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Topografia - F

Agronomia
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
99 pag.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
FACULDADE DE AGRONOMIA ELISEU MACIEL

TOPOGRAFIA

SERGIO BARUM CASSAL

REVISÃO
Sérgio Leal Fernandes
E
Fioravante Jaekel dos Santos

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INDICE

CAPÍTULO 1 ......................................................................................................................... 4
1.1 - Introdução a Topografia ....................................................................................... 4
1.2 – Importância da Topografia .................................................................................. 4
1.3 – Aplicações da Topografia.................................................................................... 4
1.4 – Definição ............................................................................................................. 5
1.5 – Objeto da Topografia........................................................................................... 5
1.6 – Topografia e Geodésia......................................................................................... 6
1.7 – Plano topográfico................................................................................................. 6
1.8 – Limites ................................................................................................................. 7
1.9 – Divisão da Topografia ....................................................................................... 10
1.10 –Outras ferramentas acessórias a topografia e geodésia ...................................... 15
1.11 – Referências Bibliográficas................................................................................. 17
CAPÍTULO 2 ....................................................................................................................... 17
2.1 – Medidas de ângulos ................................................................................................. 17
2.2 – Grau ou unidade sexagesimal .................................................................................. 18
2.3 – Grado ou unidade centesimal .................................................................................. 19
2.4 – Radianos .................................................................................................................. 20
2.5 – Transformações de ângulos ..................................................................................... 20
2.6 – Exercícios ................................................................................................................ 22
CAPÍTULO 3 ....................................................................................................................... 23
3.1 – Ângulos topográficos............................................................................................... 23
3.2 – Ângulos em planos verticais.................................................................................... 23
3.3 – Transformação de ângulo Zenital em ângulo de Inclinação.................................... 26
3.4 – Transformação de ângulo Zenital em Nadiral ......................................................... 27
3.5 – Transformação de ângulo Nadiral em ângulo de Inclinação ................................... 28
3.6 – Ângulos em Planos Horizontais ou Ângulos Horizontais ....................................... 29
3.7 – Tipos de ângulos geométricos ................................................................................. 30
3.8 – Transformação de ângulos geométricos .................................................................. 32
3.9 – Ângulos geográficos ................................................................................................ 32
3.10 – Controles angulares ............................................................................................... 35
3.11 – Exercícios .............................................................................................................. 39
CAPÍTULO 4 ....................................................................................................................... 40
4.1 – Escala....................................................................................................................... 40
4.2 – Tipos de escalas ....................................................................................................... 40
4.3 – Elementos de uma escala gráfica............................................................................. 42
4.4 – Critérios para construção de uma escala gráfica ..................................................... 43
4.5 – Erro de Graficismo ou precisão do levantamento ................................................... 44
4.6 – Utilização de uma escala gráfica ............................................................................. 44
4.7 – Classificação das escalas ......................................................................................... 45
4.8 – Principais escalas e suas aplicações ........................................................................ 46
4.9 – Exercícios ................................................................................................................ 46
CAPÍTULO 5 ....................................................................................................................... 46
5.1 – Instrumentos simples para a sinalização e marcação de pontos .............................. 46
CAPÍTULO 6 ....................................................................................................................... 49
6.1 – Instrumentos simples para medidas diretas de distância ......................................... 49

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6.2 – Diastímetros............................................................................................................. 49
6.3 – Cuidados na medida direta de distância .................................................................. 50
6.4 – Métodos de medida com diastímetros ..................................................................... 50
6.5 – Detalhamento do terreno com diastímetro............................................................... 51
6.6 – Transposição de obstáculos ..................................................................................... 52
6.7 – Erros existentes na medição direta de distâncias horizontais .................................. 53
6.8 – Tolerância para os erros........................................................................................... 54
6.9 – Medidas indiretas de distâncias ............................................................................... 54
6.10 – Classificação das miras.......................................................................................... 56
6.11 – Maneira de realizar a leitura na mira ..................................................................... 56
6.12 – Métodos de medidas indiretas ............................................................................... 57
6.13 – Erros nas medidas indiretas de distâncias.............................................................. 63
CAPÍTULO 7 ....................................................................................................................... 64
7.1 – Aparelhos topográficos............................................................................................ 64
7.2 – Classificação dos órgãos dos aparelhos topográficos.............................................. 65
7.2 – Descrição dos órgãos dos aparelhos topográficos ................................................... 65
7.3 – Descrição do procedimento de instalação de um teodolito ..................................... 73
7.4 – Descrição do procedimento de calagem de um teodolito........................................ 74
CAPÍTULO 8 ....................................................................................................................... 76
8.1 – Métodos de levantamento Planimétricos................................................................. 76
8.2 – Levantamento por Irradiação................................................................................... 76
8.3 – Trabalho de campo .................................................................................................. 77
8.4 – Levantamento por Interseção ou Coordenadas Bipolares ....................................... 78
8.5 – Trabalho de campo .................................................................................................. 78
8.6 – Trabalho de escritório.............................................................................................. 79
8.7 – Planilha de levantamento......................................................................................... 80
CAPÍTULO 9 ....................................................................................................................... 80
9.1 – Altimetria................................................................................................................. 80
9.2 – Métodos gerais de nivelamento ............................................................................... 81
9.3 – Classificação dos Métodos Nivelamento Geométrico............................................. 81
9.4 – Organização do registro de campo .......................................................................... 84
9.5 – Erro de fechamento altimétrico ............................................................................... 85
9.6 – Método da dupla altura do instrumento................................................................... 86
9.7 – Método do duplo estacionamento do instrumento................................................... 87
9.8 – Nivelamento longitudinal ........................................................................................ 87
9.9 – Nivelamento de superfície ....................................................................................... 90
9.10 – Método direto ........................................................................................................ 91
9.11 – Método indireto ou por quadriculas....................................................................... 93
9.12 – Erros nos levantamentos altimétricos .................................................................... 97
9.13 – Exercícios .............................................................................................................. 97

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CAPÍTULO 1

1.1 - Introdução a Topografia

A Topografia é uma das artes mais antiga já praticada pelo homem, pois, desde os
tempos mais remotos, houve necessidade de medir e dividir terras e demarcar limites.
Atualmente, é imprescindível o levantamento topográfico antes e durante a elaboração de
qualquer obra de Engenharia, tais como estradas de rodagem, ferrovias, edifícios, pontes,
túneis, canais de irrigação ou drenagem, barragens, represas, divisão de terras, etc.
Na Agronomia a Topografia assume significativa importância tanto em trabalhos gerais,
como na medição e demarcação de terras, como para trabalhos mais específicos como
sistemas de irrigação e drenagem ou de conservação do solo.
Outras aplicações, além das já citadas acima, podem ser citadas como: avaliação de
superfícies, locação de construções rurais, determinações de orientação, divisão e demarcação
de terras, marcação de curvas de nível, etc.

1.2 – Importância da Topografia

Ao se projetar qualquer obra de Engenharia, Arquitetura, ou Agronomia, é necessário o


levantamento topográfico do lugar onde a obra será implantada. Daí a importância da
Topografia, que se incumbe do levantamento ou medição, que deverá ser precisa e adaptada
ao terreno. A Topografia pode medir ou calcular distâncias horizontais e verticais, calcular
ângulos horizontais e verticais com alta ou altíssima precisão, como medir distâncias horizontais
com precisão de até 1 para 100.000, calcular altitudes com precisão de um décimo de milímetro
ou ainda medir ângulos horizontais e verticais com precisão de um segundo sexagesimal.

1.3 – Aplicações da Topografia

Mapeamento de pequenas áreas: a Topografia é o meio pelo qual se obtém as


coordenadas planimétricas ou horizontais (X, Y) e as coordenadas altimétricas (Z) dos pontos,
tanto para o estabelecimento e controle da estrutura do reticulado (representação de algumas
coordenadas) como das feições a serem mapeadas, e ainda dos vários pontos, no terreno,
necessários para o desenho das curvas de nível.

Edificações: com a topografia se faz o levantamento planialtimétrico do terreno, dado


fundamental ao projeto. Em seguida faz-se a locação e durante a execução da obra, controlam-
se as prumadas, os níveis e alinhamentos.

Estradas (rodovias e ferrovias): a Topografia participa do reconhecimento, ajuda no


anteprojeto, executa a linha de ensaio ou linha básica, faz e loca o projeto do traçado
geométrico, projeta a terraplanagem; resolve o transporte de terra, controla a execução e
pavimentação (infra-estrutura, no caso das ferrovias), colabora na sinalização, corrige falhas
como curvas mal traçadas, etc.

Barragens: a Topografia faz os levantamentos planialtimétricos, loca o projeto,


determina o contorno da área inundada, controla a execução da obra monitorando problemas
de prumadas, níveis e alinhamentos.

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Outras Obras: a Topografia é utilizada também em obras de saneamento, como redes
de água e esgoto; construção de pontes, viadutos, túneis e portos; implantação de sistemas de
irrigação e drenagem; arruamentos e loteamentos etc. porém, sempre como um "meio" para
atingir uma outra finalidade. Na Engenharia Mecânica, é indispensável na locação de bases de
máquinas e nas montagens mecânicas de alta precisão. Na Engenharia Eletrotécnica é utilizada
nas hidrelétricas, subestações e linhas de transmissão. Na Engenharia de Minas, a Topografia
atua nos levantamentos de poços e galerias de mineração.
A Topografia deve ser entendida como uma importante prática dentro da Engenharia.
Hoje, encontra-se em fase de transição quanto ao uso de equipamentos e técnicas de operação
devidos ao advento de novas tecnologias como o GPS (Global Posiotioning System) e as
¨estações totais¨que vêm proporcionando verdadeira revolução nos métodos tradicionais
proporcionando, principalmente, um ganho incomparável em tempo e facilidade de operação.
Apesar desses avanços tecnológicos surpreendentes, nem todas as atividades podem se valer
do sistema GPS. Existem situações em que as técnicas tradicionais de operação da Topografia
estão e serão ainda por muito tempo preservadas.

1.4 – Definição

Topografia é uma ciência aplicada, baseada na Geometria e na Trigonometria, de


âmbito restrito, pois é um capítulo da Geodésia que tem por objetivo o estudo da forma e
dimensão da Terra.
É parte da Engenharia Civil que trata de princípios e métodos para determinar o
contorno, dimensões e posição relativa de uma porção limitada da superfície terrestre e sua
representação num plano, em escala, com todos os detalhes e acidentes que ela representa,
sem levar em consideração a curvatura da Terra.
A palavra Topografia é de origem grega (TOPOS = lugar e GRAFIA = descrição,
desenho) e significa “descrição ou desenho do lugar”.
A Topografia é a ciência ou a arte de efetuar medidas necessárias para determinar as
posições relativas de pontos situados acima ou abaixo da superfície terrestre, ou para
estabelecer estes pontos.
O trabalho do topógrafo, que na sua maior parte consiste em efetuar tais medições,
pode dividir-se em três partes:
a) Trabalho de Campo – consiste em tomar e registrar medidas de campo;
b) Trabalho de escritório – consiste em efetuar os cálculos necessários à determinação
de posições, áreas e volumes;
c) Trabalho de desenho – consiste em representar em planta e em escala as medidas
levantadas e calculadas.
O trabalho de escritório e o trabalho de desenho são, atualmente considerados como
uma etapa única, devido à utilização de métodos computacionais que elaboram tanto os
cálculos quanto os desenhos.

1.5 – Objeto da Topografia

A Topografia tem por objetivo representar no desenho uma determinada porção da


superfície da Terra, com todos os seus detalhes e acidentes, naturais ou artificiais.
- Acidentes naturais: rios, lagos, florestas, relevo, etc., encontrados na
natureza;
- Acidentes artificiais: construções, cercas, áreas cultivadas, açudes, canais,
estradas, etc., construídos pelo homem.

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1.6 – Topografia e Geodésia

Quando a extensão do terreno que se deseja representar é de grandeza tal que não se
pode desprezar a esfericidade da Terra sem cometer grandes erros nas operações e nos
cálculos e, além disso, exige o concurso de instrumentos de maior precisão, que conduzam a
cálculos superiores, entramos no domínio da Geodésia.
Geodésia é a ciência que se ocupa da determinação da forma geométrica da Terra,
assim como da representação de uma parte de sua superfície, de considerável extensão.
A Geodésia, com o auxílio da Geografia Matemática, ocupa-se com os processos de
medida e especificações para o levantamento e representação cartográfica de uma grande
extensão da superfície terrestre, que pode ser a de um Estado, de um País, ou até mesmo de
um continente, projetada numa superfície de referência, geométrica e analiticamente definida
por parâmetros, variáveis em número, de acordo com a consideração sobre a forma da Terra.
A Geodésia é uma ciência que abrange o todo, ao passo que a Topografia se ocupa do
detalhe, adotando processos da Geometria e da Trigonometria Plana.
Tanto a Topografia como a Geodésia têm o mesmo objetivo: medir parte da superfície
terrestre. Diferenciam-se na extensão da superfície a medir e sobre a qual operam.
Em Topografia a Terra é considerada plana, enquanto que na Geodésia se consideram
as posições dos pontos notáveis, referindo-se à superfície das águas tranqüilas, levando em
conta portanto, a esfericidade da Terra.

1.7 – Plano topográfico

A topografia se incumbe da representação, por uma projeção horizontal cotada, de todos


os detalhes da configuração do solo, mesmo que se trate de detalhes artificiais: casas, currais,
estradas, cidades, vilas, construções isoladas, etc.
Esta projeção se faz sobre uma superfície de nível, isto é, sobre uma superfície definida
pela propriedade de ser, em cada ponto, normal a direção da força da gravidade. As projetantes
dos diversos pontos a representar são pois, as verticais desses pontos.
A esta projeção, ou imagem figurada do terreno, dá-se o nome de planta ou plano
topográfico.
Sendo a Terra um esferóide de superfície não desenvolvível, é necessário fazer-se a
hipótese de um plano horizontal sobre o qual são projetados todos os acidentes, todos os
detalhes a serem representados. A representação do terreno levantado se faz através do
desenho no papel, ao que chamamos de plano topográfico ou planta topográfica. A
representação no papel pressupõe um plano básico horizontal de referência. O plano horizontal
é aquele normal a direção da gravidade, normal essa definida por um fio de prumo, fixando o
plano tangente à superfície da Terra no ponto assinalado pelo fio.
No caso desse plano se referir unicamente às operações planimétricas, como medições
de distâncias e ângulos horizontais, toma o nome de plano planimétrico. Referindo-se ás
operações de altimetria, como distâncias horizontais e verticais, temos um plano altimétrico.
Quando abrange a ambas as operações temos um plano plani-altimétrico.
Sendo a Terra uma superfície não desenvolvível, houve a necessidade de se
estabelecer um princípio no qual se baseassem os estudos topográficos.
Assim, foi escolhido o plano topográfico. Com essa hipótese, do plano topográfico, ficou
afastada a necessidade de se levar em conta a forma da Terra, uma vez que o estudo fica
limitado ao levantamento de acidentes que são projetados nesse plano. Na hipótese do plano
topográfico, as verticais consideradas na figura 1 abaixo são V1 e V1’ e V2 e V2’, embora as
verdadeiras sejam os prolongamentos de OV1 e OV2.

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V1’ V2’

P.H. V1 V2

OV
Terra

Figura 1 – Representação do plano topográfico na superfície da Terra.

1.8 – Limites

Os limites que pode alcançar a Topografia se estendem até onde a superfície da Terra
pode ser considerada plana sem que se cometa erros graves. Estima-se que estes limites
sejam dados por um quadrado esférico, cujos lados tem a amplitude do arco determinado pelo
ângulo do 1o .
C
A B

M N
F
1o

30’

Figura 2 – Determinação dos limites da Topografia.

Sendo o arco MN da Figura 2, o arco de 1 grau (1o) traçado sobre a superfície da Terra,
suposta esférica. O comprimento de um arco de circunferência é dado pela equação:
2 ⋅π ⋅ r ⋅α
d= (1)
360
Onde:
d – comprimento de arco.
r – raio da circunferência;
α - medida do ângulo correspondente ao comprimento do arco a determinar.

Substituindo-se “r” pelo valor do raio médio da Terra, ou seja, 6.371.266.,50 m e “α” por
1o, tem-se:
2.π .6.371.266,50.10
Arco = 0
(2)
360

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Pode-se, igualmente, fazer o cálculo através da secante:

Secante MN = 2 × MF = 2 MO × sen MOF = 2 × r × sen 30' = 111.197,71m (3)

As principais características da Terra são:

a) Superfície Total (aproximada) = 510 100 000 km2


b) Achatamento:

A=(Re-Rp)/Re=1:297 (4)
Onde:
Re = semi-eixo maior (equatorial);
Rp = semi-eixo menor ou polar.

c) Raio médio:

2 × Re + Rp
r= = 6.371.266.50m (5)
3

d) Excentricidade:

Re 2 − Rp 2
e= = 0,0066878 (6)
Re

Verifica-se, pois, que o achatamento dos polos é muito pequeno, podendo a Terra ser
considerada uma esfera ligeiramente achatada e o seu raio “r” a média entre valores dos seus
semi-eixos.
Calculemos o comprimento da tangente AB (figura 2) traçada do ponto médio C do arco
MN.
Do trIângulo ACO tiramos que:

AC = CO x tg AOC (7)

Substituindo nesta equação valores já conhecidos, tem-se:

AC = 6.371.266,50 x tg 30’ (8)

Como:
AB = 2 x AC (9)

tem-se:

AB = 2 (6.371.266,50 x tg 30’) = 111.202,81 m (10)

Comparando as equações 2 e 10, veremos que o erro que se comete, tomando em vez
do arco de 1o a tangente correspondente, ou seja, não levando em conta a esfericidade da
Terra, é menor que três metros e, por tanto, tomando, em vez de quadrado esférico de 1o de
lado, o quadrado plano correspondente, comete-se um erro, como veremos, de 660.535,87 m2
que pode ser desprezado em vista das grandezas em jogo e que nos permite considerar o

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quadrado como plano. Ultrapassando-se este limite, não se pode deixar de considerar a
curvatura da Terra e se entra nos domínios da Geodésia.
Área do quadrado plano de 111.202,81 m de lado = 12.366.064.951,9 m2;
Área do quadrado esférico de 111.199.84 m de lado = 12.365.404.416,0 m2;
Diferença = 660.535,9 m2.

A hipótese do plano topográfico, porém, exige certa restrição, como vimos, no que se
refere à extensão da área a ser levantada. Quando fazemos a hipótese do plano topográfico
haverá naturalmente um erro, como demonstramos, porque substituímos o arco pela tangente.

c t b

o
Figura 3 – Limitação de um levantamento topográfico.

De acordo com a figura 3, temos que o erro será:

111.202,81 − 111.199,84
t−a = = 1,49m
2

Então para que o erro não seja grande, torna-se necessário limitar a extensão da área a
ser levantada e o valor de “t” deverá ser de 50 km, sendo de 100km o comprimento limite dos
levantamentos planimétricos ou a área a levantar, limitadas por um círculo, de 50 km de raio.
Às vezes há necessidade de se ter o levantamento de uma faixa estreita, porém de
longo comprimento, tal como ocorre com o estudo e projeto de estradas, canais, drenos, etc.
Nesse caso particular, considera-se uma série de planos tangentes e a planta resultará numa
série de rebatimentos.
Quando há necessidade do conhecimento se estender a grandes áreas, como todos os
municípios de um Estado, a Topografia isolada não poderá fornecer os elementos porque, de
início, teve sua finalidade limitada. A substituição da tangente pelo arco iria acarretar enorme
erro. Recorre-se então a Geodésia que, levando em consideração a forma da Terra oferece
meios de solução correta para o problema.
Também na Geodésia se considera a projeção, que recebe o nome de carta. Assim,
existe enorme diferença entre planta e carta. Uma, sendo objeto da Topografia, não considera a
curvatura da Terra, enquanto que a outra, objeto da Geodésia, considera a curvatura terrestre.

- Carta – representação num plano de parte da superfície terrestre;


- Mapa – é uma carta de grande extensão levantada por processos
geodésicos.

Carta Geográfica – é a representação de uma extensão considerável da superfície da


Terra, como um País por exemplo. Não dispõem mais do que detalhes de maior importância,
como montanhas, lagos, rios, cidades importantes, principais vias de comunicação, etc. A
escala da carta é superior a 1:500.000.
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Carta corográfica – é a que representa uma região ou Estado. Difere da anterior por uma
maior riqueza de detalhes. Sua escala varia de 1:500.000 à 1:50.000.
Carta Física – é a que representa o terreno, prescindindo em absoluto de toda a obra
construída sobre ele. Não assinala por tanto, mais do que os detalhes e acidentes naturais.
Quando essas carta representam com preferência as montanhas ou agrupamentos de terras de
uma região, chamam-se orográficas. Caso particular de uma carta física é a geológica em que
se atende a constituição das terras.
Carta hidrográfica – é a que representa uma parte da superfície terrestre banhada pelas
águas do mar ressaltando a linha da costa, atura da água e os detalhes terrestres úteis à
navegação.

1.9 – Divisão da Topografia

A Topografia pode ser dividida em quatro partes principais:

1- Topometria:

Empregando os processos de medida no espaço, baseia-se na Geometria Aplicada


efetuando medidas diretas de ângulos e distâncias ou indiretas no caso de áreas e volumes e
também de distâncias. Esses processos são obtidos com a utilização de aparelhos de medida,
lineares e angulares. A topometria divide-se em: Planimetria e Altimetria.

a) Planimetria: vimos que os acidentes são representados por sua projeção


ortogonal num plano horizontal. Ora, em tal situação, teremos
conhecimentos dos acidentes e suas posições relativas, sendo
porém representados planos. Esta representação é denominada
planimetria. Assim, Planimetria medida das grandezas do espaço
projetadas sobre um plano horizontal (áreas e distâncias), a partir
dessas medidas são elaboradas as plantas em escala. A operação
efetuada é denominada levantamento planimétrico.

Figura 4 – Representação de um levantamento planimétrico de uma área.

b) Altimetria: Para melhor esclarecimento, torna-se necessário o


conhecimento da terceira dimensão, ou seja, a sua altura. A
parte da Topometria que trata dessa determinação, que nos dá
o relevo do solo é a Altimetria. A Altimetria é a determinação
das alturas dos pontos levantados, são medidas relacionadas

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a um plano de referência obtendo-se as distâncias verticais ou
diferenças de nível e ângulos zenitais.

Figura 5 – Representação de um levantamento altimétrico.

2- Topologia:

Estuda a conformação do terreno, suas modificações e as leis que regem essas


modificações. Sua principal aplicação consiste nas intersecções obtidas por planos
eqüidistantes paralelos com o terreno a representar gerando as “curvas de nível”.

Porém também podem ser representados em computação gráfica como MNTs Modelos
Numéricos de Terreno, que permitem simulações e cálculo de declividades e o traçado de
curvas de nível com maior velocidade

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Curvas de nível

Modelagem de terreno MNT

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Visão tridimensional de perfil de terreno

Visão tridimensional de perfil de terreno com curvas de nível

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Visão tridimensional de perfil de terreno, com o corte em uma determinada cota (no
caso, uma simulação de alagamento).

Figura 6 – Representação das curvas de nível e seus planos paralelos.

3) Taqueometria:

Tem por finalidade o levantamento de pontos do terreno pela resolução de


triângulos, apta a representa-los tanto plani como altimetricamente ou, então, dando origem à
plantas cotadas ou com curvas de nível, chamadas plani-altimétricas. Sua maior aplicação se
verifica em zonas fortemente acidentadas, em morros e montanhas, onde oferece reais
vantagens sobre os métodos topométricos. Nos processos taqueométricos, o levantamento de
pontos é feito com rapidez, boa exatidão e economia.

4) Fotogrametria:

A fotogrametria é a ciência ou a arte da obtenção de medições fidedignas por meio da


fotografia.
Esta definição pode ser perfeitamente ampliada com a inclusão de interpretação de
fotografias, como uma função de importância quase igual, vez que a capacidade de reconhecer
e identificar uma imagem fotográfica é, com freqüência, tão importante quanto a capacidade de
deduzir a sua posição a partir de fotografias. É que a fotogrametria passa a atender, não
apenas, ao cartógrafo, mas a uma extensa série de técnicos ou especialistas, no amplo campo
da fotointerpretação, dentro do qual, o engenheiro, o urbanista, o geólogo, o geógrafo, o
oceanógrafo, o meteorologista, o agrônomo, o militar, o economista, etc.
O levantamento fototopográfico é importante principalmente para a determinação do
relevo do terreno em grandes extensões. Ela pode ser terrestre ou aérea (aerofotogrametria).

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Figura 7 – Fotografia aérea para fotointerpretação.

1.10 –Outras ferramentas acessórias a topografia e geodésia


Podendo ser considerada uma quinta divisão da topografia.

5) Sensoriamento remoto

Todas as ações são realizadas no tempo pelo


entrelaçamento das forças da natureza, mas o homem
perdido na ilusão egoísta acredita ser ele mesmo o ator.
Mas o homem que conhece a relação entre as forças da
Natureza e as ações, vê a forma pela qual algumas forças da
Natureza agem sobre outras, e não se torna seu escravo.

Bhagavad Gita
(CAPRA, O Tao da Física)

Sensoriamento remoto é um ramo da ciência que aborda a obtenção e análise de


informações sobre materiais (naturais ou não), objetos ou fenômenos na superfície da terra a
partir de dispositivos situados a distância dos mesmos. Tais dispositivos recebem o nome de
sensores, cuja função é receber e registrar a informação proveniente destes materiais, objetos
ou fenômenos (genericamente denominados de alvos) para posterior processamento e
interpretação por um analista. Os sensores são geralmente colocados em plataformas aéreas
(por exemplo, aviões) ou orbitais (satélites). O principal objetivo do sensoriamento remoto é
expandir a percepção sensorial do ser humano, seja através da visão sinóptica (panorâmica)
proporcionada pela aquisição aérea ou espacial da informação, seja pela possibilidade de se
obter informações em regiões do espectro eletromagnético (EEM) inacessíveis à visão
humana (CROSTA, 1997).
Alguns exemplos:

15

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Imagem de radar

Mosaico LandSat

Satélite brasileiro CEBERS 2

Satélite Terra

16

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1.11 – Referências Bibliográficas

FOSSI, Ignácio – Tratado de Topografia, Madrid, Ed. Dossat, 1994.


BRINKER, Russel C. & TAYLOR, Warren C. – Topografia Elementar, México, Ed. Pax-México,
1969.
BREED, Charles B. – Topografia, Bilbao – Ed. URMO, 1969.
ESPARTEL, Lelis – Curso de Topografia, P. Alegre, Ed. Globo, 1977.
GODOY, Reinaldo F. D. – Topografía Básica, S. Paulo – FEALQ, 1988.
PINTO, Luiz E. K. – Curso de Topografia, Salvador, UFBA, 1992.
SANTOS, Fioravante J. Gestão Agroecológica de Microbacias Através de Técnicas de
Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto- Caso Pantanoso, Porto Alegre, RS,
Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto – Concentração em Solos) Centro
Estadual de Pesquisas em Sensoriamento Remoto e Meteorologia – CEPSRM – INPE /
UFRGS, 1999.

CAPÍTULO 2

2.1 – Medidas de ângulos

Arco de uma circunferência – é cada uma das partes em que é subdividida uma
circunferência por dois de seus pontos.

Arco
A B

AÔB
AB ou BA

O
Figura 8 – Representação do arco de uma circunferência.

Ângulo central – definido por um determinado arco. Dada uma circunferência qualquer,
tendo um arco qualquer AB, o ângulo corresponde a este arco é o ângulo centra AÔB, formado
pelos segmentos OA e OB, figura 8.
Medida de um ângulo – é um número real “a” não negativo obtido pela razão entre um
arco AB e um arco considerado unitário “u”, não nulo e de mesmo raio.
Por exemplo:
O ângulo AÔB da figura 8 poder ser determinado através de seu arco da seguinte
maneira:
AB
a=
u
onde:
AB – comprimento do arco;
u – arco unitário (graus ou grados).

Sendo o arco unitário determinado da seguinte maneira:

17

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2×π × r
Em graus: u= (circunferência dividida em 360 partes iguais);
360

2×π × r
Em grados: u= (circunferência dividida em 400 partes iguais).
400

Podemos observar que o calculo do ângulo central depende do sistema adotado (graus
ou grados) em função do comprimento total da circunferência dado pela equação:

C = 2×π × r

Exemplo:

Se em uma circunferência de raio igual a 24 cm tomarmos um segmento de arco com 10


cm de comprimento, qual o ângulo formado por este arco?

AB 10
a= ⇒ a=
u u

Calculando u:

2×π × r 2 × 3,1416 × 24 150,7964


Em graus: u= ⇒ u= ⇒u = = 0,4188
360 360 360

10
a= ⇒ a = 23,88o
0,4188

2×π × r 2 × 3,1416 × 24 150,7964


Em grados: u= ⇒ u= ⇒u = = 0,3769
400 400 400

10
a= ⇒ a = 26,53 g
0,3769

2.2 – Grau ou unidade sexagesimal

1
É a unidade cujo arco unitário é equivalente a da circunferência que o contém.
360
Múltiplos e submúltiplos:
- Minuto: medida correspondente a divisão de um grau em 60 partes iguais.
Um grau = sessenta minutos.
- Segundo: medida correspondente a divisão de um minuto em 60 partes
iguais. Um minuto = sessenta segundos.

Exemplo:

Se em um cálculo de ângulo obtivermos um resultado do tipo 23,87o para transformá-lo


em sexagesimal fazemos o seguinte procedimento:

18

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A parte inteira não é alterada, então teremos 23o;
A parte decimal é onde se faz a transformação pela seguinte relação, como descrito
anteriormente:

1o -------- 60’
0,87° ------ x

x = 52,2’

Com este resultado teremos então a parte correspondente aos minutos, ou seja somente
a parte inteira novamente:
23o 52’

Para finalizar é feita a transformação da parte decimal dos minutos para segundos,
tomando-se o mesmo procedimento anterior:

1’ -------- 60’’
0,2° ------ x

x = 12’’

O resultado final será: 23o 52’ 12’’

2.3 – Grado ou unidade centesimal

⎛ 1 ⎞
É a unidade cujo arco unitário é obtido pela divisão da circunferência em 400 ⎜ ⎟
⎝ 400 ⎠
partes iguais.
Múltiplos e submúltiplos:
- Minuto centesimal: medida correspondente a divisão de um grado em 100
partes iguais. Um grado = cem minutos centesimais.
- Segundo centesimal: medida correspondente a divisão de um minuto em 100
partes iguais, Um minuto = cem segundos centesimais.

Exemplo:

Tomando como exemplo o que vimos anteriormente, onde obtivemos um ângulo de


26,53 grados, teremos a transformação deste ângulo da seguinte maneira:
Da mesma forma que no sexagesimal, a parte inteira permanece inalterada, ou seja, 26
grados.
A parte decimal é utilizada para a transformação, da seguinte, forma:

1grado -------- 100’


0,53g ------ x

x =53’

Com este resultado teremos então a parte correspondente aos minutos grado, ficando
com o resultado expresso da seguinte forma: 26g 53’.
19

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Observe que no caso da unidade Grado, por ser centesimal, um valor angular pode ser
expresso na forma GGGg MM′ SS″ quanto na forma GGG,MMSS.
Ex.: 235g34′56″ = 235,3456g
É também utilizada a notação em que os minutos e segundos são indicados por letras
¨c¨ minúsculas em forma de expoente, como por exemplo: 235g34c56cc.

2.4 – Radianos

O radiano (rad) é a unidade cujo arco unitário é igual ao raio da circunferência que o
contém.
Arco unitário (u) = raio.

AB
a= onde u = r
u

2×π × r
a= onde C = 2 x π x r
r

a = 2 × π rad
Onde:
a = medida do arco para uma circunferência completa.

2.5 – Transformações de ângulos

- Grau ⇔ Grado

C C
10 = e 1grado = ( sendo C o arco de circunferência )
360 400

Como as duas equações representam o ângulo unitário, se dividirmos uma equação pela
outra teremos a equivalência entre os dois sistemas de unidades, da seguinte forma:

10 C 400
= × o que teremos no final será o quanto representa o valor do ângulo
1grado 360 C
em grados referente a 1 grau, ou seja : 1o = 1,11111 grados.

Da mesma forma, se fizermos o inverso,teremos o quanto representa o valor do ângulo


em graus referente a 1 grado, da seguinte maneira:

1grado C 360
0
= × ficaremos então com: 1 grado = 0,9o.
1 400 C

Exemplo:

Um ângulo com o seguinte valor 50o 10’ 20’’, transformado para unidade grado, pode
ser feito da seguinte maneira:

- A primeira coisa a ser feita é transformar o ângulo sexagesimal para decimal, começa-
se sempre pelos segundos:
Se: 1’ --------- 60”
20

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X --------- 20”
X = 0,3333’

- Depois de feito isso, ficamos com o equivalente em minutos dos 20”, para darmos
seqüência ao cálculo devemos somar estes minutos calculados aos 10” do ângulo, pois ambos
estão na mesma unidade:
10'+0,3333' = 10,3333'

Após transformamos estes minutos em graus, da seguinte maneira:

1o ---------- 60’
X ----------- 10,3333
X = 0,1722o

Finalmente teremos o ângulo sexagesimal transformado em decimal somando-se o


último valor encontrado ao 50o:

50 + 0,1722 = 50,1722o

Para obtermos o valor do ângulo em grados, o procedimento não é diferente, basta


utilizarmos a relação descrita anteriormente, da seguinte maneira:

1o -------------- 1,1111 grados


50,1722o ----- X
X =55,7469 grados

- Radianos ⇔ Graus

Como vimos anteriormente no item 2.4 a relação de radianos para uma circunferência
completa é dado por 2xπ rad, equivalência em graus é dada pelas relações abaixo:

2xπ rad ---------- 360o


π rad ------------- 180o
π
----------------- 90o
2

Exemplo:

Se tivermos um ângulo de 55o, para obter-se em radianos é feita a seguinte operação:


Primeiramente é necessário sabermos qual das três relações acima será utilizada, isso
não será problema, qualquer uma das três ralações poderá ser utilizada, que o valor não será
alterado, utilizaremos a segunda relação, por ser mais simples:

π rad ------------- 180o


X ------------------ 55o
55 × π
X=
180
X = 0,9594 rad

- Radianos ⇔ grado

21

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Este procedimento não difere dos descritos anteriormente, basta observarmos as
relações já descritas nos itens 2.3 e 2.4, onde obteremos as seguintes relações:
2xπ rad ---------- 400 grados
π rad ------------- 200 grados

Esta relação é estabelecida em função de 2xπ rad ser a medida do arco de uma
circunferência completa e os 400 grados o número de partes em que é dividida uma
circunferência completa, conseqüentemente o valor do arco em grados de uma circunferência
completa.

Exemplo:

Um ângulo com 50 grados ficaria em radianos da seguinte forma:

2xπ rad ---------- 400 grados


X ------------------ 50 grados

50 × 2π
X=
400

X = 0,785 radianos

2.6 – Exercícios

1 – Transforme os seguintes valores expressos em graus decimais para graus na


unidade Sexagesimal, Grado e Radiano:

Graus decimais Sexagesimais Grado Radiano


24, 5460o
52,35647o
185,4270o
282,1289o
354,32648o

2 - Transformar os seguintes valores de ângulos expressos em graus Sexagesimais


em graus Decimais, Grados e Radianos:

Graus sexagesimais Decimais Grado Radiano


125o 10’ 20’’
46o 15’ 20’’
66o 14’ 22’’
185o 23’ 40’’
276o 23’ 47’’

22

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3 – Transformar os seguintes valores de ângulos expressos em grados para graus
decimais, sexagesimais e radianos:

Grados Decimais Sexagesimais Radiano


200,5060 grad
356,1464 grad
25,5090 grad
63,4509 grad
48,5925 grad

4 – Operações com ângulos Sexagesimais:

80o 25’ 40’’ – 10o 45’ 50’’

45o 59’ 10’’ – 5o 10’ 25’’

184o 06’ 10’’ – 140o 20’ 25’’

250o 02’ 35’’ + 2o 59’ 30’’

124o 50’ 40’’ + 10o 15’ 30’’

CAPÍTULO 3

3.1 – Ângulos topográficos

Generalidades:

Conceito: medida da abertura entre duas retas ou dois planos concorrentes (com um
ponto em comum).

O . A

B
Ângulo AÔB ou BÔA

Figura 9 – Representação de ângulo e sua referência entre duas retas.

Existem três possibilidades de representação de ângulos, ou seja, três planos onde


podemos representar os ângulos a serem medidos através dos métodos topográficos, que são:

- Em um plano horizontal;
- Em um plano vertical;
- Em um plano genérico.
No nosso estudo, ou seja, para a Topografia, são utilizados apenas os dois primeiros
planos citados acima (planos horizontal e vertical) não sendo utilizado o plano genérico.

3.2 – Ângulos em planos verticais

23

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Plano vertical - é o plano que contém uma linha vertical e que passa no centro da Terra,
que serve como referência.

P.V.

Linha
. P.H.

.
Centro da Terra
Figura 10 – Representação do plano vertical e seu ponto de referência.

Os ângulos verticais podem ser de três tipos:

- Ângulo Zenital (Z);


- Ângulo Nadiral (N);
- Ângulo de inclinação (α).

a) Ângulo Zenital (Z) – a origem de contagem dos ângulos zenitais ocorre no zênite,
ou seja, em um ponto situado na vertical, acima do
observado.
z

Figura 11 – Representação do zênite em relação ao observador.

O intervalo de variação dos ângulos zenitais varia de 0o à 360o, sendo que na Topografia
geralmente são utilizados valores de 0o à 180o.

24

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0o

Z1

Z4
270o 90o
Z2
Z3

180o
Figura 12 – Representação da variação do ângulo zenital.

Os ângulos zenitais são usados com a finalidade de:


- determinar diferença de nível;
- reduzir as leituras para distâncias horizontais.
-
b) Ângulo Nadiral (N) – a origem de contagem dos ângulos nadirais ocorre no Nadir,
ou seja, do lado oposto ao zênite, situado na vertical,
abaixo do observador ao qual chegaria uma reta que
passasse pelo ponto em que nos encontramos e o centro
da Terra.

N
Figura 13 – Representação do Nadir em relação ao observador.

O sentido de crescimento é inverso ao zenital e o intervalo de variação é de 0o à 360o,


sendo que na Topografia é utilizado somente de 0o a 180o.
180o

N3
N2

270o 90o
N4

N1

0o
Figura 14 – Representação da variação do ângulo Nadiral.

c) Ângulo de inclinação (α) – apresenta origem de contagem no plano


horizontal. Seu crescimento se dá tanto tanto na
direção do Zênite, como na direção do Nadir. O
ângulo de inclinação varia de 0o à 90o.

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90o

α+ α+

0o 0o

α- α-

90o
Figura 15 – Representação da variação do ângulo de inclinação.

Dos ângulos contidos em planos verticais, estes são os que mais interessam a
Topografia. São medidos a partir da linha horizontal abstraindo-se do zênite e do nadir. A
contagem destes ângulos é feita a partir da linha horizontal, para cima ou para baixo, com valor
máximo de 90o, situados nos extremos da vertical do ponto. Estes ângulos de acordo com a
posição que assumem em relação à linha horizontal, podem ser classificados em:
a) ângulos de inclinação positiva (ou elevação);
b) ângulos de inclinação negativa (ou depressão).
A inclinação é positiva quando acima da linha do horizonte, e negativa quando abaixo,
como mostra a Figura 15.

3.3 – Transformação de ângulo Zenital em ângulo de Inclinação

Essa transformação é necessária porque, dependendo do tipo de aparelho topográfico


utilizado (Teodolito), as leituras dos ângulos verticais podem ser zenitais, nadirais ou
diretamente do ângulo de inclinação.
Por isso é muito importante, antes de qualquer medida no campo, identificarmos o tipo
de aparelho que estamos utilizando, ou seja, se é um aparelho que tem como origem de leitura
dos ângulos verticais o Zênite, o Nadir, ou se fornece diretamente o ângulo de Inclinação.
Inicialmente, para fazermos a transformação, no caso de utilizarmos um aparelho que
tem a origem de contagem no Zênite devemos trabalhar em quadrantes, como mostra o item
3.1 – Ângulo de inclinação, da seguinte maneira:

1o Quadrante 2o Quadrante

0o 0o

Z Z
α
90o 90o
α

α = 90o - Z α = 90o - Z
Positivo Negativo

Figura 16 – Representação dos ângulos de inclinação no primeiro e segundo


quadrantes.

26

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3o Quadrante 4o Quadrante
0o 0o

Z Z

α
270o 270o
α

α = Z - 270o
Negativo
α = Z - 270o
Positivo
Figura 17 – Representação dos ângulos de inclinação no terceiro e quarto quadrantes.

Os sinais dos ângulos de inclinação, principalmente os negativos, que aparecem nos


cálculos indicam apenas o quadrante a que pertencem estes ângulos, não quer dizer que seu
valor seja negativo.

3.4 – Transformação de ângulo Zenital em Nadiral

O procedimento de transformação é análogo ao descrito anteriormente, basta observar a


posição do Nadir e do Zênite, da seguinte maneira.

1o Quadrante 2o Quadrante

Zênite Zênite
0o 0o

Z Z

90o
180o

180o

90o

180o 180o
N = 180o - Z
Nadir Nadir

Figura 18 – Representação da transformação do ângulo Zenital em Nadiral, no primeiro


e segundo quadrantes.

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3o Quadrante 4o Quadrante
Zênite Zênite
0o 0o
N
N

270o 270o

N = 360 - Z + 180o
180o N = 540 - Z 180o
Nadir Nadir
Figura 19 – Representação da transformação de ângulo Zenital em Nadiral, no terceiro
e quarto quadrantes.

3.5 – Transformação de ângulo Nadiral em ângulo de Inclinação

A transformação do ângulo Nadiral em ângulo de Inclinação também é análoga às já


descritas anteriormente, como pode ser observado nas figura abaixo.
2o Quadrante 1o Quadrante

180o 0o

α
90o 90o
α

N
α = N - 90o N
α = N - 90o
0o 0o
Figura 20 – Representação da transformação de ângulo Nadiral para ângulo de
Inclinação no primeiro e segundo quadrantes.
4o Quadrante 3o Quadrante
180o 180o

N N

α
270o 270o
α

α = 270 - N α = 270 - N
0o 0o
Figura 21 – Representação da transformação de ângulo Nadiral para ângulo de
Inclinação no terceiro e quarto quadrantes.

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Observações:

A transformação dos ângulos Zenitais e Nadirais em ângulos de Inclinação se faz


importante, no momento de determinarmos distâncias no campo, principalmente em terrenos
inclinados, pois nestes, como em qualquer outro,trabalha-se com distâncias horizontais, ou
seja, mede-se o ângulo de inclinação e a distância inclinada até um determinado ponto e com a
relação de triângulos retângulos, se determina a distancia horizontal, como mostra a figura a
seguir:
Zênite
0o
D
Z
α

d 90o

180o
Nadir
Figura 22 – Determinação de distância com o ângulo de Inclinação.

Onde teremos:

d = D × cosα ; d = D × sen Z ou d = D × sen N

Todas as três equações nos fornecem o valor da distância horizontal entre dois pontos,
o que retomaremos mais adiante. A vantagem é que pelo ângulo de inclinação já obteremos o
quadrante a que pertence este ângulo, o que também mais adiante na disciplina nos ajudará.

Então o que podemos observar até agora é que a utilização dos ângulos nos Planos
Verticais ou Ângulos Verticais nos possibilita obter as projeções horizontais ou verticais de
distâncias inclinadas.

3.6 – Ângulos em Planos Horizontais ou Ângulos Horizontais

São aqueles contidos e medidos no plano horizontal. São os mais importantes em


Topografia, sendo agrupados em ângulos Geométricos e ângulos Geográficos ou de
Orientação. Os valores destes ângulos são ditos observados quando forem medidos
diretamente no campo, e calculados se deduzidos de forma indireta, pelo cálculo.
Os ângulos Geométricos estão relacionados a figuras geométricas. São aqueles que tem
como referencia qualquer alinhamento materializado no campo por instrumento topográfico.
Os ângulos Geográficos ou de orientação estão relacionados com o Norte, ou seja, a
uma direção de orientação, a linha Norte – Sul.
Com estes tipos de ângulos, utilizados nas medições de campo, são formadas as
Poligonais, ou seja, as figuras nas quais podemos determinar a área ocupada por esta
poligonal, que poderá ser uma propriedade, uma floresta, um lago, etc.
Poligonal é uma sucessão de segmentos de reta, figura formada por linhas que se unem
nos vértices, onde se encontram os ângulos.
Existem dois tipos de poligonal, a poligonal Aberta e a poligonal fechada, que são as
poligonais geométricas.
29

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- Poligonal aberta:
B D
• •
•K

• •E I
A• •
C

F• J

G• •
H
Figura 23 – Representação gráfica de uma poligonal aberta.

- Poligonal fechada:
A C
• •
B
H• •
•D

• F
G
•E
Figura 24 – Representação gráfica de uma poligonal fechada.

Os vértices de uma poligonal são as extremidades de cada segmento de uma poligonal,


que pode ser chamado de estação, pois o vértice é o local onde instalamos o equipamento
topográfico (Teodolito) ou fazemos a colimação deste ponto para determinação dos seus
respectivos ângulos.

3.7 – Tipos de ângulos geométricos

a) Começaremos pelas poligonais fechadas onde existem dois tipos de ângulos


geométricos:
- Ângulos internos;
- Ângulos externos;
- Ângulo de deflexão.

Ângulo interno (Ai) – ângulo horizontal formado entre dois alinhamentos consecutivos do
polígono com a característica de ter seu arco voltado para o
interior do mesmo.

Ai

Figura 25 – Representação do ângulo interno de uma poligonal fechada.

Ângulo Externo (Ae) – ângulo horizontal formado entre dois alinhamentos consecutivos
do polígono com a característica de ter seu arco voltado para
o lado externo.

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Ae
Figura 26 - Representação do ângulo externo de uma poligonal fechada.

Ângulo de deflexão (Ad) – é o ângulo horizontal formado entre o prolongamento de um


alinhamento do polígono com o alinhamento seguinte do
mesmo. Podem variar de 0 à 180o. Podem ser a esquerda ou
a direita dependendo da posição do alinhamento seguinte do
polígono.
Ad

Ad

Figura 27 – Representação do ângulo de deflexão de uma poligonal fechada.

Sempre que um levantamento topográfico de uma poligonal fechada se der no sentido


Anti-horário os ângulos de deflexão são considerados, a esquerda positivos e os ângulos de
deflexão a direita, negativos. Se o levantamento for no sentido Horário, a relação é inversa, ou
seja, a direita positivos e a esquerda negativo.
Caminhamento Anti-horário Caminhamento Horário

+ -

- +
+ -
- +
Figura 28 – Representação dos sinais dos ângulos em função do sentido de
caminhamento.
b) Em poligonais abertas tem-se somente os ângulos de deflexão e os ângulos positivos.
- Ângulo positivo – é o ângulo medido no sentido horário em uma poligonal
aberta. Este ângulo varia de 0 à 360o.
- Ângulo de deflexão - é o ângulo horizontal formado entre o prolongamento de
um alinhamento e do polígono com o alinhamento
seguinte do mesmo. Podem variar de 0 à 180o.
Podem ser a esquerda ou a direita dependendo da
posição do alinhamento seguinte do polígono.

• •

• • •
Figura 29 – Representação dos ângulos positivos em uma poligonal aberta.

31

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3.8 – Transformação de ângulos geométricos

a) Para o caminhamento no sentido Anti - horário teremos:

Ae = 360o – Ai

Ad = 180o – Ai

b) Para o caminhamento no sentido Horário teremos:

Ad = 180o – Ai

Ad = Ae – 180o

3.9 – Ângulos geográficos

Como já foi conceituado anteriormente, os ângulos geográficos são ângulos que tem
como referência a linha Norte – Sul ou simplesmente a linha do Norte.
Chamam-se ângulos geográficos aos Azimutes, Rumos e Declinação.
O ângulo quando contado a partir da linha do Norte recebe o nome de Azimute, que é o
ponto de partida para qualquer levantamento topográfico.
Azimute – é o ângulo horizontal contado a partir da linha do Norte no sentido horário,
até encontrar o alinhamento em questão. Seu intervalo varia de 0 à 360o. Chamam-se azimutes
à direita quando medidos no sentido horário e azimutes à esquerda quando medido em sentido
contrário.

Norte
Norte
I
AZAB B

H•
A•

AZHI
Figura 30 – Representação de um ângulo geográfico, já como azimute.

Existe ainda a possibilidade de termos o alinhamento do azimute em sentido contrário,


chamado de Azimute à Ré. O azimute a ré é sempre igual ao azimute à vante + ou – 180o
dependendo do valor do azimute à vante ser maior ou menor que 180o.

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AZAB
A•

AZAB


B
AZBA
AZBA
Figura 31 – Representação do azimute à Ré.

AZ Ré AB = AZ BA

AZ Ré = AZ Vante ± 180 0

Azimutes Magnéticos – o azimute magnético é medido no sentido horário a partir do


norte magnético e é o usualmente utilizado na Topografia.
Azimute Verdadeiro – o azimute verdadeiro ou geográfico é medido a partir do norte
verdadeiro ou geográfico.
Azimute convencional – o azimute convencional utiliza como meridiano de referência
uma linha convencional qualquer, sem orientação da agulha
magnética e sem a determinação do meridiano verdadeiro.

Outro conceito que precisamos para um levantamento topográfico é o de Rumo.


Rumo – é o menor ângulo que o alinhamento forma com a direção Norte – Sul,
medindo a partir do Norte ou do Sul a direita ou a esquerda. Sua variação é de 0 à 90o.
Os rumos estão localizados dentro de quatro quadrantes, com valor máximo de 90o cada
um, denominados:
- Nordeste (NE);
- Sudeste (SE);
- Sudoeste (SO);
- Noroeste (NO).

As Figuras 32 e 33 mostram a direção dos rumos dentro de cada quadrante e o


crescimento destes rumos.

33

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Norte Norte
AZAB B
Ru
AZAB
A• A•

Ru
Sul B
Sul
Norte
Norte
B Ru
AZAB
AZAB
A

A•
Ru
B

Sul Sul
Figura 32 – Representação dos rumos na linha Norte – Sul.

O rumo é expresso por um valor angular seguido da indicação do quadrante


correspondente, pelos pontos Colaterais da Bússola da seguinte forma:
N 1o Quadrante
4o Quadrante
NO NE

O E

SO SE
3 Quadrante
o
2o Quadrante
S
Figura 33 – Pontos colaterais que seguirão o valor angular do rumo, em função do
quadrante em que o alinhamento se encontra.

Controle dos Rumos

Tabela 1 – Relação entre Rumo e Azimute em função do quadrante em que se


encontram.
1o Quadrante Rumo = Azimute AZ = Rumo
o
2 Quadrante Rumo = 180o - Azimute AZ + Rumo = 180o
3o Quadrante Rumo = Azimute - 180o AZ = Rumo + 180o
o
4 Quadrante Rumo = 360o - Azimute AZ + Rumo = 360o

Exemplo:
O valor angular do Rumo é de 75o 30’ NE.
Significa que este valor angular esta no Primeiro quadrante contado a partir da linha do
Norte.

34

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O Rumo à Ré tem o mesmo valor do Rumo, a diferença e que muda o sinal do
quadrante. Assim se o rumo à vante esta no quadrante SE, o rumo a ré deste alinhamento esta
localizado no quadrante NE, com o mesmo valor angular.

A• RuBA NO

RuAB SE •
B

Figura 34 – Representação do Ruma à ré no alinhamento AB.

Assim como o azimute, o rumo pode ser magnético, verdadeiro ou convencional, sendo
o rumo magnético o mais utilizado em Topografia.

Declinação Magnética – É o ângulo variável que fazem entre si o meridiano magnético


e o verdadeiro, também chamado meridiano geográfico ou astronômico. A declinação é
chamada Oriental quando o ângulo formado pelos meridianos fica a direita do meridiano
verdadeiro e Ocidental quando fica a esquerda. A declinação varia, num mesmo lugar, não
permanecendo constante ao longo do tempo, Este fenômeno recebe o nome de variação da
declinação e se processa em períodos de tempos considerados constantes, o que permite
classifica-las em variação secular, anual, mensal e diária. Além das variações citadas, existem
as variações irregulares, devidas às tempestades magnéticas do Sol, que provocam desvios de
até 20’ . As atrações locais exercidas por objetos e minerais ferrosos, como a magnetita, pirita,
redes elétricas, etc., também causam variações irregulares de declinação magnética.

3.10 – Controles angulares

Os controles angulares servem para fazermos a conferência se o levantamento


topográfico foi bem realizado ou não, através do somatório tanto dos ângulos internos como dos
externos. Da seguinte maneira:

a) Controle dos ângulos internos:


n

∑ AiT = 180 × (n − 2)
i =1
onde:
n = número de lados ou número de ângulos do polígono.

b) Erro angular (EA):


EA = ∑ Ai − ∑ AiT
onde:
ΣAi = somatório dos ângulos internos medidos no campo;
ΣAiT = somatório dos ângulos internos teóricos (equação anterior).

c) Controle dos ângulos externos:

Ae = 360 − Ai

35

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∑ Ae = 180 × (n + 2) (controle)
onde:
n = número de vértices do polígono.

d) Controle angular dos ângulos de deflexão:

∑ Ad = 360 0

e) Controle angular dos azimutes:

Em virtude da falta de precisão na determinação dos azimutes dos lados de uma


poligonal, apenas é medido nos levantamentos topográficos o azimute de um dos lados da
poligonal.
Os azimutes dos lados restantes são calculados em função deste único ângulo
geográfico medido e dos ângulos geométricos medidos em cada vértice da poligonal.

Equação geral:
AZn = AZn − 1 ± Ai ± 180 0
onde:
Azn = azimute do lado “n” no qual se deseja saber;
Azn – 1 = azimute do lado anterior;
Ai = ângulo interno.

- Controle dos azimutes com caminhamento anti-horário:


N
4
5
N

AZn1 AZn2 3
1 Ai

2
Figura 35 – Controle dos azimutes no caminhamento anti-horário.

AZn = AZn − 1 + Ai ± 180 0


onde:
Azn = azimute que se quer determinar;
Azn – 1 = Azimute do vértice anterior;
Ai = ângulo interno do vértice a determinar o azimute.

Observações:

Se:
- Azn – 1 + Ai > 180o ⇒ subtrai-se de 180o, ou seja, o sinal é negativo da equação;

- Azn – 1 +Ai < 180o ⇒ soma-se 180o, ou seja, o sinal é positivo na equação.

- Sempre que o azimute calculado resultar em um valor maior que 360o deve-se subtrair
de 360o.

36

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- Controle dos azimutes com caminhamento horário:

N AZn2
3
2
Ai
AZn1 4
1

5
Figura 36 – Controle dos azimutes no caminhamento horário.

AZn = AZn − 1 − Ai ± 180 0


onde:
Azn = azimute que se quer determinar;
Azn – 1 = Azimute do vértice anterior;
Ai = ângulo interno do vértice a determinar o azimute.

Observações:

- Azn – 1 - Ai > 180o ⇒ subtrai-se de 180o, ou seja, o sinal é negativo da equação;

- Azn – 1 -Ai < 180o ⇒ soma-se 180o, ou seja, o sinal é positivo na equação.

- Se o azimute resultar negativo deve-se somar a este 360o.

Quando o ângulo geométrico medido forem os ângulo externos o cálculo dos azimutes
é realizado através da seguinte equação geral:

AZn = AZn − 1 ± Aen ± 180 0

onde:
Azn = azimute que se quer determinar;
Azn – 1 = Azimute do vértice anterior;
Ae = ângulo externo do vértice a determinar o azimute.

- Azn – 1 - Ae > 180o ⇒ subtrai-se de 180o, ou seja, o sinal é negativo da equação;

- Azn – 1 -Ae < 180o ⇒ soma-se 180o, ou seja, o sinal é positivo na equação.

- Quando o azimute for maior que 360o subtrai-se de 360o.

- Se o valor do azimute resultar negativo soma-se a este 360o.

37

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N
Anti-horário Horário
N
4 N AZn2
5 Ae 3
N
2
AZn1 AZn2 3
1 AZn1 4
1
2
Ae 5
Figura 37 – Representação do controle dos azimutes pelos ângulos externos.

Quando o ângulo geométrico medido forem os ângulo de deflexão o cálculo dos


azimutes é realizado através da seguinte equação:

- Sentido Anti-Horário:

AZn = AZn − 1 − Ad
onde:
Azn = azimute que se quer determinar;
Azn – 1 = Azimute do vértice anterior;
Ad = ângulo de deflexão do vértice a determinar o azimute.
Anti-horário
N
4
5
N

AZn1 AZn2 3
1
Ad
2
Figura 38 – Representação do controle dos azimutes com os ângulos de deflexão no
sentido anti-horário.

- Sentido Horário:

AZn = AZn − 1 + Ad
onde:
Azn = azimute que se quer determinar;
Azn – 1 = Azimute do vértice anterior;
Ad = ângulo de deflexão do vértice a determinar o azimute.

38

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N
Horário

N Ad
3
2

AZn2
AZn1 4
1

5
Figura 39 – Representação do controle dos azimutes com os ângulos de deflexão no
sentido horário.

3.11 – Exercícios

1) Calcular:

a) Os valores de Z e N correspondentes à α = 1o 15’;


b) N e α correspondentes à Z = 92o 17’;
c) α e Z correspondentes à N = 87o 18’.

2) Determinar os valores de:

a) Ai e Ae para Ad = 16o 20’;


b) Ae e Ad para Ai = 78o 12’ 30’’;
c) Ad e Ai para Ae = 246o 02’ 15’’.

3) Calcular:

a) O azimute à ré do alinhamento cujo AZ = 117o 38’;


b) O rumo a ré do alinhamento cujo Ru = 43o 20’ 50’’;
c) O azimute correspondente ao Ru = 44o 27’ 13’’ SE.

4) Calcular os azimutes e rumos:

a) Caminhamento anti-horário:
Vértice Ai Az Ru
A 78o 12’ 123o 15’
B 93o 27’
C 105o 18’
D 83o 03’

b) Caminhamento horário:
Vértice Ai Az Ru
A 110o 16’ 20’’
B 133o 41’ 35’’ 105o 26’
C 97o 19’ 42’’
D 103o 27’ 37’’
E 95o 14’ 46’’

39

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Alinhamento Ai Az Ru
A-B 89o 36’ 10’’ 123o 15’
B-C 91o 38’ 20’’ 36o 10’ SE
C-D 87o 45’ 12’’
D-A 91o 00’ 18’’

CAPÍTULO 4

4.1 – Escala

Escala é a relação entre a distância de dois pontos quaisquer de um mapa ou carta com
a correspondente distância na superfície da Terra. Traduzida, em geral, por uma fração, essa
fração significa e representa a relação entre as distâncias lineares da carta e as mesmas
distâncias naturais, ou melhor: é uma fração em que o numerador (sempre a unidade)
representa uma distância no mapa, e o denominador a distância correspondente no terreno,
tantas vezes maior, na realidade, quanto indica o valor representado no denominador.
Resumidamente pode-se dizer que escala é a relação constante entre uma distância no
desenho e sua distância no terreno:

d
E=
D
onde:
d = distância no desenho ou distância gráfica;
D = distância no terreno ou distância natural ou real.

Quando é confeccionado um mapa ou carta topográfica na forma de desenho é utilizada


uma escala para podermos representar o desenho adequadamente. Neste desenho, os
ângulos são representados em verdadeira (VG) grandeza, e as distâncias são reduzidas a
uma razão constante.
Uma escala pode ser representada de duas maneiras às quais são:

- na forma de fração: 1/100; 1/500...;


- na forma de proporção: 1:100; 1:500....

4.2 – Tipos de escalas

As escalas podem ser classificadas em numéricas e gráficas.

- Escalas numéricas - As numéricas vem representada pelo enunciado da


própria fração, ordinária ou decimal. A forma de representação no Brasil e na
maioria dos países é, por exemplo, 1:100.000, ou seja proporção. Uma
escala numérica tem a grande vantagem de informar imediatamente o
número de reduções que a superfície real sofreu. Por sua vez, é imprópria
para reproduções de mapas através de processos fotocopiadores, quando há
uma ampliação ou uma redução do original.

40

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d
d 1
E= onde também podemos obter o módulo da escala: E = d =
D D M
d
onde:
M – módulo da escala.

O Módulo da escala representa o número de vezes em que a distância no terreno foi


reduzida.

Exemplo:

Observemos o desenho abaixo, na escala 1:500, como faríamos para representa-lo no


papel em centímetros:

40 m
150 m

m
200

E = 1:500
Figura 40 – Medidas obtidas a campo, para transformação na escala apresentada.

Obteremos o seguinte:

1 x 40
- Começando pelos 40 metros: = ⇒ 500 x = 40 ⇒ x = ⇒ x = 0,08m = 8cm
500 40 500

1 x 150
- Para os 150 metros: = ⇒ 500 x = 150 ⇒ x = ⇒ x = 0,3m = 30cm
500 150 500

1 x 200
- Para os 200 metros: = ⇒ 500 x = 200 ⇒ x = ⇒ x = 0,4m = 40cm
500 200 500

Critérios para escolha de uma escala numérica:

- Tamanho da área que se tem para representar comparado com o tamanho


do papel o qual será desenhada a área;
- Grandeza dos detalhes que se quer representar (limite = 0,2 mm).

Exemplo:
Se a menor distância a ser representada no papel possui 3,0 metros, qual seria a
menor escala numérica à ser utilizada?

Se meu limite é 2 mm, teremos o seguinte:

3,0m------------0,2mm
3,0m------------0,0002m

41

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O que queremos obter então é o módulo da escala, realizado da seguinte maneira:

d 0,0002
1 0,0002 1
E= d = E= E=
D M 3 15000
d 0,0002

- Escalas gráficas - A escala gráfica é representada por um segmento de reta


graduado, ou seja, uma figura geométrica que representa uma escala
numérica. Usando-se a escala gráfica, poderemos medir diretamente no
mapa quaisquer distâncias no terreno, na medida representada. Ainda
poderá existir, além das divisões da parte à direita do zero, subdivisões ao
lado esquerdo do zero a fim de realizar aproximações.

Talão Passo

100 0 100 200 300 400

Escalão = 100 m
Cotas da escala gráfica
reais no terreno)
(distâncias reais
Figura 41 – Representação de uma escala gráfica simples.

4.3 – Elementos de uma escala gráfica

Passo – a escala gráfica é desenhada sobre uma reta suporte, dividida em intervalos
gráficos constantes, a distância gráfica em cada intervalo chama-se passo e é
numerada em ordem crescente.
Escalão – a diferença entre duas cotas sucessivas da escala gráfica.
Talão – passo desenhado à esquerda da cota zero (0), subdividida de 4 a 10 partes
iguais, com a finalidade de aproximação.

Esta forma de representação se dá principalmente, para fins de acompanhamento de


ampliações e reduções de plantas ou cartas topográficas em processos fotográficos comuns ou
xerox, cujos produtos finais não correspondem à escala nominal neles registrada.
A escala gráfica é também utilizada no acompanhamento da dilatação ou retração do
papel no qual o desenho do planta ou carta foi realizado. Esta dilatação ou retração se deve,
normalmente a alterações ambientais ou climáticas do tipo: variações de temperatura, de
umidade, manuseio e armazenamento.
Outra vantagem é que podemos obter rapidamente e sem cálculos, o valor real das
medidas executadas sobre o desenho, qualquer que tenha sido a redução ou ampliação sofrida
por este.

As escalas gráficas podem ser divididas em:

- Simples – como exemplo podemos observar a figura 40 que trata de uma


escala gráfica simples;

- Composta ou transversal – em uma escala composta ou transversal o grau


de aproximação da distância real no terreno é maior que em uma
escala simples.

42

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M
N
M N

P Q
2 cm
α

100 P 0 100 200 300


0
Q
2 cm
Figura 42 – Representação de uma escala composta ou transversal.

Para interpretação do lado esquerdo da escala da seguinte maneira:


Se o lado esquerdo tem o mesmo tamanho do passo e dividido em 10 partes, significa
que cada parte do talão possui 10 metros. Com isso, temos condição de calcularmos a tg de α
da seguinte maneira.
MN
tgα =
N0

Escalão
MN = = 10m
número de divisões do talão

N 0 = Escalão

MN
tgα = = 0,1
Escalão

Observando o triângulo MNO, ampliado da escala, tomando como exemplo a reta PQ,
que é a menor reta na horizontal medida na escala, sendo que esta escala esta dividida em
quatro partes iguais na horizontal, para sabermos seu valor fazemos o seguinte:

PQ PQ PQ
tgα = ⇒ tgα = ⇒ 0,1 =
PO Escalão 25
4

PQ = 2,5m

Assim por diante, até sabermos o valor da distância de cada segmento do talão, na
horizontal.
A aproximação é feita da mesma forma que na escala simples, colocando a primeira
ponta seca sobre a reta na diagonal, tentando coincidir esta, com o segmento na horizontal.

4.4 – Critérios para construção de uma escala gráfica

1) Conhecer a escala nominal ou numérica da planta;


2) Conhecer a unidade e o intervalo de representação desta escala;
3) Traçar uma reta AB de comprimento igual ao intervalo na escala da planta;
43

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4) Dividir esta linha de 4 a 10 partes iguais;
5) Traçar a esquerda da reta um da reta AB um segmento de reta igual a 1 (um )
intervalo;
6) Dividir este segmento de 4 a 10 partes iguais;
7) Determinar a precisão gráfica da escala.

4.5 – Erro de Graficismo ou precisão do levantamento

Erro de graficismo (ε), também chamado de precisão gráfica é o nome dado ao menor
raio do menor circulo no interior do qual se pode marcar um ponto com os recurso do desenho
técnico.
O valor do ε, para os levantamentos topográficos, desenhados manualmente é da ordem
de 0,2 mm (1/5 mm). Para desenhos efetuados por plotadores automáticos, este erro, em
função da resolução do plotador, poderá ser maior ou menor.
Assim, a escala escolhida para representar a proporção do terreno levantado, levando
em conta o erro de graficismo, pode ser definida pela relação:
ε
E≤
P
onde:
P = é a incerteza, erro ou precisão do levantamento topográfico, medida em metros, e
que não deve aparecer no desenho.

Exemplo:

A representação de uma região na escala 1:50000 , considerando o erro de graficismo


de 0,2 mm, permite que a posição de um ponto do terreno possa ser determinada com um erro
relativo de até 10 m sem que isso afete a precisão da carta.

ε 1 0,0002 0,0002
E≤ ⇒ ≤ ⇒ P= = 10m
P 50000 P 0,00002

Analogamente para a escala 1:5000, o erro relativo permitido em um levantamento seria


de apenas 1,0 m.
Desta forma, pode-se concluir que o erro admissível na determinação de um ponto do
terreno diminui a medida em que a escala aumenta.
Escalas diferentes indicam maior ou menor redução. Em razão disso, são usadas as expressões
Escala Maior e Escala Menor para se fazer comparações entre várias escalas. Uma escala será maior
quando indica menor redução. Por sua vez, uma escala será menor quando indica mais redução.
Na relação de escalas a seguir, a maior será 1:5.000 e a menor será 1:5.000.000:

1:5.000 (maior)
1:50.000
1:500.000
1:5.000.000 (menor)

4.6 – Utilização de uma escala gráfica

Para a transformação de uma distância gráfica em real entre dois pontos segue-se o
seguinte procedimento:
- com o auxílio de um compasso de ponta seca toma-se a distância no mapa
ou carta, abrindo o compasso sobre os dois pontos desejados;

44

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- após sobrepõe-se o compasso com a distância tomada no mapa sobre a
escala gráfica, com uma das pontas no zero e a segunda ponta à direita da
escala;
- verifica-se entre quais cotas a segunda ponta ficou situada, a cota menor
será nossa distância inteira;
- para sabermos a aproximação fazemos com que a segunda ponta coincida
com a menor cota, ou seja, recuamos para a esquerda o compasso até
coincidir com a cota inteira, sem alterar sua abertura;
- veremos que a primeira ponta coincidirá sobre o Talão, de onde sairá a
aproximação.
Exemplo:
1o passo: 2o passo:

100 0 100 200 300 400 100 0 100 200 300 400

Escalão = 100 m Escalão = 100 m


Figura 43 – Utilização de uma escala gráfica.

Observando as duas figuras, veremos que o compasso representa com a sua abertura a
distância gráfica no mapa ou carta.
Verificamos que a distância ficou entre as cotas 100 e 200 metros, significa então que
temos menos de 200 metros e mais de 100 metros, nossa distância inteira será 100 metros,
com isso, o primeiro passo foi dado.
O segundo passo é recuar o compasso com a mesma abertura em direção ao talão,
onde obteremos a aproximação, no nosso caso, cada parte do talão representa 10 metros, pois
o talão tem o mesmo tamanho do passo e dividido em 10 partes, nossa resposta será
aproximadamente 85 metros.
Como resultado final teremos que a distância em linha reta entre os dois pontos será de
185 metros.

4.7 – Classificação das escalas

As escalas podem ser classificadas como:

- Escalas de ampliação – onde a representação no desenho é maior que o


tamanho natural do elemento que se esta representando: d>D – (exemplo
2:1);
- Escalas naturais – onde a representação no desenho tem as mesmas
dimensões do elemento a ser representado, ou seja, será representado em
seu tamanho natural: d=D – (exemplo 1:1);
- Escala de redução – a representação no desenho tem dimensões menores
do que o tamanho natural do elemento que se esta representando, mais
utilizada pela topografia: d<D – (exemplo 1:100).

45

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4.8 – Principais escalas e suas aplicações

A seguir será apresentado um quadro com as principais escalas utilizadas por


Engenheiros e suas aplicações.
É importante perceber que, dependendo da escala, a denominação da representação
muda para planta, carta ou mapa.

Tabela 2 – Principais escalas e suas aplicações.


Aplicação Escala
Detalhes de terrenos urbanos 1:50
Plantas de pequenos lotes e edifícios 1:100 ; 1:200
Plantas de arruamentos e loteamentos urbanos 1:500 ; 1:1 000
Planta de propriedades rurais 1:1 000 ; 1:2 000 ; 1:5 000
Planta cadastral de cidades e grandes propriedades rurais ou industriais 1:5 000 ; 1:10 000 ; 1:25 000
Cartas de municípios 1:50 000 ; 1:10 0000
Mapas de Estados, Países, Continentes, etc... 1:200 000 à 1:10 000 000

4.9 – Exercícios

1) Qual a distância gráfica que deve ser representado um alinhamento cuja


grandeza natural é de 500 metros sendo que a escala do desenho é 1:2500 ?
2) Qual a distância natural entre dois pontos representados em um desenho sendo
que a distância gráfica entre eles é de 2,0 centímetros e a escala do desenho é de 1:500 ?
3) Sobre uma planta topográfica mediu-se uma distância de 160 mm considerando
que a escala da planta é de 1:3000, qual a distância natural ?
4) Tem-se um alinhamento cuja distância natural é de 1,0 km, considerando que o
espaço do papel para desenhar esse alinhamento é de 10 cm. Qual deverá ser a escala
escolhida ?
5) Considerando que o escalão de uma escala gráfica transversal é d 50 m e que o
passo é de 2,0 cm. Qual a escala numérica correspondente a essa escala ?

CAPÍTULO 5

5.1 – Instrumentos simples para a sinalização e marcação de pontos

Instrumentos para a marcação de pontos são todos aqueles utilizados para identificar no
campo um ponto permanente. Exemplo: vértices de uma poligonal.

Pontos permanentes:

Os pontos permanentes são pontos que pela sua posição estratégica no levantamento
devem permanecer marcados no terreno por um determinado período de tempo após o
levantamento.

- Piqueta ou piquete – estaca de madeira instalada rente ao solo para marcar


um vértice ou estação, ou seja, tem a função de materializar um ponto
topográfico no terreno. É fixado rente ao solo, fazendo uma marca no seu
centro para indicar o ponto topográfico. Suas dimensões são mostradas na
figura a seguir:
46

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2 cm

2 cm • 3 cm

10 cm

Terreno

Figura 44 – Representação de uma piqueta e sua instalação no campo.

- Estaca testemunha – tem o objetivo de marcar o local onde está instalada


uma piqueta. Sua instalação é feita a aproximadamente 30 à 40 cm de uma
piqueta. Seu lado chanfrado fica voltado para a piqueta.

2c 2c
m m

20 cm

30 cm

30
à 40
cm

Figura 45 – Representação da estaca testemunha e sua instalação no terreno.

- Marcos topográficos – tem o objetivo de marcar pontos topográficos por


tempo bastante prolongado, são utilizados para a marcação dos vértices de
uma propriedade. Podem ser construídos de concreto armado ou de madeira.
20 cm

20 cm •
20 cm

60 à 100 cm

Figura 46 – Representação de um marco topográfico e sua instalação no terreno.

Os marcos topográficos também são muito encontrados em estradas, leitos de rios


importantes, etc.

47

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Pontos provisórios:

São pontos que não apresentam posição estratégica no levantamento, não precisam
ficar marcados no terreno após a execução do levantamento, por exemplo o ponto intermediário
de um alinhamento.

- Balizas – servem para sinalizar o ponto intermediário sobre o alinhamento


que se quer medir (alinhamento ou balizamento), aproximação ou visadas
recíprocas.

Figura 47 – Representação de uma baliza, desmontada.

As balizas possuem um comprimento de 2,0 metros e seu diâmetro varia de 16 a 20


mm. São pintadas de cores contrastantes para facilitar sua visualização. Devem ser mantidas
na vertical quando instaladas no campo.

- Fixas ou fichas – tem a função de identificar pontos intermediários de um


alinhamento, quando determinado sua distância com diastímetro, se esta
distância for maior que o comprimento do diastímetro. As fixas são astes de
aço com um comprimento de 35 ou 55 cm, com um diâmetro de 6 mm, uma
das extremidades é pontiaguda e a outra é em formato de argola com 8 cm
de diâmetro.

Figura 48 – representação de uma fixa ou ficha.

Para a determinação de um alinhamento utiliza-se um jogo com 10 fixas, cada vez que o
diastímetro ou trena é esticado totalmente, na sua extremidade é instalada uma fixa. Para saber
a distância já percorrida basta multiplicarmos o número de fixas pelo comprimento da trena.
A cada vez que todas as fixas são instaladas no campo (10 fixas) multiplicado pelo
comprimento da trena temos uma talha. Da seguinte forma:
1 Talha = 10 x comprimento da trena (um jogo de fixas).

Acessórios complementares:

- Fio de prumo – utilizado em terrenos inclinados para garantir a verticalidade


da baliza. O fio de prumo nada mais é do que um fio resistente com um peso
na ponta, colocado ao lado da baliza.
- Nível de cantoneira – instrumento que também tem a finalidade de garantir a
verticalidade da baliza. Como o próprio nome diz, é uma cantoneira com um
nível de bolha em uma das extremidades, com aproximadamente 10 cm de
comprimento.
- Mocete – mais conhecido como martelo ou marreta, utilizado para fixar os
piquetes no solo ou as estacas testemunhas.

48

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CAPÍTULO 6

6.1 – Instrumentos simples para medidas diretas de distância

A distância entre dois pontos é obtida através da determinação de sua distância


horizontal (DH) que em Topografia é o comprimento do segmento de reta entre estes pontos
projetado em um plano horizontal.
O principal instrumento para medida direta de distância horizontal é o diastímetro, ou
também conhecido como trena.
Medida direta de uma distância horizontal é aquela em que se percorre todo o
alinhamento o qual se quer determinar a distância no terreno com uma distância padrão que é
determinada pelo instrumento utilizado (diastímetro).

6.2 – Diastímetros

Os diastímetros podem ser classificados de três maneiras:

- Diastímetros expeditos;
- Diastímetro flexível;
- Diastímetro rígido.

a) Diastímetros expeditos – são os mais simples, nada mais é do que o passo


aferido de um operador, ou seja, é medido varias vezes a distância de um
passo deste operador procurando manter sempre a mesma velocidade de
caminhamento. Existe também a Roda de Whitmann, onde se tem uma roda
cujo se comprimento de circunferência (em metros) é conhecido acoplada a
um contador de voltas.
b) Diastímetros flexíveis – são fitas flexíveis que podem ser enroladas,
facilitando o seu armazenamento, estas fitas podem ser de aço, de lona ou de
fibra.
Fitas e trenas de aço: é confeccionada em aço inoxidável, graduada em metro,
centímetro e milímetro somente de um lado da fita. Sua largura varia de 10 à 12 mm, o
comprimento das utilizados em levantamentos topográficos são de 30 m, 60 m, 100 m e
150 m. Normalmente encontram-se enroladas em um tambor ou cruzeta. As medidas
com este tipo de fita são mais precisas e confiáveis. Apresentam algumas desvantagens
pois podem enferrujar (as mais antigas) e se esticadas com nós se rompem facilmente,
as mais modernas já vem revestidas com nylon ou epoxy que ajuda a resitir contra
umidade, produtos químicos, temperatura, etc.
Trena de lona: é feita de pano oleado ao qual são ligados a fio de aço muito finos
que lhe dão uma consistência e invariabilidade no comprimento. Possui a mesma
graduação que as fitas de aço, porém podem ser graduadas de ambos os lados. Não é
tão precisa, deforma com facilidade mediante temperatura, tensão e umidade (encolhe e
apodrece).
Trena de fibra de vidro: material bastante resistente, (produto inorgânico retirado
do próprio vidro). Pode se apresentar com ou sem invólucro (na forma de cruzeta), com
distensores nas extremidades. Seu comprimento varia de 20 à 50 m com invólucro e de
20 à 100 m sem invólucro. Comparada com a de lona deforma menos com a
temperatura e tensão, não deterioram facilmente, é resistente a umidade e produtos
químicos, é bastante prática e segura.

49

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c) Diastimetros rígidos - réguas de madeira de 5 metros, não são mais
utilizadas.

6.3 – Cuidados na medida direta de distância

A precisão de uma medida de distância esta ligada principalmente:

- equipamento utilizado;
- acessórios;
- cuidados durante a operação.

Os cuidados que devem ser tomado quando feitas medidas com diastímetros, são as
seguintes:

- que os operadores se mantenham no alinhamento a medir;


- que assegurem a horizontalidade do diastímetro;
- que mantenham a tensão uniforme nas extremidades.

6.4 – Métodos de medida com diastímetros

- Lance único – pontos visíveis:

Este método determina a distância horizontal entre dois pontos com uma única medida,
ou seja, o comprimento da trena é suficiente para realizar a medida.
Não devemos esquecer que a medida da distância é obtida pela projeção dos pontos no
plano horizontal.
Baliza

Baliza Trena
B

A
A’ B’ P.H.

Figura 49 – Medida direta com diastímetro com lance único.

A distância entre os dois pontos será dada segmento A’B’, ou seja, o próprio
comprimento da trena, observando a horizontalidade.
Para realização desta medida recomenda-se duas pessoas para tencionarem o
diastímetro e outra pessoa para anotar a leitura e observar a horizontalidade da trena.

- Vários lances – pontos visíveis:

Esta medida é feita quando as diferenças entre os dois pontos que determinam a
distância estiverem muito afastadas, necessitando que se realizem várias medidas com a trena.
50

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Intermediaria

A
Vante

c
B

P.H.
Figura 50 – Determinação de distância com diastímetro com vários lances.

Observando a Figura 50, obteremos a distância horizontal, se no caso utilizássemos


uma trena de 20 m, da seguinte forma:

DH = 3 x 20 m +c

- Procedimento para medição de uma distância horizontal:

A primeira operação é marcar os extremos do alinhamento a ser medido com piquetas,


para identificar os pontos topográficos, também deverá ser marcado o ponto inicial com uma
estaca testemunha com as inscrições sobre o ponto.
Posteriormente deve-se posicionar verticalmente uma baliza em cada extremo do
alinhamento. O porta trena de ré ou porta baliza de ré, de posse de uma fixa, posiciona-se atrás
de sua baliza e olhando pela sua borda orienta o porta trena de vante ou porta baliza de vante,
alinhando-o com a última baliza fixada na extremidade do alinhamento. O porta trena de vante
além de carregar as fixas, fica com a extremidade do diastímetro e outra baliza.
Feita a orientação ou alinhamento o porta trena de vante fixa sua baliza no solo em uma
distância pouco menor que o comprimento do diastímetro.
A operação seguinte é a de esticar o diastímetro encostando levemente na baliza
posicionada entre os dois pontos extremos do alinhamento, fixando uma das fixa no ponto do
terreno que coincidir com os 20 metros.
Após o porta trena de ré aproxima-se da fixa deixada pelo porta trena de vante e a
substitui por sua baliza. O porta trena de vante se direciona para a extremidade do alinhamento
marcando o próximo ponto. O porta trena de ré faz a orientação do porta trena de vante até ficar
alinhado com a baliza da extremidade do alinhamento, daí o processo se repete.
Não devemos esquecer que o porta baliza de ré a medida que se desloca no terreno em
direção a outra extremidade do alinhamento, deve recolher as fixas do terreno, pois estas são
pontos provisórios.
Para sabermos a distância percorrida basta contarmos o numero de fixas que o porta
trena de ré possui menos uma mais o restante que ficou na ultima trenada, ou seja:

DH = (numero de fixas – 1) + restante

6.5 – Detalhamento do terreno com diastímetro

A determinação de detalhes (feições naturais e artificiais do terreno) pode ser realizada


utilizando-se somente medição direta com diastímetro. Para isso é necessária a montagem, no

51

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campo, de uma rede de linhas,distribuídas em triângulos, principais e secundários, nos quais os
detalhes são amarrados.
A esta rede de triângulos dá-se o nome de triangulação.
O objetivo de formação de triângulos principais e secundários é atingir mais facilmente
todos os detalhes que se queira levantar no campo.
D

4
2 Casa

3 C

Figura 51 – Detalhamento utilizando diastímetro, por triangulação.

Para que a amarração não resulte errada, a base do triângulo amarrado deve coincidir
com um dos lados do triângulo principal ou secundário, e, o vértice oposto a base daquele
triângulo será sempre um dos pontos definidores do detalhe.

6.6 – Transposição de obstáculos

Para a medida de distância entre pontos não visíveis, ou seja, distâncias que não podem
ser medidas devido a existência de algum obstáculo (edificações, lagos, alagados, mata,
árvore, etc.), pode ser obtida através de semelhança de triângulos.

D
E

B
A

Figura 52 – Medida de distância entre dois pontos não visíveis.

Observando a Figura 52, podemos perceber que na determinação da distância AB existe


um obstáculo entre estes pontos, o que impede sua medida diretamente, como mostrado
anteriormente.
Para que a distância AB seja determinada, escolhe-se um ponto C qualquer no terreno
onde possam ser visados os ponto A e B, mede-se as distâncias CA e CB, e a meio caminho
destas duas retas são marcados os pontos D e E, A distância DE também deve ser medida.
Após estabelecer a relação de semelhança entre triângulos CAB e CDE a distância AB
será dada por:

52

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CA × DE
AB =
CD

6.7 – Erros existentes na medição direta de distâncias horizontais

São os erros cometidos em uma medição voluntária ou involuntariamente, e estes erros


devem-se principalmente:

- Comprimento do diastímetro – afetado pela tensão aplicada nas


extremidades e também pela temperatura ambiente. A correção depende dos
coeficientes de dilatação e elasticidade do material o qual compõem o
diastímetro. Para que estas correções sejam feita é necessário no momento
da medição dinamômetros e termômetros.
- Desvio vertical ou falta de horizontalidade – ocorre quando o terreno é muito
inclinado. Assim mede-se uma série de linhas inclinadas em vez de medir as
projeções destas linhas sobre o plano horizontal.

Figura 53 – Erro de medida devido a falta de horizontalidade.

Este erro é sempre cumulativo e positivo, ou seja a medida realizada no campo será
maior que a medida real.

- Catenária – curvatura ou barriga que se forma ao tencionar o diastímetro e


que é função de seu peso e do seu comprimento. Para evita-lo utilizam-se
diastímetros leves e não muito longos e aplicar tensão apropriada.

Baliza
Baliza
Diastímetro

Figura 54 – Erro de catenária em medidas com diastímetro.

- Verticalidade da baliza – ocasionado pela inclinação da baliza quando esta se


encontra sobre o alinhamento a ser medido. Provoca um aumento ou uma
diminuição na medida caso esteja incorretamente posicionada, pra trás ou
para frente. Este erro pode ser evitado utilizando-se nível de cantoneira.

Baliza Baliza
Baliza Baliza
Diastímetro Diastímetro

Figura 55 – Erro de verticalidade nas medidas com diastímetro.

53

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- Desvio lateral do alinhamento – ocasionado por descuido no balizamento
intermediário, mede-se uma linha cheia de quebras em vez de uma linha reta.
Para evitar o erro é necessário muita atenção por parte dos balizeiros.
C

A C’ B
Figura 56 – Desvio de alinhamento.

6.8 – Tolerância para os erros

A tolerância para erros cometidos com medidas de distância com diastímetro e de 1 m


em 1000 m.
Para se determinar este erro mede-se duas vezes o alinhamento, e fazer a diferença
entre as duas medidas.

6.9 – Medidas indiretas de distâncias

Diz-se que o processo de medida é indireto quando estas distâncias são calculadas em
função de outras grandezas, não havendo, portanto, necessidade de percorrê-las com a
grandeza padrão (Domingues, 1979).
Os equipamentos na medida indireta de distâncias são, principalmente:

a) Teodolito e/ou Nível – utilizado na leitura de ângulos verticais e horizontais e


da régua graduada, o nível é utilizado apenas para a leitura da régua
graduada;

b) Acessórios – os mais comuns utilizados com teodolito ou nível são: tripé


(estacionar o aparelho), fio de prumo (posicionar o aparelho sobre o ponto); e
a lupa para leitura dos ângulos;

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c) Mira ou régua graduada – é uma régua de madeira,alumínio ou PVC,
graduada em metros, decímetros, centímetros e milímetros, utilizada na
determinação de distâncias horizontais e verticais entre os pontos;

d) Nível de cantoneira – tem a função de tornar vertical a posição da régua;

e) Baliza – utilizada com teodolito para localização dos pontos no terreno e


determinação dos ângulos horizontais.

Ao processo de medida indireta de distância denomina-se Estadimetria ou


Taqueometria, pois é através do retículo ou estádia do teodolito que são obtidas as leituras dos
ângulos horizontais, verticais e da régua graduada para o posterior cálculo das distâncias
horizontais e verticais.

A estádia do teodolito é composta das seguintes partes, como mostra a figura a seguir:

55

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V

FS a

FM
H H

FI b

V
Figura 57 – Representação da dos fios de colimação da luneta do aparelho topográfico.

Onde:

V – Fio estadimétrico vertical;


H – Fio estadimétrico horizontal;
FS – Fio estadimétrico superior;
FI – Fio estadimétrico inferior;
FM – Fio estadimétrico médio.

6.10 – Classificação das miras

- Quanto à maneira de fazer a leitura:

a) Mira muda ou de alvo – cuja leitura é realizada pelo operador da mira;


b) Mira falante – cuja leitura é realizada pelo operador do aparelho (Nível ou
Teodolito).

- Quanto à construção:

a) Miras rígidas – constituída de apenas uma peça;


b) Miras flexíveis – de bolso (fita métrica com peso na ponta), miras articuladas, se
dobram por meio de uma dobradiça;
c) Miras extensíveis – é possível esticar e encolher como uma antena, pode chegar a
4 m de comprimento.

6.11 – Maneira de realizar a leitura na mira

As miras podem ser normais ou invertidas como mostra a figura a seguir.


O procedimento de leitura na mira para determinação de distâncias e desníveis será
descrito a seguir.

As leituras nas réguas normalmente são feitas em milímetros da seguinte maneira


através dos fios estadimétricos:

a) Primeiramente faz-se a leitura dos metros completados, dados por cada


segmento da régua, estes metros completos vem representados por um
número inteiro ou por símbolo;
56

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b) Fazer a leitura do número de decímetros pelo qual o fio estadimétrico do
aparelho intercepto a régua, sendo que o dm em questão começa no traço que
corresponde ao pé do número impresso;
c) Estimam-se os milímetros do local onde o fio estadimetrico intercepto a mira
no mesmo local dos decímetros.
Início - Invertida

3
5 cm

10 cm 10 cm

2 Início do decímetro
( 0,0 cm)

Início - Normal
Figura 58 – Representação de uma parte da régua.

Este procedimento de leitura é realizado para os três fios estadimétricos, ou seja, fio
estadimetrico superior (FS), inferior (FI) e médio (FM), e devidamente anotado na caderneta de
campo.

Mira

FS

FM

FI

Distância Horizontal

6.12 – Métodos de medidas indiretas

- Distância horizontal com visada horizontal:

A figura a seguir (GARCIA, 1984) ilustra um teodolito estacionado no ponto P e a régua


graduada no ponto Q. Do ponto P visa-se o ponto Q com o circulo vertical do teodolito (limbo),
zerado, ou seja, com a luneta na posição horizontal. Procede-se a leitura do três fios da luneta
(FS, FI e FM). A distância horizontal entre os pontos será deduzida da relação existente entre
os triângulos a’b’F e ABF , que são semelhantes e opostos ao vértice.

57

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B

a a’
o F
h M S
b b’
c f

A
C K

DH

Q
P

Figura 59 – Foco da luneta do aparelho topográfico para medida de distância horizontal.


Observando-se a figura 59, tem-se que:

f – distância focal da objetiva;


F – foco exterior à objetiva;
c – distância do centro ótico do aparelho à objetiva;
C – constante do instrumento, dado por:

C = c +f

K – distância do foco à régua graduada;


S – diferença entre as leituras dos fio estadimétricos:

S = B – A = FS – FI

M – Leitura do fio estadimétrico médio (FM);

Pela regra de semelhança de triângulos, obteremos:

a' b' AB AB
= ; K= ×f
f K a ' b'

f
a ' b' = - fornecido pelo fabricante;
100

Ficaremos então com a seguinte equação:

AB × f
K=
f
100
Resumidamente teremos a mesma equação expressa da seguinte maneira:

K =100 × S

Com isso a distância horizontal será dada pela seguinte equação:

58

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DH = K + C

Então teremos para o cálculo da distância horizontal a seguinte equação:

DH = 100 x S + C

C – é a constante de Reichembach, que assume valor 0,0 cm para equipamentos com


lunetas analíticas e valores que variam de 25 à 50 cm para lunetas aláticas.

Resumidamente podemos considerar a leitura na régua da seguinte maneira, uma vez


que a equação não sofrerá alterações, como mostra figura a seguir:

Mira

A
O
M S
hi
B

DN P

DH

- Distância horizontal com visada inclinada:

Neste caso, para visar a régua graduada no ponto Q é necessário inclinar a luneta, para
cima ou para baixo, de um ângulo α em relação ao plano horizontal, como indica a figura
abaixo.
Em função da inclinação da luneta de um ângulo α é necessário que este seja levado
em consideração na equação.

B’ B

C
90o
f
c
a’ F A
A’
a o α 90o
h b’
α
b DH

P
Figura 60 - Foco da luneta do aparelho topográfico para medida de distância horizontal
com visada inclinada.
59

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Obteremos a equação da seguinte forma:

S=B–A então S’ = B’ – A’

S’ = S x cos α

DI = K x S’ onde teremos DI = K x S cos α

DH = DI x cos α onde DH = K x S cos α cos α

Onde finalmente teremos a equação de determinação da distância horizontal com a


visada inclinada:

DH = K x S cos2 α

ou

DH = K x S sen2 Z

- Determinação da distância inclinada

A determinação da distância inclinada é realizada pelo mesmo procedimento descrito


anteriormente, com isso teremos uma simplificada como mostrado abaixo:

DI = K x S cos α

Onde:
DI – distancia inclinada;
K – constante do aparelho;
S – diferença estadimétrica;
α - ângulo de inclinação.

Mira

DI M S

B
α
O

hi

DN P

DH

Figura 61 – Determinação da distância inclinada.

60

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- Distância vertical ou desnível:

Com a luneta inclinada para cima teremos:

Mira

M S

B
α
O

hi

DN P

DH

Figura 62 – Determinação do desnível com visada inclinada para cima.

O procedimento de obtenção da equação é análogo aos descritos anteriormente. Como


equação final para determinação do desnível teremos:

DN = hi + 50 × S × sen 2α − m
Onde:

DN – desnível;
hi – altura do instrumento;
S – diferença estadimétrica;
α - ângulo de inclinação;
m – leitura no fio médio.

Com a luneta do equipamento voltada para baixo teremos:

Mira
O

α A
hi
M S

C B
DN

DH

Figura 63 – Determinação do desnível com visada inclinada para baixo.

O procedimento de obtenção da equação é análogo aos descritos anteriormente. Como


equação final para determinação do desnível teremos:

DN = hi − 50 × S × sen2α − m
Onde:

DN – desnível;
hi – altura do instrumento;
S – diferença estadimétrica;

61

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α - ângulo de inclinação;
m – leitura no fio médio.

Com a luneta do equipamento na horizontal:

Mira

A
O
M S
hi
B

DN P

DH

Figura 64 – determinação do desnível com a luneta na horizontal.

A diferença de nível é dada pela seguinte expressão:

DN = hi - m
Onde:
DN – desnível;
hi – altura do instrumento;
m – leitura no fio médio.

Com o equipamento na horizontal instalado entre dois pontos:

Determinação da diferença de nível com o aparelho instalado entre os dois pontos de


determinação do desnível, quando possível sua visada:

Mira

Mira

h2

h1 Diferença de
B
Nível

A
Figura 64 – Representação de uma leitura de determinação de diferença de nível com
uma mira.

A equação geral para esta determinação é dada:

DN = LA - LB
Onde:
DN = diferença de nível;
LA = leitura da mira no ponto A;
LB = leitura da mira no ponto B.

62

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Mira

Mira

Mira FM FM

FM FM C
h2
DN
h1 Diferença de
B
Nível

A
Figura 65 – Representação de uma leitura de determinação de diferença de nível com
uma mira com várias visadas.

DNP = LA - LB

DNP = LB – LC

Onde:
DNP = diferença de nível parcial;
LA = leitura da mira no ponto A;
LB = leitura da mira no ponto B;
LC = leitura da mira no ponto C.

A diferença de nível será dada pelo somatório dos desníveis parciais, ou seja;

DN = ΣDNP

Determinação da diferença de nível para medição de distância com trena:

DN = hi ± DH x tg α - m
Onde:
DN – desnível;
hi – altura do instrumento;
DH – distância horizontal
α - ângulo de inclinação;
m – leitura do fio médio.

Determinação da diferença de nível para medição com estação total:

DN = hi ± DI x sen α - Ap
Onde:
DN – desnível;
hi – altura do instrumento;
DH – distância inclinada;
α - ângulo de inclinação;
Ap – altura do prisma.

6.13 – Erros nas medidas indiretas de distâncias

Os erros cometidos durante a determinação indireta de distâncias podem ser devido:

63

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- Leitura da régua – leitura errada nos fios estadimétricos superior, inferior e
médio;
a) Pela distância entre o teodolito e a régua;
b) Pela falta de capacidade de aproximação da luneta;
c) Pela espessura dos traços do retículo;
d) Pelo meio ambiente (refração atmosférica, ventos, má iluminação);
e) Pela maneira de como a régua esta dividida e pela variação do seu
comprimento;
f) Pela falta de experiência do operador.

- Leitura de ângulos – falha na leitura dos ângulos verticais e horizontais;


- Verticalidade da baliza – produz leituras erradas de ângulos e distâncias;
- Verticalidade da mira – provoca erros na leitura dos fios estadimétricos, por
não usar o nível de cantoneira;
- Erro linear de centragem do teodolito – ocorre na instalação do
equipamento, onde este não fica exatamente sobre o vértice da poligonal.
- Erro de calagem ou nivelamento do teodolito – quando o aparelho não
esta devidamente nivelado.

CAPÍTULO 7

7.1 – Aparelhos topográficos

Aparelhos topográficos são o conjunto de instrumentos acoplados com o objetivo de


executar uma determinada função.
Por exemplo, o teodolito, o nível de luneta.

Teodolito – Aparelho usado para medida de ângulos verticais (de inclinação, Nadiral e
Zenital) e horizontais.

Figura 65 – Teodolito utilizado em levantamentos topográfico, para medida de ângulos


verticais e horizontais.

Nível de luneta – aparelho utilizado para medidas de diferenças de altura no terreno


entre pontos. O nível de luneta mede somente ângulos horizontais.

64

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Figura 66 – Nível de luneta utilizado para medidas de diferença de nível no terreno.

7.2 – Classificação dos órgãos dos aparelhos topográficos

Órgãos acessórios – são aqueles que não fazem parte do corpo do aparelho, mas que
são importantes para que seja usado corretamente.
- Elementos de sustentação;
- Elementos de união;
- Elementos de centragem.

Órgãos essenciais ou fundamentais – são aqueles elementos que fazem parte do


corpo do aparelho e são fundamentais para que o aparelho desempenhe sua função.
- Elementos de calagem;
- Elementos ou eixos de rotação;
- Elementos visores;
- Elementos de leitura.
Órgãos opcionais – são aqueles que se apresentam ao consumidor na hora da compra
do aparelho, dependendo do fabricante.
- Bússola;
- Dispositivo de iluminação interna;
- Prumo óptico.

7.2 – Descrição dos órgãos dos aparelhos topográficos

Órgãos acessórios:
- Elementos de sustentação: tem por finalidade dar a sustentação ao aparelho e
posicionar os órgão visores do mesmo a uma altura cômoda para que o operador possa
manuseá-lo com sucesso.
Tipos:
- Pés;
- Tripés.

Classificação dos tripés: quanto a forma da extremidade superior do mesmo:


- tripé de espiga;
- tripé de plataforma;
- tripé de rótula.

Classificados também quanto ao tipo de construção dos pés:


- rígidos – sua altura não varia é constituído de uma única peça;
- extensíveis – são feitos de duas peças, fazendo com que sua altura possa
ser variada.

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Figura 67 – Elemento de sustentação do teodolito ou do nível de luneta.

- Elementos de união: tem a função de fixar o aparelho ao elemento de sustentação.

Figura 68 – Visualização dos elementos de união.


- Elementos de centragem: têm a função de fazer com que o centro do aparelho (circulo
graduado ou limbo) fique exatamente sobre o vértice da poligonal a ser medida.

Tipos:
- prumo óptico – faz-se a centragem do aparelho através de um órgão visor
situado ao lado do aparelho;

- fio de prumo – fio com um peso na extremidade;

- prumo rígido ou haste de prumada – vantagem de indicar a altura do


aparelho em relação ao solo.

Órgãos essenciais ou fundamentais:

- Elementos de rotação: (eixo de rotação) são aqueles elementos que após o aparelho
estar instalado sobre o elemento de sustentação permite que o direcionamento do eixo visual
do aparelho mude ou varie tanto no plano horizontal como no plano vertical.
Teodolitos: têm-se o eixo principal ou vertical e o eixo secundário ou horizontal.

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- Eixo principal – (vertical) é o elemento de rotação que permite que o eixo
visual da luneta varie no plano horizontal.

- Eixo secundário – (horizontal) é o elemento de rotação que permite que o


eixo visual da luneta varie no plano vertical.

Constituição do eixo principal do teodolito:

- Teodolito reiterador – prato inferior é fixo, o prato superior ou alidade é


móvel. Este tipo de teodolito é o que possui somente
o movimento particular, não possuindo o movimento
geral, ou seja, não se consegue zerar o prato inferior
toda vez que se realizar uma leitura.

Eixo secundário
Luneta

Alidade (prato superior)

Prato inferior (fixo)

Parafusos Calantes

Figura 69 – Representação interna do eixo vertical de um teodolito reiterador.

- Teodolito repetidor – possui os movimentos particular e geral, ou seja, tanto a


alidade como o limbo são móveis, o que possibilita que
o aparelho seja zerado a cada leitura, se desejado.

Luneta Eixo secundário

Alidade

Parafuso do mov.
particular

Prato do limbo

Parafuso do mov.
geral

Prato inferior (fixo)


Figura 70 – Representação interna do eixo vertical de um teodolito repetidor.
67

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- Parafusos de pressão ou de blocagem: estes parafusos dizem a respeito do tipo de
movimento, sua função é pender uma peça a outra.
- Teodolito reiterador – possui um único parafuso que prende a alidade a parte
iferior (fixa);
- Teodolito repetidor – possui dois parafusos de blocagem, pelo fato de possuir
duas peças moveis sobre uma parte fixa, um deles
prende a alidade ao prato do limbo e o outro prende o
prato do limbo ao prato inferior.

- Movimento particular do aparelho: é aquele pelo qual somente a alidade gira em torno
do eixo principal do aparelho permanecendo o prato do limbo e o prato inferior fixos. Se obtém
este movimento quando o prato do limbo esta preso ao prato inferior.

- Movimento geral do aparelho: é o movimento pelo qual o prato do limbo e a alidade


giram juntos em torno do eixo principal.

- Parafusos de coincidência: (de chamada, de aproximação, micrométrico) tem a função


de dar pequenos movimentos em torno do eixo principal do aparelho (movimento de rotação).
Para cada parafuso de blocagem corresponde um parafuso de coincidência.
- teodolito reiterador – um parafuso de coincidência;
- teodolito repetidor – dois parafusos de coincidência.

- Elementos de calagem: são aqueles elementos que tem o objetivo de fazer variar a
posição do eixo principal do aparelho e também indica quando este eixo na posição vertical.

- Parafusos calantes: situados na parte fixa do aparelho com a finalidade de fazer variar
a posição do eixo vertical.

- Nível de bolha: indica quando o eixo principal esta na posição vertical.

Existem aparelhos que possuem diferentes números de parafusos calante e níveis de


bolha:
- teodolito com 3 parafusos calantes e 2 níveis tubulares de bolha;
- teodolito com 3 parafusos calantes e 1 nível tubular;
- teodolito com 4 parafusos calantes e 1 nível tubular
Em função destes tipos de aparelhos existem diferentes técnicas de instalação no
campo destes aparelhos que veremos no decorrer deste capítulo.

Órgãos de leitura:

São os órgãos nos quais o operador realiza as leituras dos valores angulares medidos
por um aparelho topográfico.

68

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Figura 71 – Elementos de leitura de um teodolito.

- Limbos ou círculos graduados: são círculos que têm suas circunferências graduadas,
sendo que esta graduação depende do tipo de unidade de medida de ângulo utilizada pelo
aparelho.

Classificação dos limbos:

Quanto ao plano que se situam:


- Limbos horizontais ou azimutais;
- Limbos verticais.

Limbos horizontais são aqueles que se posicionam no plano horizontal quando o


aparelho esta calado. Seu sentido de graduação pode ser horário ou anti-horário.
Limbos verticais são aqueles que uma vez o aparelho esteja calado a medida do ângulo
se situa no plano vertical. Quanto ao tipo de graduação podem ser zenitais, nadirais ou de
inclinação.

- Índices de leitura: apresenta duas funções básicas, indicar ao operador a parte do


limbo em que deverá ser feita a leitura do ângulo e aumentar a precisão da leitura fornecida
pelo limbo.

Tipos de índices de leitura:


- Vernier;
- Microscópio de leitura.

Teoria do vernier:

Vernier é uma pequena escala justaposta a escala principal (limbo).

Escala Principal

0 5 10 15 20

Vernier
Figura 72 – representação da escala principal e seu vernier.

Sensibilidade do vernier: é a diferença que existe entre a distância de 2 traços


consecutivos da escala principal menos a distância entre 2 traços consecutivos do vernier, i-i’.

Matematicamente a sensibilidade do vernier pode ser dada por:

69

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n × i' = n × i − i
i = n × i − n × i'
i = n(i − i' )
i
(i − i' ) =
n
onde:
n – numero de partes nas quais o vernier será dividido;
i – distância entre dois traços consecutivos da escala principal;
i’ – distância entre dois traços consecutivos do vernier.
Construção do vernier:

O comprimento total do vernier que será dividido em n partes sempre deve ser igual ao
comprimento de (n-1) partes da escala principal.
Para a construção de um vernier utilizamos a seguinte expressão:

n × i ' = ( n − 1) × i
onde:
nxi’ = comprimento total do vernier;

- Microscópio de leitura:

São limbos transparentes, precisam de iluminação externa ou interna para realização


das leituras.

- microscópio de escala;

20 40

78 79

Figura 73 – Representação de uma parte do microscópio de leitura.

A distância angular é dividida em 60 partes, ou seja, cada subdivisão da escala indica 1


minuto.
- microscópio com micrômetro.

80 81

0 5 10
Figura 74 – Microscópio de leitura com micrômetro.

Deve-se sempre zerar o limbo e o micrômetro, antes de fazer a leitura.


No micrometro é feita a leitura dos minutos.

Órgãos Visores:

70

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São os órgãos através dos quais o operador do aparelho visualiza os alvos posicionados
sobre os pontos topográficos de interesse.

Tipo de elementos visores:

- alidade de pínulas;
- colimador;
- luneta topográfica.

- Alidade de pínulas: é composta por duas hastes verticais sendo que cada uma recebe
o nome de pínula. Em uma das pínulas existe uma fenda vertical bem estreitade
aproximadamente 1 ou 2 décimos de milímetro, que recebe o nome de pínula ocular.
Na pínula oposta a pínula ocular existe uma fenda vertical mais larga chamada de
janela, no centro da janela é estendido um fio de metal. A pínula que contém a janela é
chamada de pínula objetiva. Este tipo de aparelho é comum na bússola, pantômetros,
esquadros de agrimensor, etc...

- Colimador: é um órgão visor de visada direta constituído basicamente por uma lente
convergente posicionada em um dos extremos e um fio horizontal no outro extremo.
Esta presente no equialtímetros expeditos.

- Luneta topográfica: é o órgão visor que esta presente nos níveis de luneta e nos
teodolitos.
Tubo porta
Tubo porta objetiva
ocular Tubo porta retículo

Ocular
Retículo Objetiva
Figura 75 – Partes principais de uma luneta topográfica.

Componentes da luneta topográfica:

A luneta topográfica apresenta um sistema de lentes anterior ao qual se da o nome de


objetiva , sua função é fornecer uma imagem real do objeto visualizado.
Apresenta também um sistema de lentes posterior que se chama ocular que é através
desta que o operador deverá visualizar os objetos de interesse, a ocular tem o objetivo de de
ampliar a imagem fornecida pela objetiva.
O retículo é um diafragma anular de metal na qual estão distendidos fios de espessura
muito fina, posicionado entre a ocular e a objetiva próximo do centro do aparelho.

71

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V

FS a

FM
H H

FI b

V
Figura 76 – Fios do retículo.

- Fio colimador: serve como referência para medidas de ângulos horizontais.


- Fio médio: serve como referência para medição de ângulos verticais.
- Fios estadimétricos: são utilizados para indicar a posição que deve ser feita
uma leitura na mira topográfica com o objetivo de determinar a distância
horizontal entre dois pontos de maneira indireta.
- Parafuso de regulagem do foco do retículo: servem para o operador obter
uma imagem nítida dos fios do retículo.
- Parafuso de regulagem do foco da imagem do objeto: servem para ter uma
imagem nítida do objeto que esta sendo visualizado.
- Colimador auxiliar: peça posicionada na parte superior da luneta que é
utilizada para fazer uma colimação aproximada.

Órgãos opcionais:

Podem ser os elementos de orientação e os elementos de iluminação interna. Os


elementos de orientação permitem que calculemos o azimute de um alinhamento e os de
iluminação permitem que possamos fazer as leituras dos limbos sem a necessidade de luz
externa.
A bússola é um instrumento que tem a função de medir o azimute ou rumo magnético de
um alinhamento. A bússola é composta por:
- agulha imantada;
- circulo graduado;
- alidade de pínulas;
- podem possuir níveis de calagem.

Bússola de azimute: fornece diretamente o ângulo azimutal. Para obtermos o azimute


basta direcionar a alidade para o alinhamento desejado e fazer a leitura do ângulo no circulo
graduado.

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0
N

90 E W 270

S
180

Figura 77 – Representação de uma bússola azimutal.

Bússola de rumos: fornece diretamente o valor angular do rumo. O procedimento de


obtenção do valor angular por uma bússola de rumos é análogo ao anterior, tendo o cuidado de
sempre fazer a leitura do quadrante em que se encontra a agulha.

0
N

90 E W 90

S
0

Figura 78 – Representação de uma bússola de rumos.

Declinatória: aparelho que possui agulha imantada pelo centro de gravidade e que não
possui limbo. Instrumento que tem a finalidade simplesmente de apontar a direção do norte
magnético.

7.3 – Descrição do procedimento de instalação de um teodolito

a) Instalação de um teodolito dotado de fio de prumo sobre o ponto topográfico:

- O primeiro passo é regular a altura dos pés do tripé de maneira que a luneta do
aparelho fique numa altura cômoda para o operador manuseá-la;
- Fixar o aparelho ao órgão de sustentação com auxílio dos parafusos;
- Fixar o fio de prumo ao parafuso de união e regular o comprimento do fio;
- Tentar posicionar o centro do aparelho sobre o ponto topográfico, isso será conseguido
quando o centro do fio de prumo estiver coincidindo com a marca feita na parte superior da
piqueta;
- Esta operação é feita inicialmente mudando as posições do tripé, fazendo assim uma
aproximação do centro do peso do fio de prumo ao ponto topográfico, quando o fio de prumo
estiver a uma distância aproximada de 1 cm do ponto topográfico, fixa-se os pés do tripé ao
solo;
- Nesta operação de aproximação do peso do fio de prumo ao ponto topográfico deve-se
ter o cuidado de não deixar o eixo principal do aparelho muito inclinado se isso acontecer os
parafusos calantes poderão não ter recurso suficiente para posicionar o eixo principal do
aparelho na vertical;

73

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- A centragem precisa do aparelho é conseguida afrouxando o parafuso de união e
deslocando o aparelho sobre a mesa do tripé até que se consiga posicionar o peso do fio de
prumo exatamente sobre o ponto topográfico;
- Após devemos proceder a calagem, que veremos no decorrer deste cápítulo.

b) Instalação de um teodolito dotado de prumo óptico sobre o ponto topográfico:

Normalmente os aparelhos dotados de prumo óptico apresenta 2 níveis de calagem, um


esférico, que serve como referência para uma calagem aproximada do aparelho e o nível
tubular, que tem como função executar uma calagem precisa do aparelho.

Procedimento de instalação:
- Primeiramente regular as alturas dos pés do tripé, de maneira que a luneta do aparelho
fique a uma altura confortável para o operador realizar as leituras, depois abrir o tripé e fixa-lo
ao solo sobre o ponto topográfico;
- Olhando pela luneta do prumo óptico procura-se enquadrar a piqueta dentro do campo
visual da mesma, esta operação é realizada mudando-se a posição do tripé;
- A grande vantagem da instalação do aparelho dotado com prumo óptico com relação
as dotados de fio de prumo, é que o operador não precisa se preocupar com a inclinação do
eixo principal nesta fase da operação, por mais inclinado que o eixo principal possa ficar
sempre haverá uma maneira de traze-lo para a posição correta;
- Fixar os pés do tripé;
Nivelar ou centrar o nível de bolha circular mexendo nos dispositivos de regulagem da
altura dos pés do tripé, com esse procedimento a piqueta não sairá do campo visual da luneta
do prumo óptico;
- Fazer a calagem precisa, mexendo-se nos parafusos calantes, tendo como referência o
nível de bolha tubular;
- Conferir a posição da piqueta com relação ao centro do campo visual do prumo óptico,
caso o ponto não esteja coincidindo com os círculos concêntricos, deve-se deslocar o aparelho
sobre a mesa do tripé, afrouxando o parafuso de união;
- A executar este deslocamento procurar não rotacionar o aparelho em torno do eixo
principal, mas dar apenas um movimento de translação no aparelho;
- Verificar a calagem novamente.

7.4 – Descrição do procedimento de calagem de um teodolito

a) Procedimento para fazer a calagem de um teodolito que apresenta 3


parafusos calantes e 2 níveis de bolha de ar:

Parafuso calante

Nível de bolha

Parafuso calante Parafuso calante


Figura 79 – Representação dos parafusos calantes e dos níveis de bolha na base do
teodolito.
74

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- Posicionar o eixo de um dos níveis de o eixo de um dos níveis de bolha paralelamente
ao alinhamento formado por dois parafusos calantes;
- Centrar a bolha de ar do nível mexendo-se simultaneamente nos dois parafusos
calantes que estão paralelos ao nível, em sentidos contrários um do outro;
- Mexer no terceiro parafuso calante de maneira a centrar a bolha de ar do outro nível
tubular.

b) Procedimento para fazer a calagem de um teodolito que apresenta 3


parafusos calantes e 1 nível de bolha de ar:

Parafuso calante

Nível de bolha

Parafuso calante Parafuso calante


Figura 80 - Representação dos parafusos calantes e do nível de bolha na base do
teodolito.

- Posiciona-se o eixo do nível de bolha paralelo ao alinhamento formado por dois


parafusos calantes, mexer simultaneamente no dois parafusos calantes em sentido contrário
um do outro, até que se consiga a centragem da bolha do nível;
- Posteriormente gerar o aparelho 90o em torno do eixo principal, de maneira que o eixo
do nível de bolha posicione-se perpendicularmente a posição inicial ocupara por ele;
- Mexer no terceiro parafuso calante até se conseguir a centragem do nível de bolha
nesta posição.

c) Procedimento para fazer a calagem de um teodolito que apresenta 4


parafusos calantes e 1 nível de bolha de ar:

Parafuso calante
Parafuso calante

Nível de bolha

Parafuso calante Parafuso calante


Figura 81 - Representação dos parafusos calantes e do nível de bolha na base do
teodolito.

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Posicionar o eixo do nível de bolha na diagonal com dois parafusos calantes, e fazer seu
nivelamento, movimento estes dois parafusos simultaneamente em sentido contrario;
Posteriormente girar o aparelho fazendo com que o nível de bolha fique em diagonal
com os dois parafusos calantes que restam e fazer o nivelamento da bolha, movimentando os
dois parafusos calantes simultaneamente em sentido contrario;
Para pequenos ajustes coloca-se o nível de bolha paralelo a dois parafusos calantes e
realiza-se o ajuste, somente em um dos parafusos, depois gera-se o aparelho 900 e realiza-se o
ajuste no parafuso calante que esta na diagonal com o parafuso que sofreu o primeiro ajuste
até centrar a bolha.

CAPÍTULO 8

8.1 – Métodos de levantamento Planimétricos

Nos itens anteriores foram descritos os métodos e equipamentos utilizados na medição


de distâncias e ângulos durante um levantamento topográfico.
Estes levantamentos, portanto, devem ser empregados obedecendo certos critérios e
seguindo determinadas etapas que dependem do tamanho da área, do relevo, e da precisão
requerida pelo projeto que os comporta.
Na seqüência, portanto, serão descritos os métodos de levantamentos planimétricos que
envolvem as fases:

- Reconhecimento do terreno;
- Levantamento da poligonal;
- Levantamento das Feições Planimétricas;
- Fechamento, área e coordenadas;
- Desenho da planta e memorial descritivo.

8.2 – Levantamento por Irradiação

Segundo SPARTEL (1977), o Método por Irradiação também é conhecido como


Método da Decomposição em Triângulos ou das Coordenadas Polares.
Este método é empregado para pequenas áreas relativamente planas, de relativa
precisão dependendo dos cuidados do operador, pois não há controle dos erros que possam ter
ocorrido.
Uma vez demarcado o contorno da superfície a ser levantada, o método consiste em
localizar estrategicamente um ponto (P), dentro ou fora da superfície demarcada, e de onde
possam ser avistados todos os demais pontos que a definem.
As medidas de distâncias podem ser realizadas pelos métodos diretos ou indiretos, e a
medida dos ângulos poderá ser feita através de teodolitos eletrônicos ou óticos.
A figura a seguir ilustra uma superfície demarcada por cinco pontos com o ponto P
estrategicamente no interior da mesma. Do ponto P são medidos os ângulos horizontais (AHz1
à AHz5) e também as distâncias horizontais (DH1 à DH5).

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3 2

DH3 DH2
AHz2

AHz3 P
AHz1
DH4

4 AHz4 DH1
AHz5

DH5 1

5
Figura 82 – Representação de uma superfície levantada por coordenadas polares.

De cada triângulo são conhecidos dois lados e um ângulo, os demais podem ser
calculados pelas relações trigonométricas.

8.3 – Trabalho de campo

Escolhido o ponto de estacionamento do aparelho (P), estaciona-se, nivela-se e orienta-


se o aparelho, no caso de ser um teodolito provido de bússola, caso não possua bússola,
orienta-se em relação a um meridiano assumido, podendo este ser o alinhamento formado pela
estação do aparelho e o primeiro vértice a ser visado. O Azimute hipotético dessa visada será
0o 00’ 00’’, coincidindo então com o meridiano assumido.
Sem retirar o instrumento deste ponto (P), são visados os demais vértices do perímetro
e anotados os azimutes e distâncias.
Quando se tem dados curvos, há necessidade de se fazer maior número de irradiações,
de forma que estas permitam um bom delineamento das curvas, quando no desenho da planta.
Quanto mais sinuosa a curva, maior o número de visadas a serem feitas. Também detalhes
internos são amarrados por irradiação, o que é bastante utilizado no processo de levantamento
por caminhamento, em que este método é completado pela irradiação.
3

P 2
6

8
9
10

1
Figura 83 – Levantamento por irradiação de superfícies curvas.

77

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8.4 – Levantamento por Interseção ou Coordenadas Bipolares

É um método simples e rápido e que pode ser empregado como método de


levantamento único para uma área ou como auxiliar no caminhamento.
Da mesma forma que o processo de irradiação, o método por intersecção aplica-se para
áreas relativamente pequenas e também não há possibilidade de controle do erro.
Este método baseia-se na medição de dois ângulos de um triângulo e de um lado do
mesmo. Por intersecção determina-se a posição do ponto topográfico. Tem a vantagem de
dispensar o uso da mira, pois não são medidas distâncias neste método, a não ser aquela entre
os dois pontos de estação do aparelho, o que pode ser feito diretamente.
A condição do método é que se escolham dois pontos situados dentro ou fora da área a
ser levantada, a partir dos quais serão visados os vértices do perímetro. Do primeiro ponto de
estação são visados todos os vértices, o mesmo se faz a partir da segunda estação.
NM

A
Distân
cia AB
3 B

5
4
Figura 84 – Levantamento por Coordenadas Bipolares.

8.5 – Trabalho de campo

Escolhido o primeiro ponto para estacionar o aparelho (Ponto A) são visados a partir
dele, os vértices do perímetro, anotando-se o ângulo de cada um dos alinhamentos como se faz
nas Coordenadas Polares.
A medida destes ângulos é realizada a partir da base, que é o alinhamento AB, no qual
deve-se saber a distância entre estes dois pontos, normalmente adota-se 20, 30 ou 50 metros,
com a finalidade facilitar os cálculos. Realiza-se a medida dos ângulos nas duas extremidades,
ou seja, instala-se o aparelho no ponto A e sempre zerar o aparelho no ponto B, a partir de B
pode-se determinar os ângulos por acumulação ou por visadas individuais. O mesmo
procedimento deve ser realizado instalando o aparelho no ponto B, para medida dos ângulos,
zera-se o aparelho no ponto A e realiza-se a medida dos ângulos por acumulação ou visadas
individuais.
Deve-se ter o cuidado de locar a linha AB proporcional ao tamanho da área a ser
medida, a não observação deste conduz a erros no desenho da planta, já que o ponto de
intersecção não fica bem determinado se o comprimento AB for muito pequeno.
Outro fator importante é a posição dessa linha AB. Esta linha não deve ser colocada na
direção de um dos vértices, pois nesse caso não dar-se- a intersecção dos alinhamentos.

78

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2 2

1 1

A A
Distân
cia AB
3 Distân
cia AB B 3 B

5 5
4 4

Figura 85 – Leitura dos ângulos em coordenadas bipolares.

8.6 – Trabalho de escritório

O trabalho de escritório consiste em trabalhar os dados obtidos a campo, ou seja,


através de ângulos e distâncias e com as relações trigonométricas calculam-se as áreas e
distâncias com os triângulos obtidos.

Relações trigonométricas utilizadas:

- Cálculo da área de um triângulo qualquer:

s= p ⋅ ( p − a)⋅ ( p − b)⋅ ( p − c)
onde:
s = área do triângulo (m2);
p = semiperímetro (m);
a, b, c = comprimentos dos lados dos triângulos (m).

a
α
c
β
B
γ
b
C

A área pode ainda ser obtida pela expressão:

a ⋅ c ⋅ sen α
S=
2

- Cálculo dos ângulos de um triângulo qualquer:

a 2 + c2 − b2 a 2 + b2 − c2
cosα = cos β =
2ac 2ab

b2 + c2 − a 2
cos γ =
2bc
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- Cálculo dos alinhamentos de um triângulo qualquer ou dos ângulos:

AB BC CA
= =
sen γ sen α sen β

Ou ainda podem ser obtidos pelas seguintes expressões:

AB 2 = AC 2 + BC 2 − 2 ⋅ AC ⋅ BC ⋅ cos γ

BC 2 = AC 2 + AB 2 − 2 ⋅ AC ⋅ AB ⋅ cos α

AC 2 = AB 2 + BC 2 − 2 ⋅ AB ⋅ BC ⋅ cos β

8.7 – Planilha de levantamento

Um exemplo de planilha adotado para levantamentos em coordenadas polares e


bipolares esta descrito abaixo.

Fios estadimétricos
Ré Polo Vante Ang. Horiz FI FM FS Dist Ang. Vert. Obs.

CAPÍTULO 9

9.1 – Altimetria

A Altimetria ou Hipsometria é a parte da Topometria que tem por objetivo a medida de


distância vertical ou diferença de nível entre pontos da superfície do terreno, em relação a um
plano horizontal de referência.
O plano horizontal a que se referem as alturas dos pontos é chamado de “plano de
comparação”. Se o mesmo for determinado pela superfície tranqüila das águas dos mares, as
alturas dos pontos são chamadas de “altitudes”, Quando a escolha do plano for arbitraria, isto é,
situado abaixo ou acima daquela, as alturas são chamadas de “cotas”. No caso do spontos
terem suas alturas referidas ao nível médio dos mares, tem-se o “nível verdadeiro” dos pontos,
no outro caso o “nível aparente”.
Do exposto acima conclui-se que a cota de um ponto vem a ser a sua altura em ralação
a um plano horizontal de comparação fixado arbitrariamente. No momento que se vai iniciar um
levantamento altimétrico deve-se fixar a altura do plano de comparação, adotando um valor tal
que o seu nível seja inferior ao de qualquer um dos pontos da superfície do terreno. Nesta
situação, todas as cotas terão valores positivos.
Nas operações topográficas que interessam as atividades Florestais, geralmente os
levantamentos são de âmbito local, por isso escolhe-se sempre um plano horizontal de
comparação arbitrário, ao qual ficam referenciadas as alturas dos pontos da superfície do
terreno. Portanto, o que interessa conhecer é a cota dos pontos.

80

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9.2 – Métodos gerais de nivelamento

Dentro da Altimetria distinguem-se três métodos gerais de nivelamento. O primeiro


refere todas as medidas ao nível verdadeiro; os demais ao nível aparente.

- Referência ao nível verdadeiro – Método Barométrico;


- Referência ao nível aparente – Método Geométrico, Direto ou por alturas;
Método Trigonométrico ou indireto.

Dentro da escala de precisão o Método Geométrico é o mais preciso, vindo a seguir o


Trigonométrico e o Barométrico logo após.
O método Barométrico utiliza-se dos barômetros de mercúrio dentre outros, sendo de
grande importância nos reconhecimentos à avaliação rápida de altitudes.
A utilização de aparelhos aferidos, compensados e de boa fabricação, pode conduzir a
bons resultados nos trabalhos práticos, operando-se com mais de um aparelho e não havendo
variações bruscas de temperatura e pressão atmosférica por ocasião das observações.
O nivelamento Barométrico é baseado na relação existente entre a altitude e a pressão
atmosférica. Esta relação é a “fórmula barométrica”.
A pressão do ar é menor nas camadas superiores da atmosfera, portanto, a medida que
a pressão aumenta a altitude diminui. Em valores médios, para cada milímetro de variação de
pressão há uma diferença de altitude de aproximadamente 11 metros, o que exige a
aproximação do décimo de milímetro de pressão, só alcançada em bons aparelhos
barométricos, para se obter a altitude com valor aproximado de um metro.
Já o método Trigonométrico, a sua aplicação depende do emprego de taqueômetros ou
de teodolitos estadimétricos, fundamenta-se na relação existente entre a distância horizontal
entre os pontos a serem nivelados sobre a superfície e os ângulos zenitais ou de inclinação da
linha visada. Seu emprego requer sérios cuidados do operador, porque um pequeno erro na
medida vertical, bem como da distância horizontal, ocasiona um erro sensível na determinação
da diferença de nível.

Nivelamento Geométrico

O método de nivelamento Geométrico, empregado para a determinação da diferença de


nível entre pontos da superfície do terreno, fundamenta-se na utilização de instrumental próprio,
ou seja, um nível de luneta e uma mira de nivelamento.
Com o nível, através de seu eixo de colimação ao girar em torno do eixo vertical, se
estabelece sobre o terreno um plano horizontal auxiliar, ao qual ficam referidas as alturas dos
diversos pontos nivelados. Essas alturas são avaliadas com o auxilio de uma mira de
nivelamento.
O nivelamento Geométrico pode ser aplicado no levantamento de pontos dispostos ao
longo de uma linha, que pode representar o eixo de um canal ou de uma estrada, com a
finalidade de se obter o perfil longitudinal do terreno segundo aquela direção, ou ainda, poderá
aplicada no levantamento de um conjunto de pontos de uma superfície para o conhecimento de
seu relevo.
Na primeira situação tema a chamada “nivelação de perfil” ou de “linha” e na segunda, a
nivelação de superfície.

9.3 – Classificação dos Métodos Nivelamento Geométrico

O nivelamento geométrico pode ser: Simples ou Composto.

81

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- Nivelamento geométrico simples

O princípio fundamental da nivelação geométrica simples é que, a diferença de nível


entre dois ou mais pontos da superfície do terreno seja determinada a partir de uma única
estação do nível de luneta.Para que isso seja possível é necessário que os pontos a nivelar
estejam dentro da capacidade ótica do aparelho e que, a diferença de nível entre a altura da
linha de visada e os pontos da superfície não exceda o limite do comprimento da mira.

V3
R1 V2

3
hi

1
2

Datum
Figura 86 – Representação de um levantamento geométrico simples.

Para nivelar os pontos 1, 2 e 3 representados na figura acima, instala-se o nível de


luneta sobre um ponto qualquer da superfície do terreno, desde que este satisfaça as condições
estabelecidas anteriormente, e cala-se o mesmo de modo que o seu eixo de colimação
descreva um plano horizontal quando a luneta girar em torno do eixo vertical do aparelho.
Após, a linha visada da luneta é dirigida para o ponto 1 onde se encontra a mira
colocada verticalmente e sobre a qual o operador fará uma leitura inicial chamada de “ré”.
Recorda-se que, para iniciar a operação de nivelamento escolhe-se a altura do plano de
comparação, arbitrando-se assim, a cota do primeiro ponto nivelado da superfície. Portanto,
toda a vez que a visual da luneta for dirigida para um ponto de cota conhecida, tem-se a leitura
de ré, simbolizado convencionalmente pó R.
Se à esta leitura for adicionado o valor da cota do ponto 1, fica assim definida a altura
que encontra-se o plano de visada acima do plano de comparação, ou seja, a altura do
instrumento, de símbolo “hi”. Do exposto conclui-se:

hi = Cota + R

Procedida a leitura sobre o ponto de cota conhecida, o porta mira se deslocará aos
demais pontos, cujas cotas se quer determinar. Sobre tais pontos serão procedidas as leituras
chamadas de Vante e identificadas pela letra V. Logo, sempre que efetuada uma leitura da mira
em pontos de cota desconhecida, tem-se uma leitura de vante.
Portanto, se da altura do instrumento for subtraída a leitura de vante, obtém-se a cota do
ponto. Então, a expressão geral assume a seguinte forma:

Cota = hi − V

Para conhecer a diferença de nível, simbolizada por DN, entre dois pontos da superfície
do terreno, basta que se tenha os valores de suas alturas de mira.

DN12 = R1 − R 2

82

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Na aplicação da nivelação simples podem ser empregados dois métodos distintos, cada
um com um objetivo bem definido, ou seja, nivelação a partir do ponto médio e nivelação radial.

- Nivelação a partir do ponto médio

R V

B
PM
A

Datum
Figura 87 – Representação de nivelação a partir do ponto médio.

O método consiste em instalar o nível de luneta sobre o ponto médio do alinhamento


definido por AB, cujas cotas se quer determinar. O desnível será igual a diferença entre as
leituras de mira efetuadas sobre os mesmos.
A vantagem do método está no fato de que, mesmo estando o aparelho deretificado
determina-se o verdadeiro valor do desnível entre os pontos. A falta de paralelismo entre os
eixos de colimação e do nível tubular, que pode afetar os níveis de luneta, tem seu efeito
anulado pelo emprego de tal método.

- Nivelação Radial

A nivelação radial ou por irradiação é empregada quando se deseja conhecer a cota dos
pontos que representam os vértices de uma poligonal fechada de pequena extensão. Para tal,
elege-se um ponto central interior ao polígono, instala-se o nível, procedendo as leituras sobre
os pontos a nivelar.

1
2

5 3

4
Figura 88 – Representação de uma nivelação radial.

- Nivelamento geométrico composto

O princípio do nivelamento geométrico composto é que, a diferença de nível entre dois


pontos da superfície do terreno é conhecida a a partir de duas ou mais estações do nível de
luneta. Isso significa dizer que, uma sucessão de nivelações simples constitui um nivelamento
geométrico composto.
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Exemplificando o método, é apresentado na figura abaixo que representa o nivelamento
de seis pontos da superfície do terreno.

R V1 V2
R4 V5 V6
R2 V3 V4 5 6
A
1 2 C
B 4
3
Datum
Figura 89 – Representação de um nivelamento geométrico composto.

O nivelamento inicia com a escolha da estação inicial do levantamento, dela devem ser
visualizados o maior número possível de pontos a nivelar, assim como, a RN, caso haja
próximo do local do trabalho.

Ao se iniciar a operação é necessário que se conheça a forma adequada para a


organização dos registros de campo.

9.4 – Organização do registro de campo

Leituras Altura do Desníveis


Pontos Cotas Observações
Ré Vante instrumento + -

Na primeira coluna anotam-se os números correspondentes aos pontos a serem


nivelados.
Nas duas colunas seguintes anotam-se os leituras de mira obtidas sobre os pontos a
nivelar. Serão a ré quando realizadas sobre pontos de cota conhecida e vantes, quando em
pontos de cota a saber.
Quando necessária a troca de estação do nível de luneta, deve-se efetuar uma leitura de
ré sobre um ponto de cota conhecida para amarrar o nivelamento dos pontos seguintes aos já
levantados. O ponto sobre o qual são realizados os dois tipos de leitura na mira é chamado de
“ponto de troca” (Pt).
Na coluna seguinte anotam-se os valores correspondentes ás alturas do instrumento, ou
seja, o valor resultante da soma da leitura de ré com a cota do ponto sobre o qual ela foi
realizada.
Na coluna seguinte registram-se os valores da cota dos pontos nivelados. Tais
elementos devem ser calculados no escritório.
Nas duas colunas seguintes anotam-se, também no escritório, os desníveis existentes
entre os pontos nivelados. O desnível será positivo quando a cota de um ponto qualquer for
inferior ao do ponto seguinte, e vice-versa.
E finalmente, na última coluna, o espaço reservado às observações que se fizerem
necessárias.

A seguir transcrevemos os elementos obtidos no levantamento exemplificado


anteriormente:

84

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Leituras Altura do Desníveis
Pontos Cotas Observações
Ré Vante instrumento + -
RN 1140 11140 10000 790
1 1930 9210 800
2 1130 10010 1620
Pt 2 50 10060
3 1670 8390 290
4 1380 8680 1020
Pt 4 1915 10595
5 895 9700 695
6 200 10395

Com o objetivo de eliminar possíveis erros de cálculo dos valores apresentados no


registro acima, realiza-se uma série controles mediante a aplicação de regras determinadas.

1o Regra – a diferença entre a soma das leituras de ré e de vante nos pontos de troca
deve ser igual, em valor absoluto, a diferença de entre a cota do ponto inicial e a última altura
do instrumento.

∑ R − ∑V ( Pt ) = Ci − Hi n

3105 − 2510 = 10000 − 10595

2o Regra – a diferença entre a soma das leituras de ré e a soma das leituras de vante
nos pontos de troca mais a última leitura de vante deve ser igual, em valor absoluto, a diferença
entre as cotas do primeiro e do último ponto.

∑ R − (∑V ( Pt ) + V ) = Ci − Cn
n

3105 − 2710 = 10000 − 10395

3o Regra – A soma algébrica dos desníveis existentes entre pontos consecutivos, deve
ser igual a diferença entre cotas dos pontos inicial e final.

∑ DN = Ci − Cn
395 = 10000 − 10395

Os levantamentos altimétricos estão também sujeitos a erros especialmente quando


trata-se do nivelamento de um grande número de pontos dispostos ao longo de uma linha. Tais
erros tendem à aumentar na medida em que as linhas niveladas forem mais longas.

9.5 – Erro de fechamento altimétrico

O erro de fechamento altimétrico vem a ser a diferença entre os valores da cota de um


mesmo ponto, após ter sido realizado o levantamento por dois itinerários opostos, ou por
itinerário altimétrico.
Exemplificando: se tivermos o nivelamento dos vértices que constitui um apoligonal
fechada teremos que checar, após percorrer todo o itinerário a um valor, para a cota inicial,

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exatamente igual ao valor de partida. Se isso não ocorrer, evidencia-se uma falha ao longo do
levantamento.
O valor do erro cometido no nivelamento deve estar dentro da tolerância permitida, cujo
limite é fixado em função do grau de precisão exigido do trabalho, bem como, do instrumental
empregado para tal objetivo. Os valores que fixam os limites são:

Em = ±40 k ⇒ Nivelamento comum;

Em = ±20 k ⇒ Nivelamento de média precisão;

Em = ±10 k ⇒ Nivelamento de precisão.

Onde:

Em = erro máximo tolerável (mm);


K = comprimento da linha nivelada (km).

Se houver erro num levantamento altimétrico, seu valor será distribuído entre as cotas
calculadas desde que, encontre-se de acordo com a tolerância permitida. A compensação dos
valores calculados é feita aplicando-se a regra do fator de proporcionalidade, que diz o
seguinte: “a correção que será aplicada à cota em um ponto do itinerário altimétrico, é
diretamente proporcional à distância que o mesmo está do inicial”.

n
Cn = × ef
D
Onde:
Cn = correção a ser aplicada à cota de um ponto qualquer do itinerário;
ef = erro de fechamento;
D = perímetro;
N = distância que separa o ponto, cuja cota será corrigida, do inicial.

Os valores obtidos para os fatores de correção serão deduzidos aos valores da cota dos
pontos, levando-se em consideração o sinal do erro cometido.
Para que se possa constatar a ocorrência de um erro num levantamento altimétrico, é
necessário que se proceda o contranivelamento.
O contranivelamento consiste em levantar os pontos que constituem um eixo em sentido
oposto ao do nivelamento, isto é, nivelando-se do último para o primeiro ponto.
Existem dois métodos de nivelamento que aplicados corretamente, permitem o controle
absoluto do levantamento, evitando a execução do contranivelamento.

- Método da dupla altura do instrumento;


- Método do duplo estacionamento.

9.6 – Método da dupla altura do instrumento

consiste em se determinar a cota dos pontos da superfície do terreno a partir de duas


alturas distintas do eixo de colimação da luneta, sem que o aparelho seja removido do ponto
onde se encontra instalado.
A execução do método é simples. Inicialmente instala-se o aparelho sobre o local de
onde se possa nivelar vários pontos da superfície do terreno. Após, efetuam-se as leituras da
mira sobre os mesmos. Concluída esta operação, sem remover o aparelho da estação, altera-
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se a altura do seu elemento de sustentação e volta-se a cala-lo. Assim teremos modificada a
altura do eixo de colimação do nível. Com esta segunda posição do plano de visada procedem-
se novas leituras da mira sobre os pontos anteriormente nivelados. O controle do nivelamento é
realizado quando, comparando-se as leituras efetuadas sobre os pontos na primeira posição da
linha de colimação, a diferença entre eles se mantém constante. A comparação dos valores,
para efeito de cálculo, é realizada diretamente no campo. A vantagem desse procedimento é
permitir a identificação imediata do erro cometido, sem que haja necessidade de retorno ao
campo.

R1 V2 V3

R’1 V’2 V’3

1 3
A
2

Figura 90 – Representação do método do duplo nivelamento.

9.7 – Método do duplo estacionamento do instrumento

Trata-se do nivelamento de dois ou mais pontos da superfície a partir de duas estações


do nível de luneta.
Inicialmente determina-se a cota a partir da estação A do nível de luneta,
posteriormente, transporta-se o aparelho para um ponto B, não muito distante de A, e
procedem-se as novas determinações. O princípio do sistema de controle é semelhante ao do
método anterior.
A utilização de um ou outro método, nos conduz à resultados isentos de quaisquer erros
significativos, assegurando-nos exatidão dos resultados.

R1 V2 V3

R’1 V’2 V’3

1 3
A B
2

Figura 91 – Método do duplo estacionamento do instrumento.

9.8 – Nivelamento longitudinal

O nivelamento pode ser aplicado visando dois objetivos bem definidos:

1- o conhecimento do desnível entre dois pontos extremos de


um eixo sobre a superfície de um terreno;
2- Conhecimento do perfil de um terreno segundo uma dada
direção.
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Define-se perfil de um terreno, segundo determinada direção, a interseção da superfície
do solo com o plano vertical que passa pelo alinhamento que define aquela direção, ou seja, a
linha levantada.
O conhecimento do perfil do terreno segundo uma direção é importante no projeto de
canais assim como, rodovias e ferrovias. Através do seu estudo, é possível determinar as
alturas de corte e aterro que sofrerão os pontos que definem o eixo de um canal.
A operação de nivelamento de pontos de uma linha para obtenção do perfil do terreno
segundo a direção definida pela mesma, é constituída de quatro etapas:

- Balizamento da direção da linha;


- Implantação de piquetas, com estacas testemunhas, eqüidistantes de 10 a 20
metros, usando teodolito, as quais definirão a linha; havendo mudança na
direção do mesmo, avalia-se a deflexão existente;
- Medição planimétrica da linha;
- Nivelamento e contranivelamento da poligonal.

No levantamento podem ser obtidos dois tipos de perfis:

- Longitudinal;
- Transversal.

O perfil longitudinal é obtido do nivelamento dos pontos que definem a linha levantada.
O perfil transversal é obtido quando um plano vertical intercepta a linha nivelada num
determinado ponto.
Para o levantamento de perfis transversais deve-se traçar retas perpendiculares ao eixo
longitudinal, marcando sobre as mesmas os pontos necessários à definição do perfil.

1e 2e 3e 4e

1 2 3 4 Dd

1d 2d 3d 4d
Figura 92 – Nivelamento longitudinal.

Quando se trata de levantamento de eixos longitudinais muito extensos, costuma-se


executar o nivelamento por partes, e para assegurar a exatidão do trabalho realiza-se o
contranivelamento.
O objetivo final do trabalho é a representação do relevo do terreno segundo a direção
definida pelo eixo levantado. Portanto, já no escritório, calcula-se a cota dos pontos para
posterior desenho do perfil.
Para sua representação costuma-se adotar duas escalas de módulos distintos:

- Uma escala horizontal, para representação da medida horizontal que separa


os pontos da superfície do terreno;
- Uma escala vertical à representação da altura dos pontos nivelados acima do
plano de referência, ou seja, as cotas.

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Esse critério é aditado porque há uma grande desproporcionalidade entre as distâncias
horizontais e verticais e, porque objetiva-se evidenciar toda a sinuosidade do terreno para
caracterizar perfeitamente o seu perfil. Geralmente a escala vertical é dez vezes maior que a
horizontal.
Exemplificando o traçado de um perfil longitudinal, é apresentado o mesmo a seguir:

1 2 3 4
Figura 93 – Representação planimérica do eixo.

14 m

13 m

12 m

11 m

10 m 1 2 3 4 5 6 Datum
10,50 14,48

10,85 14,44

11,30 14,40

12,00 14,36

12,80 14,32
Cotas Projeto

Cotas Terreno

Desenvolvimento planimétrico
20

40

60

80
0

Pontos nivelados
1

Figura 94 – Representação do perfil do terreno.

Observando o desenho nota-se inicialmente a planta baixa do eixo levantado (Figura 93)
e a seguir, a representação do perfil do terreno.
Vemos que tal representação é constituída do traçado de cinco retas paralelas:

1o – representa os pontos do eixo nivelado;


2o – representa o desenvolvimento planimétrico com a transcrição das distâncias que
separam cada ponto da origem e, os ângulos de deflexão definido pelo eixo;
3o – representa o valor da cota de cada um dos pontos nivelados;
4o – representa o valor das cotas do projeto;
5o – poderá representar o verdadeiro plano de comparação a que estão referidas as
cotas, ou então, um plano de comparação diferente daquele, estabelecido apenas para
representação de um determinado trecho do perfil com o objetivo de salientar perfeitamente as
variações do relevo.

Elaborado o traçado do perfil do terreno segundo uma determinada direção, tem-se


meios para projetar a obra a que se destinou tal levantamento.

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Ao iniciar-se o projeto de uma obra se tem que conhecer o que vem a ser “declive” ou
“gradeante” (d) das linhas do perfil. Ele representa a razão entre a diferença de nível (h) e a
distância horizontal (D) entre dois pontos sucessivos do perfil, referido a cem metros para se
obter em percentagem.

100 × h
d% =
D

Para a elaboração do projeto é necessário a escolha do gradeante mais seguro e


econômico a ser seguido pelo eixo na construção da obra.
Com o perfil do projeto saberemos os locais onde haverão os cortes ou aterros na
execução da obra. O mesmo será representado sobre o desenho onde está reproduzido o perfil
do terreno.
No caso exemplificado anteriormente supõe-se que o eixo do canal deva resultar com
um gradeante de 2,0 m / 1000 (0,2%) a partir do ponto 1, considerado o local de tomada de
água. Uma vez conhecido o gradeante passa-se ao calculo das cotas do projeto, ou seja, a cota
que resultará o ponto da superfície uma vez construído o canal.

Cotas Corte Aterro Distância


Pontos
Terreno Projeto (m) (m) (m)
1 10,50 14,48 - 3,98 0
2 10,85 14,44 - 3,59 20
3 11,30 14,40 - 3,10 40
4 12,00 14,36 - 2,36 60
5 12,80 14,32 - 1,52 80

Exemplificando:

Gradeante: d = 0,2% = 0,2 m/1000

(DH) ------------- (DN) 0,2 m


(DH) ------------- (DN) x

Cota do projeto no ponto 2:

C2 = C1P – d = 14,48 – 0,04

C2P = 14,44 m

Para o cálculo exato do volume de terra a ser movimentado são necessários os perfis
transversais, eles dão idéia do declive do terreno na direção perpendicular ao eixo levantado.
Quando a obra for uma estrada, esses perfis são indispensáveis; no caso de canais são
desnecessários, já que as obras geralmente são de largura de corte reduzida.

9.9 – Nivelamento de superfície

O nivelamento de superfície consiste na determinação da cota de uma série de pontos


que constituem uma superfície de terreno objetivando se conhecer seu relevo pela
representação de suas curvas de nível ou de seu plano de contato.
O emprego desse tipo de nivelamento é de suma importância à implantação de projetos
de loteamentos, sistematização do terreno para fins agrícolas ou de construção civil, execução
de projetos conservacionistas e projetos de barragens.
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No levantamento das curvas de nível de uma superfície podem ser utilizados dois
métodos, segundo a finalidade do trabalho:

- O método direto;
- O método indireto ou por quadrículas.

9.10 – Método direto

O levantamento das curvas de nível pelo método direto consiste na materialização de


pontos de mesma cota sobre a superfície do terreno. Tais pontos, por estarem e uma mesma
altura do plano de comparação, definirão uma linha em nível ou uma curva de nível.
O método direto é aplicado quando o objetivo do trabalho é a construção de estruturas
mecânicas sobre a superfície do terreno que visem a condução de água, controle do sistema
irrigatório de uma cultura, controle da erosão hídrica, entre outras obras.
Para exemplificar a aplicação do método, imagina-se uma superfície de terreno
destinada ao cultivo do arroz irrigado onde será necessário a implantação do sistema de
controle à irrigação, ou seja, as “marachas”, representada a seguir.

11,6 11,7 11,8 11,9

32
23 15 1
31
30 22 14 2
21
29 13
Canal Principal

28 C 20 12 A 3

27 19 4
11
26 18 5
10
25 6
17 9

24 16 B 8 7

Figura 95 – Representação do método direto.

A água destinada a irrigação é conduzida até a parte mais elevada da superfície por um
canal de terra, possuindo altura suficiente para irrigar toda a área. Tem-se para a cota da
superfície da água um valor arbitrário de 12 metros. Os atacamares devem ser construídos
eqüidistantes verticalmente de 0,10m.
Normalmente o trabalho de marcação das curvas de nível é iniciado da parte superior do
terreno para a inferior. Portanto escolhe-se, escolhe-se, estrategicamente, um ponto próximo à
parte terminal do canal que servirá como primeira estação do nível de luneta.
Instalando o aparelho sobre a estação (A), o porta mira irá até o canal e colocará o
instrumento sobre a superfície da água, cuja a cota é conhecida (12,00m), fornecendo ao
operador do aparelho a primeira leitura de ré. Este valor adicionado ao daquela cota definirá a
altura da linha de visada do aparelho acima do plano de comparação.
O operador deverá, do ponto onde se encontra, observar sobre a mira uma altura
constante (vante) 100 mm maior que a anterior (ré). Sempre que tal valor for encontrado,
materializa-se o ponto do terreno por meio de uma estaca de madeira. Na figura, os pontos 1 a
7 representam a curva de nível que esta 100 mm abaixo da superfície da água.
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A fim de que haja um controle absoluto das operações, costuma-se organizar um
registro de campo de maneira análoga aquela utilizada no nivelamento ordinário.

Leituras
Pontos Hi Cotas Observações
R V
RN 1670 13670 12000 Ponto da
1a7 1770 11900 superfície da
8 a 15 1870 11800 água.
Pt 15 1020 12820
16 a 23 1120 11700
Pt 23 1370 13070
24 a 32 1470 11600

Marcada a curva de nível de cota 11900 mm passa-se a definir pontos da curva seguinte
(11800). Do mesmo ponto de estação, o operador deverá observar uma altura de mira de 1870
mm, conforme indica o registro de campo.
Não havendo condições de continuar a definição das curvas de nível seguintes, da
estação A, é necessária a troca de posicionamento do aparelho. Quando isso ocorrer, o
operador sinalizará ao porta mira para que se mantenha com o instrumento sobre o último
ponto nivelado, que servira como ponto de troca.
Escolhida a nova estação (B), instala-se o aparelho e determina-se a nova altura do
plano de visada (Hi), partindo-se da leitura de ré procedida sobre o ponto de troca. No exemplo
a altura do instrumento no ponto B é de 12820 mm. Portanto a marcação dos pontos da curava
de cota 11700 mm deve-se proceder leituras de vante iguais a 1120 mm. As estacas
numeradas de 16 a 23, representadas na figura, definem a curva procurada.
Para marcar a curva dos 11600 mm haveria a necessidade de transportar o aparelho
para outro ponto da superfície do terreno (C), ou seja, uma nova estação do nível de luneta. A
partir dele procede-se uma leitura de ré no ponto de troca materializado pela estaca 23 de 1370
mm definindo uma nova altura para o plano de visada igual a 13070 mm. Assim, sempre que a
linha de colimação da luneta interceptar a graduação de 1470 mm da mira serão definidos os
pontos da curva de cota 11600 mm. Com a caracterização desta curava esta realizado o
trabalho de marcação de curvas sobre as quais serão construídas as marachas responsáveis
pelo controle da irrigação da cultura.
Outra aplicação desse método verifica-se no levantamento de curvas de nível para fins
de construção de terraços, estruturas mecânicas destinadas a impedir a formação de
enxurradas em terrenos declivosos. A enxurrada é resultante da movimentação acelerada de
grandes volumes de água sobre a superfície do terreno, sendo a determinante de uma das
formas mais intensas de erosão do solo, a hídrica.
Se os canais do terraços forem construídos em nível, a marcação das curvas sobre as
quais serão construídos obedece a mesma sistemática adotada no caso exemplificado
anteriormente.
Existem terraços, entretanto, que seu é construído com gradeante para haver um
escoamento mais rápido do excesso de água que se precipita sobre a área, exigindo um maior
cuidado do operador em marcar a curva.
No levantamento das mesmas podem ser usados gradeantes constantes, quando a
declividade da linha for uniforme, ou progressivos quando de cem em cem metros
acrescentamos ao declive um determinado percentual.
Para exemplificar a operação de marcação de curvas com gradeantes vamos citar o
levantamento de uma com 0,2% de declive. Na prática adota-se fazer o estaqueamento da
mesma com uma eqüidistância horizontal de 10 m. Portanto, para que sejam definidos tais
pontos, o operador deverá efetuar leitura sobre a mira que diferem de 20 mm abaixo do
anterior.

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Sendo o gradeante constante (0,2%), o intervalo entre pontos será o mesmo. Entretanto,
se o mesmo for progressivo, o operação se torna mais complexa. Por exemplo, se tivermo de
marcar uma com um gradeante progressivo de 0,1% a cada cem metros teríamos a seguinte
situação, expressa no quadro abaixo.

Leituras (mm) Hi Cota Distância


Pontos
R V (mm) (mm) (m)
1 1500 11500 10000 0
2 1520 9980 10
3 1540 9960 20
4 1560 9940 30
5 1580 9920 40
6 1600 9900 50
7 1620 9880 60
8 1640 9860 70
9 1660 9840 80
10 1680 9820 90
11 1700 9800 100
12 1730 9770 110
13 1760 9740 120

Sendo o espaçamento horizontal entre os pontos estaqueados 10 metros, nos 100


metros iniciais da curva haverá um desnível de 20 mm entre dois pontos consecutivos, já que o
gradeante é de 0,2%. De 100 a 200 m de curva haverá um acréscimo de 0,1% no valor do
gradeante, passando então para 0,3%. Portanto, os pontos da curva, eqüidistantes 10 m,
resultarão com um desnível de 30 mm. Assim teremos para cada cem metros de acréscimo na
distância horizontal um aumento de 10 mm no desnível entre cada um dos pontos que
materializam aquele trecho da curva.
Nesse tipo de curva o gradeante é progressivo até os primeiros 500 metros,
posteriormente ele passa ser constante.

9.11 – Método indireto ou por quadriculas

O nivelamento pelo método indireto consiste na determinação da cota de pontos


previamente materializados no terreno e, geralmente eqüidistantes, com a finalidade de obter-
se um plano cotado que servirá de base ao traçado das curvas de nível da superfície levantada.
No projeto de barragens, quando se deseja conhecer o relevo do terreno que ficará a
montante, ou seja, aquele que constitui a bacia hidrográfica, para fins de determinação de
volumes de água capaz de ser armazenado pelo maciço, aplica-se o nivelamento de superfície.
Também a obras de sistematização do terreno com fins agrícolas ou de construção civil, é
exigida a definição do relevo do terreno através da representação das suas curvas de nível,
para que seja possível determinar volumes de movimentação de terra.

- Metodologia de trabalho

A execução do nivelamento de superfície pode ser dividido em três partes distintas, as


duas primeiras constituem o serviço de campo a terceira o de escritório.

- Demarcação das quadrículas

O primeiro passo é definir a posição do eixo ou linha base de todo o nivelamento sobre a
superfície que será levantada. Escolhida a sua direção, instala-se o teodolito no extremo inicial
93

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da mesma e visa-se o outro extremo. Após, passa-se à materialização dos pontos eqüidistantes
sobre o mesmo, através da colocação de piquetas e estacas testemunha.
O espaçamento entre os pontos pode ser de 10 , 20 ou 50 metros dependendo
principalmente da declividade do terreno e, do intervalo vertical entre as curvas de nível que se
quer representar sobre o plano cotado.
Uma vez determinados os pontos que constituem o eixo, o goniômetro é instalado sobre
cada um deles, a fim de sejam levantadas linhas perpendiculares ao mesmo. Tais linhas, que
se posicionarão a direita e a esquerda do eixo, serão estaqueadas obedecendo a mesma
eqüidistância seguida no mesmo. Dessa forma, ter-se-á a superfície do terreno recoberta por
um conjunto de linhas paralelas e eqüidistantes, constituindo um grande número de quadriculas.
As estacas que identificam pontos do eixo são numeradas e, as que materializam pontos das
perpendiculares levantadas são identificadas índice do ponto do eixo, índice paralela ao eixo e
letra indica a sua posição em relação ao mesmo.
Exemplo: 1.2d – estaca dois situada a direita do eixo, sobre a perpendicular levantada
no ponto 1.

4 3 2 1 7 1 2 3

4 3 2 1 6 1 2 3

4 3 2 1 5 1 2 3

3 2 1 4 1 2 3

3 2 1 3 1 2 3

2 1 2 1 2 3

1.1e 1 1.1d 1.2d


Figura 96 – Representação do levantamento planimétrico de uma bacia hidrográfica.

Completada a marcação do spontos passa-se para a operação seguinte.

- Nivelamento dos pontos

Esta etapa consiste no nivelamento de todos os pontos que materializam os vértices das
quadrículas, para posterior determinação da cota de cada um deles. Havendo acidentes
naturais de importância ao levantamento devem ser nivelados os pontos de interseção entre o
terreno e o acidente considerado.
Os pontos que constituem o eixo devem ser contranivelados para assegurar a exatidão
do levantamento.
Para controle do nivelamento, deve-se deixar próximo ao local alguns RNs, as quais
servirão de apoio à implantação de futuras obras.
Na operação de nivelamento deve-se ter cuidado na identificação do ponto sobre o qual
está sendo procedida a leitura de mira, já que a comunicação entre o operador e o porta-mira
no campo não é uma tarefa muito simples. Via de regra, o porta-mira anota o símbolo que
identifica o ponto nivelado e o operador o número de ordem que corresponde àquela leitura.
Concluído o trabalho de campo passa-se ao escritório.

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- Representação gráfica e interpolação das curvas de nível

Com os elementos coletados no nivelamento calcula-se a cota de cada ponto. A partir


daí faz-se a representação sobre um plano topográfico, da superfície do terreno, usando-se
medidas lineares obtidas do levantamento planimétrico. Nessa planta aparecerão projetados os
pontos que representam os vértices das quadrículas.
Uma vez representados tais pontos sobre a folha de desenho, anota-se o valor
correspondente a sua cota determinando-se assim, o plano cotado da superfície nivelada.
Partindo-se do mesmo tem-se condições de obter o relevo da superfície pela
representação das curvas de nível desde que, determine-se graficamente a posição assumida
por cada curva sobre aquele plano.
Uma cura de nível é definida como sendo uma linha constituída de pontos de mesma
cota ou mesma altura acima ou abaixo de um plano de comparação. Logo, as curvas de nível
serão sempre contínuas, não podendo cruzar-se ou unir-se a outras curvas, a não ser em
situações especiais tais como, a existência de um sulco de erosão na superfície do terreno.
Antes de se iniciar o traçado das curvas de nível da superfície levantada é necessário
que se determine o “intervalo” ou distância vertical entre curvas, o qual deverá ser seguido na
elaboração da planta altimétrica.
A escolha do intervalo dependerá da consideração de alguns fatores, entre eles:
- a finalidade do levantamento;
- a declividade do terreno;
- a escala da planta.

Para exemplificar o traçado de curvas de nível vamos observar o plano cotado de uma
superfície, representado abaixo:

Intervalo vertical entre curvas = 1,0 m


Curva inicial = cota 5,0 m

O processo comumente empregado na determinação da posição da curva em relação ao


plano cotado é o das proporções aritméticas. Por esse procedimento, o posicionamento da
curva é calculado através da aplicação de uma regra de três simples.
Vejamos a locação da curva de cota 5,0 m no caso do exemplo dado.

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Inicialmente identifica-se os pontos do reticulado entre os quais a curva citada passará,
anotando-os numa planilha adequada, conforme apresentaremos a seguir.

Pontos do reticulado DN entre pontos Intervalo ponto a curva DH curva-ponto


1 – 1.1e 1,9 m 0,5 m 5,26 m
2 – 2.1e 1,9 m 0,7 m 7,37 m
3 – 3.1e 1,6 m 0,8 m 10,0 m
4 – 4.1e 1,0 m 0,6 m 12,0 m
5 – 5.1e 0,7 m 0,2 m 5,71 m
6 – 6.1e 1,4 m 0,3 m 4,28 m
6–7 0,8 m 0,3 m 7,5 m
6 – 6.1d 0,6 m 0,3 m 10,0 m
4 – 4.1d 1.1 m 0,6 m 10,9 m
3 – 3.1d 1,6 m 0,8 m 10,0 m
2 – 2.1d 1,8 m 0,7 m 7,77 m
1 – 1.1d 2,3 m 0,5 m 4,35 m

Constam ainda na planilha:

- diferença de nível entre os pontos do reticulado;


- intervalo ou distância vertical entre um dos pontos (geralmente o primeiro) e a
curva procurada;
- Distância horizontal que separa o ponto do reticulado e a curva.

A posição da curva dos 5,0 m entre os pontos 1 e 1.1e seria esquematicamente o


seguinte:

1.1e
6,4 DH entre pontos = 20,0 m

Posição da curva
1,9 DN entre pontos = 1,9 m

DN entre pontos = 0,5 m


4,5

20,0 m

A distância horizontal entre o ponto 1 e o ponto da curva dos 5,0 m que interseciona a
linha 1 – 1.1e será assim obtida:

0,5
DH = × 20 = 5,26m
1,9

Uma vez determinado o valor acima, toma-se um escalímetro e, segundo a escala da


planta, assinala-se sobre a reta 1 – 1.1e a distância que o ponto procurado esta do 1.
Dessa forma seriam determinada as diversas posições assumidas pela curva junto ao
reticulado. Posteriormente, unindo todos os pontos representados teríamos definida a curva
procurada.
No traçado das curvas de nível existem determinadas regras que deverão ser seguidas:

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- cada quinta curava é traçada uma linha contínua de maior espessura que as
demais;
- a cota de cada curva indica-se pelo seu valor correspondente inscrevendo-o
sobre a parte interrompida da mesma;
- quando a curva não se fecha nos limites do desenho, o valor de sua cota
deverá contar em ambos extremos;
- quando a curva atravessar uma região não levantada, deverá figurar por uma
linha interrompida ou não ser traçada.

9.12 – Erros nos levantamentos altimétricos

Os levantamentos altimétricos estão, a exemplo dos pplanimétricos, influenciados por


um conjunto de fatores que acarretarão a obtenção de valores que não correspondem à
realidade, determinando dessa forma, a ocorrência de erros, os quais poderão ou não, estar de
acordo com a tolerância permitida.
Tais fatores são devidos à três origens:

- instrumentais;
- naturais;
- pessoais.

- Erros instrumentais

Este tipo de erro provém de imperfeições do instrumento utilizado na operação de


nivelamento. Os erros mais comuns são devidos à desretificação do nível de luneta. Falta de
paralelismo entre os eixos de colimação da luneta e o nível tubular, determinando o chamado
erro de colimação, é o desvio que maior influência exerce sobre as leituras da mira. Os efeitos
desse erro podem ser anulados se o nivelamento dos pontos for realizado pelo método do
ponto médio.

- Erros naturais

Os desvios provocados por variações das condições ambientais, influência da curvatura


da Terra e refração atmosférica constituem os erros naturais, eles independem da ação do
homem.

- Erros pessoais

A inaptidão e os descuidos das pessoas encarregadas pela operação de nivelamento


geram esse tipo de erro. A calagem do aparelho, revisão da posição da bolha dos níveis,
focagem incorreta da objetiva, falta de critérios na anotação dos dados.

9.13 – Exercícios

1) Complete o levantamento topográfico realizado no sentido horário:(Valor: 2,0)


Ré Estação Vante Ai (m) FI FM FS Ang. Hoiriz. Ang. Vert. α S Dist. Horiz (m) Desnível (m) Desnivel (m)
1 P 2 1,5 1500 1732 1964 76°07'25" 85°13' DN1-2
2 P 3 1,5 1300 1368 1436 87°20'57" 88°45'18" DN2-3
3 P 4 1,5 1700 1917 2134 101°43'24" 91°55' DN3-4
4 P 5 1,5 1500 1756 2012 43°37'16" 90°34'11" DN4-5
5 P 1 1,5 1800 1989 2178 51°10'56" 87°23'43" DN5-1

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Determinações:
a) Preencher o quadro conforme os dados apresentados:
b) Esboce em escala E=1:50 o desenho da área.

2) Calcule o que se pede:


Desnível
Pt Ré Vante Hi Cotas Distância (m) (+) (-) Cotas de proj. Corte Aterro
1 1550 10550 9000 0
2 1750 20
3 1630 40
Pt3 1400
4 1200 50
5 1350 80
6 1100 110

a) Complete o quadro conforme os dados apresentados:


b) Represente o perfil do terreno em escala E=1:50
c) Plano de referencia na cota 9000
d) Gradiente de (- 0,3% ) a partir do ponto 1

3) Calcule e trace a mão livre as curvas de nível de cota 9,0; 10,0 e 11,0 pelo método das
quadriculas com os dados mostrados na área abaixo e diga se é uma depressão ou uma elevação:
Distância entre pontos = 30 m
1 2 3 4 5 6 7 8

1A 13,76 13,45 12,56 12,21 11,54 12,65 11,34 12,76

2A 13,97 11,98 11,78 10,34 10,32 10,46 10,36 12,52

3A 12,12 11,47 10,31 10,27 9,39 9,15 10,65 11,87

4A 11,69 10,67 10,48 8,53 7,27 9,55 10,53 11,45

5A 11,57 10,45 9,72 8,12 7,36 9,23 10,23 11,72

6A 12,23 10,31 9,34 9,89 9,88 9,57 10,12 12,35

7A 11,98 10,89 10,87 10,65 10,29 10,36 11,27 13,78

8A 12,11 11,87 11,92 12,56 11,45 12,51 12,35 13,63

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Pontos D DNPC DNPP DH

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