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ISECENSA – Institutos Superiores de Ensino do CENSA

Instituto Superior de Educação do CENSA

Instituto Tecnológico e das Ciências Sociais Aplicadas e da Saúde do CENSA

Graduação de Psicologia

Disciplina: Estágio Básico em Psicologia Social e


Professor(a): Victor Tinoco Delgado
Comunitária

Período: 7º Data: 09/06/2020

Aluno(a): Gabriela Fagundes Altoé Alberico Matrícula: 1710013054

1 – Lurdes Oberg (2008), afirma que a psicologia social comunitária é


marcada por um profundo interesse e discussão acerca do conceito de
comunidade como questão central e incontornável. Como poderíamos definir
esse conceito? Já sabemos que que o conceito de comunidade não é algo
que possamos dizer que é fixo, podemos notar isso durante a leitura do
próprio artigo, é um conceito amplo e cada individuo vai construindo
mediante as suas relações, Tonnies, considerado o “pai” do conceito de
comunidade, vai dizer que a comunidade sustenta a naturalização de uma
essência comunitária universal, estando a comunidade relacionada à vida
em grupos coesos e unidos por interesses comuns. Weber, outro autor
que pontua sobre o conceito de comunidade, vai dizer que a comunidade
já se torna um conceito amplo apoiado em fundamentos afetivos,
emocionais e tradicionais. Este autor explica que a comunidade é uma
relação social em que a atitude na ação social, em termo médio ou no
“tipo ideal”, inspira-se em um sentido de solidariedade e como fruto do
sentimento subjetivo (afetivo ou tradicional) dos participantes na
constituição de um todo. Podemos afirmar, a partir de Tönnies, Weber e
Simmel, que a comunidade seria o lugar do afeto, das relações primárias,
da tradição, da partilha de interesse e de território comum, ao passo que a
sociedade seria seu contrário, marcada pela racionalidade, pela
modernidade, pelas relações secundárias com pouco contato face
face e com fins econômicos

2 – Sabemos que a década de 70 foi crucial no sentido da tomada de


um novo rumo dado a psicologia social e comunitária, inaugurando um
movimento de ruptura paradigmática das práticas assistencialistas para o
paradigma de direitos. Desenvolva uma síntese sobre o assunto. Há que se
destacar, neste período, uma significativa participação política dos
psicólogos nos movimentos populares e nas atividades e práticas
deselitizantes contrárias ao regime militar, até alcançarmos a
Constituição de 1988. Nesta direção, a psicologia social comunitária, a
partir da década de 70, ressalta atividades científicas em contextos
considerados como periferias. No final dos anos 70, ocorre no Brasil um
expressivo fortalecimento dos movimentos sociais, destacando-se neles
três matrizes discursivas: a presença da teologia da libertação, a partir
das comunidades eclesiais de base; o marxismo, presente nas
associações de bairro através da Educação Popular de Paulo Freire; e a
emergência do novo sindicalismo que expressa lutas travadas no
cotidiano. Há o rompimento com a noção de comunidade passiva e
estática na década de 1970. O modelo latino-americano, surgido neste
período, com base em práticas de intervenção comunitária, tem, no
materialismo dialético, os fundamentos para sua atuação

3 – De que forma poderíamos diferenciar comunidade de sociedade no


seio do cenário globalizado, tal como observado a partir das considerações
feitas por Bauman (2003)? Entendemos que comunidade nos remete a uma
“sensação de Aconchego”, “paraíso perdido”, porém o contexto vigente é
de intensa individualização e desintegração dos laços humanos dos
nossos tempos, sem alicerces sociais e relacionais firmes e previsíveis,
prevalecendo uma forma de “comunidade estética” e com laços
superficiais
4 – A partir dos comentários de Oberg (2008), o que o sociólogo
Manuel Castells (2003) compreende e define por comunidades virtuais? Como
se ajustam as relações humanas nesse tipo de comunidade? Consideraremos
as “comunidades instantâneas”, formadas através dos movimentos
sociais de rede, sinalizando o surgimento de espaços híbridos, pois são
construídos entre as redes sociais da internet e o espaço urbano ocupado
por estas redes de indignação. O espaço público destes movimentos
sociais é construído como um espaço híbrido entre as redes sociais da
internet e o espaço urbano ocupado: esta conexão do ciberespaço com o
espaço urbano constitui, tecnológica e culturalmente, “comunidades
instantâneas “de prática transformadora. Espaço em rede, situado entre o
espaços digital e o urbano, é o espaço da comunicação autônoma,
essência dos movimentos sociais, pois permite que os movimentos se
relacionem com a sociedade em geral, para além do controle dos
detentores do poder da comunicação.

5 – Segundo Ana Bock (2008), a psicologia como disciplina científica


revela como marca no seu passado histórico momentos de desinteresse e
descompromisso com a realidade econômica, histórica e social, cenário que
apresenta alterações a partir do séc. XXI com o surgimento da psicologia
comunitária. Faça uma síntese sobre o assunto. A Psicologia começa, neste
século XXI, a se voltar para as políticas públicas, para um compromisso
com a maioria da população e suas urgências, para a ética e seus
desafios na sociedade moderna e para os Direitos Humanos. Busca-se
fortalecer e ampliar sua inserção social, mas a partir de um novo projeto
de profissão que represente um novo compromisso com a sociedade
brasileira.

6 – “O ser humano precisa ser pensado a partir de outra perspectiva


que tenha a historicidade como uma de suas principais características” (Bock,
2008, p.4). Comente a citação a partir das considerações tecidas por Bock e
pelo movimento da psicologia comunitária. É necessário pensar o sujeito
como em construção permanente; como alguém que ao atuar no mundo o
modifica e se modifica a si próprio. Nossos conceitos precisam dar conta
disto. Não se pode trabalhar com conceitos que paralisam o mundo; que
tomam o sujeito como um a priori, como alguém que nasce dotado de
capacidades. Precisamos de perspectivas que pensem a construção do
psiquismo como algo que se dá ao mesmo tempo em que se constrói o
mundo. É necessário construir uma psicologia que seja capaz de
contribuir para que a realidade

7 – A partir da leitura de Gaulejac, (2004), Teresa Carreteiro (2003) à


luz do problema da exclusão, nos informa que as sociedades contemporâneas
revelam o compasso de duas principais formas imaginárias: o da excelência e
o da inutilidade. Comente sobre cada uma dessas formas e seus efeitos do
ponto de vista do indivíduo. No primeiro, destaca-se a idéia de triunfo, de
excelência, de qualidade total, engendrando o imaginário da perfeição e
da superação de si próprio. Neste cenário, destacam-se os valores de
inserção, de carreira, de poder e de qualificação social. Por outro lado,
têm surgido novas formas de exclusão, produzindo o imaginário da
inutilidade, que acenam aos valores de fracasso, de falta de inserção e
desqualificação. Os indivíduos que vivem sob a égide deste imaginário
participam ou de uma zona franjal de inclusão social ou se situam
totalmente à margem da mesma.

8 – O sociólogo francês Robert Castel (2001) identifica e analisa duas


principais formas contemporâneas de ser indivíduo: o indivíduo por falta e o
indivíduo por excesso. Para quais direções apontam essas definições? Os que
compõem a categoria de “indivíduos por falta” têm poucos suportes
objetivos, havendo uma diminuição das chances de desenvolverem
“estratégias individuais e de terem, a partir deles próprios, margens de
manobra”. Para eles, ser um indivíduo nem sempre é conotado
positivamente. Empregando-se um conceito do próprio autor, pode-se
dizer que estes indivíduos experimentam um processo de desfiliação
social. Ao contrário, os “indivíduos por excesso” são os que têm
suportes objetivos suficientes, o que lhes permite desenvolver
estratégias, sem ter de recorrer à dependência. Aqueles que vivenciam o
peso social da posição de “indivíduos por falta” têm mais possibilidades
de experimentar o sofrimento social, que deixa marcas psíquicas com
pouca ou nenhuma visibilidade social, assim o pensamos.
9 – Vimos que o cenário da vida pública e social na
contemporaneidade também tem se revelado como importante matriz de
sofrimentos provocados pelas injustiças sociais, que em geral, os grupos mais
subalternizados experimentam sua versão mais acentuada. A partir da
afirmação acima, comente sobre as lógicas de invalidação e de depreciação.
As lógicas de invalidação e de depreciação ocorrem, em grande parte das
vezes, em cenas públicas. As pessoas se sentem desvalorizadas e
diminuídas e, raramente, compartilham tais sentimentos. Se, por um lado,
a expressão destes sentimentos sofre uma censura do próprio sujeito,
por outro, a sociedade dispõe de poucos suportes para auxiliar a
expressão deles. Os afetos, frutos do processo de exclusão, são
relegados a passar por um processo que pretende apagá-los, anulá-los,
enfim, torná-los inaudíveis. A esse processo de silenciamento dos afetos,
dos quais participam as instituições e os sujeitos individuais e grupais,
denominamos lógica da invisibilidade do sofrimento. As lógicas de
invalidação e de depreciação ocorrem, em grande parte das vezes, em
cenas públicas. As pessoas se sentem desvalorizadas e diminuídas e,
raramente, compartilham tais sentimentos.

10 – À luz do problema da violência, da exclusão social e das múltiplas


formas de humilhação, como podemos pensar sobre o impacto da lógica da
virilidade e dos ingredientes sociais que reforçam esse comportamento. Faça
um breve resumo sobre essa questão. A violência representa uma forma de
linguagem e o corpo se apresenta como metáfora da subjetividade. O
corpo torna-se o capital derradeiro e, nesta perspectiva, tem pouca
possibilidade de contribuir na construção de sentidos, ou melhor, estar
apto a reconhecer vários sentidos em suas ações. O corpo se opõe a
qualquer tipo de docilidade, ele está sempre pronto para entrar em ação;
torna-se um corpo em estado de alerta. Em síntese, uma “subjetividade
alerta” deve saber correr riscos, expor-se aos perigos e impor ou expor
sua potência. Neste contexto, poder brigar é um modo de buscar uma
afirmação no grupo social. Durante a leitura do artigo podemos ver que a
violência serve para a firmação da virilidade, e para conseguir prestigio e
respeito, cita-se os exemplos do trafico de drogas e de como essa vida é
atraente para os jovens já que essa vida de certa forma impõe respeito.
Dessa forma foi feita uma analise da fala de alguns jovens de uma grande
comunidade do Rio de Janeiro, dentro dessas narrativas irão aparecer
duas grandes categorias de situações de humilhação, já que a violência
em si não é o só o ato de bater e machucar o próximo mas também se
entende por violência atos de humilhação, essa duas categorias são : -
Explícitas: há intimidação ou violência contra o corpo do outro. Arendt
(1969) reserva a noção de violência, quando há um embate corpo a corpo,
que visa a submeter o outro, por meio da força física. As violências
explícitas são constituídas por situações que, como sabemos, povoam o
cotidiano de populações que moram em localidades consideradas
“perigosas”. Neste horizonte social as táticas humilhantes se integram à
rotina de algumas instituições, como a polícia. As pessoas são
constantemente revistadas, visto que são consideradas “suspeitas” de
exercerem atividades ilegais. A ameaça e a intimidação são bastante
presentes. Os indivíduos são vistos como potencialmente perigosos e
devem ser ameaçados, pela lógica repressiva. Humilhações Implícitas:
estas são mais sutis, deixam traços, sem marcar o corpo. Elas também
corroem as subjetividades, produzindo um déficit narcísico.