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FACULDADE DE ALTA FLORESTA

FACULDADE DE DIREITO DE ALTA FLORESTA


CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

LUCIDALVA PIRES DA SILVA, MARIA DE FATIMA SANTOS


FERNANDES, RAQUEL MEDEIROS KUSTER ROSIANE LEITE
DO CARMO

A POLITICA NACIONAL DA REDE HUMANIZASUS

ALTA FLORESTA-MT
2018
6º Semestre
Docente: Enfª Flávia Alves de Oliveira Melo
Discentes:LUCIDALVA PIRES DA SILVA, MARIA DE FATIMA
SANTOS FERNANDES, RAQUEL MEDEIROS KUSTERROSIANE
LEITE DO CARMO.
Sumario
1- INTRODUÇÃO..........................................................................................................04

2- BREVE HISTÓRICO DA SAUDE NO BRASIL......................................................05

2.1- Política Nacional de Humanização..........................................................................06

3 –CONCLUSÃO...........................................................................................................08

4 - REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA...........................................................................09
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INTRODUÇÃO
A Política de Humanização da Atenção e da Gestão (PNH) é uma iniciativa
inovadora no Sistema único de Saúde (SUS), criada em 2003 (BRASIL, 2010, p. 06).
Conceição (2009, p. 195), considera que o objetivo principal da PNH é a mudança nos
modelos de atenção e gestão na saúde. A partir do reconhecimento de experiências
inovadoras e concretas que compõem um “SUS que dá certo” (MARTINS e LUZIO,
2017, p 14).
A PNH cumpre um papel modelador do arcabouço ideológico, teórico e
operacional nas organizações dos serviços de saúde na busca da humanização do
processo de produção do cuidado (MENEZES e SANTOS, 2017, p. 787). De acordo
com Moreira et al., (2015, p.3232), a humanização é associada à qualidade do cuidado,
que incluiria a valorização dos trabalhadores e o reconhecimento dos direitos dos
usuários.
Nesse sentido, Brasil (2010, p. 08) descreve que,

[...] Formar como estratégia de intervenção coletiva para a produção


de alterações nas condições de trabalho impõe que se utilizem
estratégias pedagógicas que superem a mera transmissão de
conhecimentos, pois não haveria um modo correto de fazer, senão
modos que, orientados por premissas éticas, políticas e clínicas,
devem ser recriados considerando especificidades de cada realidade,
instituição e equipe de saúde[...].

Desse modo, Pasche et al., (2011, p 4542) afirma que é preciso, ampliar a visão
de saúde para além da assistência com a incorporação da promoção e prevenção e
reconhecer o cidadão não como simples cliente ou usuário, mas como sujeito.
Brasil (2010b, p. 25) descreve que,

[...] Humanização é um movimento que propõe a inclusão das pessoas


de uma organização/serviço para que possam reconstruir de forma
mais compartilhada e coletiva modos de gerir e de cuidar, considerar
princípios e diretrizes, que são pressupostos éticos, clínicos e
políticos[...].

Diante do tema abordado é importante mensurar e conhecer as políticas públicas


do SUS, bem como a política nacional de humanização. Para tanto, na realização deste
trabalho foi utilizado uma abordagem qualitativa, a metodologia empregada foi de
caráter documental por meio de pesquisas bibliografias sendo: artigos, livros e leis
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relacionados a pesquisa nas Ciências Humanas. O objetivo do trabalho é identificar as


contribuições que a assistência humanizada traz aos usuários do SUS.

2. BREVE HISTÓRICO DA SAUDE NO BRASIL


No Brasil, durante o Império até a República Velha, as primeiras ações
governamentais de saúde eram oferecidas apenas aos principais núcleos urbanos e a
algumas doenças epidêmicas que tivessem repercussões no campo econômico (RANZI,
2013, p. 03).
A saúde emergiu como efetiva prioridade de governo no Brasil no começo do
século XX, com a implantação da economia exportadora de café, na região Sudeste
(FINKELMAN, 2002, p. 119). Até a chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro
(1808), os poucos médicos existentes eram membros da elite e atendiam somente as
camadas mais altas da população (RANZI, 2013, p. 03).
A partir das definições legais estabelecidas pela Constituição Federal de 1988 e
da Lei Orgânica de Saúde, se iniciou o processo de implantação do SUS, sempre de uma
forma negociada com as representações dos Secretários Estaduais e Municipais de
Saúde (BRASIL, 2003, p 16-17).
De acordo com Zuge (2012, p. 08), o SUS nasce em meio a lutas pela
redemocratização nacional, em 1988, com a finalidade de alterar a situação de
desigualdade na assistência à saúde da população.
Segundo Brasil (2003, p. 14),

[...] Antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) a assistência à


saúde no País tinha uma estreita vinculação com as atividades
previdenciárias, e o caráter contributivo do sistema existente gerava
uma divisão da população brasileira em dois grandes grupos (além da
pequena parcela da população que podia pagar os serviços de saúde
por sua própria conta): previdenciários e não previdenciários[...].

As novas práticas de saúde requeridas para qualificar o SUS são influenciadas


pelos processos de gestão e, não seria possível produzir um novo SUS sem alterar
condições de gestão (BRASIL, 2010a, p. 8-9).
É um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, sendo o único a
garantir assistência integral e completamente gratuita para a totalidade da população,
inclusive aos pacientes portadores do HIV, pacientes renais crônicos e aos pacientes
com câncer (BRASIL, 2002, p. 16).
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Segundo Pasche et al., (2011, p. 4542),

[...] A construção do SUS teria como uma de suas consequências o


aperfeiçoamento de nossa própria experiência como sociedade, então
mais justa e solidária a partir da defesa de valores como democracia
direta, controle social, universalização de direitos e humanização do
cuidado[...].

Dessa forma, o Ministério da Saúde (MS) e as Secretarias de Saúde dos


Estados e municípios desenvolviam, fundamentalmente, ações de promoção da saúde e
prevenção de doenças, com destaque para as campanhas de vacinação e controle de
endemias (BRASIL, 2003, p. 14).

2.1 Política Nacional de Humanização


A Constituição Federal de 1988, em seus art. 196 e 197, seção II –da Saúde cita
que,

[...] Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido


mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco
de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 197.
São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao
Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação,
fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou
através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito
privado (BRASIL, 2016, p. 118 – 119) [...].

Lançada em 2003, a Política Nacional de Humanização (PNH) busca pôr em


prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças
nos modos de gerir e cuidar (BRASIL, 2015, p. 03). Tem se consolidado como uma
política transversal no SUS (BRASIL, 2010b, P. 06).
Aposta na indissociabilidade entre os modos de produzir saúde e os modos de
gerir os processos de trabalho, entre atenção e gestão, entre clínica e política, entre
produção de saúde e produção de subjetividade (BRASIL, 2009, p. 04).
De acordo com a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde,

[...] 1. Todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado aos


sistemas de saúde. 2. Todo cidadão tem direito a tratamento adequado
e efetivo para seu problema. 3. Todo cidadão tem direito ao
atendimento humanizado, acolhedor e livre de qualquer
discriminação. 4. Todo cidadão tem direito a atendimento que respeite
a sua pessoa, seus valores e seus direitos. 5. Todo cidadão também
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tem responsabilidades para que seu tratamento aconteça da forma


adequada. 6. Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos
gestores da saúde para que os princípios anteriores sejam
cumpridos[...].

Os usuários de saúde possuem direitos garantidos por lei e os serviços de saúde


devem incentivar o conhecimento desses direitos e assegurar que eles sejam cumpridos
em todas as fases do cuidado, desde a recepção até a alta (BRASIL, 2015, p. 11-12).
Para que os cidadãos acessem os direitos estabelecidos por lei e tenham uso de
prestação de serviço com qualidade, ética e responsabilidade, é necessário que a equipe
conheça como acolher e tratar o usuário do serviço público.
Dessa forma, para Brasil (2015, p. 07), acolher é reconhecer o que o outro traz
como legítima e singular necessidade de saúde. O colhimento deve comparecer e
sustentar a relação entre equipes/serviços e usuários/ populações.
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CONCLUSÃO

A assistência humanizada aos usuários do SUS caminha a passos lentos, apesar


de ter sido uma conquista respaldada pala lei, os colaboradores por si só não conseguem
aplica-la.

São exigidos investimentos em educação e capacitação continuada para


colaboradores da área da saúde, e vontade destes para que ocorra a mudança que poderá
ser feita com apoio dos gestores e comunidade.

Mudanças positivas são fundamentais aos usuários do SUS, entretanto para que
ocorra tais mudanças e obtenha resultados favoráveis, são necessárias estratégias
construídas entre os trabalhadores, usuários e gestores do serviço de saúde.

De acordo com Brasil (2015, p. 04),

[...] humanizar se traduz, então, como inclusão das diferenças nos


processos de gestão e de cuidado. Tais mudanças são construídas não
por uma pessoa ou grupo isolado, mas de forma coletiva e
compartilhada. Incluir para estimular a produção de novos modos de
cuidar e novas formas de organizar o trabalho[...].

HumanizaSUS é fundamental à assistência de saúde e devem caminhar juntos,


respeitando valores, culturas, costumes e principalmente a vida.
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS
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Brasília: Ministério da Saúde, 2007. 9 p. (Série E. Legislação de Saúde) ISBN 978-85-
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Coordenação de Edições Técnicas, 2016.

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Humanização da Atenção e Gestão do SUS. O HumanizaSUS na atenção básica.
Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de


Humanização. Formação e intervenção / Ministério da Saúde, Secretaria de
Atenção à Saúde, Política Nacional de Humanização. Brasília: Ministério da Saúde,
2010 a.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de
Humanização. Formação e intervenção / Ministério da Saúde, Secretaria de
Atenção à Saúde, Política Nacional de Humanização. Brasília: Ministério da Saúde,
2010 b.

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Conselho Nacional de Secretários de Saúde. - Brasília: CONASS, 2003.
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Brasília, v. 11, n. 25, p. 194-220, jul./dez. 2009.

FINKELMAN, J. Caminhos da saúde pública no Brasil. Rio de Janeiro: Editora


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MENEZES, M. L; SANTOS, L. R. C. S. Humanização na Atenção Primária à


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