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ORÇAMENTO

EMPRESARIAL

Walter Alves de
Sousa Júnior
© SAGAH EDUCAÇÃO S.A., 2016

Colaboraram nesta edição:


Coordenador técnico: Pablo Rojas
Capa e projeto gráfico: Equipe SAGAH
Imagem da capa: Shutterstock
Editoração: Renata Goulart

Reservados todos os direitos de publicação à


SAGAH EDUCAÇÃO S.A., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A
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formas ou por quaisquer meios (eletrônicos, mecânicos, gravação, fotocópia,
distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da empresa.

S719o Sousa Júnior, Walter Alves de.


Orçamento empresarial [recurso eletrônico] / Walter Alves de Sousa Júnior;
coordenação: Pablo Rojas. – Porto Alegre : SAGAH, 2016.

Editado como livro impresso em 2016.

ISBN 978-85-69726-10-4

1. Contabilidade. 2. Orçamento - Empresas. I. Título.

CDU 657

Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094


INTRODUÇÃO

Nesta unidade estudaremos o modelo de orçamento chamado Orçamento


Base Zero. Trata-se de mais uma ferramenta de gestão empresarial calcada
na elaboração de Orçamentos.

Existem outras técnicas e tipos de Orçamentos que veremos adiante, porém;


para efeito de comparação e avaliação trabalharemos nesta unidade partindo
de uma análise comparativa entre os modelos: Orçamento com Base Histórica
- (OBH), e Orçamento Base Zero - (OBZ).

Quando comparamos o Orçamento Base Zero e o Orçamento com Base


Histórica, constatamos sem maior dificuldade que é muito mais rápido, menos
trabalhoso e muito mais confortável elaborar o Orçamento Base Histórica.

Contudo, esta mesma análise indicará que o Orçamento com Base Histórica
(OBH), não se ajusta mais ao contexto econômico e às necessidades cada vez
maiores de gestão corporativa comprometida com resultados. Essa conclusão
é resultante de vários fatores, mas principalmente; devido à volatilidade dos
mercados, às constantes mudanças no quadro econômico mundial, aumento
acentuado da concorrência, e nível cada vez mais acessível de competitividade
entre as corporações.

Esse conjunto de fatores obriga as empresas a empreenderem um estilo


de gestão que atenda a necessidade de responder rapidamente e de forma
correta as alterações do mercado, no objetivo de possibilitar que a empresa
atinja seus resultados.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Ao final da unidade você deverá ser capaz de:

• Identificar a diferença entre o Orçamento com Base Histórica e o Orçamento


com Base Zero;
• Reconhecer a importância em trabalhar com ferramentas Orçamentárias de
características flexíveis.

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O ORÇAMENTO COM BASE ZERO

De acordo com (PYHRR, 1970) o conceito do Orçamento com Base Zero, foi
utilizado inicialmente em 1961 pelo governo dos Estados Unidos. A primeira
empresa privada a adotar este tipo de Orçamento como elemento de gestão
empresarial foi a Texas Instruments em 1970.

Até o final dos anos 1970 um grande número de corporações como: Magnovox,
Xerox e United California Bank, já havia lançado mão desta ferramenta para a
elaboração de suas peças Orçamentárias. Esta modalidade de orçamento
surgiu como uma alternativa em relação ao modelo de Orçamento de Tendência.

Como vimos anteriormente, o Orçamento com Base Histórica, não atende a


necessidade dos gestores atualmente.

Dentre as empresas brasileiras que se utilizam do Orçamento Base Zero


como ferramenta de gestão bem como para divulgar os seus relatórios
Administrativos ao final de cada exercício fiscal, destacamos a AMBEV,
Perdigão e Grupo Pão de Açúcar.

Conforme Pyhrr (1981), o aparecimento do Orçamento Base Zero foi motivado


em virtude de três problemas muito comuns no Orçamento de Tendências ou
com base histórica:
1. Os objetivos e as metas previstas não refletiam a realidade quando
avaliadas comparativamente com os valores anteriormente orçados,
provocando distorções importantes;
2. As quantidades de produção necessárias eram prejudicadas devido à falta
de decisões operacionais não tomadas;
3. As mudanças de responsabilidade, e no volume da carga de atividades, não
eram rigorosamente distribuídas na peça Orçamentária.

O Orçamento Base Zero exclui definitivamente o posicionamento tradicional


de orçamento que considera os fatos anteriores na elaboração das projeções
futuras. Nesta modalidade de Orçamento, estes fatos podem levar a
distorções e tornar as projeções ineficientes.

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Assim, no Orçamento Base Zero as projeções orçamentárias são efetuadas
como se as operações da empresa estivessem começando. Isso possibilita
aos gerentes reverem as operações desde o ponto inicial e justificar cada
valor monetário a ser investido conforme as metas da empresa.

Metodologia do Orçamento Base Zero

O Orçamento Base Zero se constitui como uma ferramenta de gestão e de


elaboração do plano Orçamentário, onde o fluxo de informações que servirão
de base para a construção do Orçamento, parte dos níveis hierárquicos
inferiores da organização até os níveis mais elevados onde atuam os
responsáveis pelo planejamento e estruturação da peça Orçamentária.

Este fluxo é contínuo e contém informações e sugestões que permitirão aos


gestores:
1. Avaliar as reais necessidades operacionais dos setores respectivamente;
2. Tomar decisões de menor grandeza, estabelecerem e recomendarem ações
alternativas para a alocação dos recursos;
3. Aperfeiçoar as decisões sobre políticas e objetivos a serem alcançados;
4. Ratificar e ou estabelecer novos cursos de ação para as áreas de produção
e estratégicas da empresa;
5. Alocar os recursos necessários para a execução dos planos e atividades da
corporação.

Conforme Dudick (1978), o Orçamento Base Zero é uma atividade na qual


anualmente o corpo gerencial tem a responsabilidade de apresentar e
justificar detalhadamente os seus gastos e não somente os aumentos dos
gastos ocorridos no exercício precedente, conforme normalmente acontece
quando trabalhamos com o Orçamento Clássico.

Esta importante característica operacional do Orçamento Base Zero,


possibilita aos gestores explorar de forma muito bem estruturada e
detalhada, todos os departamentos da organização no objetivo de identificar
e empreender ações para redução de custos em todos os setores em que se
verificar a possibilidade e necessidade destas ações.

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Gomes (2000) afirma que o Orçamento Base Zero derruba a falsa proteção
ou segurança dos gestores, na medida em que propicia a identificação exata
dos resultados que cada setor e atividade da empresa. Além disso, possibilita
checar se operacionalmente as ações estão sendo bem executadas, levando
a empresa a atingir os resultados esperados.

As principais características do Orçamento Base Zero

Além de ser uma ferramenta de gestão eficiente e bem alinhada para o


atendimento das necessidades das empresas no cenário atual, o Orçamento
Base Zero possui outras importantes características que o destacam dentre
as demais metodologias Orçamentárias como:
1. A análise entre o custo x benefício de todas as atividades, processos e
projetos, em andamento na empresa, partindo do ponto zero;
2. Manter o foco nos objetivos e nas metas das unidades de negócios cujos
recursos serão o resultado da direção e das ações planejadas;
3. Garantir a correção na distribuição dos recursos baseados no foco do
negócio, nem como nas atividades chave para o negócio;
4. Aprovação dos níveis de investimento, imediatamente após o planejamento
baseado em critérios anteriormente definidos;
5. Implantar e promover o desenvolvimento participativo, ampliando ao
máximo a comunicação entre os setores da organização;
6. Conceder os subsídios necessários para o processo decisório.

O Orçamento Base Zero exige que os gestores analisem e façam as reavaliações


a serem orçadas, desconsiderando os históricos anteriores e assumindo
a responsabilidade de apresentar detalhadamente as justificativas para a
liberação e uso dos recursos. Em contrapartida, a liberação dos recursos só
deve ser efetuada considerando o custo x benefício ou a análise da evolução
dos eventos.

Outra virtude do Orçamento Base Zero, é que essa ferramenta de


planejamento Orçamentário rediscute toda a corporação a cada vez que o
orçamento é elaborado.

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Essa prática de gestão permite que o administrador questione todos os gastos
bem como a estrutura, no objetivo de verificar as reais necessidades empresa.

Padoveze (2005), afirma que o conceito de orçamento Base Zero pode


ser considerado o precursor de outra tecnologia de gestão denominada
Reengenharia. Da mesma forma que o Orçamento Base Zero revê todos os
gastos, a Reengenharia enquanto tecnologia de gestão também rediscute a
corporação partindo de uma análise dos processos e de sua real necessidade
nas empresas.

Os principais objetivos do Orçamento Base Zero

Dentre muitas outras possibilidades, o Orçamento Base Zero apresenta os


seguintes objetivos:
1. Propicia economia significativa no orçamento;
2. Possibilita a geração de informações em quantidade e qualidade para os
gestores em todos os níveis da empresa;
3. Promove a melhoria constante nos processos de tomada de decisões
políticas e administrativas;
4. Aumenta o quadro de colaboradores participantes no processo
orçamentário;
5. Amplia o processo de comunicação entre as diversas áreas da empresa;
6. Analisa e identifica os programas e atividades importantes e seus custos
decorrentes;
7. Compara os resultados entre os vários programas da organização,
salientando que os novos programas competem com os programas mais
antigos no que se refere à obtenção de recursos;
8. Elabora pesquisas, identifica e exclui os programas inativos, obsoletos ou
de pouca eficiência;
9. Reduz ou elimina as atividades em duplicidade. Essas ações permitem
inclusive a redistribuição ou a dispensa dos colaboradores em função de
pouca atividade nos respectivos departamentos.

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Como toda e qualquer ferramenta de gestão, o Orçamento Base Zero
também apresenta algumas limitações que se forem bem administradas não
comprometerão sua implantação na organização.

Dentre essas limitações, destacamos a seguir aquelas que merecem maior


destaque:
a) A aplicabilidade desta modalidade está limitada à área de apoio e serviços;
b) Os Administradores eventualmente prejudicados pelo Orçamento Base
Zero podem procurar prejudicar o processo;
c) Objetivos diversos podem resultar em decisões erradas.

REFERÊNCIAS

DUDICK, T. S. Zero-Base Budgeting in Industry. Management Accounting, v.59,


n. 11, 1978.

GOMES, R. C. V. O Orçamento Base Zero Como Técnica de Planejamento


Financeiro. Taubaté: UNITAU, 2000.

PADOVEZE, C. L. Planejamento orçamentário. São Paulo: Thomson, 2005.

PYHRR, P. A. Orçamento base zero, um instrumento administrativo prático


para avaliação de despesas. São Paulo: Editora Interciência, 1981.

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