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UNIRB - Psicologia - Noturno 9º Sem

Disciplina: Psicanálise
Discente: William Camilo dos Santos
Docente: Augusto Neto

Análise Crítica do Filme Kinsey - Vamos Falar de Sexo


Para iniciarmos a nossa discussão acreditou-se ser necessário apresentar um dado
importante o qual nos leva a acreditar que o filme Kinsey é baseado em fatos reais
como pode ser verificado na citação abaixo:

O biólogo Alfred Charles Kinsey (1894-1956) elaborou um estudo entre


1938 e 1953, envolvendo a significativa participação de 11.240 indivíduos
(5.300 homens e 5.940 mulheres) resultando na publicação de dois livros:
Sexual Behavior in the Human Male (Philadelphia, PA: W.B. Saunders) em
1948 nos Estados Unidos e Inglaterra; e Sexual Behavior in the Human
Female (Philadelphia, PA: W.B Saunders) em 1953. No Brasil, só houve a
publicação de A Conduta Sexual da Mulher, em 1954, pela editora Atheneu,
tendo sido reeditado em 1967. (SENA, 2007. p.1)

Kinsey - Vamos falar de sexo é um filme que apresenta como intérpretes: ​Liam
Neeson, Laura Linney, Peter Sarsgaard,Chris Donnell,Timothy Hutton uma
realização de Bill Condon, gravado em 2014 com duração de 118 minutos contando
a história de um homem que se tornou um especialista em vespas e logo após
começou a desenvolver uma pesquisa sobre sexo. ​O protagonista chamado de
Kinsey é professor de uma universidade e desenvolvedor uma ideia diferenciada
sobre a sexualidade da época, o mesmo decide entrevistar vários de homens e
mulheres das variadas sexualidade, visando combater os tabus e diminuir as
doenças que se espalharam na época por conta da ignorância que permeava
naquele tempo.
Inicialmente o filme mostra a ignorância existente e o terror espalhado socialmente
onde as doenças sexualmente transmissíveis eram vistas como consequência de
infringir regras, sendo que pregava-se como algo correto e moralmente aceito
abster-se de qualquer ação de cunho sexual reprimindo os desejos. O fator do
cristianismo impor a pureza e associar questões sexuais como a masturbação entre
outras coisas relacionadas ao sexo uma espécie de doença o próprio pai do
protagonista era um religioso o qual vivia a perseguir a tudo e a todos que se
colocassem fora dos seus padrões, até que o filho se revolta e decide sair de casa.
A partir dai Kinsey começa o estudo de vespas, quando descobre as questões
sexuais e reprodutivas após 20 anos de estudo dos insetos e decide fazer uma
pesquisa sobre sexo e comportamentos sexuais que é o que permeia todo o filme.
Repleto de frases impactantes e entre outras que despertou uma reflexão
destacaremos uma frase em que o protagonista diz que “diversidade é algo real e
para vê-las basta apenas abrir os olhos”, o fato disso ser algo tão simples e tão real,
leva-nos a reflexão de que para algumas pessoas isso seja difícil de compreender.
Em seu histórico de vida, vale salientar que o mesmo casou-se virgem com uma
esposa também virgem, tendo a sua primeira relação sexual após os 30 anos, o qual
teve dificuldade em ter a primeira relação sexual por conta do tamanho avantajado
do seu pênis e após consultar um especialista é que passou a ter relações sexual
sexuais constantes, ao qual eles afirmam no início ter uma média de 20 a 21
relações sexuais por semana. Começou então a trabalhar com quebra de padrões e
tabus sobre sexo, masturbação entre outros assuntos pertinentes a sexualidade,
passou a dar curso para casais e dar continuidade a sua pesquisa sendo que foi
aplacado socialmente pois o achavam um pervertido, pessoas essas que ele
afirmava dizer que tinham uma moralidade disfarçada.
Outra frase a se destacar é:

"a sociedade interferiu no que deveria ser um desenvolvimento biológico


normal, causando um atraso escandaloso na atividade sexual que leva os
recém-casados a dificuldade sexual, em uma sociedade sem proibições um
aluno de 12 anos sabe mais sobre biologia do que terei que falar para vocês
em palestras formais." (KINSEY, 2007)

A frase mostra o quão atrasados estavam os personagens no que diz a respeito das
questões relacionadas à sexualidade sendo que isso era dentro da universidade,
afirmo que embora estejamos em outra época e com mais acesso informações do
que na época retratada no filme, não vejo muita diferença no que cerne aos tabus,
mesmo com o turbilhão de informações sobre as diversas esferas da sexualidade e
DSTs.
Voltando ao ator principal percebe-se que ele se vê em uma situação a qual não
respeita mais as ideias do outro no que cerne a outros assuntos isso é perceptível
na família onde ele acha que o seu filho mais velho deve ser o que ele acha melhor,
repetindo um padrão do seu pai e desrespeitando a subjetividade do filho.
Entre as aventuras de Kinsey que ficou conhecido como doutor do sexo estão,
casar-se com uma aluna e envolver-se sexualmente com um aluno o qual era o seu
estagiário de pesquisa, sendo que mais tarde o mesmo teria relações sexuais com
a mulher de Kinsey o qual se viu em uma situação que o incomodou, embora o
mesmo tenha mostrado o envolvimento com outros homens algo natural,
justificando-se cientificamente dizendo que "nem todo sexo deve tem que ser
santificado pelo amor e enriquecido pela emoção". Kinsey ficou tão focado e na sua
pesquisa que acabou por se esquecer da sua própria vida chegando a adoecer.
A sua abordagem era interessante e desmistificante embora acredite que o mesmo o
seu desejo exacerbado pela pesquisa acabou por fazer algum mal ao mesmo.
Algo bem interessante foi notado que foi uma informação que o mesmo trouxe
quando disse que a maioria das pessoas teria em algum momento da vida tido uma
experiência homossexuais.
A repressão, o preconceito, a ignorância e a busca por aplacar os impulsos sexuais
são nítidos no filme, no entanto Kinsey nos afirma que "se algo prazeroso e muito
desejado é proibido torna-se uma obsessão, o que nos mostra que a proibição
estimula o desejo, levando-nos a uma frase muito conhecida que o proibido é
desejado o qual podemos perceber em muitos contexto históricos e poéticos o qual
poderíamos citar um dos mais conhecidos que é o fruto proibido que nos é
apresentado poeticamente na bíblia como o fruto do conhecimento do bem e do
mau, ao qual faremos uma analogia ao conhecimento e ao poder de decisão, onde
acredita-se que o filme tem seu foco em desconstruir e fazer conhecer o bem e o
mau ou seja dar ao sujeito o poder de decisão e não apenas dizer o que deve fazer
como é implantado no contexto histórico onde ditam-se as regras e impõe o que
deve ser feito, como devemos viver e ter as nossas relações sexuais, isso tudo com
o intuito de normatizar o ser humano, mas fica o questionamento. Embora
biologicamente tenhamos muitos fatores em comum, a nossa psique se difere em
muito, diante disso questionamos o porque a sociedade insiste na tentativa de
normatizar seres que são tão diferentes?
No decorrer do filme ele encontra várias pessoas com interesses peculiares como os
dele o que o faz se certificar que está no caminho certo, inclusive encontra pessoas
que tiveram de todos vários tipos de relações sexuais dos mais variados, até
mesmo relações abusivas e contra da lei, como o caso de abusos relatados por um
dos seus entrevistados, no entanto, ele se mostra contra essas atitudes.
Dando seguimento Kinsey lança dois livros sobre o estudo do sexo, onde o primeiro
é um sucesso e o segundo nem tanto, seu sucesso de Kinsey dentro da sua
temática começa a ser mau visto socialmente momento esse que Kinsey definha
somatizando no corpo a frustração pela falta de sucesso ou melhor, pelo falta de
investimentos diante de tanto tempo de vida investida, ele adoece muito.
Kinsey chega a um estado onde mutila o próprio prepúcio em busca do prazer, fica
claro a culpa que ele leva quando diz que não ajudou as pessoas.
Diante da frustrações o protagonista começa a se ver em uma situação de
inutilidade pelo que foi percebido, a busca incansável por provar que estava certo no
que diz respeito às relações sexuais tornou-se um peso para o mesmo, no entanto
ele não percebia isso, poderíamos até dizer que para ele o prazer estava em falar de
sexo, estudar o sexo, e provar que as suas descobertas sexuais estavam corretas a
nível de desvelar uma sociedade que repugnava as questões sexuais que eram tão
comuns mais encobertas por conta de valores morais. Kinsey adoeceu
psicologicamente o que refletiu no seu corpo, no entanto, em novas entrevista
Kinsey viu o quão significativo foi o seu trabalho na vida de algumas pessoas.
Ao final Kinsey retorna a floresta um lugar que remete a sua adolescência onde
percebeu as sua curiosidade sobre os estudos das vespas.
Percebe-se que embora o filme seja bem interessante e busque desmistificar fatores
de importância sociocultural como são as questões sexuais, outro fator super
interessante que o filme aborda embora não seja o foco é o quanto o trabalho
exaustivo, pode levar o indivíduo a adoecer, Kinsey chegou a um estado lastimável
embora, aparentemente conseguiu se recuperar, concluímos isso diante da
finalização do filme, todavia o mesmo não faz nenhum comentário sobre como foram
o restante dos seus dias.
Percebeu-se o valor significativo e impactante que esse filme tem socialmente
principal na sociedade brasileira onde o tabu sexual é algo que ainda encontra-se
impregnado, visto que a construção dessa sociedade apesar de ter sido em baseada
em repressão sexual onde os primeiros cristãos a fim de catequizar e civilizar de
maneira normativa impunham o sua religião, temos a contrapartida onde toda sorte
de estupros e sexo ocorriam com os escravos e os senhores entre outros povos aqui
presente.
Diante de tudo que foi visto a cerca do filme vale uma reflexão: Como temos
desempenhado o nosso papel enquanto psicólogos e também formadores de
opinião para a promoção de uma sociedade mais saudável e livre da repressão
sexual?
Referência
SENA, Tito. Os relatórios Kinsey, Masters & Johnson, Hite: As sexualidades
estatísticas em uma perspectiva das ciências humanas. Tese de Doutorado.
Florianópolis: UFSC, 2007.

O Relatorio de Kinsey. SD. ​Acesso: http://www.rtp.pt/programa/tv/p18988