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M3 - Cuidados da Saúde

Materno-Infantil
Técnico/a Auxiliar de Saúde e
Geriatria

Formador/a Maria João Soares 01/2020


Agenda
1. Noções gerais sobre saúde materno infantil: 2horas
1.1 Os direitos e deveres da criança: 1 hora

2. Marcos de crescimento esturo-ponderal e psicomotor dos 0 aos 3


anos com especial incidência para oprimeiro ano de vida: 2 horas
2.1 A alimentação no primeiro ano de vida: 30 minutos

2.3 Necessidades nutricionais específicas:30 minutos

3. Sintomas comuns na infância: 3horas

2
Agenda
4. Criança doente e causas fisiológicas de maior suscetibilidade na 1ª
infância: 1horas
4.1 Conceito de morbilidade e mortalidade infantil; 1 hora

4.2 A prestação de cuidados de saúde infantil: 1 hora

5. Acompanhamento da criança nas atividades diárias: 3horas

6. Tarefas que em relação a esta temática se encontram no âmbito de


intervenção do/a Técnico/a Auxiliar de saúde: 3horas

3
SAÚDE DA MULHER

“O cuidado centrado na Mulher é o termo que descreve uma filosofia


de cuidados de saúde Materna e Obstétrica que dá prioridade aos
desejos e necessidades das mulheres, enfatiza a importância da
escolha informada, a continuidade dos cuidos, o envolvimento das
utentes, a eficácia da clinica, capacidade de resposta e acessibilidade”
EESMO, 2015
Sistema reprodutor feminino

• O aparelho genital feminino corresponde a um conjunto de órgãos,


situados profundamente na cavidade pélvica, que servem para a
formação dos elementos sexuais (óvulos) e para permitir a cópula, a
fecundação do óvulo, o desenvolvimento do produto da conceção e a
sua expulsão no parto.
Sistema reprodutor feminino
Ovários  que geram os óvulos

Trompas de Falópio  que transportam


os óvulos que atravessaram a superfície
do ovário até a cavidade uterina

Útero  que recebe o óvulo fecundado,


propiciando-lhe as condições
necessárias para seu desenvolvimento

O útero é um órgão vazio com paredes


musculares espessas. Além de abrigar o
embrião, o útero possui uma passagem
para o espermatozoide.
Conceitos importantes
• MENARCA
• Corresponde à primeira menstruação
• Ocorre na maioria das raparigas por volta dos 13 anos (atualmente verifica-se cada
vez mais precoce)

• CICLO MENSTRUAL
• Período que se estende do 1º dia de fluxo sanguíneo até ao 1º dia
do fluxo seguinte. Dura em média 28 dias
Fecundação

• Processo pelo qual um espermatozoide se liga a um óvulo, ou seja, quando os dois tipos de
células reprodutivas sexuais ou gametas (óvulo e espermatozoide) se fundem.

• Requer transferência de gâmetas masculinos para o trato genital feminino, sendo esta
normalmente realizada a partir da relação sexual onde os espermatozoides são enviados
dentro do corpo da mulher para chegarem ao óvulo.
Fecundação

• Movimento do sémen através do cérvix é facilitado pelas alterações no

muco cervical induzidas pelos estrogénios, as quais resultam na

formação de canais que aceleram o movimento dos espermatozoides.


Fecundação
• Se a mulher estiver fora do período fértil os espermatozoides tem poucas
probabilidades de entrar no útero, visto existir um muco cervical muito rico em
fibras que impossibilita a entrada de espermatozoides.

• No período fértil o colo do útero encontra-se mais aberto e contem um muco


cervical mais fluido e com a rede de fibras mais aberta permitindo que os
espermatozoides entrem estes dirigem-se para as trompas ao encontro do ovulo.
Fecundação
• As células sexuais contêm informações genéticas que possuem
particularidades que serão passadas para a próxima geração. Cada
uma delas possui metade do material genético da mãe (óvulo) e
metade do pai (espermatozoide).
Factos interessantes…
Desenvolvimento embrionário
• Processo contínuo que tem início quando um óvulo é fertilizado por um
espermatozoide.

• Durante os dias seguintes ocorre uma sequência de divisões celulares, ao mesmo


tempo que o aglomerado das células em desenvolvimento passa das trompas
para o útero

Vídeo
Nidação
• A nidação é um estado natural, caracterizado pela implantação do
embrião no útero da mulher. Ela ocorre uma semana após o período
ovulatório, sendo a fase inicial da gestação.

• A implantação do óvulo assinala o começo da gravidez. No momento


da aderência do embrião com a parede do útero, pequenas veias e
artérias da membrana uterina podem romper-se, resultando em
perda de sangue.
Nidação
• Algumas vezes, a nidação pode causar sintomas, principalmente em
mulheres mais sensíveis aos sinais do corpo. Logo após a ovulação, o
nível da progesterona sobe e pode produzir sintomas parecidos com
os da gravidez. Os sintomas de nidação, porém, podem ser diferentes
dos sintomas de gravidez mais típicos.
Nidação
Procriação medicamente assistida
Hoje em dia está muito presente na nossa sociedade, devido a problemas de infertilidade, sendo um método específico para casais com problemas de
fertilidade

Técnicas:
• Inseminação artificial

• Fertilização in vitro

• Injeção intracitoplasmática de espermatozóides

• Transferência de embriões, gâmetas e zigotos

• Diagnóstico pré-implantatório

Utilização após diagnóstico de infertilidade ou ainda, para tratamento de doença grave ou de risco de transmissão de doenças de origem genética,
infeciosa ou outra

As técnicas devem respeitar a dignidade humana!


Período Pré-embrionário

• Desde a fertilização até à segunda semana

• Inicia-se com a fertilização/conceção que dá início à gestação

• São formadas 3 camadas celulares – Folhetos Embrionários


Período Embrionário

• Desde o final da segunda semana até à oitava semana

• As estruturas básicas de todos os principais órgãos corporais e as caraterísticas


externas principais são completas durante este período de tempo.

• Hiperplasia (aumento do nº de células e > diferenciação) e Hipertrofia (aumento


do tamanho das células)
Período Embrionário
• Período durante o qual o embrião em crescimento é mais suscetível à
lesão advinda de fontes externas, inclusive teratogénicas, infeções,
radiações e deficiência nutricionais.

• Anexos embrionários: Placenta, líquido amniótico, folhetos


embrionários e cordão umbilical.
Placenta
• Órgão hormonal (1º órgão a ser formado) – produz hormonas para
manter a gravidez
• Funções:
• Produz hormonas que controlam a fisiologia básica da mãe
• Protege o feto contra um ataque imunológico da mãe
• Remove produtos de eliminação do feto
• Induz a mãe a enviar mais nutrientes
• Produz hormonas que amadurecem os órgãos do feto e o preparam para a
vida fora do útero
Barreira Placentária
• Camadas de tecido fetal que separam o sangue materno do sangue
fetal (não há mistura)

Casos de risco:
Saco Amniótico
• Bolsa cheia de liquido, que contém e protege o embrião.

Líquido Amniótico – Circunda o embrião e o seu volume aumenta


conforme a gravidez evolui alcançando 1L.
Saco amniótico

• Vantagens:
• Ajuda a manter a temperatura corporal constante para o feto
• Permite o crescimento e desenvolvimento simétricos
• Protege o feto de traumatismos
• Permite que o cordão umbilical fique livre de compressão
• Promove o movimento fetal
Cordão Umbilical
• Estrutura física que liga o feto à placenta durante a gravidez.
• Ocordão umbilical será o seu sistema principal de acesso a todos os
nutrientes de que precisa para crescer e viver.
• É composto por uma veia (leva sangue arterial ao feto) e duas artérias
(traz o sangue venoso do feto).
• Está protegido pela geleia de Warton
Cordão Umbilical
Período Fetal

• Desde o final da oitava semana até ao nascimento

• Período mais longo do desenvolvimento pré-natal; é durante este


período que o embrião é suficientemente desenvolvido e
denominado Feto.
Gestação
• Tempo que medeia entre a conceção e o parto.

• Período de modificações fisiológicas, anatómicas, psicológicas e sociais


da mulher e família.
Gestação

• Diversos fatores envolvidos para a sua manutenção:


• Adaptações do organismo materno

• Alta velocidade do crescimento fetal

• Aumento da vulnerabilidade mãe-filho


Gestação
• Duração da Gestação: 180 dias/ 40 semanas / 9 meses solares / 10 meses
lunares
• A partir da data da última menstruação (DUM) – do 1º dia

• Períodos Gestacionais:
• Período Pré-natal: decorre entre a conceção e o momento do parto.
• Período Pós-natal: tempo após o nascimento.

• Período Neonatal: corresponde aos primeiros 28 dias após o nascimento.


• Período Neonatal Precoce: primeiros 7 dias após o nascimento
• Período Neonatal Tardio: desde o 7º dia até ao 28º dia após o nascimento.
• Período Pós-Neonatal: após os primeiros 28 dias e até completar 1 ano de
vida.
Gestação

• De Termo – entre as 37 e as 40 semanas

• Pré-termo – antes das 37 semanas

• Pós-termo – depois das 42 semanas


Gestação
• Nomenclatura:
• Nuligesta – nunca teve uma gestação
• Primagesta – grávida pela 1ª vez
• Bigesta – grávida pela 2ª vez
• Trigesta – grávida pela 3ª vez
• Multigesta – mais do que 3 gravidezes
• Nulípara – aquela que nunca pariu por via baixa
• Paridade – avalia-se pelo parto eutócico (via baixa)
• Aborto – produto exteriorizado de uma conceção antes da 14ª/20ª
semana de gestação
• Feto-morto – bebé morto entre a 20ª e a 37ª semana
• Nado-morto – bebé morto com 37 semanas ou mais

• Recém-nascido ou Neonato – até ao 28º dia após o nascimento


Calculo da idade gestacional
• Tempo, medido em semanas ou dias, decorrido entre o início da
última menstruação da mulher grávida.
• Primeiro dia da última menstruação + todos os dias até à data atual
• Ex.: DUM (data da última menstruação) em 01/08/2014; Data atual: 29/09

• 31 dias de agosto + 29 dias de setembro = 60 dias

• 60:7  Quociente (nº de semanas) = 8 e Resto (nº de dias) = 4

• Idade Gestacional (provável) = 8 semanas e 4 dias


Cálculo da data provável do parto
• Regra de Nägelle  1º dia da DUM + 7 dias + 9 meses (ou - 3 meses)

• Ex.: DUM em 01/08/2014


• o 1 de Agosto + 7 dias + 9 meses = 8 de Agosto + 9 meses = 8 de Maio
• OU
• o 1 de Agosto + 7 dias – 3 meses = 8 de Agosto – 3 meses = 8 de Maio

NOTA: Quando não se sabe a DUM:


• Se foi no início do mês – assume-se dia 5
• Se foi a meio do mês – dia 15
• Se foi no fim do mês – dia 25
Alterações no organismo da mulher grávida
Mudanças no Sistema Reprodutor
• Útero – mudança no revestimento uterino, miométrio, na atividade
uterina e no formato e tamanho do útero
• Colo uterino
• Vagina
Alterações no organismo da mulher grávida
Peso Materno
• Resultado dos produtos de conceção (feto, placenta e líquido amniótico) e da
hipertrofia dos tecidos maternos (mamas, útero, reservas de gorduras, sangue,
líquidos intra e extracelulares)

• O ideal é de cerca de 12kg.

• Inferior a 7,5kg  Ou está desnutrida ou tinha excesso de peso e não


engorda

• Superior a 12kg  Desvios nutricionais ou excessiva retenção de líquidos


Alterações no organismo da mulher grávida
Peso Materno
• No 1º trimestre o aumento é pouco significativo (entre 1,5-3kg), porque o apetite altera-se,
a mulher vomita e ainda não sabe que está grávida.

• Nos restantes meses, é necessário muita atenção ao peso da grávida, pois esta deve ganhar
cerca de 9kg nas últimas 20 semanas
Alterações no organismo da mulher grávida
Mudanças Cardiovasculares
• Coração
• Débito cardíaco
• Volume sanguíneo
•…
• Tensão arterial
• 1º Trimestre – TA mais baixas (desce)
• 2º Trimestre – TA normalizada
• 3º Trimestre – TA normalizada
Alterações no organismo da mulher grávida
Mudanças no Sistema Respiratório

Mudanças no Sistema Renal


• Rins
• Mais pesados
• Maiores (≈1cm)
• Dilatação dos Cálices e Pelve Renal
• Dilatação e Aumento dos Ureteres
Alterações no organismo da mulher grávida
Mudanças no Sistema Digestivo
• Gengivas edemaciadas, amolecidas e esponjosas
• Salivação Profusa (abundante) – devido ao aumento da atividade glandular
• Aumento do apetite (muito comum)
• Aversão ao café, álcool e fritos
• Aumento da sede
• Útero gravídico desloca o estômago e os intestinos – Refluxo
• Diminuição do Tónus Muscular Gástrico
• Digestão mais lenta
• Diminuição do Tónus Muscular Intestinal
• Diminuição do Peristaltismo (tendência à obstipação)
• Flatulência (também devida à digestão mais lenta)

NOTA: Há medida que a gravidez avança a azia piora, pois a compressão do útero sobre o estômago vai
sendo cada vez maior
Alterações no organismo da mulher grávida

Mudanças no Metabolismo

Mudanças Músculo-esqueléticas

Mudanças na Pele

Mudanças nas Mamas


Confirmação da gravidez
Sinais e Sintomas de Presunção (alterações sentidas pela mulher):
• Amenorreia

• Turgescência mamária (hipersensibilidade + aumento do volume)

• Náuseas matinais

• Fadiga

• Irritabilidade vesical (aumento da frequência urinária)

• Movimentos fetais (sintoma)


Sinais de perigo na gravidez
1º Trimestre

• Pequeno sangramento
• Micção frequente e dolorosa
• Vómitos persistentes intensos
• Febre> 37ºC
• Dor abdominal baixa associada a tontura
• Aumento da TA e edemas
Sinais de perigo na gravidez

2º Trimestre

• Contrações Uterinas regulares (risco de trabalho de parto pré-termo)


• Ausência de movimentos fetais durante mais de 24h (possível
sofrimento ou morte fetal)
• Corrimento súbito ou extravasamento de líquido da vagina (rutura
prematura de membranas)
Sinais de perigo na gravidez
3º Trimestre

• Ganho de peso súbito


• Edema facial
• Dor abdominal alta intensa ou associada a distúrbios visuais
(hipertensão induzida pela gravidez)
• Diminuição dos movimentos diários fetais durante mais de 24h
(possível morte fetal)
Vigilância pré-natal

“É a assistência prestada à futura mãe, durante a sua gestação,


envolvendo o feto em desenvolvimento, identificando, diagnosticando e
tratando das diferentes respostas quer fisiológicas quer psicossociais e
culturais da mulher e da família. ”
Vigilância pré-natal

Finalidades:
• Reduzir a morbilidade e mortalidade materna e perinatal
• Melhorar a qualidade dos cuidados prestados

Finalidade Principal: Assegurar que toda a gravidez culmine no


nascimento de um recém-nascido saudável.
Vigilância pré-natal
Objetivos:
• Conseguir um impacto positivo na qualidade da saúde materna e fetal
• Avaliar o bem-estar materno e fetal
• Detetar precocemente fatores de risco que possam afetar a evolução da gravidez e bem-estar do
feto
• Orientar corretamente cada situação
• Promover a educação para saúde e integrando o aconselhamento e o apoio psicossocial

É feita desde o início da gravidez até ao final, em consultas pré-natais, que podem ser executadas no
Centro de Saúde ou em instituições particulares. Nestas consultas a gestante recebe vigilância,
cuidados necessários e educação para a saúde.
Promoção da Saúde/Educação para a Saúde
Objetivos:
• Proporcionar à grávida conhecimentos sobre cuidados de saúde na gravidez,
parto e puerpério
• Informar sobre hábitos de vida saudáveis
• Fomentar atitudes positivas perante a gravidez, parto e puerpério
• Promover aleitamento natural, consciente e sem culpas
• Conhecer a utilidade e a técnica dos exercícios físicos, relaxamento e
respiração e utiliza-los corretamente
• Promover a diminuição de comportamentos que representam um risco para
a mãe e o feto
• Favorecer as condições ótimas para um parto natural
• Colaborar com a grávida e a sua família para enfrentar de forma positiva as
mudanças que a gravidez, parto e puerpério impõem à dinâmica familiar
TRABALHO DE PARTO
Parto

• O parto é o processo de movimentação do feto, da placenta e


membranas para fora do útero através do canal de parto.

• O trabalho de parto é influenciado por cinco fatores cruciais: o feto e


a placenta, o canal de parto, as contrações uterinas, a posição da mãe
e as reações psicológicas.
Parto Fisiológico ou Normal

“Acontece espontaneamente no final de uma gravidez de termo, com


um feto em apresentação de vértice que atravessa o canal pélvico
genital, num espaço razoável de tempo e se a criança nascer viva sem
ter afetado a saúde materna”

• Parto Pré-termo – antes das 37 semanas de gestação


• Parto Dismaturo ou Pós-maduro – depois das 42 semanas de gestação
Parto Fisiológico ou Normal
Sinais que precedem o parto: (podem surgir horas ou semanas antes do
parto)
• Insinuação  Descida da barriga, indica que o feto se encaixou na bacia. Provoca aumento da
pressão na bexiga, o que leva a aumento da frequência urinária
• Dor lombar baixa e persistente (devido ao relaxamento das articulações pélvicas)
• Contrações de Braxton Hicks mais fortes (passam a ser contrações de trabalho de parto)
• Aumento da secreção vaginal (preparação para o momento do parto)
• Saída do rolhão mucoso (pode ser ou não acompanhado de sangue vivo)
• Amadurecimento cervical (colo uterino fica mais mole; avaliado por profissionais)
• Possível RPM (Rutura Prematura de Membranas)
• Outros fenómenos (perda de peso, surto de energia)
Parto Fisiológico ou Normal
O Trabalho de Parto compreende um conjunto de fenómenos que se
passa na mãe, no feto e nas membranas, sendo estes:
• 1. Dilatação (dilatação e extensão do colo uterino – deve ser de 10cm)

• 2. Expulsão

• 3. Dequitadura (expulsão da placenta)

• 4. Recuperação Homeostática (ou puerpério imediato)


Trabalho de parto

NOTA: Não pode haver


mais do que 5
contrações em 10
minutos pois isso
significa que o bebé vai
entrar em sofrimento
fetal, visto que
aquando de cada
contração o aporte
sanguíneo ao feto é
cortado.
Períodos de trabalho de parto
1º Período – DILATAÇÃO (período mais demorado – nº de horas
variável)

Reações da Parturiente
• 1. Fase Latente
• Recetiva às orientações
• Deambula com facilidade
• Fica irrequieta
• Ainda se distraí facilmente
• Valoriza pouco a dor da contração
Períodos de trabalho de parto
• 2. Fase Ativa
• Apercebe-se do ritmo das contrações
• Valoriza mais a dor expressando-se através de gestos
• Fica menos recetiva a orientações

• 3. Fase de Transição (ocorre entre os 8 e 9cm)


• Fica mais dependente
• Pronuncia frases curtas
• Queixa-se e por vezes chora
• Fica mais agitada
• Contorce-se com as contrações
Períodos de trabalho de parto

2º Período – EXPULSIVO (começa quando a


dilatação está completa e vai até à expulsão do feto
– pode demorar em média 2h nas primíparas e 1h
nas multíparas)
• Fase Lactente (a mulher não sente urgência de puxar,
apenas exerce pequenos esforços com as contrações)
• Fase Ativa (a mulher faz esforço para puxar e a
apresentação fetal progride)
• Fase de Transição (a apresentação fetal está a coroar e a
mulher faz esforços para puxar)
Períodos de trabalho de parto
3º Período – DEQUITADURA (período que ocorre entre o nascimento
do bebé e a expulsão da placenta e de membranas – pode demorar
entre 3 a 5min. ou até 1h)
Períodos de trabalho de parto
4º Período – RECUPERAÇÃO HOMEOSTÁTICA (demora mais ou menos
2h)
• A homeostasia (equilíbrio) é restabelecida
• O útero contrai-se devido à tonicidade das suas fibras, formando o Globo de
Segurança de Pinard (forma-se um coágulo de sangue no útero para impedir
hemorragia no sítio onde a placenta estava – coágulo expulso nos dias
seguintes)
Tipos de parto
O Parto pode ser:

• Eutócico  Por via baixa e sem auxílio de qualquer instrumento


(Parto Normal). Podendo ter medicação.
• Distócico  Por via baixa e com auxílio de instrumentos (sempre com
intervenção médica)
Parto Distócico
• Fórceps Obstétricos:
• Os fórceps obstétricos são constituídos por dois ramos,
designados por direito e esquerdo, consoante a parede da
pelve com que se relacionam.

Os fórceps ou ventosa são utilizados em casos de período


expulsivo prolongado, necessidade de abreviar o período
expulsivo e em suspeita de sofrimento fetal.
Parto Distócico
• Ventosa:

• Técnica baseada numa força externa de tração aplicada no escalpe fetal através de vácuo.

• Quando se aplica o vácuo sobre o escalpe fetal, os tecidos subjacentes edemaciam-se e


penetram na concavidade da ventosa formando um caput significativo, mais pronunciado com
ventosas metálicas.
Cesariana
Intervenção cirúrgica que consiste em retirar o feto através da incisão
da parede abdominal e do útero.

• Como intervenção cirúrgica abdominal, a cesariana implica, sempre, uma taxa


de morbilidade materna significativamente maior que no parto vaginal,
devido ao Risco infecioso, Risco hemorrágico e Risco tromboembólico.
• A mortalidade materna, relacionada com a cesariana é significativamente
maior que a observada após o parto vaginal.
Ambiente e emoções durante o parto
• O parto é uma experiência muito importante na vida de
uma mulher.

• A experiência de dar à luz extremamente marcante

• O parto é um processo abrupto que rapidamente


provoca mudanças a nível de comportamento, maneira
de ser/estar da própria mulher.
Ambiente e emoções durante o parto
• Este momento marca uma fase de transição onde há
uma redefinição de papéis e relações, ocorrendo um
ajuste ao papel pessoal, social e familiar.

• Ser mãe é uma das etapas de maturação da vida adulta,


representando um período de múltiplas aprendizagens
quer para os progenitores, quer para os que lhe estão
próximos.
Findo o parto, inicia-se um processo de recondução do organismo
materno ao estado anterior ao início do ciclo gravídico, chamado de
Puerpério.
Puerpério
• Período que se estende desde a dequitadura até ao aparecimento da
primeira menstruação (6 semanas)
• Quando a mulher amamenta, a menstruação verifica-se mais tarde (8
semanas ou mais  Amenorreia Lactacional)

• Período após o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da


mulher voltem à situação normal anterior à gestação.
• Reorganização orgânica e fisiológica
• Preparação para uma nova gravidez, se necessário
Modificações no puerpério

• Podem ser:
• Modificações de ordem geral

• Modificações dos órgãos sexuais

• Modificações associadas à Lactação


Modificações no puerpério
As lesões do colo uterino, vagina, vulva, hímen e períneo, cicatrizam de um modo
rápido, em média 2 semanas.

Parede Abdominal:

• Permanece flácida durante algum tempo

• As estrias mudam de aspeto → são menos visíveis e a sua cor passa a branco

• Caso a distensão abdominal for intensa → na linha média do abdómen pode-se


apreciar à palpação uma separação marcada dos músculos retos
Modificações no puerpério
Sistema Vascular:
• A regressão da maioria das alterações ocorre nos primeiros dias após
parto
• O aumento de volume total de sangue durante a gravidez é de 35%
(redução gradual – atinge valores normais por volta da 2ª semana)
• No parto perda sanguínea ≈ 400 ml
• Regresso à normalidade (após 2/3 semanas) dos fatores sanguíneos.
Modificações no puerpério
Sinais Vitais:

• Pulso → Bradicardia transitória – máximo 48 horas

• TA → Não existem alterações significativas

• Temperatura → Nas primeiras 24 horas pode haver um aumento por motivos de fadiga muscular

Nota - No 3º/4º dia pós-parto → Aumento da temperatura corporal, pode ser atribuído ao
exagerado engurgitamento vascular e linfático das glândulas mamárias (Pode também dever-se a
Infeção Puerperal – Elevada taxa de morte)
Modificações no puerpério

Perda de Peso:
• Feto e Placenta
• Líquido Amniótico
• Perda sanguínea 9 Kg
• Aumento de transpiração em uma semana
• Aumento de diurese, na 1ª semana
• Involução Uterina
• Lóquios
Lóquios
• secreção vaginal pós-parto composta por sangue, fragmentos
deciduais, bactérias, exsudatos e transudatos vaginais. Apresenta
odor forte e característico, com volume e aspeto influenciados por
gradual redução do conteúdo hemático.
Lóquios
• Nos primeiros 3 a 4 dias de pós-parto,
tem-se a loquiação vermelha constituída
principalmente por sangue e restos
trofoblásticos.
• Do 5º ao 10º dia, tem-se uma coloração
vermelho-rosada ou acastanhada pela
degradação da hemoglobina, com um
odor forte.
• Após o 10º dia, tem-se a loquiação
amarela, de aspeto purulento e com odor
forte; sendo que em condições
patológicas (infeções) pode adquirir odor
putrefato desagradável. A partir do 21º
dia, tem-se a loquiação branca, de aspeto
pouco mais fluido que clara de ovo, e
consiste na esfoliação normal do
endométrio.
Lóquios
Incluem:
• Secreções do colo e vagina
• Produtos de descamação
• Pequenos coágulos
• Restos de caduca
• Exsudados

• O odor é semelhante ao da menstruação, se tiver um fétido pode estar


relacionado com infeções ou maus cuidados de higiene.
Cuidados à puérpera
Mobilização
• Durante o acolhimento recomenda-se o repouso absoluto no leito
com os membros inferiores estendidos e pernas cruzadas,
promovendo o repouso do útero.
• Se o bebé ainda não mamou ser colocado ao peito. O levante é
incentivado entre a 6ª e a 12ª hora após o parto. É fundamental que a
mãe seja capaz de satisfazer as necessidades do seu filho e que com
isso se sinta feliz.
Cuidados à puérpera
Alimentação
• Não existem restrições dietéticas para as
mulheres de parto vaginal.
• A dieta, em geral, deve ser diversificada.
• Duas horas após o parto a mulher deve fazer
uma pequena refeição.
• Devem realizar cerca de 6 refeições diárias.
• A ingestão de água deve ser incentivada
• Durante o período de lactação, devem ser
restringidas as bebidas excitantes (chá, café)
e banidas as bebidas alcoólicas.
Cuidados à puérpera
Amamentação
• Durante o exame físico à puérpera, os
técnicos de saúde, entre outros
procedimentos, devem analisar os
conhecimentos que a mulher tem acerca
da amamentação.
• O processo de amamentação obedece a
um ciclo de sucção, deglutição e
respiração em que é fundamental que o
bebé realize uma pega correta
Cuidados à puérpera
Higiene
• Consoante o bem-estar físico e a estabilidade dos
sinais vitais, a puérpera deve fazer a higiene diária
através de um banho de chuveiro, podendo utilizar gel,
sendo que primeira vez deverá ser sob supervisão de
uma enfermeira ou auxiliar de saúde.
• A zona da perineorrafia deve ser mantida sempre
limpa e seca, recomendando-se a mudança frequente
dos pensos higiénicos.
• Em relação às mãos, a puérpera deve ser encorajada à
sua lavagem cuidadosa.
Possíveis complicações no puerpério
Infeções Puerperais:
• Processos infeciosos que têm origem nas feridas do canal genital após
um parto ou abortamento.

• A nível estatístico incluem-se todos os casos em que as temperaturas


rectais se mantêm acima de 38ºC, mais de 12 horas.
Possíveis complicações no puerpério
Infeções Localizadas:

• Vulvovaginites → feridas infetadas recobertas de pus e falsas membranas de cor amarelada ou acinzentada com ligeiro
edema. Formação de pequenos abcessos com raras situações de necrose de tecidos.

• Endometrites → mais frequentes, muitas vezes associadas a vulvovaginites.

• Sintomas:

• Febre no 2º ou 3º dia do puerpério (38 a 40oC); Taquicardia; Astenia; Cefaleias; Insónia; Anorexia

• Localmente: útero grande, mole e doloroso

• Lóquios: Abundantes; Xaroposos; Cor achocolatada, amarela ou avermelhada; Fétidos (anaeróbios)


Possíveis complicações no puerpério
• Tromboflebites → Por se tratar de uma infeção primitiva do endotélio,
os trombos aderem à parede das veias, o que torna raros as embolias.
Possíveis complicações no puerpério
Tromboflebites
• 1ª fase: O pulso começa a elevar-se sem febre; Febrícola e sinais de
infeção localizada; Dor; Edema do membro inferior; Impotência
funcional.

• Após alguns dias: Dores diminuem; Impotência funcional é absoluta;


Aumento do edema; Aumento da temperatura no membro;
Hidrartrose no joelho.
Possíveis complicações no puerpério
Infeções generalizadas:
Sintomas:
• Aumento da temperatura (40ºC)
• Aumento do pulso – fraco e irregular
• Palidez
• Dispneia
• Pele seca
• Olhos encovados
• Lábios secos
• Língua seca
• Cianose das extremidades
• Confusão mental
• Alucinações
Possíveis complicações no puerpério
Mastites:
• 10 % das puérperas apresentam infeções agudas,
correspondendo a uma infeção purulentas das
mamas. É uma das mais graves complicações das
mamas, levando a dores, temperaturas elevadas
e enrugamento mamário.
Possíveis complicações no puerpério
Cefaleias:

• Agudização na posição ortostática, com movimentos brusco;


Diminui ou desaparece em decúbito dorsal; Em casos
graves, está associado o mau estar geral, perturbações
visuais, auditivas, náuseas, vómitos, anorexia

Hemorragias Puerperais

• A mulher perde cerca de 300ml de sangue durante o parto


normal sendo a causa mais comum a atonia uterina devido
à exaustão da musculatura uterina.
Depressão na gravidez
Quais são os dados atuais relativos à depressão na gravidez?

• Cerca de 10% das mulheres têm depressão durante a gravidez, e esta perturbação tem
uma alta probabilidade de persistir após o parto, caso não seja prontamente
diagnosticada e tratada.

• O diagnóstico é mais frequente no 1.º e 3.º trimestres da gravidez.


Depressão na gravidez
• Que dados existem atualmente sobre a depressão pós-parto?
• A prevalência da depressão pós-parto atinge aproximadamente 12% e 16% das mães.

• Se existirem outros fatores de risco associados tal como gravidez na adolescência, isolamento
social, história anterior de depressão ou de depressão pós-parto, a prevalência desta patologia
tende a ser ainda mais elevada.

• Estas perturbações emocionais podem surgir desde o trabalho de parto até ao fim do primeiro
ano de vida da criança. No entanto, a maioria dos casos ocorre a partir da 6.ª semana do período
pós-natal.
Depressão na gravidez
Como pode ser diagnosticada?

• Esta patologia pode não ser inicialmente identificada, devido a todos os


cuidados ao bebé, podendo determinar, num pós-parto normal, tal como
numa situação de depressão pós-parto, alterações do sono e do apetite,
fadiga e perda de energia.

• É fundamental detetar as situações de risco o mais precocemente possível,


para diagnosticar e tratar atempadamente os casos de depressão.
Depressão na gravidez
O que pode levar a uma depressão:
• gravidez não planeada, não desejada, não aceite;
• ausência de projetos ou de preparação para o parto e acolhimento ao bebé;
• expectativas negativas em relação ao parto e ao bebé;
• patologia psiquiátrica:
• sinais e sintomas de depressão (fadiga, irritabilidade, alterações do sono e
apetite, tristeza, desespero, crises de choro, ideação ou tentativas de
suicídio);
• abuso de substâncias, descompensação psicótica, etc.
• gravidez de alto risco;
• malformações do bebé detetadas durante a gravidez;
• morte de um familiar próximo ou significado durante a gravidez.
Autorização de
Funcionamento nº21

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