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FORMAÇÃO E GESTÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Atuação dos Profissionais em EAD

Estrutura e Metodologia

Prof. Dra. Solange Maria Sanches Gervai

Prof. Ma. Edna Barberato Genghini


GERVAI, Solange Maria Sanches
GENGHINI, Edna Barberato

Atuação dos Profissionais em EAD: Estrutura e


Metodologia (livro-texto, unidades I, II, III e IV) / Solange Maria
Sanches Gervai; Edna Barberato Genghini – São Paulo: Pós-
Graduação Lato Sensu UNIP, 2019.

105 p. : il.

1. Educação a Distância. 2. Metodologias. 3.Tecnologias. I.


Gervai, Solange Maria Sanches. Genghini, Edna Barberato. II.
Pós-Graduação Lato Sensu UNIP. III. Atuação dos
Profissionais em EAD: Estrutura e Metodologia.
Professora conteudista

SOLANGE MARIA SANCHES GERVAI

Graduou-se em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (1988), é mestre e doutora


em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, pela Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo. Professora titular da Universidade Paulista (Unip), lidera o grupo de pesquisa
Multiletramentos na Formação Contínua de Educadores e atua como professora em cursos
presenciais de graduação e pós-graduação na modalidade a distância.

Professora colaboradora

EDNA BARBERATO GENGHINI, professora universitária desde 2002. Atualmente, é


coordenadora para todo o Brasil dos cursos de pós-graduação lato sensu em
Psicopedagogia Institucional, Docência para o Ensino Superior e Formação em Educação
a Distância pela Universidade Paulista – UNIP EaD, onde também atua como professora
adjunta, nas modalidades interativa e semipresencial. É diretora e psicopedagoga da
Mentor Orientação Psicopedagógica Ltda. ME desde 1991. Possui graduação em
Economia Doméstica pelas Faculdades Integradas Teresa D'Ávila de Santo André (1980),
graduação em Pedagogia pela Universidade Guarulhos (1985), pós-graduação em
Psicopedagogia pela Universidade São Judas (1987), Mestrado em Ciências Humanas
pela Universidade Guarulhos (2002) e pós-graduação lato sensu em Formação em
Educação a Distância pela Universidade Paulista – UNIP (2011). É autora e coautora de
livros-texto para os cursos de pós-graduação lato sensu em Psicopedagogia Institucional,
Docência para o Ensino Superior e Formação em Educação a Distância da UNIP EaD.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 6
1. TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) ............................................................. 8
1.1 As diferentes fases da EaD e suas marcas tecnológicas ................................................................ 8

1.2 A internet como ferramenta de mudança ............................................................................................. 10

1.3 Paradigmas educacionais e tecnologias .............................................................................................. 19

2. METODOLOGIAS EM EAD: PARADIGMAS ........................................................................ 35


2.1 A concepção de educação e processos de ensino aprendizagem .................................................. 35

2.2 Modalidades de trabalho pedagógico em EAD ................................................................................... 43

2.3 A qualidade das interações e o papel do professor em ambientes virtuais .................................... 45

3. FERRAMENTAS SÍNCRONAS E ASSÍNCRONAS DE APRENDIZAGEM EM AVA ............ 52


3.1 Mediação pedagógica para construir conhecimento complexo ........................................................ 53

3.2 Atividades e ferramentas em AVA (síncronas e assíncronas).......................................................... 56

3.3 Chats, tarefas individuais, fóruns e avaliação processual ................................................................. 59

4. PARADIGMAS: O TEMPO E A AUTONOMIA EM EAD ....................................................... 79


4.1 A administração do tempo e do espaço na educação a distância ............................................... 80

4.2 Autonomia: a responsabilidade pela própria aprendizagem ......................................................... 87

4.3 Ampliando o conceito do “estar junto virtual” ................................................................................... 94


APRESENTAÇÃO

Olá, aluno(a)!

Bem-vindo(a)!

Neste material você encontrará os conteúdos pertinentes à disciplina Atuação dos


Profissionais em EAD: Estrutura e Metodologia, que trata sobre diversas questões
relacionadas às metodologias aplicadas na modalidade a distância e seus possíveis
resultados de aprendizagem.

Vamos analisar tecnologias e suas implicações para a atuação de professores nos


ambientes de aprendizagem, relacionando-as aos paradigmas educacionais que norteiam
nossas ações como profissionais da educação (presencial ou não).

Buscaremos compreender um pouco mais sobre os possíveis paradigmas que


permeiam e norteiam as ações dos profissionais da área, no âmbito da ação pedagógica,
assim como no design dos materiais e escolhas das ferramentas a serem trabalhadas com
os alunos.

Para finalizar, analisaremos questões importantes que podem afetar os estudos dos
alunos e a ação dos professores na modalidade, como a organização do tempo e o
desenvolvimento de autonomia.

A disciplina visa promover atitudes que fomentem mais oportunidades de autonomia


e aprendizagem.

Animado(a)?

Então, mãos à obra!


INTRODUÇÃO

O objetivo deste livro-texto do curso de pós-graduação - FORMAÇÃO EM


EDUCAÇÃO a DISTÂNCIA, da UNIP EaD, é ajudá-lo a refletir sobre os desafios da
atuação dos profissionais da modalidade, para o uso de ferramentas que promovam uma
educação a distância mais próxima. Buscamos compreender quais elementos podem ser
fundamentais para uma EaD que promova mais engajamento dos alunos e professores,
com responsabilidade e autonomia.

O material que agora você tem em seu poder está dividido em quatro unidades
didáticas distintas, porém complementares. Cada uma delas apresenta uma particularidade
do tema, tendo em vista facilitar seu percurso dentro da temática.

Veja como estão organizadas as unidades:

Unidade 1 – Tecnologia e Educação a Distância (EaD): As diferentes fases da EaD e


suas marcas tecnológicas; A internet como ferramenta de mudança; Paradigmas
educacionais e tecnologias.

Unidade 2 – Metodologias em EaD: paradigmas: A concepção de educação e processos


de ensino aprendizagem; Modalidades de trabalho pedagógico em EaD; A qualidade das
interações e o papel do professor em ambientes virtuais.

Unidade 3 – Ferramentas síncronas e assíncronas de aprendizagem em AVA:


Mediação pedagógica para construir conhecimento complexo; Atividades e ferramentas em
AVA (síncronas e assíncronas); Chats, Tarefas individuais, Fóruns e avaliação processual.

Unidade 4 – O tempo e a autonomia em EaD: A administração do tempo e do espaço na


educação a distância; Autonomia: a responsabilidade pela própria aprendizagem;
Ampliando o conceito do “estar junto virtual”.

Para estudar todos os temas indicados, os objetivos gerais da disciplina são:

• Trabalhar a noção de como as novas tecnologias influenciam a atuação de


professores nos ambientes de aprendizagem, relacionando-as aos paradigmas
educacionais;

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• Conhecer a modalidade do ensino a distância como um advento marcado pelas
novas possibilidades tecnológicas;

• Analisar os desafios da educação a distância;

• Refletir sobre os objetivos de aprendizagem relacionando-os às escolhas de


ferramentas tecnológicas.

Saiba, também, quais são os objetivos específicos:

• Identificar desafios ao processo de avaliação;

• Perceber que a avaliação não é neutra, mas deve ser fidedigna. Identificar
relações entre teoria e prática na modalidade de educação a distância;

• Compreender os processos que podem levar à construção de diferentes tipos de


conhecimentos;

• Conhecer elementos fundamentais para maior engajamento dos alunos para a


construção de responsabilidade e autonomia.

Aproveite a leitura e as imagens do seu livro e não deixe de buscar as indicações da


sessão “Saiba mais” para aprimorar seus conhecimentos.

Boa jornada!

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UNIDADE I

1. TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD)

Conteúdos trabalhados na unidade: Tecnologia e Educação a Distância: As


diferentes fases da EaD e suas marcas tecnológicas; A internet como ferramenta de
mudança; Paradigmas educacionais e tecnologias.

Nesta unidade, a intenção principal é analisar como as tecnologias


influenciam a existência da Educação a Distância (EaD), marcando diferentes
fases da modalidade. Buscaremos olhar para o advento da internet como
ferramenta de aprendizagem, refletindo sobre os paradigmas educacionais e as
tecnologias escolhidas.

A prática de educação a distância (EaD) tem concretamente existido no


mundo há muitos anos, como ação educativa, mas, como apontam Taylor
(1994) e Nipper (1989), somente com a mídia impressa é que realmente
podemos dizer que a educação a distância passou a ser aceita como parte de
um sistema educacional. Historicamente, em um primeiro momento, a EaD teve
como apoio fundamental o meio impresso.

Para começar, vamos falar sobre as diferentes fases da modalidade a


distância.

1.1 As diferentes fases da EaD e suas marcas tecnológicas

A primeira fase, conhecida como a primeira geração da educação a


distância, foi seguida pela geração multimídia, que, segundo Taylor (1994) e
Nipper (1989), foi uma época marcada pelo uso de recursos mais
desenvolvidos, como os guias de estudos impressos, leituras selecionadas,
vídeos, fitas cassete e até computadores. É importante lembrarmos que a

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primeira fase da EaD pode ser também chamada de geração textual (1890 a
1960).

Os estudos eram empreendidos por meio de correspondência,


taquigrafia em cartões postais e exercícios. Foi no século XIX, na Europa, que
o ensino por correspondência se caracterizou como a primeira geração de
procedimentos de ensino a distância.

Taylor (1994) aponta que muitas instituições de ensino a distância,


simplesmente foram se adaptando às novas possibilidades tecnológicas e
mudaram da primeira para a segunda geração, mas ainda outras saltaram
diretamente para a chamada terceira geração, da qual fazem parte os que já
utilizaram como ferramentas áudio e teleconferências, bem como as
videoconferências com apoio em rádio e televisão.

Seguindo essa categorização, os autores apresentam a quarta geração,


compreendida como a que combina essas últimas tecnologias com todos os
outros recursos que passaram a existir mediados pela internet. Essa geração
tem como característica o aumento da interatividade e da interação, com um
crescimento significativo de fontes de informação de fácil e rápido acesso,
disponibilizadas pela internet.

Vale a pena conhecer um pouco mais sobre a História da Educação a Distância no Brasil.
Entre no link sugerido e veja como tudo aconteceu.
Você pode baixar o livro que, também, faz uma trajetória e uma reflexão sobre a situação
atual dos programas de governo da Universidade Aberta do Brasil e Rede e-Tec
https://www.researchgate.net/publication/324136558_EDUCACAO_A_DISTANCIA_NO_B
RASIL_breve_historico_e_contribuicoes_da_Universidade_Aberta_do_Brasil_e_Rede_e-
Tec_Brasil

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1.2 A internet como ferramenta de mudança

Você̂ já parou para pensar como as tecnologias desenham o mundo em


que vivemos?

Podemos afirmar que a internet é uma ferramenta tão revolucionária


quanto a imprensa de Gutemberg?

O surgimento da imprensa mudou o mundo. A tecnologia da impressão


em larga escala garantiu o desenvolvimento dos processos de disseminação
de ideias, distribuindo impactos e alterando a organização da vida cotidiana.

E a internet? Bem, essa nos permitiu, como jamais antes, o aumento da


interatividade e da interação, com um crescimento significativo de fontes de
informação disponibilizadas pela Web (World Wide Web), sistema hipertextual
que opera através da internet, com o uso de computadores e outros aparelhos
móveis, como os celulares.

História e usos da Internet

Pré-história da Internet

Os primórdios da Internet remetem à reação do governo norte-americano


ao Projeto Sputnik da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS), capitaneadas pela Rússia, durante a guerra fria, em 1957.
Siga lendo a história no site <https://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-
geral/historia-da-internet>.

Então, aumentamos de forma significativa as possibilidades de obtermos


conhecimentos e de interagirmos com o mundo. O que você entende por

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interação? Seria o mesmo que interatividade? A figura a seguir pode
representar os dois conceitos?

Figura 1: Interação e interatividade

http://telainterativa-interatividade.blogspot.com/2009/04/interatividade-x-interacao.html

Acesso em jan. de 2019.

Sim, a figura pode representar os dois conceitos. Silva (2002) afirma


que, apesar de interatividade e interação caminharem lado a lado, não são
iguais:

• A interatividade deve ser entendida como a conexão entre indivíduo e a


informação, feita com a mediação de uma tecnologia: uma máquina; um
computador; um celular, por exemplo.

• A interação, por sua vez, é muito mais ampla, podendo ser digital ou
não, implicando trocas e influências entre pessoas, como em conversas,
gestos, recados, discussões, entre milhões de outros gêneros de comunicação.

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Essa nomenclatura estabelecida é importante para nos ajudar a
perceber como as novas tecnologias permitiram o desenvolvimento de uma
educação a distância com mais possibilidade de interação.

É interessante lembrar também que o aperfeiçoamento dos serviços de


correio, melhores meios de transporte e o desenvolvimento tecnológico, em
geral; como o da telefonia, influenciaram decisivamente o destino da educação
a distância.

Como qualquer outro produto social, a educação está sujeita a


mudanças, decorrentes não somente das próprias esferas sociais, como
também de novos procedimentos de organização do uso da linguagem e da
introdução de novas mídias.

Daí nosso particular interesse por questões relacionadas às tecnologias,


pois muitos contextos educacionais, incluindo os de educação a distância,
passaram por modificações por conta do impacto delas.

Com o advento das novas Tecnologias de Comunicação e Informação


(TICs), muitas mudanças passaram a afetar, sobretudo, a atuação de
professores. Mudanças profundas? Não sabemos… O que você acha? Você
sente que as novas tecnologias mudaram muito as suas aulas?

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Atividade de aplicação

Escreva exemplos de como você inclui as novas tecnologias em suas


aulas, reservando um parágrafo para refletir sobre a seguinte questão:

As tecnologias utilizadas servem de suporte real para que você atinja


os seus objetivos pedagógicos?

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_______________________________________________________________
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Então, pode ser que para você lidar com novas tecnologias seja simples,
mas isso não ocorre com todo mundo. Moran (2011), um dos maiores
especialistas brasileiros no uso da internet em sala de aula presencial ou a
distância, em uma de suas entrevistas, aponta para a insegurança do professor
causada pela invasão das tecnologias e do conhecimento advindo das redes,
afirma que:

[…] o professor, desde que surgiu o livro, sempre teve um pouco de


receio de que o aluno aprendesse outras versões além da dele. Só
que hoje você tem muitas outras formas de informações em qualquer
mídia… e a internet agrava ainda mais a sensação de que o aluno
pode encontrar informações que o professor não tem (MORAN, 2011,
p. 4).

E muitos alunos sabem mais de tecnologias do que muitos professores,


pois são nativos digitais. Entretanto, ainda segundo Moran (2011), tal atitude

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vem mudando. Muitos professores já se valem de novas tecnologias como
aliadas em seus espaços de trabalho e buscam integrá-las ao contexto
educacional, fazendo com que o aluno também tenha uma diferenciada
experiência de aprendizagem.

Assim, parece que por mais que se tente controlar a entrada de alguma
tecnologia em nossas vidas, de alguma forma, a resistência resultará vã. A
revolução informacional, permitida pela conexão em redes, penetrou na
sociedade tal como a da energia elétrica. Pense bem, não há como ignorá-la!

A seguir, reflitamos um pouco mais sobre essa questão.

Na área dos estudos da comunicação, é constante a preocupação com a


influência dos meios na transmissão de mensagens. Vários estudos entendem
o meio como simples canal de passagem de conteúdo comunicativo, pois os
meios, ou mídias, já foram amplamente entendidos como incapazes de
influenciar os conteúdos comunicativos que veiculam.

Com o desenvolvimento de pesquisas na área, como as de Marshall


McLuhan, por volta dos anos 1960, inicia-se uma mudança na forma de
entender a importância dos meios, na medida em que eles começaram a
ganhar valor analítico, como elementos que poderiam mudar a comunicação:
de simples canais, passaram a ser vistos como determinantes na comunicação.

Para ocluam (1995), a tecnologia em que se estabelece a comunicação


não constitui apenas a forma comunicativa, mas é fator decisivo daquilo que
pode ser dito, moldando o próprio conteúdo da comunicação. McLuhan (1995)
afirma que a evolução midiática é um elemento fundamental para a
transformação da cultura humana e, para tanto, ele demonstra a importância
das mídias, distinguindo três grandes períodos de evolução.

• A cultura acústica: a das sociedades cujo meio de comunicação é a


palavra oral;

• A cultura tipográfica: característica das sociedades alfabetizadas;

• A cultura eletrônica: determinada pela velocidade e pela integração


dos sentidos.

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Para cada uma dessas galáxias, McLuhan (1995) descreve um modo
próprio do ser humano pensar o mundo e de nele se situar. Mas, essas
preocupações eram típicas dos estudos que focalizam a comunicação e as
relações socioculturais.

No entanto, algumas questões discutidas nos estudos da comunicação,


referentes, principalmente, à introdução de novas mídias, acabaram
permeando também o âmbito educacional. Por exemplo, são muitos os que
veem as tecnologias como simples instrumentos a serviço do ensino. Outros,
seguindo um raciocínio semelhante ao de McLuhan, acreditam que as
tecnologias podem definir as relações educacionais.

São posições polarizadas que acabam por enfatizar somente um lado de


um contexto maior, concorda?

Para educadores e pesquisadores na área de EaD, como Garrison e


Anderson (2003), as tecnologias afetam diretamente o desenho dos materiais,
as interações, o custo dos programas educacionais e até mesmo os resultados,
mas são somente um dos aspectos envolvidos no contexto educacional. Para
eles, não é possível deixar de lado aspectos como a mediação, o desenho de
um curso, as formas de avaliação, as pessoas envolvidas, as motivações, os
estilos de ensino e aprendizagem, enfim, todos os outros elementos que
compõem o contexto educacional.

Garrison e Anderson (2003) acreditam que a tecnologia educacional


deve ser definida como o uso formal de tecnologias para o desenvolvimento de
uma educação que dissemine, ilustre, comunique ou inclua professores e
alunos em atividades com propósitos bem definidos e orientados, com vistas a
atingir objetivos específicos de aprendizagem.

Nesse sentido, Chaves (1999) acrescenta que a tecnologia pode ser


usada na educação, mas isso não a torna educacional ou educativa, por isso,
sugere o termo “tecnologia na educação” ou “informática aplicada à educação”.

Além disso, o autor salienta que precisamos também ter clareza quando
nos referimos às tecnologias, pois o termo “tecnologia” é muito mais complexo.

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[…] podemos nos referir a todas as tecnologias que o ser humano
inventou e que afetaram profundamente a educação: a fala baseada
em conceitos (e não apenas grunhidos ou a fala meramente
denotativa), a escrita alfabética, a imprensa (primeiramente de tipo
móvel), e, sem dúvida alguma, o conjunto de tecnologias
eletroeletrônicas que a partir do século passado começaram a afetar
nossa vida de forma quase revolucionária: telégrafo, telefone,
fotografia, cinema, rádio, televisão, vídeo, computador – hoje todas
elas digitalizadas e integradas no computador (CHAVES, 1999, p. 2)

Enfim, existem muitas tecnologias e o impacto delas, em seus


respectivos momentos, faz com que muitos pensem em mudanças e novas
soluções para tudo. Não podemos esquecer que a educação continua ainda a
ser feita, predominantemente, pela fala e pela escrita, mantendo-as como as
“tecnologias” predominantes na educação, tanto presencial como a distância.

Assim, queremos que você comece a refletir sobre o uso que fazemos
dos mais diversos meios de comunicação, sejam eles antigos ou atuais,
usados nos espaços de aprendizagem. Será que propiciam aquilo que se
pretender construir durante o processo educacional?

Queremos apontar que se pode pensar nas tecnologias como aliadas e


possibilitado rãs de novas aprendizagens e que elas podem ser usadas de
forma crítica e consciente, para atingir os objetivos específicos de
aprendizagem.

Por essa razão, nosso enfoque não é olhar para a tecnologia em si, mas
o que os professores e alunos podem fazer com ela. O que realmente importa
são os conteúdos, e não as características inerentes a esses meios. Clark
(1983, p. 445) faz questão de salientar que:

[…] os meios são simples veículos que entregam instrução, mas não
influenciam nos resultados de aprendizagem dos alunos, assim como os
caminhões que entregam as verduras não causam nenhuma mudança
em nossa alimentação.

Portanto, como salienta Taylor (1994), a chave para melhorar a


qualidade do ensino em EaD é aprimorar a qualidade do design e dos materiais
didáticos a partir do desenho de tarefas bem estruturadas para a promoção de
experiências de aprendizagens significativas, melhorando, assim, a eficácia da
educação.

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Autores como Nipper (1989) e Garrison e Anderson (2003) argumentam
que uma visão e uma divisão cronológica tão tecnologicamente marcada e tão
determinista podem deixar a impressão de que as ferramentas são mais
fundamentais que todo o entorno educacional. Na realidade, deveríamos olhar
para a forma como as tecnologias foram e ainda são usadas.

Assim, esses autores afirmam que devemos buscar critérios de seleção


para atingir objetivos pedagógicos específicos, do material impresso e da
correspondência, do rádio e da televisão, até as mais recentes tecnologias de
comunicação.

Podemos afirmar que os meios simplesmente enviam informação e as


instruções dão acesso às experiências educacionais. O projeto pedagógico de
um curso é que deve afetar os processos de ensino e aprendizagem e as
escolhas das tecnologias!

A escolha da tecnologia deve basear-se na promoção da efetiva interação


pedagógica que deve passar por critérios de viabilidade, conveniência e custo-
benefício.

Como lidar com esses desafios, então? Veja o que diz Saraiva (1996, p.
17):

[…] os conteúdos e resultados obtidos devem se identificar com a


educação como projeto e processo humanos, histórica e
politicamente definidos na cultura das diferentes sociedades. A
educação a distância deve buscar um caminho que garanta uma
verdadeira comunicação, nitidamente educativa, ultrapassando o
simples colocar de materiais instrucionais à disposição dos alunos
distantes.

Assim sendo, podemos entender que o atendimento pedagógico é


fundamental e pode superar distâncias. Ele promove a essencial relação

17
professor-aluno, por meios e estratégias que devem ser institucionalmente
garantidos. Como lembra Saraiva (1996, p. 17):

[…] embora a educação implique comunicação de informações e


conhecimentos, estímulo ao desenvolvimento de habilidades e atitudes,
que constituem o que denominamos ensino, implica também e
necessariamente a apropriação, por parte dos sujeitos, das informações
e conhecimentos comunicados, das habilidades e atitudes estimuladas,
apropriação denominada aprendizagem.

Voltando às palavras de Garrison e Anderson (2003), salientamos que,


no mundo atual, em que temos acesso a uma enorme quantidade de
informação, deveríamos preocupar-nos em desenvolver, com os alunos,
habilidades e estratégias para gerenciá-las de forma crítica, assim como
incentivar o trabalho colaborativo, dentro de uma visão de aprendizagem
construtivista, em que o social não pode ser separado da formação do
indivíduo.

Para complementar seus estudos, a leitura do artigo a seguir ajudará você a


perceber que as tecnologias para a EaD são diversas, algumas simples, outras
complexas. Você deverá avaliar sempre, para escolher alternativas reais e
funcionais, atreladas a objetivos específicos de trabalho. Consulte:

BRITO, M. S. da S. Tecnologia para a EAD: via internet. In: ALVES, L.; NOVA,
C. (Org.). Educação e tecnologia: trilhando caminhos. Salvador: Ed. da Uneb,
2003. p. 62-89. Disponível em: <http://www.lynn.pro.br/pdf/ educatec/brito.pdf>.
Acesso em: 7 out. 2018.

Nesse sentido, reafirmamos a inter-relação entre a construção individual


e o papel do entorno social como fundamental. Em nenhum momento, a
importância das possibilidades de acesso à informação é vista como algo

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menor, mas temos de salientar a importância de usarmos os novos meios de
comunicação para forjarmos espaços de aprendizagem que propiciem mais
interação e reflexão.

No caso da educação a distância, podemos aproveitar uma possibilidade


única de comunicação, entre pessoas de diversos lugares e sem o problema do
tempo, pois as pessoas podem comunicar-se de forma assíncrona. Nesse tipo
de comunicação, o receptor/transmissor pode encaminhar quantas mensagens
quiser, desde que a mensagem anterior seja entregue, ele não necessita de
uma resposta, e sim da conclusão do envio da mensagem. A presença de um
interlocutor, no momento da mensagem, não se faz necessária.

O que é virtual? Não deixe de ler!


É um livro que analisa a virtualização como um processo irreversível, por não
compreendê-la ou não saber de suas consequências, o autor mostra que a passagem
para o virtual é a força e a velocidade pelas quais se direciona a cultura atual. Antes de
temer que ela torne as pessoas desprendidas de seus próprios saberes, de sua
identidade, de seus empregos, de sua profissão e de seu país, precisamos
acompanhar.
LÉVY, Pierre. O que é virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo, Ed. 34, 1996.

1.3 Paradigmas educacionais e tecnologias

Paradigmas são as realizações cientificas universalmente reconhecidas


que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para
uma comunidade de praticantes de uma ciência” (KUHN, 1991, p. 13).

Assim pontuado, queremos mostrar para você que a visão de


aprendizagem de autores como Garrison e Anderson (2003) baseia-se em
conceitos de John Dewey, que, por volta de 1938, defendia a ideia de que um
indivíduo não pode ser entendido separadamente do mundo social em que vive
e atua, nem pode ser pensado como totalmente subordinado a esse meio. No

19
caso da educação, aponta-se a necessidade de considerar sempre a inter-
relação das duas instâncias.

Na esfera educacional, é necessário um olhar atento para a relação


entre professores e alunos. Garrison e Anderson (2003) explicam que suas
ideias são fundamentadas em um conceito de aprendizagem que salienta o
importante papel da interação, entendida por Dewey (1963), como o
procedimento que une o sujeito ao ambiente social. Por meio das interações,
ideias são geradas e vão possibilitando um entendimento do mundo exterior, o
que significa que o conhecimento é construído nas e pelas relações sociais.

Assim, Garrison e Anderson (2003), além de outros pesquisadores da


área Feenberg (2001); Fino (2004); Gail e Williamson (2004); Gardner (1996),
Gervai (2007); entre outros, veem como responsabilidade da escola tentar
promover experiências que desencadeiem a construção de conhecimento
baseada na colaboração entre os participantes dessas experiências.

Nesse sentido, percebemos também uma necessidade de adaptação


que exige esforços na formação e treinamento de profissionais para atuarem
em diferentes áreas, algumas um pouco novas ou outras bem diferentes.

Hoje, há uma estrutura organizacional complexa a serviço do educando


“distante”: comunicação otimizada, professores, tutores, coordenadores,
material didático e seus elaboradores, elasticidade temporal para dedicação
aos estudos, além de todas as áreas de suporte, logística e gerenciamento dos
processos.

Estruturas que, em outros tempos, eram mais típicas dos contextos


presenciais, passaram a existir para atender a alunos que não mais se
restringem a tempo e espaço muito específicos ou definidos. Parece que o
redimensionamento do lapso temporal no processo de ensino exprime e define
inovações na EaD. A atuação da instituição escolar não mais se restringe a
suas instalações, ampliando‐se a possibilidade de as pessoas terem acesso à
educação de qualidade, em um processo evolutivo crescente.

Não podemos negar que persiste certo preconceito em relação à EaD,


principalmente, no ensino superior. No Brasil, a EaD sempre esteve vinculada
ao ensino técnico, desde a década de 1940, com o Instituto Monitor e o

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Instituto Universal Brasileiro, até o ensino de adultos – os antigos supletivos e
os famosos telecursos, levando muitos a olharem para a modalidade como
uma rota mais fácil, para pessoas de baixa renda ou com dificuldades de
acesso à educação de qualidade.

No entanto, com as novas TIC e as mudanças daí decorrentes, nas mais


diversas sociedades, esse quadro parece estar mudando. A conciliação que
harmoniza trabalho e estudos alcança aqueles que não dispõem de condições
para estudos presenciais. A modalidade a distância pode ser um caminho
interessante para resolver o problema relativo à falta de tempo e/ou à
dificuldade de locomoção.

Os últimos anos foram muito dinâmicos, especialmente com relação ao


desenvolvimento de novas tecnologias da comunicação e estas passaram a ser
exigidas nos cursos atuais, possibilitando a confecção de cursos com maior
qualidade e maiores possibilidades de integração entre alunos, professores e
materiais de estudos.

Os cursos a distância, muito criticados pela possível minimização da


interação entre as pessoas e pela massificação da educação, foram aos
poucos modernizando‐se e, é possível, hoje em dia, já verificarmos, em
diversos programas, que tais pontos negativos estão sendo superados,
respeitando‐se a compatibilidade do estudante na sua relação com a educação
e a vida profissional, tudo graças ao apoio em tecnologias como o computador
e a internet.

Claro que a qualidade de um curso depende muito da tecnologia


adotada e do profissionalismo da instituição de ensino, bem como de seus
objetivos educacionais, e nem sempre todos esses elementos são
contemplados pelas instituições. Mas as pesquisas atuais na área apontam
para a predominância da busca da qualidade, em virtude da competição entre
diferentes institutos e da prática de credenciamento e de controle feita pelo
governo, por meio do Ministério de Educação e Cultura (MEC).

Pela Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, foi estabelecida a


possibilidade do uso orgânico da EaD em todos os níveis e modalidades de
ensino. Esse artigo foi regulamentado posteriormente pelos Decretos n.º 2.494

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e 2.561, de 1998; os quais ainda foram revogados pelo Decreto n.º 5.622, em
vigência desde 19 de dezembro de 2005.

Pelo Decreto n.º 5.622, foram instituídos o acompanhamento e a


avaliação. Entre os tópicos relevantes do decreto, destacam‐se:

• A caracterização da EaD;

• A preponderância das avaliações presenciais (muito criticada por


alguns pesquisadores, como Litto (2008);

• Maior explicitação para os critérios de credenciamento,


principalmente em relação a polos de atendimento aos alunos;

• Mecanismos para coibir abusos, como a oferta desmesurada do


número de vagas na educação superior;

• Permissão de regime de colaboração e cooperação com outros


conselhos, estaduais ou nacionais, para a troca de informações;

• Previsão para atendimento de portadores de deficiências;

• Institucionalização do documento oficial Referências de Qualidade


para a Educação Superior a Distância (BRASIL, 2007).

Leia o documento a seguir na íntegra, fundamental para o trabalho em EaD no


pais em ensino superior:

BRASIL. 2007. Referências de qualidade para a educação superior a distância.


Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/
legislacao/refEaD1.pdf>. Acesso em: 13 out. 2015.

Nesse sentido, apesar de muitos não estarem de acordo com todas as


resoluções do Ministério, é de sentimento comum entender como louvável a
insistência do MEC em estabelecer critérios para a garantia de qualidade por

22
parte das instituições credenciadas para oferecer cursos por meio da
modalidade a distância. Para Litto (2008, p. 1):

[…] a EaD representa a mais apropriada solução para aumentar o


acesso a estudos pós‐secundários destinado a camadas da nossa
população que não tiveram essa oportunidade no passado, ou por
morarem longe dos centros urbanos (70% dos municípios brasileiros
não dispõem de qualquer instituição de ensino superior), ou por não
terem condições econômicas para se dedicar aos estudos. A
flexibilidade oferecida pela EaD é ideal para pessoas que têm de
trabalhar para seu próprio sustento, que têm a motivação para
progredir profissionalmente e a autodisciplina necessária para
completar tarefas acadêmicas, mesmo quando não há um docente a
seu lado auxiliando‐as. É difícil imaginar uma preparação melhor para
demandas profissionais cada vez mais exigentes.

Para o MEC, foi fundamental definir princípios, diretrizes e fomentar


reflexões para que a modalidade pudesse oferecer cursos de qualidade. Por
essa razão, existe também, atualmente, uma secretaria para a EaD no Brasil
(SEED/MEC). Por meio dela, referenciais de qualidade puderam ser
desenhados e, atualmente, contamos com um ordenamento legal vigente, em
complemento às determinações específicas da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (Decretos n.º 5.622, de dezembro de 2005 e n.º 5.773, de junho de
2006, portarias normativas 1 e 2, de janeiro de 2007).

Esse documento, Referências de Qualidade para a Educação Superior a


Distância, embora sem força de lei, serve como referencial norteador para
subsidiar atos legais do poder público no que se refere a processos de
regulação, supervisão e avaliação da modalidade.

Assim, é preciso muito comprometimento acadêmico e científico


independentemente da modalidade, ser presencial ou a distância. Nesse
sentido, não podemos entender a EaD como um concorrente à aprendizagem
presencial, porque ambas têm a mesma finalidade. Devemos entendê‐la,
antes, como mais uma modalidade de trabalho que lida, entretanto, com outras
particularidades, tais como: a distância, a necessidade de gestão do tempo, a
disciplina, a organização e a força de vontade do educando, pois a distância
pode tornar a modalidade difícil.

Por isso, temos a necessidade de pensar em formação de profissionais


para atender a necessidades de um mercado que demanda e busca qualidade.

23
Professores e demais profissionais de EaD precisam de treinamento e
desenvolvimento para formação em diversas áreas que vão além da atuação
do professor com seus alunos, mas que abrangem também atividades como as
do desenho educacional para EaD que envolvem a elaboração, administração
de cursos nos ambientes virtuais e uso de diferentes plataformas e
ferramentas.

Atualmente, os envolvidos nos processos precisam aprimorar seus


conhecimentos sobre a acessibilidade de seus cursos e precisam desenvolver
capacidades para poder avaliar os diferentes Ambientes Virtuais de
Aprendizagem (AVA) disponíveis no mercado, para poder melhor atingir os
objetivos de trabalho com os alunos.

Hoje, o aluno inscrito em curso a distância logo perceberá seu conjunto


de tarefas, notas, a necessidade de participar de fóruns, chats, de enviar
atividades escritas, participar de trabalhos em grupos, realizar provas
presenciais, com todas as ações dentro de prazos bem determinados.

Muitos alunos assustam‐se com a quantidade de trabalho, isso porque,


culturalmente, ainda prevalece o pensamento que cursos na modalidade EaD
seriam mais fáceis. Motivo suficiente para que muitos abandonem seus cursos
em curto espaço de tempo, após depararem com uma realidade de trabalho
muito maior do que a esperada.

Vários alunos reclamam que não conseguem acompanhar os cursos


atuais porque não imaginavam que um curso online pudesse tomar tanto
tempo. Os paradigmas educacionais para a EaD mudaram, mas a barreira
cultural não permite que muitos alunos percebam que atualmente um curso a
distância não é muito diferente de um curso presencial em termos de trabalho e
de engajamento do aluno.

Professores relatam que vários alunos até chegam a perceber que o


nível dos cursos pode ser melhor. Mas para participar ativamente de alguns
cursos, os alunos precisam comparecer com atividades efetivamente
realizadas, escrever, participar. O envolvimento e a dedicação do aluno são
primordiais, embora nem todos estejam preparados para isso.

24
Por isso, não só os profissionais de EaD precisam conhecer melhor
como atuar e o que podem fazer, mas aos alunos também cabe adquirir uma
visão diferente dessa modalidade de ensino. Além disso, ainda há muitos que
precisam aprender a lidar com as novas formas de comunicação com objetivos
pedagógicos.

Será́ que os alunos sabem


Para refletir
usar tecnologia para aprender
em cursos a distância?

Será que conseguem


utilizar as tecnologias
apropriadamente?

Para melhor encontrar as respostas para os questionamentos acima,


sugerimos a leitura do texto a seguir:

MORAN, J. M. O que é um bom curso a distância? In: MORAN, J. M.;


ALMEIDA, M. E. B. Integração das tecnologias na educação. Serie Salto para o
Futuro, Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação,
Seed, 2005. p. 147‐148. Disponível em: <http://www.eca.usp.
br/prof/moran/site/textos/educacao_online/bom_curso.pdf>. Acesso em: 7 out.
2018.

25
Na verdade, se imaginarmos o contexto da vida cotidiana, muitas
pessoas foram adaptando‐se ao uso informal dos mais diversos equipamentos
digitais, de acordo com suas necessidades e seus interesses. Mas, no caso de
espaços pedagógicos, as adaptações são mais complexas, porque exigem alto
grau de reflexão e preparação para uma utilização mais adequada aos
objetivos específicos de aprendizagem.

O propósito da inserção de uma determinada ferramenta tecnológica no


âmbito pedagógico pode ser muito diferente das circunstâncias de uso
cotidiano dessa mesma ferramenta. Por exemplo, podemos usar uma sala de
bate‐papo (chat) para conversar informalmente com amigos, mas também
podemos utilizar chats para encontros acadêmicos entre professores e alunos,
com objetivos específicos de aprendizagem e, portanto, nesses espaços
acadêmicos, as tecnologias serão utilizadas de forma diferente.

Consequentemente, os educadores precisam aprender a ajudar seus


alunos “distantes” a usar as ferramentas tecnológicas de forma adequada a
diferentes objetivos educacionais. Por isso, temos a necessidade de
preparação de profissionais para a utilização da tecnologia e para o
planejamento de mediações adequadas aos propósitos educacionais. Essas
questões não parecem muito simples e as pesquisas confirmam essa
preocupação. Vejamos.

Na EaD, o processo de incorporação das novas ferramentas


tecnológicas nem sempre é isento de problemas. No caso do Brasil, de acordo
com dados de Toschi (2003), muitos cursos passaram a utilizar novas
tecnologias sem, contudo, oferecer um trabalho formativo e crítico sobre o uso
dessas novas ferramentas para professores. Além disso, como afirmam Toschi
(2003), Belloni (2003) e Barreto (2003), entre outros estudiosos de EaD, muitos
programas de educação a distância incorporaram as tecnologias para
incentivar atividades de autoaprendizagem, com programas que, em geral,
negam a importância da mediação de professores e da interação entre alunos
e entre alunos e professores.

Assim, acabam ressaltando apenas a relação entre equipamentos e


usuários, deixando abandonada à sua própria sorte, a mediação de

26
professores que, em muitos programas de educação a distância, só
acompanham o que o aluno está fazendo para cobrar as tarefas e fazem
atendimento específico para resolver dúvidas. Hoje, em alguns cursos e
instituições, esse papel é repassado aos tutores que, muitas vezes, não têm
autonomia para a tomada de decisões.

Uma consequência dessas práticas acaba sendo a falta de parâmetros


que auxiliem o professor ou formador de professores a preparar‐se para usar
os novos recursos tecnológicos de modo que privilegiem interações entre
participantes ou trabalho colaborativo. E os alunos acabam por ver reforçada a
ideia da distância e da cultura da EaD de pouca qualidade.

Além disso, outro dado que pouco contribui para o contato dos
professores com as tecnologias é que elas são muito subutilizadas nas escolas
e nas faculdades durante a formação deles. Pesquisadores como Wild (1996) e
Ramal (2002) apontam a falta de uso das tecnologias nas escolas, afirmando
que muitos professores não se sentem preparados para o uso das tecnologias,
o que acaba por deixá‐los distantes dos computadores e da internet. Toschi
(2003) denomina tal despreparo de “temor tecnológico”. Esse temor faria com
que professores simplesmente não utilizassem a tecnologia com seus alunos,
afastando‐os, portanto, do contato com tecnologia para uso pedagógico.

Portanto, para que se efetive a qualidade de ensino, é preciso fazer com


que o aluno perceba a necessidade de aprender a lidar com exigências um
tanto diferentes. Para que a aprendizagem seja produtiva, o aluno precisa ser
responsável, motivado e perseverante. Como resultado do despreparo tanto de
profissionais da área como de alunos, temos os altos índices de evasão. Os
alunos acabam por perder a motivação e abandonam a modalidade. Até 2002,
de acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), o
índice de desistência no Brasil era de 80% e, atualmente, vem caindo pela
melhora da qualidade do atendimento e do preparo dos diversos profissionais
da área.

Cavalcanti (2011), entre outros pesquisadores, aponta caminhos que


podem minimizar esses problemas. Por exemplo, para a autora, as instituições
devem investir em:

27
 Um sistema eficaz de atendimento ao aluno, que utilize vários canais
de comunicação, como telefone, e‐mail, chat, entre outros;
 Infraestrutura para que o aluno tenha acesso a materiais como
livros;
 Uma equipe multidisciplinar capacitada para dar apoio em
tecnologia;
 Equipe para o desenvolvimento de material didático apropriado;
 Capacitação de coordenadores, professores e tutores.

Staa (2003) ainda acrescenta a urgência de os ambientes permitirem


apoio cognitivo avançado, oportunidades para interação entre alunos e entre
alunos e professores, além de um suporte para atender às dificuldades
técnicas e emocionais dos alunos. O suporte técnico é fundamental também,
pois os alunos poderão ter dificuldade de acesso ou até mesmo de lidar com a
tecnologia.

Para Staa (2003), é preciso sempre observar o contexto em que o curso


está inserido, seu preço, seu tempo de duração, o design do material que
contemplem a existência de tutoriais, o tipo de atividades propostas, as
tecnologias propostas, o grau de motivação de professores e alunos, bem
como os tipos de feedback oferecidos. Além disso, os alunos precisam saber
sobre critérios de avaliação, e é sempre interessante criar um ambiente que os
faça refletir sobre como devem estudar.

Fizemos um resumo adaptado para você.

A. Nem tudo o que leem na web pode ser tomado como verdade
absoluta.

28
B. O acesso às redes sociais durante os momentos de estudo, por
exemplo, pode causar distração e interferir no desempenho
acadêmico.

C. O excesso nas redes pode ser arriscado. O mundo “offine” não deve
ser substituído pelo “online”.

D. O mundo online permitiu algumas mudanças na escrita da língua


portuguesa, dando a ela, novos aspectos e sentidos. Isso pode
interferir na qualidade de redação de outros gêneros. A linguagem
da internet ainda não foi naturalizada como padrão em nossa
sociedade!

E. Muitos estudantes não pensam antes de postar algum conteúdo na


internet. É preciso lembrar, porém, que tudo o que escrevemos na
web pode ser visto e logicamente, julgado. Posts com conteúdos
comprometedores podem trazer complicações ao aluno ao longo de
sua caminhada acadêmica e profissional.

Pesquise também, no Educomunicação, os aspectos positivos das


mídias sociais no site:

<https://cadernodia.wordpress.com/2011/07/23/redes‐sociais‐e‐educacao‐uma‐
relacao‐de‐amor‐e‐odio/>.

Como já dissemos, nem todas as propostas de cursos em EaD têm a


mesma preocupação e tampouco os mesmos paradigmas para nortear o
planejamento, a metodologia e a realização de um curso. Martins e Prado
(2011), afirmam que existem desde propostas que retratam um modelo de
educação de massa, como outras mais abertas, que enfatizam o processo de
construção de conhecimento, a autonomia e o desenvolvimento de
competências que a sociedade atual exige de um profissional. Pelas palavras
das autoras (2011, p. 1):

O fato é que a educação a distância, muitas vezes, reproduz a


educação presencial tal como vem sendo desenvolvida – de forma
obsoleta para os dias atuais, mas em um formato veiculado pelas
novas tecnologias. Geralmente são cursos que disponibilizam na rede

29
uma grande variedade e quantidade de informações, esperando que
isto seja suficiente para a aprendizagem do aluno. Desenvolver um
curso a distância nesses moldes acaba empobrecendo e
obscurecendo as potencialidades da Internet como um meio para
desenvolver um trabalho educacional baseado numa rede de
aprendizagem.

No entanto, tal visão de EaD não é generalizada. Os estudos


demonstram a tendência em buscar propostas que privilegiam a interação entre
os participantes e o desenvolvimento do trabalho colaborativo. Nessa
perspectiva, Valente (2000b) vem apresentando uma perspectiva que enfatiza
o estar junto virtual, isto é, o papel do formador de acompanhar e assessorar o
aluno, criando situações de aprendizagem que possam ser significativas.

Adotando uma linha socioconstrutiva do conhecimento, além da


interação com o formador, a dinâmica do curso deverá promovê‐la também
entre os alunos: na troca de ideias e experiências, surgiriam novos
questionamentos, referências, dúvidas e buscas de novas compreensões.

Cabe, aqui, ressaltar que o processo de construção de uma rede de


aprendizagem não é natural e nem acontece simplesmente disponibilizando
informações para os alunos via internet. Existem vários elementos
inter‐relacionados constituintes do universo de um curso a distância, que
podem facilitar essa construção: um dos aspectos cuja revisão urge é o
relacionado ao papel do professor online e sua mediação pedagógica, tanto
nos ambientes como na confecção e desenho dos materiais.

O psicólogo bielo‐russo Lev Vygotsky (1896‐1934) conceitua a interação.


Para ele, todo o aprendizado é necessariamente mediado – e isso torna o
papel do ensino e do professor mais ativo do que o previsto por Piaget. O
aprendizado não se subordina ao desenvolvimento das estruturas
intelectuais, mas alimenta‐se do outro, provocando saltos qualitativos de
conhecimento. O ensino deve antecipar‐se ao que o aluno ainda não sabe,
não sendo capaz de aprender sozinho.
30
Assim, podemos imaginar que a mediação pedagógica demanda a
abertura do professor para aprender e uma postura reflexiva para rever
constantemente sua prática, bem como a criticidade e a autonomia para
relativizar suas intenções. A mediação pauta‐se na articulação dos princípios
de ensino‐aprendizagem, concretizando‐se pelas constantes recriações de
estratégias durante a realização de um curso.

No entanto, para que isso ocorra, os princípios educacionais são


fundamentais. E, normalmente, o professor está inserido em um contexto
educacional e o seu local de ação pode comprometer seu trabalho, pois o
ambiente e as propostas de um curso a distância podem facilitar e promover as
trocas e os contatos com os alunos, ou, simplesmente, não.

Por outro lado, não podemos deixar de considerar, como um aliado


importante, a existência dos recursos de suporte da educação a distância. Os
institutos de ensino devem buscar o aproveitamento máximo dos recursos
disponíveis para auxiliar o trabalho do professor, que pode, além de contar com
materiais didáticos, dispor de ferramentas para mapear as formas diferenciadas
de desenvolvimento do aluno no decorrer do curso.

Para finalizar, convidamos você a realizar uma atividade sobre as


temáticas que discutimos nesta unidade.

Analise a sua situação como aluno da modalidade EaD e responda às


questões abaixo:

1) Você sente que está envolvido com o curso?

2) Você sente que aprende com os colegas e com os professores?

31
3) Você percebe que a rotina e disciplina são elementos necessários para os
estudos em EAD?

4) Quais são os pontos diferentes dos cursos EaD para os presenciais?

Elabore um pequeno texto sobre esse tema, relacionando-o aos textos


lidos. Justifique e exemplifique como trabalhar para uma Ead com mais
interação e construção conjunta de conhecimento.

Bom trabalho!

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Não deixe de ler MARTINS, M. C; PRADO M. E. B. B. A mediação


pedagógica em propostas de formação continuada de professores em
informática na educação. São Paulo: ABED, 2005. Disponível em:
<http://www.abed.org.br/site/pt/midiateca/textos_ead/628/2005/11/a_mediac
ao_pedagogica_em_propostas_de_formacao_continuada_de_professores_
em_informatica_na_educacao>. Acesso em: 16 dez. 2018.

Chegamos ao final dessa primeira unidade.

Aqui você estudou sobre a educação, a didática e as mudanças na


modalidade EaD possibilitadas a partir do surgimento de novas tecnologias.
Mais detalhadamente: as diferentes fases da EaD; a internet como ferramenta
de aprendizagem; a educação e suas tecnologias, relacionados aos
paradigmas educacionais.

Você foi levado a pensar a importância das novas tecnologias de


informação e suas potencialidades, mas, ao mesmo tempo, tentamos mostrar-

33
lhe que essas ferramentas, sozinhas, não mudam paradigmas de ensino-
aprendizagem estabelecidos há séculos.

Também vimos a consolidação da EaD e como o MEC foi fundamental


para definir princípios, diretrizes, além de fomentar reflexões para que a
modalidade pudesse oferecer cursos de qualidade, culminando na elaboração
do documento Referências de Qualidade para a Educação Superior a
Distância.

Assinalamos a notória melhora de qualidade dos cursos oferecidos.


Concluímos que um curso a distância não é muito diferente de um presencial
em termos de trabalho e engajamento, mas alunos e professores precisam
desenvolver certas habilidades e competências, diferentes daquelas
desenvolvidas nas salas de aulas tradicionais presenciais, principalmente, em
cursos que busquem maior colaboração para a construção conjunta de
conhecimento.

Esperamos que você tenha aprendido bastante e esteja motivado(a) a ir


adiante.

34
UNIDADE II

2. METODOLOGIAS EM EAD: PARADIGMAS

Conteúdos trabalhados na unidade: a concepção de educação e


processos de ensino aprendizagem; modalidades de trabalho pedagógico
em EAD; a qualidade das interações e o papel do professor em ambientes
virtuais.

O psicólogo bielo‐russo Lev Vygotsky (1896‐1934) conceitua a interação.


Para ele, todo o aprendizado é necessariamente mediado – e isso torna o
papel do ensino e do professor mais ativo do que o previsto por Piaget. O
aprendizado não se subordina ao desenvolvimento das estruturas
intelectuais, mas alimenta‐se do outro, provocando saltos qualitativos de
conhecimento. O ensino deve antecipar‐se ao que o aluno ainda não sabe,
não sendo capaz de aprender sozinho.

Nesta unidade a intenção principal é estudar as diferentes concepções


teóricas sobre educação e como podem afetar os processos de ensino e
aprendizagem na modalidade de trabalho pedagógico em EAD. Vamos seguir
um pouco mais adiante com as reflexões, discutindo e aprofundando o
conhecimento sobre as teorias que servem de base para o desenvolvimento
dos programas e materiais didáticos, além de ajudar você a avaliar algumas
metodologias adotadas nas opções existentes no mercado. Pode ser bem útil
para o seu futuro profissional!

Preparado(a)?

Então, mãos à obra!

2.1 A concepção de educação e processos de ensino aprendizagem

Vamos, então, dar início à questão da educação como fundamento.


Embora a modalidade EaD tenha suas particularidades com relação a distância
e às mudanças de contexto, recursos técnicos e infraestrutura, todos esses
elementos só ganham sentido dentro de uma ação político-pedagógica

35
educacional. Cada modalidade, presencial ou a distância, precisa pensar e
elaborar seu projeto político-pedagógico (PPP) e levar em consideração
questões teóricas básicas sobre ensino-aprendizagem.

Projeto Político-Pedagógico (PPP) é um documento que imprime


uma direção com especificidades e singularidades, apresentando o
funcionamento de um curso, determinando suas prioridades, sua inserção
no contexto social, econômico e acadêmico do país. Deve apresentar com
clareza uma opção teórica sobre o que é educar e aprender.

Figura 2

https://www.google.com/search?biw=1680&bih=881&tbm=isch&sa=1&ei=S-
JiXL_dOOz5OUP8NStkAo&q=projeto+pol%C3%ADtico+pedag%C3%B3gico&oq=projeto+pol%
C3%ADtico+pedag%C3%B3gico&gs_l=img.3..0l2j0i5i30j0i24l7.2262.3302..4126…0.0..0.142.57
9.5j1……0….1..gws-wiz. Acesso em: jan. 2019.

Cada projeto político pedagógico deve apresentar com clareza uma


opção teórica sobre o que é educar e aprender, porque as decisões sobre as
ações de trabalho em EaD não podem simplesmente acontecer sem que haja
uma consciência clara sobre os objetivos de formação dos cidadãos.

36
A opção epistemológica acabará por orientar todo o trabalho, desde a
organização do currículo, como a organização dos temas, das formas de
trabalhos propostas nos materiais, nos modos de mediação dos professores e
nas suas formas de avaliar os alunos. O papel do aluno será diferente de
acordo com as diferentes formas de pensar a questão da aprendizagem.

Epistemologia significa “ciência”, “conhecimento”. É o estudo científico que


trata dos problemas relacionados à crença e ao conhecimento, sua natureza
e suas limitações. Aborda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do
conhecimento, sendo igualmente conhecida como teoria do conhecimento,
relacionando-se à metafísica, à lógica e à filosofia da ciência. É uma das
principais áreas da filosofia, compreende a investigação sobre a
possibilidade do conhecimento, ou seja, de o ser humano alcançar o
conhecimento total e genuíno, bem como da origem do conhecimento.
Veja mais sentidos do conceito no site: <http://www.significados.com.br/

As tecnologias empregadas em um curso podem favorecer ou não


determinados caminhos para diferentes tipos de oportunidades de
aprendizagem. Portanto, devem estar a serviço do projeto pedagógico, e não
constituir seu fim em si. Todos os elementos de um programa devem ser
coerentes com as propostas do PPP, manifestando-se de forma clara para
todos os envolvidos, incluindo os alunos.

Assim sendo, a EaD tem as mesmas exigências da modalidade


presencial com relação às escolhas de metodologias de ensino aprendizagem
e, portanto, diversos caminhos podem ser seguidos, gerando oportunidades de
aprendizagem muito diversas.

O problema, como já́ apontado, é o de muitas instituições, que trabalham


com a modalidade a distância, acabarem deixando de refletir sobre as

37
questões pedagógicas e metodológicas, dando maior ênfase para a estrutura
organizacional e a logística do negócio. Quando as novas tecnologias são
incorporadas com pouca reflexão sobre suas reais funções pedagógicas, os
professores também acabam, muitas vezes, sem saber o seu papel no novo
contexto.

Para refletir!

Para a modalidade Ead, como professor, pense nas seguintes questões:

Que tipo de aula


devo construir?

Como deve ser


exposto o
material
didático que
desenho? Como deve ser
minha
intervenção?

Fonte: https://publicdomainvectors.org/pt/vetorial-
gratis/Rapaz-pensando-em-
quest%C3%A3o/70001.html

Os estudos mostram que os professores não sabem muito bem como


mediar a aprendizagem de seus alunos em contextos a distância. Berge
(1995), tal como Berge e Collins (1995), assinala que as novas tecnologias
podem ajudar a promover novos ambientes de aprendizagem, com maior
possibilidade de incentivo de aprendizagem colaborativa, ressaltando a
necessidade de trabalhos interdisciplinares, além de distribuir mais as
responsabilidades pela construção de conhecimento, mas faltam, em geral, as
possibilidades de acesso e uma visão de empreendimento educacional

38
necessária à criação de ambientes em que a tecnologia sirva como suporte
para os objetivos específicos de aprendizagem.

Nessa perspectiva, escreve Almeida (2003, p. 2):

[…] a integração entre a tecnologia digital com os recursos da


telecomunicação, que originou a internet, evidenciou possibilidades
de ampliar o acesso à educação, embora esse uso per se não
implique práticas mais inovadoras e não represente mudanças nas
concepções de conhecimento, ensino e aprendizagem ou nos papéis
do aluno e do professor. No entanto, o fato de mudar o meio em que
a educação e a comunicação entre alunos e professores se realizam
traz mudanças ao ensino e à aprendizagem que precisam ser
compreendidas ao tempo em que se analisam as potencialidades e
limitações das tecnologias e linguagens empregadas para a
mediação pedagógica e a aprendizagem dos alunos.

Em outros termos, as tecnologias ofertam novas possibilidades para a


educação, mas de nada servem se usadas para reproduzir os mesmos padrões
das tecnologias antigas.

Com relação mais específica à mediação pedagógica em EaD, apoiada


nas TIC, alguns autores, como Gutierrez e Prieto (1994), ressaltam que as
diferentes ações do professor podem permitir a recriação de estratégias, para
que o aluno venha a atribuir sentidos àquilo que está aprendendo.

E, para que isso ocorra, é fundamental que o professor tenha clareza


sobre os princípios educacionais que norteiam sua ação pedagógica, sobre a
intencionalidade e os objetivos em longo e curto prazos.

Por essa razão, acreditamos necessária a criação de espaços, como


este curso, que permitam a discussão sobre o uso das tecnologias em EaD,
relacionando-as aos pressupostos teóricos fundamentais à mediação
pedagógica.

Precisamos entender a importância da mediação; das escolhas das


tecnologias e do desenho do curso, relacionados a princípios pedagógicos para
que possamos fazer sempre o melhor.

Como aponta Peraya (2002, p. 49): “a utilização de determinada


tecnologia como suporte à EaD não constitui em si uma revolução
metodológica, mas reconfigura o campo do possível”.

39
Nesse sentido, Wallace (2003) aponta que pesquisas recentes indicam
importantes áreas de atuação do professor e começam a disponibilizar
orientações que podem ajudar nas mediações pedagógicas a distância. Por
exemplo, no caso do uso de ferramentas, como fóruns ou chats, várias
pesquisas sugerem alguns modelos de mediação (CELANI; COLLINS, 2005;
GERVAI, 2007; WADT, 2009, VICTORIANO, 2010).

Certos tipos de trabalhos em fóruns ou chats podem promover


interações entre alunos, e outros não. A maneira de dar instruções e respostas,
em espaços de aprendizagem online, também pode gerar diferentes tipos de
engajamento e participação por parte dos alunos, entretanto, apenas abrir um
fórum não necessariamente garantirá uma interação de qualidade. Um fórum
pode se transformar em um depósito de postagens sem respostas.

O que percebemos é que muitos profissionais que trabalham com EaD


nem sempre sabem o que mais funciona e muitos nem pensam em como tomar
as decisões baseadas nos objetivos pedagógicos de seus cursos. Muitas
vezes, nem paramos para pensar sobre o que queremos de nossos alunos.
Qual o papel do aluno? O que ele deve fazer?

Como já discutimos, muitos professores começam a trabalhar com a


modalidade e poucos são preparados para o novo empreendimento. No caso
do Brasil, de acordo com dados de Toschi (2003), muitos cursos passaram a
utilizar novas tecnologias, sem, contudo, oferecer um trabalho formativo e
crítico sobre o uso dessas novas ferramentas para professores. O professor
deixa de ter parâmetros para a sua atuação.

Autores, como Pawan et al. (2003), apontam que as interações entre


alunos em cursos da modalidade EaD, geralmente, restringem-se a trocas de
informação. As discussões em fóruns podem estruturar-se como monólogos,
nos quais os participantes podem avançar para o compartilhamento de
experiências e expressão de opiniões, mas com pouco esforço para conectar-
se a outros ou para interagir com as participações dos colegas de curso.

Essas pesquisas contribuem para nos alertar sobre a necessidade e


importância da formação de professores nesses ambientes de aprendizagem,
pois apontam para mudanças na atuação de professores, de tutores e

40
designers de cursos, a fim de gerar oportunidades de aprendizagens mais
significativas.

Não é porque estamos em um mundo de novas tecnologias, que temos


uma educação diferente daquela que predomina na modalidade presencial
tradicional. Podemos usar uma tecnologia para simular a educação
presencial, com o uso de uma nova mídia, mas continuar fazendo tudo
igual.

Atividade de aplicação

A integração das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) aos


processos educacionais pode contribuir para a democratização das
oportunidades educacionais, para o acesso ao conhecimento e, para a
diminuição do abismo, que tem de um lado a exclusão e de outro a
desigualdade social.

41
Por meio de um texto dissertativo/argumentativo, explique a passagem
citada e justifique-a, de acordo com a legislação brasileira.
Como a inclusão é tratada na educação atual e como pode o
especialista em EaD atuar para que se torne inclusiva a prática escolar
normalmente excludente?
Como devem ser preparadas as escolas que optarem por inserir, em
sua grade, conteúdos veiculados por EaD, para que todos aprendam?
De que maneira a EaD pode ser utilizada como ferramenta de
promoção para a cidadania?

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2.2 Modalidades de trabalho pedagógico em EAD

Como já dissemos, várias modalidades de trabalho coexistem em EaD.


Por exemplo, há cursos que integram os meios de comunicação de massa
tradicionais – rádio e televisão – associados à distribuição de materiais
impressos pelo correio ou pela própria web, via computadores. Esses cursos
emitem informações de maneira uniforme para todos os alunos, que recebem
os materiais impressos com conteúdos e tarefas propostas.

Espera-se que os alunos estudem os conceitos recebidos e realizem os


exercícios e provas. Essas tarefas são corrigidas pelos professores da
instituição, mas, em geral, com pouca interação entre alunos e professores ou
alunos com outros alunos. Esse tipo de abordagem da EaD apresenta altos
índices de matrículas e enormes números de desistência, mas encontra-se em
todas as partes do mundo.

Nessa modalidade de trabalho, o papel do professor fica mais centrado


na elaboração de materiais instrucionais, com foco na transmissão de
conteúdos e com pouco espaço para o planejamento de estratégias de ensino
e, na maioria das situações, há um tutor encarregado de responder as dúvidas
dos alunos.

Nesse quadro, no caso do Brasil, o tutor tem assumido um papel


complexo, pois poucos são preparados para atuar com os cursos. Muitos nem
entendem sobre o conteúdo que têm de administrar e, para acrescentar dados
à lista de problemas, as pesquisas mostram que poucos têm formação como
educadores. Portanto, trabalham com os alunos, mas com poucos objetivos
específicos de desenvolvimento destes.

O aluno, por sua vez, parece ter o papel de receptor de conteúdo,


aquele que deve receber informação e fazer tarefas. Se analisarmos essa
lógica organizacional, refletindo sobre a interação dos participantes dos cursos
em EaD, perceberemos que tal interação é programada e mais robotizada. O
estudante, apesar de estar em um curso a distância, como tecnologias atuais
como apoio, acaba tendo um papel mais passivo no processo de socialização
virtual, pois não tem muita oportunidade de interagir livremente e socializar-se,

43
por estar numa estrutura padronizada, sem grandes possibilidades de
interação.

Com a inserção das novas tecnologias, algumas possibilidades de


mudanças reavivaram a EaD, mas parece-nos claro que permitiram também a
continuidade das tradicionais formas mecanicistas de transmissão de
conteúdos, que podem, agora, ser digitalizados e enviados pela internet.

Como explorar o potencial de interatividade das TIC e desenvolver


atividades a distância com base na interação, possibilitando a produção
diferenciada de conhecimento?

A seguir, para termos um panorama das modalidades que encontramos


com frequência atualmente, apresentamos a nomenclatura de Prado e Valente
(2002) para ajudar-nos a entender como as instituições estão trabalhando.
Para esses autores, as abordagens de EaD, com apoio das TIC, podem ser de
três tipos:

• Broadcast;

• Virtualização da sala de aula presencial;

• Estar junto virtual.

Prado e Valente (2002) chamam de broadcast a tecnologia


computacional empregada para ‘’entregar a informação ao aluno’’ da mesma
forma que ocorre com o uso das tecnologias tradicionais de comunicação como
o rádio e a televisão. A virtualização da sala de aula, para eles, ocorre quando
os recursos das redes telemáticas são utilizados da mesma forma que a sala
de aula presencial. O objetivo é o de reproduzir o que acontece em uma sala
de aula, que procura transferir para o meio virtual o paradigma do espaço-
tempo da aula e da comunicação bidirecional entre professor e alunos.

Já o estar junto virtual também denominado “aprendizagem assistida por


computador” (AAC) explora a potencialidade interativa das TICs, tentando ao
máximo aproximar os emissores dos receptores dos cursos, permitindo criar
condições de aprendizagem e colaboração.

44
Então, você percebe que, mesmo com a integração das novas
tecnologias, não é fácil sair dos padrões de mera transmissão do
conhecimento?

Para Almeida (2003), é preciso compreender que não basta colocar os


alunos em ambientes digitais para que ocorram interações significativas e
tampouco se pode admitir que o acesso a hipertextos e recursos
multimidiáticos dê conta da complexidade dos processos educacionais.

Por isso, é fundamental ter como base projetos pedagógicos com teorias
claras para que os caminhos possam ser delineados de maneira que as
escolhas tecnológicas possam servir aos propósitos pedagógicos. Esse
caminho pode até mesmo ajudar as equipes envolvidas a reformular ações e
planejar outras no intuito de uma constante melhora na qualidade da educação.

Seguindo essa perspectiva, aproveitamos para aprofundar a questão do


estar junto virtual, pois várias instituições, atualmente, buscam conhecer
melhor esse caminho, a fim de implementá-lo em seus projetos de EaD.

Segundo Prado e Valente (2002), o estar junto virtual implica uma


presença muito mais ativa dos professores. Eles passam a ter um papel de
orientador, que acompanha o aluno e o desenvolvimento dos cursos. Nesse
sentido, o professor tem de atuar em determinados momentos para fazer com
que os alunos melhorem suas produções, aproveitando para fazê-los refletir,
discutir e aprofundar os conteúdos dos cursos. O professor tem de estar
presente, mas não controla o contexto o tempo todo.

2.3 A qualidade das interações e o papel do professor em


ambientes virtuais

Outra contribuição importante, para se entender a qualidade do trabalho


dos professores nesses ambientes, está na análise das interações que ocorrem
nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA).

Kanuka e Anderson (1998), ao trabalharem com as categorias de


Gunawardena et al. (1997), perceberam que a maioria das interações

45
analisadas em AVA, apontavam para uma enorme quantidade de interações
sociais sem que ocorressem negociação de sentidos para a construção de
novos conhecimentos.

Segundo eles, os dados das pesquisas apontam para a simples


aquisição de informação compatível com o conhecimento existente. Nas
interações analisadas por esses autores, informação adicional era
supostamente adquirida pelos participantes, mas sem que eles pudessem
perceber, por meio dos dados, mudanças na estrutura das colocações dos
participantes. Essas interações foram nomeadas por eles de intercâmbio social.

Kanuka e Anderson (1998) também perceberam que os momentos de


construção de conhecimento aconteciam depois de longos momentos de
desacordos entre participantes, por exemplo, em fóruns. Portanto, sentiam que
somente quando os participantes tinham uma postura de buscar entender as
diferentes ideias e conceitos expostos, é que aconteciam mudanças na
qualidade das interações. O processo de construção do conhecimento dava-se
por meio do desacordo, que funcionava como catalisador da transformação ou
mudança de conhecimento. Contudo, na maioria das vezes, esses desacordos
eram simplesmente ignorados e nada se construía conjuntamente.

Segundo os autores, um relativo desconhecimento dos participantes


entre si e a natureza assíncrona da interação são responsáveis por muitas das
diferentes contribuições dos alunos serem, simplesmente, ignoradas. Daí a
importância de se investigar o papel do professor incentivador nesse processo,
pois acredita-se que as tensões e contradições devam ser aproveitadas para
motivar maior aprofundamento das interações entre alunos, com possibilidade
de mudança e desenvolvimento de ideias, procedimentos esses, considerados
essenciais para a construção colaborativa do conhecimento.

46
Você não pode deixar de ler PRADO, M. E. B. B; MARTINS, M. C. A mediação
pedagógica em propostas de formação continuada de professores em
informática na educação. São Paulo: ABED, 2002. Disponível em:
<http://www.abed.
org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=4abed&infoid
=193&sid=102>. Acesso em: 16 out. 2018.

Neste artigo a Educação a distância é abordada como uma possibilidade


de trabalhar a formação continuada fundamentada numa abordagem
pedagógica que favorece o desencadeamento do processo reflexivo do aluno-
profissional, integrando o conhecimento prático e teórico relacionado ao seu
contexto de atuação. Enfatiza o processo de construção do conhecimento. A
mediação se pauta na articulação dos princípios de ensino e aprendizagem, e
se concretiza pelas constantes recriações de estratégias durante a realização
de um curso.

47
A internet oferece muitas oportunidades para as pessoas trocarem
experiências profissionais, mas é sempre importante conferir a qualidade do
ambiente!

As novas tecnologias podem ir além das frequentes palestras, em que


só o professor fala, pois permitem interação e colaboração entre as pessoas.
Nessa perspectiva, Kanuka e Anderson (1998, p. 2-3) colocam as teorias
construtivistas de aprendizagem como grandes aliadas dos meios tecnológicos/
digitais. Essa relação ocorre pelo fato dos computadores proporcionarem muito
mais interação que outros meios tecnológicos.

48
Analise um outro ambiente de aprendizagem virtual de seu interesse
profissional.

Verifique:

1) Quais as características?

2) Como é a participação dos alunos?

3) Como são as atividades?

4) Quais são os pontos interessantes?

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Bom, acreditamos que a discussão foi interessante. Vamos continuar a reflexão


nas próximas unidades!

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Chegamos ao final dessa segunda unidade.

Aqui você estudou sobre a importância de projetos políticos pedagógicos


para a modalidade a distância. Vimos que precisam apresentar clareza teórica
sobre o que é educar e aprender, pois as decisões sobre as ações de trabalho
em educação não podem simplesmente acontecer sem objetivos claros.

Vimos a importância da mediação, das escolhas das tecnologias e do


desenho do curso, tudo isso relacionado a princípios pedagógicos, para fazer
com que os alunos de EaD não se sintam tão distantes e que também tenham
clareza sobre o seu papel no percurso de aprendizagem. Critérios claros são
melhores para todos!

Esperamos que tenha aprendido bastante e esteja motivado(a) a ir


adiante. Partimos agora para a próxima unidade para continuar aprendendo.

Bom estudo!

51
UNIDADE III

3. FERRAMENTAS SÍNCRONAS E ASSÍNCRONAS DE


APRENDIZAGEM EM AVA

Conteúdos trabalhados na unidade: Ferramentas síncronas e


assíncronas de aprendizagem em AVA: Mediação pedagógica para
construir conhecimento complexo; Atividades e ferramentas em AVA
(síncronas e assíncronas); Chats, Tarefas individuais, Fóruns e avaliação
processual.

Nesta unidade, a intenção principal é falar sobre as ferramentas que


permitem a proximidade dos alunos; ferramentas e formas de ações
pedagógicas mais favoráveis em ambientes virtuais que buscam aprendizagem
colaborativa e construtiva.

Como vocês puderam ver nas unidades anteriores, as novas TIC


possibilitam melhorar práticas de EaD e podem auxiliar muito a aprendizagem
em AVA, quando buscam a construção colaborativa de conhecimento em seus
ambientes de aprendizagem.

Vimos, também, que a quebra de barreiras espaciais, a emissão e


recepção rápidas de materiais e a possível flexibilização do tempo são
elementos fundamentais, mas não garantem que formas tradicionais e
mecanicistas de transmissão do conhecimento sejam abandonadas. Portanto,
parece claro: para que possamos atingir a aprendizagem baseada em
interação e produção de conhecimento, é preciso criar ambientes favoráveis à
aprendizagem dos alunos.

Assim sendo, acreditamos ser importante, agora, discutir o que podemos


fazer com algumas ferramentas que nos permitem estar mais próximos a
nossos alunos e refletir sobre as questões específicas do trabalho com

52
determinadas ferramentas de comunicação para a criação de ambientes
virtuais favoráveis à aprendizagem colaborativa e construtiva dos alunos.

Vamos lá? Vamos conversar sobre essas ferramentas?

Para começar, vamos falar sobre a mediação pedagógica para construir


conhecimento complexo.

3.1 Mediação pedagógica para construir conhecimento complexo

Caro aluno, estamos muito acostumados com a ideia de que cabe ao


professor apresentar problemas e ajudar os alunos durante o processo de
aprendizagem, mas esse papel também pode estar com os alunos ou outros
participantes de um evento social ou educativo.

A mediação pode estar em inúmeros espaços!

Figura 1

https://www.google.com/search?q=imagens+de+media%C3%A7%C3%A3o+pedagogica&tbm=isch&tbs=rimg:CUsE42P
1xA3iIjj2MfbSs2f4cjtf5Hyv4_1ALEmBBN0Od9MvvuBqOS0-
pfjyYUkNL15T_1IHOe8OH83oXW4TQojoyMgyoSCfYx9tKzZ_1hyEVhwVbV8NRhFKhIJO1_1kfK_1j8AsRyJHlu7PEOTg
qEgkSYEE3Q530yxGWFeIxo0803SoSCe-4Go5LT6l-
Edv5BcBkBECIKhIJPJhSQ0vXlP8RGKYGpr2T0sAqEgkgc57w4fzehREjcWjl8aXr1yoSCdbhNCiOjIyDEamuDoPrW3bL&
tbo=u&sa=X&ved=2ahUKEwiMgsK4qungAhU7K7kGHexqChkQ9C96BAgBEBg&biw=1280&bih=518&dpr=1#imgrc=Sw
TjY_XEDeJRQM:

Atualmente os estudantes podem trocar experiências e conhecimentos


com colegas do mundo inteiro, assim como podem acessar bibliotecas, centros
de pesquisas, universidades, museus, todo um universo de percepção se abre
para eles. A própria perspectiva de mundo e de realidade pode se modificar,
dando lugar à formação de um conhecimento mais global, menos limitado às

53
fronteiras nacionais e imediatas. Vemos que as pessoas estudam, pesquisam,
debatem, discutem e chegam a produzir conhecimento, desenvolver
habilidades e atitudes.

Assim, como fica o espaço aula? Torna-se um ambiente de


aprendizagem, com os novos recursos que a tecnologia oferece, na
organização, flexibilização dos conteúdos, na interação aluno-aluno e aluno-
professor e na redefinição de objetivos.

No caso da sala de aula virtual ou presencial, segundo Collins, Brown e


Newman (1989), a mediação pedagógica pode envolver a exploração para
avaliações, comparações, julgamentos; a síntese para combinar, compor,
mudar, construir, reorganizar, sugerir; e a reanálise par examinar e debater
com exemplos, com o objetivo de mostrar soluções para problemas propostos.

A partir dessa perspectiva, o professor tem função fundamental, pois é


ele quem possui os objetivos de aprendizagem com foco em desenvolvimentos
específicos. Ainda seguindo Collins, Brown e Newman (1989), a aprendizagem
com foco no desenvolvimento da cognição faz uso de estratégias de ensino
como scaffolding (andaimes), para que capacidades cognitivas mais complexas
possam ser desenvolvidas pelos indivíduos.

54
Scaffolding (andaimes) é um termo ainda utilizado por muitos educadores como
metáfora para explicar um modo eficiente de ajudar os alunos a desenvolverem
habilidades cognitivas específicas. As atividades ou situações que envolvem os
aprendizes são vistas como facilitadoras/orientadoras do desenvolvimento cognitivo. O
ambiente deve permitir uma interação muito grande do aprendiz com o objeto de
estudo, de forma a estimulá-lo e desafiá-lo, mas, ao mesmo tempo, deve permitir que
novas situações criadas possam ser adaptadas às estruturas cognitivas existentes,
propiciando desenvolvimento.

Garrison e Anderson (2003) falam sobre presenças de ensino. Para eles,


parece ficar claro que a função do professor no ambiente online deva ser a de
estimular o aluno para aprender e também a de gerenciar o ambiente para
tornar possível a aprendizagem, no sentido de tornar o ambiente mais
acessível, mais confortável e mais seguro, para que os alunos tenham as
condições necessárias ao desenvolvimento da aprendizagem propriamente
dita, que deveria ser alavancada pela instrução e orientação do professor para
tentar promover e estimular o desenvolvimento de capacidades mais
complexas do pensamento.

A ideia é mostrar caminhos e fazer propostas para alavancar


aprendizagens que sozinho o aluno talvez não consiga.

O papel do professor ou par mais desenvolvido é fundamental, mas nem


todo o tipo de discurso é visto como articulador de aprendizagens significativas.
Há muitos detalhes no discurso de um professor ou interlocutor que podem ou
não desencadear avanços de aprendizagem. O modelo proposto por Garrison
et al. (2003, 2001, 2000) implica em trabalho estruturado, com sugestões de
falas de professores para alcançar fases específicas de conhecimento. As
propostas buscam modelos de ação do professor que deveriam ocorrer para
levar os alunos a resolverem seus problemas em conjunto.

55
Atividade de aplicação

Leia o texto abaixo e sublinhe os pontos que você julgar importantes.


Depois, relacione-os à sua prática, como aluno do EaD, pontuando com
identificadores (V) para verdadeiro e (F) para falso. Elabore propostas de
solução para os conceitos (F).

1- O docente de EaD se depara com situações, em geral, não


vivenciadas anteriormente como aluno, confronta-se com tempos e espaços
organizados de uma forma “diferente”, estabelece um contato com os alunos
sem contar com os olhares e gestos, e em várias situações, sem ter uma
reação imediata do que foi apresentado e proposto, implicando num conjunto
de conhecimentos e habilidades didático-pedagógicas novas, que colocam, em
muitos casos, em xeque encaminhamentos dados para situações presenciais.
2- Desinstalar-se de um processo de ensino pautado numa relação
presencial, cujos olhares, gestos e palavras, provocam atitudes visíveis,
reações imediatas, e passar a “olhar” o aluno através do computador, do
material impresso ou de outras mídias, é um constante desafio.
Essas sensações são verdadeiras ou falsas para você como aluno?
Como resolvê-las?

3.2 Atividades e ferramentas em AVA (síncronas e assíncronas)

No ambiente de EaD, geralmente, a mediação pode ocorrer por meio


tanto do material escrito e disponibilizado no ambiente de aprendizagem
quanto por meio de ferramentas divididas em duas categorias: síncronas e
assíncronas.

56
A comunicação síncrona é realizada em tempo real, exigindo
participação simultânea de todos os envolvidos como nos chats e
videoconferências.

A comunicação assíncrona é realizada em tempos diferentes,


prescindindo a participação simultânea (em tempo real) dos envolvidos. Os
participantes não precisam estar reunidos no mesmo ambiente virtual, nem ao
mesmo tempo, resultando maior flexibilidade de interação e acompanhamento.
Como exemplos de ferramentas assíncronas, elencam-se o e-mail e o fórum de
discussão.

É importante relembramos, ainda, que, na modalidade EaD, a interação


também pode ocorrer entre máquina e indivíduo ou, melhor dizendo, entre a
possibilidade criada anteriormente por um profissional, fazendo com que o
indivíduo interaja, usando os conteúdos disponibilizados pelas máquinas, por
meio de filmes, de textos orais ou escritos, imagens e sons.

Assim, os AVA podem ou não conter a presença atenta de um professor,


vendo as necessidades de seus alunos para valer-se dos diferentes
instrumentos e momentos para alavancar o conhecimento de seus alunos. Nem
sempre haverá um professor presente no ambiente. No entanto, vários cursos
contam com a ajuda de tutores.

Por exemplos, temos ambientes a distância em que os professores


elaboram os materiais instrucionais e planejam as estratégias de ensino e
aprendizagem com os tutores (presenciais e a distância), encarregados de
auxiliar os alunos em suas atividades e tarefas, orientando-os em suas
dúvidas.

Essas interações são desencadeadas por meio de plataformas como:


TelEduc, AulaNet, Amadeus, Modular Object-Oriented Dynamic Learning
Environment (MOODLE), e-Proinfo, Learning Space, WebCT, entre outras,
possibilitando a utilização de recursos tecnológicos e pedagógicos para o
ensino e aprendizagem de conteúdo específicos. Esses recursos permitem o
desenvolvimento de metodologias educacionais que utilizam canais de
interação web e visam oferecer o suporte necessário para a realização de
tarefas.

57
O TelEduc é um ambiente de educação a distância pelo qual se pode
realizar cursos através da Internet. Está sendo desenvolvido conjuntamente
pelo Núcleo de Informática Aplicada à Educação e pelo Instituto de
Computação da Universidade Estadual de Campinas.

MOODLE é o acrônimo de "Modular Object-Oriented Dynamic Learning


Environment", um software livre, de apoio à aprendizagem, executado num
ambiente virtual.

O Edu Web/AulaNet é um software Learning Management System (LSM),


cuja ferramenta foi desenvolvida no Laboratório de Engenharia de Software
(LES) do Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 1997.

Pesquise e conheça mais plataformas.

Resumindo, as premissas aqui apresentadas reafirmam a importância de


que o professor determine as atividades de EaD de acordo com a sua intenção,
ou seja, que ele tenha condições de escolher e propor determinadas
atividades, porque sabe sobre o que refletir e sobre o enfoque proposto que
levará o aluno a desenvolver as habilidades e competências necessárias para
aquele momento de aprendizagem.

Assim, levando em consideração os estudos já mencionados, como os


de Collins, Brown e Newman (1989), Garrison et al. (2003), Gervai (2007),
Victoriano (2010), dentre outros, temos de pensar sobre possíveis caminhos
para que os professores possam utilizar as ferramentas disponíveis nos
ambientes para conseguirem atingir seus objetivos pedagógicos.

A seguir, falaremos sobre as ferramentas que permitem mais


proximidade com alunos; ferramentas e formas de ações pedagógicas mais
favoráveis em ambientes virtuais para atingir aprendizagem colaborativa e
construtiva.

58
3.3 Chats, tarefas individuais, fóruns e avaliação processual

No ambiente de EaD, geralmente, a mediação pode ocorrer por meio


tanto do material escrito e disponibilizado no ambiente de aprendizagem
quanto por meio de ferramentas divididas em duas categorias: síncronas e
assíncronas.

A comunicação síncrona é realizada em tempo real, exigindo


participação simultânea de todos os envolvidos, como nos chats e
videoconferências.

A comunicação assíncrona é realizada em tempos diferentes,


prescindindo da participação simultânea (em tempo real) dos envolvidos. Os
participantes não precisam estar reunidos no mesmo ambiente virtual, nem ao
mesmo tempo, resultando maior flexibilidade de interação e acompanhamento.
Como exemplos de ferramentas assíncronas, elencam-se o e-mail e o fórum de
discussão.

É importante relembramos, ainda, que, na modalidade EaD, a interação


também pode se dar entre máquina e indivíduo ou, melhor dizendo, entre a
possibilidade criada anteriormente por um profissional, fazendo com que o
indivíduo interaja, usando os conteúdos disponibilizados pelas máquinas, por
meio de filmes, de textos orais ou escritos, imagens e sons.

Mesmo assim, os AVA não dispensam a presença atenta de um


professor que saiba quais são as necessidades de seus alunos e, acima de
tudo, como valer-se dos diferentes instrumentos para supri-las.

As premissas aqui apresentadas reafirmam a importância de que o


professor determine as atividades de EaD de acordo com a sua intenção, ou
seja, que ele tenha condições de escolher e propor determinada atividade,
optando pela ferramenta mais adequada para desenvolver as habilidades e
competências necessárias para um determinado momento de aprendizagem.

Assim, levando em consideração os estudos já mencionados, como os


de Collins, Brown e Newman (1989), Garrison et al. (2003), Victoriano (2010),
dentre outros, temos de pensar e propor possíveis caminhos para que os

59
alunos possam utilizar as ferramentas disponíveis nos ambientes de
aprendizagem para conseguirem atingir seus objetivos de estudo.

Mas o que fazer? A seguir, daremos algumas sugestões.

Chats: exemplo de ferramenta síncrona

Figura 2

https://www.google.com/search?q=imagens+de+chats&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=fdFRt6Wc-
kVyvM%253A%252CNkq1G9HygHXT1M%252C_&usg=AI4_-
kRFvqbaspqKG1mGK7_LCru_I_VR4w&sa=X&ved=2ahUKEwiPlpjHqengAhWuHrkGHXuEBu0Q9QEwBHoECAUQDA#i
mgrc=fdFRt6Wc-kVyvM:

O chat, como ambiente de conversação online, possibilita comunicação,


em tempo real, entre todos os interlocutores que façam parte de um grupo e
que estejam conectados ao mesmo tempo pela internet. Pode ser
particularmente apropriado para abordagens de aprendizado colaborativo e
coletivo.

Como afirma Jonassen (1999, p. 200): “grande parte do que


aprendemos não ocorre no isolamento, mas em contexto de trabalhos em
grupos ou, melhor ainda, se através de uma equipe de trabalho”. Para o autor,
o diálogo e a colaboração são fatores fundamentais para que uma
aprendizagem significativa aconteça, portanto, a ferramenta é um apoio
fundamental para aproximar as pessoas, podendo gerar construção conjunta
de conhecimento de forma mais imediata.

60
A ferramenta chat promove não somente a interação do aluno com o
conteúdo e com o meio, mas também com os outros membros do grupo para
troca de informação, apoio e aprendizagem.

Os chats podem ser normalmente utilizados para organizar o grupo, e


propor trabalho em conjunto; por isso, surgem como um ambiente adequado
para propiciar a interação entre os participantes e o professor, para a
discutissão de assuntos pertinentes ao curso, para troca de experiências
relacionadas aos temas vivenciados ou, até mesmo, pode ser usado para
fomentar a sensação de presença social para simples troca de informações.

Além disso, o chat, como outras ferramentas do meio digital, permite que
seja criado um registro automático das interações dos participantes. Com isso,
as transcrições são imediatas, possibilitando a armazenagem de arquivos de
dados brutos reais. Alunos que não podem participar de um encontro podem ler
as interações registradas.

As leituras desses textos podem ser importantes para os estudos dos


alunos durante o curso, pois podem recorrer aos textos produzidos durante a
interação quando quiserem. Seria uma ação parecida com a de escutar uma
aula gravada.

É importante considerar que o chat pedagógico tem características


particulares e, por essa razão, a ação de mediação é fundamental. O professor
tem o papel explícito de interferir e provocar avanços que não ocorreriam sem
a intervenção do professor. Assim, estudos como os de Gervai (2004) revelam
que é preciso:

• Propor um tema para a discussão;

• Preparar previamente os alunos para o encontro.

Por meio de estratégias especiais de condução da interação, o professor


deve levar os alunos a interações em que expressem e compartilhem suas
ideias. Os mediadores/professores devem:

61
• Aproveitar as interações para explorar observações;

• Buscar aprofundamento para esclarecimento;

• Identificar áreas comuns para proposta de entendimento e


(co)construção;

• Evitar que os alunos fiquem somente trocando informações ou


conversando.

Estudos de Collins et al. (2003) apontam que, para o chat ser proveitoso
do ponto de vista educacional, é necessária uma preparação meticulosa. Para
que a ferramenta possa ser mediadora de aprendizagem, é necessário evitar
digressões, manter uma pequena variedade de tópicos e, portanto, um foco
mais definido no tema programado para a discussão.

Lembre-se de que você é um só e estará respondendo a um grupo de


alunos, muitas vezes cheios de dúvidas e ávidos por respostas. Portanto, além
de estar atento, você deve digitar com agilidade. Caso essa seja uma
dificuldade para você, convide um aluno para ser seu monitor para lhe auxiliar.

Outra dica é que, quando você tiver muitos alunos cadastrados em sua
disciplina, talvez seja melhor dividir a turma em pequenos grupos para facilitar
a comunicação e evitar o acúmulo de perguntas sem respostas.

Tarefas individuais com “devolutivas” do professor

Vários AVA apoiam-se em trabalhos de produção individual com


mediação automática. Os ambientes podem oferecer a possibilidade de
correção automática das tarefas feitas individualmente pelos alunos. Por
exemplo, o aluno faz uma atividade e, imediatamente, tem sua correção feita
pelo sistema. Neste caso, é o professor que pesquisa, seleciona e elabora a
atividade e a resposta. Há mais distância entre professor e aluno, haja vista a
impossibilidade de diálogo, mas pode ser interessante para otimizar tempo, no
caso de atividades mais mecânicas.

62
Para os professores, também existe uma série de plataformas que podem
auxiliar no planejamento de aulas, cronograma de provas e ferramentas para
fazer correções de provas e atividades automáticas.

Pesquise e conheça mais sobre ferramentas para fazer correção


automática. Sugerimos o link: https://canaldoensino.com.br/blog/7-ferramentas-
para-fazer-correcao-de-provas-automatica

Outra possibilidade é a de o aluno receber avaliações/devolutivas dos


professores sobre as suas tarefas, caso que pode gerar mais interação e mais
possibilidade de construção de conhecimento. No entanto, é preciso prestar
atenção para:

• A maneira como o professor expressa suas ideias;

• Como posiciona seu aluno interlocutor;

• O resultado dessas ações.

Os estudos de Gervai (2007) mostram que diferentes tipos de mediação


podem gerar diversas respostas. As avaliações dadas por professores podem
conduzir a diferentes tipos de participação dos alunos. As pesquisas revelam
que as devolutivas de professores são textos que tipicamente carregam um
grande potencial de avaliação. Espera-se do professor que avalie e o aluno
espera ser avaliado. No entanto, há elementos diferentes nessas avaliações,
que merecem análises, pelas implicações pedagógicas que podem ter.

É importante apreciar o que os alunos fazem e, quando apresentam


certas dificuldades, pode haver uma abertura para o aprofundamento de
determinados pontos. O professor mediador deve modalizar sua linguagem,
além de sempre começar por apontar os aspectos positivos antes dos

63
negativos. Este parece ser um caminho para dar continuidade à interação e à
aprendizagem.

As pesquisas de Gervai (2007) mostram que o professor que faz


perguntas aos alunos, geralmente, recebe respostas de todos, no entanto, o
professor que faz boas avaliações sobre ações específicas e aponta para
algum dado ausente gera oportunidade de participação diferenciada, podendo
aumentar a autoestima do aluno, reafirmando a sua relação com ele.

Não é preciso fazer muitas perguntas, mas focar em algo. Parece


interessante indicar um ou outro ponto específico que o aluno desenvolveu
para aprimorar a interação. Os dados dos estudos revelam que os alunos
respondem mais quando são levados a interagir com perguntas específicas.

Como sabemos, as perguntas possuem qualidades diferentes e podem


gerar reflexão, conduzindo o aluno a fazer um trabalho que seja atividade de
qualidade, e não apenas repetição.

O mesmo acontece com quem demonstra não ter entendido a atividade.


O professor pode dar a resposta a ele ou levá-lo a reestruturar o seu trabalho.
Os estudos de Gervai (2007) mostram que os alunos, quando recebem
perguntas que os ajudam a repensar a atividade, dão retornos de qualidade,
bem diferentes do trabalho feito inicialmente. Portanto, é preciso fazer o aluno
voltar ao material didático e repensar a sua atividade a partir de perguntas
orientadoras.

Por outro lado, podem ocorrer situações em que os professores se


encontram bastante atarefados, não sobrando tempo para muitas devolutivas
ou para a negociação de sentidos. Consequentemente, é de fundamental
importância ser seletivo e fazer perguntas pertinentes.

Assim sendo, é preciso:

• Avaliar aspectos positivos antes de falar sobre algum aspecto


negativo;

• Avaliar ações específicas do aluno;

• Avaliar e convidar o aluno a participar da interação;

64
• Dar atenção especial às atividades com problemas.

Atividade de aplicação

Autoavaliação

Leia o texto a seguir.

Autoavaliação é a efetuada pelo próprio aluno. Ela é recomendada, por


conveniência pedagógica, em certos casos, como forma de responsabilizar o
aluno por seu próprio processo de aprendizagem ou de avaliar algum aspecto
do curso ou da aula que só ele pode conhecer ou perceber.

O aluno deve tomar consciência de seus pontos fortes, suas


dificuldades, do que aprendeu e em que precisa melhorar. Deve saber analisar
seu progresso, suas atitudes e seus comportamentos. Para o aluno realizar a
autoavaliação, o professor pode apresentar algumas perguntas ou algum tipo
de roteiro orientador que incite a reflexão do estudante sobre o processo de
ensino-aprendizagem. É importante ressaltar que a autoavaliação depende da
franqueza e da responsabilidade do aluno para assumir os próprios atos. Para
Santos (apud Carrico, 2007), a autoavaliação é um processo de metacognição,
pois envolve uma ação mental interna. Nesse processo, o aluno é encorajado a
tomar consciência dos diferentes momentos e aspectos da sua atividade
cognitiva.

A partir da autoavaliação, o aluno pode desenvolver a capacidade de


autoquestionamento e pode refletir sobre sua aprendizagem. Outro ponto
importante, é estabelecer que aspecto será destacado na autoavaliação. Nada
mais ineficiente e massacrante do que entregar ao aluno uma extensa ficha
lotada de perguntas de todo tipo para ele responder. É transformar um
momento de reflexão em uma exaustiva tarefa formal feita às pressas e sem
pensar.

65
A autoavaliação deve privilegiar um aspecto por vez como procedimento,
conteúdo, convivência social ou outro, permitindo a abordagem de diversos
problemas com a profundidade que exigem.

A autoavaliação pode ajudar desde que realizada com certa regularidade ao


longo do curso, e não apenas no final do ano ou do semestre

Agora que você já leu o texto, escreva uma reflexão sobre a seguinte
pergunta: É possível e viável ter a autoavaliação em EaD? Justifique sua
resposta.

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Fóruns

Figura 3

https://www.google.com/search?q=imagens+de+f%C3%B3runs&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=bu2_WOkMvKSFHM
%253A%252C-kNzLt8aYP43iM%252C_&usg=AI4_-kT14rwjSm184Yx-
7zmwx_rV7kNSGQ&sa=X&ved=2ahUKEwiAnoiYqOngAhU3F7kGHbBrChoQ9QEwA3oECAUQCg#imgdii=XKJsxfudcW
W7nM:&imgrc=bu2_WOkMvKSFHM:

Um fórum de discussão (em inglês, bulletin board) é um espaço web


dinâmico que permite a comunicação entre diferentes pessoas. O fórum de
discussão é composto geralmente por diferentes fios de discussão (o termo “fio
de discussão” é às vezes substituído por assunto de discussão, post, thread ou
tópico) que correspondem, cada um, a um intercâmbio sobre um assunto
específico.

A primeira mensagem de um thread define a discussão, e as mensagens


seguintes (situadas geralmente abaixo) procuram respondê-la. Os participantes
de um fórum deveriam tentar responder e participar com propósitos de
interação, mas as pesquisas mostram que, no caso de espaços educacionais,
isso geralmente não acontece.

Alguns fóruns apresentam sequências de contribuições que parecem


monólogos. Os alunos tendem a responder às tarefas de forma mecânica e
poucos leem as contribuições dos colegas.

67
Por isso, em espaços educacionais construtivos, os alunos precisam ser
preparados para a participação, sendo crucial, portanto, a intervenção do
professor.

A mediação do professor nos fóruns também é fundamental para o


desenvolvimento do trabalho entre os alunos. Assim como nas atividades
escritas individuais, dados de vários estudos sobre fóruns revelam que o
professor é quem pode perceber os diferentes momentos em que seus alunos
se situam e, então, proporcionar diferentes tarefas que possibilitem o caminhar
de cada aluno ou do grupo.

As pesquisas de Gervai (2007) revelam que é preciso ocorrer:

• Mediações que orientem (esclarecem dúvidas) e gerenciem o


trabalho no fórum;

• Mediações que avaliem;

• Mediações com propostas de questões para reflexão sobre um


determinado assunto;

• Mediações que incentivem a interação entre os alunos para


promover mais interação;

• Mediações para a solução de conflitos.

Portanto, a mediação do professor nos fóruns também é fundamental


para o desenvolvimento do trabalho entre os alunos. No entanto, não é
qualquer tipo de intervenção que funciona. Por exemplo, professores que
fazem longas explanações em suas mensagens podem não obter respostas
dos alunos.

Assim, entendemos que o professor precisa ter objetivos pedagógicos


claros e fazer perguntas específicas para promover um salto qualitativo com
relação à aprendizagem do aluno. A agilidade, a objetividade e o poder de
síntese parecem ser condições fundamentais para fazer uma mediação que
incentive a participação dos alunos, a integração entre eles e o trabalho mútuo.

68
Além disso, parece ser importante fazer o aluno voltar ao material
didático e repensar a sua atividade, então guiado por perguntas orientadoras;
caso contrário, o aluno não responde ou simplesmente desvia do objetivo da
atividade para falar de outros assuntos. Complementando ainda: os alunos
tendem a participar mais quando as intervenções dos professores estão
relacionadas à realidade dos alunos participantes.

Precisamos aprender a lidar com um tempo não linear e multifacetado,


pois o do professor pode não ser o mesmo de seu aluno. Assim, as
contribuições dos alunos podem ocorrer em momentos diferentes e o professor
precisa estar atento. É preciso ter uma conduta de entradas constantes nos
fóruns para que os debates sejam desenvolvidos e relacionados aos objetivos
das atividades propostas, com sínteses constantes das contribuições,
aproveitando-as para fazer as negociações de sentidos e as construções de
conceitos, sem deixar de levar em consideração os alunos e suas experiências
de vida.

Há, também o fato de termos acesso pleno ao registro das contribuições


de todos nos fóruns, o que implica ser preciso aprender a lidar com as
dificuldades que muitos têm de expor-se, mesmo em um contexto a distância.
O fato é: tudo o que é escrito “não se desmancha no ar”. Ao contrário, fica
registrado, e é público. Da mesma forma que uns silenciam, outros aproveitam
para dar opiniões, expressar-se, mas as contribuições precisam ser conectadas
e as discussões precisam de realimentação teórica e direcionamento; por isso,
é premente a presença do professor como organizador e mediador.

O fórum de discussão, uma ferramenta de comunicação assíncrona é,


segundo Okada (2006, p. 287 apud Carrico, J.S.A), um espaço para debates
onde ocorre o entrelaçamento de muitas vozes que constroem e desconstroem,
que questionam e que respondem e olhando além do vazio buscam novas
alternativas. Para Bruno (2007, idem) o fórum de discussão é uma ferramenta
para conversa ou diálogo entre seus participantes, permitindo a troca de
experiências e o debate de ideias, bem como a construção de novos saberes,
pois permite a conversa de todos com todos, cada qual ao seu tempo,
possibilitando a criação de um ambiente centrado na interação online. Na
mesma direção, Santos (2006, p. 229, ibdem), ao tratar das ferramentas

69
disponibilizadas pelos AVA, apresenta o fórum como uma interface na qual
emissão e recepção se ligam e se confundem de modo a permitir que uma
mensagem seja comentada por todos os participantes alimentando a
inteligência coletiva através da colaboração todos-todos.

Os fóruns exigem uma capacidade técnico-operacional do professor


muito desenvolvida, pois o professor tem de orientar a todos e, a cada um, ao
mesmo tempo, devendo escrever sua mensagem cuidadosamente, compondo-
a com apoios teóricos coerentes e claros. A conexão entre teoria e prática
discursiva dos alunos é um trabalho exaustivo, pois exige a percepção daquilo
que é particular a cada um e a capacidade de captar os elementos comuns de
uma determinada turma. Os fóruns exigem do professor a capacidade para a
síntese de ideias. É preciso:

• identificar áreas de acordo/desacordo;

• procurar chegar ao consenso/entendimento;

• encorajar, reconhecer ou reforçar as contribuições dos alunos;

• estabelecer o “clima” para a aprendizagem;

• engajar os participantes, incitar a discussão;

• avaliar a eficácia do processo.

Nos fóruns, os alunos também podem assumir a função do professor, e isso


normalmente acontece. Os alunos acabam aprendendo com professores ativos
nos ambientes de aprendizagem e exercem funções importantes. Mas cabe ao
professor não deixar o assunto ir para direções que não fazem parte dos
objetivos do fórum e determinar um tempo para a participação.

70
Organize bem o seu fórum! Lembre-se de colocar:

1. Nome do Fórum - especifique qual é o tema do fórum - Exemplo: Fórum de


dúvidas - unidade 1.
2. Deixe claro qual é o objetivo do Fórum e as instruções do que deve ser feito.
3. Tipo de Fórum: escolha a opção que melhor se encaixe com o seu objetivo:
● Cada usuário iniciar apenas UM NOVO tópico;
● Fórum geral;
● Fórum P e R (perguntas e respostas);
● Fórum padrão exibido em um formato de blog;
● Uma única discussão simples.

Como avaliar fóruns de discussão? Não deixe de ler!


O site analisa como os fóruns podem fortalecer discussões e a habilidade do aluno de
pensar de forma crítica, expressar seus pensamentos de uma forma clara e se
comunicar com outras pessoas. Mostra também como as discussões avaliadas, podem
ajudar o professor a motivar alunos a participarem com qualidade nas interações.
https://help.blackboard.com/pt-
br/Learn/Instructor/Interact/Discussions/Grade_Discussions

71
Avaliação processual

Como já apontamos, a escolha de ferramentas tecnológicas para um


curso deve estar atrelada a uma visão pedagógica e o mesmo podemos dizer
para a escolha de métodos, técnicas e instrumentos de avaliação em EaD.

Vários aspectos devem considerados quanto à escolha dos tipos de


instrumentos que serão utilizados na avaliação, pois são fundamentais para um
bom resultado do processo avaliativo, bem como a sua confiabilidade.

Na modalidade a distância, de acordo com Garcia Aretio (1999),


podemos lançar mão de vários recursos, tais como:

• Avaliação presencial – provas ou trabalhos feitos em local e tempo


definidos, em que todos os alunos serão avaliados ao mesmo
tempo.

• Avaliação a distância – é realizada em local e tempo livre para o


aluno, com data limite para a entrega da prova ou trabalho.

• Avaliação mista – com avaliação ocorrendo durante todo o curso a


distância e no final é feita uma prova/trabalho presencial.

O primeiro tipo de avaliação tem como vantagem, a garantia de que seja


o próprio aluno matriculado no curso que está sendo avaliado. O segundo tipo
tem a vantagem de respeitar o ritmo de estudo do aluno, que poderá escolher o
dia de ser avaliado em função da sua preparação. Vários cursos utilizam
avaliação mista, com avaliação ocorrendo durante todo o curso a distância, por
meio de entrega de atividades e participação em fóruns, e no final, é feita uma
prova/trabalho presencial. É comum também termos defesas de trabalhos no
final dos cursos, podendo ser até com o uso de vídeos ou teleconferências.

O que estamos querendo apontar é que em cada curso é preciso pensar


sobre como os alunos serão avaliados para emissão de certificados. É preciso
lembrar que os requisitos formais da legislação de cada país podem ser
diferentes, portanto, é preciso analisar que padrão deve ser seguido em cada
região.

72
O ponto central aqui é que precisamos pensar na questão de uma ação
avaliadora de qualidade, para nos permitimos acompanhar a construção do
conhecimento dos alunos. A avaliação é um aspecto central em processos de
aprendizagem e por isso mesmo, objeto de muitas discussões e pesquisas.

Nesse caminho, vemos que mesmo na educação a distância precisamos


olhar com muita atenção para o que queremos desenvolver com nossos
alunos. Uma abordagem pedagógica construtivista pode oferecer muitas
oportunidades avaliativas.

Aproveitamos para salientar que acreditamos ser fundamental uma


avaliação processual, formativa e contínua, pois vemos o formato com alto
potencial para indicar como a prática dos alunos está acontecendo, nos
permitindo, como educadores, examinar a aprendizagem ao longo das
atividades realizadas. Consideramos a avaliação contínua a melhor opção,
corroborando com a opinião de Belloni e outros (2007, p.14) quando afirmam
que a avaliação é “[…] um instrumento fundamental para conhecer,
compreender, aperfeiçoar e orientar as ações de indivíduos ou grupos. É uma
forma de olhar o passado e o presente, sempre com vistas ao futuro”.

Partimos do pressuposto que as avaliações não apenas servem para


classificação dos alunos, mas também como mecanismo de detecção das
dificuldades ou problemas de aprendizado. E nessa perspectiva, o papel do
tutor ou do professor se torna de suma importância, enquanto mediador no
processo de aprendizagem.

Anderson et al. (2001) sustentam que é preciso que os alunos tenham a


oportunidade de problematizar os conteúdos de um curso. Nesse sentido, a
mediação do professor ganha força. Os alunos precisam ser provocados e
convidados a refletir sobre os novos conhecimentos para poderem fazer as
relações entre o novo conhecimento e o anterior, para que as diferenças
fiquem claras e, até, para que sejam percebidas, a fim de que o novo
conhecimento não seja, simplesmente, compreendido por meio da pura
associação de pontos relacionados às velhas concepções. É neste sentido que
o papel da mediação torna-se fundamental, pois é necessário que sejam
criados momentos que promovam a ressignificação dos conceitos.

73
E a avaliação processual nos ajuda a fazer uma continua análise dos
alunos, mesmo nas situações online, o importante papel de ajudar o aluno a
reconstruir individualmente aquilo que é trabalhado nas durante as atividades
de um curso. Se o aluno é participativo e refaz suas tarefas, precisa ser
avaliado por suas tentativas de refazer e melhorar. Assim sendo, damos ao
aluno mais oportunidade de evoluir.

Todas as atividades discutidas anteriormente podem nos oferecer dados


para avaliar a participação de um aluno no curso. Podemos colocar notas,
durante o curso, em tarefas individuais, em participação de eventos como chats
e fóruns e entrega de trabalhos. No entanto, é fundamental que o aluno saiba
sobre os critérios de avaliação. Muitos alunos estão acostumados com as
avaliações que seguem o modelo de avaliação classificatória, seletiva,
autoritária e punitiva, como a praticada na pedagogia tradicional. Então, é
preciso deixar bem claro como o processo de avaliação deverá acontecer.

Para maiores informações sobre procedimentos de avaliação na modalidade a


distância entre no link do artigo:

Avaliação na EaD: contextualizando uma experiência do uso de instrumentos com


vistas à Aprendizagem

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4406682/mod_resource/content/1/Rubricas%
20na%20EaD_leitura%202.pdf

74
Chegamos ao final da terceira unidade! O tempo voa!

Mostramos aqui a importância do papel do professor, da instituição para


a escolha adequada de conteúdos, ferramentas e técnicas mais apropriadas
para a promoção de um trabalho colaborativo.

Vimos que a mediação do conhecimento pode ocorrer por meio tanto do


material escrito e disponibilizado no ambiente de aprendizagem quanto de
ferramentas divididas em duas categorias: síncronas e assíncronas.

Também sugerimos maneiras de trabalhar com chats, atividades


individuais e fóruns. Além disso, reforçamos pontos de estudos e pesquisas
que revelam que o professor é responsável por perceber os diferentes
momentos em que seus alunos estão e, então, proporcionar diferentes tarefas
que possibilitem o caminhar de cada aluno ou do grupo. Também aproveitamos
para ressaltar a importância da avaliação contínua ou processual, sugerindo
formas mais interessantes para a formação dos alunos.

Para finalizar, convidamos você a realizar duas atividades sobre as


temáticas que discutimos nesta unidade.

I) Analise a sua situação como aluno da modalidade EaD e escreva um


texto reflexivo.

1) Você sente que está envolvido com o curso?

2) Aprende com os colegas e com os professores?

3) Você percebe que a rotina e disciplina são elementos necessários?

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4) Quais são os pontos diferentes dos cursos presenciais?

Bom trabalho!

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II. Participe de um fórum de outro curso online, verificando:

1) Quais foram as suas participações?

2) Há promoção de interação entre os alunos?

3) Há critérios claros para a participação?

4) Há envolvimento entre os participantes do grupo? Por quê?

Boa experiência e ótimas reflexões!

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UNIDADE IV

4. PARADIGMAS: O TEMPO E A AUTONOMIA EM EAD

Conteúdos trabalhados na unidade: a administração do tempo e do


espaço na educação a distância; autonomia: a responsabilidade pela
própria aprendizagem; ampliando o conceito do “estar junto virtual”.

Nesta unidade a intenção é abordar elementos fundamentais para o bom


andamento dos cursos na modalidade EaD: o gerenciamento do tempo, do
espaço e a construção da autonomia.

Já refletimos sobre o que fazer com ferramentas que nos permitem estar
mais próximos de nossos alunos e apresentamos questões específicas do
trabalho com determinadas ferramentas de comunicação para a criação de
ambientes virtuais favoráveis à aprendizagem dos alunos. Falamos de
trabalhos que podem ser desenvolvidos e de formas de avaliação apoiadas em
ferramentas como os chats e os fóruns, mostrando marcas de ações
pedagógicas importantes nos diferentes tipos de interação com os alunos.

Agora, aproveitaremos para discutir outros dois elementos fundamentais


para o bom andamento dos cursos na modalidade EaD: o gerenciamento do
tempo e do espaço e a construção da autonomia.

Vamos começar com o debate sobre o tempo e o espaço? Pode ser bem
útil!

Preparado(a)?

Então, mãos à obra!

79
4.1 A administração do tempo e do espaço na educação a
distância

Vamos, então, começar com a questão da rotina. Como acomodar um


curso a distância à nossa vida cotidiana? É sempre importante se organizar!

• Quais horários poderei dedicar ao curso?

• Quantas horas por semana?

Esses são pré-requisitos fundamentais para um aluno poder participar


de um curso na modalidade não presencial. Sabemos que a rotina de um curso
a distância pode apresentar um padrão bem diferente de um curso na
modalidade presencial, e essa rotina pode causar problemas quando não
administrada corretamente.

Diferente dos modos presenciais, na EaD, as dimensões coletivas e


cronológicas do tempo físico esvaecem-se, enquanto a individual predomina.
Como administrar bem o tempo e o espaço online, em prol do aprendizado?

A complexidade da web contribuiu para a desconstrução da figura


milenar de muros, salas de aula ou da presença física dos professores,
ampliando substancialmente o universo educacional. As noções de tempo
(chronos e kairós) e espaço (geográfica e simbolicamente) são remodeladas
para essa modalidade de ensino.

Figura 1

https://www.google.com/search?q=imagem+de+cronos+e+Kairo&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwii_OW8
2-ngAhUFGbkGHUACBhUQ_AUIDigB&biw=1280&bih=518#imgrc=_Xzu86KI9bFFtM:

80
Os gregos antigos e o tempo:

Os gregos usavam pelo menos três palavras para designar tempo: aion, kairós e
chronos. Aion indicava o tempo de longo prazo, na verdade, de longuíssimo prazo.
Kairós indica um bloco de tempo, uma ocasião adequada ou uma oportunidade,
um período ou um momento especial de uma pessoa. Chronos é o tempo medido
pelo relógio: segundos, minutos e horas.

Chronos é o mais cruel. Na mitologia grega, incitado pela mãe Gaia (a terra),
castrou o pai Urano (o céu) e se tornou o primeiro rei dos deuses. Seu reinado foi
de prosperidade, mas viveu ameaçado pela profecia de que seria vencido por um
dos seus filhos. Para que não se cumprisse este vaticínio, devorava os filhos assim
que nasciam. Até que Zeus foi salvo pela mãe Réia e, tendo destronado o pai, o
expulsou do Olimpo e libertou todos os irmãos. Talvez por isso Chronos seja visto
como o tempo devorador, cruel, que corre sem parar nos empurrando para perto e
cada vez mais perto da morte. Chronos é tempo medido, controlado!

Com as novas TICs, as noções de tempo e espaço mudaram muito. O


mundo passou a estar ao alcance do mouse e o ambiente virtual diminui as
distâncias entre os indivíduos. O que se realiza no espaço é um viver comum.
Um locus onde são construídos os significados sociais e culturais, a partir dos
processos de interlocução, de compartilhamento, de diálogo, de troca entre
sujeitos relacionais. Na EaD, a dimensão individual do tempo tem controle
relativo.

Connelly e Clandinin (1995) afirmam que a relação ensino-aprendizagem


necessita de tempo, de relação, de espaço e de voz, para estabelecer relações
de colaboração. E trazendo esse pensamento para a modalidade EaD,
podemos dizer que a voz é, na maioria dos cursos, o meio que permite
aparecer o sentido que reside no indivíduo. E, quando dizemos “voz”, não
estamos falando somente da oralidade, mas da voz escrita também. A escrita
permite a participação na comunidade! Dessa forma, o espaço deve ser

81
pensado como um espaço de acontecimentos e de ações em que é preciso
também, assim como na modalidade presencial, participar para aparecer.

As novas tecnologias acabam por eliminar as distâncias e tornam o


tempo instantâneo. O tempo livre passou a ser tempo de consumo, trabalho, de
ação frenética, em um ritmo que parece não mais nos pertencer. Temos a
sensação da eliminação do tempo kairológico. Estamos todos à mercê da
ingerência do tempo. O que fazer diante de uma rotina sem rotina, sem
controle de tempo? Quem passou a controlar o tempo?

Figura 2

https://www.google.com/search?q=imagem+de+cronos+e+Kairo&tbm=isch&tbs=rimg:CVhpVM4tHeOsIjg3mj-PbfiO-
tgWVzE_1FZ8_1XW_1VeUWoGeCXVlVWbAVfLDjxq5Ra6FblNueSXmtfD99OIyI2RnKOLSoSCTeaP49t-
I76EYYZzluHw2YiKhIJ2BZXMT8Vnz8RlDd5hbc252IqEgldb9V5RagZ4BHHMVqWKkpGPyoSCZdWVVZsBV8sESX3FW
VUTc6rKhIJOPGrlFroVuURI1msvpso3xcqEgk255Jea18P3xEOZuD_1KSJBHCoSCU4jIjZGco4tEUbPMT8K4zBp&tbo=u
&sa=X&ved=2ahUKEwiT27Dl3engAhUVK7kGHZaaDdAQ9C96BAgBEBg&biw=1280&bih=518&dpr=1#imgrc=r84neWlsr
9JPCM:

Com as novas TIC, passamos a ter a possibilidade de estar junto


virtualmente, mas também a enfrentar uma série de problemas. Na modalidade
EaD, vemos muitas reclamações como as elencadas a seguir:

• O tempo é insuficiente;

• Acumulam-se as tarefas;

• Temos muitos alunos por professor;

82
• Temos pouca autonomia sobre o tempo e a interação.

Atividade de aplicação

Como um aluno de EaD, prestes a tornar-se um especialista em


formação em educação a distância, qual é a sua sugestão para evitar o stress
e o desgaste dos alunos frente a questões de administração do tempo? O que
fazer com a falta de tempo, acúmulo de tarefas, muitos alunos por
professor/tutor e pouca autonomia sobre o tempo e as formas de interação com
o sistema? Justifique sua resposta fazendo uma pesquisa pela internet.

Figura 3

https://www.google.com/search?q=o+coelho+de+Alice+sem+tempo&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiQ5
7mggOrgAhX2FbkGHeG_BXIQ_AUIDigB&biw=1280&bih=518#imgrc=Ev9KB0Q52AzFzM:

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O grande desafio parece ser o de não nos submeter ao ritmo alucinado.


É preciso entender que o virtual precisa ser alocado em tempo real. As
instituições precisam manter tempos para equacionar melhor o tempo do aluno.

É preciso organizar o tempo!!

Giddens (1991, p. 29) sugere uma ação fundamental. Para ele, as relações sociais
de contextos locais de interação e seus padrões precisam ser reestruturados no
ambiente virtual, por meio de extensões definidas de tempo e espaço.

Para surtir efeito positivo, o tempo e o espaço dependem de outra


coordenação, de outra recombinação, mas precisam de organização!

Muitas pessoas têm a ilusão de que o computador e a internet surgiram


para facilitar nossa vida, o que nem sempre é verdadeiro. Com a EaD apoiada

84
nessas tecnologias, acontece o mesmo, como já dissemos: nem sempre é mais
fácil desenvolver a modalidade de ensino a distância, só porque passamos a
contar com novas tecnologias.

Cursos online precisam ser cuidadosamente planejados, com uma


previsão clara de duração do curso e tempo específico para as atividades. Ao
organizar um curso, pense nas seguintes questões:

 Como administrar pedagogicamente bem o tempo online?


 Quantas vezes o aluno deve entrar no curso?

Consideramos fundamental que os alunos saibam esses critérios de


participação. Datas de encontros síncronos, como chats, precisam ser
previamente marcadas, assim como as datas para as participações nos fóruns.
Nenhuma atividade pode ser indefinida. Elas devem ter objetivos e critérios de
participação muito claros para que os alunos possam ter uma boa noção de
como organizar o seu tempo de participação.

Essas são questões muito comuns, pois vários alunos podem não ter um
perfil para administrar o tempo de estudo e de participação, sem encontros
presenciais.

Outro fator importante é que o ambiente de aprendizagem também deve


contribuir para ajudar o gerenciamento do trabalho do aluno, permitindo uma
acessibilidade rápida e simples, para que os alunos não fiquem horas tentando
achar arquivos ou horas para poder abri-los. Os alunos precisam ter uma
facilidade de acesso e trabalho, para que possam organizar-se ou aprender a
organizar-se.

Portanto, todos esses aspectos tornam a EaD apoiada nas novas


tecnologias uma modalidade que precisa ser cuidada, estudada e planejada
para obter sucesso e conseguir desenvolver alunos e professores mais
capacitados para o trabalho a distância.

85
Atividade de aplicação

É sempre importante levar em consideração que o processo de


aprendizagem da EaD difere do convencional. Em relação ao aluno que
escolhe fazer um curso a distância, algumas questões são importantes. Faça
uma pesquisa para responder as seguintes questões:

1. Os alunos de EaD, na atualidade, estão motivados à


autoaprendizagem?
2. A maioria dos alunos dessa modalidade de ensino possuem
habilidades para qualificar-se no estudo autônomo, desenvolvendo a qualidade
na aprendizagem?
3. Os alunos do EaD, na atualidade, conseguem ter acesso fácil à
tecnologia de qualidade?
4. Pensando no macroambiente Brasil, é possível afirmar que a maioria
dos estudantes de EaD consegue lidar com as novas tecnologias?

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Além das questões da organização do tempo, para o bom


funcionamento de um curso na modalidade a distância, o aluno tem de saber
usar minimamente a ferramentas, ter acesso de qualidade, bem como possuir
habilidades para a autoaprendizagem e ter responsabilidade para estudar.

Essa responsabilidade envolve uma postura mais madura e mais


autônoma. Cabe agora questionar: o que entendemos por autonomia?

É o que passaremos a discutir a seguir.

4.2 Autonomia: a responsabilidade pela própria aprendizagem

De acordo com a definição de Holec (1979, p. 3), autonomia é a


“capacidade de assumir a responsabilidade sobre sua própria aprendizagem.”
O aprendiz autônomo deve ser capaz de tomar todas as decisões referentes à
sua aprendizagem, incluindo:

• Determinação de objetivos;

• Definição de conteúdos e sua sequência;

• Seleção de técnicas;

• Monitoração de processos de aquisição;

• Avaliação do próprio desempenho.

87
O aluno precisa aprender a ser responsável!
O desenvolvimento do aprendiz implica em desenvolvimento cognitivo e
afetivo, envolvendo tomada de consciência a respeito de si próprio, como
aprendiz, bem como sobre como ter disposição e habilidades para
administrar a própria aprendizagem.

É preciso aceitar a responsabilidade pela própria aprendizagem e a


disposição para ter um papel proativo no processo. É importante também a
distinção feita por Holec (1979) entre aprendizagem autodirigida e
individualização. Segundo ele, a individualização assumiu uma grande
variedade de práticas diferentes, mas todas têm a intenção de encontrar um
nível de adequação do ensino ao aprendiz. Conta, dessa forma, com
característica comum à aprendizagem em autonomia, ou seja, o fato de levar
em consideração as características individuais do aprendiz.

Ainda de acordo com Holec (1979), para que ocorra a aprendizagem


autodirecionada, duas condições são necessárias: a capacidade do aluno de
assumir a responsabilidade sobre a aprendizagem (deve estar apto a tomar as
decisões que tal responsabilidade requer) e a criação de um contexto que
assegure o direito à autonomia.

Dauto (2006) acrescenta que a autonomia é adquirida com o tempo e a


maturidade, no entanto, é preciso que o professor seja o intermediário desse
amadurecimento e dessa aquisição. A família ganha força também nesse
contexto, porém, não é este o foco de nossa discussão aqui. Para o autor
(1992, p. 3):

Formar educandos autônomos é tarefa complexa e tortuosa, todavia,


é somente o educador que tem a condição de ser o mediador desse
processo. Devido o seu destaque social existente na sociedade como
um todo. Pois a construção do conhecimento; a aprendizagem só se
dá através de um processo, isto é, num desenvolvimento gradativo;
evolução. E neste contexto se insere a autonomia.

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Nesse sentido, entendemos que muito pode ser feito para que os alunos
também venham a desenvolver uma postura mais responsável e autônoma
com relação à sua aprendizagem. O aluno pode aos poucos ir incorporando
ações e assumindo papéis, aprendendo a participar dos cursos.

Assim, novamente voltamos a falar da importância do papel do professor


e da forma em que todo o gerenciamento/organização do curso acontece.

A importância ao papel dos professores no desenvolvimento da


aprendizagem e da autonomia do aluno é fundamental. O aluno precisa
aprender a assumir a responsabilidade pelo processo de aprendizagem e a
conscientizar-se sobre os diferentes aspectos envolvidos.

De acordo com Voller (1997), se os professores tiverem uma visão clara


e objetiva a respeito do processo de ensino-aprendizagem e dos aspectos
envolvidos na autonomia do aluno, estarão melhor preparados para negociar
com seus próprios alunos e com autoridades externas. Dessa forma, podem
adquirir maior poder e conceder poder aos seus alunos.

Apoiado nas ideias de Vygotsky (1991), Little (1995) também atribui


importância ao papel dos professores no desenvolvimento da aprendizagem e
da autonomia do aluno. Na visão vygotskyana da cognição, da linguagem e do
conhecimento, está implícita a relação entre autonomia e dependência.
Segundo ele, a aprendizagem é vista como um processo espiral no qual o
indivíduo precisa passar por fases de dependência para atingir novos níveis de
autonomia. Assim, ocorre uma dinâmica envolvendo um nível social, em que o
indivíduo integra-se ao grupo, mas também um individual, de distanciamento,
para análise e internalização. Nesse processo de promoção da autonomia,
ocupam lugar importante a interação e o professor para:

• Enfatizar na autoconstrução;

• Construir um indivíduo como um agente ativo no desenvolvimento;

89
• Dar importância aos efeitos contextuais, já que o desenvolvimento
ocorre pelo uso de ferramentas culturalmente disponíveis, em um tempo e em
um espaço particulares.

Para Sprenger (2004), se você tem a preocupação de promover a


autonomia entre seus alunos, é importante manter discussões sobre os
diferentes aspectos que essa iniciativa envolve; optar, com seu grupo de
trabalho, por uma definição que oriente o projeto e definir como o
desenvolvimento da autonomia será estimulado.

Se a motivação e a autoconfiança do aprendente são condições sine


qua non do êxito de seus estudos, o primeiro contato com a instituição é
crucial. Os cursos a distância precisam fazer boas orientações para os alunos,
sobre todos os aspectos do curso.

[…] informações claras e honestas (e não de marketing e publicitárias)


sobre os cursos e seus requisitos, oferta de cursos de preparação e
nivelamento para aqueles que necessitam, serviços eficientes de
informação e de orientação são básicos para assegurar o ingresso e a
permanência do estudante no sistema (Belloni, 1999, p. 45-46).

Além do primeiro contato, acreditamos que no gerenciamento constante


do curso, pois ajuda o aluno a se orientar e a entender o que precisa fazer.

Entendemos que é preciso inicialmente, principalmente, o estar junto aos


alunos, no tempo e nas suas necessidades para que aos poucos os alunos
possam ir ganhando maior independência.

Para tanto, gerenciar acaba sendo uma função muito importante, pois
significa, além de orientar as soluções de problemas técnicos e dúvidas sobre
as tarefas, administrar certos aspectos do curso; tais como:

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 Iniciar e encerrar as unidades no momento previsto pela
coordenação;
 Criar os fóruns pedidos pelo curso no momento certo;
 Criar fóruns não previstos (quando necessários);
 Observar se os alunos estão fazendo o que é pedido e em um ritmo
adequado de trabalho para poder tomar algumas atitudes, tais como:
 Enviar e-mails;
 Telefonar para o aluno;
 Enviar mensagens por telefone.

Acreditamos que, aos poucos, essas ações contribuem para orientar o


aluno e fazer com que se torne mais independente para gerenciar sua ação de
participação no curso. Também vemos como aspectos fundamentais:

• Avaliações contínuas e explícitas;

• Mensagens referentes à participação;

• Registros dessas ações, armazenados para que o aluno sempre


possa ter fácil acesso às mensagens e avaliações.

Nessa relação entre o espaço e o tempo disponibilizado, talvez seja


importante indicar ao aluno a economia do tempo gasto na locomoção entre a
residência do aluno e a escola. Esse tempo, se aproveitado para realizar as
tarefas de estudo, reverte-se em atividade produtiva para aprendizagem.
Portanto, é fundamental compreender a flexibilização do espaço e do tempo na
modalidade de ensino EaD, como uma forma de conferir ao aluno, condições
de acordo com as suas necessidades e características pessoais para imprimir
seu ritmo de estudo e adquirir conhecimento formal no local e no tempo que ele
julgar mais adequado.

Por isso, é importante definir e organização o tempo,


metodologicamente, dentro de certos limites, os quais fixam os prazos pré-
estabelecidos pelo professor para que o aluno realize as suas atividades.

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Como já apontamos diversas vezes, na modalidade EaD, a necessidade
de uma interação entre o professor e o aluno é muito mais complexa, quando
comparada à modalidade de ensino presencial e deve acontecer com uma
certa constância também, pois, como a EaD, por ser realizada em espaço
virtual, implica na distância física (na maioria dos momentos) entre os
envolvidos, necessita de meios de comunicação e informação de via dupla, em
que elas fluam livremente, de forma constante, porém controlada, para evitar
as distorções. Por exemplo: um professor não pode sumir de um curso,
deixando que seus alunos fiquem completamente soltos.

Nesse sentido, reiteramos que o planejamento da EaD exige uma


seleção criteriosa e adequada dos conteúdos programáticos, dos recursos e
dos materiais a serem incluídos no curso para que ações tanto de alunos como
de professores possam ocorrer de forma adequada. Essa tarefa exige:

• Tempo;

• Reflexão;

• Redirecionamentos;

• Estudo das características do aluno e do meio onde ele vive;

• Adequação e controle;

• Acompanhamento contínuo;

• Avaliação contínua imprescindível.

Com relação aos alunos, Faria (2007, p. 8) faz uma lista de ações que
podem ser muito úteis:

• Dar prioridade às tarefas que exigem mais de si;

• Buscar resposta para as dúvidas;

• Ter domínio dos meios de informação e comunicação disponíveis;

• Entrar diariamente no ambiente virtual de aprendizagem;

• Ser ativo e colaborativo no processo de interação (chat, fórum,


0800);

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• Preparar-se com antecedência para as aulas, imprimindo os textos
ou organizando uma pasta de arquivos para download;

• Dedicar-se a leitura e textos indicados;

• Organizar seu tempo para a vida pessoal (folga para os estudos);

• Organizar fichas, esquemas, anotações e revisões dos conteúdos;

• Organizar material de estudo;

• Cumprir datas e prazos.

Portanto, para finalizar, podemos dizer que a tarefa não é simples, mas
é muito desafiadora e pode dar muito certo quando a modalidade é bem
conduzida. Assim, podemos afirmar que o progresso do aluno deve ser
avaliado a partir de sua vivência e sua realidade. Tomando as sábias palavras
de Paulo Freire (1996, p. 94) em seu livro, Pedagogia da autonomia,
destacamos uma característica como construção autêntica da pessoa:

Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente.


Posso saber pedagogia, biologia como astronomia, posso cuidar da
terra como posso navegar. Sou gente. Sei que ignoro e sei que sei.
Por isso, tanto posso saber o que ainda não sei como posso saber
melhor o que já sei. E saberei tão melhor e mais autenticamente
quanto mais eficazmente construa minha autonomia em respeito à
dos outros. Freire (1996, p. 94).

Acreditamos na modalidade EaD e na possibilidade de o aluno construir


seu caminho de aprendizagem, assumindo maior responsabilidade sobre a
construção do conhecimento que colaborará para seu desenvolvimento
integral. Isso não significa que ele se educará sozinho.

93
Leia o artigo sobre que apresenta a pesquisa da profa. Gottardi (2015). O
estudo objetiva análise do desenvolvimento da autonomia do aluno durante
o processo de aprendizagem na modalidade a distância. Tem como
aspecto importante as análises e as reflexões da prática cotidiana da EaD.
Os resultados comprovam a possibilidade de construção de autonomia por
parte dos alunos.

http://seer.abed.net.br/edicoes/2015/08_A_AUTONOMIA_NA_APRENDIZA
GEM.pdf

4.3 Ampliando o conceito do “estar junto virtual”

Para finalizar esta unidade, aproveitamos para aprofundar a questão do


estar junto virtual, pois várias instituições, atualmente, buscam conhecer
melhor esse caminho, a fim de implementá-lo em seus projetos de EaD.

Como já apontamos, para Prado e Valente (2002) o estar junto virtual


também denominado “aprendizagem assistida por computador” (AAC) explora
a potencialidade interativa das TIC, tentando ao máximo aproximar os
emissores dos receptores dos cursos, permitindo criar condições de
aprendizagem e colaboração. Para Almeida (2003), não basta colocar os
alunos em ambientes digitais para que ocorram interações significativas e
tampouco se pode admitir que o acesso a hipertextos e recursos
multimidiáticos dê conta da complexidade dos processos educacionais.

Segundo Scherer (2005), o professor e o aluno na modalidade Ead


precisam tornar-se habitantes do ambiente virtual, não sendo apenas visitantes
ou transeuntes.

Os habitantes são aqueles que se responsabilizam pelas suas ações


e pelas dos parceiros, buscando o entendimento mútuo, a ação
comunicativa, o questionamento reconstrutivo; o habitante está

94
sempre sendo parte (sentido dinâmico) do ambiente. Os visitantes
são aqueles alunos(as) e professores(as) que participam do ambiente
de aprendizagem com a intenção de visitar. Quando visitamos um
ambiente, o fazemos impelidos por algum dever, por afeto ou por
amizade. Os transeuntes dos ambientes de aprendizagem são
aqueles alunos(as) e professores(as) que passam pelo ambiente.
Alguns entram, circulando pelos espaços, outros apenas passam.
Eles são passantes, nem visitantes, e nem habitantes. (Scherer,
2005, p. 59 – 60).

Assim o que Scherer (2005) salienta é que o professor e o aluno na


modalidade Ead precisam habitar o ambiente de formação estabelecendo um
ciclo de ações que contribuem para a manutenção da espiral de aprendizagem.

Figura 4

https://www.google.com/search?q=estar+junto+virtual+Valente&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi1uez3lu
zgAhUIE7kGHaGpC_MQ_AUIDigB&biw=1280&bih=518#imgrc=IRnVUVInt64QwM:

Para Scherer (2005), se o professor tiver uma atitude de transeunte,


raramente irá posicionar-se ou questionar os alunos em formação. Não
interagindo, não poderá saber como essa informação está sendo
compreendida. Imaginemos uma situação de fórum de discussão. Se o
professor ficar muito tempo sem entrar no curso, o que poderá acontecer?

95
Alunos, professores/tutores precisam habitar o ambiente de formação,
estabelecendo um ciclo de ações que possam contribuir para a manutenção
da aprendizagem.

Para Valente (2005), o professor ou o material do curso precisa criar


oportunidades para o desenvolvimento de uma espiral de aprendizagem.
Sugerimos a leitura de uma palestra do professor que pode ser encontrada
no seguinte endereço: file:///Users/solangeg/Downloads/4891-18077-1-
PB.pdf

Assim, voltamos a salientar que acreditamos na modalidade EaD e na


possibilidade de o aluno construir o seu desenvolvimento integral. Esperamos
que você tenha gostado e aprendido muito com a leitura das unidades deste
curso.

Até breve!

96
Nesta unidade final, vimos que a complexidade da internet contribuiu
para a desconstrução de muros, salas de aula ou da presença física dos
professores, ampliando o universo educacional. Mostramos que as noções de
tempo e espaço (geográfica e simbolicamente) têm sido remodeladas com a
inclusão das novas TIC na educação a distância. No entanto, salientamos que,
como em qualquer atividade de educação qualificada, é preciso que o tempo e
o espaço sejam organizados. Além disso, mostramos que os alunos precisam
desenvolver autonomia para aprender e ter responsabilidade e disciplina para
com os estudos na modalidade EaD. E reiteramos a importância da criação de
atividades e práticas que promovam o estar junto virtual.

O fundamental na unidade foi refletir sobre o que é EaD e como ela pode
realmente funcionar para que os alunos tenham sucesso.

Esperamos ter contribuído para a sua formação! Boa sorte em suas


jornadas virtuais!!!

Coloque-se no papel do docente que desenvolve um curso na


modalidade EaD. Procure entender o que fazer para desenvolver autonomia de
seus alunos, mas com responsabilidade e organização de tempo.

Faça uma lista de critérios fundamentais.

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Procure entender mais sobre o estar junto virtual e sobre atividades que
possam promover a chamada espiral de aprendizagem e apresente uma
atividade e escolha as ferramentas que usaria com seus alunos.

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