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Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício


ISSN 1981-9900 versão eletrônica
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ESTRATÉGIAS NUTRICIONAIS DE ATLETAS FISICULTURISTAS VEGANOS: SÉRIE DE CASOS

Orence Ian Finagnon Couthon1, Gabriela Datsch Bennemann1


Marcela Komechen Brecailo1, Caryna Eurich Mazur1
Dalton Luiz Schiessel1

RESUMO ABSTRACT

O objetivo deste estudo foi identificar práticas Nutritional strategies of vegan fisiculturist
alimentares e estratégias nutricionais athletes: cases series
associadas aos períodos de pré-competição e
intervalo entres estas (off season) por atletas The objective of this study was to identify
fisiculturistas veganos. Estudo transversal, do dietary practices and nutritional strategies
tipo série de casos, com avaliação de seis associated with pre-competition periods and
atletas de ambos os sexos e de diferentes intervals (off season) by vegan bodybuilders.
cidades brasileiras, por meio da aplicação de Cross – sectional and case series study, with
um questionário adaptado, disponibilizado the evaluation of six athletes of both sexes and
online, para investigação de hábitos of different Brazilian cities, through the
relacionados à dieta, suplementação e treinos. application of an adapted questionnaire,
A avaliação do estado nutricional por meio do available online, to investigate habits related to
parâmetro de gordura corporal era diet, supplementation and training. The
considerada saudável para todos os evaluation of the nutritional status by means of
participantes nos períodos off season, the body fat parameter was considered healthy
entretanto era alterado para proporções for all the participants in the off season
consideradas de baixo peso e subnutrição nos periods, however it was changed to
períodos que se aproximavam das proportions considered underweight and
competições. Observou-se maior consumo de malnutrition in the periods that approached the
alimentos in natura e minimamente competitions. It was observed a higher
processados, com baixo consumo de produtos consumption of fresh and processed foods,
industrializados e com elevada densidade with low consumption of industrialized products
energética, porém os atletas tinham elevado and high energy density, but athletes had high
consumo e gastos mensais com suplementos consumption and monthly expenses with food
alimentares, além da maioria fazer uso de supplements, in addition to the majority to
esteroides androgênios anabolizantes no make use of anabolic steroids androgens near
período próximo das competições. Concluiu-se of the competitions period. It was concluded
que o veganismo viabiliza a prática do that veganism allows the practice of
fisiculturismo, e que embora as características bodybuilding, and that although the
da dieta destes atletas bem como sua characteristics of the diet of these athletes as
suplementação apresentem diversas well as their supplementation present several
particularidades, os resultados de composição particularities, the results of body composition
corporal e performance são semelhantes and performance are similar to those obtained
àqueles obtidos por atletas onívoros. by omnivorous athletes.

Palavras-chave: Estado nutricional. Key words: Nutritional status. Nutrition.


Estratégias. Nutrição. Vegetarianismo. Strategies. Vegetarianism.

1-Curso de Nutrição da Universidade Estadual


do Centro Oeste do Paraná-UNICENTRO,
Guarapuava, Paraná, Brasil. Autor para correspondência:
Gabriela Datsch Bennemann
E-mail dos autores: Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03.
iancouth@hotmail.fr Vila Carli, Guarapuava, Paraná, Brasil,
gabibennemann@gmail.com Universidade Estadual do Centro-Oeste.
marbrecailo@gmail.com Departamento de Nutrição.
carynanutriconista@gmail.com CEP: 85040-080.
daltonls68@gmail.com

Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.13. n.87. p.1171-1182. Suplementar 1. 2019. ISSN
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INTRODUÇÃO nutricionais que podem ser atendidas por


suplementos.
Dietas vegetarianas têm sido adotadas A ingestão proteica, cálcio e ferro;
por inúmeros motivos, como saúde, deficiências podem se manifestar por serem
sustentabilidade e princípios éticos (Lynch, fornecidas em maior proporção pelos
Wharton e Johnston, 2016). alimentos de origem animal enquanto a
Segundo a Sociedade Vegetariana vitamina B12 pode ser fornecida por
Brasileira (SVB), o vegetarianismo é a dieta suplementação (Sociedade Vegetariana
que exclui produtos de origem animal, Brasileira, 2017).
costuma ser classificado da seguinte forma: Para ser nutricionalmente adequada
Ovolactovegetarianismo (utiliza ovos, leite e às várias fases do ciclo de vida, grau de
lacticínios na sua alimentação); atividade física e comorbidades presentes,
Lactovegetarianismo (utiliza leite e laticínios na esta dieta deverá fornecer o valor energético
sua alimentação); Ovovegetarianismo (utiliza dos alimentos, os macronutrientes e os
ovos na sua alimentação); Vegetarianismo micronutrientes - vitaminas, minerais e
estrito ou veganismo (não utiliza nenhum oligoelementos, presentes, bem como a sua
produto de origem animal na sua alimentação, biodisponibilidade (Silva e colaboradores,
além de seguir um princípio filosófico de não 2015).
exploração animal em diversos sentidos) Sabe-se que a dieta vegetariana pode
(Sociedade Vegetariana Brasileira, 2017). ser seguida por praticantes de modalidades
Os inúmeros benefícios à saúde esportivas, mesmo aqueles que praticam
humana, documentados pela literatura esportes de alto rendimento (Lynch, Wharton e
atribuídos ao consumo predominante de Johnston, 2016).
alimentos vegetais (plant-based diets), como Assim a partir de um planejamento
hortaliças, frutas e grãos, e a exclusão de nutricional com adequação dos nutrientes,
carnes, vão desde a prevenção contra o estes atletas não apresentam
desenvolvimento de diversas doenças comprometimento na performance (Borrione e
crônicas, demonstrado pela menor prevalência colaboradores, 2009; American Dietetic
de Noncommunicable Diseases (NCDs) Association, Dietetians of Canada, 2009).
(Catsburg e colaboradores, 2015; O termo fisiculturista é utilizado para
Tantamango-Bartley, e colaboradores, 2016; designar os praticantes de exercícios físicos
Olrich e colaboradores, 2015) em indivíduos com pesos, que visam a modelagem do corpo
que priorizam este estilo de dieta (Nicklett e por meio do desenvolvimento de massa
Kadell, 2013; Olrich e Fraser, 2014; Barnard e muscular (body-building) (Iriart e Andrade,
colaboradores, 2015; Joel e colaboradores, 2002).
2016; Lynch, Wharton e Johnston, 2016) A maioria dos fisiculturistas tem como
Em relação às variáveis objetivo o ganho de massa muscular, a
antropométricas, estudos apresentam dados diminuição da gordura corporal, a definição da
referentes ao Índice de Massa Corporal (IMC) musculatura. Para uma competição de
e circunferência da cintura, frequentemente fisiculturismo, os atletas costumam se preparar
menores nos praticantes de dietas em dois períodos: off season (fora de época
vegetarianas quando comparados à grupos ou intervalos entre competição) e on season
que incluem carne em sua rotina (Alewaeters e ou pré contest (período próximo à
colaboradores, 2005; Chiu e colaboradores competição). No período off season, o atleta
2015; Barnard e colaboradores, 2015). procura uma hipertrofia muscular enquanto no
Estudo de coorte realizado no Reino período pré-competição, ele adota práticas de
Unido, comparou variáveis de composição restrições energéticas (cutting) que tem como
corporal entre vegetarianos e não objetivo evidenciar a definição muscular
vegetarianos, o grupo que segue dieta com obtida.
exclusão de carne apresentou menor Em ambas as fases os treinamentos
proporção de gordura corporal e não houve são intensos e ocorrem com levantamento de
diferença significante entre a proporção de peso, porém à medida que se diminui a
massa magra para os grupos (Tong e demanda calórica, tem-se um cuidado maior
colaboradores, 2018). para não haver perda de massa muscular
Embora, devido à restrição de alguns (Cyrino e colaboradores, 2008).
alimentos na dieta vegetariana, surgem-se a No geral pode se afirmar que os
ocorrência de possíveis deficiências fisiculturistas almejam um aumento no volume

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e definição muscular, e de força, classificado de acordo com os parâmetros de


consequentemente alguns adotam a dieta Lohman (1992) adaptados.
vegetariana devido a seus diversos benefícios Por meio de um Questionário de
para a saúde e performance. Frequência Alimentar (QFA) do tipo qualitativo
A dieta vegetariana junto com um foram destacados os alimentos mais
treinamento de força pode induzir uma frequentemente consumidos bem como foram
hipertrofia muscular e perda de massa gorda investigadas as principais estratégias
uma vez que seja equilibrada fornecendo nutricionais e ergogênicas utilizadas em
fontes adequadas tanto energéticas e períodos de pré-competição e intervalo entre
proteicas visto que ela também apresenta estas (off season).
níveis adequados de gorduras e carboidratos Esta pesquisa foi aprovada pelo
quando comparadas a uma dieta a base de Comitê de Ética em Pesquisa em Seres
produtos de origem animal (Peruffo, 2015). Humanos da Universidade Estadual do
Com bases nessas informações, o Centro-Oeste do Paraná sob o parecer n.
objetivo do presente estudo foi identificar 2.512.942/2018 seguindo todos os princípios
práticas alimentares e estratégias nutricionais da resolução 466/12 do Ministério da Saúde.
associadas aos períodos de pré-competição e Todos os participantes concordaram
intervalo entre estas (off season) por atletas com a participação no estudo aceitando as
fisiculturistas que seguem as práticas condições propostas no Termo de
alimentares veganas. Consentimento Livre (TCLE) apresentadas
previamente ao questionário.
MATERIAIS E MÉTODOS Os dados foram analisados de forma
descritiva com auxílio do software Microsoft
Trata se de um estudo transversal, do Excel.
tipo série de casos, cujos participantes
convidados foram atletas fisiculturistas de RESULTADOS
ambos os sexos (masculino e feminino) com
idade superior a 18 anos e veganos, que A amostra foi constituída por
passaram por alguma competição no ano de participantes, de ambos os sexos obtendo
2018. retorno de seis pessoas sendo 83,3% homens
O recrutamento ocorreu pela (n= 5) e uma mulher, cuja idade variou de 26 a
metodologia bola de neve, onde o primeiro 34 anos com uma média de 31 ± 2,83 anos.
participante indicou nomes que se Dentre eles, cinco atletas aderiram ao
enquadraram nos critérios descritos, e estes veganismo há no mínimo dois anos e os
foram convidados a fazer o mesmo, principais motivos citados foram: “compaixão”,
totalizando 25 convites. Considerando aqueles “saúde”, “sustentabilidade”, “proteção ao meio
que se encaixavam nos critérios de inclusão e ambiente”, “saúde”, “consciência ambiental e
que retornaram o questionário preenchido proteção animal”. Um participante aderiu ao
adequadamente, a amostra final foi constituída veganismo há mais de 10 anos movido pela
por seis atletas. ética animal (Tabela 1).
O estudo foi conduzido com auxílio de Em relação ao treinamento dos
um questionário adaptado e disponibilizado participantes, percebe-se que um dos atletas
online por se tratar de atletas de diversas praticava o veganismo há mais de 10 anos
cidades brasileiras. enquanto 83,33% (n=5) praticam há menos de
O questionário era constituído de cinco anos.
informações referentes ao regime alimentar Em relação à frequência de treinos,
seguido pelos participantes bem como sua 50% (n=3) dos participantes treinam uma vez
rotina de treino. Dados antropométricos (peso no dia ao mesmo tempo que os demais 50%
e estatura) e de composição corporal foram (n=3) treinam mais de duas vezes por dia,
relatados pelos participantes de acordo com ambos com treinos semanais superior ou igual
suas avaliações recentes realizadas por a quatro dias na semana (Tabela 2).
educador físico ou nutricionista. No que diz respeito ao IMC dos
O IMC foi calculado a partir da razão participantes, percebe-se que 50% (n=3) dos
entre o peso (kg) e a estatura (m2) e participantes apresentavam eutrofia, 16,67%
classificado pela World Health Organization (n=1) sobrepeso e 33,33% (n=2) obesidade
(WHO 1995) e o percentual de gordura foi grau I com uma média total de 26,61 ± 3,57
kg/m2.

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Quando avaliado o percentual de ideal e uma média total de 6 ± 0,03% (Tabela


gordura corporal (% GC) no período off 3).
season, 16,67% (n=1) apresentavam baixo Analisando o consumo diário alimentar
peso, 33,33% (n=2) saudável e 50% (n=3) dos participantes, observa-se um consumo
ideal e uma média total de 12 ± 0,04%. diário de alimentos ricos em proteínas,
Já o % GC no momento on season carboidratos, ferro, cálcio, fibras e outros
apresenta 16,66% (n=1) com desnutrição, minerais e um baixo consumo de alimentos
66,67% (n=4) com baixo peso, 16,67% (n=1) fontes de lipídios por grande parte deles
(Tabela 4).

Tabela 1 - Perfil dos atletas fisiculturistas veganos.


Tempo de aderência
Caso Idade Gênero Cidade Motivo da mudança alimentar
ao veganismo
1 34 M São Bernardo do Campo 2 a 5 anos Compaixão, Saúde, Sustentabilidade
2 31 M Salvador Mais de 10 anos Ética animal
3 30 M Florianópolis 2 a 5 anos Proteção ao meio ambiente
4 32 F São Paulo 2 a 5 anos Proteção ao meio ambiente
5 33 M Rio de janeiro 2 a 5 anos Saúde
6 26 M Santo André/SP 2 a 5 anos Consciência ambiental e proteção animal
Legenda: M: Masculino; F: Feminino.

Tabela 2 - Dados relacionados ao treinamento de fisiculturistas veganos.


Nᵒ de dias de Tempo de uma
Tempo de prática do Período em que Nᵒ de treinos
Caso treinos sessão de
fisiculturismo treina diários
semanais treinamento
1 3 a 4 anos Noite 6 1 2 a 3 horas
Manhã, Tarde,
2 3 a 4 anos 7 3 Até 1 hora
Noite
3 1 a 2 anos Manhã, tarde 7 2 1 a 2 horas
4 12 anos Manhã 4 1 Até 1 hora
Manhã, Tarde,
5 1 a 2 anos 6 2 1 a 2 horas
Noite
6 8 anos Noite 6 1 1 a 2 horas

Tabela 3 - Parâmetros nutricionais de atletas fisiculturistas veganos em períodos off e on season.


IMC Classificação % GC off Classificação % % GC on Classificação %
Caso
(kg/m2) IMC* season GC off season** season GC on season**
1 23,3 Eutrofia 7% Baixo peso 7% Baixo peso
2 31,5 Obesidade grau I 17% Saudável 5% Baixo peso
3 26,5 Pré-obeso 13% Ideal 6% Baixo peso
4 23,2 Eutrofia 16% Saudável 11% Ideal
5 24,8 Eutrofia 9% Ideal 5% Baixo peso
6 30,3 Obesidade grau I 8% Ideal 4% Desnutrição
*OMS, 1995. **adaptado Lohman, 1992.

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Tabela 4 - Alimentos consumidos diariamente por atletas fisiculturistas veganos.


Alimentos diários n Alimentos diários n
Pão integral 1 Soja 3
Flocos de cerais 2 Lentilhas 3
Arroz (branco, integral) 5 Frutos silvestres (framboesa, morango, amora) 3
Quinoa 3 Banana, laranja 4
Aveia 5 Maçã, pera 2
Batatas cozidas, assadas 4 Uvas frescas 1
Salada de legumes cozidos 6 Frutos secos: amêndoas, avelãs, amendoins, nozes 5
Legumes refogados 6 Melão, melancia 2
Feijão 4 Kiwi, mamão, manga 3
Grão de bico 4 Suco de frutas 1
Frituras de imersão 0 Óleos (Milho, girassol, soja) 1
Azeite 5 Margarina 1
Manteiga 0 Banha 0
Oleaginosas 5 Refrigerantes 2
Suco natural 2 Suco artificial 1
Café 3 Guloseimas 0
Mel 0 Croissant, pastéis ou bolos caseiros 0
Bolachas industrializadas tipo maria, água e sal ou integrais 1

Tabela 5 - Estratégias nutricionais utilizadas em período off e on season por atletas fisiculturistas.
Período - Competição Compra do Sintomas apresentados durante
Caso Período - Treinamento (suplemento)
(suplemento) suplemento treinamento ou competição
Pré-treino (Proteína isolada de arroz, proteína Pré-competição (Proteína isolada
1 Fabricante Nenhum
isolada de ervilha, termogênicos) de arroz e ervilha, termogênicos)
Pré-treino (BCAA 10:1:1, termogênicos), Durante Pré-competição (Carboidrato em
Via internet,
(Palatinose, BCAA 10:1:1, termogênicos), gel (sache), Sede intensa, câimbra,
2 lojas
Pós-treino (BCAA 10:1:1, proteína isolada de Pós-competição (Proteína isolada dor de cabeça, sonolência
especializadas
arroz e de ervilha, ômega 3 vegan) de arroz)
Pré-treino (BCAA 5:1:1, proteína isolada de arroz,
Pré-competição (BCAA 5:1:1,
termogênicos), Câimbra, desmaios, aceleração
3 proteína isolada de arroz, creatina, Via internet
Pós-treino (BCAA 5:1:1, proteína isolada de dos batimentos cardíacos
termogênicos)
arroz, creatina)
Pré-treino (Palatinose, creatina, termogênicos), Pré-competição (Termogênicos), Sede intensa, câimbra,
Lojas
4 Pós-treino (Proteína isolada de arroz e de ervilha, Pós-competição (Proteína isolada dor de cabeça
especializadas
creatina) de ervilha)
Pré-treino (Proteína isolada de ervilha, creatina, Pré-competição (Creatina, ômega Aceleração dos batimentos
5 Via internet
ômega 3 vegan, termogênicos) 3 obtido de algas, ômega 3 vegan) cardíacos
Pré-treino (BCAA 10:1:1, proteína isolada de Sede muito intensa, câimbra, dor
Via internet,
arroz e de ervilha, creatina), de cabeça, fadiga generalizada,
6 - Lojas
Durante (BCAA 10:1:1), Pós-treino (BCAA 10:1:1, aceleração dos batimentos
especializadas
proteína isolada de arroz e de ervilha, creatina) cardíacos, sonolência
Legenda: BCAA: Branched Chain Aminoacids.

Quanto ao uso de suplementos no profissionais de saúde enquanto um dos


treino e na competição, observa-se um grande atletas por jornais.
consumo de proteínas vegetais na maioria dos Quando questionados em relação ao
participantes antes e depois do treino seguido uso de recursos ergogênicos do tipo
de um consumo de termogênicos e ômega 3. hormonais, 33,33% (n=2) dos atletas não
O uso do suplemento creatina é fazem uso de esteroides androgênios
referido por 55,67% (n=4) atletas. anabolizantes nos períodos que caracterizam
Em relação aos suplementos o preparo para a competição enquanto 66,67%
adquiridos, um participante adquiria os (n=4) fazem uso.
suplementos no fabricante, enquanto 83,33% Sobre o gasto mensal, um dos atletas
(n=5) adquiram via internet e em lojas tem apoio e não gasta com suplementos,
especializadas (Tabela 5). porém 83,33% (n=5) não têm apoio e chegam
Em relação à orientação obtida para a apresentar um gasto mensal de R$1000,00
uso desses suplementos (Tabela 6), 83,33% com suplementação.
(n=5) foram orientados por um ou mais

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Tabela 6 - Estratégias nutricionais utilizadas em período off e on season por atletas fisiculturistas veganos.
Esteroides
Caso Fonte de orientação dos suplementos androgênios Gasto mensal em relação aos suplementos
anabolizantes*
Tenho apoio e não gasto, mas é 1,5 pote de
1 Jornais Não
termogênico e 900 grs. de proteína vegetal/mês
2 Nutricionista Sim Entre 700 e 1000 R$
3 Educador físico, nutricionista Sim Entre 500 e 700 R$
4 Educador físico Sim Menos de 100 R$
5 Educador físico, médico, nutricionista, redes sociais Não Entre 100 e 300 R$
6 Educador físico, médico, nutricionista Sim Entre 100 e 300 R$
Legenda: *Uso de esteroides androgênios anabolizantes nos períodos que caracterizam o preparo para a competição.

DISCUSSÃO condições climáticas, trabalho, bem-estar


físico/mental entre outros. Observa-se também
O presente estudo apresentou o perfil que, em relação ao treinamento dos
de atletas fisiculturistas veganos. participantes, todos praticam o fisiculturismo
Em relação aos seus motivos da há mais de um ano e cada um tendo um
mudança alimentar obteve-se semelhança aos tempo de treinamento diário diferente.
dados apresentados pela SVB e nos Relacionado a frequência de treino,
resultados do estudo de Couceiro, Slywitch e observou-se resultados equivalentes aos do
Lenz (2008) o qual teve como objetivo “discutir presente estudo nos trabalhos que
as recomendações do atual guia vegetariano, investigavam a rotina de atletas fisiculturistas
bem como os aspectos nutricionais descritos por Espínola, Costa e Navarro
relacionados à alimentação vegetariana”. (2008), Bezerra e Macêdo (2013), Morais,
No estudo de Lynch, Wharton e Silva e Macêdo (2014), Pereira e Cabral
Johnston (2016), que avaliou atletas de (2007), em que uma maior frequência de
endurance vegetarianos e onívoros houveram indivíduos treinam quatro a cinco vezes por
resultados parecidos ao presente estudo em semana com duração entre uma e duas horas
relação ao maior número de participantes do ou mais por treino.
sexo masculino e menor do sexo feminino, Tal cenário vem confirmar o fato de os
com média de idade mais elevada (36,1±10,2) indivíduos buscarem uma perda de gordura
que o presente estudo, diferença corporal, um ganho de massa muscular como
provavelmente relacionada à modalidade principais objetivos.
praticada pelos participantes em cada estudo. O presente estudo classificou 50%
Este estudou mostrou que em relação (n=3) com IMC acima do ponto de corte de
ao treinamento, todos os participantes eutrofia, no entanto, quando analisado o
praticavam o fisiculturismo há mais de um ano percentual de gordura corporal (%GC), em off
e cada um tendo um tempo de treinamento season, estes mesmos atletas são
diário diferente. classificados como saudáveis e em período de
Este perfil foi parecido com os estudos pré-competição a proporção de gordura os
de Pereira e Cabral (2007) e Giacomini, Silva coloca em categorias consideradas de baixo
e Greco (2011) sobre praticantes de peso e desnutrição.
musculação e jogares de futebol de diferentes Em relação aos períodos constata-se
categorias e posições, respectivamente. uma diferença entre a classificação do % de
Notou-se uma maior frequência de GC off season e on season visto que esses
praticantes que treinam mais de quatro vezes períodos têm objetivos diferentes. Observa se
por semana e aproximadamente duas horas que a média de % de GC obtida no on season
por treino. é a metade do off season o que demonstra
O estudo de Brito e Liberali (2012) que que esse período apresenta mais restrições
avaliou praticantes de exercício físico, mostra por ser próxima a competição.
uma maior frequência de indivíduos que A literatura estabelece que o IMC é um
realizam atividade física de três a seis horas dos parâmetros mais utilizado na avaliação
semanais, dados superiores ao presente nutricional dos indivíduos ou da coletividade,
estudo. embora apresente certas limitações,
Esse fato pode ser relacionado a principalmente na avaliação de indivíduos
diferentes fatores a seguir: melhor praticantes de modalidades esportiva, por não
desempenho no período matutino/vespertino,

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diferenciar a composição corporal (massa energia como reserva para o corpo na forma
magra e gorda) (Nascimento, 2007). de glicogênio (Ferreira, Burini e Maia, 2006).
O Guia Alimentar para a População Sabe-se que as proteínas são uma
Brasileira destaca que a alimentação está das inquietudes na dieta vegana pois elas se
relacionada ao preparo dos alimentos, ao encontram em maior quantidade em produtos
consumo de nutrientes, alimentos fontes de origem animal.
desses nutrientes e a combinação entre esses. No caso dos atletas, há um aumento
Tal situação se torna mais significativa quando da demanda proteica comparada a um
se fala de atividade física (Brasil, 2014). indivíduo sedentário cujo o recomendado é de
Os atletas avaliados apresentaram 0,8 g/kg/peso (Mallman e Alves, 2018), mas a
maior consumo de macro e micronutrientes necessidade proteica pode ser aumentada em
pois fazem parte das estratégias nutricionais uma dieta vegetariana sem uso de
que ajudam no desempenho do atleta, na suplementação quando são oferecidas fontes
definição muscular etc. proteicas adequadas como leguminosas
A respeito dos alimentos consumidos combinadas com cereais visando ingerir todos
pelos participantes houve resultados os aminoácidos e oleaginosas (Ribeiro e
semelhantes no estudo de Santos e colaboradores, 2008).
colaboradores (2009) que analisou as práticas O consumo de alimentos gordurosos
alimentares de um fisiculturista gaúcho não foi mínimo nos participantes devido a não
vegano. ingestão de produtos animais que possuem
Pereira e Cabral (2007) que avaliou os alto teor de gorduras saturadas e colesterol.
conhecimentos básicos sobre nutrição em Houve um consumo de oleaginosas e azeite
praticantes de musculação de uma academia de oliva pela maioria dos atletas que pode ser
na cidade do Recife-PE; Morais, Silva e explicado pelos efeitos benéficos que esses
Macêdo (2014) que avaliou o consumo de alimentos oferecem a saúde humana.
carboidratos e proteínas no pós-treino de Segundo o Guia Alimentar para a
praticantes de musculação não veganos. População Brasileira, as oleaginosas são ricas
Todos os estudos apresentaram maior em vitaminas, fibras, minerais, gorduras
consumo de carboidratos, proteínas quando insaturadas (saudáveis), ácidos graxos bem
comparado ao consumo de lipídios. como compostos antioxidantes que ajudam na
Tal prática está relacionada à um prevenção de várias doenças.
ganho de massa muscular e diminuição de O ômega 3 e ômega 6 são ácidos
gordura visto que são responsáveis pela graxos essenciais para o funcionamento das
grande parte da energia fornecida pelo corpo. células e atuam como pioneiros para a síntese
Em contrapartida é necessário de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia
ressaltar que uma boa alimentação requer longa como os ácidos araquidônicos (AA),
uma contribuição de todos os nutrientes e eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico
consequentemente deve-se ter cuidado nas (DHA) (Moreira, Curi e Mancini, 2002; Brasil,
restrições alimentares que podem causar 2014).
prejuízos ao organismo. Os ácidos graxos estão envolvidos
Tal constatação feita, observa-se nos também no processo de secreção do hormônio
resultados do estudo de Oliveira e de crescimento (GH). O GH age durante o
colaboradores (2009) que 81,8% dos exercício físico reduzindo o catabolismo
indivíduos participantes (não veganos) proteico e oxidação da glicose agindo assim
ingeriram quantidades de colesterol superior a com os ácidos graxos e liberando energia e
300 mg, sendo assim, um alto consumo de consequentemente hipertrofia muscular (Cruz
alimentos ricos em lipídios quando comparado e colaboradores, 2010).
ao presente estudo. Diversas estratégias nutricionais são
Esses dados mostram a inadequação usadas por praticantes de atividade física para
do consumo alimentar nos praticantes de melhorar o desempenho físico. Entre elas:
atividade física mostrando assim a BCAA, Whey protein, albumina, termogênicos,
necessidade de acompanhamento nutricional creatina entre outros. Nos atletas veganos
por um nutricionista. observa-se estratégias de origem vegetal
Quanto à proporção de como proteína isolada de soja, proteína
macronutrientes, as dietas veganas possuem isolada de arroz e proteína isolada de ervilha.
na maioria das vezes uma alta taxa de As proteínas são de grande interesse
carboidratos de alto valor biológico fornecendo na prática de atividade física. A de soja e sua

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versão concentrada são consideradas de fosfocreatina e ajuda no desempenho físico


completas, fácil digestão e absorção com a visto que é uma reserva de energia durante
quantidade de aminoácidos necessária para a treinamento de força em curtos períodos e
manutenção de todas a proteínas do corpo para atletas ela é fornecida sob a forma de
(Andrade, Junior e Campos-Ferraz, 2015). creatina monohidratada (Peralta e Amancio,
No estudo de Ferreira, Burini e Maia 2002).
(2006) relatou-se que a proteína de soja No seu estudo sobre a creatina como
induziu um aumento dos níveis de IGF-1 (fator suplemento ergogênicos para atletas, Peralta
de crescimento liberado como resposta ao e Amancio (2002) concluíram que os efeitos
GH) cujo níveis aumentados proporcionam da creatina junto com uma quantidade
hipertrofia muscular. aumentada de carboidrato podem melhorar
O arroz é um dos alimentos seus efeitos ergogênicos sendo mais eficaz
consumidos mundialmente principalmente nos em indivíduos com níveis baixos do ponto de
países asiáticos (Wang e colaboradores, 2011) vista muscular.
sendo uma importante fonte de macro e Estudos como o de Brito e Liberali
micronutrientes cujo uso da sua proteína (2012), Bezerra e Macêdo (2013) mostrou o
isolada ajuda na diminuição do colesterol uso de suplementos (por praticantes de
(Massunaga, 2014). exercício físico) como maltodextrina,
No estudo de Joy e colaboradores termogênico, BCAA, creatina semelhante ao
(2013) cujo objetivo foi determinar se o presente estudo. Na maioria dos casos
consumo pós-exercício de isolado de proteína observa-se o uso desses suplementos para
de arroz em comparação com o isolado de hipertrofia muscular, diminuição da gordura
proteína de soro dosado igualmente e corporal, definição muscular, aparência física
administrado em grandes doses poderia entre outros.
aumentar a recuperação e induzir mudanças Outras estratégias usadas pelos
adequadas na composição corporal, concluiu- participantes são os termogênicos e ômega 3.
se que o consumo da proteína isolada de arroz Os termogênicos como a cafeína e chá verde
no pós-treino resulta em hipertrofia muscular e (catequinas) são usados por praticante de
redução da massa gorda. atividade física devido à sua acessibilidade e
Entre as proteínas cita-se também a preço baixo comparado a outros termogênicos
ervilha que também é uma boa fonte de (Xavier e colaboradores, 2015).
carboidratos (Pereira e Cabral, 2007). O Em relação ao ômega 3, ele vem
estudo de Yang e colaboradores (2012) sendo usado devido aos seus efeitos tais
demonstrou que a proteína da ervilha possui como a diminuição dos triglicerídeos, efeito
uma boa qualidade nutricional sendo anti-inflamatório, desempenho aeróbico entre
semelhante às proteínas encontradas no ovo e outros (Petricio e colaboradores, 2001).
na soja. Esteroides anabolizantes são
No estudo de Babault (2015) no qual substâncias usadas por praticantes de
foi avaliado a suplementação da proteína de atividade física como objetivo aumentar massa
ervilha associada ao treinamento de força, foi muscular. Ainda chamados de esteroides
observado aumento dos bíceps quadril. anabólico-androgênicos (EAA), eles se
Pode então ser deduzido que ela pode referem aos hormônios masculinos e servem
resultar a uma hipertrofia muscular desde que para hipertrofia os músculos e aumentar o
seja acompanhada da realização de uma desempenho (Iriart e Andrade, 2002; Silva,
atividade física com levantamento de peso. Danielski e Czepielewski 2002).
Portanto os achados científicos demonstram Mais da metade dos participantes
boa aplicabilidade e funcionalidade das desse estudo usam essas substâncias no
proteínas vegetais para hipertrofia. período que caracteriza o preparo para
Como citado anteriormente, a creatina competição.
é uma das estratégias nutricionais usadas por O estudo de Silva, Danielski e
praticantes de atividade física. Alguns atletas Czepielewski (2002) relata que o uso de EAA
fisiculturistas veganos participantes desse na atividade física gera efetivamente um
estudo a usaram como estratégia nutricional. aumento muscular e desempenho enquanto
Esse fato pode ser relacionado ao baixo teor outros estudos mencionam que esses
de creatina encontrado nas dietas veganas. A resultados podem estar relacionados a uma
creatina é obtida a partir de três aminoácidos e retenção de líquidos corporais entre outros
nos músculos, ela é encontrada sob a forma motivos.

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A investigação do uso de esteroides baixo peso e subnutrição nos períodos que se


anabolizantes assemelha-se ao estudo de aproximam das competições.
Barquilha (2009), sobre os efeitos de A dieta dos participantes apresenta, de
esteroides anabolizantes por praticantes de modo geral, maior consumo de alimentos
musculação da cidade de Bauru no qual todos naturais, in natura e minimamente
relataram resultados desejados (ganho de processados, com baixo consumo de produtos
massa muscular) sendo que apenas faziam industrializados e com elevada densidade
uso por motivos esportivos. energética.
Já no estudo de Mineiro e Identificou-se que todos os
colaboradores (2015), houve uma maior participantes de modo geral consomem
prevalência de indivíduos que não usaram regularmente e investem altos valores
EAA enquanto os que usaram (21,95%) não mensalmente com a aquisição de suplementos
tiveram efeitos desejados. alimentares.
Combinando esses resultados deduz- A maioria dos atletas fisiculturistas
se que a maioria dos indivíduos fazem o uso veganos relatou associar o uso de esteroides
de suplementos/esteroides anabolizantes androgênicos anabolizantes ao período
tendo como objetivo um ganho de massa denominado on season para potencializar os
muscular sem ter o mínimo de informações resultados da dieta e dos treinos.
necessárias e/ou consulta de um profissional Observou-se poucas diferenças em
adequado (nutricionista e/ou médico). relação aos dados antropométricos enquanto
No presente estudo os atletas referem houve diferenças no aporte de nutriente devido
um gasto mensal médio com suplementação ao tipo de dieta apresentado. Resumidamente,
que chega a ficar próximo de R$1000,00. Já pode-se dizer que o veganismo não prejudica
no estudo de Brito e Liberali (2012), com a prática do fisiculturismo mesmo esse
atletas veganos de modalidades de força e exigindo dedicação, treinamento intensivo,
artes marciais, o gasto mensal relacionado aos mudança no padrão de vida e uso de
suplementos para os indivíduos que faziam estratégias nutricionais.
uso (27%) era de até R$ 50,00 mensal. Sugere-se novos estudos relacionados
Observou-se também que a maioria ao tema afim de ter maior compreensão das
dos participantes receberam orientações estratégias nutricionais usadas por atletas
nutricionais relacionadas aos suplementos por veganos.
certos profissionais tais como o nutricionista, o
médico e o educador físico. REFERÊNCIAS
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para atletas apresentado pela Agência 1-Alewaeters, K.; Clarys P.; Hebbelinck, M.;
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deve conter a rotulagem é “Este alimento é vegetarians. Ergonomics. Vol. 48. p.1433-44.
destinado exclusivamente a atletas sob 2005.
recomendação de nutricionista ou médico e
não substitui uma alimentação equilibrada” 2-American Dietetic Association. Dietitians of
(Brasil, 2008). Canada; American College of Sports Medicine.
Assim sendo, é necessário seguir as Position of American Dietetic Association,
orientações de um nutricionista ou médico a Dietitians of Canada, and american college of
fim de evitar quaisquer problemas de saúde. sports medicine: nutrition and athletic
performance. Journal of the American Dietetic
CONCLUSÃO Association. Vol. 100. p. 12. p.1543-56. 2001.

O presente estudo caracterizou 3-American Dietetic Association; Dietitians of


aspectos nutricionais de atletas fisiculturistas Canada; Position of the American Dietetic
veganos, com destaque para o percentual de Association and Dietitians of Canada:
gordura, estado nutricional por meio do vegetarian diets. Canadian Journal of Dietetic
parâmetro de gordura corporal, o qual era Practice and Research. Vol. 64. Núm. 2. p.62-
considerado saudável para todos os 81. 2003.
participantes nos períodos fora de competição,
alterando para proporções consideradas de

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