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Português Instrumental

Coordenação: Prof.ª Bárbara Tavela, Prof.ª Diana Pinto, Prof.ª Jéssica Rodrigues, Prof.ª Lucia
Moutinho, Prof. Tiago Santos.

APX3 – 2020. 1

I - Leia os textos A e B.

TEXTO A1
A necropolítica e os idosos em tempos de COVID 19
28 de Abril de 2020, 19:00 -
Maria do Carmo Guido di Lascio2

O conceito de necropolítica foi desenvolvido pelo historiador camaronês Achille Mbembe,


professor da Universidade de Joanesburgo e da Duke University, nos Estados Unidos.
Historiadores e cientistas políticos brasileiros adotaram o conceito de Mbembe, na análise de
como o estado brasileiro, e sua política neoliberal, prioriza o controle social, principalmente,
através das políticas de segurança pública. Quais os grupos sociais que estão “marcados para
morrer”, pela mão das forças de segurança, que detém o poder concedido pela lei, para exercer
a violência e até mesmo a execução, sob a proteção da excludente de ilicitude na legítima
defesa?
"A expressão máxima da soberania reside, em grande medida, no poder e na capacidade
de ditar quem pode viver e quem deve morrer. Por isso, matar ou deixar viver constituem os
limites da soberania, seus atributos fundamentais. Exercitar a soberania é exercer controle
sobre a mortalidade e definir a vida como a implantação e manifestação de poder". (Achille
Mbembe[1])
A necropolítica tem sido política de estado no Brasil, nas ações violentas das polícias nas
favelas e comunidades das periferias urbanas, principalmente, contra a população negra e
jovem.
No Brasil, à semelhança dos Estados unidos, a pandemia de Covid 19 tem sido tratada
pelos governantes como uma oposição entre as políticas públicas de saúde, orientadas pela
comunidade científica, em confronto com a política econômica neoliberal. Estabelecendo um
1
https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/a-necropolitica-e-os-idosos-em-tempos-de-covid-19/
Acesso em 05 jun 2020.
2 Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas pela Escola de Sociologia e

Política de São Paulo/SP


falso e perverso dilema entre a vida e o mercado. A pandemia e alguns medicamentos como a
cloroquina e o hidroxicloroquina foram politizadas no debate entre governo, oposição e
comunidade científica. O isolamento social, adotado pela Organização Mundial de Saúde e pela
maioria dos países mais afetados pela pandemia, tem sido contestado com argumentos
bizarros.
Em tempos de pandemia de Covid 19, o grupo dos idosos foi estigmatizado como o subgrupo da
espécie humana “marcado para morrer”. Como o exemplo simbólico de Dan Patrick, vice-
governador do Texas, de 70 anos, que se ofereceu em sacrifício para salvar a economia.
Segundo ele, os idosos deveriam ser sacrificados para que os netos pudessem trabalhar.
As notícias chocantes sobre as mortes de idosos institucionalizados nos Estados Unidos, o
país mais poderoso do mundo, com cadáveres empilhados, acondicionados em sacos plásticos e
sepultamento coletivo, em valas comuns, nos remetem às cenas de horror da necropolítica dos
campos de concentração. Em todo o mundo os maiores de 60 anos representam 80% dos óbitos.
Nos Estados Unidos, atualmente o epicentro da pandemia, a medicina de emergência é
reduzida no setor privado pela pressão de lucros a curto prazo, e no setor público pela ausência
da cobertura universal. Em 3 meses de pandemia, já morreram o mesmo número de americanos
do que em 9 anos da guerra do Vietnã.
Qual a prioridade da sociedade em proteger idosos com incapacidades funcionais e
cognitivas, idosos fragilizados por doenças crônicas como hipertensão/doenças cardíacas,
diabetes? Ou a maioria dos nossos idosos, vulneráveis pela ausência de políticas públicas na
atenção básica de saúde, vivendo em moradias precárias sem água e saneamento básico?
Ao longo destes três meses de pico da pandemia, de cenas de necropolítica, tomamos
conhecimento de inúmeras narrativas do conflito de profissionais de saúde, ao serem obrigados
a escolher entre quem vai viver e quem vai morrer.
“Colapso é uma situação em que os hospitais e os centros de atendimento ficam completamente
lotados, sem condições de receber qualquer pessoa, tenha ela infarto, AVC, apendicite,
desidratação ou Covid-19. Sem vagas nas UTIs nem ventiladores mecânicos para todos, os
médicos são obrigados a decidir quem vai morrer por falta de ar, a mais sofrida das
mortes.” Dráuzio Varela[2]
Ainda não podemos avaliar os impactos da crise global provocada pela pandemia. Em
relação à saúde, a sociedade não dispõe de recursos para minimizar o sofrimento,
principalmente dos mais pobres, ou erradicar a doença, já que uma vacina ainda é uma
possibilidade remota. Em relação à economia, o desemprego e à falência das pequenas e médias
empresas em todo o mundo, trazem previsões pessimistas como o aumento da fome e da
miséria, agravadas pela política dos governos em privilegiar os recursos do tesouro para a
proteção dos muito ricos. E em relação à política, as grandes crises provocadas por guerras,
desastres naturais e catástrofes, podem criar o ambiente para o avanço de governos autoritários
e ameaças às democracias.
Quanto ao impacto humanitário, como vamos emergir desta crise global, sanitária,
econômica e social? Seremos capazes de provocar uma mudança nas grandes questões que
permitiram a propagação da crise? Reverter para o estado de bem-estar social, garantindo saúde
e educação universais, proteção previdenciária e proteção nas relações de trabalho? Ou pelo
menos no plano do simbólico, tentar ultrapassar de modo emancipatório este sistema que se
afunda na propagação da morte em nome da valorização do capital?
Notas
[1] Texto disponível: https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/view/8993/7169
[2] Texto disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2020/04/coronavirus-nos-fara-
pagar-a-conta-da-desigualdade-social-do-brasil.shtml
TEXTO B3

Téo e o Mini mundo - Caetano Cury4

1- Em relação aos idosos, a necropolítica se manifesta, pois:

a) Há no mundo inteiro uma maior tendência da morte de idosos;


b) Na disputa pela vida, as políticas apontam que os idosos podem morrer;
c) O período é de caos na saúde pública, daí os altos índices de mortalidade;
d) A sociedade ainda não dispõe de meios para promover o bem estar de todos;
e) Muitos idosos, a exemplo do vice-governador do Texas, de 70 anos, colocam-se em
condições vulneráveis.

2- Segundo a autora do texto, um dos agravantes da pandemia tem sido a politização das
questões em detrimento da desvalorização das orientações científicas. Assinale a alternativa
que não é um argumento válido para essa afirmação no Brasil.

a) Medicamentos como a cloroquina e o hidroxicloroquina foram politizadas no debate entre


governo, oposição e comunidade científica;
b) O isolamento social, adotado pela maioria dos países mais afetados pela pandemia, tem
sido contestado com argumentos bizarros;
c) A medicina de emergência é reduzida no setor privado pela pressão de lucros a curto
prazo, e no setor público há ausência da cobertura universal;
d) Há uma oposição entre as políticas públicas de saúde, orientadas pela comunidade
científica, em confronto com a política econômica neoliberal.
e) Estamos vivendo um falso e perverso dilema entre a vida e o mercado, sensação
provocada pelas discussões de reabertura da economia.
3
http://www.teoeominimundo.com.br/2020/03/18/tirinha-diario-da-pandemia-5/

4
Caetano Cury é jornalista, publicitário, ilustrador, aquarelista e quadrinista, autor dos quadrinhos Téo & O Mini Mundo, série
indicada ao troféu HQMix na categoria webtiras em 2019.
3- Assinale a alternativa que apresenta uma paráfrase do autor:

a) Colapso é uma situação em que os hospitais e os centros de atendimento ficam


completamente lotados, sem condições de receber qualquer pessoa, tenha ela infarto,
AVC, apendicite, desidratação ou Covid-19.

b) Como o exemplo simbólico de Dan Patrick, vice-governador do Texas, de 70 anos, que se


ofereceu em sacrifício para salvar a economia. Segundo ele, os idosos deveriam ser
sacrificados para que os netos pudessem trabalhar.

c) Ao longo destes três meses de pico da pandemia, de cenas de necropolítica, tomamos


conhecimento de inúmeras narrativas do conflito de profissionais de saúde, ao serem
obrigados a escolher entre quem vai viver e quem vai morrer.

d) A expressão máxima da soberania reside, em grande medida, no poder e na capacidade


de ditar quem pode viver e quem deve morrer. Por isso, matar ou deixar viver constituem
os limites da soberania, seus atributos fundamentais.

e) Em relação à economia, o desemprego e a falência das pequenas e médias empresas em


todo o mundo trazem previsões pessimistas como o aumento da fome e da miséria,
agravadas pela política dos governos em privilegiar os recursos do tesouro para a
proteção dos muito ricos.

4- Uma das formas de estabelecer coesão textual envolve a utilização de conectivos que podem
indicar relações entre os termos apresentados. Assinale a alternativa que indica uma relação de
causa e consequência entre os termos apresentados.

a) A sociedade não dispõe de recursos para minimizar o sofrimento, principalmente dos mais
pobres, ou erradicar a doença, já que uma vacina ainda é uma possibilidade remota.
b) Por isso, matar ou deixar viver constituem os limites da soberania.
c) A pandemia de Covid-19 tem sido tratada pelos governantes como uma oposição entre as
políticas públicas de saúde.
d) Os idosos deveriam ser sacrificados para que os netos pudessem trabalhar.
e) Seremos capazes de provocar uma mudança nas grandes questões que permitiram a
propagação da crise?

5- Releia este parágrafo do texto:

"Em tempos de pandemia de Covid 19, o grupo dos idosos foi estigmatizado como o subgrupo da
espécie humana “marcado para morrer”. Como o exemplo simbólico de Dan Patrick, vice-
governador do Texas, de 70 anos, que se ofereceu em sacrifício para salvar a economia.
Segundo ele, os idosos deveriam ser sacrificados para que os netos pudessem trabalhar".
A expressão "que" em destaque faz referência a outra informação textual. Ela refere-se:

a) Aos Idosos, "marcados para morrer";


b) À intenção de sacrificar os idosos;
c) À salvação da economia;
d) À liberdade para os netos trabalharem;
e) Ao vice-governador do Texas.
6- O texto A aponta para uma situação em que, na corrida pela vida, os mais idosos acabam
levando desvantagem em alguns sistemas de saúde. Que outro problema é apresentado no texto
B?

a) O excesso de informações disponíveis na internet;


b) A indiferença demonstrada pelos membros da família;
c) A quantidade de informações falsas veiculadas na internet;
d) A dificuldade dos idosos em cumprir o isolamento social;
e) As estratégias equivocadas de sobrevivências dos idosos;

7- Ao responder a mãe, o filho do texto B, utiliza inicialmente o termo Fake News, e, em


seguida, o termo "notícias falsas". Uma das hipóteses dessa modificação está na alternativa:

a) O desconhecimento, por parte da mãe, dessa expressão em língua inglesa, daí a troca;
b) A valorização da língua inglesa, daí o uso do estrangeirismo, substituído pelo termo mais
usado;
c) A adequação linguística ao contexto situacional, daí a utilização do termo em Língua
Portuguesa;
d) O reforço da ideia, que, apesar de conhecida, não foi suficiente para que a mãe a
rejeitasse;
e) O ajuste da expressão, com a sua tradução para o português, a fim de convencer a mãe a
sair de casa.

8- Na expressão "Mas esse vírus não vai me pegar porque eu resolvi me isolar em casa", o
conectivo em destaque tem valor semântico de

a) Adversidade;
b) Explicação;
c) Alternativa;
d) Negação;
e) Afirmação.

9- Neste período, temos uma enxurrada de informações na internet, muitas falsas. Uma das
possibilidades para explicar o efeito de humor da tira é a reação da personagem em relação às
Fake News que leu. Podemos afirmar que:

a) Ela tem uma atitude negativa em relação ao que foi lido, por isso decidiu contrariar as
orientações do isolamento social;
b) O pensamento crítico fez com que ela tivesse uma atitude positiva em relação à
orientação de isolamento social;
c) A idosa discorda das mensagens lidas, por isso decide não se colocar em risco e aderir ao
isolamento social;
d) As notícias falsas fazem parte do atual contexto social; a atitude da idosa mostra o valor
das Fake News na internet;
e) Apesar dos efeitos nocivos das Fake News, a atitude da idosa se ajustou às orientações da
OMS neste período de pandemia.

10- A Expressão “melhor não contrariar”, do filho revela:

a) Desprezo pela atitude da mãe, influenciada pelas Fake News;


b) Perplexidade com o fato de a mãe tomar a atitude de se isolar;
c) Rejeição à postura da mãe de se isolar nesse momento;
d) Concordância com a atitude da mãe em aderir ao isolamento;
e) Discordância da mãe em relação à atitude dela no período da pandemia.

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