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Perguntas para exame de Introdução ao Diagnóstico Osteopático

Livro - Princípios da Medicina Manual (Philip E. Greenman)

1. Defina diagnóstico estrutural; a entidade diagnóstica buscada e os seus três


critérios diagnósticos clássicos
O Diagnóstico Estrutural em Terapia Manual tem o objectivo de identificar a presença e o
significado de disfunção (ões) somática (s) através da avaliação do sistema músculo-
esquelético. É portanto uma componente do exame físico do paciente, utilizando os
métodos tradicionais de diagnóstico físico como a observação, a palpação, a percussão e a
auscultação.
A Disfunção Somática é considerada a sua entidade diagnóstica e define-se como a
debilitação ou alteração da função do sistema somático (estruturas do corpo).
Os critérios diagnósticos clássicos do DE são identificados pela sigla AAT sendo:
A – assimetria de partes relacionadas com o sistema músculo-esquelético sejam
estruturais ou funcionais (observação e palpação)
A – anormalidade na amplitude do movimento de uma articulação, de várias ou de uma
região do sistema músculo-esquelético. Essa alteração no movimento pode ser
restritiva (hipo mobilidade) ou aumentativa (hipermobilidade), sendo a restrição da
mobilidade a componente mais comum na DS (observação, palpação e testes de
mobilidade efectuados com a cooperação activa e passiva do paciente)
T – anormalidade na textura do tecido mole músculo-esquelético: pele, fáscia, músculo,
tendão, … (observação e palpação)

2. Explique porque a coordenação mão-olho é importante no diagnóstico estrutural.


No DE é importante coordenar a palpação (com as mãos) com a observação (com os
olhos). Neste processo, existe sempre uma mão dominante e um olho dominante. Este
último deve estar na linha média das duas partes anatómicas que estão a ser comparadas
permanecendo equidistante de cada mão palpadora e à sua altura i.e. no mesmo plano
horizontal para obter dessa forma uma discriminação visual mais aperfeiçoada

3. Explique porque é importante o olho dominante estar equidistante de cada mão


palpadora, e como podemos testar o olho dominante.
O olho dominante deve ser posicionado correctamente de modo a obter acuidade na
descriminação visual. Para saber qual é o seu olho dominante existem vários testes que
podem ser feitos:
1. Estender os braços e juntar o polegar e o indicador das duas mãos de modo a
formar um círculo (fazê-lo o mais pequeno possível)
2. Olhar através do círculo para um objecto para além das mãos
3. Fechar o olho esquerdo e verificar se o objecto continua visível através do
círculo. Se afirmativo o olho dominante é o direito
4. Repetir o passo anterior mas fechando o olho direito e notar as diferenças

4. Refira as 5 características envolvidas na habilidade palpatória.


É necessária muita prática e estudo para desenvolver a habilidade palpatória. Esta é
caracterizada pela
1. Capacidade de detectar anormalidade na textura do tecido
2. Capacidade de detectar assimetria da posição, tanto táctil como visual
3. Capacidade de detectar diferença na mobilidade em termos de amplitude total,
da qualidade do movimento e da qualidade da sensação no final da amplitude
do movimento
4. Capacidade de sentir a posição no espaço, tanto do paciente como do
examinador
5. Capacidade de detectar a evolução em descobertas palpatórias, sejam
alterações de melhora ou de piora

5. Refira alguns cuidados necessários para não comprometer a eficiência da


recepção, da transmissão e interpretação da informação colhida na palpação.
De modo a não comprometer a eficiência dos três estágios de desenvolvimento e
percepção da sensibilidade palpatória (recepção, transmissão e interpretação de estímulos
nervosos) existem cuidados a ter. Estes começam por ter consciência de que cada parte
da mão tem uma sensibilidade diferente (o dorso da mão é sensível a variações de
temperatura, os dedos descriminam mais finamente, as pontas dos dedos diferenciam
texturas, o polegar é uma sonda de pressão/profundidade Evitar danos e traumatismos;
- As mãos devem estar limpas e as unhas aparadas;
- O técnico deve ficar em posição relaxada e confortável;
- O técnico deve estar concentrado no acto da palpação;
- Todos os estímulos sensoriais externos devem ser reduzidos ao máximo;
O erro mais comum na palpação é, provavelmente, a falta de concentração por parte do
técnico.

6. Explique a importância do terapeuta desenvolver termos apropriados para


descrever as alterações na anatomia que é palpada. Dê três exemplos e justifique
cada um deles.
O terapeuta deve utilizar termos apropriados de modo a que possa ser compreendido por
colegas profissionais. A definição da ‘normalidade’ dos indícios palpatórios em termos
anatómicos e fisiológicos é importante. Ao se descreverem as alterações na anatomia a ser
palpada e avaliada é útil usarem-se pares descritivos (adjectivos como
superficial/profundo, quente/frio, dorido/indolor, circunscrito/difuso, húmido/seco, entre
outros). Estas alterações podem ainda ser definidas quanto à sua natureza (aguda,
subaguda ou crónica) e podem também ser medidas numa escala quanto à sua gravidade,
qualitativamente (leve, moderada ou grave) ou quantitativamente. Esta classificação pode
ser útil para monitorizar a evolução das alterações percepcionadas.

Livro – História e Exame Clínico (P. D. Welsby)

7. Qual é o objectivo da formação de um clínico?


O objectivo da formação de um clínico é garantir aos doentes um diagnóstico e tratamento
correctos. Para tal é necessário obter a História Clínica e fazer um Exame Físico objectivo.

8. Porque devemos evitar perguntas que contenham uma sugestão de resposta? Em


que ocasiões podemos sugerir uma resposta? Indique 4 (quatro) situações e
explique cada uma delas.
Devem-se evitar perguntas que contenham uma sugestão de resposta pois alguns doentes
instintivamente concordam com o médico. Mas nalgumas circunstâncias este tipo de
perguntas pode vir a ser útil, como por exemplo quando:
1. Facilitam a expressão do paciente, no entanto, devem-se fornecer várias
respostas possíveis. Nunca perguntar directamente pois pode vir a ser
constrangedor tanto para o paciente como para o terapeuta
2. Se está conscientemente a ajudar o doente a “confessar” dados que de outra
forma não seriam fornecidos
3. Se fazem perguntas destinadas a obter uma resposta negativa (quando foi a
última vez que teve o sintoma tal?)
4. Se suspeita de falta de adesão à terapêutica farmacológica (pareceu-lhe fácil
lembrar-se sempre da medicação?)

9. Explique porque as queixas iniciais devem ser claramente definidas.


As queixas iniciais devem ser claramente definidas por data, forma de evolução,
gravidade, investigações e tratamentos prévios (resultados e efeitos) de modo a decidir
numa fase precoce se estão integradas numa sequência ou separadas/independentes. No
entanto, é necessária flexibilidade ao tomar a última decisão por poder tornar-se evidente
uma possível relação entre queixas.

10. Enumere e explique os 9 (nove) aspectos a ter em conta quando se recolhe a


História Clínica.
As características da dor que não tem origem num órgão ou estrutura particulares são:
1. Localização (Onde dói?)
2. Qualidade (adjectivar a dor)
3. Modo de início (súbito/gradual)
4. Progressão (evolução da dor ou a sua frequência)
5. Irradiação ( de a dor se desloca para algum membro)
6. Relação com qualquer outra posição/estrutura/função do corpo Quando essa
dor limita uma determinada função (Ex: dor no ombro, limitação na extensão
do braço)
7. Factores de alívio/agravamento
8. Tratamentos administrados qual o tratamento efectuado e a reacção ao mesmo
9. Profundidade (superficial/profunda)
11. Enumere e explique 4 (quatro) aspectos a ter em conta ao recolher a História
Pregressa.
Na História Clínica Pregressa, interroga-se o paciente sobre:
1. Doenças anteriores (por sistema)
2. Tratamentos anteriores (cirurgias, internamentos, acidentes relevantes)
3. Medicação anterior (incluindo auto-medicação; não esquecer a pílula)
4. Alergias ou reacções adversas (incluindo a fármacos)

12. Enumere e explique 8 (oito) aspectos a ter em conta ao recolher a História Social.
Ao recolher a História Social, além da observação discreta da sua aparência, maneiras e
conteúdo da conversa (que podem ser indicativos do meio social) podem ser necessárias
mais perguntas mas deve-se tomar atenção ao limite entre indiscrição e curiosidade
médica justificável:
1. Emprego – desemprego e stress podem estar na origem de doenças físicas;
algumas profissões podem estar na origem de doenças específicas
2. Alojamentos – podem existir problemas sociais e financeiros com o modo de
alojamento
3. Passatempos - alguns envolvem riscos para a saúde e doenças específicas
(cotovelo do tenista/golfista)
4. Viagens recentes para o estrangeiro – os períodos de incubação de doenças
infecciosas endémicas devem ser tidas em conta
5. Stress – se houver a percepção de desconforto (Existem quaisquer outros
problemas que me queira contar?) Pode contribuir para um quadro clínico
exposto pelo paciente
6. Consumo de álcool O comportamento do doente, os hobbies, ou o seu
hálito podem sugerir problemas como consumo de álcool. Tentar obter do
doente através de perguntas/ratoeiras a confissão da bebida favorita ou a
quantidade de consumo de álcool. (Qual é a sua bebida favorita? Bebe mais
de tantas garrafas? Alguma vez se sentiu culpado por beber?)

7. Consumo de drogas (que drogas toma? Falo de fármacos…)


8. Actividade sexual – O técnico deve desculpar-se por ter de fazer
perguntas tão íntimas e explicar a razão pela qual são importantes, do
ponto de vista médico. Face às doenças sexualmente transmissíveis
poderem contribuir para doenças em muitos órgãos e sistemas,
especialmente o VIH.

13. Um doente entra no consultório com queixas de dores na região cervical. Elabore
uma pequena anamnese.
A Anamnese ou História Clínica é a identificação e caracterização do paciente e do seu
processo de doença e é composta por um interrogatório sobre os factores pessoais,
familiares, profissionais e ambientais relacionados, de modo a obter elementos essenciais
da sua História Pregressa, Social, Familiar e Psiquiátrica. É por isso importante estabelecer
uma relação de empatia com o doente. A Anamnese serve para definir a estratégia de
investigação complementar e direccionar o tratamento em função do entendimento global
a respeito do paciente.
Dessa forma, as perguntas constituintes da Anamnese de modo a caracterizar a(s)
queixa(s) inicial(ais) e o motivo da consulta poderiam ser:
1. O que o traz por cá? Em que posso ajudá-lo?
2. Que aconteceu ao certo?
3. Quando aconteceu?
4. Que movimentos realiza no trabalho?
5. Onde é a dor? É a primeira vez que a sente?ou já aconteceu mais vezes?
6. Como é a dor? Do tipo queimadura, facada, aguda, pulsátil ou aperto, …?
Superficial, profunda?
7. Como classifica a dor de 0 a 10?
8. A dor surgiu súbita ou gradualmente? Estacionou ou agravou?
9. É uma dor contínua ou intermitente? Qual a frequência?
10. Quando sente maior e menor intensidade de dor (ao longo
do dia, so á
noite ou de manhã)?
11. Em que movimento tem dor?
12. Em que postura se sente melhor?
13. Para onde se desloca a dor?
14. Tem Outro tipo de problemas relacionados com a dor (dores de
cabeça,tonturas,crepitações,se limita alguma função)?
15. Tem um familiar com um problema semelhante?

16. Já foi a algum médico? Qual a sua opinião?


17. Fez algum tratamento? Que efeitos teve?
 Este interrogatório deve ser assistido por Exames Complementares e pelo próprio
Exame Clínico de modo a auxiliar o processo de Diagnóstico.

PDF – Avaliação Osteopática

14. Enumere por ordem de execução os componentes do exame global.


1. Teste em Carga
2. Inspecção/Observação(Assimetrias, Hematomas,
Descoloração, Cicatrizes)
3. A.R.T. (Assimetria Restrição Textura)
4. Prova de Mobilidade Global
5. Teste Estático
6. Teste Dinâmico
7. Teste à C2
Estes três últimos testes, feitos com o paciente em decúbito ventral, dividem o corpo do
paciente em zonas - tendo L5 e C2 como limites - e distinguem a zona abrangida pela DS,
local onde se aplicará o Exame Regional ao segmento em disfunção.

15. Descreva o Teste em Carga.


O Teste em Carga serve para inspeccionar as alterações na textura de tecidos (osso:
malformações, proeminências, degenerações; músculo: contracturas, rigidez, alteração de
tónus e de sensibilidade; pele: edema, aderências, alterações de cor e temperatura;
articulação: alterações fibrosas, deformações, crepitações) e comparar pares simétricos de
referências anatómicas, em vista anterior, posterior e vistas laterais. É efectuado com o
paciente de pé, após imobilização não voluntária (pede-se que dê uns passos em frente e
outros atrás). O terapeuta deve ter as mãos e os olhos ao nível da estrutura a ser palpada
e observada.
Na vista posterior, avalia-se a distribuição do peso e observam-se os arcos e a posição dos
pés, se existe perna curta verdadeira (com os calcanhares juntos), escoliose, a posição da
cabeça, afastamentos dos membros ao tronco, assimetrias e desequilíbrios nas linhas dos
ombros, das omoplatas, das cristas ilíacas, dos maléolos e nas pregas da cintura, glúteas e
popliteias.
Na vista anterior, observa-se a posição da cabeça (verticalidade do nariz e horizontalidade
do sorriso), se existe escoliose, afastamento dos membros ao tronco e assimetrias nas
linhas dos olhos, das orelhas, dos ombros, mamárias, das cristas ilíacas, das rótulas,
observam-se joelhos ou calcâneos varus/valgus, e os arcos e a posição dos pés.
Nas duas vistas laterais, observa-se a linha de gravidade do corpo (traçando uma linha que
vem do lóbulo da orelha, passa pelo acrómio e pelo grande trocânter, terminando à frente
do maléolo) de modo a verificar o posicionamento da cabeça, dos ombros e da pelve e
decorrentes curvaturas fisiológicas da coluna (cifose/lordose) e ainda a posição do joelho
em extensão, e rotações no tronco e membros.

16. Explique a definição de ART.


ART é a sigla que define os 3 Critérios de Diagnóstico Osteopático e significa:
A – Assimetria ou alteração de simetria, tendo por princípio o fato do corpo ser formado por
duas metades idênticas, identificadas pela observação, palpação e comparação de
referências anatómicas naturalmente simétricas.
R – Restrição na amplitude do movimento fisiológico, identificada por movimentos activos,
passivos, resistidos e força muscular.
T – alteração da Textura do tecido mole (pele, fáscia, músculo). Identificado por palpação
das diferentes estruturas:
 Osso – malformações, proeminências, degenerações,…
 Músculos – contracturas, alterações da sensibilidade, rigidez, alterações de
tónus…
 Pele – edema, dor, alterações temperatura, alterações cor, aderências…
 Articulações – alterações fibróticas, deformações, crepitações…

17. Descreva o Teste Estático.


Objectivo: Verificar se há perna curta e de que lado

Interpretação: verificar sempre a posição do doente, colocar os braços ao longo do


corpo, com a testa na marquesa, colocar os pés fora da marquesa e alinhá-los bem
e ver se existe simetria nos pés, se existe uma perna mais comprida que a outra.
Para isso, vamos colocar os 4 dedos no arco interno e o dedo polegar no calcaneo,
trazer os pés a 90° para bloquear a articulação e fazer tracção e rotação externa.
Tem que se ter estes 3 movimentos combinados. Em casos de dificuldade em
manter a flexão dos 90° e rodar, aproxima-se um pouco mais os pés do paciente
às nossas pernas, colocar os braços numa posição mais simétrica possível.
Resultado: se existe diferença nos pés (pode ser pela diferença mínima), então
existe motivo para dar continuidade ao teste seguinte, senão existe não há razão
para passar ao teste seguinte.
Este desnivelamento pode também ser medido através dos maléolos internos. Desta vez,
o terapeuta exerce a força de tracção, flecte os pés do paciente a 90 o e observa o nível dos
maléolos. Este procedimento pode ser útil para pacientes que não consigam fazer rotação
externa (e.g. artrose).

18. Descreva o Teste Dinâmico.


O Teste Dinâmico serve para verificar se o problema é lombar, acima ou abaixo de L5.
Após um Teste Estático positivo, o terapeuta coloca o membro superior do mesmo lado da
perna comprida ao lado da cabeça do paciente, que mantém a postura anterior. Fazer o
flexão dos pés a 90° para bloquear a articulação e fazer tracção e rotação externa a
180º(tendo o cuidado de não perder tracção). Se igualar a anterior dismetria, a disfunção é
acima de L5 e passa-se ao teste seguinte, o Teste à C2. Se contrário, a disfunção encontra-
se abaixo de L5, podendo em ambos os casos comprometer L5.

19. Descreva o Teste à C2.


O Teste à C2 serve para verificar se o problema é cervical e/ou lombar. No seguimento de
um Teste Dinâmico positivo, o posicionamento do paciente é semelhante, tirando a testa
da marquesa e rodando a cabeça para o lado da perna comprida do Teste Estático. Fazer
de novo a flexão dos pés a 90° para bloquear a articulação e fazer tracção e rotação
externa a 180º
Se os pés se apresentarem desnivelados, a disfunção encontra-se entre L5 e C2, podendo
estas vértebras estarem implicadas. Se se mantiverem nivelados, C2 está implicada.

20. Descreva o Teste às Fossas de Micaelis ou Teste de Flexão de Pé.


O Teste às Fossas Micaelis serve para verificar se o problema é sacro-ilíaco e de que lado.
É efectuado com o paciente de pé e de costas. O terapeuta deve ter os polegares nas
fossas micaelis do paciente e deve estar à altura das estruturas observadas. Pede-se ao
paciente para flectir o tronco enrolando a coluna vertebral começando pela cabeça,
deixando os braços penderem (tentando tocar no chão) e mantendo as pernas estendidas.
O terapeuta deve seguir o movimento das fossas sem exercer demasiada força de modo a
avaliar todos os tecidos desde a pele até ao osso. O polegar mais subido indica disfunção
desse lado. Este teste é muito sensível a disfunções no tecido mole do tronco e membros
inferiores pelo que não se indica a sua repetição.

21. Descreva o Teste de Gillet.


O Teste de Gillet serve para verificar se o problema é sacro ou ilíaco e de que lado. É
efectuado com o paciente de pé, com as mãos apoiadas e de costas. O terapeuta deve
estar à altura das estruturas a analisar e coloca um polegar na EIPS e outro na base do
sacro. Pede-se ao paciente que eleve a perna (de preferência acima dos 90o) do lado dos
polegares e observa-se a qualidade do movimento dos dois ossos da pelve (principalmente
do ilíaco que é obrigado a mover-se pelo fémur e o sacro é “arrastado” pelo ilíaco). Ao
elevar a perna, desse lado, o ilíaco posterioriza e o sacro contranuta. No final do
movimento, os dois ossos vêm em bloco para equilibrar o peso da perna elevada. Depois
pede-se que eleve a perna do lado oposto e observa-se a qualidade do movimento dos dois
ossos da pelve (principalmente do sacro, pois em apoio monopodálico o ilíaco está em
carga e imóvel). Existe bloqueio caso exista uma alteração de mobilidade ou da qualidade
do movimento do ilíaco; ou caso o sacro esteja bloqueado e não venha de encontro ao
polegar do terapeuta. Repete-se a sequência com os polegares do outro lado da pelve.
Estes movimentos de elevação devem ser feitos em conjuntos de três de modo ao
terapeuta conseguir tirar conclusões mais fundamentadas pois os movimentos da pelve
são mínimos e pouco discerníveis.

22. Descreva o Teste de Flexão Sentado ou de Piedallu.


O Teste de Piedallu serve para verificar se o problema é sacro-ilíaco e de que lado. É
efectuado com o paciente sentado na marquesa, de preferência com os pés apoiados,
neutralizando o trabalho dos membros inferiores. Pede-se ao paciente que flicta o tronco
lentamente começando por enrolar a cabeça e deixe pender os braços entre os joelhos. O
terapeuta deve estar à altura das estruturas a observar e colocar os polegares na parte
inferior da EIPS de cada lado da pelve (esta estrutura é mais facilmente palpável quando o
tronco está em ligeira flexão). Deve-se observar atentamente o movimento dos ossos da
pelve, repeti-lo e assinalar o lado que começa primeiro o movimento, pois é desse lado que
está a disfunção já que a articulação está bloqueada ou hipomóvel porque é logo arrastada
pela flexão do tronco. Este movimento de flexão pode ter associados outros movimentos
compensatórios de rotação ou inclinação do tronco que podem também ser observados.

23. Descreva o Teste de Patrick ou Faber.


Exame específico: Testes de Patrick ou Faber, é um teste realizado para avaliar
pacientes que possuem dor lombar
Posição:
Doente em Decúbito Dorsal com a perna em teste colocada em flexão, abdução e
rotação externa, de modo a que o pé fique em cima do joelho oposto.
Técnico:
Coloca uma mão na EIAS oposto à perna a testar.
A outra mão no joelho em teste, baixando-o lentamente, em direcção à
marquesa.
Interpretação:
O teste é negativo se a perna cair sobre a marquesa ou se ficar paralela à perna
oposta.
O teste é positivo se existir dor e/ou limitação na adução e rotação externa, pelo
encurtamento dos adutores e/ou afecção da articulação coxo-femural do mesmo.

24. Descreva o Teste do Gaenslen.


O Teste de Gaenslen serve para verificar se existe disfunção nos tecidos da articulação
sacro-ilíaca. É efectuado com o paciente em decúbito dorsal, com as nádegas da marquesa
de modo a que o ilíaco do lado dorido esteja fora desta. Esta posição obriga a que o
membro inferior do lado afectado fique também ele fora da marquesa (pode-se observar o
encurtamento/estiramento dos músculos quadricípete e psoas-ilíaco), enquanto o outro
membro inferior fica em tripla flexão com o paciente a segurá-lo com os braços (para
neutralizar os músculos abdominais e qualquer desconforto decorrente). O terapeuta
encontra-se do lado a testar e empurra a coxa do paciente de modo a que esta fique
abaixo do bordo da marquesa. Qualquer dor referida indica lesão sacro-ilíaca tal como
inflamação ou outra lesão nos ligamentos sacro-ilíacos anteriores (ílio-femoral e ísquio-
femoral).

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