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UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO

Projeto Integrador:
OBSERVAÇÃO DO
DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

NOMES COMPLETOS DOS ALUNOS E RAs

Adriana Moreira Muza 418105316


Hilton Soubhia Júnior 418203322
Joao Pedro Galvão 418202139
Patricia Caseiro Queirolo 418200279
José Ricardo dos Santos 418202173
Luana Nunes 2218108281
David Anderson Carlos de M Evangelista 420108587
Bruna Silva de Sena 918111236

4A – Vergueiro Noturno

A CRIANÇA DE 7 e 8 ANOS

Professor Orientador: Claudia Goto

São Paulo
2020
Introdução
O presente trabalho tem por finalidade a análise e discussão acerca do
desenvolvimento de crianças nos seus 7 e 8 anos, trabalhando as teorias que concernem à
disciplina de Desenvolvimento Humano, bem como uma análise junto às teorias de Piaget e
Erickson, permitindo a observação comportamental ao mesmo tempo explicando
características psicomotoras, intelectuais, sociais e muitas outras atividades desenvolvidas
no dia a dia das crianças na idade escolhida para as próximas linhas.
O estudo do desenvolvimento tem relação com a concepção de infância e tem
ocorrido desde que os seres humanos existem. Em breve histórico, até o século XVII, as
crianças eram consideradas como adultos em miniatura, com menos inteligência e força. Já
no século XVIII, a igreja começou a afastar as crianças de algumas atividades de adultos
das quais participavam, formando, assim, as primeiras instituições de ensino destinadas a
elas. Em seguida, houve, progressivamente, uma mudança na mentalidade relacionada às
necessidades da infância e ao papel materno, atribuindo importância à criança desde seus
primeiros anos de vida e também à relação mãe e filho, através da criação de métodos de
incentivo à aprendizagem. O estudo científico formal sobre o Desenvolvimento Humano é
relativamente novo, como assinalam Papalia e Olds (2001). Diversos autores destacam que
esse conhecimento teve como um dos fundamentos a obra de Quetelec, publicada em 1935,
em Paris, intitulada “Do Homem e do desenvolvimento de suas faculdades”, onde o autor
colocava ênfase nas mudanças físicas, cognitivas, morais e emocionais pelas quais o sujeito
passava ao longo da vida. Outro autor considerado importante do ponto de vista histórico foi
Stanley Hall, o primeiro Psicólogo a propor a psicologia da adolescência como campo de
conhecimento, realizando o primeiro estudo sobre o tema.
Cabe, por hora, conceituar o Desenvolvimento Humano que, segundo Papalia, é o
estudo científico de como as pessoas mudam desde a concepção à morte, bem como das
características que permanecem razoavelmente estáveis durante a vida e considera essas
mudanças mais óbvias na infância embora ocorram durante toda vida. Envolve o
conhecimento de variáveis afetivas, cognitivas, sociais, e biológicas em todo ciclo da vida
desde o nascimento até a morte. Considerado multidisciplinar. O Desenvolvimento Humano
faz conexão com a Biologia, Sociologia, Antropologia, Educação e Medicina e tem como
objetivo o estudo do curso de mudanças significativas ao longo da vida, buscando descrevê-
las e explicá-las por princípios gerais. Nesse sentido, faz-se importante entender como as
condições internas (ligadas a maturação orgânica do indivíduo) e externas (ligadas a
influência do ambiente) do indivíduo promovem e afetam tais mudanças.
A base teórica desse trabalho apoia-se fundamentalmente no método clínico de
Piaget, uma vez que as perguntas que faremos nas observações e reações das crianças
observadas são respondidas com certa unanimidade, uma vez que elas estão no mesmo
estágio cognitivo, teoria também proposta por Piaget. Papalia ensina que o crescimento
cognitivo das crianças ocorre através de três processos que se relacionam entre si, são eles
organização, adaptação e equilibração. Termos esses que serão apresentados em sua
definição e aplicabilidade no decorrer das linhas que compõe esse trabalho.

Além de Piaget, as análises apresentadas estarão em linha com as ideias de


Erickson, fazendo comparações de sentido entre as ambas teorias que tratam das etapas de
desenvolvimento psicossocial das crianças. Vale lembrar que Erickson aparece nesse
contexto para complementar e comparar a base do trabalho fundamentado em Piaget.
Erickson durante sua trajetória profissional percebeu a importância das
influências sociais sobre a personalidade, concentrando, então, suas observações e
estudos no desenvolvimento infantil. Erikson permaneceu fiel à teoria de Freud, com
quem teve contato mais profundo ao trabalhar com Anna Freud, mas amplia a teoria
de três maneiras: 1) enfatizou o Ego, defendendo que ele é independente e não
submisso ao Id; 2) a personalidade desenvolve-se continuamente durante a vida e; 3)
aperfeiçoou os estágios do desenvolvimento. Em autêntico contraponto com o
trabalho que foi desenvolvendo ao longo da sua própria vida, Erikson elaborou oito
estágios, os quais chamou de Psicossociais, para explicar algumas crises pelas
quais o Ego passa no decorrer do ciclo vital.
Nas linhas que se seguem, o leitor poderá encontrar a aplicabilidade de
ambas as teorias (Piaget e Erickson) na observação de crianças em atividades,
dentro de um específico estágio de desenvolvimento.
Capítulo 1 – Apresentação dos Teóricos

Piaget utiliza-se de uma abordagem cognitiva, essa abordagem, segundo


Papalia (2013) concentra-se nos processos de pensamento e no comportamento
que reflete esses processos. Piaget dá ênfase aos processos mentais e sua Teoria
dos Estágios Cognitivos foi a precursora do que se denomina, nos dias de hoje, a
revolução cognitiva.
Piaget apresenta uma visão organicista, isso quer dizer que verifica todos os
esforços que a criança para entender o seu mundo e agir sobre ele. Todo o
desenvolvimento cognitivo tem início com a capacidade inata que a criança tem de
se adaptar ao seu ambiente. Após essa fase que chamou de processos inatos a
criança vai crescer cognitivamente, esse crescimento vai se dar através de três
processos: Organização, Adaptação e Equilibração.
A Organização trata-se da forma com que as crianças criam categorias para
organizar as informações que recebem. Ao criar uma categoria de animais, por
exemplo o cachorro, a criança vai observando as particularidades de cada membro
dessa característica para individualizar. Como se o geral fosse para o específico
para que ela possa assimilar as novas informações que o meio lhe proporciona.
Como ensina Papalia as crianças vão criando estruturas cognitivas cada vez mais
complexas chamadas esquemas, que são formas de organizar as informações
sobre o mundo, isso vai controlar como a criança age em determinadas situações,
conforme as informações vão sendo somadas esses esquemas mudam e se
tornam cada vez mais complexos.
A Adaptação está ligada a como a criança de adapta às novas informações
adquiridas do meio através daquilo que ela já tem de informação. Esse processo
vai possuir dois processos complementares denominados: assimilação, que é
como vai ser feita a internalização de novas informações e soma-las ao que já é
existente e a acomodação que seria, conforme Papalia, o ajustamento das
estruturas cognitivas para encaixar as informações novas.
A Equilibração se dá na forma como as informações são incorporadas.
Qundo uma criança recebe novas informações e os processos de organização e
adaptação estão em curso, há um desequilíbrio, que é um estágio motivacional
desconfortávem para ela. Papalia, 2013 ensina:
A criança sabe o que são pássaros e vê um avião pela primeira vez.
A criança rotula o avião como “pássaro” (assimilação). Com o
passar do tempo, ela nota diferenças entre pássaros e aviões, o que
a deixa um tanto inquieta (desequilíbrio), motivando-a a mudar a sua
compreensão (acomodação)e dar um novo rótulo para avião.

Piaget descreve os estágios cognitivos em quatro estágios diferentes entre


si, cada um dos estágios provocam um desequilíbrio que faz com que a criança se
adapte e isso faz com que ela passe a pensar de uma maneira diferente. Piaget
mostra que a mente de uma criança, segundo Papalia (2013), não é uma miniatura
de um adulto, entender o seu funcionamento é importante para pais e professores
para que possam entender e ensinar.
Os quatro estágios do desenvolvimento, segundo Piaget, são: Sensório-
motor (do nascimento aos 2 anos), Pré-operatório (dos 2 aos 7 anos), Operatório
concreto dos 7 aos 11 anos) e Operatório formal (dos 11 até a idade adulta).
O estágio Sensório-motor ocorre quando o bebê vai enfrentar o mundo
externo, organizar suas atividades em relação a esse mundo através de atividades
sensório motoras, isso quer dizer que o bebê tem sensações e responde a elas
através de movimentos do seu corpo. O estágio Pré-operatório a criança começa a
símbolos para representar as pessoas, lugares, eventos e coisas. O pensamento
ainda não lógico, mas é importante que a linguagem e imaginação são
características desse estágio e são suas características o início de sua utilização.
O estágio Operatório-concreto, tem como característica a utilização de raciocínios
mais lógicos, a criança não consegue pensar de maneira abstrata e precisam estar
focadas no aqui e agora para desenvolver seu raciocínio lógico. Por fim, o estágio
Operatório-concreto, como escreve Papalia (2013) a pessoa já consegue pensar
abstratamente, lidar com situações hipotéticas e pensar sobre possibilidades.

Treinado por Anna Freud, Erikson permaneceu fiel à teoria de Freud,


ampliando-a de três maneiras: 1) enfatizou o Ego, defendendo que ele é
independente e não submisso ao Id; 2) a personalidade desenvolve-se
continuamente durante a vida e; 3) aperfeiçoou os estágios do desenvolvimento. Em
autêntico contraponto com o trabalho que foi desenvolvendo ao longo da sua
própria vida, Erikson elaborou oito estágios, os quais chamou de Psicossociais,
para explicar algumas crises pelas quais o Ego passa no decorrer do ciclo vital.
Tais crises são estruturadas de forma que, ao sair delas, a pessoa tem como
consequência um Ego mais fortalecido ou mais frágil, sendo que o resultado
depende da experiência individualmente vivida. A solução do conflito influencia
diretamente o próximo estágio psicossocial, trazendo um crescimento e
desenvolvimento internalizado nesse cenário, sendo, portanto, que de um desfecho
positivo surge um Ego mais forte e estável, enquanto um desfecho negativo gera um
Ego mais fragilizado, ocorrendo reformulação e reestruturação da personalidade
após cada crise do Ego.
Assim sendo, a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial propõe uma
concepção de desenvolvimento em oito estágios, fundamentados em oito idades,
que decorrem desde o nascimento até a morte.
Os oito estágios do Desenvolvimento Psicossocial de Erikson são: 1)
Confiança Básica x Desconfiança Básica, correspondendo ao estágio oral
freudiano (até 18meses); 2) Autonomia x Vergonha e Dúvida, correspondendo ao
estágio anal freudiano ( 18 meses aos 3 anos; 3) Iniciativa x Culpa, que
corresponde à fase fálica freudiana (3 aos 6 anos); 4) Diligência x Inferioridade
que, no esquema freudiano, corresponde à fase de Latência (6 aos 12 anos); 5)
Identidade x Confusão de Identidade, fase onde ele desenvolveu mais trabalhos,
tendo dedicado um livro inteiro à questão da chamada crise de identidade (12 aos
18 anos); 6) Intimidade x Isolamento (18 aos 30 anos); 7) Generatividade x
Estagnação (30 aos 65anos) e 8) Integridade x desespero (a partir dos 65 anos).
Os três primeiros, tratam, de maneira resumida, na superação de uma crise,
internalizando e desenvolvendo a personalidade.
Para este trabalho, traremos mais aprofundado o quarto estágio, Diligência x
Inferioridade. Para Erikson, diligência refere-se à autodisciplina orientada para
cumprir deveres e atingir objetivos através de planejamentos e metas. O teórico
propõe, nesta fase, que o desenvolvimento tem início no instante que a criança
experiencia, positivamente, as fases anteriores, no plano da confiança, da
autonomia e da iniciativa, sendo assim, a perseverança é um dos indicativos que
constitui esse estágio. Aqui, a criança está sendo alfabetizada e frequentando a
escola e o seu convívio vai além da família, portanto implica uma maior socialização,
trabalho em conjunto, cooperação e outras habilidades necessárias. Ela não só
desenvolve um senso de aplicação, como aprende as recompensas da
perseverança e da diligência. Caso tenha dificuldades, nessa etapa, o próprio grupo
irá criticá-la, passando ela a viver a inferioridade em vez de uma construtividade e,
muitas vezes, quando há alguma falha nesse caminho, o Ego se torna sensível,
podendo, em alguns casos, retornar às fases aparentemente superadas. Por uma
vertente positiva, nesse estágio adquire-se a socialização. Estimular a criança e
facilitar as relações sociais é outro desafio exposto por Erikson, que deu um
destaque a este estágio, o qual, contraditoriamente, foi o menos explorado por
Freud, (fase de Latência), por julgá-lo um período de adormecimento sexual. Para o
Desenvolvimento Psicossocial, a criança no quarto estágio precisa controlar a sua
fértil imaginação e direcionar sua atenção ao processo da educação formal e é
nesse momento que há uma percepção das recompensas (da diligência e da
perseverança), ela perde o interesse por seus brinquedos e abre espaço para novas
atividades, mais produtivas, com outros instrumentos. Nessa fase, o Ego está
sensível e, dessa forma, se existir um nível de exigência muito alto ou se existirem
algumas falhas, a criança poderá desenvolver um nível de inferioridade
considerável.

Capítulo 2 – Comparação Teórica

O teórico Jean Piaget tem em sua teoria que o ser humano passa por quatro
estágios do desenvolvimento. Já o teórico Erik Erikson fala sobre oito estágios no
desenvolvimento. Trabalhamos em cima do terceiro estágio, o chamado Operatório
Concreto, da teoria de Piaget. E, por fim, dentro do quarto estágio, Dominio versus
Inferioridade, da teoria de Erikson.
Segundo Piaget, o estágio Operatório Concreto acontece entre seis e sete anos e
vai até os onze ou doze anos de idade da criança. Neste estágio, a criança começa
a ter percepções maiores do mundo e passa a desenvolver raciocínio lógico. A
criança começa a ser capaz de enxergar o mundo pela perspectiva de outra pessoa,
onde ela sai do egocentrismo e aprende a organizar e ordenar acontecimentos no
mundo real. É um estágio importante para o desenvolvimento de regras,
regulamentos, código de valores e moral.
Uma das coisas mais importantes nesta fase, segundo o teórico, é a medida
de quantidade, formas e objetos que é desenvolvida por completo.
Na teoria de Erikson, o quarto estágio, domínio versus Inferioridade, acontece entre
os seis e onze anos de idade. A criança percebe e aprende que é capaz de fazer
coisas, dominar situações e realizar uma tarefa com começo, meio e fim. Em
contrapartida, Erikson fala sobre a inferioridade e inadequação, que é citada como o
potencial negativo desta fase, onde algo pode ser potencializado pelos pais,
cuidadores e mestres (professores), que não encorajam a criança e valorizam seus
feitos e produtividade, relacionando tudo a coisas difíceis.
O período citado acima é chamado de Período de Idade Escolar. Período
este, muito valorizado pelo teórico, pois se trata de ambiente social. Erikson
acreditava que se a criança fosse desencorajada no ambiente escolar, mesmo que
os pais recompensassem de alguma maneira, isso impactaria na alto-estima da
mesma. O principal ponto desta teoria é a capacidade de trabalhar e adquirir
habilidades adultas. Quando superados desta fase crítica, a criança desenvolve
virtudes de habilidades (Kaplan, Sadock e Grebb, 1997).
Vemos que os dois teóricos e as duas teorias falam que existem períodos da
infância que são considerados cruciais para certos tipos de aprendizagens. Nas
teorias estão implícitas aprendizagens voltadas para raciocínio lógico e crescimento
cognitivo.Com as duas teorias, podemos enxergar um conjunto de atividades e
aprendizados que formam um certo tipo de complemento para que haja um
desenvolvimento mais robusto e completo na fase da infância. Enquanto um teórico
entende que a criança passa a ver em outras pessoas oportunidades de realizar
ações e compreender regras expostas por essas outras pessoas, o outro entende
que essas mesmas podem barrar ou simplesmente não estimular ações que
crianças passam a entender que são capazes de fazer.
Importante citar que para o segundo teórico, crianças passam a entender que são
capazes de realizar diversas ações e podem ser prejudicadas quando não são
estimuladas ou quando são barradas de cometerem ações dentro de seu ambiente
escolar, sendo isso impossível de ser restaurado pelo ambiente familiar.
Capítulo 3 – Estágio Operatório Concreto

Neste capítulo, será apresentada a fase do desenvolvimento humano


classificada por Piaget como Operatório-Concreto, que trata os avanços de uma
criança dos 7 aos 12 anos. Para Piaget, o avanço de uma etapa do desenvolvimento
à outra só é possível com a progressão das habilidades neurológicas, ou seja,
conforme a criança adquire capacidade cognitiva para aprender e desempenhar
novas tarefas. No entanto, é de suma importância considerar a interação da criança
com o meio neste processo.
Nesta fase, compreende-se que a criança possui as condições necessárias
para agir de maneira lógica, levando em consideração suas percepções em relação
ao mundo concreto, real e percebido dos eventos e objetos. Sendo assim, devemos
considerar a substituição do comportamento/pensamento egocêntrico presente no
estágio Pré-Operatório pelo pensamento operatório, ou seja, a criança passa a
considerar informações exteriores à sua existência. Tal característica possibilita que
o relacionamento das crianças com o meio seja melhor explorado, pois, é possível
considerar pontos de vista exteriores sem perder sua autonomia.
Outra característica importante desta etapa do desenvolvimento, é a
capacidade de internalização das ações concretas, a criança passará então a
solucionar problemas de ordem matemática e mentalmente, sem necessitar do
auxílio físico de objetos, por exemplo: entender que recipientes de tamanhos
diferentes podem comportar o mesmo volume de um líquido sem a perda do mesmo.
Sabendo-se que durante este processo a criança possui tais habilidades, é
correto afirmar, portanto, que sua capacidade lógica lhe permite lidar com os
conceitos classificados por Piaget como: Pensamento Espacial, Categorização,
Raciocínios Indutivo, Conservação e Números e Matemática (PAPALIA, 2013):

• A noção de Pensamento espacial compreende a capacidade de mensurar


distâncias e tempo para deslocar-se de um lugar ao outro, mantendo uma memória
clara sobre seu percurso;
• A categorização diz sobre a habilidade de classificar em categorias, como por
exemplo, agrupar objetos de uma mesma cor ou tamanho em grupos distintos;
• O raciocínio indutivo é responsável pela generalização de comportamentos
observados pela criança em situações, objetos, pessoas ou animais, como por
exemplo, concluir que todos os bebês choram depois de observar seu irmão e uma
criança distinta no parque emitir este comportamento;
• Como conservação, compreendemos a capacidade de resolver demandas
apresentadas mentalmente, sem a necessidade do auxílio físico de objetos para
medir ou pesar, somando à esta habilidade a reversibilidade, que possibilita
raciocinar que mesmo tendo sua forma alterada, determinado volume não sofrerá
perdas;
• Aos números e matemática, ressalta-se a capacidade de realizar operações
matemáticas mentalmente juntamente à seriação dos mesmos, e ainda, o
aprimoramento de resolução das somas e subtrações e a diminuição adjunta do
egocentrismo.
Capítulo 4 – Objetivo

Verificar particularidades do desenvolvimento de duas crianças, que se encontram


no Estágio Operatório Concreto proposto pelo Piaget, devidamente associados à
particularidades propostas por Erich Erickson

Capítulo 5 – Justificativa

Esse trabalho tem importância e relevância no sentido de comparação de duas


teorias distintas, mas que tratam da mesma fase do desenvolvimento de crianças
com 7 e 8 anos. A importância para a formação de futuros psicólogos ao realizar as
análises contidas nesse trabalho, bem como a importância de receber os resultados
por parte das famílias concordantes em participar desse estudo. Qualquer sujeito
que queira ampliar seu repertório ou buscar referenciais teóricos sobre o tema esse
trabalho é capaz de atingir.

Capítulo 6 – Método

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, exploratória, explicativa e qualitativa.


Participaram desse trabalho duas crianças do sexo masculino com idades de 7 e 8
anos.

Capítulo 7 - Procedimento

As atividades desenvolvidas objetivam o reconhecimento das aquisições propostas


no presente trabalho, dentro da faixa etária no período operatório concreto de
desenvolvimento propostos por Jean Piaget.
Anteriormente foi definida a abordagem dos exercícios a serem aplicados as
crianças, informando como deveria ser realizado. Foi lido antecipadamente as
atividades propostas, para entendimento do processo de realização de cada um,
elaborando um roteiro prévio dos exercícios que seriam aplicados, e a preparação
dos materiais que seriam utilizados para a atividade.
Para a realização dos trabalhos foram utilizados os materiais: uma folha de papel em
branco, lápis preto e de cores e um aparelho celular para filmagem do procedimento.
Sendo um desenho de livre criação que contenha a criança e mais três pessoas que
ela quiser. E um segundo desenho livre de uma situação de aprendizagem da
vivência da criança.
Foi realizado anteriormente o contato com os pais, esclarecendo os objetivos do
trabalho e, esclarecendo o caráter confidencial das respostas das crianças, uma vez
que não seriam anotados dados que a identificasse conforme proposto, autorizando
a participação da pesquisa.

Capítulo 8 – Resultados

Nessa etapa foi realizada a observação das crianças por filmagem nas atividades
descritas abaixo, onde cada participante desenvolveu um desenho para ilustrar suas
cognições e relações de afetividade, onde a aprendizagem é um processo de
construção de conhecimento e ludicidade que ocorre na interação do indivíduo com
o meio social, que nos proporciona a avaliação das mesmas, na formação de suas
estruturas mentais.
O comportamento das crianças nessa faixa etária ocorre no período operatório
concreto, que é apresentada a partir de sua realidade cognitiva, motora e afetiva,
desenvolvendo a intelectualidade, sua criatividade, as emoções e suas relações
sociais, representadas através de esquemas, ou seja, entre a assimilação e
acomodação, que é um processo de informação na construção individual, que
através dos desenhos livres demonstram os aspectos físicos, culturais, psicológicos
e sociais, dentro do esquema proposto por Piaget de organização, adaptação e
equilibração por meio da linguagem escrita e verbal.
Atividade realizada: Desenhos

Desenho 1 – onde foi disponibilizado folha de papel, lápis preto e de cor ou


equivalente, solicitando a criança um desenho livre, mas que deveria conter ela e
mais três pessoas que ficou a critério de sua escolha, sem intervenções do
aplicador, para livre criação.
Desenho 2 – Também foi solicitado a criança um outro desenho livre, mas em uma
situação em que ela aprendeu ou estivesse em aprendizagem por livre escolha, e
que não houvesse interferência por parte do aplicador.

Resultados:

DESENHO 1
CRIANÇA K – Disposto os materiais sobre a mesa, a criança logo atendeu a
atividade proposta, mantendo a concentração no desenvolvimento do desenho,
utilizando um lápis preto para o seu esboço, posteriormente escolheu alguns lápis
colorido para ilustração, ao final foi perguntado a criança porque havia somente três
pessoas, onde o mesmo argumentou que haveria quatro pessoas, logo pela lógica-
matemática compreendeu que havia mais alguém a ser disposto ao desenho, onde
informa que outra criança estaria no colo do pai, ao final do processo realiza a
despedida.

CRIANÇA F – De início a criança prestou atenção aos esclarecimentos da mãe, no


qual foi a aplicadora para a realização da tarefa, que se tratava de desenho livre
onde foi informado que deveria constar três amigos. A criança F descreve que seu
desenho teria os personagens de costas, utilizando-se dos materiais folha branca e
lápis de cores para a atividade começou o desenvolvimento da tarefa, em dado
momento, a criança demonstra duvidas ao trabalho e não informando vai ao
computador realizar pesquisa na busca de referência. Nota-se um certo incomodo a
filmagem durante o processo de construção do desenho. Descreve os amigos que
estariam com ele em uma exposição de arte, contemplando um quadro, e esclarece
que em um primeiro momento gostaria de ter desenhado Monalisa, mas desistiu
devido à dificuldade e optou por outro desenho “noite estrelada” determinando a
conclusão da primeira tarefa.
DESENHO 2

CRIANÇA K – A princípio foi orientado a criança a proposta do desenho livre de algo


que ela tenha aprendido na escola ou vivência, disposto o material iniciou a
atividade onde argumentou que havia esquecido, questionou novamente o que
deveria ser realizado, onde foi informado que realizaria uma casa onde ele está
sozinho, onde tem um sol e solta pipa no telhado de sua casa.

CRIANÇA F – Iniciou-se a segunda tarefa com a orientação da mãe também


aplicadora do exercício do desenho livre onde deveria constar uma atividade de algo
aprendido. Na construção do desenho utilizou-se dos materiais dispostos folha
branca e lápis de cores, concluindo a tarefa esclarece que ele se encontra ao
computador se preparando para um vídeo aula.

Capítulo 9 – Discussão

Lembrando que a quarta fase proposta por Erikson ressalta o ideal das três
primeiras fases serem superadas positivamente com a confiança, a autonomia e a
iniciativa. A criança F propõe algo curioso no inicio da atividade, ela pergunta se
poderia fazer o desenho de costas. Com isso se abre uma reflexão sobre a
autonomia, confiança e iniciativa dela, contudo, há uma dúvida especulativa:
primeiro a criança pergunta se pode fazer de costas, e vira de costas para a câmera.
Após a aplicadora explicar que precisava filmar, a criança explica novamente que na
verdade são as pessoas do desenho que estariam de costas, a criança queria saber
se poderia desenhar as pessoas de costas. A especulação é: será que a criança não
queria ser filmada? E após o posicionamento da aplicadora, por heteronomia, a
criança adaptou o argumento em prol da atividade? Esse nível de adaptação
também está disposto por Piaget na fase do operatório-concreto, onde a criança
assimila e acomoda a informação. Seguindo com a criança F, ao iniciar o desenho,
poucos segundos depois, a ponta do lápis quebra, e sua ação é ir em direção ao
apontador. Retornando ao que que Erikson trás sobre iniciativa, mas ao voltar a
desenhar, logo troca de lápis. Todo esse comportamento inicial pode ser direcionado
ao desequilíbrio de ter que desenhar sendo observado por uma câmera. A criança F
troca de lápis com frequência.
Na metade da atividade, a criança F pede para ir checar algo no computador,
aparentemente a criança precisa ver alguma imagem e utilizar como referência para
o seu desenho. Isso se traduz para Piaget como assimilação e acomodação.
O comportamento oposto à diligência, da criança F, propõe a inferioridade,
segundo Erikson. É observável uma cobrança maior sobre a qualidade do desenho,
logo a criança busca outras alternativas, para além da proposta inicial,
argumentando ser impossível desenhar sem referências (olhar o computador). Numa
continuação do vídeo, ela pergunta se poderia desligar um pouquinho a câmera, a
aplicadora repete que não poderia e, por heteronomia, ela apenas segue a atividade.
Houve uma preocupação ao final dessa atividade em estar sendo filmado,
onde a criança explica o desenho, porém fala uma informação errada, e assim pede
para cortar o vídeo. Resgatamos a desconfiança, vergonha e dúvida de Erikson.
No último desenho, segunda atividade, houve uma dinâmica mais assertiva
sobre a proposta. Piaget diria que houve uma acomodação e equilibração.
Promovendo mais confiança e autonomia para a criança, conforme prevê Erikson.
Buscando, inclusive, no final da gravação, se posicionar de frente para a câmera,
mostrando seu rosto, para explicar o que era o segundo desenho.
Com a criança K, no primeiro exercício, foi desenhado apenas três pessoas. E
quando a aplicadora pergunta para a criança sobre o que foi pedido – desenhar a
você mais três pessoas – a criança faz um cálculo mental e responde: “mas aí
seriam quatro”, logo temos uma conservação, segundo Piaget, manifestado por
cálculos mentais. O interessante foi a surpresa inicial da criança, causando o
desequilíbrio, conforme Piaget prevê. E logo em seguida a criança já sugere
desenhar o “Biel no colo do papai”, manifestando iniciativa, mostrando também a
superação da terceira fase de Erikson.
Diferente da criança F, não há incômodo frente à câmera para a criança K.
Isso sugere a superação dos eixos: confiança vs desconfiança; autonomia vs
vergonha e dúvida. Outras duas fases propostas por Erikson, onde compõe
importância para a fase atual da criança (diligência vs inferioridade).
Entretanto, no segundo exercício, ao a aplicadora explicar a atividade,
dizendo para a criança K desenhar algo que aprendeu, a criança sussurra: “mas eu
esqueci de tudo”. Demonstrando a variação comportamental frente aos conceitos
teóricos. Nesse momento poderia ter manifestado o oposto de diligência, ou até
mesmo o oposto de iniciativa que no caso provocaria culpa, conforme teoria de
Erikson.
Correlacionando as fases do Erikson com o desenvolvimento cognitivo
proposto por Piaget, no inicio da segunda atividade, com a criança K. Ela se fixa na
construção da ideia sobre o que desenhar, aguçando o modo como ela constrói seus
pensamentos. Contudo, na perspectiva de Erikson, isso poderia ser visto como uma
parcial oposição à diligência.
Em contraponto, a criança demonstra muita autonomia e confiança ao
cumprimentar “o moço que está assistindo” ao se comunicar com a câmera. Acena e
logo em seguida continua seu desenho. Quando inicia o desenho, o foco no
resultado é amplificado, e rapidamente a criança K finaliza, pois ocorre adaptação,
acomodação e equilibração sob a proposta. Em composição com o que Erikson
propõe, há diligência.
A criança K relata sobre o desenho, dizendo ter desenhado ele aprendendo a
empinar pipa. Confirmando que foi algo já aprendido. Finalizando as atividades.