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EXCELENTÍSSINHO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL

PRESIDENTE DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO


JUDICIÁRIA FEDERAL

..., nacionalidade, estado civil, advogado inscrito na OAB/UF nº ..., com


escritório profissional na Rua ..., nº ..., bairro ..., cidade ..., Estado ..., CEP ...,
onde recebe intimações, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, com fundamento nos arts. 5º, LXIII da Constituição Federal, e 647 e
seguintes do Código de Processo Penal, impetrar a presente ordem de

HABEAS CORPUS COM PEDIDO DE LIMINAR

Em favor de TÍCIO, nacionalidade, estado civil, profissão, inscrito no


CPF nº, residente à Rua ..., nº ..., bairro ..., cidade ..., Estado ..., e MÉVIO,
nacionalidade, estado civil, profissão, inscrito no CPF nº, residente à Rua ...,
nº ..., bairro ..., cidade ..., Estado ..., apontando como autoridade coatora a juízo
da ...ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Estado do Mato Grosso, em
vista do constrangimento ilegal imposto aos pacientes nos autos da ação penal
tombada sob o nº ..., consistente no recebimento de inicial acusatória carente de
justa causa no que tange à acusação da prática do crime de apropriação
indébita previdenciária, conforme os fatos e fundamentos aduzidos a seguir:

1. DOS FATOS

O Sr. Tício é sócio-gerente, com maioria do capital, da loja de


equipamentos agrícolas “Gramas”, localizada na cidade de Cuiabá. Nesse
estabelecimento comercial trabalham 05 (cinco) funcionários.

Ocorre que, em março de 2013, a empresa passou por séria crise


financeira, motivo pelo qual Tício deixou de repassar à Previdência Social, no
prazo e na forma legal, as contribuições previdenciárias descontadas dos
funcionários, pois preferiu aplicar o dinheiro no pagamento dos fornecedores. Já
o Sr. Mévio é sócio minoritário da empresa e este não participa da gestão da
sociedade.

Foi lavrado auto de infração, sendo, ainda, remetida a representação ao


Ministério Público. Instaurado Inquérito Policial, o Delegado de Polícia
determinou o formal indiciamento.

Entretanto, no inquérito policial, Tício afirmou que no mês de junho de


2013 parcelou a dívida perante a Previdência Social, e quitou todas as
parcelas. Nessa mesma ocasião do depoimento, apresentou o comprovante de
quitação de todas as parcelas.

Os recorrentes apresentaram resposta a acusação, porém o


magistrado entendeu prematura a absolvição sumária, motivo pelo qual
impetraram Habeas Corpus. A decisão do tribunal foi pela denegação da
ordem.

2. DO DIREITO

A punibilidade dos recorrentes deve ser extinta, pois antes do


recebimento da denúncia os débitos devidos à Previdência Social foram pagos
integralmente.

O parágrafo 4°do artigo 83 da lei 9.430/96 diz:

Art. 83 (...)

§ 4° Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no caput quando a


pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o
pagamento integral dos débitos oriundos de tributos, inclusive acessórios, que
tiverem sido objeto de concessão de parcelamento.

No caso em tela, o recorrente Tício, no mês de junho de 2013, pediu à


Previdência Social a declaração do débito com o seu parcelamento e logo em
seguida, efetuou o pagamento de todas as parcelas, apresentando, no
inquérito policial, os comprovantes de pagamento desse débito.
Assim, de rigor a extinção da punibilidade dos requerentes, haja vista
que não existe nenhum débito pendente junto à Previdência Social.

É oportuno o trancamento da ação penal em benefício de ambos os


recorrentes, haja vista que agiram em estado de necessidade.

Segundo o artigo 24 do Código Penal:

Art. 24 Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato


para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias,
não era razoável exigir-se.

De toda sorte, consoante adiante restará absolutamente comprovado, o


prosseguimento do curso do processo representa um inaceitável
constrangimento ilegal em desfavor dos Pacientes, na exata medida em que o
feito padece da mais absoluta falta de justa causa.

Desta maneira, a fim de evitar a materialização de tamanha ilegalidade


contra os Pacientes, colima-se com o presente writ, LIMINARMENTE, seja
sobrestado o andamento da Ação Penal, incluindo-se aí a audiência designada
para os próximos 20 dias, até julgamento final deste habeas corpus e, NO
MÉRITO, seja reconhecida a ausência de lesividade das condutas imputadas
aos Pacientes e, consequentemente, seja determinado o trancamento da ação
penal face a comprovação dos pagamentos dos débitos previdenciários.

Com efeito, está claramente demonstrado nos autos que se encontra


extinta a punibilidade dos Pacientes, uma vez que efetuou o pagamento do
débito previdenciário, colocando fim à pretensão punitiva estatal.

Depreende-se, sem maior esforço, que a punibilidade do Paciente se


encontra extinta em razão do pagamento do débito previdenciário antes da
sentença (comprovante de quitação em anexo). E, de acordo com o art. 9º, da
Lei 10.684, extingue a punibilidade do acusado o pagamento do débito
previdenciário até a sentença. Tendo o Paciente efetuado o pagamento logo
após o oferecimento da denúncia, extinta está a sua punibilidade.
TRF - 1ª Região. Processual penal. Apropriação indébita
previdenciária. Artigo 168-A do Código Penal. Extinção de Punibilidade.
Pagamento integral. Incidência da Lei nº. 10.684/03, artigo 9º, § 2º -
Demonstrado o pagamento integral das contribuições previdenciárias
recolhidas e não repassadas à Previdência Social, deve incidir uma espécie de
causa de extinção de punibilidade prevista no artigo 9º, § 2º da Lei nº.
10.684/03. Precedentes do Egrégio Supremo Tribunal Federal e desta Corte
Regional Federal. JSTJ

Portanto, comprovado que a punibilidade dos Paciente já se encontra


extinta em razão do pagamento do débito previdenciário, deve ser concedido o
presente writ a fim de fazer cessar a coação ilegal, arquivando-se o processo-
crime instaurado em primeiro grau.

3. DA MEDIDA LIMINAR

Diante do quanto foi exposto, o manifesto constrangimento ilegal em


desfavor dos Pacientes salta aos olhos, a recomendar seu sobrestamento em
caráter liminar.

Por fim, é de se ressaltar que é cabível a concessão liminar da ordem,


no sentido de suspender o feito e, consequentemente, a audiência de instrução
já designada. De fato, encontram-se presentes os requisitos da cautelaridade:
o fumus boni iuris, já anteriormente exposto, e o periculum in mora, configurado
no iminente prejuízo às atividades profissionais dos Pacientes, que, para
comparecer à audiência de instrução já designada.

Por outro lado, mesmo sendo certo a atipicidade material de suas


condutas, ante inexpressividade dos valores tidos por sonegados.

Diante disso, aguarda-se a concessão de medida liminar para o fim de


sustar o completo andamento da ação penal, até o final julgamento do mérito
do presente habeas corpus.

4. DOS PEDIDOS
Logo, ante o exposto, requer-se:
a) A concessão liminar da ordem pleiteada, decretando-se a
suspensão do feito e, por conseguinte, da audiência de instrução e
julgamento, até final julgamento do writ;
b) A concessão definitiva da ordem, depois de ouvido o Ministério
Público e colhidas as informações da autoridade coatora, para se
decretar o arquivamento do feito.

Pede deferimento.
Local, Data.

ADVOGADO
OAB/....