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ELETROBRÁS • EDUFF • EDITORA UNIVERSITÁRIA • UFF

ATERRAMENTO E PROTEÇÃO
CONTRA SOBRETENSÕES
EM SISTEMAS AÉREOS
DE DISTRIBUIÇÃO
Gomes, Daisy Spolidoro Ferreira
G633a Aterramento e proteção contra sobretensões em sistemas aéreos de distribuição /
v. 7 Daisy Spolidoro Ferreira Gomes, Fernando Ferro Macedo [e] Sônia de Miranda Guil-
lio d .-N ite r ó i: EDUFF, 1990.
358 p. - (Coleção Distribuição de Energia Elétrica; v. 7)

“Obra publicada com a colaboração do Programa de Desenvolvimento Tecnológi­


co - Diretoria de Gestão Empresarial - ELETROBRÁS”
ISBN 85-228-0073-1 (v. 7 - EDUFF)

1. Energia elétrica - Distribuição - Sistemas de proteção. I. Macedo, Fernando


Ferro. II. Guilliod, Sônia de Miranda. III. Título. IV. Série.
CDD 621.3191

EDUFF Editora Universitária EDUFF


Rua Miguel de Frias, 9
Icaraí - Niterói - RJ

717-8080 r. 200
CEP 24220
*

Eletrobras
Centrais Elétricas Brasileiras S A

COLEÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

ATERRAMENTO E PROTEÇÃO
CONTRA SOBRETENSÕES
EM SISTEMAS AÉREOS
DE DISTRIBUIÇÃO
Volume 7

Obra publicada com a colaboração do


Programa de Desenvolvimento Tecnológico
Diretoria de Gestão Empresarial
S.A. - ELETROBRÁS

li. 3
EDUFF • Editqra Universitária
C 4 1
4C ...........Niterbi - RJ
© 1990 Copyright by EDUFF
R. Miguel de Frias, nQ9 - Niterói - RJ

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desta obra sem prévia autorização da
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D iretor
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S upervisão de E ditoração
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E diçâo-de-texto
Vera Maria Rio Apa
Angela Portocarrero

R evisão
Angela Portocarrero
Cláudia Franco
Márcia de Sá Zanetti
Vera Maria Rio Apa

C apa
José Maria Cam pos Nascimento

Tiragem: 3000
Formato: 225 x 155mm
Mancha Gráfica: 43 x 30 picas
Tipologia: ‘T exto - Times Roman
Títulos - Helvética

Composição e montagem
Editora Ubyassara Ltda.
Av. Venezuela, 27/217 - Rio - RJ

Impressão
Imprensa Universitária da UFF
R. Miguel de Frias, n? 9 —Icarai —RJ
Sumário

APRESENTAÇÃO GERAL, 11

PREFÁCIO, 13

Capítulo 1 • ORIGEM DAS SOBRETENSÕES, 15


1.1 SOBRETENSÕES DE ORIGEM ATMOSFÉRICA, 15
1.1.1 Teoria do Raio, 15
1.1.2 Medida do Raio, 17
1.2 SOBRETENSÕES DE ORIGEM NO SISTEMA, 20
1.2.1 Classificação das Sobretensões Transitórias, 20
1.2.2 Circuitos Básicos, 21
1.2.3 Os Elementos Dissipativos e o Amortecimento em Circuitos RLC, 25
1.2.4 Casos Críticos em Chaveamento, 32
1.2.5 Extensão dos Casos Estudados para Circuitos Trifásicos, 40
1.2.6 Sobretensões no Sistema Causadas por Ocorrência de Curto-Circuito, 42

Capítulo 2 • ONDAS PADRONIZADAS DE TENSÃO E DE CORRENTE, 45


2.1 ONDAS PADRONIZADAS PARA SURTOS ATMOSFÉRICOS , 45
2.2 CURVA CARACTERÍSTICA DE IMPULSO DO EQUIPAMENTO, 46
2.3 ONDAS PADRONIZADAS PARA SURTOS DE MANOBRA, 47

Capítulo 3 • TEORIA DA PROPAGAÇÃO DAS ONDAS, 49


3.1 EXPRESSÃO MATEMÁTICA DAS ONDAS VIAJANTES
DE TENSÃO E DE CORRENTE, 49
3.1.1 Impedância de Surto, 51
3.1.2 Ondas de Corrente e Tensão, 55
3.2 SUPERPOSIÇÃO DE ONDAS, 55
3.3 ENERGIA DAS ONDAS VIAJANTES, 56
3.4 REFLEXÃO E REFRAÇÃO DE ONDAS, 57
3.4.1 Linha Terminada em Resistência, 57
3.4.2 Junção de Duas Linhas Diferentes, 61
3.4.3 Junção de Várias Linhas, 62
3.4.4 Terminações Gerais, 63
3.5 REFLEXÕES SUCESSIVAS, 70
3.5.1 Exemplos, 72
3.6 CONCLUSÕES, 83

Capítulo 4 • ANÁLISE DOS COMPONENTES A SEREM PROTEGIDOS, 85


4.1 TRANSFORMADORES, 85
4.2 REGULADORES DE TENSÃO, 86
4.3 RELIGADORES, SECCIONALIZADORES E CHAVES A ÓLEO, 86
4.4 BANCO DE CAPACITORES, 87
4.5 ESTRUTURA, 88
4.5.1 Estruturas Atualmente Utilizadas, 90
4.5.2 Exemplo de Projeto de uma Estrutura, 91

Capítulo 5 • DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO, 95


5.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA, 95
5.1.1 Estágio Atual de Desenvolvimento, 97
5.2 DISPOSITIVOS E FORMAS DE PROTEÇÃO, 97
5.2.1 Cabos Pára-raios, 97
5.2.2 Descarregador de Chifres, 101
5.2.3 Pára-raios, 104
5.3 APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO, 108
5.3.1 Cabo Pára-raios, 108
5.3.2 Pára-raios, 109
5.3.3 Descarregador de Chifres, 109

Capítulo 6 • ESCOAMENTO DA CORRENTE DE SURTO, 113


6.1 ASPECTOS GERAIS, 113
6.2 FATORES QUE AFETAM A IMPEDÂNCIA DE ATERRAMENTO, 116
6.3 MECANISMO DA CONDUÇÃO DA CORRENTE PELO SOLO, 116

Capítulo 7 • COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO, 119


7.1 ESTUDO DA COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
ATRAVÉS DO EMPREGO DE PÁRA-RAIOS, 119
7.2 ESTUDO DA COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
UTILIZANDO DESCARREGADORES DE CHIFRES, 120
7.3 EXEMPLOS DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO, 121
7.3.1 Sistema a Quatro Fios com o Neutro Multiaterrado, 121
7.3.2 Sistema a Três Fios Isolado, 122
8.1 SELEÇÃO DOS PONTOS DE APLICAÇÃO, 125
8.1.1 Redes Urbanas, 125
8.1.2 Redes Rurais, 126
8.1.3 Redes Semi-urbanas, 126
8.1.4 Quantificação da Proteção Adicional, 127
8.2 LOCALIZAÇÃO DE DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
EM RELAÇÃO AO EQUIPAMENTO PROTEGIDO, 133
8.2.1 Recomendações Gerais, 133
8.2.2 Recomendações Específicas, 134

Capítulo 9 • CONCEITOS BÁSICOS SOBRE ATERRAMENTO, 143

Capítulo 10 • ELEMENTOS DE PROJETO PARA ATERRAMENTO, 145


10.1 RESISTIVIDADE DO SOLO, 145
10.2 RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO DE ELETRODOS SIMPLES, 146
10.2.1 Hastes, 146
10.2.2 Condutor Horizontal, 147
10.2.3 Anéis, 147
10.3 HASTES INTERLIGADAS EM PARALELO, 148
10.3.1 Hastes Alinhadas, 151
10.4 SOLOS DE ALTA RESISTIVIDADE, 170
10.4.1 Tratamento Químico do Solo, 170
10.4.2 Hastes Profundas, 171
10.4.3 Soluções Mistas, 172
10.4.4 Deslocamento de Equipamento, 174
10.5 IMPEDÂNCIA AO SURTO DOS ATERRAMENTOS, 174
10.5.1 Impedância ao Surto de Hastes, 174
10.5.2 Impedância ao Surto de Condutores Enterrados Horizontalmente, 176
10.5.3 Impedância ao Surto de Aterramentos com Hastes Alinhadas, 178
CapítuloH • LIMITAÇÕES IMPOSTAS AOS ATERRAMENTOS PARA
ADEQUADO ESCOAMENTO DE SURTOS, 179
11.1 DEFINIÇÃO DE PARÂMETROS DE CÁLCULO, 179
11.2 SISTEMAS TRIFÁSICOS A QUATRO FIOS MULTIATERRADOS, 182
11.2.1 Exemplo, 186
11.3 SISTEMAS TRIFÁSICOS A TRÊS FIOS
COM NEUTRO DA BAIXA TENSÃO CONTÍNUO, 191
11.3.1 Exemplo, 191
11.4 SISTEMAS TRIFÁSICOS A TRÊS FIOS
COM NEUTRO DA BAIXA TENSÃO DESCONTÍNUO, 194
11.4.1 Exemplo, 197
12.1 SISTEMAS A QUATRO FIOS MULTIATERRADOS, 203
12.1.1 Dados Necessários, 204
12.1.2 Processamento, 205
12.1.3 Recomendações Finais para Elaboração do Projeto, 214
12.2 SISTEMAS TRIFÁSICOS A TRÊS FIOS
COM NEUTRO DA BT CONTÍNUO, 222
12.2.1 Dados Necessários, 222
12.2.2 Processamento, 224
12.2.3 Recomendações Finais para Elaboração do Projeto, 229
12.3 SISTEMA TRIFÁSICO A TRÊS FIOS
COM NEUTRO DA BT DESCONTÍNUO, 238

Capítulo 13 • ATERRAMENTO DE EQUIPAMENTOS, 239


13.1 SISTEMAS A QUATRO FIOS (MULTIATERRADOS), 239
13.2 SISTEMAS TRIFÁSICOS A TRÊS FIOS
COM NEUTRO DA BT CONTÍNUO, 239
13.3 SISTEMAS TRIFÁSICOS A TRÊS FIOS
COM NEUTRO DA BT DESCONTÍNUO, 239
13.4 PROJETO DE ATERRAMENTO, 240
13.5 EXEMPLO, 244

Capítulo 14 • DIMENSIONAMENTO DO CONDUTOR DE ATERRAMENTO, 249


14.1 DETERMINAÇÃO DA SEÇÃO DO CONDUTOR
EM FUNÇÃO DA CORRENTE, 249
14.2 DETERMINAÇÃO DAS CORRENTES DE CURTO-CIRCUITO
A SEREM CONSIDERADAS NO DIMENSIONAMENTO, 252
14.3 CARACTERÍSTICAS DOS CONDUTORES, 254

Capítulo 15 • ATERRAMENTO DE CONSUMIDORES, 257


15.1 CONSUMIDORES ATENDIDOS EM
BAIXA TENSÃO (ATÉ 600 VOLTS), 257
15.1.1 Entrada Individual, 257
15.1.2 Entrada Coletiva, 257
15.2 CONSUMIDORES ATENDIDOS EM ALTA TENSÃO, 258
15.2.1 Subestação Simplificada (Transformadores
em Postes ou Plataformas), 258
15.2.2 Subestação de Consumidor (Câmaras Transformadoras,
Cabinas e Conjuntos Blindados), 258

Capítulo 16 • MANUTENÇÃO DE ATERRAMENTOS, 259


16.1 CRITÉRIOS PARA MEDIÇÕES, 259
16.2 CRITÉRIOS PARA MANUTENÇÃO DO ATERRAMENTO, 260
16.2.1 Redes e Linhas, 260
16.2.2 Equipamento, 260
16.2.3 Aterramento de Consumidores, 260

Capítulo 17 • DETERMINAÇÃO DA RESISTIVIDADE DO SOLO, 261


17.1 MÉTODO DE WENNER, 261
17.1.1 Critérios para Medição, 263
17.1.2 Número de Pontos a Serem Medidos, 263
17.2 ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO, 264
17.2.1 Método Apresentado no Catálogo do Aparelho Yokogawa, 265
17.2.2 Método de Pirson, 266
17.2.3 2 Método de Tagg para Determinação da
-

Resistividade da 1â Gamada, 270


17.2.4 Método Simplificado para Estratificação do Solo
em Duas Camadas, 274
17.3 CÁLCULO DA RESISTIVIDADE DO SOLO, 276
17.3.1 Aterramento com Um Único Eletrodo, 276
17.3.2 Aterramento com Mais de Uma Haste, 276
17.4 EXEMPLOS, 278

Capítulo 18 • MEDIÇÃO DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO, 323


18.1 PROCEDIMENTOS, 324
18.2 PRECAUÇÕES DE SEGURANÇA DURANTE AS
MEDIÇÕES DE RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO, 326

Capítulo 19 • ATERRAMENTO DE CERCAS, 329


19.1 CERCAS TRANSVERSAIS À REDE DE DISTRIBUIÇÃO, 329
19.2 CERCAS PARALELAS À REDE DE DISTRIBUIÇÃO, 331
19.3 MODELO TEÓRICO, 332
19.3.1 Cálculo da Tensão e Corrente Induzidas pelo Campo Eletrostático, 332
19.3.2 Cálculo da Corrente Induzida pelo Efeito Eletromagnético, 337
19.3.3 Cálculo de Distância entre Seccionamentos, 338
19.4 EXEMPLOS, 339

Capítulo 20 • ATERRAMENTO DE ESTAIS, 347


20.1 SISTEMA A QUATRO FIOS OU SISTEMAS A TRÊS FIOS
COM NEUTRO DE BT CONTÍNUO, 347
20.2 SISTEMA A TRÊS FIOS COM NEUTRO DE BT DESCONTÍNUO, 347
20.2.1 Aterramento do Estai, 347
20.2.2 Isolação do Estai, 347

• LISTA DAS REFERÊNCIAS, 349


Apresentação Geral

A Coleção distribuição de energia elétrica foi concebida com o objetivo de sistematizar


o desenvolvimento de uma bibliografia específica sobre esse segmento do setor elétrico.
Principalmente a partir do surgimento do Comitê de Distribuição - CODI e do Comitê
Coordenador de Operação do Norte-Nordeste - CCON, seus subcomitês passaram a
desenvolver trabalhos de elevado nível técnico, tomando conveniente a consolidação dos
assuntos diversos e sua divulgação não só no âmbito das empresas do setor, como também
nas instituições formadoras de pessoal — universidades e escolas técnicas — e entre os
profissionais ligados à área na distribuição de energia elétrica.
Cada volume da Coleção sintetiza, portanto, c vasto material bibliográfico disponível, sob
forma didática compatível e a abrangência pretendida, representando a prática das empresas
concessionárias do país.
Com a inclusão do presente volume, a Coleção passa a contar com os seguintes títulos:

Volume 1 - Planejamento de sistemas de distribuição


Volume 2 - Proteção de sistemas aéreos de distribuição
Volume 3 - Desempenho de sistemas de distribuição
Volume 4 - Manutenção e operação de sistemas de distribuição
Volume 5 - Controle de tensão de sistemas de distribuição
Volume 6 - Manual de construção de redes urbanas e rurais - montagem
Volume 7 - Aterramento e proteção contra sobretensões em sistemas aéreos de
distribuição

A partir dos trabalhos continuamente em desenvolvimento no setor elétrico, bem como


de outras procedências, novos livros serão editados oportunamente, o que sem dúvida irá
enriquecer a área de distribuição de energia elétrica, e permitir a difusão dessa experiência
genuinamente nacional.

José M arcondes B rito de C arvalho


Diretor de Operação de Sistemas
ELETROBRÁS
Prefácio

A inexistência, mesmo a nível internacional, de um trabalho consolidado que integrasse


as práticas de aterramento e proteção contra sobretensões em sistemas de distribuição fez
com que o Departamento de Subtransmissão e Distribuição da ELETROBRÁS incluísse esse
tema entre os assuntos a serem desenvolvidos na Coleção distribuição de energia elétrica.
Com essa finalidade, e considerada a relevância do assunto para o setor elétrico, foi
reunida uma equipe de especialistas que, ao longo de três anos de pesquisas, incluindo-se
algumas experiências de campo, produziu o presente trabalho.
Como textos básicos de referência foram utilizados dois relatórios aprovados pelo CODI
(SCEI-12.03 - Recomendações para o aterramento de equipamentos de redes e linhas de
distribuição e SCEI.17.01 - Aplicação de equipamentos de proteção contra sobretensões),
bem como foram extraídos subsídios de relatório aprovado pelo CCON (SCPD/SCDI-305/
85 - Aplicação das diretrizes gerais de aterramento de redes, linhas e equipamentos de
distribuição).
A partir dessa documentação, e com base ainda na extensa bibliografia citada vo texto,
foi possível estabelecer uma filosofia de proteção considerada adequada às características
dos sistemas de distribuição, e incluídas as rotinas de cálculo pertinentes.
Deve-se reconhecer, no entanto, que não obstante o trabalho meticuloso desenvolvido
pelos autores, não há a pretensão de considerar-se esgotado o exame do assunto. De fato, não
só devido à complexidade intrínseca do assunto, como também pelo conhecimento que
temos da realização de novas pesquisas e do crescente desenvolvimento tecnológico da área
de distribuição, podem surgir novos direcionamentos ao assunto pelo que, desde logo, se­
rão consideradas prazeirosamente as sugestões e críticas dos leitores, com vistas ao me­
lhoramento das próximas edições.
É preciso ser destacado ainda que para a elaboração deste trabalho foi fundamental a
colaboração da LIGHT - Serviços de Eletricidade S.A. e da Companhia de Eletricidade do
Rio de Janeiro - CERJ, não só por terem cedido os engenheiros que integraram a equipe de
autores como, também, por terem realizado serviços de apoio e trabalhos de campo neces­
sários à preparação deste volume.
Além disso, é necessário destacar e agradecer o trabalho silencioso desenvolvido pelo
Enga Amadeu Casal Caminha, seja nas sugestões técnicas sempre bem-vindas, seja na
revisão do texto; o excelente trabalho datilográfico prestado pela Srt* Lena Ferreira Lima;
a cuidadosa realização dos desenhos de figuras, gráficos e tabelas executados pelo Sr.
Raimundo Anízio de Carvalho Silva, e o trabalho de todas as demais pessoas que direta ou
indiretamente contribuíram para a preparação e edição desta obra.

E ng2 W ilson de Souza


Chefe do Departamento de Subtransmissão
e Distribuição
ELETROBRÁS
Capítulo 1

Origem das Sobretensões

As sobretensões podem ser classificadas quanto à sua origem em:


a) sobretensões de origem atmosférica;
b) sobretensões de origem no sistema.
As sobretensões de origem atmosférica são aquelas que ocorrem pela incidência de
descargas elétricas diretamente em redes e equipamentos de distribuição (descargas diretas)
ou em suas proximidades, neste caso, induzindo sobretensões em redes ou equipamentos.
As sobretensões de origem no sistema são aquelas que ocorrem quando de uma mudança
súbita nas condições do circuito elétrico. Esta mudança pode ser devida a manobras tais
como operação de dispositivos de manobra, energização e desenergização de bancos de
capacitores e de transformadores, ou então, devido a condições de curto-circuito na rede.

1.1 Sobretensões de Origem Atmosférica


1.1.1 Teoria do Raio
Para abordarmos esse assunto é imprescindível um estudo dos raios e seua efeitos,
partindo de teorias da formação de cargas elétricas nas nuvens.
Podemos definir o raio como sendo uma descarga elétrica atmosférica que ocorre para
tentar a neutralização das cargas que aparecem entre nuvens ou entre nuvens e terra durante
os temporais, onde o pressuposto para o aparecimento de nuvens carregadas é a separação
das cargas negativas e positivas do ar.
Quando um raio atinge a terra, apesar da compensação das cargas reduzir um pouco a
tensão causada pelo mesmo, vários milhões de volts ainda podem ser transferidos ao objeto
atingido pelo surto.
A tensão real dependerá da quantidade de corrente do raio, da condutibilidade do objeto
atingido e da impedância existente entre o ponto atingido e o verdadeiro terra. No caso de
linhas de distribuição não é necessário que um raio incida diretamente sobre elas para
produzir sobretensões perigosas à isolação dos equipamentos.
Assim, é normal a indução de surtos em linhas de distribuição por descargas ocorridas
nas vizinhanças, podendo alcançar, na forma de ondas viajantes, tensões de até 500 kV.
Como dado estatístico para o melhor desenvolvimento de estudo sobre o raio e seus
efeitos, consideramos o fato de que em 90% das medidas registradas, a carga da nuvem se
polarizou negativamente e a da terra positivamente, ocorrendo, portanto, o fluxo de elétrons
da nuvem para a terra, gerando tensões induzidas positivas.
Entre as várias teorias que visam explicar a formação de cargas elétricas nas nuvens
podemos nos basear nas de G.C. Simpson, C.T.R. Wilson e Elster & Gertel, já que há ten­
dências comuns entre elas. De acordo com a teoria de Wilson, a porção inferior da nuvem
é carregada negativamente e a porção superior positivamente.
A teoria de Simpson relaciona a formação das cargas elétricas nas nuvens com a presença
de fortes correntes ascendentes de ar, que se verificam durante as tempestades ou durante
o período de tempo que as antecede. Segundo Simpson, estas correntes arrastariam o ar
carregado de umidade, no sentido ascendente, havendo a uma certa altura a formação de
gotas de água como resultado da condensação do vapor d ’água. Essas gotas, ao atingirem
um certo diâmetro, caem pela ação da gravidade e, no seu movimento descendente, vão
aumentando de tamanho devido à combinação de umas com as outras, até atingirem um
diâmetro acima do qual se tomam instáveis. Nesse instante, como resultado de sua instabi­
lidade, essas gotas se fragmentam e libertam íons negativos que, se agregando às pequenas
partículas existentes na atmosfera, são arrastados violentamente para a parte superior da
nuvem e para as bordas inferiores e laterais da mesma.
As gotas de água que se tomaram carregadas positivamente voltam a ser arrastadas, no
sentido ascendente, pelas correntes de ar até que se tomem suficientemente pesadas para
caírem novamente, repetindo-se o processo.
As fricções e o atrito entre as gotículas de chuva contribuem para a produção de grandes
cargas de eletricidade na nuvem. Assim, entre uma nuvem carregada de partículas eletriza-
das e a superfície da terra, formam-se gradientes de tensão que variam entre 50 e 2500 V /
cm; esta carga elétrica formada tende a descer para a terra e a eletricidade da terra tende a
subir até a nuvem, para que ocorra a neutralização.
Portanto, o sinal da carga da nuvem é contrário ao da terra, formando-se um gigantesco
capacitor, onde o ar exerce o papel de dielétrico.
Para que a descarga entre a nuvem e a superfície da terra se inicie, não é necessário que
a diferença de potencial entre as duas seja superior ao elevado poder dielétrico correspon­
dente à camada de ar entre as mesmas, admitindo-se, pelo contrário, que, na ocasião em que
o gradiente de tensão em uma parte dessa camada atinge o valor da constante dielétrica do
ar 10000 V/cm), se inicia o fenômeno através de pequenas cargas que escapam da nuvem
e correm invisíveis através do ar (jato de eletricidade).
Com a ocorrência desse “jato de eletricidade”, diminui a isolação do ar na sua trajetória,
preparando o caminho para outros “jatos”. A este “abre caminho” denomina-se líder do raio.
Assim, o líder avança para baixo em passos sucessivos, de maneira aleatória, sempre
seguindo os maiores gradientes de tensão; daí o caminho em zigue-zague percorrido pelo
raio.
Conforme o líder se aproxima da terra, as cargas da nuvem começam a migrar para bai­
xo, acompanhando o caminho aberto pelo líder, enquanto, por outro lado, as cargas da ter­
ra (de sinal contrário) movem-se rapidamente para dentro da área comum debaixo do líder.
Quando o ar se tom a suficientemente saturado, ocorre a descarga elétrica.
Todo esse processo que antecede a queda do raio demora cerca de 10000 ps. Seguindo
a primeira faísca, normalmente ocorrem outras, e dessa forma o raio acontece com múlti­
plas descargas.
A corrente de um raio, em 50% dos casos, excede 15000 ampères, podendo atingir
200000 ampères (vide figura 8.2).

1.1.2 Medida do Raio


Para a obtenção do conjunto de dados que serve de base para o conhecimento do raio,
existem diversos instrumentos de registro, como relacionados abaixo:
Ceraunômetro — conta as descargas elétricas que ocorrem em determinada zona ou região,
baseando-se no princípio de que todas elas são acompanhadas de alterações no campo ele-
trostático.
Essas alterações fazem funcionar os dois contatores do ceraunômetro por meio de circuitos
eletrônicos independentes, um dos quais reage às mudanças positivas do campo e conta a
maioria das descargas que caem dentro de um raio de lOkm do instrumento, enquanto que
o outro responde às mudanças negativas e conta somente as descargas de nuvem a nuvem
que ocorrem num raio de 10 a 20km do aparelho.
Desta forma, o ceraunômetro permite conhecer o número de raios à terra por unidade de
superfície.
Oscilógrafo de raios catódicos — registra as descargas elétricas, indicando a magnitude
da corrente e a forma de onda, prestando-se ao registro muito preciso das frentes de onda.
Amperômetro magnético de crista de corrente — devido à sua simplicidade, é um instru­
mento que se emprega extensamente para medir a crista da onda de corrente e determinar
sua polaridade.
Fulcronógrafo — registra tanto a forma da onda como a magnitude e a polaridade da
corrente do raio.
Registrador magnético de frentes de onda — ao contrário do fulcronógrafo, este aparelho
pode medir as frentes de onda.
Registrador fotográfico — registra todas as correntes de raio, desde a mais elevada até as
de menos de 1 ampère. Fotografa a luminosidade produzida pela onda de corrente e indica
a frequência da corrente subseqüente de linha nas redes elétricas.
No entanto, são poucas as concessionárias de energia elétrica que possuem esses aparelhos
instalados em sua área de concessão. Na prática, a maioria dos dados é coletada por
operadores de subestações e/ou outros elementos destinados para este fim, que registram o
número de dias com trovoadas. Cabe ressaltar que o registro de um dia com trovoada(s)
independe do número de trovões ocorridos naquele dia.
Nível cerâmico — entende-se por nível ceráunico o registro do número de dias de trovoada
por ano, em uma dada região. Tempestade vem a ser chuva com trovão, e este nada mais é
do que o ruído provocado pelo raio. Por outro lado, entende-se por trovoada o conjunto da
descarga (raio) mais o ruído (trovão). Encontram-se na bibliografia pesquisada equações que
permitem saber o número de raios que caem por ano em um km2 de superfície da terra (N g ).
Os ingleses apresentam a seguinte equação:

Ng = (2,6 ± 0 ,2 ). 10 ’3 . T

onde Td é o número de dias de tempestade por ano.

Empiricamente, temos a seguinte equação:

Ng = 0,15 . Td/km2 (ref. 16)

Supondo estas equações válidas para o Estado de São Paulo, e sabendo-se que em 1979
houve 56 dias de tempestade, podemos exemplificar:

N g = 2 ,6 . 1 0 3 .5 6 1,9 = 5,45/km2/ano, ou

N g = 0,15 . 56 = 8,4/km2 /ano

Algumas afirmações podem ser feitas, de acordo com os pesquisadores ingleses, desde que
considerados os padrões de construção usualmente utilizados nas redes de distribuição:
a) qualquer raio que caia a uma distância de até 16m de uma linha, classe 15kV, é atraído
por ela;
b) raios que caiam a até 275m de uma linha, classe 15kV, podem induzir um a tensão
suficientemente alta para causar disrupção dos isoladores para a terra.
Nota: para maiores detalhes sobre a sistemática para cálculo das tensões induzidas vide item
8.1.4.
Estimando-se a média de ocorrência de sobretensões que atingem lkm de linha, classe 15kV,
localizada no Estado de São Paulo, tem-se:

Devido a raios diretos:

~ r
16 m
LINHA

16 m 32 m
_L_
1000 m

Fig. 1.1
Área de coleta dos raios diretos = 0,032 x 1 = 0,032 km2
Quantidade de raios diretos por km = 0,032 . Ng = 0,032 x 5,45 = 0,17
Isto implica afirmar que existe a possibilidade de ocorrer uma descarga direta, por ano, em
cada 6 km de linha.
Devido a raios indiretos:

Área de coleta dos raios indiretos = 0,55 x 1 = 0,55 km2


Quantidade de disrupções devidas a impactos indiretos = 0,55 . Ng = 0 ,5 5 .5 ,4 5 = 3
Logo, existe a possibilidade de ocorrência de três raios indiretos, por ano, em cada km da
linha.
Ainda com respeito à densidade de descargas atmosféricas Ng , temos uma relação utilizada
em aparelhos contadores de descarga (já que o número de descargas registradas pelo mesmo
numa determinada área corresponde ao número de descargas para a terra e a um certo
número de descargas entre nuvens), qual seja:

Dt
N g = -----— . Y g (ref. 25)
* Rg
onde:
Dt = número total de descargas registrado pelo contado:
R g = raio de influência do contador
Yg = fator de correção:

Yg =
1+

onde:

Nc
— = relação de descargas entre nuvens e para a terra
Ng
Rc e R g = classificações efetivas do contador para descargas entre nuvens e para a terra.
Deste modo, é possível se determinar o número de raios à terra por unidade de superfície
(km2), através das operações do contador de descargas.

1.2 Sobretensões de Origem no Sistema

Uma manifestação transitória sempre tem início quando ocorre uma mudança brusca nas
condições do circuito, mudança esta que pode ser causada pela ocorrência de uma falta e a
conseqiiente abertura de um dispositivo de proteção, ou devido à abertura ou fechamento de
uma chave quando da manobra para seccionamento.
Os períodos transitórios são muito pequenos se comparados com os períodos de condi­
ção normal, mas são extremamente importantes, uma vez que, nessas condições, os com­
ponentes do sistema estão sujeitos a grandes esforços devido a correntes e tensões anormais.
Um circuito de distribuição, como todo circuito elétrico, é constituído pela conjugação
de componentes RJL e C onde os dois últimos se caracterizam pela habilidade de armaze­
nar energia no campo magnético e no campo elétrico, respectivamente, em função dos va­
lores de corrente e tensão, dadas por l/2 LI2 e 72 CV2. 0 componente R é um dissipador de
energia quantificada por RI2.
O parâmetro L está presente nos circuitos, através da indutância própria e da mútua
indutância das linhas, nos enrolamentos de transformadores, reguladores de tensão, etc. O
parâmetro C está presente na capacitância entre fases e fase-terra, nos enrolamentos de
transformadores, nos bancos de capacitores instalados ao longo do sistema, etc. O parâm e­
tro R se faz representar, através da resistência ôhmica, nas perdas das linhas, na dissipação
nas próprias cargas, nas perdas no ferro dos equipamentos, etc.
Em condições normais, a energia armazenada em L e C do circuito é transferida ciclica­
mente toda vez que houver mudanças da tensão, na ffeqüência de 60Hz. As perdas de energia
inerentes ao processo dependerão do parâmetro R.
Quando ocorre uma mudança brusca nas condições do circuito há uma redistribuição da
energia armazenada, de modo a se estabelecer uma nova condição. Esta redistribuição não
ocorre instantaneamente, devido a duas razões:
a) uma mudança na energia magnética requer uma variação de corrente, que, por sua vez,
é oposta por uma tensão induzida dada por L di/dt. Como a mudança instantânea de cor­
rente é impossível (exigiría uma tensão infinita), a energia armazenada não se transfere
instantaneamente;
b) uma mudança na energia armazenada no campo elétrico exige uma variação de tensão.
Sendo a tensão do capacitor dada por V = Q/C, e sendo dv/dt = 1/C . dQ/dt ou dv/dt =
I/C, conclui-se que uma variação instantânea da tensão exigiría uma corrente infinita, o
que não é possível. Portanto, a energia armazenada no campo elétrico também não se
redistribui instantaneamente.
A redistribuição de energia, portanto, leva um certo tempo, e segue os princípios de
conservação da energia.

1.2.1 Classificação das Sobretensões Transitórias

Com o intuito de classificar as sobretensões quanto ao seu grau de severidade, pode-se


estabelecer o seguinte:
• Quanto à duração:
a) transitórios de curta duração
São aqueles que apresentam uma exponencial de decaimento acentuada e cuja duração
em 60Hz alcança, no máximo, 1 ou 2 ciclos. Ocorrem principalmente em manobras de
bancos de transformadores e capacitores.
b) transitórios de longa duração
São aqueles que aparecem quando de uma operação de chaveamento, permanecendo até
que sejam removidos por um chaveamento subseqüente. Ocorrem principalmente quando da
condição de ferrorressonância, abertura de condutores ou incidência de falta. Sua duração,
portanto, alcança vários ciclos em 60Hz.
• Quanto à magnitude:
a) transitórios normais
São aqueles que alcançam, no máximo, valores de 2 pu em relação ao valor de pico da
tensão no sistema.
b) transitórios anormais
São aqueles que alcançam valores máximos superiores a 2 pu em relação ao valor de pico
da tensão no sistema.

1.2.2 Circuitos Básicos

Os circuitos aqui apresentados permitirão fundamentar algumas idéias básicas sobre o


fenômeno de transitórios, envolvendo uma série de parâmetros que determinarão a severi­
dade das situações.
E preciso esclarecer que as noções expostas a seguir são básicas, não representando, por
este motivo, todas as situações reais existentes.

a) O circuito RL série
Considere-se o circuito mostrado na figura 1.3, que pode ser tomado como uma primeira
aproximação para um circuito de distribuição.
Quando a chave S é fechada, tem-se:

R I + L | | = V m sen (cot + X) (Eq. 1.1), onde X indica o ponto da onda em que a chave S

é fechada, conforme ilustrado abaixo:

e =0 i =0
Fig. 1.4

A resolução da equação dada em (Eq. 1.1) é:

i(t) = sen (cot + X - 0 ) - sen (X- 0) e '^ 1^ (Eq. 1.2), onde o primeiro termo re­

presenta as condições em estado permanente e o segundo termo as condições transitórias;

Vm = tensão máxima da fonte


Examinados os diversos casos para fechamento da chave, tem-se:

(ú L
0 = a rc tg —

Z = V R + co L

(1) Para (X - 0) = 0, n, 2k , etc., na (Eq. 1.2), não há componente transitório. Em circuitos


altamente indutivos, onde 0 é próximo de tü/2 , tem-se para X = tc/2 , 3k/2, 5k/2, etc., o termo
transitório será nulo. Isto significa que a energização do circuito RL, em pontos de máxima
tensão, não leva a transitórios.
(2) Para (X - 0) = n /2 , 3 jc/2, 5rr/2, etc, 0 termo transitório é máximo. Assim, para 0 = nf 2, esta
condição ocorrerá quando X = 0, tc, 2ji, etc, ou seja, o transitório será máximo quando a chave
for fechada em pontos de tensão zero.

A figura a seguir ilustra a situação para 0 = 85° e X - 0 = 3n/2.


TERMO ,
TRANSITÓRIO

Fig. 1.5

Nos sistemas trifásicos, se os pólos se fecham simultaneamente, os ângulos de fechamento


X estão defasados 120°, e há uma grande possibilidade de que ocorra a condição de máxima
corrente.

b) O circuito LC
As operações de chaveamento envolvem, muitas vezes, problemas de reignição, o que
acontecerá quando da presença de capacitância em paralelo no circuito de distribuição. A
figura 1.6 introduz esta capacitância.

Fig, 1.6

onde:
V = tensão da fonte, considerando barra de potência infinita
L = indutância do sistema vista no ponto em questão
C = capacitância existente
Qualquer perda não foi aqui considerada.
Pode-se supor a abertura da chave S interrompendo uma determinada corrente de falta.
Quando da interrupção, a corrente continua fluindo através dos contatos devido ao arco
formado. A interrupção só se verifica quando i (t) passa por zero, o que ocorre duas vezes
em um ciclo. Considerando o circuito reativo devido à indutância, tem-se que, quando
i(t) = 0, a tensão v(t) do circuito está no seu valor máximo ou próximo dele, mas a tensão
na chave e no capacitor é a tensão do arco.
A equação para o circuito é:

Lâl + Vc=Vmcoscot,
■ V ' U i ------------” 7 e I=C ^
— — — ,

dt dt

Definindo coo2 = 1/LC, e considerando que coo» co, então a solução para o circuito é dada
por:

V c(t) = V mfcos co t - cos co0t] (ref. 02)

O circuito LC oscila numa determinada freqüência, dada por

/ o= --------------, chamada de freqüência natural.

Durante este período de oscilação a equação acima poderá ser dada por: Vc(t) = Vm (1 - cos
coot), onde cos cot« 1, uma vez que a freqüência do sistema varia muito pouco.

O máximo valor para V (t) será aproximadamente duas vezes a tensão do pico do sistema,
quando as duas componentes se somarem (cos <»ot = -1). As perdas no sistema tendem a ate­
nuar a sobretensão, conforme visto adiante, estando, já, porém, representadas na figura 1.7.
Se a freqüência natural é grande, a tensão através da chave cresce rapidamente. Se essa taxa
de crescimento da tensão for maior que aquela exigida pelo ar para recuperar sua rigidez
dielétrica, então haverá reignição.
A taxa de crescimento da tensão transitória é um elemento importante nas aplicações de
chaveamento. Ela pojssibilita meios para analisar a ocorrência ou não de reignição.
Exemplo:
Consideremos um circuito com as seguintes características:
Tensão nominal = 13,8 kV
Máxima corrente de falta no ponto de instalação da chave = 8000 A
Capacitância associada ao circuito = 200 pF.
A impedância (reatância) do sistema vista no ponto, em 60 Hz, será dada por:

13800
= 0,996 Q.
8000VT

Como L = Z/W, L = 0,996/2 tc.60; logo, L = 2,64 mH

O circuito vai oscilar numa freqüência f a = -----]—


27CVLC

/ 0 = ------ 1 ----- = 219 kHz e o período será de: T = l/fQ= 4,57 ps


2ti v2,64 x 10'3 x 2 x IO"10

Portanto, em meio período (2,29 ps), o transitório de tensão vai alcançar o seu valor máximo,
que é igual a duas vezes 0 valor da tensão fase-terra máxima do sistema. A taxa de cresci­
mento da tensão será, então, de:

2 x 13,8VT
V7
------ 1 * ------ = 9,84 kV/ps
2,29

1.2.3 Os Elementos Dissipativos e 0 Amortecimento em Circuito RLC

a) As curvas generalizadas
As situações discutidas anteriormente não levaram em consideração os efeitos das perdas
no circuito. Entretanto, essas perdas estão sempre presentes devido à própria resistência do
circuito e no ferro das cargas existentes. As próprias cargas são, também, elementos impor­
tantes de dissipação.
A introdução de perdas leva ao amortecimento das oscilações naturais do circuito, con­
forme ilustrado nas figuras 1.8,1.9 e 1.10. Por esse motivo, o comportamento do circuito
deverá ser reavaliado, passando-se a considerar as resistências.
Um estudo objetivo desse assunto é dado segundo a referência 02. Os circuitos equi­
valentes para o estudo do chaveamento poderão ser representados por um circuito RLC, em
série ou em paralelo. Mostra-se que as respostas desses circuitos em relação a uma série de
estímulos (manobras) podem ser representadas por uma família de curvas adimensionais,
dadas em pu, e que serão usadas para a resolução dos problemas transitórios.
Duas configurações se apresentam com as respectivas equações, conforme dado na tabela
1. 1.
A análise das curvas permitirá estudar 0 comportamento de diversos circuitos,
dependendo das condições iniciais e considerando as informações da tabela 1.1.
Fig. 1.8 - Curvas generalizadas da transformada inversa

Fig. 1.9 - Curvas generalizadas da transformada inversa


TABELA 1.1

ITEM CONFIGURAÇÃO SÉRIE


PARALELO
—OiAfiJL/—

DIAGRAMA -----11---- •--- UM---- ttot---- 11- .

— WVV—J
2 2
d0 1 d0 0 : d\|/ R d\|f \|/
---- H-----— H--------F(t) ---- H--- ----- 1- — = F(t)
,2 R C à LC .2 L dt LC
EQUAÇÕES dt dt
0 = Corrente num braço vjr = Tensão em um compo­
ou tensão nos terminais nente ou corrente no circuito

CONSTANTE DE TEMPO Ts = L/R


oc
O
ii

PERÍODO ANGULAR (W) Tp-T S«LC = -P Período angular do circuito


não amortecido
COEFICIENTE DE 1
R f c f /2 X= -
AMORTECIMENTO T|

L_
onde: Z q = impedância de surto, dada por: z 0 =
b) Chaveamento de circuitos
A abertura ou fechamento de um a chave num circuito de distribuição pode ser analisada
pelo princípio da superposição, conforme descrito na referência 02.
Considere-se, inicialmente, a abertura de uma chave.
De um modo geral a corrente não é interrompida com a simples separação dos contatos,
o que somente acontece quando esta corrente passa por zero, fato que ocorre regularmente
duas vezes em cada ciclo, conforme dado na figura 1.11.
O princípio da superposição permite considerar que no momento em que a corrente cessa
de fluir através do arco, pode-se ter uma corrente I ’ injetada nos terminais da chave de modo
a se ter I + 1’ = 0, conforme ilustrado pela figura 1.12.

I I’

Assim sendo, para o momento da chave aberta, sem arco, tem-se uma corrente resultante
dada por I + 1* = 0.
Suponha-se o circuito apresentado na letra (a) da figura 1.13. Uma análise através do
método de superposição, descrito anteriormente, se faz através da configuração RLC em
paralelo, conforme dado na letra (b) da mesma figura.

(a ) (b )
FIg. 1.13
Como o período transitório é muito menor, se comparado com meio ciclo da corrente
injetada, uma vez que a freqüência natural do circuito é muito maior que a freqüência
industrial, então o cálculo da tensão entre os terminais da chave poderá ser feito injetando
no circuito uma corrente I ’ com uma taxa de crescimento F Amp/seg. A corrente total
injetada será, portanto:
V 1 f
I (t) = - + c - í Vdt
XV JL

Diferenciando e tomando o Laplaciano, tem-se:


r.
v(s) = — ---------------
c
s(s2+
Essa função é apresentada nas curvas dadas no gráfico da figura 1.10, para vários valores
de t|, conforme definido na tabela 1.1. É importante observar na figura 1.10 que, para T| =
°o, o valor de pico é de 2 pu.
O período será dado por T = VLC

Exemplo:
Um alimentador em 13,8kV, com carga de 5MVA, tem um dispositivo automático de
proteção, que o protege num ponto onde a corrente máxima de curto-circuito simétrica é de
10000A. A capacitância associada ao circuito é de 3000 x 10 F.

A tensão máxima de pico será de 2 x Ü = 22,54 kV entre os terminais da chave.


VT

Deseja-se limitar a tensão entre as chaves em 70% do valor anteriormente calculado, ou seja,
1,4 pu do valor nominal da tensão.

A reatância em 60Hz é dada por *3_800 = o,797 Q e então


10000V3

A impedância do surto será Zq = " e, portanto: L = 2,1 x 10‘3 H.

z (2,1 x 10 q3 V 72 = 836 Q
l 3 x 10 ' 9 )

Pela figura 1.10 obtém-se o T| equivalente para o novo valor de tensão máxima de 1,4 pu:
q = 1,8; logo:
R= T| Z q = 1,8 x 8 3 6 = 1510 f í
, »l/2 -6
T = (LC) = 2,5 x 10 s

Isto significa que cada unidade de t \ dada no eixo das abcissas da figura 1.10, corresponde
-6
a 2,5 x 10 segundos.

Para se obter uma redução de 70% em relação ao valor inicialmente calculado, seria neces­
sária uma resistência de 1510 £1

c) Chaveamento de carga
Uma carga pode ser representada por um circuito RLC em paralelo, conforme dado na
figura 1.14 (a):

Fig. 1.14

Quando a carga é retirada, a capacitância se toma um elemento importante na determi­


nação do transitório gerado. Supondo uma carga com um fator de potência relativamente
alto, haverá, na hora da interrupção, umá tensão Vo sobre a carga, e a capacitância C ficará
carregada com esta tensão e, conseqüentemente, se descarregará através de R e L. Tal
descarga induzirá sobretensões conforme descrito a seguir.
Para este caso, pode-se considerar o circuito dado na figura 1.15. Quando S ’ é fechada
a capacitância C descarrega sua carga através de R e L.
Observa-se que o fechamento da chave S’ corresponde à abertura da chave S no circuito
da figura 1.14 (a).

Fig. 1.15
A corrente de descarga através da indutância é I, e Vc é a tensão no capacitor no instante
do fechamento de S \
dVc
Desse modo: - C - r — = , Vc
dt lL + t f

Por analogia ao circuito da figura 1.14 (a), substituindo Vc por V c (o), que é a tensão
inicial da capacitância da carga, no instante da abertura de S, por diferenciação e através de
Laplace, tem-se:

I l (s) = Vc (o)
1
L
S 2+ S/Tp+ 1/T2

A tensão na carga é dada por:

d2 V c J_dlL
dt2 + C dt + RC dt 0

A resolução da equação é dada por:

Vc (s) = Vc (o) — ------ ?-----------


S + S/Tp+ 1/T

Exemplo:
Considere uma carga com as seguintes características:
R = 30000 Q
L = 5H
C = 3 x 10‘9 F

A pior condição de chaveamento é a abertura do circuito, coincidindo com o máximo valor


de tensão, ou seja:

13,8 x VT
V c (o) kV
VT

Z0
,1/2
= 40825 £2
W 3 x 10 '9

ri = K = 0,735
Z0
Através da figura 1.8, obtém-se para T| = 0,735 um fator de redução de 0,47.
O valor máximo para a corrente de descarga, através da indutância L, é:

0,47 x = 0,225 A
Z0 VT x 40825

A carga fica submetida a uma tensão Vc(s), conforme calculado anteriormente, cuja forma
de onda é indicada no gráfico da figura 1.10 para t\ = 0,735, que dá um fator de redução de
0,8. Assim sendo, o valor máximo da tensão na carga é:

^ - x V T x 0,8 = 9,014 kV
VT
Os terminais da chave estão submetidos a uma diferença de potencial, cuja forma de onda
é dada pelo gráfico da figura 1.10, para um fator de 1,05, ou seja:

x VT x 1,05 = 11,83 kV entre os terminais da chave.


VT

Nesses gráficos a escala de tempo é dada por:

Com o incremento do fator de potência, a tensão e corrente ficam cada vez mais em fase, de
modo que Vc (o) diminui com o aumento de cos 0. Para cos 0 = 1, a tensão Vc (o) = 0.

1.2.4 Casos Críticos em Chaveamento

Os casos apresentados anteriormente causam sobretensões pequenas, com valores máxi­


mos de até duas vezes o valor de pico da tensão máxima. Tais sobretensões são ainda amorte­
cidas devido às perdas inerentes aos circuitos de distribuição.
Existe, entretanto, uma série de condições que podem causar sobretensões maiores e que
serão a seguir analisadas.

a) Interrupção de pequenas correntes


A interrupção de pequenas correntes pode ocorrer abruptamente. Tal tipo de interrupção
se caracteriza pela extinção do arco antes que a corrente passe por zero. Isso acontece fre-
qüentemente quando a interrupção de pequenas correntes é feita através de disjuntores, reli-
gadores, etc., que possuem dispositivos para extinção do arco. A situação é ilustrada na figu­
ra 1.16 (b). Tal interrupção abrupta leva a sobretensões, que estão associadas à energia no
circuito magnético do sistema.
Esse fenômeno é observado na distribuição, quando da abertura de transformadores em
operação a vazio, devido à interrupção de correntes de magnetização. O problema pode ser
explicado através da configuração apresentada na figura 1.16.

Fig. 1.16
( o )

Suponha que a interrupção ocorra no instante t o , conforme figura anterior, quando a


corrente tem o valor Io. Esta corrente está circulando pelos enrolamentos do transformador
e, portanto, existe uma energia armazenada no momento to, dado por 1/2 L m I02, onde L m
(indutância de magnetização) é bastante alta. Sendo um circuito indutivo, a corrente não
cessa instantaneamente, mesmo com o circuito aberto através da chave, o que força esta
corrente para a capacitância C existente nos enrolamentos (capacitância entre espiras e entre
enrolamento e terra).
Supondo que não haja perdas, toda a energia magnética será transferida para o campo
elétrico da capacitância, e então:

É interessante observar que a sobretensão é independente da tensão do sistema.


Considere, por exemplo, um transformador de 150 kVA em 13,8 kV. A corrente de
magnetização será de 3% do valor da corrente nominal de carga. Levando-se em conta
distorções devidas a harmônicos, pode-se considerar para uma condição extrema uma
corrente de magnetização máxima de 1,0A.
Considerando-se, ainda, os valores de:
R = 3000 Q.
C = 4000 PF

co . Im VTx 2tt x 60 x 1,0


21,1 1/2
Z0 = = 0,0726 x 10 6 = 72600 Q
4000 x IO '12

Neste caso, T| = R /Z 0 = 0,439


O valor máximo da tensão transitória será dado por 1A x 72600 Q = 72600V.
Estes valores não serão alcançados, na prática, por dois motivos:
- as perdas existentes levam ao amortecimento, conforme já visto;
- somente uma parte da energia armazenada no núcleo do transformador é liberada. Tal
situação é ilustrada pela figura 1.17 e explicada a seguir.

Fig. 1.17

Durante a energização do transformador o núcleo é submetido ao ciclo de histerese


conforme figura 1.17. A energia está sendo armazenada durante os períodos AB e CD e
retoma à fonte durante os períodos BC e DA. Uma certa quantidade de energia, proporcional
à área compreendida pelas curvas, é perdida em cada ciclo de histerese.
Para a corrente máxima (ponto B), a energia proporcional à OBE é armazenada no feiro.
No ponto C, à medida que a corrente cai a zero, a energia recuperada é proporcional à área
CBE, e o resto é gasto em perdas.
Conseqüentemente, quando a corrente é interrompida indo de B até C, a energia dispo­
nível para carga no capacitor é proporcional à área CBE, não tendo sido considerado, ainda,
o amortecimento devido às perdas.
Nos transformadores de distribuição a área CBE corresponde a 40% de OBE, que
representa a energia total armazenada (l/2 L m 1^).

Conseqüentemente:
1/2CV2 = 0,4/2 L m Io , ou seja,
a tensão máxima, sem perdas, será dada por:
1/2
V = I 0 {0,4 Lm/Cj , que representa 64% do valor anteriormente calculado, isto é:
72600V x 0,64 = 46464V, que é ainda bem alto.
Considerando as perdas resistivas do circuito, este valor ficará reduzido. Para tj = 0,439, na
figura 1.8 tem-se um fator de redução de 0,3, o que dá uma sobretensão de: 46464V x 0,3
= 13939,2V.

b) Chaveamento de capacitâncias
Circuitos com elementos capacitivos, tais como linhas longas, cabos subterrâneos e
bancos de capacitores apresentam, quando da realização de manobras, sobretensões elevadas
devido à energia armazenada nos campos elétricos de suas capacitâncias.

A corrente se encontra adiantada de 90° em relação à tensão. Assim, o capacitor se


encontra carregado com tensão plena quando a corrente é interrompida. Estando a chave
aberta, a capacitância retém sua carga, ficando com uma tensão V conforme dado na figura
1.18 (b). Meio ciclo após a interrupção tem-se uma tensão aplicada entre os terminais da
chave de 2V, ou seja, Vs = Vg + Vc , conforme ilustrado na parte c da mesma figura.
A interrupção da corrente envolvida, freqüentemente pequena, se faz no primeiro ciclo,
e a tensão que aparece entre os terminais da chave é 2V. Enquanto a separação for pequena,
haverá grande probabilidade de reignição.
Para a pior situação a reignição se dará quando a tensão atingir o seu valor de pico, o que
equivale a fechar a chave S, novamente, e o circuito LC responderá ao distúrbio entrando
em oscilação na sua freqiiência natural, dada por

f = ------ - onde L é a indutância da fonte.


27t . VLC

Por se tratar de um circuito, temos:

Vm cos cot- Vc = L ^ l
dt
1(0 = V m - V c(o)] (C/L) sen on(k V c (o) é a tensão no capacitor no momento de
abertura chave, e Vm - Vc (o)é a tensão entre os terminais da chave, quando da reignição.
Assim, pela expressão acima, vê-se que a corrente I(t) é senoidal, e é igual à tensão através
da chave dividida pela impedância de surto. No caso considerado, [ v m - :(»)] = 2V m •

A tensão transitória no capacitor é dada por:


V c = - V m + 2 V m (l - cos co0t), para a pior situação, ou seja, quando o capacitor se car­
rega com V c (o) = - Vm , a reignição se dá para + Vm . Tal situação dá um valor máximo
de 3 Vm. A figura 1.19 ilustra a situação.

Quando a tensão transitória passa pelo seu máximo valor (3 Vm ), a corrente de reignição
passa por zero. Caso esta nova corrente seja interrompida, o capacitor ficará carregado com
tensão + 3 Vm , e meio ciclo após, a tensão sobre a chave será de + 4 Vm , o que pode levar
a uma nova quebra de rigidez dielétrica entre contatos e uma nova descarga terá início.
Ocorrendo a reignição, como a tensão na chave é agora duas vezes maior, a corrente também
dobrará e o novo pico de tensão será - 5 Vm . Tais sobretensões, teoricamente, são possíveis
de ocorrer causando flashover ou até a queima do capacitor. Entretanto, deve-se levar em
consideração que, nesta análise, foram feitas simplificações que resultaram na obtenção de
valores maiores do que os reais.
Tais simplificações foram: a ocorrência da reignição na tensão de pico, a completa
ausência de perdas e, no caso de equipamentos mais sofisticados, desprezou-se sua capaci­
dade de não permitir a reignição.
O exposto acima é válido somente para bancos de capacitores aterrados. Bancos com
neutro isolado devem ser estudados separadamente.

c) Ferrorressonância
A manobra de circuitos trifásicos através de dispositivos unipolares pode levar a elevados
valores de sobretensão, devido à energização individual de uma ou duas fases, que podem
dar origem a um circuito LC, em série.
Este circuito LC está representado na figura 1.20, onde o parâmetro X l deve ser visto
como a reatância de magnetização do transformador, e o parâmetro X c corresponde às
capacitâncias entre fases, entre fase-terra e entre enrolamentos e tanque do transformador.
I (A)

(a) (b)
Fig. 1.20

Neste caso, a limitação da corrente fica na dependência da magnitude do parâmetro R


inerente ao sistema.
Pela curva de saturação de um transformador, observa-se que o mesmo trabalha numa
grande faixa de valores de X m = V/I quando o seu primário é energizado.
As condições de ferrorressonância são analisadas e simuladas em analisadores de rede
conforme pode ser visto nas referências de nQ04 a ne 10, para diferentes tipos de transfor­
madores, configurações de sistema, tipos de aterramento, etc.
Para maior esclarecimento serão analisadas, ainda, as condições de uma e duas fases
abertas, sem, entretanto, relacionar todas as simulações feitas e que podem ser encontradas
nas referências anteriormente mencionadas.

Uma fase aberta

A figura 1.21 ilustra a situação para o caso de uma fase aberta. A capacitância C 0
corresponde à capacitância para a terra e à capacitância interna dos enrolamentos.
O caminho da corrente é dado na figura e se faz pelas fases b e c através de X m , e pelas
capacitâncias C 0 fechando o circuito série pela terra.
Observa-se que, para baixos valores de C o, tem-se um alto valor de Xç se comparado com
X m e (3 /2 )X m .
Pelo teorema de Thévènin, o sistema pode ser representado pelo diagrama dado em 1.21(b)

' 1 ' -jx( \


v = - —E
va 2 a
—LJ— - i X
2 X ~m j X c o
V J

Xc
X,m
Va = E a

3 -2
Vx m y

Observa-se que para XCq> > X m:

1 ' 1 '
V = - —R
’ va 2 a
-2
xCo/xm

Do mesmo modo, para a relação XCq/ X m = 2, tem-se:

V = - 2E'

A figura 1.22 mostra a situação para os casos citados anteriormente.

Vo = - 2 E a

Eq
Va = - 2 E a = - 2 p u

V = - va- j ( V b . V J . j ^ v b- v
ai 3 L

v = - Va- f (Vb + V c) —j ^ ( V b-V c) -2 + T -J # ( - j V i)l = -1


a2 3

O ndeV ai e V&2 são as com ponentes de seqüência de fase positiva e negativa,


respectivamente.
Para pequenos valores da relação Xco/ X m , a tensão na fase aberta aumenta de valor em
módulo.
Dois são os valores que resultam na tensão nominal do transformador Va = 1 pu e
Va = - 2 pu.
No primeiro caso as tensões estão equilibradas na seqüência positiva. No segundo, a
seqüência positiva da tensão na fase aberta é zero.
Pelo visto nos diagramas obtidos pelo analisador de redes e pela equação do circuito, deve-
se procurar manter a relação Xco/ X m acima de um determinado valor, de modo a evitar
sobretensões excessivas.

Duas fases abertas


A figura 1.23 ilustra a situação para a condição de duas fases abertas.

3 /2 Xm

Fig. 1.23

A circulação da corrente se dá pela fase a ’, através da reatância de magnetização do


transformador e pela capacitância de seqüência zero. Como os caminhos são idênticos pelas
fases b e c, conseqüentementeVc e são iguais.
O circuito de Thévènin equivalente é dado na parte (b) da mesma figura. A tensão nas fases
abertas é dada por:
-jXcy^ Xç j x m
vb=vc=Ea. ( 3 / 2 ) X m . j ç ^ J 2) = EaxcyXm-3

Para X cJ X m = oo, v b = v c = Ea. À medida que a relação X ç J X m diminui, as tensões


Vb = Vc aumentam, sendo sempre positivas.

Nesse caso, não há reversão de fase e as sobretensões resultantes são maiores do que aquelas
obtidas no caso anterior, conforme pode ser visto nos diagramas da figura 1.10.

Análise das sobretensões causadas por ferrorressonância

As referências 04 a 10 fornecem dados relativos às condições necessárias para a ocorrência


do fenômeno, como também o grau de severidade observado, através de estudos em analisa-
dores de rede.

As principais conclusões obtidas foram:


- as maiores sobretensões ocorrem em transformadores a vazio;
- o problema é mais severo para transformadores de pequena potência, onde se tem relações
XCo/X m menores;
- podem ser produzidas sobretensões de até quatro vezes o maior valor de tensão fase-
neutro do sistema;
- a probabilidade de ocorrência do fenômeno é função do cabo (ou ramal) de ligação do
transformador. Entretanto, tal probabilidade é alta, ficando na maioria dos casos acima
de 50%.

Várias medidas preventivas são propostas nas referências citadas. Entre elas cabe destacar:
- operação com dispositivos trifásicos de manobra;
- energização ou desenergização de transformadores junto aos mesmos; ^
- limitação do comprimento dos circuitos de forma a limitar os valores da relação ——
- o emprego de carga resistiva no secundário dos transformadores. m

1.2.5 Extensão dos Casos Estudados para Circuitos Trifásicos


Na análise de sobretensões, anteriormente desenvolvida, foram utilizados circuitos mono-
fásicos, que possibilitaram um tratamento matemático relativamente simples dos problemas
envolvidos nas manobras dos sistemas de distribuição.
Esse estudo pode ser aplicado, sem nenhuma modificação, a sistemas trifásicos com
neutro solidamente aterrado, uma vez que, neste caso, as três fases são virtualmente
independentes e se comportam como três circuitos monofásicos independentes, desde que
a impedância de aterramento seja desprezível.
A importância da conexão do neutro é ilustrada na figura 1.24, que representa o
chaveamento de um sistema trifásico solidamente aterrado. Como foi visto anteriormente,
ter-se-ão sobretensões máximas de 2 Í 2 vezes o maior valor de tensão fase-neutro do
sistema.

Para o caso do neutro não aterrado ou aterrado por impedância, devido ao equilíbrio
natural das cargas, a tensão que aparece no ponto N da figura 1.25 será aproximadamente
nula (Vn = 0); e tudo se comporta como se o ponto N estivesse efetivamente aterrado.
Havendo, entretanto, a abertura de uma das fases, fase A, por exemplo, a situação será
diferente. A interrupção da corrente se dará quando IA= 0 e o neutro (P) tenderá a se deslocar
ao longo do segmento da reta NM.

C B

Fig. 1.25

Nesse caso, o maior valor de sobretensão ocorrerá quando o ponto P estiver na posição M,
situação em que:

Van=|V am; Vam=3 ^ -

Assim, no período de transição a tensão poderá ser:

= V 2 .3 . Van

Conclui-se, portanto, que em sistemas não aterrados ou aterrados por impedância ocorrem
sobretensões um pouco mais elevadas com a primeira fase aberta.
1.2.6 Sobretensões no Sistema Causadas por Ocorrência de Curto-circuito
A ocorrência de um curto-circuito pode provocar sobretensões nas fases sãs do sistema.
Tais sobretensões se caracterizam pela longa duração, isto é, perduram enquanto não se tem
a atuação de um dispositivo de proteção.
Tal tipo de sobretensão é o fator que define a tensão nominal do pára-raios adequado ao
sistema, e seu valor está relacionado com o tipo de aterramento utilizado: ou seja, quanto
menor for a impedância entre o neutro do sistema e a terra, maior será o valor da corrente
de falta e menor será o valor da sobretensão fase-terra.
Para as diferentes classes de aterramento de sistemas conforme definido em normas
internacionais, a tabela 1.2 apresenta os valores de sobretensão associados.

TABELA 1.2
Características de Aterramento

CLASSE DE RELAÇÕES DE % CORRENTE TENSÃO TRANSITÓRIA


ATERRAMENTO SIMETRIA DE FALTA FASE-TERRA EM pu
(notai) (nota 2)
xo/x, R /X, Ro/Xo

A - Solidamente
B - Efetivamente
(nota 3)

1. 0-3 0-1 >60 2


2. 0-1 0-0,1 >95 1,5
C - Não efetiva­
mente
1 - Baixa indu-
tância 3-10 0-1 >25 2,3
2 - Alta indu-
tância >10 <2 <25 2,73
3 - Baixa resis­
tência 0-10 >2 <25 2,5
4 - Alta resis­
tência 100 <(-1) <1 2,73
5 - Indutância
e resistência 10 >2 <10 2,73
6 - Ressonante <1 2,73
7 - Isolado
a - tipo A a-40 <8 3
(nota 4)

b - tipo B -40 a C >8 3 (nota 5)


Obs.: esta tabela foi extraída da referência 13 e as notas abaixo são referentes àquela
publicação.
Notas:
1- Corrente de falta para terra em porcentagem do valor de curto-circuito trifásico.
2- Transitório de tensão fase-terra, em valor pu da crista da tensão de operação de pré-falta
fase-terra.
3- Em circuitos lineares, a classe B 1 limita a tensão fundamental fase-terra em uma fase sã
a 138% da tensão de pré-falta; a classe B2, a menos de 110%.
4- Sistema de neutro isolado usual, para o qual a reatância de seqüência zero é capacitiva
(negativa).
5- Mesmo da nota anterior. Tais casos devem ser tratados de acordo com a sua importância.

Observação:
Se a relação Xq/X 1 variar entre 0 e (-20), poderão ocorrer condições de ressonância. No caso
de sistemas isolados a relação X yX j é, contudo, geralmente inferior a (-20), de sorte que é
pouco provável a condição de ressonância (referência 35).

Uma análise da tabela 1.1 acima permite concluir que, para as configurações existentes, não
se consegue ter sistemas efetivamente aterrados uma vez que, nesses casos, as relações X J
Xj e R0/Xj são superiores àquelas dadas na tabela.

Entretanto, estudos feitos para sistemas a quatro fios com neutro multiaterrado, conforme
referência 13, mostram que, considerando valores de impedância ao invés de valores de
reatância somente, tem-se valores de sobretensão medidos bem próximos daqueles
calculados. Tais valores são apresentados na figura 1.26, podendo observar-se que o máximo
valor medido de sobretensão é de 1.25 pu.

O 20 40 60 80 100 20 40 60 80 íoo milh


32,2 64,4 96,6 128,8 180,9 32,2 64,4 96,6 128,8 180,9 Km

Distância da Subestação (a) Distância da Subestação (b)

Calculado desprezando a resistência do condutor


Calculado considerando a resistência do condutor
Estudos mostram que o máximo valor é de 1,3 para redes aéreas e de 1,58 para o caso de
cabos pré-reunidos. Considerando, conforme as experiências, que os transformadores
conectados reduzem a 0,92 os citados valores devido à saturação e que, ainda, é permitida
uma elevação de tensão de 5% conforme a portaria do DNAEE, tem-se como máximos
valores de elevação de tensão:

V = 1,05 x (1,3 x 0,92) x V0N = 1 ,2 5 V 0N


V = 1,05 x (1,58x0,92) x V 0N = 1 ,5 x V0n

Em se tratando de configurações com o neutro não multiaterrado, é recomendável a


realização de estudo específico de curto-circuito, caso a caso, tendo em vista a determinação
das sobretensões máximas disponíveis.
Capítulo 2

Ondas Padronizadas
de Tensão e de Corrente

Os valores padronizados de ondas de tensão e de corrente a seguir apresentados são


baseados em medições e simulações executadas através de analisadores de rede.

2.1 Ondas Padronizadas para Surtos Atmosféricos


A forma da onda do impulso de tensão é padronizada por normas como sendo de 1,2 x
50 microssegundos, enquanto que a forma de onda da corrente é de 8 x 20 microssegundos.
A tensão necessária para vencer uma isolação é tanto maior quanto menor o tempo de
aplicação dessa tensão.
O impulso atm osférico norm alizado tem um tempo de frente de onda de 1,2
microssegundos e um tempo até metade do valor de crista de 50 microssegundos, ou seja,
a onda padrão cresce até a tensão de crista em 1,2 microssegundos e decresce até a metade
desse valor em 50 microssegundos.
Como a frente de onda é de difícil determinação, o tempo virtual para crescimento pode
ser dado como uma constante tal como 1,5 vezes o intervalo entre 0,1E e 0,9E na frente de
onda.
A taxa de crescimento da frente de onda pode ser considerada como sendo a inclinação
da reta que passa pelos pontos 0,1E e 0,9E sobre a frente de onda, e é chamada taxa de
crescimento efetivo (vide figura 2.1).
Variações na forma de onda normalizada não devem exceder ± 0,5 microssegundos na
frente de onda e (+10, -0) microssegundos na cauda da onda.
Se um impulso de tensão de uma dada polaridade e forma de onda é ajustado de modo
que o teste da amostra ocasione descarga disruptiva na cauda da onda em 50% das aplicações
e falhe nos outros 50%, o valor de pico dessa tensão é chamado de “tensão crítica de
descarga” {Criticai Flashover Voltage).
Se a descarga não ocorre, a onda é chamada onda completa. Se a descarga ocorre, a onda
é chamada onda cortada.
Aumentando-se o valor de crista, o flashover ocorrerá na cauda em menor tempo.
Aumentos sucessivos na tensão de crista podem ser feitos para provocar flashover na crista
da onda, e finalmente na frente da onda.
Na figura 2.2 são mostrados exemplos de oscilogramas obtidos ilustrando uma onda
completa e uma onda cortada de 1 x 10 microssegundos.

2.2 Curva Característica de Impulso do Equipamento


A tensão de impulso de 50% é especialmente importante para a identificação do
comportamento do isolamento de um equipamento. Para a sua determinação só é necessário
medir a amplitude da tensão, sendo desnecessário registrar o tempo de aplicação.
Essa tensão de impulso (ou impulsiva) de 50% é o valor de pico da tensão que provoca
a descarga, em experiências sucessivas, em 50% dos casos.
A curva característica de impulso representa a relação entre a tensão impulsiva de
descarga e o tempo de descarga, para tensões impulsivas da mesma forma e polaridade,
porém de diversas amplitudes, identificando de maneira completa o comportamento do
isolamento frente a tensões impulsivas.
A curva se desenvolve para a direita até a amplitude da tensão impulsiva de 50%, isto é,
para o valor de pico da curva 1 da figura 2.3.

V2 = TENSÃO C R ÍT IC A DE FLASHO VER

Vi = TENSÃO C R ÍT IC A S U P O R T Á V E L ( W IT H S T A N D )

Fig. 2.3

Aumentando-se a amplitude da tensão impulsiva, mantido o tempo de subida, a descarga


ainda ocorre na cauda, porém num instante anterior (curvas 2 e 3).
Na tensão impulsiva da curva 4, a descarga ocorre no valor de pico (descarga de pico);
e na tensão impulsiva 5, já ocorre na frente de onda.
A curva característica da tensão disruptiva sob impulso (flashover x tempo) é obtida a
partir dos pontos cujas coordenadas são os valores de crista das ondas aplicadas, e os valores
de tempo nos quais as descargas ocorreram.
Deve-se notar que mesmo a descarga ocorrendo na cauda o valor da tensão a ser
considerado é o da crista do impulso, já que o importante é saber qual a onda que provocou
a descarga.
Para descargas que tenham ocorrido na frente da onda o valor da crista a ser considerado
é a máxima tensão alcançada durante o ensaio, já que essa é a maior tensão a que o
isolamento foi submetido.

2.3 Ondas Padronizadas para Surtos de Manobra


De um modo geral, são poucos os estudos e as simulações orientadas para impulsos de
manobra em circuitos de distribuição, visto que os casos críticos ocorrem, geralmente, em
sistemas de alta tensão.
Entretanto, toma-se pertinente a transcrição de algumas conclusões publicadas pelo grupo
de estudo da referência 12:
a) estudos em modelos e investigações de campo mostraram que tais surtos têm forma de
onda, frente da onda e duração total abrangendo uma larga faixa de variação, indo desde
os impulsos atmosféricos até próximo àqueles em freqüência industrial;
b) esses surtos são aleatórios, com ou sem distorções devidas a harmônicos;
c) foram selecionadas as formas de onda da tabela 2.1, tidas como representativas;

TABELA 2.1

FRENTE DE ONDA TEMPO PARA CAIR A 50% DO VALOR


(|is)

1 50 ± 25% 1000 a 5000


2 300 ± 25% 1000 a 5000
3 1000 ±25% 5000 a 10000
4 1/2 c i c l o e m 60 Hz
(4000 jlxs)

d) para surtos de longa duração admite-se que os testes para freqüência industrial são
adequados.
A forma de onda adotada em normas internacionais é a de 250 x 2500 microssegundos.
Capítulo 3

Teoria da
Propagação das Ondas

Qualquer distúrbio numa rede de distribuição, tal como o provocado por uma descarga
atmosférica (direta ou induzida), ou por uma interrupção das condições do estado perma­
nente, resulta no início de ondas viajantes (de tensão e corrente), que se propagam ao longo
dalinha e submetem o seu isolamento e dos equipamentos nela instalados a sobretensões que
podem ultrapassar seus limites de suportabilidade.
É importante conhecer o comportamento dessas ondas viajantes para que se possa pre­
venir os seus efeitos sobre os componentes do sistema elétrico, em particular os resultantes
do fenômeno de reflexão que poderá ocorrer em determinadas circunstâncias.
A análise matemática que se segue serve a esse propósito.

3.1 Expressão Matemática das Ondas Viajantes de Tensão e de Corrente


A expressão matemática das ondas viajantes de tensão e de corrente representa a solução
da equação diferencial de uma linha monofásica. Para o caso de uma linha sem perdas (figura
3.1), essa expressão é dada por:

e = / i ( t + £-) + / 2(t-£ >

= - \U (t + |-) + 2 (t ‘ 7-)

">nde:
= distância medida ao longo da linha
= velocidade de propagação
= tempo
= impedância de surto do condutor
Fixando t e plotando e e i em função de x, obtém-se a distribuição da tensão ou corrente
ao longo da linha naquele instante. Fixando-se x e plotando e e i em função de t, obtém-se
a variação da tensão ou corrente com o tempo naquele ponto.

La x
W

x
CA x

Fig. 3.1 - Pequeno elemento de uma linha

Observe-se que:
- a distribuição da tensão e da corrente ao longo de uma linha representa duas ondas
viajantes: uma d ireta ou incidente, no sentido +x (onda positiva), dada por f 2 (t - x/v);
e outra reversa ou refletida, no sentido -x (onda negativa), dada por (t + x/v);
- em cada ponto ao longo da linha e em qualquer instante, o valor da tensão, ou o valor da
corrente, sempre será igual à soma algébrica das duas ondas correspondentes.
e = ed+ e r

i = i d + ir
onde:
ed = tensão direta ou incidente
er = tensão reversa ou refletida
id = corrente direta ou incidente
ir = corrente reversa ou refletida

- essas ondas se propagam com uma velocidade dada por:

1
v= = —(km/s)
Vl c t

onde:
L = indutância própria do condutor (H/km)
C = capacitância para terra (F/km)
x = distância (km)
t = tempo (s)
Aéreo: L = 2 x 10 4ln — (H/km) (Eq. 3.1)
d
-6
C = _ i 2 ------(F/km) (Eq. 3.2)
, o , 4h
d

.4 «•
Cabo subterrâneo: L = 2 x 10 ln - i (H/km) (Eq. 3.3)
ri

C = (F/km) (Eq. 3.4)


18 ln
onde: ri
H = altura do condutor em relação ao solo (m)
d = diâmetro do condutor (m)
r t = raio.do condutor (cm)
r2 = raio interno da blindagem (cm)
k = constante dielétrica ou permissividade relativa. Para o ar, k = 1 e para o cabo k varia de
2,5 a 4,0.

Portanto:
v = 300000 km/s (para linhas aéreas)
v = 100000 a 150000 km/s (para cabos subterrâneos)

3.1.1 Impedância de Su rto


A constante de proporcionalidade entre a tensão e a corrente de surto é chamada
impedância de surto (Z).

(Eq. 3.5)

onde: v = velocidade de propagação da onda.

a) Impedância de Surto de Redes Aéreas


Redes monofásicas (fase x neutro)
A substituição dos valores de L e C determinados pelas equações (3.1 e 3.2) na equação
(3.5) resulta em:
4h
Z = 60 / n — (O) (Eq. 3.6)
d
Da aplicação desta equação (3.6) para o caso de um condutor 1/0 CA (d = 9,36mm)-
instalado a 9,3rn de altura, tem-se:
4 x 9 ,3
Z = 60 /n = 500 Q
-3
9 ,3 6 x 10

Valor esse normalmente considerado para todas as condições (bitolas e alturas) usuais.

Redes polifásicas
A impedância de surto de redes trifásicas e monofásicas (fase-fase), que conduzem ondas
de tensão iguais em todas as fases (tensões induzidas) pode ser determinada, considerando
os condutores fase como um único condutor equivalente.
Supõe-se que este condutor equivalente conduz uma onda de tensão igual à dos condu­
tores fases e que a onda de corrente de surto é a soma das correntes em cada uma das fases.
Assim, para uma linha trifásica, o condutor equivalente conduz:
- uma onda de tensão e Q = e i = e 2 = e3

e l» e 2 ; e 3 ~ tensões nas fases 1 ,2 e 3


- uma onda de corrente i 0 = i ^ + i 2 + Í 3
ix; i2; i3 - correntes nas fases 1 ,2 e 3
A impedância de surto equivalente será:

Jo i l + 12 + 1 3

Z n ,Z 22, Z 3 3 - impedância própria dos condutores fases

Z n , Z 22, Z 33 = 60 ln 4h/d (vide figura 3.1a)


1 b 2 3
©-«------ » 0 I O (CONDUTORES)

// V

O O G ( IMAGENS DOS CONDUTORES)


1' 3'
d = diâmetro do condutor
h = altura do condutor em relação ao solo
a = distância entre um condutor e a imagem do outro
b = distância entre dois condutores
Fig. 3.1a
Z 12 = Z 2 1 ', Z j 3 = Z 31; Z 23 = Z 32 - impedância mútua entre dois condutores
z 1 2 = z 2 i = 60 / n a 12 ’/ b 12 (vide fig. 3.1a)

z 13 = z 31 = 60 / n a l3'/bl3
Z 23 = z 32 = 60 l n a23'/b23

Cálculo das correntes i 1 , i 2 e Í3:

Do conjunto de equações O, determina-se que:


• _ Ai • _ A2 ^ ; _ A3 Q
i i — e° Í2— ^3—-^-^o

onde:
Z11 z 12 z 13
D = 221 222 'h .Z

^2 Z33
Ar - é o mesmo determinante D com a r ésima coluna substituída pela coluna de 1.

1 Z12 Z13 Z11 1 z 13 Z11 212 1


Ai = 1 222 223 a2 = Z21 1 Z 23 a3 = 221 222 1
1 232 233 Z31 1 Z33 23 1 232 1

D
Portanto: 2n = —
0 Al A2 A3 2o = A1 + A2 + a 3
+ — e„ +
D~ D ~D ~o

Para o caso de uma linha trifásica em condutor n2 1/0 CA, com estrutura tipo N I (vide
figura 3.1b), tem-se:
4h
Z n =Z 22 = 6 0 Irv
d “ 60 / n 0,00936 = 500 Q

a12 ^ . 18,6 0
z 12 = Z21 = 60 / n r— = 60 In rrjr-= 164 Q
bi2 1,2

z 13 = z 31 = 6 0 / n £ ^ - = 6 0 / n y ^ - = 140 Q
bi3 1,8

a23' 18 6
z 23 = Z 32 = 60 *n ~ - = 60 In ^ f - = 206 Ü.
b23 0,6

500 164 140


D = 164 500 206 = 9,1 x 107
140 206 500

1 164 140
Ai = 1 500 206 = 118188
1 •206 500

500 1 140
A2 = 164 1 206 = 97200
140 1 500

500 164 1
a 3 = 164 500 1 = 106848
140 206 1

D _ 9 ,lx l0 7
zo ~
A1 a2 a3 322236

Z0 = 280 Q., valor esse normalmente considerado para todas as condições práticas usuais.
b) Impedância de Surto de Cabos Subterrâneos
A substituição dos valores de L e C determinados pelas equações (3.3 e 3.4) na equação
(3.5) resulta em:

Z = - / h - (O) (Eq. 3.7)


k rj

Para as características usuais dos cabos subterrâneos, a aplicação dessa equação resulta num
valor prático de 50Í1
Observa-se que a impedância de surto não depende do comprimento da linha, mas
somente do meio em que esta se encontra, da bitola e da altura utilizadas.

3.1.2 Ondas de Corrente e Tensão


A onda de corrente sempre acompanha a onda de tensão e tem, basicamente, a mesma
forma. Em qualquer instante, em qualquer ponto da linha, a corrente de surto passando no
condutor é diretamente proporcional à tensão de surto, e inversamente proporcional à
impedância de surto (Z).
As ondas incidentes de tensão e corrente têm o mesmo sinal, enquanto que as ondas
refletidas de tensão e corrente têm sinais opostos (vide figura 3.2).

• • ed • • er
e d = Z i d •• i d = er = - Z ir .. i r = - —

3.2 Superposição de Ondas


Quando duas ondas se deslocam em sentidos opostos numa mesma linha, ao se
encontrarem, uma não altera as características da outra. Durante o tempo de cruzamento
(figura 3.3), suas amplitudes se somam algebricamente, formando, momentaneamente, uma
onda de forma e valor diferente, após o que cada qual segue o seu caminho como se não
tivesse havido esse cruzamento.
(c)

3.3 Energia das Ondas Viajantes


A energia de um par de ondas viajantes é a soma das energias eletrostática (devido à
tensão) e eletromagnética (devido à corrente).
w = we + w m

onde:
w = energia total armazenada por unidade de comprimento
w e= energia eletrostática por unidade de comprimento
w e= 1/2 Ce
w m = energia eletromagnética por unidade de comprimento
w = 1/2 Li
m 9 2
w = 1/2 Ce + 1 /2 Li
Como:

Li2
C
L
Z2 =
c •2 Ce2
V.
L

Substituindo na equação anterior, tem-se:


2 2
w = Ce = Li = 2 w e = 2 w m

w e = w m = w/2
Essas equações mostram que, no caso de uma linha de comprimento infinito, a energia
total de um par de ondas viajantes é dividida igualmente entre as ondas de tensão e corrente.
A energia total armazenada num par de ondas (W) é, então, obtida pela integração ao
longo de seu comprimento total.
W = J W dx = C J e2 dx = L J i2dx
Portanto, a energia W depende da forma das ondas de tensão e corrente. A potência de
um par de ondas que passa ao longo de uma linha é igual ao produto da energia armazenada
por unidade de comprimento, pela velocidade de propagação:
2 1 2 p
P = w v = i L —L _ = i z =—
fL C z
Nota: todas essas relações são aplicadas separadamente às ondas viajantes incidente e
refletida.

3.4 Reflexão e Retração de Ondas


Quando uma onda que viaja em uma linha alcança um ponto de descontinuidade (carac­
terizado por uma mudança repentina das constantes do circuito), como um terminal aberto
ou curto-circuitado, uma junção com outra linha, ou um enrolamento de uma máquina, uma
parte da onda é refletida e uma parte pode passar para as outras seções do circuito. No ponto
de transição a magnitude da tensão ou corrente pode variar de zero até o dobro do valor da
onda, dependendo das características no terminal.
A onda que atinge o ponto de descontinuidade é chamada de incidente (ou direta); as
outras duas ondas que aparecem neste mesmo ponto são chamadas de onda refletida (ou
reversa) e onda transmitida (ou refratada).
Tais ondas são formadas de acordo com a lei de Kirchoff. Conforme já visto anterior­
mente, em cada ponto da linha as seguintes relações devem ser satisfeitas:
ed= Z id onde:
er= onda refletida de tensão
er = - z i r
i r = onda refletida de corrente
e = e d + er id = onda transmitida de corrente
ed= onda transmitida de tensão
i = i d+ i r
e = onda incidente de tensão
i = onda incidente de corrente
3.4.1 Linha Terminada em Resistência
O circuito a ser considerado está mostrado na figura 3.4.
Para uma onda em forma de degrau chegando neste terminal tem-se
e = Ri
De acordo com as equações da onda viajante:
e = ed + er = Ri
i = id+ i r
ed= Z id
er = - Z i r
Dessas equações tira-se:

° r = R + Z e<i= ann
R - Z • Z-R •
1r = ---------- 1d = ^ ~ u 1d = ” an n 1d
R +Z Z+ R
2R
e = e d = a nn e d
R + Z

2Z
l= *d ^nm*d
R +Z

onde:
ann = coeficiente de reflexão da onda de tensão
R -Z
a nn —
R +Z

a nm= coeficiente de refração da onda de tensão


2R
anm
Z +R

b nm = coeficiente de refração da onda de corrente


2Z
'nm
Z +R

n = ne da junção ou terminal considerado


m = nô da junção ou terminal adjacente à junção considerada
Para cada uma das seguintes situações tem-se:
a) R = oo - Linha terminada em circuito aberto

Então:
a nn = ^
er = e d
ir= - id
e = er + ed = 2 e d
i = ir + i d= 0
Observe-se que:
- a onda de tensão refletida é igual à onda incidente;
- a onda de corrente refletida é igual, e de sinal contrário, à corrente incidente;
- a tensão no terminal da linha aberta é o dobro da tensão incidente neste ponto;
- a tensão se propaga de volta na linha com o dobro do valor de tensão incidente;
- a corrente incidente é anulada pela corrente refletida, ficando a linha com corrente zero
no terminal;
- após a reflexão, toda a energia será armazenada no campo eletrostático devido à tensão
ter dobrado de valor e à corrente ser nula.

A figura 3.5 ilustra a situação descrita.

ed
(a) -o

(b )

e = 2ed
(c)

----- ^ id R 1°
(d )
ir ------ 1L_ __1

Fig. 3.5

Notas: - Foi considerada uma onda em forma de degrau para facilitar o entendimento desta
análise.
- As equações da onda viajante são válidas para qualquer forma de onda.

b) R = 0 - Linha terminada em curto-circuito

ann = "1
Então:
er = - e d

*r= *d
e = er + ed = 0
i = ir + i d= 2 i d
Observe-se que:
- a onda de corrente no terminal em curto-circuito é o dobro da onda de corrente incidente
nesse ponto;
- a onda de tensão refletida é igual e de sinal contrário à onda de tensão incidente;
- a onda de corrente se propaga, voltando ao longo da linha com o dobro do valor da onda
incidente;
- a onda de tensão incidente é anulada pela refletida, resultando em tensão zero na linha;
- após a reflexão, toda a energia será armazenada no campo eletromagnético devido à
corrente ter dobrado de valor e à tensão ser nula.

A figura 3.6 ilustra a situação indicada.

ed
(A )
------1

id
(B )
------ 1

1I
ed
(C)
er

ir

(0)
— ►id I
2 id

Fig. 3.6

C) R = Z - Linha terminada em resistência igual à impedância de surto.

Então:
er = 0
ir = 0

Portanto não haverá reflexão neste ponto, ou seja, não existe ponto de descontinuidade. A
onda simplesmente se escoará para terra.
d) R < Z
- a onda de tensão refletida é negativa e a de corrente é positiva;
- a tensão refletida no ponto terminal é menor que a tensão incidente e a corrente, refletida
no mesmo ponto, é maior que a incidente.

e) R > Z
- a onda de tensão refletida é positiva e a de corrente é negativa;
- a tensão no ponto terminal é maior que a tensão incidente e a corrente, no mesmo ponto,
é menor que a incidente.

3.4.2 Junção de Duas Linhas Diferentes


Considerando uma junção entre duas linhas (figura 3.7) de impedâncias de surto dife­
rentes Z± e Z2, (Z2 < Z±), ou seja, o caso da junção de uma linha aérea com cabo subter­
râneo, uma onda chegando nessa junção dará origem a uma onda refletida e uma onda trans­
mitida (ou refratada).

----- ►ed 1
21 í 22 21 Ti
i
!e
----------- 4• ».id l
------------ Í---------x-------------------
21 22

— ►edl —»» e
er i - —

eri.
idl
(a)

Fig. 3.7

A tensão e a corrente transm itidas são iguais à tensão e corrente na junção,


respectivamente. Este caso é o mesmo da linha terminada em resistência (figura 3.7b), só que
R =z2.
Assim sendo, temos:
Z2 -Zi
6ri Z 1 + Z 2 e<il anCdi

. _ Z 1_ Z 2 .
lfl Zj + z2ldl "ailldi

2 Z-
e=
Z 1 + Z 2 Cdl ai2e<ii

2ZX
i = ----------- i d , = b 1 7 Í h í
Z x + Z 2 dl 12 d

Essas equações quantificam as leis da reflexão e transmissão (ou refração) das ondas
viajantes.

3.4.3 Junção de Várias Linhas


O circuito da figura 3 .8 (a) pode ser substituído por equivalentes representados nas figuras
3.8(b) e 3.8(c), que são iguais ao circuito do item anterior, sendo que a impedância Zp
representa o paralelo de todas as impedâncias de surto, de todas as linhas, à direita do
ponto p.

(c)
2 Zp
e=
Z i + Z p edl

2ZX
i = ---------- Ífi = Íf + i * + •.. + i t
zp+ z x d ll t2 tn

_ V z i
Cr‘ Z i + Z p 6d'

_ Z i - Zp .
lri" Z i + Z p ldi

Nos casos gerais, como Z p < Z uma junção com várias linhas é um excelente meio de
reduzir a tensão transmitida.

3.4.4 Terminações Gerais


No caso de uma linha terminada em resistência, conforme visto no item 1, a tensão no
terminal é dada por:
2R o Oo R
e= ed=2ed-
R + Z “ “R + Z
Essa equação pode ser interpretada como resultante do circuito da figura 3.9.
-AAMr
z
2ed ô
Fig. 3.9

Observa-se, entretanto, que este circuito corresponde ao circuito equivalente de Thévènin,


onde:
Z = impedância vista dos terminais com a tensão da fonte curto-circuitada
2ed = tensão do circuito aberto sem carga no terminal
Usando o circuito equivalente de Thévènin, qualquer carga pode ser adicionada e a tensão
e, no terminal, pode ser calculada. A tensão refletida será determinada pela equação:
er = e - e d
Para a análise de linhas com terminações não resistivas (capacitor e indutância) esse método,
usando, ainda, a transformada de Laplace, é muito prático.
Portanto, considerando o circuito da figura 3.10:
AA/W
£ 1

2 ed ( S ) 0 2 (S) e (S)
_ r
Fig. 3.10

Onde:
Z(s) = transformada de Laplace da impedância de entrada do circuito
e d (s) = transformada de Laplace da tensão da fonte
Z = impedância de surto da linha

Assim:
Z (s)
e (s) = 2ed (s)
Z + Z (s)

Z (s) - Z
er (s) = • ed (s)
Z + Z (s)

2ed (s)'
i (s) =
Z + Z (s)

Z - Z (s)
(s) = z T z ( i j ' 1 (s)
a) Linha terminada em capacitor
Considerando uma onda de tensão e corrente tipo degrau, de magnitude E e I
respectivamente, chegando num terminal com capacitor (figura 3.11) temos:
,---------------- W \ M ---------------- -1
i
- 1 e (S)
2ed (S ) O
O 2 (s ) :
" SC
e^(s) = — (onda tipo degrau)
S

Desenvolvendo e determinando a transformada inversa, da tensão e corrente no terminal,


obtém-se:

e = 2E

Conclui-se que:
- no instante t = 0, a tensão no terminal é zero, enquanto a corrente dobra de valor. O
capacitor atua para a frente da onda como se fosse um curto-circuito;
- gradualmente a tensão vai aumentando até dobrar o valor e a corrente vai diminuindo até
chegar a zero. Nesse ponto (t = °°) é como se o capacitor fosse um ponto de circuito
aberto;
- o capacitor evita que a tensão no terminal dobre imediatamente de valor;
- a tensão refletida inicialmente é (-E) e gradualmente se aproxima de (+E);
- a corrente refletida inicialmente é (I), e gradualmente tende para (-1).

A figura 3.12 ilustra a situação indicada.

I 1
C
T

b) Linha terminada em indutância


Este caso é semelhante ao anterior, onde Z(s) = L(s) (figura 3.13).

e (S)
Desenvolvendo e determinando a transformada inversa da tensão e corrente, obtém-se:
Zt
e = 2Ee" L

W- l l . 2 e - r V M l . 2 e - r

Conclui-se que:
- inicialmente (t = 0) a tensão no terminal dobra de valor, enquanto que a corrente é nula.
A indutância se comporta como se fosse um circuito aberto;
- gradualmente a tensão vai diminuindo até se aproximar de zero e a corrente vai
aumentando até dobrar de valor. Nesse ponto (t = <*>), a bobina se comporta como se
estivesse curto-circuitada;
- a tensão refletida inicialmente é (+E), e gradualmente se aproxima de (-E);
- a corrente refletida inicialmente é (-1) e gradualmente se aproxima de (+1).

A figura 3.14 mostra a onda total e a onda refletida, no terminal.

2 L

O id
ir
c) Capacitor conectado entre a terra e a junção de duas linhas com impedâncias de surto
diferentes

Para uma onda tipo degrau chegando na junção indicada na figura 3.15, temos:

21
Tc 22

Fig. 3.15

SC
1
E 2 2 / / SC E z2+ SC
e(s) = 2 f -------------- 2 f
Zg_
Zi + Z 2 " à SC
Zi +
z2 + SC
2E__________ 1
e(s) =

z ,c ‘ r » w

Aplicando a transformada inversa, obtém-se:

2 Z2
( (Zj + Z 2)t\
E U - e ' Z ^ Z jC J
Z+Z 2

er = e _ e d
2 Z2 / (Zi + Z 2)t'
er = - E + E I1-e Zj + Z 2C
Z+Z2

ir =

2 Z2 T (Zí + Z 2)t>
'2
( _ (Zi + Z 2)t
2Z i
ill-e Zl + Z
lt2 Z i+ Z 2

Pode-se, então, concluir que:


para t = 0,
e=0

Ír = I
i = i(j+ ij = 21

Portanto a tensão na junção é nula e a corrente dobra de valor. O capacitor se comporta como
se fosse um curto-circuito para a frente da onda.
Gradualmente a tensão vai aumentando e a corrente vai diminuindo até que, para t = °°:
2 Z2 Z2-Zi 2ZX Z 1 xZ2
-------— E ; er = —“------ E ;
Z i+ z 2 zl+ Z2 z [T z ^ z l+ Z 2

Portanto, é como se 0 capacitor não existisse. A figura 3.16 ilustra a situação descrita.

Ti ^ zT

T
Il1
I
I

I
I
d) Linha terminada em transformador
O enrolamento do transformador deve ser considerado sob o ponto de vista de análise de
surtos, sob dois aspectos:
• como o enrolamento influencia o circuito externo;
• como o surto solicita o enrolamento.
Uma análise completa para um transformador é tão complexa, que a análise detalhada
para cada projeto não é feita. Sobre o assunto existe farta bibliografia disponível.
Neste trabalho iremos indicar, apenas, como o enrolamento influencia o circuito externo.
Assim sendo, como a impedância de surto de um transformador (tabela 3.1) é muito maior
do que a impedância de surto de uma linha aérea, o terminal com transformador para um
surto atmosférico se comporta como se fosse um circuito aberto.

TABELA 3.1
Impedância Média de Surto dos Enrolamentos
dos Transformadores de 5 kVA e 500 kVA (ref. 22)

POTÊNCIA DO TRANSFORMADOR 5 kVA 500 kVA

^alta tensão 20000 Q 5000 Q


Z.baix
. a te
* nsã-o 4000 Q 600 Q

3.5 Reflexões Sucessivas


A determinação das potências ou das correntes em algum ponto ao longo de uma linha,
em um tempo qualquer, exige o acompanhamento das reflexões e refrações sucessivas.
O método a ser utilizado foi criado por L.V. Bewley (ref. 32) e é chamado de “Diagrama
de Lattice” ou de “treliças”. Esse método desenvolve um diagrama para acompanhamento
e registro.
Na figura 3.17 está ilustrado o princípio da reflexão Lattice. Foram consideradas três jun­
ções espaçadas em intervalos desiguais ao longo da linha. Essas junções podem se constituir
de qualquer combinação de impedâncias em série com a linha ou conectadas à terra.
Os circuitos entre as junções podem ser linhas aéreas ou cabos subterrâneos.
Para construir o diagrama, marca-se num eixo horizontal (em escala) o comprimento entre
as junções. Sobre os eixos verticais, localizados em pontos nos quais deseja-se conhecer as
tensões ou correntes, marca-se a escala dos tempos tomando-se como unidade de tempo x/
v (s). Ligando-se os pontos de origem das ondas com o seu destino, tendo em conta os
tempos que levam para percorrer a linha, o diagrama estará pronto. Para maior facilidade,
indicam-se coeficientes de reflexão e de jefração nos diversos pontos de descontinuidade.
Onde:
a nn = coeficiente de reflexão das ondas que se aproximam pela esquerda
ann = coeficiente de reflexão das ondas que se aproximam pela direita
a nm = coeficiente de refração das ondas que se aproximam pela esquerda ou pela direita
n = ne da junção considerada
m = nâ da junção adjacente à junção considerada

Pode-se concluir que:


1) A posição de qualquer onda em qualquer tempo é dada pela escala de tempo.
2) A tensão ou corrente total em qualquer ponto e em qualquer instante de tempo é a
superposição de todas as ondas que chegam nesse ponto até o instante considerado,
deslocadas em posição uma das outras, por intervalos de tempo iguais às diferenças em
seus tempos de chegada.
Nos pontos de descontinuidade, onde ocorrem reflexões e/ou refrações de ondas, os
valores totais são obtidos pela superposição de todas as ondas refratadas no ponto de
descontinuidade, até o instante considerado.
3) A história prévia de qualquer onda é facilmente encontrada, isto é, pode-se determinar de
onde veio e quais as outras ondas que influíram em sua composição.
4) Quando os cálculos devem prosseguir além do ponto em que é prático colocar todos os
coeficientes nos desenhos, pode-se derivar um método tabular de cálculo, de fácil
sistematização e preenchimento automático.
Quando as junções contêm somente resistências, é mais simples introduzir os valores
numéricos diretamente no diagrama.

3.5.1 Exemplos
(1) Conforme a figura 3.18(a), uma linha de distribuição aérea longa é terminada num cabo
subterrâneo de 150m que atende um transformador. Determinar a variação da tensão em
cada ponto de descontinuidade (1 e 2), quando uma onda de 400 kV, tipo degrau, atinge
a junção 1.

a) Cálculo dos coeficientes de reflexão e refração da tensão nas junções 1 e 2

z 2 "Z1 50-500 = - 0,82


an =
Z2 + Zj 50 + 500

2 x z 2 _ 2 x 50
0,18
Z j + Z2 550

z 3 "z 2
a22 = = 1
z 3 + z 2

2 x Z3
sendo Z 3 = ° ° (vide nota), levantando a indeterminação:
z 3 + z 2

a 23
Z3 t Z2

Z3 Z3 OO

2 x Zo
a2 1 = --------—= 0
z 2+ Z 3

2x Zj
a 10 = 1,82
Z 1+ z 2

N ota: a impedância de surto de um transformador é muito maior que a impedância de surto


de um cabo. Podemos admitir portanto: Z 3 = °°
b) Cálculo do tempo para a onda ir de 1 a 2
t = x/v
x = 150m
v = 150000 km/s (cabo subterrâneo)
0,150
t = ----------- = 1 jis
150000
De posse desses dados constrói-se o diagrama de Lattice, conforme figura 3.18.

ed
400 kV 1 150 m

Z i = 500 A Z 2 = 50 A
llz 00

(a)

400 kV
Z i - 500A Z3 ^00
REFLEXÃO -0,82

REFRApÃO 1,8:

(b)

o
CL
Portanto, a tensão no ponto 1, para 14 < t < 16 jis, é, de acordo com a figura 3.18:
V i = (400 - 328) + 131 + 107,4 + 88 + 72,3 + 59,3 + 48,6 + 39,9 = 618,5 kV e a tensão no
ponto 2 para 13 < t < 15 jxs será:
V 2 = 144 + 118 + 96,8 + 79,4 + 65,1 + 53,5 + 43,8 = 600,0 kV

A variação da tensão nas junções 1 e 2 está mostrada na figura 3.19.

Fig. 3.19

Observa-se que:
- o cabo retarda a frente da onda. A tensão na junção 1 cresce continuamente, e como a
cauda da onda considerada neste exemplo é infinita, a tensão tenderá ao dobro da tensão
incidente, uma vez que foi desprezada a atenuação na linha. O cabo apresenta o mesmo
feito de um capacitor;
- a tensão na junção 2 cresce também progressivamente, tendendo para o dobro da tensão
incidente.

Nota: do mesmo modo que foi feito o diagrama de Lattice para a tensão, faz-se para a
corrente, só que, neste caso, são utilizados os coeficientes de reflexão e refração da corrente.

(2) Considerando um surto tipo degrau, chegando no ponto 1 da figura 3.20, onde existe um
pára-raio, determinar a variação da tensão nos pontos 1 e 2 e a corrente que circula pelo
pára-raios para R = 100 Q e R = 10 Q.

ed
j
Zi= 500/1 Z3= 500/1

í P.R.

9m Z2= 500 i l

//\\ 77 \Y 4 /AV // W
x

T
Fig. 3.20

Nota: a impedância de surto do condutor de descida do aterramento é determinada do mesmo


modo que a impedância de surto do condutor aéreo.

Z = 60 ln 4h/d = Z 2 (ref. 22)

Onde:
h = comprimento do condutor de descida do aterramento (considerado desde o ponto 1 até
o ponto 2) em metros
d = diâmetro do condutor em metros
Para h = 9m:
Supondo:
4x9
# 2 cobre AWG -> Z? = 60 l n ----------= 509 -> Zo = 500 Q
1 0 ,0 0 7 4 L
O pára-raios passa a ser condutor a partir do momento em que a tensão no ponto 1 atinge sua
tensão disruptiva. A partir deste instante, a corrente que circula pelo pára-raios é limitada
pelo elemento resistivo não linear do mesmo, pela impedância de surto do condutor de
descida do aterramento e pela resistência do aterramento. Do ponto de vista de propagação
de ondas, o pára-raios se comporta como se fosse um curto-circuito.
Assim sendo, o circuito a ser considerado para o cálculo dos coeficientes de reflexão e
reffação é o indicado na figura 3.21.

ed

1- hipótese - R = 100 Í2

a) Cálculo dos coeficientes de reflexão e refração da tensão nos pontos 1 e 2

(Z2 / / Z 3) - Z 1 2 5 0 -5 0 0
ai i = -------------------- = ------------- = -0 ,3 3
11 Z 1 + ( Z 2 / / Z 3) 750

x ^ 2 / / z 3> _ 2 x 250 _
312 313 Z x + (Z2 / / Z 3) 750

( Z i / / Z 3 ) - Z 2 _ 250-500
(coef. de reflexão no ponto 1,
Z 2 + ( Z 1/ / Z 3) 500 + 250 da onda vindo do ponto 2)
2 x // Z 3 ) 2 x 250 _c\ a i
a i ° = &13 = Z 2 + (Z x / / Z3) = 500 + 250 " 0,67

R - z2 100 - 500
a2 2
--------- = ---------------= - 0,67
Z2 + R 600

2xR 2 x 100
a2 T = 0,33
Z2 + R 600

9m
*12 = 0,03 |is
300m /|is

O diagrama de Lattice está mostrado na figura 3.22.


Tensão

Observa-se que as reflexões entre os pontos 1 e 2 tendem a eliminar o efeito da impedância


de surto do condutor de descida do aterramento, em aproximadamente 0,3 ps, ou seja, a
tensão no ponto 1 é quase igual à tensão no ponto 2. Como a frente da onda de um surto
geralmente é maior que 1 ps, as reflexões no condutor de descida podem ser desprezadas
(referência 32 pág. 205). Matematicamente, isso equivale a considerar o coeficiente de refle­
xão no ponto 1 como se a resistência de aterramento estivesse conectada diretamente nesse
ponto.

b) Cálculo da corrente de surto que passará pelo pára-raios e aterramento


Conforme mostrado no item anterior, a impedância de surto do condutor de aterramento pode
ser desprezada e, portanto, o circuito a ser considerado para o cálculo dos coeficientes de
reflexão e refração da corrente é o representado na figura 3.24(a).
Fig. 3.24a

A corrente no ponto 1 é:
2 x Z i id 2 x 500 . i d
il =
Z x + (Z3 / / R) ~ 500 + 83,3
= U I id

A corrente que passa no pára-raios e aterramento é:

500
iat= 1,71 idx = 1,425 i d
500 + 100

A corrente que passa na linha 3 é:

100 0,285 i d
i d = U ! id
500 + 100

O cálculo de corrente que passa pelo pára-raios pode ser feito também a partir da tensão, ou
seja:

--- A/WV — a a a a --------- -- AAAAr-- /W\Ar-


Zi= 500 i l Z3-- 500 i l Zi= 5'OOil 83,3 il

10 0 i l

Fig. 3.24b

Tensão no ponto 1 [figura 3.24(b)]:

E ! = - *-8M e d = 0,286 e d
1 583,3 d d
Corrente que circula pelo aterramento:
1 _ 0,286
R 100
Como ed = 500 i d

_ 0,286x500
lat „. . M 1/
100
A corrente que passa na linha 3 é:
E1 0,286 x 500
id = 0,286 id
l2 = z ; = 100

Durante a passagem do surto de corrente, o pára-raios tem tensão residual e o condutor de


aterramento apresenta também uma queda de tensão L di/dt.
Assim, a tensão no ponto 1 é:
di at
e l = eP R + L —j— + Ri at

Onde:
ePR = tensão residual do pára-raios (kV)
L = indutância do condutor de aterramento em |iH
L = 1,2 |iH/m x h (m)
(h = comprimento do condutor de aterramento em metros)
dia/ d t = taxa de crescimento do surto de corrente que passa pelo condutor de aterramento
(kA/|is)
i at = corrente que passa pelo aterramento (kA)

2- hipótese - R = 10 O
a) Cálculo do coeficiente de reflexão e refração da tensão nos pontos 1 e 2 indicados na
figura 3.21:

an = 25(h f Q0 = -0,33 a i 2 = a 13 = 2x25Q- = Q,67


750 12 13 750
250 - 500 = - 0 ,3 3 (coef. de reflexão no ponto 1, da onda de tensão vinda do ponto 2)
an =
750

a iu
10 = a 15
l3 = 2 75Q
X 25 0 = 0,67 a 22 = 1 ^ 0 0 = - 0 , 9 6
22 510

2 x 10 t 12 = 0,03 fis
a 2T = 0,04
510
0,00008 eo

0,00003 ed

Fig. 3.25
Tensão (pu)

Como no exemplo anterior, observa-se que as reflexões entre os pontos 1 e 2 tendem a elimi­
nar o efeito da impedância de surto do condutor de descida do aterramento em aproxima­
damente 0,3 ps. Isso equivale a considerar o coeficiente de reflexão no ponto 1 como se a
resistência de aterramento estivesse conectada diretamente nesse ponto.

b) Cálculo da corrente de surto que passará pelo pára-raios e aterramento


O circuito a ser considerado para o cálculo do coeficiente de retração está representado na
figura 3.27.
— yVWV— ■— V sA A A r
500 i l 9 ,8 i l

A corrente no ponto 1 é:

2 x 500 id
1,96 id
509,8

A corrente que passa no pára-raios e aterramento é:


500
iat = 1,9 6 i d x — = 1, 9 2 id

3.6 Conclusões
a) Observa-se que, independentemente do valor de resistência de aterramento, a impedância
de surto de um condutor de descida de aterramento de 9m pode ser desprezada.
b) Para se determinar o comprimento máximo que pode ter o condutor de descida do aterra­
mento, de modo que a sua impedância de surto seja desprezível, basta verificar para que
tempo inferior a 1 p.s (referência 32) as tensões nos pontos 1 e 2 da figura 3.21 são quase
iguais.
Nesse caso, as figuras 3.23 e 3.26 determinam que o condutor de aterramento pode ter
um comprimento máximo de 30m, já que, se para 9m as tensões se igualam a partir de
0,3ps, ao limite de 1 ps correspondería uma distância de 9/0,3 = 30m.
Capítulo 4

Análise dos Componentes


a Serem Protegidos

A proteção contra sobretensões de redes e equipamentos tem dois objetivos primordiais:


• limitar os valores de sobretensões a níveis que não danifiquem o isolamento do
equipamento;
• assegurar a continuidade do fornecimento de energia.
Portanto, é útil, como ponto de partida, estudar as características do isolamento dos
equipamentos e da rede de distribuição.

4.1 Transformadores
A Tensão Suportável de Impulso - TSI (antigo nível básico de isolamento - NBI) dos
transformadores a líquido isolante convencionais está atualmente padronizada segundo a
classe de tensão do equipamento, de conformidade com a Associação Brasileira de Normas
Técnicas - ABNT.
Para o caso dos transformadores a seco, convencionais, tem-se uma redução de 50% da
TSI em relação aos anteriores citados. Os encapsulados apresentam características de im­
pulso idênticas às dos transformadores a líquido isolante.
Todavia, não é apenas a TSI que determina a capacidade dos transformadores de supor­
tarem as tensões de impulso. Essa capacidade é melhor apresentada, graficamente, num
sistema de coordenadas tensão x tempo, conforme figura 4.1, correspondente a transfor­
madores de distribuição, cujos pontos característicos são:
• a TSI, usualmente na faixa de 7 a 10 jj.s , que corresponde ao valor de crista de uma onda
padronizada de 1,2 x 50 |is (vide capítulo 2 ), a qual o transformador deverá suportar sem
se danificar;
• o valor de crista de 115% da TSI, representado na faixa de 1 ,5 a 3,0 |is , correspondente
ao ensaio com onda cortada, o qual o transformador tem que suportar sem se danificar.

A título de ilustração apresentamos na tabela 4.1 as características de isolamento para


impulso, de transformadores a óleo, segundo as várias classes de tensão:
Fíg. 4.1

TABELA 4.1

CLASSE DE TSI ENSAIO DE IMPULSO


TENSÃO ONDA CORTADA ONDA PLENA
(kV) (kV) kV Tempo mínimo 1,2 x 50 ps
Crista p/disrupção kV de crista
(ns)

5 60 69 1,5 60
15 95 110 1,8 95
25 150 175 3,0 150
34,5 200 230 3,0 200

4.2 Reguladores de Tensão


Os reguladores de tensão têm os mesmos níveis de isolamento (TSI) dos transformadores,
uma vez que os componentes críticos, no que se refere à capacidade de suportar as tensões
de impulso, são os enrolamentos.

4.3 Religadores, Seccionalfzadores e Chaves a Óleo


À exceção das chaves a óleo, cuja TSI para a mesma classe de tensão é igual à dos
transformadores e reguladores, os religadores e seccionalizadores geralmente têm TSI mais
elevada. Para ilustração, apresentamos a tabela 4.2 a seguir, obtida de catálogo de fabricante
(vide referência 36), onde destacamos os valores de TSI para os religadores de uso mais
freqüente.
TABELA 4.2

RELIGADOR CLASSE DE TENSÃO TSI


TIPO (kV) (kV)

4H 14,4 110
V4H
E
4E 24,9 150
6H 14,4 110
R 14,4 110
W 14,4 110
VWW 24,9 125
WVE 24,9 150
RV 34,5 150

4.4 Banco de Capacitores


A tabela 4.3 mostra os níveis de isolamento padronizados para as unidades capacitoras,
em correspondência com as máximas tensões do sistema onde as mesmas são empregadas.

TABELA 4.3

TENSÃO ENTRE T S 1
FASES DO SISTEMA Ensaio de Tensão em Ensaio de Impulso
kV (rms) Freqüência Industrial valor da crista
kV (rms) (kV)

7,2 22 60
12,0 28 75
17,5 38 95
24,0 50 125
36,0 70 170
A isolação das estruturas de uma linha de distribuição é uma composição das isolações
proporcionais pelo isolador propriamente dito, pelo tipo e comprimento da cruzeta, pelo
posicionamento da mão francesa, pelo tipo de poste utilizado e pelo desenho da estrutura
completa.

a) Isoladores
Os isoladores de pino, normalmente utilizados nas linhas classe 15 kV, apresentam uma
tensão crítica de descarga sob impulso (a seco) da ordem de 100 kV, enquanto cada unidade
de disco assegura 76 kV (são sempre instaladas, no mínimo, duas unidades).
A influência da chuva no valor da tensão crítica de descarga pode ser avaliada pela
redução dos valores dados em cerca de 35%.

b) Isolação proporcionada pela madeira


Além das características mecânicas das cruzetas e do poste de madeira, já bem conhecidas
e utilizadas pelos engenheiros de distribuição, a madeira apresenta, também, excelentes
qualidades elétricas, que resultam em sensível melhoria na continuidade do fornecimento e
na diminuição do custo de manutenção dos sistemas, quando adequadamente aproveitadas.

A seguir são indicadas algumas propriedades da madeira (vide referências 16,37 a 40).
• A resistência da madeira ao impulso depende diretamente do seu comprimento e da
umidade, sendo sensivelmente influenciada pelo tratamento e tipo de madeira, e pouco
influenciada pelo tamanho da seção transversal.
Com base na referência 37 a figura 4.2 apresenta gráfico que relaciona a resistência da
madeira a impulsos de tensão, com o seu comprimento.

Resistência da Madeira a Im pulsos de Tensão


a- Isolador de porcelana classe 15 kV + madeira seca
b- Madeira seca
c- Isolador de porcelana classe 15 kV + madeira úmida
d- Madeira úmida
• Outra propriedade importante e pouco conhecida da madeira é a capacidade de extinguir
a corrente de surto, evitando que muitas das disrupções que ocorrem nas redes e linhas
sejam seguidas pela corrente subseqüente de 60 Hz, a qual provoca danos e interrupções
no sistema de distribuição.
No entanto, para que essa propriedade seja aproveitada com sucesso, há necessidade de
se efetuar um desenho adequado da estrutura, pois a probabilidade da disrupção ser
seguida de arco de 60 Hz está relacionada com o gradiente da tensão eficaz (kV por metro
de madeira) em que a estrutura está operando.
Recentes pesquisas efetuadas na Austrália, conforme referência 40, mostram que essa
propriedade da madeira é muito afetada pela umidade. Na figura 4.3 é apresentado um
gráfico válido para postes de madeira e para cruzetas de madeira molhada.

Fig. 4.3

Observações:
1 ) Curvas válidas para um único caminho da disrupção.
2) Para o ar a probabilidade é de 0,85 independente do gradiente.
3) No caso de madeira seca as probabilidades são bem menores do que as apresentadas no
gráfico.
O desenho da estrutura é de fundamental importância para a determinação do valor do seu
TSI, o qual praticamente irá, por sua vez, determinar o gradiente de tensão de operação. Para
exemplificar são apresentadas na figura 4.4 algumas estruturas normalmente utilizadas, com
cruzetas de 2,40 m:
Analisando as estruturas apresentadas, verifica-se que as estruturas Normal (N) e Beco
(B) são as de pior configuração, no que se relaciona à sua capacidade de extinção do arco.
Como a mão francesa e o poste de concreto praticamente nada contribuem para o aumento
da TSI da estrutura e para a diminuição do gradiente de tensão, e ainda considerando que nas
estruturas citadas o pino da fase do meio quase encosta na mão francesa, sua resistência às
sobretensões praticamente se resume nas propriedades do isolador utilizado.
No caso de postes de madeira, estas estruturas também apresentam problemas quando
ocorrem os estaiamentos dos postes.
Para o caso da meio-beco (M), constata-se que o atual desenho é mais favorável que os
dois anteriores, e ainda admite melhoramentos sensíveis, para o aumento da TSI, sem
maiores dispêndios.

4.5.2 Exemplo de Projeto de uma Estrutura


Em conseqüência do exposto, pode-se dizer que o primeiro passo para melhorar o
desempenho das linhas quanto às sobretensões é o aumento da TSI das estruturas. Esta
medida pode ser conseguida, com a utilização de postes e cruzetas de madeira, redesenhos
das estruturas, mãos francesas de fibra de vidro ou madeira, ou, ainda, instalando-se
isoladores de classes superiores. Evidentemente a providência a ser adotada dependerá,
também, do aspecto econômico.
Com base nas referências 38 e 40 será elaborado, a seguir, um projeto simplificado de
evolução da atual estrutura meio-beco (M), visando tomá-la mais resistente às sobretensões.

1- Caso: estrutura M (meio-beco) atual - cruzeta de 2,40 m (vide figura 4.5).


500m m
Note-se que o ponto crítico da estrutura M atual é o isolador da esquerda (indicado na figura).
A distância de madeira, desde o pino até a mão francesa, é da ordem de 25 cm.

A TSI estimada da estrutura, supondo o poste de concreto, é dada por:


em condições secas:
- Tensão crítica (1) estimada do isolador classe 15 kV 100kV
- Isolação adicional (25 cm madeira seca) (2) 120kV
- Total aproximado 220 kV
sob chuva:
- Tensão crítica do isolador 15 kV - 0,65 x 100 65kV
- Isolação adicional (25 cm madeira úmida) (2) 75kV
- Total aproximado 140kV
Valor esse compatível com a ordenada correspondente à curva c da figura 4.2, para 25 cm
de madeira úmida.
Notas: (1) Valor de tensão que provoca disrupção no isolador em 50% dos casos.
(2) Valor retirado da figura 4.2.
A probabilidade da disrupção (sob chuva) ser seguida de arco 60 Hz pode ser estimada,
conforme indicado na figura 4.3.

Cálculo do gradiente de tensão de operação


- distância de escoamento do isolador sob chuva 40 mm
- comprimento de madeira, do ponto crítico à mão francesa 250 mm
290 mm
Gradiente = — — = 27,47 kV/metro
0,290 . VT
Cálculo da probabilidade
Da curva apresentada na figura 4.3, tem-se:
Probabilidade = 60%
Os cálculos efetuados indicam que as sobretensões fase-terra que ultrapassarem 140 kV
poderão provocar disrupções da estrutura meio-beco e ainda 60% destas disrupções, prova­
velmente, se tomarão curto fase-terra de 60 Hz.

2- caso: estrutura M (meio-beco) - cruzeta 2,00 m (vide figura 4.6).


Se a mão francesa fosse colocada de um só lado da estrutura, o ponto crítico passaria a ser
a fase do meio e, supondo-se que a disrupção se dê através da madeira, o isolador do meio
estaria a 35 cm da mão francesa.

A TSI da nova estrutura seria:


- Tensão crítica estimada do isolador 100 kV
classe 15 kV
- Isolação adicional estimada de 35 cm 175 kV
de madeira seca
- Total aproximado 275 kV
- Valor estimado sob chuva (0,65 x 100 + 110) 175 kV

Cálculo do gradiente da tensão de operação

Gradiente = ---------------------- — = 20,4 kV/metro


(0,35 + 0,04) . V3

Cálculo da probabilidade
Da curva da figura 4.3 obtém-se:
Probabilidade = 50%
Os cálculos efetuados indicam que as sobretensões fase-terra que ultrapassarem 175 kV
poderão provocar disrupções da estrutura meio-beco e ainda 50% destas disrupções prova­
velmente se tomarão curto fase-terra de 60 Hz.
Verifica-se que apesar do comprimento da cruzeta ter diminuído as características da es­
trutura, quanto às sobretensões, foram melhoradas.
Capítulo 5

Dispositivos de Proteção

5.1 Evolução Histórica


A observação histórica tem-nos mostrado quanto progrediu a tecnologia dos dispositivos
de proteção desde que o primeiro invento foi instalado. Através dos anos, o desenvolvimento
dos pára-raios tem-se caracterizado pela sua crescente complexidade.
Em 1892, logo após William Stanley ter colocado em operação a primeira linha de for­
ça entre as localidades de Great Bairington e Housatonic, em Massachussets, simples has­
tes com gap foram instaladas entre linha e terra, para proteção contra raios.
Entretanto, logo após, os engenheiros descobriram que tal dispositivo tinha muitas li­
mitações, uma vez que, após a descarga ter atingido o gap, o arco elétrico resultante man­
tinha a corrente de curto-circuito de freqüência industrial subseqüente.
Para extinguir esse arco, os disjuntores tinham que desenergizar a linha, interrompendo ‘
a continuidade de serviço. Um dos efeitos paralelos desse processo era o desgaste dos ele­
trodos do gap e possíveis danos causados a equipamentos próximos, dependendo da velo­
cidade de extinção do arco.
Logo se evidenciou que os dispositivos de proteção de sobretensão deveríam não apenas
evitar os danos aos equipamentos, como também interromper rapidamente a corrente sub­
seqüente de 60 Hz e continuar a suportar novas descargas, repetidamente.
Em 1907, através de trabalhos apresentados ao AIEE por Charles P. Steinmetz e D.B.
Rushmore, de Schenectady, revelou-se a descoberta dos metais não sujeitos a arcos (no-arc -
ing), tais como o cobre, o latão e o bronze que se prestavam à utilização como eletrodos dos
pára-raios.
Esta descoberta conduziu, no próprio ano de 1907, ao lançamento do pára-raios de in-
termitências múltiplas com resistência gradual em derivação. Esses pára-raios se constitu­
íam de uma fileira de eletrodos nodosos de latão, espaçados por uma pequena intermitên-
cia de ar, ligada entre linha e terra. Os resistores, conectando em derivação parcelas das
intermitências, davam ao pára-raios o seu nome.
Em 1912 foi criado o pára-raios de distribuição com câmara de compressão no qual, pela
primeira vez, um elemento de resistência foi conectado em série com as intermitências do
pára-raios. Este pára-raios tomou também desnecessário o alojamento de madeira ou metal
que até então os abrigava, criando-se, assim, o primeiro pára-raios para serviço tanto interno
como externo.
Em 1923, com a criação do pára-raios de distribuição de grânulos, inaugurou-se uma era
que se manteve por 30 anos. O elemento válvula de grânulos era o único a proporcionar uma
resistência não linear excepcionalmente elevada. Sua formação consistia de uma coluna de
grânulos de peróxido de chumbo revestida com uma fina camada de litargírio (protóxido de
chumbo). Este conjunto apresentava alta resistência para baixas correntes de surto, e baixa
resistência para altas correntes de surto. Até hoje, existem milhares de pára-raios de grânulos
operando em linhas de concessionárias de diferentes partes do mundo.
Durante as décadas de 1930 e 1940, outros dispositivos de proteção, tais como pára-raios
tipo expulsão e centelhadores comuns, surgiram e desapareceram, ambos por sólidas razões
de ordem técnica. O pára-raios de expulsão comum dependia inerentemente do gás produ­
zido pelo material emissor (espécie de fibra) para interromper a corrente de curto-circuito
de 60 Hz subseqüente às descargas de raios. Este fato limitou sua aplicação e seu regime de
serviço. A vida útil desse tipo de pára-raios dependia da magnitude da corrente de 60 Hz e
do número de operações de abertura. Com uma corrente de curto-circuito de 5000 A a maior
parte dos pára-raios de expulsão falhava após algumas operações.
Ainda na década de 1930, desenvolveram-se os elementos-válvulas de sílica Carbide, que
ganharam aceitação imediata. Esses elementos de cerâmica sintética reduziram o tamanho
do pára-raios, e sua resistência não linear deu ao dispositivo verdadeiras características de
proteção.
O próximo progresso significativo aconteceu em 1953, quando foi criado o primeiro pára-
raios de distribuição, operando segundo o princípio da intermitência magnética. Este prin­
cípio, que foi introduzido nos pára-raios da General Electric, permitiu o uso de elementos-
válvula de resistência mais baixa, tomando possível a interrupção eficiente da mais eleva­
da corrente subseqüente de 60 Hz resultante.
Esses elementos-válvula, batizados de Thyrite, apresentam uma curva característica capaz
de opor 78 Q a 130A e 7,9 Q a 10000A de corrente. A Thyrite é um material de resistência
não linear no qual a corrente varia em função da tensão aplicada, conforme se observa na
figura 5.1, a seguir:
Seu processo de fabricação mistura e combina cuidadosamente carbonetos silicosos
(sílica-carbide) e argila, comprimidos segundo formas pré-estabelecidas, que são encerra­
das numa coleira isolante de cerâmica e queimadas a temperaturas acima de 120 0 °C.

5.1.1 Estágio Atual de Desenvolvimento


A pesquisa de materiais tomou possível o atual estágio na tecnologia de pára-raios.
Varistores de oxido metálico, originariamente desenvolvidos no Japão pela indústria ele­
trônica, já suplantaram a sílica-carbide como melhor elemento-válvula.
Os varistores são elementos não lineares tão excepcionais que a tensão aplicada em um
desses elementos aumenta em apenas 56%, quando a corrente é aumentada de um fator de
10 5.
Esses elementos, de uma maneira geral, são compostos de material de cerâmica sintéti­
ca (composição de óxido de zinco) ,.à qual são adicionadas pequenas quantidades de óxidos
de outros metais, para produzir a característica não linear desejada. Esses varistores, mes­
mo após terem sido submetidos a correntes de descarga bem elevadas, mantêm suas carac­
terísticas essencialmente inalteradas. Em contraste, os elementos de sílica-carbide, usados
em pára-raios convencionais, podem apresentar um aumento de sua tensão de descarga, após
terem sido submetidos a impulsos de correntes elevados.
Na realidade, os pára-raios utilizando óxido metálico (óxido de zinco) não necessitam
gaps em série com o elemento não linear. Desse modo, os elementos-válvula são sempre
submetidos diretamente à tensão fase-terra, dissipando somente 0,28 watts por kV a 60°C.
Uma vez que os gaps não são mais necessários para suportar a tensão aplicada ao pára-
raios, o número de componentes do mesmo pode ser diminuído, resultando em maior con­
fiabilidade para o dispositivo.
Alguns fabricantes usam gaps em série com os elementos não lineares de óxido de zin­
co, para que os pára-raios possam ter condições de suportar maiores sobretensões de fre-
qüência industrial. Esse tipo de pára-raios agüenta, continuamente, 1,4 pu da tensão nomi­
nal do sistema, sem perda de vida útil.

5.2 Dispositivos e Formas de Proteção


5.2.1 Cabos Pára-raios
Uma das maneiras mais usuais para a proteção das linhas de transmissão contra a queda
direta de raios é o chamado cabo pára-raios que, apropriadamente colocado sobre os condu­
tores das linhas, atua como um ponto de atração para os raios, evitando descargas sobre os
condutores. A ação protetora dos cabos pára-raios está no fato de proporcionarem uma
blindagem aos fios condutores, recebendo os raios e conduzindo suas correntes diretamente
para a terra, à qual estão conectados.
Na figura 5.2 vê-se a distribuição da corrente de um raio sobre o cabo pára-raios:
iB = corrente do raio
Zj = impedância característica do cabo pára-raios
Rm = resistência do aterramento da estrutura
VM = tensão na estrutura mais próxima ao ponto de incidência do raio

A utilização de cabos pára-raios em redes de distribuição foi objeto de experiências


realizadas em 1950 pela NOPSI (New Orleans Public Service Inc.) em alimentadores de 13,8
kV situados ao longo do rio Mississipi, numa área particularmente vulnerável a raios. Os
cabos pára-raios foram instalados em 2 circuitos de distribuição cobrindo, respectivamen­
te, 65% e 35% de seus comprimentos. Durante 6 meses, enquanto 4 outros alimentadores
posicionados em ruas adjacentes aos mesmos apresentavam interrupções durante tempes­
tades, o circuito com a blindagem de 65% não teve nenhuma interrupção, enquanto o outro
teve apenas 3 saídas momentâneas. Os cabos pára-raios utilizados eram de cobre com bitolas
de 3/8 de polegada.
Através dessas experiências concluiu-se, também, que o ângulo formado pelo poste, no
qual o cabo-guarda estava posicionado com o condutor-fase externo, deveria ser de 45°,
devido a ser esta configuração a que melhor conciliava os aspectos econômicos e mecâni­
cos da rede de distribuição (de uma maneira geral, em linhas de transmissão, o referido ân­
gulo é da ordem de 30° ou menos).
Salienta-se que, para essa forma de proteção, a resistência de terra no pé da estrutura é
extremamente importante, pois caso seu valor seja elevado, o potencial no topo da estrutu­
ra pode subir a um valor tal que provocar áflashover do cabo pára-raios para os condutores-
fase.
Particularmente para a experiência acima descrita, a resistividade do solo encontrada na
região foi da ordem de 10 Qm, tendo sido determinados nos testes valores médios de re­
sistência de terra da ordem de 5 Q. (com um máximo de 10 Q), obtidos com hastes de terra
de cobre de 5/8 de polegada por 8 polegadas, e isoladas do neutro do sistema.
Paralelamente a essas experiências, a NOPSI decidiu fazer outra tentativa, relocando o
neutro do sistema para a posição do cabo pára-raios, com a finalidade de eliminar este último.
Embora tal prática apresente vantagens econômicas, sua adoção deve ser analisada le­
vando-se em conta os problemas decorrentes quando houver necessidade de execução de
manutenção no próprio condutor neutro, e de eventuais transferências de sobretensões para
a rede secundária.
Anos após, a General Electric, em conjunto com 8 concessionárias norte-americanas,
efetuou um estudo no qual foi analisado o comportamento de redes de distribuição, operando
em três diferentes configurações:
l e - operando protegidas por cabo pára-raios;
2S - operando com pára-raios apenas na fase superior;
3e - operando com pára-raios nas três fases.
Doze tipos de construção foram realizados com modelos em escala reduzida de 1:50. Os
três tipos de proteção contra surtos foram estudados e o desempenho de cada linha, associada
a cada tipo de proteção, foi avaliado. A técnica consistiu em injetar uma corrente de
magnitude 1/50 da corrente de surto, por meio de um gerador de surtos ligado a um ponto
pré-determinado: primeiro, no meio do vão, segundo, a um quarto vão, e, finalmente, jun­
to ao poste.
As medições de tensão foram registradas por meio de osciloscópio.
Através do método de Monte Cario foi calculada a porcentagem dos impactos sobre a
linha que poderíam causar descargas disruptivas.
Em resumo, as conclusões obtidas foram as seguintes:
Há semelhanças entre os resultados obtidos para uma linha protegida por um pára-raios
na fase superior e uma linha protegida por cabo pára-raios. Entretanto, para o mesmo desem­
penho e nível de isolação, os espaçamentos dos aterramentos precisam ser ligeiramente mais
próximos para os pára-raios na fase superior do que para o cabo pára-raios.
Para uma linha com pára-raios em todas as fases, os resultados demonstraram uma sen­
sível melhoria de desempenho em relação aos tipos de proteção por cabo aéreo de blinda­
gem ou por pára-raios na fase superior. Por exemplo: para uma linha com pára-raios nas 3
fases, o efeito da resistência de terra numa faixa de variação de 10 a 100 Q é desprezível e,
para baixos níveis de isolação, maiores espaçamentos entre terras produzem idênticos re­
sultados de desempenho.
No caso dos outros dois tipos de proteção, a variação da resistência de terra, na faixa
citada, influi na porcentagem dos impactos que causam disrupção e, nos baixos níveis de
isolação, maiores espaçamentos entre terras alteram substancialmente os resultados de
desempenho do sistema. A seguir, nas figuras 5.4,5.5 e 5.6 são apresentados gráficos obti­
dos para os 3 tipos de proteção contra surtos estudados.

DISTÂNCIA ENTRE ATERRAMENTOS (PéS)


DISTANCIA ENTRE ATERRAMENTOS DO ESPAÇAMENTO DOS POSTES COM PARA-RAIOS.
CABO BLINDADO*

Fig. 5.4 Fig. 5.5

n ív el de iso la m en to ,

NS
IOO kV

200

300

500

DISTÂNCIA ENTRE ATERRAMENTOS (PE'S)


ESPAÇAMENTO DOS POSTES COM PÂRA-RAIOS.

Fig. 5.6
5.2.2 Descarregador de Chifres
O descarregador de chifres é um dispositivo de limitação das sobretensões provido de
centelhadores de chifres ajustáveis, montados sobre isoladores tipo disco. Destina-se a des­
carregar para a terra os surtos de descargas atmosféricas em linhas primárias de distribuição,
evitando a danificação da isolação do equipamento protegido. É considerado uma proteção
rudimentar e de baixo custo.
A tensão disruptiva desses dispositivos é função da distância (2 x H), variável, dos
centelhadores (vide figura 5.7).

Fig. 5.7 - Descarregador de chifres

Quando a tensão nas extremidades dos chifres supera o valor da tensão disruptiva, há o
escoamento da corrente para a terra.
As tabelas abaixo apresentam os resultados obtidos através de ensaios efetuados no
Instituto de Eletrotécnica da Universidade de São Paulo - USP - em um descarregador de
chifres montado em três isoladores de vidro rigidamente acoplados, com saias de 20 cm de
diâmetro.
Uma vez que as descargas se verificam no ar, as condições atmosféricas ambientais
exercem uma acentuada influência nos diversos valores de disrupção.

Ensaio de tensão disruptiva em 60 Hz


Condições do ensaio: O ensaio foi executado sob as seguintes condições atmosféricas:
Pressão atmosférica 701mmHg
Temperatura de bulbo seco 21,5 °C
Temperatura de bulbo úmido 20,0 °C
Resultados obtidos:

TABELA 5.1

Distância entre chifres Tensão disruptiva média


(mm) (kV)
120 56
70 41
40 29
25 23
15 18

Ensaio de tensão disruptiva de impulso


Condições de ensaio: O ensaio foi executado sob as seguintes condições atmosféricas:
Pressão atmosférica 700 mmHg
Temperatura de bulbo seco 21,5 °C
Temperatura de bulbo úmido 20,0°C
As tensões disruptivas críticas foram determinadas com formas de onda de 1,5 x 40
microssegundos.

Resultados obtidos:

Encontram-se discriminados na tabela 5.2, apresentada a seguir.

TABELA 5.2

DISTÂNCIA POLARIDADE TENSÃO TENSÃO INCLINAÇÃO


ENTRE CHIFRES DISRUPTIVA DISRUPTIVA (kV/MICRO-
(mm) CRÍTICA (kV) DEIMPULSO (kV) SEGUNDO)
MÉDIA MÁXIMA
120 negativa 151 241 246 295
positiva 100 223 227
70 negativa 97 143 144 169
positiva 77 141 144
40 negativa 71 86 87 142
positiva 66 85 90
25 negativa 40 53 53 79
positiva 39 50 51
15 negativa 25 30 32 48
positiva 24 30 31

Em seqüência, são apresentados os gráficos demonstrativos da proteção dispensada por


um descarregador aéreo, considerando-se que o impulso de onda ao atingir 80 kV provoca
centelhamento no descarregador protegendo o transformador.
CRISTA
kV

Fig. 5.8 - Proteção dispensada por descarregador


<*>
kV CRISTA

Fig. 5.9 - Corrente e tensão no sistema


no momento da descarga

A ionização do ar, provocada pela descarga do surto, entre os centelhadores, dá origem


a uma corrente subseqüente de freqüência industrial. Conforme a magnitude da corrente de
curto-circuito fase-terra no ponto, podem ocorrer as seguintes hipóteses:
1- Icc < 500 A - o arco auto-extingue-se em tempo inferior a 6 ciclos.
2* Icc > 1000 A - o arco persiste até a operação da proteção de retaguarda.
3- Para valores intermediários da corrente de curto-circuito, o comportamento é incerto e
depende, basicamente, das condições atmosféricas.
N ota: esses valores são muito questionados e limitados, por parte da biografia disponível,
em 50A.

Se a rede estiver protegida por um religador automático, o primeiro ciclo de operação


(abertura rápida seguida de religamento) é normalmente suficiente para interromper a cor­
rente subseqüente e restabelecer o serviço, restando tão somente o problema da transferência
de potencial, através do neutro, para o consumidor. Em áreas rurais, a existência dessas “pis­
cadas” não chega a comprometer a qualidade de serviço desejada.
No caso de não haver religador, pode ocorrer, com freqüência, a queima de fusíveis,
conforme o valor da corrente subseqüente, o seu tempo de auto-extinção e as características
da proteção. O uso de descarregadores de chifres só é aceitável em regiões com baixos níveis
ceráunicos, nos pontos mais afastados da rede e, mesmo nesses casos, com prejuízos à
continuidade de serviço e necessidade de separação dos aterramentos, mormente nos casos
de sistemas a três fios com neutro descontínuo (vide referências 60,61 e 62).

5.2.3 Pára-raios
O pára-raios é um dispositivo destinado a proteger redes elétricas contra sobretensões
transitórias elevadas, limitando, também, a duração e intensidade da corrente subseqüente.
Os pára-raios modernos são constituídos de várias intermitências, ou centelhadores, em
série com blocos de materiais de resistência não linear, envolvidos por porcelana. A função
da intermitência é proporcionar o início do centelhamento quando a onda de sobretensão
atinge um certo valor especificado, protegendo, com margem adequada, o equipamento para
a frente de onda e, ainda, interrompendo a corrente de 60 Hz o mais rápido possível (de pre­
ferência em menos de 0,5 ciclo).
Outra característica da intermitência é a de não descarregar desnecessariamente quando
o sistema é submetido a sobretensões previstas (caso de curto fase-terra, por exemplo). A
função da resistência não linear é a de oferecer baixa resistência para o surto atmosférico e
alta resistência para a corrente subseqüente de curto-circuito. Assim, depois do pára-raios
ter escoado a corrente de surto para a terra, o resistor não linear aumenta de valor, diminuindo
a corrente de curto-circuito de tal maneira que a intermitência seja capaz de interrromper a
corrente em menos de 0,5 ciclo.
Na página a seguir é apresentado, na figura 5.10, o corte de um pára-raios de distribuição,
de tensão nominal de 12 kV, no qual o resistor não linear é constituído de blocos de carbureto
de silício.
Observa-se que tal pára-raios possui um dispositivo (desligador automático), aplicado
somente em pára-raios de distribuição, cuja função é desconectá-lo, quando defeituoso, do
sistema, de modo visível, evitando a ocorrência de uma falta permanente.
De uma maneira geral, um bom pára-raios deve desempenhar as seguintes funções:
- proteger os equipamentos contra sobretensões, com margem de segurança adequada;
- limitar a corrente subseqüente de 60 Hz a um baixo valor;
- eliminar a operação dos equipamentos de proteção de sobrecorrente, evitando redução da
continuidade de serviço.
As figuras 5.11 e 5.12 apresentam, respectivamente, a curva de operação de um pára-raios
e os perfis de tensão e corrente do sistema, no momento de uma descarga.
Fig. 5.10 - Pára-raios de distribuição
para 12 kV

As características que definem o pára-raios tipo válvula, em condições de surto, são a


tensão disruptiva de impulso normalizada e as tensões de descarga para vários valores de
correntes de raio (figura 5.11).
O pára-raios, ao ser atingido por uma onda viajante, fica submetido a uma determinada
tensão de impulso que, se excede a tensão disruptiva de impulso, faz com que o mesmo
descarregue para a terra. A corrente de descarga através do pára-raios produz uma queda de
tensão que pode ser superior à tensão disruptiva de impulso normalizada.
80-

TENSÃO DISRUPTIVA DE IMPULSO


MÃXIMA (FRENTE DE ONDA)
60-
PA'RA-RAIOS
4 6 kV MAGNEVALVE
•4 5 k V DESCARGA DE 20kA
40- 3 9 kV DESCARGA DE I QkA 9kA
32kV DESCARGA DE 5 k A / " ~ -
c TENSÃO DISRUPTIVA DE
20
IMPULSO NORMALIZADA
(1.2 Cl 5 0 / u . S ) * 3 6 k V

— t— —
r- “i— —i~ —
r- -((-
4 5 7 8 9 10 60-
MICROSSEGUNDOS

Fig. 5.11 - Curva de operação do pára-raios

DISRUPCAO DA
6 6 -- ONDA DE IMPULSO
CRISTA

TENSÃO NORMAL DO SISTEMA

‘CORRENTE
kV

CORRENTE NORMAL
ATRAVÉS DO DO SISTEMA
PA'RA-RAIOS 0 CURTO SERA INTERROMPIDO
---------------I 6 6 6 6 ^ S PELO PARA-RAIOS EM MEIO
CICLO. OUANDO A TENSÃO DO
TEMPO p » S
SISTEMA PASSA POR ZERO.

Fig. 5.12 - Corrente e tensão do sistema


no momento da descarga

Características elétricas dos pára-raios

As características elétricas dos pára-raios são:


Tensão nominal - máxima tensão eficaz de freqüência nominal, aplicável continuamente
entre os terminais do pára-raios e na qual este deve operar corretamente sem modificar suas
características de operação.
Freqüência nominal - freqüência nominal do sistema para o qual o pára-raios é projetado.

Tensão disruptiva de freqüência nominal - valor da tensão à freqüência nominal, medida


como o valor de crista dividido por V2, que causa disrupção de todos os centelhadores-série.

Tensão disruptiva de impulso - maior valor da tensão de impulso atingido antes da


disrupção, quando aos terminais do pára-raios é aplicado um impulso de forma de onda,
amplitude e polaridade dadas.

Tensão disruptiva de impulso atmosférico normalizado - menor valor da crista de impulso


atmosférico (1,2/50) que, aplicado aos terminais dos pára-raios, causa disrupção em todas
as aplicações.

Tensão disruptiva de impulso de manobra - o maior entre os valores de ambas as polaridades


das tensões disruptivas de alta probabilidade, e das tensões disruptivas de impulso de
manobra na sobretensão de 1,3, para impulsos de manobra com três formas, com tempos de
frente de 30 a 60,150 a 300 e 1000 a 2000 ps, e com tempo até o meio valor não menor que
2,2 vezes os respectivos tempos de frente.

Característica “tensão disruptiva de impulso - tempo para disrupção ” - curva que relaciona
a tensão disruptiva de impulso ao tempo para disrupção.

Corrente de descarga - corrente de impulsos que flui pelo pára-raios, após sua disrupção.

Corrente de descarga nominal - valor de crista da corrente de descarga com forma de onda
8/20, que é usada para classificar o pára-raios.
Nota: é com esta corrente que se inicia a corrente subseqüente no ensaio de ciclo de operação.

Tensão residual - valor de crista da tensão que aparece entre os terminais de um pára-raios,
durante a passagem da corrente de descarga.

Corrente subseqüente - corrente de freqüência nominal que flui através do pára-raios em


seguida à passagem da corrente de descarga.

Característica “tensão residual - corrente de descarga” - curva que relaciona a tensão


residual à corrente de descarga.

Classificação dos pára-raios


Os pára-raios são escolhidos de acordo com as suas tensões nominais, em função do tipo
de aterramento do sistema no qual esses dispositivos serão instalados. Além deste aspecto
de tensão, outras características devem ser levadas em conta, tais como a máxima tensão da
descarga e a máxima tensão de impulso, valores esses também fornecidos por todos os
fabricantes.
Os pára-raios, de acordo com suas diferentes características nominais, são classificados
pelas normas brasileiras em:
1) Série A - tipo pesado
São aqueles adequados à proteção dos equipamentos mais pesados, tais como trans­
formadores de força, dispositivos de comando de alta tensão, etc.
2) Série A - tipo leve
Seu campo de aplicação é semelhante ao anterior, com a diferença que os equipamentos
protegidos são de menor porte.
3) Série B
São aqueles que se destinam à proteção de equipamentos, transformadores de distribuição
e respectivos dispositivos de comando.

5.3 Aplicação dos Dispositivos de Proteção


5.3.1 Cabo Pára-raios
O cabo pára-raios tem a finalidade de proteger os circuitos contra descargas diretas.
A aplicação correta do cabo pára-raios depende dos seguintes aspectos:
a) Posicionamento do cabo em relação aos condutores-fase da rede
Conciliando os aspectos técnicos e econômicos no que se refere às estruturas de
distribuição, os benefícios máximos que se pode obter com essa proteção são atingidos
quando o ângulo de proteção formado com o plano vertical do cabo pára-raios não excede
45°, conforme a figura 5.13 (vide referência 47).
Normalmente os cabos pára-raios são de aço e instalados no topo das estruturas da rede
de distribuição, com seis aterramentos independentes do neutro do sistema.
b) Valor da resistência de aterramento e espaçamento entre aterramentos
A resistência do aterramento nas conexões à terra do cabo pára-raios é extremamente
importante. Se ela for muito alta o potencial no topo de poste pode se elevar a um valor
suficiente para causar descarga entre o cabo pára-raios e os condutores-fase. Por outro lado,
a efetividade do cabo pára-raios em reduzir o percentual de impactos que causam disrupção
de fase para terra é inversamente proporcional ao valor individual das resistências, e
diretamente proporcional ao número de aterramentos.

5.3.2 Pára-raios
Os pára-raios são os dispositivos mais indicados para a proteção contra sobretensões, uma
vez que permitem a descarga da corrente de surto, bloqueando, todavia, a corrente subse-
qüente em 60 Hz e evitando interrupções do fornecimento.
O pára-raios deve ser selecionado em função de sua tensão nominal, a qual, por sua vez,
depende da máxima tensão possível de ocorrer entre fase e terra, no seu ponto de aplicação.
Desse modo, tem-se que considerar os seguintes fatores de elevação de tensão, em relação
à tensão fase-neutro do sistema:
a) máximo valor de tensão de operação, fase-neutro, do sistema — até 105% da tensão de
fornecimento, fase-neutro, conforme Portaria 047 do DNAEE;
b) máximo valor de sobretensão nas fases sãs durante a condição de curto-circuito fase-terra
— esse fator de sobretensão depende do aterramento do sistema de distribuição e deve
ser obtido conforme as considerações já expostas no item 1.26 deste trabalho.
Como ilustração, a tabela 5.3 (na página seguinte) apresenta os pára-raios mais utilizados
em cada tipo de sistema, conforme referência 13, observados os valores de tensão nomi­
nal de pára-raios padronizados pelas normas brasileiras.

5.3.3 Descarregador de Chifres


O descarregador de chifres, pioneiro na história da evolução dos dispositivos de proteção
contra sobretensões, se constitui em proteção rudimentar quando comparado com o pára-
raios.
A sua deficiência principal, como dispositivo de proteção, é não limitar a corrente sub-
seqüente à descarga da corrente de surto, podendo, em conseqüência, levar a proteção de so-
brecorrente de retaguarda a operar. Além disso, o ajuste do gap (fundamental para a operação
adequada do dispositivo) é crítico, sendo influenciado por diversos fatores.
O seu desempenho só é satisfatório em redes providas de proteção com religação
automática. Se isso não se verifica, a corrente subseqüente de freqüência industrial pode
provocar queima de fusíveis, com reflexos diretos na continuidade do serviço (índices DEC
e FEC) e no custo de operação do sistema.
Ademais, o funcionamento dos descarregadores depende das condições atmosféricas e,
conforme já foi dito, da distância entre os chifres, que pode ser incorretamente regulada
quando da montagem, ou alterar-se ao longo do tempo.
A despeito dessas deficiências, o uso do descarregador de chifres pode se justificar em
alguns casos, como, por exemplo, na proteção de equipamentos de baixo custo (caso de
grande parte dos transformadores existentes em áreas rurais), por ser sensivelmente mais
barato do que o pára-raios.
TABELA 5.3

TENSÃO DO SISTEMA PÁRA-RAIOS NORMALMENTE UTILIZADOS EM DISTRIBUIÇÃO


V rms TENSÃO NOMINAL (kV rms)

TENSÃO MÁXIMA Sistema a 4 fios Sistema a 3 fios Sistema a 3 fios Circuitos com
NOMINAL TENSÃO com neutro com neutro ou A cabos pré-
multiaterrado aterrado na S/E na S/E reunidos
A
2400 2540 3

4160Y/ 4400Y/ 3 6 3
2400 2540
4160 4400 6
4800 5080 6
6900 7260 9
8320Y/ 8800Y/ 6 9 6
4800 5080
12000Y/ 12700Y/ 9 10,5 10,5
6930 7330
12470Y/ 13200Y/ 9 12 10,5
7200 7620
13200Y/ 13970Y/ 10,5 12 10,5
7620 8070
13800Y/ 14520Y/ 10,5 ou 12 12 12
7970 8320
13800 14520 15

20780Y/ 22000Y/ 15 18 18
12000 12700
22860Y/ 24200Y/ 18 21 21
13200 13970
23000 24340 25

24940Y/ 26400Y/ 18 21 21
14400 15240
34500Y/ 36510Y/ 25 ou 27 30 36 ou 37 30
19920 21080
34500 36510
*
E recomendável, contudo, que se faça uma análise técnico-econômica mais abrangente,
envolvendo os aspectos de continuidade de fornecimento e custo da proteção de sobre-
corrente, que podem ser substancialmente afetados. O emprego de religadores automáticos,
por exemplo, pode tom ar satisfatória a continuidade de fornecimento em áreas rurais onde
forem aplicados descarregadores de chifres; todavia, nesse caso, os custos de religadores
adicionais, se necessários, terão que ser computados. Caso seja a proteção provida apenas
por fusíveis, recomenda-se que a aplicação de descarregadores se restrinja a pontos da rede
com níveis de curto-circuito fase-terra que viabilizem a auto-extinção do arco, garantindo
que a ffeqüência de queima de fusíveis se mantenha em níveis aceitáveis, não comprome­
tendo a continuidade de fornecimento e os custos de operação.
As referências bibliográficas 60, 61 e 62 restringem, ainda, a utilização de descarrega­
dores a regiões com baixos níveis ceráunicos (usualmente assim considerados os inferiores
a 20).
Capítulo 6

Escoamento da Corrente
de Surto

6.1 Aspectos Gerais


A incidência direta de um raio, cuja corrente seja de 10 kA por exemplo, numa linha de
distribuição provoca o aparecimento de tensões extremamente elevadas entre fases e entre
fase-terra.
Supondo que não haja disrupção no ponto atingido, a corrente se divide em duas de 5kA
que percorrem o condutor em sentidos opostos. Se essas correntes se propagam através de
uma impedância de 400 ohms, produzem ondas viajantes de tensão de 2000 kV em relação
à terra. Devido à indução, nos condutores adjacentes surgem ondas de tensão de aproxi­
madamente 1/4 a 1/3 daquele valor (500 a 700kV), tomando a diferença de potencial entre
eles e o condutor atingido de 1300 a 1500 kV, muito acima da capacidade de isolamento das
redes. No entanto, a ocorrência de disrupção no meio do vão é raramente constatada na
prática, devido ao fenômeno da pré-descarga.
Entre condutores paralelos, a disrupção começa a ocorrer quando o gradiente médio entre
os condutores excede, aproximadamente, 610 kV/m. A partir daí, correntes-corona começam
a fluir e, se continuam por um tempo suficientemente longo, se transformam em canais de
disrupção.
Quanto maior a tensão desenvolvida, maior será a corrente e mais rapidamente os canais
se transformarão em disrupção completa. A relação tensão-corrente entre condutores (gap)
pode ser estabelecida como:

- = 610236 + 14108 — (Eq. 6.1)


S S.L
(vide ref. 63)

onde:
V = tensão entre condutores (volts)
I = corrente transferida (ampères)
S = separação entre os condutores (metros)
L = comprimento dos condutores (metros)
A relação entre a tensão entre condutores e o tempo de disrupção é:

— = 610236 + 564304 (Eq. 6.2)

onde:
T = tempo de disrupção (microssegundos)

De acordo com a equação (6.1), se a separação entre condutores for de 1 metro, a relação
tensão-corrente será de V = 610236 + 141081, por metro de condutor em paralelo.
A figura 6.1 mostra esta relação sob forma de curva:

$
o
UI
D
O
l<
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H-
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'UJ

ui
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UJ
õ
<
2
O

C O R R E N T E MÉ D IA EM A M P ER E S POR M E T R O DE ESPA­
ÇAMENTO E POR METRO DE C O M P R IM E N T O

Fig. 6.1 - Relação entre gradiente médio de tensão x corrente média


por metro de espaçamento e por metro de comprimento

A transferência de corrente do condutor atingido para os adjacentes resulta num decrés­


cimo na diferença de potencial entre os condutores, retardando a disrupção.
Geralmente, esse retardo é suficiente para que as ondas refletidas nos pontos de descon-
tinuidade retomem ao ponto de impacto, reduzindo sua tensão e, portanto, evitando definiti­
vamente a disrupção.
A corrente é transferida essencialmente dentro do trecho de 30 a 60 metros de cada lado
do ponto atingido.
Como conseqüência da pré-descarga, a corrente de raio flui em todos os condutores,
alterando a tensão fase-terra.
Quando a onda viajante atinge um poste com pára-raios, a tensão da linha em relação à
terra é reduzida pela reflexão da onda naquele ponto.
A corrente no condutor de descida do aterramento é limitada pela resistência do aterra-
mento. Para valores de resistência na faixa de 10 a 100 ohms, no entanto, a corrente não
apresenta grandes variações, como se pode observar na figura 6.2.
Nesta figura, está representada a variação da(s) corrente(s) no(s) pára-raios, expressa em
percentuais da corrente do raio, em função da resistência do aterramento (referência 64).

PARA-RA10S EM TODAS AS FASES

Fig. 6.2 - Efeito da resistência do aterramento


na corrente do pára-raios

Nas figuras 6.3 estão representadas, esquematicamente, essas mesmas correntes para os
casos de Rat igual 200 O e zero Q (vide referência 64).
(d)

6.2 Fatores que Afetam a Impedância de Aterramento


A não linearidade da impedância de aterramento por ocasião do escoamento de uma cor­
rente de surto para o solo depende de um certo número de parâmetros, incluindo:
a) as dimensões do eletrodo de aterramento e a sua geometria (comprimento, diâmetro, mo­
do de instalação), que determinam a indutância do eletrodo e a densidade de escoamento;
b) os parâmetros da corrente de raio, tais como o valor de crista, inclinação máxima (di/dt),
tempo de escoamento, etc.;
c) distribuição da corrente de raio no sistema de aterramento, que depende do ponto onde
a corrente entra no sistema e da indutância do eletrodo;
d) efeitos de ionização do solo. As correntes de raios causam tensões elevadas nos eletrodos
de aterramento e o solo atua como dielétrico, podendo ocorrer disrupção se o campo
elétrico crítico E = p.J (kV/m) [p - resistividade do solo (£Xm); J - densidade de corrente
(A/m2)] for excedido. Medições indicam que o gradiente de tensão de rutura na superfície
do solo é da ordem de 100 a 500 kV/m enquanto que, intemamente, o solo apresenta
gradiente de rutura da ordem de 200 a 2000 kV/m. O efeito da ionização é mais intenso
para hastes e eletrodos horizontais de pequenas dimensões, já que em eletrodos
horizontais de grande extensão a corrente dissipada por unidade de comprimento é muito
menor.

6.3 Mecanismo de Condução da Corrente pelo Solo


Existem dois mecanismos distintos de condução da corrente: o eletrolítico e o chamado
“mecanismo de canal”.
Com respeito ao mecanismo eletrolítico, a água retida no solo contém sais, ácidos e álcalis
dissolvidos, formando uma solução coloidal que toma o meio condutor. Quando a densidade
de corrente que escoa do eletrodo para o solo é baixa (não excedendo a densidade máxima
permitida ao eletrodo, 0,3 A/cm2) e o campo elétrico E é baixo (não mais que 2kV/cm), so­
mente a condução eletrolítica se faz presente.
Nessas condições, a tensão varia diretamente com a corrente. Quando a corrente aumenta,
calor é produzido e a temperatura do solo aumenta (efeito Joule).
Isto faz com que a umidade se evapore e a resistividade junto com o campo elétrico au­
mentem rapidamente. No solo, ao redor da superfície do eletrodo, cria-se uma zona de des­
carga, primeiro na forma de caminhos paralelos de centelhamento, e depois, quando o campo
elétrico aumenta, na forma de arco (disrupção do solo).
Como a queda de tensão na zona de descarga é muito menor do que no caso da condução
eletrolítica, é possível que a disrupção cause um aparente aumento nas dimensões do eletrodo
de aterramento, resultando num decréscimo de sua resistência de aterramento.
Os caminhos de centelhamento e de arco são rapidamente resfriados pelo solo das ime­
diações, e quando aumentam de comprimento, a queda de tensão ao longo deles também au­
menta. Isto limita a área de descarga.
A variação da resistência de aterramento em função da corrente de surto é denominada
resistência dinâm ica. Com a forma de onda padronizada, durante a passagem da frente de
onda o aumento da tensão é linear em relação à corrente e, portanto, a resistência dinâmica
rd = V/I (V = valor instantâneo de tensão e I = valor instantâneo da corrente) permanece
próxima do valor da resistência estática. Quando a densidade de corrente excede o valor
máximo permitido ao eletrodo, são criadas zonas de descarga no solo, resultando, conse­
quentemente, num aumento aparente das dimensões do eletrodo de aterramento, implicando
na redução da resistência dinâmica. Essa redução é observada entre 1 ps e o momento em
que a corrente atinge o valor máximo.
A impedância ao surto é definida pela relação entre o valor máximo da queda de tensão
desenvolvida no aterramento e o valor máximo da corrente dissipada. A metodologia ade­
quada ao seu cálculo é descrita no item 10.5.
A relação entre a impedância de surto e a resistência de aterramento é denominada
coeficiente de impulso.
Capítulo 7

Coordenação de Isolamento

A coordenação de isolamento consiste em comparar o isolamento dos equipamentos e


circuitos com as sobretensões que serão admitidas pelos dispositivos de proteção emprega­
dos. Daí o estudo de coordenação do isolamento restringir-se aos casos de emprego de pára-
raios e descarregadores de chifres.
Neste capítulo será abordada tão somente a proteção de equipamentos. Os critérios ade­
quados à proteção de rede, descritos no capítulo 11, deverão ser aplicados simultaneamente
aos aqui apresentados, na ocasião da elaboração do projeto de proteção da rede.

7.1 Estudo da Coordenação de Isolamentos


Através do Emprego de Pára-raios
Considera-se adequada a proteção obtida, quando superiores ou iguais a 20%, as margens
de segurança resultantes das seguintes comparações:
a) Tensão Disruptiva de Impulso Atmosférico Cortada na Frente (pára-raios) x Tensão
Suportável de Impulso de Onda Cortada (equipamento);
b) Tensão Disruptiva de Impulso de Onda Normalizada (pára-raios) x Tensão Suportável de
Impulso (antigo NBI do equipamento);
c) Tensão Residual do pára-raios (correspondente à corrente de descarga de 5kA), acrescida
da queda de tensão nos cabos de conexão do pára-raios entre a rede e o equipamento x
Tensão Suportável de Impulso do equipamento.
A figura 7.1 (na página seguinte) ilustra o procedimento descrito.
Nota: A condição (c) da coordenação de isolamento (Tensão Residual do pára-raios + L
di/dt dos cabos de conexão) não é uma soma algébrica. Entretanto, na prática, considera-se
a condição mais pessimista, ou seja, realiza-se a soma algébrica dessas parcelas.
Fig. 7.1

7.2 Estudo da Coordenação de Isolamento Utilizando Descarregadores


de Chifres
Neste caso, a coordenação deve ser efetuada usando os mesmos critérios adotados no caso
dos pára-raios. Considerando-se que os descarregadores não têm a característica de Tensão
Residual, deve-se levar em conta, nos cálculos, somente a queda de tensão resultante da
conexão.
Esse tipo de coordenação está ilustrado na figura 7.2:
MICROSSEGUNDOS
Fig. 7.2

7.3 Exemplos de Coordenação de Isolamento


7.3.1 Sistema a Quatro Fios com o Neutro Multiaterrado
Considerando um sistema a quatro fios com o neutro multiaterrado (vide definição no
capítulo 9) em tensão nominal de 13,8 kV, estudar a coordenação de isolamento para um
transformador com TSI de 95 kV e com valor de onda cortada de 110 kV.
a) Seleção do dispositivo de proteção
Optaremos pelo pára-raios de 5 kA.
b) Seleção da Tensão Nom inal do pára-raios
Conforme dado na tabela 5.3, deve-se selecionai tensões nominais de 10,5 kV ou 12 kV.
Para o caso em questão serão feitas análises para as duas tensões. As características dos
pára-raios estão padronizadas em norma específica da ABNT.
c) Estudo da coordenação de isolamento
Pára-raios de 1 0 5 kV - Série A

Características:
(TDN) Tensão Disruptiva de Onda Normalizada = 38 kV
(TDC) Tensão Disruptiva de Onda Cortada = 44 kV
(TR) Tensão Residual = 38 kV

Determinação de margem de segurança para


valores de onda cortada - MS (1):
010
MS (1) = - 1 100 = 150%
<44~
Determinação da margem de segurança para
valores de onda plena - MS (2):
Por serem iguais os valores de TDN e TR do Dára-raios determinaremos a margem de
di
segurança a partir do valor TR + L — (vide figura 7.1).
dt
Para se determinar a queda de tensão através dos cabos de conexão, adota-se o valor de
5 kV/metro. Esse valor é obtido considerando a taxa de crescimento da frente de onda da cor­
rente de surto de 4000 A/|is, através de um condutor com indutância de l,3|iH /m etro
(L di/dt = 1,3 x 4000 = 5000 V/m).
Considere-se, por exemplo, que o comprimento máximo dos cabos seja de 3 metros. Nesse
caso, a tensão nele desenvolvida é:
AV cabo = 3m x 5 kV/m = 15 kV
A tensão total é:
AV = TR + AV cabo = 38kV + 15kV = 53kV
A margem de segurança é:
rrsi ^ (95 ')
MS (2) = x 100 = ----- 1 100 = 79,25%
Uv J 153 J
Pára-raios de 12,0 kV - Série B

Características:
TDN = 70 kV
TDC = 73 kV
Tensão Residual = 54 kV

Determinação de MS (1):
n io >
MS (1) = - 1 100 = 50,7%
173
Determinação de MS (2):
Foi considerado o mesmo valor de queda de tensão nos cabos de conexão do exemplo
anterior.
AV = TR + AV cabo
AV = 54 kV + 15 kV = 69 kV
Como TDN = 70 kV > 69 kV, a margem de segurança é:
7TSI > 795 ^
MS (2) = - 1 x 100 = — - 1 35,7%
[T D N ) V70 J
Conclusão
Para qualquer um dos casos analisados obteve-se uma coordenação de isolamento adequada,
com uma margem de segurança superior aos 20% recomendados.

7.3.2 Sistema a Três Fios Isolado


Estudar a coordenação de isolamento para um transformador com TSI de 95 kV e valor
de onda cortada de 110 kV, instalado em um sistema de 13,8 kV.

a) Seleção do dispositivo de proteção


Optou-se pela utilização de pára-raios de 5 kA.
b) Seleção da Tensão N om inal do p á ra -ra io s
De acordo com a tabela 5.3 deve-se utilizar o pára-raios de 15 kV.

c) E studo da coordenação de isolam ento

P á ra -ra io s 15 kV, 5 k A - Série B

Características:
TDN = 80 kV
TDC = 83 kV
Tensão Residual = 64 kV

Cálculo de MS (1):

TSI 110 •\
MS (1) = x 100 = 1 x 100 32,5%
TDC "83~ J

Cálculo de MS (2):
Deve-se considerar o mesmo valor de AV cabo do caso anterior.
A queda total será dada por:
AV = TR + AVcabo
AV = 64 + 15 = 79 kV
Como TDN = 80 kV > 79 kV,

f95
MS (2) = — - 1 x 100 = 18,75%
\$ 0

Conclusão
A aplicação desse pára-raios não é adequada por ter sido obtida uma margem de segurança
inferior a 20%.
Capítulo 8

Aplicação de
Dispositivos de Proteção
8.1 Seleção dos Pontos de Aplicação
Tendo em vista a necessidade de se proteger os equipamentos instalados na rede e a pró­
pria rede, apresentam-se, inicialmente, os critérios recomendados para a seleção quantitativa
e qualitativa dos pontos a serem protegidos, em função do tipo de rede e das características
atmosféricas locais.
Considera-se, para efeito de proteção de sobretensões, três tipos básicos de redes de distri­
buição: redes urbanas, redes rurais e redes semi-urbanas.
8.1.1 Redes Urbanas
São suas características básicas:
• suprimento a regiões com elevada densidade de carga;
• grande concentração de equipamentos para os quais a proteção de sobretensões é obri­
gatória;
• grande quantidade de derivações que resultam em substancial subdivisão da tensão
induzida;
• menor grau de exposição a descargas atmosféricas devido à existência de proteção natural
propiciada por prédios, árvores e outros acidentes.
Pode-se dizer, portanto, que as redes urbanas praticamente não recebem descargas diretas
e ficam sujeitas a surtos induzidos de pequeno grau de severidade.
Nesse tipo de rede é recomendável a instalação de dispositivos de proteção:
a) em toda transição de sistema aéreo para subterrâneo;
b) em todo transformador que atenda cargas especiais;
c) em todo transformador instalado em fim de linha de comprimento superior a 120m;
d) nos seguintes equipamentos considerados de alto custo: reguladores de tensão, religa-
dores, seccionalizadores, bancos de capacitores e chaves a óleo;
e) em todo fim de linha de comprimento superior a 120m sem proteção na estrutura
adjacente (penúltimo poste da rede). Caso na referida estrutura exista instalado um
transformador sem proteção, o dispositivo de proteção alocado para o fim de linha deverá
ser deslocado para junto do transformador.
De um modo geral, os dispositivos de proteção instalados nos pontos anteriormente indi­
cados são suficientes à proteção das redes urbanas.
8.1.2 Redes Rurais
São suas características básicas:
• suprimento a regiões de baixa densidade de carga;
• redes de grande extensão;
• equipamentos esparsamente distribuídos ao longo da rede;
• maior grau de exposição a descargas atmosféricas.
Em conseqüência do exposto, pode-se dizer que as redes rurais estão sujeitas a descargas
atmosféricas diretas e a surtos induzidos de elevado grau de severidade.
Nesse tipo de rede é recomendável a instalação de dispositivos de proteção:
a) em todo transformador;
b) nos seguintes equipamentos considerados de alto custo: reguladores de tensão, reli-
gadores, seccionadores automáticos (seccionalizadores), bancos de capacitores e chaves
a óleo;
c) em todo fim de linha;
d) nos lados de chaves normalmente abertas.
A eventual instalação de dispositivos de proteção adicionais aos anteriormente citados,
ao longo da rede, teria como objetivo a prevenção de flashovers nos isoladores que, façe aos
reduzidos níveis de curto-circuito disponíveis nesse tipo de rede, geralmente não têm conse-
qüências mais graves que um desligamento.
O provimento de religação automática é uma forma de se atenuar o problema, restaurando
o fornecimento e mantendo os níveis de confiabilidade esperados. A viabilidade dessa solu­
ção depende, Qbviamente, dos níveis ceráunicos da região em estudo.
Contudo, a opção normalmente mais econômica consiste na elevação dos níveis de isola­
mento das estruturas empregadas, permitindo a dispensa dos dispositivos de proteção adi­
cional, sem maiores prejuízos da continuidade do suprimento. A validade dessa solução deve
ser julgada, para cada caso, com base na rotina descrita em 8.1.4.
Em casos especiais, para regiões com elevados níveis ceráunicos, pode vir a ser neces­
sária a utilização de cabos pára-raios, para proteção contra descargas diretas.
8.1.3 Redes Semi-urbanas
Devem ser enquadradas como tal as redes elétricas cujas características não permitam sua
classificação precisa, quer como urbanas, quer como rurais.
Poder-se-ia dizer que as redes semi-urbanas normalmente atendem regiões que não apre­
sentam áreas de elevada concentração de carga, suas construções são predominantemente
horizontais e os comprimentos de rede relativamente grandes.
Para fins de definição da filosofia de proteção a ser adotada, apenas com base na consi­
deração do grau de exposição da rede e do número de ramificações existentes, dever-se-á
optar pelo seu enquadramento ou como rede urbana ou como rede rural. Neste último caso
prevalecerão todas as recomendações listadas em 8.1.2. Caso suas características indiquem
maior grau de semelhança com as redes urbanas, recomenda-se a instalação de dispositivos
de proteção:

a) em toda transição de sistema aéreo para subterrâneo;


b) em todo transformador que atenda cargas especiais;
c) em todo transformador instalado em fim de linha;
d) nos seguintes equipamentos considerados de alto custo: reguladores de tensão, religa-
dores, seccionalizadores, bancos de capacitores e chaves a óleo;
e) em todo fim de linha sem proteção na estrutura adjacente (penúltimo poste da rede);
f) nos lados de chaves normalmente abertas, sem dispositivo de proteção na estrutura adja­
cente.

Situações anômalas poderão ocorrer para as quais se toma recomendável a partição do


sistema semi-urbano para fins dessa classificação; ou seja, parte apresenta maiores seme­
lhanças com redes urbanas e parte com redes rurais. Nesses casos, projetos distintos de pro­
teção poderão ser adotados, desde que, com base no capítulo 11, a verificação do limite a
ser adotado para o valor de resistência de aterramento seja processada duas vezes (uma para
cada caso), adotando-se como resultado único o menor dos valores obtidos.
O ponto fictício de transição rede urbana/rede rural (demarcado no projeto de proteção)
deverá ser sempre considerado como “fim de linha urbana”.

8.1.4 Quantificação da Proteção Adicional


Segundo a bibliografia existente, o número de descargas diretas que incide numa linha
pode ser calculado por:
Ns = (2R + b ) . L . N g, onde:
Ns = número de descargas diretas/ano
Ng = número de descargas atmosféricas/km2/ano
b = largura da linha (estrutura) (m)
L = comprimento da linha (m)
R = 16,3 h 0’61
R = raio equivalente de atração da linha (m)
h = altura da estrutura (m)

Contudo, na determinação do número mínimo de dispositivos de proteção adicional, essas


descargas diretas são normalmente desprezadas (por ser inviável a obtenção de proteção para
esse tipo de surto salvo através cabo pára-raios).
Face ao exposto, por ficar essa quantificação restrita à ocorrência de descargas indiretas
pode-se utilizar o modelo de análise de sobretensões induzidas, proposto por S. Rusck em
Protection o f Distribution Lines (referências 45 e 173). Esse modelo estabelece que, para
uma linha aérea cuja altura seja pequena se comparada com a distância do ponto de queda
de um raio à linha, o potencial elétrico induzido sobre a linha pode ser assumido aproximada­
mente igual ao campo elétrico na superfície da terra, multiplicado pela altura da linha.
Dessa forma, o valor da tensão induzida no instante t, em qualquer ponto da linha de altura
h, é dado pela função:

V = U(x) + U(-x) (Eq. 8.1)

onde:
1 + [p2 (Ct - x) + x
Ct - x
U = Z Q. I . h . |3 (Eq. 8.2)
y 2 + P2 (Ct - x)2 q2 _ 2 2 „ a., 2 2
P C t + (1 - P ) (x + y )
2
1/2

onde:
I = corrente de descarga de retom o
C = velocidade da luz
P = velocidade da descarga de retomo/velocidade da luz

4,5 x 10 5 v W
P= 1 + (Eq. 8.3)
I
1/2
Z 0 = ( l/4 7 t)(ji(/e 0) =30Q

Derivando a equação (8.2) e igualando a zero, determinamos o valor


Z0 . I . h
Vv p ico
• 1+ P (Eq. 8.4)
max
1/2

P )
que corresponde a x = 0 e t = y /p c
Com base na equação (8.4) podem ser calculadas as tensões induzidas na rede para
diversas distâncias entre ela e o ponto de descarga. Cabe esclarecer que o valor de pico
alcança o seu máximo a uma distância variável do ponto mais próximo da descarga; porém,
segundo a referência 45, para x = 0 a tensão de pico é usualmente maior do que 80% do seu
máximo.
Isso posto, é necessário avaliar:
• a densidade de descargas atmosféricas;
• o número de surtos induzidos por km2, por ano.

Densidade de descargas atmosféricas

Normalmente representada pelo número médio de descargas por km2, por ano, estabelece
o grau de exposição a surtos a que uma determinada área está sujeita.
Esta densidade de descargas é avaliada por várias equações, todas elas empíricas, dentre
as quais:

a) N g = a T j (ref.46)
onde:
N g = número de descargas atmosféricas/km2/ano
T d = nível ceráunico da região
a =0,023
b = 1,30

b) N g = 0,15 T d (ief. 16)

c) N g = 0,0026 T d 9 (ief. 16)

Quanto aos surtos induzidos, conforme já visto anteriormente, pela equação (8.4) pode-
se calcular a distância y perpendicular à linha para a qual uma descarga é capaz de induzir
um determinado valor de sobretensão em uma rede de distribuição. Desse modo, a incidência
de descargas indiretas será dada por:
N L = ( 2 .y ) N g
onde:
NL= nQde descargas indiretas/ano/km
y = distância da linha onde ocorre a descarga (km) e
(Eq. 8.5)

onde devem ser considerados:

Zo = 30£2
I = 30kA (probabilidade de ocorrência de 50% conforme figura 8.2)
P = conforme equação (8.3)
Fig. 8.2 (ref. 45)

D eterm in ação do número de d ispositivo s de p ro teçã o p o r km da rede

Como ponto de partida na elaboração de um projeto, deve-se ter um número “n” de pontos
de instalação de dispositivos, dado por n = NL.
Desse valor devem ser deduzidos todos os dispositivos já instalados para a proteção de
equipamentos e de transformadores.
Cabe ressaltar que o provimento dessa proteção adicional simplesmente reduzirá a
probabilidade de ocorrência de fla sh o vers nos isoladores, não sendo possível, contudo,
garantir sua total eliminação, uma vez que os potenciais disponíveis variam com as posições
relativas entre o ponto de descarga do raio e a rede, e entre o ponto de indução na rede e os
pára-raios.
Ratificando o conteúdo do item 8.1.2, recomenda-se que a sistemática de cálculo seja
utilizada tão somente para a determinação do valor adequado ao isolamento das estruturas,
de forma a permitir dispensa de qualquer proteção adicional.
Tal condição pode ser considerada atendida quando o isolamento da estrutura é superior
ou igual ao valor da tensão induzida na rede por uma descarga que atinja um ponto dela
distante de 20 metros.

E xem plo :
Considerando para uma linha rural de distribuição de 13,8 kV, níveis de isolamento de 100
kV, 200 kV e 300 kV, determinar o número de pontos de instalação de dispositivos de
proteção por km de rede.
Dados:
T d = 30 e 60 dias de trovoada/ano
I = corrente do raio = 30 kA (probabilidade de ocorrência de 50%, conforme figura 8.2)
h = altura da estrutura = 10 m

a) Determinação da densidade de descargas atmosféricas

13 T d = 30
N „ = 0,023 T d .-.para
g d T d = 60

N g ao = 1,914 descargas atmosféricas/km12/ano


Ng = 4,713 descargas atmosféricas/km2/ano

b) Determinação da distância y entre a rede e a descarga para indução de tensões.


Pela equação (8.4), temos que:
_ Zq . I . h í ____ (3____ ]
^ V pico niáx { (2 — p 2 ) l/2 J

onde:
Vpico máx = nível de isolamento da linha
Zo=30Q

P = í 1+ 4,5 x 10 5^ 1/2 = + 4j5^0£_^ 1/2 = 0,00816

1- hipótese: V =100kV
P máx

30 x 30 x 10 f, 0,00816
Y 1 0 ° = ------- Jõõ-------- 1 + = 90,5 m
(2 - 0,008162)1/2

2 - hipótese: V =200kV
P máx

30 x 30 x 10 0,00816
Y 200 = 1+ = 45,3 m
200 (2 - 0,008162)1/2

3 q hipótese: V D . =300kV

30 x 30 x 10 0,00816
Y300 = 1+ = 30,2 m
300 (2 -0 ,0 0 8 1 6 2)1/2
O valor de y é, portanto, a máxima distância do ponto de impacto da descarga em relação à
linha que causa sobretensão superior ao TSI da linha.

c) Determinação do número de descargas indiretas na linha por km, por ano


7 - hipótese - T d = 30 dias de trovoada/ano
N L 100= 2 yiOOx N g 3o= 2 x 0,0905 x 1,914 = 0,346
N l 200= 2 y 20ox N g3Q= 2 x 0,0453 x 1,914 = 0,173
N g 3o= 2 x 0,0302 x 1,914 = 0,116
2 - hipótese - T d = 6 0 dias de trovoada/ano
N Lia)= 2 y i o o x N g«,= 0'853
N L20o=2y2O Ox N g8)= 0,427
« L » - ^ 300 * N g(n- 0.285
Resumindo:

TSI da estrutura nl
Y(m)
(kV) T d = 30 T d=60
100 90,5 0,346 0,853
200 45,3 0,173 0,427
300 30,2 0,116 0,285

d) Determinação do número de pontos de instalação de dispositivos de proteção


n = NL
Como N l < l , o espaçamento entre pára-raios será de:

Para T d = 30 dias de trovoada/ano

TSI da estrutura - 100 kV —» 2,9 km de linha


200 kV —> 5,8 km de linha
300 kV -> 8,6 km de linha

Para T d = 60 dias de trovoada/ano


TSI da estrutura - 100 kV —> 1,2 km
200 kV -> 2,3 km
300 kV -> 3,5 km

Do exposto, conclui-se que, para o exemplo dado, depois de localizados todos os dispositivos
de proteção de instalação obrigatória (conforme item 8 . 1 .2 ), a proteção adicional de rede
pode vir a ser desnecessária.
8.2 Localização de Dispositivos de Proteção em Relação ao
Equipamento Protegido

Os critérios a seguir são válidos tanto em relação à aplicação de pára-raios quanto em


relação à aplicação de descarregador de chifres.
8.2.1 Recomendações Gerais
a) As carcaças de todos os equipamentos a serem protegidos devem ser conectadas ao
condutor de aterramento do dispositivo de proteção.
b) A distância entre o ponto de conexão à rede do dispositivo de proteção e a carcaça do
equipamento, medida através do condutor de aterramento, deve ser a menor possível
(vide figura 8.3).

c) O condutor de aterramento do dispositivo de proteção deve ser conectado ao neutro do


sistema, quando disponível.
As duas primeiras recomendações objetivam reduzir ao mínimo a queda de tensão devida
ao surto, que é gerada nos cabos de interligação da rede com o dispositivo de proteção, e
deste com a carcaça, queda esta que imporá um esforço adicional sobre o isolamento do
equipamento a ser protegido. A tensão aplicada ao equipamento é a soma de tensão residual
do dispositivo de proteção com a tensão desenvolvida através das citadas conexões.

8.2.2 Recomendações Específicas


a) Transformadores
Instala-se um dispositivo de proteção por fase, conforme ilustrado na figura 8.4.

Fig. 8.4

O dispositivo de proteção deve ser conectado na linha antes da chave-fusível, de modo


a evitar que a corrente de surto passe através do elo, causando sua fusão, e a conseqüente
interrupção do fornecimento.
b) R eligadores e seccion alizadores
Nesse caso, os dispositivos de proteção devem ser instalados por fase, tanto do lado da
fonte como do lado da carga, na mesma estrutura, de modo a proporcionar completa proteção
contra descargas atmosféricas, face à condição de contatos abertos.

c) C haves a óleo
Nos locais de instalação de chaves operando normalmente abertas, recomenda-se a insta­
lação de dispositivos de proteção em ambos os lados.
No caso da chave operando normalmente fechada pode-se instalar dispositivos de pro­
teção apenas do lado da fonte.

d) R eguladores de tensão
A proteção de um regulador requer a utilização de dispositivos específicos para cada um
dos enrolamentos.
No caso do enrolamento em série com a linha — caminho obrigatório para as ondas via­
jantes oriundas de manobras ou de descargas atmosféricas — a proteção é absolutamente in­
dispensável e, por essa razão, é normalmente parte integrante do equipamento. Assim:

- P roteção do enrolam ento-série


Dependendo do fabricante, são usados os seguintes dispositivos de proteção do enrola­
mento-série, instalados interna ou extemamente:
- R esistores de Thyrite (vide capítulo 5)
Conectados diretamente em paralelo com o enrolamento-série, imersos no óleo do
tanque.
- P á ra -ra io s tipo válvula (ou sim plesm ente um gapj
Conectado externamente entre as buchas da fonte e da carga.
- Proteção de enrolamento paralelo fshuntj
A proteção para o enrolamento paralelo deve ser proporcionada por pára-raios instalados
de ambos os lados, fonte e carga do regulador, próximo dos seus terminais. Os pára-raios
podem ser montados extemamente no próprio tanque do regulador e ligados aos terminais
fonte-tanque e carga-tanque (terra) de conexões muito curtas. A figura 8.6 ilustra a pro­
teção completa do equipamento.

PROTEÇÃO DO ENROLAMENTO SERIE

O
<
o

Fig. 8.6 - Proteção completa de um regulador de tensão

As figuras 8.7, 8 .8 , 8.9 e 8.10 mostram a proteção por pára-raios, recomendada para os
diversos tipos de conexão de reguladores monofásicos em linhas aéreas de distribuição.

Fig. 8.7 - Regulação de circuitos monofásicos


Fig. 8.8 - Regulação de circuitos trifásicos a quatro fios com
neutro multiaterrado, com três reguladores monofásicos

A
FO N TE

CARGA
B
C
1

r >< i
>

i r
A 5)> (<>
—III»

—III»

0 0 0 A A

w

( :: ;;
______a .
----------

I _____J U T

Fig. 8.9 - Regulação de circuitos trifásicos a três fios,


com três reguladores
CARGA
FO N TE

Fig. 8.10 - Regulação de circuitos trifásicos a três fios,


com dois reguladores

e) Bancos de capacitores
Nesse caso os dispositivos de proteção devem ser instalados por fase, do lado da fonte e
antes da chave-fusível.

CHAVE A ÓLEO

CAPACITOR

Fig. 8.11
Embora os bancos de capacitores conectados em estrela aterrada tenham a tendência de
atenuar frentes de onda e reduzir a crista das ondas viajantes (capítulo 3), existe ainda a possi­
bilidade de danos a esses equipamentos se a energia dos surtos for suficientemente elevada.
Quanto aos demais tipos de conexão de bancos não há dúvida quanto à necessidade de
protegê-los.

f) Transição de rede aérea com condutores nus para rede subterrânea ou aérea isolada
Transição de redes aéreas para subterrâneas ou isoladas, ocorrem nas seguintes condições:
travessias, entradas de consumidores primários, alimentação por rede subterrânea derivada
de rede aérea em áreas específicas, etc.
Em todos esses casos deve ser provida a proteção adequada, de modo a evitar reflexões
de onda, que ocorrem em virtude da mudança de impedância de surto. Os cabos subterrâneos
têm impedância de surto da ordem de 50 ohms, ao passo que redes aéreas trifásicas com
condutores nus têm impedância da ordem de 280 ohms.
De forma a viabilizar a proteção do isolamento do cabo, da rede isolada e dos equipamen­
tos a elas conectados, liga-se o terminal de terra do pára-raios à blindagem do cabo.
Finalmente, face ao elevado custo das redes subterrâneas (materiais e mão-de-obra) os
critérios que se seguem aplicam-se à utilização de pára-raios.
Travessias
Deve-se instalar pára-raios em ambas as terminais. Os pára-raios devem ser localizados
nas próprias estruturas das terminais. A proteção está ilustrada na figura 8.12.
Procedimento análogo ao descrito é recomendado para os trechos de rede aérea cons­
truídos em cabo pré-reunido.
Entradas de consumidores primários
Deve-se instalar pára-raios na terminal de descida do cabo, da mesma forma que no caso
de travessias.
Dependendo do comprimento do cabo, pode vir a ser necessário o uso do pára-raios
também junto ao transformador, conforme referência 42, exemplificado abaixo:

— Cálculo do comprimento do cabo subterrâneo acima do qual há necessidade de instalação


de pára-raios junto ao transformador

T E R M IN A L DE
ENTRADA DO
SUBTERRÂNEO
»
CABO SUBTERRÂNEO
REDE AEREA
-£ > M j I
í_?_ 5_ l
t PARA-RAIOS

CHAVE SECCI0NA-
TRANSFORMADOR

D0RA OU CHAVE
FUSÍVEL

Fig. 8.13

Dados:
d = lm (distância do pára-raios desde a fase até o terminal)
Zc = 50 Q (impedância de surto do cabo subterrâneo)
di c/d t = 4000 A/|is = 4 kA/jis = (taxa de crescimento do surto de corrente no cabo)
di pr/d t = 4000 A/ps = 4 kA/|is = (taxa de crescimento do surto de corrente no pára-raios)
Pára-raios:
Tensão nominal = 15 kV
Tensão residual = 54 kV
Tensão disruptiva de onda normalizada = 58 kV
Transformador:
Classe de isolamento = 15 kV
T S I= 110 kV

— Cálculo da tensão máxima transmitida ao cabo subterrâneo por ocasião da operação


do pára-raios
diDr
E m 4x = T R + L - J ü

onde:
TR = tensão residual do pára-raios = 54 kV
L = indutância do condutor de aterramento (ji H)=0,4 pH/ft
L = 0,4 uH x d = ^ - uH/m x 1 m = 1,31 |iH
0,305
dnr
- P í = 4 k A /]IS
dt
Emáx = 54 + 1 ,3 1 x 4 = 59,24 kV

Como TDN = 58 kV < 59,24 kV

- cálculo do tempo F para o surto de tensão atingir seu valor de crista ao longo do cabo

E -
^max
de/dt

onde:
de/dt = taxa de crescimento do surto de tensão no cabo

dic
de/dt = Z c — = 50 x 4 = 200 kV/ps
c dt
59,24
= 0,3 jis
200

A tensão máxima permitida nos terminais do transformador é 1 10 kV (TSI); portanto:

TSI 110
1,86
^máx 59,24

Entrando com esse valor no gráfico da figura 8.14, tira-se que:

onde:
S = comprimento máximo do cabo subterrâneo (m)
V = velocidade de propagação da onda no cabo subterrâneo = 1 5 0 m/ps
S/V = tempo para o surto percorrer o cabo subterrâneo (j_ts)
F = tempo para o surto atingir um valor de crista (ps)

Portanto, o comprimento máximo do cabo subterrâneo para que não haja necessidade de
instalação de pára-raios no transformador será:

S = 0,4 x V x F
S = 0,4 x 150 x 0,3 = 18m
O.l 02 0304 06 I 2 3 4 5
S/V
F
Maximum receivin g -en d voltage expressed as ratio
to maximum sending-end v o lta g e
Fig. 8.14

Alimentação de áreas residenciais


Deve-se instalar pára-raios no ponto de descida do cabo, da mesma forma que para os ca­
sos de entradas primárias subterrâneas.
Entretanto, como nesses casos tem-se grandes comprimentos de cabos, deve-se instalar,
sempre que possível, pára-raios também em todo transformador de fim de linha.

CIRCUITO PRIMÁRIO AÉREO


PARA-RAIOS
Capítulo 9

Conceitos Básicos sobre


Aterramento
O aterramento de um sistema de distribuição é considerado adequado quando atinge,
cumulativamente, os seguintes objetivos:
- Viabiliza adequado escoamento de sobretensões indesejáveis, limitando as tensões
transferidas ao longo da rede, em consequência da descarga de surtos.
- Garante a segurança dos usuários do sistema através da limitação das diferenças de poten­
cial entre o condutor neutro e a terra, resultantes da circulação das correntes de desequi­
líbrio.
- Garante a efetividade do aterramento do sistema, limitando em valores adequados os des­
locamentos do neutro, por ocasião da ocorrência de faltas à terra.
- Assegura a operação rápida e efetiva dos dispositivos de proteção de sobrecorrente, na
ocorrência de faltas à terra, limitando a valores não perigosos as tensões de passo resul­
tantes da passagem das correntes de curto-circuito.
A forma de se alcançar os objetivos anteriormente citados depende do tipo de sistema que
se venha a construir. Portanto, a elaboração do projeto específico para aterramento de um
sistema de distribuição deve ser sempre precedida da definição do tipo de sistema que se pre­
tende implantar. Face às múltiplas consequências dessa escolha, ela deve ser baseada em
análise técnico-econômica global em que sejam cotejadas as vantagens e desvantagens de
cada tipo de sistema possível de ser construído, à luz das características específicas da região
a eletrificar. Nessa análise devem ser contemplados todos os aspectos técnicos envolvidos,
desde a definição de Tensão Suportável de Impulso até a especificação e escolha de todos
os materiais, equipamentos e estruturas necessários, que são sensivelmente afetados pela
definição da distância de escoamento dos isoladores e pela limitação dos níveis máximos de
curto-circuito.
Para fins de definição de metodologias de cálculo de aterramento, é a seguinte a classi­
ficação dos sistemas primários de distribuição, aterrados:

a) Sistemas a quatro fios, multiaterrados


Os sistemas primários a quatro fios geralmente utilizam neutro comum entre a AT e BT,
o que significa que o mesmo condutor aterrado é usado como neutro, tanto do sistema pri­
mário como dos circuitos secundários de distribuição, e é interligado à malha de terra da su­
bestação. As conexões para terra são feitas em pontos definidos de modo que seja conseguida
uma rede de terra contínua e de baixa impedância ao longo do sistema.

b) Sistem as a três f io s com neutro da B T contínuo


Os sistemas primários a três fios podem ser aterrados na subestação, tanto diretamente
como através de impedância. Entende-se como neutro da BT contínuo aqueles em que o
neutro da baixa tensão interliga todos os transformadores de distribuição, formando assim
um neutro contínuo e aterrado.

c) Sistem as a três f io s com neutro da B T descontínuo


São sistemas em que a rede primária é idêntica à citada em (b), e onde os neutros da baixa
tensão dos diversos transformadores de distribuição não são interligados. Esse tipo de siste­
ma é usualmente encontrado em zonas de baixa densidade de carga e rurais.
Capítulo 10

Elementos de Projeto para


Aterramento
Por se tratar de um fator preponderante para o bom desempenho e segurança de um sis­
tema elétrico, o quesito aterramento deve sempre merecer uma atenção especial.
Essa atenção deve ser traduzida na elaboração de projetos específicos, nos quais, com ba­
se em dados disponíveis e parâmetros pré-fixados, sejam consideradas todas as possíveis
condições a que os sistemas possam vir a ser submetidos, e definidos os requisitos mínimos
necessários ao equacionamento dos problemas.
A possibilidade de caracterização desses “requisitos mínimos” justifica plenamente a
execução de tais projetos, não só sob o ponto de vista de segurança mas também sob o ponto
de vista econômico, já que, em grande número de casos, investimentos elevados são feitos
para a obtenção de parâmetros bem mais rígidos que os mínimos necessários.

10.1 Resistividade do Solo


Dado de fundamental importância para o desenvolvimento de um projeto de aterramento
é o conhecimento das características do solo, principalmente de sua resistividade elétrica.
O conjunto de fatores que determina a resistividade do solo compreende:

• tipo de solo;
• composição química dos sais dissolvidos na água retida;
• concentração de sais dissolvidos na água retida;
• teor de umidade;
• temperatura;
• tamanho e distribuição da partícula (grão) do material;
• compactação e pressão.

Essa resistividade deve ser previamente determinada através de medições que permitam
definir áreas de características homogêneas, onde um valor médio possa vir a ser utilizado,
sem implicar em distorção dos resultados globais a serem obtidos quando da aplicação da
metodologia proposta. Como ilustração, são apresentados na tabela 10.1 valores de resis­
tividade em função do tipo do solo.
Variação da Resistividade em Função do Tipo do Solo

TIPO DE SOLO p (Q x m )

limo 20 a 100
humus 10 a 150
lama 5 a 100
terra de jardim com 50% de umidade 140
terra de jardim com 2 0 % de umidade 480
argila com 40% de umidade 80
argila com 2 0 % de umidade 330
argila seca 1500 a 5000
areia com 90% de umidade 1300
areia comum 3000 a 8000
calcáreo fissurado 500 a 1000
calcáreo compacto 1000 a 5000
granito 1500 a 10000
basalto 10000 a 20000

10.2 Resistência de Aterramento de Eletrodos Simples


São três os principais tipos de eletrodos normalmente utilizados nos aterramentos de siste­
mas de distribuição.
10.2.1 Hastes
São eletrodos rígidos, de seção circular ou cantoneira, que se destinam à cravação vertical
no solo, atingindo assim camadas mais profundas que são, na maior parte dos casos, de
menor resistividade. Sua resistência é determinada através da seguinte equação:

P 400 L
Rlh = 2nL ln -------- (Q) (Eq. 10.1)
2,54 d

onde:
p = resistividade do solo (£2m): calculada conforme capítulo 17
L = comprimento de haste (m)
d = diâmetro equivalente da haste (polegadas)

HASTE DE SECÃO CI RCULAR H AS T E CANTONEIRA


A correspondência entre diâmetros anteriormente definida garante a obtenção de resis­
tências de aterramento para as cantoneiras com tolerância inferior a 1 0 %. Caso maior grau
de precisão seja desejado, o diâmetro equivalente da cantoneira deverá ser considerado igual
a V4 S/ 7C, sendo S o valor da área de sua seção transversal.
Por oportuno, cumpre esclarecer não ser nenhum desses critérios de equivalência reco­
mendável para definição de materiais (hastes) alternativos, ou para a substituição de canto­
neiras por tubos ou vice-versa. Face à pequena influência do diâmetro dos eletrodos no valor
final da resistência de aterramento, deve ser sempre padronizado o menor valor compatível
com o grau de dificuldade previsto para sua cravação no solo.
10.2.2 Condutor Horizontal
Em termos de aterramento de sistemas de distribuição não são normalmente utilizados de
forma independente. Seu emprego mais comum é para interligação de eletrodos verticais,
situação em que sua resistência é desprezada. Contudo, em solos em que a resistividade seja
diretamente proporcional à profundidade, ou em que dificuldades mecânicas para cravação
de hastes sejam verificadas, a utilização exclusiva de condutor horizontal pode vir a ser uma
opção razoável, situação em que sua resistência de aterramento deverá ser calculada por:

Rcond = 0,366 ^l0g log (Eq. 10.2)

onde:
p = resistividade do solo (Qm) - calculada conforme capítulo 17
L = comprimento do condutor horizontalmente enterrado (m)
d = diâmetro do condutor (m)
h = profundidade do condutor em relação à superfície (m)

10.2.3 Anéis
São eletrodos formados por enrolamentos concêntricos de um condutor nu, destinados à
instalação horizontal no solo, normalmente aproveitando os buracos feitos para a instalação
de postes. Sua resistência é determinada pela seguinte fórmula:

Ranel = 0,366 ^ L g log (Q) (Eq. 10.3)

onde:
p = resistividade do solo (íi.m ) - calculada conforme capítulo 17
r = raio do anel (m)
d = diâmetro de um círculo de seção equivalente à soma das seções dos condutores que
formam o anel (m)
h = profundidade do anel no solo em relação à superfície (m)

A associação dos valores de resistividade do solo normalmente disponíveis com os valo­


res de resistência usualmente pretendidos, geralmente implica na necessidade de utilização,
num mesmo aterramento, de eletrodos múltiplos interligados por condutores nus. Nesse tipo
de aterramento não são utilizados anéis, já que as hastes, além da vantagem de atingirem
camadas mais profundas, apresentam também maior facilidade para instalação. Em
conseqüência, os anéis vêm sendo utilizados nos casos de aterramentos de neutro em solos
de resistividade favorável e, mesmo assim, apenas quando da instalação de novos postes
onde o buraco já se apresenta disponível. Este tipo de aterramento geralmente não é
empregado no caso de equipamentos.

10.3 Hastes Interligadas em Paralelo


A interligação de hastes em paralelo tem como conseqüência uma superposição das áreas
de influência das hastes consideradas individualmente, implicando na alteração do valor da
resistência de cada uma quando considerada como parte do conjunto.
Para reduzir os efeitos dessa superposição, a distância entre hastes deve ser, no mínimo,
igual ao comprimento da própria haste.
A resistência (Rh) de aterramento de cada haste do conjunto será calculada por:

R h = R hh+ S Rhm W (Eq.10.4)


m= 1
onde:
n = número de hastes em paralelo
R hh = resistência individual de cada haste de aterramento

R h h = ^ i ° g 03
2
+ 'e^m
L )2
2
(A)
e hm " (b - L)
pa = resistividade aparente correspondente ao número de hastes utilizadas - calculada
conforme capítulo 17
Rkm = acréscimo da resistência da haste h por influência da haste m

(b+L)2- ehm
R hm - 0,183 — log -=-------------- -- (Q) (Eq. 10.5)
L 4 - (b-D 2
sendo:
L = comprimento da haste (m)
e hm = distância horizontal entre a haste h e a haste m

2
b = * L + ehm

Nota:

Rhm só é definido para h / m

Exemplificando: para um conjunto de n hastes em paralelo, a resistência de cada haste do


conjunto será:
R 1 = R H + R 1 2 + R i 3 + ••• + R l n

R 2 = R 21 + R 2 2 + R 23 + ••• + R 2n

r 3 = r 3 1 + r 3 2 + R 3 3 + ... + R 3 n

R n = R n l + R n2 + R n3 + R nn

Para o cálculo da resistência de aterramento do conjunto das (n) hastes em paralelo


(Rp(n) )»nã0 será considerado o efeito do cabo de interligação dessas hastes, uma vez que,
em termos de segurança, a exclusão desse efeito conduz a valores mais conservativos. Desta
forma, a resistência do conjunto será determinada por:
___ 1_
Rp(n) - (Q) (Eq. 10.6)
n
1
s Rh
h=l Rh

O acréscimo ilimitado do número de hastes em paralelo, num conjunto, não é viável, face
às limitações impostas pela saturação do solo à redução do valor da resistência equivalente.
O índice de aproveitamento obtido com a cravação de hastes adicionais é facilmente
verificado, na prática, pela análise dos coeficientes de redução (k), definidos como a relação
entre o valor de resistência de aterramento do conjunto e o valor da resistência individual
de cada uma das hastes componentes:

_ rp (n)
(Eq. 10.7)
Rhh

As configurações utilizadas com hastes em paralelo são as seguintes:

— HASTES ALINHADAS q______ O______ O______ O______ O (a)


— HASTES EM QUADRADO VAZIO

— HASTES EM QUADRADO CHEIO

— HASTES EM CÍRCULO

Fig. 10.2

A metodologia de cálculo apresentada para determinação da resistência de aterramento


de um conjunto de hastes interligadas em paralelo é válida para qualquer desses arranjos.
Sua aplicação a cada um deles permite constatar ser a configuração com hastes alinhadas
a mais favorável, em termos de resistência equivalente do conjunto.
Essa constatação, associada à maior facilidade de execução, já que esse arranjo implica
em menores quebras de calçadas e/ou vias asfaltadas, leva a concluir ser a configuração com
hastes alinhadas a mais recomendável para utilização em sistemas de distribuição, motivo
pelo qual será padronizada para o desenvolvimento deste relatório.
10.3.1 Hastes Alinhadas

v w 0 P

L L L L e> L
p > 0 ,5 m

Fig. 10.3

Quando da utilização de aterramentos com hastes múltiplas interligadas na configuração


alinhada, a disposição desses eletrodos deve ser tal que seu alinhamento fique paralelo à via
pública.
Além disso, as hastes devem ser cravadas mantendo um espaçamento mínimo entre si
igual ao seu comprimento, e a experiência prática recomenda ser de pelo menos 50 cm a
distância compreendida entre as cabeças das hastes e a superfície do solo. Os condutores de
interligação devem ser instalados nesta mesma profundidade mínima. O condutor de aterra-
mento deve ser conectado, preferencialmente, a uma das hastes centrais.
Com relação à distância a ser mantida entre o poste e a haste mais próxima, a prática
recomenda um valor mínimo de 1 (um) metro.

Exemplo de cálculo

Cálculo da resistência de um aterramento com quatro hastes alinhadas:


Dados:
n=4 L = 3m d = 3/4" e = 3m

L L L L

Fig. 10.4
n
R h = R hh+ 2 Rh m p a ra m * h
m= 1

R 1 = R 11 + R 12 + R 13 + R 14

R 2 = R 21 + R 2 2 + R 23 + R 24

r 3 = r 31 + R 32 + R 3 3 + R 3 4

R 4 - R 41 + R 42 + R 43 + R 44 •
p _p _p _p _ p a 1 400L _ p a t 400.3
11 zz 43 44 2nL n 2 54d 2n3 n 2,54 (3/4)

R 1 1 = R 22 = R 3 3 = R 44 = 0>34 p a
2 2
oa (b+L) " e 12
R 12 = R 2 1 = R 23 = R 32 = R 34 = R 43 = 0 J 8 3 — log —-----
i—
é jL 2
e 12 ‘
(b-L)

E 12 = E23 = E 34 = 3m

= V L2 + ej2 = V 3 2 + 32 =4,
4,24m

2 2
R í 2 = 0,183 . — . log : 3. = 0,047 pa
3 2 -(4,24 - 3 ) 2

R 12 = R 2 1 = R 23 = R 32 = R 3 4 =:R4 3 = 0,047 pa

2 2
na (b+3) - Cio
R l 3 = R 3 l = R 24 = R 42 = 0,183 . l o g - ---------- f
e 13 - (b-3)

E j3 = E24 = 6m

b = V 32 + 62 =6,7

R 1 3 = R 3 1 = R 24 = R 42 —0,0253 p a
R l 4 = R 41 = 0,183 . -T-. log -5 ----------------
3 <£, - (b -L )2

e 14 = 9m

b = V 32 + 9 2 = 9,49

R 14 = R 4 1 = 0,0174 pa

R 1 = 0,34 pa + 0,047 pa + 0,0253 pa + 0,0174 pa = 0,4297 pa

R 2 = 0,047 pa + 0,34 pa + 0,047 pa + 0,0253 pa = 0,4593 pa

R 3 = R 2 = 0,4593 pa

r 4 = r x =0,4297 pa

Cálculo da resistência de aterramento das quatro hastes em paralelo:

Rp (n) = ------
1 1/Rh
h=l

Rp ( 4 ) ...... ............ , 1 * ' 1' " _ 1 '


0,4297 p a + 0,4297 p a + 0,4593 pa + 0,4593 pa

R p (4) = 0 ,1 1 1 pa

Cálculo do coeficiente de redução K:


Tabelas

Objetivando facilitar o emprego das rotinas aqui recomendadas são a seguir apresentadas
algumas tabelas para cálculo da resistência de conjuntos de aterramento cujas características
são mais comumente utilizadas nos sistemas de distribuição.
Com a finalidade de possibilitar a avaliação imediata do nível de saturação do solo, em
função do crescimento do número de hastes em um mesmo conjunto de aterramento, foram
tabelados os coeficientes de redução correspondentes a cada caso.

TABELA 10.2

Resistências de Aterramento (R) e Coeficientes de Redução (k)


para Hastes Alinhadas

L = 2 m ________ d = 1/2" Rlh = 0,514pa


X. e 2m 3m 4m 5m
N ° d e \.
hastes R(Í2) k R(Q) k R(Q) k R(Q) k
2 0,292pa 0,568 0,281pa 0,548 0,2 7 6p a 0,537 0,272pa 0,530

3 0,21 lp a 0,410 0,199pa 0,387 0,192pa 0,375 0,188pa 0,367

4 0,167pa 0,326 0 ,l5 6 p a 0,303 0,149pa 0,291 0,145pa 0,283

5 0,140pa 0,272 0,129pa 0,250 0,122pa 0,239 0 ,ll9 p a 0,231

6 0,121pa 0,235 0,110pa 0,214 0,104pa 0,203 0,101pa 0,196

7 0,107pa 0,208 0 ,0 9 6p a 0,188 0,09 lp a 0,177 0,088pa 0,171

8 0,096pa 0,186 0,086pa 0,167 0,081pa 0,157 0,078pa 0,151

9 0,087pa 0,169 0,078pa 0,151 0,073pa 0,142 0,070pa 0,136

10 0,080pa 0,155 0,071pa 0,138 0,066pa 0,129 0,063pa 0,123

11 0,074pa 0,144 0,065pa 0,127 0,061pa 0,119 0,058pa 0,113

12 0,069pa 0,134 0,061pa 0,118 0 ,0 5 6p a 0,110 0,054pa 0,105

13 0,064pa 0,125 0,057pa 0,110 0,052pa 0,102 0,050pa 0,097

14 0,061pa 0,118 0,053pa 0,103 0,049pa 0,096 0,047pa 0,091

15 0,057pa 0,111 0,050pa 0,097 0,046pa 0,090 0,044pa 0,088


L = 2m d = 5/8" Rlh = 0, 495 Pa
\ e 2m 3m 4m 5m

NQd e \
hastes \ R(Í2) k R (Í2) k R(Q) k R(Q) k

2 0,283pa 0,571 0,273pa 0,550 0,267pa 0,539 0,263pa 0,531

3 0,205pa 0,413 0,193pa 0,389 0,186pa 0,376 0,182pa 0,368

4 0,163pa 0,329 0 ,1 5 lp a 0,305 0,145pa 0,292 0,141pa 0,284

5 0,136pa 0,275 0,125pa 0,252 0,119pa 0,240 0,115pa 0,232

6 0,118pa 0,238 0,107pa 0,216 0,101pa 0,204 0,098pa 0,197

7 0,104pa 0,210 0,094pa 0,189 0,088pa 0,178 0,085pa 0,171

8 0,093pa 0,128 0,084pa 0,169 0,079pa 0,159 0,075pa 0,152

9 0,085pa 0,171 0;076pa 0,153 0,07 lp a 0,143 0,068pa 0,137

10 0,078pa 0,157 0,059pa 0,140 0,064pa 0,130 0,062pa 0,124

11 0,072pa 0,146 0,064pa 0,129 0,059pa 0,120 0,057pa 0,114

12 0,067pa 0,136 0,059pa 0,119 0,055pa 0,111 0,052pa 0,105

13 0,063pa 0,127 0,055pa 0,111 0,05 lp a 0,103 0,049pa 0,098

14 0,059pa 0,120 0,052pa 0,105 0,048pa 0,597 0,045p a 0,092

15 0,0 5 6p a 0,113 0,049pa 0,099 0,045p a 0,091 0,043p a 0,086


L = 2m d = 1" R .h = 0 -4 5 8 p a

\ e 2m 3m 4m 5m

NQd e \
hastes \
R(O) k R(Q) k R(Q) k R(Q) k
2 0,264pa 0,576 0,254pa 0,554 0,248pa 0,542 0,244pa 0,534

3 0,192pa 0,420 0,180pa 0,394 0,174pa 0,380 0,170pa 0,371

4 0,153pa 0,335 0,142pa 0,309 0,135pa 0,295 0,131pa 0,287

5 0,129pa 0,281 0 ,U 7 p a 0,256 0 ,lllp a 0,243 0,108pa 0,235

6 O .lllp a 0,243 0,101pa 0,220 0,095pa 0,207 0,09 lp a 0,200

7 0,099pa 0,215 0,088pa 0,193 0,083pa 0,181 0,080pa 0,174

8 0,089pa 0,194 0,079pa 0,173 0,074pa 0,161 0,07 lp a 0,154

9 0,08 lp a 0,176 0,072pa 0,156 0,067pa 0,145 0,064pa 0,139

10 0,074pa 0,162 0,065pa 0,143 0,06 lp a 0,133 0,0 5 8p a 0,126

11 0,069pa 0,150 0,060pa 0,132 0 ,0 5 6p a 0,122 ' 0,053pa 0,116

12 0,064pa 0,140 0,0 5 6p a 0,122 0,052p a 0,113 0,049pa 0,107

13 0,060pa 0*131 0,052pa 0,114 0,048pa 0,105 0,046pa 0,100

14 0,057pa 0,123 0,049pa 0,107 0,045pa 0,099 0,043pa 0,093

15 0,053pa 0,117 0,046pa 0,101 0,043pa 0,093 0,040pa 0,088


L = 2,4m d = 1/2" Rlh = 0,44pa

X\ e 3m 4m 5m

Ns de
hastes R(Q) k R (Cl) k R(Í2) k
2 0,244pa 0,555 0,239pa 0,543 0,235pa 0,535

3 0,174pa 0,395 0,168pa 0,381 0,164pa 0,372

4 0,137pa 0,311 0,131pa 0,297 0,127pa 0,288

5 0,113pa 0,258 0,108pa 0,245 0,104pa 0,236

6 0,097pa 0 ,2 2 1 0,092pa 0,209 0,088pa 0 ,20 1

7 0,086pa 0,194 0,080pa 0,182 0,077pa 0,175

8 0,076pa 0,174 0,07 lp a 0,162 0,068pa 0,155

9 0,069pa 0,157 0,064pa 0,147 0,06 lp a 0,140

10 0,063pa 0,144 0,059pa 0,134 0,056pa 0,127

11 0,058pa 0,133 0,054pa 0,123 0,05 lp a 0,117

12 0,054pa 0,123 0,050pa 0,114 0,048pa 0,108

13 0,05 lp a 0,115 0,047pa 0,106 0,044pa 0 ,10 1

14 0,048pa 0,108 0,044pa 0,100 0,04 lp a 0,094

15 0,045pa 0 ,10 2 0,04 lp a 0,094 0,039pa 0,089


L = 2,4m d = 5/8" Rlh = 0,425pa

N. e 3m 4m 5m

N°de Nv
hastes N. R(Q) k R(Q) k R(Q) k
2 0,237pa 0,557 0,23 lp a 0,544 0,228pa 0,536

3 0,169pa 0,397 0,163pa 0,383 0,159pa 0,374

4 0,133pa 0,313 0,127pa 0,298 0,123pa 0,289

5 O.llOpa 0,260 0,105pa 0,246 0 , 1 0 1 pa 0,237

6 0,095pa 0,223 0,089pa 0 ,2 10 0,086pa 0,202

7 0,083pa 0,196 0,078pa 0,184 0,075pa 0,176

8 0,075pa 0,176 0,070pa 0,164 0,066pa 0,156

9 0,068pa 0,159 0,063pa 0,148 0,060pa 0,141

10 0,062pa 0,146 0,057pa 0,135 0,054pa 0,128

11 0,057pa 0,134 0,053pa 0,124 0,050pa 0,118

12 0,053pa 0,125 0,049pa 0,115 0,046pa 0,109

13 0,050pa 0,117 0,046pa 0,107 0,043pa 0 ,10 1

14 0,047pa 0 ,1 1 0 0,043pa 0 ,10 1 0,040pa 0,095

15 0,044pa 0,103 0,040pa 0,095 0,038pa 0,089


L = 2,4m d = 3/4" RIh = 0,413 pa
3m 4m 5m
e
N° de N .
hastes R(Q) k R(Í2) k R(Q) k
2 0,23 lp a 0,559 0,225pa 0,546 0 ,2 2 2 pa 0,537
3 0,165pa 0,399 0,159pa 0,384 0,155pa 0,375
4 0,130pa 0,315 0,124pa 0,300 0 , 12 0 pa 0,290
5 0,108pa 0,262 0 , 10 2 pa 0,247 0,098pa 0,238
6 0 ‘093pa 0,225 0,087pa 0 ,2 1 1 0,084pa 0,203
7 0,082pa 0,198 0,076pa 0,185 0,073pa 0,177

8 0,073pa 0,177 0,068pa 0,165 0,065pa 0,157

9 0,066pa 0,160 0,06 lp a 0,149 0,058pa 0,142

10 0,06 lp a 0,147 0,056pa 0,136 0,053pa 0,129

11 0,056pa 0,136 0,052pa 0,125 0,049pa 0,119


12 0,052pa 0,126 0,048pa 0,116 0,045pa 0 ,1 1 0

13 0,049pa 0,118 0,045pa 0,108 0,042pa 0 ,10 2

14 0,046pa 0 ,1 1 1 0,042pa 0 ,10 1 0,039pa 0,096

15 0,043pa 0,104 0,039pa 0,096 0,037pa 0,090


L = 2,4m d = 1" Rjh = 0,393 pa
3m 4m 5m
X\ e
N° de
hastes R(Q) k R(Q) k R(Í2) k
2 0 ,2 2 lp a 0,562 0,216pa 0,548 0 ,2 1 2 pa 0,539
3 0,158pa 0,402 0,152pa 0,387 0,148pa 0,377
4 0,125pa 0,318 0,119pa 0,302 0,115pa 0,292
5 0,104pa 0,265 0,098pa 0,250 0,095pa 0,240
6 0,090pa 0,228 0,084pa 0,214 0,08 lp a 0,205
7 0,079pa 0,200 0,074pa 0,187 0,070pa 0,179
8 0,07 lp a 0,180 0,066pa 0,167 0,063pa 0,159
9 0,064pa 0,163 0,059pa 0,151 0,056pa 0,143
10 0,059pa 0,149 0,054pa 0,138 0,05 lp a 0,130
11 0,054pa 0,138 0,050pa 0,127 0,047pa 0 ,12 0

12 0,050pa 0,128 0,046pa 0,118 0,044pa 0 ,1 1 1

13 0,047pa 0 ,12 0 0,043pa 0 ,1 1 1 0,04 lp a 0,103


14 0,044pa 0,113 0,04 lp a 0,103 0,038pa 0,097
15 0,042pa 0,106 0,038pa 0,097 0,036pa 0,091
L = 3m d = 1/2" Rlh = 0,363 pa
"X e 3m 4m 5m
NBde N .
hastes R(Q) k R(Q) k R(Q) k
2 0,205pa 0,564 0 ,200 pa 0,550 0,197pa 0,541
3 0,148pa 0,406 0,142pa 0,390 0,138pa 0,380
4 0,117pa 0,321 0 ,1 1 lp a 0,306 0,107pa 0,295
5 0,097pa 0,268 0,092pa 0,253 0,088pa 0,243
6 0,084pa 0,231 0,079pa 0,217 0,075pa 0,207
7 0,074pa 0,204 0,069pa 0,190 0,066pa 0,181
8 0,066pa 0,183 0,062pa 0,170 0,059pa 0,161
9 0,060pa 0,166 0,056pa 0,151 0,053pa 0,145
10 0,055pa 0,152 0,05 lp a 0,140 0,048pa 0,133
11 0,05 lp a 0,141 0,047pa 0,129 0,044pa 0 ,1 2 2

12 0,048pa 0,131 0,044pa 0 ,12 0 0,04 lp a 0,113

13 0,045pa 0 ,12 2 0,04 lp a 0 ,1 1 2 0,038pa 0,105


14 0,042pa 0,115 0,038pa 0,105 0,036pa 0,099

15 0,040pa 0,109 0,036pa 0,099 0,034pa 0,093


L = 3m d = 5/8" Rjh —0,352 p a
3m 4m 5m
e
NBde N .
hastes R(Q) k R (£2) k R(Q) k
2 0,199pa 0,566 0,194pa 0,552 0,19 lp a 0,543
3 0,144pa 0,408 0,138pa 0,392 0,134pa 0,381
4 0,114pa 0,324 0,108pa 0,307 0,104pa 0,297
5 0,095pa 0,270 0,090pa 0,255 0,086pa 0,245
6 0,082pa 0,233 0,077pa 0,218 0,073pa 0,209
7 0,072pa 0,206 0,067pa 0,192 0,064pa 0,182
8 0,065pa 0,185 0,060pa 0,171 0,057pa 0,162
9 0,059pa 0,168 0,054pa 0,155 0,052pa 0,147
10 0,054pa 0,154 0,050pa 0,141 0,047pa 0,134
11 0,050pa 0,142 0,046pa 0,130 0,043pa 0,123
12 0,047pa 0,132 0,043pa 0 ,1 2 1 0,040pa 0,114
13 0,044pa 0,124 0,040pa 0,113 0,037pa 0,106
14 0,04 lp a 0,117 0,037pa 0,106 0,035pa 0 ,10 0

15 0,039pa 0 ,1 1 0 0,035pa 0,100 0,033pa 0,094


L = 3m d = 3/4" R,, = 0,342 pa

\ e 3m 4m 5m

Nc de
hastes R(Q) k R(Í2) k R(Q) k
2 0,194pa 0,568 0,189pa 0,554 0,186pa 0,544
3 0,140pa 0,410 0,135pa 0,394 0,131pa 0,383
4 0,l ll p a 0,326 0,106pa 0,309 0 , 10 2 pa 0,298
5 0,093pa 0,272 0,088pa 0,256 0,084pa 0,246
6 0,080pa 0,235 0,075pa 0,220 0,072pa 0 ,2 10

7 0,07 lp a 0,208 0,066pa 0,193 0,063pa 0,184


8 0,064pa 0,186 0,059pa 0,172 0,056pa 0,163
9 0,058pa 0,169 0,053 pa 0,156 0,050pa 0,148
10 0,053pa 0,155 0,049pa 0,143 0,046pa 0,135
11 0,049pa 0,144 0,045pa 0,132 0,042pa 0,124
12 0,046pa 0,134 0,042pa 0 ,12 2 0,039pa 0,115
13 0,043pa 0,125 0,039pa 0,114 0,037pa 0,107
14 0,040pa 0,118 0,037pa 0,107 0,034pa 0 ,10 0

15 0,038pa 0 ,1 1 1 0,035pa 0 ,10 1 0,032pa 0,095


L = 3m 1 = 1” K = °.327 pa
3m 4m 5m
X\ e

NBde \
hastes R(Q) k R(Q) k R(Í2) k
2 0,187pa 0,571 0,182pa 0,556 0,178pa 0,546
3 0,135pa 0,414 0,130pa 0,396 0,126pa 0,385
4 0,108pa 0,329 0 , 10 2 pa 0,312 0,098pa 0,300
5 0,090pa 0,276 0,085pa 0,259 0,08 lp a 0,248
6 0,078pa 0,238 0,073pa 0 ,222 0,069pa 0 ,2 12

7 0,069pa 0 ,2 1 1 0,064pa 0,195 0,06 lp a 0,185

8 0,062pa 0,189 0,057pa 0,175 0,054pa 0,165


9 0,056pa 0,172 0,052pa 0,158 0,049pa 0,149

10 0,052pa 0,158 0,047pa 0,145 0,045pa 0,136


11 0,048pa 0,146 0,044pa 0,133 0,04 lp a 0,125
12 0,045pa 0,136 0,04 lp a 0,124 0,038pa 0,116
13 0,042pa 0,128 0,038pa 0,116 0,035pa 0,109
14 0,039pa 0 ,12 0 0,036pa 0,109 0,033pa 0 ,10 2

15 0,037pa 0,113 0,034pa 0,103 0,03 lp a 0,095


Utilização das tabelas
As tabelas apresentadas anteriormente possibilitam a definição do número necessário de
hastes alinhadas a serem paraleladas num mesmo aterramento, a partir das dimensões do tipo
de haste a ser empregado e do valor de resistência pretendido. Quanto ao espaçamento a ser
mantido entre as hastes, tanto pode ser pré-fixado (considerando dado de entrada), quanto
pode ser variável; neste caso o seu valor será definido de forma a otimizar o projeto de
aterramento.
A manipulação dessas tabelas deve ser desenvolvida de acordo com a seguinte rotina:

Passo 1:
Assumir para pa um valor inicial igual a p equivalente (vide capítulo 17).

Passo 2:
Dividir a resistência pretendida para o aterramento pelo valor de (pa) definido no Passo 1.

Passo 3:
Entrar na tabela correspondente à haste a ser utilizada e verificar na coluna R (Q ) qual o
coeficiente de (pa) menor ou igual ao valor calculado no Passo 2.

Notas:
1) Caso o espaçamento entre hastes tenha sido pré-fixado, a escolha do coeficiente de (pa)
será restrita à coluna correspondente a esse valor.
2) Sendo o espaçamento entre hastes variável, a definição do coeficiente de (pa) mais
adequado deverá ser pautada numa análise comparativa das hipóteses do aumento do
número de hastes ou do espaçamento entre elas.

Passo 4:
Ler na tabela o número de hastes correspondentes ao coeficiente de (pa) escolhido no Passo
3, e o espaçamento a ser mantido entre elas (se for o caso, ou seja, se esse valor não tiver
sido pré-fixado).

Passo 5:
Para o número de hastes definido no Passo 4, calcular a resistividade aparente (pa), conforme
roteiro descrito no capítulo 17.

Passo 6 :
Dividir a resistência pretendida para o aterramento pelo novo valor de (pa) definido no Passo
5.

Passo 7:
Entrar na tabela correspondente à haste a ser utilizada e verificar na coluna R (Í2) qual o
maior coeficiente de (pa) menor ou igual ao valor calculado no Passo 6 .
Notas:
1 ) Caso o espaçamento entre hastes tenha sido pré-fixado, a escolha do coeficiente de (pa)
será restrita à coluna correspondente a esse valor.
2) Sendo o espaçamento entre hastes variável, a definição do coeficiente de (pa) mais
adequado deverá ser pautada numa análise comparativa das hipóteses de aumento do
número de hastes ou do espaçamento entre elas.

Passo 8 :
Ler na tabela o número de hastes correspondente ao coeficiente de (pa) escolhido no Passo
7 e o espaçamento a ser mantido entre elas (se for o caso, ou seja, se esse valor não tiver sido
pré-fixado).

Passo 9:
Comparar os dados obtidos no Passo 4 com os obtidos no Passo 8 .
Se forem iguais, passar para o Passo 10.
Se os dados divergirem, reprocessar a rotina a partir do Passo 5, considerando, contudo, a
substituição dos dados obtidos no Passo 4 pelos resultados do Passo 8 .

Passo 10:
Com base no valor de (pa) (calculado no Passo 5), no número de hastes e espaçamento
(definidos no Passo 8 ) e nas dimensões da haste a ser utilizada, calcular o valor final da
resistência de aterramento do conjunto.

Exemplo:
Determinar o número de hastes de 3m, 3/4" de diâmetro, necessário a se obter um
aterramento de 2 5 0 numa região onde a estratificação do solo (conforme capítulo 17) é a
seguinte:

E
00
IO*
p * 315.0. m
E
IO
0>

176.7-O.m

p^*2 1.5-om

Fig. 10.5
9,5
peq = = 221,7 fím
2 ,2 3,6 3,7
21Õ + 315 + 176,7

Fig. 10.6

Passo 1: pa = peq = 221,7 Qm

Passo 2: R/peq = 25/221,7 = 0,113

Passo 3: da tabela 10.12


O coeficiente de (pa) menor ou igual a 0 ,1 1 3 é 0 ,l l l .

Passo 4: da tabela 10.12


'4 hastes
R(Q) = 0,111 pa —>
.e = 3m
Passo 5:
Determinação de (pa) para quatro hastes alinhadas (vide capítulo 17).

P _ 2 1 ,5
0,097
peq 2 2 1 ,7

(n -l)e (4-1) 3
r = -------- = ----------- 4 ,5
2 2
r 4 .5
a = — — = 0 ,4 7 4
deq 9.5

p/peq = 0 ,0 9 7
Pelo gráfico da figura 17.7, N = 0,9
a = 0,474
pa = N peq = 0,9 x 221,7 = 199,5 fím

Passo 6 : R/peq = 25/199,5 = 0,125

Passo 7: da tabela 10.12


O maior coeficiente de (pa) menor ou igual a 0,125 é 0,111.

Passo 8 : da tabela 10.12


4 h
[4 hastes
R(£2) = 0,111 pa —» <
lee = 3 m
Passo 9:
Comparando o Passo 4 com o Passo 8 , vem:

4 hastes
Passo 4
e = 3m

4 hastes
Passo 8
.e = 3m

Como os valores são iguais, passa-se ao Passo 10.

Passo 10:

pa = 199,5 ílm
Para <4 hastes de 3m x 3/4"
.e = 3m

R(Q) = 0,111 pa = 0,111 x 199,5 = 22 Q

Número Máximo de hastes a serem utilizadas em paralelo

Em solos de resistividade elevada, a despeito da padronização da configuração de “hastes


alinhadas”, em determinados casos é muito grande o número de hastes necessário à obtenção
da resistência pretendida. Em casos extremos chega a ser impossível conseguir-se o valor
desejado.
Tal fato ocorre pela aproximação do ponto de saturação do solo, que é tão maior quanto
maior o número de hastes empregadas. Esse fato é confirmado através dos valores mostrados
nas tabelas 10.2 a 10.13.
Uma análise mais acurada dos valores citados nessas tabelas, associada à experiência
prática disponível, leva a recomendar seja o número máximo de hastes fixado em seis uni­
dades, valor a partir do qual o aterramento toma-se anti-econômico, além de apresentar sérias
dificuldades para a execução.
No caso de aterramento de equipamentos, em sistemas a três fios com neutro da BT des­
contínuo, devido a suas características especiais, não é válida a limitação prática do número
de hastes a ser empregado, devendo, no entanto, serem consideradas as alternativas para
solos de alta resistividade.

10.4 Solos de Alta Resistividade


Para solos de alta resistividade, onde o aterramento através do paralelismo de hastes
alinhadas toma-se anti-econômico ou mesmo inviável, são as seguintes as soluções viáveis
para se reduzir a resistência dos aterramentos:

10.4.1 Tratamento Químico do Solo


A resistividade decresce com o aumento da presença de sais no solo. Portanto, o trata­
mento de um solo de alta resistividade, através da adição de sais minerais à sua composição
química, naturalmente resultará na obtenção de resistências de aterramento também menores.
Contudo, a aplicação de alguns produtos, como o cloreto de sódio, apresenta bons resul­
tados imediatos e inúmeras desvantagens, destacando-se entre elas a possibilidade de rápida
corrosão dos materiais de aterramento e diluição em presença de água. Em conseqüência,
não é recomendável a aplicação do cloreto de sódio para melhorar valores de resistência de
aterramento.
Outros produtos, tais como a bentonita, o tratamento químico earthron (empregados por
algumas empresas estrangeiras) e o tratamento químico à base de gel (utilizado por algumas
empresas nacionais), apresentam maior estabilidade ao longo do tempo e maiores vantagens.
No caso do gel químico, segundo informação de fabricantes, podem ser citadas as seguin­
tes propriedades:
• estabilidade química;
• insolubilidade em presença d ’água;
• higroscopia;
• não é corrosivo, se aplicado corretamente;
• tem efeito de longa duração.
Entretanto, este processo não deve ser aplicado em eletrodos compostos de materiais
ferrosos, pois, sendo estes de potenciais eletricamente mais negativos, vão se combinar mais
facilmente com a água existente no solo. Isto resulta em corrosão do material, adicionando
ao sistema de aterramento uma resistência de contato considerável. Observa-se o fato quando
da aplicação dos componentes do produto em separado, sendo importante lembrar que o gel
depois de formado não é corrosivo. Além disso, a aplicação do produto é dificultada em face
do longo tempo necessário (até três ou quatro dias) para a reação química do composto se
completar.
Quando se aplica este tipo de tratamento químico observam-se alterações das caracte­
rísticas do solo ao redor do eletrodo, resultando em redução do valor da resistividade
traduzido por um “coeficiente de redução de tratamento químico” (Kj).
Este coeficiente será tanto menor quanto maior for a resistividade do solo, conforme
diversas experiências já realizadas, e é determinado na prática através da relação entre a
resistência do eletrodo tratado quimicamente e a resistência do eletrodo sem o tratamento.
A resistência do eletrodo tratado é dada por:

K T- Pa / n i52il(£2)
R lhT= (Eq. 10.8)
2 . 7t . L 2,54 d

Sendo:
resist. após o tratam ento
K t = ----------- -----------------------
resist. antes do tratam ento
Os coeficientes de redução obtidos na prática variam de 0,05 a 0,50.
É oportuno ressaltar, entretanto, que o uso do gel é relativamente novo nas concessio­
nárias brasileiras, sendo restrito a algumas delas em caráter experimental.

10.4.2 Hastes Profundas


Uma segunda opção para resolver o problema de aterramento em solos de alta resistivi­
dade é o emprego de hastes profundas ou emendáveis.
As chamadas hastes profundas ou emendáveis são aquelas de maior comprimento, obtidas
pelo acoplamento mecânico e elétrico de várias seções de hastes. São utilizadas para atingir
camadas mais profundas do solo, que normalmente são mais úmidas e, portanto, apresentam
menor resistividade, proporcionando um melhor valor para a resistência do aterramento.

p_ //A
pi

C2
1
i
L 1
i

r
Lx J n %

Fig. 10.7
Além disso, estas camadas são menos sujeitas às variações de umidade e temperatura, o
que proporciona um aterramento de resistência praticamente constante ao longo do tempo.
Quando se utilizam hastes profundas, a dispersão de correntes para o solo acontece, em
sua maioria, na parte inferior da haste, ou seja, na camada de solo de menor resistividade
(px). A parte superior da haste, situada nas camadas de resistividade maior, funcionará quase
que somente como um condutor para a dispersão das correntes na parte inferior da haste.
Assim sendo, a resistência de uma haste profunda é dada por.

px 400L
R lh ______ « 1 _____ (Eq. 1 0 .9 )
2 . 7i L ' 2,54 d

onde:
L = comprimento total das hastes interligadas
Logo, deve-se ter o cuidado de prever um comprimento (Lx) de haste cravada na camada
de baixa resistividade (px) para se conseguir um bom desempenho desse aterramento. Uma
regra prática indica a observância de: Lx > 20% L.
São consideradas camadas de baixa resistividade aquelas que, relativamente, são menores
que as camadas superiores (px « < peq).
Do ponto de vista prático não é recomendável o emprego de hastes emendáveis, com mais
de 9m de comprimento total.

10.4.3 Soluções Mistas


Muitas vezes o solo se apresenta com características de resistividade altíssima, tanto na
camada superficial, quanto nas camadas mais profundas. Para estes casos, pode-se utilizar
soluções mistas de aterramento, tais como:

a) Hastes profundas em paralelo


A resistência de aterramento será dada pela combinação das hastes profundas em paralelo,
sendo os coeficientes de redução tabelados abaixo:

TABELA 10.14

N e de hastes Coeficiente de Redução (k)

1+y
2
2
2
2 + y - 4y
3
6 - 7y
2
12 + 16 y - 23 y
4
48 - 40 y
Os coeficientes de redução dados foram calculados para um espaçamento entre hastes de
lx igual ao comprimento das hastes cravadas no solo de resistividade menor.

y é dado por: y (Eq. 10.10)

onde:
d = diâmetro da haste (polegadas)

O valor da resistência de aterramento das hastes profundas em paralelo será dado por:
Ra t= K R i h

b) Conjuntos de aterramento interligados


Existem também casos de solos em que as camadas de resistividade baixa são muito pro­
fundas ou apresentam camadas de rocha ou outros elementos com alta resistência mecânica
à cravação.
Nestes casos, a utilização de hastes profundas não é recomendada. Por outro lado, o uso
de hastes alinhadas é, na maioria dos casos, limitado, em termos práticos, ao número de seis,
acima do qual toma-se antieconômico.
Como solução, pode-se interligar esse aterramento a um ou mais aterramentos adjacentes,
cada um deles formado por hastes alinhadas (com tratamento químico ou não) através do
próprio neutro da rede ou, se este não existir, por meio do condutor enterrado, quando viável.
A resistência final de aterramento será dada pelo resultado dos dois ou mais aterramentos
em paralelo.
Naturalmente, esses aterramentos adjacentes estarão deslocados da instalação que se quer
aterrar, com o objetivo de obter condições de solo mais favoráveis. Entretanto, caso a re­
sistência individual do aterramento no ponto seja superior ao valor definido segundo o ca­
pítulo 11, a distância da base do poste aos conjuntos de eletrodos remotos não deverá exceder
30m, objetivando limitar a impedância do aterramento para a descarga de surtos. No caso
de interligação aérea através do condutor neutro, essa distância justifica-se pelas conclusões
do item 3.6. Sendo a interligação enterrada, esse limite assegurará a possibilidade de uma
reflexão completa (ida e volta) desde que o valor máximo da tensão no ponto de descarga
normalmente não ocorra em tempos inferiores a 0,6 (is.

e = 2 /= Vt

V = vel. propagação da luz no solo = lOOm/jis

(ref. 32)
10.4.4 Deslocamento de Equipamento
Nos casos de aterramento de equipamentos, onde as condições adversas do solo não sejam
facilmente contornadas pelas soluções anteriormente propostas, deve ser verificada a possi­
bilidade de relocar o equipamento, o que, na prática, apresenta-se como uma solução bastante
viável.

10.5 Impedância ao Surto dos Aterramentos


A impedância ao surto é definida pela relação entre o valor máximo da queda de tensão
desenvolvida no eletrodo e o valor máximo da corrente.

10.5.1 Impedância ao Surto de Hastes


Para hastes de aterramento, cujo comprimento seja L « vT, onde v = velocidade de
propagação da onda de corrente e T = tempo até o valor de crista da corrente, vale a
expressão da resistência de aterramento, uma vez que para a condição mencionada a
indutância não influencia no resultado. Assim, segundo a referência 72, tem-se:

a) Levando-se em conta a ionização do solo

400L
Rn_
= P ln (Eq. 10.11)
0 2 7t L 2,54 d0

R 0 =resistência de aterramento (Q)

d = 12,53 pi
° LE0
dQ = diâmetro efetivo da haste (polegadas)
p = resistividade do solo em Í2m
I = corrente de surto, em kA
L = comprimento da haste, em metros
E 0 =gradiente de disrupção do solo, variando de 200 a 2 x 1 0 kV/m

b) Sem considerar a ionização do solo

P 400L
R = ln (Q ) (Eq. 10.1)
2 k L 2,54d

onde:
R = resistência de aterramento (Q )
d = diâmetro equivalente da haste (polegadas)
A resistência definida pela equação 10.11 é menor que a resistência sem ionização e o
coeficiente de impulso é:

Ro

M 400 L
^ 2,54 d o
" “ -1 Õ Õ L - (Eq- 1° ' 12)
41 W 4 T

Se o gradiente de tensão desenvolvido no solo, E=J.p, onde J = I/7tdL não ultrapassar o


gradiente de disrupção do solo (vide item 6.2), o valor da resistência de aterramento será
obtido através da equação (10.1). A tabela 10.15, a seguir, relaciona os valores de R
calculados pelas equações (10.11) e (10.1), para uma haste, onde se nota que, usando-se o
valor de R obtido pela equação (10.1), estaremos do lado mais conservador para valores de
p mais elevados.
TABELA 10.15

L d 400 L ^ 400 L R(2)


I E p do ^ 2,54 d o *> 2.54 d R.O)
(KA) (KV/m) (ohm.m) (m) o (") (1) (2) (O) (Q)

5 103 100 3 2,088 5/8 5,422 6,628 29 35


200 4,176 4,729 50 70

5 103 100 6 1,044 5/8 6,808 7,321 18 19


200 2,088 6,115 32 39

5 103 100 0,696 7,619 13 14


200 9 1,392 5/8 6,926 7,726 24 27
300 2,088 6,520 34 41

5 IO3 100 0,522 8,194 11 11


200 12 1,044 5/8 7,501 8,014 20 21
300 1,566 7,096 28 32
500 2,610 6,585 44 53

5 103 100 0,418 8,640 9 9


200 0,835 7,948 17 17
300 15 1,253 5/8 7,542 8,237 24 26
500 2,088 7,031 37 44
600 2,506 6,849 44 52
Comentários sobre a relação L « vT

Sendo:
v = (2/pk) ^ m /s (Eq- 10-13) (ref. 70 e 72)

onde:
ji= 1,257 . 10 6 H/m (permeabilidade do solo)
-12
k = k r .8 ,8 5 .1 0 F/m (permissividade do solo)
kr = 9 para solos normais (permissividade relativa do solo)
kr = 4 para solos secos

temos:
— para kr = 9
v = (2/1,257 . 1 0 '6 . 9 .8 ,8 5 . 1042)
V = 1 , 4 1 . 108 m/s = 141 m/jis
— para kr = 4
V = 212 m/ps

Considerando T = 1,2 ps, vT = 169m e 254m, respectivamente

para L « vT

assim, L = 8,5 a 12,7m, respectivamente para solos normais e secos.

Estudos experimentais mostram que, para comprimentos de eletrodos, horizontais ou


verticais, que não excedam 10 a 15m, sua indutância não muda mais do que em 5% a
distribuição da corrente entre suas extremidades (referência 71).

10.5.2 Impedância ao Surto de Condutores Enterrados Horizontalmente

a) Desde que seu comprimento seja L < Le sendo:


0,5
L e = 1,4 (pT) m (Eq. 10.14) (ref. 73)
onde:
p = resistividade do solo (Q.m)
T = tempo para a frente da onda (ps)
Le = comprimento efetivo do eletrodo

a impedância ao surto (R s) será:

onde:
R Cond = resistência do condutor calculada pela equação (10.2)
Se o gradiente de tensão desenvolvido no solo for superior ao gradiente de disrupção do
solo, o valor de R cond na equação (10.15) deverá ser substituído por R 0 con(j , calculado
por:

Ro cond = 0,366 £■ h o g | ^ + log |jjO (Eq. 10.15)

onde:

tüLE o
do = diâmetro efetivo do cabo (m)

N ota: demais variáveis definidas na equação (10.2). O valor obtido na equação 10.15 é
menor do que o calculado pela equação 10.2, conforme podemos constatar na Tabela 10.16
a seguir, para a condição L = Le.

TABELA 10.16

p T Le do d (Ro cond) (R cond)


(£2.m) (ps) (m) (m) (m) (O) (G)
100 15 0,011 11 11
200 22 0,014 15 16
300 1,2 27 0,018 0,008 19 20
500 34 0,023 26 28
1000 48 0,033 37 42
2000 69 0,046 54 62

Nota: I = 5kA; h = 0,5m; Eo = 1000 kV/m.

Exemplo:
Se: p = 1000 Q.m
T = 1,2 ps
Então, pela equação 10.14:

Le = 1,4 (1000 . 1,2)0,5 = 48m

Considerando: L = 30m; h = 0,5m; d = 0,008m (supondo não haver ionização do solo)


Pela equação 10.2:

1000 3x30 3 x3 (0
Rcond —0,366 log + log
30 2 x 0 ,0 0 8 8 x 0 ,5 )

R cond= 62,25 Q
Pela equação (10.15), a impedância de surto será:
Rs = 62,25 xe0.333 (30/48 ~P
R s = 69,7 £2

b) Quando L > Le, a impedância de surto será igual ao valor da resistência do aterramento,
calculado para L = Le, ou seja:

R s = 0,366 ^ f l o g log (Eq. 10.17)

Se o gradiente de tensão desenvolvido no solo for superior ao gradiente de disrupção do solo:

Rs = 0,366 £ ( l o g f ^ + .og |f ) (Eq. 10.18)

onde:

n L eE o

Exemplo:
Se: p = 1000 fím
T = 1,2 ps Le = 48m

Considerando: L = 70m; h = 0,5m; d = 0,008 (supondo não haver ionização do solo)

Pela equação (10.17):

1000 3x48 , 3x48


R s = 0,366 log
48 2 x 0 ,0 0 8 + 0g 8 x 0 ,5 )

R s = 42 Q

10.5.3 Impedância do Surto de Aterramentos com Hastes Alinhadas


Da mesma forma que para aterramentos com hastes individuais (10.5.1), em função dos
comprimentos de haste normalmente utilizadas, a impedância de surto pode ser considerada
igual à resistência de aterramento calculada conforme item 10.3.
Nos casos em que seja excedido o gradiente de disrupção do solo, os efeitos de sua
ionização poderão ser, também, considerados, bastando para isso que, na sistemática de
cálculo do item 10.3, o valor d e R ^ das Tabelas 10.2 a 10.13 seja substituído pelo valor de
Ro obtido pela equação (10.11). O valor da resistência ao surto desses aterramentos seria
então obtido pela multiplicação de cada R 0 pelo valor do k correspondente à configuração
adotada. O gradiente para hastes alinhadas equivale ao gradiente calculado para uma única
haste.
Capítulo 11

Limitações Impostas aos


Aterramentos para Adequado
Escoamento de Surtos

Os aterramentos dos dispositivos de proteção contra sobretensão objetivam viabilizar o


adequado escoamento de eventuais surtos.
No que concerne à proteção específica do equipamento junto ao qual os dispositivos de
proteção são instalados, o valor da resistência dos aterramentos não tem maior influência.
Desde que obedecidas as recomendações prescritas no capítulo 7 e no item 8.2, ou seja,
utilizados pára-raios adequados e condutor de aterramento único, a limitação do compri­
mento das interligações desses dispositivos com a carcaça é suficiente à obtenção de ade­
quado grau de proteção.
Entretanto, esses mesmos valores de resistência são fundamentais para a determinação
da diferença de potencial que se estabelecerá entre o sistema e a terra, em função da pas­
sagem da corrente de surto nessa resistência, no condutor de descida e no dispositivo de pro­
teção, e que se propagará ao longo do circuito.
Esses potenciais transmitidos, quando superiores ao valor da TSI das estruturas, provocam
flashover nos isoladores que, não raro, vêm a ser inclusive danificados pela corrente de curto-
circuito subseqüente.
Portanto, este capítulo será destinado à apresentação de um método de cálculo para a
determinação de valores-limites das resistências de aterramento dos dispositivos de proteção
contra sobretensão, em função das tensões viáveis de serem transmitidas.

11.1 Definição de Parâmetros de Cálculo


Como parâmetros para desenvolvimento dessa análise serão considerados os valores
constantes na tabela 11.1, dos quais os relativos à “corrente máxima” e “percentagem de
ocorrência” foram extraídos de levantamento estatístico apresentado na referência 44.
Parâmetros para Cálculo de Limite de Resistência

TIPO D E R E D E D E C O R RENTE M Á X IM A R E ­ % D E REG ISTRO S C O M V A L O R A SER C O N SI­


D IST R IB U IÇ Ã O G IST R A D A N O S A TE R R A - V ALO R ES D E C O RRENTE D E R A D O C O M O LIM ITE
M EN TO S D O S P Á R A -R A - INFERIORES A O LIM ITE P A R A O PO T E N C IA L
IOS (kA - V . C RISTA ) C ITAD O T R A N SM IT ID O

R ED ES U R B A N A S T E N S Ã O SU P O R T Á V E L
(in clu sive as sem i- 1 80 D E IM P U LSO D O S
urbanas enquadradas T R A N SF O R M A ­
com o uibanas con ­ D O R ES
form e item 8.1.3) (D

R ED ES R U R A IS N ÍV E L D E IS O L A ­
(inclusive as sem i- 2 70 M EN TO D A S E S ­
•urbanas enquadradas TRUTURAS
com o rurais con ­ (2)
form e item 8.1.3)

Notas:
(1) Face ao não provimento de proteção contra sobretensão junto a todos os transformadores
de distribuição, conforme recomendação do capítulo 8.
(2) Considerando ter sido recomendado no capítulo 8 o provimento de proteção contra
sobretensões junto a todos os transformadores de distribuição.
A probabilidade de 30% de ocorrência de potenciais transmitidos acima do limite de
proteção fixado toma-se razoável por resultar, simplesmente, em disrupção nos isola-
dores (flashover).

Cabe ressaltar que a consideração do limite de Potencial Transmitido igual à Tensão


Suportável de Impulso dos transformadores de distribuição poderá, em certos casos, implicar
na definição de limite para as resistências de aterramento que resulte em projetos de elevado
custo. Nesses casos a filosofia de proteção prescrita no capítulo 8 deverá ser revista, objeti­
vando cotejá-la, economicamente, com a opção de se prover proteção junto a todos os trans­
formadores de distribuição, situação em que, mesmo para as redes urbanas, o limite de Poten­
cial Transmitido poderá ser elevado até o nível de isolamento das estruturas empregadas.
Obviamente, as vantagens resultantes dessa opção serão diretamente proporcionais à
diferença existente entre o nível de isolamento das estruturas utilizadas e a Tensão Suportável
de Impulso padronizada para os transformadores. Ainda com referência às correntes máxi­
mas apresentadas na tabela 11,1 cumpre esclarecer que, além de serem resultado de levanta­
mento estatístico, trata-se de valores compatíveis com os resultados da aplicação da teoria
de “Propagação de Ondas” apresentada no capítulo 3, nas seguintes condições:

Em Redes de Distribuição Urbanas - R D U


• 30 kA de corrente do raio (50% de probabilidade de ocorrência de valores inferiores).
• 65m de distância entre o ponto de descarga do raio e a rede (em se tratando de RDUs
considera-se quase nula a possibilidade de descargas indiretas mais próximas).
• 140 kV de tensão induzida na rede (resultado da aplicação da metodologia do item 8.1.4
aos fatores anteriormente definidos; desprezados os amortecimentos resultantes das
bifurcações da rede).
• 280£2 de impedância de surto da rede (considerada rede trifásica).
• 0 £2 de resistência de aterramento no ponto de instalação do dispositivo de proteção
contra sobretensões (correspondente à pior hipótese em termos de reflexão de corrente,
já que ela dobraria de valor).
• de acordo com o diagrama da figura 11.1:
It_ 2 x 280 £2 x 1 4 0 k V _ l k A
280 £2 + 0 £2 280 £2

It = I 1 + I 2

11 = 0
12 = It = 1 kA

Fig. 11.1
Em Redes Rurais de Distribuição Monofásica
• 30 kA de corrente do raio (50% dê probabilidade de ocorrência de valores inferiores).
• 20m de distância entre o ponto de descarga do raio e a rede (valores inferiores de distân­
cia são considerados descarga direta).
• 450 kV de tensão induzida na rede.
• 500 £2 de impedância de surto da rede monofásica.
• 0 £2 de resistência de aterramento no ponto de instalação de dispositivo de proteção
contra sobretensões.
• ainda de acordo com a figura 11.1:

= _ 2 x 5 0 0 ^ x 450 = l g k A
500 £2 + 0 £2 500

I t= I 1 + I2

11 = 0
I 2 = l ,8 k A = 2 kA

Em Redes Rurais de Distribuição Trifásica


• 30 kA de corrente do raio (50% de probabilidade de ocorrência de valores inferiores).
• 30m de distância entre o ponto de descarga do raio e a rede.
• 300 kV de tensão induzida na rede.
• 280 £2 de impedância de surto da rede trifásica.
• 0 £2 de resistência de aterramento no ponto de instalação do dispositivo de proteção
contra sobretensões.
• conforme figura 11.1:

2 x 280 £2 +
522.= 2,14 kA
280 £2 + 0 £2 280
It= I1 + I2

ll=0
I 2 = 2,14 kA s 2 kA

11.2 Sistemas Trifásicos a Quatro Fios Multiaterrados


Dependendo do critério que tenha sido adotado para a alocação dos dispositivos de
proteção, em conseqüência da classificação do sistema como urbano, semi-urbano ou rural
(conforme capítulo 8), o fator limitante para o cálculo do valor máximo de R AT será: ou
a Tensão Suportável de Impulso dos transformadores de distribuição, ou o nível de isola­
mento das estruturas. Neste item, qualquer que seja o caso, esse valor será considerado como
a TSI máxima.
A figura 11.2, que apresenta simplificadamente o esquema de ligação de um equipamento
em um sistema trifásico a quatro fios, servirá como base para o desenvolvimento do
raciocínio a seguir apresentado.

A Rede Trifásico

i = valor de crista da corrente de descarga (kA) (vide tabela 11.1)


i i = valor de crista da parcela de i que escoa pelo aterramento no ponto considerado (kA)

Considerando Z surto do neutro = 500 £2;


250 i (E q .1 1 .1 )
(kA)
R ^'P + 250

P ara a condição limite:

TSImáx = V AB + V B C + V CD+ V DE+ V EF (Eq. 11.2)

onde:
V jjc - tensão residual do equipamento de proteção (kV); no caso de descarregadores de
chifre, V g c = 0
f

v de= l d í x (kV)

V e F = R ATx í 1 < W

Ainda com referência à equação (11.2), as parcelas , V CD e V DE podem ter seus


valores máximos somados algebricamente, por terem as correntes i e i j o mesmo tempo de
crista. Contudo, a acumulação desse subtotal com os valores de V g ^ e V EE deve ser feita
(segundo a referência 172), a partir do preenchimento da tabela 11.2, na página ao lado.

Preenchimento das colunas:


(1) Coluna a ser preenchida a partir do tempo real de crista da onda de corrente (p,s) que
corresponderá a 1,00 0/1. Para a forma de onda padronizada (pulso de tensão de 1,2 x
50(is), o tempo real de crista será: 125% de 1,2 j is = 1,5 jis.
(2) Coluna a ser preenchida a partir do valor de pico da máxima corrente de descarga (kA),
obtido da tabela 11.1, que corresponderá a 1,000 0/1.
(3) Coluna a ser preenchida a partir do valor de pico da parcela da corrente de descarga que
circulará pela resistência de aterramento (kA), calculado através da equação 11.1, que
corresponderá a 1,000 0/1.
(4) Coluna a ser preenchida a partir do valor máximo da tensão residual do pára-raios
equivalente à corrente de descarga de 5 kA, que corresponde a 1,000 0/1.
(5) O valor máximo de V ^ g + V CD, que corresponderá a 1,00 0/1, será obtido por:

1 X
(>AB + li (kV) (Eq. 11.3)
AB + V CD =
0,4572

onde: ___
1Ag - comprimento de condutor no trecho AB (m)
1CD - comprimento de condutor no trecho CD (m)

(6) O valor máximo de v DE, que corresponderá a 1,00 0/1, será obtido por:

( E q - n -4 )

onde: ___
I d e _ comprimento de condutor no trecho DE (m)
(7) Coluna a ser preenchida a partir da multiplicação dos valores de corrente da coluna (3),
pela resistência ôhmica do aterramento (R a t )-
(8) Coluna a ser preenchida a partir da adição dos valores correspondentes das colunas (4),
(5), (6) e (7).
TEMPO CORRENTE DE TENSÃO RESIDUAL DO QUED.\ DE TEfÍSÃO QUEDA DE TENSÃO TENSÃO TOTAL
DESCARGA PÁRA-RAIOS (VBC) (*) NO C()NDUTO!* DE NO ATERRAMENTO NO PONTO “A”
ATEIRRAMEN TO
(0/1) (ps) (0/1) i(kA) i,(kA) (0/D (kV) (0/1) V +v
t abt t cd v DE v EF v AP
(kV) (kV) (kV) (kV)

0 0 0 1,00
0,05 0,125 0,730 0,87
0,10 0,230 0,890 0,75
0,20 0,430 0,975 0,60
0,30 0,590 0,990 0,48
0,40 0,720 1,000 0,38
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (B)
0,50 0,810 1,000 0,29
0,60 0,880 0,990 0,22
0,70 0,930 0,980 0,15
0,80 0,970 0,975 0,09
0,90 0,990 0,965 0,04
1,00 1,000 0,950 0

(*) Os valores em pu foram retirados da tabela ne I da referência 172.


O tempo correspondente ao valor máximo da tensão total no ponto A (coluna 8), poderá
não coincidir nem com o tempo da máxima tensão residual do pára-raios, nem com o tempo
da máxima queda de tensão na resistência de aterramento.
As colunas (3) e (7) da tabela 11.2 poderão ser desmembradas para diversos valores de
R Aj , implicando, obviamente, na obtenção de diversas tensões máximas no ponto A (co­
luna 8), de cuja comparação com TSIm^x resultará a determinação do limite d e R Aj .
Cumpre salientar que a metodologia, anteriormente apresentada, é também aplicável a
Ramais MONOFÁSICOS FASE X NEUTRO, que são sempre derivados de troncos trifásicos
a quatro fios. Exceção é feita a trechos de sistemas monofilares com retomo por terra em que,
por questões de adversidade do solo, neutros parciais sejam construídos. Esses casos, con­
forme ressaltado na introdução deste livro, são objeto de estudo específico, noutros trabalhos.

11.2.1 Exemplo
Deseja-se determinar o valor máximo de resistência de aterramento adequado ao
escoamento de surtos em uma Rede de Distribuição Urbana, 13,8 kV, trifásica, a quatro fios,
multiaterrada.
— Assumiremos a Proteção contra Sobretensões provida por meio de pára-raios:
• determinação da TENSÃO NOMINAL dos PÁRA-RAIOS:
Supondo Vfornecjmento = V nomjnaj = 13,8 kV,
^ m á x de operação = 13,8 x 1,05 = 14,49 kV
^ m á x fase x terra = 14,49 x 0,7 = 10,14 kV
(*) 0,7 = coeficiente de aterramento típico dos sistemas a quatro fios, multiaterrados
^n o m PÁRA-RAIOS —^m áx fase-terra >logo:
V nom PÁRA-RAIOS = 10,5 kV
— Tendo em vista o seu menor custo, assumiremos a utilização de pára-raios 10,5 kV, SÉRIE
B, cuja tensão residual máxima é 50 kV;
— de acordo com o item 8.1.2, os pára-raios não serão instalados junto a todos os
transformadores de distribuição, o que implicará na limitação dos POTENCIAIS TRANS­
MITIDOS EM 95 kV (valor da tensão suportável de impulso padronizado para os trans­
formadores da lista B ABNT);
— conforme tabela 11.1, o valor de crista da corrente de descarga será considerado igual
a 1,0 kA (valor compatível com REDES URBANAS);
— considerados os padrões usuais de construção, os comprimentos dos trechos AD e DE
das figuras 11.2 serão fixados com base em seus valores médios de 3,0 e 6,2m, respec­
tivamente;
— quanto ao preenchimento da tabela 11.2, optou-se por fazê-lo, inicialmente, para o valor
de 40 Q. de resistência de aterramento ÍR at) »0 Que resultou no valor máximo de V a f -
83,90 kV;
— com a elevação do valor de R At para 50 Q , tendo em vista a possibilidade de trans­
missão de até 95 kV, o valor máximo de V a f passou para 90,85 kV;
— o preenchimento sucessivo da tabela 11.2 (vide tabelas 11.2a, 11.2b, 11.2c) resultou na
determinação de R At máx= 55 Q ( V a f ~ 94,34 kV).
Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Totai
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra- no Ponto A
(VB0> Áterramento mento

(0/1) 0*) (0/1) i (kA) i,(kA) (0/1) (kV) (0/D VA B + v C D v DE VEF <kV) VAF(kV)
kV kV
0 0 0 0 0 0 0 1,00 6,56 11,66 0 18,22
0,05 0,075 0,125 0,125 0,11 0,730 36,50 0,87 5,71 10,14 4,4 56,75
0,10 0,15 0,230 0,23 0,20 0,890 44,50 0,75 4,92 8,74 8,0 66,16
0,20 0,30 0,430 0,43 0,37 0,975 48,75 0,60 3,94 6,99 14,8 74,48
0,30 0,45 0,590 0,59 0,51 0,990 49,50 0,48 3,15 5,59 20,4 78,64
0,40 0,60 0,720 0,72 0,62 1,000 50,00 0,38 2,49 4,43 24,8 81,72
0,50 0,75 0,810 0,81 0,70 1,000 50,00 0,29 1,90 3,38 28,0 83,28
0,60 0,90 0,880 0,88 0,76 0,990 49,50 0,22 1,44 2,56 30,4 83,90
0,70 1,05 0,930 0,93 0,80 0,980 49,00 0,15 0,98 1,75 32,0 83,73
0,80 1,20 0,970 0,97 0,83 0,975 48,75 0,09 0,59 1,05 32,2 83,59
0,90 1,35 0,990 0,99 0,85 0,965 48,25 0,04 0,26 0,47 34,0 82,98
1,00 1,50 1,00 1,00 0,86 0,950 47,50 0 0 0 34,4 81,90

250 x i
i = 1,0 k A —>i ] = R aT 4 0 0 = 0 ,8 6 kA
250 + R ax

PR 10,5 kV - série B->V bc = 50 kV i “ AB,/ CD) = 1.0 x 3,0 = 6 56kv


V AB+ V CD =
0,4572 0,4572
^ x 6,2 = 11,66 kV
0,4572 0,4572
oo
oo
oo
Rede Urbana - Sistema Multiaterrado a Quatro Fios
13,8 kV

Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra­ no Ponto A
(v BC) Aterramento mento

(0/1) (Hs) (0/1) i(k A ) i,(kA) (0/1) (kV) (0/1) ^AB+ ® C D


vy d e VEF (kV) VAF(kV)

0 0 0 0 0 0 0 1,00 6,56 11,25 0 17,81


0,05 0,75 0,125 0,125 0,10 0,730 36,50 0,87 5,71 9,79 5,0 57,00
0,10 0,15 0,230 0,23 0,19 0,890 44,50 0,75 4,92 8,44 9,5 67,36
0,20 0,30 0,430 0,43 0,36 0,975 48,75 0,60 3,94 6,75 18,0 77,44
0,30 0,45 0,590 0,59 0,49 0,990 49,50 0,48 3,15 5,40 24,5 82,55
0,40 0,60 0,720 0,72 0,60 1,000 50,00 0,38 2,49 4,28 30,0 86,77
0,50 0,75 0,810 0,81 0,67 1,000 50,00 0,29 1,90 3,26 33,5 88,66
0,60 0,90 0,880 0,88 0,73 0,990 49,50 0,22 1,44 2,48 36,5 89,92
0,70 1,05 0,930 0,93 0,77 0,980 49,00 0,15 0,98 1,69 38,5 90,17
0,80 1,20 0,970 0,97 0,81 0,975 48,75 0,09 0,59 1,01 40,5 90,85
0,90 1,35 0,990 0,99 0,82 0,965 48,75 0,04 0,26 0,45 41,0 89,96
1,00 1,50 1,00 1,00 0,83 0,950 47,50 0 0 0 41,5 89,00

250 x i
i = 1,0 k A —>i j = RAT= 50 Q "> '1 = 4 n ° A n ~ = °-83kA
250 + R ^'!’

PR 10,5 kV - série B->V bc = 50 kV


V , \ t 1 ^AB +^Cl9 1,0 X 3,0 z :r AlrV
V AB+ V CD= - = - . —4 —= 6>56kV
0,4572 0,4572
11 x ^DE _ 0,83 x 6,2 _
0,4572 0,4572
Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra- no Ponto A
(VCD) Aterramento mento

(0/1) (ps) (0/1) i (kA) i,(kA) (0/1) (kV) (0/1) V


yAB
+VCD vy d e v ro (kv) V*, (kV)

0 0 0 0 0 0 0 1,00 6,56 10,88 0 17,54


0,05 0,075 0,125 0,125 0,10 0,730 36,50 0,87 5,71 9,55 6,0 57,76
0,10 0,15 0,230 0,23 0,19 0,890 44,50 0,75 4,92 8,23 11,4 69,05
0,20 0,30 0,430 0,43 0,35 0,975 48,75 0,60 3,94 6,59 21,0 80,28
0,30 0,45 0,590 0,59 0,48 0,990 49,50 0,48 3,15 5,27 28,8 86,72
0,40 0,60 0,720 0,72 0,58 1,000 50,00 0,38 2,49 4,17 34,8 91,46
0,50 0,75 0,810 0,81 0,66 1,00 50,00 0,29 1,90 3,18 39,6 94,68
0,60 0,90 0,880 0,88 0,71 0,990 49,50 0,22 1,44 2,42 42,6 95,96
0,70 1,05 0,930 0,93 0,75 0,980 49,00 0,15 0,98 1,65 45,0 96,63
0,80 1,20 0,970 0,97 0,78 0,975 48,75 0,09 0,59 0,99 46,8 97,13
0,90 1,35 0,990 0,99 0,80 0,965 48,25 0,04 0,26 0,44 48,0 96,95
1,00 1,50 1,00 1,00 0,81 0,950 47,50 0 0 0 48,6 96,10

250 x i 250 x 1 ,0
i = 1,0 kA —>i i R a t = 60 Q —> ii 0,81 kA
250 + R ^ T 250 + 60

PR 10,5 kV - série B ->VBc = 50 kV 1 ^ A B ^ C lj _ 1,0 x 3,0


V AB+ V CD“ * V AD = = 6,56 kV
0,4572 0,4572

oo
v£>
vo
O

Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra- no Ponto A
(VCD) Aterramento mento

(0/1) (ps) (0/1) i (kA) i,(kA) (0/1) (kV) (0/1) Vab+Bcd vDE VEp (kV) VAF(kV)

0 0 0 0 0 0 0 1,00 6,56 11,12 0 17,68


0,05 0,075 0,125 0,125 0,10 0,730 36,50 0,87 5,70 9,67 5,50 57,37
0,10 0,15 0,230 0,23 0,19 0,890 44,50 0,75 4,92 8,34 10,45 68,21
0,20 0,30 0,430 0,43 0,35 0,975 48,75 0,60 3,94 6,67 19,25 78,61
0,30 0,45 0,590 0,59 0,48 0,990 49,50 0,48 3,15 5,34 26,40 84,39
0,40 0,60 0,720 0,72 0,59 1,000 50,00 0,38 2,49 4,23 32,45 89,17
0,50 0,75 0,810 0,81 0,66 1,000 50,00 0,29 1,90 3,22 36,30 91,42
0,60 0,90 0,880 0,88 0,72 0,990 49,50 0,22 1,44 2,44 49,60 92,98
0,70 1,05 0,930 0,93 0,76 0,980 49,00 0,15 0,98 1,67 41,80 93,45
0,80 1,20 0,970 0,97 0,80 0,975 48,75 0,09 0,59 1,00 44,00 94,34
0,90 1,35 0,990 0,99 0,81 0,965 48,25 0,04 0,26 0,44 44,55 93,50
1,00 1,50 1,00 1,00 0,82 0,950 47,50 0 0 0 45,10 92,60

250 x i
i = 1,0 kA —>i i RAT = 5 5 0 -*ij = 250 + 55° = °-82 kA
250 +

1 ^AB +/CD> 1,0 x 3,0


PR 10,5 kV - série B ->VBc = 50 kV V ab + V CD = 6,56 kV
0,4572 0,4572
Cabe, finalmente, lembrar que as seguintes outras hipóteses poderíam ser técnico-
economicamente cotejadas (individual ou combinadamente) com a limitação do valor de
R AT em 55Q já que todas implicariam em elevação desse limite:
a) utilização de pára-raios série A;
b) utilização de transformadores de distribuição lista A;
c) instalação de pára-raios junto a todos os transformadores de distribuição, o que, de
acordo com o item 11.1, permitiría a elevação dos potenciais transmitidos ao nível de
isolamento das estruturas.

11.3 Sistemas Trifásicos a Três Fios com Neutro da Baixa Tensão Contínuo
No que diz respeito à determinação do valor máximo adequado à resistência dos aterra-
mentos nesse tipo de sistema, é integralmente válida a metodologia de cálculo apresentada
em (11.2) para os sistemas a quatro fios.

11.3.1 Exemplo
Deseja-se determinar o valor máximo de resistência de aterramento adequado ao escoa­
mento de surtos, em uma Rede de Distribuição Semi-Urbana, 13,8 kV, trifásica, a três fios,
solidamente aterrada na subestação com neutro de baixa tensão contínuo.
— Assumiremos a proteção de sobretensões provida por meio de pára-raios:
• determinação da TENSÃO NO M IN A L DOS PÁRA-RAIOS:
Supondo V fomec'mento = V nomjnaj = 13,8 kV,
^m áx operação = 13,8 x 1,05 = 14,49 kV
V máx fase-terra = 0,8 x 14,49 kV =11,59 kV
(*) 0,8 = coeficiente de aterramento típico de sistemas a três fios, eficazmente aterrados
^ n o m PÁRA-RAIOS — ^ m á x fase-terra’ l ° g ° :
V n om PÁRA-RAIOS = 1 2 ,0 k V
— tendo em vista o seu menor custo, assumiremos a utilização de pára-raios 12,0 kV, série
B, cuja tensão residual máxima é 54 kV;
— de acordo com o item 8.1.3, optaremos pelo enquadramento dessa rede como URBANA,
tendo em vista o seu reduzido grau de exposição (razoável número de construções
verticais próximas dos circuitos) e o substancial número de derivações existentes. Nesse
caso, os potenciais transmitidos deverão ser limitados em 95 kV (valor da Tensão
Suportável de Impulso Padronizado para os transformadores da lista B/ABNT.);
— conforme tabela 11.1, o valor de crista da corrente de descarga será considerado 1,0 kA;
— considerados os padrões usuais de construção, os comprimentos dos trechos AD e DE
da figura 11.2 serão fixados com base em seus valores médios de 3,0m e 6,2m,
respectivamente;
— quanto ao preenchimento da tabela 11.2, optou-se por fazê-lo inicialmente para o valor
de 40Q de resistência de aterramento (R at) »0 9ue resultou no valor máximo de V a p
= 87,86 kV;
— o preenchimento sucessivo da tabela 11.2 (vide tabelas 11.2e, 11.2f) resultou na
determinação de R At máx = 50 Q ( V a f - 94,75 kV).
Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra- no Ponto A
( v BC) Áterramento mento

(0/1) (N (0/1) i (kA) i,(kA) (0/D (kV) (0/D VAB+Vd V»E VEF (kV) VAF(kV)
(kV) (kV)

0 0 0 0 0 0 0 1,00 6,56 11,66 0 18,22


0,05 0,075 0,125 0,125 0,11 0,730 39,42 0,87 5,71 10,14 4,4 59,67
0,10 0,15 0,230 0,23 0,20 0,890 48,06 0,75 4,92 8,74 8,0 69,72
0,20 0,30 0,430 0,43 0,37 0,975 52,65 0,60 3,94 6,99 14,8 78,38
0,30 0,45 0,590 0,59 0,51 0,990 53,46 0,48 3,15 5,59 20,4 82,60
0,40 0,60 0,720 0,72 0,62 1,000 54,00 0,38 2,49 4,43 24,8 85,72
0,50 0,75 0,810 0,81 0,70 1,000 54,00 0,29 1,90 3,38 28,0 87,28
0,60 0,90 0,880 0,88 0,76 0,990 53,46 0,22 1,44 2,56 30,4 87,86
0,70 1,05 0,930 0,93 0,80 0,980 52,92 0,15 0,98 1,75 32,0 87,65
0,80 1,20 0,970 0,97 0,83 0,975 52,65 0,09 0,59 1,05 33,2 87,49
0,90 1,35 0,990 0,99 0,85 0,965 52,11 0,04 0,26 0,47 34,0 86,84
1,00 1,50 1,00 1,0 0,86 0,950 51,30 0 0 0 34,4 85,70

250 x i 2 5 0 x 1 ,0
i —1,0 kA —>i i — R a t = 40 £2 —» ii 0,86 kA
250 + R a t 250 + 40

PR 12,0 kV - série B -> V b c = 54 kV ‘ (/AB ,ec à = 1,0 X 3,0 = 6 56 k v


V ab + V CD=
0,4572 0,4572

VDE= Í i ^ ^ z :0»8 6 x 6 »2.= l l >66kV


Uil 0,4572 0,4572
Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra­ no Ponto A
(V.c) Aterramento mento

(0/1) (^s) (0/1) i(kA) i,(kA) (0/D (kV) (0/1) vab+ b cd v DE VEF (kV) VAF(kV)
(kV) (kV)
0 0 0 0 0 0 0 1,00 6,56 11,25 0 17,81
0,05 0,075 0,125 0,125 0,10 0,730 39,42 0,87 5,71 9,79 5,0 59,92
0,10 0,15 0,230 0,23 0,19 0,890 48,06 0,75 4,92 8,44 9,5 70,92
0,20 0,30 0,430 0,43 0,36 0,975 52,65 0,60 3,94 6,75 18,0 81,34
0,30 0,45 0,590 0,59 0,49 0,990 53,46 0,48 3,15 5,40 24,5 86,51
0,40 0,60 0,720 0,72 0,60 1,000 54,00 0,38 2,49 4,28 30,0 90,77
0,50 0,75 0,810 0,81 0,67 1,000 54,00 0,29 1,90 3,26 33,5 92,66
0,60 0,90 0,880 0,88 0,73 0,990 53,46 0,22 1,44 2,48 36,5 93,88
0,70 1,05 0,930 0,93 0,77 0,980 52,92 0,15 0,98 1,69 38,5 94,09
0,80 1,20 0,970 0,97 0,81 0,975 52,65 0,09 0,59 1,01 40,5 94,75
0,90 1,35 0,990 0,99 0,82 0,965 52,11 0,04 0,26 0,45 41,0 93,82
1,00 1,50 1,00 1,00 0,83 0,950 51,30 0 0 0 41,5 92,80

250 x i = 5 0 Q -> i = 250 x i = 0 8 3 kA


i = 1,0 kA —> ii = r AT
250 + R ^ t 1 250 + 50

PR 12,0 kV - série B -> VBc = 54 kV i »A B *<g j = i . O x 3 . o = 6 S 6 k V


V AB + V CD =
0,4572 0,4572
v _ 11 x ^DE 0,83 x 6,2
V D E ----------------” = 11,25 kV
VO
Cabe finalmente lembrar que as seguintes outras hipóteses poderíam ser técnico-econo-
micamente cotejadas (individual ou combinadamente) com a limitação do valor de R em
50Í2, já que todas implicariam em elevação desse valor limite:
a) utilização de pára-raios série A;
b) utilização de transformadores de distribuição lista A;
c) instalação de pára-raios junto a todos os transformadores de distribuição, o que, de acor­
do com o item 11.1, permitiría a elevação dos potenciais transmitidos ao nível de isola­
mento das estruturas.

11.4 Sistemas Trifásicos a Três Fios com Neutro da Baixa Tensão


Descontínuo
Nesse tipo de sistema, conforme determinado no capítulo 9, o neutro da baixa tensão pode
ou não estar disponível no ponto de instalação do dispositivo de proteção. Neste item será
considerada a condição de aterramento único (sem interligação ao neutro), por se tratar da
pior hipótese em termos de transferência de potencial.
A figura 11.3 apresenta um esquema simplificado da ligação de um equipamento de pro­
teção nas condições anteriormente determinadas.

EQUIPAMENTO
DE PROTEÇÃO B EQUIPAMENTO
PROTEGIDO

_________________________ _ £ 0 J
E

Fig. 11.3
onde:
i = valor de crista da corrente de descarga (kA) (vide tabela 11.1)

Para a condição limite:

T S I máx = V A B + V B C + V C D + V DE (Eq. 11.5)


onde:
V b c ~ tensão residual do equipamento de proteção (kV); no caso de descarregadores de
chifre, V BC = 0.

V ab + Vc d =L (ÃB + CD) . £ (kV)


dt
V DE = R A T ^ i ( k V )

Da mesma forma que em (Eq. 11.3), a determinação da elevação de potencial no ponto


A não pode ser resumida à adição simples dos valores máximos das diversas parcelas, fa­
zendo-se necessário o preenchimento da tabela 11.3, na página a seguir:

(1) Coluna a ser preenchida a partir do tempo real de crista da onda de corrente (|is), que
corresponderá a 1,00 0/1. Para a forma de onda padronizada (pulso de tensão de 1,2 x
50 |is) o tempo real de crista será: 125% de 1,2 ps = 1,5 j is .
(2) Coluna a ser preenchida a partir do valor de pico da máxima corrente de descarga (kA),
obtida da tabela 11.1, que corresponderá a 1,000 0/1.
(3) Coluna a ser preenchida a partir do valor máximo da tensão residual do pára-raios,
equivalente à corrente de descarga de 5 kA, que corresponderá a 1,000 0/1.
(4) O valor máximo de V ab + V q > que corresponderá a 1,00 0/1, será obtido por:

1 X (1A B + (Eq. 11.6)


V A B + V CD = (kV)
0,4572

onde: __
-1 Ab - comprimento de condutor no trecho AB (m)
- I ç d - comprimento de condutor no trecho CD (m)
(5) Coluna a ser preenchida a partir da multiplicação dos valores de corrente da coluna (2),
pela resistência ôhmica do aterramento (R Aj ) .
(6) Coluna a ser preenchida a partir da adição dos valores correspondentes das colunas (3),
(4) e (5).

O tempo correspondente ao valor máximo da tensão total, no ponto A (coluna 6), poderá
não coincidir nem com o tempo da máxima tensão residual do pára-raios, nem com o tempo
da máxima queda de tensão no condutor de aterramento, nem com o tempo da máxima queda
de tensão na resistência de aterramento.
A coluna 5 da tabela 11.3 poderá ser desmembrada para diversos valores de R AT, impli­
cando, obviamente, na obtenção de diversas tensões máximas no ponto A (coluna 6), de cuja
comparação com TSI máxima resultará a determinação do limite de R Aj .
Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra­ no Ponto A
(VBC) Aterramento mento

(0/1) <N (0/1) i(k A ) (0/1) (kV) (0/1) v ab+ b cd VDE (kV) VAE(kV)
(kV)

0 0 0 1,00
0,05 0,125 0,730 0,87
0,10 0,230 0,890 0,75
0,20 0,430 0,975 0,60
0,30 0,590 0,990 0,48
0,40 0,720 1,000 0,38
0,50 (D 0,810 (2) 1,000 (3) 0,29 (4) (5) (6)
0,60 0,880 0,990 0,22
0,70 0,930 0,980 0,15
0,80 0,970 0,975 0,09
0,90 0,990 0,965 0,04
1,00 1,000 0,950 0
Deseja-se determinar o valor máximo de resistência de aterramento adequado ao
escoamento de surtos em uma Rede de Distribuição Rural, 13,8 kV, trifásica, a três fios,
aterrada na subestação através resistor, com neutro de baixa tensão descontínuo.
— Assumiremos a proteção contra sobretensões provida por meio de pára-raios:
• Determinação da TENSÃO NOMINAL DOS PÁRA-RAIOS:
Supondo V fornecimento = ^ n o m in a l = 13,8 kV,
^ m á x de operação = 13,8 x 1,05 = 14,49 kV
^ m á x fase-terra = 1,0 x 14,49 = 14,49 kV
(*) 1,0 = coeficiente de aterramento típico de sistemas a três fios, não eficazmente
aterrados.
^nom PÁRA-RAIOS —^ m á x fase-terra, logo:
V nom PÁRA-RAIOS = 15 kV
— tendo em vista o seu menor custo, assumiremos a utilização de pára-raios 15,0 kV, série
B, cuja Tensão Residual Máxima é 60 kV;
— de acordo com o item 8.1.2, todos os transformadores de distribuição serão protegidos
por pára-raios, o que permitirá a limitação dos POTENCIAIS TRANSMITIDOS EM 130
kV (valor suposto para o isolamento das estruturas utilizadas);
— conforme tabela 11.1, o valor de crista da corrente de descarga será considerado 2,0 kA;
— considerados os padrões usuais de construção, o comprimento do trecho AD da figura
11.3 será fixado com base em seu valor médio de 9,2m;
— quanto ao preenchimento da tabela 11.3 optou-se por fazê-lo inicialmente para o valor
de 40Q de resistência de aterramento (R at) *0 Que resultou no valor máximo de V ^
igual a 139,72 kV;
O preenchimento sucessivo da tabela 11.3 (vide tabelas 11.3a, 11.3b, 11.3c) resultou na
determinação de R máx = 35 Q (V ^ g ^ 130,02 kV).
VO
oo
Rede Rural - Sistema a Três Fios com Neutro de BT Descontínuo
13,8 kV

Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra­ no Ponto A
( v BC) Aterramento mento

i (kA) (kV) V +v VDB <kV) VDE(kV)


(0/1) (N (0/1) (0/1) (0/1)
(kV)
0 0 0 0 0 0 1,00 40,24 0 40,24
0,05 0,75 0,125 0,25 0,730 43,80 0,87 35,01 7,5 86,31
0,10 0,15 0,230 0,46 0,890 53,40 0,75 30,18 13,8 97,38
0,20 0,30 0,430 0,86 0,975 58,50 0,60 24,14 25,8 108,44
0,30 0,45 0,590 1,18 0,990 59,40 0,48 19,32 35,4 114,12
0,40 0,60 0,720 1,44 1,000 60,00 0,38 15,29 43,2 118,49
0,50 0,75 0,810 1,62 1,000 60,00 0,29 11,67 48,6 120,27
0,60 0,90 0,880 1,76 0,990 59,40 0,22 8,85 52,8 121,05
0,70 1,05 0,930 1,86 0,980 58,80 0,15 6,04 55,8 120,64
0,80 1,20 0,970 1,94 0,975 58,50 0,09 3,62 58,2 120,32
0,90 1,35 0,990 1,98 0,965 57,90 0,04 1,61 59,4 118,91
1,00 1,50 1,00 2,00 0,950 57,00 0 0 60,0 117,00

RAt = 30£2 AB + CD = 9,2m

V AB + V CD = 1 ^ AB + /CD> = 2,0 X 9,2 = 40,24 kV


^ 0,4572 0,4572
Rede Rural - Sistema a Três Fios com Neutro de BT Descontínuo
13,8 kV

Tempo Corrente de Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra- no Ponto A
(V,c) Aterramento mento

(0/1) (N (0/D i (kA) (0/1) (kV) (0/D v ab+ v cd V„B v DB


(kV) (kV) (kV)

0 0 0 0 0 0 1,00 40,24 0 40,24


0,05 0,075 0,125 0,25 0,730 43,80 0,87 35,01 10,0 88,81
0,10 0,15 0,230 0,46 0,890 53,40 0,75 30,18 18,4 101,98
0,20 0,30 0,430 0,86 0,975 58,50 0,60 24,14 34,4 117,04
0,30 0,45 0,590 1,18 0,990 59,40 0,48 19,32 47,2 125,92
0,40 0,60 0,720 1,44 7 ,0 0 0 60,00 0,38 15,29 57,6 132,89
0,50 0,75 0,810 1,62 1,000 60,00 0,29 11,67 64,8 136,47
0,60 0,90 0,880 1,76 1,990 59,40 0,22 8,85 70,4 138,65
0,70 1,05 0,930 1,86 0,980 58,80 0,15 6,04 74,4 139,24
0,80 1,20 0,970 1,94 0,975 58,50 0,09 3,62 77,6 139,72
0,90 1,35 0,990 1,98 0,965 57,90 0,04 1,61 79,2 138,71
1,00 1,50 1,00 2,00 0,950 57,00 0 0 80,0 137,00

R a t = 40£2 AB + CD = 9,2m

AB + VCD= ' l l cpl = 2 ' ° * _9;? - = 40,24 kV


0,4572 0,4572

VO
200

Rede Rural - Sistema a Três Fios com Neutro de BT Descontínuo


13,8 kV

Tempo Corrente dé Descarga Tensão Residual Queda de Tensão Queda de Tensão Tensão Total
do Pára-Raios no Condutor de no Aterra­ no Ponto A
(VBC) Aterramento mento

(0/1) (ps) (0/1) i(kA) (0/1) (kV) (0/1) v ab+ b cd VDE v DE


(kV) (kV) (kV)
0 0 0 0 0 0 1,00 40,24 0 40,24
0,05 0,075 0,125 0,25 0,730 43,80 0,87 35,01 8,8 87,61
0,10 0,15 0,230 0,46 0,890 53,40 0,75 30,18 16,1 99,68
0,20 0,30 0,430 0,86 0,975 58,40 0,60 24,14 30,1 112,74
0,30 0,45 0,590 1,18 0,990 59,40 0,48 19,32 41,3 120,02
0,40 0,60 0,720 1,44 1,000 60,00 0,38 15,29 50,4 125,69
0,50 0,75 0,810 1,62 1,000 60,00 0,29 11,67 56,7 128,37
0,60 0,90 0,880 1,76 0,990 59,40 0,22 8,85 61,6 129,85
0,70 1,05 0,930 1,86 0,980 58,80 0,15 6,04 65,1 129,94
0,80 1,20 0,970 1,94 0,975 58,50 0,09 3,62 67,9 130,02.
0,90 1,35 0,990 1,98 0,965 57,90 0,04 1,61 69,3 128,81
1,00 1,50 1,00 2,00 0,950 57,00 0 0 70,0 127,00

RAT = 35 Q AB + CD = 9,2m

VAB + V c p = 1 ^ + = 2,0 x 9 ’? . = 40,24 kV


cu 0,4572
0,4572 0,4572
Cabe, finalmente, lembrar que como alternativa à fixação do valor de 35Í2 para limite
superior do R ^jpoder-se-ia estudar a possibilidade técnico-econômica de modificações no
padrão de estrutura que implicassem em elevação de seu nível de isolamento.
Ressalte-se, também, a possibilidade de elevação do limite de R AT pela utilização de
pára-raios série A, cujas tensões residuais são bem inferiores às da série B.
Capítulo 12

Aterramento de Redes e
Linhas de Distribuição
Neste capítulo serão apresentadas metodologias adequadas à determinação das condições
mínimas a serem satisfeitas pelo projeto do aterramento de forma a atender, simultanea­
mente, a todos os objetivos fixados no capítulo 9.
Face às características inerentes a cada tipo de sistema, a apresentação será feita em itens
específicos, abordando os seguintes sistemas:
• sistema trifásico a quatro fios com neutro multiaterrado;
• sistema trifásico a três fios com neutro da BT contínuo;
• sistema trifásico a três fios com neutro da BT descontínuo.

12.1 Sistemas a Quatro Fios Multiaterrados


Entende-se como sistema a quatro fios aquele em que o neutro comum ao primário e ao
secundário acompanha todo o alimentador e é interligado à malha de terra da subestação.
Nesse tipo de sistema os aterramentos do neutro efetivados ao longo da rede (multiaterra-
mento), além de propiciarem adequado escoamento dos surtos, devem satisfazer aos seguin­
tes requisitos básicos:
a) garantir a efetividade do aterram ento do sistem a
Essa condição é satisfeita sempre que a resistência do aterramento equivalente se situa
na faixa de 0,1 a 0,3Q.
b) garantir a m anutenção do neutro, em condições norm ais de operação, a um po ten cia l
inferior a 1 0 V em relação à terra
Essa condição assegura não ser alcançado o limite de lOmA quando de um eventual toque
no condutor neutro.
c) garantir a manutenção dos poten ciais de p a sso dentro de lim ites toleráveis, em condições
de defeito
Essa condição é restrita aos potenciais de passo, por não ser sempre viável a manutenção
dos potenciais de toque e de transferência, em condições de defeito, dentro dos limites tole­
ráveis, tendo em vista os tempos de operação dos dispositivos de proteção usuais. Proteção
parcial para os potenciais de toque é obtida, ou através da colocação do condutor de aterra-
mento interno ao poste (casos de instalações novas com poste de concreto), ou por instalação
de uma proteção eletro-mecânica até a altura de três metros do solo quando o condutor de
aterramento for externo ao poste (casos de postes de madeira e postes de concreto já insta­
lados). Por motivos óbvios, essa proteção é totalmente inviável nos casos de postes de ferro,
onde a própria estrutura é utilizada como condutor de aterramento.
É a seguinte a rotina a ser seguida para a definição do aterramento:

12.1.1 Dados Necessários


Serão aqui indicados todos os parâmetros e dados de entrada necessários ao desenvolvi­
mento dos cálculos na metodologia apresentada.

k - comprimento de rede primária (km)


Nota: No caso de regiões com alta densidade de carga, onde o comprimento da rede primária
é pequeno comparado ao comprimento total do neutro (que acompanha, também, toda a rede
secundária) considerar o comprimento total do neutro (rede primária + rede secundária).
z - módulo da impedância própria do condutor neutro (£2/km)
N ota: caso a bitola do neutro não seja uniforme considerar a menor bitola utilizada.

n - número de entradas consumidoras por poste (valor médio)


p - perfil de resistividade do solo, obtido conforme capítulo 17

Q 1

Q 2

Qn
Qn+ 1

p s - resistividade superficial do solo (Qm)


N ota: Ps = resistividade determinada a partir da medição com menor distância entre hastes
(se disponível); caso contrário, considerar p s = resistividade da primeira camada do solo
estratificado (Pi).
kVA - demanda máxima prevista para o alimentador (kVA)
kV - tensão nominal entre fases do sistema (kV)
j - vão médio entre postes (m)
L - comprimento da haste padronizada para consumidores (m)
d - diâmetro da haste padronizada para consumidores (polegadas)
e - parcela da demanda máxima admitida como desequilíbrio no neutro (pu)
a - resistência de aterramento equivalente requerida para garantir a efetividade do aterra-
mento do sistema
N ota: 0,1 < a < 0,3 (Q )

T| - coeficiente de segurança que leva em consideração o grau de eficiência dos aterramentos


dos consumidores
Notas:
1 ) 1 < tj < 1 0

2) Caso seja considerado rj = 2 equivale a dizer que o grau de eficiência dos aterramentos
dos consumidores é de 50%, ou seja, a resistência de aterramento considerada para cada
consumidor é o dobro da calculada.
R s e - resistência de aterramento da subestação onde se origina o alimentador (Q )
X i t - reatância de seqüência positiva do transformador da subestação (O)
X 0T - reatância de seqüência zero do transformador da subestação (Q )
rjc - resistência de seqüência positiva do condutor fase (Q/km)
X lc - reatância de seqüência positiva do condutor fase (í2/km)
r 0c - resistência de seqüência zero do condutor fase (O/km)

12.1.2 Processamento
Operação 1 - Determinação da resistência equivalente de aterramento por km de neutro
necessária a assegurar a efetividade do aterramento do sistema.
PASSO 1:
Cálculo da resistência de aterramento de cada entrada consumidora supondo a utilização de
uma única haste padronizada (R j J.

P 400 L
Rl =T| Al • (O )
2 . 71 . L 2,54 . d

Nota: p calculada conforme capítulo 17.


PASSO 2:
Cálculo da resistência equivalente dos aterramentos de todas as entradas consumidoras
supridas pelo alimentador |r 2).

R 1 •j
r 2 = (« )
1000 . k . n
N ota: caso seja conhecido o valor real do número de entradas consumidoras supridas pelo
alimentador (m), r 2 poderá ser calculada por:
Ri
R2 = —- (Q)
m

PASSO 3:
Cálculo da resistência equivalente de aterramento do neutro que, em paralelo com R 2 ,
garante a efetividade do aterramento do sistema (R3).

a . R2
R3= (Q)
R2 - a
N ota: se o cálculo de R 3 resultar em valor negativo ou nulo, significará serem os aterra­
mentos dos consumidores suficientes para garantir a efetividade do aterramento do sistema.
Neste caso, para a continuação da rotina de cálculo, considerar R 3 = °o .

PASSO 4:
Cálculo da resistência equivalente de aterramento por km de neutro necessária a assegurar
a efetividade do aterramento do sistema {R4).

R 4 = k. R 3 (Í2)

Operação 2 - Determinação da resistência equivalente de aterramento por km de neutro


necessária a sua manutenção a um potencial de 10V em condições normais de operação.

PASSO 1 :
Cálculo da resistência equivalente dos aterramentos das entradas consumidoras supridas por
km de alimentador |r 5|.

R 5 =k. R 2 (Q )

PASSO 2:
Cálculo da resistência máxima equivalente de aterramento por km necessária a assegurar a
manutenção do neutro ao potencial de 10 V em condições normais de operação |R 5|.

_ 10 . V T . kV .. k - e . kVA . z
r 6 = ----------------------------------- (« )
e. kVA
Notas:
1 ) Se o cálculo de R g resultar em valor negativo ou nulo significará ser impossível manter
o neutro a 10V nas condições supostas. Deverá ser verificada a possibilidade de aumentar
a bitola do condutor neutro e/ou reduzir a corrente de desequilíbrio admitida.
2 ) Dedução da fórmula:

e . kVA
^ “ V T .k v .k

{R 6 z) ^deseq =

10 - z l deseq
R 6=
I deseq

10 - z • e • ^VA
V T . kV . k
R 6=
e . kVA
VT. kV . k

xj 10 . V T . k V . k - z . e . k V A
k 6= ------------- ------------------------------ («)
e . kVA
PASSO 3:
Cálculo da resistência equivalente de aterramento por km de neutro necessária à sua
manutenção a um potencial de 10 V em condições normais de operação {R7).

R5 •R 6
(Q)
r 5_ r 6

Nota: se o cálculo de R 7 resultar em valor negativo ou nulo significará serem os aterramen-


tos dos consumidores suficientes para garantir a manutenção do neutro a um potencial de
10V, em condições normais de operação. Neste caso, para a continuação da rotina de cálculo,
considerar R 7 = oo#

Operação 3 - Determinação da resistência máxima equivalente de aterramento por km de


neutro ( R g ).

R g = menor valor resultante da comparação de R 4 com R 7 .

r AT máx
N ota: caso R g > ( R AT máx calculada conforme item 11.2), deve-se adotar para

r AT máx
continuação dos cálculos R g = visando atender às condições (a) e (b) da opera-
ção4. 2

Operação 4 - Determinação do valor máximo de resistência de cada aterramento ( R 9) e do


número mínimo de aterramentos por km (x).

A determinação do binômio ( R 9 , x) deverá satisfazer basicamente à seguinte inequação:

Além disso, analisadas individualmente, essas variáveis devem satisfazer às seguintes


condições:
a) x > 2 , condição necessária para se garantir, com coeficiente de segurança igual a 2 , a
existência em qualquer hipótese de pelo menos um aterramento por km feito pela
concessionária, independentemente dos aterramentos dos consumidores.
b) R 9 < R A-p máx (calculado com base no item 1 1 .2 ), condição necessária para se garan­
tir operação adequada dos dispositivos de proteção contra sobretensão instalados no
sistema.
Por se tratar de um binômio cujas variáveis são estreitamente dependentes, sua determinação
terá que ser feita pelo método das tentativas.

Como balizamento para a escolha de valores a serem atribuídos a essas variáveis, pode-
se recomendar sejam considerados:
• Número médio de equipamentos instalados po r km
Como o valor de R 9 será comum a todo o alimentador, ele deverá ser considerado quando
da escolha do número de aterramentos (x) pois cada equipamento implicará na existência de
1 aterramento de forma a evitar que em quilômetros com elevado número de equipamentos,
o aterramento seja superdimensionado ou, em quilômetros com baixo número de equipa­
mentos, seja necessário prover muitos outros pontos de aterramento.

• Valor da resistência de aterramento de cada haste no solo em questão


Esse fator deverá ser considerado na escolha do valor de R 9 de forma a evitar sejam aven­
tadas hipóteses de valores muito baixos que requeiram número elevado de hastes em paralelo
(nos casos de solo de elevada resistividade), ou hipóteses de valores elevados de R 9 , que
desperdicem resultados obtidos com a cravação de poucas hastes por aterramento (nos casos
de solos de resisti vidade favorável).

A seqüência de cálculo a ser seguida é a seguinte:

PASSO 1 :
Com base nas diretrizes anteriormente citadas, supor um binômio de valores para R 9 e x.

PASSO 2:
Com base na sistemática de cálculo do capítulo 10, determinar o número de hastes
necessárias e o valor exato de R 9 obtido.

PASSO 3:
Com base no valor de R 9 determinado no Passo 2, definir o número real de aterramentos
por quilômetro pela seguinte fórmula:

x = -? . (real)
«8

Operação 5 - Verificação dos potenciais de Passo em condições de defeito.

PASSO 1:
Cálculo da corrente máxima de curto-circuito, disponível para circulação nos aterramentos.

Nota:
Dedução da fórmula:
- o neutro multiaterrado de um sistema a quatro fios pode ser representado pelo seguinte
esquema:
Fig. 12.3

- partindo da premissa que o condutor neutro é suficientemente longo, condição essa sa­
tisfeita por serem interligados os neutros de todos os alimentadores a quatro fios, sua impe-
dância equivalente |ZgJ vista de qualquer ponto “P”, pode ser calculada pela seguinte fór­
mula:
Z g = 7 z . R 10 (ref.47)

onde R 10 é o paralelo de todas as resistências de aterramento existentes em cada quilômetro;


logo:
t . R 5 . Ro
r 1o= r 5 / / ( r 9 / x) = _ J _ | -

assim sendo:
/ ZR5 .R 9
Z
- /v x. R5 + R9
dessa forma o circuito equivalente passa a ser representado por:
a) considerando o ponto “P ” distante W quilômetros da S/E sendoW < Z g / z
- por ocasião de um defeito fase x neutro na rede, obviamente, a pior condição em termos
de circulação de corrente pelos aterramentos será a representada no diagrama do item (b);
no caso do diagrama do item (a), parte da corrente retomará pelo próprio neutro.
- para determinação da corrente máxima de defeito disponível para circulação nos aterra­
mentos, consideraremos a condição-limite da pior hipótese (b), ou seja,W = Z g / z . Dessa
forma, teremos:

R5. R9
(km)
z (x . R 5 + Rçj)

- determinada essa distância, a corrente de curto-circuito em “P” será dada por:

V T . k v . 10 3
Icc (A)
(2 Z 1 + Zo)

onde:
Z i = (r ic . (o) + j ( x i T + x i c + c o )

3Z
Z0~ 3 r S E + r oc C0 + x oT+ x oc . (0
~2

Nota: no circuito de seqüência zero foi desprezada a limitação imposta ao curto-circuito por
R 9 , por se tratar de resistência de valor variável, em termos reais (± 50%). Substituindo
esses valores chega-se à fórmula para I cc que se queria demonstrar.

PASSO 2:
Determinação do tempo de operação do dispositivo de proteção de terra da subestação,
equivalente à l„„
CL calculada no Passo 1.

Esse tempo deverá ser determinado a partir das curvas tempo x corrente dos dispositivos de
proteção de terra, considerando-se, também, as religações automáticas e o tempo necessário
à extinção total do arco.
O tempo acumulado não deve exceder a três segundos, tendo em vista a impossibilidade de
se calcular a tensão de passo tolerável, acima desse valor.

PASSO 3:
Cálculo do comprimento mínimo de eletrodo , necessário à manutenção de potenciais
de passo toleráveis em condição de defeito:

0 ,1 . p i . V t\ I q-.. V z . R 5 . R 9

(116 + 0,7 . |
' J z . R 5 . R ç + 2 R 9 V 5C• R 5 + R 9 j
Nota:
Dedução da fórmula:
a) cálculo da parcela máxima da Içç definida no Passo 1, capaz de circular por cada
aterramento (ijJ

Supondo a pior condição, ou seja, a falha coincidindo com um ponto de aterramento, tem-
se a seguinte situação:

Fig. 12.6

I2 =l3,jáç|LieZ g I2 = z g I3

j1r 9
l i R 9 = I2 Z e I2 = - V ^
'g
I I + I 2 + I 3 = I CC

li . R< lcc
li + 2 —Icc I], —
~2 r "I
1 +

/ z . R 5 .R^~
Logo, como Z g =
V x . R5 + R9

I ^ V z . R s . R<
Ii =
V z . R « . R q + 2 R q V z . R < + R<

b) determinação da tensão de passo no aterramento

Segundo P. Laurent, a tensão de passo num aterramento variará na faixa de 10 a 15% do


produto da resistividade pela densidade de corrente no mesmo. Se considerarmos a condição
menos rígida ( 10 %), já que todas as demais considerações foram ponderadas para o lado
pessimista, teremos:
^passo = 0 ,1 • P i • i
. Ii
como í = —

h_
Epasso —0,1 . Pj .
Lc

c) determinação da tensão de passo tolerável

De acordo com a IEEE/80:


116 + 0,7 p s
^passo toterável = - =

d) comparação das tensões

Fazendo Ep^gQ —E p ^ ^ máximo tolerável, tem-se:

h 116 + 0 , 7 P s
0 ,1 . p i
'C VT

de onde, substituindo I j pelo seu valor calculado em (a), tem-se:

0,1 . p j VT . Icc a/Z •R5 . Rg


Lc=
(116 + 0,7 Ps) | a/ Z . R 5 . R 9 + 2R < jV x R 5 + R9I
PASSO 4:
Cálculo do comprimento real de eletrodo disponível (L^.

Conforme orientação do Passo 2, da operação 4, a determinação do valor “exato” de R ç e ,


conseqüentemente, do número de hastes necessárias, deverá ser feita com base na sistemática
de cálculo do item 10.3.1. A partir dos resultados desse cálculo o comprimento real de
eletrodo disponível |L ^ poderá ser obtido por:

Le = f . L R + (f-l)e
onde:

L r - comprimento da haste padronizada pela concessionária para aterramento de rede (m)


f - número de hastes em paralelo, necessário à obtenção de R 9
e - espaçamento entre hastes adjacentes

PASSO 5:
Comparação do comprimento mínimo de eletrodo necessário com 0 comprimento real
de eletrodo disponível.

- a condição indispensável para segurança do aterramento é: L e > L c

- caso essa condição seja satisfeita, os valores de R 9 e x serão adequados à utilização no


projeto.
- caso essa condição não seja satisfeita, retomar à operação 4 e definir outro valor (menor)
para R 9 e 0 x correspondente, reprocessando toda a rotina que a segue.

12.1.3 Recomendações Finais para Elaboração do Projeto

Os valores de R 9 e x, definidos pela rotina apresentada, representam as condições


mínimas exigidas para cada quilômetro de rede e/ou linha.
Quando da elaboração do projeto em si, deverão ser também consideradas as seguintes
recomendações:
1) Todos os pára-raios e carcaças metálicas de equipamentos deverão ser conectados ao
neutro e aterrados com resistência igual ou inferior a R 9 (aterramento padrão).
2 ) O neutro deverá ser aterrado em todo fim de rede primária com o aterramento padrão

3) Após a localização dos aterramentos recomendados em (1) e (2) deverão ser alocados,
se necessário, os demais aterramentos essenciais à obtenção de x aterramentos em
qualquer km de rede.
4) O neutro deverá ser também aterrado em todo fim de rede secundária.
Nesse caso, é dispensada a exigência de R 9, bastando a utilização de uma haste ou um
anel padronizado.
5) Nos casos de redes excessivamente curtas em que 0 dimensionamento do aterramento
pela metodologia indicada se tome inviável mesmo que considerado o comprimento
total do neutro (rede primária + rede secundária), o projeto deverá ser desenvolvido
conforme critérios recomendados para os sistemas a três fios com neutro de baixa tensão
descontínuo (item 1 2 .2 ).

Exemplo:

Dados de entrada
k = 6 6 km
z = 1,0 7 Q/km (cabo 2 ASC)
n =2

e : r w w m ‘
I0 0 0 n m
1 1.0m
837 il m
3,8 m
9 3* 475 n m
IOtOm
04 * I0 0 a m

Fig. 12.7

p s = p i = 1000 Q m

kVA = 4000 kVA

kY = 13,8 kV

j = 40 m

L = 2m '
da haste do consumidor
d = 1" ,

e = 0,2

a =0,3

ti =2

R SE= 5 í i

X1t=X0t=0,8Q
r l c = 0,191 Q/km

xi = 0,403 Q/km
1C
> do cabo 336,4 MCM
r 0c = 0,369 Q/km ’S

xqc = 1,862 Q/km >

Processamento

Operação 1

PASSO 1:

2nL 2,54 d

Conforme capítulo 17.

0.5 rn I . Om
o .5 m
___ ±2± ------= 895 Q m
1,5 m 2,8 m 1,0 + 1,5
1000 837

Fig. 12.8

4 0 0 .2
R 1= 2 - ^ - /n
1 2 7t 2 2,54 . 1

R j =819 Q

PASSO 2:

R 1 •J
R2 =
1000 . k . n

819
R2=
10 0 0 . 6 6 .2
R2 - a
R _ 0,3.0,25
3 0,25 - 0,3

R 3 = - 1,5 0

Os aterramentos dos consumidores são suficientes para garantir a efetividade do aterramento


do sistema.
Assim sendo: R 3 = oo

PASSO 4:
R4 = k . R3 R 4 = oo

Operação 2

PASSO 1 :

R 5 = k . R 2 = 6 6 .0 , 2 5 = 16,5 0

PASSO 2:

D 10 f h . kV . k - £ . kVA . z
R 6 = ------------------------------------------
6 . kVA

R _ 1 0 Í 3 1 3 , 8 . 66 - 0 , 2 4 0 0 0 . 1,07
6 0,2.4000

R 6 = 18,6 O

PASSO 3:
R5 . R5
K 7 = ------------
R5-R 6

R _ 16,5 . 18,6
7 16,5-18,6

R7 = < 0
Os aterramentos dos consumidores são suficientes para garantir a manutenção do neutro a
um potencial de 10V em condições normais de operação.
Logo: R 7 = o°

O peração 3
Considerando o valor de R máx determinado no exemplo do item 1 1 .2 .1 —> R AT máx =
550.

Logo R 8 = ^ = 2 7 , 5 o (r 1 = R 7 = oo)

O peração 4

Rn
——< 27,5 Q
x
x>2

R 9 < 55 O

PASSO 1 :
x=2
R 9 = 55Q

PASSO 2:
Para o aterramento do neutro serão utilizadas hastes de 3m x 3/4".
De acordo com o item 10.3.1, tem-se:

PASSO 1 :
Conforme capítulo 17:

P0 _ a 6 0 0 il . m
eq

= 100 f i .m
n + 1
Suporemos inicialmente:
Pa= Peq=600° m
PASSO 2:

= 0,091
Pa 600

PASSOS 3 e 4:
Pela tabela 10.12, para cinco hastes de 3m espaçadas de 4m, tem-se:
Rq = 0,088 p a

PASSO 5:
Cálculo da resistividade aparente para cinco hastes espaçadas de 4m:

(n -l)L

^eq dgq 10

Pela figura 17.8: N = — = 0,84


Peq
Pa = 0,84 x 600 = 504 Q. m

PASSO 6 :

PASSOS 7 e 8 :
Da tabela 10.12, para a relação calculada no Passo 6 (0,109), tem-se: quatro hastes espaçadas
de4m.

PASSO 9:
Como no Passo 4 haviam sido selecionadas cinco hastes espaçadas de 4m, reprocessaremos
a rotina a partir do Passo 5.

PASSO 5:
Cálculo de pa para quatro hastes espaçadas de 4m:

(n - 1) e
a= r ----- 1 ----- = 1 = 0,6
d.eq deq 10
(3 = i- ? lil = 122.= 0,167
F 600
'eq
Pela figura 17.8:
Pa
N = — = 0,86
Peq
pa = 0,86 x 600 = 516 Q m

PASSO 6 :
R< 55 = 0,106
516

PASSOS 7 e 8 :
Da tabela 1 0.12, para a relação calculada no passo 6 (0,106), tem-se: quatro hastes espaçadas
de 4 m.

PASSO 9:
Os valores são iguais, logo passaremos ao Passo 10.

PASSO 10:
R 9 = 0 , 1 0 6 .5 1 6 = 54,7 O

Voltando à operação 4:

PASSO 3:
Rq 54 7
x = — = 2 li- = 1 ,9 9
R8 27,5
Em função da condição x > 2, tem-se dois aterramentos por quilômetro.

Operação 5

PASSO 1:
Í J . kV . 1 0 :
2 2
V (Ã ) + (B)
onde:

R <.R ( R5. R9
A —3 R se+ ^ ( 2 f i c + r o<)
Z (X R 5 + R 9) ' "V Z ( X R 5 +Rç)
B=
(x^+xot)+V
2 5 S ^ (2xi‘+x°^
3 16,5 x 54,7 16,5 x 54,7
A= 3x5+— (2x0,191 +0,369)
2 V 1,07 (2 x 16,5 + 54,7) V 1,07 (2 x 16,5 + 54,7)

16,5 x 54,7
B = 3 x 0,8
’ +Vr;
8 1,07 (2 x 16,5 + 54,7)
(2 x 0,403 + 1,862)

1 ^= 978 A

PASSO 2:
t = 3 seg.
Considerando um religador com uma operação instantânea e três operações temporizadas.

PASSO 3:
t _ 0,1 . p i . í i . I ccV z R 5 . R 9

| l l 6 + 0,7 . Í V z R 5 R ç + 2 R ^ V x R 5 + Rç)j

L = _____________ 0 ,1 . ÍOOOVT. 978 V 1,07 . 16,5 . 5 4 ,7 _____________


(116 + 0,7 . 1000)( V l , 0 7 . 1 6 , 5 . 5 4 , 7 + 2 . 5 4 , 7 V2 . 16,5 + 54, 7 J

L c = 6,0 m

PASSO 4:
Le = f Lr + ( f- 1) e
L r = 3m
f =4
e = 4m

Logo:
L e = 24m

PASSO 5:
L e> Lc
L e = 24m

L c = 6,0 m
Portanto:
R 9 = 54,7 x=2

Esta resistência será obtida com quatro hastes de 3m x 3/4" espaçadas de 4m.

12.2 Sistemas Trifásicos a Três Fios com Neutro da BT Contínuo


Entende-se como sistema trifásico a três fios com neutro da baixa tensão contínuo aquele
no qual o neutro da BT interliga todos os transformadores de distribuição do mesmo alimen-
tador e é interligado ao neutro da BT de outros alimentadores.
Nesse tipo de sistema, os aterramentos do neutro da BT efetivados ao longo da rede (mul-
tiaterramento), além de propiciarem adequado escoamento do surto, devem satisfazer aos
seguintes requisitos básicos:

a) garantir a efetividade do aterram ento do sistem a


Essa condição é satisfeita sempre que a resistência do aterramento equivalente se situa
na faixa de 0,1 a 0,3 Q,.

b) garantir a manutenção dos poten ciais de passo dentro de limites toleráveis, em condições
de defeito
Essa condição é restrita aos potenciais de passo, por não ser sempre viável a manutenção
dos potenciais de toque e transferência em condições de defeito dentro dos limites toleráveis,
tendo em vista os tempos de operação dos dispositivos de proteção usuais. A proteção para
os potenciais de toque é obtida, ou através da colocação do condutor de aterramento interno
ao poste (casos de instalações novas de poste de concreto), ou por instalação de uma proteção
eletro-mecânica até a altura de três metros do solo quando o condutor de aterramento for
externo ao poste (casos de postes de madeira e postes de concreto já instalados). Por motivos
óbvios, essa proteção é totalmente inviável nos casos de postes de ferro onde a própria estru­
tura é utilizada como condutor de aterramento.
Nesse tipo de sistema, o neutro, em condições normais de operação, é sempre mantido
a um potencial inferior a 10 volts em relação à terra, já que a circulação da corrente de dese­
quilíbrio (no caso da BT), se restringe à zona de influência de cada transformador de distri­
buição, implicando no seu confinamento, quase que total, ao neutro do circuito.
É a seguinte a rotina a ser seguida para a definição do aterramento:

12.2.1 Dados Necessários


No caso desse tipo de sistema são os seguintes os dados necessários ao desenvolvimento
da metodologia de cálculo proposta em seguida:
k- comprimento do neutro da rede secundária (km)
z- módulo da impedância própria do condutor neutro (Q/km)
N ota: caso a bitola do neutro não seja uniforme, considerar a menor bitola utilizada,
n- número de entradas consumidoras por poste (valor médio)
p- perfil de resistividade do solo, obtido conforme capítulo 17
P '

P
I
2

I
I
Pn
n+ i
9

ps - resistividade superficial do solo (£2m)


Nota:
Ps - resisti vidade determinada a partir da medição com menor distância entre hastes (se
disponível); caso contrário, considerar:
Ps - resisti vidade da primeira camada do solo estratificado ( p j)
kV - tensão nominal entre fases do sistema de AT (kV)
L - comprimento da haste padronizada para consumidores (m)
j - vão médio entre postes (m)
d - diâmetro da haste padronizada para consumidores (polegadas)
a - resistência de aterramento equivalente requerida para garantir a efetividade do
aterramento do sistema de BT
Nota: 0,1 < a < 0,3
T| - coeficiente de segurança que leva em consideração o grau de eficiência dos
aterramentos dos consumidores

Notas:
1 ) 1 <T| < 10
2) Caso seja considerado t| = 2 equivale a dizer que o grau de eficiência dos aterramentos
dos consumidores é de 50%, ou seja, a resistência de aterramento considerada para cada
consumidor é o dobro da calculada.
R §£ - resistência de aterramento da subestação onde se origina o alimentador (Q )
Xi - reatância de seqüência positiva do transformador da subestação (Q.)
X o T - reatância de seqüência zero do transformador da subestação (Q)
Ri - resistência do resistor de aterramento do neutro do transformador da subestação (O)
- quando existir
Xj - reatância do reator de aterramento do neutro do transformador da subestação (Q ) -
quando existir
12.2.2 Processamento
Operação 1 - determinação da resistência equivalente de aterramento por km de neutro,
necessária a assegurar a efetividade do aterramento do sistema

PASSO 1:
Cálculo da resistência de aterramento de cada entrada consumidora supondo a utilização de
uma única haste padronizada (R i ).

400 . L
R l = il ln (O )
2 .n .L 2,54 . d

Nota: p calculada conforme capítulo 17.

PASSO 2:
Cálculo da resistência equivalente dos aterramentos de todas as entradas consumidoras
supridas pelo alimentador (R 2).

R 1 •j
R2 = (Q )
1000 . k . n

Nota:
1) Caso seja conhecido o valor real do número (m) de entradas consumidoras supridas pelo
alimentador, R 2 poderá ser calculada p o r
Rl
R 2 = — (Q)
m

2 ) O valor da resistência equivalente dos aterramentos das entradas consumidoras supridas


por cada quilômetro de alimentador ( R 5 ) será calculado por:
R 5 = k . R 2 (£2 )

PASSO 3:
Cálculo da resistência equivalente de aterramento do neutro que, em paralelo com R 2
garante a efetividade do aterramento do sistema ( R 3).
<*• R 2
R3= (o)
R2-q

Nota: se o cálculo de R 3 resultar em valor negativo ou nulo significará serem os aterramen­


tos dos consumidores suficientes para garantir a efetividade do aterramento do sistema. Neste
caso, para a continuação da rotina de cálculo, considerar R 3 = ©o.

PASSO 4:
Cálculo da resistência equivalente de aterramento por km de neutro necessária a assegurar
a efetividade do aterramento do sistema ( R 4 ).
R 4 = k . R 3 (£2)
Operação 2 - Determinação da resistência máxima equivalente de aterramento por km de
neutro (R 8) R ATmáx
R g = menor valor resultante da comparação de R 4 c o m ----- ------ ( R at máx calculado
conforme item 11.3)

Nota: o critério para a definição de R g visa atender às condições (a) e (b) da operação 3.

Operação 3 - Determinação do valor máximo da resistência de cada aterramento ( R 5) e do


número mínimo de aterramentos por km (x)

A determinação dos valores de R 9 e x deverá satisfazer, basicamente, à seguinte inequação:

Além disso, analisadas individualmente, essas variáveis devem satisfazer às seguintes


condições:

a) x > 2 - condição necessária para se garantir, com coeficiente de segurança igual a 2 , a


existência em qualquer hipótese de pelo menos um aterramento por km feito pela con­
cessionária, independente dos aterramentos dos consumidores.

b) R 9 < R A-p máx (calculado com base no item 1 1 .3 )- condição necessária para se garan­
tir operação adequada dos dispositivos de proteção contra sobretensão eventualmente
instalados no sistema.

Por se tratar de um binômio cujas variáveis são estreitamente dependentes, sua determinação
terá que ser feita pelo método das tentativas. Como balizamento para a escolha de valores
a serem atribuídos a essas variáveis pode-se recomendar que sejam considerados:

• número médio de equipamentos instalados por km


Como o valor de R 9 será comum a todo o alimentador, ele deverá ser considerado quando
da escolha do número de aterramentos (x), pois cada equipamento implicará na existência
de um aterramento, de forma a evitar que, em quilômetros com elevado número de
equipamentos, o aterramento seja superdimensionado ou em quilômetros com pequeno
número de equipamentos, seja necessário prover muitos outros pontos de aterramento.•

• valor da resistência de aterramento de cada haste no solo em questão


Esse fator deverá ser considerado na escolha do valor deR 9 , de forma a evitar sejam aven­
tadas hipóteses de valores muito baixos que requeiram número elevado de hastes em paralelo
(nos casos de solo de alto valor de resistividade), ou, hipóteses de valores elevados de R, que
desperdicem resultados obtidos com a cravação de poucas hastes por aterramento (nos casos
de solos de resistividade favorável).
A seqüência de cálculo a ser seguida é a seguinte:

PASSO 1 :
Com base nas diretrizes anteriormente citadas, supor um binômio de valores para R 9 e x.

PASSO 2 :
Com base na sistemática de cálculo do capítulo 10, determinar o número de hastes neces­
sárias e o valor exato de R 9 obtido.

PASSO 3:
Com base no valor de R 9 determinado no Passo 2 , definir 0 número real de aterramento por
quilômetro pela seguinte fórmula:

x=— (real)

Operação 4 - Verificação dos potenciais de passo em condição de defeito

PASSO 1:
Cálculo da corrente máxima de curto-circuito disponível para circulação nos aterramentos:

Nota:
Dedução da fórmula:
- não sendo o neutro conectado à malha de terra da subestação, considera-se como corrente
máxima de curto-circuito disponível para circulação nos aterramentos a corrente de curto-
circuito fase-neutro na saída da subestação. Conforme diagrama da figura 1 2 . 1 1 .

Fig. 12.11
Assim sendo, se desprezarmos a limitação imposta ao curto-circuito por R 9 , por se tratar
de resistência de valor variável (em termos reais ± 50%), a corrente de curto-circuito será
dada por:

= V3 . k V . 1 0 3
(A)
“ 2 ( Z 1 + Z 0)(Q )

onde:
Z 1 = J X 1T ( ü )

Z 0 = 3 (R SE+ R i + Z g) + j (XoT + 3 x i) (Si)

Z . R5 . R9
Como Z g =
xr5 + r 9 ’
teremos, em módulo:

PASSO 2:
Determinação do tempo de operação do dispositivo de proteção de terra da subestação,
equivalente à 1 ^ calculada no Passo 1.
Esse tempo deverá ser determinado a partir das curvas tempo x corrente dos dispositivos de
proteção de terra, considerando-se, também, as religações automáticas e 0 tempo necessário
à extinção total do arco.

PASSO 3:
Cálculo do comprimento mínimo de eletrodo (Lc) necessário à manutenção de potenciais
de passo toleráveis em condição de defeito.

T _ 0 , 1 . p j . VT. i c c . V z . R 5 . r 9*

(116 + 0,7 . p s ) Í a/ z . R 5 . R 9 + R 9V x . R 5 + R 9|

Nota:
Dedução da fórmula:
• Cálculo da parcela máxima de 1 ^, definida no Passo 1 , capaz de circular por cada aterra-
mento (1 1 ).
Supondo a pior condição, ou seja, a falha na saída da subestação, coincidindo com um ponto
de aterramento, tem-se a seguinte situação:
Fig. 12.12

Ii . r9 =i2 zg/. I2=I i . R 9


Jg

^1 + ^2 = ^cc

Í 1 .R 9 I CC
II + — I qc ^1
^g R9
1+
Z
g

Z . . Rç
Logo, como Z g =
x R5+ R 9

i ccV z ^ r 7

7 z 7¥7T r7 + r 9 Vxr 5+ r 9

Por raciocínio semelhante ao desenvolvido no item 12.1, chega-se à fórmula final de L c .

PASSO 4:
Cálculo do comprimento real de eletrodo disponível (L e).
Conforme orientação do Passo 2 da Operação 3, a determinação do valor exato de R 9 e,
conseqüentemente, do número de hastes necessárias deverá ser feita com base na sistemática
de cálculo do item 10.3.1 deste relatório. A partir dos resultados desse cálculo, o
comprimento real de eletrodo disponível (Le ) poderá ser obtido por:
L e = f L r + ( f - 1) e (m)

Onde:
L R - comprimento da haste padronizada pela concessionária para aterramento de rede (m)
f - número de hastes, em paralelo, necessário à obtenção de R 9
e - espaçamento entre hastes adjacentes (m)

PASSO 5:
Comparação do comprimento mínimo de eletrodo necessário ( Lç) com o comprimento real
de eletrodo disponível (L e ).
A condição indispensável para a segurança do aterramento é:

Le> L c

Então:
l e) caso essa condição seja satisfeita os valores R 9 e x serão adequados à utilização no
projeto;
2 9) caso essa condição não seja satisfeita, retom ar à Operação 3 e definir outro valor
(menor) para R 9 e o x correspondente, reprocessando toda a rotina que a segue.

12.2.3 Recomendações Finais para Elaboração do Projeto


Os valores de R 9 e x definidos pela rotina apresentada representam as condições mínimas
exigidas para cada quilômetro de rede e/ou linha.
Quando da elaboração do projeto em si, deverão ser, também, consideradas as seguintes
recomendações:
1 ) Todos os pára-raios e carcaças metálicas de equipamentos deverão ser conectados ao
neutro e aterrados com resistência igual ou inferior a R 9 (aterramento padrão).
2 ) Após a localização dos aterramentos recomendados em ( 1 ) deverão ser alocados, se
necessário, os demais aterramentos essenciais à obtenção de x aterramentos em qualquer
km de rede.
3) O neutro deverá ser também aterrado em todo fim de rede secundária. Nesse caso, é
dispensada a exigência do valor de R 9 (Q), bastando a utilização de uma haste ou anel
padronizado.
4) Nos casos de redes excessivamente curtas, em que o dimensionamento do aterramento
pela metodologia indicada se tome inviável, 0 projeto deverá ser desenvolvido conforme
critérios recomendados para os sistemas trifásicos a três fios com neutro da BT descon­
tínuo (item 12.3).

Exemplo :

Dados de entrada
k = 15 km
z = 1,07 Q/km (2 ASC)
n=3
O, 69 m 340 XI m
P
1 5 ,0 m P 720X 1 m
P I 5 0 XI m

Fig. 12.13

p s = P l = 340 O m
kV = 13,8 kV
L = 2 ,4 m 1
1" l do consumidor
d= 2 1
j = 40 m
a = 0,3
ri = 2
R SE = 2 Ü
X i t= X Ot=0,8 í 2

Processamento

Operação 1
400 L
PASSO 1: R l = r i *1
2 TC L 2,54 d
Conforme capítulo 17

0 .5 m
0,69m
0,19 m
------ ±2l-------= 569 Qm
2,21 m I5 ,0 0 m 0,69 + 2,21
340 720

Fig. 12.14
Rl =2 jç[ 4 0 0 - 2:1
1 2 . rc . 2,4 2,54 . 1/2
R != 5 0 0 0

PASSO 2:

* 1000 . k . n
r 5 0 0 .4 0
2 1000 . 15 . 3
R 2 = 0,445 O
R 5 = k . R 2 = 1 5 .0 ,4 4 5 = 6 ,7 0

PASSO 3:
a . R2
r 3 = -------- ±
R2- a

R - 0,3 . 0,445 = 0,92 O


3 0,445 - 0,3

PASSO 4:
R 4 = k . R 3 = 1 5 .0 ,9 2 = 13,8 0

Operação 2
Considerando o valor de R AT máx determinado no exemplo do item 11.3.1: R AT máx = 50 O

r 8 = menor valor resultante da comparação de R 4 com 50/2 = 25;


Logo: R g = 13,8 O

Operação 3

r 9
-^ < R 8
x
x> 2
R 9 < 50 O

PASSO 1:
Admitindo, inicialmente, três aterramentos de 3 x 13,8 O por quilômetro, tem-se:
x=3 R 9 = 41 O
PASSO 2:
Para o aterramento do neutro serão utilizadas hastes de 3m x 3/4"
De acordo com o item 10.3.1, tem-se:

PASSO 1:
Conforme capítulo 17:

'#• //>>//<*//<* //* //o //c /A V A V /^ / A / A / A / A / A //o /A \*

d = I5 m
eq
o p __ = 6 8 5 _TL . m
Keq
p = 15 0 I I . m
n+ i

Fig. 12.15

Suporemos, inicialmente:
Pa = Peq- ^85 O
PASSO 2:

R^ = i J _ = 0,0598
Pa 685
PASSOS 3 e 4:
Pela tabela 10.12, para hastes de 3m e 3/4", tem-se: nove hastes espaçadas de 3m.

PASSO 5:
Determinação da resistividade aparente para nove hastes espaçadas de 3m:
(n-1) e

deq dçq 15

|3= pT| * 1 = — = 0,22


P„ 685

Da figura 17.8:

N = 0,82 .-. N = — .-. Pa = 0,82 x 685 .\ Pa = 562 Q. m


Peq
PASSO 6:
R9 41_
0,073
Pa ” 562

PASSOS 7 e 8:
Da tabela 10.12; seis hastes espaçadas de 5m.

PASSO 9:
Passo 4 - nove hastes espaçadas de 3m.
Passo 8 - quatro hastes espaçadas de 5m.

Como os valores são diferentes, voltaremos ao Passo 5.

PASSO 5:
Cálculo da resistividade aparente para seis hates espaçadas de 5m:

(n - 1 ) e
12,5
a = = 0,83
dec 15 15

150
0 = £ iii = 0,22
Peq 685

Da figura 17.8:

N = 0,81 /. pa = 0,81 x 685 = 555 Q. m

PASSO 6:
R, 41
= 0,074
555

PASSOS 7 e 8:
Da tabela 10.12 temos: seis hastes espaçadas de 5m.

PASSO 9:
Como os valores são iguais aos do Passo 8 anterior, passaremos ao Passo 10.

PASSO 10:

R 9 = 0,072 x 555 = 40 Q
Voltando à operação 3:

PASSO 3:
x _ r 9 _ 40
= 2,9
Rg 13,8
ou seja, três aterramentos de 4 0 0 em cada km.

Contudo, apesar do número de hastes (seis) estar dentro do limite máximo recomendado no
capítulo 10, em função do espaçamento entre hastes que se fez necessário (5m), mesmo antes
de processarmos a Operação 4 (verificação dos potenciais de passo em condições de defeito),
retomaremos ao Passo 1 da Operação 3, de forma a avaliar os benefícios de um outro bi­
nômio de valores para R 9 e x, qual seja, 50Q e 4.

x=4 R 9 = 50 £2

PASSO 2 :
Utilizando, ainda, hastes de 3m x 3/4":
De acordo com 0 item 10.3.1, tem-se:

PASSO 1 :
Conforme capítulo 17.
Inicialmente: p a = Peq = 685 Q m

PASSO 2 :

= 0,073
o 685

PASSOS 3 e 4:
Pela tabela 10.12, para hastes de 3m x 3/4", tem-se: seis hastes espaçadas de 5m.

Passo 5:
Determinação da resistividade aparente para seis hastes espaçadas de 5m:

(n- 1 ) e
a = — = — - — = 1 ^ 1 = 0 ,8 3
^eq deq 1^

150 0,22
P=
685
P eq
Da figura 17.8:
N = 0,81 /. p a = 0,81 x 685 = 555 Q m

PASSO 6:

Pa 555

PASSOS 7 e 8:
Da tabela 10.12, tem-se: cinco hastes espaçadas de 4m.

PASSO 9:
Passo 4 - seis hastes espaçadas de 5m.
Passo 8 - cinco hastes espaçadas de 4m.
Como os valores são diferentes, voltaremos ao Passo 5.

PASSO 5:
Cálculo da resistividade aparente para cinco hastes espaçadas de 4m:

(n-1) e
a = — = — - — = — = 0,53
^eq dgq 15

P = 0,22

Da figura 17.8:
N = 0,9 /. Pa = 0,9 x 685 = 616 Q. m

PASSO 6:
R< 50
0,081
616

PASSOS 7 e 8:
Da tabela 10.12 temos: seis hastes espaçadas de 3m.

PASSO 9:
Passo 8 (anterior) - cinco hastes espaçadas de 4m.
Passo 8 - seis hastes espaçadas de 3m.
Como os valores são diferentes, voltaremos ao Passo 5.
PASSO 5:
Cálculo da resistividade aparente para seis hastes espaçadas de 3m:
(n-1) e
oc = — = — -— = ZiL= 0,5
^eq deq 15

P = 0,22

Da figura 17.8:
N = 0,9 a = 0,9 x 685 = 616 m

PASSO 6:
R 9 _ 50
0,081
Pa 616

PASSOS 7 e 8:
Da tabela 10.12, temos: seis hastes espaçadas de 3m.

PASSO 9:
Como os valores são iguais aos do Passo 8 anterior, passaremos ao Passo 10.

PASSO 10:
R 9 = 0,080 x 616 = 49,3 Q

Voltando à Operação 3:

PASSO 3:

ou seja: quatro aterramentos de 49,3 Q em cada quilômetro.

Antes de passarmos à Operação 4, procederemos a uma análise comparativa das duas opções
cogitadas:

1- opção: três aterramentos de 40 O/km com seis hastes espaçadas de 5m em cada


aterramento.
nõ total de hastes: 3 x 6 = 1 8
comprimento do eletrodo horizontal: (6-1) x 5 x 3 = 75m
2 - opção: quatro aterramentos de 49,3 Q/km, com seis hastes espaçadas de 3 m em cada
aterramento.
nQtotal de hastes: 4 x 6 = 24
comprimento do eletrodo horizontal: (6-1) x 3 x 4 = 60m

Deveriamos a essa altura comparar o custo das hastes adicionais (24-18) com a redução de
custo inerente aos 15m de condutor que se utilizaria a menos, valor este acrescido do custo
da mão-de-obra necessária à abertura das valas.
Para fins de continuação do exemplo, suporemos ter sido mais econômica a opção de quatro
aterramentos com seis hastes espaçadas de 3 m, a cada quilômetro de rede.
Dessa forma:

Operação 4:

PASSO 1:
YT . kV . 1 0 '
I

ILcc
_ =

3 .2 ,3 , M L + (3 x 0 , 8)
V 4 . 6 , 7 + 49,3 |

I cc= 1883 A

PASSO 2:
Suponto t = 3 segundos.

PASSO 3:

o , i . p i . VT". i c c . V z . R9

(116 + 0,7 . p s) | V z R 5 . R 9 + Rg V x R 5 + R ç j

L = _________ 0 , 1 . 3 4 0 . VT . 1883 V l , 0 7 . 6 , 7 . 4 9 , 3~________ ^


(116 + 0 , 7 . 3 4 0 ) ( V l , 0 7 . 6 , 7 . 4 9 , 3 + 49,3 V 4 . 6 , 7 + 49,3|)

L c = 13,12 m
PASSO 4:
Le= fL R + ( f - l ) e
L r = 3m
f = 6 hastes
e = 3m
L e = 33m

PASSO 5:
Le> L c
L e = 33m > L c = 13,12m

Logo, deverão ser efetuados quatro aterramentos constituídos de seis hastes de 3m x 3/4"
espaçadas de 3m, em cada quilômetro de rede.

12.3 Sistema Trifásico a Três Fios com Neutro da BT Descontínuo


Entende-se como sistema trifásico a três fios com neutro de baixa tensão descontínuo
aquele em que o neutro da BT não interliga todos os transformadores de distribuição, nem
mesmo de um alimentador.
Nesse caso, as rotinas de cálculo anteriormente apresentadas não podem ser aplicadas,
porque os pressupostos básicos dessas rotinas se fundamentam na continuidade do neutro.
Nessas condições recomenda-se a adoção dos seguintes critérios:
a) O neutro deverá ser aterrado em intervalos nunca superiores a 250m.
b) O neutro deverá ser, também, aterrado em todo o fim de rede secundária.
c) Todos esses aterramentos deverão ser projetados de acordo com a rotina apresentada no
capítulo 13, mesmo quando não destinados a pontos de instalação de equipamentos.
Capítulo 13

Aterramento de Equipamentos

O objetivo do aterramento de equipamentos é assegurar a operação rápida e efetiva dos


dispositivos de proteção, na ocorrência de defeitos devidos a nituras no isolamento, e limitar
a valores não perigosos as tensões de toque e de passo, durante a passagem da corrente à
terra.

13.1 Sistemas a Quatro Fios (Multiaterrados)


Nesse tipo de sistema, face à filosofia de projeto para aterramento de NEUTRO definida
no capítulo 12, para garantir a sua manutenção a um potencial inferior a 10 V em condições
normais de operação, bem como a efetividade do seu aterramento e a limitação de potenciais
a níveis toleráveis em condições de defeito, recomenda-se:
a) que o aterramento de todos os equipamentos seja projetado de forma idêntica aos
aterramentos do neutro;
b) que as carcaças e/ou ferragens de todos os equipamentos sejam sempre conectadas ao
neutro;
c) que em cada estrutura a interligação à malha seja feita através de um único condutor de
aterramento.

13.2 Sistemas Trifásicos a Três Fios com Neutro da BT Contínuo


Para o aterramento de equipamentos instalados nesse tipo de sistema são válidas as
mesmas recomendações contidas no item 13.1 - Aterramento de Equipamentos em Sistemas-
a Quatro Fios (Multiaterrados), já que as filosofias para projeto de aterramento do NEUTRO
são idênticas, para os dois casos.

13.3 Sistemas Trifásicos a Três Fios com Neutro da BT Descontínuo


Em sistemas a três fios em que o neutro da BT não é contínuo, além do fato desse
condutor (neutro) não se apresentar disponível em qualquer ponto escolhido para a instalação
de um equipamento, quando da sua existência, não é garantida a efetividade do seu
aterramento conforme filosofia descrita no capítulo 12. Em vista disso, os procedimentos
adequados passam a ser:
a) aterrar as carcaças e/ou ferragens de todos os equipamentos;
b) projetar esses aterramentos de forma a serem auto-suficientes, isto é, garantir as con­
dições operacionais e de segurança citadas na introdução deste capítulo independente­
mente de sua interligação ao condutor neutro;
c) interligar esses aterramentos ao neutro, quando disponível no ponto de instalação do
equipamento. Essa interligação visa, em condições normais de operação, melhorar o
grau de efetividade do aterramento do neutro;
d) em cada ponto prover a interligação à malha de terra através de um único condutor de
aterramento;
e) instalar o condutor de aterramento internamente ao poste ou, quando impraticável,
protegê-lo eletromecânicamente até uma altura mínima de 3m.
Nota: essa medida visa prevenir condições de potenciais de toque perigosos, o que se toma
inviável nos casos de postes de ferro onde a própria estrutura é utilizada como condutor de
aterramento.

13.4 Projetos de Aterramento


Para definição do projeto de aterramento deverá ser obedecida a seguinte rotina:

Dados necessários
I ’c c -
corrente de curto-circuito fase x terra, franco, disponível no ponto de instalação do
equipamento (kA).
R Se - resistência de aterramento da SE (Q).
p - perfil de resistividade do solo, obtido conforme capítulo 17.

i
al (> .
°2

?*
\
I
I
------— I
?n

Ç n +1

Fig. 13.1

Ps - resistividade superficial do solo (Q.m)


Nota: considerar p s = resistividade determinada a partir da medição com menor distância
entre hastes (se disponível); caso contrário, considerar p s = resistividade da primeira camada
do solo estratificado ( p s).
kV - tensão entre fases do sistema (kV).

Processamento

PASSO 1:
Reduzir o perfil de resistividade do solo a apenas duas camadas, conforme rotina contida no
capítulo 17, determinando, dessa forma, a resistividade equivalente das n camadas do solo
(Peq)*

PASSO 2:
Calcular o comprimento de eletrodo inicialmente estimado para o aterramento do
equipamento através da seguinte fórmula:
103 . V T . kV . 0,1 . pj
6 peq
116 + 0 ,7 .p s
Lc =
V T . kV
+ 3R SE
I*cc

Nota: se L c < 0, fazê-lo igual ao comprimento de uma haste para continuação dos cálculos.

Nota:
Dedução da fórmula:
- valor aproximado da impedância equivalente do sistema até o ponto da instalação do
equipamento (Z s ), pode ser representada por:

VT kV
Z s= (« )
LCC

- uma estimativa do valor aproximado da resistência do aterramento (R Aj ) a ser executado,


pode ser obtida por:
2 Peq
R AT = (G)

- um valor ainda aproximado, porém mais real, da corrente de curto-circuito no ponto, é dado
por:

I cc real
VT . k V . 10
(A)
Z$ + 3 (R a t + R SE>

- onde, substituindo o valor de R AT , tem-se:


T V T . kV . 10 /A,
i cc real 7T '>/ V
7 +1S + 6Peí
z s + 3 r S E + “ í ------

- para garantir a manutenção dos potenciais de passo dentro de limites admissíveis é


necessário que:
^cc real 11 6 + 0 ,7 p s
0,1 . p !
VT

- substituindo o valor de 1^, reai , tem-se:

, . 103 . V3 . k V . 0 , 1 . P l . VT
L c . (Zs + 3 R SE = ------------------------------------------6 Pgq
116 + 0,7 p s

- onde, substituindo o valor de e fazendo t= ls, tem-se:

10 . V T . kV . 0,1 . p j
- 6 p eq
116 + 0,7 p £
Lc =
V T kV
+ 3 R SE
lcc

PASSO 3:
A partir do comprimento (L) das hastes a serem utilizadas e do espaçamento (e) a ser mantido
entre elas, considerando a configuração alinhada, determinar o número (n) de hastes,
necessário à obtenção do comprimento de eletrodos (Lc ) calculado no Passo 2.
Lc+ e
n = ---------
L + e

PASSO 4:
Calcular a resistividade do solo correspondente ao número de hastes determinado no Passo
3, conforme roteiro descrito no capítulo 17.

PASSO 5:
Conhecidos o número de hastes a ser utilizado e a respectiva resistividade do solo, calcular
o valor real da resistência do aterramento suposto (R AT real ), conforme capítulo 10.
Nota: se R real > R a t máx (definido conforme item 11.4), fazê-lo igual a R At máx
para continuação dos cálculos.
PASSO 6:
Calcular a corrente de curto-circuito máxima, viável de circular por esse aterramento ( I cc)
através da seguinte fórmula:

V T . kV . 10 I cc
Icc ~ (A)
V 3". kV + 3 lcc (R AT re a l+ R

PASSO 7:
Calcular o comprimento real do eletrodo ( L cr) necessário a garantir a limitação dos poten­
ciais de passo a níveis aceitáveis, nas condições de aterramento definidas no Passo 5.

0,1 . p j . I c c . Vt"
L cr (m)
116 + 0,7 p s

Sendo:
1 ^ = corrente de curto-circuito (A) calculada no Passo 6.
t = tempo acumulado de operação do dispositivo de proteção do alimentador, instalado
na SE, correspondente à 1 ^ .
Nota: a fórmula aqui apresentada só é válida para valores de t < 3 segundos. Caso o tempo
acumulado de operação da proteção seja superior a esse valor dever-se-á providenciar, ou
a redução da temporização do dispositivo de proteção, ou o aumento de I cc pela redução
do valor da resistência do aterramento.

PASSO 8:
Comparar o valor de L cr obtido no Passo 7 com o valor de L c no Passo 2.
Se L cr < L c , passar para o Passo 10.
Se L cr > L c , passar para o Passo 9.

PASSO 9:
Determinar o número |n de hastes necessário à obtenção do comprimento de eletrodo (LCIJ
calculado no Passo 7, considerando os novos valores de comprimento de haste |L e de
espaçamento je^ a serem adotados.

Lcr + e l
n i = -----------
L 1 + el

Nota: quando da fixação dos novos valores de |L j| e je^j, será sempre mais adequada a
elevação do valor de (e).

A partir dos valores (n ^ , (L ^ e (e^j, reprocessar a rotina a partir do Passo 4, substituindo


por esses os dados obtidos no Passo 3.
PASSO 10:
O projeto do aterramento está definido tendo como resultados o número de hastes (n j)
definido no Passo 9 e a resistência definida no Passo 5.

A rotina aqui apresentada foi toda desenvolvida partindo da premissa da utilização de


hastes usuais, dispostas na configuração ALINHADA.
Para os casos de solos de alta resistividade as soluções disponíveis são aquelas descritas
no capítulo 10. A mesma rotina para cálculo do aterramento de equipamentos poderá ser
utilizada, com pequenas adaptações adequadas a cada caso.

13.5 Exemplo
D ados

P I.Om Ç>, = 200 £ L m


6.5m
p 2 = 500 f i m
6 ,9 m
P3 = 66 fl m
= 96 JT m
Fig. 13.2 (a)

Processam ento

PASSO 1:
Conforme capítulo 17, temos:

//O -

6 .9 m
P = 313
eq
£í m
P
n+ i
96 SI m

Fig. 13.2 (b)


10 V T . k V . 0,1 . P j
6 P eq
116 + 0,7 p s
L c-
V TkV
+ 3 R SE
Lcc

10 V T . 1 3 , 8 . 0 , 1 . 200
-6.313
116+0,7.200
Lc= = -0,51
V 3 \ 13 . 8
+ 3.3

Como L c < 0, consideraremos, para a continuação dos cálculos, uma haste de 3m x 3/4".
L c = 3m

PASSO 3:
n = 1 (já definido no Passo 2)

PASSO 4:
Para o caso de uma haste:

p = ----- ^ ----- = 350 Q m


1 + 2,5
200 500
Nota: considerou-se a cabeça da haste enterrada a uma profundidade de 0,5m.

PASSO 5:
d _ 350 /n 40Q : = 119,7 Q
k AT real 0 ?
ZTí . 5 2,54 . 3/4

Como 119,7 > 3 5 O (valor de R AT máx calculado para o exemplo do item 11.4.1), consi­
dera-se R Aj real = 35 Q.
_ YT. 13,8 . 103 . 2
= 189,77 A
CC V T . 13,8 + 3 . 2 (35 + 3)

PASSO 7:
L _ 0,1 . 200 . 189,77 . VT = 25,68 m
cr 116 + 0 , 7 . 2 0 0

Nota: considerou-se t = 3 segundos.

PASSO 8:
25,68m > 3m
Como L cr > L c , passaremos ao Passo 9.

PASSO 9:
Supondo a utilização de hastes de 3m x 3/4" espaçadas de 3m, ou seja:
L j = 3m
= 3m, temos:
„ 1 = 25.68 + 3 5 5

Voltando ao Passo 4:

PASSO 4:
Para o caso de cinco hastes:

(¥f
oc = l z =0, 87
6,9

96
P= = 0,3
313

Pelo gráfico da figura 17.8; N = 0,85


p a = 0,85 x 313 = 266 O m

PASSO 5:
Pela tabela 10.12:

R AX real = 0,093 x 266 = 24,74 Q.


V3~. 13,8 . 10
^cc = 125,6 A
V3". 13,8 + 3 . 2 ( 2 4 , 7 4 + 3)

PASSO 7:

. 0 , 1 . 20 0 . 125,6. V 2 j . 15f5m
cr 116 + 0 , 7 . 2 0 0

Aoía: considerou-se t = 2,5 segundos.

PASSO 8:
15,5m < 27m

Como L cr < L c , passaremos ao Passo 10.

PASSO 10:
O projeto do aterramento está definido com cinco hastes de 3m x 3/4" espaçadas de 3m,
equivalendo a uma resistência de 24,74 Q .
Capítulo 14

Dimensionamento do
Condutor de Aterramento
O processo de cálculo aqui apresentado objetiva a definição do condutor de aterramento
padrão para redes, linhas e equipamentos, como também dos condutores de interligação das
hastes em função dos tipos de sistema a que se destinam.

14.1 Determinação da Seção do Condutor em Função da Corrente


Em qualquer tipo de sistema e em qualquer aterramento (rede, linha ou equipamento) o
condutor de aterramento, bem como o condutor de interligação das hastes, devem ser dimen­
sionados para suportar as máximas correntes de falha que podem circular para terra.
No caso de aterramentos de sistemas de distribuição, face aos níveis de curto-circuito
usuais e aos respectivos tempos de operação da proteção, esses dois condutores podem ter
a mesma seção transversal, calculada através da seguinte fórmula:

onde:
S = seção do condutor (mm2);
I ! = máxima corrente disponível no condutor (A);
t = tempo acumulado de operação do dispositivo de proteção da SE, correspondente à
corrente 1 ^ (S) ; 2
P20 = resistividade do condutor a 20°C em c.c. viim m ) •
m
a = coeficiente de variação da resistência (<C ) ;
F R = fator de relação entre as resistividades do condutor em corrente alternada e contínua.
Nota:
• para condutores monometálicos, não ferrosos, F R = 1;
• para condutores ferrosos ou com núcleo d^ aço, 1 < F R < 1,2
y = massa específica do condutor (g/om );
C = calor específico do condutor (cal/g°C);
0m = temperatura máxima admissível para o condutor (°C);
0a = temperatura ambiente (°C);
A0 = variação de temperatura = ~ (°C).

Dedução da fórm ula


Supondo a existência de uma corrente (^1) atravessando um Condutor de seção (S) e
comprimento (L):

Cálculo da quantidade de calor gerado (dQ):


dQ = 4,1868 mc d0
Como m = y.L.S
dQ = 4,1868 y.L.S.c.d0

Cálculo da energia elétrica dissipada (dW):


dW = R . I J . dt

Mas,

r=PcaI 1

Pcc = P20 U + a (9-20)]


PeA tt t
-5 — = f R Logo:

PcA= F R • P20 [1 + a (0 - 20)]

Substituindo em (R):

R = FR . p 20[l + a ( e - 2 0 ) ] t
Valor esse que, substituído em dW, resulta em:

dW = f r . P20 l1 + a (0 - 20)] - . \ \ . dt
S

Igualando, para obtenção do equilíbrio energético:

dQ = dW
4 , 18 6 8 7 . L . S . c . d0 = F R . p 20 [1 + a (0 - 20)] - . l \ . d
s
4,1868 . 7 . S2c d 0 = F R . p 2 0 . a ( i - 2 0 + 01. i f . dt

2 ^ ’
4,1868.7. S •c 1
-d0 = if dt
f R• P20 • 01 |-L - 20 + 0j

Integrando ambos os membros para o intervalo compreendido entre as condições inicial e


final:

* 0m 4 ,1 8 6 8 . 7 . S 2 .c 1 /•1 2
1 d0 = / I! dt
/. F R - P 20- a —-2 0 + 0
a
•'o

m 1 r 1 2

L 0
°1 „ d0
a2+ 6
=J J o
Ij dt
11

4,1868.7. S •c b r 20+0 m 2
. In = Il-t
fr .P2o - oc
r 20 + 9 i

Donde:
14.2 Determinação das Correntes de Curto-Circuito a Serem Consideradas no
Dimensionamento
Quando da elaboração dos cálculos para dimensionamento do condutor de aterramento
padrão para um sistema (vide item 14.1), deverão ser consideradas as correntes de curto-
circuito definidas a seguir:

a) Circuitos trifásicos a quatro fios multiaterrados


Supondo a pior condição, isto é, a falha coincidindo com um ponto de aterramento, a
corrente que circulará pelo aterramento (I j) será dada por:

"ill— vAAr—
ICCV Z . . R<
Il =
V z . R c . R q + 2 R qa/ X . R c + R (

Onde:

T _ VT . k v . 103

R < . R, Rs.R<
A = 3R (2 r lc + r 0c)
Z ( X . R 5+R9) V Z.(XR5+Rg)

B = 2X pp + X Qp +
V z . ^ R j (Xk+
R 5 = menor valor da resistência equivalente dos aterramentos das entradas consumidoras
supridas por cada km dos alimentadores do sistema.
R 9 = menor dos valores máximos de resistência dos aterramentos do sistema (vide item
12. 1).
R SE= menor valor de resistência de aterramento das subestações (£2).

b) Sistemas trifásicos a três fios com neutro de B T contínuo


De acordo com o indicado no item 12.2, não sendo o neutro conectado à malha de terra
da subestação, considera-se como pior condição a corrente de curto-circuito fase-neutro na
saída da SE. Dessa forma, a corrente que circulará pelo aterramento (I i ) será dada por:

Fig. 14.3

I cc V z- R ^ . R<

V T r T T r T + R q a/ x. R< + R<

Onde:

(vide item 12.2)

kV = tensão nominal entre fases do sistema (kV).


R SE = menor valor de resistência de aterramento das SE’s do sistema (£2).
Xi = menor reatância de seqüência positiva de transformador de SE do sistema (£2).
X0t = idem, de seqüência zero (£2).
R j , Xj = menor resistência ou reatância para limitação de Icc, se for o caso (£2).
c) Sistemas trifásicos a três fios com neutro de B T descontínuo
Neste caso admite-se que toda a corrente de curto-circuito pode circular pelo aterramento.
Contudo, na determinação desse valor total considera-se, como pior hipótese, em série no
circuito de seqüência zero, metade do menor valor individual de resistência de aterramento
(RN).
Assim sendo:

j _i _ kV 103
1 ~ 1 CC ~ I----------------------------------------------------- ------------------------------------------------------------
y Í3R s e + 3 R í + | rn ) + ( 2X 1t + X 0 t+ 3Xí)2

Onde:
kV = tensão nominal entre fases do sistema (kV).
R se = menor valor de aterramento das subestações do sistema (Q ).
RN = menor valor individual de resistência de aterramento determinada de acordo com
item (3.3).
Xj = menor valor de reatância de seqüência positiva de transformador da subestação
(£>).
X qT = menor valor de reatância de seqüência zero de transformador da subestação (Q).
R i , Xj = menor resistência ou reatância para limitação de Ic c , se for o caso (Q).

Por questões mecânicas, a bitola mínima do condutor de aterramento deverá ser igual a
4 AWG de cobre. Em conseqüência, considerada a elevação máxima de temperatura de
210°C compatível com a existência de conexões por compressão ( 9 máx = 250°C), fica a
corrente suportada limitada em 2070A, o que implica dizer que, para correntes máximas de
curto-circuito fase-terra de um sistema até esse valor, nenhum cálculo necessitará ser feito
para o seu dimensionamento.
Raciocínio semelhante poderá ser desenvolvido no caso de utilização de outros materiais,
desde que respeitada a condição de rigidez mecânica mínima compatível com a bitola 4
AWG de cobre.

14.3 Características dos Condutores


São a seguir apresentadas na tabela 14.1 as características técnicas dos condutores
normalmente utilizados nas descidas dos aterramentos, dados esses necessários ao seu
dimensionamento conforme rotina definida no item 14.1.
C y a P20
(cal/g°C) (g/cm) e c 1) (Qmm2/m)

Aço 0,114 7,80 0,00320 0,201000


Cobre (97%) 0,094 8,90 0,00381 0,017774
Copperweld/30%IACS 0,110 8,15 0,00378 0,057470
Copperweld/40%IACS 0,108 8,25 0,00378 0,043100

Com relação ao condutor de cobre, que é o mais comumente empregado, são as seguintes
as temperaturas máximas recomendáveis:

Tabela 14.2

Tipo de conexão 0máx admissível (°C)

Pressão 250*
Exotérmica 450

* Valor mínimo. Para cada tipo, consultar fabricante.


Aterramento de Consumidores

É de fundamental importância o aterramento de instalações consumidoras, principalmente


em face da segurança do pessoal, razão pela qual, na ocasião da ligação de consumidores em
alta ou baixa tensão, deve ser feita uma rigorosa inspeção desses aterramentos visando a
tomá-los confiáveis. Além disso, é necessário salientar que a metodologia de cálculo desen­
volvida no capítulo 12, Aterramento de Redes e Linhas de Distribuição, também leva em
consideração a contribuição do aterramento desses consumidores objetivando: a garantia da
efetividade do aterramento do sistema; a manutenção do neutro em condições normais de
operação, a um potencial inferior a 10V em relação à terra; e a manutenção dos potenciais
de passo dentro de limites toleráveis, em condições de falha no sistema.
Serão apresentadas, a seguir, as exigências mínimas a serem atendidas pelos consumi­
dores nos aterramentos de suas instalações.

15.1 Consumidores Atendidos em Baixa Tensão (até 600 Volts)


15.1.1 Entrada Individual
Em cada edificação, junto à medição e à proteção no ramal de entrada, deve ser executado
aterramento, com uma haste, independentemente do valor da resistência de aterramento
obtida. Esse aterramento deve ser confiável, além de estar de acordo com o padrão de cada
empresa, sendo exercida sobre ele uma efetiva fiscalização por parte da concessionária,
quando da ligação do consumidor ao sistema.

15.1.2 Entrada Coletiva


a) Até seis consumidores
Em cada edificação, junto ao centro de medição e da proteção, deve ser providenciado
aterramento único no ramal de entrada, com número de hastes de terra correspondente ao
número de consumidores ligados, independentemente do valor de resistência de aterramento
obtida. Esse aterramento deve ser confiável, e estar de acordo com o padrão de cada empresa,
além de sofrer uma efetiva fiscalização por parte da concessionária, quando da ligação dessa
entrada coletiva ao sistema.
b) Com mais de seis consumidores
Em cada edificação, junto ao centro de medição e de proteção, deve ser providenciado
aterramento único, no ramal de entrada, com valor de resistência de aterramento não superior
a 25 ohms, utilizando um mínimo de seis hastes.
Antes da ligação da entrada coletiva em questão, ao sistema, deve ser efetuada medição
de sua resistência de aterramento pela concessionária, para verificação do valor acima
definido. Além disso será feita a inspeção habitual com vistas ao atendimento dos padrões
da empresa.

15.2 Consumidores Atendidos em Alta Tensão


15.2.1 Subestação Simplificada (Transformadores em Postes ou Plataformas)
Devem ser atendidas as mesmas recomendações feitas no capítulo 13, Aterramento de
Equipamentos.

15.2.2 Subestação de Consumidor (Câmaras Transformadoras, Cabinas e


Conjuntos Blindados)
Na ocasião do pedido de ligação ou ampliação de uma subestação, o consumidor inte­
ressado deve apresentar à concessionária, para conhecimento e eventual análise, o projeto
do sistema de aterramento, inclusive memorial de cálculo, sendo o valor de resistência de
aterramento não superior a 10 ohms, em qualquer época do ano.
No ato da vistoria para liberação da ligação ou ampliação da subestação do consumidor,
a concessionária deve efetuar medição de resistência do sistema de aterramento para verificar
se o mesmo atende o valor mencionado no parágrafo anterior.
Manutenção de Aterramentos
As recomendações feitas neste capítulo podem não ser viáveis para todas as regiões da
área de concessão da empresa, em face da existência de altas densidades de carga e/ou zonas
densamente povoadas. Entretanto, estas recomendações devem ser escrupulosamente obede­
cidas nas regiões onde se possam efetuar as medições necessárias ao acompanhamento, com
vistas ao levantamento de dados que possibilitem:
• determinação da vida útil dos materiais empregados;
• avaliação dos critérios de projeto;
• avaliação do desempenho dos projetos.
A análise destes dados permitirá a alocação de políticas relativas aos materiais utilizados
e à manutenção e renovação de aterramentos em toda a área de concessão.
É conveniente ressaltar que os critérios de manutenção aqui indicados devem ser apli­
cados aos novos aterramentos, implantados no sistema, de acordo com as diretrizes já defi­
nidas.
Por outro lado, os sistemas de aterramento devem ser projetados considerando todos os
parâmetros que de alguma maneira possam influir na sua melhoria, com o objetivo de ga­
rantir a segurança de pessoas e animais eventualmente próximos ou em contato com a rede,
em condições normais ou de falha.
Como o sistema de aterramento vai-se degradando com o tempo (corrosão), toma-se
importante o acompanhamento do mesmo através dos anos, para que não se percam as
condições definidas em projeto, bem como para evitar a perda dos materiais que o compõem,
necessárias à dissipação de correntes para as quais ele foi projetado.
Portanto, é necessário que a empresa faça um controle e acompanhamento de todo novo
sistema de aterramento que venha a ser feito, incluindo sempre que possível os aterramentos
dos consumidores. A manutenção deverá ser preventiva para que os aterramentos possam
ser criteriosamente renovados.

16.1 Critérios para Medições


Periodicidade
A periodicidade das verificações deve ser tal que nunca ultrapasse o período de vida útil
dos elementos que compõem o sistema de aterramento. Recomenda-se, no início, fazer
verificações a cada cinco anos até se ter uma coleção de dados que permita estimar a vida
útil dos diversos elementos que compõem o aterramento, e a partir daí estabelecer com
precisão uma periodicidade mais conveniente para a empresa.

Definição das amostras


O número de pontos de aterramento inspecionados deve ser dimensionado de acordo com
métodos estatísticos devidamente adaptados às condições da região que se quer manter.
Na ausência de qualquer processo matemático mais preciso, uma boa medida é tomar uma
amostra de 5% em relação ao universo de estudo. A amostra, inicialmente escolhida
aleatoriamente, deverá ser mantida nas verificações subseqüentes.

Época de execução
Como a resistividade do solo varia diretamente com a quantidade de água dissolvida no
mesmo, as medições devem ser executadas em período não chuvoso, de modo que seus
resultados não sejam distorcidos. Além disso, as condições em que essas medições de acom­
panhamento forem executadas devem ser aproximadamente as mesmas.
O primeiro valor medido para acompanhamento será chamado “valor de referência”.

16.2 Critérios para Manutenção do Aterramento


É necessário salientar previamente que os percentuais apresentados neste subitem são de
caráter apenas orientativo, devendo cada usuário realizar sua adequação, ao longo do tempo,
em função de suas necessidades e disponibilidade.

16.2.1 Redes e Linhas


Para um universo de até 100 aterramentos, efetuar sempre medições, e para universos de
mais de 100 aterramentos, tomar 5% do total. Destas medições, verificar o seguinte:
a) caso 60% ou mais das medidas apresentem valores superiores a 150% dos valores de
referência, proceder a medições em cada aterramento do universo considerado e renovar
os que se apresentarem com valores acima do limite fixado;
b) caso 2 1 a 59% das medidas apresentem valores superiores a 150% dos valores de
referência, fazer nova amostragem aleatória. Se persistir em mais de 30% das novas
medições um valor superior ao exigido, fazer medições em todos os outros aterramentos,
procedendo à respectiva renovação onde se fizer necessário;
c) caso 2 0 % ou menos das medidas apresentem valores superiores a 150% do exigido, não
tomar nenhuma providência.

16.2.2 Equipamento
Para equipamentos especiais, tais como religadores, seccionalizadores, reguladores,
chaves a óleo e outros, deve ser efetuada uma medição de seu sistema de aterramento toda
vez que o equipamento passar pela oficina para manutenção, desde que esse intervalo não
seja menor do que seis meses nem maior do que três anos.

16.2.3 Aterramento de Consumidores


O consumidor de BT deve, por conta própria, refazer o seu sistema de aterramento a cada
vinte anos ou a critério da concessionária, quando esta assim o exigir.
O acompanhamento dos aterramentos de consumidores de AT será feito de forma idêntica
ao estabelecido no subitem 16.2.1. Em caso de necessidade deve-se renovar o aterramento.
Determinação da
Resistividade do Solo
A determinação dos valores da resistividade do solo é de importância fundamental na
elaboração de um projeto de aterramento. Esses valores são determinados através de medi­
ções e são posteriormente utilizados para se efetuar a estratificação do solo.
O método de medição aqui apresentado é o de Wenner ou Método dos Quatro Pontos, por
ser considerado o mais simples e preciso dentre os métodos existentes.
Este item apresenta, em detalhes, os métodos de Pirson, Yokogawa e Tagg para cálculo
da estratificação do solo, e também um método simplificado. Esses métodos têm a mesma
fundamentação teórica. O método Yokogawa utiliza procedimentos gráficos e seu grau de
precisão pode ser considerado satisfatório. Os métodos de Pirson e de Tagg são basicamente
analíticos e, embora menos rápidos, por sua natureza apresentam maior grau de precisão. A
partir deste ponto de vista e dentro das limitações desses dois métodos, é aconselhável ainda
que, quando da sua utilização, seja empregado o método de Tagg na determinação da
resistividade da primeira camada e o método de Pirson nas camadas subseqüentes.
Cabe ressaltar que, a menos que se obtenham medições de resistividade com espaçamento
entre hastes superior a 32m, os três primeiros métodos aqui apresentados são imprecisos na
determ inação da estratificação do solo em profundidades superiores a 15m,
aproximadamente.
O método simplificado permite a estratificação do solo em apenas duas camadas e só
oferece resultados precisos para determinados tipos de solo.

17.1 Método de Wenner


O método consiste na utilização do aparelho MEGGER de quatro terminais, sendo dois de
corrente e dois de potencial. São utilizados quatro eletrodos de, aproximadamente, 50cm de
comprimento e diâmetro entre 10 e 15 mm. Esses eletrodos devem ser de material não sujeito
a corrosão e ter resistência mecânica suficiente para resistir aos impactos de cravação.
Os eletrodos são dispostos conforme figura 17.1 (na página seguinte).
MEGGER
C| P| Pt ct

M m iF

°A

Fig. 17.1
Os eletrodos são cravados firmemente no solo, a uma mesma profundidade p (de 10 a 20
cm), espaçados igualmente entre si, e posicionados simetricamente em relação ao aparelho.
Desse modo, o aparelho indicará um valor de R (em Q) que, aplicado nas equações 17.1
ou 17.2, resulta em um valor de resistividade do solo no ponto A situado a uma profundidade
igual ao espaçamento a entre os eletrodos.

P = ----------- - ” -a-~-------------- (G m ) (Eq. 17.1)


j 2 ã. _ 3.
J 2 2 ,/ 2 2
va +4p va + p

Para a > 20, a fórmula 17.1 se reduz a:

p = 2 7iaR (ílm ) (Eq. 17.2)

A medida pode ser efetuada também com um voltímetro e um amperímetro ligados


conforme figura 17.2 (página seguinte). Através dos dois eletrodos externos (Ct e C2) faz-
se circular uma corrente I e, entre os dois eletrodos internos (Pj e P2), é medida a tensão V.
A razão V fl resulta na resistência R que, aplicada na equação 17.1 ou 17.2, nos dá o valor
de p no ponto A.

r ^ h

O
A

Os cabos de interligação devem ter isolação de acordo com o nível de tensão do megger,
flexibilidade e resistência mecânica adequadas, e devem ser munidos de garra para facilitar
a conexão ao eletrodo.
17.1.1 Critérios para Medição
Quando se elabora um projeto de aterramento, há necessidade de se conhecer o valor de
resistividade do solo em diversas profundidades. Isto é conseguido variando-se o valor de
a.
Os valores comumente usados para espaçamentos entre os eletrodos são: 2, 4, 8 , 16 e
32 m. Dependendo da natureza do projeto estas distâncias poderão ser maiores ou menores.
Desta maneira, monta-se a tabela 17.1.

Tabela 17.1

a (m ) 271 a R (Q ) p = 27r a R (Q.m)


2 12,56
4 25,12 Valores Valores
8 50,25
16 100,50 Medidos Calculados
32 20 1,0 0

Durante as medições de resistividade alguns cuidados devem ser tomados:


• os eletrodos devem estar sempre alinhados;
• os eletrodos devem estar isentos de óxidos e gorduras, para possibilitar bom contato com
o solo;
• a condição do solo (seco, úmido, etc...) durante a medição deve ser anotada;
• deve-se utilizar calçados e luvas de isolação para efetuar as medições;
• deve-se evitar a realização de medidas sob condições atmosféricas adversas, tendo-se em
vista a possibilidade de ocorrência de descargas atmosféricas;
• não se deve tocar os eletrodos durante as medições e evitar que pessoas estranhas e
animais se aproximem dos mesmos.
O local escolhido para as medições deve ser sempre longe (cerca de 1 2 m) de áreas sujeitas
a interferências, tais como: torres metálicas de transmissão e respectivos contra-pesos, pontos
de aterramento do sistema com neutro aterrado, torres de telecomunicação, solos com
condutores ou canalizações metálicas, cercas aterradas, e tc ...

17.1.2 Número de Pontos a Serem Medidos


O número de pontos a serem medidos é determinado por dois fatores:
• dimensão e importância do local.
• variação dos valores encontrados nas várias medições.

Para equipamentos tais como reguladores de tensão, religadores, seccionalizadores,


chaves a óleo, etc., é necessária apenas uma medida de resistividade no ponto de instalação
do equipamento. Esta medida será feita variando-se o espaçamento a entre os eletrodos,
conforme dito anteriormente.
No caso de projeto de aterramento para linhas de distribuição, é necessário que se faça
uma medição a cada 500m ao longo do traçado da mesma.
Em caso de localidades, indica-se pelo menos cinco pontos de medição para cada 4 Km2.
Os pontos devem ser escolhidos de modo a abranger toda a área.
As medições devem ser efetuadas, de preferência, na periferia da área em questão a fim
de se evitar possíveis interferências.
Admite-se um desvio de 50% em relação à média aritmética dos valores medidos para
cada afastamento entre eletrodos nos diversos pontos^ Os valores abaixo ou acima desta mé­
dia deverão ser excluídos e encarados como uma área que necessita de um projeto diferente.
Cabe ao projetista a análise dos valores encontrados e a definição de projetos-padrão para
as áreas delineadas pelos valores de resistividade próximos.

17.2 Estratificação do Solo


Quando se projeta um aterramento há necessidade de se empregar um valor de resistivi­
dade que represente a situação do solo que o eletrodo abrangerá, ou seja, por onde o eletrodo
fará escoar correntes de defeito, de desequilíbrio ou provenientes de surtos.
Os solos, na sua maioria, não são homogêneos; ao contrário, são formados de diversas
camadas de resistividades diferentes.
Essas camadas são normalmente horizontais e paralelas à superfície do solo. Existem
casos em que elas se apresentam inclinadas e até verticais, devido a alguma falha geológica.
Porém os estudos apresentados para pesquisa do perfil do solò consideram as camadas apro­
ximadamente horizontais, uma vez que os outros casos são mais raros.
A estratificação do solo é exatamente a divisão do solo em camadas, determinando-se
suas resistividades e respectivas profundidades.
A pesquisa do solo é feita baseando-se nas medições prévias de resistividade, através do
método de Wenner. Com os valores obtidos traça-se a curva de resistividade em função das
distâncias utilizadas entre os eletrodos durante a medição (figura 17.3).

a (m)
Existem diversos métodos para se efetuar uma estratificação do solo, porém neste trabalho
serão apresentados apenas quatro, que são:
• método do catálogo do aparelho Yokogawa;
• método de Pirson;
• 2Qmétodo de Tagg, para determinação da resistividade da primeira camada;
• método simplificado para estratificação do solo em duas camadas.

17.2.1 Método Apresentado no Catálogo do Aparelho Yokogawa


Esse processo, para a determinação das camadas do solo, parte de equações matemáticas,
desenvolvidas através de transformadas de Laplace e aplicação da equação de Bessel. A
referência 83 (Tagg) mostra detalhadamente este processo. O catálogo do aparelho Yoko­
gawa parte deste tratamento matemático e desenvolve um processo analítico que nada mais
é do que a transformação de valores tabelados em curvas características (curvas de Hummel),
partindo-se das equações acima citadas.
Na prática, é necessário o conhecimento das “Curvas-Padrão” e “Curvas Auxiliares” e
o modo de utilizá-las, conforme mostrado na referência 99 (catálogo Yokogawa).
O procedimento para a determinação das camadas do solo e respectivas profundidades
é o seguinte:
a) Traça-se a curva (pxa) em papel transparente, com escala logarítmica de módulo
idêntico ao das curvas-padrão e auxiliar (figuras 17.9 e 17.10).
b) Divide-se a curva (pxa) em trechos ascendentes e descendentes.
c) Coloca-se a curva (pxa) sobre as curvas-padrão e pesquisa-se com qual das curvas-
padrão o primeiro trecho da curva (pxa) mais se identifica, deslocando-se para tal a
curva (pxa) sobre as curvas padrão, mantendo-se os eixos paralelos.
d) Escolhida a curva com uma determinada relação p^Pj» transcreve-se a origem das
curvas- padrão no gráfico (pxa). Esse ponto fornece o primeiro pólo 01 (primeiro pólo),
pois refere-se ao trecho inicial de curva (pxa).
e) Na curva (pxa) são lidas as coordenadas do pólo 01, ou seja, a: e p 1? que representam
a profundidade e a resistividade da primeira camada do solo, respectivamente.
f) A resistividade da segunda camada (p2) será calculada através do valor ç>7fp l da curva-
padrão que mais se identificou com o trecho inicial da curva (pxa), e de P i obtido
através de 0 1 .
g) A seguir coloca-se o gráfico (pxa) sobre as curvas auxiliares, de modo que o pólo 01
coincida com a origem das curvas auxiliares.
Com linha tracejada marca-se no gráfico (pxa), em análise, a curva auxiliar de relação
p 2/p 1 igual à da curva escolhida na alínea d.
h) Voltando-se às curvas-padrão, faz-se coincidir o pólo 01 com a origem das mesmas.
Desliza-se a curva tracejada, obtida no item g, sobre a origem das curvas-padrão até que
se consiga uma outra curva-padrão que mais se assemelhe ao segundo trecho da curva
(pxa) em análise. Ao “deslizar” a curva tracejada sobre a origem, deverá ser mantido
o paralelismo entre as linhas verticais e horizontais do gráfico (pxa) respectivamente
com as linhas verticais e horizontais das curvas-padrão.
i) Escolhida a nova curva-padrão, marca-se a origem das curvas-padrão sobre o gráfico
(pxa). Esse ponto nos fornece o pólo 02. Obtém-se assim os valores de resistividade
equivalente das primeira e segunda camadas em relação a a e p. Desde que p3/p2, nesse
caso, corresponda ao valor p^pj das curvas padrão, p3pode ser calculada a partir de p 3 /
p2 e de p2, obtido a partir de 0 2 . O valor de a 2 será obtido diretamente da leitura da
abcissa de 0 2 .
j) Havendo mais partes ascendentes e/ou descendentes, prossegue-se analogamente obten­
do-se outros pólos 03,04, etc.
De posse dos valores das resistividades das camadas do solo e as respectivas profun­
didades, constrói-se o perfil de resistividade da figura 17.4.

Fig. 17.4

17.2.2 Método de Pirson


A partir da curva de resistividade (pxa), construída conforme mostrado na figura 17.3:
1) A resistividade da primeira camada, p 1? é determinada através de uma série de medições
com pequenos espaçamentos de eletrodos (entre 1,5 a 6 ,0 m), prolongando a curva média
dos resultados obtidos até encontrar o eixo das resistividades. A interseção da curva com
0 eixo determina 0 valor de p r
2) Supor um valor de av contido na primeira parte da curva (pxa), determinando sua
respectiva resistividade P(a]}. “As partes das curvas são definidas como trechos

entre dois pontos de inflexão = 0 da curva (pxa) dada”.


da2
3) Uma vez escolhido a1 e, conseqüentemente, determinado o valor de P(a ^ , estabelece-
se a seguinte relação:
1
P l / P(ajj = P i / P(ajJ >se a curva f° r ascendente (K > 0)
1
P ( a ,) /P l= P (a 1|/ P l , se a curva for descendente (K < 0)

A partir da relação definida anteriormente, extrair das tabelas 17.2 ou 17.3 a série de
valores de a/a1} dada em função da série de valores de K.
Tabela 17.2
Valores de p(an) p 1/M para K negativo
K
a/ an ^ \ - 0,1 0 - 0 ,2 0 - 0,3 0 - 0 ,4 0 - 0 ,5 0 - 0 ,6 0 - 0 ,7 0 - 0,80 - 0 ,9 0 - 1,00
0.0 0 .8 1 8 2 0.6667 0.5385 0.4 2 8 6 0.3333 0.2500 0.1765 0.1111 0.0525 0.0
0.025 0.8185 0.6671 0.5389 0 .4 2 90 0.3337 0.2508 0.1767 0 .1 1 1 2 0.0527 0.0
0.050 0.8 1 9 4 0.6683 0.5401 0.4301 0.3366 0.2510 0.1 7 7 2 0.1116 0.0528 0.0
0.075 0.8208 0.6 7 0 4 0.5423 0.4321 0.3364 0.2524 0.1 7 8 2 0.1123 0.0537 0.0
0.100 0.8229 0.6733 0.5 4 5 4 0.4 3 5 0 0.3388 0 .2544 0.1797 0 .1 1 3 2 0.0536 0.0
0.125 0.8255 0.6771 0 .5 4 9 6 0.4390 0.3423 0.2 5 7 2 0.1818 0 .1146 0.0543 0.0000
0.150 0.8287 0.6819 0.5548 0.4441 0.3469 0.2610 0.1847 0 .1166 0.0555 0.0003
0.175 0.8 3 2 4 0.6 8 7 6 0 .5618 0.4 5 0 6 0.3530 0.2668 0.1890 0.1198 0.0575 0 .0 0 1 2
0.200 0.8 3 6 6 0.6941 0.5691 0.4537 0.3607 0.2733 0.1950 0.1246 0.0610 0.0034
0.225 0 .8 4 1 2 0.7015 0.5781 0.4633 0.3703 0.2823 0.2031 0 .1316 0.0667 0.0077
0.250 0.8461 0.7097 0 .5 8 8 2 0 .4794 0.3817 0.2935 0.2136 0.1411 0.0750 0.0146
0.275 0 .8 5 1 2 0 .7184 0.5993 0.4 9 2 0 0.3949 0.3068 0.2265 0.1533 0 .0 8 6 2 0.0246
0.300 0.8 5 6 6 0.7277 0.6113 0.5058 0.4097 0.3221 0.2418 0 .1 6 8 2 0.1004 0.0379
0.325 0.8621 0.7373 0.6239 0 .5206 0.4260 0.3391 0 .2592 0.1855 0 .1174 0.0543
0.350 0.8 6 7 6 0 .7 4 7 2 0.6371 0 .5 3 6 2 0.4434 0.3577 0.2785 0.2051 0.1370 0.0736
0.375 0 .8 7 3 2 0.7571 0.6 5 0 6 0.5524 0.4616 0.3775 0.2994 0.2266 0.1588 0.0954
0.400 0.8787 0.7671 0 .6 6 4 2 0.5 6 9 0 0.4805 0.3 9 8 2 0.3215 0.2497 0.1825 0.1194
0.425 0.8841 0.7771 0.6779 0.5858 0.4999 0.4196 0.3444 0.2739 0.2076 0.1 4 5 2
0.450 0.8 8 9 4 0.7869 0.6915 0.6 0 2 6 0.5193 0.4413 0.3680 0.2989 0.2338 0.1723
0.475 0.8 9 4 6 0.7965 0.7 0 5 0 0.6193 0.5388 0 .4 6 3 2 0.3918 0.3245 0.2607 0.2004
0.500 0 .8996 0.8059 0 .7 1 8 2 0.6357 0.5 5 8 2 0.4850 0.4157 0 .3 5 0 2 0.2881 0.2290
0.525 0.9045 0.8 1 5 0 0.7 3 1 0 0.6519 0.5 7 7 2 0.5065 0.4395 0 .3760 0.3155 0.2579
0.550 0 .9 0 9 2 0.8238 0.7435 0.6 6 7 6 0.5958 0.5277 0.4630 0.4215 0.3428 0.2665
0.575 0.9 1 3 6 0.8323 0.7555 0.6829 0.6140 0.5485 0.4861 0.4266 0.3698 0.3154
0.600 0.9179 0.8 4 0 4 0.7671 0.6975 0.6315 0.5686 0.5086 0 .4 5 1 2 0.3963 0.3437
0.625 0 .9220 0 .8 4 8 2 0.7783 0.7118 0.6485 0.5831 0.5304 0 .4 7 5 2 0 .4 2 2 2 0.3714
0.650 0.9259 0.8557 0.7 8 9 0 0.7255 0.6649 0.6070 0.5516 0.4984 0.4474 0.3984
0.675 0 .9296 0.8628 0 .7 9 9 2 0.7385 0.6806 0.6251 0.5720 0.5209 0.4718 0.4245
0.700 0.9331 0 .8695 0 .8089 0.7511 0.6957 0.6426 0.5916 0.5420 0.4954 0.4500
0.725 0.9365 0 .8 7 6 0 0 .8 1 8 2 0 .7610 0.7101 0.6 5 9 2 0.6104 0.5634 0.5181 0 .4744
0.750 0 .9396 0.8821 0 .8270 0 .7744 0.7238 0.6 7 5 2 0.6285 0.5834 0.5399 0.4979
0.775 0.9426 0.8878 0.8 3 5 4 0 .7 8 5 2 0.7309 0.6904 0.6457 0.6025 0.5603 0.5205
0.800 0.9455 0.8933 0.8 4 3 4 0.7955 0.7494 0 .7050 0.6622 0.6208 0.5809 0.5 4 2 2
0.825 0.9481 0.8985 0.8509 0 .8 0 5 2 0.7 6 1 2 0.7188 0.6779 0.6383 0.6000 0.5629
0.850 0.9507 0.9035 0.8561 0.8195 0.7725 0.7320 0.6928 0.6549 0 .6 1 8 2 0.5827
0.875 0.9531 0.9081 0.8649 0.8233 0 .7832 0.7445 0.7070 0.6708 0.6356 0.6015
0.900 0.9554 0.9125 0.8713 0.8317 0.7934 0.7564 0.7206 0.6858 0.6 5 2 2 0.6196
0.925 0.9575 0.9167 0 .8774 0.8396 0.8030 0.7675 0.7334 0 .7 0 0 2 0.6680 0.6367
0.950 0.9595 0.9207 0 .8 8 3 2 0.8471 0.8121 0.7784 0.7456 0.7139 0.6830 0.6530
0.975 0.9615 0 .9244 0.8887 0 .8 5 4 2 0.8208 0.7885 0.7 5 7 2 0.7268 0.6973 0.6686
1.000 0.9633 0.9279 0.8933 0.8609 0.8290 0.7981 0 .7682 0.7391 0.7103 0.6833
1.025 0 .9650 0.9313 0.8987 0.8673 0.8368 0.8073 0.7786 0.7508 0.7237 0.6974
1.050 0.9666 0.9 3 4 4 0.9033 0.8733 0.8 4 4 2 0.8160 0.7885 0.7619 0.7359 0.7107
1.075 0.9681 0 .9 3 7 4 0.9077 0 .8790 0.8 5 1 2 0.8 2 4 2 0.7979 0.7724 0.7476 0.7233
1.100 0 .9696 0 .9 4 0 2 0.9119 0 .8844 0.8578 0.8320 0.8068 0.7824 0.7586 0.7354
1.125 0 .9710 0.9429 0.9158 0.8 8 9 6 0.8641 0.8394 0.8153 0.7919 0.7691 0.7469
1.150 0.9723 0.9455 0.9195 0 .8944 0.8701 0.8464 0.8233 0.8009 0 .7790 0.7577
1.175 0.9735 0.9479 0.9231 0.8 9 9 0 0.8757 0.8580 0.8309 0.8094 0.7885 0.7680
1.200 0 .9 7 4 6 0.9501 0.9 2 6 4 0 .9034 0.8811 0.8593 0.8 3 8 2 0.8 1 7 6 0.7975 0.7778
1.225 0.9757 0.9523 0.9295 0.9075 0.8861 0.8653 0.8450 0.8253 0.8 0 6 0 0 .7 8 7 2
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\ K
a/an 0 ,1 0 0 ,20 0 ,30 0 ,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00

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1.550 0.9 8 5 6 0.9711 0.9 5 6 6 0.9419 0.9270 0.9119 0.8965 0.8806 0.8641 0 .8464
1.575 0.9861 0 .9 7 2 2 0 .9 5 8 2 0 .9 440 0.9296 0.9150 0.9001 0.8847 0.8687 0 .8516
1.600 0.9867 0 .9 7 3 2 0.9597 0.9 460 0.9321 0.9180 0.9035 0.8887 0.8731 0.8565
1.625 0.9871 0 .9 7 4 2 0.9611 0.9479 0.9345 0.9209 0.9069 0.8925 0.8774 0.8613
1.650 0 .9 8 7 6 0.9751 0.9625 0 .9498 0.9368 0.9236 0.9101 0.8961 0.8815 0.8659
1.675 0.9881 0.9 7 6 0 0.9638 0.9 515 0.9390 0 .9262 0.9131 0.8996 0.8855 0.8703
1.700 0.9885 0.9769 0.9651 0 .9 5 3 2 0.9411 0.9287 0.9161 0.9029 0 .8 8 9 2 0.8745
1.725 0.9889 0.9777 0.9663 0 .9 546 0.9431 0.9311 0.9189 0.9 0 6 2 0.8929 0.8736
1.750 0.9893 0.9785 0.9675 0.9 554 0.9450 0.9336 0.9216 0 .9 0 9 2 0.8964 0.8825
1.775 0.9897 0 .9 7 9 2 0 .9686 0 .9578 0.9469 0.9357 0 .9 2 4 2 0 .9 1 2 2 0.8997 0.8863
1.800 0.9 9 0 0 0.9799 0.9697 0.9593 0.9487 0.9378 0.9266 0.9151 0.9029 0.8899
1.825 0 .9904 0.9 8 0 6 0.9707 0 .9605 0.9504 0.9398 0 .9290 0.9178 0.9 0 6 0 0.8934
1.850 0.9907 0 .9 8 1 2 0.9717 0 .9619 0.9520 0.9413 0.9313 0.9204 0 .9090 0.8967
1.875 0.9 9 1 0 0.9819 0.9726 0 .9 6 3 2 0.9535 0.9437 0.9335 0.9230 0.9119 0.9000
1.900 0.9913 0.9825 0.9735 0 .9 644 0.9550 0.9455 0.9356 0.9254 0.9146 0.9031
1.925 0.9 9 1 6 0 .9 8 3 0 0 .9744 0.9655 0.9565 0.9472 0.9377 0.9277 0.9173 0.9061
1.950 0.9919 0.9 8 3 6 0 .9 7 5 2 0 .9 666 0.9579 0.9439 0 .9396 0 .9300 0.9198 0.9089
1.975 0.9921 0.9841 0 .9760 0 .9677 0 .9592 0.9505 0 . 9(416 0.9331 0.9223 0.9117

2 .0 0 0 0 .9 9 2 4 0.9 8 4 6 0.9767 0 .9687 0.9605 0.9520 0.9433 0 .9 3 4 2 0.9247 0.9144


(Eq. 17.3)

1
pn+1 - p n
Onde: K = coeficiente de reflexão =
1
pn+1 + p n

5) Multiplicar a série de valores de a/a1 pelo valor de aj escolhido no item 2, obtendo-se


uma série de valores de a.
6) Esta série de valores de a, com os respectivos valores de K, deverá ser lançada num
gráfico (kxa), obtendo-se uma curva.
7) Repetir o procedimento desde o Passo 2 até o 6, escolhendo um novo valor de a1 dentro
da primeira parte da curva.
8) As curvas obtidas em 6 e 7 deverão se cruzar em dado ponto, que será o valor real da
ai e k r
Para assegurar a precisão dos valores de ^ e k r o procedimento poderá ser repetido
mais uma vez.
9) O valor de a }, obtido em (8), será a profundidade da primeira camada, e a resistividade
da segunda camada será:
1+ kx
P2 = Pl 1 T k 7

10) Estimar a profundidade da segunda camada pelo método de Lancaster-Jones. Assim,


a2 = d i + d 2 = (2/3) x, onde x é a distância até o ponto de inflexão do segundo trecho
da curva (p x a). j
11) Calcular a resistividade média p 2 das duas camadas de resistividades p t e p2, paralelas,
pela fórmula de Hummel:

dl + d2 _ di d2

- 1 pl p2
P2
12) Repetir o procedimento de 2 a 8. Isto dará uma série de curvas de (k x a). Elas irão
convergir num ponto que dará um valor de a, e o coeficiente de reflexão (k A
1 1 11 + k 2
k 2 = p 3 - p 2 / P3 + P2 P3 = P 2 i — 7—
1 -k 2
13) Se a convergência não ficar bem definida, repetir o procedimento desde 11, usando o
valor de obtido em 12. Isto permitirá a obtenção de um resultado mais exato.
14) Para estimar a profundidade da terceira camada, repetir o procedimento 10. Assim,
di + d 2 + d 3 = (2/3)x, sendo x a distância até o ponto de inflexão do terceiro trecho da
curva.
15) Calcular a resistividade média P3 das três camadas em paralelo P 1 , P2 e P3
d i + d 2 + d 3 _ d i + d2 + d3
rtl Pi P2 P3
16) Repetir o procedimento de 2 a 9 . 0 resultado será um valor de a3 = di + d 2 + d 3 e um
valor de k 3 = p4 - p 3 / p4 + p 3
1 1 + k3
P4 = P3 —7 -

j l ~ k3
17) O processo poderá ser repetido para tantos pontos de inflexão quantos puderem ser
definidos na curva (pxa).

17.2.3 Segundo Método de Tagg para Determinação da


Resistividade da Primeira Camada
Definida a curva de resistividade (pxa) (vide figura 17.3), deve ser obedecida a seguinte
metodologia de cálculo:
1) Escolher um valor de a j e respectivo p a r
2) Escolher um valor de naj e respectivo Pnaj no primeiro trecho da curva (pxa) (n>l).
3) Calcular a seguinte relação:
p a,
___L , se a curva neste trecho for ascendente, ou
Pnai
, se a curva neste trecho for descendente.
Pal
4) Para a relação calculada no subitem 3, calcular os valores de a/a 1 , a partir da equação
(17.3), para:
K = 0,1; 0,2; 0,3; 0,4; 0,5; 0,6; 0,7; 0,8; 0,9; (curva ascendente)
K = -0,1; -0,2; -0,3; -0,4; -0,5; -0,6; -0,7; -0,8; -0,9; (curva descendente)
N ota: para facilitar os cálculos, as tabelas 17.4 a 17.9 dão valores Pa/Pnaj e
Pna/Paj para n = 1,5; 2,0 e 3,0.
5) Multiplicar os valores (a/a 1 ) por a \ .
6) Plotar os valores de a, e respectivos K, num gráfico.
7) Repetir o subitem 1, escolhendo um novo a j e respectivo p a p dentro do primeiro trecho
da curva (pxa).
8) Repetir os subitens 2 a 6.
9) Determinar a interseção das duas curvas, obtendo o valor d e a j , e k.
10) Substituiros v a lo re sd e d = a i , k e P a ! na equação (17.3) e calcular p r
11) A partir do valor de p r determinado para esta camada, procede-se de acordo com o
método de Pirson na determinação das resistividades das demais camadas, iniciando os
cálculos subseqüentes na alínea 2 do item 17.2.2 do referido método.
k=
a/aj
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
' 0 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000
0.1 0.9973 0.9936 0.9882 0.9807 0.9697 0.9633 0.9279 0.8869 0.8149 0.6667
0.2 9861 9700 9513 9295 9039 8740 8386 7962 7434 6667
0.3 9761 9516 9263 8996 8713 8407 8072 7696 7255 6667
0.4 9678 9373 9075 8780 8484 8180 7863 7524 7144 6670
0.5 9626 9282 8958 8647 8345 8045 7742 7428 7089 6683
0.6 9600 9236 8899 8581 8277 7981 7689 7391 7078 6718
0.7 9596 9227 8887 8569 8267 7976 7591 7406 7111 6781
0.8 9606 9245 8911 8598 8313 8016 7739 7468 7181 6872
0.9 9626 9277 8958 8655 8367 8090 7821 7653 7284 6990
1.0 9652 9326 9021 8731 8455 8188 7928 7671 7410 7131
1.1 9674 9377 9090 8817 8549 8299 8051 7804 7554 7287
1.2 9707 9430 9163 8907 8647 8419 8182 7946 7708 7453
1.3 9735 9483 9235 8997 8760 8539 8315 8090 7865 7623
1.4 9760 9531 9304 9084 8870 8657 8447 8236 8021 7792
1.5 9784 9573 9368 9166 8967 8770 8574 8376 8174 7958

Tabela 17.5

Valores de p a i/p nai para Valores Positivos de K, quando n = 2,0

k=
a/ax 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
0 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000
0.1 0.9960 0.9901 0.9826 0.9711 0.9546 0.9299 0.8919 0.8303 0.7224 0.5000
0.2 9806 9578 9310 8995 8622 8178 7647 7000 6484 5000
0.3 9657 9296 8916 8511 8076 7602 7085 6511 5854 5000
0.4 9526 9070 8622 8176 7726 7264 6783 6270 5703 5002
0.5 9429 8905 8412 7941 7483 7031 6576 6108 5607 5013
0.6 9369 8803 8284 7799 7340 6896 6460 6022 5565 5041
0.7 9340 8752 8220 7730 7259 6836 6414 5997 5570 5092
0.8 9335 8743 8210 7720 7277 6837 6426 6023 5616 5172
0.9 9347 8761 8237 7754 7306 6885 6483 6092 5701 5280
1.0 9372 8807 8293 7821 7302 6970 6577 6196 5816 5412
1.1 9398 8862 8367 7909 7483 7081 6698 6326 5956 5566
1.2 9439 8926 8453 8014 7601 7211 6838 6476 6146 5708
1.3 9467 8994 8545 8125 7729 7353 6991 6637 6286 3922
1.4 9515 9063 8639 8240 7862 7500 7151 6810 6474 6115
1.5 9552 9131 8704 8356 7989 7759 7314 6985 6656 6313
a/a2 k=
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
0 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000
0.1 0.9946 0.9871 0.9766 0.9615 0.9395 0.9066 0.8559 0.7737 0.6298 0.3330
0.2 9779 9516 9201 8822 8361 7796 7096 6208 5039 3334
0.3 9572 9114 8624 8092 7512 6876 6173 5287 4436 3334
0.4 9394 8797 8202 7600 6983 6349 5688 4992 4240 3335
0.5 9250 8552 7889 7251 6627 6010 5392 4764 4106 3342
0.6 9146 8377 7673 7016 6395 5798 5215 4634 4037 3361
0.7 9075 8261 7530 6862 6243 5650 5102 4656 4005 3396
0.8 9035 8195 7450 6779 6173 5592 5052 4532 4012 3450
0.9 9018 8167 7421 6751 6141 5579 5053 4550 4053 3524
1.0 9021 8174 7429 6763 6161 5608 5092 4602 4123 3617
1.1 9032 8201 7465 6807 6213 5669 5163 4683 4216 3728
1.2 9062 8245 7522 6877 6292 5756 5257 4786 4329 3855
1.3 9094 8299 7595 6962 6388 5862 5371 4906 4458 3995
1.4 9130 8363 7678 7061 6499 5982 5500 5043 4601 4146
1.5 9169 8431 7769 7168 6620 6113 5639 5190 4754 4307

Tabela 17.7

Valores de p na / Paj para Valores Negativos de K, quando n = 1,5


a /a j k=
©

-0,1 -0,2 -0,4 -0,5 -0,6 -0,7 -0,8 -0,9


i

-1,0
0 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000
0.1 0.9981 0.9967 0.9958 0.9951 0.9945 0.9942 0.9941 0.9941 0 .9 9 4 2 1.0000
0.2 9881 9778 9688 9608 9532 9452 9356 9210 8870 0.3333
0.3 9683 9374 9059 8726 8357 8486 8065 7406 6072 0.0335
0.4 9669 9327 8967 8575 8130 7599 6925 5998 4547 1834
0.5 9603 9188 8748 8208 7733 7119 6389 5486 4302 2661
0.6 9573 9123 8659 8156 7600 7001 6321 5534 4605 3473
0.7 9569 9123 8597 8170 7660 7091 6486 5934 5078 4240
0.8 9583 9156 8717 8240 7764 7285 6755 6191 5585 4932
0.9 9608 9214 8804 8388 7960 7518 7051 6679 6076 5548
1.0 9638 9273 8903 8529 8145 7757 7357 6946 6532 6085
1.1 9675 9338 9005 8670 8340 7988 7640 7287 6926 6433
1.2 9701 9402 9104 8805 8528 8203 7900 7504 7284 6970
1.3 9730 9459 9196 8930 8672 8399 8139 7862 7597 7328
1.4 9758 9514 9280 9043 8807 8574 8346 8106 7872 7639
1.5 9782 9568 9355 9145 8936 8729 8522 8317 8113 7908
a/a! k=
-0,1 -0 ,2 -0 ,3 -0 ,4 -0 ,5 -0 ,6 -0 ,7 -0 ,8 -0 ,9 -1 ,0
0 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000
0.1 0.9971 0.9951 0.9936 0.9926 0.9918 0.9914 0.9912 0.9913 0.9913
0.2 9836 9700 9584 9484 9395 9308 9212 9078 8792
0.3 9674 9373 9080 8785 8471 8106 7634 6910 5455 0442
0.4 9521 9018 8568 8061 7506 6863 6066 4690 3338 0260
0.5 9405 8807 8192 7546 6847 6065 5156 4055 2637 0685
0.6 9333 8658 7968 7250 6488 5664 4755 3729 2532 1100
0.7 9295 8592 7875 7139 6373 5567 4711 3786 2771 1643
0.8 9294 8588 7876 7153 6396 5650 4855 4022 3142 2202
0.9 9310 8627 7936 7244 6544 5832 5099 4356 3582 2772
1.0 9340 8685 8035 7385 6733 6076 5412 4765 4052 3352
1.1 9382 8761 8152 7547 6944 6341 5737 5129 4516 3898
1.2 9418 8846 8281 7722 7168 6617 6068 5519 4967 4419
1.3 9460 8131 8410 7896 7386 6885 6386 5887 5395 4904
1.4 9502 9015 8536 8057 7601 7143 6689 6240 5794 5351
1.5 9542 9095 8656 8225 7814 7384 6871 6565 6161 5762

Tabela 17.9

Valores de p n a i/ P aj para Valores Negativos de K, quando n = 3,0


a/aj k=
-0,1 -0 ,2 -0 ,3 -0 ,4 -0 ,5 -0 ,6 -0 ,7 -0 ,8 -0 ,9 -1 ,0
0 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000 1.0000
0.1 0.9962 0.9934 0.9915 0.9901 0.9891 0.9885 0.9883 0.9883 0.9884
0.2 9818 9668 9543 9437 9341 9254 9158 9024 8741
0.3 9605 9252 8922 8601 8271 7899 7429 6727 5338
0.4 9407 8647 8301 7745 7155 6487 5675 4596 2961 0093
0.5 9239 8508 7787 7070 6288 5455 4506 3378 1950 0097
0.6 9114 8259 7418 6575 5712 4807 3834 2761 1537 0097
0.7 9032 8099 7188 6286 5380 4456 3300 2493 1412 0235
0.8 8986 8009 7062 6134 5200 4293 3362 2112 1428 0404
0.9 8967 7978 7016 6081 5164 4258 3352 2453 1538 0611
1.0 8969 7980 7029 6106 5207 4326 3458 2599 1743 0889
1.1 8991 8016 7084 6183 5309 4457 3634 2800 1998 1201
1.2 9015 8074 7170 6208 5454 4634 3835 3054 2288 1535
1.3 9051 8145 7274 6436 5625 4840 4077 3331 2606 1895
1.4 9092 8224 7339 6589 5815 5066 4339 3703 2942 2269
1.5 9136 8310 7517 6753 6016 5304 4612 3941 3288 2651
17.2.4 Método Simplificado para Estratificação do Solo em Duas Camadas
Este método oferecerá resultados razoavelmente precisos somente quando o solo puder
ser considerado estratificável em duas camadas, ou seja, quando a curva (pxa) tiver uma das
formas típicas indicadas na figura abaixo.

Definida a curva de resistividade (pxa), a rotina a ser seguida para estratificação do solo
é a seguinte:
1) Prolongar a curva até interceptar o eixo das ordenadas e determinar o valor da
resistividade da camada superior do solo (p,).
2) Traçar a assíntota à curva de resistividade e prolongá-la até o eixo das ordenadas. Sua
intercessão com esse eixo indicará o valor da resistividade da camada inferior do solo
(p2)*
3) Calcular a relação p ^ p x.
4) A partir do resultado do item (3), determinar o valor de M 0 na tabela 17.10.
5) Calcular p = M p , .
6) Com o valor de pm definido no item (5), entrar na curva de resistividade (pxa) e
determinar a profundidade (d) da primeira camada do solo (camada superior).

Para a determinação da resistividade aparente do solo (pa), de acordo com a rotina do item
17.3, dever-se-á considerar:

P1—Peq . n
P2 = Pn + 1
■>»
Q. M0 pA M0 p^p, M0
0,0010 0,6839 0,45 0,8676 9,50 1,375
0,0020 0,6844 0,50 0,8827 10,00 1,380
0,0025 0,6847 0,55 0,8971 10,50 1,385
0,0030 0,6850 0,60 0,9107 11,00 1,390
0,0040 0,6855 0,65 0,9237 11,50 1,394
0,0045 0,6858 0,70 0,9361 12,00 1,398
0,0050 0,6861 0,75 0,9480 12,50 1,401
0,0060 0,6866 0,80 0,9593 13,00 1,404
0,0070 0,6871 0,85 0,9701 13,50 1,408
0,0080 0,6877 0,90 0,9805 14,00 1,410
0,0090 0,6882 0,95 0,9904 14,50 1,413
0,010 0,6387 1,00 1,0000 15,00 1,416
0,015 0,6914 1,50 1,078 15,50 1,418
0,020 0,6940 2,00 1,134 16,00 1,421
0,030 0,6993 2,50 1,177 16,50 1,423
0,040 0,7044 3,00 1,210 17,00 1,425
0,050 0,7095 3,50 1,237 17,50 1,427
0,060 0,7145 4,00 1,260 18,00 1,429
0,070 0,7195 4,50 1,278 18,50 1,430
0,080 0,7243 5,00 1,294 19,00 1,432
0,090 0,7292 5,50 1,308 20,00 1,435
0,10 0,7339 6,00 1,320 30,00 1,456
0,15 0,7567 6,50 1,331 40,00 1,467
0,20 0,7781 7,00 1,340 50,00 1,471
0,25 0,7981 7,50 1,349 60,00 1,479
0,30 0,8170 8,00 1,356 70,00 1,482
0,35 0,8348 8,50 1,363 80,00 1,484
0,40 0,3517 9,00 1,369 90,00 1,486
100,00 1,488 160,00 1,494 450,00 1,500
110,00 1,489 180,00 1,495 640,00 1,501
120,00 1,490 200,00 1,496 1000,00 1,501
130,00 1,491 240,00 1,497
140,00 1,492 280,00 1,498
150,00 1,493 350,00 1,499
17.3 Cálculo da Resistividade do Solo

17.3.1 Aterramento com um Único Eletrodo


Para se calcular a resistência de aterramento de uma única haste cravada num solo não
homogêneo deve-se considerar apenas as resistividades das camadas atingidas por essa haste.
A dispersão das correntes se dará proporcionalmente ao valor da resistividade de cada
camada e ao comprimento de haste nela situado.
Raciocínio idêntico deve ser empregado para o cálculo da resistência de aterramento de
um anel.
Assim sendo:

Li + L2
Desse modo, teremos: p = ------------- (£2m)
L1 l 2
Pl H
A resistividade calculada através da equação (17.4) é a que será utilizada no cálculo da
resistência do aterramento.
Em se tratando de condutores horizontalmente enterrados, com comprimento de até 6m,
0 valor de sua resistência deve ser determinado com base na resistividade equivalente das
camadas localizadas entre a superfície do solo e a profundidade do eletrodo (inclusive), valor
este a ser calculado com base na equação (17.5). No caso de condutores com comprimento
(L) superior a 6m dever-se-á adotar o valor da resistividade aparente a ser calculado,
conforme 17.3.2, considerando-se o coeficiente a da equação (17.7) igual a L/2.

17.3.2 Aterramento com Mais de uma Haste


Sempre que se utiliza mais do que um eletrodo num sistema de aterramento, a resisti­
vidade empregada para o cálculo da resistência é a resistividade aparente (Pa).
Define-se como resistividade aparente o valor da resistividade equivalente das camadas
de diversas resistividades que compõem um solo não homogêneo, calculada para uma
determinada dimensão do sistema de aterramento em estudo.
Para se determinar a resistividade aparente do solo, procede-se da seguinte maneira: a
partir da estratificação do solo, faz-se a redução das (n+1) camadas do solo para apenas duas
camadas. A redução é feita considerando-se o paralelismo de duas a duas camadas a partir
da superfície, utilizando-se a seguinte fórmula:

dl + d? (Qm)
Peq.1.2 (Eq. 17.5)
ÉL+ d2_
Pl P2
A fórmula geral para redução direta de n camadas é:
di + d2 + d3 + .. + d n
Peq.n — (Eq. 17.6)
di d-i d-i
_ L + _ £ .+ —L +
Pl P2 P3
onde:
d i = espessura da camada de resistividade P 1
d2 = espessura da camada de resistividade p 2

dn = espessura da camada de resistividade p n


Assim, chega-se a apenas duas camadas de solo, conforme figura (17.7)

Fig. 17.7
Perfil de resistividade do solo com as n camadas reduzidas a uma camada equivalente

A partir das dimensões do sistema de aterramento, determina-se o coeficiente a , dado pela


fórmula 17.7.
<x = - ! — (Eq. 17.7)
®eq.n
Onde:
r = raio da hemisfera equivalente (tomado, em termos práticos, igual à metade da maior
dimensão do sistema de aterramento).
deq.n = profundidade da camada equivalente obtida na redução de n camadas.
Onde:
n = número de hastes de aterramento
e = espaçamento entre hastes (m)
r = raio da hemisfera equivalente

Obs.: para outras configurações, r será dado por A/D, sendo A a área abrangida pelo
sistema de aterramento, onde:
A = área do sistema de aterramento (m2)
D = maior dimensão do sistema de aterramento (m)

De posse do coeficiente a e da relação p =


Pn+ 1 , através do gráfico da figura 17.8,
p eqn
determina-se a relação N = da qual extrai-se a resistividade aparente pela fórmula:
Peqn

Pa—N • Peqn

17.4 Exemplos
Exemplo 1 :
Estratificação do solo pelo método de Yokogawa

a) Valores obtidos na medição:

a(m) R(Í2) p(Q.m)

2 54,10 680
4 33,40 840
8 18,50 930
16 6,87 690
32 1,64 330

b) Com os valores obtidos acima, traça-se a curva (pxa) representativa do local.

c) Divide-se a curva (pxa) em trechos ascendentes e descendentes.

d) Coloca-se a curva (pxa) sobre as curvas-padrão e encontra-se coincidência do trecho


ascendente com a curva-padrão de relação P 2/P 1 = 3 .

e) Marca-se 0 pólo 0T, e tem-se as coordenadas do mesmo:


Fig. 17.8
Determinação da Resistividade Aparente pa para um Solo com 2 Camadas Estratificadas

-o
to
Fig. 17.9
Curvas-Padrão
Fig. 17.10
Curvas Auxiliares
J h = 0,69m
p 'l= P i = 340 Q.m
Estes valores referem-se à primeira camada do solo.

f) Calcula-se o valor da resistividade da segunda camada através de:


po
— = 3 .\ p 2 = 3 . Pi = 3 x 340 = 1020Q.m
Pl

g) Coloca-se o gráfico (pxa) sobre as curvas auxiliares, de modo que o pólo 0j coincida com
a origem das curvas auxiliares, e copia-se (curva tracejada) a curva auxiliar de mesma rela­
ção P 2/P 1 . No caso P 2/P 1 = 3.

h) Volta-se às curvas-padrão, faz-se coincidir o pólo 0j com a origem das mesmas e desliza-
se a curva tracejada sobre esta origem até que se obtenha coincidência com o segundo trecho
da curva (pxa), ou seja, com a curva-padrão da relação P 2/ P l = 1/6.
Encontra-se, então, o pólo 02 cujas coordenadas são:
a2 = 15 m
p ’2 = 900Q .m

i) Com os valores acima, determina-se a resistividade da terceira camada do solo:

P3 _ 1 P 2 900
150Q.m
P*2 6 p3=T =~

j) O perfil de resistividade do solo será dado por:

M íM ?

a, =0,69m p , = 3 4 0 J l.m

a 2 = I5m

p 2= 1020 n . m
V

p 3 = 150 Xl.m
00

Fig. Exemplo 1.1


LOCAL: Exemplo 1 REGIONAL

CONDIÇÃO DO SOLO MUITO ÚMIDO [I


ÚMIDO d
NORMAL [X
SECO Z
DATA / /

a(m) R(Q) 2na p=2 k a R (Q . m)

2 54,10 12,56 680


4 33,40 25,12 840
8 18,50 50,25 930
16 6,87 100,50 690
32 1,64 201,00 330

XLm
Exemplo 2:
Determinação da resistividade aparente para uma localidade

P TO 7

P TO -3
Fig. Exemplo 2.1

a) Medições efetuadas no local:

a(m) PONTO 1 PONTO 2 PONTO 3 PONTO 4 PONTO 5 PONTO 6 PONTO 7


Rj(Q) 1*2 (Q) R3 (íi) R4 (Q) R5 («) R6 (0 ) R^Q )

2 25 20 22 24 23 27 26
4 15 12 13 22 18 14 17
8 4 6 7 5 3 4 7
16 2 1 2 1,5 1.4 1 1,2
32 0,6 0,6 0,3 0,4 0,5 0,8 0,6

b) Determinação do valor médio de resistividade:

a(m) R média (Q ) p média (Q.m)

2 23,86 300
4 15,86 398
8 5,14 258
16 1,44 145
32 0,54 109
a(m) PONTO 1 PONTO 2 PONTO 3 PONTO 4 PONTO 5 PONTO 6 PONTO 7

2 4,78 16,18 7,80 0,59 3,60 13,16 8,97


4 5,42 24,34 18,03 38,71 13,49 11,73 7,19
8 22,18 16,73 36,19 2,72 41,63 22,18 36,19
16 38,89 30,56 38,89 4,17 2,78 30,56 16,67
32 11,11 11,11 44,44 25,93 7,41 48,15 11,11

Rm ~ R
8%= . 100
Rm

Os desvios máximos em relação à média aritmética estão todos dentro do valor admissível
(50%); portanto, todos os pontos serão considerados.

d) Estratificação do solo pelo método Yokogawa:


r
P l = p' 1 = 200 Q.m

ai = 1 m
Pólo 0 1 *<

P2
2,5 .*. p 2 = 2 ,5 .2 0 0 = 500 Q.m
PT
v.

r P’2=395 Q.m

a2 = 6,5 m
Pólo 0 2 ^
P3 1 395 ,, 0
— = t P3 = ~~Z~- 66 Q.m
P2 6 6

^P '3 = 290 Q.m

a3 = 6,9 m
Pólo 0 3 *4

P4 = 1-?
— P4 = 290
- r - = 96 Q.m
/# //////////

/>, = 200 il.m

az =6,5 m Pz =500 i l . m

a3 =6,9m =66 il.m

oo

p4=96 i l . m

Fig. Exemplo 2.2


e) Redução das camadas do solo pela fórmula 1:
di + d2 + d3 _ 6,9
Peq- = 313£2.m
dl d2 d3 1 ^ 6,5 - 1 ^ 6,9 - 6,5
pT + P2 + p7 200 500 66

deq = 6,9 m
//////////

p eq- - 3 l 3 i l . m

p n+l =96 il.m

Fig. Exemplo 2.3

f) Determinação da resistividade aparente utilizando hastes em paralelo, configuração linear.


Admitindo-se n = 9 hastes, teremos:

( n - 1) • e ( 9 - 1) • 3
a - = 1,74
0 = ÊL±I 96
0,31
Peq 313

Da figura 8.7, temos N = 0,8


Logo:
pa = N . Peq = 0,8 • 313 = 250 Q.m
LOCAL: Exemplo 2 REGIONAL _________

CONDIÇÃO DO SOLO MUITO ÚMIDO □


ÚMIDO I I
NORMAL \X ]
SECO | |

DATA / /

a(m) R(O) 2jia p = 2 rc a R (Q . m)

2 23,86 12,56 300


4 15,86 25,12 398
8 5,14 50,25 258
16 1,44 100,50 145
32 0,54 201,00 169

m
Exemplo 3:
Estratificação do solo pelo método de Yokogawa

a) Valores obtidos na medição:

a(m) R6 Rmédia 2rca p m édia


Rt R2 R 3 R 4 R 5

2 110 108 50 52 48 45 68,83 12,56 865


4 93 95 42 41 35 3Q 56,00 25,12 1407
8 71 67 25 , 20 34 20 39,50 50,25 1985
16 35 28 12 10 13 9 17,83 100,50 1792
32 , 8 6,5 7 5 3 4,5 5,67 201,00 1139

b) Verificação dos valores em relação à média:

a(m) pto 1 pto 2 pto 3 pto 4 pto 5 pto 6

2 59,81 56,91 27,36 24,45 30,26 34,52


4 66,07 69,64 25,00 26,78 37,50 46,43
8 79,69 69,57 36,68 49,33 13,91 49,33
16 9 6 ,32 57,05 32,70 43,92 27,09 49,53
32 41,07 14,63 23,44 11,81 47,07 20,62

8%=
Rm ~ R . 100%
Rm

Nota-se que os pontos 1 e 2 apresentam valores de resistividade com desvio em relação à


média aritmética maior que o admissível (50%). Portanto, estes pontos devem ser isolados
e considerados como uma outra região necessitando, pois, de um projeto especial.

Os pontos 3 , 4 , 5 e 6 constituirão uma outra região, para a qual a média aritmética do valor
de resistividade poderá ou não ser mantida, dependendo do número de aterramentos a serem
executados.

Neste caso, são considerados os valores médios calculados para toda a região, ou seja, para
os seis pontos.

c) Estratificação do solo para os pontos 1 e 2:

a(m) Rm (Q ) 1 2n a Pm (^-m )
Ri R2

2 110 108 109,00 12,56 1369


4 93 95 94,00 25,12 2361
8 71 67 69,00 50,25 3467
16 35 28 31,50 100,50 3166
32 8 6,5 7,25 201,00 1457
ai = 1,2 m
P ó lo O i <
P2
—= 8 P2= 8 x 730 = 5840 Í2m
P2

p' 2 = 3900 m

32 = 17m
Pólo 0 2 *
P3 1 „ 3900
= 390 Q.m
p '2 - 10 P3= 10

p t =730 i l . m

a 2 = 17 m p 2=5840 i l . m

oo
p 3= 390 SL. m

Fig. Exemplo 3.1

d) Estratificação do solo para a região dos pontos 3,4, 5 e 6:


Considerando a mesma média anterior, se terá

a(m) 2rca Pm (£2.m)

2 68,83 12,56 865


4 56,00 25,12 1407
8 39,50 50,25 1985
16 17,83 100,50 1792
32 5,67 201,00 1139
p j = p ' 1 = 630Q.m
ai = 1 ,65 m
Pólo Oi ^ P 2
1— =5 p2 = 5 .6 3 0 = 3 1 5 0 a m
P'l

p*2 = 2050 m
= 14 m
Pólo O2
P3 1 2050
P3 = 2,5 = 820 íl.m

p}=630 il.m

p 2=3!60 il.m

j>3 =820 il.m

Nota: a escolha dos valores médios a serem admitidos deve ser cuidadosa para que não se
incorra em erros e custos elevados, devido à quantidade excessiva de material utilizado.
Convém observar que a análise feita neste exemplo vale para regiões pequenas, onde 0
número de aterramentos seria também pequeno. Para grandes regiões dever-se-ia calcular
uma nova média com as resistências obtidas nos pontos 3 ,4 ,5 e 6.
LOCAL: Exemplo 3 - ptos 1 e 2 REGIONAL

CONDIÇÃO DO SOLO MUITO ÚMIDO □


ÚMIDO
NORMAL

SECO □
DATA / /

a(m) R(Q) 2k a p=2 k a R (Q.m)

2 109,00 12,56 1369


4 94,00 25,12 2361
8 69,00 50,25 3467
16 31,50 100,50 3166
32 7,25 201,00 1457
LOCAL: Exemplo 3 - ptos 3,4,5 e 6 REGIONAL

CONDIÇÃO DO SOLO MUITO ÚMIDO □


ÚMIDO □
NORMAL a
SECO □

DATA / /

a(m) R(Q) 2 7 ra p = 2 7i a R (O.m)


2 68,83 12,56 865
4 56,00 25,12 1407
8 39,50 50,25 1985
16 17,83 100,50 1792
32 5,67 201,00 1139

Jlm

Fig. Exemplo 3.4


Exemplo 4 :
Estratificação do solo pelo método do Yokogawa

a) Valores obtidos nas medições:

a(m) R1 r 2 r 3 r 4 r 5 Rm 2 ;c a Pm

2 85,0 89,0 37,0 87,0 86,0 76,80 12,56 965


4 33,0 34,0 15,0 35,0 45,0 32,40 25,12 814
8 20,0 22,0 9,0 26,0 23,0 20,00 50,25 1005
16 10,0 9,7 3,8 9,2 12,5 9,04 100,50 909
32 3,3 3,1 1,5 3,5 3,8 3,04 201,00 611

b) Verificação dos valores em relação à média:

a(m) pto 1 pto 2 pto 3 pto 4 pto 5

2 10,66 15,86 51,74 13,26 11,96


4 1,85 4,94 53,77 8,03 38,93
8 0,00 10,00 55,00 30,00 15,00
16 10,62 7,30 57,95 1,77 38,27
32 8,55 1,97 50,65 15,13 25,00

Rm ~ R
ô% = . 100%
.R m
Nota: neste caso, o ponto 3 constituirá uma região à parte; ele será isolado, e uma nova média
será calculada para os demais pontos, pois os valores do ponto 3 estão abaixo da média. Se
for considerado o ponto 3, os aterramentos estarão subdimensionados.

c) Estratificação do solo para os pontos 1 ,2 ,4 e 5:

a(m) pto 1 pto 2 pto 4 pto 5 Rm


m 2na Pm
2 85,0 89,0 87,0 86,0 86,75 12,56 1090
4 33,0 34,0 35,0 45,0 36,75 25,12 923
8 20,0 22,0 26,0 23,0 22,75 50,25 1143
16 10,0 9,7 9,2 12,5 10,35 100,50 1040
32 3,3 3,1 3,5 3,8 3,43 201,00 688

^ P l =p'i= 1200 Í2.m

a i = 2,7 m
0,-i
P2 1 1200 A m nm
— = — . . Oo = --------= 600 Í2.m
P’l 2 K2 2
840 Q .m

a.2 = 4,2 m
02 = <
— =2 p 3 = 2 . 8 4 0 = 1680 Q .m
P*2

r
P* 3 = 1300 Q .m

a3 = 16 m
03 = < P4 _ l #
1300
P4 = 433 Q .m
P*3 3

pi =1200 íl.m

p2 = 6 0 0 í l . m

p s =l680 Jfl.rn

p 4= 4 3 3 jfl.m

d) Estratificação do solo para o ponto 3:

a(m) pto 3 2 tc a Pm

2 37,0 12,56 465


4 15,0 25,12 377
8 9,0 50,25 452
16 3,8 100,50 382
32 1,5 201,00 302
” p j = p 'i = 505 Q .m
a j = 2,7 m
Oi
— = — p 2 = — = 202 Q .m
p -j 2,5 K2 2,5

p '2 = 320 Q.m


a 2 = 4,3 m
02 <
— = 2 /. p 3 = 2 • 320 = 640 Q.m
LP*2

r p' 3 = 480 Q.m


a 3 = 13,5 m
° 3 1 ----
p4 = ------/.
1 „ 480 1Q0 0
Da = ------ = 192 Q.m
[ p '3 2,5 K4 2,5

p '4 = 385 Q.m


a4 = 15,5 m

°4 Í ^ = _ L , p 5 = 3 8 1 = 2 5 7 a .m
p'4 1,5 5 1,5

M W
a, =2,7m =505I I . m
h

at=4,3m j>2=202 Jl.m

a, =13.5 m j>,=640 il.m

a4 = l5,5m =192 il.m

ps=257 íl.m

Fig. Exemplo 4.2


LOCAL: Exemplo 4 - pto 3 REGIONAL_______

CONDIÇÃO DO SOLO MUITO ÚMIDO □


ÚMIDO □
NORMAL E
SECO □

DATA / /

a(m) R(Q) 2 rc a p=2 k a R (O.m)

2 37,0 12,56 465


4 15,0 25,12 377
8 9,0 50,25 452
16 3,8 100,50 382
32 1,5 201,00 302
LOCAL: Exemplo 4 - ptos 1 ,2 ,4 , 5 REGIONAL

CONDIÇÃO DO SOLO MUITO ÚMIDO □


ÚMIDO □
NORMAL 0
SECO □

DATA

a(m) R(Q) 2n a p = 2 n a R (O.m)

2 86,75 12,56 1090


4 36,75 25,12 923
8 22,75 50,25 1143
16 10,35 100,50 1040
32 3,43 201,00 688
ilm
Exemplo 5 :
Estratificação do solo pelo método de Pirson

a) Dados:

a(m) R (Q) = 2n aR (Q.m)

1 1900 11938
2 1250 15770
4 690 17341
8 220 11058
16 50 5026
32 19 3820

A curva (pxa) está plotada na figura 17.11.

b) P Té determinado extrapolando a curva (pxa) até encontrar o eixo das resistividades. Assim,
p = 8600 Q.m.

c) a 1 e P 2 são determinados da seguinte forma:

c .l Supondo a^ = 4 m , temos P(ai)= 17341 Q.m

Estabelecendo a relação - 1 , já que neste trecho a curva (pxa) é ascendente (K>0),


P(a{)

tem-se:
P l _ 8600
= 0,4959
P(ai) 17341

Utilizando a tabela 17.3 (K > 0), para P l / P l ( ai) =0,4959 , tem-se:

K a/aj a / a j . 4= a

0,4 0,18 0,72


0,5 0,31 1,24
0,6 0,41 1,64
0,7 0,49 1,96
0,8 0,57 2,28

A curva (Kxa) está representada na figura 17.12.

c.2 Supondo = lm , temos P(ai) = 11938 Q.m

Pl 8600
= 0,7204, K > 0
P(a]) 11938
Utilizando a tabela 17.3, para Pl / Pl(aj) = 0,7204 , temos:

K a /a x a /a j . 1 = a

0,2 0,23 0,23


0,3 0,46 0,46
0,4 0,60 0,60
0,5 0,72 0,72
0,6 0,81 0,81
0,7 0,89 0,89
0,8 0,98 0,98

A curva (Kxa) está representada na figura 17.12.

c.3 Como a convergência não está definida, escolher-se-á um novo valor d eaj.
Assim, para a^ = 2m, temos P(aj) = 15707 Q.m
Pl _ 8600
= 0,5475, K > 0
P(aj) 15707

Utilizando a tabela 17.3 ,p ara P i / P 1(aj)= 0,5475, tem-se:

K a /a ^ a /a ! . 2 = a

0,3 0,05 0,10


0,4 0,28 0,56
0,5 0,40 0,80
0,6 0,49 0,98
0,7 0,57 1.14
0,8 0,65 1,30

A curva (Kxa) está representada na figura 17.12.

c.4 As curvas se interceptaram no ponto:

a-i = 0,64 m 1+ Kx 1 + 0,43


K 1 = 0,43
P2 = Pl T T k 7 = 8600
1 - 0,43

?2 = 21575 O.m
d) Determinação de a 2 (profundidade da segunda camada) e P 3 .

d .l Estimando a profundidade da segunda camada como sendo:

a2 = di + d 2 = (2/3). 2 = 1,33

di = 0,64

d2 = 1,33 - 0,64

d2 = 0,69

pí será: U i = M l . 0,69
1 1 8600 21575
P2

P2 ~ 12500 11.n:

d .2 Supondo a2 = 2 m tem-se P(a^= 15707 Q.m


1
= 0 ,7958, K > 0

1
Da tabela 17.3 tem-se, para p 2 /P |a2) = 0,7958

K a/a 2 a/a2 . 2 = a

0,2 0,44 0,88


0,3 0,64 1,28
0,4 0,79 1,58
0,5 0,90 1,80
0,6 1,01 2,02
0,7 1,10 2,20
0,8 1,18 2,36

A curva (Kxa) está na figura 17.12.

d.3 Supondo a2 = 3 m , tem-se pra \ = 16950 £ lm

P2 12500
= 0,7375 , K > 0
P(a2) 16950

Da tabela 17.3 tem-se:


K a/a2 3/^ 2 .3 —H

0,2 0,28 0,84


0,3 0,49 1,47
0,4 0,64 1,92
0,5 0,76 2,28
0,6 0,85 2,55
0,7 0,94 2,82

A curva (Kxa) está na figura 17.1.

d.4 As curvas se cruzam no ponto:

^a2 = 0,93 C om oa 2 = di + d 2 e d i = 0,64


d2 = 0,93 - 0,64 = 0,29
| 1 1 + Ko 1+ 0 21
k2 = 0,21 .-. p3 = p 2 -------- - = 12500 • i+ U’Z1
L K K2 1 - K 9 0,79

P 3 = 19,146ÍXm

e) Determinação de a 3 e p 4 .

e .l Estimando a profundidade da terceira camada como sendo


a3 = di + d2 + d 3 = (2/3). 8 = 5,33

d3 = 5 ,3 3 - 0 ,6 4 - 0 ,2 9 = 4,4

5,33 4,40 0,29 0,64


1 19146 21575 + 8600

p* = 16778 O.m

e.2 Supondo a 3 = 8 m tem-se pja3j = 11058 í l m

PM 11058
= 0,6591 , K < 0
1 16778
P3
Da tabela 17.2 para P|a3}/ P3 = 0,6591, tem-se:
K a/a3 a /a 3 .8 = a

- 0 ,3 0,39 3,12
- 0 ,4 0,54 4,32
- 0 ,5 0,64 5,12
- 0 ,6 0,75 5,80
- 0 ,7 0,79 6,32
- 0 ,8 0,86 6,88
- 0 ,9 0,91 7,28
- 1,0 0,96 7,68

A curva (Kxa) está na figura 17.13.

e.3 Supondo a = 12 cm, tem-se (a) = 6400 ÍLm

PH = 6400 = 0 ,3 8 1 4 , K < 0
1 16778
p3 !
Da tabela 17.2 para P|a^ / P3 = 0,3814, tem-se:

K a/a3 a/a3 . 12 = a

- 0 ,5 0,25 3,00
- 0 ,6 0,39 4,68
- 0 ,7 0,47 5,64
- 0 ,8 0,54 6,36
- 0 ,9 0,59 7,08
- 1,0 0,63 7,56

A curva (Kxa) está na figura 17.13.

e.4 Supondo a3 = lOm, tem-se p |a^j = 7500 £2.m

7500
= 0,4470, K < 0
1 16778
p3

Da tabela 17.2 tem-se:

K a/a3 a/a3 .1 0 = a
- 0 ,5 0,355 3,55
- 0 ,6 0,455 4,55
- 0 ,7 0,530 5,30
- 0 ,8 0,590 5,80
- 0 ,9 0,650 6,50
- 1,0 0,690 6,90
e. 5 As curvas se cruzam, agora, no ponto:
= 4,4m
] logo: d 3 = 4 ,4 - 0,29 - 0,64 = 3,47
K3 = 0,58 .-. p4 = 16778
L 1 + 0 ,5 8

p4 = 4460 Í2.m

f. Determinação de a 4 e p 5 .

f.l a4 = di + d 2 + d 3 + d 4 = (2/3). 16 = 10,67


a4 = 10,67 - 0,64 - 0,29 - 3,47 = 6,27
10,67 0,64 + 0,29 3,47 6,27
1 8600 21575 19146 4460
P4

p 4 = 6255 í l m

f .2 Supondo a4 = 16 m, tem-se P|a4j = 5026 ÍXm


PW 5026 „
= 0,8035, K < 0
1 6255
P4
K á/a 4 g/a 4 . 16 = a
- 0 ,3 0,69 11 ,0
- 0 ,4 0,82 13,1
- 0 ,5 0,925 14,8
- 0,6 1,0 2 16,3
- 0 ,7 1,09 17,4

A curva (Kxa) está na figura 17.13.

f.3 Supondo a4 = 32 m, tem-se P(a4) = 3820 Q .m


3820
0,6107, K < 0
6255
K a/a 4 a = a/a 4 • 32
- 0 ,3 0,290 9,30
- 0 ,4 0,465 14,9
- 0 ,5 0,565 18,1
- 0,6 0,655 2 1,0
- 0 ,7 0,725 23,2
- 0,8 0,780 25,0
f.4 As curvas se cruzam no ponto:
ra4 = l l ,8 m
< logo: d4 = 1 1 ,8 -4 ,4 = 7,4
K 4 = - 0,33 .-. p< = 6255. I - '- 0»33
L 1 + 0,33

P5 = 3151 Q.m.

Resultado da Estratificação do Solo

M W
a,=0.64m ^ = 8 .6 0 0 íl. m

a 2 = 0 ,9 3 m p 2 = 2 1 .5 7 5 í l . m

a3= 4 , 4 m p 3 = 1 9 ,1 4 6 íl.m

a4= 11,8 m p 4= 4 . 4 6 0 íl.m

j>5 = 3. 151 -fL .m

Fig. Exemplo 5.1


Fig. 17.11
Fig. 17.12
0.4 0.6 0.8 I.O I.2 I* 4 I.6 I.8 2.0 2.2
(UI)D

Fig. 17.13
Exemplo 6 :
Estratificação do solo pelo método de Pirson, calculando a resistividade da primeira camada
pelo 2- método de Tagg.

a) Dados: ___________ _____________ ________________


a (m) R (Q ) p = 2 a R (Q.m)
1 1900 11938
2 1250 15707
4 690 17341
8 220 11058
16 50 5026
32 19 3820

A curva (pxa) está plotada na figura 17.11.

b) Determinação da resistividade P i , da primeira camada, pelo 2- método de Tagg.

b .l Supondo ai = 1 m, temos
da curva (pxa):
Pai = 11938 Q . m

b.2 Supondo n = 2, temos: nai = 2 x 1 = 2m


da curva (pxa):
p ai = 15707 Q . m

b.3 Como o trecho é ascendente (K > 0),

Pai 11938
0,7600
15707
Pnaj

b.4 Calculando a/ai para n = 2, temos pela tabela 17.5:

K a/ai a = a /a i. 1

0,5 0,50 0,50


0,5 1,20 1,20
0,6 0,30 0,30
0,6 1,44 1,44
0,7 0,21 0,21
0,8 1,60 1,60
0,9 0,09 0,09
1,0 0,05 0,05

A curva (K.a) está plotada na figura 17.14.


b.5 Supondo ai = l,5 m , temos
da curva (p x a):
paj = 1 3 5 0 0 ílm

b.6 Supondo n = 2, temos: nai = 2 . 1,5 = 3 m .


da curva (p x a):
p na] = 17000 í l m

b.7 Como o trecho é ascendente (K > 0),


Pai
— = 0,7941
Pnaj

b.8 Calculando a/ai para n = 2, temos pela tabela 17.5:

K a/ai a = a /a j . 1,5

0,4 0,50 0,75


0,4 1,14 1,71
0,5 0,33 0,50
0,5 1,46 2,19
0,6 0,24 0,36
0,7 0,17 0,26
0,8 0,13 0,20
0,9 0,06 0,09
1,0 0,04 0,06

A curva (Kxa) está plotada na figura 17.14.

b.9 Pela figura 17.14 verifica-se que as curvas se interceptam em:


rai = 0,5 m

' K =0,5

b.10 Como para a primeira camada a espessura (d) é igual à profundidade (a):
d = ai = 0,5; substituindo na equação (17.3), para a = lm
P ai = 11938 f im
oo 0,5n 0,5n
11938
1+ 4 X 1/2 1/2
1 + (2n . 0,5>2 4 + (2n. 0 ,5 )2
Pl n= l

Considerando apenas os três primeiros termos do somatório:

= 1 + 4 (0,1299 + 0,0234 + 0,0049)

11938
1 + 0,6328
Pl

Pl 1,6328 “ 7311 Q m
P l = 7311 Q.m

c) Determinação das resistividades das camadas subseqüentes e das espessuras, pelo método
de Pirson.

c .l Determinação de ai e p2

c.1.1 Supondó ai = lm, temos


da curva (pxa)
p (ai) = 11938 Q m
c .l.2 Como a curva é ascendente, (K > 0),
Pl 7311
= 0,6124
P(ai) 11938
Pl
c .l.3 Da tabela 17.3 para 0,6124, temos:
P(ai)

K a/ai a /a j. 1 = a

0,2 — —

0,3 0,23 0,23


0,4 0,39 0,39
0,5 0,51 0,51
0,6 0,60 0,60
0,7 0,68 0,68
0,8 0,76 0,76
0,9 0,83 0,83
1,0 0,90 0,90

A curva (Kxa) está plotada na figura 17.14.


c.1.4 Supondo ai = 2m , temos:
da curva (pxa):
P(ai) = 15707 í lm

c.1.5 Como a curva é ascendente (K > 0)


Pl 7311
= 0,4655
P(aj) 15707

c.1.6 Da tabela 17.3 para - - - - = 0,4655, temos:


P(aj)
K a/ai a /a i. 2 = a
0,4 0,12 0,24
0,5 0,26 0,52
0,6 0,36 0,72
0,7 0,45 0,90
0,8 0,52 1,04
0,9 0,59 1,18
1,0 0,65 1,30

A curva (Kxa) está plotada na figura 17.14.

c.1.7 Pela figura 17.14 verifica-se que as curvas se interceptam no ponto:


ai= 0,5 m
< 1+0 495
[K = 0,495 P2 = Pl 21643 fí.m

c.2 Determinação de a2 e p3

c.2.1 Estimando a profundidade da segunda camada como sendo:

a2 = d i + d 2 = | . 2 = l , 3 3

di = 0,5 m

d2= 1 ,3 3 -0 ,5 = 0,83 m

c.2.2 Pela fórmula de Hummel:

1,33 _ 0,5 0,83


1 7311 + 21643
P2

P2 = 12460 Q.m
c.2.3 Supondo a = 2m, temos:
P(a2j= 15707 Q . m

c.2.4 Como a curva é ascendente (K > 0),


1
P2
12460
= 0,7933
PM 15707
1
P2
c.2.5 Da tabela 17.3 para —— - = 0,7933, temos:
PM

K a/a2 a/a2 .2 = a

0,2 0,43 0,86


0,3 0,63 1,26
0,4 0,78 1,56
0,5 0,90 1,80
0,6 1,00 2,00
0,7 1,09 2,18

A curva (Kxa) está na figura 17.14.

c.2.6 Supondo a2 = 3 m , temos:


P(a2) = 16950 í lm

c.2.7 Como a curva é ascendente (K > 0),


1
P2
12460
PM 16950 ’

1
P2
c.2.8 Da tabela 17.3, para — — = 0,7351 , temos:
PH

K a/a2 a/a2 .3 = a

0,2 0,27 0,81


0,3 0,49 1,47
0,4 0,63 1,89
0,5 0,75 2,25
0,6 0,85 2,55
0,7 0,93 2,79
c.2.9 Pela figura 17.14, verifica-se que as curvas se interceptam no ponto:

a2 = 0,91 m
como a 2 = di + d 2 e d i = 0,5
d 2 = 0 ,9 1 -0 ,5 = 0,41
. n 1 1 + 0,21
k 2 - 0 ,2 1 /. P 3 - p 2 1 Q 2 1

P 3 = 19084 Q . m

c.3 Determinação de a3 e P 4 .

c.3.1 Estimando a profundidade da terceira camada como sendo:


2
a3 = d i + d2 + d3 = j . 6 = 4

d 3 = 4 - 0 , 5 - 0,41 = 3,09
43 = 3,09

c.3.2 Pela fórmula de Hummel:

4_ _ 0,5 0,41 3,09


1 7511 + 21643 + 19084
P3
1
p^ = 16166 Q. . m

c.3.3 Supondo a3 = 8 m , temos:


P(a3) = 11058 Q. . m

c.3.4 Como a curva é descendente (K < 0),


PM 11058
0,6840
1 16166
P3
P (a 3)
c.3.5 Da tabela 17.2, para — — = 0,6840, temos:
__________ P3________________
K a/a3 a /a 3 .8 = a

- 0 ,4 0,575 4,60
- 0 ,5 0,680 5,44
- 0,6 0,760 6,08
- 0 ,7 0,830 6,64
- 0,8 0,890 7,12
- 0 ,9 0,950 7,60
c.3.6 Supondo a3 = 16 m, temos:
P(a3) = 5026 Q . . m

c.3.7 Como a curva é descendente (K < 0),

PH 5026
0,3109
1 16166
P3
PM
c.3.8 Da tabela 17.2 para — — = 0,3109, temos:
P3

K a/as a/a 3 .1 6 = a

- 0,6 0,275 4,4


- 0 ,7 0,38 6,08
- 0,8 0,46 7,36
- 0 ,9 0,52 8,32

A curva (Kxa) está plotada na figura 17.15.

c.3.9 Pela figura 17.15, verifica-se que as curvas se interceptam no ponto:

r as = 7,0 m logo: d 3 = 7,0 - 0,91 = 6,09

< 1 + ÍC 3
K 3 = 0,77 P4 - P3 1 _ K
V

P4 = 16250 - ? ~ °*7-7- = 2112 Q.m


* 1 + 0 ,7 7

c.4 Determinação de a4 e P5 .

c.4.1 Estimando a profundidade da quarta camada como sendo:

a4 = di + d 2 + d 3 + d 4 = |- . 16 = 10,67

d4 = 10,67 - 7,0

d* = 3,67

c.4.2 Pela fórmula de Hummel:


10,67 0,5 0,41 6,09 2,26
1 7311 + 21643 + 19084 + 2112
P4
p \ = 4976 n .m

c.4.3 Supondo a4 = 24m, temos:

P(44) 4100 Q.m

c.4.4 Como a curva é ascendente (K < 0),

P(a4) 4100
0,8240
1 4976
P4
p(3 4 )
c.4.5 Da tabela 17.2 para 0,8240, temos:
1
p4

K a/a4 a/a4 . 24 = a
- 0 ,2 0,55 13,2
- 0 ,3 0,74 17,8
- 0 ,4 0,88 21,1
- 0 ,5 0,99 23,8
- 0 ,6 1,07 25,8
- 0 ,7 1,16 27,8
- 0 ,8 1,22 29,3

A curva (Kxa) está plotada na figura 17.15.

c.4.6 Supondo a4 = 32m, temos:

p>(a4) = 3820 Q.m

c.4.7 Como a curva é descendente (K < 0),

3820
0,7677
4976

c.4.8 Da tabela 17.2 para = 0,5544, temos:


P4
K a/a4 a/a4 . 32 = a

- 0 ,2 0,40 12,8
- 0 ,3 0,6 19,2
- 0 ,4 0,725 23,2
- 0 ,5 0,84 26,9
- 0 ,6 0,925 29,6
- 0 ,7 0,99 20,8
- 0 ,8 1,06 33,9

A curva (Kxa) está plotada na figura 17.15.

c.4.9 Pela figura 17.15, verifica-se que as curvas se interceptam no ponto:

r a4 = 13,5 m

logo: d4 13,5 - 7,0 = 6,5 m


<
1 + K4
K 4 = -0,205 = p 5 = p4
1- k 4

1 - 0,205
P5 = 4976 = 3283 Q.m
1 + 0,205

c.5 A estratificação do solo é a seguinte:

Pr 7.311 il.m

21.643 il.m
f« "

1 9 .0 8 4 i l . m
r* s

P r
2 .1 1 2 il.m

3 .2 8 3 iL . m
Fig. 17.14
1—
m
oo
<
(Ui) D

Fig. 17.15
Exemplo 7 :
Estratificação do solo em duas camadas pelo método simplificado,

a) Valores obtidos na medição:

Distância entre Resist. Medida (Q.m) Resistividade


hastes (m) A B C D média (Q.m)

2 3300 3478 3392 3385 3389


4 2072 1729 1945 1855 1900
8 683 486 595 575 585
16 670 466 536 600 568
32 981 665 830 816 823

Os desvios máximos em relação à média aritmética estão todos dentro do valor admissível
(50%), portanto todos os pontos serão considerados.

b) A curva (p x a) está plotada na figura 17.16, de onde tiram-se os valores:

P l = 3550 Q.m
P2 = 630 Q.m

c) Cálculo de P ^ P i :
P2 630
= 0,18
P l " 3550

d) Da tabela 17.10:

P 2/P 1 = 0,18 .\ Mo = 0,7695

e) Cálculo de pm :

Pm = Mo • P l =
= 0 ,7 695x3550 = 2732 Q.m

f) Da curva de resistividade (pxa),

para pm = 2732 Q.m .-. d = 3,1 m


Resistívidade
Capítulo 18

Medição da Resistência
de Aterramento
Para efetuar uma medição de resistência de aterramento é necessário que se tenha um
ponto onde se injeta uma corrente e um ponto onde se retira essa corrente.
A corrente é injetada através do sistema de aterramento a ser medido e retirada através
de um aterramento ou terra auxiliar, que poderá ser composto de uma ou mais hasí^s
interligadas.
Pela lei de Ohm, a corrente injetada circula pela terra e provoca na superfície da mesma
uma tensão resultante do produto da resistência de terra até o ponto a ser medido pela
corrente injetada.
Existem vários métodos para se efetuar uma medida de resistência de terra, porém o mais
prático e mais utilizado é o da medida através do aparelho “megger”.
O aparelho pode ser de três ou quatro terminais. Quando for de quatro terminais, C, e P,
devem ser jampeados, conforme figura 18.1.

M EGGER

Ci Pi P2 Cz
o——o o o

M W
ELETRODO DE
t e n s Ao
-=±=-TERRA A SER TERRA
- MEDIDO AUXILIAR OU
X ELETRODO DE
D CORRENTE

Fig. 18.1
Para que se tenha resultados confiáveis, é indicado que o aparelho utilizado seja de
corrente alternada e que possua filtro para eliminação de interferências.
A localização do eletrodo de tensão com relação ao terra auxiliar é muito importante na
determinação do valor real da resistência a ser medida. A resistência real do aterramento se
dará quando a distância entre o terra a ser medido e o eletrodo de tensão for 61,8% da
distância entre o terra a ser medido e o terra auxiliar, ou seja:

X = 61,8% . D (Eq. 18.1)

18.1 Procedimentos
Deve-se, inicialmente, observar a configuração e as dimensões do sistema de aterramento
a ser medido, para que se possa, através das tabelas abaixo, determinar a distância mínima
em que deve ser colocado o terra auxiliar (D) e o eletrodo de tensão (X).
Os valores de X e D dependem das dimensões da haste e do espaçamento entre elas; tais
valores são mostrados nas tabelas seguintes (tabelas 18.1 e 18.2):
Temos, para a tabela 18.1:
P (Eq. 18.2)
2 7tr

onde:
r = raio de hemisfera equivalente ao eletrodo (m)
L = comprimento da haste (m)
d = diâmetro das hastes

Temos, para a tabela 18.2:

_ P_ , _ P _ ln 4L . L
2rcr " ‘ 2 jcL d . . 4L
k . In —
d

Se L = 3m (comprimento das hastes)


e = 3m (espaçamento entre as hastes)

Resulta:

r = ------“ r r (m)
k .In
d

onde:
k = coeficientes de redução apresentados no capítulo 10.
Tabela 18.1
Aterramento Composto de uma Única Haste ou Hastes Emendadas
*» tt tt
d = 1/2 d = 5/8 d = 3/4
L(m) r(m) X(m) D(m) r(m) X(m) D(m) r(m) X(m) D(m)
1 0,17 10,20 16,50 0,18 10,50 17,00 0,19 11,00 18,00
2 0,31 12,98 21,00 0,32 13,60 22,00 0,33 13,60 22,00
3 0,44 16,07 26,00 0,45 16,10 26,00 0,47 16,00 26,00
4 0,56 17,92 29,00 0,58 17,92 29,00 0,59 18,00 29,00
5 0,68 19,78 32,00 0,70 20,40 33,00 0,72 20,00 32,50
6 0,80 21,01 34,00 0,82 21,01 34,00 0,84 21,70 35,00
7 0,91 22,87 37,00 0,94 22,87 37,00 0,96 23,00 37,00
8 1,02 24,10 39,00 1,05 23,48 38,00 1,08 24,00 39,00
9 1,13 25,34 41,00 1,16 25,34 41,00 1,19 25,00 40,00
10 1,24 25,96 42,00 1,28 26,57 43,00 1,31 27,00 43,50
11 1,35 27,81 45,00 1,39 27,19 44,00 1,42 28,00 45,00
12 1,46 28,43 46,00 1,50 28,43 46,00 1,53 29,00 46,60
13 1,56 29,05 47,00 1,61 29,05 47,00 1,64 30,00 48,00
14 1,67 30,28 49,00 1,71 30,30 49,00 1,75 30,00 49,00
15 1,77 30,90 50,00 1,82 30,90 50,00 1,86 31,00 50,00
16 1,88 31,52 51,00 1,93 32,14 52,00 1,97 32,00 52,00
17 1,98 32,75 53,00 2,03 32,75 53,00 2,08 33,50 54,00
18 2,08 33,37 54,00 2,14 33,99 55,00 2,19 34,00 55,00
19 2,18 34,61 56,00 2,24 34,61 56,00 2,29 35,00 56,50
20 2,29 35,23 57,00 2,35 35,84 58,00 2,40 36,00 58,50

Tabela 18.2
Aterramento Composto de Hastes Alinhadas

Nõ de d = 1/2" d = 5/8" d = 3/4”


hastes r(m) X(m) D(m) r(m) X(m) D(m) r(m) X(m) D(m)
2 0,76 20,50 33 0,80 21,00 34 0,81 22,00 36
3 1,05 24,00 39 1,10 24,50 40 U I 25,00 40
4 1,33 27,00 44 1,39 27,50 45 1,39 27,50 45
5 1,59 29,00 47 1,67 30,00 48 1,67 30,00 48
6 1,84 31,50 51 1,93 32,50 52 1,93 32,50 52
7 2,08 33,50 54 2,18 34,50 56 2,18 34,50 56
8 2,32 35,00 57 2,43 36,50 59 2,43 36,50 59
9 2,55 37,00 60 2,66 38,00 62 2,68 38,50 62

Nota: quando as hastes utilizadas tiverem comprimento de 2,4 m, os mesmos valores de X


e D podem ser utilizados nas medições.
Para outras configurações, tais como quadrado, triângulo e círculo, deve ser sempre
aplicada a equação (18.2):

r (m)
,k . 1In “”j-
4L
d

Os coeficientes k, a serem aplicados na fórmula, podem ser determinados através da


metodologia de cálculo apresentada no capítulo 10.
De posse do valor de r utiliza-se o gráfico da figura 18.2 para determinar as distâncias
D e X . Estas são as distâncias mínimas para que se obtenha um valor de resistência de
aterramento medida com um erro de ± 2%. Portanto, poder-se-á utilizar distâncias maiores
que as indicadas pelo gráfico, porém nunca se deve utilizar distâncias menores, sob risco de
se ter erros inaceitáveis.
- Fazer as ligações conforme figura 18.1. Ajustar o potenciômetro e o multiplicador do
"megger" até que o galvanômetro do aparelho indique “zero” com o equipamento ligado.
Em seguida, faz-se a leitura do valor da resistência de aterramento.
- Se o ponteiro do galvanômetro oscilar, significa que existe alguma interferência. Neste
caso, indica-se fazer outra medida de resistência dispondo-se o terra auxiliar e o eletrodo
móvel em direção perpendicular à anterior. Caso o "megger" tenha filtro de eliminação
de interferência, não haverá oscilação do galvanômetro.
- Os cabos para interligação devem ter comprimentos suficientes, ou seja: um cabo de
comprimento D e outro de comprimento X, de bitola 14 ou 12 AWG (utilizados devido
a questões mecânicas), e isolados para a tensão do "megger".
- O instrumento de medida deve permanecer o mais próximo possível do terra a ser medido,
conforme figura 18.1.
- O terra auxiliar deve ser composto por uma ou mais hastes metálicas de aproximadamente
0,50m de comprimento, cravadas em um local onde o solo esteja úmido e livre de pedras
e cascalhos. Caso o solo neste local esteja muito seco, pode ser adicionada água ou
solução de água e sal som ente ao te rra auxiliar.
- As conexões dos cabos ao terra a ser medido, ao terra auxiliar e ao eletrodo de tensão
devem ser firmes e estar livres de gorduras e ferrugens, de tal modo que não se
introduzam resistências de contato na medição.
- O terra auxiliar e eletrodo de tensão devem formar uma linha reta com o terra a ser
medido.
- Na ocasião da medida, devem ser observadas as condições do solo (seco, úmido, normal,
etc.).

18.2 Precauções de Segurança Durante as Medições de


Resistência de Aterramento
Devem ser tomadas as seguintes medidas de segurança relativas aos potenciais perigosos
que podem aparecer próximos a sistemas de aterramento ou a estruturas condutoras
aterradas, passíveis de serem energizadas acidentalmente:
- Durante a medida da resistência de aterramento, devem ser desconectadas, do terra a ser
medido, as descidas de cabos pára-raios, cabos de aterramento de transformadores e de
Fig. 18.2

N>
ui
equipamentos, e cabos de aterramento de neutro, de modo que se tenha o terra a ser
medido desconectado da rede. Medidas de segurança devem ser tomadas para que os
operadores não corram riscos durante o desligamento do aterramento das outras partes da
rede.
- Evitar a realização de medições sob condições atmosféricas adversas, tendo-se em vista
a possibilidade de ocorrência de descargas atmosféricas.
- Não tocar nos eletrodos e na fiação durante a medida e evitar que pessoas estranhas e
animais se aproximem do local, através de meios adequados.
- Utilizar calçados e luvas adequadas à proteção do operador para efetuar a medida de
resistência de aterramento.
Capítulo 19

Aterramento de Cercas
A existência de cercas construídas ao longo ou cruzando as faixas de redes de distribuição
é fato bastante comum nos sistemas elétricos. Devido à proximidade destas cercas com as
linhas de distribuição, podem aparecer correntes induzidas pelo efeito eletrostático ou
eletromagnético dá rede de distribuição.
Quando a cerca está desaterrada há um acúmulo de cargas elétricas nos fios da mesma
devido ao campo eletrostático da rede de distribuição. No momento em que a cerca é
aterrada, estas cargas descarregam-se para o solo, similarmente à descarga de um capacitor.
Se a cerca é aterrada em dois pontos aparece uma corrente elétrica, circulando pelos fios
e pelo solo, induzida pelo campo eletromagnético da rede.
Tanto em um caso como em outro, na falta de um aterramento seguro e confiável, a
corrente de descarga pode circular através de pessoas, animais e objetos que venham a fazer
contato com a cerca.
Com o fim de evitar as conseqüências de tais descargas, certas medidas de segurança
devem ser tomadas pelas concessionárias de energia elétrica.

19.1 Cercas Transversais à Rede de Distribuição


Cercas que cruzam a faixa de passagem de redes estão sujeitas a ficar em contato direto
com um condutor, quando este se rompe, ficando desta forma energizadas.
Face à extensão dessas cercas, a preponderância dos potenciais de toque e transferência
impede seja a solução obtida apenas através do aterramento, restando a opção de limitar a
zona de influência do problema pelo seccionamento da parte afetada.
Esse seccionamento deve ser feito nos limites da largura da faixa ou em limites tais que,
quando do rompimento de um condutor, o “chicoteamento” deste não toque nas seções de
cerca fora dos limites anteriores.
Na parte da cerca dentro da faixa, devem ser executados aterramentos com apenas uma
haste, no mínimo nas extremidades desta seção.
Estes aterramentos devem ser conectados a um cabo enterrado (para se evitar potenciais
de transferência no trecho) e não devem ter qualquer conexão com o sistema de aterramento
da rede de distribuição.
O cabo a ser utilizado deve ser o mesmo usado no aterramento da rede.
A figura seguinte ilustra o procedimento descrito.
19.2 Cercas Paralelas à Rede de Distribuição
No caso de cercas de arame paralelas à rede de distribuição, tensões podem ser induzidas
eletromagneticamente durante faltas no sistema, quando existe corrente de retomo pela terra.
A tensão não depende somente do valor da corrente de falta, mas também do
comprimento de cerca exposto ao paralelismo, da posição relativa entre a cerca e a linha, da
localização da falta, da resistividade do solo, da existência ou não do neutro multiaterrado
na rede de distribuição, do tempo de operação do equipamento de proteção até o bloqueio,
da bitola do condutor-fase da rede, da bitola do condutor-neutro, se existir, e do diâmetro do
arame da cerca.
Tensões induzidas eletrostaticamente raramente são de valor apreciável e também
dependem de diversos fatores.
A mais efetiva medida para evitar estas tensões induzidas é a de separar eletricamente a
cerca num determinado número de seções.
A distância entre seccionamentos é calculada baseando-se no método descrito no subitem
19.3. O subitem 19.4 apresenta um exemplo de aplicação.
Em termos de tensões induzidas, a não ser que condições de baixa impedância sejam
obtidas, o aterramento ajuda mas não resolve. Contudo, caso haja possibilidade de queda de
um condutor-fase sobre a cerca, esta deve ser aterrada em ambos os lados de cada ponto de
seccionamento com, pelo menos, uma haste. Esses aterramentos devem distar de pelo menos
três metros e não devem ser interligados entre si.
Tal procedimento, apesar de não proporcionar condições totais de segurança, aumenta a
probabilidade de operação da proteção do alimentador por ocasião de contatos fase x cerca.
Como o número de fatores envolvidos no cálculo das tensões induzidas é muito grande, cada
paralelismo deve ser considerado um caso, e seu cálculo, individualizado.
Com relação ao método de cálculo a ser proposto, cabe observar:
- o neutro, quando existir, funcionará como um anteparo, diminuindo conseqüentemente
as tensões induzidas na cerca. Para simplificação dos cálculos este neutro não foi
considerado no modelo teórico;
- a resistividade do solo a ser considerada nos cálculos deve ser a resistividade superficial
média da região onde ocorre o paralelismo. O cálculo dessa resistividade pode ser visto
no capítulo 17;
- a corrente de curto-circuito a ser considerada deve ser a maior corrente de curto fase-terra
disponível no trecho do paralelismo;
- na maior parte dos casos, quando da ocorrência de curto-circuito fase-terra, aparece uma
tensão eletrom agnética induzida que é o valor determinante da distância entre
seccionamentos da cerca;
- para efeito de correntes induzidas é considerado que, em condições de operação normal,
esta corrente não pode exceder a 10 mA. Em condições de curto-circuito esta corrente não
deve exceder a 116/Vt (IEEE-80), onde “t” é o tempo de operação do equipamento de
proteção (no caso desse equipamento ter religamento será a soma dos tempos de operação
até o bloqueio). Quando “t” (tempo acumulado de operação do dispositivo de proteção)
é maior que três segundos, considera-se que a corrente é de longa duração, ficando,
portanto, limitada a 10 mA. Para “t” menor ou igual a três segundos, aplica-se a fórmula
116/Vt (mA) para se determinar qual a corrente que pode passar pelo corpo humano sem
que ocorra fibrilação do coração; na maior parte dos casos, quando a cerca estiver situada
a uma distância superior a 30m do eixo da rede de distribuição, as tensões induzidas não
precisarão ser consideradas;
- no modelo teórico considera-se que a cerca é formada de um só fio. Entretanto, na maior
parte dos casos, a cerca é formada por mais de um fio e é conveniente então dividir-se
por dois o comprimento entre seccionamentos encontrado no cálculo, isto para se supor
que um indivíduo consiga tocar em dois fios de cerca ao mesmo tempo.

19.3 Modelo Teórico

19.3.1 Cálculo da Tensão e Corrente Induzidas pelo Campo Eletrostático

Fig. 19.2

Supondo uma LD formada por três condutores e uma cerca com um único fio (figura
19.2), pelo método dos nós, tem-se:

h = y i l E 1 + y i 2 (El - E 2 ) + y i3 (El - E 3 ) + y i 4 (Ei - E 4 )

12 = Y21 (E 2 - E i ) + y 2 2 E 2 + y23 (E 2 ~ E 3 ) + y24 (E 2 - E 4 )

13 = y 3 i (E 3 - E i) + y32 (E 3 - E 2) + Y33 E 3 + y 34 (E 3 - E 4 )
14 = Y 41 ( E 4 - E 1 ) + y4 2 (E 4 ~ E 2) + Y 43 (E 4 - E 3 ) + y44 E4
onde:
y i i e Yjj = admitâncias próprias
yjj e yjj = admitâncias mútuas
I = correntes que fluem no sistema de 4 nós
E = tensão fase-terra em cada nó

Calculando-se as tensões comuns em evidência:


h = (yil + y i 2 +Y13 + y i 4 ) E i - y i 2 E 2 - y i 3 E3 - y i 4 E4

l 2 = - y 21 El + ( y 2 l + Y 22 + Y 2 3 + y24)E2~y23 E3 - y 2 4 E4

l3=-y31 El - y32 E 2 + (y31 +y32 + y 33 + y 3 4 ) E3 - y 34 E4

I4 = - y 4 i El - y42 E 2 - y43 E 3 + (y4i + y 42 + y43 + y44) E4

Substituindo-se os termos y por Y:

II = Y n Ei + Y 12 E2 + Y 13 E3 + Y 14 E4

12 = y 21 E i + Y 22 E 2 + Y 23 E3 + Y 24 E4

13 = Y31 Ei + Y 32 E 2 + Y 33 E 3 + Y 34 E4

U = y 41 E i + Y 42 E 2 + Y 43 E3 + Y 44 E4

Obtém-se então, em forma matricial:

— — "" 1 — — —
II Yn Y 12 Y 13 ! Y 14 El

12 Y 21 Y 22 Y 23 1 Y 24 e2

13 = Y 31 Y 32 Y 33 Y 34 X e3

14 Y41 Y 42 Y 43 j Y 44 e4
THEVENIN

Para o circuito da figura 19.3, se o circuito está aberto, então:


I4 = 0 e E T H E V = E 4

Fazendo a partição da equação matricial anterior:

Ia y Aa Ya b ea

Y
A

Ib Yb a y BB Eb

Se I 4 = 0, Ig = 0, porque I4 = Ib

Assim:

0 = [Y b a ] [E a ] + [Y b b ] [E b ]

Assim:

[e b ] = e 4 = - [Y b b ] " 1 X [y b a ] x [E a ]
Para se calcular Z THEV, todas as fontes externas devem ser trocadas por suas impedâncias
internas. Se as fontes são infinitas, a impedância interna é zero, ou seja, na figura 19.2, os
nós 1 ,2 e 3 estão aterrados. Se os nós estão aterrados,
E a = 0 , e então:

Ia Ya A x O + Ya b E b

Ib y BAx 0 + Yb b E b

Pb ] = U = [Yb b ] x [Eb ]

Para as cercas paralelas, os termos em Y das equações são calculados por:

m = jco [p r1

onde:
1 2hi
Pii -------------. —

2ne n
. S ji
^ 1J 2 tü£ * n
onde:
hi = distância do condutor i ao solo, em metros
ri = raio do condutor ou i, em metros
í'\] = distância do condutor j à imagem do condutor i, em metros

Áj = distância entre o condutor j e o condutor i, em metros

então:

ou:

Pü = 18. 1 0 6 .

Da mesma forma:

Verificação das unidades de E b e I b :

vXc = —
1 ou 0B = —
1
coc Xc

1
Xc . km

Como:

[Eb ] = - [Ybb ] • [Yba] • [Ea]


Então:
1
X c. k m .
[E b ] = X c.km ' V o lt]

[EB] = [Volt]

Portanto, a tensão induzida é constante para qualquer comprimento de cerca.


Da mesma forma:
[Ib ] = [Yb b - E b ]

1 Volt 1
M = Xc . km Volt II

|s
1___

>?
[IB] = [A/km]

Portanto, a corrente induzida é proporcional ao comprimento da cerca.

19.3.2 Cálculo da Corrente Induzida pelo Efeito Eletromagnético


Da mesma forma que para o efeito eletrostático:

AVc Zcc ^ Zcf Ic


-----
- -Ti X
Vf Zfc Zff If

onde:
AVc = elementos da partição da matriz (são os elementos de queda de tensão
nos condutores)
AVf = elemento da partição da matriz (é o elemento de queda de tensão na cerca)
Zcc = impedância própria e mútua entre condutores
Zcf e Zfc impedância mútua entre condutores e cerca, e vice-versa
Zff = impedâncias próprias mais mútuas entre cabos condutores e cerca
Ic = corrente nos condutores
If = corrente induzida na cerca
Para uma cerca aterrada em dois pontos, tem-se circulando pelos pontos de aterramento
(a queda de tensão é nula na cerca, mas a corrente não o é, já que ela é imposta pelo fluxo):

AVc Zcc 1 Zcf Ic


___^ Y
A
f
0 Zfc Zff If

[0] = [Z fc]. [Ic] + [Z ff]. [If]

- [Z fc ]. [Ic] = [Z ff]. [If]


Então:
[If] = - [Zff]-1 [Zfc] [Ic]

As impedâncias próprias e mútuas são calculadas por:


Zii = (Rii + ARii) + j (Xii + AXii)
Rii = resistência do condutor i
f
ARii = 10- 4 . 4 . co. 1,5708 _ 0,0026492 (2hi) >/f/ps
V 4 4

Xii = 2 . co. 10"4 . à \ -


1r

0,0026492 (2hi) \ [ í TpP


AXii = 10"4 . 4 .
4
J
Zik = ARik + j (Xik + AXik)
ARik = mesma equação que ARii, substituindo-se naquela equação o termo 2 hi
por (hi + hk)

Xik = 2 . co. 10"4 * 1 ^

AXik = mesma equação que AXii, substituindo-se naquela equação o termo 2 hi


por (hi + hk)

Em todas as equações, os valores Rii, ARii, Xii, ARik e AXik são dados em £2/km.
ps = resistividade superficial do solo, em í2/m
CO = 2 . TC . f
f= freqüência em Hz
r= raio do arame da cerca, em metros
dik = distância entre o condutor i e o condutor k, em metros
hi e hk =altura do condutor i e do condutor k respectivamente em relação ao solo, em metros

19.3.3 Cálculo de Distância entre Seccionamentos


De posse das correntes induzidas eletrostaticamente e eletromagneticamente (tanto com
corrente de carga como com corrente de defeito), pode-se calcular qual a máxima distância
entre seccionamentos de cerca para se evitar circulação de correntes perigosas.
A máxima corrente permanente ou de longa duração permitida é de 10 mA. Como o
cálculo dá a corrente induzida por quilômetro de paralelismo, uma regra de três fornece a
distância entre seccionamentos.
Com:
I = corrente induzida, em mA/km
10 = corrente máxima permitida, em mA
Dl = distância máxima entre seccionamentos permitida, em metros

Vem:

1000 x 10
I

Em condições de curto-circuito, â máxima corrente permitida é dada, como visto em 19.2,


P°r W x = -H=-mA, onde “t” é dado pela soma dos tempos de operação do equipamento de
V7
proteção até o bloqueio final, para a máxima corrente de curto-circuito para terra existente
ao longo do paralelismo.
Com:
I = corrente induzida, em mA/km

W x = corrente máxima permitida para um determinado t, em mA


D2 = distância máxima entre seccionamentos permitida, em metros

Vem:

1 -1 0 0 0
1000 x I mâxI
< •*. D 2 =
I
Imáx - D 2

Deverá ser adotado o menor valor entre Dt e D2 (normalmente será D2).


No modelo teórico foi considerado que a cerca é formada por um só fio. Como
normalmente ela terá mais de um fio, a distância máxima entre seccionamentos deverá ser
dividida por dois, ou seja Dt ou D2 dividido por dois.

19.4 Exemplos

19.4.1 - Calcular a tensão induzida pelo efeito eletrostático numa cerca isolada, paralela a
uma rede de distribuição rural de 13,8 kV, como mostra a figura 19.5. Em seguida, supondo
que um homem tocasse a cerca, calcular a corrente de toque. É suposto que a cerca tenha um
quilômetro de comprimento e que seja formada por um único fio.
Dados:
1 ,2 e 3 - condutores, nesta seqüência de fase

4- arame de aço da cerca

, , , 8,2 + 6,0 „ ,
hi = h 2 = h 3 = --------------= 7,1 metros

Para o cálculo de h i, h 2 e I13 , supôs-se os condutores retos e situados numa altura em


relação ao solo igual à média aritmética entre a altura mínima dos condutores, definida pela
ABNT, e a altura do condutor ao solo no poste (neste caso, considerou-se um poste de 10
metros).
Para a obtenção de resultados mais conservativos, deve-se tomar a altura mínima dos
cabos definida pela ABNT-NB-182:

h4 = 1,50 m
Considerando-se uma estrutura tipo N p cruzeta de 2,40 metros, tem-se:
d J2= 1,50 m.
d23 = 0,7 m.
L = 0 (então, a cerca está sob o condutor 2)
Raio do condutor - 1/0 CA = 4,7 x 10“3 m.

Raio do arame da cerca = 3,0 x 10~3 m.


De posse dos elementos, faz-se a inversão da matriz para se obter [P]-L
Multiplicando-se todos os termos da matriz [P]_1 por jw , obtém-se, então, a matriz [Y].

Solução do problema
O primeiro passo é o cálculo dos elementos da matriz P:
9 7 10
P l 1 - P2 2 = P3 3 = 18 ■1 0 16 . tn, 4 J X 10 4 = 152-3 2 - 1 0 6

P44 = 1 8 . 1 0 6 . AI 320'x1 f 0Q-3 - = 1 2 4.34.10 6

14,26 „
P l 2 ==P 2 i = 1 8 . 1 0 6 . . 10 6
^ 1,50 " 4 0 ,5 6

14 37
P l3 = P 3 1 = 1 8 . 1 0 6 . = 3 3 -7 8 -
10 6

P l4 = P 4 1 = 1 8 . 1 0 6 . A ! ^ = 7 , 3 6 . 10 6

14 22
p 2 3 = P 3 2 = 1 8 . 1 0 6 . Al '0^ = 5 4 ,2 0 . 10 6

P 2 4 *= P 4 2 1 8 . 1 0 6 . * | j “ = 7,72.106

P34 = P43 = 1 8 . 1 0 6 . ^Ifb 7 , 6 6 - 10


6

1 5 2 ,3 2 x 1 0 6 4 0 ,5 6 x 10 6 33,78 x 10 6 7,36 x 10 6

4 0 ,5 6 x 1 0 6 152,32 x 10 6 54,20 x 10 6 7,72 x 10 6


[P] =
3 3 ,7 8 x 10 6 54,20 x 10 6 152,32 x 10 6 7,66 x 10 6

7,36x10 6 7,72 x 10 6 7,66x10 6 124,34: x 10 6


7,20 x IO"9 -1 ,5 4 x 10 "9 -1 ,0 4 x 10"9 -2 6 7 ,6 9 x 1 0 ~ 12

-1 ,5 4 x 10"9 7,86 x 10 "9 -2 ,4 4 x 10 "9 -2 4 6 ,2 7 x IO"12


[P]"1 -2 ,4 4 x 10 ~9 7,68 x 10 "9 -2 5 9 ,8 2 x 1 0 - 12
-1 ,0 4 x 10 "9

•267,69 x 10 ~ 12 -2 4 6 ,2 7 x 10- 12 -2 5 9 ,8 2 x 10 "12 8,09 x 10"9

[Y] = jw [P]- 1 , onde w = 2.n .f = 2.7C.60 = 377

y BB = jw (8,09 x 10 _9)
YBB = j ( 3 , 0 5 x l O - 6)
YBa = jw [-267,69 x 10‘12- 246,27 x 10"12 - 259,82 x 10'12]
YBA = j t-100,92 x IO'9 - 92,84 x 1(T9 - 97,95 x IO'9 ]

[EB] = - [Y b b ] " 1 x [YBA] x [E a ]

7960

[EB] = . 1A 6 x [-100,92 x 10 "9 - 92 ,84 x 10 "9 - 9 7 ,95 x 10 ~9 ] 79 60 a2


j (3,05 x 10 ~°)
7960 a

onde:
7 9 6 0 = tensão fase-terra (V)
<x= 1 112 0 °
EB = E4 = tensão induzida na cerca

E4 " j( 3 0 5 xl0 -6) [ 1,03x10 -3 ISE .+ 0,97 x 10 “3 1242+ 0,94 x 10 ~3 1122l]

E4 = j( 3,05x10-6) [79.38x10-6,^!^]

3.05x10-9,201 [ 79-38x 10^ ' ^ ]

E4 = 26,03 1-109.12° V olts'

Cálculo da corrente de toque:

[ib3 = [Ybb! x [EBJ


Onde Ib = I4 = corrente que passa pelo homem
Note que aqui a resistência do homem não entrou na equação acima. Para verificação basta
acrescentá-la ao termo YBB, que não haverá diferença significativa.

I4 = j( 3 ,0 5 x 10 ~ 6 ) x 2 6 ,0 3 1- 1 0 9 .1 2 °

Li = 0.08 1-19.1° mA/km

19.4.2 Calcular a corrente induzida pelo efeito eletromagnético, para o problema anterior,
supondo-se que a cerca está aterrada em uma extremidade por uma resistência igual a zero
(0) ohm, e na outra extremidade pela resistência do corpo de um homem, que é suposta igual
a 1000 ohms.
Os dados são idênticos aos do problema anterior.

Solução do problema
Cálculo das impedâncias:

É suposto que o arame da cerca tenha uma resistividade de 0,1750 x mm 2/m, ou seja, uma
resistência de 24,76 Q/km.

É suposto, também, que a resistividade superficial média do solo da região seja 1500 O m.

Serão calculadas, apenas, as impedâncias próprias e mútuas referentes à cerca (4), pois só
interessa a corrente nela induzida. Assim, empregando-se as fórmulas anteriormente citadas,
tem-se:
R 44 = 24,76 Q/km
AR44 = IO"4 .377 . ( l ,5 7 0 8 - 0,0026492 ( 2 x l , 5 0 ' ) x V 60/1500) Q/km
AR44 = 0,0592 Q/km
X44 = 2 . 3 7 7 . 1 0 ^ - - ■1 - "- 7 Q/km
3 x 1 o -4
X44 = 0,4380 Q/km
(\ 658,8 0,0026492 ( 2 x 1,5 ) . V60/1500 ^
ÀX44 = 10- 4 . 4 . 3 7 7
2 ^ V60/1500

AX44 = 0,6108 Q/km


AR41 = AR 42 = AR43 = 10-4 .377 . (1,5708 - 0,0026492 ( 7,1 +1,5 ) VóÕ/liÕÕ) Q/km

AR4 1 = AR42 = AR 43 = 0,0590 Q/km


f
658,8
AX41 = AX42 = AX43 = 10- 4 . 4 . 3 7 7
V
2 V60/1500
\
0,0026492 ( 7,1 +1,5 VóÕ/ÜÕÕ) Q/km
4
ÁX41 = AX42 —AX43 = 0,6109 Q/km
X41 = 2 . 3 7 7 . 1 0 "4 ^ “ q O/km

X 41 = -0,1325 Q/km
X42 = 2 . 3 7 7 . 10 - 4 A\ Q/km

X 42 = -0,1299 Q/km
X43 = 2 . 3 7 7 . 1 0 "4 A] Q/km

X43 = -0 ,1 3 0 4
Z 41 = 0,0590 + j (0,6109 -0 ,1 3 2 5 ) Q/km
Z 41 = 0,0590 + j 0,4784 = 0,4820 13 11 Q/km
Z 42 = 0,0590 + j (0,6109 - 0,1299) Q/km
Z 42 = 0 ,0 5 9 0 + j 0,4810 = 0 ,4 8 4 6 1 83,0° Q/km
Z 43 = 0,0590 + j (0,6109 - 0,1304) Q/km
Z 43 = 0,0590 + j 0,4805 = 0 ,4 8 4 1 1 83.0° Q/km
Z 44 = [(24,76 + 0,0592) + j (0,4380 + 0,6108)] + (0,0590 + j 0,4784) +

+ (0,0590 + j 0,4810) + (0,0590 + j 0,4805) + 1000 Q/m

onde:
1000 é a resistência do homem em série com 0 circuito.

Z 44 = 1024,9962 + j 2,4887 = 1025,00 I 0.14° Q/km

Calculadas as impedâncias, pode-se determinar a corrente que circula pela cerca nas
condições previstas no exemplo (numa extremidade a cerca está aterrada com zero ohm e
na outra um homem ou animal com uma resistência de 1000 ohms).

Considerou-se nesse exemplo uma corrente de carga de 125 amperes.

I4 = Ip = -[1025,00 10.14o! - 1 . [0,4820 183,0° + 0,4846 183,0° +

125
+ 0,4841183.0o! 125 a 2
125 a

I4 = (0,00101-0.14°! (60,2500 L83.0° + 60,5750 L323.0°+60,5125 1201°)

I4 = (0,0010 1-0.14°] (0,0179242 - j 0,298157)


u = (0,0010 1-0.14°) (0,29869 1- 86 .6 °)

Li = 0 .3 0 1-86.74° mA/km

19.4.3 Com os mesmos dados do problema anterior, calcular a corrente induzida na cerca
quando de um curto-circuito monofásico fase-terra. Supor o curto-circuito na fase central
(fase 2), e uma corrente de 800 amperes.

É suposto, também, que a contribuição à indução das outras duas fases é desprezível.

Z 42 = 0,4846 183.0° = 0,05990 + j 0,4810 Q/km

Z 44 = [(24,76 + 0,0592) + j (0,4180 + 0,6108) + 0,0590 + j 0,4810) + 1000] Q/km

Z 44 = 1024,8782 + j 1,5298 = 1024,881 0.1°

I4 = IF =-[1024,88 ULLT1 [0,4846 I83.0°l [800]


14 = 0,38 183.1° A/km

19.4.4 Considerações a Respeito dos Três Exemplos


Como se pode observar, a corrente induzida pelo efeito eletromagnético, para o caso
considerado, é bem maior do que a corrente induzida pelo efeito eletrostático.
Como foi visto, a corrente de carga normal induz, numa cerca, a corrente de 0,30 mA por
quilômetro, enquanto a corrente de curto-circuito induz uma corrente de 380 mA por
quilômetro.
Deve-se calcular agora 0 com prim ento m áximo da cerca para se prom over o
seccionamento.
Como visto, a máxima corrente que pode circular pelo homem, em regime permanente,
é de 10 mA (deve-se considerar também como regime permanente aqueles casos onde o
tempo acumulado de operação do equipamento de proteção for superior a três segundos).
Assim, para a corrente de carga normal, 0 comprimento máximo de cerca seria:
J0,30 mA — 1000 m
[10 mA — Dj

.'. D, = 33,333 metros

No entanto, é preciso testar a corrente induzida pela corrente de curto-circuito que, na


maioria das vezes, é a condição que vai realmente limitar 0 comprimento da cerca.
Como visto, a corrente que pode passar pelo homem, em regimes curtos de tempo (t me­
nor ou igual a três segundos), é regida pela equação:

1= mA
Supondo-se um religador tipo W, com bobina série de 140A, com seqüência de operação
para fase 2A - 2B e sensor eletrônico de neutro ajustado para duas operações na curva 3 e
duas operações na curva 7 tem-se, para uma corrente de 800A, as operações na curva da
bobina-série, ou seja, um tempo total acumulado de: 2 x 0,061 s + 2 x 0,8 s = 1,722 s, para
a operação do religador até o bloqueio.
Desta forma, a corrente que pode passar pelo corpo humano será:

I = - / - 16 ■■ = 8 9 m A
V 1,722

O comprimento máximo da cerca será, para este caso:


Í380 mA — 1000 m
[89 mA — D2

V>2 = 234 metros

Comparando-se os dois valores, verifica-se que o comprimento máximo da cerca fica


limitado, pela corrente induzida por efeito da corrente de curto-circuito e pelo tempo de
operação acumulado do equipamento de proteção, em 234 metros.
Se a cerca, no entanto, fosse formada por mais que um fio, seria conveniente dividir-se
este comprimento por dois, isto para se supor que um indivíduo consiga tocar dois fios da
cerca ao mesmo tempo. Assim, o comprimento máximo da cerca seria de 234/2=117 metros.
Deve-se notar a suposição de que a cerca foi aterrada de um lado por uma resistência igual
a zero ohm, e de outro por um homem com resistência igual a 1000 ohms.
O mais correto seria supor o aterramento nas extremidades da cerca por dois indivíduos,
totalizando-se 2000 ohms de resistência de aterramento. Nestas condições, o comprimento
máximo de cerca formada por mais de um fio seria também de 234 metros.
Capítulo 20

Aterramento de Estais
O problema representado pelo estai consiste na possibilidade do contato simultâneo, por
uma pessoa ou animal, no estai e no terra adjacente, quando da ocorrência de um contato
acidental de um condutor energizado com o mesmo.
O resultado deste contato pode ser minimizado se o estai estiver efetivamente aterrado
por sua própria âncora ou de outra forma semelhante. Pode também ser minimizado caso o
estai esteja isolado.

20.1 Sistema a Quatro Fios ou Sistemas a Três Fios com Neutro de BT


Contínuo
Independentemente do tipo de poste (concreto ou madeira), a interligação do estai ao
neutro multiaterrado proporcionará uma boa segurança quando do contato acidental entre
condutor energizado e o estai.

20.2 Sistema a Três Fios com Neutro de BT Descontínuo


Nestes casos o estai pode ser efetivamente aterrado ou isolado.

20.2.1 Aterramento do Estai


Quando se aterra o estai este deve ser considerado como um aterramento de rede. O
cálculo é feito utilizando-se a rotina prevista no capítulo 12. A manutenção deve ser feita de
acordo com o capítulo 16. Cabe observar que a obtenção e manutenção de aterramento
efetivo em estais pode apresentar muitas dificuldades, principalmente no caso de redes rurais
onde o número destes é muito grande.

2 0.2.2 isolação do Estai


O isolador a ser utilizado deve:

a) Ter suficiente isolamento para a tensão de linha. É importante observar que o isolador
castanha normalmente utilizado não proporciona esta isolação, desde que é projetado para
classe de isolamento de 600 volts.
b) Ser colocado a uma altura que represente um compromisso entre o eventual contato da
fase com o estai e o contato de pessoa ou animal com a porção aterrada do estai.

c) No caso de postes de madeira é recomendável a utilização de isoladores com alta


resistência à descarga disruptiva para se evitar a anulação dos efeitos de isolação
proporcionados pelo poste.
Cabe observar que os isoladores de estai introduzem um elemento mecanicamente fraco
na construção da linha, e a manutenção de suas características elétricas por longos
períodos de tempo é dificultada pela simples razão de que os defeitos não se tomam
aparentes como no caso dos isoladores de linha. Estes, quando defeituosos, provocam a
saída da linha ou outros efeitos na qualidade do serviço. Um isolador de estai pode se
tomar defeituoso por contaminação, quebra ou algo semelhante, e estas condições podem
não ser descobertas a menos que ele seja chamado a atuar na função para a qual foi
projetado, ou seja, como dispositivo de segurança, e não funcione corretamente.
01 - A lternating current circuits
• R.M. Kerchner
• G.F. Corcoran

02 - ELECTRICAL TRANSIENTS IN POWER SYSTEMS


• Allan Greenwood

03 - GENERALIZED DAMPING CURVES AND THEIR USE IN SOLVING SWITCHING TRANSIENTS


• Allan Greenwood
• T.H. Lee

04 - C ircuit analysis of a.c. power systems


• Edith Clarke

05 - TRANSIENTS IN POWER SYSTEMS


• Harold A. Peterson

06 - A LABORATORY INVESTIGATION OF FERRORRESSONANCE IN CABLE-CONNECTED TRANSFORMERS — IEEE


TPAS, Vol. 87, maio/1968
• F. Young
• R. Schimidt

07 - FERRORRESSONANCE DURING SINGLE-PHASE SWITCHING OF 3 PHASE DISTRIBUTION TRANSFORMER BANKS


— IEEE TPAS, abril/1965
• R.H. Hopkinson

08 - DUAL PRESCRIPTION FOR FERRORRESSONANCE


• Electrical World, maio/70

09 - FERRORRESSONANT OVERVOLTAGE CONTROL BASED ON TNA TESTS ON 3 PHASE DELTA-WYE TRANSFORMER


BANKS
• IEEE TPAS, Vol. 86, outubro/1967

10 - OPEN PHASE CONDUCTOR AND LOAD TRANSFER COMBINE TO PRODUCE FERRORRESSONANCE


• The Line 78/3

11 - In s u l a t io n COORDINATION
• D.E. Hedman

12 - SWITCHING SURGES — SELECTION OF TYPICAL WAVES FOR INSULATION COORDINATION


• IEEE TPAS, outubro/1976

13 - S urge protection in power systems


• IEEE Tutorial Course

14 - DISTRIBUTION SYSTEMS s e m in a r
• GE - Publicação de julho/72

15- S eccionamento de redes de distribuição aéreas


• CEMIG

16- A nálise dos sistemas de distribuição quanto às sobretensões


• J.A. Cipoli
1 7- C oordenação d o s is o l a m e n t o s e a p l ic a ç ã o d e p á r a - r a io s
•G E

18 - Dados de tr o v o a d a s no e s ta d o de são paulo


• CESP - DEP/E/CO/253, 1978

19 - E l e c t r ic a l t r a n s m is s io n a n d d is t r ib u t io n r e f e r e n c e b o o k
• Westinghouse E.C.

20 - T he p r o t e c t io n o f t r a n s m is s io n s y s t e m s a g a in s u g h t n in g

• W.W. Lewis

21 - L in h a s a é r e a s d e t r a n s m is s ã o d e e n e r g ia e l é t r ic a
• R.D. Fuchs

2 2- E l e c t r ic a l s h o c k w a v e s in p o w e r s y s t e m s
• R. Rüdenberg

23 - SOBRETENSÕES EM SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO


• J.A. Cipoli

24 - M o d e l l in g f o r u g h t n in g p e r f o r m a n c e c a l c u l a t io n
• IEEE IPAS, Vol. 98, na 6, nov/dez/79

25 - A EXPERIÊNCIA do c e p e l co m c o n ta d o r es de d escar g as
• CEPEL - José C. Medeiros

26 - Pr o teç ã o d e s u b e s t a ç õ e s c o n t r a d e s c a r g a s a t m o s f é r ic a s d ir e t a s
• CEPEL - Vítor H.G. de Andrade

27 - E s t im a t iv a d o d e s e m p e n h o d e u m a l .t . q u a n t o a d e s c a r g a s a t m o s f é r ic a s
• C E P E L -J o s é R. Fonseca

28 - PÁRA-RAIOS DE RESISTOR NÃO UNEAR PARA SISTEMAS DE POTÊNCIA


• ABNT-MB-527

29 - PÁRA-RAIOS DE DISTRIBUIÇÃO: CONCEITOS FÍSICOS, ENSAIOS DE TIPO E NOVAS TECNOLOGIAS


• Jefferson Delpoio

30 - U g h t n in g a r r e ster s - p a r t 1 - n o n l in e a r r e s is t o r t y p e a r r e s t e r s f o r a . c . s y s t e m s - Pubiication
99-1-1970
• IEC - RECOMENDATION

31 - In t r o d u ç ã o à t é c n ic a d a s a l t a s t e n s õ e s
• M. Wellaver

32 - TRAVELUNG WAVES IN TRANSMISSION SYSTEMS


• L.V. Bewley

33 - TEORIA DA TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA


• R.D. Fuchs

34 - T RANSMISSION LINE THEORY II - P.T.I.


• D.E. Hedman

35 - G u ia d e a p l ic a ç ã o d e p á r a - r a io s d e r e s is t o r v a r iá v e l em s is t e m a s d e c o r r e n t e a l t e r n a d a
• A B N T /1971
36 - DlSTRlBUTION SYSTEM PROTECTION MANUAL
• McGraw Edison Company - Power System Division

37 - U ne DESIGN AND ELECTRICAL PROPERTIES OF WOOD - IEEE, Vol. Pas 86, n® 11, novembro/1967
• Darveniza, Mat Limbovrn
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38 - W H A T WOOD MAY ADD TO PRIMARYINSULATION FOR WITHSTANDING UGHTNING - Ohio Brasa Company
• J.T. Lusignan
• C.J. Miller

39 - TODAYS UGHTNING KNOWLEDGE CAN - Electrical world, fevereiro/1980

40 - A n ARC QUENCHING DEVICE FOR DlSTRlBUTION AND TRANSMISSION UNES - University of Queensland
• Mat Darveniza

41 - APPUCATION OF ARRESTERS FOR COMPLETE UGHTNING PROTECTION OF SUBSTATION - AIEE, Paper 58,1226,
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42 - ÜGHTNING PROTECTION OF UNDERGROUND RESIDENTIAL DlSTRlBUTION CIRCUITS


• R.W. Powell

43 - A p u c a ç â o d e p á r a - r a io s n a p r o t e ç ã o DE TRANSFORMADORES-G.E.
• A.E. Barros

44 - PROTEÇÃO CONTRA SOBRECORRENTE E SOBRETENSÃO PARA SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO - Universidade


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• G.E. Auer

45 - ÜGHTNING INDUCED OVERVOLTAGES ON OVERHEAD DlSTRlBUTION UNES - IEEE PAS 101, abr/1982
• A.J. Eriksson

46 - ÜGHTNING PARAMETERS FOR ENGINEERING APPUCATIONS - CIGRÉ - Electra na 69, março/1980


• A.J. Eriksson

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• M.L. Hurstell
• M.G. West

48 - INTRODUÇÃO À TÉCNICA DAS ALTAS TENSÕES - Editora da Universidade de São Paulo, 1973

49 - N o ç õ e s FUNDAMENTAIS SOBRE PÁRA-RAIOS - Tradução CESP, 1977 - G.E.


• F.J. Charewicz

50 - H is t ó r ia DO PÁRA-RAIOS DE DISTRIBUIÇÃO - Tradução CESP, 1977 - G.E.


• E.J. Allen

51 - PROTEÇÃO DE UNHAS - Tradução CESP, 1977 - G .E


• G.G. Auer

52 - A n ÁUSE DE SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO QUANTO ÀS SOBRETENSÕES - Publicação CPFL, abril/1980


• José Adolfo Cipoli

53 - PROTEÇÃO DE TRANSFORMADORES CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS - Revista Mundo Elétrico, setembro/


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• Artur Eduardo Barros
54 — THENMATURE OF SURGES - Artigo da Revista Electrical World, abril/1977
• Ronald Sebesta

55 - A CORRETA ESPECIFICAÇÃO DOS PÁRA-RAIOS - Artigo da Revista Eletricidade Moderna, jan/fev/1977


• Dimitri Ivanoff

56 - COORDENAÇÃO DOS ISOLAMENTOS E APUCAÇÃO DE PÁRA-RAIOS - Publicação da Seção de Engenharia Aplicada


da G.E.
• A.M. Corrêa

57 - U t il iz a ç ã o de d escar r eg ad o r es aéreos - catálogo v if o s a

58 - E B -3 8 2 - PÁRA-RAIOS DE RESISTOR NÃO UNEAR PARA SISTEMAS DE POTÊNCIA - ABNT, 1974

59 - APUCAÇÂO DE PÁRA-RAIOS - Normas USAS e NEMA

60 - ECLATEUR POUR LA PROTECTION CONTRE LA FOUDRE DES RESEAUX DE DISTRIBUTION PUBLIQUE DE 5,5 A 30
kV - EDF - Norme HN-65-01, fev/1966

61 - L a PROTECTION DE RESEAUX DE DISTRIBUTION A MOYENNE TENSION CONTRE LA FOUDRE - EDF - Norme H-


74

62 - LES GRANDS OPTtONS TECHNIQUES DE LA DISTRIBUTION A LA EDF - Rapport, dez/1975


• Jackes Schmeltz

63 - INVESTIGATION AND EVALUATION OF UGHNING PROTECTIVE METHODS FOR DISTRIBUTION CIRCUITS - PARTI:
MODEL STUDY AND ANALYSIS - IEEE TPAS, Vol. 88, ns 8, aug/1969
• Task Force Report

64 - FREQUENCY OF DISTRIBUTION ARRESTER DISCHARGE CURRENTS DUE TO DIRECT STROKES - IEEE TPAS, Vol.
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• G.W. Brown
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65 - S u r g e p r o t e c t io n o f c a b l e - c o n n e c t e d d is t r ib u t io n e q u ip m e n t o n u n d e r g r o u n d s y s t e m s - ie e e
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• IEEE Committee Report

66 - ÜGHTNING EARTHS - Ughtning, Vol. 2, R.H. Golde, Academic Press, 1977


• E.K. Saraoja

67 - Im p u l s e a n d a l t e r n a t in g c u r r e n t t e s t s o n g r o u n d in g e l e c t r o d s in s o il e n v ir o n m e n t - ie e e t p a s
Vol. 97, nfi 1, jan/fev/1978
• W.K. Dick
• H.R. Holliday

68 - DESIGN OF a LOW RESISTANCE GROUNDING SYSTEM FOR A HIDROELECTRIC PLANT LOCATED ON HIGHLY
RESISTIVE SOILS - IEEE TPAS, Vol. 97, ne5, sep/oct/1978
• R. Verma
• A. Meraud
• P. Barbean

69 - Im p u l s e im p e d a n c e o f g r o u n d in g g r id s - ie e e t p a s , voi. 99, n* 6, nov/dec/1980


• B.R. Gupla
• B. Thapar
70 - F u n d a m en tal c o n s id e r a t io n s o n im p u l s e im p e d a n c e o f g r o u n d in g g r id s - ie e e t p a s , voi. 100, n* 3,
march/1981
• R. Verma
• D. Mukhedkar

71 - E x p e r im e n t a l s t u d e o f t r a n s ie n t g r o u n d im p e d a n c e s - ie e e t p a s , voi. 100, n* 11, nov/1981


• D. Mukhedkar
• R. Kosztaluk
• M. Loboda

72 - EARTH CONDUCTION EFFECTS IN TRANSMISSION SYSTEMS - Dover Publications, Inc, N.Y.,1968


• Sunde

73 - Im p u l s e im p e d a n c e o f b u r ie d g r o u n d w ir e - ie e e t p a s , voi. 99, ns 5, sep/oct/1980

74 - N o vo s ASPECTOS EM SISTEMAS DE ATERRAMENTO ELÉTRICO


• Paulo Sérgio Pereira Ferreira
• Sidney Yukizaki

75 - N B R -5 4 1 0 , out/1980 - In s t a l a ç õ e s e l é t r ic a s d e b a ix a t e n s ã o

76 - O s FUNDAMENTOS E AS REGRAS DE ATERRAMENTO


• Ademaro Cotrim

77 - PRINCIPLES AND PRACTICES IN GROUNDING


• Edison Electric Institute, Publication N.D9, october/1936

78- A n á l is e c o m p a r a t iv a e n tr e h a s tes cobreadas e tu b o s g a l v a n iz a d o s em s is t e m a s de


ATERRAMENTO
• Érico do Brasil Ltda.

79 - A n á l is e c o m p a r a t iv a d a u t i u z a ç ã o d o s c a b o s c o p p e r w e l d em m a l h a s d e t e r r a d e s u b e s t a ç õ e s
• Érico do Brasil Ltda.

80 - DlMENSIONAMENTO DE CONDUTORES PARA PRUMADAS DOS SISTEMAS DE ATERRAMENTO DE REDES DE


DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
• José A.M. Leon
• Robervai Rodrigues

81 - A p l ic a ç ã o d e f io s e c a b o s c o p p e r w e l d em s is t e m a s d e a t e r r a m e n t o
• José A.M. Leon (C-43)

82 - In t e r p r e t a ç ã o d e r e s u l t a d o s d e m e d iç õ e s e r e s is t iv id a d e d o s o l o
• CEMIG

83 - E a r th r e s is t a n c e s
• G.F. Tagg

84 - A ter r a m en to d o s is t e m a d a c e m - r e v is ã o d o e s t u d o d e 1977

85 - A ter r a m en to d e in s t a l a ç ã o c o n s u m id o r e s d e b a ix a t e n s ã o /l ig h t s . e . s /a
• Carlos Ribeiro Junqueira
• Edison Dantas

86 - R e l a t ó r io s c e i 12.2 - p e s q u is a s o b r e t e c n o l o g ia d e m a t e r ia is p a r a a t e r r a m e n t o
• SCEI/CODI
H a s t e s d e a t e r r a m e n t o , m e d iç õ e s , d im e n s io n a m e n t o e u t iu z a ç ã o d e p r o d u t o s q u e d im in u e m a
RESISTIVIDADE DO SOLO
• C e c ília H e le n a M a g a lh ã e s M a rk o v ita
• J o s é A .M . Leon

88 - I n t e r l ig a ç ã o d o n e u t r o à m a l h a d a s e - c e m ig
• N ilson C é lio P fe ils tic k e r
• S a lo m ã o S o m b e rg P fe ffe r

89 - GROUND POTENTIALS ASSOCIATED WITH SINGLE UNE TO GROUND FAULTS


• E .W . B o e k n e

90- TECHNIQUES DEMISEÀ LATERRE I E II - Engineering Journal, october/1970


• D in k a r M u k e e d a r

91 - MlSE A LA TERRE D UNE MAISON RESIDENTIELLE EN ABSENCE DUNE RESEAU METALUQUE DAUMENTATION
D’EAU POTABLE
• M a rc e i Fortin

92- TEST TO DETERMINE GROUNDING PROCEDURES FOR MAXIMUM SAFETY DURING CONSTRUCTION AND
MAINTENANCE OF WOOD-POLE TRANSMISSION UNE
• E u g e n e W a te r B o ard

93 - E l e c t r ic s h o c k h a z a r d
• C h a rle s F. D a ls ie l - U n iv e rs ity of C alifórnia, B e rk e le y

94- EFFECT OF a TWO-LAYER EARTH ON THE ELECTRIC FIELD NEAR HVDC GROUND ELECTRODES
• M a ru v a d a P. S a ru n a , H y d ro - Q u e b e c Institute o f R e s e a rc h , H igh V o lta g e L a b o rato ry
V a ru n e s , Q u e b e c

95 - RESISTANCE CALCULATION OF INTERCONNECTED GROUNDING ELECTRODES


• F a rid D a w a lib i, M u k h e d k a r, M o n tre a l, Q u e b e c , C a n a d á

96- PLACEMENT OF PROTECTIVE GROUNDS FOR SAFETY OF UNEMEN


• E .J. H arring to n
• T .M .C . M artim

97- MEASURING GROUND RESISTANCE, RESISTIVITY AND POTENTIAL


• IE E E , n2 8 1 , 1 9 7 7

98 - GETTING DOWN TO EARTH


• J a m e s G . B iddle C o .

99- EARTH RESISTIVITY MEASUREMENTS ATTAINABLE TO A DEPTH OF 200m


• Y o k o g a w a E le c tric W o rk s , Ltda.

100 - I m p u l s e a n d a l t e r n a t in g c u r r e n T t e s t s o n g r o u n d in g e l e c t r o d e s in s o il e n v ir o n m e n t
• W illia m K. D ick
• H a rv e y R. H o llid ay

101 - S t a n d a r d fo r s a f e t y g r o u n d in g a n d b o n d in g e q u ip m e n t c 33.8,1972
• A N S I, V o l. 4 6 2

102 - M e d id a d a r e s is t ê n c ia d e t e r r a “DTT/257”
• C E S P - H a n i H a lla g e
103 - A n im p r o v e d m e t h o d f o r d e t e r m in in g u n e d is c h a r g e t h r o u g h p o t e n t ia l t r a n s f o r m e r s
• S. Csida
• L.I. Krower- Budapest, Hungary

104 - P r o t e c t iv e g r o u n d in g o f e l e c t r ic a l in s t a l l a t io n s o n c u s t o m e r s p r e m is e s
• A.H. Schirmer

105 - M a n u a l t é c n ic o d e c a m p o - s is t e m a d e a t e r r a m e n t o - m ó d u l o 231.727.000/001-R1
• Furnas

106- A terram ento de estações suburbanas


• Light S.E. S/A

107- A t e r r a m e n t o r e s s o n a n t e p a r a s is t e m a s g e r a d o r e s u n it á r io s - u g h t s . e . s /a - seminário técnico


• Vitor Cesar Quintão

108- A t e r r a m e n t o - r e d e d e d is t r ib u iç ã o a é r e a
• CEB

109- G u id e f o r s a f e t y in a l t e r n a t in g s u b s t a t io n g r o u n d in g
• IEEE, nQ80, march/1961, American Institute of Electrical Engineers, N.Y.

110 - G u id e fo r s a f e t y in a l t e r n a t in g s u b s t a t io n g r o u n d in g
• IEEE, na 80, march/1976, American Institute of Electrical Engineers, N.Y.

111 - F u n d a m e n t a l c o n s id e r a t io n s o n g r o u n d c u r r e n t s
• R. Rudenberg, jan/1945 (anexo ao IEEE std-80 mar/61)

112 - G e n e r a l f u n d a m e n t a l s o f e l e c t r ic a l g r o u n d in g t e c h n iq u e s
• P. Laurent, julho/1951 (anexo ao IEEE std-80 mar/61)

113 - ANALYTICAL EXPRESSIONS FOR THE RESISTANCE OF GROUNDING SYSTEMS


• S.J. Schwarz

114 - G u id e f o r g r o u n d in g d e s ig n
• Ontario Hydro, mar/1979

115 - EARTH CONDUCTION EFFECTS IN TRANSMISSION SYSTEMS


• E. D. Sund, 1968

116 - P r o j e t o s d e a t e r r a m e n t o d e e q u ip a m e n t o s a u t o m á t ic o s d e d is t r ib u iç ã o
• F.W. Hill, 1972 (CERJ)

117 - M a n u a l p a r a p r o j e t o s d e a t e r r a m e n t o e m r e d e s e l in h a s a é r e a s d e d is t r ib u iç ã o
• Lúcia H. Rizzi Oliveira, jun/1979

118 - IEEE - RECOMMENDED PRACTICE FOR GROUNDING OF INDUSTRIAL AND COMMERCIAL POWER SYSTEMS
• IEEE std 142, 1972

119- N o r m a v d e - a t e r r a m e n t o d e in s t a l a ç õ e s e m c o r r e n t e a l t e r n a d a d e t e n s õ e s n o m in a is
SUPERIORES A 1 kV.

120 - N a t io n a l e l e c t r ic a l c o d e - n e c

121 - S is t e m a s d e a t e r r a m e n t o
• José A.M. Leon
A l t e r n a t iv a s p a r a m e l h o r ia d a r e s is t ê n c ia d e a t e r r a m e n t o

• José A.M. Leon

123- TRANSMISSION AND DISTRIBUTION GROUNDING IN THE HYDRO-ELECTRIC POWER COMMISSION OF ONTARIO
• W.W. Luchs and W.A.R. Lemire, 1951

124- As REGRAS DO ATERRAMENTO PERFEITO


• Eletricidade Moderna, out/1976

125- R ural n e u t r a l p o t e n c ia l s

• J.H. Woghone - AIEE - Transactions, Vol. 69, 1950

126- PRACTICAL GROUNDING


• Copperwel Steel Company, 1972

127- 1 2 SESD 11 - SEMINÁRIO DE ENGENHARIA DE SEGURANÇA DA DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA - 1 5 A 22/


11/1979 - ATERRAMENTO TEMPORÁRIO

128- P u b l ic a ç õ e s d a h a r v e y h u b b e l d o b r a s il

• (ALCACE) S.A. - Equipamentos Elétricos (materiais para aterramento)

129- BEHAVIOUR OF HIGH RESISTIVITY SOILS IN A TROPICAL AREA


• H.G. Assumpção

130- A p o s t il a r . s a u e r - c u r t o c ir c u it o e a t e r r a m e n t o

131 - TRANSFERRED EARTH POTENT1AL IN POWER SYSTEMS


• IEEE Transactions on power apparatus and systems, vol. PAS-97 n8 1, januaiy/february/1978

132- A MODERN APPROACH TO GROUNDING S Y S T E M S -IT T

133- U m NOVO ELETRODO


• José Zagha (SPIG)

134- R egulam ento p .267 - t o m a s d e t ie r r a

135- MEGGER NULL BALANCE EARTH TESTES CATALOG N» 63220 HANCRANKEDINSTRUMENT

136- GROUNDING OF POWER COPPERWELD WIRE AND FOR GROUNDING APPLICATIONS


• E.D. 1824

137- DISTRIBUTION SYSTEMS - GROUNDED OR UNGROUNDED


• Electrical construction and maintenance, abril/77

138- A ter r am en to d e r e d e d e d is t r ib u iç ã o - d ia g n ó s t ic o

• Relatório SCEI.05.08 - CODI, junho/79

139- S is t e m a de aterram ento - d t t /234

140 - M e d iç ã o d e r e s is t ê n c ia d e a t e r r a m e n t o

• Furnas, novembro/77

141 - MEGGER EARTH TESTER


• Escelsa

142- M egg er de terra

• Escelsa
162 - GROUND POTENT1ALS ASSOCIATED WITH SINQLE UNE TO GROUND FAULTS

163 - A terram ento E CORROSÃO EM UNHAS DE TRANSMISSÃO


• V Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica - Recife, 1979

164 - A terram ento - recomendações


• General Electric do Brasil S.A.

165- CONNECTORS FOR ELECTRICAL CONSTRUCTIONS AND MAINTENANCE


• Burudy, 1973

166 - R e s p o s t a d o s q u e s t io n á r io s e n v ia d o s a c o n c e s s io n á r ia s e n t r a n g e ir a s
• GE/12 - Comitê de Distribuição - CODI

167 - I n f o r m a ç õ e s d e f a b r ic a n t e s n a c io n a is e n v ia d o s e m r e s p o s t a a o q u e s t io n á r io a e l e s s u b m e t id o s
PELOG/12
• Comitê de Distribuição - CODI

168 - A t e r r a m e n t o d e in s t a l a ç õ e s e m c o r r e n t e a l t e r n a d a d e t e n s õ e s n o m in a is s u p e r io r e s a i kv, d in
57141/VDE 0141/7.76 (ENGL)

169 - P r o j e t o s d e a t e r r a m e n t o d e e q u ip a m e n t o s a u t o m á t ic o s d e d is t r ib u iç ã o - c o m p a n h ia b r a s il e ir a
DE ENERGIA ELÉTRICA (CERJ)
• F.W. Hill
• Mário M. Nielsen

170 - R e l a t ó r io s c o m -o i 2/g c o i - g r u p o c o o r d e n a d o r d a o p e r a ç á o in t e r u g a d a

171 - R e c o m e n d a ç á o p a r a s e c c io n a m e n t o e /o u a t e r r a m e n t o d e c e r c a s p a r a l e l a s o u q u e c r u z a m
UNHAS DE TRANSMISSÁO
• GCOI-SCM-005 (SUL)

172 - D is c h a r g e v o l t a g e o f a r r e s t e r c o n n e c t in g l e a d w ir e s
• S.S. Kershaw Jr.
• C.R. Clinkenbeard

173 - PROTECTION OF DISTRIBUHON UNES — Ughtning Protection, Volume 2


• S. Rusck
• Edited by R. H. Golde

174 - R e l a t ó r io scEi.12.03 - r e c o m e n d a ç õ e s p a r a o a t e r r a m e n t o d e e q u ip a m e n t o s d e r e d e s e u n h a s d e
d is t r ib u iç ã o
• Comitê de Distribuição - CODI

175- R e l a t ó r io s c e l i 7.o i - a p u c a ç á o d e e q u ip a m e n t o s d e p r o t e ç á o c o n t r a s o b r e t e n s A o

177 - R e l a t ó r io s c p d /s c d i / c c o n n* 305-85 d o c c o n - a p u c a ç Ao d a s d ir e t r iz e s g e r a is p a r a r e d e s , u n h a s
e e q u ip a m e n t o s d e d is t r ib u iç ã o