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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO - UFMA

CENTRO DE CIENCIAS SOCIAIS - CCSO


CURSO DE PEDAGOGIA
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO I

GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS INFÂNCIA E BRINCADEIRAS


(GEPIB/UFMA)

1. INTRODUÇÃO

O Grupo de Estudos e Pesquisas Infância e Brincadeiras (GEPIB) é uma


proposta de docentes e discentes do Curso de Pedagogia para a criação de um
espaço de discussão sobre a importância do Brincar na Infância, nos lugares de
formação e interação infantil e em suas diversas manifestações culturais. A
brincadeira e as interações são dois eixos que marcam a Educação da Infância e
abrem caminhos para viabilizar a integração de todas as crianças nas escolas e em
todos os territórios do brincar.
O brincar na Educação Infantil é um direito de todas as crianças,
independentemente do sexo, da cor, raça, família, das diferenças e diversidades
individuais e de contextos familiares, econômicos, sociais e culturais. Esse direito,
para ser plenamente exercido, necessita da atenção dos adultos para sua
viabilidade. Com o foco interdisciplinar, pretende-se dialogar com as outras
licenciaturas da UFMA (Curso de Música, Curso de Teatro, Curso de Artes Visuais)
para ampliação dos estudos sobre cultura em suas várias expressões, importante
aliada na viabilização de atividades lúdicas e brincantes e na formação de
profissionais que brincam.
Criado em 21 de Março de 2018 e ligado ao Núcleo de Educação e
Infância da Universidade Federal do Maranhão (NEIUFMA), que se encontra
vinculado administrativamente ao Curso de Pedagogia – Departamentos de
Educação I e II – e que tem suas atividades pautadas em duas frentes: uma de
mobilização junto a sociedade na luta pela Educação Infantil de qualidade, e outra
frente, voltada para pesquisa e extensão; na pesquisa, desenvolvendo estudos com
recortes diversificados que possibilite o entendimento da criança e das infâncias a
partir dos diversos campos do conhecimento – Educação, Artes, Saúde, Serviço
Social, Tecnológico, Comunicação, Política Pública,  e outras áreas afins. Na
extensão, promovendo a troca de saberes produzidos tanto pela universidade
quanto pela comunidade através de grupos de estudos, palestras, cursos, encontros
de caráter científicos e assessoria a escolas públicas e comunitárias de educação
infantil.

Com intenção também de colaborar na formação dos profissionais que


atuarão ou atuam na Educação Infantil, o GEPIB propõe fornecer subsídios teóricos
para a conscientização de sujeitos e instituições sobre práticas lúdicas e brincantes
nas vivências com as crianças, respeitando suas origens, sua regionalidade e sua
história.
2. JUSTIFICATIVA

O brincar para crianças pré-escolares produtoras de cultura,


especialmente aquela chamada de cultura de pares, na acepção de William
Corsaro1, é ponto de partida e de chegada. Nessas relações entre os pares surge a
cultura lúdica, que significa imaginar, expressar, ter o direito ao encantamento, à
exploração, a ser criança, fazer amizades e também aprender enquanto se brinca.
Dúvidas sobre o binômio brincar/aprender trazem a indagação: "Aprende-
se brincando?" As respostas variam: aprende-se quando se ensina novos jogos e
regras diferentes, em brincadeiras com outros, com música, movimentos veiculados
pela tradição da infância, uso de novas tecnologias e meios de comunicação, jogos
de regras, brincadeiras imaginárias, de construção, assim como na expressão das
100 linguagens, como diria o italiano Loris Malaguzzi 2, criador da abordagem
pedagógica de Reggio-Emília. O modelo do ensino-aprendizagem, típico do contexto
escolar, não é suficiente ao brincar, e sim pela hegemonia do adulto e ausência da
escuta da criança. Se o desejo é que os pequenos brinquem, é preciso um ambiente
educativo típico da educação informal, com pouco controle do adulto, que garanta o
protagonismo deles. No entanto, relacionar brincar e aprender requer outras
reflexões.
As crianças querem o brincar e as escolas o aprender. Buscar a terceira
via em que o brincar e o aprender, embora distintos, partilham de um elemento
comum se dá pelo protagonismo infantil. Não se brinca sem tomar decisão e sem
protagonismo. Da mesma forma, não se aprende quando a criança não quer,
quando ela não se envolve. Psicólogos como Piaget, Vygotsky, Bruner, Leavers,
sociólogos como Brougère e Corsaro e filósofos como Dewey e Wittgenstein têm,
entre tantos conceitos, um ponto de concordância: a criança brinca e aprende
quando quer e se interessa.
 Numa concepção sociocultural, o brincar “define-se por uma maneira que
as crianças têm para interpretar e assimilar o mundo, os objetos, a cultura, as
1
O autor propõe a investigação das crianças a partir das suas interações com os pares, destacando o
desenvolvimento da linguagem (CORSARO, 2011)
2
A Pedagogia da Escuta é uma proposta da teoria maluguzziana, que compreende a criança como
protagonista de suas realizações. (EDWARDS, 2010)
relações e os afetos das pessoas”, sendo um espaço característico da infância
(WAJSKOP, 1995, p. 66). Por meio da brincadeira, a criança pode “tomar decisões,
expressar sentimentos e valores, conhecer a si, aos outros e o mundo”
(KISHIMOTO, 2010, p. 01). A brincadeira é, portanto, uma importante ferramenta
para a criança se apropriar de códigos culturais, para se desenvolver e se expressar.

“Destaca-se, contudo, que a criança não aprende a brincar naturalmente.


Ela está inserida em um contexto social e cultural e seus comportamentos estão
impregnados por essa imersão inevitável” (BROUGÈRE, 2010, p. 104). Ela precisa
aprender a brincar por meio da mediação do adulto ou de outra criança mais
experiente. “A brincadeira é um processo de relações interindividuais, portanto, de
cultura” (BROUGÈRE, 2010, p. 104). Portanto, ao falar de brincadeira é preciso
enfatizar o papel das interações nesta importante atividade da criança: a interação
com os adultos, a interação com outras crianças, a interação com os objetos, a
interação com o espaço físico e a interação entre a instituição e com a família das
crianças.
A criança pequena é iniciada na brincadeira por pessoas que cuidam
dela. A criança, segundo Brougère (2010, p.98) “entra progressivamente na
brincadeira do adulto, de quem ela é inicialmente o brinquedo, o espectador ativo e,
depois, o real parceiro”.
Apesar do prazer e da aprendizagem que podem advir do brincar livre, o
brincar interativo com a educadora em uma instituição pode contribuir para o
conhecimento do mundo social, além de poder oferecer maior riqueza e
complexidade às brincadeiras. O envolvimento da professora pode ser pela
participação direta ou indireta. A professora pode participar do brincar com as
crianças ou ao lado delas. Com os bebês, especialmente, a ação da professora deve
envolver falas, gestos, esconder e achar objetos. Com as crianças maiores, “o
envolvimento do adulto pode ser a participação e a iniciação. A participação envolve
brincar com as crianças ou ao lado delas, enquanto a iniciação significa desenvolver
uma situação de brincar já existente ou criar uma nova, identificar problemas e
aconselhar soluções” (MOYLES; COLS, 2006, p. 32-33). A professora também pode
organizar jogos cooperativos para as crianças, tais como: narração de histórias,
jogos musicais, jogos de movimento, entre outros.
A interação com outras crianças ― à medida que o grupo de crianças
interage, são construídas as culturas infantis. As crianças aprendem coisas que lhes
são muito significativas na interação com os seus companheiros de infância. O
brincar com outras crianças, portanto, “garante a produção, conservação e recriação
do repertório lúdico infantil” (KISHIMOTO, 2010, p.03) É importante oportunizar
momentos de interações entre os diferentes grupos etários, entendendo que o
agrupamento por idades é artificial e só acontece na escola. É importante, ainda,
intercalar momentos em que a criança possa brincar sozinha e em grupo.
A interação com objetos ― A professora pode organizar os brinquedos e
demais materiais de forma a estimular a sua exploração pelas crianças, favorecendo
a interação com objetos variados em “formas, texturas, cores, tamanhos,
espessuras, cheiros e outras especificidades [...] importantes para a criança
compreender esse mundo” (KISHIMOTO, 2010, p. 03). A interação entre criança e o
espaço físico ― O espaço físico é sempre revelador de concepções que a instituição
assume para cuidar e educar a criança pequena. Nesse sentido, a existência ou
ausência de determinados espaços e a forma como estão organizados poderá
“facilitar ou dificultar a realização das brincadeiras e das interações entre as crianças
e adultos” (KISHIMOTO, 2010, p. 03).
A proposta do GEPIB/UFMA portanto é promover um diálogo com os
fundamentos teórico metodológicos dos Estudos da Infância, tendo as interações e
as brincadeiras como foco da discussão, a partir dos espaços onde as crianças se
encontram, interagem e compartilham saberes.
3. OBJETIVOS

 GERAL

Promover momentos de estudos sobre a Infância, as brincadeiras e a


Educação Infantil, a partir de referencial teórico dos fundamentos da
Educação e da metodologia de Educação Infantil, favorecendo a formação de
um grupo de profissionais e estudiosos da criança e de suas manifestações
culturais oriundas das interações que estabelecem com o mundo.

 ESPECÍFICOS

Discutir as concepções de infância, criança, brincadeiras infantis e educação


para as crianças a partir de referencial teórico de estudiosos clássicos e
contemporâneos da área da Educação e Infância;

Mobilizar profissionais da educação que estejam em formação para o diálogo


coletivo sobre a importância das brincadeiras e das interações na infância;

Organizar eventos como seminários e encontros acadêmicos para ampliação


das reflexões e discussões sobre o Brincar nas instituições de Educação da
Infância;

Produzir textos reflexivos a partir dos estudos e das vivencias interativas no


GEIB, com o objetivo de publicação em outros eventos e em periódicos;

Possibilitar aos integrantes a prática da Pesquisa de Campo, com vistas a


formação do professor-pesquisador, coletando informações em instituições
públicas e privadas, escolares e não escolares, que trabalham com a
educação e o cuidado de crianças pequenas sobre o Brincar;
Favorecer a formação de uma “Docência Brincante”, ou seja, preparar
profissionais da educação que brincam com as crianças, seus alunos, seus
parentes, enfim, que vivam o brincar, brincando;

Realizar parcerias com outros grupos e pessoas que trabalham na


comunidade em prol da difusão de atividades que valorizem as brincadeiras;

Refletir sobre as Infâncias existentes nas mesorregiões maranhenses, e quais


as brincadeiras que se manifestam no seio de suas interações com os outros
e com o mundo.
4. METODOLOGIA DO GRUPO

 Estudos coletivos: apropriação dos conhecimentos disponíveis na


literatura educacional para compreensão do objeto de estudo e
construção de novas concepções;
 Vivencias brincantes: participação de momentos interativos, onde os
próprios integrantes brincam e compartilham experiências pessoais
com o brincar;
 Pesquisas participantes, onde o pesquisador interage com o objeto de
estudo investigado, no ambiente em que convive;
 Palestras: convite a outros pesquisadores e professores, do Ensino
Superior e da Educação Básica, a fim de ampliar as discussões sobre
a Infância e suas manifestações;
 Organização de eventos acadêmicos;
 Produção bibliográfica, em artigos, livros e anais.

5. INFRAESTRUTURA DISPONÍVEL

As salas de aula do Centro de Ciências Sociais – CCSO/UFMA, a sala do


Núcleo de Estudos de Educação de Jovens e Adultos (NEJA), a
Brinquedoteca Universitária (Bloco C – Sala 101) e a sala do Núcleo de
Educação e Infância da UFMA (NEIUFMA)
6. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

DIA TEMA ATIVIDADE


21/03/18 APRESENTAÇÃO Recepção dos integrantes com brincadeiras
DOS INTEGRANTES musicais... apresentação dos componentes
E DA PROPOSTA DO do GEPIB/Ficha de cadastro a ser
GEPIB (CALENDÁRIO preenchida. Apresentação de temáticas e
E MATERIAIS DE calendário 2018.
ESTUDO)
04/04/18 FILOSOFIA DA Estudos sobre Infância e filosofia clássica
INFANCIA (grega) (KOHAN,2005, p.25-60)
(concepções
clássicas)
18/04/18 FILOSOFIA DA Discussões sobre Infância Escolarizada
INFANCIA (análises (KOHAN,2005, p. 61-96)
foucaultianas)
02/05/18 Não teve Encontro cancelado
16/05/18 CIRANDA DO ATIVIDADES COM AS CRIANÇAS NO
BRINCAR 2018.1 CCSO
30/05/18 FILOSOFIA DA A INFANCIA EDUCA A FILOSOFIA/Infância
INFANCIA (Deleuze) de um Pensar (p. 207-236)
13/06/18 FILOSOFIA DA FILOSOFIA PARA AS CRIANÇAS -
INFANCIA Matthew Lipmam. Formação com Profª
Carolina Lima.
27/06/18 Não teve Jogo do Brasil
04/07/18 RELATOS DE Momentos de compartilhamento das
EXPERIENCIA vivencias com crianças, em seu espaço de
atuação pessoal e profissional
29/08/18 FILOSOFIA DA Formação sobre Filósofos e Educação com
INFÂNCIA o Profº George Homem (IFMA – Filosofia)
12/09/18 Pesquisa Educacional Estudos do Texto Autoria e Autorização nas
pesquisas com Crianças (Sonia Kramer)
26/09/18 Planejamento para a Organização de materiais e contatos com os
Ciranda parceiros
10/10/18 CIRANDA DO ATIVIDADES COM AS CRIANÇAS NO
BRINCAR 2018.2 CCSO
24/10/18 RELATOS DE Momentos de compartilhamento das
EXPERIENCIA vivencias com crianças, em seu espaço de
atuação pessoal e profissional
07/11/18 Pesquisa Educacional AUTOAVALIAÇÃO DO GRUPO/INFORMES
GERAIS/PLANEJAMENTO DE AÇÕES
21/11/18 Evento FEIRA DAS PROFISSÕES (CIRANDA DO
BRINCAR NO CENTRO DE
CONVENÇÕES/UFMA)
28/12/18 Evento GRUPECI 2018
05/12/18 Pesquisa Educacional Estudo do capítulo 1 do livro Escuta e
Observação das crianças da Adriana
Friedmann
19/12/18 RELATOS DE CONFRATERNIZAÇÃO
EXPERIENCIA

REFERÊNCIAS

BOUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 2010.

CORSARO William. Sociologia da infância. Porto Alegre: Artmed; 2011.

EDWARDS, C. GANDINI, L. FORMAN, G. As cem linguagens da criança: a


abordagem de Reggio Emília na educação da primeira infância. Porto Alegre:
Artmed, 1999

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Brinquedos e brincadeiras na educação infantil.


In: Seminário Nacional: Currículo em Movimento – Perspectivas Atuais, 1., 2010.
Belo Horizonte. Anais. Belo Horizonte: UFMG/MEC, nov. 2010.

MOYLES, Janet R. A excelência do brincar: a importância da brincadeira na


transição entre educação infantil e anos iniciais. Porto Alegre: Artmed, 2006.

WAJSKOP, G. O Brincar na Educação Infantil. Cadernos de Pesquisa, São Paulo,


n. 92, pp. 62- 69, 1995.

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