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FUNDAÇÃO DE ASSISTÊNCIA E EDUCAÇÃO - FAESA

FACULDADES INTEGRADAS ESPÍRITO-SANTENSES


GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

JOÃO LUIZ MAPEL JUNIOR

SESMT – SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ENGENHARIA


DE SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO

VITÓRIA
2008
JOÃO LUIZ MAPEL JUNIOR

SESMT – SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ENGENHARIA


DE SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO

Trabalho acadêmico do Curso de


Engenharia de Produção Plena,
apresentado à Faculdades Integradas
Espírito-santenses, como parte das
exigências da disciplina Ergonomia e
Segurança do Trabalho sob orientação do
Prof. Luciano Franco, Esp.

VITÓRIA
2008
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................6
2 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL PARA EXISTÊNCIA DO SESMT................................7
3 CENÁRIO HISTÓRICO DOS ACIDENTES DE TRABALHO NO BRASIL................8
4 SESMT ...................................................................................................................10
4.1 ATRIBUIÇÕES DO SESMT ................................................................................10
4.2 DIMENSIONAMENTO DO SESMT .....................................................................12
4.3 REGISTRO DO SESMT NO MINISTÉRIO DO TRABALHO ...............................13
5 CONCLUSÃO.........................................................................................................14
6 REFERÊNCIAS......................................................................................................15
1 INTRODUÇÃO

Motivado pelo crescente número de acidentes de trabalho, diversas ações foram


necessárias para minimizar estes números e sua tendência crescente. Uma das
medidas que surgiram e foram melhoradas no decorrer dos anos foi o SESMT –
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho
(SESMT).

Neste trabalho será apresentada toda fundamentação para existência do SESMT


baseado na Norma Regulamentadora 4 (NR 04) que dispõe sobre o assunto.

Foram estudados os conceitos da NR 04, identificando-se seus pré-requisitos, regras


e aderência aos diversos modelos de negócio.
2 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL PARA EXISTÊNCIA DO SESMT

O SESMT – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina


do Trabalho (SESMT) é regulamentado pela Portaria nº. 3.214, de 08 de junho de
1978, Norma Regulamentadora NR 04.

A NR 04 justifica-se pelo artigo 162 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT,


que evidencia a necessidade do SESMT:

Art. 162. As empresas, de acordo com normas a serem expedidas


pelo Ministério do Trabalho, estarão obrigadas a manter serviços
especializados em segurança e em medicina do trabalho.

Parágrafo único. As normas a que se refere este artigo


estabelecerão:

a) classificação das empresas segundo o número mínimo de


empregados e a natureza do risco de suas atividades;
b) o número mínimo de profissionais especializados exigido de cada
empresa, segundo o grupo em que se classifique, na forma da alínea
anterior;
c) a qualificação exigida para os profissionais em questão e o seu
regime de trabalho;
d) as demais características e atribuições dos serviços
especializados em segurança e em medicina do trabalho, nas
empresas.
3 CENÁRIO HISTÓRICO DOS ACIDENTES DE TRABALHO NO
BRASIL

Em 27 de julho de 1972, o Ministro do Trabalho Júlio Barata regularizou o artigo 164


da CLT, e publicou a Portaria 3.236, referente à formação técnica em Segurança e
Medicina do Trabalho e a Portaria 3.237, regulamentando o artigo 164 da CLT que
trata da composição da CIPA, obrigando a existência de Serviço Especializado em
Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) nas empresas com mais de 100
funcionários, tornando o Brasil, o primeiro país a ter um serviço obrigatório de
segurança e medicina do trabalho.

Um dos principais motivos da regularização desse artigo foi a imagem negativa que
o quadro de acidentes de trabalho no Brasil causava perante o cenário mundial. O
índice era alarmante, mais de 1,8 milhão de acidentes ocorriam por ano. Nesta
época houve grande pressão, inclusive do Banco Mundial, de retirar qualquer
empréstimo do Brasil se esse quadro permanecesse.

Gráfico Tendência Acidentes de Trabalho (1970-1999)

Fonte: INSS/RIAS/SUB/CAT/DATAPREV

Ao longo de mais de 3 décadas, a contínua atuação dos profissionais de Segurança


e Saúde no Trabalho diminuiu o número de acidentes, ficando atestada a
necessidade do SESMT, devendo suas iniciativas ser incentivadas e apoiadas pelos
trabalhadores, empresários e governo.

Atualmente, o SESMT ocupa um papel preponderante nas organizações. Não é


possível tratar de assuntos como globalização, competitividade, abertura de
mercado, sendo o índice de acidentes de trabalho um importante indicador de
qualidade.

Ainda segundo dados do Instituto Nacional de Seguro Social - INSS, verifica-se


através do Anuário Estatístico do INSS que o número total de acidentes de trabalho
nos últimos anos tem apresentado uma tendência crescente, a saber: em 1999
foram registrados 370 mil acidentes, em 2004 foram 465 mil, em 2005 foram 499 mil,
em 2006 foram 512 mil e em 2007 foram registrados 653 mil. O crescente aumento
do número de acidentes fora justificado como decorrente do aumento do número de
empregos gerados na última década.
4 SESMT

O SESMT pretende promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador


no local de trabalho e deve ser implementado obrigatoriamente em todas as
empresas privadas e públicas, órgãos públicos da administração direta e
indireta, poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos
pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT em função do grau de risco da
atividade principal e o número de trabalhadores do estabelecimento.

4.1 ATRIBUIÇÕES DO SESMT

São competências do SESMT, conforme disposto na NR 04:

a) aplicar os conhecimentos de engenharia de segurança e de


medicina do trabalho ao ambiente de trabalho e a todos os seus
componentes, inclusive máquinas e equipamentos, de modo a
reduzir até eliminar os riscos ali existentes à saúde do trabalhador;

b) determinar, quando esgotados todos os meios conhecidos


para a eliminação do risco e este persistir, mesmo reduzido, a
utilização, pelo trabalhador, de Equipamentos de Proteção
Individual-EPI, de acordo com o que determina a NR 6, desde que a
concentração, a intensidade ou característica do agente assim o
exija;

c) colaborar, quando solicitado, nos projetos e na


implantação de novas instalações físicas e tecnológicas da
empresa, exercendo a competência disposta na alínea "a";

d) responsabilizar-se tecnicamente, pela orientação quanto ao


cumprimento do disposto nas NR aplicáveis às atividades
executadas pela empresa e/ou seus estabelecimentos;

e) manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se


ao máximo de suas observações, além de apoiá-la, treiná-la e
atendê-la, conforme dispõe a NR 5;

f) promover a realização de atividades de conscientização,


educação e orientação dos trabalhadores para a prevenção de
acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, tanto através de
campanhas quanto de programas de duração permanente;

g) esclarecer e conscientizar os empregadores sobre acidentes


do trabalho e doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da
prevenção;
h) analisar e registrar em documento(s) específico(s) todos os
acidentes ocorridos na empresa ou estabelecimento, com ou
sem vítima, e todos os casos de doença ocupacional,
descrevendo a história e as características do acidente e/ou da
doença ocupacional, os fatores ambientais, as características do
agente e as condições do(s) indivíduo(s) portador(es) de doença
ocupacional ou acidentado(s);

i) registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes do


trabalho, doenças ocupacionais e agentes de insalubridade,
preenchendo, no mínimo, os quesitos descritos nos modelos
de mapas constantes nos Quadros III, IV, V e VI, devendo a
empresa encaminhar um mapa contendo avaliação anual dos
mesmos dados à Secretaria de Segurança e Medicina do
Trabalho até o dia 31 de janeiro, através do órgão regional do
MTb;

j) manter os registros de que tratam as alíneas "h" e "i" na


sede dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança
e em Medicina do Trabalho ou facilmente alcançáveis a partir
da mesma, sendo de livre escolha da empresa o método de
arquivamento e recuperação, desde que sejam asseguradas
condições de acesso aos registros e entendimento de seu
conteúdo, devendo ser guardados somente os mapas anuais
dos dados correspondentes às alíneas "h" e "i" por um período
não- inferior a 5 (cinco) anos;

l) as atividades dos profissionais integrantes dos Serviços


Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina
do Trabalho são essencialmente prevencionistas, embora não
seja vedado o atendimento de emergência, quando se tornar
necessário. Entretanto, a elaboração de planos de controle de
efeitos de catástrofes, de disponibilidade de meios que visem
ao combate a incêndios e ao salvamento e de imediata atenção
à vítima deste ou de qualquer outro tipo de acidente estão
incluídos em suas atividades.
4.2 DIMENSIONAMENTO DO SESMT

O dimensionamento dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e


em Medicina do Trabalho é definido em função do risco da atividade principal e ao
número total de empregados do estabelecimento, conforme definido nos Quadros I e
II anexos da NR 04.

O Quadro I da NR 04 apresenta a Classificação Nacional de Atividades Econômicas


e seu respectivo grau de risco.

O Quadro II da NR 04 apresenta o dimensionamento do SESMT em função do grau


de risco e número de funcionários.

Quadro II da NR 04
4.3 REGISTRO DO SESMT NO MINISTÉRIO DO TRABALHO

Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho, deverão ser registrados na regional do Ministério do Trabalho.

Para execução do registro, devem ser apresentados ao Ministério do Trabalho a


seguinte documentação comprobatória, conforme disposto na NR 04:

a) nome dos profissionais integrantes dos Serviços


Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho;

b) número de registro dos profissionais na Secretaria de


Segurança e Medicina do Trabalho do MTb;

c) número de empregados da requerente e grau de risco das


atividades, por estabelecimento;

d) especificação dos turnos de trabalho, por estabelecimento;

e) horário de trabalho dos profissionais dos Serviços


Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho.
5 CONCLUSÃO

O estudo proposto sobre o SESMT permitiu elevado envolvimento com o conteúdo


da disciplina de Ergonomia e Segurança do Trabalho, em particular com o disposto
na NR 04, tendo contribuído de forma substancial para a formação dos Engenheiros
de Produção.

A realização deste trabalho, ainda que para a maioria dos membros do grupo tenha
sido utilizada em nível inicial devido ao primeiro contato com a Norma
Regulamentadora NR 04, percebeu-se a necessidade do conhecimento destas
normas de forma a complementar o conteúdo da disciplina Ergonomia e Segurança
do Trabalho, correlacionando a questão do SESMT com a experiência de outras
disciplinas da graduação, bem como, desenvolvimento da capacidade analítica para
entendimento da norma e suas implicações no ambiente corporativo.

Em relação a norma propriamente dita, verificou-se que, apesar dos mais de 30 anos
do SESMT no Brasil, sua aplicação ainda encontra-se em um nível incipiente, ou
seja, é necessário aperfeiçoá-la e ampliá-la de forma a atender toda a complexidade
do ambiente e relações de trabalho.

Face ao cenário econômico competitivo, por muitas vezes, os interesses das


organizações são colocados a frente da questões relativas a segurança, devendo
esta prática ser combatida pelos futuros Engenheiros de Produção de modo que
este cenário não seja continuamente alimentado.
6 REFERÊNCIAS

ARAUJO, GIOVANNI MORAES DE - Normas Regulamentadoras Comentadas 2005,


5ª edição, 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e


documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e


documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: informação e


documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002.

Consolidação das Leis do Trabalho. Obra coletiva de autoria da Editora Saraiva com a
colaboração de Antonio Luiz de Toledo Pinto, Márcia Vaz dos Santos Windt e Luiz
Eduardo Alves de Siqueira. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 2001.

República Federativa do Brasil. Norma Regulamentadora NR 04. Ministério do


Trabalho e Emprego.

República Federativa do Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego - Inspeção do


Trabalho - Segurança e Saúde no Trabalho.
Disponível em: http://www.mte.gov.br/seg_sau/leg_normas_regulamentadoras.asp.
Página visitada em 10/03/2008.

Legislação de Segurança e Saúde no Trabalho. Segurança e Medicina do


Trabalho - Manual de Legislação Atlas; 2007, 60ª edição