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ÁREA DO CONHECIMENTO DE CIÊNCIAS DA VIDA

INSTITUTO DE BIOTECNOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS- GRADUAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA
Disciplina: Imunologia Clínica (Estágio em docência)

Diagnóstico Imunológico Infecções


Bacterianas - Sífilis

Doutoranda: Ana Paula Vargas Visentin

Caxias do Sul
2019
SÍFILIS

É uma doença crônica, exclusiva do ser humano, infectocontagiosa,


(AVELLEIRA; BOTTINO, 2006; HORVATH, 2011)

AGENTE ETIOLÓGICO: Treponema pallidum, subespécie pallidum.

Caracteriza-se como uma enfermidade sistêmica, pois o patógeno


atinge a corrente sanguínea após infectar o organismo

É um importante agravo de saúde pública, pois se não tratada


aumenta o risco de infecção pelo vírus do HIV, devido a entrada do
vírus ser facilitada pelas lesões. (AVELLEIRA; BOTTINO, 2006; HORVATH, 2011).
Treponema pallidum

Possui baixa resistência


ao meio ambiente,
ressecando-se
rapidamente. E em objetos
úmidos pode sobreviver
por ate 10 horas.

É um microrganismo
espiralado, fino. Faz
movimentos para frente e
para trás facilitando sua
penetração e rápida
fixação nos tecidos do
hospedeiro
(JEPSEN; HOUGEN; BIKCH-
ANDERSEN, 1968 ; HORVATH, 2011).
TRANSMISSÃO

É a forma predominante,
sendo que o contagio é É possível, porém, rara
maior nos estágios inicias devido a triagem rigorosa
da infecção, reduzido das bolsas de sangue
gradativamente a medida quanto a presença de T.
que ocorre a progressão pallidum e pelo pouco
da doença tempo de sobrevida da
(OMS, 2015; BRASIL, 2015). bactéria fora do organismo
humano, especialmente
em baixas temperaturas
(ADEGOKE & AKANNI, 2011).
TRANSMISSÃO VERTICAL –
SÍFILIS CONGÊNITA

 Ocorre durante a gestação, através da placenta, quando a gestante


portadora de sífilis não é tratada ou realiza o tratamento de maneira
inadequada;
 Pode ocorrer por todo o período gestacional, porém quanto mais recente
a infecção, mais treponemas estarão circulantes e, portanto, mais
gravemente o feto será atingido.
 A transmissão pelo contato do recém-nascido com lesões genitais no
canal do parto também pode acontecer, mas é menos frequente
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Manifestações clínicas da
sífilis congênita

 A sífilis congênita precoce é aquela que se manifesta antes dos dois anos de vida da
criança ou após os dois anos - sífilis congênita tardia (AVELLEIRA, 2006; BRASIL, 2015);
 A criança com sífilis congênita ao nascimento pode já se encontrar gravemente enferma
ou com manifestações clínicas menos intensas, ou até aparentemente saudável, vindo a
manifestar sinais da doença mais tardiamente, meses ou anos depois, tendo sequelas
graves e irreversíveis;
 São complicações da doença: aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do
feto, surdez, cegueira, deficiência mental, dentes deformados, problemas ósseos,
pneumonia e/ou morte ao nascer.
EPIDEMIOLOGIA

 Segundo a OMS a sífilis atinge mais de 12 milhões de pessoas em todo o


mundo;

 No mundo, estima- se que ocorram aproximadamente um milhão de casos


por dia entre: clamídia, gonorreia, sífilis e tricomoníase;

 Em 2017, foram notificados no Sinan:


 119.800 casos de sífilis adquirida (58,1 casos/100 mil habitantes);
 49.013 casos de sífilis em gestantes (17,2/1.000 nascidos vivos);
 24.666 casos de sífilis congênita (8,6/1.000 nascidos vivos);
 206 óbitos por sífilis congênita

Boletim Epidemiológico – Sífilis 2018: Ministério da Saúde


MARCADORES LABORATORIAIS

Exame em Campo
escuro

Exames diretos
Pesquisa Direta
com Material
Corado
Categorias

Testes
treponêmicos
Testes
imunológicos
Testes não
treponêmicos
Exames diretos

Técnica Testes Sensibilidade e especificidade


• A fresco em Campo Escuro • Sensibilidade: varia de 74 a 86%;
• Especificidade: pode alcançar
97%
Microscopia • Pesquisa direta com material • Sensibilidade inferior ao
corado campo escuro
Exames diretos

A fresco em campo escuro

• Pode ser realizado nas lesões primária e


secundárias da sífilis, em adultos e crianças;

• A amostra utilizada é o exsudato seroso das


lesões ativas, que deve ser livre de eritrócitos e de
restos de tecido;

• O material permite a visualização do T. pallidum


vivo e móvel, e deve ser analisado imediatamente
após a coleta da amostra;

• Baixo custo;

• Independentemente do resultado da microscopia


de campo escuro, deverão ser realizados os testes
imunológicos.
Exames diretos
Pesquisa Direta com Material Corado

 A amostra é coletada da mesma maneira que


para o exame direto a fresco;
 Os métodos disponíveis são:
 Fontana-Tribondeau: Deixar secar o esfregaço
da amostra na lâmina e depois faz a coloração
pela prata, que vai impregnar a parede do
treponema permitindo sua visualização;
 Burri: Utiliza a tinta da China (nanquim);
 Coloração pelo Giemsa: O T. pallidum cora Coloração Fontana- tribondeaux ou
tenuamente (palidamente), sendo difícil a Minunofluorscência direta
observação das espiroquetas;
 Levaduti: utiliza a prata em cortes histológicos.
Testes imunológicos

• Detectam anticorpos contra o antígeno Treponema


pallidum
Treponêmicos
• Podem ser quantitativos ou semi-quantitativos

• Detectam anticorpos não treponêmicos, ou seja, não são


específicos porém estão presente na sífilis;
• Podem ser:
• Qualitativos: teste de triagem para determinar se uma
Não treponêmicos amostra é reagente ou não;
• Semi- quantitativo : permite determinar o título de anticorpos.
O título é importante para o diagnóstico e monitoramento da
resposta ao tratamento. A queda do título é indicação de
sucesso do tratamento.
Testes imunológicos
Testes não treponêmicos

LCR

Leitura olho nu

Leitura olho nu

A escolha do teste não treponêmico a ser utilizado depende do tipo de amostra, dos equipamentos disponíveis no laboratório
e do tamanho da rotina.
Testes imunológicos
Testes não treponêmicos - Floculação

Os componentes da suspensão antigênica Os anticorpos não treponemicos, quando


(colesterol, lecitina e cardiolipina) ligam-se presentes nas amostras, ligam-se as cardiolipinas
ao acaso resultando na formação de estruturas das micelas. Consequentemente, a ligação de
denominadas arredondadas denominadas anticorpos com varias micelas resulta em uma
micelas. floculação.
VDRL reagente VDRL não reagente

Na sífilis secundária
podem ocorrer resultados
falso-negativos em
decorrência do fenômeno
de prozona.
Testes imunológicos
Testes treponêmicos

Técnica Testes
Imunofluorescência indireta FTA- abs (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption)

Imunoenzimáticos ELISA
Teste imunológico com revelação EQL
quimioluminescente e suas derivações

Testes de hemaglutinação e aglutinação TPHA (T. pallidum Haemagglutination test);


MHATP (Micro-Haemagglutination Assay for T. pallidum);
TPPA (T. pallidum Passive Particle Agglutination test)

Imunocromatografia Teste Rápido Treponêmico


Testes moleculares PCR
Testes imunológicos
Testes treponêmicos – FTA abs

Essa técnica utiliza Treponema pallidum (cepa Nichols) fixado em áreas


demarcadas de lâminas de vidro em que são feitas as reações.
Testes imunológicos
Testes treponêmicos – ELISA
Os anticorpos anti- T. pallidum presentes na amostra se ligarão aos antígenos. Em seguida
e adicionado um conjugado composto por IgG antihumana marcada com estreptavidina-peroxidase,
formando um complexo antigeno-anticorpo conjugado. Por fim, para a detecção desse complexo, e
adicionado um substrato que resulta no surgimento de cor.
Testes imunológicos
Testes treponêmicos – EQL
Detecção de anticorpos por meio de um conjugado de isoluminol-
antígeno para gerar emissão de quimiluminescência, que é medida por um
sistema fotomultiplicador.
Testes imunológicos
Testes treponêmicos –
TPHA e MHATP
Baseia-se na ligação dos anticorpos treponemicos presentes no soro com
hemácias que contém na superfície, antígenos de T.pallidum (cepa Nichols). Os
anticorpos presentes no soro ligam-se aos antígenos que estão na superfície das
hemácias, resultando aglutinação das hemácias.
Testes imunológicos
Testes treponêmicos – Teste rápido
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
É de extrema importância que se considere cada estágio da doença, pois eles possuem
particularidades que podem interferir na escolha do(s) teste(s)

Os anticorpos
começam a surgir
na corrente
sanguínea cerca
de 7 a 10 dias
apos o
surgimento do
cancro duro
Diagnóstico - sífilis congênita
 Recomenda-se que a gestante seja testada pelo menos em 3 momentos:
 1º trimestre de gestação
 3º trimestre de gestação
 Momento do parto ou em casos de aborto

 Para um diagnóstico preciso é importante contemplar:


 história clínico-epidemiológico da mãe;
 exame físico detalhado da criança (oftalmológico e audiológico);
 raio X dos ossos longos;
 exames laboratoriais como: hemograma, perfil hepático e eletrólitos
 avaliação neurológica incluindo punção liquórica: células, proteínas, testes treponêmicos e
não treponêmicos;

 Em recém-nascidos que apresentam resultado não reagente nos testes, se persistir a


suspeita epidemiológica de sífilis, os testes devem ser repetidos com 1 mês, 3, 6, 12 e 18
meses de idade, devido a possibilidade de ainda ocorrer a soroconversão;

 Crianças maiores de 18 meses que apresentem resultados não reagentes, não tem sífilis
congênita e, portanto essa hipótese diagnostica deve ser excluída.
TRATAMENTO E PREVENÇÃO

A penicilina é o fármaco de escolha para todas as apresentações da sífilis.


A análise clínica do caso indicará o melhor esquema terapêutico. No caso
de gestante a parceria sexual também deverá ser testada e tratada para
evitar a reinfecção da gestante
“Investir em conhecimento rende
sempre os melhores juros”
Benjamin Franklin