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Senhora: Resumo por Capítulo

Paráfrase da obra “Senhora” de José de Alencar, por Bruno Alves

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ÍNDICE
ÍNDICE 2
PARA ENTENDER A OBRA 4
PARTE 1 – O PREÇO 4
Capítulo 1 4
Capítulo 2 4
Capítulo 3 5
Capítulo 4 5
Capítulo 5 6
Capítulo 6 6
Capítulo 7 7
Capítulo 8 8
Capítulo 9 8
Capítulo 10 9
Capítulo 11 9
Capítulo 12 10
Capítulo 13 11
PARTE 2 - QUITAÇÃO 11
Capítulo 1 11
Capítulo 2 12
Capítulo 3 12
Capítulo 4 13
Capítulo 5 13
Capítulo 6 14
Capítulo 7 15
Capítulo 8 15
Capítulo 9 16
PARTE 3 - POSSE 17
Capítulo 1 17
Capítulo 2 18
Capítulo 3 18
Capítulo 4 19
Capítulo 5 20
Capítulo 6 21
Capítulo 7 21
Capítulo 8 22
Capítulo 9 23
Capítulo 10 23
PARTE 4 - RESGATE 24
Capítulo 1 24
Capítulo 2 25
Capítulo 3 25
Capítulo 4 26
Capítulo 5 26
Capítulo 6 27
Capítulo 7 27
Capítulo 8 28
Capítulo 9 28
FIM 29
QUESTÕES DE VESTIBULARES 30
SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

PARA ENTENDER A OBRA


José de Alencar traça mais um perfil feminino nesta obra que carrega uma forte crítica à
sociedade burguesa que é contemporânea ao autor. São reveladas relações promíscuas entre
os personagens que tentam ostentar uma postura digna perante a corte fluminense, e estes
conflito ganham uma cuidadosa descrição psicológica.

Este resumo destina-se a contar o livro em uma linguagem mais acessível e concisa, sem
deixar de lado os episódios que sustentam a obra como um todo e explicando alguns pontos
que podem não ficar claros apenas com a leitura do texto original. Em alguns casos, para
explanações mais completas sobre fatos históricos e expressões da época, há links que
podem ser acessados diretamente no texto.

Caso restem dúvidas quanto à obra ou ao próprio resumo, entre em contato pelo site
ResumoPorCapítulo.com.br ou envie um e-mail para contato@resumoporcapitulo.com.br.
Teremos prazer em ajudar! Boa leitura!

PARTE 1 – O PREÇO

Capítulo 1
Aos dezoito anos Aurélia Camargo surgiu nos bailes da sociedade fluminense: muito bela e
rica, a órfã era sempre acompanhada por D. Firmina Mascarenhas, uma parenta viúva.

Tinha também um tutor, mas ele não parecia influenciar muito na vida da jovem, que se
mostrava muito independente em seus pensamentos e ações.

Cercada de pretendentes, Aurélia os desdenhava: sabia que todos só se interessavam por sua
riqueza. Com ironia, ela brincava com a situação: avaliava os pretendentes como em um
mercado, estabelecendo cotações para cada um deles… Mesmo sabendo disso, os jovens
continuavam perseguindo-a.

Capítulo 2
Em sua luxuosa casa, Aurélia estava calada, aparentando serenidade, mas tinha os
pensamentos agitados com alguns planos que fazia para sua vida. Sua introspecção foi
interrompida por D. Firmina Mascarenhas, que veio lhe comentar sobre o baile da noite
anterior: todas suas falas eram calculadas e, se necessário, corrigidas para agradar à Aurélia,
que percebia este comportamento e o ironizava.

D. Firmina insistia em enaltecer a jovem, tanto por seus pretendentes, como por perceber
que ela não seria enganada por um homem qualquer que se interessasse em seu dinheiro.

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Aurélia, entretanto, lastimou sua situação: talvez seria melhor que fosse logo enganada… A
jovem ficou silenciosa novamente e D. Firmina, percebendo a situação, deixou-a.

Após algum tempo Aurélia foi tomar sol à janela, tocou piano e cantou um trecho de uma
ópera com muita emoção. D. Firmina estava acostumada com os hábitos da garota e
percebeu que algo de diferente havia ocorrido.

Capítulo 3
Durante o almoço Aurélia também comportou-se diferente: experimentou condimentos
picantes e tomou um cálice de bebida. D. Firmina notou estes movimentos, confirmando
sua suspeita de que algo de novo estava acontecendo: sua maior expectativa era que a jovem
tivesse enfim escolhido um marido.

Questionada sobre essas mudanças de hábito, Aurélia disse que havia decidido tornar-se
freira – logo emendando uma risada sarcástica e indo ao seu aposento, onde escreveu uma
mensagem e pediu a um escravo que a enviasse ao Sr. Lemos, seu tio e tutor. Neste
momento a jovem sentia-se calma, pois havia acabado de tomar uma decisão importante.

Após dispensar D. Firmina, que era acostumada a acompanhá-la em todos os programas,


Aurélia recebeu seu tio Lemos. O velho sabia da sagacidade da jovem desde o momento em
que foi escolhido como seu tutor: a garota recusou-se firmemente a morar em sua casa,
ameaçando, inclusive, solicitar ao juiz um novo tutor caso ele a forçasse.

Enquanto preparavam-se para conversar, surgiu Bernardina, uma pobre velha a quem
Aurélia ajudava com esmolas: ela veio avisá-la que “ele” havia chegado no dia anterior – não
há mais detalhes sobre quem seria essa pessoa.

Capítulo 4
A inteligência e a postura firme de Aurélia perturbavam o Sr. Lemos: diferente de outras
mulheres, que se deixavam levar somente pelo coração, a garota usava muito seu cérebro,
sabia de economia, matemática… Mas ela não usava isso para se exibir, pelo contrário, na
sociedade só falava de assuntos triviais.

Direto ao assunto, Aurélia pediu que Lemos a ajudasse com seu casamento. O tutor logo se
dispôs a avaliar os candidatos, mas a jovem deixou claro que o rapaz já havia sido escolhido:
se o Sr. Lemos não concordasse, ela iria até o juiz para conseguir a permissão. Por outro
lado, a jovem disse contar com a amizade do tio, afirmando que queria casar-se por vontade
própria, para encontrar a felicidade – e caso tivesse a ajuda que esperava, lhe retribuiria
financeiramente.

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Com o acordo feito, Aurélia detalhou seu plano… Adelaide Amaral era uma jovem
apaixonada por Dr. Torquato, porém este era pobre e fora recusado pelo pai de Adelaide,
que acertou se casamento com outro jovem, a quem ofereceu trinta contos de réis como
dote. Este tal jovem, que acabara de chegar à cidade, era o marido desejado por Aurélia.
Para atender a este desejo, ela estava disposta a dar cinquenta contos de réis ao Dr.
Torquato, garantindo seu casamento com Adelaide e deixando livre o outro rapaz, a quem
ofereceria um dote ainda maior.

Lemos aceitou a proposta e recebeu mais instruções: o nome de Aurélia não deveria ser
mencionado ao rapaz, bastaria ele saber que não se tratava de uma mulher velha ou feia.
Caso ele recusasse uma oferta inicial de cem mil réis, Lemos poderia dobrá-la ou mesmo
elevá-la até a metade da fortuna da órfã – Aurélia dizia, com uma expressão estranha, que
estava “comprando sua felicidade”, portanto isso não seria caro.

Capítulo 5
Há uma casa muito antiga, com móveis velhos, mas tudo bem limpo e organizado. Em um
canto há algumas roupas penduradas, guarda-chuva e bengalas que, aparentemente, valem
mais que toda a mobília da residência. Este contraste, entre a simplicidade da vida
doméstica e a riqueza da vida exterior, segundo o narrador, é reflexo da personalidade de
seu morador.

Fernando Seixas estava deitado no sofá, pela manhã, após uma noite de baile, distraindo-se
com as notícias do jornal. Ele ainda não tinha trinta anos e era um rapaz bonito.
Mariquinhas, sua irmã, faz seu café, acende seu charuto e pergunta-lhe sobre a noite.

Chegado de viagem no dia anterior, Seixas reclama que estava cansado demais para
aproveitar a festa, mas lembra-se especialmente de Aurélia, a rainha do baile. Mariquinhas
recorda que esta moça já fora sua paixão, e Fernando lamenta que agora ela seja proibida
para ele. Quando era pobre, Aurélia já era vista por Seixas como uma mulher grandiosa,
porém herdou uma fortuna e agora era cercada de pretendentes.

Mariquinhas ainda questiona se Fernando abriu mão de Aurélia por seu compromisso com
Amaralzinha, mas ele nega: diz que este compromisso não é certo, e que há ainda outro
motivo para não poder ter Aurélia.

Neste momento surge Nicota, outra irmã de Seixas, que sente ciúmes de Mariquinhas por
esta ter servido seu irmão e estar conversando com ele. Para atender ao mimo de Nicota,
Fernando pede que Mariquinhas os deixe a sós por alguns momentos.

Capítulo 6
Fernando Seixas estudava em São Paulo até que a morte de seu pai, um funcionário
público, deixou a família em má situação financeira. Fernando poderia finalizar seu curso

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com a ajuda de colegas, mas faltou-lhe força de vontade e ele voltou ao Rio. Lá conseguiu
emprego público por meio de amigos de seu falecido pai. Após algum tempo, seguindo uma
vocação pessoal, ganhou algum reconhecimento como escritor na imprensa da cidade.

A herança deixada para D. Camila, mãe de Seixas, rendia algum dinheiro, mas não o
suficiente para manter a casa, onde também viviam Mariquinhas (filha mais velha) e Nicota
(filha mais nova). Assim, as três realizavam trabalhos de costura para complementar a
modesta renda. Fernando, por outro lado, gastava todo seu dinheiro em boas roupas,
teatros e bailes, tudo com o consentimento das mulheres da casa, que desejavam para ele
somente o melhor.

Certa vez, voltando mais cedo de um baile, por conta de uma decepção amorosa, Fernando
ouviu visitas comentando com sua mãe e irmãs sobre uma nova ópera que se apresentava na
cidade. Sentindo algum remorso, convidou-as para o teatro e, lá chegando, percebeu os
comentários negativos de seus colegas pela forma simplória que sua família se vestia. Daí em
diante comprometeu-se em enriquecer para poder manter sua mãe e irmãs em condições tão
dignas quanto as dele, fosse por meio da política ou de um bom casamento.

Seixas estava voltando de Pernambuco, onde passara oito meses em comissão – dizia-se que
ele planejava uma candidatura política, outros acreditavam haver por lá algum romance em
andamento. Os dois fatos poderiam ser verdade, mas uma outra razão maior estava por trás
deste longo distanciamento da corte.

Capítulo 7
Apresentando-se como Sr. Ramos e usando óculos verdes para disfarçar sua fisionomia, Sr.
Lemos foi até Fernando Seixas para apresentar a proposta do dote de cem contos de réis,
conforme solicitado por Aurélia. O rapaz estranhou a oferta, questionando detalhes sobre a
moça com quem se casaria, e acabou por recusá-la. Lemos deixou anotado seu endereço,
para o caso de ele mudar de ideia.

No almoço Fernando encontrou-se com amigos e todos comentavam sobre o surgimento de


Aurélia na sociedade fluminense, como uma dama perfeita. Mais tarde, Seixas foi ao teatro
na companhia de Alfredo Moreira, que também não parava de falar sobre os encantos da
jovem.

Aurélia chegou ao teatro em seu carro, acompanhada de D. Firmina. Fernando comentou


que aquela mulher já fora amada por ele, mas não era mais a mesma. De fato, Aurélia
respondeu aos comprimentos de Moreira, enquanto passou despercebida por Fernando
Seixas.

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Capítulo 8
Mesmo com a inicial recusa de Fernando Seixas, Lemos acreditava que o rapaz haveria de
ceder à sua proposta, assim como faria qualquer homem nesta situação. Quanto à proposta
de Adelaide, Lemos também já havia se acertado com Amaral, dando-lhe dinheiro que
convencesse o pai da moça a autorizar a união.

Desta forma, Lemos não se sentiu surpreendido quando Fernando Seixas foi procurar-lhe
para aceitar a proposta, apenas sob uma condição: que fossem adiantados vinte contos de
réis.

Aurélia aceitou a exigência do rapaz e Lemos concluiu o acordo entregando o valor a


Fernando, que assinou um recibo comprometendo-se com o restante do trato: o casamento
no prazo de três meses.

Capítulo 9
Fernando Seixas era um homem honesto, porém dentro da moral da sociedade da época: o
amor e o interesse próprio eram justificativas para qualquer ação, desde que dentro das leis e
longe de escândalos.

Um dia após a visita do Sr. Lemos (que apresentou-se a ele como Ramos), Seixas foi
procurado por sua mãe, D. Camila, que trouxe novidades sobre sua irmã mais nova,
Nicota: um rapaz, dono de uma lojinha, pedira sua mão em casamento. Restava apenas que
Seixas aprovasse a união e retirasse algum dinheiro da Caixa Econômica para o enxoval – e
assim ele prometeu.

Seixas, no entanto, já havia gasto todo o dinheiro de sua família com os luxos que ostentava
na sociedade. Além disso, acumulara algumas dívidas das quais muitas vezes nem se
lembrava. Recebera também uma carta, em nome de Amaral, que dava entender o fim do
acordo para o casamento com Adelaide. Para completar sua desventura, as promessas de
trabalho que obteve em sua ida à Pernambuco pareciam incertas – conforme soube à noite,
durante uma reunião da sociedade. Nesta mesma reunião surgiu Aurélia Camargo,
deslumbrante como sempre, para uma maior contrariedade de Seixas.

No dia seguinte, após uma noite de insônia, Seixas viu-se preso a um destino implacável:
mais anos de serviço público, a velhice dependente de uma mísera aposentadoria. Seria até
possível, em questão de dois anos, com um comportamento mais econômico, reparar os
danos feitos à propriedade da família. Mas ele não conseguiria manter-se distante dos bailes
e dos luxos aos quais se acostumara. A única alternativa, portanto, era ceder à proposta
daquele Sr. Ramos e casar-se com a moça que, conforme imaginava, seria uma mulher feia,
provavelmente vinda da roça.

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Foram estas as condições que levaram Fernando à procura do “Sr. Ramos”, conforme
relatado no capítulo anterior. Agora, passados três dias do recebimento dos vinte contos de
réis iniciais, chega-lhe uma carta marcando para o dia seguinte o esperado encontro com a
futura noiva: o próprio Lemos foi buscar-lhe e brincava com o fato de que a moça teria
algum defeito, apenas por gozação. A única ressalva era que ele mantivesse discrição sobre o
acordo, pois a moça, segundo Lemos, não saberia de tal negócio.

Capítulo 10
Sr. Lemos levou Fernando Seixas à casa de Aurélia, onde já estavam Torquato Ribeiro e D.
Firmina Mascarenhas. O surgimento da moça causou o tradicional deslumbre entre os
convidados que surgiam, tamanho o luxo que ela ostentava em suas roupas e joias.

Enfim, Fernando Seixas foi apresentado por Lemos à Aurélia. Incrédulo com a situação,
Seixas precisou esforçar-se para manter a compostura: viu-se unido novamente à mulher
que imaginava ter se distanciado para sempre, e uma breve satisfação invadiu-lhe. Aurélia
impulsionou a conversa, perguntando-lhe sobre sua passagem por Recife, até que chegaram
mais convidados para ocupá-la. Lemos convidou Seixas para revelar-lhe sua identidade,
justificando a necessidade do disfarce até então.

Mais tarde, quando Seixas fumava recostado à janela, Aurélia foi procurá-lo: ele se
questionou se estava ali por uma graça ou por uma ironia do destino, concluindo que se a
felicidade fosse algo possível, ela estava sorrindo para ele naquele momento. Aurélia,
incorporando o papel de dama afortunada, afirmou que a única coisa que diziam que lhe
faltava era um noivo: tarefa a qual seu tutor, Sr. Lemos, estava incumbido. Segundo ela, era
um desperdício de tempo a escolha de pretendentes: apenas confiaria na sorte e bastaria que
o escolhido a agradasse para que o casamento fosse consumado.

Por fim, Seixas tentou relembrar o passado de ambos, mas Aurélia foi enfática ao dizer
aquela relação estava morta e enterrada: um novo relacionamento surgiria a partir daquela
noite.

Capítulo 11
Fernando e Aurélia passaram a conversar frequentemente nos encontros da sociedade: ele
sentia que um romance entre os dois poderia reduzir o peso do acordo financeiro firmado
com o Sr. Lemos. Porém, sempre que a cortejava, Aurélia mantinha certa insensibilidade; e
quando tocava em assuntos do passado, ela mantinha a convicção de que o passado era
morto.

Certa vez Fernando perguntou ao Sr. Lemos o porquê de tê-lo escolhido como pretendente,
e ele respondeu que tratava-se do romance passado, do qual tinha conhecimento, que havia
influenciado na escolha. Tal posição tranquilizou Seixas, que passou a acreditar que era um

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acerto do destino que o levava a concretizar aquele amor – e isso purificaria a transação
financeira que, afinal, era muito comum naquela época.

Desta forma, Seixas permaneceu com seus galanteios à sua prometida, até o dia em que
Lemos chamou-o para concretizar o enlace: na casa de Aurélia, a jovem entregou sua mão
ao rapaz, ressalvando que a mulher a quem ele amou não mais existia, mas estava em suas
mão a chance de fazê-la reviver. Seixas prometeu, sempre de forma poética, tornar real esse
afeto.

A sociedade fluminense recebeu a notícia do casamento com espanto; os antigos


pretendentes ainda acreditavam que a união poderia não se concretizar, mas Aurélia cada
vez menos aparecia em público, exceto nas reuniões em sua própria residência. Nestas
situações, Fernando Seixas não cansava de bajulá-la, até o ponto em que Aurélia pedia
alguns instantes “para respirar”, pois nunca havia se sentido tão amada.

A casa era preparada para o evento e os padrinhos eram escolhidos: do ponto de vista de
Fernando eram necessários homens renomados, ministros, senadores, mas Aurélia fez uma
escolha excêntrica: pediu que fosse apadrinhada por Dr. Torquato Ribeiro, um simples
bacharel.

A documentação do casamento foi ajeitada em cartório, incluindo o dote de cem contos de


réis – condição apresentada por Lemos a Fernando como indispensável, mas que, no
entanto, era uma solicitação da própria Aurélia – que disfarçava não estar atenta a quaisquer
destes detalhes financeiros.

Capítulo 12
O casamento se realizou na presença de poucos e bem escolhidos convidados da sociedade.
Não haveria lua-de-mel, nem baile, conforme desejo de Aurélia.

A noiva estava esplêndida e realizou os votos com todo o decoro esperado. Seixas exprimia
um sorriso de grande felicidade. Ao final todos cumprimentavam os noivos, saudando-os
pela sorte que os unia. Estavam lá também D. Camila e suas filhas, que se retiraram após o
fim da cerimônia.

Lemos dirigiu Fernando Seixas a seu novo aposento, apresentado-lhe todo o tipo de
riquezas à sua disposição: enxovais, joias, perfumes e roupas caras. Seixas apenas se sentiu
mal quando Sr. Lemos comentou que todos aqueles itens eram à parte do “ajuste” realizado
– isso fazia-o lembrar o acordo financeiro por trás daquela união.

Em seguida o velho Lemos reuniu-se alguns negociantes e um tabelião para testemunharem,


numa outra saleta, o testamento que Aurélia redigira – esta era, segundo ela, sua última
excentricidade. Havia um grande contraste entre a áurea da noiva recém-casada e da mulher
que confessava seus desejos pós-morte.

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Ao final do ritual, Aurélia dirigiu-se ao seu aposento, com recomendações de felicidade de


D. Firmina e do Sr. Lemos.

Capítulo 13
Na luxuosa câmara nupcial, Aurélia, que havia trocado seu vestido de noiva por um traje de
esposa, refletia sobre sua condição: desejava ser como qualquer outra mulher, que se
entregaria ao amor em um casamento perfeito, mas não era este seu destino, pois isto trairia
seu verdadeiro e puro amor.

Ao receber Seixas no aposento, questionou-lhe se ele realmente a amava. Após a resposta


positiva e as promessas de amar unicamente a ela, Aurélia revelou-se: questionou se ele não
poderia ter guardado seu amor a alguma outra senhora mais rica. Perplexo, Fernando ouviu
de sua amada que todo o casamento fora um teatro e eles os grandes atores de uma
comédia. Ela era uma mulher traída e ele um homem vendido.

Todo o sarcasmo de Aurélia rebateu em Fernando, levando-o a pensar unicamente na


morte: dela, dele, ou de ambos. Percebendo tais pensamentos, Aurélia convidou seu marido
a sentar-se para entender a razão de sua “compra”.

PARTE 2 - QUITAÇÃO

Capítulo 1
Dois anos antes do casamento de Aurélia e Fernando, vivia a moça junto de sua mãe
enferma, D. Emília Lemos.

Emília, quando jovem, apaixonou-se por um estudante de medicina, Pedro Camargo. Sr.
Manuel Lemos, irmão mais velho de Emília, verificou que Pedro era filho de um rico
fazendeiro com uma rapariga, porém ainda não reconhecido oficialmente – o que seria
necessário acontecer para que a família de Emília autorizasse a união.

Os dois jovens, no entanto, casaram-se às escondidas. Quando o fazendeiro Lourenço de


Souza Camargo soube que seu filho havia se juntado a uma moça na corte, mandou buscar
Pedro de volta à fazenda. O jovem prometeu à Emília que confessaria sua união a seu pai e
voltaria em breve, mas ele não teve coragem para tanto, uma vez que ainda era possível que
seu pai o renegasse.

Durante um ano Pedro correspondeu-se com Emília jurando-lhe amor e também lhe
enviava dinheiro para manter sua casa na cidade. Quando o fazendeiro imaginou que havia
acabado o romance de seu filho, permitiu que este retornasse a corte. Assim Pedro e Emília
uniam-se, amavam-se e depois separavam-se. Frutos desta relação nasceram Emílio
Camargo – a quem a mãe queria chamar Pedro, mas não o fez por pedido do próprio

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marido, que considerava aquele nome triste – e Aurélia Camargo – nome da mãe de Pedro,
que havia morrido ainda envergonhada por seu ato.

Passaram-se doze anos nestas circunstâncias, até que o fazendeiro Lourenço cobrou de seu
filho Pedro o casamento com a filha de outro rico fazendeiro. Pedro Camargo, sentindo-se
pressionado pela vontade de seu pai e contrariado por seu compromisso com Emília Lemos,
isolou-se num rancho abandonado para decidir-se. Lá adoeceu e, antes de falecer, confiou a
um tropeiro, que estava à caminho da corte, três contos de réis que deveriam ser entregues a
Emília – e assim foi feito.

Viúva, Emília viveu em luto até o dia de sua morte.

Capítulo 2
Viúva, Emília isolou-se ainda mais. Tendo dois filhos para criar, pediu ajuda ao seu sogro, o
fazendeiro Lourenço. Não reconhecendo tal relação, ele lhe enviou um conto de réis junto
ao pedido de que não mais o importunasse.

O filho Emílio, apesar de ter acesso a bons estudos, era incompetente em qualquer tarefa. A
função de corretor de fundos, conseguida por meio de um correspondente de seu pai,
acabava sendo exercida por sua irmã Aurélia, que se dava melhor com os números.

A esta moça sobravam também as tarefas domésticas e algumas costuras que somavam à
renda da casa, enquanto sua mãe, sempre enferma, cobrava-lhe um marido que garantisse
seu futuro. Aurélia, no entanto, não se interessava por tal empenho – ela ainda sonhava
com o ideal romântico para o matrimônio.

Certo dia de calor Emílio tomou um banho gelado que lhe rendeu uma pneumonia mortal,
sendo que Aurélia cuidou-lhe como uma mãe, até o último momento.

Emília, vendo o destino solitário e indigente que restaria a Aurélia, insistiu que a filha fosse
à janela para mostrar sua beleza a algum homem que havia de querê-la como esposa.
Contrariada, a moça obedeceu ao pedido, somente para satisfazer o desejo da mãe.

Capítulo 3
As idas de Aurélia à janela, para atender ao desejo de sua mãe, logo tornaram-se notícia
entre as rodas de rapazes, que começaram a passear por sua rua para conquistá-la. A garota,
no entanto, mantinha-se como uma estátua, sem ceder a qualquer galanteio.

Sr. Lemos, tio de Aurélia, soube de sua situação e começou a visitá-la. Imaginando que uma
reconciliação entre o tio e sua mãe garantiria um arrimo para a família, Aurélia o recebia
diariamente para alguma conversa – os que não sabiam de seu parentesco estranhavam seu
gosto por um senhor tão velho, enquanto tantos jovens a procuravam.

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O tio Lemos, certo dia, entregou-lhe uma carta: a jovem imaginava que era a concretização
de seu desejo, da reconciliação familiar; no entanto, havia naquele papel a sugestão de que
ela se tornasse uma prostituta, tendo no tio um empresário. Tal proposta fez com que
Aurélia se entregasse em orações de purificação. Daquele dia em diante, fechava a janela
sempre que via Lemos se aproximando.

A atitude do tio inspirou outros rapazes que também entregavam-lhe cartas e flores. Alguns
até insistiam em chamá-la mesmo depois de a janela ser fechada. Para resolver a questão
Aurélia convidou um dos rapazes a entrar em sua casa, chamando sua mãe para conversar
com ele: assim sinalizava que não teria qualquer relação senão por meio do casamento.

Usando dessa estratégia, após certo tempo, Aurélia permanecia à janela para satisfazer sua
mãe, mas não sofria tanto com as investidas dos pretendentes.

Capítulo 4
Fernando Seixas soube da existência de Aurélia em uma roda de amigos, que o levou até a
janela da tal moça. O cruzamento de olhares entre os dois ficou marcado na memória de
ambos: Aurélia lembrava-se do moço e ele foi visitá-la mais vezes noutros dias, até declarar
seu amor, que era enfim correspondido.

Por outro lado, entre vários pretendentes, havia Eduardo Abreu, tímido jovem de família
muito rica. Encantado pela pureza de Aurélia, pediu sua mão à D. Emília, que confiou a
Aurélia a decisão final, deixando claro que somente esta união a deixaria tranquila quanto o
seu futuro. D. Emília, porém, sabia que o coração de sua filha pertencia a Fernando Seixas,
compreendendo, por experiência própria, a tendência de a garota não aceitar o casamento
com Eduardo Abreu apenas pela comodidade material.

Em uma das visitas de Fernando, D. Emília resolveu tratar diretamente sobre o futuro
casamento: Seixas deixou claro que ainda não poderia garantir uma vida luxuosa à sua filha,
porém em um ano teria algum avanço profissional que melhoraria sua situação. Todavia,
sabendo das melhores propostas que Aurélia recebia, concordou em abrir mão de seu amor
para garantir um destino mais feliz à sua amada – tal postura agradou a D. Emília.

Por fim, Aurélia rejeitou a proposta de Eduardo, seguindo seu coração. Sabendo de tal
decisão, Seixas foi à sua casa pedir sua mão em casamento, que foi concedida por D. Emília.

Capítulo 5
Sr. Lemos, ao saber do futuro casamento da sobrinha, decidiu entrar em ação para evitá-lo e
dar continuidade a seus próprios planos para a garota. Percebeu ele que Fernando Seixas
estava a galantear outra dama, Adelaide, cujo pai, Tavares do Amaral, era seu amigo.
Preocupado com a aproximação de sua filha e Dr. Torquato Ribeiro, um homem pobre,

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Amaral foi facilmente atraído pela ideia que Lemos lhe ofereceu: unir Adelaide a Fernando
Seixas.

Fernando galanteava Adelaide da mesma forma de galantearia qualquer bela moça, como
também era costume da época. Além disso, o compromisso do casamento com Aurélia, uma
garota pobre, começou a pesar-lhe. A ideia de formar uma família era menos atrativa do que
a manutenção de sua vida luxuosa na corte, e ambas realizações não poderiam acontecer em
conjunto. Largar Aurélia, quase órfã, no entanto, também causaria danos à sua imagem.

Percebendo a tristeza que tomou conta de Seixas, Aurélia ofereceu que fosse feito o
desenlace do compromisso, sem negar que continuaria o amando. Tal declaração deixou
Fernando ainda mais aturdido.

Nessa situação, Seixas foi convidado por Tavares do Amaral a frequentar sua casa. Dr.
Torquato Ribeiro, notando a inclinação de Adelaide, abriu mão do romance e deixou o
caminho livre para Fernando. A garota seduzia o novo pretendente quando seu pai, Amaral,
ofereceu a mão da filha em casamento junto a um dote de trinta contos de réis. Seixas o
aceitou.

Capítulo 6
Fernando passou a visitar Aurélia mais raramente, até o dia em que assumiu que não
manteria seu compromisso, justificando-se pela vida pobre que levariam juntos. A moça
ainda argumentou que a pobreza era sua conhecida desde sempre e que seu amor era
superior a isso, mas Seixas insistiu que ela haveria de encontrar um partido que lhe desse
melhores condições materiais.

Aurélia resignou-se, com seus pensamentos românticos, aceitando seu destino trágico de um
amor impossível, imaginando que Seixas estaria enamorado por outra moça, realmente.
Torquato Ribeiro, nessa época, passou a visitá-la, lamentando a impossibilidade de casar-se
com Adelaide, pela imposição de seu pai, Tavares do Amaral. Aurélia desconfiou, desde
então, que Fernando poderia não estar apaixonado por Adelaide, mas sim interessado em
sua posição social. Até o dia em que recebeu uma carta anônima que confirmava seus
pensamentos: nela havia a denúncia de que Seixas a deixara por um dote de trinta contos de
réis, que ganharia casando-se com Adelaide.

A quebra do ideal romântico de Aurélia foi mais dura que a perda inicial de seu amado: isto
fazia com que ele deixasse de ser seu ídolo, ainda que distante, para tornar-se totalmente
indigno de seus sentimentos. Nessa época percebeu a visita frequente, em sua rua, do Sr.
Lemos, sempre risonho – imaginou que teria sido ele o autor da carta anônima, como
realmente o foi.

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Eduardo Abreu, sabendo da desistência de Seixas, e para a alegria de D. Emília, tornou a


pedir a mão de Aurélia. Mas a jovem continuou a recusar um casamento de conveniência,
que não levaria em conta seus sentimentos. Abreu então partiu para a Europa.

Enquanto isso, Fernando Seixas percebia que também seria um peso seu casamento com
Adelaide: precisaria de muito mais dinheiro para manter uma casa de família, teria que abrir
mão de sua vida de boemia. Não poderia, também, quebrar a promessa feita ao pai da
jovem. Aproveitando o momento político, em que ele poderia ter uma importante
candidatura, arranjou uma viagem inadiável ao norte, estendendo o prazo para seu
matrimônio – e ganhando tempo para escapar dele.

Capítulo 7
Certo dia surgiu à casa de Emília um homem vindo do interior: era Lourenço Camargo, o
fazendeiro, pai de Pedro Camargo, que alegrou-se ao reconhecer sua neta, Aurélia. Tal
informação ele encontrou quando se desfazia de uma velha maleta deixada por seu filho:
nela havia uma carta que Pedro escrevera quando pensava em suicidar-se, solicitando que o
pai reconhecesse e cuidasse de seus herdeiros, juntamente ao documento de casamento e
batismo de seus filhos.

Lourenço era um homem rude, mas direito, e logo foi à corte para reconciliar-se com
Emília. Entregou à neta que um maço de papéis para que fosse aberto somente quando
solicitado por ele, além de algum dinheiro para elas se manterem. Enquanto isso, iria à
fazenda dar andamento à uma reforma que permitisse receber dignamente sua nova família.

Nos dias seguintes D. Emília teve seu estado de saúde agravado e Aurélia pediu, por carta,
ajuda a seu avô, mas este não lhe respondeu. Depois soube que, ao chegar à fazenda,
Lourenço encontrou diversos jovens que se diziam seus sobrinhos, junto de suas mulheres,
um juiz de paz e um advogado: eles queriam anular o possível testamento que Lourenço
teria feito na corte, deixando todos seus bens a uma rapariga que não seria digna de tal
herança. O fazendeiro enervou-se e espantou tais pessoas usando da força bruta, com auxílio
de seus escravos, mas sofreu um mal que veio, dias depois, a causar-lhe a morte.

Dentro dos mesmos dias falecia D. Emília, deixando Aurélia totalmente órfã. Dr. Torquato
Ribeiro compadeceu-se da situação da garota, tratando do sepultamento e conseguindo a
companhia de D. Firmina Mascarenhas, enquanto o Sr. Lemos e sua família negaram
qualquer auxílio.

Capítulo 8
Preocupada por tornar-se um peso a D. Firmina Mascarenhas, Aurélia colocou anúncios no
jornal em busca de algum trabalho.

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Dias depois, no entanto, surgiu um correspondente de seu avô informando-lhe sobre a sua
morte e a necessidade de abrir o envelope que fora deixado com ela. No pacote Lourenço
havia deixado o testamento que reconhecia Pedro como seu filho e Aurélia como herdeira
de toda sua fortuna – em torno de mil contos de réis.

Nesse momento todos familiares de Aurélia surgiram para agradá-la e seu tio Lemos foi ao
juiz para tornar-se tutor de sua sobrinha. Aurélia aceitou tal condição, pois acreditava ter
algum controle sobre o Sr. Lemos, e desde que permanecesse morando em casas separadas.

O enriquecimento súbito de Aurélia a fez pensar que deveria usar seu dinheiro para
combater aquela sociedade sem princípios morais que se apresentava. Já estava aí formada a
ideia de seu futuro casamento com Fernando Seixas.

Suas primeiras ações, no entanto, foram de pagar todas as dívidas que sua mãe havia
juntado e retribuir Dr. Torquato Ribeiro por todo o apoio dado desde que ficou órfã.
Soube, neste momento, que o sepultamento de sua mãe fora pago por alguma parenta que
não quis se identificar, deixando apenas um bilhete.

Após seis meses de luto, Aurélia surgiu na sociedade adotando um papel para o qual havia
ensaiado: era a mais cortejada moça, mas fazia pouco caso de todos seus adoradores.

Encontrando Eduardo Abreu, que voltara da Europa e empobrecera, Aurélia pediu que ele
escrevesse um bilhete: percebeu nele a mesma letra que havia no bilhete da suposta parenta
pagara o enterro de D. Emília. Para agradecê-lo, ela pagou diversas contas suas em lojas da
cidade.

Com a demora de Fernando Seixas em retornar do norte, Dr. Torquato Ribeiro voltou a
aproximar-se de Adelaide Amaral. Aurélia pensou em alguma forma de ajudar esse romance
a acontecer – voltamos, portanto, ao ponto em que se iniciou a primeira parte do livro.

Capítulo 9
Retornamos ao final da primeira parte do romance, no quarto nupcial, quando Aurélia
revela a Seixas que o comprou apenas para testá-lo: se recusasse o dote, declararia todo seu
amor a ele; mas como o aceitou, apenas foi consolidada a negociação barata que era o
casamento e desfez-se de vez o encanto que Aurélia por ele sentia. A senhora então lançou
aos pés de Fernando o cheque com os oitenta contos restantes do dote combinado.

Após instantes de silêncio, Aurélia pede que Fernando continue com seu teatro, que seja seu
marido e que diga que a ama. Fernando, no entanto, revela que sentiu verdadeiro amor por
ela, mas já não o sente mais: ironicamente, diz que isto seria insultá-la e vingar-se, o que
não estava disposto a fazer. Ela o comprou como marido e o teria como marido, mas
somente isso.

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Por fim, Aurélia, envergonhada daquela situação, ordenou que Seixas se retirasse. Assim que
ele saiu do quarto nupcial ela trancou a porta que dava acesso ao seu aposento e, ao
retornar, desmaiou ao chão.

PARTE 3 - POSSE

Capítulo 1
Em seu quarto, Seixas passou por uma intensa crise emocional: avaliou todos os luxos que o
cercavam e que antes lhe atraíam, mas agora o repulsavam. Olhando para fora, para as
plantas, para o céu, com suas estrelas e nuvens, sentiu como nunca a beleza que a natureza
lhe proporcionava, chegando a derramar algumas lágrimas.

Indo à escrivaninha, preparou-se para escrever uma carta, mas desistiu após a pena emperrar
no tinteiro. Depois foi à penteadeira e guardou todos os objetos de valor nas gavetas,
fazendo o mesmo em todos os móveis de seu aposento. Procurou, em seguida, alguns trajes
que havia trazido de sua casa e vestiu os mais modestos deles. Acendeu um charuto e foi à
janela, sentiu-se preparado para enfrentar a situação em que se colocou.

Refletindo sobre o debate travado com Aurélia, Seixas agora sentia alguma admiração pelo
amor que ela lhe dedicou. Não era apenas um amor romântico, como um capricho, uma
atração ao acaso, como ele imaginava que era qualquer amor. Agora, por ironia, não amaria
a ela, nem a ninguém mais.

Já amanhecia quando Fernando desceu ao jardim e continuou a apreciar a beleza das


plantas e suas flores, em contraste com as belezas artificiais que valorizava até então, levado
pelas convenções sociais em que vivia. Agora uma nova energia envolvia sua alma, algo além
do material.

Observou do lado de fora da grade um mascate (vendedor ambulante) que por algum
estranho motivo estava ali àquele horário. Pediu a ele um pente e uma escova de dentes,
deu-lhe o dinheiro e não aguardou o troco, pois tinha pressa de voltar ao seu aposento,
evitando que qualquer pessoa o visse.

Já com o sol alto, um criado bateu à sua porta para servir-lhe, mas ele não respondeu.
Preparou-se com o pente e a escova que comprara, saindo em seguida e esperando, sentado
ao corredor. O criado surgiu novamente, questionando os gostos de seu senhor quanto ao
jornal, ao horário de almoço e a um eventual passeio, colocando-se à sua total disposição.
Em suas respostas Fernando deixava claro que não tinha nenhum desejo a ser satisfeito e
tudo poderia correr como sempre foi naquela casa.

Às dez horas foi servido o almoço e Fernando foi chamado, à mando de sua senhora.

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Capítulo 2
Na sala a mesa estava servida com grande variedade de alimentos. D. Firmina e Aurélia já
estavam no local. Fernando dirigiu-se à sua esposa para cumprimentá-la, cumprindo seu
papel de marido, e Aurélia recebeu a saudação com um olhar de desprezo.

Chamando o marido e D. Firmina para o almoço, Aurélia já atuava sem demonstrar


qualquer sarcasmo: comia e conversava alegremente. Tal representação fez com que Seixas,
por alguns instantes, esquecesse a situação que estava vivendo. Mas não demorou para que
ele sentisse a ironia retornar às palavras de Aurélia: percebendo que ele havia se servido com
muito pouco, e dos mais simples pratos, a senhora ofereceu servir-lhe outros alimentos, os
quais Fernando recusou, usando da mesma ironia, dizendo que sua felicidade lhe tirara o
apetite…

O clima tenso, porém aparentemente dentro da normalidade seguia: Seixas lia o jornal
quando o criado ofereceu-lhe charutos de Havana. Fernando recusou, dizendo ter os seus, e
Aurélia respondeu que aqueles também eram dele, afinal. Questionando se ela não se
incomodaria com a fumaça, Aurélia afirmava que deveria aceitar as vontades do marido –
Fernando rebateu, dizendo que como marido ele não possuía vontades, mas somente
deveres.

Os diálogos irônicos seguiam: Seixas lia para a esposa algumas notícias do dia, ela criticava a
qualidade do folhetim nacional – sendo que Seixas trabalhava como escritor. Em seguida
Seixas abriu um álbum de celebridades europeias, questionando que ninguém ainda havia
feito um com as celebridades nacionais, uma vez que haveria muitos interessados em
comprá-los, assim como muitos pretendentes a serem fotografados, considerando a
sociedade de aparências em que viviam… Sarcástica, Aurélia comentou que quase fora
citada em uma revista como “uma brasileira notável”, por conta da herança que recebera.

Já era uma hora quando o criado os chamou para o lanche.

Capítulo 3
Seguindo a moda europeia, o lanche foi servido com uma imensa variedade de frutas,
massas e queijos. Fernando mostrou-se indisposto a comer e Aurélia o obrigou a se
alimentar ao menos com algumas frutas. Aurélia retirou-se imaginando que assim o marido
sentiria-se à vontade para lanchar, mas depois percebeu que isto não alterou o
comportamento de Fernando, que permanecia inerte.

Após o lanche, Aurélia pensou em convidar Fernando a um passeio pelo jardim, mas achou
melhor ficar longe os olhares curiosos da vizinhança. Permaneceram, portanto, na saleta em
que observavam álbuns de fotografias e discutiam banalidades, nunca deixando de lado o
sarcasmo em suas expressões.

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SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

Às três horas ambos foram aos seus aposentos para se arrumarem para o jantar: Aurélia
tinha em seu peito um coração abalado; Seixas sentia-se cansado de sua atuação como
marido. Um criado sempre se colocava à disposição de Fernando, sugerindo passeios de
charrete ou qualquer outra atividade, à mando de Aurélia – isso fazia o noivo sentir cada vez
mais o peso de ter-se vendido àquela senhora. Mesmo a troca de roupas para o jantar, que
outrora seria um ato de grande prazer para Fernando, experimentando roupas novas,
tornou-se irrelevante: ele apenas ajeitou uma nova gravata.

D. Firmina esteve presente no jantar, dando notícias dos inúmeros comentários que havia
na corte: o casal era visto por todos como o mais perfeito possível. Aurélia respondia a tais
elogios comemorando sua “enorme felicidade” e Fernando confirmava tal sentimento.

Mais tarde Aurélia chamou Fernando, ordenando-lhe que lhe desse o braço e acendesse um
charuto, para que fossem ao jardim observar o céu e as plantas. Seixas usou o pouco
conhecimento que tinha de botânica para preencher uma conversa. Aurélia ressaltou que
sempre gostara de flores, até o dia em que quiseram ensinar-lhe detalhes de botânica,
advertindo, no entanto, que apreciara seu esforço.

Voltando ao interior da casa, sentaram-se ao sofá enquanto D. Firmina distraía-se com os


folhetins dos jornais, esforçando-se para não olhar os noivos que, segundo ela imaginava,
deveriam estar trocando carícias. Fernando e Aurélia, no entanto, mantinham-se distantes
tanto fisicamente quando no pensamento: Aurélia estava exausta de sua encenação;
Fernando sentia-se incomodado com algo que estava para acontecer – e somente não sabia
o que era.

Às dez horas D. Firmina retirou-se e Aurélia aproximou-se de Fernando com uma forte
expressão sarcástica: trazia em sua mão dois objetos, um embrulhado em papel branco,
outro colorido; entregou este último a Seixas, desejou-lhe boa noite e foi dormir.

Capítulo 4
O objeto entregue a Seixas era a chave de seu aposento individual, mais uma forma de
humilhação que Aurélia usava contra seu marido. Ele, no entanto, procurou forças para
manter-se desligado daquele mundo de luxos.

Os dias de lua-de-mel passaram-se como o primeiro, até que no quinto dia Fernando
decidiu voltar à sua rotina de trabalho. Porém, se antes ele apenas assinava o ponto em sua
repartição, agora cumpria seu horário rigorosamente, empenhado em suas tarefas – para o
escárnio de seus colegas de trabalho, que estranhavam sua mudança de hábitos. O
cumprimento de tal horário o obrigava a almoçar mais cedo e o poupava de um período
maior em companhia de sua esposa.

Percebendo a atitude do marido, Aurélia questionou se ele realmente necessitava empenhar-


se tanto no emprego público e zombava-o, oferecendo-lhe um salário maior para ser seu

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SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

empregado. Mas Fernando manteve-se firme e ressaltou que sua relação com ela era apenas
a de marido.

Fernando ia à pé até o ponto onde apanhava uma gôndola (bonde com tração animal) para
ir ao trabalho. Aurélia questionou esta atitude do marido e refletiu: era necessário que ele se
sujeitasse à posição que tomou ao casar-se com uma milionária – a sociedade os media pelas
suas roupas e aparências, então era necessário mantê-las – isso a moça dizia já com lágrimas
nos olhos, pois também era para ela uma tristeza saber que para “o mundo” seus bens
materiais valiam mais que sua alma. Mas logo refez-se em sua ironia, dizendo que assumiria
para “o mundo” a postura que ele esperava dela, assim como seu marido deveria fazê-lo,
indo de carro à repartição.

Voltando do trabalho, Fernando trocava poucas palavras com Aurélia, exceto se houvesse
algum convidado: então dava-lhe um beijo para demonstrar a suposta harmonia do casal.

Aurélia percebeu que Fernando não usava das roupas novas que lhe eram oferecidas em seu
armário. Ela, por outro lado, esbanjava na troca constante de seus vestidos e adereços, o que
fez com que uma de suas empregadas mais próximas comentasse sobre comportamento
oposto que tinha seu marido, muito econômico, poupando até mesmo o uso do sabonete.
Ouvindo isso, mesmo intrigada, Aurélia espantou a serva, pois não achava prudente tratar
de assuntos pessoais com a criadagem.

Capítulo 5
No dia seguinte, depois de almoçar e certificar-se que Fernando havia saído, Aurélia decidiu
verificar como estava o quarto de seu marido: todas as prateleiras estavam vazias e todos os
objetos de luxo estavam guardados nos armários e nas gavetas, intocados. Não entendia qual
o propósito de Seixas com tais ações: os empregados viam tudo como mera avareza, mas ela
sabia que aquilo tinha algum outro propósito, partia de alguma ideia fixa na mente de
Seixas.

Após o jantar, no tradicional passeio pelo jardim, Aurélia questionou tais hábitos de
Fernando: o marido que ela havia comprado era um homem nobre, não um avarento.
Seixas decidiu abrir seu jogo: ele cumpriria todas as suas funções de marido, com respeito,
fidelidade e até mesmo amor – mas este nunca seria verdadeiro, como seus loiros cachos de
cabelos, mas falso como as mechas postiças que algumas mulheres usavam, afinal havia sido
comprado.

Aurélia enraivou-se com tal postura de Fernando, argumentando que ela entendia muito
bem da matéria de amor, e que se havia ainda algo do amor que ela sentiu por ele, já estava
morto e logo seria enterrado.

Fernando reafirmou que vendeu-se como um marido, mas não sua alma ou seu caráter,
portanto tinha o direito de encenar a avareza, se assim preferisse; ela não poderia forçá-lo a

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SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

ser um esbanjador. Aurélia retrucou que era exatamente isto o que ele era antes do
casamento, ao que Fernando concordou, tanto que foi por essas qualidades que fora
escolhido como marido, mas não seria ele obrigado a mantê-las.

Por fim, Aurélia afirma que esta redenção tardia de Seixas não passa de um arrependimento
covarde, e Seixas retruca que sua sagacidade comprova seu parentesco com o Sr. Lemos.
Aurélia não suportou esta última ofensa e foi sozinha para dentro da casa – pela primeira
vez desde que se casaram.

Capítulo 6
Certa noite enluarada estavam D. Firmina, Aurélia e Fernando sentados à calçada. Este
último recitava suas traduções de poemas de Byron (um poeta romântico inglês)
imaginando que, no entanto, Aurélia não o escutava e D. Firmina não o compreendia.

Houve um momento em que as palavras de Seixas entraram pelos ouvidos da Aurélia como
a narração de um sonho. Ela deitou sua cabeça sobre o ombro do marido, que emocionado
recitou outro poema do romântico inglês.

D. Firmina sugeriu que Fernando publicasse suas traduções, uma vez que se tornara um
homem rico e poderia dispor de tempo para tal tarefa. Seixas recusou-se, afirmando que
continuava sendo um empregado público. Aurélia reagiu a tal afirmação, ironicamente,
dizendo que ele realmente não deveria traduzir Byron, já que este era um poeta pessimista,
que estava distante da feliz realidade que o casal vivia. Com um riso sarcástico, a moça
retirou-se para a sala.

Aurélia convidou Seixas para jogar baralho valendo dinheiro; Seixas recusou-se; Aurélia
ofereceu-lhe dinheiro emprestado; ele negou. Aurélia ficou sem jeito e, após certo tempo,
comentou como considerava desprezíveis os homens que misturam vícios e virtudes, que
não são totalmente bons ou maus: ela preferiria um demônio que a enganasse
completamente, do que um anjo que por vezes falhasse em sua bondade… Então retirou-se
para seu aposento.

Noutro dia Aurélia cobrou que Seixas a acompanhasse a visitas sociais, já que eram casados
há mais de um mês. Fernando pediu que tais visitas ocorressem à tarde, para que pudesse
manter seus compromissos de trabalho, mas Aurélia, propositalmente, ordenou o contrário.

Capítulo 7
Seixas enviava uma carta a seu chefe para justificar sua ausência quando Aurélia comentou
que talvez deixassem as visitas para depois, devido ao calor. Quando Fernando fez menção
de ir ao trabalho, portanto, Aurélia mudou de ideia e decidiu aguardar até o almoço para
tomar sua decisão final – sua intenção era contrariar Seixas a qualquer custo.

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SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

Saíram, enfim, à tarde. Aurélia, em um elegante vestido, era admirada como uma princesa.
Passaram por diversas casas, e Fernando acompanhava a mulher como se fosse apenas mais
um de seus acessórios, sendo quase ignorado por alguns dos visitados.

Quando visitaram Lísia Soares, melhor amiga de Aurélia nos tempos de solteira, a moça fez
menção às cotações que Aurélia fazia de seus pretendentes. A conversa chegou ao ponto em
que Fernando foi convidado a comentar sobre seu “preço”, e ele falou, de maneira séria, que
valera cem contos de réis. Aurélia, entretanto, deu uma gargalhada e desmentiu o marido,
dizendo que o preço pago foi apenas o de seu coração.

Sem entender as pretensões de sua mulher, Seixas questionou como deveria atuar, afinal.
Aurélia afirmou que deveria seguir apenas sua vontade, fosse ela qual fosse, a cada
momento.

Retornando à casa, Aurélia reclamou de cansaço e foi se deitar. Desde a noite em que
Fernando recitara Byron, ele percebia uma maior irritação em sua esposa. Ansiando
entender o que se passava com ela, Seixas pensou em chamá-la em seu quarto, mas deteve-se
e decidiu bisbilhotar pelo buraco da fechadura: viu Aurélia imóvel, pálida, estirada sobre o
divã.

Capítulo 8
O narrador faz uma retrospectiva dos desejos e ações de Aurélia desde o dia em que decidiu
casar-se com Seixas até a noite em que se encontrava deitada no divã, no capítulo anterior a
este.

Seu comportamento derivava mais de seu orgulho que propriamente de uma vingança, e ela
fora surpreendida pela postura tomada por Fernando, que mantinha alguma honra e
integridade, ao invés de tomar alguma medida drástica, conforme ela previa – matá-la ou
matar-se.

Assim, conforme seu coração era tomado de alguma afeição por seu marido, ela irritava-se
mais e demonstrava mais ironia, buscando destruir a imagem íntegra que aquele homem
construía, bem como os sentimentos destoantes que nasciam em seu coração.

Ao ver Aurélia imóvel e pálida em seu divã, Fernando quase bateu à porta, porém no
mesmo momento surgiu a mucama em seu aposento.

No dia seguinte Aurélia permaneceu deitada até a hora do jantar, quando Fernando voltou
da repartição. Ela ainda parecia pálida e abatida. D. Firmina puxava a conversa,
comentando sobre a pobreza em que se encontrava um homem da sociedade, Abreu, após
ganhar e esgotar toda uma fortuna de herança. Aurélia comenta que é necessário saber lidar
com a riqueza, tendo a ciência que nem tudo se pode comprar.

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SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

No tradicional passeio pelo jardim, Aurélia sugere que Seixas pegue o cavalo e saia à
vontade, para divertir-se, uma vez que deve estar cansado de sua companhia. Fernando
discorda, afirmando que só sairia se esse fosse o desejo expresso da mulher. Por fim, Aurélia
ressalta que não quer fazê-lo sofrer e propõe, para a surpresa de Seixas, o divórcio.

Capítulo 9
Seixas recusou a proposta de divórcio, dizendo não poder ter de volta a liberdade que ele
vendera. Aurélia tentou convencê-lo, dizendo que poderiam fazê-lo às escondidas, ou por
uma desculpa qualquer, mas Fernando não cedeu. A partir daquele dia o relacionamento
dos dois tornou-se anda mais esquivo.

Com tempo sobrando, Seixas ia visitar a mãe, D. Camila, que continuava vivendo da
mesma maneira. Os vizinhos comentavam o fato de Fernando, agora rico, não auxiliar sua
família, nem levá-la para visitar sua casa. Apesar dos pedidos de Mariquinhas que fossem
visitar o irmão, D. Camila entendia que poderiam importunar Aurélia com sua presença, e
respeitava, portanto, as vontades do filho.

Aurélia também o questionou por que não convidava sua família para sua nova casa.
Fernando argumentou que não desejava que sua mãe descobrisse o quanto era infeliz – pois
ele poderia fingir o oposto a qualquer pessoa, menos à sua mãe.

Certo dia Fernando recebeu o convite de sua irmã Nicota para seu casamento: foi à ele
sozinho, à pé, sem avisar Aurélia. As pessoas repararam o estranho comportamento,
acreditando que tratava-se apenas da avareza do rapaz.

Também casaram-se Dr. Torquato Ribeiro e Adelaide Amaral, que teve Aurélia como
madrinha. Seixas enxergava no altar as duas moças as quais traíra, não pela paixão, mas pelo
interesse: era o seu passado que o assombrava. Mantinha, entretanto, a aparência alegre,
juntamente de sua esposa, e toda a sociedade via ali um feliz casal.

A presença de Fernando era cada vez mais um incômodo para Aurélia, que passava dias
evitando-o.

Seixas procurou Lemos a fim de saber sobre um possível investimento de seu dinheiro, mas
recusou suas propostas. No mesmo dia encontrou Abreu que, após perder sua riqueza, vivia
de jogos de azar e foi convidado a um endereço em que se jogava à roleta todas as noites.
Quase foi ao local, mas desistiu na última hora.

Capítulo 10
Certo dia havia na varanda da casa dois cavaletes com os esboços dos retratos de Aurélia e
Fernando: à pedido da moça eles foram feitos baseados em fotografias e seriam terminados
com os modelos presentes.

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SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

Conforme era finalizado, o retrato de Fernando incomodou Aurélia: ele tinha uma
fisionomia muito séria e triste. O pintor argumentou que apenas pintara o que vira, então a
mulher pediu que lhe desse um tempo para um retoque final.

Aurélia, que antes mantinha-se distante de Seixas, passou a procurá-lo em sua forma mais
alegre, para falar de música, admirar a natureza, ler livros em sua companhia. A mudança
no espírito da moça sensibilizou Fernando de tal forma que sua feição também mudou.

Nesse ponto, Aurélia solicitou que o pintor retornasse ao seu trabalho, conseguindo retratar
um Seixas que aparentava ser mais jovem, mais alegre. Ordenou que fosse feita mais uma
cópia daquele retrato, com o mesmo rosto, porém com outras roupas – as que ele usava
quando a conheceu.

Após isto, entretanto, Aurélia retornou ao seu estado de distanciamento: evitava o contato
com o marido a todo custo. A mudança súbita fez com que D. Firmina reparasse no
comportamento da moça e sugerisse que ela talvez estivesse grávida: Aurélia soltou uma
gargalhada.

Passaram-se meses até que Aurélia voltasse a comportar-se com alegria: agora ela fazia
questão que toda a sociedade notasse sua felicidade. Participava dos bailes, saía a passeios,
realizava reuniões em sua casa.

Comentando com Fernando sobre sua “febre” de divertimentos, a mulher argumentou que
desejava ao menos ser invejada, já que não pôde ser amada, e que toda a vida era apenas
uma ilusão. Fernando mantinha-se cumprindo seu papel, afirmando que era direito de
Aurélia gozar aquela vida, mas que talvez um dia visse a existência por outro ângulo. Aurélia
assumiu que possivelmente deixasse de lado aquelas ilusões e encararia a realidade: com um
sorriso irônico, afirmou que assim talvez eles se entendessem..

PARTE 4 - RESGATE

Capítulo 1
Houve um baile em que Aurélia, enfeitada e formosa como sempre, dançou até o fim da
noite.

No carro, retornando para sua casa, reclamava de cansaço para Fernando, deitando-se em
seus braços de maneira sedutora.

Ao chegar à casa, ela pediu que ele a levasse ao seu aposento e quando deitou-se no divã
segurou-se a Fernando reclamando de fraqueza, perguntando se ela tinha febre. Seixas quase
a beijava e ela virava o rosto.

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SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

O marido já se retirava quando ela sentou-se e chamou-lhe novamente, perguntando se ele


realmente a amava. Após a resposta positiva, Aurélia foi até um canto onde havia o retrato
de Fernando, com sua aparência mais jovem, e beijou-o, lamentando que o homem a quem
ela amara era aquele do quadro, não o que estava presente em seu quarto.

Seixas deu boa noite à senhora e perguntou se ele devia permanecer em seu aposento, mas
com um riso de desprezo Aurélia recusou e mandou-o embora.

Capítulo 2
Certa noite um grupo conversava sobre literatura nacional, o que, segundo o autor, era uma
raridade. Apontaram criticamente a obra Diva (cujo resumo também temos em nosso site),
afirmando que a personagem era impossível. Aurélia interessou-se pela leitura e afirmou que
aquela personagem só poderia ser conhecida e compreendida pelo homem que a amou.

Comentou-se também sobre as tentativas de suicídio do jovem Eduardo Abreu, que perdera
toda sua fortuna e agora estava sem amigos. Isto deixou Aurélia apreensiva.

No dia seguinte havia teatro lírico e Aurélia convidou Adelaide Ribeiro ao seu camarote, a
pretexto de falar com seu marido, Dr. Torquato Ribeiro. Ela pediu que ele levasse Eduardo
Abreu com frequência à sua casa, pois assim lhe tiraria a ideia do suicídio.

Durante a ópera, no entanto, Aurélia percebeu Adelaide exibindo seu busto a Fernando
Seixas, que não lhe tirava os olhos. Enciumada, a jovem deu uma desculpa qualquer para
irem embora antes do fim do espetáculo.

Ao partirem, Aurélia questionava Fernando se o ciúme seria fruto do amor ou apenas do


orgulho da posse, concluindo ambos que a última opção era a mais plausível, no aspecto
lógico. De qualquer forma, Aurélia assumiu que sentiu ciúmes de Fernando com Adelaide.

Capítulo 3
Aurélia organizava suntuosos bailes em sua residência. Ela não permitia que o público se
desanimasse: se o salão se esvaziava ela logo chamava pela “quadrilha dos casados”, que era
como uma exigência para que os maridos e suas mulheres dançassem.

Nessas noites surgia Eduardo Abreu, que era tomado por Aurélia para dançar e dar voltas
entre os convivas. Alfredo Moreira, observando o par, fazia comentários maldosos,
lembrando de quando o jovem fora apaixonado pela dama e imaginando que agora ela,
mesmo casada, recebia aquele amor.

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ResumoPorCapítulo.com.br
SENHORA: RESUMO POR CAPÍTULO

Fernando Seixas ouviu a conversa maldosa e reparou na união de Aurélia e Eduardo,


chegando à conclusão que ela talvez o amasse. Em seguida ficou absorto em seus
pensamentos, até que a própria Aurélia surgiu, lhe chamando para o baile.

O diálogo do casal, como sempre, era recheado de ironias, com Seixas se dizendo escravo da
senhora. Aurélia, entretanto, concluiu que poderiam parar de se ferir mutuamente, eram
apenas marido e mulher. Em seguida, entregou seu marido a Adelaide Ribeiro, para uma
contradança, dizendo que o libertava. Seixas disse que rejeitava tal liberdade, mas não diria
o motivo, deixando Aurélia curiosa. Assim que pôde, Fernando entregou Adelaide a outro
cavalheiro.

Capítulo 4
Aurélia, que estava sempre convidando os presentes a valsar, recusava este tipo de dança,
dizendo não sabê-la. Entretanto, a jovem queria se resguardar das sensações que a valsa lhe
proporcionava.

Lísia Soares, num certo momento, levou Fernando Seixas até Aurélia exigindo que o casal
dançasse uma valsa: esse pedido foi reafirmado por todos os presentes, que antes foram
obrigados por ela a dançar e agora queriam um revide.

O casal iniciou a dança, Aurélia pediu que acelerassem o passo. Em seis meses de
casamento, era a primeira vez que os dois tocavam-se tão intimamente. Seus olhares se
cruzavam inebriados pela dança. Havia uma energia que passava pelos corpos dos dois, que
pediam ao maestro um ritmo ainda mais rápido.

De repente, Fernando reparou que Aurélia estava desmaiada em seus braços.

Capítulo 5
Com certo alvoroço, Aurélia foi levada por Seixas ao seu toucador, deitada no sofá. Vinham
médicos, amigas e curiosos para acudí-la quando a jovem reanimou-se e pediu apenas que a
deixassem a sós com seu marido. Alguns consideravam que a valsa fora uma imprudência,
outros achavam que se tratava apenas de um fingimento romântico.

Enquanto recuperava os sentidos, Aurélia mantinha a mão junto à de Fernando, que


preocupava-se que alguém entrasse no recinto e os surpreendesse. Aurélia, no entanto,
iniciou um discurso em que dizia desprezar a opinião pública e que não permitiria que lhe
roubassem o marido, pelo qual pagou tão caro.

Fernando levantou-se, irritado: os movimentos da valsa haviam feito com que ele se
fascinasse novamente por aquela mulher, mas agora percebia que tudo não passava de um
teatro de Aurélia, que o insultava novamente.

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Após mais um diálogo irônico do casal, Aurélia se recompôs e voltou ao salão, pedindo que
dançassem mais uma valsa. Agora, entretanto, valsaram sem o embalo de seus corações, mas
apenas mecanicamente. Os convidados censuravam a dona da casa, dizendo que se arriscava
com mais uma dança.

Capítulo 6
Já haviam saído os últimos convidados quando Fernando procurou Aurélia para pedir-lhe
perdão pela discussão passada, mas a senhora apenas afirmou que era tarde e deviam ir
dormir.

Em seu quarto, Aurélia despiu-se e ficou a admirar o retrato de seu marido na parede: ela
acreditava no amor que sentia por ele e tinha esperança que em algum momento ele
provaria também este amor por ela. Chegou a pensar em ir ao quarto do casal, onde o
encontraria pronto para a entrega romântica, mas hesitou, imaginando que era necessário
aguardar ainda uma prova maior. Rezou para que a felicidade conjugal logo viesse.

Na convivência do casal, Aurélia reparava que Fernando tinha alguns hábitos mudados: seu
caráter era cada vez mais bem trabalhado; havia certa devoção à esposa, que no início podia
parecer algo forçado, mas agora se dava naturalmente. A verdade é que poucas mulheres
tinham um marido tão dedicado como aquele. Apesar a discussão originada pelo baile, com
algum tempo o relacionamento do casal voltaria à normalidade.

Fernando encaminhava-se para a repartição quando encontrou um antigo conhecido,


negociante: veio dar-lhe a notícia de um velho negócio, ainda dos tempos de solteiro, que
agora havia rendido quinze conto de réis. Seixas ficou contente pelo inesperado ganho, mas
sentiu-se mal pela origem do valor: na época ele havia usado da influência de empregado
público para fins pessoais, o que agora parecia algo imoral.

De qualquer forma, apressou-se em retornar à casa para procurar o papel que garantia o
negócio, o qual há tempos não via.

Capítulo 7
Voltando à casa em busca do título, Fernando surpreendeu Aurélia e Eduardo Abreu
reunidos. Todos ficaram desconcertados com o inesperado encontro, mas Fernando
rapidamente saiu em direção ao seu aposento.

Lá chegando, ele abriu a escrivaninha onde guardava papeis antigos e jogou-os ao chão.
Remexendo os impressos, logo encontrou o certificado que precisava e saiu por uma porta
lateral.

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Após despedir-se de Eduardo Abreu, Aurélia foi ao aposento de Fernando e não o


encontrou. Em meio aos papeis que viu jogados no chão, encontrou uma velha lembrança
do relacionamento de Fernando com Adelaide do Amaral: irritou-se e rasgou o papel.

Quando retornou da repartição Seixas não reparou no que Aurélia havia mexido,
preocupando-se apenas em fazer contas de seus negócios.

Durante o jantar Aurélia demonstrou-se irritada, citando Adelaide, mas Fernando já era
indiferente às provocações de sua mulher. Mais tarde, entretanto, procurou-a no jardim
para tirar satisfações sobre a presença de Eduardo Abreu em sua casa na sua ausência,
defendendo sua honra. Aurélia tratou-o com desprezo, dizendo que só deveria prestar esse
tipo de contas a um homem que a amasse, mas este não era o caso, e zombava de como
Seixas preocupava-se com as aparências.

Capítulo 8
Aurélia lamentava seu histórico como órfã que viu seu único amado trocá-la por outra e
depois recebê-la como esposa por um bom dote. Fernando sentia-se mal, mas entendia que
havia cumprido seu papel de marido conforme lhe havia sido solicitado. Aurélia comenta o
fato de Seixas ainda ter guardado lembranças de Adelaide Amaral, o que ele só compreende
ao retornar ao seu quarto e encontrar o tal papel rasgado.

Retornando para tirar satisfações com Aurélia, Fernando surpreende-se com o anúncio de
uma nova visita de Eduardo Abreu. Ele argumenta que a esposa de que não deveria recebê-
lo, mas Aurélia o convence do contrário: não admite que Seixas alimente uma suspeita que
vai contra sua honra, portanto eles devem recebê-los juntos.

Eduardo Abreu recebeu um cumprimento seco de Fernando, que se dirigiu à janela,


deixando-o à vontade com Aurélia. Abreu pensava em desistir da ajuda que a moça havia
oferecido, dizendo preocupar-se com a reação de seu marido e da sociedade, mas Aurélia
insistiu que não havia problemas, pois a confiança era a base de seu casamento.

Certa noite Seixas não apareceu para o jantar. Aurélia preocupava-se quando ele chegou,
pedindo desculpas, pois estava concluindo alguns negócios. Pediu ainda que Aurélia se
encontrasse com ele mais tarde, no seu aposento, deixando-a curiosa sobre qual seria o teor
da conversa.

Capítulo 9
Eram dez horas da noite quando Aurélia abriu a porta do quarto nupcial anunciando que
estava à disposição para Fernando. Ela vestia o mesmo roupão do dia em que haviam se
casado, e seu marido reparou a coincidência.

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Seixas iniciou seu discurso explicando que, na ocasião em que aceitou o dote de seu
casamento, havia acabado com todo o dinheiro de sua família e sua irmã pedia-lhe alguma
quantia para montar seu enxoval. Neste desespero aceitou o adiantamento de vinte contos
de réis.

Após perceber o equívoco em aceitar o casamento de conveniência com aquela que fora sua
amada, Seixas resignou-se em restituir o valor assim que possível, cumprindo, enquanto
isso, seu papel de marido. Nesse ponto, Aurélia concordou que ele agiu de acordo com o
compromisso firmado.

Agora, Seixas havia recebido um valor inesperado de um antigo negócio, que lhe permitia
devolver o valor do adiantamento do dote, com juros, além do cheque com os oitenta
contos restantes, o qual ele nem sequer utilizou. Aurélia recebeu os valores e tratou da
transação como uma negociante. Assim, estava firmado o fim do casamento.

Fernando ainda pediu desculpas por suas ações mal pensadas, que levaram a este desfecho.
Aurélia, por outro lado, também explicava que se chamava Eduardo Abreu à sua casa e o
ajudava, era porque ele a havia ajudado na ocasião da morte de sua mãe.

Seixas propôs que criassem alguma desculpa para a separação do casal, uma doença, uma
viagem à Europa. Aurélia preferiu que tudo fosse feito sem disfarces.

Assim, Fernando despediu-se e saía do aposento, mas Aurélia o chamou: ajoelhou-se


dizendo que, agora que estava extinta aquela relação de aparências, podia declarar seu amor
por ele. Seixas levantou-a, afastando-a, dizendo que eles estavam separados pela riqueza.

Aurélia correu ao seu quarto e trouxe uma carta lacrada, que era seu testamento, fechado
ainda na noite de núpcias. Seixas leu o papel em que ela já declarava seu amor por ele, bem
como o destinava como único herdeiro de sua fortuna.

Fecharam-se as cortinas, o santo amor conjugal era consumado naquela noite.

FIM

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QUESTÕES DE VESTIBULARES
1. (PUC-SP) A questão central, proposta no romance Senhora, de José de Alencar, é a do
casamento. Considerando a obra como um todo, indique a alternativa que não condiz com
o enredo do romance:

(A) O casamento é apresentado como uma transação comercial e, por isso, o romance
estrutura-se em quatro partes: preço, quitação, posse, resgate.

(B) Aurélia Camargo, preferida por Fernando Seixas, compra-o e ele, contumaz caça-dote,
sujeita-se ao constrangimento de uma união por interesse.

(C) O casamento é só de fachada e a união não se consuma, visto que resulta de acordo no
qual as aparências sociais devem ser mantidas.

(D) A narrativa marca-se pelo choque entre o mundo do amor idealizado e o mundo da
experiência degradante governado pelo dinheiro.

(E) O romance gira em torno de intrigas amorosas, de desigualdade econômica, mas, com
final feliz, porque, nele, o amor tudo vence.

2. (FATEC) “Seixas aproximou-se do toucador, levado por indefinível impulso; e entrou a


contemplar minuciosamente os objetos colocados em cima da mesa de mármore; lavores de
marfim, vasos e grupos de porcelana fosca, taças de cristal lapidado, jóias do mais apurado
gosto.

À proporção que se absorvia nesse exame, ia como ressurgindo à sua existência anterior, a
que vivera até o momento do cataclismo que o submergira. Sentia-se renascer para esse fino
e delicado materialismo, que tinha para seu espírito aristocrático tão poderosa sedução e tão
meiga voluptuosidade.

Todos esses mimos da arte pareciam-lhe estranhos e despertavam nele ignotas emoções; tal
era o abismo que o separava do recente passado. Era com uma sofreguidão pueril que os
examinava um por um, não sabendo em qual se fixar. Fazia cintilar os brilhantes aos raios
de luz; e aspirava a fragrância que se exalava dos frascos de perfume com um inefável prazer.

Nessa fútil ocupação demorou-se tempo esquecido. Porventura sua memória atraída pelas
reminiscências que suscitavam objetos idênticos a esses, remontava o curso de sua
existência, e descendo-o, depois o trazia àquela noite fatal em que se achava e à pungente
realidade desse momento.

Recuou com um gesto de repulsão.” (José de Alencar, Senhora)

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Considerando este trecho no contexto da obra a que pertence, é correto afirmar que, nele, a
personagem Fernando Seixas:

(A) rejeita os objetos que o cercam, porque deseja conquistar posição elevada em ambientes

(B) dá-se conta de que aqueles objetos, que tanto valorizara, nesse momento eram a
comprovação dos erros que praticara.

(C) experimenta o fascínio por objetos luxuosos que não são seus e decide lutar para
conseguir possuí-los.

(D) sente renascer nele a revolta por não dispor de meios econômicos para possuir objetos
luxuosos.

(E) relembra infantilmente sua existência anterior, quando podia usufruir do luxo que agora
perdia, e lamenta sua situação atual.

3. (ITA) O romance Senhora (1875) é uma das obras mais representativas da ficção de José
de Alencar. Nesse livro, encontramos a formulação do ideal do amor romântico: o amor
verdadeiro e absoluto, quando pode se realizar, leva ao casamento feliz e indissolúvel. Isso se
confirma, nessa obra, pelo fato de:

(A) o par romântico central — Aurélia e Seixas — se casar no início do romance, pois se
apaixonam assim que se conhecem.

(B) o amor de Aurélia e Seixas surgir imediatamente no primeiro encontro e permanecer


intenso até o fim do livro, quando o casal se une efetivamente.

(C) o casal Aurélia e Seixas precisar vencer os preconceitos sócio-econômicos para se casar,
pois ela é pobre e ele é rico.

(D) a união efetiva só se realizar no final da obra, após a recuperação moral de Seixas, que o
torna digno do amor de Aurélia.

(E) o enriquecimento repentino de Aurélia possibilitar que ela se case com Seixas, fatos que
são expostos logo no início do livro.

4. (UNIFESP) Leia o trecho a seguir, de José de Alencar.

Convencida de que todos os seus inúmeros apaixonados, sem exceção de um, a pretendiam
unicamente pela riqueza, Aurélia reagia contra essa afronta, aplicando a esses indivíduos o
mesmo estalão.

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Assim costumava ela indicar o merecimento relativo de cada um dos pretendentes, dando-
lhes certo valor monetário. Em linguagem financeira, Aurélia contava os seus adoradores
pelo preço que razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial.

O romance Senhora, ilustrado pelo trecho:

(A) representa o romance urbano de Alencar. A reação de ironia e desprezo com que
Aurélia trata seus pretendentes, vistos sob a ótica do mercado matrimonial, tematiza o
casamento como forma de ascensão social.

(B) mescla o regionalismo e o indianismo, temas recorrentes na obra de Alencar. Nele, o


escritor tematiza, com escárnio, as relações sentimentais entre pessoas de classes sociais
distintas, em que o pretendente é considerado pelo seu valor monetário.

(C) é obra ilustrativa do regionalismo romântico brasileiro. A história de Aurélia e de seus


pretendentes mostra a concepção do amor, em linguagem financeira, como forma de
privilégio monetário, além de explorar as relações extraconjugais.

(D) denuncia as relações humanas, em especial as conjugais, como responsáveis por levar as
pessoas à tristeza e à solidão dada a superficialidade e ao interesse com que elas se
estabelecem. Trata-se de um romance urbano de Alencar.

(E) tematiza o adultério e a prostituição feminina, representados pelo interesse financeiro


como forma de se ascender socialmente. Essa obra explora tanto aspectos do regionalismo
nacional como os valores da vida urbana.

5. (PUC-SP) A questão central, proposta no romance Senhora, de José de Alencar, é a do


casamento. Considerando a obra como um todo, indique a alternativa que não condiz com
o enredo do romance:

(A) O casamento é apresentado como uma transação comercial e, por isso, o romance
estrutura-se em quatro partes: preço, quitação, posse, resgate.

(B) Aurélia Camargo, preterida por Fernando Seixas, compra-o e ele, contumaz caça-dote,
sujeita-se ao constrangimento de uma união por interesse.

(C) O casamento é só de fachada e a união não se consuma, visto que resulta de acordo no
qual as aparências sociais devem ser mantidas.

(D) A narrativa marca-se pelo choque entre o mundo do amor idealizado e o mundo da
experiência degradante governado pelo dinheiro.

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(E) O romance gira em torno de intrigas amorosas, de desigualdade econômica, mas, com
final feliz, porque, nele, o amor tudo vence.

6. (UEL) Sobre o romance Senhora, de José de Alencar, é correto afirmar:

(A) Representando a chamada primeira geração romântica indianista, a obra tem como
características mais relevantes a volta ao passado histórico, o medievalismo, a criação do
herói nacional e a religiosidade.

(B) Alguns ingredientes do Romantismo que podem ser apontados no romance Senhora
são: personagens dominadas por instintos, preocupação com classes sociais marginalizadas e
apresentação de uma condição biológica do mundo.

(C) É evidente o paralelo temático entre Senhora e Inocência, romances de José de Alencar
e Visconde de Taunay, respectivamente. Em ambos, o recurso à paisagem, à fauna e à flora
destina-se a compor as personagens e serve para circunscrever a essência da prosa realista
brasileira.

(D) O livro Senhora origina-se das propostas nacionalistas do movimento romântico


porque apresenta uma tendência à representação da cultura popular e propõe a volta às
origens da nação brasileira.

(E) Nesse romance os protagonistas mantêm um conflito ao longo da narrativa, revelando


uma oposição entre o mundo do amor e o do dinheiro. Com isso, a obra traz marcas da
sociedade burguesa brasileira em formação.

7. (UNEAL 2007) “A voz da moça tomara o timbre cristalino, eco da rispidez e aspereza do
sentimento que lhe sublevava o seio, e que parecia ringir-lhe nos lábios c omo aço.

— Aurélia! Que significa isto?

— Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos o nosso papel com perícia
consumada.

Podemos ter esse orgulho, que os melhores atores não nos excederiam. Mas é tempo de pôr
termo a esta cruel mistificação, com que nos estamos escarnecendo mutuamente, senhor.
Entretemos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é, eu, uma
mulher traída; o senhor, um homem vendido.

— Vendido! Exclamou Seixas ferido dentro d'alma.

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— Vendido sim; não tem outro nome. Sou rica, muito rica, sou milionária; precisava de
um marido, traste indispensável às mulheres honestas. O senhor estava no mercado;
comprei-o. Custou-me cem mil cruzeiros, foi barato; não se fez valer. Eu daria o dobro, o
triplo, toda a minha riqueza por este momento.

Aurélia proferiu estas palavras desdobrando um papel no qual Seixas reconheceu a


obrigação por ele passada ao Lemos.” José de Alencar, Senhora

O texto acima está contido na primeira parte do romance Senhora, de José de Alencar.
Sobre o trecho e sobre esse romance, analise os enunciados abaixo.

1) O livro se divide em quatro partes, sendo a primeira delas intitulada "O Preço", de onde
foi retirado o texto; nela, Aurélia revela a Fernando Seixas que o comprara pelo valor de um
dote.

2) As partes intituladas "O Preço", "Quitação", "Posse' e ""Resgate" remetem o leitor ao


universo capitalista de mercado e compreendem, ao mesmo tempo, a história do romance,
ao sugerir que as relações sociais são mediadas pelo valor de troca.

3) No texto, ao dizer a Seixas que os dois estão representando uma comédia, Aurélia
demonstra sua lucidez por meio do sarcasmo: como todos no meio social, ela e o esposo
representarão felicidade para os demais, apesar de não se sentirem felizes.

4) Embora analise as relações sociais sob uma perspectiva mais realista, o romance Senhora
trai sua condição romântica, na medida em que, no desfecho, a protagonista esquece o
passado em nome do verdadeiro amor.

Estão corretas:

(A) 1 e 3 apenas

(B) 2, 3 e 4 apenas

(C) 3 e 4 apenas

(D) 1, 2, 3 e 4

(E) 1, 2 e 4 apenas

8. (UFMG) "O vestido de Aurélia encheu a carruagem e submergiu o marido; o que lhe
aparecia do semblante e do busto ficava inteiramente ofuscado [...]. Ninguém o via..."
ALENCAR, José de. Senhora. São Paulo: DCL, 2005. p. 96. (Grandes Nomes da
Literatura)

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Considerando-se o personagem referido – Fernando, o marido de Aurélia –, é CORRETO


afirmar que a passagem transcrita contém a imagem

(A) da anulação de sua individualidade, transformado que fora, como marido, em objeto ou
mercadoria.

(B) da sua tomada de consciência da futilidade da sociedade, que preza sobretudo a beleza
física e a riqueza.

(C) do ciúme exacerbado, ainda que secreto, que sente da esposa, por duvidar de que ela
realmente o ame.

(D) do orgulho que sente da beleza deslumbrante da esposa, ressaltada nessa ocasião por
seus trajes luxuosos.

9. (UFMG) No romance Senhora, ocorrem choques entre "duas almas, que uma fatalidade
prendera, para arrojá-las uma contra outra..." (ALENCAR, Senhora, p.131.)

Assinale a alternativa em que o par de idéias conflitantes NÃO se entrelaça, na narrativa,


aos choques entre Aurélia e Seixas.

a) Amor idealizado X casamento por interesse

b) Condição modesta de vida X ostentação de riqueza

c) Contemplação religiosa X divertimento mundano

d) Qualidades morais elevadas X comportamentos aviltantes

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