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O paradigma científico:

entre construções e rupturas


TAYLON FELIPE SILVA*

Resumo: No percurso histórico da ciência, no processo de construção de conhecimento e


análise de fenómenos, várias foram as lentes utilizadas em sua observância, revelando que em
sua construção, a ciência sempre terá a presença do homem com forma de viés, que por sua vez
também já sofreu influência de construções anteriores. Este trabalho tem como objetivo revisar
alguns aspectos da constituição do conhecimento científico e descrever algumas características
de eventos que se desenvolveram e ainda se desenvolvem a partir de novos conceitos em torno
da própria ciência. Para tanto, a metodologia empregada é uma pesquisa de revisão
bibliográfica, com abordagem qualitativa e de base exploratória, no qual se fundamentou, entre
outros, nos autores Fernanda Perez Ramos, Thomas Kuhn e John Henry. O estudo permitiu
considerar que o Paradigma da Ciência Moderna ao apresentar sinais de exaustão começou a
abrir margem para novas concepções epistemológicas. O Paradigma da Ciência Contemporânea
surgiu como consequência do advento de um período onde as verdades inquestionáveis e
redutivistas até então empregadas não eram mais capazes de suprir as necessidades e
questionamentos dos fenômenos propostos. Essa crise paradigmática aparentemente parece estar
em vigor nos tempos atuais, representando um período de transitoriedade epistemológica.
Palavras-chave: Ciência; Paradigma da Ciência Moderna; Paradigma da Ciência
Contemporânea; Epistemologia.
Scientific paradigm: between buildings and ruptures
Abstract: During the historical background of science in the process of building knowledge and
analysis of phenomena, there were several lenses used in their observance, revealing that in its
construction, science has always had man's presence in the shape of bias, which in turn has also
suffered influence of previous buildings. This work aims to review some aspects of the
constitution of scientific knowledge and describe some characteristics of events that developed
and still develop from new concepts about science itself. Therefore, the methodology used is a
literature review of research with a qualitative approach and exploratory basis, which is based
on, among others, the work of authors Fernanda Perez Ramos, Thomas S. Kuhn and John
Henry. The study found them to be the paradigm of modern science which, by presenting signs
of exhaustion, began to open room for new epistemological conceptions. The Contemporary
Science Paradigm emerged as a result of the advent of a period where unquestioned truths and
reductive hitherto employed were no longer able to meet the needs and questions of the
proposed phenomena. This paradigmatic crisis apparently seems to be in place in current times,
representing a period of epistemological transience.
Keywords: Science; Paradigm of Modern Science; Paradigm of Contemporary Science;
Epistemology.

*
TAYLON FELIPE SILVA é bacharel em Enfermagem e pós-graduado em Docência no
Ensino Superior. Atualmente é mestrando do Programa de Pós-graduação em Patologia Experimental da
Universidade Estadual de Londrina.

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Introdução uma sucessão de movimentos dentro do
movimento mais amplo da própria
Durante o percurso histórico da ciência,
civilização.
no processo de construção de
conhecimento e análise de fenómenos, Dentre as principais correntes
várias foram as lentes utilizadas em sua filosóficas que tiveram uma grande
observância. A peculiar forma de como influência e poder na construção da
se estabeleceu essa construção nos ciência até meados do século XXI,
diferentes contextos da história, destaca-se o positivismo. (RAMOS,
caracteriza-se por diferentes métodos de 2010). Marcada fortemente pela rígida
se fazer ciência, métodos esses que racionalidade e rigoroso determinismo
foram observados e discutidos na cientifico, esta linha de pensamento é
ciência contemporânea por vários apoiada na gênese de conhecimento
filósofos, que ao passo de descreve-los através do Método Experimental. Esta
transpareceram suas posições e forma de produção do conhecimento
ideologias, deixando de certa forma cientifico, tornou-se bastante dominante
suas próprias lente para a observação do e é caracterizada como “Paradigma da
universo (RAMOS, 2010). Ciência Moderna”.
Ao servirem de caracterização de um Este paradigma, em sua visão
conceito, as palavras trazem consigo seu salvacionista e intocável que tem da
significado próprio, expressando muito ciência, atingiu na segunda metade do
mais do que sua simples origem, pois século XX uma crise paradigmática,
carregam também o significado de uma denominada crise da ciência da pós-
apropriação histórico-cultural dada pela modernidade, onde os conceitos,
construção social humana. Neste critérios de certeza e validade dos
sentido, a palavra ciência, métodos científicos são questionados e
etimologicamente vem do latim, scire, reavaliados. Desta forma, perdendo seu
que significa conhecimento, saber. No monopolismo cientifico e credibilidade,
entanto, no nosso contexto ela apresenta sendo incapaz de explicar a
uma designação muito mais ampla, complexidade de fenômenos (KUHN,
ideológica e paradigmática, que vai 1998; LYOTARD, 2006; LAMPERT,
muito mais além de seu sentido 2005)
etimológico, em função de sua
O novo Paradigma da Ciência
construção acontecer pelo homem e
Contemporânea vem de forma contrária
para o homem (RAMOS, 2010).
as verdades inquestionáveis da linha
Para Danhoni (2005) e Kneller (1980), positivista, que esbarra nas incertezas e
o homem confunde sua perspectiva do nas imprevisibilidades. Esta nova
ver com o ser em ciência, revelando que corrente de pensamento teria sido
em sua construção, a ciência sempre desencadeada pela exaustão dessa visão
terá a presença do homem com forma reducionista de ciência. No entanto, a
de viés, que por sua vez também já transição entre paradigmas leva um
sofreu influência de construções período de tempo significativo, entre a
anteriores, ocorridas na história da queda do vigente e ascensão do
humanidade. Portanto, essa construção é emergente Kuhn (1998) denomina esse
tão influenciada pelo contexto histórico- período como “crise paradigmática”.
social que não consegue ser neutra, Diante disso, o momento atual sugere a
estabelecendo uma relação cíclica presença de um período epistemológico
homem/ciência, considerando-se como transitório no paradigma cientifico,

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caracterizado pela ruptura do Paradigma campos do pensamento, possibilitando
da Ciência moderna e ascensão do com que a ciência reduza todo o
Paradigma da Ciência Contemporânea universo à formas mensuráveis e
(RAMOS, 2010). tangíveis (HENRY, 1998).
Diante desse pressuposto, este trabalho Apesar das divergências nos olhares
tem como objetivo revisar alguns com relação ao método e a ciência, não
aspectos da constituição do se pode negar a eficácia do método na
conhecimento científico e descrever produção de conhecimento cientifico, a
algumas características de eventos que ciência e o progresso cientifico
se desenvolveram e ainda se continuam sendo capazes de melhorar
desenvolvem a partir de novos as ciências exatas e melhorar o homem
conceitos em torno da própria ciência. no caso das ciências humanas
(RAMOS, 2010).
Para tanto, a metodologia empregada é
uma pesquisa de revisão bibliográfica, O Paradigma da Ciência Moderna
com abordagem qualitativa e de base consolidou-se entre os séculos XVI e
exploratória, no qual se fundamentou, XVIII com o advento da Revolução
entre outros, nos autores Fernanda Perez Cientifica, nesse período ocorre a queda
Ramos, Thomas S. Kuhn e John Henry. do Absolutismo feudal, consolidação da
sociedade capitalista com a classe
O texto foi organizado em dois
burguesa e ruptura da hegemonia
capítulos centrais. O primeiro faz um
religiosa, iniciando um processo de
levantamento histórico do modo de
valorização do conhecimento, diante
produção de conhecimento e Paradigma
disto, a ciência recebe uma nova forma,
da Ciência Moderna. O segundo
antes dada pela Igreja (HENRY, 1998).
capitulo tratou do processo de
construção do Paradigma da Ciência É neste contexto histórico que Régis de
Contemporânea e da transitoriedade Morais (1983) faz uma crítica ao
entre os paradigmas. endeusamento da ciência, uma vez que
com a desmistificação da religião, a
Concepções histórico-filosóficas do
humanidade passou a se curvar perante
paradigma da ciência moderna
a ciência como como forma de legitimar
A historicidade da ciência é construída toda forma de verdade, ressaltando que
pelos métodos científicos que se a ciência nada mais é que um processo
tornaram importantes forma para de construção humana, e não uma
legitimar a produção de conhecimento entidade. A ciência traz consigo todas
da através da ciência. Os primeiros as particularidades humanas, tanto as
indícios do método cientifico glórias como as mazelas.
apareceram na Grécia Antiga, no
De acordo com Carl Sagan (1998), o
entanto somente no século XVII,
método torna-se um dos meios de
através de filósofos e matemáticos
produção de conhecimento mais
como Renée Descartes, que sua
imponente e bem sucedido, imbuindo ao
validade e eficácia passa a ser discutida,
homem o poder de superar seus limites
iniciando um processo de conhecer e
e mudar sua relação com o meio onde
desvendar o mundo pela razão
está inserido. E neste sentido que
(RAMOS, 2010). Com a caracterização
Ramos (2010) vem dizer que o método
da dúvida como forma de legitimar o
ainda é fortemente influenciador no
que é ou não verdade através do
âmbito da produção de conhecimento:
método, Descartes revolucionou os

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A pertinência em buscar subsídios Outro importante pensador da
que retratem a formação do Antiguidade é Aristóteles (384-322
Paradigma da Ciência Moderna se a.C.), discípulo de Platão, que nos
dá em função desse paradigma se alicerces da construção da ciência
demonstrar ainda bem atuante nas
considera o pensamento científico como
pesquisas científicas. Esse fato
pode ser observado por meio de
forma de revelar a causa das coisas,
termos e concepções próprias como baseando uma estrutura científica
um reducionismo e determinismo pautada na definição e demonstração
científico, além da crença em uma (MICHEL et al, 1959).
linearidade cumulativa na
Para Aristóteles, a ciência é
construção dos conhecimentos
científicos, característicos de uma fundamentada no conhecimento da
visão positivista de ciência, própria experimentação do mundo sensível de
do Paradigma Moderno (RAMOS, forma empírica. Com olhar nessa
2010, p. 21-22). perspectiva, pode-se entender que o
conhecimento cientifico decorre da
O Paradigma da Ciência Moderna foi observação de casos particulares e suas
influenciado por diversas linhas características, método este denominado
filosóficas, entre uma das concepções indução (DANHONI, 2005; MICHEL
que certamente nortearam a gênese do et al, 1959; SMITH, 1996).
pensamento crítico-cientifico da era
moderna, pode-se destacar a civilização A partir do século V, a filosofia e o
da Grécia antiga. Um dos principais fazer ciência ganham moldes com bases
pensadores desta era é Platão (428-348 judaico-cristãos, alterando o paradigma
a.C.), que certamente levantou vindo da Antiguidade Clássica,
importantes questionamentos que foram decorrente da crescente necessidade de
essenciais para a ciência, como: O que é atrelar a cultura espiritual a um caráter
verdade e como reconhece-la? Qual a filosófico para fomentar os princípios
natureza da razão, e de onde vem essa do cristianismo no âmbito da filosofia, e
faculdade de deduzir uma verdade a neste sentido que surgem os dogmas
partir da outra? (CHASSOT, 2004; católicos, aferentes à racionalização da
OMNÈS, 1996). fé. Diante deste cenário, surge a
Escolástica, escola da filosofia cristã
É através do pensamento platônico que que se perpetuou entre o século IX e o
podemos perceber que a valorização do Renascimento Cultural na Europa
“mundo sensível”, ou seja, o mundo no Moderna no século XVI. Entre suas
qual vivemos e que é percebido pelos principais características está a
sentidos e não pela razão ou pela necessidade de corrigir os problemas
verdade. Desde a antiguidade, esse advindos da luta entre fé e razão,
conceito recebeu diversos adendos pensamento e desejo e junção da
durante o período histórico e participou natureza espiritual dissertada por Platão
estritamente na formação de paradigmas e os preceitos do cristianismo ocidental,
científicos. Cabe apontar que essas sendo fortemente influenciada pela
concepções filosóficas discutidas na Bíblia Sagrada, por filósofos da
Antiguidade influenciaram tanto o Antiguidade e padres da Igreja
Paradigma da Ciência Moderna como o (ARRUDA, 1989; ANDRADE, 1999;
Paradigma da Ciência Contemporânea, CHAUÍ, 2000).
ainda que de diferentes formas Com o advento da filosofia realista a
(RAMOS, 2010; TRIVIÑOS, 2006). partir do século XV, decorrente da

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desunificação religiosa cristã e gênese manipulação das particularidades do
do protestantismo, origina-se um fenômeno é que pode-se formular
contexto totalmente diferente, teorias sobre seu funcionamento
singularizado pela preocupação e (ANDRADE, 1999).
cuidado nos métodos para produzir
conhecimento cientifico. É neste sentido O indutivismo baconiano recebeu várias
que surgem Francis Bacon (1561-1626) críticas de filósofos como David Hume
e Renée Descartes (1596-1650), dois e Bertrand Russel, que rejeitaram o
pensadores quem conceituaram o princípio da indução ao dizerem que
método afim de se evitar os erros não é plausível legitimar logicamente
provocados pela cientificidade sua validade, a menos que se use a
aristotélica. Diante disso, essa transação própria lógica indutiva, caracterizando-
de paradigmas que ocorreu entre os se como um círculo vicioso
séculos XVI e XVIII foi marcado pela inadmissível. Mas apesar das críticas, a
Revolução Cientifica que deu origem a contribuição do pensamento de Bacon
ciência moderna. (HENRY, 1998; não pode deixar de ter sua importância
RAMOS, 2010). ressaltada, o filósofo apresentou um
novo modo de estudar a natureza, de
O contexto destas mudanças forma a abandonar os métodos
paradigmáticas é marcado pela anteriores e assumir um caminho de
necessidade de um método eficaz para a investigação a partir da experimentação
ciência legitimar suas descobertas. É da natureza (BRAGA, GUERRA, REIS,
neste sentido que Francis Bacon vem 2004; CHALMERS, 1993; HUME,
como um dos primeiros filósofos a 2002).
sistematizar o que pode ser considerado
a origem da ciência moderna (BRAGA,
GUERRA, REIS, 2004). Apresentando Vale lembrar que o paradigma cientifico
a ciência como meta para melhorar a vigente desta época era o aristotelismo
vida humana, que pode ser obtida pela escolástico, que em sua forma de ver a
colheita de evidencias através da ciência era um sistema completo e
observação organizada, experimentação supostamente capaz de atender as
e desenvolvimento de teorias, elevando demandas filosóficas daquele contexto.
a lógica indutiva acima da dedutiva É neste sentido que temos o que Henry
(ANDRADE, 1999; CHALMERS, (1998) caracteriza como, a unidade
1993). aristotélica, que começa a ruir com o
advento do Renascimento, o panorama
Conhecido como método indutivo, estes geral entre os pensadores é de tentar
novos parâmetros propostos por Bacon, remediar o sistema para que se
eram baseados em observações e mantenham fiel a ele. Contudo, temos o
experiências que possibilitassem a que Kuhn (1998, p. 13) classifica como
elaboração gradativa de fundamentos “paradigma”: “Considero “paradigmas”
globais concernentes ao funcionamento as realizações científicas
da natureza, direcionando-se de universalmente reconhecidas que,
fenômenos particulares para as leis durante algum tempo, fornecem
gerais. O indutivismo infere problemas e soluções modelares para
necessariamente o uso da observação e uma comunidade de praticantes de uma
experimentação para que conclusões ciência. [...]”. Visto isso, tal situação é
acerca do objeto sejam produzidas e compreensível dado que usualmente,
testadas. Pois, somente por meio da uma quebra de paradigma não é aceita

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com facilidade entre a comunidade homem possui o que ele chama de
cientifica. faculdades inatas, que não vem de
experiências, mas são intrínsecas e a
Partindo da necessidade de uma novo
base do entendimento e da vontade,
sistema filosófico capaz de substituir
assim sendo, o entendimento
por completo o sistema aristotélico,
proporcionaria a organização de ideias
Descartes utiliza a dúvida como método
simples, com origem na experiência, e
para validade da razão, adotando como
então, a partir delas, a formação de
princípio filosófico primordial a certeza
ideias complexas. O empirismo de
do “Penso, logo existo” que norteia toda
Locke retrata a construção de
a construção de sua filosofia,
conhecimento como resultado da
conceituando como lei fundamental que
correlação entre a razão e sensibilidade,
apenas as criações do homem de modo
sendo considerado desta forma como
claro são verdadeiras, visando extinguir
um empirismo racionalista. Além de
visão qualitativa do universo e
caracterizar que a produção de
considerando apenas o que pode ser
conhecimento deriva da experiência
mensurável quantitativamente como
(AYERS, 1999).
sendo verdade baseada em ciência
(DESCARTES, 1989a; MENEGHETTI, Locke evidencia que a capacidade de
2004). conhecer é inerente ao homem, mas que
A compreensão do universo sob a ótica todo conhecimento deriva da
cartesiana é baseada no modelo experiência, funcionando como uma
matemático, consistindo na fonte que jorra conhecimento, sendo
desconstrução de qualquer problema aos assim a mente seria uma ferramenta
menores níveis possíveis, e a partir daí, para extração de conhecimentos
como nas engrenagens de um relógio produzidos pelos sentidos à realidade
desmontado, entender suas inter- exterior, o que também acarretaria na
relações. Esse padrão de produzir mudança da forma do conhecimento de
conhecimento influenciou o Paradigma acordo com a percepção do indivíduo
da Ciência Moderna tornando-se uma (RAMOS, 2010).
de suas principais características,
levando a um status de reducionismo Outra corrente filosófica é o
cientifico e a crença de que a materialismo, que em sua visão de
compreensão das partes que constituem mundo baseia-se em conclusões que a
um todo podem ser adquiridas pela ciência provê, portanto a forma de ver e
análise, descartando as influências interpretar o mundo mudam de acordo
ambientais ou que fujam ao padrão como estado do pensamento cientifico.
(HENRY, 1998, PRICE, 1976). Neste sentido, a ciência apresenta uma
relação próxima com essa concepção
Outra vertente filosófica que ganha material (RAMOS, 2010).
forma com a Revolução Científica do
século XVII, é o empirismo proposto Com origem na Antiguidade, o
por John Locke (1632-1704), onde o materialismo começa a ganhar força na
conhecimento se adquiri e se sustenta Renascença e se apresenta com os
através dos sentidos, não só do que se pensamentos de Bacon e Hobbes.
sente do ambiente externo. Propõe que Entretanto, foi com o progresso
as pessoas nascem sem conhecimento cientifico, que Engels e Marx puderam
algum e aprendem pela experiência, desenvolver as bases do materialismo
pela tentativa e pelo erro. Bem como, o histórico que constitui-se

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sistematicamente após a metade do constituição da classe burguesa,
século XIX (TRIVIÑOS, 2006). convergindo interesses políticos,
econômicos e ideais de racionalidade
De acordo com Triviños (2006), o
(ZAMBIASI, 2006).
materialismo dialético também, como
dito, apresenta sua visão de mundo com É neste período, que o conhecimento
um olhar visto pela ciência, torna-se confiável ao ser comprovado
reconhecendo a matéria como a essência objetivamente, libertando a sociedade
do mundo, logo a realidade objetiva e de uma concepção medieval pautada na
suas leis seriam passíveis de serem vida após a morte e tornando a
conhecidas. O materialismo dialético valorização do homem e da natureza
levantou como critério de verdade a como ponto fundamental. Neste sentido,
prática social que é o pronto primordial as teorias científicas devem advir de um
para reconhecer se um conhecimento é padrão rigoroso, pela obtenção de dados
ou não verdadeiro. No entanto, ao se pela experiência, adquiridos pela
embasar em conhecimento científico, experimentação através de um método
terão como critério de verdade as eficiente – o método experimental
evidencias que podem ser (ZAMBIASI, 2006; CHALMERS,
antecipadamente testadas e aceitas 1993).
como verdadeira ou falsa. O positivismo lógico uni vários
As vertentes filosóficas mencionadas métodos da lógica à postura empirista,
apresentam características muitas vezes equilibrando-o em um tripé composto
permeadas no Paradigma da Ciência de vários trabalhos de matemáticos e
Moderna. No entanto, grande parte dos lógicos do século XX, o empirismo
idealistas o século XX, situam-se no clássico de Hume, transmitido por
positivismo, caracterizados pela Russel e as ciências físicas clássicas.
tendência em eliminar o subjetivismo e Neste sentido, os positivistas lógicos
qualquer forma relativa e metafísica de defendem o tradicional método
explicar o mundo, utilizando como hipotético dedutivo e a verificação por
forma de validação e critério da verdade meio de testes como o melhor critério
à busca no real, por meio de teste e para determinar se uma teoria é válida
experimentações. Assim como o ou não (CARVALHO, 1997; REALE,
positivismo, o materialismo que 1981; MAYR, 2008).
apresenta a valorização da matéria como A ciência do século XIX pautava-se na
primordial, tornando-se uma vertente certeza como um dos dados imediatos
marcante na construção deste para a construção de um mundo exato,
paradigma. entretanto, no século XX constrói seus
Dentre as concepções mais marcantes pilares sobre o aspecto estatístico do
na construção do Paradigma da Ciência mundo deliberadamente aceito e
Moderna está o Positivismo, uma reconhecido como essencial, atingindo a
concepção filosófica de longo alcance e partir da década de 1950, uma
forte influência na construção científica, perspectiva mais idealista. Tendo a
com suas bases originadas no ciência como algo que possuímos e não
empirismo, e originadas desde a possuímos. E se a possuímos, não
Antiguidade se instaurando na Idade podemos tirar dela somente aquilo de
Moderna, sendo consolidada entre os que gostamos. É necessário aceitar
séculos XVI e XVIII, dentro de um também o imprevisto e o perturbador.
contexto histórico capitalista e na (RAMOS, 2010).

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A construção do paradigma da divergentes ao modelos de racionalismo
ciência contemporânea moderno, contribuindo para a
construção de novas maneiras de fazer
Na segunda metade do século XX,
ciência, observando que a ciência em
segundo Kuhn (1998), essa visão
sua construção e caracterização de suas
inquestionável e quase religiosa da
metodologias investigativas está muito
ciência passa a ser questionada, e
distante da imparcialidade proposta pelo
adentra numa crise do Paradigma da
Paradigma da Ciência Moderna.
Ciência Moderna, ou também
denominada de crise na ciência da pós- Karl Popper, um desses epistemólogos
modernidade. Caracterizando-se como adota uma crítica dura ao positivismo,
um contexto histórico no qual o no entanto, mesmo com as divergências,
conceito, os critérios de certeza, a Popper concorda com os indutivistas em
validade dos métodos da ciência e sua um ponto sobre a ciência, no que
relação com a realidade são concerne o critério de estabelecer uma
questionadas e reavaliadas linha entre o que pode ou não ser
(LYOTARDE, 2006). considerado pensamento científico,
entre o que pode ser uma investigação
A visão positivista que apresenta suas
legitimada cientificamente e o que se
verdades inquestionáveis e
torna apenas mera especulação
reducionistas, apesar de ainda estarem
metafísica. Neste sentido, portanto,
presentes no século XXI e
concorda que quanto mais rígido for o
consolidações realizadas na vigência do
método utilizados nos testes aos quais
Paradigma da Ciência Moderna ainda
ela foi aprovada, mais satisfatória é
terem raízes plantadas, perdeu a
considerada uma teoria (POPPER,
credibilidade e o poder monopolizado,
1975).
não sendo mais capaz de suprir as
necessidades e complexidades de uma Popper também argumenta que a única
grande gama de fenômenos. Essa maneira de eliminar uma teoria validade
ruptura paradigmática, abrir a é através do falseamento, que deve ser
oportunidade para os estabelecimento empregado como elemento fundamental
de um novo padrão do fazer ciência, o da pesquisa científica. Neste sentido,
Paradigma da Ciência Contemporânea. propõe que uma lei científica proposta a
Neste novo padrão, vem de forma partir do método de observação, não
contrária ao conceito positivista que consegue ser fielmente verificada,
esbarra nas incertezas e nas entretanto pode definitivamente ser
imprevisibilidades; a estabilidade e o refutada ou falseada. Introduzindo desta
determinismo confrontam-se com a forma, um ponto chave do seu método
entropia e flutuações, a reversibilidade científico, que é o critério do
com a irreversibilidade e evolução, a falseabilidade (POPPER, 1975).
linearidade com a complexidade; a
ordem com a desordem e caos, a Na década de 60, Tomas Kuhn, um
simples causalidade com a filósofo da ciência, apresenta uma
multicausalidade (RAMOS, 2010; concepção para o desenvolvimento
LAMPERT, 2005; MORAES, 1997; científico que vem em mão contrária
BEHRENS, 2003). aos pensamentos popperianos.
A gênese dessa ruptura deu-se após As concepções de Kuhn e Popper
alguns epistemólogos do início do convergência em um ponto, quando
século XX, se posicionarem contrários e caracterizam que a ciência não progride

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por acumulo, e sim com a revolução, acelerando o processo de construção da
neste sentido, se o conhecimento não é ciência que foca em determinados
cumulativo e sim revolucionário, problemas passiveis de solução e
necessariamente uma teoria mais antiga descarta outros extensamente
é rejeitada e substituída por uma nova, problemáticos. A partir do momento em
incompatível com a anterior (KUHN, que este paradigma não puder mais
1979; POPPER, 1983). apresentar soluções para os problemas
fundamentais, este começa apresentar o
A diferença mais importante entre Kuhn
que Kuhn denomina como
e Popper é a ênfase nos fatores
“Anomalias”, e por quanto o paradigma
sociológicos. Kuhn conviveu certo
não for ajustado a tal anomalia, ele
tempo com uma comunidade
estará sendo ameaçado (KUHN, 1998).
predominantemente caracterizada por
cientistas sociais, o que lhe possibilitou E dentro deste contexto, quando tais
perceber a imensidão de divergências anomalias são fontes grandes de
entre as comunidades científicas sócias problemas para o paradigma, se inicia
e as naturais, principalmente no que diz um processo de insegurança e tentativas
respeito a natureza dos métodos e fracassadas de resolução destas, o que
legitimação dos problemas científicos acaba enfraquecendo o paradigma e
(KUHN, 1998). desencadeando uma crise
revolucionária. O que leva a construção
E é neste sentido, que ele tenta de um novo paradigma, que de certa
compreender a origem de diferenças tão forma não é um processo cumulativo e
fundamentais entre os métodos em isolado, ocorrendo mudanças
ciências sociais e naturais. Além de fundamentais nos conceitos, métodos e
propor, que no percurso histórico da aplicações no campo da pesquisa
ciência, está se mostrou fonte geradora (CHALMERS, 1993).
de problemas especiais, no que tange a
reconstrução da racionalidade científica, O abandono de um paradigma e adoção
descrevendo o desenvolvimento da de um novo pela comunidade científica,
ciência como uma prática baseada em que se dá pela revolução científica,
um padrão de “ciência normal”, o implica na escolha de uma concepção
acontecimento de uma “crise” e então, de produzir ciência e explicar
uma “revolução científica” que levará a fenômenos, que além de englobar os
quebra do paradigma vigente e a problemas do paradigma rompido tem
reposição por um novo que melhor de que explicar o “porque” de tal
adeque ao contexto histórico vivenciado paradigma entrar em crise. O novo
(OLIVA, 2002). paradigma vigente tende a ser muito
mais complexo que seu antecessor, no
Kuhn (1998) destaca, que uma
sentido de que a ciência transita de uma
paradigma científico normal vigente é o
paradigma para o outro capaz de
norte para as realizações científicas de
resolver questões levantadas, mudando,
uma comunidade, e que ao estabelecer
desta forma, a visão de mundo que se
tal paradigma, situa prioridades na
tem (CHALMERS, 1993).
escolha dos problemas, que enquanto o
paradigma for vigente, tais problemas Outro epistemólogo crítico do modelo
serão passiveis de solução. Neste padrão vigente de produção de ciência é
sentido, os problemas que fogem ao Paul Feyerabend, considerado
paradigma serão descartados por serem anarquista, defendendo uma prática
problemáticos demais, portanto científica totalmente divergente de tudo

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já concepcionado no ramo da teoria da paisagens, porém, com cores fora
ciência, negando-as mesmo quando do padrão de “normalidade” visual
estas desempenham papel funcional no do real. A professora insistiu que a
desenvolvimento das teorias científicas. pintura estava errada, que não
existiam flores na cor que a menina
Propondo uma anarquismo
havia pintado. Depois de muito
epistemológico, descreve que não é
insistir, a menina realizou a
possível a existência de uma entidade atividade novamente. Realizou a
monolítica chamada ciência, sendo atividade conforme o padrão
portanto, impossível a teorização desta vigente. Nunca mais aquela menina
ou até mesmo a construção de um pintou flores de azul ou verde e
método científico. Para o epistemólogo muito pior, nunca mais ousou
apenas a completa liberdade é fonte de seguir sua interpretação de mundo,
progresso (FEYERABEND, 1977). mas sim o padrão vigente”
(RAMOS, 2010, p. 58).
Ainda justifica, que nenhum método
científico em algum ponto da história O padrão paradigmático existe e os
não apresentou ou apresentará cientistas trabalham dentro desta
problemas, até as metodologias mais perspectiva, entretanto não há condições
obvias tem suas limitações, e é neste perpétuas que possam limitar a
sentido que é favorável ao não investigação científica. A quebra de
fornecimento de uma nova teoria da uma ciência neutra e absoluta que
ciência ou metodologia propõe verdades as quais a sociedade se
(FEYERABEND, 1977). submete deve ser quebrada (RAMOS,
2010). Nas palavras de Foucault (1977,
Feyerabend (1977), conceitua a busca p. 60), “a produção de verdade é
pelo conhecimento como um oceano de inteiramente infiltrada pelas relações de
alternativas ao invés de uma poder”, neste sentido, a verdade é uma
aproximação da verdade, forma poderosa de poder.
desacreditando do poder de uma teoria
científica em apontar, por meio de Considerações finais
padrões e regras, para uma verdade Este estudo pode concluir que as
absoluta (FEYERABEND, 1977). concepções filosóficas desde a
Além disso, Feyerabend retrata a Antiguidade influenciaram
sociedade moderna como condicionada profundamente a maneira de se
à doutrina científica, e Ramos construir ciência e produzir
exemplifica isto no seguinte trecho: conhecimento.
“O termo anarquismo causa A ciência moderna produziu um modelo
temerosidade ao direcionar na de racionalidade, iniciada no XVI e
mente uma imagem de crítica aos consolidada no século XX com a
métodos e não possibilitar um ascensão do positivismo lógico, criando
método, uma vez que a sociedade um método eficiente para produção de
está tão condicionada em seguir um conhecimento científico e o “fazer”
padrão de validação racional ciência, baseando-se em
científico. Esse contexto traz à
experimentações e testes como critério
lembrança um livro pedagógico,
que ilustra a estória de uma menina, fundamental para se chegar a verdade.
que ao receber a primeira atividade Este método empirista, alcançou sua
na escola, resolveu colori-la de durabilidade dominante até o final do
acordo com sua imaginação. Sua século XX, alguns autores são enfáticos
pintura era ilustrada com flores e ao dizer que atualmente este paradigma

131
demonstra atravessar uma profunda Referências
crise, apresentando sinais de exaustão ANDRADE, J. A. R. Bacon: vida e obra. Em
abrindo margem para novas concepções Bacon (Coleção Os Pensadores). São Paulo:
epistemológicas. Editora Nova Cultural, 1999.
ARRUDA, J. J. A. História antiga e medieval
O Paradigma da Ciência
(11ª ed.). São Paulo: Editora Ática, 1989.
Contemporânea surgiu como
consequência do advento de um período AYERS, M. Locke. São Paulo, Editora UNESP,
1999.
onde as verdades inquestionáveis e
redutivistas até então empregadas não BACON, F. Novum Organum ou Verdadeiras
eram mais capazes de suprir as indicações acerca da interpretação da
natureza. Coleção Os Pensadores. São Paulo:
necessidades e questionamentos dos Editora Nova Cultural, [1620] 1999.
fenômenos propostos. Este novo
BARBOSA, L. H. B. História da Ciência. Rio
paradigma emergente, traz um enfoque
de Janeiro: IBBD (Instituto Brasileiro de
de convergência entre a filosofia e o Bibliografia e Documentação), 1963.
pensamento científico, dado o
BEHRENS, M.A. O paradigma emergente e a
desenvolvimento de teorias que prática pedagógica. Curitiba: Champagnat,
acarretaram nitidamente a reunião entre 2003.
ciência e metafísica.
BERKELEY, G. Tratado Sobre os Princípios
Nesta transição paradigmática, o do Conhecimento Humano. Coleção Os
mecanicismo e o determinismo Pensadores, trad. de Antônio Sérgio. São Paulo:
Abril Cultural, 1973.
reducionista da ciência proposta pelo
positivismo esbarram em fenômenos BRAGA, M; GUERRA, A; REIS, J. C. Breve
História da Ciência moderna, volume 2: das
subjetivamente complexos nos âmbitos
máquinas do mundo ao universo-máquina. Rio
das ciência sociais e humanas, ou seja, à de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
rejeição de tudo aquilo que não pertence
CARVALHO, M.C.M. Construindo o saber –
as ciências naturais e descaracterização Metodologia científica: fundamentos e
destas como ciência passa a ser técnicas. 6 ed. Campinas, SP: Papirus, 1997.
questionada, marcando um período
CHALMERS, A. F. O que é ciência afinal?
histórico que busca questionar as Ed. Brasiliense: São Paulo, 1993.
noções clássicas da verdade, da razão,
CHASSOT, A. A Ciência através dos Tempos.
da identidade e da objetividade, da ideia São Paulo: Editora Moderna, 2ª ed. 2004.
de progresso e dos sistemas únicos de
explicação. CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. São Paulo:
Editora Ática, 2000.
Vale a pena ressaltar que, a transição COSTA, L. C. & MELLO, L. História antiga e
entre paradigmas não é um fenômeno medieval. São Paulo: Editora Scipione, 1993.
rápido, é necessário um período de
DANHONI, M. N. “O que é isto a ciência?”:
tempo significativo para que o vigente um olhar fenomenológico. Maringá: EDUEM,
se quebre de forma irreparável e o novo 2005.
se estabeleça. Essa crise paradigmática DESCARTES, R. Discurso do método.
aparentemente parece estar em vigor Tradução E.M. Marcelina. São Paulo: Ática,
nos tempos atuais, representando um 1989.
período de transitoriedade DURKHEIM, E. Educação e Sociologia. São
epistemológica entre os Paradigmas da Paulo: Melhoramentos, 1975.
Ciência Moderna e Contemporânea. ENGLES, L. Feuerbach e o fim da filosofia
alemã clássica. In: Marx & Engels. Obras
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