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2º Escalão – alunos do 3º e 4º ano

1º Classificado: David Serrão, aluno do 3º C, da EB1/JI de Miratejo

O Natal veio do Céu

Véspera de Natal, a noite mais aguardada por todas as crianças aproximava-se a passos largos.
Quico também a aguardava. Estava ansioso, doidinho para saber se os seus desejos para este Natal
se iriam concretizar. Ele bem que tinha pedido uma bicicleta!!!

“Quico!” – disse a mãe, ao vê-lo assim, encostado a um canto pensativo – “Quico!”. Quico não lhe
respondia. A sua cabeça não parava de pensar nos presentes que o aguardavam.

“Quico! Acorda!” – voltou a insistir a sua mãe – “QUICO!!!”. O Quico deu um pulo, e um pouco
assustado lá olhou para a sua mãe dizendo – “Diz mamã... desculpa, estava distraído”.

“Pois, bem vejo andas com a cabeça na Lua. Olha, preciso que vás num instante à loja, antes que
feche. Preciso que vás lá comprar uns ovos, para que eu possa fazer um pudim para o jantar de
consoada. Bem sabes como o teu pai adora pudim!”

E lá foi o Quico. Saiu de sua casa agasalhado, e lá foi a saltitar para a loja. A noite já tinha caído e
vestido o céu com um manto negro, pintado aqui e acolá por uns pontos brancos, que brilhavam
insistentemente. Quico olhava para o céu onde as estrelas pareciam dançar e brincar umas com as
outras.

De regresso da loja, o Quico pediu à sua mãe se podia ir brincar para o seu quarto. A mãe disse-lhe
que poderia ir apenas por um bocadinho, pois estava quase na hora de jantar. Quando chegou ao seu
quarto, começou a brincar com os seus piões, mas a sua atenção foi subitamente desviada por uns
clarões luminosos que via na janela. Aproximou-se da mesma, e reparou em pequenas luzes que
pareciam “dançar” lá no alto. “Estranho” - pensou - “Não me lembro de terem colocado luzes de
festa!”. Reparou que, afinal, não eram luzes mas sim estrelas no céu. As estrelas, dançavam no céu,
brincando umas com as outras. Não eram apenas brancas, eram de todas as cores, como que se o
arco-íris se tivesse desfeito em pequenos grãos de areia. Subitamente, como que por magia, as
pequenas estrelas, começaram, muito lentamente, a descer do céu sobre a pequena aldeia do Quico.
Cada uma, parecia ter um destino muito bem traçado e uma a uma as estrelas entravam pelas
chaminés das casas. Havia também uma estrela com destino a sua casa. Linda e com um brilho
alaranjado.

“Olha, entrou em minha casa...” - disse admirado - “... tenho que ir ver o que se passa e avisar os
meus pais!” Saiu a correr do seu quarto e não viu ninguém. Apenas reparou numa luz laranja que
vinha da sala, onde ficava a lareira. Aproximou-se com muito cuidado, quase a medo. A luz foi
ficando cada vez mais intensa. Foi aí que o Quico a viu.

No meio da sala, junto à lareira, uma luz brilhava de uma forma tão intensa, que era muito difícil
conseguir olhar para ela. De repente ouviu uma voz...

“Quico. Já sei que estás aí... podes aparecer, eu não te faço mal.” - disse uma voz doce e melodiosa
- “Estou aqui apenas porque tu pediste. Eu sou a tua estrela.”

O Quico estremeceu, não sabia muito bem se de medo, se de espanto. Uma estrela, daquelas que há
no céu, no meio da sua sala, e ain

da por cima sua? Um pouco a medo, aproximou-se mais e dizer qualquer coisa.
“Uma estrela? Minha? Tenho uma estrela? Porquê? E o que estás tu aqui a fazer? Mas as estrelas
não ficam no céu? Mas...” - o Quico não parava de fazer perguntas, tantas eram as suas dúvidas.

“Calma, uma pergunta de cada vez. Para mim também foi uma surpresa. Devias estar a dormir...” -
disse a estrela, também ela surpreendida com a presença e com as perguntas do Quico - “... mas eu
explico-te tudo. Todos os meninos têm uma estrela no céu. Uma estrela que olha por eles... que os
protege, que os ajuda, e que escuta todos os seus desejos e anseios.” - disse. Continuou, enquanto
Quico escutava - “Sempre que um menino precisa de ajuda, a sua estrela desce do céu e vem ajudá-
lo, sem que ele perceba, claro. Esta é a única altura do ano em que todas nós descemos do céu - na
noite de Natal.”

“Mas porque descem todas na noite de Natal? Todos os meninos precisam de ajuda?” - perguntou.

“Não... mas como te disse... somos nós que escutamos os desejos dos meninos, e que os
satisfazemos se eles se portarem bem. Diz-me lá Quico, tu não querias uma bicicleta neste Natal?” -
disse-lhe a estrela enquanto piscava o olho - “E foste um menino bem comportado?”. Quico,
admirado pela conversa e pela estrela conhecer o seu desejo, respondeu afirmativamente.

“Pois, eu sei sim. Sei que te comportaste lindamente e que foste um menino obediente e bom aluno.
Não te esqueças que a tua estrela sabe tudo sobre ti e tudo vê. Nunca te esqueças disto. Por isso,
vim para satisfazer o teu desejo, e trouxe a tua bicicleta.” - disse a estrela, enquanto apontava para
um linda bicicleta, coberta aqui e acolá pelo pó alaranjado e reluzente de estrelas. Quico não cabia
em si de contente.

“Mas afinal não é o Pai Natal que nos traz as prendas?” - perguntou curioso o Quico. “Mas tu achas
que o Pai Natal tinha tempo para trazer prendas para todos os milhões de meninos que existem no
Mundo? Achas mesmo?”. Quico concordou com a estrela. “Vá, agora vou-me embora. Vou voltar
para o pé das minhas irmãs estrelas. Adeus e até para o ano. Porta-te bem...”

De repente ouviu uma voz distante. “Quico... Quico, acorda!!! Quico!” Era a voz da sua mãe. O
Quico abriu os olhos e viu a mãe a olhar para ele. Afinal tudo não tinha passado de um belo sonho.
“Quico, estavas a dormir tão bem, que nem te acordei para jantar. Anda, vem ver os presentes”,
disse-lhe a mãe.

Quico saltou da cama e foi a correr para a sala. Afinal tudo aquilo não tinha passado de um sonho -
“as estrelas a entregarem presentes, que patetice...” - pensava ele. Quando chegou à sala viu a sua
bicicleta nova, ficou maravilhado. Nova. Linda. E brilhante! Brilhante?!? Que pó que brilhava seria
aquele? Não pode ser... era pó de estrela!