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Tecnologia de Sementes de Hortaliças

Tecnologia
de Sementes
de Hortaliças
Warley Marcos Nascimento
Editor Técnico
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Hortaliças
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

HORTALIÇAS: TECNOLOGIA
DE PRODUÇÃO DE
SEMENTES

Warley Marcos Nascimento


(Editor Técnico)

Brasília, DF
2011
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

Embrapa Hortaliças
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Comitê Local de Publicações – Embrapa Hortaliças


Presidente: Warley Marcos Nascimento
Editor técnico: Fábio Suinaga
Supervisor editorial: George James
Membros: Ítalo Moraes R Guedes
Jadir Borges Pinheiro
Mariane Carvalho Vidal
Agnaldo Donizete Ferreira de Carvalho
Carlos Alberto Lopes

Normalização bibliográfica: Antonia Veras de Souza


Revisão de texto: Patrícia Pereira da Silva
Supervisão editorial: Warley Marcos Nascimento
Projeto gráfico e editoração eletrônica: André Luiz Garcia
Revisão final: Warley Marcos Nascimento
Impressão: AW + Comunicação Integrada Ltda. - ME
Capa: Leandro Santos Lobo

1ª edição
1ª impressão (2011): 1000 exemplares

Todos os direitos reservados


A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos
direitos autorais (Lei nº 9.610)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Embrapa Hortaliças

Hortaliças: Tecnologia de Produção de Sementes/ editor técnico, Warley Marcos


Nascimento. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2011.
316 p. : il. color.

ISBN

1. Hortaliça – Sementes. I. Nascimento, Warley Marcos.

CDD 635.0421

Embrapa 2011
Autores

Ailton Reis
Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Hortaliças
e-mail: ailton.reis@embrapa.br

Antonio Ismael Inácio Cardoso


Engenheiro Agrônomo, Professor Adjunto, Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho
e-mail: ismaeldh@fca.unesp.br

Carlos Alberto Lopes


Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Hortaliças
e-mail: carlos.lopes@embrapa.br

Denise Cunha Fernandes dos Santos Dias


Engenheira Agrônoma, Professora Associada, Universidade Federal de Viçosa
e-mail: dcdias@ufv.br

Francisco Vilela Resende


Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Hortaliças
e-mail: francisco.resende@embrapa.br

Jorge Anderson Guimarães


Biólogo, Pesquisador, Embrapa Hortaliças
e-mail: jorge.anderson@embrapa.br

Laércio Zambolim
Engenheiro Agrônomo, Professor Titular, Universidade Federal de Viçosa
e-mail: zambolim@ufv.br

Leonardo de Britto Giordano


Engenheiro Agrônomo, Pesquisador aposentado da Embrapa Hortaliças
e-mail: leogiordano@uol.com.br

Leonardo Silva Boiteux


Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Hortaliças
e-mail: leonardo.boiteux@embrapa.br

Maria Esther de Noronha Fonseca


Engenheira Agrônoma, Pesquisadora, Embrapa Hortaliças
e-mail: maria.boiteux@embrapa.br
Mario Duarte Canever
Engenheiro Agrônomo, Professor Adjunto, Universidade Federal de Pelotas
e-mail: canever@ufpel.edu.br

Mariane Carvalho Vidal


Bióloga, Pesquisadora, Embrapa Hortaliças
e-mail: mariane.vidal@embrapa.br

Miguel Michereff Filho


Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Hortaliças
e-mail: miguel.michereff@embrapa.br

Patrícia Pereira da Silva


Bióloga, doutoranda em Ciência e Tecnologia de Sementes,
Universidade Federal de Pelotas
e-mail: patriciabio55@gmail.com

Raquel Alves de Freitas


Engenheira Agrônoma, Analista, Embrapa Transferência de Tecnologia
e-mail: raquel.freitas@embrapa.br

Silmar Teichert Peske


Engenheiro Agrônomo, Professor Titular, Universidade Federal de Pelotas
e-mail: peske@ufpel.edu.br

Volnei Krause Kohls


Engenheiro Agrônomo, Professor Associado, Universidade Federal de Pelotas
e-mail: vkohls@ufpel.edu.br

Welington Pereira
Engenheiro Agrônomo, Pesquisador aposentado da Embrapa Hortaliças
e-mail: wellnina.pereira@gmail.com

Waldir Aparecido Marouelli


Engenheiro Agricola, Pesquisador, Embrapa Hortaliças
e-mail: waldir.marouelli@embrapa.br

Warley Marcos Nascimento


Engenheiro Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Hortaliças
e-mail: warley.nascimento@embrapa.br
Sumário

Apresentação.................................................................................................7

Parte I

A indústria de sementes de hortaliças e o marketing estratégico................ 11

Desenvolvimento de cultivares e híbridos de hortaliças..............................37

Produção de sementes de hortaliças em sistema orgânico.........................61

Parte II

Qualidade da semente e estabelecimento de plantas de


hortaliças no campo.....................................................................................79

Nutrição e adubação em campos de produção de sementes


de hortaliças...............................................................................................109

Irrigação em campos de produção de sementes de hortaliças..................137

Polinização e isolamento em campos de produção de


sementes de hortaliças..............................................................................157

Manejo e controle de plantas invasoras em campos de produção


de sementes de hortaliças.........................................................................173

Controle integrado de doenças em hortaliças visando à produção


de sementes de qualidade.........................................................................247

Controle de pragas em campos de produção de sementes


de hortaliças...............................................................................................279
Apresentação

O
mercado de hortaliças no Brasil nologias de ponta. Dentre essas se
é bastante segmentado, apre- destaca a utilização de sementes de
sentando grande diversidade alta qualidade, com elevado potencial
de produtos com diferentes cores, de produção, tolerância a estresses,
sabores, aromas e texturas. Buscando resistência a diferentes patógenos,
atender à crescente exigência por quali- atributos físicos, fisiológicos e sanitários
dade, diversas instituições de pesquisa, adequados bem como potencial para
desenvolvimento e inovação tem cana- a produção de hortaliças com maior
lizado esforços visando a obtenção de conservação pós-colheita, contribuin-
hortaliças mais saudáveis, nutritivas, do para a redução do desperdício de
com melhor aparência e, sobretudo, alimentos no pais.
seguras para o consumo.
Para atender à demanda crescente, Para isso, as empresas de sementes
faz-se necessária a adoção de tec- que atuam no setor oferecem dezenas

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de espécies e centenas de cultivares, É com grande satisfação que apresen-
nas diferentes tipologias, em um mer- tamos a obra Hortaliças: tecnologia de
cado nacional estimado em R$ 440 produção de sementes. O livro, redigido
milhões. A tecnologia de produção de em linguagem técnica e acessível a
sementes deve caminhar junto com o uma ampla gama de leitores, possui
desenvolvimento de novas cultivares dez capítulos escritos em parceria com
garantindo, com isso, o adequado renomados técnicos, professores e
estabelecimento das lavouras das pesquisadores de instituições públicas
diversas hortaliças. do Brasil.

Em 2009, a Embrapa Hortaliças Acreditamos que a obra é mais


ofereceu à comunidade científica, es- uma importante e significativa con-
tudantes, técnicos e produtores, o livro tribuição para o setor sementeiro de
Tecnologia de sementes de hortaliças, hortaliças e, em última análise, para o
publicação de grande utilidade no desenvolvimento da olericultura brasi-
segmento de produção de olerícolas. leira.

Celso Luiz Moretti


Chefe-Geral
Embrapa Hortaliças

Foto: Warley Marcos Nascimento

Hortaliças: variedade
de cores e formas.

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Foto: Warley Marcos Nascimento

PARTE I
A indústria de sementes de
hortaliças e o marketing estratégico

Mario Duarte Canever


Volnei Krause Kohls
Silmar Teichert Peske

1. Introdução eficiente em suprir as necessidades dos


clientes, via de regra, através de baixos

O
s avanços verificados no agro- preços. Acontece, porém, que muitas
negócio brasileiro nos últimos empresas passaram a ter problemas ao
anos são inegáveis e consti- seguir esta cartilha. Ou seja, é muito di-
tuem as bases da sua competitividade. fícil conseguir competir em um mercado
Houveram melhorias de indicadores globalizado baseando-se unicamente
técnicos, como os aumentos dos rendi- na eficiência dos processos produtivos
mentos médios das lavouras, o desen- para oferecer produtos baratos. Assim,
volvimento de cultivares mais produti- chegamos a um momento que as or-
vas, modernização nos maquinários, e ganizações agroindustriais não podem
avanços significativos dos tratamentos unicamente ser boas produtoras e,
fitossanitários e dos manejos. Esse portanto, exige-se melhorias para além
modelo de modernização visa funda- da produção primária.
mentalmente a redução de custos e a
consequente melhoria de eficiência dos A visão moderna dos negócios
sistemas produtivos. Nesse modelo, em agroindustriais baseia-se numa pers-
maior ou menor grau, o objetivo final pectiva ampliada, qual seja, aquela que
de uma organização agrícola é de ser engloba os atores iniciais, os clientes

11
consumidores de um produto/serviço O marketing preconiza, há muito, que
agroindustrial até os atores finais, os para ser efetivo no mundo dos negó-
fornecedores de insumos para os agri- cios é condição sine qua non ser mais
cultores. Esta perspectiva surgida nas efetivo do que os competidores nas
últimas duas décadas forçou as empre- atividades e processos que visam de-
sas, além de focarem em eficiência e terminar e satisfazer as necessidades
redução de custos, a serem “íntimas” dos mercados alvos. É neste contexto,
dos clientes. Não que elas tenham que e com o objetivo de ajudar de forma
ser excelentes em tudo, mas que não didática na elaboração da estratégia de
esqueçam que a força motriz de um marketing da sua empresa de semen-
negócio são os clientes. Eficiência não tes de hortaliças, que este capítulo foi
é mais suficiente para trazer significa- preparado.
tivos ganhos de competitividade, prin-
cipalmente porque os competitidores 2. O marketing estratégico
podem facilmente saturar os mercados
com produtos e/ou serviços substitutos. Dado que os ambientes
Consequentemente, muitos merca- mercadológicos e de negócios estão
dos agroindustriais estão se tornando em constante mudança, as empresas
commoditizados e seus preços são enfrentam crescentes desafios de
permanentemente puxados para baixo. como organizarem suas atividades. As
Com preços cada vez mais baixos, as variáveis globalização, crescimento
empresas são forçadas a reduzirem de mercado e hostilidade competitiva
custos e margens, o que reflete um terão um forte impacto no desempenho
desalinho estratégico, aquele de focar futuro das empresas. De outro lado, a
unicamente na eficiência ao invés de criação de valor superior no mercado
no cliente. é fundamental para a sobrevivência e o
sucesso das mesmas. Um estudo recente
A questão central é que as em- (RIBEIRO et al., 2007) buscou identificar
presas devem mudar a forma de ver os a tendência, nos próximos anos, das
seus negócios, de empresas comerciais estratégias de geração de valor que
e/ou agroindustriais para solucionado- predominarão no mercado. Verificou-
ras de problemas. Isto é, reconhecer se que as categorias compreendidas
que o valor requerido pelos clientes é como processos integrativos, recursos
o elemento fundamental para a busca e habilidades coletivas da empresa
da vantagem competitiva sustentável. visando agregar valor, são consideradas
Enfim, neste início de milênio, os novos as capacidades de marketing que
desafios surgidos com a globalização, conduzem as organizações ao
com os avanços das tecnologias de desempenho superior.
informação e da economia do conhe-
cimento, requerem novos ferramentais No cenário competitivo recente,
gerenciais. Contudo, paradoxalmente, onde os produtos são cada vez mais
as idéias básicas não são tão recentes. iguais, os preços cada vez mais iguais,

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a qualidade cada vez mais igual e os duto” e/ou serviço aos seus clientes.
consumidores cada vez mais infor- Os gerentes de empresas de semen-
mados, a simples sobrevivência das tes, por exemplo, esquecem de seus
organizações traz novos desafios aos clientes e das necessidades destes, e
profissionais responsáveis pela sua então, geralmente, respondem que o
gestão. Como o processo de negocia- negócio da sua empresa é a produção
ção e decisão torna-se mais complexo, de sementes. Mas afinal, o que os
pelo acirramento da competitividade, há clientes atuais e potenciais querem?
necessidade das empresas ampliarem Seria cultivares de alto rendimento?
o seu leque de competências desde as Recursos genéticos? Ou soluções em
formas mais simples de agregar valor, provimento de recursos tecnológicos e
até as mais complexas de gerar ou co- de serviços aos agricultores?
gerar valor. Compreender os clientes,
as suas necessidades e os direciona- A definição do negócio da sua
dores de valor, é muito importante, uma empresa pode levá-lo a outro patamar
vez que as estratégias avançadas e as de trabalho ou ajudá-lo a se destacar no
ferramentas bem elaboradas só terão mercado, vendo além do que é obvio.
sucesso caso se baseiem em conhe- Por exemplo, uma empresa produtora
cimento detalhado das operações dos de sementes de tomate poderá deixar
clientes e de seu contexto econômico- de ganhar bons lucros com a produção
-financeiro. Assim, nesta seção serão de sementes de pepino e alface, caso
apresentados alguns passos para seu conceito de negócio seja definido
ajudar na orientação estratégica de como “produção de sementes de toma-
marketing da sua empresa. te”. Obviamente, uma definição muito
restritiva, para não dizer míope, acarreta
2.1. A definição de negócio em limitada base de ação para uma em-
presa. É possível, por exemplo, que os
Organizar-se para progredir é mesmos demandantes de sementes de
uma prática comum à maioria das tomate, também necessitem de outras
empresas que buscam excelência em sementes, o que para uma empresa que
seus campos de atuação e não é dife- produz sementes de tomate seria uma
rente para uma empresa agroindustrial. oportunidade, dado que possivelmente
Geralmente quando se pergunta sobre esta já detém competências e infra-es-
qual o negócio em que a empresa está trutura para suprir mais esta necessida-
inserida, os gerentes de empresas de dos clientes. Ademais, junto com os
agroindustrias confundem o negócio produtos, os clientes sempre demandam
com o produto/serviço da mesma. No serviços associados que muitas vezes
entanto, prestando bem a atenção, são os verdadeiros critérios de decisão
pode-se identificar várias empresas que de compra.
sabem posicionar-se muito bem sobre
a definição de seu negócio, entregando O negócio (core business) de
um “valor” ao invés de apenas um “pro- uma empresa está muito relacionado

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ao benefício que a empresa agrega a Conhecidas as necessidades
seus clientes. Como afirmou-se ante- dos clientes, pode-se, a partir delas,
riormente, há grande tendência de se caracterizar os produtos do negócio,
confundir o negócio da empresa com lembrando que produto é qualquer coi-
seu produto. O perigo dessa confusão sa que é do interesse de alguém. Com
é a “miopia estratégica” e, conforme um isso é possível saber em que negócio
dos gurus da administração moderna se está e o que deve ser feito para aten-
Peter Drucker (DRUCKER, 1987), “A der as necessidades dos interessados
questão é que tão raramente pergunta- (veja o quadro 1 para entender o que
mos de forma clara e direta e tão rara- os clientes precisam).
mente dedicamos tempo a uma reflexão
sobre o assunto, que esta talvez seja 2.2. A análise do ambiente
a mais importante causa do fracasso
das empresas”. Portanto, para saber Um negócio bem definido ne-
de fato qual é o negócio, é importante cessita de mecanismos eficientes
responder as seguintes perguntas: que sejam capazes de impulsionar as
estratégias da empresa no longo pra-
•  Quem é mesmo o cliente? zo. Então, revela-se importante neste
momento que, as empresas avaliem
•  Qual é o benefício que o cliente os ambientes onde encontram-se inse-
realmente procura ao usar esses pro- ridas. Obviamente não se pode traçar
dutos e serviços? estratégias sem conhecimento das
ameaças e oportunidades do ambiente,
•  Quais são os concorrentes? assim como, dos possíveis cenários

Quadro 1. Definindo o negócio

“Não me ofereça coisas.


Não me ofereça sementes.
Ofereça-me garantias de que meus campos frutificarão.
Não me ofereça hectares de terra.
Ofereça-me a vida e os frutos de que dela emanam.
Não me ofereça cursos de Pós-graduação.
Ofereça-me horas de prazer e o benefício do conhecimento.
Não me ofereça ferramentas e máquinas de última geração.
Ofereça-me o benefício e o prazer de fazer coisas bem feitas.
Não me ofereça uma casa requintada.
Ofereça-me conforto e tranquilidade de um ambiente aconchegante.
Não me ofereça coisas.
Ofereça-me idéias, emoções, ambiência, sentimentos, garantias e benefícios.
Por favor, não me ofereça coisas”.
Adaptado de Autor desconhecido

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futuros que podem influenciar tanto a de forças político-legal, econômicas,
empresa quanto o seu negócio. sócio-culturais e tecnológicas. Nos úl-
timos anos, dada a grande importância
A análise ambiental ajuda, por- das questões ambientais, pela ação dos
tanto, a tornar os sistemas de decisão indivíduos e das organizações, têm-se
de produção e marketing mais eficien- acrescido à Análise Pest o ambiente
tes. Como as empresas formam um natural. Portanto, temos agora a “Aná-
sistema de dependência e interação lise Pest-n”. As variáveis principais que
mútua com o ambiente, a análise am- perfazem a Análise Pest-n são:
biental ajuda a prever as combinações
de variáveis econômicas, sociais, po- •  Político-legais: As políticas go-
líticas, naturais, competitivas, etc, e, vernamentais e variações na legislação
portanto, a reduzir as incertezas. Ela que interferem na estabilidade política
divide-se em três níveis (Figura 1): O de uma nação, o arcabouço legal de um
ambiente geral, o ambiente competi- país, as leis de sementes e de proteção
tivo e o ambiente interno, ou seja, a de cultivares, as regulações comerciais,
própria organização. os acordos, taxas e incentivos, as leis
trabalhistas, entre outros.
O ambiente geral é composto
pelas forças motrizes que afetam todas •  Econômicos: Variáveis que
as empresas. As empresas não tem podem impactar positiva ou negativa-
controle sobre estas forças, por isso é mente as atividades empresariais como
importante que elas criem condições a estabilidade da moeda, a taxa de
para a tomada de decisões eficazes inflação, a qualidade da infra-estrutura,
quando diante de oportunidades e/ou a eficiência dos mercados financeiros,
ameaças. A técnica básica para analisar os custos trabalhistas, a taxa de cresci-
este nível de ambiente é conhecida por mento da economia, a taxa de desem-
“Análise Pest”, uma abreviação direta prego, a taxa de juros, a taxa de câmbio

Figura 1. Análise ambiental

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e os ciclos econômicos (prosperidade, identificar oportunidades para o desen-
recessão, expansão). volvimento das competências da orga-
nização, entender os clientes e suas
•  Socioculturais: incluem-se as necessidades, identificar ameças atuais
tradições, a demografia, o papel da e potentenciais, bem como entender
mulher, as atitudes em relação à saúde, o mercado dos fatores de produção.
alimentação, ambiente, o espírito em- Conhecendo o ambiente competitivo,
preendedor, a educação, bem como os a empresa poderá se posicionar. Em
valores religiosos e culturais. meados da década de 80, um autor
muito criativo chamado Michael E.
•  Tecnológicos: os desenvolvi- Porter (PORTER, 1980), propôs que
mentos tecnológicos recentes e seus a forma de analisar o posicionamento
impactos na atividade da empresa, na de uma empresa perante seu mercado
estrutura de custo e qualidade, bem competitivo, compreendia a análise de
como na gestão da cadeia de valor. cinco forças. Estas, que posteriormente
passaram a ser conhecidas como as
•  Natural: compreende os re-
cinco forças de Porter, determinam a
cursos naturais disponíveis e que são
natureza da competição na indústria/
afetados pela ação dos indivíduos e
setor. São elas: a ameça de novos en-
organizações.
trantes, a ameça de produtos/serviços
O ambiente competitivo é com- substitutos, o poder de negociação dos
posto pelos atores que estão mais clientes, o poder de negociação dos
próximos da organização. O objetivo fornecedores e a rivalidade entre as
da análise do ambiente competitivo é empresas existentes (Figura 2).

Figura 2. As cinco forças competitivas de Porter

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A ameaça de novos entrantes ao risco da troca, entre outros; (c) um
está relacionada com as barreiras à terceiro fator que deve ser observado
entrada no negócio. A entrada de novas é o grau de fidelidade dos clientes aos
empresas em uma determinada indús- produtos/serviços.
tria pode gerar efeitos como redução
nos preços e/ou aumento nos custos, o O poder de negociação dos clien-
que resultará em diminuição das renta- tes está relacionado com a capacidade
bilidades da mesma. Novas empresas de influenciar nos preços. Quando o
entram na indústria quando o nível de poder de negociação dos clientes é
barreiras à entrada é baixo, consideran- forte, a relação que este estabelece
do a reação das empresas já atuantes com a indústria fornecedora é próximo
na indústria. Por exemplo, a entrada é ao que se denomina em uma lingua-
facilitada quando o montante de capital gem econômica de “Monopsônio” – um
necessário para entrar na indústria não mercado onde há vários fornecedores
é elevado, inexistem barreiras regulató- (produtores) e somente um comprador.
rias, os clientes não são fiéis a marcas, Obviamente, este é um caso raro, mas
a escala de operação dos concorrentes frequentemente existem assimetrias
é baixa, existe facilidade de acessar entre empresas produtoras e compra-
fornecedores e distribuidores, e os doras, como pode-se observar com a
concorrentes já existentes apresentam concentração das cadeias varejistas
baixa resistência à entrada de novas tanto no cenário global, quanto brasi-
empresas. leiro. O poder de negociação dos clien-
tes aumenta se eles são poucos, se
A ameaça de produtos/serviços compram produtos padronizados e em
substitutos reduz a atratividade de sua proporções significativas em relação a
indústria (atividade) por impor limita- oferta total, e se possuem possibilidade
ções a seus preços e, por conseguinte, de integrar-se com concorrentes. Por
a sua margem. Normalmente, esta outro lado, o poder dos clientes diminui
ameaça está associada aos seguintes se existe possibilidade para as empre-
fatores: (a) desempenho da relação sas produtoras integrarem-se à jusante
benefício/custo dos produtos/serviços na cadeia, se existirem significativos
substitutos. Produtos/serviços alter- custos para trocar de fornecedor pelo
nativos que geram economias ao seu fato das especificidades dos produtos
cliente, sem impactar os benefícios ofertados serem altas e se os clientes
(qualidade, prazo de entrega, etc.) são fragmentados, muitos e variados.
são provavelemente fáceis de serem
adotados; (b) custo da troca. Aqui uma O poder de negociação dos for-
pergunta a ser feita é: o seu cliente necedores está associado à capaci-
incorre em custos para substituir o seu dade dos fornecedores influenciarem
produto? Estes custos podem estar as empresas produtoras pelo fato
relacionados a revisões de contratos, de venderem matérias-primas a um
custos intangíveis como os associados preço aviltado. Isto ocorre quando o

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fornecimento é dominado por poucos e sas forças. Lembrando, no entanto, que
grandes fornecedores, inexistem subs- estas forças quando afetam a empresa,
titutos para um determinado insumo, o normalmente não agem isoladamente,
custo para substituir fornecedor é alto mas interagem com os demais níveis
e quando existe a possibilidade dos do ambiente. Ou seja, ter um ambiente
fornecedores integrarem-se à jusante competitivo inóspito, ou um ambiente
na cadeia produtiva para obterem me- geral não apropriado para o desenvolvi-
lhores preços e margens. mento de um empreendimento, é muitas
vezes, exatamente, o que faz uma em-
Por último, a rivalidade entre as presa ter sucesso. Portanto, o sucesso,
empresas existentes reflete a intensida- depende também da capacidade reativa
de da competição na indústria ou setor. e proativa do ambiente interno.
Uma pressão competitiva alta resulta
em pressão em preços, margens, e A última etapa da análise ambien-
na rentabilidade de cada empresa. A tal compreende a análise do ambiente
rivalidade entre as empresas de uma interno. Ela consiste em avaliar as
indústria é provavelmente alta quan- competências da empresa, bem como
do existem muitos competidores com as suas limitações. Deve-se avaliar a
aproximadamente o mesmo tamanho, empresa em áreas como: a estrutura
baixas taxas de crescimento de merca- organizacional, capacidade operacio-
do, altas barreiras para sair da atividade nal, participação no mercado, recursos
e quando a competição baseia-se em financeiros, experiência, imagem e
preço e não nas especificidades das cultura da empresa, gestão e qualidade
características dos produtos/serviços. dos recursos humanos, portfólio de pro-
dutos, entre outras. A meta é identificar
Nesta parte da análise ambiental pontos fortes que possam ser alavan-
o importante é ter claro que estas forças cados e pontos fracos que possam ser
podem afetar o desempenho de uma superados na organização. Para tal
empresa. Na Tabela 1 é apresentado propósito, utiliza-se uma ferramenta
um resumo de como a rentabilidade chamada de Análise SWOT, a qual será
pode variar de acordo com o nível des- apresentada a seguir.

Tabela 1. As cinco forças de Porter e a rentabilidade

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2.3 Ferramentas para diagnóstico e A análise externa examina as
análises competitivas oportunidades e ameaças que existem
no ambiente geral e competitivo. Tanto
2.3.1 Análise SWOT as oportunidades quanto as ameaças
são independentes da empresa e, por-
A análise SWOT reapresenta os tanto, não se pode confundir com as
fatores considerados nas etapas ante- forças e fraquezas da mesma. Opor-
riores de forma direcionada ao exame tunidades são condições favoráveis
das vantagens (forças) e desvantagens no ambiente que podem trazer bene-
(fraquezas) internas com os fatores fícios à empresa caso as ações forem
externos positivos (oportunidades) e apropriadas para o aproveitamento
negativos (ameaças). O termo SWOT é da condição externa. Por exemplo,
um acrónimo resultante das iniciais dos avanços nas pesquisas sobre aspectos
termos em Inglês Strengths (forças), nutricionais e de saúde, evidenciando
Weaknesses (fraquezas), Opportunities a importância de uma alimentação
(oportunidades) e Threats (ameaças). equilibrada e centrada em produtos de
Sua origem remonta aos anos 60 e origem vegetal, especialmente hortali-
desde então tem sido amplamente utili- ças, abrem grandes oportunidades para
zada como ferramenta de planejamento o setor, em todos os elos da cadeia. Já
estratégico e de marketing. as ameaças, referem-se à condicionan-
tes ou barreiras que podem impedir a
A análise dos pontos fortes e fracos
empresa de alcançar objetivos, como a
foca nos fatores internos da empresa,
falta de água, por exemplo, impedindo
onde são avaliadas as suas capacita-
a ampliação de áreas irrigadas.
ções em satisfazer as necessidades do
seu mercado alvo. Forças referem-se a A matriz SWOT resultante do cru-
competências centrais “core competen- zamento das tendências externas com
ces” que fazem a empresa atender ple- as condições internas da empresa (Fi-
namente as necessidades dos clientes. gura 3) ajuda na visualização de como
Fraquezas são quaisquer limitações que estes fatores se combinam. Quando
inibem/impedem a empresa de desen- coincidem oportunidades do ambiente
volver ou implementar uma estratégia. externo com forças do ambiente inter-

Figura 3. Matriz SWOT

19
no, a empresa está apta a desenvolver var no caso anterior. Com objetivos
competências centrais para satisfazer semelhantes, a análise proposta por
as necessidades dos clientes. Já na Van Duren et al. (1991) contempla um
coincidência de ameaças externas com conjunto de fatores denominados de
fraquezas internas, há um cenário de “direcionadores de competitividade”,
vulnerabilidade para a empresa, o que os quais, no seu conjunto, vão indicar o
exige modificações profundas para a estágio competitivo em que se encontra
manutenção do seu empreendimento. uma determinada cadeia produtiva e
No caso da coincidência entre oportu- suas organizações. Portanto, o obje-
nidades externas e fraquezas internas, tivo desta ferramenta é diagnosticar
pode-se estabelecer as bases para o estágio competitivo da empresa de
modificações das fragilidades, de modo sementes no seu ambiente macro e
a poder aproveitar melhor as oportuni- também em relação as suas compe-
dades. O cruzamento entre ameaças e tências internas. O método consiste
forças requer ações para tirar o máximo em elaborar uma matriz passo a passo,
partido dos pontos fortes para minimizar com todos os elos da cadeia represen-
os efeitos das ameaças. O ideal é que tados, utilizando-se a técnica Delphi.
se faça este exercício constantemente,
mesmo sem utilizar-se de grandes vo- A primeira tarefa, então, é definir
lumes de recursos ou contratação de os direcionadores e os respectivos
especialistas e consultorias. Você é o critérios competitivos e os agentes
especialista, ninguém mais! responsáveis por cada um. Os direcio-
nadores podem ser: gestão da produ-
No Quadro 2, é apresentado um ção, tecnologia, gestão de negócios,
exemplo de análise SWOT de uma logística, coordenação dos agentes,
pequena empresa (Hortaliças Sul Ltda) marketing, ambiente institucional etc.
produtora de sementes de hortaliças Cada direcionador, por sua vez, será
no Sul do Brasil. Esta empresa produz composto por alguns critérios competi-
sementes de várias espécies, mas tivos. Por exemplo, para o direcionador
seu foco principal é a produção e co- “tecnologia”, pode-se ter como critérios
mercialização de sementes de tomate, competitivos: banco de germoplasma,
pimentão, pepino e alface. biotecnologia, laboratório de semen-
tes, disponibilidade de produtos quí-
2.3.2 Análise de direcionadores micos, atividades de P&D etc. Para o
direcionador “logística”, poderia se ter
A caracterização e análise dos como critérios competitivos: sistema de
segmentos que compõem uma cadeia transporte, custo do transporte, flexibi-
agroindustrial revelam a existência de lidade de entrega, fluxo de informação,
um variado conjunto de fatores internos acessibilidade do cliente etc. E assim,
e externos que afetam, de maneira po- sucessivamente, definir os critérios de
sitiva ou negativa, o seu desempenho cada direcionador de competitividade.
competitivo, conforme se pode obser- Na sequência, atribui-se responsabili-

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Quadro 2. A análise SWOT aplicada em uma empresa de sementes de hortaliças

A empresa Hortaliças Sul Ltda atua no negócio de serviços e tecnologia de sementes


de hortaliças há mais de uma década. Tem como missão desenvolver, produzir e prover
sementes de hortaliças de diferentes espécies e assessorar tecnicamente os agricul-
tores para que estes satisfaçam suas necessidades e oportunidades com tecnologia
adequada para o crescimento da produtividade e da rentabilidade dos seus cultivos.
Embora os proprietários da empresa (dois Engenheiros Agrônomos) possuam larga
experiência no negócio, nos três últimos anos a empresa não está conseguindo manter
uma lucratividade média de 10% sobre as vendas como outrora. Um dos proprietários
(Eng. Agrônomo Joaquim Bento) desafiou-se a estudar os “por quês” desta situação e a
desenhar saídas estratégicas para a empresa. Com o auxílio da análise SWOT vejamos
o que ele conseguiu:

Ambiente Externo:

Oportunidades (Opportunities): Embora a empresa esteja enfrentando problemas de


rentabilidade no diagnóstico externo, identificou-se que a competição no negócio ainda
é débil e desorganizada, o que confere oportunidades para a Hortaliças Sul Ltda. Há
também uma avidez no mercado por novas cultivares que sejam mais produtivas e uma
procura intensa por parte dos agricultores usuários por melhor assessoramento no uso
das sementes fornecidas pelas empresas produtoras.

Ameaças (Threats): O negócio de serviços e tecnologia de sementes apresenta muitas


ameaças, principalmente aquelas advindas da concorrência. Os grandes competidores
(empresas multinacionais) ameaçam o negócio da Sul Hortaliças Ltda. constantemente
e nos últimos anos pela introdução de variedades híbridas, enquanto os competidores
informais introduzem material de menor qualidade resultando em queda dos preços pelo
aumento da oferta.

Ambiente Interno

Forças (Strenghts): Como a Hortaliças Sul Ltda. está no negócio a mais de uma década,
é uma empresa consolidada, com experiência na tecnologia de produção de sementes
de hortaliças e no fornecimento de serviços aos produtores agrícolas. Fazendo uso disto,
a empresa consegue produzir bons produtos e tem estabelecido uma reputação positiva
de si própria perante os clientes. Outro elemento fundamental é o seu portfólio de clientes
com os quais mantém uma boa imagem e relacionamento.

Fraquezas (Weakenesses): As principais fraquezas da Hortaliças Sul Ltda. estão rela-


cionados com a falta de instalações e equipamentos adequados tanto para o processo
de produção como de beneficiamento. Além disto, há uma certa escassez de pessoal,
principalmente para acompanhar e assessorar os clientes no seu processo decisório.

Cruzando as forças do ambiente interno com as oportunidades do ambiente externo, o


Eng. Agrônomo Joaquim Bento identificou que a Hortaliças Sul Ltda. pode maximizar sua
potencialidade através da exploração do know-how da empresa tanto na produção quanto
na comercialização de sementes dado que a competição ainda está desorganizada. En-

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tretanto, a empresa deve defender-se das ameaças externas, principalmente advindas
dos competidores informais, dado que a Hortaliças Sul Ltda. não pretende trabalhar com
material híbrido. Mas como fazer isto? Ora, conclui o Eng. Joaquim Bento, se as forças da
empresa são centradas em torno da experiência, imagem e reputação com os clientes, o
sucesso da empresa passa exatamente em defender estes aspectos de forma agressiva
em relação à concorrência. Ou seja, via o estreitamento das relações com os clientes,
gerando confiança no relacionamento de forma que o custo de troca de fornecedor (isto
é, da Hortaliças Sul Ltda. para o mercado informal) seje alto para o cliente.

Ademais, o Eng. Joaquim Bento percebeu que o mercado está demandando bons ser-
viços de assessoramento, mas que, por outro lado, a Hortaliças Sul Ltda. tem escassez
de pessoal para fazer frente a esta oportunidade. Obviamente, concluiu, esta é uma
debilidade crucial que precisa ser resolvida para não trazer consequências negativas no
futuro. Finalmente, a falta de equipamentos e instalações adequadas, como é o caso dos
equipamentos de embalagem, em conjunto com as ameaças do mercado informal, cria
um quadro de vulnerabilidade à Hortaliças Sul Ltda. Tal fato está limitando a qualidade
dos produtos e a logística de entrega o que não diferencia os produtos da Hortaliças Sul
Ltda. dos concorrentes do mercado informal.

Este exemplo, embora simples, é um caso real de uma empresa de sementes. Esperamos
que ele inspire você a pensar sobre sua empresa!.

dade (s), ou seja, quem controla de fato a -2) permite visualizar os resultados
cada critério e/ou direcionador de com- através de uma representação gráfica,
petitividade com as seguintes opções: a bem como combinar quantitativamente
empresa (EMP), a coordenação da ca- os valores atribuídos aos critérios, para
deia produtiva (CAD), o governo (GOV), que se possa fazer avaliações agrega-
se é quase controlável (QCON) ou não das. Assim, a combinação quantitativa
controlável pelos agentes (NCON). dos critérios, de modo a gerar uma
avaliação para cada direcionador de
O segundo passo do procedimen- competitividade e seus respectivos
to metodológico é definir a intensidade critérios, envolve ainda uma etapa de
do impacto dos critérios competitivos e atribuição de pesos relativos. A mo-
sua contribuição para o efeito agregado tivação para esse procedimento de
dos direcionadores. Para tanto, pode- ponderação é o reconhecimento da
se utilizar uma escala do tipo “likert”, existência de graus diferenciados de
variando de “muito favorável” (MF +2), importância para os diversos critérios,
quando há significativa contribuição em termos de sua contribuição para o
positiva do critério, “favorável” (F +1), efeito agregado. Cada um dos direcio-
“neutro” (N zero), “desfavorável” (D nadores de competitividade também
-1) e “muito desfavorável” (MD -2), no deve ser ponderado em função de sua
caso de impacto muito negativo do contribuição para a competitividade da
critério. A atribuição de valores (de +2 cadeia sob avaliação.

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Na Tabela 2, desenvolveu-se uma empresa produtora de sementes
um exemplo hipotético de análise dos de tomates e sua respectiva cadeia
direcionadores de competitividade de produtiva. Na primeira coluna (direcio-

Tabela 2. Avaliação de Direcionadores de Competitividade no Setor de Produção de


Sementes de Tomate.

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nadores e critérios competitivos) foram além dos pesos relativos aos critérios
estabelecidos seis direcionadores de competitivos, dentro de cada direcio-
competitividade (ambiente institucio- nador. Obviamente, a soma dos pesos
nal, gestão de negócios, tecnologia, relativos dos critérios dentro de cada
logística, mercado e marketing) e seus direcionador, deve fechar em 1. Nas
respectivos critérios competitivos. Na duas colunas seguintes (avaliação dos
segunda coluna (controlabilidade), critérios e quantificação da avaliação),
foram indicadas as responsabilidades foram atribuídos os níveis em que se
ou co-responsabilidades de cada cri- encontram cada critério, desde Muito
tério competitivo, entre os agentes da Favorável (MF, +2) até Muito Desfa-
cadeia produtiva e governo. Na terceira vorável (MD, -2). Os valores da última
coluna (peso), definiu-se o peso rela- coluna (avaliação x peso dos critérios),
tivo atribuído a cada direcionador e a resulta da multiplicação do nível de
cada critério, os quais se constituirão cada critério (+2, +1, 0, -1 ou -2) pelo
em informação-chave para obter-se respectivo peso relativo do critério,
o impacto real de cada critério e seu atribuído anteriormente, dentro de cada
efeito agregado na competitividade da direcionador de competitividade. O
empresa e do setor. impacto de cada direcionador é obtido
pela soma algébrica dos resultados do
Desta maneira, após ampla dis- impacto de cada critério, multiplicado
cussão entre os agentes envolvidos e pelo peso relativo atribuído a cada di-
especialistas, atribuiu-se o peso de 8% recionador, na terceira coluna.
para o ambiente institucional, 25% para
a gestão do negócio, 20% para tecno- Este resultado pode ser visu-
logia, 15% para logística, 22% para alizado na Figura 4. Note-se que os
o mercado e 10% para o marketing, direcionadores – gestão do negócio e

Figura 4. Impacto dos Direcionadores de Competitividade em uma empresa de produção


de sementes de tomate.

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tecnologia – basicamente de responsa- O conceito de marketing preconi-
bilidade da empresa, são os que estão za que as empresas devem criar com-
impactando mais positivamente a com- postos de marketing que satisfaçam
petitividade. Por outro lado, o direciona- (gerem utilidades para) os clientes.
dor – logística – cuja responsabilidade é Portanto, o entendimento do que, onde,
compartilhada entre governo e empresa, quando e como os clientes compram,
está impactando negativamente a com- faz-se imprescindível para a eleboração
petitividade da empresa. de boas estratégias de marketing. Por
trás do ato, quase sempre visível, de se
O mercado, o marketing e o am- fazer uma compra, existe um processo
biente institucional, embora de forma de decisão que precisa ser investigado.
menos significativa do que a gestão e
a tecnologia, também estão impactando Imagine um agricultor que deseja
positivamente a empresa. Assim, de um plantar sua lavoura de pepino na próxi-
modo geral, pode-se concluir que a ava- ma safra. O ato da compra da semente
liação dos direcionadores de competi- é somente uma etapa do processo
tividade desta empresa junto a cadeia decisório, como pode ser observado
de produção de sementes de tomate, na Figura 5. O modelo sugere que a
estão com desempenho relativamen- decisão de compra é mais abrangen-
te bom, mas podem ser melhoradas, te do que simplesmente a compra
necessitando de ações específicas e propriamente dita. No entanto, nas
urgentes na área de logística, especial- decisões mais rotineiras é comum que
mente na flexibilidade de entrega por algumas destas etapas sejam omitidas
parte da empresa e sistema rodoviário e a sequência revertida. Por exemplo,
por parte do governo. um agricultor ao comprar um chapéu
poderia simplemente reconhecer a
2.3. O Marketing e as estratégias necessidade (de proteção) e ir direta-
mente a decisão de compra, omitindo
2.3.1. O comportamento dos decisores a busca por informação e a avaliação
de alternativas. No entanto, o modelo é
Antes de passar-se às estratégias
útil para se considerar todo o processo
mais factíveis e controláveis ao nível
de compra e não somente a decisão
das empresas, conhecidas como
de compra.
estratégias dos 4 P’s ou composto de
marketing (preço, produto, promoção O processo de compra inicia-se
e praça), serão apresentados alguns com o reconhecimento de uma neces-
elementos fundamentais para entender sidade. Neste estágio, o comprador
o processo de decisão de compra reconhece o problema ou a necessida-
dos clientes. Sem isto, fica difícil de de (exemplo, o agricultor precisa uma
elaborar boas estratégias do composto nova máquina, uma nova casa) ou ele
de marketing (marketing mix em inglês) responde a estímulos de marketing que
pois estas são diretamente relacionadas o despertam para uma necessidade até
com o processo decisório de compra.

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Figura 5. O processo decisório de compra

então não percebida (por exemplo, ao utilidade e a influência destas fontes


ver uma máquina nova em uma expo- varia de acordo com o produto e com
sição agrícola). Um comprador estimu- o comprador, entretanto pesquisas
lado e excitado necessita, agora, reunir mostram (KOTLER, 2000) que os
informações acerca do que ele precisa compradores valorizam mais as fontes
para decidir. Se a necessidade for muito pessoais (o boca-a-boca) do que as
forte e o produto e/ou serviço estiver fontes comerciais (propaganda, pessoal
prontamente disponível, há grandes de venda, ponto-de-venda, vendedores,
chances da decisão ser tomada ime- representantes, folders etc.).
diatamente. Mas, se ao contrário, isto
não ocorrer, o processo de busca de É importante também considerar
informação inicia-se. que o processo de busca de informação,
bem como as demais etapas do processo
Na etapa de busca de informa- de compra, é dependente do grau de
ções, o decisor esclarece as opções envolvimento do agente comprador
disponíveis que podem satisfazer sua com o produto e/ou serviço procurado.
necessidade através de fontes internas Por envolvimento, entende-se o grau de
(recordação de experiências prévias), relevância e importância pessoal que
que normalmente são suficientes nas acompanha uma determinda escolha.
decisões de compras frequentes, e fon- Escolhas sob alto envolvimento são
tes externas. As fontes de informações decisões mais complexas, tomam mais
externas são os amigos, familiares, tempo e normalmente são feitas para
propaganda, pessoal de venda etc. A bens de alto valor, visíveis aos outros

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e que apresentam algum tipo de risco da compra, a quantidade a ser compra-
pessoal, social ou econômico. da, quando será realizada e a forma de
pagamento. Depois deste processo,
A busca por informação ajuda uma das possibilidades é a decisão por
o decisor resolver o seu problema não comprar. Tal decisão pode sofrer a
(necessidade) via o levantamento de influência de terceiros, assim como de
critérios para a tomada de decisão, fatores não antecipados anteriormente
o apontamento de possíveis marcas como riscos, baixa auto-confiança e
que podem satisfazer os critérios disponibilidade financeira.
estabelecidos e finalmente via o de-
senvolvimento da percepção de valor A etapa final do processo decisó-
das opções disponíveis. Já na fase da rio de compra é a avaliação pós-venda
avaliação das alternativas, o comprador da decisão tomada. Depois de comprar
busca ranquear as melhores opções um produto e/ou serviço, o cliente o
conforme critérios de decisão que ele/ compara com as expectativas preexis-
ela considerou (por exemplo, qualidade, tentes, o que pode resultar tanto em um
reputação, durabilidade, cor, prestígio, consumidor satisfeito ou insatisfeito. É
segurança, preço, etc.). Como os cri- comum que, ao experimentar o bem
térios são muitos, o comprador geral- comprado, haja o aparecimento de
mente atribui maior peso a alguns, os problemas e dúvidas, o que cria uma
quais pensa serem mais importantes, situação conhecida como “dissonância
e avalia as alternativas considerando cognitiva”, a qual reflete a discrepância
a relação benefício-custo da oferta. entre as expectativas que se tinha do
Claro, aquelas alternativas que ofer- bem antes da compra com as consta-
tarem mais benefícios em relação aos tações atuais. Nesta fase, o fornedor,
preços predominantes tendem a serem no caso o produtor de sementes, deve
as escolhidas. Contudo, nem sempre procurar dirimir esta discrepância mos-
o processo decisório é direto e linear trando ao seu cliente que ele/ela tomou
assim. Muitas vezes as decisões são a decisão correta. A manutenção de um
feitas por impulso ou exigem um mínimo relacionamento pós-venda é fundamen-
de planejamento como é o caso das tal para que haja recompra e lealdade
decisões de compras rotineiras. Nestes por parte dos clientes.
casos, as decisões são expontâneas e
exigem pouco esforço. Se, finalmente, 2.3.2 A segmentação de mercado
o decisor ainda não estiver satisfeito
com as possíveis alternativas, há a ne- A segmentação do mercado é
cessidade de retornar à fase de busca um dos modos mais importante para
de informação. Caso contrário, a fase desenvolver estratégias de marketing
seguinte é a compra. de sucesso. As estratégias podem ser
criadas em um continuum em que os
Nesta fase, o comprador decide clientes são tratados de forma totalmen-
qual o produto a ser adquirido, o local te homogênea (marketing de massa)

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ou totalmente individualizada (custo- será desenvolvido às necessidades
mização em massa). No marketing de específicas daquele(s) segmento(s).
massa, as empresas produzem em
grande escala, distribuem estes pro- Com a segmentação, a empresa
dutos e tentam atrair todos os tipos de poderá se distinguir dos concorrentes,
clientes, enquanto na customização em dedicando-se a fatias de mercado que
massa há a personalização de algum tenha melhores condições de atender.
componente do composto de marke- Neste sentido, é necessário estimar o
ting (seção 2.3.3) para cada membro tamanho atual do mercado, identificar
do mercado. Embora, teoricamente os concorrentes e suas respectivas par-
estas duas estratégias possam existir, ticipações, e o potencial de crescimento
na prática dificilmente as empresas as deste mercado. Na sequência, deve-se
escolhem devido a diversidade dos separar os clientes em grupos, de tal
clientes para todos serem tratados forma que a necessidade genérica a
de forma homogênea por um lado, e ser atendida (por exemplo, semente de
os custos envolvidos na estratégia de tomate) tenha demandas por atributos
customização em massa, por outro. específicos, que são semelhantes para
Assim, a segmentação aparece como os que pertencem ao mesmo grupo e
alternativa viável. diferentes dos demais grupos. A base
da divisão dos grupos pode ser feita
Segmentar é dividir um mercado por critérios geográficos, demográfi-
em grupos de compradores potenciais cos, sócio-econômicas, específicas ao
que tenham semelhantes necessida- produto, culturais ou comportamentais
des e desejos, percepções de valo- conforme detalhados na Tabela 3.
res ou comportamentos de compra.
Então, segmentar o mercado implica Após a divisão dos segmentos, a
em distinguir diferentes segmentos empresa deve escolher quantos e quais
no seu mercado e escolher um ou devem atender. Para isto, é necessário
mais destes segmentos como alvo da obsevar a atratividade dos segmentos,
empresa. A idéia é desenvolver um avaliando o tamanho de cada um, o
composto de marketing específico para seu potencial de crescimento, riscos,
satisfazer a(s) necessidade(s) deste(s) economias de escala e lucratividade.
segmento(s) alvo. A estratégia de seg- Além destes, é necessário averiguar
mentação de mercado bem conduzida se existe compatibilidade entre o in-
tem sido importante para a identificação vestimento necessário para atingir
de oportunidades e para fazer ajustes o(s) segmento(s) e os objetivos de sua
nos produtos, preços, cadeia produtiva empresa. Por exemplo, se a empresa
e na promoção das empresas do agro- não têm as competências necessárias
negócio. Quando a empresa segmenta e não pretende adquirí-las/criá-las para
o mercado, torna mais fácil satisfazer a produção de sementes híbridas, não
as necessidades e desejos dos seus se pode eleger como alvo um segmento
clientes, pois o composto de marketing de agricultores ávido por este tipo de

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Tabela 3. Bases utilizadas para segmentar mercados agrícolas

tecnologia. Após a escolha de um ou (cadeia produtiva/distribuição) e de pro-


mais segmentos, é necessário definir o moção. Estas variáveis são conhecidas
composto de marketing mais ajustado como o “marketing mix” ou os 4 P´s de
às demandas do(s) segmento(s). marketing, ou ainda de composto de
marketing e vem do Inglês dos termos
2.3.3. O composto de marketing product, price, place and promotion.
Elas são variáveis que o gestor de
As principais decisões de gestão marketing necessita controlar para
de marketing podem ser classificadas melhor satisfazer o seu cliente alvo. O
em uma das quatro categorias: Deci- composto de marketing é delineado na
sões de produto, de preço, de praça Figura 6 a seguir.

Figura 6. O composto de marketing

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A idéia é que cada empresa deve •  Produto ampliado (serviços e
gerar uma resposta positiva ao seu benefícios adicionais que não são es-
mercado alvo através da combinação perados pelos clientes, mas que podem
“ótima” destes quatro elementos. Ou ser adicionados)
seja, é o conjunto de ferramentas que
a empresa utiliza para perseguir seus •  Produto potencial (ampliações
objetivos de marketing (criar valor) e inovações que podem ser adicionadas
no mercado-alvo e alcançar os seus ou introduzidas no produto no futuro).
objetivos.
Preço
Produto
O preço é parte do custo total que
O produto constitui-se de um os clientes pagam numa troca. Ele é
conjunto de atributos, funções e bene- o único componente do composto de
fícios. Eles podem ser compostos de marketing que gera receita, enquanto
características físicas (tangíveis), as que os outros 3 P´s são custos da
quais estão relacionadas diretamente empresa. Há custo para produzir,
com sua qualidade intrínseca (Por para organizar a cadeia produtiva e
exemplo, o tamanho, a uniformidade, de promover os produtos/serviços. Os
a germinação da semente). Porém, preços devem suportar estes elemen-
do produto também fazem parte os tos do marketing mix. A determinação
serviços oferecidos e a marca, que do preço do produto não é algo sim-
são atributos intangíveis e que carac- ples e deve, necessariamente, refletir
terizam a sua qualidade extrínseca. As as relações entre oferta e demanda.
decisões de produto incluem aspectos Assim, na determinação da estratégia
como função, aparência, embalagens, de preço da semente, alguns aspectos
serviços, garantias etc. O produto deve devem ser observados: Primeiro, o
ser desejado pelo cliente e beneficiá-lo preço deve ser capaz de gerar lucro à
através de: empresa, portanto deve ser maior que
o custo de desenvolvimento e produ-
•  Benefício núcleo (razão da ção, porém não pode ser alto ao nível
compra da semente) de desestimular a compra. Segundo,
ele deve ser suficientemente baixo ao
•  Produto básico (no caso da ponto de ser atrativo aos clientes, mas
semente, seria aquilo que toda semente não tão baixo de modo a depreciar o
deve apresentar, como alta sanidade, produto aos olhos dos clientes. Além
alto vigor, alta germinação, pureza, destes, na definição dos preços da se-
entre outros). mente, deve-se considerar a estrutura
de custos da empresa, a concorrência
•  Produto real ou esperado (ex- atual e potencial naquele mercado, os
pectativas do cliente quanto à qualida- objetivos da empresa, os segmentos
de, marca, embalagem, confiabilidade, de mercado, assim como o posiciona-
segurança etc.) mento (por exemplo, preço-qualidade)

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que se pretende dar à semente frente veis supridores e/ou clientes, além de
às alternativas do mercado. minimizar os problemas de assimetria
de informações entre os agentes e/ou
Praça (Cadeia Produtiva / organizações econômicas. Já a integra-
Distribuição) ção vertical se dá quando os custos de
se transacionar com agentes externos
É uma rede ou sistema organiza- inviabiliza a atividade. No quadro 4
do de instituições que executam todas há dois exemplos de coordenação de
as funções necessárias, a fim de rea- transações por uma empresa produtora
lizar a tarefa de marketing de ligar os de sementes. No primeiro, a empresa,
produtos e serviços aos usuários finais. transaciona via mercado com as em-
O objetivo da cadeia produtiva é dis- presas fornecedoras de fertilizantes
ponibilizar o produto/serviço ao cliente da região. No segundo, ela tem uma
final de forma mais fácil e conveniente parceria com a Embrapa para suprir
para ser adquirido. Porém, nenhuma suas necessidades de material genéti-
empresa do setor sementeiro pode co para a multiplicação de cultivares. A
executar todas as atividades e tarefas escolha destas formas de coordenação
sozinha. Ela precisa, à montante, contar são dependentes das características
com fornecedores de insumos (como das transações no que diz respeito às
por exemplo, material genético, máqui- incertezas envolvidas, a freqüência de
nas, fertilizantes, multiplicadores etc.) e ocorrência e as especificidades dos
à jusante, de distribuidores (atacadis- ativos envolvidos na transação. Confor-
tas, distribuidores, representantes etc). me Williansom (1995), quanto maiores
Cada empresa sementeira deve “de- forem as incertezas, as especificidades
senhar” sua cadeia produtiva de forma dos ativos e a freqüência das transa-
eficiente de modo a minimizar os seus ções mais provável de uma transação
custos de transação. As transações ser coordenada internamente. Este,
podem ser governadas via o processo de fato, parece confirmar a escolha da
simples de compra e venda (transações forma de coordenação das transações
via mercado), integração vertical (onde da empresa do Tabela 4.
a empresa internaliza a transação) e
uma forma híbrida entre ambas (con- Promoção
tratual). A estrutura de governança via
mercado, possibilita um controle menor Uma semente de sucesso não
sobre o comportamento dos indivíduos significa nada se o seu benefício não
e o sistema básico de ajuste é via preço. puder ser comunicado claramente ao
A contratual, baseia-se em incentivos cliente alvo. A promoção representa os
e/ou restrições através de contratos vários aspectos da comunicação do seu
formais ou informais, que permitem produto ou serviço com o objetivo de
controlar ou minimizar a questão da gerar respostas positivas dos clientes.
racionalidade limitada dos agentes, o Portanto, além de desenvolver uma
comportamento oportunista dos possí- ótima semente, a um preço atraente e

31
Tabela 4. Exemplo de coordenação das transações em empresas de sementes

torná-la acessível, também há a neces- •  Vendas Pessoais: É a inte-


sidade de comunicar-se com os atuais ração pessoal com o cliente visando
e potenciais interessados. Quando se apresentar, responder perguntas e tirar
pretende comunicar com o público, pedidos de sementes;
sugere-se algumas formas alternativas
de fazê-la: •  Marketing Direto: É a utili-
zação do correio, telefone, e-mail ou
•  Propaganda: Comunicação internet para o envio de material publi-
paga e não pessoal feita através da citário para comunicar-se diretamente
mídia de massa; com clientes identificados atuais e
potenciais. Atualmente, o marketing
•  Relações Públicas: Objetiva direto está em alta pelas facilidades
desenvolver uma imagem positiva ou propiciadas pela internet no envio de
proteger a imagem da organização. material de comunicação personalizado
Normalmente ela não é paga e ocorre a cada cliente.
via uma variedade de programas e
ações para construir relacionamentos 2.3.4 Posicionamento da Oferta
com a sociedade de modo a obter pu-
blicidade favorável; É o esforço para influenciar a
percepção do cliente para distinguir a
•  Promoção de Vendas: Comu- sua semente em relação a oferta dos
mente usada para obter aumentos nas concorrentes. O objetivo é ocupar de
vendas no curto prazo. Pode se sinte- forma clara, única e de forma vantajo-
tizar em redução de preços ou ofertas sa uma posição na mente do cliente.
especiais para encorajar a experimen- Exemplos tais como “a semente de
tação da semente ou a sua compra; melhor qualidade” “a mais econômica

32
em relação ao desempenho” “a mais especialmente àqueles ligados à indús-
adaptada” etc, são estratégias de po- tria sementeira de hortaliças.
sicionamento com potencial de uso por
empresas de sementes. Como os atores do agronegócio
estão principalmente preocupados com o
A estratégia de posicionamento é dia-a-dia de suas empresas e, em geral,
fundamental para desenvolver o com- não dispõem de tempo para elaborar
posto de marketing adequado. Pres- sofisticados planos, o material apresen-
supõe que se identifiquem possíveis tado compõem-se de uma metodologia
vantagens competitivas para se criar simples de como elaborar um bom plano
uma “posição” através da diferencia- de marketing para a empresa.
ção de um ou mais dos elementos do
composto de marketing. A diferenciação
Referências
pode ser obtida no produto físico (vigor,
tolerância à pragas, sanidade, desem- DRUCKER, P. F. Inovação e espírito
penho etc.), nos serviços agregados empreendedor. São Paulo: Pioneira,
(facilidade de pedido, entrega, assis- 1987. 378 p.
tência técnica etc.), no atendimento ao
cliente (competência, confiabilidade, KOTLER, P. Administração de ma-
credibilidade etc.), na cadeia produtiva rketing: a edição do novo milênio. São
(nível de cobertura, competência, de- Paulo: Pearson Prentice Hall, 2000.
sempenho etc.), na imagem da empre- PORTER, M. E. Competitive Strategy.
sa (símbolos, eventos, atmosfera etc.). New York: The Free Press, 1980. 557 p.
Embora uma semente tenha al- RIBEIRO, A. H.; MONTEIRO, P. R.;
gumas características de um produto ALVES, R. A. E.; CARVALHO, C. B.
commodity, o segredo de um posicio- Estratégias de valor, capacidades e
namento de sucesso é torná-la uma competências em mercados organiza-
oferta diferenciada. A meta é enfatizar cionais: tendências e desafios. Cader-
as vantagens singulares da semente e no de Idéias, Nova Lima-MG, Ano 07,
diferenciá-la da dos concorrentes. n. 08, 2007.

3. Considerações finais VAN DUREN, E.; MARTIN, L. E.; WES-


TGREN, R. Assenssing the competiti-
A literatura de marketing teve veness of Canada’s agrifood industry.
crescimento muito grande nos últimos Canadian Journal of Agricultural Eco-
anos, porém os livros de planejamento nomics, Ottawa, n. 39, p. 727-738, 1991.
de marketing são, em geral, pouco espe-
cíficos, fazendo a tarefa de planejamento WILLIAMSON, O. E. Hierarquies, Ma-
de marketing difícil. Neste capítulo pre- rkets and power in the economy: an
tendeu-se ser prático e sucinto de modo economic perspective. Industrial and
a suprir esta lacuna e que pudesse ser Corporate Change. v. 4, n. 1, p. 21-49,
usado por empresários do agronegócio, 1995.

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Produção de
Foto: Patrícia Silva

sementes de
cenoura
BRS Planalto.
Foto: Patrícia Silva
Desenvolvimento de cultivares e
híbridos de hortaliças

Leonardo Silva Boiteux


Maria Esther de Noronha Fonseca
Leonardo de Britto Giordano
Warley Marcos Nascimento

Introdução cos e abióticos que impõe alguma séria


limitação no cultivo de uma dada horta-
O melhoramento genético de hor- liça. Neste cenário, um conhecimento
taliças executa tarefas cujos resultados amplo e detalhado da cadeia produtiva
devem atender demandas múltiplas que das diferentes espécies de hortaliças é
são, muitas vezes, não complemen- uma condição essencial na antecipação
tares ou, algumas vezes, até mesmo de demandas futuras e na determina-
conflitantes. Cultivares e híbridos me- ção do ideótipo a ser buscado dentro
lhorados devem atender aos interesses do programa de melhoramento.
de produtores rurais, companhias de
sementes, comerciantes (varejistas e Tendo disponibilidade de recursos
atacadistas), indústrias processadoras financeiros/infra-estruturais e objeti-
e consumidores. Um programa de me- vos definidos, o líder do programa de
lhoramento eficiente deve apresentar melhoramento deve tomar a primeira
uma estrutura flexível permitindo rá- e crucial decisão que é escolher o ma-
pidos ajustes e respostas de acordo terial genético que será utilizado com
com as mudanças de tendências de parentais nos cruzamentos visando o
mercado bem como para enfrentar o desenvolvimento uma nova cultivar ou
surgimento de novos problemas bióti- híbrido. Eleger bons genitores é uma

37
etapa crítica que vai definir (ou não) vegetativa (multiplicação clonal). Dispo-
o sucesso de um programa de me- sitivos botânicos para autogamia estão
lhoramento. Geralmente, um desses presentes em diferentes hortaliças. O
parentais representa uma linhagem, tomateiro cultivado (Solanum lycopersi-
população ou cultivar elite e o outro cum) possui um cone de anteras sobre
parental (denominado de ‘suplemen- o estigma, reduzindo a possibilidade
tar’) é o que aportará a variabilidade de fecundação cruzada. Por sua vez, a
genética para alavancar, ainda mais, alface (Lactuca sativa), a ervilha (Pisum
o germoplasma elite disponível. Essa sativum) e o feijão vagem (Phaseolus
variabilidade presente no parental vulgaris) apresentam flores cleisto-
suplementar pode estar relacionada à gâmicas que só abrem após fertiliza-
resistência a fatores bióticos e abióti- ção. Mecanismos de alogamia estão
cos, maior produtividade, maior teor de presentes em cucurbitáceas (plantas
sólidos solúveis, diferentes colorações, monóicas ou unisexuadas) e cenoura
acumulação de compostos nutricionais (flores perfeitas, mas com a presença
e nutracêuticos etc. Normalmente o ger- de protandria).
moplasma suplementar dispõe de uma
característica de interesse agronômico Outro importante dispositivo
em associação com outros caracteres botânico/genético de alogamia é a
fenotipicamente inferiores. Isso ocorre auto-incompatibilidade. Esse fenômeno
especialmente quando se faz necessá- genético é caracterizado pela presen-
rio recorrer à hibridação interespecífica ça de plantas que possuem gametas
para obtenção dessa variabilidade de funcionais, mas que, no entanto, não
interesse. Assim, o programa adotado produzem zigotos e/ou não produzem
deve dispor de ferramentas para evitar e/ sementes quando autopolinizadas.
ou minimizar a incorporação simultânea Esse mecanismo se encontra presente
(ou concomitante) dessas característi- em muitas espécies de brássicas. O sis-
cas indesejáveis no germoplasma elite. tema de macho-esterilidade é outro dis-
positivo botânico de alogamia em que
O mecanismo predominante de a planta não consegue produzir pólen
reprodução e a herança genética da de maneira alguma, ou não consegue
característica a ser explorada são infor- produzir pólen viável/funcional. A este-
mações de extrema relevância na esco- rilidade é resultado de grãos de pólen
lha do método de melhoramento a ser ou estames defectivos. Esse sistema
adotado. Existem diferentes métodos (que pode ser genético, citoplasmático
de melhoramento que são aplicados ou genético-citoplasmático) ocorre em
no desenvolvimento de uma cultivar cenoura, cebola, milho-doce, tomate,
de hortaliças de acordo com o sistema Capsicum e também em brássicas. Os
de reprodução: plantas autógamas sistemas de auto-incompatibilidade e
(predominância de autofecundação), o de macho-esterilidade têm sido em-
alógamas (predominante obtidas via pregados na produção comercial de
fecundação cruzada) e de propagação sementes híbridas dessas hortaliças.

38
Base Genética do Melhoramento linhagens, estas podem ser libera-
das como cultivares; (3) variedades
A base do melhoramento genéti- multi-linhas para cultivo em diferentes
co de plantas é a variabilidade genética proporções (misturas físicas) de culti-
presente no germoplasma das dife- vares e/ou linhagens superiores e (4)
rentes espécies. As principais fontes obtenção de híbridos F1.
ou origem da variabilidade genética
são as mutações (naturais ou indu- Os principais objetivos a serem
zidas). A tarefa primordial dentro do atingidos no melhoramento de plantas
programa de melhoramento genético alógamas são: (1) obtenção de varieda-
é conduzir programas de hibridação des melhoradas de polinização aberta
entre acessos contrastantes visando via melhoramento de populações com
mobilizar essa variabilidade genética. um aumento paulatino da frequência de
Dessa forma, as três etapas principais genes de interesse; (2) obtenção de li-
dos programas de melhoramento são nhas puras para produzir híbridos (pode
(1) estabelecimento e geração de va- ser difícil em espécies que apresentam
riabilidade genética (na maioria das intensa depressão por endogamia);
vezes via cruzamentos/hibridização); (3) obtenção de variedades sintéticas
(2) identificação de recombinantes com (compostas a partir da mistura de linha-
atributos superiores e seleção desses gens) que produzem ótimos híbridos
indivíduos; e (3) liberação, distribui- entre si; e (4) hibridação entre varieda-
ção e comercialização desse material des de polinização aberta e linhagens
genético (linhagem, cultivares, híbri- visando à obtenção de híbridos F1.
dos) com características superiores
Por sua vez, o objetivo do me-
(GEPTS; HANCOCK, 2006).
lhoramento de plantas de propagação
vegetativa tais como batata, batata
Objetivos do melhoramento genético
doce, mandioquinha salsa e morango
Existem vários métodos de me- é a obtenção de uma única planta
lhoramento, ou combinações de ele- (genótipo) com características supe-
mentos desses métodos, disponíveis riores. Esse genótipo pode ser então
para serem utilizados de acordo com propagado indefinidamente e avaliado
as características e objetivos de cada em diferentes condições ambientais. O
programa. Os quatro principais obje- problema inerente às cultivares de pro-
tivos a serem atingidos para plantas pagação vegetativa é a contaminação
autógamas são: (1) obtenção de li- por patógenos ao longo dos ciclos de
nhagens puras (homozigóticas, endo- multiplicação (a chamada “degeneres-
gâmicas, uniformes e que não perdem cência” da cultivar).
vigor) via autopolinização controlada; Métodos de melhoramento
(2) obtenção de cultivares de poliniza-
ção aberta que vai depender do valor Para atingir esses objetivos, os
agronômico/comercial de algumas métodos de melhoramento mais am-

39
plamente utilizados são: introdução de Prf/Fen) na cultivar ‘Viradoro’ (GIORDA-
germoplasma, seleção massal, méto- NO et al., 2010).
dos de população, seleção de plantas
individuais, seleção recorrente, des- O retrocruzamento envolve
cendente de uma única semente, ge- uma série de cruzamentos recorren-
nealógico e retrocruzamentos (FERH, tes. O genitor que participa apenas do
1987; ALLARD, 1971; POEHLMAN, primeiro cruzamento (B) é denominado
1987). Em adição aos métodos de de doador ou não-recorrente enquanto
melhoramento, a seleção de plantas que o utilizado em todos os cruzamen-
individuais com teste de progênie tem tos é conhecido como genitor recorren-
sido mais uma ferramenta utilizada te (A). O princípio do retrocruzamento
pelos melhoristas, na seleção de é a recuperação do genoma do genitor
plantas superiores. O teste de progê- recorrente mantendo-se apenas o(s)
nie consiste no plantio individual das gene(s) de interesse do genitor não
progênies oriundas dessas plantas recorrente. Nas situações onde a he-
selecionadas, possibilitando a compro- rança é recessiva, se faz necessário
vação (ou não) de sua superioridade uma geração de autofecundação entre
e uniformidade ou a demonstração da os cruzamentos recorrentes. Esta au-
incorporação estável de um fator ge- tofecundação possibilita a identificação
nético de interesse (ALLARD, 1971). de genótipos, com os genes recessivos
Abaixo segue a síntese de algumas em homozigose, os quais serão cruza-
dessas estratégias. dos com o genitor recorrente (BORÉM,
1997).
Método de Retrocruzamento
Quando o número de genes
Esse método é empregado em envolvidos no controle genético da
cruzamentos divergentes com o intuito característica em questão for eleva-
de incorporar e fixar um ou pouco genes do, é necessária a manipulação de
em uma variedade que já apresenta grandes populações, tornando-se
outras características agronômicas su- mais complexa a transferência dessas
periores. As cultivares de tomate para características quantitativas. Neste
processamento industrial ‘Viradoro’ e caso, pode-se utilizar uma modificação
‘Tospodoro’ são exemplos ilustrativos do método, adicionando-se duas ou
do uso deste método. A cultivar ‘Virado- três gerações de auto-fecundações
ro’ foi desenvolvida pela incorporação entre cada cruzamento recorrente. As
da resistência a Tospovirus (gene Sw- auto-fecundações aumentam o grau
5) na cultivar IPA-5 (GIORDANO et al., de homozigose e consequentemente
2000). Por sua vez, a cultivar ‘Tospodo- auxiliam na fixação dos genes na po-
ro’ foi desenvolvida pela incorporação pulação. Esta metodologia é conhecida
da resistência a Pseudomonas syringae por IBLS, do inglês, inbred backcross
pv. tomato (agrupamento de genes Pto/ line system (OWENS et al., 1985).

40
Método da descendência de uma caso do tomate, este método permite o
única semente avanço de até três gerações por ano.

Comumente conhecido como Método genealógico


SSD (do inglês, single seed descent)
consiste no aumento da homozigose, Plantas F1, obtidas por meio de
sem seleção, na medida em que se cruzamentos entre os genitores (ger-
avançam as gerações. Neste método, moplasma elite) são autofecundadas
as seleções normalmente só são efe- para formação da próxima geração (F2).
tuadas após a obtenção de linhagens A partir desta etapa, as gerações são
avançadas. No caso de hortaliças conduzidas sob condições de cultivo,
autógamas, após o cruzamento entre porém com um espaçamento maior
os genitores, são plantadas em torno para possibilitar a avaliação individual
de 10 plantas da geração F1, visando das plantas. As plantas fenotipicamente
a colheita de sementes F2. A partir da superiores são selecionadas e, cada
geração F2, coleta-se aleatoriamente uma dará origem a uma família na gera-
uma semente de cada planta (400 ção subsequente. Este procedimento
a 500 plantas). Estas sementes são de seleção é repetido até que o nível
agrupadas para formação da geração de homozigose desejado seja obtido
F3, mantendo-se aproximadamente o (geração F6). A estrutura de famílias
mesmo número de plantas da geração adotada no método genealógico per-
F2. Da população F3, é colhida aleato- mite a seleção tanto de indivíduos
riamente uma semente de cada planta superiores dentro de famílias (nas pri-
para formação da população F4 e assim meiras gerações) quanto das próprias
sucessivamente, até que se atinja um famílias (em gerações avançadas).
nível satisfatório de homozigose (F6 Todas as gerações sob processo de
ou F7). seleção devem ser conduzidas em
região e época de plantio representa-
Todo este processo de avanço de tivas do ambiente onde será plantada
gerações, sem seleção, poderá ser feito a nova cultivar. O método genealógi-
fora do ambiente para o qual está se de- co se fundamenta na otimização nos
senvolvendo a cultivar. Após esta etapa, procedimentos de seleção com base
as linhagens serão avaliadas por meio nos sucessivos testes de progênie e
de testes de progênie nas respectivas no conhecimento da genealogia dos
regiões de produção. Posteriormente, indivíduos selecionados. Portanto,
realizam-se os procedimentos comuns após ser atingido o grau satisfatório de
aos métodos de melhoramento, envol- homozigose, linhagens que apresen-
vendo avaliações finais dos genótipos tem ancestral comum de uma ou duas
selecionados. Uma das principais ca- gerações anteriores podem ser consi-
racterísticas do SSD é a dissociação deradas geneticamente semelhantes
entre as fases de aumento da homozi- e deverão ser eleitas para avaliações
gose e de seleção (BORÉM, 1997). No futuras (BORÉM, 1997).

41
Base tecnológica para a produção de sementes. Nos programas de melho-
híbridos: caso tomate ramento de tomate ( incluindo também
pimentão e berinjela), os cruzamentos
As linhagens avançadas obtidas são realizados geralmente em ambien-
pelos diferentes métodos de me- te protegido, utilizando-se telados ou
lhoramento, deverão ser finalmente casas de vegetação. Para facilitar o
avaliadas utilizando-se delineamentos manuseio, as plantas são conduzidas
experimentais adequados com o intuito com estacas. As técnicas comumente
de se eleger a(s) nova(s) cultivar(es). utilizadas durante o processo de hibri-
Nesta fase, podem ser realizados testes dação artificial de hortaliças, em espe-
de Capacidade Geral de Combinação cial o tomateiro, foram desenvolvidas e
(CGC) e Capacidade Específica de descritas por Barrons e Lucas (1942) e
Combinação (CEC), para a identificação por Rick (1980). Alguns dessas técnicas
das melhores linhagens e combinações serão descritas a seguir:
de linhagens visando a seleção de hí-
bridos comerciais com características Emasculação da flor
agronômicas superiores. Diferentes
desenhos experimentais se aplicam na Consiste na remoção dos esta-
avaliação de CGC e CEC. Teoricamen- mes (antera e filete) dos botões florais
te, a baixa divergência genética entre do genitor feminino, antes da liberação
os pais implica na obtenção de baixos dos grãos de pólen das anteras. A emas-
níveis de heterose, o que indica pouca culação tem início 30 a 40 dias após o
vantagem do híbrido F1 em relação à transplante das mudas, ou 55 a 65 dias
média dos pais. após o semeio. No progenitor feminino,
as flores do primeiro cacho devem ser
É interessante notar que, mes- eliminadas. Os botões florais do segun-
mo em hortaliças autógamas, tem-se do cacho que abrirão em 2-3 dias são
observado uma grande expansão no escolhidos para serem emasculados. Os
uso de sementes híbridas nas últimas botões florais deverão ser emasculados
décadas, como resultado da maior fa- um a dois dias antes da antese para evi-
cilidade de combinar um número maior tar autofecundação. Nesse estágio, as
de atributos em um único genótipo e à sépalas começam a separar-se, as péta-
maior agregação de valores à semente las apresentam-se com coloração verde-
(GEORGIEV, 1991). A hibridação de esbranquiçada e o estigma encontra-se
espécies de hortaliças, e neste caso receptivo. As pinças, tesouras e as mãos
de tomate, visando à produção de se- dos operários deverão ser lavadas e
mentes híbridas comerciais contempla desinfetadas com álcool 95% para evi-
as etapas de: emasculação, coleta do tar contaminação com pólen estranho.
pólen, polinização, produção dos fru- Deve-se utilizar as três primeiras flores
tos, colheita dos frutos, extração das de cada cacho, pois a partir da quarta
sementes, secagem das sementes, flor observa-se redução no “pegamento”
embalagem e armazenamento das de frutos (BARRONS; LUCAS, 1942). A

42
remoção dos estames é feita com auxílio sitos de mais fácil manuseio. Pode-se
de uma pinça ou, simplesmente, com ainda remover o cone de anteras das
os dedos médios e polegar, tomando o flores e colocar em envelopes de papel
cuidado de não danificar o estilete nem o manteiga para secar. A secagem dos
estigma. Com um pouco de experiência cones de anteras é realizada colocando
é possível remover o cone de estames os envelopes a 30 cm de uma lâmpa-
e a corola em uma só operação. Alguns da de 100 watts por 24 h; a lâmpada
melhoristas preferem remover apenas cria uma temperatura de secagem de
o cone das anteras deixando o cálice, a cerca de 30ºC. Os cones de anteras
corola e o pistilo. secos devem são colocados em um
pote de plástico e coberto com uma
As flores ou os cachos polinizados malha fina (200-300 mesh) e vedado
são identificados por uma etiqueta ou com uma tampa. Em seguida, o pote
grampos com o tipo de cruzamento, a é chacoalhado 10-20 vezes e desse
data e o nome da pessoa responsável modo o pólen é coletado na tampa.
pela polinização. Este processo é mais Logo depois o pólen é transferido para
custoso e de maior risco, uma vez que um pote pequeno fácil de manusear.
estas marcas podem se perder. Algumas Pólen recém colhido garante um me-
sépalas podem ser cortadas para facili- lhor pegamento de fruto. Entretanto, o
tar, na hora da colheita, a identificação pólen pode permanecer viável por vá-
de frutos que eventualmente foram au- rias semanas quando armazenado em
tofecundados. As flores não-polinizadas ambientes com baixa umidade relativa
são removidas, para evitar mistura de do ar, sendo que o mesmo poderá ser
frutos resultantes de autofecundação armazenado por dois a três dias em um
com os obtidos a partir de cruzamentos. refrigerador comum. Caso o armazena-
mento seja feito em dissecador, com
Coleta do pólen temperatura de 0 a 5°C, o pólen poderá
permanecer viável por um período de
A produção de pólen poderá ser
até seis meses (MCGUIRE, 1952).
influenciada pelo estado nutricional
Utilizando-se técnicas de liofilização, o
da planta (HOWLET, 1936), por altas
pólen poderá ser armazenado por pelo
(40°C) e por baixas (10°C) temperatu-
menos dois anos. Entretanto, deve-se
ras. As flores completamente abertas do
ter sempre em mente que as melhores
parental masculino devem ser coletas
taxas de fertilização são obtidas com
para extração de pólen nas primeiras
pólen recém-coletado.
horas da manhã antes da abertura das
anteras. Não se recomenda a coleta de Polinização
pólen em manhãs de dias chuvosos. A
retirada de pólen deverá ser feita com A polinização poderá ser feita ime-
o auxílio de pequenos vibradores ma- diatamente após o processo de emas-
nuais movidos a pilhas, sendo o grão culação e durante todo o dia, com igual
de pólen colocado em pequenos depó- eficiência, evitando, entretanto, polini-

43
zações ao final da tarde (DEMPSEY; de frutos obtidos por planta irá depen-
BOYTON, 1962). Não se recomenda der do genótipo utilizado como genitor
fazer polinizações em dias chuvosos. O feminino. Como regra, recomenda-se
estigma deve ser exposto para facilitar 30 frutos para linhagens que produzem
as polinizações. A operação é executa- frutos grandes; 40 frutos para linhagens
da encostando o estigma no recipiente que produzem frutos medianos e 50 ou
contendo pólen. Quando as hibridações mais frutos para àquelas que produzem
são feitas em casa de vegetação, não é frutos pequenos.
necessária a proteção das flores recém-
polinizadas com sacos de papel, pois Colheita dos frutos
nestas condições, a possibilidade de
contaminação com pólen indesejável é Os frutos resultantes do cru-
baixa, principalmente quando se remo- zamento são colhidos 40 a 50 dias
ve as pétalas juntamente com o cone após a polinização. Deve-se colher
de anteras. de preferência frutos completamente
maduros. Neste estádio as sementes
A polinização é feita três vezes estarão totalmente desenvolvidas.
semanalmente num período de 3-5 Caso tenha sido realizada a colheita
semanas. Polinizações bem sucedidas de frutos não completamente maduros,
são facilmente observadas em uma se- colocá-los em local seco e frio por 4-5
mana com o início do desenvolvimento dias. Utilizar contentores plásticos para
dos frutos. Quando a operação de cru- o armazenamento dos frutos. Somente
zamento é concluída, recomenda-se a partir deste período é que serão assim
remover qualquer flor não-polinizada extraídos.
para reduzir a freqüência de contami-
nação de sementes autofecundadas A germinação das sementes
antes da colheita. dentro dos frutos é uma anormalidade
fisiológica podendo ocorrer em deter-
Produção dos frutos minadas cultivares, quando os frutos
encontram-se excessivamente maduros,
A taxa de “pegamento” de frutos ou em frutos atacados por determinados
no processo de hibridação artificial é de patógenos (ex. Alternaria alternata). A
70%, dependendo da posição da flor no aplicação excessiva de adubos nitro-
cacho (BARRONS; LUCAS, 1942), do genados, a presença do gene Rin, bem
estado nutricional da planta, da tempe- como de produtos promotores da síntese
ratura e da umidade do ar. Temperatura de etileno (Ethefon) durante a produção
entre 22 e 28°C e umidade na faixa de também favorecem a germinação das
70 a 85% favorecem a hibridação arti- sementes dentro dos frutos.
ficial (KAUL, 1991). Nas condições do
Brasil Central, tem-se obtido em média Extração das sementes
72% de “pegamento” de fruto, quando
se utiliza telados cobertos. O número Nos programas de melhoramen-
to de tomate trabalha-se normalmente

44
com pequenas quantidades de semen- das mesmas. Esta operação deverá
tes, sendo a extração feita manualmen- ser repetida algumas vezes até que a
te. Neste caso, os frutos de um mesmo mucilagem e o restante da polpa sejam
cruzamento poderão ser colocados completamente removidos, permane-
em um saco plástico ou em pequenos cendo apenas as sementes no fundo
recipientes plásticos procedendo-se do vasilhame. A extração da mucilagem
o esmagamento dos mesmos. Para poderá ser feita utilizando-se processos
remoção da sarcotesta, que é a capa químicos. Neste caso, o suco contendo
gelatinosa (mucilagem) que envolve as sementes e o líquido placentário é
as sementes torna-se necessária a tratado com ácido clorídrico comercial
fermentação da mistura contendo o a 36% diluído em água (1:2) na pro-
líquido placentário e as sementes. A re- porção de 30 ml da solução para 400
moção poderá ser efetuada por meio de ml do suco (NASCIMENTO, 2000).
fermentação natural ou por processos O suco deverá ser agitado à medida
químicos. Para pequenas quantidades que o ácido estiver sendo adicionado.
de sementes normalmente utiliza-se Continuar agitando durante 30 minutos,
a fermentação natural. O líquido pla- para remoção completa da mucilagem,
centário e as sementes, separadas do procedendo-se imediatamente a lava-
restante da polpa, são colocados para gem das sementes.
fermentar em vasilhames plásticos por
um período de 24 a 48 horas. Quanto Secagem das sementes
maior a temperatura do ambiente,
menor deve ser a duração da fermen- A secagem de sementes recém
tação. Se a temperatura for superior a saídas da lavagem deve ser criteriosa,
25°C apenas um dia de fermentação é para evitar perdas de qualidade. As
suficiente. Temperaturas mais eleva- sementes de tomate saem da lava-
das e períodos mais prolongados de gem com níveis próximos de 40-50%
fermentação, por exemplo, três dias, de umidade, incompatíveis com altas
prejudicam a qualidade das semen- temperaturas de secagem. Para retirar
tes. Duas a três vezes ao dia deve-se a umidade superficial, são utilizadas
revolver as sementes para melhorar o centrífugas, minimizando assim, o risco
processo de fermentação e minimizar das sementes iniciarem o processo de
o desenvolvimento de fungos principal- germinação durante a secagem.
mente na superfície.
A faixa ideal para secagem de
Após a fermentação lavar imedia- sementes compreende o intervalo de
tamente as sementes em água corrente 32 a 42ºC. Sementes úmidas devem
mexendo as sementes para que pe- ser espalhadas sobre peneiras de tela
daços mais leves de polpa, placenta e fina e colocadas em locais sombreados
pele comecem a flutuar, permanecendo e ventilados, à temperatura ambiente,
as sementes no fundo dos vasilhames para que a perda da umidade superficial
plásticos e facilitando a separação não seja muito brusca. Em seguida,

45
sugere-se transferí-las para uma sala de ar e peneiras, mesa de gravida-
ventilada, com a temperatura ajusta- de ou simplesmente por sopradores
da para 32ºC, permanecendo por 24 pneumáticos, eliminando assim restos
horas. Posteriormente, para completar de tricomas, de película e de placenta.
o processo, as sementes devem ser
submetidas à temperatura de 38ºC Rendimento de sementes
em secadores ou estufas elétricas,
O rendimento de sementes é
onde irão perder água até atingirem
bastante variável, e dependerá de di-
6% de umidade, ideal para acondicio-
versos fatores (ambiental, nutricional
namento em embalagens herméticas.
etc.), e principalmente do tipo do fruto
Durante as várias fases de secagem,
de tomate em cada segmento (cereja,
recomenda-se revolver as sementes
italiano, salada, indústria etc.); a cul-
evitando assim, o agrupamento (“empe-
tivar também interfere no rendimento
lotamento”) das sementes e permitindo
das sementes. Dependendo das linhas
a homogeneização da umidade. Com
parentais utilizadas, pode-se colher até
isso, evita-se ainda injúrias por excesso
150 Kg / ha. Por exemplo, colhendo
ou deficiência de secagem de algumas 30 frutos cruzados por planta (50 se-
partes do lote. mentes em média/fruto) serão obtidos
5g de sementes por planta, em uma
Beneficiamento das sementes
população de 30.000 plantas /ha.
Inicialmente, retirar os tricomas,
Tratamento das sementes
ou seja, a pilosidade que envolve o
tegumento das sementes. Isto permitirá Diferentes tipos de tratamentos
uma maior eficiência durante o manu- de sementes podem ser realizados,
seio e semeadura, além de propiciar objetivando melhor germinação e
um melhor aspecto visual às sementes. emergência das plântulas em campo.
Para isto, utilizam-se equipamentos de As sementes de tomate podem ser tra-
múltiplos propósitos, que conseguem tadas por via seca ou úmida logo após
pressionar a massa de sementes contra o beneficiamento. O tratamento fúngico
uma chapa cilíndrica de ferro fundido de sementes tem por objetivo eliminar
e assim remover os tricomas presen- algum microrganismo associado às
tes no tegumento, sem causar danos sementes e/ou proteger as sementes
mecânicos às mesmas e prejudicar a durante a fase de germinação e emer-
germinação e vigor. O desaristador, gência. Os princípios ativos comumente
equipamento comumente utilizado no utilizados são o thiram e captan. Vários
beneficiamento de sementes de ce- métodos alternativos para o tratamento
noura, pode ser utilizado para este fim. de sementes têm sido propostos, entre
Para maior eficiência do processo, as eles, o tratamento de sementes via
sementes devem estar secas (6 a 7% calor seco (termoterapia) vem desper-
de umidade). Em seguida, as sementes tando interesse por controlar diversos
devem passar por pequenas máquinas tipos de patógenos. A termoterapia

46
(70°C por 48h) pode ser utilizada para de melhoramento clássico e acelerado
o controle de algumas viroses, como o ritmo de liberação de cultivares con-
o TMV ou ToMV. A utilização de calor vencionais e/ou transgênicas com ca-
úmido (água quente), a temperaturas racterísticas qualitativas e quantitativas
próximas a 50°C durante 30 minutos, de interesse. Este conjunto de técnicas
pode controlar bacterioses localizadas vem também contribuindo para estabe-
internamente às sementes; entretanto lecer sistemas ainda mais criteriosos
esta técnica requer um maior cuidado para a produção de sementes de horta-
na manutenção do binômio tempo/ liças com níveis mais elevados de qua-
temperatura. lidade sanitária e genética. Embora de
emprego incipiente, devido aos custos
Embalagem e armazenamento das de implementação e manutenção ainda
sementes relativamente elevados, estas técnicas
demonstram um enorme potencial para
O grau de umidade das sementes pesquisa e desenvolvimento nas áreas
deve situar-se em torno de 6% para o do melhoramento genético e da produ-
acondicionamento em embalagens à ção de sementes de hortaliças.
prova de umidade, como envelopes
aluminizados (pouches). As principais aplicações deste
conjunto de técnicas moleculares
As sementes devem ser arma- incluem: (1) determinação de pureza
zenadas em ambiente refrigerado, à genética de cultivares e identificação de
temperatura de 4ºC para conservação misturas físicas de sementes e material
a médio prazo (menos de 10 anos) e à de propagação vegetativa; (2) estabele-
temperatura de -20ºC para conserva- cimento de sistemas de caracterização
ção a longo prazo (mais de 10 anos). molecular (“fingerprinting”) de cultivares
Lotes pequenos de sementes podem que podem subsidiar e/ou fornecer
ser mantidos em refrigeradores (gela- amparo legal para proteção de culti-
deiras) em recipientes hermeticamente vares; (3) otimização da organização
fechados. Locais quentes, úmidos e de germoplasma permitindo identificar
pouco ventilados devem ser evitados, duplicatas e/ou seleção de acessos
pois esta condição é favorável à dete- mais representativos em termos de
rioração mais rápida das sementes, que variabilidade genética dentro das cole-
podem perder vigor, reduzir a germina- ções (estabelecimento das chamadas
ção e até perder a viabilidade em curto “core collections”); (4) determinação
espaço de tempo. de potenciais grupos heteróticos e
predição de heterose de acordo com
Estratégias biotecnológicas no me-
a estimativa de distância genéticas
lhoramento genético de hortaliças
entre acessos de germoplasma e de
As ferramentas da biologia mo- cultivares elite; (5) diagnose molecular
lecular e da análise genômica têm au- de fitopatógenos de importância eco-
mentando a eficiência dos programas nômica e/ou associados com sementes

47
permitindo aumentar a qualidade sani- escala de padrões de expressão gênica
tária de lotes de sementes e de material (“DNA chips” / “microarrays”) gerando
propagativo; (6) seleção assistida por os chamados transcriptomas.
marcadores (SAM) visando aumentar
a freqüência de alelos de interesse Aplicações de marcadores molecu-
a partir do instante que o melhorista lares no melhoramento e produção
achar mais conveniente dentro do de sementes de hortaliças
programa de cruzamentos. Exemplos
bem sucedidos de SAM incluem incor- Marcadores moleculares são, en-
poração simultânea de distintos genes tre todos os sistemas de marcadores,
de resistência a doenças em linhagens, os que fornecem uma maior quantidade
seleção precoce para qualidade de fru- de informação (polimorfismos). Muitos
tos e raízes e incorporação de fatores dos sistemas de marcadores molecula-
de macho-esterilidade em linhagens res permitem a identificação de mais do
parentais de híbridos; (7) monitoramen- que um alelo por locus (codominantes).
to da incorporação fatores genéticos No entanto, quase todos necessitam de
controlando a expressão de caracte- análise em gel ou capilar. Os sistemas
rísticas quantitativas (“quantitative trait de marcadores moleculares podem,
loci” - QTL) de interesse via SAM; (8) por sua vez, ser subdivididos em três
isolamento de regiões cromossômicas grupos: (1) Sistemas de marcadores
contendo genes e QTL controlando que envolvem a análise via clivagem
características de interesse e trans- de DNA com enzimas de restrição e
ferência destes fatores genéticos via uso de sondas (radiotivas e/ou frias);
estratégias transgênicas para diferen- (2) Sistemas de marcadores baseados
tes cultivares e espécies de planta; (9) exclusivamente na técnica da reação
desenvolvimento, via sequenciamento em cadeia da polimerase (“polymerase
em larga escala, de extensos catálogos chain reaction” – PCR) e, (3) Sistemas
de genes em plantas submetidas a di- que combinam análise via enzimas de
ferentes tipos de estresses bióticos e restrição e PCR. Os marcadores mole-
abióticos; (10) obtenção da seqüência culares têm sido empregados na cons-
completa de genomas de plantas dicoti- trução de mapas genéticos, em siste-
ledôneas, monocotiledôneas e de diver- mas de “fingerprinting” de cultivares,
sos microorganismos. Esta informação na detecção e diagnose de patógenos
sobre estrutura completas e/ou parciais e doenças, na estimativa de distâncias
de distintos genomas vegetais permi- genéticas e variabilidade de coleções
te refinadas estimativas de relações de germoplasma e principalmente em
filogenéticas e de sintenia (“synteny”) sistemas de seleção assistida por mar-
entre grupos de ligação de distintas cadores. Abaixo descrevemos alguns
espécies de importância agrícola e, (11) destes avanços e ilustrarmos alguns
desenvolvimento de projetos genomas exemplos de aplicação destas tecno-
funcionais em combinação com siste- logias no melhoramento genético e na
mas que permitem análise em larga produção de sementes de hortaliças

48
que estão sendo conduzidos no Brasil Cf-5, Cf-9 (raças de Cladosporium)
e no mundo. (HAMMOND-KOSACK; JONES 1997);
Ve (Verticilium dahlie); I-2 (Fusarium
Organização de germoplasma e raça 2) Mi (espécies de Meloidogyne);
determinação de potenciais grupos Sw-5 (Tospovirus) e Asc (Alternaria
heteróticos alternata).
Do ponto de vista aplicado, o co- A comparação das seqüências
nhecimento gerado por esses estudos destes diversos genes indicou, de
fornece importantes informações para maneira surpreendentemente, que
os melhoristas e geneticistas em termos diversas regiões gênicas estavam con-
de orientar seleção de parentais para servadas ao longo da evolução mesmo
desenvolvimento de populações para para patógenos tão díspares quanto
melhoramento e para mapeamento ge- fungos, bactérias, nematóides e vírus
nético de características de interesse. (STASKAWICZ et al., 1995). Esta con-
servação de seqüências entre distintos
Sistemas de marcadores para resis- genes de resistência clonados permitiu
tência a doenças o desenvolvimento de uma nova classe
de marcadores: os chamados “disease
Diversos mapas locais para re-
resistance analogs” (MICHELMORE,
giões cromossômicas foram construí-
1995; LEISTER et al., 1996; YU et al.,
dos para diversas hortaliças (MOHAN
1996). Esta estratégia tem sido usada
et al., 1997). Estes mapas serviram
para isolar genes de resistência “can-
como âncoras para isolar genes de
didatos” em várias espécies de planta.
resistência via mapeamento (“map
based-cloning” ou “positional cloning”). Mapas genéticos em espécies hor-
O primeiro relato do isolamento e clo- tícolas
nagem de um gene de resistência Pto
(resistência a Pseudomonas tomato) foi A descoberta dos cromossomos
via mapeamento e clonagem da região com sendo os portadores da informa-
cromossômica contendo o marcador ção genética como elaborada por Men-
mais o gene de interesse. A análise de del permitiu enormes avanços no mape-
seqüência indicou que Pto representa, amento de genes. Em 1913, Sturtevant
estruturalmente, uma kinase (MARTIN desenvolveu o conceito de mapeamen-
et al., 1993). Diversos genes de resis- to genético a partir da premissa que se
tência foram posteriormente isolados os genes estão dispostos linearmente
via mapeamento ou via mutagênese nos cromossomos então a freqüência
insercional com transposons (BAKER de recombinação poderia permitir uma
et al., 1997). O tomateiro é a hortaliça estimativa da posição de uma série de
com um maior número de genes de genes ligados. Desta forma, genes e/
resistência clonados até o presente mo- ou marcadores física ou geneticamente
mento. Após o isolamento de Pto foram próximos nos cromossomos tendem a
isolados diversos genes incluindo Cf-2,

49
seguir para o mesmo gameta e, desta Cercospora, para os nematóides Meloi-
forma, serem herdados em conjunto. dogyne javanica, M. incognita e M. are-
É claro que a eficiência na geração de naria e para a bactéria Xanthomonas
mapas genéticos é dependente de uma hortorum pv. carotae. Pendoamento
quantidade elevada de variação de precoce, teor e tipo de carotenóides e
alelos (os chamados polimorfismos). tolerância a calor também estão segre-
Os mapas mais simples (chamados gando nestes cruzamentos (FONSECA,
mapas de três pontos) podem ser feitos 2000). O desenvolvimento de um mapa
manualmente sem muitas dificuldades genético contendo marcadores STS
identificando ordem gênica e distância espaçados em cerca de 10cM pode-
genética (estimada em centiMorgans rá permitir a chamada “aterrissagem
= cM). O valor de 1cM entre dois mar- cromossômica” em grupos de ligação
cadores indica que eles tem 99% de contendo genes de interesse e análise
chance de estarem presentes em um de características do tipo QTL (PILLEN
mesmo gameta. Quando o número et al., 1996).
de marcadores é elevado (o chamado
mapa de múltiplos pontos) existe uma Monitoramento de citoplasma macho
necessidade de uso de programas de estéril
computador (LANDER et al., 1987). O fenômeno da heterose, ampla-
mente definido com sendo a situação
Diversos mapas de diversas
aonde o híbrido F1 supera as linhagens
densidades de marcadores têm sido
parentais em termos de desempenho
construídos para diversas hortaliças
e/ou estabilidade e/ou uniformidade,
(PATERSON, 1996). Em cenoura foram
tem sido explorado intensivamente em
identificados 222 marcadores RAPD
diversas hortaliças. Alguns problemas
(BOITEUX et al., 1999) e alguns mar-
práticos na produção de sementes
cadores baseados em seqüências con-
híbridas envolvem a emasculação do
servadas de retrotransposons que são
parental feminino. Neste sentido, a
bastante abundantes em genomas de
presença de macho-esterilidade gené-
plantas (KUMAR; BENNETZEN, 1999).
tica representa uma grande vantagem
Marcadores STS (“sequence tagged- sobre emasculação artificial. Os marca-
sites” – OLSON et al., 1989) e SCAR dores moleculares podem prestar va-
(“sequence characterized amplified liosos auxílios aos melhoristas através
region” – Paran e Michelmore, 1995) da identificação precoce de genótipos
também foram obtidos em cenoura a de interesse.
partir do sequenciamento de marca-
dores RAPD (BOITEUX et al., 2000). Em hortaliças, os sistemas gené-
Estes mapas de cenoura podem ser ticos-citoplásmaticos têm sido os mais
úteis para múltiplas aplicações, uma empregados, notadamente em cebola
vez que os parentais das populações de e cenoura. Neste sistema existem seis
mapeamento segregam para resistên- possíveis genótipos: (1) N (citoplasma
cia as manchas foliares de Alternaria e normal) Ms Ms (gene nuclear homozi-

50
goto dominante controlando fenótipo feitamente compatível com uma planta
normal = linha restauradora); (2) N Ms S1/S3. Este sistema está presente em
ms = normal; (3) N ms ms = normal (= solanáceas e rosáceas. Os genes en-
linha B mantenedora); (4) S (citoplasma volvidos têm sido clonados e seus efei-
estéril) Ms Ms = normal; (5) S Ms ms = tos fenotípicos têm sido demonstrados.
normal e (6) S ms ms = (macho estéril = Eles representam S-glicoproteínas com
linha A). Tanto a cebola quanto a cenou- atividade de RNAses (inibem o desen-
ra são plantas bianuais com um grande volvimento do tubo polínico em plantas
número de minúsculas flores perfeitas, que contenham alelos S semelhantes).
o que inviabiliza a produção manual de
semente híbrida. Desta forma, o uso de O segundo sistema de auto-
SAM tem se revelado uma importante incompatibilidade é o esporofítico.
ferramenta na identificação de cito- Neste sistema, a auto-incompatibilidade
plasma macho-estéril usando simples é determinada pelo genótipo da planta
marcadores baseados em PCR. Estes parental. Por exemplo, uma planta
polimorfismos entre linhas férteis e diplóide com genótipo S1/S3 é com-
estéreis foram identificados tanto em patível com uma planta S2/S4, mas
DNA mitocondrial quanto em DNA de incompatível com plantas contendo
cloroplastos em cebola (HAVEY, 1995) em seu genótipo S1 e/ou S3. Este sis-
e em DNA de mitocôndria em cenoura tema é característico de espécies de
(BACH et al., 2002). Um elemento fun- Brassica. Os genes envolvidos nestes
damental para aumentar a eficiência do sistemas também têm sido isolados e
sistema será a identificação de marca- representam glicoproteínas que podem
dores para o gene nuclear restaurador ser inibidas por kinases receptoras.
(Ms) permitindo uma pronta e precoce Estes genes estão sendo usados em
identificação de todos os genótipos de seleção assistida em programas de
interesse para produção de linhagens melhoramento e para expressão em
e híbridos nestas duas hortaliças. plantas transgênicas.

Monitoramento de genes envolvidos Mapeamento de QTL


em sistemas de auto-incompatibili-
dade QTL representa a localização
cromossômica de um locus que afe-
Sistemas de auto-incompatibilida- ta parcialmente a expressão de uma
de também estão sendo empregados característica quantitativa. O primeiro
na produção de sementes híbridas. QTL foi um marcador morfológico. Em
No sistema gametofítico, o genótipo 1923, Sax observou que o tamanho da
do pólen é o fator determinante para semente (característica quantitativa)
que a auto-incompatibilidade ocorra. estava associada com cor do grão
Por exemplo, uma planta diplóide com (característica monogênica) em fei-
o genótipo S1/S2 é incompatível com jão. Em 1961, Thoday estabeleceu o
uma planta de genótipo S1/S2 mas per- moderno conceito de QTL ao afirmar

51
que características monogênicas po- inesgotável fonte de genes/marcadores
deriam ser usadas para detectar QTL para o melhoramento clássico e para o
se eles co-segregassem (para revisão desenvolvimento de cultivares de hor-
ver TANKSLEY, 1993). A idéia atual de taliças geneticamente transformadas.
QTL é essencialmente a mesma, só que
desta vez contando com as inovações
tecnológicas que são os marcadores Referências
moleculares e os mapas genéticos de
alta densidade gerados pelo emprego ALLARD, R. W. Princípios do melho-
destes marcadores (TANKSLEY, 1993). ramento genético das plantas. São
Uso de mapas genéticos para estudar Paulo: Edgard Blucher, 1971. 381 p.
características poligênicas tem sido
BACH, I. C.; OLESEN, A.; SIMON, P.
aplicado para diversas características
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de interesse, incluindo resistência a do-
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enças em diversas hortaliças (YOUNG
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na biologia molecular e da análise BALLVORA, A.; SCHORNACK, S.;
genômica têm sido progressivamente BAKER, B. J.; GANAL, M.; U. BONAS.;
incorporados no cotidiano dos progra- LAHAYE, T. Chromosome landing at the
mas de melhoramento genético e nos tomato Bs4 locus. Molecular Genetics
sistemas de produção de sementes de and Genomics, v. 266, p. 639-645,
hortaliças. Estas ferramentas incluem 2000.
os novos e robustos sistemas de gera-
ção de marcadores genéticos, as novas BARRONS, K. C.; LUCAS, C. E. The
técnicas de diagnose de fitopatógenos producion of first-generation hybrid
e as novas estratégias de mapeamento tomato seed for commercial planting.
cromossômico de alta densidade/reso- Proceedings of the American Society
lução usando marcadores moleculares. for Horticultural Science, v.40, p.395-
Mais recentemente, temos observado 404, 1942.
os enormes potenciais de aplicação da BLAUTH, S. L.; CHURCHILL, G. A.;
ciência genômica estrutural e funcional. MUTSCHLER, M. A. Identification of
O sequenciamento de genomas com- quantitative trait loci associated with
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as, monocotiledôneas e diversos micro- specific populations of the wild tomato,
organismos poderão servir como uma Lycopersicon pennellii. Theoretical

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rium fulvum identifies sequences that

57
Foto: Warley Marcos Nascimento

Produção de
sementes orgânicas
de cebola.
Foto: Warley Marcos Nascimento
Produção de sementes de hortaliças
em sistema orgânico

Warley Marcos Nascimento


Mariane Carvalho Vidal
Francisco Vilela Resende

Introdução da relação da sociedade com a agricul-


tura. O resgate das questões sociais,

D
entre as importantes questões ecológicas e ambientais no trato com a
para o futuro da agricultura glo- agricultura é o grande diferencial desse
bal, a sustentabilidade aparece sistema, pois permite a equidade e o
como ponto fundamental para o desafio equilíbrio das relações e a sua susten-
de alimentar uma população atual da tabilidade no tempo e no espaço.
ordem de 9 bilhões de pessoas. Dessa
forma, o panorama para os próximos Além disso, uma maior preocupa-
anos indica a necessidade de pro- ção com a proteção do meio ambiente
fundas mudanças em nosso sistema e a crescente demanda por alimentos
produtivo. mais saudáveis, aliada aos preços mais
atrativos ao produtor, têm influenciado,
O cultivo orgânico aparece não em parte, a produção de hortaliças.
somente como uma forma alternativa Como exemplo, o preço dos produtos
ao sistema agroindustrial atual da agri- orgânicos, ao nível de consumidor,
cultura, mas também, como uma forte pode variar entre 15 a 90% (em alguns
base para uma mudança de paradigma países da Europa) e até 200% no Brasil.

61
Os estabelecimentos agropecuá- fase do processo de produção, arma-
rios produtores de orgânicos represen- zenamento e de consumo.
tavam, aproximadamente, 1,8% do total
investigado no Censo Agropecuário Mesmo com o pioneirismo na pro-
2006. Na distribuição dos estabeleci- dução orgânica, a olericultura enfrenta
mentos produtores de orgânicos por alguns problemas, sendo um deles a
grupo de atividade econômica, predo- pouca oferta de sementes orgânicas
minavam a pecuária e criação de ou- para atender ao processo de certifi-
tros animais, com 41,7% e a produção cação em toda a cadeia produtiva. A
das lavouras temporárias, com 33,5%. certificação assegurará ao produtor de
Os estabelecimentos com plantios de hortaliças orgânicas o plantio de se-
lavoura permanente e de horticultura/ mentes isentas de tratamento químico,
floricultura figuravam com proporções produzidas em condições próprias e
de 10,4% e 9,9%, respectivamente, se- seguras, desde o campo até a emba-
guidos dos orgânicos florestais (plantio lagem final.
e extração) com 3,8% do total. A pro-
dução de sementes, mudas e outras As sementes para agricultura or-
formas de propagação vegetal são uma gânica são produzidas de acordo com
fatia muito pequena do total de agricul- os princípios agroecológicos, utilizando
tores que se dedicam a essa atividade, germoplasma adaptado às condições
somente 0,06% (IBGE, 2006). locais, e com frequência resgatando o
uso de cultivares tradicionais e/ou criou-
Para regulamentar este segmen- las. Por envolverem grandes mudan-
to, o Ministério da Agricultura, Pecuária ças nos atuais sistemas de produção
e Abastecimento - MAPA, em sua Ins- empregados, a produção de sementes
trução Normativa n° 7, de 17 de maio para cultivos agroecológicos não têm
de 1999 (aprovada pelo Congresso sido grande alvo de interesse de gran-
Nacional em 27/11/03), considera des empresas, de porte mundial. Por
como sistema orgânico de produção outro lado, na Europa e nos Estados
agropecuária e industrial todo aquele Unidos, existem inúmeras empresas
em que se adotam tecnologias que de pequeno porte para atender este
otimizem o uso de recursos naturais segmento promissor.
e sócio-econômicos, respeitando a
integridade cultural e tendo por objeti- De acordo com a Instrução Nor-
vo a auto-sustentação no tempo e no mativa n°. 46, de 6 de outubro de 2011,
espaço, a maximização dos benefícios do Ministério da Agricultura, Pecuária e
sociais, a minimização da dependência Abastecimento, as sementes e mudas
de energias não renováveis e a elimi- para o sistema orgânico deverão ser
nação do emprego de agrotóxicos e oriundas de sistemas orgânicos; fica
outros insumos artificiais tóxicos, or- ainda proibida a utilização de semen-
ganismos geneticamente modificados, tes e mudas não obtidas em sistemas
ou radiações ionizantes em qualquer orgânicos de produção a partir de 19

62
de dezembro de 2013. É vedada a sementes convencionais, uma vez
utilização de organismos genetica- que o mercado ainda não dispõe de
mente modificados bem como o uso sementes orgânicas em quantidade e
de agrotóxico sintético no tratamento qualidade suficiente para atender toda
e armazenagem de sementes e mu- a demanda. Atualmente, o país importa
das orgânicas. Caso for constatada a a maioria das sementes orgânicas que
indisponibilidade de sementes e mudas utiliza. O preço dessas sementes em
oriundas de sistemas orgânicos, ou a nosso país é cerca de 20% a mais,
inadequação das existentes à situação enquanto na Europa, por exemplo, o
ecológica da unidade de produção, preço dessas sementes pode chegar
poderá ser autorizada a utilização de até três vezes o da semente convencio-
outros materiais existentes no mercado, nal, aumentando ainda mais o custo de
dando preferência aos que não tenham produção do sistema orgânico.
recebido tratamento com agrotóxicos
ou com outros insumos não permitidos No Brasil, algumas empresas
nesta Instrução Normativa. tradicionais de sementes tem certifi-
cado campo de produção e estruturas
O Ministério da Agricultura, atra- de beneficiamento de acordo com os
vés da IN 38 de 02/08/2011 (DOU de princípios agroecológicos, e de forma
03 de agosto de 2011) estabelece o ainda bastante tímida estão produzindo
Regulamento Técnico para Produção sementes para agricultura orgânica de
de Sementes e Mudas em Sistemas algumas de suas cultivares. Exemplos
Orgânicos, como pode ser observado pioneiros de sementes orgânicas em
no final deste capitulo (Anexo I). nosso país foram as sementes de algu-
mas olerícolas produzidas pela Bionatur
O grande desenvolvimento do cul- (RS), a cenoura ‘Brasília’, o coentro
tivo orgânico de hortaliças nos últimos ‘Português’ e o quiabo ‘Santa Cruz’,
anos aponta para um grande desafio produzidos pela Isla (RS), e as se-
às empresas de sementes, que é o mentes de alfaces ‘Luisa’ e ‘Marianne’,
investimento na produção de sementes criadas e produzidas comercialmente
para a agricultura orgânica. Em recente no sistema orgânico de cultivo pela Hor-
levantamento junto às principais em- ticeres (MG). Mais recente, a Agristar
presas de sementes de hortaliças que colocou no mercado a linha Naturalis,
atuam no mercado nacional verificou-se que apresenta 12 itens (alface america-
um grande interesse por parte destas na, alface crespa, alface lisa, cenoura,
em atuar neste novo segmento. coentro, couve-flor, pepino, pimentão,
rabanete, rúcula, salsa e tomate).
Disponibilidade de sementes para
agricultura orgânica Cultivares para o sistema orgânico
No Brasil, grande parte do culti- A produção de sementes para
vo orgânico de hortaliças é feita com cultivos agroecológicos exigirá o desen-

63
volvimento de tecnologias adaptadas mais uniformes e com um maior número
às condições de nosso país, como por de fatores de resistência ou tolerância
exemplo, o uso de germoplasma mais as condições ambientais adversas,
apropriado, com boas características pragas e doenças. Estas últimas ca-
comerciais, e com certa tolerância e/ racterísticas são muito importantes
ou resistência às pragas e doenças. É principalmente para um sistema onde
importante salientar que muitas das cul- não é permitida a aplicação de produtos
tivares de hortaliças utilizadas no Brasil químicos para o controle de pragas e
são oriundas de países de clima tempe- doenças.
rado, e não apresentam adaptabilidade
a climas quentes. Cultivares resistentes Nos cultivos agroecológicos uti-
às principais doenças e melhores adap- liza-se apenas defensivos naturais
tados às nossas condições edafocli- associados ao controle preventivo por
máticas deve ser uma preocupação meio de outras formas de manejo. São
constante neste segmento, visando não técnicas como o uso de diversidade no
só o aumento da produtividade, mas ambiente com plantas de usos múlti-
principalmente a qualidade fisiológica plos, barreiras de vegetação, corredo-
e sanitária das sementes produzidas res ecológicos entre outras, que permi-
no sistema orgânico. tem que o sistema orgânico entre em
equilíbrio e seja possível a convivência
O desenvolvimento de novas de pragas em níveis populacionais que
cultivares para o sistema orgânico, a não interferem negativamente no cultivo
princípio, não deverá ser realizado, principal.
pois as instituições de pesquisa, pú-
blicas ou privadas, possuem alguns Produção de sementes para o siste-
materiais desenvolvidos para o sistema ma orgânico
convencional e que apresentam apti-
dão quando cultivadas em sistema de Além de todos os cuidados ne-
produção orgânico. Alguns produtores cessários ao manejo de um sistema
orgânicos preferem utilizar cultivares agroecológico durante a fase vegetativa
de polinização aberta, ou mesmo mate- da cultura ou pra obtenção do produto
riais crioulos, que são variedades mais comercial, a produção de sementes na
rústicas (landraces) mais adaptadas às maioria das hortaliças se estende além
condições locais e geralmente menos deste período e exige ainda outros cui-
exigentes em fertilizantes, e muitas ve- dados especiais que começam com a
zes melhorada e mantida ao longo do certificação. A certificação assegurará
tempo pelos próprios agricultores. Ou- ao produtor de hortaliças orgânicas o
tros mais tecnificados preferem utilizar plantio de sementes isentas de trata-
híbridos, que embora sendo sementes mento químico, produzidas em condi-
mais caras do que aquelas cultivares ções próprias e seguras. A certificação
de polinização aberta, apresentam alto engloba as fases desde o campo de
potencial produtivo, originam plantas produção até a embalagem.

64
É importante considerar alguns da infraestrutura na propriedade devem
aspectos relacionados com a produção reduzir as necessidades de transporte
orgânica de sementes como seguem: e de mão de obra para execução dos
trabalhos.
a) Biodiversidade: Sistemas
de produção diversificados são mais Deve-se estabelecer um con-
estáveis porque dificultam a multiplica- dicionamento microclimático para as
ção excessiva de determinada praga plantas que pode ser conseguido com
e agentes causadores de doenças e a delimitação dos talhões de cultivo
permite que haja um melhor equilíbrio por cordões de contorno ou cercas
ecológico no sistema de produção, vivas. A cerca viva funciona como um
através da multiplicação de inimigos quebra-vento, reduzindo o impacto dos
naturais e outros organismos benéficos. ventos frios ou quentes e a movimen-
O produtor orgânico deve se preocupar tação de algumas pragas e doenças.
prioritariamente com a diversificação da Cria-se uma sequencia de microclimas,
paisagem geral de sua propriedade de com maior ou menor sombreamento,
forma a restabelecer o equilíbrio entre umidade e temperatura, garantindo
todos os seres vivos da cadeia alimen- eficiência na fotossíntese, evitando
tar, desde microrganismos até animais ventos fortes e temperaturas extremas.
maiores. Desta forma procura-se atingir A composição destas barreiras pode ser
a sustentabilidade da unidade produtiva com espécies de interesse econômico,
no tempo e no espaço através da incor- sendo a bananeira o principal exemplo,
poração de características de ecossis- ou com outros fins como o capim na-
temas naturais, como a reciclagem de pier, o guandu, a leucena, o hibiscus,
nutrientes, a manutenção das relações o malvavisco, a primavera e a flor do
biológicas naturais no solo e no ambien- mel (girassol mexicano) que tornam-se
te, o uso de produtos naturais e fontes fontes de biomassa para as áreas de
renováveis de energia, estabelecimento produção devido a necessidade de po-
de consórcios e rotações de culturas, das frequentes. É interessante que os
conservação dos recursos naturais cordões de contorno funcionem como
(solo, água, energia e recursos biológi- reservas biológicas, abrigando agen-
cos), incorporação de plantas e animais tes polinizadores, inimigos naturais de
adaptados às condições ecológicas da pragas e outros insetos benéficos. Para
propriedade ao processo de produção. funcionarem desta forma estas barrei-
ras precisam ser botanicamente diversi-
b) Desenho agroecológico: O ficadas, existindo várias possibilidades
planejamento da área de produção de de combinação, que em última análise
sementes dentro dos princípios agro- depende da realidade de cada região,
ecológicos deve iniciar pela sistemati- criatividade e interesse do produtor.
zação da área, dividindo-a em talhões,
de preferência que não ultrapassem c) Locais de produção: prefe-
1000 m2. A disposição dos talhões e rencialmente, para a escolha do local

65
de produção deve-se buscar condi- O uso de bandejas de isopor exis-
ções de clima mais ameno, solos de tentes no mercado pode comprometer
alta fertilidade, baixa umidade relativa a qualidade das mudas, visto que o
e baixa precipitação, principalmente volume de substrato em suas células
por ocasião da maturação e colheita é insuficiente, por isso é necessário a
das sementes. As regiões com essas realização de adubações complemen-
características permitirão altas produti- tares. Em se tratando de substratos
vidades e baixa incidência de doenças, orgânicos, que não contém adubos so-
o que é desejável para a produção de lúveis em sua composição, a utilização
sementes de qualidade; de recipientes com maior capacidade
volumétrica é outra possibilidade, a
d) Preparo e fertilidade do solo: exemplo de copos de jornal ou copos
os solos devem ser bem preparados de plástico reciclados, que compor-
para garantir uma germinação unifor- tem, pelo menos, 200 ml de volume de
me, principalmente naquelas espécies substrato ou ainda, bandejas com 72
cujas sementes são pequenas, e que células. Com relação aos substratos,
são semeadas diretamente na lavoura existem no mercado vários substratos
como, por exemplo, a cenoura. Solos de origem orgânica, entretanto, o pro-
com boa capacidade de retenção de
dutor deve avaliar a viabilidade econô-
água são importantes nesta fase inicial
mica de sua aquisição, pois é bastante
de estabelecimento das plantas assim
possível a produção de substrato na
como os solos com alta fertilidade
própria propriedade a custos reduzidos.
também devem ser preferidos. Para o
A utilização de materiais disponíveis na
preparo do solo, pode-se considerar o
propriedade (cascas de árvores, restos
uso de adubos orgânicos, compostos
de culturas etc.) misturados a outros
orgânicos, adubação verde bem como a
materiais como húmus, fibra de coco
prática de inoculação de sementes para
verde constituem excelentes alternati-
garantir a qualidade das sementes;
vas de substratos. O importante é que
e) Estabelecimento de plân- o substrato tenha os componentes
tulas: a qualidade fisiológica das se- físicos e químicos em equilíbrio para
mentes poderá exercer um papel mais garantir as características de porosida-
importante no sistema de produção de, retenção de água, pH, entre outras,
orgânica comparativamente ao sistema ideais para as plantas e que seja livre
convencional porque as sementes com de contaminantes e patógenos;
alto vigor germinam mais rápido e assim
poderão ter maior escape aos microrga- f) Controle de doenças e pra-
nismos presentes no solo, e uma menor gas: para a produção de sementes de
competição de plantas espontâneas. qualidade, é necessário realizar um
Além disso, grande parte das espécies controle preventivo eficaz de pragas e
olerícolas pode ser estabelecida por doenças. No sistema orgânico o que se
meio de mudas produzidas em bande- busca é o equilíbrio ecológico, através
jas, utilizando substratos. das várias técnicas disponíveis para

66
o controle alternativo. Como algumas plantio. Em culturas como berinjela,
dessas técnicas, pode-se citar a diversi- jiló, abóbora, quiabo e outras deve-se
ficação dos sistemas produtivos, obser- proceder somente o coroamento das
vância às recomendações de manejo plantas e realizar roçadas leves no
do solo e nutrição vegetal, a utilização restante da área. No caso de hortaliças
de cultivares adequadas levando-se em de canteiro, recomenda-se capinas nos
consideração sua adaptação às condi- momentos críticos apenas nos leitos
ções de solo e clima da região onde a de semeadura, preservando-se a ve-
propriedade está localizada, o manejo getação dos carreadores ou apenas
recomendado das culturas, o uso de roçando-a quando estiver dificultando
plantas armadilha, o controle biológico os tratos culturais. O controle dessas
por meio do incremento da população plantas tem sido feito com o emprego
de inimigos naturais, ou a introdução de práticas mecânicas como aração,
dessas populações reproduzidas em gradagem, cultivos, roçadas, mondas e
laboratório no ambiente da cultura e capinas manuais, em momentos cultu-
ainda o uso de alguns métodos físicos rais adequados com a necessidade de
como o emprego de armadilhas lumino- redução das invasoras. Uso de plantas
sas, barreiras e armadilhas mecânicas, com efeitos alelopáticos, adubação
coleta manual, adesivos, proteção da verde, cobertura morta, cobertura viva,
produção (como ensacamento de fru- rotação e a consorciação de culturas
tos) e uso de processos físicos como também são possíveis. A eliminação
som, ultra-som, calor e frio e armadilhas de determinadas plantas hospedeiras
de feromônio. Vale salientar que o con- permitirá uma menor incidência de inse-
trole de determinados insetos (afídeos) tos e patógenos, além de proporcionar
por meio de barreiras naturais ou plan- um melhor microclima (arejamento)
tas repelentes pode reduzir a incidência na cultura. O desenvolvimento e/ou a
de determinadas viroses; seleção de novas cultivares com fo-
lhagem exuberante como é o caso das
g) Controle de plantas espontâ- cucurbitáceas têm proporcionando um
neas: no sistema orgânico, a vegetação maior controle dessas plantas;
natural é muito importante para o equi-
líbrio ecológico dos insetos e deve ser h) Irrigação: a produção de se-
manejada adequadamente. Para isso mentes geralmente é realizada no perí-
sugerem-se alguns procedimentos que odo seco do ano, requerendo irrigação
permitem o convívio com as distintas nas diferentes fases da cultura. O cor-
espécies espontâneas algumas vezes reto manejo da irrigação é fundamental
indesejáveis em determinado época para garantir altas produtividades e boa
do cultivo. Recomenda-se a capina em qualidade das sementes. A aspersão
faixas, de forma a evitar a presença das tem sido o sistema de irrigação mais
ervas próximas à cultura de interesse utilizado na agricultura orgânica. No
comercial, deixando-se uma estreita entanto, esta forma de irrigação acen-
faixa de vegetação nas entrelinhas de tua a sobrevivência e a dispersão de

67
patógenos na lavoura em razão da esta prática permite eliminar possíveis
água ser aplicada sobre a parte aérea. focos de doenças, garantindo ainda
Por outro lado, a aspersão minimiza a uma melhor produtividade e qualidade
incidência de insetos-pragas, como de das sementes;
ácaros e traça do tomateiro, bem como
de oídio, devido à ação mecânica das j) Colheita das sementes: a
gotas. O sistema de gotejamento deve colheita das sementes por ocasião
ser preferível no sistema orgânico por da maturação fisiológica, quando as
molhar menos as plantas e permitir uma sementes apresentam o máximo teor
menor incidência de doenças, principal- de matéria seca, permitirá a obtenção
mente durante a maturação das semen- de uma semente de melhor qualidade
tes de espécies de frutos secos como e uma retirada antecipada das mesmas
do campo de produção, minimizando
é o caso da cenoura, cebola, alface e
assim perdas pré-colheita. No caso de
brassicaceas. Por outro lado, na esta-
espécies de frutos carnosos (solanáce-
ção seca, adubos orgânicos aplicados
as e cucurbitáceas), a colheita deverá
em cobertura em culturas irrigadas por
ser realizada também por ocasião da
gotejamento terão maior dificuldade
maturidade fisiológica (geralmente in-
de mineralização/disponibilização de
dicado pela mudança na coloração dos
nutrientes e, portanto menores apro-
frutos) colhendo-se os frutos sadios e
veitamento e eficiência na correção de deixando-os por um período de repouso
deficiências nutricionais da cultura. antes da extração das sementes.
A configuração do sistema de l) Limpeza, beneficiamento e se-
irrigação afeta a distribuição espacial cagem das sementes: as Unidades de
do sistema radicular, proporcionando Beneficiamento de Sementes (UBS’s)
exploração diferenciada do perfil do também deverão ser certificadas,
solo o que terá reflexos na absorção atendendo às exigências da entidade
de nutrientes e consequentemente no certificadora. Empresas que produzem
estado nutricional e na produtividade tanto sementes convencionais como
da planta. Desta forma, deve-se pensar sementes orgânicas, deverão ter linhas
em um manejo de irrigação que combi- separadas para estas duas atividades
ne irrigação por aspersão no inicio do durante todo o processo de beneficia-
ciclo, mudando-se posteriormente para mento, o qual envolve as etapas de
gotejamento na fase de maturação das secagem, beneficiamento, manuseio e
sementes; armazenamento de sementes.

i) “Roguing”: por ocasião das Tratamentos físicos durante o


inspeções de campo, uma prática beneficiamento das sementes, como
bastante importante é o “roguing”, limpeza e classificação também deve-
que consiste na eliminação de plantas rão ser intensificados e aprimorados.
atípicas e plantas doentes. Além de Por exemplo, a passagem de sementes
preservar a pureza varietal da cultivar, de ervilha pela correia inclinada tem

68
eliminado escleródios de Sclerotinia mos presentes nas sementes. Em ou-
sclerotiarum que ainda acompanham tros países, compostos naturais, como
o lote de sementes após o beneficia- óleos essenciais e ácidos orgânicos,
mento normal que compreende o uso estão sendo testados no tratamento
de máquina de ar, peneira e mesa de de sementes de hortaliças. Resultados
gravidade. Em cenoura, o desarista- dessas pesquisas mostram um grande
mento eficiente das sementes que é a potencial na redução de alguns patóge-
retirada das aristas ou “espinhos” das nos associados às sementes.
sementes, pode reduzir a incidência
de Alternaria sp., um fungo transmi- Tratamentos físicos como termo-
tido pelas sementes. A secagem das terapia, utilizando água quente, ar seco
sementes a níveis baixos de umidade quente ou irradiação, deverão fazer
(5-7%) permite um melhor controle de parte da rotina de desinfecção ou desin-
patógenos associados às sementes e festação das sementes pelas empresas
um armazenamento mais eficiente das produtoras. Tratamentos biológicos utili-
sementes; zando antagonistas também podem ser
empregados no conjunto de medidas
m) Tratamento de sementes: para a redução da incidência de micror-
a grande maioria das sementes de ganismos nas sementes. Já existem
hortaliças comercializadas no país tem no mercado tratamentos de sementes,
sido tratada com produtos químicos, como a peletização e o condicionamen-
especialmente fungicidas de contato, to osmótico, específicos para sementes
como Captan ou Thiram. Estes produtos orgânicas. Sementes osmoticamente
visam tanto o controle de determinados condicionadas, por apresentarem uma
microrganismos associados às semen- maior velocidade de germinação, tam-
tes (desinfestação) como também aque- bém terão maior eficiência no sistema
les do solo, causadores de tombamento orgânico. Isto é frequentemente obser-
de plântulas (proteção), como Pythium vado sob condições adversas, incluindo
sp., Phythophthora sp., Fusarium sp. baixas temperaturas e/ou presença de
e Rhizoctonia sp. Isto é mais evidente microrganismos de solo;
em culturas onde o estabelecimento se
dá por meio de semeadura direta (ce- n) Acondicionamento e arma-
noura, por exemplo). Esses fungicidas zenamento das sementes: a emba-
são proibidos na agricultura orgânica. lagem também deve ser diferenciada,
Somente aqueles produtos (“quími- buscando priorizar aquelas produzidas
cos verdes”), permitidos na produção com materiais comprovadamente bio-
orgânica, poderão ser utilizados nos degradáveis e/ou recicláveis, com iden-
campos de produção e no tratamento tificação e selo de certificação orgânico.
de sementes. Neste sentido, muito se O armazenamento em condições de
deve avançar em pesquisa e desenvol- baixas temperaturas e baixa umidade
vimento de novos produtos capazes de do ar é recomendado para manter a
prevenir e/ou controlar os microrganis- viabilidade das sementes produzidas;

69
Considerações finais Normativa nº. 64, de 18 de dezembro
de 2008. Dispõe sobre normas dos
Atualmente, com o uso ainda sistemas orgânicos de produção ve-
permitido de sementes provenientes de getal. Diário Oficial [da] República
produção convencional no sistema de Federativa do Brasil), Brasília, DF,
produção orgânico, não é possível vis- Seção 1. p. 21.
lumbrar o grande problema que se apre-
sentará num futuro próximo. Espera-se BRASIL. Ministério da Agricultura,
que o mercado de sementes orgânicas Pecuária e Abastecimento. Instrução
cresça muito no Brasil especialmente Normativa nº. 38, de 02 de agosto de
com o término do prazo permitido pela 2011. Estabelece o Regulamento Téc-
lei de orgânicos. Pesquisa e desenvolvi- nico para Produção de Sementes e
mento de técnicas de produção e tecno- Mudas em Sistemas Orgânicos. Diário
logias voltadas à produção de sementes Oficial [da] República Federativa do
orgânicas deverão ser incrementados. Brasil), Brasília, DF, 03 de agosto de
Sendo um sistema diferenciado de 2011, Seção 1. p. 21.
produção, onde as sementes terão um
maior valor agregado, o preço final da BUEREN, E. L.; RANGANATHAN. R.;
semente orgânica (assim como a maio- SORENSEN, N. (Ed.). Proceedings of
ria dos produtos orgânicos) deverá ser the first conference on organic seed:
mais elevado. Sem dúvida, este será um challenges and opportunities for orga-
tema muito promissor para a pesquisa nic agriculture and the seed industry.
e uma boa oportunidade para novos Roma: IFOAM, 2004. 188 p.
mercados para aquelas empresas en-
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produtor pergunta, a Embrapa respon-
NASCIMENTO, W. M., FREITAS, R. A. de. Brasília, DF: Embrapa Informação
Produção de sementes. p. 263-274. In: Tecnológica: Brasília, 2007. p. 43-59.
HENZ, G., ALCÂNTARA, F. A., RESEN-
SILVA, P. ; NASCIMENTO, W. M. .
DE, F. V. (Ed.). Produção orgânica
Incidência e métodos de controle de
de hortaliças: o produtor pergunta a
microrganismos em sementes orgâni-
Embrapa responde. Brasília, DF: Em-
cas de coentro (Coriandrum sativum) e
brapa Informação Tecnológica, 2007.
cenoura (Daucus carota). In: SEMINÁ-
308 p. (Coleção 500 perguntas, 500 RIO PANAMERICANO DE SEMILLAS,
respostas). 22., 2010. Asunción. Tecnologia par
incrementar el desarrollo. Brasília, DF:
NASCIMENTO, W. M. ; VIEIRA, J. V. ;
Felas, 2010.
REZENDE, F. ; REIS, A. ; MUNIZ, M. ;
SILVA, F. N. . Organic seed production SOUZA, J. L.; BARRELLA, T. P.; SI-
of carrot in Brazil. Acta Horticulturae, QUEIRA, R. G.; SANTOS, R. H. S.;
v. 782, p. 245-249, 2008. VIDAL, M. C. Propagação de plantas.
In: RESENDE, F. V.; VIDAL, M. C. Or-
NASCIMENTO, W. M. ; MUNIZ, M. ; ganização da propriedade. In: HENZ, G.
ANDRADE, K. P. ; FRANÇA, L. V. ; P.; ALCÂNTARA, F. A.; RESENDE, F. V.
BATISTA, E. A. ; SOARES, A. S. ; CRO- Produção orgânica de hortaliças: o
DA, M ; COIMBRA, K. G. ; FREITAS, produtor pergunta, a Embrapa respon-
R. A. Qualidade sanitária de sementes de. Brasília, DF: Embrapa Informação
de hortaliças produzidas nos sistemas Tecnológica: Brasília, 2007. p. 61-78.
orgânico e convencional. Horticultura
Brasileira, Brasília, DF, v. 25, n. 1, ago. TELES, D. A. A. Produção de semen-
2007. Suplemento. p. S158. tes de feijão-vagem no sistema con-
vencional e orgânico. 2010. Trabalho
ORMOND, J. G. P.; PAULA, S. R. L.; de Conclusão de Curso. (Graduação
FAVERET FILHO, P.; ROCHA, L. T. M. em Agronomia) - Faculdade da Terra
Agricultura Orgânica: quando o passa- de Brasília, Conselho Nacional de De-
do é futuro. BNDES Setorial, Rio de senvolvimento Científico e Tecnológico.
Janeiro, n.15, p.3-34, 2002. Orientador: Warley Marcos Nascimento.

71
ANEXO I em módulos ou glebas para efeito de
vistoria ou de fiscalização;
INSTRUÇÃO NORMATIVA No.38,
DE 2 DE AGOSTO DE 2011 III - Cultivar local, tradicional ou
crioula: variedade desenvolvida, adap-
 O MINISTRO DE ESTADO DA tada ou produzida por agricultores fa-
AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABAS- miliares, assentados da reforma agrária
TECIMENTO, no uso das atribuições ou indígenas, com características feno-
que lhes confere o art. 87, parágrafo típicas bem determinadas e reconheci-
único, inciso II, da Constituição, tendo das pelas respectivas comunidades e
em vista o disposto na Lei nº 10.831, de que, a critério do Ministério da Agricul-
23 de dezembro de 2003, no Decreto nº tura, Pecuária e Abastecimento - MAPA,
6.323, de 27 de dezembro de 2007, na considerados também os descritores
Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, socioculturais e ambientais, não se
no Decreto nº 5.153, de 23 de julho de caracterizem como substancialmente
2004, e o que consta do Processo nº semelhantes às cultivares comerciais;
21000.009485/2010-57, resolve:
IV - Cultivar Geneticamente Mo-
 Art. 1º Estabelecer o Regulamen- dificada: cultivar cujo material genético
to Técnico para a Produção de Semen- tenha sido modificado por qualquer
tes e Mudas em Sistemas Orgânicos atividade de manipulação de moléculas
de Produção, na forma da presente de ADN/ARN recombinante;
Instrução Normativa.
V - Declaração de Transação Co-
 CAPÍTULO I mercial: documento emitido pelos Orga-
DOS CONCEITOS nismos de Avaliação da Conformidade
Orgânica - OAC ou pelas unidades de
 Art. 2º Para efeito desta Instrução produção, com base em procedimentos
Normativa, considera-se: definidos pelo OAC, com informações
qualitativas e quantitativas sobre os
I - Beneficiamento: operação
produtos comercializados, com o intuito
efetuada mediante meios físicos, quí-
de permitir o controle e a rastreabilidade
micos ou mecânicos, com o objetivo
dos mesmos;
de aprimorar a qualidade de um lote
de sementes; VI - Muda: material de propagação
vegetal de qualquer gênero, espécie ou
II - Campo de Produção de Se-
cultivar, proveniente de reprodução
mentes Orgânicas: área contínua de
sexuada ou assexuada e que tenha a
uma espécie ou cultivar em monocul-
finalidade específica de plantio;
tivo ou em consórcio, desde que as
espécies ou cultivares sejam compa- VII - Muda orgânica: muda pro-
tíveis com as técnicas de produção de duzida em sistemas orgânicos de
sementes; a área deverá ser dividida produção;

72
VIII - Produtor de sementes e brasileira para produção de sementes
mudas: pessoa física ou jurídica que, e mudas.
assistida por responsável técnico, pro-
duz sementes e mudas destinadas à Art. 5° É proibida a certificação
comercialização; como orgânicas de todas as sementes
e mudas de cultivares geneticamente
IX - Semente: todo material de modificadas ou obtidas por meio de in-
reprodução vegetal de qualquer gêne- dução de mutação utilizando irradiação.
ro, espécie ou cultivar, proveniente de
reprodução sexuada ou assexuada,  CAPÍTULO III
que tenha finalidade específica de se- DA PRODUÇÃO
meadura;
 Art. 6° Para serem considerados
X - Semente orgânica: semente como orgânicos os materiais de propa-
produzida em sistemas orgânicos de gação, na fase de campo, deverão ter
produção; sido produzidos em conformidade com
o que está estabelecido na regulamen-
XI - Unidade de Beneficiamento tação da produção animal e vegetal
de Sementes - UBS: unidade com ins- orgânica.
talações e equipamentos que atendam
as especificações técnicas necessárias Art. 7° É permitida a policultura
para realizar as diversas etapas do e o convívio com plantas espontâneas
beneficiamento, de forma a conferir ao nos campos de produção de sementes
lote de sementes, no mínimo, o padrão orgânicas desde que adotadas medidas
de qualidade estabelecido, respeitadas que garantam os padrões de qualidade
as particularidades das espécies. das sementes.

 CAPÍTULO II Parágrafo único. Os organismos


DAS DISPOSIÇÕES GERAIS de avaliação da conformidade deverão
aprovar as medidas previstas no caput
Art. 3° A produção, o beneficia- deste artigo, devendo estas estarem
mento, a embalagem, o armazenamen- previstas no plano de manejo orgânico
to, o transporte, o comércio, a impor- do produtor.
tação e a exportação de sementes e
mudas orgânicas deverão atender este Art. 8° No caso de o produtor de
regulamento e o que estabelece a re- sementes e mudas orgânicas neces-
gulamentação brasileira para produção sitar adquirir material de propagação
de sementes e mudas. oriundo de sistemas de produção con-
vencional, ele terá que respeitar um
Art. 4° A produção de sementes e período de conversão que compreende
mudas orgânicas deverá obedecer às uma geração completa com manejo
normas e padrões de identidade e quali- orgânico para culturas anuais, e de
dade estabelecidas na regulamentação dois períodos vegetativos ou 12 meses

73
(considerando o período mais longo) Sementes - UBS que também opera
para as culturas perenes, para que a com sementes oriundas de sistemas
semente ou muda produzida possa ser convencionais, deverão ser implemen-
considerada orgânica. tadas medidas que assegurem a sua
efetiva separação.
Art. 9° Caso constatada a pre-
sença de cultivares geneticamente § 1° Todas as sementes que en-
modificadas nas proximidades, os orga- trem ou estejam armazenadas na UBS
nismos de avaliação da conformidade deverão estar devidamente identifica-
orgânica deverão avaliar o isolamento das e as sementes orgânicas deverão
entre cultivos e coletar amostras das ser dispostas em espaços específicos.
sementes orgânicas para avaliar a
ocorrência de contaminações. § 2° Todas as vezes que as má-
quinas e equipamentos forem trabalhar
Art. 10. O produtor de sementes e com sementes orgânicas, após terem
mudas orgânicas, ao adquirir o material sido utilizadas com sementes conven-
de propagação que irá multiplicar, deve- cionais, deverão passar por rigorosa
rá solicitar do fornecedor uma declara- limpeza a fim de que não ocorram
ção de que a cultivar não foi obtida por misturas.
meio de indução de mutação utilizando
irradiação. § 3° Conforme avaliação de risco,
o Organismo de Avaliação da Conformi-
Art. 11. A produção de mudas a dade poderá determinar uma quantida-
partir de cultura de tecidos e micropro- de de sementes orgânicas que deverá
pagação não poderá utilizar substâncias ser descartada no início da operação
e práticas não autorizadas, em regula- de beneficiamento.
mentos, para uso na produção orgânica. 
Art. 14. No tratamento e armaze-
CAPÍTULO IV nagem de sementes e mudas orgâni-
DO BENEFICIAMENTO, cas, somente serão permitidos os pro-
ARMAZENAMENTO E TRANSPORTE dutos presentes no Anexo que trata das
substâncias e práticas permitidas para
 Art. 12. Quando uma Unidade de manejo e controle de pragas e doenças
Beneficiamento de Sementes - UBS nos vegetais em sistemas orgânicos
receber sementes de produtores cer- de produção, da Instrução Normativa
tificados por organismo de avaliação que regulamenta a produção animal e
da conformidade diferente do que a vegetal orgânica.
certifica, as sementes deverão estar
acompanhadas de Declaração de Tran- Art. 15. Nas áreas físicas de
sação Comercial. beneficiamento, armazenamento e
transporte de sementes e mudas or-
Art. 13. Quando o beneficiamento gânicas, é proibida a aplicação de pro-
de sementes orgânicas for realizado dutos químicos sintéticos, devendo ser
em Unidade de Beneficiamento de adotadas as seguintes medidas para o

74
controle de pragas, preferencialmente III - Hipoclorito de sódio em solu-
nessa ordem: ção aquosa;

I - eliminação do abrigo de pragas IV - Hidróxido de cálcio (cal hi-


e do acesso das mesmas às instala- dratada);
ções, mediante o uso de equipamentos
e instalações adequadas; V - Óxido de cálcio (cal virgem);

II - métodos mecânicos, físicos e VI - Álcool etílico;


biológicos, a seguir descritos:
VII - extratos vegetais ou essên-
a) som; cias naturais de plantas;
b) ultrassom; VIII - sabões (potassa, soda); e
c) luz;
IX - detergentes biodegradáveis.
d) repelentes à base de vegetal;
Art. 17. Durante o armazena-
e) armadilhas (de feromônios, mento e o transporte, os materiais de
mecânicas, cromáticas); propagação orgânicos deverão ser
devidamente acondicionados e iden-
f) ratoeiras; tificados, assegurando sua separação
dos materiais não orgânicos.
g) controle de umidade;

h) temperatura; e Art. 18. A semente orgânica a


granel deverá ser armazenada e trans-
i) atmosfera controlada; portada de forma que se assegure o
isolamento e a não contaminação por
III - uso de substâncias e práticas sementes oriundas de sistema de pro-
permitidas para manejo e controle de dução convencional.
pragas e doenças nos vegetais em sis-
temas orgânicos de produção, conforme Art. 19. As embalagens de se-
Anexo da Instrução Normativa que trata mentes orgânicas deverão trazer, além
da produção animal e vegetal orgânica. das informações obrigatórias estabe-
lecidas em regulamentação específica
Art. 16. No beneficiamento de para sementes e mudas, a identificação
sementes e mudas orgânicas, para
do organismo de avaliação da conformi-
higienização de equipamentos e ins-
dade e o selo do Sistema Brasileiro de
talações, poderão ser utilizados os
Avaliação da Conformidade Orgânica.
seguintes produtos:
Art. 20. Esta Instrução Normativa
 I - água;
entra em vigor na data de sua publica-
II - vapor; ção.

75
Foto: Warley Marcos Nascimento

Produção de mudas
de hortaliças em
cultivo protegido.
Foto: Warley Marcos Nascimento

PARTE II
Qualidade da semente e
estabelecimento de plantas de
hortaliças no campo

Warley Marcos Nascimento


Denise Cunha Fernandes dos Santos Dias
Patricia Pereira da Silva

Introdução campo é um pré-requisito fundamental


para se alcançar um estande adequa-
Nos últimos anos, a crescente do, e se ter garantia de produtividade e
demanda e a exigência por produtos de qualidade do produto colhido. A qualida-
melhor qualidade, além das mudanças de da semente é particularmente crítica
nos hábitos alimentares, têm afetado quando são utilizadas novas cultivares
significativamente a forma de produção ou híbridos, onde o alto custo unitário
e comercialização das hortaliças.  Neste dessas sementes determina a neces-
sentido, nota-se em diferentes regiões, o sidade de utilização de tecnologias efi-
emprego de novas tecnologias visando a cientes para maximizar a germinação e
otimização da produção olerícola, como a emergência das plântulas. As semen-
tecnologias de semeadura de precisão, tes, durante o período de germinação,
cultivo protegido, sistemas computado- são normalmente expostas a diferen-
rizados, fertirrigação, hidroponia, pro- tes condições edafo-climáticas sobre
gramas de manejo integrado de pragas as quais o produtor nem sempre tem
e doenças, e uso frequente de híbridos. total controle. Especialmente nestas
situações, a qualidade das sementes
O estabelecimento rápido e uni- utilizadas na semeadura é fundamental
forme das plântulas de hortaliças no para se assegurar a emergência das

79
plântulas em campo e obter um estande preocupação, recebendo maior aten-
uniforme. ção do agricultor, por estar diretamente
relacionada ao estabelecimento das
Qualidade das sementes plântulas em campo e à obtenção de
um estande uniforme, com reflexos
O sucesso da produção olerícola
diretos no desenvolvimento inicial da
dependerá, dentre outros aspectos,
lavoura.
de um adequado estabelecimento de
plântulas no campo, fator este direta- Contudo, este conceito de qua-
mente relacionado com a qualidade lidade de sementes pode ser consi-
das sementes. Sementes de baixa derado restrito, uma vez que o termo
qualidade tendem a originar estandes qualidade envolve outros atributos
desuniformes, com falhas na emergên- relevantes para a agricultura além da
cia de plântulas que comprometem não qualidade fisiológica (MARCOS FILHO,
apenas a produtividade como também 2005). O conceito de qualidade de se-
a qualidade e padronização do produto mentes é, portanto, mais amplo e deve
colhido. envolver não apenas o componente
fisiológico como também o genético,
Por outro lado, a utilização de
o físico e o sanitário, de modo que a
sementes de alta qualidade e a se-
qualidade das sementes seja produto
meadura sob condições ambientais
do somatório de todos estes atributos
que permitam a máxima germinação
igualmente importantes.  
no menor tempo possível, são fatores
importantes que contribuem para se A qualidade genética está rela-
obter uniformidade na emergência cionada à pureza varietal, ou seja, à
em campo. Tanto para culturas onde identidade genética da cultivar que é
se realiza a semeadura direta, como definida durante o processo de produ-
cenoura, ou para aquelas em que as
ção de sementes através de cuidados
mudas são transplantadas do viveiro
específicos tais como: eliminação de
para o campo, como alface, brássicas
plantas atípicas, utilização de isola-
e outras, a utilização de sementes de
mento adequado entre os campos de
alta qualidade é imprescindível para se
produção, os quais visam evitar as
obter população adequada de plantas.
contaminações genéticas, ou seja, im-
Em geral, considera-se semente pedir a troca de pólen entre cultivares
de alta qualidade aquela que germina distintas. A pureza varietal, contudo,
rapidamente, originando uma plântula só estará garantida se também forem
normal e sadia, livre de contaminações, tomados cuidados que evitem as con-
com todas as estruturas essenciais taminações varietais, quando sementes
desenvolvidas, ou seja, sistema radi- de diferentes cultivares se misturam de-
cular e parte aérea. Assim, a qualidade vido à descuidos durante as etapas que
fisiológica da semente, representada envolvem mecanização como colheita,
pela germinação e vigor, é motivo de beneficiamento e semeadura em cam-

80
po. Cuidados na limpeza e regulagem A qualidade física é determinada
das semeadoras evitam a ocorrência por aquelas características da semente
de misturas varietais e danificações relacionadas com o grau de umidade e
mecânicas às sementes  durante a com a presença de impurezas no lote.
semeadura.   As impurezas são representadas por
material inerte como pedras, palhas,
A identidade genética da cultivar, terra, ou sementes quebradas, semen-
representada por características de tes de outras espécies cultivadas ou
produtividade, resistência a pragas e daninhas, que contribuem para a depre-
doenças, ciclo e arquitetura da planta, ciação da qualidade do lote. Sementes
qualidade do produto, deverá estar quebradas, por exemplo, podem afetar
expressa nas sementes a serem co- a germinação e, consequentemente, a
mercializadas, as quais garantirão que emergência das plântulas em campo.
todas estas características seleciona- Impurezas misturadas ao lote de se-
das pelo melhorista se manifestem nas mentes dificultam a semeadura além de
plantas em campo. Este conjunto de trazerem contaminantes, como semen-
características é demasiadamente im- tes de plantas daninhas e patógenos.
portante para o produtor na tomada de
decisões como, por exemplo, escolha O grau de umidade represen-
da cultivar a ser plantada, definição ta a quantidade de água contida na
da época mais adequada para a se- semente, expressa em porcentagem,
meadura, manejo da cultura, dentre em função do seu peso úmido. O
outras. Em milho doce, a maioria dos teor de água contido nas sementes
híbridos produzidos atualmente, e que exerce grande influência sobre a sua
contém o gene sh2, tem grande acei- qualidade, pois define a sensibilidade
tação do mercado consumidor, pelo a danos mecânicos durante as etapas
seu elevado conteúdo em açúcares, de colheita, debulha/processamento. O
porém tem a desvantagem de apre- teor de água determina a intensidade
sentarem sementes de baixo vigor, de atividade metabólica na semente
que produzem plântulas muito frágeis e exercendo, portanto, grande influência
altamente suscetíveis ao tombamento sobre a sua conservação durante o
(“damping-off”), especialmente sob armazenamento. Sementes de hor-
condições de baixas temperaturas do taliças que são comercializadas em
solo. Em ervilha, as cultivares de se- embalagens herméticas (envelopes
mentes rugosas são mais susceptíveis aluminizados ou latas) geralmente são
ao ataque de fungos de solos; estas secas até atingirem grau de umidade
cultivares exsudam maior quantidade de, aproximadamente, 5-6% antes
de açúcares durante o processo de de serem embaladas, o que contribui
germinação, que ao se difundirem para reduzir significativamente a sua
no solo, estimulam o crescimento de atividade respiratória e, consequente-
microrganismos, provocando a morte mente, ampliar a sua longevidade no
de sementes e plântulas.   armazenamento.

81
A qualidade sanitária relaciona-se Analysts (AOSA, 1983) como “aquelas
com a presença de pragas e microrga- propriedades das sementes que deter-
nismos como fungos, bactérias, vírus e minam o potencial para a emergência
nematóides, sendo os fungos os mais rápida e uniforme e o desenvolvimento
frequentes. Pragas e patógenos afetam de plântulas normais sob diferentes
tanto a conservação das sementes du- condições de campo”.
rante o armazenamento como o estabe-
lecimento das plântulas em campo após Em campo, um dos principais as-
a semeadura. Sementes contaminadas pectos que geralmente se observa é o
atuam como veículo de disseminação desempenho das sementes durante o
de patógenos para diferentes áreas. processo de germinação e emergência
Os patógenos podem ser encontrados da plântula. Alta germinação e vigor são
nos tecidos internos da semente, infec- dois pré-requisitos para se alcançar
tando as mesmas, podendo também uma população uniforme de plântulas
estar aderidos à superfície da semen- em campo. Contudo, diversos fatores
te, ou seja, pode está infestando à, ou podem interferir no estabelecimento
misturados ao lote, como é o caso de das plântulas em campo, tais como:
escleródios de fungos ou de galhas de
nematóides. Importantes doenças das 1. Qualidade fisiológica e sanitária
hortaliças podem ser transmitidas pelas das sementes
sementes e, muitas vezes, uma pe-
O desempenho das sementes
quena quantidade de inóculo presente
em campo é determinado principal-
na semente pode ter um efeito epide-
mente pela sua qualidade fisiológica
miológico significante. A  utilização de
e sanitária, que irá determinar o esta-
sementes isentas de microrganismos,
belecimento adequado de plantas em
bem como sementes tratadas com
campo, aspecto fundamental para que
produtos específicos como inseticidas
sejam alcançados níveis satisfatórios
e/ou fungicidas minimiza a ocorrência
de produtividade e de qualidade final
de tombamento e contribuem para me-
do produto.
lhorar o estabelecimento de plântulas
no campo.  O estabelecimento adequado do
estande é decorrência do vigor das se-
A qualidade fisiológica das se-
mentes, que determina, muitas vezes, a
mentes é representada pela germina-
velocidade de germinação e emergência
ção e pelo vigor. Em tecnologia de se-
das plântulas. A rapidez na germinação
mentes, a germinação é definida como
é muito importante porque reduz o
a emergência e o desenvolvimento das
grau de exposição das sementes e das
estruturas essenciais do embrião, ori-
plântulas às intempéries. Especialmente
ginando uma plântula normal sob con-
para as hortaliças, o período de tempo
dições ambientais favoráveis (BRASIL,
compreendido entre a semeadura e a
2009). Já o vigor de sementes é defi-
emergência das plântulas é crítico e fa-
nido pela Association of Official Seed
lhas no estande ou desuniformidade de

82
plântulas podem prejudicar significati- da mais importante, pois neste caso,
vamente a produção final e a qualidade terão efeitos diretos na produção de
do produto olerícola. sementes.

Em culturas de ciclo curto, como Sementes vigorosas geralmente


as hortaliças, o efeito do vigor da se- produzem plântulas vigorosas que têm
mente na produtividade e na qualidade maior capacidade de competição com
final do produto geralmente é mais as plantas invasoras e de sobrevivên-
evidente do que em culturas anuais, cia, mesmo em condições edafoclimá-
devido à colheita ser realizada ainda ticas desfavoráveis. Por outro lado,
na fase de crescimento vegetativo da as plântulas obtidas de sementes de
planta, antes que a mesma entre na médio ou baixo vigor são, em geral,
fase reprodutiva (TEKRONY; EGLI, fracas, pouco competitivas e sensíveis
1991). Assim, para hortaliças como a condições adversas de ambiente tais
alface, brássicas, beterraba, cenoura, como temperaturas muito baixas ou al-
cebola, os efeitos do vigor da semente tas. O vigor das sementes tem reflexos
na emergência das plântulas e no es- na uniformidade das plântulas e, conse-
tande inicial são relevantes; atraso na quentemente, das plantas adultas em
emergência, gerando falhas no estande campo. Sementes de baixo vigor podem
e/ou desuniformidade de plantas geral- resultar em estandes irregulares e em
mente acarreta redução na produção desuniformidade de plantas em campo
e interfere na uniformidade do produto que poderá levar à necessidade de se
colhido, dificultando sua padronização. realizar colheitas parceladas, elevando
Portanto, o efeito do vigor da semente os custos de produção. Por exemplo,
é importante para culturas em que o a desuniformidade da emergência das
produto final a ser comercializado é a plântulas de alface interferiu no desen-
parte aérea da planta (alface, brássi- volvimento das plantas, determinando a
cas e outras folhosas) ou determinado necessidade de se efetuarem colheitas
órgão obtido da planta que foi colhida, sucessivas na mesma lavoura, devido
geralmente uma estrutura subterrânea a diferenças no padrão de desenvolvi-
como em beterraba, cenoura, cebola, mento das plantas (SMITH et al., 1973;
nabo, rabanete. Deve-se destacar, GLOBIRSON, 1981). O efeito negativo
contudo, que no caso deste grupo em do uso de sementes de baixa qualidade
que o produto olerícola é raiz ou bulbo, fisiológica na maturação das sementes
falhas no estande final são determinan- no seu atraso da germinação e emer-
tes para a produção econômica e para gência pode trazer outros problemas
a qualidade final do produto colhido. relacionados principalmente com a
No caso de bulbos e raízes de cebola desuniformidade da maturação das
e cenoura, respectivamente, que serão sementes por ocasião da colheita.
destinados à segunda fase de produção
de sementes (genéticas ou básicas), a É sabido que sementes de alto
qualidade dos mesmos torna-se ain- vigor propiciam a germinação e a

83
emergência de plântulas em campo Tabela 1. Germinação, emergência em
de maneira rápida e uniforme, resul- campo e vigor das mudas obtidas de seis
tando na produção de plantas de alto lotes de cebola (PIANA et al., 1995).
desempenho, que têm um potencial
produtivo mais elevado. Plantas de alto
desempenho apresentam uma taxa de
crescimento maior, têm uma melhor
estrutura de produção, com um sistema
radicular mais profundo e produzem
um maior número de sementes, o que
resulta em maiores produtividades.

Diversas pesquisas confirmam


Médias seguidas da mesma letra nas colunas não di-
que o nível de vigor das sementes de ferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de
hortaliças está diretamente relacionado 5% de probabilidade.

à emergência das plântulas (LINGE-


GOWDA; ANDREWS, 1973; RODO;
MARCOS FILHO, 2003; MARCOS
FILHO; KIKUTI, 2006). Há também
resultados que evidenciam o efeito
positivo do vigor das sementes sobre
a qualidade das mudas (SMITH et al.,
1973). Em alface, a qualidade das se-
mentes exerceu influência na formação
das mudas e lotes de sementes com
maior qualidade inicial, detectados
pelos testes de germinação e vigor
realizados em laboratório produzem
maior percentagem de mudas vigoro-
sas (Figura 1), com maior número de
folhas, maior altura da parte aérea e
comprimento de raízes e maior massa
aos 20 dias de cultivo (FRANZIN et
al., 2005). Também Piana et al. (1995)
verificaram que mudas vigorosas de
cebola, com altura superior a 20 cm e
maior massa seca, foram originadas
de sementes de alto vigor (Tabela 1).
Estes resultados evidenciam, portanto, Figura 1. Qualidade das mudas de alface,
o efeito significativo do vigor sobre a cultivar Regina (a) e Vera (b), provenientes
emergência das plântulas em campo e de lotes de sementes de alto e médio vigor
o desenvolvimento inicial das plantas. (FRANZIN et al., 2005).

84
Contudo, há controvérsias se es- apresentou emergência em campo su-
tes efeitos se estendem até estádios fe- perior aos demais lotes, se destacaram
nológicos mais avançados e afetam sig- quanto à altura, massa de matéria seca
nificativamente a produção da cultura e diâmetro do colo. No entanto, a possí-
(ELLIS, 1992; MARCOS FILHO, 2005). vel relação entre os resultados obtidos
Em cebola, os efeitos positivos do vigor nos testes de vigor, em laboratório, e
das sementes sobre o desenvolvimento o desempenho das plantas em campo
inicial das plantas não persistiram du- não se estendeu até a produção final,
rante o período vegetativo da cultura, mesmo quando as características da
não afetando a produção final de bulbos planta foram afetadas praticamente até
(RODO; MARCOS FILHO, 2003), o que o final do ciclo. Os autores concluíram
já havia sido constatado em repolho que, provavelmente, as variações do
(LINGEGOWDA; ANDREWS, 1973). vigor das sementes não tenham sido
Em rabanete, Marcos Filho e Kikuti suficientemente amplas para ter reflexo
(2006) verificaram que aos 23 e aos em todo o desenvolvimento das plan-
30 dias após a semeadura, as plantas tas, proporcionando apenas um impulso
provenientes do lote 7 (Tabela 2), que inicial ao crescimento das plântulas.

Tabela 2. Valores médios referentes à altura de plantas – AP (cm), diâmetro na região


do colo – DRC (cm), número de folhas por planta - NFP, massa de matéria seca – MMS
(g), obtidos aos 23 e aos 30 dias após a semeadura, e produção de raízes de quatro
lotes de sementes de rabanete, cultivar Cometa, e respectivos coeficientes de variação
(MARCOS FILHO; KIKUTI, 2006).

Médias seguidas pela mesma letra, dentro de cada coluna, não diferem pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

85
Por outro lado, sementes mais tamanho tiveram melhor desempenho
vigorosas proporcionaram maior pro- em campo (SINGH et al., 2009).
dutividade em cebola (GAMIELY et al.,
1990) e em couve-flor (FINCH-SAVA- Em síntese, pode-se afirmar que
GE; MCKEE, 1990). o uso de sementes vigorosas é justifi-
cável para assegurar o estabelecimento
O tamanho, peso ou densidade adequado do estande, mesmo que
das sementes também pode influen- não tenha efeito significativo na pro-
ciar o vigor e, consequentemente, a dução final das plantas. Além, disso,
emergência em campo e a produção da deve se considerar que as sementes
cultura, conforme evidenciam os resul- de algumas espécies olerícolas têm
tados obtidos por Gamiely et al. (1990) preço relativamente elevado, como é
que classificaram sementes de cebola o caso de híbridos de tomate, pimen-
pelo tamanho e pelo peso (Tabela 3). tão, melão e outros, e a utilização de
Os autores obtiveram maior germina- sementes de baixo vigor, muitas vezes,
ção, emergência e produção de bulbos acarreta maior gasto de sementes na
comerciais quando utilizaram sementes semeadura para que o estande ideal
mais pesadas e de maior tamanho. seja alcançado, o que onera bastante
Também em ervilha, sementes de maior o custo de produção.

Tabela 3. Efeito da classificação das sementes sobre o peso de sementes, germinação,


emergência, estande e produtividade de cebola ‘Granex 33’ (GAMIELY et al., 1990).

Médias seguidas pela mesma letra, em cada coluna, não diferem pelo teste de Duncan, p = 0,05.

86
Além da qualidade fisiológica, 3) inóculo presente no interior das
a sanidade da semente também tem sementes, seja nos tecidos mais ex-
reflexos diretos sobre o estabeleci- ternos ou no embrião, e, neste caso,
mento das plântulas em campo. Para a semente é considerada infectada,
um grande número de doenças de havendo maior chance de transmissão
hortaliças as sementes constituem-se do patógeno via semente (Ascochyta
no mais eficiente agente de dissemina- pisi em ervilha, Alternaria dauci em
ção e de introdução de patógenos em cenoura, Cercospora beticola em be-
áreas isentas. Embora a transmissão terraba, Alternaria spp, Phomopsis,
de diversos patógenos, através das Septoria, Colletotrichum, Fusarium,
sementes, não seja totalmente conhe- Cercospora, bactérias como Clavi-
cida, a presença destes nas sementes, bacter michiganensis, Xanthomonas
independente de sua transmissibili- vesicatoria em sementes de tomate,
dade, pode afetar o vigor, o estabe- Pseudomonas suringae pv. lacrymans
lecimento e o rendimento em campo, em pepino, X. campestris pv. campes-
podendo provocar sérios danos em
tris em sementes de brássicas, vírus
todo o sistema de produção. Assim,
do mosaico comum em sementes de
sementes infectadas por patógenos
alface e cucurbitáceas (MACHADO;
são responsáveis pela transmissão de
SOUZA, 2009).
doenças para a parte aérea e sistema
radicular da planta, morte de plântulas, A qualidade sanitária da semente
tombamento de mudas, afetando o tem maior relevância ainda quando a
rendimento em campo, independente semeadura é feita em ambiente ad-
da transmissibilidade do patógeno
verso; nesta situação, a germinação é
pela semente (ANSELME, 1981; MA-
mais lenta e os fungos infectantes têm a
CHADO, 2000; BLUM et al., 2006;
oportunidade de colonizar a semente e
MACHADO; SOUZA, 2009).
a plântula em desenvolvimento, poden-
Em geral, o transporte de patóge- do causar a morte das sementes antes
nos por sementes pode ocorrer de três mesmo da sua germinação (CASA et
modos: 1) em mistura com as semen- al., 1995) e tombamento de plântulas.
tes, fazendo parte da porção impura do Esta situação se agrava no caso de
lote, como ocorre com os escleródios patógenos de alta agressividade e
de Sclerotinia sclerotiorum junto às em situações em que há rapidez no
sementes de ervilha; 2) por adesão desenvolvimento de certos patógenos
passiva à superfície das sementes, latentes nas sementes, os quais retor-
tendo como exemplo propágulos de nam à atividade assim que encontram
Alternaria, Botrytis, Peronospora, condições favoráveis, provocando a
dentre outros que poder ser vistos na morte da semente antes que essa ini-
superfície das sementes de cenoura, cie o processo germinativo (MENTEN,
brássicas e cebola, respectivamente; 1991).

87
Além dos patógenos presentes tulas.  Quanto mais as condições de
na semente, fungos de solo também campo forem diferentes da condição
podem afetar a emergência das plân- ideal para a germinação das sementes
tulas em campo, provocando a morte de uma determinada espécie, menor
da semente ou afetando o desenvol- será a correlação entre germinação,
vimento inicial da plântula, causando obtida em laboratório, e a emergência
tombamento (“damping-off”) de pré e de plântulas em campo.
pós-emergência de plântula, podridão
de raízes ou radicelas, que ficam ene- Fatores externos, como tempera-
grecidas. Além da temperatura e umida- tura, água, luz, profundidade de plantio,
de do solo, o crescimento destes fungos textura do solo, dentre outros, afetam
é influenciado por outros fatores, como a germinação e a emergência das
pH, teor de matéria orgânica e textura plântulas (GRASSBAUGH; BENNET,
do solo (MIZUBUTTI; BROMMONS- 1998). Dentre os fatores, a temperatu-
CHENKEL, 1996). Como exemplos de ra  poderá vir a ser o mais importante,
fungos de solo pode-se citar: Fusarium uma vez que nem sempre o produtor
sp., Pythium sp., Macrophomina phase- tem o total controle sobre este fator.
olina, Sclerotium sp., Sclerotinia sclero- Cada espécie tem exigências diferentes
tiorum, Verticillium dahliae, Rhizoctonia quando à temperatura mínima, máxima,
sp., Phytophthora sp. e Plasmodiophora e ótima para a germinação e, dentro da
brassicae, os quais uma vez introduzi- espécie, podem existir diferenças entre
dos e estabelecidos em uma área têm as cultivares quanto à temperatura mais
sua erradicação praticamente impos- adequada para a germinação. Tempe-
sibilitada em curto prazo (BERGAMIN raturas muito baixas ou muito altas po-
FILHO et al., 1995). derão alterar tanto a velocidade quanto
a porcentagem final de germinação. Em
2. Condições do ambiente geral, temperaturas baixas reduzem,
enquanto temperaturas altas aumentam
Em muitos dos casos, a porcenta-
a velocidade de germinação (CARVA-
gem de germinação indicada no rótulo
LHO; NAKAGAWA, 2000). Contudo,
da embalagem de um determinado
o aumento da temperatura provoca
lote de sementes, nem sempre irá cor-
redução significativa na porcentagem
responder à emergência das plântulas
final de germinação, devido à inativação
em campo obtida pelo produtor; isto
de enzimas relacionadas ao processo
se deve ao fato de que os valores de
germinativo. Já sob condições de baixa
germinação são obtidos em laboratório
sob condições ótimas de temperatu- temperatura a porcentagem final de
ra, umidade, oxigênio, substrato. Em germinação não é tão afetada, mas o
campo, as condições de ambiente nem processo se torna lento, acarretando
sempre são ideais e, portanto, podem desuniformidade no estande, o que
influenciar a germinação das sementes, poderá ter consequências no desenvol-
interferindo na emergência das plân- vimento final das plantas, dificultando a

88
padronização do produto olerícola a ser redução do estande com consequên-
comercializado e no caso de campos de cias negativas na  produtividade.
sementes, prejudicando a uniformidade
de maturação das mesmas. A umidade do solo é um fator ge-
ralmente mais fácil de ser controlado,
Em condições extremas de tem- seja na estufa ou no campo, por meio
peratura, a germinação poderá não de sistemas de irrigação. A irrigação
ocorrer e, em alguns casos, poderá deve ser realizada imediatamente após
levar a semente à condição de dormên- a semeadura, tomando o cuidado para
cia. Na maioria das cultivares comer- não fornecer água em excesso. O ex-
ciais de alface, por exemplo, condições cesso de umidade pode causar danos
de altas temperaturas (acima de 30°C) às sementes provocados pela embebi-
durante a embebição das sementes ção rápida, como também causar defici-
pode determinar a ocorrência de dois ência de aeração no solo e favorecer a
diferentes fenômenos: i) termo-inibição, ação dos patógenos de solo, reduzindo
onde as sementes deixam de germinar a germinação; adequado suprimento de
sob altas temperaturas, mas voltam oxigênio é  extremamente importante
a germinar assim que a temperatura nesta fase inicial de germinação. Por
retornar ao nível adequado, sendo, outro lado, se houver falta de água
portanto, um processo reversível; ii) ter- ocorrerá redução tanto da velocidade
mo- dormência, quando as sementes, como da porcentagem de germinação.
após permanecerem embebidas sob No caso de produção de mudas, a
altas temperaturas durante um perío- cobertura das sementes com subs-
do prolongado, não germinam mesmo trato ou vermiculita é necessária para
após a temperatura ser reduzida até o manter a umidade em nível adequado,
valor ideal. Neste caso, as sementes principalmente em torno da semente.
necessitam de algum tratamento para Em geral, sementes de brassicáceas e
superar esta dormência, denominada cucurbitáceas são menos exigentes em
dormência secundária (CANTLIFFE; disponibilidade de água no substrato
SUNG; NASCIMENTO, 2000). Por para germinar quando comparadas às
outro lado, condições de baixas tem- solanáceas, por exemplo. Alface e be-
peraturas (próximas de 15°C) reduzem terraba são espécies que exigem subs-
a velocidade de germinação das se- trato bastante úmido para a adequada
mentes e a emergência de plântulas de germinação das sementes. 
várias espécies, especialmente aquelas
da família das cucurbitáceas (abóbora, Com relação à luz, embora a
melão, melancia, pepino, entre outras). maioria das espécies olerícolas germi-
Em adição à redução da velocidade ne na ausência desta, a luz torna-se
de germinação, a incidência de alguns necessária para o crescimento inicial
microrganismos do solo causadores de das plântulas. Por isso, as sementes
tombamento é favorecida em condições de espécies que requerem luz para
de baixas temperaturas, havendo assim germinar, como a alface, devem ser

89
semeadas mais na superfície do subs- e rígidas, o que não agrada o mercado
trato. A profundidade de semeadura consumidor. Um dos maiores proble-
para espécies olerícolas é importante mas no cultivo de cenoura é a não
para que o solo ou substrato não se obtenção de uma população ideal de
constitua em barreira física à emergên- plantas. Nesta cultura, a emergência
cia da plântula (ORZOLEK, 1991). Este uniforme constitui-se em importante
quesito deve ser observado com maior fator de produção, sendo dependente
atenção ao se utilizar o método de se- da profundidade de semeadura, textura
meadura direta, como se recomenda do solo, disponibilidade de água, tem-
para cenoura, cucurbitáceas, podendo peratura e vigor da semente (FINGER
ser utilizado também para outras hor- et al., 2005).
taliças, como cebola, quiabo e beter-
raba. A semeadura em profundidade Diversas práticas culturais empre-
adequada é especialmente importante gadas no cultivo de hortaliças podem in-
nos solos de textura argilosa, onde o terferir nos fatores relacionados ao solo
risco de formação de uma crosta de e, consequentemente, contribuir para
solo sobre as sementes pode compro- que o estabelecimento das plântulas
meter o estande inicial em campo. Esta em campo seja mais uniforme. Dentre
situação se agrava especialmente após estas práticas pode-se destacar o uso
chuvas fortes ou irrigação por aspersão de “mulching” e de túneis de plástico,
mais intensa. que podem contribuir para melhorar a
emergência sob condições subótimas
O preparo adequado do solo (ORZOLEK, 1996).
facilita a semeadura, com reflexos na
germinação e no estabelecimento de Assim, as condições de ambiente
plântulas, especialmente daquelas por ocasião da semeadura são decisi-
hortaliças mencionadas acima para vas para o sucesso da cultura princi-
as quais se utiliza a semeadura direta. palmente para hortaliças que são se-
Além disso, o preparo adequado do meadas diretamente no campo, como
solo facilita não só a emergência das a cenoura, nabo, rabanete, beterraba,
plântulas como também a colheita me- cebola. Esta é uma fase crítica para a
cânica. No caso da cenoura, solos mal cultura que irá determinar não apenas a
preparados com torrões ou restos de produtividade como também qualidade
cultura contribuem para a redução da final do produto colhido.
emergência das plântulas em campo,
causando desuniformidade no estande Altos níveis de fertilizantes aplica-
e queda de produtividade. Falhas na dos por ocasião da semeadura, seja no
emergência das plântulas em campo solo ou no substrato, podem também
também podem afetar a qualidade fi- reduzir ou atrasar a emergência das
nal das raízes colhidas, uma vez que plântulas; as sementes de algumas es-
raízes muito espaçadas tendem a se pécies são facilmente injuriadas quando
desenvolver mais, sendo mais grossas em contato direto com fertilizantes. Em

90
geral, as plântulas não necessitam de Neste contexto, o uso de trata-
fertilização antes da expansão da pri- mentos pré-semeadura, como o condi-
meira folha verdadeira. cionamento osmótico ou “priming” tem
sido recomendado, visando melhorar o
3. Tratamentos de sementes desempenho das sementes em campo
(FRETT et al., 1991; BASRA et al.,
Atualmente, diferentes tipos de 2007; PEREIRA et al., 2009; HÖLBIG
tratamentos de sementes têm sido et al., 2010) ou em casa de vegetação
desenvolvidos, visando melhorar o (TZORTZAKIS, 2009), a tolerância a
desempenho das sementes, tanto em condições adversas (KHAN, 1992; PA-
campo como em viveiro ou estufa. RERA; CANTLIFE, 1994; NASCIMEN-
Estes tratamentos garantem maior se- TO, 2003; BITTENCOURT et al., 2004;
gurança no manuseio das sementes, BALBINOT; LOPES, 2006; NASCIMEN-
facilitam a distribuição das sementes, TO; PEREIRA, 2007; PEREIRA et al.,
auxiliam no controle de microrganismos 2009; KHAN et al., 2009). Segundo
promovendo rapidez na germinação e Khan et al. (2009), o condicionamento
emergência mais uniforme das plân- osmótico de sementes de pimenta em
tulas. solução aerada de NaCl 1,0 mM, por 48
horas, melhora do vigor das mudas e o
Dentre os tratamentos que têm
estabelecimento de plântulas sob con-
sido utilizados em sementes de horta-
dições de estresse salino. Sementes de
liças destacam-se o condicionamento
cenoura osmocondicionadas em solu-
osmótico ou “priming”, o tratamento
ção de PEG 6000 -1,0 e -1,2 MPa por
contra microrganismos e o recobrimen-
4 dias apresentaram maior emergência
to das sementes.
em campo e melhor desempenho sob
Condicionamento osmótico condições de temperatura sub e supra-
ótima (PEREIRA et al., 2009). Os efei-
Em culturas de ciclo curto, como tos do condicionamento osmótico têm
as hortaliças, o estabelecimento rápido sido evidenciados principalmente sobre
e uniforme das plântulas é fundamental a porcentagem e velocidade de emer-
para se obter estande adequado, que gência das plântulas em campo, espe-
terá reflexos na produtividade e na qua- cialmente sob condições de estresse.
lidade final do produto olerícola. Consi- Trata-se de um tratamento interessante
derando que, no campo, as sementes para hortaliças semeadas diretamente
são normalmente expostas a condições no campo, conforme demonstrado por
edafo-climáticas que nem sempre são Pereira et al. (2009) em cenoura, em
as mais adequadas, o emprego de lotes de baixo vigor .
técnicas que contribuam para acelerar
e uniformizar a germinação é uma alter- Contudo, apesar dos efeitos
nativa interessante, especialmente sob benéficos deste tipo de tratamento no
condições de estresse (NASCIMENTO; desempenho inicial das plântulas em
COSTA, 2009). campo estarem comprovados pela

91
pesquisa, Marcos Filho e Kikuti (2008) (2000), trabalhando com sementes de
verificaram que tais efeitos não foram cebola condicionadas em PEG 6000
suficientes para persistir durante o de- a -0,75 MPa por cinco dias, também
senvolvimento das plantas e afetar a obtiveram melhoria na emergência das
produção final de couve-flor. plântulas em campo.
Pela Tabela 4, verifica-se, para O condicionamento osmótico
ambos os lotes de cenoura, que todos consiste na hidratação controlada das
os tratamentos de condicionamento sementes em água ou em solução os-
osmótico contribuíram para aumentar mótica, sob determinada temperatura e
a emergência das plântulas em campo período de tempo, de modo a ativar os
aos 25 dias, sendo que para as semen-
processos metabólicos preparatórios
tes do lote 2 não havendo diferença
para a germinação, sem, contudo, per-
significativa entre os fatores: método de
mitir a emissão da raiz primária (HEY-
condicionamento, potencial osmótico
DECKER, 1975; BRADFORD, 1986). A
da solução e tempo de condiciona-
mento (PEREIRA et al., 2008; 2009). solução osmótica pode ser obtida com
Estes autores também observaram o uso de sais (TAYLOR, 1997; KHAN
efeitos benéficos do condicionamento et al., 2009; ARMIN et al., 2010) ou de
osmótico no comprimento da raiz pri- substâncias de alto peso molecular e
mária e no desempenho das plântulas quimicamente inertes como o polieti-
sob condições de temperaturas sub leno glicol – PEG 6000 ou PEG 8000
e supra-ótimas e sob estresse salino (HEYDECKER, 1975; PEREIRA et al.,
(PEREIRA et al., 2009). Nunes et al. 2009; HÖLBIG et al., 2010).

Tabela 4. Emergência (%) de plântulas em campo aos 25 dias de dois lotes de sementes
de cenoura submetidas a diferentes tratamentos de condicionamento osmótico, utilizando
embebição em papel umedecido e em solução aerada (PEREIRA et al., 2008).

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na vertical e minúscula na horizontal não diferem pelo teste de Tukey
a 5% de probabilidade.

92
Dentre os benefícios do condicio- as sementes em escala comercial por
namento osmótico está a possibilidade determinado período após o tratamen-
de reduzir o período de tempo compre- to, sem a perda do benefício do mesmo,
endido entre a semeadura e a emer- constitui fato altamente desejável.
gência das plântulas, acelerar a emer-
gência (NUNES et al., 2000; COSTA; Tratamento contra microrganismos
VILLELA, 2006; TZORTZAKIS, 2009),
especialmente sob condições de déficit O tratamento de sementes é con-
hídrico (BITTENCOURT et al., 2004), siderado uma das medidas mais reco-
salinidade (PILL et al., 1991; KHAN et mendadas, por controlar as doenças na
al., 2009), temperatura supra e subó- fase que antecede à implantação de um
timas (NASCIMENTO; WEST, 2000; cultivo. Tendo como objetivo principal
NASCIMENTO, 2004; BITTENCOURT reduzir ou eliminar os microrganismos
et al., 2004; PEREIRA et al., 2009), presentes (interna ou externamente)
podendo ter efeito também sobre o de- nas sementes e/ou controlar aqueles
senvolvimento das plântulas (FESSEL causadores de tombamento pré e pós-
et al., 2001; DEMIR e OZTOKAT, 2003; -emergência (“damping-off”), como
BITTENCOURT et al., 2004; MARCOS Alternaria, Pythium, Phytophythora e
FILHO; KIKUTI, 2008). Trata-se de um Rhizoctonia.
tratamento particularmente interessan-
Três modalidades de tratamento
te para hortaliças de ciclo curto que
sanitário de sementes podem ser em-
são semeadas diretamente no campo,
pregadas: 1) o químico que consiste
como a cenoura. Muitas vezes, as con-
em incorporar produtos químicos artifi-
dições de clima e solo não favorecem o
cialmente desenvolvidos às sementes;
estabelecimento rápido e uniforme das
2) o físico que consiste na exposição
plântulas, gerando falhas no estande
das sementes à ação do calor ou outro
que afetam a produtividade e qualidade
agente físico; 3) biológico que compre-
das raízes. Nestas condições, é prática
ende na incorporação de agentes de
comum entre os produtores o uso de
controle biológico às sementes, esses
quantidade excessiva de sementes
microrganismos atuam basicamente
para posterior desbaste, aumentando
através de antagonismo, hiperparasitis-
os gastos com mão de obra ou a ne-
mo e competição (MACHADO; SOUZA,
cessidade de uma nova semeadura, o
2009).
que onera o custo de produção.
Os diferentes tratamentos de
Após o tratamento de condiciona-
sementes acima descritos não são ex-
mento osmótico as sementes podem
clusivos, isto é, podem ser combinados
ser secas até atingirem o grau original
entre si, em uma sequência, obtendo
de umidade, o que torna o tratamento
assim um efeito aditivo. A agregação
vantajoso, uma vez que as sementes
de um ou mais tratamentos ao lote de
podem ser manuseadas e/ou armaze-
sementes permite à empresa produ-
nadas.  A possibilidade de armazenar
tora de sementes a obtenção de um

93
produto diferenciado, além de fornecer Portanto, o uso de sementes tra-
ao produtor uma semente de melhor tadas permite eliminar os patógenos,
qualidade. Portanto, a combinação de além de proteger tanto as sementes
tratamentos pode garantir maior efici- como as plântulas dos microrganismos
ência no controle de patógenos. de solo, possibilitando assegurar a
obtenção de um estande inicial unifor-
O teste de sanidade, realizado me e adequado, evitando também a
pelos laboratórios de análise de se- disseminação desses microrganismos
mentes, permite detectar os diferentes na lavoura.
microrganismos associados às semen-
tes e torna-se o orientador para o tipo Comercialmente, as sementes de
de tratamento e produto a ser utilizado. hortaliças, em geral, são tratadas com
A quantidade de inóculo presente nas fungicidas, sendo na maioria dos casos
sementes e a sua localização na se- utilizados produtos de contato, com
mente são fatores determinantes para amplo espectro de ação. Convém lem-
o sucesso do tratamento. O inóculo lo- brar, contudo, que estes produtos  não
calizado superficialmente nas sementes controlam todas as espécies de fungos,
está mais sujeito à ação de produtos principalmente aqueles que infectam as
do que o que está localizado mais sementes, ou seja, que estão presentes
internamente (MACHADO; SOUZA, internamente nestas.
2009). Para determinados patógenos,
a utilização de produtos sistêmicos Recobrimento
(atuam internamente nas sementes),
tratamentos térmicos ou o uso de se- O recobrimento consiste na de-
mentes indexadas (livre de vírus, por posição de uma camada fina e uni-
exemplo) devem ser empregados. Além forme de um polímero à superfície da
da qualidade sanitária, a qualidade semente. Geralmente, a cobertura é
fisiológica da semente também deve obtida utilizando - se basicamente um
ser considerada para a eficácia do tra- material inerte de granulometria fina
tamento químico. Em geral, sementes (material de enchimento) e um adesivo
de baixo e médio vigor são as mais be- (cimentante) solúvel em água, visando
neficiadas por este tipo de tratamento, dar a semente uma forma esférica ou
que garante proteção contra a ação de elíptica, podendo-se modificar ou não o
microrganismos presentes no solo por seu tamanho. Assim, trata-se de uma
ocasião da germinação. Este processo técnica interessante para sementes de
é mais lento nestas sementes, o que hortaliças que em sua grande maioria
aumenta a predisposição aos patóge- caracterizam-se pelo pequeno tama-
nos. As condições em que as sementes nho, formato irregular e leves, o que
serão armazenadas e/ou semeadas dificulta o manuseio e a semeadura.
também devem ser levadas em consi-
O recobrimento de sementes foi
deração para a escolha do melhor tipo
desenvolvido, primeiramente, com o
de tratamento.
objetivo de facilitar e melhorar a preci-

94
são do plantio, modificando o formato e contendo uma única semente, cujo
tamanho das sementes. Mais recente- tamanho e formato original nem sem-
mente, tem sido também utilizado para pre ficam evidentes. A pelota, além do
incorporar ou veicular substâncias que material aglomerante e corante, pode
possam atuar na melhoria da germina- conter agrotóxicos, nutrientes ou outros
ção e do vigor e, consequentemente, aditivos.
tenham reflexos na uniformidade do
estande (BAUDET; PERES, 2004). Sementes em grânulos: são uni-
dades aproximadamente cilíndricas que
A tecnologia do recobrimento podem conter mais de uma semente. O
permite combinar além do tratamen- grânulo, além do material aglomerante,
to químico (fungicidas, inseticidas e pode conter agrotóxicos, nutrientes,
outros agroquímicos), reguladores de corantes ou outros aditivos.
crescimento e/ou macro e micronu-
trientes, aminoácidos, dentre outros Sementes incrustadas: são
(SILVA et al., 2002; DINIZ et al., 2006; unidades com aproximadamente o
CONCEIÇÃO; VIEIRA, 2008), tendo mesmo formato das sementes, com o
como principais vantagens: melhorar a tamanho e o peso modificado em maior
plantabilidade e facilitar o manuseio das ou menor escala. O material usado para
sementes, aumentar a eficiência dos a incrustação pode conter agrotóxicos,
produtos fitossanitários, melhorando nutrientes, corantes ou outros aditivos.
a cobertura e adesão dos ingredien-
tes ativos na semente, aumentar a Sementes em fitas: fitas estreitas
segurança no manuseio de sementes de papel ou de outros materiais degra-
tratadas e melhorar a aparência das dáveis, com sementes distribuídas ao
sementes, deixando-as coloridas e acaso, em grupos ou em uma única
mais brilhosas. linha.

Em geral, o termo recobrimento Sementes em lâminas: lâminas


é usado quando algum tipo de material largas de papel ou de outros materiais
é aplicado diretamente sobre o envoltó- degradáveis, com sementes distribuí-
rio (tegumento, pericarpo) da semente. das ao acaso, em grupos ou em linhas.
Os tipos de recobrimento mais comu-
Dentre os diversos tipos de reco-
mente encontrados na literatura e, de
brimento que têm sido mais utilizados
acordo com as Regras para Análise de
em sementes de hortaliças destacam-
Sementes (BRASIL, 2009) as defini-
-se a peletização, a peliculização e a
ções são as seguintes:
incrustação.
Sementes pelotizadas ou pe-
A peletização consiste no reves-
letizadas: são unidades aproximada-
timento da semente com um material
mente esféricas desenvolvidas para
seco, inerte, de granulometria fina jun-
semeadura de precisão, normalmente
tamente com um material cimentante

95
(adesivo), o que permite dar às semen- Esta técnica traz ainda menor risco de
tes uma forma esférica, aumentando o contaminação por parte do usuário, pois
seu tamanho, facilitando, assim, a sua o mesmo não tem contato direto com
distribuição no solo ou substrato, seja o fungicida.
por semeadura manual ou mecânica.
Em contraste com as sementes nuas, A incrustação é um tipo de
as sementes peletizadas são distribuí- tratamento intermediário entre a pe-
das com maior precisão e uniformidade. liculização e a peletização, onde as
Deste modo, o gasto de sementes é sementes adquirem maior tamanho,
reduzido e a operação de desbaste devido ao material inerte adicionado,
para retirada do excesso de plantas é sem, contudo, modificar a sua forma.
minimizada ou totalmente eliminada. É utilizado, como na peletização, para
aumentar o tamanho das sementes e
A peliculização consiste de um facilitar a semeadura. Tem sido utilizado
filme composto de uma mistura de principalmente em sementes de cenou-
polímeros, plásticos e corantes, que ra por algumas empresas. 
envolve a semente. Diferente da pe-
letização, a semente peliculizada se Há outros processos de reco-
mantém individualizada e o tratamento brimento que resultam em sementes
não modifica o seu peso e sua forma piluladas, revestidas, em tabletes ou
original (GIMÉNEZ-SAMPAIO; SAM- em fita. As sementes em fita, também
PAIO, 2009), mas como também utiliza chamadas “taped seeds”, resultam de
corantes, melhora o aspecto visual um processo especial de recobrimento,
das sementes e permite visualizá-las em que as sementes são incorporadas
melhor depois de distribuídas no solo de forma mecânica sobre uma fita de
ou substrato. Algumas empresas produ- celulose (papel) ou outro material ató-
toras de sementes utilizam a coloração xico e facilmente degradável em água
da película para diferenciar suas culti- (GIMÉNEZ-SAMPAIO; SAMPAIO,
vares. Outra vantagem das sementes 2009). As sementes são uniformemente
peliculizadas em relação às sementes distribuídas na fita, que pode ser dobra-
nuas é que elas fluem ou deslizam com da formando um rolo. A semeadura é
maior facilidade durante a semeadura, feita estendendo-se a fita diretamente
devido ao menor atrito entre elas. Este sobre o solo.
aspecto é importante porque melhora
a distribuição das sementes no solo/ Em geral, sementes nuas, ou
substrato. Geralmente,  fungicidas seja, não revestidas, demoram menos
acompanham este tratamento. A peli- tempo para absorver água do solo ou
culização reduz o desperdício do fun- substrato em relação às revestidas.
gicida, além de permitir maior eficiência Segundo Gimenez- Sampaio e Sam-
do tratamento, uma vez que o produto é paio (2009), a embebição de sementes
distribuído mais uniformemente e ainda recobertas demora 48 horas a mais
fica “retido” entre a semente e o filme. quando comparadas com aquelas nuas.

96
Entretanto, todas as vantagens advin- por temperaturas elevadas e baixa dis-
das do recobrimento, especialmente ponibilidade hídrica (BERTAGNOLLI,
com relação à precisão na semeadura 2001). Ao combinarem os tratamentos
e incorporação de materiais benéficos de osmocondicionamento e de recobri-
à germinação e ao estabelecimento mento em sementes de cenoura, Hölbig
das plântulas em campo, são mais et al. (2010) verificaram que o condicio-
relevantes do que este pequeno atra- namento favoreceu a velocidade de ger-
so no processo de germinação, que é minação e a emergência das plântulas
plenamente recuperado pelas plântulas independentemente do recobrimento e/
durante os estádios iniciais de desen- ou tratamento fungicida, concluindo que
volvimento. Diversos resultados de o recobrimento prejudicou o desempe-
pesquisa vêm comprovando que o tra- nho das sementes em campo.
tamento de recobrimento das sementes
é, na maioria das vezes, vantajoso. Para Método de estabelecimento de
Medeiros et al., (2006), sementes nuas plantas no campo 
de cenoura emergiram mais rapidamen-
Produção de mudas
te que as recobertas quando se utilizou a
proporção 3:1 de aglomerante:semente,
Para a maioria das espécies ole-
com fungicida e sem fungicida, porém
rícolas, o método de estabelecimento
não diferiram das recobertas quando foi
das lavouras mais comumente utiliza-
empregada a proporção de aglomerante
do é a produção de mudas e posterior
2:1. Em geral, sementes peletizadas
transplantio para o local definitivo,
apresentam ligeira redução na porcenta-
campo ou casa de vegetação.
gem e na velocidade de germinação, em
comparação às sementes nuas (NAS- O crescente desenvolvimento e
CIMENTO et al., 2009), sem, contudo, emprego de variedades melhoradas
afetar o desenvolvimento das plantas e/ou sementes híbridas, muitas vezes
em campo. O retardamento observado de alto custo, tem colaborado para a
na emergência das plântulas de alface consolidação do sistema de produção
obtidas com sementes peletizadas, de mudas e transplantio na produção
também não afetou significativamente comercial de hortaliças. Além disto,
a qualidade das mudas produzidas em nas condições de estufas, onde as
bandejas sob condições de casa de mudas são produzidas, a emergência
vegetação (SILVA et al., 2002). Também das plântulas em substrato comercial
em alface, a peletização não prejudicou em bandejas de poliestireno expandido
a qualidade das sementes e ainda favo- (isopor) com células individuais é maxi-
receu o seu desempenho em condições mizada, devido às melhores condições
adversas (BERTAGNOLLI et al., 2003). de germinação e à facilidade de se
Sementes nuas de alface apresentam aplicar os tratos culturais necessários
maior velocidade de emissão de raiz na fase inicial de estabelecimento das
primária do que sementes peletizadas, plântulas.
porém as primeiras são mais afetadas

97
O transplantio, assim, é uma ex- Em um sistema de produção de
celente opção para minimizar perdas, mudas, vários aspectos, como quali-
além de apresentar outras vantagens dade das sementes, fatores climáticos,
como redução no gasto de sementes nutrição, substratos, recipientes, quali-
(um grande benefício quando se utiliza dade da água e manejo da irrigação,
sementes híbridas, de alto custo), maior tratos culturais, controle de pragas e
uniformidade das plantas, garantia de doenças, idade para transplante, dentre
espaçamento e/ou população mais outros, devem ser considerados.
adequados,  eliminação do desbaste
(que envolve elevado gasto com mão Para hortaliças semeadas em
de obra), redução de gastos na fase bandejas, onde se coloca uma semente
inicial da cultura, maximização de uso em cada célula ou compartimento, é
da área e redução do ciclo da cultura. necessário que sejam utilizados lotes
A produção de mudas em bandejas de sementes com alta germinação e
possibilita ainda a utilização de novas vigor para se obter elevada emergência
tecnologias, como a obtenção de mu- de plântulas, de modo a não se perder
das de melancia triplóides, mudas prei- substrato e espaço dentro da bandeja,
munizadas (como é o caso de algumas resultantes de falhas na germinação e
cucurbitáceas) e mudas enxertadas.  emergência.
A enxertia tem proporcionado, dentre
outros aspectos, maior resistência a Outro importante aspecto a ser
doenças de solo e nematóides em observado na produção de mudas é a
plantas de cucurbitáceas e solanáceas, qualidade do substrato a ser utilizado.
principalmente. Para o crescimento adequado, tanto da
parte aérea como do sistema radicular,
Em vários países, incluindo o Bra- o substrato deve prover nutrientes, reter
sil, a produção de mudas em bandejas umidade, permitir trocas gasosas e fixar
sob condições de cultivo protegido para adequadamente as plantas. Substratos
posterior transplantio é, atualmente, a inadequados (muito férteis e/ou desba-
principal forma de estabelecimento de lanceados em termos de nutrientes e
plântulas no campo para a maioria das composição) podem acarretar prejuízos
hortaliças. Um exemplo interessante da à germinação, ao desenvolvimento
utilização do transplante de mudas tem das plântulas e, consequentemente,
sido observado no segmento de tomate desuniformidade no desenvolvimento
destinado à agroindústria onde, em das mudas. No comércio, já existem
grandes áreas, a utilização de híbridos diversas formulações de substratos
aliada a um manejo cultural moderno recomendadas para a produção de
com várias operações mecanizadas, mudas de hortaliças em geral. 
incluindo o transplantio mecânico das
mudas, tem contribuído para o aumento A escolha da bandeja é outro
da produtividade. aspecto a ser considerado, inclusive
o custo. O tamanho das células, por

98
exemplo, pode afetar a massa radicular diferenças no vigor das sementes, a
e refletir no desenvolvimento da parte seleção de mudas para o transplantio
aérea da muda. Reduzindo-se o tama- auxilia a reduzir os efeitos do vigor da
nho da célula há restrição ao cresci- semente no desenvolvimento da planta.
mento radicular das plântulas, afetando Por outro lado, o sistema de semeadura
assim o desenvolvimento das mudas de direta aumenta a possibilidade de es-
várias espécies olerícolas. A sanidade tender os efeitos do vigor das sementes
e/ou a limpeza e desinfecção das ban- sobre o desempenho da planta. Em
dejas deve também ser verificada.   cebola, Rodo e Marcos Filho (2003)
observaram que a taxa de crescimento
Um dos problemas comumente inicial da planta foi associada ao vigor
observados na produção de mudas é o das sementes tanto no sistema de
rápido desenvolvimento da parte aérea, semeadura direta (Tabela 5) como no
podendo ocorrer o estiolamento, com de transplantio (Tabela 6). Plantas dos
formação de mudas alongadas, frágeis lotes 5 e 2, que apresentaram vigor su-
e com poucas raízes. Mudas alongadas perior aos demais, não diferiram entre si
e/ou estioladas tendem a serem menos e tiveram maior tamanho e conteúdo de
resistentes aos estresses ambientais matéria seca do que plantas dos lotes
ou a doenças, podendo dificultar o 1 e 4 aos 28 e 56 dias após o plantio
transplantio por causarem problemas (Tabela 5). Desempenho semelhante foi
no sistema de distribuição da transplan- observado no sistema de transplantio,
tadeira mecânica, resultando em falhas quando o conteúdo de matéria seca
no estande final. Este último aspecto é das plantas obtidas dos lotes 5 e 2 foi
observado em algumas espécies, como avaliado aos 28, 56 e 112 dias após o
tomate destinado à indústria, quando plantio (Tabela 6). Neste sistema, as
se adota transplantio direto de mudas diferenças na altura das plantas foram
em solos com ou sem cobertura morta. menos evidentes, mas a melhor quali-
dade dos lotes 5 e 2 e a pior qualidade
A qualidade das sementes utili- do lote 4 foram confirmadas nas deter-
zadas na semeadura é importante para minações feitas aos 112 dias após o
assegurar o vigor das mudas, conforme plantio.
já relatado anteriormente. Em geral,
considera-se que os efeitos da quali- Semeadura direta
dade das sementes de hortaliças no
desenvolvimento das plantas são mais Em algumas espécies olerícolas,
significativos quando se adota o siste- como cenoura, por exemplo, o estabe-
ma de semeadura direta em relação lecimento da cultura é obrigatoriamente
ao transplantio. Para Finch-Savage e por meio de semeadura direta, já que a
McKee (1990), a qualidade das semen- planta não tolera o transplantio.  Nes-
tes teve pouco impacto sobre a unifor- te caso, as sementes são semeadas
midade das plantas após o transplantio. diretamente no local definitivo, sobre
Isto porque mesmo quando há grandes canteiros. Outras espécies que co-

99
Tabela 5. Altura e massa seca de plantas em diferentes estádios de crescimento de seis
lotes de sementes de cebola, cv. Petroline, para o sistema de semeadura direta (RODO;
MARCOS FILHO, 2003).

*/ Comparação das médias dentro de cada coluna (Teste de Tukey, p< 0.05).

Tabela 6. Altura de planta e massa seca de planta em diferentes estádios de crescimento


de seis lotes de sementes de cebola, cv. Petroline, para o sistema de transplantio (RODO;
MARCOS FILHO, 2003).

*/ Comparação das médias dentro de cada coluna (Teste de Tukey, p< 0.05).

mercialmente tem sido estabelecidas pela produção de mudas e posterior


utilizando a semeadura direta no campo transplantio devido ao aparecimento,
são a ervilha, o feijão vagem, o milho no mercado, de sementes híbridas de
doce, dentre outras. O quiabo, antes maior custo. Outras espécies, como
estabelecido pela semeadura direta, beterraba, cebola, nabo, rabanete e
vem aos poucos sendo estabelecido algumas cucurbitáceas (melão, abó-

100
bora, melancia e pepino) podem tanto A utilização de sementes de ele-
ser semeadas diretamente no campo vada qualidade fisiológica e sanitária é
ou passar primeiro pelo sistema de fundamental quando se adota o sistema
produção de mudas, para posterior de semeadura direta para se assegu-
transplantio para o campo. rar um estande adequado, uniforme,
o qual terá reflexos positivos sobre o
A qualidade das sementes torna- desenvolvimento das plantas e, conse-
se de suma importância quando se quentemente, sobre a produção final.
adota o sistema de semeadura direta,
principalmente para produtores mais Considerações Finais
tecnificados que utilizam semeadoras
mecânicas ou de precisão (com O estabelecimento de um estande
sistema de semeio a vácuo). Ambos adequado do campo de produção de
os equipamentos têm a vantagem sementes de hortaliças pode ser obtido
de, simultaneamente, abrir os sulcos, quando técnicas corretas de cultivo e
distribuir as sementes e cobri-las com preparo do solo são adotadas aliadas
grande eficiência. O uso da semeadura à utilização de sementes de elevada
de precisão tem reduzido os custos com qualidade fisiológica e sanitária. Estan-
mão-de-obra, pois permite a redução des irregulares e desuniformes podem
e/ou eliminação do desbaste, uma vez resultar em diferenças significativas no
que cada semente será colocada no padrão de desenvolvimento das plantas
espaçamento exato onde dará origem afetando a produção final da lavoura.
à planta. Diversos fatores bióticos e abióticos
podem afetar o estabelecimento das
Qualquer que seja o método ou plântulas de hortaliças em campo, com
equipamento utilizado, atenção espe- ênfase para as condições de ambiente
cial deve ser dada à profundidade de como temperatura, precipitação pluvio-
semeadura. As sementes de hortaliças métrica, características físicas do solo,
são geralmente pequenas, possuem disponibilidade de água no solo, pre-
poucas reservas e as plântulas que sença de patógenos de solo além do vi-
emergem são tenras e delicadas. Se a gor e sanidade das sementes utilizadas
profundidade de semeadura for muito na semeadura. A emergência das plân-
superior a 2,0 cm, as plântulas pode- tulas em campo pode ser favorecida por
rão ter dificuldades em emergir ou até diferentes tecnologias de tratamento de
mesmo não emergirem. Se for muito sementes como o ‘priming’, a aplica-
superficial, menos de 1,0 cm, poderá ção de produtos químicos específicos
haver falhas de germinação devido ao como fungicidas e o revestimento das
secamento da camada superficial do sementes. A associação entre práticas
solo ou arraste das sementes pela água culturais adequadas e sementes de
de irrigação ou chuva forte (VIEIRA; alta qualidade genética, fisiológica e
MAKISHIMA, 2010). sanitária é importante para minimizar os
efeitos adversos do ambiente e permitir

101
a produção de hortaliças de alta quali- in melon (Cucumis melo L.) by pre-
dade. Portanto, a qualidade da semen- sowing salicylicate treatments. Inter-
te assume papel de destaque no cultivo national Journal of Agriculture &
de hortaliças, podendo ser considerada Biology. v. 9, n. 4, p. 550-554, 2007.
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Foto: Antonio Ismael Cardoso

Frutos de
tomate com
podridão apical.

106
Foto: Antonio Ismael Cardoso

107
Nutrição e adubação em campos de
produção de sementes de hortaliças

Antonio Ismael Inácio Cardoso

Introdução tem sido muito pequeno e o setor está


carente de informações, apesar do alto

A
pesar das hortaliças ocuparem investimento no desenvolvimento de
uma posição de destaque na novas cultivares e híbridos com maior
produção agrícola nacional, potencial produtivo e adaptação às
ainda importa-se grande quantidade condições brasileiras.
de sementes. A completa autonomia
na produção de sementes não será Neste aspecto, informações re-
alcançada, quer seja pelas condições lativas à nutrição e adubação das
climáticas que inviabilizam a produção hortaliças destinadas à produção de
em larga escala para algumas espé- sementes para as nossas condições
cies, quer seja pelo interesse comercial são escassas. Dentre os fatores que
das empresas que, nestes tempos de afetam a produção e a qualidade das
globalização, buscam a produção de sementes destacam-se a fertilidade do
sementes onde seja mais viável eco- solo e a adubação. Segundo Carvalho e
nomicamente, desde que atendam os Nakagawa (2000), os solos naturalmen-
requisitos de qualidade. O investimento te férteis devem ser os preferidos para
em pesquisa na área de tecnologia de a multiplicação de sementes, pois neles
produção de sementes de hortaliças se obtém não só as maiores produções

109
como também sementes de melhor várias hortaliças, raramente se encon-
qualidade. Um solo fértil é aquele que tram trabalhos que abordem os efeitos
contém os nutrientes essenciais em dos nutrientes na produção e quali-
quantidades adequadas e balanceadas dade de sementes. A adubação deve
para um crescimento e desenvolvimen- ser diferente, pois, quando se busca
to normal das plantas cultivadas e que a produção de sementes, para várias
apresente boas características físicas espécies de hortaliças ocorre aumento
e biológicas. no ciclo da planta e maior demanda por
nutrientes. No entanto, devido à escas-
Entretanto, a escolha de locais sez de informações relacionadas às
com tais características está se tornan- exigências nutricionais, pode-se estar
do cada vez mais difícil, o que resulta sendo realizada adubação que com-
na necessidade de se utilizar solos de prometa a produtividade e a qualidade
fertilidade média ou mesmo pobres, das sementes.
que precisam ser adubados. Segundo
Lopes e Guilherme (2007), o Brasil Destaca-se, também, que além
possui grandes extensões de terra com dos fatores como produção e qualidade
problemas de fertilidade relacionadas fisiológica das sementes normalmente
com a alta acidez e toxidez por alumí- avaliados em estudos de adubação,
nio, além de alta capacidade de fixação uma adubação equilibrada favorece
de fósforo, macronutriente essencial o desenvolvimento das plantas típico
para as plantas e, em especial, para para cada cultivar, facilitando assim
as sementes. o “roguing”, além de manter a planta
mais resistente a pragas e patógenos
No início da fase reprodutiva, a que podem afetar a qualidade sanitária
exigência nutricional para a maioria das das sementes.
espécies torna-se mais intensa, sendo
Neste capítulo serão abordados
mais crítica por ocasião da formação
os estudos com adubação e nutrição
das sementes, quando considerável
na produção de sementes de hortaliças,
quantidade de nutrientes é para elas
assim como os estudos com acúmulo,
translocada. A boa formação do em-
exportação e teores dos nutrientes
brião e do órgão de reserva, assim
nas plantas cultivadas para produção
como sua composição química, depen-
de sementes, com ênfase em alguns
de da disponibilidade de nutrientes para
trabalhos realizados no Brasil.
a planta que, consequentemente, irá
influenciar no metabolismo e no vigor Adubação química na produção de
da semente (CARVALHO; NAKAGA- sementes de hortaliças
WA, 2000).
Macronutrientes
Embora existam estudos sobre
nutrição e existam recomendações de Segundo Meures (2007), são 14
adubação para o cultivo comercial de os elementos essenciais ao desenvolvi-

110
mento das plantas, classificados como um produtor de sementes de abóbora, a
macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S) ou colocação de pelo menos mais uma col-
micronutrientes (B, Cl, Cu, Fe, Mn, Zn, méia por ha pode favorecer a obtenção
Mo, Ni), em função de sua abundância de frutos com, por exemplo, média de
relativa nas plantas. Destes, os macro- 200 sementes, ou seja, cerca de 33% a
nutrientes são os necessários em maior mais. Estas sementes a mais precisam
quantidade e, geralmente, mais estu- de mais nutrientes para completarem a
dados. É necessário que haja disponi- maturação.
bilidade e absorção dos nutrientes em
proporções adequadas, via solução do Existem diversas recomendações
de adubação para hortaliças. Por exem-
solo ou como suplementação via foliar.
plo, no estado de São Paulo existe o
O manejo da adubação para su- Boletim 100 (RAIJ et al., 1996), editado
prir a planta com todos os nutrientes pelo Instituto Agronômico de Campi-
na quantidade e época adequadas nas. Também existem livros e boletins
depende de um conjunto de práticas ou específicos com recomendações de
ações. Enquanto para algumas culturas adubação e fertirrigação para hortaliças
as recomendações estão definidas com (FOLEGATTI et al., 2001).
base em pesquisas, para muitas horta- Já para a produção de semen-
liças os estudos são poucos, e visando tes são poucas as fontes para serem
a produção de sementes são raros. consultadas. No livro editado por
Castellane et al. (1990), os autores
Para as hortaliças de frutos, tais
recomendam adubações específicas
como algumas cucurbitáceas e sola-
para cada cultura visando à produção
náceas, pode-se utilizar as recomen-
de sementes. Também George (1999)
dações de adubação para o cultivo
faz recomendações específicas para
comercial de produção de frutos, com
produção de sementes nos Estados
a ressalva de que isto é apenas uma
Unidos, assim como Shinohara (1984)
aproximação, pois, como se explicará para as condições do Japão. Porém, di-
no item sobre extração de nutrientes, ficilmente estes autores citam trabalhos
a exigência nutricional para a maioria que embasaram estas recomendações
das espécies é maior quando o objetivo e algumas pesquisas tem demonstra-
são as sementes. Destaca-se, também, do que talvez, estas recomendações
que em campos visando a produção de estejam aquém das necessidades das
sementes o manejo é direcionado a au- culturas para se obter elevadas produ-
mentar a quantidade de sementes por tividades de sementes.
planta, demandando quantidade ainda
maior de nutrientes disponíveis para a Por exemplo, para a produção de
planta. Por exemplo, para um produtor sementes de alface, Viggiano (1990)
de abóbora se os frutos tiverem uma recomenda que o pH do solo esteja
média de 150 sementes podem ser entre 6,0 a 6,5 e a utilização de 90 a
vendidos normalmente. Porém, para 150 kg ha-1 de P2O5 e de 60 a 120 kg

111
ha-1 de K2O, em solos de alta a baixa Porém, deve-se destacar que es-
concentração de fósforo e potássio, tas pesquisas foram realizadas utilizan-
respectivamente. Porém, Kano et al. do-se um solo com teor de fósforo e po-
(2004) relataram aumento linear na tássio baixos e que o ciclo da cultura foi
produção de sementes de alface crespa cerca de três vezes maior que o normal
‘Verônica’ com doses de P2O5 variando para o cultivo destinado ao consumo “in
de 0 a 800 kg ha-1 (Figura 1), em um natura”. Com estes resultados pode-se
solo pobre em fósforo. Ressalta-se que concluir que as recomendações podem
a maior dose avaliada (800 kg de P2O5 estar aquém do necessário, pelo menos
ha-1) corresponde ao triplo da dose para as condições destas pesquisas.
recomendada por Raij et al. (1996) no Provavelmente, estas respostas a do-
estado de São Paulo para o cultivo ses muito superiores ao recomendado
comercial e por Viggiano (1990) para para a produção comercial deve estar
a produção de sementes. relacionada a maior extração de nu-
trientes no cultivo de alface visando a
Neste mesmo solo e com a mes- produção de sementes em comparação
ma cultivar de alface, Kano et al. (2006) ao cultivo comercial.
também obtiveram aumento linear na
produção de sementes com doses cres- Tanto no trabalho com fósforo
centes de potássio (0 a 2,5 g planta-1) (KANO et al., 2005, 2006) como com
em cobertura (Figura 2). Ressalta-se potássio (KANO et al., 2006), apesar do
que a adubação em cobertura com aumento linear da produção de semen-
potássio foi feita aplicando-se 1,0 g tes de alface, não houve efeito significa-
planta-1 quando a planta estava no pon- tivo de doses de potássio e fósforo para
to comercial para consumo e o restante todas as características de qualidade
após o início do florescimento, visando fisiológica avaliadas: massa de 1000
suprir na fase de maior demanda que sementes, germinação, índice de velo-
é a formação da semente. Para cada cidade de germinação, emergência em
aumento de 1,0 g planta-1 de K2O for-
necido, obteve-se 3,85 g de sementes
a mais por planta.

Figura 1. Produção (g planta–1) de sementes Figura 2. Produção (g planta–1) de sementes


de alface ‘Verônica’ em função de doses de de alface ‘Verônica’ em função de doses de
P2O5 (KANO et al., 2004). K2O (KANO et al., 2006).

112
bandeja e qualidade das mudas. Soffer que a maior produção de sementes e
e Smith (1974) também verificaram que a melhor porcentagem de germinação
o aumento no nível de fertilidade do solo (83,7%) foram obtidos na maior dose
aumentou a produção de sementes de tanto de fósforo como de nitrogênio.
alface, porém, não ocasionou aumento
correspondente no vigor das sementes. Para cenoura, Ahmed et al.
(1989), ao estudarem doses de fósfo-
Harrington (1960), ao cultivar ro (que variaram de 0 a 90 kg ha-1 de
plantas de alface, cenoura e pimenta P2O5) e de nitrogênio (0 a 120 kg ha-1
em solução completa de nutrientes e de N), obtiveram a maior produção na
sob deficiência de nitrogênio, fósforo, maior dose de nitrogênio, mas, conclu-
potássio e cálcio, verificou que a pro- íram que essas quantidades de fósforo
dução de sementes foi reduzida nos utilizadas não afetaram a produção de
tratamentos com deficiência desses nu- sementes. Ainda em cenoura, Amjad
trientes. Já a porcentagem de plântulas et al. (2005) obtiveram maior produção
normais foi reduzida nos tratamentos com 75 e 90 kg ha-1 de N e K, respec-
com deficiência de nitrogênio, potássio tivamente.
e cálcio, porém não no tratamento com
deficiência de fósforo. Oliveira et al. (2003a), ao estu-
darem doses de fósforo na produção
Em pimentão, Silva et al. (1971), de sementes de quiabo, obtiveram
ao estudarem o efeito de doses crescen- resposta quadrática, com a máxima
tes de adubação com o formulado NPK, produção sendo obtida com 258 kg ha-1
obtiveram aumento da produção de se- de P2O5, demonstrando novamente a
mentes com o aumento da adubação, no influência da adubação com o fósforo
entanto, a porcentagem de germinação na produção de sementes. Para essa
das sementes não foi influenciada. mesma cultura, Zanin e Kimoto (1980)
também verificaram aumento na pro-
Para tomate, Seno et al. (1987),
dução de sementes com o aumento da
ao avaliarem doses de fósforo (0; 200;
adubação NPK, mas essas doses não
400 e 600 kg ha-1 de P2O5) e de potássio
influenciaram o vigor das sementes.
(0; 60; 120 e 180 kg ha-1 de K2O) em es-
quema fatorial, verificaram que o maior
Na cultura da ervilha, Pachauri et
número de sementes por fruto foi obtido
al. (1988), ao avaliarem combinações
na maior dose de fósforo (ajustado pelo
de doses de fósforo (0; 75 e 150 kg
modelo linear). Quanto ao potássio, não
ha-1 de P2O5), de nitrogênio (0; 37,5 e
foi verificado nenhum efeito significativo,
75 kg ha-1 de N) e de potássio (0; 50 e
provavelmente pelo alto teor desse ele-
100 kg ha-1 de K2O), verificaram que a
mento no solo utilizado.
maior produção de sementes foi obtida
Para cebola, Bokshi et al. (1989), na parcela onde a relação N: P2O5: K2O
ao estudarem as doses de 0; 100; 150 e foi de 75:150:50 kg ha-1, isto é, na maior
200 kg ha-1 de P2O5 e de N, verificaram dose de fósforo testada.

113
Para feijão fava, Oliveira et al. das mesmas, provavelmente visando
(2003b) verificaram que a produção de à perpetuação da espécie com a pro-
sementes ajustou-se ao modelo qua- dução de sementes de alta qualidade.
drático em função das doses de P2O5 Delouche (1980) comenta que as plan-
utilizadas, sendo a máxima produção tas desenvolveram uma extraordinária
obtida na dose de 303 kg ha-1 de P2O5. capacidade de ajustar a produção de
sementes aos recursos disponíveis. A
Jamwal et al. �����������������
(1995), com o ob- resposta típica de plantas à baixa fertili-
jetivo de verificar a influência de doses dade do solo é a redução na quantidade
de fósforo (que variaram de 0 a 150 kg de sementes produzidas e só depois
ha-1) e de nitrogênio (0 a 262 kg ha-1 de há redução na qualidade. As poucas
N) na produção de sementes de couve- sementes produzidas sob condições
flor, obtiveram resposta linear para o marginais são usualmente tão viáveis
fósforo e aumento na produção com a e vigorosas como aquelas produzidas
aplicação de até 175 kg ha-1 de N. sob situações mais favoráveis. Do
ponto de vista evolucionário, o ajuste
Para a couve chinesa foi verifica- da produção de sementes aos recur-
do aumento na produção de sementes sos disponíveis tem um alto valor para
por planta em função da adubação sobrevivência. As poucas sementes de
fosfatada e potássica (SHARMA, 1995). alta qualidade teriam igual chance de
Ainda com couve chinesa, observações germinar e desenvolver-se em condi-
realizadas por Iwata e Eguchi (1958), ções adversas.
citados por Sá, (1994), indicam que ní-
veis baixos de fósforo no solo reduzem Há também relatos de que o efeito
a produção, o tamanho das sementes e da nutrição das plantas na qualidade da
o vigor das plântulas, mas não afetam semente possa ser observado só após
a germinação total. algum período de armazenamento das
sementes (ZUCARELI, 2005). Kano et
É possível observar pelos tra- al. (2011b) relatou que as doses de fós-
balhos citados que maiores doses de foro não afetaram a qualidade das se-
fertilizantes geralmente proporcionam mentes de alface. Porém, as sementes
aumento na produção de sementes, foram novamente avaliadas após um e
provavelmente devido ao melhor de- dois anos de armazenamento (40% UR
senvolvimento das plantas proporcio- e 20oC) e foi obtida maior germinação
nado pela adubação. No entanto, as e vigor quanto maior a dose de fósforo
respostas quanto à sua influência na e apenas no segundo ano.
qualidade das sementes, quando ava-
liada, nem sempre mostram melhoria Segundo Marcos Filho (2005),
na qualidade. Pode-se dizer que as talvez a maior dificuldade para a eluci-
plantas sob condições de estresse, no dação das relações da adubação com
caso nutricional, reduzem a produção o potencial fisiológico das sementes
de sementes sem afetar a qualidade esteja na metodologia adotada pelos

114
pesquisadores e não devido à inexistên- na parte central do caule, cabeças
cia de relação entre o estado nutricional pequenas, pouco compactas e, na
da planta ou a fertilidade do solo e o po- couve-flor, coloração bronzeada na
tencial fisiológico das sementes. Quando inflorescência (FILGUEIRA, 2003),
a pesquisa é conduzida em condições podendo apodrecer a mesma, impe-
de campo, a tarefa de identificação dos dindo a produção de sementes. O boro
efeitos de nutrientes específicos, sejam é pouco móvel no floema e pouco se
macro ou micronutrientes, é severamen- redistribui na planta, portanto a defici-
te prejudicada pela possível interação ência nutricional se apresenta em ór-
dos elementos presentes no solo e gãos mais novos (MALAVOLTA, 1985).
limitações do controle experimental. A Em trabalho ainda não publicado, foi
própria dificuldade metodológica para observado menor vigor de sementes
quantificar o(s) elemento(s) estudado(s), em plantas de couve-flor sem aplica-
devido à variação de procedimentos e de ção de boro.
resultados obtidos em análises químicas
do solo, é outro fator agravante. No estado de São Paulo, são
recomendados 3 a 4 kg ha-1 de B no
Outro ponto que pode estar pro- plantio para brócolis e couve-flor, segui-
porcionando ausência de diferença da de três aplicações foliares (1 g L-1 de
de qualidade é a classificação das ácido bórico) durante o ciclo (RAIJ et al.,
sementes. Na maioria das vezes, as se- 1996). Para a produção de sementes,
mentes colhidas nos experimentos são observa-se que alguns produtores rea-
beneficiadas, com a retirada daquelas lizam, além destas aplicações na fase
mal formadas, chochas e defeituosas, vegetativa, mais uma ou duas após o
antes da avaliação da qualidade. Com início do florescimento.
isto, há uma uniformização dos lotes
dos diferentes tratamentos quanto à Conforme citado anteriormen-
qualidade fisiológica. te, quando a pesquisa é conduzida
em condições de campo, a tarefa de
Micronutrientes
identificação dos efeitos de nutrientes
Os micronutrientes não são muito específicos é severamente prejudicada
estudados, principalmente para a pro- pela possível interação dos elemen-
dução de sementes de hortaliças. Nor- tos presentes no solo e limitações do
malmente, o fornecimento é feito com controle experimental. A própria difi-
a aplicação de formulados NPK mistu- culdade metodológica para quantificar
rados com sais desses elementos, ou o(s) elemento(s) estudado(s), devido
em pulverização foliar. Em hortaliças, à variação de procedimentos e de re-
quando o assunto é micronutrientes, sultados obtidos em análises químicas
deve-se mencionar as brássicas. do solo, é outro fator agravante. Neste
caso, os entraves se acentuam quando
A deficiência de boro em brás- os micronutrientes representam o prin-
sicas resulta em coloração escura cipal foco de atenção.

115
Adubação orgânica na produção de proporcionados por adubos orgânicos,
sementes de hortaliças embora menos imediatos e marcan-
tes do que os obtidos com adubos
É reconhecido o efeito benéfico minerais, apresentam maior duração,
da adubação orgânica na produti- provavelmente pela liberação mais pro-
vidade das culturas, assim como o gressiva de nutrientes e pelo estímulo
aprimoramento nas condições físicas, do crescimento radicular.
químicas e biológicas do solo graças à
sua utilização. Os nutrientes presentes Apesar da importância da aduba-
em adubos orgânicos, principalmen- ção orgânica em hortaliças, não apenas
te o nitrogênio e o fósforo, possuem no sistema orgânico de produção como
uma liberação mais lenta que a dos também no convencional, pouco se
adubos minerais, pois dependem da conhece a respeito da quantidade de
mineralização da matéria orgânica, adubos orgânicos a utilizar em campos
proporcionando disponibilidade ao de produção de sementes de hortaliças
longo do tempo (RAIJ et al., 1996). Já (OLIVEIRA et al., 2000).
o potássio está presente na forma livre,
sendo prontamente liberado para o solo Em abobrinha ‘Caserta’, Rech et
(KIEHL, 1985). al. (2006) relataram aumento linear no
número de frutos e de sementes com
Em solos tropicais, a minerali- aumento na dose de cama de aviário,
zação da matéria orgânica é intensa. sem afetar a qualidade das sementes.
Portanto, há necessidade constante A máxima produção de sementes foi
de fornecimento de material orgânico, obtida na dose de 250 g cova-1, corres-
principalmente no caso de hortaliças, pondente ao dobro da recomendação
visando compensar as perdas ocorridas (ROLAS, 1994) para o estado do Rio
no seu cultivo. As doses recomendadas Grande do Sul.
de matéria orgânica situam-se, geral-
mente, entre 10 a 50 t ha-1 ano-1 de Bruno et al. (2007), ao avaliarem
esterco bovino ou composto orgânico. a qualidade fisiológica de sementes
Contudo, estas doses variam muito de cenoura sob diferentes fontes de
com as culturas, com a qualidade do adubação, verificaram que o composto
material empregado, com as caracte- orgânico na presença de biofertilizante
rísticas originais do solo e com o tempo resultou em sementes mais vigoro-
de manejo. A variação é saudável, pois sas comparados à testemunha sem
indica que os sistemas de produção composto. Já em coentro, Alves et al.
devem ser gerados para cada situação (2005) obtiveram aumento na produção
específica, dentro de seus limites eco- de sementes em função das doses de
lógicos, agronômicos e econômicos, esterco bovino, e verificaram que a
sem generalizações (SANTOS, 2005). germinação e o índice de velocidade de
germinação aumentaram linearmente
Marchesini et al. (1988) relataram com a elevação das doses de matéria
que os incrementos de produtividade orgânica.

116
Quadros (2010) avaliou a produ- Destaca-se que a dose recomendada
ção de sementes de alface com diferen- de composto orgânico para o cultivo de
tes doses de composto orgânico, com e alface foi de 20 t ha-1 (RAIJ et al., 1996)
sem aplicação de fósforo no solo, e ob- demonstrando, novamente, a maior
teve resposta quadrática, sendo que a necessidade de adubação quando o
dose de 33,43 t ha-1 de composto orgâ- objetivo é a produção de sementes.
nico, com fósforo no solo, e 49,21 t ha-1
de composto orgânico, sem fósforo no Já em couve brócoli `Ramoso
solo, apresentaram maiores produção Santana`, Magro et al. (2010) obtiveram
de sementes (Figura 3). Porém, não ob- aumento linear para a produção de se-
servou diferença para todos os índices mentes por planta (Figura 4) em função
de qualidade de sementes avaliados. das doses de composto orgânico (0 a

Figura 3. Produção de sementes de alface ‘Verônica’ em função de doses de composto


orgânico, com e sem fósforo aplicado no solo (Quadros, 2010).

Figura 4. Produção de sementes de couve brócoli ‘Ramoso Santana’ em função de doses


de composto orgânico (MAGRO et al., 2010).

117
120 t ha-1), ou seja, com doses muito su- sempre, com alterações na qualidade
periores à recomendação. Ressalta-se fisiológica das sementes. Além dos
que este resultado foi obtido em um solo fatos já relatados anteriormente, estu-
com baixo teor de potássio e que este dos com adubação orgânica são muito
nutriente não foi fornecido com adubos mais complexos, pois, além do aspecto
solúveis, mostrando que, provavelmen- químico, têm-se as alterações físicas e
te, o composto orgânico deve ter sido biológicas do solo.
fonte deste nutriente essencial, pois
também se observou aumento linear Apesar da ausência de estudos,
no teor de potássio no solo com o au- destaca-se a adubação verde como
mento das doses de composto orgânico uma prática para recuperar ou aumen-
(Figura 5). Normalmente o potássio é tar a fertilidade do solo, proporcionando
o nutriente mais rapidamente disponi- aumento no teor de matéria orgânica,
bilizado às plantas com a adubação da capacidade de troca de cátions e
orgânica (KIEHL, 1985; SOUZA; RE- da disponibilidade de macro e micro-
ZENDE, 2003). No entanto, as doses nutrientes. Com a adubação verde há
de composto orgânico não afetaram a a reciclagem de nutrientes, que são
qualidade de sementes. acumulados na planta durante seu
crescimento e liberados durante sua
Assim como nos trabalhos com decomposição. Além do efeito sobre a
adubação química, também na maioria fertilidade do solo, a adubação verde
dos trabalhos com adubação orgânica favorece a formação e estabilidade
foram observados aumentos na produ- de agregados, melhora a infiltração
ção de sementes com doses superiores de água e aeração, ajuda a diminuir a
às recomendadas para a produção amplitude de variação térmica do solo,
comercial da hortaliça, porém, nem dentre outros efeitos benéficos.

Figura 5. Teor de potássio no solo em função das doses de composto orgânico, após
um mês do transplante das mudas de couve brócoli (MAGRO et al., 2010).

118
Extração de nutrientes planta; contudo, essas informações
são ainda bastante limitadas (VILLAS
Nos últimos anos o mercado BOAS et al., 2001).
tem exigido produtividade e redução
nos custos de produção. Para isso, é Porém, se os trabalhos onde se
necessário que as práticas culturais estuda adubação na produção de se-
relacionadas às adubações sejam reali- mentes de hortaliças são poucos, os
zadas com eficiência, sem desperdício. que estudam o acúmulo de nutrientes
Maiores produções resultam em maior são raros. Nas hortaliças de frutos, tais
acúmulo de nutrientes pela planta e como cucurbitáceas e solanáceas, po-
maior exportação pelas sementes, de-se fazer uso das curvas de absorção
necessitando de maior quantidade de dos autores que estudaram a produção
adubo, químico ou orgânico, para man- de frutos, com a ressalva de que isto é
ter a fertilidade do solo. apenas uma aproximação. Nas horta-
liças de frutos em que se colhe o fruto
O conhecimento do conteúdo de imaturo (abobrinha, pepino, berinjela,
nutrientes nas plantas, principalmente dentre outras) a extração de nutrientes
da parte colhida, é importante para pode ser ainda maior quando se culti-
avaliar a remoção desses nutrientes va para produção de sementes, pois
da área de cultivo, tornando-se um enquanto o fruto imaturo no ponto de
dos componentes necessários para as colheita é composto por cerca de 90%
recomendações econômicas de adu- de água e as sementes ainda estão em
bação. Em média, as plantas possuem início de formação, no fruto maduro as
cerca de 5% de nutrientes minerais na sementes já estão formadas e são um
massa de material seco, porém existem dreno muito grande de nutrientes e, em
grandes diferenças entre espécies, média, elas apresentam teor de água
e as quantidades totais exigidas por muito menor no ponto de colheita que o
uma cultura dependem da produtivi- fruto imaturo, ou seja, uma concentra-
dade. Por outro lado, a absorção de ção de matéria seca muito maior.
nutrientes é diferente de acordo com
a fase de desenvolvimento da planta, Como exemplo de hortaliças de
intensificando-se com o florescimento, frutos com estudos de absorção de nu-
a formação e o crescimento dos frutos trientes, tem-se o pimentão (MARCUS-
e sementes (VITTI et al., 1994; RAIJ et SI et al., 2004) e a melancia (GRANGEI-
al., 1996). RO e CECÍLIO FILHO, 2004). Marcussi
et al. (2004) relataram que a quantidade
A utilização de curvas de acúmulo (em g planta-1) de nutrientes extraída
de nutrientes para as hortaliças, como pela planta de pimentão para a produ-
um parâmetro para a recomendação da ção de frutos foi de 6,66 (N); 6,45 (K);
adubação, mostra-se como uma boa 2,79 (Ca); 1,26 (Mg); 1,04 (S) e 0,72 (P),
indicação da necessidade de nutrientes para uma massa seca total da planta de
em cada etapa de desenvolvimento da 250g. O fósforo, apesar de ter sido o

119
menos extraído pela planta (Tabela 1), a 69% da massa seca da planta. Do
foi o que apresentou maior percentual total dos macronutrientes acumulados
nos frutos (50,6%), provavelmente pela pela planta, os frutos participaram com
sua importância na constituição das cerca de 77% do N, 82% do P, 76% do
sementes. Esta importância do fósforo K, 17% do Ca, 41% do Mg e 65% do
é reforçada pelo maior acúmulo deste S. Portanto, os macronutrientes N, P, K
nutriente na fase final do ciclo, onde e S acumularam-se preferencialmente
predominava o estádio reprodutivo, nos frutos. Não se pode concluir que
sendo que mais de 57% do fósforo acu- sejam as sementes o principal local de
mulado pela planta foi na última etapa acúmulo destes nutrientes tendo em
do ciclo, dos 101 aos 140 dias após o vista que os autores avaliaram o fruto
transplante (Tabela 2). inteiro. Porém, ao se comparar com os
resultados obtidos por estes mesmos
Segundo Grangeiro & Cecilio autores em outra pesquisa com um
Filho (2004), os nutrientes mais expor- híbrido de melancia sem sementes
tados pelos frutos de melancia foram o (GRANGEIRO; CECÍLIO FILHO, 2005),
K (118,0 kg ha-1), o N (106,4 kg ha-1) e o percentual de acúmulo nos frutos
o P (11,1 kg ha-1), para uma produtivi- em relação à planta inteira foram bem
dade de 40 t de frutos ha-1. Por ocasião inferiores: 38% do N, 45% do P, 50%
da colheita, os frutos correspondiam do K, 11% do Ca, 27% do Mg e 35%

Tabela 1. Quantidade de macronutrientes extraídos pela planta de pimentão e exportada


pelos frutos durante 140 dias de ciclo.

Fonte: Marcussi et al. (2004)

120
Tabela 2. Porcentagem de macronutrientes acumulados durante o ciclo das plantas de
pimentão.

Fonte: Marcussi et al. (2004)

do S, o que sinaliza a importância das (LIMA, 2001), pepino (SOLIS et al.,


sementes no acúmulo de nutrientes. 1982) e tomate (PRADO et al., 2011).
Quanto ao acúmulo dos nutrientes ao
longo do ciclo, Grangeiro e Cecilio Filho Estudos específicos de absorção
(2004) relataram maior demanda após e acúmulo de nutrientes por hortaliças
o início da frutificação. com o objetivo de produzir sementes
são raros. Estudando doses de fósforo
Com as informações de extração na produção de sementes de alface
em cada estádio do ciclo, é possível crespa ‘Verônica’, Kano (2006) relatou
se fazer recomendações de demanda que a ordem decrescente da quanti-
diária, ou semanal, de cada nutriente dade de macronutrientes acumulados
para recomendações de fertirrigação, nas plantas no final do ciclo, incluindo
lembrando que para cada material as sementes, foi potássio > nitrogênio
genético e cada ambiente pode haver > cálcio > magnésio > fósforo > enxofre
uma resposta específica. Além destes (Tabela 3). Ao comparar o acúmulo de
exemplos citados de marcha de absor- macronutrientes obtido por Beninni et
ção para pimentão e melancia, também al. (2005) pela mesma cultivar de alfa-
têm-se estudos no Brasil para outras ce para o consumo fresco no sistema
hortaliças de fruto, cuja extração de convencional, pode-se verificar que a
nutrientes deve ser muito próxima a planta para a produção de sementes
da produção de sementes, como abo- acumulou quantidade superior de todos
brinha (ARAÚJO et al., 2001), melão os macronutrientes: 3,0 vezes nitrogê-

121
nio; 2,9 de fósforo; 2,9 de potássio; 8,9 nitrogênio > enxofre > fósforo > potássio
de cálcio; 6,3 de magnésio e 1,9 de en- > cálcio > magnésio. Braz et al. (2007)
xofre, indicando que, quando se busca e Castoldi et al. ����������������������
(2007), estudando bró-
a produção de sementes de alface, a colis de cabeça única ‘Legacy’ e ‘Lord
necessidade de macronutrientes é bem Summer’, respectivamente, obtiveram
maior. Deve-se destacar a importância a seguinte ordem de macronutrientes
da calagem, pois tanto o cálcio como acumulados na planta: nitrogênio >
o magnésio foram os nutrientes com potássio > cálcio > magnésio > enxofre
maior aumento proporcional no acúmu- > fósforo. Comparando esses resulta-
lo em relação à alface para consumo. dos com o acúmulo de macronutrientes
Resultados semelhantes foram obser- nas sementes de brócolis (MAGRO et
vados por Kano et al. (2006) estudando al., 2009), pode-se dizer que alguns
diferentes doses de potássio em cober- nutrientes apresentam maiores exigên-
tura para produção de sementes desta cias nas sementes. Destaca-se como
mesma cultivar de alface e por Quadros principal diferença entre as ordens, o
et al. (2010) com diferentes doses de enxofre como o segundo nutriente mais
composto orgânico (Tabela 3). acumulado pelas sementes de brócolis.
Provavelmente, este fato se deva a
Segundo Magro et al. (2009), para maior exigência desse nutriente para
o brócolis ‘Ramoso Piracicaba’, a or- as brássicas, que retiram do solo maior
dem decrescente média dos macronu- quantidade de enxofre em relação a
trientes acumulados nas sementes foi: outros macronutrientes (FILGUEIRA,

Tabela 3. Acúmulo dos macronutrientes (mg pl-1) em plantas de alface ‘Verônica’ cultivadas
para o consumo fresco e em plantas cultivadas para produção de sementes.

122
2003). Além do enxofre, o fósforo tam- ocorre entre o início do pendoamento
bém apresentou maior exigência relati- e o florescimento, com pelo menos 1/3
va pelas sementes em comparação ao da demanda total, destacando-se o
cultivo para produção comercial. Claro fósforo com 53%. Possivelmente, nes-
que as cultivares foram diferentes, as- te estádio, o fósforo seja armazenado
sim como as condições de cultivo, po- para posterior redistribuição para as
rém confirma a importância do fósforo sementes (principal dreno de reserva).
na composição das sementes. Na fase final de maturação das semen-
tes, a demanda de N, P e K se reduz,
Com estas pesquisas de acúmulo provavelmente pela senescência das
de nutrientes, pode-se ter subsídios folhas e predomínio da redistribuição
para a recomendação de fertirrigação destas para as partes reprodutivas. Já
ao longo do ciclo. Ao estudar produção o Ca, Mg e S ainda apresentam eleva-
de sementes de alface, Kano (2006) da demanda na fase final, pelo menos
relata que a necessidade de nutrien- mais 1/3. O cálcio normalmente é for-
tes é baixa na fase inicial do ciclo, não necido via calagem e a absorção ocorre
ultrapassando a 6,5% para todos os ao longo de todo o ciclo, com pequena
nutrientes (Tabela 4). A maior demanda redistribuição dentro da planta. Para

Tabela 4. Porcentagem de macronutrientes acumulados em cada estádio do ciclo das


plantas de alface para produção de sementes.

DAT = dias após o transplante


Kano (2006)

123
que não falte este nutriente até o final nitrogênio, fósforo e potássio seguem
do ciclo, além da disponibilidade do a mesma tendência que a taxa de acú-
mesmo no solo via calagem, a irrigação mulo de biomassa da cultura. Portanto,
deve ser realizada até o final do ciclo, na ausência da curva de absorção de
pois com déficit hídrico há conside- nutrientes, o acúmulo de material seco
rável redução na absorção de cálcio. fornece uma boa aproximação da extra-
Também o excesso de adubação com ção de nutrientes (SOUSA; COELHO,
cátions, por exemplo, NH4+ e K+, pode 2001).
reduzir a absorção de Ca++. No período
de maior demanda (início do floresci- Teores de nutrientes nas sementes
mento) a planta necessita de 19; 4,3;
38; 18,5; 3,4 e 1,7 mg dia-1 planta-1 de Quando se estuda a extração
N, P, K, Ca, Mg e S, respectivamente. e o acúmulo de nutrientes, tem-se
a quantidade de nutrientes que a
Quanto aos micronutrientes, Kano planta extraiu do solo ou recebeu
(2006) relatou que a média da quanti- via adubação foliar e acumulou nos
dade acumulada na parte aérea total seus tecidos vegetativos e sementes.
das plantas de alface para a produção São informações importantes para se
de sementes, em ordem decrescente e orientar o quanto e quando adubar.
em μg planta-1, foi: 42873 (Fe) > 5913 Porém, para se saber se a planta está,
(Mn) > 2319 (Zn) > 1033 (B) > 640 ou não, bem nutrida durante o ciclo
(Cu). Comparado com as quantidades é pela comparação dos valores dos
relatadas por Ferreira et al. (1993) no teores dos nutrientes em seu tecido,
cultivo de alface para consumo fresco, com valores de tabela. Estes valores
na planta para produção de sementes de tabela referem-se à planta em de-
tem-se cerca de 1,6 vez a mais de boro; terminado estádio, com amostragem
4,3 vezes de cobre; 10,3 vezes de ferro; de um tecido vegetal específico, con-
3,4 vezes de manganês e quantidade forme destacam Dechen e Nachtigall
semelhante de zinco. Constata-se (2007) e Malavolta et al. (1997). Na
que quando se busca a produção de Tabela 5 tem-se uma média dos teores
sementes de alface, a necessidade de considerados adequados, deficientes
micronutrientes também geralmente é e excessivos de macronutrientes
maior. No caso dos micronutrientes, nas plantas. Pode-se utilizar estes
em especial o cobre, ferro, manganês padrões descritos para a produção
e zinco, mais de 50% desses nutrientes comercial como indicativo do estado
foram acumulados a partir do floresci- nutricional em campos para produção
mento. de sementes. Entretanto, não existem
valores específicos para as sementes
Ressalta-se que as hortaliças se e plantas na fase final em campos para
diferenciam nas exigências nutricionais produção de sementes de hortaliças,
e no padrão de absorção durante o provavelmente pela escassez de pes-
crescimento. Em geral, a absorção de quisas na área.

124
Tabela 5. Teores considerados adequados, deficientes e excessivos de macronutrientes
nas plantas.

Fonte: Dechen e Nachtigall (2007).

Kano et al. (2010) estudando a uma revisão abrangendo várias cultu-


aplicação de potássio em cobertura na ras, também descreveram que, entre
produção de sementes de alface, rela- os macronutrientes avaliados, o teor
taram os seguintes teores (mg kg-1 de de nitrogênio nas sementes foi sempre
matéria seca das sementes) de nutrien- maior que o dos demais nutrientes.
tes: nitrogênio (12,6) > potássio (6,1) ~
fósforo (6,0) > magnésio (3,1) > cálcio O teor de nitrogênio encontrado
(1,9) ~ enxofre (1,7). Estes resultados na semente de alface nestes três tra-
são semelhantes aos obtidos por Kano balhos citados (KANO, 2006; KANO et
(2006) em estudo com alface sobre do- al., 2010; QUADROS, 2010) foi cerca
ses de fósforo, apesar de neste último de três vezes superior àquele obser-
trabalho o teor de fósforo ter sido pouco vado na matéria seca da parte aérea
superior ao de potássio. Também Qua- das plantas ao final do ciclo (Tabela 6).
dros (2010) relatou teores semelhantes, Isso demonstra a importância deste
apenas com valores superiores de elemento na composição da semente,
cálcio e inferiores de magnésio (Tabela geralmente rica em proteínas, além de
6). Portanto, pode-se concluir que nas ser um nutriente facilmente redistribuí-
sementes de alface têm-se três grupos do na planta (MALAVOLTA et al., 1997).
de nutrientes: o primeiro constituído
pelo nitrogênio, absorvido em maior A redistribuição do fósforo da
quantidade; o segundo pelo fósforo e parte vegetativa da planta para as
o potássio e, por último, o cálcio, mag- sementes de alface ocorreu de forma
nésio e enxofre. Lott et al. (1995), em semelhante ao observado para o nitro-

125
Tabela 6. Teores dos macronutrientes (g kg-1 de matéria seca) em plantas de alface
‘Verônica’ cultivadas para o consumo fresco e nas sementes e parte aérea no final do
ciclo em plantas cultivadas para produção de sementes.

gênio, uma vez que o teor obtido nas de todo o ciclo, pois não é redistribuído
sementes foi cerca de seis vezes supe- das folhas para as sementes como a
rior àquele observado na matéria seca maioria dos nutrientes.
da parte aérea das plantas ao final do
ciclo (Tabela 6). O maior teor de fósforo Outro ponto a se destacar nos
na semente pode ser justificado pelo trabalhos onde se estudam doses de
fato deste nutriente ser armazenado um nutriente ou adubo é a pequena
como sais do ácido fítico, constituindo variação nos teores nas sementes em
a fitina (MARSCHNER, 1995; LOTT et relação à variação na parte aérea. Por
al., 1995). exemplo, Kano et al. (2010), ao estu-
darem doses de potássio, observaram
Também Carvalho (1978) obteve que não houve efeito significativo das
teor elevado de fósforo nas sementes doses nos teores dos nutrientes nas
de alface (6,4 g kg -1). Todos estes sementes, ao contrário da parte aé-
resultados citados confirmam que a rea (Tabela 7). O teor de potássio na
concentração de fósforo é maior na se- parte aérea (caule + folhas) aumentou
mente do que em qualquer outra parte linearmente com o aumento da dose
da planta adulta. de potássio aplicada mostrando que a
planta aumenta a absorção deste ele-
Quanto ao cálcio, os teores são mento quanto maior a quantidade deste
baixos nas sementes, comparativa- no solo. Porém, mesmo em condição de
mente à parte aérea (Tabela 6). Porém, baixa quantidade de potássio no solo e
conforme descrito anteriormente, este sem aplicação do mesmo em cobertura,
nutriente é de extrema importância na o teor deste nutriente nas sementes
formação das sementes e na qualidade não foi inferior aos demais tratamentos
fisiológica das mesmas, sendo neces- (Tabela 7). Além disto, a planta apre-
sário estar disponível à planta ao longo sentou menores teores de magnésio

126
Tabela 7. Teores médios de macronutrientes nas sementes de alface, em função de
doses de potássio.

ns, *, **= não significativo, significativo a 5 e a 1% pelo teste F, respectivamente.


Fonte: Kano et al. (2010)

na parte aérea nas doses mais altas de para a semente de modo a proporcionar
K2O, resultado já esperado conforme teores estatisticamente iguais para se-
Malavolta et al. (1997), que explicam mentes de todos os tratamentos.
que altas concentrações de potássio no
meio podem inibir competitivamente a Destaca-se que neste trabalho
absorção de magnésio. No entanto, a com doses de potássio, Kano et al.
planta deve ter translocado o magnésio (2010) relataram que doses crescen-

127
tes de K2O aumentaram a produção maior quantidade de adubo, químico
de sementes, mas não afetaram a ou orgânico, para manter a fertilidade
qualidade delas. Também Carvalho do solo.
(1978), ao avaliar o efeito da adubação
nitrogenada na produção e qualidade Além da quantidade de nutrien-
de sementes de alface, verificou que tes é de fundamental importância o
o teor de nitrogênio nas sementes não momento da aplicação. A calagem, se
foi influenciado pela adubação nitroge- possível, deve ser realizada pelo menos
nada. Provavelmente a planta mantém 50 dias antes da instalação da cultu-
a qualidade (germinação e vigor) das ra. O fósforo normalmente é aplicado
sementes produzidas, translocando o somente antes do plantio, pois não é
que for deficiente para as sementes, móvel no solo, impedindo sua aplicação
reduzindo a produtividade, mas evi- em cobertura, exceto com fertirrigação.
tando reduzir a qualidade. Além disto, Destaca-se, também, a baixa eficiência
possíveis sementes mal nutridas, defei- no aproveitamento do fósforo aplicado
tuosas, “chochas” ou pequenas podem no plantio. Quando a irrigação for por
ser descartadas no processo de benefi- sulco ou aspersão, apenas 10 a 15% do
ciamento, garantindo qualidade elevada fósforo aplicado é efetivamente disponi-
do lote de sementes beneficiadas. bilizado para as plantas, enquanto que
cerca de 50 a 70% do nitrogênio e 60 a
Considerações gerais 80% do potássio são disponibilizados.
Já quando a irrigação é localizada, a
Apesar da escassez de pesquisas disponibilização do fósforo aplicado
na área de nutrição e adubação para pode chegar próximo de 40% (PAPA-
produção de sementes de hortaliças, DOPOULOS, 2001). Quando aplica-
os resultados já obtidos permitem fazer do no plantio, este aproveitamento é
algumas generalizações. Em média, a mínimo, por isto as elevadas doses
necessidade das plantas em hortaliças recomendadas deste nutriente mesmo
de fruto, dentre elas as solanáceas e sendo menos extraído pelas plantas em
cucurbitáceas, deve ser quase a mes- comparação ao nitrogênio e o potássio.
ma da recomendada para o cultivo
comercial, com aumento nos níveis de Outro nutriente que merece aten-
adubação quanto maior a produtivida- ção especial é o cálcio que necessita
de esperada. Quanto as hortaliças de ser absorvido ao longo de todo o ciclo
folhas, como alface e brássicas, a de- pois é pouco móvel na planta, não
manda é muito maior e se for realizada translocando das folhas para as se-
a mesma adubação recomendada para mentes. Por isto, é comum em campos
o cultivo comercial, pode-se estar res- de produção de sementes de algumas
tringindo o potencial produtivo. Maiores hortaliças, principalmente hortaliças
produções resultam em maior acúmulo frutos como tomate e melancia, a apli-
de nutrientes pela planta e maior expor- cação foliar na fase de florescimento e
tação pelas sementes, necessitando de frutificação, pois plantas com deficiên-

128
cia de cálcio nestas etapas terão sua sium. Journal of Research Science, v.
produtividade afetada, assim como a 16, n. 2, p. 73-78, Oct. 2005.
qualidade fisiológica das sementes.
Estas aplicações podem ser feitas com ARAÚJO, W. F.; BOTREL, T. A.; CAR-
cloreto de cálcio, ou outro fertilizante. MELLO, Q. A.; SAMPAIO, R. A.; VAS-
CONCELOS, M. R. B. Marcha de
Por fim, constata-se que as plan- absorção de nutrientes pela cultura da
tas procuram manter a qualidade das abobrinha conduzida sob fertirrigação..
sementes produzidas, translocando os In: FOLEGATTI, M. V; CASARINI, E;
nutrientes móveis das folhas para os BLANCO, F. F; BRASIL, R. P. C; RE-
frutos e sementes e, na maioria das SENDE, R, S (Coord.). Fertirrigação:
pesquisas, observa-se resposta na flores, frutas e hortaliças, Guaíba: Agro-
produção de sementes, porém nem pecuária, 2001. v. 2, cap. 2, p. 67-77.
sempre para a qualidade. No entanto,
um maior número de pesquisas é ne- BENINNI, E. R. Y.; TAKAHASHI, H. W.;
cessário para se chegar a tabelas de NEVES, C. S. V. J. Concentração e
recomendações de adubação para a acúmulo de macronutrientes em alface
produção de sementes de hortaliças cultivada em sistemas hidropônico e
com as doses mais adequadas para se convencional. Semina, Londrina, v. 26,
obter elevadas produções de sementes n. 3, p. 273-282, jul./ set. 2005.
com elevada qualidade.
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Irrigação por
Foto: Waldir Marouelli

aspersão em campo
de produção de
sementes híbridas
de berinjela.

134
Foto: Waldir Marouelli

135
Irrigação em campos de produção
de sementes de hortaliças

Waldir A. Marouelli

Introdução por exemplo, são as condições de fo-


toperíodo longo, baixa temperatura, e

N
o agronegócio de hortaliças, a precipitação bem distribuída ao longo
atividade de produção de semen- do ano, o que dispensa a obrigatorie-
tes é uma das mais tecnificadas dade do uso de irrigação (WERNER,
e de maior importância econômica. Em 2005). Contudo, com a ocorrência cada
ordem de valor de comercialização de vez mais frequente de veranicos na re-
sementes, destacam-se as seguintes gião, a irrigação pode ser uma prática
espécies: tomate, melão, cebola, me- capaz de garantir maior estabilidade de
lancia, cenoura, abóboras, pimentão, produção e melhor qualidade das se-
alface, couve-flor e beterraba (ABC- mentes. Nas demais regiões, os fatores
SEM, 2009). mais favoráveis estão relacionados à
presença de estação de seca definida,
No Brasil, a produção de se- com baixa umidade relativa do ar e
mentes se concentra nas regiões Sul, alto índice de insolação (WANDERLEY
Centro-Oeste e Nordeste. Os principais JÚNIOR, 2005). Nessas regiões, a irri-
fatores que favorecem a produção em gação é prática essencial para garantir
localidades específicas da região Sul, a produção.

137
As hortaliças têm o desenvolvi- para cada situação (MAROUELLI;
mento e a produção fortemente influen- SILVA, 2011).
ciados pelas condições de umidade
do solo. Muito embora a deficiência de Dependendo da forma com que a
água seja frequentemente o fator mais água é aplicada às plantas, os sistemas
limitante na produção de sementes, o podem ser agrupados em superficiais,
excesso pode igualmente prejudicar a subsuperficiais, por aspersão e por
produtividade e qualidade de muitas gotejamento.
espécies (MAROUELLI et al., 1996;
Sistemas Superficiais
CONTRERAS et al., 2008).
A irrigação superficial compre-
Outro aspecto importante na
ende os sistemas por sulco, corruga-
produção de sementes é a forma pela
ção, faixa e inundação. São os que
qual a água é aplicada às plantas. Em
requerem menor investimento para
geral, deve-se priorizar o emprego de
implantação e menor uso de energia.
sistemas de irrigação que não molham
Necessitam, porém, de terrenos planos
a parte aérea das plantas, pois mini-
e solos com taxa de infiltração de mo-
mizam a ocorrência de doenças e de
derada à baixa e grande quantidade de
outros problemas que interferem na
água. Por não molharem a parte aérea
qualidade fisiológica e sanitária das
das plantas, minimizam a incidência de
sementes, especialmente no caso de
doenças foliares e favorecem melhor
hortaliças de frutos secos, como alfa-
qualidade fisiológica e sanitária de se-
ce, brássicas, cebola e cenoura (DIAS,
mentes, especialmente de hortaliças
2005; NASCIMENTO, 2009). Todavia,
de frutos secos (DIAS, 2005; SALA;
existem hortaliças, como a ervilha e o
COSTA, 2009).
milho-doce, que podem ser irrigadas
por aspersão sem maiores prejuízos. Dentre os sistemas superficiais,
O presente capítulo tem por o por sulco é o mais indicado para a
objetivo apresentar informações rele- produção de sementes de hortaliças
vantes sobre sistemas de irrigação e (OSU, 2009; SALA; COSTA, 2009). O
estratégias de manejo de água visando sistema por inundação, mesmo que
à produção de sementes de hortaliças intermitente, não deve ser utilizado, já
de alta qualidade. que as hortaliças, exceto o agrião, não
toleram condições de solo saturado.
Sistemas de Irrigação Os sistemas por faixa e corrugação
são muito pouco difundidos no Brasil
Existem diferentes sistemas de (MAROUELLI; SILVA, 2011).
irrigação que podem ser utilizados na
produção de sementes. Cada sistema Sistemas Subsuperficiais
apresenta características próprias,
com vantagens e desvantagens que Na irrigação subsuperficial, a
devem ser devidamente avaliadas água é aplicada sob a superfície do solo

138
por meio da criação e controle de um ervilha e milho-doce. Mas o pivô central
lençol freático; portanto, sem molhar a tem sido utilizado mesmo na produção
parte aérea da cultura. Requerem solos de sementes de hortaliças de menor
planos, com camada permeável sobre- importância econômica, como é o caso
pondo uma camada com baixa permea- de coentro na região de Luziânia, Goiás
bilidade, e água em abundância. (NASCIMENTO et al., 2006).

O controle de água é realizado Relativo aos sistemas superficiais


por meio da abertura e fechamento de e subsuperficiais, a aspersão requer
comportas instaladas ao longo de ca- menor uso de mão-de-obra, possibilita
nais de irrigação/drenagem. Podem ser melhor distribuição de água no solo
divididos em sistemas com lençol freá- e pode ser usada em qualquer tipo
tico fixo e variável. No primeiro, a zona de solo e terreno. No entanto, a água
radicular é umedecida pela ascensão aplicada sobre a planta favorece a
capilar da água a partir da manutenção lavagem de agrotóxicos e cria microcli-
do lençol a uma profundidade fixa. No ma favorável para o desenvolvimento
segundo, o suprimento de água ocorre de patógenos, podendo aumentar a
pela elevação do lençol até próximo incidência de doenças na parte aérea
à superfície do solo, para em seguida e, consequentemente, favorecer a
ser rebaixado ao nível original, até a produção de sementes de qualidade
próxima irrigação. inferior, especialmente em se tratando
de hortaliças de frutos secos. Irrigações
No Brasil, esses sistemas têm por aspersão, especialmente durante
sido utilizados com sucesso para a as primeiras horas do dia, também
produção de sementes de culturas podem interferir negativamente na
não hortícolas, como feijão e soja, em polinização e no pegamento de frutos,
várzeas do estado de Tocantins (DEUS, pois prejudicam a atividade de abelhas
2009). Apesar de viável tecnicamente, e outros insetos polinizadores (DIAS,
não há registro do uso para a produção 2005; OSU, 2009).
comercial de sementes de hortaliças
no país. No caso de hortaliças de frutos
secos, o uso da aspersão se complica
Sistemas por Aspersão pela falta de sincronismo no floresci-
mento e na maturação das sementes,
Os principais sistemas por asper- associada à presença de inflorescên-
são são os convencionais, pivô central cias altamente ramificadas em algu-
e autopropelido. Os sistemas conven- mas espécies (DIAS, 2005). Irrigações
cionais são recomendados para áreas durante o estádio de maturação, ainda
pequenas, enquanto o pivô central é que muitas vezes necessárias, retar-
mais indicado para grandes áreas de dam o processo de secagem natural,
produção de sementes, como de toma- comprometendo a qualidade fisiológica
te rasteiro (crescimento determinado), e sanitária das sementes que estarão

139
mais sujeitas ao ataque de patógenos situações, é o sistema de gotejamento
e à deterioração no campo. subterrâneo (CAMPBELL et al., 2009).
Nesse caso, as linhas de gotejadores
Apesar de não ser o sistema de são enterradas, de forma definitiva,
irrigação mais indicado para a produção entre 25 e 40 cm de profundidade. Além
de sementes de vários tipos de hortali- de não molhar a parte aérea, o siste-
ças, a aspersão tem sido muito utilizada ma não umedece a superfície do solo,
em várias regiões do mundo. Dentre as eliminando a interferência da irrigação
hortaliças que podem ser irrigadas por nos tratos culturais e minimizando a
aspersão, sem maiores problemas para incidência de doenças.
a produção de sementes, destacam-se
a abóbora, a ervilha, o milho-doce e o Segundo Weber et al. (2004)
tomateiro rasteiro. e Butler et al. (2009), o sistema por
gotejamento, comparativamente à
Sistemas por Gotejamento aspersão, possibilita incrementos de
produtividade de sementes de cenoura
No gotejamento, a água é aplica- e cebola da ordem de 25% e redução no
da ao solo, próximo à planta, em regime uso de água de até 50%. Tal incremento
de baixo volume e alta freqüência, sem se deve ao não molhamento da parte
molhar a planta. Isto garante maior aérea e do uso da fertirrigação.
eficiência na aplicação de água e, con-
sequentemente, menor gasto de água, Necessidade de Água das Plantas
além de permitir a aplicação parcelada
de fertilizantes via irrigação. A necessidade de água para a
produção de sementes de hortaliças é
O gotejamento possibilita o uso altamente variável. Ao longo de todo o
de água com certo grau de salinidade e ciclo de desenvolvimento das plantas,
pode ser usado em solos de diferentes varia entre 300 e 800 milímetros. De-
texturas e declividades. Sua principal pende da espécie cultivada, da duração
vantagem, no que se refere à produção do ciclo fenológico de desenvolvimento
de sementes, é não molhar a parte das plantas, das condições climáticas
aérea das plantas, o que é importante predominantes e do sistema de irriga-
para a obtenção de sementes de alta ção utilizado. A demanda diária de água
qualidade, especialmente no caso de aumenta ligeiramente com o crescimen-
espécies de frutos secos (BUTLER to das plantas, sendo máxima quando
et al., 2009; CAMPBELL et al., 2009). atingem o maior desenvolvimento ve-
As principais limitações do sistema getativo, decrescendo rapidamente a
são os altos custos do sistema e de partir do início da maturação.
manutenção, bem como problemas de
entupimento. Informações de pesquisa sobre
as necessidades hídricas na produção
Uma opção que pode apresen- de sementes de hortaliças são escas-
tar maior viabilidade, para algumas sas, segundo George (2007), mesmo

140
na literatura internacional. No Brasil, Estádio inicial
os poucos estudos foram feitos para a
produção de sementes de cenoura e er- O estádio inicial compreende o
vilha (MAROUELLI et al., 1990c; 1999). período que vai do plantio até o esta-
belecimento inicial das plantas, com
O efeito do estresse hídrico na duração entre uma e três semanas. Em
produção de sementes depende de geral, o plantio deve ser realizado em
sua intensidade, duração e período de solo previamente irrigado, de forma a
ocorrência, além da própria espécie umedecer os primeiros 30 cm do solo,
de planta. A ocorrência de estresse mas nunca encharcado.
rigoroso antes e após o florescimento
prejudica a produtividade de sementes, A manutenção de condições ide-
reduzindo o número de sementes por ais de umidade no solo durante todo
plantas, enquanto a massa de semen- o estádio é fundamental para garantir
tes individuais é reduzida pela ocor- uma boa germinação e emergência
rência de déficit hídrico após o flores- de plântulas e, consequentemente,
cimento. No entanto, existem situações um estande uniforme (MAROUELLI
em que a ocorrência de déficit hídrico et al., 2008). Na primeira semana
moderado favorece maior produtividade após o plantio, as irrigações devem
e tamanho de sementes (MAROUELLI ser freqüentes (1 a 3 dias), de modo a
et al., 1990c; 1999; CONTRERAS et manter o teor de água no solo, na ca-
al., 2008). mada superficial (0 a 15 cm), próximo
à capacidade de campo, sem permitir
Estádios de Desenvolvimento da encharcamento. A partir daí, com o
Cultura desenvolvimento do sistema radicular,
as regas podem ser um pouco mais
Para fins de irrigação, o ciclo fe- espaçadas. Sob condições extremas,
nológico das plantas pode ser dividido ou seja, alta demanda de água, solos
em quatro estádios: inicial, vegetativo, de textura grossa e/ou com tendência à
reprodutivo e maturação. Ao contrário formação de crosta superficial, podem
do que ocorre no sistema de produção ser necessárias até três irrigações por
de alimentos, quando muitas hortaliças dia, especialmente se realizadas por
são colhidas antes de completar o ciclo gotejamento. Nas espécies onde o
de desenvolvimento, no sistema de estabelecimento da cultura em campo
produção de sementes é necessário é realizado por meio de transplante
que o ciclo seja completado. No caso de mudas, cuidados especiais com a
da cebola, da cenoura e de hortaliças irrigação devem ser observados, de
folhosas, como acelga, alface e rúcula, forma a garantir um bom pegamento
por exemplo, as plantas permanecem das mudas.
no campo até florescerem e produzir
sementes, diferentemente de quando Como nos demais estádios de de-
são cultivadas para fins alimentares. senvolvimento, as irrigações devem ser

141
uniformes para que não se tenha áreas Estádio reprodutivo
recebendo água em excesso ou falta.
Irrigações em excesso, especialmente O estádio reprodutivo compreende
em solos com drenagem deficiente, pre- o período que vai do florescimento das
judicam a germinação, a respiração das plantas até o início de maturação de
raízes e favorecem doenças de solo. sementes. É destacadamente o está-
dio mais crítico ao déficit hídrico para a
Estádio vegetativo maioria das hortaliças (KEMBLE; SAN-
DERS, 2000; MAROUELLI et al., 2008).
O estádio vegetativo compreende
o período que vai do estabelecimento Segundo Dias (2005), as plantas
inicial das plantas até o florescimento. são particularmente sensíveis à falta de
É o estádio mais sensível ao déficit hí- água logo após a fertilização, quando o
drico para a maioria das hortaliças de teor de água no óvulo recém fecundado
frutos secos. No caso de hortaliças de é elevado (acima de 80%). Em seguida,
frutos carnosos, como abóbora, berinje- mesmo ocorrendo redução gradativa no
la e tomate, por outro lado, é o segundo teor de água na semente, é necessário
estádio menos sensível à deficiência de que haja adequada disponibilidade de
água no solo, sendo superado apenas água no solo até a maturação fisiológica
pelo estádio de maturação (MAROU- das mesmas, de forma a não prejudicar
ELLI et al., 1996). a transferência de nutrientes da planta
para as sementes e os demais proces-
A ocorrência de déficit hídrico sos metabólicos necessários para o
moderado durante o estádio vegetativo pleno “enchimento” das sementes.
em hortaliças de frutos carnosos geral-
mente não acarreta queda significativa Plantas submetidas a condições
de produtividade de sementes, desde de estresse hídrico durante o estádio
que o suprimento de água às plantas reprodutivo apresentam, em geral,
durante o estádio reprodutivo seja ade- redução na taxa de florescimento e po-
quado. Para algumas espécies de hor- linização, de produtividade, tamanho e
taliças, no entanto, o pleno suprimento vigor de sementes (VOSS et al., 1999).
de água pode favorecer o crescimento Em pimentão, por exemplo, Banja et
excessivo das plantas em detrimento al. (2006) relatam que a ocorrência de
da produtividade e/ou da qualidade das déficit hídrico durante a floração favo-
sementes. Tal fato pode ser constatado, rece a queda de flores e de frutos em
por exemplo, em estudos realizados desenvolvimento, principalmente em
por Marouelli et al. (1991; 1999), onde cultivares com frutos grandes. Já em
a produtividade de sementes de ervilha cebola, Oliveira et al. (2007) indicam
foi consideravelmente reduzida quando que a deficiência hídrica durante a fase
as irrigações foram realizadas de forma de enchimento das sementes pode
a suprir a demanda potencial de água resultar em sementes “chochas” (mal
pelas plantas. formadas).

142
Apesar da alta exigência de água Para hortaliças como a cebola e
pelas plantas, irrigações visando man- a cenoura, a produção de sementes
ter a umidade do solo próxima à capa- básicas pode ser feita em duas fases:
cidade de campo podem afetar negati- uma que vai da semeadura até a pro-
vamente a produtividade de sementes dução de bulbos ou raízes (estádios
de algumas hortaliças, seja devido a inicial e vegetativo), e outra que vai do
problemas de crescimento excessivo plantio dos mesmos, após a vernaliza-
das plantas ou de doenças. Isso pode ção (indução artificial do florescimento),
ocorrer, por exemplo, na produção de até a colheita das sementes (estádios
sementes de cenoura e ervilha (MA- reprodutivo e de maturação). Nesse
ROUELLI et al., 1990c; 1991; 1999). caso, o manejo adequado da irrigação
do plantio dos bulbos ou raízes até o
Enquanto a produtividade, o ta- estabelecimento inicial das plantas é
manho e o vigor das sementes podem fundamental para a obtenção de estan-
ser consideravelmente reduzidos por de adequado. O excesso de umidade
condições de deficiência de água no nessa fase favorece o apodrecimento
solo durante o estádio reprodutivo de bulbos ou raízes, enquanto que so-
(VOSS et al., 1999), a germinação é los excessivamente secos provocam a
geralmente pouco influenciada por desidratação dos mesmos. Para cenou-
variações moderadas de umidade no ra, Marouelli et al. (1988) recomendam
solo. Para a cultura da cenoura, por o plantio em solo seco e terreno bem
exemplo, Marouelli et al. (1990c) veri- preparado, seguido prontamente de
ficaram que uma redução de 25% na uma irrigação. Tal prática permite um
quantidade de água aplicada acarretou melhor contato do solo com as raízes
uma queda de aproximadamente 15% de cenoura, eliminando bolsões de ar
na produtividade, mas não afetou a nas proximidades das mesmas e ga-
taxa de germinação das sementes. Já rantindo, assim, um melhor estande.
para ervilha, Marouelli et al. (1991) ve- Daí até o completo estabelecimento
rificaram que a maior produtividade de das plantas, as irrigações devem ser
sementes foi obtida quando as plantas realizadas quando tiver sido utilizado
foram submetidas a níveis moderados entre 40% e 65% da água disponível
de deficiência de água, enquanto que a do solo, ou seja, quando o solo estiver
germinação somente foi afetada quan- moderadamente seco.
do a lâmina de água aplicada foi reduzi-
da em pelo menos 70% da necessidade Estádio de maturação
potencial das plantas, portanto, sob
condições extremas de déficit hídrico. Durante esse estádio, compre-
Contreras et al. (2008), por outro lado, endido entre o início da maturação e a
verificaram que, além da produtividade, colheita das sementes, há uma rápida
houve redução da taxa de germinação redução do requerimento de água
de sementes de alface produzidas sob pelas plantas. Mesmo assim, deve
condições de déficit hídrico. haver água disponível no solo para as

143
plantas até por ocasião da maturação também, em geral, bastante sensível
fisiológica das sementes (DIAS, 2005). ao déficit hídrico.
A partir daí, segundo Osu, (2009), às
plantas devem ser submetidas a níveis Períodos críticos ao déficit de
crescentes de déficit hídrico até o final água para algumas hortaliças são
das colheitas como estratégia para apresentados na Tabela 1. Essas
que sementes de frutos secos percam informações, apesar de qualitativas,
água de maneira rápida e minimize a podem auxiliar na tomada de decisão
deterioração no campo. Isto pode ser no momento de se irrigar.
obtido reduzindo a quantidade de água
aplicada já a partir do início do estádio Evapotranspiração da Cultura
de maturação e, posteriormente, para-
Evapotranspiração da cultura
lisando as irrigações algumas semanas
(ETc) é o termo utilizado para expressar
antes da colheita. Como a maioria das
a ocorrência simultânea dos processos
hortaliças não apresenta florescimento
de evaporação e de transpiração numa
sincronizado, tal estratégia também
superfície vegetada por uma cultura
permite acelerar e uniformizar a matura-
específica. Devido à dificuldade de ser
ção das sementes (MAROUELLI et al.,
determinada em condições de campo,
1990a; 1990b), inclusive de hortaliças
métodos indiretos são utilizados para
de frutos carnosos.
estimar a evapotranspiração de referên-
Período Crítico ao Déficit Hídrico cia (ETo). Utilizando-se coeficientes de
cultura (Kc), ajustados para a espécie
As plantas apresentam períodos de interesse, é determinada pela rela-
onde a deficiência de água ocasiona ção ETc = Kc x ETo.
queda pronunciada na produtividade e
na qualidade de sementes. Em outros A ETo pode ser determinada por
períodos, como durante a maturação meio de equações a partir de dados
das sementes, déficits hídricos mode- climáticos, como de radiação solar,
rados não afetam significativamente a temperatura, umidade relativa e eva-
produção, podendo inclusive proporcio- poração de água. Para manejo de irri-
nar maior produtividade e qualidade de gação em tempo real, a ETo pode ser
sementes (MAROUELLI et al., 1990; determinada a partir de equações como
OSU, 2009). a de Penman-Monteith, considerada
padrão pela FAO (ALLEN et al., 1998),
Dependendo do tipo de hortaliça, utilizando-se dados climáticos diários e
os períodos mais sensíveis ocorrem du- atuais obtidos em estação agroclima-
rante as fases de rápido crescimento de tológica, ou da evaporação do tanque
folhas, de florescimento e de desenvol- classe A. Já quando o manejo é reali-
vimento de fruto, vagem, bulbo ou raiz zado com base no estabelecimento de
de reserva. Em caso de transplante, o calendários de irrigação, a ETo deve ser
período até o pegamento das mudas é estimada a partir de dados climáticos

144
Tabela 1. Períodos críticos ao déficit de água no solo para as principais hortaliças.

Obs.: No caso de transplante, também considerar o período de pegamento de mudas como crítico.
Fonte: Adaptado de Marouelli et al. (1996; 2008) e Kemble e Sanders (2000).

históricos mensais. Nesse caso, além irrigação que molham toda a superfície
dos métodos de Penman-Monteith e do solo, são fornecidos na Tabela 2. Em
do tanque classe A, se podem utilizar termos gerais, variam entre 0,40 e 0,70
diferentes equações empíricas dispo- durante o estádio inicial, entre 0,65 e
níveis na literatura, como as de Blaney- 0,85 na metade do estádio vegetativo,
Criddle, Hargreaves e Jensen-Haise. entre 0,90 e 1,10 durante o estádio re-
produtivo e entre 0,30 e 0,70 no final do
Valores médios de Kc para os estádio de maturação. Sob condições
diferentes estádios fenológicos das de irrigações diárias por aspersão, em
principais hortaliças, para sistemas de razão da elevada evaporação de água

145
do solo, o coeficiente pode atingir va- superfície do solo, há uma redução da
lores entre 0,90 e 1,10; para irrigações evaporação do solo e, conseqüente-
em dias alternados, varia entre 0,75 e mente, da ETc. Isso ocorre principal-
0,85, sendo o maior valor indicado para mente durante os estádios iniciais de
solos com maior retenção de água. desenvolvimento das plantas quando a
fração de sombreamento do solo pelas
Devido à forma de aplicação de plantas é reduzida. Dessa forma, se
água pelos sistemas por gotejamento, faz necessário ajustar os valores de Kc
onde se molha apenas uma fração da apresentados na Tabela 2 para o caso

Tabela 2. Valores médios de coeficientes de cultura (Kc) para a produção de sementes


de hortaliças, sob irrigação por aspersão e sulco, conforme o estádio de desenvolvimento
das plantas.

* Para regas diárias, considerar Kc entre 0,90 e 1,10 e para regas em dias alternados entre 0,75 e 0,85, sendo o
maior para solos argilosos.
Fonte: Adaptado de Marouelli et al. (1996; 2008) e Allen et al. (1998).

146
específico da irrigação por gotejamento. A quantidade de água a ser apli-
Dentre as relações existentes, a pro- cada a cada irrigação deve ser suficien-
posta por Keller & Bliesner (1990) é a te para que a camada de solo explorada
mais indicada para culturas com menor pelas raízes retorne à condição de
espaçamento entre plantas, como as capacidade de campo, ou seja, deve
hortaliças. Por essa relação, o coefi- ser igual àquela utilizada pelas plantas,
ciente de cultura para gotejamento (Kcg) incluindo as perdas por evaporação e a
é estimado por Kcg = 0,1 P0,5 x Kc, onde eficiência da irrigação.
P é a percentagem de área sombrea-
da ou molhada, prevalecendo o maior Métodos para Manejo
valor. Vale enfatizar que o valor de Kc
a ser considerado na determinação de Existem vários métodos para se
Kcg durante o estádio inicial deve pon- determinar quando e quanto irrigar, que
derar a frequência de irrigação adotada, vão desde critérios empíricos, geral-
conforme indicado na Tabela 2. mente de baixa precisão, até critérios
que utilizam processos computacionais
Manejo da Água de Irrigação e sensores de última geração (MAROU-
ELLI et al., 1996). Todos apresentam
Por manejo de água entende-se vantagens e desvantagens. O custo,
a decisão de quando e quanto irrigar. A a precisão e a simplicidade de ope-
reposição de água ao solo no momento racionalização dependem do nível de
oportuno e na quantidade adequada sofisticação do método utilizado.
envolve o conhecimento de uma série
de parâmetros relacionados à planta, Métodos que permitem uma
ao solo e ao clima. melhor precisão no controle da irri-
gação, como do balanço de água no
Para otimizar a produtividade e solo (evapotranspiração), status da
a qualidade de sementes, as regas água do solo ou combinação desses,
devem ser realizadas antes que a defi- baseiam-se no conhecimento das
ciência de água no solo e/ou na planta propriedades físico-hídricas do solo,
cause decréscimo nas atividades fisio- das necessidades hídricas específicas
lógicas e reduza a produtividade e/ou da cultura e/ou dos fatores climáticos
a qualidade de sementes.
associados à evapotranspiração. Tais
Em termos gerais, a avaliação da métodos requerem equipamentos para
deficiência de água no solo possibilita o monitoramento, em tempo real, do
maior praticidade e precisão no manejo status de água no solo (tensiômetros,
de irrigação do que a avaliação na planta. blocos de resistência elétrica etc.) e/
Nesse caso, mais importante que se ava- ou para a estimativa da evapotrans-
liar a fração de água disponível no solo piração da cultura (tanque classe A,
é considerar a “força” com que a mesma termômetros, higrômetros, radiômetros
está retida pela matriz do solo, ou seja, a etc.), além de pessoal qualificado. Infor-
tensão matricial de água no solo. mações detalhadas sobre a utilização

147
desses métodos são apresentadas por Marouelli et al. (2008). Por meio
em publicações específicas, como em de tabelas se pode estimar, de forma
Marouelli et al. (1996). Há no mercado direta, valores de intervalo entre irri-
empresas especializadas que ofertam gações e da lâmina de irrigação para
serviços e programas computacionais cada estádio de desenvolvimento da
para realização do manejo de água em cultura, conforme as condições cli-
tempo real. máticas médias da região, textura do
solo e profundidade efetiva do sistema
Apesar dos inúmeros métodos radicular da cultura.
existentes, a maioria dos produtores
irriga de forma empírica, na maioria das Tensão-Limite de Água no Solo
vezes inadequadamente e em excesso,
apenas com base em observações Por expressar a força com que a
visuais de sintomas de deficiência de água encontra-se retida, a tensão ma-
água na planta e no solo. Tais métodos, tricial de água no solo exerce um papel
mesmo para produtores com experi- importante no processo de absorção da
ência, podem predispor à redução de água pela planta, e pode ser utilizada
produtividade, maior incidência de do- para indicar o momento de se irrigar.
enças e menor qualidade fisiológica e
sanitária das sementes, além de menor Na Tabela 3 são apresentadas
eficiência no uso de água e nutrientes faixas de tensão-limite de água no
pelas plantas. solo para o reinício da irrigação por
aspersão e sulco para a produção de
Um método prático que não sementes de várias hortaliças. Vale
requer o uso de equipamentos é o co- destacar que os valores apresentados
nhecido como calendário de irrigação. foram ajustados principalmente a partir
O intervalo entre irrigações e a lâmina de informações disponíveis para a pro-
de água a ser aplicada por irrigação dução de alimentos. Especificamente
são previamente estabelecidos, para para produção de sementes, foram
cada estádio de desenvolvimento da utilizadas informações para alface, ce-
cultura, com base em informações so- bola, cenoura e hortaliças do tipo grão.
bre a disponibilidade de água do solo e
dados históricos de uso de água pelas Verifica-se na Tabela 3 que a ten-
plantas. Por ser a evapotranspiração da são-limite recomendada para a maioria
cultura determinada antecipadamente das hortaliças de frutos carnosos, como
a partir de dados climáticos históricos, melão, pimenta e tomate, varia entre
esse método é menos preciso do que 25 e 50 kPa durante o estádio repro-
aqueles onde o manejo é realizado em dutivo e entre 70 e 100 kPa durante os
tempo real, já que não considera as estádios vegetativo e de maturação.
variações climáticas atuais. Para hortaliças de frutos secos, como
alface, cenoura e repolho, a tensão-
Uma simplificação do método do -limite geralmente varia entre 20 a 35
calendário de irrigação é apresentada kPa durante o estádio vegetativo e

148
Tabela 3. Tensão-limite de água no solo para reinício das irrigações via por aspersão ou
sulco1, visando maximizar a produção de sementes das principais hortaliças.

1
Para irrigação por gotejamento considerar, de maneira geral para as diferentes hortaliças, a tensão-limite entre
10 e 40 kPa.
2
Os menores valores devem ser utilizados durante os períodos mais críticos ao déficit de água (ver Tabela 1), em
especial sob condições de solos arenosos e evapotranspiração alta.
Fonte: Adaptado de Marouelli et al. (1996; 2008) e Kemble e Sanders (2000).

entre 70 e 150 kPa durante os estádios O tensiômetro é um dos sensores


reprodutivo e de maturação. mais utilizados para monitorar a tensão
de água no solo, permitindo leituras di-
No caso de gotejamento, em retas e contínuas na faixa entre zero e
razão de não molhar a parte aérea 80 kPa (MAROUELLI, 2008). Sua prin-
das plantas, de molhar somente uma cipal desvantagem é o custo elevado
fração do solo e por ser um sistema e os cuidados necessários. O sistema
fixo, a zona radicular deve ser mantida Irrigas , desenvolvido pela Embrapa,
com maior teor de água do que nos oferece potencial para substituir o ten-
demais sistemas de irrigação. Nesse siômetro na indicação do momento da
caso, deve-se considerar uma faixa de irrigação para várias hortaliças (MA-
tensão-limite para reinício da irrigação ROUELLI; CALBO, 2009). Apresenta
entre 10 e 40 kPa. Valores menores custo reduzido, baixa manutenção e é
devem ser tomados durante os estádios de fácil utilização, estando disponível
mais sensíveis ao déficit de água no nas versões de 15, 25 e 40 kPa. A des-
solo, condições de alta evapotranspi- vantagem é que o Irrigas não indica,
ração e solos arenosos. de forma quantitativa, a tensão atual

149
de água no solo, mas somente se está A época ideal para se paralisar
abaixo ou acima da tensão de referên- as irrigações depende de vários fato-
cia. Existem outros tipos de sensores, res, tais como espécie, capacidade de
como aqueles baseados em técnicas retenção de água pelo solo, demanda
eletrométricas, capacitivas e de refrec- evaporativa da atmosfera e sistema de
tometria no domínio do tempo (TDR), irrigação utilizado (MAROUELLI et al.,
que podem ser utilizados para a deter- 2008). Em alface, brássicas, cenoura e
minação indireta da tensão. Como regra cebola, por exemplo, a maturação das
geral, sensores para indicar o momento sementes é desuniforme em decorrên-
das irrigações devem ser instalados ao cia do período prolongado de antese,
longo da fileira de plantas, entre 10 e o que dificulta ainda mais a decisão
20 cm da planta e/ou gotejador, e entre quanto ao momento ideal de se parali-
35% e 50% da profundidade efetiva sar as irrigações.
das raízes.
No Brasil, estudos visando esta-
Paralisação das Irrigações belecer a época ideal de paralisação
das irrigações para a produção de
Muito embora as hortaliças se- sementes de hortaliças são disponí-
jam, na sua maioria, susceptíveis à veis apenas para cenoura e ervilha.
deficiência de água, irrigações até por Segundo Marouelli et al. (1990a), para
ocasião da colheita (última colheita), irrigação por sulco em solos argilosos
além de não garantirem incremento de cerrado, maior produtividade de
de produtividade, podem prejudicar a sementes de cenoura pode ser obtida
qualidade fisiológica e sanitária das paralisando-se as irrigações quando
sementes (MAROUELLI et al., 1990a; 40% a 50% das umbelas primárias
NASCIMENTO, 2009). Isso ocorre atingirem a maturação fisiológica, sem
principalmente para hortaliças de frutos qualquer prejuízo à qualidade das se-
secos irrigadas por aspersão (DIAS, mentes produzidas. Para ervilha, Ma-
2005; OSU, 2009). rouelli et al. (1987; 1990b) recomendam
que as irrigações por aspersão sejam
Mesmo para os demais tipos de paralisadas quando 40% a 60% das
hortaliças, não se faz necessário irrigar vagens apresentam-se completamente
até a última colheita, uma vez que o desenvolvidas, ou seja, entre 20 e 30
solo é capaz de armazenar água su- dias antes da colheita. Tal recomenda-
ficiente para suprir a demanda hídrica ção também pode ser tomada como
das plantas por vários dias ou mesmo sugestão para grão-de-bico e lentilha.
semanas. Além de permitir a obtenção
de sementes de melhor qualidade, Para hortaliças como alface,
relatam que paralisar as irrigações em brássicas, cebola e cenoura, sugere-
época adequada possibilita minimizar se que as irrigações por gotejamento
os gastos com água, energia e mão- sejam paralisadas entre 10 e 20 dias
de-obra (MAROUELLI et al., 1990a). antes da última colheita, sendo o menor

150
valor para solos com menor capacidade que são consumidas ainda no estádio
de retenção de água e clima quente e vegetativo, como alface, abobrinha e
seco. Caso a produção de sementes repolho, ou mesmo antes de completar
seja por aspersão, as irrigações devem a maturação, como berinjela, cenoura,
ser paralisadas bem mais cedo, já que e pepino (CONTRERAS et al., 2008).
esse tipo de irrigação molha um maior No entanto, muitos dos princípios gerais
volume de solo e afeta negativamente aplicados na irrigação de hortaliças
a qualidade das sementes. destinadas à produção de alimentos
são também aconselhados para a pro-
Em tomate rasteiro, Marouelli dução de sementes.
et al. (2004) verificaram que a maior
produtividade de frutos é obtida parali- Um dos principais aspectos que
sando-se as irrigações com 5% a 10% se deve levar em consideração é
de frutos maduros (25 e 30 dias antes a questão da qualidade sanitária e
da colheita) no caso de irrigação por fisiológica das sementes, que está
aspersão, e entre 75% e 85% de frutos intimamente relacionada à forma com
maduros (7 dias antes da colheita) para que a água é aplicada às plantas. Para
gotejamento. Em se tratando de produ- hortaliças de frutos secos, a irrigação o
ção de sementes, a última irrigação po- plantio até o início do florescimento pode
deria ser antecipada entre 5 e 10 dias. ser realizada por qualquer sistema de
irrigação, inclusive por aspersão (OSU,
Para hortaliças como berinjela, 2009). A partir daí, todavia, dever-se-
cucurbitáceas e pimenta, as irrigações ia evitar o uso da aspersão devido ao
podem ser paralisadas entre 10 e 20 aumento de doenças da parte aérea,
dias da última colheita. No caso das favorecidas pelo molhamento foliar, e à
abóboras, poder-se-ia paralisar ainda redução de produtividade, germinação
mais cedo. e vigor das sementes (NASCIMENTO,
2009; SALA; COSTA, 2009).
Considerações Finais
Outro aspecto que deve ser ajus-
Para as condições brasileiras tado no manejo de irrigação é aquele
são escassas as informações sobre relacionado ao ciclo da cultura, pois
irrigação na produção de sementes no sistema de produção de sementes
de hortaliças. Mesmo na literatura as plantas permanecem por um maior
estrangeira, George (2007) relata que período no campo até completar o ci-
estudos nessa área do conhecimento clo fenológico. Principalmente para as
são insuficientes. hortaliças que são consumidas antes de
completar o ciclo fenológico existe ca-
As práticas de manejo de água
rência de estudos que possibilitem um
para a adequada produção de se-
manejo adequado da irrigação a partir
mentes podem ser distintas daquelas
do estádio reprodutivo. Nesse sentido,
recomendadas para a produção de ali-
procurou-se agregar, ao atual capítulo,
mentos, especialmente para hortaliças

151
experiências práticas e conhecimentos CAMPBELL, C.; BUTLER, M.; SEX-
teóricos, tais como os apresentados TON, P. S.; CROWE, F.; SHOCK, C.
nas Tabelas 2 e 3, como forma de Drip irrigation of seed onions in
suprir, temporariamente, algumas das Central Oregon: effect of tape place-
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Foto: Patrícia Silva

Brasília, DF: Embrapa Hortaliças, 2009. em flores de abóbora


CD-ROM. na produção de
sementes híbridas.

154
Foto: Patrícia Silva

155
Polinização e isolamento em campos
de produção de sementes de hortaliças

Warley Marcos Nascimento


Raquel Alves de Freitas

1. Introdução A antese é o processo de libe-

N
ração dos grãos de pólen das anteras
as últimas décadas, a agricultura presentes nos estames. Polinização é
tem sido contemplada por uma o processo de transferência do pólen
revolução tecnológica intensa do órgão masculino (antera) ao órgão
nos mais variados aspectos, visando o feminino (estigma) da flor. A fertilização
aumento na produtividade das culturas. corresponde à fusão dos gametas mas-
No entanto, para se ter aumento de pro- culino (núcleo espermático) e feminino
dutividade é necessário analisar todos (oosfera), que resulta no desenvolvi-
os fatores envolvidos em cada sistema mento do fruto e da semente.
de produção, afim de solucionar aque-
les que possam impedir o sucesso Dessa forma, a polinização cons-
da produção. Dentre os fatores que titui um processo fundamental para
influenciam a produtividade de diver- perpetuação da maioria das espécies
sas culturas destaca-se a polinização. das angiospermas, as quais se repro-
Nesse sentido, a garantia de alta pro- duzem por sementes botânicas. Além
dutividade está diretamente relacionada de fundamental para a reprodução des-
à sincronia adequada dos seguintes sas espécies vegetais, a polinização,
eventos: antese, receptividade do es- contribui na melhoria da qualidade dos
tigma, polinização e fertilização. produtos agrícolas. Assim, os sinais

157
de uma polinização adequada podem precisa ser controlada, necessitando de
ser observados em frutos bem desen- uma distância mínima entre os campos
volvidos, bem como na quantidade de de duas ou mais cultivares de uma
sementes destes. Baixa taxa de polini- mesma espécie, visando assim, a ma-
zação pode prejudicar a qualidade dos nutenção da pureza genética do lotes
frutos, aumentando assim, o percentual de sementes. O isolamento é, portanto,
de frutos malformados. Uma poliniza- um dos mais importantes princípios do
ção adequada contribui também para processo de produção de sementes.
um amadurecimento mais uniforme dos
frutos, bem como para o aumento do 2. Tipos de polinização
número de sementes por fruto. Aliado
a esses benefícios, a polinização pro- As espécies podem ser classifica-
move uma maior adaptabilidade por das conforme o processo de polinização
meio de incremento na variabilidade em plantas autógamas ou alógamas.
genética.
2.1. Autopolinização: processo
Embora a polinização participa de de polinização que ocorre em uma
forma efetiva na obtenção de altas pro- mesma planta. Plantas que apresen-
dutividades das lavouras, na produção tam autopolinização são denominadas
de sementes, no entanto, a polinização de autógamas (Tabela 1). Esse tipo de

Tabela 1. Tipo de reprodução das principais espécies olerícolas.

Classificação

* Espécies autógamas com alguma taxa de polinização cruzada.

158
polinização assegura a estabilidade da está associado à presença de insetos
população de plantas. polinizadores (BOSLAND; VOTAVA,
1999; NASCIMENTO et al., 2006).
Em flores cleistógamas (flores
que possuem os órgãos sexuais ocul- 2.2.1. Fatores que favorecem a alo-
tos na corola e só se abrem depois de gamia
polinizadas), a autopolinização é obri-
gatória. Ervilha, feijão-vagem e alface Algumas �������������������
plantas possuem me-
constituem exemplos de plantas com canismos que impedem a autopolini-
flores cleistógamas. zação, o que assegura a alogamia,
proporcionando uma combinação de
2.2. Polinização cruzada: pro- genes com outras plantas da mesma
cesso de polinização que ocorre entre espécie.
plantas diferentes. Polinização cruzada
ocorre em plantas alógamas (Tabela 1). Os mecanismos responsáveis
pela ocorrência de alogamia são os
Em algumas espécies autóga- seguintes:
mas, pode ocorrer determinada taxa de
cruzamento natural, variável de espécie – Monoicia: presença de flores
para espécie. Embora as espécies do unissexuais na mesma planta. Ex.
gênero Capsicum sejam considera- cucurbitáceas e milho-doce. Dentre as
das autógamas, a taxa de polinização cucurbitáceas, o meloeiro se destaca
cruzada é variável, podendo ser tão pela alta variabilidade sexual, podendo
baixa quanto 0,5%; no entanto, pode ocorrer tipos monoicos, andromonoi-
atingir valores de até 36% ou mais. cos, ginomonóicos e hermafroditas.
Dentre os fatores que contribuem para A maioria das cultivares como, por
este aumento é citado o comprimento exemplo, a cultivar Eldorado 300 apre-
do estilete, que em algumas espécies senta expressão sexual do tipo andro-
e cultivares de fruto pequeno, pode monóica. Sendo que flores masculinas
ser bastante extenso. Outro fator é (estaminadas) se desenvolvem nos
a população de abelhas, o principal nós da haste principal, enquanto flores
agente transferidor de pólen em Cap- perfeitas (hermafroditas) aparecem nas
sicum (CASALI et al., 1984). A espécie ramas laterais.
Capsicum frutescens beneficia-se da
– Dioicia: ocorre em plantas
polinização realizada por Apis mellifera,
com flores masculinas e femininas em
produzindo significativamente maior
plantas diferentes.
quantidade de frutos, quando compara-
da com a autopolinização espontânea –  Auto-incompatibilidade: ocor-
(CRUZ; CAMPOS, 2007). Estudos têm re em flores que não são fecundadas
mostrado que nesta espécie, a polini- ao serem polinizadas com seu próprio
zação cruzada pode ocorrer em uma pólen.
faixa de 2 a 90% e esse cruzamento

159
– Dicogamia: as funções de libe- sendo que as flores de uma determi-
ração do pólen e receptividade do estig- nada ordem de umbela permanecem
ma da mesma flor ocorrem em períodos abertas por 7-10 dias. Dentro de uma
diferentes. Esse processo se divide em: flor, as anteras abrem-se por um perí-
protandria e a protoginia. Na protandria odo de 1-2 dias, sendo que o estigma
o pólen é liberado antes que o estigma torna-se receptivo a partir do terceiro ou
esteja receptivo. Ocorre, por exemplo quarto dia (VIEIRA et al., 2008). Os es-
em cenoura, cebola e milho-doce. Na tigmas podem permanecer receptivos
protoginia, o gineceu amadurece antes por uma semana ou mais dependendo
do androceu. Esse último fenômeno é das condições locais (POOLE, 1937).
menos comum, podendo ocorrer em Tipicamente, a deiscência das anteras e
algumas espécies das famílias Brassi- a queda dos estames acontecem antes
caceae (couve-flor) e Rosaceae. que o estigma se torne receptivo. Isto
faz com que o desenvolvimento floral
Em cebola, apesar das flores seja protândrico e centrípetal, pois
serem perfeitas e férteis, as popu- as flores que normalmente abrem-se
lações apresentam, de modo geral, primeiro são aquelas localizadas na
elevado grau de heterozigose devido periferia da umbela.
a alogamia, decorrente de protandria
(liberação do pólen 24 a 36 horas an- 3. Agentes polinizadores
tes do estigma estar completamente
A polinização pode ser efetuada
receptivo). Entretanto, ocorre autopo-
por agentes abióticos e bióticos.
linização e autofecundação devido o
fato de nem todas as flores da umbela A polinização abiótica é realizada
se abrirem ao mesmo tempo, de modo pelo vento ou pela água. Sendo que a
que pode haver a polinização e fertili- anemofilia (polinização pelo vento) é o
zação entre diferentes flores da mes- tipo dominante de polinização abiótica.
ma umbela ou entre flores de umbelas Esse tipo de polinização ocorre em
de mesma planta. Logo, a protandria beterraba e milho-doce. Nesta última
oferece apenas uma barreira parcial a espécie, a exposição dos estigmas
autofertilização. Normalmente, 75-90% (cabelo da espiga) aliada à facilidade
das sementes de cebola resultam de de dispersão dos grãos de pólen (liso
polinização cruzada no campo (OLI- e seco) e a alta produção destes, con-
VEIRA et al., 2008). tribuem para o sucesso da polinização
anemófila, a qual assegura formação
Em geral, as flores de apiáceas das cariopses.
são tipicamente bissexuais, mas a re-
ceptividade do estigma e a viabilidade A polinização biótica é realizada
do grão de pólen não são sincroniza- por diferentes tipos de animais, como
das, o que dificulta a autofecundação. as aves, os insetos e alguns mamíferos,
O florescimento de plantas de cenoura sendo que os insetos são os principais
se estende por cerca de 30-50 dias, agentes polinizadores. Os insetos apre-

160
sentam maior eficiência no processo população da colméia e/ou a próxima
de polinização da maioria das plantas, geração, ao passo que outros insetos
devido a sua alta população e melhor coletam para suprir suas necessidades
adaptação às complexas estruturas individuais. As abelhas também apre-
florais. Para várias espécies, principal- sentam habilidade de termoregulação e
mente aquelas alógamas, a polinização algumas espécies, forrageiam mesmo
por insetos é de extrema importância. em condições de temperaturas baixas,
o que geralmente as tornam melhores
As plantas, por outro lado, polinizadores do que a maioria dos
possuem recursos capazes de atrair e outros insetos (CORBERT et al., 1991).
atender a um dos instintos dos animais,
assim os agentes polinizadores visitam Nos últimos anos vem crescendo
as plantas em busca de alimentos como as pesquisas sobre a utilização das
folhas, frutos e principalmente néctar e abelhas na polinização de diversas
pólen, podendo também buscar local culturas. Para Trindade et al. (2004), a
para acasalamento e abrigo para cons- presença da abelha (Apis mellifera L.)
trução de ninhos. As flores atraem os no processo de polinização da cultura
polinizadores pela coloração, aroma e do meloeiro é indispensável, já que na
forma. De acordo com Freitas e Pax- sua ausência, praticamente, não houve
ton (1996), para ser classificado como produção. Os autores observaram que
polinizador de uma espécie vegetal, é esta abelha é de extrema importância
preciso que o potencial polinizador seja no processo na polinização da cultura
atraído pelas suas flores; que apresente do meloeiro, pois das poucas flores fe-
fidelidade àquela espécie; que possua cundadas na sua ausência houve uma
tamanho e comportamento adequados alta taxa de abortamento.
para remover pólen dos estames e de-
positá-los nos estigmas; que transporte Objetivando verificar a influência
em seu corpo grande quantidade de pó- de alguns polinizadores na produção
len viável e compatível; e que visite as e qualidade de sementes de cenou-
flores quando os estigmas apresentam ra, Gomes et al. (2006) utilizaram em
boa receptividade. condições de telados (Figura 1), os
seguintes polinizadores: polinização
Apesar de muitos insetos serem com abelhas Arapuá (Trigona spinipes)
polinizadores, as abelhas constituem os (Figura 2), Jataí (Tetragonisca angus-
agentes polinizadores mais importantes tula) (Figura 3), Tibuna (Nannotrigona
em número e diversidade. A importân- (Scaptotrigona) bipunctata) (Figura 4),
cia destes insetos como polinizadores moscas (Musca domestica) (Figura 5)
está relacionada à sua dependência e polinização manual. Utilizou-se ain-
das flores para obtenção de recursos da um tratamento de polinização livre
alimentares, ao seu comportamento (fora dos telados). Os autores obser-
de forrageamento. As abelhas cole- varam que a produção e a qualidade
tam pólen e néctar para alimentar a fisiológica das sementes de cenoura

161
Figura 1. Vista do experimento Figura 4. Abelha Tibuna polinizando flores
de cenoura.

Figura 2. Abelha Arapuá polinizando flores Figura 5. Mosca doméstica polinizando


de cenoura. flores de cenoura.

não foi influenciada pelos diferentes


polinizadores, sendo que as abelhas
jataí e tibuna se destacaram como
insetos promissores para utilização no
processo de polinização em programas
de melhoramento genético de cenou-
ra. Estas espécies apresentam maior
facilidade de manejo em condições de
telado em relação às demais.

Figura 3. Abelha Jataí polinizando flores A polinização em cebola é em tor-


de cenoura. no de 80% entomófila e 20% anemófila.

162
Portanto, para eficiente polinização e que, embora a produção de sementes
consequente produção de sementes, de pimenta doce ‘Agronômico 11’ não
torna-se necessário a presença de necessite de agentes polinizadores, no
insetos polinizadores, que são princi- entanto, a presença destes contribuem
palmente as abelhas (Apis melifera e para o incremento no peso dos frutos.
Trigona spinipes - abelha cachorro, ira- Cruz et al. (2005) também afirmam que
puá, arapuá) e as moscas domésticas a visita de abelhas em flores de pimenta
(OLIVEIRA et al., 2008). doce pode ser necessária para asse-
gurar peso máximo no fruto. A polini-
Para Witter e Blochtein (2003), zação entomófila promove um impacto
a deficiência de polinização tem sido positivo na massa, no diâmetro, na
apontada como uma das causas da espessura de pericarpo e no número de
baixa produção de sementes na cultu- sementes de frutos de pimentão (FARIA
ra da cebola. Segundo os autores, as JÚNIOR et al., 2008).
flores de cebola são visitadas por uma
gama de insetos representantes de Hy- A polinização é, no entanto, mui-
menoptera e Díptera e que a presença tas vezes, relegada a um plano secun-
de A. mellifera é indispensável para a dário. Esse descaso acontece porque
produção comercial de sementes de há um número satisfatório de agentes
cebola. polinizadores na natureza. Entretanto,
devido ao crescimento da população
Embora o pimentão seja consi- mundial, urbanização e consequente
derado uma planta autógama, essa aumento da demanda por alimentos,
espécie beneficia-se da polinização imensas áreas ocupadas por flores-
realizada por Melipona subnitida (jan- tas foram desmatadas, dando lugar
daíra), produzindo frutos significativa- às plantações. Com a destruição de
mente mais pesados e mais largos, com florestas, local de nidificação de vários
um número maior de sementes e de agentes polinizadores, além do uso de
melhor qualidade (baixo porcentual de inseticidas nas lavouras, muitos deles
frutos deformados), quando comparada sofreram uma drástica redução no ta-
com a cultura autopolinizada (CRUZ et manho de suas populações e outros fo-
al., 2005). Portanto, Melipona subnitida ram até extintos. Sendo assim, algumas
pode ser considerada uma polinizado- culturas tiveram menores produções
ra eficiente de pimentão cultivado por devido a essa queda do número de in-
exemplo, em condições de casa de setos (LATTARO; MALERBO-SOUZA,
vegetação. 2006).

As flores de pimenta doce são Dessa forma, para várias espé-


altamente polinizadas por insetos, e cies, principalmente aquelas alógamas,
isto parece que tem efeito positivo na a polinização por insetos é de extrema
qualidade de fruto. Estudos realizados importância, havendo necessidade, em
na Embrapa Hortaliças têm mostrado algumas situações, de instalação de

163
colméias de abelhas (1 a 4 colmeias/ha) processo de polinização, estes insetos
nas áreas de produção de sementes podem se alimentar dos tecidos florais
por ocasião do florescimento (NASCI- ou até mesmo competir com os agen-
MENTO, 2005). tes polinizadores potenciais. A abelha
arapuá, por exemplo, em algumas situ-
O cultivo em ambiente protegido, ações pode tornar-se um inseto-praga.
prática muito utilizada em olericultura,
também demanda a necessidade de Diante do exposto, é necessário
colocação de caixas de abelhas dentro promover a conservação e a diversida-
do ambiente protegido ou a dispersão de de polinizadores nativos e naturali-
de moscas domésticas. No entanto, zados, além de conservar e restaurar
faz-se necessária a avaliação do as áreas naturais necessárias para
agente polinizador; é preciso verificar otimizar os serviços dos polinizadores
se este adapta-se bem as condições em ecossistemas agrícolas e em outros
de casa de vegetação e realiza vôos de ecossistemas terrestres (SOUZA et al.,
forrageamento capazes de assegurar a 2007).
polinização das espécies em condições
de cultivo protegido. Nesse sentido, A maior atividade dos insetos
polinizadores ocorre no início da ma-
Wilkaniec et al. (2004) observaram que
nhã. Lattaro e Malerbo-Souza (2006),
a abelha solitária Osmia rufa L. pode ser
verificaram em campo de abóbora
utilizada com sucesso na polinização
caipira, que embora as flores abrirem
em campo de produção de sementes de
a partir das 6h, a abelha africanizada
cebola, sob cultivo protegido. Por outro
A. mellifera, que foi o inseto visitante
lado, Oliveira et al. (2008) comentam
mais frequente nas flores, as visitou
que em certas condições, como por
no período das 8h até as 13h. Assim,
exemplo em gaiolas de cruzamento
algumas práticas agrícolas devem ser
usadas em programas de melhoramento
observadas como: a utilização de de-
de cebola, o grau de polinização
fensivos menos agressivos às abelhas
cruzada pode ter uma queda de mais
e a outros polinizadores, bem como a
de 50% devido as abelhas e moscas
realização das pulverizações fora do
serem frequentemente menos ativas horário de maior atividade dos agen-
nessas condições. tes polinizadores, e evitando sempre
que possível pulverizações durante o
No processo de polinização é pre-
florescimento pleno.
ferível a utilização de polinizadores que
não ofereçam riscos aos operadores, 4. Polinização artificial
como por exemplo abelhas sem ferrão.
Dentre as tecnologias emprega-
Alguns insetos polinizadores em das para aumento em produtividade de
certas condições, podem se tornar pre- hortaliças, destaca-se os avanços no
judiciais, podendo se utilizar dos recur- melhoramento genético com a obten-
sos florais sem contudo, executarem o ção de novos híbridos mais produtivos,

164
resistentes ou tolerantes às principais brida; polinizações que ocorrem quando
pragas e condições adversas, e em o estigma ainda não se encontra re-
alguns casos contempla também carac- ceptivo pode prejudicar a produção de
terísticas de alimentos nutracêuticos. sementes, uma vez que o grão de pólen
depositado no estigma pode perder a
Embora a produção de sementes sua viabilidade antes que a fecundação
híbridas possa ser obtida por meio da ocorra.
utilização de linhagem macho estéril
como “mãe”, muitas espécies olerícolas Assim, a manutenção da viabilida-
exigem a polinização artificial, ou seja, de do grão de pólen se torna importante
polinização realizada pelo homem. Nes- em programas de produção de semen-
se processo, na planta feminina, a flor tes híbridas. O sucesso da preservação
é emasculada manualmente ou com o do pólen, independente do período de
auxílio de uma pinça e o estigma poli- conservação, depende principalmente
nizado com pólen extraído da linhagem de fatores como a temperatura e umi-
masculina. Uma vez polinizado, o botão dade relativa do ambiente de armaze-
floral polinizado deve ser identificado namento e do grau de umidade inicial
e protegido caso a produção esteja do grão de pólen. Mostrando, portanto,
instalada em campo aberto. que o comportamento do grão de pólen
durante o armazenamento é semelhan-
As polinizações manual e natural te ao da semente.
apresentam comportamento similar na
obtenção de híbridos de abobrinha, com A possibilidade de armazenamen-
relação ao número de frutos por plan- to do grão de pólen se torna importante
ta; porém, a manual pode se mostrar em sistemas de produção de sementes
inferior na produção de sementes por mediante cooperação, no qual a em-
planta (ÁVILA et al., 1989). No entanto, presa de sementes repassa aos coo-
de modo geral, a qualidade fisiológica perados, a linhagem feminina e o pólen
das sementes não é afetada pelo tipo da linhagem masculina. Assegurando
de polinização. Normalmente, a polini- assim, por parte da empresa, o domínio
zação com maior quantidade de pólen da semente híbrida. Além disso, a pos-
sibilidade de armazenamento do grão
reduz a possibilidade de abortamento
de pólen facilita a produção de semen-
(STEPHENSON et al., 1988), eleva o
tes híbridas a partir de linhagens com
tamanho dos frutos (SCHLICHTING et
períodos de floração distintos (FRANÇA
al., 1987) e aumenta a quantidade de
et al., 2009; 2010).
sementes por fruto (SCHLICHTING et
al., 1987; LIMA et al., 2003; CARDOSO, 5. Isolamento
2005; NASCIMENTO et al, 2011).
O isolamento é fundamental para
O conhecimento do momento a manutenção da pureza genética
certo da polinização é fundamental para de um lote de sementes. Trata-se de
o sucesso na produção de semente hí- um cuidado primordial por parte de

165
produtores de sementes que utilizam –  tipo de reprodução da espécie
a mesma área de produção, necessi- (autógama ou alógama);
tando identificar os campos, as datas
de plantio e os tipos de cultivares em –  taxa de polinização cruzada em
uso na região, para garantir o isola- espécie autógama;
mento necessário evitando, assim,
–  categoria de semente a ser
cruzamento intervarietal. Dessa forma,
produzida;
dependendo das condições locais
como: tamanho da gleba do produtor –  modo de dispersão do grão de
de sementes, multiplicação de espé- pólen;
cies alógamas, às vezes torna-se ne-
cessário o conhecimento das espécies –  distâncias que o grão de pólen
cultivadas nas áreas vizinhas. pode atingir sem perder sua viabilidade;

O isolamento é, portanto, uma –  período de viabilidade do grão


técnica adotada na qual o campo de de pólen;
produção de sementes de determinada
–  potencial produtivo de grão de
cultivar é separado de outros campos
pólen.
de sementes ou mesmo de campos de
produção comercial de outras cultivares Além desses fatores, no estabe-
da mesma espécie, ou de espécies lecimento da distância de isolamento,
afins. Tem por objetivo principal impe- deve-se considerar a direção e velo-
dir que o estigma da flor de plantas da cidade dos ventos predominantes na
cultivar em multiplicação possa receber região, a presença e atividade dos
pólen de plantas de outra cultivar ou insetos polinizadores (CARVALHO;
espécie semelhante, evitando assim, NAKAGAWA, 2000), a topografia da
a contaminação genética causada área, a existência de barreiras naturais
por hibridações naturais. Além disso, e a combinação com outros métodos
visa também, impedir as misturas de de isolamento.
sementes durante a colheita (REIS et
al., 1999). O quiabo embora seja uma planta
autógama, requer uma considerável
Formas de isolamento: distância entre diferentes variedades
para manutenção da pureza genética.
a) isolamento no espaço (físico):
A alta taxa de alogamia em quiabo
o Ministério da Agricultura, Pecuária e
pode estar relacionada a atratividade
Abastecimento estabelece a distância
de suas flores.
mínima da fonte de pólen contaminante
para as diferentes categorias de se- Nas brassicáceas, o isolamento
mentes. Na determinação das distân- dos campos de produção de sementes
cias mínimas de isolamento é levado deve ser mais criterioso, pois além do
em consideração os seguintes fatores: cruzamento intervarietal, todas as es-

166
pécies de Brassica oleracea (brócolos, gurar a adequação da quantidade de
couve-flor e repolho) podem cruzar-se pólen a ser depositado no estigma e, ao
entre si, prejudicando assim a pureza mesmo tempo, é necessário ressaltar
genética do lote de sementes. que esta polinização seja controlada.
Dessa forma, o isolamento dos campos
O cultivo em ambiente protegido, de sementes deve ser respeitado crite-
prática muito utilizada na produção riosamente, visando a manutenção da
comercial de hortaliças, também cons- pureza genética das sementes.
titui uma forma de isolamento físico,
podendo ser adotada na produção de
sementes de hortaliças.
7. Referências
b) isolamento no tempo: esse tipo
de isolamento pode ser feito antecipan- ÁVILA, C. J.; MARTINHO, M. R.; CAM-
do ou retardando a semeadura em rela- POS, J. P. Polinização e polinizadores
ção à semeadura das demais lavouras na produção de frutos e sementes
próximas ao campo de produção de híbridas de abóbora (Cucúrbita pepo
sementes. Na determinação do perío- var. melopepo). Anais da Sociedade
do entre as semeaduras é importante Entomológica do Brasil, Jaboticabal,
considerar o ciclo das cultivares. v.18, n.1, p.13-19, 1989.

Para milho-doce, as semeaduras BOSLAND, P. W.; VOTAVA, E. J. Pep-


de campo de diferentes cultivares de- pers: vegetable and spice capsicums.
verão ser realizadas em épocas que Wallingford: CABI Publishing, 1999.
proporcionem um período mínimo de 30 204 p.
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16 de dezembro de 2005. Estabelece
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de sementes é consequência direta da Seção 1, p. 18,
polinização. A distribuição escassa e
irregular das sementes no interior do CARDOSO, A. I. I. Polinização manual
fruto leva à má formação do mesmo. em abobrinha: efeitos nas produções
Assim, no processo de produção de de frutos e de sementes. Horticultura
sementes, cuidados devem ser toma- Brasileira, Brasília, DF, v. 23, n. 3, p.
dos para a garantia de uma polinização 731-734, 2005.
adequada. Sendo, em alguns casos,
necessário a colocação de agentes CARVALHO, N. M.; NAKAGAWA, J. Se-
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169
Foto: Warley Marcos Nascimento

Ocorrência de
plantas invasoras em
campo de produção
de tomate indústria.
Foto: Warley Marcos Nascimento
Manejo e controle de plantas
invasoras em campos de produção
de sementes de hortaliças
Welington Pereira

1. Introdução Dentro de um agroecossistema,


a população de plantas (invasoras
No Brasil são produzidas e con- e cultivadas) é dinâmica, ocorrendo
sumidas várias dezenas de espécies mudanças de acordo com as práticas
de hortaliças. Em virtude dessa grande agrícolas utilizadas. Assim, durante
diversidade de espécies, o manejo das todo o ano se estabelece uma relação
plantas invasoras é relativamente difícil de interferência biológica dentro das
por apresentar problemas específicos áreas de cultivo e produção de se-
em relação aos métodos de controle mentes das hortaliças e a comunidade
delas entre os diferentes sistemas de de plantas invasoras. A produtividade
produção de sementes. Em geral, as econômica das sementes das espécies
estratégias para o manejo e controle de interesse depende do balanço final
das plantas invasoras nas áreas de dessas relações. A meta do horticultor é
produção de sementes são semelhan- ajustar o balanço da interferência entre
tes às áreas de produção comercial de as plantas de modo a favorecer o cres-
hortaliças, destacando sobretudo as cimento das hortaliças e a produção
medidas preventivas e o requerimento de sementes vigorosas e alto grau de
legal sobre vigor e pureza das semen- pureza. Reduzindo-se ou eliminando
tes produzidas. o crescimento das plantas invasoras,

173
facilitar-se-á a colheita e a limpeza dos tentáveis. O objetivo de um programa
lotes de sementes produzidas. adequado de manejo integrado das
plantas invasoras fundamenta-se em
Mundialmente, o controle das medidas ou técnicas de prevenção, er-
plantas invasoras na maioria das áreas radicação e controle de forma contínua
cultivadas com hortaliças é geralmente para reduzir a quantidade de sementes
problemático devido ao seu manejo presentes no solo (banco de semen-
inadequado durante e após os ciclos tes), e consequentemente menores re-
culturais. Como conseqüência, o banco infestações delas nos próximos ciclos
de sementes no solo tende a aumentar de cultivo, melhorando cada vez mais
ano após ano, resultando em enormes a relação dos custos e benefícios nos
infestações nos campos de produção agroecossistemas (Figura 1).
de sementes de hortaliças.
2. Interferência biológica e ecológica
Nos cultivos de hortaliças é preci-
so estabelecer um programa integrado Independentemente dos agrossis-
de manejo de plantas invasoras como temas (sistema convencional / químico
forma de obter sistemas agrícolas sus- ou agroecológico / orgânico), as plantas
Ilustração: Welington Pereira

Figura 1. Fluxo das principais fases das atividades culturais (A-J) e técnicas (prevenção,
erradicação e controle) para um programa de manejo integrado de plantas daninhas em
sistemas de produção de hortaliças (Pereira, 2000).

174
daninhas, invasoras, silvestres ou es- insetos benéficos) sobre as culturas,
pontâneas, podem ser denominadas assim como os efeitos negativos das
como qualquer planta que cresce fora culturas sobre as plantas invasoras.
do espaço e/ou tempo, onde e quando
ela não é desejada, ou seja, fora dos Algumas plantas complementam
objetivos do homem. Entre as 250.000 sua agressividade pela liberação de
espécies, pertencentes a 450 famílias, substâncias tóxicas ou substâncias
de plantas que produzem flores (an- inibidoras de crescimento chamadas de
giospermas) no mundo, cerca de 0,1% aleloquímicos, por meio de exsudações
(isto é, 250) tem-se comportado como pelas raízes e lixiviação da matéria
plantas não desejadas. orgânica produzida. Em geral, essas
substâncias são absorvidas por outras
A habilidade de uma planta em espécies, modificando seu crescimento,
obter a luz, água e nutrientes para o reduzindo ou eliminando sua habilidade
crescimento e desenvolvimento determi- de competição.
na o seu sucesso no agroecossistema.
A comprovação dos efeitos dire-
A maioria das espécies de plantas tos dos aleloquímicos nas condições
invasoras geralmente interage com ou- de campo é difícil, devendo, portanto,
tras plantas (cultivadas ou silvestres). ter-se o cuidado de separar a alelopa-
Em geral, as interações entre espécies tia de outras formas de interferência
de plantas ou populações dentro das negativa, especialmente a competição.
espécies são chamadas de interferên- Vários trabalhos na literatura demons-
cia biológica. Segundo Radosevich e tram que as hortaliças são bastante
Holt (1997), a ação conjunta da com- suscetíveis aos aleloquímicos. Catunda
petição pelos fatores de crescimento e et al. (2002) verificaram que os extratos
da alelopatia na comunidade de plantas aquosos de Cyperus rotundus apresen-
é denominada interferência biológica. tam fenóis, saponina e taninos capazes
Assim, o termo interferência é usado de inibir a germinação das sementes de
para descrever o efeito que a presença alface, jiló e pimentão. Segundo Qasem
de uma planta tem ou exerce no meio (2001), exsudados de raízes de plantas
ambiente da outra ou também para ex- invasoras reduziram a germinação e
pressar os efeitos depressivos de uma inibiram o crescimento das plântulas
espécie de planta sobre outra, resultan- de muitas hortaliças, contudo os efeitos
tes das interações entre ambas. É mais foram mais evidenciados em tomate
comum medir o efeito depressivo das e repolho. Castro et al. (1983) obser-
plantas invasoras sobre a produção das varam que as substâncias presentes
hortaliças e ignorar o efeito das culturas nos tubérculos de Cyperus rotundus,
sobre o crescimento das plantas inva- nos rizomas de Sorghum halepense
soras. Entretanto, é também importante e nas raízes de Canavalia ensiformis,
entender e explorar os efeitos positivos nas folhas de Brassica napus e nas
das plantas invasoras (hospedeiros de raízes de Cynodun dactylon inibiram a

175
germinação das sementes do tomate. O parasitismo é outra forma es-
Santos (1996), Santos e Pereira (1996) pecial de interação negativa onde uma
estudando o potencial alelopático de planta vive à custa de outra (hospedei-
genótipos de sorgo granífero (Sorghum ra), obtendo suporte (água e alimentos).
bicolor) e de seus resíduos no cresci- As plantas parasitas, mais comumente
mento de plantas de abóbora híbrida distribuídas no mundo que ocorrem nos
(Cucurbita máxima x C. moschata) sistemas de cultivos de hortaliças são
oriundas do sistema de semeadura Cuscuta spp. e Orobanche spp. (DAW-
direta e de mudas, concluíram que os SON, 1984; KOGAN, 1992; PARKER,
genótipos de sorgo avaliados diferiram RITCHES 1993; PEREIRA, 1998b). A
quanto à produção de “sorgoleone” gama de hospedeiros é grande, sendo
(SGL) pelas raízes e ao conteúdo mé- os membros pertencentes à família Po-
dio de sorgoleone (mg SGL/g de maté- aceae imunes. A exceção da cultura de
ria seca de raízes). A produção de SGL cebola, os relatos de ataque em mono-
pelas raízes foi diretamente proporcio- cotiledôneas são raros. Basicamente,
nal ao teor de matéria seca de raízes as plantas do gênero Cuscuta (família
e ao da parte aérea, enquanto o con- Convolvulaceae) e Orobanche (família
teúdo médio de SGL foi inversamente Orobanchaceae) constituem-se como
proporcional, indicando que a produção plantas invasoras parasitas de plantas
deste aleloquímico foi influenciada pela cultivadas, ornamentais e silvestres,
origem genética e taxa de crescimento como: tomate, pimentão, batata, cenou-
das plantas de sorgo. ra, cebola, beterraba, fumo, café, citrus,
coroa de cristo, e plantas invasoras
Os resíduos vegetais das raízes latifoliadas. São consideradas plantas
e da parte aérea de sorgo (híbrido proibidas, não sendo tolerada a mistura
BR304) apresentaram intensa ação de suas sementes com sementes de
alelopática sobre as plantas de abóbora hortaliças para o plantio. As plantas de
híbrida, principalmente sobre aquelas cuscuta também interferem na colheita
oriundas do sistema de semeadura mecânica ou manual, no processamen-
direta. O acúmulo de matéria seca das to da produção e no beneficiamento de
plantas de abóbora híbrida, no período sementes.
de 15 a 30 dias após a semeadura, foi
reduzido em 31 vezes pelos resíduos Todos os esforços para a preven-
de raízes, e em 25 vezes pelos resídu- ção, controle e manejo devem ser con-
os da parte aérea em relação ao acú- siderados para evitar o estabelecimento
mulo de matéria seca das plantas de das plantas parasitas em campos de
abóbora híbrida que cresceram livres produção de sementes, uma vez que é
da ação dos resíduos de sorgo. A fim muito mais fácil prevenir sua introdução
de evitar possíveis danos à produção, e disseminação que a erradicação ou
recomenda-se não plantar a abóbora controle. Programas de manejo integra-
híbrida em áreas previamente cultiva- do de plantas invasoras com medidas
das com o sorgo. específicas para cada espécie devem

176
ser elaborados. Em outubro de 1998, entre duas ou mais plantas, na qual o
foi feito o primeiro relato de ocorrência suprimento de um fator de crescimen-
da Cuscuta spp. em áreas de cultivo to esteja abaixo de suas demandas
de batata e cenoura no Distrito Federal combinadas, definida como competi-
(Figura 2). A sua introdução na área ção. Ela é um fenômeno comum dos
se deu, provavelmente, por meio da ecossistemas que segundo Bleasdale
importação de sementes impuras de (1960) duas plantas estão competindo
cenoura produzidas no Chile, região de entre si, quando uma ou ambas apre-
origem da espécie parasita. As medidas sentam redução no seu crescimento
de prevenção e controle destas espé- ou modificação na sua forma, quando
cies foram descritas por Kogan (1992) comparada com plantas vegetando
e Pereira (1998b). isoladamente. A competição entre os
indivíduos, das mesmas espécies ou
O terceiro tipo de interação nega- não, pode ser tão intensa quando es-
tiva entre as plantas trata-se da relação tão crescendo num mesmo ambiente

Figura 2. Vista geral da ocorrência de Cuscuta racemosa nas culturas de batata (A) e
cenoura (B) e seus danos severos com morte das plantas (C, batata e D, cenoura), na
propriedade do Sr. Fábio Nakamura, Brazlândia, DF, outubro de 1998.

177
provocam morte de alguns para que Indiretamente, elas interferem tam-
outros possam sobreviver. A ênfase bém como hospedeiras de um número
dos estudos dessa interação entre as grande de pragas e de patógenos que
hortaliças e as plantas invasoras deve atacam as hortaliças.
investigar como ocorrem as perdas de
produção, que fatores as afetam e em É muito importante a análise do
que extensão as perdas estão associa- período em que as espécies de plantas
das com as medidas de controle das invasoras competem com as plantas de
plantas invasoras. A competição pode hortaliças, pelos fatores de produção,
ocorrer tanto na parte aérea quanto na uma vez que o grau de competição
parte subterrânea das plantas, sendo que uma planta sofre depende, basi-
as folhas e raízes os órgãos submetidos camente, das características da cultura
aos níveis de luz e água/nutrientes/O2 (cultivar ou híbrido, densidade de seme-
limitantes para o crescimento, respecti- adura ou transplante e espaçamento
vamente. A competição é mais comum de plantio) e da população de plantas
por luz porque os nutrientes e a água são invasoras (composição das espécies,
normalmente fornecidos em abundância densidade, distribuição, época e dura-
por meio das práticas convencionais ção do período de convivência com a
de irrigação, calagem e adubações cultura) (BLEASDALE, 1960).
orgânicas e químicas nos sistemas de
produção de sementes de hortaliças. Esses fatores podem ser modifi-
cados pelas condições edáficas (tipo,
Normalmente, no cultivo de hor- textura, fertilidade e umidade do solo),
taliças, ocorre maior agressividade das climáticas e práticas culturais (rotação
plantas invasoras, por apresentarem e consórcio de cultivos) (BLEASDALE,
maior rusticidade, grande vigor vege- 1960; ZIMDHAL, 1980 e ALTIERI, 1981).
tativo e reprodutivo e menor ciclo de Dentre os fatores apontados por Bleas-
vida. A maioria dessas plantas tem ca- dale (1960), um dos mais importantes, e
pacidade de crescer e se reproduzir em segundo também Blanco (1972) e Pitelli
condições extremas de ambiente, com (1985), é o período em que as espécies
alto grau de especialização em seus de plantas invasoras competem com
ciclos de vidas, morfologia e fisiologia, as plantas cultivadas pelos fatores de
o que facilita o processo de dissemina- crescimento. Assim, a época e a duração
ção e sobrevivência. Assim, as plantas do período em que a cultura e as plan-
invasoras interferem diretamente no de- tas invasoras convivem influenciam na
senvolvimento e produção de sementes intensidade da interferência. Entretanto,
das hortaliças, competindo entre si por há um período inicial em que as plantas
espaço, luz, água, nutrientes, e CO2 e invasoras e cultivadas são indepen-
liberando substâncias aleloquímicas dentes pelos fatores de crescimento
que afetam também a germinação de disponíveis no meio ambiente, não tendo
sementes, crescimento da cultura e se estabelecido até então a interação
produção de sementes mal formadas. negativa entre elas.

178
As plantas invasoras emergem Indiretamente as plantas culti-
em diferentes épocas durante o ciclo vadas e silvestres competem entre si,
cultural (Figura 1, fases C-J), uma pois, são hospedeiras de grande nú-
vez que existem muitas espécies com mero de pragas e patógenos (fungos,
diferentes ciclos de vida, padrões de bactérias, vírus, nematóides) (KITA-
germinação e exigências edafoclimáti- JIMA, 1986, 1995; MONTEMURRO,
cas para o crescimento, florescimento TEI, 1998), servindo também de abrigo
e produção de sementes. Elas são e fonte de alimento para os insetos
adaptadas a uma grande amplitude de benéficos. Segundo Bottenberg et al.
temperatura e condições de umidade e (1997) as plantas invasoras, as pragas
luz, as quais favorecem ocorrência de e patógenos interagem entre si e com
vários fluxos de germinação e emer- as culturas, devendo, portanto, serem
gência. As sementes ou outros órgãos tratados como membros inter-relacio-
reprodutivos estão dispersos em dife- nados dentro do agroecossistema.
rentes profundidades do solo, sendo a Informações matriciais dessa natureza
emergência influenciada pelo tipo de devem ser continuamente elaboradas
solo, práticas da rotação de culturas e e disseminadas para subsidiar os pro-
da ação dos métodos de controle das gramas de manejo integrado de “pra-
plantas invasoras (ação residual dos gas”. Estudos realizados em Brasília,
herbicidas, por exemplo). As plantas DF sobre a associação envolvendo as
invasoras que emergem antes ou plantas invasoras, o tomateiro e a ento-
juntamente com as culturas causam mofauna, indicaram que os lepidópteros
maiores perdas na produção do que hospedam-se preferencialmente nas
aquelas plantas invasoras, das mesmas plantas de tomate, enquanto que as
espécies, que emergem tardiamente. vaquinhas, os pulgões, o bicho - lixeiro
e as aranhas preferem a invasora ma-
Em geral, a interferência entre ria pretinha. As combinações tomate e
plantas invasoras e hortaliças é maior maria pretinha, tomate e botão de ouro,
do que a interferência entre as pró- e tomate e capim marmelada podem
prias plantas invasoras. As hortaliças favorecer o aumento das populações
germinam e crescem lentamente nos de artrópodes benéficos, classificados
primeiros estádios de desenvolvimento, como parasitas e predadores (NAS-
sofrendo maiores danos nesse período. CENTE, 1998; NASCENTE et al.,
As plantas invasoras danificam a pro- 1998 c,d). Entretanto, em condições
dução e a qualidade das sementes das de plantio comercial, é difícil manter
hortaliças, além de dificultar a colheita essa associação apenas dentro dos
e o beneficiamento das sementes, da- níveis benéficos, pois apenas no caso
nificar as colhedeiras, onerar o custo da maria pretinha ela hospeda vários
de produção, prejudicar a saúde do vírus em solanáceas. Este reexame
homem, dificultar o preparo do solo do papel das plantas como um com-
para novos plantios e reduzir a estética ponente ecológico pode de fato levar
das áreas agrícolas. ao desenvolvimento de linhas mestras

179
para um manejo do agroecossistema uma vez que, na maioria dos casos, o
como um todo (ALTIERI, 1989). É controle das plantas invasoras é reali-
imperioso observar que o conceito de zado somente por meio manual e fora
planta invasora ou daninha é relativo, do contexto de um programa integrado
pois muitas delas podem trazer bene- de plantas invasoras. Apesar da falta de
fícios ao homem pelo enriquecimento resultados de pesquisas, para as con-
da fauna benéfica. dições brasileiras, sobre a interferência
das plantas invasoras em muitas horta-
2.1. Período crítico de interferência liças, sabe-se que, em geral, ela é mais
Geralmente, o cultivo e a pro- prevalecente, e, portanto danosa, entre
dução de sementes de hortaliças, em 20 e 50% do ciclo de vida da maioria
grandes áreas, dependem da capaci- das culturas (PEREIRA, 1987). Quanto
dade operacional para mantê-las livres maior o ciclo cultural, maior é período
da interferência das plantas invasoras, crítico de interferência das plantas in-
pelo menos durante o período crítico, vasoras, como ocorre, por exemplo, nas
ou seja, até que a cultura desenvolva culturas do alho (MASCARENHAS et al.,
e cubra suficientemente a superfície do 1980; WILLIAM e WAREN, 1975), cará
solo e não sofra mais significativamente (ORKWOR et al., 1994) e mandioqui-
a interferência das mesmas. No Brasil, nha salsa, Figura 3, (PEREIRA, 1995;
a área plantada com hortaliças deman- MASCARENHAS e PEREIRA, 1997;
da grande número de mão-de-obra, PEREIRA, 2003; FREITAS et al., 2004).

Figura 3. Ocorrência dos períodos de convivência (PCV), de controle (PCT) e crítico de


interferência (PCI) das plantas invasoras no cultivo da mandioquinha salsa, nos períodos
de 1995/1996, Embrapa Hortaliças, Brasília, DF.

180
O período crítico de interferência para cada local e condições de cultivo
(PCI) é o momento em que as plantas ou manejo, o conhecimento da ampli-
invasoras mais prejudicam as culturas, tude dos seus valores permite estimar
ou seja, aquele período entre o tempo as épocas mais adequadas de controle
máximo em que a cultura pode conviver para cada espécie de hortaliça.
com as plantas invasoras sem sofrer
redução de produção (PCV), e o tem- Os períodos críticos para o con-
po mínimo, em que a cultura deve ser trole de plantas invasoras variam com
mantida livre de plantas invasoras para as culturas e espécies de plantas inva-
garantir uma produção racional (PCT). soras presentes e estão baseados na
Corresponde ao intervalo de tempo competitividade das culturas com as
durante o qual as plantas invasoras plantas invasoras. As culturas de alfa-
têm que ser controladas para prevenir ce, pimentão, alho, cebola, cenoura e
perdas inaceitáveis de produção (PCI tomate competem menos, uma vez que
= PCT – PCV). Os valores dos perío- desenvolvem lentamente e/ou não tem
dos de convivência (PCV), períodos uma arquitetura necessária para cobrir
de controle (PCT) e períodos críticos o solo e sombrearem rapidamente as
de interferência (PCI) das plantas in- plantas invasoras. Por outro lado, as
vasoras com as diversas hortaliças, culturas de abóboras crescem rapida-
em diversas regiões, encontram-se na mente sombreando e competindo mais
Tabela 1. Observa-se que, de acordo com as plantas invasoras.
com a origem dos resultados, ainda não
foram realizados estes estudos para O método de plantio também in-
muitas hortaliças, mesmo em termos fluencia no período crítico para controle
mundiais e, sobretudo, em campos de das plantas invasoras. Normalmente, o
produção de sementes. sistema de transplante de mudas favo-
rece o desenvolvimento inicial das hor-
Os trabalhos sobre interferência taliças sobre as plantas invasoras e são
das plantas invasoras são de suma mais competitivas do que as plantas
importância pelas seguintes razões: originadas de sistema de semeadura
1) indicam quando e quanto tempo direta. De maneira geral, o adensa-
os métodos de controle devem ser mento da semeadura pode promover
utilizado para eliminá-las, para evitar supressão da comunidade infestante
os prejuízos diretos na produção e na e consequente redução do acúmulo de
qualidade das hortaliças; 2) indicam massa seca pelas plantas invasoras,
o período mínimo no qual o herbicida podendo influenciar também a época
pré-emergente precisa ter ação residual crítica para controle das plantas dani-
no solo para controlá-las; 3) indicam a nhas, conforme verificado por Carvalho
época limite para aplicar um herbicida e Guzzo (2008). Segundo estes últimos
em pós-emergência ou para realizar o autores, os períodos críticos de inter-
controle mecânico ou outro método de ferência das plantas invasoras sobre
controle. Embora o PCI seja específico a cultura da beterraba estabelecida

181
por densidades de 40 plantas m-2 e 50 primeiros estádios de desenvolvimen-
plantas m-2 corresponderam aos perío- to das hortaliças, e que os métodos
dos de 14 a 36 dias após a semeadura disponíveis não são completamente
- DAS e 24 a 35 DAS, respectivamente. eficientes no controle das plantas in-
Freitas et al. (2009) relataram que os vasoras, o produtor deve adotar várias
PCI das plantas invasoras na cultura estratégias a fim de racionalizar o ma-
da cenoura (Daucus carota), cultivada nejo integrado das plantas invasoras.
em dois espaçamentos, foram de 19 Para as hortaliças que apresentem
a 36 e 18 a 42 dias após emergência PCI (Tabela 1, Figura 1, fases E-F) há
da cultura, respectivamente para os necessidade de manter a cultura no
espaçamentos de 15 x 6 cm e 20 x 6 limpo pelo menos naquele período. En-
cm entre fileiras. O menor espaçamento tretanto, cultivos que não apresentarem
entre fileiras resultou na redução do PCI esse período, geralmente uma ou duas
das plantas invasoras em sete dias. capinas realizadas em torno do período
de convivência (Tabela 1) são normal-
Uma vez que a interferência das mente suficientes. O aparecimento e
plantas invasoras é mais séria nos desenvolvimento de novas plantas in-

Tabela 1. Ocorrência de períodos de convivência (PCV), períodos de controle (PCT)


e períodos críticos de interferência (PCI) das plantas invasoras em diversas espécies
de hortaliças. Dados em dias após a emergência dentro de cada ciclo vegetativo das
hortaliças, cultivadas em diferentes regiões.

182
183
184
185
vasoras, após o PCI até o final do ciclo produção, dormência das sementes
(Figura 1, fases G-I), não interferem sig- ou propágulos vegetativos e a interfe-
nificativamente na produtividade, mas rência biológica que elas causam nas
podem frutificar e aumentar o banco de hortaliças.
sementes no solo, além de dificultarem
a colheita e também servirem de hos- 2.2. Bancos de sementes e/ou pro-
pedeiras de insetos - praga e doenças. págulos no solo

É essencial para o desenvolvi- Os bancos de sementes e/ou


mento de programas integrados de propágulos vegetativos no solo (BS-
manejo o conhecimento dos aspectos PVS) consistem na reserva de semen-
gerais da biologia das plantas invaso- tes e propágulos vegetativos presentes
ras, descritos por Kissmann & Groth na superfície e no interior do solo, com-
(1991, 1992, 1995) e Lorenzi (1991). posta das novas sementes produzidas
Incluem-se nesta categoria a origem anualmente, bem como das sementes
e distribuição, classes, ciclo de vida, “velhas” que persistem no solo por vá-
importância econômica, tipos de re- rios anos ou mesmo décadas (Figura 4).

A B

C D

Figura 4. Vista do banco de sementes e propágulos vegetativos no solo (BSPVS) pela


produção e deposição de sementes e tubérculos de plantas cultivadas (palhada de
ervilha, A) e silvestres (Lepidium virginicum L., B; Argemone mexicana L., C; Cyperus
rotundus L., D).

186
O BSPVS é a principal fonte de plantas A maioria das sementes que che-
invasoras nos agroecossistemas, uma ga ao solo em áreas cultivadas advém
vez que esse reservatório de sementes principalmente de plantas invasoras
permanece sob a influência do meio anuais (cerca de 95%) e das próprias
ambiente. Se essas sementes e/ou culturas (ROBERTS, 1981). O uso de
propágulos vegetativos escapam das adubos orgânicos e a água de irrigação
medidas de controle, elas irão germinar podem constituir em fonte de introdução
/ brotar, crescer e produzir milhares de plantas invasoras na área cultivada.
de novas sementes e/ou estruturas Segundo Templeton e Levin (1979) o
vegetativas, dependendo das espé- banco de sementes no solo representa
cies. Estima-se que somente 1 a 9% um arquivo de informações das con-
das sementes viáveis produzidas num dições ambientais e práticas culturais
determinado ano conseguem germinar anteriores, sendo também um fator
naquele ano, ficando, portanto a grande importante da avaliação do potencial
maioria com germinação escalonada de infestação das plantas invasoras
nos anos subsequentes, a depender do no presente e no futuro. O seu estudo
nível de dormência presente, da distri- permite estabelecer as relações quan-
buição no perfil do solo e dos estímulos titativas entre suas populações e as
recebidos para germinar (DAWSON et da flora infestante (DESSAINT et al.,
al.1984; HUTCHSON e ASHTON, 1980; 1990). Segundo Cavers e Benoit (1989)
WELLER e PHIPPS, 1979). os bancos de sementes, em solos culti-
vados, constituem, normalmente, num
A grande diversidade de espécies sério problema à atividade agrícola, na
de plantas invasoras, que infesta as medida em que garantem infestações
áreas de cultivos, está normalmente de plantas invasoras por longo período
associada à ambientes com distúrbios de tempo, mesmo quando se impede a
constantes, devido, principalmente, entrada de novas sementes na área. As
às suas características biológicas e sementes de espécies cultivadas geral-
reprodutivas que promovem elevada mente não são muito importantes na
produção de sementes, mecanismos composição dos bancos de sementes,
de dispersão eficiente em algumas es- porque apresentam baixa longevidade,
pécies, dormência e longevidade das devido à predação por animais, ação
sementes e sobrevivência das plantas. dos microorganismos e à rápida germi-
Estas características, aliadas ao mane- nação em razão da falta de dormência
jo inadequado nos sistemas de cultivos (Cavers e Benoit, 1989).
e produção de sementes de hortaliças,
geram grandes bancos de sementes no As espécies de plantas invasoras,
solo, o que, segundo (Carmona, 1992) em geral, produzem um número eleva-
garante o potencial regenerativo de do de sementes em sua maioria viável
várias espécies mesmo na ausência e fértil, podendo algumas espécies,
de produção de novas sementes por como Amaranthus sp., produzir 100.000
longo período. sementes por planta (DEUBER, 1992).

187
Muitos trabalhos indicam que as se- Segundo Voll et al. (2001), o banco
mentes das plantas invasoras podem de sementes de plantas invasoras
permanecer dormentes por vários apresenta características distintas de
anos, aguardando condições ideais de sobrevivência em função do manejo
germinação, desenvolvimento e mul- de solo, do controle ao longo dos anos
tiplicação. Segundo Lorenzi (2000), a e das características morfológicas e
maior parte das sementes produzidas fisiológicas das sementes.
por uma planta daninha não germina
logo após sua maturação, vindo a ger- No Brasil, Voll et al (1995, 1996,
minar somente muitos anos mais tarde, 1997a, 1997b, 1997c ) estudaram a
devido à existência de uma dormência dinâmica da população de diversas
temporária. Sabe-se que a germinação espécies, em relação ao manejo do
das sementes das plantas invasoras solo. Verificaram que a maior taxa na
é variável entre as espécies e com redução do banco de sementes da tra-
o decorrer do tempo. Muitos estudos poeraba, do capim colchão (Digitaria
foram realizados sobre longevidade e horizontalis) e do capim marmelada
viabilidade de sementes no solo, indi- (Brachiaria plantaginea) ocorreu no
cando que determinadas espécies de- sistema de semeadura direta, compara-
las ficam biologicamente ativas várias tivamente a outros sistemas de preparo.
décadas. Por exemplo, as sementes Entretanto, para carrapicho de carneiro
de amendoim bravo (Euphorbia hete- (Acanthospermum hispidum), não foi
rophylla) e picão preto (Bidens pilosa) observada diferença entre os manejos
apresentam, de modo geral, altas adotados. Os efeitos do preparo do
taxas de germinação e emergência, solo sobre a distribuição vertical das
exaurindo-se no solo em cerca de 3 a sementes das plantas invasoras, a
4 anos, na ausência de reinfestação emergência e a densidade das plantas
(VOLL et al., 2001), enquanto que ou- têm sido estudados por diversos auto-
tras, como a trapoeraba (Commelina res. Mohler e Galford (1997) concluíram
benghalensis), podem sobreviver no que o plantio direto afeta a sobrevivên-
solo por cerca de 40 anos (VOLL et al., cia e emergência das plantas invasoras
1997a). Quanto maior for o período de por meio das mudanças provocadas no
dormência das sementes das plantas solo independente dos efeitos resultan-
espontâneas, maior será o tempo ne- tes da redistribuição das suas sementes
cessário para esgotar o banco de se- no perfil do solo. Oryokoto et al. (1997)
mentes de determinada espécie ou bi- relataram que a densidade de Ama-
ótipo no solo, dependendo logicamente ranthus spp. foi maior em semeadura
das práticas culturais empregadas. Em direta comparativamente aos outros
geral, as sementes que irão germinar, sistemas de preparo, provavelmente
desenvolver e competir com a cultura pela maior concentração de sementes
de hortaliça localizam-se na camada na superfície. Por outro lado, Voll et al.
arável do solo, predominantemente (1996, 1997a, 1997c) verificaram que a
nos primeiros 5 cm de profundidade. emergência de carrapicho de carneiro e

188
capim colchão foi menor em semeadura Roberts e Neilson (1982) es-
direta. Mulugeta e Stolteuberg (1997) timaram o tamanho dos bancos de
relataram que 74% das sementes en- sementes em cultivos de hortaliças,
contradas estavam nos primeiros 10 na Inglaterrra, numa amplitude de
cm, no sistema de plantio direto, en- 250 a 24.330 sementes por m 2. Já
quanto, que no preparo com arado de Schweizer e Zimdhal (1984) realizando
aiveca foi reduzido para 43%. Segundo estudos semelhantes de rotação de
Zelaya et al. (1997) o não revolvimento cultivos de cevada, milho e beterraba
do solo, indispensável em áreas de observaram uma amplitude de 2.080
plantio direto, promove modificações a 137.700 sementes por m2. Segundo
na dinâmica populacional das plantas Pereira et al. (1995, 1999) e Silva et
invasoras. Esse evento está associado al. (2001), práticas inadequadas de
a mudanças na composição da comuni- manejo tendem a aumentar o banco
dade infestante no tempo, consideran- de sementes das plantas invasoras no
do o número e a dominância relativa solo agravando ainda mais o problema
de cada espécie no agroecossistema. em cultivos sucessivos. Esses autores
Segundo Mohler (1993), a profundidade avaliaram a dinâmica das plantas da-
ótima para emergência da maioria das ninhas em oito sistemas de sucessão/
espécies de plantas daninhas é menor rotação das culturas, no período de
que 2 cm, ao passo que a profundidade oito anos, em Brasília-DF, observando
máxima na qual a emergência possa que a sucessão de cultivos de milho,
ocorrer é, geralmente, menor que 6 cm trigo, feijão e aveia com o tomate para
(WILLIAMS et al., 1984). processamento industrial promoveu
variações no banco de sementes no
O tamanho e a composição botâ- solo entre os diferentes tratamentos
nica do BSPVS variam de acordo com e épocas. Obtiveram valores de 321
os agroecossistemas. Ele aumenta, a 4701 sementes viáveis (plantas
normalmente, de florestas a pastagens emergidas em 32 fluxos de germina-
e finalmente a áreas cultivadas anual- ção, durante aproximadamente três
mente (COOK, 1980). Segundo Ruedell anos) por 16 litros de terra peneirada
(1995), a população de plantas invaso- (cerca de 20 kg). O referidos valores
ras anuais diminui, em geral, a partir correspondem a uma amplitude de 30
do segundo ano de implantação do a 500 milhões de sementes viáveis na
sistema de plantio direto, ao passo que camada arável de um ha, valores estes
as plantas perenes, tais como: tiririca, relativamente superiores aos relatados
guanxuma (Sida spp.), língua de vaca por Johnson e Anderson (1986). Dada
(Rumex sp.), Maria mole (Senecio bra- a fisiologia e dinâmica do processo
siliensis) tendem aumentar após esse germinativo das plantas invasoras,
período. O aparecimento de muitas sob a influência dos tratamentos e
plantas anuais deve-se mais às falhas diferentes épocas de amostragem,
no controle num sistema de rotação do verificou-se que o tempo gasto para
que da influência de cultivo. as sementes viáveis, presentes nas

189
amostras de solo, exaurirem foi cer- tios das culturas (Figura 1, fases C), a
ca de três anos. A Figura 5 ilustra a fim de reduzir o tamanho do banco de
quantidade percentual de germinação sementes e, consequentemente suas
das sementes que ocorre a cada um interferências nos cultivos.
dos fluxos de germinação, segunda
a técnica descrita por (SCHREIBER A rotação de culturas ajuda a
et al., 1989). Observou-se que cerca manter os bancos de sementes a níveis
de 50% do total de sementes viáveis baixos à medida que evita a predo-
presentes no BSPVS germinaram na minância de determinadas espécies.
sequência dos três primeiros fluxos de Vários autores relataram que a rota-
germinação, indicando uma redução ção de culturas (BUHLER et al., 1997;
significativa no potencial de infestação BALL e MILLER, 1990; SCHREIBER
das plantas invasoras proveniente et al., 1989) e o uso de adubos verdes
do banco de sementes. Ressalta-se, (SEVERINO e CHRISTOFFOLETI,
assim, a importância dos preparos do 2001) reduzem o tamanho do banco de
solo para estimular a germinação das sementes no solo. Por outro lado, prá-
sementes e, consequentemente o uso ticas inadequadas de manejo tendem
de métodos de controle das plantas a aumentar o banco de sementes das
invasoras antecipadamente aos plan- plantas invasoras no solo agravando

Figura 5. Dinâmica do processo germinativo das sementes das plantas invasoras, segundo
a técnica descrita por SCHREIBER et al. (1989), em amostras de solo da área experimental da
Embrapa Hortaliças, Brasília, DF.

190
ainda mais o problema em cultivos modo de operação, condições do solo e
sucessivos (PEREIRA et al., 1995; clima no ato da colheita. O aumento da
SILVA et al., 2001). Buhler et al. (1997) colheita mecanizada, o uso de arrenda-
afirmaram que as sequências de culti- mento da terra e o cultivo repetido na
vos propiciam diferentes modelos de mesma área para a produção de batata
competição, alelopatia e distúrbios do contribuem para aumentar a ocorrência
solo, com redução da pressão de sele- da soqueira da batata. Também, na
ção para plantas invasoras específicas. colheita da batata doce permanecem
Isto se deve também pelo fato de que no solo pedaços de raízes tuberosas,
cada cultura apresenta uma gama de ramas e batatas pequenas, que podem
plantas invasoras ‘associadas’ variando originar novas plantas.
normalmente com a localização geográ-
fica (PEREIRA, 1987). A presença de espécies de plantas
invasoras silvestres da mesma espécie
2.3. Interferência da soqueira e plan-
tas silvestres da mesma espécie nos A
campos de produção de sementes
das hortaliças

Durante as colheitas da produção


das hortaliças ou, daquelas culturas em
sistema de rotação, ficam remanescen-
tes no campo parte de suas sementes
ou propágulos vegetativos, como ocorre
normalmente nas culturas de batata,
batata doce, ervilha, pepino, tomate,
arroz, milho etc. Normalmente, essas
estruturas reprodutivas remanescentes
brotarão ou geminarão, constituindo B
novas plantas denominadas “soqueira”
ou “resteva”, também denominadas do
inglês de plantas voluntárias. As plantas
da soqueira funcionam como plantas
invasoras, interferindo diretamente com
as culturas subsequentes. No caso da
batata, cerca de 150 a 350 mil tubérculos
(danificados e/ou menores de 4 mm de
diâmetro) permanecem no solo após
a colheita, em um hectare. O número
de tubérculos deixados no solo (Figura Figura 6. Aspectos dos tubérculos
remanescentes na área de produção de
6) reflete a eficiência na colheita, que
batata (A) e de suas plantas voluntárias em
depende da qualidade da colheitadeira,
estádio de florescimento (B).

191
e geneticamente compatíveis com a batata por m2 pode ocasionar perdas de
cultura é fator limitante na produção de rendimento maiores que 5% na cultura
sementes das hortaliças, uma vez que da cebola, quando esta se encontra no
elas poderão intercruzarem afetando a estádio de duas folhas. Em densidades
base genética das sementes produzi- maiores que quatro plantas por m2 a
das, como ocorre, por exemplo, a pre- redução no rendimento pode chegar a
sença das plantas de cenoura silvestre 100% (WILLIAMS et al., 2004).
(Daucus carota L.) dentro ou limítrofe
Essencialmente, a eliminação
ao campo de produção de sementes da
das plantas de soqueira e/ou plantas
cenoura. Deve-se, portanto observar,
silvestres é essencial nos campos de
neste e outros casos, a distância mínima
produção de sementes da mesma
requerida para o isolamento dos campos
espécie para evitar mistura varietal
de produção de sementes, evitando por ocasião da colheita das sementes.
assim o cruzamento entre as plantas Nos casos de campos de produção de
cultivadas e silvestres. batata semente, a presença de plantas
voluntárias de batata produzirá novos
2.3.1- Importância do controle da so-
tubérculos que podem, em geral, re-
queira e plantas silvestres
sultar em mistura varietal, reduzindo o
Basicamente, as plantas voluntá- grau de pureza da batata semente e o
seu valor comercial.
rias funcionam como plantas invasoras,
competindo diretamente com outras 2.3.2 - Métodos de controle
culturas, especialmente aquelas horta-
liças com crescimento lento e de baixa O controle da soqueira de batata
competitividade, hospedando grande e batata doce é geralmente mais difícil,
número de insetos, fungos, bactérias, porque em pouco tempo os restos de
vírus, nematóides etc. Como plantas batatas, raízes e ramas brotam de for-
invasoras em áreas limítrofes de pro- ma desuniforme e prolongada. A omis-
são no controle da soqueira aumenta
dução, elas podem constituir em um
o problema fitossanitário da área para
grande reservatório de patógenos, in-
novos plantios ou em áreas adjacen-
setos - pragas e outros problemas para
tes, agravando também o problema de
o cultivo de espécies da mesma família
mistura varietal.
na propriedade (Figura 6). Segundo
Williams et al. (2004, 2005), a cultura A maneira mais econômica e
da cebola é geralmente utilizadas em eficiente para o manejo e controle da
sucessão a da batata, onde ocorrem soqueira consiste em uma rigorosa re-
as plantas voluntárias de batata, pro- tirada dos tubérculos do solo durante a
venientes de tubérculos que restaram colheita, seguida de técnicas culturais e
e sobreviveram no campo, tornando-se tratamento com herbicidas na medida do
plantas infestantes quando a cultura da possível. Nenhum método sozinho, seja
cebola está em desenvolvimento. Den- cultural ou químico, é capaz de erradicar
sidade de duas plantas voluntárias de a população de plantas voluntárias de

192
batata ou batata doce. Com a integração é muito importante para erradicar a
de métodos é possível alcançar níveis origem do problema da soqueira em
de controle acima de 95%. determinada área.
Inicialmente, deve minimizar a Os herbicidas residuais geral-
produção de tubérculos fora do padrão mente não são eficientes no controle
comercial, por meio de um bom preparo da soqueira devido a grande reserva
do leito de plantio, uso correto de fertili- de nutrientes dos tubérculos e sua
zantes, uso de batata semente de boa distribuição no solo, embora que as
qualidade, uso correto da densidade plântulas originadas de sementes ver-
populacional e escolha dos tratos cultu- dadeiras possam ser controladas pelos
rais de acordo com as recomendações herbicidas. A emergência prolongada
técnicas para a cultura. Realizar a ins- dos tubérculos também dificulta o con-
peção e o monitoramento dos campos trole com os herbicidas aplicados na
de produção de batata, procedendo folhagem (DAVIES, 1999). Em geral,
após a colheita, nova catação de tubér- o uso de herbicida tem mostrado ser
culos, para evitar a multiplicação das um método eficiente para controlar a
plantas voluntárias. soqueira da batata. Diversos herbicidas
atuam nos tubérculos e plantas de bata-
Em geral, o número de tubérculos ta, entretanto, poucos são aqueles que
remanescentes no solo depende dos tem baixa ou nenhuma ação residual
métodos de colheita. Assim no Brasil, no solo. Os produtos 2-4-D, dicamba,
a colheita semimecanizada (com corte diquat e paraquat, aplicados em pós -
dos camalhões e levantamento meca- emergência, diminuem a formação de
nizado dos tubérculos à superfície e novos tubérculos, mas somente os dois
catação manual) talvez seja a modali- primeiros reduzem a capacidade de
dade que possibilita uma melhoria de brotação dos tubérculos.
todo o processo. Sempre que possível,
usar no sistema de rotação da área, Glifosato e aminotriazole podem
culturas vigorosas e com alta densidade controlar completamente o crescimen-
de plantio para restringir o crescimento to da batata, porém, isso depende da
das plantas voluntárias. completa emergência dos tubérculos.
Aminotriazole mata os tubérculos filhos
No controle da soqueira ou planta já presentes durante a aplicação, en-
silvestre é muito importante que a plan- quanto que glifosato afeta a viabilidade
ta seja destruída antes do desenvolvi- destes, assim como a habilidade para
mento de novos tubérculos ou semen- produzir novas plantas. O glifosato
tes. Daí, o estádio de crescimento das bloqueia a produção de novos tubér-
plantas ser extremamente importante culos, principalmente, quando aplicado
porque o processo de tuberização deve por ocasião do início da tuberização.
ser paralisado antes que novos tubér- A aplicação de 2 l/ha de glifosato (re-
culos comecem a formar e desenvolver. gistrado para uso em áreas não culti-
Também a morte do tubérculo - mãe vadas) promove bom controle, sendo

193
que a fitoxicidade varia conforme as Eberlein et al. (1998), o controle de
cultivares plantadas. Em geral, a ação batata voluntária é difícil e requer o uso
do glifosato, diquat e paraquat pode ser de manejo integrado, As estratégias de
melhorada com a adição de sulfato de manejo incluem a aplicação de hidra-
amônio ou uréia à concentração de 0,2 zida maleica na cultura da batata (pro-
a 0,3% na calda. dução comercial somente), redução do
número de tubérculos deixados durante
Após dez a quinze dias da apli-
a colheita pela alteração do tamanho
cação do glifosato, o terreno deve ser
da corrente da colheitadeira, cultivo
arado e gradeado, procedendo-se a
após a colheita para manter os tubér-
catação manual das batatas e ramas
culos na superfície do solo, fumigação
remanescentes. Tubérculos ou brotos
após a colheita, rotação com culturas
não emergidos na época da aplicação
competitivas, múltiplos cultivos e uso
de herbicidas não são, geralmente,
de herbicidas. Os autores relatam que
afetados, podendo formar plantas
sadias posteriormente. Nos casos de a fumigação pós-colheita com metham
escapes ou rebrotas, as reaplicações sodium pode também ser efetivo na re-
dos tratamentos, de forma dirigida, dução do problema da soqueira, pois,
tornam-se necessárias para completar o metham sodium é convertido para o
o controle das soqueiras. Geralmente, ingrediente ativo, methyl isothiocya-
após dois anos com este manejo na nato (MITC), no solo. O MITC penetra
mesma área já será possível retor- no tubérculo, cerca de 2,0 cm, e mata
nar com novos plantios de batata ou as gemas (olhos) e células superfi-
batata doce. A rotação de culturas da ciais. Para alcançar um nível alto de
família poaceae possibilita o de uso de controle, o solo deve ser pré-irrigado
herbicidas específicos para o controle e preparado adequadamente, ou seja,
de plantas dicotiledôneas, a exemplo revolver a terra na maior profundidade
do 2,4-D. possível, destorroando-a e deixar a
superfície plana.
O uso de hidrazida maleica –
HM nas plantas voluntárias reduz o A introdução da tecnologia de
potencial de brotação dos tubérculos cultivares transgênicas resistentes ao
filhos, prolongando a dormência dos glifosato constitui-se em uma alternativa
tubérculos. A aplicação deve ser feita de controle de plantas invasoras proble-
nas plantas verdes com intenso cres- máticas nas culturas de algodão, milho e
cimento e de 3 a 5 semanas antes da soja (MILLER et al., 2004), entretanto, as
dessecação das ramas. A HM atrasa o suas plantas voluntárias originadas das
crescimento e reduz o vigor da planta, sementes produzidas no ano anterior
não matando os tubérculos. Plantas podem tornar-se plantas invasoras.
que escapam o tratamento produzirão
tubérculos normalmente. Não se deve Muitas vezes, as plantas volun-
usar a HM nos cultivos de batata - se- tárias emergem antes do plantio da
mente (DAVIES et al., 1999). Segundo cultura requerendo a eliminação por

194
meio da dessecação com herbicidas de controle (mecânica ou química) for
não residuais de contato (diquat e pa- realizada muito cedo, escapes de plan-
raquat) ou sistêmico (glifosato), ou do tas invasoras poderão ocorrer devido
cultivo mecânico para obter o preparo à perda da efetividade do herbicida
adequado do leito para plantio. Plantas pré - emergente, ou pelo fato de haver
voluntárias de arroz e milho, transgêni- poucas plantas invasoras emergidas
cas ou não, são muito frequentes em para empregar o controle mecânico ou
áreas sob rotação com hortaliças. Elas o químico em pós - emergência. Se a
podem ser controladas seletivamente, operação for tardia as plantas invasoras
por exemplo, na cultura de cebola estarão muito desenvolvidas e menos
por meio dos herbicidas graminicidas suscetíveis aos herbicidas e ao controle
registrados para a cultura: cletodin, mecânico. A cultura poderá estar tam-
diclofope-metílico, fenoxaprope-p- bém suscetível aos herbicidas ou muito
-etílico, fluazifop-p-butílico e quizalofop- desenvolvida para adequar o controle
-p-etílico. mecânico.

Basicamente, os métodos de
3. Importância dos métodos de controle podem ser preventivo, cultural,
controle para o manejo integrado das mecânico ou químico. O controle bioló-
plantas invasoras gico das plantas invasoras ainda tem,
em geral, uso restrito para os sistemas
A implantação de uma tecnolo- de cultivos de hortaliças. A escolha e a
gia moderna de controle de plantas eficiência de uso de cada um desses
invasoras requer conhecimentos so- métodos dependem da natureza e inte-
bre plantas, solo, sistemas de manejo ração das plantas invasoras, da época
de plantas e muitos outros fatores do de execução do controle, das condições
meio ambiente que interagem com as climáticas, do tipo de solo, dos tratos
práticas de controle e manejo. Assim, culturais, do programa de rotação de
as soluções para os problemas de culturas, da disponibilidade de herbi-
plantas invasoras devem se basear, cidas seletivos e da disponibilidade de
sobretudo, em princípios científicos e mão-de-obra e equipamentos.
com base nas informações tecnológi-
cas disponíveis, requerendo, portanto, 3.1. Medidas Preventivas
o real conhecimento do potencial e
das limitações de cada tecnologia ou A prevenção consiste no uso de
método de controle disponível. práticas que evitem a introdução, o
estabelecimento e a disseminação de
O sucesso das operações de plantas invasoras, sobretudo economi-
controle das plantas invasoras depen- camente indesejáveis, em áreas que
de do tipo de espécies presentes, da ainda não foram infestadas. A preven-
época de sua emergência e dos seus ção baseia-se no conhecimento dos
estádios de crescimento e do sistema princípios básicos de reprodução e de
de cultivo da hortaliça. Se a operação disseminação das espécies.

195
As plantas invasoras podem ser é muito importante, devendo-se evitar
distribuídas pelo vento, água, máqui- áreas infestadas com plantas pere-
nas, matéria orgânica, animais e por nes de propagação vegetativa, como
meio do plantio de mudas com torrão as tiriricas, grama seda, trapoeraba,
e lotes de sementes de hortaliças que etc. Para o controle dessas plantas,
contenham misturas de sementes de recomenda-se a aplicação de herbici-
plantas invasoras. Pereira (1998b) re- das não residuais, em pós - emergên-
latou a ocorrência, pela primeira vez, de cia, antes do preparo do solo (Figura
Cuscuta sp., em áreas sob rotação de 1, fases B-C). Também, em caso de
cultivos de batata e cenoura no Distrito áreas intensivamente infestadas com
Federal, devido ao uso de sementes de plantas anuais, o atraso no plantio,
cenoura contaminadas com a parasita e após o preparo do solo, permitirá a
importadas do Chile, região de origem germinação antecipada das sementes
desta espécie parasita. desta plantas. Assim, as operações
Dessa forma, para implementar de semeadura ou transplante devem
o método preventivo são necessárias ser efetuadas após a eliminação das
várias medidas, tais como: 1) utilizar plantas invasoras emergidas por meio
sementes e mudas certificadas com do uso de combinação de herbicidas de
elevado valor cultural (elevada pureza, ação de contato ou sistêmico e não resi-
germinação e vigor) e sem sementes dual (PEREIRA, 1987; ANVISA, 2010).
e/ou propágulos vegetativos de plan-
A maioria dos agricultores realiza
tas invasoras nocivas ou silvestres; 2)
somente o controle das plantas inva-
utilizar implementos limpos; 3) utilizar
soras dentro das áreas cultivadas com
matéria orgânica curtida e palha para
hortaliças, negligenciando as áreas
cobertura morta livres de sementes
adjacentes. Eles devem estar continu-
viáveis e propágulos vegetativos; 4)
não deixar que animais se locomovam amente vigilante de modo a antecipar
de áreas infestadas para áreas não qualquer situação que venha agravar o
infestadas, em especial com plantas problema da flora infestante. Em geral,
invasoras perenes problemáticas no as medidas preventivas apresentam
controle; 5) manter os canais de irriga- baixo custo e de fácil execução na
ção e margens dos reservatórios d’água propriedade.
sempre limpos, uma vez que a água
As plantas silvestres, insetos -
de irrigação constitui em dos principais
praga e fitopatógenos podem aumentar
agentes de dispersão das unidades
seminíferas das plantas; 6) manter as nessas áreas, servindo de reservatórios
áreas limítrofes sobre controle para evi- para reinfestações e redução fitossani-
tar que as plantas produzam sementes tária das áreas vizinhas, além do perigo
e contribuam para aumentar o banco de de dispersão para as áreas cultivadas.
sementes nas áreas cultivadas. A estratégia básica é evitar o aumento
do banco de sementes no solo e pre-
A escolha das áreas para a produ- venir a disseminação das sementes ou
ção de sementes de hortaliças também propágulos vegetativos.

196
3.1.1 - Legislação e exames la- ou a seu produto, sendo relacionada e
boratoriais de sementes nocivas proi- limitada, conforme normas e padrões
bidas, nocivas toleradas e silvestres estabelecidos;
em amostras de sementes de hortaliças
•  semente nociva proibida: se-
A legislação nacional estabelece mente de espécie cuja presença não
limites para sementes de espécies sil- é permitida junto às sementes do lote,
vestres e nocivas proibidas e toleradas. conforme normas e padrões estabele-
Assim, o Sistema Nacional de Semen- cidos;
tes e Mudas, instituído nos termos da
Lei Nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, •  semente nociva tolerada: se-
Art. 1o e de seu regulamento, objetiva mente de espécie cuja presença junto
garantir a identidade e a qualidade do às sementes da amostra é permitida
material de multiplicação e de reprodu- dentro de limites máximos, específicos
ção vegetal produzido, comercializado e globais, fixados em normas e padrões
e utilizado em todo o território nacional.
estabelecidos;
Define-se qualidade como o conjunto
de atributos inerentes a sementes ou •  outras sementes (cultivadas,
a mudas, que permite comprovar a silvestres e nocivas): são sementes
origem genética e o estado físico, fisio- de outras espécies que não aquela da
lógico e fitossanitário delas. amostra em exame.
De acordo com o decreto Nº
5.153, de 23 de Julho de 2004 - Parte A Portaria Nº 443, de 11 de
I, artigo 2º, que dispõe sobre o Siste- novembro de 1986 estabelece proce-
ma Nacional de Sementes e Mudas dimentos e padrões de sementes de
– SNSM e respeitadas as definições olerícolas e aprovou a relação e limi-
constantes da Lei Nº 10.711, estabelece tes máximos para espécies “nocivas”,
as conceituações comuns e específi- “sementes nocivas toleradas” (Tabelas
cas às sementes silvestres, sementes 2, 3) e “sementes silvestres comuns”
nocivas toleradas, sementes nocivas (Tabela 3), estipulados em número de
proibidas, sementes invasoras silves- sementes por amostra analisada e di-
tres e outras sementes: mensionada de acordo com as Regras
para Análise de Sementes – RAS em
•  semente silvestre: é aquela vigor, para a produção, transporte e
semente reconhecida como invasora comércio de sementes olerícolas.
e cuja presença junto às sementes
comerciais é, individual e globalmente, A portaria Nº 457, de 18-12-86,
limitada, conforme normas e padrões; estabelece, entre outros fatores, as
quantidades máximas de sementes
•  semente nociva: semente de
silvestres, nocivas proibidas e nocivas
espécie que, por ser de difícil erradi-
cação no campo ou de remoção no toleradas dentro dos padrões de pureza
beneficiamento, é prejudicial à cultura e germinação.

197
Tabela 2. Relação de sementes nocivas proibidas e toleradas e limites máximos permitidos
para o comércio de sementes de hortaliças.

O objetivo do exame de semen- são observadas as seguintes especifi-


tes nocivas é fazer uma estimativa do cações:
número de sementes e propágulos
vegetativos (bulbilhos e tubérculos) de Outras sementes – incluem-se
plantas consideradas nocivas por leis, neste grupo todas as sementes e/ou
regulamentos ou portarias, em lotes de unidades de dispersão de qualquer
sementes de hortaliças representados espécie cultivada ou silvestre, além
pela amostra. de bulbilhos ou tubérculos de plantas
reconhecidas como ervas invasoras ou
Ao se fazer o exame nas amos- invasoras e que não sejam as da es-
tras, visando caracterizar as sementes pécie em exame. A distinção universal
nocivas ou material inerte, normalmente entre sementes silvestres e cultivadas

198
Tabela 3. Tolerâncias de sementes silvestres e nocivas, referentes aos padrões nacionais
e internacionais de sementes fiscalizadas de hortaliças (portaria Nº 457, de 18 de
dezembro de 1986, Diário Oficial, 23-12-86, Seção I, p.19653-19659)

199
200
é difícil de ser feita uma vez que uma de plantas cultivadas e silvestres e
determinada espécie pode ser conside- outros materiais.
rada como planta silvestre prejudicial
em um país ou região e como planta 3.2. Medidas culturais em geral
cultivada em outro;
O controle cultural, segundo Zi-
Material inerte – compreende as mdahl (1993), consiste no emprego de
sementes e unidades de dispersão de todos os princípios da competição para
espécies cultivadas e silvestres, e ou- dar vantagem competitiva à cultura em
tros materiais estranhos que não sejam relação à planta invasora. Bleasdale
sementes, que se encontram nas condi- (1960), citado por Silva et al. (2003),
ções de sementes e pseudo-sementes observou que o grau de interferência

201
das plantas invasoras sobre a cultura relatou que a colocação do adubo junto
depende de características ligadas tan- ao sulco de semeadura aumenta o po-
to à comunidade infestante (espécies tencial competitivo da cultura. Weaver
presentes, densidade, distribuição), et al. (1987) observaram que as plantas
quanto à cultura (cultivar, espaçamento, de tomate provenientes de semeadura
densidade), sendo essa interação modi- direta são mais sensíveis à competição
ficada pelas características do ambien- com as plantas invasoras que aquelas
te, principalmente solo, clima e manejo originadas do transplante de mudas.
do sistema agrícola, e finalmente, pela
duração do período em que a cultura O desenvolvimento mais lento
convive com as plantas invasoras. do tomate estabelecido por meio de
semeadura direta, na sua fase inicial
Segundo Aldrich (1984), qualquer de crescimento, permite que as plantas
prática adotada no manejo da cultura, invasoras, principalmente, aquelas de
como escolha da cultivar, espaçamento, folhas largas, suprimam rapidamente a
época de plantio adequada, estande, cultura (Mônaco et al. 1981). Por outro
aplicação de fertilizantes, entre outros, lado, as plantas de tomate transplan-
que favoreça o aumento da cobertura tado são mais tolerantes à competição
do solo pela cultura e o volume do solo das plantas invasoras, uma vez que as
ocupado pela raiz, auxiliará a cultura na mudas já possuem o sistema radicular
competição com as plantas invasoras. e a área foliar desenvolvidos (WEAVER
et al., 1992).
A cultura deve desenvolver-se
mais rapidamente do que as plantas Segundo Adegas (1998), para
invasoras e assim permanecer até se obter um controle cultural eficaz, é
que ocorra completo sombreamento e preciso diminuir os períodos de pousio,
supressão do crescimento das plantas preenchendo-os com culturas em su-
invasoras. A vantagem competitiva ad- cessão, que tenham rápido crescimento
vém daquelas plantas que emergirem inicial, boa produção de massa verde,
primeiro, apresentar maior tamanho e que forneça grande quantidade de
maior taxa de crescimento. palha e possuam efeitos alelopáticos
comprovados.
O modelo do crescimento da cul-
tura determina o nível de controle cultu- 3.3. Rotação de culturas
ral das plantas invasoras. Citam-se, por
exemplo, os baixos estandes das cultu- Quando a mesma cultura é plan-
ras causadas pela escolha inadequada tada numa mesma área, ano após ano,
da cultivar, clima impróprio, ataque de haverá a predominância de algumas
pragas e doenças, baixa fertilidade do espécies de plantas invasoras, favo-
solo, injúria de herbicidas, enxarca- recida pelas práticas culturais e pelos
mentos pela água de irrigação como herbicidas utilizados na monocultura. A
fatores que promovem o crescimento rotação racional de cultivos é vantajosa
das plantas invasoras. Pitelli (1985) para o manejo de plantas invasoras.

202
Entretanto, os produtores não curta no solo. Muitas plantas conse-
realizam adequadamente esse ma- guem desenvolver-se a ponto de fruti-
nejo, tornando o controle progressi- ficar no final do ciclo do tomateiro e do
vamente problemático como tem sido milharal e produzir grande quantidade
observado nos campos de produção de sementes (Figura 7). A remoção
de tomate, sob pivô central, na região através do arrancamento manual, antes
Centro - Oeste. Plantas agressivas se que elas amadureçam suas sementes
proliferam, exercendo alta pressão de (Figura 1, fase F), é recomendável, para
competição com as culturas. A maria não aumentar o banco de sementes
pretinha (Solanum americanum Mill.) e no solo e a reinfestação da área. Os
o joá de capote (Nicandra phisaloides frutos verdes e outras partes da planta
(L.) Pers.) são as principais plantas são tóxicos. Nos frutos se encontram
invasoras da tomaticultura. Elas pos- alcalóides, como solasodina. Os fru-
suem hábito de crescimento e fisiologia tos maduros são comestíveis, sendo
semelhantes aos do tomateiro (WEA- apreciados por pássaros. O joá de
VER et al., 1987; PEREIRA, 2000), o capote uma vez introduzido numa área
que dificulta o controle com herbicidas tende a infestá-la durante muitos anos,
seletivos para solanáceas. pela grande quantidade de sementes
produzidas que caem aglomeradas no
A maria pretinha apresenta se- solo após a liberação dos frutos tipo
mentes com um período de germina- cápsulas. Planta de porte ereto com 1
ção mais longo do que as do tomate, a 3 m de altura sombreia a cultura, difi-
escapando do período de controle dos cultando inclusive a colheita mecânica.
herbicidas que têm ação residual mais Poucas plantas são capazes de causar

A B C
Figura 7. Vista geral do desenvolvimento de Solanum americanum (A) e Cuscuta spp. (B)
na cultura do tomate e Nicandra physaloides (cerca de 3 metros de altura) em áreas de
rotação de hortaliças com o cultivo do milho (C). A grande produção de sementes resultará
no incremento do banco de sementes destas espécies no solo para os próximos cultivos.

203
grandes danos, entretanto, com o uso solo e produzam abundante biomassa
continuado das áreas sob pivô central para proporcionar boa cobertura dos
associado a um manejo inadequado da solos. Seria desejável, também, que
planta daninha, em pouco tempo é ca- não se comportem como invasoras e
paz de infestar completamente a área. tenham utilidade como forrageiras e/
Como outras solanáceas contém alca- ou produtoras de grãos.
lóides tóxicos, apresenta algum efeito
alelopático, hospedando nematóides A rotação de culturas, técnicas
do gênero Melodoigyne e geminivírus. culturais e controle químico empre-
gados de forma integrada ajudarão
Com a de rotação de culturas, a reduzir a pressão de seleção das
as práticas culturais (cultivos, época plantas daninhas ou então reduzir
de plantio, uso de herbicidas, etc) são significativamente a sobrevivência
normalmente diversificados, os quais das plantas espontâneas resistentes.
alteram os padrões de germinação e Segundo Monquero e Christoffoleti
os ciclos de crescimento das plantas (2003), aplicações repetidas de glypho-
e, por consequência, reduzem a popu- sate podem modificar a composição de
lação daquelas plantas predominantes certas espécies de plantas daninhas e
e tolerantes aos métodos de controle favorecer a predominância de espécies
usados no esquema de monocultura. tolerantes, como trapoeraba, corda de
Lorenzi (2000) relatou que a escolha viola (Ipomea grandifolia) e poaia bran-
correta do tipo de cultura a ser incluído ca (Richardia brasiliensis).
na rotação, quando o controle quími-
co de plantas invasoras é o principal De acordo com a Comissão de
objetivo, deve recair sobre as plantas Ação a Resistência de Plantas aos Her-
cujas características culturais e hábitos bicidas – HRAC (GUIDELINE, 2003), o
de crescimento sejam contrastantes. uso repetido de um herbicida submete-
Dentro de um processo técnico de ro- rá a população de plantas invasoras a
tação de culturas, é recomendável que uma pressão de seleção a qual pode
o olericultuor escolha culturas interca- resultar em um aumento da sobrevivên-
lares potencialmente grandes produto- cia do número de indivíduos resistentes
ras de palha. Gonçalves et al. (2007) na população. Como consequência, a
relatam que, na escolha das espécies população de plantas invasoras resis-
para a cobertura do solo no sistema tentes pode aumentar até o ponto em
de rotação, é preciso dar preferência que o controle supostamente adequado
às mais adaptadas para cada região, não possa ser alcançado pela aplicação
que tenham ciclos compatíveis com de herbicidas.
a entressafra dos cultivos comerciais,
sejam resistentes às principais pragas Nos programas de rotação de
e doenças das culturas, possuam culturas, que dependem primariamen-
sistemas radiculares profundos para te dos herbicidas para o controle das
romper as camadas compactadas do plantas invasoras, é importante avaliar

204
os tipos de herbicidas e a frequência de 4. usar herbicidas não seletivos
seu uso, bem como o uso de técnicas para controlar as plantas invasoras pre-
de controle não químicas. Experiências sentes antes da emergência da cultura
têm mostrado que a simples troca de e/ou escapes de plantas invasoras.
herbicidas não é suficiente para sobre-
por a resistência. A rotação de culturas, Os métodos culturais não exer-
técnicas culturais e controle químico cem uma pressão de seleção química
empregados de forma integrada aju- e favorecem na redução do banco de
darão a reduzir a pressão de seleção sementes no solo, destacando-se as
das plantas invasoras ou então reduzir seguintes medidas:
significativamente a sobrevivência das
plantas invasoras resistentes. •  uso de cultivos, arações antes
do semeio para controlar as plantas in-
A rotação de culturas permite: vasoras emergidas e enterrar sementes
a) usar diferentes herbicidas com di- não germinadas;
ferentes modos de ação; b) evitar ou
interromper o ciclo de crescimento da •  atraso no plantio após o preparo
planta daninha; c) empregar várias do solo (Figura 1, entre fases C-D), de
técnicas culturais para manejar uma forma que as plantas emergidas pos-
determinada planta daninha problema, sam ser eliminadas com herbicidas de
como por exemplo, arações e preparo contato ou sistêmico não seletivos e
de canteiros em épocas diferentes; não residuais;
d) usar culturas competitivas (como
•  uso de sementes certificadas
mucuna, crotalária, batata doce etc.),
livres de plantas invasoras;
restringindo a produção de sementes
das plantas invasoras. •  uso de queimadas, onde for
permitido, para reduzir a fertilidade das
Na rotação dos grupos de her-
sementes;
bicidas, várias alternativas devem ser
consideradas: •  uso de pastoreio, onde for prá-
tico; e
1. evitar o uso contínuo de herbici-
das com o mesmo mecanismo de ação; •  em casos extremos de resis-
tência, os campos podem ser cortados
2. limitar o número de aplicações
para feno ou silagem para evitar a pro-
de herbicidas com o mesmo modo de
dução de sementes.
ação numa mesma época de cultivo;
Adicionalmente, os produtores
3. quando for possível, usar
devem monitorar / mapear os seus
mistura ou tratamento sequencial de
campos, ficando sempre atentos às
herbicidas que tem modos de ação dife-
mudanças na população de plantas
rentes, mas com atividade nas plantas
invasoras presentes. O registro das
invasoras alvo;

205
atividades desenvolvidas na proprie- Os materiais mais comuns são:
dade é importante para que o histórico cascas de arroz ou café, serragem,
de cultivos e uso de herbicidas seja maravalhas, folhas, sabugo triturado,
sempre conhecido. acículas de pinus, cortes de gramas
e capins, palhadas de capins etc. As
Por outro lado, num programa de palhadas não devem conter sementes,
rotação de culturas deve-se ter o cuida- entretanto, se as contiver devem ser
do para não plantar hortaliças em áreas molhadas e mantidas úmidas até as
tratadas com herbicidas que apresen- sementes germinarem para depois se-
tam ação residual longa. Em geral, as rem secas ao ar até matar as plântulas.
hortaliças são muitos sensíveis aos re-
síduos de herbicidas, podendo, mesmo Por outro lado, a cobertura inor-
sem apresentarem injúrias, acumular gânica é feita com polietileno que nor-
nas partes comestíveis resíduos além malmente não decompõe, requerendo,
dos limites de tolerância. portanto, sua retirada no final do ciclo
cultural. O material mais comumente
3.4. Coberturas do solo utilizado é o plástico preto (0,3 mm de
espessura). O plástico branco não é
São utilizadas para prevenir a recomendado porque não barra a luz
germinação de sementes e crescimento que as sementes das plantas invasoras
das plantas invasoras, pela exclusão de necessitam para germinar. O plástico
luz, reduzindo assim o tempo e o gasto atua como uma barreira no crescimento
com mão-de-obra para controlá-las. A de muitas plantas invasoras, exceto no
cobertura do solo tem sido usada há caso da tiririca, uma planta comumente
várias décadas no cultivo de pequenas associada às áreas de cultivos com
áreas com hortaliças, apresentando, hortaliças, que perfura o plástico e de-
entre outros, os seguintes benefícios: senvolve-se vigorosamente, em razão
conservação da umidade do solo e nu- da sua adaptação no ambiente com um
trientes; prevenção de erosão; melhoria maior gradiente de temperatura.
do gradiente de temperatura no solo;
redução do respingo de partículas do O uso de herbicidas de contato ou
solo nas culturas, com menor dispersão sistêmico não residuais, em aplicação
de doenças; e maior precocidade das dirigida favorecerá o controle das plan-
hortaliças. tas invasoras entre os canteiros com a
cobertura plástica. O solo deve estar
As coberturas podem ser orgâni- úmido antes de se aplicar o filme plás-
cas ou inorgânicas. A cobertura orgânica, tico, assim como o seu preparo e a sua
ou também mais comumente chamada fertilização. A cobertura plástica eleva a
de cobertura morta, constitui-se de mate- temperatura do solo, em geral, de 5 a
rial vegetal que decompõe naturalmente 10 ºC, sendo o seu uso muito recomen-
no solo. Deve ser aplicada uniformemen- dado para o cultivo de hortaliças que
te com uma camada de 3 a 10 cm, de requerem temperaturas mais elevadas,
acordo com o material disponível. como ocorre com as cucurbitáceas. O

206
sistema de irrigação por gotejo é o mais morta influencia a intensidade do efeito
comumente utilizado neste sistema de alelopático e controle das plantas. A li-
cobertura (Figura 8). beração de substâncias alelopáticas de
algumas culturas de cobertura e o efeito
Por outro lado, a cobertura mor- supressor da camada de palha são
ta do solo produzida pelos adubos medidas importantes para integrar ao
verdes, normalmente, exerce, entre controle químico das plantas invasoras
outros fatores, uma grande influência (GOMES e CHRISTOFFOLETI, 2008).
na redução da infestação por plantas
invasoras, principalmente no sistema
de plantio direto, uma vez que a sua 3.5. Solarização
presença altera as características fí-
sicas, químicas e biológicas do solo. Trata-se de um método de desin-
Almeida e Rodrigues (1985) mostraram festação realizado através da cobertura
que há uma correlação linear entre a do solo úmido com filme de polietileno
quantidade de biomassa produzida transparente, geralmente nas estações
por culturas de cobertura e a efetiva mais quentes do ano. O plástico que
redução da infestação pelas plantas contém os inibidores de raios ultravio-
invasoras, modificando a constituição letas possibilita tratar o solo por mais
qualitativa e quantitativa do complexo tempo, ser reusado ou deixado no lugar
florístico que se desenvolve no terreno, como cobertura plástica durante o ciclo
por interferir no processo de quebra de cultural.
dormência das sementes e pela sua
ação alelopática sobre a germinação
e desenvolvimento das plântulas (AL-
MEIDA, 1991). Segundo Putman et al.
(1983) cada espécie produz um conjun-
to de aleloquímicos diferente, com ação
diferenciada sobre os componentes
da comunidade onde está associada.
Dentre os diversos grupos de plantas
como cobertura morta, destacam-se as
gramíneas (milho, trigo, aveia, cevada e
azevém) por apresentar aparentemente
os efeitos alelopáticos mais pronuncia- Figura 8. Vista geral do uso de coberturas
dos. Segundo Theisen et al. (2000), o orgânica e inorgânica (plástico) em alface
incremento da cobertura do solo com (A), abóbora e brássicas (B); e inorgânica
palha de aveia preta, por exemplo, em morango (C), tomate e pimentão (D).
Observam-se escapes de plantas invasoras
reduz de forma exponencial a infesta-
em áreas não cobertas adequadamente
ção de capim marmelada (Brachiaria
(A), a perfuração do plástico pela tiririca
plantaginea). Dessa forma, a quanti- roxa e o seu controle químico dirigido nas
dade de palha que forma a cobertura entrelinhas (D).

207
Antes de colocar o plástico, o solo 3.6. Métodos mecânicos
deve ser preferencialmente preparado,
com superfície uniforme, livre de detri- Os métodos mecânicos estão
tos e torrões; e irrigado até saturação da entre as técnicas mais antigas de
umidade. A área coberta com o plástico manejo de plantas invasoras e ainda
deve ser vedada, tendo o cuidado de são a espinha dorsal da tecnologia
enterrar as extremidades do plástico moderna de controle das plantas inva-
e, caso ocorrer furos, estes devem ser soras no cultivo de várias espécies de
selados. O sucesso da solarização hortaliças. Estes métodos englobam o
depende da intensidade luminosa, preparo do solo (por meio da aração e
umidade do solo, temperatura elevada da gradagem), o cultivo (por meio dos
e tempo que o plástico é deixado no cultivadores, sulcadores e enxadas ro-
solo (geralmente de 8 a 10 semanas). tativas / encanteiradores), a roçagem,
O plástico transparente capta o calor a capina e o arranquio manual das
da energia radiante do sol causando plantas invasoras.
mudanças físicas, químicas e biológi- As capinas são os mais primitivos
cas no solo. tipos de controle de plantas invasoras,
constituindo o principal método dos
Esta técnica tem demonstrado
países subdesenvolvidos. As capinas
ser efetiva no controle de doenças
manuais são, entretanto, os métodos
causadas por fungos, nematóides e
que consomem mais tempo (energia)
no controle de plantas invasoras. A so-
tornando-os mais caros que os outros
larização tem a vantagem de ser uma
técnica simples, de custo relativamente
baixo, e de não envolver o uso de pro-
dutos químicos, sendo ambientalmente
valorizada.

Entre outros benefícios, um dos


resultados mais visíveis da solariza-
ção é o controle de amplo espectro
de plantas invasoras (Figura 9). A
susceptibilidade das plantas invaso-
ras é influenciada pelas suas próprias
características, pelo tipo de solo, tem-
peratura, umidade, profundidade das
sementes ou propágulos vegetativos Figura 9. Vista geral da área experimental
no solo durante o tratamento (STAPLE- mostrando as faixas não solarizadas
(plantas roçadas) e as solarizadas
TON; DEVAY, 1986).
(solo limpo) com detalhe de plantas
invasoras mortas pela ação do processo
de solarização.

208
métodos, quando são conduzidos em certo, até uma profundidade suficiente
áreas extensas e/ou altamente infes- para controlar as plantas invasoras,
tadas com plantas invasoras. Elas são evitando danos nas raízes e grande
mais utilizadas para os sistemas orgâ- exposição de novas sementes na su-
nicos, os cultivos de pequenas áreas perfície do solo.
ou para as culturas de alto valor como
no caso de muitas hortaliças. As plantas que germinam primeiro
e crescem mais rapidamente têm uma
A eliminação das plantas inva- vantagem competitiva. Assim, o uso de
soras escapes ou não, nas linhas de boas práticas culturais, tais como: ferti-
plantio, normalmente é feita através lização, cultivares adaptadas, controle
de arranquios ou capinas manuais. da irrigação e estabelecimento adequa-
O uso dos métodos culturais e mecâ- do da população de plantas cultivadas,
nicos deve ser intensificado sempre é essencial na redução da competição
que possível. Entretanto, a completa das plantas invasoras. Uma das prá-
eliminação manual ou mecânica das ticas deliberadamente ignoradas, em
plantas invasoras é difícil, devido aos geral, é o estabelecimento de um bom
espaçamentos estreitos utilizados em estande no qual as plantas emergem,
grande número de espécies, e, sobre- cresce e rapidamente cobrem o solo.
tudo com a escassez de mão-de-obra Todas as práticas possíveis devem ser
e seu alto custo, o que torna obrigatória implementadas para assegurar que
a utilização de práticas culturais mais a cultura, e não as plantas invasoras
eficientes para controlá-las. tenham a vantagem competitiva. A
competição na fase de estabelecimento
O método de cultivo mecânico da cultura é a mais crítica, dispensan-
apresenta o inconveniente de não eli- do, portanto, um controle rigoroso das
minar as plantas invasoras nas fileiras plantas invasoras durante esse período.
(Figura 10) e, muitas vezes, danificar
o sistema radicular das hortaliças. Em virtude de não existir um mé-
Normalmente, a aração e a gradagem todo de controle que, aplicado isolada-
expõem muitas sementes às variações mente, proporcione resultados satisfa-
de luz, da temperatura e da umida- tórios, capaz de prevenir o crescimento
de, com quebra de sua dormência e, e a reprodução de todas as espécies de
consequente estímulo à germinação plantas invasoras, reduções substan-
da maioria das espécies presentes no ciais nos seus níveis de infestação só
banco de sementes no solo. poderão ser alcançadas com a integra-
ção das técnicas de manejo. Portanto,
Em geral, quanto maior o revolvi- deve utilizar ano após ano o manejo
mento do solo, maior o estímulo para planejado, e que empregue, fundamen-
germinação das sementes viáveis no talmente, diversas medidas de controle
solo. Assim, os cultivos e as capinas e de erradicação associadas àquelas
devem ser realizados, no momento preventivas (Figura 10).

209
contram-se relacionados na Tabela 4,
conforme o registro no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento
– MAPA. Adicionalmente, as marcas
comerciais desses ingredientes ativos,
as suas doses, formulações (kg/ha ou
l/ha), as épocas ou modo de aplica-
A ção e as recomendações por espécie
encontram-se na Tabela 5.

As principais instruções e limita-


ções de uso dos produtos, relacionados
na Tabela 5, conforme as monografias
dos produtos registrados (http://www4.
anvisa.gov.br/AGROSIA/asp/frm_pes-
quisa_agrotoxico.asp) são descritas a
seguir:
B
Cletodim (Select 240 CE) - É
Figura 10. Controle mecânico das plantas essencial a adição de óleo mineral
invasoras nas ruas com cultivador e grade emulsionável à calda de pulverização
nas culturas de tomate (A) e de abóbora na concentração de 0,5 a 1,0% v/v.
(B), respectivamente.
Cletodim + fenoxaprope-P-
etílico (Podium S) - deve ser utilizado
3.7. Método químico
com óleo mineral na dosagem de 1,0
O uso de herbicidas em hortaliças l/ha. É incompatível com produtos à
base de dinitro e herbicidas hormonais,
apresenta-se como um dos métodos
devendo-se observar um intervalo entre
mais eficientes de controle de plantas
aplicações de 6 dias.
invasoras. Tal fato é facilmente com-
provado se utilizado em extensas áreas Clomazona (Gamit 360 CS) -
com alta agressividade das plantas in- aguardar um período mínimo de 150
vasoras e durante períodos chuvosos, dias após a última aplicação do Gamit
ou mesmo sob condições irrigadas, 360 CS para a instalação de culturas
quando os métodos mecânicos são subsequentes. Se houver erro de apli-
impraticáveis e, muitas vezes, ineficien- cação ou aplicação fora das recomen-
tes, porque promovem o transplante dações, poderá ocorrer branqueamento
das plantas invasoras de um lugar para das partes atingidas, em função do
outro na área cultivada. A utilização modo de ação do produto.
de determinado produto em áreas de
produção só é permitida após o seu Clortal-dimetílico (Dacthal 750
registro. Os ingredientes ativos dos PM) - Não aplicar o produto seco. Em
herbicidas para uso em hortaliças en- morango, não aplicar após a florada.

210
Tabela 4. Relação de ingredientes ativos registrados para diversas espécies de hortaliças
no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.

Fonte: Adaptado, Anvisa (2010).


2
PPI = pré-plantio incorporado ao solo entre 5 e 7 cm; PRÉ = pré-emergência; PÓS = pós-emergência; PP = pós-
emergência das plantas daninhas entre o preparo do solo e o plantio ou após o plantio em pós-emergência
das plantas daninhas e obrigatoriamente antes da emergência da cultura. As marcas comerciais desses
ingredientes ativos, as suas doses, formulações (kg/ha ou l/ha), as épocas ou modo de aplicação e as recomendações
por espécie encontram-se na Tabela 5.

211
Tabela 5. Herbicidas registrados para as espécies de hortaliças, no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA . Fonte: Adaptado, Anvisa (2010).

212
213
Diquate (Reglone) – pode ser uti- se houver reinfestação, ou de forma
lizado no controle de plantas daninhas, alternada com outros herbicidas.
em pulverização com jato dirigido, em
área total antes do plantio, ou antes da b) Utilize sempre um espalhante
emergência da cultura. Em todas as adesivo Agral a 0, 1% v/v (exceto des-
pulverizações deve ser observado: secação de batata).

a) Pulverize as plantas daninhas c) Fazer sempre uma cobertura


nos primeiros estádios de crescimento uniforme das plantas daninhas a serem
(5 a 15 cm), podendo ser reaplicado controladas.

214
Quando a pulverização for reali- com pulverizador costal. Não aplicar
zada nas entrelinhas, com jato dirigido, o produto em tomate envarado, pois a
utilizar os protetores de bicos, evitando aplicação do herbicida neste cultivo é
que a deriva atinja a cultura. Depois normalmente realizada com pulveriza-
de um período de seca é importante dor costal manual sem a devida cali-
esperar que o solo tenha sido comple- bração, o que limita a aplicação correta
tamente molhado pela chuva em volta da dose recomendada. Assim sendo,
das raízes. Não aplicar com solo seco. poderá ocorrer maior concentração de
Na dessecação da batata somente produto em algumas áreas e conse-
uma aplicação é necessária e deve-se quentemente causar fitotoxicidade em
observar o intervalo de segurança de culturas subsequentes, principalmente
7 dias. Não utilizar espalhante adesivo na cultura do milho.
e não pulverizar a folhagem da batata
quando o solo estiver muito seco e Fluazifop-P–butílico (Fusilade
especialmente se a folhagem murchar 125) – deve ser aplicado em pós-
durante o dia. Utilizar de 1,5 a 2,5 litros emergência da cultura e da planta
de por hectare (300 a 500 g i.a./ha). daninha. Para as culturas de alface,
cebola, cenoura e tomate, fazer uma
Fenoxaprope-p-etílico (Podium) aplicação com a dose total recomen-
– Em batata e ervilha, deve ser aplica- dada ou duas aplicações com metade
do quando a cultura estiver com 15 a da dose, observando-se o estádio ideal
20 cm. Em cenoura, alface e cebola, de crescimento das plantas daninhas,
recomenda-se aplicar num estádio en- o que normalmente ocorre de 15 a 30
tre 5 a 10 cm da cultura. É resistente às dias após a emergência da cultura.
chuvas que ocorrem a partir de 1 hora,
após sua aplicação, sem afetar o resul- Glifosato (várias marcas) – re-
tado. Evitar aplicações em período de comendado para o controle não seletivo
seca prolongada, de baixa umidade re- de ação pós-emergente nas plantas
lativa do ar e em plantas daninhas que infestantes, tanto das mono como das
estejam sofrendo estresse por baixas dicotiledôneas, com aplicação em área
temperaturas. Dispensa a adição de total em pré-plantio (pré-plantio da
surfactantes ou óleos, pois já os contém cultura e pós-emergência das plantas
em sua própria formulação. É incom- infestantes) - sistema de plantio direto.
patível com produtos à base de dinitro Aplicar em boas condições de desen-
e herbicidas hormonais, devendo-se volvimento das plantas, sem efeito de
observar um intervalo entre aplicações estresse hídrico (condições de seca
de 6 dias (ex. Butachlor e Propanil). ou excesso de água). As doses variam
conforme a espécie da planta daninha
Flazasulfuron (Katana) – Para e seu estádio de desenvolvimento. As
tomate, no momento da aplicação, as doses menores são indicadas para
plantas deverão estar com 4 a 6 folhas. plantas infestantes no estádio inicial
Não realizar a aplicação do produto da atividade vegetativa, e as máximas

215
para as plantas daninhas perenizadas. as mudinhas com copinho plástico,
É aplicado em volume variável de 150 a para protegê-las da ação herbicida
450 litros de água por hectare, de acor- do produto. Chuvas ou irrigação por
do com as condições de desenvolvi- aspersão, no período de 6 horas após
mento das plantas daninhas. Tratando- a aplicação do produto, podem reduzir
se de plantas infestantes com grande seu efeito herbicida.
densidade vegetativa, recomenda-se o
volume maior. A tiririca que, em função Ioxinil (Totril) – utilizar em tem-
de sua fisiologia, exige 3-4 aplicações peratura máxima: 27º C, e umidade
com intervalos de 20-40 dias. Não tem relativa do ar: mínimo 55%. Considerar
ação sobre as sementes existentes no sempre que a umidade do ar é o fator
solo. Não aplicar com as folhas das mais importante já que determina uma
plantas infestantes cobertas de poeira, maior ou menor rapidez de evaporação
porque nestas condições pode diminuir das gotas de pulverização. Cebola:
a ação do produto (adsorção). Não ro- Semeadura direta: Aplicar quando a
çar as plantas antes da ação desejada. cebola estiver com 3 folhas e as plantas
daninhas em pleno estado de desen-
Glufosinato (Finale 150 CS) - volvimento com 3 a 6 cm de tamanho.
antes de iniciar a aplicação, proteger Cebola transplantada: Após o enraiza-
as mudas da cultura com copo plástico mento, iniciar a aplicação quando as
(sistema de copinhos), retirando os plantas daninhas estiverem pleno de-
mesmos após a aplicação do produto. senvolvimento com 3 a 6 folhas ou de 3
Utilizar o produto em pós-emergência, a 6 cm de tamanho. Usar a dose menor
observando os seguintes estádios das quando ocorrer infestação de plantas
plantas daninhas: capim marmelada daninhas anuais e a dose maior quando
(Brachiaria plantaginea - 4 a 6 folhas), ocorrer infestação de plantas perenes.
capim colchão (Digitaria horizontalis - 4 Havendo reinfestação poderá ser feita
a 6 folhas), picão branco (Galinsoga par- uma segunda aplicação, observando
viflora -2 a 4 folhas), picão preto (Bidens o intervalo de 14 dias após a primeira.
pilosa - 2 a 4 folhas) e erva de passarinho Para uma boa atuação do produto, é
(Stellaria media - 2 a 4 folhas). Chuvas essencial a presença de luminosidade.
ou irrigação por aspersão no período
de 6 horas após a aplicação do produto Linuron (Linurex Agricur 500
podem reduzir seu efeito herbicida. PM) – não é recomendado para solos
arenosos ou com menos de 1% de
Glufosinato (Finale) - controla matéria orgânica. Aplicar em pós-
eficientemente, em pós-emergência, emergência das invasoras quando a
plantas daninhas infestantes nas cul- cultura da cenoura atingir o estádio de
turas de: alface, batata, repolho, na 3 - 4 folhas (8 a 10 cm. de altura).
dessecação de batata. Para as culturas
de hortaliças (alface e repolho) quando Linuron (Afalon SC) - aplicar 2 a
utilizar o “sistema de copinhos”, cobrir 3 semanas após o transplante da cebola

216
e quando a cultura de cenoura possuir pós-emergente, esperar 3 dias entre a
no mínimo 3 ou 4 folhas verdadeiras, ou aplicação de Goltix e a de fertilizantes
quando tiver 8 -10 cm de altura. líquidos. Quando o produto é utilizado
em pós-emergência, com adição de
Metam-sódico (Bunema 330 cs) adjuvante, induz o aparecimento de
– é um fumigante de solo utilizado em leve fitotoxicidade inicial à cultura sob
pré-plantio para o controle de fungos de a forma de queima das margens das
solo, nematóides e plantas daninhas que folhas e leve redução do crescimento
causam danos às culturas de batata, das plantas, com gradual e plena recu-
cenoura, morango e tomate. Revolver peração das mesmas.
a terra na maior profundidade possível,
destorroar a terra e deixar a superfície Metribuzim (Lexone SC) – na
plana similar à preparação para plantio. cultura da batata deverá ser aplicado
Se a terra estiver seca, fazer uma boa em pré-emergência, ou seja, após o
irrigação (pré-irrigação) entre 5 a 10 dias plantio dos tubérculos e antes da emer-
antes da sua aplicação. Por ser um her- gência dos mesmos. Não aplicar em
bicida pós-emergente, há necessidade solo arenoso ou com menos de 1,5%
de pré-irrigar o solo para que ocorra a de matéria orgânica. Tomate: 1,0 l/ha.
quebra de dormência das sementes das Em mudas transplantadas, deverá ser
invasoras. A aplicação pode ser feita aplicado em área total antes ou depois
através da água de irrigação seja por de se efetuar o transplantio. Devido a
“splinker”, pivô central, gotejamento ou diferença de resistência, entre as dife-
regador; pode ser aplicado, também, rentes variedades de batata aos herbi-
via injetor de solo; assim como via pul-
cidas, deve se determinar a tolerância
verização acoplada a rotocanteirador,
ao “Lexone” SC, antes de adotar uma
a arado de disco ou a enxada rotativa.
prática de campo para prevenir danos
Quando tratar áreas pequenas, cobrir
à cultura. Não plantar em áreas trata-
o local tratado com um filme plástico e
das com “Lexone” SC outras culturas
enterrar as pontas deste, deixando co-
sensíveis tais como: cebola, alface,
berto no mínimo 48 horas e um mínimo
cucurbitáceas, beterraba, dentro de um
de 7 dias após sua retirada devendo
ano após o tratamento.
revolver o solo para a saída de possíveis
gases remanescentes. No caso de áreas Metribuzim (Sencor 480) - não
maiores, passar um rolo compactador aplicar sobre a cultura da batata se as
ou irrigar a área tratada para dificultar a plantas estiverem com mais de 5 cm de
saída dos gases. Esperar de 7 a 21 dias
altura. Aplicar a partir de duas semanas
após a aplicação do produto para o plan-
após o transplante do tomate, em pré-
tio da cultura, dependendo do nível de
emergência ou pós-emergência preco-
matéria orgânica e temperatura do solo.
ce das plantas daninhas. Para prevenir
Metamitrona (Goltix) - além de ou evitar o aparecimento de plantas da-
seguir criteriosamente as instruções ninhas resistentes, recomenda-se usar
de uso do produto, em tratamento o Sencor em alternância ou em mistura

217
com outros herbicidas, de diferentes não usar espalhante e não pulverizar
mecanismos de ação. quando a folhagem estiver murcha.
As doses maiores são recomendadas
Metribuzim (Sencor BR) – a para controle de plantas daninhas em
aplicação de metribuzim em novas cul- adiantado estádio de desenvolvimento
tivares deverá ser previamente testada. ou em condições de alta densidade de
plantas daninhas. Utilizar o espalhante
Metribuzim (Soccer SC) – apli- adesivo aniônico / não iônico na dose
car a partir de duas semanas após o de 50 a 100 ml para cada 100 litros
transplante do tomate. Em batata, não de solução. O herbicida é fitotóxico se
aplicar em pós-emergência, quando atingir as culturas. O produto deve ser
a cultura ultrapassar 5 cm de altura. utilizado única e exclusivamente, con-
Para prevenir ou evitar o aparecimen- forme o recomendado.
to de plantas daninhas resistentes,
recomenda-se usar o Soccer SC em Pendimetalina (Herbadox 500
alternância com outros herbicidas, de CE) – cebola: pós-repicagem, pré-
diferentes mecanismos de ação. emergência das plantas daninhas, 4
l/ha. Aplicar após o transplante das
Napropamida (Devrinol 500PM) mudas. Em solos leves pode-se usar
– não controla plantas daninhas já ger- 3,0 litros/ha.
minadas.
Prometrina (Gesagard 800 Ciba
Oxadiazona (Ronstar 250 BR) - Geigy) – aplicar logo após o plantio dos
aplicar após o plantio do alho e após o dentes de alho na pré-emergência das
transplante das mudas de cebola. plantas daninhas ou na pós-emergência
da cultura com 20 a 30 cm de altura e
Oxifluorfem (Galigan 240 CE)
as plantas daninhas de 2 a 4 folhas. No
– deve ser aplicado em área total em
caso de cebola, aplicar 2 a 3 semanas
pós-plantio e pré-emergência da cebola
após o transplantio das mudas ou em
e das plantas daninhas.
pós-emergência com a cultura com
Paraquate (Gramoxone 200) 20 a 30 cm de altura e as plantas
– pode ser utilizado em pulverização, daninhas com 2 a 4 folhas. Não aplicar
nas seguintes formas: com jato dirigido em canteiros de semeadura de cebola
em culturas estabelecidas; em área destinados a produção de mudas. Não
total antes do plantio direto; em des- aplicar na cultura da cebola com plantio
secação de culturas. Nas aplicações através de bulbilho. Em tratamento pós-
entrelinhas, fazer as pulverizações com emergentes nas culturas de cebola e
jato dirigido. Fazer cobertura uniforme alho, suspender a irrigação 2 dias antes
das plantas daninhas a serem contro- da aplicação para uma maior garantia
ladas. Pulverizar as plantas daninhas de seletividade, através da maior
nos primeiros estádios de crescimento cerosidade das folhas. Não aplicar o
(5 - 15 cm). Na dessecação de batata, produto com solo seco.

218
Quizalofope-P-etílico (Targa Entre os herbicidas registrados
50 CE) – aplicar o produto em pós- no MAPA (ANVISA, 2010) apenas 19
-emergência das plantas daninhas, apresentam registros para uso em 17
quando estas estiverem em pleno de- espécies de hortaliças (Tabela 5), tendo
senvolvimento vegetativo e no máximo sido a maioria dos ingredientes ativos
com 4 perfilhos. Não há necessidade de desenvolvidos há mais de uma déca-
adição de óleos ou espalhante adesivo da (Figura 11). O grande número de
no momento da aplicação do produto. espécies desprovidas de produtos re-
gistrados (Tabela 5) se deve, possivel-
Trifluralina (Lifalin BR) – re- mente, o fato das empresas não terem
comenda-se incorporar o herbicida à o interesse econômico em desenvolver
profundidade de 5 a 10 cm, dentro de esses produtos para aquelas espécies
no máximo 8 horas após a aplicação. com áreas de cultivo muito pequenas.
Por outro lado, há muitos resultados
Trifluralina (Premerlin 600 CE) de pesquisa sobre a eficiência do uso
- é um herbicida desenvolvido para apli- de herbicidas em diversas espécies de
cações em pré-emergência das culturas hortaliças indicando que muito deles
e plantas daninhas, no sistema Plante são promissores para uso no cultivo
- Aplique, logo após o plantio ou até 2 neste grupo de plantas.
dias após. Em aplicações incorporadas,
aplicar imediatamente antes do plantio Historicamente, os registros de
ou no intervalo de até 6 semanas antes. herbicidas para o grupo das cucurbi-
Aplicar em solo com umidade suficiente táceas têm sido praticamente nulos,
para a germinação das sementes. Apli- possivelmente, devido a grande sus-
car em solos bem preparados, o mais cetibilidade das cucurbitáceas aos
próximo possível da última gradagem. princípios ativos e/ou baixo interesse
Não aplicar em solos com mais de 10% das empresas em desenvolverem her-
de matéria orgânica. �����������������
Incorporação nor- bicidas para as hortaliças. Tem-se, por
mal (10-12 cm): Solo Leve: 0,9-1,2 l/ha. exemplo, o registro de 15 registros para
Solo Médio: 1,2-1,5 l/ha. Solo Pesado: o grupo das liliáceas e nenhum registro
1,5-1,8 l/ha, ao passo que com incorpo- para o grupo das cucurbitáceas.
ração subsuperficial (2 cm): Solo Médio
e Pesado: 1,5-2,0 l/ha. Incorporar com Bell et al. (2000) relataram que
uma capinadeira de dentes ou grade de os altos preços das terras, a escassez
arrasto totalmente travada. da mão-de-obra e os aumentos no seu
custo e a competição externa levaram
Trifluralina (Trifluralina Nortox, os produtores americanos a uma seve-
Trifluralina Sanachem 445 CE e Tri- ra pressão econômica no mercado das
tac) – o produto deve ser incorporado hortaliças, indicando que a competitivi-
ao solo à profundidade de 5 a 10 cm, dade do agronegócio no setor depende
dentro de no máximo 8 horas após a do suporte de herbicidas registrados
aplicação. para as diversas espécies.

219
Tabela 6. Suscetibilidade e tolerância das principais espécies de plantas daninhas aos
herbicidas registrados no MAPA (Tabela 5). Fonte: Adaptado de Ahrens (1994), Lorenzi
(2000) e Anvisa (2010).

1
1 = trifluralina; 2 = napropamida; 3 = clomazona; 4 = clortal-dimetílico; 5 = linuron; 6 = metamitrona; 7 = metribuzim;
8 = oxadiazona; 9 = pendimetalina; 10 = prometrina; 11 = cletodin; 12 = cletodin+fenoxaprope-P-etílico; 13 = diclofope-
metílico; 14 = fenoxaprope-P-etílico; 15 = flazasulfuron; 16 = fluazifop-P-butílico; 17 = ioxinil; 18 = oxyfluorfem; 19 =
quizalofope-P-etílico; 20 = diquate; 21 = glufosinato; 22 = metam; 23 = paraquate.
2
T= tolerante; S= suscetível; M= medianamente suscetível; - = informações não disponíveis.

220
221
Em áreas com baixa agressivi-
dade das plantas invasoras, podem
ser usados, preferencialmente, herbi-
cidas de pós-emergência, devendo-se
evitar aplicá-los em plantas molhadas
por orvalho ou irrigação. Aplicações
de herbicidas em horários de ventos
fortes devem ser evitadas, para evitar
a ocorrência de derivas dos produtos.

A aplicação eficiente e correta


Figura 11. Controle químico de plantas depende do conhecimento dos dados
invasoras com trifluralina + metribuzim na de calibração do pulverizador e de
cultura de tomate para processamento, em cálculos de dosagem. Em geral, os
semeio direto. herbicidas são mais eficientes para de-
terminados tipos de plantas invasoras,
Os herbicidas devem ser esco- recomendando-se, portanto, o uso de
lhidos pelos olericultores em função da combinações, sempre que possível,
eficiência, da segurança, da economia e para aumentar o espectro de ação e
das recomendações técnicas, levando- racionalizar o controle.
se em conta o programa de rotação de
culturas e outras recomendações para A associação de herbicidas
os cultivos. Após a escolha correta dos deve ser cuidadosamente planejada,
herbicidas, vários outros pontos devem para se obter o máximo de controle
ser considerados, pois os resultados de plantas invasoras e o mínimo de
obtidos nem sempre são os mesmos, estragos da cultura. Antes de tudo,
por causa das interações de clima, solo deve-se conhecer a susceptibilidade
e plantas. O solo, para aplicação de relativa das plantas invasoras (Tabela
herbicidas, em pré-emergência, não 6) e a seletividade da cultura (Tabela 4
deve conter torrões grandes, e deve e 5) a cada um dos ingredientes ativos.
apresentar, preferencialmente, grau de Aqui, se destaca a importância do bom
umidade inicial próximo da capacidade conhecimento das plantas invasoras e
de campo. o comportamento do herbicida no solo
e na planta. Do ponto de vista prático,
Os teores de argila e matéria é ideal que a combinação apresente
orgânica também devem ser conhe- efeitos antagônicos sobre a cultura e
cidos, a fim de adequar as doses dos sinergítiscos sobre as plantas invaso-
herbicidas de acordo com os teores ras.
desses elementos. As doses menores
recomendadas de cada produto são Em geral, combinações dos pro-
normalmente utilizadas nos solos are- dutos aumentam o espectro de controle
nosos. das espécies, sendo mais comum o uso

222
daqueles com ação sobre as monocoti- sementes no solo, constituem no que
ledôneas e as dicotiledôneas. se denomina de manejo integrado da
plantas invasoras - MIPD (Figura 1,
Antes dos herbicidas serem fases A-J).
utilizados em maior escala, em uma
propriedade, o olericultor deve estar Assim, o programa de manejo
familiarizado com o produto e a tecno- integrado de plantas invasoras com-
logia de aplicação. Sempre deve fazer preende várias fases de atividades
pequenos testes, em uma ou mais épo- culturais e técnicas dentro da sequência
cas do ano; usar os bons resultados de do manejo cultural, expressas na Fi-
outros usuários, ou ter uma orientação gura 1. Incluem ações que antecedem
técnica mais especializada. Nunca se as primeiras operações de preparo do
esquecer de verificar e anotar os resul- solo (Fase C) a partir do primeiro ciclo
tados alcançados nas áreas tratadas e cultural (Fases A-I). Essas fases englo-
melhorar o programa de manejo para o bam o levantamento, a identificação e
próximo ano. O benefício obtido através o mapeamento das plantas invasoras
dos métodos usados em cada situação presentes nas glebas (Fase A, Tabela
é muito importante para aprimoramento 7), o planejamento do programa de
das relações do sistema. manejo (Fase B), o preparo do solo
(Fase C), o plantio (Fase D), a colheita
3.8. Manejo Integrado (Fase H), o período pós-cultivo (Fase
I) e ações que visem o ciclo cultural
Segundo Bantilan et al. (1972) subseqüente (Fase J).
uma análise objetiva dos problemas
causados pelas plantas invasoras Detalhes dos fundamentos e es-
deve dar ênfase no manejo ao invés de tratégias de um programa de manejo
apenas medidas de controle isoladas. integrado de plantas invasoras foram
Colwell (1986) relatou que o manejo discutidos por Pereira (1998a, 2000).
integrado deve ser conceituado como Basicamente, o programa consiste de
um sistema de produção que incor- quatro fases: diagnose do problema
pora o equilíbrio de práticas culturais, (Fase A); avaliação da adequabilidade e
mecânicas, físicas, biológicas e quí- planejamento dos métodos disponíveis
micas, resultando na otimização da e passíveis de uso (Fase B); estrutu-
produtividade da cultura, aumentando ração do programa de manejo consi-
ou mantendo o potencial produtivo do derando o sistema de rotação de cul-
solo. Segundo Pereira (1998a, 2000), turas e a adequabilidade das medidas
a integração conjunta dos conhecimen- seletivas e não seletivas (Fases B-J);
tos, atividades culturais e técnicas de execução do programa e avaliação
prevenção, erradicação e controle das dos custos e benefícios deste (Fases
plantas invasoras utilizadas continua- A-J). É importante que os agricultores
mente nos ciclos de cultivos anuais e compreendam esses fundamentos e as
plurianuais a fim de reduzir o banco de estratégias para racionalizar os seus

223
Tabela 7. Modelo de uma planilha de campo para o levantamento da ocorrência e nível de
infestação das principais espécies de plantas invasoras presentes nas glebas agrícolas.
Fonte: Adaptado de Kissman e Groth (1991, 1992, 1995), Lorenzi (1991).

224
225
sistemas de produção. Dessa forma, Alternativamente, podem ser coletadas
destacam-se ainda os seguintes pontos amostras compostas de solo (5 a 10
importantes: litros), à semelhança daquelas para
avaliação da fertilidade do solo. Essas
•  Inspeções dos campos devem são colocadas em caixas plásticas e irri-
ser realizadas regularmente (Figura 1, gadas para a germinação das sementes
fases A-J) para identificar focos iniciais viáveis, identificação e contagem das
e adotar medidas de controle dirigido de espécies presentes no primeiro fluxo
forma a erradicá-los. de emergência; revolvimento do solo e
repetição do processo para outros três
•  As áreas de plantios devem ser a quatro fluxos de emergência a fim
selecionadas evitando locais infestados de obter boa estimativa da população
com plantas perenes e parasitas. Deve- do banco de sementes e consequen-
se fazer o histórico de uso da área, temente das espécies infestantes da
considerando o efeito residual dos área. A identificação das espécies
herbicidas que foram usados nos culti- pode ser feita visualmente, por meio
vos anteriores. Pequenas quantidades de fotografias ou botanicamente por in-
de determinados ingredientes ativos termédio de chaves analíticas (MUZIL,
podem remanescer no solo e afetar o 1997; BARROSO, 1978, 1991a,b). O
crescimento das plântulas de hortaliças. registro permanente dessas informa-
Como exemplo, observou-se em áreas ções constituirá parte da base de dados
de cultivo com soja, tratada com o herbi- para o planejamento dos programas de
cida imazaquin, nas condições do Plano manejo. As amostras de solo podem
de Assentamento do Distrito Federal ser úteis, também, para a detecção
- PADF, Brasília-DF, a influência de re- de resíduos de herbicidas prejudiciais
síduos desse herbicida na tuberização à cultura subsequente por meio de
da batata, em agosto de 1988. O cultivo ensaios biológicos específicos (STREI-
do milho ou milho-doce, em sucessão BIG; KUDSK, 1993).
à soja tratada com o referido herbicida,
só poderá ser realizado 300 dias após •  As informações sobre suscep-
a aplicação do imazaquin (EMBRAPA tibilidade da plantas invasoras aos
SOJA, 2000; PEREIRA, 1988a). herbicidas (Tabela 6) utilizados nas
diferentes culturas (Tabela 5) subsidiam
•  É essencial conhecer as espé- o planejamento da rotação de culturas
cies das plantas invasoras presentes para o programa de manejo integrado
na área antes do preparo do solo e de plantas invasoras em sistemas de
plantio da cultura. O levantamento da cultivos de hortaliças (Figura 1).
ocorrência, da distribuição e da densi-
dade das espécies deve ser feito por •  O preparo do solo e a pré-
meio de visitas periódicas (duas a três irrigação estimulam a germinação e o
vezes por ano) à área e com anotações desenvolvimento das plantas invasoras
em uma planilha de campo (Tabela 7). (Figura 1, fases C-E). Recomenda-se

226
fazer o preparo do solo duas a três se- não infestados. O controle mecânico
manas antes do plantio para permitir a torna-se inviável quando as ramas da
germinação, o crescimento e o controle cultura se entrelaçam, como acontece
pós-emergente das plantas invasoras nas culturas de abóbora, batata doce,
(4 a 6 folhas definitivas) na área, por melancia e melão.
meio da aplicação de herbicidas de ma-
nejo não seletivos de ação de contato •  Plantas invasoras que crescem
(Tabela 5), como diquate e paraquate e amadurecem suas sementes em
ou sistêmica como glifosato; realizada áreas limítrofes, além de hospedarem
antes ou após o plantio. Quando a insetos - praga e patógenos, são fontes
aplicação é feita após o plantio é obri- para outras infestações dentro ou fora
gatório realizá-la antes da emergência das áreas cultivadas com as hortaliças.
da hortaliça.
•  A rápida destruição dos res-
•  O preparo do solo deve ser tos culturais é muito importante para
bem feito, livre de torrões e de resíduos manter o campo em boas condições
dos restos culturais (Figura 1, fase C) fitossanitárias (Figura 1, fase I). Muitas
facilitando, desse modo, o controle das vezes, o simples fato de suspender as
plantas invasoras, proporcionando a irrigações após a colheita não garante
germinação e o crescimento vigoroso a morte rápida das plantas de todos os
das plantas de hortaliças. Irrigações por tipos de hortaliças e plantas invasoras.
ocasião da aração facilitam o preparo Assim, recomenda-se a roçagem, gra-
e promovem a germinação das plantas dagem ou a aplicação de herbicidas de
invasoras as quais são eliminadas du- manejo dessecantes, tais como: diquat
rante o preparo final do leito (cerca de e paraquat ou sistêmico, como o glifo-
15 dias após a aração). sato (Tabela 5), após a colheita para
destruir a vegetação existente e facilitar
•  O cultivo mecânico para contro- o reinicio do novo ciclo de rotação de
lar as plantas invasoras na cultura pode culturas.
ser utilizado sozinho ou juntamente
com os herbicidas de manejo e não •  Muitas vezes, há uma tendência
seletivos. O cultivo mecânico é mais de se esperar que todos os problemas
eficiente quando as plantas invasoras de plantas invasoras possam ser re-
estão ainda pequenas, com 4 a 6 folhas solvidos eficazmente por meio de um
definitivas. Nesse estádio, as plantas único método de controle. Quando essa
invasoras podem ser removidas facil- atitude prevalece numa determinada
mente sem causar dano à cultura (Figu- situação, todas as outras práticas im-
ra 1, fases E-F). A eficiência do controle portantes para o programa de manejo
mecânico sobre as plantas invasoras integrado das plantas invasoras são na-
perenes é baixa, podendo aumentar turalmente ignoradas, impossibilitando
o problema se os propágulos vege- a sua execução racional.
tativos forem removidos para locais

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Incidência de
antracnose em
Foto: Patrícia Silva

campo de produção
de sementes de
pimenta.

244
Foto: Patrícia Silva

245
Controle integrado de doenças em
hortaliças visando à produção de
sementes de qualidade
Laércio Zambolim
Carlos Alberto Lopes
Ailton Reis

1. Introdução res do ar, agentes tóxicos produzidos


biologicamente, toxidez de elementos

D
oença em plantas é resultado minerais e deficiência de luz.
de uma “interação dinâmica e
irreversível entre o patógeno, o O conhecimento de tais condições
hospedeiro e o ambiente, produzindo constitui a base para o estabelecimento
alterações fisiológicas e frequentemen- de esquema de manejo integrado de
te morfológicas da planta, podendo doenças de plantas. Por exemplo, o
resultar em danos (redução na produ- sucesso no controle da maioria dos
ção e ou desvalorização do produto) agentes bióticos requer conhecimento
e, consequentemente, perdas”. Tais detalhado de sua variabilidade, do ciclo
alterações podem ser causadas por de vida do organismo, de seu compor-
fatores bióticos e abióticos. Entre os fa- tamento sobre ou dentro da planta, e o
tores bióticos, destacam-se os fungos, efeito dos fatores do ambiente na inte-
as bactérias, os vírus e os nematoides. ração entre o patógeno e hospedeiro.
Entre os abióticos, os mais importantes
são excesso ou deficiência de umida- As sementes constituem insumo
de, fitotoxidez causada por pesticidas, básico para a produção de alimentos,
deficiências nutricionais, gases poluido- pois a maioria das culturas que servem

247
de alimentação para o ser humano são Apesar da disponibilidade de cul-
propagadas via sementes. As sementes tivares de hortaliças com boas carac-
são também um meio fácil de sobrevi- terísticas agronômicas e da existência
vência, disseminação e introdução de de regiões favoráveis à produção, uma
vários patógenos no país, ou mesmo parte significativa das sementes utiliza-
em ambiente doméstico ou de uma das no Brasil é importada. E, veiculadas
região geográfica para outra. Neste nessas sementes, muitas estirpes de
capítulo, serão consideradas as semen- vírus, raças de fungos e bactérias têm
tes verdadeiras, ou seja, aquelas de sido introduzidas no território brasileiro
propagação sexuada, não sendo cober- (ÁVILA et al., 2004; REIS et al., 2005,
tas aqui as “sementes” de propagação 2007; BARRETO et al., 2008). Isto
vegetativa, como batata (tubérculos) e sugere que há falta de incentivo e de
batata doce (ramas e raízes), embora tecnologias adequadas à produção de
a maioria dos princípios de controle se sementes no País, além do interesse
aplique a ambas. de multinacionais em manterem a pro-
dução em países onde, por exemplo, a
No caso da produção de sementes, mão de obra é mais barata.
quando o aspecto sanidade tem que ser
destacado para agregar valor ao produto Para evitar a entrada de pató-
e dar a ele alta confiabilidade, deve-se genos, cabe ao País criar as normas
levar em conta alguns fatores que afetam e regulamentos, fazendo com estes
de forma significativa o aparecimento e sejam cumpridos adequadamente. A
o desenvolvimento de epidemias: 1) Ex- legislação brasileira para as sementes
tensas áreas cultivadas empregando-se é considerada uma das mais rigorosas
cultivares com uniformidade genética; e organizadas do mundo. E ela não se
2) Condições climáticas favoráveis e preocupa apenas com o desenvolvi-
persistentes; 3) Presença de plantas da mento do setor, mas também em tornar
mesma espécie o ano todo nos campos o produtor brasileiro mais competitivo
de cultivo; 4) Plantio em diferentes épo- em termos de sanidade da semente
cas mantendo-se estruturas dos pató- (MACHADO, 2001). Entretanto, a “sa-
genos nos campos em restos culturais; nidade total” nem sempre é possível,
5) Ausência de rotação de cultura; 6) uma vez que a qualidade sanitária das
Emprego de sementes contaminadas sementes é altamente influenciada pe-
com patógenos; 7) Alta densidade de las condições climáticas sob as quais
plantio e espaçamentos adensados; 8) foram produzidas e armazenadas, além
Implementos agrícolas contaminados; de existirem limitações nos testes con-
9) Presença de plantas hospedeiras de duzidos para detectar alguns patógenos
patógenos nos campos de cultivo; 10) em lotes de sementes.
Fertilização desequilibrada; 11) Condi-
ções físicas, químicas e biológicas do A incidência de fungos, principal-
solo; 12) Proximidade de campos de mente os necrotróficos, em sementes
sementes de campos comerciais. está associada à intensidade das doen-

248
ças nos órgãos aéreos (ZAMBOLIM et mais de um método para alcançar o con-
al., 2000). Os microorganismos presen- trole adequado. Daí a necessidade de
tes nas sementes afetam a germinação, concentrar esforços visando integrar os
emergência e vigor da plântula, a pro- diferentes métodos de controle, quer se-
dução, além de representar perigo de jam físicos, mecânicos, culturais, genéti-
disseminação dos patógenos à próxima cos, legislativos, químicos e biológicos.
geração e às novas áreas (DUDIENAS Tudo isto visa redução da intensidade
et al., 1990). das doenças e, consequentemente, o
alcance da máxima produtividade, sem
Exemplos de doenças transmi- reflexos negativos no meio ambiente.
tidas por sementes são: crestamento Lembrando que a semente de adequada
gomoso do melão e do pepino (Di- sanidade se constituirá em insumo es-
dymella bryoniae); cancro bacteriano sencial dentro do controle integrado. Por
(Clavibacter michiganensis subesp. outro lado, o sistema de cultivo sempre
michiganensis), murcha de fusário (F. deve levar em conta a possibilidade de
oxysporum f. sp. lycopersici) e mosaico se ter sementes contaminadas. Isso
do tomateiro (ToMV); mancha angular por não se contar com garantia total da
do pepino (Pseudomonas syringae pv. sanidade da semente, pela fragilidade
lachrymans); antracnose do feijão va- associada a métodos de amostragem
gem (Colletotrichum lindemuthianum); e/ou à eficácia apenas parcial dos
mosaico da alface (LMV), queima das métodos de detecção dos patógenos.
folhas da cenoura (Alternaria dauci, Assim, a semente deve ser sempre
Cercospora carotae e Xanthomonas hor- considerada potencial fonte inicial de
torum pv. carotae) entre outras (KIMATI inóculo com todas as táticas de controle
et al., 1997; ZAMBOLIM et al., 2000). integradas, devendo ser empregadas a
serviço da redução da taxa de progres-
Sementes podem ser produzidas so da doença em condições de campo.
em sistemas convencionais em cam- Reconhece-se aqui que nenhum trata-
po aberto e em cultivo protegido em mento substitui um material propagativo
estufas. Em sistemas a campo aberto, de boa qualidade, isenta de patógenos,
as hortaliças estão mais sujeitas a bem como a importância do binômio
variações do clima e apresentam ciclo tempo x temperatura na erradicação
muito mais longo do que em sistemas de de patógenos associados à semente
temperatura controlada (cultivo protegi- (LOPES; QUEZADO-SOARES, 1997;
do) e, consequentemente, estão mais ZAMBOLIM et al., 1997).
sujeitas ao ataque de insetos - pragas
e doenças. Neste capítulo serão abordadas
as medidas de controle integrado das
Embora uma doença específica doenças das hortaliças, em cultivo a
possa, em certos casos, ser controlada campo aberto e em cultivo protegido,
por uma única medida, a complexidade com ênfase na produção de sementes
de fatores envolvidos requer o uso de de qualidade.

249
2. Danos causados por patógenos de sementes, um quarto fator deve ser
que atacam as hortaliças levado em consideração: a taxa de res-
tabelecimento do inóculo na semente.
São escassos os estudos no
Brasil sobre danos causados por pató- Tem sido frequente se relacionar
genos transmitidos por sementes, em- patologia de sementes exclusivamente
bora há muito se reconheça que são de a testes laboratoriais desenvolvidos
grande importância (MACHADO, 1988; para a detecção de patógenos. Entre-
PINTO, 1998; SOAVE, 1987; WETZEL, tanto, há que se considerar que esses
1987). Por exemplo, nos Estados Uni- testes são parte de estudos que devem
dos, danos provocados por doenças relacionar o teste laboratorial com o
do tomateiro atingiram cerca de 20%, risco subsequente da ocorrência da
sendo que dois terços dessas doenças doença no campo (BACKER, 1972;
eram causados por patógenos transmi- MCGREE, 1981; NEEGARD, 1986;
tidos pelas sementes (NEEERGARD, AGARWAL; SINCLAIR, 1987).
1983). Danos provocados por alguns
dos principais patógenos associados Sendo reconhecido que a se-
a sementes de hortaliças no Brasil mente é um eficiente veículo de dis-
encontram-se na Tabela 1. seminação de patógenos a longas
distâncias, o uso de sementes de boa
Quando se plantam sementes qualidade é recomendado em todas as
contaminadas, o efeito das doenças listas de táticas de manejo integrado
associadas a elas não se restringe de doenças. Isso explica também por
à infestação de áreas anteriormente que os serviços quarentenários são tão
isentas do patógeno, mas também à importantes para impedir a entrada no
redução na germinação e no vigor da País de patógenos exóticos e porque
muda, resultando no comprometimento as empresas de sementes procuram se
da produção. Sabe-se também que, em esmerar cada vez mais para produzir
caso de uma semente estar infestada um “insumo” de alta qualidade. Mesmo
ou infectada com um patógeno, a planta assim, patógenos exóticos continuarão
dela originada pode ou não desenvolver atingindo nossas lavouras em razão
sintomas da doença. De acordo com de deficiente controle de qualidade em
Neergard (1983), o impacto de uma do- lotes importados ou por deficiências
ença provocada por patógeno associa- inerentes às dificuldades de amostra-
do à semente depende de três fatores: gem e detecção de alguns patóge-
1. proporção de sementes contendo nos. E certamente se disseminarão
propágulos viáveis do patógeno (taxa também via sementes contaminadas,
de infecção); 2. taxa de transmissão como acontece com Alternaria spp. (A.
do inóculo presente na semente para a dauci e A. radicina) disseminada nos
plântula (transmissão semente - plântu- cultivos de cenoura em praticamente
la) e 3. taxa de progresso da doença no todas as regiões produtoras do país.
campo. Quando se trata de produção Mais complexa ainda fica a situação se

250
Tabela 1. Danos causados pelos principais patógenos transmitidos por sementes de
hortaliças no Brasil.

Modificado de Lopes et al. (2005).


*Dano máximo, conforme relatado nas publicações “Controle de Doenças de Plantas – Hor-
taliças”, Zambolim et al. 2000; “Manual de Fitopatologia”, Kimati et al. 2005; “Informe Agro-
pecuário” 17 e 18, “Doenças de Hortaliças 2 e 3”, 1995 e 1996.
NR – Valores não relatados

251
considerarmos a disseminação, entre 100%, enquanto produtores que reali-
países e regiões, de novas variantes zaram pulverizações com fungicidas à
de patógenos de origem diversa, como base de cobre conseguiram manter os
raças/grupos/espécies de Xanthomo- danos entre 15% e 20% (AYLSWORTH,
nas associadas à mancha bacteriana 1994). Com isso, o estoque de semen-
do tomateiro industrial (QUEZADO- tes de 1995, mesmo parcialmente com-
-DUVAL, 2003). prometido pela doença, restabeleceu a
indústria de melancia no país. Em 2001,
Conforme relatado por Lopes et essa mesma doença foi novamente
al. (2005), um dos exemplos mais con- detectada em viveiro de produção de
tundentes da importância de patógeno mudas de melancia da cultivar Carou-
de semente ocasionando danos em sel, o que levou a Syngenta, produtora
campo é o da mancha aquosa (bacterial dessa cultivar, a fazer um raro, porém
fruit blotch) da melancia, causada por necessário, “recall” das sementes
Acidovorax citrulli. A doença foi encon- dessa cultivar baseado no fato de que
trada inicialmente em 1989 na Flórida, poucos pontos de infecção no campo
EUA. Na mesma estação de cultivo, podem ocasionar 100% de plantas do-
foi detectada também nos Estados da entes (LEAHY, 2002).
Carolina do Norte, Carolina do Sul,
Maryland, Delaware e Indiana, levando No Brasil, A. citrulli também pro-
à suspeita de infecção inicial pela se- vocou sério surto da mancha - aquosa,
mente (LEAHY, 2002). Em 1994, essa porém em melão, nos Estados do Cea-
bacteriose apresentou surto tão sério rá e Rio Grande do Norte, somente um
que levou algumas empresas, como ano após seu primeiro relato no País em
a Asgrow Co., a Petossed Co. Inc., a 1999. Altas incidências e severidades
Rogers Seed Co. e a Harris Moran Co. da doença no verão de 2000 levaram
a suspenderem a venda e a distribuição uma das cinco grandes empresas ope-
de sementes de melancia nos EUA, rando na Região Nordeste do Brasil a
causando sério problema de abaste- desistir do empreendimento após as
cimento do produto. Essa decisão foi frustrações de safras. (VIANA et al.,
baseada na dificuldade de as compa- 2000). Tanto nos EUA como no Brasil,
nhias de sementes pagarem as altas os surtos dessa bacteriose se deveram
indenizações resultantes da venda de à alta transmissibilidade do patógeno
sementes contaminadas. As epidemias pela semente e pela rápida dissemina-
da bacteriose da melancia resultaram ção e desenvolvimento da doença sob
na ação imediata de vários setores da condição ambiental favorável.
cadeia produtiva que imediatamente
passaram a financiar pesquisas para o No Distrito Federal, foi observada
controle da doença. Como resultado, lavoura comercial de manjericão (Ocim-
observou-se que, das sementes já plan- mum basilicum) com alta incidência
tadas em 1994, campos não sujeitos ao de murcha-de-fusário, causada por
controle químico tiveram danos de até Fusarium oxysporum f. sp. basilici. Em

252
uma primeira visita, observou-se que a representado pela semente contamina-
lavoura apresentava reboleiras de plan- da (ZAMBOLIM et al., 1999).
tas murchas e/ou mortas. Passados 45
dias da constatação da doença, a la- Partindo-se do pressuposto que
voura estava totalmente comprometida a semente infectada ou infestada é
e foi abandonada, acarretando 100% de responsável pela disponibilização do
dano. Análise do lote de sementes do inóculo inicial, a interpretação do risco
produtor revelou ocorrência de 16% de de danos da doença passa necessa-
sementes infestadas com o patógeno riamente pelo entendimento das inte-
(REIS et al., 2007), confirmando relatos rações com o meio ambiente e com as
anteriores de que o mesmo é transmi- características da planta hospedeira,
tido por semente (REKAH et al., 2000; conforme definido por Zambolim et al.
CHIOCCHETTI et al., 2001). (1999) na discussão do estabelecimen-
to de limiar econômico relacionado ao
Didymella bryoniae, agente cau- controle de doenças de plantas.
sal do cancro da haste da melancia, é
um patógeno eficientemente transmiti- Os danos que podem resultar
do por sementes. Em um estudo recen- das doenças que atacam as hortaliças
te, provocou 19% de dano, quando as podem ser classificados em quatro di-
plantas foram inoculadas aos 30 dias ferentes tipos:
após o plantio, utilizando-se pedaços de
10 cm de caule com lesões, obtidos em 2.1. Danos com efeito imediato
área comercial naturalmente infestada
Este tipo de dano pode levar a
pelo patógeno (SANTOS, 2005).
planta à morte ou à destruição rápida de
A busca de uma correlação entre seus órgãos. Destacam-se neste caso as
nível de contaminação da semente por murchas vasculares causadas por Fusa-
um determinado patógeno e os danos rium oxysporum com sua forma specialis.
ocasionados pela doença associada a
2.2. Danos com efeito lento, porém
esse patógeno é de suma importância,
progressivo
mas nem sempre possível. Houvesse
uma relação estável entre esses dois O resultado deste tipo de dano
fatores, seria viável a definição precisa debilita a planta, com reflexos na pro-
de limiares de danos econômicos e do dução, podendo eventualmente ocorrer
nível de tolerância do patógeno nas à morte de seus órgãos ou da própria
sementes da hospedeira. Não se pode planta. Incluem-se como exemplo as
deixar de considerar, entretanto, que as doenças que causam manchas foliares
grandes variações nos componentes do causadas por espécies de Alternaria e
triângulo representativo das doenças Cercospora em culturas como cenoura,
(hospedeiro, patógeno e ambiente) são tomate, pimentão e cebola, e o mosai-
decisivas no desenvolvimento das epi- co do tomateiro, causado pelo Tomato
demias, independente do inóculo inicial mosaic virus.

253
2.3. Danos diretos às partes comer- tejamento e plantio mais superficial das
cializáveis da planta sementes. Outros métodos são físicos,
como o uso de calor ou frio. Tratamen-
As partes comercializáveis como to do solo e de partes de plantas com
frutos, raízes e folhas podem ter seu va- calor, refrigeração e radiação são méto-
lor comercial reduzido ou ainda podem dos que, quando viáveis, proporcionam
não se prestar mais para a comercia- bons resultados. Há métodos que são
lização. Como exemplos, está a pinta químicos, ou seja, dependem do uso e
- preta e o cancro - bacteriano em frutos da ação de substâncias químicas para
de tomate; antracnose em pimentão e reduzir inóculo de patógeno, como por
em frutos de jiló e podridão - negra em exemplo, o tratamento e a fumigação do
folhas de couve. solo e o tratamento de sementes com
agrotóxicos registrados exclusivamente
2.4. Danos pós-colheita, em partes para esta finalidade. Há também mé-
comercializáveis todos biológicos em que se empregam
organismos vivos (microrganismos
Este tipo de dano pode ser ori- antagonistas) para reduzir o inóculo.
ginado por infecções de patógenos Embora gerem grande expectativa por
ainda no campo, antes da colheita, ou serem ambientalmente melhor tolera-
por infecção em pós-colheita, durante dos que os produtos químicos, produtos
o transporte e armazenamento. Como comerciais utilizados para o controle
exemplo tem-se a antracnose em fru- biológicos são raros e, para a maioria
tos de pimentão, pimentas, jiló, feijão dos casos, não adequadamente avalia-
vagem e chuchu. dos em termos de eficácia e resíduos.
3. Controle de doenças para a Dentre as medidas que reduzem
produção de sementes em cultivo a inóculo inicial de patógenos no campo
campo aberto será discutido o emprego de sementes
sadias ou tratadas, o efeito dos compos-
3.1. Medidas que reduzem inóculo tos orgânicos, a erradicação de plantas
inicial de patógenos no campo hospedeiras, o pousio associado à irriga-
ção, as medidas sanitárias, a rotação de
Existem vários métodos de con-
cultura, a inundação do solo, o emprego
trole que visam erradicar ou reduzir a
de cartões amarelos, a solarização e o
quantidade de inóculo de um dado pa- uso de plantas armadilhas e antagônicas.
tógeno presente numa área, planta, ou
partes de plantas. Muitos destes méto- 3.1.1. Emprego no plantio de
dos são culturais, isto é, dependem da sementes de alta qualidade e
adoção de medidas sanitárias, melhoria tratadas com fungicidas
das condições de crescimento da plan-
ta, criação de condições desfavoráveis Para serem consideradas de qua-
ao patógeno, uso de polietileno trans- lidade, as sementes devem preencher
parente (solarização), irrigação por go- os seguintes requisitos: genético, físico,

254
fisiológico e sanitário. O atributo sanitá- ras demonstrações experimentais foi
rio diz respeito à contaminação por pa- realizada no Canadá em 1926, quando
tógenos que podem estar externamente o Dr. G. B. Sanford mostrou que a sarna
no tegumento, internamente no embrião da batata podia ser controlada quase
ou no interior do tegumento e ou mistu- que exclusivamente por compostos
rados com a semente. A semente para orgânicos. Esses resultados foram
ser utilizada no plantio deve, portanto, confirmados mais tarde por Millard &
ter características genéticas desejá- Taylor no país de Gales (COOK, 1976).
veis, por exemplo, resistência à seca Entretanto, hoje se sabe que o uso de
ou a determinados patógenos, maior compostos orgânicos no controle da
teor de proteína e outros. Deve tam- sarna da batata gera controvérsias
bém ter pureza varietal e estar livre em função da complexidade desses
de detritos, possuir alta germinação e compostos e seu diferente grau de
alto vigor, pois, as duas características decomposição no solo.
são importantes, e livres de patógenos
principalmente aqueles denominados O vermicomposto tem sido em-
de habitantes do solo. pregado por vários autores no controle
de doenças de hortaliças. Szczech et
Sementes devem ser preferen- al. (1993) obtiveram supressão de pató-
cialmente tratadas com fungicidas de genos fúngicos (Fusarium oxysporum f.
efeito erradicante, como acontece com sp. conglutinans) e de Plasmodiophora
aquelas adquiridas comercialmente. brassicae em plantas de repolho (COS-
Caso não sejam tratadas, em especial TA et al., 2004). Trabalho conduzido na
para os sistemas de plantio direto e em Universidade Federal de Viçosa com-
cultivos protegidos, um dos requisitos parando o efeito de vermicomposto,
básicos é o seu tratamento com mistura composto de lixo urbano e composto de
de um fungicida protetor com um fungi- esterco de gado mostrou que, embora
cida sistêmico, para aumentar a garantia o vermicomposto e composto de lixo
que não venham disseminar patógenos urbano propiciassem boa produtividade
na área de plantio. Portanto, a análise em plantas de tomateiro, eles foram
de sementes e o seu tratamento quí- conducivos ao nematóide Meloidogy-
mico contribuirão para que a qualidade ne javanica, enquanto o composto de
sanitária não comprometa a produção e esterco de bovino apresentou grande
a produtividade das culturas e, conse- potencial de supressão do patógeno.
quentemente, a contaminação do solo.
Biasi et al. (1992) relataram que
3.1.2. Compostos orgânicos e o esterco de suíno, de carneiro e húmus
controle de doenças de minhoca foram eficientes no controle
de nematóides das galhas em áreas
Os benefícios dos compostos de cultivo de cenoura em Santa Ca-
orgânicos na sanidade das plantas tarina. Pereira (1995) avaliou o efeito
são conhecidos há mais de 100 anos da associação vermicomposto, Tricho-
(D’ADDABBO, 1995). Uma das primei- derma harzianum, Bacillus subtilis e

255
solarização no controle de Sclerotium diferentes compostos e o efeito supres-
cepivorum, bem como da associação sivo sobre diferentes gêneros de fungos
de vermicomposto, Trichoderma harzia- (Rhizoctonia, Pythium, Phytophthora
num, Bacillus subtilis, solarização, fun- e Fusarium). Os compostos de casca
gicida procimidone e herbicida EPTC de madeira, de casca de pinus, de lixo
no controle de Sclerotinia sclerotiorum. urbano e de esterco bovino apresenta-
Para S. cepivorum, a incorporação de ram efeito variável. Esses compostos,
T. harzianum ao vermicomposto após a com exceção da casca de madeira, não
solarização aumentou o nível de contro- apresentaram efeito supressivo sobre
le de 79% para 98%. Com relação ao Fusarium.
controle de S. sclerotiorum, observou-
se que a incorporação de T. harzianum Estudo visando avaliar o efeito de
ao vermicomposto após aplicação de vários tipos de compostos orgânicos
EPTC proporcionou ganhos em nível no controle do nematóide de galhas,
de controle próximos àqueles obtidos Meloidogyne javanica, constatou que o
pelo tratamento de solarização do solo. composto formado de palha de café foi
o mais eficiente na redução do número
Embora a supressão de fitopa- de galhas por planta e do número de
tógenos como compostos orgânicos massa de ovos por plantas, em rela-
ocorra na natureza, existem poucos ção ao composto de lixo urbano, ao
relatos de supressividade documen- vermicomposto e à casca de eucalipto
tados. Hoitink; Fahy (1986) relataram (ZAMBOLIM et al., 1996; 1997).
que a podridão de rizomas de inhame,
causada por Fusarium sp. pode ser Entretanto, não se deve fazer
controlada por meio da incorporação generalização acerca dos resultados
de 30 t/ha/ano de composto de casca do efeito de compostos orgânicos so-
de pinheiro. A redução na incidência da bre os fitopatógenos. Há casos em que
doença tem sido correlacionada com o poderá ocorrer supressão do patógeno
aumento na biomassa de populações e casos em que o patógeno poderá ser
de Trichoderma spp. Por outro lado, favorecido. O efeito está em função de
composto obtido a partir de serragem uma série de fatores, como o tipo de
de madeira, apesar de retardar o apa- patógeno, o hospedeiro, o tipo de solo,
recimento da doença, não controlou o tipo de composto orgânico emprega-
a murcha de Fusarium em tomateiro. do, o nível de decomposição e a fonte
Hoitink; Fahy (1986) relataram que do composto orgânico
compostos obtidos da compostagem
3.1.3. “Roguing” ou erradicação da
de casca de arroz e/ou restos culturais
planta hospedeira com sintoma de
dessa cultura foram mais eficientes no
doença
controle de Plasmodiophora brassicae
do que compostos obtidos a partir de Quando um patógeno é intro-
serragem de madeira. Esses autores duzido numa área onde não estava
também estudaram a incorporação de presente anteriormente, a despeito das

256
medidas de quarentena, pode causar nematóides no solo, essa estratégia de
uma epidemia. Para prevenir a epide- controle consiste em, após a colheita,
mia, toda planta doente ou suspeita arar o solo e irrigá-lo, deixando-o em
deve ser eliminada. Desse modo, o pousio por três a quatro semanas. A
patógeno poderá não se disseminar irrigação promoverá a eclosão dos ovos
naquela área ou a sua disseminação dos nematóides que darão origem aos
poderá ser retardada. juvenis; com o período seco e ação dos
raios solares, os juvenis morrem por
Há vários exemplos de erradica- falta de umidade no solo e ausência
ção de plantas com doenças em que se de plantas hospedeiras. Desta manei-
evitou a disseminação de patógenos, ra, obtém-se a redução da população
mas há casos de insucessos também. de nematóides do solo viabilizando as
É que, em muitos casos, o patógeno áreas infestadas para plantio.
pode estar presente na área em outras
espécies de plantas, como plantas dani- Em determinados sistemas de
nhas, sobrevivendo como residentes e produção, o campo é cultivado e dei-
não manifestando sintomas da doença, xado em pousio por um ano ou parte
como é o caso de algumas bactérias e do ano. Durante o pousio, geralmente
vírus. Daí deve-se eliminar toda a ve- ocorre destruição de inóculo de pató-
getação ao redor das plantas a serem genos pela ação de outros microrganis-
erradicadas, para garantir o sucesso mos. Em regiões com verão quente, o
no programa. pousio permite o aquecimento e a se-
cagem do solo, resultando com isto na
Portanto, num programa de erra- redução na população de nematóides
dicação de plantas doentes, há que se e alguns outros patógenos. A aração do
considerar vários fatores, tais como: a solo, expondo a camada da rizosfera,
maneira de o patógeno disseminar-se; também pode resultar em decréscimos
os hospedeiros alternativos do pató- na população de nematóides e fungos,
geno; as plantas residentes e rema- pela exposição dessas camadas mais
nescentes de cultura; sobrevivência do profundas à ação dos raios solares.
patógeno no solo em partes de plantas A população de juvenis e ovos de ne-
e suas estruturas de sobrevivência; matóides é grandemente reduzida por
a extensão e o valor econômico da esta técnica.
lavoura e os danos causados pelo pa-
tógeno; modo de ataque do patógeno; 3.1.5. Rotação de cultura
a localização da área atacada pelo
A rotação de culturas, com a
patógeno; clima da região, em especial
finalidade de reduzir a população e
a predominância de ventos.
os danos causados por patógenos de
3.1.4. Pousio associado à irrigação solos, é recomendada há muito tempo
(NUSBAUM; FERROS, 1973). Consis-
Em culturas irrigadas, visando à te em alternar os cultivos de plantas
eliminação ou redução da população de suscetíveis com plantas más hospe-

257
deiras, não hospedeiras ou resistentes, Outros patógenos, denominados
promovendo escassez de alimento aos habitantes do solo, no entanto, formam
patógenos. estruturas de resistência no solo (escle-
ródios, cistos, ovos e juvenis de fitone-
O controle por rotação de culturas matóides, oósporos, microescleródios,
está na dependência de alguns fatores, clamidósporos e cistosoro), permitindo
tais como: 1) o conhecimento das espé- sua sobrevivência por períodos mais
cies de patógenos presentes na área, longos, como Sclerotium cepivorum,
pois, com o emprego desta técnica, Sclerotinia sclerotiorum, Verticillium
controla-se a densidade populacional dhaliae e V. albo atrum, Plasmodio-
da espécie de impacto econômico, phora brassicae e F. oxysporum f. sp.
porém, pode-se favorecer a população lycopersici raça 3 (COSTA et al., 2005).
de uma espécie não predominante e A rotação de cultura, nesses casos,
esta vir a causar danos expressivos à deve ser feita por um período mais
cultura; 2) o conhecimento da gama de longo (três a cinco anos), que pode
hospedeiros da(s) espécie(s) e raças(s) ainda não ser suficiente para eliminar
que ocorrem na área, inclusive plantas alguns desses patógenos do solo. Em
daninhas, pois fora da área submetida regiões hortícolas, é comum a rotação
à rotação, certas plantas daninhas de culturas com plantas da família das
mantêm populações de fitopatógenos gramíneas, normalmente não hospe-
que podem infestar as áreas onde tais deiras de patógenos da maioria das
organismos haviam sido erradicadas hortaliças. Com a escassez de com-
por esta prática. Sem dúvida, a rotação postos orgânicos, é comum também o
é uma prática recomendada especial- plantio de algumas espécies de plantas
mente para culturas de ciclo curto, que produzem massa verde para serem
como as hortaliças. transformadas em matéria orgânica por
meio da incorporação das plantas ao
Patógenos da parte aérea que solo, antes da floração. Becker (1993)
atacam uma ou poucas espécies, ou recomenda a rotação com milho, feijão,
mesmo famílias de plantas, podem, em soja e trigo por período não inferior a
determinados casos, ser eliminados ou dois anos e meio, para o controle de Di-
ter sua população reduzida no solo pelo tylenchus dipsaci, nematoide que ataca
plantio, por um ou dois anos, de cultu- o alho. Huang et al. (1980) verificaram
ras pertencentes à espécie ou família que a rotação de cenoura com Crota-
não hospedeira. Como exemplo deste laria spectabilis em áreas altamente
tipo de patógeno cita-se aqueles que infestadas com Meloidogyne incognita
atacam a parte aérea das plantas, que aumentou a produtividade e qualidade
não formam estruturas de resistência, das cenouras. Na região de Barba-
denominados de invasores do solo, cena, Minas Gerais, têm-se utilizado,
como A. dauci e Cercospora carotae com sucesso, a rotação com aveia, em
em cenoura e Xanthomonas spp. em campos de produção de cenoura, para
brássicas e solanáceas. o controle de nematoide das galhas.

258
O plantio de Satureja hortensis e 3.1.7. Inundação do solo
de Mentha piperita por dois a três anos
em campos infestados por Plasmodio- A inundação do solo por determi-
phora brassicae pode reduzir comple- nado período, por ciclos sucessivos,
tamente a população de esporos de pode ser recomendada em alguns ca-
resistência do patógeno no solo (ROD, sos para erradicar patógenos do solo,
1994b). Delgado (1990) relata que a especialmente em pequenas áreas,
rotação de cebola com sorgo e algo- viveiros e casas de vegetação. Durante
dão diminui a incidência de raiz rosada o encharcamento do solo, desenvol-
causada por Pyrenochaeta terrestris. vem-se microrganismos anaeróbicos e
a produção de ácidos e gases tóxicos
3.1.6. Medidas sanitárias que vão atuar no combate aos organis-
mos fitopatogênicos. Por exemplo, o
As medidas de caráter sanitário controle de Sclerotinia sclerotiorum em
consistem de toda e qualquer ativi- canteiros de alface pode ser feito com
dade destinada a eliminar ou reduzir a inundação prévia por 2 a 6 meses. A
a quantidade de inóculo presente na falta de oxigênio e nutrientes e a desse-
planta, no campo, em equipamentos e cação do solo também contribuem para
no armazém, bem como na prevenção eliminação dos patógenos, como, por
da disseminação do patógeno para exemplo, nematóides, bactérias e fun-
outras plantas sadias. Por exemplo, o gos. Com a retirada da lâmina d’água,
enterrio dos restos culturais, a remoção os propágulos que sobreviverem ao
de folhas e de partes de plantas infec- germinar são mortos quando o solo é
tadas, as podas de partes doentes e a novamente encharcado.
remoção ou destruição de resto cultural
3.1.8. Solarização (uso do polietile-
contaminado que pode servir de so-
no transparente)
brevivência de patógenos, reduzem a
quantidade de doença que poderá se Pode ser empregado em cultivos
desenvolver mais tarde. protegidos, viveiros e até em reboleiras
em campo. O método reduz a popu-
Outras medidas sanitárias utiliza- lação de patógenos do solo. Quando
das são a lavação das mãos com água o polietileno transparente é colocado
e sabão antes do manuseio com plantas sobre o solo úmido durante o verão, a
no campo, como o tomate, evita disse- temperatura da camada superficial (5
minar algumas viroses; a limpeza e de- cm) pode atingir valores superiores a
sinfestação de máquinas e implementos 45 ºC, comparado com a temperatura
agrícolas, visando eliminar o solo e os de 35 ºC em solo sem cobertura com
restos de culturas que neles ficam ade- plástico. Se o tempo continua enso-
rido; e desinfestação física ou química larado por vários dias ou semanas, o
de vasilhame, de paredes e chão dos aumento da temperatura do solo oriun-
armazéns, reduzindo a quantidade de do da energia solar, conhecido como
inóculo e a infecção subsequente. solarização, pode inativar propágulos

259
de inúmeras espécies de patógenos A esterilização do solo pelo calor é
do solo, como Fusarium oxysporum, feita em casa de vegetação e, às vezes,
Sclerotinia minor, Phytophthora capsi- em sementeiras, empregando-se calor
ci, Sclerotinia sclerotiorum, Verticillium oriundo de água quente, vapor aerado
spp., Sclerotium cepivorum, Pyrenocha- ou pela ação de raios solares. Em tem-
eta terrestris, Pythium spp., Meloido- peratura de aproximadamente 50 ºC, os
gyne spp., Plasmodiophora brassicae, nematóides, os fungos aquáticos e al-
Rhizoctonia solani e Sclerotium rolfsii guns oomycetos (Pythium, Phytophtho-
(LEFEVRE; SOUZA, 1993; CUNHA et ra) são mortos. Entre 60 ºC e 72 ºC,
al., 1993a,b; SOUZA, 1994; KATAN; a maioria dos fungos fitopatogênicos
DEVAY, 1991; PEREIRA et al., 1996; e algumas espécies de bactérias são
ROD, 1994a), reduzindo a quantidade eliminadas. A 82 ºC, aproximadamente,
de inóculo destes patógenos no solo e o as bactérias que causam doenças em
potencial em causar doença. Cunha et plantas e a maioria dos vírus que ficam
al. (1993a,b) relataram redução de 90% nos restos culturais são eliminados. En-
a 100% da viabilidade dos escleródios tretanto, deve-se ter o cuidado para que
de Sclerotium cepivorum em alho a 5 a temperatura do solo não atinja valores
cm de profundidade pelo emprego de muito elevados e que não se prolongue
polietileno transparente por 65 dias e por muito tempo, para que não haja
aumento de aproximadamente 200% na destruição da microflora saprofítica
produção de alho, em relação ao con- normal do solo e para que não sejam
trole. A solarização do solo durante 45 liberados sais de manganês e amônia,
dias com polietileno transparente com que podem ser tóxicos às plantas.
0,1 mm de espessura reduziu de 85%
a 95% a viabilidade de escleródios de A termoterapia de sementes e
Sclerotinia sclerotiorum incorporados bulbos é recomendada para matar
a 2 cm de profundidade (PEREIRA et patógenos (fungos, bactérias, vírus
al., 1996). e nematóides), quer seja externa ou
internamente. Ela tem por base a sen-
3.1.9. Métodos físicos que erradicam sibilidade térmica diferencial existente
ou reduzem inóculo entre o patógeno e o hospedeiro. É de
fundamental importância a amplitude
Os agentes físicos mais comu- entre os pontos de inativação térmica
mente empregados no controle de do patógeno e do hospedeiro, ou seja,
doenças são temperaturas altas e bai- quanto maior for esta amplitude, maior
xas, ar seco, vários tipos de radiação será o sucesso do tratamento térmico.
e certos comprimentos de onda de luz.
A temperatura da água e a dura-
O calor pode ser empregado no
ção do tratamento variam de acordo
controle de patógenos em hortaliças por
com a combinação patógeno - hospe-
meio de tratamento do solo, termotera-
deiro. Para controle da mancha bacte-
pia de sementes e partes propagativas
riana do tomateiro (Xanthomonas spp.)
e tratamentos com ar quente.

260
e da pinta bacteriana (Pseudomonas com o período de maior atividade dos
syringae pv. tomato) recomenda-se o parasitas. Ainda que a resistência seja
tratamento térmico das sementes a 50 geneticamente controlada, ela pode ser
ºC por 25 minutos e 48 ºC por 60 minu- influenciada por fatores ambientais. Os
tos, respectivamente. Para a podridão efeitos são relativamente pequenos em
negra das crucíferas (Xanthomonas cultivares com elevada resistência ou
campestris pv. campestris) recomenda- elevada suscetibilidade, mas bastante
se 50 ºC por 30 minutos (GRONDEAU; substanciais em cultivares moderada-
SAMSON, 1994). mente suscetíveis ou “parcialmente”
resistentes. A nutrição mineral é um
3.2. Medidas que reduzem a taxa de fator ambiental que pode ser manipu-
progresso das doenças no campo lado com relativa facilidade, sendo uti-
3.2.1. Resistência induzida pela lizada como complemento no controle
nutrição mineral de doenças; entretanto, é necessário
um conhecimento detalhado de como
Os efeitos dos nutrientes mine- os nutrientes minerais aumentam ou
rais no crescimento e na produção são diminuem a resistência das plantas por
estudados de acordo com as funções meio das propriedades histológicas,
desses elementos no metabolismo das citológicas e, consequentemente, no
plantas. Além disso, a nutrição mineral processo da patogênese.
pode também influenciar o crescimento
e a produção das plantas de forma se- A nutrição da planta pode ser
cundária, mas imprescindível, causando alterada drasticamente por muitos pa-
modificações na forma de crescimento, tógenos, e isto frequentemente dificulta
na morfologia e anatomia e na sua com- uma diferenciação clara entre os fatores
posição química. Os nutrientes minerais bióticos e abióticos que influenciam no
podem também aumentar ou diminuir a excesso ou na deficiência de nutrientes.
resistência das plantas a doenças. Pro- Assim, por meio de alterações na ab-
gressos expressivos já foram obtidos sorção, translocação e distribuição dos
através do melhoramento e da seleção nutrientes muitos sintomas localizados
de plantas resistentes a doenças e e sistêmicos de doenças são similares
pragas atribuídas à nutrição da planta. aos induzidos abioticamente por defici-
A resistência pode ser aumentada por ências e excessos de nutrientes.
modificações na anatomia (células da
epiderme mais grossas, lignificadas e/ A nutrição das plantas determi-
ou silicificadas) e nas propriedades fi- nará em grande parte sua resistência
siológicas e bioquímicas (produção de ou suscetibilidade às doenças, suas
substâncias inibidoras ou repelentes). estruturas histológicas ou morfológicas,
Uma resistência aparente pode ser as funções dos tecidos em reduzir a
conseguida quando o estádio de cres- atividade patogênica, a virulência e a
cimento em que a planta é suscetível habilidade do patógeno em sobreviver.
ao ataque dos patógenos não coincide A deficiência de nutrientes ao redor do

261
ponto de infecção pode resultar em sus- no controle das doenças, por meio do
cetibilidade da planta às doenças, pois seu efeito na disponibilidade e absorção
estes são necessários para sintetizar destes nutrientes. Assim, manter o pH
compostos químicos e barreiras físicas. entre 6,5 e 7,5 é recomendado para o
Por outro lado, a resistência pode surgir controle de Plasmodiophora brassicae
quando nutrientes essenciais à ativida- em crucíferas, murcha de Fusarium
de patogênica estão ausentes. (Fusarium oxysporum), podridão do
colo e/ou raiz (Fusarium solani; Rhi-
Os elementos minerais estão en- zoctonia solani; Sclerotium rolfsii) e
volvidos em todos os mecanismos de podridão mole (Pectobacterium spp. e
defesa, como componentes integrais ou Dickeya spp.) em algumas hortaliças.
ativadores, inibidores e reguladores de Contudo, baixo pH do solo é recomen-
metabolismo. Treze elementos minerais dado para controle da sarna comum da
são geralmente essenciais para o cres- batata (Streptomyces scabiei) e murcha
cimento das plantas; a deficiência ou de verticílio (Verticillium spp.) em certas
o excesso de um elemento influencia hortaliças.
grandemente a atividade de outros e
exerce efeito notável, com consequên- O nitrogênio tem a função de
cias que repercutem no metabolismo aumentar o vigor, retardar o processo
da planta. Também deve ser lembrado de maturação e retardar a senescência
que a presença de um elemento no solo das plantas. O nitrogênio em excesso
não implica necessariamente que este e em desequilíbrio com o potássio
está disponível para a planta, pois vai pode favorecer espécies de bactérias
depender de sua forma e sua solubi- pectolíticas em hortaliças e aumentar
lidade, da capacidade assimilativa da a severidade da podridão mole e da
planta, do meio ambiente, como pH, requeima do tomate e batata. Por outro
umidade e temperatura. lado, a deficiência de nitrogênio pode
aumentar a severidade da mancha bac-
De modo geral, o nitrogênio, fósfo- teriana foliar em hortaliças, pinta preta
ro, potássio, cálcio, enxofre e magnésio do tomateiro e da batateira, além de
são os elementos minerais mais limi- manchas foliares causados por fungos
tantes; o cloro é o único elemento que necrotróficos em outras hortaliças.
não é limitante em condições naturais. A
maioria dos elementos minerais requeri- O cálcio é elemento importante na
dos para o crescimento das plantas tem integridade da parede e da membrana
sido relatada como responsáveis pelo celular, resistência a degradação por
aumento ou pela redução da severidade enzimas pectolíticas e inibição das
de ataque dos patógenos em hortaliças. atividades das enzimas pectolíticas
da lamela média e da parede celular
É importante destacar que, conco- e visa dar maior rigidez a essas es-
mitantemente com o efeito dos nutrien- truturas. Por isso é um nutriente im-
tes, o pH do solo é um fator importante portante que confere maior tolerância

262
de hortaliças a doenças macerativas, observância desses fatores é impor-
como tombamento de mudas em se- tante na tomada de decisão visando
menteira, podridão mole causada por o controle químico, que tem alto custo
bactérias, e mofo branco (Sclerotinia financeiro e ambiental.
sclerotiorum). Além disto, destacam-se
o seu efeito na redução de murchas A proteção do hospedeiro com
vasculares causadas por Fusarium produtos químicos visa à interposição
oxysporum solani; Rhizoctonia solani; de uma barreira efetiva (fungicida pro-
Ralstonia solanacerarum; Clavibacter tetor) entre as partes susceptíveis da
michiganensis subsp. michiganensis e planta e o inóculo, evitando ou reduzin-
Xanthomonas spp. do a taxa de penetração do patógeno
nos tecidos do hospedeiro. Aplica-se
Em se tratando do potássio, esta medida quando o patógeno é
sua deficiência reduz compostos de endêmico numa determinada região;
alto peso molecular (proteína, amido em caso de epidemia, os fungicidas
e celulose) e acumula compostos de sistêmicos devem ser empregados em
baixo peso molecular (açúcares). É mistura ou em rodízio com os proteto-
um elemento importante na tolerância res. A proteção, ao contrário dos princí-
de plantas aos patógenos biotróficos pios da exclusão e da erradicação que
causadores de ferrugens e oídio e de visam diretamente o patógeno, previne
manchas foliares, murchas vasculares o contato direto do patógeno com o
e mancha bacteriana. hospedeiro.

3.2.2. Proteção da planta hospedei- O nível de dano provocado pelas


ra com produtos químicos doenças quando se aplica a proteção,
entre outros fatores, depende da efi-
Os fatores que irão determinar a ciência do fungicida empregado, do
necessidade da aplicação de fungici- intervalo de aplicação, do número de
das em uma determinada cultura para aplicações, da época de aplicação e da
o controle de uma doença são: clima eficiência do equipamento empregado
favorável à doença; suscetibilidade da na aplicação do fungicida. Idealmente,
planta hospedeira; virulência e agres- o produto deve ser tóxico contra o pató-
sividade do patógeno; e quantidade de geno e ter grande estabilidade mesmo
inóculo do patógeno presente numa nas condições mais adversas de clima,
determinada área. Quando o ambiente sem, contudo, provocar danos à planta
para ocorrência de doenças é favorável ou desequilíbrio biológico.
e duradouro, a planta hospedeira for
suscetível e o patógeno virulento esti- Na fase de surgimento dos sinto-
ver presente em grande quantidade, é mas e sinais do patógeno, produtos sis-
de se esperar que níveis elevados de têmicos com efeito erradicante são re-
doença na cultura possam ocorrer, daí comendados. Isto não quer dizer que as
a necessidade do controle químico. A pulverizações podem ser programadas

263
a partir do surgimento dos sintomas. É utilizadas para o controle de doenças
difícil determinar o limiar de intensidade em hortaliças.
das doenças para o qual a erradicação
por fungicidas sistêmicos é efetiva, pois O uso de fungicidas em pré-
a doença pode ocorrer em focos e ter colheita é essencial para o controle de
desenvolvimento muito rápido em fun- fungos transmitidos pelas sementes,
ção das condições climáticas. Contudo, conforme relatos em muitas espécies
o fato de os fungicidas protetores serem de plantas (SINCLAIR, 1983). Entretan-
relativamente insolúveis em água faz to, este tipo de controle não é uma tare-
com que eles proporcionem maior pe- fa fácil. Quando a pressão de doenças
ríodo de proteção às partes de plantas é alta e o meio ambiente for favorável
tratadas. Por outro lado, os fungicidas para o desenvolvimento de doenças,
sistêmicos, por serem mais solúveis mas se os fungicidas são aplicados
que os protetores, não funcionam como corretamente, frequentemente são
bons produtos protetores externos de obtidos resultados favoráveis. Os be-
partes de plantas, mas atuam como nefícios da aplicação de fungicidas na
erradicantes de doenças fúngicas já parte aérea incluem: menor quantidade
estabelecidas no interior dos tecidos de fungos nas sementes, sementes
maiores, aumento na produção, taxa
do hospedeiro.
de germinação alta e sementes de boa
Com a descoberta dos fungicidas qualidade. Não podem ser negligen-
sistêmicos, muitas das limitações dos ciadas, entretanto, outras medidas de
produtos protetores foram superadas, controle que levam em conta a resis-
pois os sistêmicos, além de penetra- tência da cultivar, o histórico da área,
rem nos tecidos da planta, translocam práticas culturais que desfavoreçam a
à distância do local de aplicação e doença (irrigação, controle de plantas
erradicam as estruturas do patógeno daninhas, adubação), época de plantio,
que colonizam a planta internamente. época da colheita, método de colheita e
Entretanto, os fungicidas sistêmicos, armazenamento da semente. Ou seja, a
quando aplicados indiscriminadamente aplicação de fungicidas na parte aérea
das plantas deve ser parte de uma es-
e em altas doses, podem ser fitotóxicos
tratégia na redução de danos causados
e exercer pressão de seleção, levando
por fungos transmitidos pelas sementes
ao surgimento de raças de patógenos
(SINCLAIR, 1983).
resistentes na população, por apresen-
tarem modo de ação específico. Portan- A ineficiência de controle das do-
to, tornam-se necessários esquemas enças de plantas é, muitas vezes, atri-
racionais de aplicação de fungicidas buída ao produto; na verdade, muitos
sistêmicos, quer seja em alternância outros fatores podem estar envolvidos.
ou em misturas com os fungicidas A seguir, serão apresentadas as causas
protetores. Hoje, dispõe-se de várias mais comuns quando não se consegue
misturas de fungicidas protetores com um bom controle das doenças utilizan-
sistêmicos, registradas que podem ser do-se fungicidas:

264
–  Iniciar a aplicação dos fungici- maior produtividade da cultura. Com
das quando a doença já está em níveis este objetivo, desenvolveu-se a Calda
altos de intensidade; Viçosa tendo por finalidade aliar ao efei-
– A aplicação do fungicida for to nutricional o valor fungicida do cobre
feita em doses abaixo da recomendada; que é um dos componentes da calda. A
–  Ineficiência de cobertura com calda é constituída de uma suspensão
gotículas de fungicidas da parte aérea coloidal dos sulfatos de zinco, cobre e
do vegetal; magnésio, do ácido bórico e da uréia
–  O bico do pulverizador não ou o cloreto de potássio complexados
estiver devidamente ajustado para a com a cal hidratada. Os resultados
vazão recomendada; proporcionados por essa calda têm
–  O fungicida escolhido não ser o sido equivalentes aos obtidos com os
mais recomendado para o controle da fungicidas tradicionais à base de cobre,
doença específica; clorotalonil, ou ditiocarbamatos (manco-
– A formulação for inadequada, zeb), no controle de doenças fúngicas
havendo falta de aderência e persis- e bacterianas das hortaliças (ALTOÉ,
tência do ingrediente ativo na superfície 1995; ANDRADE, 1997).
do vegetal;
–  Misturas de fungicidas com A calda Viçosa devido ao fato de
inseticidas ou com outros fungicidas, fornecer elementos minerais (zinco,
que podem resultar em produtos com boro, cobre) e em menor intensidade
baixa eficiência; (cálcio, magnésio e potássio) propor-
– pH da calda fungicida estiver cionando maior vigor das plantas e,
fora da faixa ideal de ação; consequentemente, maior produção, as
–  Fungicidas com período de plantas tratadas tem-se tornado mais
validade vencido; tolerantes ao ataque de fungos e bac-
–  Presença de variantes do térias que incidem na parte aérea das
patógeno resistentes ao fungicida em- hortaliças. Dentre as hortaliças em que
pregado; a calda Viçosa vem sendo empregada
–  Uso contínuo de fungicida destacam-se: tomate, cenoura, pimen-
sistêmico com mesmo modo de ação tão, pimenta, berinjela, jiló, repolho,
durante o desenvolvimento da cultura. couve-flor, beterraba, cebola e batata.
Pelo fato de a calda Viçosa atuar mais
3.2.3. Associação de compostos com na planta, tornando-a mais resistente
efeito fungicida e micronutrientes a doenças, e não diretamente no pa-
tógeno, este produto deve ser consi-
Quando se empregam fungicidas derado para a produção de hortaliças
na parte aérea das plantas para o con- orgânicas, em especial na produção
trole de doenças no campo, eles podem de sementes orgânicas, que devem ter
ser associados a nutrientes essenciais alta sanidade de modo a não serem ve-
à correção de deficiências minerais, ículos de patógenos. Uma vez definida
visando maior eficiência de controle e sua aplicação, devem-se estabelecer

265
corretamente o início e o intervalo entre ser usada na produção de sementes
as aplicações, o que deve ser feito com orgânicas pois a cultura não é exposta
base no conhecimento do desenvolvi- a uma alta densidade de inóculo.
mento da doença na cultura na região
e na época de plantio. Outra medida de evasão é a ele-
vação de canteiro. Esta medida pode
3.2.4. Escape – Evasão – Fuga das ser empregada com sucesso quando
condições favoráveis a doença a superfície do solo é muito úmida. A
elevação do canteiro de plantio a 10-15
O controle integrado de doenças cm de altura tem sido empregada em
de hortaliças pode também envolver o diversas culturas, como na produção de
período em que a cultura permanece aipo, visando o controle de Rhizoctonia
exposta ao patógeno no campo. A solani, e na cultura do alho, visando o
antecipação do plantio de uma cultura, controle de Pseudomonas fluorescens,
ou o seu retardamento, pode ser de agente causal da queima bacteriana
grande importância, pois evita ou reduz do alho.
a quantidade de inóculo que irá incidir
sobre a cultura. Por exemplo, o plantio O manejo de água e o tipo de
de alho em janeiro ou fevereiro, com a irrigação é fator fundamental para no
colheita em julho em vez de setembro controle de doenças, em especial da-
pode fugir da época ideal do ataque de quelas da parte aérea da planta. O tipo
Sclerotium cepivorum, que se inicia em de irrigação (aérea seja alto propelido e
junho/julho. A época normal de plantio pivô central ou gotejamento do solo), a
é março/abril, no entanto a antecipação quantidade de água e o turno de rega
de dois meses no plantio reduz a inci- influenciam a severidade das doenças,
dência do patógeno. tanto aquelas causadas por patógenos
do solo quanto às da parte aérea. Na
O período em que a cultura prática, tem-se observado que quase
permanece no campo também é fator sempre a quantidade de água aplicada
importante no controle de determinadas é superior ao requerimento deman-
doenças. O plantio de tomate de cres- dado pela cultura. Daí o período de
cimento indeterminado, fazendo-se a molhamento foliar aumenta, e conse-
poda nas plantas entre a 4ª ou 6ª haste quentemente a severidade das doen-
floral, pode reduzir o tempo em que a ças. Torna-se necessário, portanto, o
cultura permanece no campo, evitando emprego de programas informatizados
que o ataque de patógenos atinja níveis de irrigação, para que a quantidade de
severos. O número de atomizações água a ser aplicada, bem como o turno
com fungicidas e inseticidas pode ser de rega, seja adequada ao tipo de cultu-
reduzido em até 50%, e o ciclo de planta ra, ao solo, ao clima e à própria doença.
podada pode ser reduzido em 30-45
dias (BOFF, 1988; ALTOÉ, 1995). Esta Irrigação no período de germina-
também é uma medida importante a ção pode favorecer a infecção por pa-

266
tógenos do solo; daí a necessidade de respondam com os do patógeno para
dosar a quantidade de água nesse pe- que as plantas escapem à infecção.
ríodo, para que a umidade do solo não
se torne conduciva a esses organismos. 4. Produção de sementes em culti-
Patógenos transmitidos por sementes vo protegido – sistema hidropônico
geralmente são agravados pela irriga-
ção aérea. Assim, a necessidade do Em cultivo protegido, o ciclo de
emprego de irrigação racional visando hortaliças pode ser significativamente
evitar ou reduzir a severidade dos pató- reduzido, dependendo da espécie.
genos que atacam a parte aérea e que Além disso, devido ao controle de tem-
são transmitidos por sementes torna-se peratura, umidade e luz, que podem ser
uma prática interessante. Um exemplo executados em ambientes protegidos,
é que epidemias de mancha bacteriana é possível realizar mais de um ciclo de
do tomateiro são muito mais frequentes produção de sementes por ano. Por
quando a irrigação é feita por aspersão. outro lado, os espaçamentos utilizados
Portanto, é recomendada a irrigação para a produção de sementes aparen-
por gotejamento em lavouras destina- temente não afetam a produção por
das à produção de sementes, quando área (DONI FILHO, 1982). No entanto,
o objetivo é reduzir a chance de obter os menores espaçamentos resultam
lotes livres de Xanthomonas spp. em colheitas antecipadas, além de
menor tempo de exposição das plantas
A alta densidade de sementes nos a patógenos que viriam a infectar as
plantios deve ser evitada para que não sementes.
se comprometa a sanidade dos campos
de cultivo. Patógenos transmitidos por Em cultivo protegido há também a
sementes geralmente surgem em focos possibilidade de produzir sementes no
no campo. Se a taxa de semeio é alta, sistema hidropônico, com rendimentos
a disseminação do patógeno planta a compatíveis ao sistema convencional
planta é favorecida. Isto ocorre com fun- de produção em campo como, por
gos que causam tombamento de mudas exemplo, em alface (CASTELLANE,
no campo com espécies de Rhizoctonia 1994; FAQUIN et al., 1996; FURANI
solani, Fusarium spp., Phytophthora et al., 1999; VIGGIANO, 1990). Neste
spp. e Sclerotium rolfsii. sistema, onde podem ser controladas
a temperatura e umidade, é mais fácil
A época de plantio deve ocorrer o controle de insetos - praga, ventos
quando não coincide com as condições ou movimentação das plantas, antes
ideais ao ataque de patógenos, para da colheita. As variações climáticas
que haja escape à infecção pelo pató- são menores e o controle da irrigação
geno. O ideal é que o plantio de uma é completo. Assim, pode-se suspender
determinada cultura ocorra quando os a solução nutritiva a partir da maturi-
requerimentos da planta (água, nutrien- dade fisiológica para as cultivares de
tes, luz, temperatura, umidade) não cor- maturação uniforme ou programá-la

267
para aquelas em que a maturação se dio em alface, mancha de alternaria, re-
estende por um período maior, desse queima, míldio e oídio em tomate cereja
modo garantindo boa qualidade das e míldio em pepino, murcha bacteriana
sementes. Isto sugere que mais estu- em tomate cereja. Nas solanáceas, al-
dos sejam realizados sobre a produção gumas viroses, como as causadas pelo
de sementes em cultivo protegido, no grupo dos begomovírus, são comuns
qual se tenha maior controle sobre o e preocupantes. Felizmente, a maioria
ambiente e, consequentemente boa dessas doenças não é transmitida pela
quantidade e qualidade. semente.

Deve-se levar em conta, en- 5. Nível de tolerância de patógenos


tretanto, que plantas cultivadas em em sementes
hidroponia estão sujeitas praticamente
às mesmas doenças, tanto da parte Uma das grandes discussões
aérea quanto das raízes, que ocorrem nos debates sobre qualidade sanitária
em cultivo convencional no campo. E de sementes de hortaliças é a deter-
que, depois de estabelecidas, essas do- minação dos níveis de tolerância aos
enças podem se desenvolver até com patógenos. A grande dificuldade de
maior rapidez sob hidroponia, visto que estabelecer esses níveis depende dos
as condições de temperatura e umida- fatores determinantes da evolução
de são, normalmente, mais favoráveis da doença a partir do inóculo inicial
(LOPES, MAKISHIMA, 2000). Segundo associado à semente. Ou seja, sob
Lopes (2003), “a água, abundante em condições que favoreçam a doença,
sistema hidropônico é o principal deter- há que se preocupar com a obtenção
minante do aparecimento de doenças de sementes com o menor índice de
causadas por fungos e bactérias”. A tolerância possível. A seguir, alguns
mesma afirmação serve para o ataque exemplos de como os níveis de tole-
de pragas no cultivo hidropônico de rância podem ser afetados:
hortaliças. A diferença entre o cultivo
hidropônico e o convencional no campo 5.1 Nível de tolerância afetado pelo
é a incidência e a forma de prevenção. local e pela época de plantio
Aqui, consideram-se as vantagens e
Na Holanda, a tolerância do vírus
desvantagens do cultivo hidropônico,
do mosaico da alface (Lettuce mosaic
citadas anteriormente, para se traçar as
virus) é de 0/2.000 sementes (nenhu-
estratégias de ação preventivas e efe-
ma constatação em análise de 2.000
tivas para controlar doenças e pragas.
sementes). Já na Califórnia (EUA),
Dentre as principais doenças onde a temperatura é mais elevada e
causadas por fungos que podem incidir o plantio é feito o ano todo, proporcio-
em cultivos hidropônicos destacam-se nando populações de pulgões sempre
o cancro de Rhizoctonia e podridão de presentes, a tolerância é bem menor,
Pythium em alface e agrião; oídio e míl- de 0/30.000 sementes (NEERGARD,

268
1983). Outro exemplo de clima afe- Tomateiros de crescimento in-
tando significativamente as taxas de determinado (de mesa) têm consis-
progresso da doença é o patossistema tentemente mostrado maiores danos
salsão (Apium graveolens) x Septoria provocados pelo cancro bacteriano
apiicola, onde os danos identificados quando comparados com tomateiro
em diferentes países foram altamente para processamento industrial (cres-
discrepantes, atingindo 50% a 60% na cimento determinado). Isso pode ser
Dinamarca, 10% a 90% na Alemanha, explicado pela maior manipulação
80% nos EUA e 10% a 15% no Chile das plantas do tomateiro de mesa
(NEERGARD, 1983). Da mesma forma, durante as operações de desbrota,
Lobo Jr. et al. (2000) observaram que amarrio e cruzamentos, que são alta-
o progresso da podridão de esclero- mente eficientes no processo de dis-
tínia em tomate para processamento seminação do patógeno, Clavibacter
industrial na Região Centro Oeste do michiganensis subsp. michiganensis.
Brasil se dá de maneira exponencial Além disso, existe a prática adotada
quando clima frio e úmido favorece a por muitos tomaticultores de reutilizar
disseminação carpogênica (por meio as estacas de condução, eventual-
de ascosporos), e de acordo com o mente contaminadas pelo patógeno,
modelo monomolecular quando a dis- de um plantio para o outro. No caso
seminação é miceliogênica (por meio do tomate industrial, a modificação do
de micélio ou escleródios). Ainda na plantio de semeio direto das sementes
Região Centro Oeste, produtores de pelo transplante de mudas aumentou
tomate industrial evitam plantios em significativamente a incidência e a
épocas sujeitas a temperaturas altas e severidade do cancro bacteriano. Da
chuvas pela dificuldade de controlar a mesma forma, nota-se atualmente
mancha bacteriana. tendência de se substituir a irrigação
por aspersão, onde predominam os
5.2 Nível de tolerância afetado pe- pivôs centrais, por irrigação por gote-
los tratos culturais jamento. Daí esperar-se a redução da
importância de doenças foliares, mui-
Outra consideração importante tas delas transmitidas por sementes
na definição de níveis de tolerância de (mancha bacteriana, pinta bacteriana,
patógenos em sementes são as prá- cancro bacteriano, mancha de estenfí-
ticas culturais adotadas, que também lio, pinta preta), onde poder-se-ia até
certamente afetam o progresso de uma admitir aumento da tolerância desses
determinada doença. No caso de Pho- patógenos, não quarentenários. Por
ma lingam, repolho plantado por meio outro lado, a irrigação por gotejamen-
de mudas apresentou maior incidência to proporciona umidade constante na
da doença do que o plantio direto do rizosfera da planta, que favorece doen-
mesmo lote de sementes (NEERGARD, ças causadas por patógenos de solo.
1983). A modificação do ambiente provocada
pelo uso crescente do plantio direto na

269
palha, em várias culturas como a de resultam em danos significativos, como
tomate industrial, certamente afetará acontece principalmente nas Regi-
de maneira diferenciada uma série de ões Sul e Sudeste do País (LOPES;
patógenos associados a sementes. QUEZADO-SOARES, 2000). Esta
doença é transmitida pelas sementes
De acordo com Lopes et al. e, ao se usar uma cultivar resistente,
(2005), a irrigação também tem tido praticamente se garante o controle
forte influência no cultivo da melancia com a aquisição da semente.
em Uruana, principal região produtora
do Estado de Goiás. Até final da déca- Ainda se referindo ao tomate
da passada, a cultura era conduzida industrial, cultivares apresentaram
quase que exclusivamente em irrigação diferentes níveis de redução de pro-
por aspersão convencional ou por pivô dutividade quando atacadas pela
central. A alta incidência de míldio e mancha bacteriana, causada por
cancro da haste e, principalmente a Xanthomonas spp., também transmi-
baixa aparência da casca dos frutos tidas pela semente, mas para a qual
pelo contato frequente da água com a ainda não se dispõe de resistência
superfície dos frutos, levaram à substi- vertical, sob condições de campo. Em
tuição de praticamente todos os cam- ensaio de campo, o híbrido Hypeel,
pos para irrigação por sulcos. Como apresentou a maior redução de pro-
consequência, essas duas doenças dutividade (52,1%) em consequência
desapareceram dando, porém, lugar ao da alta severidade da doença, que
oídio e a viroses favorecidos direta ou impediu a expressão do seu potencial
indiretamente pela ausência de água produtivo. Por outro lado, as cultivares
na parte aérea. resistentes à doença (Agrocica 30 e
Agrocica 45), embora com potencial
5.3 Níveis de tolerância afetados produtivo mais baixo, apresentaram
pelo grau de resistência da cultivar menores reduções de produtividade
na presença da doença (QUEZADO-
Praticamente todas as cultiva- -SOARES et al., 1998). Também neste
res de tomate para processamento caso, pode-se deduzir que cultivares
industrial atualmente utilizadas no com resistência quantitativa poderiam
Brasil apresentam resistência do tipo admitir maiores níveis de tolerância,
vertical (sensu Vanderplank) à pinta visto que concorrerão para uma menor
bacteriana (Pseudomonas syringae taxa de progresso da doença.
pv. tomato) conferida pelo gene Pto.
Como consequência, esta doença, 6. Conclusões sobre o controle
com danos de até 25% provocados em integrado de doenças de hortaliças
cultivar suscetível, não tem causado visando à produção de sementes
prejuízos à tomaticultura industrial,
Independentemente da cultura
diferentemente da tomaticultura para
ou do patógeno envolvido, a produção
mesa, ainda sujeita a epidemias que
de sementes de hortaliças de boa

270
sanidade sanitária depende de vários de clima seco. Esta medida, aliada à
fatores, que vão desde o planejamento aplicação de fungicidas no início da
da lavoura em termos de área ou região floração, continuando até a maturação
de plantio até a colheita e embalagem das sementes no campo, irá causar
das sementes. As principais estratégias maior impacto na produção de semen-
integradas que tem sido empregada tes com qualidade sanitária desejável.
para a produção de sementes livres Quando se pensa na produção de se-
de patógenos são: 1-cultivares com mente orgânica, ao se retirar o controle
resistência genética; 2-produção de químico do sistema há que fortalecer as
sementes em áreas isoladas distantes outras táticas, de modo a compensar a
de plantios comerciais; 3-inspeções a inegável eficácia do controle químico.
campo visando determinar se a seve- De qualquer maneira, a garantia da
ridade da doença poderá comprometer sanidade da semente é essencial como
os limites de tolerância sugeridos pela medida de controle em si para a produ-
certificação; 4-“roguing” (ou eliminação) ção de alimentos saudáveis.
de plantas doentes; 5- controle químico
racional na lavoura; 6-análise sanitária
visando identificar lotes de sementes Referências
infectados; 7-tratamento químico, físico
ou biológico das sementes. ALTOÉ, G. M. Programas de pulve-
rização em diferentes sistemas de
Considerações finais condução do tomateiro (Lycopersicon
esculentum Mill) visando ao controle
Sementes de hortaliças geral-
de requeima (Phytophthora infestans
mente são produzidas em campo aberto
(Mont.) De Bary) e da Pinta-Preta (Al-
onde se pratica o plantio convencional.
ternaria solani (Ellis & Martin) Jones
Para produção de sementes com qua-
& Grout). Viçosa, MG: UFV, 1995. 70 f.
lidade sanitária, física e fisiológica, o
Dissertação (Mestrado em Fitopatologia)
caminho a seguir é o controle integrado
Universidade Federal de Viçosa, 1995.
das doenças, isto é, o estabelecimento
de estratégias que envolvam todos os ANDRIOLO, J. L.; LUZ, G. L.; GIRALDI,
conhecimentos relacionados com o C.; GODOI, R. S.; BARROS, G. T. Cul-
clima, a resistência genética da planta tivo hidropônico da alface empregando
hospedeira e a presença do patógeno substratos: uma alternativa a NFT?
na área de plantio. Nesse sentido, de- Horticultura Brasileira, Brasília, DF,
ve-se atentar para as diferentes fases v. 22, n. 4, p. 794-798, 2004.
de crescimento fenológico da cultura,
que podem ser afetadas pelos patóge- AVILA, A. C. INOUE-NAGATA, A. K.;
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doenças é de fundamental importância L. O. O.; PRATES, R. S.; BERTINI; L.
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Foto: Jorge Anderson Guimarães

Ataque de curuquerê-
da-couve em
campos de produção
de sementes de
brócolis.

276
Foto: Jorge Anderson Guimarães

277
Controle de pragas em campos de
produção de sementes de hortaliças

Jorge Anderson Guimarães


Miguel Michereff Filho

1. Introdução Com relação ao manejo de pragas, a lei


estabelece alguns limites máximos de

O
termo pragas abrange tanto contaminação por pragas e doenças,
insetos, ácaros, nematóides, citando inclusive as pragas quarente-
plantas, como fitopatógenos que nárias que, quando presentes, inviabi-
causam algum tipo de dano econômico lizam o campo de produção.
ao homem. No Brasil, este termo é mais
comumente utilizado para se referir aos O controle de pragas em áreas
insetos e ácaros fitófagos. Assim, por de produção de sementes de hortali-
convenção, o termo praga será adotado ças é regido por três fatores: 1) para a
neste capítulo com referência aos inse- produção de sementes, as hortaliças
tos e ácaros fitófagos de importância permanecem muito tempo no campo e
econômica na agricultura. por isso, tornam-se mais expostas ao
ataque de pragas e o risco de perdas
A produção de sementes de hor- é muito maior em relação aos culti-
taliças no Brasil é regida pela Lei de vos comerciais; 2) várias espécies de
Sementes (Lei n. 10711 de 5 de agosto pragas das hortaliças possuem rápido
de 2003) que estabelece normas e pa- crescimento populacional e grande
drões para o cultivo e comercialização. potencial destrutivo; e, 3) há grande

279
investimento financeiro para atender -se disponível ao produtor. Mesmo em
as normas de registro e certificação países desenvolvidos da Europa e nos
dos campos de produção de semen- EUA, a maior parte do conhecimento
tes. Portanto, pequenos danos podem fitossanitário é voltada para doenças
ocasionar grandes perdas na produção. causadas por fitopatógenos (fungos,
Diante desse cenário, devido a sua bactérias e vírus), com efeitos dele-
praticidade de uso, o controle químico térios na produção de sementes de
é a principal medida de combate de hortaliças. Dessa forma, é de suma
insetos e ácaros-praga nos campos importância a realização de estudos
de produção de sementes. Todavia, o sobre insetos-praga na produção de
emprego de inseticidas e acaricidas de sementes de hortaliças, no sentido de
maneira indiscriminada ou inadequada se estabelecer a dimensão das perdas
tem causado sérios problemas como a causadas pelos insetos e ácaros-praga
ressurgência de pragas, surgimento de e também, propor alternativas de con-
novas pragas, resistência aos produtos trole eficazes e viáveis à realidade da
rotineiramente utilizados, intoxicação olericultura brasileira. Assim, este ca-
dos aplicadores e a contaminação do pítulo tem como objetivos, apresentar
solo e do lençol freático com resíduos uma compilação sobre as principais
químicos. Por outro lado, também se espécies de pragas em campos de
observa crescente demanda por se- produção de sementes de hortaliças
mentes de hortaliças produzidas em no Brasil e propor medidas para o seu
sistemas orgânicos, visando a produ- manejo eficiente.
ção de alimentos orgânicos em grande
escala para mercados consumidores 2. Manejo integrado de pragas
nacionais e estrangeiros. Neste caso,
é de fundamental importância o uso de O desenvolvimento de um sis-
cultivares mais adaptadas aos sistemas tema de controle de pragas tornou-se
de produção e que sejam tolerantes necessário para suprir a necessidade
às principais espécies de pragas, bem crescente de alimentos e ao mesmo
como a definição precisa da época e tempo, respeitar os preceitos da sus-
do local de cultivo e o planejamento tentabilidade do agroecossistema,
detalhado do manejo ambiental a ser da conservação do meio ambiente e
adotado (armadilhas adesivas, cercas do bem estar do ser humano. Neste
vivas, plantas repelentes etc.), para a cenário, surgiu o Manejo Integrado de
produção de sementes de boa quali- Pragas (MIP), definido como “Siste-
dade. ma de decisão para uso de táticas de
controle, isoladamente ou associadas
Há escassez de informações harmoniosamente, numa estratégia
voltadas especificamente ao manejo de manejo baseada em análises de
de pragas em campos de produção de custo/benefício, que levam em conta
sementes de hortaliças e, consequen- o interesse e/ou o impacto sobre os
temente, pouca tecnologia encontra- produtores, sociedade e o ambiente”.

280
Assim, o MIP estabelece o uso dárias das culturas seriam as mesmas
de medidas de controle, com base que ocorrem na produção comercial
em informaçoes ecológicas obtidas de hortaliças.
no agroecossistema, abolindo dessa
forma, as aplicações fixas por meio de O monitoramento permite estabe-
calendários. lecer os níveis populacionais de equilí-
brio, de controle e de dano econômico
Para o desenvolvimento e a im- dos insetos. O nível de equilíbrio (NE)
plementação do MIP, são necessárias corresponde à densidade populacional
três etapas básicas: (1) avaliação do média, durante um longo período de
agroecossistema, (2) tomada de de- tempo, sem que ocorram mudanças
cisão e (3) seleção dos métodos de permanentes. O nível de controle (NC)
controle a serem adotados. representa a densidade populacional,
onde medidas de controle devem ser
2.1. Avaliação do agroecossistema tomadas para evitar prejuízos econô-
micos, e nível de dano (ND) que repre-
De forma simplificada, consis-
senta a menor densidade populacional
tem em determinar as pragas-chave
de determinada cultura, por meio de do inseto capaz de causar perdas eco-
amostragens ou monitoramento. nômicas ao produtor.

Na avaliação das pragas, é ne- 2.2. Tomada de decisão


cessário que se conheçam quais os
Com base nos dados obtidos no
organismos são pragas e quais não
monitoramento de pragas, é possível
são. Dentro deste contexto, verifica-
efetuar a tomada de decisão, onde
se que a grande maioria das espé-
são analisados todos os aspectos eco-
cies de ácaros e insetos presentes
nômicos da cultura e a relação custo/
nas lavouras de hortaliças não causa
benefício do controle de pragas.
qualquer prejuízo, não devendo ser,
portanto, consideradas como pragas. Uma vez determinado o nível
Algumas espécies raramente causam populacional que causa o prejuízo eco-
prejuízos, sendo consideradas como nômico, é necessário avaliar ainda o
pragas secundárias ou ocasionais. parasitismo e predação, observados ao
Já algumas poucas espécies são
longo do programa de monitoramento,
consideradas como pragas – chave,
para a determinação da tendência de
por frequentemente estarem presen-
crescimento populacional do inseto.
tes em intensidades de ataque que
Com estes dados, o produtor pode ana-
causam prejuízos à exploração agrí-
lisar os custos do controle e o benefício
cola. Além disso, estas se constituem
financeiro que isto lhe proporcionará,
pontos-chave no estabelecimento de
ou seja, se o dano feito pelo inseto
sistemas de manejo integrado de pra-
compensa ou não o uso de medidas
gas. Para a produção de sementes de
de controle.
hortaliças, as pragas-chaves e secun-

281
O controle de pragas em campos 2.3. Seleção dos métodos de contro-
de produção de sementes de hortaliças le (táticas)
deveria seguir as mesmas premissas
adotadas no manejo integrado de pra- Se for necessário usar algum tipo
gas (MIP) nos cultivos de hortaliças de controle, o produtor deverá optar por
para consumo. Entretanto, não existem um sistema que envolva, teoricamente,
resultados de pesquisa que definam um ou mais métodos de controle. Diver-
sistemas de amostragem e índices de sas táticas ou métodos de controle po-
tomada de decisão (nível de dano eco- dem e devem ser usadas para auxiliar
nômico – NDE e nível de controle – NC) à implementação do manejo integrado
para o controle de pragas em campos de de pragas, dentre elas: controle cultural,
produção de sementes de hortaliças no resistência varietal, controle biológico,
Brasil. Assim, a tomada de decisão para métodos físicos e mecânicos, controle
o controle de pragas em campos de pro- legislativo, manipulação genética de
dução de sementes de hortaliças deve pragas, controle químico e controle
basear-se na constatação das pragas de alternativo (produtos biorracionais)
relevância econômica (já identificadas (Figura 1).
na produção convencional de hortaliças)
e no monitoramento da lavoura.

Figura 1. Bases e estrutura do manejo integrado de pragas (MIP).

282
2.3.1. Controle cultural 6) Irrigar adequadamente as plan-
tas, pois a oferta de água determinará
Envolve o uso do conhecimento o grau de desenvolvimento vegetativo
agronômico disponível a fim de prever da planta, interferindo na atratividade
possíveis prejuízos e tentar evitá-los e aceitação das plantas pelas pragas.
com o uso de programa de ações
preventivas de boas práticas agrícolas. 2.3.2. Controle comportamental
O controle cultural manipula o ambiente
agrícola para torná-lo inadequado ao Algumas espécies de pragas,
desenvolvimento de pragas, reduzindo como pulgões, moscas brancas, tripes
as chances de colonização pelos e minadoras são atraídos pela cor
insetos, promovendo sua dispersão amarela e azul. Assim, painéis adesivos
e dificultando sua reprodução e nestas cores podem ser instalados,
sobrevivência. Assim, o controle preferencialmente, nas bordaduras da
cultural visa: cultura para capturar insetos em des-
locamento de uma cultura para outra
1) Escolher uma área adequada ou ainda durante a dispersão entre
para a implantação do campo de pro- plantas.
dução de sementes, a qual deve ser
afastada e, de preferência, isolada de 2.3.3. Controle biológico
outros cultivos de hortaliças para evitar
a infestação de pragas; Uma forma de se utilizar o con-
trole biológico em hortaliças é por meio
2) Eliminar plantas daninhas e da conservação dos inimigos naturais
hospedeiras alternativas de pragas; já existentes. Isso pode ser feito com
o uso correto de produtos químicos
3) Utilizar cercas vivas para atu- seletivos e também pela manipulação
arem como uma barreira vegetal para do ambiente, por meio da preservação
evitar que os insetos em dispersão pelo das matas nativas próximas à cultura,
vento alcancem a área do cultivo; as quais atuam com ilhas de reposição
de inimigos naturais.
4) Cobrir as plantas com manta de
tecido não tecido (TNT) para impedir o
O controle biológico, por meio do
ataque de insetos no início do ciclo da
uso de parasitóides, predadores e ento-
cultura, quando as plantas estão mais
mopatógenos, pode ser uma alternativa
suscetiveis ao ataque de pragas;
para o manejo de pragas em hortaliças
5) Efetuar análises de solo para para produção de sementes, pois, atua
manejar corretamente a nutrição das de maneira natural, reduzindo o nível
plantas, a fim de evitar deficiência e/ populacional das pragas abaixo do nível
ou excesso de nutrientes na aduba- de controle, fazendo com que o equilí-
ção; e brio do agroecossistema seja mantido
de maneira sustentável.

283
2.3.4. Controle químico produto mais indicado para determina-
da praga e situação.
No caso de ataque de pragas nos
campos de produção de sementes, o 2.3.4.1. Inseticidas e acaricidas regis-
uso de inseticidas e acaricidas químicos trados no MAPA
tem sido utilizado como a principal táti-
ca de controle. Isso se deve ao fato de Abaixo segue a listagem de al-
que, mesmo tendo sido tomadas todas guns ingredientes ativos registrados
as medidas de controle cultural, houve para o manejo de insetos-pragas nas
o ataque de pragas; neste caso, o uso culturas abordadas neste capitulo, com
destes pesticidas é recomendado para base em consulta feita no Agrofit no
evitar maiores perdas. mês de fevereiro de 2010.

No entanto, alguns aspectos –  Alface: thiamethoxam, pirimi-


relativos ao uso de inseticidas e acari- phos-methyl, beta-ciflutrina, tiacloprido,
cidas devem ser ressaltados, como por imidacloprido, triclorfom, malationa,
exemplo, a pulverização de produtos pirimicarbe, mevinfós.
de amplo espectro de ação, como os
piretróides e organofosforados, deve –  Brassicáceas: pirimiphos-
ser evitada no inicio do ciclo da cultura -methyl, bifentrina, beta-ciflutrina, tiaclo-
e durante a época de florescimento prido, cloridrato de cartape, clorpirifós,
das plantas, pois causam grandes de- imidacloprido, deltametrina, triclorfom,
sequilíbrios biológicos, inclusive alta lambda-cialotrina, metomil, malationa,
mortalidade dos polinizadores. tebufenozida, acefato, pirimicarbe,
mevinfós, clorfenapir, permetrina, pro-
Em campos de produção de se- tiofós. Obs.: Esta lista de ingredientes
mentes de hortaliças alógamas e híbri- ativos é exclusiva para couve. Para as
das, que realizam polinização cruzada, demais espécies de brássicas, é ne-
por intermédio de insetos polinizadores, cessário consultar o sitio da ANVISA.
como as abelhas, vespas e moscas, o
uso de inseticidas e acaricidas deve ser –  Cebola: cipermetrina, paratio-
feito com extremo cuidado, pois, caso na-metílica, beta-ciflutrina, tiacloprido,
estes polinizadores forem eliminados, carbaril, imidacloprido, fenpropatrina,
afetarão grandemente a produção de deltametrina, cloridrato de formetanato,
sementes. zeta-cipermetrina, lambda-cialotrina,
fenpropatrina, mevinfós, clorfenapir,
Outro aspecto a ser considerado cipermetrina + profenofós, fenitrotiona.
é o uso obrigatório de pesticidas regis-
trados pelo Ministério da Agricultura, –  Cenoura: fostiazato, clorpirifós,
Pecuária e Abastecimento (MAPA) para carbofurano, triclorfom.
a cultura. Portanto, deve-se consultar
um Eng. Agrônomo para obtenção de –  Cucurbitáceas: pirazofós, car-
um receituário agronômico, contendo o baril, imidacloprido, triclorfom, fentiona.

284
Obs.: Esta lista de ingredientes ativos é tiplos modos de ação, atuando como
exclusiva para abóbora. Para as demais regulador de crescimento, inibidor da
espécies de cucurbitáceas, é necessá- alimentação, efeito esterilizante, blo-
rio consultar o sitio da ANVISA. queio de enzimas digestivas, repelência
e outros. Além disso, o nim possui ação
–  Pimentão: thiamethoxam, sistêmica e de profundidade, permitindo
tiacloprido, acefato, imidacloprido, seu contato com insetos em desenvolvi-
deltametrina, triclorfom, metiocarbe, mento no interior de folhas. No entanto,
acefato, clorfenapir, abamectina. Obs.: seu uso no campo ainda dependerá do
Para pimenta, apenas o ingrediente avanço das pesquisas visando o de-
ativo pirimicarbe está registrado para senvolvimento de produtos com maior
controle de insetos-praga. efeito residual, visto que é um produto
que se degrada muito rapidamente
–  Tomate: acefato, thiametho-
no ambiente, requerendo aplicações
xam, dimetoato, beta-cipermetrina,
constantes.
triflumurom, buprofezina, cipermetrina,
clorpirifós, clorfluazurom, ciflutrina,
bifentrina, beta-ciflutrina, tiacloprido, 3. Pragas das hortaliças e seu con-
carbaril, cloridrato de cartape, imida- trole
cloprido, espinosade, fenpropatrina-
3.1. Alface
deltametrina, deltametrina + triazofós,
carbofuranodiflubenzurom, triclorfom, 3.1.1. Pulgões
fentoato, piriproxifem, metamidofós,
alfa-cipermetrina, zeta-cipermetrina, Os pulgões (Hemiptera: Aphi-
novalurom, forato, triazofós, meto- didae), são insetos de 1 a 2 mm de
xifenozida, metomil, benfuracarbe, comprimento, com corpo periforme e
malationa, carbosulfano, lufenurom, mole, antenas bem desenvolvidas e
metiocarbe, tebufenozida, acetami- aparelho bucal tipo sugador. No final
prido, piridafentiona, benfuracarbe, do abdome possuem dois apêndices
alanicarbediafentiurom, cipermetrina + tubulares laterais, chamados sifúncu-
profenofós, indoxacarbe, esfenvalerato, los e um central, denominada codícu-
cloridrato de cartapeetofenproxi. la, por onde são expelidas grandes
quantidades de líquido adocicado
2.3.5. Controle alternativo
(honeydew). Vivem agrupados em
Uma linha bastante promissora colônias, principalmente na face infe-
para auxiliar no manejo de pragas é o rior das folhas da alface. No Brasil só
uso de produtos naturais ou alternati- ocorrem pulgões fêmeas, que se re-
vos, como o inseticida botânico à base produzem por partenogênese telítoca.
de óleo de nim (Azadirachta indica A alface pode se atacada por cerca
A. Juss.). A eficiência do nim como de dezesseis espécies de pulgões,
inseticida baseia-se no seu principio destacando-se Myzus persicae, por
ativo, a azadiractina, que possui múl- ser colonizadora e vetora de viroses.

285
M. persicae (Sulzer) – suas ção sexuada. Vivem na face inferior das
ninfas e adultos ápteros (sem asas) folhas e ficam abrigados entre dobras
apresentam coloração verde-clara, e reentrâncias das plantas.
rosada ou avermelhada, enquanto os
adultos alados possuem abdome verde- F. schultzei - adultos de coloração
amarelado, cabeça e tórax pretos e marrom-escura a preta, enquanto as
sifúnculos escurecidos no ápice. ninfas são amarelas.

A sucção contínua de seiva de T. tabaci - adultos com coloração


tecidos tenros da planta e a injeção de amarelo-caro a marrom, pernas mais
toxinas, tanto por adultos como ninfas, claras que o corpo, abdome com 10
provocam definhamento de mudas e segmentos, tendo ovipositor curvado
plantas jovens e encarquilhamento das para baixo e dotado de dentes. As for-
folhas. Nas infestações elevadas, o lí- mas jovens são amarelo-esverdeadas,
quido açucarado expelido pelos insetos com antenas e pernas quase incolores.
favorece o desenvolvimento do fungo
Capnodium, causador da fumagina T. palmi - adultos com coloração
nas folhas e nas estruturas reproduti- amarelada, sem manchas e cerdas es-
vas da planta, afetando a fotossíntese curas; as formas jovens são amarelas.
e, consequentemente, a produção
Os tripes sugam o conteúdo
de sementes. Este pulgão é também
célular das plantas. As folhas ficam
vetor do vírus do mosaico em alface
com aspecto queimado ou prateado
(Lettuce mosaic virus - LMV) que cau-
e pontuações escuras. O maior dano
sa enrugamento, deformação foliar e
que causam à alface é indireto, por
necrose, sendo que plantas infectadas
meio da transmissão de viroses, como
podem transmití-lo para novos cultivos
o vira - cabeça (Groundnut ringspot
via sementes.
virus - GRSV; Tomato chlorotic spot
3.1.2. Tripes virus - TCSV e Tomato Spotted wilt
virus - TSWV), o qual debilita as plan-
Frankliniella schultzei Trybom tas e pode inviabiliar a produção de
(Thysanoptera: Thripidae) sementes.

Thrips tabaci Lindeman 3.1.3. Mosca branca

Thrips palmi Karny Bemisia tabaci (Gennadius) bióti-


po B (Hemiptera: Aleyrodidae)
São insetos diminutos, com cer-
ca de 3 mm de comprimento, cabeça Inseto sugador, com 1 - 2 mm
quadrangular, aparelho bucal do tipo de comprimento na fase adulta, dorso
raspador-sugador. Os adultos possuem amarelo-palha, quatro asas membra-
asas estreitas e franjadas e formas jo- nosas recobertas com pulverulência
vens são ápteras. Apresentam reprodu- branca e, quando em repouso as asas

286
permanecem levemente separadas. A –  Seleção de mudas sadias e
reprodução pode ser sexuada ou por vigorosas para o transplante;
partenogênese. Os ovos apresentam
coloração amarelada, com formato de –  Isolamento dos talhões por
pêra e são depositados isoladamente data e área, evitando escalonamento
na parte inferior da folha e presos por de plantio;
um pedicelo. As ninfas são translúcidas
–  Plantio dos talhões no sentido
de coloração amarelo a amarelo-pálido;
contrário ao vento, do mais velho para
apenas o primeiro instar ninfal é móvel,
o mais novo, para desfavorecer o deslo-
os demais permanecem fixos na planta
camento das pragas dos talhões velhos
e o quarto instar é chamado de pseudo-
para os novos;
pupa ou pupário, devido à redução do
metabolismo. – Adubação química conforme
análise de solo e requerimentos da cul-
Causa danos diretos à alface tura, evitando-se excesso de nitrogênio;
pela sucção contínua da seiva e ação
toxicogênica, provocando alterações no –  Manejo da irrigação, favore-
desenvolvimento vegetativo e reprodu- cendo o estabelecimento rápido das
tivo das plantas, e pelo favorecimento plantas;
da fumagina (semelhante aos pulgões),
reduzindo a fotossíntese. –  Eliminação de plantas com
viroses;
Táticas de controle
–  Eliminação, nas proximidades
a) Monitoramento das infestações do plantio, de plantas daninhas, outras
de pulgões com armadilhas adesivas plantas cultivadas e plantas silvestres
amarelas, e de tripes com armadilhas que sejam hospedeiras de pulgões,
adesivas azuis, repectivamente. tripes e mosca branca;

b) Controle cultural –  Rotação de culturas com gra-


míneas; e
–  Uso de sementes sadias e
isentas de viroses; –  Destruição de restos culturais.

c) Métodos físicos e mecânicos


–  Produção de mudas em locais
protegidos com tela (malha inferior a –  Implantação de barreiras vivas
0,239 mm), distantes de campos con- (sorgo, capim elefante, milheto ou cro-
taminados por viroses e seus vetores talária) perpendiculares à direção pre-
e longe do local definitivo de plantio; dominante do vento e, quando possível,
ao redor do cultivo ou entre os talhões;
–  Adequação da época de plan-
tio para a região, visando o escape de –  Cobertura do solo com superfí-
picos populacionais das pragas; cie refletora de raios ultravioletas (casca

287
de arroz ou palha para pulgões alados; concentração de 0,5%, para o controle
plástico preto, prateado ou branco para de pugões e mosca branca.
mosca branca), para dificultar a coloni-
zação dos insetos vetores; 3.2. Batata semente

–  Uso de armadilhas adesivas 3.2.1. Pulgões


e bandejas com água, de coloração
amarela, para monitoramento e captura Myzus persicae (Sulzer) (Hemip-
dos pulgões alados e mosca branca; tera: Aphididae)

–  Uso de armadilhas adesivas Macrosiphum euphorbiae (Tho-


e bandejas com água, de coloração mas)
azul, para monitoramento e captura
M. persicae – descrição vide
dos tripes.
pragas da alface. Prefere as folhas
d) Controle químico baixeiras da planta.

–  Uso de inseticidas registrados M. euphorbiae – na fase adulta


para a cultura, seletivos aos inimigos mede 3-4 mm de comprimento, sendo a
naturais e pouco tóxicos ao homem; forma áptera maior que a alada. Possui
coloração geral esverdeada, com cabe-
–  Utilização de dosagem do ça e tórax amarelados, antenas escuras
produto indicada pelo fabricante e a e mais longas que o corpo; sifúnculos
quantidade de água conforme o estádio longos, maiores que a distância entre
de desenvolvimento da cultura; suas bases. Coloniza preferencialmen-
te as porções mediana e superior das
–  Uso alternado de inseticidas de plantas.
diferentes grupos químicos, levando-se
em consideração o modo de ação do Devido à sucção contínua da
produto, o estádio de desenvolvimento seiva, as folhas tornam-se enroladas,
da praga e a fase fenológica da cultura, ecarquilhadas e os brotos ficam curvos,
para evitar a ocorrência de resistência podendo ocorrer retardo no cresci-
das pragas aos inseticidas. Cada pro- mento das plantas e o surgimento da
duto deve ser utilizado por um período fumagina. Estes pulgões infestam tanto
de três semanas, sendo substituído por as plantas no campo, como os brotos
outro caso seja necessára a continui- da batata-semente no armazém e, são
dade das pulverizações. vetores de viroses como os mosaicos
Y (Potato virus Y – PVY) e A (Potato
e) Controle alternativo virus A – PVA) da batata e do vírus do
enrolamento da folha da batata (Potato
– Pulverização de óleo vegetal leafroll virus – PLRV), os quais são os
emulsionável ou inseticida à base de principais responsáveis pela degene-
óleo de nim (Azadirachta indica), na rescência da batata-semente. Devido

288
às perdas elevadas na produção de to das folhas. Atacam os tubérculos
batata causadas por estas viroses, nor- tanto no campo, quando as plantas
mas e portarias específicas, no âmbito começam a secar, como no armazém.
estadual e federal, consideram o nível Penetram nos tubérculos através das
de incidência destas doenças como gemas e escavam galerias largas e
requisito na certificação de lavouras irregulares, profundas ou superficiais,
para produção de batata-semente. podendo comprometer a brotação da
Por exemplo, no Estado de São Paulo, batata quando as injúrias são muito se-
somente são aceitos aqueles cultivos veras e até mesmo destruir totalmente
de batata-semente com 3% de enro- os tubérculos. Níveis de tolerância de
lamento da folha e 5% de mosaico na ataque desta praga aos tubérculos tam-
primeira inspeção (30 dias do plantio), e bém fazem parte dos requisitos da cer-
1% e 2%, respectivamente, na segunda tificação de batata-semente no Brasil.
inspeção (60 dias do plantio).
Táticas de controle
3.2.2. Traça-da-batata
a) Monitoramento das infestações
Phthorimaea operculella (Zeller) de pulgões (armadilhas adesivas ama-
(Lepidoptera: Gelechiidae) relas) e da traça-da-batata (inspeção
visual) no campo e durante o armaze-
Os adultos são mariposas de 10 namento da batata-semente.
a 12 mm de envergadura, asas ante-
riores acinzentadas e franjadas, com b) Controle cultural
pequenas manchas irregulares escuras
e asas posteriores mais claras. Os ovos –  Uso de batata-semente sadia e
são de coloração branca, lisos e glo- isenta de viroses;
bosos, sendo colocados sob as folhas,
ramos e em tubérculos no campo ou –  Adequação da época de plan-
armazenados. As lagartas têm colo- tio para a região, visando o escape de
ração branco-amarelada, esverdeada picos populacionais das pragas;
ou rosada, cabeça marrom-escura,
–  Para evitar elevada incidência
presença de placa dorsal escura no
de viroses no campo destinado à produ-
primeiro segmento do tórax e o penúlti-
ção de batata-semente, recomenda-se
mo segmento abdominal com manchas
que o plantio seja feito em regiões de
escuras. As pupas são marrom-escuras
clima frio e/ou em altitudes elevadas;
e protegidas por casulo de teia.
–  Isolamento dos talhões por
Em baixa infestação, as lagartas
data e área, evitando escalonamento
são encontradas nas folhas baixeiras
de plantio;
próximas ao solo, onde escavam gale-
rias largas e também minam nervuras e –  Plantio dos talhões no sentido
pecíolos, broqueiam ápices caulinares contrário ao vento, do mais velho para
e causam ruptura dos talos e secamen-

289
o mais novo, para desfavorecer o deslo- c) Métodos físicos e mecânicos
camento das pragas dos talhões velhos
para os novos; –  Implantação de barreiras vivas
(sorgo, capim elefante, milheto ou cro-
– Adubação química conforme talária) perpendiculares à direção pre-
análise de solo e requerimentos da cul- dominante do vento e, quando possível,
tura, evitando-se excesso de nitrogênio; ao redor do cultivo ou entre os talhões;

–  Manejo adequado da irrigação –  Cobertura do solo com superfí-


para evitar o estresse hídrico, favore- cie refletora de raios ultravioletas (cas-
cendo o estabelecimento rápido das ca de arroz ou palha), para dificultar a
plantas; colonização dos pulgões;

– Amontoa ou formação de ca- –  Uso de armadilhas adesivas


malhões para reduzir a exposição dos e bandejas com água, de coloração
tubérculos à traça; amarela, para monitoramento e captura
dos pulgões alados;
–  Eliminação de plantas de bata-
ta com viroses; –  Uso de telas para impedir a
entrada de pulgões e da traça da batata
– Eliminação das proximidades no armazém.
do plantio, de plantas daninhas, plantas
cultivadas, soqueiras de batata e plan- d) Resistência de cultivares
tas silvestres que sejam hospedeiras de
pulgões e da traça da batata; –  Uso de variedades com bom
nível de resistência às viroses;
–  Rotação de culturas com plan-
tas não hospedeiras dos pulgões e e) Controle químico
da traça da batata (preferência para
gramíneas); –  Uso de inseticidas registrados
para a cultura, seletivos aos inimigos
– Descarte de tubérculos infes- naturais e pouco tóxicos ao homem;
tados durante o processo de benefi-
ciamento; –  Utilização de dosagem do
produto indicada pelo fabricante e a
–  Limpeza e desinfecção das quantidade de água conforme o estádio
câmaras frias, armazéns e caixarias; de desenvolvimento da cultura;

–  Colheita rápida dos tubérculos – Não aplicação de mistura de


após o dessecamento da parte aérea; inseticidas;

–  Destruição de restos culturais –  Uso alternado de inseticidas de


e de plantas voluntárias (socas de diferentes grupos químicos (rodízio de
batateira). pelo menos três grupos), levando-se

290
em consideração o modo de ação do ração verde-acinzentada, cobertas por
produto, o estádio de desenvolvimento uma camada cerosa branca; as formas
da praga e a fase fenológica da cultura, aladas são de colocação verde, cabeça
para evitar a ocorrência de resistência e tórax pretos, abdome com manchas
das pragas aos inseticidas. Cada pro- escuras na parte dorsal e sifúnculos
duto deve ser utilizado por um período curtos e retos. Vivem em colônias nu-
de três semanas, sendo substituído por merosas na face superior das folhas e
outro caso seja necessára a continui- nas inflorescências.
dade das pulverizações;
M. persicae – descrição, vide pra-
–  Realização de expurgo com gas da alface. Preferem a face inferior
fosfina dentro das câmaras frias e das folhas mais velhas.
galpões para controle de pulgões e da
traça da batata. L. erysimi – as formas ápteras
possuem coloração verde-escura, an-
f) Controle alternativo tenas, pernas e sifúnculos pretos. As
antenas são curtas e os segmentos
– Pulverização de óleo mineral, abdominais proeminentes; as formas
óleo vegetal emulsionável ou inseticida aladas têm 2,5 mm de comprimento,
à base de óleo de nim (Azadirachta com cabeça e tórax escuros e abdo-
indica), na concentração de 0,5%, para me com manchas escuras na lateral.
o controle de pugões. Atacam as partes terminais de talos e
inflorescências e em elevadas infesta-
3.3. Brássicas (couve-manteiga, ções são encontrados em ambas faces
couve-flor, repolho, brócolis etc.) das folhas.

Diversas espécies de insetos-pra- Os pulgões formam grandes


ga podem prejudicar o desenvolvimento colônias rapidamente e, pela sucção
das brássicas, afetando sua produtivi- continua da seiva e injeção de toxinas,
dade e, muitas vezes, a qualidade das podem matar as mudas no campo, re-
sementes. duzir o crescimento e a produção das
plantas, e produzir encarquilhamento e
3.3.1. Pulgões amarelecimento das folhas; em severa
infestação nas inflorescências, podem
Brevicoryne brassicae (L.) (He- afetar a produção de sementes e favo-
miptera: Aphididae) recer o surgimento de fumagina sobre a
planta. Estes insetos são vetores de vá-
Myzus persicae (Sulzer)
rias viroses em brássicas, dentre elas,
Lipaphis erysimi (Kalt.) os mosaicos do nabo (Turnip mosaic
virus – TuMV) e da couve-flor (Cauliflo-
B. brassicae – as formas ápteras wer mosaic virus – CaMV), sendo esta
chegam a 2 mm de comprimento, colo- última transmitida via semente.

291
3.3.2. Lagartas de envergadura, corpo preto e asas
branco-amareladas, com bordas mar-
Plutella xylostella (L.) (Lepidopte- rom-escuras. Os ovos são amarelados,
ra: Plutellidae) – Traça-das-crucíferas depositados em grupos não muito pró-
ximos na face inferior da folha, talos e
Ascia monuste orseis (Latreille) inflorescências. As lagartas chegam a
(Lepidoptera: Pieridae) – Curuquerê- medir 40 mm de comprimento, com ca-
-da-couve beça escura, corpo de coloração cinza-
esverdeada, com faixas longitudinais
P. xylostella – os adultos são
amarelas e verdes e pontuações pretas.
mariposas de 8 a 10 mm de compri- As pupas (crisálidas) são de coloração
mento, com coloração parda e mancha marrom-esverdeada, sendo encontra-
branca na margem posterior das asas das na própria planta ou no solo.
formando uma faixa em formato de
diamante quando em repouso. Os ovos As lagartas ocasionam desfolha
são muito pequenos, arredondados e parcial ou total da planta e consomem
esverdeados, depositados isolados ou as inflorescências e sementes produzi-
em grupos de 2 a 3, na face inferior das.
das folhas e nas inflorescências. As
lagartas atingem até 10 mm de com- Táticas de controle
primento, são de coloração verde-clara,
cabeça de cor parda e corpo com pêlos a) Monitoramento das infesta-
escuros, curtos e esparsos. A pupa é ções de pulgões (armadilhas adesivas
protegida por um casulo de pequenas amarelas) e da traça-das-crucíferas
malhas, facilmente reconhecido na face (inspeção visual e armadilha iscada
inferior das folhas. com feromônio sexual sintético).

As lagartas causam desfolha e b) Controle cultural


podem destruir completamente a lavou-
–  Produção de mudas em locais
ra. Os danos desta praga em cultivos
protegidos com tela, distantes de cam-
de produção de sementes são indiretos,
pos infestados com pulgões e longe do
pois as lagartas não se alimentam das
local definitivo de plantio;
sementes, porém, a desfolha severa
reduz o vigor das plantas e consequen- –  Adequação da época de plan-
temente, a produção de sementes. A tio para a região, visando o escape de
traça pode ainda favorecer a entrada picos populacionais das pragas;
de bactérias oportunistas, como Pecto-
bacterium spp. nos tecidos lesionados, –  Seleção de mudas sadias e
aumentando a incidência de podridão- vigorosas para o transplante;
mole nas plantas.
–  Isolamento dos talhões por
A. monuste orseis – os adultos data e área, evitando escalonamento
são borboletas com cerca de 50 mm de plantio;

292
–  Plantio dos talhões no sentido amarela, para monitoramento e captura
contrário ao vento, do mais velho para dos pulgões alados;
o mais novo, desfavorecendo assim o
deslocamento das pragas dos talhões –  Uso de irrigação por aspersão
velhos para os novos; para controle mecânico de pulgões e
lagartas.
– Adubação química conforme
análise de solo ou foliar e requerimen- d) Controle biológico
tos da cultura, evitando-se excesso de
nitrogênio; Pulverização com inseticidas
biológicos à base de Bacillus thurin-
–  Manejo adequado da irrigação giensis Berliner (subespécies kurstaki
para evitar o estresse hídrico, favore- e aizawai) para controle de lagartas da
cendo o estabelecimento rápido das traça-das-crucíferas e do curuquerê-
plantas; -da-couve.

– Eliminação das proximidades e) Controle químico


do plantio, de plantas daninhas, plan-
tas cultivadas e plantas silvestres que –  Uso de inseticidas registrados
sejam hospedeiras de pulgões e da para a cultura, seletivos aos inimigos
traça-das-crucíferas; naturais e polinizadores e, pouco tóxi-
cos ao homem;
–  Rotação de culturas com plan-
tas não hospedeiras dos pulgões e da –  Utilizar a dosagem do produto
traça-das-crucíferas; indicada pelo fabricante e a quantidade
de água conforme o estádio de desen-
–  Destruição de restos culturais. volvimento da cultura;

c) Métodos físicos e mecânicos – Evitar a aplicação de mistura


de inseticidas;
–  Implantação de barreiras vivas
(sorgo, capim elefante, milheto ou cro- –  Uso, alternado, de inseticidas
talária) perpendiculares à direção pre- de diferentes grupos químicos (rodízio
dominante do vento e, quando possível, de pelo menos três grupos), levando-se
ao redor do cultivo ou entre os talhões; em consideração o modo de ação do
produto, o estádio de desenvolvimento
–  Cobertura do solo com superfí- da praga e a fase fenológica da cultura,
cie refletora de raios ultravioletas (cas- para evitar a ocorrência de resistência
ca de arroz ou palha), para dificultar a das pragas aos inseticidas. Cada pro-
colonização dos pulgões; duto deve ser utilizado por um período
de três semanas, sendo substituído por
–  Uso de armadilhas adesivas outro caso seja necessária a continui-
e bandejas com água, de coloração dade das pulverizações.

293
f) Controle alternativo didae), dentre elas, M. persicae, B.
brassicae, Neotoxoptera formosana
– Pulverização de óleo mineral Takahashi, Aphis spp., Geopenphigus
e óleo vegetal emulsionável, na con- sp., Hyperomyzus sp., Lipaphis sp.
centração de 0,5%, para o controle de e Rhopaloshiphum sp. Estes insetos
pugões; são vetores de diversas viroses (Onion
yellow dwarf virus – OYDV; Garlic
–  Pulverização de inseticida à
yellow stripe virus – GYSV; Leek yellow
base de óleo de nim (Azadirachta in-
stripe virus – LYSV; Garlic mosaic
dica), na concentração de 0,5%, para
virus – GarMV; Garlic common latent
o controle de pulgões e de lagartas da
virus – GarCLV), que causam redução
traça-das-crucíferas.
do rendimento das culturas através
3.4. Cebola e Alho-semente da diminuição do tamanho e peso dos
bulbos e bulbilhos. Na cultura do alho,
3.4.1. Tripes estas viroses são disseminadas via
bulbilho semente.
Thrips tabaci Lindeman (Thysa-
noptera: Thripidae) – descrição, vide 3.4.3. Ácaro do chochamento do alho
pragas da alface. Principal praga da
cebola. Vivem em colônias, alojando-se Aceria tulipae (Keifer) (Acari:
nas bainhas das folhas e alimentam-se Eriophyidae)
da seiva da planta. Em infestações se-
veras, os tripes deixam as folhas com São ácaros alongados, vermifor-
áreas esbranquiçadas ou prateadas, mes, menores que 1 mm de compri-
que ficam retorcidas, e podem secar mento e com dois pares de patas. Loca-
completamente, comprometendo o lizam-se nas dobras das folhas e sobre
crescimento da planta. Causam per- os bulbilhos. Provocam retorcimento
das na produção, devido à redução do em forma de chicote, estrias cloróticas
tamanho, peso e qualidade dos bulbos e secamento das folhas, causando
e redução na produção de sementes. nanismo das plantas. Atacam os bul-
Além destes danos diretos, T. tabaci bilhos provocando seu “chochamento”
também pode transmitir viroses que no campo e no armazém. Também são
inviabilizam a produção de sementes de vetores de vírus do gênero Allexivirus,
cebola, a exemplo da “Sapeca”, doença cuja principal disseminação ocorre via
causada por um Tospovirus (Iris yellow bulbilho semente.
spot virus – IYSV).
Táticas de controle
3.4.2. Pulgões
a) Controle Cultural
As culturas do alho e da cebola
podem ser atacadas por várias es- –  Uso de sementes e bulbilhos
pécies de pulgões (Hemiptera: Aphi- isentos de viroses;

294
–  Produção de mudas em locais –  Rotação de culturas com plan-
protegidos com tela, distantes de cam- tas não hospedeiras dos pulgões e
pos infestados com insetos vetores de tripes;
viroses e longe do local definitivo de
plantio; –  Destruição de restos culturais e
plantas voluntárias de cebola ou alho.
–  Cultivo em áreas livres de vírus;
–  Limpeza e desinfecção dos
–  Adequação da época de plan- armazéns e caixarias;
tio para a região, visando o escape de
picos populacionais das pragas; b) Métodos físicos e mecânicos

–  Seleção de mudas sadias e –  Implantação de barreiras vivas


vigorosas para o transplante; (sorgo, capim elefante, milheto ou cro-
talária) perpendiculares à direção pre-
– Dar preferência a semeadura dominante do vento e, quando possível,
direta; ao redor do cultivo ou entre os talhões;
–  Isolamento dos talhões por –  Cobertura do solo com superfí-
data e área, evitando escalonamento cie refletora de raios ultravioletas (cas-
de plantio; ca de arroz ou palha), para dificultar a
colonização dos pulgões;
–  Plantio dos talhões no sentido
contrário ao vento, do mais velho para –  Uso de armadilhas adesivas
o mais novo, para desfavorecer o deslo- e bandejas com água, de coloração
camento das pragas dos talhões velhos amarela, para monitoramento e captura
para os novos; dos pulgões alados;
– Adubação química conforme –  Uso de armadilhas adesivas
análise de solo ou foliar e requerimen- e bandejas com água, de coloração
tos da cultura, evitando-se excesso de azul, para monitoramento e captura
nitrogênio; dos tripes.
–  Manejo adequado da irrigação –  Uso de irrigação por aspersão
para evitar o estresse hídrico, favorecen- para controle mecânico de pulgões e
do o estabelecimento rápido das plantas; tripes.
–  Eliminação de plantas com viro- c) Controle químico
ses e ataque do ácaro do chochamento;
–  Uso de inseticidas registrados
– Eliminação das proximidades
para a cultura, seletivos aos inimigos
do plantio, de plantas daninhas, plan-
naturais e polinizadores, pouco tóxicos
tas cultivadas e plantas silvestres que
ao homem;
sejam hospedeiras de pulgões e tripes;

295
–  Utilizar a dosagem do produto de raízes. Isso se deve à época de
indicada pelo fabricante e a quantidade plantio de cenoura para obtenção de
de água conforme o estádio de desen- sementes, geralmente com baixas tem-
volvimento da cultura; peraturas e baixa umidade relativa do
ar. O controle sistemático de pragas é
– Evitar a aplicação de mistura fator fundamental para a boa qualidade
de inseticidas ou acaricidas; das plantas destinadas à produção de
sementes. Logo após a emergência
–  Uso, alternado, de inseticidas e das plântulas, recomenda-se manter
acaricidas de diferentes grupos quími- atenção sobre a possível ocorrência
cos (rodízio de pelo menos três grupos), de pragas, pois os danos provocados
levando-se em consideração o modo de em plantas jovens são os mais devas-
ação do produto, o estádio de desen- tadores e podem comprometer com-
volvimento da praga e a fase fenológica pletamente a obtenção de sementes
da cultura, para evitar a ocorrência de no campo.
resistência das pragas aos inseticidas.
Cada produto deve ser utilizado por um 3.5.1. Lagartas
período de três semanas, sendo substi-
tuído por outro, caso seja necessára a Agrotis ipsilon (Hufnagel) (Lepi-
continuidade das pulverizações. doptera: Noctuidae) – lagarta-rosca

–  Imersão dos bulbilhos de alho, Spodoptera spp. – lagarta-rosca


24 h antes do plantio por 10 minutos,
A. ipsilon – o adulto é uma ma-
em calda acaricida (abamectin) e
riposa com 35 mm de envergadura,
expurgo (fosfina) dos bulbos no arma-
asas anteriores de coloração marrom
zém, além de tratamento de semente
com manchas triangulares negras e
(organofosforado não sistêmico ou
asas posteriores brancas. A lagarta é
enxofre), visando o controle do ácaro
robusta, de coloração marrom-acin-
do chochamento do alho.
zentada, cápsula cefálica lisa e escura,
d) Controle alternativo chegando a 45 mm de comprimento;
se enroscam quando tocadas. As mari-
– Pulverização de óleo mineral, posas colocam os ovos no solo, moitas
óleo vegetal emulsionável e inseticida de capim, restos de cultura, gramíneas
à base de óleo de nim (Azadirachta emergentes ou nas folhas ou pecíolos
indica), na concentração de 0,5%, para das plantas de cenoura. As lagartas,
o controle de pulgões. após a eclosão, alimentam-se raspando
as folhas, e à medida que aumentam de
3.5. Cenoura tamanho, passam a cortar as plantas
próximo à superfície do solo.
A incidência de pragas na fase
de produção de sementes de cenoura Algumas espécies do gênero
é em geral menor do que na produção Spodoptera, notadamente S. frugiper-

296
da (J.E. Smith) e S. eridania (Cramer), belas, provocando dano direto pela
apresentam comportamento semelhan- sucção contínua da seiva. O pulgão C.
te à A. ipsilon, principalmente durante aegopodii é o vetor da virose “amarelo
a época mais seca do ano. ou vermelho da cenoura” (Carrot red
leaf virus – CtRLV) e, juntamente com
Os danos das lagartas-roscas M. persicae pode também transmitir
em cenoura são mais comuns até 30-40 o mosaico da cenoura (Carrot mosaic
dias após a semeadura. Geralmente a virus – CtMV); estas viroses não são
presença de lagarta-rosca só é detec- transmitidas pela semente, mas podem
tada quando se verificam plantas corta- reduzir a produtividade das plantas
das, causando redução no estande de infectadas.
plantio.
Táticas de controle
3.5.2. Pulgões
a) Controle Cultural
Aphis gossypii Glover (Hemiptera:
Aphididae) –  Adequação da época de plan-
tio para a região, visando o escape de
Cavariella aegopodii (Scopoli)
picos populacionais das pragas;
Myzus persicae (Sulzer)
–  Isolamento dos talhões por
A. gossypii – são insetos peque- data e área, evitando escalonamento
nos (1-3 mm), com corpo periforme e de plantio;
mole, coloração amarelo-clara a verde
escura, com antenas bem desenvolvi- –  Plantio dos talhões no sentido
das, sifúnculos e aparelho bucal tipo contrário ao vento, do mais velho para
sugador. o mais novo, para desfavorecer o deslo-
camento das pragas dos talhões velhos
C. aegopodii – corpo ovalado, para os novos;
com 2 mm de comprimento. As formas
ápteras são de coloração verde e si- – Adubação química conforme
fúnculos dilatados, enquanto as formas análise de solo ou foliar e requerimen-
aladas são de coloração verde-escura tos da cultura, evitando-se excesso de
e antenas curtas. nitrogênio;

M. persicae – descrição; vide –  Manejo adequado da irrigação


pragas da alface. para evitar o estresse hídrico, favore-
cendo o estabelecimento rápido das
Os pulgões ocorrem principal- plantas;
mente na fase de florescimento, ficam
concentrados nas pontas das hastes –  Eliminação de plantas com
tenras da planta, logo abaixo das um- viroses;

297
– Eliminação nas proximidades –  Uso, alternado, de inseticidas
do plantio, de plantas daninhas, plan- e acaricidas de diferentes grupos quí-
tas cultivadas e plantas silvestres que micos, levando-se em consideração o
sejam hospedeiras de pulgões; modo de ação do produto, o estádio
de desenvolvimento da praga e a fase
–  Rotação de culturas com plan- fenológica da cultura, para evitar a
tas não hospedeiras de pulgões; ocorrência de resistência das pragas
aos inseticidas. Cada produto deve
–  Destruição de restos culturais.
ser utilizado por um período de três
b) Métodos físicos e mecânicos semanas, sendo substituído por outro
caso seja necessára a continuidade das
–  Implantação de barreiras vivas pulverizações.
(sorgo, capim elefante, milheto ou cro-
talária) perpendiculares à direção pre- d) Controle alternativo
dominante do vento e, quando possível,
ao redor do cultivo ou entre os talhões; Pulverização de óleo mineral,
óleo vegetal emulsionável e inseticida
–  Cobertura do solo com superfí- à base de óleo de nim (Azadirachta
cie refletora de raios ultravioletas (cas- indica), na concentração de 0,5%, para
ca de arroz ou palha), para dificultar a o controle de pulgões.
colonização dos pulgões;
3.6. Cucurbitáceas (abóbora, abobri-
–  Uso de armadilhas adesivas nha, melão, pepino, etc.)
e bandejas com água, de coloração
amarela, para monitoramento e captura 3.6.1. Brocas-das-cucurbitáceas
dos pulgões alados;
Diaphania nitidalis Cramer (Lepi-
–  Uso de irrigação por aspersão doptera: Pyralidae)
para controle mecânico dos pulgões.
D. hyalinata L.
c) Controle químico
D. nitidalis – os adultos são
–  Uso de inseticidas registrados mariposas de 20 mm de envergadura,
para a cultura, seletivos aos inimigos coloração marrom-violácea, com
naturais e polinizadores e, pouco tóxi- as asas apresentando área central
cos ao homem; amarelada semitransparente, e os
bordos marrom-violáceos. As lagartas
–  Utilizar a dosagem do produto medem até 30 mm de comprimento,
indicada pelo fabricante e a quantidade com cabeça escura, corpo de coloração
de água conforme o estádio de desen- creme com pontuações pretas até o
volvimento da cultura; terceiro instar e totalmente verde após
esse estádio; atacam preferencialmente
– Evitar a aplicação de mistura
flores e frutos de qualquer idade,
de inseticidas ou acaricidas;

298
abrem galerias e destroem a polpa Elevadas infestações favorecem o sur-
(broqueamento) dos frutos, acarretando gimento da fumagina sobre as plantas
seu apodrecimento e inutilização. (redução da fotossíntese) e os frutos.
Estes pulgões também podem transmi-
D. hyalinata – os adultos são tir viroses como o mosaico amarelo da
brancos, com exceção do tórax, últi- abóbora de moita (Zuchini yellow mo-
mos segmentos abdominais e tufos de saic Virus – ZYMV) e o mosaico do pe-
pêlos. Possuem asas com área semi- pino (Cucumber mosaic virus – CMV),
transparente branca e com faixa escura ambas transmitidas por semente.
e retilínea nas bordas. As lagartas são
de coloração verde, com duas listas 3.6.3. Mosca branca
brancas até o quarto instar ou verdes
a partir desse estádio; se alimentam Bemisia tabaci biótipo (Genna-
de folhas, brotos novos, talos, hastes dius) B (Hemiptera: Aleyrodidae) – des-
e frutos. crição, vide pragas da alface

Ovos de ambas espécies são Causa danos diretos pela sucção


de coloração branca a creme, sendo contínua da seiva e ação toxicogênica,
depositados nas folhas, ramos, flores provocando alterações no desenvol-
e frutos. As pupas são de coloração vimento vegetativo (menor vigor) e
amarronzada e ficam sob as folhas reprodutivo das plantas, e pelo favore-
secas ou no solo. A incidência destas cimento da fumagina (semelhante aos
pragas danifica as flores, afetando a pulgões), reduzindo a fotossíntese. No
polinização e pode reduzir significati- melão, causa redução no desenvolvi-
vamente a quantidade e a qualidade mento e deformação dos frutos e trans-
das sementes. mite o vírus causador do “amarelão do
meloeiro” (Melon yellowing associated
3.6.2. Pulgões virus – MyaV, gênero Carlavirus); na
abóbora, causa prateamento na face
Aphis gossypii Glover (Hemiptera: superior das folhas.
Aphididae) – descrição, vide pragas da
alface 3.6.4. Vaquinhas

Myzus persicae (Sulzer) – descri- Acalymma bivittula (Kirsch) (Co-


ção, vide pragas da alface leoptera: Chrysomelidae)

Ambas espécies de pulgões Diabrotica spp.


ocorrem em grandes colônias na face Cerotoma arcuata (Oliveira)
inferior das folhas, brotações e flores.
Pela sucção contínua da seiva e ação Cerotoma unicornis (Germar)
toxigênica, os brotos e ramos novos
tornando-se engruvinhados, prejudi- Epilachna cacica (Guérin) (Cole-
cando o desenvolvimento das plantas. optera: Coccinellidae)

299
Os adultos são besouros de 5 a –  Produção de mudas em locais
10 mm de comprimento, apresentam o protegidos com tela, distantes de cam-
primeiro par de asas rígidas como um pos infestados com insetos sugadores
escudo (élitros), de cores variadas, com ou abandonados e longe do local defi-
manchas ou listras amarelas, pretas ou nitivo de plantio;
acinzentadas. As larvas dos besouros
da família Chrysomelidae apresentam –  Adequação da época de plan-
coloração branca, com cabeça e placa tio para a região, visando o escape de
dorsal do último segmento abdominal picos populacionais das pragas;
de coloração marrom-escura. As larvas
–  Seleção de mudas sadias e
de E. cacica chegam a 10 mm de com-
vigorosas para o transplante;
primento, são amarelas e têm o corpo
coberto por espinhos pretos e longos. –  Isolamento dos talhões por
data e área, evitando escalonamento
As larvas de Chrysomelidae de plantio;
atacam as raízes da planta, enquanto
os adultos se alimentam das partes –  Plantio dos talhões no sentido
vegetativas e do pólen, podendo em contrário ao vento, do mais velho para
elevadas infestações, comprometer a o mais novo, para desfavorecer o deslo-
produção de sementes. Adultos e larvas camento das pragas dos talhões velhos
de E. cacica atacam somente as folhas. para os novos;
As espécies de Diabrotica e E. cacica
são vetoras do vírus do mosaico da –  Cultivos intercalares (policulti-
abóbora (Squash mosaic virus – SqMV) vos) com culturas não hospedeiras das
que pode infectar as cucurbitáceas e brocas, mosca branca e pulgões e, que
ser transmitido por sementes. tenham porte ereto;

Táticas de controle – Adubação química conforme


análise de solo ou foliar e requerimen-
a) Monitoramento das infesta- tos da cultura, evitando-se excesso de
ções de pulgões e da mosca branca nitrogênio;
com armadilhas adesivas amarelas e
da broca-das-cucurbitáceas (inspeção –  Manejo adequado da irrigação
visual). para evitar o estresse hídrico, favore-
cendo o estabelecimento rápido das
b) Controle Cultural plantas;

–  Uso de sementes sadias e –  Eliminação de plantas com


isentas de viroses; viroses;

–  Uso de variedades ou híbridos –  Eliminação de plantas daninhas


de ciclo curto; e plantas silvestres que sejam hospe-

300
deiras das brocas-das-cucurbitáceas, d) Controle biológico
pulgões e mosca branca, no interior e
nas bordaduras do plantio; Pulverização com inseticidas
biológicos à base de Bacillus
–  Rotação de culturas com plan- thuringiensis Berliner (subespécies
tas não hospedeiras das brocas, mosca kurstaki e aizawai) dirigida às flores e
branca e pulgões frutos novos para controle das brocas-
das-cucurbitáceas.
–  Colheita antecipada, principal-
mente dos frutos atacados por pragas; e) Resistência genética
–  Destruição e incorporação dos Utilização de cultivares com bom
restos culturais após a colheita ou parte nível de resistência às viroses.
da planta atacada;
f) Controle comportamental
– Evitar a entrada de pessoas,
carros e caixas nas áreas de plantio; –  Uso de cultivo intercalar com
abobrinha italiana (ex., cv. Caserta),
c) Métodos físicos e mecânicos que funciona como planta isca para as
–  Implantação de barreiras vivas brocas, sobre a qual aplica-se insetici-
das químicos e biológicos;
(sorgo, capim elefante, milheto ou cana-
de-açúcar) perpendiculares à direção –  Uso de “tajujá” [Cayaponia
predominante do vento ao redor do tayuya (Vell.) Cogn; Ceratosanthes hi-
cultivo, que devem ter pelo menos 1,0 lariana; Cayaponia martiana] ou de ca-
m de altura no momento do plantio das baça verde (Lagenaria vulgaris) como
cucurbitáceas, no intuito de retardar isca, na qual são aplicados inseticidas
as infestações das brocas, pulgões e químicos para controle de vaquinhas.
mosca branca;
g) Controle legislativo
–  Cobertura do solo com su-
perfície refletora de raios ultravioletas –  Barreira fiscal empregada em
(casca de arroz ou palha), para dificultar áreas de produção de melão, como no
a colonização dos pulgões e mosca Rio Grande do Norte e no Ceará.
branca;
h) Controle químico
–  Uso de armadilhas adesivas
e bandejas com água, de coloração –  Uso de inseticidas registrados
amarela, para monitoramento e captura para a cultura, seletivos aos inimigos
dos pulgões alados e mosca branca; naturais e polinizadores e, pouco tóxi-
cos ao homem;
–  Uso de irrigação por aspersão
para controle mecânico de pulgões e –  Utilizar a dosagem do produto
mosca branca. indicada pelo fabricante e a quantidade

301
de água conforme o estádio de desen- mentão e da pimenta. Devido à sucção
volvimento da cultura; contínua da seiva, as folhas tornam-se
enroladas, encarquilhadas e os brotos
– Evitar a aplicação de mistura ficam curvos e achatados, podendo
de inseticidas; ocorrer retardo no crescimento das
plantas e o surgimento da fumagina.
–  Ter cuidado com fitotoxidez de Além desses danos, os pugões podem
inseticidas e acaricidas às cucurbitá- transmitir o vírus do mosaico do pimen-
ceas; tão (Potato Virus Y – PVY), que resulta
em queda acentuada na produção e
–  Uso, alternado, de inseticidas qualidade dos frutos.
de diferentes grupos químicos, levando-
se em consideração o modo de ação do 3.7.2. Tripes
produto, o estádio de desenvolvimento
da praga e a fase fenológica da cultura, Frankliniella schultzei Trybom
para evitar a ocorrência de resistência (Thysanoptera: Thripidae) – descrição,
das pragas aos inseticidas. Cada pro- vide pragas da alface
duto deve ser utilizado por um período
de três semanas, sendo substituído por Thrips palmi Karny – descrição,
outro caso seja necessária a continui- vide pragas da alface
dade das pulverizações.
Estes insetos atacam as folhas
– As pulverizações devem ser (estrias esbranquiçadas e prateadas),
realizadas a partir das 16 h devido à brotações e botões florais e ocasionam
maior atividade dos insetos polinizado- superbrotamento da planta, quedas das
res pela manhã. flores e deformações nos frutos. Os
tripes podem causar danos indiretos
3.7. Pimentão e Pimenta (Capsicum) através da transmissão do vírus do
vira-cabeça (Tomato spotted wilt virus
3.7.1. Pulgões – TSWV; Groundnut ring spot virus –
GRSV e Tomato chlorotic spot virus –
Aphis gossypii Glover (Hemiptera: TCSV), o qual pode causar a morte de
Aphididae) – descrição, vide pragas da plantas infectadas na fase de produção
alface de mudas ou logo após o transplantio,
comprometendo totalmente a produção.
Myzus persicae (Sulzer) – descri-
ção, vide pragas da alface 3.7.3. Ácaros

Macrosiphum euphorbiae (Tho- Polyphagotarsonemus latus


mas) – descrição, vide pragas da (Banks) (Acari: Tarsonemidae) – Ácaro
batata-semente branco

Estes pulgões atacam folhas, ra- Os adultos possuem coloração


mos novos, botões florais e flores do pi- branco-esverdeada ou branco-amare-

302
lada brilhante, são invisíveis a olho nu –  Adequação da época de plan-
(0,17 mm de comprimento); os machos tio para a região, visando o escape de
são menores e hialinos e têm o quarto picos populacionais das pragas;
par de pernas avantajado. Os ovos são
de coloração branca ou pérola, acha- –  Seleção de mudas sadias e
tados e com saliências superficiais; vigorosas para o transplante;
são depositados isoladamente na face
–  Isolamento dos talhões por
inferior das folhas novas. As larvas são
data e área, evitando escalonamento
hexápodas e de coloração branca, sen-
de plantio;
do bastante móveis.
–  Plantio dos talhões no sentido
Estes ácaros não produzem teia contrário ao vento, do mais velho para
e alojam-se na face inferior das folhas, o mais novo, para desfavorecer o deslo-
principalmente na região apical da camento das pragas dos talhões velhos
planta (ponteiros), as quais se tornam para os novos;
curvadas para baixo (enrolamento dos
bordos), ressecadas, bronzeadas e – Adubação química conforme
com rasgaduras, podendo cair prema- análise de solo ou foliar e requerimen-
turamente. Também causam deformida- tos da cultura, evitando-se excesso de
des e quedas nas flores e frutos, com- nitrogênio;
prometendo a produção de sementes.
Em ataque intenso pode ocasionar a –  Manejo adequado da irrigação
morte de plantas novas. para evitar o estresse hídrico, favore-
cendo o estabelecimento rápido das
Táticas de controle plantas;

a) Monitoramento das infestações –  Eliminação de plantas com


de pulgões e de tripes com armadilhas viroses;
adesivas amarelas e azuis, respecti-
–  Eliminação de plantas dani-
vamente.
nhas e plantas silvestres que sejam
b) Controle cultural hospedeiras de pulgões, tripes e ácaro
branco, no interior e nas bordaduras do
–  Uso de sementes sadias e plantio;
isentas de viroses;
–  Rotação de culturas com plan-
–  Uso de variedades ou híbridos tas não hospedeiras de pulgões, tripes
de ciclo curto; e ácaro branco;

–  Produção de mudas em locais –  Colheita antecipada, principal-


protegidos com tela, distantes de cam- mente dos frutos atacados por pragas;
pos com viroses e seus vetores e longe
–  Destruição e incorporação dos
do local definitivo de plantio;
restos culturais.

303
c) Métodos físicos e mecânicos – Evitar a aplicação de mistura
de inseticidas;
–  Implantação de barreiras vivas
(sorgo, capim elefante, milheto ou –  Uso, alternado, de inseticidas
cana-de-açúcar) perpendiculares à de diferentes grupos químicos, levando-
direção predominante do vento ao se em consideração o modo de ação do
redor do cultivo, no intuito de retardar produto, o estádio de desenvolvimento
as infestações de pulgões e tripes; da praga e a fase fenológica da cultura,
para evitar a ocorrência de resistência
–  Cobertura do solo com superfí- das pragas aos inseticidas. Cada pro-
cie refletora de raios ultravioletas (cas- duto deve ser utilizado por um período
ca de arroz ou palha), para dificultar a de três semanas, sendo substituído por
colonização dos pulgões; outro caso seja necessára a continui-
dade das pulverizações.
–  Uso de armadilhas adesivas
e bandejas com água, de coloração f) Controle alternativo
amarela, para monitoramento e captura
dos pulgões alados e Pulverização de óleo mineral,
óleo vegetal emulsionável ou inseticida
–  Uso de armadilhas adesivas à base de óleo de nim, na concentração
e bandejas com água, de coloração de 0,5%, para o controle de pugões e
azul, para monitoramento e captura do ácaro branco.
dos tripes e
3.8. Tomate
–  Emprego da irrigação por
aspersão para controle mecânico de 3.8.1. Mosca branca
pulgões, tripes e ácaro branco.
Bemisia tabaci (Gennadius) bióti-
d) Resistência genética po B (Hemiptera: Aleyrodidae) –  des-
crição, vide pragas da alface
Utilização de cultivares com bom
nível de resistência às viroses. Causa danos diretos pela sucção
contínua da seiva e ação toxicogênica,
e) Controle químico provocando alterações no desenvol-
vimento vegetativo (menor vigor) e o
–  Uso de inseticidas registrados amadurecimento irregular dos frutos,
para a cultura, seletivos aos inimigos que dificulta o reconhecimento do ponto
naturais e polinizadores e, pouco tóxi- de colheita e torna a parte interna dos
cos ao homem; frutos esbranquiçada, com aspecto
esponjoso ou isoporizado. Infestações
–  Utilizar a dosagem do produto
muito severas ocasionam murcha,
indicada pelo fabricante e a quantidade
queda de folhas e perda de frutos, bem
de água conforme o estádio de desen-
como a formação de fumagina sobre as
volvimento da cultura;

304
folhas e frutos. No entanto, mais sérios dias), comprometendo totalmente a
são os danos indiretos causados pela produção de sementes.
transmissão dos geminivírus. Há mais
de treze espécies de geminivírus relata- 3.8.3. Pulgões
das no Brasil, do gênero Begomovirus,
Myzus persicae (Sulzer) – descri-
sendo prevalecentes o Tomato severe
ção, vide pragas da alface
rugose virus (ToSRV) e o Tomato yellow
vein streak virus (ToYVSV). A transmis- Macrosiphum euphorbiae (Tho-
são de geminivírus ocorre mesmo em mas) – descrição, vide pragas da
baixa densidade populacional do inseto batata-semente
vetor, podendo resultar na infecção de
todo o plantio. Os prejuízos na produ- Aphis gossypii Glover (Hemiptera:
ção podem variar de 40 a 100%, depen- Aphididae) – descrição, vide pragas da
dendo da fase da cultura por ocasião alface
da infecção viral. Os Begomovírus não
são transmitidos por semente. Estes pulgões atacam as folhas e
ramos novos do tomateiro. Pela sucção
3.8.2. Tripes contínua da seiva e ação toxigênica,
as folhas tornam-se encarquilhadas
Frankliniella schultzei Trybom e enroladas, podendo ocorrer retardo
(Thysanoptera: Thripidae) – descrição, no crescimento das plantas e o sur-
vide pragas da alface gimento da fumagina sobre as folhas.
Além desses danos, os pugões podem
Thrips tabaci Lindeman – descri-
transmitir viroses, tais como o vírus do
ção, vide pragas da alface.
topo amarelo do tomateiro (Tomato
Thrips palmi Karny – descrição, yellow top virus –  ToYTV), o vírus do
vide pragas da alface amarelo baixeiro (Tomato bottom leaf
yellow virus –  TBLYV) e o vírus Y da
Estes insetos vivem nos botões batata (Potato virus Y –  PVY).
florais, no interior das flores, na face
inferior das folhas novas e velhas e nas 3.8.4. Traças
brotações. O maior dano que causam Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidop-
ao tomateiro é indireto, por meio da tera: Gelechiidae) –  Traça-do-tomateiro
transmissão de viroses. F. Schultzei
é o principal vetor do vírus do vira- Phthorimaea operculella (Zeller)
cabeça-do-tomateiro (Tomato spotted – Traça-da-batata
wilt virus –  TSWV; Groundnut ring
spot virus –  GRSV e Tomato chlorotic T. absoluta –  os adultos são
spot virus – TCSV), o qual debilita mariposas com cerca de 10 mm de
as plantas e pode causar a morte de envergadura, asas anteriores de colo-
mudas infectadas na sementeira ou ração cinza-prateada com numerosos
logo após o transplantio (primeiros 60 pontos escuros e, bordos das asas

305
posteriores franjadas. Os ovos são para cima. Os ovos são de coloração
elípticos, de coloração amarelo-palha branca, globulares, depositados isola-
a marrom-avermelhada, depositados damente, no cálice e face inferior das
isoladamente ou, em grupos, nas folhas sépalas ou na lateral do fruto. As lagartas
e ramos. As lagartas são de coloração são rosadas, com o primeiro segmento
verde-clara a arroxeada próximo à toráxico amarelado e com até 13 mm de
pupação, com placa dorsal parda no comprimento. Após eclosão, as lagartas
primeiro segmento do tórax. As pupas constróem galerias superficiais no fruto
possuem coloração marrom-amarelada e, posteriormente, perfuram o fruto dei-
a esverdeada e são protegidas por um xando uma cicatriz de penetração. O
casulo de teia, dentro da mina, nas desenvolvimento larval ocorre interna-
folhas, caules e no solo. mente no fruto, e no final deste estádio,
a lagarta abandona o fruto, deixando
P. operculella – descrição, vide um orifício de saída e formando uma
pragas da batata-semente. pupa marrom protegida por um casulo
de teia, entre as folhas secas ou detritos
As lagartas da traça-do-tomatei-
existentes em torno das plantas.
ro atacam toda a planta, em qualquer
estádio de desenvolvimento; constróem As lagartas atacam os frutos,
minas nos folíolos, broqueiam ramos dos pequenos até os maiores, ainda
novos e frutos na região do cálice, verdes. O broqueamento de frutos pode
ocasionando queda de folhas, botões ocasionar aborto ou não dos mesmos
florais e frutinhos, além da destruição e o orifício de saída da lagarta possibi-
de brotações novas e deformação de lita a penetração de umidade e fungos
frutos. Já as lagartas da traça-da-batata saprófitas, tornando-os imprestáveis
fazem minas nas folhas, abrem gale- e com a polpa destruída. As perdas
rias superficiais nos frutos e atacam podem chegar a 50% da produção.
o pedúnculo quando os frutos estão
próximos à maturação. 3.8.6. Brocas-grandes-do-fruto

3.8.5. Broca-pequena-do-fruto Helicoverpa zea (Boddie) (Lepi-


doptera: Noctuidae)
Neuleuciondes elegantalis (Gue-
née) (Lepidoptera: Crambidae) Spodoptera spp.

O adulto é uma mariposa de 25 H. zea –  os adultos são maripo-


mm de envergadura, coloração branca sas de 30 a 40 mm de envergadura,
e asas transparentes, sendo as asas asas anteriores de coloração cinza-es-
anteriores com manchas marrom- verdeada a amarelo-palha, com faixas
-avermelhadas na base e na lateral e, transversais escuras e manchas disper-
as posteriores com pequenas manchas sas sobre as asas; as asas posteriores
marrons esparsas; quando em repouso, são mais claras e apresentam uma faixa
os adultos ficam com o abdome voltado escura nas bordas externas e outra no

306
centro da asa. Os ovos possuem forma com armadilhas adesivas azuis, repec-
hemisférica e saliências laterais, com 1 tivamente; infestações da traça-do-
mm de diâmetro, coloração inicial bran- tomateiro e da broca-pequena-do-fruto
ca a amarelada e marrom próximo da com armadilhas iscadas com feromônio
eclosão. São depositados isoladamente sexual sintético.
no cálice dos frutos. As lagartas che-
gam a 35 mm de comprimento, são de b) Controle cultural
coloração variável, de verde-clara até
quase preta, com listras longitudinais de –  Uso de sementes sadias, vigo-
duas a três cores pelo corpo e manchas rosas, isentas de viroses, e que tenham
escuras na base das cerdas. As pupas o certificado de sanidade;
são marrons e ficam no solo até 20 cm
–  Produção de mudas em vivei-
de profundidade.
ros protegidos, com pedilúvio (caixa
As lagartas broqueiam o fruto, de com cal virgem) na porta de entrada,
fora para dentro, destruindo parcial ou antecâmeras de no mínimo 1,5 m x
totalmente a sua polpa. 1,5 m e telados com malha máxima
de 0,239 mm (Instrução Normativa do
Nos últimos anos têm-se ob- Ministério da Agricultura, Pecuária e
servado com freqüência, em cultivos Abastecimento no 24, de 15/04/03; Ins-
de tomateiro na região Centro-Oeste, trução Normativa do Estado de Goiás no
o broqueamento de frutos por lagar- 5, de 13/11/2007); estes também devem
tas pertencentes a um complexo de estar distantes de campos contamina-
espécies do gênero Spodoptera, no- dos por viroses e seus vetores e longe
tadamente S. frugiperda (J.E. Smith), do local definitivo de plantio;
S. eridania (Cramer) e S. cosmioides
(Walker). Quando pequenas estas la- –  Adequação da época de plan-
gartas têm o hábito de raspar as folhas tio para a região, visando o escape de
e frutos e, posteriormente, passam a picos populacionais das pragas. Por
broquear os frutos, independentemente exemplo, a adoção de um calendário de
do seu estágio de maturação, de forma plantio anual, respeitando um período
parecida com o comportamento de H. mínimo entre 60 a 120 dias consecuti-
zea. Estas lagartas podem danificar vos livres de cultivo de tomateiro, con-
vários frutos de uma mesma penca, forme as peculiaridades de cada região
destruindo sua polpa. Assim, o dano (Instrução Normativa do Ministério da
destes lepidópteros pode reduzir dras- Agricultura, Pecuária e Abastecimen-
ticamente a produção de sementes. to no 24, de 15/04/03). No Estado de
Goiás, esta limitação do período de
Táticas de controle plantio é adotada, mantendo-se o pe-
ríodo livre de plantio de tomate por três
a) Monitoramento – infestações meses –  novembro a janeiro (Instrução
de pulgões e mosca branca com ar- Normativa do Estado de Goiás no 5, de
madilhas adesivas amarelas, e de tripes 13/11/2007).

307
– Evitar o plantio na estação tas cultivadas e plantas silvestres que
seca, sempre que possível; sejam hospedeiras das pragas;
–  Seleção de mudas sadias e –  Adoção de poda apical, deixan-
vigorosas para o transplante; do-se apenas 4 a 5 pencas de frutos
–  Retardar o transplante das por planta, para aumentar a eficiência
mudas para depois dos 21 dias da sua das pulverizações e garantir melhoria
emergência; na classificação dos frutos;

– Adoção de alta densidade de –  Rotação de culturas com gra-


plantio e raleio posterior, retirando-se míneas;
as plantas com sintomas de viroses;
–  Destruição e incorporação
–  Isolamento dos talhões por data dos restos culturais. A Instrução Nor-
e área, evitando escalonamento de plan- mativa do Estado de Goiás, no 5, de
tio sempre que possível. Para reduzir os 13/11/2007, torna obrigatória a elimi-
riscos de perda da produção pelo ataque nação de restos culturais (restos de
da mosca branca e geminiviroses, no colheita e frutos podres) até 10 dias
Estado de Goiás o escalonamento de após a colheita de cada talhão;
plantio de tomate, tutorado ou rasteiro,
não pode ultrapassar 60 dias para cada –  Pousio em áreas com histórico
microrregião (Instrução Normativa do de severas perdas por viroses, mosca
Estado de Goiás nº 5, de 13/11/2007); branca e traça-do-tomateiro.
–  Plantio dos talhões no sentido
c) Métodos físicos e mecânicos
contrário ao vento, do mais velho para
o mais novo, para desfavorecer o deslo- –  Implantação de barreiras vi-
camento das pragas dos talhões velhos
vas (sorgo, capim elefante, milheto ou
para os novos;
crotalária) perpendiculares à direção
– Adubação química conforme predominante do vento ao redor do
análise de solo ou foliar e requerimen- cultivo, que devem ter pelo menos 1,0
tos da cultura, evitando-se excesso de m de altura no momento do transplante
nitrogênio; do tomateiro, no intuito de retardar as
infestações dos insetos vetores de vi-
–  Manejo da irrigação, favore- roses e da traça-do-tomateiro;
cendo o estabelecimento rápido das
plantas; –  Cobertura do solo com superfí-
cie refletora de raios ultravioletas (casca
–  Eliminação de plantas com
viroses; de arroz ou palha para pulgões alados;
plástico preto, prateado ou branco para
– Eliminação das proximidades mosca branca), para dificultar a coloni-
do plantio, de plantas daninhas, plan- zação dos insetos vetores;

308
–  Uso de armadilhas adesivas obrigatória adoção de um calendário
e bandejas com água, de coloração anual de plantio (vazio fitossanitário)
amarela, para monitoramento e captura de tomateiro para processamento
dos pulgões alados e mosca branca; industrial e tutorado e, estabelece me-
didas fitossanitárias complementares
–  Uso de armadilhas adesivas relacionadas à produção de mudas, ao
e bandejas com água, de coloração escalonamento de plantio do tomateiro
azul, para monitoramento e captura dentro das microrregiões do estado e
dos tripes. ao prazo para destruição dos restos
culturais após a colheita.
d) Controle biológico
g) Controle químico
– Pulverização com inseticidas
biológicos à base de Bacillus –  Uso de inseticidas registrados
thuringiensis Berliner (subespécies para a cultura, seletivos aos inimigos
kurstaki e aizawai) misturados a óleo naturais e pouco tóxicos ao homem;
vegetal emulsionável (0,5%), para
controle da traça-do tomateiro, da –  Utilizar a dosagem do produto
broca-pequena-do-fruto e da broca- indicada pelo fabricante e a quantidade
grande-do-fruto (H. zea). de água conforme o estádio de desen-
volvimento da cultura;
– Liberações inundativas e se-
manais do parasitóide de ovos Tricho- –  Uso, alternado, de inseticidas
gramma pretiosum Riley para controle de diferentes grupos químicos, levando-
da traça-do-tomateiro, na quantidade se em consideração o modo de ação do
de 400.000 parasitóides/ha/semana, produto, o estádio de desenvolvimento
iniciadas entre 15 e 20 dias após o da praga e a fase fenológica da cultura,
transplante do tomateiro ou após a para evitar a ocorrência de resistência
constatação das mariposas nas armadi- das pragas aos inseticidas. Cada pro-
lhas com feromônio; além de pulveriza- duto deve ser utilizado por um período
ções semanais de inseticidas biológicos de três semanas, sendo substituído por
com B. thuringiensis. outro caso seja necessária a continui-
dade das pulverizações.
e) Resistência genética
–  Para o controle de geminiviro-
Utilização de cultivares com bom ses e da mosca branca, recomenda-
nível de resistência às viroses do to- se proteger as mudas com a aplicação
mateiro. de inseticidas durante a produção de
f) Controle legislativo mudas (imersão de bandejas, pulve-
rização direta das mudas ou esgui-
A Instrução Normativa do Estado cho) e nos primeiros 30 dias após o
de Goiás, no 5, de 13/11/2007, torna transplante;

309
– Realização das pulverizações quantidade de sementes. Apesar da
entre 6 e 10h, ou a partir das 16h, para importância deste grupo de insetos,
evitar a rápida evaporação da água e existem poucas informações sobre táti-
a degradação do produto. cas de controle de pragas em sementes
de hortaliças.
h) Controle alternativo
Táticas de controle
– Pulverização de detergentes,
óleo mineral, óleo vegetal emulsioná- A principal medida para controlar
vel ou inseticida à base de óleo de nim estas pragas consiste no uso das boas
(Azadirachta indica), na concentração práticas de pós-colheita (limpeza, hi-
de 0,5%, para o controle de pulgões e giene, instalações adequadas etc.) que
da mosca branca. minimizam os riscos de infestação e do
desenvolvimento de pragas no armaze-
3.9. Pragas de sementes armazena- namento das sementes. Outra tática é
das
o manejo da temperatura e umidade
As principais espécies de in- de armazenamento, geralmente abaixo
setos que infestam as sementes de 15º C e com umidade relativa bai-
armazenadas pertencem às Ordens xa, próxima de 40%. Estas condições,
Coleoptera (gorgulhos e carunchos; associadas ao baixo teor de água das
famílias Anobiidae, Antribidae, Bostri- sementes (inferior a 9%), visam tornar
chidae, Bruchidae, Cucujidae, Curcu- o ambiente desfavorável para o desen-
lionidade, Silvanidae, Tenebrionidae e volvimento das pragas.
Trogossitidae) e Lepidoptera (traças;
famílias Crambidae, Pyralidae e Ge- Referências
lechiidae). Os danos desses insetos
podem ser classificados em primários ANDREI, E. Compêndio de defensi-
e secundários. Os danos primários vos agrícolas. 6a ed. São Paulo: Or-
são aqueles causados às sementes ganização Andrei Editora Ltda., 1999.
intactas, enquanto que os secundários 672p.
são aqueles causados às sementes
já danificadas, quer seja por injúrias BAUDET, L. Controle de Qualidade
mecânicas ou pela ação do ataque das no Beneficiamento de Sementes de
pragas primárias. Hortaliças. In: VI CURSO SOBRE
TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO DE
Os insetos associados às semen- SEMENTES DE HORTALIÇAS. 2006.
tes armazenadas são geralmente polí- Palestras... Embrapa Hortaliças. Goiâ-
fagos e apresentam elevado potencial nia. CD-Rom.
biótico, grande habilidade de dispersão
e de infestação cruzada. Dessa forma, B E R K E , T. G , B L A C K , L . L . ;
uma pequena infestação é capaz de, M O R R I S , R . A ; TA L E K A R , N . S ;
em pouco tempo, danificar grande WANG,J.F. Suggested Cultural Prac-

310
tices for Sweet Pepper. AVRDC. Guide, lise sanitária de sementes. Brasília,
jan/2003, 5p. DF, 2009. 200 p.

BEZERRA, I. C.; LIMA, M. F.; RIBEIRO, BREWSTER, J. L. Onions and other


S. G.; GIORDANO, L. de B.: ÁVILA, A. vegetable Allium. Wallingford: CAB
C. Occurence of geminivírus in tomate International, 1994. 236 p.
producing areas in submedio São
Francisco. Fitopatologia Brasileira, CARVALHO, M. L. M.; VON PINHO,
Brasília, DF, v. 22, p.331, ago. 1997. E. V. Armazenamento de sementes.
Suplemento. Lavras: UFLA/FAEPE, 1997, 67 p.

BRASIL. P