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Formação Avançada

PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOGERONTOLOGIA

Psicobiologia do Envelhecimento

Docente: Dr. Filipa Ribeiro


(Professora Auxiliar Convidada no ISPA, ULHT e Escola Superior do Alcoitão)

Discente:
MARIA DA GLÓRIA RAMIÃO CERQUEIRA
Nº25404

JAN 2018
Índice
Introdução ............................................................................................................................................... 2
Demência ................................................................................................................................................. 2
Mecanismos de regulação emocional.................................................................................................. 2
“Terapia com Boneca” ............................................................................................................................ 3
Bibliografia ................................................................................................................................................ 6
Webgrafia ................................................................................................................................................. 6

1
Introdução

Demência

Os sintomas comportamentais e psicológicos das demências constituem um


componente importante da demência e frequentemente afectam mais a vida da pessoa
e do prestador de cuidados do que os sintomas cognitivos. Estes sintomas podem, de
forma simplificada, serem agrupados em agitação, apatia, depressão, psicose e
perturbações do sono e devem ser tratados quando causam sofrimento ou são
perigosos para o doente e cuidadores (Overshott e Burns, 2006; Mendonça e Couto,
2012).

Na demência a capacidade funcional está comprometida e vai diminuindo


progressivamente à medida que a doença avança. Desta forma, os cuidados são
direcionados para a promoção da independência nos autocuidados, apoio à função
cognitiva, melhoria da comunicação, manutenção da segurança física, redução da
ansiedade e agitação, atendimento das necessidades de socialização e privacidade,
manutenção da nutrição adequada, controle dos distúrbios do padrão do sono e, ainda
para apoiar e educar os familiares ou cuidadores responsáveis (Smeltzer e Bare, 2002).

Mecanismos de regulação emocional

Stephens et al (2012), parecem concordar, que as experiências de perda, separação e


insegurança são provavelmente experimentadas, até certo ponto, pelas pessoas com
demência. Como explicado pela teoria de vinculação de Winnicott (1953), estes
sentimentos poderão evidenciar-se também nos mais velhos. Ainda se tivermos em
conta o mecanismo natural da regulação emocional e as subjacentes estratégias de
regulação enquanto abordagem preventiva no planejamento e selecção de situações
em que se enfrenta para evitar a ocorrência de emoções negativas e aumenta a
probabilidade para experimentar emoções positivas (Gross, J. 1998).

As variáveis psicossociais segundo a literatura cientifica, parecem estar


significativamente relacionadas a múltiplas dimensões da resiliência cognitiva no final
da vida. Especificamente, compensação de memória - a identificação e implementação
de mecanismos compensatórios que exigem aceder ao material mnésico da
experiencia – associada a características da personalidade, saúde, crenças e
expectativas.
2
Num âmbito de um investimento (qualquer que este seja), é fundamental ter em conta
o nível de recursos da pessoa (eg., personalidade/ os interesses) pois estes podem
facilitar (ou restringir) o seu potencial cognitivo, a resiliência e envelhecimento global
bem sucedido (Baltes & Lang, 1997; Ryff et al., 2001).

Salienta-se assim, como uma mais valia o investimento a longo prazo de planos de
compensação de memória, porque parecem evidenciar entre idosos saudáveis,
resultados que otimizam ou ajustam as exigências de memória diárias, assim como
parecem ser eficazes, para idosos que já apresentem declínio de memória.

É ainda forçoso reflectir, que a pessoa com demência, é também vítima do seu
comportamento, há uma razão fisiológica para esta alteração, a agitação e a
agressividade, na maior parte dos casos, não são intencionais, nem necessariamente
dirigidas a outros (Barreto, João 2005). Tendo em conta que todos os comportamentos
são formas de comunicação, a agitação e agressividade não escapam à regra e quando
se apresentam, representam um sentimento que deve ser trabalhado, é ainda uma
oportunidade para escutar e compreender a pessoa, que deverão sempre ser muito
bem analisadas.

“Terapia com Boneca”


Quiçá: Mecanismo compensatório e regulador de emoções

Ao nível da regulação do humor, desde há muito implicadas de múltiplas maneiras


como tendo um efeito adverso na saúde (Papciak As, et al. 1985), segundo algumas
evidências podem ser abordadas psicoterapeuticamente: encontrando meio propício à
expressão dos seus sentimentos, os pacientes podem aprender a reconhecer, a
designar e a lidar melhor com eles, desenvolvendo as suas aptidões interpessoais;
(Stroud L, et al. 1999) e assim beneficiando potencialmente a evolução do sofrimento
do paciente que procura auxílio quando dele necessita, enquanto se aumenta
igualmente a capacidade adaptativa às solicitações da doença (Pennebaker Jw, et al.
1987) , consequentemente melhorando a sua qualidade de vida relativa à saúde.

Na última década, tem vindo a ser introduzido o uso de bonecos como dispositivo
terapêutico para pessoas com demência. Este trabalho pretende reflectir sobre a práxis
da “terapia com boneca”, por forma a evidenciar a importância do uso da boneca como
um instrumento indutor de bem-estar do idoso com demência.

3
De um modo geral, os estudos descreveram os seguintes benefícios: Redução de
agitação e agressão; reduz a deambulação; aumenta o bem-estar; aumenta a
interacção com colaboradores e familiares; e redução o uso de drogas psicotrópicas.
Embora as vantagens pareçam superar as desvantagens, algumas desvantagens
observadas: parece que nem todos parecem quer envolver-se com uma boneca, e
ainda o olhar séptico dos colaboradores. No entanto parece que a terapia de boneca
para pessoas com demência tendo em conta que o uso sábio e consciente dos
bonecos, devido ao seu significado simbólico, melhora o bem-estar das pessoas com
demência.

Após análise de dados, Fraser e James identificaram e reflectiram os benefícios da


terapia de boneca: ao nível do vinculo, conforto e relacionamento interpessoal entre
outros. Foram ainda identificados quatro principais resultados: nesta interacção
permite-se iniciar e incentivar a comunicação, melhorar a concentração e nutrição, pode
actuar como um objecto de transição e proporcionar estimulação sensorial através da
actividade (Mackenzie, Wood-Mitchell & James 2006).

Deixo aqui como sugestão o visionamento deste vídeo:

Doll Dementia Therapy | Feeding baby Kirsty | Ronnie Gran


https://www.youtube.com/watch?time_continue=15&v=JsYlAsduIbA

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Ao nível da implementação segue-se um protocolo que serviu um projecto de
investigação:

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Bibliografia

• Baltes, M. M., & Lang, F. R. (1997). “Everyday functioning and successful


aging: The impact of resources.” Psychology and Aging, 12(3), 433-443.
• Barreto, João (2005). “Os sinais da doença e a sua evolução.” Em Castro-
Caldas, Alexandre e Mendonça, Alexandre (Ed.) A Doença de Alzheimer e outras
Demências em Portugal. Lisboa-Porto-Coimbra: Lidel.
• James I, Mackenzie L, Mukaetova-Ladinska E (2006) “Doll use in care homes
for people with dementia”. International Journal of Geriatric Psychiatry. 21, 11,
1093-1098.
• James J. Gross. (1998). “Antecedent –and response– focused emotion
regulation: Divergent consequences for experience, expression and
physiology”. Journal of Personality and Social Psychology, 74, 224-237
• Mitchell G, Templeton M (2014) Ethical considerations of doll therapy for people
with dementia. Nursing Ethics. Epub ahead of print, Feb 3.
• Santana, Isabel. (2012). “A Doença de Alzheimer e outras demências”.
Diagnóstico Diferencial. In Castro-Caldas, Alexandre; Mendonça, Alexandre – “A
Doença de Alzheimer e outras Demências em Portugal”. Lisboa: Lidel, 2012.
250p. ISBN 978-972-757-359-2.
• Overshott, Ross; Burns, Alistair . (2006) “Tratamento da demência”. In
FIRMINO, Horácio – Psicogeriatria. Coimbra: Psiquiatria Clínica,. 575p. ISBN
989-20-0314 4.
• Ryff, C. D., Kwan, C. M. L., & Singer, B. H. (2001). “Personality and aging:
Flourishing agendas and future challenges”. In J. E. Birren & K. W. Schaie
(Eds.), Handbook of the psychology of aging (5th ed., pp. 477– 499). San Diego,
CA: Academic Press.

Webgrafia
• https://www.researchgate.net/publication/262024248 (2014). “Use of doll
therapy for people with dementia: an overview”. Article in Nursing older
people · April. DOI: 10.7748/nop2014.04.26.4.24.e568 · Source: PubMed

6
• Stephens A, Cheston R, Gleeson K (2012) “An exploration into the
relationships people with dementia have with physical objects: an
ethnographic study”. Dementia 22 March [epub ahead of print]
• Stroud L, Salovey P, Epel E, Woolery A. (1999) “Effective meta-mood skills
are related to adaptive physiologic responses to chronic and acute stress”.
In Vingerhoets A, and Nyklícek (eds). 2nd International Conference on the
(Non)Expression of Emotions in Health and Disease — Abstracts 1999. Tilburg:
Tilburg University Press. pp 144-5
• Papciak As, Feuerstein M, Spiegel Ja. (1985). “Stress reactivity in alexithymia:
Decoupling of physiological and cognitive responses”. Journal of Human
stress- Taylor & Francis. 11: 135-42
• Pennebaker Jw, Hughes Cf, O’heeron Bc. (1987). “The psychophysiology of
confession: Linking inhibitory and psychosomatic processes”. J Pers Soc
Psychol. 52:781-93

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