a 20 m, dependendo dos carregamentos.
Por fim, cita-se o uso das grelhas de vigas, conjuntos estruturais em que, para
se vencer vãos maiores com menor número de apoios possíveis, cria-se uma malha
reticulada de vigas gerado pelo cruzamento rígido entre as vigas no plano do
pavimento. Os reticulados podem ser ortogonais ou diagonais com relação às vigas
periféricas; a disposição diagonal apresenta melhor comportamento, porém é de
difícil execução.O material utilizado para criar a grelha de vigas é bastante livre:
pode ser utilizado aço, concreto armado e concreto protendido.

Figura 49- Vão do MASP vencido com laje em concreto protendido


Fonte: http://www.gmapsbrasil.com/imagenspics/masp-perto.jpg
53

Figura 50- Vão dA FAU/USP , de Vilanova Artigas,vencido com sistema de grelha de vigas
Fonte: http://renatamalachias.com/wp-content/uploads/2009/07/fauin.jpg

Figura 51- Vão de ponte vencido com treliça metálica


Fonte: http://www.grid.pt/imagens/carpinteiraA.jpg
54

7. METODOLOGIA

A metodologia a ser utilizada segue a orientação de acordo com as datas


definidas no Plano de Trabalho. A divisão do TFG segue 3 principais etapas: A
Pesquisa Teórica acerca do tema, a Pré Banca( Estudo Preliminar) e a Banca final(
Anteprojeto).
Na etapa de desenvolvimento de pesquisa teórica será entregue um caderno
contendo informações acerca do tema a ser estudado, como o local a ser
trabalhado, as conformações territoriais e sócio-culturais envolvendo a região de
estudo e o tema, o conteúdo programático e fluxograma dos objetos arquitetônicos ,
urbanísticos e paisagísticos, pesquisa por referências e projetos semelhantes em
diferentes escalas , sistemas construtivos a serem utilizados bem como a viabilidade
da obra e suas possíveis relações com o entorno.
Esta etapa é entendida como uma preparação técnica e teórica para a
abordagem do tema e posterior proposição de soluções e projetos a definir.
As etapas referentes ao estudo preliminar do projeto a ser apresentado em
Pré-banca se referem à proposição volumétrica e espacial acerca do tema
trabalhado, seus dimensionamentos, justificativas formais e projetuais, bem como as
primeiras proposições plásticas inseridas no contexto do estudo.
As etapas que se referem à entrega do Projeto Final a ser apresentado em
Banca final são a realização final do objeto de estudo, representado por projeto que
abrange todos os aspectos técnicos propostos em escala e nível de detalhamento
coerente , bem como soluções formais, técnicas, de conforto ambiental, urbanísticas
e conceituais bem definidas e delineadas.
55

8. CONCLUSÃO

A partir desta pesquisa é possível perceber que o tema proposto trata de


desafios contemporâneos dos núcleos urbanos brasileiros e mundiais. A
preocupação em recuperar áreas degradadas dentro das cidades é fruto de uma
política que pretende eliminar problemas sociais, como violência e prostituição, e ao
mesmo tempo criar alternativas econômicas viáveis para gerar desenvolvimento e
prosperidade.
A escolha pelo tema arquitetônico relacionado às artes refere-se à utilização
da cultura como valorizador social e fomentador de atividades econômicas que
incluam a comunidade num processo de crescimento unificado.
A revitalização da área degradada do Bairro Rebouças da cidade de Curitiba
é uma oportunidade de engrandecer o grande centro curitibano e oferecer novos
caminhos para a expansão natural da cidade e sua verticalização.
56

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

-SANCHÉZ GARCIA, FERNANDA ESTER- Cidade Espetáculo: Política,


Planejamento e City Marketing,1997.

- HASENHAUER ZAITTER, BRUNO AUGUSTO- Potenciais para a Revitalização


de Espaços Industriais pretéritos: Caso Rebouças em Curitiba/PR, 2009.

- IPPUC- INSTITUTO DE PLANEJAMENTO URBANO DE CURITIBA-


http://www.ippuc.org.br

- HOWARD DE CASTILHO, ANA LUISA; COMIN VARGAS, HELIANA-


Intervenções em Centros Urbanos - objetivos, estratégias e resultados,2006.

- AGÊNCIA CURITIBA DE DESENVOLVIMENTO S/A -


http://www.agencia.curitiba.pr.gov.br/

- RAMALHO VASQUEZ, AMANDA - O Processo de Formação e


Refuncionalização de Brownfields nas cidades Pós-Industriais: o caso do
Brasil, 2007.

- ARCOWEB – ARQUITETURA BRASIL – http://www.arcoweb.com.br/

- DIAS, RICARDO HENRIQUE - Sistemas estruturais para grandes vãos em


pisos e a influência na concepção arquitetônica, 2004.

- PORTAL VITRUVIUS – http://www.vitruvius.com.br


57