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COORDENADORIA DE EXTENSÃO, PÓS-GRADUAÇÃO E

PESQUISA – CEPOPE

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO ESTRATÉGICA DE


PESSOAS

UILIAN OLIVEIRA SANTOS

A EFICÁCIA DA LIDERANÇA DE JESUS CRISTO SEGUNDO O


EVANGELHO DE MATEUS

RIO DE JANEIRO

2020

1
UILIAN OLIVEIRA SANTOS

A EFICÁCIA DA LIDERANÇA DE JESUS CRISTO SEGUNDO O


EVANGELHO DE MATEUS

Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao corpo docente do


curso de Pós-graduação de Gestão Estratégica de Pessoas, das
Faculdades Integradas Campo-Grandense (FIC), mantidas pela
Fundação Educacional Unificada Campograndense (FEUC), como
parte do requisito para obtenção do grau Especialista em Gestão
Estratégica de Pessoas.

Orientadora: Profª Me. Vanessa Ramos Teixeira

Rio de Janeiro
Abril de 2020

2
UILIAN OLIVEIRA SANTOS

A EFICÁCIA DA LIDERANÇA DE JESUS CRISTO SEGUNDO O


EVANGELHO DE MATEUS

Trabalho de Conclusão de curso submetido ao corpo docente do Curso de Pós-graduação


em Gestão Estratégica de Pessoas das Faculdades Integradas Campograndenses (FIC),
mantidas pela Fundação Unificada Campograndense (FEUC), como parte dos requisitos
necessários à obtenção do grau de Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas.

Aprovada em 30 de Abril de 2020.

Nota:_______

VANESSA RAMOS TEIXEIRA - ORIENTADOR


Mestre em Educação, Políticas Públicas e Formação Humana
Faculdades Integradas Campograndense - FIC
Fundação Educacional Unificada Campograndense- Feuc

VANESSA RAMOS TEIXEIRA - AVALIADOR


Mestre em Educação, Políticas Públicas e Formação Humana
Faculdades Integradas Campograndense - FIC
Fundação Educacional Unificada Campograndense- Feuc

3
A EFICÁCIA DA LIDERANÇA DE JESUS CRISTO SEGUNDO O
EVANGELHO DE MATEUS

Uilian Oliveira Santos


Fundação Educacional Unificada Campograndense- Feuc
w-656@hotmail.com

Orientadora: Profª Me. Vanessa Ramos


Universidade do Estado do Rio de Janeiro - PPFH
Fundação Educacional Unificada Campograndense- Feuc
Vanessaramospedagoga@gmail.com

Resumo: As reflexões que se seguem traçam um paralelo do verdadeiro Jesus das


Escrituras Canônicas reservando vários aspectos e exemplos de um líder
extraordinariamente eficaz no que faz, com capacidade singular de resolver conflitos,
gerenciar equipes, motivar os que estão perdendo o foco, bem como sua adaptabilidade em
diferentes contextos.

Palavras-chave: Liderança, Líder, Eficaz, Jesus, Treinamento.

Abstract: The reflections that follow draw a parallel to the true Jesus of the canonical
Scriptures reserves several aspects and examples of an extraordinarily effective leader in
what he does, with unique ability to resolve conflicts, manage teams, motivate those who
are losing focus, as well as their adaptability in different contexts.
Keywords: Leandership, Leander, Effective, Jesus, Training.

1. Introdução

E tudo começou na Grécia antiga, da filosofia de Platão, Aristóteles, passando pelos mais
antigos três trágicos gregos, a saber: Esquilos, Sófocles e Eurípides. Até o Novo
Testamento temos uma parte considerável da cultura clássica do mundo ocidental escrito e
sendo preservado em língua grega.1 O Novo Testamento (NT) é a literatura mais confiável

1
Novo Testamento interlinear grego-português. Barueri,SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004. P. 992.

4
que a humanidade possui, tendo em vista o número de cópias preservadas dos textos
originais, chamados manuscritos. De acordo com a última contagem, existem cerca de
5.700 manuscritos gregos do NT escritos à mão. Além disso, existem mais de 9 mil
manuscritos em outras línguas (e.g., siríaco, copta, latim, árabe). 2 Diante desse fato,
usaremos como um dos referenciais teóricos o evangelho de Mateus, analisando a postura e
representatividade de Jesus como o líder.

Não podemos negar a marcante abrangência, influência e ascendência da personalidade de


Jesus Cristo. O verdadeiro Jesus das Escrituras canônicas reserva vários aspectos e
exemplos de um líder extraordinariamente eficaz no que faz, com capacidade singular de
resolver conflitos, gerenciar equipes, motivar os que estão perdendo o foco, bem como sua
adaptabilidade em diferentes contextos. Não raro, temos muito a aprender com este
personagem marcante da história.

O presente artigo não visa esgotar o assunto proposto, entendendo a dimensão do tema
abordado. Nesse sentido, as reflexões do referido estudo terá como base uma pesquisa
bibliográfica a partir do registro disponível acerca do tema tratado e referencial teórico de
MICHAEL YOUSSEF (2017), JOHN C. MAXWEL (2008) e BILL HYBELS (2002),
dentre outros que atendam o assunto tratado, somados a estudos que abordem a questão na
atualidade.

2. Afinal, o quê é liderança?

Existem muitas literaturas sobre liderança, de todas as formas e aspectos, para todas as
organizações empresariais ou instituições governamentais ou não governamentais. Não
podemos negar que em qualquer organização a presença de um líder eficaz é
imprescindível. Porém, não podemos confundir líder com gestor. São duas definições
opostas, REGO (1998) diferencia com nitidez este conceito:

2
Disponível em: https://leandroquadros.com.br/a-confiabilidade-dos-evangelhos-e-do-novo-testamento/.
Acesso online em 18 dez. 2019.

5
Líderes e gestores são divergentes não só em termos temporais, mas
também quanto ao modo como lidam com o contexto, o grau de
inovação que defendem e o modo como questionam as situações. Os
líderes apresentam-se mais intuitivos, imprevisíveis e proativos, mais
preocupados com os objetivos a longo prazo com a inovação e
originalidade por oposição ao conservadorismo, à administração,
adaptabilidade e imitação mais particulares dos gestores. A gestão
implica provocar, realizar, assumir responsabilidades, comandar. Os
gestores sabem o que devem fazer, os líderes sabem o que é necessário
fazer. (REGO, 1998, p.142)

Para ser eficaz o líder precisa reunir qualidades importantes, como organização,
planejamento, proatividade, produtividade e liderança. Os estudos de GEORGE TERRY
(1962) enfatiza que “a comunicação humana determina os objetivos específicos e os papéis
de liderança abrangem todas as atividades de persuadir indivíduos com intenção de
provocar a motivação.” Já os estudos de KAPLAN E NORTON (2004), enfatiza que “a
habilidade de liderar, especialmente na gestão da mudança é uma condição fundamental
para que uma organização orientada estabeleça sua estratégia.” (p. 138)

De acordo com MAX DE PREE (1989), a liderança é uma arte de “livrar as pessoas para
cometerem o que se exige delas do jeito mais eficiente e humano possível.” (p. 08). Por
outro lado, PETER SENGE (2006) cita uma liderança bastante significativa que procede
daquilo que concordamos denominar de “rede interna de funcionários”, construída por
indivíduos que disseminam conceitos inovadores por toda a organização.

Nesse sentido, a liderança é um conceito basilar na medida em que o administrador tenha a


capacidade de saber conduzir os indivíduos e conhecer as suas motivações. 3 CUNHA, M;
REGO (2003) afirmam que “Etimologicamente, líder e liderança são termos de introdução
recente no léxico português oriundos do inglês leader e leadership; traduzem a ideia,
respectivamente, de guia virtual e qualidade ou função de líder.”

A definição mais precisa para as reflexões que se pretende no presente artigo é a de


CUNHA, M.; REGO, A. (2003), onde nos afirmar que :

Liderança é a existência de um sujeito que tem como competência


influenciar um grupo de indivíduos. Esta premissa implica, então,

3
CUNHA, M.; REGO, A. A essência da liderança. Lisboa (2003), p. 136.

6
considerar a liderança como algo que pressupõe um destinatário coletivo,
no que difere de poder, de comportamento político, de autoridade ou de
influência social. (CUNHA, M.; REGO., p 137.)

Nesta mesma linha de pensamento JOHN C. MAXWELL (2008), referi-se à liderança


como a “capacidade de inspirar outras pessoas com uma visão clara da contribuição que
elas podem oferecer (p. 08)”. Um bom líder inspira seus colaboradores. Com algumas
mudanças de postura e estratégias bem simples, é possível transformar a liderança em uma
inspiração constante. Afinal, é em conjunto com o time que o líder vai alcançar resultados
cada vez melhores para a organização. O estilo de liderança de Jesus é inspirativo, ele nos
mostra como ser um líder eficaz.

2.1 A liderança exercida por Jesus

No relato do evangelho de Mateus no Novo Testamento (NT), fica evidente que Jesus foi
um líder exemplar que gerenciou uma equipe de 12 pessoas, com perfis e níveis
intelectuais variados. João tinha um perfil comunicador, um comportamento sensível e de
bom relacionamento, ele foi considerado o discípulo amado. Simão (Zelote)4: Com um
perfil ativador, tinha a sua índole inflamada, um revolucionário radical, impulsivo e
prático, era um rebelde iconoclasta, sempre se identificou com o partido do protesto.5
André um dos discípulos E tradução do grego Andreas, que significa “varonil”. André era
fisicamente forte.6 Jesus chamou Natanael 7de “israelita em quem não há má-fé”. Todos os
Evangelhos colocam Judas Iscariotes no fim da lista dos discípulos de Jesus, isso reflete a

4
Os Zelotes eram uma classe de judeus específica. Advogavam a revolta armada para expulsar os
estrangeiros que não eram judeus. Principalmente os romanos. Philp Yancey (2004) p. 59.
5
Acesso em: https://www.linkedin.com/pulse/os-12-ap%C3%B3stolos-de-jesus-e-suas-personalidades-joel-
bitencourt-serra. 28/03/2020
6
Disponível em https://cleofas.com.br/resumo-sobre-a-vida-dos-apostolos/ Acesso em 17/12/2019.
7
Supondo que Bartolomeu e Natanael sejam a mesma pessoa.

7
má fama de Judas como traidor.8 Poderia citar outros nomes com características diversas,
alguns até iletrados.9

O sucesso da liderança de Jesus foi tão grande que a história das doze pessoas que foram
lideradas por ele (Simão, Tiago, João, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé; Tiago,
filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o zelote e Judas Iscariote), ficou marcada até hoje nos
diversos anais históricos como o didaquê10 e as bíblias das mais diferentes versões de
cunho católico ou protestante. O impacto da sua liderança ecoa até hoje em livros,
palestras, organizações e documentários.

Sua relevância foi tamanha que a história da humanidade foi dividida entre antes e depois
de Cristo. Sua liderança influenciou inúmeras religiões. Para os budistas, Jesus Cristo é um
ser iluminado, para os hindus, Jesus Cristo é uma manifestação da divindade oriental, já
para o islamismo Jesus Cristo foi o maior profeta até Maomé11 e no Cristianismo Jesus
Cristo é o Deus, salvador da humanidade e o maior líder que já existiu.

No evangelho de Mateus, a Liderança de Jesus se destaca pela sua capacidade de treinar e


ensinar os que estavam próximo dele, especificamente seus discípulos ou seguidores. As
atividades de treinamentos eram intensas. Jesus percorria toda Galileia ensinando,
pregando e realizando milagres.12 Galileia é o nome da região norte da Palestina, um local
que aparece com destaque no Novo Testamento (NT). Nos tempos de Jesus, a província da
Galileia formava um amplo território retangular, com aproximadamente 64 km por 40 km.
Segundo o historiador judeu Flávio Josefo, em sua obra A Guerra Judaica, a região da
Galileia chegou a ter 240 cidades e vilas.13 O texto de Mateus não mede esforços

8
Disponível em https://cleofas.com.br/resumo-sobre-a-vida-dos-apostolos/ . Acesso em 18/12/2019
9
Lucas registra do no livro do novo Testamento chamado Atos dos Apóstolos que Pedro e João eram
homens simples e iletrados. (livro de Atos 4.13).
10
Didaquê ou Didaqué, Instrução é um escrito do século I que trata do catecismo cristão. É constituído de
dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico.
11
Disponível em: https://istoe.com.br/33861_O+JESUS+DAS+OUTRAS+RELIGIOES+/. Acesso em 08/10/2019.
12
Mateus 4. 23
13
Disponível em: https://estiloadoracao.com/galileia-na-biblia/. Acesso em 07/04/2020

8
afirmando que Jesus percorria “Toda a Galileia”.14 Os discípulos estavam próximos de
Jesus, observando cada ação, cada passo. 15

Além do treinamento intenso, Jesus ensinava seus discípulos por meio de parábolas,16 a
maioria delas sempre é marcada pela simplicidade e brevidade, poucas delas são longas.
Geralmente, as parábolas eram ligadas à realidade cotidiana da época (cf. Mt 13; 17. 24-
27), percebe-se que Jesus tinha conhecimento das mais diversas áreas da sociedade e sabia
quais eram as suas necessidades.

Observamos que do capítulo 5 ao capítulo 7 do evangelho de Mateus, Jesus ensinou17 os


discípulos princípios de ética e comportamentos jamais vistos dentro do seu contexto, o
objetivo era que seus discípulos pudessem se distinguir da multidão18 que o seguia.

É possível resumir a prática da liderança de Jesus observando suas três principais ênfases,
conforme Mateus capítulo 11, que eram: a) anunciar a verdade de Deus com aos ouvintes,
mostrando que as profecias estavam sendo cumpridas nele e pregando as Escrituras 19 pelo
método de exposição, ilustração e aplicação com o objetivo de converter pecadores e
treinar os discípulos; b) desenvolver uma liderança de misericórdia em paralelo ao da
pregação, em que as curas e exorcismos tinham o propósito de mostrar a sua compaixão e a
natureza singular de sua vida e obra 20; c) preparar seus seguidores para que fossem como
ele mesmo e dentre os seus seguidores selecionar um grupo para pastorear os demais (os
12 apóstolos).

Jesus escolheu homens comuns e os treinou por um período de tempo ensinando-os a


obedecer a seus mandamentos,21 corrigindo-os pela convivência e exemplificando modelos

14
Mateus 4. 23
15
Mateus 4. 21-22
16
Parábola é uma narrativa curta que, mediante o emprego de linguagem figurada, transmite um conteúdo
moral.
17
No Evangelho de Mateus (capítulo 5), Jesus assume uma posição de professor-treinador, quando se
assenta para ensinar os discípulos. A prática de se assentar-se num lugar estratégico, era reservado apenas
para os mestres que tinham potencial para ensinar.
18
Termo usado para o aglomerado de pessoas que seguiam a Jesus.
19
Expressão usada para se referir ao Antigo testamento.
20
Mateus 11.2-6.
21
Mateus 28.20

9
comportamentais a serem seguidos. Sua liderança era completamente singular, pois
reservava a maestria de gerir conflitos em pequenas e grandes escalas.

Os 12 discípulos se tornaram líderes eficazes em suas responsabilidades, pelo exemplo do


próprio Cristo. Assim, um líder eficaz se destaca acima de tudo pela praticidade de suas
ações e ensinamentos.

2.2. Liderança: a capacidade de resolver conflitos

Liderar pessoas não é uma tarefa fácil! BILL HYBELS (2002) em seu livro Liderança
corajosa (p. 87) afirma que “o fator mais importante para um bom desempenho de uma
equipe é a eficiência de um líder claramente definido.” Isso faz toda diferença numa
equipe.

Um bom líder possui a capacidade de gerenciar e resolver possíveis conflitos que possam
surgir nos grupos ou ambientes das organizações. Jesus era um líder muito bem resolvido
nesse sentido, sabia bem quem ele era, acreditava em si mesmo, era uma pessoa
segura. Observando a sua vida, podemos aprender alguns princípios que são válidos para
solucionar possíveis conflitos no ambiente organizacional. Primeiro, Seja fiel a sua
missão. “Disse Jesus: convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça” (cf. Mt
3:15). Não despreze o poder do foco. É necessário persistência para atingir os objetivos
que se pretende. Isto é fundamental!

Segundo, não desperdice energia em coisas ou situações desnecessárias, “se alguém não
os receber nem ouvir suas palavras, sacuda a poeira dos pés quando saírem daquela casa ou
cidade.” (cf. Mt 10:14). O evangelho de Mateus ainda nos diz: “não dêem o que é sagrado
aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles,
voltando-se contra vocês, os despedaçarão.” (cf. Mt 7:6) Jesus falava e ouvia a todos,
todavia só realmente investia tempo e atenção onde era necessário. Saber equilibrar as
energias em pontos estratégicos é fundamental

Terceiro, nunca perca tempo julgando os outros, “mas eu lhes digo que, no dia do juízo,
os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas
palavras vocês serão absolvidos, e por suas palavras serão condenados,” (cf. Mt 12: 36-
37). Jesus não julgava as pessoas, suas palavras é que as julgavam.

10
Liderança é uma questão de decisão e atitude. Lidere mesmo, você, sua família, seus
negócios, lidere não somente os que estão abaixo de você, mas também os que estão ao
lado e acima. É o que BILL HYBLES (2002) chama de liderança 360º graus. Dê a eles
uma visão, aponte caminhos, corrija o curso constantemente, ande ao lado, aponte
soluções, incentive e apoie! Ele continua dizendo:

O que a maioria das pessoas não compreende é que, para liderar bem, um
líder na verdade precisa poder liderar em todas as direções- norte, sul,
leste e oeste. Líderes eficientes têm de liderar para o norte, o que significa
liderar os que estão acima deles. Mediante o relacionamento e influência,
bons líderes lideram as pessoas que os supervisionam [...]. Líderes
eficientes também devem aprender a liderar para o leste e para o oeste,
em ambientes de colegas. Se não aprendermos a liderar e a criar uma
situação com nossos colegas em que ambos os lados saiam ganhando,
toda a cultura de uma organização pode deteriorar-se. (HYBELS, B.
2002. p. 183-184).

Num momento de conflitos se faz necessário ouvir a voz de comando do líder, a fim de que
o mesmo possa estabelecer direção clara aos liderados, apontando o melhor caminho. Mas,
isso se torna impossível se o líder não for exemplo para os demais. Aprendemos com
Jesus que, o verdadeiro líder é acima de tudo, exemplo a ser seguindo em palavras e
ações.22

3. Liderança pelo exemplo: como gerenciar equipes

A vida de um líder está diariamente sendo observada pelos seus liderados. Cada gesto,
cada comportamento e atitude. As palavras precisam está alinhada com seu estilo de vida,
caso contrário o líder não terá sucesso no gerenciamento de sua equipe. No evangelho de
Mateus Jesus confrontou lideres que não lideravam pelo exemplo. Jesus ensinou os
discípulos a não serem hipócritas em suas ações.23

22
No final, de um dos maiores sermões públicos de Jesus, as pessoas que ouviram e viram o que
ele fez ficaram maravilhadas. (Mateus 7. 28, 29).
23
Mateus 6.2

11
Hipócrita deriva-se da palavra grega hypókritai, que significa representar um papel no
palco, assumir uma personalidade falsa.24 Desde a Grécia antiga existem duas máscaras
brancas que representam o teatro. Uma é feliz e a outra triste. Essas máscaras foram
chamadas “o hipócrita,” a máscara que expressava emoção do ator. Na Grécia antiga, o
ator simplesmente repetia as falas, mas não transmitiam emoção. Para transmitir emoção,
tinham que usar essa máscara. O hipócrita é alguém que intencionalmente passa algo que
ele não é. O líder eficaz não pode se tornar um hipócrita. 25

Os estudos de MICHAEL YOUSSEF (2017), afirmam que:

Os estudantes absorvem, no mínimo, tanto do caráter e estilo de vida dos


seus professores quanto das suas palavras. Na verdade, muitos
educadores afirmam que a pessoa do professor comunica muito mais do
que qualquer conhecimento que transmita [...]. O indivíduo dando
instruções diz tanto através da aparência, personalidade e atitude quanto
do material cedido [...]. Jesus era sincero. Em nenhum lugar do evangelho
os escritores puseram em dúvida a sinceridade ou a integridade de Jesus,
embora tenham questionado praticamente tudo mais. Lealdade e
sinceridade são qualidades básicas para quem deseja ser um exemplo para
futuros líderes (YOUSSEF, M. 2017, p. 173-174).

Jesus liderou pelo exemplo, de maneira que suas atitudes eram certeiras em todos os
aspectos. Ele desmascarou os mecanismos de opressão de seu tempo e revela que os
verdadeiros culpados pela miséria e marginalização dos pobres, não são os pobres, mas as
autoridades do povo. É por isso que o povo se parece a ovelhas sem pastor (cf. Mt 9,36).
Jesus percebe isso de modo muito claro em seu relacionamento com os diferentes grupos e
estratos sociais de sua época.

Há um relato no evangelho de Mateus (cf. Mt 11,29) em que Jesus pede aos discípulos para
aprender com ele a como ser humilde. Mas, antes de ensiná-los, ele se assentou para
conversar com os marginalizados26, aqueles que a sociedade não dava importância, antes

24
Léxico grego analítico/ Harold K. moulton- São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p 429.
25
WILLIAM BARCLAY Título original em inglês: The Gospel of Matthew Tradução: Carlos
Biagini. P 202
26
Na tradição Judaica os cegos e aleijados eram considerados impuros perante a sociedade,
ninguém podia tocá-los.

12
de ensinar como ser humilde, mostrou como se faz. Jesus deixa uma lição valiosa para
todos nós, a saber, o líder, primeiramente, lidera pelo exemplo.

Líderes eficazes possuem princípios para gerenciar sua equipe com qualidade e resultados
práticos, assim, valendo-se dos estudos de BILL HYBELS (2002), onde se estabelece dois
princípios fundamentais para gerenciar equipes com qualidade. Primeiro, ele afirma que
para aumentar o desempenho da equipe é necessário o estabelecimento de metas claras e
continua afirmando que:

Jesus estabeleceu metas claras para seus discípulos em Mateus 28. 19,20.
“Ide por tanto e fazei discípulos de todas as nações [...].” Parte do motivo
pelo qual os discípulos de Jesus viraram o mundo de cabeça para baixo é
o fato de eles terem sido incubidos pelo maior líder do mundo para o
mais claro objetivo estipulado [...]. Devemos nos sentar com nossas
equipes e estabelecer objetivos claros e desafiadores [...]. Então devemos
inspirar os membros das equipes a arregaçar as mangas e a ser criativos
[...]. (HYBELS, B. 2002, P.90)

O segundo princípio que ele estabelece diz respeito à recompensa pelas realizações, ou
seja, o líder deve recompensar a equipe pelo trabalho bem feito. “Jesus não foi ambíguo a
respeito do conceito de recompensa.” (HYBELS, B. 2002, P.91). Ele frequentemente
27
prometeu grandes recompensas “nesta vida e na próxima” aos que o seguiam. É
importante reconhecer e recompensar os esforços da equipe, quando o líder faz isso os
liderados se sentem valorizados e mais motivados aos propósitos estabelecidos.

É extremamente ingênuo pensar que equipes podem florescer espontaneamente, sem que
haja um líder concentrado em dedicar um tempo considerável de energia em sua equipe, e,
acima de tudo, sua prática de vida exemplar é fundamental no processo.

O evangelho de Mateus finaliza com um pedido de Jesus aos seus seguidores (cf. Mt
28.18-20). Eles teriam que praticar tudo que seu líder havia ensinado. Para os seus
seguidores, não era difícil associar o pedido de Jesus com a sua própria meta de vida,
porque os ensinamentos de Jesus tinha completa harmonia com sua trajetória de líder
eficaz. Ele fez muitos discípulos, e seu pedido era que seus liderados fizessem o mesmo.

27
Promessa que para os cristãos se resume na presença mística de Jesus, conforme Mateus 28. 20, “eu
(disse Jesus) estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

13
4. Conclusão

O evangelho de Mateus inicia com o relato da genealogia de Jesus Cristo e finaliza com a
missão de Jesus dada aos discípulos. Aquilo que ele fez, pediu aos seus discípulos que
fizessem, “ide, portando e façam discípulos”.28 Mateus mostra em seu evangelho que Jesus
inspirou seus discípulos do início ao fim. Da mesma forma, para sermos líderes eficazes,
devemos literalmente aprender com Jesus. Aprender com sua capacidade de treinar
incansavelmente pessoas com uma visão clara acerca dos objetivos. Aprender com sua
capacidade de liderar sem coagir, bem como liderar sem ser impassível.

Ninguém pode negar que Jesus exerceu uma grande influência no planeta. Não pelo ponto
de vista religioso, pois isso é um fato. Mas, sobretudo devemos prestar atenção no que ele
tinha a dizer sobre liderança. Como líder eficaz Jesus nos conduz a um modelo completo
de liderança, em que a autoridade e serviço, amor e verdade, firmeza e sensibilidade,
disciplina e compaixão, fidelidade e submissão andam juntos. Vimos a importância de se
ter posição de autoridade, mas agir humildemente como servo de todos e trabalhar
incessantemente. Jesus disse que qualquer um que desejasse ser Líder, deveria servir
primeiro.29

Podemos alcançar resultados significativos no ambiente organizacional, se praticarmos os


princípios de liderança estabelecidos por Jesus. Ele investiu na vida dos discípulos com
esforço contínuo do ensino e através do seu próprio exemplo. Tais pontos nos remetem do
quão importante é selecionar e preparar pessoas para liderar, ou seja, o líder precisa ter
discípulos. O que requer tempo, ensino exaustivo, atribuição de missão, visão e valores
como exemplo. Sobretudo a semelhança de Jesus o líder precisar possuir a virtude da
humildade. Líderes eficazes reproduzem o exemplo de Jesus.

28
Mateus 28.19
29
Mateus 20.26

14
5. AGRADECIMENTOS

Ao Deus da minha vida, Jesus Cristo, que permitiu que todas as conquistas em minha vida
se concretizassem.

A minha esposa Michelle Lopes, pela compreensão, apoio e carinho dispensado a mim.

A dona Euza Nunes pela parceria financeira, pelo investimento. Sem ela não teria chegado
ao fim do curso.

A minha orientadora Profª Me. Vanessa Ramos por todo o auxílio e orientação ao longo da
elaboração do meu projeto final.

A Universidade FEUC, que me deu o conhecimento necessário para concluir este trabalho.

A todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para a realização da minha


pesquisa.

15
6. REFERÊNCIAS

YOUSSEF, Michael. O Estilo de liderança de Jesus; tradução de Ruth Vieira Ferreira-


Curitiba: Editora Betânia, 2017. 176 p

HYBELS Bill. Liderança corajosa; Tradução James Monteiro dos Reis. - SP Editora vida,
2002. 255 p.

MAXWELL, John. O livro de ouro da liderança. 4ª impressão; tradução de Ornar de


Souza. Rio de Janeiro: editora Thomas Nelson Brasil, 2008. 200 p.

Novo Testamento interlinear grego-português. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil,


2004. 992 p.

REGO, A., CUNHA, M. P., & CLEGG, S. (2010). Liderança global virtuosa. Revista De
Psicologia, 1(1),9-32. Disponível em: www.periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/view/44

CUNHA, M.; REGO, A. A essência da liderança. Lisboa: RH Editora, 2003.

Yancey, Philip. O Jesus que eu nunca conheci/ tradução Yolanda M. Krievin. – SP: editora
vida, 2004.

Bíblia de estudo Arqueológica NVI/ equipe de tradução: Claiton André Kunz, Elizeu
Manoel dos Santos e Marcelo Smargiasse; prefácio da Edição Brasileira: Luiz Sayão. – SP:
Editora Vida, 2013.

Léxico grego analítico/ Harold K. moulton- São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p 429.

WILLIAM BARCLAY Título original em inglês: The Gospel of Matthew Tradução: Carlos Biagini.

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