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Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ...

Vara Criminal da Comarca


de ...

Autos nº ...

JOÃO, já qualificado, nos autos da Ação Penal que lhe move a


Justiça Pública, processo em epígrafe, por seu defensor infra-assinado, vem,
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, inconformado com a r.
sentença de fls., interpor APELAÇÃO, com fundamento no artigo 593, I, do
Código de Processo Penal.

Requer seja a presente recebida e seja ordenado o seu


processamento, encaminhando-se ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado,
com as razões em anexo.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

Local, data.

Advogado
OAB/...nº ...

RAZÕES DE APELAÇÃO
APELANTE: JOÃO
APELADA: Justiça Pública
Processo nº ........., da ... Vara Criminal da Comarca ...

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA,


COLENDA CÂMARA CRIMINAL,
(EMÉRITOS JULGADORES)

Em que pese o notório saber jurídico do meritíssimo Juiz de primeiro


grau, impõe-se a reforma da r. sentença pelas razões fáticas e de direito que
passa a expor.

1) DOS FATOS

O Apelante foi denunciado e processado por suposta infração ao art.


157,§ 2º-A, I, do Código Penal.
Restou condenado às penas de 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses
de reclusão, em regime inicial semiaberto, e ao pagamento de multa, fixada em
seus patamares mínimos.
Levou-se em conta a aplicação da pena mínima, entre outras
circunstâncias, a atenuante da menoridade prevista no art. 65, I, do CP, bem
como o fato de o prejuízo sofrido pela vítima ter sido de pequena monta. O
processo foi anulado em sede de revisão criminal por vício de citação.
Remetidos os autos para nova instrução criminal, apurou-se que o
acusado era, na verdade, maior de 21 (vinte e um) anos à época do fato e que
o prejuízo da vítima era bem mais elevado do que inicialmente apurado.
Foi proferida nova sentença criminal condenatória, condenando o
requerente a 6 (seis) anos e 6 (seis) meses de reclusão, em regime
inicialmente fechado, e 10 (dez) dias-multa, sendo o valor de cada dia-multa
fixado em um trigésimo do salário mínimo vigente. Além de, ter fixado a pena
privativa de liberdade acima do mínimo em face das consequências graves do
crime e, ainda, porque se provou ser o réu reincidente e não o beneficiar
nenhuma atenuante.
Assim, irresignado com a decisão proferida em primeira instância,
com o devido respeito e acatamento, deve ser a sentença reformada,
consoante os fatos e fundamentos a seguir expostos.

2) DO DIREITO

Em que pese o apelante ter sido condenado a pena mais gravosa,


imperativo se faz analisar a ocorrência de reformatio in pejus indireta.

Quando da prolação da primeira sentença condenatória, este


Egrégio Tribunal entendeu bom bem anular a instrução, uma vez que ocorreu a
nulidade que acarretou cerceamento de defesa. Na ocasião, não houve recurso
da acusação, precluindo seu direito e ocorrendo o trânsito em julgado para a
mesma.

Destarte, em atenção ao disposto no art. 617, do CPP, verifica-se


que é vedado o agravamento da pena em decorrência de recurso de defesa –
seja diretamente, por meio do tribunal, seja indiretamente, por meio de
condenação posterior com pena mais elevada pelo juízo recorrido.

No caso em tela, verifica-se que houve violação ao preceito do art.


617 do CPP, ocorrendo reformatio in pejus indireta, uma vez que o juízo a quo
prolatou sentença condenatória com pena mais gravosa.

Assim, restando evidente a violação à vedação de reformatio in


pejus, deve a sentença ora impugnada ser reformada de modo a cominar a
pena no quantum imposto na primeira condenação, qual seja, a de 5 (cinco)
anos e 4 (quatro) meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, e ao
pagamento de multa, fixada em seus patamares mínimos.

3) DO PEDIDO

Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente


recurso, para reconhecer a nulidade decorrente da reformatio in pejus indireta,
decorrente da violação do disposto no art. 617 do CPP, com a consequente
diminuição da pena para o quantum anteriormente imposto.
Nestes Termos,
Pede e aguarda deferimento.

Local, data.

Advogado
OAB/...nº ...