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Manual de estilo

Editora Planeta
SUMÁRIO

Tarefas do preparador
Tarefas do revisor
Padronização
Estrutura do livro
Estilos
Caixa-alta
Caixa-baixa
Itálico
Aspas
Versal e versalete
Negrito
Texto principal
Citações
Transliteração
Pontuação
Siglas
Símbolos
Numerais e datas
Unidades de medida
Ortografia
Elementos extratextuais
Epígrafe
Legendas
Notas
Referências
Erros comuns

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TAREFAS DO PREPARADOR
 Antes da leitura, checar a integridade dos arquivos recebidos, tanto do ponto de vista do
uso (se o arquivo pode ser aberto em seu computador) como de conteúdo; caso encontre
algum problema técnico (contaminação por vírus, por exemplo), deve informar
imediatamente a editora;
 fazer todas as alterações no documento de word sempre com o modo “Controlar
alterações” ativado;
 corrigir e padronizar o texto, zelando pelo estilo e pela clareza, resolvendo problemas de
tradução e de edição, de modo que o texto preparado e todos os elementos do livro
estejam conforme este manual;
 em caso de traduções, fazer cotejo com o arquivo original a fim de verificar se não houve
nenhum salto de trecho ou parágrafo; nessa leitura o preparador também deve conferir a
correção de termos-chave (como nomes e datas);
 padronizar referências bibliográficas (e de outros tipos) de acordo com as normas da ABNT;
 se faltarem informações que podem ser pesquisadas pelo preparador (por exemplo, dados
bibliográficos), este deve fazer a pesquisa e completar os dados;
 definir a hierarquia e padronizar os elementos extratextuais (título, intertítulos, epígrafes,
créditos de textos, legendas, tabelas etc.) usando indicações destacadas em cores diferentes
da do texto;
 atentar-se a linhas em branco entre parágrafos, estas só devem permanecer caso indiquem
início de uma nova sessão, passagem de tempo ou mudança de assunto;
 caso o preparador encontre alguma discrepância maior (salto de vários parágrafos, por
exemplo), deve comunicar a editora imediaa fim de que sejam providenciados os trechos
que faltam;
 dúvidas e sugestões devem ser apresentadas usando o recurso de comentários
 se necessário, consulte dicionários recomendados, como Houaiss, Aurélio e Volp; em caso
de duplicidade, dê preferência ao Volp.

TAREFAS DO REVISOR
 Corrigir o texto, atentando-se, principalmente, a erros gramaticais e de diagramação,
respeitando a padronização e o estilo já definidos;
 checar o sumário, corrigindo a numeração de páginas e alterações nos títulos dos capítulos;
o sumário deve indicar a página de abertura, onde consta o título;
 checar notas de rodapé ou de fim, atentando para a numeração, para o padrão de asteriscos
ou números e para a identificação do autor das notas – [N. T.], [N. E.] etc.;
 as alterações devem ser marcadas sempre a caneta, a lápis devem ficar apenas comentários,
dúvidas e sugestões.

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PADRONIZAÇÃO
Estrutura do livro
Na lista a seguir, entre colchetes estão as partes optativas, que podem ou não fazer parte de um
livro; as demais devem estar presentes em todos os livros:

 falso frontispício
 frontispício
 página de créditos
 [dedicatória]
 [epígrafe]
 [agradecimentos]
 [sumário]
 [introdução]
 [prefácio]
 [prólogo]
 texto
 [epílogo]
 [posfácio]
 [apêndice(s)]
 [notas (no fim do capítulo ou do livro)]
 [agradecimentos]
 [índices]
 colofão

Estilos
Caixa-alta

Usa-se caixa-alta:

 no início de períodos e citações diretas; quando a citação se integra à frase, não sendo
introduzida por dois pontos, usa-se minúscula:
Steiner afirma: “Música é o silêncio interrompido”.
Para Steiner, “música é o silêncio interrompido”.
 em nomes próprios em geral: nomes e sobrenomes de pessoas reais ou fictícias (Machado
de Assis), cognomes (Ricardo Coração de Leão), alcunhas ou apelidos (Bia, Sete-dedos),
antonomásicos (Dama de Ferro, Águia de Haia), pseudônimos (Tristão de Ataíde, Lenin),

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nomes dinásticos (os Bragança), nomes de empresas, instituições de ensino, de pesquisa,
científicas, marcas e produtos (Editora Planeta do Brasil, Universidade de São Paulo, Gillete),
nomes de livros, periódicos e obras de arte em geral (Folha de S.Paulo), em nomes religiosos
ou mitológicos que designam indivíduos (Deus, Atena), nomes de animais ou de qualquer
ser inanimado, desde que indivudualizados (Totó);
 em topônimos, locativos e nomes de região:Rio de Janeiro, Barcelona, Serra do Mar;
 em astrônimos (constelações, estrelas, planetas): Vênus, Plutão, Terra, Sol, Lua
Exceções:
a) quando terra, sol, lua etc. fazem parte de locuções que não podem ser atribuídas aos
próprios astros: nascer do sol, luz da lua, lua cheia, lua minguante;
b) quando em contextos generalizantes: Você é o sol da minha vida;
 em referência a instituições: Estado (quando a palavra designa as divisões territoriais usa-se
caixa-baixa: estado do Amazonas), Corte (governo de um país monárquico; corte,
designando a residência do monarca ou as pessoas que o cercam, é grafada em caixa-baixa),
Trono (quando não designa o lugar em que o monarca tem assento), Igreja (quando se fala
da instituição e não do local), Constituição, República, União, Federação, Presidência da
República;
 mesmo quando instituições são mencionadas em forma reduzida, usa-se caixa-alta: Senado
(Senado Federal), Câmara (Câmara dos Deputados), Constituinte (Assembléia Constituinte).
No entanto, quando a palavra é usada como substantivo comum que designa a espécie, não
se usa caixa-alta:
Fazia parte dos quadros do Partido dos Trabalhadores. Queria que o partido…
 em referência às forças armadas: Exército, Marinha, Aeronáutica, e a seus corpos e divisões:
I Exército, 1a Zona Aérea, 3o Regimento de Cavalaria;
 em nomes comuns, quando personificados ou considerados como entidades: a Raposa, a
Indiferença
 para períodos e acontecimentos históricos: Idade Média, Antiguidade, Paleozóico (mas era
paleozóica), Quinhentos (século XVI), Iluminismo, Barroco, Contra-Reforma;
 em feriados e comemorações cívicas, religiosas e tradicionais: Ano- Novo, Carnaval, Yom
Kippur, Primeiro de Maio;
 em designações de leis, atos ou decretos: Lei do Inquilinato, Código de Hamurabi; mas: lei
no 86 450/2001;
 em alguns casos especiais:
a) Metrópole, Colônia, Império, Reinado, República etc., quando os termos são usados
como sinônimos de um determinado país (Brasil, por exemplo);
b) Pronomes de tratamento que indicam reverência: Vossa Alteza, Sua Santidade, Vossa
Senhoria, Sua Majestade etc.;
 em títulos eclesiásticos: São, Santo, Santa, Madre;
 em movimentos e escolas artísticas: Surrealismo, Fluxus, Bauhaus;
 em citações entre aspas precedidas por dois pontos:

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 A primeira violência se fez ao seu pudor: “Todos nós estávamos nus, as portas abertas, e eu
tive muito pudor”.
 como recurso de ênfase por ficcionistas e poetas, para obter efeito solene, irônico,
simbólico, etc., ou na filosofia para marcar conceitos-chave:
O Belo é, de fato, nada mais que belo? E o Feio é pura e simplesmente feio?

Caixa-baixa

Usa-se caixa-baixa:

 em cargos e títulos:
a) nobiliárquicos: rei, duque, barão, lorde, dom, sir, lord;
b) dignitários: cavaleiro, comendador etc.;
c) axiônimos correntes: você, senhor, seu, dona etc.;
d) culturais: reitor, bacharel etc.;
e) profissionais: presidente, ministro, embaixador, juiz, almirante, brigadeiro etc.;
f) eclesiásticos: padre, papa, frei, irmão etc., — a não ser quando já foi incorporado ao
nome: O crime do Padre Amaro;
 com intitulativos de:
a) artes, ciências e disciplinas: música, pintura, direito etc.;
b) doutrinas, correntes e escolas de pensamento: positivismo, barroco, marxismo etc.;
c) documentos públicos: alvará, lei, ato, emenda etc. — e suas subdivisões: artigo,
parágrafo etc. (quando o documento recebe um nome, além do número, usa-se a
maiúscula — ver item C1);
d) nomes de prédios: igreja da Candelária, palácio do Catete (quando se designa a
instituição e não apenas o edifício, usa-se a maiúscula);
e) unidades político-administrativas: estado, município, distrito etc.
f) nomes de meses, dias da semana e estações do ano — exceto quando designam
logradouros públicos ou quando se trata de uma data comemorativa ou efeméride: rua
24 de Maio, 11 de Setembro;
g) em nomes próprios que formam palavra composta, unida por hífen: pau- brasil, água-de-
colônia, castanha-do-pará, joão-ninguém etc.;

h) em artigos, preposições, conjunções, advérbios, pronomes, interjeições e monossílabos


em geral, mesmo quando todas as demais palavras são grafadas em maiúsculas (nomes
de periódicos, p. ex.);

i) em nomes de povos ou grupos étnicos: brasileiros, ingleses, mineiros etc.; a mesma

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regra aplica-se, em princípio, a etnônimos indígenas (ioruba, xavantes etc.); em livros
específicos — de antropologia, que tratam de sociedades indígenas, ou em que há
muitos etnônimos indígenas —, o preparador deve consultar previamente o editor sobre
o melhor critério;

 em logradouros: rua Oriente, praça da Sé;


 em pronomes de tratamento: senhor/senhora (sr./sra.), doutor/doutora (dr./dra.),
professor/professora (prof./profa.)

Itálico

O itálico é usado:

 em nomes de livros e teses: O reencontro, A comunicação externa organizacional em


tempos de crise por acidente maior;
 em títulos de periódicos: Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo
 em subtítulos, quando aparecem no texto ou em notas comentadas, evitando que, na
leitura, haja confusão entre o subtítulo e o texto; em referências e em notas exclusivamente
bibliográficas, a norma da ABNT recomenda o uso de redondo;
 em nomes de programas de televisão: Jornal Nacional, Globo Esporte;
 para obras de arte em geral (filmes, discos, peças de teatro, óperas, composições musicais
extensas, pinturas e esculturas): O grito do Ipiranga; Sexta sinfonia; O pensador;
 na nomenclatura científica: Trypanosoma cruzi;
 em nomes de embarcações, naves ou veículos (não se deve confundir o nome de um veículo
específico com o nome do modelo): a locomotiva Baronesa, Titanic;
 em palavras e locuções estrangeiras de uso não freqüente em português. A decisão sobre a
freqüência ou não do uso deve se basear, primeiramente, na inclusão do vocábulo nos
dicionários comuns (como o Aurélio, o Houaiss e o Volp), e também no bom senso.
Exceções:
a) termos referentes ao assunto de que trata o livro. Por exemplo, em um livro sobre a
Rússia, glasnost é grafado em redondo; em outros livros, em itálico;
b) quando um trecho inteiro em língua estrangeira é citado entre aspas, usa-se redondo;
 como destaque de termos ou palavras: a palavra dístico; o termo element;
a) igualmente, nas letras em fórmulas matemáticas: a linha r; no entanto, não se deve usar
duplo destaque: o ponto A (a maiúscula já é um destaque, tornando desnecessário o uso
de itálico);
 para enfatizar palavras ou expressões: “Ele não é, ele está”;
 para indicações de cena em roteiros de teatro e cinema, ou em libretos:
CENA I

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Dona Magnólia, Aninha
Dona Magnólia, recostada no sofá, lê um livro.
ANINHA
Entrando na sala
 em assinaturas;
 identificação de data e local: Buenos Aires, 2 de novembro de 1940.

Aspas

Usar sempre “aspas normais”, curvadas, em vez de “aspas inglesas”, retas. O mesmo vale para
apóstrofo e aspas simples. Evitar aspas inúteis, por exemplo em gírias já incorporadas; aspas mal
empregadas podem conferir sentido irônico não desejado.

Aspas são usadas:

 em referências às divisões de um livro ou outro tipo de obra (capítulos, seções, partes,


verbetes);
 para nomear partes de composições (movimentos), árias de óperas, canções ou faixas de CD
ou disco;
 em título de artigo, poema, seção, que faça parte de um todo;
 em citações curtas;
 em pensamentos de personagens;
 em reproduções de slogans, mensagens ou lemas;
 para sugerir mudança de significado, trocadilho, expressão, neologismo;
 para indicar o significado de um termo ou expressão: minóico significa “natural ou habitante
da antiga Creta”.

Aspas simples
São usadas como destaque dentro de trechos citados que já aparecem entre aspas (aspas dentro de
aspas).
O preparador e o revisor devem estar atentos ao uso correto das aspas simples principalmente em
textos traduzidos, pois algumas línguas usam aspas simples e outros tipos de aspa nos casos em
que usamos aspas duplas.

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Aspas e pontuação
 Regra geral: se o período inteiro está entre aspas, pontua-se apenas antes do fechamento
das aspas; se somente parte do período está entre aspas, deve haver pontuação depois das
aspas finais:
“O bom senso é a coisa mais bem dividida entre os homens.”
Segundo o filósofo, “o bom senso é a coisa mais bem dividida entre os homens”.
 mas, quando a citação ou fala abre novo parágrafo, trata-se de período inteiro entre aspas
— ou seja, pontua-se apenas antes do fechamento das aspas, ainda que o período seja
introduzido por dois pontos:
Respondi:
“Não irei.”
 quando uma transcrição ocupa mais de um parágrafo e não é apresentada com destaque
gráfico que prescinda das aspas, cada parágrafo é precedido de aspas, e somente o último
apresenta aspas finais.
 o tradutor (e o preparador) deve adequar o uso de aspas e a pontuação às regras
mencionadas. Notar, por exemplo, que em algumas edições em língua inglesa é comum o
uso da vírgula no lugar dos dois pontos (cf. exemplo a); ou que a primeira vírgula venha
antes das aspas, ou mesmo que não se usem aspas (cf. exemplo c):
a) He listened to their servile flattery of the fare he had provided, and when they had done
cried in anger, ‘Cursed be that drug that cannot be discerned from the dung of horses.’
b) ‘A very warm evening, sir,’ said a passenger seated at his right.
c) ‘Ho, ho!’ replied the passenger.
Outro exemplo: em francês, muitas vezes se introduzem orações discendi intercaladas sem
fechar e abrir novamente aspas. O texto traduzido deve ser pontuado conforme as regras
apresentadas:
« Le pire des malheurs serait, m’écriai-je, que ces hommes si secs, mes amis, au milieu
desquels je vais vivre, devinassent ma passion, et pour une femme que je n’ai pas eue! »

Versal e versalete

 em números romanos, usam-se versais;


 em siglas, quando compostas por até qutro letras e qundo não possibilitarem leitura, usam-
se versaletes: ONU, CPI, IBGE. Quando compostas por mais de quatro letras e possibilitarem
leitura devem ser escritas em caixa-alta e baixa: Bradesco;
 quando uma ou mais palavras inteiras são grafadas em maiúsculas, usamos o versal-
versalete ou o versalete:
Enfim encontrou: “VENDEM-SE APARTAMENTOS”.

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Bold (ou negrito)

Não é usado na editora, exceto quando definido por projetos gráficos especiais. Havendo negrito
ou bold num original, seja traduzido ou nacional, o preparador deve consultar a editor sobre o que
fazer.

Texto principal
Citações

Abertura de parágrafos depois de citações

Nem sempre há novo parágrafo depois de uma citação com destaque. O tradutor e o preparador
devem checar o original para verificar se há ou não defesa depois da citação.
Não se deve confundir esse caso com o uso do parágrafo moderno (sem defesa na primeira linha),
comum em livros em língua inglesa — e usado no projeto gráfico da Editora Planeta apenas em
início de capítulo.

Supressão e acréscimo de trechos em citações

Toda supressão de trechos de citação deve vir indicada entre colchetes [...] (e não somente com
reticências, ou com reticências entre parênteses). Quando for acrescentada alguma palavra ou
comentário, o trecho também deve vir entre colchetes.

Tradução de citações em livros traduzidos


 Em traduções, todas as citações no mesmo idioma do original devem ser traduzidas — quer
se trate de texto em prosa, poesia ou de nome de obra. Assim, em um livro cujo original é
em espanhol, todas as citações em espanhol devem ser traduzidas. Exceção: músicas; estas
devem ser mantidas no idioma original e traduzidas em nota;
 caso a citação em prosa permaneça em língua estrangeira, ela deverá ser padronizada em
itálico e entre aspas (no caso de citação curta) e sua tradução deve constar em nota.

Nomes de obras

Se um livro em inglês cita The sun also rises, p. ex., o título deve ser traduzido: O sol também se
levanta.
 Preferencialmente, usa-se o título com o qual a obra foi publicada no Brasil; quando o livro
não foi lançado no país, ou quando o título brasileiro não é adequado ao contexto em que

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há a citação (quando, no contexto, o nome da obra faz parte de um jogo de palavras, p. ex.),
deve-se manter o nome original e inserir a tradução entre colchetes ao lado da ocorrência
utilizando a expressão “em tradução livre”se for o caso;
 quando a citação é feita em língua diferente da do original e ainda não tem publicação
brasileira, ela é mantida nessa língua. Por exemplo, se um livro com original em inglês cita
Mon coeur mis à nu, mantém-se a forma francesa na tradução. Entre colchetes, sem
destaque gráfico, entra a tradução do título em versão própria, utilizando a expressão “em
tradução livre”. A forma traduzida aparece apenas na primeira ocorrência do título.

Trechos de obras citadas na língua do original

Em caso de citação de obra publicada, deve-se citar a tradução mais consagrada e conhecida (com
indicação dos dados da edição em nota de rodapé do tradutor); se não existir edição em português,
ou se peculiaridades da tradução inviabilizarem o uso dessa edição, o tradutor deve sugerir uma
versão para o trecho. Caso se trate de poema, o original aparece em nota de rodapé (nota não
identificada); em notas, a transcrição não obedece à disposição de versos do original, exceto
quando indispensável (quando o poema faz uso de brancos intervocabulares, interliterais,
interlineares e/ou marginais). Nos demais casos, usam-se barras (/) para indicar quebra de verso, e
barras duplas (//) para indicar quebra de estrofe.

Tradução de citações em livros nacionais

Deve-se evitar citar desnecessariamente trechos em língua estrangeira. Nos casos em que isso for
indispensável, o editor, o preparador e o revisor devem sugerir que logo depois da citação entre a
tradução do trecho, entre colchetes ou em nota.

Bíblia e outros livros sagrados

A Bíblia, o Alcorão, a Torá tradiconalmente são grafados em redondo. Em citações de livros da


Bíblia, o nome do livro entra em caixa-alta e baixa, em redondo e abreviado. Os capítulos devem ser
padronizados em números arábicos, seguidos de dois pontos e o versículo. Não separar o livro e o
capítulo com vírgula: Mt 2:4.
O preparador deve zelar para que as citações bíblicas sejam extraídas de edições recomendadas e
não traduzidas pelo tradutor do original inglês, francês etc. que está sendo editado. Citações do
Alcorão, da Torá e de outros livros sagrados devem ser feitas conforme orientação do editor.

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Transliteração

Grego
Por motivos práticos, em muitas edições as palavras gregas aparecem transliteradas; contudo, nada
impede que se mantenham as letras gregas, e o editor deve ser consultado sobre a manutenção ou
não do alfabeto grego.

O quadro a seguir apresenta o alfabeto grego e a transliteração usada na Editora Planeta. Trata-se
de um critério simplificado, seguido por estudiosos de grego de universidades brasileiras, o qual: a)
ignora a distinção entre vogais longas e breves; b) mantém a mesma acentuação usada nas palavras
em grego:

Letra Nome Transliteração


Maiúscula Minúscula
Α α alfa a
Β β beta b
Γ γ gama g
∆ δ delta d
Ε ε épsilo e
Ζ ζ dzeta z
Η η eta e
Y y teta th
Ι ι iota i
Κ κ capa k
Λ λ lambda l
Μ µ mi/mu m
Ν ν ni/nu n
Ξ ξ xi/csi x
Ο ο ômicron o
Π π pi p
Ρ ρ rô r (como em caro) rh (como em carro)
Σ σ ou ς sigma s
Τ τ tau t
Υ υ ípsilon y
Φ φ fi ph
Χ χ qui/chi ch, kh
Ψ ψ psi ps
Ω ω ômega o

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Em grego, praticamente todas as palavras são acentuadas, e são usados o acento agudo (´), o
acento grave (`), o til (~, grafado às vezes como circunflexo: ^, e outras vezes ainda como ˆ). São
usados também a diérese (trema) e os espíritos, que acompanham toda vogal em começo de

Ρ/ρ em início de palavra também é


letra é acompanhada de espírito e acento.

Na transliteração, devem-se manter os acentos agudo e grave, o til e a diérese; o espírito brando é
suprimido, e a vogal com espírito rude é antecedida por um h, que indica pronúncia aspirada; exs.:

-se de espírito rude, a letra ρ é

Por isso, do mesmo modo como acentuamos pólis, devemos também grafar lógos, páthos e éthos
quando nos referimos às palavras gregas, sendo logos, patos e etos as formas aportuguesadas. Não
se devem misturar, em um mesmo texto, grafias aportuguesadas e gregas (logos e páthos, p. ex.).

Separação de sílabas

Não se deve separar no final de uma linha as sílabas de uma palavra quando se usa o alfabeto
grego; caso o texto tenha sido transliterado, as seguintes regras devem ser obedecidas:

 com exceção dos ditongos ai, ei, oi, yi, au, eu, ey e oy, vogais consecutivas formam sílabas
distintas: i-atrós (médico);
 consoantes entre vogais ligam-se à sílaba seguinte: dõ-ron (presente);
 2 ou mais consoantes ligam-se à vogal seguinte: ari-sterós (à esquerda);
 é-khtos (ódio);
 2 consoantes iguais separam-se em 2 sílabas: híp-pagros (cavalo selvagem)
 prefixos (p. ex.: anti-, apo-, en-, ex-, epi-, para-, meta- etc.) formam unidade autônoma e
não se confundem com as sílabas na divisão de palavras: met-éoros (alto, elevado)
 ideia de obrigatoriedade (“estar na obrigação de”); ter que denota apenas que existe
alguma coisa a fazer, alguma coisa que não foi feita: “Nada temos que objetar”, “Tenho
mais o que fazer”.

Pontuação

O preparador e o revisor devem estar atentos às regras de pontuação e acentuação, uso do hífen,
crase, tavessão, dois pontos, entre outros, além do emprego da vírgula, como nas orações
intercaladas e nas orações adjetivas restritivas e explicativas. Em caso de dúvida, não deve hesitar
em pesquisar boas gramáticas ou guias de estilo. Este tópico tratará apenas de casos específicos
aos quais deve-se ter atenção.

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Hífen

Em relação ao uso do héfen na separação de sílabas em final de linha; o revisor deve estar atento
aos seguintes pontos:
 ao separar as sílabas de uma palavra, não se deve deixar apenas uma letra em uma linha;
além disso, quando se trata da última linha de um parágrafo ou da página, deve-se ter
atenção especial ao controle de “viúvas”; na Editora Planeta, consideram-se viúvas apenas
as linhas em que o texto ocupa espaço menor do que a defesa do parágrafo-padrão;
 ao separar sílabas de palavras que já levam hífen, se a quebra for feita na hifenização deve-
se usar um hífen à direita na linha de cima e um à esquerda da continuação da palavra na
linha de baixo;
 evitar que da separação de sílabas resultem palavras ou expressões chulas: de-putada, fede-
ral, mori-bunda;
 no caso de separação de sílaba de nomes e palavras em língua estrangeira, devem-se
respeitar as regras dessa língua. Em caso de dúvida, o revisor deve consultar bons
dicionários, que informam as quebras de sílaba possíveis (por exemplo, Oxford).

Travessão

Muitas orações intercaladas entre travessões, a não ser que se trate de recurso estilístico, podem
ser dispensadas. Caso um texto (principalmente se for um original inédito) tenha muitas orações
intercaladas entre travessões, o preparador deve sugerir algum critério que permita que o recurso
seja usado de maneira mais parcimoniosa.

Traço

O traço não deve ser confundido com o hífen ou com o travessão, embora, dependendo da fonte
em que o livro é composto, o travessão possa ter tamanho próximo ao de um traço médio; há
famílias de fontes que, além do hífen e do travessão, contam com 2 ou mais traços de tamanho
médio (‐,–,―,—).

Barra

Deve-se ter atenção ao uso da barra:


 para escrever frações: ½, ¾; notar que os algarismos do numerador e do denominador têm
corpo diferenciado (não é 1/2 ou 3/4);
 em expressões matemáticas, para indicar operação matemática de divisão: 25/5.

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Sinais matemáticos

Alguns lembretes sobre o uso correto de sinais matemáticos, em especial na revisão da prova
composta e no que diz respeito ao uso do computador:
 sinal de multiplicação: não é a letra x, mas o sinal específico ×; esse mesmo sinal deve ser
usado para indicar dimensões em geral (de obras artísticas, por exemplo): 32 × 45 cm, e não
32 x 45 cm; tal regra vale para o texto e também para elementos pré e pós-textuais (página
de créditos, listas de ilustrações etc.). O sinal de multiplicação pode ser encontrado no
Mapa de caracteres encontrado (do InDesign ou do Windows) ou na ferramenta Símbolo do
Word;
 o ponto indicativo de multiplicação só é usado em contextos bastante específicos (fórmulas
em que o ponto seja usual); nesse caso, lembrar que o ponto indicativo de multiplicação não
é um ponto comum (.), mas um ponto centralizado na altura da linha (•), que também pode
ser encontrado no Mapa de caracteres e na ferramenta Símbolo;
 a barra indicativa de divisão (/) é substituída por traço (na altura da linha) somente em
contextos bastante específicos (fórmulas matemáticas, físicas etc.);
 o sinal usado para indicar subtração, e também para grandezas negativas, não é o hífen (-)
nem o travessão (—), e sim um sinal de subtração (-) que pode ser encontrado no Mapa de
caracteres. Na ausência deste pode ser usado um traço de comprimento médio (–). Há
espaço separando o sinal dos números que o seguem e/ou antecedem: – 89, e não –89;
2500 – 2380, e não 2500–2380;
 o sinal de grau não é uma letra o sobrescrita: 23o — existe um sinal específico: 23°; notar
que, quando indica grandeza matemática (ângulos) ou geográfica, o sinal de grau vem junto
ao número que acompanha: 35° ou 18° W; contudo, quando indica grandeza física
(temperatura), o sinal vem junto à letra que indica o sistema usado, e separado do número
por um espaço: 21 °C;
 igualmente, existe espaço separando numerais do símbolo de qualquer unidade de medida:
23 m, 100 W;
 contudo, não há espaço separando o numeral das unidades de tempo abreviadas: 35h, 23h
50min, 2min 3s. Quando se apresenta um horário em forma abreviada, o mais usual é que
não se indique a última unidade: “Antônio saiu às 23h 50” (mas: “Thiago demorou 23h 50
min para chegar”);
 entre o sinal de porcentagem e o numeral não há espaço: 25%;
 no caso de expressões numéricas, fórmulas ou expressões matemáticas, mesmo quando há
espaço separando o sinal matemático, não pode haver quebra de linha;
 caso introduza alguma correção na prova, o revisor deve juntar ao pedido de emenda a
indicação: “sinal matemático”, circulada, para deixar claro que se pede, por exemplo, um × e
não um x (e tampouco uma supressão).

Etc.

Não se usa vírgula ou outro sinal de pontuação antes de etc. (tampouco se usa etecetera).

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Diálogos

Nos diálogos com descrições intercaladas nas falas:


 pontuar as falas normalmente, e abrir novas frases em caixa-alta, ignorando as descrições
intercaladas:
–Sente muito? – disse ela, com dentes apertados. Absolutamente contrariada – Eu vou dizer
o que você é! Você é um louco! Um maldito doente!
 abrir as descrições intercaladas com caixa-baixa quando estas iniciarem com verbos dicendi
e pontuá-las, exceto quando houver mais de uma frase seguida:
–Sente muito? – disse ela, com dentes apertados. Absolutamente contrariada – Eu vou dizer
o que você é! Você é um louco! Um maldito doente!

Siglas

Na primeira ocorrência deve aparecer o intitulativo por extensor, seguido por sua sigla entre
aprênteses.

Símbolos

Obedecem à normalização definida pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas, representado no


Brasil pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O
Inmetro disponibiliza em seu site na internet publicação sobre o Sistema Internacional de Unidades,
a qual deve ser consultada pelo preparador e pelo revisor em caso de dúvida.

Numerais e datas

Regras gerais
Os números podem ser grafados com algarismos (romanos ou arábicos) ou por extenso. Deve-se
evitar começar uma frase, parágrafo ou título com número; caso contrário, procurar grafar o
número por extenso. Em ficção, é preferível a grafia por extenso, exceto nos casos em que o uso de
algarismos é obrigatório.

Grafia por extenso ou com algarismos

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Por extenso, os que puderem ser grafados com uma só palavra (zero, quinze, oitenta, duzentos,
primeiro, terceiro). Acima de mil, grafar os números redondos na forma mista:

 5 mil, 100 milhões, 10 milhões;


 Para a classe dos milhões é possível ainda a expressão decimal: 3 milhões (e não três
milhões), 59 milhões;
Os demais com algarismos: 23, 1.150 etc. Usa-se ponto ao invés de espaço fino. Exceção para anos,
que não tem ponto.

Quando houver mais de um número na mesma frase, ainda que sejam casos que possam ser
grafados com uma só palavra, usar numerais.

 não se divide um número em quebra de linha;


 não se usa zero à esquerda, exceto em códigos (CEP, p. ex.), e dentro de gráficos e tabelas;
 na grafia decimal, não se usam centésimos ou milésimos (como 3,45 milhões);
 números substantivados são sempre grafados por extenso: “pintar o sete”, “nos
Quinhentos” (século XVI);
 números aproximados são sempre grafados por extenso, exceto em dias e anos: “cerca de
quatro mil alunos”, “cerca de mil anos”, “cerca de dez dias”, mas “por volta do ano 1000”,
“por volta do dia 10”; atenção: é erro reunir a ideia de aproximação com números exatos:
“por volta de 1546”, “cerca de 4010 pessoas” etc.

Datas
São escritos somente com algarismos (mesmo em ficção) os números que não indicam quantidade,
como:

 dias do mês e anos: 10 de maio de 2000; mas dez dias, 2 mil anos (pois indicam quantidade);
 séculos: em algarismos romanos (Ex.: XIX, XIV, XX). Intervalos de anos, séculos etc.: com
hífen (Ex.: 1930-40, 1888-90, séculos XV-XVI)
 numerações indicativas de dinastia ou equivalente sempre em algarismos romanos: João
Paulo II;
 números de sala, apartamento, mesa, página, capítulo e equivalentes: rua 5, mesa 3, página
300, capítulo 2, número 50; mas cinco ruas, três mesas, trezentas páginas, dois capítulos,
cinquenta números.

Também são grafados apenas com algarismos os números:

 que acompanham as expressões “década de” e “decênio de”: década de 1930, decênio de
1850; devem-se evitar expresses como “anos 50” ou “anos 1950”, e é preferível que se grafe
o ano complete, e não apenas a dezena;

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 em referência às grandes divisões das forças armadas: I Exército, II Zona Aérea;

Unidades de medida

Números seguidos por unidades de medida abreviadas deverão vir em algarismos: 1 km, 10 cm, 5
m, 100 km2. Quando a medida for imprecisa, por extenso, ex.: a milhares de quilômetros daqui;
andei quilômetros para chegar lá. Não esquecer de incluir espaço entre o numeral e a abreviatura.
Em livros de ficção pode-se usar unidades de medida sem abreviação e com o numeral por extenso.
Verificar padrão com o editor.

 O nome da unidade é escrito sempre em letra minúscula e em geral é flexionado em


número;
 em livros de ficção as unidades de medida podem ser usadas sem abreviação e com o
numeral por extenso. Verificar com o editor;
 os prefixos gregos mega (M), giga (G), tera (T), peta (P) e exa (E) são grafados em letra
maiúscula;
 para simbolizar a unidade litro, use preferencialmente a letra L maiúscula.

Conversão de unidades de medida

Em textos traduzidos, o tradutor e o preparador devem estar atentos à unidade usada para cada
tipo de grandeza (comprimento, área, volume etc.), obedecendo à classificação estabelecida pelo
Inmetro para o Brasil, ou seja, convertendo os valores do original, caso usem outras unidades
(como pés e polegadas, em determinados contextos). Para a conversão de unidades, o melhor
referencial são os instrumentos fornecidos pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas.
É importante notar que certas grandezas são expressas em unidades diferentes, dependendo do
contexto. Por exemplo, na navegação marítima e aérea, distâncias são indicadas em milhas e a
velocidade é expressa em nós; superfícies agrárias são indicadas em ares ou hectares. O texto
traduzido deve conservar as unidades usadas nesses contextos específicos.

Frações e decimais
São escritas por extenso quando numerador e denominador estiverem entre um e dez: dois
quartos, três oitavos; em todos os demais casos, usam-se algarismos: 4,3, ½.

Ordinais

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São escritos por extenso quando podem ser escritos em uma só palavra: primeiro, décimo,
sexagésimo, ducentésimo. Exceto em casos em que o uso do numeral seja obrigatório. Verificar
com o editor.

Os demais são grafados em algarismos e acompanhados de º ou a (o elevado e sublinhado, a


elevado e sublinhado.

Ortografia

Topônimos estrangeiros
Na Editora Planeta, o melhor é usar de acordo com o que é consagrado no Brasil em relação a
nome de lugar de origem estrangeira.

O princípio estabelecido pelas Nações Unidas é não vernacularizar os nomes de lugar de origem
estrangeira — exceto quando houver formas usuais em português: assim, diz-se Londres, mas não
Oxônia (Oxford); os nomes de países, no entanto, em geral são traduzidos.

Quando o nome de uma localidade é composto de outro nome de região acompanhado de adjetivo
(como novo, alto, baixo), são possíveis tanto o aportuguesamento como a grafia mista, com a
tradução do adjetivo e a manutenção do nome da região em sua grafia original: Nova York, Nova
Caledônia.

Quando se trata de nomes de origem não latina, ou de línguas com alfabetos baseados no latino, há
2 procedimentos possíveis: a transliteração (transposição de cada caráter) e a transcrição
(transposição de acordo com a pronúncia). Como não há uma tradição de transcrição para o
português (do Brasil), preparador e revisor devem se preocupar com a coerência do critério
adotado e com as formas correntes na língua. Os sinais diacríticos de línguas que usam alfabeto
baseado no latino devem ser conservados.

Antropônimos brasileiros
As grafias próprias de cada nome devem ser respeitadas, distinguindo-se, no entanto, os seguintes
casos:

 nomes em que há arcaísmo ou distorção ortográfica proposital: são mantidos como tais:
Alphonsus de Guimaraens (e não Afonso Guimarães);
 nomes que não têm origem na língua portuguesa: são sempre mantidos com sua grafia
original: Wanderley (e não Vanderlei), Nelson (e não Nélson);

Formas optativas

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Quando uma palavra pode ser grafada de 2 formas diferentes, como regra geral, o importante é
que se garanta a uniformidade da grafia em toda a obra. Devem-se privilegiar as formas apontadas
como preferenciais pelos dicionários. Assim, tireoide é preferível a tiroide; radioativo é preferível a
radiativo, cota é preferível a quota, cotidiano é preferível a quotidiano etc.

Em obras de ficção, respeitam-se as grafias usadas pelo autor, a não ser que se trate de erro ou
arcaísmo evidente — e são arcaísmos evidentes ou as formas que nem mesmo são registradas
pelos dicionários atuais (p. ex., assúcar no lugar de açúcar), ou as formas explicitamente
apresentadas como arcaísmos pelos dicionários. Esse cuidado justifica-se pelo fato de os juízos
pessoais variarem de região para região e de meio para meio. Assim, ainda que dous (no lugar de
dois) a muitos pareça um arcaísmo, a forma não é apresentada como tal pelos dicionários mais
recentes, e por isso deve ser mantida caso usada pelo autor (em obras de ficção).

Caso haja dúvida sobre a intencionalidade de uma grafia, o editor e/ou o autor devem ser
consultados.

Elementos extratextuais

Epígrafe

Vale para a tradução de epígrafes a mesma regra das citações.

Legendas

 Apenas quando necessário, inclua orientações para leitura da imagem entre parênteses,
cuidando para que o padrão adotada seja coerente em todo o livro: (da esquerda para a
direita), (de chapéu);
 a legenda deve ter ponto final sempre que houver pontuação interna ou quando se tratar
de uma frase.

Notas

Tipos de nota

As notas podem apresentar: referências bibliográficas, complemento de referências bibliográficas,


esclarecimentos do autor, tradutor, editor e/ou revisor técnico. Devem-se, em princípio, evitar
notas editoriais ou de tradução em obras de ficção.

Notas do tradutor, do editor e do autor:

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 as notas são feitas por meio de números sobrescritos; havendo sinal de pontuação no ponto
onde entra a nota, esta vem sempre depois desse sinal;
 o texto da nota é precedido do número que consta em sua remissão; depois do texto da
nota (incluindo a pontuação final) vem a identificação: (N. T.) quando a nota é do tradutor,
(N. E.) quando a nota é do editor, preparador ou revisor; quando a nota é do autor não se
usa a identificação;
 a numeração das notas pode ser reiniciada a cada capítulo ou ter continuidade em todo o
livro dependendo da quantidade de notas, da preferência do autor/editor e do que é o
usado no original no caso de tradução;
 o preparador deve estar atento à necessidade dessas notas, e consultar o editor quando
elas oferecerem informação supérflua ou demasiadamente didática (por exemplo, notas
com informações que podem ser encontradas em enciclopédias ou nos dicionários mais
usuais); essas notas são dispensáveis e podem, eventualmente, ser suprimidas. Por outro
lado, ele também pode sugerir ao editor notas que julgar necessárias em determinado
trecho;
 as notas ficam no rodapé da página em que ocorre a remissão ou, se houver grande
quantidade de notas, reunidas ao fim de cada capítulo ou ao fim do livro.

Referências

As referências (bibliográficas e de outros tipos de obra) seguem regras vigentes no Brasil – e não
às da língua original. Essas regras são as estabelecidas pela NBR 6023, norma da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Casos específicos são complementados pelas normas NBR
6029 e NBR 10520. Os casos não previstos serão decididos pelo editor, tendo como referências as
normas citadas.

Tipos de referência

A referência pode aparecer:

 em bibliografias;
 em notas de rodapé ou notas finais;
 em indicação no próprio texto.

Referências em notas

Se o livro apresenta uma seção com a bibliografia, as notas, principalmente se forem de rodapé,
não precisam apresentar todas as informações explicitadas nas regras.

Índice onomástico e índice remissivo

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No índice onomástico entram apenas nomes de pessoas; índices remissivos são mais abrangentes e
podem incluir obras, conceitos, temas e subtemas etc.
As entradas devem aparecer uma embaixo da outra, sendo que os sub-itens devem ser inseridos
com shift+enter.

ERROS COMUNS
Além das questões discutidas ao longo deste manual e dos problemas listados nas seções J3
(Abusos contra a clareza) e J4 (Problemas comuns), a respeito de problemas estilísticos, existem
outros tópicos (que se referem ora à ortografia, ora à gramática, ora a questões estilísticas) que
merecem a atenção do preparador e do revisor. Apresentamos a seguir uma breve lista com as
questões mais freqüentes no trabalho editorial.

É importante lembrar que é indispensável a consulta a boas gramáticas, manuais e dicionários, que
ampliam e esclarecem os tópicos listados. Deles foram excluídos temas como regência verbal e
nominal (como as regências de verbos como preferir, implicar, emprestar, chegar e namorar),
verbos defectivos e abundantes, questões de concordância verbal e nominal (p. ex., com
expressões como “cerca de” e “um dos que”).

 apesar dele ter feito/apesar de ele ter feito, o fato do Governo ter estabelecido/o fato de o
Governo ter estabelecido
Não se faz a contração da preposição com o pronome ou o artigo, pois estes têm a função
de sujeito do infinitivo que os segue. Em princípio, mesmo a coloquialidade não é motivo
suficiente para a flexibilização desse princípio.

 tanto situação quanto oposição/tanto situação como oposição:


“Tanto quanto” não é locução. Quando a idéia é de adição, o correto é “tanto como”.

“Tanto quanto” ou são advérbios empregados conjuntiva e correlativamente

(“Este vinho ficará tanto melhor quanto mais envelhecer”) ou são adjetivos, que concordam
com os substantivos a que se referem (“Tantas cabeças, quantas sentenças”).

 não há qualquer problema/não há nenhum problema/não há problema algum


Qualquer não tem sentido negativo, mesmo em frases negativas. Trata-se de anglicismo
(baseado no uso de any), que quase sempre pode ser substituído pela forma correta
(nenhum ou algum) sem perda de coloquialidade.

 sequer começou o trabalho/nem sequer começou o trabalho


Por si só, sequer não tem sentido negativo; para ser usado negativamente, requer uma
negação explícita.

Algumas vezes, pode-se evitar a forma “nem sequer” colocando o verbo na negativa, ou
ainda usando “nem mesmo”.

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 aluga-se casas/alugam-se casas, deve-se fazer sugestões/devem-se fazer sugestões
Trata-se de voz passiva sintética; portanto, o verbo concorda com o sujeito. Regra prática
(útil principalmente quando há locução verbal com se): caso na voz passiva analítica o verbo
seja flexionado, ele também deve ser na voz passiva sintética. Assim: “Alugam-se casas” =
“Casas são alugadas”, “Devem-se fazer sugestões” = “Sugestões devem ser feitas”.

 precisam-se de editores/precisa-se de editores, tratam-se de erros comuns/trata-se de


erros comuns
O sujeito é indeterminado; logo, o verbo fica no singular. Usando a regra citada no item
anterior, não se diria “Editores são precisados”.

 tinha partido há cinco anos/tinha partido havia cinco anos


O verbo haver concorda com o verbo ou a locução a que se refere.

 Marta assistiu a peça/Marta assistiu à peça


Com o sentido de “ver”, “acompanhar”, é verbo relativo, e deve ser usado corretamente
sempre que possível. Contudo, principalmente quando o complemento não é acompanhado
de artigo, em contextos coloquiais é comum o uso como verbo transitivo direto: “Estava
assistindo TV”.

 viveu às custas do pai/viveu à custa do pai


Usa-se no singular. Mas: “Passearam a expensas do Governo”.

 país em vias de crescimento/país em via de crescimento Usa-se no singular.


 deu entrada junto ao STJ/deu entrada no STJ
Usam-se em, de e com; junto a significa: “adido a” (“embaixador junto ao Vaticano”) ou
“perto de” (“Estava junto ao muro”).

Exemplos: “Consegui o aval do banco”, “Os fundos necessários foram obtidos no BNDES”, “O
jogador foi contratado do São Paulo”.

 como por exemplo


Usa-se ou como, ou por exemplo: “Diversos governadores, como o de São Paulo”, “Vários
peixes, por exemplo, o salmão”.

 todo, todo o, todos os


Embora alguns gramáticos considerem sem fundamento a distinção entre todo e todo o,
prefira todo com o sentido de “cada” ou “todos” (“Todo homem merece...”) e todo o, com o
sentido de “inteiro” (“Todo o Brasil...”). No plural, o artigo é sempre necessário. Contudo,
como se trata de questão controversa, podem-se usar, principalmente em obras de ficção,
ambas as formas indiferentemente, caso o autor o deseje.

 este manual, e tudo que tem relação com o mesmo


Não se usa o mesmo em função pronominal (no lugar de pronome ou substantivo): “Visitei
minha cartomante, e e ela...” (e não “e a mesma”).

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 ao mesmo tempo em que o país desandava/ao mesmo tempo que o país desandava
Deve-se preferir a construção sem a preposição em, que é dispensável.

 este caso/esse caso


Em diálogos, este se refere ao que está próximo de quem fala, e esse, de seu interlocutor.
Em trechos narrativos, este é usado para indicar termo que será explicitado (catáfora), e
esse se refere ao que já foi dito (anáfora).

 ao invés de fazer isso/em vez de fazer isso


Ao invés de significa “ao contrário de”, e denota sempre contraste, oposição; em vez de
significa “em lugar de”.

 naquela tese, onde o autor defende/naquela tese, em que o autor defende


Onde é usado apenas para indicar lugar.

 comuniquei-o da decisão/comuniquei-lhe a decisão


Uma decisão é comunicada, mas ninguém é comunicado. São opções corretas: “informei-o
da decisão”, “comuniquei-lhe a decisão”.

Sempre que não tiver total certeza sobre a regência de verbos, substantivos, adjetivos e
advérbios, o preparador e o revisor não devem hesitar em consultar bons dicionários de
regência.

 tenho que viajar/tenho de viajar


Apenas de é preposição; que é pronome. Portanto, apenas ter de expressa ideia de
obrigatoriedade (“estar na obrigação de”); ter que denota apenas que existe alguma coisa a
fazer, alguma coisa que não foi feita: “Nada temos que objetar”, “Tenho mais o que fazer”.

 terá lugar em São Paulo


Ter lugar é galicismo facilmente substituído por formas corretas sem que haja perda de
fluência: “acontecerá em São Paulo”, “ocorrerá” etc. Portanto, deve ser evitado.

 o personagem/a personagem
Palavra feminina. Contudo, cada vez mais tem sido usada tanto no masculino como no
feminino, dependendo do sexo da personagem. Em princípio, usar a forma feminina apenas
em textos mais formais, caracterizados pelo respeito à norma culta.

 através de
O uso de através é condenado somente em 2 casos: quando usado sem a preposição de (uso
considerado galicismo) e quando usado no agente da passiva: “O arquivo foi mandado
através da Internet”.

É correto o uso com o sentido de “mediante”, “por intermédio de” — uso que merece crítica
apenas do ponto de vista estilístico, quando usado exclusivamente, sem alternância com
expressões sinônimas. Entre estas, merecem destaque as preposições de e por, que muitas
vezes são suficientes para a expressão clara da idéia: “Chegou pela Internet”.

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 enquanto/como, conquanto
Enquanto é conjunção temporal (que significa “no tempo em que”, “durante o tempo que”,
“quando”, que também pode ser empregada em sentido adversativo, significando “ao passo
que”: “Não me saí bem, enquanto você se saiu muito mal”.

Não é correto o uso com o sentido de “como”, “conquanto” (traduzindo o francês “en tant
que”, p. ex.): “Como mortal, o homem...”

 enquanto que
Diz-se apenas enquanto.

 face a, frente a/em face de, em frente de, ante, diante de


“Ante o imprevisto” (ou ‘em face do’, ‘diante do”), e não “Face ao imprevisto”.

 a nível de /no âmbito de, em nível de


“No âmbito do inconsciente” (ou expressões sinônimas, como “na esfera do”), e não “A
nível de inconsciente”.

 mais bem/melhor
O particípio exige a forma comparativa analítica: “mais bem estudado” (e não “melhor
estudado”).

 inclusive/até, até mesmo


Questão controversa. Alguns gramáticos condenam seu uso em função proposicional
(significando “contando com”, “incluindo”): “Encontrei todos, inclusive os mais raros”, ou
com o sentido de “até”, “até mesmo”: “Ameaçou-o inclusive fisicamente”. Outros
gramáticos aceitam esse uso.

Pode ser usado. Contudo, nada impede que se usem formas sinônimas, alternativamente.

Inclusive pode ainda ser usado como advérbio: “Cheguei até o item 3 inclusive”.

 à vista/a vista
Em oposição a a prazo, usa-se sem a crase: “Comprei o computador a vista”.

 ternos cinzas/ternos cinza


Quando expressos por substantivos, nomes de cor são invariáveis: “ternos cinza”, “camisas
rosa”, “saias creme”, “tons pastel.

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