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Atividade financeira do estado

Realização de despesas para a satisfação de necessidades. Para isto existir é preciso haver
receitas. É chamada atividade financeira dos entes públicos, isto é, a atividade de obtenção e
gestão de receitas e de realização das despesas publicas, reconduz-se quase á perceção,
gestão e dispêndio de dinheiro ou meios pecuniários obtidos junto dos agentes económicos.

Porquê que temos os impostos? O estado tem de ter atividade? Tem de fazer despesas? Se
tivesse não precisava de meios de financiamento e não precisava de haver impostos.

Necessidades coletivas

Há as chamadas necessidades coletivas. Estas são as necessidades que se caracterizam por


serem de satisfação passiva, que se contrapõem as necessidades individuais (necessidades de
satisfação ativa).

Satisfação ativa: Numa necessidade de satisfação ativa a pessoa tem de procurar o bem
para satisfazer a necessidade (ex: pequeno almoço, a pessoa tem de procurar o pão na
padaria).

Satisfação passiva: Nas necessidades de satisfação passiva a necessidade é satisfeita


passivamente, ou seja, o individuo não tem de procurar o bem (ex: sol para nos iluminar).
Defesa nacional, externa e interna – funções que cabem ao estado realizar. Mesmo que não
houvesse esta reserva do exercício do poder público para o estado, se alguém decidisse criar
um exército na zona onde moramos para guardar os carros as pessoas ficavam satisfeitas.
Defesa do território nacional – é uma necessidade que temos. Logo que exista o bem, logo que
alguém organize o bem para o cidadão já está bem.

Se no caso das necessidades de satisfação passiva há a chamada passividade no consumo,


ou seja, o indivíduo não procura o bem por isso não lhe pode ser exigida uma contraprestação.
(ex: um farol na costa dos barcos; um poste de luz ao pé das habitações posto por um cidadão
que tinha necessidade, satisfaz a necessidade dos vizinhos e ninguém lhe pediu nada).

Os vários vírus que vão aparecendo conduzem-nos para a necessidade de existir um


sistema de saúde pública. Não é o caso de tratar individualmente o individuo senão estamos a
tratar de satisfação ativa. Falamos de vacinas para a prevenção.

Está justificado o porquê de o estado ter de fazer despesas, porque a prestação de bens
pelos quais não se pode exigir uma contraprestação é uma atividade que não é levada a cabo
pelos particulares, pois os particulares movem-se pelo fito do lucro e o estado não. Por força
da CRP cabe ao estado produzir estes bens a que chamamos coletivos / bens públicos porque
satisfazem as tais necessidades coletivas ou públicas de satisfação passiva.

O estado faz despesa e vai precisar de ter meios de financiamento para fazer face às
despesas.

Meios de financiamento

 Preços
 Empréstimos
 Impostos

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As receitas podem ser preços (o estado tem bens dos quais pode exigir uma contrapartida,
como por exemplo terrenos para arrendar, etc. Receitas patrimoniais), recorrer a empréstimos
/ ao crédito público (estado a contrair empréstimos) e impostos (cuja grande característica são
prestações que o estado está legitimado a exigir aos cidadãos sem ter de dar nada em troca.
Por um lado, o estado é obrigado a realizar atividades, produzir bens pelos quais tem despesa
relativamente aos quais não pode exigir nenhuma contraprestação. Por outro lado, é aquele a
quem a CRP consente e prevê a possibilidade de exigir contribuições sem lhes dar nada em
troca. Por um aldo há a produção do bem que acaba por ser disponibilizado porque há
passividade no consumo, mas por outro lado tem legitimidade de exigir prestações aos
cidadãos independentemente de uma contraprestação).

Do lado das receitas devemos separar estes 3 tópicos em receitas voluntários e receitas
coativas.

Receitas voluntárias e receitas coativas

Receitas voluntarias (há vontade de quem realiza a prestação) – Preços que decorram de
negócios jurídicos que os estados realizem à semelhança dos particulares (receitas
patrimoniais); em regra os empréstimos são voluntários pois são um tipo de divida publica,
tirando situações excecionais de empréstimos públicos forçados, os capitalistas apenas
emprestam se quiserem.

Receitas coativas (não há elemento de vontade) – preços fixados autoritariamente pela lei
(taxas), como no caso das consultas do médico, não podemos negociar.

Quando estamos perante as taxas aqueles bens que satisfazem as necessidades coletivas
(de satisfação passiva) são chamos bens públicos, mas o estado também produz bens que para
além de satisfazer necessidades coletivas satisfazem necessidades individuais (satisfação
ativa). O bem do SNS satisfaz necessidades públicas (as pessoas sentem-se seguras com as
vacinações, rastreios e etc.) mas ao mesmo tempo se um individuo precisa de uma consulta
procura o bem e aí já lhe é exigida uma contraprestação. As taxas dizem respeito a bens
públicos, mas como eles satisfazem 2 necessidades (coletivas e individuais) por isso são bens
semipúblicos. Por fim encontramos os impostos.

As regras jurídicas que regulam esta atividade é a do direito financeiro público.

Direito financeiro público

Este direito financeiro público como conjunto de regras do estado acaba por se desdobrar
em normas jurídicas que nos permitem identificar um direito das despesas, (regras, etc.) um
direito das receitas e um direito da administração financeira onde na prática releva o direito
orçamental.

O orçamento do estado é um documento onde se prevê as despesas que se vão realizar no


período e as receitas para financiar as despesas. Logo o direito orçamental faz parte do direito
financeiro.

Também o podemos definir como o complexo de normas jurídicas que disciplinam a


obtenção e distribuição do dinheiro necessário ao funcionamento dos entes públicos e à
gestão dos bens propriedade desses mesmos entes. Assim sendo podemos dizer que a

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atividade financeira dos entes públicos não é uma atividade homogénea pois está diversificada
em diversas operações relativas aquisição e à gestão das receitas e à realização das despesas.
Compreendemos assim porque que o direito financeiro se apresenta como heterogéneo de
normas jurídicas.

Direito das receitas

Neste direito podemos falar num direito patrimonial (diz respeito como se regula e
enquadra o património do estado e a possibilidade de alienar e gerar receita), direito do
crédito públicos (normas dentro do direito financeiro onde o estado contrai empréstimo) e
direito das receitas (direito tributário porque aquelas prestações coativas (receitas coativas -
taxas e impostos) são qualificadas como tributos. Quando se fala em tributação em sentido
rigoroso estamos a referir as receitas que o estado obtém pelas receitas fixadas).

O que difere os países de pagar mais ou menos impostos? Porque que a noruega paga
menos impostos? É um país que vende petróleo, logo o estado tem um património que gera
receita de vulto por isso é menos justificado o estado ir buscar aos cidadãos receita através de
impostos.

Com o advento do estado liberal o estado foi esvaziado do património, a ideia de que o
estado não devia interferir na sociedade levou a um esvaziamento patrimonial do estado, o
estado tem bens e empresas, mas o que tem foi porque se foi apropriar delas em processos.
Prof Casalta Nabais diz que o nosso estado não tem património suficiente para satisfazer
necessidades coletivas para fazer face a estas despesas.

Passando à hipótese dos empréstimos, a crise da dívida pública em 2007 e 2008 pôs o
nosso país numa situação complicada. Antes da intervenção da TROIKA os juros eram
altíssimos porque tinha medo que o estado não pagasse. Nestes anos mais recentes o estado
não patrimonial com limites fortes ao endividamento a pressão das receitas começou a
aumentar, por isso os impostos e as taxas foram agravados porque a pressão maior vai para o
tributo, pois o estado sendo não patrimonial e estando com limitações relativamente ao
crédito.

Direito tributário

Dentro do tributo temos as taxas e os impostos.

O quê que os une? São tributos, prestações coativas, prestações fixadas por lei.

O que os distingue? As taxas constituem prestações bilaterais (devidas em razão de haver


uma contraprestação, são devidas no âmbito dos bens semipúblicos e se assim o são há
satisfação de necessidades individuais e quando o individuo procura o bem é exigida uma
contraprestação), os impostos constituem tributos unilaterais (só há prestação por lado do
cidadão e a contrapartida não é nenhuma).

O conjunto de normas que regula os atos unilaterais chamamos de direito fiscal.

Impostos

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Qual é o critério e pressuposto para exigir imposto ao cidadão? Rendimento.

O estado precisa de dinheiro e tem de procurar junto de quem tenha dinheiro. Quem tem
dinheiro? Quem tem rendimento, património (manifestações de riqueza/ capacidade
contributiva). Os impostos decorrem pela capacidade contributiva.

O rendimento é necessariamente dinheiro? Não. Apesar de ser reconhecido como riqueza


para efeitos de imposto.

Noção de rendimento – é o acréscimo patrimonial líquido ocorrido durante um período


acrescido do consumo.

O período referido é o período do ano financeiro, sabemos que coincide com o ano civil (1
de janeiro a 31 de dezembro). O ano para efeitos contabilísticos e para efeitos fiscais (em
particular imposto sobre o rendimento) coincide com o ano civil.

Qual é a situação patrimonial líquida a 1 de janeiro?

Qual é a situação patrimonial líquida a 31 de dezembro?

O que interessa é como começamos e como acabamos. Não interessa as oscilações durante
o ano.

RENDIMENTO
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Rendimento

Rendimento - acréscimo patrimonial líquido do período.

Porquê que é acrescido do consumo? Ao rendimento bruto ou líquido devem ser deduzidos
os encargos necessários. (Ex: imóvel arrendado, tem o dinheiro das rendas, mas, no entanto,
tem os encargos de pagamento dos condomínios, despesas de conservação do imóvel, etc.)

Interessa o acréscimo patrimonial líquido ocorrido durante o período e desconsideramos o


consumo.

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IRS consideram-se: Rendimentos + despesas. Não se é perguntado o que fez aos
rendimentos. Desconsidera o que pode ter desaparecido nesse acréscimo por via do consumo.

As retenções na fonte (descontos) é uma dedução feita ao rendimento que assim a pessoa
tem o tal valor bruto e já vai descontar uma parte deduzida para respetivos impostos que
deverá pagar, assim se gastar tudo os impostos já foram pagos ao longo do ano senão o estado
corria o risco de ao fim do ano as pessoas gastarem o dinheiro e não terem para pagar.

Art.1º código do IRS – rendimento pode ser monetário ou em espécie.

No livro: 2.1 Conceito de imposto

Conceito de imposto (3 elementos):

 Elemento objetivo
 Elemento subjetivo
 Elemento teleológico ou finalista

Objetivo:

 Prestação – integra uma relação de natureza obrigacional.


 Pecuniária – é uma prestação de dar pecunia (dar/prestar em dinheiro), isto não
contende com situações em que é extinta a obrigação de pagar o imposto através da entrega
de um determinado bem (a chamada dação em pagamento). há autores que usam a palavra
patrimonial pois inclui o dinheiro e o imposto em espécie. A extinção da obrigação não se vai
dar pelo cumprimento da prestação pecuniária, mas vai dar-se no modo da dação em
cumprimento que é fiscalmente admissível.
 Unilateral – não lhe correspondendo qualquer contraprestação especifica a favor do
contribuinte.
 Definitiva – não há lugar a qualquer reembolso, restituição ou indeminização.

Então e o reembolso do IRS? Reembolsa-se ou não? O modo de cobrança do imposto, o


rendimento é auferido ao longe de um ano e a obrigação de imposto resulta do rendimento do
ano. Só sabemos o rendimento do ano dia 31 de dezembro as 23:59h. Só as 00:00h do dia 1 de
janeiro é que calcularia o imposto, no entanto isto não é assim, o imposto não é assim, é retido
ao longo do ano através das retenções na fonte e pagamentos por conta.

Se só sabemos o rendimento no último dia do ano em princípio aquilo que se cobra ao


longo do ano tem natureza provisoria. Aquilo que se aufere no final do ano pode ser superior,
inferior ou igual. Se se pagou a mais vai-se ser reembolsado o excesso da prestação do
imposto, se se pagou a menos vai-se pagar o resto.

Muitas vezes houvesse a expressão “definitiva e não reembolsável” as pessoas pensam que
recebem reembolso do IRS, mas a obrigação de imposto é cobrada ao longo do ano, através do
pagamento de conta e retenção na fonte. Ao fim do ano, verifica-se o que se foi pagando, se
foi pago a menos deve o contribuinte pagar o restante, se foi pago o devido não há qualquer
problema, se for pago a mais há que entregar esse valor a mais o que é uma espécie de
reembolso, um reembolso do valor pago em excesso e não um reembolso do IRS como é
entendido pela comunidade.

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 Coativa - Art.36º/1 e 2 LGT - a prestação de imposto é fixada por lei, a fonte da
obrigação de imposto é a lei, daí que se diga que se trata de uma obrigação ex legis.

Não se confunda quando se aponta como característica dos tributos a coatividade porque o
que está a querer dizer é que a coatividade tem como fonte a lei e que o nascimento da
obrigação vai resultar de se verificarem os pressupostos que a lei estabelece (factos
tributários).

Se não se pagar o imposto quando ele é devido no prazo de pagamento – execução fiscal
para cobrança coerciva.

Esta característica também existe nas taxas. Nas taxas pode-se optar por querer ou não
querer certo serviço e a vontade já releva e pode-se optar.

Subjetivo:

 Exigida (ou devida) por detentores de capacidades contributiva,


 A favor de entidades que exerçam funções ou tarefas públicas.

Teleológico:

 (tarefas publicas) para realização dessas funções,


 Sem caracter sancionatório.

Na questão do elemento objetivo a questão mais relevante é a unilateralidade e a


coatividade.

Ponto 2.1. livro – 9 linhas – “o imposto é objetivamente uma prestação coativa … vontade
das partes”. – Porquê que o imposto é uma prestação coativa explicação do livro

“Nasce … encontro com a lei” - o encontro do facto com a previsão da norma faz existir
imposto.

A matéria relativa aos impostos está prevista nos Art.103 e 104º da CRP. Todos têm de
pagar impostos não deve haver discriminação, o critério utilizado é o da capacidade
contributiva. A lei tem uma revisão que estabelece os factos que geram a obrigação de
imposto então os factos da vida que se subsumem na lei implicam que a pessoa em questão
pague o imposto. A CRP determina que a competência é da AR, ou ela legisla sozinha ou
autoriza o governo a legislar.

Imposto – tributo unilateral – lei tutelada na CRP aprovado pela assembleia.

Dupla coatividade – quanto ao nascimento da obrigação (o qual deriva da lei) e quanto ao


cumprimento da obrigação (aplicável em qualquer obrigação jurídica que não é cumprida).

Se fazemos contraposição entre unilateralidade e bilateralidade e a legalidade é exigente


para os tributos unilaterais está subentendido que não é tao exigente nos tributos bilaterais,

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as ditas taxas. Nos casos em que há bilateralidade não há controlo parlamentar e já há
possibilidade de o estado e os entes públicos menores (autarquias) de base territorial poderem
criar taxas.

Hoje sente-se muita pressão sobre os tributos supostamente bilaterais. Em alguns são
criados como tributos bilaterais, mas, no entanto, não encontramos a contraprestação. Se não
encontrarmos a contraprestação e não tem origem um ente público não há admissibilidade de
pagamento e é inconstitucional. Os contribuintes podem resistir ao pagamento e negá-lo.

Unilateralidade do imposto.

A coatividade acaba por unir os tributos unilaterais (imposto) e bilaterais (taxas).


Pressupostos dos tributos Art.4º/1 da LGT.
Quando ao tributo bilateral taxa – Art.4º/2 LGT. Existem 3 pressupostos:
1. Prestação de um serviço publico;
2. Utilização do domínio publico;
3. Remoção do obstáculo jurídico.

O pressuposto para que alguém tenha de pagar imposto é a sua capacidade contributiva.
Quando se usa um tributo bilateral de forma particular a onerosidade é a regra já se for um
uso comum (ex: usar a via publica) não deve existir cobrança.

Nota 23- usar um jardim, circular no passeio – uso comum do domínio publico, mas que
estabelece um tributo unilateral quando se trata do uso comum é excecional. No entanto,
quando se trata de usar como uso privado a onerosidade é a regra.

Licenciamento

Procedimento administrativo para obter a licença que depois consiste no pagamento de


uma taxa devido a esta licença.

Conceito das licenças fiscais – não é um conceito legal – a doutrina tem reconhecido
situações em que lhe podemos chamar licenças fiscais (não está na lei), a doutrina criou este
conceito para as situações em que o limite jurídico não existe, o obstáculo não é um obstáculo
real em razão de um interesse público administrativo que interessa acautelar, mas o limite
jurídico foi artificialmente erguido para poder lugar a um processo de licenciamento que o
remova e possa ser exigida a taxa. Ex: fixação de painéis publicitários nos automóveis, etc.

O ente publico não consegue fundamentar a contraprestação da bilateralidade por isso é


unilateral, natureza de imposto, logo é inconstitucional.

Jurisprudência – pensar melhor no regulamento das taxas de publicidade

05/03/2020

Continuação do imposto

3 Pressupostos da taxa – Art.4º/2 LGT

4. Prestação de um serviço publico;


5. Utilização do domínio publico;

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6. Remoção do obstáculo jurídico.

O professor Casalta Nabais entende que o 3º reconduz-se ao 1º pressuposto.

Art.4º/3 LGT refere as contribuições especiais. Casalta Nabais questiona se será uma
terceira categoria de tributos.

Estas contribuições especiais, bem como contribuições financeiras referidas no Art.165º/1,


i), 2ª parte da CRP, são novas figuras que surgem.

Art.4º/3 LGT– divide-se em 2 partes:

1. Contribuições especiais de melhoria (ex: obras publicas) – é devida uma


prestação em virtude de uma vantagem económica particular resultante do exercício
de uma atividade administrativa, por parte de todos aqueles que tal atividade
indistintamente beneficia;
2. Contribuições especiais de maior despesa – é devida uma prestação em virtude
de as coisas possuídas ou da atividade exercida pelos particulares farem origem a uma
maior despesa das autoridades publicas.

As de melhoria resultam de um benefício tido pelo cidadão e as de maior despesa


resultam de um maior desgaste, de despesas acrescidas tidas pelos cidadãos.

Art.165º/1, i), 1ª parte CRP – há uma reserva legislativa relativa à Assembleia da


República quanto aos impostos as contribuições especiais são tidas como impostos.

As contribuições financeiras diferem-se das taxas, embora pelo seu regime sejam
consideradas taxas têm natureza grupal tal como as contribuições especiais. Tem a ver com
situações em que ao contrário da prestação do serviço publico, portanto das taxas existe
uma relação para comutativa. Há uma presunção de que os destinatários retiram benefício
do ente publico ou causam custos/prejuízos ao ente publico.

Divisão dos tributos

A figura dos tributos tem sido objeto de uma visão dicotómica bipartida e binaria que os
distribui por tributos unilaterais ou impostos e tributos bilaterais ou taxas, ou de uma
divisão tripartida ou ternária, que distingue entre impostos, taxas e contribuições ou
tributos especiais.

As contribuições especiais são tidas como impostos.

As contribuições financeiras diferem-se das taxas. Têm natureza grupal, tal como as
contribuições especiais. Tem a ver com situações em que, ao contrário da prestação do
serviço público concreto, portanto, nas taxas, existe uma relação paracomotativa, há uma
presunção de que os destinatários retiram benefício do ente publico ou causam custos
(prejuízo) ao ente publico.

Ponto 2.2.1 – Art.5º/2 do RGTAL

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Tributo Estrutura Critério/medida
Imposto Unilateral Capacidade contributiva
Taxa Bilateral Proporcionalidade/
prestações/ contraprestações
Contribuições especiais Unilateral Cap. contributiva
Contribuições financeiras Bilateral Proporção entre prestação
e contraprestação

O critério fixante na medida do contributo é o princípio da capacidade contributiva.

Temos de fazer um duplo teste: para aferirmos do ponto de vista jurídico-constitucional a


diferença entre tributo unilateral e bilateral, temos de fazer 2 testes:

1. O da bilateralidade

2. O da proporcionalidade.

Não basta que um tributo tenha caracter bilateral para aferir da sua constitucionalidade, é
necessário que tenha uma proporcionalidade. Se concluirmos pela inexistência de
bilateralidade, já não vale a pena fazer o teste da proporcionalidade. Só passamos ao teste da
proporcionalidade se houvesse bilateralidade, ou seja, os requisitos são cumulativos.

O imposto obedece ao princípio da legalidade fiscal e a sua medida tem como base o
princípio da capacidade contributiva.

Tarifas

A questão das tarifas é um modo que surge na lei de identificar taxas em que se reconhece
um certo tipo de características que não é um conceito legal.

É uma taxa, mas além da exigível equivalência jurídica de prestações que é própria da taxa
na tarifa tende haver uma equivalência económica, ou seja, o produto pago tende a ter
equivalência económica ao serviço que é prestado.

Ex: uma consulta no centro de saúde e paga pela consulta não há de todo equivalência
económica, muito menos se partirmos para a parte dos exames em que se paga 4/5€ quando
na realidade eles custam muito mais.

A tarifa-taxa apresenta-se como uma obrigação ex lege e implica a aplicação de um regime


de direito publico integrado por uma serie de prerrogativas nomeadamente à sua garantia e
execução.

RGTAL – Lei 53-E/2006, 29 de dezembro

Deve contar na lei o regime geral das contribuições financeiras

Art.165º/1, i), 2ª parte da CRP

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Art.3º/3 LGT

No caso dos tributos bilaterais não há reserva de lei parlamentar para os criar.

Temos uma crise legislativa tributária porque até hoje a Assembleia não aprovou o regime
geral das taxas e das contribuições financeiras.

Há um regime geral das taxas das autarquias locais, como não há reserva de lei parlamentar
para criar taxas, a lei por força do Art.165º CRP aprovou o regime geral das taxas das
autarquias locais o que quer dizer que ela tem de se conformar. Art.4º/2 RGTAL

O direito fiscal é um direito de sobreposição, é um direito sobre os outros direitos – Dr.


Soares Martinez

Direito público

O direito fiscal é fortemente confirmado pelo direito constitucional.

Constituição fiscal, nós somos um estado fiscal/ ume estado não patrimonial.

O direito fiscal é um sub-ramo do direito administrativo? Não é decisivo para a nossa


aprendizagem.

A cobrança dos impostos tem a ver com o procedimento administrativo.

O Direito Fiscal é um direito de sobreposição, sob outros ramos de direito.

Existem muitos conceitos que provém de outros ramos de direito (ex: herdeiros, salários…)
que são aplicados em Direito Fiscal da exata forma como são definidos no ramo de direito de
que provêm. Existem algumas exceções, casos em que o Direito Fiscal molda o conteúdo ou
conceito do termo usado, mais isso deve constar da própria norma.

O Direito Fiscal é fortemente ligado ao Direito Constitucional, daí surgir o termo


“Constituição Fiscal”.

Há quem considere que o Direito Fiscal é um sub-ramo do Direito Administrativo, uma vez
que a cobrança de imposto é uma atividade administrativa. Mais do que os impostos, são os
tributos.

O Direito Fiscal está relacionado com o Direito Penal e contraordenacional devido aos
atrasos no pagamento por parte dos contribuintes. As contraordenações, muitas vezes, são
institutos de opressão, principalmente quanto a pessoas coletivas, visto que o valor pedido no
fundo é a “sentença de morte” da pessoa coletiva.

O Direito Fiscal também está intimamente ligado ao Direito Privado, em especial o Direito
das Obrigações.

Momentos ou fases da vida do imposto – ponto 3 – página 57

Ideia de nascimento e morte. Precisamente porque o que se suscita tem a ver com o seu
nascimento e a sua morte (extinção da obrigação de imposto).

2 Momentos essenciais:

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1. Estabelecimento / criação / instituição ou incidência - momento legislativo de
intervenção da lei que vai criar o imposto. Trata-se de definir o se e o quanto a pagar, ou seja,
define-se o facto gerador de imposto ou o facto tributário, os sujeitos ativos e passivos, como
se quantifica o rendimento e como se qualifica o montante a pagar.

2. Aplicação / efetivação / administração / gestão do imposto – uma vez criado o imposto


há um 2º momento que é aplicá-lo. Este tende a ser um momento essencialmente
administrativo. Há alguma privatização deste momento porque a lei encarrega aos particulares
muitas funções relativas ao imposto e obriga aos particulares praticar atos que
tradicionalmente era a administração fiscal que o fazia. Existem vários momentos dentro
deste: o do lançamento subjetivo (contribuintes) e objetivo (matéria coletável e taxa), o da
liquidação (matéria coletável * taxa = coleta, a coleta a coincidir com o imposto a pagar a
menos que hajam deduções) e o da cobrança (é o pagamento, o imposto vai dar entrada nos
cofres do estado de forma voluntaria ou coerciva).

Ponto 3 no livro

2 – Momento do lançamento (lançamento subjetivo (identificar quem são as pessoas),


lançamento objetivo (quantificar quanto tem de rendimento)), momento da liquidação (MC *
taxa = coleta) e momento da cobrança.

Sabendo quem é o sujeito passivo e quanto é a matéria coletável, a liquidação em regra é o


momento que vai determinar qual é o montante da obrigação de imposto, cobrança visto do
lado ativo e pagamento visto do lado passivo.

Montante do rendimento tributável para aplicar a taxa do imposto

Taxinomia dos impostos

Não tem assente ou fonte na lei. Distinção que a doutrina faz que pelas suas características
procede à sua catalogação.

Classificação dos impostos – Art.6º LGT

Impostos diretos e indiretos

Tem diversos critérios os económicos e os jurídicos.

Quanto aos económicos aponta-se o critério financeiro, critério económico strito sensu ou
da contabilidade nacional e o critério da repercussão económica.

1. Critérios económicos
1.1. Critério financeiro

Proprietário de um imóvel - manifestação imediata

Compro um imóvel e sobre essa transmissão incide um imposto.

Código do Imposto Municipal Sobre a Transmissão Onerosa de imoveis (CIMTOI)

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O IMT (imposto municipal de transmissão onerosa de imoveis).

IVA é o paradigma da tributação indireta de manifestações mediatas porque quando


gastamos estamos a manifestar de modo indireto ou mediato que temos riqueza.

IRS – imediato

São impostos diretos os que tributam manifestações imediatas da capacidade contributiva,


têm por pressupostos a existência de uma pessoa, de um património e de um rendimento. Os
impostos indiretos tributam manifestações mediatas de capacidade contributiva, tributam
despesa, a transferência de bens e outras manifestações indireta da capacidade contributiva.

Ex: IMI – imposto direito

CIMTOI – imposto indireto

IVA – imposto indireto

IRS – imposto direto

1.2. Critério económico stricto sensu ou da contabilidade nacional

Este critério tem em conta a natureza económica dos impostos integrando-os ou não nos
custos de produção das empresas.

Diretos – não integram preços (não constituem custos de produção das empresas).

Indiretos - integram os preços (constituem custos de produção das empresas, são


deduzidos ao produto nacional para apurar o rendimento nacional assim são correspondentes
aos impostos sobre o consumo).

IRC – imposto direto

IVA – imposto direto

IRC – numa sociedade é considerado como custo para apurar o próprio rendimento da
sociedade? Não. Nesta medida é imposto direto. Uma sociedade quando apura um lucro paga
esse lucro, mas esse lucro não é dedutível.

No IVA, há despesas em que o imposto noa é dedutível.

Dedutíveis – indiretos.

Não dedutíveis – direitos.

1.3. Critério da repercussão económica

Repercutíeis – indiretos.

Não repercutíeis – diretos.

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Repercutir significa transmitir, releva falar do IVA – Art.37º do CIVA – há uma obrigação
formal de repercussão. Quanto ao IVA do imput é a compra do que vai vender e o IVA do
autput será a venda a 3º do que comprou.

IVA – imposto que incide sobre a despesa. O comprador paga o preço + o IVA. Desde que se
começa a produção de um bem e há uma venda para um sujeito passivo que vende a outro,
cada um na transação que faz a seguir está a exigir preços superiores e sobre isso líquido
imposto. A quem ele comprou pagou imposto (IVA dos inputs, das entradas) mas quando ele
vende ele cobra imposto ele próprio (IVA dos autputs).

EX: empresa de peles 1000€ + 23% do IVA. Alguém fez a tintura das peles para vender para
a indústria do sapato e vai vender por 2000€ + 23% do IVA.

Qual é o Iva do input? 230€ - Compra das peles

Qual é o Iva do autput? 460€

Quem é a pessoa que o imposto/a lei pretende que sofra o desfalque com o imposto?
Consumidor.

Nesta operação acima, como se faz para que aquele que comprou por 1230€ não sofra os
230€ de imposto? Método da subtração indireta - 460output - 230input= 230€ a entregar ao
Estado. Este agente económico suporta de IVA 0€. Se aos 460€ fica com 230€ para si.

Sapatos que custam 123€, temos aqui preço + imposto.

O consumidor pode repercutir este imposto? Não. Porque se isto é o imposto sobre o
consumo visa que a manifestação da capacidade de consumir manifesta-se no consumidor. O
IVA é um imposto de repercussão.

O IVA é repercutivel porque a própria lei permite que ele funcione assim. Já o IRS não é um
imposto de repercussão.

Não pode haver repercussão do IRS?

Cidadão individual cobra 100€ pelo serviço de canalização temos aqui um rendimento. 100€
- IRS. Se emitir um recebo está a denunciar que recebe 100€ deduzido o imposto imaginemos
de 25% se a pessoa quer recibo o preço tende a aumentar.

2. Critérios jurídicos

2.1. Critério do Lançamento administrativo

Impostos com lançamento e sem lançamento.

Com lançamento – direitos.

Sem lançamentos – indiretos.

são impostos diretos ou com lançamento naqueles em que haja um ato administrativo de
lançamento ou ato tributário e impostos indiretos ou sem lançamento aqueles em que esse
ato não tenha lugar

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2.2. Critério do rol administrativos

são impostos direitos os que o seu lançamento se baseia na existência junto da


administração fiscal de uma lista ou rol nominativo de contribuintes e impostos indiretos os
que o seu lançamento não tem por base essa lista ou rol.

2.3 Critério do tipo de relação jurídica base do imposto

Se o facto tributário tiver caráter duradouro ou continuado (tem por base situações
estáveis que se prolongam no tempo mantendo-se ano após ano gerando obrigações
periódicas) estamos perante um facto sobre o qual recai um imposto direto já se o facto
tributário tiver caráter instantâneo (existência de um facto isolado ou factos sem continuidade
entre si) estamos perante um facto gerador de impostos indiretos.

Esta distinção vem coincidir com a distinção entre impostos periódicos (duradouros) e
impostos de obrigação única (instantâneos).

Elemento temporal do facto tributário – o IRS incide sobre que rendimento? Art.1º Sobre o
rendimento anual. O aspeto temporal é uma realidade que assenta continuada no tempo.

A atividade financeira segmenta-se em períodos de 1 ano. Portanto o aspeto temporal do


facto tributário é uma realidade continuada.

Há outros impostos que o facto tributário não tem esta natureza continuada, mas é
instantâneo. Ex: facto tributário é cada transação que há. IMT – sobre a transmissão, mas o
sujeito passivo é o transmissário. Ele é instantâneo não tem aspeto temporal duradouro. Já o
IMI não, ele incide sobre o proprietário que detém o imóvel, ainda que o sujeito passivo seja o
proprietário a 31 de dezembro o IMI tem natureza continuada. Quem tiver imoveis e os detém
há 2 ou 3 anos ao fim de cada ano paga o IMI.

O IVA é a cada operação. O vendedor na operação em que vendeu o café.

Periódicos (duradouros) e duração única (instantâneos): Art.736º/1 do CC

A distinção reside na configuração do elemento temporal do facto tributário. O que aqui


releva é, desde logo, a contagem dos prazos de caducidade da liquidação e da prescrição da
obrigação de imposto – Art.45º/4 e 48º/1 da LGT e também releva a distinção entre impostos
retroativos e não retroativos uma vez que, esta vem a coincidir com a distinção aqui abordada.

Os prazos nos impostos periódicos contam-se a partir do fim doa no em que se verificou o
facto tributário. Os prazos nos impostos de obrigação única contam-se a partir da data em que
ocorreu o facto tributário.

Impostos reais e impostos pessoais

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Há impostos que tributam a matéria coletável objetivamente determinada, é a incidência
real ou objetiva sobre a qual recai essencialmente o imposto real. No imposto pessoal a
tributação ocorre tendo em conta a pessoa do contribuinte, recai maioritariamente sobre a
incidência pessoal ou subjetiva.

Características do imposto pessoal: atendem ao rendimento do contribuinte, excluem da


tributação um valor mínimo de existência, valorizam os encargos com a família e a respetiva
taxa do imposto é progressiva - Art.22º/1, 70º, 78º e ss, 68º do CIRS. Para os sujeitos não
residentes o IRS é um imposto real.

O imposto real tem incidência real e pessoal e o imposto pessoal tem incidência pessoa e
real (ex: IMI incide sobre o valor patrimonial do imóvel, ao que se designa incidência real e
recai sobre o proprietário do imóvel, ou seja, é a incidência pessoal, no entanto, o imposto
foca-se na matéria coletável e não no contribuinte, não considera as situações de vida das
pessoas, o imposto é sempre o mesmo, por isso, é um imposto real).

IMI é um imposto que incide sobre o valor patrimonial dos imoveis – incidência real

Incidência pessoal – proprietário ou usufrutuário do imóvel

A, B, C, D trabalham no mesmo sítios e moram no mesmo sítio no mesmo prédio, no


mesmo piso com tipologias idênticas.

IMI não vai ter qualquer atenuação conforme o ganho de cada pessoa etc. O IMI tem
incidência real. Pode haver elementos de pessoalização. De há uns anos para cá previu uma
situação que relativamente a imóveis de valor reduzido em que o titular e o seu agregado
familiar têm rendimentos baixos consagra isenção de imposto.

World wide income principle – princípio de tributação do rendimento base mundial

IRS tributa o rendimento global dos rendimentos? Não.

Na classificação de impostos pessoais e reais, dissemos que o IRS é um imposto pessoal,


mas é pessoal para todos os efeitos passivos? Apenas é pessoal para os residentes. Para os não
residentes a característica que é pressuposto da pessoalidade falha. Para os não residentes é
um imposto real.

Impostos de quota fixa e impostos de quota variável

Nos impostos de quota fixa a lei determina que o montante a pagar por cada contribuinte é
uma importância fixa, nos impostos de quota variável o imposto a pagar determinado por lei
varia em função da matéria coletável ou tributável.

Nos impostos de quota variável existem: impostos proporcionais (a taxa é proporcional, é


fixa, ex: IVA), impostos progressivos (a taxa é variável, Ex: IRS – Art.68º do CIRS) e impostos
regressivos (a quota é regressiva, a variação da matéria coletável é descendente, diminuindo
até um mínimo de matéria coletável).

Camisa com preço base 50€ o IVA é 23%

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Camisa com preço de 100€ o IVA é de 23%

O imposto apurado ao aplicar esta taxa, o montante de imposto varia ou não? Sim, porque
se comprar a camisa por 100€ pago 23€ de imposto, ou seja 123€, se comprar a camisa por
50€ pago de imposto apenas 11,5€, por isso paga-se 61,5€. A quota de imposto variou em
razão da matéria coletável. Só que variou proporcionalmente, o imposto que é exigido por
cada euro de matéria coletável é sempre o mesmo. Por cada euro paga-se sempre 0.23€.

Imposto proporcional ou de taxa proporcional é de quota fixa ou variável? Variável. Taxa


fixa ou variável? Fixa. A taxa não varia. O que varia é o montante do imposto resultante da
aplicação dessa única taxa.

Escadas são proporcionais ou progressivas? Proporcionais. Sobe-se sempre na mesma


medida ou não? Sim.

Impostos estaduais e impostos não estaduais

Todo o território nacional – estadual.

Sobre parcela do território – não estadual.

Noa é uma tipologia legal, esta distinção faz-se com base na titularidade ativa (Art.18º/2 da
LGT) de impostos quando o credor ativo seja o estado ou entes territoriais públicos.

Públicos - Se forem regiões autónomas são impostos regionais, ou podem ser impostos
locais se se tratar de autarquias.

Privados – impostos parafiscais da segurança social.

A titularidade aqui tida em conta é a capacidade tributaria ativa, ou seja, a titularidade do


sujeito ativo ou de credor da relação jurídica fiscal e não outras titularidades como o poder
tributário de que dispõem o estado, as regiões autónomas e os municípios.

Impostos gerais e especiais

Os impostos gerais aplicam-se a casos homogéneas, e os especiais apesar de dizerem


respeito a factos abrangidos nos impostos gerais tem uma disciplina especial.

Ex: O IRS tributa o rendimento das pessoas coletivas e o rendimento do jogo é especial.
(ponto 4.6 do livro) IMI e imposto selo são impostos especiais. No património não há impostos
gerais sobre o património, porque isto seria haver um imposto a todo o património que temos,
temos impostos especiais que tributam parcelas do património - caso do IMI que tributa o
património imobiliário.

Impostos principais e acessórios (ponto 4.7).

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Existem por si ou depende a sua existência da pré-existência de outros impostos.
Atendendo a técnica de incidência os impostos acessórios podem assumir 2 modalidades:
adicionamentos e adicionais.

Esta classificação para percebermos temos de ter presente os momentos da vida de


imposto e conceitos de lançamento e liquidação. Quando é que classificamos a matéria
coletável? Lançamento objetivo- porque no subjetivo identificamos o contribuinte e no
objetivo fazemos a quantificação. E isto leva-nos ao momento da liquidação e daqui apura-se a
coleta. Pode ser criado um imposto acessório sobre o IRS que incide sobre a matéria coletável
ou sobre a coleta e então temos um sujeito passivo que um imposto sobre o seu rendimento e
depois temos um imposto que acresce a este que será sobre a matéria coletável (aqui funciona
como uma sobretaxa) - isto chama-se adicionamento; ou sobre a coleta - isto chama-se
adicional. (mnemónica para decorar isto: adicionamento como é uma palavra maior é para a
material coletável e adicional para coleta).

Os impostos acessórios seguem as vicissitudes dos impostos principais de que dependem.

Impostos sobre o rendimento, sobre o património e sobre o consumo

Art.104º CRP – caracteriza o imposto sobre o rendimento pessoal, a tributação do


rendimento empresarial, a tributação do património e a tributação do consumo. Nos impostos
sobre o rendimento tributa-se o rendimento produto ou o rendimento acréscimo (IRC e IRS).
Nos impostos sobre o património tributa-se a titularidade ou a transmissão de valores
pecuniários líquidos que sejam capitais produtivos, lucrativo ou bens de consumo duradouro
(Ex: IMI e IMT).

Nos impostos sobre o consumo tributa-se o rendimento ou o património utilizado no


consumo (Ex: IVA).

Impostos ficais e impostos extrafiscais

A finalidade típica dos impostos é a obtenção de receitas. A própria CRP tem como critério
e medida a capacidade contributiva, o que nos reporta ao elemento teleológico ou finalista do
conceito de imposto (atras abordado). Os impostos fiscais têm esta finalidade de obtenção de
receita, já os impostos extrafiscais têm outras finalidades, têm objetivos de natureza
económica e social. Ex: impostos para evitar a poluição.

Fontes do direito fiscal

O direito dos impostos está moldado pela constituição fiscal, ou seja, por um conjunto de
princípios jurídico constitucionais disciplinares quer de “quem”, “como”, “quando” tributar
(limites à tributação de caracter formal), quer do “que” e do “quanto” tributar (limites À
tributação de caracter material).

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Ao nível dos limites de caracter formal releva o princípio da legalidade fiscal, o princípio da
segurança jurídica e a proibição do referendo fiscal.

Ao nível dos limites de caracter de caracter material releva o princípio da igualdade fiscal, a
consideração fiscal da família, o respeito pelos direitos fundamentais e o princípio do estado
social.

O que é fonte de direito fiscal das normas fiscais?

Há normas jurídicas fiscais relativamente a matérias diferentes. Numa ponta as normas de


incidência (onde a lei define os factos tributários e os sujeitos passivos) e noutra ponta as
normas de cobrança ou pagamento.

Quais são as fontes dessas normas fiscais?

Há normas que regulam essas matérias mais relevantes que outras. Uma norma que fixe o
âmbito da obrigação do sujeito passivo (tributar todos os rendimentos) têm a mesma
dignidade que as normas que fixe a forma de pagamento (dinheiro, transferência)? É mais
grave em termos do interesse do contribuinte definir o novo facto tributário Art.15º do que
alterar as regras sobre a cobrança.

Ponto 9 do livro. (pag.131)

Os ADT (acordos de dupla tributação) eles são acordos de eliminação da dupla tributação.

Pode haver acordos destes entre mais do que dois estados? Podem, mas de acordo com a
convenção modelo da OCDE que é uma convenção quadro, tendem a ser bilaterais, mas nada
impede que sejam multilaterais.

As fontes de direito interno vai haver a questão da concorrência do direito internacional e


nacional. Quando vimos as questões de incidência e pusemos hipóteses se pessoas com
rendimentos obtidos noutros estados e esquecemos que pode haver acordos para eliminar a
dupla tributação. Se houver uma convenção ela prevalece sobre o que está estabelecido sobre
o código do IRS.

Limites à tributação de caracter formal:

“Do quem” – neste quem estão as pessoas que têm capacidade contributiva.

“Como” – como vai pagar

“Quando” – aplicação no tempo e retroatividade dos impostos, conformado CRP

Relevância do princípio da legalidade fiscal, segurança jurídica e proibição do referendo


fiscal.

Limites à tributação de caracter material:

“O que” – matéria coletável, quando falamos da incidência real e pessoal usa-se uma
expressão não técnica dissemos que são as que determinam o que é tributado e no pessoal
quem é que é tributado.

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“Quanto”

Tem relevância devido à reserva legal da criação do imposto, ou seja, a CRP vai determinar
a quem compete a criação do imposto. Resulta da CRP a autoimposição do imposto, isto
significa que os impostos têm de ser aceites pelos contribuintes, é a ideia de Auto
consentimento ou Auto tributação. Esta ideia de autoimposição desdobra-se em 2 pontos:
votação anual dos impostos (todos os anos são renovados) e a exigência de criação através de
lei dos impostos.

Princípio da legalidade

O princípio da legalidade desdobra-se em dois: princípio da reserva legal material e formal.

Formal – temos de ter em conta que os elementos essências do imposto previsto do 103º/2
da CRP são aqueles sobre os quais este princípio incide uma vez que só haverá intervenção
parlamentar para fixar ou para criar o imposto se se verificarem um destes elementos. De
acordo com o art.165º/1, i), 1ª parte da CRP a AR quando tem competência para legislar sobre
o imposto poderá autorizar o governo a proceder a essa legislação, consiste numa delegação
de competência. Temos de ter em conta que o governo quando tiver autorização para legislar
só pode fazer por decreto-lei. O Ministro das finanças não tem capacidade para legislar sobre o
imposto uma vez que utiliza um regulamento.

Outras matérias dos impostos que não sejam discriminadas no Art.103º/2 da CRP como por
exemplo os prazos ou os modos de pagamento não serão fixadas por reserva legal
parlamentar.

Quanto ao princípio da reserva legal material – este traduz-se no princípio da tipicidade


mais precisamente a norma deve-se encontrar completa desde logo referindo os elementos
essenciais nela abordados isto para que a pessoa que está a ler ou interpretar a norma possa
fazê-lo sem qualquer dificuldade.

Liquidação e a cobrança do imposto

Art.103º/3 da CRP e deve-se ter em conta o Art.8º/2, a) da LGT estes dois artigos levam a
conclusão de que a liquidação e a cobrança dos impostos não podem ser disciplinadas por
regulamentos. Há, no entanto, uma exceção: regulamentos das autarquias locais que podem
versar sobre a matéria essencial dos impostos.

Quanto a liquidação e a cobrança o governo não precisa de autorização da AR para legislar,


no entanto, verifica-se aqui a existência de um limite. Tais medidas devem ser reguladas por
ato legislativo, não podem ser por regulamento ou portaria.

Dentro deste princípio importa o princípio da praticabilidade

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Significa que por razoes de justiça é permitido ao legislador, entre outras coisas usar
conceitos indeterminados. Ex: Art.2º/4 do CIVA

Princípio da segurança jurídica

É um princípio incito num estado de direito democrático Art.2º CRP. Impõem-se


essencialmente ao legislador. Limitando e edição de normas retroativas desfavoráveis e
limitando a livre revogabilidade e a alterabilidade das leis fiscais favoráveis.

É possível dizer que o primeiro vetor do princípio da segurança jurídica está desativado
devido ao princípio da não retroatividade do Art.103º/3 da CRP.

Até à revisão de 1997 não havia uma redação relativa à não retroatividade, mas isso queria
dizer que se aceitava a retroatividade? E a proibição da retroatividade que surgiu em 1997 é
uma retroatividade total? O princípio da segurança jurídica vem resolver estes problemas,
chega-se à ideia de retroatividade verdadeira ou própria, sendo necessário distinguir os seus
vários graus de retroatividade.

Acórdão 128/2009 e 399/2010 do tribunal constitucional – o TC tem afunilado a não


retroatividade do Art.103º/3 da CRP (nível constitucional). Não é uma proibição da
retroatividade total, existem casos de retroatividade proibida e casos em que não o é.

Art.12º da LGT (nível legal) – é a eficácia temporal da lei fiscal que aborda a retroatividade.
Deve-se atender ao ponto 21.1. do livro

O que limita o legislador ordinário é a CRP – o nível constitucional.

O Art.12º da LGT tem por destinatários os aplicadores das normas (juízes, particulares,
administração, etc.).

Retroatividade do 1º grau: retroatividade própria, autêntica ou verdadeira é a proibida pela


CRP pois já se verificou o facto e já se procedeu à liquidação e à cobrança.

Retroatividade do 2º grau: retroatividade imprópria ou inautêntica – já se verificou o facto,


mas não foi feita a liquidação e a cobrança, noa é proibida pela CRP.

Retroatividade do 3º grau: retrospetividade - o facto tributário não ocorreu ao obrigo total


da lei antiga, continua a sua verificação na lei nova.

Princípio da proibição do referendo fiscal

A preocupação em proibir o referendo fiscal foi tao grande que levou o constituinte a
proibi-lo duas vezes do Art.115º/4, b) da CRP, proibindo-o enquanto matéria tributária e
enquanto matéria financeira (onde está incluída a matéria tributária).

Não defendemos que se submeta a referendo o facto de os contribuintes querem ou não


pagar impostos. Esta questão deve ser decidia pela constituição ao consagrar um estado fiscal.

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A maioria dos argumentos contra o referendo fiscal podem servir igualmente contra a regra
“um homem um voto”, ou seja, contra o princípio da universalidade do voto.

Casalta Nabais defende que o referendo fiscal não deve ser excluído absolutamente, pois
pode vir a ser um instrumento que altere para melhor o atual estado fiscal (“domesticação” do
estado fiscal).

O estado deve ou não cobrar impostos? Não. Punha em causa se o estado é ou não um
estado fiscal. Seria a negação do estado. Nesta medida o livro faz uma “proibição” do
referendo fiscal nos princípios anteriores.

Cabe ao estado fiscal pagar a conta do estado social.

Principal fonte de rendimento que não é deslocalizável são os imoveis.

Princípio da legalidade tem raízes.

Princípio da igualdade fiscal

Não há um princípio da igualdade fiscal expresso na lei, este decorre do princípio geral de
igualdade presente no Art.13º da CRP.

Surge na época pré-revolução Francesa, tendo 2 vertentes:

1. Generalidade ou universalidade – todos devem pagar impostos;

2. Uniformidade – o pagamento dos impostos deve ser feito segundo um critério uniforme.
É assumido o critério da capacidade contributiva, o que implica igual imposto para os que
dispõem de igual capacidade contributiva (igualdade fiscal horizontal) e diferente imposto para
os que dispõem de diferente capacidade contributiva, mas o pagamento do imposto deve ser
feito de forma proporcional a essas diferenças (igualdade fiscal vertical). Neste segundo caso, a
proporcionalidade encontra o seu fundamento no princípio do estado social, essencialmente
de acordo com a distribuição dos rendimentos e não encontra esse fundamento no princípio
da igualdade.

A capacidade contributiva constituiu pressuposto (exige de todos os tributos, onde se inclui


os impostos extrafiscais, excluem da tributação um valor mínimo existencial, designado de
máximo confiscatório – Art.70º do CIRS) e critério (a capacidade contributiva rejeita que os
impostos por si ou em conjunto tenham por base outro critério) da tributação dos impostos
fiscais.

Nos impostos sobre o rendimento, releva o princípio da capacidade contributiva que


assume um conceito de rendimento mais amplo (rendimento-acréscimo) o princípio do
rendimento líquido e o princípio do rendimento disponível.

Princípio do rendimento líquido: impõem que a cada categoria de rendimento sejam


deduzidas as despesas para a sua obtenção.

Princípio do rendimento disponível: impõem que à soma dos rendimentos líquidos sejam
abatidas as despesas privadas, sejam as imprescindíveis à própria existência do contribuinte

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(mínimo de existência individual), sejam as necessárias à subsistência do casal e sua família
(mínimo de existência conjugal ou familiar). Este princípio tem expressão no Art.104º/1 da
CRP, bem como no Art.6º/1 da LGT.

Princípio da consideração fiscal da família

Visa essencialmente proibir a discriminação negativa da família – Art.67º/2, f) e 104º/1 da


CRP.

Pode ser feita por duas vias:

1º. Via da forma da tributação – foca-se na unidade fiscal (família ou indivíduo), a


discriminação desfavorável da família não constituiu efeito necessário ou exclusivo da
tributação conjunta, já que pode ser neutralizada pela tributação separada dos casais com
filhos face a casais sem filhos. A exigência constitucional do imposto sobre o rendimento ter
em conta encargos e rendimentos do agregado familiar não impõem a tributação conjunta da
família. Como tal, a solução da reforma do IRS acabou com a obrigatoriedade da tributação
conjunta.

2º. Via da substância da tributação – foca-se no “quantum” da tributação, implica a mesma


tutela jurídico-fiscal da família, de modo a evitar que as pessoas passem a pagar mais impostos
pelo simples facto de constituírem família. Impõem a consideração dos encargos em sede do
imposto sobre o rendimento, assente numa tributação conjunta ou separada o que implica a
não tributação ou intangibilidade fiscal no mínimo de existência conjugal ou familiar e a
dedução dos encargos com o sustento e educação dos dependentes.

A recente reforma do IRS introduziu a reforma da tributação separada, embora, com a


possibilidade de opção pela tributação conjunta por parte dos cônjuges e unidos de facto, nos
termos do Art.13º bem como do quociente familiar como consta no Art.69º do CIRS, tenham
vindo a por termo à situação discriminatória em que se encontravam casados.

Respeito pelos direitos, liberdade e garantias fundamentais.

O direito dos impostos não está imune à influência dos direitos fundamentais é em
homenagem a esses direitos que algumas constituições estabelecem imunidades fiscais que
alargam o conteúdo constitucional desses direitos.

A ideia de intangibilidade da dignidade humana que dá sentido aos direitos fundamentais,


constitui barreira aos impostos, exigindo que não seja posto em causa um mínimo de meios
indispensáveis a essa dignidade, o que nos remete para o Art.70º do CIRS.

Os impostos, enquanto manifestações de um dever fundamental, não podem desfigurar


esses direitos com base nos preceitos constitucionais sob pena de terem um conteúdo “sob
reserva da lei fiscal” ao invés de “nos termos da constituição”.

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Princípio do estado social

Estado Social = Estado Robim dos Bosques. O Estado não é liberal, este quer intervir
corrigindo desigualdades e dirigir o comportamento dos cidadãos.

O Art. 81º, b) do CRP diz que o Estado deve assumir a tarefa de diminuir as desigualdades,
corrigir a injustiça na distribuição do rendimento e que o sistema fiscal é um instrumento de
correção das desigualdades (objetivo da igualdade social).

Este princípio considera desejável um nivelamento do cidadão.

O Art. 103º/1 da CRP diz expressamente que cabe ao sistema fiscal uma função
redistributiva do rendimento e da riqueza, isto é, o sistema fiscal deve corrigir essa distribuição
do rendimento e da riqueza, usando o imposto para que quem obtém mais rendimento e, por
conseguinte, mais riqueza contribua mais.

O Art. 104º/1 da CRP concretiza esse objetivo da correção da injustiça na distribuição do


rendimento e da riqueza com a utilização de impostos progressivos. (quanto mais ganha mais
paga)

Assim sendo, conjugando o Art. 81º, b), 103º/1, 104º/1 da CRP verifica-se que é de a
incumbência do Estado usar os impostos para tributar mais aqueles que têm níveis mais
elevados de rendimento e riqueza, para por essa via conseguir realizar mais prestações sociais
– verifica-se aqui a situação em que o princípio do estado social que conflitua com o princípio
da igualdade fiscal.

1ª fonte – CRP (falamos antes)


2ª fonte – direito comunitário fiscal ou direito fiscal europeu
Existência de um direito fiscal europeu: o direito fiscal europeu próprio - um sector do
direito financeiro europeu que disciplina, por um lado, os impostos comunitários ou os
impostos comunitários europeus; o direito fiscal europeu interestadual - disciplina alguns
aspetos dos impostos estaduais para os quais a Comunidade exige harmonização.
Direito fiscal europeu próprio
Impostos europeus - a disciplina europeia nem sempre é integral. Embora se trate de
impostos europeus, cuja gestão ou administração é da titularidade da UE, o exercício dessa
gestão ou administração continua nas mãos das administrações aduaneiras dos Estados, logo
estes não deixam de ter alguma competência normativa nesta sede.
Direito fiscal europeu interestadual ou direito de harmonização fiscal
Pode apresentar diversos graus ou níveis de concretização e pode ser levada a cabo através
de diversas vias ou formas. Verifica-se não apenas relativamente à tributação do consumo
(onde atinge o seu nível mais elevado), mas também no que diz respeito à tributação direta.
Tem especial importância na sede deste direito, a disciplina dirigida a evitar a dupla
tributação e a evasão fiscal - direito fiscal europeu internacional.

Em suma: este pode ser próprio (incide sobre impostos próprios da UE; Ex: pauta aduaneira
comum.) ou interestadual (releva nas relações entre estados, especialmente determinando

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impostos através de diretivas; também existe ao nível dos rendimentos das pessoas coletivas;
Ex: IVA).

3ª fonte – convenções internacionais


Liga-se ao ponto 21.2 do livro, referente à eficácia espacial da lei fiscal que tem haver com a
dupla tributação internacional.
Podem os estados nada fazer e cada um tributa um imposto, havendo dupla tributação,
mas, em regra, para evitar essa situação, reparte-se a competência de tributação entre
estados através de uma convenção internacional.

Crédito de imposto por dupla tributação internacional


Não se afasta a dupla tributação, mas o imposto do país residente faz dedução ao imposto
tributado no país estrangeiro.

As convenções internacionais são fonte de direito fiscal – os tratados e acordos em matéria


fiscal para evitar a dupla tributação ou lutar contra a evasão e fraude fiscais, mas também
tratados internacionais com repercussões fiscais (ex: Concordata da Santa Fé)

Convenções:
 de dupla tributação (CDT) – têm também presente a luta contra a evasão e
fraude fiscal. São baseadas no Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e no
Património na OCDE.
 Acordos de troca de informação (ATI) – assentes também num Modelo de
Convenção da OCDE tendo tido um desenvolvimento extraordinário nos últimos anos.

IRS
É um imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (residentes em território nacional
que são tributadas pela totalidade dos seus rendimentos, incluindo os obtidos fora de
Portugal, segundo o princípio da universalidade – World Wide Income Principle – e não
residentes que são tributados pelos rendimentos obtidos em Portugal).
Art.104º da CRP é o rendimento da pessoa singular física, o qual é único e progressivo,
atendendo a necessidades e rendimentos do agregado familiar.
Decreto-lei 442-A/88 de 30 de novembro – manifesta a coatividade do IRS.
Rendimento - noções fiscais:
• rendimento em sentido estrito - é um acréscimo em bens obtidos durante o período a
título de contribuição para a atividade produtiva. É o que é adquirido sob a forma de salários,
juros, rendas ou lucros. E como a soma destes rendimentos individuais corresponde ao valor
dos produtos, temos aqui o rendimento-produto.
• rendimento em sentido lato - é qualquer acréscimo em bens obtidos durante o período
e que podem ser utilizados sem dano do património inicial. Pode ser heranças, ganhos e lucros
de jogos (ex: totoloto), mais-valias e pensões. Este rendimento engloba o rendimento-produto
e outros acréscimos patrimoniais. Trata-se do rendimento-acréscimo.
O rendimento que se diz ser índice da capacidade tributária é o rendimento-acréscimo.
Contudo, tanto o rendimento-produto como o rendimento-acréscimo são líquidos.

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O rendimento pode ser obtido em dinheiro (monetário) ou pode ser obtido em bens
(espécie). Todavia, estes últimos, muitas vezes, não são tributáveis, porque o fisco não se
apercebe da sua existência, por exemplo. Por outro lado, o rendimento pode ser constante ou
variável, regular ou irregular. Nos casos em que o rendimento é irregular, por norma, os
contribuintes pagam mais imposto, podendo gerar-se desigualdades.

Decreto-lei 442/88 de 30/11 - aprovou o Código do IRS.


Art. 2º - decreta a data em que entrou em vigor o Código do IRS (1/1/1989).
Art. 3º - impostos abolidos/revogados.
A seguir ao Decreto-lei, vem o preâmbulo e só depois é que vem o Código do IRS.
Ponto 5 do preâmbulo - rendimento-produto (critério da fonte) e rendimento-
acréscimo.
Art. 3º Decreto-lei 442/88 - podemos encontrar impostos parcelares ou cedulares;
impostos parcelares ou cedulares e impostos complementares; e impostos únicos.

Impostos abolidos - Art. 3º do Decreto-lei 442/88:


• impostos profissionais
• impostos capitais
• contribuições de indústria
• contribuição predial
• impostos sobre indústria agrícola
• imposto complementar
• imposto de mais-valias

Em todos esses, excetuando as mais-valias, tributam-se os rendimentos: salários, rendas,


lucros e juros. No último tributa-se o rendimento patrimonial que não resulta da atividade
produtiva.
Agora só se tributam 6 categorias de impostos, antes eram 9 categorias.
As 9 eram:
• categoria A - rendimento do trabalho dependente
• categoria B - rendimento do trabalho independente
• categoria C - rendimentos comerciais e industriais
• categoria D – rendimentos agrícolas
• categoria E - rendimentos capitais
• categoria F - rendimentos prediais
• categoria G - mais-valias
• categoria H - pensões
• categoria I - outros rendimentos (jogos e concursos)

Atualmente, com as 6 categorias referidas no Art.1º do CIRS, afastou-se as categorias C, D e


I.
• categoria A e B - salários
• categoria C e D - rendas
• categoria E - lucros
• categoria F – juros

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Atualmente - Art.2º a 12º do CIRS:
• categoria A - manteve-se como estava anteriormente.
• categoria B - passou a denominar-se rendimentos patrimoniais e profissionais.
• categoria C e D - fundiram-se na categoria B.
• categoria E - manteve-se.
• categoria F - manteve-se.
• categoria G - passou a denominar-se incrementos patrimoniais (englobam as mais-
valias, entre outros, inicialmente os jogos e concursos inseriam-se aqui, mas passaram a ser
tributados no imposto de selo).
• categoria H - manteve-se.
• categoria I – desapareceu.

O Art. 8º/1 CIRS reflete o momento dos factos geradores de imposto, os factos tributários,
neste caso, o rendimento.
Também se tem de fixar quem são os sujeitos, em especial os sujeitos passivos, assim
sendo, tendo em conta que o 1º momento estava referido nos Art.2º a 12º CIRS, recorre-se
aos Art.13º a 21º do CIRS.
O sujeito ativo não é referido no Código, mas este é o Estado, uma vez que é a entidade
que cobra o imposto.
O sujeito passivo, em regra, é o contribuinte, mas pode haver outros sujeitos (Ex: alguém
obrigado à prestação por sucessão mortis causa; alguém que tenha responsabilidade fiscal
relativa a sociedades comerciais - gerente).
Art. 5º/2, h) do CIRS - se a sociedade tem o lucro, a distribuição do lucro pelos sócios será
tributada como categoria E. O lucro é tributado em IRS à sociedade. O sócio, em posição
singular, pode ser tributado nessa sua parcela de lucro se exercer a atividade em nome
próprio, a título individual (Ex: numa mercearia, o proprietário do negócio compra bens para
vender, é a categoria B – Art.3º/1, a) CIRS).
Art. 1º a 11º + 12º do CIRS - incidência real.
Art. 2-A e 12º CIRS - são normas de delimitação negativa da incidência. Não são tributados,
então pergunta-se se são isenções? A resposta é não, não serão verdadeiras isenções, mas sim
situações de não incidência ou não sujeição.

Determinação do rendimento (matéria) coletável


Art.22.º e seguintes do CIRS.
É necessário ter em conta o Art.1º/1 do CIRS o qual refere deduções e abatimento ao
rendimento.
Definição de rendimento - é o acréscimo patrimonial líquido ocorrido durante um período
acrescido do consumo. Como tal é necessário ter em conta as despesas que o sujeito passivo
teve.
Em rigor o IRS apenas é pessoal para os residentes.
Art.22º/1 do CIRS- regra do englobamento.
Art.22º/3, a) e b) do CIRS – exceções à regra do englobamento. São as deduções e os
abatimentos que vão tornar os rendimentos brutos em rendimentos líquidos.

26
As deduções fazem-se individualmente a cada imposto, daí se designarem deduções
especificais - Art.22º/1 do CIRS "...deduções..." Art.25.º a 54.º do CIRS (cat. A a H).
Havendo perdas aplica-se o Art.55º do CIRS (benefício das perdas).
Aos rendimentos em que se vai aplicar a regra geral do englobamento Art.22.º/1 do CIRS
aplicam-se as taxas progressivas do Art.68º do CIRS. Aos rendimentos em que não se aplica o
englobamento vai-se aplicar as taxas especificas dos Art.71º e 72º do CIRS.
N.º 3, a) não residentes
Nº 3, b) residentes. Dos Art.71.º e 72.º do CIRS

Em algumas categorias é possível com as deduções o rendimento fique negativo. O caso


mais usual é o do rendimento predial.
Art.12º-A do CIRS – regime especial aplicável a ex-residentes. É o retorno de imigrantes.
Exclui-se da tributação parte dos seus rendimentos das categorias A e B.
Art.25º, 26º e 27º do CIRS – categoria A (deduções especificas), é feita uma dedução de 4
104€.
Art.28º e ss do CIRS – categoria B.
Art.40º e ss do CIRS – categoria E (não há deduções especificas).
Art.40º-A do CIRS – dupla tributação económica dos lucros distribuídos a sócios.
Art.41º do CIRS – categoria F (ex: prédio arrendado, em que fura um cano – despesas de
conservação e manutenção).
Art.42º do CIRS – categoria G (não há deduções especificas).
Art.53º do CIRS – categoria H. Há a dedução de 4 104€.

Dedução da categoria A
Não permite fazer deduções de despesas em concreto. A única dedução é de 4 104€ (ex:
despesas com combustível, aquisição de materiais, etc… não é dedutível).
Em algumas categorias, após as deduções, o rendimento pode dar negativo. Tal é frequente
nos rendimentos da categoria F.
Art.55º do CIRS – dedução das perdas: vai ser redutível aos rendimentos da mesma
categoria (o valor negativo pode ser reportado aos 6 anos seguintes). Antes de 2015, haveria
comunicabilidade entre as categorias, pelo que se fazia a compensação. Agora não há
comunicabilidade das perdas.
Art.25º/1, a) do CIRS – Ex: o contribuinte tem um rendimento de salários de 6 000€, o
rendimento líquido é de 1 896€; se o rendimento dos salários for 4 000€ no que toca a
rendimento líquido, só iremos deduzir 4 000€, ou seja, não há dedução (“até à sua
concorrência”).
Art.25º/1, b) do CIRS – outras deduções que se podem fazer (ex: quotizações sindicais –
alínea c); rescisão unilateral do contrato – indeminização).
Art.25º/2 do CIRS – contribuições para a segurança de 6 000€, pode haver a dedução desse
valor.
Tudo isto aplica-se à categoria H.

Dedução da categoria E
Art.40º do CIRS - presunção de rendimentos se tivesse havido empréstimo.
Art.40º-A do CIRS – os rendimentos de capitais estão sujeitos ao englobamento?

27
Art.22º/3, b) e 71º/1, a) do CIRS – quanto aos lucros distribuídos aos sócios. Portanto não
haverá englobamento. Eventualmente, também podem ser tributados pelo Art.72º/1, d) do
CIRS (se não houver retenção na fonte). Porem, o contribuinte tem a opção de englobar.
Considerados em apenas 50% do valor. Distribuídos os lucros pela sociedade, com sede em
Portugal – 50% dos lucros que optou por englobar.
Lucros = 10 000€, 50% = 5 000€. A sociedade vai fazer ainda assim a retenção na fonte de
28%, contudo, este valor vai ser deduzido à coleta.

(não sei em que parte da matéria se insere)


Se estamos perante um imposto único sobre o rendimento, este verifica-se no final do ano
civil para concluir se há acréscimo. O rendimento coletável será o apurado depois do
englobamento e depois de feitas as devidas deduções.
Nunca há perdas nas categorias A, E (pois não há deduções), G (exceto nas mais-valias) e H.
Sobra-nos a categoria B, F, e G – quanto as mais valias, pode acontecer que haja menos
valias (haver uma perda).
- por exemplo:
• Alienação onerosa de um imóvel em que temos uma menos valia – Cat. G
• Um imóvel arrendado em que existiram despesas de conservação – Cat. F
• No sistema contabilístico da Cat. B, podem existir perdas, mas não no sistema
simplificado.
Ponto 14 do preambulo - em teoria, o imposto único implicaria a soma dos rendimentos,
incluindo as perdas existentes. Esta era a logica pura, só se concebe que haja perdas nas
categorias B, F e G (quanto às mais-valias). O Art.55º do CIRS consagra o princípio da
comunicabilidade, excluía a comunicabilidade das perdas e só permitia a consideração das
perdas dentro da mesma categoria para os anos seguintes. O legislador acabou com esse
regime e anunciou o regime de reporte de perdas como se apresenta atualmente o Art.55º do
CIRS.
E houver rendas de 6.000€ e houvesse perdas de 30.000€, haveria um saldo negativo e
como tal não pode haver tributação.

Dedução da Categoria B – Art.28º ss do CIRS


Para os rendimentos empresariais e profissionais, foi instituído o regime atual e que diz que
para se calcular o rendimento líquido.
1- Regime simplificado;
2- Com base na contabilidade.

Nos termos do Art.28º/2 do CIRS se no ano seguinte não ultrapassar os 200.000€, aplica-se
o regime simplificado. Se ultrapassar, aplica-se o regime da contabilidade, mas se estivermos
no regime da contabilidade e o valor for superior a 200 000€, será dada a opção de escolha dos
regimes ao sujeito – Art.28º/3 do CIRS.
O Art.28º do CIRS deve ligar-se ao Art.31º do CIRS
O nº3 permite que o sujeito passivo possa optar pelo regime.
• Ex: se ligarmos o 28 ao 31º, a determinação do rendimento líquido tributável, obtém-
se através dos seguintes quocientes:
Alíneas do 31/1

28
a) 0,5
b) 0,75 (tabela 151º)

Dedução da categoria F – Art.41º do CIRS


Exceções – gastos de natureza financeira (juros de um empréstimo que a pessoa tenha
feito, exemplo: para pagar o prédio), gastos com mobiliário, depreciações, bem como do
adicional ao IMI (AIMI) – não é dedutível.
A quota do condomínio seria dedutível por exemplo. O IMI também é dedutível, bem como
o imposto de selo. Se o inclino puder sublocar o prédio, este não beneficia de deduções. Obras
de conservação e manutenção do prédio antes do arrendamento do prédio (porque durante o
arrendamento é obvio que serão dedutíveis), pois são somente dedutíveis se pagas nos 24
meses anteriores ao arrendamento. Todavia, durante esse período só pode haver o
arrendamento (ex: o dono não pode fazer do prédio a sua habitação e depois arrendá-la).
Podem ser deduzidos os encargos que se têm com o imóvel, excecionando os gastos de
natureza financeira (ex: juros com obras), depreciações, mobiliários, eletrodomésticos, etc… O
Art.41º do CIRS parece ser uma cláusula especial anti abuso.
Ponto 14 do preâmbulo - está consagrado o princípio da comunicabilidade das perdas,
porém existiam muitas exceções, como tal, com a renovação do CIRS, o legislador optou pelo
regime do reporte de perdas dentro da mesma categoria para os 6 anos seguintes – Art.55º do
CIRS.

Dedução da categoria G - Art.42º e ss do CIRS: não existem deduções, exceto nas mais-
valias – Art.43º do CIRS.
Art.10º/1 e 4 CIRS - é necessário tê-lo em conta para as deduções da categoria G.
Art.43º/2, b) CIRS - anteriormente só existia a alínea b), a alínea a) agora serve para
situações excecionais (não é muito relevante). A situação mais comum é a da alínea b), depois
de calculada a mais-valia, só será englobado 50% da mais-valia.
Se a aquisição do imóvel foi anterior à entrada em vigor do CIRS (1/1/1989), a mais-valia
não estará sujeita a dedução - Art.5º Decreto-lei 442-A/88 de 30 de novembro.

Interpretação, integração e eficácia do direito fiscal


O Art.11 LGT remete para o Art.10 Estatuto dos Benefícios Fiscais, o qual já surge enquanto
interpretação e integração.
Art. 11 nº4 LGT - a matéria da reserva da lei da Assembleia da República são os elementos
essenciais do imposto do Art.103 nº2 CRP.
Qual é o bem jurídico-constitucional que se visa tutelar ou proteger com a proibição da
analogia? Decorre, primeiramente, do princípio da legalidade e em nome do princípio da
segurança jurídica. Esses princípios devem ser conjugados com outros bens jurídico-
constitucionais, desde logo, o princípio da igualdade fiscal. Esta proibição da integração de
lacunas através da analogia não se dirige ao legislador, mas sim aos aplicadores da lei, uma vez
que estamos no plano legal e não no constitucional.
Casalta Nabais critica o Art.11º/3 da LGT pois entende que o mesmo contraria o seu nº1. O
prof critica o facto da epigrafe de o artigo dizer interpretação e o nº4 dizer integração. Entende
que a epigrafe deveria ser ao invés intitulada de interpretação e integração.

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Cláusulas anti abuso: Art.38 nº2 LGT - é uma cláusula geral, existindo um procedimento
próprio. Exemplo disto será a dedução da categoria F - Art. 41 CIRS que desconsidera o gasto
em eletrodomésticos, mobiliários, etc… para evitar o abuso.
Eficácia das normas jurídico-fiscais: existe a eficácia temporal e a eficácia espacial. Quanto à
temporal, colocam-se 3 problemas: o início da vigência, a cessação e a sucessão das normas
(aqui levanta-se a questão da não retroatividade).
Quanto à espacial, rege-se pelo princípio da territorialidade. O legislador desconsidera a
nacionalidade e opta pelo critério da residência. Aqui releva a incidência pessoal e real. Art. 13
LGT - refere-se à aplicação da lei no espaço.

Relação jurídica fiscal


Apoia-se numa relação jurídica obrigacional com um credor e um devedor.
Garantias dos créditos Art.50º LGT.
Extinção da relação jurídica através do cumprimento da prestação – Art.40 e ss da LGT. A
mais comum é o pagamento, mas existem outras formas.
Transmissão da obrigação fiscal – Art.29 da LGT. Refere o lado ativo e o aldo passivo. Os
créditos e as dividas são insuscetíveis de transmissão. Do lado passivo temos o Art.29º/2
segundo o qual a obrigação tributária pode ser originária ou subsidiaria.

Relação jurídica fiscal complexa


A relação jurídica fiscal strictu sensu assenta na relação jurídica obrigacional, do lado
passivo podem aparecer sujeitos passivos que não são necessariamente o contribuinte a
relação é simples quando tenhamos um credor do lado ativo e um devedor do lado passivo,
existindo uma obrigação pecuniária.
Do lado ativo encontramos diversos conceitos por isso é que se torna a relação complexa:
poder tributário strictu sensu (estado legislador), titulares da capacidade tributária ativa
(credor), e titulares da competência tributaria (autoridade tributaria).
Do lado passivo encontramos o contribuinte, os substitutos, os retentores, os responsáveis
fiscais, os sucessores, os suportadores económicos dos impostos e os sujeitos passivos das
múltiplas obrigações acessórias.

Substituição tributária
Art.20º da LGT – a prestação tributaria exige-se a outra pessoa que não o contribuinte.
Ocorre em situações de retenção na fonte Art.34º da LGT.
Art.19º da LGT – domínio fiscal.

Situações de responsabilidade fiscal


Art.24º e ss da LGT.
O Art.28º da LGT remete para o Art.20º da LGT que por sua vez remete para o Art.98º e ss
do CIRS.
Casalta nabais critica o Art.20º da LGT pois no nº1 não está diretamente prevista a retenção
na fonte e parece no seu nº2 circunscrever-se a substituição direta à retenção na fonte.

Conceito de contribuinte e conceito de sujeito passivo


Art.18º/3 e 4 da LGT. Casalta Nabais critica o nº3.

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Pagamento por conta – Art.33º LGT que remete para o Art.102 do CIRS.
Art.21º da LGT – solidariedade passiva.
Art.22º e 23º da LGT – responsabilidade tributaria.
Art.22º da LGT – refere o próprio devedor e aquilo que ele tem de prestar, mas a
verdadeira responsabilidade tributaria é aquela em que, para além do devedor originário,
existem devedores que são terceiros e que têm igualmente responsabilidade.
Art.23º da LGT – consagra o regime da responsabilidade subsidiaria e remete para o
Art.159º e 160º do CIRS.
Art.24º da LGT - Casalta Nabais chama à atenção da diferença entre a alínea a) e b) do nº1
que têm haver com a prova de culpa. Na alínea a) o gerente, administrador ou diretor é
responsável pelas dívidas, onde haja culpa sua pelo património da empresa não ser suficiente
para o pagamento da dívida. Na alínea b) o sujeito passivo é responsável pelas dívidas, cujo
prazo de pagamento tenha terminado durante o exercício do seu cargo, mas não há culpa da
sua parte. Existe aqui um sistema duplo, dependendo do momento em que se exerce funções,
em que surge o facto tributário e em que se dá a necessidade de pagamento, o regime poderá
ser diferente. Releva também a culpa do agente, sendo que na alínea b) há uma presunção de
culpa, o sujeito tem de provar que não tem culpa.
Art.28º da LGT - é a responsabilidade do substituído, exceto nos casos em que o valor é
retido e não entregue ao Estado, sem responsabilidade do substituído. Porém, o substituído
poderá ser responsabilizado pela diferença do que deveria ter sido retido e do que foi retido
efetivamente (Ex: deveriam ter sido retido 200€, mas só foram retidos 150€, os 50€ de
diferença são recebidos pelo sujeito substituído e, como tal, ele será responsabilizado). O
substituto só é responsabilizado pelo que entregar a mais. Existem situações de retenção na
fonte com natureza de imposto ou pagamento por conta (natureza provisória) - Art.98 CIRS ou
natureza definitiva - Art.71º do CIRS. A retenção na fonte era regulamentada pelo Decreto-lei
41/91 de 2 de janeiro que foi revogado pela reforma do IRS de 2015 e incorporado no CIRS.
Art.99º do CIRS - retenção na fonte para as categorias A e H.
Art.101º do CIRS - retenção na fonte para as categorias B, E, F e G (exceto nas mais-valias,
onde não há retenção).

(não sei em que parte da matéria se insere)


Valor de realização - Art. 44 nº1 e 2 CIRS.
Valor de aquisição:
• a título gratuito - Art.45º do CIRS.
• a título oneroso - Art.46º (imóveis), 48º (partes sociais) e 49º (outros bens) do CIRS.
Correção monetária - 24 meses - Art.10º/1, a) e b) do CIRS quanto à correção do valor de
aquisição.
Despesas e encargos - Art.51º do CIRS.
Ao valor de aquisição acrescem os encargos de valorização, as despesas de
aquisição/alienação, etc…
Art. 50º do CIRS - remete para a Portaria nº 362/2019. Ex: 100 000€ em 2000 x 1,42
equivalem a 142 000€ em 2019.
A isso acrescem as despesas e encargos do Art.51º do CIRS. Ex: imagine-se que o valor de
alienação (compra inicial) é de 200 000€, o valor de aquisição é de 142 000€, sendo assim a

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diferença será 58 000€. Aos 200 000€ retira-se os 142 000€ acrescidos das despesas de, por
exemplo, 15 000€, o que dá 43 000€. Pelo Art.43º/2 do CIRS engloba-se 50% desse valor,
portanto, 21 500€.
Se a aquisição tiver sido anterior a 1989, já não se aplicará esta dedução, aplica-se o regime
transitório.
O Art.71º do CIRS é uma retenção na fonte a título definitivo. Então o devedor dos
rendimentos substitui-se ao contribuinte no dever de prestar o imposto. Há substituição
tributária – Art.20º da LGT e Art.21º do CIRS.
Art.73º do CIRS - tributa despesas e não rendimentos, são uma taxa de tributação
autónoma.

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