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HARA

SHIATSU

Prof.ª Mª Isabel Lourenço Alves


Vieira
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HARA SHIATSU

O que é o Hara?

Se podemos dizer informalmente que um português ou um brasileiro "abre o

seu coração", quando se expõe ao mundo, podemos dizer que um japonês "abre

o seu Hara".

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O Hara, termo usado nas tradições orientais japonesas, corresponde ao

Tantien dos chineses, ao segundo chakra ou Swaddhisthana dos hindus, ou

ainda, simplesmente ao interior do abdômen onde todos nós fomos gerados e

nos desenvolvemos no princípio da vida. É considerado o centro original da

vida, o centro de apoio gravitacional ou de assentamento energético do ser

humano na posição ortostática. É o seu centro de força, pois concentra

energia de vida, tanto que nas artes marciais o praticante aprende a extrair

do seu Hara, a sustentação e a força para não se deixar derrubar pelo seu

adversário. É no Hara que as forças do céu e da terra se encontram. Assim,

é no contato com esse centro vital situado uns três ou quatro dedos abaixo

do umbigo, que o indivíduo se conecta com o universo e com ele permanece

integrado.

Diferente da forma como habitualmente entendemos no ocidente, que o ser

humano decide sua vida "com a cabeça", ou no máximo, com "o coração", a

tradição oriental propõe o retorno ao centro da nossa essência, no Hara.

Considera o Hara um dom, uma possibilidade, e ao mesmo tempo uma tarefa,

no sentido de uma consciência que devemos conquistar.

O desafio é que conquistemos este espaço dentro de nós, bem no centro do

nosso corpo, ligado à terra e ao céu, um centro que é de natureza material,

mas que corresponde subjetivamente, ao nosso eixo existencial. É esse centro

que nos abastece com energia vital, que cria condições para que

corporifiquemos o nosso Eu superior, o nosso self, enraizando a nossa

individualidade e a nossa espiritualidade no Hara.

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Mas, como trabalhamos com o Hara?

Primeiro e, sobretudo relaxando o abdômen. Como a respiração de um bebê.

Descontraindo profundamente a musculatura do abdômen, para permitir que

a respiração chegue, mobilize naturalmente essa região, e consiga despertar

a energia do Hara. Uma boa posição, um bom exercício, é ficar em pé,

abaixando o olhar para o chão, flexionando os joelhos, afundando os pés na

terra, levando as mãos sobrepostas para o abdômen, entrando em contato

pouco a pouco com a sensação de preenchimento e calor, com a carga de

energia que se acumula no abdômen. A energia vital que aprendemos a conter

no Hara será espontaneamente distribuída para todo o corpo, aumentando a

nossa vitalidade e graciosidade, tornando-nos mais vibrantes. Esse é o começo

de uma árdua, mais gratificante conquista: a do nosso verdadeiro centro

existencial.

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Alguns mestres dizem que o Hara é como a nossa casa. Como naqueles dias

que temos de sair para fazer mil coisas fora de casa, conversar com muita

gente, lidar com situações difíceis, correr de um lado para o outro. Chega um

momento desse agitado dia em que aquilo que mais necessitamos é voltar para

casa, para o nosso canto de recuperação, descansar, recarregar as nossas

energias, nos centrar. Fazemos isso no lugar que nos é mais conhecido e

íntimo, em que ficamos mais à vontade e relaxados.

Metaforicamente, o Hara é a nossa casa dentro do nosso corpo, o local em

que nos recolhemos para descansar e nos integrar, quantas vezes for preciso.

Quando ficamos muito tempo sem voltar para casa, perdemos força,

perdemos o contato com as nossas raízes, vamo-nos fragmentando e

enfraquecendo, descarregamo-nos energeticamente. Abrimos espaço para

que muitas doenças físicas e mentais se instalem.

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Tal qual uma casa arejada, com as janelas abertas deixando o ar novo entrar,

o abdômen também precisa ser arejado pela respiração suave e profunda.

Como tudo aquilo que vive tem pulsação, desde uma ameba até um planeta, a

expansão e o recolhimento, o abdômen também precisa deste movimento vital.

E o que acontece quando mantemos o hábito de “contrair a barriga”?

Perdemos a nossa conexão com esse centro original, com a nossa essência ou

Self, não construímos carga de energia no nosso corpo, temos dificuldade de

vivenciar o prazer, que é uma descarga dessa energia, não nos apropriamos da

nossa vida. Além disso, sobrecarregamos a nossa cabeça, temos sintomas

como enxaqueca, cefaleia, labirintite, para não falar na contribuição deste

estado sem centro, as depressões e síndrome de pânico, pois ficamos

desenraizados. Sem raízes, tensionamos os ombros, a nuca, trancamos os

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dentes, ficamos inseguros com a nossa sexualidade, e travamos a pélvis,

enrijecemos o peito e o coração, muitas vezes ficamos prepotentes, secos e

duros nos afetos, perdemos a nossa sensibilidade e a nossa expressividade

autêntica.

Citando Karfiied Graf Dürckheim, um catedrático de Psicologia e Filosofia

da Universidade de Kiel, Alemanha, que trabalha o Hara na sua Terapia

Existencial: “O Hara liberta o homem da imagem de uma “persona”, isto é, de

todas as posturas internamente não-verdadeiras pertinentes ao papel que

alguém exerce no mundo ou que gostaria de representar. O Hara possibilita a

Gestalt que expressa a essência de um homem com singeleza, além de

concretizá-la progressivamente. Assim o homem está livre da obrigação de

querer parecer ser mais do que é. A timidez, o constrangimento e a falsa

submissão desaparecem. O homem que se torna consciente de suas raízes no

Hara, posiciona-se com muita naturalidade e livre, como ele simplesmente é,

nem mais nem menos, conquistando, por isso, a sua beleza interna específica.

Mas a sociedade moderna ensina-nos exatamente o contrário, a contrair o

abdômen, a fazer exercícios isométricos, a aproveitar para contrair o

assoalho pélvico...

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CONEXÃO COM A TERRA

De acordo com a MTC, o posicionamento do hara no corpo está relacionado

com o elemento terra. É como se o hara fosse a nossa base, o nosso chão,

onde encontramos segurança e estabilidade, raízes. Uma pessoa centrada no

hara parece plantada no solo, como uma árvore sólida.

Esta associação com a terra, acontece porque o fortalecimento do hara

proporciona a sensação de enraizamento. Para quem se sente desvitalizado,

ou seja, "sem vida", com a energia do hara enfraquecida, alguns mestres ou

professores de artes marciais sugerem atividades com a terra, mexer,

moldar argila, cuidar de plantas, jardinar, ou simplesmente pisar na lama,

caminhar descalço na areia, na erva, num parque. Estar em contato com o solo

fortifica, revitaliza.

Assim como a terra, o hara é uma fonte de fertilidade. Quem o tem

desenvolvido relaciona-se de maneira produtiva com as pessoas e o meio

ambiente: os seus relacionamentos florescem, os projetos frutificam. Bem

equilibrado, o hara torna-nos mais calmos, mais produtivos e criativos.

Quando está desvitalizado, porém, sentimo-nos ansiosos, vulneráveis e

instáveis.

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Quem aprende a concentrar-se nesse ponto, descobre uma âncora para o seu

dia-a-dia. Existem massagens e exercícios que ativam e fortalecem a região.

Meditar sentado, colocando a atenção na região do ventre, também é uma

forma de estimulação do local. Durante as caminhadas, por exemplo, você

também pode concentrar-se nesse ponto do abdômen sempre que se sentir

disperso ou desvitalizado. Ainda a dança do ventre ou artes marciais,

praticadas regularmente, também ajudam a fortalecer esse centro vital.

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CENTRO DO PRAZER

Os chineses chamam a região do hara, o ventre, de Tantien. Os indianos

acreditam que nesse local fica o Swadhisthana, o segundo chakra, um dos sete

principais centros energéticos do corpo, segundo a medicina ayurvédica. Esse

centro é onde se acumula não só a força vital, mas também a alegria de viver

e o prazer sexual. Além de ficar próximo ao útero e aos ovários, na mulher, e

às vesículas seminais, no homem, o hara também se relaciona com a libido,

pois, segundo a tradição hindu, o segundo chakra rege a sexualidade. Ao ativar

o hara, acumula-se e organiza-se a energia vital, o que pode contribuir para

melhorar o desempenho sexual.

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E DA VIDA PARA ALÉM DO FÍSICO

No Japão, o hara também está relacionado ao senso de honra e dignidade.

Antigamente, quando se sentiam desonrados, os japoneses cometiam um

suicídio ritual, o harakiri, cravando o punhal na região do hara. Assim

encerravam a vida no lugar onde ela havia nascido.

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Um hara forte também significa poder espiritual. Nas gravuras japonesas e

chinesas, os homens santos costumam ser representados com um círculo de

luz localizado no baixo ventre. É por isso que um Buda, um iluminado, é visto

nas imagens com a barriga proeminente, com um hara desenvolvido e farto.

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CUIDANDO DE SI ANTES DE CUIDAR DO OUTRO

Antes de aprender a conhecer, a estudar, a analisar e diagnosticar o Hara do

outro, devemos aprender a sentir, a perceber o nosso Hara. Cuidando de nós,

cuidamos melhor aqueles que amamos através do exemplo, e aqueles que

cuidamos, pessoal e profissionalmente.

CENTRAMENTO NO HARA- exercícios

Concentre a energia no Hara, no ponto situado cerca de quatro dedos (três

cun) abaixo do umbigo. Para os orientais, esse é o ponto central onde a pessoa

entra na vida, e esse é o centro de onde a pessoa morre e sai da vida. Então

esse é centro de contato entre o corpo e a alma.

Faça este exercício à noite, quando for dormir, e de novo pela manhã, logo ao

acordar, durante cerca de 5-10 minutos.

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Passo 1: Localize o Hara

Deite-se na cama e coloque ambas as mãos quatro dedos abaixo do umbigo e

pressione um pouco.

Passo 2: Respire Fundo!

Comece a respirar, com a respiração lenta e profunda. Você irá sentir esse

centro, esse ponto, subindo e descendo com a respiração. Sinta toda sua

energia lá, não apenas num ponto, mas gradualmente na área à volta,

espalhando-se por todo o abdômen, como se o ponto crescesse e tomasse toda

a região de luz. Então imagina que você começa a encolher e encolher e

encolher e encolher, até que você está só existindo lá como um pequeno

centro, no centro da área iluminada, energia bem concentrada. Agora você é

o centro da luz.

Passo 3: Centrado enquanto dorme

Relaxe ao máximo... e adormeça fazendo isso, vai ajudar. Então por toda à

noite esse centramento do seu hara persiste. De novo, e de novo o

inconsciente vai e centra-se lá. Assim, durante toda a noite,

inconscientemente, você estará de muitas maneiras em profundo contato com

o centro, com o seu hara.

Passo 4: Reconecte-se com o Hara

Pela manhã, ao acordar, não abra logo seus olhos. Novamente ponha as suas

mãos no seu hara, pressione um pouco, comece a respirar, e de novo sinta o

seu Hara. Faça isso por 5-10 minutos, e então levante-se.

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Faça isto cada noite, cada manhã e, em alguns dias, em algumas semanas, verá

a diferença e você começará a sentir-se centrado, mais focado, mais

presente, mais positivo, mais forte, mais vivo.

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Porque razão é importante ter um centramento, um enraizamento, fortalecer

o nosso hara?

É muito importante ter um centramento, senão a pessoa sente-se fraca,

fragmentada, não um todo. Uma mulher, por exemplo, precisa ser linda e

arrumada, ser a melhor mãe, a melhor namorada, a melhor esposa, a melhor

amante, a melhor amiga, a melhor companheira, a melhor filha, a melhor

profissional... representa mil papeis esperados pelos outros e não por si,

perde-se em tantos fragmentos. É ruim, porque sem um centro, uma base, um

homem pode ir se arrastando, pode existir, mas não viver, não pode amar.

Sem um centro, você pode continuar fazendo as coisas rotineiras na sua vida,

mas você nunca pode ser criativo. Você irá viver no mínimo. O máximo não será

possível. Só pelo centramento a pessoa vive ao máximo, no zênite, no pico, no

clímax, e esse é o único viver, uma vida real.

Até na memória, na concentração, no foco, e também na ansiedade, nos

desequilíbrios emocionais, este centramento vai influir diretamente. Por

exemplo, haverá menos pensar em excesso, porque a energia não se moverá

para a cabeça, e sim para o Hara. Quanto mais você focar no Hara, mais você

se concentra lá, mais você achará uma disciplina surgindo em você. Isso vem

naturalmente, não precisa ser forçado.

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Quanto mais consciência temos do Hara, menos receio temos da vida e da

morte, porque esse é o centro da vida e da morte. Uma vez que você fica

harmonizado com o centro do Hara, você pode viver corajosamente. Surge

uma coragem daí: menos pensar, mais silêncio, menos momentos

descontrolados, disciplina natural, coragem e enraizamento, um fundamento.

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KI E O HARA, no Japão, na China, na Índia

KI- Energia

Na China é chamado Chi ou Qi. No Japão é chamado Ki. Podemos definir o Ki

como Força Vital, ou Essência vital da pessoa, que também está presente em

animais, plantas, e todos os seres vivos.

Na filosofia chinesa, originalmente, Chi era aquilo que diferenciava as coisas

com vida das coisas sem vida. Com o desenvolvimento dessa filosofia, o

conceito de Chi foi ampliando, cada vez mais, sua gama de significados e

aplicações. Por isso desenvolveu-se o trio Jing, Chi, Shen: essência,

substância, e energia espiritual. Assim, pode-se dizer que o corpo físico (Jing)

contém o Chi (que poderia ser um campo elétrico ligando o físico ao espiritual)

e que o Chi contém o espírito, que é sem forma e intangível. Outro conceito é

que o Chi seria o "material" básico do qual todas as coisas são feitas. As

diferenças não seriam que algumas coisas tinham Chi e outras não, mas sim

um princípio que determinava como o Chi estava organizado e funcionava.

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A origem etimológica do ideograma (Kanji) Ki (気) é o Chi tradicional chinês (

氣), que representa o arroz (米) emanando de si o vapor (气) enquanto cozinha.

É interessante, porque a energia vital da pessoa pode ser vista por um

sensitivo como a aura (em diferentes cores) que rodeia seu corpo.

Também é interessante notar que no dicionário há 31 significados associados

ao ideograma, os mais comumente usados sendo ar, sopro, essência, espírito,

coração, éter, atmosfera, temperamento, sabor, etc, enquanto "energia", tão

comumente associado a Ki no ocidente, tem outro ideograma e nome:

"Seiryoku".

A atuação do Ki e o seu efeito na atividade imunológica recentemente

começou a ser estudado em laboratório, quando o Dr. Tsuyoshi Ohnishi, do

Philadelphia Biomedical Research Institute, procurou obter evidências

científicas objetivas da existência ou não do "efeitos Ki" inibindo o

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crescimento de células cancerígenas. Foram usadas células cultivadas de

fígado humano com câncer, HepG2, separada em três grupos com a mesma

contagem de células. Um especialista japonês em Ki emitiu sua energia através

dos dedos sobre as vasilhas de um grupo por 5 minutos e 10 minutos em outro,

deixando um grupo sem exposição alguma. Após 24 horas, foram feitas novas

contagem de células e estudo de proteínas. Foi percebido que o número de

células cancerígenas nos grupos expostos ao Ki era muito menor do que o do

grupo não-exposto, na faixa de 30.3% e 40.6% (com 5 a 10 minutos de

exposição ao Ki, respectivamente). E a quantidade de proteína por célula era

muito maior nos grupos expostos ao Ki, na faixa de 38.8% e 62.9% (5 e 10

min, respectivamente).

Como todos os grupos tinham o mesmo número de células no início do

experimento, a diferença entre os dois se deu por conta do "Efeito Ki". Os

resultados foram significantes estatisticamente. Aguardam-se outros

estudos científicos igualmente relevantes.

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HARA, no Japão

Hara (腹) significa literalmente "barriga". É na região abdominal onde o Ki se

acumula, mas o ponto central de onde esta energia flui para todo o corpo é

conhecido por Tanden (em japonês) ou Tan Tien (丹田 em chinês), que significa

literalmente "área vermelha", um ponto quatro dedos atrás e abaixo do

umbigo. É nesse ponto que os praticantes de Kempô/Karatê ou do Tai Chi

Chuan, por exemplo, se concentram quando fazem as suas técnicas. É

fechando o períneo e contraindo o cóccix que se fecha um circuito de energia

(para não a deixar escapar, nas meditações taoístas) e assim unir os canais

ímpares Du Mai e Ren Mai, fazendo assim a órbita microcósmica no interior

do corpo. Sendo estes dois canais intensificados (energizados), os demais

meridianos são também intensificados (os dois canais ímpares influem nos

outros canais pares, na acupuntura).

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Com a prática dessa técnica de retenção do Ki, pode-se fazer uma brincadeira

que é usada em demonstrações de artes marciais, quando uma pessoa

normalmente magra é levantada facilmente por outra mais forte. Mas quando

essa mesma pessoa mais leve se concentra e direciona o seu Ki para baixo,

"enraíza" no chão e aparentemente dobra de peso, só sendo levantada

novamente com grande esforço físico. Na verdade, o que ocorre é o seguinte:

quando alguém tenta nos levantar e concentramos no Tantien, nós dirigimos,

mentalmente, o nosso Ki para baixo, para os pés e para a terra. Assim, a força

do nosso adversário é direcionada para baixo pela força do nosso fluxo - da

nossa energia indo para baixo - então o nosso adversário está nos

"empurrando" para baixo e não para cima, como ele pensa que está. Para ele

superar este fluxo terá que desprender bem mais energia do que o necessário

para nos levantar do solo. É um redirecionamento da força do oponente (a

base do Aikidô).

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Uma outra técnica que todos podem fazer diariamente para aumentar

gradativamente o Ki é o Resshu Gamae, uma técnica de centralização de

energia. Você assume a postura do desenho abaixo, com os joelhos levemente

flexionados, como se estivesse abraçando o tronco de uma grande árvore. As

palmas das mãos espalmadas, viradas para dentro, e cujos dedos apontam um

para o outro, sem se tocar.

Comece fazendo isso por 5 minutos ao dia, por 15 dias. Depois passe para 10

min. ao dia por mais 15 dias, e depois 20 min. por mais 15 dias. Depois disso

você já se sentirá imensamente fortificado e equilibrado.

No Japão, diz-se que os mestres em caligrafia, espada, cerimônia do chá ou

artes marciais "atuam a partir do Hara", ou seja, não precisam de esforço

para fazê-lo (algo próximo ao nosso "saber de cor"). Professores budistas

orientam seus estudantes a centrar suas mentes no Tanden, que ajuda a

manter sob controle os pensamentos e as emoções.

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NA MEDICINA CHINESA

O Tan Tien está no centro do corpo. Os taoístas acreditavam que no útero o

feto humano recebe um tipo especial de Ki pelo cordão umbilical. Era o

chamado "Ki pré-natal", ou Ki ancestral, que circulava livremente em sua

órbita, bem como em todos os 32 meridianos de energia. Depois do nascimento

e com o passar do tempo, este Ki perde o seu controle sobre o corpo, não

circula mais livremente, os meridianos ficam bloqueados e resultam em

desequilíbrios emocionais, doenças físicas e fragilidade, na velhice.

Por outro lado, Tan Tien é o nome dado aos três principais centros de energia

localizados no eixo interno de nosso corpo:

1º) Tan Tien Superior - Localizado atrás do ponto médio entre as

sobrancelhas - Hipófise.

2º) Tan Tien Médio - Localizado na região do Plexo - Coração.

3º) Tan Tien Inferior - Localizado quatro dedos abaixo do umbigo.

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É esse último ao qual nos referimos aqui, o terceiro, também chamado "Mar

de Energia". Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, estando cheio o

reservatório, ele transborda para os oito vasos energéticos ("vasos

maravilhosos") e posteriormente flui para os doze canais (meridianos), cada

um dos quais associados a órgãos específicos. Dessa forma o Ki circula por

todo o corpo ao longo de canais (muitas vezes seguindo um percurso paralelo

ao sistema cardiovascular), animando toda a matéria viva de nosso ser. O Tan

Tien, portanto, é claramente a base de todo o sistema energético. Mas os

órgãos de vital importância para o corpo, na medicina chinesa, são os rins

(Shen), pois são eles que regulam o armazenamento e distribuição de Chi para

o corpo.

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NO HINDUÍSMO

Na Índia, o Hara é conhecido como o Swadhistana (Morada do Prazer), em

sânscrito, ou Chakra sexual. Na verdade, a função desse chakra ultrapassa

em muito a função genital. Ele também controla as vias urinárias e as gônadas

(glândulas endócrinas: testículos no homem; ovários na mulher), e é

responsável pela vitalização do feto em formação (função essa que divide com

o chacra básico). Aliás, a ligação desse dois chakras, básico e sexual, é

estreita demais. Isso se deve ao fato de que parte da energia Kundalini é

veiculada do chakra básico para dentro do chakra sacro. É por esse fator que

alguns tibetanos consideram esses dois chakras como um único centro.

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Devido à sua intensa atuação energética na área genital, o chakra sacro

normalmente é suprimido por várias doutrinas espiritualistas ocidentais,

muito presas a condicionamentos antigos sobre sexualidade. Muitas delas

colocam o chakra esplênico (que fica na altura do baço) em seu lugar. O motivo

disso é simplesmente o tabu em relação à questão sexual. Já os orientais não

sofreram a repressão sexual imposta aqui no Ocidente pelo Cristianismo, daí

não hesitaram em classificar o chakra sexual como um dos principais centros

de força do campo energético, enquanto consideram o chakra do baço apenas

como um centro de força secundário.

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HARA NO OCIDENTE

A cavidade abdominal

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O mapa do Hara

Sobrepondo os dois

Pelas imagens apresentadas, conseguimos ver a apresentação do nosso Hara,

na perspectiva ocidental, com os órgãos internos, e na perspectiva oriental,

com as áreas reflexas energéticas. É possível estabelecer a analogia entre

ambas as perspectivas.

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SHIATSU

O Shiatsu é uma terapia originária do Japão, mas com influências Chinesas e

Indianas, que se serve do poder do toque e da pressão dos dedos para nos

dar acesso às nossas próprias capacidades de equilíbrio energético. Embora

a palavra Shiatsu signifique “pressão dos dedos”, numa sessão é possível

utilizar os polegares, os outros dedos, palmas das mãos, cotovelos, joelhos e

pés.

O Shiatsu evoluiu a partir da massagem tradicional japonesa, a Anma, e tal

como a acupuntura e outras terapias orientais, atua tendo como base os

Princípios energéticos do corpo, por meio da rede de meridianos, ou vias de

energia, que se relacionam com o funcionamento de órgãos internos, e com a

nossa harmonia emocional, psicológica e espiritual.

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O conceito do corpo como um organismo "energético" estudado em Shiatsu

provém da Medicina Tradicional Chinesa e, ao longo de Séculos de experiência

e estudo, passou a ser um Sistema de teoria médica. De fato, o Shiatsu

Namikoshi é definido pelo Ministério da Saúde Japonês como a forma de

manipulação administrada pelos polegares, dedos e palmas, sem o uso de

qualquer instrumento mecânico ou de outro tipo, para aplicar pressão à pele,

corrigir disfunções internas, promover e manter a saúde e tratar dores

específicas.

O Ki é a substância energética de todas as coisas, assim como é também a

força subjacente a toda a mudança e movimento, e todo o universo é

constituído por energia em várias fases de vibração e manifestação, inclusive

cada um de nós. Somos e ao mesmo tempo temos esta energia em nós, sempre

em movimento. Em resumo, todo o universo é composto de Ki, manifestando-

se num número infinito de formas e fases de materialização. A energia,

conhecida como ki em japonês (Chi em chinês), percorre o corpo,

assemelhando-se bastante a uma rede de rios e canais, chamada de

meridianos. Quando há um desequilíbrio energético acontece uma

perturbação do fluxo de Ki, provocando bloqueios, ou "represas", em certas

áreas ou poços de estagnação, gerando sintomas físicos.

Existem doze meridianos principais pares, que correm dos dois lados do

corpo, e dois meridianos ímpares centrais. Estes estão classificados em pares

Yin e Yang, por Elemento e segundo a sua função. Cada Elemento possui uma

propriedade energética que regula uma determinada função e cada função é

desempenhada por um par de meridianos que são aspectos Yin e Yang.

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Nesses canais, existem locais, ou pontos, que podem ser tonificados ou

sedados, ou seja, podemos estimular ou dispersar a energia, conforme exista

uma deficiência ou um excesso, em cada ponto ou meridiano.

Assim estimula-se ou seda-se o corpo para equilibrar os níveis de energia,

mantendo-a a fluir, promovendo saúde e bem-estar.

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Shiatsu significa literalmente “pressão dos dedos”, sendo SHI = dedos e

ATSU = Pressão. Mas além dos dedos, o terapeuta pode usar as mãos,

cotovelos, joelhos e pés para realizar a pressão.

Entre os seus muitos benefícios, podemos apontar:

a.

celular.

-estar.

Como todas as terapias, tem algumas contra-indicações:

de osteoporose

matórios agudos, internos ou externos.

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No primeiro contato com o cliente e necessário fazer uma anamnese, um

histórico, para identificar o problema, o tempo que o cliente sofre com o

problema, as causas do problema, a existência de outros problemas

associados, e a forma de tratamento a seguir.

O diagnóstico do problema vai determinar quais os pontos a tratar, em função

da causa determinada. Assim, uma pessoa obesa que coma por problemas de

ansiedade, será tratada com protocolos diferentes de quem engorda por

problemas hormonais, por exemplo.

Os pontos a tratar são denominados “TSUBOS” em japonês. Correspondem

aos pontos de acupuntura da Medicina Tradicional Chinesa. Estão localizados

ao longo dos Meridianos, mas também existem alguns pontos solitários

chamados de “EXTRAS”.

O número de pontos em cada pessoa é sempre igual. Um bebê de 1 mês com 4

kg tem o mesmo número de tsubos que um homem de 55 anos com 110kg. A

sua localização é feita através da distância relativa de cada ponto, de cada

tsubo, ao próprio esqueleto.

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Hara: pontos ou áreas?

Mas no Hara, não tratamos pontos, e sim áreas. Os pontos localizados ao longo

de Meridianos são diferentes das áreas a tratar no Hara.

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ZEN SHIATSU

Existem várias maneiras, várias escolas, vários métodos de se fazer Shiatsu.

O Zen Shiatsu não é apenas mais um deles. Distingue-se por ter uma base

teórica própria, desenvolvida especialmente para a sua prática. É uma técnica

contemporânea, baseada numa ciência milenar. Sua "atitude" com relação ao

paciente é atual, em linha com as terapias e trabalhos corporais modernos,

que respeitam a inteligência de cada corpo e os sinais por ele enviados.

O Zen Shiatsu não é uma técnica ortodoxa. As suas raízes estão no passado,

a sua cabeça no futuro. Masunaga foi o idealizador do Zen Shiatsu,

considerado a principal autoridade em Shiatsu quando vivo, genial e inspirador

após sua morte. No Brasil, o Zen Shiatsu é praticamente desconhecido.

Mesmo o Shiatsu ainda não ocupou seu espaço próprio. O conhecimento da

medicina oriental não faz da pessoa um terapeuta de Shiatsu. É preciso muita

prática, uma vivência específica da técnica, numa constante relação de

aprendizado e crescimento.

Muitos dos pontos utilizados no Shiatsu são sensíveis ao toque. Para o Zen

Shiatsu isso não é só desnecessário: é prejudicial. O Zen Shiatsu nunca agride

o corpo. É um método que trabalha o corpo de forma profunda, porém suave,

provando ser a dor completamente dispensável para que o Shiatsu surta um

efeito máximo. Masunaga nos diz: " Não é verdade que doenças possam ser

curadas pela mera pressão em certos pontos do corpo... Se você já teve

alguma vez uma criança caminhando nas suas costas, saberá o significado de

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pressão natural. As crianças são inocentes e não exercem uma quantidade de

pressão desnecessária. Daí, quando você usar sua palma, cotovelo, ou joelho,

esteja certo de utilizar uma quantidade natural de pressão." Por isso, para

ser eficaz, não é absolutamente verdade que o shiatsu tenha de ser doloroso.

O que o sistema de Masunaga tem a ver com o Zen? É uma questão de

perspectiva. O propósito fundamental do zen-budismo é alcançar o estado de

iluminação através do auto-conhecimento. O Zen usa a meditação, mas não é

a meditação. No Zen as respostas não podem ser racionalizadas, mas

apreendidas através da meditação. Zen significa "abertura da mente para a

presença do sinal celeste", ou "a meditação que leva ao vislumbre".

Da mesma forma, o Shiatsu usa a pressão dos dedos, mas o seu significado

transcende essas pressões. Nas palavras do próprio Masunaga: "Tanto no Zen

como no Shiatsu lidamos com fatores que não podem ser explicados,

racionalmente, mas que necessitam ser sentidos pelo corpo vivo.'" O princípio

por ele enfatizado é que no Shiatsu, como no Zen, é importante estabelecer

um "eco" de vida. Sentir a "resposta" dada pelo corpo do paciente quando

pressionamos determinada área ou ponto. “Se você coloca sua mão num ponto

(tsubo) e segue a linha dos meridianos com os seus dedos, você poderá sentir

o “eco” da vida “...

Alguns terapeutas trabalham sem observar essa importante sensação. Isso

reduz o Shiatsu a uma técnica mecânica, em vez de ativar a força vital de

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cura existente em nossos corpos... No Zen é importante que você tenha um

bom mestre de quem aprender. “No Shiatsu, o seu paciente é o seu mestre. ”

Com a prática correta do Shiatsu intensifica-se o fluir de energia no

praticante, no paciente, e entre ambos.

No Hara Shiatsu, é a importância deste toque, do sentir da resposta, que vai

determinar a nossa atuação.

O HARA na visão do Zen shiatsu

O abdómen, conhecido por hara, é muito importante na cultura japonesa e na

compreensão oriental do Eu. No Ocidente a tendência é para pensarmos em

nos próprios como mente e cérebro, dotados de um apêndice, que é o corpo.

O ponto de vista oriental situa o nosso centro no hara, com as nossas energias

vitais, sede do poder e das faculdades intuitivas instalados nessa área

essencial. Embora digamos que "tivemos uma sensação nas entranhas" acerca

de qualquer coisa, ou que fizemos "das tripas coração" para fazer qualquer

coisa, o conceito japonês de vida e trabalho com sede no hara é muito mais

lato do que algo que se lhe assemelhe no Ocidente.

A maior parte das pessoas conhece os feitos dos praticantes das artes

marciais, que partem uma quantidade de tábuas de madeira ou atiram ao chão

alguém muito pesado. Isso faz-se usando o hara como centro de poder, e é

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fácil ver os efeitos. Mas as capacidades do hara empregam-se igualmente

noutras artes japonesas: encontrar a posição ideal de uma flor num arranjo

floral ou o momento de dar a pincelada final num trabalho caligráfico. Utilizar

o Hara anda de mãos dadas com a idéia da procura de perfeição, ou até de

iluminação, por meio de uma prática disciplinada. Não existe qualquer faceta

competitiva, porque se trata de uma via interior e espiritual. Consegue

desenvolver-se o uso do hara por meios muito diferentes: meditação,

exercício, artes marciais e, claro, Shiatsu. Servir-se do poder e sensibilidade

do hara confere aos que praticam Shiatsu a capacidade de ultrapassar a mera

técnica e seguir na direcção de uma cura eficaz e compassiva no sentido mais

amplo do termo. Basearmo-nos no hara aumenta-nos a intuição e a

sensibilidade das mãos. Torna-nos capazes de entrar numa empatia

suficientemente forte com o receptor para sentir o que ele sente,

concedendo-nos, contudo, o distanciamento necessário para não nos

enredarmos nos seus problemas e sintomas.

Todo o fluxo de energia vital que, segundo a medicina oriental circula pelo

corpo, inicia no Hara e depois é distribuído pelos meridianos. No Hara,

encontramos vários órgãos internos, como o aparelho digestivo, os órgãos

reprodutivos e sexuais. Em nível emocional, esses órgãos internos recebem

grande parte da energia tóxica, gerada pelos bloqueios internos, que podem

incidir sobre as raízes das doenças.

Por isso tantas vezes é afirmado que a cura vem de dentro para fora.

Qualquer desequilíbrio emocional persistente, atinge a saúde física. É uma

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máquina com muitas engrenagens. Quando uma se avaria, quando fica

estagnada, interfere no funcionamento de todas as outras peças.

Respiração

O uso da respiração é outro instrumento que nos ajuda a tornar o Shiatsu

mais eficaz, porque, de facto, é um dos mais importantes de que dispomos na

vida. Se respirarmos profundamente, estamos a instilar energia e a aceitar a

vida em pleno; se respirarmos superficialmente, perdemos vitalidade,

estamos quase a negar a nossa existência. Inspirar enche-nos com uma Ki nova

e limpa, revigora-nos todo o organismo. Expirar é o acto vigoroso e relaxante

que nos permite "agarrar" a vida. Da próxima vez que você estiver a tentar

inutilmente desatarraxar um boião de compota, faça-o enquanto expira e

ficará espantado com os resultados! No Shiatsu a tendência é para fazermos

pressão enquanto expiramos e o paciente está também a expirar. Isto

permite-nos visualizar com mais facilidade o fluxo de Ki a brotar das nossas

mãos, enquanto o receptor se pode descontrair e libertar de qualquer tensão.

Coordenando assim as respirações, conseguimos sentir-nos mais próximos um

do outro, e essa empatia estimula o processo curativo.

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Algumas indicações

Equilibrar o Hara ajuda a estabilizar o funcionamento do sistema digestivo,

harmonizando os sintomas, tais como a constipação ou diarréia, cólon irritável,

gastrite, refluxo gastro-esofágico, excesso de gases, etc. Melhora as

disfunções do sistema respiratório, como asma, falta de ar. É muito positivo

em disfunções do aparelho sexual, irregularidades e cólicas menstruais.

Também é muito eficaz para dores de cabeça e enxaquecas, doenças

reumáticas desconforto, dor e rigidez, stress, câimbras, lombalgias, etc. Está

particularmente adequado para disfunções emocionais.

A intenção desse tratamento não é somente tratar a dor, mas também ajudar

a pessoa na modificação dos maus hábitos e padrões comportamentais que a

levaram a doença. O ato de receber Shiatsu no seu Hara pode propiciar a

experimentação de sentimentos ligados a conflitos internos, que sobem à

superfície da consciência, trazendo à tona o entendimento para mudança

interna. O trabalho no Hara sincronizará a interação do ser com o todo,

deixando os órgãos livres de toxinas e tensões, permitindo que o

Shiatsuterapeuta atue sobre a origem do problema.

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O DIAGNÓSTICO PELO HARA

A avaliação do Hara Shiatsu tem base no diagnóstico tátil e visual. Quando

encontrarmos rigidez, inchaço, rubor, calor excessivo, nas áreas ligadas aos

órgãos internos, denota-se um excesso de energia.

O acúmulo de energia é sempre indicado quando há tensão local. Uma

contratura muscular, por exemplo, pode ter origem de acúmulo energético.

Também a pulsação acelerada da artéria abdominal, pressão alta, gastrite e

ansiedade são sinais e consequências de excesso energético.

Já a deficiência da energia vital pode ser diagnosticada quando

identificarmos manifestações opostas à de excesso. Exemplo: flacidez, frio,

palidez, batimento lento da artéria abdominal. Quando deficiente, a energia

se manifestará, deixando os pés e as mãos geladas, digestão lenta e etc.

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Se Hara significa literalmente "centro vital", significa o centro de gravidade.

Hara é o ponto de equilíbrio de nossa vida física, mental, emocional e

espiritual. Quando alguém diz estar focado, equilibrado e centrado, tem o seu

Hara focado, equilibrado e centrado.

O Hara, além do centro vital, é a área anatômica localizada entre o plexo solar

e o osso púbico. O Hara é considerado como um segundo cérebro; também é

chamado de "cérebro pequeno". Diretamente atrás e abaixo da área onde está

localizado o plexo solar, há um feixe de nervos que representa a maior

concentração de nervos que existem fora do cérebro. Esta concentração de

nervos é responsável por muitos dos movimentos da parte inferior do corpo.

Podemos começar a aprender o diagnóstico percebendo como respiramos nós

mesmos, ou seja, onde "temos" o ar ou a respiração a cada vez que respiramos.

Você leva o ar inspirado para a parte inferior do corpo, ou seja, o abdómen,

ou o deixa na parte superior do tórax? Quando você escolhe respirar

profundamente, levando o ar para a área abaixo, você nutre e desenvolve o

Hara. Quando o Hara se torna mais forte, você se sente mais relaxado, capaz

e confiante. As pessoas cuja respiração é mais superficial, ou seja, que

deixam o ar na parte superior do tórax, são mais nervosas, emocionais,

inseguras e incertas.

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Diagnóstico do Hara- como proceder?

Pedimos ao paciente que se deite no chão, em decúbito dorsal, ou seja, de

barriga para cima. Sentamo-nos ao lado dele e posicionamos o nosso Hara

virado para o paciente. Antes de estender as nossas mãos para tocar a pessoa,

meditamos, limpando nossa mente de todo pensamento e nos tornando mais

receptivos às vibrações pacíficas do Universo. Pedimos que você respire

longas e profundamente, e adapte o ritmo da sua respiração e do paciente. A

pessoa deve estar o mais relaxada possível.

Colocamos as mãos no abdômen e exploramos a área entre a caixa torácica e

o osso púbico. Sentiremos diferentes graus de tensão e relaxamento. Nós

sempre usamos ambas as mãos no abdômen, de forma coordenada, de modo

que, enquanto se explora com uma mão, a outra acalma. Uma mão é yang,

explorando suavemente a área, descobrindo as resistências e fraquezas. A

mão parada, gentilmente apoiada, é yin, relaxando, suavizando as energias e

dando segurança à pessoa sobre as intenções de cura (restaurando o

equilíbrio do corpo, movendo o Qi, levando-o aos lugares onde falta e

removendo-o dos lugares onde é excessivo). Isso vai-nos revelar o estado dos

órgãos específicos do abdômen.

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Sequência de movimentos no diagnóstico do Hara

1. Vamos começar no lado direito do corpo. Imaginemos que o abdómen

é um grande relógio. Às 12.00, no plexo solar, há a área do Coração, às 11.00

a Vesícula Biliar, às 10.00 o Fígado, e terminando às 9.00 com a área do

Pulmão. Cada zona do órgão é explorada para ver se está em excesso ou

deficiente, fazendo assim o diagnóstico Hara

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2. À esquerda do Coração e cerca de 1.00, 2.00 e 3.00 horas, existem,

respectivamente, a área de Estômago, Triplo Aquecedor e Pulmão novamente.

3. Sob a área do Coração, temos a área do Pericárdio, ou Mestre do

Coração, um meridiano que nutre e protege o Coração. Diretamente sobre e à

volta do umbigo é a área do baço, e abaixo, a área dos Rins e a da Bexiga.

4. Às 8. 00 e 4.00 no relógio do abdômen, é o Intestino Grosso. Às 7:00

da manhã e às 5:00 da manhã, a área do Intestino Delgado.

À medida que passamos por cada uma destas áreas, devemos colocar toda a

energia e o nosso foco na exploração. Vamos mover nosso corpo sobre o da

pessoa para explorar em profundidade, com cuidado, muito cuidado. Vamos

olhar para o rosto do paciente, para perceber alguma alteração de dor ou

desconforto, quando sentimos algo na palpação. Enquanto aplicamos as mãos,

podemos fazer perguntas sobre as informações que recebemos da massagem.

«Existe um problema digestivo? », podemos perguntar-lhe se a área do

Intestino Grosso ou do Intestino Delgado parece desequilibrada, por

exemplo. Quando fazemos a avaliação, podemos continuar dando uma

massagem suave, redirecionando as energias conforme apropriado.

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Sentidos da palpação abdominal

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Alguns terapeutas preferem seguir a palpação do abdômen de acordo com o

ciclo nictemeral do Ki. É mais complexo, aparentemente, mas acreditam seguir

assim o fluxo energético natural.

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Posicionamento e pressão a partir do Hara

Precisamos ter muito cuidado com o excesso de videos que circulam na

internet, ensinando muitas vezes algo errado. Vou apresentar um vídeo de um

antigo professor meu português, que exerce em Londres, mostrando o

posicionamento correto do terapeuta em relação ao paciente, seja no chão

seja na maca de massagem, e como aplica a pressão usando o corpo a partir

do seu Hara, e não com a força, a partir das mãos, dos braços ou dos ombros.

Insisto muito nisto em todas as nossas formações presenciais. Ele usa a base

da palma da Mao para aplicar a pressão, a região hipotenar, para massagear,

mas no diagnostico deveremos usar a ponta dos dedos devido à maior

sensibilidade, e para massagear também enquanto não temos a prática

suficiente para controlar bem todas as nossas pressões a partir do Hara.

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Vídeo do professor Fernando Cabo

https://www.youtube.com/watch?v=mW7vZQaY3yA

REPITO, muitos dos videos na internet são DESINFORMAÇÃO, não

aprendam por videos sem terem a fundamentação teórica que vos permita

questionar aquilo que vêem

Relembrando também que a RESPIRAÇÃO é fundamental em todo o processo

de aplicação de Shiatsu, mas mais ainda no trabalho do Hara do outro, e do

nosso Hara.

Todos os praticantes de artes marciais despendem grande parte do seu

tempo de treino no controle da respiração, e no controle do seu Hara através

da respiração.

Na primeira parte da aula já falamos sobre exercícios para centrar o Hara,

mas posso apresentar aqui um vídeo do campeão brasileiro de MMA e de Jiu

Jitsu, Rickson Gracie, fazendo o seu treino DIÁRIO de controle do Hara

através da respiração. Estes exercícios são parte do treinamento de alta

performance de campeões mundiais, hoje em dia.

https://www.youtube.com/watch?v=1d3gcg5iNY4&feature=youtu.be

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CONCLUSÃO

A prática de massagem do Hara tem raízes profundas nos saberes orientais,

e integra-se lindamente com outras terapias, como acupuntura, fitoterapia,

herbalismo, e outras formas de tratamento pelo toque, como a massagem

relaxante, a terapêutica, Shantala, etc.

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ALGUMAS QUESTÕES

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Se fizer uma pressão leve no Hara Shiatsu não tão profunda como mostra

no vídeo do prof. Fernando, isso vai interferir na efetividade da

tonificação ou dispersão?

O nosso receio em postar videos que não são nossos passa precisamente pelo

facto de que vai passar muito mais informação do que aquela que queremos

exemplificar, mas em breve também teremos os nossos vídeos heheh

A pressão exercida por cada um de nos deve sempre ser uma pressão exercida

sem força, mesmo as mais intensas, recorrendo sempre ao uso do nosso corpo,

direcionando a energia do nosso Hara. Isso aprende se com a prática, com

muita experimentação prática, primeiro na aula presencial, depois em nos, e

por ultimo no paciente. Então a intensidade da pressão que se vê no vídeo,

apesar de alta, não recorre ao uso de força, não machuca indevidamente.

Então, quando começamos, seja um tratamento, seja mesmo o nosso

aprendizado, devemos sempre começar por uma pressão leve. Pelo simples

peso das mãos. O toque contínuo vai ajudar nos a perceber, em cada

tratamento, a intensidade que se pode e que se deve aplicar. Precisamos

realmente de praticar para ter segurança, mas não podemos deixar de seguir

aquilo que sentimos, seja pela mão, seja pela intuição. /Se usar mais o seu

Hara e menos a força, vai encontrar a medida certa para cada tratamento. Eu

sugiro que experimente diferentes intensidades de toque em si, para

aprender, e em familiares, em colegas

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Estas indicações para trabalhar áreas do Hara podem ser usadas também

para a acupuntura?

Normalmente, esse mapeamento é usado apenas para o Shiatsu ou para

Ampuku, uma outra massagem abdominal oriental. Quando é percebido algum

desequilíbrio energético, e se quer recorrer è acupuntura, é habitual usar os

pontos Shu dorsais para punturar com as agulhas, em função dos problemas

encontrados: se existe um desequilíbrio na área do estômago, por exemplo,

usa-se acupuntura no ponto Shu dorsal do estômago

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Você nos passou em exercício para sentir o Hara. Será que tem alguma

figura para ilustrar esse exercício por favor?

É difícil encontrar a imagem de uma respiração, mas o principal que eu tentei

transmitir foi a visualização da energia a preencher o Hara, enquanto

respiramos. É excelente fechar os olhos e "ver" o ar a preencher o abdômen,

"ver" energia a tonificar e limpar o nosso Hara

Podia tentar um vídeo, mas os vídeos dão sempre mais informação do que

queremos. Ou menos. Entretanto, deixo aqui imagem para ilustrar o acto

mecânico da respiração, mas para equilibrar o nosso Hara, devemos ir além do

acto meramente físico, devemos tentar "ver" esse centramento, sentir esse

banho de energia

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Essa emissão de Qi, nos procedimentos, como é feita? É como o Reiki?

Tem algum curso?

Nós emitimos energia naturalmente. Não é algo tipo feixes de luz que saem

das pontas dos dedos ou das palmas das mãos, mas algo muito natural, temos

energia EM NÓS e À NOSSA VOLTA. Quando nós simplesmente mantemos a

mão pousada em alguém, trocamos energia, e parte dessa energia é

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quantificada até por nós, naquele momento, informalmente, pois sentimos o

calor que trocamos. Se quisermos intensificar essa troca, esfregamos

vigorosamente as mãos uma na outra, para as aquecermos, não é?

Existem formas de aprender a emitir intencionalmente essa energia, de

"controlar" a intensidade dessa energia, mas o assunto não é necessário aqui

nesta aula. A energia de que falei não precisa ser estudada ou trabalhada

para a emitirmos aos nossos pacientes. Basta estarmos bem, termos nos

mesmos um Hara equilibrado, para transmitirmos essa energia aos nossos

pacientes.

Pode ser feito em crianças? Se sim, a partir de que idade?

Numa criança saudável, sem contraindicação específica para massagem,

podemos fazer shiatsu no seu hara, sim.

As mães indianas massajam o hara dos seus filhos a partir do primeiro mês

de idade, mas como profissional, sempre tenho muito cuidado com crianças de

colo. Não aplico Shiatsu numa criança doente ou muito agitada sem que ela

tenha ido ao pediatra e ele libere o consentimento. Numa criança saudável,

para prevenção de problemas, ensino a fazer massagem a partir dos seis

meses de idade.

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Essa ativação, ou massagem do Hara pode ser feito por homem, centrando

na área das vesículas seminais, correto?

Essa ativação, a tonificação do Hara pode ser feita por E em homens, sim.

Vai tonificar toda a saúde do tanden, e consequentemente a saúde sexual. Um

tanden flexível, macio, tonificado, é sinal, entre outros, de uma vida sexual

saudável e equilibrada. Lembrando aqui que a definição de saúde sexual é

única para cada um, em momentos diferentes da sua vida �

Tenho uma filha de 3 anos e gostaria de saber se posso fazer massagem

nela, ela é bem agitada e muito esperta! Certa vez levei ela para saber

se tinha algum problema ou se era hiperativa, e a médica apenas falou

que ela tinha muita saúde, mas às vezes ela tem insônia e passa a noite

toda se acordando.

O Hara shiatsu tem as mesmas contraindicações do shiatsu em geral, da

massagem em geral. Por isso, atendendo a essas especificações, pode fazer

Hara shiatsu na sua filha, sim, sem problemas. É muito relaxante.

Naturalmente, o toque numa criança deve ser ainda mais suave do que num

adulto.

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Na criança, a Shantala trabalha o hara também? Ela vai até os 6 anos,

não é?

A Shantala trabalha todo o corpo da criança, incluindo o Hara. A idade limite

para fazer Shantala é uma convenção ocidental. Nos é que precisamos

quantificar tudo. "quantas vezes faz? até que idade? quantas agulhas?

quantas vezes pressiona?" etc. etc... Os orientais trabalham um ponto, uma

área, seja com o toque, a agulha, a ventosa, a moxa, até perceberem, ate

sentirem que funciona, que conseguiram o reequilíbrio possível naquele

momento.

Podemos colocar a massagem Shiatsu associada ao Hara Shiatsu?

O Hara shiatsu pode ser realizado apenas por si só, mas ele mesmo é parte

do shiatsu no corpo todo, do shiatsu sistêmico. Não há uma forma de fazer

shiatsu. Há muitas escolas e muitas técnicas. Muitas. Assim, a escola de

Shiatsu que mais usa o trabalho e diagnostico no Hara é o Zen Shiatsu. Mas

isso não impede que seja associado, por exemplo, a Shiatsu Namikoshi, que

trabalha muito mais as costas, e articulações em geral. É mesmo

recomendável associar o trabalho no Hara a qualquer tipo de Shiatsu que já

esteja a fazer. E também pode associar o Hara Shiatsu a uma massagem

relaxante, por exemplo.

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No caso da pessoa histerectomizada, o Hara fica prejudicado? tipo, mais

fraco?

Como em acupuntura, por exemplo, quando se retira um órgão, não se

interrompe a energia. Mas naturalmente, acontece um vazio temporário, por

isso devemos sempre tonificar o meridiano regente daquele órgão. Por

exemplo, quando uma pessoa retira a vesícula biliar por litíase, antes da

cirurgia haviam bloqueios, por contas das pedras na vesícula, mas após a

exerse cirúrgica, vai acontecer um vazio temporário, que devemos compensar,

tonificando o meridiano correspondente, e usando as inter-relações dos 5

elementos para alcançar o equilíbrio mais facilmente. Cm a exerse cirúrgica

de algum órgao do nosso aparelho genital, seja apenas o útero, ou também

ovários, esse vazio temporário deve procurar ser compensado através a

tonificação do Rim, mas o fluxo energético não é nunca interrompido.

Reforçar a tonificação do tanden vai ajudar muitíssimo.

Para tonificar o tanden vc disse que é com uma das mãos,a mão Yan.

Esses movimentos é realizado com a mão aberta em toda parte inferior

do umbigo?Ou em algum meridiano específico?

Quando massageamos o tanden para estimular a sua energia, para o

tonificar.nos devemos massagear em toda a sua extensão, devemos tonificar

TODO o tanden. Mas quando sabemos fazer um diagnostico energético e

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percebemos algum problema com origem em deficiência num determinado

meridiano, podemos começar por tonificar a área correspondente primeiro, e

depois todo o tanden.

Consideramos a mão Yang aquela que está em movimento, independentemente

de ser à esquerda ou à direita, e a mão Yin é a que repousa no Hara, enquanto

fazemos a movimentação: D

Sobre a respiração, é possível que possamos aplicar técnicas que auxiliem

o tratamento de enxaqueca, tensões, ou seja, que a pessoa possa ter

equilíbrio de energia e concentração?

A respiração abdominal é muito importante para podermos fazer bem o

shiatsu no Hara. Naturalmente há gestos, técnicas de usar as mãos, difíceis

de mostrar assim numa whatsaula sem as devidas fundamentações, mas

mesmo pelo relaxamento direto que o Shiatsu Hara proporciona, já haverá um

tratamento indireto em todo o tipo de tensões. Se a pessoa souber fazer os

diagnósticos energéticos e avaliar a causa do problema, poderá também

cuidar da área reflexa do órgão afetado.

Mas uma boa massagem do Hara, com a tonificação do tanden, irá certamente

ajudar muito nesse reequilíbrio.

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