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DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – prova discursiva 2013

DIREITO PROCESSUAL PENAL


Prof.: Ana Cristina Mendonça

Aula 5

Caso 1

Luiz Cristiano, 27 anos, brasileiro, solteiro, traficante de drogas, residente em Curitiba, era conhecido
como o maior fornecedor de cocaína da cidade, com diversos pontos de drogas espalhados pelos bairros
dos municípios. Ocorre que, com a chegada de dois novos concorrentes, pertencentes a distintas facções
delituosos, Luiz viu necessidade de amparar se “negócio”, captando policiais de batalhões de polícia,
oferecendo-lhes pagamento mensal para a garantir seus pontos de venda, através de uma ação
ostensiva contra novos grupos que se formavam.

Ocorre que policiais da 3ª Delegacia de Polícia, a paisana, ouviram sobre o fato, comunicando, a
autoridade policial local que, prontamente, em caráter sigiloso, instaurou o competente inquérito
policial para investigar os policiais militares envolvidos.

Foram até o momento indiciado de forma indireta 7 (sete) policiais militares, cujos dados, inclusive
telefônicos, se encontram nos autos do presente Inquérito Policial.

Mas evidencia-se a participação de diversos outros membros da quadrilha chefiada por Luiz Cristiano.
Ocorre que o Inquérito chegou a um ponto em que são necessárias medidas de investigação mais
extrema.

Na qualidade de Delegado de Polícia, e sabendo que não há, por ora, outras diligências ordinárias
possíveis no sentido de investigar a participação dos policiais na quadrilha de Luiz Cristiano no tráfico de
drogas, que medida adotaria para garantir o prosseguimento das investigações? Elabora peça processual
cabível.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL
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REPRESENTAÇÃO POR INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE


CURITIBA-PR

Inquérito n. __________

O DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL que esta subscreve, no uso de suas atribuições legais perante a 3ª.
DELEGACIA DE POLÍCIA, e na presidência do Inquérito supra referenciado, vem à presença de V. Exa.
representar pela INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA dos IMEI nos. ___________________, pertencentes aos
indiciados _______________, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:

1. DA SINOPSE DOS FATOS

Os presentes autos de Inquérito Policial apuram os delitos de quadrilha, tráfico de drogas e


corrupção ativa e passiva de forma contínua supostamente desde a data de __/__/__.

Luiz Cristiano, 27 anos, brasileiro, solteiro, e conhecido traficante de drogas, desta cidade, com diversos
pontos de droga espalhados pelos diversos bairros do munícipio. Ocorre que, com a chegada de dois
novos concorrentes, pertencentes a distintas facções delituosas, Luiz captou policiais de batalhões de
polícia, oferecendo-lhes pagamento mensal para garantir seus pontos de venda, através de uma ação ostensiva
contra os novos grupos que se formam.

Ocorre que policiais civis desta 3ª. Delegacia de Polícia, à paisana, ouviram sobre o fato, comunicando
esta autoridade policial local que, prontamente, em caráter sigiloso, instaurou o presente inquérito
policial para investigar os policiais militares envolvidos.

Foram até o momento indiciados de forma indireta 7 (sete) policiais militares, cujos dados, inclusive
telefônicos, se encontram nos autos do presente inquérito policial.

Mas evidencia-se a participação de diversos outros membros da quadrilha chefiada por Luiz Cristiano.
Ocorre que o inquérito chegou a um ponto em que são necessárias medidas de investigação mais

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extremas.

Esgotadas as vias ordinárias, no momento, não vislumbra esta autoridade policial outra forma de se
avançar com as investigações a não ser com a interceptação do telefone dos sete policiais até então
indiciados, através dos números _______________________________. Demonstra-se, portanto,
necessária a utilização desta medida ostensiva.

2. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

A Constituição Federal de 1988 assegura a regra da inviolabilidade do sigilo das comunicações


telefônicas, erigindo-a a categoria de garantia individual, prevista no artigo 5º, inciso XI, admitindo, de
forma excepcional, a sua flexibilidade, nas hipóteses que tiverem por fim investigação criminal ou
instrução processual penal.

Tal mandamento constitucional foi regulamentado pela Lei nº 9.296/96, estabelecendo o art. 4º que “o
pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que a sua realização é
necessária à apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem empregados”, sem prejuízo
da análise dos demais requisitos contidos no art. 2º, incisos I, II e III, parágrafo único, do mencionado
diploma normativo.

Na hipótese sob exame, as diligências policiais ordinárias até aqui realizadas não lograram êxito na
identificação dos infratores, especialmente pelo fato de que o crime foi cometido de forma clandestina,
sem que outras testemunhas tivessem presenciado o fato ocorrido.

Assim, torna-se necessário adotar a medida excepcional de interceptação das comunicações telefônicas
originada dos mencionados IMEIs, como medida para possibilitar a identificação dos envolvidos, seu
regular indiciamento e finalização das investigações.

No caso, a presente representação atende aos requisitos da Lei n. 9.296/96, os crimes objetos desta
investigação são punidos com reclusão, e especialmente porque que a sua realização demonstra-se
imprescindível à continuidade e sucesso das investigações.

Com efeito, o sucesso da investigação policial depende do deferimento da presente representação,


sendo no momento o único meio de prova ainda disponível para o esclarecimento da autoria delitiva.

Estão sobejamente demonstrados no caso, ainda, contundentes indícios de autoria e materialidade


relativos à infração penal, os quais são fundamento suficiente ao deferimento da cautelar pleiteada.

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III – DO PEDIDO

Diante do exposto, o DELEGADO que ora subscreve REPRESENTA pela DECRETAÇÃO DA INTERCEPTAÇÃO
TELEFÔNICA dos IMEI n. ______________________, para que, após oitiva do Ministério Público, em
caráter de urgência, sejam procedidas às devidas diligências no sentido de oficiar as operadoras de
telefonia celular, com fins de que sejam interceptados os telefones indicados pelo prazo de 15 dias, que
permanecerá sob responsabilidade direta desta autoridade policial.

Indica ainda que, uma vez deferida a presente representação, faz-se necessário:

1. correr a interceptação em autos apartados para resguardar o sigilo das investigações, conforme
determina o art. 8º da Lei 9.296/96;

2. constar no respectivo mandado judicial o nome completo, matrícula funcional, RG, CPF e endereço de
lotação desta autoridade policial (dados abaixo indicados) como responsável pela investigação, no
intuito de dar celeridade ao cumprimento das requisições judiciais junto às operadoras telefônicas.

Nestes termos, pede deferimento.

Local, data.

DELEGADO DE POLÍCIA

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