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Jainismo

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O jainismo ou jinismo é uma das religiões mais antigas da Índia, juntamente com o hinduísmo e o
budismo, compartilhando com este último a ausência da necessidade de Deus como criador ou
figura central. Considera-se que a sua origem antecede o Bramanismo, embora seja mais provável
que tenha surgido na sua forma actual no século V a.C., em resultado da acção religiosa do
Mahavira.
Vista durante algum tempo pelos investigadores ocidentais como uma seita do hinduísmo ou uma
heresia do budismo, devido à partilha de elementos comuns com estas religiões, o jainismo é
contudo um fenómeno original. Ao contrário do budismo, o jainismo nunca teve um espírito
missionário, tendo permanecido na Índia, onde os jainas constituem hoje cerca de quatro milhões de
crentes. Pequenas comunidades jainas existem também na América do Norte e na Europa, em
resultado de movimentos migratórios. A palavra jainismo tem as suas origens no verbo sânscrito jin
que significa "conquistador". Os seus adeptos devem combater, através de uma série de estágios, as
paixões de modo a alcançar a libertação do mundo.
Sua visão básica é dualista. A matéria e a mônada vital ou jiva são de natureza distinta, e durante
sua vida o ser vivente (seja humano ou animal) tinge sua mônada como resultado de suas ações.
Para se purificar, esta religião propõe um extremo ascetismo e o colocar em prática da doutrina da
não-violência ou ahimsa.
Índice

 1 Origens
 2 Divisões internas
 3 Doutrinas
o 3.1 O tempo
o 3.2 O universo e os cinco mundos
o 3.3 Karma
 4 Formas de vida
o 4.1 Monges e freiras
o 4.2 Leigos
 5 Formas de culto
 6 Festivais
 7 A suástica
 8 Referências
o 8.1 Bibliográficas

o 8.2 Ligações externas

Origens
Segundos os historiadores da religião, o jainismo estabeleceu-se na Índia em meados do primeiro
milénio a.C.. O seu fundador foi o Mahavira, existindo duas propostas para o período em que viveu:
599 a.C. - 527 a.C (data tradicional apontada pelo jainismo) ou 540 a.C - 470 a.C. (segundo os
académicos). Nasceu perto de Patna, naquilo que é hoje o estado do Bihar. Foi um contemporâneo
do Buda, tendo pregado na mesma região geográfica, embora não conste que os dois mestres se
tenham alguma vez encontrado. Pertencia à casta dos guerreiros (xátrias), casou, viveu no luxo até
que por volta dos trinta anos tornou-se um mendigo errante.
Entregou-se a longos processos ascéticos até obter a iluminação, tendo consagrado os restantes
trinta ou quarenta anos da sua vida a pregar a sua doutrina. Faleceu em Pavapuri, no Bihar, que é
desde então um dos principais locais de peregrinação jaina.
De acordo com os jainas, a sua religião é eterna, tendo sido a doutrina revelada ao longo de várias
eras pelos Tirthankaras, palavra que significa "fazedores de vau", ou seja, alguém que ensinou o
caminho. Os Tirthankaras foram almas nascidas como seres humanos que alcançaram a libertação
(moksha) do ciclo dos renascimentos através da renúncia e que transmitiram os seus ensinamentos
aos homens. Na presente era existiram 24 Tirthankaras. O último desses Tirthankaras foi o
Mahavira, que os jainas não consideram como o fundador do jainismo, mas antes aquele que lhe
deu a sua forma actual. O 23.º Tirthankara foi Parshva, que os historiadores consideram ter sido
provavelmente uma figura histórica que viveu cerca de três séculos antes do Mahavira. Os jainas
acreditam que Parshva pregou os 4 grandes princípios do jainismo, a saber: não-violência (ahimsa),
evitar a mentira, não se apropriar do que não foi dado e não se apegar às posses materiais; o
Mahavira acrescentou o princípio da castidade.

Divisões internas

Templo jaina na cidade de Ahmedabad no Gujarate


Os jainas encontram-se divididos em dois grupos principais: os Digambara ("Vestidos de espaço") e
os Svetambara (ou Shvetambara, "Vestidos de branco"). Cada um destes grupos encontra-se por sua
vez dividido em vários subgrupos. A maioria dos jainas pertencem ao grupo Svetambara.
A origem destes dois grupos situa-se no século I d.C (ou talvez no século III d.C, segundo alguns
autores) e deve-se a disputas em torno dos textos que devem constituir as escrituras do jainismo. Os
Svetambara consideram que as suas escrituras estão mais próximas dos ensinamentos originais do
Mahavira, enquanto que os Digambara rejeitam uma parte considerável dessas escrituras. Os
Digambara consideram igualmente que a renúncia pregada pelo Mahavira implica para os monges a
nudez total e que as mulheres devem primeiro renascer como homens para poderem atingir a
libertação.
Ao nível da geografia, os Digambara concentram-se no sudoeste da Índia e os Svetambara no
noroeste (estados do Gujarate, Rajastão e Madhya Pradesh).
As estátuas dos dois grupos são também diferentes: os Tirthankaras dos Svetambara possuem
roupas e uma decoração mais rica, enquanto que as dos Digambara estão nuas; estas diferenças
fazem com que um adepto dos Digambara não possa praticar o culto num templo Svetambara.
Doutrinas
O tempo

Os jainas consideram que o tempo é infinito e cíclico. Ele é visto como uma grande roda dividida
em duas partes idênticas: uma realiza um movimento ascendente (Utsarpini), enquanto que a outra
um movimento descendente (Avasarpini). Cada uma destas partes divide-se em seis eras (ara).
Durante o período ascendente os seres humanos progridem ao nível do saber, estatura e felicidade,
enquanto que o período descendente caracteriza-se pela degradação do mundo, pelo esquecimento
da religião e pela perda de qualidade de vida pelos humanos.
Segundo os jainas, vivemos actualmente num período de movimento descendente, numa era de
infelicidade (Dukham Kal), que começou há 2500 anos e que durará 21 mil anos.

O universo e os cinco mundos

Segundo o jainismo, o universo divide-se em cinco mundos, sendo cada um deles habitado por
determinado tipo de seres. O universo é eterno, não tendo sido criado por nenhum ser superior.
No topo do universo está a morada suprema (siddhashila), que é o local onde habitam as almas que
alcançaram a libertação (estas almas são denominadas Siddhas). Abaixo encontram-se trinta céus,
habitados por seres celestiais, alguns dos quais caminham para a morada suprema.
O mundo médio (madhyaloka) inclui vários continentes separados por mares. No centro deste
mundo encontra-se o continente Jambudvipa, considerado o único continente no qual as almas
podem alcançar a libertação. Os seres humanos habitam este continente, bem como um segundo
continente ao lado deste e parte do terceiro continente.
O mundo inferior (adholoka) consiste em sete infernos, onde os seres são atormentados por
demónios e onde se atormentam uns aos outros. Abaixo do sétimo inferno encontra-se a base do
universo (nigoda), habitada por inúmeras formas inferiores de vida.

Karma

À semelhança do hinduísmo e do budismo, o jainismo partilha da crença no karma, embora de uma


forma diferente. O karma no jainismo não é apenas um processo em que determinadas acções
produzem reacções, mas também uma substância física que se agrega a uma alma. As partículas de
karma existem no universo e associam-se a uma alma devido às acções dessa alma (por exemplo,
quando uma alma mente, rouba ou mata esta provoca a agregação de karma na sua alma). A
quantidade e qualidade destas partículas determinam a existência que a alma terá, a sua felicidade
ou infelicidade. Só é possível a uma alma alcançar a libertação quando desta se retirarem todas as
partículas de karma.
O processo que permite a libertação das partículas de karma de uma alma denomina-se nirjara e
inclui práticas como o jejum, o retiro para locais isolados, a mortificação do corpo e a meditação.

Formas de vida
Monges e freiras
Homem jaina no interior do templo de Ranakpur. A parte inferior de seu rosto encontra-se coberta com uma máscara de modo a não inalar insectos
O jainismo considera a vida monástica como o ideal de vida dos seres humanos. Entre os
Svemtambara a entrada na vida monástica é autorizada aos dois sexos a partir dos sete anos, mas
realiza-se em geral numa idade mais avançada. O noviço deve abandonar todos os seus bens; por
altura da sua ordenação (diksa) a sua cabeça é rapada e ele toma os cincos votos, que segue numa
versão mais rigorosa do que a dos leigos (mahavrata).
Os monges jainas levam uma vida itinerante, com excepção da época das monções, altura em que se
recolhem numa determinada localidade. Dependem para a sua alimentação da caridade fornecida
pelos leigos jainas, a quem oferecem em troca assistência espiritual.
Os monges do ramo Svetambara podem ser donos de pequenas coisas, como uma fina veste branca,
uma tigela onde recebem os alimentos dos leigos e uma máscara de tecido usada sobre a boca
(mukhavastrika), cujo objectivo é evitar a ingestão involuntária de pequenos insectos. Os monges
Digambara interpretam o preceito do desapego de uma forma bastante rigorosa e por esta razão não
usam roupas; as freiras deste ramo usam uma veste branca. Os monges Digambara não possuem
uma tigela e usam a mãos como recipiente dos alimentos. Os monges "Svetambara" costumam se
deslocar em pequenos grupos de cinco ou seis monges, enquanto que os Digambara geralmente
viajam sozinhos.
Todos os monges devem seguir as três regras que evitam a conduta incorrecta (guptis: ter cuidado
com os pensamentos, as palavras e as acções).
Entre os Svetambara o número de freiras ultrapassa o de monges. As freiras Digambara aceitam a
doutrina que afirma que para se avançar no caminho espiritual é necessário nascer com um corpo
masculino.

Leigos

Os jainas que não são monges devem observar oito regras de comportamento e devem tomar doze
votos. As oitos regras de comportamento variam, mas em geral incluem a prática absoluta e
irrestrita de Ahimsa (não-violência) que tem seu ponto forte na alimentação: não comer carne de
nenhum tipo nem proteína animal, não comer certos vegetais (cebola e alho) os quais se acredita
serem de origem inferior e não usar nenhum produto cuja matéria-prima ou qualquer componente
tenha origem animal. Outras regras incluem não se alimentar à noite, não ingerir bebidas alcoólicas
nem substâncias consideradas alteradoras da consciência (cafeína, teobromina) e praticar a caridade
a todos os seres vivos (homens e animais). Ler sobre as qualidades transcendentais dos Tirthankaras
e recitar o Navkar Mantra também fazem parte das principais práticas diárias.
Quanto aos doze votos, eles podem ser divididos em três classes:
 Anuvratas - são os cinco votos principais: abster-se de atos violentos, não mentir, não
roubar, não cobiçar o parceiro de outra pessoa e limitar as possessões pessoais;
 Gunavratas - são três votos que reforçam os cincos votos principais: restringir as actividades
pessoais a uma área concreta (digvrata), restringir práticas que proporcionam prazer
(bhogopabhogavrata), evitar actos que causam sofrimento (anarthadandavrata);
 Siksavratas - são quatro votos de disciplina espiritual: meditar, limitar determinadas
actividades a certos momentos, adotar a vida de um monge por um dia, fazer donativos aos
monges ou aos pobres.

Formas de culto

Estátua de Tirthankara
Uma das principais formas de culto dos jainas leigos é prestar homenagem às estátuas dos
Tirthankaras. Os jainas lavam as estátuas e dedicam-lhes oferendas, como mel, flores, arroz, etc.
Alguns grupos jainas, como os Sthanakavasis e os Terapanthis, são contra o culto de imagens.
O crente não adora a estátua em si, mas antes as qualidades associadas a ela, de modo a receber
inspiração para seguir o mesmo caminho. As estátuas podem ser adoradas nos templos ou então em
pequenos santuários existentes nas casas. São representadas em posição de meditação, sentadas ou
em pé.
Não é possível estabelecer qualquer forma de contacto com os Tirthankaras através desta forma de
culto, uma vez que estes, tendo alcançado a libertação, ficam fora do contacto humano. Contudo,
durante a Idade Média cada Tirthankara foi associado a uma deusa protectora, em relação às quais
se desenvolveram formas particulares de devoção. As deusas mais importantes são Ambika
(associada ao 22º Tirthankara, Arishtanemi), Padmavati (associada a Parshva), Lakshmi e Sarasvati.
As orações jainas fazem referência aos grandes actos dos Tirthankaras e aos ensinamentos do
Mahavira, sendo ditas num antigo dialecto do Bihar, o Ardha Magadhi. A principal oração é o
Namaskara Sutra, através do qual o jaina presta homenagem às qualidades dos cinco grandes seres
do jainismo.
O ato de fazer doações para a construção de templos é também considerado uma forma de culto,
assim como a prática de peregrinações.

Festivais
Os principais festivais do jainismo são:
 Mahavira Jayanti - decorre em março ou abril e celebra a data do nascimento do Mahavira.
Neste dia estátuas do Mahavira são levadas em procissões pelas ruas e os jainas reúnem-se
nos templos para ouvir a leitura dos seus ensinamentos.
 Paryushana: durante o mês de Bhadrapada (agosto-setembro) os membros do ramo
Svetambara do jainismo celebram um dos seus festivais mais importantes, Paryushana. Este
festival está dedicado ao perdão e consiste na prática do jejum durante oito dias. No último
dia do festival (Samvatsari) os jainas pedem perdão uns aos outros por ofensas que possam
ter causado; aqueles que conseguiram jejuar durante os oito dias seguidos são levados para
os templos em procissão. O festival equivalente na tradição Digambara denomina-se
Dashalakshanaparvan, e para além da prática do jejum, é lido nos templos um importante
texto, o Tattvartha-sutra.
 Divali (festa da luzes) - celebração comum a toda a Índia, é para os jainas a comemoração
da altura em que o Mahavira deu os seus últimos ensinamentos e alcançou a libertação.
Ocorre no mês de Kaartika, que corresponde no calendário gregoriano a outubro-novembro.
 Kartik Purnima - ocorre no dia de lua cheia do mês de Kaartika. Após terem permanecido
numa determinada localidade durante os meses da monção, os monges e freiras jainas
regressam à vida errante, sendo por vezes acompanhados por leigos no percurso que fazem
para outro local. Neste dia muitos jainas realizam a peregrinação aos templos de Palitana, no
estado indiano do Gujarate.
 Mastakabhisheka - Cada doze anos os jainas (principalmente os do ramo Digambara)
reúnem-se no santuário de Shravana Belgola no estado de Karnataka, onde se encontra uma
estátua de dezessete metros de Bahubali, que é alvo de libações com água, mel, leite, flores,
preparados de ervas e especiarias.

A suástica
O Jainismo dá mais ênfase à suástica que o Hinduísmo. Representa o sétimo jina (santo), o
Tirthankara Suparsva. É considerada uma das 24 marcas auspiciosas, emblema do sétimo arhat dos
tempos atuais. Todos os templos jainistas, assim como os livros santos jainistas, contêm a suástica.
As cerimônias jainistas começam e terminam com o desenho da suástica feito várias vezes em volta
do altar.
Os adeptos também usam o arroz para desenhar a suástica (também conhecida por "Sathiyo" no
estado indiano de Gujarat) diante dos ídolos nos templos. Os jainistas colocam uma oferenda sobre
esta suástica - geralmente uma fruta, um doce (mithai), uma fruta em passa ou ainda uma moeda ou
cédula de dinheiro.

Bibliográficas

 Merriam-Webster's Encyclopedia of World Religions.

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