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14º Congresso Internacional de Tintas

14ª Exposição Internacional de Fornecedores para


Tintas

ADITIVAÇÃO DE TINTAS DE POLIURETANO:


ALIANDO PROPRIEDADES CONDUTIVAS À SUSTENTABILIDADE

Carla Polo Fonseca, Eliane B. Neves e Silmara Neves


IQX – Inove Qualyx Tecnologia e Desenvolvimento de Resinas Ltda.

1. INTRODUÇÃO
As tintas de poliuretano (PU) são consideradas tintas de alta performance,
apresentando propriedades de excelente resistência à radiação ultravioleta do sol (resinas
acrílicas poliidroxiladas curadas isocianatos alifáticos), resistência a ambientes agressivos,
fortemente poluídos, sujeitos a exposição e derrames de alguns produtos químicos (resinas de
poliéster curadas com isocianato alifático), e também alto sólidos, secagem rápida, bom
aspecto, propriedades niveladoras e de fácil lixabilidade (resinas de poliéster curadas com
isocianato aromático) [1].

Para algumas aplicações é necessário diminuir a resistência elétrica do PU visando


minimizar ou evitar a formação de energia estática. Os aditivos de 'condutividade' são utilizados
em aplicações onde se exige um determinado nível de 'condutividade elétrica' do polímero, que
normalmente é isolante e vulnerável à passagem de radiações eletromagnéticas e de rádio-
freqüência. Estes aditivos tornam possível a dissipação de cargas elétricas estáticas que
poderiam ocasionar choques ou gerar faíscas em ambientes inflamáveis.

A maioria das tintas condutivas existentes no mercado contém partículas de prata o que
eleva, consideravelmente, o seu custo. A utilização é focada, principalmente, na reparação em
placas de circuitos elétricos e revestimentos anti-corrosivos. Desde 2004, grandes redes de
supermercado da Europa e Estados Unidos utilizam tintas condutivas para impressão de
etiquetas em aplicações de identificação por radiofreqüência (RFID) [2

Além do alto custo, depois de aplicadas, as tintas condutivas à base de prata precisam
ser tratadas termicamente, o que significa que não podem ser impressas sobre polímeros e
outros materiais sensíveis ao aquecimento. Uma alternativa tem sido a utilização de grafeno ou
carbono como aditivos, resultando em menores valores de condutividade, mas, com a
vantagem de dispensarem tratamento térmico. A adição de sais metálicos ionizáveis, sais de
ácidos carboxílicos, ésteres fosfatos ou misturas deles também tem sido utilizada para propiciar
a dissipação eletrostática. Neste caso, o aditivo mais comumente usado é a base de sulfatos
de tetraalquilamônio combinados com dispersões de negro de fumo condutivo. Eles são
misturados ao componente poliol ou ao isocianato e reduzem a resistividade superficial de 1014

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(isolante) para menos de 106 Ω (dissipativo). Estes aditivos agem tanto pelo fato de serem
inerentemente condutores quanto pela absorção da umidade do ar [3].

Este trabalho traz como contribuição o desenvolvimento de um aditivo condutivo, IQX


COND PNano, que possibilita a obtenção de revestimentos de PU condutivos ou dissipativos,
de forma permanente e independente da umidade do ambiente. Pelo fato de ser um polímero
condutor (polianilina) este aditivo não compromete as propriedades mecânicas do filme de
tinta, além de permitir a obtenção de tintas condutivas ou dissipativas coloridas, não
disponíveis atualmente no mercado.

Os polímeros condutores, também chamados de “metais sintéticos”, possuem uma


característica em comum: longos sistemas π conjugados, ou seja, uma alternância de ligações
simples e duplas ao longo da cadeia. O interesse evidente é combinar em um mesmo material
as propriedades elétricas de um semicondutor ou metal com as vantagens de um polímero.

2. METODOLOGIA
A síntese do aditivo IQX Cond PNano foi realizada em reator químico em meio aquoso
em baixa temperatura (∼5oC) com velocidade de agitação 100 rpm. A anilina foi adicionada a
uma solução de ácido dodecilbenzenosulfônico seguida da adição de persulfato de amônio,
utilizados como dopante e agentes oxidante, respectivamente. Após a síntese o material foi
lavado com água e seco até massa constante. Para produção da tinta de PU a base solvente, o
aditivo IQX Cond PNano foi disperso em acetato de butila (75% de sólidos) e inserido em
diferentes concentrações numa tinta bi-componente comercial (PPG - TUL 2030/DUL2031). Na
formulação da tinta PU base aquosa, o aditivo IQX Cond PNano foi disperso em resina aquosa
de poliuretano (Tanpur W1030 - Tanquimica), também em diferentes concentrações.

Os dois sistemas, aquoso e base solvente, foram caracterizados por espectroscopia na


região UV-Vis e microscopia ótica. Testes de aderência e determinação da resistência
superficial também foram realizados.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Figura 1 apresenta os espectros de absorção na região do ultravioleta-visível de
amostras diluídas das tintas base água e solvente, contendo o aditivo IQX Cond PNano. A
partir da análise desses espectros é possível inferir sobre o estado de oxidação e, portanto,
sobre a condutividade do polímero condutor.

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PU base solvente + 25% m/m IQX Cond PNano


Absorbância (u.a.)

PU base água + 15% m/m IQX Cond PNano

Comprimento de Onda (nm)

Figura 1. Espectros de absorção na região UV-Vis das tintas de poliuretano, base aquosa e
solvente, contendo o aditivo condutivo IQX Cond PNano.

Analisando os espectros da Figura 1, verificamos a presença de bandas características


da forma condutora da polianilina, localizadas entre 410-460 nm (banda polarônica) e 650-940
nm (banda bipolarônica), correspondentes à presença de cátions radicais, que atuam como
transportadores de carga ao longo da cadeia polimérica [4]. O deslocamento da banda
bipolarônica da amostra de PU aditivada base água, para maiores comprimentos de onda e,
portanto, menores valores de energia, pode ser um indício de deslocalização eletrônica mais
eficiente, justificando a utilização de menor concentração de aditivo em relação à utilizada na
PU base solvente.

As medidas de resistência superficial resultaram em valores que variam entre o estado


condutivo (104 Ω/□) até níveis característicos do estado dissipativo (1010 Ω/□), dependendo da
concentração do aditivo utilizado na formulação das tintas. A Figura 2 ilustra as medidas de
resistência superficial realizadas em superfícies de PC/ABS (Policarbonato/Acrilonitrilo-
Butadieno- Estireno) recobertas com uma demão de tinta PU, base água e solvente, contendo
o aditivo condutor IQX.

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(a) (b) (c)

Figura 2. Medidas de resistência elétrica superficial realizadas em substratos de PC/ABS (a)


recobertos com tinta PU base água + 15% IQX Cond PNano (b) e com tinta PU base solvente +
25% IQX Cond PNano (c).

A aderência dos filmes de tinta ao substrato PC/ABS foi verificada utilizando-se o


método de Corte em X. Examinamos a área ensaiada, quanto ao destacamento, logo após a
remoção da fita, classificando a aderência de acordo com o padrão visual da norma ABNT NBR
11003, Figura 3 e Tabela 1.

(a) (b)

Figura 3. Teste de aderência: método de Corte em X. Fitas adesivas contendo destacamentos


das tintas PU base água + 15% IQX Cond PNano (a) e solvente + 25% IQX Cond PNano (b).

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Tabela 1 - Classificação da aderência de acordo com o padrão visual da norma ABNT
NBR 11003.

Amostra Destacamento Código Definição

Destacamento de 1 mm a 2 mm em
PU aditivada base
Intersecção Y1 um ou em ambos os lados na
aquosa
interseção.

Destacamento acima de 2 mm até


PU aditivada base
Intersecção Y2 4 mm em um ou em ambos os
solvente
lados da interseção.

PU aditivada base Destacamento de até 1 mm ao


Incisão X1
aquosa longo das incisões.

PU aditivada base Destacamento acima de 2 mm até


Incisão X3
solvente 3 mm ao longo das incisões.

Para avaliação da dispersão do aditivo IQX Cond PNano nas tintas PU, base aquosa e
solvente, ambos os filmes foram observados utilizando-se um microscópio óptico, com
aumento de 500x, Figura 4.

Figura 4. Microscopia óptica dos revestimentos de PU base água + 15% IQX Cond PNano (a)
e solvente + 25% IQX Cond PNano (b). Aumento de 500x.

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4. CONCLUSÕES
A partir dos resultados apresentados neste trabalho, comprovamos a viabilidade
aplicação do aditivo IQX COND PNano, tanto em resinas de PU base solvente, quanto base
aquosa, e a possibilidade de modulação das propriedades condutivas/dissipativas para
atendimento a demandas específicas, de baixo VOC e, portanto, mais sustentáveis.

O desenvolvimento prossegue, visando otimizar a dispersão do aditivo em PU base


água.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] FAZENDA, Jorge M. R. (coordenador), Tintas & Vernizes – Ciências e Tecnologia,


Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas, 3a ed. São Paulo, Edgard Blücher, 2005.

[2] Química e Derivados On Line, www.quimica.com.br/revista/qd434/tintas3.htm acesso em


23/02/2010.

[3] Fonte: http://www.poliuretanos.com.br/ acesso em 10/08/2015.

[4] W.K. Maser, Benito, L.P. Biró, Materials Science and Engineering C, 23 (2003) 87.

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